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Problemas de Geometria

Analı́tica
Carlindo Vitoriano
Conteúdo

1 O Plano 5

2 Vetores em Duas Dimensões 29

3 Reta em Duas Dimensões 51

4 Circunferência 79

5 Cônicas 99

6 Translação e rotação de eixos 123

7 Vetores em três dimensões 135

8 Reta em três dimensões 149

9 Plano 161

10 Esfera 185

11 Quádricas 199

3
Capı́tulo 1
O Plano

Plano cartesiano
Dados dois números reais x e y, formamos o par ordenado (x, y) quando
x é escolhido como a primeira coordenada do par e y é escolhido como
a segunda coordenada do par. Dois pares ordenados são iguais quando
suas coordenadas correspondentes são iguais:

(x, y) = (x′ , y ′ ) ⇔ x = x′ e y = y′.

Podemos representar geometricamente o par ordenado (x, y) como um


ponto no plano cartesiano que definimos a seguir. Considere duas retas
perpendiculares num plano conforme mostra a figura 1.1. Escolhem-se

P
s
y

O x

r
Figura 1.1

a reta horizontal como o eixo x (ou eixo das abscissas) e a reta vertical
como o eixo y (ou eixo das ordenadas). As retas se cruzam no ponto

5
O, que é chamado de origem, sendo associado ao par (0, 0). As retas
pontilhadas r e s se cruzam no ponto P , que é a representação geomé-
trica do par (x, y); uma das retas pontilhadas é paralela ao eixo x e a
outra é paralela ao eixo y.
O conjunto
R2 = { (x, y) | x ∈ R e y ∈ R }
é chamado de plano cartesiano; qualquer um de seus subconjuntos não-
vazios é chamado de lugar geométrico.

Problema 1.1 Represente geometricamente os pares ordenados A(1, 3),


B(−2, 4), C(−1, −5), D(3, −2), E(0, 2) e F (−4, 0).

Resposta:

F
O x

Problema 1.1. Cada quadrı́cula tem lado unitário.

Problema 1.2 Determine a e b para que se tenha

(2a + b, 3a − 7b) = (7, 8).


Solução: Da igualdade entre pares ordenados, podemos fazer as seguintes
identificações: 
2a + b = 7
3a − 7b = 8.
A solução do sistema acima é dada por
57 5
a= e b= .
17 17

Problema 1.3 Verifique se o ponto A(3, 7) pertence ao lugar geométrico


definido pela equação

C : x2 + y 2 − 2x − 6y = 4.

Solução: A substituição de x = 3 e y = 7 na equação implica

10 = 4.

Isso obviamente é um absurdo. Logo, o ponto A não pertence ao lugar


geométrico.

Problema 1.4 O ponto A(−3, b) pertence ao lugar geométrico

r : 7x + 8y − 5 = 0.

Determine o valor de b.

Solução: A substituição das coordenadas de A na equação acarreta


13
8b = 26 ⇒ b= .
4

Problema 1.5 Mostre que o lugar geométrico definido pela equação

4x2 + 16y 2 + 4x + 48y + 37 = 0

representa apenas um ponto.


Solução: A substituição das identidades

4x2 + 4x = (2x + 1)2 − 1,

16y 2 + 48y = (4y + 6)2 − 36


na equação acima implica

(2x + 1)2 + (4y + 6)2 = 0.

Está claro que se

2x + 1 6= 0 ou 4y + 6 6= 0,

então o primeiro membro é positivo. Logo, devemos ter


1
2x + 1 = 0 ⇒ x=− ,
2
e também
3
4y + 6 = 0 ⇒y=− .
2
Em outras palavras, apenas o ponto P (−1/2, −3/2) satisfaz a equação
dada.

Problema 1.6 A equação

x2 + ax + y 2 − by + c = 0

é satisfeita apenas pelo ponto P (3, 4). Determine os valores de a, b e c.

Resposta: a = −6, b = 8 e c = 25.

Problema 1.7 Verifique que a equação

x2 + 9y 2 + 6x + 6y + 12 = 0

não é satisfeita por nenhum ponto do plano.

Solução: Dado que

x2 + 6x = (x + 3)2 − 9 e 9y 2 + 6y = (3y + 1)2 − 1,

então a equação dada pode ser reescrita na forma

(x + 3)2 + (3y + 1)2 = −2.


Está claro que o primeiro membro jamais pode ser negativo. Logo, não
existe P (x, y) que satisfaça a equação dada. Em outras palavras, nenhum
lugar geométrico está associado a essa equação.

Problema 1.8 Identifique o lugar geométrico associado à equação

x2 − 2xy + 2y 2 + 3 = 0.

Solução: Notando que

(x − y)2 = x2 − 2xy + y 2 ,

então podemos reescrever a forma quadrática na seguinte forma:

(x − y)2 + y 2 + 3 = 0.

Como o primeiro membro é sempre positivo, segue que nenhum lugar


geométrico está associado à equação.

Problema 1.9 Determine todos os valores de a de modo que a equação

x2 − 3x + 2y 2 + y + a = 0

não seja satisfeita por nenhum ponto do plano.

Solução: A substituição das identidades


 2
2 3 9
x − 3x = x − − ,
2 4
2


2 1 1
2y + y = y 2 + √ −
2 2 8
na equação dada implica
2  2


3 1 19
x− + y 2+ √ = − a.
2 2 2 8
Esta equação não tem solução se
19 19
−a<0 ⇒ a> .
8 8
Problema 1.10 Calcule a interseção entre os lugares geométricos

r : 3x − y + 6 = 0,

C : (x − 1)2 + (y − 4)2 = 16.

Solução: Da primeira equação, deduz-se que

y = 3x + 6.

A substituição desse resultado na segunda equação conduz à seguinte


equação do segundo grau

10x2 + 10x − 11 = 0,

cujas raı́zes são


√ √
5− 135 5+ 135
x1 = e x2 = .
10 10
A interseção entre os lugares geométricos é o conjunto de pontos

{P (x1 , 3x1 + 6), Q(x2 , 3x2 + 6)}.

Problema 1.11 Os lugares geométricos

x2 + y 2 = a2 e 2x + y = 3

possuem apenas um ponto em comum Q. Obtenha o valor de a e o ponto


Q.

Solução: A substituição de y = −2x + 3 na primeira equação implica

5x2 − 12x + 9 − a2 = 0.

Esta equação deve admitir apenas uma única raiz, logo seu discriminante
deve ser nulo:
9
20a2 = 36 ⇒ a2 = .
5
Segue então
6 3
x= e y= ⇒ Q(6/5, 3/5).
5 5
Problema 1.12 A interseção entre os lugares geométricos
r : ax + 2y = b e s : bx − a2 y = −3
é o ponto Q(2, 3). Determine os valores de a e b.
Solução: O ponto Q pertence tanto a r como a s:
Q∈r ⇒ 2a + 6 = b,
Q∈s ⇒ 2b − 3a2 = −3.
A eliminação de b da segunda equação em favor de a implica
3a2 − 4a − 15 = 0,
cuja solução é a seguinte:
5 8
a=− ⇒ b= ou a = 3 ⇒ b = 12.
3 3

Distância entre pontos


Distância entre pontos é uma grandeza geométrica fundamental. Intuiti-
vamente, ela está relacionada ao comprimento do segmento de reta que
une dois pontos quaisquer. Consideremos dois pontos do plano A(x1 , y1 )
e B(x2 , y2 ). Da figura 1.2, vemos que a distância entre os pontos A e B

B
y2

A
y1 C

O x1 x2

Figura 1.2

é a medida da hipotenusa do triângulo ABC. Claramente, a distância


entre os pontos A e C é |x2 − x1 | e entre os pontos B e C é igual a
|y2 − y1 |. Aplicamos então o celebrado teorema de Pitágoras para obter
p
d(A, B) = (x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2 .
Problema 1.13 Dados os pontos A(3, 5), B(−2, −4) e C(−1, 6), veri-
fique explicitamente que d(A, B) ≤ d(A, C) + d(C, B).

Solução: As distâncias entre os pares de pontos são facimente calcu-


ladas: √ √ √
d(A, B) = 106, d(A, C) = 17, d(C, B) = 101.
√ √ √
Está claro que 106 ≤ 17 + 101. Veja Problema 1.36 adiante.

Problema 1.14 A mediatriz de um segmento de reta AB é o conjunto


definido por
d(P, A) = d(P, B),
ou seja, cada ponto P (x, y) da mediatriz é equidistante das extremidades
do segmento de reta. Obtenha então a equação da mediatriz do segmento
de reta AB, onde A(−1, 2) e B(3, 5).

Solução: Para que P (x, y) seja equidistante dos pontos A e B, devemos


ter d(P, A) = d(P, B), ou seja,
p p
(x + 1)2 + (y − 2)2 = (x − 3)2 + (y − 5)2 .

Após igualar os radicandos e prosseguir com a simplificação, obtemos a


expressão
8x + 6y = 29.

Problema 1.15 Determine a mediatriz do segmento de reta AB, em


que A(3, 4) e B(1, −1).

Resposta: 4x + 10y = 23.

Problema 1.16 A mediatriz do segmento de reta AB é dada por

4x − 5y = 6.

Se A(2, −3), então determine o ponto B.


Solução: Seja B(x0 , y0 ) o ponto procurado. A mediatriz do segmento
AB é dada por

x2 + y02 − 13
 
2 − x0
y= x+ 0 ,
3 + y0 2(3 + y0 )

onde temos assumido y0 + 3 6= 0. Essa reta deve ser idêntica à reta

4 6
y= x− .
5 5
Logo, devemos ter

2 − x0 4 x20 + y02 − 13 6
= e =− .
3 + y0 5 2(3 + y0 ) 5

Da primeira equação, segue

(5x0 + 2)
y0 = − .
4
A seguir substituı́mos isso na segunda equação logo acima para obter

41x20 − 28x0 − 108 = 0.

A solução é
54
x0 = 2 ou x0 = − .
41
É interessante notar que

x0 = 2 ⇒ y0 = −3,

ou seja, B = A. Claramente, a solução é

B(−54/41, 47/41).

Problema 1.17 O ponto Q(2, 3) pertence à mediatriz do segmento de


reta AB, onde A(1, −1) e B(5, a). Obtenha o valor de a.

Solução: A mediatriz do segmento AB é facilmente obtida:

8x + 2(1 + a)y − 23 − a2 = 0.
Dado que o ponto Q pertence à mediatriz, então a substituição de x = 2
e y = 3 nesta equação implica
a2 − 6a + 1 = 0.
Logo, √ √
a=3−2 2 ou a = 3 + 2 2.

Problema 1.18 Obtenha todos os pontos de R2 que são equidistantes


dos pontos A(−1, 1), B(2, 3) e C(1, −2).
Solução: Seja P (x, y) o ponto procurado. Então
d(P, A) = d(P, B) ⇒ 6x + 4y = 11,
d(P, A) = d(P, C) ⇒ 4x − 6y = 3.
A solução do sistema de equações acima fornece o ponto P (3/2, 1/2).

Problema 1.19 Obtenha todos os pontos de R2 que são equidistantes


dos pontos A(−1, 8), B(1, 2) e C(2, −1).
Solução: Para que o ponto P (x, y) satisfaça as condições do problema,
devemos ter
d(P, A) = d(P, B) ⇒ x − 3y = −15,
d(P, B) = d(P, C) ⇒ x − 3y = 0.
É impossı́vel resolver o sistema acima, logo não existe ponto do plano
que seja equidistante dos pontos dados.

Problema 1.20 Obtenha todos os pontos do plano que são equidistantes


dos pontos A(−1, 2), B(3, 4), C(5, −3) e D(−3, 6).

Seja P (x, y) o ponto procurado. Então, é necessário que se tenha o


seguinte:
d(P, A) = d(P, B) ⇒ 2x + y = 5,
d(P, A) = d(P, C) ⇒ 12x − 10y = 29,
d(P, A) = d(P, D) ⇒ −x + 2y = 10.
O sistema acima é equivalente ao sistema

 −x + 2y = 10
5y = 25 ⇒ y=5
14y = 149 ⇒ y = 149/14,

que é impossı́vel. Logo, não existe P .

Problema 1.21 Sejam A(1, 2) e B(4, 3) dois pontos de R2 . Obtenha


todos os pontos do plano que satisfazem o seguinte conjunto de equações:

d(P, A) = 2
d(P, B) = 4.

Solução: Da definição de distância entre pontos, segue

d(P, A) = 2 ⇒ x2 + y 2 − 2x − 4y + 1 = 0, (1.1)
2 2
d(P, B) = 4 ⇒ x + y − 8x − 6y + 9 = 0. (1.2)

De (1.1) obtem-se
x2 + y 2 = 2x + 4y − 1. (1.3)
A substituição de (1.3) em (1.2) implica

y = 4 − 3x. (1.4)

A substituição de (1.4) em (1.1) implica



2 7 ± 39
10x − 14x + 1 = 0 ⇒ x= .
10
Há dois pontos
√ √ ! √ √ !
7 − 39 19 + 3 39 7 + 39 19 − 3 39
P1 , , P2 , .
10 10 10 10

Problema 1.22 Obtenha todos os pontos P (x, y) do plano que satis-


fazem o conjunto de equações:

d(P, A) = 3
d(P, B) = 5,

onde A(0, 0) e B(1, 2).


Resposta: Existem dois pontos:
√ √ ! √ √ !
−11 − 2 59 59 − 22 −11 + 2 59 − 59 − 22
P , ou P , .
10 10 10 10

Problema 1.23 Dados os pontos A(1, 1) e B(−1, 3), obtenha a equação


que deve ser satisfeita pelas coordenadas de P (x, y) para que se tenha
d(P, A) = 2 d(P, B).
Solução: A equação procurada é
p p
(x − 1)2 + (y − 1)2 = 2 (x + 1)2 + (y − 3)2 .
Elevamos agora ambos os membros ao quadrado. Após simplificação,
obtem-se
3x2 + 3y 2 + 10x − 22y + 38 = 0.

Problema 1.24 Sejam A(1, 1) e B(3, 2) dois pontos do plano. Mostre


que o lugar geométrico definido por d(P, B) = 2 d(P, A), onde P (x, y),
pode ser escrito na forma
(x − x0 )2 + (y − y0 )2 = r2
e então identifique os parâmetros x0 , y0 e r.
Solução: O lugar geométrico é definido pela equação
p p
(x − 3)2 + (y − 2)2 = 2 (x − 1)2 + (y − 1)2 .
Após elevar ambos os membros ao quadrado e prosseguir com a simpli-
ficação, obtem-se
3x2 + 3y 2 − 2x − 4y = 5.
A seguir, dividimos toda a equação por 3 e completamos os quadrados.
O resultado final é
 2  2
1 2 20
x− + y− = .
3 3 9
Está claro agora que

1 2 2 5
x0 = , y0 = , r= .
3 3 3
Problema 1.25 Determine o valor de m para que o triângulo de vértices
A(0, 1), B(m, 0) e C(2, m) seja retângulo.

Solução: Em primeiro lugar, calculemos as distâncias entre os pontos:


p
d(A, B) = m2 + 1,
p
d(A, C) = 4 + (m − 1)2 ,
p
d(B, C) = (m − 2)2 + m2 .
Uma vez que se trata de um triângulo retângulo, vale o teorema de
Pitágoras. Vamos assumir que o segmento AB é a hipotenusa. Então

d2 (A, B) = d2 (A, C) + d2 (B, C),

m2 + 1 = 4 + (m − 1)2 + (m − 2)2 + m2 .
Isso implica 3 + (m − 1)2 + (m − 2)2 = 0 que claramente não tem solução.
Tomemos agora o segmento AC como a hipotenusa. Logo,

4 + (m − 1)2 = m2 + 1 + (m − 2)2 + m2

que implica 2m(m − 1) = 0. Obviamente, a solução é m = 0 ou m = 1.


Por fim, consideremos o segmento BC como a hipotenusa. Então, a
validade do teorema de Pitágoras implica

(m − 2)2 + m2 = m2 + 1 + 4 + (m − 1)2 .

Quando simplificada, a equação reduz-se a 2m = −2 cuja solução é


m = −1.

Problema 1.26 Dados os pontos A(2, 3) e B(−4, 1), encontre todos os


pontos P (x, y) de R2 que satisfazem a condição d(P, A) = 3 + d(P, B).

Solução: As coordenadas de P devem satisfazer a seguinte equação:


p p
(x − 2)2 + (y − 3)2 = 3 + (x + 4)2 + (y − 1)2 .

Elevamos agora ambos os membros ao quadrado e em seguida simplifi-


camos a equação. O resultado é
p
12x + 4y + 13 = −6 (x + 4)2 + (y − 1)2 .

Elevamos novamente ambos os membros ao quadrado. Após simpli-


ficação, obtemos finalmente

108x2 − 20y 2 + 96xy + 24x + 176y − 443 = 0.


Para finalizar, salientamos que
d(P, A) = 3 + d(P, B) ⇒ 108x2 − 20y 2 + 96xy + 24x + 176y − 443 = 0,
mas o inverso não é verdade. Com efeito, os pontos
P1 (2, 37/2) e P2 (2, −1/10)
satisfazem a equação obtida, contudo
d(P1 , A) = −3 + d(P1 , B),
d(P2 , A) = −3 + d(P2 , B).
Fica assim evidenciado que devemos ter cuidado quando elevamos ambos
os membros de uma equação ao quadrado. Erro pode ser introduzido.
Se, por outro lado, a equação a ser resolvida fosse |d(P, A)−d(P, B)| = 3,
não haveria erro.

Problema 1.27 Os pontos A(1, 2) e B(3, −1) são vértices de um triângulo


equilátero. Determine o terceiro vértice do triângulo.
Solução: Seja C(x, y) o vértice procurado. Por se tratar de um
triângulo equilátero, devemos ter
p √
d(C, A) = (x − 1)2 + (y − 2)2 = d(A, B) = 13,
p √
d(C, B) = (x − 3)2 + (y + 1)2 = d(A, B) = 13.
Decorre das condições acima que
p p
(x − 1)2 + (y − 2)2 = (x − 3)2 + (y + 1)2 ,
e isso implica
4x − 5
y= .
6
A substituição de y em (x − 1)2 + (y − 2)2 = 13 implica
52x2 − 208x − 143 = 0, ou 4x2 − 16x − 11 = 0,
cuja solução é dada por
√ √
3 3 3 3
x=2− ou x = 2 + .
2 2
Logo qualquer um dos pontos abaixo pode servir como o terceiro vértice:
√ ! √ !
3 3 1 √ 3 3 1 √
C 2− , − 3 ou C 2 + , + 3 .
2 2 2 2
Problema 1.28 Dados os pontos A(2, 3) e B(4, 5), obtenha o ponto
médio do segmento de reta AB.
Solução: Seja M (x, y) esse ponto. Logo
1 √
d(A, M ) = d(B, M ) = d(A, B) = 2.
2
Da condição d(A, M ) = d(B, M ) segue x + y = 7. Isso permite obter a
distância d(A, M ) em função apenas de x:
p p
d(A, M ) = (x − 2)2 + (y − 3)2 = 2x2 − 12x + 20.

A equação d(A, M ) = 2 implica 2x2 − 12x + 20 = 2, ou equivalente-
mente,
x2 − 6x + 9 = 0.
Há apenas uma solução, a saber, x = 3. Consequentemente, y = 7 − x =
4. O ponto médio é M (3, 4).

Problema 1.29 Vamos agora generalizar o problema 1.28. Dados dois


pontos distintos A(xa , ya ) e B(xb , yb ), encontre o ponto médio do seg-
mento de reta AB.
Solução: Seja M (xm , ym ) o ponto médio. Por ser d(M, A) = d(M, B),
então
(xm − xa )2 + (ym − ya )2 = (xm − xb )2 + (ym − yb )2 .
Após simplificação, obtem-se
2xm (xb − xa ) + 2ym (yb − ya ) = x2b − x2a + yb2 − ya2 . (1.5)
Exige-se também que d(A, B) = 2d(M, A), ou seja,
p p
2 (xm − xa )2 + (ym − ya )2 = (xb − xa )2 + (yb − ya )2 . (1.6)
Há dois casos a considerar.

Caso 1: Em primeiro lugar, vamos considerar o caso em que se tem


ya = yb . Por ser A e B pontos distintos, então xa 6= xb . De (1.5) segue
xa + xb
xm = .
2
A substituição desse valor em (1.6) implica
ym = ya . (1.7)
Caso 2: Vamos agora assumir que ya 6= yb . De (1.5) segue
x2b − x2a
 
ya + yb xb − xa
ym = + − xm . (1.8)
2 2(yb − ya ) yb − ya
Após uma longa álgebra, a substituição de (1.8) em (1.6) implica
"  2 #
xb − xa
1+ [2xm − (xa + xb )]2 = 0.
yb − ya

Existe apenas a solução


xa + xb
xm = .
2
A substituição dessa expressão para xm na eq. (1.8) implica
ya + yb
ym = .
2
Como esperado, a expressão acima fornece ym = ya [veja eq. (1.7)] para
o caso particular discutido em primeiro lugar.

Problema 1.30 Dados os pontos A(−1, −3) e B(2, −4), encontre os


pontos que dividem o segmento de reta AB em quatro partes iguais.

Solução: Sejam C, D e E os pontos procurados. Note que D é o ponto


médio do segmento de reta AB. De acordo com o problema 1.29, suas
coordenadas são
1 7
xd = e yd = − .
2 2
Note que agora C é o ponto médio do segmento AD e E é o ponto médio

C D E
A B
Problema 1.30

do segmento DB. Logo


1 13 5 15
xc = − , yc = − , xe = e ye = − .
4 4 4 4
Problema 1.31 Dados os pontos A(2, 3) e B(5, 1), determine as coor-
denadas dos dois pontos que dividem o segmento de reta AB em três
partes iguais.
Solução: Sejam C(xc , yc ) e D(xd , yd ) os pontos a serem encontrados.
O ponto C é o ponto médio do segmento AD. Logo,
2 + xd 3 + yd
xc = , yc = .
2 2
O ponto D, por sua vez, é o ponto médio do segmento CB. Isso implica
5 + xc 1 + yc
xd = , yd = .
2 2
Os sistemas de equações acima podem ser facilmente resolvidos. Com
efeito, o sistema  2 + xd
 xc =

2

 x = 5 + xc


d
2
implica xc = 3 e xd = 4. Analogamente, obtem-se yc = 7/3 e yd = 5/3.
Logo, os pontos procurados são C(3, 7/3) e D(4, 5/3).

C D

A B

Problema 1.31

Problema 1.32 Vamos agora generalizar o problema 1.31. Dados os


pontos A(xa , ya ) e B(xb , yb ), determine as coordenadas dos pontos C e
D que dividem o segmento de reta AB em três partes iguais.
Solução: Sejam C(xc , yc ) e D(xd , yd ) os pontos procurados. Note que
D é o ponto médio do segmento CB. Logo
xc + xb yc + yb
xd = e yd = .
2 2
Note agora que C é o ponto médio do segmento AD, então
xa + xd ya + yd
xc = e yc = .
2 2
Combinando os dois resultados acima, obtem-se
2xa + xb 2ya + yb
xc = e yc = .
3 3
Podemos agora obter as coordenadas do ponto D:
xa + 2xb ya + 2yb
xd = e yd = .
3 3

Problema 1.33 Com relação ao problema 1.32, verifique que


1
d(A, C) = d(C, D) = d(D, B) = d(A, B).
3
Solução: Usando a definição de distância entre pontos, é fácil mostrar
que
p 1p
d(A, C) = (xc − xa )2 + (yc − ya )2 = (xb − xa )2 + (yb − ya )2 ,
3
p 1p
d(C, D) = (xd − xc )2 + (yd − yc )2 = (xb − xa )2 + (yb − ya )2 ,
3
p 1p
d(D, B) = (xb − xd )2 + (yb − yd )2 = (xb − xa )2 + (yb − ya )2 .
3

Problema 1.34 Seja o triângulo retângulo cujos vértices são os pontos


A(0, b), B(a, 0) e C(0, 0). Mostre que o ponto médio da hipotenusa é
equidistante de cada um dos três vértices.
Solução: As coordenadas do ponto médio da hipotenusa M (xm , ym )
são dadas por
a b
xm = e ym = .
2 2
Por ser M o ponto médio da hipotenusa, forçoso é que se tenha
1p 2
d(M, A) = d(M, B) = a + b2 .
2
A distância entre M e a origem, por outro lado, é dada por
s
 a 2  b 2 1p 2
d(M, C) = + = a + b2 .
2 2 2
Isso prova que d(M, A) = d(M, B) = d(M, C).
y

C B x
Problema 1.34

Problema 1.35 Mostre que a soma dos quadrados das distâncias de


qualquer ponto P (x, y) do plano aos vértices opostos de qualquer retân-
gulo, isto é, os pares de pontos A, C e O, B, é igual à soma dos quadrados
de suas distâncias aos outros dois vértices.

A(0,b) B(a,b)

P(x,y)

O C(a,0) x
Problema 1.35

Solução: Da figura, segue imediatamente que


d2 (P, A) = x2 + (y − b)2 ,
d2 (P, O) = x2 + y 2 ,
d2 (P, C) = (x − a)2 + y 2 ,
d2 (P, B) = (x − a)2 + (y − b)2 .
Logo
d2 (P, A) + d2 (P, C) = d2 (P, O) + d2 (P, B)
= x2 + y 2 + (x − a)2 + (y − b)2
e o teorema está provado.

Problema 1.36 Dados três pontos quaisquer A(0, 0), B(0, b), C(c, d)
mostre que
d(B, C) ≤ d(A, C) + d(A, B).

y
C

A B x
Problema 1.36

Solução: Não há perda de generalidade supor que os pontos estão


dispostos como mostra a figura. Desta, segue:
p
d(A, C) = c2 + d2 ,

d(A, B) = b,
p
d(B, C) = c2 + (d − b)2 .
Logo,

d2 (B, C) = c2 + d2 − 2bd + b2 = d2 (A, C) + d2 (A, B) − 2bd.

A seguinte desigualdade é sempre válida:


p
−d ≤ c2 + d2 .

Após multiplicá-la por 2b, segue então


p
−2bd ≤ 2b c2 + d2 .

Em outras palavras,

−2bd ≤ 2d(A, B) d(A, C).


Consequentemente,

d2 (B, C) ≤ d2 (A, C) + d2 (A, B) + 2d(A, B) d(A, C),

ou equivalentemente,

d2 (B, C) ≤ [d(A, B) + d(A, C)]2 .

Está claro que isso implica

d(B, C) ≤ d(A, B) + d(A, C).

Essa desigualdade é chamada de desigualdade triangular, pois em qual-


quer triângulo, a soma dos comprimentos de dois lados quaisquer, é
sempre maior do que o comprimento do lado restante. Os problemas
1.37, 1.38 e 1.39 exploram a situação em que ocorre igualdade.

Problema 1.37 Mostre que os pontos A(−1, 1), B(−2, −2) e C(1, 7)
não são vértices de um triângulo.

Solução: As distâncias entre os pontos dados são



d(A, B) = 10,

d(A, C) = 2 10,

d(B, C) = 3 10.

A soma dos comprimentos dos lados AB e AC é 3 10, que é igual
ao comprimento do lado BC. Logo, os pontos dados não formam um
triângulo.

Problema 1.38 Dados os pontos A(3, 2) e B(5, 1), obtenha todos os


pontos P (x, y) de R2 que satisfazem a equação

d(P, A) + d(P, B) = d(A, B).

Solução: As coordenadas de P satisfazem a seguinte equação:


p p √
(x − 3)2 + (y − 2)2 + (x − 5)2 + (y − 1)2 = 5, (1.9)

ou equivalentemente,
p √ p
(x − 3)2 + (y − 2)2 = 5 − (x − 5)2 + (y − 1)2 .
Elevamos ambos os membros ao quadrado e prosseguimos com a simpli-
ficação. O resultado é então
√ p
2x − y − 9 = − 5 x2 + y 2 − 10x − 2y + 26.

Elevamos novamente tudo ao quadrado para obter

x2 + 4y 2 + 4xy − 14x − 28y + 49 = 0.

Notando que esta equação pode ser reescrita como

(x + 2y − 7)2 = 0,

segue que a solução é dada por

x + 2y − 7 = 0.

A conta não acaba aqui! Precisamos substituir o valor de x = 7 − 2y


na equação (1.9) para determinar quais são os valores permitidos de y.
Após fazer a substituição, obtem-se a equação modular

|y − 2| + |y − 1| = 1,

onde
 
y − 2, y ≥ 2 y − 1, y ≥ 1
|y − 2| = e |y − 1| =
−y + 2, y < 2 −y + 1, y < 1.

Segue então

 −2y + 3, y < 1
|y − 2| + |y − 1| = 1, 1 ≤ y < 2
2y − 3, y ≥ 2.

Está claro que qualquer y no intervalo fechado [1, 2] é solução da equação


modular.

Problema 1.39 Dados os pontos A(1, −1) e B(2, 3), determine a e-


quação satisfeita pelas coordenadas de P (x, y) para que seja impossı́vel
contruir um triângulo com esses três pontos.

Solução: Para não formar triângulo, a desigualdade triangular deve


ser violada. A figura acima mostra os três casos em que isso ocorre.
No caso (i), tem-se d(P, A)+d(P, B) = d(A, B), ou equivalentemente,
p p √
(x − 1)2 + (y + 1)2 + (x − 2)2 + (y − 3)2 = 17. (1.10)
A B A B A B
P P P
(i) (ii) (iii)
Problema 1.39

Passamos o segundo radical para o outro membro e elevamos toda a


equação ao quadrado. Após simplificação, obtemos
√ p
x + 4y − 14 = − 17 x2 + y 2 − 4x − 6y + 13.

Elevamos tudo de novo ao quadrado e procedemos com a simplificação.


O resultado final é

16x2 + y 2 − 8xy − 40x + 10y + 25 = 0,

ou equivalentemente,
(4x − y − 5)2 = 0.
Segue imediatamente que as coordenadas de P satisfazem a equação

y = 4x − 5.

