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18/08/2021

4.0 Flexão Pura 4.0 Flexão Pura

Se passarmos uma seção transversal cortando as barras AC, as condições de equilíbrio da


parte AC da barra exigem que os esforços elementares exercendo sobre AC pela outra parte formem um
conjugado equivalente a M.
O momento M desse conjugado é chamado momento fletor da seção. Vamos adotar a
convenção de indicar como positivo o momento M que flexiona a barra conforme a Figura abaixo, e
como negativo o caso em que M e M’ tem sentido contrário.

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4.0 Flexão Pura 4.1 Análise das tensões na flexão Pura

Carregamento excêntrico: A linha da carga axial não


passa pelo centróide da seção e produz esforços Utilizaremos os métodos da estática para poder deduzir as relações que
internos que são equivalentes a uma força de tração devem ser satisfeitas pelas tensões que atuam em uma seção transversal de uma peça
axial e um momento. em flexão pura. Consideremos σx a tensão normal em um ponto da seção e de τxy e τxz
Carregamento transversal: carga transversal às componentes da tensão de cisalhamento (que são nulas). O sistema de esforços
concentrada ou distribuída produz forças internas
internos que atuam na seção transversal deve ser equivalente ao conjugado M
equivalentes a uma força de cisalhamento e um
momento.

Princípio da Superposição: combinação entre a


tensão normal devido à flexão pura, a tensão normal
devido à carga axial e a tensão de cisalhamento
devido a força de cisalhamento.

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4.1 Análise das tensões na flexão Pura 4.2 Deformação em uma barra simétrica na flexão

Forças internas em qualquer seção transversal são equivalentes ao conjugado


Para se ter flexão pura, submetemos a barra à ação do conjugados M e M’, que
M (b). Esforços internos em seção transversal são equivalentes ao conjugado.
De estática, um momento fletor M é composto de duas forças iguais e atuam no plano de simetria, com intensidades iguais e sentidos opostos.

opostas. Como M é o mesmo em qualquer seção, a barra se flexiona de maneira uniforme,


A soma das componentes das forças em qualquer
Fx    x dA  0
assim a linha AB tem uma curvatura constante, se transformando em um arco de
direção é zero. O momento fletor é o mesmo em relação
M y   z x dA  0
à qualquer eixo perpendicular a seu plano e é zero em circunferência de centro C. Quando M > 0 a linha AB diminui de comprimento, enquanto a
M z    y x dA  M
relação a qualquer eixo contido naquele plano. linha A’B’, se torna mais longa, verificando que a deformação específica e a tensão σx são
negativas na parte superior da barra (compressão) e positivas na parte inferior (tração).
Expressamos que o sistema das forças elementares atuantes internas é
equivalente ao momento fletor M. A distribuição real de tensões é
estaticamente indeterminada e pode ser obtida apenas pela análise de
deformações.

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4.2 Deformação em uma barra simétrica na flexão 4.2 Deformação em uma barra simétrica na flexão

Deformações de elemento prismático com um plano de simetria A superfície neutra é a superfície paralela À face superior e à face inferior da barra,
em flexão pura: Elemento permanece simétrico. onde 𝜎 e 𝜀 se tornam nulas. Assim:

A linha AB ao longo da qual a face superior da barra intercepta o


plano dos momentos fletores terá curvatura constante. Qualquer L    y 
seção transversal perpendicular ao eixo da barra permanece plana e   L  L    y      y
 y y
o plano da seção passa pelo centro C. x     (deformação varia linearmente)
L  
c c
m  ou ρ
Quando M > 0 a linha AB diminui o comprimento enquanto A’B’  m
aumenta o comprimento. A superfície neutra mantém o y
x   m
c
comprimento inalterado e é paralela às superfícies superior e
inferior. Tensões e deformações são negativas (compressão) acima
do plano neutro e positivas (tração) abaixo.

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4.2 Deformação em uma barra simétrica na flexão 4.2 Deformação em uma barra simétrica na flexão

A deformação específica normal varia linearmente com a distância y da superfície No regime elástico o valor de M vai ser um valor tal que as tensões normais se
neutra, e é o raio de curvatura da superfície neutra. A interseção da superfície neutra com uma mantém abaixo do valor de escoamento σe. Assim podemos aplicar a Lei de Hooke, onde as
seção transversal é conhecida como linha neutra da seção. tensões na barra permanecem abaixo do limite de proporcionalidade e do limite de
A maior deformação específica ocorre para o máximo valor de y, chamado de C. elasticidade do material. Logo:
Daí tem-se:

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4.3 Tensões e deformações no regime elástico 4.3 Tensões e deformações no regime elástico

