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PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO ERGONÔMICA

NAS FABRICAS DE FARINHA DE ARAPIRACA

INTRODUÇÃO:

Na semana de 10 a 18 de Novembro de 2005, fui solicitado pelo


SEBRAE de Alagoas através de documento Cta. DITEC de número
059 emitido em 07 de novembro de 2005, a visitar ás casas de farinha
nos municípios do APL Mandioca no Agreste com vistas a orientar e
desenvolver projetos de adequação ergonômica; idealizar e testar
protótipos relativos ao processo de fabricação de farinha de mandioca
como também participar de reunião para orientar arquitetos
contratados pelo SEBRAE/AL envolvidos na elaboração dos projetos
de referência para as casas de farinha.Realizei um estudo das
condições de trabalho nas casas de farinha no Município de Arapiraca
em Alagoas.
O resultado desse trabalho oferece uma série de modificações
ergonômicas que podem ser utilizadas por várias fabricas de farinha.
O propósito deste estudo é de idealizar um assento e uma estação de
trabalho para as descascadeiras de mandioca.

Apenas para citar todos os assentos utilizados pelas descascadeiras


de mandioca não obedecem a critérios ergonômicos e
antropométricos, que são fundamentais para se ter uma boa postura e
qualidade no rendimento do trabalho sem oferecer riscos à saúde do
trabalhador.
Conforme comprovamos em nossos estudos os
assentos são confeccionados em madeiras de sucata e idealizados
sem nenhum critério dimensional. Quando no estudo ergonômico for
necessário levar em consideração os movimentos, mudanças de
postura, e outras funções dinâmicas do corpo humano devem lançar
mão de dados da antropometria dinâmica.

A antropometria dinâmica envolve o estudo das


medias funcionais do corpo humano, ou seja, aquelas resultantes da
execução de alguma função pela pessoa.

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Há que se ressaltar que o corpo humano, na execução de várias
funções físicas, não opera independentemente, mas em conjunto. Isto
significa, por exemplo, que o alcance do braço depende, além do seu
comprimento e movimentação, também do movimento do ombro
rotação do tronco, curvatura das costas, etc.

Em grande parte das atividades humanas, as características do


projeto da área de trabalho influem fundamentalmente em uma boa
rentabilidade da empresa, qualidade do produto ou tarefa executada e
conforto, produtividade e segurança do trabalhador.

A aplicação da Ergonomia no projeto da área de


trabalho, permite o alcance destes objetivos mediante a adaptação
das máquinas, ferramentas e ambientes de trabalho às características
psico – fisiológicas, antropométricas e biomecânicas do homem.

A posição sentada é a ideal para o trabalho desde


que a cadeira, a bancada ou as partes da máquina que devem ser
manejadas ou supervisionadas tenham características adequadas de
projeto, tanto individualmente quanto no seu conjunto.

Os resultados desta pesquisa indicam que a área ótima para


atividades manuais é consideravelmente mais estreita na frente do
corpo, contrariamente ao que se supunha, e bem mais larga dos
lados. Estas descobertas sugerem que uma área ideal deve ser
menor na frente e maior nos lados, do que as áreas normalmente
utilizadas na prática comum.

No estudo antropométrico e biomecânico realizado nas fabricas de


farinhas em especial nas descascadeiras de mandioca, podemos
afirmar que a altura e profundidade dos assentos atualmente utilizados
não são adequadas para a realização do trabalho, os assentos atuais
são confeccionados em madeiras de sucata e idealizados sem
nenhum critério dimensional. Os assento atuais tem dimensões de
altura que variam de 27 a 33 cm,profundidade de 26 a 30 cm e largura
de 36 a 38 cm.
Verificamos aí, a acentuada variação de pressões, à que a pessoa
sentada está sujeita, dependendo da atividade que está exercendo,
num determinado momento.

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A foto mostra a postura inadequada da descascadeira de mandiocas.
A posição sentada é a ideal para o trabalho desde que a cadeira,ou as
partes que envolvem o trabalho sejam adequadas ergonomicamente.
Observa-se a grande quantidade de raízes sobre o chão do galpão
dificultando a livre movimentação e circulação dos trabalhadores.

