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AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E


MORAIS considerando que a internação da Requerente e a realização dos
procedimentos adotados foram indispensáveis para a manutenção da saúde
e da vida da beneficiária do plano de saúde, é de se considerar abusiva a
negativa da cobertura do atendimento, devendo a Requerida responder pelo
reembolso das despesas havidas, face ao estado de emergência/urgência
inequivocamente demonstrado.

2. DA APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR – DA


INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

2.1. A relação jurídica subjacente à presente demanda


consubstancia-se em típica relação de consumo.

2.2. Isso porque, nos termos do art. 3º, do Código de


Defesa do Consumidor (CDC), a Requerida apresenta-se como pessoa
jurídica fornecedora, ao passo que a Requerente assume o papel de
destinatária final do plano de saúde oferecido (art. 2º).

2.3. Ademais, nos termos do artigo 35 da Lei 9.656/98,


os contratos de planos de saúde estão submetidos ao Código de Defesa do
Consumidor, pois envolvem típica relação de consumo.

2.4. E, em se tratando de relação de consumo pactuada


em contrato de prestação de serviço, há que ser determinada a inversão do
ônus de prova em prol da Requerente, tendo em vista a verossimilhança das
alegações da consumidora, bem como por ser ela hipossuficiente, conforme
exegese do artigo 6º, inciso VIII, do CDC, e Súmula 608 do STJ1.

1
Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo os administrados por
entidades de autogestão. (Súmula 608, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 11/04/2018, DJe 17/04/2018)
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3. DA OBRIGATORIEDADE DA COBERTURA PELA REQUERIDA

3.1.

3.3. No caso, havia risco de desenvolvimento de


EMBOLIA PULMONAR, patologia potencialmente grave, devido ao
deslocamento de trombos (coágulos sanguíneos) formados no membro
inferior até o pulmão, onde poderia obstruir a passagem do sangue por uma
artéria e resultar em morte.

3.4. Resta pois, que a Requerente apresentou situação


de emergência/urgência, com risco de vida, e o tratamento para sanar a
situação grave era a internação hospitalar imediata, com a consequente
adoção dos procedimentos indispensáveis à manutenção da saúde e da vida
da Requerente.

3.5. Em tais casos, o artigo 35-C da Lei 9.656/98 afasta


o prazo de carência. Veja-se:

Art. 35-C. É obrigatória a cobertura do atendimento nos casos:

I - de emergência, como tal definidos os que implicarem risco


imediato de vida ou de lesões irreparáveis para o paciente,
caracterizado em declaração do médico assistente;

II - de urgência, assim entendidos os resultantes de acidentes pessoais


ou de complicações no processo gestacional;

3.6. Também, o artigo 12, inciso V, alínea “c”, da Lei


9.656/98, determina expressamente que, em casos de emergência/urgência,
o prazo máximo de carência que pode ser estabelecido pelo plano de saúde é
de 24 (vinte e quatro) horas:

Art. 12. São facultadas a oferta, a contratação e a vigência dos


produtos de que tratam o inciso I e o § 1o do art. 1o desta Lei, nas
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segmentações previstas nos incisos I a IV deste artigo, respeitadas as


respectivas amplitudes de cobertura definidas no plano-referência de
que trata o art. 10, segundo as seguintes exigências mínimas:

(...)

V - quando fixar períodos de carência:

(...)

c) prazo máximo de vinte e quatro horas para a cobertura dos casos


de urgência e emergência; (grifo nosso)

3.7. Igualmente, o mesmo dispositivo legal, no inciso II,


é claro ao determinar o pronto atendimento, sendo vedada a limitação de
prazo e a não realização de exames complementares indispensáveis à
evolução da doença. Veja-se:

II - quando incluir internação hospitalar:

a) cobertura de internações hospitalares, vedada a limitação de


prazo, valor máximo e quantidade, em clínicas básicas e
especializadas, reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina,
admitindo-se a exclusão dos procedimentos obstétricos;

b) cobertura de internações hospitalares em centro de terapia


intensiva, ou similar, vedada a limitação de prazo, valor máximo e
quantidade, a critério do médico assistente;

c) cobertura de despesas referentes a honorários médicos, serviços


gerais de enfermagem e alimentação;

d) cobertura de exames complementares indispensáveis para o


controle da evolução da doença e elucidação diagnóstica, fornecimento
de medicamentos, anestésicos, gases medicinais, transfusões e
sessões de quimioterapia e radioterapia, conforme prescrição do
médico assistente, realizados ou ministrados durante o período de
internação hospitalar;
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e) cobertura de toda e qualquer taxa, incluindo materiais utilizados,


assim como da remoção do paciente, comprovadamente necessária,
para outro estabelecimento hospitalar, dentro dos limites de
abrangência geográfica previstos no contrato, em território brasileiro;
e

f) cobertura de despesas de acompanhante, no caso de pacientes


menores de dezoito anos; (grifo nosso)

3.8. E, nesse passo, é de se considerar abusiva a negativa


da cobertura do atendimento de emergência/urgência à Requerente a
pretexto de que estava em curso período de carência.

3.9. É notório que a conduta empreendida pela


Requerida se amolda aos ditamos dos artigos 186, 187 e 927 do Código Civil,
posto que, ao negar atendimento de emergência/urgência à Requerente,
acabou por lhe impor grave risco de morte, causando-lhe danos irreparáveis,
resultando para aquela a obrigação de indenizar.

3.10. Ora, a Requerente foi admitida ao plano de saúde


no dia 31/08/2018, data do pagamento da parcela de adesão, conforme
comprovante anexo (DOC. 5).

3.11. No dia 03/09/2018, a empresa Requerida


confirmou o pagamento referente à adesão ao plano de saúde e também,
através do e-mail anexo (DOC.6), informou a numeração das carteirinhas dos
beneficiários, incluindo a Requerente.

3.12. Neste mesmo dia, 3 (três) dias após a adesão ao


plano, a Requerente foi internada no Hospital do Coração em caráter de
emergência/urgência e com risco imediato de vida, conforme RELATÓRIO
MÉDICO juntado (DOC. 17).

3.13. Logo, transcorrido o prazo previsto em lei que é de


vinte e quatro horas da adesão ao plano, infundada a conduta da Requerida
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em negar autorização de internação e de cobertura dos gastos médicos e


hospitalares, já que a Requerente encontrava-se em situação de
urgência/emergência.

3.14. Recentemente, a questão acerca da abusividade da


exigência do cumprimento do prazo de carência em situações de
urgência/emergência restou pacificada pelo Egrégio SUPERIOR TRIBUNAL DE
JUSTIÇA, por meio da Súmula 597, publicada em 20.11.2017, senão vejamos:

Súmula 597: A cláusula contratual de plano de saúde que prevê


carência para utilização dos serviços de assistência médica nas
situações de emergência ou de urgência é considerada abusiva se
ultrapassado o prazo máximo de 24 horas contado da data da
contratação.

3.15. Nesse viés, também, já se manifestou o TRIBUNAL


DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA:

APELAÇÃO CÍVEL. CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. AÇÃO DE


OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.
PROCEDÊNCIA NA ORIGEM. RECURSO DA EMPRESA RÉ.
ATENDIMENTO PRESTADO EM CARÁTER DE EMERGÊNCIA. PLANO
DE SAÚDE EM PERÍODO DE CARÊNCIA. NEGATIVA DE CUSTEIO
DAS DESPESAS QUE SE MOSTRA ILÍCITA. EXEGESE DOS ARTIGOS
12, INCISO V, ALÍNEA C, E 35-C, INCISO I, AMBOS DA LEI N.
9.656/98. QUADRO EMERGENCIAL SUFICIENTEMENTE
DEMONSTRADO. INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO TRAZIDA PELA
RESOLUÇÃO CONSU N. 13/38 AO CASO. OBSERVÂNCIA AO
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. CONDENAÇÃO AO RESSARCIMENTO
DAS DESPESAS MÉDICAS MANTIDA. (...)
(TJSC, Apelação Cível n. 0300377-92.2015.8.24.0044, de Orleans, rel.
Des. Jairo Fernandes Gonçalves, Quinta Câmara de Direito Civil, j. 10-
07-2018). (grifo nosso)

MÉRITO. DOENÇA CARDÍACA. CIRURGIA. DOENÇA PREEXISTENTE.


