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MARCO AURÉLIO (REMASCO

Blucher
MARCO AURÉLIO (REMASCO

Blucher
Operações unitárias em
sistemas particulados e
fluidomecânicos
Marco Aurélio Cremasco

Operações unitárias em
sistemas particulados e
fluidomecânicos

i'
1
Blucher
Operações unicârlas em s/sremus partiw/atJos e
{luitJomecânicos
(O2012 Marco Aurélio Cremasco
Apresentação
Editora Edgard Blucher ltda.

A educação é a fonte criadora, transformadora e inovadora que nutre o ser


humano. A necessidade da educação deve estar no topo das prioridades de qual-
quer nação, além de ser a base para a sustentabilidade dos progressos cientificas
e tecnológicos. O crescimento de uma nação, invariavelmente, está associado aos
desenvolvimentos científicos e tecnológicos os quais estão presentes em todas as
etapas na obtenção de um produto ou de um processo, desde a sua coneepção até
o instante em que é posto no mercado.
A tecnologia, por sua vez, não está somente associada a inventos, mas também
à contínua transformação, adaptação do já existente, buscando, sobretudo, o me-
lhor, o mais barato, o otimizado e o sustentável. Tendo em vista tal necessidade,
uma determinada tecnologia, ainda que com resultados satisfatórios comprovados,
pode ser posta em .xeque à medida que a curiosidade humana a questiona para
aprimorá-la. Para tanto, é essencial o domínio da ciência para a sua aplicação en-
quanto tecnologia. É nesse contexto que apresentamos o livro Operações unitá-
rias em sistemas particulados efl,uidomecàni cos.
Blucher ficha Catalogrâfica
Este livro insere-se no campo de conhecimento das operações unitárias relati-
Rua Pedroso Alvarenga, 1.245, 4° andar Cremasco, Marco Aurélio
04531·012 - São Paulo - SP - Brasil Operações unitárias em s istemas vas ao fenômeno de transporte de quantidade de movimento e aborda um conjunto
Tel.: 55 (11) 3078-5366 partlculados e íluidomecãnicos / Marco Aurélio dessas operações, que envolvem o transporte de fluido (gás, vapor, líquido; ou a
editora~blucher.com.br Cremasco. •· São Paulo: Blucher, 20 12.
www.blucher.com.br mistura de gases e líquidos e solução entre líquidos distintos), de sólidos, e da mis-
Bibliografia tura sólido e fluido, assim como se refere à interação física presente em contatos
ISBN 978-8S-212-0S93·7 fluido-fluido, fluido-sólido, sólido-sólido e sólido-fluido em operações de trans-
Segundo Novo Acordo Ortográfico, conforme S. ed.
do Vocabu/ârio Onogrófico da Língua Portuguesa, porte, mistura, separação de partículas. Dessa maneira, o livro é dividido em duas
Academia Brasileira de letras, março de 2009. 1. Engenharia quimica 2. Operações unitárias partes: sistemas fluidomecãnicos e sistemas particulados.
3. Sistemas íluidomecãnicos 4. Sistemas
partlculados 1. Titulo.
Sistemas fluidomecâri.icos são, usualmente, definidos como um conjunto for-
Éproibida a reprodução total ou parcial por quaisquer mado por máquinas e/ou dispositivos cuja função é adicionar ou extrair energia
meios, sem autorização escrita da Editora. 11-01735 COO-660.284292
para (ou de) um fluido de trabalho. São apresentadas, neste livro, noções sobre
Todos os direitos reservados pela lndices para catálogo sistemático:
Editora Edgard BIOcher Ltda. ! .Sistemas particulados: Operações unitárias as operações unitárias em sistemas fluidomecânicos presentes na movimentação
Engenharia química 660.284292 (transporte, agitação etc.) de fluidos ou mistura sólido-fluido por meio de máqui-
2.Sistemas íluldomecãnicos; Operações
unitárias: Engenharia química 660.284292 nas de fluidos tais como bombas, compressores e sopradores. Tais sistemas são
6 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecànicos Apresentação 7

abordados a partir do segundo capítulo, em que há uma revisão básica de mecâ- pode ser utilizada em cursos de graduação e de pós-graduação, sendo neste, em
rúca de fluidos, seguindo-se os capítulos relativos a bombas e compressores, até o especial, em tópicos relativos a sistemas particulados. Por via de consequência,
quinto capítulo, no qual se apresenta a operação de agitação de líquidos. Inclui-se a este livro pode ser utilizado como material de apoio na formação de profissionais,
agitação como um dispositivo fluidornecânico, na medida em que, para um sistema assim como pelos já profissionais de engenharia química, de alimentos, mecãrúca,
agitado, adiciona-se energia com o objetivo de promover mistura. agrícola, de alimentos, de produção, mecânica, química tecnológica, entre outras
Já nos sistemas particulados existe a preocupação relativa ao entendimento profissões.
fenomenológico da interação sólido-fluido e sólido-sólido, envolvendo ou não o
efeito de dispositivos fluidomecârúcos. Os sistemas particulados estão, portanto,
presentes na caracterização de particulados, na dinâmica da partícula isolada, na Marco Aurélio Cremasco
fluidodinâmica da mistura fluido-partícula, assim como na separação de particula-
dos, no escoamento de fluidos através de leitos fixos e móveis de partículas; flui-
dização, transporte pneumático e hidráulico de sólidos, sedimentação e filtração.
As operações urútárias referentes aos sistemas particulados são apresentadas
do Capitulo 6 ao 14, sendo que no sexto capitulo introduz-se a caracterização de
partículas, tais como porosidade, diâmetro, esfericidade e distribuição granulomé-
trica. No Capítulo 7 expõe-se a fluidodinâmica de uma partícula isolada, na qual se
apresentam conceitos sobre velocidade terminal, coeficientes de arraste e força re-
sistiva. No Capítulo 8 são apresentadas técrúcas de separação de particulados ten-
do como fundamento a trajetória da partícula. Tais técrúcas são baseadas na ação
gravitacional, corno é o caso de elutriação e câmara de poeira, e na ação centrífu-
ga, em que se aborda a separação mecânica utilizando-se equipamentos ciclônicos
(ciclones e hidrociclones). Estuda-se, no Capítulo 9, a fluidodinâmica de sistemas
particulados a partir da definição de concentração de partículas, bem como da
apresentação da teoria das misturas da mecânica do contínuo, visando à obtenção
das equações da continuidade e do movimento para as fases fluida e particulada em
uma dada mistura. São tais equações que possibilitarão a introdução da fluidodinã-
mica afeita às operações unitárias que seguirão nos capitulas subsequentes, como
o Capítulo 10, no qual se trata do escoamento de fluidos em leitos fixos e colunas
recheadas; no Capítulo 11, em que a fluidização , homogênea e heterogênea, é es-
tudada, incluindo o contato em leito de jorro; no Capítulo 12, em que se apresenta
o transporte de sólidos por arraste de fluidos, ou seja, os transportes pneumático
e hidráulico. Os dois últimos capítulos referem-se ao escoamento de sólidos em
meios deformáveis relativos à sedimentação e à filtração.
A proposta deste livro é a de apresentar, de forma simultânea, a formulação bá-
sica dos fenômenos que aparecem nas operações urútárias relativas ao transporte
de quantidade de movimento, como também a sua imediata aplicação tecnológica.
São fornecidos, ao longo dos capitules, exemplos resolvidos para que o leitor (em
particular o estudante) possa complementar o seu estudo. Apresenta-se, também,
no finai do livro, um conjunto de exercícios com os respectivos resultados.
Tendo em vista o formato apresentado neste livro, esta obra cobre boa parte
da ementa normalmente proposta para a disciplina Operações urútárias I (ou à
semelhança) a qual envolve o manuseio de particulados (sem transformação quí-
mica e sem os efeitos de fenômenos de transferência de calor e de massa e daque-
les processos que exigem o conhecimento de termodinâmica). A obra, portanto,
1
h

Para
Solange Bonilha Ribeiro Cremasco,
minha esposa
Conteúdo

1 INTRODUÇÃO ÀS OPERAÇÕES UNITÁRIAS....... ...... ............ ... 19


1.1 Introdução.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 19
1.2 Processo .. .. .. .. .. .. . . .. .. .. .. .. .. .. . . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . . .. 21
1.3 Operações unitárias .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 21
1.4 Sistemas fluidomecânicos e particulados .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . . 24
1.5 Bibliografia consultada. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 27

2 PRINCÍPIOS DE SISTEMAS FLUIDOMECÂNICOS. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . 29


2. 1 Introdução.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 29
2.2 Fluidos e classificação reológica. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 29
2.3 Dinâmica do escoamento de fluidos.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 31
2.3. l Equação da continuidade para um fluido homogêneo..... 31
2.3.2 Equação do movimento para um fluido homogêneo..... .. 32
2.4 Equação simplificada para a energia mecânica.. .. .. .. .. .. .. .. . . .. 34
2.5 Atrito mecânico e perda de carga.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 36
2.6 Perdas de energia ou de carga em acidentes .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 43
2.6.1 Coeficiente de perda de carga localizada .. .. .. .. .. .. .. .. .. 44
2.6.2 Método do comprimento equivalente .. .. .. .. .. .. .. .. .. . . .. 45
2. 7 Bibliografia consultada. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 49
2.8 Nomenclatura .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 51
13
12 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecanicos Conteúdo

AGITAÇÃO E MISTURA .......... .. ........ ·· ·· .. ·· .. ·· ·· ·· .. ·· .. ·· .. ·· .. · 97


3 BOMBAS 53 5
5.1 Introdução ...... ...... ...... ...... ...... •· •· •· .... •· ·· ·· .. ·· ·· ·· ·· ·· 97
3.1 Introdução ........................ .......... .................... .... 53
5.2 Características de um tanque agitado ..... ...... .. •· •· •• ,. ·· •• •· •· 97
3.2 Classificação de bombas ... ... .......... ........ ............ ....... . 54
5.3 Padrões de fluxo .................. •... •· •· .. •· •· •· ·· ·· ·· ·· ·· · · ·· ·· ·· 99
3.2. l Bombas dinâmicas ou turbobombas ............ .. ......... . 54
3.2.2 Bombas de descolamento positivo ........................ . 56 Tipos de impelidores ..... ............ .. .. .......... .. •• .• •• •· •• •· •· 101
5.4
3.3 Condições de utilização de bombas .............. .............. ... . 58 Potência de agitação ......... .. ........ .... ........ .. •· •• .. •• •• •• .. 104
5.5
3.4 Altura de projeto ....................... .............. ........ .... .. 59 Níveis de agitação ............................ •· .. •· •• ·• .. ·· ·· .. · · ·· 109
5.6
3.5 Potência e rendimentos de bombas ...................... ........ .. 62 5.7 Fatores de correção no projeto de sistemas de agitação ........ •· 111
3.6 Altura de sucção disponível ou saldo positivo de carga de sucção 5.8 Ampliação de escala ........................ ........ •· •· •· •• ·· •· ·• •· 117
(NPSH) ............................................................ . 63 5.8.l Semelhança geométrica ...... .. .. .... .. .... •· •· .. .... •· •· ·· 118
3.7 Curva característica de bombas ................................... . 68 5.8.2 Semelhança fluidodinârnica ............ .. ........ •· •• •· •· •· 118
3.8 5.8.3 Manutenção do nível de agitação ............ ... • •· .. •· .. •· 119
Acoplamento de bombas a sistemas em série e em paralelo ..... . 70
3.8.l Sistema em série ........................................... . 70 5.9 Bibliografia consultada ......................... .. .. •• •· •· •· •· .. •· ·· 124
3.8.2 Sistema em paralelo ...................................... .. 71 5.10 Nomenclatura ........ .. ........ .... .. .. .. ...... •· .. •· •· •· •• .. •· •· ·· 124
3.9 Bibliografia consultada ....... ..................................... . 72
3.10 Nomenclatura .................................. ............ .. ..... . 73 CARACTERIZAÇÃO DE PARTÍCULAS .......... .................... .: ·· · 127
6
6.1 Introdução .. .... .......... .... ...... •· •· .. •· •· •· •· •· ·· ·· ·· ·· ·· ·· ·· ·· 127
4 COMPRESSORES E SOPRADORES ...................... ................ . 75 6.2 Características físicas de urna partícula isolada ......... •· •· .. •· .. 127
4.1 Introdução ...................... ...................... ........ .... .. 75 6.2. l Porosidade da partícula ................ .. .. •• .... .. •• •· .. .. 129
4.2 Classificação de compressores ............... ..................... . 6.2.2 Massa específica da partícula .... ...... .. ............ •· •· •· 131
76
6.2.3 Área específica superficial.. ...................... •· .... •· .. 133
4.3 Faixas operacionais de compressores ............................ . 79
6.2.4 Morfologia das partículas .... ........ .. ...... ........ •· •• •· 134
4.4 Trabalho de compressão ....... ........ ........ ................... . 79
6.3 Tamanho de partículas . .................... .. .... .. •· •• •• •• .... •· ·• 141
4.4.1 Compressor de único estágio .... .. .. ..................... . 79
6.3.1 Peneiramento ................... .. ........ .... •· •· •· •· •· •· .. 142
4.4.2 Compressor de múltiplos estágios . .... ........ ........ .. .. 82
6.3.2 Difração de luz ...... ................ ........ •· •· •· .. •· .... .. 144
4.5 Curva característica de sopradores .......................... .. .. .. 83
6.3.3 Análise de imagens ......... ...... .. .. .... .. •· . • •· •· •· •· •· •• 144
4.6 Lei dos sopradores ....................... ...... ............ ....... . 87
6.4 Análise granulométrica ............ ................ •· .. •· •· •· •· •• •· 145
4.6.l Primeira lei dos sopradores ............................... . 88
6.5 Diâmetro médio· de partícula ................ .............. •· •· •· .. 148
4.6.2 Segunda lei dos sopradores ............................ ... . 89
4.6.3 Terceira lei dos sopradores ................ .............. .. 91 Modelos para a distribuição granulométrica ...................... . 151
6.6
4.7 Bibliografia consultada ....... ................ .............. ....... . 94 Bibliografia consultada .... .... .......... .. ........ .. •· .. •• .. •• •• •• •· 154
6.7
4.8 Nomenclatura ............ .................... .. ...... .... ...... ... . 94 Nomenclatura ................ .................... •· •· •· •· .. •· •· ·· .. 157
6.8
Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecãnicos Conteúdo 15
FLUIDODINÂMICA DE UMA PARTÍCULA ISOLADA .. .. .. .. .. .. .. .. .. . 159 9 FLUIDODINÂMICA EM SISTEMAS PARTICULADOS E GRANULARES 215
7.1 Introdução.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 159
9.1 Introdução .. .................... ...... ............ .. .... .. .......... 215
7.2 Dinâmica de um ponto material.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 159
9.2 Definições para concentração.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 216
7.3 Velocidade terminal.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 165
9.3 Teoria das misturas da mecânica do contínuo. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 218
7.3.l Efeito da presença de contornos rígidos na velocidade
9.3.1 Equações da continuidade para as fases fluida e
terminal. .. .. . . .. .. .. .. . . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . . .. .. .. .. .. .. 168
particulada.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 218
7.3.2 Efeito da concentração de sólidos na velocidade terminal 170
9.3.2 Equações do movimento para as fases presentes
7.4 Força resistiva.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 171 na mistura .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 219
7.5 Comprimento da região de aceleração . . .. .. .. .. .. .. . . .. .. .. .. .. .. 173 9.4 Equações constitutivas. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 222
7.6 Bibliografia consultada. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 178 9.4.1 A força resistiva .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 222
7. 7 Nomenclatura .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 179 9.4.2 O tensor tensão. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 223
9.5 Condições de fronteira. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 226
9.5.1 Condição inicial .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 227
SEPARAÇÃO DE PARTICULADOS POR AÇÃO GRAVITACIONAL E
CENTRÍFUGA .............. .. .............................................. . 9.5.2 Condições de contorno. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 227
181
8.1 Introdução .. ...... .... ...... ............ .......... .......... ....... . 9.6 Bibliografia consultada. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 232
181
9.7 Nomenclatura .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 234
8.2 A trajetória da partícula ............................................ 181
8.3 Separação de partículas sujeitas ao campo gravitacional ....... .. 182
10 ESCOAMENTO DE FLUIDOS EM LEITOS FIXOS E COLUNAS
8.3.1 Elutriação ............................................... ... . 184
RECHEADAS .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . 237
8.3.2 Câmara de poeira ......... ...................... ........... . 185
10.1 Introdução.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 237
8.4 Separação de partículas sujeitas ao campo centrífugo ........... . 189
8.4.1 Centrifugação e especificação de centrifugas............. . 10.2 A fração de vazios (ou porosidade do leito)... .... .. .. .. .. .. .. .. .. 238
190
10.3 Fluidodinâmica em leitos fixos. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 245
8.5 Separadores centrífugos: ciclones e hidrociclones ............... . 193
8.5.1 Características geométricas e fiuidodinâmicas em 10.4 Permeabilidade....... .. .... .......... ........ ...... .. .......... .... 247
ciclones e hidrociclones ........ .. ................ .. ...... . . 193 10.5 O modelo capilar.... .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 248
8.5.2 Separação de particulados em ciclones e hidrociclones .. 196 10.6 Colunas recheadas.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 252
8.5.3 Eficiência individual de coleta no campo centrífugo ..... . 199 10.6.1 Balanço macroscópico de matéria em uma coluna
8.5.4 Queda de pressão em equipamentos ciclônicos ... ....... . 200 recheada .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . . .. .. 254
8.5.5 Sistemas em série e em paralelo de equipamentos 10.6.2 Queda de pressão e ponto de inundação em uma coluna
ciclônicos ....................... ........................... . 203 recheada .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . . .. .. .. . . .. .. .. .. 256
Bibliografia consultada ...................... ........ .................... .. 210 10. 7 Bibliografia consultada. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 262
Nomenclatura ... .. ........................ .... .. ............ ............. . 211 10.8 Nomenclatura .. .. . . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 263
17
16 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecánicos Conteúdo

FLUIDIZAÇÃO. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . 265 13 SEDIMENTAÇAO ............ .. ............ .. ...................... .. ...... . 325


11
11.l Introdução .................................... ...... .............. .. 265 13.1 introdução ................................................ •· ...... .. 325
13.2 Fatores que afetam a sedimentação ............. .......... ...... .. 327
11.2 Regimes fluidodinâmicos na fluidização ......................... .. 265
267 13.3 Tipos de sedimentadores ........................................ .. 328
11.3 Fluidodinâmica da fluidização ................ .................... ..
11.3.l Fluidização homogênea .................. ................ .. 268 13.4 Fluidodinâmica da sedimentação ................................ .. 330
11.3.2 Fluidizaçâo heterogênea . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 277 13.5 Projeto de um sedimentador convencional contínuo........ ...... 333
11.4 Elutriação (arraste de partículas). .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 281 13.5.l Cálculo da área do sedimentador.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 333
11.5 Leito de jorro. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 283 13.5.2 Cálculo da altura do sedimentador .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 345
11.5. l Curva característica do leito de jorro .................... .. 284 13.6 Bibliografia consultada ........................................... .. 350
11.5.2 Fluidodinâmica do leito de jorro em colunas cilíndricas .. 286 13.7 Nomenclatura .................................. .... .............. .. 352
11.6 Bibliografia consultada. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 291
11.7 Nomenclatura .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 293 FILTRAÇÃO ......................................... .. .............. .. .... . 355
14
14.1 lntroduçào .................................. .. ............ •· ...... .. 355
12 TRANSPORTE DE SÓLIDOS POR ARRASTE EM FLUIDOS .. .. .. .. .. . 295 14.2 Tipos de filtros ................................ .... .. ............ .. .. 356
12.l Introdução .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 295 14.2.1 Filtros de pressão ou simples ............ .... ............ .. 356
12.2 Descrição do transporte vertical. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 298 14.2.2 Filtros a vácuo ............ .. .................. .... ...... ·.. .. 358
12.2.l Regime diluído.................................... .......... 300 14.3 Meios filtrantes. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 360
12.2.2 Regime denso... .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 300 14.4 Fluidodinâmica da filtração .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 361
12.2.3 Ghoking .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 301 14.5 Filtração com formação de torta: teoria simplificada
da filtração.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 367
12.3 Fluidodinâmica do transporte vertical. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 302
12.3. l Queda de pressão no transporte vertical em regime 14.6 Filtração com tortas compressíveis.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 372
estabelecido .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 306 14.7 Filtração com tortas incompressíveis.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 374
12.3.2 Comprimento da região de aceleração no transporte 14.7.1 Filtro prensa.... .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 376
vertical .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 308 14.7.2 Filtro a vácuo de tambor rotativo.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 381
12.4 Descrição do transporte horizontal.... .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 314 14.8 Bibliografia consultada. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 386
12.5 Fluidodinâmica do t ransporte horizontal.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 316 14.9 Nomenclatura .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 387
12.5.1 Queda de pressão no transporte hidráulico de suspensões
homogêneas .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 317
EXERCÍCIOS PROPOSTOS ...................................................... · 389
12.6 Bibliografia consultada. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 320
12.7 Nomenclatura .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. ... .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 322
ÍNDICE REMISSIVO. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . 417
Introdução às operações
unitárias

1.1 Introdução
É fundamental para o(a) profissional de engenharia e de tecnologia com-
preender a natureza de um processo produtivo, desde aspectos microscóp'icos (pro-
priedades físico-químicas da matéria envolvida em etapas de produção; grandezas
termodinâmicas e fenomenológicas etc.), até aspectos macroscópicos (balanço de
maté ria e de energia, detalhamento de equipamentos e acessórios, instrumentação
etc.). Assim, um dos elementos-chave na formação e na atuação desse(a) profis-
sional é a compreensão do processamen to de uma determinada matéria-prima para
obter certo produto, conforme esquematizado na Figura 1.1.

Transformação · •Produto - •
Matéria-prima . ' ~

Figura 1.1 Processo básico de transformaçã o.

Ao se pensar em um produto, pode-se vislumbrá-lo tanto no resultado de alta


tecnologia quanto no oriundo de processos artesanais ou mesmo em algo que todos
utilizam (ou ao qual deveriam ter acesso) diariamente como é o caso da água trata-
da, na qual a matéria-prima corresponde à água bruta, coletada em um manancial,
e o produto, a água de abastecimento às residências. Entre a água bruta e a água
tratada existe um processo (Figura 1.2). De maneira bastante simplificada, pode-se
descrever o tratamento de água por meio das seguintes etapas:
LI
20 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecãnicos 1 - lntroduçao as operações unitárias

1.2 Processo
Ao se observar as Figuras 1.1 e 1.2, constata-se que existe um processo, ou
seja, uma atividade (Figura l. l ) ou um conjunto de atividades (Figura 1.2) em
que houve um input (matéria-prima) para o qual foi agregado determinado valor
(materiais e equipamentos utilizados no tratamento de água), de modo a gerar
um output (produto) a um cliente (consumidor). De modo mais formal, define-
-se processo como um conjunto de atividades realizadas em sequência lógica
com o objetivo de produzir um bem de consumo (ou de serviço) para atender as
necessidades dos stakeholders, os quais são eis vários públicos associados aos
processo produtivo e de consumo. Processo é um conceito fundamental no proje-
to dos meios de uma empresa que pretende produzir e entregar seus produtos e/
ou serviços aos stakeholders. A análise dos processos no locus de produção (in-
f) dústria, universidade, laboratório etc.) implica identificar as diversas dimensões
Filtração
envolvidas em tal produção: fluxo (volume por unidade de tempo) , sequência de
atividades, esperas e duração do ciclo, dados e informações, pessoas envolvidas,
relações e dependências entre as partes comprometidas no funcionamento do
processo.
Shereve e Brink (1977) mencionam que, dentro da indústria quúnica, o pro-
Rede de cessamento tem por base a conversão quúnica (ou reação), como na manufatura
~ .J'fL~=!I\ distribuição do ácido sulfúrico a partir do enxofre, bem como o processamento baseado tão so-
Adução de mente na modificação física, como é o caso da destilação para separar e purificar
água tratada
frações de petróleo. Seja qual for a natureza da transformação (química e/ou física)
Q da matéria-prima, pode-se entender o processamento químico segundo elementos
Tanque de industriais a ele relacionados. Torna-se, desta feita, fundamental o conhecimento
distribuição Tanque de
água tratada distribuição
e beneficiamento (físico e/ou químico) da matéria-prima bruta, para caracterizá-la
.___ __ ___1 água tratada com o objetivo de determinar propriedades físicas e/ou quúnicas utilizando-se en-
saios de desempenho. É importante conhecer o estado físico das matérias-primas
Figura 1.2 Processo simplificado de tratamento de água
(baseada em 02 Engenharia e Saneamento Ambiental, 2011 ). brutas e beneficiadas para verificar a necessidade de embalagem e mesmo de esto-
cagem desse material. Depois de se processarem as matérias-primas por meio de
1. rete~ção mac:oscópi~a de sólidos utilizando-se dispositivos de conten ão· equipamentos adequados de operação unitária e/ou reatores químicos, obtêm-se
2. sucçao (aduçao) da agua bruta ao reservatório de água bruta· ç ' os produtos desejáveis ao mercado e aqueles que podem retornar ao processo. Tal
3. b~m~eamento da água bruta a um reservatório de coagulaçã~ com agita- descrição está ilustrada nojf:uxograma presente na Figura 1.3. Aqui, pode-se re-
çao ~t_ensa, no qual adicionam-se agentes fioculantes como ~ sulfato d tomar a obra de Shereve e Brink ( 1977), na qual se encontra a definição defluxo-
alunuruo, AMS0 4) 3; e grama como: uma sequência coordenada de conversões químicas e de operações
4. transporte da água bruta a um floculador· unitárias, expondo, assim, aspectos básicos do processo químico. Indica os pontos
5. ~ocul!dores, qu: são tanques com agitação suave, nos quais existe a aglu- de entrada das matérias-primas e de energia necessárias às etapas de transforma-
tmaçao das part1culas para facilitar a posterior decantação· ção e também os pontos de remoção do produto e dos s·ubprodutos.
6. transporte da água ~oculada a um decantador (clarificado;, no caso) para
promover a separaçao de aglomerados de partículas·
7. t~~sporte da água clarificada a um filtro para reter ~articulas d 1.3 Operações unitárias
diametros; e menores
8. transporte ~e águ~ ~trada a um tanque agitado no qual existe adição de Ao se observar a Figura 1.1 nota-se uma etapa intermediária entre a matéria-
agen~es ant1patogerucos, como a cloração e a fiuoretação; -prima (água bruta) e o produto (água tratada). Essa etapa, por sua vez, é caracte-
9. aduçao de água tratada a um tanque de distribuição· rizada por diversas atividades ou etapas de tratamento, como pode ser notado por
10. bombeamento de água tratada à rede de distribuiçã~. inspeção da Figura 1.2. Tais etapas de tratamento, em acordo com o fluxograma
22 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecânicos 1 - Introdução às operações unitánas
23

aprese~tado na Figura 1.3, são de naturezas física e/ou química. Ao identificar-se Dessa maneira, propõe-se a seguinte defuúção para operações unitárias:
deterrrunado tratamento ou etapa de processo como sendo de natureza física
tem-se uma operação unitária. ' Operações unitárias constituem-se de etapas individuais, visando ao tratamento e/
ou separação e/ou transporte físico de matéria e/ou energia, presentes em um pro-
cesso (bio)químico. Este, por sua vez, diz respeito à transformação (bio)química e/
ou física, qualquer que seja a escala, de uma detenninada matéria-prima em um pro-
Matéria(s), duto de valor agregado. Classificadas como conhecimentos tecnológicos, as técnicas
prima(s) das operações unitárias são baseadas nas ciências da engenharia, principalmente em
bruta(s) fenômenos de transporte, o que permite que uma determinada operação unitária,
1 ainda que presente em distintos processos (bio)químicos, mantenha sua unicidade
t
/ Tratamento(s) ~ ~
1
e características, independentemente da natureza (bio)química dos componentes
envolvidos e do processo (bio)químico em si.
~ li
Benelici.lmento Anfües quimicas Processos
W Tratamento(s) Conformação

~
& preliminare(s) decormrsão posterior(es) - e/ou
Caracterizaçjo (bio)qulmica do(s) Embalagem

_0
Fisico p Químico tecnológica Purificador(esl Qualquer que seja o processo, este é constituído por passos, beneficiamento
extratiYo(s) físico ou etapas que são iguais em ou tros tipos de processos de transformação,
No recebimento

7.5
podendo ser analisados independentemente dos processos particulares em que es-

~
tejam inseridos, conforme ilustra o Quadro 1.1. Por exemplo, etapas ou operações
~~ica ffsic:m ' de evaporação, filtração, moagem e secagem poderiam ser estudadas independen-
~:m
~
~ IO(essol
J quimicos Física Qulmica temente do processo a que pertencem ou dos materiais a serem processados.
ViaµVia
úmida seca ~rocesm
químicos
foica Química
Ambiental Nan.al
Aqueooa Anidra
\__ Reciclagem
mtema
l1-....,_--1Iindustrializadofs)
RejeitQ!s)
Quadro 1.1 Operações unitárias presentes em alguns processos de produção
(CRE:MASCO, 2010)
Caracterização Re5friada Inerte
Criogenica l)rr,ija ~acessos que -envotv.em a prodição d~:
OperaçQes'-unitárias
~o~;~ica
naturais
(FJ (Q) Venda dÍ/eta
Anánses químicas
&
Caracterização
Evaporação Adesivos e selantes; Antibióticos; Fertilizantes; Fibras
artificiais; Verniz.
tecnológica

~
à reciclagem
externa Filtração Adesivos e selantes; Ácido sulfúrico; Antibióticos; Cerveja;
Na remessa Fibras artificiais; Resinas; Sabão; Tinta.
Ensaios de
desempenho
lFJ lQJ Moagem Adesivos e selantes; Adubos; Fertilizantes; Fibras artificiais;
para_vendad'irefà ,_
_ _ _ _ _ _ _ _! . __ _, Produto(s) Inseticidas; Perfumes; Resinas; Verniz.
Rejeito primáriQ 1
1 aoexterno
reddado( ' • ...........~c.:...1..t..)
w,n,:"'ª'WNUl>I
Secagem Adesivos e selantes; Adubos; Ácido sulfúrico; Antibióticos;
Conformação 1 Cerveja; Fármacos; Fertilizantes; Inseticidas; Papel; Resinas;
e/ou Sabão; Tinta.
Embalagem

' M{tériá(s),
~si As operações urútárias, geralmente, são vistas como aplicações tecnológicas
~S)r das ciências básicas (matemática, física, química e biologia) e ciências de enge-
fmbalagen\{sl.--: ~ nharia. No caso da engenharia química, por exemplo, as ciências que fundamen-
tam as operações unitárias são a termodinâmica e os fenômenos de transporte.
As ciências da engenharia quírcúca fornecem os suportes conceituais à aplicação
Figura 1.3 Fluxograma de um processo genérico (CREMASCO, 201 O).
técnica das operações unitárias, caracterizando-as como tecnologias da engenharia
química. A partir dessa relação entre ciência e tecn ologia, é possível classificar as
operações unitárias, tendo como base os principais fenômenos de transporte que
as fundamentam, con forme ilustra a Figura 1.4.
24 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomec3nicos 1 - Introdução às operações Unitárias 25

No Quadro 1.2 encontram-se as relações entre ciência e tecnologia, exemplifi- Quadro 1.2 Fenômenos de transporte e Operações unitárias (CREMASCO, 2010)
cadas por meio da vinculação entre algumas operações unitárias e os seus respecti- Encontrado na
vos fenômenos de transporte, assim como os produtos característicos da indústria falltlcaçã.O de:
química e correlatas nos quais estão presentes. Mecânica Sistemas Centrifugação Separação de líquidos utilizando- Fármacos.
dos fluidos fluidodinâmicos -se a força centrifuga, com a qual Resinas.
e particulados a fase mais pesada deste líquido
segue para a periferia do com-
Quantidade Transferência partimento, enquanto a fase mais
ele movimento de calor leve é concentrada no meio do
compartimento da centrífuga.

Mecânica Sistemas Ciclones Separação de sólidos de tama- Fertilizantes.


dos fluidos fluidodinãmicos nhos distintos por meio da ação Sabão.
Sistemas e particulados centrífuga.
O~erações
íluidomecanicos
e particulados
e_nergéticas Mecânica Sistemas Elutriação Separação de partículas sólidas, Fertilizantes.
dos fluidos fluidodinâmicos tendo como base a diferença de Extração de
e particulados diâmetro e de densidade. diamante.
Figura 1.4 Relação entre fenômenos de transporte e operações unitárias.
Mecãnica Sistemas Filtração Separação de particulados por Adesivos.
dos fluidos fluidodinâmicos diferença no tamanho entre as Fibras
1.4 Sistemas f luidomecânicos e particulados e particulados partículas e os poros ou interstí- artificiais.
Apesar da classificação pretendida na Figura 1.4, é importante ressaltar que as cios do meio filtrante.
operações unitárias de sistemas jtuidomecânicos e particulados poderiam ser Mecânica Sistemas Flotação Separação de sólidos por meio da Resinas.
classificadas como operações unitárias de quantidade de movimento, assim corno dos fluidos fluidodinãmicos suspensão de matéria para a su- Tratamento de
outras denominações, desde que o conjunto dessas operações unitárias envolva o e particulados perfície de um líquido na forma de água.
transporte de fluido (gás, vapor, líquido; ou a mistura de gases e líqtúdos e solução escuma e subsequente remoção.
entre líquidos distintos), de sólidos, e da mistura sólido e fluido, assim corno envolva Papel.
Mecânica Sistemas Sedimentação Processo de separação de parti-
a interação física presente em contatos fluido-fluido, fluido-sólido e sólido-sólido em dos fluidos fluidodinâmicos cu lados por meio da deposição de Tinta.
operações de transporte, mistura, separação e modificação de tamanho de partículas. e particulados material.
Os sistemas jtuidomecânicos são, usualmente, definidos como um conjunto Transferência Operações Aquecimento Inserção de energia a um fluido ou Adesivos.
formado por máquinas e/ou dispositivos cuja função está em adicionar ou extrair de calor energéticas sólido. Fertilizantes.
energia para (ou de) um fluido de trabalho. Esse fluido pode estar confinado entre
Transferência Operações Condensação Mudança da fase vapor de um 1nseticidas.
as fronteiras do sistema formado pelo conjunto de máquinas e/ou dispositivos ou es- Derivados de
de calor energéticas fluido para a de líquido.
coar através dessas fronteiras. Entende-se, portanto, como operações unitárias de petróleo.
sistemas jtuidomecânicos as etapas de um processo em que está presente a mo-
vimentação (transporte, agitação etc.) de fluidos ou mistura sólido-fluido por meio Transferência Operações Produção Retirada de energia de um fluido Açúcar.
de máquinas de fluidos. Tais máquinas são dispositivos que promovem a troca de de calor energéticas de vapor ou sólido. Adubos.
(Caldeiras)
energia entre um sistema mecânico e um fluido, transformando energia mecânica
em energia de fluido ou energia de fluido em energia mecânica. São exemplos clás- Transferência Operações Refrigeração Retirada de energia de um fluido Alimentos.
sicos de máquinas de fluido: bombas, compressores e sopradores. Por outro lado, na de calor energéticas ou sólido. Bebidas.
medida que em um sistema agitado adiciona energia a uma suspensão líquido-sóli- Fertilizantes.
Transferência Operações Resfriamento Retirada de energia de um fluido
do, por exemplo, para que promova a sua mistura, o equipamento (o conjunto motor de calor energéticas ou sólido. Resinas.
e impelidor) utilizado na operação de agitação também pode ser considerado como
uma máquina de fluido e, portanto, um sistema fluidomecânico. No tratamento de Transferência Operações Vaporização Mudança da fase líquida de um Antibiótico.
água ilustrado na Figura 1.2 e considerando que a água tratada e que abandona o fil- de calor energéticas fluido para a de vapor. Fibras artifi-
ciais.
tro é isenta de particulados, identificam-se, como ape,w,s sistemas fluidomecânicos,
por exemplo, as etapas 8 (agitação) e 10 (bombeamento). (continua)
26 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecànicos 1- Introdução às operações unitárias 27

Quadro 1.2 Fenômenos de .. , (continuação) 1.5 Bibliografia consultada


Encontrado na CREMASco, M. A. Vale a pena estudar engenharia química. 2. ed. São Paulo:
Oiênéia Tecnologia Tipo Descrição Blucher, 2010.
fabricação de:
Transferência Operação de Absorção Separação preferencial de Ácido sulfúrico. 0 2 ENGENHARIA E SANEAMENTO AMBIENTAL. Disponível em: <WWW.o2engenharia.com.
de massa transferência de molécula(s) presente(s) em uma f'ertilizantes. br>. Acesso em: 03 mar. 2011.
massa mistura gasosa, por meio da sua SHERE:VE, R. N.; BRINK, J. A. Indústria de processos químicos. 4. ed. Trad. MACEDO,
retenção em um líquido.
H. Rio de Janeiro: Guanabara, 1977.
Transferência Operação de Adsorção Separação preferencial de Fármacos.
de massa transferência de molécula(s) presente(s) em um Resinas.
massa fluido (gás ou líquido), por meio da
sua fixação em sólido adsorvente.
Transferência Operação de Cristalização Separação de um componente Açúcar.
de massa transferência de presente em uma solução, por meio Fármacos.
massa da sua dissolução em um solvente.
Transferência Operação de Destilação Separação de líquidos por aque- Derivados de
de massa transferência de cimento, baseada na diferença de petróleo.
massa seus pontos de ebulição ( ou de 'I'inta.
pressão de vapor).
'I'ransferência Operação de Extração Separação preferencial de um Fármacos.
<;te massa transferência de líquido-liquido líquido em mistura com outro(s) Derivados de
massa por ação de um terceiro líquido. Petróleo.
Transferência Operação de Separação por Separação de moléculas de Aromas
de massa transferência de membranas düerentes tamanhos utilizando-se naturais.
massa uma barreira seletiva, capaz de Bebidas.
permitir a passagem de determina-
dos compostos, retendo as demais
substâncias.

Já nos sistemas particulados existe, necessariamente, a p reocupação rela-


tiva ao entendimento fenomenológico da interação sólido-fluido e sólido-sólido
envolvendo ou não o efeito de dispositivos fluidomecânicos. Os sistemas particula-
dos estão, portanto, associados às operações de transporte, mistura, separação e
modificação de tamanho de sólidos; escoamento de fluidos através de leitos fixos
e móveis de partículas; centrifugação sólido-líquido; agitação de mistura sólido-lí-
quido; separação de partículas por ciclones, hidrociclones, sedimentação, filtração;
transporte pneumático e hidráulico de sólidos. No tratamento de água ilustrado
na Figura 1.2, identificam-se, por exemplo, como apenas sistemas particulados as
etapas 6 (sedimentação) e 7 (filtração).
Ressalte-se que os sistemas fluidomecânicos e particulados, usualmente, coe-
xistem. Um exemplo característico é a etapa 5 (floculação) presente na Figura 1.2
em que há, concomitantemente, a adição de energia no sistema para haver a sua
movimentação (agitação), assim como a formação de aglomerados de partículas (in-
teração sólido-sólido e sólido-líquido, característica básica de sistemas particulados.
..
,:. . ·>-
- ..
• '

. é}:,.;(\~\ó·. ,
.,.
Princípi"os
de sistemas
fluidomecânicos

2.1 Introdução
A essência das operações unitárias associadas aos sistemas fluidomeçânicos é
a movimentação de matéria (fluido ou sólido e da mistura entre ambas). No caso
do transporte de fluidos, este normalmente ocorre no interior de tubulações, en-
tendendo-as como o conjunto formado por dutos (usualmente tubos), acessórios
(cotovelos, tês etc.) e dispositivos de controle de fluxo (válvulas). Esse tipo de
transporte é responsável pelo deslocamento de fluidos entre os tanques de estoca-
gem e as unidades de processamento nas plantas industriais e entre grandes dis-
tâncias, tais como minerodutos, oleodutos e gasodutos. O deslocamento de fluidos
é promovido por bombas, no caso de fluidos incompressíveis, e compressores (ou
ventiladores), no caso de fluidos compressíveis, os quais oferecem energia neces-
sária para que se promova tal escoamento. O dimensionamento desses equipamen-
tos depende do conhecimento das perdas de cargas ocasionadas nas seções retas e
nos acessórios que compõem o sistema de escoamento (tubulação) , bem corno da
própria natureza do fluido.

2.2 Fluidos e classificação reológica


A definição clássica de fluido está associada à capacidade de a matéria respon-
der à ação de urna força externa aplicada sobre ela. A partir dessa resposta é pos-
sível classificar esse fluido por meio da reologia. A reelogia estuda a deformação
e o escoamento de um fluido quando submetido (ou não) a uma tensão externa.
O comportamento reológico do fluido é descrito por relações entre a tensão de
cisalhamento (-r) aplicada ao fluido e a sua respectiva deformação (y = du,/ dy),
resultando
(2.1)
30 Operações unitárias em sistemas particulados e flu,domec.lnicos 2 - Princípios de sistemas fluidornecanicos 31

sendo -ro a tensão mínima de cisalhamento; k é o fndice de consistência; n, índice Fluidos não newtanianos e dependentes do tempo. Tais fluidos classificam-se
de comportamento do fluido. Os fluidos (líquidos) não newtonianos são classifica- em duas categorias: .fluidos tixotrópicos e reopécticos. Esses tipos de fluidos são co-
dos de acordo com a resposta, no tempo, que oferecem ao cisalhamento. muns, por exemplo, na indústria alimentícia. Osjluidos tia:otrópicos (ou afinantes)
apresentam estruturas que podem ser rompidas por ação cisalhante no tempo. Já os
Fluidos que não necessitam de tensão de cisalhamento inicial (,0) para
escoar. O modelo mais comum é aquele descrito pela lei da potência ou equação fluidos reopéctioos (ou espessantes) são capazes de desenvolver ou rearranjar tais
de Ostwald de Waele: estruturas enquanto são submetidos à tensão de cisalhamento constante.

(2.2)
2.3 Dinâmica do escoamento de fluidos
Na situação em que n = l na Eq. (2.2) têm-se osfluidos newtonianos, nos
O entendimento do escoamento de fluidos passa, necessariamente, por balan-
quais o índice de consistência k é identificado à viscosidade dinâmica µ,. Neste
ços de massa e momento aplicados ao desenvolvimento de equações apropriadas
caso, a Eq. (2.2) é posta segundo
para os fenômenos a serem analisados. Essa análise pode, em princípio, englobar
(2.3) regimes transientes ou permanentes, assim como geometrias complexas (bi e tri-
dimensionais) ou simples (unidimensionais). A descrição da fluidodinãmica, em
Os fluidos que apresentam -r0 = Oe n "' l são classificados em pseudoplásticos
termos de modelos matemáticos, dá-se por meio das equações de conservação da
ou di latantes de acordo com o valor de n. Quando o valor de n for menor do que
massa (continuidade) e as equações do movimento (momentum).
l têm-se osfluidos pseudoplásticos. Para n maior do que 1, são ditosflui dos di-
latantes. No comportamento pseudoplástico, a consistência do fluido (k) diminui
com o aumento da taxa de cisalhamento. Esse comportamento, como no caso de 2.3.1 Equação da continuidade para um fluido homogêneo
suspensões em que existem sólidos dispersos (suspensão de leveduras, por exem-
A partir de uma determinada propriedade volumétrica 1J!(x, t) associada a uma
plo), deve-se a fatores como: características físicas das partículas, área superficial,
mistura, o teorema do transporte de Reynolds pode ser escrito tal como'se segue
forma e dimensão das partículas, tipo de atração entre as partículas, concentração
(DAMASCENO, 2006; AROUCA, 2006):
de partículas, massa molar e conformação do Hquido em que as partículas estão
suspensas. Dentre esses fatores, o tipo de interação entre o liquido e a partícula
é o principal responsável pelo aparecimento da pseudoplasticidade. Já o compor- !!._ III 1/J[x (t),t ]dV = III éJ1/) l"< dV + II (-1/m ) · n dS (2.6)
Dt at
tamento da dilatância é marcado pelo aumento da consistência do fluido (k). O
comportamento é típico de suspensões com alta concentração de sólidos. Para em que t é o tempo, Vé o volume, x é o vetor posição, u é o vetor velocidade da fase
que exista o escoamento da suspensão, é necessário que o líquido escoe entre os fluida e n é o vetor normal-unitário à s uperfície S. O primeiro membro da Eq. (2.6)
espaços vazios entre as partículas, o que é relativamente fácil para baixas tensões apresenta as variações da grandeza 1µ segundo a concepção de Lagrange, cuja de-
de cisalhamento. Para altas taxas de cisalhamento, tal fluidez é dificultada pelo au- rivada substantiva (D!Dt) indica a variação da propriedade 1J1 com o tempo, toman-
mento do número de colisões entres as partículas, elevando, com isso, a consistên- do-se como base um referencial que acompanha as partículas de fluido; enquanto o
cia do fluido. Quanto mais próximas as partículas estiverem uma das outras, maior segundo membro da Eq. (2.6) apresenta as variações dessa mesma propriedade 'IJI
será o efeito da dilatância do fluido. com relação à coordenadas espaciais fixas (concepção de Euler) . Para o caso espe-
cífico do contato monofásico, na qual um fluido no interior de um volume material
Fluidos que necessitam de uma tensão inicial (-r0) para escoar. Os mode-
se move com velocidade u , admitindo-se que não ocorre reação química, bem como
los mais simples dessa categoria são os plásticos de Bingham, que apresentam
considerando-se a grandeza volumétrica como sendo aquela equivalente à massa
relação linear entre tensão de cisalhamento e taxa de deformação, após vencer a
específica (ou densidade) , ou seja 1J1 = p, a Eq. (2.6) é posta na forma
tensão de cisalhamento inicial (-r0).

