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Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

PJe - Processo Judicial Eletrônico

30/08/2021

Número: 0706092-92.2021.8.07.0018
Classe: AÇÃO CIVIL PÚBLICA CÍVEL
Órgão julgador: Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do DF
Última distribuição : 25/08/2021
Assuntos: Meio Ambiente
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Advogados
MINISTERIO PUBLICO DO DISTRITO FEDERAL E DOS
TERRITORIOS (AUTOR)
RESPONSÁVEL PELOS CORTES DAS ÀRVORES NA
INTERSEÇÃO ENTRE O SUDOESTE E PARQUE DA CIDADE
(REU)
DISTRITO FEDERAL (REU)
CIA URBANIZADORA DA NOVA CAPITAL DO BRASIL -
NOVACAP (REU)
INSTITUTO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS
HIDRICOS DO DISTRITO FEDERAL - IBRAM (REU)
DEPARTAMENTO DE ESTRADA DE RODAGEM DO
DISTRITO FEDERAL - DER (REU)
DEPARTAMENTO DE TRANSITO DO DISTRITO FEDERAL
(REU)

Outros participantes
PRU1 - PROCURADORIA-REGIONAL DA UNIAO - 1A.
REGIAO/DF (INTERESSADO)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
101710129 30/08/2021 Defesa preliminar VMA - ACP Viaduto - Sudoeste Petição
13:40
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EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA VARA DO MEIO AMBIENTE,


DESENVOLVIMENTO URBANO E FUNDIÁRIO DO DF.

Processo n. 0706092-92.2021.8.07.0018

O DISTRITO FEDERAL, IBRAM – DF, DER-DF e DETRAN – DF, por


intermédio do Procurador do DF, nos autos da AÇÃO CIVIL PÚBLICA ajuizada pelo
MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS, vêm à digna
presença de Vossa Excelência apresentar a sua MANIFESTAÇÃO PRELIMINAR
impugnando o pedido de liminar, pelos seguintes fundamentos.

I – SUMA DO CASO

Trata-se de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e
Territórios em face do Distrito Federal, NOVACAP, IBRAM – DF, DER – DF e DETRAN –
DF, com pedido liminar de paralisação da obra pública de construção de viaduto na Estrada
Parque Indústrias Gráficas – EPIG, na interseção entre o Setor Sudoeste e o Parque da Cidade.

Em resumo, foi alegado na inicial que: não teria sido observado o procedimento
legal, notadamente ante a ausência de realização de audiências públicas e ausência de
aprovação pela SEDUH e DER – DF; não teriam sido cumpridas as recomendações do IPHAN;
haveria violação aos princípios do PDTU, com indevida priorização do transporte individual;
haveria violação às escalas bucólica e gregária, notadamente em decorrência de invasão de área
verde de quadra residencial com asfalto, impedindo a livre circulação no interior do bairro.

Ao final, o autor suscita probabilidade do direito e perigo de dano ou risco ao


resultado útil do processo, para justificar a paralisação da relevante obra pública.

A pretensão liminar não merece, contudo, guarida, conforme adiante demonstrado.

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II – DA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA A LIMINAR


REQUERIDA.

Inicialmente, é preciso destacar a suma relevância da obra pública, que faz parte
do denominado “Corredor Eixo Oeste de Transporte Público no Distrito Federal”, que constitui
um principal eixo de transporte público coletivo do Distrito Federal, que interliga o Plano
Piloto até o Sol Nascente em Ceilândia, abrangendo e beneficiando cerca de 1/3 da população
do Distrito Federal.

Segundo destacado pela Secretaria de Obras, “a implantação de faixa exclusiva


na EPIG, com construção de obra de arte – viaduto do Parque da Cidade e Sudoeste - a
EPTG, está pautada em, garantir prioridade para o transporte coletivo, aumentar a
velocidade operacional dos ônibus, garantir melhor fluidez na circulação dos ônibus,
aumentar a produtividade do transporte coletivo, reduzir os custos do transporte
coletivo, elevar o nível de conforto dos usuários deste sistema” (grifou-se).

O referido Corredor Eixo Oeste já teve etapas finalizadas, como a obra de


reformulação da EPTG, com o acréscimo de corredor exclusivo para o transporte coletivo.
E há também outras etapas em execução, como a obra do Túnel de Taguatinga, a reforma da
Avenida Hélio Prates e dois viadutos na via ESPM. Além disso, já se iniciou o processo
licitatório das obras de requalificação da via EPIG, na qual será construído o viaduto ora
impugnado.

Segundo os estudos técnicos, com a implementação total do Corredor Eixo-Oeste,


estima-se uma redução de 40 minutos em cada trajeto, com sensível melhoria da fluidez do
transporte público e da qualidade de vida de grande parte da população do Distrito Federal.

Infelizmente, o il. representante do Ministério Público pretendeu desqualificar a


relevante obra pública e retirar a mesma do seu contexto, desconsiderando que se trata de
uma etapa de uma intervenção mais ampla, que constitui importante política pública de
melhoria do transporte público no DF, que vem sendo gestada desde 2009, com a
participação de diversos órgãos públicos.

