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3.

ONDAS ELETROMAGNÉTICAS
3.1. Introdução
(a) Detecção de presença do campo eletromagnético. Esta análise pressupõe a presença de um campo
eletromagnético, sem a preocupação de avaliar ou discutir a sua origem. Apenas para situar o problema,
mostraram-se diferentes possibilidades de criação desse campo, desde fontes naturais até incontáveis
exemplos de fontes artificiais. Em praticamente todos os ambientes, sente-se, verifica-se ou consegue-se
avaliar a presença de um campo eletromagnético sem grandes dificuldades. Assim, por exemplo, em um
ambiente iluminado tem-se a luz vinda de uma fonte natural ou de lâmpadas locais e a luz é uma manifes-
tação de campo eletromagnético em freqüências para as quais o olho humano é sensível. Recebem-se
sinais de rádio, de telefonia móvel ou fixa, de televisão, textos vindos de distantes locais. Essas mensa-
gens são transferidas desde a fonte até o destino por campos eletromagnéticos que se deslocam no espaço
na forma denominada onda eletromagnética. Nestas situações, as freqüências envolvidas alcançam limi-
tes até a faixa de centenas de gigahertz, invisíveis, portanto, para os olhos humanos mas que podem ser
comprovadas por métodos e equipamentos especializados.
(b) Interação com o meio. Nas avaliações da onda eletromagnética, será considerada sua posição instan-
tânea em locais bem distantes de sua origem. Desta maneira, não serão consideradas a sua relação com a
fonte ou com as possíveis causas de sua formação como se, teoricamente, as origens estivessem no infini-
to. Entretanto, como estabelecido pelas leis que descrevem e quantificam o campo eletromagnético, será
necessário conhecer algumas grandezas vetoriais. Entre elas, estão vetores elétricos, relativos ao campo
elétrico e ao deslocamento elétrico, e os vetores associados aos efeitos magnéticos, dados pelo campo
magnético e pela indução magnética, bem como a forma como variam com o tempo. Estas grandezas
sofrem influências do ambiente, determinadas pela permeabilidade magnética (), permissividade elétrica
() e a condutividade (), conforme descrevem as relações constitutivas.
3.2. Natureza das ondas eletromagnéticas
(a) Fontes naturais de emissão. Identificam-se campos eletromagnéticos na emissão de energia por mo-
léculas, átomos e elétrons excitados, o que ocorre em uma enorme faixa de freqüências. As equações de
Maxwell comprovam a emissão a partir de cargas elétricas aceleradas. Como exemplo, o aquecimento do
hidrogênio em uma temperatura muito alta faz os dois átomos de suas moléculas vibrarem, adquirindo um
movimento harmônico, com emissão eletromagnética em freqüências da ordem de 1,31014Hz.1 Na mes-
ma linha de descrição, há muitas fontes naturais de produção da onda eletromagnética. As emissões de
energia das estrelas em forma de luz, de diferentes radiações em amplas faixas de radiofreqüência, são
ondas eletromagnéticas vindas de fontes naturais, em geral submetidas a elevadas temperaturas. O exem-
plo do hidrogênio estende-se a outras partículas elementares, como elétrons e íons em contínua agitação
sob altas temperaturas. Quase sempre, essas emissões influem nos sistemas terrestres e espaciais sob a
forma de ruídos que freqüentemente interferem nos sistemas de radiocomunicações.
Ainda na natureza, existe a radiação cósmica de fundo (RCF), um sinal que chega à Terra vindo de to-
dos os pontos do universo, correspondente à emissão de um corpo negro na temperatura de 2,725K. Dis-
tribui-se principalmente a partir de alguns gigahertz,2 com o máximo em 160,4GHz.3 Diferentes sinais
eletromagnéticos vindos do espaço alcançam toda a Terra e são eventualmente denominados de ruídos
galácticos ou ruídos cósmicos. Os principais efeitos situam-se em freqüências entre 15MHz e 100GHz,
com amplitudes afetadas pela atmosfera, dependendo da freqüência. Nas faixas mais baixas, a parte infe-
rior da atmosfera tem menos efeito e para as freqüências mais altas a região ionizada superior (ionosfera)
apresenta menor perda.
Encontram-se ondas eletromagnéticas em forma de ruídos originados por relâmpagos, descargas elétri-
cas no ar e entre nuvens, ruídos da agitação de cargas em várias regiões da atmosfera. As descargas elétri-
cas entre nuvens e o solo são capazes de produzir energia irradiada em freqüências surpreendentemente
elevadas, incluindo os raios X.4 Essa forma de emissão foi descoberta por Roentgen5 em 1895 e são origi-
nados por vibrações de elétrons mais internos dos átomos. Foram identificadas como ondas eletromagné-
ticas em 1912 por von Laue.6 Outras emissões, como os raios gama, originam-se espontaneamente em

