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MPC-PA

Analista Ministerial
Especialidade: Controle Externo

1 Prestação de Contas do Governo do Estado. .................................................................................. 1


1.1 Natureza e conteúdo do parecer prévio do Tribunal de Contas do Estado. ................................... 6
1.2 Processamento. ............................................................................................................................. 7
2 Tomadas e prestações de contas dos administradores e demais responsáveis por bens, dinheiros e
valores públicos. 2.1 Processamento e julgamento das contas. 2.2 Sanções e Medidas Cautelares. 2.3
Recursos. 2.4 Pedido de Rescisão. 2.5 Execução das decisões. .......................................................... 10
3 Tomada de contas especial. .......................................................................................................... 15
4 Apreciação da legalidade dos atos de admissão de pessoal e das concessões de aposentadorias,
reformas e pensões. .............................................................................................................................. 18
5 Denúncia. 6 Representação. ........................................................................................................... 21
7 Gestão fiscal. ................................................................................................................................. 21
8 Fiscalização de contratos. 9 Inspeção extraordinária e auditoria especial. ..................................... 32
10 Legislação. 10.1 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. ............................................ 33
10.2 Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Pará. ........................................................... 45
10.3 Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado do Pará. .................................................. 46
10.4 Resoluções TCE/PA nº 18.784, nº 18.842 ................................................................................. 46
Nº 18.857 e nº 18.858. ...................................................................................................................... 58
10.5 Código de Processo Civil (aplicação subsidiária). ..................................................................... 63
10.6 Legislação do Tribunal de Contas da União (aplicação subsidiária). 11 Jurisprudência aplicada
dos tribunais superiores. ........................................................................................................................ 63

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1 Prestação de Contas do Governo do Estado

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foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida
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Tomadas e prestações de contas dos administradores e demais responsáveis por bens,


dinheiros e valores públicos. Processamento e julgamento das contas. Sanções aplicáveis aos
responsáveis por contas irregulares.

A finalidade dos processos de contas é a de possibilitar a verificação da regular aplicação dos recursos,
à luz dos princípios da legalidade, legitimidade e economicidade.
Entende-se por prestar contas como a demonstração de correta e regular aplicação dos recursos sob
responsabilidade.

A omissão no dever de prestar contas implicará a instauração de tomada de contas especial, bem
como, crime de responsabilidade e ato de improbidade administrativa.

No que diz respeito aos recursos federais repassados a Estados, Distrito Federal, Municípios e a
pessoas físicas ou entidades privadas, incluindo auxílios, subvenções, contribuições ou outra forma de
transferência voluntária de valores por intermédio de órgãos e entidades da administração federal direta,
indireta, de fundações instituídas e mantidas pelo poder público federal e de suas entidades paraestatais,
os beneficiários responderão perante o órgão ou entidade repassador pela boa e regular aplicação desses
recursos, apresentando os documentos, informações e demonstrativos necessários à composição dos
relatórios de gestão e dos processos de contas dos responsáveis por essas unidades jurisdicionadas.

Processamento e Julgamento das Contas


De acordo com Valdecir Fernandes Pascoal, o julgamento das contas dos administradores e
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos é o desígnio do processo de tomada de contas (inciso
II do art. 71 da CF). Trata-se de julgamento específico das contas dos ordenadores de despesa de cada
unidade da administração direta ou entidade da administração indireta, independentemente das contas
prestadas pelo chefe do Poder Executivo e de deliberação do Poder Legislativo.
O Processamento e julgamento de contas é competência privativa do Tribunal de Contas, passível tão
somente do controle judicial, não cabendo qualquer reapreciação ou revisão por parte do Poder
Legislativo.
O julgamento, conforme demonstrado, alcança o exame das contas de gestão (que inclui: atos
administrativos, licitações, contratos administrativos, liquidações e pagamentos de despesas, renúncias
de receitas, concessões públicas, parcerias público-privadas, etc.) de toda pessoa física ou jurídica,
pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores
públicos ou pelos quais a União, os Estados ou os Municípios respondam, ou que, em nome destes,
assuma obrigações de natureza pecuniária. Assim, compete ao Tribunal de Contas JULGAR as contas
do(s) responsável(is) pela gestão:
- do Poder Legislativo;
- do Poder Judiciário;
- do Ministério Público;
- do próprio Tribunal De Contas;
- de Órgãos, Fundos e Empresas da Administração Pública Direta e Indireta (Ministérios, Secretarias,
Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista, Fundações e Autarquias etc.);
- de toda Pessoa Física ou Jurídica que Administre Verbas Públicas, Incluindo as Organizações
Sociais.
Como citado, fica fora desse julgamento pelo Tribunal de Contas apenas o Chefe do Poder Executivo.
Na maioria das Leis Orgânicas dos Tribunais de Contas do Brasil, constam dispositivos tratando sobre
o mérito (conteúdo material) das deliberações proferidas pelo Tribunal quando do julgamento das contas
dos Gestores. Usualmente, as leis fazem referência a três tipos de decisões:

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• Preliminar – é a decisão pela qual o Relator ou o Tribunal, antes de pronunciar-se sobre o mérito
das contas, resolve sobrestar o julgamento, ordenar a citação ou a audiência dos responsáveis ou, ainda,
determinar outras diligências necessárias ao saneamento do processo.

• Definitiva – é a decisão pela qual o Tribunal emite um juízo de valor de mérito e JULGA as contas:
– REGULARES: quando expressarem, de forma clara e objetiva, a exatidão dos demonstrativos
contábeis, a legalidade, a legitimidade, a economicidade, a moralidade, a eficiência e a publicidade dos
atos de gestão do responsável.
– REGULARES COM RESSALVAS: quando evidenciarem impropriedade ou qualquer outra falta de
natureza formal. A Lei Orgânica do TC do Estado de Pernambuco vai mais além e assinala que também
será objeto de julgamento com ressalvas a prática de ato de gestão ilegal, ilegítimo ou antieconômico que
não seja de natureza grave e que não represente injustificado dano ao erário.
– IRREGULARES: quando evidenciarem:
a) omissão no dever de prestar contas;
b) grave infração à norma legal de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional, patrimonial;
c) desfalque ou desvios de dinheiros, bens ou valores públicos;
d) injustificado dano ao erário;
e) reincidência no descumprimento de determinação do Tribunal.

• Terminativa – é a decisão pela qual o Tribunal ordena o trancamento das contas que forem
consideradas iliquidáveis. As contas serão consideradas iliquidáveis quando, caso fortuito ou de força
maior, comprovadamente alheio à vontade do responsável, tornar materialmente impossível o julgamento
do mérito das contas.

Sanções aplicáveis aos responsáveis por contas irregulares.


As prestações de contas, as fiscalizações e demais assuntos submetidos à deliberação do Tribunal
organizam-se em processos. Cabe a cada ministro ou auditor do Tribunal, atuando como ministro-
substituto, a missão de relatar esses processos, apresentar voto e submeter aos pares proposta de
acórdão, após análise e instrução preliminar realizadas pelos órgãos técnicos da Secretaria do Tribunal.
Ao constatar ilegalidade ou irregularidade em ato de gestão de qualquer órgão ou entidade pública, o
TCU fixa prazo para cumprimento da lei. No caso de ato administrativo, quando não atendido, o Tribunal
determina a sustação do ato impugnado.

Estas tomadas e prestações de contas são analisadas sob os aspectos de legalidade, legitimidade,
economicidade, eficiência e eficácia, após o que são julgadas regulares com ressalvas, irregulares ou
iliquidáveis. A primeira hipótese ocorre quando a conta expressa, de forma clara e objetiva, a exatidão
dos demonstrativos contábeis, a legalidade, a legitimidade e a economicidade dos atos de gestão do
responsável. As ressalvas, por sua vez, decorrem da existência de impropriedades ou falhas de natureza
formal de que não resultem danos ao erário.
Já a ocorrência de irregularidades das contas advém da omissão no dever de prestá-las; da prática de
ato de gestão ilegal, ilegítimo, antieconômico, ou infração a norma legal ou regulamentar de natureza
contábil, financeira, orçamentária, operacional ou patrimonial; de dano ao erário decorrente de ato de
gestão ilegítimo ou antieconômico; de desfalque ou desvio de dinheiros, bens ou valores públicos e de
reincidência no descumprimento de determinações do Tribunal. Por fim, as contas serão consideradas
iliquidáveis quando caso fortuito ou força maior tornar materialmente impossível o julgamento de mérito.
No julgamento desses processos são respeitados o contraditório e o direito à ampla defesa dos
responsáveis, com todos os elementos a ela inerentes. Assim, o Tribunal, diante de irregularidades
detectadas em suas análises, determina a realização de diligência, audiência prévia ou citação dos
interessados, que, não as atendendo, são considerados revéis e como tal julgados.

Em caso de julgamento pela irregularidade, as seguintes sanções podem ser aplicadas pelo TCU,
isolada ou cumulativamente:
- a condenação ao recolhimento do débito eventualmente apurado;
- a aplicação ao agente público de multa proporcional ao valor de prejuízo causado ao erário, sendo o
montante do dano o limite máximo da penalidade;
- a aplicação de multa ao responsável por contas julgadas irregulares, por ato irregular, ilegítimo ou
antieconômico, por não atendimento de diligência ou determinação do Tribunal, por obstrução ao livre
exercício de inspeções ou auditorias e por sonegação de processo, documento ou informação;

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- o afastamento provisório de seu cargo, do dirigente responsável por cerceamentos a inspeções e
auditorias enquanto durarem os respectivos trabalhos;
- a decretação, no curso de qualquer apuração de irregularidade, da indisponibilidade, por prazo não
superior a um ano, dos bens do responsável considerados bastantes para garantir o ressarcimento do
prejuízo;
- a declaração de inabilitação, pelo período de cinco a oito anos, para o exercício de cargo em comissão
ou função de confiança no âmbito da administração pública;
- a declaração de inidoneidade do responsável por fraude em licitação para participar, por até cinco
anos, de certames licitatórios promovidos pela administração pública;
- a determinação à Advocacia-Geral da União, ou ao dirigente de entidade jurisdicionada, de adoção
de providências para arresto dos bens de responsáveis julgados em débito.
Cabe destacar, ainda, que as penalidades aplicadas pelo Tribunal de Contas não excluem a aplicação
de sanções penais e de outras sanções administrativas, estas últimas pelas autoridades competentes.
Ressalte-se, também, que a legislação eleitoral prevê a inelegibilidade, por um período de cinco anos,
dos responsáveis por contas irregulares.

Nesse sentido, o processo de exame e julgamento de tomadas e prestação de contas anuais é


expressão máxima do poder controlador do TCU, exercido em auxílio ao Congresso Nacional, dado que,
contrariamente aos sistemas de controladoria adotados em outros países, permite ao Tribunal exercer
juízo sobre a gestão dos responsáveis pela administração de recursos públicos federais, bem como fazer
determinações e imputar sanções, as quais, no que tange ao mérito, não são recorríveis a outro órgão
que não ao próprio TCU.
Sobre o tema, cabe observar que o instituto da prestação de contas iniciou o seu desenvolvimento a
partir das ciências contábeis, como elemento de registro dos lançamentos de débito ou crédito relativos
a operações comerciais e financeiras; evoluiu com as ciências econômicas, além da simples memória
das transações financeiras, para um registro do planejamento e execução orçamentária. A rigor, prestar
contas sempre trouxe a conotação de dar informação sobre pessoa ou coisa (incluindo valores) pela qual
se é responsável.
Hodiernamente, a função do instituto da prestação de contas parte da obrigação social e pública de
prestar informações sobre algo pelo qual é responsável (atribuição, dever).
Governança é a capacidade do governo de responder às demandas da sociedade, à transparência
das ações do poder público e à responsabilidade dos agentes políticos e administradores públicos pelos
seus atos, transcendendo ao conceito de prestação de contas tradicional de realizar bem determinada
tarefa, dar conta de uma incumbência.
Aplicado ao controle externo, esse conceito é um marco teórico fundamental para a determinação de
qual aspecto da gestão será examinado e cobrado dos administradores públicos – legalidade,
economicidade, eficiência, eficácia e efetividade, sendo uma importante ferramenta para instrumentalizar
o controle, ao permitir uma percepção mais elaborada de como se deve dar o controle por contas e como
esse se integra aos demais instrumentos de fiscalização do Tribunal.

Abaixo traremos um trecho da Resolução 19.022, que dispõe sobre esse assunto:

CAPÍTULO II
DOS PROCEDIMENTOS
SEÇÃO I
Da protocolização da prestação de contas anual de gestão

Art. 3º As prestações de contas anuais de gestão das unidades jurisdicionadas serão recebidas pelo
Tribunal de Contas do Estado (TCE/PA), mediante sistema eletrônico, e protocolizadas como
“Expediente”.
§1º A protocolização será efetuada 30 dias depois de vencido o prazo para ingresso das contas no
Tribunal, em observância ao que dispõe o art. 10 da Resolução TCE/PA nº 18.975/2017.
§2º O expediente gerado deverá conter expressamente, os dados previstos nos incisos l, ll, IV e V, do
art. 12 da Resolução TCE/PA nº 18.975/2017.
§3º Na hipótese do encaminhamento de prestação de contas agregada, para cada unidade
jurisdicionada agregada será gerado um expediente, o qual será anexado ao expediente da unidade
jurisdicionada agregadora.

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Seção II
Da autuação processual

Art. 4º Será autuado processo de prestação de contas anual de gestão para fins de instrução e
julgamento quando a respectiva unidade jurisdicionada for selecionada a partir de critérios técnicos,
mediante a aplicação da Matriz de Risco do TCE/PA, conforme disposto nos arts. 6º, 7º e 8º da Resolução
TCE/PA nº 18.919/2017.
§1º Poderão ser sorteadas unidades jurisdicionadas não selecionadas pela Matriz de Risco para
autuação do respectivo processo de prestação de contas anual de gestão, observada a capacidade
operacional da Secretaria de Controle Externo (Secex).
§2º Será autuada a prestação de contas anual de gestão da unidade jurisdicionada não selecionada
se nos três anos anteriores ao exercício a que se refere não tiver sido formalizado processo de prestação
de contas dessa unidade.
§3º Em razão da relevância institucional, as prestações de contas anuais de gestão da Assembleia
Legislativa, dos Tribunais de Contas, do Tribunal de Justiça, do Ministério Público Estadual, dos
Ministérios Públicos de Contas e da Defensoria Pública do Estado do Pará serão autuadas e julgadas
anualmente.
§4º Será autuada, para fins de instrução e julgamento, a prestação de contas de unidade jurisdicionada
em processo de extinção, liquidação, dissolução, transformação, fusão, incorporação ou desestatização.

Art. 5º Verificada a ocorrência de dano ao erário na prestação de contas agregada autuada, o Relator
determinará o desentranhamento, para autuação e julgamento em separado, da prestação de contas da
unidade jurisdicionada na qual foi verificado o dano.
§1º Para a constituição do novo processo, a Secex indicará, no relatório de auditoria, a prestação de
contas que está sujeita ao desentranhamento.
§2º O processo referente à prestação de contas desentranhada será distribuído, por dependência,
para o mesmo relator do processo original.
§3º Não se aplica o disposto no caput quando a responsabilidade pelo dano for atribuída ao dirigente
máximo.

Art. 6º Após o encerramento do prazo estabelecido para remessa das prestações de contas, o Tribunal
definirá anualmente as unidades jurisdicionadas que terão processo de prestação de contas anual de
gestão autuado para fins de instrução e julgamento, conforme estabelecido no art. 4º.

Seção III
Do descumprimento do dever de prestar contas

Art. 7º Se o dirigente máximo descumprir o dever de prestar contas, a tomada de contas será
instaurada para possibilitar a realização da auditoria e a aplicação das sanções cabíveis,
independentemente da unidade jurisdicionada ter sido selecionada a partir dos critérios técnicos da Matriz
de Risco do TCE/PA ou sorteada para fins de autuação do processo de prestação de contas anual de
gestão.

Art. 8º No processo de prestação de contas de unidade jurisdicionada agregadora, verificada a


ausência de prestação de contas de uma unidade jurisdicionada agregada, a Secex procederá à
realização de diligência na forma regimental.

Referências Bibliográficas

LIMA, Luiz Henrique, Controle externo [recurso eletrônico]: teoria, jurisprudência e mais de 500
questões / Luiz Henrique Lima. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
PASCOAL, Valdecir Fernandes, Direito financeiro e controle externo: teoria, jurisprudência e 400
questões / Valdecir Fernandes Pascoal. – 8. ed. rev., ampl. e atual.. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
Disponível em : http://jus.com.br/artigos/15039/o-auditor-do-tribunal-de-contas. Acesso em abril de
2.015.
Disponível em: http://jus.com.br/artigos/22912/o-tribunal-de-contas-no-contexto-organico-da-
constituicao-federal-de-1988. Acesso em abril de 2.015.
Disponível em: http://www.tce.ce.gov.br/institucional/apresentacao. Acesso em abril de 2.015.

. 4
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COIMBRA, Anna Maria. Parecer prévio dos Tribunais De Contas e a prestação de contas do Poder
Executivo. Disponível em http://www.etecnico.com.br/paginas/mef20453.htm. Acesso em abril de 2015.
Disponível em: http://jus.com.br/artigos/12911/a-apreciacao-da-legalidade-dos-atos-de-admissao-de-
pessoal-pelos-tribunais-de-contas/2. Acesso em abril de 2.015.

Questões

01. (INMETRO - Analista - Ciências Contábeis – CESPE) Acerca de tomadas e prestações de contas,
assinale a opção correta.
(A) Nas tomadas ou prestações de contas perante o Tribunal de Contas da União (TCU), devem ser
incluídos todos os recursos, orçamentários e extraorçamentários, geridos ou não pela unidade ou
entidade.
(B) Diante da omissão dos administradores em prestar contas, deve haver julgamento imediato do
TCU pela irregularidade.
(C) Na prestação de contas, deve ser incluído o relatório e o certificado de auditoria do controle interno,
não havendo necessidade de indicação das medidas adotadas para corrigir as faltas encontradas, pois
essa indicação será feita pelo TCU.
(D) Prestam contas perante o TCU somente os responsáveis da administração direta da União.
(E) Cabe à Controladoria-Geral da União julgar as contas apenas dos administradores e demais
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta federal.

02. (Secretaria da Criança – DF - Especialista Socioeducativo – Contabilidade - FUNIVERSA) Nos


processos de tomadas ou prestações de contas de administradores públicos, a decisão pela qual o
tribunal de contas ordena o trancamento das contas que forem consideradas iliquidáveis é denominada
(A) preliminar.
(B) terminativa.
(C) provisória.
(D) definitiva.
(E) conclusiva.

03. (IPEM-RO - Controlador Interno - FUNCAB) As tomadas de contas relacionadas aos gestores da
administração direta e os procedimentos de prestações de contas para os demais casos analisados pelo
Tribunal de Contas da União (TCU) poderão ser julgados:
(A) e aprovados, onde o referido tribunal aprova as contas do gestor apresentadas de forma clara e
objetiva, bem como a exatidão dos demonstrativos contábeis, podendo ser toleradas pequenas falhas de
natureza formal.
(B) e aprovados com ressalvas, onde o referido tribunal aprova as contas do gestor apresentadas de
forma clara e objetiva, bem como a exatidão dos demonstrativos contábeis, existindo porém, a
possibilidade de danos ao erário que devem ser apurados.
(C) irregulares, porque existem falhas ou improbidades que não causaram dano ao erário.
(D) iliquidáveis, quando caso o fortuito ou força maior tornar materialmente impossível o julgamento
do mérito.
(E) liquidáveis, advêm da falha de natureza formal, sem irregularidades.

04. (TCU - Técnico de Controle Externo - CESPE) Considerando que, no exercício de sua missão
institucional, o TCU realiza uma série de atividades de fiscalização nos órgãos sob sua jurisdição, julgue
os itens que se seguem.

A fiscalização da renúncia de receitas não depende das prestações ou tomadas de contas nos órgãos
responsáveis por esse ato e pode ocorrer no final do exercício, no momento do julgamento das contas
dos órgãos.
( ) Certo
( ) Errado

05. (ANATEL - Analista Administrativo – Administração - CESPE) Acerca do controle interno e


externo da administração pública federal, julgue os itens subsequentes.

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O TCU deve julgar como regulares as tomadas ou prestações de contas, quando expressarem, de
forma clara e objetiva, a exatidão dos demonstrativos contábeis, a legalidade, a legitimidade e a
economicidade dos atos de gestão do responsável.
( ) Certo
( ) Errado

Respostas

01. A. / 02. B / 03. D / 04. Certo / 05. Certo

1.1 Natureza e Conteúdo do Parecer Prévio do Tribunal de Contas do Estado

No Tribunal de Contas, existe o Parecer Prévio sobre as contas do Governo, que é encaminhado para
subsidiar o julgamento a cargo do Congresso Nacional; e os pareceres do MPTCU, dos titulares das
unidades técnicas e das Comissões de Regimento e de Jurisprudência emitidos sobre matérias
encaminhadas à sua apreciação.
Os julgamentos dos Tribunais de Contas são de caráter objetivo, com parâmetros de ordem técnica
jurídica, ou seja, subsunção de fatos às normas. Já o Poder Legislativo julga com critérios políticos de
conveniência e oportunidade, de caráter subjetivo

O parecer prévio deve ser considerado uma modalidade jurídica especial e autônoma, por integrar
etapa instrutória do julgamento exarado pelo legislativo, mas de natureza dual, por assumir tanto natureza
opinativa, como costumam ser classificados os pareceres tradicionais – como assumir um viés vinculante,
dependendo do poder ao qual a conta se refere.
Segundo Di Pietro (1995)1, os pareceres têm natureza jurídica de atos administrativos de
conhecimento, juízo de valor, constituem opiniões sobre assuntos técnicos ou jurídicos de competência
dos órgãos consultivos da Administração. Podem ser facultativos, se for discricionária sua solicitação,
obrigatórios, se a lei o exigir como pressuposto de ato final, ou vinculantes, se a Administração é obrigada
a solicitá-los e aceitar sua conclusão

Para Ferraz (1999)2, o parecer prévio, a cargo do Tribunal de Contas, possui natureza jurídica
obrigatória e vinculante, porque a Constituição exige expressamente sua emissão, condicionada a prazo
(art. 71, I, CR/88 e art. 57, caput e § 1º, LRF) e porque só deixará de prevalecer se existir manifestação
contrária do Poder Legislativo, que, no âmbito federal, corresponde à maioria absoluta (art. 47 CR/88); no
âmbito estadual, dependerá dos textos constitucionais de cada Estado; e, no âmbito municipal,
corresponde ao voto de dois terços dos vereadores (art. 31, § 2º, CR/88).

Acerca do tema, dita o artigo 71 da Constituição Federal:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal
de Contas da União, ao qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio
que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos
da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder
Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que
resulte prejuízo ao erário público;
(...)

Referências Bibliográficas
LIMA, Luiz Henrique, Controle externo [recurso eletrônico]: teoria, jurisprudência e mais de 500 questões / Luiz Henrique Lima. – Rio de Janeiro: Elsevier,
2011.
PASCOAL, Valdecir Fernandes, Direito financeiro e controle externo: teoria, jurisprudência e 400 questões / Valdecir Fernandes Pascoal. – 8. ed. rev., ampl. e
atual.. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

1
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1995.
2
FERRAZ, Luciano de Araújo. Controle da Administração Pública: elementos para a compreensão dos Tribunais de Contas. Belo Horizonte: Mandamentos 1999.

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1552299 E-book gerado especialmente para BRUNO COSTA PEREIRA
Disponível em : http://jus.com.br/artigos/15039/o-auditor-do-tribunal-de-contas.
Disponível em: http://jus.com.br/artigos/22912/o-tribunal-de-contas-no-contexto-organico-da-constituicao-federal-de-1988.
Disponível em: http://www.tce.ce.gov.br/institucional/apresentacao.
COIMBRA, Anna Maria. Parecer prévio dos Tribunais De Contas e a prestação de contas do Poder http://www.etecnico.com.br/paginas/mef20453.htm.
http://jus.com.br/artigos/12911/a-apreciacao-da-legalidade-dos-atos-de-admissao-de-pessoal-pelos-tribunais-de-contas/2.

1.2 Processamento

De acordo com Valdecir Fernandes Pascoal, o julgamento das contas dos administradores e
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos é o desígnio do processo de tomada de contas (inciso
II do art. 71 da CF). Trata-se de julgamento específico das contas dos ordenadores de despesa de cada
unidade da administração direta ou entidade da administração indireta, independentemente das contas
prestadas pelo chefe do Poder Executivo e de deliberação do Poder Legislativo.
O Processamento e julgamento de contas é competência privativa do Tribunal de Contas, passível tão
somente do controle judicial, não cabendo qualquer reapreciação ou revisão por parte do Poder
Legislativo.
O julgamento, conforme demonstrado, alcança o exame das contas de gestão (que inclui: atos
administrativos, licitações, contratos administrativos, liquidações e pagamentos de despesas, renúncias
de receitas, concessões públicas, parcerias público-privadas, etc.) de toda pessoa física ou jurídica,
pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores
públicos ou pelos quais a União, os Estados ou os Municípios respondam, ou que, em nome destes,
assuma obrigações de natureza pecuniária. Assim, compete ao Tribunal de Contas JULGAR as contas
do(s) responsável(is) pela gestão:
• do Poder Legislativo;
• do Poder Judiciário;
• do Ministério Público;
• do próprio Tribunal De Contas;
• de Órgãos, Fundos e Empresas da Administração Pública Direta e Indireta (Ministérios, Secretarias,
Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista, Fundações e Autarquias etc.);
• de toda Pessoa Física ou Jurídica que Administre Verbas Públicas, Incluindo as Organizações
Sociais.
Como citado, fica fora desse julgamento pelo Tribunal de Contas apenas o Chefe do Poder Executivo.
Na maioria das Leis Orgânicas dos Tribunais de Contas do Brasil, constam dispositivos tratando sobre
o mérito (conteúdo material) das deliberações proferidas pelo Tribunal quando do julgamento das contas
dos Gestores. Usualmente, as leis fazem referência a três tipos de decisões:
• Preliminar – é a decisão pela qual o Relator ou o Tribunal, antes de pronunciar-se sobre o mérito
das contas, resolve sobrestar o julgamento, ordenar a citação ou a audiência dos responsáveis ou, ainda,
determinar outras diligências necessárias ao saneamento do processo.
• Definitiva – é a decisão pela qual o Tribunal emite um juízo de valor de mérito e JULGA as contas:
– REGULARES: quando expressarem, de forma clara e objetiva, a exatidão dos demonstrativos
contábeis, a legalidade, a legitimidade, a economicidade, a moralidade, a eficiência e a publicidade dos
atos de gestão do responsável.
– REGULARES COM RESSALVAS: quando evidenciarem impropriedade ou qualquer outra falta de
natureza formal. A Lei Orgânica do TC do Estado de Pernambuco vai mais além e assinala que também
será objeto de julgamento com ressalvas a prática de ato de gestão ilegal, ilegítimo ou antieconômico que
não seja de natureza grave e que não represente injustificado dano ao erário.
– IRREGULARES: quando evidenciarem:
a) omissão no dever de prestar contas;
b) grave infração à norma legal de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional, patrimonial;
c) desfalque ou desvios de dinheiros, bens ou valores públicos;
d) injustificado dano ao erário;
e) reincidência no descumprimento de determinação do Tribunal.
• Terminativa – é a decisão pela qual o Tribunal ordena o trancamento das contas que forem
consideradas iliquidáveis. As contas serão consideradas iliquidáveis quando, caso fortuito ou de força
maior, comprovadamente alheio à vontade do responsável, tornar materialmente impossível o julgamento
do mérito das contas.
Sanções aplicáveis aos responsáveis por contas irregulares.