Como foi explicado no problema 1.38, precisamos substituir esse resul-


tado na equação (1.10) para obter o domı́nio de validade. Após fazer
isso, obtemos
|x − 1| + |x − 2| = 1
cuja solução é 1 ≤ x ≤ 2.
Nos casos (ii) e (iii), tem-se respectivamente

d(P, A) + d(A, B) = d(P, B) e d(A, B) + d(P, B) = d(P, A)

que conduzem igualmente a y = 4x − 5. A diferença está no domı́nio de


validade. O caso (ii) implica x < 1 enquanto o caso (iii) exige que se
tenha x > 1. Em resumo, a equação

y = 4x − 5

é válida qualquer que seja x ∈ R (veja problema 3.16).

Problema 1.40 Os pontos A(2, 3), B(5, 1) e C(1, a) não formam um


triângulo. Determine o valor de a.
Solução: Os três pontos devem estar alinhados e

d(C, A) + d(A, B) = d(C, B).

Confira as outras combinações (veja o problema 1.39 e identifique os


pontos C e P )! A substituição dos pontos A, B e C nesta equação
implica p √ p
1 + (a − 3)2 + 13 = 16 + (a − 1)2 .
Seguindo o procedimento descrito no problema 1.39, obtem-se

(3a − 11)2 = 0.

Logo, a = 11/3.

Problema 1.41 Dados os pontos A(2, 3) e B(−1, 4), determine P (x, y)


que satisfaz as seguintes condições:

d(P, A) + d(P, B) = d(A, B),

2 d(P, A) = d(P, B).

Solução: A substituição de P (x, y) na primeira equação implica


p p √
(x − 2)2 + (y − 3)2 + (x + 1)2 + (y − 4)2 = 10.

Isso implica (veja problema 1.38)

x + 3y = 11, 3 ≤ y ≤ 4.

Por outro lado, a substituição de P (x, y) na segunda equação implica

3x2 + 3y 2 − 18x − 16y + 35 = 0.

A solução do sistema de equações é

P1 (5, 2) e P2 (1, 10/3).

O ponto P1 deve ser descartado por violar a desigualdade acima. Logo,


a solução do problema é o ponto P2 .
Capı́tulo 2
Vetores em Duas Dimensões

Um vetor u em duas dimensões é um objeto com duas componentes, x


e y, e indicado pelo sı́mbolo
u = (x, y),
que não deve ser confundido com o ponto P (x, y) de R2 . Para representar
geometricamente um vetor, traçamos uma flecha com origem no ponto
(0, 0) e extremidade no ponto (x, y) [veja figura 2.1(a)]. A flecha assim

(a) (b)
y
u
θ
x

Figura 2.1

construı́da define a representação gráfica do vetor


u = (x, y).
Duas flechas de mesmo comprimento, mesma direção e mesmo sentido
representam graficamente o mesmo vetor [veja figura 2.1(b)]. Dado isso,
a cada par de pontos A(x1 , y1 ) e B(x2 , y2 ), associa-se o vetor
−→
AB≡ (x2 − x1 , y2 − y1 ).

29
O vetor 0 = (0, 0) é chamado de vetor nulo e sua representação gráfica
coincide com a origem.

Operações com vetores


Sejam u = (x1 , y1 ) e v = (x2 , y2 ) vetores, e k ∈ R um escalar. Definem-
se

Soma de vetores:

u + v = (x1 + x2 , y1 + y2 );

Diferença de vetores:

u − v = (x1 − x2 , y1 − y2 );

Multiplicação por escalar:

ku = (kx1 , ky1 );

Produto escalar:
u · v = x1 x2 + y1 y2 ; (2.1)

Módulo de um vetor:
q
|u| = x21 + y12 ,

note que
u · u = |u|2 ; (2.2)

Componentes do vetor u: estão relacionadas ao módulo e à direção


orientada θ [veja figura 2.1(a)] pelas seguintes expressões:

x = |u| cos θ, (2.3)


y = |u| sin θ. (2.4)

Problema 2.1 Dados u = (1, 2) e v = (3, −4), calcule: (a) 3u; (b)
2u − v; (c) |u + v|.
Solução: (a) Por definição

3u = (3.1, 3.2) = (3, 6).

(b) Empregando novamente as definições, temos

2u − v = 2(1, 2) − (3, −4) = (2 − 3, 4 + 4) = (−1, 8).

(c) Em primeiro lugar, calculamos a soma dos vetores:

u + v = (1, 2) + (3, −4) = (4, −2).


p √
Logo, |u + v| = 42 + (−2)2 = 20.

Problema 2.2 Sejam os vetores u = (3, 4), v = (1, −2) e w = (−2, 3).
Calcule: (a) 3u + 4v − 2w; (b) |2u − v + 3w|; (c) (u − 2v) · (3w + v).

Resposta: (a) (17, −2); (b) 362; (c) 51.

Problema 2.3 Dados os vetores u = (1, 3) e v = (2, −1), obtenha w


para que se tenha 3u + 2v − 5w = 0.

Resposta: w = (7/5, 7/5).

Problema 2.4 Obtenha x e y tal que

w = xu + v,

onde u = (1, 3), v = (2, −5) e w = (3, 7).


29 2
Resposta: x = e y= .
11 11

Problema 2.5 Dado o vetor u = (3, 4), calcule o ângulo orientado θ.



Solução: O módulo de u é dado por |u| = 32 + 42 = 5. Logo,
3 4
cos θ = e sin θ = .
5 5
O ângulo orientado é do primeiro quadrante e vale

θ = arcsin(4/5),
ou equivalentemente,
θ = arccos(3/5).

Problema 2.6 Dados os vetores u = (3, 4), v = (−2, 3) e w = (4, −5),


obtenha o ângulo orientado do vetor 3u + 2v − 5w.

Solução: Cálculo direto conduz a



3u + 2v − 5w = (−15, 43) ⇒ |3u + 2v − 5w| = 2074.

Logo,
15 43
cos θ = − √ e sin θ = √ .
2074 2074
O ângulo orientado é do segundo quadrante e é igual a

θ = arccos(−15/ 2074).

É importante identificar de antemão o quadrante do ângulo orientado


para não se cometer
√ erro. Com efeito, nesse caso especı́fico o ângulo
θ = arccos(43/ 2074) é do primeiro quadrante!

Problema 2.7 Na figura abaixo, tem-se |u| = 3, |v| = 4, cos θ = 3/4 e


cos ϕ = 2/5. Obtenha 2u − 3v.

v u
φ θ
x
Problema 2.7

Solução: Em primeiro lugar, calculamos os senos dos ângulos:



p 7
2
sin θ = 1 − cos θ = ,
4

p 21
sin ϕ = 1 − cos2 ϕ = .
5
Os ângulos orientados dos vetores u = (x1 , y1 ) e v = (x2 , y2 ) são, res-
pectivamente, iguais a θ e π − ϕ. As componentes dos vetores são as
seguintes: √
9 3 7
x1 = |u| cos θ = , y1 = |u| sin θ = ,
4 4

8 4 21
x2 = |v| cos (π − ϕ) = − , y2 = |v| sin (π − ϕ) = .
5 5
Finalmente,
3 √ √
2u − 3v = (31, 5 7 − 8 21).
10

Problema 2.8 O ângulo orientado do vetor u = (a, 5) é 2π/3. Deter-


mine o valor de a.

Resposta: a = −5/ 3.

Problema 2.9 Dados os vetores u = (x1 , y1 ), v = (x2 , y2 ) e w =


(x3 , y3 ), mostre que u · (v + w) = u · v + u · w.

Solução: Por definição

u · (v + w) = (x1 , y1 ) · (x2 + x3 , y2 + y3 )
= x1 (x2 + x3 ) + y1 (y2 + y3 )
= x1 x2 + y1 y2 + x1 x3 + y1 y3
= u · v + u · w.

Problema 2.10 Dados os pontos A(2, −1) e B(5, 7), determinar P (x, y)
−→ −→
tal que AP = 3 P B.
17
Resposta: x = e y = 5.
4
Problema 2.11 Dados os pontos A(2, 3), B(−4, 1) e C(7, 6), obtenha
m de modo que se tenha
−→ −→
|m AC + AB | = 7.

Solução: É fácil mostrar que


−→ −→ p
|m AC + AB | = 34m2 − 72m + 40.

Isso implica que


34m2 − 72m + 40 = 49,
donde segue √
36 ± 3 178
m= .
34

Problema 2.12 Sejam A(x1 , y1 ) e B(x2 , y2 ) dois pontos do plano. Mostre


−→
que | AB | = d(A, B).

Solução: Por definição,


−→
AB= (x2 , y2 ) − (x1 , y1 ) = (x2 − x1 , y2 − y1 ).

De acordo com a definição de módulo de vetor, temos


−→ p
| AB | = |(x2 − x1 , y2 − y1 )| = (x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2 = d(A, B).

Problema 2.13 Dados os pontos A(x1 , y1 ), B(x2 , y2 ) e C(x3 , y3 ), ve-


rifique que
−→ −→ −→
AB + BC=AC .
A figura abaixo ilustra geometricamente esse resultado.

Solução: Por definição, temos


−→
AB= (x2 − x1 , y2 − y1 ),
−→
BC= (x3 − x2 , y3 − y2 ).
B
BC
AB

A C
AC
Problema 2.13

Segue então
−→ −→
AB + BC= (x2 − x1 , y2 − y1 ) + (x3 − x2 , y3 − y2 )
−→
= (x3 − x1 , y3 − y1 ) =AC .

Problema 2.14 Obtenha o ponto médio do segmento AB, onde A(xa , ya )


e B(xb , yb ).

A M B
Problema 2.14

Solução: Seja M (xm , ym ) o ponto médio do segmento. Isso implica


−→ −→
que AM =M B:

(xm − xa , ym − ya ) = (xb − xm , yb − ym ).

Logo,
xa + xb
xm − xa = xb − xm ⇒ xm = ,
2
ya + yb
ym − ya = yb − ym ⇒ ym = .
2
Veja problema 1.29 para comparação.
Problema 2.15 Mostre que qualquer vetor u = (x, y) pode ser escrito
como
u = xi + yj,
onde i = (1, 0) e j = (0, 1).

Solução: Usando a definição de soma de vetores, temos

u = (x, y) = (x, 0) + (0, y).

Agora fazemos uso da definição de produto escalar por um vetor para


obter
(x, 0) = x(1, 0) e (0, y) = y(0, 1).
Logo
u = x(1, 0) + y(0, 1) = xi + yj.

Problema 2.16 Na figura abaixo, tem-se |u| = 3 e |v| = 4. Determine


w.

y
w

u
v
60° 45°
x

Problema 2.16

Solução: Da figura, segue



◦ 3 ◦3 3
u = |u| cos 60 i + |u| sin 60 j = i + j,
2 2
4 4
v = |v| cos 45◦ i + |v| sin 45◦ j = √ i + √ j.
2 2
Podemos agora obter w:
  √ !
4 3 4 3 3
w =v−u= √ − i+ √ − j.
2 2 2 2

Problema 2.17 Mostre que |ku| = |k| |u|.

Solução: Seja u = (x, y). Então, ku = (kx, ky). Logo,


p p √ p
|ku| = (kx)2 + (ky)2 = k 2 (x2 + y 2 ) = k 2 x2 + y 2 = |k| |u|.

Problema 2.18 Calcule o ângulo orientado de ku em função do ângulo


orientado de u.

Solução: Seja θ o ângulo orientado de u = (x, y). Então


x y
cos θ = e sin θ = .
|u| |u|

Seja φ o ângulo orientado de ku = (kx, ky). Isso implica


kx ky
cos φ = e sin φ = .
|ku| |ku|
De acordo com o problema 2.17, temos

|ku| = |k| |u|.

Fazendo então uso desse resultado, segue então


kx k
cos φ = = cos θ,
|k| |u| |k|
ky k
sin φ = = sin θ.
|k| |u| |k|
Se k > 0 então |k| = k. Logo,

cos φ = cos θ e sin φ = sin θ ⇒ φ = θ.


y

k u (k>0)
θ
x

k u (k<0)
Problema 2.18

Por outro lado, se k < 0 então |k| = −k e

cos φ = − cos θ = cos(π + θ),

sin φ = − sin θ = sin(π + θ).


Está claro que dessa vez tem-se φ = π + θ. A figura abaixo ilustra a
situação. Os vetores u e ku sempre possuem a mesma direção; apontam
no mesmo sentido para k > 0 e em sentidos opostos para k < 0.

Problema 2.19 Na figura abaixo, ϕ é o ângulo entre os vetores u =


(x1 , y1 ) e v = (x2 , y2 ). Mostre que

u · v = |u| |v| cos ϕ,

onde ϕ é o ângulo entre os vetores u e v.

y
u
φ v
θ1
θ2
x

Problema 2.19
Solução: Fazendo uso das equações (2.3) e (2.4), vemos que as coor-
denadas dos vetores são dadas por

x1 = |u| cos θ1 , y1 = |u| sin θ1 ,

x2 = |v| cos θ2 , y2 = |v| sin θ2 .


Essas relações implicam

x1 x2 + y1 y2 = |u| |v| cos θ1 cos θ2 + |u| |v| sin θ1 sin θ2


= |u| |v|(cos θ1 cos θ2 + sin θ1 sin θ2 ) = |u| |v| cos(θ1 − θ2 ).

Dado que ϕ = θ1 − θ2 e fazendo uso da definição de produto escalar,


eq. (2.1), prova-se o que foi pedido. Note agora que

|u · v| = |u| |v| | cos ϕ|.

Por ser | cos ϕ| ≤ 1, segue então

|u · v| ≤ |u| |v|.

Problema 2.20 Calcule o ângulo entre os vetores u = (2, −4) e v =


(3, 2).

Solução: Uma vez que


√ √
u · v = −2, |u| = 20, e |v| = 13,

então
1 √
cos ϕ = − √ ⇒ ϕ = arccos(−1/ 65).
65

Problema 2.21 Sejam u = (2, 3) e v = (1, 5). Calcule o ângulo entre


os vetores 3u − v e −2u + 3v.

Resposta: arccos(31/41 2).

Problema 2.22 O ângulo entre os vetores u e v é π/3. Obtenha o


ângulo entre os vetores 2u + v e u − 3v, dado que |u| = 2 e |v| = 5.
Resposta: O ângulo procurado φ é dado por
(2u + v) · (u − 3v) 92
cos φ = = −√ .
|2u + v| |u − 3v| 12139

Problema 2.23 Dados os vetores u = (2, 3) e v = (5, 1), obtenha w tal


que 
w·u = 2
w · v = −3.
Solução: Seja w = (x, y) o vetor procurado. Então
w · u = 2x + 3y = 2 e w · v = 5x + y = −3.
A solução do sistema acima é
1
w= (−11, 16).
13

Problema 2.24 Resolva o sistema



 u + v = (2, 3)
u · (3, −1) = 5
v · (7, 6) = 2.

1 1
Resposta: u = (12, 11), v= (−2, 4).
5 5

Problema 2.25 Dizemos que os vetores não-nulos u e v são perpendi-


culares entre si, e escrevemos u ⊥ v, quando o ângulo entre eles é igual
a ϕ = π/2. Como consequência, tem-se
u · v = |u| |v| cos π/2 = 0.
Determine x para que os vetores u = (x, 3) e v = (2, 1) sejam perpendi-
culares.
Solução: Para se ter u ⊥ v, devemos impor a condição u · v = 0. Logo
3
2x + 3 = 0 ⇒ x = − .
2
Problema 2.26 Os vetores u = (x + 1, x2 − 3) e v = (1, 2) são perpen-
diculares. Determine x.

−1 ± 41
Resposta: x = .
4

Problema 2.27 Obtenha todos os vetores de módulo 3 que são perpen-


diculares ao vetor u = (1, 2).

Solução: Seja v = (x, y) um desses vetores. Para que se tenha u ⊥ v


devemos ter
u · v = x + 2y = 0.
Ademais, |v| = 3 e portanto

x2 + y 2 = 9.

A substituição de x = −2y nessa relação implica


3
y = ±√ .
5
Há dois vetores que satisfazem as condições impostas, a saber,
3 3
v = √ (−2, 1) ou v = − √ (−2, 1).
5 5

Problema 2.28 Dado que u + v + w = 0, |u| = 5, |v| = 7 e |w| = 10,


calcule (a) u · v e (b) o ângulo entre v e w.

Solução: (a) Uma vez que u + v + w = 0, segue então

u · (u + v + w) = |u|2 + u · v + u · w = 0 ⇒ u · v + u · w = −25.

Analogamente, deduz-se

u · v + v · w = −49,

u · w + v · w = −100.
Isso nos conduz ao seguinte sistema

 u · v +u · w = −25
u·v +v · w = −49
u · w +v · w = −100,

cuja solução é

u · v = 13, u · w = −38, v · w = −62.

(b) Conhecido o valor de v · w, podemos agora calcular o ângulo entre


esses vetores:
v·w 31
cos ϕ = =− ⇒ ϕ = arccos(−31/35).
|v| |w| 35

Problema 2.29 Na figura abaixo, o vetor Puv é a projeção ortogonal do


vetor u sobre o vetor de v. Mostre que
u · v
Puv = v.
v·v

y
u a
v
Pvu
x
Problema 2.29

Solução: Da figura, vemos que Puv e v são paralelos, isto é,

Puv = kv.

Além disso,
Puv = u + a.
O cálculo de k é como segue:
v · Puv
v · Puv = kv · v ⇒ k= .
v·v
Por outro lado, tem-se

v · Puv = v · (u + a) = v · u + v · a = v · u,
pois v · a = 0 (projeção ortogonal). Consequentemente,
u·v
k=
v·v
e o que foi pedido está provado.

Problema 2.30 Calcule a projeção do vetor u = (1, 3) sobre o vetor


v = (−2, 1).

Solução: Dado que u · v = 1 e v · v = 5, então

1
Puv = (−2, 1).
5

Problema 2.31 Mostre que o módulo da projeção ortogonal de u sobre


v não depende do módulo de v.

Solução: Por definição, a projeção ortogonal de u sobre v é


u · v
Puv = v.
v·v
Segue então que
|u · v|
|Puv | = |v| = |u|| cos ϕ|,
|v · v|
onde ϕ é o ângulo entre u e v. Está claro que |Puv | não depende de |v|.

Problema 2.32 No triângulo abaixo, obtenha o ponto Q fazendo uso do


conceito de projeção ortogonal de vetor e das coordenadas dos vértices
do triângulo:
A(−1, −4), B(2, 5), C(3, −2).

Confirme então que


−→ −→
BQ · AC= 0.
B

A C
Q
Problema 2.32

Solução: Da definição de projeção ortogonal de vetor, segue


 −→ −→ 
−→
AB AB · AC −→
AQ= PAC =  −→ −→  AC= (6, 3).
AC · AC

Logo,
−→
Q = A + (6, 3) = (5, −1) ⇒ BQ= (3, −6).
Note agora que
−→ −→
BQ · AC= (3, −6) · (4, 2) = 0.

Problema 2.33 Seja w = u + v com |u| = |v|. Mostre que o ângulo


entre w e u é igual ao ângulo entre w e v.

u u+ v
α
β
v
Problema 2.33
Solução: Sejam α e β, respectivamente, os ângulos entre w e u, e entre
w e v. Então
u·w |u|2 + u · v
cos α = = ,
|u| |w| |u| |w|
v·w |v|2 + u · v
cos β = = .
|v| |w| |v| |w|
Dado que |u| = |v|, segue então cos α = cos β. Isso, por sua vez, implica
α = β.

Problema 2.34 Sejam u = (x1 , y1 ) e v = (x2 , y2 ) vetores. Mostre que

|u + v|2 = |u|2 + |v|2 + 2u · v.

Solução: Explorando a propriedade (2.2), segue então

|u + v|2 = (u + v) · (u + v) = u · u + u · v + v · u + v · v.

Fazendo uso da identidade u · v = v · u, demonstra-se o que foi pedido.

Problema 2.35 O ângulo entre os vetores a e b é 60◦ . Dado que |a| = 3


e |a + b| = 5, obtenha |b|.

Solução: Fazendo uso do problema 2.34, temos

|a + b|2 = |a|2 + |b|2 + 2a · b = 25.

A substituição de
3
|a| = 3 e a · b = |a| |b| cos 60◦ = |b|
2
na expressão acima conduz a

|b|2 + 3|b| − 16 = 0.

Dado que |b| ≥ 0, somente a solução



73 − 3
|b| =
2
faz sentido.
Problema 2.36 O ângulo entre os vetores u e v é φ = 2π/3, |u| = 2 e
|v| = 5 . Calcule |3u − 4v|.

Solução: De acordo com o problema 2.34, temos

|3u − 4v|2 = 9|u|2 + 16|v|2 − 24|u||v| cos φ.

A substituição dos dados nessa expressão implica

|3u − 4v|2 = 556,

donde segue √
|3u − 4v| = 2 139.

Problema 2.37 Calcule o ângulo entre u e v, dado que |u| = 3, |v| = 4


e |2u + 3v| = 11.

Resposta: φ = arccos(−59/144).

Problema 2.38 Na figura abaixo, a medida do segmento AP vale 1/3


−→ −→
da medida do segmento AC. Escreva o vetor BP em função de BA e
−→
BC.

A C
P
Problema 2.38

−→ 1 −→ 2 −→
Resposta: BP = BC + BA .
3 3
D
B
W
u
C
v
A
Problema 2.39

Problema 2.39 Os pontos A(−2, 4), B(3, 5), C(1, −2) são três vértices
de um paralelogramo. Encontre todos os pontos de R2 que podem ser o
quarto vértice.

Solução: De acordo com a interpretação geométrica de vetores, se os


pontos A, B, C, D são os vértices de um paralelogramo, então (veja
figura)
w = u + v.
Podemos então encontrar três pontos que podem, cada um, ser o quarto
vértice: −→ −→
(i) Tomando u =AB= (5, 1) e v =AC= (3, −6), então
−→
w =AD= u + v = (8, −5) ⇒ D(6, −1);
−→ −→
(ii) Tomando u =BA= (−5, −1) e v =BC= (−2, −7), então
−→
w =BD= u + v = (−7, −8) ⇒ D(−4, −3);
−→ −→
(iii) Tomando u =CA= (−3, 6) e v =CB= (2, 7), então
−→
w =CD= u + v = (−1, 13) ⇒ D(0, 11).

Problema 2.40 Considere o triângulo de vértices A, B e C. Sejam M


e N , respectivamente, os pontos médios dos segmentos AB e BC. Mostre
que o segmento M N é paralelo ao segmento AC e seu comprimento é a
metade deste.
B

M N

A C
Problema 2.40

Solução: Por hipótese,


−→ −→ −→ −→
AM =M B e BN =N C .

Essas relações implicam o seguinte:


−→ −→ −→ −→
AB=AM + M B= 2 M B,
−→ −→ −→ −→
BC=BN + N C= 2 BN .
Por outro lado, temos
−→ −→ −→ −→ −→
AC=AB + BC= 2(M B + BN ).

Notando agora que


−→ −→ −→
M B + BN =M N ,
segue então que
−→ −→
AC= 2 M N .
Dessa igualdade vetorial, podemos concluir que os segmentos AC e M N
são paralelos e o comprimento de M N é a metade do comprimento de
AC.

Problema 2.41 Mostre que as diagonais de um paralelogramo possuem


o mesmo ponto médio.

Solução: Por ser ABCD um paralelogramo, então


−→ −→ −→ −→
AB=DC e BC=AD .
B C

A D
Problema 2.41

Dado que M é o ponto médio da diagonal AC, logo


−→ −→
AM =M C .

Por outro lado,


−→ −→ −→ −→ −→
AC=AB + BC e AC= 2 AM .

Isso implica
−→ 1 −→ −→
AM = (AB + BC).
2
Temos também que
−→ −→ −→ 1 −→ −→ −→ 1 −→ −→
AB + BM =AM = (AB + BC) ⇒ BM = (BC − AB),
2 2
−→ −→ −→ −→ −→ −→ −→ 1 −→ −→
AM + M D=AD=BC ⇒ M D=BC − AM = (BC − AB).
2
Está claro agora que
−→ −→
BM =M D,
donde segue que M também é o ponto médio da diagonal BD.

Problema 2.42 Provar que a soma dos quadrados dos comprimentos


das diagonais de um paralelogramo é igual à soma dos quadrados dos
comprimentos dos lados.

Solução: Por ser


−→ −→ −→ −→ −→ −→
AC=AB + BC e BD=AD − AB,
B C

A D
Problema 2.42

então −→ −→ −→ −→ −→
| AC |2 = | AB |2 + | BC |2 + 2 AB · BC,
−→ −→ −→ −→ −→
| BD |2 = | AD |2 + | AB |2 − 2 AD · AB .
Como se trata de um paralelogramo, temos também
−→ −→ −→ −→
BC=AD e AB=DC .

Logo,
−→ −→ −→ −→ −→ −→
| AC |2 + | BD |2 = | AB |2 + | BC |2 + | DC |2 + | AD |2 .

Problema 2.43 Dado o triângulo abaixo, provar a lei dos co-senos para
triângulos planos:

(BC)2 = (AB)2 + (AC)2 − (AB) (AC) cos θ.

Solução: Da figura segue


−→ −→ −→
AB − AC=CB .

Então,
−→ −→ −→
| AB − AC |2 = | CB |2 ,
−→ −→ −→ −→ −→
| AB |2 + | AC |2 − 2(AB) · (AC) = | CB |2 .
Dado que
−→ −→ −→
| AB |2 = (AB)2 , | AC |2 = (AC)2 , | CB |2 = (BC)2
B

θ C
A
Problema 2.43

e −→ −→ −→ −→
AB · AC= | AB | | AC | cos θ,
logo
(BC)2 = (AB)2 + (AC)2 − (AB) (AC) cos θ.

Problema 2.44 Mostre que

cos(α + β + γ) = cos α cos β cos γ − sin α sin β cos γ


− cos α sin β sin γ − sin α cos β sin γ

fazendo uso das expressões para cos(α + β) e sin(α + β).

Solução: Com efeito,

cos[(α + β) + γ] = cos(α + β) cos γ − sin(α + β) sin γ


= [cos α cos β − sin α sin β] cos γ − [sin α cos β + sin β cos α] sin γ
= cos α cos β cos γ − sin α sin β cos γ
− cos α sin β sin γ − sin α cos β sin γ.

Problema 2.45 Dado o triângulo abaixo, use o problema 2.44 para


mostrar que
cos(α + β + γ) = −1.
Esse resultado ilustra a fato de que a soma dos ângulos internos de qual-
quer triângulo é igual a 180◦ .
B(1,3)

α
A(2,1) γ
C(-1,4)

Problema 2.45

Solução: O ângulo α é determinado como segue:


−→ −→
AB · AC 3 1
cos α = −→ =√
−→ ⇒ sin α = √ ,
| AB | | AC | 10 10

−→ −→
BA · BC 4 3
cos β = −→ −→ =− ⇒ sin β = ,
| BA | | BC | 5 5
−→ −→
CA · CB 3 1
cos γ = −→ = √
−→ ⇒ sin α = √ .
| CA | | CB | 10 10
Então
36 9 9 4
cos(α + β + γ) = − − − + = −1.
50 50 50 50
Capı́tulo 3
Reta em Duas Dimensões

A reta que passa pelo ponto A(x0 , y0 ) e tem direção paralela ao vetor
não-nulo u = (a, b) é definida pela equação
−→
AP = ku. (3.1)
Em outras palavras, dizer que o ponto P (x, y) pertence à reta é equiva-
−→
lente a dizer que o vetor AP é paralelo ao vetor u. Nessa equação, a

P
A
u

cada valor de k ∈ R corresponde um ponto P (x, y) da reta e vice-versa.


A definição (3.1) implica o par de equações

x = x0 + ka
y = y0 + kb
que são conhecidas como as “equações paramétricas da reta”.

53
Problema 3.1 Obtenha a equação da reta r que passa pelo ponto A(−2, 3)
e é paralela ao vetor u = (2, 1). O ponto B(4, 5) pertence à reta?

Solução: Usando a definição de reta, temos

(x, y) − (−2, 3) = k(2, 1),

ou equivalentemente, 
x = −2 + 2k
r:
y = 3 + k.
Para que o ponto B pertença à reta r, deve existir k tal que

4 = −2 + 2k e 5 = 3 + k.

A primeira equação implica k = 3, enquanto que a segunda implica


k = 2. Um mesmo ponto não pode estar associado a valores distintos de
k; logo, a reta não passa pelo ponto B.

Problema 3.2 Determine as equações paramétricas da reta que passa


pelos pontos A(1, 3) e B(2, −5).

u=AB
Problema 3.2

Solução: Note que a reta passa pelo ponto A e é paralela ao vetor


−→
AB= (2, −5) − (1, 3) = (1, −8).

Logo, as equações paramétricas da reta são



x = 1+k
y = 3 − 8k.
Problema 3.3 Determine o valor de y0 para que o ponto P (7, 8) pertença
à reta 
x = 3 + 5k
r:
y = y0 + 3k.

Solução: Dado que P ∈ r, então existe k tal que

7 = 3 + 5k e 8 = y0 + 3k.

Da primeira equação, segue que k = 4/5. Quando esse valor particular


de k é substituı́do na segunda equação, obtem-se
28
y0 = .
5

Problema 3.4 Uma dada reta pode ser descrita por equações paramé-
tricas distintas. Com efeito, mostre que as equações
 
x = 1 + 2k x = 5 − 4k ′
r: e s:
y = −1 + 3k, y = 5 − 6k ′

descrevem a mesma reta.

Solução: Para mostrar que as retas são idênticas, basta considerar


arbitrariamente dois pontos de r e mostrar em seguida que eles também
são pontos de s. Essa prova é baseada no fato de que dois pontos de-
terminam uma única reta (veja Problema 3.2). Considere os seguintes
pontos de r:
A(1, −1) e B(3, 2).
Vamos provar que A ∈ s. Com efeito,

1 = 5 − 4k ′ ⇒ k′ = 1

−1 = 5 − 6k ′ ⇒ k ′ = 1.
Tem-se também B ∈ s, pois

3 = 5 − 4k ′ ⇒ k ′ = 1/2

2 = 5 − 6k ′ ⇒ k ′ = 1/2.
Logo, as retas r e s são idênticas.
Problema 3.5 As retas
 
x = 3 + 4t x = a − 5k
r: e s:
y = 5 + 3t y = 7 + bk,

são idênticas. Determine a e b.