COBERTURA PARCIAL TEMPORÁRIA. EXCLUSÃO DE COBERTURA.
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IMPOSSIBILIDADE. EMERGÊNCIA. COBERTURA OBRIGATÓRIA.


ACOLHIMENTO.
Conforme o Superior Tribunal de Justiça, mutatis mutandis, 'o período
de carência contratualmente estipulado pelos planos de saúde não
prevalece diante de situações emergenciais graves nas quais a recusa
de cobertura possa frustrar o próprio sentido e a razão de ser do negócio
jurídico firmado' (STJ, AgInt no AREsp n. 858.013/DF, rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, j. em 09.08.2016)."
(TJSC. Apelação Cível n. 0300096-64.2014.8.24.0144, de Rio do
Oeste. Rel. Des. Henry Petry Júnior, julgado em 06.03.2017). (grifo
nosso)

3.16. Mais especificamente, acerca da abusividade da


negativa de cobertura para a internação e tratamento do paciente com
diagnóstico de tromboembolismo pulmonar, o Egrégio TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE
SÃO PAULO já decidiu:

PLANO DE SAÚDE – OBRIGAÇÃO DE FAZER – NEGATIVA DE


CUSTEIO DE INTERNAÇÃO E TRATAMENTO - Negativa de cobertura
para a internação e tratamento da autora com diagnóstico de trombose
venosa profunda em membro inferior esquerdo, com alto risco de
desenvolver embolia pulmonar – Natureza emergencial do tratamento,
sob o risco iminente de morte - Negativa de internação e tratamento
pelo plano de saúde sob a alegação de cumprimento de carência
contratual – Abusividade – Inaplicabilidade da Resolução 13/98 do
Conselho de Saúde de Suplementar (CONSU) – Norma que não pode
suplantar as determinações contidas na Lei 9565/98 e no Código de
Defesa do Consumidor - Aplicação dos artigos 12, inciso V, alínea "c"
e 35-C da Lei nº 9.656/98 e da Súmula 103 deste E. Tribunal de
Justiça - RECURSO DESPROVIDO, com observação.
(TJSP; Apelação Cível 1063393-14.2016.8.26.0100; Relator
(a): Angela Lopes; Órgão Julgador: 9ª Câmara de Direito Privado; Foro
Central Cível - 30ª Vara Cível; Data do Julgamento: 14/03/2017; Data
de Registro: 15/03/2017) (grifo nosso)

Plano de saúde – Recusa de cobertura pela seguradora de internação


em UTI de paciente em situação de emergência (portadora de TROMBO
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EMBOLIA PULMONAR) sob a alegação de estar cumprindo prazo de


carência – Inadmissibilidade - Sério risco de morte para a paciente, o
que exigiu o tratamento de emergência, sem incidência da cláusula de
carência, manifestamente abusiva diante do valor predominante que é
a vida - Precedentes do STJ e inteligência da Súmula nº 103 desta
Egrégia Corte – Dever de custeio das despesas médico-hospitalares
dispensadas à autora a cargo da AMIL – Negativa que se caracteriza
como abusiva e passível de gerar indenização por dano moral –
Manutenção do quantum fixado em R$ 10.000,00, corrigidos
monetariamente desde o ajuizamento da ação e acrescidos de juros da
mora a partir da citação – Não provimento.
(TJSP; Apelação Cível 1001808-68.2015.8.26.0011; Relator (a): Enio
Zuliani; Órgão Julgador: 4ª Câmara de Direito Privado; Foro Regional
XI - Pinheiros - 4ª Vara Cível; Data do Julgamento: 13/01/2016; Data
de Registro: 13/01/2016) (grifo nosso)

Plano de Saúde – Beneficiário com problema respiratório, com embolia


pulmonar – Negativa de cobertura sob fundamento de carência
contratual, limitada, nas hipóteses de urgência e emergência, às
primeiras doze horas de atendimento – Situação de urgência que afasta
o período de carência – Aplicação dos artigos 12, inciso V, alínea "C" e
35-C da Lei nº 9.656/98 e enunciado 30 do Tribunal de Justiça –
Ocorrência de dano moral – Sentença mantida – Recurso não provido.
(TJSP; Apelação Cível 1003268-13.2014.8.26.0048; Relator (a): Luis
Mario Galbetti; Órgão Julgador: 7ª Câmara de Direito Privado; Foro de
Atibaia - 4ª Vara Cível; Data do Julgamento: 16/12/2015; Data de
Registro: 19/12/2015) (grifo nosso)