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núcleos de átomos radioativos, como o urânio, o rádio e outros materiais. São emissões com energia mui-
to elevada, de aplicações na indústria e na ciência.
Muitas formas de onda eletromagnética são geradas por agitações térmicas de moléculas e átomos em
temperaturas acima do zero absoluto. Em geral, esta agitação acelera as cargas elétricas em níveis mole-
culares causando emissões de energia. Essa emissão segue determinadas leis experimentais e costuma ser
identificada como radiação térmica ou radiação do corpo negro. Ocorre em muitas freqüências diferen-
tes, com separações entre elas e o valor da radiação crescente de acordo com o aumento da temperatura.1
(b) Fontes artificiais de emissão. A energia eletromagnética pode ser emitida por uma antena, o disposi-
tivo de irradiação mais comum para transmissões de sinais de televisão, de radiodifusão e de outras for-
mas de radiocomunicações, em diferentes faixas de freqüência. Conforme a aplicação, a freqüência de
trabalho e as características desejadas, existem muitos modelos de antenas. Em princípio, o tipo mais
simples pode ser constituído de apenas um condutor transportando uma corrente variável no tempo. O
campo eletromagnético pode ser criado também a partir de transições de elétrons entre níveis de energia
dos átomos. Quando elétrons caem de um estado de energia mais alto para um nível inferior, a diferença
de energia é irradiada como onda eletromagnética. O processo é explorado na fabricação de fontes ópticas
controladas, como os vários modelos de laseres, os diodos emissores de luz, etc..7, 8 Existem emissões em
raios X produzidos também de forma artificial, pelo impacto de elétrons dotados de altas velocidades em
um anteparo metálico, a chamada irradiação de freamento.
(c) O espectro eletromagnético. O espectro eletromagnético é o conjunto de todas as freqüências do cam-
po eletromagnético. Teoricamente, incluiria as freqüências desde muito próximas de zero até o infinito.
Seus estudos iniciaram-se com a decomposição da luz branca por Newton 9 da qual identificou sete cores
fundamentais. Nessa época, avaliações do campo eletromagnético restringiam-se aos fenômenos lumino-
sos, ou seja, em freqüências que fossem visíveis para o homem. No início do Século XIX, Herschel10
descobriu a radiação na faixa do infravermelho e Ritter11 descobriu a radiação ultravioleta. Com isto, a
coleção de fenômenos que envolviam o campo eletromagnético foi crescendo e chegou a inúmeras apli-
cações com o enorme crescimento da eletrônica e dos serviços de telecomunicações, a partir da segunda
metade do século XIX. Por isto, o espectro eletromagnético inclui baixas freqüências, as ondas emprega-
das nos sistemas de radiocomunicações, as microondas, as onda milimétricas, todas as freqüências da luz
visível, as emissões em infravermelho e ultravioleta, as radiações cósmicas, os raios X, etc..
Ainda que a distribuição de freqüências seja contínua, houve necessidade de estabelecer uma divisão
em diferentes faixas de valores para orientar a fabricação e especificação de equipamentos e componen-
tes, principalmente com o avanço tecnológico a partir da II Grande Guerra (1939-1945). Assim, em 1956,
a Comissão Consultiva Internacional de Radiocomunicações (CCIR) classificou várias partes do espectro
designando faixas de ordem N com limites de freqüência fixados por
0,3  10 N  f  3 10 N (3.1)

