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ORIENTAÇÕES PARA CONFECCIONAR A PETIÇÃO INICIAL E PARA DISTRIBUIR NO

FÓRUM

1. Você precisa utilizar a petição inicial abaixo e fazer as alterações para que se adeque à
realidade do seu caso. Inicialmente você deve alterar os dados da qualificação (nome,
nacionalidade, estado civil, profissão, identidade, CPF e endereço). Todos os textos que
estiverem em vermelho na petição inicial, você deve substituir por dados seus.

2. Recomendo que você leia a petição inicial na íntegra antes de fazer qualquer coisa e faça as
modificações que se adequem ao seu caso. Fique à vontade para modificar e caso tenha
dúvida, você pode me enviar uma mensagem pelo whatsapp ou email;

3. Providenciar os seguintes documentos (cópias): identidade, CPF, comprovante de residência


atual e todas as faturas de cobranças referente ao TOI, assim como comprovantes de
pagamentos, TOI e cartas de comunicação enviadas pela Light, além de todos os demais
documentos que comprovam suas alegações;

4. Após a sua petição inicia ficar pronta e todos os documentos que comprovem suas
alegações estiverem com cópias, basta imprimir em uma via somente;

5. Você deve procurar o Fórum mais próximo do endereço do imóvel que foi aplicado o TOI e
dirigir-se ao Núcleo de Primeiro Atendimento dos Juizados Especiais Cíveis ou Núcleo de
Distribuição, Autuação e Citação – NADAC. Você deve levar sua petição inicial e os
documentos que comprovam suas alegações para que seja Distribuída (dada entrada) e
marcada a Audiência de Conciliação;

6. Você receberá o número do processo judicial e as orientações. Você poderá acompanhar p


andamento do seu processo judicial através do site do Tribunal de Justiça no www.tjrj.jus.br;

7. A Audiência de Conciliação é presidida por um Conciliador e neste momento é a Empresa


Ré que irá fazer uma proposta de acordo. Recomendo você analisar com cuidado e atenção a
proposta e após fazer sua análise, você aceita ou não.

8. Você não é obrigado a aceitar nenhuma proposta e pode recursar a proposta inicial,
podendo inclusive fazer sua contraproposta. Caso você não aceite a proposta, será designada
uma Audiência de Instrução e Julgamento. Neste momento, haverá uma nova oportunidade
para as partes fazerem acordo e caso não seja possível o juiz, seja leigo ou togado, procederá
com a análise das provas apresentadas pelas partes e dará seu julgamento. Em regra o
julgamento não é na Audiência, mas será designado um dia para que as partem tomem
conhecimento da sentença.

9. Caso a sentença não seja satisfatória a você, você poderá recorrer dentro do prazo de no
máximo 10 (dez) dias corridos, a contar da data do dia em que foi designada a sentença.

10. Sempre recomendo que todo procedimento judicial seja realizado por advogado ou
defensor público, mas a Lei Federal 9.099/95 criou os Juizados Especiais Cíveis (antigo
Juizado de Pequenas Causas), podendo o interessado, pessoa física, atuar sem advogado,
desde que o valor da causa não ultrapasse o valor equivalente a 20 (vinte salários mínimos).
Caso o valor da causa ultrapasse o equivalente a 20 salários mínimos, é obrigatória a atuação
de advogado no processo dos Juizados Especiais Cíveis. O art. 133 da Constituição Federal de
1988 trata sobre a atuação indispensável do advogado nos processos judiciais, sendo
necessária sua presença sempre. A atuação do advogado também é obrigatória em caso de
você ter quer recorrer.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO ........ JUIZADO ESPECIAL
CÍVEL COMARCA DA CAPITAL – FÓRUM REGIONAL DE [BANGU, CAMPO GRANDE,
ETC...]

