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VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Um conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou


prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes
de saúde individual e coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as
medidas de prevenção e controle de doenças ou agraves.
A vigilância proporciona conhecimento. Quando a gente fala dos seus
dados, eles estão processando dados, eles estão fornecendo conhecimento
pra gente, para a nossa prática clínica. Então é muito importante a gente
valorizar a vigilância epidemiológica, porque muitas das orientações que
nós damos para os nossos pacientes, muitas das condutas que nós tomamos
é por causa do conhecimento proporcionado por ela.
Visa principalmente o que? A detecção de fatores determinantes e
condicionantes de saúde e a prevenção daqueles que possam ser deletérios
da saúde tanto individual quanto coletiva. Muitas vezes quando a gente fala
em vigilância, a gente pensa somente em saúde coletiva, a gente acha que
tudo é parte de um grupão que está olhando somente para a população e
que não nos traz nada para a nossa prática. Mas, a analise dos grupos, a
analise das populações é o que nos permite saber qual é a melhor conduta
para a nossa população, para aquela pessoa que está inserida naquela
população.

COMPETÊNCIAS
Os dados são muito importantes dentro da vigilância epidemiológica,
porque realmente é a informação que eles vão usar e é a informação que
eles vão nos fornecer. Então primeiro o que deve acontecer é (nós temos a
população com vários agravos, várias doenças) e esses dados eles têm que
ser coletados. Uma vez coletados esses dados, nós temos agora um
emaranhado de números sobre diversas coisas. Então nós precisamos
processar esses dados direito para poder realmente tê-los de forma objetiva.
No momento que temos esses dados de forma objetiva dentro de índices,
dentro de números, dentro de coeficientes aí sim a gente pode analisar toda
essa informação. E quando nós fazemos a análise correta e detalhada dessa
informação é isso que vai nortear quais são as orientações.
As competências são: coleta de dados, processamento desses dados, análise
desses dados dentro dos seus sistemas de informação e recomendação que
advém dessa análise. Só que não para por aí, a vigilância não olha
basicamente para a população e ver quais são os problemas, muitas vezes
ela olha para a gente também. Precisa saber se as medidas adotadas estão
sendo eficientes. Então, ela vai primeiro fazer a promoção de saúde
(medidas ativas de promoção de saúde) e a avaliação dessas medidas
adotadas (essas medidas estão sendo eficientes, elas estão melhorando
aqueles indicadores e índices que tínhamos anteriormente?) e por fim a
divulgação dessas recomendações (divulgação tanto das informações sobre
a nossa população quanto a divulgação sobre as orientações que nós
devemos dar para a nossa população).

COLETA DE DADOS
Primeiro temos que ver quais são esses dados coletados (existem tipos
diferentes de dados).
Dados sociodemográficos- temos que ver se aquele agravo é mais comum
no sexo masculino, feminino, na criança, no adulto, se tem alguma relação
com a renda, com a escolaridade).
Dados sobre mortalidade e morbidade e saúde pública.
Muitas vezes quando a gente fala de vigilância vem a nossa cabeça os
dados de saúde pública que é basicamente onde está tendo surto, que tipo
de epidemia que está vigorando hoje no nosso país. Então, se a gente sabe
que está aumentando o sarampo na região Norte, sabemos por causa desses
dados referentes a saúde pública.

Fontes de Dados:
NOTIFICAÇÃO: O médico deve notificar, se for compulsória, porque as
informações advêm daí. A notificação é a comunicação a autoridade
sanitária responsável, por qualquer cidadão, acerca da ocorrência de doença
ou agravo de saúde, para a adoção de intervenções.
Então, as intervenções para aquela doença vão advir das informações que
nós damos.

POPULAÇÃO: Imprensa, por exemplo, se eu estou sabendo que a mãe


chegou em um determinado programa de TV e disse que o filho teve
sarampo, poliomielite .... isso é informação importante.... e não
necessariamente foi um médico, um profissional que deu, não
necessariamente foi por uma via formal de notificação. Então, a própria
população pode fornecer a vigilância epidemiológica informações
importantes. Só que a VE vai usar essas informações e vai fazer uma busca
ativa, vai correr atrás para verificá-las.