-r = -r0 + µ,P(y), para -. > -.0 (2.4) !!...


Dt at ~ dV + Jj"Jí (pu ) · n dS
III pdV = III ap (2.7)

em que J-1,p é viscosidade dinâmica plástica. Admitindo-se sistema fechado (não ocorrem entradas ou saídas de material no
Os fluidos Herschel-Bulkley, por sua vez, apresentam o comportamento tipo volume material), tem-se a nulidade para o primeiro membro da Eq. (2.7), a qual
lei da potência com tensão de cisalhamento inicial, ou seja é retomada como

(2.5)
IJI apat ~ dV + Jf ( pu) · n dS = O (2.8)
32 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomec~nicos 2 - Princípios de sistemas flu,domecànicos 33

Aplicando-se o teorema da divergência de Gauss, em que se transformam inte- Forças de supeifície (F5 ) : são as forças de superfície que atuam sobre o fluido
grais de superfície em integrais de volume e vice-versa, II (pu) ' ndS = JIIv' pudV, presente no elemento de volume de controle considerado e que, normalmente, são
obtém-se identificadas por contato físico, por meio das fronteiras do elemento de volume.
Tais forças são descritas tal como se segue
(2.9)
(2.16)
Tendo em vista dV"' O, a Eq. (2.9) é reescrita como
ap. - sendo T o tensor tensão exercido em um fluido e expresso por composição entre a
- +V·pu =O (2.10)
at pressão, p, exercida no fluido e a tensão extra ou dinâmica ou viscosa, -r, na forma
A Eq. (2.10) representa a equação conservativa da continuidade. Em se
tratando de fluido incompressível, p = cte, resulta-se da Eq. (2.10) T =-pi+-. (2.17)

v- u = o (2.11) I é o tensor identidade. No caso da tensão viscosa, -., para um fluido newtoniano,
tem-se
2.3.2 Equação do movimento para um fluido homogêneo
A equação do movimento para um sistema monofásico também pode ser obtida (2.18)
por intermédio do teorema do transporte de Reynolds, Eq. (2.6), bastando fazer
nesta 'tfl = pu , de onde resulta
lembrando queµ é a viscosidade dinâmica; vur
é o tensor gradiente transposto
de velocidade. Por via de consequência, o somatório das forças que atuam sobre o
i fff pudV = JJIª(:u)lx dV + IJ(puu)·ndS (2.12) fluido, já considerando a Eq. (2.17), será

O termo à esquerda na Eq. (2.12) representa a variação temporal da quantida-


}:Fj = III (pvcp)dV - II p I . n dS +II ... n dS (2.19)
de de movimento em um determinado volume de controle. Este mesmo termo pode
ser posto em termos da segunda lei de Newton na forma como se segue
que, por sua vez, quando substituída na Eq. (2.14), fornece
(2.13)
IIJ !_(pu)dV + Jf (puu) · n dS = JII(pVcp) dV -
sendo F1 as forçasj que atuam no fluido presente em um dado elemento de volume. at
Depois de substituir a Eq. (2.13) na Eq. (2.12) obtém-se -II p i · n dS +II-.· n dS (2.20)

au dV + If(puu). ndS = 4" Fi


fffat (2.14) Utilizando-se o teorema da divergência de Gauss na Eq. (2. 19) para transfor-
J mar as integrais de superfície em integrais de volume, tem-se
Identificam-se na Eq. (2.14), grupos de forças que atuam no elemento de flui-
do, sendo elas (DAMASCENO, 2006): III !_(pu)dV + III v. (puu)dV = III (pvcp) dV -
at
Forças de campo (Fb): são as forças volumares, que atuam sobre o fluido, presen-
tes no volume de controle considerado, tais como gravitacional, centrífuga, empu-
- III v•cpI)dv+ III (v--.)dv (2.21)
xo etc. Tais forças são identificadas na forma
resultando, depois de constatar V·(pi ) =I •VP + p •VI = Vp,
Fb = fIJCpV<p)dV
(2.15)
a -
-(pu)+ V · (puu)
-
= pV<p- - -
Vp + V ·-r (2.22)
em que Vtp está associado ao vetor intensidade do campo. at
34 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecànicos 2 - Pnnclpios de sistemas fluidomecânicos 35

o termo do lado esquerdo da Eq. (2.22) é retomado como O termo entre parêntesis na Eq. (2.30) é reconhecido como energia mecâni-
ca específica, e111, ou
a
-(pu)
at
-
+V·(puu)= (ªuat
- + u ·Vu +u -+u·'vpu - ) (ªPat - ) (2.2-3) (2.31)

A partir da identificação da energia mecânica especifica, são estabelecidas as


da qual é possível identificar a equação da continuidade, Eq. (2.10), no segun-
seguintes grandezas e terminologias:
do termo do lado direito da Eq. (2.23). Dessa maneira, a Eq. (2.22) é reescrita na
forma da equação de Navier-Stokes, escrita corno Energia por unidade de volume - pressão total:
u2
(2.24) pe.,,,, = p + pgz + p2 (2.32)

Cada termo presente na Eq. (2.32) apresenta um equivalente à pressão, de


que é a equação do movimento para o fluido. onde resultam: p - pressão estática, pgz - pressão piezornétrica, pu2/2 - pressão
dinâmica.
2.4 Equação simplificada para a energia mecânica Energia por unidade de peso - carga:
Considerando escoamento unidimensional e normal na direção z, assim corno em p u2
se assume que o regime de escoamento do fluido venha ser permanente, aulat = O, -=Z+-+- (2.33)
g pg 2g
a Eq. (2.24) é reescrita, depois de dividi-la pela massa especifica do fluido , na forma
No caso especifico da presença das forças viscosas, Eq. (2.29), aparece o ter-
mo associado à carga (por unidade de peso), na forma da perda de carg?-, ou
(2.25)
(2.34)
na qual -r =•=-Da Eq. (2.25), pode-se identificar a energia cinética segundo
A integração da Eq. (2.30) fornece
'U2
ee =- (2.26) em, - e,.., = (eL, - eL,,) = eL (2.35)
2
bem como a energia gravitacional ou em termos das energias elementares,
(2.27) 2 2
(2.36)
e a energ·ia de pressão ( gz + eP + u 2
)
2
-(gz + eP + ~
2
)
1
= eL

(2.28) Na situação em que o fluido é incompressível, a energia de pressão, Eq. (2.28),


é vista como
Já a energia associada à tensão viscosa, lado direito da Eq. (2.25), é retomada (2.37)
como o trabalho da força viscosa, ei,, por meio de
Ao se considerar a hipótese de escoamento ideal (fluido invíscido: eL = O),
(2.29)
assim como admitindo a aplicabilidade da Eq. (2.37), a Eq. (2.36) pode ser reto-
rnada na forma
sendo Pe o perímetro, eArea, a área da seção considerada para o escoamento, res-
pectivamente. O integrando presente na Eq. (2.29) refere-se à energia dissipada
(
gz +E.+ u2) = (gz + E. +
p 21 p 22
u2) (2.38)
por unidade de comprimento ao longo do trajeto, deL/dz
.E:...(e A Eq. (2.38) é conhecida como a equação de Bernoulli, válida na situação em
dz e + eg + eP ) = _!:__e
(2.30)
dz L que se consideram: regime permanente, fluido invíscido e incompressível. No caso
36 Operações unitánas em sistemas part1culados e fluidomecánicos 2 - Pnncip1os de sistemas fluidomecán1cos 37
de fluido compress(vel, o processo durante a compressão de gases, por exemplo, Eq. (2.29) ser retomada, após considerar nesta a defuúção (2.44), como
conhecido no plano p V ou pip, é descrito por
2 2 p

-
p
= cte
e =
L
JC
!!:._ ___e_ ds
T 8 Area
(2.45)
(2.39)
p6 1

Pode-se identificar na Eq. (2.45) o diâmetro hidráulico, este assim definido:


sendo ó uma constante empírica, representand o que nem sempre a compressão é
adiabática. Dessa forma, ao se conhecer a pressão em determinada cota, tem-se D - 4 Área (2.46)
H p
p Pi e

p6 = Pt (2.40) A Eq. (2.45), portanto, é reescrita como


2cu2
ao substituir p da Eq. (2.40) na Eq. (2.28), obtém-se D =
H
J-2DH
1
T- dz (2.47)
2
Pi dp
ep ~ ~ló { pl/6 (2.41) No caso de um conduto circular reto (tubo), de área constante, a área e o pe-
rímetro são, respectivame nte,
supondo a situação de idealidade para o gás, em que p 1 = Mp 1/RT 1, e integrando a Área - 1rd e Pe =nD (2.48)
Eq. (2.4 1) chega-se a 4
6 1 Ao supor escoamento de um fluido incompressível, tem-se que a velocidade
e =
P
(-ê,) R1j_ [(P2)
ê,-1 M P1
;
-l
] (2.42)
será constante e o coeficiente de dissipação, C-r, não variará ao longo do compri-
mento do tubo. Dessa feita, ao integrar a Eq. (2.47) no comprimento linear de Oa
L, e lembrando que o diâmetro hidráulico para uma tubulação circular é igual a seu
A Eq. (2.36) pode ser posta na forma diâmetro (Eq. 2.48 na Eq. 2.46), obtém-se

(2.49)
(2.43)
Uma informação importante em relação ao coeficiente de tensão viscosa ou de
dissipação viscosa, C-r, é que ele também é conhecido como coeficiente de dissi-
A Eq. (2.43) é o ponto de partida para a obtenção da equação característic a pação viscosa de Moody; e associa-se a outro coeficiente, de mesma interpretação
de compressore s (Capítulo 4), ou seja, está associada à energia transferida ao gás física, conhecido como fator de atrito de Fanning, segundo
para movimentá-lo de uma seção (1) à seção (2) de uma determinada tubulação na
CT
qual escoa esse gás. f • - (2.50)
4
Dessa maneira, as Eqs. (2.45) e (2.49) podem ser expressas em termos do
2.5 Atrito mecânico e perda de carga fator "f" por meio de, respectivame nte,
't'
No caso de se admitir que o fluido sujeito a um escoamento não é invíscido, é f • pu2 /2
fundamental o conheciment o do resultado da ação das forças cisalhantes, tendo (2.51)
em vista a presença da viscosidade do fluido. Os resulrados, usualmente, são ex-
pressos na forma do coeficiente de tensão viscosa, C-r, o qual é definido por 2L
el - 2Ju D (2.52)
e -pu2/2
~
T
(2.44) A equação de Darcy-Weisbach, em termos do fator de atrito de Fanning, ad-
vém diretamente da Eq. (2.52) ao dividi-la pela constante gravitacional,
Com esse coeficiente, obtém-se a força viscosa e a energia dissipada por unidade 2
de comprimento, que integrada fornece a energw mecânica perdida, de modo a hl = 2f gu DL (2.53)
2 - Princípios de sistemas fluidomecànicos
39
38 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecãnicos

Para os regimes de transição (2.100 < Re < 4.000) e turbulento (Re 2: 4.000) ,
Nota-se na Eq. (2.53) uma expressão para perda de carga, conforme anterior-
mente apresentada na Eq. (2.34). Por outro lado, para que se obtenham valores percebe-se uma dependência desse fato r tanto do número de Reynolds quanto
para a perda de carga, torna-se necessária a estimativa do fator de atrito de Fan- da rugosidade relativa. Essa dependência pode ser explicita na relação funcional
ning. A Figura 2.1 apresenta o diagrama de Moody modificado, o qual pemúte como
obter o valor def em função do número de Reynolds, o qual é definido por
(2.57)
Re = pu D (2.54)
µ,
O Quadro (2.1) apresenta algumas correlações para o fator de atrito de Fan-
Nota-se, na Figura 2.1, que, no regime turbulento (Re 2: 4.000), o valor do fator ning para os regimes turbulento e de transição.
de atrito de Fanning é influenciado pela rugosidade relativa da parede do conduto,
a qual é d efinida como:
E
k,. = - (2.55) Quadro 2.1 Correlações para o fator de atrito para fluidos newtonianos (LEAL, 2005)
D
Autor Correlação Rugosidade Obs.
em que e é a rugosidade média da parede da tubulação.
Turbulento
Observa-se na Figura 2. 1 a dependência d o fator de atrito de Fanning com o (2.58a) Liso 4,0 x 103 < Re < 1,0 xl05
Blasius
número de Reynolds. Para o regime lanúnar essa relação (Re s 2.100), para tubos,
é posta corno

f =~
von
Karrnan
g = 4,06 log(Re.Jl)- 0,60 (2.58b) Liso Turbulento
(2.56)
Re
l 1\trbulento
von ✓
f = 4,06 log (0,5/k., ) + 3,36
O,OJS
Karman
(2.58c) Rugoso
l(0,5/kr)/ !J)]> 0,005
n
O,OJO
0,025 e
o Nikuradse = 4 ,0 log ( Re✓
J)- 0,40 (2.58d) Liso Turbulento
0,020
...... i- 1' o.os
'-, 0,01S ...,. -
-r-
1 1
1
1 1 1
1 1 1
0,04
O,OJ
1 Turbulento
Ôl
e
1\,1: \" :::~~
.... 1
'
1
li
0,02
0,015
Nikuradse ✓
f = 4,o log (0,5/kr) + 3,48 (2 5SeJ Rugoso
l(0,5/kr)/ (Rei]) ]> 0,005
1
0.010
0,009
\
:
'
-
..... ....._
1 1 11 1 8:&la
0,006
~i l(0 ,5lkr)fTu~~
--
., 0.008 ;:,....

--
l (
0,004 Colebrook TI . 4,0 log (0,ólk,.) -4.0 log J +9,355ReT/ +3,48 (2.58f) Rugoso ( Rei]) ]> 0,005
;
0,007
0,006
... ,.: '~ ,._1--
1 0,002
1
~

o
0,00S
-o 0,0045
0,004
li

'' '
s:~
0,0004

~ O,OOJS
0.00J
..::: '
:,,
-.:::::::: ...._ 1
0,0002
0,0001
0.00006
Em se tratando de escoamento de fluidos não newtonianos, existem correla-
ções válidas para o escoamento turbulento. No Quadro 2.2 estão contidas diversas
0,0025 ,-..,_~ correlações para o fator de atrito para aqueles fluidos que seguem o modelo de
-
-
i---
0,002 0,00001 Ostwald de Waele ou lei da potência (Eq. 2.2), nas quais o número de Reynolds
,-..._ 0,000006
modificado (Reynolds de Metzner e Reed) é definido como
0,0015 0,000001

(2.59)
0,001 2 3 4 S6789 2 l 4 56789 2 l 4 S 6789
2 l 4 S 6789 2 34S6789
1x 10' l x lO' lx l O' 1xl0' 1x10' 1x 10'
Re
Figura 2.1 Diagrama de Moody: fator de atrito de Fanning
para fluidos newtonianos (LEAL, 2005).
40 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecànicos 2 - Princípios de sistemas fluidomecànicos 41

Quadro 2.2 Correlações para o fator de atrito (fluido não newtoniano) (SANTANA, 1982)
de operações unitárias. Considere, portanto, o sistema hipotético no qual se deseja
Autor~s Coq;iação avaliar a carga (hL) em um tubo de aço de 3 rn de comprimento e diâmetro interno
Dodge e Metzner
(1959)
1
rr = - 02--
~f n·~
[
log Re -
'(l )0-n,
4
2
)] 0,2
-~
n·2 (2.60a)
igual 50 mm, rugosidade relativa de 0,0009, no qual escoa etanol líquido a 20 m3/h
e 27 ºC (p = 0,787 g/cm3). A viscosidade do etanol pode ser estimada por meio da
seguinte correlação

enµ, = -6, 21 + 1•614TX la3 + 6,18 X 10-3 r - J' 132 X 10-5 T2


Tomita (1959) (2.60b)
em que µ, = viscosidade dinâmica, cP; T = temperatura do líquido, (K). Utilize a
Clapp (1961) (2.60c) Figura 2.1 para obter o valor do fator de atrito de Fanning. Verifique a possibilidade
de se utilizar, para este exemplo, as correlações apresentadas no Quadro 2.1.

}J-- 2
Jog [Re'(~;i~:li2n ]+ 3,~l(~) (2.60d) Solução
Trata-se da utilização da equação de Darcy-Weisbach modificada, Eq. (2.53), posta
Szilas et al. (1981) com como
7 4 15
,B=l,5111n (0,:0 +2,12)- •~ - 1,057 u2 L
hL = 2f gD (1)
9

f;;;;sco e Santana
1
.JJ -2
= nº·35
[ 1 (e)(681)º·
log 3, 71 D + ~e'
] (2.60e) Ressalte-se que na Eq. (1), a velocidade do fluido, u, é calculada por
u = _5L (2)
e, rugosidade da tubulação. Área
em que a vazão volumétrica é conhecida e igual a Q = 20 m3/h, e a área da seção
transversal do fluido através da qual o fluido escoa
, itd
Area = - (3)
Exemplo 2.1 4
O Brasil, que sempre se destacou como produtor de aç11car, evidencia-se como o Tendo em vista que foi fornecido o valor do diâmetro interno do tubo
primeiro pafs a produzir e fazer uso de um biocombustível na sua frota automo- D = 50 mm = 0,05 m, tem-se na Eq. (3)
bilística. Esse advento é consequência da implantação de um programa conhecido
corno Proálcool (Programa Nacional do Álcool). A crise do petróleo nos anos 1970 Área= 1t(0,05)2 = 0,0019635 m2 (4)
motivou o governo brasileiro a desenvolver uma forma alternativa de combustível 4
para substituir a gasolina. Nasceu o bioetanol, um combustível advindo da fermen- Substituindo o resultado (5) e Q = 20 m31h na Eq. (2), obtém-se a velocidade média
tação do caldo da cana-de-aç11car, melaço ou amlios. Incentivos foram oferecidos
aos investidores do setor. Nos anos 1980, 85% dos carros nacionais eram movidos u - (0,0~~~~5) = 10.185,89 m/h - 282,94 cm/s (5)
exclusivamente a álcool. A produção de etanol daquela década chegou a superar a
produção de açúcar pelas usinas. As unidades instaladas atingiram, naquele perío- Sabendo que L = 3 m = 300 cm; D = 50 mm = 5,0 cm e g = 981 crn/s2, resta obter o
do, capacidade para produzir 18 bilhões de litros de bioetanol por safra, volume este valor do fator de atrito de Fanning,J, utilizando-se a Figura 2.1. Para tanto, deve-se
equivalente a 100 milhões de barris de gasolina. O programa, como estratégia de conhecer o valor da abscissa desse gráfico, o qual é obtido da Eq. (2.54), ou
abastecimento energético, fracassou no final dos anos 1980. Por-outro lado, o cres-
cente interesse mundial pelo bioetanol, fruto da elevação nos preços do petróleo na Re= puD . (6)
década de 2000 e da preocupação mundial em relação à redução da emissão de gases µ,
de efeito estufa, motivou a retornada de pesquisas para tornar a produção mais efici- Para o cálculo do valor do n11rnero de Reynolds, Re, conhecem-se u = 282,94 cm/s,
ente, minimizando o consumo de energia. Em virtude da possibilidade da utilização D= 5,0 cm e p = 0,787 g/cm3. O valor da viscosidade dinâmica do etanol advém de
do bioetanol como aditivo à gasolina e mesmo diretamente como combustível em
motores ouj!ex-:fue4 torna-se essencial o conhecimento científico do processamento 1 614
lnµ= -6 21 + • x l<r + 6 18 x 10-aT -1132 x 10-5T2 (7)
desse biocombustível, em ,particular de termodinâmica, fenômenos de transporte e ' T ' •
42 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecànicos 2 - Principies de sistemas fluidomecànicos 43

Sabendo que T = 27 ºC = 300,15 K, tem-se na Eq. (8) a utiliwção da Eq. (2.581). Dessa mane ira, restam as Eqs. (2.58c) e (2.58e) váli-
das para tubos rugosos e escoamento em regime turbulento. Ambas as correlações
1 614 5
lnµ. = - 6,21 + • x la3 + 6,18 x 10-3(300,15)- exigem que l (o,5/k,)/ (Re.[l)J> 0,005. Sabendo que k , = 0,0009; Re = 1,089 x 10 e
(300,15) f = 0,0055, verifica-se
-1,132 x 10-5(300,15)2 = 1,022 cP = 0,01022 P (8) 0,5/k,. = (0, 5 )/(0,0009) = O 069 > O005 (13)
Da Eq. (6) Re✓
f (1,098 x lff )../(0,0055) , '

Re = (0,787)(282,94) (5,0) = 1.089 x r:f' (9) ou seja, desaconselha-se o emprego das Eq. (2.58c) e (2.58e).
(0,01022) l

Como o valor da rugosidade relativa, k,, é igual a 0,0009 e com Re = 1,089 x 105 , entra-
-se na Figura 2.1 ( veja a Figura l deste exemplo) e obtém-se
f = 0,0055 (10) 2.6 Perdas de energia ou de carga em acidentes
Um fluido em um sistema de escoamento, como aquele ilustrado na Figura 2.2,
o.oli passa por tubos, válvulas, conexões, acessórios diversos e, também, podem ocorrer
o.o30 mudanças da área de escoamento. Haverá perda de carga, em consequência do re-
O,DI 5
~ sultado do atrito com a parede, da alteração na direção do escoamento, obstruções
0,020 o
;~ o.os na trajetória do fluido e mudanças abruptas ou graduais na área de escoamento. As

:\
;.. 1
0,1)4
'-, 0,01 ,.. 1 '----- 1 1 li li 0,03 perdas de carga, em virtude da presença de acessórios em uma tubulação, decorrem
e-+ .. ..
1 1
ÔI
e r,J::; 1 1 1 1 1
O,DI
0,0IS
da separação de uma camada do escoamento e da formação de correntes turbulen-
'ê 0,01 tas. Essas correntes transformam energia mecânica em energia cinética· e esta se
8:_ 0,009
<11 0,00!
\
' .,._
' 1 1 8·&\a
o'.006 converte em calor que se dissipa. As perdas de energia decorrentes desses fenôme-
g 0,007
·..:
- --t--
' ,., T
1 1
rr
1 1 111 li
li
1
0,004
nos denonúnam-se perdas localizadas ou singulares ou em acidentes. Pode-se
·e: 0,006 0,001
11 estimar o valor dessas perdas de carga por dois métodos: método do coeficiente de
~ 0,001
11 '
~ i--::t--
1
.' f:SU. perda de carga localizada (k1); método do comprimento equivalente (Leq ou L ec/D) .
'O0,004s
c50,004
~ 0,001s
0,00l
t---,--
'

f=:::: i--.-
1 ·=
0,0001
1 0,0001
0.002s ,... 0,00006
1--- 0,00001
0,001
i--,: 0,000006
!--.;..
1
0,001 s 0,000001
Válvula
de regulagem
1
0,001
1X10'
l J I S 67891
1X10'
1 J •S6789
lxlO'
1
Re
l I S 6789
lxlo'
1 l I S 67891
1x10'
1 l ' S 678~
lxlO' /
Figura 1 Obtenção de "f" por método gráfico.

Substituindo!= 0,0055; u = 282,94 cm/s, L:: 300 cm; D= 5,0 cm e g = 981 cm/s2 na
Eq.

h = (2)(0 0055)(282,94)2 (300) = 53 86 (11)


L ' (981) (5,0) ' cm

Pede-se, neste exemplo, para verificar a aplicabilidade das correlações apresen-


tadas no Quadro 2.1. Tendo em vista que o tubo é rugoso, descarta-se a utilização
das Eqs.(2.58a), (2.58b) , (2.58d). Tendo em vista que Re = 1,089 x 105 , descarta-se Figura 2.2 Representação de uma tubulação com vários acessórios
(baseada em IGNÁCIO, 2011).
44 Operações unitánas em sistemas particulados e fluidomecànicos 2 - Princípios de sistemas fluidomecánicos 45

2.6. 1 Coeficiente de perda de carga localizada vena contracta e a aceleração temporária do fluido. Esse fenômeno é mais intenso
Experimentalmente, observa-se que a perda de carga em acessórios (tJ.Plp) é nas conexões com bordas retas ou cantos vivos, e menos acentuado quanto mais
constante no regime turbulento e tem uma relação linear com o termo de energia suave for a saída, havendo diminuição de redemoinhos (zona de separação).
cinética, u 212. Isso permite estabelecer a seguinte relação para o cálculo do valor 1,0-.-.......: : - - - -- -- - - - - - - - -- - -- - - ,
da energia de atrito nesse regime
0,8
(2.61)

No regime laminar, como não há uma relação linear, a determinação de k1 é 0,6


mais complexa e necessita de constatação experimental a diferentes números de
Reynolds. A Tabela 2.1 apresenta valores de k1 para válvulas e acessórios, no re-
gime turbulento.
Contração súbita
No caso de contrações e de expansões, parte da energia potencial se dissipa
nos turbilhões formados na expansão ou na contração. Deve-se levar em conside- 0,2
ração os diâmetros envolvidos e a velocidade média no tubo de menor diâmetro, D V--d
como pode ser observado por inspeção da Figura 2.3, a qual é utilizada para obter Vena contracta
o valor de kI. Na situação de contração total, esta ocorre principalmente nas sar- o+----,-----,-----,-- ---,-----=~
das de tanques e reservatórios. O valor da perda de carga em uma saída desses o 0,2 0,4 d/D o,6 0,8 1,0
equipamentos depende da forma da saída. A contração pode ser suave ou abrupta.
Figura 2.3 O bten ção d e k, para sit u ações de expansão
e contração d o escoam ent o (WHITE, 1988).
Tabela 2.1 Valores de kl de válvulas e acessórios: Diâmetro nominal- pol (mm)
Parafusada - Flangeada 2.6.2 Método do comprimento equivalente
½ l 2 4 ,J. 2 ~ 8 20
(132 {252 º (50}: (1002 {252 (502 '(100) (2002 (500} Define-se Leq como o comprimento de duto no qual o fluxo sofre a mesma
Válvulas (totalmente abertas) perda que no "acidente", sob as mesmas condições; ou seja: é o comprimento
Globo 14,0 8,2 6,9 5,7 13 8,5 6,0 5,8 5,5 de tubo que apresentaria perda de carga igual a do acessório em questão
Gaveta 0,3 0,24 0,16 0,11 0,80 0,35 0,16 0,07 0,03 (veja a Figura 2.4). Como exemplo, pode-se citar a perda de carga de uma vál-
Retenção basculante 5,1 2,9 2,1 2,0 2,0 2,0 2,0 2,0 2,0 vula globo de 2" totalmente aberta, que equivale à perda de carga em 17,4 m de
Em ângulo 9,0 4,7 2,0 1,0 4 ,5 2,4 2,0 2,0 2,0 tubulação reta.
Cotovelos Qoelhos)
45° normal 0,39 0,32 0,30 0,29
45° raio longo 0,21 0,20 0,19 0,16 0,14
90º normal 2,0 1,5 0,95 0,64 0,50 0,39 0,30 0,26 0,21
90° raio longo 1,0 0,72 0,41 0,23 0,40 0,30 0,19 0,15 0,10
180º normal 2,0 1,50 0,95 0,64 0,41 0,35 0,30 0,25 0,20
180° raio longo 0,40 0,30 0,21 0 ,15 0,10
Tês (T)
d
Escoamento direto 0,90 0,90 0,90 0,90 0,24 0,19 0,14 0,10 0,07
Escoamento no ramal 2,50 1,80 1,40 1,10 1,0 0,80 0,64 0,58 0,41
Funte: White (1988).

Na contração, em escoamento turbulento, existe o fenômeno de separação de Figura 2.4 Comprimento equivalente a uma válvu la g lobo totalmente aberta
uma porção de uma camada do fluido em virtude da inércia, com a formação de uma (BORDA LO, 2006).
46 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidornecànicos 2 - Princípios de sistemas fluidomecãnicos 47
Assim, a perda de energia, a partir d a Eq. (2.53), é expr essa por Tabela 2.2 Comprimen to equivalen te (metros) (continuação)
2
u
h1, = 2 1 - - q
4 (2.62) Conexão
Diâmetro nominal x equivalência em metros de canalizaÇfio
g D Material 3/4" l" 1V4" 11/2" 2" 21/2" 3• 4• 5•
-- --
PVC 0,2 0,3 0,4 0,7 0,8 0,9 0,9 1,0 1,1
A Tabela 2.2 apresenta valores para o comprime nto característico para diver-
sos tipos d e acessórios. É importante mencionar que o comprime n to total de uma
tubulação, considerando os acessórios nela con t idos, será
Registo de gaveta
ou esfera aberto
1 Metal 0, 1 0,2 0,2 0,3 0,4 0,4 0,5 0,7 0,9

n
L = Lrer.o + 2 Leq1
i -1
(2.63)
Registro de globo
aberto
6 Metal 6,7 8,2 11,3 13,4 17,4 21,0 26,0 34,0 43,0

em que Lreto re fe re-se ao comprimen to da tubulação sem acide ntes. A Figura 2 .5


ilustra a aplicação da Eq. (2.63).
Registro de ângulo
aberto
ô Metal

PVC
3,6

9,5
4,6

13,3
5,6

15,3
6,7

18,3
8,5

23,7
10,0

25,0
13,0

26,8
17,0

28,8
21,0

37,4

Tabela 2.2 Comprimento equivalente (metros)


Vitvula de pé com
crivo ê Metal 5,6 7,3 10,0 11,6 14,0 17,0 22,0 23,0 30,0

Conexão
Diâmetro nominal x equivalência em metros de canalização
\
~~
Horiwntal ô Metal 1.6 2,1 2,7 3,2 4,2 5,2 6,3 6,4 10,4
3/4"
Material 1 1/4" , 1 1/2" 2" 2 ltl" 3" 4" 5" ~s
Curva 90º (?
PVC
Metal
0,5
0,4
0,6
0,5
0,7
0,6
1,2
0,7
1,3
0,9
1,4
1,0
1,5
1,3
1,6
1,6
1,9
2,1
~e Vertical
o Metal

Fonte: Schneider Motobornbas (2008).


2,4 3,2 4,0 4,8 6,4 8,1 9,7 12,9 16,1

Curva 45º
t PVC

Metal

PVC
0,3

0,2

1,2
0,4

0,2

1,5
0,5

0,3

2,0
0,6

0,3

3,2
0,7

0,4

3,4
0,8

0,5

3,7
0,9

0,6

3,9
1,0

0,7

4,3
1,1

0,9

4,9
L1
/
Vãlvula
de retenção
Joelho 90' tP Metal 0,7 0,8 1,l 1,3 1,7 2,0 2,5 3,4 4,2
PVC 0,5 0,7 1,0 1,3 1,5 1,7 1,8 1,9 2,5 Cotovelo
Joelho45'
rJ Metal 0,3 0,4 0,5 0,6 0,8 0,9 1,2 1,5 1,9 L4
de90'

Tê de pa.5$agem
direta
rr PVC

Metal
0,8

0,4
0,9

0,5
1.5

0,7
2,2

0,9
2,3

1,1
2,4

1,3
2,5

1,6
2,6

2,1
3,3

2,7
Cotovelo
de 90º

Tê de saída lateral
w PVC
Metal
PVC
2,4
1,4
2,4
3,1
1,7
3,1
4,6
2,3
4,6
7,3
2,8.
7,3
7,6
3,5
7,6
7,8
4,3
7,8
8,0
5,2
8,0
8,3
6,7
8,3
10,0
8,4
10,0
L =somados comprimentos dos
trechos retilíneos da tubulação +
Soma dos comprimentos equivalentes
Tê de saída correspondentes às peças especiais
bilateral
ffi=t Metal 1,4 1.7 2,3 2,8 3,5 4,3 5,2 6,7 8,4

União @ PVC
Metal
PVC
0,1
0,01
0,9
0,1
0,01
1,3
0,1
0,01
1,4
0,1
0,01
3,2
0,1
0,01
3,3
0,1
0,01
0, 15
0,02
0,2
0,03
0,25
0,04
L3 L4 Ls

a1Ú 1Íffll ~ ~
Saída de
canalização l! Metal 0,5 0,7 0,9 1,0 1,5
3,5
1,9
3,7
2,2
3,9
3,2
4,9
4,0
Luva de
redução(' ) n PVC
Metal
0,3
0,29
0,2
0,16
0,15
0,12
0,4
0,38
0,7
0,64
0,8
0,71
0,85
0,78
0,95
0,9
1,2
1,07
Figura 2.5 Ilustração sobre o comprimento total em uma linha fictícia
(baseada em lGNÁCIO, 2011 ).
2 - Pnncipios de sistemas flu1domecãnicos 49
48 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomec3nicos

Dessa maneira, o valor do comprimento equivalente total devido às contribuições


Exemplo 2.2
dos acessórios será
Considere o enunciado do Exemplo 2.1 supondo a tubulação esquematizada na Figu-
ra 2.5, sabendo que a válvula de retenção na vertical é do tipo portinhola, e a válvula "L.," L - 6, 4 + 17 4 + 14,0 + 1,7 + 1, 7 -
~ J
41,2 m • 4.120 cm (5)
de regulagem é do tipo globo. Asswne-se que os diâmetros nominais dos acessórios i- 1
são iguais ao do tubo presente no exemplo anterior. Os comprimentos dos trechos
retilíneos são iguais a L 1 =L 2 = 60 cm, L 3 = L 5 = 70 cm e L 4 = 300 cm. Substituindo-se os resultados (4) e (5) na Eq. (2),
(6)
L = 560 + 4.120 = 4.680 cm
2
Solução Substituindo-sei= 0,0055; u = 282,94 cm/s, L = 4.500 cm; D= 5,0 cm e g = 981 cm/s
na Eq. ( 1)
De igual modo ao Exemplo 2.1, trata-se da utilização da equação de Darcy-Weisbach,
Eq. (2.53), posta como 282 94 2 4 53
hl = (2)(0 0055) ( • ) C - 0) = 840,21 cm - 8,40 rn (7)
2
' (981) (5,0)
u L ( 1)
hl =2JgD
Os valores do fator de atrito, velocidade média do fluido e diâmetro da tubulação
são conhecidos do Exemplo 2.1; resta, portanto, calcular os valores que compõem o
comprimento L presente na Eq. ( 1). Pode-se escrever, portanto, da Eq. (2.63)
2.7 Bibliografia consultada
n
L = L,ertJ + 2Leq, (2) ANDRADE, L. C. M.; HORTA, M. D. M. (coord.). Mecânica: acessórios de üubulação
i•l industrial. CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção Senai/CST.
Vitória: Senai - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, 1996.
em que, da Figura 2.5,
(3) BE:NNETT, C. O.; MYERS, J. E. Fenômenos de transporte. Rio de Janeiro: McGraw-
Hill, 1978.
Tendo em vista que L 1 = L 2 = 60 cm, L3 = L5 = 70 cm eL4 = 300 cm, tem-se na Eq. (4), BIRD, R. B.; STEWART, W. E. ; LtGHTfOOT, E. N. Transport phenomena. New York:
L,010 =60 + 60 + 70 + 300 + 70 =560 cm (4) John Wiley, 1960.
BORDALO, S. Fenômenos de transporte. Disponível em: <www.dep.fern.unicarnp.
Os acessórios presentes na linha são de metal (aço) e de diâmetro igual ao do tubo
(D = 50 mm = 2"). Tais acessórios, corno pode ser observado por inspeção da Figu- br/-bordalo>. Acesso em: 14 abr. 2006.
ra 2.5, são: dois cotovelos Uoelhos de 90°); wna válvula de retenção que opera na COELHO, G. L. V. Reologia e escoamento turbulento de suspensões de minério
horizontal (tipo portinhola); wna válvula de regulagem do tipo globo. Desse modo, de ferro . Dissertação de Mestrado. Campinas: Universidade Estadual de Campinas,
pode-se utilizar a Tabela 2.2 (para 2") e extrair os valores dos comprimentos equiva-
1982.
lentes, os quais estão postos na Figura 1 do presente exemplo.
CouLSoN, J . M.; RICHARDSON, J. F. Tecnologia química, v. 3. 2. ed. Lisboa: Pergarnon
Press, 1979.


!6Am!
~
! 17,4m !
' '
~
!14,0m!
~
:~
!J,7 mi
~
~
!1,7 mj
l<---ii
GRANE Company. Flow offtuids through valves, fittings and pipe. Technical Pa-
per n. 410, 1976.
CREMASCO, M. A.; MELO, K. P. Rheologial characterization of recovery yeast (Sac-
chariomyces cerevisiae) cream from brewing process. Chemical Engineering
Trasactions, v. 21, p. 763, 2010.
Figura 1 Valores dos comprimentos equivalentes relativos aos acessórios CREMAsco, M. A.; SANTANA, C. C. Escoamento turbulento e redução no arraste de
presentes na linha ilustrada na Figura 2.5. soluções de poliglicóis e carboxi-metil-celulose. Anais do XV Encontro sobre
Escoamento em Meios Porosos - Enemp, v. 1, p. 108, Uberlândia, 1987.
2 - Principios de sistemas flu1domec~nicos 51
50 Operações unitárias em sistemas part,culados e fluidomec~nicos

DAMASCENO, J. J. R. Fenômenos de transportes. Apostila do curso EQ107, Uberlân- 2.8 Nomenclatura


2
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unitárias. 6. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Cientfficos, 1982. D diâmetro ............................................................................................................. ILI
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2
sertação de .Mestrado. Seropédica: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 2
aceleração gravitacional; constante gravitacional ..................................... [L• T ]
2005.
perda de carga .................................................................•• .............. •• .. •... ••·•••.. •• [L l
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viscosidade dinârrúca............................................................................ [M•L- •T'1]1

2 1
viscosidade cinemática ............................................................................... [L •T' ]
" massa específica ......................................................................................... [M-L-3]
p
52 Operações unitarias em sistemas particulados e iluidomecanicos

1 2
i- tensão de cisalhamento ........................................ ...... .......................... (M-L- .r- 1
1
i- tensor tensão exercido em um fluido ............. ...... ...... ......... ................ [M-L- .r-21
2
'P grandeza associada ao setor intensidade de campo .................................. [L• 7"" ]
1J1 propriedade volumétrica genérica

Subscritos
b força volumar que atua em um elemento de fluido
e energia cinética
eq. comprimento equivalente
G energia gravitacional
Bombas
j força qualquer que atua em um elemento de fluido
L trabalho da força viscosa
m energia mecânica específica
O mínima de cisalhamento
3.1 Introdução
p plástica; energia de pressão
reto comprimento reto Bombas são dispositivos fluidomecãnicos que fornecem energia mecânica a um
fluido incompressível (líquido) para transportá-lo de lugar a outro. Essas máquinas
s força de superfície que atua em um elemento de fluido
geratrizes recebem energia de uma fonte qualquer e cedem parte dessa energia
z, z ação do tensor cisalhante ao fluido na forma de energia de pressão, cinética ou ambas. São empregadas em
x local diversas situações, cabendo ressaltar: abastecimento de água; sistema de esgotos e
de tratamento de resíduos; sistemas de irrigação para fins agrícolas; nas indústrias
Números Adimensionais química, petroquímica, alcoolquímica, farmacêutica, de alimentos, de petróleo, en-
tre outras indústrias. A Figura 3.1 ilustra os componentes característicos de uma
Re número de Reynolds bomba (no caso, centrífuga).
Re' número de Reynolds modificado
1---- Bocal de descarga
Voluta

Bocal de sucção

Figura 3.1 Aspectos construtivos em uma bomba (centrífuga)


(baseada em SAHDEV, 2009).
54 Operações unitárias em sistemas particulados e fl uidomecânicos 3-Bombas 55

3.2 Classificação de bombas A energia cinética, em se tratando de bombas centrífugas radiais, advém
somente de forças centrífugas que atuam no liquido e düerenciam-se da do tipo
As bombas podem ser classificadas a partir do modo que se obtém energia a Francis devido esta apresentar curvaturas nas palhetas do impelidor. Tais bom-
partir de trabalho mecânico, bem como do modo que essa energia é cedida ao fluido, bas desenvolvem altas pressões sendo, portanto, adequadas para baixas vazões.
no caso líquido. A Figura 3.2 ilustra a classificação dos principais tipos de bombas. Já nas bombas de fluxo axial a energia transferida para o liquido é por meio da
ação de forças de arraste. Esse tipo de bomba opera a altas vazões e, por conse-
Bombas centrifugas J Radiais ou puras quência, opera a baixas pressões. Existem, por outro lado, bombas centrífugas
\_Tipo Francis nas quais a energia cinética é transferida ao líquido tanto por meio de forças
Bombas de fluxo misto centrüugas quanto por forças de arraste, sendo conhecidas como bombas cen-
Dinâmicas trífugas mistas. O Quadro 3.1 apresenta algumas vantagens e desvantagens das
ou t urbobombas bombas centrífugas.
Bombas de fluxo axial

Bombas regenerativas ou periféricas


Quadro 3 .1 Vantagens e desvantagens de bombas centrífugas (baseado em Ortega,
Bombas
2008)
Pistão
Bombas alternativas Êmbolo Vantagens Desvantagens
{ Diafragma
Deslocamento
positivo ou (a) Construção simples. (a) Não servem para altas pressões.
volumétricas Engrenagem
{
Lôbulos (b) Baixo custo. (b) Sujeitas à incorporação de ar e preci-
Bombas rotativas Parafusos (c) O fluido é descarregado a uma_pressão sam ser escorvadas.
{
Palhetas deslizantes uniforme, sem pulsações. (c) O máximo rendimento das bombas
Figura 3.2 Classificação dos principais tipos de bombas (MATTOS e DE FALCO, 1998). (d) A linha de descarga (ou de recalque) ocorre dentro de um intervalo limitado
pode ser estrangulada (parcialmente de condições.
fechada) ou completamente fechada (d) Não bombeiam eficientemente líquidos
3.2.1 Bombas dinâmicas ou turbobombas sem danificar a bomba. muito viscosos.
No caso das bombas dinâmicas ou turbobombas fornece-se energia ao líquido (e) Permitem bombear llquidos com sóli-
por meio de um impelidor (impulsor ou rotor) de modo a aumentar a sua energia dos.
cinética que, por sua vez, é transformada em energia de pressão. O acesso do liquido, (1) Podem ser acopladas diretamente a
no interior da carcaça da bomba, dá-se de modo axial para, em seguida, dirigir-se em motores.
movimento radial em direção à safda da carcaça do equipamento, conforme ilustra a (g) Não há válvulas envolvidas na operação
Figura 3.3. de bombeamento.
(h) Menores custos de manutenção que
outros tipos de bombas.
(i) Operação silenciosa (depende da rota-
ção).

As bombas periféricas regenerativas apresentam o impelidor com palhetas


em sua periferia, permitindo gerar maior pressão do que as bombas centrifugas. As
bombas que apresentam apenas um impelidor denominam-se de simples estágio.
Aquelas, por outro lado, que apresentam vários impelidores que operam em série
são reconhecidas como de múltiplos estágios, as quais permitem o desenvolvi-
Figura 3.3 Funcionamento de uma bomba centrífuga (baseada em ORTEGA, 2008). mento de altas pressões.
56 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecànícos 3-Bombas 57
3.2.2 Bombas de descolamento positivo
A diferença fundamental entre as turbobombas e as bombas de deslocamento
positivo é que nesta não é necessária a transformação de energia cinética em ener-
gia de pressão, pois a energia fornecida ao líquido decorre da variação do volume • r'• - - Válvula
de recalque
do fluido contido na própria bomba, utilizando-se mecanismos mecânicos como no
caso das bombas alternativas e rotativas.
As bombas alternativas, indicadas para operar pressões elevadas e vazões Êmbolo
baixas, como nos tipos pistão (Figura 3.4), de êmbolo (Figura 3.5) e diafragma Câmara 2
(Figura 3.6), caracterizam-se pelo movimento de sucção e descarga do líquido. A
diferença básica entre esses tipos de bombas está no tipo do mecanismo que pro-
voca tal movimento.

Válvula
Descarga Descarga de aspiração

Figura 3.6 Bomba t ipo d iafragma (baseada em BARBOSA e ROCHA, 2010).

Sucção As bombas rotativas são caracterizadas por receber o liquido e descarregá-lo


Figura 3.4 Bombas alternativas tipo pistão (baseada em ORTEGA, 2008)
com base no movimento rotacional de dispositivos no interior da carcaça da bomba.
O fluido, em se tratando das bombas dos tipos de engrenagens (Figura 3.7) e de
lóbulo (Figura 3.8), ocupa os espaços entre os dentes (no caso da Figura 3. 7) ou
entre os lóbulos (Figura 3.8), é impelido para fora da carcaça devido ao movimento
de rotação dos dispositivos, permitindo que uma nova massa de líquido entre na
carcaça e assim por diante.