Solução: Para que r e s sejam idênticas, vamos impor que dois pontos
quaisquer de r, por exemplo,

A(3, 5) e B(−1, 2),

sejam também pontos de s:



a − 5k1 = 3 (I)
A∈s ⇒
7 + bk1 = 5, (II)

a − 5k2 = −1 (III)
B∈s ⇒
7 + bk2 = 2. (IV)
De (I) e (III) segue
4
5(k2 − k1 ) = 4 ⇒ k2 − k1 = .
5
De (II) e (IV) segue
15
b(k1 − k2 ) = 3 ⇒ b=− .
4
Usando isso em (II), obtem-se
8
k1 = .
15
Agora usamos esse resultado em (I) para obter
17
a= .
3

Problema 3.6 Mostre que a equação

Ax + By + C = 0 (3.2)

com A2 + B 2 6= 0 determina uma reta que é chamada de “equação carte-


siana da reta”.
Solução: Partimos das equações paramétricas da reta que passa por
A(x0 , y0 ) e é paralela a u = (a, b):

x = x0 + ka
y = y0 + kb.

Vamos assumir que a 6= 0. Nesse caso, a substituição de


x − x0
k=
a
na segunda equação implica

Ax + By + C = 0

onde A = b, B = −a e C = ay0 − bx0 . Está claro que

A2 + B 2 = |u|2 6= 0.

A hipótese b 6= 0 conduz a idêntico resultado.

Observação: Assumindo B 6= 0, a equação cartesiana da reta pode ser


reescrita como
A C
y =− x− ≡ mx + b,
B B
conhecida como a forma ponto-declividade. A razão é que o coeficiente
m = tan θ é a declividade da reta (veja figura abaixo).

y
y=mx+b

θ
x

Problema 3.7 Obtenha a direção orientada da reta

3x + 5y − 2 = 0.
Solução: Seja u = (a, b) a direção procurada. De acordo com o pro-
blema 3.6, podemos fazer as seguintes identificações:

a = −5 e b = 3.

É importante frisar que qualquer vetor paralelo ao vetor u = (−5, 3)


define igualmente a direção da reta.

Problema 3.8 Obtenha a equação cartesiana da reta do problema 3.2.

Solução: A equação cartesiana é obtida pela eliminação do parâmetro


k:
3−y
x−1= ,
8
donde segue 8x + y − 11 = 0.

Problema 3.9 Determine a equação cartesiana da reta que passa pelos


pontos dados: (a) A(1, 1) e B(5, 3); (b) A(1, −1) e B(3, −1); (c) A(2, 3)
e B(2, 4).

Solução: (a) Seja r : Ax + By + C = 0 a reta procurada. Para que se


tenha A ∈ r devemos ter A + B + C = 0; por outro lado, B ∈ r implica
5A + 3B + C = 0. O sistema de equações acima pode ser reescrito na
seguinte forma: 
A + B = −C
5A + 3B = −C,
cuja solução é dada por

A=C e B = −2C.

Note que A e B são expressos em função de C e que C 6= 0. A equação


de r é então dada por C(x − 2y + 1) = 0, ou equivalentemente,

x − 2y + 1 = 0.

(b) Empregando o mesmo raciocı́nio, somos conduzidos ao sistema



A − B = −C
⇒ A = 0 e B = C.
3A − B = −C

Logo,
y+1=0
é a equação cartesiana da reta.
(c) Para este caso, fornecemos apenas a resposta:

x − 3 = 0.

Problema 3.10 Obtenha a reta que passa pelos pontos A(2, 6) e B(5, −3).
Calcule então o valor de a para que o ponto C(a, 1) pertença à reta.
11
Resposta: y = −3x + 12; a = 3 .

Problema 3.11 Obtenha o ponto da reta y = 5x − 2 que é equidistante


dos pontos A(1, −1) e B(−3, 2).

Solução: Seja P (x, 5x − 2) um ponto arbitrário da reta. O ponto


procurado é aquele que satisfaz a condição d(P, A) = d(P, B), ou seja,
p p
(x − 1)2 + (5x − 1)2 = (x + 3)2 + (5x − 4)2 .

Igualando os radicandos, segue após simplificação


23
−12x + 2 = −34x + 25 ⇒ x= .
22
23 71
O ponto que satisfaz a condição do problema é P ( 22 , 22 ).

Problema 3.12 Dados os pontos A(3, 6) e B(1, −5), obtenha todos os


pontos da reta
r : y = 3x + 2
que são equidistantes de A e B.

Resposta: P (−5/14, 13/14).

Problema 3.13 Obtenha o ponto da reta y = x − 1 que satisfaz a


equação
d(P, A) = 2 d(P, B),
onde A(2, 3) e B(−1, 4).
Solução: Seja P (x, x − 1) o ponto da reta procurado. Segue então que
x satisfaz a equação
p p
(x − 2)2 + (x − 4)2 = 2 (x + 1)2 + (x − 5)2 ,
ou equivalentemente,
3x2 − 10x + 42 = 0.
O discriminante dessa equação é negativo, logo não existe P .

Problema 3.14 Obtenha todos os pontos da reta y = x + 5 que satis-


fazem a equação
d(P, A) + d(P, B) = 10,
onde A(−6, 6) e B(−2, 2).
Solução: Após a substituição dos pontos A e B na equação, obtem-se
p p
(x + 6)2 + (y − 6)2 + (x + 2)2 + (y − 2)2 = 10.
Agora usamos y = x + 5 para eliminar y dessa equação:
p p
2x2 + 10x + 37 + 2x2 + 10x + 13 = 10.
Já sabemos como partir dessa equação para obter
p
5 2x2 + 10x + 13 = 19,
25x2 + 125x − 18 = 0.
A solução dessa equação é
√ √
−25 + 697 25 + 697
x= ⇒ y= ,
10 10
√ √
−25 − 697 25 − 697
x= ⇒ y= .
10 10

Problema 3.15 Sejam A(x1 , y1 ), B(x2 , y2 ), C(x3 , y3 ) três pontos que


pertencem à reta
r : Ax + By + C = 0.
Mostre então que vale a seguinte igualdade:

x1 y1 1

∆ = x2 y2 1 = 0.
x3 y3 1
Solução: Por hipótese, as coordenadas de cada um dos três pontos
satisfazem a equação cartesiana da reta, ou seja,

 Ax1 + By1 + C = 0
Ax2 + By2 + C = 0
Ax3 + By3 + C = 0.

Se ∆ 6= 0, então o sistema acima tem solução única dada por


A = B = C = 0.
Para evitar essa conclusão absurda, devemos ter ∆ = 0.

Problema 3.16 Obtenha a reta que passa pelos pontos A(1, −1) e B(2, 3)
usando o resultado do problema 3.15.
Solução: Seja P (x, y) um ponto qualquer da reta. Uma vez que os
pontos A, B e P pertencem a uma mesma reta, logo

x y 1

1 −1 1 = 0.

2 3 1

Após efetuar o cálculo do determinante, obtemos (veja problema 1.39)


y = 4x − 5.

Problema 3.17 Os pontos A(m, 1), B(3, m) e C(−m, 2m) são coline-
ares. Determine m e a reta correspondente que os contém.
Solução: Dado que os pontos são colineares, então

m 1 1

3
m 1 = 0 ⇒ m2 − 6m + 3 = 0.
−m 2m 1
Há duas soluções:

√ 6−2
m=3− 6 ⇒ y= √ (6 − x),
6

√ 6+2
m=3+ 6 ⇒ y= √ (6 − x).
6
Problema 3.18 Na figura abaixo, o ângulo ϕ (0 ≤ ϕ ≤ π/2) é, por
definição, o ângulo entre as retas r e s. Sejam ur e us os vetores

φ
s
Problema 3.18

que determinam, respectivamente, as direções de r e s. Então, é fácil


mostrar que
|ur · us |
cos ϕ = .
|ur | |us |
Note que tomamos o módulo do produto escalar para garantir que ϕ seja
agudo. Usando essa definição, calcule o ângulo entre as retas

r : 3y = 2x + 1 e s : 7x + 2y = 1.

Solução: A direção da reta r é paralela ao vetor ur = (3, 2), e a direção


de s é paralela ao vetor us = (−2, 7) (veja problema 3.7). Segue então
que o ângulo entre as retas é dado por
|ur · us | 8 √
cos ϕ = =√ ⇒ ϕ = arccos(8/ 689).
|ur | |us | 689

Problema 3.19 Calcule o ângulo entre as retas

r : 5y − 3x = 1 e s : y = 7x + 1.

Resposta: ϕ = arccos(13/5 17).

Problema 3.20 Sejam r : y = m1 x + b1 e s : y = m2 x + b2 duas retas


distintas. Mostre que:
(a) se m1 = m2 , então as retas são paralelas;
(b) se m1 m2 = −1, então as retas são perpendiculares.

Solução: As direções de r e s são dadas por

ur = (1, m1 ) e us = (1, m2 ).

Notando que
ur · us = 1 + m 1 m 2 ,
q
|ur | = 1 + m21 ,
q
|us | = 1 + m22 ,
segue então que o ângulo ϕ entre as retas é dado por
|1 + m1 m2 |
cos ϕ = p p .
1 + m21 1 + m22

(a) Se m1 = m2 , então

1 + m21
cos ϕ = =1 ⇒ ϕ=0
1 + m21
e as retas são paralelas.
(b) Se m1 m2 = −1, então
π
cos ϕ = 0 ⇒ ϕ=
2
e as retas são perpendiculares.

Problema 3.21 Verifique que as retas r e s são perpendiculares:


(a) r : 3x + 5y = 4, s : −5x + 3y = 7;
(b) r : x + 4 = 0, s : y = 2.

Solução: (a) Na forma ponto-declividade, as retas r e s são escritas


como segue:
3 4 3
r : y =− x+ ⇒ mr = − ,
5 5 5
5 7 5
s: y = x+ ⇒ ms = .
3 3 3
O fato de que mr ms = −1 prova que as retas são perpendiculares.
(b) A reta r não tem declividade e a declividade de s é nula. Logo, não
podemos fazer uso do resultado mr ms = −1 para provar que as retas
são perpendiculares. Note, contudo, que os vetores que determinam as
direções das retas são

ur = (0, 1) e us = (1, 0).

Uma vez que ur · us = 0, podemos concluir que as retas são de fato


perpendiculares.

Problema 3.22 As retas r : (m − 1)x + 2y = 2 e s : 3x + (m + 2)y = 1


são paralelas. Determine o valor de m.

Solução: Na forma ponto-declividade, tem-se


(1 − m)
r: y= x + 1,
2
3 1
s: y=− x+ .
m+2 m+2
Assumiu-se m + 2 6= 0. Dado que r k s, segue então

1−m 3 −1 ± 33
=− ⇒ m= .
2 m+2 2
Claramente, não há solução para m + 2 = 0.

Problema 3.23 As retas r : (2m+1)x+4y = 1 e s : 3x+(m+1)y+2 =


0 são perpendiculares. Obtenha o ponto r ∩ s.

Solução: As declividades das retas r e s são, respectivamente, dadas


por
(2m + 1) 3
mr = − e ms = − .
4 m+1
Dado que as retas são perpendiculares, então mr ms = −1:
3(2m + 1) 7
= −1 ⇒ m=− .
4(m + 1) 10
Podemos agora determinar as formas explı́citas das retas:

r : −2x + 20y = 5 e s : 30x + 3y = −20.

As coordenadas do ponto onde as retas se cruzam satisfazem o sistema



−2x + 20y = 5
30x + 3y = −20,
cuja solução é dada por

415 55
x=− , y= .
606 303

Problema 3.24 As retas

r : y = (2m + 1)x + b, s : y = (3m − 1)x + c

são perpendiculares e concorrem no ponto A(3, 7). Determine os valores


de m, b e c.

Solução: Dado que r ⊥ s, então

(2m + 1)(3m − 1) = −1 ⇒ m(6m + 1) = 0.

Então
1
m = 0 ou m = − .
6
Para m = 0, temos

r : y = x + b, s : y = −x + c.

Dado que r ∩ s = A(3, 7), então

b=4 e c = 10.

Para m = −1/6, temos

2 3
r: y= x + b, s : y = − x + c.
3 2
Uso de r ∩ s = A novamente desta vez implica

23
b=5 e c= .
2

Problema 3.25 Encontre a reta perpendicular à reta r : 3y = 5x + 1


e que passa pelo ponto A(2, 2).
Solução: Seja
s : y = ms x + b
a reta procurada. Escrevendo r na forma
5 1
y= x+ ,
3 3
segue imediatamente que mr = 5/3. Para que se tenha r ⊥ s, devemos
ter
1 3
ms = − =− .
mr 5
Para satisfazer a condição A ∈ s, devemos ter
 
3 16
2=− 2+b ⇒ b= .
5 5
Logo, a reta s é dada por
3 16
y =− x+ .
5 5

Problema 3.26 Seja r a reta 3x + 5y − 2 = 0. Encontre a reta perpen-


dicular a r e que passa pelo ponto A(2, 3).

Resposta: y = 31 (5x − 1).

Problema 3.27 Seja r a reta que passa pelos pontos A(1, 2) e B(3, 2).
Obtenha a reta que é perpendicular a r e que passa pelo ponto C(5, 4).
Obtenha a interseção entre as retas.

Solução: A equação da reta r é

y = 2,

que é uma reta com declividade nula. Logo, a equação da reta perpen-
dicular à reta r é dada por

s : x = a.

Como C ∈ s, segue a = 5. Está claro agora que r ∩ s é o ponto P (5, 2).


Problema 3.28 Seja r a reta que passa pelo ponto A(1, 4) e é paralela
ao vetor u = (−1, 2). Encontre a reta perpendicular a r e que passa pelo
ponto B(2, 1).

Solução: As equações paramétricas de r são dadas por



x = 1−k
r:
y = 4 + 2k.

A eliminação do parâmetro k permite a obtenção de r na forma ponto-


declividade:
r : y = −2x + 6.
Seja s : y = ms x + b a reta a ser obtida. Uma vez que mr = −2, então
a declividade de s é dada por
1 1
ms = − = .
mr 2
Agora impomos a condição B ∈ s para obter b = 0. A reta procurada é
dada por
x
y= .
2

Problema 3.29 Encontre a reta que passa pelo ponto A(−1, 2) e é pa-
ralela à reta r : 2x − 3y = 1.

Solução: A forma ponto-declividade de r é


2x − 1
y= ,
3
donde se deduz que a sua declividade é mr = 2/3. Seja

s : y = ms x + b

a reta procurada. Para que se tenha r k s, devemos ter


2
ms = mr = .
3
Tudo o que precisamos fazer agora é impor a condição A ∈ s. Isso
implica b = 8/3.
Problema 3.30 obtenha a reta paralela à reta r : x = 3y − 2 e que
passa pelo ponto (1, −1).
x−4
Resposta: y = 3 .

Problema 3.31 (a) Obtenha a reta r que passa pelos pontos A(3, 1) e
B(−2, −3); (b) verifique que a mediatriz do segmento AB é perpendicular
a r.
Solução: (a) Seja r : y = mr x + b. Para que se tenha A ∈ r e B ∈ r,
devemos ter 
3mr + b = 1
−2mr + b = −3.
A solução do sistema é
4 7
mr = e b=− .
5 5
Logo,
1
r: y= (4x − 7).
5

(b) A mediatriz é definida por d(P, A) = d(P, B) que implica


(x − 3)2 + (y − 1)2 = (x + 2)2 + (y + 3)2 .
Após simplificação, obtem-se
10x + 8y + 3 = 0.
Note que a declividade da mediatriz é m = −5/4 e mmr = −1.

Problema 3.32 Obtenha a reta que passa pelo ponto A(2, 3) e faz um
ângulo de φ = π/4 com o eixo y.
Solução: Seja r a reta procurada e seja u = (a, b) sua direção orientada.
O ângulo formado entre r e o eixo y é
|b| 1
cos π/4 = √ =√ ⇒ a=b ou a = −b.
a2 + b 2 2
Se a = b, podemos tomar u = (1, 1) como a direção orientada. A reta
procurada é então dada por

x=2+k
r: ou y = x + 1.
y =3+k
Se a = −b, podemos tomar u = (1, −1) como a direção orientada. A
reta correspondente é

x=2+k
r: ou y = −x + 5.
y =3−k

Problema 3.33 Mostre que as diagonais de um quadrado são perpen-


diculares.

y
s
A B

O C x
r
Problema 3.33

Solução: Considere o quadrado de lado l mostrado na figura, onde se


tem
A(0, l), B(l, l), C(l, 0).
Sejam r e s, respectivamente, as diagonais que passam por A, C e O, B.
É fácil obter tais retas:
r : y = −x + l,

s : y = x.
Está claro que
mr ms = −1,
e portanto as diagonais são perpendiculares.

Problema 3.34 No triângulo abaixo, o segmento de reta AB é congru-


ente ao segmento BC. Ademais, o ponto M é o ponto médio do segmento
AC. Mostrar que θ = π/2.
A

M
θ

B C
Problema 3.34

Solução: Sem perda de generalidade, podemos fixar um sistema de


coordenadas em que o ponto B coincide com a origem e o eixo x passa
pelos pontos B e C. Em conformidade com essa construção, os pontos
do triângulo são escritos como segue:
A(xa , ya ), B(0, 0), C(xc , 0).
A igualdade AB = BC implica
x2a + ya2 = x2c , (I)
e o ponto M é escrito como
 
xa + xc ya
M , .
2 2
As retas que passam, respectivamente, pelos pontos A, C e pelos pontos
B, M são facilmente obtidas:
r : ya x + (xc − xa )y = xc ya ,
s : ya x − (xa + xc )y = 0.
Uma vez que ya 6= 0, então (I) implica x2a 6= x2c . Podemos então calcular
as declividades de r e de s:
ya ya
mr = , ms = .
xa − xc xa + xc
Segue então o seguinte:
ya2 x2 − x2a
mr ms = = 2c = −1.
x2a − xc2 xa − x2c
Logo, as retas são perpendiculares e então θ = π/2.
Problema 3.35 Na figura abaixo, tem-se A(0, 4) e B(7, 0). Determine
o ponto C e verifique então que

d2 (C, O) = d(C, A) d(C, B).

y
A
C

B
O
x
problema 3.35

Solução: Seja r a reta definida pelos pontos A e B. Sua equação é


facilmente calculada:
−4x + 28 4
r: y= ⇒ mr = − .
7 7
Seja s a reta que passa pela origem O e é perpendicular à reta r. Já
sabemos calcular a equação da reta definida assim:
7
s: y= x.
4
A retas interceptam-se no ponto C:
 −4x + 28
 y=

7

⇒ C(112/65, 196/65).
 y = 7x


4
Calculamos agora as distâncias entre pontos:
r
256
d(C, A) = ,
65
r
2401
d(C, B) = ,
65
r
784
d(C, O) = .
65
Para finalizar, basta notar que
784 784
d2 (C, O) = e d(C, A) d(C, B) = .
65 65

Problema 3.36 A distância entre o ponto P (x0 , y0 ) e a reta


r : Ax + By + C = 0
é definida como segue. Seja s a reta que passa por P e é perpendicular
à reta r e seja Q = r ∩ s o ponto de interseção entre as retas. Por
definição
d(P ; r) ≡ d(P, Q).
Calcule então a distância entre o ponto P (1, 2) e a reta r : 2y = 3x + 4.

P r

Q
s

Problema 3.36

Solução: Seja s : y = ms x+ b a reta que passa por P e é perpendicular


à r. Dado que mr = 3/2, então a declividade de s é
1 2
ms = − =− .
mr 3
A condição P ∈ s implica b = 8/3. Logo
1
s: y= (8 − 2x).
3
As coordenadas do ponto Q satisfazem o sistema

2y = 3x + 4
3y = −2x + 8.
A solução do sistema fornece Q(4/13, 32/13). Logo
3
d(P ; r) = d(P, Q) = √ .
13
Problema 3.37 Calcule a distância do ponto P (5, −2) à reta que passa
pelos pontos A(1, 1) e B(3, 2).

Resposta: 2 5.

Problema 3.38 Mostre que a distância entre o ponto P (xp , yp ) e a reta


r : Ax + By + C = 0 é dada por
|Axp + Byp + C|
d(P ; r) = √ .
A2 + B 2
Solução: Considere a figura. As equações paramétricas da reta r são
P

QP

r
Q

u
Problema 3.38


x = x0 + ka
r:
y = y0 + kb
que estão relacionada à forma cartesiana Ax + By + C = 0 através das
identificações (veja problema 3.6)

A = b, B = −a, C = ay0 − bx0 .


−→
Da figura, vemos que a distância entre P e a reta é igual a | QP | quando
−→
QP for perpendicular ao vetor u, ou seja,
−→ −→
d(P ; r) = | QP | quando QP · u = 0.

Dado que Q(x0 + ka, y0 + kb), então


−→
QP = (xp − x0 − ka, yp − y0 − kb)
e também
−→
QP · u = a(xp − x0 ) + b(yp − y0 ) − k(a2 + b2 ).
−→
Está claro que QP · u = 0 implica
a(xp − x0 ) + b(yp − y0 )
k= .
a2 + b 2
Quando substituı́mos este valor particular de k na expressão acima de
−→
QP , obtemos após alguma manipulação algébrica
−→ Axp + Byp + C
QP = (A, B).
A2 + B 2
Podemos agora calcular a distância:
−→ |Axp + Byp + C|
d(P ; r) = | QP | = √ .
A2 + B 2

É interesante refazer o problema 3.36 com o emprego dessa fórmula.

Problema 3.39 Verifique se as retas

r : 3x + 2y − 1 = 0,

s : 2x + 5y = 3,
t : y = 3x + 4
possuem um ponto em comum.

Solução: As coordenadas do ponto em comum devem satisfazer o


sistema 
 3x + 2y = 1
2x + 5y = 3
−3x + y = 4,

que é equivalente ao sistema impossı́vel



 3x + 2y = 1
11y = 7
3y = 5.

Logo, as retas r, s e t não possuem um ponto em comum.


Problema 3.40 Determine C para que as retas

r : 3x + 2y + 1 = 0,

s : 2x + 5y + 2 = 0,
t: x+y+C =0
possuam um ponto em comum. Obtenha esse ponto.

Solução: Seja Q o ponto procurado. Suas coordenadas satisfazem o


sistema 
 x + y = −C
2x + 5y = −2
3x + 2y = −1,

que é equivalente ao sistema



 x + y = −C
3y = 2C − 2
y = 1 − 3C.

Para que o sistema seja possı́vel, devemos ter


2C − 2 5
1 − 3C = ⇒ C= .
3 11
Então, o ponto comum às retas é dado é dado por

Q(−1/11, −4/11).

Problema 3.41 Considere o triângulo de vértices A, B e C mostrado


na figura. Seja M o ponto médio do segmento BC. Por definição, a
reta determinada pelos pontos A e M é chamada de “mediana relativa
ao vértice A”. Assumindo que os pontos A(1, 1), B(2, 3) e C(4, 0) são os
vértices, mostre que as três medianas se cortam num único ponto. Esse
ponto comum é chamado de “baricentro do triângulo”.

Solução: O primeiro passo é calcular o ponto médio de cada lado do


triângulo:
lado BC : Ma (3, 3/2);
lado AC : Mb (5/2, 1/2);
lado AB : Mc (3/2, 2).
Como consequência, as medianas relativas aos vértices A, B e C são
dadas, respectivamente, pelas equações

r : x − 4y = −3,
A

B C
M
Problema 3.41

s : 5x + y = 13,
t : 4x + 5y = 16.
As coordenadas do ponto comum às medianas satisfazem o sistema

 x − 4y = −3
5x + y = 13
4x + 5y = 16.

Esse sistema é equivalente ao sistema



 x − 4y = −3
21y = 28
21y = 28.

Está claro que o sistema é possı́vel e determinado. As coordenadas do


baricentro do triângulo são dadas por
7 4
x= e y= .
3 3

Problema 3.42 No triângulo mostrado na figura, destaca-se a media-


triz do segmento BC. Assumindo que os vértices são dados por A(−3, 0),
B(1, 4) e C(5, 1), mostre que as três mediatrizes se cruzam num único
ponto. O ponto comum às três mediatrizes é chamado de “circuncentro”.
Solução: A mediatriz do segmento AB é a reta
r : y = −x + 1;
a mediatriz do segmento AC é a reta
17
s : y = −8x + ;
2
A

B M C
Problema 3.42

finalmente, a mediatriz do segmento BC é a reta

4 3
t: y= x− .
3 2
O ponto onde as mediatrizes concorrem é solução do sistema

 y = −x + 1
y = −8x + 17 2
y = 4x 3
3 − 2,

que é possı́vel e determinado. O circuncentro do triângulo é o ponto

P (15/14, −1/14).

Problema 3.43 Sejam A(1, 1), B(−2, 3) e C(2, −4) os vértices de um


triângulo. Obtenha as três mediatrizes do triângulo e mostre que elas se
cruzam num único ponto.

Resposta: As mediatrizes concorrem no ponto P (−7/2, −5/2).

Problema 3.44 No triângulo mostrado na figura, a reta que passa pelo


ponto A e é perpendicular à reta que passa pelos pontos B e C é chamada
de “altura relativa ao vértice A”. Em particular, a distância entre os
pontos A e Q é chamada de “medida da altura”. Dado o triângulo cujos
vértices são A(1, 2), B(−1, −3) e C(2, −1), determine a medida da altura
relativa ao lado BC.
A

B Q C

Problema 3.44

Solução: A reta que passa pelos pontos B e C é dada por


2x − 7 2
r: y= ⇒ mr = .
3 3
Em consequência, a reta que passa por A e é perpendicular à reta r é
dada por
7 − 3x
s: .
2
As coordenadas do ponto Q = r ∩ s satisfazem o sistema
 2x − 7
 y=

3

 y = 7 − 3x ,


2
a saber,
Q(35/13, −7/13).
Logo, a medida da altura é
11
H = d(A, Q) = √ .
13

Problema 3.45 Dado o triângulo de vértices A(−1, −2), B(3, 4) e C(2, −3),
verifique que a soma das três alturas é menor que o perı́metro desse
triângulo.

Resposta:

11 2
Altura relativa ao vértice A: HA = ,
5

11 10
Altura relativa ao vértice B: HB = ,
5

11 13
Altura relativa ao vértice A: HC = .
13
Além disso,
√ √ √
AB = 2 13, AC = 10, BC = 5 2.
Note agora que
AB + AC + BC ≃ 17, 44,
HA + HB + HC ≃ 13, 12.

Problema 3.46 Sejam A(−1, 2), B(1, 1) e C(0, 0) os vértices de um


triângulo. Calcule sua área.
Solução: Seja r a reta que passa pelos pontos A e B. É fácil mostrar
que
r : y = −2x.
Seja s a reta que passa por B e é perpendicular à reta r. Então,
x+1
s: y= .
2
O ponto Q = r ∩ s é solução do sistema

y = −2x
2y = x + 1.
Logo, Q(−1/5, 2/5). Note que a altura do triângulo é dada pela distãncia
entre os pontos B e Q, ou seja,
3
H = d(B, Q) = √ .
5
O comprimento da base é dada pela distância entre A e C:

L = d(A, C) = 5.
Logo, a área do triângulo é igual a
1 3
S= HL = .
2 2
Problema 3.47 Calcule a área do triângulo de vértices A(2, 3), B(1, −2)
e C(−3, 4).

Solução: Vamos tomar o segmento BC como a base do triângulo. Seu


comprimento é portanto

d(B, C) = 2 13.

Precisamos agora calcular a altura do triângulo relativa ao lado BC.


Seja r a reta que passa pelos pontos B e C:
3x 1
r: y=− − .
2 2
Notando que mr = −3/2, é fácil agora obter a reta s que passa por A e
é perpendicular à reta r:
2x 5
s: y= + .
3 3
A interseção r ∩ s é o ponto P (−1, 1). A medida da altura é a distância
entre os pontos A e P : √
d(A, P ) = 13.
Logo, a área do triângulo é
1
S= d(B, C) d(A, P ) = 13.
2

Problema 3.48 Calcule a área do triângulo de vértices

A(−5, 3), B(−4, −6) e C(2, −2)

(a) tomando AB como a base


(b) tomando AC como a base
(c) tomando BC como a base

Resposta: 29.

Problema 3.49 Os pontos A(2, 5), B(−3, 7), C(−4, −3) são os vértices
de um triângulo. Verifique que as três alturas se encontram num único
ponto.
Solução: A reta que passa por A e é perpendicular ao segmento BC
é dada por
r : x + 10y = 52;
a reta que passa por B e é perpendicular ao segmento AC é dada por

s : 3x + 4y = 19;

finalmente, a reta que passa por C e é perpendicular ao segmento AB é


dada por
t : 5x − 2y = −14.
Considere agora o sistema

 x + 10y = 52
3x + 4y = 19
5x − 2y = −14.

Após escalonamento, encontra-se o seguinte sistema equivalente:



 x + 10y = 52
y = 137/26
y = 137/26,

que é possı́vel e determinado. Logo as três alturas se encontram no ponto

P (−9/13, 137/26).
Capı́tulo 4
Circunferência

Uma circunferência de centro no ponto C(x0 , y0 ) e raio r é definida pelo


conjunto de todos os pontos P (x, y) que satisfazem a equação

d(P, C) = r,

ou equivalentemente,

(x − x0 )2 + (y − y0 )2 = r2 . (4.1)

É importante notar que a equação da circunferência pode ser escrita na


forma
x2 + y 2 + Ax + By + C = 0 (4.2)
após as identificações

A = −2x0 , B = −2y0 e C = x20 + y02 − r2 . (4.3)

r
C
P

83
Problema 4.1 Mostre que a equação

x2 + y 2 + 4x − 6y − 3 = 0

representa uma circunferênca; encontre seus centro e raio.

Solução: Dado que

x2 + 4x = (x + 2)2 − 4

e que
y 2 − 6y = (y − 3)2 − 9,
então a equação acima pode ser reescrita na forma

(x + 2)2 + (y − 3)2 = 16.

Comparando isso com a equação (4.1), vemos imediatamente que se trata


de uma circunferência com centro C(−2, 3) e raio r = 4.

Problema 4.2 Dados os pontos A(1, −1) e B(−2, 3), verifique que o
conjunto de pontos P (x, y) definido pela equação d(P, A) = 3 d(P, B) é
uma circunferência. Obtenha seu centro e raio.

Solução: A coordenadas de P satisfazem a equação


p p
(x − 1)2 + (y + 1)2 = 3 (x + 2)2 + (y − 3)2 .