e os valores especificados em hertz (Hz). A faixa de ordem 3 inclui as freqüências entre 300Hz e 3kHz e,
eventualmente, é referida como freqüências de voz. Representa-se pela sigla VF (de voice frequencies),
pelo fato de seus limites coincidirem aproximadamente com os correspondentes à voz humana. Esta faixa
também é identificada como freqüências ultra baixa e usa-se a sigla ULF (ultra low-frequencies).
A faixa de ordem 7 indica os valores entre 3MHz e 30MHz e nos documentos técnicos é especificada
como sendo faixa de altas freqüências, com a sigla HF (de high frequencies). Em todas as faixas, inclui-se
o limite inferior e exclui-se o superior. Os meios de telecomunicações modernos envolvem freqüências
acima de 300THz e nas faixas de luz, iniciando-se com o infravermelho, entre 200THz e 400THZ, e al-
cançando a faixa de luz visível, tipicamente entre 400THz e 800THz, aproximadamente. Por uma questão
de simplificação, em uma linguagem coloquial, é hábito chamar as freqüências entre 20Hz e 20kHz de
freqüências de áudio ou audiofreqüências, por serem estes os limites máximos alcançados pelo ouvido
médio humano em perfeitas condições no caso de ondas sonoras. Valores entre 300kHz e 300MHz são
chamadas de ondas de rádio ou radiofreqüências. As várias divisões, suas identificações oficiais e inter-
pretações na linguagem comum estão indicadas na Tabela 3.1.

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Tabela 1.1. Divisão do espectro eletromagnético por orientação de órgãos internacionais.12
Ordem Limites (Hz) Designação Significado Tipos de ondas
1 3 - 30 ELF Extremely low-frequencies Faixa sub-audível
2 30 - 300 SLF Superlow frequencies Início da faixa audível
3 300 - 3000 ULF Ultralow frequencies Freqüências de voz
4 3×103 - 3×104 VLF Very low frequencies Ondas muito longas
5 3×104 - 3×105 LF Low frequencies Ondas longas
6 3×105 - 3×106 MF Medium frequencies Ondas médias
7 3×106 - 3×107 HF High frequencies Ondas curtas
8 3×107 - 3×108 VHF Very high frequencies Ondas muito curtas
9 3×108 - 3×109 UHF Ultrahigh frequencies Microondas
10 3×109 - 3×1010 SHF Superhigh frequencies Microondas
11 3×1010 - 3×1011 EHF Extremely high frequencies Ondas milimétricas

3.3. Equação de onda


(a) Formulação da equação de onda. Em pontos afastados da fonte da onda eletromagnética, será consi-
derado um ambiente sem cargas elétricas e sem fontes como a corrente variável no tempo em um condu-
tor. Mostrou-se que, para variações arbitrárias no tempo, as equações de Maxwell seriam
  
 e
 h  e   (Lei de Ampère) (3.2)
t

  h
  e   (Lei de Faraday) (3.3)
t
 
d  0 (Lei de Gauss para o campo elétrico) (3.4)
 
b  0 (Lei da conservação do fluxo magnético) (3.5)

De acordo com (3.2), necessita-se do campo elétrico para descrever o campo magnético e em (3.3) ve-
rifica-se que o campo elétrico é descrito a partir da variação do campo magnético. Há necessidade, por-
tanto, de desacoplar as duas equações. Tomando o rotacional em ambos os membros de (3.3), acha-se
     
  (  e )    (  h ) (3.6)
t
No primeiro membro pode-se expandir as operações envolvendo os rotacionais na forma
         
  (  e )   (  e )   2 e   (  h ) (3.7)
t

Agora, considerando que o meio seja homogêneo, ou seja, suas grandezas eletromagnéticas são indepen-
dentes da posição, em (3.4) vem
     
  d    (  e )   (  e )  0 (3.8)
Como a permissividade é diferente de zero, o divergente do campo elétrico deve ser nulo, eliminando
uma das parcelas no segundo membro de (3.6). Utilizando esta informação e substituindo (3.1) no mem-
bro da direita desta mesma equação, chega-se a uma expressão apenas com o campo elétrico, associado à
variação no tempo e no espaço e às características do meio eletromagnético:
 
 2e e
 2 e     0 (3.9)
t 2 t

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em que a operação 2 é o laplaciano da grandeza. Procedendo de maneira semelhante, mas aplicando o
rotacional em (3.2) e aplicando a lei da conservação do fluxo magnético em sua expansão, chega-se a uma
expressão idêntica a (3.9), porém envolvendo o campo magnético:
 
