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MEC-SETEC

INSTITUTO FEDERAL DE MINAS GERAIS – CAMPUS AVANÇADO PIUMHI


Bacharelado em Engenharia Civil

TIPOS DE CONCRETOS ESPECIAIS


Concreto de Alto Desempenho- CAD

Daniely de Fátima Brito


Pedro Henrique Santos Barbosa
Pedro Gustavo de Faria
Thiago Bastos Silva

PIUMHI
2021
TIPOS DE CONCRETOS ESPECIAIS
Concreto de Alto Desempenho- CAD

Trabalho apresentado ao Instituto Federal


de Minas Gerais, Campus Avançado
Piumhi-MG, como requisito para
aprovação na disciplina de Materiais de
Construção Civil II.

Professor: Thiago Pastre.

PIUMHI
2021
Sumário
1 Introdução ............................................................................................................... 4
2 Definição ................................................................................................................. 5
3 Princípios básicos do CAD ...................................................................................... 6
4 Tipos de Materiais ................................................................................................... 8
4.1 Cimentos .......................................................................................................... 8
4.2 Mineral ............................................................................................................. 9
4.3 Aditivos Químicos............................................................................................. 9
4.4 Agregados ...................................................................................................... 10
5 Dosagem ................................................................................................................11
6 Propriedades do CAD ....................................................................................... 12
6.1 Resistência à compressão (Fck) .................................................................... 12
6.2 Resistência à tração....................................................................................... 13
6.3 Módulo de elasticidade .................................................................................. 13
6.4 Calor de Hidratação ....................................................................................... 14
6.5 Retração Autógena ........................................................................................ 14
7 Obras emblemáticas em CAD ............................................................................... 15
7.1 Edifício E-Tower ............................................................................................. 15
7.2 Torres Gêmeas Petronas em Kuala Lumpur na Malásia. ............................... 16
8 Obras de infraestrutura em CAD ........................................................................... 17
9 Concreto de Ultra-Alto Desempenho..................................................................... 18
REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 19
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1 Introdução

O concreto já era utilizado nas construções desde aproximadamente 800


a.C. mas, ele não era dessa forma que conhecemos hoje, que é denominada como
concreto moderno, o concreto utilizado hoje foi desenvolvido por John Smeaton em
1756, o qual realizou a mistura de cimento com agregados na construção do farol
Eddystone Lighthouse, na Inglaterra. De modo que desde o descobrimento do
concreto, ele vem sendo utilizado para revolucionar a construção civil, sendo utilizado
amplamente em quase todas construções, principalmente em conjunto com o aço.

Porém, com o passar dos anos se torna cada vez mais comum a
construção de grandes prédios, longas pontes, abrangendo também ambiente
agressivos, ou seja, estruturas que demandam um planejamento mais detalhado e
que na maioria das vezes, será necessário um concreto de maior resistência e são
nestes casos que comumente são utilizados o concreto de alto desempenho (CAD),
que começaram a ser utilizados em torno dos anos 70. Desde então seu uso vem
aumentando e isso se dá não só pela maior resistência que ele apresenta, mas
também por proporcionar maior durabilidade, menor manutenção, como comumente
são utilizados aditivos, este concreto pode ter suas propriedades e características das
mais diversas e se utilizados da forma correta, melhores.

Como o concreto precisa ter boa trabalhabilidade e isso envolve a fluidez,


consistência, plasticidade, pega e aditivos. Contudo, o concreto deve trabalhar como
um fluido e é por isso que é utilizada a reologia para estudar seus comportamentos
diante a influência de tensões e do tempo. Existem muitos ensaios para avaliação de
características do concreto, um utilizado com frequência é o ensaio por abatimento
de tronco de cone, que foi desenvolvido por Abrams em 1918 e que avalia a
consistência e fluidez do concreto; este ensaio é feito exclusivamente com o concreto
no estado fresco.