Onde a tensão máxima expressa o maior valor absoluto de tensão: Para um material linear elástico,
y
 x  E x   E m
c
y
   m (tensão varia linearment e)
c

Para o equilíbrio estático,


Para o equilíbrio estático,
y
Fx  0    x dA     m dA  y 
c M    y x dA    y    m  dA
 c 
Estabelecendo-se a soma das forças elementares, σ dA , igual a zero, prova-se que a linha m
0  y dA   I
c M  m  y 2 dA  m
neutra passa pelo centroide da seção transversal de uma barra em flexão pura. Então, c c
Momento estático da seção transversal m 
Mc M

estabelecendo-se o somatório dos membros das forças elementares igual ao momento fletor, em relação à linha neutra é zero, I S
portanto, a superfície neutra deve passar y
obtém-se a fórmula da flexão elástica para a máxima tensão normal: Substituindo  x    m
pelo centro geométrico ou centroide da c
seção. My
x  
I

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4.3 Tensões e deformações no regime elástico 4.3 Tensões e deformações no regime elástico

Deformação devido ao momento fletor M é quantificado pela curvatura


da superfície neutra
onde I é o momento de inércia da seção transversal em relação a linha neutra. Se desejarmos o 1 𝜀 𝜎 1 𝑀𝑐 𝑀
= = = =
𝜌 𝑐 𝐸𝑐 𝐸𝑐 𝐼 𝐸𝐼
valor de σ a uma distância y da linha neutra, têm-se:
A seção transversal de uma viga em flexão pura permanece plana, não
excluindo a possibilidade de deformações dentro do plano da seção.

y y
 y   x   z   x 
 
Vemos que a relação I/C só depende da geometria da seção transversal. Essa relação é
Expansão acima da superfície neutra e contração abaixo dela causa
chamada módulo resistente ou momento resistente (W):
uma curvatura no plano,
1 
  curvatura da superfície neutra
 

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4.4 Flexão de barras constituídas por vários materiais 4.4 Flexão de barras constituídas por vários materiais

Se a barra submetida à flexão pura é feita de dois ou mais materiais, com diferentes Usando uma relação entre os módulos de elasticidade dos materiais, obtemos uma

módulos de elasticidades, não podemos assumir que a linha neutra passa pelo centroide da seção transformada correspondente a uma barra equivalente feita inteiramente de um único

seção transversal. Assim temos: material.

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4.4 Flexão de barras constituídas por vários materiais 4.5 Deformações plásticas

Para qualquer elemento submetido à flexão pura a tensão varia


y
linearmente com a deformação:  x   c  m

Se o elemento é feito de um material elástico linear, a linha neutra passa


pelo centroide da seção e My
x  
I

Para um material com uma curva de tensão-deformação não-linear, a


localização da linha neutra é encontrada através da expressão:
Fx    x dA  0 M    y x dA
No caso de elemento que possui planos de simetria vertical e horizontal,
composto de material caracterizado pela mesma relação tensão-
deformação em tração e em compressão a linha neutra coincidirá com a
linha de simetria horizontal da seção.

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4.5 Deformações plásticas 4.6 Barras constituídas de material elasto-plástico

Barra retangular em flexão feita de um material elastoplástico


O valor máximo do momento fletor, Ml, provoca falha do elemento.
Mc
x £E m 
Esse valor pode ser determinado quando a tensão máxima é igual à I
I
resistência última do material. m  E M E   Y  momento elástico máximo
c

O módulo de ruptura em flexão, RB , é encontrado a partir de um valor A medida que o momento fletor M aumenta, as zonas plásticas
determinado experimentalmente de Ml considerando uma distribuição expandem-se até que, no limite, a deformação é totalmente plástica.
linear fictícia de tensões.  y2 
M  23 M E 1  13 E2  y E  metade da espessura do núcleo elástico
 c 
Mc
RB  l
I
A medida que yE se aproxima de zero, o momento fletor se aproxima
RB pode ser usado para determinar o limite de momento fletor, Ml, de do valor limite.
M p  23 M E  momento plástico
qualquer elemento feito do mesmo material e com uma seção transversal
Mp
k  fator de forma (depende apenas da forma da seção)
da mesma forma, mas com dimensões diferentes. ME

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4.7 Deformações plásticas de barras com único plano de simetria 4.8 Tensões residuais

Deformação totalmente plástica de uma viga com apenas um


plano vertical de simetria. A linha neutra não pode ser Zonas plásticas poderão ser desenvolvidas em uma barra
considerada coincidente com o eixo que passa pelo centroide da constituída de material elasto-plástico se o momento fletor for
seção transversal quando ela não é simétrica em relação aquele suficientemente grande.

eixo. As resultantes R1 e R2 das forças elementares de


Como a relação linear entre tensão e deformação se aplica em
compressão e de tração formam um binário. todas os pontos na fase de descarregamento, esta fase pode ser
R1  R2
tratada considerando-se que a seção esteja totalmente no
A1 E  A2 E
regime elástico. Tensões residuais são obtidas aplicando-se o
A linha neutra divide a seção transversal em partes de áreas princípio da superposição para combinar as tensões devidas à
iguais. carga com um momento M (deformação elastoplástica) e
descarga com um momento M’ (deformação elástica). O valor
O momento plástico para o elemento é: final da tensão em um ponto não será, em geral, igual a zero.