 2h h
2 h      0 (3.10)
t 2 t

As Equações (3.8) e (3.9) são de mesmo tipo e levam à descrição do campo elétrico e do campo magnéti-
co no espaço e no tempo. Esta relação é conhecida como equação de onda ou equação de Helmholtz.13
(b) Equação de onda para campos harmônicos no tempo. Admitindo que os campos estejam variando
harmonicamente no tempo com período T e uma freqüência angular T, como na Fig. 3.1, a equa-
ção de onda para o campo elétrico pode ser reescrita na forma
    
 2 E  i i  E  i  E   2 E  i  (  i ) E  0 (3.11)

De maneira análoga, obtém-se para o campo magnético a expressão


    
 2 H  i i   H  i   H   2 H  i  (   i  ) H  0 (3.12)

e T
Emáx

t Fig. 3.1. Função harmônica no tempo, representada em


um ponto qualquer do espaço.

Emáx T

Nestas expressões, em lugar dos valores instantâneos dos campos, serão encontrados os corresponden-
tes fasores e deles serão obtidas as descrições no domínio do tempo. Em ambas as equações, os campos
aparecem multiplicados por 2 sendo
 i  (  i ) (3.13)

denominado fator de propagação e medido em m1. Desta maneira, simplificam-se as equações anteriores
segundo as novas representações
 
2E  2E  0 (3.14)
 
2H  2H  0 (3.15)

que são formas da equação de onda ou de Helmholtz para campos harmônicos no tempo. Em coordenadas
retangulares ou cartesianas, o laplaciano indicado nestas equações é dado por
  
 2 A 2 A 2 A
2 A    (3.16)
 x2  y2  z 2

onde a grandeza vetorial A pode representar o campo elétrico ou o campo magnético, ou mesmo os ou-
tros vetores que quantificam o campo no meio.14
O laplaciano poderia ser descrito também em termos das variáveis de outros sistemas de coordenadas
(cilíndricas e esféricas, por exemplo), conforme as condições que envolvem o campo. Nesta primeira

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análise, na qual se tem o objetivo de avaliar o comportamento em um ambiente ilimitado e sua interação
com o meio, os cálculos podem ser realizados para pontos bem distantes da origem. Por esta razão, o
sistema cartesiano é suficiente para as descrições e será o adotado.
(c) Solução para a equação de onda. Para a descrição do campo em coordenadas cartesianas, as compo-
nentes ortogonais dos campos são dispostas ao longo dos eixos x, y e z e mantêm-se sempre nestas dire-
ções. Então, em princípio pode-se considerar que os vetores dos campos elétrico e magnético mantêm-se
em suas respectivas direções para quaisquer locais em que estiverem sendo analisados. Como as equações
para ambos os campos são idênticas do ponto de vista matemático, a solução encontrada para um deles
pode ser adotada para o outro campo. Assim, será proposto que o campo elétrico seja descrito pelo seu
valor absoluto e pelo vetor unitário de sua direção segundo a expressão
 
E  Ee (3.17)
em que o vetor unitário é independente das coordenadas x, y e z. Assim, combinando (3.14) e (3.16) pode-
se reescrever a equação para o campo elétrico como
   2 E 2 E 2 E 
2 E   2 E   2   2  2E  e  0 (3.18)
x y 2
z 
 
