Você está na página 1de 17

ESTÉTICA EM MEDICINA E CIRURGIA

CAPÍTULO 4 – ORIENTAÇÕES,
INTERCORRÊNCIAS E TÉCNICAS EM
CIRURGIA PLÁSTICA E PROCEDIMENTOS
NÃO CIRÚRGICOS
Fernanda Capucci Pazian

-1-
Introdução
Nesta unidade, abordaremos alguns temas importantes que fazem parte do conhecimento que deve ser
adquirido em Medicina e Cirurgia para profissionais de Estética. Aprenderemos sobre os cuidados no período de
pós-operatório sendo eles tanto orientados pelo médico quanto os cuidados que o esteticista deve ter com o
paciente em cabine.
Sabemos que o atendimento de excelência advém da atenção aos detalhes e com o paciente de pós-operatório
não poderia ser diferente. Assim, quais seriam esses detalhes com um paciente tão debilitado? Quais os cuidados
que devem ser tomados para que ocorra tudo bem? Questões como essas são muito comuns quando nos
referimos a profissionais que acabaram de iniciar atendimentos com esse perfil.
Além disso, veremos também as possíveis complicações que podem ocorrer na fase de pós-operatório. É
importante que tenhamos conhecimento sobre quais são por dois motivos: para entrar em contato com o médico
responsável pelo procedimento caso identifique algum problema e para saber até onde o profissional de Estética
pode intervir. Nos resta ainda saber, qual seria essa intervenção?
Outro complemento que será estudado nesta unidade é referente aos procedimentos minimamente invasivos.
Vamos aprender mais sobre a toxina botulínica e o ácido hialurônico, por exemplo, como funciona a aplicação e
quais os objetivos. Se você quiser saber mais sobre todas essas coisas e entender qual o papel do esteticista
dentro de todo esse contexto, continue com a gente! Bons estudos!

4.1 Técnicas cirúrgicas, curativos, cuidados e orientações


médicas
Todos nós sabemos que após uma cirurgia plástica, alguns cuidados devem ser tomados. Um ótimo parâmetro do
que é permitido ou não fazer é bem conhecido e tem como base no que se chama “dor”. A dor, em muitos
momentos, protege o paciente, avisando que alguma atividade ou algum movimento não deve ser realizado, ou
seja, é o nosso corpo mostrando que alguma coisa não está correta.
Apesar dessa informação, devemos nos lembrar de que no pós-operatório sempre haverá dor em algum lugar e,
por isso, é tão importante termos ideia da “normalidade”, pois dessa maneira será possível identificar quando
alguma coisa estiver errada de fato. Vamos, então, entender um pouco mais sobre o que seria ou não uma dor
dentro da normalidade.
Após a cirurgia, a grande maioria dos pacientes sente dores intensas na região operada. Nos três primeiros dias
até mesmo os remédios não cessam toda a dor e a tendência é que ela comece a reduzir depois desse período,
assim como o desconforto. Além disso, é possível notar que alguns pacientes sentem dores musculares devido à
tensão, com medo de realizar qualquer tipo de movimento.
Deste modo, o que não é considerado normal em qualquer circunstância é dor local com latejamento, mudança
na coloração do tecido, calor na região, febre e exudato purulento na ferida cirurgia. Quaisquer desses sinais não
devem, de forma alguma, ser despercebidos. Caso eles apareçam, o profissional de Estética deve entrar em
contato com o médico responsável imediatamente.
As orientações médicas devem ser seguidas à risca, sem exceção. O paciente pode, em alguns momentos, até
querer mais alguma liberdade, ou dizer que já se sente bem o suficiente para realizar atividades que não foram
liberadas, então, o esteticista, como profissional mais próximo nessa fase de pós-operatório, deve lembrar o
paciente de que o médico já realizou cirurgias o suficiente para saber o que funciona ou não e que complicações
podem comprometer o resultado final.