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As prestações de contas, as fiscalizações e demais assuntos submetidos à deliberação do Tribunal
organizam-se em processos. Cabe a cada ministro ou auditor do Tribunal, atuando como ministro-
substituto, a missão de relatar esses processos, apresentar voto e submeter aos pares proposta de
acórdão, após análise e instrução preliminar realizadas pelos órgãos técnicos da Secretaria do Tribunal.
A função sancionadora manifesta-se na aplicação aos responsáveis das sanções previstas na Lei
Orgânica do Tribunal, em caso de ilegalidade de despesa ou de irregularidade de contas.
Ao constatar ilegalidade ou irregularidade em ato de gestão de qualquer órgão ou entidade pública, o
TCU fixa prazo para cumprimento da lei. No caso de ato administrativo, quando não atendido, o Tribunal
determina a sustação do ato impugnado.
Estas tomadas e prestações de contas são analisadas sob os aspectos de legalidade, legitimidade,
economicidade, eficiência e eficácia, após o que são julgadas regulares, regulares com ressalvas,
irregulares ou iliquidáveis. A primeira hipótese ocorre quando a conta expressa, de forma clara e objetiva,
a exatidão dos demonstrativos contábeis, a legalidade, a legitimidade e a economicidade dos atos de
gestão do responsável. As ressalvas, por sua vez, decorrem da existência de impropriedades ou falhas
de natureza formal de que não resultem danos ao erário.
Já a ocorrência de irregularidades das contas advém da omissão no dever de prestá-las; da prática de
ato de gestão ilegal, ilegítimo, antieconômico, ou infração a norma legal ou regulamentar de natureza
contábil, financeira, orçamentária, operacional ou patrimonial; de dano ao erário decorrente de ato de
gestão ilegítimo ou antieconômico; de desfalque ou desvio de dinheiros, bens ou valores públicos e de
reincidência no descumprimento de determinações do Tribunal. Por fim, as contas serão consideradas
iliquidáveis quando caso fortuito ou força maior tornar materialmente impossível o julgamento de mérito.
No julgamento desses processos são respeitados o contraditório e o direito à ampla defesa dos
responsáveis, com todos os elementos a ela inerentes. Assim, o Tribunal, diante de irregularidades
detectadas em suas análises, determina a realização de diligência, audiência prévia ou citação dos
interessados, que, não as atendendo, são considerados revéis e como tal julgados.
Em caso de julgamento pela irregularidade, as seguintes sanções podem ser aplicadas pelo TCU,
isolada ou cumulativamente:
- a condenação ao recolhimento do débito eventualmente apurado;
- a aplicação ao agente público de multa proporcional ao valor de prejuízo causado ao erário, sendo o
montante do dano o limite máximo da penalidade;
- a aplicação de multa ao responsável por contas julgadas irregulares, por ato irregular, ilegítimo ou
antieconômico, por não atendimento de diligência ou determinação do Tribunal, por obstrução ao livre
exercício de inspeções ou auditorias e por sonegação de processo, documento ou informação;
- o afastamento provisório de seu cargo, do dirigente responsável por cerceamentos a inspeções e
auditorias enquanto durarem os respectivos trabalhos;
- a decretação, no curso de qualquer apuração de irregularidade, da indisponibilidade, por prazo não
superior a um ano, dos bens do responsável considerados bastantes para garantir o ressarcimento do
prejuízo;
- a declaração de inabilitação, pelo período de cinco a oito anos, para o exercício de cargo em comissão
ou função de confiança no âmbito da administração pública;
- a declaração de inidoneidade do responsável por fraude em licitação para participar, por até cinco
anos, de certames licitatórios promovidos pela administração pública;
- a determinação à Advocacia-Geral da União, ou ao dirigente de entidade jurisdicionada, de adoção
de providências para arresto dos bens de responsáveis julgados em débito.
Cabe destacar, ainda, que as penalidades aplicadas pelo Tribunal de Contas não excluem a aplicação
de sanções penais e de outras sanções administrativas, estas últimas pelas autoridades competentes.
Ressalte-se, também, que a legislação eleitoral prevê a inelegibilidade, por um período de cinco anos,
dos responsáveis por contas irregulares.
Nesse sentido, o processo de exame e julgamento de tomadas e prestação de contas anuais é
expressão máxima do poder controlador do TCU, exercido em auxílio ao Congresso Nacional, dado que,
contrariamente aos sistemas de controladoria adotados em outros países, permite ao Tribunal exercer
juízo sobre a gestão dos responsáveis pela administração de recursos públicos federais, bem como fazer
determinações e imputar sanções, as quais, no que tange ao mérito, não são recorríveis a outro órgão
que não ao próprio TCU.
Sobre o tema, cabe observar que o instituto da prestação de contas iniciou o seu desenvolvimento a
partir das ciências contábeis, como elemento de registro dos lançamentos de débito ou crédito relativos
a operações comerciais e financeiras; evoluiu com as ciências econômicas, além da simples memória
das transações financeiras, para um registro do planejamento e execução orçamentária. A rigor, prestar

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contas sempre trouxe a conotação de dar informação sobre pessoa ou coisa (incluindo valores) pela qual
se é responsável.
Hodiernamente, a função do instituto da prestação de contas parte da obrigação social e pública de
prestar informações sobre algo pelo qual é responsável (atribuição, dever).
Governança é a capacidade do governo de responder às demandas da sociedade, à transparência
das ações do poder público e à responsabilidade dos agentes políticos e administradores públicos pelos
seus atos, transcendendo ao conceito de prestação de contas tradicional de realizar bem determinada
tarefa, dar conta de uma incumbência.
Aplicado ao controle externo, esse conceito é um marco teórico fundamental para a determinação de
qual aspecto da gestão será examinado e cobrado dos administradores públicos – legalidade,
economicidade, eficiência, eficácia e efetividade, sendo uma importante ferramenta para instrumentalizar
o controle, ao permitir uma percepção mais elaborada de como se deve dar o controle por contas e como
esse se integra aos demais instrumentos de fiscalização do Tribunal.

No Tribunal de Contas, existe o Parecer Prévio sobre as contas do Governo, que é encaminhado para
subsidiar o julgamento a cargo do Congresso Nacional; e os pareceres do MPTCU, dos titulares das
unidades técnicas e das Comissões de Regimento e de Jurisprudência emitidos sobre matérias
encaminhadas à sua apreciação.
Os julgamentos dos Tribunais de Contas são de caráter objetivo, com parâmetros de ordem técnica
jurídica, ou seja, subsunção de fatos às normas. Já o Poder Legislativo julga com critérios políticos de
conveniência e oportunidade, de caráter subjetivo

O parecer prévio deve ser considerado uma modalidade jurídica especial e autônoma, por integrar
etapa instrutória do julgamento exarado pelo legislativo, mas de natureza dual, por assumir tanto natureza
opinativa, como costumam ser classificados os pareceres tradicionais – como assumir um viés vinculante,
dependendo do poder ao qual a conta se refere.
Segundo Di Pietro (1995)3, os pareceres têm natureza jurídica de atos administrativos de
conhecimento, juízo de valor, constituem opiniões sobre assuntos técnicos ou jurídicos de competência
dos órgãos consultivos da Administração. Podem ser facultativos, se for discricionária sua solicitação,
obrigatórios, se a lei o exigir como pressuposto de ato final, ou vinculantes, se a Administração é obrigada
a solicitá-los e aceitar sua conclusão

Para Ferraz (1999)4, o parecer prévio, a cargo do Tribunal de Contas, possui natureza jurídica
obrigatória e vinculante, porque a Constituição exige expressamente sua emissão, condicionada a prazo
(art. 71, I, CR/88 e art. 57, caput e § 1º, LRF) e porque só deixará de prevalecer se existir manifestação
contrária do Poder Legislativo, que, no âmbito federal, corresponde à maioria absoluta (art. 47 CR/88); no
âmbito estadual, dependerá dos textos constitucionais de cada Estado; e, no âmbito municipal,
corresponde ao voto de dois terços dos vereadores (art. 31, § 2º, CR/88).

Acerca do tema, dita o artigo 71 da Constituição Federal:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal
de Contas da União, ao qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio
que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos
da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder
Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que
resulte prejuízo ao erário público;
(...)

A apreciação dos atos admissionais pelos Tribunais de Contas, visou a impor maior moralidade e
responsabilidade na Administração Pública. Não se pode esquecer que, antes de 1988, os cargos e
empregos públicos eram fonte de apadrinhamentos, abusos e inchaço da máquina pública. Dessa
realidade, sobreveio dispositivo constitucional atribuindo aos Tribunais de Contas competência para
apreciar a legalidade das admissões.

3
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1995.
4
FERRAZ, Luciano de Araújo. Controle da Administração Pública: elementos para a compreensão dos Tribunais de Contas. Belo Horizonte: Mandamentos
1999.

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O processo de admissões visa a apreciar a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer
título, ocorridos na administração direta ou indireta, excetuadas as nomeações para cargo de provimento
em comissão (Inciso III do art. 71 da CF, primeira parte).
Nele são examinadas exaustivamente as admissões realizadas pela Administração Pública.
A decisão proferida neste processo, pela legalidade ou ilegalidade da admissão, também independe
de manifestação do Poder Legislativo.
Por derradeiro, a apreciação da legalidade das aposentadorias, reformas e pensões (inciso III do art.
71 da CF, parte final) segue as mesmas linhas gerais do exame das admissões.

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal
de Contas da União, ao qual compete:
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título,
na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público,
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de
aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o
fundamento legal do ato concessório;

A Lei Orgânica em seu incisos artigo 5º, incisos I a VI indica os jurisdicionados ao TCU, que submeterão
anualmente suas contas ao julgamento do Tribunal, sob forma de tomada ou de prestação de contas,
organizadas de acordo com normas estabelecidas em instrução normativa.
A finalidade dos processos de contas é a de possibilitar a verificação da regular aplicação dos recursos,
à luz dos princípios da legalidade, legitimidade e economicidade.
Entende-se por prestar contas como a demonstração de correta e regular aplicação dos recursos sob
responsabilidade.
Frise-se que somente por decisão do TCU, tais administradores e responsáveis podem ser liberados
dessa responsabilidade, consoante art. 6º da referida Lei Orgânica.
A omissão no dever de prestar contas implicará a instauração de tomada de contas especial, bem
como, crime de responsabilidade e ato de improbidade administrativa.
Nas tomadas ou prestações de contas devem ser incluídos todos os recursos, orçamentários e
extraorçamentários, utilizados, arrecadados, guardados ou geridos pela unidade ou entidade ou pelos
quais ela responda, de acordo com o art. 7º, parágrafo único da Lei.
No que diz respeito aos recursos federais repassados a Estados, Distrito Federal, Municípios e a
pessoas físicas ou entidades privadas, incluindo auxílios, subvenções, contribuições ou outra forma de
transferência voluntária de valores por intermédio de órgãos e entidades da administração federal direta,
indireta, de fundações instituídas e mantidas pelo poder público federal e de suas entidades paraestatais,
os beneficiários responderão perante o órgão ou entidade repassador pela boa e regular aplicação desses
recursos, apresentando os documentos, informações e demonstrativos necessários à composição dos
relatórios de gestão e dos processos de contas dos responsáveis por essas unidades jurisdicionadas.

2 Tomadas e prestações de contas dos administradores e demais


responsáveis por bens, dinheiros e valores públicos. 2.1 Processamento e
julgamento das contas. 2.2 Sanções e Medidas Cautelares. 2.3 Recursos. 2.4
Pedido de Rescisão. 2.5 Execução das decisões.

Tomadas de Contas5

Tomada de contas é o ato pelo qual a pessoa ou órgão, que de direito é competente para executá-la,
realiza quando o agente responsável pelos negócios da entidade ou por bens e valores públicos deixa de
cumprir em prazo legal sua obrigação de apresentar a prestação de contas. A tomada de contas,
entretanto, poderá verificar-se a qualquer momento, independentemente da ausência da apresentação
da prestação de contas.
As tomadas de contas podem ser dos seguintes tipos:
a) Anuais: elaboradas ao final do exercício.
b) Especiais: quando não ocorre a prestação de contas no prazo estabelecido, ou há possíveis
desfalques ou desvios de bens e valores ou outra irregularidade que resulte dano ao erário público.

5
PETER, M. G. A; MACHADO, M. V. V. Manual de contabilidade Governamental. 2 Ed. – São Paulo: Atlas 2014.

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c) Extraordinária: em virtude da extinção, fusão, incorporação, transformação, liquidação ou
privatização de unidade gestora de um Ministério ou órgão.

A tomada de contas Especial (TCE) merece ser destacada, tendo em vista envolver situações
inusitadas que têm com possíveis atos de corrupção.

Prestação de Contas

Os atos de administração pública devem ser controlados da maneira mais ampla possível, para se
impedir o uso indevido do dinheiro e dos bens públicos. É por essa razão que a Constituição determina
que a aludida fiscalização seja completa, envolvendo aspectos contábeis, financeiros, orçamentários e
patrimoniais6.
A fiscalização contábil é efetuada por meio do contraste das peças e registros contábeis da
administração pública e seus órgãos e tem por finalidade apurar a correção desses atos. Está respaldada
pelo art. 83 da Lei n. 4.320/64, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle
dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, assim
disposto: "a contabilidade evidenciará perante a Fazenda Pública a situação de todos quantos, de
qualquer modo, arrecadem receitas, efetuem despesas, administrem ou guardem bens a ela pertencentes
ou confiados".
As fiscalizações financeiras e orçamentárias são efetuadas por meio do contraste entre as receitas e
as despesas da administração pública, sendo referidas pelo art. 90 da Lei n. 4.320/64, que prescreve: "a
contabilidade deverá evidenciar, em seus registros, o montante dos créditos orçamentários vigentes, a
despesa empenhada e a despesa realizada, à conta dos mesmos créditos, e as dotações disponíveis".
A fiscalização operacional tem por fim a verificação da correção dos atos ligados à arrecadação de
receitas, à liberação de verbas e a procedimentos relacionados, tais como o empenho, a liquidação e o
pagamento das despesas públicas, e, ainda, aos procedimentos licitatórios que os antecedem.
Por derradeiro, tem-se que a fiscalização patrimonial é aquela relacionada com o controle dos bens
que compõem o patrimônio público e cujo objetivo é evitar que os mesmos se dissipem ou sejam
indevidamente apropriados. O art. 94 da citada lei impõe ao poder público a utilização de "registros
analíticos de todos os bens de caráter permanente, com indicação dos elementos necessários para a
perfeita caracterização de cada um deles e dos agentes responsáveis pela sua guarda e administração".
Como se nota, é evidente a intenção da norma.
O art. 75 da Constituição da República dispõe que as normas estabelecidas na seção que cuida da
fiscalização contábil, financeira e orçamentária aplicam-se, no que couber à organização, composição e
fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e
Conselhos de Contas dos Municípios. O seu parágrafo único prescreve que as Constituições estaduais
disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos.
Além disso, é a própria Constituição da República que estabelece a zona de determinações e o
conjunto de limitações à capacidade de auto-organização dos Estados, quando manda que suas
Constituições e leis observem os seus princípios
A Constituição da República dispõe sobre o Tribunal de Contas da União em seus arts. 71 a 75,
reservando-lhe competências de controle próprias, modelo que deve ser observado na normatização
relativa aos Tribunais de Contas Estaduais e do Distrito Federal, bem como na dos Tribunais e Conselhos
de Contas Municipais, conforme já explicado.

Essas atribuições encontram-se dispostas no art. 71 do Texto Constitucional e consistem em:


a) emissão de parecer prévio sobre as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República;
b) julgamento das contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores
públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas
pelo poder público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra
irregularidade de que resulte prejuízo ao erário;
c) apreciação, para fins de registro, da legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título,
na administração direta e indireta, incluídas as fundações públicas, excetuadas as nomeações para cargo
de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões,
ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório;
d) inspeção e auditoria de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, por
iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissões técnicas ou de inquérito,
6
SILVA, Marcio Heleno. A dualidade de julgamento das contas públicas do chefe do poder executivo municipal. Revista do Tribunal de Contas de Minas gerais,
Edição nº 04 de 2000 - Ano XVIII.

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nas unidades administrativas de todos os Poderes, quer da administração direta ou indireta, assim como
nas fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público;
e) fiscalização das contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União
participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo, bem como da aplicação de
qualquer recurso repassado pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos
congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;
f) prestação de informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas ou
Comissões, sobre fiscalização de sua competência e sobre resultados de inspeções ou auditorias;
g) aplicação de penalidades previstas em lei aos responsáveis, multas inclusive, no caso de ilegalidade
de despesa ou irregularidade de contas;
h) assinação de prazos a órgãos ou entidades para providências necessárias ao exato cumprimento
da lei;
i) sustação da execução de ato impugnado, se não tomadas as providências para a sua correção, com
comunicação da decisão à Câmara e ao Senado;
j) representação à autoridade competente sobre as irregularidades apuradas;
k) bem como elaboração de relatório trimestral e anual a ser encaminhado ao Congresso, conforme
art. 71, § 4º.

Diz o Texto Constitucional, por seu art. 71, incisos I e II, que ao Tribunal de Contas da União compete
apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio, bem
como julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos
da administração.
A primeira função desse órgão consiste na avaliação prévia das contas globais e anuais dos Chefes
do Poder Executivo, que se submeterão a julgamento perante os representantes do povo que compõem
o Legislativo, na forma do art. 49, IX, da CF/88. A segunda, consiste no julgamento, pelo próprio Tribunal,
da prestação de contas restritas à gestão de cada unidade da administração.
Essa distinção não gera controvérsia quando relacionadas às esferas federal e estadual, bem como
quando relacionadas aos municípios de maior porte, nos quais a arrecadação das receitas e os
ordenamentos das despesas não são realizados pelo Chefe do Executivo, mas pelas unidades
orçamentárias. Nessas hipóteses, as contas do Chefe do Executivo submetem-se ao regime do parecer
prévio do Tribunal e julgamento pelo Legislativo, e os atos dos ordenadores de despesas, a julgamento
pelo próprio Tribunal.
Segundo orientação do Supremo Tribunal Federal, as contas gerais do Chefe do Executivo Municipal
submetem-se à apreciação da Câmara de Vereadores, por autoridade e jurisdição privativa, podendo o
Tribunal de Contas estadual julgar as contas dos ordenadores de despesas, exceto as do prefeito, ainda
que diretamente tenha exercido essa atribuição.

Responsabilidade para Prestação de Contas Públicas7

Accontability é um termo inglês, originado do latim accomptare (tomar em conta), derivado da forma
prefixada computare (computar), que por sua vez deriva de putare (calcular), sem tradução literal para o
português – como forma mais próxima tem-se usado responsabilização, que se relaciona à obrigação de
prestar contas, pelo membros de um órgão administrativo ou representativo a instâncias controladoras ou
aos seus representados. Numa tradução mais rude, pode-se confundir com o próprio termo prestar
contas.
De acordo com Pereira8, accontability refere-se a um conjunto de mecanismos e procedimentos que
levam os gestores governamentais a prestar contas dos resultados de suas ações, de forma que permita
aos cidadãos verificarem se os governantes estão agindo em função dos interesses da coletividade. A
accontability pressupõe que, ao desempenhar função relevantes na sociedade, vem-se,
sistematicamente, relatar as ações realizadas, as motivações para a realização dessas ações, a forma
como essas ações foram realizadas na sequência. Trata-se de um procedimento de avaliação quantitativa
e qualitativa, por meio do qual se dá publicidade ao realizado, buscando ainda justificar as possíveis
falhas. Nesse sentido, o dever de prestar contas é ainda maior quando a função é pública, uma vez que
se trata do desempenho de cargos que lidam com o dinheiro dos contribuintes.
De acordo com o TCU, prestar contas sempre trouxe a conotação de dar informação sobre pessoa ou
coisa (incluindo valores) pela qual se é responsável. Assim, a função do instituto da prestação de contas
parte da obrigação social e pública de prestar informações sobre algo pelo qual é responsável (atribuição,
7
PETER, M. G. A; MACHADO, M. V. V. Manual de contabilidade Governamental. 2 Ed. – São Paulo: Atlas 2014.
8
PEREIRA, José, Matias. A Governança Corporativa Aplicada no Setor Público Brasileiro, 2010.

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dever). Esse conceito é a base da transparência e do controle social, definições mais próximas do termo
governança, que por sua vez decorre do conceito de accontability.
Ainda de acordo com o TCU, o instituto da prestação de contas iniciou o seu desenvolvimento a partir
das ciências Contábeis, como elemento de registro dos lançamentos de débito ou crédito relativos a
operações comerciais e financeiras.
Accontability, por tratar de responsabilidade, tem a ver com o conceito de ética ligado às questões que
envolvem responsabilidade social, imputabilidade, obrigações e prestação de contas. O termo é
considerado, segundo o IFAC, um aspecto central da governança na Administração Pública, entendida
como accountability política, ou seja, responsabilidade dos governos, servidores públicos e políticos
perante o legislativo e a sociedade.
Parece haver consenso, na literatura, de que o fundamento dos sistemas democráticos está
verdadeiramente na accontability, já que a informação é um pressuposto básico da transparência dos
negócios públicos em uma verdadeira e legítima democracia. Sem informações apropriadas a respeito da
gestão pública, os cidadãos ficam privados de realizar julgamentos adequados em relação aos atos
praticados por seus governantes.
No contexto da Lei de Responsabilidade Fiscal, essa obrigação ganha dimensões relevantes, haja
vista o conjunto de sanções que dela resultam para as autoridades públicas que sonegarem informações
sobre suas práticas. Esse tema tem sido tratado com tanto interesse ultimamente que já se considera
como imprescindível o fortalecimento de instituições independentes do governo para oferecer à
coletividade as informações necessárias ao efetivo exercício da cidadania.

Processamento e Julgamento das Contas


De acordo com Valdecir Fernandes Pascoal, o julgamento das contas dos administradores e
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos é o desígnio do processo de tomada de contas (inciso
II do art. 71 da CF). Trata-se de julgamento específico das contas dos ordenadores de despesa de cada
unidade da administração direta ou entidade da administração indireta, independentemente das contas
prestadas pelo chefe do Poder Executivo e de deliberação do Poder Legislativo.
O Processamento e julgamento de contas é competência privativa do Tribunal de Contas, passível tão
somente do controle judicial, não cabendo qualquer reapreciação ou revisão por parte do Poder
Legislativo.
O julgamento, conforme demonstrado, alcança o exame das contas de gestão (que inclui: atos
administrativos, licitações, contratos administrativos, liquidações e pagamentos de despesas, renúncias
de receitas, concessões públicas, parcerias público-privadas, etc.) de toda pessoa física ou jurídica,
pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores
públicos ou pelos quais a União, os Estados ou os Municípios respondam, ou que, em nome destes,
assuma obrigações de natureza pecuniária. Assim, compete ao Tribunal de Contas JULGAR as contas
do(s) responsável(is) pela gestão:
- do Poder Legislativo;
- do Poder Judiciário;
- do Ministério Público;
- do próprio Tribunal De Contas;
- de Órgãos, Fundos e Empresas da Administração Pública Direta e Indireta (Ministérios, Secretarias,
Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista, Fundações e Autarquias etc.);
- de toda Pessoa Física ou Jurídica que Administre Verbas Públicas, Incluindo as Organizações
Sociais.
Como citado, fica fora desse julgamento pelo Tribunal de Contas apenas o Chefe do Poder Executivo.
Na maioria das Leis Orgânicas dos Tribunais de Contas do Brasil, constam dispositivos tratando sobre
o mérito (conteúdo material) das deliberações proferidas pelo Tribunal quando do julgamento das contas
dos Gestores. Usualmente, as leis fazem referência a três tipos de decisões:

• Preliminar – é a decisão pela qual o Relator ou o Tribunal, antes de pronunciar-se sobre o mérito
das contas, resolve sobrestar o julgamento, ordenar a citação ou a audiência dos responsáveis ou, ainda,
determinar outras diligências necessárias ao saneamento do processo.

• Definitiva – é a decisão pela qual o Tribunal emite um juízo de valor de mérito e JULGA as contas:
– REGULARES: quando expressarem, de forma clara e objetiva, a exatidão dos demonstrativos
contábeis, a legalidade, a legitimidade, a economicidade, a moralidade, a eficiência e a publicidade dos
atos de gestão do responsável.

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– REGULARES COM RESSALVAS: quando evidenciarem impropriedade ou qualquer outra falta de
natureza formal. A Lei Orgânica do TC do Estado de Pernambuco vai mais além e assinala que também
será objeto de julgamento com ressalvas a prática de ato de gestão ilegal, ilegítimo ou antieconômico que
não seja de natureza grave e que não represente injustificado dano ao erário.
– IRREGULARES: quando evidenciarem:
a) omissão no dever de prestar contas;
b) grave infração à norma legal de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional, patrimonial;
c) desfalque ou desvios de dinheiros, bens ou valores públicos;
d) injustificado dano ao erário;
e) reincidência no descumprimento de determinação do Tribunal.