Elevamos ambos os membros ao quadrado e simplificamos. O resultado


final é
8x2 + 8y 2 + 38x − 56y + 115 = 0.
A seguir, dividimos toda a equação por 8 e completamos os quadrados.
Obtemos então
 2  2
19 7 225
x+ + y− = ,
8 2 64
donde segue que o ponto C(−19/8, 7/2) é o centro e r = 15/8 é o raio.

Problema 4.3 Verifique que a curva do problema 1.23 é uma circun-


ferência. Encontre o centro e o raio.
Solução: Após dividir toda a equação por 3, obtemos
10 22 38
x2 + y 2 + x− y+ = 0.
3 3 3
A seguir completamos os quadrados e simplificamos. O resultado final é
 2  2
5 11 32
x+ + y− = .
3 3 9
Trata-se
√ de um circunferência com centro no ponto C(−5/3, 11/3) e raio
4 2/3.

Problema 4.4 Encontre a circunferência de centro no ponto C(−1, 3)


e que passa pelo ponto A(3, 4).

Solução: O raio da circunferência é igual à distância entre os pontos


A e C, ou seja, √
r = 17.
Então, a equação da circunferência é

(x + 1)2 + (y − 3)2 = 17,

ou equivalentemente,

x2 + y 2 + 2x − 6y − 7 = 0.

Problema 4.5 Mostre que as equações

x = x0 + r cos t, y = y0 + r sin t

representam uma circunferência de raio r e centro no ponto C(x0 , y0 ).


Por esse motivo, essas equações são chamadas de “equações paramétricas
da circunferência”.

Solução: Das equações, segue imediatamente que


x − x0 y − y0
cos t = e sin t = .
r r
Quando inserimos isso na identidade trigonométrica

cos2 t + sin2 t = 1,
obtemos
(x − x0 )2 + (y − y0 )2 = r2 .
Isso prova o que foi pedido.

Problema 4.6 Escreva a equação paramétrica da circunferência


x2 + y 2 − 2x − 2y = 5.
√ √
Resposta: x = 1 + 7 cos t, y = 1 + 7 sin t.

Problema 4.7 Obtenha a equação da circunferência que contém os pon-


tos P (2, 1), Q(3, 0) e R(−1, −1). Obtenha o centro e o raio.
Solução: Para que os pontos P , Q e R pertençam à circunferência
x2 + y 2 + Ax + By + C = 0,
devemos ter respectivamente

 2A +B +C = −5
3A +C = −9
−A −B +C = −2.

A solução do sistema é facilmente obtida por escalonamento:


11 9 12
A=− , B= , C=− .
5 5 5
A equação da circunferência é então dada por
11 9 12
x2 + y 2 − x+ y− = 0.
5 5 5
As relações [veja eq. (4.3)]
A = −2x0 , B = −2y0 e C = x20 + y02 − r2
permitem o cálculo imediato do centro
C(11/10, −9/10)
e do raio √
442
r= .
10
Problema 4.8 Mostre que não existe circunferência que passa pelos
pontos A(1, 1), B(2, 4) e C(−1, −5).

Solução: Para que os pontos A, B e C pertençam a uma circunferência


[veja eq. (4.2)], devemos ter respectivamente

 A +B +C = −2
2A +4B +C = −20
A +5B −C = 26.

Note que o sistema é equivalente ao seguinte:



 A +B +C = −2
2B −C = −16
2B −C = 14,

que é impossı́vel. A razão para não ser possı́vel encontrar a circunferência


é que os pontos são colineares, isto é, eles pertencem à reta

y = 3x − 2.

Problema 4.9 Verifique que é impossı́vel encontrar uma circunferência


que passa pelos pontos A(−1, 1), B(1, 3) e C(2, 4).

Resposta: Os pontos pertencem à reta y = x + 2.

Problema 4.10 É impossı́vel encontrar uma circunferência que passa


pelos pontos
A(1, 3), B(4, −5), e C(a, 7).
Determine o valor de a.

Solução: Da impossibilidade, conclui-se que os pontos são colineares.


Isso, por sua vez, implica

1 3 1
4 −5 1 = 0 ⇒ a = − 1 .


a
2
7 1
Problema 4.11 Obtenha a equação da circunferência com centro sobre
a reta r : y = 2x + 1 e que passa pelos pontos A(2, 2) e B(−1, 3).

Solução: Dado que a reta r passa pelo centro da circunferência, então


este ponto tem a forma C(x, 2x + 1). O valor de x é tal que d(A, C) =
d(B, C), ou seja,
p p
(x − 2)2 + (2x − 1)2 = (x + 1)2 + (2x − 2)2 .

Após igualar os radicandos, obtem-se facilmente x = 0. O centro da


circunferência está, pois, encontrado:
√ C(0, 1). O raio, por conseguinte,
é dado por r = d(A, C) = 5. A equação da circunferência pode agora
ser obtida:
x2 + (y − 1)2 = 5,
ou equivalentemente,

x2 + y 2 − 2y − 4 = 0.

Problema 4.12 Encontre a equação da circunferência que seja tan-


gente à reta
r : 2x − y = 1
no ponto A(−1, −3) e que contenha o ponto B(−4, 2).

Solução: A reta s, perpendicular à reta 2x − y = 1 e que passa pelo


ponto A, passa necessariamente pelo centro da circunferência. A reta s
é facilmente encontrada:
(x + 7)
s: y=− .
2
Então, o centro da circunferência é dado por
 
−x − 7
C x,
2

Para encontrar x, usamos a condição d(C, A) = d(C, B), ou seja,


r r
2 (x + 1)2 (x + 11)2
(x + 1) + = (x + 4)2 + .
4 4
A solução é
45
x=− .
11
Isso implica que o raio da circunferência é dado por

17 5
r=
11
e seu centro é o ponto  
45 16
C − ,− .
11 11
Logo a equação da circunferência é dada por

11x2 + 11y 2 + 90x + 32y + 76 = 0.

Problema 4.13 Obtenha a equação da circunferência com centro em


C(1, 3) e que é tangente à reta r : y = 3x − 6.

Solução: Seja
s : y = ms x + b
a reta que passa pelo centro e é perpendicular à reta r. Uma vez que
mr = 3, então ms = −1/mr = −1/3. Para determinar o coeficiente
linear, devemos impor a condição C ∈ s. Isso implica b = 10/3. Logo,
10 − x
s: y= .
3
Podemos agora obter o ponto A = r ∩ s. Suas coordenadas satisfazem o
sistema 
y = 3x − 6
3y = −x + 10.
A solução é  
14 12
A , .
5 5
Está claro que a distância entre os pontos A e C é igual ao raio da
circunferência, ou seja, r
18
r= .
5
Logo, a equação da circunferência é dada por
32
x2 + y 2 − 2x − 6y + = 0.
5
Problema 4.14 Obtenha a circunferência de centro na origem e que é
tangente à reta r : 2x + 4y = 5.

Resposta: x2 + y 2 = 5/4.

Problema 4.15 Obtenha a reta tangente à circunferência

C : x2 + y 2 − 2x − 4y − 4 = 0

no ponto A(1 + 8, 1).

Solução: A equação da circunferência pode ser reescrita na forma

(x − 1)2 + (y − 2)2 = 9

que permite identificar o seu centro, a saber, C(1, 2). Seja r a reta que
passa pelos pontos A e C. É fácil mostrar que
1 1
r : y = −√ x + 2 + √ .
8 8
Dessa equação, segue que a declividade de r é
1
mr = − √ .
8
Seja
s : y = ms x + b
a reta tangente procurada. Uma vez que r ⊥ s, então
1 √
ms = − = 8.
mr

Impondo a condição A ∈ s, segue b = −7 − 8. Logo,
√ √
s : y = 8x − 7 − 8.

Problema 4.16 Obtenha a reta tangente à circunferência

C : x2 + y 2 = 4

no ponto P (1, 3).
Solução: Supondo que a declividade da reta que passa pelo ponto P é
finita, então sua equação tem a seguinte forma:

y = m(x − 1) + 3.

A interseção da reta com a circunferência é solução do sistema


 2
x + y2 = 4 √
y = m(x − 1) + 3.

A eliminação de y conduz a
√ √
(1 + m2 )x2 + 2m( 3 − m)x + m2 − 2 3m − 1 = 0.

Para haver apenas uma única solução, o discriminante deve ser nulo.
Isso implica √
(m 3 + 1)2 = 0.

Logo, m = −1/ 3. A reta procurada é dada por
4−x
y= √ .
3

Problema 4.17 Encontre a circunferência que seja tangente à reta

r : 2x + 3y = 1

no ponto A(−1, 1) e tenha raio 3.

Solução: A reta r pode ser reescrita como


2 1
y =− x+ ,
3 3
donde segue mr = −2/3. Seja

s : y = ms x + b

a reta perpendicular à reta r e que passa pelo ponto A. Seu coeficiente


angular é dado por
1 3
ms = − = .
mr 2
A condição A ∈ s implica b = 5/2. Então
3 5
s: y= x+ .
2 2
A reta s passa pelo centro da circunferência, logo esse ponto tem a
seguinte forma:  
3 5
C x0 , x0 + .
2 2
Para encontrar o valor de x0 , devemos impor d(A, C) = 3, ou seja,
s  2
2
3 3
(x0 + 1) + x0 + = 3.
2 2
Há duas soluções, a saber,
6 6
x0 = −1 + √ ou x0 = −1 − √ .
13 13
Isso implica que há duas circunferências.

Problema 4.18 Na figura abaixo, tem-se A(−5, 0). A reta r é tangente


à circunferência
C : x2 + y 2 = 9
no ponto B. Obtenha a equação de r e esse ponto.

Problema 4.18

Solução: Toda reta com inclinação finita e que passa pelo ponto A
pode ser escrita na forma

y = m(x + 5).

Para encontrar os pontos onde r intercepta a circunferência, devemos


resolver o seguinte sistema:

y = m(x + 5)
x2 + y 2 = 9.
A substituição da primeira equação na segunda implica
(1 + m2 )x2 + 10m2 x + 25m2 − 9 = 0.
Essa equação do segundo grau em x deve fornecer apenas uma solução,
pois a reta r é tangente. Logo, seu discriminante é nulo:
9 3
m2 = ⇒ m=± .
16 4
Há portanto duas retas:
3 3
m= ⇒ y= (x + 5) ⇒ B(−9/5, 12/5),
4 4
3 3
m=− ⇒ y = − (x + 5) ⇒ B(−9/5, −12/5).
4 4

Problema 4.19 Obtenha a interseção entre a reta


r : 2x − y + 4 = 0
e a circunferência
C : (x − 1)2 + (y − 2)2 = 49.
Solução: Para encontrar os pontos comuns à reta e à circunferência,
devemos resolver o sistema

2x − y + 4 = 0
(x − 1)2 + (y − 2)2 = 49.
Da primeira equação, segue
y = 2x + 4.
Quando isso é substituı́do na segunda equação, obtem-se
5x2 + 6x − 44 = 0.
A solução dessa equação é

−3 ± 229
x= .
5
Logo, a reta intercepta a circunferência nos seguintes pontos:
√ √ ! √ √ !
−3 − 229 14 − 2 229 −3 + 229 14 + 2 229
A , e B , .
5 5 5 5
Problema 4.20 Dados os lugares geométricos

C : x2 + y 2 = a2 , r : 2x + y = 4,

determine os valores de a de modo que r e C


1. não tenham pontos em comum
2. tenham um único ponto em comum
3. tenham dois pontos em comum

Solução: A substituição de y = 4 − 2x na primeira equação implica

5x2 − 16x + 16 − a2 = 0.

O discriminante dessa equação é

∆ = 4(5a2 − 16).

Decorre então o seguinte. (i) Para que não haja pontos em comum, o
discriminante deve ser negativo:
16
∆<0 ⇒ a2 < .
5
(ii) Para que haja apenas um único ponto em comum, o discriminante
deve ser nulo:
16
∆ = 0 ⇒ a2 = .
5
(iii) Para que haja dois pontos em comum, o discriminante deve ser
positivo:
16
∆ > 0 ⇒ a2 > .
5

Problema 4.21 Seja a circunferência de centro C(−1, 1) e raio 2. Obtenha


os pontos da circunferência que sejam equidistantes dos pontos A(3, 1) e
B(4, −1).

Solução: A equação da circunferência é dada por

x2 + y 2 + 2x − 2y − 2 = 0.

Seja P (x, y) o ponto procurado. Então, d(P, A) = d(P, B):

(x − 3)2 + (y − 1)2 = (x − 4)2 + (y + 1)2 .


Após simplificação, obtem-se
2x − 7
y= .
4
Note que isso representa a mediatriz do segmento AB. A substituição
dessa equação na equação da circunferência implica

20x2 − 12x + 73 = 0

que não possui raiz real. Logo não existe ponto da circunferência que
seja equidistante dos pontos A e B. Em outras palavras, a mediatriz não
intercepta a circunferência.

A B
r

Problema 4.22

Problema 4.22 Sejam A e B os pontos onde a reta

r : x+y =2

intercepta a circunferência

C : x2 + y 2 = 16.

O segmento de reta determinado por esses pontos denomina-se “corda


da circunferência”. Obtenha a mediatriz da corda AB e mostre que essa
reta passa pelo centro da circunferência.

Solução: Para calcular os pontos A e B, devemos resolver o sistema


 2
x + y 2 = 16
x + y = 2.

A substituição de y = 2 − x na primeira equação conduz à equação

x2 − 2x − 6 = 0,

cujas raı́zes são √


x=1± 7.
Isso implica
√ √ √ √
A(1 − 7, 1 + 7) e B(1 + 7, 1 − 7).
A mediatriz da corda AB é a reta
y=x
que passa pelo ponto C(0, 0), o centro da circunferência.

Problema 4.23 Obtenha o centro da circunferência que passa pelos


pontos A(−1, 2), B(3, 0) e C(−2, −3) explorando o fato de que a me-
diatriz de qualquer corda passa pelo centro da circunferência.
Solução: As mediatrizes dos segmento AB e BC são, respectivamente,
dadas por
r : 2x − y = 1 e s : 5x + 3y = −2.
A interseção entre as retas é o ponto C(1/11, −9/11) que coincide com
o centro da circunferência.

Problema 4.24 Obtenha a equação da circunferência de raio 4 e que


passa pelos pontos A(0, 1) e B(1, 0).
Solução: A mediatriz do segmento de reta AB é dada por
r : y = x.
O centro da circunferência é um ponto da mediatriz, logo ele pode ser
escrito como C(a, a). Para determinar o valor de a, usamos a condição
d(C, A) = 4:

p 1 ± 31
a2 + (a − 1)2 = 4 ⇒ a = .
2
Há portanto duas circunferências:
√ !2 √ !2
1 + 31 1 + 31
x− + y− = 16,
2 2
√ !2 √ !2
1− 31 1− 31
x− + y− = 16.
2 2
A
B

C
Problema 4.25

Problema 4.25 Obtenha a equação da circunferência circunscrita ao


triângulo de vértices A(1, 1), B(−5, 3) e C(4, −6).

Solução: O centro da circunferência coincide com o ponto de encontro


das mediatrizes do triângulo ABC. Uma vez que já foi explicado como
se calcula uma mediatriz, fornecemos apenas o resultado final:

mediatriz do lado AB : 3x − y = −8,

mediatriz do lado AC : 3x − 7y = 25,


mediatriz do lado BC : x − y = 1.
As mediatrizes se encontram no ponto Q(−9/2, −11/2). Há de ser no-
tado que r
145
d(A, Q) = d(B, Q) = d(C, Q) = ,
2
confirmando que o ponto Q é o centro da circunferência circunscrita.
Logo, a sua equação é dada por
 2  2
9 11 145
x+ + y+ = ,
2 2 2

ou equivalentemente,

x2 + y 2 + 9x + 11y = 22.

Problema 4.26 Calcule a interseção entre as circunferências

C1 : x2 + y 2 = 9 e C2 : (x − 2)2 + (y − 1)2 = 16.


Solução: Da equação de C2 segue

x2 + y 2 − 4x − 2y = 11.

Quando x2 + y 2 = 9 é inserido na equação acima, obtem-se

y = −2x − 1.

Levando isso de volta para a equação de C1 , obtem-se



−2 ± 2 11
5x2 + 4x − 8 = 0 ⇒ x = .
5
Há portanto dois pontos de interseção:
√ √ ! √ √ !
−2 − 2 11 −1 + 4 11 −2 + 2 11 −1 − 4 11
P1 , e P2 , .
5 5 5 5

Problema 4.27 Obtenha os pontos onde as circunferências

C1 : (x − 1)2 + (y − 2)2 = 8 e C2 : (x − 2)2 + (y − 3)2 = 4

se interceptam.

Solução: As coordenadas dos pontos comuns a ambas circunferências


satisfazem o sistema

(x − 1)2 + (y − 2)2 = 8
(x − 2)2 + (y − 3)2 = 4.

A subtração entre as equações conduz à seguinte equação linear:

x + y = 6.

A seguir, substituı́mos y = 6 − x na primeira equação para obter



2 5± 7
2x − 10x + 9 = 0 ⇒ x = .
2
Há portanto dois pontos em comum:
√ √ ! √ √ !
5− 7 7+ 7 5+ 7 7− 7
, e , .
2 2 2 2
P2
P1 C
A

Problema 4.28

Problema 4.28 Obtenha o ponto da circunferência

C : x2 + y 2 − 6x − 8y + 23 = 0

mais distante do ponto A(−3, −5). Obtenha também o ponto de C mais


próximo.

Solução: A equação reduzida da circunferência é dada por

(x − 3)2 + (y − 4)2 = 2,

cujo centro é o ponto C(3, 4). A reta que passa pelos pontos A e C é
dada por 
x = −3 + 2k
r:
y = −5 + 3k.
A interseção entre a circunferência e a reta é o conjunto de pontos
p p p p
P1 (3 + 2 2/13, 4 + 3 2/13) e P2 (3 − 2 2/13, 4 − 3 2/13).

Verifica-se facilmente que d(P1 , A) > d(P2 , A). Logo, P1 é o ponto mais
distante e P2 é o ponto mais próximo.

Problema 4.29 Considere a figura abaixo onde é mostrado um triângulo


AP B inscrito numa semi-circunferência de raio r. Mostre que o triângulo
é retângulo.

Solução: A equação da circunferência é dada por

x2 + y 2 = r2 .

O segmento de reta AB é um diâmetro, de modo que se tem A(−r, 0) e


B(r, 0). P (x, y) é um ponto qualquer da semi-circunferência. Calculemos
as distâncias entre os pontos:

d(A, B) = 2r,
P(x,y)

A B
Problema 4.29

p
d(A, P ) = 2r2 + 2xr,
p
d(B, P ) = 2r2 − 2xr.
Note que
d2 (A, P ) + d2 (B, P ) = 4r2 = d2 (A, B),
ou seja, vale o teorema de Pitágoras. Logo, o triângulo é retângulo e o
lado AB é a hipotenusa.

Problema 4.30 Obtenha a equação da circunferência que é tangente


às retas
r : y = x + 1 e s : y = −2x − 4
nos pontos A(1, 2) e B(1, −6) respectivamente.

Solução: Vamos assumir que exista tal circunferência. Sejam

r′ : y = −x + 3

a reta perpendicular à reta r no ponto A e


x − 13
s′ : y =
2
a reta perpendicular à reta s no ponto B. A interseção entre as retas r′ e
s′ determina o centro da circunferência, a saber, C(19/3, −10/3). Dado
que d(C, A) 6= d(C, B), a suposição de que existe uma circunferência
tangente aos pontos não é consistente.
r
t s
A

B
u

Problema 4.30

Problema 4.31 Obtenha a equação da circunferência que é tangente


às retas
r : y = 2x + 4 e s : y = x − 5
nos pontos A(1, 6) e B(5, 0).

Resposta: Não existe circunferência que satisfaz as condições do pro-


blema.

Problema 4.32 Na figura, a equação da circunferência é x2 +y 2 = 16 e


as equações das retas r e s são respectivamente y = −x + 5 e y = 2x − 7.
Determine os pontos A, B, C, D e P . Mostre então que

d(P, A) d(P, B) = d(P, C) d(P, D).

A interseção entre as retas e a circunferência é facilmente calculada:


√ √ ! √ √ !
5+ 7 5− 7 5− 7 5+ 7
A , , B , ,
2 2 2 2
√ √ ! √ √ !
14 + 31 2 31 − 7 14 − 31 −2 31 − 7
C , , D , .
5 5 5 5

O cálculo da interseção entre r e s fornece o ponto

P (4, 1).
r
B
A
s P
D
C

Problema 4.32

É fácil mostrar que

√ √
q q
d(P, A) = 8 − 3 7, d(P, B) = 8 + 3 7,

√ √
s s
67 − 12 31 67 + 12 31
d(P, C) = , d(P, D) = .
5 5
Segue então

d(P, A) d(P, B) = 1 e d(P, C) d(P, D) = 1.

Problema 4.33 Na figura, a reta r é tangente à circunferência x2 +


y 2 = 10 no ponto A(1, 3). A equação da reta s é y = −2x−1. Determine
os pontos B, C e P . Mostre em seguida que

(P A)2 = (P C) (P B).

Resposta: Os pontos procurados:

B(−9/5, 13/5), C(1, −3) e P (−13/5, 21/5).

As distâncias entre os pontos:

2 72 18 4
PA = , PC = √ , PB = √ .
5 5 5
r
A

s P
C
B

Problema 4.33

Problema 4.34 Na figura abaixo, as retas r e s são tangentes à cir-


cunferência
C : x2 + y 2 = 13

nos pontos A(−1, 2 3) e B(2, 3) respectivamente. (a) Obtenha as equa-
ções de r e s; (b) obtenha o ponto P onde as retas se cruzam; (c) verifique
que d(P, A) = d(P, B).

P
B

Problema 4.34

Solução: (a) O centro da circunferência é a origem C(0, 0). Seja r′ a


reta definida pelos pontos A e C:

r′ : y = −2 3x.

Como r é tangente em A, segue então


1
mr mr′ = −1 ⇒ mr = √ .
2 3
Tendo obtido o coeficiente angular de r, podemos obter sua equação:
x + 13
r: y= √ .
2 3
Analogamente, obtem-se a reta s:
−2x + 13
s: y= .
3
(b) As coordenadas de P satisfazem o sistema
x + 13


 y= √
2 3

 y = −2x + 13 ,



3
que é facilmente resolvido. A solução é
√ √
P (11 − 6 3, −3 + 4 3).

(c) Podemos agora calcular a distância de P aos pontos A e B e então


confirmar a igualdade:
q √
d(P, A) = 39(7 − 4 3) = d(P, B).
Capı́tulo 5
Cônicas

Elipse
Dados dois pontos F1 e F2 e um número r > d(F1 , F2 ), o conjunto dos
pontos P (x, y) do plano que satisfazem a equação

d(P, F1 ) + d(P, F2 ) = r (5.1)

é chamado de elipse 1 . Os pontos F1 e F2 são chamados de focos da elipse


e r é a medida do eixo maior, o segmento de reta A1 A2 . A distância
d(F1 , F2 ) é chamada de distância focal. O segmento de reta B1 B2 , por
outro lado, é chamado de eixo menor. Esses eixos são perpendiculares
entre si e interceptam-se no ponto O, o centro da elipse. Os pontos A1 ,
A2 , B1 e B4 são chamdos de vértices da elipse. Define-se a excentricidade
de uma elipse pela razão

d(F1 , F2 )
e≡ . (5.2)
d(A1 , A2 )

Problema 5.1 Verifique que

d(A1 , A2 ) = r.

É por esse motivo que r é a medida do eixo maior.

Solução: Dado que A1 é um ponto da elipse, então

d(A1 , F1 ) + d(A1 , F2 ) = r. (I)


1 Para o caso em que d(F , F ) = r, a equação (5.1) descreve uma reta. Veja
1 2
problema 1.38.

105
B2
P

A1 A2
F1 O F2

B1

Notando que

d(A1 , F2 ) = d(A1 , F1 ) + d(F1 , F2 ), (II)

então quando (II) é inserido em (I), obtem-se

d(F1 , F2 ) = r − 2 d(A1 , F1 ). (III)

Da figura, segue

d(A1 , A2 ) = d(A1 , F1 ) + d(F1 , F2 ) + d(F2 , A2 ).

Uma vez que d(F2 , A2 ) = d(F1 , A1 ), então

d(A1 , A2 ) = d(F1 , F2 ) + 2 d(F1 , A1 ). (IV)

Agora, inserimos (III) em (IV) para obter

d(A1 , A2 ) = r.

Problema 5.2 Obtenha a equação da elipse com centro na origem e


com eixo maior r quando: (a) os focos F1 (−c, 0) e F2 (c, 0) jazem sobre
o eixo x; (b) os focos F1 (0, −c) e F2 (0, c) jazem sobre o eixo y.

Solução: (a) Da definição de elipse, temos


p p
(x + c)2 + y 2 + (x − c)2 + y 2 = r. (I)
O procedimento descrito no problema 1.26 para eliminar os radicais con-
duz a
(4r2 − 16c2 )x2 + 4r2 y 2 = r2 (r2 − 4c2 ).
Toamndo r = 2a, segue
x2 y2
+ = 1,
a2 b2
onde
a2 = b 2 + c2 .
(b) A definição de elipse implica
p p
x2 + (y + c)2 + x2 + (y − c)2 = r.

Note que a mudança de variável x → y e y → x transforma essa equação


na equação (I). Podemos então aproveitar os cálculos anteriores e escre-
ver imediatamente
y2 x2
2
+ 2 = 1.
a b

Problema 5.3 Dada a elipse

x2 y2
+ =1
5 7
obtenha seus focos e excentricidade.

Solução: De acordo com o problema 5.2, podemos fazer as identi-


ficações:
a2 = 7 e b2 = 5.
Feito isso, segue então √
c= 2.
Podemos também inferir que os focos jazem sobre o eixo y e são dados
por √ √
F1 (0, − 2) e F2 (0, 2).
A excentricidade da elipse é igual a
r
2
e= .
7
Problema 5.4 Obtenha a equação da elipse com centro na origem, fo-
cos sobre um dos eixos coordenados e que passa pelos pontos A(3, 4) e
B(2, 6).

Solução: O problema 5.2 deixou claro que a equação de uma elipse


com as caracterı́sticas descritas acima tem a seguinte forma:

x2 y2
E: + = 1.
p2 q2

Vamos agora impor que A e B sejam pontos da elipse:


9 16
A∈E ⇒ 2
+ 2 = 1,
p q

4 36
B∈E ⇒ + 2 = 1.
p2 q
A solução do sistema acima é

p2 = 13 e q 2 = 52.

Logo a equação da elipse é

x2 y2
+ = 1,
13 52
cujo eixo maior jaz sobre o eixo y.

Problema 5.5 Obtenha a equação√da elipse cujo centro coincide com a


origem do plano p cartesiano, F1 (0, 3) é um de seus focos e que passa
pelo ponto P (2, 2 2/5).

Solução: Os focos da elipse jazem sobre o eixo y, logo sua equação é


dada por
x2 y2
+ = 1. (I)
b2 a2
Dado que P é um ponto da elipse, logo
4 8
2
+ 2 = 1.
b 5a

Por outro lado, uma vez identificado que c = 3 então

a2 = b2 + 3.
Fazemos agora uso dessa relação para eliminar a2 da equação (I). O
resultado final é
5b4 − 13b2 − 60 = 0.
Somente a raiz positiva faz sentido:

b2 = 5 ⇒ b= 5.

A equação da elipse é então dada por

x2 y2
+ = 1.
5 8

Problema 5.6 Quando o centro de uma elipse não coincide com a


origem do sistema de coordenadas, ou quando o eixo maior não é pa-
ralelo a um dos eixos coordenados, a equação da elipse se torna mais
complicada do que aquelas obtidas no problema 5.2. Para ilustrar isso,
obtenha a equação da elipse:

(a) de focos F1 (1, 2) e F2 (3, 2) e eixo maior 4;

(b) de focos F1 (1, 2) e F2 (−1, −2) e eixo maior 5;

(c) F1 (−1, 0) e F2 (0, 3) e eixo maior 6.

(a) (b) (c)

Solução: (a) Neste caso, o eixo maior é paralelo ao eixo x, mas o centro
da elipse não coincide com a origem. Se P (x, y) é um ponto da elipse,
então as suas coordenadas satisfazem a equação
p p
(x − 1)2 + (y − 2)2 + (x − 3)2 + (y − 2)2 = 4.
Após levar o segundo radical para o outro membro da equação e elevar
tudo ao quadrado, obtem-se
p
x − 6 = −2 x2 + y 2 − 6x − 4y + 13.

Elevamos novamente toda a equação ao quadrado e simplificamos. Como


resultado, obtemos

3x2 + 4y 2 − 12x − 16y + 16 = 0.

Note a presença de termos lineares em x e y.


(b) Neste exemplo, o centro da elipse coincide com a origem do sis-
tema de coordenadas, mas o eixo maior não é paralelo a nenhum dos
eixos coordenados. Da definição de elipse, segue imediatamente que
p p
(x − 1)2 + (y − 2)2 + (x + 1)2 + (y + 2)2 = 5.

Os passos algébricos para resolver essa equação já foram descritos acima.
Dado isso, escrevemos apenas a solução:

84x2 + 36y 2 − 64xy = 125.

Note a presenção do termo cruzado xy.


(c) Neste caso, o centro da elipse não coincide com a origem nem
o eixo maior é paralelo a qualquer dos eixos. Se P (x, y) é um ponto
arbitrário da elipse, suas coordenadas satisfazem a equação
p p
(x + 1)2 + y 2 + x2 + (y − 3)2 = 6.

A solução é

35x2 + 27y 2 − 6xy + 44x − 84y − 160 = 0.

Note agora a presenção conjunta de termos lineares e do termo cruzado.

Problema 5.7 Obtenha a equação da elipse com focos F1 (−2, 0) e F2 (1, 0)


e eixo maior 5.

Resposta: 16x2 + 25y 2 + 16x − 96 = 0.

Problema 5.8 Determine a equação da elipse cujos focos são F1 (−1, −2)
e F2 (2, 3), e eixo maior 10.
Resposta: 91x2 + 75y 2 − 30xy − 76x − 60y − 1616 = 0.

