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Universidade de São Paulo Escola Politécnica

PME 2230 – Mecânica dos Fluidos I

Perda de Carga Distribuída


no Escoamento Laminar
Primeira Experiência de Laboratório

Turma 26

Prof. Jayme P. Ortiz

C 594
G 594
G 594
H 594
H 594

São Paulo
Outubro 2008

1
Índice

1. Resumo:..........................................................................................................................3

2. Objetivos:.......................................................................................................................3

3. Fundamentos teóricos.....................................................................................................3

4. Descrição do Aparato Experimental..............................................................................5

5. Metodologia experimental.............................................................................................5

6. Apresentação de Dados Experimentais..........................................................................6

7. Resultados Calculados e Respostas às Questões Propostas:..........................................6


7.1 Determinação das Linhas de Energia e Piezométrica......................................................................6
7.2 Cálculo da perda de carga com a variação da vazão:.......................................................................9
7.3 Variação do coeficiente de perda de carga em função do número de Reynolds:............................9
7.4 Casos Práticos................................................................................................................................10
7.5 Número de Reynolds em regime transitório e em regime turbulento............................................10
7.6 Escoamento para Re = 800............................................................................................................11

8. Conclusões e Comentários Finais................................................................................12

9. Bibliografia..................................................................................................................12

2
1. Resumo:

Em 1883, o engenheiro inglês Osborne Reynolds realizou uma experiência com o


intuito de provar a existência de dois tipos de escoamento: o laminar e o turbulento. Para
isso, foi utilizado um tubo transparente, no qual há escoamento de água, partindo de um
reservatório em repouso. Um filete de tinta é injetado na corrente de água, permitindo a
visualização do escoamento através do comportamento deste filete. Se o escoamento ocorre
de forma retilínea ao longo da tubulação, então diz-se que o escoamento é laminar. Caso
haja uma mistura rápida com a água, resultando no desaparecimento do filete, o escoamento
atinge o regime turbulento.

2. Objetivos:

Estudaremos o comportamento dos escoamentos laminares e de transição através de


um duto de vidro cilíndrico. Esse estudo baseia-se na experiência de Reynolds, como já
explicado no tópico 1. O escoamento será analisado em seis etapas, que terão valores de
vazão diferentes. Em cada etapa é analisada a perda de carga nos piezômetros.
Neste relatório, obteremos os seguintes itens:

− Linha piezométrica (LP)


− Linha de energia (LE)
− Perda de carga distribuída (hf)
− Coeficiente de perda da carga distribuída (f)
− Número de Reynolds (Re) em que foi visualizada a transição.

3. Fundamentos teóricos

Para a determinação da Linha Piezométrica e da Linha de Energia, utilizou-se o


conceito de vazão, e a Equação de Bernoulli.
A vazão (Q) é uma grandeza que mede a taxa temporal do volume de água que passa
por uma seção. No caso, o interesse é achar a velocidade de escoamento, então a equação
utilizada é:

Q
V =
Área

Já a Equação de Bernoulli (ou 1ª Lei da Termodinâmica simplificada) é a equação da


conservação de energia mecânica, ou seja, que associa à energia uma constante,
chamada de carga total (H). Nesse caso, a equação foi usada na forma simplificada

H =
(αV ) + P
2

(2 g ) γ

3
onde
H = carga
P = pressão na seção
γ = peso específico do fluido
α = coeficiente de energia cinética (vale 2 por ser um escoamento laminar)

Para achar a variação do coeficiente de perda de carga em função do número de


Reynolds, utilizou-se a equação de Darcy-Weisbach, que determina o valor do coeficiente em
função da perda de carga.

hF D 2 g
f =
LV 2

onde
f = coeficiente de perda de carga
hF = perda de carga entre dois pontos
L = distância entre dois pontos

Utilizou-se também o número de Reynolds, que é um parâmetro adimensional de


referência para comparações de valores de escoamentos. Através do número de Reynolds, é
possível verificar se o escoamento é “pequeno”, ou seja, laminar, ou “grande”, ou seja,
turbulento.

VD
Re = ρ
ν

A equação

f = C.Re A
fornece a relação entre o coeficiente de atrito e o número de Reynolds. Na literatura, seus
valores são
C=64 e A=-1

E por fim, para se determinar o perfil de velocidades, leva-se em conta o perfil no


escoamento plenamente desenvolvido, ou seja, o perfil não varia ao longo do comprimento
estudado. Nesse caso, o perfil é parabólico, de valor

  r 2 
V = Vmax 1 −   
 R 
 

4. Descrição do Aparato Experimental

4
.

Inicialmente foram medidas as distâncias entre o piezômetro (L1, L2 L3) , onde:


− L1 = 122,80 ± 0,05 cm
− L2 = 120,40 ± 0,05 cm
− L3 = 120,00 ± 0,05 cm.