De um modo geral o que vai determinar um CAD vão ser os elementos


incorporados a ele, elementos estes que podem ser aditivos químicos, aditivos
minerais, fibras e também as técnicas de execução utilizadas, a junção de todos esses
fatores proporcionam um concreto de alto desempenho que vai resultar em diversas
melhorias.
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2 Definição

O concreto de alto desempenho é um material que busca atender


determinadas exigências requeridas no projeto, é importante ressaltar que
desempenho não está ligada diretamente e apenas com a resistência mecânica do
concreto, mas também com propriedades como durabilidade, trabalhabilidade,
integridade e acabamento. De modo que, existem os concretos de alta resistência
(CAR) e que não necessariamente um CAD seja um CAR. Pois, o CAD busca o
máximo desempenho global como resultado, tendo de modo geral, todas
propriedades melhoradas.

Existem diversas definições de diferentes autores para o CAD, para Aïtcin


(2000) o CAD é essencialmente um concreto que apresenta baixa quantidade de
água/aglomerante e baixa relação água/cimento, em torno de 0,40, que é o valor
sugerido como limite entre o concreto convencional e o concreto de alto desempenho.
No qual uma ou mais características são melhoradas de acordo com a necessidade
do projeto, ele também ressalta que não existe um único tipo de CAD.

Para o American Concrete Institute, o CAD é o concreto que possui os


mesmos materiais do concreto convencional, mas que são projetados para atender
determinadas exigências estruturais e ambientais do projeto. Tendo sua resistência
mínima sendo 55 Mpa (8000 psi), podendo apresentar quaisquer valores maiores que
este.

No Brasil não existe exatamente uma definição para o CAD, a norma NBR
8953:2015 classifica o concreto em 2 grupos que são avaliados de acordo com a
resistência característica do concreto à compressão. O primeiro grupo seria o
concreto convencional que é avaliado tendo sua resistência de 20 até 45 Mpa, o
segundo grupo que neste caso é o grupo que corresponde ao CAR define que suas
resistências estão entre 50 e 100 Mpa.

É possível notar que de fato existem diversas definições para o CAD, mas
também é importante ressaltar que essas definições variam de acordo com o país,
com a pesquisa e até em regiões de um mesmo país, isso se dá pela diferença
principalmente desenvolvimentista do país em questão. Para alguns países o
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concreto que é considerado de alto desempenho pode ser considerado concreto


comum em outros países, isso se dá justamente pela evolução da utilização do
material.

3 Princípios básicos do CAD

Como já foi dito anteriormente o CAD se trata apenas de uma melhoria do


concreto convencional e não de uma mistura revolucionária, embora ele seja mais do
que suficiente para realização de diversas estruturas. A seguir serão apresentados
alguns procedimentos básicos para se produzir o CAD, embora eles sejam bem
semelhantes ao concreto convencional, vão ser apresentados apenas os específicos
do CAD. Sendo o principal fator a redução de volume de vazios e por consequência
a porosidade do mesmo.

Para reduzir a porosidade é necessário reduzir a quantidade total de água


no concreto, consequentemente diminuir a relação água/cimento, para manter as
propriedades é necessário a utilização de aditivos plastificantes ou
superplastificantes. Uma outra ação para reduzir a porosidade está na utilização de
sílica ativa, que é a mais comum, mas o objetivo é utilizar agregados com menor
diâmetro, obtendo assim, uma composição granulométrica que proporcione uma
maior compacidade entre os grãos. Utilização de aditivos que aumentem a resistência
das ligações químicas entre as partículas. Na maioria das vezes o elo fraco do
concreto vão ser os agregados graúdos, logo, quanto menor for o uso deles, maior
tende a ser a resistência do concreto.

Estes processos vão fazer com que a porosidade do concreto seja bem
inferior ao convencional, resultando em aumento da resistência mecânica, da
durabilidade, compacidade, resistência a abrasão, de uma forma geral no
desempenho como um todo do concreto. Além disso é necessário conhecer as 3 fases
da mistura, sendo elas a pasta de cimento hidratada, a zona de transição e os
agregados.

