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PROBLEMA 7

Objetivos:
1. Explicar a estrutura, propriedades químicas e função das proteínas.
• Identificar os aminoácidos essenciais e suas fontes
• Descrever o mecanismo de reações enzimáticas (substratos, sítio ativo, inibidores…)
• Relacionar a função proteica com hipertrofia dos músculos
2. Compreender os processos de digestão, absorção e transporte de proteínas.
3. Compreender a excreção de proteínas.
• Ciclo da ureia (excreção)
4. Explicar a regulação proteica
• Hormonal, enzimático
• Catabolismo e Anabolismo

PROTEÍNAS
BIOQUÍMICA
Estrutura
As proteínas são polímeros de aminoácidos ligados por ligação peptídica (um tipo especial de ligação covalente); 20 aminoácidos
diferentes são encontrados nas proteínas.
1. Aminoácidos

− Os aminoácidos são compostos por um grupo α-carboxila, um agrupamento α-amino e uma cadeia R ligados
ao C α
− O grupo R é a estrutura que diferencia os aminoácidos e determina suas características, como afinidade
eletroquímica, tamanho, carga elétrica
− Para todos os aminoácidos, a exceção da glicina, o C α é quiral (4 ligantes diferentes). Assim, os aminoácidos
têm dois estereoisômeros possíveis e são opticamente ativos.
• Os resíduos de aminoácidos em moléculas proteicas são exclusivamente estereoisômeros L.
• As células são capazes de sintetizar especificamente os isômeros L de aminoácidos porque os sítios
ativos de enzimas são assimétricos, tornando estereoespecíficas as reações por elas catalisadas.
− Os aminoácidos são anfóteros: os grupos amino e carboxila, em conjunto com os grupos ionizáveis R de
alguns aminoácidos, funcionam como ácidos e bases fracos.

• Exemplo da alanina: ácido diprótico quando protonação é completa


• Quando um aminoácido sem um grupo R ionizável é dissolvido em água em pH neutro, ele permanece
na solução como um íon bipolar, ou zwitteríon (alemão; “íon híbrido”), que pode agir como ácido ou
base

a. Grupo R
− As propriedades das cadeias laterais dos aminoácidos são importantes para a conformação das proteínas
e para sua função.
− De acordo com a polaridade do grupo R, os aminoácidos são classificados em duas grandes categorias:
aminoácidos apolares (grupo R hidrofóbico) e aminoácidos polares (grupo R hidrofílico)
• Alguns aminoácidos são um pouco difíceis de caracterizar ou não se encaixam perfeitamente
em qualquer grupo, como ocorre com glicina, histidina e cisteína.
− Grupo R apolar alifático

• Agrupamento R apolar e hidrofóbico


• Ex: alanina, valina, leucina, isoleucina, metionina
• Os aminoácidos tendem a se agrupar no interior da proteína,
estabilizando a estrutura proteica por meio de interações hidrofóbicas

− Grupo R polar, não carregados


• Grupo R mais hidrofílico
• Contêm grupos funcionais que formam
ligações de hidrogênio com a água - hidroxila
• Serina, treonina, cisteína, asparagina e
glutamina.
• A cisteína é um ácido fraco, cuja polaridade
deriva do grupo sulfidrila, se oxida
facilmente originando a cistina. A asparagina
e a glutamina são o grupo amida de 2
aminoácidos –glutamato e aspartato.

− Grupo R aromático

• Fenilalanina, tirosina, triptofano


• Conseguem participar de interações hidrofóbicas
• Na tirosina, o grupo hidroxila presente pode formar ligações de
hidrogênio. O triptofano, a tirosina e, em menor extensão, a fenilalanina,
absorvem a luz ultravioleta

− Grupo R carregado positivamente (básicos)

• Lisina, arginina, histidina


• A histidina é o único aminoácido comum que possui cadeia ionizável com
pKa próximo da neutralidade - facilmente protonada em pH7. Seus resíduos
funcionam como doadores/aceptadores de prótons

− Grupo R carregado negativamente


• Aspartato e glutamato

b. Aminoácidos incomuns
− Além dos 20 aminoácidos comuns, as proteínas podem conter resíduos derivados de um outro
polipeptídeo.
− Exs:
• 4-hidroxiprolina (derivado da prolina): componente da parede celular vegetal e de fibras
colágenas
• 5-hidroxilisina, derivada da lisina: componente de fibras colágenas
• 6-N-metil-lisina é um constituinte da miosina; γ-carboxiglutamato presente na protrombina
• Desmosina, derivada de lisina, compõe a elastina
c. Aminoácidos essências e não essenciais:
− Os aminoácidos não essenciais são sintetizados pelo organismo

− Os aminoácidos essenciais são obtidos por meio da alimentação.


• Arroz + feijão = todos os aminoácidos necessários

d. Curva de titulação
− A titulação ácido-base envolve a adição/remoção gradual de prótons
− pH baixo: predomínio da glicina totalmente protonada
− 1º estágio: grupo carboxila perde próton -> [ ] equimolares entre as
substâncias doadoras de p+
• Ponto médio dessa fase corresponde ao ponto de inflexão, onde o
pH é igual ao pKa do grupo protonado que está sendo titulado – no caso da
glicina, pH=2,34
− Segundo ponto de inflexão no pH 5,97 -> início da remoção do
segundo próton
• Glicina na sua forma zwitteriônica
− 2º estágio: remoção do próton do grupo amino; pH =9,60
• Quando a titulação chega ao fim, o pH é = 12, glicina predominante
na forma H2N¬CH2 ¬COO–.

− A partir da titulação da glicina é possível entender que o pKa de qualquer grupo funcional é em grande
parte afetado por seu ambiente químico
• Situação explorada nos sítios ativos de enzimas para promover mecanismos de reação
extraordinariamente adaptados que dependem dos valores de pKa perturbados de grupos
doadores/aceptores de prótons de resíduos específicos (não entendi bem – ver de novo)

− Relação entre carga final do aminoácido e o pH da solução:


• A carga elétrica total da molécula de um aminoácido resulta da soma algébrica das cargas
apresentadas pelos seus grupos ionizáveis, as quais, por sua vez, dependem dos valores de
seus pKa e do pH do meio
• Ponto isoelétrico (pH isoelétrico – pI): média aritmética dos dois valores de pKa; corresponde
ao valor de pH no qual a carga elétrica final do aminoácido é = 0
• No caso da glicina, o pI é a média aritmética dos valores de PKa = 5,97
o Em qualquer pH acima do seu pI a glicina terá uma carga final negativa; se
deslocando na direção do ânodo (+)
o Em qualquer pH abaixo do seu pI, a glicina tem uma carga final positiva e irá se
deslocar em direção ao cátodo (-)
− Os aminoácidos variam em suas propriedades acidobásicas e têm curvas de titulação características.
• Aminoácidos monoamino monocarboxílicos (com grupos R não ionizáveis) são ácidos
dipróticos (+H3NCH(R) COOH) em pH baixo e existem em várias formas iônicas diferentes à
medida que o pH aumenta.
• Aminoácidos com grupos R ionizáveis têm espécies iônicas adicionais, dependendo do pH do
meio e do pKa do grupo R.
• Os aminoácidos com um grupo carboxila e dois grupos que podem apresentar carga positiva
(lisina, histidina e arginina), a forma eletricamente neutra será mais abundante em um valor
de pH equidistante dos valores de pKa dos dois grupamentos básicos do aminoácido
2. Cadeias polipeptídicas (proteínas)
a. Formação das cadeias
• Duas moléculas de aminoácidos são ligadas, covalentemente, por meio de ligação amida substituída
(ligação peptídica)
o A formação peptídica é um exemplo de reação de condensação
o Consiste na desidratação do grupo α-carboxila de um aminoácido e do grupo α-amino de outro.

• A ligação peptídica não é feita por reação direta entre os aminoácidos, mas pelo aparato da síntese
proteica, que inclui ribossomos, RNA, várias proteínas e enzimas.
o A síntese compreende uma sequência de etapas, envolvendo um expressivo gasto de ATP, que
viabiliza termodinamicamente o processo
• Para tornar a reação mais favorável termodinamicamente, o grupo carboxila deve ser modificado ou
ativado quimicamente -> facilidade e agilidade para eliminar o grupo hidroxila modo que o grupo hidroxila
• As propriedade da ligação peptídica impõem algumas restrições ao dobramento do polímero, uma vez que
a ligação possui características intermediárias entre uma ligação simples e uma dupla.

o Uma consequência disso é a impossibilidade de rotação em torno da ligação; os 4 ligantes ficam


em um plano rígido (unidade peptídica)
o Porém há alguns pontos de dobramento propiciados pelas ligações simples entre carbonos.
• A cadeia polipeptídica pode conter um número variável de aminoácidos
o Dipeptídio: cadeia com 2 aminoácidos; com 3 é um tripeptídio e assim por diante.
o Polímeros contendo até 30 aminoácidos são chamados de oligopeptídios; quando o número é
maior, podendo chegar a centenas ou milhares, são chamados de polipeptídios.
o As cadeias polipeptídicas que podem ser associadas a uma função recebem a designação de
proteínas.
• Os peptídeos e polipeptídeos possuem comprimento, composição variáveis.
o Até mesmo dipeptídios possuem efeitos biológicos importantes, como o aspartame.
o Peptídeos menores exercem efeitos em [ ] baixas, como ocorre com a ocitocina (secretada pela
neuro-hipófise -> contrações uterina)

o Algumas proteínas consistem em apenas uma única cadeia polipeptídica, porém outras,
chamadas de proteínas multissubunidade, têm dois ou mais polipeptídeos associados de modo
não covalente
➢ Unidades idênticas, são chamadas de protômeros, formam proteína oligomérica – ex:
Hb, formada por duas cadeias α idênticas e duas cadeias β idênticas, todas as quatro
mantidas unidas por interações não covalentes
➢ Insulina: duas cadeias unidas por ligações dissulfeto
o A composição de aminoácidos das proteínas também é muito variável.
b. Comportamento de ionização
• Os peptídeos possuem um grupo N-terminal e um
C-terminal em extremidades opostas da cadeia;
esses grupos se ionizam de forma semelhante aos
aminoácidos livres.
• A ionização ocorre nos grupos R, contribuindo para
as propriedades acidobásicas da molécula.
o Assim, o comportamento acidobásico de
um peptídeo pode ser previsto a partir de
seus grupos α-amino e α-carboxila livres
combinado com a natureza e o número de
seus grupos R ionizáveis
• Os peptídeos vão ter curva de titulação e pI
característicos