O diâmetro do tubo é D = 7,01 ± 0,05 mm.

5. Metodologia experimental

Inicialmente, foi medida a distância entre os tubos piezométricos, para calcular a perda
de carga distribuída nesse trecho. Logo após, foi definida a altura da água nos tubos
piezométricos para obter as variações de altura durante cada etapa do experimento.
Em seguida, foram abertas as torneiras de água e de tinta, de modo que este
escoamento ocorresse em regime laminar, visualizado como um filete de tinta estável no
centro do tubo de vidro. Durante os 5 escoamentos laminares com vazões distintas, foram
medidas as alturas de água nos tubos piezométricos, o volume final da proveta e o tempo de
enchimento da mesma.
Em seguida, aumentou-se a vazão de tinta até que se observassem perturbações no
filete, onde foi obtida uma fase de transição entre os regimes laminar e turbulento. Foram
medidos o volume final e o tempo de enchimento da proveta.
Não foi possível obter o regime turbulento, pois a vazão máxima da água permitida
peloo aparelho proporcionou apenas o regime de transição do fluido.

6. Apresentação de Dados Experimentais

5
Diâmetro do duto: 7,01±0,05 mm
Gravidade: 9,81m/s2
Viscosidade Cinemática da água (ν ): 1,31x10-6m2/s
Incerteza das leituras dos meniscos: 5x10-4 m
Incerteza do cronômetro: 0,1s

A leitura inicial dos piezômetros era a mesma (43,2 cm), portanto não foi necessária a
adoção de um fator de correção nas alturas da coluna d’água.

Leitura nos piezômetros:

Tipo de Volume(m³ Tempo


Medição Escomento P1(m) P2(m) P3(m) P4(m) ) (s)
1 Laminar 0,393 0,38 0,363 0,358 2,240E-04 45,38
2 Laminar 0,392 0,38 0,373 0,362 2,100E-04 47,29
3 Laminar 0,39 0,38 0,379 0,368 2,170E-04 69,40
4 Laminar 0,388 0,38 0,377 0,373 2,100E-04 98,59
5 Laminar 0,387 0,383 0,382 0,378 1,930E-04 153,40
6 Transição 0,378 0,365 0,356 0,345 2,725E-04 47,10

7. Resultados Calculados e Respostas às Questões Propostas:

7.1 Determinação das Linhas de Energia e Piezométrica

Usando as fórmulas de vazão , velocidade , e energia

obtivemos a tabela a seguir, que mostra a carga do escoamento na região de cada


piezômetro, para as diferentes vazões no regime laminar:

Velocidade H1 H2 H3 H4
Medição Q (m³/s) (m/s) (m) (m) (m) (m)
1 4,94E-06 0,128 0,394 0,382 0,375 0,364
2 4,44E-06 0,115 0,391 0,381 0,380 0,369
3 3,127E-06 0,081 0,389 0,381 0,378 0,374

4 2,130E-06 0,055 0,387 0,383 0,382 0,378


5 1,258E-06 0,033 0,393 0,380 0,363 0,358

6
Da tabela acima foram feitos os seguintes gráficos, que mostram como variam as
linhas de energia e piezométrica para cada vazão analisada:

Linhas Piezométrica e de Energia para Q1

0,4
0,395
0,39
0,385
0,38 Linha Piezométrica
m

0,375 Linha de Energia


0,37
0,365
0,36
0,355
1,000 2,000 3,000 4,000
Distancia piezometro-origem (m)

Linhas Piezométrica e de Energia para Q2

0,4
0,395
0,39
0,385
Linha Piezométrica
0,38
m

Linha de Energia
0,375
0,37
0,365
0,36
1,000 2,000 3,000 4,000
Distancia piezometro-origem (m)

7
Linhas Piezométrica e de Energia para Q3

0,395

0,39

0,385
Linha Piezométrica
0,38
m

Linha de Energia
0,375

0,37

0,365
1,000 2,000 3,000 4,000
Distancia piezometro-origem (m)

Linhas Piezométrica e de Energia para Q4

0,39
0,388
0,386
0,384
0,382 Linha Piezométrica
m

0,38 Linha de Energia


0,378
0,376
0,374
0,372
1,000 2,000 3,000 4,000
Distancia piezometro-origem (m)

Linhas Piezométrica e de Energia para Q5

0,388

0,386

0,384
Linha piezométrica
0,382
m

Linha de Energia
0,38

0,378

0,376
1,000 2,000 3,000 4,000
Distancia piezometro-origem (m) 8
7.2 Cálculo da perda de carga com a variação da vazão:

A perda de carga (hf) foi calculada como sendo a diferença entre as medidas do primeiro e
do último piezômetros, e assim foi montada a tabela a seguir:

Medição Q (m³/s) hf(m)


1 4,936E-06 0,035
2 4,441E-06 0,03
3 3,127E-06 0,022
4 2,130E-06 0,015
5 1,258E-06 0,009

Em seguida, com os dados da tabela, foi feito o gráfico abaixo que mostra a relação
da perda de carga com a vazão do escoamento:

Perda de Carga x Vazão

0,04
0,035
0,03
0,025
hf (m)

0,02
0,015
0,01
0,005
0
0,000E+0 1,000E- 2,000E- 3,000E- 4,000E- 5,000E- 6,000E-
0 06 06 06 06 06 06
Q (m 3 / s)

Assim, observamos que a perda de carga varia linearmente em função da vazão.