PETIÇÃO INICIAL - MODELO

NOME COMPLETO, brasileiro(a), casado(a)/solteiro(a), desempregado(a)/do


lar/aposentado(a)/atendente, portador(a) da carteira de identidade nº .x.x.x.x.x.
(IFP/DETRAN/RJ), CPF nº xxx.xxx.xxx-xx, residente e domiciliado(a) na Av./Rua
x.x.x.x.x.x.x.x., nº x.x.x.x.x, bairro .x.x.x.x., Cidade .x.x.x.x., RJ, CEP nº x.x.x.x.x.x., vem a
Vossa Excelência propor, pelo Rito Especial, AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C
INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS em face de LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE
S.A., CNPJ nº 60.444.437/0001-46, localizada na Av. Mal. Floriano, 167, Centro, Rio de
Janeiro, RJ, pelas razões de fato e de direito que passa a expor:

1. DOS FATOS
O(A) Autor(a) é titular dos serviços de fornecimento de energia elétrica prestados
pela Empresa Ré, identificado através do nº de cliente .x.x.x.x.x., estabelecendo
comprovadamente uma relação de consumo regulada e protegida pela Lei nº 8.078/90 - Código
de Defesa do Consumidor - CDC.

No dia .x.x./ x.x.x.x/ 20x.x. a Empresa Ré realizou Inspeção Técnica na residência


do Autor(a), gerando, por conseguinte, o Termo de Ocorrência e Inspeção – TOI nº
x.x.x.x.x.x.x., referente à nota .x.x.x.x.x.x, comprovando haver supostos indícios de
procedimentos irregulares.

[A PARTIR DAQUI VOCÊ DEVE CONTAR OS FATO QUE OCORRERAM COM


VC – SEJA SIMPLES E OBJETIVO(A). CASO O TEXTO NÃO SE APLIQUE, FAVOR
DELETAR. FIQUE À VONTADE PARA ACRESCENTAR INFORMAÇÕES CONFIRME SUA
REALIDADE. DEPOIS DELETE ESTE TEXTO]

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Foi verificado pela Empresa Ré que o medidor estava danificado, apurando de
forma unilateral um histórico de consumo e grandezas elétricas no período de
x.x./.x.x.x.x.x/20.x.x. a x.x./.x.x.x.x.x/20.x.x., totalizando uma suposta dívida de R$ .x.x.x.x.x.x
(.x.x.x.x.x).

Mesmo o(a) Autor(a) não ter concorda com o TOI aplicado de forma unilateral a
ele(a), em decorrência do consumo de sua unidade consumidora e acerca do valor cobrado
acima, foi obrigado(a) a aceitar o referido valor como dívida e parcelar tal dívida em .x.x
parcelas iguais e sucessivas de R$ .x.x.x.x. (x.x.x.x.x.x.x), iniciando a primeira como cobrança
na fatura de .x.x.x.x/20x.x. (vencida em .x.x./.x.x.x.x/20x.x.), a fim de evitar qualquer
suspensão no fornecimento de energia e inclusão de seu nome e CPF nos cadastros
restritivos de crédito.

Excelência, não existem razões nas suas alegações de cobranças indevidas


por parte da Empresa Ré, ademais que no dia .x.x./.x.x.x.x/20x.x foi realizada pela Empresa Ré
a substituição do relógio medidor, sendo retirado o medidor nº x.x.x.x. e substituído pelo
medidor novo de nº x.x.x.x. Contudo, há de ser mencionado que há irregularidade no
procedimento da Empresa Ré, os quais não foram realizados conforme determina o art.
129 da Resolução nº 414, de 09 de setembro de 2010, da Agência Nacional de Energia
Elétrica – ANEEL, conforme passo a dispor:

É importante mencionar que art. 129 da Resolução nº 414/2010 da ANEEL,


dispõe o seguinte:
“Art. 129. Na ocorrência de indício de procedimento irregular, a distribuidora deve adotar as providências
necessárias para sua fiel caracterização e apuração do consumo não faturado ou faturado a menor.
§1º - A distribuidora deve compor conjunto de evidências para a caracterização de eventual
irregularidade por meio dos seguintes procedimentos:
I – emitir o Termo de Ocorrência e Inspeção – TOI, em formulário próprio, elaborado conforme Anexo V desta
Resolução;
II – solicitar perícia técnica, a seu critério, ou quando requerida pelo consumidor ou por seu representante
legal;
III – elaborar relatório de avaliação técnica, quando constatada a violação do medidor ou demais
equipamentos de medição, exceto quando for solicitada a perícia técnica de que trata o inciso II; (Redação
dada pela REN ANEEL 479, de 03.04.2012);
IV – efetuar a avaliação do histórico de consumo e grandezas elétricas; e
V – implementar, quando julgar necessário, os seguintes procedimentos:
a) medição fiscalizadora, com registros de fornecimento em memória de massa de, no mínimo, 15 (quinze)
dias consecutivos; e
b) recursos visuais, tais como fotografias e vídeos.
§2º - Uma cópia do TOI deve ser entregue ao consumidor ou àquele que acompanhar a inspeção, no ato da
sua emissão, mediante recibo.
§3º - Quando da recusa do consumidor em receber a cópia do TOI, esta deve ser enviada em até 15 (quinze)
dias por qualquer modalidade que permita a comprovação do recebimento.
§4º - O consumidor tem 15 (quinze) dias, a partir do recebimento do TOI, para informar à distribuidora a
opção pela perícia técnica no medidor e demais equipamentos, quando for o caso, desde que não se tenha
manifestado expressamente no ato de sua emissão. (Redação dada pela REN ANEEL 418, de 23.11.2010).
§5º - Nos casos em que houver a necessidade de retirada do medidor ou demais equipamentos de medição,
a distribuidora deve acondicioná-los em invólucro específico, a ser lacrado no ato da retirada, mediante

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entrega de comprovante desse procedimento ao consumidor ou àquele que acompanhar a inspeção ,
e encaminhá-los por meio de transporte adequado para realização da avaliação técnica.
§6º - A avaliação técnica dos equipamentos de medição pode ser realizada pela Rede de Laboratórios
Acreditados ou pelo laboratório da distribuidora, desde que com pessoal tecnicamente habilitado e
equipamentos calibrados conforme padrões do órgão metrológico, devendo o processo ter certificação na
norma ABNT NBR ISO 9001, preservado o direito de o consumidor requerer a perícia técnica de que trata o
inciso II do § 1o . (Redação dada pela REN ANEEL 479, de 03.04.2012).
§7º - Na hipótese do §6º, a distribuidora deve comunicar ao consumidor, por escrito, mediante
comprovação, com pelo menos 10 (dez) dias de antecedência, o local, data e hora da realização da avaliação
técnica, para que ele possa, caso deseje, acompanhá-la pessoalmente ou por meio de representante
nomeado.
§8º - O consumidor pode solicitar, antes da data previamente informada pela distribuidora, uma única vez,
novo agendamento para realização da avaliação técnica do equipamento.
§9º - Caso o consumidor não compareça à data previamente informada, faculta-se à distribuidora seguir
cronograma próprio para realização da avaliação técnica do equipamento, desde que observado o disposto
no §7º.
§10 - Comprovada a irregularidade nos equipamentos de medição, o consumidor será responsável pelos
custos de frete e da perícia técnica, caso tenha optado por ela, devendo a distribuidora informá-lo
previamente destes custos, vedada a cobrança de demais custos.
§11. Os custos de frete de que trata o §10 devem ser limitados ao disposto no §10 do art. 137.”

Assim, diante das alegações inverídicas e caluniosas da Empresa Ré que afirma,


sem qualquer tipo de prova, haver irregularidade no relógio medidor da unidade consumidora
do(a) Autor(a), inclusive indicando suposto furto de energia por parte deste(a) Consumidor(a).

Ocorre que todo procedimento realizando pelos prepostos da Empresa Ré foge às


determinações da ANEEL que estão dispostas no art. 129 da Resolução nº 414/2010, em
especial, o fato de ter realizado o procedimento no relógio medidor da unidade consumidora
sem a presença do(a) Autor(a) ou de seu representante legal, o que não garante que o
procedimento foi feito com lisura e imparcialidade por parte da Empresa Ré, pois, como é
notório, vem aplicando TOI’s em seus consumidores de forma indiscriminada.

Deve ser constado que residem com o(a) Autor(a), seu cônjuge e dois filhos,
sendo o imóvel constituído de 05 (cinco) cômodos (Sala, Cozinha, Banheiro e dois
Quartos),onde se comportam os seguintes aparelhos consumidores de energia:
 01 (uma) Geladeira;
 01 (um) Televisor;
 01 (um) Aparelho Condicionador de Ar;
 01 (um) Ventilador de Mesa de 30cm (trinta centímetros);
 05 (quatro) Lâmpadas Fluorescente/LED.