c. Composição:
• Algumas proteínas - proteínas conjugadas - contêm
outros grupos químicos além dos aminoácidos; ex: Hb
o Os elementos não aminoácidos recebem o nome de grupo prostético.
o As proteínas conjugadas podem ser classificadas de acordo com a natureza química dos grupos
prostéticos; algumas proteínas podem ter mais de um grupo
d. Classificação
− As proteínas são classificadas como globulares ou fibrosas, segundo sua forma.
o As proteínas globulares
▪ Apresentam 1 ou mais cadeias polipeptídicas organizadas em uma forma final
aproximadamente esférica;
▪ Os segmentos se dobram uns sobre os outros → formação mais compactada =
diversidade estrutural
▪ São geralmente solúveis e desempenham funções dinâmicas (enzimas, transportadoras,
proteínas reguladoras)
o As proteínas fibrosas:
▪ Cadeias polipeptídicas arranjadas em longos filamentos ou folhas alongadas
▪ Composição fundamental: longas com estrutura secundária regular: α-hélice nas α-
queratinas; folha β pregueada nas β-queratinas e uma hélice característica no colágeno
▪ Insolúveis e desempenham um papel basicamente estrutural (suporte, forma e proteção
externa aos vertebrados)
▪ A resistência das proteínas fibrosas é aumentada pelas ligações covalentes entre as
cadeias polipeptídicas nas “cordas” multi-helicoidais e entre cadeias adjacentes em um
arranjo supramolecular.
▪ Colágeno (resistência; tendões, córnea); α-queratina (força; formação de pelo, unha;
cadeia estabilizada por ponte dissulfeto)

e. Estrutura
➢ Primária
o Consiste em uma sequência de aminoácidos unidos por ligação peptídica e pontes dissulfeto
o A estrutura primária de uma proteína determina como ela se dobra em sua estrutura 3D única, e
isso, por sua vez, determina a função da proteína.
o As proteínas com funções diferentes sempre possuem sequências de aminoácidos diferentes;
milhares de doenças genéticas humanas foram rastreadas para a produção de proteínas
defeituosas.
o Uma ligação íntima entre a estrutura primária da proteína e sua função é evidente.
o Peptídeos e proteínas pequenas (até cerca de 100 resíduos) podem ser sintetizados
quimicamente. O peptídeo é construído, um resíduo de aminoácido por vez, enquanto unido a
um suporte sólido.
o Sequências proteicas são uma fonte rica de informação sobre a estrutura e a função da proteína,
bem como sobre a evolução da vida na Terra.
➢ Secundária
o São estruturas tridimensionais regulares, formadas por segmentos da cadeia polipeptídica;
o Conformação: arranjo espacial dos átomos em uma proteína; inclui qualquer estado estrutural
em que as estruturas proteicas conseguem assumir sem que ocorra quebra das ligações
covalentes.
▪ As conformações que existem em determinadas condições são, normalmente, aquelas
termodinamicamente mais estáveis – menor energia livre de Gibbs (G)
▪ Proteína nativa: proteína dobrada em qualquer uma das suas conformações funcionais –
marginalmente estáveis
o A conformação proteica é estabilizada por interações fracas
▪ Estado não dobrado é mantido pela entropia e pelas interações de hidrogênio dos
diversos grupos da cadeia polipeptídicas com o solvente
▪ O estado dobrado é favorecido pelas ligações covalentes (pontes dissulfeto) e por
interações fracas não covalentes (maior papel no enovelamento)
▪ No geral, conformação proteica de energia livre mais baixa, a mais estável, é aquela
com o número máximo de interações fracas.
▪ Interações fracas: predomínio das hidrofóbicas; arranjo água + molécula hidrofóbica =
camada de solvatação
o As interações hidrofóbicas são importantes na estabilização da conformação: o interior de uma
proteína geralmente é um núcleo altamente empacotado de cadeias laterais de aminoácidos
hidrofóbicos
o Organizações particularmente estáveis: o enrolamento da cadeia ao redor de um eixo e a
interação lateral de segmentos de uma cadeia polipeptídica (α-hélice) ou de cadeias diferentes
(folha β pregueada)
▪ Quando um padrão regular não é observado, a estrutura secundária algumas vezes é
chamada de indefinida ou espiral aleatória
o Alterações conformacionais de estruturas secundárias em proteínas estão associadas a
patologias neurodegenerativas, como as doenças de Parkinson e de Alzheimer
o A extensão do segmento da cadeia polipeptídica que se organiza nessas duas configurações
pode variar de alguns a dezenas de aminoácidos, conforme a estabilização por ligações de
hidrogênio entre -NH e -C=O
o α-hélice
▪ É o arranjo mais simples que a cadeia polipeptídica pode assumir que maximiza o uso
de ligações de hidrogênio internas.
▪ Mantida por ligações de hidrogênio, dispostas paralelamente ao eixo, formadas entre
uma unidade peptídica e a quarta unidade peptídica subsequente → otimização das
ligações → maior estabilidade
▪ O esqueleto polipeptídico é firmemente enrolado em torno de um eixo imaginário
desenhado longitudinalmente no centro da hélice. As cadeias laterais dos aminoácidos
estão projetadas para fora da hélice e não participam das pontes de hidrogênio; em
função disso, muitas sequências diferentes de aminoácidos podem adotar esta
configuração, mas certas sequências de aminoácidos não podem (vários aa vizinhos
com mesma carga)
▪ A hélice α voltada para direita é a forma comum encontrada nas proteínas.
▪ A torção de uma hélice garante que ocorram interações entre a cadeia lateral de um
aminoácido e a cadeia lateral do terceiro (às vezes quarto) resíduo adiante, para ambos
os lados da hélice
▪ Resíduos de Pro e Gly apresentam a menor proporção a formar hélices; resíduos Pro
geram torção e não possuem átomos de H para formar pontes de hidrogênio. A Gly
possui maior flexibilidade conformacional, tendendo a formar estruturas espiraladas.
▪ Fatores que alteram a estabilidade: tendência intrínseca do aminoácido em formar uma
hélice; as interações entre os grupos R; os volumes de grupos R adjacentes; a
ocorrência de resíduos Pro e Gly; e interações entre os resíduos de aminoácidos das
extremidades do segmento helicoidal e o dipolo elétrico inerente da hélice.
▪ Ex: mioglobina
o Folha β pregueada
▪ Conformação mais estendida das cadeias; esqueleto da cadeia
polipeptídica está estendido em forma de zigue-zague → aspecto de uma
folha de papel pregueada
▪ Mantida por ligações de hidrogênio formadas entre segmentos
adjacentes da cadeia; as ligações são estabelecidas entre cadeias
polipeptídicas diferentes ou entre segmentos distantes de uma mesma
cadeia
▪ Os grupos R dos aminoácidos adjacentes se projetam da estrutura
em zigue-zague em direções opostas, criando um padrão alternado
▪ As cadeias apresentam uma conformação mais distendida que na
αhélice e dispõem-se lado a lado.
▪ As ligações de hidrogênio são perpendiculares ao eixo das cadeias,
e os grupos R dos aminoácidos projetam-se para cima e para baixo do plano
da folha.
▪ As cadeias podem ser tanto paralelas quanto antiparalelas –
orientação aminocarboxiterminal igual ou oposta, respectivamente.
▪ Nas folhas antiparalelas, as ligações de H intersegmentares são
alinhadas. Nas folhas paralelas, elas são distorcidas

o Voltas β
▪ Conectam as extremidades de dois
segmentos adjacentes de uma folha β
antiparalela.
▪ É uma volta de 180° que envolve 4
resíduos de aminoácidos, com o oxigênio
carbonílico do primeiro resíduo formando
uma ligação de hidrogênio com o
hidrogênio do grupo amino do quarto
resíduo.
▪ Os grupos peptídicos dos dois resíduos
centrais não participam de nenhuma
ligação de hidrogênio inter-resíduos.
▪ Presença dos resíduos Pro e Gly
▪ São encontradas próximas à superfície das
proteínas, onde os grupos peptídicos dos
dois resíduos de aminoácidos centrais da
alça podem fazer ligação de hidrogênio
com a água.

➢ Terciária
o Descreve o dobramento final da cadeia polipeptídica por interação de regiões com estrutura
regular (αhélice ou folha β pregueada) ou de regiões sem estrutura definida; inclui aspectos de
alcance mais longo da sequência de aminoácidos
o Os segmentos distantes da estrutura primária podem se aproximar e interagir, por intermédio de
ligações não covalentes mais fracas entre as cadeias laterais dos resíduos de aminoácidos
o Diferentes tipos de ligação: ligações de hidrogênio, interações hidrofóbicas, ligações iônicas ou
salinas e forças de van der Waals.
o Além de ligações não-covalentes, a estrutura proteica pode ser estabilizada por pontes dissulfeto
formadas entre dois resíduos de cisteína por meio de oxidação

➢ Quaternária
o É a estrutura que descreve a associação de duas ou mais cadeias polipeptídicas (subunidades)
iguais ou diferentes, para compor uma proteína funcional.
o A estrutura quaternária é mantida geralmente por ligações não covalentes entre as subunidades,
dos mesmos tipos que mantêm a estrutura terciária.
o Multímero = uma proteína com múltiplas subunidades
▪ Caso as subunidades do multímero sejam diferentes = proteína assimétrica
▪ Um multímero “pequeno” = oligômero
▪ Protômero = unidades iguais repetidas

➢ Ordenação:
o As proteínas intrinsecamente desordenadas carecem de um núcleo hidrofóbico; são
caracterizadas por alta densidade de aminoácidos carregados, como Lys, Arg e Glu
o Essa desordem estrutural e a alta densidade de cargas podem facilitar a atividade de algumas
proteínas, como espaçadoras, isolantes, sequestradoras de íons
o Muitas proteína intrinsecamente desordenadas são o núcleo de importantes redes de interações
proteicas.
▪ Pode ter uma facilidade a um tipo de promiscuidade funcional, permitindo a interação
de uma proteína com múltiplos parceiros
3. Desnaturação e enovelamento
✓ A manutenção contínua do grupo ativo de proteínas celulares, necessárias em um dado conjunto de
condições, é chamada proteostase (homeostase proteica)
• A proteostase celular requer a atividade coordenada de vias para síntese e enovelamento de proteínas, o
redobramento de proteínas parcialmente desdobrada e o sequestro e degradação de proteínas
irreversivelmente desdobradas.
a. Enovelamento
• Após a produção proteica nos ribossomos, deve haver dobramento das proteínas para atingir a
conformação nativa.
• Processo espontâneo ou com assistência enzimática – chaperonas; não é um processo aleatório
• As principais vias de enovelamento são hierárquicas.
o As estruturas secundárias locais se formam primeiro → dobramento de aa em α-hélice ou folha β
o Depois, ocorrem interações de longo alcance entre, por exemplo, elementos da estrutura
secundária que se aproximam para formar estruturas enoveladas estáveis.
o As interações hidrofóbicas exercem um papel significativo ao longo do processo -> agregação das
cadeias laterais de aminoácidos apolares fornece uma estabilização entrópica a intermediários e,
por fim, à estrutura enovelada final.
• Interações iônicas podem ter papel importante para o direcionamento do enovelamento
• Proteínas nas quais predominam as interações de curto alcance (entre vizinhos) tendem a se dobrar mais
rapidamente
• Por análise termodinâmica, o processo de enovelamento pode ser visto como um funil de energia livre.
o À medida que o enovelamento ocorre, o estreitamento do funil reflete a diminuição do espaço
conformacional que deve ser procurado, à medida que a proteína se aproxima de seu estado
nativo
o A estabilidade termodinâmica não é igualmente distribuída na estrutura da proteína – a molécula
tem regiões de relativa alta estabilidade e outras de estabilidade baixa ou desprezível.
• Enovelamento assistido (papel da chaperonas)
o As chaperonas facilitam os mecanismos de enovelamento correto ou garantem um
microambiente adequado para ocorrer o enovelamento
o Principais famílias: Hsp70 e chaperoninas.
o Hsp70