-2-
4.1.1 Orientações gerais no pós-operatório

Muitos são os cuidados que devem ser tomados no período de pós-operatório e alguns são mais direcionados
para um ou para outro procedimento. Apesar disso, temos cuidados gerais que devem ser tomados e eles devem
ser seguidos à risca para oferecer ao paciente um pós-operatório mais tranquilo e, assim, evitar complicações
nessa fase. A cirurgia ter sido um sucesso não significa que o resultado será impecável, pois grande parte da
responsabilidade no pós-operatório é do paciente.
Em um primeiro momento, é necessário repouso. O nosso organismo precisa de descanso para que possa se
recuperar, mas isso não significa total ausência de movimento. Hoje, é muito comum que o médico peça ao
paciente que realize caminhadas curtas algumas horas após a cirurgia, reduzindo, assim, o risco de trombose.
Como já se espera por parte do paciente, o retorno ao médico deve ser respeitado, os medicamentos,
principalmente, os antibióticos, devem ser tomados corretamente, alimentos inflamatórios e gordurosos devem
ser evitados, os curativos devem ser trocados conforme orientação e as feridas cirúrgicas precisam ser limpas
corretamente. Além disso, é de extrema importância que o paciente tome muita água nesse momento e crie o
hábito de sempre estar se hidratando. A água evita a retenção excessiva do edema e remove impurezas do
organismo. Ela também é um importante composto para o processo de recuperação.
Outro ponto de absoluta importância é parar com o cigarro. Para quem é fumante, 30 dias é o mínimo de tempo
que se deve ficar sem o cigarro, o que é quase uma tortura, mas lembre-se de que a nicotina tem ação nos vasos,
provocando vasoconstrição. Esse mecanismo prejudica o aporte sanguíneo e, consequentemente, o transporte de
oxigênio e de nutrientes para regiões como a pele e isso interrompe o processo de cicatrização, o que pode
provocar necrose do tecido.
Durante o período em que houver hematomas ou vermelhidão nas incisões, é preciso que o paciente evite
exposição ao sol, uma vez que pode dar origem à hipercromia nessas regiões, prejudicando a aparência estética.
O tempo de tratamento para a remoção dessas manchas é muito superior ao tempo que o paciente deverá evitar
tomar sol.
Para pacientes que gostam de longos banhos quentes, o período de pós-operatório pode ser um pouco mais
desconfortável. O ideal é que os banhos sejam curtos, com menos tempo e sem a cinta de compressão e mais
frescos. A água quente tende a promover a vasodilatação dos vasos, mecanismo que deve ser evitado devido à
formação de edema.
O uso de cinta compressiva é indispensável em todas as cirurgias plásticas. Ela mantém o tecido “grudado” e
evita a formação de edema. Muitos pacientes relatam usar a cinta e quando a tiram para tomar banho sentem
dificuldade de colocá-la novamente. Isso acontece pela ausência de compressão e, consequente, pela formação de
edema.
Na maioria dos casos, é comum que o médico peça ao paciente que evite dirigir por um período específico,
justamente para evitar o esforço em braços e pernas. No caso de próteses na mama, por exemplo, o uso cinto de
segurança pode prejudicar a paciente, pressionando a mama e causando atrito na região operada. No caso da
abdominoplastia, o caso é o mesmo.
O paciente deve, ainda, evitar movimentos bruscos na região operada, suspender atividades físicas de acordo
com o período estipulado pelo médico e não levantar peso. Todas essas práticas podem levar ao descolamento
de tecido ou até mesmo à abertura da ferida cirúrgica devido à tração.
Outro cuidado a ser tomado é com as roupas. O paciente deve optar pelo uso de roupas mais largas, fáceis de
colocar e tirar, além de evitar o atrito constante com a pele e a região operada. O ideal é que as roupas sejam o
mais confortáveis for possível, dessa forma, também será mais agradável ao paciente.
Assim, devemos nos lembrar de que as orientações aqui citadas são gerais e tantas outras deverão ser seguidas
de acordo com a cirurgia que for realizada. Na consulta que antecede o procedimento, o paciente deverá tirar
todas as dúvidas possíveis com o médico cirurgião responsável pelo caso e tudo o que for dito, deverá ser
respeitado.

-3-
4.1.2 Cuidados de esteticista para paciente

Muitos são os cuidados que devem ser tomados pelo paciente no período de pós-operatório com o objetivo de
uma melhor recuperação e menor desconforto. Uma das indicações feitas para essa fase é a realização de um
bom tratamento pós-operatório, respeitando as sessões de drenagem, entre outros procedimentos.
O profissional de Estética precisa ter conhecimento sobre muitas áreas para desenvolver um bom plano de
tratamento para o paciente de pós-operatório, mas isso não é tudo. As sessões devem ser muito bem organizadas
e o profissional deve saber como manipular o corpo do paciente, como ajudar a tirar e colocar as roupas e a
cinta. Além disso, deve saber como acomodar o paciente na maca. Todos esses detalhes fazem com que a sessão
seja a mais confortável possível, como um estímulo ao paciente para que volte e faça o tratamento corretamente.
Importante notar que um grande fator que prejudica o andamento das sessões de pós-operatório é a desistência
do paciente quando ele acha que não há diferença entre realizar ou não e, pior do que isso, quando ele sente que
não vale a pena o deslocamento e desconforto causado na sessão, o que não deve ocorrer, para o resultado que
ele busca.

VOCÊ O CONHECE?
Sir Harold Delp Gillies, neozelandês radicado na Inglaterra, foi a maior autoridade da Cirurgia
Plástica nas primeiras décadas do século XX. Com o período de guerras, a evolução da medicina
foi enorme devido à demanda por ferimentos e necessidade de reconstrução em soldados e o
Sir Harold Gillies acabou se destacando pelo tratamento de pacientes com lesões na face. Em
um primeiro momento, o foco foi uma abordagem odontológica e, posteriormente, veio o apelo
reconstrutor e estético.

O sucesso do tratamento vai depender do conhecimento técnico e científico do profissional, mas o que vai
manter o paciente seguindo corretamente o pós-operatório são os detalhes. Ele precisa sentir que o resultado
está sendo alcançado, sentir necessidade em realizar todas as sessões corretamente, além de todo o bem-estar
promovido durante a sessão. Então, temos aqui algumas dicas para auxiliar o atendimento:

Receber o paciente com uma agradável conversa, perguntando como ele se sente e se houve alguma mudança
desde a última sessão;
Auxiliar o paciente a tirar os sapatos, a roupa e a cinta de compressão. É ideal que dentro da sala de atendimento
tenha uma cadeira para que ele possa se sentar e se apoiar. A prática em tirar e colocar a cinta de forma rápida
vem com o tempo. É interessante que o futuro profissional treine com colegas esse passo;
Dar a mão ao paciente para subir na maca e o auxiliar o “deitar”. O profissional pode usar os braços para apoiar as
costas do paciente para que ele se deite lentamente, sem jogar o corpo na maca;
Acomodar o paciente na maca e perguntar se está confortável. É importante lembrar que a pessoa operada
permanecerá naquela posição por aproximadamente 1h ou mais. Coloque uma almofada na parte posterior dos
joelhos para acomodar melhor a coluna;
O “levantar da maca necessita de mais atenção por parte do profissional do que o “deitar”. O esteticista deve
retirar as almofadas postas e ajudar o paciente a se levantar com as costas apoiadas em seus braços. É semelhante
ao “deitar”, mas exige maior força do profissional;
Pedir que o paciente aguarde sentado na maca por um minuto, evitando a queda de pressão. Levantar
rapidamente pode causar vertigem e queda, o que não é uma opção para uma pessoa recém-operada;