Excelência, o que pretende o(a) Autor(a) com as informações acima ficar claro
que seu consumo mensal de energia é compatível com a quantidade de pessoas residentes na
unidade consumidora, ademais que durante o horário comercial quase não há consumo de
energia elétrica, uma vez que os o(a) Autor(a) e seu cônjuge trabalham e os filhos estudam,
não justificando a cobrança que a Empresa Ré impingiu ao(a) Autor(a).

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Desta forma, a conduta da Empresa Ré é considera ilegal, pois, não corresponde
à realidade do consumo de real no imóvel do(a) Autor(a), uma vez que a Empresa Ré não
cumpriu as regras exigidas pelo art. 129 da Resolução nº 414/2010 da ANEEL, quando são
encontradas supostas irregularidades na instalação elétrica da unidade consumidora do(a)
Autor(a), em especial, ter realizado o TOI sem a presença do(a) Autor(a) ou de seu
representante legal.

Sendo assim, cabe ao(à) Autor(a) a declaração de nulidade do TOI aplicado a


ele(a), assim como a devolução de todo o valor que foi pago para a Empresa Ré, além da
condenação pelos danos morais causados em decorrência de tal procedimento que, não só
gerou todo aborrecimento, mas suspensão no serviço de energia elétrica na unidade
consumidora do(a) Autor(a).

Desta forma, não existe alternativa ao(à) Autor(a), senão procurar o Poder
Judiciário para garantir seus direitos na qualidade do(a) consumidor(a).

2. DOS FUNDAMENTOS
A norma contida no art. 22 da Lei nº 8.078/90 - Código de Defesa do Consumidor,
determina que Administração Pública é obrigada a fornecer na prestação de serviço público,
um serviço ADEQUADO, EFICIENTE, SEGURO e CONTÍNUO, na hipótese de SERVIÇO
ESSENCIAL, uma vez serem atributos inerentes a todo e qualquer serviço prestado ao
consumidor.

A essencialidade do serviço público e sua consequente continuidade ocorre em


atendimento aos Princípios Constitucionais da Intangibilidade da Pessoa Humana, da Garantia
à Segurança e à Vida, previsto respectivamente no art. 1º, III, no art. 5º, caput, da Constituição
Federal de 1988, in verbis:
“Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana;
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, [...]” (Grifos nossos).

A leitura da norma prevista no Código de Defesa do Consumidor, em especial, em


seu art. 39, V, determina que é prática abusiva a atitude tomada pela Empresa Ré, que com
todo o seu poder econômico, “exige do consumidor vantagem manifestamente excessiva”.

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O que causa indignação no(a) Autor(a) é que os valores cobrados são
indevidos, pois não correspondem ao que efetivamente foi consumido no período acima
mencionado, além de o procedimento para a aplicação do TOI foi totalmente fora no
determinado pelo art. 129 da Resolução nº 414/2010 da ANEEL, além de não ter dado ao(à)
Autor(a) a possibilidade de acompanhar pessoalmente o procedimento e de realizar sua defesa
administrativa, não sendo garantido que realmente existam irregularidades em sua unidade
consumidora.

Sendo assim, deve ser declarado nulo, abusivo e indevido o Termo de


Ocorrência – TOI nº x.x.x.x.x.x., de x.x/x.x.x.x.x./20x.x., devendo ainda ser desconstituindo todo
e qualquer débito oriundo deste documento, tal como, o Comunicado de Cobrança de
Irregularidade nº x,x,x,x,x,x,x,x,x,x,x,x, no valor de R$ .x.x.x.x.x.

3. DA RESPONSABILIDADE DA EMPRESA RÉ
O art. 37, §6º, da Constituição Federal de 1988 – CRFB/88, ao dispor que “as
pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros [...]” encerra qualquer possível discussão acerca da responsabilidade das pessoas
jurídicas de direito público, fixando sua responsabilidade objetiva por atos de seus prepostos.

Segundo José Afonso da Silva, “a Constituição considera entidades da


administração indireta as autarquias, as empresas públicas e as sociedades de economia
mista, não assim as fundações instituídas pelo Poder Público, pois sempre menciona estas
especificamente quando usa a expressão administração indireta”, o que enquadra a Empresa
Ré como pertencente à administração indireta do Poder Público e, desta forma, deve
responder objetivamente por danos que causem a terceiros, na forma do disposto no art.
37, §6º, da CRFB/88.