▪ Se ligam a regiões não dobradas de peptídeos hidrofóbicos –


proteção à desnaturação por temperatura
▪ Também bloqueiam o enovelamento de certas proteínas que
devem permanecer não dobradas até que sejam deslocadas através da
membrana
▪ Se ligam aos polipeptídeos e os liberam em um ciclo que utiliza a
energia da hidrólise do ATP e envolve diversas outras proteínas

o Chaperoninas:
▪ É uma classe de proteínas estruturadas como uma série de anéis de múltiplas
subunidades, formando duas câmaras orientadas uma de costas para a outra

• Proteínas que são mal dobradas exibem superfícies hidrofóbicas – agregados inativos; recebem marcação
de ubiquitina (degradação proteolítica nos proteassomos) → acúmulo gera patologias como diabetes,
Parkinson e Alzheimer
o Estão associadas com um mecanismo de enovelamento errôneo: uma proteína solúvel
normalmente secretada pela célula é secretada em um estado de enovelamento errado, sendo
convertida em uma fibra amiloide extracelular insolúvel
b. Desnaturação
• Processo de perda de função proteica; ocorre por alterações nas condições ideais para cada proteína.
• NÃO corresponde, necessariamente, a um estado de desdobramento – não há quebra de ligação peptídica
• Agentes desnaturantes:
o pH
• pH extremo altera a carga líquida da proteína, o que gera repulsão eletrostática e
rompimento de ligações

o Temperatura
• Produz maiores efeitos nas interações mais fracas
• Alterações gradativas de temperatura = estabilidade da cadeia até um ponto máximo
o Solventes orgânicos (álcool e acetona), solutos (ureia, hidrocloreto de guanidina) ou por
detergentes – rompimento de interações hidrofóbicas
• Pode levar à precipitação de proteínas, em consequência da formação de agregados proteicos pela
exposição de superfícies hidrofóbicas
• O processo de desnaturação pode ser reversível em algumas proteínas

c. Renaturação
• Retorno à forma nativa de proteínas que sofreram desnaturação.
• O processo de renaturação demonstra que a estrutura 3D de uma proteína é consequência de sua
estrutura primária → é determinada, unicamente, por sua sequência de aminoácidos.
• Ex clássico – caso da ribonuclease A
o Soluções concentradas em ureia -> desnaturação: rompimento das 4 pontes dissulfeto e das
interações hidrofóbicas; perda do sítio catalítico -
Função
As proteínas são moléculas dinâmicas cujas funções dependem de modo quase invariável de interações com outras moléculas, e
essas interações são afetadas de maneiras fisiologicamente importantes por mudanças sutis ou súbitas na conformação
proteica.
• As funções de muitas proteínas envolvem a ligação reversível com outras moléculas;
• Ligante- molécula que interage, de maneira específica, com a proteína no sítio de ligação.
• Encaixe induzido: é o conjunto de adaptações que as interações proteína-ligante geram mudanças conformacionais
para tornar o sítio mais complementar
Mudanças na conformação podem ser sutis, refletindo vibrações moleculares e pequenos movimentos de resíduos de
aminoácidos por toda a proteína; mudanças significativas possibilitam com que estruturas proteicas desloquem-se por
“grandes” distâncias.
1. Função imune
• A imunidade é realizada pelos leucócitos (macrófagos e linfócitos) por meio das respostas imunes.
• Sistema imune humoral: infecções bacterianas e vírus extracelulares
Anticorpos ou imunoglobulinas (Ig): proteínas solúveis que se ligam aos agentes e os conduzem a
destruição; são produzidos pelos linfócitos B
• Sistema imune celular: destrói células hospedeiras, parasitas e tecidos estranhos
Agentes: linfócitos T – reconhecimento das células infectadas é feito pelas receptores de células T,
proteínas na superfície celular
Citocinas: proteínas sinalizadoras produzidas pelas células T auxiliares
• Cada proteína de reconhecimento do sistema imune, seja um receptor de célula T ou um anticorpo produzido
pelas células B, se liga especificamente a uma determinada estrutura química, distinguindo-a de todas as
outras
• A IgG é a principal classe de moléculas de anticorpos; formada por 4 cadeias polipeptídicas unidas por ligações
não covalentes e pontes dissulfeto
• As Ig podem ser hidrolisadas por proteases nas “dobradiças” que separam a base da molécula de seus braços,
liberando os fragmentos de ligação ao antígeno.
• Os domínios constantes têm uma estrutura característica conhecida como padrão de enovelamento das Ig,
motivo estrutural bem conservado em todas as proteínas da classe β
• Os vertebrados possuem várias classes de Ig: IgM, IgD, IgE, IgA. Determinada Ig geralmente interage com uma
parte somente, chamada de epítopo, de um antígeno grande. A interação frequentemente envolve mudanças
na conformação da IgG, um encaixe induzido ao antígeno.
• A especificidade de ligação de um anticorpo é determinada pelos resíduos de aminoácidos nos domínios de
suas cadeias. Essa especificidade é conferida pela complementariedade química entre antígeno e sítio de
ligação
• Os anticorpos se ligam
2. Receptores:
• Os receptores são proteínas normalmente encontradas na superfície externa das células e que se estendem
através da membrana plasmática;
• Atuam no reconhecimento e interação com ligantes extracelulares, desencadeando mudanças no interior da
célula
• Importantes no mecanismo de sinalização e comunicação extracelular
3. Proteínas motoras
• A maioria dos movimentos celulares, das macromoléculas e de organismos resultam da atividade da classe de
motores moleculares proteicos.
• As interações entre as proteínas motoras caracterizam combinações complementares de interações de van der
Waals, iônicas, hidrofóbicas e de ligações de hidrogênio nos sítios de ligação das proteínas; essas interações
alcançam níveis muito altos de organização espacial e temporal
• Essa classe de proteínas constitui a base da contração muscular, da migração das organelas ao longo dos
microtúbulos, da rotação dos flagelos bacterianos e do movimento de algumas proteínas ao longo do DNA
• Cinesinas e dineínas: movem-se ao longo dos microtúbulos; puxam organelas e reorganizam os cromossomos
durante a divisão celular.
Interação dineína – microtúbulos = movimentos ciliar e flagelar
• Actina e miosina são responsáveis pela força contrátil muscular; são organizadas em filamentos com
interações transitórias que envolvem ligação fracas
• Miosina:
Possui 6 subunidades (4 cadeias leves e 2 pesadas)
Nas extremidades C-terminais, estão organizadas como hélices α estendidas, enroladas umas ao redor
das outras em uma espiral fibrosa enrolada para a esquerda. Em N-terminal há domínio globular
grande contendo o sítio onde o ATP é hidrolisado
Nas células musculares, as moléculas de miosina se agregam e formam estruturas chamadas de
filamentos grossos -> organizadas com as caudas fibrosas associadas formando uma estrutura bipolar
• Actina
Estão associadas formando um polímero longo, a actina F. O filamento fino é composto pela actina F
em associação com a troponina e com a tropomiosina
A parte filamentosa dos filamentos finos é montada pela adição sucessiva de moléculas monoméricas
de actina a uma das extremidades -> hidrólise de ATP -> complexo actina-ADP
Cada monômero de actina no filamento fino pode se ligar firme e especificamente a uma cabeça de
miosina
• Contração:
i. Ligação do ATP a miosina -> abertura de uma fenda na molécula -> rompimento da interação actina-
miosina -> liberação da actina.
ii. Hidrólise do ATP -> mudança conformacional para o estado de “alta energia” -> movimento da cabeça
da miosina -> ligação fraca miosina-actina F (região do disco Z) -> liberação de Pi
iii. Mudança conformacional: fechamento da fenda na molécula de miosina = fortalecimento da ligação
actina-miosina
iv. Movimento de força – retorno da miosina ao estado de repouso = puxa a cauda na direção do disco Z
-> liberação de ADP
• Regulação: mediada pela troponina + tropomiosina
Tropomiosina se liga ao filamento fino bloqueando os sítios de acoplamento das cabeças de miosina
A troponina se liga ao Ca+2 -> o cálcio causa mudança conformacional nos complexos tropomiosina-
troponina, expondo os sítios de ligação à miosina nos filamentos finos.

Enzimas
As enzimas são proteínas catalisadoras que aumentam a velocidade das reações sem sofrer alterações no processo global. As
enzimas têm um poder catalítico extraordinário; possuem um alto grau de especificidade para os seus respectivos substratos,
aceleram as reações químicas e atuam em soluções aquosas sob condições suaves de temperatura e pH
1. Introdução
1.1. Estrutura
• A maioria das enzimas são proteínas, exceto um grupo de RNA catalíticas.
• As conformações estruturais proteicas (primária, secundária ...) são essenciais para a atividade enzimática.
− A atividade catalítica depende da integridade das suas conformações nativas.
− Em casos de dissociação ou desnaturação, a atividade catalítica é perdida
• Algumas enzimas não necessitam de outros grupos químicos além da própria cadeia de aminoácidos. Outras
enzimas necessitam de “um algo a mais” – o cofator.
− O cofator pode ser um ou mais íons inorgânicos [Fe+2, Mg+2 ou Zn+] ou uma molécula orgânica
complexa, a coenzima.