Saída Entrada do
1......::==----rr-t+=-rf-,.,..-~c=-=c.., liquido

Figura 3.5 Bomba tipo êmbolo (baseada em BARBOSA e ROCHA, 2010).


Figura 3.7 Bomba de engrenagens. Figura 3.8 Bomba de lóbulos (baseada em
BARBOSA e ROCHA, 20 10).
58 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecãnícos 3- Bombas 59

As bombas rotativas de parafusos (também conhecidas corno helicoidais), conteúdo de sólidos, desde que o líquido não seja muito viscoso (- 500 cP) . As
Figura 3.9, contêm parafusos que apresentam movimento sincronizado por ação de bombas de diafragma e as peristálticas são recomendadas, por sua vez, para líqui-
engrenagens. Alimenta-se o liquido é uma dada extremidade da bomba e, por meio dos corrosivos, soluções alcalinas, polpas, líquidos biológicos.
da rotação das engrenagens, o fluido é levado à zona central do equipamento por
onde é descarregado. Já as bombas rotativas de palhetas deslizantes, Figura 3.10,
são compostas por um cilindro cujo eixo de rotação é excêntrico ao eixo da carca-
ça. Nesse tipo de bomba o impelidor contém ranhuras radiais nas quais as palhetas
apresentam movimento nessa direção.

1
1
__ 1 ____ _ 1_ _ _ _ _
1o• - - a- 1~º-ntb2s_ -
ternat,vas
- -'- -
,
1

1 ' '
' 1

103
H(m)

10

Figura 3.9 Bomba rotativa de parafuso


10 102 103 104 10s
Q(m3th)
Figura 3.11 Campo de aplicação de bombas (baseada em LIVINGSTON, 1973).

3.4 Altura de projeto


Para especificar uma bomba para determinada aplicação é fundamental o co-
nhecimento do valor do trabalho agregado desse dispositivo em certa linha de es-
coamento de fluido (Figura 3.12). O trabalho mecânico, devido a esse dispositivo,
Figura 3.10 Bomba rotativa de palhetas.
gera mudança nas energias de pressão, cinética e potencial do fluido, liberando
calor em decorrência do atrito com o meio, o qual pode ser posto como

3.3 Condições de utilização de bombas


trabalho ) = ( energia
( agregado do fluido
final) _(energia inicial) ( energia )
do fluido + de atrito (3. 1)
Todas as bombas têm condições ótimas de utilização. Em outras palavras: são
mais adequadas para um determinado tipo de fluido, em uma faixa de pressão e a O balanço de energia entre os pontos de sucção (1) e de descarga (2), por
uma dada vazão volumétrica. As bombas centrifugas são construídas para forne- unidade de peso ( pg), admitindo-se a perda de carga, hL, advém diretamente da
cer ampla faixa de vazões e de carga, conforme ilustra a Figura 3.11. Tais bombas Eq. (2.33) em cada ponto na Figura 3.13, considerando na equação resultante o
trabalham com líquidos límpidos, líquidos com sólidos abrasivos ou ainda com alto trabalho agregado, Wlg , devido à presença da bomba, na forma
60 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecànicos 3- Bombas 61

Altura na descarga:

(3.4)
Altura na sucção:

(3.5)
Altura de projeto:
w
-=H
g
(3.6)

í
Descarga
(recalque) Identificando-se as Eqs. (3.4) a (3.6) na Eq. (3.3), esta é retornada, em termos
Sucção
de altura de projeto, H, segundo
(aspiração)
H=Hn-Hs (3.7)
É importante ressaltar que a altura de projeto é o trabalho que deve ser forne-
Figura 3.12 Diagrama de um sistema de escoamento impulsionado por uma bomba. cido ao fluido para a obtenção da vazão de projeto (ou capacidade). O Quadro 3.2
apresenta algumas relações entre a altura de projeto e a vazão operacional.

Ps U~ W Pn u;
z + - + - - h +-=Z +-+-+h
Quadro 3.2 Relação entre altura de projeto e vazão operacional
S pg 2g L, g D pg 2g Lo
(3.2)
Repiesen.tação do sistema Figura H vs. Q

Na Eq. (3.2) o subscrito S refere-se ao ponto l (sucção) e o subscrito D ao


Variação da altura de projeto em
função da vazão para um sistema
.
1

ponto 2 (de descarga ou recalque). Verifica-se na Eq. (3.2) que cada um dos ter- Sucç~o : Descarga ai
no qual há somente perdas por
mos que a compõem tem dimensão de comprimento ou altura. atrito.
Convencionam-se os termos (.J)!pg) como altura de pressão; u 21'2,g altura de H = hL = hls + hLo
velocidade: zé a altura de posição; (hi) é a altura de atrito, e (~Vlg) a altura total
a ser fornecida pela bomba. Por outro lado, considerando-se a Figura 3.12, pode-
-se assumir que os diâmetros das tubulações nas seções de sucção e de descarga Variação da altura de projeto com
a vazão para um sistema que tem
venham ser muito menores do que os raios dos tanques 1 e 2. Dessa maneira, a
acréscimo desfavorável de
energia cinética por unidade de massa na tubulação será muito superior à energia energia potencial.
cinética por unidade de massa à superfície do tanque, no que acarreta assumir que H = (zo - zs) + (hLo + h,Ls) 1
as velocidades nos pontos 1 e 2 possam ser consideradas desprezíveis. Por via de 1
Sucç~o : Descarga
consequência, a Eq. (3.2) é retomada, explicitando o trabalho agregado, tal como
Q
segue

Há saldo positivo de energia


(3.3) potencial. É necessário adicionar

com hl = hlo + hls·


energia após certa vazão (Q0). A
ação gravitacional, sem a ajuda da
bomba, fornece Q 0.
H = ( -zo - zs) + (hlo + hL5 )
1 Sucçao :Descarga

Em assim sendo, são definidos:


Operações unitârias em sistemas particulados e fluidomecãnicos
3-Bombas 63
62
Quadro 3.4 Tipos de rendimento encontrados numa operação de bombeamento
3.5 Potência e rendimentos de bombas
Rendimento
A potência de uma bomba está associada à taxa de consumo de energia para Rendimento Rendimento Rendimento
da bomba ou
transportar uma quantidade de liquido. Define-se como potência útil, como w·u elétrico ruobal volumétrico
mecânico
aquela a ser fornecida ao liquido que escoa com vazão mássica, m, (ou volumétrica,
Q), por meio de
w
=-.-"- 11eJe =
~v
~L"Ul
w
T/g10 x T/mec x T/ele = ---:-1L
volume descarregado
17= 17 =
W.ixo W.1e ~~!e vol volume succionado
Wu = rhgH = pgQH (3.8) (3.10). (3.11) (3.12) (3.13)

Devido às perdas por atrito decorrentes das naturezas construtiva e fluido-


dinãmica das bombas, a potência que um determinado motor fornece ao eixo da Os rendimentos dos motores elétricos são altos, geralmente em torno de 95%.
bomba, denominada potência no eixo, (Weixo), deve ser maior que a potência útil Os rendimentos volumétricos para as bombas de deslocamento positivo variam
transmitida ao liquido. A relação entre a energia ou trabalho útil produzido por um ent~e 90 e 100%. O rendimento mecânico das bombas de deslocamento positivo
sistema e o trabalho consumido por ele é chamado rendimento, ou vana de 40 a 50% em bombas pequenas e de 70 a 90% em bombas maiores. As
bombas centrífugas apresentam rendimento mecânico entre 30 e 50% para fluidos
. wu
Rendimento = r, = ____,:__ (3.9) de processo e de até 75% para água.
w consumida

3.6 Altura de sucção disponível ou saldo positivo de carga


Os tipos mais comuns de rendimentos, para bombas, estão apresentados en-
contram-se no Quadro (3.3) .
de sucção (NPSH)
.. Altura ~e sucção disponível ou saldo positivo de carga de sucção 0 ~ Net Po-
Quadro 3.3 Tipos de rendimentos encontrados em bombas (baseado em ORTEGA, 2008) si~i~e Suction Head (NPSH) representa a condição ideal para que ocorra sucção
Bombas alternativas mmunamente :ec?mendável do líquido. Existe um limite de pressão de vácuo
Bombas centrífugas Bombas rotativas . ·- ' . ,
que pode s~ atingir na sucção de urna bomba, abaixo do qual haverá O fenômeno
(a) Rendimento da bomba (a) Rendimento da bomba da c~vitaçao. E~te fenômeno está associado a fato de o líquido ebulir sob de-
(a) Rendimento da bomba
ou rendimento mecânico. ou rendimento mecânico. ou rendimento mecânico. termmadas condições de pressão de vácuo e -de t emperatura. Assim, formam-se
(b) Rendimento do redutor. (b) Rendimento elétrico.
(b) Rendimento elétrico. bolhas de vapor que se deslocam da zona de sucção até a saída do impelidor.
(e) Rendimento global. (c) Rendimento elétrico. (c) Rendimento global.
(d) Rendimento volumétrico. As bolhas colapsam e provocam erosão nas partes metálicas da bomba além de
(d) Rendimento global.
causar pe:da de ren?imenco da mesma. A altura de sucção disponível, ~onforme
(e) Rendimento volumétrico.
e~quemat1zado na Figura 3.14, é utilizada para avaliar a possibilidade de cavita-
çao de uma bomba. A partir da definição da altura de sucção, Eq. (3.4), têm-se
Determinação dos rendimentos para os pontos ( 1) e (2)
Seja qual for o tipo de bomba, é necessário ter em mente que, para operá-la,
deve-se succionar o líquido do ponto de sucção ao recalque, conforme ilustrado na H5 = .E!..+ z5 - h, (3. 14)
pg ""3
Figura 3.12. Deve haver, portanto, um agente que a operacionalize em termo de
energia a qual, normalmente, é a elétrica. Dessa maneira, a partir da Figura 3.13,
haverá diversas categorias de rendimento de bombeamento, conforme apresenta- Hs =~
-+- Ui (3.15)
pg 2g
do no Quadro 3.4.
~ importante ressaltar que as pressões p 1 e p 2 são manométricas e O valor da
velocidade do fluido no ponto 1 é considerado desprezível.
Wu Fluido
Potência pressurizado
Potência Potência
no eixo útil
elétrica
Figura 3.13 Potências envolvidas em uma operação de bombeamento (ORTEGA, 2008).
64 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecánicos 3 - Bombas
65
Define-se, a partir da Eq. (3.20), o saldo positivo de carga de sucção disponivel
ou NPSH disponível no sistema como

(3.21)
zs
-Sucção Descarga

O termo à direita da Eq. (3.21) é reconhecido como o saldo positivo de carga


de sucção requerido ou NPSH requerido pelo-sistema, ou

Entrada
da sucção Ui
NPSHD .. hl + - + <p_fi.
u2
• 2g 2g (3.22)
Figura 3.14 Diagrama representativo para o balanço energético relativo ao NPSH.

A energia em termos absolutos no fiange de sucção (ponto 2) é o qual é interpretado como a quantidade mínima de energia absoluta por unidade
de peso acima da pressão de vapor, que deve existir no fiange de sucção, para que
PA não haja cavitação. Os fabricantes fornecem o valor do NPSH requerido pela bomba
Hs ~ Hs + - (3.16)
... pg em função da vazão. Assim, a cavitação ocorre quando NPSH disponível no sis-
tema s NPSH requerido pela bomba. Portanto, deve-se operar o sistema a uma
em que P_4 é o valor da pressão atmosférica local. Se da energia expressa pela
altura de sucção disponível maior que a requerida pela bomba. NPSH disponível
Eq. (3.16) for subtraída a parcela de energia correspondente à perda de carga,
no sistema > NPSH requerido pela bomba, ou NPSH0 > NPSHR.
hLR• entre o flange de sucção, ponto 2, e o olho do impelidor, ponto 3, obtém-se a
energia em termos absolutos, neste último, como
PA
H5 = H5 +--hL (3.17)
- pg • Exemplo 3. 1
Na intenção de conhecer o valor da pressão mínima ou altura mínima no "olho Os compostos orgânicos voláteis (COVs) são aqueles, exceto CO e o C02 , presentes
do impelidor" para evitar a cavitação, deve-se subtrair da energia associada ao im- na atmosfera que apresentam, normalmente, pressão de vapor superior a 0,01 psia
(0,0007 atm) e ponto de ebulição de até 260 ºC. Boa parte dos compostos orgânicos
pelidor, uma parcela correspondente à perda de carga entre o flange de s ucção e
com menos de 12 átomos de carbono são considerados COVs. São de fácil evapo-
o olho do rotor, hLR; à energia cinética absoluta no mesmo (u~/2g), e uma parcela ração, tomando-os sérios poluentes a todo o tipo de atmosfera, inciumdo a resi-
relativa à perda de carga local, fruto da aceleração sofrida pelo fluido ao entrar no dencial. As ercússões de COVs acarretam efeitos tóxicos e/ou carcinogênicos, como
"olho do impelidor'' (cpU~2g), em que tp refere-se a um valor empírico, que depen- o benzeno. Na atmosfera, os COVs combinam com óxidos de nitrogênio CNOx) na
de do projeto de sucção da bomba. Essa altura mínima fica, portanto, presença da luz solar, produzindo, entre outros compostos químicos, o ácido rútrico,

H
P
=H +...!l..-h - - - <p-1i
Ui u2
(3. 18)
responsável pela chuva ácida. Os COVs são divididos em duas classes: a de compos-
tos orgânicos não metano (CONM.s), em que estão aqueles orgânicos oxigenados,
s,,..,_ s pg 'L, 2g 2g halogenados e os hidrocarbonetos; e a segunda classe na qual o metano faz parte. o
metano é estudado separadamente, pois se trata do hidrocarboneto mais abundante
O início do fenômeno da cavitação pode ser estipulado quando a altura mínima na atmosfera. Os CONMs são ercútidos tanto por fontes aptropogênicas, quanto por
de sucção venha a ser igual à altura relativa à pressão de vapor, p VAI', ou biogênicas, estas caracterizadas por plantas, as quais ercútem, por exemplo, terpenos
à atmosfera. As principais fontes antropogênicas são oriundas de processos de com- •
(3.1 9) bustão (emissão veiculares e de combustíveis fósseis), armazenamento e transporte
de combustíveis, uso de solventes, emissões industriais e domésticas (produtos de
limpeza, desodorizantes, corretivos, adesivos, plásticos, colas etc.). Tendo em vista
Igualando-se as Eqs. (3.19) e (3.20), resulta a importância da conscientização sobre a ercússão de COVs, considere o enunciado:
uma indústria petroquímica foi instalada em uma região agrfcola, rica na produção
(p PVAP) u2 u2 de cítricos. Após o irúcio da sua operação, um pequeno agricultor apresentou pro-
H + A - = hl +-ª- + cp.....E. (3.20)
S pg R 2g 2g
66 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecanicos 3 - Bombas 67

blemas respiratórios. Técnicos, ao analisarem a qualidade do ar nas imediações da Por inspeção da Figura 1, verifica-se na linha de recalque: P 0 = 350 kPa = 3,5 x 105 Pa;
casa do agricultor, verificaram alta concentração de COVs na atmosfera, principal- zs = 3,0 m e hi5 = 0,80 m. Sabendo que g = 9,81 rn/s 2 e p = 865 kg/m3, resulta na
mente de benzeno. Depois de inspecionarem a planta, detectou-se vazamento na Eq. (2),
linha do benzeno (Figura 1). Após os reparos, os técnicos resolveram refazer os cál-
culos relativos ao desempenho da bomba. Para tanto, constataram que o benzeno 35
H - • x 1()5 + 3 0-0 80 = 45 05 m (4)
estava sendo bombeado a 37,8 ºC (p = 865 kg/m3 ; pvAP = 26,2 kPa) através de uma D (865)(9,81) ' ' '
tubulação de aço de 100 mm de diãmetro interno na sucção e 80 mm de diâmetro
na descarga, a capacidade de 40 m3/h. A pressão manométrica do tanque 1 acusava De igual forma, verifica-se na linha de sucção: Ps = 200 kPa = 2,0 x 105 Pa; zs = 1,0 m
200 kPa, enquanto do tanque 2, mostrava 350 kPa. O ponto 1 na sucção estava a 1,0 m e h ls = 0,07 m. Sabendo que g =9,81 m/s 2 e p =865 kg/m3 , resulta na Eq. (3),
do nível da bomba, enquanto o ponto 2 na linha de recalque, a 3,0 m acima desse 2,0 X lif
nível. O ganho de carga por atrito na linha de sucção era de 0,07 :11• enquant~ a sua H5 = - -- - + 1,0 - 0,07 = 24,50 m (5)
(865)(9,81)
perda, na linha de recalque, igual a 0,80 m. Sabendo que a pressao atmosfénca_era
O 93 atm e o rendimento da bomba de 50%, estime: (a) o valor da altura de proJeto
Levando os resultados (4) e (5) na Eq. (1), obtém-se o valor da altura total de pro-
d~ bomba; (b) a potência consumida por essa bomba; (c) o NPSH disporúvel pelo
jeto,
sistema.
H = 45,05 - 24,50 = 20,55 m (6)

Solução: b) o valor da potência consumida pela bomba advém da utilização da Eq. (3.9), re-
tomada como
a) O valor da altura de projeto da bomba, H, é obtido da Eq. (3.7), ou
.
wconswnida -
w
__!L
H = HD-Hs (1) 7) (7)

em que as alturas de recalque e de sucção são, respectivamente, em que o valor da potência útil é obtido por meio da Eq.(3.8), ou
Po
HD = -+ZD +
hl, (2) Wu = pgQH (8)
pg o
Como p = 865 kg/m3; g = 9,81 m/s2; Q = 40 m31h = 0,0111 m3!s; H = 20,55 m, pode-se
(3) substituir tais valores na Eq. (8)
Wu = (865)(9,81)(0,0111)(20,55) = 1.935,62 W = 2,60 HP (9)
Tendo em vista que o rendimento da bomba é igual a 50% (0,5), o valor da potência
Pv =350 kPa consumida por esse dispositivo será obtido substituindo o resultado (9) em conjunto
com o valor conhecido do rendimento na Eq. (7),
2
Wconsumida = O•61 -- 5, 22 HP (10)
,5
Ps = 200 kPa z0 =3,0 m c) O valor do saldo positivo de carga de sucção (NPSH) é obtido da Eq. (3.21), ou

NPSHD = Hs + (PA -pVAP) (11)


D=80 mm pg
D= 100mm O valor NP3HD é obtido levando o resultado (5) em conjunto com os valores da
I. h0 =0,80 m ,1 pressão atmosférica (PA = 0,93 atm = 94,23 x 103 Pa); pressão de vapor do benzeno,
pvAP = 26,2 kPa = 26,2 x 103 Pa, p = 865 kg/m3; g = 9,81 m/s2 na Eq. (11),
Figura 1 Linha de análise. NPSH = 24 50 + ( 94,23 x 103 - 26,2 x 103 ) _ 32 52
D ' (865)(9,81) ' m ( 12)
68 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomec~nicos 3 - Bombas 69

3.7 Curva característica de bombas H,--- ------ - H,-- ----- --


Recebem o nome de curvas características das bombas, diagramas que, usu-
almente, contêm a altura desenvolvida pela bomba ou carga, H; rendimento, po-
tência no eixo e NPSH em função da capacidade da bomba, Q. No caso específico
das bombas centrifugas , as quais fornecem vazão constante, sem flutuações e que
pode ir desde zero até sua capacidade máxima, variando a altura desenvolvida pela
bomba, existe a necessidade de o fabricante desse tipo de equipamento fornecer
o NPSH da bomba. A Figura 3.15 ilustra uma curva característica de uma bomba
centrífuga. a) Q b) Q
Figura 3.16 a) Exempli_ficasão de uma curva de bomba (centrífuga);
b) Exemphf,caç ao de uma curva do sistema.
110

100 Di~metrodo 35
rotor 10 1.
90
30 As curvas do conjunto bomba/sistema indicam a viabilidade de utilização da
80 b?mb~ e o ponto _de operação. A Figura 3.17a apresenta uma situação inviável.
70
9 pol. 25 Ja a Figura 3.17b ilustra um conjunto viável, no qual existem pontos de operação
§ Ê que podem ser modificados, por exemplo, por uma troca de válvula O que acarreta
~ 60 8 pol. 20 ~ alteração no hl e, portanto, no valor da altura de projeto H.
§ §
"';.CI 50
7 pol. 15 "'
e'
u 40 u"'
1 HP H
30 6 pol. 10
7½HP

20
5
10

o o
300 350 400 450 gal/mín Bomba
o 50 100 150 200 250
R,gllod<!
o 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 m 3/ h fundonanwnto
Capaddade (vazão volumétrica)
a) b) Q
Figura 3.15 Exemplo de uma curva característica de uma bomba centrifuga
- (Ds =4 "; D0 =3 "; Carcaça com 1O"; N = 1.750 rpm) - (baseada em FOUST et ai., 1982). Figura 3.17 a) Conjunto inviável; b) Conjunto viável
(baseadas em TANNOUS e ROCHA, 2011).

A curva da bomba normalmente é fornecida pelo fabricante, como ilustrado


na Fig. 3.16a. Estabelece-se o que a bomba fornece em termos de descarga (ener-
gia) para vazão do sistema, na forma deHvs. Q, coruorme ilustra a Figura·3.16. Já a
curva do sistema advém diretamente da operação de bombeamento, explícita pela Exemplo 3.2
altura de projeto, coruorme a Eq. (3.7); cujas algumas curvas estão representa das
no Quadro 3.2 ou na Figura 3.16b. Supondo que~ ~omba utilizada no Exemplo 3.1 venha ser do tipo centrífuga, cuja
curva caractenstic~ é aquela fo_rnecida pela Figura 3.15, eleja a configuração da bom-
ba em termos do diãme~ro do unpelidor (em polegadas), rendimento (96), potência
(em HP), bem como verifique se existe possibilidade de haver cavitação.
1
l.
70 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecânicos 3- Bombas 71

em série são obtidas pela adição das alturas de cada bomba para uma determinada
Solução: vazão de processo, conforme ilustra a Figura 3.18b. Tal disposição é indicada para
vencer pressões na linha do sistema.
Tendo em vista que foi fornecida a curva da bomba (Figura 3.15), assim como são
conhecidos os valores da capacidade de operação, Q = 40 m3/h, e altura total de
projeto, H = 20,55 m, tais valores são levados, enquanto abscissa e ordenada, respec-
H
tivamente, na Figura 3.15 (veja a Figura 1). Nota-se que o ponto de operação situa-se
pouco acima da reta de 5 HP e entre os valores de diâmetro do irnpelidor de 8" e 9". Bomba
Ressalte-se que não se pode escolher um valor igual a 5,1 HP (ou o valor encontrado
no exemplo anterior, 5,22 HP) e diâmetro de irnpelidor igual a 8,3".
Os valores a serem eleitos serão aqueles fornecidos pelo fabricante. Dessa forma, a Sistemas
configuração adequada para a bomba centrífuga, com base na informação do fabri-
cante (Figura 1) é: diâmetro do irnpelidor = 9"; potência: 7,5 HP; rendimento: 57%.
No que se refere a possibilidade de haver cavitação, verifica-se por meio da inspeção
da Figura 1 que NPSHR: 3,5' = 1,04 m. Tendo em vista que no exemplo anterior
obteve-se NPSH0 = 32,52 m, constata-se que NPSH0 » NPSHR, descartando a pos- a) b) Q
sibilidade de haver cavitação na bomba.
Figura 3.18 a) Sistema de bombas em série; b) Curva característica de um sistema de bom-
bas centrifugas em série (baseada em TANNOUS e ROCHA, 201 1).
110
100 Ot.lmeuooo
l'OtOt )O 1.
JS Para uma determinada vazão de trabalho tem-se
90
30
80 (3.23)
9pol.
70
§ O rendimento do sistema em série advém de
;; 60
Spol.
§
50
[ 7 pol. pgQHsérie
V 40 17 = . . (3.24)
30 6 pol. 10 ~ÍlCo 1 + ~Lxo 1
20
10 em que WeÍJCo I e ~VeÍJCo I são as potências no eixo gastas nas bombas l e 2 respec-
o-+-~~,-,-,--•-~~~~~~~~~~~o tivamente.
O 50 100 150 200 250 300 350 400 450 gal/mín.

O 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 m1/h
Capacidade {vaz3o volumétrica)
3.8.2 Sistema em paralelo
Figura 1 Solução do Exemplo 3.2.
A adição de duas ou mais bombas em paralelo, Figura 3.19a, é útil nos sistemas
em que se requer vazões variáveis. As bombas ajustam suas vazões de tal manei-
ra que mantêm constantes as d.üerenças de pressão entre os pontos l e 2. Essas
bombas devem fornecer a_lturas praticamente iguais. As curvas características de
3.8 Acoplamento de bombas a sistemas em série e em um sistema em paralelo são obtidas adicionando as vazões das bombas para cada
altura, Figura 3.19b.
paralelo
No sistema 1, representado na Figura 3.1 9b, verifica-se que, utilizando-se 3 bombas
3.8.1 Sistema em série em paralelo, aumenta-se bastante a vazão Q; já no sistema 2, não se altera signifi-
Várias bombas podem ser operadas em série, Figura 3.18a, conectadas sucessi- cativamente o valor da vazão volumétrica. Para uma mesma altura H desenvolvida
vamente em linha, com a finalidade de fornecer alturas maiores do que forneceriam pela bomba, tem-se:
individualmente. Operam à mesma vazão, sendo a altura fornecida igual à soma
das alturas desenvolvidas por cada bomba. As curvas características da instalação (3.25)
72 Operações unttánas em sistemas part1culados e flu1domec.,nicos 3- Bombas 73

3.1 O Nomenclatura
g aceleração gravitacional; constante gravitacional; .................................... [L. r-2 ]
H altura ................................................................................................................ .. [LI
hL perda de carga ................................................................................................... [L]
Q m vazão mássica ............................................................................................... [M3. T]
I'
1 p pressão exercida no fluido ................................................................... [M-L- 1.r-2]
1 bornba: P.4 pressão atmosférica............................................................................... [M,L- 1.1 2]
1 1

.;. :-..-. pVAf' pressão de vapor............................................................. ,..................... [M,L- 1. ,2 ]


b)
Q
a}
Q vazão volumétrica ......................................................................................... [L3·T]
Figura 3.19 a) Sistema de bombas em paralelo; b} Curva característica de um sistema de u velocidade média ......................................................................................... [L•'i 1]
bombas centrífugas em paralelo (baseada em TANNOUS e ROCHA, 2011).
W trabalho ....................................................................................................... [L2., 2 J
Wu potência útil ........................................................................................... (M,L2.'i3J
O rendimento do sistema em paralelo pode ser calculado por meio de
z cota, altura ......................................................................................................... [L]
pgQHparalelo H
T/ = · · · (3.26)
Weixo 1 + ~L,o 2 + ~i.,o 3 Letras gregas
11 rendimento ....................................................................................... adimensional
p massa específica .......................................................................................... [M-L--31
3.9 Bibliografia consultada
BARBOSA, G. F.; ROCHA, L. S. Estudo das máquinas defluxo. Disponível em: <www. Subscritos
em.pucrs.br/lsfm/alunos/luc_gab/MaqFluxl .html>. Aceso em: 01 jan. 2010.
abs absoluta
COKER, A. K. Ludwig's applied process design for chemical and petrochemical D descarga
plants. 4. ed. Oxford: Elservier, 2007.
consumida potência consumida
FouS'I', A. S.; WENZEL, L. A.; CLUMP, W. M.; ANDERSEN, L. E.Princípios das operações eixo potência n o eixo
unitárias. 6. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1982.
ele potência elétric.a
L[V[NGSTON, E. T. Build your working knowledge of process compressors, Chemical glo global
Engineering Process, p. 27, fev. 1973.
mec potência mecânica
~TTOS, E. E.; DE FALco, R. Bombas industriais. 2. ed. Rio de Janeiro: Interciência, mínima altura mínima de sucção
1998. paralelo sistemas de bombas em paralelo
ORTEGA, E. Aulas 14 e 15: Bombas. Disponível em: < www.unicamp.br/fea/ortega/ rotor altura da carga baseada no impelidor
aulas>. Aceso em: 28 maio 2008.
S descarga
SAHDEV, M. Centrijugal pumps: basics concepts of operations, maintenance, série sistema de bombas em série
and troublesgooting, Part I. Disponível em: <www.maintenanceworld.com/Arti-
vol potência volumétrica
cles/engresource/centrifugalpumps_l'.pdf>. Acesso em: 28 abr. 2009.
1, 2 cotas
ScHNElDER MOTOBOM.BAS. Manual Técnico. Disponível em: <www.schneider.ind.br>,
Acesso em: 21 jul. 2008.
TANNous, K.; RocHA, S. C. Capítulo l - Bombas e compressores. Disponível em:
<WWW.ocw. unicamp. br/fileadmin/user_upload/cursos/EQ65 l /Capitulo _l. pdf>.
Acesso em: 28 abr. 201 1.
Compressores
e
sopradores

4.1 Introdução
Compressores, sopradores e ventiladores fazem parte da família das máquinas
operatrizes de fluxo compressível, utilizadas para converter energia mecânica em
movimento de fluidos gasosos. A diferença entre tais equipamentos está na capaci-
dade de compressão. Os ventiladores provocam aumento insignificante de pressão
(até 0,03 atm); os sopradores ocasionam aumento de pressão até 0,3 atm; já os
compressores podem causar aumento de pressão em até milhares de atmosferas.
Os níveis de compressibilidade tanto nos ventiladores quanto nos sopradores pode
ser considerada desprezível, possibilitando a análise de desempenho desses equi-
pamentos de igual maneira ao efetuado para bombas.
Os ventiladore s são utilizados em sistemas de ventilação em condiciona-
mento de ar em ambientes residenciais, comerciais e industriais. Os sopradores
são encontrados na manipulação de inúmeros gases de processos nas indústrias
química, farmacêutica, alimentícia, bem como em instalações em que se encon-
tram biogases.
Os compressores, por seu turno, são encontrados em serviços mais comuns
como, por exemplo, nos serviços de pintura e acionamento de pequenas máquinas
pneumáticas. Existem, também, os compressores de grande porte que são utiliza-
dos em unidades industriais. Os compressores de gás ou de processo são requisi-
tados para as mais diversas aplicações, sendo direcionados para um tipo específico
de operação. Incluem-se nessa categoria o inflador de ar do forno de craqueamento
catalítico das refinarias de petróleo (FERRAZ, 2010). Ainda na indústria do pe-
tróleo e processamento petroqu!mico esses compressore s também podem ser es-
pecificados para, por exemplo, na conversão de energia mecânica em energia de
escoamento (sistemas pneumáticos, fluidização etc).
77
76 Operações unitãrias em sistemas part1culados e fluidomecânicos 4 - Compressores e sopradores

4.2 Classificação de compressores


De igual modo à classificação de bombas, apresentada no Capítulo 3, existem,
basicamente, dois princípios conceptivos em que se fundamentam as classes de
compressores de uso industrial: dinâmico e volumétrico, conforme ilustra a Fi-
gura 4.1.

Centrífugos
Dinàmicos
ou Axiais
turbocompressores
Figura 4.2 Ilustração de um compressor centrífugo (baseada em SAHDEV, 2009).
{
Mistos

Compressores Tais tipos de compressores são adequados para alta pressão. Para pressõe_s
intermediárias, pode-se, como no caso de bombas, utilizar-se de compressores di-
Alternativos {:~~~lo nâmicos mistos.
Deslocamento Diafragma
Os compressores volumétricos ou de deslocamento positivo operam à se~elhan-
positivo ou
volumétrico
ça das bombas de deslocamento positivo. No caso ~e compressores, a energia forne-
{ Palhetas
cida ao gás decorre da variação do seu volume. Tais compressores podem fornecer
Rotativos Parafusos
{ lóbulos (Roors) gás com pressão de algumas frações de atm até pressões na ordem de 2.000 atm.
Figura 4.1 Classificação dos principais tipos de compressores. Na Figura 4.3 estão apresentados alguns elementos bási_cos de um compl"essor
alternativo do tipo pistão: o virabrequim transforma o movunento. rotativo. de um
eixo de um motor elétrico em um movimento linear; a cruzeta gwa o movunento
Os compressores dinâmicos ou turbocompressores, semelhantes às turbo- do pistão; 0 pistão propriamente dito; um cilindro reservatóri~ o~de ocorre a com-
bombas, apresentam impelidores, os quais recebem energia de um acionador (mo- pressão do gás; urna ou mais válvulas de sucção e uma ou ~~1s vatvulas de descar-
tor) e à transfere, nas formas cinética e entálpica, ao gás, para, em seguida propor- ga, as quais regulam o fluxo de gás que entra e abandona o cilindro (NEBRA, 2008).
cionar ganho de pressão.
Os compressores centrifugas, Figura 4.2, caracterizam-se por apresentar a
Válvulas
alimentação do gás em paralelo ao eixo e abandona a carcaça do equipamento per-
pendicularmente a tal eixo. O gás escoa através do olho do impelidor, sendo ace- ~
lerado radialmente, saindo com um aumento da velocidade da periferia ao difusor
(variação da energia cinética para energia de pressão). Esse tipo de compressor é
mais adequado para baixas pressões (NEBRA, 2008).
Conhecidos também como do tipo defluxo radial, tais compressores operam
com os mesmos princípios das bombas centrífugas. Comprimem enormes volumes
de gases (140 m3!s) até pressão de saída de 2 atm e, com capacidades volumétricas
menores, podem descarregar altas pressões (centenas de atm).
Os compressores defluxo axial são aqueles em que o escoamento ocorre na
direção do eixo do impelidor e apresentam rendimento mais elevado do que os ra-
diais, todavia apresentam custos mais elevados quando, também, comparados aos
radiais (NEBRA, 2008). Cilindro+ pistão
Virabrequim Cruzeta

Figura 4.3 características de um compressor alternativo (baseada em NEBRA, 2008).


78 Operações unitárias em sistemas particulados e flu1domecàrncos 4 - Compressores e sopradores 79

No compressor alternativo do tipo diafragma, Figura 4.4, há um fluido de 4.3 Faixas operacionais de compressores
trabalho (usualmente óleo) o qual é comprimido por um pistão que, por sua vez,
A escolha de um compressor, além da característica do gás, recai nas suas con-
comprime o diafragma, provocando o seu deslocamento. Esse tipo de compressor
dições operacionais de vazão e de pressão. A Figura 4.6 ilustra a faixa de trabalho
é indicado para trabalhar com gases perigosos e corrosivos.
para diversos tipos de compressores.

t,.p(mmCA) t,.p(kPa)

107 1 1 1
--, ----- 10 5
1
óleo Comp~essor alt~rnativo : 1
1

106 -----~-----1-----~-- ---L--


1
-- - 104
I

105 103

103
Figura 4.4 Compressor alternativo do tipo diafragma (baseada em NEBRA, 2008).

Os compressores rotativos são caracterizados pelo gás ser impelido por dispo-
sitivos que provocam rotação, comprimem e impulsionam o fluido para a linha de
10
descarga. O funcionamento desses equipamentos é semelhante às bombas rotati-
vas, como é o caso dos compressores de parafusos. 1 L__....lá..=s"--!!a::cL-...,_._::......::~__._ _.L__ _L_...
1 10 102 103 104
No caso do compressor de palhetas, Figura 4.5, este possui um impelidor (ou Q (m3/h)
um tambor central) que, ao girar, faz com que as palhetas direcionam-se radial- Figura 4.6 Campo de aplicação de ventiladores e compressores,
mente, aproximando-se da carcaça. O gás penetra pela abertura de sucção e ocupa (baseada em LEVINGSTON, 1973).
os espaços definidos entre as palhetas. Devido à excentricidade do impelidor e às
posições das aberturas de sucção e de descarga, os espaços constituídos entre as
palhetas vão se reduzindo de modo a provocar a compressão progressiva do gás
(ARCINCO, 2010). 4.4 Trabalho de compressão

4.4.1 Compressor de único estágio

Fluxo de gás
Ao se considerar que as seções de entrada e de saída de um compressor, con-
forme ilustra a Figura 4.8, possam ser representadas pelos subscritos S e D, a
energia especifica transferida ao gás advirá da Eq. (2.43), considerando, nesta, o
trabalho do compressor, segundo

(4.1)
Figura 4.5 Rotativo de palhetas.
80 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecanicos 4 - Compressores e sopradores 81

Para expressar o balanço energético em termos de carga ou altura, divide-se a O valor da potência do motor de um compressor de um único estágio advém
Eq. ( 4.1) pela constante gravitacional g, para reescrevê-la tal como se segue

u2 W u2
(z + -2g) s + -g : (z + -2g) O
RTs
+ -(-) (
gM
ô
ô- l [
Po)
Ps
6 6-1 l
- 1 + h1, (4.2)
das definições apresentadas no capítulo anterior, para bombas, por intermédio das
definições de potência útil, Eq. (3.8), apenas que nessa equação, para compres-
sores, deve-se utilizar a Eq. (4.5) para a carga teórica; bem como da definição de
rendimento, Eq. (3.9). Dessa maneira, a potência útil do motor será

(4.6)
explicitando a carga devida ao compressor, tem-se

W
He-=(zn-zs)+
u us +--
2
D
RT
- ô 2
Pn 6 l
s (--) (-) - 1 +h1.,
/J-1
(4.3) Convém ressaltar que, para uma dada carga e um certo gás que alimenta um
g 2g gM ô-1 1 Ps compressor em condições operacionais conhecidas, a variação máxima possível
de densidade do fluido será obtida a partir da Eq. (4.5). Essa equação, todavia,
pode ser avaliada em uma situação hipotética na qual se considera que variação de
em que us e u 0 são, respectivamente, as velocidades do escoamento nas bocas pressão que ocorre em um sistema de compressão sem a transferência de energia
de sucção e de descarga do compressor, respectivamente. A diferença da altura mecânica ao escoamento (ou seja, não se considera a ação de compressão). Assim,
piezométrica, 6z = z 0 -z5 assim como a perda de carga, hi, são desprezíveis frente a Eq. (4.1) é reescrita como
aos outros termos. A Eq. (4.3) reduz-se, portanto, a

H,. ub2g- uj + RTs (-b )[(Pn )t -


gM ô-l Ps
6

l (4.4) - ( ~8 =(zn-zs)+-(-)
un2 -u 2 )
2g
8 0
(-)
RT ô
gM ô-l
l lp
Ps
66-1
-1 (4.7)

Para efeito de simplificação, admite-se que o processo ocorra em expansão


súbita, quando a seção transversal do escoamento aumenta bruscamente, Ao» As,
conforme ilustra a Figura 4.8. Como consequência, a variação de pressão resultan-
te desse processo imporá uma variação máxima na densidade do fluido segundo

U~,..
2g
RTs(_ô )[(Pn)/J~l
gM ô - l Ps
-ll (4.8)

figura 4.7 Representação de um compressor.

A Eq. (4.4) representa a "máxima variação possível" da densidade do fluido


que pode ocorrer em um escoamento de gás perfeito que foi comprimido adiabati- Us,Ps - - - •
camente. Essa variação será máxima quando houver desaceleração do escoamento
através do compressor (u 0 < u 5 , uma ocorrência que não é usual nos compressores
disponíveis), ou o compressor não transfere energia cinética para o escoamento
(uo = us, uma condição frequente, assim como un > u 5 ). Assim, se o primeiro caso
não é o usual, a Eq. (4.4) é retomada como figura 4 .8 Expansão súbita, escoamento ideal e compressão adiabática de um gás.