Na primeira fase que é a fase pasta de cimento hidratada, temos um maior


diâmetro dos poros que são prejudiciais ao CAD, para reduzir a porosidade nesta fase
é necessário reduzir a água e o ar aprisionado, podendo chegar em relações de 0,3
de água/cimento, já para o ar aprisionado pode-se usar a vibração da massa.
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Utilizando aditivos minerais, que vão auxiliar na formação de silicato de cálcio


hidratado(C-S-H) que também vai auxiliar na redução da porosidade. É importante
ressaltar que o processo de hidratação do concreto é muito importante para as
reações químicas que mantêm várias propriedades do concreto, ou seja, por mais
que o objetivo seja reduzir a quantidade de água no concreto é necessário mantê-lo
hidratado com o tempo.

A zona de transição é a segunda fase e está relacionada com basicamente


a interação da pasta com os agregados graúdos e miúdos, ocorrendo também as
reações químicas. Essa interação depende do tamanho e formato dos agregados. A
figura abaixo demonstra uma representação.

Figura 1: Esquematização da zona de transição do concreto.

Fonte: Hilal. A. A., 2015.

As etringitas são formadas nos primeiros momentos da hidratação do


cimento e se dá pela junção de sulfatos, aluminato cálcico em soluções aquosas e
são as etringitas que são responsáveis pela pega do concreto. A zona de transição é
a fase mais porosa e que vai apresentar microfissuração do concreto. É importante
ressaltar que, para que o material tenha comportamento homogêneo é necessário
que a resistência da zona de transição seja da mesma ordem da resistência do
agregado.
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A fase de agregados é a terceira fase está relacionado com a seleção dos


agregados graúdos, pois, ao melhorar a zona de transição e a pasta de cimento
hidratada, os agregados tornam-se o elo fraco do conjunto e por isso é fundamental
selecionar agregados de maior resistência. Para o CAD de uma forma geral
normalmente são utilizados agregados de menor diâmetro máximo e também que
possuam grãos mais arredondados. Logo, é reconhecida a importância da
determinação não só da resistência, mas também da origem, classificação,
granulometria e as propriedades dos agregados, pois eles compõem uma parcela
considerável e importante do concreto.

De um modo geral essas 3 fases se resumem na necessidade de redução


da relação água/agregados, utilizar aditivos químicos e minerais para auxiliar nessa
diminuição da água sem prejudicar suas propriedades. Os aditivos também auxiliam
em processos químicos como na inibição da exsudação e na facilitação de produção
de C-S-H, estes processos vão contribuir para uma melhora tanto na fase pasta de
cimento quanto na fase zona de transição.

4 Tipos de Materiais

Os materiais selecionados são adequados para constituintes, uma mistura


que proporciona um concreto resistente e durável, que possa apresentar condições
de trabalhabilidade do concreto no estado fresco, assim facilitando a concretagem
nas formas. O CAD contém alguns componentes são eles: cimento, adição mineral,
aditivo químico, agregado miúdo, agregado graúdo, fibras, pigmentos e água. Podem
ser omitidos um ou mais destes materiais dependendo das condições exigidas pelo
projeto, também pode ser utilizado dois tipos de um mesmo material deste grupo,
assim dois tipos de agregados ou dois tipos de aditivos químicos combinados.
Usualmente pigmentos e fibras não são usados no CAD.