Segurar a mão do paciente para descer da maca e ajuda-lo a colocar a cinta, as roupas e os sapatos. Peça ao

-4-
Segurar a mão do paciente para descer da maca e ajuda-lo a colocar a cinta, as roupas e os sapatos. Peça ao
paciente que ele se sente.

Quando tudo estiver terminado, o Esteticista deve acompanhar o paciente até a saída, certificando-se de que
tudo está bem. Esses detalhes podem parecer algo sem importância, mas na prática clínica fazem toda a
diferença.

4.2 Complicações e intercorrências em cirurgias plásticas


faciais e corporais
Toda vez que expomos o nosso organismo a algum tipo de intervenção cirúrgica, devemos ter total ciência de
que os riscos sempre existirão e que são reais. No caso da cirurgia plástica estética, este é um dos pontos mais
discutidos, uma vez que, em um paciente que passa por procedimento cirúrgico devido à algum problema de
saúde, conhecemos a necessidade da intervenção, mas um paciente que passa por uma cirurgia plástica, ocorre a
exposição de um organismo saudável ao risco.
Sempre que alguém opta pela cirurgia plástica, é necessário que assine o termo de ciência antes da cirurgia.
Nestes documentos estão descritos todos riscos que o paciente pode sofrer, inclusive óbito. Além disso, neste
mesmo documento fica claro que há chances do objetivo final, o resultado idealizado pelo paciente, não seja
alcançado. Isso acontece porque não é previsível a forma que o corpo irá responder ao procedimento.
Outro fator importante que leva à insatisfação de algumas pessoas com a cirurgia plástica é o desejo que todos os
detalhes fiquem perfeitos, principalmente, no que se refere à simetria. A simetria é buscada, claro, pelo médico
responsável pelo procedimento, mas ela não é perfeita. Diferenças muito sutis podem ocorrer, mas isso não
torna o resultado inestético, muito pelo contrário, torna o resultado natural.

VOCÊ QUER VER?


Falamos muito sobre a cirurgia plástica como um meio de melhorar a autoestima do paciente,
buscando uma imagem harmônica e oferecendo saúde mental em casos onde a queixa afeta
diariamente o psicológico do paciente. Apesar disso, os excessos existem e eles trazem
complicações e prejuízos a saúde das pessoas. Esses malefícios podem atingir tanto o
organismo, quanto a saúde mental do paciente. O documentário “Tabu: cirurgia plástica”,
exibido pela National Geographic, mostra o lado do paciente. Quais são os limites para eles?
Até que ponto uma pessoa pode ir para modificar sua imagem? Acesse: https://www.youtube.
com/watch?v=hPVF76j9tiM.

Sobre as complicações no pós-operatório, algumas são completamente tratáveis e reversíveis, enquanto outras
requerem outra intervenção cirúrgica para correção. Sobre a “culpa” dessas complicações que podem vir a
ocorrer, ela é sempre direcionada ao médico, mas, na grande maioria das vezes, é resposta do próprio organismo
ou falta de cuidados do próprio paciente.
Quando nos referimos ao paciente não seguir os cuidados necessário na fase de pós-operatório, podemos citar
alguns pontos frequentes. O “não cuidar” é quando o paciente não respeita as orientações do médico
corretamente, não toma a medicação no tempo certo com o intervalo correto entre as doses, quando não fica em
repouso durante o tempo necessário, recobrando atividades do dia a dia que deveriam ser evitadas etc. Além

disso, a falta de higiene e cuidados com a ferida cirúrgica também é um importante fator que contribui com

-5-
disso, a falta de higiene e cuidados com a ferida cirúrgica também é um importante fator que contribui com
problemas pós-operatórios e é importante salientar o risco de infecção, que pode comprometer o resultado
estético.
Apesar de ser muito incomum, alguns erros também podem ocorrer da parte médica. Por exemplo, a dose de
anestesia pode estar incorreta, causando prejuízos graves ao paciente, na lipoaspiração pode ocorrer a
perfuração da parede abdominal, atingindo vísceras, entre outros casos. Em procedimentos como
dermolipectomia, mastopexia, abdominoplastia, ritidoplastia e blefaroplastia é um problema quando acontece
erro de cálculo e é removida muita pele, gerando muitas complicações no pós-operatório e até problemas de
função. A falta de higiene no ambiente cirúrgico e suturas mal feitas também são fatores que geram graves
complicações.
O termo de ciência que é assinado pelo paciente antes da cirurgia protege o médico e o paciente para que todas
as partes sejam responsáveis e estejam cientes dos riscos e possíveis resultados, mas não protege o médico de
consequências aos erros graves de execução.

4.2.1 Complicações e tratamentos

Há algumas complicações que podem advir de tratamentos, como veremos a seguir.