H s (-º)[(Po)/J~t -1]
RTs
gM ô-1 Ps
(4.5)
A partir das Eqs. (4.5) e (4.8) é possível quantificar a variação máxima de den-
sidade do gás no compressor quando a carga máxima H é transferida ou quando
um escoamento é desacelerado de u 5 até a estagnação. No Quadro 4.1, conside-
4 - Compressores e sopradores 83
82 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecánicos

rando-se escoamento de ar à pressão e temperatura de referência (p =101,33 kPa, sendo ~ a taxa de compressão em um único estágio. O valor da potência consumi-
T= 20 ºC), mostra que a variação relativa de densidade do gás atinge o valor de da por um compressor de múltiplos estágios advém da Eq. (4.6); considerando-se
4,2% quando ela é de 500 mmH20. O valor de 500 mmH2 0 estabelece um marco nesta a Eq. (4.9). No caso de compressores de ar, pode-se utilizar a seguinte cor-
para a classificação de compressores, bem como para a distinção de o gás ser ou relação
não compressível.
(4.12)
Quadro 4.2 Limites de variação de densidade do fluido ou taxa de compressão
H ou (uj/2g) Us (!:;.p/p)máx. sendo a constante empírica 1,69 resultante da consideração de haver diferença
[mrnH20J [m/s] ~961 entre o processo real de compressão do gás e um processo isotérmico.
50 28,6 0,40

100 40,5 0,67 4 .5 Curva característica de sopradores


500 90,5 4,20 Conforme mencionado anteriormente, os sopradores podem ser considerados
como compressores, cuja diferença substancial é que operam a pressões bem me-
nores. Tal característica permite que a abordagem de cálculo para a obtenção de,
Quando um compressor transfere carga inferior a 500 mmH20, ele é dito "de por exemplo, sua altura de projeto resulte do mesmo equacionamento apresentado
baixa pressão" e o processo de compressão é calculado como se o fluido fosse in- para bombas, em vez de sê-la por meio da Eq. (4.5). No caso específico de sopra-
compressível (o tipo de compressor; se axial, radial etc., não determina a clas- dores (ou ventiladores), além da definição da sua capacidade, ou seja, da sua vazão
s'ifi,cação); da mesma forma, quando a velocidade do fluido em um duto é inferior a Q, existem aquelas das pressões caracteristicas, as quais são definidas do modo
100 m/s (carga dinâmica próxima de 500 mmH2 0), o escoamento é calculado como como se segue
se fosse o de um fluido incompressível. Em ambos os casos, a análise fica simplifi-
cada e é realizada de forma similar àquela utilizada ao bombeamento de um liquido,
conforme descrita no terceiro capítulo. Pressão total do soprador

Pr = Pr0 -Prs (4.13)


4.4.2 Compressor de mú ltiplos estágios trata-se da diferença, para e1, = O, entre a pressão total do ar na saída e na entrada
A carga teórica desenvob,ida por um compressor de múltiplos estágios para a do soprador, ou
compressão adiabática de 1 kg de um gás, da pressão de sucção até a pressão de
descarga advém da Eq. (4.5), estendida para n estágios, ou
( 4.14)

H = n x RTs(_ô
gM ô - 1
)[(PD)~; -1]
Ps
(4.9) Pressão dinâmica (ou de velocidade) do soprador

Desconsiderando-se a perda de pressão entre os estágios, o número de está- (4.15)


gios de compressão, n, é determinado, aproximadamente, por
refere-se à pressão cinética ou dinâmica correspondente à velocidade média do
(4. 10) fluido na saída do soprador.

da qual resulta
Pressão estática do soprador
(4.11)
(4. 16)
84 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecanico$ 4 - Compressores e sopradores 85

diz respeito à diferença entre a pressão total do soprador e a pressão dinâmica na 90

saída do mesmo. 80
- - - - - ~ Pressão estática
Já a potência, Ws, necessária para a instalação de um soprador é definida por 70 Potencia

( 4.17)
[
o
60
-~"'
e., so ~.,
em que Q é a vazão do soprador (ou capacidade); !!;p, aumento de pressão devido à
E

.,
e:
40 ·o~
~
Q.
a:: 30
ação do soprador; 71, rendimento global da instalação do soprador. Já a potência no
el·xo , W.e.L'(01
. refere-se àquela necessária ao eixo do soprador para impor as pressões 20
total e estática, bem como a vazão ao escoamento do gás,
10
. QPr
w. eLXO
=-
l'Jr (4.18) o
Vazão
Figura 4 .9 Curva característica de um compressor.
ou
. '-ol'J)E
(4.19) A pressão dinâmica na saída do ventilador deve ser fornecida ou determinada
~Lxo = 7IE
pelo usuário para que se calcule o valor da pressão total em cada ponto operacional
correspondente. Assim, a pressão total é facilmente obtida, somando-se 11 pressão
sendo nas Eqs. (4.18) e ( 4.19), os valores Pr e PE obtidos das Eqs. (4.14) e ( 4. 16), estática a pressão dinâmica correspondente, salientando que a velocidade é obtida
respectivamente; 71T e 71E referem-se aos rendimentos total e estático, respectiva- da vazão e da área da boca de descarga do soprador).
mente, do soprador.
Dessa forma, a curva característica de um soprador expressa o seu desem-
penho para uma dada condição de referência (em termos de peso específico do
gás). Para um dado número de rotações (N) são efetuadas determinações de Exemplo 4. 1
potência (~V). rendimento ( 71) e vazão (Q). Os resultados são apresentados em
O biogás trata-se de urna mistura gasosa combustível produzida por meio da digestão
gráficos, conforme aquele ilustrado pela Figura 4.9. É importante mencionar que
anaeróbia, ou seja, por biodegradação de matéria orgânica por ação de bactérias, na
as condições de referência aplicam-se ao fluido de trabalho e à instalação do com- ausência de oxigênio. O processo ocorre naturalmente em pântanos, lagos e rios, sen-
pressor. O fluido padrão é o ar à pressão de 101,33 kPa, à temperatura de 20 ºC do parte importante do ciclo bio/geoquimico do carbono. O biogás pode ser produzido
(p = 1,2 kg/m 3). a partir de diversos resíduos orgânicos, como estercos e chorumes de animais (Figura
1), lodo de esgoto1 lixo doméstico, resíduos agrícolas, efluentes industriais e plantas
A condição de instalação impõe que a energia cinética na entrada no ventilador aquáticas. O biogás, obtido em biodigestores, pode ser usado como combustível, com
seja nula, isto é, u 5 = O. Nesse caso, ao se estabelecer tal critério, a pressão total elevado poder calorífico, não produzindo gases tóxicos durante a queima. É impor-
define a máxima energia possível que o compressor transfere ao gás,· de modo ser tante ressaltar que a utilização do biogás, enquanto combustível, é possível devido a
a pressão total, Eq. (4.14), reescrita na forma presença do gás metano em sua composição, que representa entre 30% a 60% (em
volwne), enquanto o restante da mistura gasosa é composta de dióxido de carbono, hi-
drogênio, oxigênio, além de traços de amônia, gás sul.fídrico, monóxido de carbono,
entre outras moléculas, sendo que o teor de metano é aquele que define o conteúdo
energético do biogás. Dentre os desafios tecnológicos relativos ao processamento do
biogás está a sua purificação, no sentido de aumentar a concentração do gás metano
Apesar de ser dominante a apresentação gráfica da relação funcional CPr vs Q) na mistura, assim como o condicionamento do gás, pois o descarte do CH4 contribui
como a curva característica de um compressor1 há fabricantes que fornecem o grá- com o efeito estufa, que é cerca de 20 vezes mais nocivo que o C02, além da sua alta
fico da relação funcional CPs vs. Q).
86 Operações unit~nas em sistemas particulados e llu1domec:lnicos 4 - Compressores e sopradores
87

inflamabilidade. Desse modo, considere o seguinte probl~m~: ~e~eja-se inflar) o gás Solução
metano coletado em um biodigestor até uma central de distríbwçao (Figura l .
Neste exemplo, basta construir a curva Pr = 1,2 x 10-6Q2 na Figura 2. O resultado ob-
tido é apresentado na linha contmua apresentada na Figura 3. Na intersecção entre
a linha da curva da bomba e aquela fornecida pelo fabricante para o soprador de 800
rpm, indicado na Figura 3, Verifica-se o ponto de operação como sendo
Pr = 57 mmH20 (!)
1. e.w~entosdeanlma ~s
e restos de alifflffltos sao (2)
misturados com Agua no Q = 6.900 m3!h
alimentador do blodigettor
11 = 0,56 (3)
/)

220T""-- ------- - - - - - - - - -~ -,

200
3. As sobras servem 190
como fertilizante 110 - - - -,,1.._.- - ..
- 170 --,, - - , .......
0
rE 160
:
Tanque de
ISO
140 ,, :
2. O.ntro do biodlgestor E 110
1 ado d6s bactirias
decompõe o hm,
distribuição ~ 120
,Õ 110
.......
transformando-o em Õ 100 ,
96s metano e adubo ~ 90 ,
•~ IO
ã.i 70 ,'

Figura 1 ~ E:J""'• _-_-:----=-=:--,..;....""'.:,1•


20 ,
)O

10
Para tanto dispõe-se de um soprador de ar que foi pro!etado para ~perari3 PFig= l at; o+--,--,r--, -,--,--,..-J,--,-,--,--,. -,---,--,-j
2o ~C (p _ 1 2 kg/m3) cuja curva característica é fornecida pe a ura • s a , 11 12 11

~=
J • 6 1 10 ,. 1S
eT = - •
Antes de operar_c~~ 0
' rifi
0
a
a curva do sistema pode ser ex-
!á~ ~~:~;~:J
:em% e O resultado da pressão em C:~:; Q X