4.1 Cimentos

Para produzir CAD, o cimento deve ser o mais puro possível, pois a
quantidade de pozolana a ser adicionada à mistura será grande. Com isso sem
considerar o tamanho das partículas, os cimentos CP1 e CP V ARI são mais
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recomendados, se considera cimentos com as partículas finas, que reagem


rapidamente formando composto resistente em maior número, necessária a utilização
de mais água, para compensar por ter uma superfície específica maior, que diminui a
resistência final, é necessário um balanceamento para essa situação, mas não há
uma regra simples para esse balanço. Com relação aos constituintes dos cimentos,
devem-se aumentar os silicatos de cálcio (C2 S e C3 S) contidos nesses cimentos,
responsáveis pelas resistências finais das misturas. Para isso, reduz-se o aluminato
tricálcico (C3 A) e o ferroaluminato tetracálcico (C4 AF). Segundo Neville (1982), a
presença de elevados teores de C3 A e C4 AF no cimento não é desejável porque
este composto não colabora para a resistência fina. Aïtcin (2000) em resumo explana
os requisitos dos cimentos para CAD descritos a seguir:
• A finura deve ser média, nem muito alta nem baixa;
• Deve-se ter informações sobre o C3 A (tipo de célula cristalina e
quantidade) e sobre os sulfatos de cálcio que influirão sobre a velocidade da formação
de etringita, devendo ficar a soma desses compostos entre 14 e 16%;
• O DRX do cimento tratado com ácido salicílico, com a finalidade de exibir
os compostos menores, é importante para dar ideia do tipo de C3 A e sulfatos.

4.2 Mineral

Os minerais com atividade pozolânica são inseridos na mistura, sendo:


pozolanas naturais, cinzas volantes, escória básica granulada de alto-forno, cinza de
casca de arroz, metacaulim, sílica ativa e outras. As adições pozolânicas mais usadas
recentemente são a sílica ativa, o metacaulim e a cinza de casca de arroz, por
apresentarem grãos de pequena dimensão, além de possuírem o potencial
pozolânico para consumir o Ca(OH)2. O tamanho das partículas reduzidas permite
reações mais rápidas, quebrando a inércia das partículas, agindo para uma
hidratação mais efetiva e rápida. As adições pozolânicas atuam também
quimicamente na mistura, por meio da reação com o Ca(OH)2 , molécula cristalina
com grande dimensão que são forma após a hidratação do cimento com a formação
C-S-H. Regularmente as adições minerais no CAD causam reatividade química
significante, e melhor trabalhabilidade da mistura, trazendo benefícios para o CAD,
que possui alta resistência, assim tendo uma alta coesão dificultado a plasticidade.
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4.3 Aditivos Químicos

O CAD por ser normalmente um concreto coeso e com pouca


trabalhabilidade e com alto consumo de cimento, os aditivos químicos plastificantes
têm função melhorar a consistência do concreto sem aumentar a demanda de água;
aumenta a durabilidade e as propriedades mecânicas da mistura, reduzindo o
consumo de cimento, mantendo todas as propriedades e a mesma resistência.
É de grande importância a compatibilidade química entre a composição do
cimento utilizado no CAD e a do aditivo superplastificante, pois para cada tipo deste
último existe um ponto de saturação para um dado cimento, um aditivo
superplastificante recomendado e o de terceira geração, tendo no mercado até o de
quarta geração, com mais cadeias longas e ramificadas.

4.4 Agregados

A análise dos agregados para o CAD é importante, pois pode ser o elo
fraco da mistura, quando o concreto atinge resistências elevadas. Os agregados
devem ter uma dimensão máxima limitada, os agregados de maior granulometria
mostram falhas maior na sua microestrutura, dando grandes espaços vazios, que
provoca um maior ZT. De análise os agregados de pequenas dimensões necessitam
de uma quantidade maior de água de amassamento. Assim devemos encontrar um
ponto equilíbrio que nos traga uma melhor propriedade no estado fresco e endurecido.
Realizando uma escolha certa de granulométrica, tendo uma boa distribuição todos
os agregados na mistura, alcançará um menor volume de vazios. Pelo consumo
elevado de água, não se recomenda usar agregados com pó na sua composição e
que apresentem teor de material pulverulento maior do que 8%. utilizando agregados
sem pó na sua composição, pode-se lavar os materiais para remoção do pó, mas tem
uma difícil operação pelos volumes de CAD consideráveis. Aïtcin (2000) resume as
características que os agregados devem apresentar para serem utilizados no CAD:
• a sua escolha deve ser criteriosa, pois é o fator limitante da resistência
última de CAD para patamares acima de 100 MPa;
• o agregado graúdo deve possuir, de preferência, módulo de finura entre
2,7 e 3,0, sem partículas finas, descartando-se os grãos inferiores a 5mm;
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• os agregados graúdos devem apresentar a forma mais cúbica possível,