Plano de saúde - Negativa de cobertura tratamento de trombose venosa


e embolia pulmonar - Situação de urgência e emergência que afasta a
carência Aplicação do artigo 12, inciso V, letra "c" e 35-C da Lei nº
9.656/98 e do enunciado 30 desta câmara. Decisão mantida. Recurso
improvido. "O prazo de carência não prevalece quando se trata de
internação de urgência." "Indevida a negativa de cobertura em
atendimento de urgência e/ou emergência, sob o pretexto da presença
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de período de carência, que não seja o prazo de 24 horas estabelecido


na Lei nº 9.656/98."
(TJSP; Apelação Cível 0152615-83.2011.8.26.0100; Relator (a): Jesus
Lofrano; Órgão Julgador: 3ª Câmara de Direito Privado; Foro Central
Cível - 26ª Vara Cível; Data do Julgamento: 06/11/2012; Data de
Registro: 09/11/2012) (grifo nosso)

3.17. Resta, pois, que houve falha na prestação dos


serviços por parte da Requerida, razão pela qual, conforme determina o art.
12, inciso VI, da Lei 9.656/98, o plano de saúde deve ser responsabilizado
de forma integral pela restituição dos valores gastos com o pronto
atendimento, internação hospitalar e demais despesas havidas pela
Requerente, face ao inequívoco estado de emergência/urgência do caso.

3.18. Diante do exposto, requer seja reconhecida e


declarada a abusividade da negativa da Requerida em face da cobertura para
a internação e tratamento de emergência/urgência da Requerente com
diagnóstico de tromboembolismo pulmonar, para o fim de determinar o
reembolso de todo o valor despendido.

4. DO DANO MORAL

4.1. Uma vez evidenciada a situação de


urgência/emergência nos presentes autos, a negativa injustificada de
cobertura pela Requerida é causa suficiente para o reconhecimento da
ocorrência de dano moral, por ultrapassar os limites do mero
descumprimento contratual.

4.2. No caso, por se tratar de avença em que se discute


bem de extrema importância, qual seja, a saúde e a vida, não há dúvida
acerca da ocorrência do abalo moral (dano in re ipsa).

4.3. A propósito, observa SÉRGIO CAVALIERI FILHO2:

2
FILHO, Sérgio Cavalieri. Programa de responsabilidade civil, 4ª ed., São Paulo: Malheiros, 2003, pp. 101 e
102.
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Nesse ponto a razão se coloca ao lado daqueles que entendem que


o dano moral está ínsito na própria ofensa, decorre da gravidade do
ilícito em si. Se a ofensa é grave e de repercussão, por si só justifica a
concessão de uma satisfação de ordem pecuniária ao lesado. Em
outras palavras, o dano moral existe in re ipsa; deriva inexoravelmente
do próprio fato ofensivo, de tal modo que, provada a ofensa, ipso
facto está demonstrado o dano moral à guisa de uma presunção
natural, uma presunção hominis ou facti, que decorre das regras de
experiência comum.

4.4. Na hipótese dos autos, não obstante tratar-se de


atendimento e internação hospitalar em situação de emergência/urgência, a
Requerida recusou-se a efetuar a cobertura, exigindo da Requerente o
cumprimento do prazo de carência, em total afronta a boa-fé contratual, aos
ditames da legislação consumerista e ao entendimento jurisprudencial
consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (Súmula 597).

4.5. Por conseguinte, infere-se evidente a frustração e


intranquilidade suportadas pelo Requerente que, diante da ocorrência de
infortúnio de emergência/urgência, deparou-se com a indevida recusa de
cobertura operada pela Requerida, tendo que se valer do Poder Judiciário
para obter a satisfação de seu direito.

4.6. Ora, não soa razoável supor que a negativa da parte


requerida em autorizar o custeio do atendimento e internação hospitalar da
Requerente solicitado em caráter de emergência/urgência, cuja
cobertura está expressamente prevista no contrato celebrado entre as partes,
seja aceita com naturalidade, tendo em vista a frustração, desgosto e aflição
a que foi submetida.