Problema 5.9 Obter a equação da elipse cujos focos são


F1 (1, 4), F2 (3, 6)

e cujo eixo menor mede 2 7.
Solução: Em primeiro lugar, devemos calcular quanto mede o eixo
maior: √ √
2c = d(F1 , F2 ) = 2 2 ⇒ c = 2,
√ √
2b = 2 7 ⇒ b = 7,
a2 = b 2 + c2 = 9 ⇒ a = 3.
De acordo com a definição de elipse, temos
p p
(x − 1)2 + (y − 4)2 + (x − 3)2 + (y − 6)2 = 6.
A forma simplificada é fácil de ser obtida:
8x2 + 8y 2 − 2xy − 22x − 76y + 149 = 0.

Problema 5.10 Calcule a reta tangente à elipse


y2
x2 + =1
4
√ √
no ponto A(1/ 2, 2).

A r
Problema 5.10

Solução: Seja r a reta tangente à elipse no ponto A. Assumindo que


sua declividade é igual a m, então podemos escrever a equação de r
assim: √ √
y = m(x − 1/ 2) + 2.
A substituição de y na equação da elipse implica
√ m2
x2 (m2 + 4) + x(2m − m2 ) 2 + − 2m − 2 = 0.
2
Essa equação deve fornecer apenas um valor para x, logo seu discrimi-
nante deve ser nulo, cuja forma simplificada é

8(m + 2)2 = 0 ⇒ m = −2.

A reta tangente é então dada por



y = −2x + 2 2.

Problema 5.11 Encontre a reta tangente à elipse

x2 y2
+ =1
2 8
no ponto A(1, 2).

Resposta: y = −2x + 4.

Problema 5.12 Na figura abaixo, F1 e F2 são os fogos da elipse; r é a


reta tangente no ponto A; s é a reta que passa por A e é perpendicular à
reta r; as retas t e u são definidas pelos pontos F1 , A e F2 , A. Usando
os dados do problema 5.11, calcule:
(a) a reta s;
(b) as retas t e u;
(c) mostre que o ângulo entre as retas s e t é igual ao ângulo entre s e
u.

Solução: (a) Dado que a reta tangente no ponto A é y = −2x + 4,


então a reta s é
x+3
s: y= ⇒ us = (2, 1).
2
(b) Os focos da elipse são facilmente obtidos:
√ √
F1 (0, − 6), F2 (0, 6).
u s t
A
θ φ
F1 F2
r

Problema 5.12

É então imediato obter


√ √ √
t : −(2 + 6)x + y + 6 = 0 ⇒ ut = (1, 2 + 6),
√ √ √
u : ( 6 − 2)x + y − 6 = 0 ⇒ uu = (1, 2 − 6).
(c) Podemos agora calcular os ângulos entre as retas. De acordo com
o problema 3.18, temos o seguinte:

|us · ut | 4+ 6
cos θ = =√ p √ ,
|us | |ut | 5 11 + 4 6
√ √
|us · uu | 4− 6 4+ 6
cos ϕ = = √ p √ =√ p √ .
|us | |uu | 5 11 − 4 6 5 11 + 4 6

Problema 5.13 Obtenha a equação da elipse de vértices dados pelos


pontos A1 (2, −3) e A2 (−4, 2) e medida do eixo menor igual a 6.

Solução: A distância entre os vértices A1 e A2 fornece-nos a medida


do eixo maior:
1√
2a = d(A1 , A2 ) ⇒ a = 61.
2
Dado que
2b = 6 ⇒ b = 3,
então a relação a2 = b2 + c2 implica
5
c= .
2
O centro da elipse coincide com o ponto médio do segmento de reta
A1 A2 , ou seja,
O(−1, −1/2).
A reta definida pelos pontos A1 e A2 é dada por

r : 5x + 6y + 8 = 0. (I)

Os focos da elipse são os pontos de r que satisfazem a equação


5
d(P, O) = ,
2
ou equivalentemente,
p 5
(x + 1)2 + (y + 1/2)2 = . (II)
2
As equações (I) e (II) implicam

−61 ± 15 61
61x2 + 122x − 164 = 0 ⇒ x= .
61
Logo, os focos são dados por
√ √ !
−61 + 15 61 −61 − 25 61
F1 , ,
61 122
√ √ !
−61 − 15 61 −61 + 25 61)
F2 , .
61 122

Após uma longa álgebra, a equação d(P, F1 ) + d(P, F2 ) = 61 conduz a

2821x2 + 3096y 2 + 1500xy + 6392x + 4596y − 29144 = 0.

Hipérbole
Dados dois pontos F1 e F2 e um número r < d(F1 , F2 ), o conjunto dos
pontos P (x, y) que satisfazem a equação

|d(P, F1 ) − d(P, F2 )| = r, (5.3)

é chamado de hipérbole de focos F1 e F2 e de eixo r. A reta definida


pelos focos é chamada de eixo da hipérbole; o ponto médio do segmento
P(x,y)

V1 O V2
F1 F2

Hipérbole

F1 F2 é o centro da hipérbole; o eixo intercepta a hipérbole nos pontos V1


e V2 e estes são chamdos de vértices da hipérbole; finalmente, a distância
entre os focos é denominada de distância focal.

Problema 5.14 A figura acima mostra a representação esquemática de


uma hipérbole. Mostre que

d(V1 , V2 ) = r.

Solução: Por ser V1 um ponto da hipérbole, vale então o seguinte:

d(V1 , F2 ) − d(V1 , F1 ) = r.

Notando que

d(V1 , F2 ) = d(V1 , V2 ) + d(V2 , F2 ) e d(V2 , F2 ) = d(V1 , F1 ),

então é imediato obter d(V1 , V2 ) = r.

Problema 5.15 Obtenha a equação da hipérbole com centro na origem,


focos F1 (−c, 0) e F2 (c, 0) jazendo sobre o eixo x e eixo r.

Solução: Da definição de hipérbole, temos


p p
| (x + c)2 + y 2 − (x − c)2 + y 2 | = r.

A igualdade implica
p p
(x + c)2 + y 2 − (x − c)2 + y 2 = ±r.
Como veremos a seguir, o sinal é irrelevante. Com efeito, transpondo o
segundo radical para o segundo membro, segue
p p
(x + c)2 + y 2 = (x − c)2 + y 2 ± r.

Neste ponto, elevamos ambos os membros ao quadrado. Após simpli-


ficação do resultado, obtemos
p
4xc − r2 = ±2r (x − c)2 + y 2 .

Elevamos novamente ambos os membros ao quadrado para eliminar o


radical. Feito isso, segue então

4r2 y 2 + 4(r2 − 4c2 )x2 = r4 − 4r2 c2 ,

ou equivalentemente,
x2 y2
− = 1,
a2 b2
onde
r = 2a e b 2 = c2 − a2 .

Problema 5.16 Obtenha a equação da hipérbole com centro na origem,


focos F1 (0, −c) e F2 (0, c) jazendo sobre o eixo y e eixo r.

y2 x2
Resposta: 2
− 2 = 1; r = 2a, b2 = c2 − a2 .
a b

Problema 5.17 Obtenha a condição sobre m para que a reta

y = mx

intercepte a hipérbole
x2 y2
− = 1.
a2 b2
Solução: Nesse caso, o sistema

 y = mx
x2 y2
 2 − 2 =1
a b
deve ter solução. A substituição da primeira equação na segunda implica
m2
 
2 1
x − 2 = 1.
a2 b
Está claro que
1 m2 b
2
− 2 > 0 ⇒ |m| <
a b a
é a condição necessária para a equação acima ter solução. Cada uma das
retas
b b
r: y=− x e s: y= x
a a
é chamada de assı́ntota da hipérbole.

Problema 5.18 Obtenha a equação da hipérbole com focos F1 (−2, 4) e


F2 (3, −1) e eixo r = 3.

Solução: Por definição, se P (x, y) é um ponto qualquer da hipérbole,


então p p
| (x + 2)2 + (y − 4)2 − (x − 3)2 + (y + 1)2 | = 3.
Isso implica
p p
(x + 2)2 + (y − 4)2 − (x − 3)2 + (y + 1)2 = ±3,
p p
(x + 2)2 + (y − 4)2 = (x − 3)2 + (y + 1)2 ± 3.
A seguir, elevamos ambos os membros ao quadrado e simplificamos. O
resultado final é
p
10x − 10y + 1 = ± (x − 3)2 + (y + 1)2 .

Novamente, elevamos ambos os membros ao quadrado. Após simpli-


ficação, obtem-se

64x2 + 64y 2 − 200xy + 236x − 92y − 359 = 0.

Problema 5.19 Encontre a equação da hipérbole de focos F1 (−3, 2) e


F2 (1, −5), e eixo 4.

Resposta: 132y 2 − 224xy − 336x + 172y − 823 = 0.


Problema 5.20 Obtenha a equação da hipérbole de focos F1 (0, 2) e
F2 (3, 0) e eixo 2. Obtenha seus vértices e confirme que a distância entre
eles é igual a 2.

Solução: De acordo com a definição de hipérbole, temos


p p
| x2 + (y − 2)2 − (x − 3)2 + y 2 | = 2.

Após alguma álgebra, obtem-se a equação

20x2 − 48xy − 12x + 72y − 63 = 0.

A reta que passa pelos foco é facilmente obtida:


2
r : y = − x + 2.
3
A interseção entre esta reta e a hipérbole fornece-nos os vértices:
√ √ ! √ √ !
39 − 6 13 13 + 2 13 39 + 6 13 13 − 2 13
V1 , , V2 , .
26 13 26 13

Agora é fácil mostra que d(V1 , V2 ) = 2.

Problema 5.21 Obtenha a equação da hipérbole de vértices A1 (0, 1) e


A2 (2, 7) e que tem F (3, 10) como um de seus focos.

Solução: Os pontos A1 , A2 e F são colineares, isto é, pertencem à reta

r : y = 3x + 1.

Seja F ′ (x0 , 3x0 + 1) o outro foco da hipérbole. A equação

d(F ′ , A1 ) = d(F, A2 )

determina F ′ :
q √
10x20 = 10 ⇒ x0 = −1 ou x0 = 1.

A raiz x0 = 1 deve ser descartada, pois nesse caso F ′ ∈ A1 A2 . Logo,


F ′ (−1, −2). Notando que

r = d(A1 , A2 ) = 40,

então a equação da hipérbole é


p p √
| (x − 3)2 + (y − 10)2 − (x + 1)2 + (y + 2)2 | = 40,
cuja forma simplificada é
3x2 − 13y 2 − 12xy + 42x + 116y − 103 = 0.

Problema 5.22 Determine o valor de b para que a reta


r : y = 3x + b
seja tangente à hipérbole
x2 y2
− = 1.
5 10
Determine o ponto de tangência.
Solução: A substituição da equação da reta na equação da hipérbole
fornece
7x2 + 6bx + 10 + b2 = 0.
Para que a reta seja tangente, essa equação deve ter apenas uma única
solução, ou seja, seu discriminante é nulo:

∆ = 8(b2 − 35) = 0 ⇒ b = ± 35.

Para b = − 35, o ponto de tangência é
√ √ !
3 35 2 35
Q , ;
7 7

para b = 35, o ponto de tangência é
√ √ !
3 35 2 35
Q − ,− .
7 7

Parábola
Considere uma reta r e um ponto F 6∈ r. O conjunto de pontos P (x, y)
que satisfazem a equação
d(P, F ) = d(P ; r)
é chamado de parábola de foco F e diretriz r. A reta que passa pelo
foco e é perpendicular à diretriz é chamada de eixo da parábola (reta
s); a reta s intercepta a parábola no ponto V , chamado de vértice da
parábola.
Eixo
s

F
P

Diretriz
Q r

Figura 5.1: Parábola

Problema 5.23 Obtenha a equação da parábola com foco F (p, 0) e di-


retriz x = x0 .

Solução: Seja P (x, y) um ponto qualquer da parábola. Por definição,


temos p
(x − p)2 + y 2 = |x − x0 |.
Após elevar ambos os membros ao quadrado e prosseguir com a simpli-
ficação, obtem-se
y 2 = 2(p − x0 )x + x20 − p2 .

Problema 5.24 Dada a parábola y 2 = 2x + 4, obtenha o foco e a dire-


triz.

Solução: Comparando essa equação com aquela obtida no prob. 5.23,


podemos fazer as seguintes identificações:

2(p − x0 ) = 2 e x20 − p2 = 4.

Da primeira equação, segue

p − x0 = 1. (I)

Por outro lado, da segunda equação segue

(x0 − p)(x0 + p) = 4.

A substituição de (I) nesta equação implica

x0 + p = −4. (II)
A solução do sistema de equações (I)-(II) é dada por

5 3
x0 = − e p=− .
2 2
Logo, o foco é F (−3/2, 0) e a diretriz é a reta x = −5/2.

Problema 5.25 Obtenha a equação da parábola com eixo sobre o eixo


x, vértice na origem e que passa pelo ponto A(3, 5).

Solução: Seja F (p, 0) o foco da parábola. Dado que seu vértice coincide
com a origem, então a reta x = −p é a diretriz. Por definição, segue
p
(x − p)2 + y 2 = |x + p| ⇒ y 2 = 4px.

Uma vez que A é um ponto da parábola, então p = 25/12 e sua equação


é dada por
25
y2 = x.
3

Problema 5.26 Obtenha a equação da parábola de foco F (p, q) e dire-


triz x = x0 .

Solução: A aplicação da definição de parábola conduz à equação


p
(x − p)2 + (y − q)2 = |x − x0 |.

Elevamos toda a equação ao quadrado e prosseguimos com a simpli-


ficação. Após isso, resulta

y 2 − 2qy = 2(p − x0 )x + x20 − p2 − q 2 .

Problema 5.27 Dada a parábola

−y 2 + 5x + 8y + 7 = 0,

obtenha: o vértice, o foco, a equação da diretriz e a equação do eixo.


Solução: Esta equação pode ser reescrita na seguinte forma:

y 2 − 8y = 5x + 7,

cuja forma coincide com aquela descrita no problema 5.26. Podemos


então concluir que 
 q=4
p − x0 = 5/2
 2
x0 − p2 = q 2 + 7.
A solução é (veja problema 5.24)
117 67
x0 = − e p=− .
20 20
Então, a diretriz e o foco são dados por
117
x=− , F (−67/20, 4).
20
Está claro que o eixo da parábola é a reta

y = 4.

Para encontrar o vértice, fazemos y = 4 na equação da parábola para


obter a abscissa de V , isto é,
23
x=− .
5
O vértice é o ponto
V (−23/5, 4).

Problema 5.28 Encontre a equação da parábola com foco F (3, 4) e di-


retriz r : y = 4 − 2x.

Solução: Seja P (x, y) um ponto qualquer da parábola. Por definição,


as coordenadas de P satisfazem a equação d(P, F ) = D(P ; r). Explici-
tamente, temos
p |2x + y − 4|
(x − 3)2 + (y − 4)2 = √ .
5
Ao elevar ambos os membros ao quadrado, obtem-se

5[(x − 3)2 + (y − 4)2 ] = (2x + y − 4)2 ,


cuja forma simplificada é

x2 + 4y 2 − 4xy − 14x − 32y + 109 = 0.

Problema 5.29 Determine a equação da parábola com vértice V (2, 0)


e diretriz r : y = x.

Solução: Seja s : y = mx + b a reta que passa por V e é perpendicular


à diretriz. Está claro que seu coeficiente angular é m = −1. A condição
V ∈ s implica b = 2. Logo, s : y = −x + 2. As retas r e s interceptam-se
no ponto P (1, 1). Seja F (a, b) o foco da parábola. Uma vez que V é o
ponto médio do segmento F P , então

a+1 b+1
=2 e = 0.
2 2
Logo, F (3, −1). tendo obtido o foco da parábola, agora é só aplicar a
definição ??:
p x−y
(x − 3)2 + (y + 1)2 = √ .
2
A seguir, elevamos ambos os membros ao quadrado e simplificamos o
resultado para obter

x2 + y 2 + 2xy − 12x + 4y + 20 = 0.

Problema 5.30 Obtenha a equação da parábola de eixo r : y = 2x,


foco F (1, 2) e vértice V (0, 0).

Solução: Seja Q(a, b) o ponto de interseção entre o eixo e a diretriz


(veja figura 5.1). Dado que V é o ponto médio do segmento F Q, segue
então Q(−1, −2). Agora é fácil obter a diretriz:

s : x + 2y + 5 = 0.

A equação da parábola é
p |x + 2y + 5|
(x − 1)2 + (y − 2)2 = √ ,
5
ou equivalentemente,

4x2 + y 2 − 4xy − 20x − 40y = 0.

Problema 5.31 Mostre que a equação y = Ax2 + Bx + C representa


uma parábola cujo eixo é paralelo ao eixo y. Determine A, B, C em
função da diretriz r : y = y0 e do foco F (a, b).

Solução: Por definição, a equação da parábola é d(P, F ) = d(P ; r), ou


seja, p
(x − a)2 + (y − b)2 = |y − y0 |.
Após elevar ambos os membros ao quadrado e simplificar, obtem-se

x2 ax a2 + b2 − y02
y= + + .
2(b − y0 ) y0 − b 2(b − y0 )

Está claro que a equação da parábola é y = Ax2 + Bx + C com

1 a a2 + b2 − y02
A= , B= , C= .
2(b − y0 ) y0 − b 2(b − y0 )

Problema 5.32 Determine o foco, a diretriz e o vértice da parábola


y = x2 + x + 1.

Solução: De acordo com o problema 5.31, temos

1 a a2 + b2 − y02
= 1, = 1, = 1.
2(b − y0 ) y0 − b 2(b − y0 )

Da primeira relação, segue


1
b − y0 = .
2
Após inserir isso na segunda relação, obtem-se a = −1/2. Agora fazemos
uso desses dois resultados na terceira relação para obter
3
b2 − y02 = .
4
É possı́vel agora eliminar b nessa equação para obter y0 = 1/2 e em
seguida obter b = 1. Portanto, o foco da parábola é o ponto F (−1/2, 1)
e a diretriz é a reta y = 1/2. A reta que passa pelo foco e é perpendicular
à diretriz é dada por r : x = −1/2. O vértice é a interseção dessa reta
com a parábola, isto é, V (−1/2, 3/4).

Problema 5.33 Obtenha a equação da parábola com eixo paralelo ao


eixo y e que passa pelos pontos A(1, 2), B(−3, 4) e C(2, 5).

Solução: Foi mostrado no problema 5.31 que a equação dessa parábola


é da forma
y = ax2 + bx + c.
Para que os pontos A, B e C pertençam a essa parábola devemos ter
respectivamente 
 a+b+c=2
9a − 3b + c = 4
4a + 2b + c = 5.

Após escalonamento, obtem-se


7 9 2
a= , b= , c= .
10 10 5
A equação da parábola é então dada por
7 2 9 2
y= x + x+ .
10 10 5

Problema 5.34 Obtenha o vértice da parábola definida pelo foco F (3, 1)


e pela diretriz 3x + 5y = 7.

Solução: O eixo da parábola é a reta perpendicular à diretriz e que


passa pelo foco:
5x
s: y= − 4.
3
As retas r e s se cortam no ponto Q(81/34, −1/34). O vértice da
parábola é o ponto médio do segmento de reta F Q, ou seja, V ( 183 33
68 , 68 ).

Problema 5.35 Obtenha a equação da parábola de vértice V (1, 1) e di-


retriz r : y = −2x.
Solução: Seja s a reta que passa por V e é perpendicular à reta r.
Não é difı́cil obter
1 1
s: y = x+ .
2 2
A interseção entre as retas r e s define o ponto

Q(−1/5, 2/5).

O vértice é o ponto médio do segmento F Q, onde F é o foco da parábola.


Logo,
F (11/5, 8/5).
Podemos agora aplicar a definição de parábola para obter
s 2  2
11 8 |2x + y|
x− + y− = √ .
5 5 5

Após simplificação, obtemos

x2 + 4y 2 − 4xy − 22x − 16y + 37 = 0.

Problema 5.36 Determine os pontos em comum à circunferência x2 +


y 2 = 4 e à parábola y = x2 + 1.

Solução: As coordenadas do ponto em comum satisfazem o sistema


 2
x + y2 = 4
y = x2 + 1.

A substituição de x2 = y − 1 na primeira equação implica

y 2 + y − 5 = 0,

cuja solução é √
−1 ± 21
y= .
2
Somente a solução positiva faz sentido:
√ s√
2 21 − 3 21 − 3
x = ⇒x=± .
2 2
Há portanto dois pontos em comum, a saber,
√ √ √ √
s   s 
21 − 3 21 − 1 21 − 3 21 − 1
A ,  e B − , .
2 2 2 2

Problema 5.37 Obter a equação da parábola de vértice V (2, 5) e dire-


triz r : x + y = −1.

Solução: Seja s o eixo da parábola, isto é, a reta que é perpendicular


à reta r e que passa pelo ponto V . Logo,

s : y = x + 3.

O ponto Q = r ∩ s é facilmente obtido: Q(−2, 1). Seja F (a, b) o foco da


parábola. Então

−→ −→ a=6
QV =V F ⇒ (a − 2, b − 5) = (4, 4) ⇒
b = 9.

Tendo obtido o foco F (6, 9), a equação da parábola pode ser escrita. Se
P (x, y) é um ponto da parábola, então
p |x + y + 1|
(x − 6)2 + (y − 9)2 = √ .
2
Após elevar ambos os membros ao quadrado e proceder com a simpli-
ficação, obtem-se

x2 + y 2 − 2xy − 26x − 38y + 233 = 0.

Problema 5.38 Determine os pontos P (x, y) de R2 que satisfazem a


equação
1
d(P, F ) = d(P ; r),
3
onde F (1, 0) e r : y = x.

Solução: A substituição dos dados na equação acima conduz a


p |y − x|
(x − 1)2 + y 2 = √ .
3 2
Elevamos toda a equação ao quadrado e procedemos com a simplificação.
O resultado final é
17x2 + 17y 2 + 2xy − 36x + 18 = 0.

Problema 5.39 Determine todos os pontos P de R2 que satisfazem a


equação
d(P, F ) = e d(P ; r),
onde F (0, 0), e = 2 e r : y = 2x + 3.
Solução: Após inserir os dados na equação, obtemos
p 2|2x − y + 3|
x2 + y 2 = √ .
5
Após simplificação, obtem-se
11x2 − y 2 − 16xy + 48x − 24y + 36 = 0.

Problema 5.40 Determine a equação da parábola de vértice V (4, 3) e


foco F (−1, −2).
Solução: O eixo da parábola é definido pela reta que passa por F e
V , ou seja,
s : y = x − 1.
Seja r a diretriz da parábola. Então, r ⊥ s e Q ∈ r. O ponto Q também
pertence à reta s, logo
Q(x0 , x0 − 1).
Por outro lado, a equação
−→ −→
QV =V F
implica x0 = 9 e, consequentemente, Q(9, 8). Agora é fácil obter a reta
r:
r : y = −x + 17.
A equação da parábola é então dada por
p x + y − 17
(x + 1)2 + (y + 2)2 = √
2
que implica
x2 + y 2 − 2xy + 38x + 42y − 279 = 0.
Capı́tulo 6
Translação e rotação de eixos

Translação
As coordenadas de qualquer ponto do plano depende do sistema de co-
ordenadas. A figura abaixo ilustra esse importante fato. Nesta figura,
vemos dois sistemas de coordenadas, S e S ′ , e um ponto P . Em relação
a S, o ponto P é identificado pelo vetor r = (x, y); o mesmo ponto é
identificado pelo vetor r′ = (x′ , y ′ ). O vetor u = (a, b) indica a origem
do sistema de coordenadas S ′ identificado em relação a S. Da igualdade
r = r′ + u,
segue imediatamente que as coordenadas de P estão relacionadas da
seguinte maneira:
x = x′ + a, y = y ′ + b. (6.1)

Problema 6.1 A equação abaixo descreve uma elipse em relação a um


sistema de coordenadas S:
5x2 + 4y 2 − 10x + 24y + 21 = 0.
Encontre um sistema de coordenadas S ′ em relação ao qual o centro da
elipse coincide com a sua origem.

Solução: A substituição de (6.1) na equação da elipse implica


5(x′ )2 + 4(y ′ )2 + (10a− 10)x′ + (8b + 24)y ′ + 5a2 + 4b2 − 10a+ 24b + 21 = 0.

129
y y'
P
r'
S'
u r x'
S
x

Para que o centro da elipse coincida com a origem de S ′ , os termos


lineares em x′ e y ′ devem ser eliminados. Assim, devemos ter
10a − 10 = 0 ⇒ a=1 e 8b + 24 = 0 ⇒ b = −3.

A equação da elipse em S ′ é
(x′ )2 (y ′ )2
+ = 1.
4 5

Rotação
Na figura abaixo, o sistema de coordenadas x′ Oy ′ é obtido a partir do
sistema xOy por uma rotação de um ângulo θ.
y
y′
❇▼ ✻
P
❇ yP ✏✉
✏ ❇
❇ ✏
❇ ✏ ✶x


✏ ❇ ′✏

′ ❇✏
yP ✏✏ xP
❇ ✏ ✏✏
❇ ✏✏θ ✲x
✏ ✏✏ ❇
✏ xP
✏✏ ❇

Problema 6.2 Na figura acima, o sistema de coordenadas x′ Oy ′ é obtido


a partir do sistema xOy por uma rotação de um ângulo θ. Mostre que a
relação entre as coordenadas é dada por

x = x′ cos θ − y ′ sin θ
y = x′ sin θ + y ′ cos θ. (6.2)

Problema 6.3 Obtenha a transformação inversa da transformação (6.2).

Problema 6.4 Seja x′ Oy ′ o sistema obtido de xOy através de uma


rotação de θ tal que tan 2θ = 3/5. Obtenha as coordenadas x′ , y ′ do
ponto P (6, 3).

Solução: É imediato obter


s s
1 5 1 5
sin θ = − √ , cos θ = + √ .
2 2 34 2 2 34

Problema 6.5 Mostre que o termo xy em

Ax2 + By 2 + Cxy + Dx + Ey + F = 0 (6.3)

pode ser eliminado por uma rotação de eixos. Calcule o ângulo de


rotação.

Solução: A substituição das expressões

x = x′ cos θ − y ′ sin θ, y = x′ sin θ + y ′ cos θ

em (6.3) implica

[A cos2 θ + B sin2 θ + C sin θ cos θ]x′2


+[A sin2 θ + B cos2 θ − C sin θ cos θ]y ′2
+[C cos 2θ + (B − A) sin 2θ]x′ y ′
+[E sin θ + D cos θ]x′ + [E cos θ − D sin θ]y ′ + F = 0

Para eliminar o termo x′ y ′ devemos escolher θ tal que

C cos 2θ + (B − A) sin 2θ = 0.

Se A = B, então
cos 2θ = 0 ⇒ θ = π/4;
por outro lado, para A 6= B o ângulo θ é
 
C 1 C
tan 2θ = ⇒ θ = arctan .
A−B 2 A−B
Problema 6.6 Obtenha a forma canônica da elipse (ver problema 5.6)

35x2 + 27y 2 − 6xy + 44x − 84y − 160 = 0.

Solução: De acordo com o problema 6.5, o termo cruzado xy pode ser


eliminado por uma rotação de eixo, sendo o ângulo de rotação dao por
tan(2θ) = −3/4. Isso implica
3 1
cos θ = √ e sin θ = − √ .
10 10
Então, em função das coordenadas x′ e y ′ a equação da elipse é dada por
216 208
36(x′ )2 + 26(y ′ )2 + √ x′ − √ y ′ − 160 = 0.
10 10
O próximo passo é eliminar os termos lineares x′ e y ′ através de uma
translação. Para começar, podemos reescrever a equação acima como
segue    
′ 2 6 ′ ′ 2 8 ′
36 (x ) + √ x + 26 (y ) − √ y = 160.
10 10
Notando que
 2
6 3 9
(x′ )2 + √ x′ = x′ + √ −√ ,
10 10 10
 2
8 4 16
(y ′ )2 − √ y ′ = y ′ − √ −√
10 10 10
então definimos
3 4
x′′ = x′ + √ , y ′′ = y ′ − √ .
10 10
Em função dessas novas coordenadas, obtemos
(x′′ )2 (y ′′ )2
+ = 1,
(13/2) 9
que é a forma canônica da elipse.

Problema 6.7 Obtenha a equação da elipse com focos F1 (−1, 1), F2 (2, 3)
e eixo maior 6. Determine sua forma canônica.
(x′′ )2 (y ′′ )2
Resposta: 108x2 +128y 2−48xy−12x−488y−337 = 0; + =
9 (23/4)
1, onde
3x′ − 2y ′ 2x′ + 3y ′
x= √ , y= √
13 13
e
11 5
x′′ = x′ − √ , y ′′ = y ′ − √ .
2 13 13

Problema 6.8 Obtenha a equação canônica da hipérbole (ver problema


9.3)
64x2 + 64y 2 − 200xy + 236x − 92y − 359 = 0.

Solução: Comparando esta expressão com (6.3), vemos A = B = 64.


Então, uma rotação de θ = π/4 elimina o termo xy. Em função das
coordenadas x′ e y ′ onde

x′ − y ′ x′ + y ′
x= √ , y= √ ,
2 2
a equação da hipérbole é escrita na forma
144 328
−36(x′ )2 + 164(y ′)2 + √ x′ − √ y ′ − 359 = 0.
2 2
Para eliminar os termos lineares da expressão acima, notamos que esta
pode ser escrita como
   
4 2
−36 (x′ )2 − √ x′ + 164 (y ′ )2 − √ y ′ = 359.
2 2
A substituição das identidades
 2  2
4 2 2 1 1
(x′ )2 − √ x′ = x′ − √ − 2, (y ′ )2 − √ y ′ = y ′ − √ −
2 2 2 2 2

na equação acima implica


2


1
164 y ′ − √ − 36(x′ − 2)2 = 369.
2
Finalmente, após efetuar a translação
√ 1
x′′ = x′ − 2, y ′′ = y ′ − √
2
obtemos
(y ′′ )2 (x′′ )2
− = 1.
(9/4) (41/4)
Problema 6.9 Obtenha a equação da hipérbole de focos F1 (−1, −3) e
F2 (1, 2), e eixo 3. Obtenha a sua forma canônica.

Solução: Da definição de hipérbole, segue


p p
| (x + 1)2 + (y + 3)2 − (x − 1)2 + (y − 2)2 | = 3.