podendo ser utilizadas rochas calcárias, dolomíticas, graníticas, diabásicas e,
preferencialmente, pedra glacial britada;
• deve-se usar o menor diâmetro possível dos agregados graúdos para
diminuir a espessura da zona de transição e torná-la mais homogênea, considerando
se, ainda, que as partículas menores são mais resistentes porque apresentam menos
microfissuras, poros menores e menos inclusões de materiais frágeis;
• Os diâmetros máximos característicos recomendados são os seguintes:
25 mm para CAD classes I e II, 19 mm para classe II e 12mm para Classes IV e V
(sempre que possível devem ser escolhidos os menores valores disponíveis
economicamente na região).

5 Dosagem

Para se produzir CAD (Concreto de Alto desempenho), necessita de uma


dosagem minuciosa por ser um concreto mais complexo e sensível aos outros
concretos convencionais, pois às suas propriedades a de serem superiores. Por ter
maior quantidade de elementos e constituir peças estruturais de maior importância à
concepção estrutural de uma Concreto de Alto e Ultra-Alto Desempenho 0 edificação,
deve-se seguir um procedimento cauteloso e minucioso para a produção dos CAD
para seguir as dosagens vigentes de laboratório. Busca-se na etapa inicial extrair o
máximo possível dos elementos, assim inicialmente definimos quais elementos usar
no projeto para obter bons resultados com CAD. A etapa da dosagem dos concretos
deve ser feita após a seleção e depois constituintes cuidadosamente descritos. A
dificuldade em encontrar a melhor proporção de matérias, traz a necessidade de
estudo e pesquisa para constituir uma medida que seja eficaz, alcançado um CAD
com um melhor desempenho, com o menor custo possível.
Os métodos para dosagens de CAD mais utilizados são o Mehta-Aïtcin
(1990), o de Aïtcin (2000), Nawy (1996) e o método IBRACON, ainda há métodos
como o de De Larrard (1990), Torrales Carbonari (1996) e O´Reilly (1998). Os três
últimos métodos, assim como o método de Mehta-Aïtcin (1990), são baseados na
otimização do esqueleto granular, preenchendo de cimento ou pasta os vazios
restantes. Já o método de Nawy (1996) e Aïtcin (2000) é baseado no critério de
volume absoluto, ou seja, determina-se a quantidade de agregado graúdo, cimento,
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água e, o que faltar para completar um metro cúbico, faz-se com a areia. O único
método experimental, porém, com fundamentos científicos, é o método IBRACON.
No Brasil alguns autores como Alves (200) e Pinto (2003), fazem
comparações entre os métodos de dosagem para CAD, procurando o mais
econômico com as propriedades exigidas, o Método de Aïtcin (2000), por representar
o critério do volume absoluto, o Método de O´Reilly (1998), que utiliza conceitos do
esqueleto granular, e os Métodos O´Reilly e IBRACON combinados, que mais se
aproximam de um método científico e experimental.

6 Propriedades do CAD
As propriedades do concreto de alto desempenho (CAD) difere do concreto
comum (CC). Por exemplo, o concreto comum possui um comportamento de material
homogêneo e isotrópico, já o concreto de alto desempenho atua como um material
não isotrópico. Além disso, os agregados no CAD, possuem propriedades mecânicas
que diferem do CC, principalmente nas propriedades finais.
Uma das principais diferenças do CC para o CAD é sua resistência à
compressão (fck), enquanto um CC geralmente possui um fck de 15 MPa, os CAD
podem chegar a um fck superior a 50 MPa. De modo que, em algumas situações se
faz necessário o uso do CAD.