− A coenzima atua como carreadora transitória de grupos funcionais específicos. A maioria das
coenzimas são derivadas de vitaminas, nutrientes orgânicos
− Algumas enzimas precisam tanto de uma coenzima quanto de íons metálicos para funcionarem
− Caso uma coenzima ou íon se ligue muito firmemente à enzima, recebe o nome de grupo prostético.
• Uma enzima completa, cataliticamente ativa junto com a sua coenzima e/ou íons metálicos, é denominada
holoenzima.
− A parte proteica é denominada apoenzima ou apoproteína
• Algumas enzimas são modificadas covalentemente por reações de fosoforilação, glicosilação, entre outras ->
via da MAP quinase-quinase ...
1.2. Classificação
• As enzimas são classificadas de acordo com as reações que catalisam

2. Funcionamento
• As enzimas proporcionam um ambiente específico adequado para que uma dada reação possa ocorrer mais
rapidamente.
− A reação ocorre confinada em um bolsão da enzima denominado sítio ativo.
− O complexo enzima-substrato é fundamental para a atividade enzimática

• A velocidade das reações pode ser modificada por variações de temperatura e/ou pressão, presença de
catalisador
• As enzimas alteram apenas a velocidade da reação

− O ponto de partida tanto da reação direta quanto da reação reversa é denominado estado
fundamental, a contribuição que uma molécula média (S ou P) fornece para a energia livre do
sistema, sob dadas condições do sistema.
− Estado de transição: é um ponto a partir do qual o decaimento para o estado S ou para o estado P
tem a mesma probabilidade de ocorrer (nos dois casos a curva é descendente).
❖ É um momento molecular transitório em que eventos como a quebra de ligação, a formação
de ligação ou o desenvolvimento de carga ocorrem com a mesma probabilidade de seguirem
tanto para formar novamente o substrato como para formar o produto.
• As enzimas aumentam a velocidade por diminuir a Eat das reações.
− O papel da enzima é acelerar a conversão S → P; não é gasta durante o processo e o ponto de
equilíbrio permanece inalterado.
− As enzimas não apenas aceleram as reações, mas também as organizam e as controlam de modo que
boa parte da energia liberada é recuperada em outras formas químicas, sendo disponibilizada para as
células realizarem outras tarefas.
− As reações podem ter várias etapas, incluindo a formação e o consumo de espécies químicas
transitórias, os intermediários da reação. Qualquer espécie da rota da reação que tenha uma vida
química finita é um intermediário da reação.
− Quando a reação S ↔ P é catalisada por uma enzima, os complexos ES e EP podem ser considerados
intermediários, mesmo que S e P sejam espécies químicas estáveis. No curso de uma reação
catalisada por enzima geralmente existem intermediários químicos menos estáveis.
− Etapa com a maior energia de ativação corresponde à etapa limitante da velocidade; pode variar de
acordo com as condições de reação;
• Energia de ativação
− É uma barreira energética para as reações químicas, sendo uma barreira importante para a
manutenção da vida.
− A velocidade na qual uma molécula sofre uma determinada reação diminui à medida que a barreira
da reação aumenta.
− Sem essas barreiras energéticas, as moléculas conseguiriam reverter a reação espontaneamente
− Durante a evolução, as enzimas desenvolveram-se para atuar seletivamente na redução da Eat
• A velocidade e o equilíbrio da reação possuem definições termodinâmicas precisas.
− O equilíbrio da reação está inexoravelmente ligado à variação da energia livre padrão da reação, ΔG°
e a velocidade da reação está ligada à energia de ativação, ΔG
− A velocidade de uma reação é determinada pela concentração dos reagentes e por uma constante de
velocidade
− A energia de ativação mais baixa = velocidade de reação mais rápida
• A enzimas possuem forte especificidade pelo substrato
− As enzimas conseguem distinguir facilmente até mesmo substratos com estruturas semelhantes
− O rearranjo de ligações covalentes durante a catálise:
❖ Muitos tipos de reações químicas ocorrem entre os substratos e os grupos funcionais da
enzima.
❖ Grupos funcionais catalíticos na enzima podem formar ligações covalentes transitórias com
um substrato e ativá-lo para a reação, ou um grupo pode ser transitoriamente transferido do
substrato para a enzima.
❖ Essa interações covalentes, que ocorrem apenas no sítio ativo, diminuem a Eat e aceleram a
reação ao fornecerem uma via alternativa de baixa energia para que a reação ocorra
− A interações não covalentes:
❖ Esse tipo de interação é fundamental para a formação de complexos entre proteínas e
substratos, uma vez que fornece a maior parte da energia usada para reduzir Eat.
− Boa parte do poder catalítico enzimático deriva da energia livre liberada na formação de ligações
fracas e na interação E-S
− Os sítios ativos da enzima são complementares aos estados de transição pelos quais os substratos
passam ao serem convertidos em produtos
• Complexo enzima-substrato (ES)
− A interação enzima-substrato é mediada por ligações de H e interações hidrofóbicas e iônicas
− A formação de cada interação fraca no complexo ES é acompanhada pela liberação de uma pequena
quantidade de energia livre que estabiliza a interação → energia de ligação
− A energia de ligação é a principal fonte de energia livre utilizada pelas enzimas para a diminuição da
Eat
− Interações enzima-substrato
❖ No início acreditava-se que havia uma interação “exclusiva” entre E-S; porém essa hipótese
de chave=fechadura limita a catálise enzimática.
− A noção moderna da catálise enzimática propõe que para poder catalisar as reações, as enzimas
devem ser complementares ao estado de transição da reação -> as interações ótimas só ocorrem
nesse estado de transição
− No complexo ES há a formação de interações fracas, mas a completa complementaridade entre o
substrato e a enzima ocorre apenas quando o substrato estiver no estado de transição.
❖ A energia de ligação liberada durante a formação dessas interações compensa parcialmente
a energia necessária para atingir o topo da curva de energia.
− A soma da energia de ativação ΔG‡ desfavorável (positiva) e a energia de ligação favorável ΔGB
(negativa) resulta em uma redução líquida da energia de ativação.
− Mesmo quando ligado à enzima, o estado de transição não é uma forma estável, mas sim o curto
período de tempo em que o substrato permanece no topo da curva de energia.

− Interações fracas de E-S fornecem uma força propulsora para a catálise enzimática. -> maior
relevância das interações formadas no estado de transição
− As enzimas devem fornecer grupos funcionais para as interações iônicas, ligações de H e outras,
também deve posicionar precisamente esses grupos para otimizar a energia de ligação durante o
estado de transição.
• A energia de ligação contribui para a especificidade da reação e da catálise
− A mesma energia de ligação que fornece energia para a catálise também dá às enzimas sua
especificidade.
− Se o sítio ativo de uma enzima tiver grupos funcionais organizados, formando uma grande variedade
de interações fracas com determinado substrato, a enzima não será capaz de interagir com a mesma
intensidade com alguma outra molécula.
− Qualquer molécula que tiver um grupo funcional extra para o qual a enzima não tenha um sítio de
ligação provavelmente será excluída da enzima.
− De maneira geral, a especificidade deriva da formação de muitas interações fracas entre a enzima e a
molécula específica do substrato.
− Alguns fatores físicos e termodinâmicos preponderantes contribuem para a energia de ligação (ΔG‡),
sendo possível incluir:
i. A entropia:
Corresponde à liberdade de movimento, que reduz a possibilidade de que elas
reajam entre si;
A energia de ligação mantém o substrato orientado para que a reação ocorra bem –
contribuição importante para a catálise
ii. Solvatação
Existência de uma camada de solvatação das moléculas de água ligadas por
ligações de H e que rodeiam e ajudam a estabilizar a maioria das moléculas
biológicas em solução aquosa – impedimento para a reação
Formação de ligações fracas entre substrato e enzima = dessolvatação do
substrato. As interações ES substituem a maioria das ligações de H entre o
substrato e água
iii. A distorção dos substratos que ocorre em muitas reações
A energia de ligação envolvendo interações fracas ajudam a compensar
termodinamicamente distorções – principalmente a redistribuição de elétrons
iv. A necessidade de um alinhamento apropriado dos grupos funcionais catalíticos da enzima.
As enzimas sofrem uma mudança conformacional quando há ligação do substrato –
ajuste induzido
Esses movimentos podem afetar uma porção ou podem envolver mudanças no
posicionamento de domínios.
• Grupos catalíticos específicos
− Grupos catalíticos posicionados apropriadamente ajudam no rompimento e na formação de ligações
por vários mecanismos incluindo catálise acidobásica, catálise covalente e catálise por íons. Esses
mecanismos, porém, são distintos dos da energia de ligação – envolvem interação transitória
covalente com o substrato ou transferência de grupos do ou para o substrato.
− Catálise geral acidobásica
Transferência de prótons mediada por alguma outra molécula
diferente da água
Nas reações não catalisadas por enzimas que ocorrem em soluções
aquosas, a adição de ácidos ou bases fortes proporciona uma aceleração da
velocidade observável somente se o intermediário instável da reação
quebrar-se em reagentes com mais rapidez do que a transferência de
prótons apenas da água
No sítio ativo das enzimas, a catálise acidobásica geral torna-se
crucial. Algumas cadeias laterais de aminoácidos podem assumir o papel de
agentes doadores e aceptores de prótons

− Catálise covalente
Na catálise covalente há a formação de uma ligação covalente
transitória entre a enzima e o substrato; catalisador covalente = enzima com
grupo nucleofílico X:
Isso modifica o caminho da reação e resulta em catálise apenas quando o novo caminho tiver
uma Eat menor do que a da reação catalisada
Esses complexos covalentes sempre passam por uma reação adicional para regenerar a
enzima livre. A ligação covalente entre enzima e substrato pode ativar o substrato para uma
reação posterior de um modo geralmente específico para um grupo ou uma coenzima
− Catálise por íons
O metais podem participar da catálise de diversas maneiras
Interações iônicas entre metais ligados a enzimas e substratos podem ajudar a orientar o
substrato para a reação ou estabilizar estados de transição carregados
Os metais também podem ser mediadores de reações de oxirredução por mudanças
reversíveis no estado de oxidação do íon metálico.
3. Cinética enzimática
3.1. Concentração do substrato

• Um fator-chave que afeta a velocidade das reações catalisadas por enzimas é a


concentração do substrato
• Em concentrações relativamente baixas de substrato, V0 aumenta quase linearmente
com o aumento de [S].
• Em altas concentrações de substrato, V0 aumenta em pequenas quantidades em
resposta ao aumento da [S]. Enfim, é atingido um ponto de saturação além do qual o
aumento de [S] leva a um aumento insignificantemente pequeno em V 0 – platô de Vmáx
• A obtenção de um platô na velocidade de reação em altas concentrações de
substrato reflete a saturação, pelo substrato, de todos os sítios de ligação disponíveis
nas moléculas enzimáticas presentes.

• Postulado de Michaelis e Menten: primeiro a enzima se combina, de forma reversível, com o substrato
formando E-S em uma etapa rápida. Então, o complexo ES é rompido em uma etapa lenta (etapa limitante),
fornecendo a enzima livre e o produto.
− Em determinado instante de uma reação catalisada por enzima, a enzima existe em duas formas, na
forma livre ou na forma combinada (ES).
− Em baixa [S], a maior parte da enzima está na forma livre. Assim, a velocidade é proporcional à [S]
porque o equilíbrio é deslocado na direção da formação de mais ES à medida que [S] aumenta
− A Vmáx ocorre quando quase toda a enzima estiver presente como complexo ES -> enzima saturada =
adições de S não alteram mais a V
• Nos instantes inicias em que a enzima é misturada com um grande excesso de substrato, há o período pré-
estacionário em que a [ES] aumenta. A duração desse estado é muito curta e logo a reação atinge o estado
estacionário em a [ES] permanece constante
a. Relações quantitativas
➢ Equação de Michaelis-Menten
− A equação descreve o comportamento cinético da grande maioria das enzimas, sendo que todas
as enzimas que exibem uma dependência hiperbólica de V0 sobre [S] são consideradas como
seguindo a cinética de Michaelis-Menten
− Muitas das enzimas que seguem a cinética de Michaelis-Menten têm mecanismos de reação
muito diferentes,