Após seguir os passos algébricos descritos no prob. 9.3, obtem-se

−5x2 + 16y 2 + 20xy + 10x + 16y − 41 = 0.

Vamos agora obter a forma canônica. O primeiro passo é eliminar o


termo cruzado 20xy através de uma rotação de eixos. De acordo com o
problema 6.5, o ângulo de rotação necessário para isso é dado por
20
tan(2θ) = − .
21
Isso implica
5 2
cos θ = √ e sin θ = − √ .
29 29
Em termos das novas coordenadas
5x′ + 2y ′ −2x′ + 5y ′
x= √ e y= √
29 29
a equação da hipérbole é dada por
18x′ 100y ′
−9(x′ )2 + 20(y ′ )2 + √ + √ = 41.
29 29
Para eliminar os termos lineares, reescrevemos essa equação como segue:
   
2x′ 5y ′
−9 (x′ )2 − √ + 20 (y ′ )2 + √ = 41.
29 29
Para finalizar, completamos os quadrados para obter

(y ′′ )2 (x′′ )2
− = 1,
9/4 5
onde
1 5
x′′ = x′ − √ e y ′′ = y ′ + √ .
29 2 29
Problema 6.10 Obtenha a equação canônica da parábola [ver problema
5.28]
x2 + 4y 2 − 4xy − 14x − 32y + 109 = 0.
Solução: Comparando esta expressão com a eq. (6.3), podemos fazer
as seguintes identificações: A = 1, B = 4 e C = −4. Portanto, para
eliminar o termo cruzado xy o ângulo de rotação é dado por tan 2θ = 4/3.
Isso implica
2 1
cos θ = √ e sin θ = √ .
5 5
′ ′
Em função das coordenadas x e y , a equação da parábola é
√ √
5(y ′ )2 − 12 5x′ − 10 5y ′ + 109 = 0.
Procedemos agora à eliminação do termo linear em y ′ . Após um pequeno
rearranjo, temos
√ √
5[(y ′ )2 − 2 5y ′ ] − 12 5x′ + 109 = 0.
√ √
Notando que (y ′ )2 − 2 5y ′ = (y ′ − 5)2 − 5, segue após alguma álgebra
√ 2 √
 
′ ′ 7
5(y − 5) = 12 5 x − √ .
5
Após efetuar a translação
√ 7
y ′′ = y ′ − 5, x′′ = x′ − √
5
obtemos finalmente √
5 ′′ 2
x′′ = (y ) .
12
Problema 6.11 Mostre que a equação
xy = y + 1
representa uma hipérbole.
Solução: Comparando essa forma quadrática com a expressão (6.3),
vemos que A = B = 0. Isso implica que uma rotação de θ = π/4 remove
o termo cruzado. Com efeito, usando
x′ − y ′ x′ + y ′
x= √ e y= √ ,
2 2
obtemos √ ′
(x′ )2 − (y ′ )2 = 2(x + y ′ ) + 2.
A seguir, vamos eliminar os termos lineares em x′ e y ′ . Após um rápido
rearranjo, conseguimos
 2  2
1 1
x′ − √ − y′ + √ = 2.
2 2
Efetuamos agora a translação
1 1
x′′ = x′ − √ , y ′′ = y ′ + √
2 2
para obter
(x′′ )2 (y ′′ )2
− = 1.
2 2
Trata-se obviamente de uma hipérbole.

Problema 6.12 Obtenha a equação reduzida da hipérbole xy = x + 1.

Solução: Dado que A = B = 0, uma rotação de θ = π/4 rad elimina


o termo cruzado:
x′ − y ′ x′ + y ′
x= √ , y= √ .
2 2
Em função das novas coordenadas, a equação da hipérbole toma a forma
√ √
(x′ )2 − 2x′ − (y ′ )2 + 2y ′ = 2.

Após completar os quadrados, obtemos


√ !2 √ !2
′ 2 ′ 2
x − − y − = 2.
2 2

Após a translação
√ √
′′ ′ 2 ′′ ′ 2
x =x − , y =y −
2 2
obtem-se a equação reduzida
(x′′ )2 (y ′′ )2
− = 1.
2 2

Problema 6.13 Identifique o lugar geométrico associado à forma qua-


drática
x2 + y 2 + 2xy − 6x + 2y + 1 = 0.

Solução: Dado que A = B, então uma rotação de θ = π/4 rad elimina


o termo cruzado 2xy. Com efeito, após a mudança de variável
x′ − y ′ x′ + y ′
x= √ , y= √
2 2
a forma qudrática reduz-se a

4x′ 8y ′
2(x′ )2 − √ + √ + 1 = 0.
2 2
O próximo passo é completar quadrado:
" 2 #
′ 2 4x′ ′ 1 1
2(x ) − √ = 2 x − √ − .
2 2 2

Fazendo uso disso, segue então


 2
1 4y ′
x′ − √ + √ = 0.
2 2
Em função da translação
1
x′′ = x′ − √ ,
2
obtemos finalmente √
2 ′′ 2
y′ = − (x ) .
4
Trata-se de uma parábola.

Problema 6.14 Identifique o lugar geométrico associado à forma quadrática

32x2 − 24xy − 84x + 36y + 45 = 0.

Solução: Trata-se da hipérbole:

4(x′′ )2 − (4/9)(y ′′ )2 = 1,

onde
4 3
x′′ = x′ − √ , y ′′ = y ′ − √ ,
10 10
3x′ + y ′ −x′ + 3y ′
x= √ , y= √ .
10 10

Problema 6.15 Obter a forma canônica da parábola definida no pro-


blema 5.37.
Solução: Dado que A = B, então o ângulo de rotação é θ = π/4. A
substituição de
x1 − y1 x1 + y1
x= √ , y= √
2 2
na equação da parábola implica
64 12
2y12 − √ x1 − √ y1 + 233 = 0.
2 2
Podemos reescrever essa expressão como
2

  
3 7
y1 − √ = 16 2 x1 − √ .
2 2
Por fim, após a translação
7 3
x2 = x1 − √ , y2 = y1 − √
2 2
obtem-se a forma canônica

y22 = 16 2x2 .

Problema 6.16 Obter a forma canônica da parábola definida no pro-


blema 5.40.

Solução: Após a rotação


x1 − y1 x1 + y1
x= √ , y= √
2 2
obtem-se
80 4
2y12 + √ x1 + √ y1 − 279 = 0.
2 2
Após a translação
7 1
x2 = x1 − √ , y2 = y1 + √
2 2
obtem-se √
y22 = −20 2x2 .
Problema 6.17 Obter a forma canônica da elipse definida no problema
5.13.

Solução: Neste caso,

A = 2821, B = 3096, C = 1500.

O ângulo de rotação é dado por


60 5 6
tan 2θ = − ⇒ sin θ = − √ , cos θ = √ .
11 61 61
Após a rotação
6x1 + 5y1 −5x1 + 6y1
x= √ , x= √
61 61
obtem-se
   
2 7 2 16
2196 x1 + √ x1 + 3721 y1 + √ y1 = 29144.
61 61
Após a translação
7 8
x2 = x1 + √ , y2 = y1 + √
2 61 61
obtem-se
x22 y2
+ 2 = 1.
(61/4) 9

Problema 6.18 Obter a forma canônica da hipérbole definida no pro-


blema 5.21.

Solução: O ângulo de rotação é dado por


3 3 1
tan 2θ = − ⇒ cos θ = √ , sin θ = − √ .
4 10 10
Após a rotação
3x1 + y1 −x1 + 3y1
x= √ , y= √
10 10
obtem-se √ √
5x21 + 10x1 − 15y12 + 39 10y1 = 103.
Após a translação
1 13
x2 = x1 + √ , y2 = y1 − √
10 10
obtem-se finalmente
y22 x2
− 2 = 1.
10 30
Capı́tulo 7
Vetores em três dimensões

Sejam u = (x1 , y1 , z1 ) e v = (x2 , y2 , z2 ) vetores e k ∈ R um escalar.


Definem-se
1. Soma de vetores: u + v = (x1 + x2 , y1 + y2 , z1 + z2 )
2. Multiplicação por escalar: ku = (kx1 , ky1 , kz1 )
3. Produto escalar: u · v = x1 x2 + y1 y2 + z1 z2
4. Produto vetorial: u × v = (y1 z2 − z1 y2 , z1 x2 − x1 z2 , x1 y2 − y1 x2 )
p
5. Módulo de vetor: |u| = x21 + y12 + z12

Problema 7.1 Encontre os escalares a, b e c para que se tenha:


(a) (2, 3, 5) = a(−2, 5, 1) + b(3, −4, 2) + c(5, 2, 3)
(b) (2, 3, 5) = a(1, −2, 3) + b(5, 3, 2) + c(−3, 4, 6)

Solução: (a) Da igualdade, segue imediatamente



 −2a + 3b + 5c = 2
5a − 4b + 2c = 3
a + 2b + 3c = 5.

Após escalonamento, obtem-se



 a + 2b + 3c = 5
7b + 11c = 12
9c = 2,

141
cuja solução pode agora ser facilmente obtida:
101 86 2
a= , b= , c= .
63 63 9
(b) Resposta: a = 57/169, b = 103/169, c = 6/13.

Problema 7.2 Resolva a equação

u × (2, 3, −1) = (5, 1, 2).

Solução: Seja u = (x, y, z). Aplicando a definição de produto vetorial,


tem-se u × (2, 3, −1) = (−y − 3z, x + 2z, 3x − 2y). Segue então
 
 x + 2z = 1  x + 2z = 1
−y − 3z = 5 ≡ −y − 3z = 5
3x − 2y = 2. 0 = −11.
 

Como o sistema é impossı́vel, a equação vetorial não tem solução.

Problema 7.3 Calcule o ângulo entre os vetores u = (4, −1, 3) e v =


(2, 3, 1).

Resposta: arccos(4/ 91).

Problema 7.4 Mostre que qualquer vetor u = (x, y, z) pode ser escrito
como
u = xi + yj + zk
onde i = (1, 0, 0), j = (0, 1, 0) e k = (0, 0, 1).

Solução: Fazendo uso da definição de soma de vetores, podemos es-


crever o vetor u da seguinte forma:

u = (x, 0, 0) + (0, y, 0) + (0, 0, z).

A definição da operação “multiplicação por escalar”, por sua vez, permite-


nos prosseguir assim:

u = x(1, 0, 0) + y(0, 1, 0) + z(0, 0, 1) = xi + yj + zk.


Problema 7.5 Verifique que

i × j = k, j × k = i, k × i = j.

Problema 7.6 Determine o vetor u que satisfaz as condições

u × (2i + 3j) = k, u · (i − j) = 4.

Solução: Seja u = xi + yj + zk o vetor procurado. Então

u × (2i + 3j) = −3zi + 2zj + (3x − 2y)k = k

e
u · (i − j) = x − y = 4.
Logo, z = 0 e 
x−y =4
3x − 2y = 1.
A solução do sistema é x = −7 e y = −11 e então u = −7i − 11j.

Problema 7.7 Obtenha o vetor u que satisfaz as condições abaixo:

u · (3i − 5j + 2k) = −7,

u × (i − 2j + 3k) = 16i − 7j − 10k.

Solução: Seja u = xi + yj + zk o vetor procurado. Então,

u · (3i − 5j + 2k) = 3x − 5y + 2z,

u × (i − 2j + 3k) = (3y + 2z)i + (z − 3x)j − (2x + y)k.


As componentes de u satisfazem portanto o sistema


 3x − 5y + 2z = −7
3y + 2z = 16

 −3x + z = −7

2x + y = 10,

cuja solução é x = 3, y = 4 e z = 2.
Problema 7.8 Os ângulos que o vetor u = (x, y, z) faz com os vetores i,
j e k, designados respectivamente por α, β e γ, são chamados de ângulos
diretores de u. Mostre que
x y z
(a) cos α = , cos β = , cos γ = ;
|u| |u| |u|
(b) cos2 α + cos2 β + cos2 γ = 1.

Solução: (a) Da definição de ângulo diretor, temos


x
u · i = x = |u| |i| cos α ⇒ cos α = ,
|u|
y
u · j = y = |u| |j| cos β ⇒ cos β = ,
|u|
z
u · k = z = |u| |k| cos γ ⇒ cos γ = .
|u|
(b) Fazendo uso dos resultados acima, segue
x2 + y 2 + z 2
cos2 α + cos2 β + cos2 γ = = 1.
|u|2

Problema 7.9 Calcule os ângulos diretores do vetor u = (3, 7, −2).



Solução: Uma vez que |u| = 62, então
3 √
cos α = √ ⇒ α = arccos(3/ 62),
62
7 √
cos β = √ ⇒ β = arccos(7/ 62),
62
2 √
cos γ = − √ ⇒ γ = arccos(−2/ 62).
62

Problema 7.10 Calcule os ângulos diretores do vetor 3u + 2v, onde


u = (1, 0, 3) e v = (5, 1, 4).
13 2 12
Resposta: cos α = √ , cos β = √ , cos α = √ .
317 317 317
Problema 7.11 F é um vetor de módulo igual a 5 e ângulos diretores
α = π/3 e β = 3π/8. Dado que o ângulo diretor γ é agudo, obtenha as
componentes de F.
Solução: Os ângulos diretores α, β, γ satisfazem a relação cos2 α +
cos2 β + cos2 γ = 1. Uma vez que

1 2− 2
cos2 π/3 = e cos2 3π/8 = ,
4 4
segue então p √
1+ 2
cos γ = .
2
Tomamos a raiz positiva porque γ é agudo. Podemos agora calcular as
componentes de F:
5
Fx = |F| cos α = ,
2

q
5
Fy = |F| cos β = 2 − 2,
2

q
5
Fz = |F| cos γ = 1 + 2.
2

Problema 7.12 Seja u = xi + yj + zk um vetor qualquer. Mostre que


u pode ser escrito como
u = |u|(i cos α + j cos β + k cos γ).
Solução: Da definição de ângulos diretores, segue imediatamente que
x = |u| cos α, y = |u| cos β, z = |u| cos γ.
Logo,
u = |u| cos αi + |u| cos βj + |u| cos γk
= |u|(i cos α + j cos β + k cos γ).

Problema 7.13 Sejam u e v vetores quaisquer cujos ângulos diretores


são α1 , β1 , γ1 e α2 , β2 , γ2 respectivamente. Se θ é o ângulo entre u e
v, mostre que
cos θ = cos α1 cos α2 + cos β1 cos β2 + cos γ1 cos γ2 .
Solução: De acordo com o problema 7.12, os vetores u e v podem ser
escritos na seguinte forma:

u = |u|(i cos α1 + j cos β1 + k cos γ1 ),

v = |v|(i cos α2 + j cos β2 + k cos γ2 ).


Segue então que

u · v = |u| |v|(cos α1 cos α2 + cos β1 cos β2 + cos γ1 cos γ2 ).

Por ser u · v = |u| |v| cos θ, conclui-se imediatamente o que é para ser
provado.

Problema 7.14 O ângulo entre os vetores u = (k, 2, 3) e v = (1, −1, 2)


é π/3. Determine k.

Solução: O cálculo de k faz-se através√do uso da expressão


√ u·v =
|u||v| cos θ. Dado que u · v = k + 4, |u| = k 2 + 13, |v| = 6 e θ = π/3,
então p
2(k + 4) = 6(k 2 + 13).
Note que k + 4 deve ser positivo. Tendo em vista isso, elevamos agora
ambos os membros ao quadrado e, após algum rearranjo, obtemos
√ k2 −
16k + 7 = 0. A solução dessa equação é imediata: k = 8 ± 57. Para
ambas as raı́zes, tem-se k + 4 > 0.

Problema 7.15 Calcule o módulo da projeção do vetor u = (5, 3, 7)


sobre o eixo y.

Solução: Seja w a projeção ortogonal de u sobre o eixo y. De acordo


com o problema 2.31, temos

|w| = |u|| cos θ|,

onde θ é o ângulo entre u e j. Por outro lado,

|u · j| = |u|| cos θ| = 3.

Logo |w| = 3.

Problema 7.16 Mostre que u × v = −v × u, ou seja, o produto vetorial


não é comutativo.
Problema 7.17 Mostrar que (u × v) · u = (u × v) · v = 0. Isso implica
que o vetor u × v é perpendicular tanto ao vetor u como ao vetor v.

Solução: Sejam u = (x1 , y1 , z1 ) e v = (x2 , y2 , z2 ). Usando as definições


de produto vetorial e produto escalar, temos imediatamente que

(u × v) · u = (y1 z2 − z1 y2 )x1 + (z1 x2 − x1 z2 )y1 + (x1 y2 − y1 x2 )z1 = 0,


(u × v) · v = (y1 z2 − z1 y2 )x2 + (z1 x2 − x1 z2 )y2 + (x1 y2 − y1 x2 )z2 = 0.

Problema 7.18 Sejam u = (x1 , y1 , z1 ) e v = (x2 , y2 , z2 ) vetores. Mostre


que
i j k

u × v = x1 y1 z1 .
x2 y2 z2

Solução: Por definição,

u × v = (y1 z2 − z1 y2 , z1 x2 − x1 z2 , x1 y2 − y1 x2 ).

De acordo com o problema 7.4, podemos escrever isso como segue:

u × v = (y1 z2 − z1 y2 )i + (z1 x2 − x1 z2 )j + (x1 y2 − y1 x2 )k.

Por outro lado, o desenvolvimento de Laplace para o cálculo de deter-


minante conduz ao seguinte:

i j k
x1 y1 z1 = i y1 z1 − j x1 z1 + k x1 y1

y2 z2 x2 z2 x2 y2
x2 y2 z2
= (y1 z2 − z1 y2 )i + (z1 x2 − x1 z2 )j + (x1 y2 − y1 x2 )k.

Isso põe fim à prova.

Problema 7.19 Obtenha u tal que



u × (−i + 2k) = 2i − j + k e |u| = 3.

Solução: Seja u = xi + yj + zk. Então

u × (−i + 2k) = 2yi − (2x + z)j + yk = 2i − j + k.



Logo, y = 1 e 2x + z = 1. Para satisfazer |u| = 3, devemos ter
1
5x2 − 4x − 1 = 0 ⇒ x = − ou x = 1.
5
Há duas soluções portanto:

u = (−1/5, 1, 7/5) ou u = (1, 1, −1).

Problema 7.20 Encontre a forma geral do vetor que é perpendicular


ao vetores u = (2, 1, −3) e v = (3, 2, 4).

Solução: Para que w = (x, y, z) seja perpendicular tanto a u como a


v, deve-se ter
u · w = 2x + y − 3z = 0,
v · w = 3x + 2y + 4z = 0.
Note que há mais incógnitas do que relações entre elas e, portanto, o
sistema é indeterminado. Tomando x como a variável livre, temos

y − 3z = −2x
2y + 4z = −3x.

A solução é
17 1
y=− x, z = x
10 10
e x ∈ R. A forma geral de w é então dada por
x
w= (10, −17, 1).
10
Uma vez que u × v é também perpendicular aos vetores u e v, espera-se
que w seja paralelo ao vetor u × v. Isso é de fato o caso, pois u × v =
(10, −17, 1).

Problema 7.21 Obtenha o vetor u que é perpendicular aos vetores v =


(3, −2, 4), w = (1, 5, −3) e que satisfaz u · (1, 7, 2) = 4.

Solução: dado que u é perpendicular tanto a u como a v, segue que


u é paralelo a v × w:

u = k(v × w) = k(−14, 13, 17).


Podemos agora determinar o valor de k:
4
k(−14, 13, 17) · (1, 7, 2) = 4 ⇒ k = .
111

Problema 7.22 Mostre que |u × v| = |u| |v| sin θ, onde θ é o ângulo


entre os vetores u e v.

Solução: Da definição de u × v, segue

|u × v|2 = (y1 z2 − z1 y2 )2 + (z1 x2 − x1 z2 )2 + (x1 y2 − y1 x2 )2


= x22 (y12 + z12 ) + y22 (x21 + z12 ) + z22 (x21 + y12 )
−2y1 y2 z1 z2 − 2x1 z1 x2 z2 − 2x1 y1 x2 y2 .

Fazendo agora as substituições

x22 (y12 + z12 ) = x22 (x21 + y12 + z12 ) − x21 x22 ,

y22 (x21 + z12 ) = y22 (x21 + y12 + z12 ) − y12 y22 ,


z22 (x21 + y12 ) = z22 (x21 + y12 + z12 ) − z12 z22 ,
segue após algum rearranjo

|u × v|2 = (x21 + y12 + z12 )(x22 + y22 + z22 ) − (x1 x2 + y1 y2 + z1 z2 )2


= |u|2 |v|2 − (u · v)2 .

Fazendo agora uso da eq. (??), então

|u × v|2 = |u|2 |v|2 (1 − cos2 θ) = |u|2 |v|2 sin2 θ.

Está claro agora que


|u × v| = |u| |v| sin θ.

Problema 7.23 Sejam u = (u1 , u2 , u3 ) e v = (v1 , v2 , v3 ) vetores quais-


quer. Verifique a lei distributiva

u × (v + w) = u × v + u × w.
Problema 7.24 Sejam u = (u1 , u2 , u3 ), v = (v1 , v2 , v3 ) e w = (w1 , w2 , w3 )
vetores quaisquer. Mostre que

u1 u2 u3

u · (v × w) = v · (w × u) = w · (u × v) = v1 v2 v3 .
w1 w2 w3

Problema 7.25 Dados os vetores

a = (3, 2, −5), b = (−5, 3, 7), c = (−2, 4, −3), d = (6, 1, 4),

verifique que
a·c b · c
(a × b) · (c × d) = .
a·d b·d

Solução: Calculemos, em primeiro lugar, os produtos vetoriais:



i j k

a × b = 3 2 −5 = 29i + 4j + 19k,
−5 3 7

i j k

c × d = −2 4 −3 = 19i − 10j − 26k.
6 1 4
A seguir, calculamos os produtos escalares:

(a × b) · (c × d) = 17,
a · c = 17, b · c = 1,
a · d = 0, b · d = 1.

Está claro que



a·c b · c 17 1

a·d = = 17 = (a × b) · (c × d).
b·d 0 1

Problema 7.26 Dados os vetores

a = 3i + 2j − 4k, b = −2i + 3j + k,

c = 5i − j + 3k, d = 4i − 5j + 2k,
verifique novamente a identidade vetorial dada no problema anterior.
Solução: Cálculo direto conduz ao seguinte:

a × b = 14i + 5j + 13k, c × d = 13i + 2j − 21k,

a · c = 1, b · d = −21, a · d = −6, b · c = −10.


Está claro que a identidade se verifica pois

(a × b) · (c × d) = −81 e (a · c)(b · d) − (a · d)(b · c) = −81.

Problema 7.27 O produto vetorial não é associativo. Com efeito, as


seguintes identidades podem ser provadas:

u × (v × w) = v(u · w) − w(u · v),

(u × v) × w = v(u · w) − u(v · w).


Verifique-as para o seguinte caso particular:

u = (3, 4, 6), v = (5, −2, 7), w = (−4, 8, 3).

Solução: Calculemos inicialmente os produtos vetoriais indicados:

u × v = (40, 9, −26), v × w = (−62, −43, 32),

u × (v × w) = (386, −468, 119), (u × v) × w = (235, −16, 356).


A seguir, calculamos os produtos escalares:

u · w = 38, u · v = 49, v · w = −15.

Podemos agora verificar as identidades:

v(u · w) − w(u · v) = 38v − 49w = (386, −468, 119),

v(u · w) − u(v · w) = 38v + 15u = (235, −16, 356).

Problema 7.28 Obtenha um vetor de módulo 3 e ângulos diretores α =


30◦ e β = 60◦ .
B
π-
β

A
α γ
C
Problema 7.29.

Problema 7.29 Provar a lei dos senos para triângulos planos:


AB BC AC
= = .
sin γ sin α sin β
Solução: Da figura, obtem-se
−→ −→ −→
AC=AB + BC . (I)
Segue então
−→ −→ −→ −→ −→ −→ −→
AB × AC=AB ×(AB + BC) =AB × BC .
Logo,
−→ −→ −→ −→
| AB × AC | = | AB × BC |,
−→ −→ −→ −→
| AB | | AC | sin α = | AB | | BC | sin(π − β),
−→ −→
| AC | sin α = | BC | sin β.
Logo,
−→ −→
| AC | | BC |
= .
sin β sin α
De (I) segue também
−→ −→ −→ −→ −→ −→ −→
BC × AC=BC ×(AB + BC) =BC × AB .
Logo,
−→ −→ −→ −→
| BC | AC | sin γ = | BC | | AB | sin(π − β),
−→ −→
| AC | sin γ = | AB | sin β.
Isso implica
−→ −→
| AC | | AB |
= .
sin β sin γ
Em resumo,
AB BC AC
= = .
sin γ sin α sin β

Problema 7.30 Mostre que a área de um paralelogramo cujos lados são


u e v é dada por |u × v|.

u
h
θ
v
Problema 7.30.

Solução: Por definição, a área do paralelogramo é dada por

S = |v|h.

Por outro lado,


h
sin θ = ⇒ h = |u| sin θ.
|u|
Logo,
S = |u| |v| sin θ = |u × v|.
Capı́tulo 8
Reta em três dimensões

A reta que passa pelo ponto A(x0 , y0 , z0 ) e é paralela à direção definida


pelo vetor diretor u = (a, b, c) é definida pelos pontos P (x, y, z) ∈ R3
que satisfazem a equação
−→
AP = ku, k ∈ R.
Em coordenadas, temos
(x − x0 , y − y0 , z − z0 ) = k(a, b, c)
que implica 
 x = x0 + ka
y = y0 + kb
z = z0 + kc.

Para cada k ∈ R, está associado um ponto P da reta.

Problema 8.1 Obtenha a reta que passa pelo ponto A(1, −1, 2) e é pa-
ralela ao vetor u = (2, 3, 1).
Solução: Da definição de reta, temos
(x − 1, y + 1, z − 2) = k(2, 3, 1)
ou
x = 1 + 2k, y = −1 + 3k, z = 2 + k
e k ∈ R.

155
Problema 8.2 Verifique se o ponto A(1, 2, −2) pertence à reta

 x=2−k
r: y =1+k
z = 3 + 2k.

Solução: Para que se tenha A ∈ r, deve existir um único valor para k


tal que 
 1=2−k
2=1+k
−2 = 3 + 2k.

Está claro que o sistema acima conduz aos valores conflitantes k = 1 e


k = −5/2. Logo, A ∈ / r.

Problema 8.3 Mostre que a direção da reta que passa pelos pontos
A(x1 , y1 , z1 ) e B(x2 , y2 , z2 ) é paralela ao vetor
−→
AB= (x2 − x1 , y2 − y1 , z2 − z1 ).
−→
Solução: Para provar, basta tomar u =AB e usar a definição de reta:

 x = x1 + k(x2 − x1 )
r: y = y1 + k(y2 − y1 )
z = z1 + k(z2 − z1 )

Note que os pontos A e B estão associados, respectivamente, a k = 0 e


k = 1.

Problema 8.4 Seja r a reta definida pelos pontos A(1, −1, 3) e B(5, 3, 6).
Determine o ponto de r que pertence também ao plano xy.

Resposta: Q(−3, −5, 0).

Problema 8.5 Obtenha a reta que passa pelos pontos:

(a) A(1, 1, 2) e B(−1, 2, 3); (b) A(3, 5, −1) e B(2, −7, 3).

Resposta: (a) x = 1 − 2k, y = 1 + k, z = 2 + k; (b) x = 3 − k,


y = 5 − 12k, z = −1 + 4k.
Problema 8.6 Mostre que a dupla igualdade
3x + 4 2 − 3y z+3
= =
5 4 2
representa uma reta. Determine um ponto e a direção da reta.

Solução: Podemos expressar x e y em função de z:


3x + 4 z+3 7 5z
= ⇒ x= + ,
5 2 6 6
2 − 3y z+3 4 2z
= ⇒ y=− − .
4 2 3 3
Fazendo a identificação z = k, então o conjunto original de equações
pode ser reescrito como segue:

7 5k
x= +


6 6






4 2k
y=− −
3 3







 z = k.

Note que isso representa uma reta que passa pelo ponto A(2, −2, 1) e é
paralela ao vetor u = (5, −4, 6).

Problema 8.7 Obtenha a reta que passa pelo ponto A(0, 1, 3) e é para-
lela à reta
2x + 1 3 − 2y z+4
= = .
5 4 3
Solução: O procedimento para obter a equação paramétrica de uma
reta a partir de uma dupla igualdade está explicado no problema 8.6.
Dado isso, é fácil obter o seguinte:

 x = 17 + 5k

6 6






r: 7 2k
y=− −
6 3







 z = k.

Logo, a direção de r é paralela ao vetor

u = (5/6, −2/3, 1).


A obtenção da reta que passa por A e é paralela a r é imediata:

5k
x=


6






s: 2k
y =1−
3







 z = k + 3.

Problema 8.8 O ponto P (a, b, 1) pertence à reta


x−1 2y + 1 z−3
= = .
2 3 4
Determine a e b.

Solução: Dado que P pertence à reta, então


a−1 2b + 1 1−3
= = .
2 3 4
A solução é imediata:
5
a=0 e b=− .
4

Problema 8.9 Seja r a reta que passa pelos pontos

A(−1, 5, 2), B(2, 7, 1).

Encontre os pontos P de r que satisfazem d(P, A) = 2 d(P, B).

Solução: A equação paramétrica de r é dada por



 x = −1 + 3k
r: y = 5 + 2k
z = 2 − k.

Dado que um ponto qualquer de r tem a forma P (−1 + 3k, 5 + 2k, 2 − k),
então é fácil obter o seguinte:
√ p
d(P, A) = 14k 2 e d(P, B) = 14(k − 1)2 .
Consequentemente, a equação d(P, A) = 2d(P, B) implica a existência
de dois pontos:
2
k= ⇒ P (1, 19/3, 4/3),
3
k = 2 ⇒ P (5, 9, 0).

Problema 8.10 Seja r a reta definida pelos pontos

A(−1, 3, 5), B(4, 6, −7).

Obtenha os pontos de r para os quais se tem d(P, A) = 3 d(P, B).

Resposta: Há dois pontos:

P (11/4, 21/4, −4) ou P (11/2, 15/2, −13).