Sendo assim, a responsabilidade do fornecedor do serviço público, que no


caso é a Empresa Ré, independe de qualquer discussão sobre a extensão da culpa,
devendo então indenizar o(a) Autor(a) pelos danos causados a ela e sua família.

O fato ocorrido deve ser reparado por verba fixada em patamares comedidos, ou
seja, para que não seja uma forma de enriquecimento ilícito para o(a) Autor(a), tampouco,

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constituir um valor ínfimo que nada indenize e que deixe de retratar uma reprovação à atitude
imprópria da Empresa Ofensora, considerada a sua capacidade econômico-financeira.

Ressalte-se que a reparação desse tipo de dano tem tríplice caráter: punitivo,
indenizatório e educativo, como forma de desestimular a reiteração do ato danoso.

Corrobora com o aludido acima o Código de Defesa do Consumidor, em seu art.


14, que dispõe sobre a responsabilidade objetiva, devendo responder independentemente da
existência de culpa pelos vícios advindos daquela prestação de serviço inadequada, a saber:
“Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação
dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.” (Grifo nosso).

Há também de reconhecer, com todos os consectários, a vulnerabilidade do


consumidor ou usuário, ora Autor, nos termos do art. 4º, I, da Lei nº 8.078/90, nos seguintes
termos:
“Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades
dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses
econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações
de consumo, atendidos os seguintes princípios:
I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;” (Grifos nossos).

Surge assim a necessidade de o(a) Autor(a), conforme o art. 5º, XXXV, CRFB/88
e art. 6º VII do CDC, ir ao Poder Judiciário para ter seu direito resguardado, pleiteando ainda
indenização pelos danos morais causados pela Empresa Ré, pela prática não idônea
utilizada pela Empresa Ré que, unilateralmente, impingiu ao(à) Autor(a) cobrança
indevida, submetendo ainda à prática vexatória que submeteu o(a) Autor(a), ao ponto de
substituir o seu relógio medidor por outro que somente fez comprovar que a falha estava
na cobrança da Empresa Ré, além de ter cortado indevidamente a energia na unidade
consumidora.

Excelência, é necessário acrescentar que a Empresa Ré tem o direito de realizar


a inspeção dos medidores de consumo de energia elétrica emitindo o respectivo TERMO DE
OCORRÊNCIA DE IRREGULARIDADE - TOI, assim como está previsto e regulado através no
art. 129, da Resolução nº 414/2010 da ANEEL.

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No entanto, certo é que o(a) Autor(a), como usuário do serviço, deve estar ciente
dos atos dos prepostos técnicos da Empresa Ré, só podendo responder pelas respectivas
cobranças se restarem provadas a real existência de referida irregularidade, o que não
houve in casu.

No caso, o que se verifica é que a Empresa Ré não faz prova de efetiva


ocorrência de qualquer fraude ou irregularidade no relógio medidor que tenha sido
causada pelo respectivo usuário, não sendo, portanto, aceitável a aplicação do referido TOI.

Vale ainda acrescentar a jurisprudência do E. Tribunal de Justiça do Estado do


Rio de Janeiro – TJRJ, que corroboram com o entendimento favorável ao Autor, in verbis:
“2007.001.12876 - APELACAO CIVEL - DES. RICARDO COUTO - Julgamento: 13/11/2007 - TERCEIRA
CAMARA CIVEL - COBRANÇA INDEVIDA - DANO MORAL CONFIGURADO. Relação de consumo.
Cobrança retroativa de débito proveniente de constatação unilateral, através de Termo de Ocorrência de
Irregularidade TOI. Documento produzido unilateralmente pela ré, sem assinatura de qualquer testemunha.
Cobrança de dívida que inexiste. Dano moral configurado. Quantum indenizatório que deve observar o
princípio da razoabilidade. Sentença de improcedência que se reforma para julgar procedentes todos os
pedidos. Recurso conhecido e parcialmente provido.” (Grifos nossos).