• Terminativa – é a decisão pela qual o Tribunal ordena o trancamento das contas que forem
consideradas iliquidáveis. As contas serão consideradas iliquidáveis quando, caso fortuito ou de força
maior, comprovadamente alheio à vontade do responsável, tornar materialmente impossível o julgamento
do mérito das contas.

Sanções aplicáveis aos responsáveis por contas irregulares.

As prestações de contas, as fiscalizações e demais assuntos submetidos à deliberação do Tribunal


organizam-se em processos. Cabe a cada ministro ou auditor do Tribunal, atuando como ministro-
substituto, a missão de relatar esses processos, apresentar voto e submeter aos pares proposta de
acórdão, após análise e instrução preliminar realizadas pelos órgãos técnicos da Secretaria do Tribunal.
Ao constatar ilegalidade ou irregularidade em ato de gestão de qualquer órgão ou entidade pública, o
TCU fixa prazo para cumprimento da lei. No caso de ato administrativo, quando não atendido, o Tribunal
determina a sustação do ato impugnado.

Estas tomadas e prestações de contas são analisadas sob os aspectos de legalidade, legitimidade,
economicidade, eficiência e eficácia, após o que são julgadas regulares com ressalvas, irregulares ou
iliquidáveis. A primeira hipótese ocorre quando a conta expressa, de forma clara e objetiva, a exatidão
dos demonstrativos contábeis, a legalidade, a legitimidade e a economicidade dos atos de gestão do
responsável. As ressalvas, por sua vez, decorrem da existência de impropriedades ou falhas de natureza
formal de que não resultem danos ao erário.
Já a ocorrência de irregularidades das contas advém da omissão no dever de prestá-las; da prática de
ato de gestão ilegal, ilegítimo, antieconômico, ou infração a norma legal ou regulamentar de natureza
contábil, financeira, orçamentária, operacional ou patrimonial; de dano ao erário decorrente de ato de
gestão ilegítimo ou antieconômico; de desfalque ou desvio de dinheiros, bens ou valores públicos e de
reincidência no descumprimento de determinações do Tribunal. Por fim, as contas serão consideradas
iliquidáveis quando caso fortuito ou força maior tornar materialmente impossível o julgamento de mérito.
No julgamento desses processos são respeitados o contraditório e o direito à ampla defesa dos
responsáveis, com todos os elementos a ela inerentes. Assim, o Tribunal, diante de irregularidades
detectadas em suas análises, determina a realização de diligência, audiência prévia ou citação dos
interessados, que, não as atendendo, são considerados revéis e como tal julgados.

Em caso de julgamento pela irregularidade, as seguintes sanções podem ser aplicadas pelo TCU,
isolada ou cumulativamente:
- a condenação ao recolhimento do débito eventualmente apurado;
- a aplicação ao agente público de multa proporcional ao valor de prejuízo causado ao erário, sendo o
montante do dano o limite máximo da penalidade;
- a aplicação de multa ao responsável por contas julgadas irregulares, por ato irregular, ilegítimo ou
antieconômico, por não atendimento de diligência ou determinação do Tribunal, por obstrução ao livre
exercício de inspeções ou auditorias e por sonegação de processo, documento ou informação;
- o afastamento provisório de seu cargo, do dirigente responsável por cerceamentos a inspeções e
auditorias enquanto durarem os respectivos trabalhos;
- a decretação, no curso de qualquer apuração de irregularidade, da indisponibilidade, por prazo não
superior a um ano, dos bens do responsável considerados bastantes para garantir o ressarcimento do
prejuízo;
- a declaração de inabilitação, pelo período de cinco a oito anos, para o exercício de cargo em comissão
ou função de confiança no âmbito da administração pública;

. 14
1552299 E-book gerado especialmente para BRUNO COSTA PEREIRA
- a declaração de inidoneidade do responsável por fraude em licitação para participar, por até cinco
anos, de certames licitatórios promovidos pela administração pública;
- a determinação à Advocacia-Geral da União, ou ao dirigente de entidade jurisdicionada, de adoção
de providências para arresto dos bens de responsáveis julgados em débito.
Cabe destacar, ainda, que as penalidades aplicadas pelo Tribunal de Contas não excluem a aplicação
de sanções penais e de outras sanções administrativas, estas últimas pelas autoridades competentes.
Ressalte-se, também, que a legislação eleitoral prevê a inelegibilidade, por um período de cinco anos,
dos responsáveis por contas irregulares.

Nesse sentido, o processo de exame e julgamento de tomadas e prestação de contas anuais é


expressão máxima do poder controlador do TCU, exercido em auxílio ao Congresso Nacional, dado que,
contrariamente aos sistemas de controladoria adotados em outros países, permite ao Tribunal exercer
juízo sobre a gestão dos responsáveis pela administração de recursos públicos federais, bem como fazer
determinações e imputar sanções, as quais, no que tange ao mérito, não são recorríveis a outro órgão
que não ao próprio TCU.
Sobre o tema, cabe observar que o instituto da prestação de contas iniciou o seu desenvolvimento a
partir das ciências contábeis, como elemento de registro dos lançamentos de débito ou crédito relativos
a operações comerciais e financeiras; evoluiu com as ciências econômicas, além da simples memória
das transações financeiras, para um registro do planejamento e execução orçamentária. A rigor, prestar
contas sempre trouxe a conotação de dar informação sobre pessoa ou coisa (incluindo valores) pela qual
se é responsável.
Hodiernamente, a função do instituto da prestação de contas parte da obrigação social e pública de
prestar informações sobre algo pelo qual é responsável (atribuição, dever).
Governança é a capacidade do governo de responder às demandas da sociedade, à transparência
das ações do poder público e à responsabilidade dos agentes políticos e administradores públicos pelos
seus atos, transcendendo ao conceito de prestação de contas tradicional de realizar bem determinada
tarefa, dar conta de uma incumbência.
Aplicado ao controle externo, esse conceito é um marco teórico fundamental para a determinação de
qual aspecto da gestão será examinado e cobrado dos administradores públicos – legalidade,
economicidade, eficiência, eficácia e efetividade, sendo uma importante ferramenta para instrumentalizar
o controle, ao permitir uma percepção mais elaborada de como se deve dar o controle por contas e como
esse se integra aos demais instrumentos de fiscalização do Tribunal.

Recursos, Pedido de Rescisão e Execução das decisões já foi abordado na Lei Orgânica do
Tribunal de Contas do Estado do Pará.

3 Tomada de contas especial.

A Tomada de Contas Especial (TCE) é um instrumento que a Administração Pública dispõe para o
ressarcimento de eventuais prejuízos que lhe forem causados. É um processo revestido de rito próprio e
somente instaurado após esgotadas as medidas administrativas para a reparação do dano9.
A principal finalidade deste processo administrativo, é apurar os fatos, identificar os responsáveis,
quantificar o dano e obter o respectivo ressarcimento, quando evidenciada por exemplo, a omissão no
dever de prestar contas, a ocorrência de desfalque ou desvio de dinheiro, bens ou valores públicos, a
não comprovação da aplicação de recursos repassados pelo Estado, mediante convênio, acordo, ajuste
ou instrumentos congêneres ou ainda nos casos de prática de qualquer ato ilegal, ilegítimo ou
antieconômico, que resulte a danos ao erário.
A Instrução Normativa do Tribunal de Contas da União nº 71/2012, normatiza a tomada de contas
especial, no entanto, nas esferas estaduais, os Tribunais de Contas Estaduais também podem expedir
instruções normativas próprias, desde que não contrariem a regulamentação federal.

9
http://www.cgu.gov.br/assuntos/auditoria-e-fiscalizacao/avaliacao-da-gestao-dos-administradores/tomadas-de-contas-especiais

. 15
1552299 E-book gerado especialmente para BRUNO COSTA PEREIRA
Requisitos

A Instrução Normativa do Tribunal de Contas da União (IN/TCU) n° 71/2012, dispõe que a averiguação
da ocorrência dos dados causados à Administração Pública é feita por meio da:
a) Apuração dos fatos (o que aconteceu);
b) Identificação dos responsáveis (quem participou e como);
c) Quantificação dos danos (quanto foi o prejuízo ao erário); e
d) Cobrança do ressarcimento (devolução do valor aos cofres públicos).

Assim, a ocorrência de pelo menos um dos seguimentos fatos é determinante para a instauração de
TCE:
a) Omissão no dever de prestar contas;
b) Não comprovação da aplicação dos recursos ou instrumento congênere;
c) Ocorrência de desfalque, alcance, desvio ou desaparecimento de dinheiros, bens, ou valores
públicos;
d) Prática de ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que resulte dano à Administração Pública
Federal.

De acordo com a Lei Orgânica do TCU (Lei n° 8.443/92), a Tomada de contas Especial pode também
ser instaurada por recomendação dos órgãos de controle interno ou por determinação do próprio Tribunal,
nos casos de omissão na prestação de contas ou inércia na instauração da TCE pelo gestor competente,
podendo ser, ainda, oriunda de conversão de outros processos de controle externo, tais como denúncia,
representação, inspeção, auditoria e processos de registro de atos de pessoal.
Trata-se de uma medida de exceção, logo, a Administração deve esgotar todas as medidas
administrativas para suprimir a irregularidade ensejadora da TCE ou obter o ressarcimento do dano, antes
de formalizar a instauração do processo.

Medidas Administrativas
São, dentre outras, medidas administrativas que devem ser adotadas antes da instauração da TCE:
- Notificação ao responsável para envio da prestação de contas;
- Notificação ao responsável para regularização ou recolhimento de débito apurado;
- Sustação do ato, acordo, ajuste, convênio ou outro instrumento jurídico quando verificada
irregularidade;
- Abertura de sindicância ou processo administrativo quando a irregularidade envolver servidor;
- Inspeções ou auditorias.

Quando verificado que após a tomada das medidas administrativas cabíveis, for realizado o
recolhimento do débito ou a recomposição dos bens ou dos valores públicos, a apresentação da prestação
de contas ou a descaracterização do dano, o procedimento da tomada de contas especial não será
instaurado.

Dispensa

O dano ao erário verificado inicialmente no órgão ou entidade de origem, por exemplo, mas que foi
regularizado através da adoção de medidas administrativas, não gera uma Tomada de Contas Especial.
Além disso, a verificação de valor inferior ao mínimo estabelecido pelo TCU e a ausência de notificação
ao responsável em prazo superior a 10 (dez) anos dispensam a instauração de Tomada de Contas
Especial10 (art. 6º, da IN TCU 71/2012).
Serão arquivadas as tomadas de contas especiais, antes do encaminhamento ao Tribunal de Contas
da União, nas hipóteses de recolhimento do débito, comprovação da não ocorrência do dano imputado
aos responsáveis e subsistência de débito inferior ao limite no artigo 7º, da IN TCU 71/2012.
Importante destacar, que a dispensa de instauração de tomada de contas especiais, não exime a
autoridade administrativa de adotar outras medidas administrativas ao seu alcance ou requerer ao órgão
jurídico pertinente as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis, com vistas à obtenção do ressarcimento
do débito apurado.

10
http://www.cgu.gov.br/Publicacoes/auditoria-e-fiscalizacao/arquivos/tomadadecontasespecial.pdf

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1552299 E-book gerado especialmente para BRUNO COSTA PEREIRA
Competência

A instauração da tomada de contas especial compete, salvo disposição legal ou regulamentar em


contrário, a cada autoridade administrativa das entidades e órgãos jurisdicionados, podendo essa
competência ser delegada mediante ato formal devidamente publicado.
Em âmbito Federal, a apreciação do processo de Tomada de Contas Especial, constitui competência
constitucional do Tribunal de Contas da União, prevista no art. 70, parágrafo único, c/c art. 71, ambos da
Constituição Federal.

Informações Complementares

Os processos de ressarcimento de danos ao Erário devem pautar-se pelos princípios da racionalidade


administrativa, do devido processo legal, da economia processual, da celeridade, da ampla defesa e do
contraditório.
Observa-se, portanto, que o instituto da tomada de contas especial (TCE) visa não apenas atender
uma determinação legal, mas, principalmente, protege a gestão governamental e responsabilizar os
agentes públicos quando do não cumprimento de seu dever social de prestar contas.
Assim como os demais processos de prestação de contas, os processos de TCE poderão ser julgados
regulares (dando quitação plena aos responsáveis), regulares com ressalva (falhas formais) e irregulares.
Podem ainda ser considerados iliquidáveis (trancamento das contas por impossibilidade de
julgamento) supostos de constituição ou de desenvolvimento válido e regular do processo, conforme
Regimento Interno TCU, aprovado pela Resolução TCU n° 155, de 4 de dezembro de 2002.
No caso de imputação de débito ou multa, o responsável é notificado para, no prazo de 15 dias,
recolher o valor devido sob pena de formalização de processo de cobrança executiva, a ser encaminhado
ao Ministério Público no TCU para, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU) ou das unidades
jurisdicionadas ao TCU que detêm essa competência, promover a cobrança judicial da dívida ou o arresto
de bens.
Observe-se que as penalidades impostas pelo TCU não impossibilitam a execução de outras sanções
administrativos ou penais, além de inelegibilidade, por um período de cinco anos, dos responsáveis por
contas irregulares, previstas na legislação eleitoral.
Podem também ser aplicadas outras sanções, de forma concomitante, tais como:
a) Declaração de inidoneidade do particular para licitar ou contratar com a Administração;
b) Declaração de inabilitação para o exercício de cargo ou função pública;
c) Inclusão no Cadin;
d) Comunicação ao Ministério Público Federal;
e) Solicitação do arresto de bens para garantir o ressarcimento;
f) Inclusão no cadastro a ser enviado à Justiça Eleitoral, a partir do qual o responsável poderá figurar
na lista de inelegíveis.

Compete a Controladoria Geral da União (CGU), por intermédio da Secretaria Federal de Controle
Interno (SFC), manifestar-se sobre a adequação das medidas administrativas adotadas pela autoridade
competente para caracterização do dano à Administração Pública e sobre o cumprimento das normas
pertinentes à instauração e desenvolvimento da TCE (TCU, 2012).

Questões

01. (UFG - Contador - CS-UFG/2017) A Administração Pública dispõe de instrumento específico para
buscar o ressarcimento de eventuais prejuízos que lhe forem causados. Como é denominado o processo
revestido de rito próprio e instaurado somente depois de esgotadas as medidas administrativas para
reparação do dano ao erário?
(A) Prestação de Contas.
(B) Tomada de Contas Especial.
(C) Procedimento Cautelar.
(D) Processo Administrativo.

02. (TCE/MG - Auditor/Conselheiro do Tribunal de Contas - FUNDEP) Em relação aos mecanismos


de controle da Administração Pública no Brasil, é CORRETO afirmar que:

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1552299 E-book gerado especialmente para BRUNO COSTA PEREIRA
(A) a tomada de contas especial é um processo excepcional, de natureza administrativa, que visa
apurar a responsabilidade por omissão ou irregularidade no dever de prestar contas ou por dano causado
ao erário
(B) ao se comprovar que o gestor causador do dano não procedeu com dolo ou culpa grave, o Tribunal
de Contas poderá julgar suas contas regulares, porém, com ressalvas, impondo-lhe apenas a advertência.
(C) as multas impostas pelos Tribunais de Contas, no Brasil, têm natureza de débito fiscal, sendo
admitida a sua execução imediata, pelo mesmo rito processual adotado para os créditos da fazenda
pública
(D) a tomada de contas especial é um processo excepcional, de competência exclusiva dos Tribunais
de Contas, mas cuja instauração pode lhes ser requerida pelos órgãos e entidade públicos a qualquer
momento.
(E) nos casos em que as contas não tenham sido prestadas, no prazo legal, a tomada de contas
especial é promovida pelo Tribunal para fins de registro

Gabarito

01.B / 02.A

Comentários

01. Resposta: B
A Tomada de Contas Especial (TCE) é um instrumento de que dispõe a Administração Pública para
ressarcir-se de eventuais prejuízos que lhe forem causados, sendo o processo revestido de rito próprio e
somente instaurado depois de esgotadas as medidas administrativas para reparação do dano.

02. Resposta: A
A tomada de contas especial é um processo administrativo devidamente formalizado, com rito próprio,
para apurar responsabilidade por ocorrência de dano à administração pública a fim de obter o respectivo
ressarcimento.

4 Apreciação da legalidade dos atos de admissão de pessoal e das


concessões de aposentadorias, reformas e pensões.

Apreciação da legalidade dos atos de admissão de pessoal e das concessões iniciais de


aposentadorias, reformas e pensões.

O Tribunal de Contas da União (TCU) é órgão de controle externo do governo federal e auxilia o
Congresso Nacional na missão de acompanhar a execução orçamentária e financeira do país e contribuir
com o aperfeiçoamento da Administração Pública em benefício da sociedade.
Nesse sentido, tem competência constitucional instituída pelo artigo 71, inciso III da CF/88 de apreciar,
para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal na administração direta e indireta,
incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo poder público, excetuadas as nomeações para cargos
de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões,
ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório.

CF - Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
(...)
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na
administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público,
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de
aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento
legal do ato concessório;

Dessa forma, a apreciação ou o exame exercido pelo TCU restringe a apreciação de suas legalidades,
verificando se foram praticados em conformidade com as normas em vigor, se está correta a justificação
que os originaram ou se houve algum vício que os anulem.

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A apreciação dos atos admissionais pelos Tribunais de Contas, visa impor maior moralidade e
responsabilidade na Administração Pública. Não podemos esquecer que, antes de 1988, os cargos e
empregos públicos eram fonte de apadrinhamentos, abusos e inchaço da máquina pública. Dessa
realidade, sobreveio dispositivo constitucional atribuindo aos Tribunais de Contas competência para
apreciar a legalidade das admissões.
O processo de admissão visa apreciar a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título,
ocorridos na administração direta ou indireta, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em
comissão (Inciso III do art. 71 da CF, primeira parte).
Nele são examinadas exaustivamente as admissões realizadas pela Administração Pública.
A decisão proferida neste processo, pela legalidade ou ilegalidade da admissão, também independe
de manifestação do Poder Legislativo.
Por derradeiro, a apreciação da legalidade das aposentadorias, reformas e pensões (inciso III do art.
71 da CF, parte final) segue as mesmas linhas gerais do exame das admissões.
Como os atos de admissão de pessoal e os de concessões de aposentadorias, reformas e pensões,
são atos causam grande despesa ao erário público e se estendem por um longo período de tempo, foram
submetidos ao controle externo, tendo em vista que apenas o controle interno exercido pela autoridade
administrativa não seria suficiente para evitar possíveis irregularidades11.
Importante salientar que o Tribunal de Contas, no âmbito de suas atribuições constitucionais de
controle externo, apenas aprovará ou não o ato administrativo sujeito ao controle de legalidade, não o
integrando para a sua formação ou existência. Ao aprovar, homologando o registro, será mantido o ato,
declarando-lhe, em definitivo, a sua legitimidade e executoriedade ou, num sentido mais amplo, a sua
validade.
Destarte, a apreciação, por parte do órgão de Controle externo, verificando a legalidade ou validade
dos atos de concessão dos benefícios, como aposentadoria, reforma e pensão, praticados pela
Administração Pública, tem natureza meramente declaratória, e não constitutiva desses atos.12
Assim, o ato de concessão de aposentadoria, reforma ou pensão realizado pelo Tribunal de Contas
apenas realiza o controle de sua legalidade, aprovando ou não o ato administrativo, não participando de
sua formação ou existência, logo, não realizando juízo de oportunidade e conveniência (ou juízo de
mérito).

O Tribunal de Contas, ao verificar que os atos de admissão de pessoal e os de concessões de


aposentadorias, reformas e pensões estão eivado de algum tipo de ilegalidade, deverá comunicar ao
órgão administrativo a irregularidade constatada, recomendando a sua retificação ou a modificação do
título, caso seja preciso, por não possuir competência para modificar esse ato, conforme jurisprudência
da Corte Suprema (STF, MS 21.466/DF, RTJ 153/151)13.
Se a autoridade administrativa, por acaso, não tomar as devidas providências solicitadas para sanar o
vício, o Tribunal de Contas denegará o registro, determinando ao órgão concedente a anulação do
benefício irregular. A sua decisão tem caráter impositivo e vinculante.
A denegação do registro pela Corte de Contas ocasionará a resolução do ato de aposentadoria,
reforma ou pensão, com a interrupção imediata dos seus efeitos iniciais e, por consequência, a sustação
do pagamento dos proventos. Em contrapartida, a homologação do registro, acarretará a eficácia ou
execução definitiva desse ato14.

Referências Bibliográficas
LIMA, Luiz Henrique, Controle externo [recurso eletrônico]: teoria, jurisprudência e mais de 500
questões / Luiz Henrique Lima. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
PASCOAL, Valdecir Fernandes, Direito financeiro e controle externo: teoria, jurisprudência e 400
questões / Valdecir Fernandes Pascoal. – 8. ed. rev., ampl. e atual.. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
Disponível em : http://jus.com.br/artigos/15039/o-auditor-do-tribunal-de-contas.
Disponível em: http://jus.com.br/artigos/22912/o-tribunal-de-contas-no-contexto-organico-da-
constituicao-federal-de-1988.
Disponível em: http://www.tce.ce.gov.br/institucional/apresentacao.
COIMBRA, Anna Maria. Parecer prévio dos Tribunais De Contas e a prestação de contas do Poder
Executivo. Disponível em http://www.etecnico.com.br/paginas/mef20453.htm.

11
https://jus.com.br/artigos/61988/a-natureza-juridica-dos-atos-concessivos-de-aposentadoria-reforma-e-pensao
12

http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/documentacao_e_divulgacao/doc_biblioteca/bibli_servicos_produtos/bibli_boletim/bibli_bol_2006/RTrib_n.966.05.PDF
13
STF, MS 21.466/DF, Pleno, j. 19.05.1993, v. m., rel. Min. Celso de Mello, DJ 06.05.1994, RTJ 153/151.
14

http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/documentacao_e_divulgacao/doc_biblioteca/bibli_servicos_produtos/bibli_boletim/bibli_bol_2006/RTrib_n.966.05.PDF

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Disponível em: http://jus.com.br/artigos/12911/a-apreciacao-da-legalidade-dos-atos-de-admissao-de-
pessoal-pelos-tribunais-de-contas/2.

Questões

01. (CGE/RO - Auditor de Controle Externo - Funrio/2018) Dentre as competências do Tribunal de


Contas da União previstas na Constituição Federal encontra-se a apreciação da legalidade dos atos de
admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações
instituídas e mantidas pelo Poder Público, para fins de:
(A) registro.
(B) validação.
(C) percepção.
(D) certificação.
(E) relativização.

02. (Câmara de São Caetano do Sul - Procurador - CAIP/IMES) O controle externo, a cargo do
Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete,
dentre outras atribuições
(A) apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na
administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público,
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de
aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento
legal do ato concessório.
(B) apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio
que deverá ser elaborado em trinta dias a contar de seu recebimento.
(C) sustar, se não atendido, a execução do contrato administrativo impugnado, comunicando a decisão
ao Poder Legislativo.
(D) aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as
sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, perda ou suspensão de cargo
público.

Gabarito

01.A / 02.A

Comentários

01. Resposta: A
CF - Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
(...)
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título,
na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público,
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de
aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento
legal do ato concessório
;

02. Resposta: A
CF - Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
(...)
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na
administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público,
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de
aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento
legal do ato concessório;

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5 Denúncia. 6 Representação.

A denúncia de irregularidades ou ilegalidades que sejam cometidas perante o Tribunal de Contas do


estado do Pará pode ser feita por qualquer pessoa, desde o cidadão até os sindicatos.
Se o denunciante não tiver agido de má-fé, ele não será responsabilizado na esfera administrativa,
cível ou penal.

A representação, por sua vez, é a peça escrita apresentada por servidor público, como cumprimento
de dever legal, ao tomar conhecimento de suposta irregularidade cometida por qualquer servidor, ou de
ato ilegal omissivo ou abusivo por parte de autoridade, associados, ainda que indiretamente, ao exercício
de cargo (a vida pessoal de servidor não deve ser objeto de representação). Em regra, a representação
deve conter a identificação do representante e do representado, a indicação precisa da suposta
irregularidade (associada ao exercício do cargo) e das provas já disponíveis.15
A representação administrativa tem fundamento na própria Constituição Federal, mais precisamente
em seu artigo 5º, XXXIV, a concebe como garantia fundamental, independentemente do pagamento de
taxa.
Como se per percebe, a representação administrativa é livre de muitas peculiaridades, como isenção
ao pagamento de taxas e impossibilidade da aplicação da prescrição.
Tem como escopo denunciar à autoridade administrativa competente os abusos e ilegalidades
cometidos na própria Administração. Á autoridade responsável tem ampla liberdade para adotar o
procedimento cabível para restringir a ilegalidade ou o abuso apontado.
Caso o denunciante faça denúncia falsa, este será responsabilizado, inclusive por crime, desde que
seja comprovada a falsidade do ato.
OBS: Os artigos 39 a 42 da Lei Complementar nº 81, de 26 de abril de 2012 versam sobre o tema,
de modo que serão estudadas no tópico: 10.2 Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do
Pará.

Questão

01. A denúncia pode ser oferecida apenas por quem tiver interesse na lide.

( ) Certo ( ) Errado

Gabarito

01.errado

Comentário

01. Resposta: errado


A denúncia de irregularidades ou ilegalidades que sejam cometidas perante o Tribunal de Contas do
estado do Pará pode ser feita por qualquer pessoa, desde o cidadão até os sindicatos.

7 Gestão fiscal.

Em virtude da prática desenfreada da irresponsabilidade na gestão das contas públicas por meio dos
gastos superiores às receitas, por meio de gestores públicos desqualificados, entre outros inúmeros
fatores, expos um cenário deplorável, deixando as finanças públicas numa situação precária, onde se
ocasiona a limitação ao atendimento de políticas públicas fundamentais, como saúde, educação, moradia,
saneamento, entre outras, fazendo com que a parcela mais carente da população sofra mais, com os
decrescentes investimentos governamentais nas áreas sociais.

15
http://www.cgu.gov.br/sobre/perguntas-frequentes/atividade-disciplinar/representacao-e-denuncia

. 21
1552299 E-book gerado especialmente para BRUNO COSTA PEREIRA
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) trouxe uma mudança institucional e cultural na gestão do
dinheiro da sociedade, exigindo controle e gestão fiscal.
Acompanharemos abaixo o Relatório de Gestão Fiscal, exigido pela LRF.