➢ Hipótese do estado estacionário: não há variação de [ES] com o tempo; a


velocidade de formação de ES é igual à de degradação de ES
➢ O Km (constante de Michaelis-Menten)
− É característico para cada enzima e seu substrato; reflete a afinidade
enzimática pelo substrato
− Não varia com a [enzima]; é numericamente igual à [S] no instante em que a
velocidade corresponde à metade da Vmáx
− Km baixo = alta afinidade da enzima pelo substrato; Km alto = baixa afinidade
➢ Relação velocidade-[E]
− A velocidade da reação é diretamente proporcional à [E]
➢ Ordem da reação:
− [S] muito menor que Km = velocidade proporcional a [S] – velocidade de
primeira ordem
− Quando a [S] é muito maior do que o Km = a velocidade constante e igual à V
máx – velocidade de ordem 0
➢ As reações enzimáticas com dois substratos geralmente envolvem a
transferência de um átomo de um grupo funcional de um substrato para o outro;
ocorrem por vários mecanismos diferentes
3.2. Inibição
• Inibidores de enzimas são moléculas que interferem com a catálise, diminuindo ou interrompendo as reações
enzimáticas.
a. Reversível

i. Inibição competitiva: competição pelo sítio ativo enzimático


o Grande parte dos inibidores competitivos têm estrutura similar à
estrutura do substrato e se combinam com a enzima formando um
complexo EI. À medida que o inibidor ocupa o sítio ativo, ele impede
que o substrato se ligue à enzima.
o Quantitativamente pode ser analisada usando a cinética do estado
estacionário.
o Uma vez que o inibidor se liga à enzima, a competição pode ser
deslocada a favor do substrato pela adição de S. O efeito do inibidor
pode ser revertido pelo aumento na [S]
o Aumenta o Km aparente = mais substrato necessário para alcançar
½ Vmáx
ii. Inibição não competitiva
o O inibidor liga-se em um sítio distinto do sítio ativo do substrato;
liga-se apenas ao complexo ES
o Diminui a Vmáx
o Não interferem na ligação E-S - Km mantém-se
iii. Inibição mista
o Ligação a um sítio diferente do usado pelo substrato; pode ligar-se
tanto ao complexo ES quanto à enzima

b. Irreversível
➢ Os inibidores irreversíveis ligam-se covalentemente com ou destroem um grupo funcional da enzima
essencial à atividade enzimática ou então formam uma associação não covalente estável
i. Inativadores suicidas (inativadores com base no mecanismo)
o Compostos relativamente não reativos até que se liguem ao sítio ativo de uma enzima
específica
o Passa pelas primeiras etapas químicas de uma reação enzimática, mas em vez de ser
transformado no produto normal, é convertido em um composto muito reativo que se
combina irreversivelmente com a enzima
o Sequestram o mecanismo normal da reação para inativar a enzima
o Papel importante no desenvolvimento de fármacos –> específico para uma única enzima =
poucos efeitos colaterais
ii. Análogos ao estado de transição
o O estado de transição é, por definição, transitório e tão instável que é impossível medir
diretamente as interações de ligação entre essa espécie e a enzima. Porém, é possível
produzir algumas moléculas estáveis que se assemelhem aos estados de transição.
o Ligam-se a enzima mais fortemente do que o substrato no complexo ES – melhor encaixe no
sítio ativo.
3.3. Interação com pH
• As enzimas possuem um pH ótimo no qual suas atividades são máximas; variações do pH geram alterações no
funcionamento catalítico.
• As cadeias laterais dos aminoácidos podem funcionar como ácidos/bases fracas em funções críticas que
dependem da manutenção de certo estado de ionização, e em outras partes da proteína as cadeias laterais
ionizáveis podem ter uma participação essencial nas interações que mantêm a estrutura proteica
• A faixa de pH na qual a enzima sofre mudanças fornece uma pista para o tipo de resíduo de aminoácido
presente.

4. Enzimas regulatórias
• São responsáveis pela eficiência do crescimento e da sobrevivência celular
• Cada via metabólica inclui uma ou mais enzimas que influenciam em muito a velocidade de toda a sequência
de reações.
− Essas enzimas regulatórias têm a atividade catalítica aumentada/diminuída em resposta a certos
sinais. Esses ajustes na velocidade das reações catalisadas por enzimas regulatórias e, portanto,
ajustes na velocidade da sequência metabólica inteira permitem que as células atendam às
necessidades de energia e das biomoléculas de que precisam para crescer e se manter
• As atividades das enzimas regulatórias são moduladas por:
− Enzimas alostérica: agem por meio de ligações reversíveis e não covalentes com compostos
regulatórios - os moduladores ou efetores alostérico- que geralmente são metabólitos pequenos ou
cofatores.
− Outras enzimas são reguladas por modificações covalentes reversíveis
− Algumas enzimas são estimuladas ou inibidas quando estão ligadas a proteínas regulatórias distintas.
Outras são ativadas quando segmentos peptídicos são removidos por proteólise (mecanismo
irreversível)
a. Enzimas alostérica
➢ São proteínas que possuem conformações induzidas pela ligação de moduladores, que podem ser o
próprio substrato.

➢ São reguladas por moléculas chamadas efetores inibitórios/excitatórios, que se ligam de forma não
covalente a outro sítio que não o sítio ativo. Normalmente, essas enzimas são compostas por subunidades
múltiplas e o sítio regulatório (alostérico) que liga o efetor pode estar localizado em uma subunidade não
catalítica.
➢ A presença de um efetor alostérico pode alterar a afinidade da enzima por seu substrato ou modificar a
atividade catalítica máxima da enzima, ou ambos.
➢ Efetores homotrópicos – ex: Hb
− Quando o próprio substrato atua como efeito
− A presença de substrato em um sítio da enzima aumenta as propriedades catalíticas de outros
sítios de ligação ao substrato → sítios exibem cooperatividade.
− Essas enzimas apresentam curva sigmoidal quando a velocidade de reação (V0) é relacionada com
a [S]
− Em muitos casos, as mudanças conformacionais convertem uma conformação relativamente
inativa (geralmente denominada de estado T) em uma conformação mais ativa (estado R).
➢ Efetores heterotrópicos – ex: fosfofrutocinase-1 (enzima da via glicolítica) é alostericamente inibida por
citrato
− Pode haver regulação por retroalimentação
➢ As propriedades das enzimas alostéricas são significativamente diferentes das propriedades das enzimas
não regulatórias
− Presença de mais de um sítio de ligação e sítios regulatórios (específicos para cada modulador)
− São maiores, possuem ou mais subunidades
➢ As enzimas alostérica possuem comportamento cinético que desvia-se do comportamento de Michaelis-
Menten
− Elas apresentam saturação pelo substrato quando [S] é suficientemente alta, mas algumas das
enzimas alostéricas apresentam um gráfico de V0 versus [S]
− Gráfico produz uma curva de saturação sigmoide -> valor de [S] em que V0 é ½ da Vmáx
− O comportamento da cinética sigmoide em geral reflete interações cooperativas entre as
subunidades proteicas; mudanças na estrutura de uma subunidade são convertidas em
mudanças estruturais nas subunidades adjacentes, efeito mediado por interações não covalentes
na interface das subunidades
b. Regulação por modificação covalente
➢ Muitas enzimas podem ser reguladas pela adição/remoção de grupos (fosfato, adenili, acetil, ubiquitinas
...) de resíduos específicos de serina, treonina ou tirosina na enzima.
➢ A modificação de um resíduo de aminoácido de uma enzima faz, efetivamente, um novo resíduo de
aminoácido com propriedades diferentes ser introduzido na enzima -> grupos hidrofóbicos/hidrofílicos;
carga etc.
➢ Fosforilação:
− Consiste na adição de grupo fosfato, doado por ATP, por meio das enzimas proteína-cinases
− A depender da enzima, a forma fosforilada pode ser mais ou menos ativa do que a forma não
fosforilada.
P. ex.: fosforilação da glicogênio-fosforilase (enzima que degrada o glicogênio) aumenta
sua atividade; enquanto que a adição de fosfato à enzima glicogênio-sintase (síntese do
glicogênio) diminui sua atividade
− A fosforilação de uma enzima pode afetar a catálise alterando a afinidade pelo substrato. Por
exemplo, quando a isocitrato-desidrogenase (enzima do ciclo do ácido cítrico) é fosforilada, a
repulsão eletrostática pelo grupo fosfato inibe a ligação do citrato no sítio ativo
➢ Desfosforilação
− Remoção do grupo fosfato catalisada pelas proteína-fosfatases
c. Proteólise de precursores
➢ Algumas enzimas possuem um precursor inativo – zimogênio – que é hidrolisado formando a enzima ativa.
Isso ocorre com muitas enzimas proteolíticas digestivas do estômago e do pâncreas
➢ Ex: pepsinogênio → pepsina; quimiotriosinogênio → quimiotripsina
➢ Clivagens sucessivas provocam alterações conformacionais -> exposição do sítio ativo
➢ Esse tipo de ativação é irreversível, por isso é preciso mecanismos para inativar essas enzimas. As
proteases são inibidas por proteínas inibidoras que se ligam firmemente aos seus sítios ativos
➢ Outras proteínas são ativadas por esse mecanismo, porém os precursores recebem o nome de pró-
proteínas ou pró-enzima. - Ex: colágeno
➢ Cascata de ativação zimogênios = coagulação
− Coágulo= agregado de plaquetas estabilizado por fibra proteináceas (principalmente fibrina)
− Fibrinogênio -> fibrina
➢ As enzimas em pontos de cruzamento importantes de vias metabólicas podem ser reguladas por
combinações complexas de efetores, permitindo a coordenação das atividades de vias interconectadas.
Hipertrofia muscular

FONTE: Proteína para síntese proteica e hipertrofia muscular de adultos: quanto, quando e como consumir?
(http://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/aces/article/view/2099)
https://www.nature.com/articles/s41467-020-20123-1

FISIOLOGIA
Digestão
A digestão proteica se dá por hidrólise. As enzimas proteolíticas inserem H+ e OH da moléculas de água nas moléculas proteicas.
Todas as enzimas envolvidas na hidrólise proteica são proteínas secretadas por diferentes células do TGI
DEGRADAÇÃO DE PROTEÍNAS DA DIETA
Fases da digestão proteica:
1. Fase gástrica

• Ação da pepsina e do ácido clorídrico estomacal (HCl)


− No pH adequado, o pepsinogênio é convertido em
pepsina. A pepsina alcança sua atividade máxima – pH ideal – entre
1,8 a 3,5
− O HCl, secretado pelas células parietais do estômago:
elimina microrganismos, confere um pH adequado para ativação da
pepsina auxilia na desnaturação das proteínas globulares
− A mucosa gástrica produz gastrina e secreção mucosa
como proteção à corrosão acida.
• Ação da pepsina
− A pepsina hidrolisa as proteínas dando origem a
oligopeptídios
− Possui a capacidade de digestão do colágeno (o qual é
pouco hidrolisado por outras enzimas proteolíticas) e, por sua vez, a
digestão do colágeno pela pepsina facilita a penetração de outras
enzimas proteolíticas nos tecidos a serem digeridos →
IMPORTÂNCIA CLÍNICA: disfunção péptica pode desencadear
quadros de má digestão de nutrientes e macromoléculas
• Oligopeptídios hidrolisados
− Produtos da hidrólise realizada pela pepsina, estimulam a
secreção de gastrina pelo estômago e de colecistocinina (CKK) pelo
duodeno. Estimulando, assim, a secreção pancreática