Certos profissionais trabalham constantemente sob níveis elevados


de solicitação dos discos intervertebrais. Daí as estatísticas acusarem
(Finocchiaro, J., 1976), que para 5000 processos judiciais das Varas
de Acidentes do Trabalho, 2836, referem-se à lombalgias, portanto,
56,72% das pessoas, que, por se verem prejudicadas pelo número de
dias perdidos com tratamento, são obrigadas a recorrer à Justiça do
Trabalho, para serem indenizadas. Fora estas, milhares de outras,
sofrem de problemas posturais, sem sequer saberem, muitas vezes,
as causas de seus distúrbios físicos.

É importante considerar, não somente as pessoas anatômica e


fisiologicamente normais, como também aquelas que tenham defeitos,
causados pela idade, peso, trabalhos, etc. O problema do desenho de
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móveis, deve ser encarado sob um ponto de vista amplo, não somente
projetando-se móveis para jovens de corpo sadio, como também para
pessoas idosas, as quais precisam de longos períodos de descanso,
provocando distribuição irregular de pressões nos tecidos, e que
sofrem com a atividade estática muscular prolongada.

Muitos tipos de atividades manuais são executados em superfícies


horizontais, como bancadas, mesas, escrivaninhas, etc. Para tais
áreas de trabalho a disposição(área) pode ser “normal” e “máxima” ,

1) Área normal: esta é a área que pode ser


convenientemente alcançada por uma varredura
do antebraço, estando o braço junto ao corpo e
numa posição natural.
2) Área máxima: é a área que pode ser alcançada
ao se estender o braço a partir do ombro.

CADEIRA COM ASSENTO GIRATÓRIO E ENCOSTO PARA


DESCASCAR A MANDIOCA.

I-) CADEIRA GIRATÓRIA COM ENCOSTO:

Construiu-se uma cadeira com assento giratório e encosto para


descascar as mandiocas, que permite movimentar todo o tronco
permitindo movimentos de lateralidade. Esse assento com encosto
permite uma posição estática e movimentos mais confortáveis e
seguros para a realização dos serviços .

Da forma com que o trabalho é feito, as trabalhadoras se queixam de


dores na coluna e pernas.
Com a implantação desse assento rotatório, as queixas de dores
serão reduzidas.
No dia 11 de novembro estive na cidade de Arapiraca/AL
apresentando o novo protótipo da cadeira idealizado por mim na
FUNDACENTRO em São Paulo (conforme mostra foto 01), no mesmo
dia na parte da tarde fizemos no SEBRAE de Arapiraca/AL uma
reunião com marceneiros para apresentar o novo protótipo.
Solicitamos dos marceneiros a confecção do protótipo em materiais
mais adequados. Passados três dias os marceneiros apresentaram o
protótipo por nós recomendado e inspecionado sobre vários aspectos
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ergonômicos onde pudemos testar em situação real de trabalho junto
as descascadeiras de mandioca. Na foto de número 02 está
apresentada a nova modificação do assento com encosto para
descascar a mandioca.

A foto abaixo mostra a cadeira com encosto do primeiro protótipo para


o descasque das mandiocas sendo testada no local de trabalho.
Esse primeiro protótipo foi confeccionado em madeira.

Foto 01- Protótipo da cadeira giratória com encosto idealizado na


FUNDACENTRO – São Paulo sendo testado em situação real de
trabalho.

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As fotos que seguem mostram o segundo protótipo da cadeira
fabricado em metal confeccionado pelos marceneiros de Arapiraca/AL.

Foto 02- Protótipo fabricado por marceneiros de Arapiraca/AL da nova


cadeira giratória com encosto para descascar a mandioca sendo
testada em situação real de trabalho.

As fotos que seguem mostram vários detalhes e vistas do protótipo da


cadeira giratória com encosto idealizado para as descascadeiras de
mandiocas.

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Assento circular, com sistema de rotação, pés confeccionados de tubo de aço
( quatro pés) .
VISTA INFERIOR DA CADEIRA

7
30

29 44,0

VISTA DA CADEIRA
Medidas em centímetros

8
SISTEMA
GIRATÓRIO

VISTA LATERAL DA CADEIRA

9
VISTA INFERIOR DA CADEIRA

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Descrição Técnica da cadeira giratória com encosto para as
descascadeiras de mandioca:

Cadeira fixa, quatro pés, base do assento giratório, com encosto para
proteção da região lombar.
Estrutura confeccionada em tubo de aço, pintada com tinta epóxi na
cor preta, sapatas de fechamento dos pés confeccionada em plástico.
O assento possui um sistema tipo macho x fêmea tubular preso
através de um sistema de presilhas. Revestimento do assento e
encosto em material impermeável.

