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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP

Instituto de Ciências Humanas


Curso de Psicologia
Disciplina: Intervenções Clinicas Breves – Atendimento Clinico na Abordagem
Fenomenológica-Existencial
Professor: Lia Spadini da Silva
Aluno: Aline dos Santos Medeiros – RA: T910765

POMPEIA, J. A.; SAPIENZA, B. T. A Terapia e a Era da Técnica. In: Os Dois


Nascimentos do Homem: Escritos Sobre Terapia e Educação na Era Técnica. São
Paulo: Via Verita, 2011. Cap.7 (p. 123 - 140)

O capítulo “A Terapia e a Era da Técnica” insere a questão do que é a terapia a


partir da concepção Daseinsanalítica e como ela pode responder às problemáticas
sobre eficiência, resultado e controle, segundo os quais Heidegger designou como a
era da técnica. Logo a princípio busca-se o significado de técnica na atualidade, sua
qualidade de produção e progresso, seu limite no cálculo e a consequente localização
que dá ao homem moderno, na impessoalidade.
Remetendo-nos à Grécia antiga, técnica era tida como o procedimento para a
produção e concebe a compreensão de que para os gregos, algumas coisas não
podiam ser produzidas. Tal premissa surge para contrapor a visão atual de que tudo é
visto como produzido ou produto, inclusive o ser humano. A vista disso é debatida a
impessoalidade da técnica, como algo “universal”, objetivo e mensurável. A era da
técnica é a era em que a técnica virou sinônimo de controle e se auto produz, a técnica
gera mais técnica, num caminho autônomo e sem volta.
A técnica, portanto, é mais que um procedimento, e sim uma burocratização da
modernidade. Ela vai além do sinônimo de procedimento, uma vez que procedimento
pode ter características pessoais e um jeito próprio. A técnica por sua veza é impessoal,
autônoma podendo ser utilizada sem importar por quem, uma vez que bem aprendida.
O que ela produz também deve servir para qualquer pessoa a quem se destina o
produto. O importante é que haja um objetivo bem definido e especificação dos meios
e instrumentos.

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Segundo essa concepção sobre a técnica e do mundo que ela produz, passa-se
a refletir sobre as das demandas para a terapia nesse viés. Por exemplo o que leva
alguém à terapia e o que dela é esperado.
Como resposta a tais questionamentos é apontado o que é particular então da
terapia na Daseinsanályse e postula que esta por sua vez não desconsidera o mundo
produzido pela técnica, mas compreende o limite desse olhar técnico para o humano.
Através dessa reflexão emergem a disposição da Daseinsanalyse no que diz respeito
a compreensão do problema, como se dá a escuta do paciente e a localização da queixa
na vida do indivíduo.
Ao discutir que na Daseinsanalyse a técnica segue rumo à compreensão e não
o contrário, o texto explana como a Deseinsanlyse permite, na era da técnica, uma
compreensão da existência que se destaca da soberania da técnica.
Em suma tem-se entre os principais aspectos que emergem do capítulo questões
que permeiam o conceito da cura para a Daseinanalyse e como essa não objetiva
oferecer garantia de um resultado definido e, portanto, à cura, e que qualquer que seja
o processo e o objetivo, estes levaram tempo. A terapia Daseinanalítica também não
se preocupa em se encaixa nos parâmetros de objetivo, pressa e controle que regem
nosso tempo.
É compreensível que a terapia seja vista e avaliada dessa mesma perspectiva,
pelos mesmos parâmetros: precisão de objetivos, eficácia, rapidez, apresentação de
resultados. Quem busca pela terapia expressa o desejo de que o terapeuta seja capaz
de livrá-la de algo que lhe esteja impossibilitando e precisa ser extirpada o quanto antes
de sua vida. Há em jogo uma questão humana cujo sentido mais amplo fica perdido na
maneira como o mundo da técnica costuma aproximar o homem.
O que o terapeuta pode é ter o compromisso de percorrer com o paciente um
caminho em que, juntos, se aproximarão da história vivida por ele, dos seus modos de
ser consigo mesmo e com os outros, dos seus planos de futuro, do que tem constituído
a sua vida, incluindo aí aquilo pelo que ele procurou a terapia.
Ao profissional cabe oferecer ao paciente uma parceria na procura pela verdade
da história, da qual fazem parte o seu momento atual, o já vivido e o que está por vir,
uma vez que essa história está sempre em aberto e reúne um mundo de realidade,
sonhos, conquistas e perdas; história que constitui a sua identidade.

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O tempo que durar essa procura poderá ser a oportunidade para que o outro
descubra seu jeito de ser no mundo, afim de ampliar sua compreensão de si mesmo
como alguém que tem responsabilidade pelo cuidado de sua vida, cuidado esse que
abrange os outros e o mundo. A vista disso pode-se notar como essa se afasta dos
parâmetros do tempo da técnica.
Por fim, outro ponto relevante que surge das reflexões se dá acerca do silêncio
e remete-nos ao questionamento se o Dasein existe para aquilo que silencia. E
embora o Dasein seja sempre enraizado em seu mundo fático e possa se perder nas
referências cristalizadas do seu mundo cotidiano, ele também pode ser sintonizado com
o que está silenciado em seu mundo e que, ao mesmo tempo, espera para ser
acordado. O que silencia é aquilo que permanece retraído, encoberto e no
encobrimento, traz em si a possibilidade de que haja a abertura para a manifestação
dos entes, para o mundo como horizonte. Dasein existe aberto não só para o mundo
como horizonte de tudo o que se manifesta, mas também para aquilo que se retrai, que
se oculta e silencia.

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