As fibroses aparecem durante o processo de recuperação da pele. Resulta em ondulações e irregularidades na
superfície do tecido, causadas por uma resposta exagerada e desordenada da produção de colágeno. A fibrose
pode causar prejuízo no resultado final da cirurgia plástica, além de dor e desconforto ao paciente, com sensação
de repuxamento na região. O ideal é que o tratamento seja iniciado assim que se nota a formação de fibrose. Cabe
ao profissional de Estética, responsável pelo tratamento de pós-operatório, manter atenção aos sinais pelo toque
da região operada. O uso de ultrassom no modo pulsado é o melhor e mais usado recurso para o tratamento
dessa intercorrência. Se usado da forma correta, é possível devolver a maleabilidade e regularidade da pele;
A infecção da ferida pode ocorrer por muitos motivos e ela não ocorre somente devido à falta de higiene.
Bactérias que fazem parte da microbiota natural da nossa pele, podem ser prejudiciais nesse processo e se
entram em contato com a ferida e se proliferam, juntamente com um organismo que apresenta sua homeostase
alterada e imunidade baixa, podem dar origem à um processo infeccioso.
Nesse caso, atenção a dor latejante, exudato purulento na ferida ou líquidos que “vazem”, calor e rubor na região
da ferida cirúrgica. Todos esses sinais merecem muita atenção e o tratamento para a infecção é medicamentoso.
Não há recursos estéticos que possam ser utilizados e a infecção pode ocorrer de qualquer maneira, mas ela
pode ser evitada até certo ponto com o uso correto de equipamentos de proteção individual (que protege o
profissional e o paciente), como luvas, máscara, propés, toucas e roupas de centro cirúrgico. Além disso, os
equipamentos utilizados devem ser estéreis e as mãos de todos os integrantes da equipe médica devem estar
higienizadas corretamente.
Nesse caso é muito importante alertar que por mais que o profissional esteticista note sinais de uma possível
infecção, ele jamais dirá isso diretamente ao paciente. Não cabe ao Esteticista diagnosticar uma complicação.
Caso os sinais apareçam, peça ao paciente que tenha atenção à cirurgia e entre em contato com o médico
cirurgião responsável. A intervenção médica precoce evita maiores problemas.
O seroma é uma complicação mais frequente em lipoaspiração e abdominoplastia devido ao descolamento
extenso de tecido. Ele acontece pelo extravasamento de linfa e material com características exudativas,
formando uma coleção líquida, abaixo do tecido descolado durante o procedimento cirúrgico. Esse líquido pode
ser absorvido pelo próprio organismo ou em alguns casos, puncionado pelo médico. O ultrassom diagnóstico
identifica perfeitamente as regiões onde há formação, mas é possível sentir ao toque, em alguns casos. O paciente
também pode se queixar de sensação de flutuação e líquidos na pele.
Caso o seroma não seja tratado, ele pode encapsular, provocando maiores complicações. Para evitar que isso
aconteça, o profissional de Estética pode auxiliar o processo com sessões de drenagem linfática e o médico, se
necessário, com a punção. Caso esses recursos não sejam suficientes, é necessário que o paciente volte à mesa de
cirurgia para remoção do seroma.

O hematoma, diferentemente do que a maioria das pessoas pensa, não são aqueles roxos que vemos na pele

-6-
O hematoma, diferentemente do que a maioria das pessoas pensa, não são aqueles roxos que vemos na pele
quando batemos em algum lugar, já que o nome dado é equimose. O hematoma é um extravasamento e uma
coleção de sangue causado pelo trauma cirúrgico, que pode ser absorvido pelo organismo do paciente de forma
natural ou, em alguns casos, com punção. Apesar disso, ele não oferece muitos riscos ao sucesso do resultado da
cirurgia.
Caso o sangramento que causou o hematoma continue ativo, provocando uma reação expansiva, deve ser
avaliada a hipótese de intervenção cirúrgica para resolver a causa desse sangramento.
As cicatrizes inestéticas são uma resposta tardia ao procedimento cirúrgico. No pós-operatório imediato, não é
possível avaliar qual será a resposta do tecido e como será a formação do tecido cicatricial da região. Alguns
tipos de cicatriz podem ser evitados e outros não, porém, todas são tratáveis, seja com intervenção médica ou
procedimentos estéticos.
A cicatrize hipertrófica é elevada e aumentada, porém, não ultrapassa a borda da lesão, essa característica difere
a hipertrófica do queloide. Nesse caso, ocorre uma produção exagerada de colágeno e, em alguns casos, nota-se a
presença de pequenos vasos, dando um aspecto avermelhado à cicatriz. Ela pode se formar em qualquer região
de ferida cirúrgica e o tratamento estético precoce, com fototerapia, pode evitar a formação da cicatriz
hipertrófica. Caso ela já esteja presente, é possível tratar com fototerapia associada a ionização de cosméticos e
principalmente a microcorrentes.

Figura 1 - Na imagem é possível notar que a cicatriz apresenta volume e brilho, apesar disso, ela não ultrapassa
as bordas da lesão.
Fonte: MELEGA; VITERBO; MENDES, 2011, p. 9.

-7-
A cicatriz alargada não apresenta volume, mas dá a impressão de distensão ou repuxamento. Ela ocorre com
mais incidência em regiões de tração, portanto, é uma cicatriz que apresenta um aspecto que pode ser evitado,
com alguns cuidados do paciente em relação a movimentos. Esse tipo de cicatriz pode ser tratado com
fototerapia associada a eletrolifting, microcorrentes e ionização de cosméticos:

Figura 2 - Nota-se na cicatriz um estiramento, possivelmente por ser uma região de tensão, dando esse aspecto
alargado.
Fonte: MELEGA; VITERBO; MENDES, 2011, p. 14.