“2007.001.40697 - APELACAO CIVEL - 1ª Ementa - DES. SERGIO CAVALIERI FILHO - Julgamento:


12/09/2007 - DECIMA TERCEIRA CAMARA CIVEL - FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. Problema
no Medidor. Termo de Ocorrência de Irregularidade TOI. Imputação de Responsabilidade ao Usuário.
Necessidade de Prova. Cobrança Indevida de Débito. Abuso do Direito. Cabe à concessionária
fiscalizar e conservar os aparelhos medidores de energia elétrica, a menos que se encontrem dentro
do imóvel do consumidor, em situação que lhe permita a devida vigilância. Não é o caso em exame
porque, em se tratando de apartamento, tal aparelho é normalmente instalado longe da esfera de
vigilância do usuário. O consumidor só pode ser responsabilizado pela irregularidade constatada no
medidor de energia se ficar provado que a provocou, ônus que cabe à concessionária por auferir os
bônus da atividade. Esta é a ratio da teoria do risco do empreendimento: a justiça distributiva. Do
contrário, a concessionária atuará abusivamente ao exigir do usuário o pagamento do débito daí resultante.
Desprovimento do recurso.” (Grifos nossos).

4. DO PEDIDO
Diante do exposto, vem a Vossa Excelência requerer:
1. Seja, inaudita altera pars, concedida a tutela de urgência, de acordo com o
art. 300 do CPC e art. 84 do CDC, determinando o restabelecimento do serviço de energia
elétrica na residência do(a) Autor(a), sob pena de multa diária de R$ 100,00 (cem reais) em
caso de descumprimento, sendo transformada em definitiva ao final do litígio; (Utilizar este
pedido somente se houver o corte no fornecimento do serviço de energia pelo não pagamento
de alguma parcela do TOI).
2. A citação da Empresa Ré para responder à presente ação para que conteste a
presente ação, em todos os seus fundamentos, sob pena de presumirem-se verdadeiros os
fatos e fundamentos aqui articulados;

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3. Que seja concedida a inversão do ônus da prova, de acordo com o art. 6º VIII
do CDC, cabendo ao pólo mais forte derrubar as afirmações aqui arroladas, tudo aliado aos
indícios processuais;
4. Seja declarado nulo, abusivo e indevido o Termo de Ocorrência – TOI nº
x.x.x..x., desconstituindo todo e qualquer debito e cobranças oriundas deste documento, tal
como, os Comunicados de Cobranças de Irregularidade nº x.x.x.x.x.x.x.x.x., no valor de R$
x.x.x.x.x, bem como todos os seus consectários, em especial, as cobranças indevidas mensais
e sucessivas R$ x.x.x.x.;
5. Seja confirmada a tutela de urgência para determinar o restabelecimento do
serviço de energia elétrica na residência do(a) Autor(a), sob pena de multa diária de R$ 100,00
(cem reais) em caso de descumprimento, sendo transformada em definitiva ao final do litígio;
(Utilizar este pedido somente se houver o corte no fornecimento do serviço de energia pelo não
pagamento de alguma parcela do TOI).
6. Seja a Empresa Ré seja condenada a devolver ao(à) Autor(a) todo o valor
cobrado indevidamente e decorrente de tais irregularidades;
7. Seja a Empresa Ré condenada a pagar o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais),
a título de danos morais, com caráter punitivo-pedagógico, pela má-prestação dos serviços e
atitude desidiosa da Empresa Ré, assim como, serviço defeituoso, inadequado e ineficiente,
conforme arts. 1, III e 5, X, ambos da CRFB/88; e arts. 4º, 6º, VI, do Código de Defesa do
Consumidor, e arts. 186, 187 e 927, do Código Civil;

5. DAS PROVAS
Protesta por todos os meios de prova em direito permitido, tais como, juntada de
novos documentos, depoimento pessoal do Réu, sob pena de confissão e demais provas em
direito admitidas para o ora alegado.

6. DO VALOR DA CAUSA
Dá-se à causa o valor de R$ x.x.x.x.x (somar os R$ 10.000,00 + o valor da
cobrança do TOI ou dos TOI’s).
Nestes termos,
pede deferimento.

Rio de Janeiro, ....... de ...................................... de 2018.

..................................................
FULANO(A) DE TAL
AUTOR(A)

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