6.1 Resistência à compressão (Fck)

O Fck, é entendido como sendo a tensão que o concreto pode suportar


sem que haja ruptura, podendo haver uma diminuição do volume ou um encurtamento
em determinada direção. Essa tensão é definida como: a resultante da força dividida
pela área que ela atua, sendo expressa na maioria dos casos em MPa.
O CAD no seu estado fresco, possui um tempo para atingir a resistência
inicial à compressão que é um pouco maior, quando comparado com o CC, isso se
deve ao fato que a reação de hidratação desse cimento é mais demorada. Entretanto,
após o início dessa reação, o concreto obtém resistências altas, que podem ser
alcançadas em menos de 1 dia.
A Lei de Abrams, que relaciona a resistência à compressão com o fator
água/cimento, serve para os concretos convencionais, já para concretos com uma
resistência superior a 60 MPa, é mais complicado realizar essa associação. Além
disso, o ar incorporado é um fator que altera a resistência, no CAD esse ar possui
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uma taxa baixa e em muitos casos não existe ar incorporado, desse modo esse tipo
de concreto possui baixa porosidade e baixa permeabilidade.
Ademais, outros fatores que alteram a resistência à compressão são: o tipo
de concreto empregado; os agregados, sendo necessário analisar a forma, o tamanho
e a resistência desses; a qualidade da água que será utilizada e o excesso ou a falta
de aditivos é outro fator importante para a resistência do CAD.
A cura é outro procedimento importante para a resistência do concreto,
visando favorecer a hidratação do concreto, ela é realizada após o lançamento desse.
Existem vários tipos de cura, sendo o mais utilizado a cura com molhagem constante,
entretanto é necessário tomar alguns cuidados para este tipo de procedimento, como
por exemplo: controle da temperatura, da umidade e o tempo de cura necessário.
Se não for realizada a cura no concreto de forma correta, esse pode sofrer
com consequências prejudiciais, como a retração no volume do concreto. Para evitar
isso, a cura é uma etapa essencial, visando um melhor controle da umidade e de
possíveis perdas por causa da temperatura, principalmente nos dois primeiros dias.

6.2 Resistência à tração

Os esforços que gerar a resistência à tração dos concretos de alto


desempenho ainda não foram estudados a fundo, de forma que haja dados para
traduzir o comportamento das peças com esse tipo de concreto, dessa forma os
dados obtidos são estimados por meio de fórmulas empíricas, levando em
consideração a resistência à compressão.
Os concretos comuns tendem a sofrer esforços de tração na faixa de 10%
a 11% dos esforços de compressão, segundo alguns estudos os concretos de alta
resistência tendem a apresentar cerca de 7% da resistência à compressão. Os
estudos feitos têm como base três ensaios para determinar a resistência à tração,
sendo eles os ensaios de resistência à tração direta, resistência à tração indireta ou
compressão diametral e resistência à tração na flexão.

6.3 Módulo de elasticidade

O módulo de elasticidade está relacionado com a deformação da estrutura,


por isso é necessário tomar um certo cuidado com esta propriedade. Segundo Aïtcin,
para determinar o módulo de elasticidade do CAD, é algo muito complexo, pois
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depende do tipo da obra e do volume de concreto utilizado, sendo necessário estudos


específicos para cada situação. Além disso, o CAD em termos de deformação, parece
mais uma rocha artificial do que um concreto.
Os principais fatores que interferem no módulo de elasticidade, podemos
relacionar o agregado graúdo e a porosidade. O primeiro interfere devido a sua
origem, seu tamanho e sua forma. Já o segundo, sabe-se que quanto menor for o
volume de vazios do material em comparação ao volume total, menor será a
deformação.
Na figura 2, apresenta o gráfico resistência à compressão x deformação, é
possível observar que quanto maior for o fck, menor será a deformação que
corresponde a ruptura, demonstrando um aspecto frágil do concreto de alto
desempenho. Desse modo, para compensar esse aspecto é necessário o uso de
armaduras com resistências e diâmetros maiores, visando melhorar a vida útil da
estrutura.
Figura 2: Gráfico resistência à compressão x deformação.