Dimensões:

A = Altura chão x Superfície do assento: 44 cm


B= Comprimento do encosto: 30 cm
C= Largura do encosto: 15 cm
Diâmetro do assento superior: 30 cm

B C

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II -) ESTAÇÃO DE TRABALHO PARA O DESCASCAMENTO DAS
RAÍZES :

O resultado desse trabalho oferece uma série de modificações


ergonômicas que podem ser utilizadas por várias fabricas de farinha.
O propósito deste estudo é de idealizar uma estação de trabalho para
as descascadeiras de mandiocas.
Após uma série de estudos realizados nos locais de trabalho
solicitamos a um marceneiro de Arapiraca/AL que nós orienta-se na
montagem de um protótipo da nova estação de trabalho. As fotos a
seguir mostram a montagem da estação de trabalho para as
descascadeiras de mandioca.

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Foto da montagem do protótipo da estação de trabalho das
descascadeiras de mandiocas.

13
64
26

51

102

72 53,5

60
Estrutura da montagem do protótipo da nova estação de trabalho para
descascar as mandiocas.
Esse sistema fornece apoio para duas caixas plásticas onde serão
armazenadas as raízes.
As cotas na cor azul da foto mostram as dimensões do protótipo.
Medidas em centímetros.

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Posição das caixas plásticas com as raízes. Foi realizado um
estudo biomecânico no próprio local de trabalho para se obter as
dimensões e ângulos necessários para idealizar a estação de trabalho.

Cadeira com assento rotatório e encosto sendo testado em situação


real de trabalho. Solicitamos as descascadeiras de mandiocas que
realizassem movimentos para estudarmos as áreas de alcance ótimo
e máximo na estação de trabalho.

15
10 cm

Simulação da caixa com as raízes descascadas.


Foi construído um protótipo em escala natural para armazenamento
das raízes descascadas.
A linha na cor azul representa a altura do carrinho com os rodízios.
O carrinho deve possuir uma plataforma onde será colocada a caixa
plástica com as raízes descascadas.

16
12 cm

21 cm

Estação de trabalho completa das descascadeiras de mandioca sendo


testada em situação real de trabalho.
A seta na cor amarela mostra a abertura anteparo com proteção lateral
onde será descascada a mandioca.
Na foto segue as dimensões da abertura do anteparo onde se
descasca a mandioca.

17
60 cm

6 cm

Estação de trabalho completa das descascadeiras de mandiocas


sendo testada em situação real de trabalho.
A seta na cor amarela mostra a caixa plástica de depósito das cascas
de mandioca. A caixa plástica de cascas de mandioca deverá ser
colocada sobre a superfície de um carrinho com quatro rodízios para
facilitar a locomoção da caixa. Esse carrinho deverá ter uma altura
total de 6 cm.

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Estação de trabalho mostrando o anteparo (proteção) criado para as
cascas das raízes.
A seta na cor amarela indica o detalhe do sistema de prender o
mecanismo regulável da tampa de proteção das cascas.

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CONCLUSÃO FINAL:
Embora este trabalho,tenha sido enfocado os aspectos ergonômicos
ligados especialmente aos postos de trabalho “cadeira e estação de
trabalho”, durante a visita técnica pudemos observar ainda, embora
no aspecto qualitativo, que existem outros problemas ligados ao meio
ambiente de trabalho.
Apenas para citar alguns, excesso de calor, problemas com arranjo
físico etc...
Queremos lembrar que uma boa organização no processo produtivo,
bem como um ambiente limpo, climatizado e harmonioso, propicia
conforto aos trabalhadores, evitando possíveis doenças profissionais e
conseqüentemente aumento de produtividade e qualidade.
Deve-se reforçar que a qualidade do produto,é de suma
importância não somente para o conforto e bem estar físico dos
trabalhadores ,como também para viabilizar investimentos no aspecto
econômico, ou seja, garantindo a manutenção da concordância com a
norma NR-17 (ergonomia) e demais normas, bem como a durabilidade
do produto.
Fica claro também que tanto a cadeira como á estação de
trabalho idealizada neste estudo deveram ser confeccionadas em
materiais apropriados para garantir a durabilidade, assim como
também todo conjunto deverá ser testado em situação real de trabalho
com aprovação das descascadeiras antes de serem incorporados nos
ambientes de trabalho. Nas páginas de número 21 a 24 (ANEXO I )
seguem os desenhos técnicos dos produtos idealizados.