Relatório de Gestão Fiscal16

O Relatório de Gestão Fiscal (RGF) é um dos instrumentos de Transparência da Gestão Fiscal criados
pela Lei Complementar nº 101/200017, intitulada Lei de Responsabilidade Fiscal na Seção IV, artigos 54
e 55. Abaixo a Seção IV que dispõe sobre o RGF:

Seção IV
Do Relatório de Gestão Fiscal

Art. 54. Ao final de cada quadrimestre será emitido pelos titulares dos Poderes e órgãos referidos no
art. 20 Relatório de Gestão Fiscal, assinado pelo:
I - Chefe do Poder Executivo;
II - Presidente e demais membros da Mesa Diretora ou órgão decisório equivalente, conforme
regimentos internos dos órgãos do Poder Legislativo;
III - Presidente de Tribunal e demais membros de Conselho de Administração ou órgão decisório
equivalente, conforme regimentos internos dos órgãos do Poder Judiciário;
IV - Chefe do Ministério Público, da União e dos Estados.
Parágrafo único. O relatório também será assinado pelas autoridades responsáveis pela administração
financeira e pelo controle interno, bem como por outras definidas por ato próprio de cada Poder ou órgão
referido no art. 20.

Art. 55. O relatório conterá:


I - comparativo com os limites de que trata esta Lei Complementar, dos seguintes montantes:
a) despesa total com pessoal, distinguindo a com inativos e pensionistas;
b) dívidas consolidada e mobiliária;
c) concessão de garantias;
d) operações de crédito, inclusive por antecipação de receita;
e) despesas de que trata o inciso II do art. 4o;
II - indicação das medidas corretivas adotadas ou a adotar, se ultrapassado qualquer dos limites;
III - demonstrativos, no último quadrimestre:
a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro;
b) da inscrição em Restos a Pagar, das despesas:
1) liquidadas;
2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por atenderem a uma das condições do inciso II do art.
41;
3) empenhadas e não liquidadas, inscritas até o limite do saldo da disponibilidade de caixa;
4) não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e cujos empenhos foram cancelados;
c) do cumprimento do disposto no inciso II e na alínea b do inciso IV do art. 38.
§ 1o O relatório dos titulares dos órgãos mencionados nos incisos II, III e IV do art. 54 conterá
apenas as informações relativas à alínea a do inciso I, e os documentos referidos nos incisos II e III.
§ 2o O relatório será publicado até trinta dias após o encerramento do período a que corresponder,
com amplo acesso ao público, inclusive por meio eletrônico.
§ 3o O descumprimento do prazo a que se refere o § 2o sujeita o ente à sanção prevista no § 2o do
art. 51.
§ 4o Os relatórios referidos nos arts. 52 e 54 deverão ser elaborados de forma padronizada,
segundo modelos que poderão ser atualizados pelo conselho de que trata o art. 67.

Aspectos Contábeis
O RGF objetiva o controle, o monitoramento e a publicidade do cumprimento, por parte dos entes
federativos, dos limites estabelecidos pela LRF, como Despesas com Pessoal, Dívida Consolidada
Líquida, Concessão de Garantias e Contratação de Operações de Crédito. Todos esses limites são
definidos em percentuais da Receita Corrente Líquida (RCL) que é apurada em demonstrativo próprio
elaborado e publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Os demonstrativos que compõem o
16
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/-/relatorio-de-gestao-fiscal
17
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp101.htm

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1552299 E-book gerado especialmente para BRUNO COSTA PEREIRA
mencionado documento são consolidados, no âmbito do Ministério da Fazenda, pela Secretaria do
Tesouro Nacional e avaliados, quanto à consistência dos dados neles contidos, pela Secretaria Federal
de Controle Interno, órgão integrante do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral
da União.
Estão obrigados a emitir o Relatório de Gestão Fiscal a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, estando compreendido:
a) Na esfera federal: o Poder Legislativo (incluído o Tribunal de Contas da União), o Poder
Judiciário (incluindo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal), o Poder Executivo e o
Ministério Público da União (incluindo o Ministério Público do Distrito Federal);
b) Na esfera distrital: o Poder Legislativo (incluído o Tribunal de Contas do Distrito Federal) e o Poder
Executivo;
c) Na esfera estadual: o Poder Legislativo (incluído o Tribunal de Contas do Estado, o Poder Judiciário,
o Poder Executivo, o Ministério Público dos Estados e a Defensoria Pública Estadual;
d) Na esfera municipal: o Poder Legislativo (incluído o Tribunal de Contas do Município, quando
houver) e o Poder Executivo.

O Relatório tem seus demonstrativos assinados pelo Secretário do Tesouro Nacional e pelo Secretário
Federal de Controle. O Relatório é então encaminhado, sob a forma de Exposição de Motivos
Interministerial, pelos Ministros de Estado da Fazenda e Chefe da Controladoria Geral da União à
Presidenta da República, a quem incumbe assiná-lo, nos termos do artigo 54 da LRF. É importante
ressaltar que deixar de divulgar o RGF constitui infração administrativa contra as leis de finanças públicas,
punida com multa pessoal de trinta por cento dos vencimentos anuais do agente que lhe der causa, além
de impedir que o ente receba transferências voluntárias e contrate operações de crédito.

8 Fiscalização de contratos

FISCALIZAÇÃO DE CONTRATOS18

Introdução

Os contratos administrativos necessitam de um acompanhamento diário e, diante disso, é preciso que


os gestores públicos/ordenadores de despesas atentem para a necessidade de nomearem fiscais e
gestores de contratos devidamente qualificados para a missão, além de propiciarem reais condições para
uma fiscalização e acompanhamento eficientes ao longo da realização de cada contrato em particular.
Somente assim procedendo o gestor público/ordenador de despesas estará resguardando o interesse
público e a si próprio.
É importante esclarecer, entretanto, que o gestor público/ordenador de despesas precisa estar atento
aos requisitos na escolha de seus prepostos, pois uma incorreta indicação pode gerar responsabilidade.
É a figura da culpa in elegendo, ou seja, a culpa pela má eleição dos funcionários.

Gestão de contratos

É o acompanhamento e a fiscalização, pela Administração, da execução de todos seus contratos e


deve ser promovida por todos os órgãos públicos.
A gestão do contrato é realizada por um representante da Administração, conforme exigência do artigo
67 da Lei nº8.666/93. Este representante é denominado gestor do contrato.

Artigo 67 – A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um responsável da


Administração especialmente designado, permitida a contratação de terceiros para assisti-lo e subsidiá-
lo de informações pertinentes a essa atribuição.

18
http://www4.fe.usp.br/wp-content/uploads/feusp/manual-gestao-de-contratos.pdf.

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Competência da Gestão

A gestão de contratos abrange uma série de condutas e procedimentos a serem aplicados pelo agente
público e por seus representantes desde o planejamento da contratação, a seleção do fornecedor, e a
fiscalização da execução contratual, que contribuem para o bom uso do dinheiro público, e, para que as
necessidades da Administração e da população sejam atendidas da melhor forma possível.

Finalidade da gestão de contratos

A gestão de contratos deve garantir que os contratados pela Administração forneçam os bens ou
prestem os serviços pactuados, e que tais bens e serviços sejam da melhor qualidade possível. Deve
atuar na tentativa de aliar a busca pelo bem ou serviço de menor preço e o atendimento ao princípio
constitucional da eficiência, evitando desperdícios e oferecendo bens e serviços públicos de qualidade à
população.
Outra finalidade da gestão de contratos é a de evitar prejuízos aos cofres públicos ocasionados pela
necessidade de novas contratações para substituir ou concluir obras e serviços não prestados ou
insatisfatórios, e pela condenação da Administração, nas esferas trabalhista e previdenciária, ao
pagamento de encargos devidos aos empregados e fornecedores inadimplentes.
A gestão dos contratos abrange duas esferas de trabalho a serem desenvolvidas, sendo uma de perfil
administrativo, cujo foco é a relação jurídica com a contratada, efetuada pelo Gestor de Contratos; e outra,
de perfil técnico, que tem como foco o próprio objeto, sua execução, que é a fiscalização. O Fiscal de
Contratos necessita ter conhecimento técnico e domínio do objeto para que possa avaliá-lo.

Diferença entre Gestão e Fiscalização

Não podemos, entretanto, confundir gestão com fiscalização. A Gestão é o serviço geral de
gerenciamento dos contratos; a fiscalização é pontual.
É necessário diferenciarmos estas duas funções, tão comumente confundidas, visto que possuem
atribuições semelhantes, não esquecendo que os responsáveis pelas mesmas, ou seja, gestor de
contrato e fiscal, devem atuar em perfeita sintonia, pois objetivam, cada um a seu tempo e modo, a perfeita
execução do contrato.
Na gestão do contrato cuida-se, por exemplo, do equilíbrio econômico-financeiro, de incidentes
relativos a pagamentos, de questões ligadas à documentação, ao controle dos prazos de vencimento, de
prorrogações, etc. É um serviço administrativo propriamente dito, que pode ser exercido por uma pessoa
ou um setor.
Já a fiscalização, exercida necessariamente por um representante da Administração, especialmente
designado, como preceitua a lei, cuida pontualmente de cada contrato.
Cada órgão deve organizar e regulamentar a gestão dos contratos de acordo com o pessoal disponível,
o número de contratos existentes e a complexidade dos objetos contratados. A lei exige que pelo menos
um servidor seja responsável pelo acompanhamento da execução, exercendo a função de gestor do
contrato. Ele pode ser auxiliado por outros servidores ou por terceiros contratados, mediante processo
licitatório dispensa ou inexigibilidade de licitação, conforme o caso, quando tecnicamente justificável, para
auxiliá-lo. Em sendo estas tarefas exercidas por apenas um servidor, é recomendável que ele tenha
formação ou conhecimento na área do objeto a ser fiscalizado.

Da contratação dos serviços

A contratação de particulares pela Administração Pública é necessária para atender uma necessidade
do próprio órgão ou da população. Em todos os casos, a necessidade a ser atendida deve ser identificada
e bem conhecida pelos setores responsáveis.
É importante que se estabeleça uma perfeita comunicação entre o setor que necessita o objeto
(Requisitante) e o setor encarregado do expediente licitatório (Serviço de Compras).
Muitas vezes, há requisição de compra de determinado produto/serviço, sem que se descreva com
nitidez as características, as peculiaridades daquilo que se precisa. Na etapa seguinte o Serviço de
Compras acaba por fazer uma descrição do objeto que não atende rigorosamente ao interesse de quem
o solicitou.
Todas as informações sobre os serviços e obras devem ser reunidas e organizadas em um Memorial
Descritivo (Projeto Básico). Este memorial serve, portanto, para descrever a necessidade da
Administração que justifica a contratação de uma empresa ou profissional da iniciativa privada. Ao mesmo

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tempo, ele contém as informações sobre o objeto a ser contratado, que são utilizadas pelos setores
responsáveis pela elaboração do edital e da minuta do contrato.
Além disso, as informações do Memorial Descritivo são essenciais para que as empresas e
profissionais conheçam as características do serviço ou da obra e possam decidir se têm condições
técnicas para executá-las, optando por participar da licitação ou não. Por isso é importante que a
Administração elabore um Memorial
Descritivo claro e detalhado, que descreva com precisão a necessidade pública que deve ser atendida
e o padrão de qualidade exigido, ou ainda, a descrição do objeto no Memorial Descritivo deve ter como
foco o resultado pretendido pela Administração.
O artigo 6º, inciso IX, da Lei de Licitações, define o Memorial Descritivo (Projeto Básico) e lista os
elementos que ele deve conter (alíneas “a” a “f”). Em linhas gerais, o Memorial Descritivo deve: descrever
a solução escolhida para a necessidade a ser atendida; especificar as técnicas que podem ou devem ser
utilizadas; enumerar os serviços principais e assessórios a serem executados e tipos de materiais
necessários; descrever as condições de execução do serviço ou da obra (organização, periodicidade,
horários, etc.); fixar obrigações das partes, prazos, garantias contratuais, forma e condições de
pagamento; conter orçamento detalhado do custo global da obra ou serviço, e outras informações
relevantes para a descrição do objeto, conforme o caso.
É muito importante, também, que conste no Memorial Descritivo e no Termo Contratual o procedimento
de fiscalização das obrigações trabalhistas e previdenciárias da Contratada, e que o gestor do contrato
execute este procedimento e arquive toda a respectiva documentação.
Como medida de resguardo de incidentes, a recomendação é de que a descrição do objeto seja feita
pelo funcionário que o requisita; ou seja, que este busque o assessoramento técnico para fazê-lo. Sem
isso, corremos o risco de termos um contrato impróprio, com dinheiro público desperdiçado, ou com
remendos na execução, transferindo ao contratado encargos de trocas ou ajustes e caracterizando
ineficiência da Administração.

Do Termo Contratual

O contrato deve conter cláusulas referentes ao gestor e à fiscalização, estabelecendo que a execução
do objeto seja acompanhada e fiscalizada por um representante da Administração (gestor do contrato),
além de conter cláusulas que definam como a prestação do serviço, obra ou fornecimento de bem que
será avaliada por este representante. O nome do servidor especialmente designado para acompanhar a
execução pode constar em cláusula do contrato, sendo este aditado para alteração desta cláusula caso
seja necessário substituir o gestor do contrato. É possível também fazer constar no contrato que o gestor
será nomeado através de portaria, pela autoridade competente. Além disso, é importante fazer constar
expressamente as prerrogativas e atribuições do gestor do contrato.

Gestor de Contratos

É o servidor especialmente designado pela Administração, através de Portaria, para cumprir as


atribuições legais definidas no artigo 67 da Lei de Licitações.
Ele é o responsável por tomar as medidas necessárias ao fiel cumprimento da avença administrativa,
cabendo-lhe as estratégias de gestão, tais como as questões relacionadas a: verificação da execução do
objeto, serviço, obra ou fornecimento de bem contratado, constatação da adequação do objeto contratado
às especificações constantes nas cláusulas contratuais que descrevem a forma de execução, observando
o desempenho do serviço prestado ou a qualidade da obra ou do bem fornecido e as eventuais
irregularidades ou imperfeições; equilíbrio econômico financeiro do contrato; responsável pela
conferência dos valores faturados, assinando de modo que a nova empresa Contratada comece a atuar
logo após o término do contrato anterior.
Caso constate a necessidade de alterações em cláusulas contratuais, para melhor execução do objeto,
atendimento do objetivo da contratação ou gestão do contrato, o gestor deve solicitar a alteração à
autoridade competente, apresentando as justificativas do seu pedido. Nos casos de complexidade técnica
do objeto, é importante que ele encaminhe também pareceres ou relatórios elaborados por servidores da
área ou por profissionais contratados para auxiliá-lo, que contenham as informações técnicas
necessárias.
Se a Contratada tem interesse que alguma cláusula do contrato seja alterada ou que o prazo seja
prorrogado, esta pode apresentar justificativas e comprovações necessárias à Administração, que deve
analisar a legalidade e conveniência da alteração contratual, observando o disposto no artigo 65 da Lei
de Licitações.

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O gestor deve assinar o termo de recebimento definitivo do serviço, para que seja efetivado o
pagamento do Contratado.
A situação ideal é que o servidor que vai atuar como gestor acompanhe todas as fases da contratação,
desde o planejamento e elaboração do Memorial Descritivo (Projeto Básico), para conhecer todos os
detalhes do objeto a ser fiscalizado. Caso não tenha participado das fases de Planejamento e Licitação,
é imprescindível que o gestor leia atentamente o Memorial Descritivo, o Projeto Executivo (quando for o
caso) e o Contrato, prestando especial atenção às cláusulas que descrevem as especificações do objeto,
as condições de execução, os procedimentos de fiscalização e as penalidades aplicáveis à Contratada.
De acordo com o parágrafo 1º do artigo 67 da Lei de Licitações, este representante da Administração
deverá anotar em registro próprio todas as ocorrências relacionadas à execução do contrato, ou seja,
registrar por escrito tanto o cumprimento de etapas, especificações e condições de execução do objeto,
quanto falhas e imperfeições verificadas, comunicações à Administração e à Contratada e respostas
obtidas, fatores externos que causaram atrasos ou alterações nas especificações ou cronograma,
determinando o que for necessário à regularização das ocorrências das faltas ou defeitos observados.
Esta determinação deverá ser feita na forma escrita e mencionada ou anexada ao registro de ocorrências,
pois é fato relacionado à execução do contrato. Caso haja um Fiscal nomeado para apoiar o trabalho do
Gestor, estes registros de acompanhamento diário ficam à cargo do mesmo.
No parágrafo 2º do artigo 67 da Lei de Licitações temos que as decisões e providências que
ultrapassarem a competência do representante deverão ser solicitadas a seus superiores em tempo hábil
para a adoção de medidas convenientes. As decisões e providências de que trata este parágrafo são, por
exemplo, alterações contratuais necessárias, prorrogação de prazos e aplicações de penalidades à
Contratada, ou até mesmo a rescisão do contrato.
A partir das cláusulas contratuais, o gestor pode elaborar um roteiro, um plano de trabalho e/ou um
check list (modelo anexo) com os prazos, etapas e especificações a serem conferidos durante a execução
do objeto, para facilitar seu trabalho, podendo inclusive apresentar este roteiro à autoridade que o
designou, para que verifique a compatibilidade com o que foi estipulado contratualmente.
O gestor deve optar pelo formato do registro de ocorrências da execução contratual que entender
apropriado ao tipo de contrato e às atividades que lhe foram atribuídas na Portaria de Designação e
cláusulas contratuais. Este registro pode ser, por exemplo, em forma de processo, no qual são anexadas
todas as manifestações, relatórios e documentos, em formato de livro ou de relatório (em todos os casos,
as folhas devem ser numeradas). A título de ilustração, inserimos nos anexos uma adaptação dos termos
de abertura e encerramento do registro de ocorrências.
Quando o gestor for o único servidor designado para exercer a função de gestão e fiscalização, é
recomendável que o mesmo tenha formação ou conhecimento técnico na área do objeto a ser fiscalizado.
O Manual do Gestor de Contratos do Superior Tribunal de Justiça recomenda ainda que o gestor de
contrato atenda aos seguintes requisitos:
• Gozar de boa reputação ético-profissional;
• Não estar, preferencialmente, respondendo a processo de sindicância ou processo administrativo
disciplinar;
• Não possuir em seus registros, punições em decorrência da prática de atos lesivos ao patrimônio
público em qualquer esfera do governo;
• Não ter sido responsabilizado por irregularidades junto ao Tribunal de Contas da União ou junto a
Tribunais de Contas de Estado, do Distrito Federal ou de Municípios;
• Não ter sido condenado em processo criminal por crimes contra a Administração Pública.

Responsabilidades do Gestor

A Administração e a Contratada respondem pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros. Porém ambas podem processar administrativamente ou judicialmente, conforme o
caso, o responsável pelos danos, se este agiu com dolo ou culpa. Segundo Meirelles, Azevedo, Aleixo e
Burle Filho, “a culpa verifica-se na ação ou omissão lesiva, resultante de imprudência, negligência ou
imperícia do agente; o dolo ocorre quando o agente deseja a ação ou omissão lesiva ou assume o risco
de produzi-la”.
Desta forma, a Administração pode abrir processo administrativo, ingressar com ação civil ou penal,
conforme o caso, para apurar a responsabilidade do servidor por danos causados ao erário ou a terceiros
no exercício de suas funções.
Tanto na esfera administrativa quanto na civil e penal, a conduta do servidor será examinada para
apuração da culpa ou dolo.

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O gestor do contrato é responsável por sua conduta, ou seja, pelo desempenho das atividades que lhe
foram atribuídas na portaria de designação e no contrato, respondendo se não tomar as providências que
estiverem ao seu alcance e forem de sua competência para garantir o fiel cumprimento das cláusulas
contratuais e atingimento do objetivo da contratação, ou para interromper a execução em
desconformidade com o pactuado e evitar prejuízos à Administração.
Assim sendo, ressaltamos a importância da formalização de todos os atos do gestor de contrato. Ele
deve comunicar-se sempre por escrito com o ordenador de despesas, com os servidores que auxiliam na
fiscalização e, principalmente, com os representantes da Contratada. Além de registrar por escrito todas
as ocorrências relacionadas com a execução do objeto, sobretudo nos casos de falhas e defeitos, ele
deve fotografar tanto o cumprimento quanto o descumprimento de etapas, condições e especificações
contratuais.
Se tudo estiver documentado, será possível comprovar qual foi a conduta do gestor em cada situação,
bem como as condutas dos demais servidores envolvidos, do ordenador de despesas (autoridade que
assinou o contrato) e da Contratada.
Essa comprovação será necessária nos casos de falhas na execução do contrato, danos causados a
terceiros e/ou inadimplemento das obrigações trabalhistas e previdenciárias devidas a funcionários
terceirizados, quando a conduta de cada um dos envolvidos na execução contratual irá determinar o
responsável pela falha, dano ou inadimplemento, conforme o caso.
Finalmente, não podemos deixar de lembrar sobre a Responsabilidade Fiscal. É sabido que a
impropriamente chamada Lei de Responsabilidade Fiscal trouxe um novo elenco de atribuições ao gestor.
Em seu primeiro artigo, a lei indica o ponto de cautela: ela não é a lei de responsabilidade, mas é a lei de
responsabilidade do gestor na gerência fiscal.

Capacitação do Gestor/Fiscal do contrato

Dadas as responsabilidades que envolvem o acompanhamento da execução contratual, é necessário


que a Administração/Ordenador de Despesas tome medidas para informar e capacitar os servidores que
designa, bem como estes servidores devem adotar condutas e tomar precauções necessárias ao bom e
seguro desempenho da gestão contratual, a fim de que tenham condições de acompanhar e fiscalizar os
contratos firmados, evitando que a nomeação destes gestores se limite ao cumprimento de formalidades
e trazendo benefícios reais para a Administração.
Nesse sentido, sempre que possível, o ordenador de despesas pode custear a participação de seus
servidores em cursos de capacitação em gestão de contratos oferecidos por órgãos públicos e empresas
privadas. A qualificação dos servidores contribui para que desempenhem melhor suas funções.
Caso o servidor designado não tenha conhecimentos técnicos sobre o objeto, deve informar este fato,
por escrito, à autoridade que o designou, solicitando inclusive a designação de servidores da área para
auxiliá-lo ou a contratação de profissionais, conforme o caso.

Fiscalização

Feita a licitação, virá a execução do contrato. Neste momento a Lei nº 8666/93, em seu artigo 67,
determina que se nomeie um Fiscal para o acompanhamento passo a passo da execução desse contrato.
Não o fazendo, o gestor público/ordenador de despesas estará atraindo para si mesmo a
responsabilidade pelos prejuízos que decorrem da má execução.
Na verdade, o legislador estabeleceu a obrigação de as duas partes terem um representante. Assim,
o contratado elege um preposto, que deverá ser a pessoa de contato, a quem a Administração irá se
reportar sempre que necessário. E a Administração fará o mesmo: terá um fiscal que será a referência
nos contatos do contratado, mas principalmente será o responsável pela verificação da regularidade na
fase executória.
A lei ordena, ainda que, executado o contrato, seja nomeado um funcionário para oficialmente declarar
o recebimento do objeto. A ordem vem no artigo 73 da Lei 8666/93.
O sentido dessa norma é garantir a qualidade do contrato. Ou seja, assegurar que aquilo que foi
pactuado é exatamente o que está sendo recebido pela contratante.

Fiscal de contrato

Como vimos, os contratos administrativos necessitam de um acompanhamento diário e, diante disso,


é preciso que o gestor público/ordenador de despesas atente para a necessidade de nomear fiscais
devidamente qualificados para a missão, ou seja, com conhecimento técnico sobre o objeto que estará

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sendo executado, para fiscalizar e acompanhar, passo a passo, cada contrato em particular, ao longo de
toda sua realização, de modo a apoiar o gestor de contratos e mantendo sempre seu trabalho e
comunicação com este de modo harmonioso.
Caberá ao servidor nomeado para esta função acompanhar a execução dos serviços ou do
fornecimento de bens e informar as irregularidades verificadas mensalmente, por escrito, ao gestor do
contrato, que considerará regular e satisfatória a execução do objeto se não houver nenhuma
manifestação contrária do referido servidor.
É imprescindível para a fiscalização do contrato a existência de cláusulas que definam o que a
Administração considera serviço bem prestado, obra ou bem de qualidade satisfatória, uma vez que a
figura do fiscal do contrato fica encarregada da parte operacional do acordo administrativo, ou seja, do
acompanhamento cotidiano da execução do contrato, cabendo-lhe verificar o cumprimento dos prazos e
de outras condições estabelecidas pelas obrigações assumidas entre contratante e contratado, para que
a Administração se certifique que está sendo executado o que efetivamente fora pactuado.
Considerando que o Fiscal não tenha participado do processo de seleção da contratada, é
imprescindível que o mesmo leia atentamente o Contrato, o Memorial Descritivo, o Projeto Executivo
(quando for o caso) e o Contrato, prestando especial atenção às cláusulas que descrevem as
especificações do objeto, as condições de execução, os procedimentos de fiscalização e as penalidades
aplicáveis à Contratada.
De acordo com o parágrafo 1º do artigo 67 da Lei de Licitações, este representante da Administração
deverá anotar em registro próprio todas as ocorrências relacionadas à execução do contrato, ou seja,
registrar por escrito tanto o cumprimento de etapas, especificações e condições de execução do objeto,
quanto falhas e imperfeições verificadas, comunicações à Administração e à Contratada e respostas
obtidas, fatores externos que causaram atrasos ou alterações nas especificações ou cronograma,
determinando o que for necessário à regularização das ocorrências das faltas ou defeitos observados.
Esta determinação deverá ser feita na forma escrita e mencionada ou anexada ao registro de ocorrências,
pois é fato relacionado à execução do contrato.
O fiscal deverá informar a seu gestor e/ou tomar providências junto à contratada para que faltas ou
defeitos ocorridos na execução do contrato, sejam reparados
Cabe ao fiscal do contrato realizar a medição e verificar a realização de obras e serviços, bom como
conferir a entrega de bens adquiridos, solicitando o auxílio caso tenha dúvidas quanto às especificações
e informações técnicas, antes de assinar a medição. Verificando alguma falha na execução do serviço,
materiais empregados obras ou bens fornecidos, o fiscal deve recusar-se a atestar a medição e comunicar
imediatamente ao gestor e a Contratada para a adoção de medidas cabíveis.