Problema 8.11 Dada a reta



 x = −1 + 2k
r: y = 2 − 3k
z = 4k,

obtenha os pontos de r que são equidistantes dos pontos A(5, 0, 1) e


B(2, −1, 3).

Solução: Os pontos de r que são equidistantes dos pontos A e B


satisfazem a equação
p
(2k − 6)2 + (2 − 3k)2 + (4k − 1)2
p
= (2k − 3)2 + (3 − 3k)2 + (4k − 3)2 .

A solução é k = −7/5 que determina o ponto P (−19/5, 31/5, −28/5).

Problema 8.12 Determine a distância do ponto A(1, 4, −2) à reta



 x = 3 − 2k
r: y =2+k
z = 1.

u
P

Problema 8.12

Solução: Da equação paramétrica de r, segue que sua direção é paralela


ao vetor
u = (−2, 1, 0).
Seja P (3 − 2k, 2 + k, 1) um ponto arbitrário de r. A distância entre o
ponto A e a reta r é definida por
−→
d(A; r) = |AP |
−→
para o caso em que AP é perpendicular ao vetor u. Dado que
−→
AP = (2 − 2k, k − 2, 3),

logo
−→ 6 −→
AP · u = 0 ⇒ k = ⇒ AP = (−2/5, −4/5, 3).
5
A distância pode agora ser calculada:
7
d(A; r) = |(−2/5, −4/5, 3)| = √ .
5

Problema 8.13 Calcule a distância entre o ponto P (5, 3, −4) e a reta



 x = 1 + 2k
r: y = −6 + 3k
z = 5 − 4k.


Resposta: 11/ 29.
Problema 8.14 Mostre que a distância entre o ponto P e a reta r é
dada por
−→
|AP × u|
d(P ; r) = ,
|u|
onde A é um ponto qualquer de r e u determina sua direção.

0
r
A
u
Problema 8.14

Solução: Da figura, vemos que


d(P ; r) = h
e também que
−→ −→
|AP × u| = |AP | |u| sin θ.
Notando que
h
sin θ = −→ ,
|AP |
então o resultado segue como consequência.

Problema 8.15 Calcule a distância entre o ponto P (5, 1, −2) e a reta



 x = 1 + 3k
r: y = 2 − 4k
z = −3 + 5k

usando a fórmula deduzida no problema 8.14.


Solução: A direção de r é definida pelo vetor
u = (3, −4, 5).
Seja A(4, −2, 2) um ponto de r (escolhido arbitrariamente). Então
−→ −→
AP = (1, 3, −4) e AP × u = (−1, −17, −13).
Aplicamos agora a fórmula:

|(−1, −17, −13)| 3 102
d(P ; r) = = .
|(3, −4, 5)| 10

Problema 8.16 Calcule a distância entre as retas paralelas



x+2 y+4  x = 6 + 3t
r: = =z+1 e s: y = 7 + 5t
3 5
z = 1 + t.

Solução: A distância entre retas paralelas é igual à distância de um


ponto qualquer de r à reta s ou vice versa. Dado isso, fornecemos apenas
a resposta: r
6
d(r, s) = 3 .
35

Problema 8.17 Mostre que o conjunto dos pontos que são equidistantes
de A(2, 1, −3), B(−1, 0, 4) e C(4, 2, 1) é uma reta.
Solução: Seja P (x, y, z) um ponto que satisfaz as condições acima.
Então
d(P, A) = d(P, B) ⇒ 6x + 2y − 14z = −3,
d(P, B) = d(P, C) ⇒ 5x + 2y − 3z = 2.
A solução do sistema acima é


 x = −5 + 11k



27

y= − 26k


 2


z = k.

Trata-se portanto de uma reta.

Problema 8.18 Obtenha a reta definida pela dupla igualdade


d(P, A) = d(P, B) = d(P, C),
onde P (x, y, z) é um ponto qualquer da reta, A(1, 2, −1), B(−1, 3, 4) e
C(5, 0, −2).
Resposta: 
 x=k
y = −15/2 + 2k
z = 7/2.

Problema 8.19 Dadas as retas


 
 x = 2k  x = 1 + 5t
r: y = 1 − 3k e s: y = −2 + t
z =5+k z = 4t,
 

determine r ∩ s.

Solução: Os parâmetros do ponto comum às retas r e s devem satisfazer


o sistema 
 2k = 1 + 5t
1 − 3k = −2 + t
5 + k = 4t,

que é equivalente ao sistema impossı́vel



 −k + 4t = 5
t = 18/13
t = 11/3.

Logo, as retas não se interceptam.

Problema 8.20 Calcule a área do triângulo de vértices A(0, 0, 1), B(1, 1, 0)


e C(−1, 0, −2).

H r
C
B
Problema 8.20
Solução: Tomando o segmento BC como a base do triângulo, então
seu comprimento é
L = d(B, C) = 3.
Seja r a reta que passa pelos pontos B e C:

 x = 1 − 2k
r: y =1−k
z = −2k.

A distância do ponto A à reta r coincide com a altura do triângulo:



26
H = d(A; r) = .
3
Logo, a área do triângulo é

1 26
S = LH = .
2 2

Problema 8.21 Verifique que as retas


 
 x=k  x = 3 + 2t
r: y = 3k e s: y = −1 + 7t
z = 4k z = 2 − 3t
 

são reversas.

Solução: Está claro que as direções de r e de s são paralelas, respec-


tivamente, aos vetores u = (1, 3, 4) e v = (2, 7, −3). As retas não são
portanto paralelas. Vejamos se elas são concorrentes; nesse caso, o ponto
de concorrência é solução do sistema
 
 k = 3 + 2t  k = 3 + 2t
3k = −1 + 7t ≡ t = 10
4k = 2 − 3t t = −11/10
 

Está claro que o sistema é impossı́vel e então as retas não são concor-
rentes. Logo, não existe plano que contém ambas as retas, ou seja, elas
são reversas.
Problema 8.22 Encontre os pontos da reta

x+y+z =1
r:
3x − y = 0

que distam 5 do ponto A(3, 4, 2).

Solução: Um ponto qualquer de r tem a forma

P (x, 3x, 1 − 4x).

Para encontrar x, devemos resolver a equação d(P, A) = 5, ou seja,


p
(x − 3)2 + (3x − 4)2 + (4x + 1)2 = 5.

Após elevar ambos os membros ao quadrado e prosseguir com a simpli-


ficação, obtemos
26x2 − 22x + 1 = 0.
A solução é √
11 ± 95
x=
26
que permite o cálculo de dois pontos de r.

Problema 8.23 Obtenha a equação da reta que passa pelo ponto A(5, 2, −3)
e é perpendicular à reta

r : 3x + 5 = 5y + 1 = 3 − 2z.

Solução: A equação paramétrica de r é dada por


 2 2
 x=− − k
3 3






r: 2 2
y= − k
5 5







z = k,

a partir da qual deduz-se que a direção de r é paralela ao vetor

ur = (−2/3, −2/5, 1).

Seja
us = (a, b, c)
a direção da reta s procurada. Dado que A ∈ s, então a equação
paramétrica de s é dada por


 x = 5 + at



s: y = 2 + bt




z = −3 + ct.

As retas r e s são perpendiculares. Isso implica que


2 2
ur · us = − a − b + c = 0
3 5
e que as retas são concorrentes, ou seja, o sistema
 2 2
 − − k = 5 + at
3 3






2 2
− k = 2 + bt
5 5







k = −3 + ct
deve ter solução. Para que isso ocorra, é necessário que se tenha
6a = 55b + 18c.
Quando essa relação é combinada com a relação ur · us = 0, obtem-se

55b + 18c = 6a 30 586
⇒ b=− a, c = a.
−6b + 15c = 10a 311 933
Tomando (arbitrariamente) a = 933, então
us = (933, −90, 586).
Logo, 
 x = 5 + 933t
s: y = 2 − 90t
z = −3 + 586t

e r ∩ s = Q(872/361, 812/361, −1669/361).

Problema 8.24 Sejam u e v, respectivamente, os vetores paralelos às


retas r e s. Define-se o ângulo entre essas retas pela expressão
|u · v|
cos θ = .
|u| |v|
Use essa definição para calcular o ângulo entre as retas

 x=2+k
r: y = −1 + 2k e s : x + 1 = y − 3 = 2z + 44.
z = 4 − 3k

Solução: A equação paramétrica de s é dada por



 x = 43 + 2t
s: y = 47 + 2t
z = t.

Está claro então que os vetores

u = (1, 2, −3) e v = (2, 2, 1)

são paralelos, respectivamente, às retas r e s. Logo,



θ = arccos(1/ 14).
Capı́tulo 9
Plano

Um plano α em R3 é definido quando se conhece um ponto A(x0 , y0 , z0 ) ∈


α e um vetor n = (a, b, c) perpendicular ao plano. Se P (x, y, z) é um
ponto qualquer de α, então
−→
AP · n = 0,

ou equivalentemente,

a(x − x0 ) + b(y − y0 ) + c(z − z0 ) = 0.

Note que a equação de um plano sempre pode ser escrita na forma

ax + by + cz + d = 0.

 A

Plano em R3

169
Problema 9.1 Obtenha a equação do plano que contém o ponto A(1, −1, 3)
e é perpendicular ao vetor n = (2, 3, −4).

Solução: Da definição de plano, temos

(x − 1, y + 1, z − 3) · (2, 3, −4) = 0,

donde segue 2x + 3y − 4z + 13 = 0.

Problema 9.2 Sabemos da geometria que um plano fica perfeitamente


definido por apenas três pontos (não-colineares). Para verificar isso,
obtenha o plano que contenha os pontos

A(2, −1, 3), B(1, 2, 4), C(−3, 5, 0).

Solução: Seja α : ax + by + cz + d = 0 a equação do plano procurado.


Para que se tenha A, B, C ∈ α devemos ter respectivamente

 2a − b + 3c = −d
a + 2b + 4c = −d
−3a + 5b = −d.

A solução do sistema de equações é dada por

8d 9d
a = 3d, b = , c=− .
5 5
Após inserir esses valores na equação do plano, obtemos

(3x + 8y/5 − 9z/5)d + d = 0.

Dado que d 6= 0, dividimos essa equação por d e em seguida a multipli-


camos por 5. O resultado final é 15x + 8y − 9z + 5 = 0.

Problema 9.3 Determine o plano que contém os pontos

A(3, 4, 1), B(−5, 3, 2), C(7, 6, −4).

Solução: Desta vez, vamos calcular o plano por outro método. Da


figura, vemos que
−→ −→
n =AB × AC= (−8, −1, 1) × (4, 2, −5) = (3, −36, −12)
C
B

Problema 9.3

é perpendicular ao plano definido pelos três pontos. Logo, a equação do


−→
plano é AP · n = 0:
(x − 3, y − 4, z − 1) · (3, −36, −12) = 0 ⇒ x − 12y − 4z + 49 = 0.

Problema 9.4 Obtenha a equação do plano perpendicular ao aixo x e


que contém o ponto A(1, 5, 7).
Solução: Dado que o plano é perpendicular ao eixo x, então podemos
tomar
n = i.
Seja P (x, y, z) um ponto qualquer do plano. Então,
−→
AP = (x − 1, y − 5, z − 7)
e a equação do plano é dada por
−→
AP · i = 0 ⇒ x − 1 = 0.

Problema 9.5 Obtenha a equação do plano que contém o ponto A(3, 4, 7)


e é perpendicular à reta
r : 2x + 1 = 3 − y = 3z.
Solução: A equação paramétrica de r é dada por
 1 1
 x = −2 + 2k


r: y =3−k
 z = 1 k,


3
a partir da qual se deduz que é paralela ao vetor

u = (1/2, −1, 1/3).

Dado que r ⊥ α, podemos tomar

n=u

como o vetor normal ao plano. Logo, sua equação é

(x − 3, y − 4, z − 7) · (1/2, −1, 1/3) = 0 ⇒ 3x − 6y + 2z + 1 = 0.

Problema 9.6 Obtenha a equação do plano paralelo ao eixo x e que


contém os pontos A(1, 1, 2) e B(−1, 2, 3).

Solução: A equação do eixo x é a reta



 x=t
r: y=0
z = 0.

Seja
α : ax + by + cz = d
a equação do plano procurado. Calculemos agora r ∩ α:

a.t = d.

Para que r não intercepte o plano, devemos ter a = 0 e d 6= 0. Isso


garante que a equação acima não tem solução. A seguir, vamos impor
que B e C sejam pontos de α:

A ∈ α ⇒ b + 2c = d,

B ∈ α ⇒ 2b + 3c = d.
A solução do sistema acima é c = d e b = −d. Segue então que a equação
do plano é
−dy + dz = d,
ou equivalentemente, z − y = 1.
Problema 9.7 Mostre que os pontos

A(2, −3, 4), B(−6, 7, 0), C(6, −8, 6)

não determinam um plano. Explique porque isso ocorre.

Resposta: Todos eles pertencem à reta



 x = 2 + 4k
r: y = −3 − 5k
z = 4 + 2k.

Problema 9.8 Dado o plano α : 3x + 2y + z = 4 e a reta r que passa


pelos pontos A(1, 1, 5) e B(2, −1, 3), obtenha o ponto P = α ∩ r.

Solução: A reta definida pelos pontos A e B é dada por



 x=1+k
r: y = 1 − 2k
z = 5 − 2k.

A substituição de r na equação do plano implica

3(1 + k) + 2(1 − 2k) + 5 − 2k = 4 ⇒ k = 2.

Logo, a reta intercepta o plano no ponto Q(3, −3, −1).

Problema 9.9 A reta



 x = −2 + 2k
r: y = 1 + mk
z = −3k

é paralela ao plano α : x + 2y − 3z = 1. Determine o valor de m.

Solução: Por hipótese, r e α não possuem pontos em comum. Isso


significa que a equação

−2 + 2k + 2(1 + mk) − 3(−3k) = 1,

cuja forma simplificada é

(11 + 2m)k = 1,
não pode ter solução. Consegue-se isso impondo-se a condição
11
11 + 2m = 0 ⇒ m = − .
2

Problema 9.10 Determine a interseção entre o plano α : x+3y−z = 7


e a reta 
 x = 2 + 2k
r: y = 2 + 3k
z = 1 + 11k.

Solução: A substituição da equação paramétrica de r na equação de


α implica
2 + 2k + 3(2 + 3k) − (1 + 11k) = 7.
Após simplificação, obtem-se a identidade 0 = 0. Logo todo ponto de
r é também ponto do plano, em outras palavras, a reta está contida no
plano.

Problema 9.11 A reta



 x = 2k
r: y =1+k
z = −3 − 2k

está contida no plano

α : ax + by + z = 2.

Obtenha os valores de a e b.

Solução: A substituição da equação paramétrica de r na equação do


plano conduz a seguinte:

(2a + b − 2)k = 5 − b.

Essa equação deve ter infinitas soluções, logo



2a + b − 2 = 0 3
⇒ a=− e b = 5.
5−b=0 2
Problema 9.12 Obtenha a equação do plano que contém os pontos

A(1, 2, −1), B(3, 4, −5)

e é paralelo à reta 
 x = 3k
r: y = 1 + 2k
z = 5k.

Solução: Seja n o vetor normal do plano procurado. A direção da reta


r é dada pelo vetor
u = (3, 2, 5),
e a direção definida pelos pontos A, B é
−→
AB= (2, 2, −4).

Dado que A e B são pontos do plano, então


−→
n · AB= 0;

ademais, com r é paralela ao plano, então

n · u = 0.
−→
Uma vez que n é perpendicular aos vetores AB e u, podemos tomar
−→
n =AB ×u = (18, −22, −2).

Logo, a equação do plano é

(x − 1, y − 2, z + 1) · (18, −22, −2) = 0,

ou equivalentemente,

9x − 11y − z + 12 = 0.

Problema 9.13 Mostre que existem infinitos planos que contém os pon-
tos A(−1, 2, 7) e B(3, −5, −2). Em outras palavras, dois pontos não de-
terminam um plano.
Solução: Seja α : ax + by + cz + d = 0 a equação do plano procurado.
Para que os pontos A e B sejam também pontos de α devemos ter
respectivamente

−a + 2b + 7c + d = 0, 3a + 5b − 2c + d = 0.

O sistema acima pode ser reescrito como segue:



−a + 2b = −7c − d
3a − 5b = 2c − d,

cuja solução é
a = −31c − 7d, b = −19c − 4d.
A seguir, substituı́mos esses valores na equação do plano para obter

−(31c + 7d)x − (19c + 4d)y + cz + d = 0.

Há portanto infinitos planos. Eis alguns:

c = −1, d = 0 ⇒ 31x + 19y − z = 0,

c = 0, d = 1 ⇒ −7x − 4y + 1 = 0.

Problema 9.14 (a) Obtenha a reta r que passa pelos pontos A(1, 3, −2)
e B(5, −4, −1). (b) Obtenha todos os planos que contém A e B. (c)
Verifique que todo ponto de r pertence aos planos obtidos acima. Isso
ilustra o seguinte teorema:
Se um plano α contém dois pontos da reta r, então todo ponto
de r pertence a α.

Problema 9.15 Encontre a equação do plano definido pelo eixo y e pelo


ponto A(2, 7, 4).

Solução: Considere os seguintes pontos do eixo y:

B(0, 1, 0) e C(0, 2, 0).

Tudo o que resta fazer agora é obter o plano definido pelos pontos A, B
e C. Isso já foi explicado. A resposta é α : 2x − z = 0.
Problema 9.16 Obtenha a equação do plano que contém a reta

 x = 1 + 5k
r: y = −2 + 3k
z = 7 − 4k,

e o ponto A(1, 1, 1).

Problema 9.17 Determine todos os pontos P de R3 que satisfazem a


equação
−→
AP = ka + tb,
onde
A(5, 3, −7), a = (1, 3, 2), b = (2, −5, 3),
e k, t ∈ R

Solução: Seja P (x, y, z) um ponto que satisfaz a equação acima. Segue


então
−→
AP = (x − 5, y − 3, z + 7) = k(1, 3, 2) + t(2, −5, 3).
A igualdade acima implica

 k + 2t = x − 5
3k − 5t = y − 3
2k + 3t = z + 7.

Após escalonamento, obtem-se o seguinte sistema equivalente:



 k + 2t = x − 5
t = (3x − y − 12)/11
t = 2x − z − 17.

Para evitar contradição, é forçoso que se tenha

3x − y − 12
2x − z − 17 = ⇒ 19x + y − 11z = 165,
11

que é a equação de um plano cujo vetor normal é n = (19, 1, −11). É


interessante notar que a × b = n. Como veremos a seguir, isso não é
coincidência.
Problema 9.18 Verifique que as equações paramétricas

 x = 1 + k + 2t
y = 2 − 3k + 5t
z = 2k − t

representam um plano.

Resposta: 7x − 5y − 11z + 3 = 0.

Problema 9.19 Mostre que as equações paramétricas


 
 x = 1 + k + 10t  x = 3 − k + 8t
y = −2 − k + 5t e y = 6 + 6k + 7t
z = −1 − k − 4t z = 1 + 3k − 2t
 

representam um mesmo plano.

Solução: O primeiro conjunto de equações pode ser reescrito na forma



 k + 10t = x − 1
−k + 5t = y + 2
−k − 4t = z + 1

que é equivalente ao sistema



 k + 10t = x − 1
t = (x + y + 1)/15
t = (x + z)/6.

Para evitar contradição, devemos ter


x+y+1 x+z
= ⇒ 3x − 2y + 5z = 2.
15 6
Para o segundo conjunto de equações, obtem-se

 −k + 8t = x − 3
t = (6x + y − 24)/55
t = (3x + z − 10)/22.

Segue então
6x + y − 24 3x + z − 10
= ⇒ 3x − 2y + 5z = 2.
55 22
Problema 9.20 Verifique que a equação
−→
AP = ka + tb,

onde A(x0 , y0 , z0 ) é um ponto qualquer de R3 , a e b são vetores não-


paralelos, e k, t ∈ R determina um plano que contém o ponto A com
vetor normal a × b.

Solução: Da equação acima, deduz-se que


−→
(a × b) · AP = k(a × b) · a + t(a × b) · b.

Por outro lado, foi provado no problema 7.17 que

(a × b) · a = (a × b) · b = 0.

Logo,
−→
(a × b) · AP = 0,
que é a equação do plano caracterizado acima.

Problema 9.21 Obtenha uma forma paramétrica do plano

α : x + 2y − z = 4.

Solução: Está claro que podemos tomar

n = (1, 2, −1)

como o vetor normal do plano e A(4, 0, 0) é um ponto de α (escolhido


arbitrariamente). O passo a seguir é obter dois vetores não paralelos e
ortogonais a n. Assuma que

a = (a1 , a2 , a3 )

cumpre tal requisito:

a · n = a1 + 2a2 − a3 = 0.

Vamos agora explorar o fato de que essa equação tem dois graus de
liberdade; podemos então atribuir valores para a1 e a2 (arbitrariamente)
e com isso fixar o valor de a3 :

a1 = 0 e a2 = 1 ⇒ a3 = 2,
a1 = 1 e a2 = 1 ⇒ a3 = 3.
Obtemos assim dois vetores ortogonais a n e não paralelos:

a = (0, 1, 2) e b = (1, 1, 3).

Se P (x, y, z) é um ponto de α, então existem k, t ∈ R tal que


−→
AP = ka + tb,

ou equivalentemente, 
 x= t+4
y =k+t
z = 2k + 3t.

É importante enfatizar que essa não é a única forma paramétrica de α


(veja problema 9.19).

Problema 9.22 Obtenha o plano que contém o ponto A(−1, 4, −3) e é


paralelo ao plano 
 x = 1 + 3k + t
α: y = 7 + k − 4t
z = 5k + 3t.

Solução: A equação cartesiana do plano α é

α : 23x − 4y − 13z + 5 = 0,

donde concluı́mos que podemos tomar

n = (23, −4, −13)

como o vetor normal de α. Esse também é o vetor normal do plano


paralelo β:
β : 23x − 4y − 13z + d = 0.
A condição A ∈ β implica d = 0.

Problema 9.23 Obter o plano que contém o ponto A(1, 2, −1) e é per-
pendicular aos planos

α : x + 2y + z = 1 e β : x − 3y + 4z = 0.
Solução: Seja γ o plano procurado. Dado que α ⊥ γ e β ⊥ γ, podemos
tomar

nγ = nα × nβ = (1, 2, 1) × (1, −3, 4) = (11, −3, −5)

como o vetor normal de γ. Então

γ : 11x − 3y − 5z + d = 0.

A condição A ∈ γ implica d = −10.

Problema 9.24 Seja r a reta definida pela interseção de dois planos:



3x + 2y + 5z + 1 = 0
r:
2x − 3y + 4z − 2 = 0.

Obtenha a equação paramétrica de r.

Solução: O sistema é indeterminado com um grau de liberdade. Façamos


então z = k. Isso implica

3x + 2y = −1 − 5k
2x − 3y = 2 − 4k.

A solução do sistema acima fornece a equação paramétrica de r, a saber,


 1 23
 x= − k
13 13






r: 8 2
y=− + k
13 13







z = k.

Problema 9.25 Obtenha a interseção entre os planos:

(a) 3x + 7y − 8z + 5 = 0 e 8x − 5y + 3z + 9 = 0;

(b) x + 3y + z = 0 e 2x + 6y + 2z = 5;

(c) x + 3y + z = 0 e 2x + 6y + 3z = 5.
Resposta: (a)
 88 19
 x=− + k
71 71






13 73
y=− + k
71 71







z = k;
(b) Os planos são paralelos; (c)

 x = −5 − 3k
y=k
z = 5.

Problema 9.26 Obtenha a interseção entre o plano 2x + 3y − 4z = 5


e a reta que contém os pontos A(1, −1, 2) e B(4, 3, 1).
Resposta: (32/11, 17/11, 15/11).

Problema 9.27 Calcule a distância entre o ponto A(2, 5, 1) e o plano


α : 3x + y + 2z = 1.
Solução: Podemos tomar
u = (3, 1, 2)
como o vetor normal ao plano. A reta perpendicular ao plano e que
passa pelo ponto A é dada por

 x = 2 + 3k
r: y =5+k
z = 1 + 2k.

A interseção entre essa reta e o plano é o ponto


B(−4/7, 29/7, −5/7).
A distância entre o ponto A e o plano α reduz-se agora à distância entre
os pontos A e B: √
6 14
d(A; α) = d(A, B) = .
7
Problema 9.28 Calcule a distância entre o ponto A(3, 3, 7) e o plano
α : 5x + 6y − 7z = 8.
24
Resposta: d(A; α) = √ .
67

Problema 9.29 Determine o plano que contém o ponto A(3, 3, 4) e a


reta 
 x=1+k
y = −2 + 3k
z = 5 + 7k.

Resposta: 38x − 15y + z − 73 = 0.

Problema 9.30 Obtenha a equação da reta que passa pelo ponto A(1, 2, −4)
e é perpendicular ao plano α : 3x + 5y + 7z = 1.

Problema 9.31 Verifique que as retas


 
 x=2−k  x = 2t
r: y = 1 + 2k e s: y = 6 − 4t
z = −3 + 3k z = 7 − 6t.
 

são paralelas e então obtenha a equação do plano definido por elas.


Solução: A direção de r é paralela ao vetor ur = (−1, 2, 3), e a direção
de s é paralela ao vetor us = (2, −4, −6). Uma vez que ur e us são
paralelos, segue que as retas são paralelas. Então existe um plano que
contém ambas as retas. Consideremos, arbitrariamente, dois pontos de
r, a saber, A(2, 1, −3) e B(1, 3, 0), e o ponto C(2, 2, 1) ∈ s. A equação
do plano definido pelos pontos acima é
5x + 4y − z = 17.

Problema 9.32 Seja



 x = 1 + 2k + 3t
α: y = −k + 2t
z = −1 + 3k + 5t

a equação paramétrica do plano α. Verifique se A(2, 3, −2) ∈ α.


Solução: Para se ter A ∈ α, o sistema a seguir deve ser possı́vel e
determinado: 
 1 + 2k + 3t = 2
−k + 2t = 3
−1 + 3k + 5t = −2.

Esse sistema é equivalente ao sistema impossı́vel



 −k + 2t = 3
t=1
t = 8/11.

Logo A não é um ponto do plano α.

Problema 9.33 Obtenha a equação do plano que contém a reta



 x = 3 − 5k
r: y = 7 − 6k
z = 1 + 2k

e o ponto A(3, 3, 2).

Problema 9.34 Determine o ponto do plano 3x + y − 2z = 5 mais


próximo da origem.

Problema 9.34

Solução: Da equação do plano, vemos que

n = (3, 1, −2)
é um vetor normal ao plano. A reta que passa pela origem O e é per-
pendicular ao plano é dada por

 x = 3t
r: y=t
z = −2t.

Calculemos agora o ponto Q onde r intercepta o plano:


5
3(3t) + t − 2(−2t) = 5 ⇒ t = .
14
Para esse valor particular de t, obtemos o ponto

Q(15/14, 5/14, −10/14)

que é o ponto mais próximo da origem.

Problema 9.35 Encontre o ponto do plano

α : 2x − y + z = 0

mais próximo do ponto A(5, 3, 2).

Resposta: Ponto Q(2, 9/2, 1/2).

Problema 9.36 Obtenha a equação do plano que contém o ponto A(3, 2, 4)


e é paralelo ao plano α : 5x − 7z = 0.

Solução: Seja β o plano procurado. Para que se tenha α k β, deve-se


ter nβ = nα = (5, 0, −7). Dado que A ∈ β, então a equação do plano β

(x − 3, y − 2, z − 4) · (5, 0, −7) = 0,
ou equivalentemente, 5x − 7z + 13 = 0.

Problema 9.37 Obtenha a reta contida no plano α : 3x + y − z = 1


que é paralela à reta 
 x=t
r: y = −2t
z=t

e que passa pelo ponto A(1, 1, 3).


Solução: Seja s a reta procurada. Sua direção é dada pelo vetor
ur = (1, −2, 1),
pois s k r. Por outro lado, o vetor normal ao plano é dado por
n = (3, 1, −1)
que é ortogonal a ur e isso garante a existência de s. Dado que A ∈ s,
segue então 
 x=1+k
s: y = 1 − 2k
z = 3 + k.

É fácil mostrar que s está contida no plano α.

Problema 9.38 Dados os pontos A(1, −1, 4) e B(2, 5, 3), verifique que
a reta que passa pelos pontos dados é perpendicular ao plano mediador.
Solução: O plano mediador é definido pela equação d(P, A) = d(P, B),
ou equivalentemente,
p p
(x − 1)2 + (y + 1)2 + (z − 4)2 = (x − 2)2 + (y − 5)2 + (z − 3)2 .
Após elevar ambos os membros ao quadrado e proceder com a simpli-
ficação, obtem-se
x + 6y − z = 10.
Note que
n = (1, 6, −1)
é normal ao plano mediador. A direção da reta que passa por A e B é
−−→
AB = (1, 6, −1).
−−→
Como AB k n, segue que a reta é perpendicular ao plano.

Problema 9.39 A equação do plano mediador do segmento AB é dada


por α : x + y + z = 1. Dado que A(1, 1, 2), determine B.
Solução: Podemos tomar n = (1, 1, 1) como o vetor normal ao plano
mediador. Seja r a reta que passa por A e é perpendicular ao plano.
Logo 
 x=1+k
r: y =1+k
z = 2 + k.

r

n A

Q plano

Problema 9.39

A interseção r ∩ α = Q(0, 0, 1) é facilmente calculada. O ponto B é


determinado pela condição BQ = QA que implica B(−1, −1, 0).

Problema 9.40 Obtenha a equação do plano que contém o ponto A(1, 1, −2)
e a reta 
x−y+z =0
r:
y − 3z + 1 = 0.

Solução: Façamos arbitrariamente z = 0 e z = 1 na equação da reta


r para obter dois de seus pontos: B(−1, −1, 0) e C(1, 2, 1). Tudo o que
resta fazer é encontrar o plano que contém os pontos A, B e C. O
resultado final é
4x − 3y + z + 1 = 0.

Problema 9.41 Obtenha a equação do plano que contém a reta


x y+1
r: = =z
2 3
e o ponto A(5, 5, 1).