O presente Parecer Técnico tem 24 páginas enumeradas e rubricadas


e foi elaborado pelo Tecnologista da Fundação Jorge Duprat
Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho - Fundacentro,
abaixo assinado.

São Paulo, 25 de novembro de 2005

RICARDO DA COSTA SERRANO


Tecnologista
Fundacentro – CPT

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ANEXO I

21
22
23
24
ESTUDO ERGONÔMICO NAS CASAS DE FARINHA
DO MUNICIPIO DE ARAPIRACA/AL.

I-) INTRODUÇÃO:
A cultura da mandioca é de grande importância para as pequenas,
médias e grandes propriedades do Nordeste brasileiro. Além de sua
ampla utilização na alimentação, sob as mais diferentes formas de
produtos, também cresce a cada dia sua utilização na ração animal,
com o aproveitamento total da planta.
A mandioca encontra no Nordeste condições ideais de clima para sua
adaptação e desenvolvimento, produzindo satisfatoriamente, até
mesmo em anos de baixa pluviosidade.
A mandioca, planta de origem brasileira, é de grande importância na
alimentação humana e animal.
No Nordeste, cerca de 70% da produção de raízes são usados na
forma de farinha de mesa, ocorrendo sua maior utilização pelas
populações rurais. O consumo médio de farinha de mesa, em
Kg/pessoa/ano é de 55,0 para a população rural e de 31,9 para a da
cidade, não considerando-se o consumo das raízes de
macaxeiras(5,2), de amido (4,0) ou outros derivados.

Os principais produtos derivados da mandioca são farinha de mesa e


a raspa integral;
O processo de fabricação de farinha de mesa consiste das seguintes
etapas:
Lavagem, descascamento, ralação, extração da goma, prensagem,
peneiração e torração;
O armazenamento da farinha é feito através de sacos plástico;
As fotos a seguir mostram algumas etapas da fabricação da farinha de
mandioca:

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As descascadeiras de mandioca realizando seu trabalho dentro das
Casas de Farinha no Município de Arapiraca/AL.

FORMA TRADICIONAL DE TRABALHO

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GRUPO DE DESCASCADEIRAS DE MANDIOCA REALIZANDO
SUAS ATIVIDADES

27
28
DESCASCAMENTO DAS RAIZES

MOAGEM

29
PRENSAGEM

TORRAÇÃO

II-) POSTURAS DAS DESCASCADEIRAS DE


MANDIOCA- CASA DE FARINHA-ARAPIRACA.
Tarefa: A tarefa é realizada predominantemente por pessoas do sexo
feminino, em idades variadas, sem a exigência de escolaridade, com o
inicio do trabalho a partir das 05:00 horas as 11:00 horas da manhã
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(aproximadamente 6 a 7 horas/dia). As operarias têm a tarefa de
descascar mandiocas utilizando faca, sendo que o peso da mandioca
é variado, bem como as formas e dimensões.

Postura comum: Trabalham na posição sentada, em pequenos


bancos de madeira improvisados, sentadas no piso ou em muretas de
alvenaria que fazem parte da estrutura do prédio. As posturas mais
comuns são as sentadas diretamente no piso, umas ao lado da outra,
ou em bancos improvisados, como vemos na seqüência:

1-) Sentada em um pequeno banco improvisado, de altura


aproximada a 20 cm, realiza flexão da coluna cervical na visualização
da mandioca e manuseio com a faca; discreta flexão de tronco com
manutenção de contração estática do tronco;
FP* - A posição citada pode levar a compressão do disco
intervertebral levando ao risco de hérnia de disco, compressão de
raízes nervosas podendo originar cervicobraquialgias, diminuição da
circulação e irrigação sanguínea, contração muscular constante
levando a fadiga de músculos como o esternocleidomastoídeo, e
parte superior do músculo trapézio, entre outros. A possibilidade de
surgimento de dores de cabeça constantes e dores irradiadas para
membros superiores e região posterior de tronco;

2-) Ombros protusos, com discreta abdução de braço esquerdo


(mantendo o peso da mandioca);
FP* - Levar ao encurtamento dos músculos peitorais, causando
a hipercifose torácica, diminuição da capacidade respiratória e
expansão torácica, e associada a inclinação do tronco, a flacidez
abdominal, pode ocorrer a síndrome simpático reflexa;