M p   12 A E  d

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4.9 Flexão assimétrica 4.9 Flexão assimétrica


 y 
0  Fx    x dA      m dA O Princípio da superposição pode ser usado para determinar
 c 
ou 0   ydA tensões no caso mais geral de flexão assimétrica. Decompondo
Eixo neutro passa através do o vetor momento em relação aos eixos principais, temos
centróide M z  M cos  M y  Msen
 y 
M  M z    y   m dA A distribuição das tensões provocada pelo momento M
 c 
 I
A proposta é determinar as condições sob as quais a Ou M  m I  I z  momento deinércia original é obtida pela superposição das distrinuições de
c
linha neutra de uma seção transversal de forma 𝑀 𝑦 𝑀 𝑦
tensão: 𝜎 =− +
Definir a distribuição de tensões 𝐼 𝐼
arbitrária coincida com a direção do momento M Ao longo do eixo neutro,
 y 
representando os esforços que atuam naquela seção. 0  My   z x dA   z c  m dA x  0  
Mzy Myy
 
M cos   y  Msen  y

Iz Iy Iz Iy
As forças internas elementares formadoras do sistema ou 0   yzdA  I yz  produto de inércia
y I
tan    z tan 
equivalente ao momento M, devem satisfazer: O vetor momento fletor M deve z Iy
estar direcionado ao longo de um
dos eixos principais da seção
Fx  0  M y M z  M  momento aplicado transversal.

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Exercícios Exercícios

1) A peça de máquina de ferro fundido é atendida por um momento M = 3 kN m. Sabendo-se que o módulo de 2) Um momento de 180 N.m é aplicado a uma viga de madeira retangular em um plano que forma um ângulo de 30
elasticidade E = 165 GPa e desprezando os efeitos dos adoçamentos, determine (a) as tensões máximas de tração e graus com a vertical. Determine (a) atensão máxima na viga, (b) o ângulo que o eixo neutro forma com o plano
compressão, (b) o raio de curvatura.

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Exercícios Exercícios

3) Uma barra feita da união de duas peças de aço (Eaço = 203GPa) e latão (Elatão = 105 GPa). Determinar a 4) Determinar para a barra de aço abaixo, o valor do momento M que provoca o escoamento no material da barra. Adotar

tensão máxima no aço e no latão, quando um momento M= 4,5 KN.m estiver aplicado. σe = 250 MPa.

5) O tubo retangular é feito de uma liga de alumínio para a qual σe = 150 MPa, σu = 300 MPa e E = 70 GPa. Determinar:
a) O momento fletor M para qual o CS = 3.
b) O raio de curvatura correspondente no tubo.

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Exercícios Exercícios

6) Determine o máximo momento fletor Mx que podem ser aplicado à seção transversal do perfil de abas largas mostrado 7) Duas forças verticais são aplicadas à viga mostrada na figura. Determine o valor das tensões normais máximas de tração
na figura. O material deste perfil tem tensão admissível 155 MPa. e compressão no trecho BC.

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Exercícios Exercícios

8) Uma barra de seção transversal retangular uniforme é submetida a um momento fletor M = 36,8 kN.m. A barra é 9) Duas forças verticais são aplicadas à viga que tem a seção transversal indicada. Determinar as tensões normais
feita de um material elastoplástico com uma resistência ao escoamento de 240 MPa e um módulo de elasticidade de 200 máximas de tração e compressão na viga.
GPa. Determine (a) a espessura do núcleo elástico, (b) o raio de curvatura da superfície neutra.Após o carregamento ser
reduzido a zero, determine (c) a distribuição de tensões residuais, (d) o raio de curvatura.

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Exercícios Exercícios

10) A viga simplesmente apoiada tem a área de seção transversal mostrada na figura abaixo. Determine a tensão 11) O momento fletor indicado na figura atua no plano vertical. Determinar as tensões normais nos
de flexão máxima absoluta na viga e represente a distribuição de tensão na seção transversal nessa localização. pontos A e B sobre a seção transversal mostrada.

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