Os queloides apresentam características semelhantes à cicatriz hipertrófica, porém, a elevação ultrapassa as


bordas da lesão, ocorrendo uma produção desordenada de colágeno e número aumentado de fibroblastos,
podendo haver desconforto na região como dor ou coceira. Não tem regressão espontânea e, muitas vezes,
precisa ser corrigido com infiltrações ou procedimento cirúrgico. É possível tratar o caso com microcorrentes:

-8-
Figura 3 - Depois do trauma, houve uma reação exacerbada no processo de reparo. É possível notar que a cicatriz
ultrapassa e muito o limite das bordas da lesão.
Fonte: MELEGA; VITERBO; MENDES, 2011, p. 12.

A necrose é a morte de um grupo de células do tecido, formando o tecido necrótico, ou tecido morto. Isso
acontece devido à falta de suprimento sanguíneo, que leva oxigênio e nutrientes ao tecido. Pode ocorrer em fases
de pós-operatório quando os vasos são interrompidos de forma que não permita a passagem do sangue.
Um fator agravante desse mecanismo é o tabagismo. A nicotina presente no cigarro leva à vasoconstrição dos
vasos sanguíneos, dificultando o aporte de sangue, principalmente, aos vasos de menor calibre, provocando a
necrose do tecido próximo a região de ferida cirúrgica. Essa ocorrência não pode ser tratada com procedimentos
estéticos e o tecido necrosado deve ser removido pelo médico. Apesar disso, esse evento pode ser evitado até
certo ponto com auxílio de terapias como a fototerapia e microcorrentes:

-9-
Figura 4 - Necrose de tecido em abdome inferior (complicação pós-operatória de abdominoplastia)
Fonte: CARNEIRO et al., 2019, p. 25.

A trombose venosa profunda é a formação de coágulos no sistema venoso profundo. Pode ocorrer também no
sistema venoso superficial, mas leva o nome de tromboflebite superficial. No caso da trombose venosa profunda,
o coágulo formado oclui a veia, interrompendo a passagem de sangue, podendo ser parte da estrutura ou total.
Os coágulos podem se formar devido ao processo inflamatório da lesão no pós-operatório e também devido à
circulação sanguínea mais lenta, pelo excesso de repouso.
Por isso, os médicos pedem que o paciente caminhe no pós-operatório poucas horas após a cirurgia e, também,
que faça o uso correto das meias de compressão durante todo o período exigido. Quando o coágulo se desloca,
ocorre o que chamamos de embolia.
A embolia pulmonar é uma complicação, geralmente, fatal. Quando o trombo (coágulo) formado, se desloca
pelo organismo e se aloja na artéria pulmonar.

VOCÊ SABIA?
Cirurgias plásticas são classificadas de acordo com os riscos de infecção de sítio cirúrgico,
sendo elas:
• cirurgias limpas – não apresentam processo infeccioso e inflamatório local e
durante a cirurgia, não ocorre penetração nos tratos digestivo, respiratório ou
urinário;
• cirurgias potencialmente contaminadas – necessitam drenagem aberta e

- 10 -
urinário;
• cirurgias potencialmente contaminadas – necessitam drenagem aberta e
ocorre penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário;
• cirurgias contaminadas – são aquelas realizadas em tecidos recentemente
traumatizadas e abertos, colonizadas por flora bacteriana abundante de difícil
ou impossível descontaminação, sem supuração local. Presença de inflamação
aguda na incisão cirúrgica e grande contaminação a partir do tubo digestivo.
Inclui obstrução biliar e urinária.
• cirurgias infectadas – são aquelas realizadas na presença do processo
infeccioso (supuração local) e/ou tecido necrótico.

A deiscência de sutura é considerada uma complicação grave devido à sua complexidade. Apesar de apresentar
um quadro inicial controlável, sua evolução pode causar prejuízos à saúde do paciente, expondo o organismo à
agentes externos. A deiscência é uma abertura na ferida cirúrgica que em um primeiro momento, teve suas
bordas aproximadas para ter uma cicatrização por primeira intenção. Nesse caso, não é possível reaproximar as
bordas, então, haverá exposição do tecido ao ambiente:

Figura 5 - Deiscência de sutura. Ocorre a abertura da ferida cirúrgica e não é possível reaproximar as bordas.
Fonte: Blurry Image, Shutterstock, 2020.

Em todo caso, o ideal é que os tratamentos sejam voltados para recuperar a integridade da pele e acelerar o
processo de cicatrização. O tratamento é medicamentoso, porém, o profissional de estética pode auxiliar essa
fase com o uso de fototerapia.