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A obra do viaduto junto com a posterior obra de requalificação da EPIG irá


interligar a EPTG (com obras já concluídas) ao Eixo Monumental. Somando a finalização da
obra do Túnel de Taguatinga e a reforma da Avenida Hélio Prates (em execução), teremos
importantíssima concretização de novo ciclo de mobilidade urbana.

Conforme se verifica, há urgência na realização da obra, considerando as obras


de andamento no Túnel de Taguatinga e a fase avançada de licitação de requalificação da via
EPIG, para que a população finalmente se beneficie integralmente da obra de intervenção da
EPTG e do Túnel, que consumiram relevantes investimentos públicos, sem atingir o seu melhor
resultado possível. Portanto, o princípio constitucional da eficiência exige a continuidade das
obras e constitui um dos óbices à pretensão da inicial.

Retirando a etapa da obra do seu contexto, o autor alega que a obra priorizaria o
transporte individual. Com a devida vênia, o projeto do viaduto já contempla o corredor
exclusivo do transporte público coletivo, que será implementado com a próxima obra de
requalificação da EPIG (em fase de licitação), interligando com o corredor existente na EPTG.

Ainda retirando a etapa da obra do seu contexto, o autor alega não teriam sido
cumpridas as recomendações do IPHAN. Conforme esclarecimentos da Secretaria de Obras,
todas as recomendações do órgão federal serão atendidas nas obras do viaduto E também nas
obras de requalificação da EPIG.

Ressalta-se que, tendo o IPHAN analisado e aprovado tais obras em conjunto (no
mesmo Parecer Técnico nº 148/2019-IPHAN), não há irregularidade no atendimento das
recomendações também no conjunto de ambas as obras.

Destaca-se também outro manifesto equívoco e exagero contido na inicial,


quando alega que haveria transformação da Avenida das Jaqueiras em via expressa. Com a
devida vênia, inicialmente é preciso destacar que a obra de viaduto não constitui pólo gerador
de tráfego. Pelo contrário, vem justamente para melhorar a fluidez do tráfego já existente.

Além disso, ao contrário do afirmado, a intervenção da referida Avenida será


pequena. Em que pese possuir aproximadamente 3 km de extensão, a pequena alteração com

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acréscimo de novas faixas ocorrerá por cerca de apenas 300 metros de comprimento,
tão-somente para adequar os pontos de interseção com as alças, sem nenhuma alteração
sequer na primeira rotatória existente.

Isso é tão evidente que a faixa de pedestre hoje existente será deslocada em apenas
20 metros para cima em direção à primeira rotatória, permanecendo no mesmo nível da via,
sem nenhum talude, o que demonstra os equívocos e exageros da inicial, ao suscitar
indevidamente relevante prejuízo na circulação de pedestres e ciclistas no interior do bairro.

Na verdade, como qualquer outra obra pública de maior porte, tem seus impactos
negativos e positivos. No caso, tanto os órgãos técnicos de aprovação do Distrito Federal e o
IPHAN concluíram que “os impactos positivos das intervenções superam em qualidade e
resultados previstos os eventuais impactos negativos”, em um longo processo
administrativo que vem tramitando desde 2009 (conforme histórico contido no Parecer
Técnico n. 148/2019 – IPHAN)

Ainda a respeito dos impactos negativos e positivos, é importante destacar que os


aspectos envolvendo a conveniência e oportunidade da obra pública não são passíveis de
revisão pelo Poder Judiciário, em que pesem as diversas alegações contidas na inicial
relacionadas aos aspectos de conveniência da obra pública.

Com relação à legalidade, conforme será demonstrado abaixo, inexistem as


alegadas irregularidades no trâmite administrativo do processo de aprovação da obra pública
impugnada.

Inclusive é preciso destacar que o referido processo foi objeto de ampla análise
pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal, que conferiu detalhadamente (em mais de uma
oportunidade) o atendimento de todos os requisitos legais antes de permitir avançar para a fase
de licitação, o que afasta a probabilidade do direito alegado pelo autor nesta fase de cognição
sumária.

Pois bem, vejamos as principais alegações da inicial (que já não tenham sido
refutadas acima):

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- ALEGAÇÃO QUE O PROJETO NÃO TERIA SIDO APROVADO PELA


SEDUH E PELO DER - DF;

Inicialmente, vejamos o seguinte trecho da manifestação da Secretaria de Obras:

“O Decreto nº 33.701, de 6 de junho de 2012 que Cria Grupo de


Trabalho para análise e gestões, no âmbito dos órgãos do Governo do Distrito
Federal, visando à aprovação de documentação relativa a obras viárias do
Sistema de Transporte de Passageiros – Eixo Oeste, lista os órgãos
integrantes, dentre os quais a então Secretaria de Estado de Habitação
Regularização e Desenvolvimento Urbano do Distrito Federal - SEDHAB,
responsável pelo planejamento urbano à época, e o Departamento de Estradas
de Rodagem do Distrito Federal – DER/DF.
Como pode ser observado no Relatório do Grupo de Trabalho, que
aprova com ressalvas os documentos relativos ao Corredor Eixo Oeste,
Processo SEI nº 110.000.360/2012, Documentos PDF 60774723 e 60774656,
Folhas 957 a 981, constam as assinaturas dos representantes da então
SEDHAB e do DER DF.
(...) Ainda quanto ao DER/DF, foi Firmado o Termo de Cooperação
Técnica nº 01/2021, publicado no Diário Oficial do Distrito federal nº 91, de 17
de maio de 2021, entre a Secretaria de Obras e Infraestrutura do Distrito
Federal e o Departamento de estradas de Rodagem do Distrito Federal, que
estabelece em conjunto diretrizes para realização das obras, desvios e
fiscalização conjunta da implantação do Viaduto localizado na interseção
entre a Rodovia DF-011-Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIG) e
o Parque da Cidade.” (grifou-se)

