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Crimes Contra a Pessoa - Aníbal Bruno

“O fato, além de antijurídico e culpável, tem de ser típico, isto é, tem de


reproduzir na realidade da vida um dos tipos previstos na lei”

“Esse caráter fragmentário do Direito Penal Parte Especial deriva da sua


própria natureza porque naõ são razões de sistemática, são considerações
de ordem prática que determinam a elevação de um bem jurídico à categoria
de valor penalmente tutelado”

“O legislador é o intérprete da consciência comum, daquela vontade social


preponderante, como diria Del Vecchio.”

“O critério da escolha é o da maior proteação àqueles bens cuja


inviolabilidade é julgada imprescindível para a coexistência social”.

“A ofensa ou ameaça a um bem jurídico é o caráter substancial do fato


punível” (Wurtebnerger, Das System Der Rechtsguterordnung in dem
deutschen strafgesetezbuch)

“A função do Direito Penal resolvia-se em assegurar a incolumidade de certos


valores, de interesse social, a cuja violação se contrapunha a sanção
específica”

“Construía-se a figura penal sobre o dano que o comportamento do agente


representava para determinado bem, e este seria o motivo central do preceito
contido na forma. O que faz o tipo é descrever a ação que ameaça ou ofende
o bem a que se concede proteção penal”.

“No direito penal nazista se alargava o alcance da norma, se diminuía a


precisão do seu conteúdo, afetando a necessária segurança do Direito”.

“A ideia da violação do bem jurídico como centro de gravidade do conceito do


fato punível” von listz

“Nesse processo de definição dos crimes, os bens que estão implicitamente


previstos, de maneira abstrata, na parte geral, são transportados para a parte
especial, onde se individualizam e revelam a sua real importância social e
humana”.

“O conhecimento do valor tutelado em cada uma das fórmulas típicas vem


contribuir para o exato entendimento do seu sentido e de sua extensão”

“Diferindo uns dos outros segundo certas condições ou as circunstâncias sob


as quais se apresenta em cada caso o mesmo bem. Daí resulta para aação
um sentido e um desvalor social diferente”

“O tipo é a formulação em termos precisos e bem definidos do fato a que se


quer atribuir o caráter de crime”

“O tipo condensa nos limites de uma fórmula a complexidade do fato


objetivamente praticado e apresenta o comportamento criminoso na sua
estrutura fundamental, na ação que constitui a ofensa ou ameaça ao bem
jurídico, com o seu sujeito e o seu objeto e naquelas circunstâncias julgadas
necessárias à caracterização do crime e que muitas vezes vêm juntar-se ao
tipo central para determinar a formação de outras figuras puníveis ou atenuar
ou agravar a punição”

“O tipo é essencialmente descrição de um crime, aqueles que expõem termo


a termo os diversos momentos do acontecer punível. Mas, às vezes,
aparece, ao lado deles, elementos chamados normativos. Com eles podem
concorrer ainda elementos subjetivos do atuar do agente, a sua intenção, o
fim por ele visado, que muitas vezes são determinantes do caráter da ilicitude
do fato.”

“O dolo é a forma comum do atuar culpável, determinando sempre a


inculpação no fato punível e, assim não necessita figurar explicitamente no
enunciado do tipo. A punição por culpa é fato de exceção e quando ocorre
em relação a determinado crime, deve ser expressamente prevista.”

- Há crimes próprios ou especiais que só podem ser cometidos por certas


pessoas que exercem certos papeis sociais.

- Crimes de maõ própria: ação pessoal do sujeito, não por interposta pessoa,
ex: adultério e deserção militar.

- A teoria finalista da ação inclui o dolo no tipo do ilícito, fora do campo da


culpabilidade

“"Mas os tipos penais não podem sofrer alargamento da sua compreensão.


Cada um deles tem de ser fixado em termos precisamente determinados, que
o limitam a um fato bem definido. Não será possível, então, ascender do
sistema casuístico expresso na lei a generalizações que não
corresponderiam à clareza e precisão da figura tipificada e acabariam por
enfraquecer o rigor com que esta serve de modelo imprescindível à definição
do crime. A formulação dos tipos cada um correspondendo a um fato que tem
de ser punido, é fundamental para a garantia das liberdades individuais e o
ponto em que assenta o princípio da legalidade dos crimes e das penas.""

“A incriminação de determinado fato reforça a reprovação que a consciência


comum faz pesar sobre ele e impõe com rigor da sua sanção o respeito ao
bem protegido, cumprindo, assim, a função educativa, social-cultural do
Direito punitivo”

“O dispositivo que enuncia o tipo constitui, como vimos, a norma penal em


sentido estrito e próprio. Na sua definição dos fatos puníveis está contido o
preceito, que estende a proteção específica da ameaça da pena a
determinado valores sociais, proibindo as ações positivas ou negativas, que
possam ofendê-los ou pô-los em perigo.”
Quando uma mesma figura penal, um fato jurídico, possui varios bens sendo
lesados, é o que se denomina de crime pluridimensional.

Há quem queira ordenar os tipos de acordo com os motivos do crime


(SAUER) ou com características da ação, mas a maneira mais eficaz é
segundo os bens jurídiicos

Von LIszt crê que o objeto da proteção jurídca é sempre em última instância o
homem em sua existência como ser individual ou como membro da
comunidade de Direito.

Von Liszt e outros modernos dividem os fatos puníveis em crimes contra o


indivíduo e crimes contra a comunidade, além de ter possivelmente os crimes
contra o Estado. Os crimes contra o indivíduo ainda são subdividos em
crimes contra o corpo e a vida, crimes contra bens jurídicos incorpóreos,
crimes contra direitos de autor e inventor e crimes contra direitos
patrimoniais. Em crimes contra a comunidade temos crimes contra o Estado
(crimes políticos). Rocco acrescenta em seguida aos crimes contra os
indivíduos os crimes contra as diversas comunidades humanas ou
expressões das comunidades humanas, como crimes contra a família, crimes
contra a admnistração, crimes contra a organização.
Maurach divide semelhantemente a Von Liszt, distinguindo em crimes contra
a pessoa e crimes contra a comunidade, o primeiro se dividindo em crimes
contra valores da personalidade e crimes contra valores do patrimônio e o
segundo em crimes contra valores superestatais da comunidade e crimes
contra o Estado.

Frank critica essa visão dizendo que no fim todo ilícito punível se dirige contra
o Estado, Von Liszt rebate que o objetivo final do crime pode ser um ataque
contra o Estado, mas o objeto imediato pode ser contra um indiviuo.

Nos códigos penais modernos os grupos dos tipos são classificados em


títulos e capítulos e nesse aspecto há a divisão entre os crimes contra os
bens juídico (vida, propriedade, patrimônio, costumes etc), ou a divisão
segundo o critério de crimes contra os titulares dos bens, crime contra a
pessoa, crimes contra a admnistração pública, crimes contra a família ou
ainda há a divisão segundo o nome do crime designado em si como furto,
roubo, homicídio etc.

De acordo com aníbal bruno falta ainda uma ordenação lógica.

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