Figura 3
1.000 (m3/h)

~~~:Je~se:' obtenha o ponto de operação do soprador de 800 rpm quando


este o;era com ar em condições padrão.
4.6 Leis dos sopradores
220-- ------ ------ ----- 7

200 A curva característica de um soprador é fornecida pelo fabricante para urna
190 --~-....:..:N_=_l:.:_.400 rpm para o ar como fluido de trabalho (P =101,33 kPa;
IIO / condição-pad rão, definida
3
170
160
/
/
I T =20 ºC; p =1,2 kg/m ) • Um soprador só operará nessa condição-pad rão em situa-
I
-,..,ISO /
1 N = 1.200 rpm ção excepcional. A pressão atmosférica varia com a altitude do local de instalação e
1)=0,4 1
~1)0
:I: 120
/
I
I
/ com as condições climáticas (como, por exemplo, umidade relativa e temperatura
E 110 /
/
I / /
/
do ar), alterando a pressão de sucção do soprador, bem como a própria densidade
E ,oo N= 1.000rpm
-.:. 90
/ / /
do gás. Para contemplar esse efeito, a curva característica do soprador deverá ser
/ /
recalculada para uma condição média de operação. Esse procediment o é realizado
ll. IO I
I _,,
70 1) =0,5 1 N=800 rpm ,,
60 I 1
recorrendo-s e à definição da pressão total e às relações de similaridade das máqui-
so
'° I
/
~
/ / ; nas de fluxo, em que as equações resultantes são cornumentem ente chamadas leis
20
)O /
n = 0,6
/
1) = 0,5
/
1) = 0,
.... 4
dos ventiladores ou dos sopradores. As relações de similaridade das máquinas de
101
o ---r-,--_;·•;. ._~-,-r-T7 -r--;i;-7;-
a
7;-il---;n 10 11 12 13 14 IS
fluxo para um mesmo equipamento (operando em rotações distintas, com fluidos
-1- 9
6 7
de pesos especf.ficos distintos) são assim definidas
Qx1.000(m3/h)
Figura 2 Ql "' ~
Qr1 Nu (4.21)
88 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecãnicos 4 - Compressores e sopradores 89

r
ou, escrevendo aEq. (4.27) em termos da pressão total, para rconstante (vide Eq. 4.20),
(4.22)
(Pr )u = (Pr ), ( ~ (4.28)

(4.23) Considerando que Yt = y11 = y, tem-se da Eq. (4.23) para a potência

os subscritos J e II referem-se a condições operacionais distintas de um mesmo (4.29)


equipamento, isto é, operando com o número de rotações N1 e com o gás de peso
específico ri, o ventilador decarre~a a vazão Qi com uma carga (ou altura ~e eleva- A representação gráfica da primeira lei dos sopradores está ilustrada na Figura
ção) H1, requerendo a potência W1. Ressalte-se que a carga nã~ é o conceito usual 4.10. Considere o ponto de operação de referência, sobre a curva caracteristica
para representar a energia transferida por sopradores (ou ventiladores) . Portanto, para o número de rotações Ni e a curva de rendimento r,2 . Se o número de rotações
deve-se reescrever as relações de similaridade em termos da pressão total para aumenta para Nu (Nu> N 1), o deslocamento ocorrerá com um rendimento constan-
definir as leis dos sopradores. te r,2 para o ponto II. A vazão Q11, a pressão total CPru) e a potência W11 serão cal-
culadas pelas relações apresentadas acima. Da mesma forma ocorrerá se o número
de rotações diminuir de N 1 para N111.
4.6.1 Primeira lei dos sopradores
A primeira lei dos sopradores objetiva obter nova curva caract_erística qu~ndo
se mantém o fluido de referência, ou seja Cri= y11), entretanto modifica-se o nwne-
ro de rotações do motor do soprador (N1 -+ N 11). Ass~, ~e o númer~ de rot~ç~es
variar modificar-se-ão a vazão, a pressão total e a potencia. As relaçoes de sunila-
ridad~ determinarão os novos valores dessas grandezas. A nova vazão será (veja a
Eq. 4.21)

(4.24)
~!!...e.....=.._.::.._....::a...~~:.......J Log(Q)
Sabe-se, da Eq. (4.22), que Figura 4.1 O Representação gráfica da primeira lei dos sopradores.

H0 = Hi ( ~: f (4.25)
4.6.2 Segunda lei dos sopradores

Usando a definição da pressão total, Eq. ( 4.20), é possível estabelecer a defi- A segunda lei dos sopradores objetiva a obtenção de nova curva característica
nição de altura ou carga total de um soprador, ao dividir essa equação pelo peso quando se mantém a mesma vazão (Q1 = Q11), entretanto o peso especifico do fluido de
específico do gás trabalho é diferente do padrão estabelecido Cri -+ r11) ou se trata de outro fluido
de trabalho. A relação de similaridade para a vazão estabelece que o número de
rotações também é constante (veja a Eq. 4.24) na forma
(4.26)
(4.30)
Lembrando que y1 = ru = y, substitui-se a Eq. (4.26) na Eq. (4.25), resultando

r
[(Pv; Ps) +~!] ln= (~ [(Pv; Ps) + ;! ]1 1 ( 4 _2 7)
No caso de o número de rotações ser constante, também o será a carga. Nesse
caso, basta substituir a igualdade ( 4.30) na Eq. ( 4.22), ou

(4.31)
Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecánicos 4 - Compressores e sopradores 91
90

no que resulta, a partir da Eq. (4.26), 4.6.3 Terceira lei dos sopradores
A terceira lei dos sopradores visa construir nova curva característica quando
(4.32) se mantém a mesma pressão total (pr1 = Pm), entretanto o peso específico do
fluido de trabalho é diferente do padrão estabelecido (y1 -+ y11) ou se trata de um
outro gás. Da Eq. ( 4.20)
Evidenciando-se os pesos específicos de cada membro da Eq. (4.32)
(4.36)

explicitando a massa específica em ambos os lados da Eq. (4.36)


e após identificar a pressão total, Eq. ( 4.20) na Eq. (4.33), tem-se a seguinte rela-
ção para a nova pressão total (4.37)

(4.34)
e multiplicando e dividindo a Eq. ( 4.37) pela constante gravitacional, g, tem-se
como resultado
Para conhecer o novo valor da potência, basta substituir a igualdade (4.30) na
Eq. (4.23), resultando
. (4.38)
(4.35)
bem como identificando as cargas totais, Eq. (4.26), em cada membro entre col-
chetes da Eq. ( 4.38)
A representação gráfica da segunda lei dos sopradores está ilustrada na Figu-
ra 4.1 1. A determinação dos novos pontos de operação (y11 > yI) ou (Ym< Y1) ocorre
como se a curva característica se deslocasse sobre o eixo vertical (vazão constan-
te). O rendimento, consequentemente, não se manterá no mesmo valor: ( T/2-+ 711) ou
ou ( T/2-+ 713) ·
(4.39)

, Tendo em vista a relação de similaridade expressa pela Eq. (4.22), é possível


substitui-la na Eq. (4.39), resultando que o número de rotações, na nova situação,
.variará segundo

e4.40)

Note que, com a variação do número de rotações, haverá a variação da vazão, a


qual será obtida após a substituição da Eq. (4.40) na Eq. (4.21), ou
L - - - -_..;;:_...!c.---'--'--' Log(Q)
Figura 4.11 Representação gráfica da segunda lei dos sopradores.
(4.41)
92 Operações unitárias em sistemas part1culados e flu1domecànicos 4 - Compressores e sopradores 93

Já o valor para a nova potência advém da substituição da Eq. (4.41) na Eq.


(4.23), acarretando a variação da potência para a nova condição de fluido de tra- a) para a nova vazão (capacidade) de operação utilizar-se-á a Eq. (4.41), ou
1/2
balho na forma
Qn = Q, -(IL)
y/1
Cl)

(4.42) tendo em vista que o peso específico é definido por y = pg e sabendo que a aceleração
gravitacional mantém-se constante, a Eq. (1) é retornada como
A representação gráfica da terceira lei dos sopradores está ilustrada na Figu-
ra 4.12. A determinação dos novos pontos operacionais (y11 > ri) ou (rm < ra ocorre
como se a curva característica se deslocasse sobre o eixo horizontal CPr constan-
Q/1 • Ql = ( :J 112

(2)

te). O valor do rendimento não será o mesmo, ( 112 - 17 1) ou (112 - 173), bem como Sabe-se que p1 = 1,2 kg/m3, Pu = 0,72 kg/m3, bem como, do Exemplo 4.1 ,
Q 1 = 6.900 m3/h; resulta em (2)
o número de rotações e a potência serão alteradas.
112
Q/1 = (6.900) = (g)
0,72
= 8.907,86 m3/h (3)
Log(Pr)
}12 b) para a nova carga (altura), utiliza-se a Eq. (4.39) sabendo, todavia, que a acelera-
J/ 1 ção gravitacional é constante, ou

Hu = H1 = (J!.L) (4)
Pu
,, Qualquer que seja o fluido, a carga é definida como
,'
H~'Pr='Pr (5)
y pg
L--_ _ _ _ _ _ Ni_or_ _~ Log(Q)
Levando (5) (para o ar) na Eq. (4)
Figura 4.12 Representação gráfica da terceira lei dos sopradores.

H
/(
JPrli
pg,1
(6)

Tendo em vista, do exemplo anterior, (pr) 1 = 57 mmH20 = 562,02 Pa, bem como
Exemplo 4.2 g = 9,81 m/s2 e Pll = 0,72 kg/m3, tem-se na Eq. (6)
Adnútindo o enunciado do Exemplo 4.1 bem como considerando a mesma pressão H (562,02) r.

total de operação, verifique qual é a nova capacidáde, carga e o número de rotações II ~ (9,81)(0,72) -
9 57
f ' m ( 7)
do soprador quando utilizado para inflar metano a 1 atm e 20 ºC (p = 0,72 kg/m3).
c) para o novo número de rotações do motor (em rpm), utiliza-se aEq. (4.40) saben-
do, por sua vez, que a aceleração gravitacional é constante, ou
Solução 1/2

É importante ressaltar que no enunciado do Exemplo 4.1 mencionou-se que a curva N0 = H, = (!!.L)
Pu
(8)
característica, Figura 2 de tal exemplo, referia-se à condição-padrão, ou seja ar (que
será identificado pelo subscrito[) sujeito à pressão de 101,33 kPa e temperatura_ Sabendo que o valor do número de rotações do motor apresentado no exemplo an-
de 20 ºC (p = 1,2 kg/m3) . No exemplo atual, mantém-se as mesmas condições de terior é igual a 800 rprn, bem como se conhecem p1 = 1,2 kg/rn3 e Pu = 0,72 kg/m3 ,
temperatura e de pressão, entretando se modifica o gás a ser inflado, o qual se trata tem-se na Eq. (8)
do metano (que será identificado pelo subscrito l[). É importante ressaltar que, no 12
presente exercício, mantém-se a mesma pressão total, ou seja aplica-se a terceira lei
72
o,'
Nu = (800) ( l 2 ) ' - 1.032,80 rprn (9)
dos sopradores.
e flu1domecànicos 4 - Compressores e sopradores 95
94 Operações unitárias em sistemas part1Culados
..................................... (M-L2.r3 1
pot~nc'.a ~~ instalação do soprador ................ ( ,,,. L2 ,,__,•
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4.8 Nomenclatura
nal ........................ ............. [L· r-- )
2

g aceleração gravitacional; constante gravitacio


................................................... [LI
H altura ...............................................................
........................ .................... [L]
hl perda de carga .......................................................
........ ................ ............................
M massa molar ........................................................
.................................. adi.mensional
n número de estágios ........................................ 1
ero de rotaç ão;·· ·· .. ···· ........................ ...................................................... [1 1
N núm 1 2
.................................... (M,L- .r-- ]
p pressão exercida no fluido ...............................
........................ .................. (L,3.T)
Q vazão volumétrica ........ ......................................
priadas) ..................................... -
R constante universal dos gases (unidades apro
.................................................[0]
T temperatura ....................................................... 1
médi a ........ ........ ............... .... ,................ ..................................... [L· 1 1
u velocidade 2 2
....................... .................. [L •T" ]
w trabalho ........................................ .... .. ................

--
Agitação
e
mistura

5.1 Introdução
A operação de agitação refere-se à movimentação de líquidos e de pastas em
tanques por meio de dispositivos, cujo objetivo reside, entre outros, no incremento
das taxas de transferência de calor e de massa, bem como na facilitação da realiza-
ção de reações quírcúcas. Enquanto a agitação pode envolver o movimento de uma
única fase, a mistura está associada à presença mais de uma fase para diminuir a
heterogeneidade entre fases e/ou características físico-quírcúcas. Dessa maneira,
pode ocorrer agitação sem mistura, desde que o liquido a ser processado venha
ser uma substância pura. Já a mistura envolve, no mínimo, duas fases (ou dois
liquidos). A agitação, por si só, refere-se à movimentação de uma determinada
fase, usualmente, líquida. As técnicas de agitação e mistura são encontradas em
diversos processos dentro de indústrias de transformação, principalmente como
equipamentos destinados à promoção de reações químicas, trocadores de calor
e de massa, podendo-se citar: reatores CSTR; tanques de floculação; tanques de
dissolução de ácidos, base; tanques de dispersão de gases; tanques de extração;
tanques de retenção de produto em processamento.

5.2 Características de um tanque agitado


Tanques agitados são equipamentos destinados a promover a agitação e/ou
mistura de meios monofásicos (meio líquido), bifásicos (liquido e sólido) ou mes-
mo trifásicos (meios liquido, sólido e gasoso). Além de um tanque ou reservatório,
o sistema de agitação é composto por acessórios, feito aqueles ilustrados na Figura
5.1. Nesta figura, pode-se identificar (Barbosa, 2004):
98 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecãnicos 5 - Agitação e mistura 99
A Figura 5.2 apresenta uma configuração típica de um tanque agitado, na qual:
- - - - - - Motor H. altura do liquido no reservatório;
T, diâmetro do tanque;
- - - - Redutor de velocidade
h, distância entre o impelidor e o fundo do tanque;
D, diâmetro do impelidor;
W, altura da pá do impelidor;
L , largura da pá do impelidor;
Tampo
B, largura da chicana;
N, número de rotações do impelidor.

Chicanas Eixo de acionamento

lmpelidor
Camisa tipo serpentina ~-----l.fü
N

Sustentação

figura 5.1 Representação de um tanque agitado (BARBOSA, 2004).

Tanque: trata-se de um reservatório normalmente cilíndrico. Quando este re-


0
....!.~1.,____,T,___ _-.,,J•I
!_
servatório é pressurizado, além da parte cilíndrica, o equipamento é dotado
de tampos ou calotas (normalmente abaulados). Figura 5.2 Caracter ística de um tanque agitado com chicanas
(baseada em CHEREMISINOFF, 2000).
Jmpelidores: trata-se do acessório responsável por transmitir movimento e
consequentemente a mistura ao fluido.
Motorredu tor: sistema de acionamento de agitação, usualmente composto por O sistema de agitação, do modo corno apresentado, também pode ser enqua-
um motor (hidráulico ou elétrico) e um redutor de velocidade, de modo a drado como sistema fluidomecânico na medida em que promove a movimentação
impor a rotação exigida para a mistura. da matéria, bem corno da sua mistura, por meio da adição de energia ao meio con-
Castelo: acessório empregado para suportar o conjunto motorredutor, bem siderado.
como para acomodar o(s) mancal(is) e o sistema de vedação do tanque.
Camisas ou serpentinas: esse acessório é utilizado para manter a temperatu-
ra constante na operação.
5.3 Padrões de fluxo
Chicanas ou defletores: são acessórios (chapas) utilizados internamente no
reservatório com o intuito de redirecionar o fluxo de mistura, eliminando o O padrão de fluxo ou de escoamento do líquido (ou mistura) em um tanque
problema de vórtice. agitado depende da proporção geométrica e das características dos acessórios que
Eixo de acionamento: acessório empregado para suportar e/ou dar resistên- o compõem (Figura 5.2). A velocidade do fluido possui três componentes: com-
cia mecânica ao(s) impelidor(es), auxiliando na transmissão de movimento ponente radial, Figura 5.3a, em que a direção de descarga do fluido a partir do
impelidor coincide com a direção normal do eixo de acionamento. No fluxo radial o
ao fluido.
líquido é inicialmente direcionado para a parede do reservatório, ao longo do raio
Sustentação: acessórios que suportam o sistema de agitação.
l. do tanque. A componente axial de velocidade, Figura 5.3b, é caracterizada por
Operações unitárias em sistemas part1culados e fluidomecànicos 5 - Agitação e mistura 101
100
5.4 Tipos de impelidores
apresent ar d;~eça
u
- 0 , do liquido , paralela ao eixo de. acionamento. Nesse

tipo
d ·de flu-
li
xo, 0 liquido é direcionado para a base do reator, isto ~• paralelo ~o eixo o 1mp_e . - Conforme pode ser observado na Figura 5.2, todo o tanque agitado contém
dor. A terceira componente de velocidade é a tangencial, Figura o.3c, que prop1C1a um ou mais impelidores, também conhecidos como impulsores ou agitadores ou
movimento circular ao redor do eixo de acioname~to. Res_salte-se entretanto_ que, misturadores. A principal função desse acessório é o de provocar a movimentação
em maior ou menor grau, tais componentes coexistem stmultaneamente, Figura do fluido, ou seja, proporcionar a mistura desejada. Há diversos modos de classifi-
5 .3d, e O predomínio de uma ou de outra componente deve-se, entre outros fatores, cação de impelidores, destacando-se por tipo de padrão de fluxo, corno descrito no
ao tipo de impelidor empregado na agitação. item anterior, e por geometria. No que se refere à classificação de tipos de impeli-
dores na dependência geométrica, têm-se:
Vista lateral Vista lateral
Chican s
a) Turbinas. Estes impelidores são caracterizados por um ângulo de inclina-
ção com a vertical, nos quais as lâminas podem ser curvadas. A ação de
mistura se dá pela entrada e descarga de líquido pelas lâminas nas turbinas
com fluxo radial que atinge as paredes do recipiente. Esse fluxo divide-se
em correntes e provoca mistura devido a sua energia cinética. Existem di-
versos t ipos de turbinas, podendo-se citar:

a.l ) pás retas 90º. Este tipo de impelidor provoca fluxo predominante-
(c) Tangencial
mente radial, podendo ser de 4 pás ou mais (Figuras 5.5a e 5.5b) e são
adequados para agitação de fluidos viscosos. Existem também aqueles
Vista inferior Vista inferior em um disco contendo pás (4 e 6, usualmente 6 pás), conhecidas como
.r \ turbina de Rushton e que está ilustrada na Figura 5.5c. Tais i.mpelidores

\Y.Í c:::::J @ G::l


í
t 'l l t
são adequados para agitação de fluidos poucos viscosos, dispersão de
gases em líquidos, mistura de fluidos irniscfveis.

_j'·. ~..:~ t l l t
r\ ~ __)
(b) Axial (d) Misto
(a) Radial
Figura 5.3 Padrõ es de escoamento (b aseada em CHEREMISINOFF, 2000).

a) lmpelidor de quatro b) lmpelidor de seis c) lmpelidor d e seis


É importante mencionar que, em determina- pás retas pás retas pás retas com disco
(t urbina de Rushton)
das situações, a presença majoritária da compo- Vórtice central
nente tangencial de velocidade pode trazer des- Figura 5.5 lmpelidores t ipo tur bina de pás retas (baseada em BARBOSA, 2004).
vantagens pois, ao apresentar trajetória cir~ular
propicia condições para o surgimento de vórtices,
dificultando a mistura uniforme que, usualmente,
se objetiva. Se existirem partículas sólidas, estas, a.2) pás inclinadas. Este tipo construtivo de impelidor provoca fluxo pre-
devido à força centrffuga, são lançadas para fora dominantemente axial, sendo útil ao se trabalhar com suspensão de sóli-
do vórtice concentrando-se junto à parede do dos. Nessa classe, encontram-se os impelidores que possuem pás dispos-
tanque e~ vez de uma mistura homogênea em tas em 45º com a horizontal (Figura 5.6a) e aqueles conhecidos corno de
alta eficiência ou hydrofoil (Figura 5.6b).
todo o volume. A utilização de chicanas, além de
trazer estabilidade mecânica para o sistema, mi- Figura 5.4 Fenô meno de vórtice
nimiza o aparecimento de vórtices. (baseada em BA RBOSA, 2004).
Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomec~nicos 5 - Agitação e mistura 103
102
e para fluidos não newtonianos que apresentem alta consistência, como
aquele~-encontra~os n~ indústria alimentícia. Opera com alta relação en-
tre o d1ametro do unpelidor em relação ao diâmetro do tanque (entre o 90
e 0,95 D/f). '

b)

Figura 5.6 lmpelidores t ipo turbina de pás inclinadas:


a) impelidor de quatro pás inclinadas; b) hydrofoil (baseada em BARBOSA, 2004).

b) Hélice. Conhecido também como hélice naval, este tipo de impelidor é ca-
racterizado por apresentar padrão de fluxo predominantemente axial. A
hélice naval (Figura 5.7) transforma o movimento de rotação do motor em
movimento linear (axial), promovendo bombeamento no interior do tanque,
ocasionando menor tempo de mistura quando comparado ao impelidor tipo
turbina e pás. As desvantagens em relação às pás e às turbinas são o custo, a
sensibilidade da operação em relação à geometria do recipiente e a sua loca-
lização dentro do tanque. O impelidor tipo hélice também se caracteriza por
Figura 5.8a lmpelidor tipo espiral dupla (baseada em BARBOSA, 2004).
apresentar três parâmetros de projeto: o diâmetro, o passo e a rotação.

c.2) !mpelidor tipo âncora (Figura 5.8b). Este tipo de impelidor provoca
o flmc~ ta~encial e normalmente utiliza raspadores. De igual forma ao
unpelidor tipo espiral dupla, é indicado quando se opera com fluidos que
apresentam consistência elevada.

Figura 5.7 lmpelidor tipo hélice naval (baseada em BARBOSA, 2004).

Este tipo de impelidor é indicado para a operação com emulsões que apre-
sentam baixa viscosidade, em solubilizações e para reações químicas; sendo
por outro lado, inadequadas para suspensões que sedimentam rapidamente
e em tanques destinados à absorção de gases.
c) Pás. Misturadores do tipo pás constituem-se de duas ou mais lâminas na
vertical. Suas principais vantagens são a simplicidade de construção e o
baixo custo. A principal desvantagem é qt:e há baixo fluxo axial. Alta taxa
de mistura é alcançada apenas nas vizinhanças das pás. Dentre os diversos
Figura 5.8b lmpelidor tipo âncora.
tipos encontrados nessa classificação, estão:
c.l) Impelidor tipo espiral dupla ou helical ribon (Figura 5.8a). Este tipo
de impelidor provoca o padrão de escoamento misto devido ao movimento A_ Ta?ela 5._l apresenta informações úteis para o emprego dos irnpelidores em decor-
das pás, sendo que a interna impulsiona o fluido para baixo e a externa renc1a da viscosidade do fluido a ser agitado.
para cima. É utilizado para fluidos newtonianos de viscosidade elevada
104 Operações unitárias em sistemas part,culados e fluidomecãnicos 5 - Agitação e mistura 105

Tabela 5.1 Emprego de impelidores quanto à faixa de Supondo, para efeito de análise, que a perda de carga - devido à movimentação
viscosidade do fluido a ser agitado do fluido em um tanque agitado - possa ser expressa aos moldes da Eq. (2.59),
Tipo de impelidor Faixa-de viscosidade (cP) tem-se na Eq. (5.2)
Pás 102 - 3,0 X 104
(5.3)
'Turbina 10° - 3,0 X !04

Hélice 10°- 104 Ao escrever a Eq. (5.3) em termos de potência útil, Wu, pode-se multiplicá-la
Âncora J02 - 2,0 X 103 pela vazão mássica de fluido,
Espiral dupla 104 - 2,0 X 10
6 . u2
W = k--fYUi\ (5.4)
J 2

Substituindo a definição de área, Ai = mJ2/4, em que D, conforme ilustrado na


5.5 Potência de agitação Figura 5.2, é o diâmetro do impelidor, na Eq. (5.4), esta é posta como
Pode-se imaginar o movimento do fluido decorrente da ação do impelidor em um (5.5)
tanque agitado qual sistema de escoamento horizontal e circular em que, após certo
tempo, o fluido retorna ao mesmo ponto de partida (Figura 5.9). Tendo em vista a
presença do trabalho agregado, Wlg, devido à ação do impelidor, é possível descrever Sabendo que a velocidade presente na Eq. (5.5) é proporcional tanto ao diâme-
a equação de energia à semelhança daquelas utilizadas nas máquinas de fluxo (bom- tro do impelidor quanto à sua rotação, N, na forma
bas e compressores). Assim, a Eq. (3.3) pode ser retomada como
u a: ND (5.6)

7..
Piufw
+-+-+-=Z +-+-+h P.iU: (5.1) tem-se na Eq. (5.5)
·-1 pg 2 g 2 pg 2 l

(5.7)

Identificando o número de potência, Np0 , na Eq. (5.7), como

(5.8)

resulta da Eq. (5. 7)

(5.9)

O número de potência, à semelhança do fator de atrito e do coeficiente de per-


da de carga localizada, representa o efeito de atrito em decorrência do nível de
agitação do fluido e das características construtivas do tanque agitado. Por meio
da Figura 5.10, de modo análogo ao diagrama de Moody (Figura 2.1), é possível
Figura 5.9 Agitador como máquina de fluxo. obter o valor de Np0 em função do número de Reynolds do irnpelidor, o qual é de-
finido por
Como p 1 =P2, u 1 = u2 e z 1 =z2, tem-se que o trabalho agregado é
(5.10)
(5.2)
5 - Agitação e mistura 107
106 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecanicos

Na Figura 5. 10, como no d iagr ama de Moddy, é possível identifica r comporta -


Exemplo 5.1
mentos de mistura aos regimes e ncontrad os em escoamen tos em tubulaçõe s, regi-
mes laminar, d e transição e tur bulento, confor me ilustra a Figura 5.11 . Observa- se, A crise energética mundial e a preservação do meio ambiente direcionam a atenção
em tais figu ras, que o regime laminar s itua-se em uma faixa de Re < 10, em que da sociedade para fontes renováveis de energia. Dentre estas, o biodiesel encontra-
Np0 = kl/Re, e uma região turbulent a em que se verifica Np0 = kr. Os valores
das -se como alternativa viável, uma vez que pode ser utilizado como substituinte ao
constan tes depe ndem, sobretudo , das car acter ísticas construti vas do tanque de óleo diesel fóssil. Pode-se utilizar o biodiesel como combustível e como aditivo para
e da chicana. combustíveis, bem como ser usado puro a l 00% (BlO0), em mistura com o diesel de
agitação, ressaltand o a natureza do impelidor
petróleo (820), ou em uma baixa proporção como aditivo de l a 5%. O biodiesel é
definido como sendo um monoalquil éster de ácidos graxos, derivado de biomassa
renovável, obtido usualmente por meio da reação catalítica de transesterificação em
100 ' 1g) que ocorre a transformação de triglicerfdeos em moléculas menores de ésteres de
60 1D. . ~
... 1
1 ácidos graxos, possuindo caracterfst icas similares às do combustível fóssil. Ressalte-
"
~ i"I. NPo ••
(a) -se que as variedades de biomassa com potencial para produção de biodiesel são
variadas, podendo-se citar: amendoim , algodão, mamona, soja, girassol, gergelim,
40
'i~'I 1 1
u
20 canela, dendê, babaçu, palma. Dada a importânc ia tecnológica da aplicação do bio-
10
(;f~i'\ .. 101
1
Re
1
lo'
'
diesel, considere a situação em que se deseja utilizar, para a homogeneização de um
determinado biodiesel ( v = 3,5 cSt, p = 0,88 g/cm ), um tanque de agitação que apre-
10' 3

6
'
- 11 11 (e)
(bl senta as seguintes características, D = 60 cm; T = 180 cm; h = 60 cm; H = 180 cm;

- - .~ N = 30 rpm. Estime o valor da potência consumida pelo sistema de agitação, assu-


~
N'° 4
' j'-., ~p:::~ ! r--
(d)

--·-
1
2
1
mindo que o tanque apresenta turbina de seis pás retas e: (a) quatro chicanas; (b)
~r-~ 11 (e) sem chicanas.
1 1 1

1
1
(g)
0,6 1
1
1
(a) Solução
0,4
O,2
Verifica-se que foram fornecidas as dimensões do sistema de agitação, bem como o
1
número de rotações do impelidor. Dessa maneira, em an1bos os itens, a solução ad-
1
o, t 10 10 • vém da utilização da Eq. (5.9) , ou
2 4
Re ( 1)
Figura 5.10 Número de potência para diversos impelidores do tipo turbina em função
do
Foram fornecidos p = 0,88 g/cm , N = 30 rpm = 0,5 rps; e D = 60 cm, os quais, subs-
3
número de Reynolds do impel idor para fluidos newtonian os: (a) hélice nava l; (b) pá~ r~ta~; tituídos na Eq. (l) resultam em
(c) pás retas e disco (turbina de Rushton), W/0=0,2; (d) pás encurvadas, W/0 = 1/8; (e) pas incli-
nadas com passo de 45º e W/D= 1/8; (f) shoured; (g) pás retas sem chicanas 3 5 7
W., = (0,88) x (0,5) x (60) x NPo = 8,554 x 10 xNp0 (erg/s) (2)
(baseada em TREY8AL, 1980).
Há de se notar que a obtenção do valor da potência depende do valor do número de
Reynolds. Este valor, por s ua vez, depende das caracterfs ticas do sistema de agitação
e pode ser obtido por intermédio da u tilização da Figura 5.10. Independe ntemente
de o tanque conter ou não chicanas, para se utilizar tal figura, torna-se necessário
conhecer o valor do número de Reynolds do impelidor, Eq. (5.10), aqui retomado
como
Nd
Re = -- (3)
Re < 10 Re > 10' v

Como N = 30 rpm = 0,5 rps; D = 60 cm e v = 3,5 cSt = 0,035 cm2!s substituem-se


laminar j Tran~ção j Turbulento esses valores na Eq. (3)

Re Re - (0, 5)(50)2 - 5 143 x 104 (4)


(0,035) '
Figura 5.11 Regimes característicos de mistura (baseada em BARBOSA, 2004).
108 Operações unitárias em sistemas part1culados e fluidomecãnicos 5 - Agitação e mistura 109

A partir do resultado (4), tem-se: Levando o resultado (7) na Eq. (2), resulta
a) tanque de agitação com quatro chicanas e impelidor tipo turbina de seis pás retas.
Wu = (8,554 x 107) (0,9) = 7,699 x 107 erg/s = 7,699 W (8)
Neste caso, utiliza-se a Figura (5.10), considerando nesta a curva (b). Com o valor de
Re = 5,143 x 104 na abscissa dessa figura, obtém-se o valor do número de potência, Observe que o uso de chicanas aumenta pouco mais de quatro vezes o valor da potên-
na oràenada, conforme ilustra a Figura l deste exemplo, igual a cia utilizada para o sistema de agitação.
(5)

.~.
'---"'
,--


1
"""

'- 1'
...... 1 '"
1

1 1
N,,

BIii
,,,..

'"'
-
l 11t,--- 1 1 ' '
,..P.t

1 11 1,.j
'''
'' '
.,
5.6 Níveis de agitação
O nível de agitação de um fluido, NA, é definido pela relação potência/volume
de agitação, cuja escala, em termos de (HP/m3) é de Oa 4, conforme ilustra a Tabe-
1 '
1 1 f :. 1
1
' + 1 ~- ' 1•I la 5.1. Define-se, portanto, o nível de agitação como
.. ' 111

l•I w,,
1 N=-
..•
A V (5.11)
', 1
'
1
.. .. (

"' sendo Vt o volume de líquido a ser agitado.


Figura 1 Solução do item (a) do Exemplo 5.1.

Tabela 5.1 Nível de agitação


Substituindo-se o resultado (5) na Eq. (2), chega-se a
Nível de agitação
H'u = (8,554 x 107)(4) =34,216 x 107 erg/s = 34,216 W (6)
até 0,1 Débil
b) tanque de agitação sem chicanas e impelidor tipo turbina de seis pás retas. Neste 0,1- 0,3 Suave
caso, utiliza-se o gráfico menor da Figura (5.10), considerando nesta a curva (g).
Com o valor de Re = 5,143 x 104 na abscissa dessa figura, obtém-se o valor do número 0,3 - 0,6 Média
de potência, na ordenada, conforme ilustra a Figura 2 deste exemplo, igual a 0,6- 1,0 Forte
(7)
1,0-2,0 Intensa
2,0-3,0 Muito forte

Ili'
qJ
3,0-4,0 Muito intensa
,,.. H,. t,, . 1 1 ~J
~

~}~
..
1
·~ ll'llt ttl O volume de líquido a ser agitado, na situação apresentada, está associado à
--.. ,, ld vazão volumétrica de bombeamento, Qp, e ao tempo de mistura, -r, segundo
N,, uili, ~J
r---1
ia
ldl
1

·~ 1 - 1

1
1 ~

'
'
1

;
'
l•I
lqJ
(5.12)
1,1 em que o tempo de mistura, ·r, está afeito à medida de tempo requerido para mistu-
1 111111

. ..
tJ
rar líquidos misciveis no volume do tanque agitado. O tempo de mistura é obtido a
'' 1
1 1 1 1
.. JJlilll .. partir do conhecimento do número de mistura, N,, este definido como
Figura 2 Solução do item (b) do Exemplo 5.1.
(5.13)
110 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecãnicos 5 - Agitação e mistura 111

O valor do número de mistura, assim como o valor do número de potência, de- O valor do número de bombeamento depende das características do tanque
pende das características do tanque agitado, especialmente do tipo de impelidor. A agitado. A Figura (5. 13) apresenta a dependência desse número com o número
Figura (5.12) apresenta a dependência desse número com o número de Reynolds do de Reynolds do impelidor, Eq. (5.10) , para diversas relações entre o diâmetro do
impelidor, Eq. (5.10), para alguns tipos de impelidores. Verifica-se, na situaçã? em impelidor, D, e o diâmetro do tanque agitado, T. Há de se notar, finalmente, que o
que N, venha a ser constante, que o tempo de mistura é inversamente proporc10nal nível de agitação pode ser expresso por meio dos números de potência, de mistura
à velocidade de rotação do impelidor. e de bombeamento. Para tanto, basta substituir as definições (5.9), (5. 13) e (5. 16),
na definição (5.11), obtendo-se
Já a vazão volumétrica de bombeamento, Qp, é diretamente proporcional à
velocidade do fluido, u, no tanque agitado, bem como da área do impelidor, A1, por
meio de NA ex: p( ;;JN 3
fl2 (5.17)
(5.14)
1,0
0,9 ___ :.- 1 0/T= ,2S

0,8 1I on-b.3 I
- ~ ....- -----
1 1 1 1 1
1 1 1 1
1 ' 1
1, D/T-0,4
... 0,7
... ' '' ,/ ' .. /
....... ....- --
,,.. -
Turbina Turbina Hélice ~
D/T-,0,S
(6 o.1<ma,. com chluMI ' ' ,. (6o.ls1tw.s,mch,unatD/T -1/l) ' (O/T-116)
0,6 .,, --
... '
' ' '
0,5 / ~ / l; I;
~
V
~

......... ... '. --- -- V ........

-. - ,.H~icoidal
. .....
r---.. ...... ___ ' i' ... ' . Hélice
(D/1~1/ll 0,4
~Áj V'
1
-- -r---... r-....1- .. - - -
~
... - 1.

- -
r-.... -
1

-- 1 0,3
101 4 6 8 10• 6 8 105 6 8 10'
Re
Figura 5.13 Número de bombeamento em f unção do número de Reynolds do impelidor,
10 ,oi 101 10' 10 para algumas relações D/T para t urbinas de pás inclinadas de 45° com chicanas
1 10
Re (baseada em CHEREMISINOFF, 2000).

figura 5.12 Número d e mistura em fu nção do número de Reynolds do impelidor para


alguns impelidores (baseada em McCABE et ai., 1993).
5.7 Fatores de correção no projeto de sistemas de agitação
a) Quando existe mais de um impelidor no eLxo (Figura 5.14), em que h = T,
Tendo em vista que Ai ex: D2 , pode-se substituir esta relação em conjunto com sendo h a distância entre os impelidores, a potência útil é dada por
a relação (5.6) na proporcionalidade (5.14), resultando em
(5.18)
(5.15) em que n é o número de impelidores e W,. é a potência de um impelidor, cujo
valor advém da Eq. (5.9) para agitadores de medidas padrão.
De modo a tornar a expressão (5.14) uma igualdade, inclui-se a constante de b) Quando o tanque de agitação e o impelidor têm medidas diferentes das
proporcionalidade, Nq, a qual se refere ao número de bombeamento, ou medidas padrão, utiliza-se um fator de correção, cp, da forma como se segue
(5.16) (5.19)
Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecánicos 5 - Agitação e mistura 113
112
w
em que é potência de um agitador de medidas padrão; e o fator de cor- 1,0

reção obtido de !~ 1
~Í"-.
112 1

'

---r--
<p = ( (T/D)nova(H/D)nova ]
(T/D)padra/ HID)paiJ.rão (5.20) '
'' ~
'
'
'
-
'
1'

''
o.o
O 6 8 10 12 14
l OOx QdND1

Figura 5 .15 Potência dissipada em função da vazão de borbulhamento do gás para


turbinas; QG é vazão volumétrica de injeção de gás (baseada em TREYBAL, 1980).

Exemplo 5.2
Deseja-se avaliar um sistema de agitação destinado à oxidação de matéria. orgâni-
Figura 5.14 Tanque com mais de um impelidor. ca de um efluente que apresenta massa especffica igual a 1,1 g/cm3 e viscosidade
?111ãmica igual a 50 cP. Conhecendo-se a capacidade de descarga do impelidor, que é
igual a 0,02 m3/s, e a vazão requerida de ar igual a 300 cm3/s, pede-se:
Sendo as medidas padrão, conforme representadas na Figura 5.2: a) projete o sistema de agitação, utilizando um impelidor do tipo turbina de pás in-
clinadas de 45º para um tanque de 100 litros considerando-o em medidas padrão
Número de chicana= 4 de modo que o seu volume venha ser 20% maior do que o volume do líquido a ser
agitado.
b) obtenha o valor da potência útil de agitação referente ao sistema projetado no
h H B 1 item anterior, assim como verifique o nível de agitação.
-=1· -=
T l·, -=-
D ' T 10

e -L = 0,25 para turb'mas Solução


D
w = 0,25 parapas,
-
a) Considerando a Figura 5.2, pode-se escrever que o volume do liquido é obtido de
D l1t • %T2H (1)

D = o,;O - O
W ,25 para hélices Tendo em vista que o sistema é gaseificado, sabe-se que HIT = 1,2, o qual substituído
na Eq. (1), resulta em
v, = O,3 ;(['3 (2)

c) Quando O sistema é gaseificado, ou seja, na existência de borbu~amento Informou-se que volume do tanque de agitação, V, é igual a 100 litros (1,0 x 105 cm3)
de gás em um tanque agitado. Recomenda-se, neste caso, as relaçoes geo- e é 20% maior do que o volume do liquido a ser agitado ou seja, V= 1,2 v, que, levado
à Eq. (2), fornece
métricas: h/T = 0,6; HIT = 1,2; BIT= 1/12, mantendo-se as demais propor-
ções apresentadas no item b. Nessa situação, a potência dissipada é redu- V= 0,36 ;(['3 = 1,0 X 105 (3)
zida, conforme ilustra a Figura 5.15.
Operações unitárias em sistemas particulados e flu1domecànicos 5 -Agitação e mistura 115
114

O diâmetro do tanque será dá-se pelo método da te_ntativa e erro. Ou seja, atribui-se um valor para N, calcula-
(4) -se o valor de Repor meio da Eq. (8) e, à primeira vista, utiliza-se a Figura 5.10 para
T = 44,55 cm a obtenção do '.°"Po, advindo da ordenada de tal figura. Contudo, ao inspeciona r-se a
que em termos construtiv os, ordena~a da Figura 5.10, Eq. (6), constatam -se duas incógnitas: 0 próprio N assim
(5) como Wu. Por outro lado, ao utilizar-se a Figura 5.13 o valor encontrad o n~ orde-
T= 45 cm nada será o número de bombeame nto, Eq. (7), em que QP = 2,0 x 104 cm3ts. Assim,
A Tabela 1 apresenta os resultados obtidos consideran do-se as medidas padrão no po~tanto, recalcula-se_ o valor de N e o compara com o valor de N anteriorm ente
caso de tanque agitado com borbulham ento de ar. atribuído. Tendo em VJsta que D = 15 cm; _µ = 50 cP = 0,5 g/cm . s, e p = l ,l g/cm3
tem-se nas Eq. (8) e (7), respectiva mente '
l
Re = (l,l)(l5 ) N ª 495 N
Tabela 1 Dimensõe s característ icas para o tanque de agitação referente ao (0,5) X (9)
Exemplo 5.2
Dimensõe s Relações geométric as Valores de projeto sendo
Altura do líquido no tanque H = 1,2 x T H=54cm
Distância entre o irnpelidor h = 0,6 x T H= 27 cm (10)
e o fundo do tanque
1 A Tabela 2 apresenta as iterações referentes a este item. Já a Figura 1 ilustra O
r e-
Diâmetro do impelidor D--xT D= 15 cm sultado final.
~

Altura da pá do impelidor W=0,20x D W=3cm


L=0,25x D L = 3,75 cm - 4 cm Tabela 2 Iterações para a estimativa do valor do número de rotações do ExemplO' 5.2
Largura da pá do irnpelidor
1 Nq
Largura da chicana B--xT B = 3,75 cm - 4 cm Iteração N (rps) Re = 495 xN (Figura 5.13, Nnovo = 5,926/Nq
12
cuzya DIT - 113)
Número de chicanas Medida padrão n=4
l 495,00 0,570 10,40
2 10,40 5.148,00 0,720 8,73
b) Verifica-se, por inspeção da Tabela 1, que foram fornecidas as dimensões do siste- 3 8,73 4.331,35 0,715 8,29
ma de agitação. Dessa maneira, a potência útil advém da utilização da Eq. (5.9), ou 4 8,29 4.103,615 0,714 8,30
(6)
5 8,30 4.108,5 0,714 8,30
Nota-se na Eq. (6) que o valor do número de rotação, N, do impelidor não é co-
nhecido. Todavia, conhece-s e a capacidad e de descarga do irnpelidor que é igual a I")
0,02 m3/s (2,0 x 10 cm3ts), a qual se relaciona com o número de bombeame nto por
4 1 1 Ili otr ois l
º· L..l.
meio da Eq. (5.16), ou
3 (7)
o
1 . /1
- 1 1111 0/T o.! 1
li: 0/T o.i 1
1

QP = NqND
De igual modo à Eq. (6), na Eq. (7) também se desconhec e o valor de N que, por } ,::i,, v-
~--- 1111 0/T O.$

sua vez, está associado ao número de Reynolds do impelidor por intermédio da Eq. '
(5. 10) , ou
o.
~ ~"' ~

Re ª pNd
µ
(8)
~
o.
Observa-s e que valores para o número de Reynolds do irnpelidor encontram -se nas
lo' 2
• 6 a1oi 1 • 5 a10-
Re
2 • 6 a1ot 2 • 6 a,o'

abscissas das Figuras (5.10) e (5.13), utilizadas para a determina ção dos números de Figura 1 Solução do item (b) do Exemplo 5.2.
potência e de bombeame nto, respectiva mente. A solução, portanto, para este item
Operações unitánas em sistemas particulados e flu1domecânicos 5 - Agitação e mistura 117
116

Os números de rotação, de Reynolds do impelidor e de bombeamento são, respec-


tivamente,
( ll)
::1~ '
N = 8,30 rps
Re = 4.108,5
Nq = 0,714
(13)
.
(12)
..
.
:
:
'
'
"' ._
r--_

r
De osse do valor do núJnero de Reynolds do impelidor, Eq. (12), u~iliza-~ na abscissa
d 5 10 curva (e) (considerando-a válida para a presente s1tuaçao)'. de modo
ª b~!~r~~ ~rdenada dessa figura, 0 valor do n~ero de potência para o sistema de
·'
·-
• • 10

:g~taçã~ não borbulhado, conforme ilustra a Figura 2. O valor encontrado para o IOOxQdNo' " "
número de potência é Figura 3 Obtenção do NPo para o sistema gaseificado do Exemplo 5.2.
(14)
O valor do número de potência do sistema gaseificado será obtido substituindo (14)
na Eq. (17) de onde resulta

.·~11
-
.....

,,
1

"
' ,-,..,. '
'
1

l
N, •

Ili'
.,

uw
1

li
"°Rt vi

"ldl
l•l

(d
~I
(Np0 )comgás =(0,89)(1,4) =1,246

e p = 1,1 g/cm3 na Eq. (6)

Wu = 1,246 x (1,1) x (8,3) 3 x (15) 5 = 5,951 x 108 g. cm2ts3


(18)
O valor da potência útil é obtido após substituir os valores (11), (20), D= 15 cm e,

1 1: N , ' 11 111 - 1
.n. 1 ;li!)
l

1
1 1 1
. ''1'! 1ti - ,
, t 1
11111
1

f~ (~
ou
u
l•l
H'u = 59,51 W = 0,0796 HP (1 9)
,,1 "" 1
1. l l llil

. 1.
O valor do nível de agitação do sistema advém da Eq. (5.14), ou
tJ

.. l 111~ it .. 1,.,

wu
~

Re
N _
Figura 2 Obtenção do NPo do Exem plo 5.2. A ½ (20)

Sabendo que V= 1,2 Vt e V= 100 litros= 0,1 rn3 , tem-se Vt = 0,0833 m3 que substi-
A otência útil neste exemplo, refere-se ao sistema gaseificado. Nessa situação, tuído em conjunto com W,. = 0,0796 HP na Eq. (20), resulta em
p ssária a correção do número de potência utilizando-se, por exemplo, a
torna-se nece . • t édio de
Figura (5.15). Nessa figura, a abscissa é obtida por m erro N = (0,0795) ª O956 HP/m3 (21)
A (0,0833) '
QG (15)
x =100x Nd
Observa-se por inspeção da Tabela 5.2 que o nível de agitação é consideradoforte.
· ta que Q G -- 300 cm3/s , N = 8 ,3 rps e D= 15 cm, tem-se em (15):
Tendo em VIS
(300) (16)
X = 100 X ª 1,07
(8,3)(15)3 5.8 Ampliação de escala
·
Utilizando-se o valor (16) na Figura (5 ·15) • 0 btém-se a. · razão entre
. o número de No desenvolvimento de processos precisa-se passar da escala de laboratório
potência com a injeção de ar e aquele sem injeção de ar igual a (Figura 3) para a escala de planta piloto. As condições que tiveram sucesso na escala me-
nor devem ser mantidas no tamanho maior, além de ser conservada a mesma pro-
( N Po tm gá.s ª 0,89 (17) porcionalidade geométrica (semelhança geométrica). Para a ampliação de escala,
( N Po )..m &á-s podem sem adotados os seguintes critérios, os quais dependerão do objetivo da
operação de agitação.
Operações unitárias em sistemas particulados e íluidomecàmcos 5 - Agitação e mistura 11 9
118
Corno se trata cio mesmo tipo ele agitador
5.8.1 Semelhança geométrica
Considerando-se as grandezas físicas presentes na Figura (5.2) e tendo como (kr)1 = (kr)2 (5.28)
base o diâmetro do impelidor, têm-se as seguintes relações e ntre o modelo (subs-
Identificando as definições (5.9) na igualdade (5.28)
crito 1) e o protótipo (subscrito 2)

(5.29)

. Na situação de o fluido de t rabalho não ser alterado, a igualdade (5.29) é · _


plificada para sun

(5.30)
5.8.2 Semelhança fluidodinâmica
Obedecida a semelhança geométrica, ou seja, mantendo-se o mesmo t ipo de
agitador, outro critério trata-se da semelhança !iuidodinâmica, a qu~l envolve o
comportamento de mistura, traduzida nos regimes apresentados na Figura 5.11. 5.8.3 Manutenção do nível de agitação
Nest_a C8:_tegoria, a ampliação de escala é baseada na manutenção da intensida-
b.l) Regime laminar
de de ag1taçao entre as situações l e 2, ou
(5.21)
(NA) 1 = (NA)2 (5.31)
Trazendo a Eq . (5.14) na Eq. (5.31) , tem-se
ou
(5.22)
kL = ReNp0
(5.32)
Como se trata do mesmo tipo de agitador
(5.23)
(kL)1 = (k L)2 Tendo como base a Figura (5.2), o volume do liquido a ser agitado é tanto para
o modelo quando para o protótipo, '
Substituindo a E.q. (5.25) na Eq. (5.23)
(Re N p0) 1 = (Re N Po)2
(5.24) nT2
~ =-4-H (5.33)
Identificando as definições (5.9) e (5.10) na igualdade (5.24)
Substituindo as definições (5.9) e (5.33) na igualdade (5.32), resulta em
(5.25)
Np N ff ) = (p Np N ff)
2 2
( p 0 0
T2H i T2H 2 (5.34)
No caso de o fluido de trabalho não ser alterado,
No cas~ de o_regime ser lam_inar, pode-se substituir a Eq. (5.21) na Eq. (5.34)
(5.26) bem hc omo identificando a definição (5.10) e a igualdade (5.23) no resultado obti~
d o, c ega-se a

b.2) Regime turbulento (5.35)


(5.27)

\
--------~,ç-,1
Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecanicos 5 - Ag1taçãc e mistura 121
120

Rearranjando a igualdade (5.35),


Solução

[.u (T /D;;HID) t [µ= (TID;;HID) t (5.36) a) Note que ao se reduzir o número de rotações, N, diminui-se o valor do número
de Reynolds do impelidor e, por consequência, altera-se o comportamento fluidodi-
nâmico do sistema (veja a Figura 5.11). Como é estabelecida a semelhança geomé-
Identificando as semelhanças geométricas na igualdade (5.35), esta é retoma- trica do sistema de agitação (não houve modificação no projeto do tanque agitado),
da tal como se segue este item será resolvido por meio da técnica de semelhança fluidodinâmica, se hou-
(5.37) ver. Dessa maneira, verifica-se do Exemplo 5.1, para o tanque com chicanas, que o
valor do número de Reynolds do irnpelidor é Re = 5,143 x 104 , o qual é definido pela
Simplificando a igualdade (5.36) para o mesmo fluido de trabalho, tem-se Eq. (5.10), ou

(N)1 = (N)2 (5.38) Re= NI}


y (l)
Para o regime turbulento, substitui-se a Eq. (5.27) na Eq. (5.~4), bem corno
.1dentificand o a d e finiça-0 (5 .10) e a igualdade (5.23) no resultado obtido, chega-se a em que D = 60 cm e v = 0,035 cm2/s. Tendo em vista que, na atual situação, o valor
de N é reduzido pela metade, o novo valor para o número de Reynolds do impelidor é

( p kr,N
T2H
3
d') = ( p K-r-~
T"H
3
d') 2
(5.39)
4
Re = 2,571 x 10 . Levando este valor na abscissa da Figura 5.10, verifica-se que se
trata do regime turbulento (veja a Figura 1). Como o fluido de trabalho não foi al-
1
terado e se trata de regime turbulento, utiliza-se a Eq. (5.33) ou
Identificando a igualdade (5.28) na igualdade (5.39),
(2)
N
( p T2H
3
If') = (p NT If')
1 H
3

2 2
(5.40)

..
""
Reescrevendo a Eq. (5.40)
.-"'
[p (T l~~: ~ ID) l-[p (Tl;:~ID) t (5.41) . .,~1-,
a

N,,,
1
1

1 ..... 1

Depois de identificar as semelhanças geométricas na igualdade (5.41), esta é 1


r-.. ljj1 ~
r 1 j j :,: :
1
posta como
(pN3D2)1 = (pN3D2)2 (5.42) ..... '

No caso de o fluido de trabalho não ser alterado


u
",
' ' .. 1
li,

(N3D 2 ) 1 = (N3D
2
)2 (5.43)
Figura 1 Solução do item (a) do Exemplo 5.1 .
' Sabendo que se manteve o mesmo impelidor D 1 = D2 = 60 cm, Eq. (2) é reescrita
como
Exemplo 5.3
1'
Considerando-se os enunciados apresentados nos Exemplos 5.1 e 5.2, pede-se: ' (3)
a) Calcule O valor da potência útil ao se reduzir pela_ metade o valor do número ~e;~-
ta ões do irnpelidor referente ao sistema, com chicanas, estudado no Exemp o • · Do enunciado do item (a), observa-seN1 = 2N2 , que substituído na Eq. (3) resulta
ç . - f
b) Obtenha O valor da potência útil, bem como projete o sistema de agitaçao re e-
rente ao Exemplo 5.2, para tratar 10.000 litros de efluente, mantendo-se o mesmo (w) = (wuA
u 2 8 (4)
nível de agitação.
122 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecánicos 5 -Agitação e mistura
123

Do exemplo (5.1) ~V,,= 34,216 W. Substituindo esse valor na Eq. (4), Recorde-se que a estimativa do valor de N, no Exemplo 5.2, deu-se por tentativa e
erro. Entretanto, tendo em vista que se trata do mesmo fluido de trabalho e que se
(wu )2 = 34,216
8
- 4 211 w
'
(5) preserva o mesmo rúvel de agitação do Exemplo (5.2) (agitação forte), o regime é,
portanto, turbulento. Nesse caso, pode-se utilizar a Eq. (5.30) para a estimativa do
b) Este item trata da ampliação de escala, no sentido de já se ter o projeto advindo valor do novo número de rotação do impelidor,
do Exemplo 5.2. Em assim sendo, pode-se retomar a Eq. (2) desse exemplo como
Vi = 0,3 Té1'3 (6) .(10)
7
Sabendo que a unidade deverá processar 10.000 litros (1,0 x 10 cm3) de efluente,
tem-se na Eq. (6) ou

1,0 X 107 = 0,3 TéJ'3 ( 7)


resultando no diâmetro para o tanque agitado igual a
(11)
7' = 219,74 cm (8)
Em termos construtivos, Sabendo que D1 = 15 cm, D2 = 74 cm e Nt = 8,30 rps, tem-se na Eq. (11),
T= 220 cm
O restante dos valores para as dimensões do sistema de agitação pode ser obtido
(9)
15
N2 = (8,30)( )
s,J(wW: )l/ 3
(w )
= 0,581 x ~:
113

74 (12)
à semelhança da Tabela 1 apresentada no exemplo anterior. Todavia, conhecem-se
tais valores conforme apresenta a segunda coluna da Tabela l do presente exemplo.
Dessa man~ira pode-se, neste exemplo, utilizar a semelhança geométrica, conforme Do Exemplo (5.2) sabe-se que (Wu) 1 =59,51 W. Contudo, desconhece-se o valor de
apontada na terceira coluna. Na última coluna dessa tabela, estão os resultados das (Wu)2. Por outro lado, foi informado que se mantém o mesmo rúvel de agitação, ou
dimensões do sistema de agitação com borbulhamento de ar.
(13)
Tabela 1 Dimensões características para o tanque de agitação referente ao
Exemplo 5.3 O valor da potência útil será, portanto,

Valores de
Valores Relação projeto
Dimensões (14)
de projeto geométrica (resultado
arredondado)
É importante assinalar que o sistema de agitação do Exemplo (5.2) foi projetado
Diâmetro do tanque Tt =45 cm T2 = 220 cm para 83,33 litros de efluente (note que o volume do tanque de 100 litros é 20% su-
Diâmetro do impelidor D 1 =15cm D2 = D1 X (T2IT1) D 2 =74 cm perior ao de líquido). Dessa maneira, pode-se substituir (Wu) 1 = 59,51 W, Vi= 83,33 te
V12 = 10.000 t na Eq. (14), ou
Altura do líquido no tanque H 1 =54 cm H2 = H1 X (D2!Di) H2 = 264 cm
Distância entre o impelidor (wu)2 = (59,51)(:~:) = 7.141,49 W
e o fundo do tanque
ht =27 cm h2 = h1 X (D2ID1) h 2 =132 cm (15)

Altura da pá do impelidor W1 = 3 cm W2 = W1 x (D2ID1) W2 =15 cm Substituindo os valores de potência útil (Wu) 1 = 59,51 We (Wu) 1 = 7.141,49 Wna Eq.
(12), obtém-se o seguinte valor para o novo número de rotações do impelidor.
Largura da pá do impelidor L 1 = 4 cm L2 = L1 X (D2IDt) L 2 = 20 cm
l/3
7 141 49
Largura da chicana 8 1 = 4 cm 8 2 =8t X (D2/Di) B 2 = 20 cm N.2 = O581 ( · • )
59,51
= 2 87
' rp
s
' (16)
Número de chicanas n=4 n=4

1
mecanicos 5 -Agitação e mistura 125
124 Operações unitánas em sistemas part1culados e flu1do