2. Enzimas pancreáticas
• Grande parte da digestão das proteínas ocorre nas porções superiores do intestino delgado, duodeno e jejuno,
sob a influência de enzimas proteolíticas da secreção pancreática
• A liberação e a ativação dos zimogênios pancreáticos é mediada pela secreção de CKK e de secretina
• A enteropeptidase, sintetizada por células da mucosa intestinal e presente nas bordas em escova, converte
tripsinogênio em tripsina; essa tripsina consegue converter moléculas de tripsinogênio em tripsina por
clivagem

• Os produtos da degradação parcial das proteínas, derivados do estômago, são atacados pelas principais
enzimas proteolíticas pancreáticas: tripsina, quimotripsina, carboxipolipeptidase e elastase.
− Tripsina e quimiotripsina clivam as moléculas em pequenos peptídeos
− Carboxipolipeptidase: libera os aminoácidos da porção C-terminal
− Proelastase é convertida em elastase -> digestão de fibras de elastina

• IMPORTÂNCIA CLÍNICA:

3. Fase intestinal
• Essa fase é efetuada pelas enzimas proteolíticas lançadas no duodeno pela secreção pancreática. A chegada
do quimo desencadeia estímulos para a secreção de secretina, pelas células S, e de CKK, pelas células I, no
intestino delgado.
− A secretina possui a capacidade de estimular as células dos ductos pancreáticos a secretarem
bicarbonato de sódio (NaHCO3), atua como tampão -> pH alcalino para ação máxima das enzimas
pancreáticas
− A colecistocinina estimula as células acinares pancreáticas a secretarem enzimas proteolíticas.
• A última fase da digestão proteica é feita pelos eritrócitos no revestimento das vilosidades do intestino
delgado.
− Possuem células com borda em escova, que contém centenas de microvilosidades na superfície.
− As microvilosidades abrigam múltiplas peptidases.
• 2 tipos de peptidases são muito importantes: aminopolipeptidase e a classe de dipeptidases
− Continuam a hidrólise dos poplipeptídeos maiores em tripeptídeos e dipeptídios ➔ são transportados
mais facilmente através da membrana microvilar até o interior do enterócito.
• No citosol do enterócito existem várias peptidases específicas para os tipos de aminoácidos.
− Rapidamente ocorre a digestão de dipeptídios e tripeptídio em aminoácidos

Oxidação
A fração de energia metabólica obtida a partir de aminoácidos, sejam eles provenientes de proteínas da dieta ou de proteínas
teciduais, varia muito de acordo com o tipo de organismo e com as condições metabólicas.
o Carnívoros obtêm, após uma refeição, até 90% de suas necessidades energéticas da oxidação de aminoácidos,
enquanto herbívoros obtêm apenas uma pequena fração de suas necessidades energéticas a partir dessa via.
Nos animais, os aminoácidos sofrem degradação oxidativa em 3 circunstâncias metabólicas:
o Durante a síntese e degradação de proteínas celulares – processo de renovação proteica- em que alguns aminoácidos
são liberados após hidrólise proteica
o Dieta rica em proteínas, gerando excedentes de aminoácidos
o Durante jejum ou diabetes mal controlado – indisponibilidade de carboidratos como fonte energética
O processo de oxidação de todos os aminoácidos gera perda de grupo, usado na síntese de α-cetoácido, os esqueletos
carbônicos.
o Os α-cetoácidos sofrem oxidação, liberando CO2 e H2O ou unidades de 3 a 4C que serão convertidas, pela
gliconeogênese, em glicose
Os processos de degradação de aminoácidos convergem para vias catabólicas centrais, com os esqueletos de carbono da
maioria dos aminoácidos encontrando uma via para o ciclo do ácido cítrico → Integração metabólica
Todos os aminoácidos contêm um grupo amino, e as vias para a degradação dos aminoácidos incluem, então, uma etapa em que
o grupo α -amino é separado do esqueleto de carbono e desviado para as vias do metabolismo do grupo amino.

1. Destino do grupo amino


• N2 é abundante na atmosfera, porém inerte para a utilização nos processos bioquímicos, pois poucos
organismos conseguem convertê-lo em formas biologicamente ativas, como o NH3
• A maior parte dos aminoácidos é metabolizada no fígado. Parte da amônia gerada nesse processo é reciclada e
utilizada em uma variedade de vias biossintéticas; o excesso é excretado diretamente ou convertido em ureia
ou ácido úrico para excreção.
− O excesso de amônia produzido nos tecidos extra-hepáticos é enviado ao fígado para conversão em
sua forma de excreção.
• Glutamato, glutamina, alanina e aspartato são os aminoácidos que mais facilmente são convertidos em
intermediários do ciclo ácido cítrico
− Glutamato e glutamina → α-cetoglutarato; alanina → piruvato; aspartato → oxaloacetato
• No citosol dos hepatócitos, os grupos amino da maior parte dos aminoácidos são transferidos para o α -
cetoglutarato, formando glutamato, que entra na mitocôndria e perde seu grupo amino para formar NH -4
• O excesso de amônia produzido nos demais tecidos é convertido no nitrogênio amídico da glutamina, que
circula até chegar ao fígado, entrando na mitocôndria hepática
• No músculo esquelético, os grupos amino que excedem as necessidades teciduais são transferidos ao piruvato
para formar alanina.
• Chegando ao fígado, a primeira etapa no catabolismo da maioria dos L-aminoácidos é a remoção de seus
grupos α-amino ➔ processo de transaminação realizado por enzimas denominadas aminotransferases ou
transaminases
− Transferência do grupo α-amino para o Cα do α-cetoglutarato -> liberação do α-cetoácido análogo ao
aminoácido
− O principal efeito das reações de transaminação é coletar grupos amino de diferentes aminoácidos na
forma de L-glutamato (doador de grupos amino)
− As células possuem diversos tipos de aminotransferases; algumas são específicas para o α-
cetoglutarato; sempre diferem quanto ao L-aminoácido -> reações reversíveis

• Todas as aminotransferases possuem o grupo piridoxal-fosfato (PLP), coenzima da vitamina B6, como grupo
prostético
− Funciona como carreador intermediário de grupos amino no sítio das aminotransferases; sofre
alterações reversíveis entre a forma aldeídica para aceitar um grupo amino e a forma aminada para
liberar um grupo amina.
− Encontra-se ligado, de modo covalente, ao sítio ativo da enzima -> ligação aldimina com o grupo «-
amino de um resíduo de lisina.
− Exerce a mesma função em todas as reações:
❖ Quando uma ligação entre o Cα e o substrato é rompida, há remoção de um próton ou de
um grupo carboxila. O par de elétrons que permanece no carbono a produziria um carbânion
altamente instável, mas o PLP fornece estabilização desse intermediário por ressonância
• As aminotransferases catalisam as reações bimoleculares de pingue-pongue
− O primeiro substrato reage e o produto deve deixar o sítio ativo antes que um 2º substrato possa se
ligar
− Aminoácidos ligam-se ao sítio ativo, realizam a doação dos grupos amino ao PLP -> liberado na forma
de α-cetoácido
− Um outro α-cetoácido, funciona como substrato, se liga ao sítio ativo -> aceita o grupo amino do PLP
e deixa a enzima como um aminoácido.
• O glutamato libera seu grupo amino na forma de amônia no fígado
− Os grupos amino de muitos α-aminoácidos são coletados, no
fígado, na forma do grupo amino de moléculas de L-glutamato.
− Nos hepatócitos, o glutamato é transportado do citosol para a
mitocôndria, onde sofre desaminação oxidativa, catalisada pela L-
glutamato-desidrogenase (na matriz mitocondrial – usa NAD+ ou
NADP+como aceptores)
❖ É uma enzima alostérica com 6 subunidades idênticas
− A ação combinada de uma aminotransferase e da glutamato-
desidrogenase é conhecida como transdesaminação (via principal)
− O α-cetoglutarato formado a partir da desaminação do glutamato é
usado no ciclo do ácido cítrico e na síntese de glicose.
− A glutamato-desidrogenase tem sua atividade regulada por um
arranjo complicado de moduladores alostérico -> ADP (modulador +);
GTP (modulação -)
❖ IMPORTÂNCIA CLÍNICA: mutações que alterem o sítio alostérico de
ligação do GTP ou causem ativação permanente da enzima = síndrome
do hiperinsulinismo com hiperanomonemia ➔ altos índices de amônia
no sangue e hipoglicemia.

• Glutamina faz transporte de amônia no sangue

− A amônia, produzida em vários tecidos como produto da


degradação de nucleotídeos, é bastante tóxica. Por isso, precisa
ser convertida em um composto não tóxico antes de ser
exportada para o sangue.
− O glutamato combina-se com a amônia livre, por ação da
glutamina-sintetase, produzindo glutamina. Essa reação ocorre
com gasto energético e por meio de 2 etapas.
❖ Reação glutamato + ATP → ADP + γ-glutamil-fosfato
❖ γ-glutamil-fosfato + amônia → glutamina + Pi
− A glutamina é uma forma de transporte não tóxico para a
amônia, estando presente em altas [ ] no sangue; também serve
como fonte de grupos amino
− Papel da glutamina-sintetase : papel metabólico central,
via de entrada essencial do N
− O excedente de glutamina é transportado pelo sangue
para o intestino, o fígado e os rins, para ser processado. Nesses
tecidos, o N amídico é liberado como íon amônio na mitocôndria,
onde a enzima glutaminase converte glutamina em glutamato e
NH4+
− No fígado, a amônia é utilizada na síntese da ureia. Parte
do glutamato produzido na reação da glutaminase pode ser
adicionalmente processada no fígado pela glutamato-
desidrogenase, liberando mais amônia e produzindo esqueletos
de carbono para utilização como combustível.
− A maior parte do glutamato entra em reações de
transaminação → biossíntese de aminoácidos
− IMPORTÂNCIA CLÍNICA:
• Alanina transporta a amônia dos músculos para o fígado
− A alanina transporta grupos amino para o fígado pelo ciclo da
glicose-alanina.
− No músculo e em alguns outros tecidos em que há degradação de
aminoácidos como combustível, os grupos amino são coletados na forma
de glutamato, por transaminação
− O glutamato pode ser convertida em glutamina -> transporte ao
fígado (via anterior) OU transferência do grupo α-amino para o piruvato
(ação da alanina-aminotransferase)
− No citosol dos hepatócitos, a alanina-aminotransferase transfere o
grupo amino da alanina para o α-cetoglutarato, formando piruvato e
glutamato → segue para a mitocôndria → reação de desidrogenase
liberando amônio OU transaminação com oxaloacetato, formando
aspartato = doador de N para síntese de ureia
− Os músculos esqueléticos em contração vigorosa, em respiração
anaeróbia, produzem piruvato e lactato pela glicólise e amônia pela
degradação proteica
❖ Os produtos chegam no fígado -> piruvato e lactato são
incorporados na glicose -> retorno aos mm
❖ Amônia é convertida em ureia para a excreção
❖ Isso ocorre em função da operação do ciclo glicose-alanina com o
ciclo de Cori
− Importância clínica:

2. Excreção de nitrogênio (ciclo da ureia)


• Os grupo amino que não são usados na síntese de novos aa ou de outros produtos nitrogenados são
encaminhados para a excreção.
• Nos seres humanos, assim como em todos os organismos ureotélicos, a amônia depositada nos hepatócitos é
convertida em ureia no ciclo da ureia. Essa via ocorre exclusivamente no fígado -> rins -> urina
• Amônia → ureia
− Inicia-se dentro da mitocôndria hepática, algumas etapas ocorrem no citosol
− O primeiro grupo amino que entra no ciclo da ureia é derivado da amônia na matriz mitocondrial
(derivado do ciclo glicose-alanina e do aspartato); recebe amônia da oxidação bacteriana nos
intestinos pelo sistema porta
− O NH4- é utilizado junto com o HCO3- produzido pela respiração mitocondrial -> carbamoil-fosfato
(doador de grupos carbamoila)
❖ Reação dependente de ATP; catalisada pela carbamoil-fosfato-sintetase I
❖ A carbamoil-fosfato-sintetase I é uma enzima regulatória com duas configurações
(mitocondrial e citosólica) com funções distintas na biossíntese das pirimidinas.
− Etapas enzimáticas:
i. Carbamoil-fosfato doa o grupo carbamoila para a orniitina -> citrulina + Pi
Catálise feita pela ornitina-transcarbamoilase
A ornitina é um intermediário-chave no metabolismo do nitrogênio – sintetizada a partir
do glutamato e atua de forma semelhante ao oxaloacetato (acepção de material a cada
novo ciclo).
Citrulina passa para o citosol
ii. Segundo grupo amino, derivado do aspartato produzido na mitocôndria por transaminação e
transportado para o citosol.
Reação de condensação entre grupo amino do aspartato + grupo ureído (carbonila)
da citrulina → arginino-succinato; catalisada pela arginino-succinato-sintetase;
requer ATP e ocorre via um intermediário (citrulil-AMP)
iii. Clivagem do arginino-succinato pela arginino-succinase → arginina + fumarato – ÚNICA
REAÇAO REVERSIVEL
Fumarato → malato (migra pra mitocôndria para participar do ciclo de Krebs)
iv. Clivagem da arginina, pela arginase, produzindo ureia e ornitina (volta pra mitocôndria pra
reiniciar o ciclo)

• Interligação com o ciclo do ácido cítrico – Bicicleta de Krebs


− Ambos os ciclos funcionam de modo independente, e a ligação entre eles depende do transporte dos
intermediários comuns entre a mitocôndria o citosol e da atuação de isoenzimas presentes na forma
citosólica e mitocondrial (fumarase e malato desidrogenase)
− O fumarato faz a ligação dos ciclos da ureia e de Krebs.
− Principais transportadores na membrana interna mitocondrial: malato-α- cetoglutarato, glutamato-
aspartato e glutamato-OH
❖ Facilitam o movimento do malato e do glutamato para dentro da mitocôndria e do aspartato
e do α-cetoglurarato para o citosol.
− Lançadeira aspartato-arginino-succinato
❖ Não há um transportador que leve diretamente o fumarato gerado na síntese de arginina no
citosol para a matriz mitocondrial.
O fumarato pode ser convertido em malato no citosol, e depois pode ser
metabolizado no citosol OU o malato pode ser transportado para o interior da
mitocôndria, para utilização no ciclo do ácido cítrico.
❖ O aspartato formado na mitocôndria por transaminação entre o oxaloacetato e o glutamato
pode ser transportado para o citosol –atuação como doador de N
− Os ciclos da ureia e do ácido cítrico estão fortemente unidos a um processo adicional, que traz o
NADH na forma de equivalentes redutores para dentro da mitocôndria
❖ O NADH não pode ser transportado pela membrana mitocondrial interna
❖ Alguns equivalentes redutores podem entrar na mitocôndria pela conversão de aspartato em
oxaloacetato utilizando o NADH para reduzir o oxaloacetato a malato → transporte para a
matriz mitocondrial via transportador malato-α-cetoglutarato.
− Uma vez que o malato está dentro da mitocôndria, o malato pode ser convertido em oxaloacetato,
gerando NADH.
− O oxaloacetato é convertido em aspartato na matriz e transportado para fora da mitocôndria pelo
transportador aspartato-glutamato
− Os processos exigem que as [ ] de glutamato e aspartato sejam mantidas em equilíbrio no citosol
− Importância clínica

• Regulação do ciclo
− O fluxo de N no ciclo da ureia varia com a dieta.
❖ Dieta proteica: esqueletos carbonos do aa são usados como combustível + produção de
muita ureia pelos grupos amino
❖ Durante o jejum, há degradação proteica muscular =aumento da produção de ureia
− Alterações de demanda a longo prazo são reguladas pela velocidade de síntese das 4 enzimas do ciclo
da ureia e da carbamoil-fosfato-sintetase I hepática
− Alterações a curto prazo são feitas por regulação alostérica de pelo menos uma enzima chave
❖ A N-acetil--glutamato, sintetizado a partir de acetil-CoA e glutamato pela N-acetil-glutamato-
sintase -> regulação alostérica da carbamoil-fosfato-sintase
Nos mamíferos, a N-acetil-glutamato realiza a regulação; os níveis dessa enzima são
determinados pelas [ ] de glutamato, acetil-CoA e arginina
• Custo energético
− A síntese de uma molécula de ureia requer a hidrólise de 4 ligações de Pi ricas em energia.
❖ 2 moléculas de ATP são necessárias para a formação do carbamoil-fosfato
❖ 1 ATP é usado na síntese da arginino-succinato

❖ Por meio das interconexões há redução do custo energético geral


3. Degradação dos aminoácidos
• O catabolismo de aminoácidos representa uma fração pequena da produção energética – de 10 a 15% - sendo
bem menos ativas as vias glicolíticas
• O fluxo ao longo das vias varia muito, a depender do equilíbrio entre necessidades e disponibilidade
• Os esqueletos de carbono tomam vias distintas, sendo direcionados para a gliconeogênese ou para a
cetogênese, ou oxidados completamente a CO2 e H2O.
• Em alguns aminoácidos, diferentes partes de seus esqueletos de carbono são degradadas em diferentes
produtos finais.
• Alguns aminoácidos são convertidos em glicose, outros em corpos cetônicos
− Fenilalanina, tirosina, isoleucina, leucina, triptofano, treonina e lisina
− Cadeia carbônica parcial ou totalmente degradados em acetoacetil-CoA e/ou acetil-CoA; também
podem produzir corpos cetônicos no fígado
• Cofatores enzimáticos

− As reações de transferências de grupos de um carbono, em geral, envolvem um de três possíveis


cofatores: a biotina, o tetra-hidrofolato (H4-folato) ou a S-adenosilmetionina. São responsáveis por
transferir grupos de 1C em diferentes estados de oxidação.
− A biotina transfere grupos de 1C no estado mais oxidado (CO2); o tetras-hidrofolato transfere grupos
em estados intermediários de oxidação; a S-adenosilmetionina transfere grupos metila (estado mais
reduzido)
− H4-folato possui 3 porções; forma oxidada (folato) é uma vitamina para os mamíferos, convertida em
tetraidrofolato.
❖ O grupo de um carbono a ser transferido, em qualquer dos 3 estados possíveis de oxidação,
e está ligado ao N-5, ou ao N-10 ou a ambos.
❖ A forma mais reduzida do cofator carrega um grupo metila, uma forma mais oxidada carrega
um grupo metileno e a forma mais oxidada carrega um grupo metenila, formila ou
formimino
❖ As formas de H4-folato são interconversíveis, funcionando como doadores de unidades de
um carbono em uma grande variedade de reações metabólicas.
− A S-adenosilmetionina (adoMet) é o cofator preferido para transferências biológicas do grupo metila.
É sintetizado a partir do ATP e da metionina na reação catalisada pela metionina-adenosil-transferase.
❖ Reação incomum em que o átomo de enxofre da metionina ataca o C 5’ da ribose do ATP ->
liberação do trifosfato -> clivagem em P1 e PP1. PP1 é hidrolisado pela pirofosfatase
❖ A S-adenosilmetionina é um potente agente alquilante, em virtude de seu íon sulfônio
desestabilizado
• Destinos:
− Arginina, glutamato, glutamina, histidina e prolina produzem α-
cetoglutarato
− Isoleucina, metionina, treonina, valina -> succinil-CoA
− Fenilalanina: 4C se unem à 4C da tirosina = fumarato
− Asparagina e aspartato → oxaloacetato
− Alanina cisteínas, glicina, serina, treonina e triptofano -> piruvato
− Leucina, isoleucina,tirosina, treonina, lisina, fenilalanina e
tripotofano -> acetil-CoA

• Os aminoácidos de cadeia ramificada - isoleucina, leucina e valina–


são degradados em tecidos extra-hepáticos
− Eles são oxidados como combustível principalmente pelos tecidos muscular, adiposo, renal e cerebral.
Esses tecidos possuem uma aminotransferase especial que consegue agir nos 3 aminoácidos
ramificados, liberando um α-cetoácido correspondente

Digestão intracelular de proteínas


A degradação das proteínas endógenas corresponde a ¾ da fonte de aminoácidos presentes nas células animais. A hidrólise
seletiva de proteínas exerce um papel essencial em inúmeros processos fisiológicos que são regulados pela variação da
concentração de proteínas específicas, como ocorre: ciclo celular, transcrição gênica, resposta inflamatória e muitos outros,
além de permitir controlar o nível de proteínas reguladoras no momento apropriado.
❖ A degradação de proteínas é essencial para que proteínas “defeituosas” sejam eliminadas e não comprometam a
homeostase celular; diversas doenças, como as de Alzheimer e Parkinson, envolvem a formação de agregados de
proteínas com conformação modificada
Processos para a degradação:

1. Catepsinas
• Processo mais restrito e realizado por proteases lisossomais, as
catepsinas.
• Usado principalmente para a degradação de proteínas
extracelulares, internalizadas por endocitose, e proteínas citosólica de
meia-vida longa
2. Ubiquitina
• Processo mais geral que ocorre no citosol sob mediação da
ubiquitina
• A ubiquitina é uma proteína presente em todas as células
eucarióticas e é responsável por se ligar à proteínas defeituosas.
− O processo de marcação conta com a ligação de várias moléculas
de ubiquitina, formando uma cadeia poliubiquitina -> reações com gasto
de ATP e catálise por enzimas ligases
− A proteína ubiquitinizada é conduzido até o proteassomo, um
complexo proteolítico multienzimático. No proteassomo, ocorre a
hidrólise das ligações peptídicas = degradação proteica
• A seleção da proteína a ser degradada é obtida, em parte, a partir
de sua própria estrutura primária e da sua meia-vida

Absorção
A absorção de proteínas ocorre nos enterócitos, através das bordas em escova, ou seja, as microvilosidades absorvem os
aminoácidos, dipeptídios, tripeptídeos. Além disso, a absorção vai depender de alguns fatores, como o transporte ativo,
utilizando a ATPase Na/K; difusão facilitada ou ativa.
• Proteínas transportadoras específicas atuam fazendo o cotranspote de sódio-aminoácido na membrana da borda em
escova.
O transporte de sódio fornece a absorção ativa secundária de glicose e aminoácidos, energizada pela bomba ativa de sódio-
potássio (Na+-K+)-ATPase na membrana basolateral.
• A energia do gradiente de sódio é, em parte, transferida para o gradiente de [ ] do aminoácido ou peptídeo que se
estabelece pelo transportador
Alguns aminoácidos não usam o mecanismo de cotransporte com o sódio, sendo, então transportados por proteínas
transportadoras da membrana especiais. Há, pelo menos, 5 tipos de proteínas transportadoras, em função da diversidade das
propriedades químicas dos aminoácidos e peptídeos.

