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AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO,

CUMULADA COM INDENIZATÓRIA DE DANOS MORAIS, COM PEDIDO DE


TUTELA ANTECIPADA, pois agiu de forma arbitrária ao negativar
indevidamente o nome da Requerente, abalando o prestígio creditício que a
mesma gozava na praça, evidenciado o seu completo descontrole
administrativo.

2. DO DIREITO

2.1. O Código Civil Brasileiro, em seu artigo 186,


preceitua:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

2.2. No mesmo sentido, dispõe o artigo 927 do mesmo


diploma legal:

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo.

2.3. É certo que a conduta empreendida pela empresa


Requerida se amolda aos ditames dos artigos citados, haja vista que, ao
lançar indevidamente o nome da Requerente nos registros de dados do
Serasa, causou e vem causando à mesma, danos irreparáveis, resultando
para aquela a obrigação de indenizar.

2.4. O inciso X, do artigo 5º da Constituição Federal


garante que:
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a
imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização pelo
dano material e moral decorrente de sua violação;

2.5. Em situações análogas à presente, o entendimento


jurisprudencial também é firme, considerando configurado o dano moral pela
simples inserção de forma indevida do nome de pessoa em rol de devedores
como o SERASA e SPC.

2.6. A dignidade, a honra, a vergonha, a estabilidade da


Requerente, o crédito da família, todos esses contornos hoje essenciais da
personalidade, seja ela física ou jurídica, numa sociedade capitalista e de
consumo, e informatizada para ser mais alardeante, foram diretamente
afrontados pela atitude negligente da Requerida, o que lhe impõe o dever de
indenizar.

2.7. No presente caso, a Requerente encontra-se com seu


nome negativado no SERASA e SPC, em função de débitos dos quais não é a
titular.

2.8. Isto porque, a Requerente não adquiriu e nem lhe


foram entregues as mercadorias mencionadas na nota fiscal indicada.

2.9. E pratica ato ilícito quem registra o nome de pessoa


como inadimplente, embora este não tenha adquirido os seus produtos,
sendo, pois, objetiva a sua responsabilidade.

2.10. A ocorrência do dano moral no caso de inscrição no


cadastro de inadimplentes, por dívida inexistente, é presumida, ou seja,
independe de comprovação, bastando, somente, que se demonstre a
inscrição e o seu não cabimento para que se imponha ao ofensor o dever de
indenizar.

2.11. Nesse sentido já decidiu a Egrégia Sexta Turma de


Recursos, de Lages:
(...)
"Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça, nos casos de inscrição indevida no cadastro de
inadimplentes, considera-se presumido o dano moral, não
havendo necessidade da prova do prejuízo, desde que
comprovado o evento danoso." (STJ, REsp N. 419365/MT, rel.
Min. Nancy Andrighi).

"Se não há motivos legítimos para registro nos cadastros de


inadimplentes, referida conduta caracteriza-se como ato
abusivo e ilícito, causando dano moral indenizável." (Ap. Cív.
n. 04.011610-1, de Blumenau, rel. Des. Wilson Augusto do
Nascimento).

"A quantificação do dano moral está cometida ao critério do


Juiz, cabendo à segunda instância a correção somente quando
o montante arbitrado se mostrar evidentemente
desproporcional às finalidades pedagógicas da penalidade.
Havendo justificativa na sentença a respeito do valor e não
sendo ele suficiente para acarretar enriquecimento do lesado
ou abalo comercial à pessoa jurídica condenada, o montante
deve ser mantido." (Ap. Cív. n. 2007601343-7, de Caçador.
Rel.: Juiz Leandro Passig Mendes).
(...)

(Recurso Inominado nº 2010.600238-6 – Sexta Turma de


Recursos – Lages – Rel. Marcelo Pizolati – j. 14/06/2010) (grifo
nosso)

2.12. Da Colenda Quinta Turma de Recursos, de


Joinville, colhe-se o seguinte julgado:

(...)
QUANTUM REPARATÓRIO. CARÁTER DÚPLICE, TANTO
PUNITIVO DO AGENTE COMO COMPENSATÓRIO DA VÍTIMA.
VALOR ARBITRADO QUE NÃO SE MOSTRA EXAGERADO.
"A indenização por danos morais tem por escopo atender, além
da reparação ou compensação da dor em si, ao elemento
pedagógico, consistente na observação pelo ofensor de maior
cuidado de forma a evitar a reiteração da ação ou omissão
danosa. Deve harmonizar-se com a intensidade da culpa do
lesante, o grau de sofrimento do indenizado e a situação
econômica de ambos, para não ensejar a ruína ou a
impunidade daquele, bem como o enriquecimento sem causa
ou a insatisfação deste." (TJSC - AC n.º 2008.051361-1 - Rel.
Des. Vanderlei Romer - j.: 29.04.2009).

SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.

(Recurso Inominado n.º 2012.500233-6 – Quinta Turma de


Recursos – Joinville – Relator: Cesar Otavio Scirea Tesseroli –
j. 19/08/2013) (grifo nosso)

2.13. No presente caso, a Requerente não adquiriu e nem


lhe foram entregues as mercadorias descritas na nota fiscal, no entanto, a
Requerida inscreveu o seu nome em órgãos restritivos do crédito, com origem
em venda de mercadorias que jamais foram adquiridas pela Autora.

2.14. O fato em comento acabou por cercear o crédito da


Requerente que, indevidamente, frequenta o "rol dos caloteiros".