- Fiscalização de contrato fornecimento de bens: Nele, a principal função é verificar se foram


atendidas todas as especificações e quantidades do objeto previstas no contrato, sendo preciso para isso
que estas especificações estejam bastante claras no contrato e seu anexo (Memorial Descritivo), para
que haja condições de conferência no recebimento.
É necessário também fiscalizar o cumprimento de prazos e horários de entrega, formas de transporte,
embalagem e desembalagem, quando for o caso, e instalação (quando exigida em contrato).
Deve ainda conferir se as quantidades e valores unitários na nota fiscal correspondem aos ajustados,
antes de atestar o recebimento.
Verificar o prazo de garantia técnica quando o equipamento/bem apresentar falhas e comunicar
imediatamente para que a Contratada efetue os reparos necessários.

- Fiscalização de obras e serviços de engenharia: Nestes contratos dispõe-se de vários documentos


para conhecer os detalhes do objeto: planilha de custos unitários, cronograma físico-financeiro, Memorial
Descritivo, Projeto Executivo, plantas e o próprio contrato.
Com relação aos operários da obra, é necessária a verificação do cumprimento de seus direitos
trabalhistas e previdenciários, e das normas de segurança no trabalho, pela Contratada
Durante a execução do serviço ou obra, deve ser verificado ainda, o cumprimento das etapas e dos
prazos pactuados e ser os materiais empregados têm as especificações corretas. Deve ainda ser
analisado o cumprimento das normas técnicas da ABNT.
Em caso de falhas, o ordenador de despesas deve ser comunicado, sendo que esta comunicação deve
estar instruída de fotos, quando houver. A Contratada deve ser notificada para resolver os problemas,
sob pena de aplicação das sanções cabíveis. O mesmo procedimento deve ser adotado se o problema
for constatado após o término do contrato, porém, durante a vigência do prazo de garantia técnica.

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- Fiscalização de prestação de serviços: Este tipo de contrato merece atenção especial por duas
razões: os cuidados que devem ser tomados para que não se estabeleça pessoalidade ou subordinação
na relação entre a Administração e os empregados da Contratada; e a dificuldade em fiscalizar
quantitativamente qualitativamente os serviços prestados.
Quanto à pessoalidade e à subordinação, tratam-se de características da relação empregatícia, que
não pode haver entre a Administração e quaisquer pessoas físicas senão através de concurso público.
Para evitá-las, na execução do contrato, devem ser tomadas as seguintes medidas:
→ Havendo quaisquer imperfeições ou atrasos nos serviços prestados por quaisquer funcionários,
fazer as devidas reclamações e exigir a solução dos problemas diretamente ao preposto da Contratada,
e apenas a ele;
→ Quaisquer comportamentos inadequados de funcionários da Contratada, que comprometam a
qualidade do trabalho realizado ou o bem-estar de terceiros no local da prestação dos serviços, devem
ser relatados diretamente ao preposto da contratada, e apenas a ele;
→ Quaisquer orientações sobre a execução dos serviços que precisem ser comunicadas ou alteradas
devem ser feitas diretamente ao preposto, para que este oriente os empregados da Contratada;
→ Toda e qualquer notificação ou solicitação deverá ser feita por escrito.

Quanto à aferição da quantidade e qualidade dos serviços, é necessário que o contrato e seus anexos
contenham critérios objetivos de medição, que não podem basear-se em horas ou dias trabalhados.
O fiscal deve assinar o termo de recebimento provisório do serviço, submetendo-o ao gestor para
assinar o termo definitivo, bem como auxiliá-lo com seus conhecimentos técnicos para que o mesmo
consiga avaliar todos os aspectos do objeto.

Responsabilidade do fiscal

Considerando o conhecimento técnico e específico necessário e as responsabilidades inerentes a esta


função, é preciso que o funcionário designado esteja preparado para a tarefa de fiscal.
A omissão do funcionário encarregado para o ofício – ou o incorreto cumprimento da tarefe – pode
gerar danos ao erário. Neste caso, além da responsabilidade no plano disciplinar, por exemplo, ele sofrerá
as consequências civis, atraindo para si o dever de reparar o prejuízo, sendo necessário por isso, que o
fiscal ao ser nomeado tenha conhecimento de suas responsabilidades.
De acordo com a Lei das Licitações, o fiscal pode e deve:
a) Solicitar o assessoramento técnico, quando necessário;
b) O fiscal deve anotar em expediente próprio as irregularidades encontradas, as providências que
determinou, os incidentes verificados e o resultado dessas medidas.

A falta dessas anotações pode ter graves consequências. O artigo 78 da Lei, por exemplo, no inciso
VIII, faculta à Administração promover, em processo próprio, a rescisão do contrato por cometimento
reiterado de faltas. Mas não é só. O mesmo inciso condiciona que essas faltas estejam anotadas pelo
fiscal, na forma que prevê o artigo 67, parágrafo 1º. A falta dessas anotações – ou anotações sem as
formalidades do citado dispositivo – impede a rescisão, ainda que se trata de um contrato faltoso. Isso
ocorrendo, o fiscal omisso – que não fez as anotações na forma devida – atraiu a responsabilidade para
si.
Ao ser designado para as tarefas de fiscalização e recebimento do objeto do contrato, o servidor passa
a ter grande responsabilidade, inclusive de ordem pecuniária, na medida em que pode ser
responsabilizado, juntamente com o gestor do contrato, por danos ao erário, respondendo a processos
disciplinar e civil.
Diante disto é natural que o servidor questione a legitimidade do encargo.
Entretanto, esta questão já está resolvida legalmente há décadas, ficando firmado que se trata de
obrigação adicional, mas que se integra ao elenco dos compromissos dos agentes públicos. Então não
há, nesse prisma, possibilidade de recusa.
A recusa dos funcionários, entendemos, somente poderá ocorrer nas seguintes hipóteses:
For impedido (parente, cônjuge, companheiro) ou suspeito (amigo íntimo, inimigo, recebeu presentes,
tem relação de débito com a empresa ou qualquer tipo de interesse, direto ou indireto, junto ao
contratado);
Não detém conhecimento específico. Neste caso deve dirigir-se por escrito à autoridade, dizendo da
situação e solicitando a substituição. Se mantido, cumprirá o encargo. Mas, pelo menos, estará
resguardado de eventual erro.

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Quanto a outros interesses do serviço, cumpre à autoridade competente apreciá-los previamente, não
cabendo ao funcionário designado fazer a invocação dos mesmos, para exonerar-se do encargo.

Penalidades aplicáveis à contratada

As penalidades aplicáveis à Contratada pela inexecução total ou parcial do objeto estão previstas nos
artigos 86 e 87 da Lei de Licitações. O artigo 86 dispõe sobre a multa de mora, nos seguintes termos:

Artigo 86. O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o contratado à multa de mora, na
forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato.
§ 1º - A multa a que alude este artigo não impede que a Administração rescinda unilateralmente o
contrato e aplique as outras sanções previstas nesta Lei.
§ 2º - A multa, aplicada após regular processo administrativo, será descontada da garantia do
respectivo contratado.
§ 3º - Se a multa for de valor superior ao valor da garantia prestada, além da perda desta, responderá
o contratado pela sua diferença, a qual será descontada dos pagamentos eventualmente devidos pela
Administração ou ainda, quando for o caso, cobrada judicialmente.

Conforme o artigo citado, as condições de aplicação de multa de mora devem estar previstas no edital
e no contrato, e só passa a ser exigível após o processo administrativo na qual seja dada à Contratada
oportunidade de apresentar justificativa para o atraso na obra, fornecimento de bens ou serviços.
O valor da multa deve ser descontado da garantia quando esta for prestada em dinheiro. Segundo
Marçal Justen Filho, quando tiver sido prestada em caução real, fiança bancária ou títulos de dívida
pública, a garantia só poderá ser executada através de processo judicial. Em qualquer caso, havendo
valores devidos à Contratada em virtude da execução do contrato, o valor da multa poderá ser descontado
destes, nos termos do inciso IV do artigo 80 da Lei de Licitações.
A advertência deve ser aplicada à Contratada nos casos de inexecução parcial de obrigações de
diminuta monta. Assim como a multa de mora (por atraso na execução do objeto), a multa por inexecução
parcial ou total do objeto deve ser prevista no edital e no contrato.
Para a validade da aplicação das penalidades, é indispensável que sejam assegurados ao Contratado
o direito de ampla defesa e do contraditório, no prazo de cinco dias úteis, e que as penalidades sejam
motivadas em processo administrativo.
Ao verificar a inexecução total ou parcial do objeto contratado, o fiscal/gestor deve tomar as seguintes
providências:
1. Registrar em formulários próprios todas as ocorrências observadas;
2. Notificar a empresa contratada acerca das falhas apontadas, concedendo prazo para manifestação
da mesma;
3. Analisar as justificativas da empresa, e caso não aceitas, encaminhar a documentação (registro das
ocorrências, comunicação à Contratada e as justificativas desta, fotografias e demais documentos
referentes à falha observada) com as devidas observações para a autoridade competente visando, se for
o caso, a abertura de processo administrativo para aplicação da penalidade;
4. Acatando as justificativas da empresa, e conforme o caso, advertir a Contratada que novas
ocorrências poderão acarretar aplicação de penalidade.

Rescisão de contrato

As hipóteses de rescisão do contrato administrativo estão relacionadas no Artigo 78, incisos I a XVIII,
da Lei de Licitações. Entre elas destacamos as causas previstas nos incisos I a VIII, que se referem ao
descumprimento das cláusulas, prazos e especificações que compromete o atendimento da necessidade
que motivou a contratação:
I. O não cumprimento de cláusulas contratuais, especificações, projeto ou prazo;
II. O cumprimento irregular de cláusulas contratuais, especificações, projetos e prazos;
III. A lentidão do seu cumprimento, levando a Administração a comprovar a impossibilidade de
conclusão da obra, do serviço ou do fornecimento, nos prazos estipulados;
IV. O atraso injustificado no início da obra, serviço ou fornecimento;
V. A paralização da obra, do serviço ou do fornecimento, sem justa causa e prévia comunicação à
Administração;

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VI. A subcontratação parcial ou total do seu objeto, a associação do contratado com outrem, a cessão
ou transferência, total ou parcial, bem como a fusão, cisão ou incorporação, não admitidas no edital e no
contrato;
VII. O desatendimento das determinações regulares da autoridade designada para acompanhar e
fiscalizar a sua execução, assim como as de seus superiores;
VIII. O cometimento reiterado de faltas na sua execução, anotadas na forma do parágrafo 1º do artigo
67 desta Lei.
Cabe mencionar que os incisos VII e VIII referem-se especificamente à atuação do gestor do contrato.
Ele deve registrar por escrito as determinações feitas à Contratada (para correção de problemas na
execução do objeto) e não atendidas, bem como as faltas cometidas por esta durante a vigência do
contrato. Esta formalidade é necessária para que a ocorrência da hipótese prevista no inciso VII ou VIII
possa ser comprovada em processo administrativo para rescisão contratual e/ou penalização da
Contratada.
A Administração tem o dever de zelar pelo interesse público e, por consequência, tem o dever de
rescindir contratos com fornecedores que não atendem a necessidade pública que motivou a contratação.
A simples legalidade do procedimento licitatório e do contrato não justifica a manutenção de pagamentos
a um fornecedor que presta serviços com atraso, não atende aos padrões de qualidade pactuados ou
entrega obras inacabadas ou defeituosas.
Em casos assim, previstos nos incisos I a XII e XVIII do artigo 78 da Lei de Licitações, o contrato pode
ser rescindido unilateralmente mediante autorização escrita e fundamentada da autoridade competente.
A garantia contratual pode ser executada para ressarcimento da Administração e dos valores de multas
e indenizações a ela devidos; e podem ser retidos os valores devidos à Contratada, decorrentes do
contrato, até o limite dos prejuízos causados à Administração, entre outras medidas.
A aplicação de penalidades e rescisão do contrato são importantes para evitar prejuízos aos cofres
públicos, garantir um serviço ou obra pública de qualidade, evidenciar a intenção da Administração de
zelar pelo cumprimento integral de seus ajustes, o que acaba por coibir a participação de maus
fornecedores em futuras licitações daquele órgão.

A fiscalização do Tribunal de Contas

Conforme o artigo 113 da Lei de Licitações, o controle das despesas decorrentes dos contratos
administrativos deve ser feito pelo Tribunal de Contas competente, na forma da legislação pertinente,
ficando os órgãos interessados da Administração responsáveis pela demonstração da legalidade e
regularidade da despesa e execução.
Ou seja, a legalidade e regularidade do procedimento licitatório e da execução contratual não são
presumidas, devem ser comprovadas ao Tribunal de Contas pelo órgão responsável pela contratação.
Daí a importância da formalização tanto da licitação quanto da execução contratual: o processo licitatório
deve ser devidamente autuado, contendo todos os documentos obrigatórios, e todas as ocorrências da
execução contratual devem ser registradas por escrito, conforme preceitua a Lei de Licitações.
Os Tribunais de Contas e os órgãos integrantes do sistema de controle interno do órgão responsável
pela contratação poderão solicitar para exame, antes da abertura das propostas, cópia de edital de
licitação já publicado, obrigando-se o órgão ou entidade da Administração interessada à adoção das
medidas corretivas que, em função desse exame, lhes forem determinadas (parágrafo 2º do artigo 13 da
Lei de Licitações).
Além do controle externo exercido pelo Tribunal de Contas e do controle interno do respectivo órgão
da Administração Direta ou Indireta, qualquer licitante contratado ou pessoa física ou jurídica poderá
representar ao Tribunal de Contas ou aos órgãos integrantes do sistema de controle interno contra
irregularidades na aplicação da Lei de Licitações (parágrafo 1º do artigo 113 da Lei de Licitações).
Mais importante que controle externo, o controle interno e o controle exercido pela sociedade, sem
dúvida, é o controle exercido pelo representante do órgão contratante, o gestor de contrato. Este controle
não deve restringir-se à legalidade dos procedimentos adotados, mas sim eliminar os danos e prejuízos
antes que ocorram e, principalmente, garantir a que a necessidade pública seja atendida.

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9 Inspeção extraordinária e auditoria especial

INSPEÇÃO EXTRAORDINÁRIA E AUDITORIA ESPECIAL

Inspeções e Auditorias19

O inciso IV do art. 71 da Constituição Federal determina que o Tribunal de Contas da União realize,
por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de comissão técnica ou de inquérito,
auditorias e inspeções de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial nos
órgãos e entidades da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e
mantidas pelo poder público federal.
As auditorias obedecem a plano específico e objetivam obter dados de natureza contábil, financeira,
orçamentária e patrimonial; conhecer a organização e o funcionamento dos órgãos e entidades, avaliar,
do ponto de vista do desempenho operacional, suas atividades e sistemas; e aferir os resultados
alcançados pelos programas e projetos governamentais.
As inspeções, por sua vez, visam suprir omissões e lacunas de informações, esclarecer dúvidas ou
apurar denúncias quanto à legalidade e à legitimidade de atos e fatos administrativos praticados por
responsáveis sujeitos à jurisdição do Tribunal.
As fiscalizações voltadas para a legalidade e a legitimidade têm como parâmetro, evidentemente, a lei
e os regulamentos. Suas conclusões dão ao TCU elementos para julgar, para fazer determinações aos
gestores e, inclusive, para aplicar-lhes sanções em caso de infringência do ordenamento jurídico.
Já as fiscalizações de natureza operacional têm como objetivo definir padrões de desempenho e
avaliar os resultados da gestão à luz de parâmetros de eficiência, eficácia e economicidade. Como as
decisões do administrador, respeitadas as normas legais, situam-se no campo da discricionariedade, as
conclusões atingidas por essa modalidade de fiscalização dão origem a recomendações, que são
encaminhadas ao órgão ou entidade fiscalizada.

Inspeções

São realizadas sobre um produto final, sob uma fase determinada de um processo ou projeto, visando
detectar falhas ou desvios.

Inspeção Extraordinária20

É revestida sempre de caráter urgente e imediato, tem a sua amplitude e profundidade definidas pelo
escopo indispensável à concretização de seu objetivo.
A realização deste tipo de inspeção poderá, a cada caso, ser determinada por Conselheiros, ao
tomarem conhecimento de ocorrências que justifiquem apuração imediata, notadamente aquelas
oriundas de denúncias.

Auditorias21

Etimologicamente a palavra “auditoria” tem a sua origem no verbo latino audire, que significa “ouvir”, e
que conduziu à criação da palavra “auditor” (do latim auditore) como sendo aquele que ouve. Isto pelo
fato de nos primórdios da auditoria os auditores tirarem as suas conclusões fundamentadamente com
base nas informações verbais que lhes eram transmitidas.
Atualmente, atribuiu-se à auditoria um conjunto mais abrangente de importantes funções, envolvendo
todo o organismo da entidade e dos seus órgãos de gestão, com a finalidade de efetuar críticas e emitir
opiniões sobre a situação econômico-financeira e sobre os resultados de ambos.
Ressalte-se que a auditoria também tem o objetivo de identificar deficiências no sistema de controle
interno e no sistema financeiro, apresentando recomendações para melhorá-los.

19
https://portal.tcu.gov.br/institucional/conheca-o-tcu/competencias/inspecoes-e-auditorias/.
20
https://www.tce.mg.gov.br/img/Legislacao/legiscont/Resolucoes/1998/1098.htm.
21
https://www.ufmg.br/auditoria/images/stories/documentos/manual_2a_verso_revisado.pdf.

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Auditoria Especial

Objetiva o exame de fatos ou situações consideradas relevantes, de natureza incomum ou


extraordinária, sendo realizadas para atender determinação expressa de autoridade competente.
Classifica-se nesse tipo os demais trabalhos auditoriais não inseridos em outras classes de atividades.

Questão

01. (DPE/RS – Analista em Contabilidade – FCC) A auditoria, no âmbito do sistema de controle


interno do setor público federal, que objetiva o exame de fatos ou situações consideradas relevantes, de
natureza incomum ou extraordinária, sendo realizada para atender determinação expressa de autoridade
competente, é classificada como
(A) contábil.
(B) extraordinária.
(C) extraplano.
(D) inspeção.
(E) especial.

Gabarito

01. E

10 Legislação. 10.1 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro.

A Lei de Introdução22 às normas do Direito Brasileiro (LINDB) é a norma do direito, que disciplina as
normas jurídicas e regula a sua forma de aplicação no tempo e no espaço.
O Direito Civil filiou-se à escola da Civil Law, em que a lei é fonte primária do sistema jurídico. As fontes
representam o ponto de partida para o surgimento do direito e do seu estudo. Se no caso concreto houver
lacunas, competirá ao intérprete buscar uma solução a lide, usando instrumentos integrativos ou fontes
formais secundárias: analogia, costumes e princípios gerais do Direito, que serão estudadas ao longo
dessa matéria. A isso damos o nome de sistema integrativo.

Disposições Importantes Sobre Uma Lei

A lei é uma norma jurídica autorizante, que emana de uma autoridade competente, advinda de atos do
Poder Legislativo e é aplicada a todos. Assim, possui caráter geral e obrigatório.

Características

- generalidade, que devem ser cumpridas por TODOS, sem exceção;


- obrigatoriedade, supondo um caráter imperativo-atributivo, que significa que por um lado outorga
deveres jurídicos e pelo outro direitos;
- permanência, isto quer dizer que quando são promulgadas não têm uma data de vencimento, pelo
contrário, sua duração será indefinida no tempo até que um órgão competente determine seu
cancelamento por alguma causa válida e previamente convinda;
- abstrata e impessoal, que implica que uma lei não se concebe para resolver um caso em particular,
senão que move a generalidade dos casos que possa abarcar e por último, que se reputa conhecida, pelo
qual ninguém poderá argumentar que não a cumpriu por desconhecimento.

Vigência

Para que a lei tenha vigência e eficácia elas passam por um ciclo vital. Como isso funciona na
prática...

22
GOMES, Orlando. Introdução ao Direito Civil. 18º edição. Rio de Janeiro – Editora Forense.
TARTUCE, Flávio. Direito civil: Lei de introdução e parte geral – 10. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2014.

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As leis nascem e permanecem em vigor até serem revogadas. Apenas enfatizando que quando uma
norma estiver revogada, significa que ela não está mais produzindo efeitos.

OBS: quando você estiver estudando, fique atento ao que é uma lei revogada. Geralmente alguns
sites atualizam seus sistemas deixando os textos de leis revogadas com taxado.

Quando uma lei tem início?

Antes de começar a vigorar, a lei passa por três fases: a da elaboração, da promulgação e da
publicação.
A lei só começa a ter vigência com sua publicação no Diário Oficial, momento que se torna obrigatória
(art. 3º). Entretanto, é preciso atentar que a lei poderá determinar expressamente em seu texto data
posterior à publicação para o início de sua vigência. Em situação como essa a data da publicação não
tornará a lei obrigatória.
O intervalo entre a data de sua publicação e a sua entrada em vigor denomina-se vacatio legis.
O prazo para uma lei entrar em vigor é de 45 dias, salvo disposição em contrário. Esse prazo de 45
dias não é aplicado para os Decretos e regulamentos, cuja obrigatoriedade determina-se através da
publicação oficial.

Note que essa afirmativa é letra fiel da questão aqui trazida, sendo a alternativa C trazida como correta.

(TJ/MT - Juiz Leigo – TJ-MT/2018). Denomina-se vacatio legis.


(A) O período de tramitação da lei no Congresso Nacional.
(B) O instituto de direito não regulamentado por lei.
(C) O intervalo entre a data da publicação da lei e a da sua entrada em vigor.
(D) A situação jurídica dos fatos regulamentados por lei revogada.

a) Normas Constitucionais de Eficácia Jurídica Plena


São aquelas aplicadas imediatamente, de maneira direta, integral, independente de legislação
posterior para que possa operar.
Possuem autonomia operativa e idoneidade para deflagrar os efeitos a que estiver preordenada, não
necessitando de comandos complementares.

b) Normas Constitucionais de Eficácia Jurídica Contida


Possuem aplicabilidade imediata, direta, mas tem seu alcance reduzido pela atividade do legislador
infraconstitucional. São conhecidas como normas de eficácia redutível ou restringível.

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c) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada
São as que dependem da emissão de uma normatividade futura, apresentam aplicação indireta,
mediata e reduzida, já que incidem após normatividade ulterior que lhes dê aplicabilidade.

Aplicação

A lei tem aplicação no tempo e no espaço, saiba o motivo


Imagine estar em território estrangeiro e não poder se valer da lei daquele país ou ainda voltar para o
país de origem e perder os seus direitos?
Pensando nisso, a própria Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, no âmbito interno, em
seu art. 9º diz que, para qualificar e reger obrigações aplicar-se-á a lei do país em que se constituem.
Aplicamos, neste caso, o entendimento preceituado por Silvio Rodrigues, quando nos diz que para reger
as obrigações constituídas no estrangeiro, o ordenamento jurídico brasileiro concorda que a lei aplicável
não seja a sua, mas sim, a estrangeira.
Por ser matéria do Direito Internacional Privado, a eficácia da lei no espaço, no Brasil, rege-se pelo
princípio da territorialidade moderada, através da qual considera-se territorialidade, a norma que vai ser
aplicada no território do Estado que a emitiu, regulando o regime de bens e obrigações; enquanto a
extraterritorialidade será aplicada no território de outro Estado, segundo princípios e convenções
internacionais.

Critérios para solucionar o conflito de leis no tempo:


Aqui devemos pensar em dois princípios, o da retroatividade e da irretroatividade da norma.
Será retroativa a norma que atingir efeitos de atos jurídicos praticados sob a égide da norma revogada.
Será irretroativa a norma que não se aplica às situações anteriormente constituídas.

A Constituição Federal, mais precisamente em seu artigo 5º, inciso XXXVI, adotou o Princípio da
Irretroatividade das leis como regra, e o da retroatividade como exceção, vejamos:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
( )
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;

Como as leis são classificadas?

As leis são classificadas para resolverem o problema da antinomia, que nada mais é do que a presença
de duas normas que estão em conflito, válidas e emanadas de autoridades competentes.

a) Quanto à Especialidade
Segundo esse critério, a norma especial prevalece sobre a norma geral, levando em consideração a
amplitude das normas, tendo por postulado o fato de que se o legislador tratou com maior acuidade de
um determinado ponto do Direito, ele deve prevalecer sobre outro tratado de maneira geral.

Normas gerais: são as normas que discorrem sobre todo um ramo do Direito, a exemplo do Código
Civil.
Normas especiais: são as que regulam determinado ramo do Direito. Dentre as leis especiais, há as
de caráter extravagante, que têm por objetivo cuidar de tema já codificado, como a Lei de Locações.
Em caso de conflito de normas tratando do mesmo tema, a norma especial deverá prevalecer sobre a
norma geral.

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b) Quanto à Hierarquia
Valendo-se da Pirâmide de Kelsen, entendemos que as leis não se encontram no mesmo plano.
Acompanhemos através da figura abaixo:

No topo da pirâmide temos a Constituição Federal e abaixo desta as leis complementares e leis
ordinárias, bem como as normas regulamentares, base do sistema piramidal, formadas por decretos,
portarias e outros atos administrativos.
No que diz respeito às leis complementares e ordinárias, além da diferença formal quanto ao quorum
de aprovação, há uma diferença material, posto que a Constituição exige para determinadas matérias a
elaboração de norma complementar, reservando para a lei ordinária as matérias remanescentes.

c) Quanto à Cronologia
O critério cronológico leva em consideração o momento em que a norma jurídica entra em vigor,
passando a regulamentar uma determinada matéria e revogando as normas de igual conteúdo que já
estavam no sistema jurídico. Refere-se à regra tratada no artigo 2º da Lei de Introdução ao Código Civil,
incidindo sobre as leis permanentes, já que as temporárias apresentam um regime jurídico próprio.

Leis permanentes: não têm prazo certo para vigorar, ou seja, têm prazo de vigência indeterminado,
vigendo até que outra a modifique ou revogue (artigo 2º da LINDB).
Leis temporárias: têm prazo certo para vigência, subdividindo-se em:
- expressas: os prazos de vigência estão expressamente disciplinados na própria norma. Nesse caso,
a norma tem conteúdo autorrevogatório (leis de vigência temporária);
- tácitas: apesar de tais normas não terem prazo de vigência, são leis que vigoram apenas para uma
situação especial. Com a cessação do fato, ou da situação, cessa também a norma (leis excepcionais).