4.3 Procedimentos não-cirúrgicos minimamente invasivos


Os injetáveis vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado e não é à toa. Resultados de aplicação de toxina
botulínica e preenchedores entregam resultados que enchem os olhos e estão à disposição de muitos
profissionais da saúde que são autorizados a realizar injetáveis e que tenham formação para tal prática. O acesso
à informação sobre esses procedimentos é escancarado em redes sociais, agrupando cada vez mais adeptos.
A toxina botulínica é frequentemente confundida com preenchedores. Todos já devem ter ouvido frases como
“os lábios daquela pessoa estão enormes e estão cheios de Botox”. A toxina botulínica, mais conhecida por Botox,
sendo esse o nome do produto dado pela empresa em específico, tem ação nos músculos, paralisando-os e
suavizando linhas dinâmicas. Quanto aos preenchedores, sua função se dá ao nome: preenchem as regiões em

- 11 -
sendo esse o nome do produto dado pela empresa em específico, tem ação nos músculos, paralisando-os e
suavizando linhas dinâmicas. Quanto aos preenchedores, sua função se dá ao nome: preenchem as regiões em
que são aplicadas.
A popularização desses procedimentos apresenta, hoje, pontos positivos e negativos. Um ponto positivo é que,
em alguns casos, o resultado da aplicação é tão satisfatório que acaba dispensando a exposição do paciente à um
trauma, como uma cirurgia plástica. O ponto negativo é que a popularização trouxe a banalização e fácil acesso à
profissionais não habilitados. A falta de conhecimento acabou trazendo alguns resultados negativos e prejuízos à
muitos pacientes, inferiorizando a ação de produtos tão incríveis.
Assim, é de extrema importância que o profissional de Estética tenha conhecimento sobre esses procedimentos,
apesar de não poder executá-los. Muitos pacientes chegam ao esteticista com queixas tratáveis por terapias que
não podem ser empregadas em pacientes que tenham aplicação de toxina ou preenchedores. A falta de noção
sobre o tema pode trazer prejuízos à credibilidade do profissional, uma vez que o tratamento realizado pelo
esteticista pode desfazer o efeito da aplicação ou até provocar reações indesejadas.

VOCÊ QUER LER?


O livro “Cosmiatria e laser: Prática no consultório médico” (2012), de Andréia Mateus e
Eliandre Palermo, é extremamente rico em informações sobre preenchimentos e a toxina
botulínica. Com esse livro, é possível aprofundar ainda mais o conhecimento sobre esses
temas, a partir de informações voltadas para os profissionais que realizam esses
procedimentos. Apesar do profissional de Estética não poder realizar procedimentos com
injetáveis, o conhecimento é livre. Entender mais sobre o tema dá ao esteticista maior
segurança e autonomia para lidar com pacientes que fazem tratamentos dermatológicos como
o preenchimento, toxina botulínica, entre outros.

Sabemos que algumas eletroterapias podem diminuir o tempo de ação de toxina botulínica e dependendo do
preenchedor usado pode movimentar o material dentro da pele. Nesse momento, é possível entender em partes
porque o esteticista deve, sim, ter conhecimento sobre técnicas e tratamentos que ele não tem formação e
capacitação para realizar.

4.3.1 Toxina Botulínica

A aplicação da toxina botulínica, diferentemente do que a maioria das pessoas pensa, não é um procedimento
indicado para pessoas de idade avançada e sinais aparentes na face. Na verdade, ele é um procedimento estético
preventivo, portanto, deve ser adotado como o objetivo de evitar o aparecimento dos sinais do tempo.
Vemos nas mídias um grande apelo sobre a aplicação da toxina. Muitas expectativas falsas são geradas e esse
fator, somado à resultados insatisfatórios e dúvidas geradas a partir da utilização da técnica por profissionais
não habilitados, leva à um descredito que não deveria existir, uma vez que a toxina botulínica oferece resultados
incríveis, com alta eficácia e segurança.

- 12 -
Figura 6 - Antes e depois do tratamento com toxina botulínica. É possível notar em considerável redução de
linhas na região frontal.
Fonte: Blurry Image, Shutterstock, 2020.

Apesar de ser uma técnica com elevadas eficácia e segurança, algumas dúvidas a cercam, por exemplo, sobre
diluição do produto, difusão, doses, duração, ausência de resultados e o desenvolvimento de anticorpos
neutralizantes e cada vez mais pesquisas são realizadas com o objetivo de esclarecer esses pontos. De qualquer
forma, há um consenso de que a aplicação da toxina é o melhor recurso para o tratamento de rugas dinâmicas no
terço superior da face.
Sobre o possível desenvolvimento de anticorpos neutralizantes após a aplicação, importante considerar que isso
é perfeitamente possível uma vez que a toxina e a albumina presentes na formulação podem induzir a esse
processo por serem proteínas imunogênicas. Nesse caso, o único problema é a perda do efeito terapêutico e
consequente insatisfação do paciente.
O mecanismo de ação da toxina botulínica é bastante simples. A toxina em si é uma exotoxina proveniente da
bactéria que causa do botulismo e ela vai agir de forma seletiva na terminação nervosa motora sinérgica,
inibindo a liberação da neurotransmissão acetilcolina na pré-sinapse da junção neuromuscular. Basicamente, a
toxina causa enfraquecimento da musculatura, evitando a sua contração e, como consequência, atenua as linhas
causadas pelo excesso de mimica na pele.
A aplicação da toxina pode gerar alguns efeitos indesejáveis. Alguns pacientes se queixam de dor no momento da
aplicação, mas nada que seja um impedimento. Em alguns casos, pode haver sangramento, quando algum vaso é
atingido, e é indicado que sejam feitas compressas de gelo na região. A pigmentação se dissipa e o uso de
protetor solar é indispensável, além de que também pode ocorrer cefaleia após a aplicação e, em raros casos,
infecção no ponto da aplicação.
É importante salientar que, como todo procedimento estético, existem contraindicações. Pacientes que tenham
hipersensibilidade aos componentes da formula, infecção, pacientes com doenças neuromusculares e de

colágeno, imunossupressão, pacientes com diabetes descompensada em tratamento com alguns antibióticos,

- 13 -
colágeno, imunossupressão, pacientes com diabetes descompensada em tratamento com alguns antibióticos,
com problemas de coagulação, amamentação e gestação, todos são pacientes que apresentam impedimento para
a aplicação da toxina.
Na Estética, com o esteticista, o paciente que busca tratamento, mas faz aplicação de toxina botulínica, não
deverá ter em seu plano o uso de eletroterapia como: radiofrequência, microcorrentes e eletroneuroestimulação.
Essas terapias só deverão ser adotadas na região que não houver aplicação, como a terço inferior da face, por
exemplo. Cosméticos e recursos manuais não apresentam contraindicação.
Atualmente, a aplicação da toxina botulínica não tem apenas o objetivo de tratamento estético, uma vez que ela é
utilizada também para tratar hiperidrose, enxaqueca, bruxismo, nevralgia do trigêmeo, correção do sorriso
gengival, entre outros.