............................................. [L]
T Diâm~tro do tanque agitado ................................
5.9 Bib liog rafi a consultada ........................ .......... ... [L.r-1]
impe lidor em siste mas de agitação Velocidade do fluido no tanque agitado ................
BARBOSA, J. E. Dim,ensionamento do eixo do .....
Volume de líquido a ser agitado...... ........................ .... ....................... ........ [L J
3
rtação de Mestrado. Campinas: Uni-
e mist ura para processos indu stria is. Disse ......................................... [LI
. ~t~r a da pá do impelidor ........................ ................

i~r~;f!
versidade Estadual de Campinas, 2004
CHEREMISINOFF, N. P. Handbook oj chem ical proc
terworth-Heinemann, 2000.
CoKER, A. K. Ludw ig's appl ied process desig
essing equi pme nt. Wobum: But-

n for chem ical and petrochemical


~::;~~:~ :
plants. 4. ed. Oxford: Elsevier, 2007.
URENHA, L. e.Ag itaçã o e mist ura na
JOAQUIM JR., C. F.; Cekinski, E.; NUNHEZ, J. R.; Letras greg as
indú stria . Rio de Janeiro: LTC Editora, 2007 .
McCABE, L. W.; SMITH, J. C.; HARRIOIT, P. Unit oper
5. ed. New York : McGrawHill, 1993 .
ations of chem ical engi neer ing. r
.,, ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
::~~=~;~:.~.~.: : : : : : : : : : :........ ::::::::~~[:~~~~:~!
s e parâ metr os fund ame ntai s em cp F~tor ~e correção ................ ..................................................... adimensional
SILVA, J . L. G. Anál ise críti ca das correlaçõe ................................... [ML-1.r-IJ
Mestrado. Campinas: Universidade Estadual µ, V'.scos~dade dinâmica ........................................
sistenias de agitação. Dissertação de ......................................[L2.r-1J
de Campinas, 2002.
V
V1scos1dade cinemática ........................................ [M L -.1
.. ............
SP0G1s, N. Metodologia para deter mina ção
de curv as de potê ncia e fluxo s ca- p Massa específica ... .. ...... .. ....... ...... ..... ...... ........ ... 1
e tang enci ais utili zand o ajlu i- ........ ............ ::::::::::::::::::::::::::.:..... :. (T]
racterísticos para impe lidor es axiais, radi ais
t"
Tempo de mistu ra ........ ........ ........ ........ ........
Mestrado. Campinas: Universidade
dodi nãm ica computacional. Dissertação de
Estadual de Campinas, 2002.
Singapore: McG raw-Hill, ( 1980). Subscritos
TREYBAL. R. E. Mass-transfer operation. 3. ed.,
T Total
1, 2 Cotas; casos

5.1 O Nom enc latu ra 2


............................................ [L 1
A, Área descrita pelo impelidor ................................ Núm eros adimensionais
............................... .............. [LI
B Largura da chicana no tanque agitado ................ número de potência;
.......................................... .... [LI NPo
D Diâmetro do impelidor ........................................ número de bombeamento;
nal.. ........................ ........... [L•r2 1 Nq
g Aceleração gravitacional; constante gravitacio número de mistura;
e agitado .......................... ..... [L] N,
h Distância entre o impelidor e o fundo do tanqu número de Reynolds do impelidor.
......................................... [L] Re
H Altura do líquido no tanque agitado ........................
[L]
................................................ ........................ ...
hl Perd a de carga ........................
............................................... [LI
L Largura da pá do impelidor................................
........................ adimensional
k1 Coeficiente de perda de carga localizada ................
.......... ................ .. adimensional
n Número de impelidores ........................................ 1
Núm ero de rotaç ão do impe lidor ................................................................... ['r- ]
N 1.r-3]
.................................................................. [M-L- 2
NA Nível de agitação ................
................................... [M-L- I. T" ]
p Pressão exercida no fluido ................................
nto ........................................................... [L •TJ
3

Qp Vazão volumétrica de bombeame


1
Caracterização
de
partículas

6.1 Introdução
O conhecimento das caracte rísticas de uma partícu la ou de uma
população de
partículas é o coraçã o da ciência de sistem as particulados, uma
vez que tais sis-
temas são regidos pela interação partícula/partícula (partículas
morfologicamen-
te e fisicamente semelh antes ou distint as), partícula/fluido
(gás e/ou líquido) e
a interação entre cais fases, como aquelas aprese ntadas no Quadro
6.1. O estudo
fenomenológico de tais interaç ões caracte riza a ciência de sistem
as particulados;
já a aplicação decorr ente de tais estudo s diz respeito à tecnolo
gia de sistemas par-
ticulados.

6.2 Características físicas de uma partícula isolada


As características físicas e morfológicas das particulas afetam
desde fenôme-
nos moleculares (tais como a difusão rnássica) que ocorrem no
interior e/ou entre
partículas, até o dimensionamento de uma coluna (seja no aspect
o constr utivo,
corno diâmetro e altura útil, seja no aspect o operacional, como
a definição de vazão
de operação e perda de carga). Os fenômenos de transferência
de massa, por exem-
plo, em conjunto ou não com reaçõe s químicas, que ocorrem em
sistemas particu-
lados, estão presen tes nos proces sos de indúst ria química, de
alimentos, agrícola,
metalúrgica e petroquímica. Pode-se citar, ainda, engenharia
bioquímica, quando
se deseja recupe rar fármacos utilizando-se resinas apropriadas
no fenômeno da ad-
sorção. No que se refere a tipos de particulados, pode-se citar o
emprego da areia e
do calcário em operaç ões de combu stão em leito fluidizado, sendo
a areia utilizada
como material inerte e o calcário como adsorv ente de S0 . Existem
2 as partículas de
catalisadores FCC utilizadas no craque amento catalítico de petróle
o, objetivando
o seu refino para obtenç ão de gasolina. Cabe mencionar, também
, as aplicações
Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomec3n1cos 6 - Caracterização de partlculas 129
128
são extremamente importantes no estudo do fenõmeno de transf - . d
Quadro 6 .1 Exemplos de tecnologias em que se encontram particulados sólidos e de afinidade entre o bioadsorvente e o ion metálico que s d e_renc1a e massa
(CREMASCO, 2005)
adsorção. e eseJa recuperar por
Encontrado na
Tipo Descrição fabricação de: ·

Separação preferencial de molécula(s) presente(s) Fármacos.


Adsorção Resinas.
em um fluido (gâs ou liquido) por meio da sua
fixação em sólido adsorvente.
Fertilizantes .
Ciclones Separação de sólidos de tamanhos distintos por
Sabão.
meio da ação centrifuga.
Separação de partículas sólidas, tendo como base a Fertilizantes.
Elutriação Extração de
diferença de diâmetro e de massa especifica.
diamante.

Separação de particulados por diferença no Adesivos.


Figura 6.1a Microfotografia de uma amostra Fi u 6 1.b .
Filtração
tamanho entre a partícula e os poros ou interstícios Fibras
artificiais.
de aglomerados secos de levedura de recu era- c T. ra · Microfot ografia de uma " partí-
ção (ampliação de 300 vezes - M ELO 201/) du ª3 OdOeO levedura de recuperação (amp liação
cto meio filtrante. ' · e · vezes - M ELO, 2010),
Aglomeração de material coloidal e em suspensão, Inseticidas.
Floculação Tratamento de
após coagulação. Independentemente do processo o conhecimento . . .
água.
des físicas e morfológicas relacionad~s à pa t' ui mmucios~ das propneda-
Remoção de um solvente volátil contido no meio Adubos. e distribuição de poros área super-"'c•nlre1c a como porosidade, tamanho
Secagem Papel. ~ . ' J• ...... massa especínca é d ·
sólido por meio da ação do calor. portanc1a na compreensão de fenômenos u y• . e suma im-
Processo de separação de particulados por meio da Papel. unitária, além de permitir o aprirnoramen~ ~;et!::o~rng~ determlmada operação
Sedimentação Tinta. particulados. ias envo vendo sistemas
deposição de material.

6.2.1 Porosidade da partícu la


relativas à engenharia ambiental em que se utilizam materiais particulados como A porosidade é a medida da fração de es a .
adsorventes nos processos que visam à preservação e ao controle ambiental, tanto um aglomerado de partículas. Taxas de corr:sãços vazios de u.m_a ~ar~ícula ou ele
na purificação de gases poluentes quanto no tratamento de efluentes industriais e ratura e atividade catalitica são funções da g o, frta_turdas e res1stenc1a à tempe-
eome na e poros Lã couro t,
domésticos. Neste último caso, um exemplo típico é o aproveitamento do produ- mesmo o osso humano têm sido estudados por meio da I ifi . - ' eae
to resultante da secagem de biomassa residuária de leveduras (Saccharomyces sidade. Pode-se citar o caso da osteoporose em O
c a~ ~açao da sua poro-
cerevisiae) como bioadsorvente de íons metálicos, cujo exemplo de amostra está do diâmetro dos poros traz infonna - ' que co ecunento da medida
apresentado na Figuras 6.la e 6.lb. É possível observar na microfotografia apre- indispensável para o estudo e trata~:~t~odb:~:s~~trutura porosa dos ossos, sendo
sentada na Figura 6.la que a amostra contém células e aglomerados de células
de S. cerevisiae, as quais denominaremos partículas, de diversos tamanhos e em tínu~~:lque\ mdaterial através dçi qual é possível encontrar uma "passagem" con-
um a o para o outro deste objeto geralm t - di
diferentes formatos. Já na Figura 6.lb uma dessas partículas é ampliada dez vezes podem ser fechados, fechados em a;enas uma extr:~~ ed ~~ po~oso. Os poros
em relação à Figura 6.l a. Na Figura 6.lb observa-se que tal partícula assemelha- abertos ou vazios (Figura 6.2). Os poros fechados não c: e. ea end pore) e
-se a uma "esponja", ou seja: são identificados vazios na sua estrutura, os quais são menos de transporte (matéria e/ou energia) C ntnbuem para os fenô-
conhecidos como poros da partícula. Do conhecimento da Figura 6.la obtém-se o pore encontrem-se entre partículas estes .sã~s~:io:sdabertos e/?u dead end
diâmetro médio das partículas que compõem a amostra, denominado diâmetro mé- las. Existem poros com passagens q~e começam em um 1:d~sd~oros _mterpartícu-
dio de partícula, assim como do formato médio dessa partícula. Tais informações emergem, chamados poros obscuros (blind pores) Há parucula e nunca
são importantes, por exemplo, quando do projeto de um adsorvedor, em particular mesmo lado da partícula que se iniciam Emb . poros que emergem do
quanto ao conhecimento da perda de carga desse equipamento. Da Figura 6.lb "passagens" diretas, eles sofrem facilm~nte ci:çªõ~: ~:os
obtêm-se informações sobre tamanho e distribuição de poros, área superficial, que suapossam constituir-se
estrutura em
e tornam-se,
Operações un1tãnas em sistemas particutados e fluidomecanicos 6 - Caracterização de panículas
130 131
. . . uosas com büurcações e interligações entre si. fibrosos e isolantes térmicos são materiais bastant e porosos. Desse modo,
em muitos matena1s, passagens sm . di • os poros
d'
Poros podem ter suas unen sões gradativamente mmw'das com a profundidade ' podem ser classificados por tamanho, conforme apresentado na Tabela
6.1. Já as
dimensões com a profundidade, dando origem técnicas de medidas estão associadas à obtenção da massa específica
ou, em alguns casos, aumentam suas " do material
aos chamados poros "gargalo de garrafa . (material poroso e não poroso), as quais serão discutidas no próximo
item.

Tabe la 6.1 Classificação de poros de acordo com o tamanho


(ALLEN, 1997)
Tipos de poros. Tamanho de poros
Poro Poro que se inicia
obscuro e emerge de um Poro
•gargalo Macro poros Maior que 50 nm
mesmo lado de
um sólido de garrafa•
Mesopo ros Entre 2 e 50 nm
Micro poros Entre 0,6 e 2 nm
Ultrami croporo s Menor que 0,6 nm

Interstícios
6.2.2 Massa especí fica da partíc ula
A massa especifica de um material é defuúda como a massa desse
material
dividida pelo volume ocupado por ele. As definições distintas para a
massa espe-
cífica decorrem de como o volume da partícula é considerado. O volume
visível
de uma amostra é composto pelo volume da matriz sólida e pelo volume
de vazios
(poros). A massa do material é determinada facilmente por uma balança
Figura 6.3 Repre.sentação da porosidade de um pó. analítica,
enquanto o volume, em se tratand o de sólidos de geometria conhecida,
é calculado
diretamente da definição de seu volume geométrico. Por exemplo: tendo-s
e uma
partícula de esfera de vidro (de 2 mm de diâmetro, cujo valor é obtido
Os poros considerados aqui são abertura~ ':/ou P;:~:gdean~oe;;:;:~~s diretamente
d~Pi~ por um paquímetro), obtém-se a sua massa por meio de uma balança
e a divide
pelo volume dessa partícula considerando-se o seu diâmetro.
P~ é ~m t1pto :ª~:~~:e
tículas) r~gi_dos ou s~~irr~~~~~s- ~::P:; i::~~~ 1:/;art ículas do pó
0 (Figura 6.3)
de v~ios. A porosidade, portant o, corresp onde à rela-
s~o c ama os I me ocupado pelos poros e/ou vazios e o volume total
da amostra.
Quando o material em questão for pequeno o suficiente de modo a ser
camente impossível medir o seu diâmetro, e que, em vez de uma partícu
prati-
la, tenha-
çao entre o vo u -se uma amostr a desse material (ou seja, um número considerável de
Neste caso, têm-se: partículas),
pode-se recorre r à técnica denominada picnom etria ou método de
Arquim e-
Porosid ade da partícu la (Figura 6.2) des. Essa técnica consist e na imersão da amostr a de particulas
em um recipiente
preenchido por um líquido (usualm ente água); o volume de líquido
Volume dos poros abertos (6.1) deslocado
corresponde ao volume ocupad o pela amostr a em tal recipiente. Um
EP = Volume total da partícula roteiro para
a determinação da massa específica da partfcula pode ser este que se
segue:
Porosidade do pó (Figura 6 .3) a) considere que se conheça a massa da amostra, a qual denominaremo
s m 1;
Volume dos poros abertos b) toma-se, a seguir, um picnômetro de volume conhecido e insere-s
(6.2) e água, me-
Volume total da partícula dindo-se a massa do conjunto (massa do picnômetro + massa da água),
Ep = a qual
denominaremos '71'½;
Dependendo do tipo do mei~ poroso, o val~:! ª ~or~~ ~:~ec ~1~::r e) adiciona-se ao conjunto de massa '71'½ a massa conhecida da amostra
:~i: (mi) e pesa-
~:t:'~ i;
0
1
:e~~ ;::r~:: ~ni:sd ;::~u~ :m;o;o sid:cie s~uito baixas. Já os filtros
-se o conjunto (massa do picnômetro cheio de água+ massa da amostra
denominaremos m 3 . A massa de água deslocada será: mH o = m + '71'½
2 1
), que
- m3 .
Operações unitárias em sistemas part1culados e fluidomecànicos 6 - Caracterização de partículas 133
132
1 de água deslocada que é igual ao volume da amostra, será: dessa maneira, uma ampla dis tribuição de tamanho de poros) , avaliando-se diâme-
O vo ume ' é a massa especifica da água na temperatura tros de poros superiores a 0,03 ~im. Para diâmetros de mesma ordem de grandeza
Vamoslra-== mt1adPH.o, em que PH20 - . d e menores, pode-se utilizar a técnica da picnornetria gasosa, a qual é baseada na
do ensaio.. Ass;"" -a massa especifica da part1cula adVJrá e
uu, difusão de um gás inerte no interior da partícula. A escolha do gás ine rte depende
da relação entre o diâmetro da molécula do gás e o diâmetro do poro, no que de-
p =m1
-- (6.3)
corre o primeiro ser, n ecessariamente, menor do que o segundo.
p Vamostra

O étodo de' Arquimedes é apropriado principalmente para sólidos não poro- 6.2.3 Áre a específica su perficial
~ . . de engenharia química, por exemplo - possuem,
SOS. Muitos sólidos - do mteresr de rachaduras fendas e/ou aberturas sinuo- A área específica ou superfície específica é definida como a área superficial da
em suas estruturas, poros em or~a ·s faz-se nec~ssária a medida de dois tipos partícula na unidade de massa, aM, ou na unidade de volume, a v, conforme ilustra
sas (Figura 6.lb). Para ess:s ~~;:ª~~e inclui os poros e outra que os exclui, o a Figura 6.4.
diferentes d~ massa espec ~ª· ão do volume considerado na definição de massa
que re:ete (~ir;t:=:~en;o~o:~~~de). Para tanto, considere que se conheça ufa
~:~~í~ul~ade esfera de carvão altamente p~ros~ ( ~:e a
2
::a !:i:~~!r:e~iJ~/~:
é obtido dired~~denpteel~C:o~~ªie~:~:~~í~~~:::nsiderando-se o diâmetro dela. O
balança e a JVI e - . t
resultado advindo dessa divisão é a massa especifica apa1en e, ou

(6.4)
Pp,, = Volume total

f . d.ido o volume da partícula independentemente de ela ser poro~


Note que 01 me assa es ecífica advém da Eq. (6.3) e refere-se a
sa ou não (desse modo, o valor ~a r:nsider~r a presença de poros, ter-se-á apenas o
aparente). Por o~trlo(lado, ~o dn:oc~rvão)· neste caso tem-se a massa específica real Figura 6 .4 Representação da área superficial (linha contínua; as linhas pontilhas representam
volume de matena ou seJa, • os poros fechados, portanto não contabilizando para o cálculo da área superficial).
(ou absoluta), definida por (baseada em TANNOUS e ROCHA, 2011).
(6.5)
Pp, = Volume excluindo o volume dos poros O conhecimento da área específica superficial é fundamental nos estudos de
fenômenos e operações de transferência de calor, de massa e combinados, pois ela
ifi al é maior do que o valor da massa está associada à área disponível para a troca de energia e/ou matéria , como são
Observe que o valor ~a mass~ e:~:~e~:~guais na situação de partículas de
os casos da adsorção, secagem, bem como e m situações em que ocorrem reações
especifica a~arente (serat apro~o da relação entre as massas específicas apa-
baixa porosidade). A par ir, por ' . d químicas, como na situação de catálise heterogênea e n a combustão. Além disso, o
rente e real obtém-se o valor da porosidade do maten al segun o conhecimento dessa propriedade é essencial na indústria farmacêutica, principal-
mente em operações de recobrimento de comprimidos ou revestimento de pellets.
E = 1 - Pp, (6.6) Existem diferentes métodos para a determinação do valor da área especifica su-
P Pp• perficial. A primeira delas é aquela que advém de cálculos dos valores do diâmetro
da partícula ou da distribuição Óf: diâmetros de partículas em um aglomerado (a
ser visto oportunamente). A segunda técnica, por meio da adsorção gasosa ou
líquida, baseia-se na quantidade em que um determinado soluto (espécie quími-
ca) é adsorvido fisicamente sobre a superfície da amostra, de modo a formar uma
monocamada desse soluto, que é proporcional à sua área superficial. A quantidade
de gás adsorvido (nitrogênio ou criptônio, por exemplo) pode ser determinada por
gravimetria, volumetria ou por técnica de fluxo contínuo.
134 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecánicos 6 - Caracterização de partículas 135

6.2.4 Morfologia das partículas


A fo1ma das partículas desempenha papel essencial em vários aspectos envol-
vendo sistemas particulados, influenciando, por exemplo, o valor da velocidade
terminal, bem como na superfície de contato das partículas.
Existem diversas defuúções para representar a forma de partículas, que são
baseadas nas razões entre os eixos ortogonais, no volume do sólido, na área do sóli-
do e na área superficial. Entretanto, a maioria dessas representações é baseada nas
dimensões características de uma partícula (a, b, c), conforme ilustra a Figura 6.5.

Figura 6.6 Diâmetros circunscrito, dp,, e inscrito, dpu, da projeção da sombra


de uma partícula (MELO, 2010).

Tabela 6.2 Classificação das partículas pela circularidade


(SOUZA, 2007)
Circularidade Classificação
Figura 6.5 Dimensões características de uma partícula
C< 1,25 Circular
(a, b, c = dimensão maior, menor e intermediária da partícula; MELO, 2010).
l,25<C<2,0 Angular
Dentre os diversos fato res de forma, destacam-se: e> 2,0 Comprida
a) Arredondamento, Ar; e circularidade, C. A circularidade e o arredondamento
comparam a superfície do objeto com a superfície do disco do mesmo períme-
tro, ou

(6.7)

em que Pe é o perímetro e Sp, área superficial da partícula, respectivamente.


E ncontra-se, também, a seguinte definição para o arredondamento

(6.8)

Muito Angular Subangular Subarredon- Arredondado Muito


angular dado arredondado
sendoAc, área relativa ao menor diâmetro de uma esfera circunscrita, dp1 (Fi-
Figura 6.7 Padrão de imagens de arredondamento (McLANE, 1995).
gura 6.6), e Ap, área projetada da partícula em posição de repouso, ou seja,
é como se deixasse tal partícula repousar sobre uma determinada superfície
e nela deixasse grafadas as suas dimensões bidimensionais (estáveis), con- b) al~ngamento,Af. O alongamento mede a razão entre o maior e O menor eixo do
forme ilustra a Figura 6.6, podendo ser as partículas classificadas conforme a obJeto, ou
Tabela 6.2.
A forma da partícula, do grão ou do aglomerado pode ser avaliada por análise (6.9)
de imagens (fotografias, núcrofotografias ou, ainda, visualmente, na dependên-
cia da dimensão da partícula) e comparada com uma figura contendo formas em que a é o raio da maior dimensão da partícula; b, raio da menor dimensão
padrões, conforme ilustra a Figura 6.7. O resultado é obtid o de acordo com o Caso~ alongamento_ for igual a 1, o objeto é circular ou quadrático; para valore~
grau de esfericidade e o grau de anedondamento. superiores a 1, o obJeto se torna mais alongado (ARAÚJO, 2001).
Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecãnícos 6 - Caracterização de partlculas 137
136
A partir da análise da Figura 6.6 e da definição de alongamento, esta grandeza que é o diâmetro da esfera de área igual à área da partícula. Por inspeção da Figura
também pode ser definida a partir do conhecimento dos diâmetros inscrito e 6.6, observa-se que o menor diâmetro da esfera circunscrita é dpl· Desse modo,
circunscrito de uma partícula, à semelhança de uma daquelas imagens ilus- ,i,
'I' = ~ X( Âp )1/2 (6.16)
tradas na Figura 6.7, obtidas por meio da projeção da sombra dessa partícula dp1 n
sobre um plano em repouso. A partir da Figura 6.6, o grau de alongamento é
Todavia, uma das definições mais empregadas, junto com a Eq. (6. 13), é aquela
definido por
que estabelece o quociente entre a área superficial da esfera com o mesmo volu-
d
Ae = _E!_ (6.10) me que a partícula e área superficial da partícula Sp, sendo que, numericamente
dpll tal medida indica o quanto se aproxima o formato da partícula ao formato de um~
esfera, em que os valores de x, y e z nos eixos ortogonais são iguais,
e) esfericidade, ~- No estudo ela forma das partículas, observa-se urna tendência
em considerá-las esféricas para simplificar cálculos. Dificilmente tais partículas <P = ( , Área superficial da esfera )
6 7
apresentar-se-ão nesse formato , fazendo-se necessário, portanto, conceituar Area superficial da partícula v ( .1 )
um índice que traduz o quão o formato da partícula se aproxima ao formato
ou
de uma esfera. Tal índice é o graiL de esfericidade,~- A definição clássica de
esfericidade é atribuída a Wadell (1932), que a estabelece como a razão entre o nd2
<P=-
p (6.18)
diâmetro de uma esfera de igual volume ao volume da partícula e o d iâmetro da sp
menor esfera circunscrita de diâmetro dp1 (Figura 6.6). Assim, considerando-
-se VP como o volume da partícula, tem-se ressaltando que o diâmetro dp presente na Eq. (6.18) refere-se àquele de igual
volume ao da partícula. Neste caso, uma das maneiras para obtê-lo experimental-
,rd3 mente, quando se procura o diâmetro médio de partículas contidas em uma dada
V =-P (6.11)
p 6 amostra, é por picnornetria (Método de Arquimedes) a partir do volume da partí-
cula, Vp, que originou a Eq. (6. 17),
ou ;rd;
6 )113 (6.12) N 0 -6= Vp (6.19)
dp = (-V.
,r p
em que N 0 é o número de partículas.
que é o diâmetro da esfera de igual volume ao da partícula. Da Figura 6.6
É importante mencionar que os diâmetros obtidos por meio das Eqs. (6.12) e
verifica-se que o menor diâmetro de uma esfera circunscrita é dp1, de onde é
(6.15) são reconhecidos como diâmetros equivalentes ao formato esférico os
possível escrever quais consideram as diferentes formas em que as partículas podem apresentar~se.
ip = _l_ x
dpt
(l vp)
,r
113
(6.13) Existem outras definições para esfericidade tendo corno base as dimensões carac-
terísticas de uma partícula (a, b, c), ilustradas na Figura 6.5, sendo elas
11
Como decorrência dessa definição, há outra que estabelece esfericidade como b2 ) 3
<P= ( - (6.20)
a relação entre o diâmetro do círculo com área igual à projeção da partícula e o diâ- axc
metro do menor círculo circunscrito à partícula, sendo que na prática o intervalo 13
para a esfericidade é de 0,45 (partícula alongada) a 0,97 (muito esférica). Assim, :Z
<P = ( a c ) ' (6.21·)
considerando-se Ap como a área projetada da partícula, tem-se
Uma aproximação empregada para a obtenção do valor da esfericidade, princi-
(6.14) palmente quando se utiliza a técnica da análise de imagens bidimensionais é a de
relacionar o grau de alongamento, definido pela Eq. (6.10), com o grau de ~sferici-
dade na forma (PEÇANHA E MASSARANI, 1986)
ou
4
d p = ( -Aµ
)l/2 (6.15) (6.22)
,r
138 Operações unitárias em sistemas part1Culados e fluidomecanicos 6 - Caracterização de partículas 139

í) Massa do picnômetro com água e grãos: 74,3 g.


Exemp lo 6.1
Na intenção de secar grãos de arroz em um leito de jorro com tubo interno, toma-se g) Volume do picnõmetro: 50 mi = 50 cm3.
necessário caracterizá-los em termos de massa especifica, diâmetro equivalente e es-
fericidade. Para tanto, obteve-se uma amostra de 490 grãos, os quais apresentara m o
formato de esferoide prolato, em que a média do raio menor foi de 0,970 mm, e a mé- Cálculos
dia do raio maior, de 4,61 mm. No sentido de avaliar a massa da amostra, utilizou-se a) massa especifica da água determinada por picnometria
um cadinho de massa igual a 30,5 g que, após a adição dos 490 grãos, acusou massa
de 43,5 g. Com o objetivo de obter a massa especifica do arroz, utilizou-se a técnica n..
~~o•--::--
de água no picnõmetro
Massa:---''---...: __ _:~
(1)
de picnometria, lançando-se mão de um picnõmetro de 50 mi e massa de 22,3 g. - Volume do picnômetro
Ao enchê-lo com água, verificou-se que o recipiente acusou massa de 72,2 g. No
ou
sentido de avaliar o volume de água deslocado, que está associado ao da amostra de
interesse, adicionaram-se os grãos no picnômetro, encontrando-se a massa de 74,3 g, e-d 72,2-22 3
Pii,o • - g • ' 0,998 g/cm3
a qual corresponde à massa do picnõmetro adicionada à de água e à da amostra. (2)
m
50
Desta maneira, pede-se:
a) a massa especifica da água determinada por picnometria;
b) massa de água deslocada
b) a massa de água deslocada;
c) a massa específica do arroz determinada por picnometria; Massa dos grãos = mP = e - b (3)
Assim,
d) o diâmetro da esfera de igual volume ao do arroz, com base nos resultados advin-
dos da picnometria; mP =43,5 - 30,5 =13 g (4)
e) uma expressão para o diâmetro da esfera de igual volume ao do arroz, sabendo-se Massa de água deslocada = 'Ynp + e - J
2 (5)
que o volume de um esferoide prolato é VP = ½1t ab , em que a é o raio maior do
esferoide prolato; e b, o menor; no que resulta

í) o valor do diâmetro da esfera de igual volume ao do arroz, calculado pela expres- (6)
são obtida em (e);
g) uma expressão para o diâmetro da esfera de igual superfície à do arroz, sabendo
2 1
que a superfície de um esferoide prolato é SP = 2 1tb + 21t(°;b)sen - (e); sendo c) a massa específica do arroz determinad a por picnometria
11 m P_
p __
e= (a'- b'l - sen-1(e) em radianos· '
a ' ' (7)
P Vll,O
h) o valor do diâmetro da esfera de igual superfície à do arroz, calculado pela ex-
pressão obtida em (g); sendo o volume de água deslocada
i) esfericidade do grão de arroz.
~o
VH,O • - - (8)
A-i,o
Solução substituindo-se (6) e (2) na Eq. (8), tem-se
Informações advindas do enunciado 10,9
V.H.o - - - - 10 92 cm3
- 0,998 ' (9)
a) Número de grãos: 490.
b) Massa do cadinho vazio: 30,5 g.
c) Massa do cadinho com os grãos: 43,5 g. levando-se os resultados (4) e (9) na Eq. (7),
d) Massa do picnõmetro: 22,3 g. 13
e) Massa do picnõmetro com água: 72,2 g.
Pp = lO
92.= 1,19 cm3

1 .
Operações unitánas em sistemas part1culados e fluidomecànicos ó - Caracterização de partículas 141
140

d) 0
diâmetro da esfera de igual volume ao do arroz com base nos resultados advin- com e= Ca'-a.b')li; sen- 1 (e), em radianos, tem-se na Eq. (20)
dos da picnometria (dp) 2
Volume total dos grãos dp5 = [2b2 +2(ª;b) sen-1 (e)r (22)
,,d; ( 11)
vP = No-6-
h) o diâmetro da esfera de igu.3.l superfície à do arroz calculado pela Eq. (22). Sabe-
sendo No o número de grãos = 490.
-se que a = 0,461 cm e b = 0,097 cm. Como
em que Volume total de grãos = Volume da água deslocada, ou
(12) 2 - b2)1,2 [co 461)2 co o9~)2]1,2
1

e = -'=----=--'--- ' - ' = O 9776 rad (23)
VH20 = VP
a 0,461 '
substituindo-se a igualdade ( 12) na Eq. (11),
3 substituindo-se os valores apresentados neste item na Eq. (22),
;,r;dP (13) 1/2
VH,0 = No-6- 2 0,461 X 0,097 1
dp5 = [2(0,097) + 2( 0, ) sen- (0,9776)] = 0,378 cm (24)
9776
trazendo-se o resultado (9) e sabendo que No= 490, tem-se:
rrd; (14)
10,92 = 4906 i) esfericidade do grão de arroz.
(15) d2
dp = 0,349 cm
,P=~ (25)
sp
e) uma expressão para o diâmetro da esfera de igual volume ao do arroz
sendo o valor de dp oriundo do resultado (15), ou seja, dp = 0,349 cm, é a área super-
d =
p
(~v
Jl p
)113
(16) ficial da esfera obtida da Eq. (20), ou
Sp = .m:t~ (26)
em que o volume de um esferoide prolato é Trazendo-se o resultado (24) na Eq. (26),
2 ( 17) Sp =n (0,378)2 =0,449 cm2 (27)
V
p
= ~rrab
3
Substituindo-se dp = 0,349 cm e o-resulta do (27) na Eq. (25),
Substituindo a Eq. (17) na Eq. (16)
2 113 (18) t/> = n(O, 349)2 = O 852 (29)
dp = (8ab ) (0,449) '

f) alor do diâmetro da esfera de igual volume ao do arroz, calculado pela expressão


ob~i~a em (e). Na Eq. (18), a é o raio maior do esferoide prolato (a= 0,461 cm); e b,
0 menor (b = 0,097 cm) . De onde resulta em (18):
dp =[8 x (0,461)(0,097)2]113 =0,326 cm (19)
6.3 Tamanho de partículas
g) uma expressão para O diâmetro da esfera de igual superfície à do grão de arroz Verifica-se, por inspeção do Exemplo 6.1, que a técnica para a determinação do
diâmetro de partícula é bastante simples: basta um paquímetro. O mesP10 não acon-
dp5 = (2.
s )112 c2o) tece quando se deseja obter um diâmetro de partícula representativo da amostra
,r ilustrada na Figura 6.la, por exemplo. Nesse caso, existem diversas maneiras para
tendo em vista que a superfície de um esferoide prolato é representar o tamanho das partículas ou mesmo_de aglomerados. Essa representa-

SP = 2;,r;b·? + 2;,r; (ª- e-


x b .) sen-1 ( e) (21)
ção, por sua vez, pode ser expressa em função da massa, volume ou número de par-
tículas na dependência da técnica utilizada. O Quadro 6.2 apresenta outras técnicas
empregadas para análise de tamanho de partículas, para diversas faixas de tamanho.
142 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecànicos
6 - Caracterização de particulas
143
Quadro 6.2 Técnicas mais comuns de medidas de diâmetro e suas limitações
(OLIVEIRA FILHO, 2007)
Técnica Características Faixa de medida (µm)
Peneira Peneiramento por agitação mecânica 20-100.000
ou ultrassónica
Micropeneiramento 5-50
Sedimentação Gra vimétrica 1-250
Centrífuga 0,05- 60
Microcospia Eletrônica (MEV) 0,01 -1
Óptica 0,2- 50
Turbidimetria (Bloqueio de luz) 0,05 - 500
Resistividade (Contador Coulter) 0,5-800
Elutriação (Fluxo de gás) 5-50
Permeabilidade (Fischer subsieve) 0,2- 50
Área superficial Adsorção de gás (BET) 0,01 -20
Penetra~ào de liquido 0,01 - 50

6.3.1 Peneiramento Agitador eletromagnético e peneiras


Distribuição das
para análise g ranulométrica · 1
No caso de peneiramento, a base de representação da distribuição de tamanho partrcu as nas peneiras
de part[cula é a massa de partícula, mais especificamente pela fração mássica, na Figura 6.8 Representação d e um peneiramento em escala de laboratório
(baseada em BERTEL, 2006).
qual a distribuição de tamanho de partículas é associada à fração mássica dentro de
cada intervalo de tamanho. Na técnica de peneiramento faz-se passar uma quan-
tidade de material através de uma série de peneiras, conforme ilustrado na Figura Tabela 6.3 Relação entre mesh e a abertura em µm
6.8, pesando-se o material retido em cada peneira. Ao se alimentar a amostra na
primeira peneira, uma certa quantidade da amostra poderá ficar retida, enquanto Mesh µ.m Mesh µ.m
boa parte a atravessa e se deposita na segunda peneira, a qual, por s ua vez, poderá 10 2.000 60 250
reter uma quantidade do material remanescente oriunda da primeira peneira, en- 12 1.680 70 210
quanto uma outra parte a atravessará para, a seguir, alimentar a terceira peneira e 14 1.4 10 80 177
assim por diante. Trata-se, portanto, de um processo do tipo "passa/não passa'', e 16 1.190 100 149
as barreiras são constituídas pelos fios da malha. 18 1.000 120 125
Se todas as partículas que constituem a amostra apresentassem a forma de 20 841 140 105
esferas perfeitas, a classificação por meio da análise granulométrica por peneira- 25 707 170 88
mento seria simples, pois as aberturas das malhas das peneiras corresponderiam 30 595 200 74
ao diâmetro mínimo dos grãos retidos e ao diâmetro máximo dos grãos que passam 35 500 230 63
por ela (ARAÚJO, 2001). Além disso, essa técnica é indicada para partícula com 40 420 270 53
diâmetro médio superior a 75 micra. 45 354 325 44
Em uma análise granulométrica, o usuário ,efere-se a ela, usualmente, em termos 50 297 400 37
de diâmetro máximo e o minimo (abertura da maior e da menor peneira em análise),
diâmetro médio (média aritmética das aberturas das peneiras em análise), dimen-
são máxima característica (abertura de malha cuja porcentagem retida acumulada
é igual ou imediatamente inferior a 5% em massa). As dimensões de tais aberturas _De ac?rdo com ~ lntemational Standard Organization, tem-se a padroni-
zaça_o de t1_pos de sólidos segundo o sistema Tyler. É importante mencionar ue a
são dadas em milimetro ou em mesh, o qual se refere ao número de aberturas por
partir do sistema Tyler, é possível a classificação conforme a abertura da pe~e· '
polegada linear. A relação entre mesh e milímetro pode ser encontrada na Tabela 6.3. Quadro 6.3. tra,

--------- - - - --
Operações unitárias em sistemas part1culados e fluidomecànicos 6 - Caracterização de partículas 145
144

Quadro 6.3 Classificação de sólidos de acordo com o sistema Tyler (baseado em


e possuindo um valor nwnérico que representa o brilho e as cores da imagem.
Obtida a imagem digitalizada é possível obter medições relativas ao diâmetro, nor-
TANNOUS e ROCHA, 2011)
malmente conhecidos como diâmetros de Feret, que são as distâncias entre duas
Tipo de sólidos Abertura das malhas tangentes em lados opostos da feição em direções fixas (Figura 6.10b). Ao se com-
Sólidos grosseiros abaixo de 4 mesh (> 4.700 µ.m) parar a Figura 6.1 0b com a Figura 6.6, e identificar F'mAx a dpi, e F'm1n a dpu, torna-se
possível obter o diâmetro equivalente conforme apresentado na Seção 6.2.4,
de 4 mesh a 48 mesh (300 - 4.700 µ.m)
Finos
48 a 400 mesh (38 - 300 µ.m)
Ultraftnos

6.3.2 Difração de luz


Dentre as técnicas destinadas à obtenção de diâmetros médios de partícula
inferiores a 75 micra destaca-se aquela que se baseia na difração a laser. Utiliza-
-se, nesta técnica, o ~olume como referência de representação da distribuição de
tamanho de partículas.
(a) (b)

Sonda Feixe de luz Lente Figura 6 .10 (a) Análise de imagens (MELO, 2010); (b) Diâmetros de Feret (ARAÚJO, 2001).
(laser) 1

Laitinen et al. (2002) compararam os diâmetros de partículas obtidas por aná-


lise de imagens com aquelas advindas de peneiramento e difração a laser. Esses
autores concluíram que as imagens digitais obtidas da superfície de pós contêm
todas as informações necessárias para a análise da distribuição de tamanho de
partículas. Entretanto, a análise de imagens apresenta um problema-chave que é a
Figura 6.9 Difração de laser (baseada em RA M ALHO e OLIVEIRA, 1999). determinação do número mínimo de partículas a serem analisadas, cujo valor varia
entre 100 e 2000 partículas.
Nos instrumentos que se utilizam do princípio da difração da luz (Mastersizer,
por exemplo), um feixe de laser é enviado em direção à amostr~ a _ser analisada.
Quando O feixe colimado encontra as partículas, parte_ do laser e difr~_tado e, em 6.4 Análise granulométrica
sequência, focado, por meio de lentes, no detector (Figura 6.9?, O d1am~tro das
partículas é inversamente proporcional ao ãngul~ do_desvio sofr_1do i:elo ra10 laser; Independentemente da técnica de medida do tamanho de partícula a distribui-
quanto menor o tamanho da partfcuJa, maior sera o angulo de difraçao. ção estat!sti~a de t~manhos ou ~ranulometria é expressa, usualmente'. em função
da fregue~c1a relativa das part1culas q.u.e.....de.tênL~tlQ_cliâmg_tr_o (Figura 6. lla).
Essa funç~o p~de ser expressa em função da massa (no caso de peneiramento) ,
volume (difraçao a las~r) e número de partículas (análise de imagens). Além da
6.3.3 Análise de imagens distribuiçãq g_~ftequência, a distribuição de tamanho de partículas também pode
ser representada pe\aJração cumulativa de partículas que possuem diâmetro me-
A técnica da análise de imagens refere-se à análise computacional de imagens
nor e maior que um valor médio de partícula em wn intervalo de Oa l 00% da gran-
digitalizadas (ARAÚJO, 2001), de modo a ser o número de (~agens) de part!c~as
dez~ acwnulada (Fi~ura 6.llb). As Figuras 6.11 apresentam uma situação típica de
a base de representação da distribuição de tamanho de part1culas. N~sta tecruca
análise granulornétnca. Enquanto na abscissa encontra-se o diâmetro de partícula,
existe a aquisição da imagem, que diz respeito ao processo no qual a 1IDagem real
observa-se, na ordenada, que a distribuição de frequência é representada pela le-
da amostra é transformada em wna matriz nwnérica que é processada pelo compu·
tra x (xis minúsculo), e a distribuição cumulativa é representada pela letra X (xis
tador. Cada ponto de imagem ou elemento de imagem é chamado de pixel, poden· maiúsculo).
do ser definido como a menor unidade de resolução, sendo usualmente quadrado
146 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecànicos 6 - Caracterização de partlculas
147

Solução
As duas primeiras colunas da Tabela 1 ilustram um ensaio característico para par-
tículas de catalisadores de FCC. Nesse ensaio, foram selecionadas as peneiras # 70,
# 80, # 100 ... , # 400 (em que o simbolo "#" indica mesh). O símbolo (+)indica que
uma determinada fração de massa i, X ; foi retida na peneira "# i"; enquanto o sím-
bolo(-) indica que a massa remanescente atravessou a peneira"# i". Retomando a
Tabela l na Tabela 2, a segunda coluna dessa tabela mostra a fração de massa retida
2CO .Q) !illl SlO na peneira"+# i". P. ex: 1,29% da massa ficaram retidos na peneira# 100; 5,93% da
Diâmetro de particula,D, (µm)
massa ficaram retidos na peneira# 120; 9,70 % da massa ficaram retidos na peneira
Figura 6.11a Distribuições de frequência das partículas r_eferentes à Figura # 140 e assim por diante. A terceira cÔlµna indica o percentual da massa total que
6.1 a (base volumétrica, utilizando-se Masters1zer). atravessa a peneira# + i; como exemplo, tem-se que 100% da massa total da amostra
atravessaram a peneira# 80; em seguida, 98,71 ~ da massa total da amostra atraves-
saram a peneira# 100 para, a seguir, 92,71 % da massa total da amostra atravessar
a peneira # 120 e assim suc.essivamente até que 5,03% da massa total da amostra
atravessam a peneira # 400 e se deposita no fundo do equipamento. Ou seja, trata-se
de uma distribuição cumulativa, em que cada valor X;, indica a fração em massa das
partículas menores do que um certo diâmetro D, que, no caso da Tabela 2, refere-se
à primeira coluna como "+# D;".

Desse modo a análise granulométrica pode ser expressa em um gráfico da distribui-


ção da frequência dos diâmetros das partículas que compõem a amostra, no formato
o ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~
Diâmetro de particula,D, (µm)
Q -
de X; vs. D; (Figura 1), bem como da distribuição granulométrica cumulativa na for-
ma Xi vs. D; (Figura 2).
Figura 6.11b Distribuição cumulativa das partículas referente à Figura 6.1 a
(base volumétrica, utilizando-se Masters1zer).
Tabela 2 Análise granulométrica referente ao peneiramento de partfcu-
las de FCC

Exemplo 6.2 _
~ .. Peneiras
(mesh) X;,(%100) X; (%100) -D;, (µm) + D;,(µm) D; (µm)
Um(a) profissional foi convocado(a) para projetar um reator do ~po_le1~~~~~0~
destinado ao craqueamento catalítico de petr~leo._Para tant?•~~;:;1~~assi.ficação do - 70+80 o 100 250 177 213,5
ser obtida sobre o projeto refere-se à caractenzaça~ do parti~ . stra de 100 g
articulado de FCC foi conduzida por meio de peneiramento e uma amo -80+100 1,29 98,71 177 149 163,0
~e partículas cujos resultado está apresentado na Tabela l. Pede-se: co_nst;a os~- - 100+120 5,93 92,78 149 125
cos para a cfutribuição de frequência e para a distribuição granulométnca a amos ra. 137,0
-120+140 9,70 83,08 125 105 115,0
Tabela 1 Distribuição de frequência relativa ao Exemplo 6.2 ' < - 140+170 14,16 68,92 105 88 96,5
Peneiras (mesn) ~/(%100) ' ~n~~ (m~L xii~0O) ~ - - 170+200 16,97 51,95 88
• -- O 15,21 74 81,0
-70+80 -200+230
-200+230 15,21 36,74 74
1,29 -230+270 14,32 63 68,5
-80+100
- 230+270 14,32 22,42 63
-100+120 5,93 - 270+325 11,21 53 58,0
- 120+140 9,70 -325+400 6,18 -270+325 11,21 11,21 53 44 48,5
-140+170 14,16 -400 5,03 -325+400 6,18 5,03 44 37 40,5
-170+200 16,97 -400 5,03 O (fundo) fundo fundo fundo
Operações unitárias em sistemas particulados e flu1domecànicos 6 - Caracterização de partículas 149
148
e médio de todas as partí-
a) Diâme tro da partíc ula cujo volume é igual ao volum
tes em uma amost ra:
,a~ --- - - -- - - - -- - , culas presen
~16-
·ã14- (6.23)
c
~12
<7
~10
.g 8
%6
~ é igual à média das áreas su-
a2
4
b) Diâme tro da parcfc ula em que a área superficial
perficiais de todas as partíc ulas presen tes em uma amostra:
ÕO~O- - -TS_(O_ _ _I00,----,1lo___2T00--- -~2~
DiAme1ro de partlcula,D, (µm)

Figura 1 Distrib uição de frequência referente ao Exemp


lo 6.2. (6.24)

1201- , - - - - - - - - - - - - -- 7
c) Diâme tro da partíc ula c uja relação vol ume/s uperfü
;ie, a21ai,
é a mesm a para
tes em uma certa amost ra. Desse modo, a partir das
todas as partíc ulas presen
Eqs. (6.23) e (6.24) , tem-se :

(6.25)

SQ IÓO tlo 200 250


tro médio de partíc ula
DiAme1ro de partícula, D, (µm) que é o diâme tro médio de Saute r, sendo este o diâme
a de calor e de massa ,
mais utiliza do em sistem as partic ulados , transf erênci
Figura 2 Di~tribu ição cumulativa referente ao Exemp lo
6.2. e é utiliza do em estudo s relacio -
cinétic a e ca tálise. Este diâme tro norma lment
ciais (RAMA LHO e OLIVE IRA, 1999; CÂ!\1ARA et
nados a fenôm enos interfa
al., 2008).
do _di~metro de abertu ra
o diâmetro D; utilizado nas Figuras 1 e 2 é a média do valor
m as últimas colunas da Ta-
da maior e da menor peneira em análise, conforme ilustra
a peneir a# 70, o diâmetro
bela 2. Por exemplo, na situaç ão"- 70 + 80", tem-se, para
ro da abertu ra é igual a
da abertu ra igual a 250 µ.m; já para a peneir a# 80, o diâmet
diâmet ro médio igual a 213,5 µ.m.
177 µ.m , resultando em um
Exemplo _6.3
a:
Considere o enunciado aprese ntado no Exercício 6.2 e obtenh
a) o valor do diâmetro médio de Sauter;
ao volume médio das
6.5 Diâmetro médio de partícula b) o valor do diâmetro·médio de particula cujo volume é igual
amostr á;
partículas presen tes na
conhe cime~ to da d_istri-
A definição de diâme tro médio de partíc ula decor re do superficial é igual à média
buição da frequê ncia de taman hos de ~a deter ~ada
amost ra (ou seJa, da Figura c) o valor do diâmetro médio de partícula em que a área
oes: das partículas presen tes na amostra.
6.lla) . Dessa manei ra, têm-se as segum tes definiç
150 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecclnicos 6 - Caracterização de partículas 151

Solução Tabela 1 Diâmetro de Sauter Tabela 2 Diâmetro médio volumétrico


Conhecidos os valores da fração mássica da distribuição de frequência contidos na D; x. x;!Di D; X; x/D~
segunda coluna da Tabela 2 do Exemplo 6.2, a qual está na forma de por_centual
(portanto, basta dividir tais valores por 100), bem como os valores do diâmetro 213,5 o o 213,5 o o
médio de partícula entre cada mesh, última coluna da Tabela 2 do Exemplo 6.2, 163,0 0,0129 7,91 10-5 163,0
X 0,0129 2,98 X 10-9
é possível calcular, para cada par (x,, D;), os valores necessários para atender o
presente exercício. 137,0 0,0593 4,33 X 10-4 137,0 0,0593 2,31 X 10-8
115,0 0,0970 8,43 X 10-1 115,0 0,0970 6,38 X 10-8
96,5 0,1416 1,47 X 10-3 96,5 0,1416 1,58 X 10-7
a) Utiliza-se a Eq. (6.23), cujos valores de (x;ID;) para cada par (xi, D;) estão conti- 81 ,0 0,1697 2,IOx l O...;i 81,0 0,1697 3,19 X 10-7
dos na terceira coluna da Tabela 1 do presente exemplo. Dessa maneira, o soma-
68,5 0,1521 2,22 X 10-3 68,5 0,1521 4,73 X 10-7
tório dessa coluna será
58,0 0 ,1432 2,47 X 10-3 58,0 0,1432 7,34 X 10-7

i(;) =
i-1 '
2
1,34 X 10- (1) 48,5 0,1121 2,31 X lo-3 48,5 0,1121 9,83 X 10-7
40,5 0,0618 1,53 X 10-3 40,5 0,0618 9,30 X 10-7

Substituindo-se esse valor na Eq. (6.25), obtém-se


c) Emprega-se, neste caso, a Eq. (6.24), ou
d-,,s = _ l _ = l = 74,63 µm

(2) 2n ( X; )
i (:I) l,34xl0-
2
a,2 = i•l D;
(5)
(X· )
ti o}
i-l ' .p n

Verifica-se, na Eq. (5), que são conhecidos os valores do numerador e do de-


b) Utiliza-se a Eq. (6.25), cujos valores de (x/Df) para cada par (x;, D;) estão conti- nominador por meio dos resultados (l} e (2), os quais, substituídos na Eq. (5),
dos na terceira coluna dà Tabela 2 do presente exemplo. Dessa maneira, o soma- resultam em
tório dessa coluna será
d = 1•34 X -2 )1/2
lO = 6Q 26 ffi
(3)
P (3,69x10~ ' µ (6)

Substituindo-se esse valor na Eq. (6.23), obtém-se:

6.6 Modelos para a distribuição granulométrica


(4)
Qualquer que seja a dfatribuição granulométrica, torna-se possível descrevê-
-la por modelos matemáticos na forma de X= X (J;)). Existem, classicament e, três
modelos: o de Gates, Gaudin e Schumann (GGS.1 o. de Rosin, Rammler e Bennet
CIIBfil, e o modelo que estabelece a função X = X (D) no formato log-normal.
O Quadro 6.4 sintetiza a apresentação de tais modelos (MASSARAN I, 1984). A
partir deses modelos e de seus parâmetros associados é possfvel estabelecer equa-
ções para o cálculo do diâmetro médio de Sauter, conforme apresentado na última
coluna do Quadro 6.4.
Operações unitánas em sistemas particulados e fluidomecànicos 6- Caractenzação de partículas 153
152
Quadro 6.4 Modelos para a rustribuição granulométrica (MASSARANI, 1984)
Exemplo 6.4
Modelo Equacionamento Formato do gráfico
Considere o enunciado apresentado no Exerc[cio 6.2 e verifique qual modelo mais
Tem-se uma reta ao se re- bem descreve a distribuição granulométrica entre os modelos GGS e RRB. A partir
GGS
X,= ( D)"' T (6.26) presentar em forma gráfica d!>S =k(m~l) da identificação do modelo, escreva a sua equação característica.
( enD vs. lnX); nas situa- válido para
sendo: ções usuais em quem> 1, o m> l
.D; s k; m > O; k = D100 modelo recai no RRB. Solução
O modelo GGS advém da análise do gráfico na forma enD vs. enX, cujos valores
D100 refere-se ao diâmetro para tanto estão apresentados nas colunas 3 e 4 da Tabela 1 do presente exem-
D para X= l 0 ·vi,; .,•,- 1 • plo. A análise do modelo RRB é resultado da construção de um gráfico na forma
/YI,:.::- • • ., •• ,-r "' ' ··r.r
f.nD vs. en(en[ll(l -X)]}. em que os valores correspondentes encontram-se nas co-
m = 1 (rustribuição lunas 3 e 7 da Tabela l deste exemplo.
uniforme)
m,. !(casos usuais)
Tabela 1 Valores calculados para avaliação dos modelos GGS e RRB

Di X, f.n(D;) en(Xi) <p,=l l(l-Xi) ln('Pi) ln [ ln( 'Pi)]


RRB X, = l - exp(-(D/D'}"] Tem-se uma reta ao se re-
(6.27) presentar em forma gráfica 163,0 0,9871 0,9871 5,0938 -0,0130 77,5194 4,3505
enD vs. ln[(l71)/(l-X))l; a
137,0 0,9278 0,9278 4,9200 -0,0749 13,8504 2,6283 .
n > O; D' = D63,2 forma "S" é verificada para
n > l
para n > l 115,0 0,8308 0,8308 4,7449 -0,1854 5,9102 1,7767
.1
D63 ,2 refere-se ao diâmetro
96,5 0,6892 0,6892 4,5695 -0,3722 3,2175 1,1686
D para X = 0,632
com a função gama: 81,0 0,5195 0,5195 4,3944 -0,6549 2,0812 0,7329
r (r) - j e·"'xr-i dx 68,5 0,3674 0,3674 4,2268 - 1,0013 1,5808 0,4579
o
58,0 0,2242 0,2242 4,0604 -1,4952 1,2890 0,2539

D,
48,5 0,1121 0,1121 3,8816 -2,1884 1,1263 0,1189
40,5 0,0503 0,0503 3,7013 - 2,9898 1,0530 0,0516
Log- Tem-se uma reta ao se re- dp5 • ~ exp(- -1 tn2
(6.28) presentar em forma gráfica 2
a)
-normal
enD vs. enX em escala de
A Figura 1 apresenta as curvas obtidas. Verifica-se, para o modelo GGS, que o coP.fi-
probabilidades; para a= l,
ciente de determinação para a reta é igual a r 2 = 0,894, enquanto para o modelo RRB,
ln~(D---'-';/-'~=) todas as partículas têm o r 2 = 0,983. Ou seja, é o modelo que mais bem descreve a distribuição granulométrica
Z a -
' -/2-(fna) mesmo diâmetro. entre aqueles avaliados neste exerc[cio.