3-) Flexão de cotovelo constante; pronação de antebraço


esquerdo freqüente (para mudar a posição da mandioca e facilitar o
descascamento, realiza alguns movimentos de pronação),
FP* - Os movimentos com esforços estáticos e preensão
prolongadas, principalmente com punho estabilizado em flexão dorsal
e nas prono-supinações com utilização de força, podem levar a
epicondilites, podendo ser agravados por doenças reumáticas e
metabólicas, neuropatias periféricas, entre outros;

4-) Punhos em flexão com discretos desvios (ulnar e radial) e


flexão com utilização de força muscular em preensão dos dedos;
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FP* - Os punhos em flexão constante, com repetições
freqüentes, podem levar a tendinite e/ou tenossinovite de punhos
(como as síndromes túnel do carpo, síndrome da fadiga crônica),
cistos sinoviais, entre outros;

5-) No braço direito, a postura do braço e na vertical, com flexão


e extensão de cotovelo constates em movimentos curtos e repetitivos,
mantendo o antebraço em pronação;
FP* - A flexão constante do cotovelo com o ombro abduzido
podem levar a síndrome do canal cubital, podendo ocasionar ainda a
epicondilite medial (e algumas vezes lateral), bursite olecraniana e
outros processos inflamatórios, paresia e parestesia;

6-) Utilizando todos os movimentos de punho para realizar o


corte com a faca (flexão e extensão, desvios ulnar e radial, utilizando
força e direção; no movimento da mão direita para manter a faca,
utiliza flexão palmar com flexão dos dedos e preensão com utilização
de força muscular para manutenção da faca na posição de corte;
FP* - Pode levar a tendinite de flexores e extensores de punho e
dedos, tenossinovites, síndrome da compressão palmar, conforme o
tipo de movimento, pode levar também a síndromes como as
síndrome de De quervain, surgimento de cistos sinoviais, fadiga
crônica, entre outros.

7-) A manutenção do tronco ereto, sem encosto, leva a flexão


anterior do tronco, com aumento da pressão nos discos da região
lombar, que é aumentada quando a operaria se inclina para alcançar a
mandioca; realiza também discretos movimentos de rotação lateral;
FP* - A postura descrita pode levar a hérnia de disco torácica, e
principalmente lombar (ou lombo-sacra), aumento da compressão de
disco L5-S1, compressão de vísceras, contratura de paravertebrais,
flacidez abdominal, lombalgias e lombociatalgias (constantes);

8-) O quadril permanece em flexão constante com abdução das


pernas;
FP* - Leva a compressão da cabeça do fêmur sobre o acetábulo
podendo levar a necrose da cabeça do fêmur e degeneração articular,
compressão nos ísquios (osso do quadril) diminuição do fluxo
sanguíneo, tendinite dos músculos da coxa, fadiga e mialgia dos
músculos da coxa (principalmente adutores e quadríceps); parestesia
(diminuição de sensibilidade) e paresia (diminuição da força).
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9-) Os joelhos permanecem constantemente flexionados, em
aproximadamente 120°, com inversão total de tornozelo (apoiando o
peso);
FP* - A posição relatada pode levar á lesão de ligamento
colateral lateral, lesão dos meniscos, osteoartrose, compressão do
nervo fibular (tendinite), condromalácia patelar, entre outros; Quanto
ao tornozelo, a inversão total pode levar a osteoartrose do tornozelo,
lesão dos ligamentos talo-fibular anterior e posterior, tendinite fibular,
mialgia e fadiga do músculo fíbular e tibial anterior, artralgia dos
metatarsos, entre outros.

FP* =Fisiopatologia

Observações complementares: Denominamos de postura a


posição do corpo. A boa postura pode ser definida como o arranjo
harmônico das partes constituintes do corpo, tanto em posição estática
(parado) como em diferentes situações dinâmicas (movimento e
força).
Exemplo de postura estática: Trabalhar na posição sentada
durante longo período, como nos setores administrativos, ou trabalhar
em posição em pé, em posto fixo, como defronte á uma máquina ou
bancada, por longos períodos.
Exemplo de postura dinâmica: Flexibilidade postural, trabalha
em pé ou sentado, porém, têm a disponibilidade de alterar os grupos
musculares durante todo o período de trabalho.
Á boa postura é o resultado da capacidade que ligamentos,
cápsulas e tônus muscular têm de suportar o corpo ereto, permitindo
sua permanência em uma mesma posição por períodos prolongados
sem desconforto. Uma postura aceitável também deve ser
esteticamente apreciável.
A influência dos padrões culturais, sociais, profissionais, hábitos,
treinamento e psiquismo sobre a postura são importantes e muito
numerosos, sendo, muitas vezes, difícil identificá-los. A associação de
fatores, inclusive com os estruturais, complica mais ainda o problema.
Devem ainda ser mencionados os gestos profissionais assumidos
tanto na posição de pé como sentada, os diferentes modelos de
assentos que provocam sobrecargas e alongamentos excessivos, e os
diferentes modos de sentar, inclusive no chão, influenciados por
razões culturais.