Fonte: Hilal. A. A., 2015.


6.4 Calor de Hidratação

O calor de hidratação está diretamente relacionado à quantidade de


cimento e água na mistura que podem reagir, porém a reação no CAD pode
apresentar um calor de hidratação menor que uma reação de um CC. Esse fato é
explicado pelo emprego de aditivos retardadores, teores mais altos de
superplastificantes ou menor quantidade de água no concreto, como costuma
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acontecer usualmente nos CAD, o que por sua vez, pode afetar a emanação do calor
de hidratação, distribuindo-o por um tempo maior, de modo que os picos de
temperatura não sejam mais elevados que nos CC.

6.5 Retração Autógena

A retração ocorre devido ao fato de que o emaranhado de poros existente


no concreto tem sua água drenada para o exterior, se não houver reposição de água
na fase de cura, ou se o concreto é muito compacto que retarda a entrada de água
na mesma velocidade de seu consumo interno, inicia-se o processo de autossecagem
que provoca a retração autógena.
Apesar da retração autógena nos CAD ter um grande potencial de ser
superior à retração autógena nos CC, a retração total dos CAD é sempre menor que
nos CC. Portanto o importante é curar, preferencialmente com água, tanto os CAD
quanto os CC até que estes desenvolvam resistências suficientes para contrapor os
esforços de retração sem fissurar.

7 Obras emblemáticas em CAD

7.1 Edifício E-Tower

Imagem 3: Edifício E-Tower.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/E-Tower

Uma das obras mais emblemáticas no Brasil e usada como referência


quando o assunto é CAD. Ficou conhecida mundialmente e até bateu recordes, sendo
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a obra com a maior resistência à compressão, totalizando 125 MPa de resistência


média. O edifício possui 162 m de altura, 44 pavimentos + 4 subsolo e uma área
construída de 52.000 m².
Para realizar essa obra, foi contratado um especialista, o professor Paulo
Roberto do Lago, que realizou ensaios de laboratório, estudos e testes, a fim de obter
o melhor traço. Os materiais obtidos no traço estão representados na tabela a seguir.

Imagem 4: Tabela de materiais empregados nos traços.

Fonte: https://wwwp.feb.unesp.br/pbastos/c.especiais/E-Tower.pdf.

Após os devidos estudos, foi realizada a contratação de uma central de


concreto com um controle de materiais a serem seguidos. A fase seguinte foi a fase
de execução, para isso a obra teve um controle tecnológico muito eficaz e com o uso
de uma ciência genuinamente nacional.

7.2 Torres Gêmeas Petronas em Kuala Lumpur na Malásia.

Imagem 5: Foto das Torres Gêmeas Petronas, Malásia.


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Fonte: Georg Wittberger, 2017.

Uma obra marcante na história das construções em CAD foram as Torres


Gêmeas Petronas em Kuala Lumpur (Malásia) que foi concluída no ano de 1988.
Cada uma das torres tem 452 m de altura, 88 pavimentos e cerca de 218.000 m²
construídos. A estrutura das torres conta com pilares circulares periféricos e um
sistema que diminui a resistência à medida que a altura aumenta, sendo que até o
23° pavimento os pilares possuem um fck de 80 MPa, diminuindo para 60MPa até o
61° pavimento e daí para cima com 40 MPa.
O núcleo dos dois edifícios é composto de paredes diafragma em CAD,
que possuem alojadas as caixas dos elevadores e escadas que são interligadas às
colunas cilíndricas periféricas através de vigas metálicas steel deck com formas como
podemos ver em na figura b abaixo, o que explica a elevada rigidez da estrutura.
Imagem 6: a) Dimensões das colunas e classes do concreto. b) Planta baixa do
esquema estrutural do pavimento típico

Fonte: THORTON et al., 1997.