Dentre as normas indicadas, consta o Decreto Distrital n. 33.699/2012, que


delegou ao Secretário de Estado de Obras do Distrito Federal a competência para coordenar as
ações técnicas de engenharia necessárias à captação dos recursos financeiros no âmbito do
Programa de Aceleração do Crescimento – PAC II Mobilidade Grandes Cidade; e também o
Decreto Distrital nº 33.701, de 6 de junho de 2012, que criou Grupo de Trabalho para
análise e gestões, no âmbito dos respectivos órgãos, visando à APROVAÇÃO de
documentação relativa a obras viárias do Sistema de Transporte de Passageiros – Eixo Oeste.

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Na informação mais recente, a Secretaria de Obras destacou que:

“Com isso foi gerada a ATA DE REUNIÃO FINAL do Grupo de


Trabalho (68808324), realizada em 26 de novembro de 2014, na qual vale
enfatizar o item 3 transcrito abaixo.
“Foi ressaltado que todos os produtos desenvolvidos na fase
conceitual foram discutidos e aprovados pela comissão e a concepção
final foi encaminhada aos órgãos específicos, no âmbito de suas
competências, para avaliação e anuência, sofrendo as devidas alterações,
ajustes e adequações ao longo de seu desenvolvimento.”

Importante esclarecer que os projetos urbanísticos e de infraestrutura


urbana passam por fases tais como concepção/estudo preliminar e projeto
executivo.
As definições de projeto constam na fase de concepção/estudo
preliminar, já a fase de projeto executivo contemplam detalhes técnicos que
permitem o desenvolvimento de orçamento detalhado e a execução do
empreendimento.
Com relação ao projeto de readequação da EPIG, mais especificamente
o denominado Viaduto EPIG, o projeto executivo apenas detalha
tecnicamente o estudo preliminar, porém não altera a concepção definida no
projeto urbanístico aprovado pelo Grupo de Trabalho, o qual participou
representante da então SEDHAB e do DER/DF.” (grifou-se)

Conforme, se verifica, antes da edição dos Decretos suscitados pelo autor (Decreto
n. 38.247, de 01/06/2017 e Decreto n. 38.047, de 09/03/2017), em novembro de 2014 o Grupo
de Trabalho contendo membros da SEDUH e DER-DF já haviam manifestado pela
aprovação dos projetos envolvendo o Corredor Eixo Oeste, inexistindo necessidade de nova
aprovação em conformidade com a norma superveniente, que evidentemente não se aplica.

Além disso, a atual SEDUH (antigas SEGETH e SEDHAB), participou de todas


as discussões, análises e aprovações como membro do Grupo de Trabalho instituído pelo
Decreto nº 33.701, de 6 de junho de 2012 e também como membro do Grupo Técnico
Executivo, fruto de Acordo de Cooperação Técnica entre o Distrito Federal e o IPHAN.

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Isso está devidamente comprovado na documentação em anexo, notadamente nas


memórias de reuniões e no histórico da tramitação do processo administrativo de aprovação da
obra contido no Parecer Técnico n. 148/2019 – IPHAN.

Ora, se foi a própria SEDUH quem conduziu a análise conjunta com o IPHAN
dentro do Grupo Técnico Executivo, parece evidente que não se pode falar em ausência de
aprovação pela SEDUH !!

Por oportuno, na linha do exposto acima, vejamos a recente manifestação da


SEDUH a respeito das alegações da inicial:

“Assim, cumpre ressaltar, que a implantação do viaduto na Estrada


Parque Indústrias Gráficas - EPIG, é parte do projeto conceitual apresentado
e aprovado pelos órgãos do Grupo de Trabalho mencionado (...)

Nesse sentido, vale esclarecer que o projeto referente a EPIG (DF-011)


trata-se de uma rodovia e, portanto, observada sua devida apreciação por esta
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação, no âmbito do
Grupo de Trabalho instituído pelo Decreto nº 33.701, de 06 de junho de 2012,
se enquadra no art. 36 do Decreto 38.047/17:

Art. 36. É de competência da entidade rodoviária o planejamento do


sistema rodoviário do Distrito Federal - SRDF, incluindo-se o sistema
cicloviário em rodovias.
§ 1º O órgão gestor de planejamento urbano e territorial e o órgão
responsável pelo trânsito devem ser ouvidos sobre projetos de obras de arte
especial e ampliação viária nas rodovias inseridas na poligonal da zona
urbana definida pelo Plano Diretor de Ordenamento Territorial.
§ 2º O órgão responsável pelo trânsito deve ser ouvido quando os
projetos a que se referem o §1º apresentarem interferência no sistema
viário local.