OBS: No caso de conflito entre norma posterior e norma anterior, valerá a primeira, pelo critério
cronológico.

Integração da Norma Jurídica

A integração da norma jurídica se dará pela analogia, costumes, princípios, juízo de equidade,
jurisprudência e doutrina. Vamos analisá-los separadamente:

a) Analogia
A analogia existe para dar coerência e harmonia ao ordenamento jurídico, usando a norma em uma
situação semelhante ao que ela descreve.
Ela fornece igualdade de tratamento, já que as situações semelhantes serão disciplinadas no mesmo
modo.

b) Costumes
Os costumes são conceituados como práticas e usos reiterados com conteúdo ilícito e relevância
jurídica.
Os requisitos dos costumes são subjetivos e objetivos.

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OBS: A diferença existente entre o costume e o hábito está no elemento subjetivo, que inexiste neste
último. Isso significa que no hábito existe a prática constante, porém, sem a crença da sua
obrigatoriedade.

c) Princípios Gerais do Direito


Os princípios gerais são as regras que, embora não estejam escritas, servem como mandamentos que
informam e dão apoio ao direito, utilizados como base para a criação e integração das normas jurídicas,
respaldados pelo ideal de justiça. Cumpre salientar que, embora a expressão seja “Princípios Gerais do
Direito”, essa noção vai abranger tanto os princípios gerais quanto os específicos, relativos a uma
determinada área.
Esses princípios gerais têm dupla função, vez que orientam tanto o legislador na feitura das normas,
quanto o aplicador do Direito, diante de uma lacuna ou omissão legal.

d) Juízo de Equidade
O juízo de equidade é conceituado como o uso do bom-senso. Ele não está obrigado a observar a
legalidade estrita, podendo observar em cada caso concreto o que achar que seja mais conveniente e
oportuno, sobrepesando o bem comum das partes. Com isso, reconhecemos uma certa
discricionariedade conferida ao juiz.

No Código de Processo Civil, o juízo da equidade está pautado no artigo 140, vejamos:
Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento
jurídico.
Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.

e) Jurisprudência
A jurisprudência é uma função atípica da jurisdição. São decisões reiteradas, constantes e pacíficas
do Poder Judiciário sobre determinada matéria num determinado sentido.
A orientação jurisprudencial é apenas um método de interpretação da lei e não precisa de
uniformidade, sendo rara a adoção da jurisprudência como fonte.

f) Doutrina
A doutrina refere-se ao conjunto de estudos elaborados por inúmeros juristas, cujo objetivo é
sistematizar e explicar todos os temas relativos à matéria do direito. É composta de estudos e teorias
metódicas, divulgadas por meio de livros, monografias, artigos, e ainda sentenças prolatadas pelos juízes
mais experientes e testados.

Modificação da Lei

A modificação da lei deve seguir duas regras, quais sejam:


a) A modificação de lei já em vigor somente poderá ocorrer por meio de lei nova, conforme § 4º, do
artigo 1º, da LINDB, havendo novo prazo de vacatio legis;
b) A modificação de lei que esteja em vacatio legis deve acontecer através de nova publicação de seu
texto, sendo conferido novo prazo de vacatio legis.

Princípio da Continuidade ou Permanência da Norma

Passado o prazo de vacatio legis, a lei nova entra em vigor e a ela deve ser aplicado o princípio da
continuidade ou permanência, ou seja, permanece em vigor até que outra, no todo ou em parte, venha
revogá-la.
A revogação pode ser total ou parcial, denominando-se:

- Ab-Rogação: revogação total, a exemplo da realizada pelo Código Civil de 2002 em relação ao
Código Civil de 1916;
- Derrogação: revogação parcial, como ocorrido em relação à primeira parte do Código Comercial
pelos dispositivos do Novo Código Civil.

Há ainda, as hipóteses de revogação expressa, incorporada no texto da nova lei, em referência aos
dispositivos revogados e a tácita, decorrente da incompatibilidade entre uma nova norma, que regula todo
ou parte do tratado por lei anterior.

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ATENÇÃO! A revogação de leis não ocorre pelos usos e costumes ou ausência de sua
aplicação, devendo sempre ocorrer por outra lei.

Repristinação

A repristinação significa a restauração da norma ou o seu renascimento, possui previsão no § 3º do


art. 2º da LINDB, sendo hipótese excepcional, através de disposição normativa expressa. Equivale a
proibição de vigência da lei revogada no caso de revogação no futuro da lei revogadora, como no clássico
exemplo:

A Lei “A” está em vigor e é revogada pelo advento da Lei “B”, a qual é revogada pela lei “C”; nesse
caso, a revogação da Lei “B” pela Lei “C” não repristina os efeitos da Lei “A”.
A repristinação ocorreria apenas na hipótese da lei “C” prever expressamente a retomada de vigência
da lei “A”, já que não existe em nosso ordenamento jurídico a repristinação tácita.

Como essa questão foi pedida no concurso da PC/MA, que traz como correta a alternativa C.

(PC/MA - Delegado de Polícia Civil - CESPE/2018). De acordo com a LINDB, no tocante ao


fenômeno da repristinação, salvo disposição em contrário, a lei
(A) nova que estabeleça disposições gerais a respeito de outras já existentes não revogará leis
anteriores.
(B) revogada voltará a vigorar se a lei que a revogou for declarada inconstitucional em controle
difuso.
(C) revogada não se restaurará se a lei revogadora perder a vigência.
(D) nova que estabeleça disposições especiais a respeito de outras já existentes não revogará leis
anteriores.
(E) nova revogará a anterior se regular inteiramente a mesma matéria.

Obrigatoriedade das Normas

Segundo o art. 3º da LINDB, a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei para deixar de cumpri-
la. Este entendimento decorre do Princípio da Obrigatoriedade, que, em regra, proíbe a alegação do erro
de direito. Para o Direito, há uma presunção no sentido de que o conhecimento da lei decorre de sua
publicação. Justamente aqui se insere a já mencionada importância da vacatio legis para maior
divulgação do novel diploma.
A LINDB acolheu o sistema da obrigatoriedade simultânea ou vigência sincrônica, tornando obrigatória
a norma, simultaneamente, em todo o território nacional.

Interpretação

Interpretação das Normas


Segundo o art. 5° da LINDB, na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e
às exigências do bem comum. Tal atividade reflete a necessária interpretação da lei, buscando seu
alcance e sentido.
Segundo seu texto, toda interpretação da norma deve levar em conta os fins sociais a que se destinam,
referindo-se ao sentido social a que se dirige (finalidade teleológica e função social da norma).
A atividade interpretativa pode extrair resultados ampliativos, declaratórios e restritivos. A chamada
interpretação autêntica é aquela conferida pelo próprio legislador, o qual insere no texto normativo
dispositivos que venham a interpretá-la.

Interpretação das Leis Processuais


Interpretação é o procedimento lógico através do qual se obtém o significado, o conteúdo e o alcance
das normas jurídicas.
No campo jurídico, a hermenêutica se preocupa com a interpretação da lei.
Quanto ao método de interpretação ele pode ser gramatical, lógico sistemático, histórico e
comparativo.
Já as espécies de interpretação, por sua vez podem ser declarativas, extensivas, restritivas e ab-
rogante.

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OBS: Importante frisar que para interpretar a lei processual, não se leva em consideração apenas a
norma em si, mas também os princípios processuais.

Conflito das Leis

Conflitos Intertemporais
Os conflitos dizem respeito a obrigatoriedade e cessação das leis. A lei deve ser publicada para que
se torne obrigatória, feito isso, gera a presunção legal de que todos conhecem o seu texto, devendo se
sujeitar aos seus preceitos, não tendo que se falar em desconhecimento da lei.
Em termos gerais, conclui-se que a lei é obrigatória, devendo ser cumprida, por pessoas cultas ou
incultas, que conheçam ou não os seus dispositivos, já que o interesse público fala mais alto.

Abaixo trouxemos o Decreto 4.657/1942:

DECRETO-LEI Nº 4.657, DE 4 DE SETEMBRO DE 1942

Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o artigo 180 da Constituição,
decreta:
Art. 1° Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois
de oficialmente publicada.
§ 1° Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três
meses depois de oficialmente publicada.
§ 2° (Revogado).
§ 3° Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o
prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação.
§ 4° As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.

Art. 2° Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue.
§ 1° A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela
incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
§ 2° A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga
nem modifica a lei anterior.
§ 3° Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a
vigência.

Art. 3° Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.

Art. 4° Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os
princípios gerais de direito.

Art. 5° Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem
comum.

Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido
e a coisa julgada.
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou.
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer,
como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a
arbítrio de outrem.
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso.

Art. 7° A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
§ 1° Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos
dirimentes e às formalidades da celebração.
§ 2° O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares
do país de ambos os nubentes.

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§ 3° Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do primeiro
domicílio conjugal.
§ 4° O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes
domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro domicílio conjugal.
§ 5º - O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa anuência de seu
cônjuge, requerer ao juiz, no ato de entrega do decreto de naturalização, se apostile ao mesmo a adoção
do regime de comunhão parcial de bens, respeitados os direitos de terceiros e dada esta adoção ao
competente registro.
§ 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros, só será
reconhecido no Brasil depois de 1 (um) ano da data da sentença, salvo se houver sido antecedida de
separação judicial por igual prazo, caso em que a homologação produzirá efeito imediato, obedecidas as
condições estabelecidas para a eficácia das sentenças estrangeiras no país. O Superior Tribunal de
Justiça, na forma de seu regimento interno, poderá reexaminar, a requerimento do interessado, decisões
já proferidas em pedidos de homologação de sentenças estrangeiras de divórcio de brasileiros, a fim de
que passem a produzir todos os efeitos legais.
§ 7° Salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao outro cônjuge e aos
filhos não emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda.
§ 8° Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou
naquele em que se encontre.
Art. 8° Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país em
que estiverem situados.
§ 1° Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário, quanto aos bens moveis que ele
trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares.
§ 2° O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa, em cuja posse se encontre a coisa
apenhada.

Art. 9° Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem.
§ 1° Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial, será esta
observada, admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos do ato.
§ 2° A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente.

Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou
o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.
§ 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei brasileira em
benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais
favorável a lei pessoal do de cujus.
§ 2° A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.

Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e as fundações,
obedecem à lei do Estado em que se constituírem.
§ 1° Não poderão, entretanto ter no Brasil filiais, agências ou estabelecimentos antes de serem os atos
constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas à lei brasileira.
§ 2° Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que eles tenham
constituído, dirijam ou hajam investido de funções públicas, não poderão adquirir no Brasil bens imóveis
ou susceptíveis de desapropriação.
§ 3° Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos
representantes diplomáticos ou dos agentes consulares.

Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui
tiver de ser cumprida a obrigação.
§ 1° Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no
Brasil.
§ 2° A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida
pele lei brasileira, as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente, observando a lei
desta, quanto ao objeto das diligências.

Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao
ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira
desconheça.

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Art. 14. Não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da
vigência.

Art. 15. Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que reúna os seguintes
requisitos:
a) haver sido proferida por juiz competente;
b) terem sido os partes citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia;
c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar
em que foi proferida;
d) estar traduzida por intérprete autorizado;
e) ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal. (Vide art.105, I, i da Constituição Federal)23.
Parágrafo único. (Revogado)

Art. 16. Quando, nos termos dos artigos precedentes, se houver de aplicar a lei estrangeira, ter-se-á
em vista a disposição desta, sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei.

Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não
terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes.

Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes
celebrar o casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento
e de óbito dos filhos de brasileiro ou brasileira nascido no país da sede do Consulado.
§ 1º As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a separação consensual e o
divórcio consensual de brasileiros, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os
requisitos legais quanto aos prazos, devendo constar da respectiva escritura pública as disposições
relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à
retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o
casamento.
§ 2° É indispensável a assistência de advogado, devidamente constituído, que se dará mediante a
subscrição de petição, juntamente com ambas as partes, ou com apenas uma delas, caso a outra
constitua advogado próprio, não se fazendo necessário que a assinatura do advogado conste da escritura
pública.

Art. 19. Reputam-se válidos todos os atos indicados no artigo anterior e celebrados pelos cônsules
brasileiros na vigência do Decreto-lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, desde que satisfaçam todos
os requisitos legais.
Parágrafo único. No caso em que a celebração desses atos tiver sido recusada pelas autoridades
consulares, com fundamento no artigo 18 do mesmo Decreto-lei, ao interessado é facultado renovar o
pedido dentro em 90 (noventa) dias contados da data da publicação desta lei.

Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores
jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. (Incluído pela
Lei nº 13.655, de 2018)
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da
invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis
alternativas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)

Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de
ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas
consequências jurídicas e administrativas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as
condições para que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos
interesses gerais, não se podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das
peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)

23
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
I - processar e julgar, originariamente:
[...]
i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias;

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Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as
dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos
dos administrados.
§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma
administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou
condicionado a ação do agente. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os
danos que dela provierem para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e
os antecedentes do agente. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§ 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais sanções de
mesma natureza e relativas ao mesmo fato. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)

Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação
nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito,
deverá prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de
direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais.
Parágrafo único. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato,
contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em
conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação
geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)

Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em


atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as
adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº
13.655, de 2018)

Art. 25. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)

Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito
público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do
órgão jurídico e, quando for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões de relevante
interesse geral, celebrar compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só
produzirá efeitos a partir de sua publicação oficial. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§ 1º O compromisso referido no caput deste artigo: (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses gerais;
(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
II – (VETADO); (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de direito
reconhecidos por orientação geral; (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
IV - deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções
aplicáveis em caso de descumprimento. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§ 2º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)

Art. 27. A decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, poderá impor
compensação por benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou injustos resultantes do processo ou da
conduta dos envolvidos. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§ 1º A decisão sobre a compensação será motivada, ouvidas previamente as partes sobre seu
cabimento, sua forma e, se for o caso, seu valor. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§ 2º Para prevenir ou regular a compensação, poderá ser celebrado compromisso processual entre os
envolvidos. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)

Art. 28. O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso
de dolo ou erro grosseiro. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§ 1º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§ 2º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§ 3º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)

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Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade administrativa, salvo
os de mera organização interna, poderá ser precedida de consulta pública para manifestação de
interessados, preferencialmente por meio eletrônico, a qual será considerada na decisão. (Incluído pela
Lei nº 13.655, de 2018)
§ 1º A convocação conterá a minuta do ato normativo e fixará o prazo e demais condições da consulta
pública, observadas as normas legais e regulamentares específicas, se houver. (Incluído pela Lei nº
13.655, de 2018)
§ 2º (VETADO).”

Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das
normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas. (Incluído
pela Lei nº 13.655, de 2018)
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter vinculante em relação
ao órgão ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)

Rio de Janeiro, 4 de setembro de 1942, 121º da Independência e 54o da República.

GETULIO VARGAS

Questões

01. (Pref.de Caruaru/PE - Procurador do Município - FCC/2018) No tocante à Lei de Introdução às


Normas de Direito Brasileiro,
(A) a repristinação normativa é regra geral.
(B) as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.
(C) a lei começa a vigorar imediatamente após sua publicação oficial, salvo disposição contrária.
(D) a lei posterior revoga a anterior somente se for com ela incompatível ou quando expressamente o
declare.
(E) toda lei nacional destina-se à vigência indeterminada, vigorando até que outra a modifique ou
revogue, não se admitindo a edição de leis temporárias, em razão de sua natureza geral e abstrata.

02. (TJ/SP - Juiz Substituto - VUNESP/2018) Segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro, quando se houver de aplicar lei estrangeira,
(A) ter-se-á em vista a disposição da lei estrangeira, mas considerando as remissões por ela feita à lei
de outro Estado estrangeiro.
(B) não se terá em conta a norma primária, mas o direito internacional privado alienígena, aplicando-
se o retorno.
(C) ter-se-á em vista a norma primária, aplicando-a diretamente, o que significa a inaplicabilidade do
retorno.
(D) caberá ao juiz verificar se o caso é de aplicabilidade direta da norma primária, ou se o caso exige
retorno.

03. (PC/MA - Delegado de Polícia Civil - CESPE/2018) De acordo com a LINDB, no tocante ao
fenômeno da repristinação, salvo disposição em contrário, a lei
(A) nova que estabeleça disposições gerais a respeito de outras já existentes não revogará leis
anteriores.
(B) revogada voltará a vigorar se a lei que a revogou for declarada inconstitucional em controle difuso.
(C) revogada não se restaurará se a lei revogadora perder a vigência.
(D) nova que estabeleça disposições especiais a respeito de outras já existentes não revogará leis
anteriores.
(E) nova revogará a anterior se regular inteiramente a mesma matéria.

04. (TJ/RJ - Juiz Leigo - VUNESP/2018) A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – LINDB
estipula normas de aplicação ao Código Civil, dentre outros Códigos e disposições legislativas. Sobre a
referida lei, em especial sobre leis, sentenças, declarações de vontade e fatos ocorridos no estrangeiro,
assinale a alternativa correta.
(A) Para ser executada no Brasil, basta que a sentença proferida no estrangeiro tenha sido
homologada pelo Supremo Tribunal Federal e traduzida por intérprete autorizado.

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(B) Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, por juiz competente, ainda que as
partes não tenham sido citadas.
(C) As declarações de vontade realizadas em outro país que ofenderem a ordem pública apenas terão
eficácia se homologadas pelo Supremo Tribunal Federal.
(D) Não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto, da vigência
e autorização do Supremo Tribunal Federal.
(E) A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao ônus
e aos meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça.

05. (SEDF - Professor - Quadrix/2017) Julgue o item subsecutivo no que se refere ao Direito Civil.
A regra geral, no que tange à vigência de uma lei, prevista no artigo 1.º da Lei de Introdução ao Código
Civil, é que começa a vigorar em todo o País 45 dias após oficial publicação, contudo poderá constar
expressamente da própria lei outra data para que entre em vigor, até mesmo a data de sua publicação
oficial, não ocorrendo, assim, a vacatio legis.

( ) Certo ( ) Errado

06. (TJM/SP - Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP/2017) Quanto à vigência das leis, assinale
a alternativa correta.
(A) Uma lei é revogada somente quando lei posterior declare expressamente sua revogação.
(B) Lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem
modifica a lei anterior.
(C) A lei revogada se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.
(D) As correções a texto de lei já em vigor consideram- -se a mesma lei.
(E) É expressamente proibida a revogação de uma lei repristinada.

07. (DPE/PR - Defensor Público - FCC/2017) Com base no Decreto-Lei n° 4.657/1942 − Lei de
Introdução às normas do Direito Brasileiro − LINDB, é correto afirmar:
(A) As correções de texto, de qualquer natureza, ocorridas após a publicação da lei, não interferem no
termo a quo de sua vigência, na medida em que não se consideram lei nova por não alterar seu conteúdo.
(B) A despeito de ser executada no Brasil, a lei brasileira não será aplicada quando a obrigação for
constituída fora do país, pois, para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se
constituírem.
(C) Os direitos de família são determinados pela lei do país em que domiciliada a pessoa. No caso de
nubentes com domicílio diverso, a lei do primeiro domicílio conjugal regerá tanto os casos de invalidade
do matrimônio quanto o regime de bens.
(D) Quando a lei estrangeira for aplicada a demanda judicial no Brasil, ter-se-á em vista somente os
dispositivos invocados pelas partes, inclusive eventuais remissões a outras leis.
(E) Compete exclusivamente à autoridade judiciária estrangeira processar e julgar as ações cujo réu
possua domicílio no exterior ou cuja obrigação lá tenha de ser cumprida, ainda que versadas sobre bens
imóveis situados no Brasil.

08. (Pref. de São José dos Campos/SP - Procurador - VUNESP/2017) Assinale a alternativa correta
no que tange à Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro.
(A) O prazo geral de vacatio legis é de trinta dias, respeitável em caso de inexistência de previsão em
sentido diverso.
(B) O magistrado, por força da vedação ao non liquet, deverá, em caso de lacuna da lei, apoiar-se na
analogia, nos costumes e nos princípios gerais do Direito para julgar.
(C) A repristinação é prevista como regra no sistema legislativo brasileiro, de tal modo que a perda de
vigência da lei revogadora restaura automaticamente a revogada.
(D) A sentença proferida no estrangeiro poderá ser executada no Brasil, desde que, dentre outros
requisitos, seja homologada pelo Supremo Tribunal Federal.
(E) Os brasileiros casados residentes no exterior não poderão se divorciar perante as autoridades
consulares brasileiras, sendo mister o retorno ao Brasil para o rompimento do vínculo matrimonial.

Gabarito

01.B / 02.C / 03.C/ 04.E / 05.certo/ 06.B / 07.C / 08.B

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Comentários

01. Resposta: B
LINDB
Art. 1º Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois
de oficialmente publicada.
( )
§ 4º As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.

02. Resposta: C
LINDB
Art. 16. Quando, nos termos dos artigos precedentes, se houver de aplicar a lei estrangeira, ter-se-á
em vista a disposição desta, sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei.

03. Resposta: C
LINDB
Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue.
[ ]
§ 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a
vigência.

04. Resposta: E
LINDB
Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao
ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira
desconheça.

05. Resposta: certo


LINDB
Art. 1º Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois
de oficialmente publicada.

06. Resposta: B
LINDB
Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue.
( )
§ 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga
nem modifica a lei anterior.

07. Resposta: C
LINDB
Art. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
( )
§ 3º Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do primeiro
domicílio conjugal.

08. Resposta: B
LINDB
Art. 4° Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os
princípios gerais de direito.

10.2 Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Pará.

Prezado (a) candidato (a) a Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Pará já foi
abordada no tópico de Controle Externo e Legislação Institucional.

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10.3 Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado do Pará.

Prezado candidato, o Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado do Pará, já foi


disponibilizado na matéria “ Controle Externo e Legislação Institucional”.

10.4 Resoluções TCE/PA nº 18.784, nº 18.842

RESOLUÇÃO TCE Nº 18.784/201624

Aprova Instrução Normativa que dispõe sobre a instauração, a organização e o encaminhamento ao


Tribunal de Contas do Estado do Pará dos processos de Tomada de Contas Especial.

Considerando que compete ao Tribunal de Contas do Estado do Pará julgar as contas daqueles que
derem causa à perda, extravio ou outra irregularidade com dano ao Erário, nos termos da Constituição
Estadual, art. 116, II; da Lei Complementar nº 81/2012 - Lei Orgânica do TCE/PA, arts. 1º, II, “b”, 50 e 52;
e do Regimento Interno do TCE/PA arts. 1º, II, “b” e 149 (Ato nº 63/2012);

Considerando o poder regulamentar conferido pelo art. 3º da Lei Complementar nº 81, de 26 de abril
de 2012, que autoriza a expedição de atos e instruções normativas sobre matéria de sua atribuição e
organização dos processos que lhe devam ser submetidos;

Considerando que os processos de ressarcimento de dano ao Erário devem pautar-se pelos princípios
da racionalidade administrativa, do devido processo legal, da economia processual, da celeridade, da
ampla defesa e do contraditório;

Considerando a necessidade de dar cumprimento ao art. 150 do Regimento Interno do TCE/PA (Ato
nº 63/2012), com as alterações dos Atos nºs 64, 66 e 72 do Tribunal de Contas do Estado do Pará;

Considerando a proposição da Presidência desta Corte e votação constante da Ata nº 5.363, desta
data,

RESOLVE unanimemente, expedir a seguinte Instrução Normativa:

CAPÍTULO I
DA DEFINIÇÃO E PRESSUPOSTOS

Art. 1º. A instauração, a organização e o encaminhamento dos processos de tomada de contas


especial obedecerão ao disposto na Lei Orgânica, no Regimento Interno do TCE/PA e nesta Instrução
Normativa.

Art. 2º. Tomada de contas especial é um processo administrativo adotado pela autoridade
administrativa competente com o objetivo de apurar os fatos, identificar os responsáveis, quantificar o
dano e obter o respectivo ressarcimento, quando evidenciada pelo menos uma das seguintes hipóteses:
I- omissão no dever de prestar contas;
II-ocorrência de desfalque ou desvio de dinheiro, bens ou valores públicos;
III-não comprovação da aplicação de recursos repassados pelo Estado, mediante convênio, acordo,
ajuste ou instrumentos congêneres;
IV-prática de qualquer ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico, de que resulte dano ao erário estadual.
Parágrafo único. Consideram-se responsáveis as pessoas físicas ou jurídicas às quais possa ser
imputada a obrigação de ressarcir o Erário.

24
Disponível em: http://www.tce.pa.gov.br/busca/Forms/FileViewResolucao.aspx?NumeroResolucao=18784 – acesso em 01.03..2019.

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Art. 3º. É pressuposto para instauração de tomada de contas especial a existência de elementos fáticos
e jurídicos suficientes para:
I- comprovação da ocorrência de dano; e
II- identificação das pessoas físicas ou jurídicas que deram causa ou concorreram para a ocorrência
de dano.

CAPÍTULO II
DOS PROCEDIMENTOS
Seção I
Das Medidas Preliminares

Art. 4º. Diante das hipóteses previstas no art. 2º desta Instrução Normativa, a autoridade administrativa
competente deve imediatamente, antes da instauração da tomada de contas especial, adotar medidas
administrativas internas para caracterização ou elisão do dano, observados os princípios norteadores dos
processos administrativos.
§ 1º Consideram-se medidas administrativas internas para cumprimento do disposto no caput deste
artigo, dentre outras:
I-notificação ao responsável para envio da prestação de contas;
II-notificação ao responsável para regularização ou recolhimento de débito apurado;
III-sustação do ato, acordo, ajuste, convênio ou outro instrumento jurídico quando verificada
irregularidade;
IV-abertura de sindicância ou processo administrativo quando a irregularidade envolver servidor;
V-inspeções ou auditorias.
§ 2º As medidas mencionadas no caput deste artigo serão adotadas e ultimadas em até 90 (noventa)
dias, contados:
I- da data fixada para a apresentação de prestações de contas de recursos repassados pelo Estado,
mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres ou de demais valores passíveis de
comprovação;
II- da data do evento ou, quando desconhecida, da data da ciência do fato pela autoridade
administrativa, nos casos de desfalque ou desvio de dinheiro, bens ou valores públicos e de
caracterização de qualquer ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico, de que resulte dano ao erário.
§ 3º O procedimento da tomada de contas especial não será instaurado quando, no decorrer do prazo
assinalado no parágrafo anterior, ocorrer:
I- o recolhimento do débito ou a recomposição dos bens ou dos valores públicos;
II- a apresentação da prestação de contas; ou
III- a descaracterização do dano.