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III-) CARACTERÍSTICAS GERAIS COLUNA
VERTEBRAL:

• Sua tolerância aos esforços depende da freqüência dos membros,


da distância horizontal do indivíduo à carga, do ângulo de rotação
do tronco, da altura vertical da carga na origem, da distância
vertical percorrida entre a origem e o destino e da qualidade da
pega da carga;
• Possui a capacidade ótima entre 18 e 35 anos;
• Deve-se evitar colocá-la para fazer antes dos 18 anos (quando as
estruturas ainda estão em desenvolvimento, portanto, mais
vulneráveis às deformações, e após os 45 anos, quando a
fragilidade das estruturas se acentua).

CAPACIDADES ESPECÍFICAS:
• Coluna lombar: tolera bem a flexão; tolera mal a flexão associada
à rotação;
• Coluna torácica: tolera bem a rotação lateral; é incapaz de ser
flexionada;
• Coluna cervical: tolera bem movimentos dinâmicos de flexão e
extensão, bem como rotação lateral; tolera mal esforços estáticos
de extensão prolongada, flexão prolongada, rotação lateral
prolongada ou inclinação prolongada.
• Força de compressão no disco L5 – S1 compatível com esforço
sem risco: 3400N;
• Limite de peso recomendado para o levantamento de cargas: 23kg,
para o sexo masculino e 18 para o sexo feminino, nas melhores
condições: carga do corpo, sem rotação do tronco, pega a 75cm do
piso, elevação de 30 cm, boa pega e freqüência menor que 1 vez a
cada 5 minutos;
• Carga pega no nível do piso: 18 kg
O limite do transporte de cargas irá depender mais da taxa
metabólica, que nunca deverá ser maior que 4,5 kcal/minuto em
média.

Para melhor entendimento descrevemos alguns tipos de


movimentos e posturas adotadas:
Flexão cervical: movimento de “abaixar” a cabeça,
inclinado o pescoço.
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Extensão cervical: o oposto da flexão; elevar a cabeça
como se fosse olha para cima, como podemos observar
em operadores que posicionam o monitor do computador
muito alto.
Flexão de tronco (inclinação): dobrar o tronco para
frente, inclinando-o, como se fosse para pegar alguma
coisa no chão, como observamos quando os operadores
do setor fabril realizam para pegar ou colocar uma peça
nos paletes colocados no piso, ou retira-las de caixas com
grande profundidade;
Flexão lateral do tronco (inclinação lateral): Inclinar o
tronco para o lado, como se fosse abaixar para pegar
alguma coisa de lado.
Rotação de tronco: Em pé ou sentado, girarando o tronco
para um dos lados, mantendo fixo a cintura (ponto de
referência), como retirar uma peça de uma máquina e girar
o tronco para colocá-la em uma bancada atrás (vide
bancada de retirada de rebarbas);
Flexão de ombro: elevar o ombro para cima e para frente
(como se apontasse algo á frente).
Extensão de ombro: elevar o braço para trás (movimento
oposto á flexão, a partir da posição neutra).
Abdução de ombro: elevar o braço para cima,
lateralmente.
Adução do ombro: movimento oposto á abdução.
Flexão de cotovelo: dobrar o cotovelo.
Extensão de cotovelo: esticar o cotovelo.
Flexo-extensão: os dois movimentos realizados um em
seguida ao outro.
Flexão plantar: movimento de esticar á ponta dos pés
(como os de apertar o pedal nos tornos);

IV-) DISTORÇÕES ANATOMO- POSTURAIS


A coluna vertebral, com suas 32 peças dispostas em
curvaturas funcionais e separadas por discos cartilaginosos
amortecedores, passa a sofrer sobrecargas anômalas.