4.7. Se assim o é, a negativa de cobertura contratual


devida, diante de todas as circunstâncias que circundam o caso dos autos,
compeliu à Requerente sentimento de angústia, impotência e frustração,
claramente merecedor de compensação pecuniária.
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4.8. Nestes casos, o transtorno, inquietude e aflição a


que foi submetida a Requerente são evidentes, transcendendo o mero
aborrecimento. Trata-se de dano moral puro, cuja prova é dispensada por
ser o prejuízo suportado presumido em razão do grave infortúnio.

4.9. Levando em conta os princípios da razoabilidade e


da proporcionalidade, requer a fixação da indenização por dano moral em R$
10.000,00 (dez mil reais), a qual se mostra adequada às peculiaridades do
caso concreto e atende as suas finalidades.

4.10. Acerca do valor da indenização, as TURMAS


RECURSAIS DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA não destoam:

RECURSO INOMINADO. UNIMED GRANDE FLORIANÓPOLIS.


RECURSO AFIRMANDO QUE AUTORIZOU A CIRURGIA DA AUTORA
NO PRAZO DE DEZ DIAS ÚTEIS ANTES DO PROCEDIMENTO.
PERMISSÃO APENAS UM DIA APÓS A CIRURGIA (FLS. 110),
DESMENTINDO A VERSÃO DA RECORRENTE. (...) DANOS MORAIS
BEM CAPTADOS PELO JULGADOR. POSSIBILIDADE DE ATRASO NA
CIRURGIA CAPAZ DE INFLIGIR NO PACIENTE AFLIÇÃO SUFICIENTE
A CARACTERIZAR O ABALO ANÍMICO INDENIZÁVEL. "A recusa
indevida da operadora de plano de saúde em autorizar o tratamento
do segurado é passível de condenação por dano moral, uma vez que
agrava a situação de aflição e angústia do segurado, cuja higidez físico-
psicológica já estaria comprometida pela enfermidade. Precedentes
(AgRg no AREsp n. 733825/SP, rel. Min. Antônio Carlos Ferreira,
Quarta Turma, DJe de 16-11-2015)." (idem supra). VALOR
ARBITRADO (R$ 10.000,00) DENTRO DO JUSTO, RAZOÁVEL E
PROPORCIONAL. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.
(TJSC, Recurso Inominado n. 0300424-78.2015.8.24.0040, de
Laguna, rel. Des. Pedro Aujor Furtado Júnior, Quarta Turma de
Recursos - Criciúma, j. 20-03-2018). (grifo nosso)

RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE RESTITUIÇÃO DE VALORES E


INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. PLANO DE SAÚDE. AVASTIN.
NEGATIVA DE COBERTURA INDEVIDA. DANOS MATERIAIS
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COMPROVADOS. DANO MORAL CONFIGURADO. PROCEDÊNCIA NO


JUÍZO A QUO. (...) MÉRITO. MEDICAÇÃO OFF LABEL E CARÁTER
EXPERIMENTAL. AVASTIN. NEGATIVA DO TRATAMENTO
SOLICITADO SOB ALEGAÇÃO DE TAL TÉCNICA NÃO TER
ESPECIFICAÇÃO NO ROL DA ANS. EXCLUSÃO DE COBERTURA, SOB
O FUNDAMENTO DE AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO ROL DA ANS.
IMPOSSIBILIDADE. RECUSA INDEVIDA. (...) DANOS MORAIS.
DIREITO DE ACESSO À SAÚDE. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL
QUE ULTRAPASSA O MERO DISSABOR. INDENIZAÇÃO DEVIDA.
QUANTUM INDENIZATÓRIO QUE ATENDE AOS PRINCÍPIOS DA
PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MANTIDO. Em
consequência, resta evidenciado o abalo de ordem moral,
ultrapassando os meros contratempos cotidianos, vez que a autora
teve lesado como consumidora o direito de acesso à saúde estabelecido
em contrato com a ré, razão pela qual há o dever de indenizar. Sobre
valor da indenização, cabe ao Magistrado ater-se aos princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade, observando, ademais, as
condições pessoais das partes e as circunstâncias do fato, devendo a
reparação ser fixada em numerário suficiente a reconstituir o
constrangimento suportado pela vítima e capaz de impedir que o
ofensor perpetue prática de atos ilícitos, sem que o valor arbitrado
implique enriquecimento ilícito do lesado. Considerando os critérios
mencionados, verifica-se que o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais)
mostra-se adequado e em patamar compatível com o dano sofrido e ao
fator pedagógico. SENTENÇA MANTIDA PELOS SEUS PRÓPRIOS
FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.
(TJSC, Recurso Inominado n. 0820020-06.2013.8.24.0090, da Capital
- Norte da Ilha, rel. Des. Fernando Vieira Luiz, Primeira Turma de
Recursos - Capital, j. 13-07-2017).

RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS


MATERIAIS E MORAIS. PLANO DE SAÚDE. ARTROSE NO QUADRIL.
PRÓTESE IMPORTADA. NEGATIVA DE COBERTURA. PROCEDÊNCIA
NO JUÍZO A QUO.CERCEAMENTO DE DEFESA AFASTADO. (...)
MÉRITO. PRÓTESE IMPORTADA. MATERIAL LIGADO AO ATO
CIRÚRGICO. INDICAÇÃO DO MÉDICO ASSISTENTE. AUSÊNCIA DE
EXCLUSÃO DE COBERTURA. COBERTURA DEVIDA. (...) DANO
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MATERIAL COMPROVADO. NEGATIVA DE FORNECIMENTO DE


MEDICAMENTO. ABUSIVIDADE CONFIGURADA. OBRIGAÇÃO DE
RESSARCIMENTO. Tendo a recorrida que arcar com as expensas da
recorrente, deverá esta efetuar o ressarcimento de tais valores, nos
termos estabelecidos na sentença a quo. DANOS MORAIS. DIREITO
DE ACESSO À SAÚDE. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL QUE
ULTRAPASSA O MERO DISSABOR. INDENIZAÇÃO DEVIDA.
QUANTUM INDENIZATÓRIO QUE ATENDE AOS PRINCÍPIOS DA
PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MANTIDO. Em
consequência, resta evidenciado o abalo de ordem moral,
ultrapassando os meros contratempos cotidianos, vez que a autora
teve lesado como consumidora o direito de acesso à saúde estabelecido
em contrato com a ré, razão pela qual há o dever de indenizar. Sobre
valor da indenização, cabe ao Magistrado ater-se aos princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade, observando, ademais, as
condições pessoais das partes e as circunstâncias do fato, devendo a
reparação ser fixada em numerário suficiente a reconstituir o
constrangimento suportado pela vítima e capaz de impedir que o
ofensor perpetue prática de atos ilícitos, sem que o valor arbitrado
implique enriquecimento ilícito do lesado. Considerando os critérios
mencionados, verifica-se que o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais)
mostra-se adequado e em patamar compatível com o dano sofrido e ao
fator pedagógico. SENTENÇA MANTIDA PELOS SEUS PRÓPRIOS
FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.
DECISÃO.
(TJSC, Recurso Inominado n. 0303565-86.2014.8.24.0090, da Capital
- Norte da Ilha, rel. Des. Fernando Vieira Luiz, Primeira Turma de
Recursos - Capital, j. 13-07-2017). (grifo nosso)

4.11. Desta forma, e uma pacífica a jurisprudência no


sentido de reconhecer a existência do dano moral nas hipóteses de recusa
injustificada pela operadora de plano de saúde em autorizar tratamento a
que estivesse legal ou contratualmente obrigada, por configurar
comportamento abusivo, requer seja a Requerida condenada à devida
indenização por danos morais, a ser arbitrada em R$ 10.000,00 (dez mil
reais).
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5. DO PEDIDO

5.1. Diante do exposto, requer:

a) a citação da Requerida, na pessoa do seu


representante legal, para oferecer contestação;

b) a aplicação do Código de Defesa do Consumidor com a


consequente inversão do ônus da prova;

c) seja a presente ação julgada PROCEDENTE para


condenar a Requerida no pagamento de:

c.1) indenização por danos materiais referentes às despesas


de internação da Requerente, custeio de medicamentos,
exames e tratamentos realizados durante a internação
hospitalar,

c.2) indenização por danos morais em valor não inferior a R$


10.000,00 (dez mil reais);

c.3) custas processuais e honorários advocatícios;

d) a produção de todos os meios de prova em direito


admitidas.

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