Art. 5º. No caso de omissão no dever de prestar contas, a autoridade administrativa providenciará, de
imediato, o registro dos valores em alcance e dos responsáveis na conta contábil adequada.
Parágrafo único. Elidida a omissão, a autoridade administrativa providenciará baixa da respectiva
responsabilidade.

Seção II
Da Instauração

Art. 6º. Esgotadas as medidas administrativas internas sem a elisão do dano, a autoridade
administrativa competente deverá providenciar a imediata instauração de tomada de contas especial, sob
pena de incorrer em grave infração à norma legal e de responder solidariamente pelo dano apurado.
Parágrafo único. Quando no exercício da fiscalização for constatada a omissão da autoridade
administrativa competente, o Tribunal de Contas do Estado determinará a instauração da tomada de
contas especial, fixando prazo para o cumprimento da determinação.

Art. 7º. A instauração da tomada de contas especial compete, salvo disposição legal ou regulamentar
em contrário, a cada autoridade administrativa das entidades e órgãos jurisdicionados, podendo essa
competência ser delegada mediante ato formal devidamente publicado.

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Seção III
Da Organização

Art. 8º. A tomada de contas especial possui rito próprio e deverá ser instaurada, autuada, organizada,
numerada e conter os documentos essenciais à evidenciação e quantificação do dano ao erário e à
identificação dos responsáveis.

Art. 9º. A tomada de contas especial será procedida por servidores públicos, titulares de cargo ou
emprego público de provimento efetivo, organizados sob a forma de comissão, preferencialmente.
Parágrafo único. Os membros da comissão a que se refere o caput deste artigo, designados mediante
expedição de ato formal da autoridade competente, devidamente publicado, não podem estar envolvidos
com os fatos a serem apurados, possuir qualquer interesse no resultado da tomada de contas especial e
nem integrar o controle interno, e devem firmar declaração de que não se encontram impedidos de atuar
no procedimento.

Art. 10. A tomada de contas especial será realizada com independência e imparcialidade, cabendo à
autoridade administrativa competente assegurar os meios necessários ao desenvolvimento dos trabalhos.

Art. 11. A comissão da tomada de contas especial deverá adotar os seguintes procedimentos:
I- efetuar as apurações necessárias, tomando-se depoimentos a termo, se for o caso;
II- levantar ou fazer levantar o valor do dano;
III-reunir as provas necessárias à comprovação dos fatos, bem como realizar diligências no sentido de
proporcionar os elementos de convicção indispensáveis à atribuição de responsabilidade;
IV- oportunizar aos responsáveis a apresentação de defesa ou o ressarcimento do dano ao erário
estadual;
V- analisar as justificativas e os documentos apresentados pelos defendentes, emitindo-se
pronunciamento conclusivo.
VI- realizar outras medidas necessárias à apreciação do fato.
§ 1º A quantificação do débito, a que se refere o Inciso II do caput deste artigo, far-se-á mediante:
I-verificação, quando apurado com exatidão o real valor devido;
II-estimativa, quando, por meios técnicos, mensurar-se a quantia para reparação do dano.
§ 2º Os débitos apurados serão atualizados e acrescidos de encargos legais a partir da data:
I- do evento ou, se essa for desconhecida, a partir da ciência do fato pela autoridade administrativa
competente, quando:
a) se tratar de ressarcimento do valor do dano;
b) se tratar de desfalque ou desvio de bens, adotando-se como base de cálculo o valor da
recomposição, de mercado ou de aquisição devidamente atualizado, o que couber;
II- do crédito na respectiva conta bancária ou a partir do recebimento do recurso, quando se tratar de
omissão no dever de prestar contas, glosa, impugnação de despesa, desvio ou ausência de comprovação
da aplicação de recursos repassados mediante convênio, acordo, ajuste ou outro instrumento congênere.

Art. 12. Os trabalhos da comissão de tomada de contas especial encerram-se com a emissão de
relatório conclusivo, que conterá os seguintes elementos:
I- número do processo administrativo que originou a tomada de contas especial, com a descrição
cronológica dos fatos apurados, especificando o motivo determinante da instauração, a origem e a data
da ocorrência do fato ou do seu conhecimento;
II-relato das medidas administrativas adotadas com vistas à elisão do dano;
III-individualização das condutas inquinadas;
IV-estabelecimento do nexo de causalidade entre a conduta e o dano, bem como a culpa ou o dolo;
V-quantificação individualizada do débito, indicando o valor histórico e atualizado, e as parcelas
recolhidas, se for o caso;
VI-indicação precisa das causas excludentes da ilicitude ou da causalidade, quando for o caso;
VII-fundamentos de fato e de direito que embaraçam a convicção da comissão, se houver;
VIII-identificação dos responsáveis ou de seus sucessores patrimoniais, se for o caso, indicando nome,
CPF, endereços profissional e eletrônico e, se servidor público, cargo, função, matrícula funcional e
período de gestão;
IX-informação sobre eventuais ações judiciais pertinentes aos fatos que deram ensejo à instauração
da tomada de contas especial;

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X-demais relatos relevantes ao embasamento do relatório; XI- conclusão e recomendação de
providências.

Art. 13. Concluídos os trabalhos da comissão, a unidade de controle interno do órgão ou entidade
jurisdicionada emitirá relatório circunstanciado e parecer sobre a regularidade formal e material da tomada
de contas especial.
Parágrafo Único. O relatório de que trata o caput deste artigo deverá dispor sobre:
I- a apuração dos fatos, com indicação das normas ou dos regulamentos infringidos por cada um dos
responsáveis;
II- a identificação dos responsáveis ou de seus sucessores patrimoniais, se for o caso, indicando nome,
CPF, endereços profissional e eletrônico e, se servidor público, cargo, função, matrícula funcional e
período de gestão;
III- a quantificação do dano, informando o valor histórico e corrigido;
IV- a identificação de parcelas eventualmente recolhidas aos cofres públicos;
V- a devida inscrição dos valores em alcance e dos responsáveis, nos desdobramentos da conta
contábil “Créditos Por Danos ao Patrimônio Apurado em Tomada de Contas Especial – Diversos
Responsáveis” ou correspondente;
VI - a fiscalização e o cumprimento do objeto de convênio ou instrumentos congêneres;
VII- a instauração tempestiva da tomada de contas especial;
VIII- as recomendações que previnam a ocorrência de situações análogas;
IX- a adequação das medidas administrativas adotadas pela autoridade competente para a
caracterização ou elisão do dano;
X- o cumprimento das normas pertinentes à instauração e ao desenvolvimento da tomada de contas
especial;
XI-outros aspectos relevantes para o embasamento do relatório.

Art. 14. A autoridade administrativa competente atestará ter tomado conhecimento do relatório da
comissão de tomada de contas especial, homologará o parecer da unidade de controle interno e dará
encaminhamento às recomendações sugeridas e às providências quanto ao registro dos fatos contábeis
correspondentes, dando-se ciência aos responsáveis.
§ 1º Na hipótese de divergir do parecer, a autoridade administrativa competente deverá fundamentar
seu entendimento e dar o encaminhamento necessário à adoção das medidas saneadoras.
§ 2º A competência prevista neste artigo é indelegável.

Art. 15. Os membros da comissão da tomada de contas especial, os integrantes da unidade de controle
interno e a autoridade administrativa competente são responsáveis pela autenticidade das informações e
responderão, pessoalmente, caso venham a ser identificadas divergências, omissões ou erros
procedimentais em que se comprove má fé.

Seção IV
Da Dispensa

Art. 16. A título de racionalização administrativa e economia processual, fica dispensada a instauração
da tomada de contas especial, salvo determinação em contrário, nas seguintes hipóteses:
I- houver transcorrido prazo superior a dez anos entre a data provável de ocorrência do dano e a
primeira notificação do responsável;
II- se quem der causa ao dano for o responsável pela prestação das contas anuais e se o fato a ser
apurado puder ser avaliado pela via estreita das contas anuais, que ainda não houverem sido
encaminhadas ao Tribunal de Contas do Estado;
III- se o dano for verificado na prestação de contas de convênio ou instrumentos congêneres;
IV- se o valor do débito atualizado monetariamente for inferior ao limite estabelecido em ato normativo
do Tribunal.
§ 1º Em qualquer das hipóteses previstas neste artigo, o relatório da unidade de controle interno,
exigido na prestação de contas anual do órgão ou entidade jurisdicionada, deverá conter exposição das
medidas adotadas para reposição do dano.
§ 2º A dispensa da instauração da tomada de contas especial não implica o cancelamento de débito,
cabendo a adoção das medidas administrativas e dos procedimentos especificados no art. 11 para fins
de recomposição ao erário estadual.

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§ 3º Na ocorrência do disposto no inciso III, a autoridade administrativa competente deverá encaminhar
ao Tribunal de Contas do Estado o respectivo processo de prestação de contas se o valor do débito
atualizado for igual ou superior ao limite estabelecido para dispensa da instauração de tomada de contas
especial.
§ 4º Nas hipóteses em que o valor do débito atualizado for inferior ao limite estabelecido para dispensa
da instauração de tomada de contas especial, a autoridade administrativa deve juntar na prestação de
contas de gestão do exercício a que se refere as informações relacionadas ao dano apurado.

Seção V
Do Arquivamento

Art. 17. Serão arquivadas no órgão ou entidade jurisdicionada, as tomadas de contas especiais, antes
do encaminhamento ao Tribunal de Contas do Estado, nas hipóteses de:
I-apresentação da prestação de contas, quando a instauração ocorrer por omissão do dever de prestar
contas;
II-recolhimento do débito corrigido monetariamente;
III-recomposição do bem;
IV-comprovação da não ocorrência do dano imputado aos responsáveis;
V-subsistência de débito atualizado inferior ao limite estabelecido em ato normativo para
encaminhamento ao Tribunal de Contas do Estado, sem cancelamento do débito, a cujo pagamento
continuará obrigado o devedor, observado o direito ao contraditório e à ampla defesa.
§ 1º As tomadas de contas especiais arquivadas deverão estar organizadas nos órgãos e entidades
jurisdicionados, à disposição do Tribunal de Contas do Estado para exame in loco ou para remessa,
quando requisitados.
§ 2º Aplica-se o disposto no § 4º do art. 16 desta Instrução Normativa à hipótese constante no inciso
V deste artigo.

Seção VI
Do Encaminhamento ao Tribunal de Contas do Estado

Art. 18. Os processos de tomada de contas especial serão encaminhados ao Tribunal de Contas do
Estado, para julgamento, em até 120 (cento e vinte) dias, contados da data da instauração do
procedimento e deverão conter os elementos constantes do Anexo I.
Parágrafo único. A tomada de contas especial será encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado se
o valor do dano atualizado for igual ou superior ao valor estabelecido em ato normativo para esse efeito.

Art. 19. Quando o somatório atualizado dos débitos de um mesmo responsável, cuja tomada de contas
especial foi dispensada, na forma do art. 16, IV, ou arquivada, na forma do art. 17, V, for igual ou superior
ao valor estabelecido em ato normativo para dispensa de instauração da tomada de contas especial, a
autoridade administrativa competente deverá consolidá-los, instaurar um único processo e encaminhá-lo
ao Tribunal de Contas do Estado.

Art. 20. Os processos de tomada de contas especial de que trata esta Instrução Normativa poderão
ser remetidos por meio de sistema informatizado a critério do Tribunal de Contas do Estado.

CAPÍTULO III
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 21. O descumprimento do disposto nesta Instrução Normativa sujeita o responsável a aplicação
de multa prevista na Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado.

Art. 22. As unidades de controle interno, ao tomarem conhecimento das ocorrências referidas nos
incisos do art. 2º desta Instrução Normativa, alertarão formalmente a autoridade administrativa
competente para a adoção das medidas necessárias a instauração da tomada de contas especial, sob
pena de responsabilidade solidária.

Art. 23. A autoridade administrativa providenciará baixa da responsabilidade pelo débito se o Tribunal
de Contas do Estado:
I-considerar elidida a responsabilidade pelo dano inicialmente imputada ao responsável;

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II-considerar não comprovada a ocorrência de dano;
III-arquivar o processo por falta de pressupostos de instauração ou desenvolvimento regular;
IV-considerar iliquidáveis as contas;
V- der quitação ao responsável pelo recolhimento do débito.
Parágrafo único. Na hipótese de o Tribunal de Contas do Estado concluir por débito de valor diferente
daquele originalmente apurado, incumbe à autoridade administrativa competente efetuar os ajustes
contábeis correspondentes.

Art. 24. Compete à autoridade administrativa, no exercício seguinte à inscrição do dano nos
desdobramentos da conta contábil “Créditos Por Danos ao Patrimônio Apurados em Tomada de Contas
Especial – Diversos Responsáveis” ou correspondente, dar baixa da respectiva responsabilidade e
informar ao órgão central de contabilidade do Estado para fins de inscrição na dívida ativa.

Art. 25. A autoridade administrativa competente encaminhará ao Tribunal de Contas do Estado, até o
10º dia útil de cada mês, as informações relativas ao mês anterior, na forma do Anexo II e do Anexo III,
referentes a:
I-tomada de contas especial instaurada ou arquivada;
II-Dispensa da instauração de tomada de contas especial;
III-recolhimento de débito previsto no art. 4º, § 3º, I, quando se referir à omissão no dever de prestar
contas de recursos repassados, mediante convênio ou instrumentos congêneres, em valor global igual ou
superior ao estabelecido em ato normativo para remessa da prestação de contas.

Art. 26. No julgamento da tomada de contas especial, o Tribunal de Contas do Estado poderá
determinar a repercussão da matéria nas contas do administrador, além de outras providências que julgar
necessárias.

Art. 27. Os débitos apurados nos processos de tomadas de contas especiais, informados pelos órgãos
ou entidades jurisdicionadas ou aqueles já definitivamente julgados, pendentes de recolhimento, serão
inscritos no cadastro de inadimplentes do Tribunal de Contas do Estado do Pará.

Art. 28. Esta Instrução Normativa entrará em vigor na data de sua publicação.

Plenário “Conselheiro Emílio Martins”, em Sessão Ordinária de 28 de janeiro de 2016.

LUIS DA CUNHA TEIXEIRA


Presidente

ANEXO I
COMPOSIÇÃO DO PROCESSO DE TOMADA DE CONTAS ESPECIAL

1 Ofício de encaminhamento da tomada de contas especial, assinado pelo titular do órgão


ou dirigente da entidade;
2 Documentos comprobatórios da realização das medidas administrativas internas adotadas,
conforme art. 4º, § 1º, contendo os documentos que demonstrem a ciência dos responsáveis;
Ato de instauração da tomada de contas especial, devidamente formalizado, emanado da
3 autoridade administrativa competente, contendo a descrição sucinta dos fatos e a expressa
menção à data e à forma pela qual deles tomou conhecimento;
4 Cópia do ato de designação de servidor ou de comissão de tomada de contas especial,
acompanhado de declaração de que esses não se encontram impedidos de atuar no
procedimento;
5 Cópia da comunicação ao Tribunal de Contas da instauração, arquivamento ou dispensa
da tomada de contas especial, conforme art. 25;
6 Relatório conclusivo da comissão de tomada de contas especial, conforme art. 12;

Documentos comprobatórios da realização dos trabalhos da comissão de tomada de contas


7 especial, conforme art. 11, acompanhado dos pareceres emitidos pelas éreas técnicas do
órgão ou entidade, se for o caso, incluída a análise das justificativas apresentadas pelos
responsáveis.

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Documentos comprobatórios do encaminhamento das recomendações e providências pela
8 autoridade administrativa competente, de modo a evitar a ocorrência de outros fatos
ensejadores de tomada de contas especial;
Comprovante de inscrição dos valores em alcance e dos responsáveis nos desdobramentos
9 da conta contábil “Créditos Por Danos ao Patrimônio Apurados em Tomada de Contas Especial
– Diversos Responsáveis” ou correspondente;
10 Comprovantes de despesa;
11 Comprovante de recolhimento das parcelas do valor do dano, devidamente corrigido, e a
memória de cálculo da correção em anexo;
12 Memória de cálculo da quantificação do débito por estimativa, de que trata o art. 11, § 1º,
II, se for o caso;
13 Relatórios conclusivos de comissão de inquérito, de sindicância ou de processo
administrativo disciplinar, se houver;
14 Relatório final de inquérito policial, caso o fato tenha sido comunicado à autoridade policial;
15 Relatório da unidade controle interno, conforme art. 13, parágrafo único;
16 Parecer da unidade de controle interno sobre a regularidade formal e material da tomada
de contas especial, homologado pela autoridade administrativa competente, conforme art. 13;
17 Outros documentos que possam subsidiar o julgamento do Tribunal de Contas.
Quando se tratar de tomada de contas especial instaurada por omissão no dever de prestar
18 contas, relativas a convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere, além dos documentos
referenciados nos itens 1 a 17, será instruída, no que couber, com os elementos relacionados
na Resolução nº 18.589/2014, art. 3º, ou em normativo que a substituir;
Quando se tratar de desfalque, desvio de bens, dinheiro ou valores públicos, bem como de
19 ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico que resulte em prejuízo ao erário, a tomada de contas
especial será instruída, além dos estabelecidos nos itens 1 a 17, com os seguintes documentos:
19. Comunicação formal do setor responsável pelo bem, dinheiro ou valores públicos;
1
19. Cópia da nota fiscal de aquisição do bem ou termo de doação;
2
19. Ficha individual de bem patrimonial ou ficha de movimento do material, contendo:
3 descrição do bem, tombamento, data e valor da aquisição e localização;
19. Cópia do contrato, convênio ou termo de cessão, quando se tratar de bens de terceiros;
4
19. Orçamentos com valores atuais do bem ou similar;
5
19. Cópia do boletim de ocorrência policial;
6

Anexo II e III (modelos de tabelas) - Disponíveis em:


http://www.tce.pa.gov.br/busca/Forms/FileViewResolucao.aspx?NumeroResolucao=18784

Questões

01. Nos termos da Resolução nº. 18.784/2016 do TCE/PA, julgue os itens abaixo:

Tomada de contas especial é um processo administrativo adotado pela autoridade administrativa


competente com o objetivo de apurar os fatos, identificar os responsáveis, quantificar o dano e obter o
respectivo ressarcimento, quando evidenciada pelo menos uma das seguintes hipóteses:
I- omissão no dever de prestar contas;
II-ocorrência de desfalque ou desvio de dinheiro, bens ou valores públicos;
III-não comprovação da aplicação de recursos repassados pelo Estado, mediante convênio, acordo,
ajuste ou instrumentos congêneres;
IV-prática de qualquer ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico, de que resulte dano ao erário estadual.

Estão corretos os itens:


(A) I e II
(B) I, II e III
(C) II, III e IV

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(D) II e IV
(E) Todos os itens

02. Nos termos da Resolução nº. 18.784/2016 do TCE/PA, julgue o item abaixo:

Esgotadas as medidas administrativas internas sem a elisão do dano, a autoridade administrativa


competente deverá providenciar a imediata instauração de tomada de contas especial, sob pena de
incorrer em grave infração à norma legal e de responder solidariamente pelo dano apurado.
( ) Certo ( ) Errado

03. Nos termos da Resolução nº. 18.784/2016 do TCE/PA, julgue o item abaixo:

Os processos de tomada de contas especial serão encaminhados ao Tribunal de Contas do Estado,


para julgamento, em até 60 (sessenta) dias, contados da data da instauração do procedimento.
( ) Certo ( ) Errado

Gabarito

01.E / 02.Certo / 03.Errado

Comentários

01. Resposta: E
Art. 2º. Tomada de contas especial é um processo administrativo adotado pela autoridade
administrativa competente com o objetivo de apurar os fatos, identificar os responsáveis, quantificar o
dano e obter o respectivo ressarcimento, quando evidenciada pelo menos uma das seguintes hipóteses:
I- omissão no dever de prestar contas;
II-ocorrência de desfalque ou desvio de dinheiro, bens ou valores públicos;
III-não comprovação da aplicação de recursos repassados pelo Estado, mediante convênio, acordo,
ajuste ou instrumentos congêneres;
IV-prática de qualquer ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico, de que resulte dano ao erário estadual.

02. Resposta: Certo


Art. 6º. Esgotadas as medidas administrativas internas sem a elisão do dano, a autoridade
administrativa competente deverá providenciar a imediata instauração de tomada de contas especial, sob
pena de incorrer em grave infração à norma legal e de responder solidariamente pelo dano apurado.

03. Resposta: Errado


Art. 18. Os processos de tomada de contas especial serão encaminhados ao Tribunal de Contas do
Estado, para julgamento, em até 120 (cento e vinte) dias, contados da data da instauração do
procedimento e deverão conter os elementos constantes do Anexo I.

RESOLUÇÃO TCE Nº 18.842/201625

Aprova Instrução Normativa que dispõe sobre a organização e o encaminhamento ao Tribunal de


Contas do Estado do Pará da prestação de contas de recursos repassados pelos órgãos ou entidades da
Administração Pública Estadual às organizações da sociedade civil mediante Termo de Colaboração e
Termo de Fomento.

O Plenário do Tribunal de Contas do Estado do Pará, no uso de suas atribuições constitucionais e


legais;

CONSIDERANDO o disposto no art. 116, V, da Constituição do Estado do Pará;

CONSIDERANDO a edição da Lei Federal nº 13.019/2014 e alterações, que estabelece, entre outras
disposições, o regime jurídico das parcerias voluntárias, envolvendo ou não transferências de recursos

25
Disponível em: http://www.tce.pa.gov.br/busca/Forms/FileViewResolucao.aspx?NumeroResolucao=18842 – acesso em 01.03.2019.

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financeiros, entre a administração pública e as organizações da sociedade civil, em regime de mútua
cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público;

CONSIDERANDO o poder regulamentar que lhe é conferido pelo art. 3º da Lei Complementar nº 81,
de 26/04/2012, Lei Orgânica do Tribunal, que autoriza a expedição de atos e instruções normativas sobre
matéria de sua atribuição e organização dos processos que lhe devam ser submetidos;

CONSIDERANDO a necessidade de regulamentar a organização e o encaminhamento ao Tribunal de


Contas do Estado do Pará das prestações de contas de recursos repassados pelos órgãos ou entidades
da Administração Pública Estadual às organizações da sociedade civil mediante Termo de Colaboração
e Termo de Fomento;

CONSIDERANDO o contido no art. 143, do Ato nº 63, de 17/12/2012 - Regimento Interno do Tribunal;

Considerando a manifestação da Presidência e votação constante da Ata nº.5.418, desta data;

RESOLVE, unanimemente, aprovar a seguinte Instrução Normativa:

CAPÍTULO I
DO OBJETIVO E DAS DEFINIÇÕES

Art. 1º. A organização e o encaminhamento das prestações de contas dos recursos repassados pelos
órgãos e entidades da Administração Pública Estadual às organizações da sociedade civil mediante
Termo de Colaboração e Termo de Fomento obedecerão ao disposto na Lei Orgânica, no Regimento
Interno e nesta Instrução Normativa.

Art. 2º. Para efeito desta Instrução Normativa considera-se:


I- Organização da sociedade civil:
a) entidade privada sem fins lucrativos que não distribua entre os seus sócios ou associados,
conselheiros, diretores, empregados, doadores ou terceiros eventuais resultados, sobras, excedentes
operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, isenções de qualquer natureza, participações ou parcelas
do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplique integralmente na
consecução do respectivo objeto social, de forma imediata ou por meio da constituição de fundo
patrimonial ou fundo de reserva;
b) as sociedades cooperativas previstas na Lei nº 9.867/1999; as integradas por pessoas em situação
de risco ou vulnerabilidade pessoal ou social; as alcançadas por programas e ações de combate à
pobreza e de geração de trabalho e renda; as voltadas para fomento, educação e capacitação de
trabalhadores rurais ou capacitação de agentes de assistência técnica e extensão rural; e as capacitadas
para execução de atividades ou de projetos de interesse público e de cunho social;
c) as organizações religiosas que se dediquem a atividades ou a projetos de interesse público e de
cunho social distintas das destinadas a fins exclusivamente religiosos;
II- Administração Pública Estadual: órgãos da administração direta, autarquias, fundações, empresas
públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviço público do Estado do Pará, e suas
subsidiárias, alcançadas pelo disposto no § 9º do art. 37 da Constituição Federal;
III- Parceria: conjunto de direitos, responsabilidades e obrigações decorrentes de relação jurídica
estabelecida formalmente entre a Administração Pública Estadual e organizações da sociedade civil, em
regime de mútua cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco,
mediante a execução de atividade ou de projeto expressos em termos de colaboração, em termos de
fomento ou em acordos de cooperação;
IV- Dirigente: pessoa que detenha poderes de administração, gestão ou controle da organização da
sociedade civil, habilitada a assinar termo de colaboração, termo de fomento ou acordo de cooperação
com a Administração Pública Estadual para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco,
ainda que delegue essa competência a terceiros;
V- Administrador público: agente público revestido de competência para assinar termo de colaboração,
termo de fomento ou acordo de cooperação com organização da sociedade civil para a consecução de
finalidades de interesse público e recíproco, ainda que delegue essa competência a terceiros;
VI- Gestor: agente público responsável pela gestão de parceria celebrada por meio de termo de
colaboração ou termo de fomento, designado por ato publicado em meio oficial de comunicação, com
poderes de controle e fiscalização;

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VII- Termo de colaboração: instrumento por meio do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas
pela Administração Pública Estadual com organizações da sociedade civil para a consecução de
finalidades de interesse público e recíproco propostas pela Administração Pública Estadual que envolvam
a transferência de recursos financeiros;
VIII- Termo de fomento: instrumento por meio do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas
pela Administração Pública Estadual com organizações da sociedade civil para a consecução de
finalidades de interesse público e recíproco propostas pelas organizações da sociedade civil, que
envolvam a transferência de recursos financeiros;
IX- Comissão de monitoramento e avaliação: órgão colegiado destinado a monitorar e avaliar as
parcerias celebradas com organizações da sociedade civil mediante termo de colaboração ou termo de
fomento, constituído por ato publicado em meio oficial de comunicação, assegurada a participação de
pelo menos um servidor ocupante de cargo efetivo ou emprego permanente do quadro de pessoal da
Administração Pública Estadual;
X- Chamamento público: procedimento destinado a selecionar organização da sociedade civil para
firmar parceria por meio de termo de colaboração ou de fomento, no qual se garanta a observância dos
princípios da isonomia, da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade,
da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que
lhes são correlatos;

CAPÍTULO II
DA COMPOSIÇÃO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS

Art. 3º. As prestações de contas de recursos repassados às organizações da sociedade civil mediante
Termo de Colaboração e Termo de Fomento deverão ser encaminhadas pelos órgãos ou entidades da
Administração Pública Estadual ao Tribunal de Contas do Estado do Pará compostas com os documentos
e informações constantes do Anexo I desta Instrução Normativa.