2.15. Por consequência, uma vez estabelecida a culpa


exclusiva e objetiva da Requerida, na modalidade negligência, o dano na
inscrição indevida da Requerente junto a bancos de dados restritivos do
crédito, e o nexo causal entre aquela e este, surge a obrigação de reparar o
dano, levando em consideração, para tanto, o binômio reparação- pedagogia.

2.16. No que tange à fixação da indenização pleiteada em


face dos danos morais sofridos pela Requerente, deve-se atentar para que
não se apresente insignificante de forma a não trazer qualquer conforto
àquele que não lhe deu causa, que não enseje enriquecimento desmotivado,
mas também, que não ocasione dificuldade financeira para quem o deva
pagar sem, contudo, deixar de se apresentar como um alerta à não
perpetuação de situações como as da espécie.

2.17. Nesse sentido, deve a mesma ser estabelecida ao


arbítrio deste r. Juízo, que, analisando as condições econômicas das partes
e as circunstâncias do caso concreto, estipulará um valor razoável, em
quantia não inferior a R$ 15.000,00 (quinze mil reais), de forma que não seja
irrelevante ao causador do dano a ponto de incitar a reincidência, e nem
exorbitante de modo a aumentar consideravelmente o patrimônio da lesada.

3. DA NECESSIDADE DE CONCESSÃO DE TUTELA ANTECIPADA

3.1. Na forma do art. 273 do Código de Processo Civil, a


Requerente visa a antecipação da tutela para que seu nome seja excluído
dos cadastros restritivos de créditos enquanto perdurar a lide, haja vista
revelar-se plenamente evidenciada nos autos a ilegalidade de sua inscrição
junto ao SERASA e SPC.

3.2. A prova inequívoca encontra-se delineada nos autos


pelo elenco probatório ora carreado, do qual se extrai que a conduta
praticada pela Requerida encontra-se à margem do que preconiza a lei,
revelando-se injusta a negativação e a manutenção do registro indevido do
nome da Requerente nos órgãos de proteção ao crédito.

3.3. Já a verossimilhança das alegações expendidas fica


demonstrada por meio das provas coligidas que espelham e confirmam o
contexto fático ora descrito, comprovando a veracidade dos argumentos,
situações e valores ora expostos pela Requerente.

3.4. Por fim, o fundado receio de dano irreparável ou de


difícil reparação encontra-se igualmente configurado nos autos, tendo em
vista que a inscrição da Requerente em listas de inadimplentes vem
causando-lhe abalo de crédito, bem como abalo de foro íntimo, uma vez que
vem sofrendo diversos dissabores e constrangimentos em razão de tal
inclusão.

3.5. Isto posto, conclui-se que é medida imperiosa a


imediata exclusão do nome da Requerente de quaisquer cadastros de
inadimplentes, pois tal situação é absolutamente vexatória e descabida,
reclamando urgente intervenção judicial.

4. DA OBRIGAÇÃO DE FAZER - Aplicação de multa penal

4.1. Em sendo deferido o pedido da Requerente, como


assim aguarda confiante, no que se refere às providências e obtenção do
resultado prático a serem tomadas pela Requerida, no sentido de sustar os
efeitos da negativação do nome da Requerente junto aos órgãos de proteção
ao crédito, requer, desde já, seja assinalado prazo à mesma para
cumprimento da ordem judicial.

4.2. Ainda, na mesma decisão, mesmo que provisória ou


definitiva, requer seja fixado o valor de multa penal por dia de atraso ao
cumprimento da ordem, com base no artigo 644, cc. artigo 461, ambos do
CPC, com as introduções havidas pela Lei nº 10.444, de 07.05.2002.

5. DOS PEDIDOS

Por todo o exposto, requer seja recebida, autuada e


processada a presente AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE
DÉBITO, CUMULADA COM INDENIZATÓRIA DE DANOS MORAIS,
juntamente com os documentos que a instruem, para que, ao final, seja
reconhecida a procedência de seus pedidos na forma requerida, declarando-
se inexistente o débito representado pela nota fiscal, decretando-se a
exclusão do nome da Requerente de quaisquer cadastros negativadores,
bem como seja determinada:
5.1. A concessão antecipada da tutela pretendida, para o
fim de determinar a imediata exclusão do nome da Requerente de
quaisquer cadastros negativadores, com relação à dívida em que figura
como devedora, medida que deverá permanecer em vigor enquanto perdurar
a discussão da dívida em juízo, isto é, até o trânsito em julgado da presente;

5.2. Em sendo deferido o pedido da antecipação da tutela,


seja expedido o competente ofício à empresa Requerida, assinalando-se prazo
para cumprimento da ordem, com a fixação de multa por dia de atraso, com
base no artigo 644, cc. artigo 461, ambos do CPC;

5.4. A citação da Requerida no endereço


preambularmente informado, para, querendo, comparecer em audiência de
conciliação e apresentar defesa no prazo legal, sob pena de revelia e
confissão;

5.5. A condenação da Requerida ao pagamento de


indenização por danos morais causados à Requerente, em quantum
proporcional ao abalo experimentado, a ser fixado ao prudente arbítrio de
Vossa Excelência, em valor não inferior a R$ 15.000,00 (quinze mil reais);

5.6. A produção de todos os meios de prova em direito


admitidos, especialmente, testemunhal, cujo rol segue em anexo, devendo as
mesmas serem intimadas para prestarem o seu depoimento, documental e
depoimento pessoal do representante legal da Requerida, sob pena de
confesso.

Termos em que aguarda pela procedência da demanda.

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