Da mesma forma, cabe destaque que a análise e aprovação de projetos


que envolvam soluções de conexões do sistema viário urbano com as rodovias
e o planejamento do sistema rodoviário do Distrito Federal, se enquadra nas
hipóteses de competência do órgão responsável pelo trânsito, como dispõe o

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art. 32 do mesmo Decreto, não havendo que se falar em sua aprovação por
esta SEDUH, senão vejamos:
Art. 32. É de competência do órgão responsável pelo trânsito a
elaboração, a análise, a aprovação e o monitoramento dos projetos que
envolvam:

I - alterações do sentido de funcionamento das vias;


II - abertura de retornos e rótulas;

III - inserção de semaforização;


IV - solução de conexões do sistema viário urbano com rodovias; e

V - projetos de sinalização viária.


(...) No tocante aos questionamentos elencados pelo ilustre representante
do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios às folhas 12 a 14 da
peça inicial, naquilo que concerne às competências desta Secretaria de Estado,
cumpre ressaltar que, conforme anteriormente detalhado por meio do
Parecer Técnico n.º 5/2021 (67925163), o impacto da intervenção viária sobre
o traçado urbano original, sobre as escalas e o tombamento do CUB foi objeto
de inúmeras etapas de avaliação técnica realizada pelos órgãos que compõe o
Grupo Técnico Executivo - GTE instituído pelo do Acordo de Cooperação
Técnica n° 01/2015 e, subsequente, Acordo de Cooperação Técnica n° 01/2020,
para gestão compartilhada do CUB, e resultou em ajustes no projeto viário e
aprovação, pelo IPHAN/DF do viaduto de conexão Parque da
Cidade/SHCSW.” (grifou-se)

Com relação ao DER, o mesmo também era membro do Grupo de Trabalho


instituído pelo Decreto nº 33.701, de 6 de junho de 2012, tendo aprovado os produtos
desenvolvidos na ATA DE REUNIÃO FINAL do Grupo de Trabalho, realizada em 26 de
novembro de 2014.

Além disso, a Secretaria de Obras encaminhou novamente os projetos ao DER em


2018, que respondeu em agosto de 2019 que, “considerando que o projeto em questão já
teve consulta realizada e aprovada por este Departamento quanto à concepção e
definição do mesmo, não cabe ao DER-DF a análise e aprovação do detalhamento

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(Projeto Executivo), uma vez ter sido objeto de contrato nessa Secretaria” (Ofício n.
166/2019 – inteiro teor em anexo).

Portanto, o próprio DER entendeu que já tinha aprovado e não havia obrigação
de nova aprovação !!

Nesta mesma resposta, manifestou pela necessidade de “elaboração de um


convênio entre as partes envolvidas no sentido de estabelecer as atribuições de cada ente
durante a realização da obra (aprovação dos projetos, controle tecnológico, etc.)”
(grifou-se). O que foi efetivado com a celebração do TERMO DE COOPERAÇÃO
TÉCNICA Nº 01/2021, para “estabelecer em conjunto diretrizes para realização das
obras, desvios e fiscalização conjunta da implantação do Viaduto localizado na interseção
entre a Rodovia DF-011-Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIG) e o Parque
da Cidade, que entre si celebram o Distrito Federal, por intermédio da Secretaria de
Estado de Obras e Infraestrutura e o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito
Federal - DER/DF [...]” (extrato publicado no DODF Nº 91, de 17 de maio de 2021).

Em suma, é evidente a anterior aprovação do DER e da SEDUH em conformidade


com a legislação em vigor na época. Diante disso e considerando a ampla participação e
acompanhamento da SEDUH e do DER, inexiste justificativa para praticar novamente um
ato que já foi praticado de forma válida.

- ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA

Inicialmente, vejamos a manifestação da SEDUH a respeito:

“Ademais, impende esclarecer que o Decreto n° 38.047/2017, que


regulamenta o art. 20, da Lei Complementar nº 803, de 25 de abril de 2009, no
que se refere às normas viárias e aos conceitos e parâmetros para o
dimensionamento de sistema viário urbano do Distrito Federal, para o
planejamento, elaboração e modificação de projetos urbanísticos, e dá outras
providências, não prevê a obrigatoriedade de realização de consulta ou
audiência pública para aprovação de projetos de conexões do sistema viário
urbano com rodovias.” (Ofício n. 3173/2021 – SEDUH - inteiro teor em anexo)

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Vejamos também as informações da Secretaria de Obras:

“Quanto a participação social, observa-se nas folhas 402 a 405 do


processo nº 090.000883/2010 que foram publicados informativos da
realização, por parte da Secretaria de Transportes do Distrito Federal, de
série de Seminários Públicos sobre o Plano Diretor de Transporte Urbano e
Mobilidade do Distrito Federal e entorno. As publicações se deram nas
seguintes páginas:

http://onibusrmtca.blogspot.com/2010/06/df-brasilia-e-entorno-apresent
am.html
http://www.agenciabrasilia.df.gov.br/042/04299010.asp?ttCD_CHAVE
=100635
http://www.st.df.gov.br/003/00301009.asp?ttCD_CHAVE=99507&btIm
primir=SIM

De acordo com o Relatório dos Seminários sobre o PDTU, folhas 407 a


455 do processo nº 090.000883/2010, as apresentações seguiram o seguinte
calendário:

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Entre as folhas 407 a 455 do processo nº 090.000883/2010, além do