Alias, neste particular, ensina a anatomia clássica


que a estrutura do homem, como outros vertebrados, obedece a uma
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simetria bilateral. Músculos pareados à direita e à esquerda, diante e
atrás, exercem tensões e contra-tensões, capazes de manter o
equilíbrio à custa de controles nervosos complexos.

Toda essa estrutura, portanto, passa a ser submetida


a distorções, que com freqüência se fazem a custa da flacidez
muscular que o sedentarismo propicia.

Mas mesmo sem flacidez, a despreocupação


postural, vai acentuando a cifose lombar. Aos poucos, a disposição do
segmento cervical, afunda-se no tronco, e o segmento escapulo
dorsal, bastante pesado, faz com que a parte superior do tronco, vá
refletindo sobre o abdomem.

A dinâmica tóraco-pulmonar, sofre com como


conseqüência pois, reduz-se a expansão respiratória. O diafragma
passa a pressionar e ser pressionado pelas vísceras abdominais.

Enfim, todas essas questões, que acabam refletindo


na estética do corpo e trazendo com isso, artroses precoces que
terminam reduzindo a capacidade vital do indivíduo, freqüentemente
nas mãos dos médicos é que vão cair.

V-) ANATOMIA
Os atlas de anatomia clássica, descrevem o corpo
humano, sob o ponto de vista constitucional, fornecendo dados sobre
suas diferentes partes, que nos levam a constatação de alguns fatores
importantes.

VI-) O ESQUELETO

O esqueleto sustenta, mantém formas e abriga as diversas


seções do organismo. Os ossos como unidades do conjunto,
associam estas funções, segundo sua localização, além de
proporcionarem a fabricação de glóbulos vermelhos do sangue no seu
interior.

Os ossos das pernas, pelve e braços, formam os principais jogos de


alavancas motoras e de sustentação geral.
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Os ossos do crânio, caixa toráxica e também da pelve, compõem
os três grandes abrigos de órgãos.

3) O corpo se divide em três grandes massas, localizadas na cabeça,


cintura escapular e cintura pélvica.

4) A coluna vertebral, assume o eixo de ligação entre estas massas,


dando equilíbrio, suporte, flexibilidade e postura erecta, à todo o
conjunto. Além disso, abriga também o feixe nervoso de conexão
entre o cérebro e cada uma das partes do corpo.

VII-) MUSCULATURA
1) Toda a movimentação corporal seja das grandes ou pequenas
estruturas, é acionada por conjuntos musculares, que proporcionam
ligamentos articuláveis entre os diversos ossos.

2) A musculatura permite, através dos tendões, presos aos sistemas


de alavancas ósseas, somado ao seu funcionamento, sempre, a
partir de duplas antagônicas, e em sua força baseada na contração,
controlar, harmônica, minuciosa e linearmente, os diversos
movimentos que nos são possíveis.

VIII-) ANTROPOMETRIA E BIOMECÂNICA


Introdução:

O projeto incorreto da área de trabalho, bem como


dos equipamentos, ferramentas e meios auxiliares nelas existentes,
impõe ao trabalhador, solicitações excessivas e desnecessárias que
resultam normalmente em:

lombalgias no operário;

- menor conforto e fadiga precoce do operário;


- sensíveis perdas de produtividade do operário;
- grande incidência de erros na execução do trabalho;
- ausências constantes ao trabalho;
- acréscimos consideráveis nos cistos operacionais;
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- menor rentabilidade da empresa.

É portanto, de fundamental importância que a área de trabalho, seu


arranjo, equipamentos e ferramentas nela existentes, sejam bem
projetadas. Para tanto, é necessário que as mesmas estejam
adaptadas às capacidades psico-fisiológicas – antropométricas e
biomecânicas humanas.

Para atingir este objetivo deve-se, portanto, conhecer


as capacidades e limitações humanas.

A postura adotada pelas descascadeiras de mandioca é altamente


prejudicial, e diremos porque:

1º) Região Dorsal da Coluna, desapoiada – excesso de pressão


(= 200 kg), no segmento frontal dos discos – provocação de dor.

2º) Região Cervical da Coluna, sobrecarregada pelo peso pendente da


cabeça – provocação de dor.

3º) Diminuição da capacidade volumétrica do abdomem:

a) provocação de distensão e flacidez da musculatura


abdominal;
b) compressão dos órgãos abdominais sob o diafragma
limitando seu movimento;
c) diminuição da mobilidade gástrica após o período de
alimentação, má digestão.