erf(Z) - l fo exp(-v )dy A equação característica do modelo RRB é


X; = 1 - exp l- (D.ID'}" J ( 1)

função erro na qual a Ressalte-se que n é o coeficiente angular da reta lnD vs. ln(en[ l/(1 -X)]} que,
dispersão a é igual a: na presente situação, é n = 3,065. Já o valor de D' é D' =D63,2 , sendo que D63.2
refere-se ao diâmetro D para X= 0,632. Nesse caso, pode-se interpolar o valor de
a• Ds.i,1- Dso .d D' a partir da Tabela 6.7, ou utilizar-se da reta inD vs. en{en[ll(l -a;)]}, na forma
D50 D1s,s y = ax + b, em que a = n.
Operações unitárias em sistemas particulados e fluidom 6 - Caracterização de particulas
154 ec~nicos
155
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(3)
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SA.'\TOS, H.; M.ASSARA1'1DUBA, M.; VEIGA, F. J. 8.; DE PINA,
D; diâme tro da partícu la de diâme tro i •••••••••• ••• • •••• •• •••••••• • • .. ,, •.•••••••• . •••••••••• ••• • ••••• L.J
o farma cêutic a. Parte l!. ...................... ....... [L]
Obten ção de pellets por extrus ão e esfero nizaçã diãme tro de uma partícu la ......................................................
pellets . Revis ta Brasi leira de Ciências la ..................... [L J
Avaliação das caract erístic as físicas de diâme tro circun scrito da projeç ão da sombr a de uma partícu
Farmacêuticas, v. 42, n. 3, 2006. ula............................. [L]
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Dispo nível em: <www
Capitu lo_íl.p df>. Acess o em: 18 abr. 2011.
Fluidodinâmica
de uma
partícula isolada

7.1 Introdução
Na separa ção de partic ulados de taman hos distin tos por
meio da ação centrí -
fuga e ação gravitacional, como são os casos de empre go
de ciclones e elutria do-
res, por exemplo, torna- se essencial tanto o conhe cimen
to das caract erístic as físi-
cas e morfológicas das partículas envolvidas (Capítulo 6)
quant o da descri ção do
escoam ento das fases fluida e partic ulada associ ado a
tal separação. No que se
refere à descri ção do escoa mento da fase fluida (gás ou
líquido), esta foi apre-
sentad a no Capítulo 2; já para a descri ção do escoam
ento da fase partic ulada,
tornam-se imprescindíveis informações funda menta is
sobre a dinâmica de uma
partícula isolada.

7.2 Dinâmica de um pont o mate rial


A dinâmica trata do estudo da relação entre o movimento
de um corpo e as
causas de tal movimento. Este, por sua vez, é fruto da intera
ção desse corpo com
outros corpos que o cercam. Tais intera ções podem ser
descritas pelo conceito de
força. Dessa forma , o objeto da dinâmica é o estudo da relação
entre força e as
variações do movimento de um corpo. No presen te capítu
lo, este corpo é uma par-
tícula material de massa mv. A multiplicação da massa
da partícula por seu vetor
velocidade, up, result a na definição de quantidade de movim
ento (ou momento
ou momento linear de uma partícula), Lp, na forma

Lp = mp'llp (7. 1)
Admita que uma dada partícula aprese nte veloci dade 11p
1
no instan te t 1 e u P
no instan te t2 (Figur a 7.1). A variação da sua quanti dade 2
de movimento entre tais
Operações unitárias em sistemas part1culados e fluidomecanrcos 7 - Fluidodinàm1ca de uma partícula ,solada 161
160
desse modo ela se manterá. Por via de consequência, têm-se as seguintes conclu-
instantes será sões: wn ponto material com força de interação nula permanece em repouso ou em
L p 1 - L p2 = mp1\lpl - mp2Up2
(7.2)
movimento retilíneo e uniforme; e, se essa partícula não estiver sujeita a interações
Como a partícula apresenta massa constante, tem-se na Eq. (7.2) ou caso essas se anulem, tal partícula será denominada partícula livre, perma-
(7.3) necendo em repouso ou em movimento uniforme e retilíneo, caracterizando a lei
L p 1 - L p 2 = mp(llp1 - u p2)
da Inércia ou a primeira lei de Newton, a qual pode ser enunciada como: uma
partícula livre move-se com velocidade constante (sem aceleração). Tais forças,
por sua vez, ao atuar em um corpo, podem ser consideradas como uma única força
que corresponde à soma vetorial de todas as forças,
?i

F= IFi
i-1
(7.9)

no que decorre, após igualar as Eqs. (7.8) e (7.9),

(7.10)
Figura 7 .1 Representação de uma partícula.
As forças presentes na Eq. (7.10) são responsáveis pelo movimento da par-
Admitindo-se a variação da quantidade de movimento no tempo, tícula e podem ser divididas em força de campo (gravitacional, centrífugo, por
exemplo), e outras forças volumares, como o empuxo; em forças de superfície (ou
LP, - LP, = mP(u P, - uP,) (7.4) pelicular) , as quais são resultados do movimento do fluido que estão ao redor da
li - lz ti - lz partícula (força de arraste e força de sustentação), confor~e ilustra a Figura 7.2.
Essas forças podem ser classificadas quanto à direção. Caso alinhadas com a di-
bem como tal variação ser infinitesimal, ou seja,
reção do movimento da partícula, são conhecidas como força de arraste; caso
6-L ~u venham ser alinhadas perpendicularmente, são denominadas, usualmente, como
lim--P = m lim--P (7.5)
,-o ~t p ,-o t.t força de sustentação. Desse modo, a Eq. (7.10), para uma partícula isolada, pode
ser assim estendida
ou
d LP duP (7.6)
- - - ·m - - mp8i, = F campo + F empuxo + F sustentação + F arraste (7.11)
dt P dl
Identificando a força de interação (ou de Newton), F , na Eq. (7.6)
F campc
dLP .. F (7.7)
dl Fsu.uentação
A grandeza física vetorial F apresenta-se como a taxa da variação temporal ◄ ------

da quantidade de movimento de uma partícula material, relativa ao seu cent:o de


massa. A Eq. (7.6) pode ser retomada, após reconhecer o termo de aceleraçao na
Eq. (7.6), 8P = du.Jdl, como
F = mpB.p (7.8) Escoamento

a qual reflete na situação em que se a massa de uma partícula vir a ser con~tante'. Figura 7.2 Representação da~ forças que atuam em uma partícula.
aforça será igual ao produto da massa pela aceleração, ou seja, a terceira lei
de Newton. Aforça de sustentação é, por sua vez, dividida em dois grupos, de acordo com
Suponha que (dL/dt = O) e, portanto, F =O.Logo, da Eq. (7.6), u P = cce. Essa o fenômeno físico pelo qual é gerada. Um grupo está associado ao fato de haver
situação ocorre quando: (a) a velocidade inicial da partícula é nula; por~nto, caso urna região do escoamento em que existe um gradiente de velocidade de fluido,
a partícula esteja em repouso, assim ela permanecerá~• (b) caso_~ parucul~ apre- representado, por exemplo, pelas Eqs. (2.11) e (2.24), o qual contribui com uma
sente velocidade inicial constante e se estiver em moVlffiento retilíneo e uniforme, distribuição não uniforme de pressão na partícula, fazendo com que surja nes-
Operações unitárias em sistemas particulados e flu1domecanicos 7 - Flu1dod1namica de uma partícula isolada
162 163
sa partícula uma Força perpendicular à direção do escoamento, eíeito conhecido lirni_te que envolve a partícula, que ocorre em razão da aceleração ou da eles 1
como efeito Sajfman; e o outro relacionado à rotação da partícula, cujo efeito é raçao da partfcula (SILVA, 2006). ace e-
conhecido como efeito Magnus, que está intimamente envolvido com a dinâmica
dos choques entre partícula-p arede de um determinad o equipamento e part!cula- Ao se considerar a presença da fase fluida no termo de Stokes este d
retomado, em termos vetoriais, como ' po e ser
partícula, ou seja, quando se trata de wn sistema não isolado de partículas.
Aforça de campo (gravitacional, centrifuga, magnética, entre outras), que F stokes = - 3mi~U (7.17)
atua em uma partícula, dá-se no volume, segundo sendo U a velocidade relativa entre fluido e partícula, posta na forma
(7.12) U = u - Dp (7.18)
Em que PP e VP são, respectivamente, a massa especifica e o volume da partí- u é o vetor_velocidade do fluido não perturbado pela presença da partícula Uma
outra m~e1ra de expressar a força de arraste é por meio do coeficiente d ·
cula; esta, em se tratando de esfera, é C , definido por e arraste,
0
(7. 13) l
FStokes ""CD App li U li U (7.19)
2
sendo dp o diâmetro da partícula. em queAp é a área projetada da partícula que, para uma esfera, é
No caso de se tratar do campo gravitacional, b =- g, a Eq. (7.12) é posta como,
-rrd2
depois de nela se considerar a defirução (7.13), AP = -4-
P
~-2~
l 3 (7.14) : IIUII é a norma do vetor da velocidade relativa que, para coordenadas cartesianas,
F = -;rd
6 p p pg
a qual diz respeito àforça peso. llull = [Cu - up)i + (u _ u P)2u +(ii _ u p )21112
z (7.21)
Ajorça de empuxo segue o princípio de Arquimedes, que pressupõe que a Igualar as Eqs. (7. 18) e (7.21) resulta em
força exercida sobre corpo submerso em um fluido é igual ao volwne de fluido des-
locado multiplicado pela aceleração gravitacional. Dessa maneira, a partir da Eq. eo -_ 24
--
Rep (7.22)
(7.14), tem-se
1 3 Sendo o número de Reynolds da partícula, Rep, definido por
F ~ --1td pg (7.15)
6 p
ReP ,,. pdpllUII
em que p é a massa específica do fluido. O sinal negativo indica que essa força tem µ, (7.23)
o sentido contrário ao da força peso. (R A Eq). (7.22). é ~álida apenas para baixos valores do número de Reynolds
Aforça de arraste está associada à resistência direta da partícula em ser ar- eP < l ' o que indica que o escoamento é governado or for .
rastada pelo fluido. Usualmente é decomposta em três termos, ou :; :u;e~tar_ odvalor da velo~idade relativa (awnentan do-;e a vel~:d~~:~ ~a:~i~~
0 . urunum o-se a velocidade da partícula), ou diminuindo-se a . - .
1 P 3 ? j' (du ) d-r (7.16) do fluido, as forças inerciais tornam-se importantes de modo que o co;~1sten~a
Farras1e=-31rdePµ,u P- -m,d-u- - -dj, _ _ P ~ arraste, à semelhança da Eq. (7.22), é retomado tal.como se segue coe ciente e
( A) 2 dt 2 0 d-r -1(t - • )
(B) (C)
24
Em que 'JJ, e m referem-se, respectivamente, à viscosidade dinâmica e à massa
Cv =-f(Re
ReP P) (7.24)
1
de wn fluido newtoniano deslocado pelo movimento da partícula; Up refere-se ao
vetor velocidade da partícula. O primeiro termo (A) na Eq. (7. 16) refere-se à for- isola~t~~r ;u~:·:~ ~~~:s~:t~tf~c~~~ersos regimes de escoamento sobre uma esfera
ça decorrente do arraste de Stokes, sendo resultado das contribuições do arraste
de fricção e de forma. O termo (B) está associado à força de arraste aparente (ou Rep < 1 Regime de Stokes
virtual). Resulta da aceleração/desaceleração da partícula em um meio fluido à sua l s Rep < 500 Regime intermedi ário
volta, causando neste aceleração/desaceleração. O termo (C), conhecido como for- 500 s Rep < 2,5 x 105 Regime de Newton
ça de Bousinesq/Basset ou history force, está relacionado à mudança na camada Rep;.,; 2,5 x 105 Regime turbulento
Operações unitárias em sistemas part1culados e flu1domecãn1cos 7 - Flu1dod1nãm,ca de uma partlcula isolada 165
164
7.3 Velocidade termi nal
importa nte
O conhec imento do valor da velocidade termina l é extrem amente
assim como - por
para a compre ensão da fluidodinâmica de uma partícu la sólida,
disso, o conhec imento dessa
extensã o - do próprio contato fluido-partículas. Além
notadam ente
grandez a é essenci al para o projeto de separad ores gás-par tículas,
câmara s de poeira, ciclone s, hidroci clones, sedime n-
nos projeto s de elutriad ores,
outros equipam entos de separaç ão ele partic ulados. A velocid ade
tadores , entre
nte atingid a por
termina l da partícu la isolada, v r , refere-s e à velocid ade consta
o, ou seja, um
uma partícu la isolada quando lançad a em umjlui do em repous
Newton Turbulento
caso particu lar da aplicação da terceira lei de Newton para Vp = Vr =cte e v =O.
da definiçã o da velocid ade relativa , Eq. (7.18), aqui
Nesse caso, tem-se a partir
500 2 X 105 retoma da para escoam ento unidime nsional

esfera isolada. (7.32)


Figura 7 .3 Regimes característicos de escoamen to ao redor de uma
ou
, Cv = 0 ,44;
Observ a-se, por inspeçã o da Figura 7.3, que, no regime de Newton U =0-vr (7.33)
enquan to, no regime turbule nto, Cv = 0,20. constan te da
Tendo em vista que se t rata de um sistema isolado, velocid ade
s, represe n- nsional da par-
O Quadro 7.1 apresen ta diverso s modelo s, para partícu las esférica partícula (acelera ção nula), a Eq. (7.1 1), para a queda livre unidime
tando a Eq. (7.24). tícula, será
O = Fcampo + Fempuxo + Farraste . (7.34)
Quadro 7.1 Correlações para o coeficiente de arraste (SILVA,
2006) rando-
Desse modo, pode-se substitu ir as Eqs. (7.14), (7.15) e (7. 19), conside
Modelo Validade -se nesta as Eqs . (7.20) e Eq. (7.33), na Eq. (7.34),
Autor
1 3 1 3 1 . 2
Stokes e0 -~
Re
(7.22) Rep < 1 o - 6,rdppp g - 61rdppg - 81rd;co'Vi-
p
ou
Ossen (7.25) Re.p < 5
(1910) (7.35)
(7.26)
Putnam 1
1
5
(1961) (7.27) 1D3 s Rep < 2,0 x 10 F«mpo :

5 ;~
Tilly (7.28) Rep < 2,0 x 10
(1969)
Clift e
Gauvin
(7.29) Rep < 2,0 x 105
ÁVj Ã:
F ,mpuxo : F arr.ute
(1970)
Vr
Haider e 0687 0,4251 Re e]
24 [ l+0,1806 Reii 5
c0 + (7.30) 1 sRep < 2.0 x 10
Figura 7.4 Representação do conceito de velocida de terminal .
- --
Levenspiel Re p l+ 68809
· ·
7!Ç
(1989)
24 6 esférica s ou
White C0 -0,4 + - + ro;;- (7.31) Re.p < 2,0 x 105 Experiê ncias conduz idas com partícu las isométr icas (partícu las
l + -..,ReP do coeficie nte de arraste
(1991) ReP na forma de poliedr os regular es) apontam que o valor
166 Operações unitárias em sistemas part1culados e fluidomecanicos 7 - Fluidod1nàm1ca de uma partícula isolada 167

depende da esfericidade da partícula e do número de Reynolds da partícula, com Quadro 7.3 Fluidodinàmica da partfcula esférica isolada (COELHO e MASSARANI 1996)·
base na velocidade terminal, 0,65 < 4> s I e Re s 5 x 104 ' ·

Re = pdp'/Jr (7.36)
Descrição* n Valor médio e desvio
J.L
adrão
Generalizand o tais informações, pode-se escrever (Re)cxp
~ 1,00 :1: 0,13
(Re)cor
(7.37)
(Re)exp
(Re)co, • l,00:1:0,l4
na qual o número de Reynolds, Re, é posto em termos da velocidade relativa U,
segundo (Re)exp
Re = pdp -(R) = l,00:1:0,14
(7.38) e cor
J.L
• em que K 1 = 0,843 log 10(4>/0,065); K 2 = 5,31 - 4,884>-
A partir da Eq. (7.35), tem-se, ainda
2 (7.39)
Re =f2(C0 Re , </J)
Re =f3(CcfRe, </J) (7.40)
Exemplo 7.1
sendo os grupos adimensiona is definidos por
Obtenha o v~or da velocidade temúnal de uma rnicroesfera de vidro que apresenta
3
C R 2 _ 4 P(Pp - P)bd! (7.41) massa específica3 de 2,43 g/cm e diâmetro igual a 250 µ m, que cai em água- a 30 ºC
D e - 3 J.L2 (p = 995,7 kg/m ; v = 0,83 x 10..a m2!s).

(7.42) Solução
O valor da velocidade terminal de uma partícula esférica advém da Eq. (7.36), ou
As correlações apresentadas nos Quadros 7.2 e 7.3 foram desenvolvida s para
Rer = dpVrP
partícula isométrica isolada em fluido newtoniano. Saliente-se que o Quadro 7.2 é µ (1)
vãlido para partícula esfé rica. No caso de partícula não isométrica e não se encon-
trando correlações adequadas para a descrição da sua fluidodinâmic a, recomenda- ou, sabendo que a viscosidade cinemática é v = µJp, por intermédio de
-se que se utilizem aquelas apresentadas em tais quadros, corrigindo-se a forma da R dpvT
partícula por meio da esfericidade.
er · -v- (2)

Nota-se que se conhece o valor do diâmetro da partfcula,


Quadro 7.2 Fluidodinàmica da partícula esférica isolada (COELHO e MASSARANI, 1996) dp = 250 µm = 0,025 cm (3)
Valor médio e desvio e o número de Reynolds a ser calculado por
Descrição n. .
eadrão

(!!) +0,43n rn (Re)exp • 1,00 :1: 0,09 R 2 )---0,95121-110,95
e Re2 )---0,95 -1L...!::I:..
[ n (7.43) 0,63 Rer = [( __Q_____z_ + (4)
C0 - (Re)co, 24 0,43

Re - [( Co2:e2r + ( ºg,:tr,2rn (7.44) 0,95 (Re)exp - 1,00 :1: 0,06


(Re)co,
em ~ue o número de Arquimedes modificado, posto em tennos da viscosidade cine-
mática e do campo externo sendo o gravitacional, segundo
4 (Pplp-l)gd;
R [ Re n/?
- 0,43 nrn (Re)= - 1,00 :1: 0,09 eo Rer2 -
e- (c 0
/Re) +(c 1Re)
0
(7.45) 0,88
(Re)co,
3 11
2 (5)
Operações urntánas em sistemas part1culados e flu,domecànicos 7 - Flu,dodinârnica de uma partícula isolada 169
168

Tendo em vista que n: = 995,7 kg/m3 = 0,9957 g/cm3 e v = 0,83 x 10-6 m21s = Exemplo 7.2
= 0,0083 cm2/s, assim como o valor da constante da aceleração gravitacional igual a
Avalie o efeito da presença do diâmetro da tubulação de um transportador hidráuli-
981 cm/s2 , a Eq. (4) resulta em co, Dr= 2,54 cm, no valor da velocidade terminal obtido no Exemplo 7.1.
z = 4 [2,43/0,9957)-1)(981)(0,025)3 a 427 35 (6)
CDRer 3 (0,0083)2 1

que, substituído na Eq. (4) , leva ao valor do número de Reynolds,


Solução
427 35)-0,9S (427,35)-0,9SIZ]-II0.95 (7) O valor da velocidade terminal advém da Eq. (7.49) corrigida para kp = vrlvr., ou
Rer = [(- - '- + -- e 10,99
24 0,43
(l)
Dessa maneira, conhecendo-se dp = 0,025 cm e v = 0,0083 cm2/s, o valor da veloci-
dade da partícula será Tendo em vista que o valor do número de Reynolds obtido no Exemplo 7.1, o qual se
refere àquela situação sem a influência da parede, é
Vr = v Rer (0,0083)(10,99) = 3 ,649 cm/s (S)
d,, 0,025 Re = Re.. = 10,99 (2)
utilizar-se-á o critério exposto na Eq. (7.52)

k = 10 (3)
7.3.1 Efeito da presença de contornos rígidos na velocidade P l+ A Re!
terminal em que
A presença de contornos rígidos influencia o valor da velocidade terminal A= 8,9le2 ·79/l (4)
(U = vr), reduzindo-o em relação à velocidade terminal da partícula isolada (vr,J
Almeida (1995) estudou o efeito de parede na fl.uidodinâmica da partícula isomé- e
trica em fluido newtoniano, para as condições 0,65 < tP s 1 (tP é a esfericidade da B = 1,17 x 10--3 - 0,281,B (5)
partícula); O < f3 = d/D, s 0,5, em que D1 é o diâmetro da tubulação, e verificou a
para d,, = 0,025 cm e D,= 2,54 cm,
seguinte relação
u
-=k /3 = dP = 0,025 = 0,00984
V P (7.49) (6)
T.
D, 2,54

em que o fator k depende do valor do número de Reynolds da partícula na condi- Por via de consequência, as constantes A, Eq. (4), eB, Eq. (5), são obtidas mediante
ção de velocidade terminal livre (sem a presença de fronteira), Re.., definido como respectivamente, '

Re.. = pdp'l>r. (7.50) A= 8,91 x exp[(2,79)(0,00984)] = 9,158 (7)


µ.
B = 1,17 x 10--3 - (0,281)(0,00984) =- 0,001595 (8)
e da relação entre o valor do diâmetro da partlcula e o diâmetro da tubulação,
Substituindo os valores encontrados em (2), (7) e (8) na Eq. (3),
/3 = d/D1. 4
1-/3 ] para Re.. = pd,,Vr_ < 0,1 (7.51) k = 10 =[ 10 ] = 9878
kP = [ 1 - 0,475,B ' µ P 1 + A Re! 1 + (9,158)(10,99)c-o.ooi595) º• (9)

10 (7.52) Tendo em vista que, do Exemplo 7.1, Vr~ = 3,649 cm/s, pode-se substituir este valor
k =----, para 0,1 s Re.. < 1a3
P l + A Re! em conjunto com aquele presente em (9) na Eq. (1), da qual resulta o valor da velo-
cidade terminal da partícula por
na qual A = 8,9le2•79.6 e B = 1,17 x 10-3 - 0,281/3.
Vr (3,649)(0,9878) = 3,604 cm/s (10)
3
kp = 1 - /33'2, para Re.. a 10 (7.53)
170 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecánicos 7 - Flu1dodinãm,ca de uma partícula ,solada 171

7.3.2 Efeito da concentração de sólidos na velocidade termina l


Evidências experimentai s apontam para a redução no valor da velocidade ter- Exemplo 7.3
minal de uma partícula como decorrência da presença de outras particulas. Essa Deseja-se avaliar o efeito da concentração volumétrica de sólidos, por meio das cor-
presença pode ser avaliada pela fração volumétrica de fluido ou porosidade e, de- relações de Richardson e Zaki (1954), que é igual a 0,00184 cm3/cm3 , no valor da
velocidade terminal da microesfera de vidro considerada no Exemplo 7.1.
finida como
volume de fluido ) (7.54)
E = ( volume de fluido + volume de sólidos

ou, para sistemas diluídos, Solução


E = l - Cv (7.55)
O efeito da concentração de sólidos no valor da velocidade terminal da correção da
em que Cvé a concentração volumétrica de sólidos. A redução no valor da veloci- Eq. (7.58), aqui retomada na forma
dade terminal pode ser acompanhad a pela equação de Einstein,
-•Eu "
VT =--'--
l 2,5Cv
+
(7.56)
Vr.
(1)

ou
O efeito da presença da fase particulada na fluidodinãmica de suspensões é (2)
usualmente expresso por meio de correlação na forma
em que
.!:!_ = J(Re..,,e) (7.57) E= 1 -Cv (3)
Vi,_ Considerando que 0,00184 cm3tcm3 , o valor da fração de vazios, em (3), ser~
sendo U dado pela Eq. (7.32) e o número de Reynolds baseado na velocidade ter- E= 1- 0,00184 = 0,99816 (4)
minal da partícula isolada segundo a Eq. (7.50). A Eq. (7.57) foi analisada por
Como o valor da velocidade terminal da partícula, livre da influência de outras partí-
diversos autores, incluindo o trabalho clássico de Richardson e Zaki ( 1954) para
culas, é vr. = 3,649 crn/s, tem-se na Eq. (2):
partículas esféricas:
U n Vr = (3,649)(0,99816)" (5)
-=E
(7.58) Nota-se a necessidade de conhecer o valor do expoente n, que depende do Re,., o
Vi,_
qual, do Exemplo 7.1, é Re,. = 10,99. Utiliza-se, portanto, a Eq. (7.61), válida para
sendo l< Re., s 500,
n = 3,65 para Re"" < 0,2; (7.59)
n = 4,45Re;l·1 - 1 = (4,45)(10,99)C--O,I) - 1 = 2,502 (6)
n = 4,35Re;;;0·03 - 1 para 0,2 < Re.., s 1,0; (7.60)
Substituindo-se o resultado (6) na Eq. (5), obtém-se o valor da velocidade terminal
n = 4,35Re;;;0•1 - l para l< Reac s 500; (7.61) de uma partícula, considerando-se a população particulada, ou
n = l ,39 para Re., > 500. (7.62) vr = (3,649)(0,99816)<2·502> = 3,632 crn/s (7)
ou os resultados encontrados em Massarani e Santana (1994):
94
U {0,83e3• , 0,5 < E :S 0,9
Re s 0,2; (7.63)
'l>r. 4,8E - 3,8, 0,9 < E :S 1
7.4 Força resistiva
U 1
1 < Re"' s 500; - --- 0,5 < E s 0,95 (7.64) Tendo em vista a comple xidade da Eq. (7.11) em particular para avaliar, com
vT_ l + A Re;;,8 '
precisão, os efeitos Sajfman e Magnus, assim como para contemplar os termos
na qual A = 0,28e-5•96 , B = O, 35 - 0,33e não estacionários da força de arraste, Eq. (7.16) , torna-se possível escrever a equa-
ção do movimento da partícula a partir da Eq. (7.11) como
Re., > 2 x HY; .!:!_ = 0 095ef•29' 0,5 < E :S 0,95 (7.65)
Vr. , 1 mpap = Fcampo + Fempuxo + F resistiva (7.66)
7 - Flu1dodinam1Ca de uma panícula isolada 173
Operações unitárias em sistemas part1culados e fluidomecanicos
172
7.5 Comprim ento da região de aceleração
cujo balanço está representado na Figura (7.5). As forças de campo e de empuxo
estão contempladas nas Eqs. (7.14) e (7.15), respectivamente, enquanto a força O comprimento da região de aceleração refere-se à distância na qual a partí-
resistiva, por intermédio de observações empíricas, apresenta as seguintes carac- cula isolada atinge a sua velocidade terminal. O conhecimento desse comprimento
terísticas (MASSARANI, 1987): é importante, principalmente quando se intenta obter, experimen talmente, o valor
da velocidade terminal. A obtenção do valor do comprimento da região de acelera-
a) a força resistiva exercida pelo fluido sobre a partícula depende das dimensões e
ção advém da análise da Eq. (7.68). Para tanto, admite-se escoamento unidimen-
da forma da partícula; sional a favor da força gravitacional, bem como se considera a definição de área,
b) a força resistiva depende do campo de velocidades do fluido não perturbado em Eq. (7.20), no termo da força resistiva, assim como multiplicando-se e dividindo-se
virtude da presença de outras partículas; este termo por dpf6, e rearranjando o resultado obtido, tem-se
c) a força resistiva é influenciada pela presença de contornos rígidos e pela presen-
ça de outras partículas;
du 3(4 ~
_P = - _p_
&
V )g
V ) pC0 llu-uP ll(u - up)+(P11 -P) ( _p_
~
(7.70)

d) no movimento acelerado da partícula, a força resistiva depende da história da


Tendo em vista que se trata de uma partícula, Pp =mJVp, resulta da Eq. (7. 70)
aceleração da partícula.
Dessa maneira, a força resistiva contempla, de algum modo, as forças de Saf~man duP = - -
_ 3( p)C, llu - u,,
0
( p)
ll(u-up)+ 1 - - g
PP
(7.71)
e Magnus, bem como os efeitos da força de arraste. Na situaç~o em ~ue a part1cula dt 4 Pp
apresenta forma irregular e fora do regime de Stokes, evidencia-se nao haver outra
Conhecend o a definição de velocidade da partícula isolada na forma
alternativa a não ser tratar a força resistiva de modo empírico, procurando gene-
dL
ralizar os resultados clássicos. Dessa maneira, tem-se a seguinte definição para a u ,._ (7.72)
P dt
força resistiva (MASSARANI, 1987):
l
FresislJ\'ll = Ap/CD li U li U (7.67) em que L representa um compartimento característico. Substituindo a Eq. (7.72)
2 na Eq. (7.70), esta é retomada como

u _,,
P dL d
3(4 )e
du = - -p -º- li u - u li (u - u ) +
Pp P p P
(
l- -P)
Pp
g (7.73)

Fe:ampo :
y Se o fluido mantiver-s e em repouso, u = O, a Eq. (7.73) será retomada como

~ P
dup 3 (.!!_) -eo u 2 + ( 1 _ .!!_) g
u --=--
dL P
4 Pp dP Pp
(7.74)

J,, ;,.
ou
F empiuo : F reststiva d
fl dL= ftJr
:
u,, uP (7.75)
o (1 - .!!_)g _~(.!!_)CD u;
Escoamento
O
figura 7 .5 Balanço de forças que contemplam a força resistiva. Pp 4 P,, dP

É importante ressaltar que a partícula (corpo de prova) atingirá a velocidade


A equação do movimento da partícula, quando sujeita ao campo gravitacional, terminal, vr, após percorrer a distância de aceleração, L. O coeficiente de arraste,
C0 , presente na Eq. (7. 75), não é constante, pois depende da velocidade da partí-
g, pode ser retomada segundo
cula que é variável na zona de aceleração (uma vez que, na seção de aceleração, o
mpap = ½Ap{CD II U li U + (Pp - p )vpg (7.68) valor da velocidade da partícula varia desde zero até a velocidade terminal). Isso
implica a variação do C0 a ser considerado no integrando da Eq. (7.75), cuja so-
ou sujeita a outro campo volumar, b, lução dar-se-á por via numérica. Utilizando-se a regra de Simpson para integrá-la,
h
mpap -½Ap/CD li u li u + (Pp - p)vpb (7.69) L = [ 'Al + 4'P(2i+I) + 2'P(2i) + 'Pn ] (7. 76)
3
174 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecânicos 7 - Flurdodinâmica de uma partícula isolada 175

h = vr;n, em que n é o número de intervalos entre v r e V p = O (número par). Na


situação de partículas não esféricas, utiliza-se a Eq. (7.46) para C0 , de modo que a Solução
grandeza <f>i pode ser posta segundo
O procedimento de cálculo para determinar o valor da velocidade terminal, consi-
derando-se o efeito da parede do tubo, é realizado do modo como apresentado nos
(7.77) Exemplos 7.1 e 7.2. A partir dos valores de vr, utiliza-se a Eq. (7.77), lembrando que
o coeficiente de arraste, CD, não é constante. O valor da velocidade terminal de uma
partícula esférica, sem a presença do tubo, será obtido por meio do valor do número
de Reynolds na forma na qual
d Vr.
Exemplo 7.4 Re = __.e__,_ (1)
" V

Propôs-se um experimento no qual se deseja avaliar a velocidade terminal de uma se- Conhece-se o valor do diâmetro da partícula,
mente de gergelim, que apresenta diâmetro igual a 1,07 mm, esfericidade igual a 0,81 dp = 1,07 mm= 0,107 cm (2)
e massa especifica igual a PP = 1,14 g/cm3• Construiu-se um sistema experimental,

r r·r
e o número de Reynolds, para partículas não esféricas, a ser calculado por
conforme ilustra a Figura 1, o qual é constitmdo por um tubo acrllico de 6,0 mm, pos-
2 6 11
to na vertical, cujo topo contém um reservatório no qual é inserido o corpo de prova 2 2
(semente de gergelim). O experimento consiste em liberar o corpo de prova por meio Re., = [( KiC~Re + ( C~~e .2 (3)
de acionamento eletrônico e controlado por uma válvula solenoide. Ao percorrer
uma certa distância, a passagem do corpo de prova por uma determinada seção é de- na qual
tectada por meio de luz refletida utilizando-se uma sonda de fibras ópticas. Deseja-se
conhecer o comprimento da tubulação para que a semente atinja a velocidade termi- K 1 = 0,843 log1 o(-'P-)
0,065 (4)
nal, considerando-se que o tubo contenha ar estagnado a 30 ºC (p = 1,13 x 10-3 g/cm3
e v = 0,17 cm2/s). Compare o valor da velocidade terminal com aquele obtido expe- K2 = 5,31 - 4,88 q, (5)
rimentalmente cujo valor é igual a 2,60 m/s. com tf, = 0,81, no que resultam das Eqs. (4) e (5), respectivamente,
K 1 = 0,9236 e K2 = 1,3572 (6)

,_ _ _ _ _ Corpo
O número de Arquimedes modificado, posto em termos da viscosidade cinemática e
de prova
campo externo sendo o gravitacional, segundo
Válvula
selenoide C R 2 _ 4(PiP-l)gd;
D e., - 3 v2 (7)

Tendo em vista que Pp = l,14g/cm3,dP = 0,107 cm, P= 1,13 x 10-3 g/cm3 e v= 0,17 cm2/s,
assim como o valor da constante da aceleração gravitacional igual a 981 cm/s2, a
L Eq. (4) resulta em

Computador e R 2 4 [(1,1411,13 x 10-3) - 1]c981)co,101)3


D e.,= 3 (O,l 7) = 55.880,07 (8)

que, em conjunto com (6), substituído na Eq. ( 4), leva ao valor do número de
Font e de luz Reynolds,
amplificadores f-i====::=1 -1.2 -06)-1/1,2
Interface ND Sonda de Re _ (0,9236 x 55.880,07) + (55.880,07) · _
fibras óticas
Tubulação de
[ 193 47 (9)
-1----- acrílico " 24 1>3572 ,

O valor da velocidade terminal, sem a presença do tubo, será obtido por intermédio
Figura 1 Experimento da velocidad e terminal. da Eq. (1), aqui retomada como
v Re,. (0,17)(193,47) mi
Vr. = - - = --'--'----'---'--'---=- = 307 38 C S
(10)
• dP 0,107 '
176 Operações unitárias em sistemas part,culados e flu,domecànicos 7 - Flu1dod,nàm1ca de uma partícula ,solada 177

Considerando-se que a tubulação apresenta diâmetro interno igual a 0,6 cm e a par- com
tícula possui diàmetro igual a 0,107 cm, torna-se essencial considerar o efeito da
presença da parede no valor da velocidade terminal, por meio de (22)
Re=~
V

vr = vr~ kp (ll)
Utilizando-se a regra de Simpson para a integração da Eq. (20), considerando nesta
Tendo em vista que o valor do número de Reynolds para a queda livre Re = 193 47 as Eqs. (21) e (22),
utilizar-se-á a Eq. (7.52), ou ' ., ' '
k 10 (23)
P = l + A Re! (1 2)

em que h = "ri,., em que n é o número de intervalos entre Vr e vplz=O (número par), e


A = 8,9le2•79J! (13)
(24)
e
B = 1,17 x 10-3- 0,28ltl (14)
3 3 2 2
para dp = 0,107 cm e D,= 0,60 cm, Comodp =0,107 cm, Pp = l ,14g/cm , p= 1,13 x 10-3gtcm , v= 0,17 cm /s,g =981 cm/s ,
K 1 = 0,9236, K 2 =1,3572, foi realizada uma análise nwnérica para verificar o valor
tl = dP • (O,l07) • O 178 (15) de n , a partir do qual o método empregado converge para o valor constante de l.,, A
D, (0,6) ' Figura 2 apresenta o resultado de tal análise. Existe a convergência do método para
n "' 18, cujo valor do comprimento de aceleração oriundo da Eq. (22), para n = 18, é
Por via de consequencia, as constantes A, Eq. (13), e B , Eq. (14), são obtidas me-
diante a, respectivamente, L = 33,42 cm ' (25)
A =8,91 x exp(2,79 x 0,178] = 14,64 (16)
B = 1,17 x 10-3 - (0,281 x 0,178) = - 0,04885 (17)
33,7
Substituindo os valores encontrados em (9), (16) e (17) na Eq. (11), •
33,65 -
=[1 + (14,64)(1~~,47i-0,Õ4885>] = º•
812 (18)
kP
Jl,6 -
Tendo em vista que Vrw = 307,38 cm/s, pode-se substituir este valor em conjunto com
aquele presente em (18) na Eq. (11), da qual resulta o valor da velocidade terminal Ê
~ 33,55 -
da partícula por ...J

Vr = (307,38)(0,812) = 249,59 cm/s (19) 33,5 -

Nota-se que o valor obtido, vr = 2,5 m/s, é bastante próximo do obtido experimen- •
talmente, que é v r = 2,6 m/s. O comprimento da região de aceleração compreende 33,45 -
• • • • • • •
desde up = 0,0 cm/s até Up = vr = 249,59 cm/s, ou • • •
33,4 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
d
fl dL ª v,.f • up v,, 2 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32

o o (1-...e_)g _!!_(...e_)~u!
Pp 4 Pp dp
(20)
Número de intervalos (n)

Figura 2 Estudo do desempenho da integração utilizando-se a regra de


Simpson.
Tendo em vista que o coeficiente de arraste depende do valor da velocidade da par-
tícula, Eq. (7.79),

C = --
24 )º.85 +Ko,ss ]J/0,85 (21)
o [( K1 Re 2
Operações unitárias em sistemas part1Culados e flu,domecànicos 7 - Ftu,dodin~m,ca de uma partícula ,solada 179
178
SOUZA, w. A:; R~DRIGUES, R. F. ; BRITO, A. B. N.; BARROZO, M. A. S.; ATA.IDE, e. H Movi-
7.6 Bibliografia consultada ment? g.raVJtac1~nal acelerado de esferas em liquido. Anais do X.XVIII e · resso
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7.7 Nomencla tura
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·················· adLmens10nal
Fluidização, p. 83. Las Palmas de Gran Canária, Espanha, 1994. concentração volumétrica.. .....·...·· .·· ·· ····· ······ ·· ···· ·· ···· ····••••........... adimens1onal
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tempo ............... ....................... .
vetor
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de Federal de São Carlos, 1990.
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cidade terminal de sementes utilizando-se sonda de fibras ópticas. Anais do XVIIl
fraçao volumétrica do fluido
Congresso Brasileiro de Engenharia Química - XVJ[[ Cobeq - CD ROM - Foz ··························"····················
esfericidad ········ ········· ... ····· [LI
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Dissertação de Mestrado. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São
li Viscosidade cmemática.........................................................................[L2. r-1
1
p massa especifica ..................... .............................................................. [M . L ..JJ
Paulo, 2006.
Operações unítãrias em sistemas pa11iculados e fluidomec~nicos
180

Subscritos
b força volumar que atua em um elemento de fluido
f fluido
i força qualquer que atua em um elemento de fluido
p partícula;
T velocidade terminal Separação de
IX) velocidade terminal de uma partícula isolada (livre)
particulados por
Números Adimensionais ação gravitacional
número de Reynolds baseado na velocidade relativa e centrífuga
número de Reynolds da partícula
número de Reynolds baseado na velocidade terminal da partícula

8.1 Introdução
A separação de particulados é essencial, além da obtenção do produto de-
sejado, para evitar o desperdício de materiais de alto valor agregado e para o
controle da poluição nos mais diversos ambientes. Existem vários tipos de equi-
pamentos que permitem a separação de partículas, cabendo destacar os sepa-
radores centrífugos (centrífugas, ciclones e hidrociclones) e os gravitacionais
(câmara de poeira e elutriadores). Todos eles guardam um princípio em comum:
a decantação, que se refere à deposição do sólido ou a sua captura, tendo como
base o conhecimento da sua velocidade terminal.

8.2 A trajetória da partícula


O estudo da trajetória de uma partícula, considerada como um corpo rígido, é
particularmente interessante quando se objetiva uma aplicação tecnológica como,
por exemplo, a separação de particulados (por diferença de tamanho, densidade).
Usualmente, para a análise inicial de processos de separação envolvendo particu-
lados, as partículas que compõem tal fase são caracterizadas individualmente por
meio da sua massa específica (Pp), diâmetro (dp) e esfericidade (</>), assim como
o campo. de velocidade do fluido não perturbado pela presença das partículas é
conhecido, e os efeitos de aceleração e de concentração de partículas são despre-
zíveis no comportamento dinârrúco dessas partículas (MASSARANI, 1997). Por via
de consequência, a Eq. (7.69) é retomada como

(8.1)
182 Operações un,tàrias em sistemas pan1Culados e fluidomecánicos 8 - Separação de pan,culados por ação gravitacional e centrifuga 183
em que Ap, a área projetada da partícula; velocidade relativa, U, e a norma da ve- D7a2Elq). (8.d3) tem-se: U z = Up,. e, da definição da norma da velocidade relativa '
locidade relativa, IIUII, advêm das Eqs. (7.20), (7.18) e (7.21), respectivamente. Eq. ( . , po e-se escrever
O conhecimento da trajetória de uma partfcula nos campos gravitacional e cen- 2
Up) + (O - UPu)2] =uPv
112
trífugo (o termo b na Eq. 8.1) bem como o conhecimento da força resistiva que atua li UII =[(U.,: - (8.4)
nessa partícula pemtitem lançar as bases para o projeto e análise do desempenh o _ Subs_tituindo a Eq. (8.4) na Eq. (8.3) assim como considerando nesta as defini-
de alguns equipamentos de separação sólido-fluido. Nesse sentido, têm-se vários çoes de ~olume, Eq. (7.13), e de área, Eq. (7.20), tem-se
tipos de separação, cabendo citar a elutriação, a câmara de poeira e os separadore s
12
centrífugos, os quais se fundament am na decantação das partículas presentes em u = [~(Pp -1)dpgJ
um determinad o fluido, permitindo a sua separação por meio da diferença de tama- P, 4 p CD (8.5)
nho, massa específica ou de ambas as grandezas.
. A Eq. ~8.5) refere-se à velocidade terminal da partícula isolada v A .
siderar regune de Stokes, Eq. (7.23), a Eq. (8.5) é retomada como ' T· o se con

8.3 Separação de partículas sujeitas ao campo gravitacional


(8.6)
Admita a situação na qual se intenta obter o valor do diâmetro de uma partícula
assinalada na Figura 8.1, que está sujeita à força gravitacional (b = g) representa da
Na situação de partículas não esféricas
por uma fenda retangular com dimensões B, H e L, em que H « B, significando a
hipótese de se considerar escoament o entre placas paralelas, desconsiderando, por
outro lado, o efeito da aceleração da partícula.
(8.7)
sendo (MASSARANI, 1997)

K1 = 0,843 log1o (-</!-)


0,065 (8.8)

Retomando-se a Figura 8.1 e pela composição do movimento da partícula,


h L
-=-
VT Üh (8.9)
Gás/partículas ou
hü,.
Figura 8.1 Fluidodinâmica da partícula na câmara de seção retangular i,.=- (8.10)
(TANNOUS e ROCHA, 2011).
L

_ A ~tuação mais desfavorável ~ara a captura da partícula corresponde à osi-


A equação do movimento da partícula advém da Eq. (8.1) nas direções x e y, ~ao h - H_ (espessura de separaçao da cãmara). O diâmetro crítico da partí~ula
pc, _especifica as_:ondiçõ es limites de separabilid ade no equipamen to em
análise'.
tais como segue:
~articulas com dtametro m~i~r do que dpc são coletadas com eficiência de 100% ·
Componente na direção x ~dependen temente da pos1çao em que são alimentada s na câmara de separação A
q. (8.9) é retomada de acordo com ·
O= ½A,,pC'0 li U li (u:,: - u 11,) + O (8.2)
H L
Componente na direção y (8.11)

(8.3) ~m que u é a velocidade média do fluido. A Eq. (8.11) refere-se à equa ão de ro


Jeto para a separação de partículas na fenda de seção retangular. ç P ·
Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomec.'.lnicos
8 - Separação de particulados por ação grav1tac1onat e centrifuga 185
184
8.3.2 Câmara de poeira
8.3.1 Elutriação
A operação de separação mecânica que ocorre em uma câmara de poeira ba-
A elutriação refere-se à operação de separaçã~ baseada na diferença entre a
seia-se na diferença entre o tempo de permanência de urna determinada partícula,
l ·ct d média do fluido u e a velocidade temunal da partícula, vr. Conforme
presente em uma corrente gasosa, e o seu temp o de queda em uma determinada
~~:t~~:o ~a Figura 8.2, tirr:a ~mostra de partículas é aliment~da pert_o do to?o da
coluna de separação. Esse tempo de permanência refere-se ao tempo de trânsito
rimeira coluna, de diâmetro Di, enquanto o fluido (água, na ilustraçao) é alimen-
que essa partícula necessita para atravessar tal coluna, como representado na Fi-
fado com vazão volumétrica Q perto da base dessa mesma coluna. gura 8.3.

Alimentação
Partículas

~ finas e leves
Gás-partículas-
>

Sólidos de vários
tamanhos

partículas
grossas inte rmediárias
Água (Ql
Figura 8.3 Re presentação d e u ma câma ra d e poe ira e m dois est ágios.

A mistura gás-partículas é alimentada no primeiro estágio. Na medida em que


tal mistura dirige-se à saída do equipamento, as partículas maiores ou de maior
massa específica depositam-se na base de cada câmara. As partículas mais finas
Partículas Partículas ou de menor massa específica dirigem-se à saída do equipamento, em mistura com
grandes e pesadas intermediárias o fluido de trabalho, à semelhança da operação de elutriação. O tempo de queda
Figura 8 .2 Sistema de elutria ção co m duas colunas (TANNOUS e ROCHA, 2011). está diretamente associado à velocidade terminal da partícula, que é obtida da Eq.
(8.6), de forma associá-lo à captura da particula por meio de

. - > as artículas de diâmetro ou massa especifica me-


N_a s1tuaçao em que ~~av:~va ~oluna de diâmetro D2, enquanto as partícul~s (8.13)
nor sao carreadas para ·- ro ou massa especifica do que aquelas carreadas sao

;~~~1::,~~;:; ~~.Ét~::i:1nr~:.;i~:1::1!1i:~:;;;~;
nesta, em v - t te Q depende do diâmetro da coluna de elutnaçao e,
a qual para vazao cons an ' A l A im
Já o tempo de permanência relaciona-se ao t rajeto da partícula através da dis-
tância L r epresentada na Figura 8.3 segundo

tper.
L
=-
U (8.14)
or vi~ de consequência, da área da seção tr_~nsversal, rea, dessa co una. ss '
P a Eq (8 6) em termos do d1ametro de Stokes, ou
pode-se retornar • ·
Dessa maneira, quando tper. > tquecta (o que significa ser a velocidade de a rraste
r 18µQ I/2 (8.12) do fluido menor do que a velocidade terminal da partícu1a), a partícula ficará retida
l
ds, = (Pp - p)g Área na câmara de poeira. Entretanto, na situação em que tper. < tqueda (velocidade de
arraste do fluido maior do que a velocidade terminal da partfcula), a partícula será
arrastada pelo gás à próxima câmara (Figura 8.3). Ressalte-se que a condição mais
188 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecânicos 8 - Separação de part1culados por ação gravitacional e centrífuga 189

e, da Eq. (7.48), Tabela 1 Resultados referentes ao Exemplo 8.1


13 L Vr
24 )1,3"? ( K2 )l,3r • (5)
Câmara
(cm) (cm/s) CrfRer Rer <Li,
(cm)
<Li,
(,Lm)
Faixa
(,Lm)
Rei, = [( K1 (Co!Rer) + Co!Rer
Equação (10) (9) (5) (11)
com, para q, = 0,75, 150 38,889 10,698 1,642 73,87 X 10-1 73,87 > 73,87
2 300 L9,444 85,585 0,565 50,85 X 10-1 50,85 -73,87+50,85
Kt = 0,843 log 10 (rp/0,065) = 0,843 log 10 (0,75/0,065) = 0,895 (6)
3 450 12,963 288,849 0,306 41,30 X 10-1 41,30 -50,85+41,30
e

K2 = 5,31- 4,88q, = 5,31 - (4,88)(0,75) = 1,650 (7)

O termo CofRe, presente na Eq. (5), para U =vre b =g na Eq. (7.42), é 8.4 Separação de partículas sujeitas ao campo centrífugo
Um problema que costuma aparecer, neste caso, é aquele em que se deseja
(8) determinar o tempo gasto para que uma partícula se desloque, em um campo cen-
trífugo, da posiçào radial r até a parede do equipamento de separação (Figura 8.4).

Conhecendo-se Pp = 3,0 g/cm3 ; p = 1,091 kg/m3 ; v = 1,75 x 10-5 m2/s = 0,175 cm2/s,
assim como o valor da constante da aceleração gravitacional igual a 981 cm/s2, a
Eq. (4) resulta em

e IR = 4 (3,0/l,091 x 10-3 -1)(0,175)(981) 6,292 X la5


D ~ 3 if t?, (9)

Observa-se que B = 4 m = 400 cm, e Q = 140 m3/min = 2,333 x 106 cm3/s. Levando
tais valores na Eq. (3), tem-se

2,333 X 106 5,833 X 10-J


VT = 400L (10)
L

A distância percorrida pela fase particulada na primeira câmara é igual a Figura 8.4 Partícula submetida a um campo centrifugo.
L = 1,5 m = 150 cm; enquanto na segunda câmara é de L = 300 cm; e na terceira
câmara é L = 450 cm. Assim, para cada distância L, haverá um valor para a velocida-
de terminal da partícula, a partir da Eq. (10). Obtido esse valor, utiliza-o na Eq. (9) Para a situação representada nessa figura, os componentes da velocidade do
para calcular o valor, para cada L, da constante CofRer, cujo resultado, em conjunto fluido são:
com aqueles advindos de (6) e (7), é utilizado na Eq. (5) para a obtenção do valor
do número de Reynolds, Rer, permitindo obter o valor do diâmetro da partícula por e o campo centrífugo,
meio da Eq. (4), aqui retomada como u2
b , br = --11..
2 e b8 = O.
(11)
Ao desprezar a aceleração da partícula tem-se, da Eq. (8.1), para o componen-
te na direção 8 (lembre-se: u 8 = rN e b8 = O)
A Tabela 1 apresenta os resultados obtidos, incluindo a distribuição granulométrica
das partículas retidas em cada câmara.
(8.20)

--- c. l. _ ------------------------------·
190 Operações unitárias em sistemas part,culados e flu,domecan,cos 8 - Separação de part,culados por ação gravitacional e centrífuga 191

no que resulta permanência ou de trânsito da partícula de R 0 a R é obtido por meio da Eq. (8.14) ,
a qual, considerando-se a Figura 8.5, é
u 8 =Ur, 6 = rN (8.21)

Componente na direção r (lembre-se: Ur = O e br = u~lr) (8.26)

(8.22)

Tendo em vista que u 8 = rN, obtém-se da Eq. (8.22), considerando nela as


Eqs. (7.13) e (7.20); em outras palavras: admitindo-a esférica, bem como admitin-
do como válido o regime de Stokes, Eq. (7.22), tem-se
L

(8.23) )
ou para partículas não esféricas,
íluido
u.
..._____.
l
2

-
R
(8.24)
Figura 8.5 Representação de uma câmara de poeira em três estágios (MASSARANí, 1997).
sendo K1 obtido da Eq. (8.8). As Eqs. (8.23) e (8.24) fornecem o valor da veloci-
dade terminal da partícula no campo centrüugo, considerando o regime de Stokes.
Sabendo que Up, = dr/dt, torna-se possível obter o valor do tempo gasto para uma Haverá, por outro lado, um tempo de captura à semelhança do tempo de que-
partícula deslocar-se da posição radial r até a parede do equipamento de raio R por da, que se refere ao valor do tempo gasto para uma partícula se deslocar, no campo
meio da integração da Eq. (8.23), ou centrífugo considerado, da posição radial R 0 até a parede do equipamento de raio
R, ou seja, o tempo definido pela Eq. (8.26), considerando-se nesta r = R0 • Desse
modo, as partículas são coletadas totalmente desde que os tempos estabelecidos
(8.25) pelas Eqs. (8.25) e (8.26) venham a ser iguais,

(8.27)

ou, explicitando a vazão de líquido,


8.4.1 Centrifuga ç~o e especificação de centrífuga s
A centrifugação pode ser entendida como uma operação de separação mecâni-
(8.28)
ca que permite acelerar o fenômeno de decantação por meio da imposição do movi-
mento de rotação em uma suspensão liquido-partículas. Na centrífuga, equipamen-
to no qual ocorre a centrifugação, a força centrüuga faz com que as partículas se . Multiplicando e dividindo a Eq. (8.28) pela constante gravitacional e rearran-
afastem radialmente do eixo da rotação. A centrifugação tem por base a separação Jando o resultado, tem-se
de partículas por d.üerença de tamanho, de massa especffica ou de ambos. Seja
qual for a classe de centrifugação, a trajetória da partícula assinalada no esquema
da centrüuga tubular, Figura 8.5, possibilita especificar o valor do diâmetro das (8.29)
partículas que são capturadas na parede do equipamento. Nesse caso, o tempo de
192 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecânicos 8 - Separação de particulados por ação grav1tac1onal e centrífuga
193

Esse resultado mostra que a capacidade da centrífuga, Q, po?e ser expressa


pelo produto de dois termos, um que caracteriza o sistema part1culado (a_velo- Assim, para g = 981 cm/s2, torna-se possível calcular o fator sigma ! para as centrí-
cidade terminal da partícula no campo gravitacional) e outro, a configuraçao, as fugas l e 2, respectivamente, por meio de
dimensões e rotação da centrífuga na forma
• [(20)(300)2(2,52 - l ,a2)1 = 10.513,069 cm2
1:i (98l)fn(2,5/l,0) (3)
Q =Vr L (8.30)

ou seja, 0 fator sigma r. A Eq. (8.30) constitui a base para a especificação_ da cen- .r 2 = [(50)(200)2(7, 52 - 5,a2)1=157. 129425 cm2
trífuga para uma dada tarefa, conhecendo o desempenho de uma_ centrífuga de (98l)in(7,5/5,0) ' (4)
laboratório, ambas do mesmo tipo, operando com a mesma suspensao.
Tendo em vista que Q 1= 30 litro/h, tem-se na Eq. (1), considerando-se nela os resul-
tados (3) e ( 4)
(8.31)
Q
2 1
c
= Q 1:2 3o) (157.129,425) = 448 383 e!h
.ri 10.513,069 ' (5)

Exemplo 8.2
Foi conduzido em um laboratório um ensaio de separa?ão de ~eved~as de urna sus~ 8.5 Separadores centrífugos: ciclones e hidrociclones
ensão aquosa em urna centrífuga tubular com as seguintes dirnensoes: _Ro= 1,0 cm,
~ = 2,5 cm e L = 20 cm; N = 18.000 rpm; vazão da suspensão _que pemut~ obter um 8.5.1 Características geométricas e fluidodinâmicas em ciclones e
clarificado satisfatório = 30 litros/h. De posse dessas informaçoes, d:ternune a capa-
cidade de urna centrífuga industrial que opera com a mesma suspensao a 12.000 rpm. hidrociclones
Suas dimensões são R 0 = 5,0 cm; R = 7,5 cm e L = 50 cm.
Ciclone e hidrociclone são equipamentos normalmente destinados à separação
de particulados presentes em uma corrente gasosa, no caso de ciclones, ou conti-
Solução dos em uma corrente líquida (hidrociclones). Tais equipamentos apresentam-se na
sua forma clássica uma construção cone-cilíndrico. Esses dispositivos, sem peças
Trata-se da aplicação da relação móveis, constituem-se de uma entrada lateral e d uas saídas orientadas no eixo cen-
( 1) tral do equipamento. Uma saída de partículas, então separadas da corrente fluida,
situa-se à base do aparato e que dá acesso a um coletor de sólidos. Outra saída
com:

! i= [
LN2(fi-
gtn(R!Ro)
-~)1 (2)
para partículas e fluido, disposta no topo do equipamento, permite a descarga da
corrente fluida com concentração de particulados finos para um filtro. A Figura 8.6
ilustra as características geométricas básicas de um ciclone com diversos tipos de
entrada.
A Tabela 1 apresenta as informações coletadas do enunciado para as duas centrí-
fugas. Face à sua característica construtiva e à maneira como a corrente fluida com
partículas entra no ciclone (ou hidrociclone), ele é classificado como um separador
tipo centrífugo. Além da forma da entrada, essa denominação advém também da
Tabela 1 Características das centrífugas fluidodinãmica no seu interior. Na entrada do (hidro)cicJone a mistura fluido-par-