Relatório dos Seminários sobre o PDTU, constam as lista dos participantes e o
Relatório do Seminário da Alternativa Recomendada com o objetivo de
apresentar a alternativa que atenda às necessidades da população,
identificadas nos seminários.
Vale ressaltar que na página 202 do PDTU (68769506), objeto dos
seminários realizados, consta a descrição do Eixo Oeste referente à EPIG,
conforme Figura 01.
Dessa forma, observa-se o conhecimento e a participação social no
processo decisório relativo ao desenvolvimento do PDTU, incluindo as
características a ser adotada na requalificação da EPIG para comportar o
Corredor Eixo Oeste, com implantação de faixa exclusiva para transporte
coletivo junto ao canteiro central e viadutos nas interseções.
Considerando que o projeto do Viaduto EPIG é parte integrante da
Rodovia EPIG e consiste em uma das interseções previstas no PDTU
apresentado à sociedade e que o orçamento da obra não se enquadra nos
valores previstos na Lei 8.666/93, art. 39, não foi realizada audiência pública
aberta aos moradores do Sudoeste específica para a interseção, uma vez que a
interferência da obra é para atendimento da população do Plano Piloto e
Regiões Administrativas de Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Águas
Claras, Vicente Pires e Guará, e, indiretamente, Brazlândia e o município de
Águas Lindas/GO, as quais tiveram participação nos seminários realizados
pela então Secretaria de Transportes para apresentação do PDTU.
Vale ressaltar que a Secretaria de Obras e Infraestrutura realizou
reunião, no dia 27 de julho de 2021, com representantes da associação de
moradores do Sudoeste e que, a partir das considerações elencadas pelos
moradores, esta SODF procedeu ajustes no projeto de forma a não interferir
ou interferir o mínimo possível na área verde da Quadra 105 do Sudoeste,
localizada entre o bloco C e a Av. das Jaqueiras, assim como ajustes no
projeto de desvio de tráfego a fim de diminuir a supressão vegetal.” (grifou-se)

Conforme se verifica, houve participação social no processo nos Seminários sobre


o PDTU em conformidade com a legislação em vigor na época. Inclusive a participação social
por ocasião da elaboração do Plano Diretor está em plena conformidade com o artigo 40 do
Estatuto das Cidades (Lei Federal n. 10.257/2001):
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“Art. 40. O plano diretor, aprovado por lei municipal, é o instrumento


básico da política de desenvolvimento e expansão urbana.
§ 1o O plano diretor é parte integrante do processo de planejamento
municipal, devendo o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e o
orçamento anual incorporar as diretrizes e as prioridades nele contidas.
§ 2o O plano diretor deverá englobar o território do Município como um
todo.
§ 3o A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista, pelo menos, a
cada dez anos.
§ 4o No processo de elaboração do plano diretor e na fiscalização de sua
implementação, os Poderes Legislativo e Executivo municipais garantirão:
I – a promoção de audiências públicas e debates com a participação da
população e de associações representativas dos vários segmentos da
comunidade;
II – a publicidade quanto aos documentos e informações produzidos;
III – o acesso de qualquer interessado aos documentos e informações
produzidos.” (grifou-se)

Conforme se verifica, por determinação legal, a análise deve ser feita considerando
toda a intervenção (audiência pública na elaboração do plano diretor), e não apenas uma
pequena etapa. Apenas o cotejo entre os impactos negativos e positivos de toda a intervenção
pode conduzir a decisão do administrador.

Imagine se é possível discutir e decidir a respeito da realização ou não do viaduto


desconsiderando todos amplos e notórios impactos positivos da implementação do Corredor
Eixo Oeste ao qual integra e faz parte !! Lamentavelmente é justamente o que se pretende na
presente ação, ao retirar a etapa da obra do seu contexto maior.

É importante destacar ainda que tal análise e aprovação em conjunto no PDTU não
significou que não foram analisados detalhes e especificidades relacionadas ao viaduto. Pelo
contrário, o histórico da tramitação do processo e as atas de reunião demonstram diversos
questionamentos e debates exclusivos relacionados ao viaduto, inclusive revelando a devida
preocupação com a mobilidade dos pedestres e ciclistas. Aliás, tal questão de mobilidade foi
a principal razão para as obras não terem sido aprovadas antes.

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Se não bastasse o exposto, conforme destacado acima pela Secretaria de Obras, a


mesma mantém diálogo aberto com os representantes da sociedade. Assim, recentemente
recebeu Comissão de representantes dos moradores insatisfeitos e concordou em fazer
alterações para minimizar os impactos urbanos e ambientais.

Com efeito, foram recentemente realizados pequenos ajustes no projeto executivo


para atender a demanda dos moradores, com o objetivo de maior preservação das árvores e
da área verde. Assim, a terceira via da Avenida das Jaqueiras foi alterada para ser executada na
grande área existente no canteiro central, e não mais na área verde da Quadra 105.