4º) Diminuição da capacidade volumétrica do tórax:

a) a compressão do diafragma e curvatura do corpo, restringem


a expansão dos pulmões, o indivíduo é obrigado a respirar
mais rapidamente em menores quantidades, provocando
cansaço precoce, no período de trabalho e irritabilidade;
b) diminuição da oxigenação adequada de todo o corpo e do
cérebro, limitando sua disposição e velocidade de raciocínio.

5º) Dobra excessiva dos joelhos impedindo a fácil circulação


sangüínea e neural, provocando dormência muscular.
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6º) Apoio desigual dos braços, provocando desnivelamento dos
ombros e conseqüentes distorções na estrutura óssea.

7º) Provocação a longo prazo, da permanência das distorções da


coluna nas suas mais diversas manifestações (cifose, escoliose,
artrose, etc.).

8º) Apoio das coxas sobre o assento, dificultando circulação


sangüínea, também provocando dormência muscular.

Como se pode notar, nossos maus hábitos, mais corriqueiros, são


também os mais lesivos, daí encontrarmos tantas pessoas, de meia
idade para cima, com problemas de “corcunda”, diminuição biométrica
ou dificuldade no andar.

Estudados todos esses aspectos e com o objetivo de melhorar a


postura das descascadeiras de mandioca idealizamos uma cadeira e
uma estação de trabalho que busca melhorar a organização do
trabalho, os aspectos biomecânicos e antropométricos, e a postura na
execução dos serviços.

IX-) MOVIMENTOS REPETITIVOS:


A tabela que segue mostra os movimentos repetitivos e tempos
realizados pelas descascadeiras de mandiocas na realização dos
serviços.
Fizemos várias medições nos locais de trabalho onde pudemos
destacar na tabela que segue a média dos tempos e movimentos
realizados pelas descascadeiras de mandiocas.
Destaca-se na tabela o tamanho da mandioca (p.m.g), o tempo para o
descascamento,e o número de movimentos repetitivos.

Tamanho da Tempo para o Números de


mandioca descascamento movimentos
(em segundos) repetitivos
pequena 12,02 31
média 16,37 47
grande 32,44 57

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Nota: Para se descascar uma caixa grande de mandioca que pesa
em média aproximadamente 50 Kg a descascadeira leva 37,28
minutos.
As medições foram realizadas na casa de farinha do Município de
Feira Grande/AL onde trabalham cerca de 70 pessoas.
A jornada de trabalho é de 3 a 6 feira no horário das 5:00 até as 11:00
horas.
A cada 500Kg de mandioca descascada cada trabalhadora ganha em
média cerca de R$ 6,00

X-) NOVA ESTAÇÃO DE TRABALHO/ CADEIRA

As fotos que seguem mostram a descascadeira de mandiocas


realizando seu trabalho na nova estação de trabalho.
A estação de trabalho permite com que os alcances biomecânicos e
antropométricos das descascadeiras de mandiocas sejam mais
adequados para a execução dos serviços. Na superfície são
colocadas duas caixas plásticas inclinadas com as raízes que facilitam
o alcance para pegar as mandiocas.

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A estação de trabalho possui um anteparo frontal (seta na cor branca)
que permite com que a casca seja lançada dentro de uma caixa
plástica na parte inferior, facilitando o armazenamento da casca.
Na parte lateral da estação de trabalho foi confeccionado um carrinho
para facilitar o transporte e armazenamento das cascas de mandioca.

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A estação de trabalho possui um carrinho móvel (seta na cor branca)
que ajuda no transporte e armazenamento da casca da mandioca.

Verifica-se a posição de corte da mandioca

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A nova estação de trabalho e cadeira das descascadeiras de
mandiocas,estão sendo testadas nas casas de farinha do município de
Arapiraca/AL.
Devemos lembrar que as descascadeiras de mandiocas devem ser
treinadas e orientadas por um período de 2 a 3 meses para se
adaptarem a nova estação de trabalho.

Ricardo da Costa Serrano


Tecnologista /FUNDACENTRO

As fotos que seguem mostram a construção e o teste final da Nova


Estação de trabalho das descascadeiras de mandioca.

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CARRINHO E ESTAÇÃO DE TRABALHO SENDO
CONFECCIONADOS.

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Estação de trabalho das casas de farinha.

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Estação de trabalho com carrinho para transporte e
armazenamento das cascas e mandioca.

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