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8 Obras de infraestrutura em CAD

As infraestruturas precisam ser bastante resistentes e apresentar maior


desempenho e vida útil, dessa forma o uso do CAD torna-se uma alternativa
interessante. Visando uma economia de materiais e uma maior rapidez na construção
dos elementos, o uso de CAD vem sendo popularizado na construção de pontes
estaiadas, em que o concreto é usado nas partes a serem comprimidas e o aço nas
partes tracionadas, permitindo até mesmo a utilização de maiores vãos.
Um exemplo do uso do CAD na construção de pontes é o caso da Ponte
Stichtse na imagem 7, na Holanda. inicialmente projetada com concreto C45, mas
passou por modificações e foi recalculada para concreto C85, essa mudança reduziu
em 30% o volume de concreto, o peso próprio e o custo, além de permitir o aumento
dos balanços das vigas-caixão de 3,6 m para 5 m.

Imagem 7: Ponte Stichtse, Holanda.

Fonte: Mapcarta, 2021.

9 Concreto de Ultra-Alto Desempenho.

Há também um concreto com um desempenho superior, o Ultra-High


Performance Concrete (UHPC) ou em portugues Concreto de Ultra-Alto Desempenho
(CUAD). Esse concreto especial pode ser chamado também de Concreto de Pós
Reativo (RPC - sigla em inglês).
Para a fabricação do CUAD, devem ser utilizadas partículas finas, além de
várias adições minerais e de aditivos superplastificantes, para trabalhar-se com a
menor relação a/ag possível. Basicamente a mistura é composta por Cimento
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Portland, sílica-ativa, pó de quartzo, areia de sílica fina, água, superplastificantes,


aditivo redutor de água de grande alcance e microfibras orgânicas ou de aço.
O princípio do CPR é a ausência de agregado graúdo, sendo o tamanho
médio das partículas de 0,2 mm, é daí que vem o nome de Concreto de Pós Reativos.
Porém, de acordo com o ponto de vista da granulometria, esse tipo de cimento deveria
ser considerado uma argamassa, no entanto as propriedades observadas são as
mesmas de um concreto comum, mas em um grau muito mais elevado, dessa forma
prevaleceu o termo concreto devido ao desempenho desse material.
O conceito do CUAD baseia-se em três princípios, o de que eliminando as
partículas grossas, aumenta-se a homogeneidade do material permitindo a melhoria
das propriedades mecânicas; o segundo é o aumento da compacidade pela
otimização das dimensões dos grãos dos pós e por último o refinamento da
microestrutura da pasta hidratada por tratamento de calor.
Mesmo sendo muito interessante e com propriedades surpreendentes,
esse tipo de concreto ainda é uma tecnologia inacessível para maioria das empresas
do Brasil. Pois seu processo de fabricação e cura exige altas temperaturas e
pressões. Além disso, as fibras metálicas específicas para esse fim não são
comercialmente disponíveis no país, agregando o custo de importação das matérias-
primas. Por isso, para que a tecnologia seja empregada em um maior número de
obras, são necessários estudos que comprovem a viabilidade econômica do material.

REFERÊNCIAS

AÏTCIN, P.C. Concreto de alto desempenho. 1. ed. São Paulo: PINI, 2000.

TUTIKIAN, B. F.; ISAIA, G. C.; HELENE, P. Concreto: Ciência e Tecnologia:


Concreto de Alto e Ultra-Alto Desempenho. Cap.36. IBRACON, 2011.

Associação Brasileira de normas técnicas. NBR 8953: Concreto para fins


estruturais: Classificação pela massa específica, por grupos de resistência e
consistência. Rio de Janeiro, 2015.

American Concrete Institute. High Performance Concrete. Disponível em: <High


Performance Concrete Topic>. Acesso em 24 de junho de 2021.
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