Da mesma forma, a Secretaria de Obras informou recente ajuste para diminuir a


quantidade de árvores a serem retiradas. Vejamos:

“a fim de se minimizar os impactos ao conjunto de indivíduos arbóreos


existentes na região, esta Secretaria de Obras em conjunto com a empresa
responsável pela execução da obra vem buscando soluções no sentido de se
minimizar o quantitativo de espécimes suprimidos, sendo revisitados os
projetos e plano de ataque da obra.
Destaca-se que desta forma, os primeiros ajustes realizados no projeto já
irão oportunizar a diminuição do quantitativo dos espécimes suprimidos e
complementarmente está se buscando realizar o transplantio de espécimes de
pequeno porte, destacando-se que 90% dos indivíduos transplantados serão
ipês". (grifo nosso)

Pelo exposto, jamais se pretendeu afastar a comunidade da discussão da obra


pública, que faz parte de relevante política pública que irá beneficiar cerca de 1/3 da
população do Distrito Federal. O que ocorreu foi a atuação dos órgãos públicos em
conformidade com a legislação e a consideração da obra com um todo, com todas as suas
especificidades e impactos.

Segundo já exposto, não seria possível discutir e decidir a respeito da realização ou


não do viaduto de forma separada e isolada, levando em consideração apenas a opinião dos
moradores mais próximos do viaduto e desconsiderando todos amplos e notórios impactos
positivos da implementação do Corredor Eixo Oeste ao qual integra e faz parte.
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Com relação à participação popular no licenciamento ambiental, a Secretaria de


Obras destacou que “o empreendimento em tela foi licenciado originalmente por meio de
um estudo de Relatório de Avaliação Ambiental Estratégico – RAAE, conforme decisão
do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA,
responsável pelo licenciamento ambiental à época. Ainda assim, verifica-se que em
consulta ao processo n. 191-000.392/2006 foi identificado registros fotográficos da
audiência pública realizada para se apresentar o referido Relatório” (grifou-se).

Além disso, destacou que, nos termos do artigo 3º da Resolução CONAMA


237/1997, “a Audiência Pública é exigência obrigatória quando estamos diante do EIA,
que é o instrumento dedicado à avaliar as atividades consideradas efetivas ou
potencialmente causadoras de significativa degradação do meio ambiente”, que não é o
caso da presente obra.

Vejamos as informações adicionais prestadas pela Secretaria de Obras:

“Acerca do tema, importa também transcrever o disposto no art. 362, II,


da Lei Orgânica do Distrito Federal:

Art. 362. Serão obrigatoriamente apreciados em audiência pública:


I – projetos de licenciamento de obras e serviços que envolvam
impacto ambiental;
II – atos que envolvam modificação do patrimônio arquitetônico,
histórico, artístico, paisagístico ou cultural do Distrito Federal;
III – obras que comprometam mais de cinco por cento do orçamento
do Distrito Federal.
§ 1º A audiência prevista neste artigo deverá ser divulgada em pelo
menos dois órgãos de imprensa de circulação regional, com a antecedência
mínima de trinta dias.
§ 2º O órgão concedente dará conhecimento das audiências públicas
ao Ministério Público competente”.

Diferentemente do que o Ministério Público do Distrito Federal e


Territórios quer transparecer, o projeto Viaduto EPIG, em conjunto com o

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projeto de readequação da EPIG, tem o intuito de garantir maior fluidez ao


Eixo Oeste e não incorre em impacto ambiental, amparado por aprovação do
Instituto Brasília – IBRAM, e não objetiva ocasionar a modificação do
patrimônio arquitetônico, histórico, artístico, paisagístico ou cultural do
Distrito Federal. Tampouco compromete mais de 5% (cinco por cento) do
Orçamento do Distrito Federal.
Em especial, cumpre trazer realce a essa previsão da LODF sobre o caso
em questão. A previsão ali contida está estabelecida de forma ampla, sem
considerar que o impacto ambiental deve ser mensurado mediante critérios de
gradação, definidos na legislação de regência. Na localidade em questão, o
impacto mais substancial já ocorreu por ocasião da implantação do próprio
bairro Sudoeste, que culminou na ampla urbanização do local.
Além disso, a percepção do impacto no meio ambiente ocasionado pela
obra não deve decorrer de uma mera impressão ou intuição do MPDFT, mas
da avaliação do órgão ambiental competente. Isto é, não é uma
discricionariedade desta Pasta realizar, a seu juízo, a reflexão sobre se o
impacto ambiental exige uma audiência pública.” (grifou-se)

- ALEGAÇÃO QUE O PROJETO VIOLARIA AS ESCALAS DO


TOMBAMENTO.

Na inicial foi alegada a violação da escala bucólica e gregária em decorrência da


implementação de via com asfalto na área verde de quadra residencial. A respeito, vejamos
os esclarecimentos dos órgãos técnicos, começando com a manifestação da Secretaria de
Desenvolvimento Urbano:

“Por área "non aedificandi" entende-se uma área não edificável, e não
necessariamente não pavimentável. O fundamental é garantir que a faixa
verde emoldurante das Superquadras, com largura de 20 metros, seja
preservada. Na Figura 4 podemos constatar duas cotas, de 33 e 10 metros
entre a ECB e o limite do Blogo G. A princípio, é de se imaginar que o
acréscimo de uma 3a faixa de rolamento de 3,50m e de uma 4a faixa de 3,50m,
com menor comprimento, para a entrada dos veículos vindos diretamente da
EPIG, não comprometeria a faixa verde emoldurante da SQSW 105.