Ntrps) R· (cm) . . · 'Ro (cm) tículas adquire movimento em espiral, que se estende até a base do equipamento
Gentófuga L,Çcm)
(underfiow). As partículas, em virtude da ação da força centrífuga, oriunda do
1 20 300 2,5 1,0 escoamento da fase fluida, deslocam-se na direção da parede do (hidro)ciclone.
2 50 200 5,0 7,5 Esta, por sua vez, age na direção radial, impondo movimento circular às partículas.
A fase particulada escoa encostada na parede em direção ao coletor de sólidos. No
seu percurso, as partículas descrevem trajetória helicoidal sob a ação do arraste,
fluidomec~nicos e centrífuga
194 Operações unitárias em sistemas particulados e 8 - Separação de particulados por aç.lo gravita
cional 195

amento. A fase fluida ascende em uescarga ao gas1


da gravidade e do atrito com as paredes do equip partículas finas
até o duto de saída do fluido (over -
movimento espiral, circundando o eixo central

' "'0~~
ito há pouco para um ciclone Entrada da mistura
flow) . A Figura 8.7 ilustr a o comportam ento
descr
característico.

~
b

Escoamento

.f D : ........:
s
descen dente

Partícu las

H
Coleto r
de sólidos
Com contração

ASCO, 1994)
Figur a 8.7 Escoa mento em um ciclon e (CREM

··•.........
·........
•,
ASCO, 1994). ·•.
Figur a 8.6 Caract erísticas básicas do ciclon e (CREM ·•.
·····.....uo = klr'

de velocidade nas direções


O escoamento em espiral apres enta componentes ···.................··•.....•······-.
forma comu m de identificar regiões de
tangencial, v 6; axial, Vz; radial, Vr· Uma
meio da análise da comp onen te
escoamento no interior do (hidro)ciclone é por
o escoamento em duas regiões,
tangencial de velocidade . Nesse caso, divide-se
central situada, aproximadamen-
conforme ilustra a Figura 8.8. Existe uma região
o radial da comp onen te tangencial
te, entre O< r < 0,4D. Nessa região, a distribuiçã
da da descr ição da rotaç ão de um corpo rígido
de velocidade é análoga àquela advin
(CREMASCO e NEBRA, 1992):
(8.32)
kr u6= o Ro
Raio (rl -
radial da comp onent e tangen cial de velo •d d
Figura 8.8 Regiõ es defini das pela variaç ão
ASCO, 1994). CI a e
((REM
196 Operações unitárias ern sistemas part,culados e fluidomecãnicos 8 - Separação de part,culados por ação grav,tacionaí e centrifuga 197
Existe uma região anular situada entre a região central e a periferia ciclônica.
Nesta, a descrição do escoamento, para a componente tangencial de velocidade,
~egue o tipo vorticial na forma

(8.33) h,

sendo k um parâmetro cinemático que depende das dimensões do bocal de entra- D D ........:.L
da, bem como da velocidade de entrada do fluido no (hidro)ciclone. O valor apro-
ximado de k é Ql(ab), em que Q é a vazão volumétrica do fluido na entrada do H f{
equipamento, e (ab), a área da seção de entrada no caso do ciclone e ab = nD~4
para o hidrociclone. O índice de vórtice, n, indica o distanciamento do compor-
tamento de vórtice livre, que correponderia a n = l na Eq. (8.33). Shepperd
e Lapple (1939) observaram uma faixa de valor para o índice de vórtice de
0,5 < n < 0,8.

(a) (b)
8.5.2 Separação de particulados em ciclones e hidrociclones
Ciclone Lapple Stairmand Hidrociclone Rietema Bradley
A separação de partículas no interior do ciclone ou do hidrociclone é efetua- b!D 0,25 0,20 DJD 0,28 1/7
da por ação do campo centrífugo resultante da configuração do equipamento e do D.JD 0,50 0,50 DJD 0,34 1/5
modo com que a suspensão o alimenta. Tais configurações para os ciclones dos aJD 0,50 0,50 h!D lf2
tipos Lapple e Stairmand estão ilustradas na Figura 8.9a, enquanto as configu- h!D 2,00 1,50 H!D 5,00
rações dos hidrociclones dos tipos Rietema e Bradley estão ilustradas na Figura HID 4,00 4,00 S!D 0,40 113
SID 0,62 0,50
8.9b. Ressalte-se que a configuração do ciclone ou do hidrociclone caracteriza-se BID 0,10-0,30 0,07 - 0,15
BID 0,25 0,35 8 10º - 20°
por uma relação específica entre suas dimensões, expressa usualmente em ter- 9º
mos da parte cilíndrica do equipamento, D. O projeto e análise do desempenho Figura 8.9 (a} Configuração dos ciclones; (b) Configu ração dos hidrociclones.
do equipamento de separação fluido-partículas , incluindo a elutriação, câmara de
poeira, podem ser realizados embasados nas seguintes informações (MASSARA- c) função.eficiência global de coleta que depende da distribuição granulométrica
NI, 1997): do conJunto de partículas, X= X(DJ,
a) equação que relaciona o diâmetro de corte D* às propriedades físicas do siste-
ma particulado, às dimensões do equipamento e às condições operacionais. O
diâmetro de corte é um diâmetro crítico de separação. Partículas com diâme-
77 = { ry( i~ )dX (8.35)
tros superiores ao de corte (dp > D*) são coletadas no imderf/,ow, enquanto
partículas com diâmetros inferiores ao de corte (dp < D*) são arrastadas para d) e~uação pa_ra a pot~ncia na qual se estabelece a relação entre a queda de pres-
o overflow; sao e a vazao do flwdo no equipamento de separação.
b) função eficiência individual de coleta relativa à partícula com diâmetro Di; O diâmet~? de corte, D*, pode ser especificado de diferentes formas como, por
exe~plo, o d1ametro das_ partículas. que são coletadas com eficiência de 50% no
eqwpamento de ~eparaçao. Além disso, é possível obter O seu valor por meio do
(8.34) emprego da segwnte correlação (MASSARANI, 1997):

que depende da configuração do equipamento, do regime de escoamento do


fluido e da dinâmica da partícula. (8.36)
e centrifuga 199
flu1domec.1nicos 8 - Separação de part1culados por ação gravitacional
198 Operações unitárias em sistemas part1culados e
)ciclones e condições operacionais
Tabela 8.1 Parâmetros de configuração dos (hiclro
amento; K, um parâmetro que
em que D é o diâm etro da parte ciHndrica do equip recomendadas
a viscosidade dinâm ica e a vazão
depe nde da familia do (hidro)ciclone; 7J. e Q são ç V' u• ou Re-
to; a(RL ) é um fator de corre ção Configuração K cp k1
volumétrica de fluido que alime nta o equipamen
ulas ser colet ada no under:fl,ow sem
que considera o fato de uma fração das partíc Lapple 0,095 315 5 < u < 20 m/s
a ação do camp o centrífugo,
Stainnand 0,041 400 10 < u < 30 m/s
(8.37)
Rietema 0,039 1,73 145 4,75 1.200 5 x 103 < Re < 5 x l 04
s de fluido no unde rflow (saíd a 3 x 103 < Re < 2 x 104
e que está relacionado ao quoc iente entre as vazõe Bradley 0,016 1,73 55,3 2,63 7.500
B) e na alimentação, RL· entrada do ciclone, u = Qlab.
:.u é a velocidade média do fluido na seção de
Re = u,!)h•2 , em que Uc é a velocidade média do fluido na seção cilindrica do ciclone
'
(8.38) u, = 4QJrrD .

étrica de sólidos na alimenta-


Já o fator {3(Cv) consi dera a conce ntraç ão volum po cent rífug o
ção. Para partículas arred onda das este fator pode ser expre sso por meio da seguin- 8.5.3 Eficiência indiv idua l de coleta no cam
ula com diâm etro D1 pode ser
te correlação (MASSARANI, 1997) A eficiência individual de colet a relativa à partíc
empí ricas (MAS SARA i\J'l, 1997 ).
expressa por correlações
fJ(C11 ) ~
1
r
12 (8.39) Ciclo nes Lapp le e Stair man d
[ 4,8(1 - Cu)2 -3,8 (1- C0 )
(8.41 )
nal de sólidos, obtid a da Eq. (7.52 )
sendo Cva conce ntraç ão volumétrica adimensio
ou, em termos de vazão volumétrica, a parti r de

Hidro ciclo nes Riete ma e Brad ley


e =_3 _ (8.40 )
V Q p +Q
exp(5D /D•) -1
( ID• ) =
r,D ' (8.42 )
alime nta o equip amen to. exp(5 D/D* )+14 6
em que QP é a vazão volumétrica de sólidos que '
guração do equip amen to, B e
Os parâm etros cp, ;, e 1J1 estão associados à confi Conhecida a distribuição granu lomé trica das partíc
ulas, X ,= X ,(Di), pode -se
rflow e da parte cilindrica do equipa-
D, respe ctiva ment e, os diâm etros do unde estab elece r o valor da eficiência de colet a no camp o centr ífugo,
mento.
as do que os hidrociclon es e
Os ciclon es operam com suspe nsões mais diluíd 1 = f TJdX
(8.43)
modo inter miten te a parti r do bar-
frequ entem ente a descarga de sólido é feita de o
tais razões, consi dera-se, nos ci-
ril acoplado ao unde rfiow do equipamento. Por
de modo significativo o valor do
clone s, que tanto Cv quan to RL não influenciem e a eficiência global alcan çada no (hidro)ciclone,
diâm etro de corte, Eq. (8.36), ou seja a = /3
= 1. Os valores dos parâmetros de
la (8.1), cuja validade está restri ta
configuração <p, t 1JI e K estão reuni dos na Tabe (8.44 )
s na própr ia tabel a (MASSARANI, 1997).
às condições operacionais assinalada
s de fluido no unde rflow e na ali-
lembrando que Rl é o quoc iente entre as vazõe
mentação.
200 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomec~n1cos 8 - Separação de particulados por ação gravitacional e centrífuga 201

A integração da Eq. (8.43) para uma distribuição granulométrica representada A diferença de pressão apresentada na Eq. (8.49) é obtida, experimentalmen-
pelo modelo de Rosin-Rammlet-Bennet (modelo RRB), Eq. (6.27), aqui retomada te, entre o overflow e a alimentação. O valor de k1 depende da configuração do
como equipamento, conforme pode ser observado na Tabela 8.1. É importante ressaltar
que, ao se conhecer a capacidade do equipamento em termos da sua vazão volu-
Xi = 1 - exp[-(DJD')"] (8.45) métrica Q, bem como o valor da diferença b.p resultado da fiuidodinâmica no equi-
pamento; e do rendimento global da instalação do soprador, 17, é possível calcular
toma a seguinte forma: o valor da potência, em virtude da presença do ciclone ou hidrociclone mediante a
aplicação da Eq. (4.17), ou
Ciclones Lapple e Stairmand

l,lln (8.50)
I= 0,118+n D'
(8.46)
1,81- 0,322n + (D' !D*) D*
Influência da concentração de partículas na queda de pressão em
Hidrociclones Rietema e Bradley ciclones
1,13n
A presença de particulados reduz a diferença de pressão. Esse efeito está dire-
tamente associado à diminuição do valor da componente tangencial de velocidade
I= 0,138+n D' (8.47) do gás, conforme ilustra a Figura 8.10.
1,44 - 0,279n + (D' /D*) D*

Ressalte-se que na Eq. (8.45) Xt é a fração acumulada em massa das partículas


com diâmetro menor que Di; D' e n são parâmetros do modelo RRB, respectiva- l8 m/s
40 Ar puro o
mente, em que D' é o diâmetro da partícula que corresponde a Xi= 0,632. Arcom o 2 1,0
partículas □ 1 1,3
X 39,0

30 V 67,1
8.5.4 Queda de pressão em equipamentos ciclônicos
Quando se trabalha com equipamentos ciclônicos, as perdas de energia estão, Parede
normalmente, associadas a: (a) configurações de entrada e de saída do equipa-
mento; (b) existência ou não devolutas no interior do equipamento; (c) perdas de
energia cinética, principalmente aquelas resultantes da componente tangencial da
velocidade; (d) efeito da concentração de sólidos. Assim como em outros sistemas
fluidodinâmicos (Capítulo 2), haverá, tanto para ciclones quanto para hidrociclo-
nes, a proporcionalidade entre b.p!p e u 2/2, como sendo linear, possibilitando es- 10

crever uma re1ação à semelhança da Eq. (2.61), aqui retomada na forma de perda
de energia como
t::,. u2 o
_E_= kº __f_ (8.48) o 50 r(mm) 100 150
p f 2
Figura 8.10 Inf luência da presença d e sólidos na d istribuição radial da componente
t angencial de velocidade do gás (YUU et ai. 1979).
em que
Q
u =-- (8.49) A redução no valor da componente tangencial da velocidade do gás pode ser,
e lT.IJ- basicamente, devida a:
8 - Separação de pamculados por ação grav1ta
c1onal e centrífuga 203
flu1domec<1nicos
202 Operações unitárias em sistemas particulados e
de partículas e de fluido, respe cti-
trajetória no seio da corre nte em que m,, e 'mj referem-se às vazões mássicas
a) inércia das partículas. As partículas, duran te a sua vamente.
das adjac entes de gás, dimi-
gasosa, têm ação equalizadora do momento de cama ira, pode ser expre ssa segun do
mtindo assim o valor da comp onen te tange ncial de veloc idade da fase fluida; A reduç ão na düere nça de press ão, dessa mane
Brigg s (1946 ) na forma :
a corre lação propo sta por
ra gás-p artícu las com a pared e do
b) aume nto do atrito entre a corre nte da mistu
ciclone, em virtu de de nela depo sitare m-se os sólidos. O efeito viscoso resul-
ô.pD = l
adjac entes da mistu ra, acarr etand o a diminuição (8.55 )
tante esten de-se às cama das ó.p l+ p~
da fase fluida;
do valor da comp onen te tangencial de velocidade
, pois, na depe ndên cia da distribui- most ra alguns valor es de p e q pro-
c) composição entre os dois efeitos anter iores em que tlp é_obtido da Eq. (8.48 ). A Tabela 8.2
seio da corre nte gasos a quan to
ção granu lomé trica, haver á part!c ulas tanto no postos por diversos autor es.
regam pela pared e do ciclo ne em
junto à pared e e essas , já separ adas, escor
movimento espiral.
de pressã o (CREMASCO, 1994)
ncial de veloc idade do fluido pode Tabe la 8.2 Influência de particulados na queda
A reduç ão do valor da comp onen te tange
(8.33 ), a qual se dá, neste caso, por Autores p q
ser acom panh ada medi ante a inspe ção da Eq.
nte. Esta reduç ão, por sua vez, acarr eta
diminuição do parâm etro "n" nela prese 0,0086 0,50
ão no equip amen to. Para explici- Briggs (1946)
imed iatam ente a reduç ão da düere nça de press
hipót eses (BRADLEY, 1965; CRE-
tar esta difere nça, pode -se aven tar as segui ntes Casal (1988) 0,675 0,14
onen tes axial e radial de velocidade
'NLI\SCO e NEBRA, 1992): os valores das comp
ação do camp o centr ífugo maio r do Comas (1991) 0,023 0,69.
desprezíveis face à comp onen te tangencial;
resist iva na direç ão radia l não é significativo.
que o gravitacional; o efeito da força Massarani e Scheid (1992) 0,284(plpp)º·831 0,831
onen te radial, advin da da equação
Em assim sendo , a variação de press ão, na comp
do movimento da fase fluida, é escrit a como
dp
-=p -
u! (8.51)
dr r
pam ento s ciclônicos
rando , ao longo do raio, o resul - 8.5.5 Sistemas em série e em para lelo de equi
Subs tituin do a Eq. (8.34) na Eq. (8.52) e integ
rica do ciclon e, obtém -se (CREMASCO e
tado entre a região anula r da parte cilínd Siste ma em série
NEBRA, 1992 ) e) pode m ser opera dos em
. Os ~quipamen tos cic!õnicos_ (ciclo ne e hidrociclon
tados suces sivam ente em linha
(8.52) séne, Figur a 8.11, ou seJa, eqwp amen tos conec
do primeiro estág io de 'separ ação'.
com a -~ali dade de separ ar os finos oriun dos
de energ ia (de press ão) igual à
Os estág ios opera m à mesm a vazão, sendo a perda
conc entra ção mássica adim ensio nal
sendo k = Ql(a x b) e n = n (CM), sendo e.~, a soma das perda s desenvolvidas pelos estág ios.
das partículas, advin da de Q, tem-se
Para urna deter mina da capac idade de operação,
(8.53) (8.56)

ula e de fluido , respe ctiva ment e. A a em série será, a parti r da


em que m e m1 refer em-s e à mass a de partíc Dessa maneira, a potên cia assoc iada ao sistem
ém pode ser obtid a a parti r do conh eci- Eq. (8.50 )
conce ntraç ão mássica adimensional tamb
fluida e partic ulada na forma
ment o das vazões mássicas das fases
(8.57)
(8.54)

I .
204 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecânicos 8 - Separação de particulados por ação gravitacional e centrifuga 205
Partículas Partículas Trazendo a Eq. (8.50) para a Eq. (8.62) ,
--
finas

Q,
--finas

(8.63)
Q
fluido-particulas
intermediárias 1 --
fluido-
partículas
=----
Tendo em vista que os equipamentos que compõem o sistema são iguais em
dimensões e características, que se trabalha na mesma vazão, verifica-se, por ins-

--
Q

fluido-
partículas
Ql
fluido-
partículas
Partículas
finas
peção da Eq. (8.49), que (lembrando que k1 é constante!)

(8.64)
Partículas Partículas
g rossas grossas
bem como o rendimento do soprador, na situação em que se operar com ciclones,
Figura 8.11 Sistema em série. Figura 8.12 Sistema em p aralelo. ou da bomba, o caso de hidrociclones, é o mesmo, ou seja

T/ = T/1 = T/2 = ··· (8.65)


Sistema em paralelo
Substituindo-se as igualdades (8.64) e (8.65) na Eq. (8.63),
A adição de dois ou mais equipamentos em paralelo, Figura 8.12, é útil em
sistemas em que se opera com capacidades elevadas de particulados, objetivando
o aumento da eficiência de coleta, decorrente do aumento de velocidade de ali- (8.66)
mentação em cada equipamento, os quais devem fornecer perdas de energia iguais,
desde que tenham a mesma configuração e tamanho. A característica do sistema
representado na Figura 8.12 é resulta em, após identificar na Eq. (8.59) a Eq. (8.66),

(8.58)
ou para n equipamentos (8.67)
n
Qparalelo = ~ Qi (8.59) ou, a partir da Eq. (8.60)
t-1

Desde que os equipamentos apresentem as mesmas dimensões, W q(t p)I


paralelo =n 'Y/ (8.68)
Qparalelo = nQ, (8.60)
no que decorre que o número de equipamentos que compõem o sistema será É importante mencionar que a potência explícita na Eq. (8.68) contempla, tão
Q somente, o conjunto de n componentes; não está prevista a perda de carga devido
n=- (8.61) a acessórios para a interconexão entre os equipamentos, tais como válvulas, tubu-
q lações e outros acidentes.
No caso da potência total do soprador ou bomba ao sistema em paralelo, tem-se
a potência associada a cada equipamento centrífugo na forma

Wparalelo = ~ + Wí (8.62)
206 Operações unitárias em sistemas part1culados e flu1domecànicos 8 - Separação de part1culados por ação gravitacional e centrífuga 207

Exemp lo 8.3 Em que

Deseja-s e avaliar o desempe nho de dois ciclones em paralelo, ambos 3


do tipo 1,11 n
igual a 0,14 m para operar com vazão total de 90 m /h com - I 0,118 +n D'
Lapple de diâmetro (7)
massa 17
ar (p = 1,026 x 10--3 g/cm e v = 0,196 cm2!s), carregad o com partícula s de
3
ª ª 1,81 - 0,322n + (D' /D*) D*
3
vazão mássica igual a 40 g/s. Obtenha os valores da efi-
específica igual a 2,43 g/cm e
to igual
ciência global de coleta e da potência do soprador (que apresent a rendimen para
ação
a 50%), consider ando a correção de Comas (1991) para a influência da concentr
dos na perda de carga no ciclone, sabendo que a distribuiç ão granulom é- (8)
de particula
trica do particula do que alimenta o sistema segue o modelo RRB segundo

X;al-exp[-(~rl D, emµm
de onde se verifica
n = 2,5 (9)

D'= 70µm (10)


ando
Solução O diâmetro de corte, D*, presente na Eq. (7), é calculado por - consider
ilustra a a.(RtJ = 1, tendo em vista que RL = O (veja a Eq. (8.36) - ,
O presente exemplo trata de um sistema de ciclones em paralelo, conforme
1
Figura 8.12, em que D* [ vD ] 12
(1) (11)
Qparalelo = Q1 + Q2 = 90 m3!h o•K Q(pplp -1) ,B(Cv)
da coluna
Tendo em vista que os ciclones são do mesmo tipo e apresent am diâmetro
cilíndrica D= 0,14 m = 14 cm, a Eq. (1) é retomada segundo O valor do fator {J(Cv) advém de
4 3 (2)
Q 1 = Q2 = 45 m3/h =1,25 x 10 cm /s 1
,B(Cv)- 2 112
(12)
nais, as
Sempre é importan te verificar as recomen dações das condições operacio [4,8(1-Cv ) - 3,8(1- Cv)]
quais, para o ciclone do tipo Lapple, são 5 < u < 20 m/s
Oi q sendo Cv a concentr ação volumétr ica adimensional de partícula s, obtida por
U=--a-- (3)
Área axb
o
e- ~ (13)
Tendo em vista que, para ciclones do tipo Lapple, a/D= 0,5 e b/D = 0,25; e conhecid Qp +Q
V

D= 14 cm, tem-se na Eq. (3) 4 da fase


Da Eq. (2) verifica-se Q1 = Q2 = Q = 1,25 x 10 cm3!s. Como a vazão mássica
u = _g__ - 80i = (8)(1,25 x 104) = 511 cm/s. 511 m/s (4) particulada é igual a 40 g/s, em cada ciclone esta vazão será
axb d (14)2 '
40
mp =
2 - 20 g./s (14)
cujo valor encontra -se na faLxa recomen dada (veja a Tabela 8.1).
igual a
e, se se conhece o valor da massa especUica das partícula s, que é
3
calcular o valor da vazão mássica de partícula s por
Eficiênc ia global de coleta Pp = 2,43 g./cm , toma-se possível
ciclone
O valor da eficiência de coleta para o ciclone 1 pode ser aproximado para o mp 20 ª
2, sendo calculado por Q --=-- 8320 cm Is (15)
P Pp 2,43 '
(5)
rj = (1 - Ri} l + RL
Dessa maneira, o valor para a concentr ação volumétr ica de partícula s será
e
Uma vez que se trata de escoame nto gasoso, RL, que é proporcional ao quocient
no unde-rj!o w e na alimentaç ão, pode ser consider ado igual CV = 8,320 - 6,58 X 10-4
entre as vazões de fluido 4 (16)
a zero, ou 8,320 + 1,25 X 10
rj = l (6)
208 Operações unitárias em sistemas part1Culados e fluidomecânicos 8 - Separação de particulados por ação grav,tacronal e centrífuga
209

Cujo valor substituíd o na Eq. (12) resulta em em que

f3(Cu) = l (17) 4Q 4Q
2 11_ = 1,0019 u ---=- -1
[(4,8)(1 - 6 1 58 X 10--4) - (3,8)(1 - 6,58 X lQ--4)] e 1td 1td (25)

Como se trata de ciclone Lapple, o valor K presente na Eq. (9) é igual a K = 0,095 Como Q 1 = 1,25 x 104 cm3ts e D= 14 cm, tem-se na Eq. (25):
(veja a Tabela 8.1). Esse valor, em conjunto com o resu1tado aprisenta do em (15~,
bem como com aqueles conhecidos de D= 14 cm, Q =1,25 x 104 cm Is, Pp =2,43 g/cm , uc = ( 4)(1,25 x2104) • 81,201 cm/s
1t(l4) (26)
p = 1,026 x 10-3 g/cm3 e v = 0,196 cm2/s, é substituíd o na Eq. (11) de modo
a deter-
minar o valor do diâmetro de corte, D*
Trata-se de ciclone Lapple, portanto o valor de k presente na Eq. (24) é igual a
1
k1 = 315 (veja a Tabela 8.1). Tendo em vista que p = 1,026 x 10-3 g/cm3 = 1,026
kg!m3
D•=Dx K[Q(p: i-l)r f3(Cv) e ttc = 0,81201 m/s, pode-se substituir tais valores na Eq. (24) para se obter o valor
da diferença de pressão sem a influência de particulados, ou
112
(0,196)(14) (l 10019)
D*= Cl 4 )(0,095){ (1,25 x 104 )[(2,43/1,25 x 10-3) - 1]} (18) ó.p = (1,026)(315) (0, 3 l:Ol)2 - 106,55 Pa
(27)

Na Eq. (23) verifica-se a presença da influência ela concentra ção de particulados por
D* = 4,479 x 10-1 cm= 4,479 µm
meio da sua concentra ção mássica, a qual advém de
A eficiência global de coleta, para cada ciclone, será obtida da substituiç ão dos resul-
tados presentes em (9), (10) e (18) na Eq. (7)
(28)
(l,11)(2,5 )
_ 0,118 + 2,5
T/ = l = 1,81- (0,322)(2, 5) +(70/4,065) 4,065
(~)=O '
9959 (19) O valor da vazão mássica de part[culas é conhecido e igual a m,, = 20 g/s, já a vazão
mássica do ar é obtida segundo:
ou
rj = 99,59% (20) rhP = Qp = (1,25 x 104 )(1,026 x 10-3 )- 12,825 g/s (29)
por via de consequên cia
Potência do sistema
e c20)
Como se trata de um sistema em paralelo, a potência será obtida de M = (20) + (12,825) • 0,6093 (30)
. Qi (ó.p)i
Wparalelo = n - - - (21) Comas (1991) apresenta, para os parâmetro s p e q presentes na Eq. (23), os valores
T/ p = 0,023 e q = 0,69. Desse modo, substituem -se esses valores em conjunto com os
Sendo n =2, Q = 1,25 x 104 cm3/s =0,0125 m3/s e 1J =0,50, os quais substituíd os na resultados (27) e (30) na Eq. (23),
1
Eq. (21) resultam em
(ó. )1 - (l05, 55) = 104 84 Pa
W. ª (2) (0,0125) (t.p)i • 0,05(ó.P)1 Watts P 1 + (0,023)(0,6093)°·69 ' 31
(22) ( )
paralelo (0, 5)
Este resultado, por sua vez, é levado à Eq. (22),
com
Wpara!elo • (0,5)(t.p)1 • (0,05)(104,84) = 5,24 Watts (32)
(23)

sendo

(24)
8 - Separação de part1culados por ação gravitacional
e centrifuga 211
flu1domec-, n1cos
210 Operações unitárias em sistemas part1culados e
press ure drop in cyclo ue dust col-
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212 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomecánicos
8 - Separação de part1culados por ação gravitacional e centrifuga
213
g força gravitacional ......... ,.......................... ............................................... (L ·T'2 J
fi eficiência global de coleta ou de separação ................... ...... ........ adimensional
h semialtura de uma fenda retangular; altura da seção cilíndrica
do equipamento centrífugo (ciclone ou hidrociclone) ................................ [LJ µ viscosidade dinâmica................................................ ............. ........... [M,L-1.r-1 j
H altura de uma fenda retangular ; altura do equipamento centrífugo 11 viscosidade cinemática........................................................................... [L2.r-11
(ciclone ou hidrociclone) .............................................................................. [LI r fator de configuração de uma centrífuga ................. ............................... ..... [l2J
eficiência de coleta ou de separação ..... ................ ................... ... adimensional p massa específica ..................................................................... ................ [ML -3)
coeficiente de perda de carga localizada .............. ... .................... adimensional e ângulo da seção cônica do hidrociclone
comprimento de uma fenda retangular ou de uma centrífuga tubular ....... [L 1
m massa .......................................... ..... ....................... .. ......... ........................... IM]
m vazão mássica ................................. ........................................................ [M· '1'"'1I Subscritos
n índice de homogeneidade da distribu ição granulométrica; e seção cilfndrica do equipamento
fndice de vórtice; número de separadores centrífugos D presença de partículas
(ciclone ou hidrociclone) ......................... .................................................. [T"' 11 f fluido
N número de rotações ...................... ... ........................................................... ['1'"'11
p partícula
Q vazão volumétrica............................................................... .................... [L3·'1'"'1J
perm tempo de permanência, tempo de residência
r, e coordenadas cilíndricas ........... ,........................................... ... ......... ................ ..
queda tempo de queda, tempo de captura
R raio da centrífuga tubular ..................................................................... ........ [LI
T velocidade terminal
s comprimento do tubo de saída do equipamento centrífugo 00
no overflow (ciclone ou hidrociclone) .............. ..................... ...................... [LI velocidade terminal de uma partícula isolada (livre)
tempo .......................... ................................. .......... .................. ............. ......... (T]
u vetor velocidade do fluido .. ..................................................................... (L· '1'"'11
u vetor da velocidade relativa .................................................................... [L· '1'"'1]
vetor velocidade da partícula ................................................................ .. (L·T'1]
componente de velocidade na direção i; velocidade média ................... (L·T"'1]
volume da câmara de poeira ......................... .......... ..................................... [L3 ]
volume de uma partícula ............................... ..... .......................................... [L3]
velocidade terminal da partícula ................ .......... .............. .................... [L·'I'"'1J
potência de instalação ............................................. ........................ ... [M-L2·r-3]
x, y coordenadas cartesianas
X fração cumulativa mássica ........................... ................................ adimensional
Xi fração cumulativa mássica relativa à partícula de diâmetro i ..... adimensional

Letras gregas
/3 relação entre o diâmetro da partícula e o do tubo ... ................... adimensional
ôp queda de pressão ................................ .............................................. [M-L -l .1 21
E fração volumétrica do fluido ................................................................... ...... [L]
.,., eficiência individual de coleta ou de separação; rendimento
global do motor (bomba ou soprador) ......................................... adimens1.onal
Fluidodinâmica
em sistemas
particulados
e granulares

9.1 Introdução
As operações de separação mecânica apresentadas no Capítulo 8 foram de-
lineadas pelo estudo da fluidodinâmica da partícula isolada em um referencial
lagrangeniano, por meio da sua velocidade terminal. Por outro lado, o conheci-
mento da interação fluido-partíc ulas não é importante tão somente para o proje-
to de equipamentos de separação, como também para aqueles equipamentos os
quais, ainda que não sejam direcionados para a separação de particulados, são
fundamentais como contactares, ou seja, possibilitam o contato fluido-partíc ulas
para diversas aplicações, tais como adsorção, secagem, reatores catal!ticos. Nes-
se grupo de contactores podem ser citados: os leitos fi.,xo, fluidizado e de jorro;
riser (reator pneumático com fluxo ascendente das fases fluida e particulada),
downer (reator pneumático descendente das fases fluida e particulada), ciclones
(enquanto reator).
No estudo da fluidodinâmica que envolve o contato fluido-partículas, o mo-
vimento do fluido poderia ser descrito pela equação de Navier-Stokes, Eq. (2.24),
ou seja, por um referencial euleriano, enquanto se utilizaria o referencial lagran-
geniano para acompanhar partícula pqr part!cula (ou seja, cada partícula isolada)
utilizando-se a definição explicitada na Eq. (2.12) em um meio discreto (Figura
9.1). Contudo, tendo em vista o número considerável de part!culas que constitui
a fase particulada, dever-se-ia utilizar n-equações lagrangenianas para essa fase,
tornando quase impraticável o manuseio matemático. Para contornar tal situação,
lança-se mão da teoria das misturas da mecânica do contínuo. A partir dessa
teoria, assume-se que a população de part!culas em uma dada região do espaço
comporta-se feito fluido, em que cada partícula perde a sua identidade, e a po-
pulação de partícula comporta-se feito um fluido hipotético, assumindo-se para
tanto a hipótese do contínuo (Figura 9.2) e, por via de consequência , viabiliza-se a

1.
216 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomec~nicos 9 - Fluidodinãmica em sistemas particulados e granulares 217

descrição da fase particulada por meio de um referencial euleriano, utilizando-se a Uma cons~quência imediata das Eqs. (9.1) e (9.3) é a fração mássica da fase i
equação de Navier-Stokes. presente na nustura, wi, bastando dividir a primeira equação pela segunda,

(9.4)

9ucro mo~o_de representar o sistema particulado é por intermédio da concen-


traçao v?lumetnca. Pa:a ~anto, pode-se dividir a Eq. (9. 1) pela massa específica
da fase i, Pi (que é coincidente à massa específica do fluido e da partícula esta
presente na fase particulada) '

(9.5)
Figura 9.1 Meio discreto. Figura 9.2 Meio contínuo.

Identifica-se imediatamente, no numerador da Eq. (9.4), o volume ria fase i v11


ou em termos da Eq. (9.2) '
9.2 Definições para concentração
A fluidodinâmica relativa ao escoamento de uma mistura fluido-partículas por
um determinado equipamento, como no caso do transporte pneumático, ou mesmo (9.6)
o escoamento de uma determinada fase, mantendo-se a outra em repouso, como
no caso de leitos fixos, em que a fase parciculada está em repouso e a fluida em
Define-se, de igual maneira à Eq. (9.4), a fração volumétrica da fase i E · na
movimento; e na sedimentação, na qual se assume a fase fluida em repouso e a par- forma • z,
ticulada em movimento. Para tanto, consideraremos que a mistura ou suspensão é
constituída das fases fluida e particulada, sendo esta composta por partículas que
apresentam massa específica Pp e diâmetro médio dp. Esta mistura, por sua vez, (9.7)
ocupa um determinado volume material no qual as fases comportam-se como meio
contínuo (Figura 9.2). Dessa maneira, define-se a concentração mássica da fase i da qual pode-se, facilmente, demonstrar
(fluida ou particulada) como

(9.1) (9.8)

de onde se verifica na Eq. (9.6)


sendo mi a massa da fase i e Vr o volume ocupado pela mistura entre tais fases, ou
(9.9)
(9.2)
O v~lume t~tal da mistura é resultante da soma do volume das fases (uma vez
que estao em mistura no mesmo volume de controle)
A concentração mássica da mistura, Pr, é obtida, à semelhança da Eq. (9.2), por
meio da soma das concentrações das fases nela presentes, Pi, Vr= vP + v1 (9.10)
ou, abolindo-se o subscritof da fase fluida

(9.11)
2 18 Operações umt~nas em sistemas particulados e fluidomec~mc0s g - Flu1dod1nàm1ca em sistemas pamculados e granulares 219

No que resulta, entre outras informações, a partir das E~s. (9.8) e (9.9) , are- Aplicando-se o teorema da divergê ncia de Gauss, no qual trans-
sa,
lação entre as frações volumétricas das fases presente s na nustura formam-se integrai ~ de superfíc ie em integrai s de volume e vice-ver
ff(p; tli) · n dS = fffV · 15, u ,dV, obtém-s e
(9.12)

e a relação entre a concentração mássica de cada espécie em relação à sua própria


III[ ª!i +V· ,õ,u;]dV = O (9.18)

massa especifica, sendo:


é
para afasejl uida Tendo em vista que dV .. O, a Eq. (9.18), considerando nesta a Eq. (9.9),
reescrita como
(9. 13)
ap-E- -
-·-·+ , ,· = o
at V. P•·E·U. (9.19)
para ajase particu lada
(9.14) A Eq. (9.19) é reconhecida como a equação da continu idade dafase i . Por
via de consequência, têm-se as equaçõe s da continui dade da fase fluida e particu-
tof da
lada, respectivamente, tal como se segue (lembra ndo que se aboliu o subscri
fase fluida)
apE -
9.3 Teoria das misturas da mecânica do contín uo - + V·pEU =Ü
at (9.20)

ap E -

9.3.1 Equaçõ es da contin uidade para as fases fluida e particu lada -1!...P...+ V·pE
at u .. Q
P p p
(9.21)
A proposição das equaçõe s da continuidade para as _fases ~uida e p~ticula da
Eq, Nota-se na Eq. (9.20) que, em não havendo a presenç a da fase particulada, ou
advém do teorema do transpo rte de Reynold s, o qual foi descrito por meio da seja, houver tão só o escoame nto da fase fluida em que, da Eq. (9.12), E = l,
a Eq.
(2.6), aqui retomad a como (9.20) recai na Eq. (2.10).

!l.. LLJ tJl[x(t),t ]dV = fff ºt/1


at
l dV + II (,pu) · n dS (9.15)
Dt
9.3.2 Equaçõ es do movim ento para as fases presen tes na mistur a
A Eq. (9.15) é utilizada no caso especifico do contato entr~- ~s fases fluida _e
Fi- As equaçõe s do movimento que modelam o fenômeno do contato entre as fases
particulada, contidas no mesmo volume de controle, conforme Ja ilustra_do na particulada e fluida são obtidas, também, por intermédio do teorema do transpor
te
reação química e que as partícula s nao sofram
9 ?. Admite-
gura -~-
se que não ocorra g andeza de Reynolds, Eq. (9.15), bastando fazer nesta 1/J = Pi u.., de onde resulta
redução de tamanho ou não formem aglomerados, bem corno ~e as~ume a r .
-
volumétrica, 1/J, equivalente à concentração mássica da fase i (fluida ou part1cula
da), ou seja, 1/J = p,. Dessa fo rma, (9.22)

J.IJ 15•' dV = fff ºP,


!l.." ~ dV + ff (15.u.,). n dS (9.16)
de
Dt at O termo à esquerda na Eq. (9.22) represen ta a variação temporal da quantida
. Este mesmo termo pode
de movimento em um determi nado volume de controle
Como não ocorrem entradas ou saídas de material no volume de controle, p~- ser posto em termos da segunda lei de Newton da forma como segue
de-se assumir que O primeiro membro da Eq. (9.16) é nulo, sendo esta equaçao
posta na forma (9.23)

em que F1 são as forças j que atuam na fase i presente no elemento de volume.


220 Operações unitárias em sistemas partículados e fluidomecànicos 9 - Flu1dodinãmica em sistemas parttculados e granulares
221
Depois de substituir a Eq. (9.23) na Eq. (9.22), obtém-se
Utilizando-se o teorema da divergência de Gauss na Eq. (9.29), bem como
rearranjando os resultados, utilizando-se conceitos de álgebra tensorial e as
Eqs.(9.9) e (9.19), obtém-se
(9.24)

P·E [ -aU;· + u ·Vn


-
. ] =p•E·b +V-
-
T . +p•EtJ (9.30)
, ' at ' -. '' , ' '
De igual maneira à fluidodinârnica de uma partícula isolada pode-se identificar,
na Eq. (9.24), grupos de forças que atuam na fase i, sendo elas (DAMASCENO, O tensor tensão, T i, que atua sobre a fase i é definido, genericamente, como
2002):
T, = - Pt I + "ti (9.31)
Forças de campo (Fb): são as forças volumares que atuam sobre a fase i,
presente no volume de controle, tais como gravitacional, centrífuga, empuxo. Tais sendo o tensor tensão extra, ri, na forma
forças podem ser identificadas corno
(9.32)
(9.25)
/-¼ é a viscosidade característica da fase i ; Vuf o tensor gradiente transposto de
em que b é o vetor intensidade de campo. velocidade.

Forças de superfície (F5): são as forças que atuam sobre a fase i presente no Para o caso de sistemas multifásicos, pode-se definir o termo de interação,
volume material. Normalmente identificadas por contato físico por meio das fron- J;, por meio da força resistiva, de modo análogo ao item (7.6). Aqui, entretanto, a
teu·as do elemento de volume. As forças de superfície podem ser escritas tal como força resistiva refere-se à força exercida pela fase fluida sobre a matriz porosa (ou
segue fase particulada) menos a força de empuxo, ou

(9.26) m = peJ - p( I - E)b (9.33)


Sabe-se, por meio da segunda lei de Newton, que a sorna das forças de inte-
sendo T, o tensor tensão na fase i. ração deve ser nula, J;.p, E1 J, = O, e assim para a mistura binária das fases fluída e
particulada '
A teoria das misturas prevê a existência de outra força que atua em sistemas
multifásicos. Trata-se da força exercida sobre uma fase i pela outra fase, partícipe pEJ = - P p Ep JP (9.34)
da mistura, esta contida no elemento de volume. Essa força é reconhecida como
força de interação entre as fases (F D, a qual é definida por Dessa maneira, pode-se expressar a força resistiva em termos da fase particu-
lada. Para tanto, substitui-se a Eq. (9.34) na Eq. (9.33), resultando

(9.27)
(9.35)

em que J i equivale ao campo de interação sobre a fase i. A equação do movimento dafasejluida, em termos de pressão, tensão vis-
cosa e força resistiva, é obtida a partir da substituição da Eq. (9.31) e (9.33) na Eq.
Por via de consequência, o somatório das forças que atuam sobre a fase i será (9.30), resultando
au + u · V- u ] = - Vp
- + V- · 'T - m + p b
i(Fjt = fff(pib)dv + ff'ri .ndS + fff(piJ,)dv (9.28) pt: [at (9.36)
J

A equação do movimento da fase particulada em termos de pressão, tensão


a qual, substituída na Eq. (9.24), resulta em Viscosa e força resistiva, por sua vez, advém da substituição da Eq. (9.31) e (9.35)
na Eq. (9.30), resultando

(9.37)
9 - Flu,dodin3mica em sistemas part,culados e granulares 223
s
222 Operações unitárias em sistemas particulados e fluidomec3nico
9.4.2 O tenso r tensã o
9.4 Equações constitutivas , sendo que a ten-
e partic ulada, consi- b. O tensor tensão dafas ejf.uid a, T , é descri to pela Eq. (2.17)
A repres entaçã o da fluidodinârnica para as fases fluida , aqui retorn adas, respec tivam ente, como
resistiva, dá-se pela são viscosa, -r, por meio da Eq. (2.18)
força
derand o-se a intera ção entre ambas por intermédio da ~-lD
. Por outro lado, para que se T =-~ + T
aprese ntação das Eqs. (9.20) , (9.21) , (9.36) e (9.37)
fenôm eno de sistem as partic ulados, torna-
possibilite descre ver um determ inado -r = µ[Vu + Vur] _~µ(V · uh (2.18)
ânea de tais equaç ões. Para tanto, são necess árias
-se necess ária a solução simult a força
3
relativas tanto para
equaç ões constitutivas, as quais incorporam hipóte ses
resistiva quant o para as tensõe s nas fases fluida e partic
ulada. p, tem-s e da Eq. (9.31)
c. Em se tratan do do tensor tensão dafas e partic ulada
(9.42)

9.4.1 A força resistiva fase partic ulada é um


A busca de uma definição para o tensor tensão para a
al. Aforça resistiva m pode ser expre ssa por meio de os estudi osos de sistem as partic ulados pois nos es-
desafio consta nte para
fluido ~em a ser um
(9.38) coame ntos fluido -partíc ulas, em partic ular quand o este
m = m(IIEUll)EU colisõ es entre partíc u-
gás, há regiões que são caract erizad as pela cinétic a ou
s, no caso de o meio fluido ser
U, e a norma da las, outras domin adas pelo atrito. Tais tensõe
em que a velocidade relativa das fases fluida e particulada, um gás, ~pare cem _notadamente na fluidiz ação hetero gênea , no transp orte
, respec tivam ente.
velocidade relativa, IIUII, advêm das Eqs. (7. 19) e (7.22) pneum ático em regim e denso , bem corno em situaç ões de transp orte diluído
dos dois últimos séculos,
Convém menci onar que a experi menta ção ao longo em que ocorra a presen ça de cluste rs (aglom erados )
de partíc ulas. No caso
fornec e para a força resistiva m a
desde o trabal ho pioneiro de Darcy (1856 ), de o fluido vir a ser um líquido ou compo rtar-se como tal corno é caso de
ARAN I e SANT ANA, 1979)
seguin te equaç ão consti tutiva (MASS flux~ desliz ante de partíc ulas, ou ainda na sedim entaçã o e ~a filtraç ão, essas
mento é tratad o como escoa mento em meios po-
(9.39) tensoe s aparec em e o escoa
m = 1:..(1+ cpJk li EU 11)Eu rosos de.(orrrn:veis. ~~ja qual for a situaç ão, a tensão nos sólido
s, no passad o,
k µ, ra de a suspe nsão ser
e~a neghgenc1ada utilizando-se hipóte se simplificado
partic ulada aprese n-
k e e são parâm etros dilu~da _(Ep_ ~ O). Port~ nto, em situaç ões em que a fase
sendo µ., a viscosidade dinâmica de um fluido newtoniano; tar d1scnbwç~o (espac~al) substancial de conce ntraçã o de partíc ulas, a Eq.
porosa quand o não ocorre m eta da fluidodinãmica
que depen dem de fatore s estrut urais da matriz (9.42) dever a ser consid erada para a descri ção compl
e fluido; k é a perme abilid ade do meio gem para a Eq. (9.42)
intera ções físico-quimicas entre matriz do s_istema partic ulado estuda do. Usualmente, a aborda
nsiona l. A Eq. (9.39) é conhe cida como a o de teoria s desen vol-
poroso, e c é um parâm etro adime o em é feita de fo rma empírica, assim como por aproximaçã
ento viscos
Jonna quadrática de Forchheimer e é válida para o escoam k e e são, vidas em outros campo s do conhe cimen to, corno a teoria cinéti ca de gases
em que
meios isotrópicos homogêneos e heterogêneos, isto é, meios denso s.
posiçã o no sistem a.
respectivamente, consta ntes e variáveis com a
cl. Modelo da porosidade do meio (empí rico). Neste
modelo assum e-se que a ten-
,
dade (fração de vazios
ça de arraste segundo são extra_na fase partic ulada depen de apena s da porosi
a2. Aforç a resistiva m pode ser expre ssa em termos dafor o tensor tensão total possu a apena s compo nentes
E) do me10, de modo que
da porosidade, isto é
(9.40) normais à superfície de contat o, que depen dem apena s

na forma
em que o parâm etro de arrast e, {3, usualmente, é posto
(9.41)
para leito fluidizado
A título de exemplo, podem-se citar as relações empíricas,
do a Eq. (7.23) ; CD, a borbu lhante (GIDASPOW e ETTEHADIEH, 1983)
Rep é o número de Reynolds da partícula, definido segun
, poden do-se utili-
consta nte de arrast e considerando-se uma partícula isolada (9.44)
presen tes na Tabela (7.1) e nos Quadr os (7.2) e (7.3).
zar as expres sões
224 Operações unitarias em sistemas part1culados e fluidomecàn1cos 9 - Fluidodinamica em sistemas particulados e granulares 225
e, para a zona de compressão no fenômeno de sedimentação (TILLER e LEU i) A pressão nas partículas pode ser obtida pelas contribuições de termos ciné-
1980) ' tico, colisional e coesivo (GISDAPOW, 2003)

(9.45) Pp = Pp,cin + Pp,col + Pp,coe (9.47)


ou
na qual cc0 , Ctt, cc2 são constantes empíricas.
(9.48)

c.2. 1\ifodelo granular. Este modelo é útil quando a fração volumétrica da fase
particulada, Ep , é comparável à da fase fluida, E, e quando as forças de campo, na qual e representa o coeficiente restituição partfcula-partícula, que descreve
feito a gravitacional, atuam de forma relevante na separação entre as fases ou a elasticidade das colisões entre partículas, bem como caracteriza, por meio
quando a interação entre as fases tem papel significante na fluidodinâmica do da inelasticidade, a quantidade de energia perdida em tais colisões. No caso
sistema. O sistema, neste caso, denomina-se granular. Aqui, podemos utilizar de sistemas granulares (particulados), está associado à função que governa
a descrição de Polito (2006), que nos diz: "sistema granulares são aglomerados a transição da situação compressível com Ep < Ep mãx., em que o espaçamen-
suficientemente grandes de partículas discretas, mesocróspicas ou macroscó- to entre as partículas pode continuar a decrescer, para uma situação incom-
picas, em que as características distintivas residem no modo como se proces- pressível, l::p = l::p máx., em que nenhum decréscimo no espaçamento acontece.
sam as interações de contato eHLre essas partículas, ou seja, por meio de forças Encontra-se, normalmente, este valor entre 0,9 (DUARTE, 2007) e 0,999 (GI-
dissipativas e altamente repulsivas. A natureza dissipativa das interações está DASPOW, 2003). Já a função distribuição radial, g 0 , presente na Eq. (9.48), é
dada por
associada tanto às forças de fricção quanto à inelasticidade das colisões. Em
sistemas granulares, a única escala de velocidades possível é imposta por flu-
xos macroscópicos de partículas. Apesar disso, ainda assim pode-se formular
um conceito que guarda certa analogia formal com a temperatura termodinâ- (9.49)
mica e possui ampla utilidade no estudo da fluidodinâmica de sistemas granu-
lares. Trata-se da temperatura granular; ou seja, uma grandeza relacionada go expressa o arranjo espacial das partículas por meio da distância adimensio-
à energia cinética devido a flutuações da velocidade das partículas na forma" nal entre as partículas na forma

~8
2
=.!.(u'
2 P P
·u') (9.46) (9.50)

na qual 8 refere-se à temperatura granular; e Up é a flutuação da velocidade da


sendo d).. a distância entre as partículas. No caso de uma suspensão diluída
partícula em determinada coordenada espacial.
(êp-+ O), o valor d~ 9o tende a zero e, no caso da compactação das partículas,
Sistemas granulares apresentam comportamentos não usuais e podem assumir 1::~ ~ Ep máx.· Além disso, trata-se de um fator de correção que modifica a proba-
propriedades de sólidos, líquidos ou gases. Quando fortemente agitados, como no bilidade de colisões entre as partículas quando a fase granular sólida torna-se
caso da fluidização borbulhante e do escoamento denso em riser, assemelham- densa.
-se a gases, mas com a diferença de que as colisões são inelásticas e a energia é
dissipativa (SOTERRON1, 2007). São os chamados gases granulares ou fluxos
granulares rápidos, frequentemente descritos por equações de Navier-Stokes. Os
sistemas granulares também podem apresentar propriedades de líquidos, como
na situação do escoamento deslizante da fase anular no leito de jorro e mesmo na (9.51)
sedimentação; assim como sólidos, feito as partículas em repouso no leito .fLxo. O
tratamento da fase granular, em particular de gases granulares, pode ser tratado,
portanto, utilizando-se teoria cinética dos gases densos, da qual conceitos de sendo viscosidade granular, J.l.p, obtida da contribuição cinética e colisional por
pressão de sólidos, Pp, e de viscosidade granular (ou específica, ou da fase particu- meio de
lada), /J-p, possibilitam a obtenção da tensão de sólidos, Eq. (9.42). J.l.p = /Jp,cin + /.lp,col (9.52)
226 Operações unit~rias em sistemas particulados e flu,domecJn,cos 9 - Fluidodin.!!mica em sistemas particulados e granulares 227

em que a viscosidade granular cinética advém, por exemplo, de (GIDASPOW, de fronteira) referentes à propriedad e w[x(t) , t], sendo esta l/J =Piou l/J = Pll.l.i
1994) lembrando que o subscrito i indica fase fluida ou fase part.iculada. '
2
µpcin = 5pP P
d 4 + e)t:pf}o ] (8n)112
[ l + -(1 (9.53)
· 48Q:i(l+ e) 5 9.5.1 Condição inicial
e a viscosidade granular colisional segundo (LUN eta1., 1984) Esta con_dição de fronteira está associada ao conhecimento da propriedad e
ti no in1c10 do processo, ou seja,
t/,'(x(t),
(9.54) t = O, IJJ[x (t = 0), t = O] = l/Jo (9.60)

O parâmetro Sp é conhecido como a viscosidade granular bulk, o qual expressa 9.5.2 Condições de contorno
a resistência da fase granular à compressão e expansão, sendo obtida de (LUN
. Tais condições de fronteira referem-se ao valor ou informação sobre a pro-
et ai., 1984)
pnedade 1Jl[x (t), t] em posições específicas no volume de controle ou na fronteira
5p = ¾ePpPdP(l +e)Q:i(; r (9.55) de~se ~o~~e ou ain~a na fronteira do contactar (equipame nto) no qual ocorre a
fluidod1~arruca associada a uma determinad a operação unitária que envolve siste-
ma pamculado . As condições de contorno mais comuns encontrada s na fluidodi-
ili) A temperatu ra granular, 8, advém da solução da seguinte equação diferen-
cial (DING e GIOASPOW, 1990) ~âmica de_ sistemas particulados são as do tipo Dirichlet e de Newman, conforme
ilustra a Figura 9.3.
(9.56)
r= O Dirichlet
1

Os termos A, B, C e D presentes na Eq. (9.56) representa m, respectivamente,


a geração de energia pelo tensor tensão na fase granular, a difusão de energia
(em que k 0 é o coeficiente difusional de energia), a dissipação de energia oca-
sionada pelas colisões, troca de energia entre as fases fluida e granular. Em tal Ne1Dman
equação, encontram -se os seguintes parâmetros:

(9.57) 1

I Ou,,
l>uv
aup au & l,=o= o I 1,=o= o a; u 1,=n= o
(9.58) {h lr=R= O l)r lr=R= O - - - - - - / - - - - - lrzR= Uvw
'----__,...- =.:.._ __, r=O I r= Up lra R= O OU Up
Newman
Dirichlet
</>gp = - 3{3U8 (9.59)

em que f3 advém da Eq. (9.45) e Ué o vetor velocidade relativa oriunda da Eq.


(7.18).

1 P '•=H= PH Pp '•=H= PP11


9.5 Condições de fronteira z =H - - - - -1 - - - - - p lz=h= PH
As equações que descrevem a fluidodinâmica de sistemas particulados devem, u '•=h= UH Up l,=h= u.PH
para efeitos práticos, serem passíveis de solução algébrica e/ou numérica. Qual- Dirichlet
quer q