CAPÍTULO III
DO ENCAMINHAMENTO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS

Art. 4º. A prestação de contas de recursos repassados mediante Termo de Colaboração e Termo de
Fomento será apresentada pela organização da sociedade civil ao órgão ou entidade da Administração
Pública Estadual concedente dos recursos.

Art. 5º. O órgão ou entidade estadual concedente dos recursos fará remessa da prestação de contas
final de que trata o artigo anterior ao Tribunal de Contas do Estado do Pará, no prazo de 240 (duzentos
e quarenta) dias a contar do encerramento da vigência do respectivo instrumento, sempre que o valor for
igual ou superior ao estabelecido em ato normativo instituído para esse efeito.
§ 1º O prazo referido no caput será estendido no mesmo número de dias em que forem efetuadas as
prorrogações permitidas pelo art. 69, § 4º e art. 71, da Lei Federal nº 13.019/2014, e alterações, desde
que devidamente justificadas.
§ 2º A prestação de contas de valor inferior ao fixado no caput, ficará arquivada e organizada no órgão
ou entidade da Administração Pública Estadual, sujeita à fiscalização do Tribunal de Contas do Estado
do Pará, que a seu critério poderá solicitar sua remessa.
§ 3º As unidades jurisdicionadas deverão manter a guarda dos documentos comprobatórios da
prestação de contas não encaminhadas ao Tribunal de Contas do Estado do Pará, incluídas as de
natureza sigilosa, pelo período de 10 (dez) anos contados a partir do dia útil subsequente a data do seu
recebimento no órgão ou entidade estadual concedente.
§ 4º A prestação de contas não encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado do Pará por força desta
Instrução Normativa não está isenta da regular instrução e análise por parte da Administração Pública
Estadual e deverá conter os elementos básicos estabelecidos na Lei Federal nº 13.019/2014, e
alterações, e nesta Instrução Normativa.

CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 6º. O descumprimento do disposto nesta Instrução Normativa sujeitará o responsável, no que
couber, às sanções e medidas cautelares previstas, respectivamente, nos artigos 81 a 89, da Lei

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Complementar nº 81/2012 – Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Pará, e demais disposições
aplicáveis ao caso.

Art. 7º. Os responsáveis pelo controle interno, sob pena de responsabilidade solidária, deverão alertar
formalmente o Administrador Público competente para que instaure Tomada de Contas Especial, sempre
que tiverem conhecimento de ocorrências relativas à parceria quanto à omissão no dever de prestar
contas; a não comprovação da aplicação de recursos repassados; a desfalque, alcance, desvio ou
desaparecimento de dinheiro, bens ou valores públicos; ou à prática de ato ilegal, ilegítimo ou
antieconômico de que resulte dano ao Erário.
Parágrafo Único. O Administrador Público, sob pena de responsabilidade solidária, deverá, antes de
instaurar a Tomada de Contas Especial, adotar medidas administrativas internas para caracterização ou
não do dano.

Art. 8º. Esta Instrução Normativa entrará em vigor na data de sua publicação.

Plenário Conselheiro “Emílio Martins”, em Sessão Ordinária de 13 de setembro de 2016.

LUIS DA CUNHA TEIXEIRA


Presidente

ANEXO I

COMPOSIÇÃO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS TERMO DE COLABORAÇÃO E TERMO DE


FOMENTO

DE RESPONSABILIDADE DO ÓRGÃO OU ENTIDADE ESTADUAL


1 Declaração do Administrador Público assegurando que foram cumpridos todos os
requisitos legais na formalização da parceria;
Cópia do edital de chamamento público relativo à seleção da organização da
sociedade civil, acompanhado da cópia de sua publicação e da cópia da ata de
2 julgamento, ou na ocorrência das hipóteses previstas nos artigos 29 a 32 da Lei Federal
nº 13.019/2014:
a) comprovação de que a parceria é decorrente de emenda parlamentar; ou
b) parecer homologado pelo administrador público se ocorrer dispensa ou
inexigibilidade do chamamento público.
3 Cópia do Termo de Colaboração ou do Termo de Fomento e do comprovante de
sua publicação no DOE;
4 Cópia do Plano de Trabalho;
Declaração do órgão ou entidade estadual de que os objetivos e finalidades
5 institucionais e a capacidade técnica e operacional da organização da sociedade civil
foram avaliados e são compatíveis com o objeto da Parceria;
6 Relação das notas de empenho e das ordens bancárias referentes ao repasse
efetuado à organização da sociedade civil, contendo, número, data e valor;
7 Parecer Técnico Conclusivo emitido pelo gestor designado;
8 Autorização do órgão ou entidade estadual para a realização de pagamento em
espécie pela organização da sociedade civil, se for o caso;
9 Relatório de visita técnica in loco eventualmente realizada durante a execução da
parceria;
Relatório técnico de monitoramento e avaliação do objeto da parceria elaborado pelo
10 órgão ou entidade da Administração Pública Estadual e homologado pela comissão de
monitoramento e avaliação;
11 Parecer da Unidade de Controle Interno homologado pelo Administrador Público;

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Cópia dos Termos Aditivos e os documentos a seguir especificados:
a) cópia do comprovante de publicação;
b) cópia do plano de trabalho, se configurada a hipótese do art. 72, § 2º, da Lei
Federal nº 13.019/2014 e alterações;
c) memória de cálculo contendo quantidades e custos detalhados e cronograma
atualizado, se for o caso;
d) parecer de setor técnico do órgão ou entidade estadual acerca da conformidade
12 do mérito da proposta de aditamento da parceria bem como quanto à identidade e
reciprocidade de interesses mútuos;
e) parecer jurídico do órgão de assessoria ou consultoria jurídica do órgão ou
entidade da Administração Pública Estadual manifestando-se quanto à possibilidade de
celebração do aditamento.
DE RESPONSABILIDADE DA ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL
13 Relatório de execução e de cumprimento do objeto, com análise comparativa entre
as metas propostas e os resultados alcançados;
Relatório de Execução Financeira com descrição das despesas e receitas
14 efetivamente realizadas e sua vinculação com o objeto, na hipótese de descumprimento
de metas e resultados estabelecidos no Plano de Trabalho;
15 Extratos bancários da conta específica aberta para movimentar os recursos
utilizados na execução do objeto da Parceria;
16 Conciliação bancária;
17 Comprovante de devolução de saldo, quando houver;
18 Comprovação da incorporação dos bens ao patrimônio da entidade, se decorrer da
execução da parceria;
19 Parecer e relatório de auditoria, se for o caso;
20 Balancete Financeiro evidenciando os recursos repassados, as despesas
realizadas, a contrapartida, os rendimentos de aplicação financeira e o saldo
recolhido, se houver;
21 Relação dos bens e/ou serviços que compuserem monetariamente o valor da
contrapartida, se for o caso;
22 Parecer do Conselho Fiscal ou órgão equivalente, se for o caso;
23 Relação dos documentos de despesa, ordenados cronologicamente e devidamente
numerados, mencionando o nome do beneficiário e o valor;
24 Documentação comprobatória das despesas realizadas em original;
25 Mapa de cotação de preços que precederam as despesas realizadas pela
organização da sociedade civil na execução do objeto da Parceria;
26 Relação dos treinados, capacitados ou beneficiados com a execução do objeto da
Parceria, se for o caso;
Planilha orçamentária discriminando todos os serviços, quantidades e preços, bem
27 como os boletins de medição utilizados para realizar os pagamentos, se o objeto da
Parceria se referir a obras e serviços de engenharia;
28 Termo de Aceitação Definitiva da Obra, se for o caso;
29 Cópia das guias de recolhimento dos tributos descontados dos beneficiários dos
pagamentos;
30 Comprovante de comunicação ao órgão ou entidade da Administração Pública
Estadual, quando a organização da sociedade civil decidir pela atuação em REDE;

Plenário Conselheiro “Emílio Martins”, em Sessão Ordinária de 13 de setembro de 2016.

LUIS DA CUNHA TEIXEIRA


Presidente

Questões

01. Nos termos da Resolução nº. 18.842 de 2016 do TCE/PA, considera-se termo de fomento, o
instrumento por meio do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas pela Administração Pública
Estadual com organizações da sociedade civil para a consecução de finalidades de interesse público e
recíproco propostas pelas organizações da sociedade civil, que envolvam a transferência de recursos

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financeiros.
( ) Certo ( ) Errado

02. Nos termos da Resolução nº. 18.842 de 2016 do TCE/PA, julgue o item abaixo:

As unidades jurisdicionadas deverão manter a guarda dos documentos comprobatórios da prestação


de contas não encaminhadas ao Tribunal de Contas do Estado do Pará por conter valor inferior ao
estipulado em ato normativo próprio, incluídas as de natureza sigilosa, pelo período de 05 (cinco) anos
contados a partir do dia útil subsequente a data do seu recebimento no órgão ou entidade estadual
concedente.
( ) Certo ( ) Errado

Gabarito

01. Certo / 02.Errado

Comentários

01. Resposta: Certo


Art. 2º. Para efeito desta Instrução Normativa considera-se:
(...)
VIII- Termo de fomento: instrumento por meio do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas
pela Administração Pública Estadual com organizações da sociedade civil para a consecução de
finalidades de interesse público e recíproco propostas pelas organizações da sociedade civil, que
envolvam a transferência de recursos financeiros;

02. Resposta: Errado


Art. 5º. (...)
§ 3º As unidades jurisdicionadas deverão manter a guarda dos documentos comprobatórios da
prestação de contas não encaminhadas ao Tribunal de Contas do Estado do Pará, incluídas as de
natureza sigilosa, pelo período de 10 (dez) anos contados a partir do dia útil subsequente a data do seu
recebimento no órgão ou entidade estadual concedente.

Nº 18.857 e nº 18.858.

RESOLUÇÃO Nº 18.85726

Aprova Instrução Normativa que disciplina a prestação de contas de auxílios, contribuições e


subvenções, repassados pelos órgãos e entidades da Administração Pública Estadual, mediante
convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres.

O Plenário do Tribunal de Contas do Estado do Pará, no uso de suas atribuições constitucionais e


legais;

CONSIDERANDO o disposto no art. 116, V, da Constituição do Estado do Pará;

CONSIDERANDO o poder regulamentar que lhe é conferido pelo art. 3º da Lei Complementar nº 81,
de 26/04/2012, Lei Orgânica do Tribunal, que autoriza a expedição de atos e instruções normativas sobre
matéria de sua atribuição e organização dos processos que lhe devam ser submetidos;

CONSIDERANDO a necessidade de regulamentar a organização e o encaminhamento ao Tribunal de


Contas do Estado do Pará das prestações de contas de recursos repassados pelos órgãos ou entidades
da Administração Pública Estadual, mediante termo de convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos
congêneres;

26
http://www.tce.pa.gov.br/busca/Forms/FileViewResolucao.aspx?NumeroResolucao=18857, acessado em: 20/03/2019 às 10:59 horas.

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CONSIDERANDO o contido no art. 143, do Ato nº 63, de 17/12/2012 - Regimento Interno do Tribunal.

CONSIDERANDO as alterações do Regimento Interno promovidas pelo Ato nº 72, de 22/09/2012;

CONSIDERANDO a proposição da Presidência desta Corte e votação constante da Ata nº 5.436, desta
data;

RESOLVE, unanimemente, aprovar a seguinte Instrução Normativa:

CAPÍTULO I
DO OBJETIVO E DAS DEFINIÇÕES

Art. 1º A organização e o encaminhamento das prestações de contas de auxílios, contribuições e


subvenções, repassados pelos órgãos e entidades da Administração Pública Estadual, mediante
convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres obedecerão ao disposto na Lei Orgânica, no
Regimento Interno e nesta Instrução Normativa.

Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa considera-se:


I - CONVÊNIO: acordo, ajuste ou qualquer outro instrumento que discipline a transferência de recursos
financeiros de dotações consignadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social do Estado e tenha
como partícipe, de um lado, órgão ou entidade da administração pública estadual, direta ou indireta, e, de
outro lado, órgão ou entidade da administração pública federal, municipal ou entidades privadas sem fins
econômicos, excetuadas as alcançadas pela Lei Federal nº 13.019/2014, ou ainda, consórcios públicos,
visando à execução de programa e/ou ações de governo, de interesse recíproco, em regime de mútua
cooperação;
II - CONCEDENTE: órgão ou entidade da administração pública estadual direta ou indireta,
responsável pela transferência dos recursos financeiros destinados à execução do objeto do convênio;
III - CONVENENTE: órgão ou entidade da administração pública direta e indireta, dos governos federal
e municipal, bem como entidade privada sem fins econômicos não alcançada pela Lei Federal nº
13.019/2014 e consórcio público, com os quais o órgão ou entidade da administração pública estadual
pactua a execução de programa e/ou ações de governo mediante a celebração de convênio;
IV - TERMO ADITIVO: instrumento formalizado durante a vigência do convênio que tenha por objetivo
a modificação de cláusulas pactuadas, vedada a alteração da natureza do objeto aprovado;
IV- PRESTAÇÃO DE CONTAS: conjunto de documentos, informações e demonstrativos de natureza
contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, organizados com a finalidade de propiciar
uma visão sistêmica do desempenho e da conformidade da gestão dos recursos pelos responsáveis pela
execução do convênio;
V – PRESTAÇÃO DE CONTAS FINAL: prestação de contas do total dos recursos repassados,
apresentada pelo Convenente, acrescida dos documentos produzidos pelo Concedente para fins de
instrução e encaminhamento ao Tribunal de Contas do Estado;
VI – PARECER TÉCNICO CONCLUSIVO: documento emitido por servidor do órgão ou entidade
Concedente, designado para realizar o acompanhamento e a verificação da consistência e
compatibilidade do objeto conveniado com o executado no que diz respeito à adequação ao programa de
trabalho, aos prazos e condições estabelecidos no acordo.
VII – AUTORIDADE ADMINISTRATIVA: agente público, titular do órgão ou entidade da administração
pública estadual concedente dos recursos financeiros, competente para assinar o termo de convênio.

CAPÍTULO II
DA PRESTAÇÃO DE CONTAS
Seção I
Do Encaminhamento

Art. 3º A prestação de contas de auxílios, contribuições e subvenções repassados pelos órgãos e


entidades da administração pública estadual mediante convênio será apresentada pelo Convenente ao
Concedente.

Art. 4º O Concedente fará remessa da prestação de contas final ao Tribunal de Contas do Estado do
Pará, no prazo de 240 (duzentos e quarenta) dias a contar do encerramento da vigência do convênio,

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sempre que o valor do respectivo repasse for igual ou superior ao fixado em ato normativo instituído para
esse efeito.
Parágrafo único. Se a prestação de contas for apresentada ao Concedente em razão das medidas
administrativas internas ou durante a instauração da tomada de contas especial decorrentes da omissão
no dever de prestar contas, o prazo para remessa ao Tribunal de Contas do Estado será de 180 (cento e
oitenta) dias a contar da data do protocolo da apresentação das contas ao Concedente.

Art. 5º A prestação de contas final de valor global inferior ao fixado para encaminhamento ao Tribunal
de Contas do Estado ficará arquivada e organizada no Concedente, pelo prazo de 10 (dez) anos contados
a partir do dia útil subsequente à data de sua apresentação.
§ 1º A hipótese de arquivamento não isenta o Concedente de analisar a prestação de contas e instruí-
la com os elementos básicos estabelecidos nesta Instrução Normativa.
§ 2º A prestação de contas de que trata o caput deste artigo será encaminhada ao Tribunal de Contas
do Estado, nos prazos previstos no caput do art. 4º e parágrafo único, se houver dano apurado, cujo valor
atualizado seja igual ou superior ao limite estabelecido em ato normativo para remessa da tomada de
contas especial.
§ 3º O Tribunal de Contas do Estado, a seu critério, poderá solicitar a prestação de contas final
arquivada no Concedente para fins de fiscalização e julgamento.

Seção II
Da Composição

Art. 6º A prestação de contas final sujeita a encaminhamento pelo Concedente ao Tribunal de Contas
do Estado deverá conter os documentos e informações constantes do Anexo I desta Instrução Normativa.

Seção III
Dos Procedimentos na Hipótese de Dano ao Erário

Art. 7º A instauração da tomada de contas especial fica dispensada na hipótese de dano verificado na
prestação de contas de convênio.

Art. 8º A dispensa da instauração de tomada de contas especial não implica no cancelamento do


débito, cabendo à autoridade administrativa tomar providências com vistas a apurar os fatos, identificar
os responsáveis, quantificar o dano e obter o respectivo ressarcimento.
§ 1º Para consecução do disposto no caput deste artigo a autoridade administrativa deve adotar
medidas administrativas internas e os seguintes procedimentos:
I- efetuar as apurações necessárias, mediante inspeções e auditorias, tomando-se depoimentos a
termo, se for o caso;
II- levantar ou fazer levantar o valor do dano;
III- reunir as provas necessárias à comprovação dos fatos;
IV- realizar diligências no sentido de proporcionar os elementos de convicção indispensáveis à
atribuição de responsabilidade;
V- realizar outras medidas necessárias à apreciação do fato.
VI- notificar e oportunizar aos responsáveis a apresentação de defesa ou o ressarcimento do dano ao
erário estadual;
VII- analisar as justificativas e os documentos apresentados pelos defendentes;
VIII- emitir relatório circunstanciado;
IX- abrir sindicância ou processo administrativo quando a irregularidade envolver servidor;
§ 2º O relatório de que trata o inciso VIII do parágrafo anterior deverá ser constituído com os seguintes
elementos:
I- relato das medidas administrativas adotadas com vistas à elisão do dano;
II- individualização das condutas inquinadas;
III- estabelecimento do nexo de causalidade entre a conduta e o dano, bem como a culpa ou o dolo;
IV- quantificação individualizada do débito, indicando o valor histórico e atualizado, e as parcelas
recolhidas, se for o caso;
V- identificação dos responsáveis ou de seus sucessores patrimoniais, se for o caso, indicando nome,
CPF, endereços profissional e eletrônico; VI- demais relatos relevantes ao embasamento do relatório; VII-
conclusão e recomendação de providências.

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Art. 9º As medidas administrativas internas e os procedimentos indispensáveis à caracterização ou
não do dano deverão ser realizados no próprio processo de prestação de contas e dentro do prazo
previsto no caput do art. 4º desta Instrução Normativa.

Art. 10. Se a prestação de contas final estiver desobrigada do encaminhamento ao Tribunal de Contas
do Estado, a autoridade administrativa deve providenciar a inscrição dos valores em alcance e dos
responsáveis na conta contábil específica, bem como, no exercício seguinte, dar baixa da respectiva
responsabilidade e informar ao órgão central de contabilidade do Estado para fins de inscrição na dívida
ativa;

CAPÍTULO III
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 11. O Concedente deverá realizar, no SIAFEM/PA, o registro das etapas e de quaisquer ações
relacionadas ao Convênio.

Art. 12. Estarão sujeitos às sanções previstas na Lei Orgânica e no Regimento Interno do Tribunal de
Contas do Estado do Pará os responsáveis que descumprirem as normas desta Instrução Normativa.

Art. 13. Revoga-se a Resolução nº 18.589, de 27 de maio de 2014.

Art. 14. Esta Instrução Normativa entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2017.

Plenário “Conselheiro Emílio Martins”, em Sessão Ordinária de 01 de dezembro de 2016.

LUIS DA CUNHA TEIXEIRA


Presidente

Questões

01. Julgue o item abaixo:


CONVENENTE: órgão ou entidade da administração pública estadual direta ou indireta, responsável
pela transferência dos recursos financeiros destinados à execução do objeto do convênio;

( ) Certo ( ) Errado

02. A prestação de contas final de valor global inferior ao fixado para encaminhamento ao Tribunal de
Contas do Estado ficará arquivada e organizada no Concedente, pelo prazo de _________anos contados
a partir do dia útil subsequente à data de sua apresentação.
(A) 05;
(B) 15;
(C) 10;
(D) 20.

Gabarito

01.errado / 02.C

Comentários

01. Resposta: errado


Resolução. 18.857
Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa considera-se:
( )
II - CONCEDENTE: órgão ou entidade da administração pública estadual direta ou indireta,
responsável pela transferência dos recursos financeiros destinados à execução do objeto do convênio;
III - CONVENENTE: órgão ou entidade da administração pública direta e indireta, dos governos federal
e municipal, bem como entidade privada sem fins econômicos não alcançada pela Lei Federal nº

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13.019/2014 e consórcio público, com os quais o órgão ou entidade da administração pública estadual
pactua a execução de programa e/ou ações de governo mediante a celebração de convênio.

02. Resposta: C
Resolução. 18.857
Art. 5º A prestação de contas final de valor global inferior ao fixado para encaminhamento ao Tribunal
de Contas do Estado ficará arquivada e organizada no Concedente, pelo prazo de 10 (dez) anos contados
a partir do dia útil subsequente à data de sua apresentação.

RESOLUÇÃO Nº 18.85827

Fixa valor para o encaminhamento da prestação de contas de recursos repassados pelos órgãos e
entidades da Administração Pública Estadual e fixa valores para a dispensa de instauração e para o
encaminhamento da Tomada de Contas Especial.

O TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO PARÁ, no uso de suas atribuições constitucionais e


legais;

Considerando o poder regulamentar que lhe é conferido pelo art. 3º da Lei Complementar nº 81/2012;

Considerando o disposto no art. 52 da Lei Complementar nº 081/2012;

Considerando o disposto no art. 143, do Ato nº 63/2012;

Considerando o disposto no art. 4º da Resolução nº 18.857;

Considerando o disposto no art. 16, IV da Resolução nº 18.784/2016;

Considerando o disposto no caput do art. 5º da Resolução nº 18.842/2016;

RESOLVE, unanimemente:

Art.1º Fixar em R$ 100.000,00 (cem mil reais) o valor a partir do qual a prestação de contas de recursos
repassados pelos órgãos e entidades da Administração Pública Estadual, mediante termo de convênio,
colaboração, fomento, acordos, ajustes ou outros instrumentos congêneres, deverá ser encaminhada ao
Tribunal de Contas do Estado do Pará para fins de julgamento.
Parágrafo único. O limite estabelecido no caput deste artigo aplica-se às prestações de contas, cujo
prazo de encaminhamento ao Tribunal de Contas do Estado se encerrem a partir de 1º de janeiro de
2017.

Art. 2º Fixar em R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) o valor a partir do qual a tomada de contas
especial deverá ser encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado do Pará para fins de julgamento.
Parágrafo único. O limite estabelecido no caput deste artigo aplica-se também a débitos ainda não
apurados, cujos eventos tenham ocorrido antes de 1º de janeiro de 2017.

Art. 3º Dispensar a instauração da tomada de contas especial se o valor do débito atualizado


monetariamente for inferior a R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais).
Parágrafo único. O limite estabelecido no caput deste artigo aplica-se também a débitos ainda não
apurados, cujos eventos tenham ocorrido antes de 1º de janeiro de 2017.

Art. 4º Revogar a Resolução nº 18.785, de 28 de janeiro de 2016.

Art. 5º Esta Resolução entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2017.

Plenário “Conselheiro Emílio Martins”, em Sessão Ordinária de 1º de dezembro de 2016.

27

http://www.seplan.pa.gov.br/sites/default/files/PDF/fde/NormasTCE/resolucao_tce_18.858_2017_fixa_valor_para_encaminhamento_de_prestacao_de_contas.pdf,
acessado em: 20/03/2019.

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LUIS DA CUNHA TEIXEIRA
Presidente

Questão

01. Esta lei visa fixar em R$ 55.000,00 (cinquenta e cinco mil reais) o valor a partir do qual a tomada
de contas especial deverá ser encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado do Pará para fins de
julgamento.
( ) Certo ( ) Errado

Gabarito

01.errado

Comentário

01. Resposta: errado


Resolução MPC 18.858
Art. 2º Fixar em R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) o valor a partir do qual a tomada de contas
especial deverá ser encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado do Pará para fins de julgamento.

10.5 Código de Processo Civil (aplicação subsidiária).

O artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), dispõe que: “Art. 15. Na ausência de normas que
regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão
aplicadas supletiva e subsidiariamente.
Neste sentido, importante esclarecer que a aplicação supletiva se dará quando o regramento de
determinada matéria for incompleto, sendo empregada, portanto, para complementar determinada lei. Já
a aplicação subsidiária se dará quando não houver normas que resolvam a situação.
Assim, inexistindo lei que apresente solução para uma questão jurídica instaurada na esfera da
Administração Pública, o Código de Processo Civil (CPC) poderá ser aplicado subsidiariamente.
No caso do presente concurso, se analisarmos as legislações exigidas pelo Edital, verificaremos que
algumas delas trazem dispositivos que fazem relação a aplicação subsidiária do CPC, vejamos alguns
exemplos:

- Artigo 104 da Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Pará (Lei Complementar nº. 81
de 26 de abril de 2012):

Art. 104. Nos casos omissos será subsidiária da presente Lei, sucessivamente e no que couber:
I - a legislação referente ao Tribunal de Contas da União;
II - o Código de Processo Civil.

- Artigo 290 do Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado do Pará (Ato nº. 63, de 17
de dezembro de 2012).

Art. 290. Nos casos omissos, aplicar-se-á subsidiariamente a este Regimento o Código de Processo
Civil, a legislação que trata do processo eletrônico e a referente ao Tribunal de Contas da União.

10.6 Legislação do Tribunal de Contas da União (aplicação subsidiária). 11


Jurisprudência aplicada dos tribunais superiores.

Prezado(a), quanto a Legislação do Tribunal de Contas da União (aplicação subsidiária), fora estudado
nos tópico anteriores; já Jurisprudência aplicada dos tribunais superiores, esta fora estudado na disciplina
de Controle Externo e Legislação Institucional.

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