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Entretanto, julgamos recomendável que este resguardo de 20m de área verde


entre o limite do Bloco G e o projeto de alargamento da ECB fosse confirmado
em levantamento topográfico.” (grifou-se)

Conforme se verifica, não há impedimento para implementação de via na área


verde da escala bucólica, notadamente quando se preserva um mínimo de “verde
emoldurante” das Superquadras. No caso específico, a Secretaria recomendou preservação de
20m entre o limite do Bloco residencial e a via.

Em suas informações, a Secretaria de Obras manifestou o seguinte:

“A área pública (área verde) localizada entre a SQSW 105 e a Estrada


Parque Contorno do Bosque – EPCB, denominada Avenida das Jaqueiras, é
de aproximadamente 22m (vinte e dois metros), de forma que com a
implantação do empreendimento passa a ficar com aproximadamente 17m
(dezessete metros).
Cabe destacar que a Secretaria de Obras e Infraestrutura do Distrito
Federal está estudando mudança no traçado viário a fim de adentrar o
mínimo possível na área verde entre a SQSW 015 e a EPCB, preservando a
metragem atual de 22m, mas sem comprometer a funcionalidade do projeto.”
(grifou-se)

Não é demais lembrar mais uma vez que o IPHAN aprovou o projeto, levando em
consideração a necessidade de preservação da concepção urbanística de Brasília e das suas
escalas urbanas, notadamente a escala bucólica.

Em que pese a observância no caso da recomendação da SEDUH de preservação


de 20m entre o limite do Bloco residencial e a via, em atenção ao princípio da eventualidade,
deve-se destacar tal parâmetro não se encontra formalizado em nenhuma norma. Na verdade,
inexiste tal distância de 20 metros em diversas Quadras do Plano Piloto. Apenas a título de
exemplo, podemos indicar a distância entre os Blocos das Asas Sul e Norte e o “Eixinho”.

Na inicial foi também alegado que a referida obra impediria a livre circulação no
interior do bairro. A respeito, a SEDUH esclareceu que a questão da circulação de pedestres e

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ciclistas "foi equacionada com a proposta de calçadas provisórias sob o viaduto EPIG de
conexão entre Parque da Cidade/SHCSW, conforme demonstra a Figura 6 do Parecer
Técnico n° 148/2019 - COTEC/IPHAN/DF (67792609 folha 21/55). Esta inserção de
calçadas provisórias no projeto do viaduto é fruto de atendimento pela SINESP à
Recomendação 4 da Memória da 27ª Reunião Extraordinária do GTE (67925356).”

A Secretaria de Obras também manifestou que, “cabe ressaltar que a ligação do


sistema cicloviário das áreas do Sudoeste, Octogonal, e Parque da Cidade está sendo
tratada no âmbito da contratação da via no Regime Diferenciado de Contratações
Públicas no sistema Integrado, quando faz parte das obrigações da contratada o
desenvolvimento do projeto e a implantação do sistema cicloviário”.

Também se percebe claramente em diversos trechos do Parecer Técnico n.


148/2019 – IPHAN a devida preocupação com a circulação de pedestres e ciclistas. Apenas
como exemplo, destacamos a seguinte informação:

“foram propostas calçadas e faixas de travessia de pedestres, a serem


implantadas provisoriamente, até a execução das passagens subterrâneas de
pedestres (previstas no projeto integral do “BRT Eixo Oeste”, aprovado pelo
Iphan em 2013, e também no Memorial Descritivo atual).
Assim, ao projeto de obra de arte do viaduto, foi adicionada
infraestrutura de calçadas e travessias de pedestres, com 3,00 metros de
largura, de forma que pedestres e ciclistas possam se deslocar, com segurança
e eficácia, entre o Setor Sudoeste/ Octogonal e o Parque da Cidade, mesmo
sem a implantação concomitante das travessias de pedestres e ciclovias...
(Memorial Descritivo, 2º documento do doc. SEI nº 1390393) ” (grifou-se)

III - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Iniciamos as considerações finais destacando recente reportagem da imprensa,


noticiando que a maioria dos próprios moradores do Setor Sudoeste é favorável à obra
(https://blogs.correiobraziliense.com.br/cbpoder/pesquisa-indica-que-populacao-aprova-
viaduto-epig-sudoeste-parque-da-cidade/).

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Isso apenas no bairro ! Se fossem consultados os cerca de 1/3 da população do DF


beneficiados pelas obras do Eixo-Oeste, certamente perceberíamos que a discussão pretendida
pelo Ministério Público não faz o menor sentido em termos de interesse público e
atendimento às demandas reais da população para a sua melhoria de vida !

Tal lamentável distanciamento entre as demandas jurídicas e as demandas reais


da população deve ser obrigatoriamente levado em consideração pelo magistrado, nos termos
dos novos artigos 20 e 21 do Decreto nº 4.657/1942 (com a redação determinada pela Lei
Federal nº 13.655/2018):

“Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se


decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam
consideradas as consequências práticas da decisão.
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a
adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste,
processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis
alternativas.

Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou


judicial, decretar a invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou
norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas
consequências jurídicas e administrativas.
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo
deverá, quando for o caso, indicar as condições para que a regularização
ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses
gerais, não se podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que,
em função das peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos.”
(grifou-se)

Por todo o exposto acima, considerando o notório interesse público na melhoria da


infraestrutura de mobilidade urbana com a realização de mais uma etapa do Corredor
Eixo-Oeste; e considerando também o princípio constitucional da eficiência, é importante
destacar que a paralisação de obras públicas pelo Poder Judiciário só pode ocorrer em situações
excepcionais, com prova robusta de relevante ilegalidade INSANÁVEIS, o que inexiste no
presente caso, notadamente ante as considerações e esclarecimentos prestados acima.
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É preciso levar em consideração que a paralisação de obras públicas enseja diversos


danos e prejuízos decorrentes da desmobilização de máquinas e pessoal, “com potencial
capacidade de perder os recursos já garantidos, onerar excessivamente os cofres públicos
durante o imbróglio judicial e, até mesmo, em eventual indenização à empresa
Contratada” (trecho do Ofício 2295/2021 – inteiro teor em anexo).

Nesse sentido, vejamos:

“No caso da obra Viaduto EPIG essa situação é perfeitamente


identificável, considerado todo o ciclo percorrido desde a concepção do Plano
Diretor de Transporte Urbano do Distrito Federal, os trabalhos desenvolvidos
em conjunto com diversos órgãos para a construção do projeto e a
regularidade de todas as licenças exigidas. A paralisação desta obra já
contratada e iniciada, fruto de quase uma década de diálogo público e
institucional, baseada em alegação pelo MPDFT de mero indício não
comprovado, é desproporcional e extremamente gravosa para o Distrito
Federal.
(...) há uma série de perdas associadas à paralisação de obra pública,
muito além do que pode ser quantificado, relacionados aos efeitos indiretos,
pelas adversidades vivenciadas pela população por conta de projetos que
ficam suspensos e que, na maioria das vezes, continuam a absorver recursos
continuamente, deixando de oferecer à população o benefício da
infraestrutura almejada.
Por isso é que a paralisação de obra pública por mera presunção de erro
ou falha em um projeto não pode ser responsável pela sua paralisação
absoluta. Tal medida não se traduz em economia para o erário. Pelo contrário,
ceifa os investimentos, deixa de gerar empregos e de atender à demanda da
sociedade, principalmente, no caso, no campo da mobilidade urbana.
(...)
A paralisação, tal qual requerida, prejudicará o desenvolvimento das
obras em andamento e as que logo que se iniciarão, com potencial capacidade
de perder os recursos já garantidos, onerar excessivamente os cofres públicos
durante o imbróglio judicial e, até mesmo, em eventual indenização à empresa
Contratada.” (inteiro teor em anexo – grifou-se)

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Com relação ao licenciamento ambiental, é importante destacar a informação


prestada no sentido de que “o Corredor Eixo Oeste foi objeto de Relatório de Avaliação
Ambiental Estratégico - RAAE, que subsidiou a emissão da Licença Prévia n° 001/2008 –
IBAMA. Por ocasião da transferência do procedimento de monitoramento e
licenciamento para o IBRAM, a licença foi rerratificada, com a emissão da LP n.
012/2009 e "LP n° 001/2011 – tendo sido mantidas todas as condicionantes ambientais da
licença ambiental originada no Órgão Federal e servindo de parâmetro para o
prosseguimento do licenciamento das infraestruturas viárias" em questão”.

Em nova informação prestada, o órgão ambiental refutou a afirmação do Ministério


Público e esclarece que não foi adotado licenciamento ambiental simplificado e informa as
licenças expedidas (Licença Prévia 001/2008 – IBAMA; Licença Prévia 012/2009 – IBRAM;
Licença Prévia 001/2011 – IBRAM; Licença de Instalação 015/2015 – IBRAM: Licença de
Instalação 022/2015 – IBRAM; Licença de Instalação 044/2020 – IBRAM).

Não é demais lembrar que, ao expedir cada das licenças acima, o órgão ambiental
revisita o processo de licenciamento, procede à nova análise técnica levando em
consideração o panorama ambiental da atualidade e decide se é possível a restauração dos
efeitos da anterior licença expedida, inclusive analisando se há ou não necessidade de
atualização dos estudos técnicos.

Com relação à questão da supressão de árvores, considerando a prévia aprovação


pelo órgão ambiental, com a previsão da respectiva compensação prevista na legislação, não
há qualquer irregularidade. De qualquer forma, não é demais reiterar a recente alteração no
desenho do projeto para reduzir as árvores a serem suprimidas e também a iniciativa de se
adotar providências para transplantar a maior quantidade de árvores possíveis.

Por fim, ainda que Vossa Excelência entenda que determinada formalidade legal
não tenha sido atendida da forma mais adequada, o interesse público certamente não é pela
paralisação da obra, mas sim pela concessão de prazo para eventuais correções. Repita-se, os
órgãos públicos permanecem abertos ao diálogo com a comunidade e os órgãos de controle,
notadamente para atender as demandas possíveis, como recente fez.
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IV – DO PEDIDO

Pelo exposto, requer-se a rejeição do pedido liminar.

Brasília, 30 de agosto de 2021.

André Ávila Tiago Pimentel Souza


Procurador-Chefe da PROMAI Procurador do Distrito Federal
OAB/DF n. 24.383 OAB/DF n. 15.243

Idenilson Lima da Silva


Procurador-Geral Adjunto do Contencioso
OAB/DF 32.297

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