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Classificação, digestão e absorção dos nutrientes

Carboidratos → Glicose
Classificação dos carboidratos:
● monossacarídeos são os açúcares mais simples (glicose, frutose, galactose)
● dissacarídeos são a união de 2 monossacarídeos (sacarose (glicose + frutose),
maltose (2 glicoses) e lactose (glicose + galactose))
● oligossacarídeo é a união de 3 a 10 monossacarídeos
● polissacarídeo é a união de mais de 10 monossacarídeos (celulose, quitina, amido e
glicogênio)
A ligação entre os monossacarídeos é uma ligação glicosídica (ligação entre as glicoses,
havendo perda de um H2O).
A digestão dos carboidratos se inicia na boca, por meio da amilase salivar e da ptialina, que
convertem o amido em maltose, maltotriose e dextrina (fragmento de amido). Quando o
alimento chega ao estômago, o pH ácido desse meio encerra a ação dessas enzimas. No
duodeno e jejuno (intestino delgado), a digestão termina por meio das enzimas sacarase
(quebra a sacarose), a lactase (quebra a lactose) e a maltase (quebra a maltose).
Então, os monossacarídeos finais entram nos enterócito:
● Glicose e galactose por transporte ativo de sódio, também chamado de co
transportador de glicose (SGlut-1), precisando de energia
● Frutose por difusão facilitada (Glut-5)
Durante a absorção, a galactose e a frutose são convertidas em glicose. Elas vão para o
sangue e, então, ao entrar nas células, a glicose é fosforilada e se torna glicose-6-fosfato.
Os Glut’s não conseguem transportá-la para fora, então ela fica presa dentro das células.

Lipídios → ácidos graxos


Os lipídios podem ser classificados em simples (glicerídios, que são gorduras e óleos;
esterídios; e cerídios, que são as ceras) e complexos (fosfolipídios, lipoproteínas e
glicolipídios).
Uma pequena quantidade dos lipídios é digerida no estômago pela lipase lingual (que é
ativada em meio ácido), enquanto a maior parte é digerida no duodeno no intestino delgado.
Lá, há a secreção do suco pancreático e da bile, que contém, entre outras coisas,
bicarbonato, que ajuda a neutralizar a acidez do quimo. Os sais biliares, produzidos no
fígado e armazenados na vesícula biliar, são secretados no duodeno, onde fazem a
emulsificação dos lipídios. Esse é um processo que os quebra em partículas menores
(aumentando a superfície de contato, o que facilita a digestão), além de formar as micelas,
que são glóbulos esféricos de gordura envolvidos no sal biliar. Já no suco pancreático, há
enzimas que ajudam a fazer a digestão, como a lipase pancreática. Por fim, os lipídios são
quebrados em ácido graxo (AG) e glicerol. O controle da digestão é feito pelo hormônio do
jejuno e do duodeno, a CCK (colecistocina, que age na vesícula biliar e nas células
exócrinas do pâncreas); além da secretina, que estimula o pâncreas a secretar bicarbonato.
Todos os lipídios são absorvidos no intestino delgado por difusão simples, porém, eles são
hidrofóbicos, precisando ser transportados por uma proteína para conseguirem passar pela
corrente sanguínea (que é aquosa). Os AG penetram a parede intestinal e são
transformados em Triglicérides (TG) para, depois, receberem uma capa chamada de
quilomícron, que possibilita o seu transporte pelo sistema linfático para a circulação geral. O
quilomícron é um tipo de lipoproteína, sendo a que tem mais TG.
A VLDL e a HDL são outras lipoproteínas, sintetizadas no fígado. A VLDL é responsável por
levar os lipídios para serem armazenados no tecido adiposo. Quando chega nos adipócitos,
a VLDL é hidrolisada por enzimas e transformada em LDL, deixando seus TG armazenados
no tecido adiposo. O LDL tem função de levar colesterol para as células do corpo para que
este seja usado para construção e reparo de membranas celulares, síntese de hormônios
esteróides e sais biliares. Já o HDL, tem função de retirar o colesterol do sangue e
transportá-lo para o fígado e intestino, onde ele será metabolizado.

Proteínas → aminoácidos
Aminoácidos são ácidos carboxílicos com um grupo amino. Eles são classificados como
essenciais (aqueles que não são produzidos pelo corpo e devem ser ingeridos) e não
essenciais (aqueles que o corpo produz). Eles fazem ligações peptídicas entre si, ocorrendo
uma reação de desidratação e formando as proteínas. Estas têm diversas funções, como
enzimática, estrutural (participando da formação e manutenção de tecidos. Ex: queratina),
transporte (ex: hemoglobina), defesa do corpo (ex: anticorpos), coagulação sanguínea,
hormonal e produção de material genético (DNA e RNA).
A digestão das proteínas se inicia no estômago, por meio da sua desnaturação devido ao
pH ácido do suco gástrico. Nesse órgão também há a ação das pepsinas. Porém, a maior
parte da digestão acontece no intestino delgado por meio das peptidases do suco entérico e
as proteases do suco pancreático. Então, todas as proteínas são digeridas em aminoácidos,
dipeptídeos e tripeptídeos.
A absorção acontece por meio de um transporte ativo secundário com o sódio, assim como
acontece com a glicose. Os dipeptídeos e tripeptídeos são absorvidos pelos enterócitos por
meio do transporte ativo secundário de hidrogênio e são hidrolisados em aminoácidos
dentro dos enterócitos. Por fim, os aminoácidos vão para a corrente sanguínea e são
levados para o fígado pela veia porta.
No nosso corpo há um Balanço Nitrogenado, que representa a relação entre a quantidade
de nitrogênio ingerida e excretada: é positivo quando a ingestão é maior que a excreção,
ocorrendo, por exemplo, na gestação e no desenvolvimento das crianças; e negativo
quando a ingestão é menor que a excreção, ocorrendo, por exemplo, no jejum, na
hemorragia (perda de hemoglobina) e nas queimaduras (perda de plasma e hemoglobina).