4.3.2 Preenchimento

O preenchimento é um procedimento que está em alta e, atualmente, ele não tem mais a única finalidade de
tratar o envelhecimento. Muitas pessoas, homens e mulheres, buscam o preenchimento como solução para
corrigir defeitos congênitos e traumáticos na face, além de tratamento para cicatrizes inestéticas. Outro motivo
para a busca desse procedimento é a harmonização facial que, em muitos casos, dispensa a realização da cirurgia
devido aos resultados satisfatórios, ainda que não sejam permanentes.
Apesar de ser considerado um procedimento muito seguro, nenhum dos preenchedores utilizados atualmente
oferecem total segurança e nenhuma complicação aos pacientes. Todos os produtos oferecidos têm chances de
apresentar formação de granulomas, o que é mais comum, do tipo corpo estranho, mesmo sendo em uma
pequena percentagem da população. Ainda não foi estudado suficiente o mecanismo de formação de granulomas,
portanto, não há recursos que evitem o seu aparecimento.
No Brasil, entre os preenchedores que já foram ou ainda são utilizados, temos: colágeno bovino, gel de
poliacrilamida, microesferas de ácido poli-L-lático (PLLA), não sendo um preenchedor comum, pois tem como
objetivo o remodelamento global da face, a partir do estímulo de colágeno tipo IV, polimetilmetacrilato (PMMA),
que não tem registro na ANVISA e é permanente, cuja aplicação leva o nome de bioplastia, e temos o ácido
hialurônico, mais utilizado atualmente, que tem como contraindicação pacientes com doenças autoimunes, com
infecções cutâneas e pacientes que estejam sob terapia imunossupressora.

Figura 7 - Antes e depois da aplicação de preenchedores nos lábios inferior e superior (ácido hialurônico).
Fonte: Blurry Image, Shutterstock, 2020.

Apesar da quantidade de profissionais da área da saúde que realiza a aplicação de preenchedores e a quantidade

- 14 -
Apesar da quantidade de profissionais da área da saúde que realiza a aplicação de preenchedores e a quantidade
de pessoas que se submetem a ela, as complicações devem ser ditas e qualquer sinal de aparecimento delas deve
ser sinalizado ao profissional que realizou o procedimento. Entre as complicações pode ocorrer a migração do
produto na pele, formação de edema imediato ou tardio e formação de granulomas, cicatrizes inestéticas,
formação de fibroses, hematomas e dor. Alguns desses efeitos podem ser transitórios ou tardios.
Outra complicação que oferece gravíssimos prejuízos ao paciente é a necrose do tecido. Ela pode ocorrer devido
a obstrução arterial causada pelo preenchedor ou até mesmo a lesão direta de um vaso. Um sinal de que isso
pode ter ocorrido é a perda de coloração na região onde foi injetado o produto, sinalizando a deficiência no
aporte sanguíneo. Nesse caso, o procedimento deve ser interrompido e seguido de massagens locais.

CASO
Uma paciente com aplicação de toxina botulínica no terço superior da face agenda uma
avaliação com a esteticista, buscando algum tratamento que melhore o contorno facial. A
paciente tem 45 anos, leva uma vida regrada e não tem problemas de saúde. É constatado que
a paciente apresenta musculatura íntegra, sem flacidez. Quanto à pele, é possível observar
ptose e, por isso, o foco do plano de tratamento será tratar a flacidez tissular.
Sabemos que não é possível entrar com eletroterapias no terço superior da face, uma vez que
pode prejudicar o resultado terapêutico da aplicação de toxina botulínica, mas o restante da
face não apresenta contraindicações. É possível, então, tratar esse quadro da seguinte maneira:
radiofrequência no terço médio e inferior da face tomando cuidado com a área dos olhos, onde
geralmente, se aplica a toxina para atenuar linhas na região de orbicular do olho, utilizando a
terapia em região de zigomático, nasogeniano, mento e mandíbula, pescoço e colo. Na parte
central do pescoço, se encontra a tireoide, então, essa região deve ser evitada.
Na face como um todo é possível utilizar cosméticos, massagem (evitando movimentos
vigorosos onde houve aplicação de toxina) e fototerapia, enquanto o uso de radiofrequência se
limita às regiões onde não houve aplicação.

Os pacientes que buscam procedimentos estéticos e têm aplicação de preenchedores na face, devem ter
preferência por cosméticos e terapias manuais no desenvolvimento do plano de tratamento por parte do
esteticista. Correntes elétricas e térmicas devem ser evitadas na região de aplicação e a fototerapia não
apresenta contraindicação.