INVESTIGAÇÃO: Nem sempre a VE fica passiva, esperando os dados


chegarem, muitas investigações são coordenadas pela VE. Uma busca
desses dados. Eu quero saber, por exemplo, filariose naquela cidade, então
a VE desloca uma equipe e faz esse estudo epidemiológico na localidade.

LABORATORIAIS: exemplo- HIV é uma doença de notificação


compulsória e muitas vezes o médico não faz a notificação... as vezes você
deu o diagnostico ou então pegou um paciente com HIV e acredita que
alguém já fez essa parte antes, que alguém já fez essa notificação, um fica
jogando para o outro e nunca foi feita. Só que aí a VE pode pegar aquele
teste rápido que o paciente fez e detectar aquilo como um caso de HIV.
Então, muitas vezes os dados laboratoriais que ficam nos programas,
acabam sendo utilizados como uma fonte de informação para a gente saber
quantas pessoas são diagnosticadas com HIV, quantos testes rápidos de
HIV positivos nós temos naquele determinado hospital.

ESTUDOS:

SISTEMAS SENTINELA
Quando a gente fala de notificação compulsória, todo profissional de saúde
é obrigado a fazer, todo médico é obrigado a fazer, mas só que algumas
vezes, em determinada unidade nós temos alguma lista específica. Por
exemplo: a filariose não está na lista nacional de notificação compulsória,
está em alguns estados como o da Bahia, mas não está na lista nacional.
Vamos supor que você na sua unidade que é estratégica para a filariose.
Então, nessa localidade a filariose é de notificação compulsória.
Não tem necessidade de ser notificação universal, mas naquela determinada
unidade está se fazendo um estudo, uma intervenção para detectar a
filariose. Então, naquele sistema sentinela, naquela unidade sentinela a
filariose se torna notificação compulsória. Por isso, o sistema sentinela é a
forma da VE analisar aquilo que não está sendo analisado a nível nacional.
Eles querem fazer uma analise naquele determinado local ou eles acham
que tem algum indicador que seja importante mas que não está sendo
analisado a nível nacional. Eles procuram esses sistemas sentinela, essas
unidades sentinela e fazem de forma mais focalizada.

SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

SINAN(SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE AGRAVOS DE


NOTIFICAÇÃO)- todo médico tem a obrigação de fazer notificação de
agravos, compulsória. Essa notificação deve ser semanal. Caso não houver,
o médico fica obrigado a fazer a notificação negativa.
SIM(SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE MORTALIDADE)- Declaração
de óbito é utilizada como fonte de informação.
Atenção para o local de ocorrência do óbito. Ex: acidente de trânsito/ a
intervenção que a VE vai orientar que seja feita no trânsito não é no local
onde aquele paciente mora, mas sim no local onde ele sofreu o acidente.
Essa declaração deve ser preenchida por médicos.

SINASC (SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE NASCIDOS VIVOS)


Declaração de nascido vivo/ o bebê só sai do hospital depois dessa
declaração.
É muito importante para produzir alguns índices: mortalidade materna e
infantil

ATENÇÃO: NÃO ESTÃO NA LISTA, MAS TAMBÉM ENGLOBA


NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA- MAUS TRATOS A CRIANÇA E
IDOSOS- NOTIFICAR A VIGILÂNCIA, A UNIDADE SANITÁRIA,
MAS TAMBÉM A AUTORIDADES COMPETENTES, EXEMPLO DO
CONSELHO TUTELAR NO CASO DE CRIANÇAS.
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER, INTERNAÇÕES
INVOLUNTÁRIAS ( paciente psiquiatro) e A ESTERIALIZAÇÃO
CIRURGICA ( a vasectomia, por exemplo, devem ser notificadas, mesmo
não estando na lista de agravos de notificação compulsória)