Solução: Em primeiro lugar, devemos obter dois pontos de r. Fazendo


arbitrariamente z = 0 e z = 1, obtemos os pontos B(0, −1, 0) e C(2, 2, 1)
respectivamente. Resta-nos encontrar o plano definido pelos pontos A,
B e C. A solução é imediata: x − y + z = 1.
Problema 9.42 Obtenha a equação cartesiana do plano

 x = 1 + 3k − t
α: y = −2 − k + 3t
z = 4 + 3k + 5t.

Solução: Em primeiro lugar, devemos expressar os parâmetros k e t


em função de x e y (ou qualquer outro par de variáveis):

−k + 3t = y + 2
3k − t = x − 1.

A solução é
x + 3y + 5 3x + y − 1
t= , k= .
8 8
Agora eliminamos os parâmetros k e t na terceira equação de α para
obter
7x + 9y − 4z + 27 = 0,
que é a equação cartesiana do plano.

Problema 9.43 Verifique que as retas


 
 x = 1 + 2t  x = 1+k
r: y = 5 + 3t e s: y = 10 − k
z = −2 + t z = −5 + 2k
 

são concorrentes e então obtenha o plano que as contém.

Solução: Para verificar se as retas são concorrentes, precisamos resolver


o sistema 
 1 + 2t = 1 + k
5 + 3t = 10 − k
−2 + t = −5 + 2k.

A solução é facilmente obtida: k = 2 e t = 1. Logo, o ponto comum


às retas é Q(3, 8, −1). Os pontos A(1, 5, −2) e B(1, 10, −5) pertencem,
respectivamente, a r e a s. Sendo assim, o plano que contém ambas as
retas é aquele definido pelos pontos A, B e Q, a saber,

7x − 3y − 5z = 2.
Problema 9.44 Verifique que as retas
 
 x=1+k  x = −1 + t
r: y = 1 − 2k e s: y =2−t
z =7+k z =5+t
 

são concorrentes. Obtenha o plano definido por elas.

Resposta: Ponto de concorrência: Q(2, −1, 8); plano definido por r e s:


x − z + 6 = 0.

Problema 9.45 Verifique que as retas


 
 x = 3 + 2k  x = 4 − 2t
r: y = −1 + 3k e s: y = −3t
z = 1 + 5k z = 2 − 5t
 

determinam um plano.

Problema 9.46 Obtenha o ângulo entre a reta



 x = 2 + 3k
r: y = −5 − k
z = 1 + 2k

e o plano α : 2x + 7y − 3z = 4.

Problema 9.47 Obtenha o ângulo entre os planos

α : x − y + 2z = 3 e β : 2x + 3y − z = 5.

Problema 9.48 Um plano α divide o espaço em dois semi-espaços, a


saber, S1 e S2 . Se A é um ponto do plano e n seu vetor normal, é fácil
notar que
−→
AP · n > 0 ⇒ P ∈ S1 ,
−→
AP · n < 0 ⇒ P ∈ S2 .
Dado o plano α : 3x − 5y + z = 4, verificar se os pontos P (1, 1, 1) e
Q(3, −4, 2) pertencem ao mesmo semi-espaço ou a semi-espaços distin-
tos.
S1
P
n

S2

Problema 9.48

Solução: Da equação do plano, segue que

n = (3, −5, 1)

é normal ao plano e A(0, 0, 4) ∈ α. Então


−→ −→
AP · n = −5 e AP · n = 27.

Logo, P e Q pertencem a semi-espaços distintos.

Problema 9.49 Mostre que a distância entre o ponto P e o plano α é


dada por
−→
| AP · n|
d(P ; α) = ,
|n|
onde A é um ponto do plano e n seu vetor normal.

Solução: Da figura, vemos que


π
d(P ; α) = H e θ = − φ.
2
Dado que
−→ −→ −→
| AP · n| = | AP | |n| cos θ = | AP | |n| sin φ
e que
H
sin φ = −→ ,
| AP |
segue então a fórmula acima.
P

H
n

Problema 9.49

Problema 9.50 Calcule a distância entre o ponto P (3, 5, 6) e o plano

α : 3x − 2y + 7z = 5

usando a fórmula deduzida no problema 9.49.

Solução: Da equação do plano, vemos imediatamente que

n = (3, −2, 7)

é o vetor normal. Tomando (arbitrariamente) A(0, 1, 1) ∈ α, então


−→ −→
AP = (3, 4, 5), e AP · n = 36.

Logo
36
d(P ; α) = √ .
62

Problema 9.51 Calcule a distância entre as retas reversas


 
 x=3+t  x = −1 + 2k
r: y = −2 + 2t s: y = 2 + 3k
z = 4 − 3t, z = −3 + k.
 

Solução: Considere a figura. O plano α contém a reta r e é paralelo à


reta s. Se n é o vetor normal ao plano, então

n · ur = n · us = 0.

Podemos tomar
n = ur × us = (11, −7, −1).
s

r
n

Problema 9.51

A equação do plano pode agora ser obtida. Ei-la:

α : 11x − 7y − z = 43.

A distância entre as retas reversas r e s reduz-se ao cálculo da distância


entre a reta s e o plano α:

65
d(r; s) = √ .
171

Problema 9.52 Mostre que |w · (v × u)| é igual ao volume do par-


alelepı́pedo de arestas u, v e w.

w
h θ
u
v
Problema 9.52.
Solução: O volume do paralelepı́pedo é igual à área S do paralelogramo
formado pelos vetores u e v multiplicada pela altura h:

V = Sh.

Já foi provado que (veja problema 7.30)

S = |u × v|.

A altura, por sua vez, é dada por

h = |w| cos θ.

Note que θ é o ângulo entre o vetor w e o vetor normal ao plano definido


pelos vetores u e v. Logo,

|w · (u × v)|
cos θ = .
|w| |u × v|

Após combinar os resultados acima, obtem-se

V = |w · (v × u)|.
Capı́tulo 10
Esfera

Dados um ponto C(x0 , y0 , z0 ) de R3 e um número real positivo r. A


superfı́cie esférica S de centro C e raio r é definida pelo conjunto de
pontos P (x, y, z) que satisfazem a equação

d(P, C) = r,

ou equivalentemente,

(x − x0 )2 + (y − y0 )2 + (z − z0 )2 = r2 ,

que é chamada de equação reduzida de S.

Problema 10.1 Obtenha a equação reduzida da superfı́cie esférica de


centro C(1, −1, 3) e raio r = 3.

Resposta: (x − 1)2 + (y + 1)2 + (z − 3)2 = 9.

Problema 10.2 Verifique que a equação

x2 + y 2 + z 2 + 10x − 2y + 4z + 14 = 0

representa uma superfı́cie esférica. Obtenha o centro e o raio.

Solução: Notando que

x2 + 10x = (x + 5)2 − 25,

195
y 2 − 2y = (y − 1)2 − 1,

z 2 + 4z = (z + 2)2 − 4,
segue então após alguma álgebra

(x + 5)2 + (y − 1)2 + (z + 2)2 = 16.

Trata-se da equação reduzida da superfı́cie esférica de centro C(−5, 1, −2)


e raio r = 4.

Problema 10.3 Determine o centro e o raio da esfera

3x2 + 3y 2 + 3z 2 − 2x − 7y + z = 1.
p
Resposta: Centro: C(1/3, 7/6, −1/6); raio: 11/6.

Problema 10.4 Seja

x2 + 4x + y 2 + my + z 2 − 2z = 0

a equação de uma superfı́cie esférica de raio 5. Determine seu centro.

Após completar os quadrados, a equação da superfı́cie esférica assume a


forma
 m 2 m2
(x + 2)2 + y + + (z − 1)2 = 5 +
2 4
que permite fazer a identificação

m2 √
5+ = 25 ⇒ m = ±4 5.
4
Há duas superfı́cies esféricas cujos centros são
√ √
C1 (−2, 2 5, 1) e C2 (−2, −2 5, 1).

Problema 10.5 Encontre a equação da superfı́cie esférica que passa


pelos pontos A(1, 1, 1), B(−1, 2, 3), C(2, −1, 3) e D(−2, 3, 4).
Solução: Após desenvolver os quadrados, a equação reduzida da su-
perfı́cie esférica pode ser escrita na seguinte forma:
S : x2 + y 2 + z 2 + ax + by + cz + d = 0.
Para que os pontos A, B, C e D sejam pontos de S, devemos ter respec-
tivamente 

 a + b + c + d = −3
−a + 2b + 3c + d = −14


 2a − b + 3c + d = −14
−2a + 3b + 4c + d = −29.

Após escalonamento, o sistema assume a forma



 a + b + c + d = −3

3b + 4c + 2d = −17


 5c + d = −25
3d = 150,

a partir do qual a solução pode ser obtida facilmente:


a = −19, b = −19, c = −15, d = 50.
A equação da superfı́cie esférica é então dada por
x2 + y 2 + z 2 − 19x − 19y − 15z + 50 = 0,
ou equivalentemente,
 2  2  2
19 19 15 747
x− + y− + z− = ,
2 2 2 4

donde segue que C(19/2, 19/2, 15/2) é o centro da esfera e r = 3 83/2
é o seu raio.

Problema 10.6 Mostre que é impossı́vel encontrar uma superfı́cie es-


férica que passa pelos pontos
A(1, 1, 2), B(2, −3, −1), C(−1, 2, 1), D(0, 3, 3).
Forneça então a justificativa geométrica.
Solução: Seguindo o raciocı́nio do problema 10.5, somos levados ao
seguinte sistema após impor que A, B, C e D sejam pontos de uma única
superfı́cie esférica:


 a + b + 2c + d = −6
2a − 3b − c + d = −14

 −a + 2b + c + d = −6

3b + 3c + d = −18.

Dado que esse sistema é equivalente ao sistema impossı́vel

 a + b + 2c + d = −6

5b + 5c + d = 2


 d = −66/7
d = −48,

logo não existe uma superfı́cie esférica contendo os pontos dados. A


razão é que eles pertencem ao plano α : x + y − z = 0.

Problema 10.7 Obtenha a equação da esfera que passa pelos pontos

A(1, 1, −5), B(0, 1, −2), C(−1, 2, −1), D(2, −3, 0).

Resposta: Não existe esfera.

Problema 10.8 Os pontos A(3, 2, −1) e B(1, 4, 3) são as extremidades


de um diâmetro de uma superfı́cie esférica. Obtenha sua equação.

Solução: Por ser AB um diâmetro, segue que o ponto médio desse


segmento de reta coincide com o centro da esfera, ou seja, C(2, 3, 1).
Seja P (x, y, z) um ponto qualquer da superfı́cie esférica. Por definição,
tem-se d(P, C) = d(A, C), ou equivalentemente,
p √
(x − 2)2 + (y − 3)2 + (z − 1)2 = 6.

Após elevar ao quadrado ambos os membros e proceguir com a simpli-


ficação, obtem-se

x2 + y 2 + z 2 − 4x − 6y − 2z + 8 = 0.

Problema 10.9 Sejam A(x1 , y1 , z1 ) e B(x2 , y2 , z2 ) dois pontos distin-


tos. Mostre que

(x − x1 )(x − x2 ) + (y − y1 )(y − y2 ) + (z − z1 )(z − z2 ) = 0

é a equação da esfera que tem AB como um de seus diâmetros.


Solução: Dado que AB é um diâmetro, o ponto médio desse segmento
é o centro da esfera:
 
x1 + x2 y1 + y2 z1 + z2
C , , .
2 2 2
Ademais, o raio é dado por
1 1p
r= d(A, B) = (x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2 + (z2 − z1 )2 .
2 2
Logo a equação da superfı́cie esférica é
 2  2  2
x1 + x2 y1 + y2 z1 + z2
x− + y− + z−
2 2 2
1
= [(x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2 + (z2 − z1 )2 ]. (10.1)
4
Após alguma simplificação algébrica, obtem-se

(x − x1 )(x − x2 ) + (y − y1 )(y − y2 ) + (z − z1 )(z − z2 ) = 0.

Note que essa equação pode ser escrita na forma compacta


−→ −→
AP · BP = 0,

P (x, y, z) é um ponto arbitrário da superfı́cie esférica. Isso diz que os


−→ −→
vetores AP e BP são perpendiculares.

Problema 10.10 Dada a esfera S : x2 − 2x + y 2 + 4y + z 2 = 0 e


A(1, −4, 1) ∈ S. Obtenha o ponto B tal que AB seja um diâmetro da
superfı́cie esférica.

Resposta: B(1, 0, −1).

Problema 10.11 Seja r a reta que passa pelos pontos A(1, 0, 2) e B(3, 4, −5).
Determine a interseção de r com a esfera x2 + y 2 + z 2 = 16.

Solução: É fácil obter a reta que passa pelos pontos A e B. Ei-la:



 x = 1 + 2k
r: y = 4k
z = 2 − 7k.

Os pontos de r que pertencem também à esfera devem satisfazer a


condição
(1 + 2k)2 + (4k)2 + (2 − 7k)2 = 16,
ou equivalentemente,
69k 2 − 24k − 11 = 0.
As raı́zes dessa equação, a saber,

12 ± 903
k=
69
fornecem os parâmetros dos pontos de interseção.

Problema 10.12 Uma corda AB da superfı́cie esférica


(x − 2)2 + (y − 5)2 + (z + 2)2 = 16
está contida na reta que passa pelos pontos
C(3, −4, 4), D(3, 7, 1).
Determine os pontos A e B.
Resposta: Extremidades da corda:
p p
A(3, 95 + 11 33/13, −23 − 3 33/13),
p p
B(3, 95 − 11 33/13, −23 + 3 33/13).

Problema 10.13 Obter a equação do plano tangente à esfera


x2 + y 2 + z 2 − 4x + 2z = 4
no ponto A(0, −1, 1).
Solução: A equação reduzida da esfera é dada por
(x − 2)2 + y 2 + (z + 1)2 = 9
−→
que permite obter diretamente o centro C(2, 0, −1). A direção CA =
(−2, −1, 2) pode ser tomada como o vetor normal do plano tangente.
Logo, a equação do plano tangente é
(x, y + 1, z − 1) · (−2, −1, 2) = 0,
ou seja, 2x + y − 2z + 3 = 0.
Problema 10.14 Encontre a equação da superfı́cie esférica cujo centro
jaz sobre a reta
r : x + 1 = 4 − 2y = z
e que passa pelos pontos A(0, 0, 0) e B(2, 1, 1)

Solução: Seja C o centro da esfera. Tomando y como a variável livre,


podemos escrever o ponto C como

C(3 − 2y, y, 4 − 2y).

A igualdade entre as distâncias d(C, A) e d(C, B) implica y = 7/5. Logo,


√centro da esfera é dado por C(1/5, 7/5, 6/5) e seu raio é r = d(C, A) =
o
86/5. Encontrados o centro e o raio, a equação da superfı́cie esférica
pode agora ser facilmente obtida. Ei-la:

5x2 + 5y 2 + 5z 2 − 2x − 14y − 12z = 0.

Problema 10.15 Obtenha a equação da esfera que passa pelos pontos


A(1, 1, 0), B(0, 3, 2), C(1, 1, 1) e cujo centro está no plano α : x+y +z =
4.

Solução: Dado que o centro da esfera é um ponto do plano α, então


ele é dado por
D(x, y, 4 − x − y).
Está claro agora que devemos ter
5
d(D, A) = d(D, B) ⇒ x = ,
6
7 8
d(D, A) = d(D, C) ⇒ x + y = ⇒ y= .
2 3
Uma
√ vez obtido o centro D(5/6, 8/3, 1/2), segue o raio: r = d(D, A) =
110/6. A equação da esfera é então dada por
 2  2  2
5 8 1 55
x− + y− + z− = .
6 3 2 18

Problema 10.16 Determine o centro da circunferência que é a in-


terseção da esfera x2 −2x+y 2 +z 2 = 15 com o plano α : 2x+3y+2z = 6.
n

Figura 10.1: Problema 10.16

Solução: Em primeiro lugar, vamos obter o centro da esfera. Após


reescrever a equação da esfera na forma

(x − 1)2 + y 2 + z 2 = 16,

fica fácil de identificar C(1, 0, 0) como o seu centro. O vetor normal ao


plano, por outro lado, é reconhecido diretamente:

n = (2, 3, 2).

Seja r a reta que passa pelo ponto C e é paralela a n:



 x = 1 + 2k
r: y = 3k
z = 2k.

Da figura, vemos que o ponto


 
25 12 8
Q , , =r∩α
17 17 17

é o centro da circunferência que é a interseção da esfera com o plano.

Problema 10.17 Obtenha o centro e o raio da circunferência resultante


da interseção do plano α : 4x + 2y + z = 4 com a esfera S : (x − 1)2 +
(y + 1)2 + z 2 = 16.
p
Resposta: Centro: Q(29/21, −17/21, 2/21); raio: 2 83/21.

Problema 10.18 Obtenha o raio da circunferência do problema 10.16.


Solução: Os pontos da circunferência satisfazem o sistema

(x − 1)2 + y 2 + z 2 = 16
2x + 3y + 2z = 6.

Fazendo arbitrariamente y = 0, obtemos os seguines pontos:


√ √ √ √
A(2 + 7, 0, 1 − 7) e B(2 − 7, 0, 1 + 7).

A distância entre os pontos A e Q (ou entre B e Q) determina o raio da


circunferência:
16
r = d(A, Q) = √ .
17

Problema 10.19 Sejam S a superfı́cie esférica de centro em C(1, −1, 3)


e raio 5 e r a reta que passa pelos pontos A(1, 1, 1) e B(2, −1, 4). Obtenha
r ∩ S.

Solução: A reta definida pelos pontos A e B é facilmente obtida:



 x=1+k
r: y = 1 − 2k
z = 1 + 3k.

Da definição de S segue imediatamente sua equação:

(x − 1)2 + (y + 1)2 + (z − 3)2 = 25.

A substituição da equação paramétrica na equação acima implica

14k 2 − 20k − 17 = 0,

cuja solução é dada por



10 ± 13 2
k= .
14
A substituição desses valores de k na equação de r fornece os dois pontos
em comum.

Problema 10.20 Determine a esfera de raio 2 e tangente ao plano


α : x + y = 1 no ponto A(2, −1, 3).
Solução: Dado que estamos procurando a esfera tangente ao plano
no ponto A, então a reta que passa por esse ponto e é perpendicular ao
plano passa necessariamente pelo centro da esfera. Essa reta é dada por

 x=2+k
r: y = −1 + k
z = 3.

Logo, o centro pode ser escrito como

C(2 + k, −1 + k, 3).

Para determinar o valor de k, devemos impor que o raio da esfera, isto


é, d(C, A), seja igual a 2:
√ √
2k 2 = 2 ⇒ k = ± 2.

Há duas esferas, portanto.


Problema 10.21 Obtenha a equação da esfera de raio 2 3 e tangente
ao plano x + y + z = 1 no ponto A(1, 2, −2).

Resposta: Há duas esferas tangentes; seus centros são C1 (3, 4, 0) e


C2 (−1, 0, 4).

Problema 10.22 Obtenha a mı́nima e a máxima distância do ponto


A(3, 4, 1) à esfera x2 + 2x + y 2 + 4y + z 2 + 1 = 0.

C A
P2 P1

Problema 10.22

Solução: A equação reduzida da esfera é dada por

(x + 1)2 + (y + 2)2 + z 2 = 4,
a partir da qual se identifica facilmente o centro C(−1, −2, 0) e o raio
r = 2. É interessante notar que não é preciso obter os pontos P1 e P2
para calcular as distâncias mı́nima e máxima. Com efeito, da figura
segue imediatamente que

dmin = d(A, C) − r = 53 − 2,

dmax = d(A, C) + r = 53 + 2.

Problema 10.23 Obtenha a distância mı́nima do ponto A(5, 7, −6) à


esfera x2 + y 2 + z 2 − 2x + 4y − 6z + 12 = 0.
√ √
Resposta: 178 − 2.

Problema 10.24 Obtenha a equação da circunferência definida pelos


pontos
A(1, 1, 0), B(2, 3, 1), C(3, 4, −2).

Solução: A circunferência está contida no plano definido pelos pontos


A, B e C; esse plano é facilmente obtido:

α : 7x − 4y + z = 3.

Seja Q(x0 , y0 , z0 ) o centro da circunferência. Então

d(Q, A) = d(Q, B) ⇒ x0 + 2y0 + z0 = 6,

d(Q, B) = d(Q, C) ⇒ 2x0 + 2y0 − 6z0 = 15,


Q ∈ α ⇒ 7x0 − 4y0 + z0 = 3.
A solução do sistema acima é dada por
5
x0 = 2, y0 = , z0 = −1.
2
Logo, a circunferência é a interseção
√ do plano α com a esfera de centro
em Q e raio r = d(Q, A) = 17/2, ou seja,

(x − 2)2 + (y − 5/2)2 + (z + 1)2 = 17/4
7x − 4y + z = 3.
n

C Plano
tangente

Problema 10.25

Problema 10.25 Obtenha a equação do plano paralelo a 3x+y +z = 12


e tangente à esfera x2 + y 2 + z 2 = 1.

Solução: Seja β o plano procurado. Dado que α k β, então podemos


tomar
nβ = nα = (3, 1, 1).
Isso implica que a equação de β é

β : 3x + y + z = d.

Seja A(x0 , y0 , z0 ) o ponto de tangência. Notando que o centro da esfera


−→
é C(0, 0, 0), então CA é paralelo a nβ :

−→  x0 = 3k
CA= (x0 , y0 , z0 ) = k(3, 1, 1) ⇒ y0 = k
z0 = k.

Como A é um ponto da esfera, é necessário que se tenha


1
(3k)2 + k 2 + k 2 = 1 ⇒ k = ± √ ,
11
implicando que existem dois pontos:
√ √ √ √ √ √
A1 (3/ 11, 1/ 11, 1/ 11) ou A2 (−3/ 11, −1/ 11, −1/ 11).

Quando se impõe A1 ∈ β e A2 ∈ β, obtem-se respectivamente


√ √
d = 11 e d = − 11.
Os planos que satisfazem as condições do problema são
√ √
3x + y + z = 11 e 3x + y + z = − 11.

Problema 10.26 Calcule o valor de d para que o plano

2x + 3y + 5z = d

seja tangente à esfera


x2 + y 2 + z 2 = 9.
Obtenha o ponto de tangência.

Resposta: Há duas soluções:


√ √ √ √
d = 3 38, A(6/ 38, 9/ 38, 15/ 38),
√ √ √ √
d = −3 38, A(−6/ 38, −9/ 38, −15/ 38).

Problema 10.27 Obter a reta que é perpendicular ao plano

α : x + 2y + z = 20

e que contém um diâmetro da esfera

x2 + y 2 + 2y + z 2 − 4z = 0.

Obtenha os pontos A e B onde a reta intercepta a esfera e verifique que


d(A, B) é a medida do diâmetro.

Solução: Neste caso, a direção da reta procurada é paralela ao vetor

nα = (1, 2, 1)

e ela passa pelo centro da esfera dada e escrita como segue para eviden-
ciar seu centro:
x2 + (y + 1)2 + (z − 2)2 = 5.
Logo, a equação da reta é

 x=k
r: y = −1 + 2k
z = 2 + k.

Os pontos de interseção são os seguintes:
r r r ! r r r !
5 5 5 5 5 5
A − , −1 − 2 ,2− e B , −1 + 2 ,2 +
6 6 6 6 6 6

e d(A, B) = 2 5.
Capı́tulo 11
Quádricas

Problema 11.1 Obtenha a equação da superfı́cie gerada pela rotação


da parábola
x = y2, z = 0

em torno do eixo x. A superfı́cies assim gerada é chamada de “parabolóide


de revolução”.

Problema 11.2 Obtenha a equação da superfı́cie gerada pela revolução


da elipse contida no plano yz, a saber,

y2 z2
+ = 1 (x = 0)
b2 c2
em torno do eixo z. A superfı́cies gerada dessa maneira é chamada de
“elipsóide de revolução”.

Problema 11.3 Obtenha a equação da superfı́cie gerada pela rotação


da elipse
x2 y2
+ = 1 (z = 0)
8 3
em torno do eixo menor.

209
Problema 11.3

Solução: Quando P gira em torno do eixo menor (eixo y neste caso),


ele descreve uma circunferência no plano xz de raio R, onde

R2 y2
+ = 1.
8 3
Então, a equação da superfı́cie é
 2
x + z 2 = R2
x2 y2 z2


2 2 ≡ + + = 1.
 R +y =1
 8 3 8
8 3

Problema 11.4 Obtenha a equação da superfı́cie gerada pela rotação


da hipérbole
y2 x2
− = 1 (z = 0)
10 4
em torno do eixo x.

Problema 11.5 Obtenha a superfı́cie gerada pela rotação da reta

y = mz (x = 0)

em torno do eixo z.
Problema 11.6 Obtenha a equação do cone gerado pela rotação da reta
r em torno da reta s, onde
 
 x=3+k  x = −2 + 3t
r: y = 1 + 2k s: y = 11 − 4t
z = 2 − 3k, z = 1 − t.
 

s
Problema 11.6

Os vetores diretores das retas são

ur = (1, 2, −3) e us = (3, −4, −1).

As retas r e s interceptam-se no ponto Q(4, 3, −1) e o ângulo entre elas



|ur · us | 1
cos α = =√ .
|ur | |us | 91
Seja P um ponto qualquer do cone. Então
−→
|us · QP | |3x − 4y − z − 1|
cos α = −→ = √ p .
|us | | QP | 26 (x − 4)2 + (y − 3)2 + (z + 1)2

A forma simplificada é

61x2 + 110y 2 + 5z 2 − 168xy − 42xz + 56yz − 26x + 68y + 10z − 45 = 0.


Problema 11.7 Obtenha a equação da superfı́cie cônica de vértice V (1, 2, 1)
e diretriz  2
x + 2x + y 2 = 0
C:
z = 0.

Solução: Dizer que P (X, Y, Z) é um ponto da superfı́cie cônica S é


equivalente a escrever
−→ −→
V Q= k V P ,
onde k é um número real e Q(x, y, z) é um ponto de C. A equação acima
implica 
 x = 1 + k(X − 1)
y = 2 + k(Y − 2)
z = 1 + k(Z − 1).

Vamos agora explorar o fato de que Q ∈ C. Isso imediatamente implica


1
1 + k(Z − 1) = 0 ⇒ k=− e Z 6= 1.
Z −1
A eliminação do parâmetro k das equações acima acarreta
Z −X 2Z − Y
x= e y= .
Z −1 Z −1
A relação x2 + 2x + y 2 = 0 determina a equação de S:

(Z − X)2 + 2(Z − X)(Z − 1) + (2Z − Y )2 = 0.


Problema 11.8 Identifique o lugar geométrico associado à forma quadrática
dada:
(a) 9x2 + 4y 2 + 12xy + 6x + 4y + 1 = 0
(b) −2x2 + 6y 2 + xy − 2x + 11y + 4 = 0
(c) 96x2 − 160y 2 + 120xy − 156x − 220y − 641 = 0

Problema 11.9 Identifique o lugar geométrico associado à forma quadrática


x2 + xy = 0.

Problema 11.10 Dados uma reta r e um ponto F ∈ / r. Aqui r é


chamada de diretriz e F é chamado de foco. Mostrar que o conjunto
dos pontos definido por

d(P, F ) = e d(P ; r) (11.1)

representa (a) uma parábola se e = 1; (b) uma elipse se e < 1; (c) uma
hipérbole se e > 1. A equação acima permite unificar as definições de
cônicas.

Solução: Seja s a reta que passa por F e é perpendicular à reta


r. Para facilitar as manipulações algébricas, escolhemos o sistema de
coordenadas tal que o eixo x coincide com a reta r e o eixo y coincide
com a reta s. Sendo assim, a equação da diretriz é y = 0 e o foco é
F (0, f ) com f > 0. Retornamos agora a (11.1) para obter
p
x2 + (y − f )2 = e|y|.

Elevamos ambos os membros ao quadrado; após simplificação obtemos

x2 + (1 − e2 )y 2 − 2f y + f 2 = 0.

Se e = 1, a equação acima obviamente descreve a parábola


1 2 f
y= x + .
2f 2
Assumindo agora e 6= 1, prosseguimos da seguinte maneira:
   
2f
x2 + (1 − e2 ) y 2 − y = −f 2 .
1 − e2
Neste ponto, fazemos uso de
   2  2
2f f f
y2 − y = y − −
1 − e2 1 − e2 1 − e2
para obter
2  2
x2

f ef
+ y− = .
1 − e2 1 − e2 1 − e2
Se e < 1, então 1 − e2 > 0 e a equação descreve uma elipse; por outro
lado, se e > 1 tem-se agora 1−e2 < 0 e a equação descreve uma hipérbole.

Problema 11.11 Identifique o lugar geométrico associado à equação


x2 − y 2 = 0.

Solução: Dado que x2 − y 2 = (x − y)(x + y), então

x2 − y 2 = 0 ⇔ y = x ou y = −x.

Tratam-se portanto de duas retas.

Problema 11.12 Identifique o lugar geométrico associado à equação

x2 − xy − y 2 = 0.

Solução: Uma rotação de θ tal que tan 2θ = −1/2 elimina o termo


cruzado. A substituição da transformação

x = x′ cos θ − y ′ sin θ
y = x′ sin θ + y ′ cos θ

na equação dada resulta após alguma álgebra


 
1
sin 2θ − cos 2θ [(y ′ )2 − (x′ )2 ] = 0.
2

Logo y ′ = x′ ou y ′ = −x′ . Trata-se de um par de retas.

Problema 11.13 Determine a excentricidade da elipse de focos F1 (1, 1)


e F2 (2, −1) e eixo maior 4.

Solução: A distância entre os focos é igual a 2c:



√ 5
2c = d(F1 , F2 ) = 5 ⇒ c = .
2
Ademais, temos
2a = 4 ⇒ a = 2.

A excentricidade é portanto igual a e = c/a = 5/4.

Problema 11.14 Efetuar uma translação de eixos de modo que cada


uma das retas r : 2x + 5y − 7 = 0 e s : −2x + 3y + 4 = 0 não apresente
o termo constante.
Problema 11.15 Efetuar uma translação de eixos de modo a eliminar
os termos lineares da expressão

3x2 + 4y 2 + 6x + 16y + 7 = 0.

Problema 11.16 Efetuar uma translação de eixo de modo que no novo


sistema de coordenadas a reta r : 3x + 5y + 4 = 0 passe pela origem.

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