4.3.3 Fios de sustentação

Os fios de sustentação são uma ferramenta de ampla empregabilidade por dermatologistas e cirurgiões plásticos.
A aplicação dos fios é uma técnica minimamente invasiva, que tem como objetivo principal atender às queixas
referentes à flacidez de pele e à perda de contorno facial. Atualmente, outros profissionais da saúde têm
liberação para tal técnica, mas é imprescindível que se tenha cursos para essa prática.
O avanço da técnica com fios de sustentação apresenta uma sequência de passos. Em um primeiro momento,
houve a popularização de fios não-absorvíveis, sendo estes constituídos por materiais como polipropileno,
policaproamida e até ouro. Alguns profissionais ainda fazem uso desse tipo de abordagem com fios não-
absorvíveis, mas eles vêm perdendo espaço no mercado por opções mais efetivas e seguras.
Hoje em dia, a conduta mais seguida é a aplicação de fios absorvíveis. Diferentemente do material não-
absorvível, que tem como objetivo principal apenas tracionar a pele, diminuindo, assim, o quadro de flacidez,

utilizando-se de fios lisos ou com pequenas garras, o fio absorvível tem como principal objetivo induzir a

- 15 -
utilizando-se de fios lisos ou com pequenas garras, o fio absorvível tem como principal objetivo induzir a
produção de colágeno no tecido.
Temos hoje no mercado dois tipos de fios absorvíveis: os de ácido polilático e os de polidioxanona. O primeiro
tem ação lifting já em um primeiro momento em que é feita a sua aplicação e nos meses seguintes pode-se
observar, ainda, uma melhora devido à produção de colágeno induzida pela presença do fio. O segundo não tem
nenhuma ação imediata, mas tem como objetivo principal uma melhora geral no quadro de flacidez, de forma
muito natural, devido à indução na produção de colágeno causada pelo fio.
É importante que o paciente tenha o acompanhamento do dermatologista para avaliar a evolução da técnica,
além de ser possível combinar outras terapias que atendam ainda mais o objetivo de rejuvenescimento. O
profissional de Estética também pode contribuir nesse momento, evitando a aplicação de eletroterapia nas
regiões de aplicação do fio ou manobras de massagem mais vigorosas.

4.3.4 PRP – Plasma rico em plaquetas

O procedimento que envolve a utilização do plasma tem ganhado muito espaço na área de Dermatologia. O
plasma utilizado no procedimento é retirado do sangue do próprio paciente. Ele é obtido a partir do sangue, em
um processo de centrifugação, separando o plasma de outros componentes presentes no sangue. O termo “rico
em plaquetas” é empregado devido à concentração de plaquetas considerada superior do que no sangue
circulante no organismo, a partir da amostra. O benefício oferecido pelo plasma é que as plaquetas contêm
muitos fatores de crescimento, portanto, o plasma é separado do sangue e posteriormente aplicado no paciente
de acordo com a queixa e a necessidade.
Atualmente, esse tratamento é explorado e estudado, principalmente, para reparo tecidual, mas ele já tem
grande uso em tratamentos de alopecia e rejuvenescimento. Muitos estudos ainda vêm sendo desenvolvidos
para entender melhor o mecanismo de ação do plasma no tecido, justificando, assim, a sua utilidade.
Na Estética, pacientes que fazem a aplicação PRP não apresentam nenhum tipo de contraindicação, só as já
conhecidas para qualquer tipo de procedimento estético, mas não devido à aplicação do plasma. É possível
utilizar de eletroterapias, terapias cosméticas e terapias manuais, sem que haja prejuízo ao resultado da técnica
de PRP.

Conclusão
Chegamos ao fim de mais uma unidade da disciplina. Aqui, pudemos aprender um pouco melhor sobre
procedimentos estéticos, sendo eles cirúrgicos ou não, bem como os cuidados que se deve ter no período pós-
cirúrgico.
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• aprender sobre os cuidados que o paciente de pós-operatório deve adotar;
• conhecer os cuidados de esteticista para paciente durante os atendimentos de pós-operatório em cabine;
• entender sobre as principais complicações na fase de pós-operatório e quais são tratáveis pelo
esteticista;
• compreender o uso de procedimentos minimamente invasivos;
• entender quais são as indicações para aplicação de toxina botulínica e preenchimento;
• conhecer quais são as intervenções possíveis do esteticista em pacientes que passaram por
procedimentos minimamente invasivos.

- 16 -
Bibliografia
CARNEIRO; G. H. G. et al. Necrose de parede abdominal após lipoabdominoplastia: relato de caso. Rev. Bras. Cir.
Plást., São Paulo, v. 34, p. 25-27, 2019.
GIELE, H.; CASSEL, O. Cirurgia plástica estética e reconstrutora. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Revinter, 2015.
MATHEUS, A.; PALERMO, E. Cosmiatria e laser: prática no consultório médico. 1. ed. São Paulo: AC
Farmacêutica, 2012.
PICCININI, P. S. et al. History of plastic surgery: Sir Harold Gillies, a pioneer of reconstructive plastic surgery.
Rev. Bras. Cir. Plást., São Paulo, v. 32, n. 4, p. 608-615, 2017.
ROTTA, O. Guia de medicina ambulatorial e hospitalar da UNIFESP – EPM: dermatologia clínica, cirúrgica e
cosmiátrica. São Paulo: Manole, 2008.
NATIONAL GEOGRAPHIC. Tabu: Cirurgias Plásticas (Dublado) - Documentário National Geographic - Visão do
Mundo - Documentários. Youtube, 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hPVF76j9tiM.
Acesso em: 18 fev. 2020.

- 17 -