7.3 Variação do coeficiente de perda de carga em função do número de


Reynolds:

Através da relação de Darcy-Weisbach e da relação da velocidade

com o Número de Reynolds , obtivemos a tabela abaixo:

9
f Re log (f) log (Re)
0,080 684,391 -1,09471124 2,835304
0,085 615,702 -1,06979094 2,789371
0,126 433,532 -0,89979008 2,637021
0,185 295,330 -0,73269383 2,470307
0,318 174,443 -0,49723362 2,241653

Com isso, e com a fórmula f = C.Re A, válida para escoamentos em regime laminar,
obtivemos o gráfico a seguir:

log (f) = log (C) + A * log (Re)

-0,4
2 2,2 2,4 2,6 2,8 3
-0,5
-0,6

-0,7

-0,8

-0,9

-1
y = -1,0219x + 1,7928
-1,1

-1,2

Do gráfico, observamos que os valores de A (-1,0219) e C (101,7928 = 62,0583) são


muito próximos dos valores tabelados.

7.4 Casos Práticos

Como o escoamento laminar só ocorre em situações muito específicas, não foram


encontrados muitos casos práticos de sua ocorrência.
Um exemplo desse escoamento é a circulação do sangue nas veias, e outro é a
fumaça de um cigarro em repouso.

7.5 Número de Reynolds

Utilizando mais uma vez a relação , calculamos o número de Reynolds para

a medição 6, que foi feita quando o escoamento tinha a máxima vazão possível no aparato
experimental (V = 0,150m/s ) com a válvula de descarga totalmente aberta). Esse valor foi:
Re = 802,2
Nessa etapa havia uma pequena oscilação no filete de tinta. Porém, na bibliografia
encontramos dados afirmando que para números de Reynolds com valores menores que

10
2100, o escoamento pode ser considerado laminar. Portanto, podemos afirmar que nesse
experimento não foi alcançado o regime transitório, tampouco o regime turbulento.

7.6 Escoamento para Re = 800

Primeiramente calculamos a velocidade média para Re = 800

e em seguida a velocidade máxima do escoamento (VMAX = 2* VM ).

A seguir, utilizando a fórmula do perfil de velocidade em escoamentos laminares

, montamos a tabela a seguir:

VM = 0,149 m/s VMAX = 0,299 m/s

r V( | r | )
0 0,299
0,0005 0,293
0,001 0,275
0,0015 0,244
0,002 0,202
0,0025 0,147
0,003 0,080
0,0035 0,001

E, da tabela, chegamos ao gráfico a seguir:

Diagrama de velocidade para Re=800


0,35
0,30
Velocidade (m/s)

0,25
0,20
0,15
0,10
0,05
0,00
0 0,0005 0,001 0,0015 0,002 0,0025 0,003 0,0035 0,004
Distância ao eixo do duto cilíndrico (m)

8. Conclusões e Comentários Finais

11
Como esperado, todas as medidas feitas, exceto a medida 6, foram feitos no estado
de escoamento laminar, tanto visualmente quanto no cálculo, pois todos tiveram número de
Reynolds (Re) menores que 800. Na sexta medida, obtivemos Re = 802,2 o que pode ser
considerado regime de transição, como esperado também.
Com o experimento realizado no laboratório, obtivemos, com sucesso, diferentes
valores de perda de carga para cada vazão em que os escoamentos foram analisados. Com
isso, encontramos também uma relação entre perda de carga e vazão e pudemos concluir a
linearidade da relação, como esperado pela análise teórica.
Podemos dizer que a realização do experimento foi satisfatória, pois os resultados
foram muito próximos dos desejados.
Embora vários fatores externos possam ter interferido para resultados não favoráveis,
tais como movimentação da bancada, erros de leitura, incertezas de instrumentos, pudemos
perceber que a precisão foi bastante grande.

9. Bibliografia

-Munson, Bruce R. / Young, Donald F./ Okiishi, Theodore H.;


Fundamentos da Mecânica dos Fluidos;
Trad. da 4ª ed. americana; Ed. Edgard Blücher.; 2004.

- http://srv.emc.ufsc.br/labtermo/Experimento%20de%20Reynolds.html; Acesso em:


09/10/2008.

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