Metabolismo
1. Transporte e armazenamento
✓ Em condições normais, a [ ] de aminoácidos no sangue está entre 35-65 mg/dL; uma média de 2mg/dL para
cada um dos 20 tipos de aminoácidos (cada tipo possui uma [ ] variável).
✓ Os aminoácidos são ácidos relativamente fortes, existindo no sangue, principalmente no estado ionizado,
resultante da remoção de um átomo de hidrogênio do radical NH 2.
✓ A distribuição dos aminoácidos depende dos tipos de proteínas ingeridas
✓ Destino dos aminoácidos absorvidos
− Os produtos da digestão e da absorção proteicas no trato gastrointestinal são quase inteiramente
aminoácidos
− A digestão e a absorção proteicas normalmente se estendem ao longo de 2 a 3 horas, o que permite
que apenas pequenas quantidades de aminoácidos sejam absorvidas de cada vez.
− Grandes quantidade de aminoácidos quase nunca se acumulam no sangue e nos líquidos teciduais; a
renovação dos aminoácidos, porém, é muito rápida
✓ Transporte ativo
− Em função do tamanho das moléculas, os aminoácidos são transportados por meio de transporte
facilitado ou ativo
✓ Limiar renal
− Nos rins, os diferentes aminoácidos podem ser reabsorvidos através do epitélio tubular proximal, por
transporte ativo secundário, que os remove do filtrado glomerular devolvendo-os ao sangue
− Há um limite superior para a intensidade com que cada tipo de aminoácido pode ser transportado →
quando há [ ] grandes de um aminoácido, o excesso é eliminado pela urina
2. Armazenamento celular
✓ Após entrarem nas células, os aminoácidos se combinam por ligações peptídicas sob direção do RNA
mensageiro celular para formar as proteínas celulares -> mantém a [ ] de aminoácidos livres no interior da
maioria das células baixa
✓ Essas proteínas celulares podem ser degradadas por ação de enzimas digestivas lisossômicas intracelulares ->
podem voltar para a circulação
✓ Alguns órgãos e tecidos corporais, como o fígado, participam no armazenamento dos aminoácidos, em maior
grau do que outros
3. Liberação
✓ Quando as concentrações plasmáticas de aminoácidos caem abaixo dos níveis normais, os aminoácidos que
forem necessários são transportados para fora das células, a fim de recompor seu suprimento plasmático →
manutenção de [ ] constante
4. Equilíbrio reversível entre as proteínas no organismo
✓ Caso algum tecido em particular necessitar de proteínas, ele poderá sintetizá-la pelos aminoácidos sanguíneos.
Esses aminoácidos sanguíneos são reabastecidos pela degradação das proteínas em outras células corporais,
especialmente pelas células hepáticas
✓ IMPORTÂNCIA CLÍNICA: células cancerígenas usam em abundância os aminoácidos; por isso, as proteínas de
outras células podem ficar debilitadas/exaustas.
5. Proteínas plasmáticas
✓ Principais proteínas presentes no plasma: albumina, globulina e fibrinogênio
− Albumina: produção da pressão coloidosmótica no plasma
− Globulinas: funções enzimáticas, produção de imunidade orgânica natural e adquirida
− Fibrinogênio: atua na cascata de coagulação sanguínea
✓ Formação
− São produzidas no fígado e, uma parte das globulinas, nos tecidos linfoides.
− A intensidade da formação das proteínas plasmáticas pelo fígado pode ser extremamente alta; porém
condições patológicas podem resultar em rápidas alterações
❖ Queimaduras graves: perda de superfície cutânea -> perda de plasma e de proteínas
plasmáticas -> aumento da produção hepática
❖ Doença renal grave pode gerar perda de até 20g de proteína/dia ➔ importância da
reposição hepática
❖ Cirrose hepática: perda de tecido fibroso = redução da capacidade síntese de proteínas
plasmáticas = redução da pressão coloidosmótica = edema
✓ Fonte de aminoácidos
− Quando os tecidos ficam exauridos de proteínas, as proteínas do plasma podem atuar como fonte
rápida de reposição
− As proteínas plasmáticas entram nas células por pinocitose, onde serão clivadas em aminoácidos que
são transportados para o sangue e usadas pelo corpo para produzir proteínas
− As proteínas plasmáticas funcionam como forma lábil de depósito proteico, representando fonte
prontamente disponível de aminoácidos, sempre que um tecido particular o requeira
✓ Equilíbrio
− Existe um equilíbrio fisiológicos entre as proteínas plasmáticas, os aminoácidos do plasma e as
proteínas teciduais
− Estudos empíricos estimaram que 400 gramas de proteínas corporais são sintetizados e degradados a
cada dia, como parte do estado de fluxo contínuo de aminoácidos ➔ princípio geral da troca
reversível de aminoácidos.
− A proporção corporal entre as proteínas teciduais totais e as proteínas plasmáticas totais permanece
relativamente constante em cerca de 33:1.

6. Degradação proteica
✓ Quando não há ingestão suficiente de proteínas, uma proporção de proteínas corporais é degradada em
aminoácidos. Fisiologicamente, há uma perca obrigatória de proteínas diária de cerca de 20-30g; com isso, é
obrigatória a ingestão mínima de 20-30g de proteínas
✓ As proporções dos diferentes aminoácidos nas proteínas na dieta devem ser aproximadamente as mesmas dos
tecidos corporais
− Caso algum tipo particular de aminoácido essencial estiver em baixa concentração, os outros se
tornam inutilizáveis, uma vez que as células ou sintetizam proteínas completas, ou nenhuma proteína
✓ Efeito do jejum
− O organismo usa quase inteiramente carboidratos ou gorduras como fonte energética.
− Após semanas de jejum, há redução das taxas de carboidratos e gorduras armazenada. Com isso, os
aminoácidos do sangue são rapidamente desaminados e oxidados para geração de energia.
− Após o início da degradação proteica, o ritmo aumenta rapidamente, cerca 125g/dia ➔ deterioração
das funções celulares

Regulação
1. Regulação hormonal
a. GH – Hormônio do crescimento
✓ O GH é um hormônio com ação anabólica, ao estimular o crescimento tecidual, e metabólica, alterando o
fluxo, a oxidação e o metabolismo de praticamente todos os nutrientes na circulação.
− O GH exerce sua função de maneira direta, através da ligação aos seus receptores, ou indiretamente,
através síntese dos fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF) e de suas proteínas
transportadoras plasmáticas (IGFBP)
✓ O GH promove o aumento da síntese de proteínas e consequente aumento da deposição proteica em diversos
tecidos, o mecanismo ainda não é reconhecido.
✓ Esse aumento da síntese se dá por diversos caminhos, como aumento da transcrição de DNA e aumento de
tradução do RNA.
✓ Além disso, o GH também leva a redução do catabolismo.
b. Insulina
✓ A insulina é um hormônio anabólico produzido pelas células β pancreáticas
✓ Falta de insulina reduz a síntese a síntese proteica a valores muito baixos.
✓ O hormônio pode acelerar o transporte de alguns aminoácidos para as células → estímulo a síntese
proteica
✓ A insulina reduz a degradação de proteínas e aumenta a disponibilidade de glicose para as células =
redução da necessidade de degradação proteica

c. Glicocorticoides
✓ Os glicorticoides reduzem a quantidade de proteínas, na maior parte dos tecidos, enquanto aumentam [ ]
dos aminoácidos no plasma, assim como aumentam as proteínas hepáticas e as plasmáticas.
✓ Atuam, também, aumentando a degradação das proteínas extra-hepáticas, gerando assim quantidades
aumentadas de aminoácidos disponíveis nos fluidos corporais.
d. Testosterona
✓ A testosterona provoca aumento na deposição proteica em alguns tecidos, em especial nos tecido
muscular esquelético (mecanismo desconhecido)
✓ A testosterona faz com que os músculos e alguns tecidos proteicos aumentem apenas por alguns meses
Uma vez que os músculos e outros tecidos proteicos tiverem alcançado um máximo, a despeito da
administração continuada de testosterona, a deposição adicional de proteína cessa.
e. Estrogênio
✓ Provoca deposição proteica, porém em grau menor que a testosterona.
f. Tiroxina
✓ A tiroxina atua sobre a degradação proteica ao aumentar o metabolismo celular. É ativado em situações
de níveis baixos de carboidratos e gorduras (situações de jejum?)
✓ Quando há quantidades normais de carboidratos e gorduras e excesso de aminoácidos = aumento da
síntese proteica
g. Cortisol
✓ Um dos principais efeitos do cortisol nos sistemas metabólicos do organismo é a redução dos depósitos de
proteínas em, praticamente, todas as células corporais, exceto no fígado
❖ Isso ocorre tanto pela redução da síntese proteica quanto pelo aumento do catabolismo
proteico
❖ O cortisol pode atuar reduzindo a formação de RNA em alguns tecidos como nos órgãos
linfoides e nos músculos
❖ Excesso de cortisol = fraqueza muscular e redução da atividade imunológica dos tecidos
linfoides.
✓ Aumento nas concentrações plasmática e hepática de proteínas
❖ Simultaneamente à redução das proteínas propiciada pelos glicocorticoides, há aumento das
proteínas hepáticas e plasmáticas.
❖ Esses aumentos são exceções à depleção de proteínas que ocorre em todas as demais partes do
corpo
❖ Essa diferença resulta do possível efeito do cortisol para estimular o transporte de aminoácidos
para as células hepáticas e a produção de enzimas hepáticas necessárias para a síntese proteica.
✓ Aumento dos aminoácidos sanguíneos
❖ Alguns estudos indicaram que o cortisol reduz o transporte de aminoácidos para as células
musculares
▪ Redução de transporte = diminui [ ] intracelular = redução da síntese proteica
❖ O catabolismo proteico nas células continua a liberar aminoácidos que se difundem para fora das
células, aumentando a [ ] plasmática de aminoácidos.
❖ Efeitos do aumento na [ ] plasmática de aminoácidos:
▪ Maior desaminação de aminoácidos pelo fígado
▪ Aumento da síntese proteica no fígado
▪ Maior formação de proteínas plasmáticas pelo fígado
▪ Aumento da conversão de aminoácidos em glicose (gliconeogênese)

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