Como o vetor unitário é diferente de zero, significa que

2 E 2 E 2 E
   2 E  0 (3.19)
 x2  y2  z2

Para solução desta equação, será adotado o método de separação de variáveis ou método do produto 15,
considerando que o campo possa ser representado pelo produto de três funções:
E  f ( x) g ( y ) p( z ) (3.20)
em que f depende apenas de x, g depende apenas de y e p apenas de z. Esta solução deve satisfazer (3.18),
de maneira que considerando as operações com derivadas parciais, resulta na expressão
2 f 2 g 2 p
gp 2
 fp 2
 fg   2 fgp  0 (3.21)
x y  z2
Dividindo os dois membros por fgp, vem:
1 2 f 1 2 g 1 2 p
   2  0 (3.22)
f  x2 g  y 2 p  z 2
Com estas operações, o primeiro termo do primeiro membro envolve apenas variáveis que dependem
de x, na segunda parcela há valores que só dependem de y e a terceira contém apenas elementos relacio-
nados à coordenada z. Portanto, as variáveis estão separadas e a soma das parcelas deve ser sempre zero
para todos os valores de x, y e z. Como o último termo (2) não depende de nenhuma das variáveis, mas
apenas das propriedades do meio, cada uma das parcelas do primeiro membro tem que ser também uma
constante, independente das coordenadas do ponto de interesse. Assim, impõe-se que
1 d2 f 1 d2g 1 d2p
  2x (a)   2y (b)   2z (c) (3.23)
f d x2 g d y2 p d z2
nas quais se passou para derivadas ordinárias por causa das respectivas dependências em relação às variá-
veis. Por conveniência, foram adotadas as constantes de separação como valores ao quadrado para facili-
tar a interpretação dos resultados. Como as três equações em (3.23) são semelhantes, o procedimento
adotado para uma delas pode ser aplicado às outras duas. Pode-se escrever em (3.23)(a)

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d2 f
2
  2x f  0 (3.24)
dx

que se trata de uma equação diferencial linear de segunda ordem. Logo, esperam-se duas soluções inde-
pendentes e, por ser linear, a solução geral é a soma ou superposição das duas soluções (princípio da
superposição ou princípio da linearidade). Uma solução possível para a função f seria proporcional a
exp(+xx) e outra solução segundo exp(xx). Uma maneira de prever as duas possibilidades seria adotar

f  C1e   x x (3.25)

Da mesma maneira, para as outras funções, têm-se


y y
g  C2 e (3.26) p  C3e  z z (3.27)

Substituindo estes valores em (3.20), as três funções ficarão multiplicadas entre si e o produto das três
constantes pode ser colocado como uma única constante, de maneira que
y y  ( x x  y y  z z )
E  E0 e  x x e e  z z  E0 e (3.28)

na qual se considerou o produto de potências da mesma base para o resultado no membro da direita.
Examinando esta última equação, nota-se que o expoente é resultado do produto escalar de um vetor
   
  x x   y y  z z (3.29)

denominado vetor de propagação, pelo vetor posição do ponto do espaço em que se deseja obter o cam-
po, descrito como
   
r  xx y yzz (3.30)
Portanto, a solução para o campo elétrico harmônico no tempo descrito pela equação de onda pode ser
obtida pela função exponencial
      
E  E e  E0 e    r e  E0 e  r (3.31)

Os principais valores desta equação estão representados na Fig. 3.2 para um ponto arbitrário Q da região.
O módulo E0 da constante de integração representa o campo elétrico (neste caso) na origem do sistema e
em pontos nos quais o produto escalar do vetor de propagação pelo vetor posição for igual a zero.

z E
Direção do vetor
de propagação

Q 
  Fig. 3.2. Valores da solução para o campo elétrico em
 uma posição arbitrária na região de interesse.
r
y

Seguindo o mesmo procedimento para obtenção do campo magnético, a solução encontrada é do mes-
mo tipo do resultado do campo elétrico, ou seja,
   
H  H 0 e   r (3.32)

em uma direção diferente do campo elétrico, com amplitude própria e com a mesma descrição espacial. O

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produto escalar dos vetores do expoente corresponde à operação
 
  r   r cos    (3.33)

em que rcos é a projeção do vetor posição na direção do vetor de propagação, indicado pela distância .
O valor  é o valor escalar do vetor de propagação identificado em (3.13) como o fator de propagação.
Em vista da notação em (3.33), as soluções para os campos ficam:
   
E  E0 e    (a) H  H 0 e   (b) (3.34)

(d) Interpretação da equação da onda. O fator de propagação, eventualmente conhecido como constante
de propagação, é uma grandeza complexa, como mostra (3.13), e seu valor depende das características do
meio e da freqüência. Pode-se representá-lo da forma

    i   i (  i) (3.35)

e nas Equações (3.31) e (3.32) os campos ficam descritos na forma


 
A  A0 e   e i  (3.36)

em que A pode ser o campo elétrico ou o campo magnético. Portanto, no domínio do tempo, obtém-se
 
a  Ao e    cos  t     (3.37)

na qual o fator  afeta a amplitude do campo à medida em que r cresce e o fator  é responsável por
alteração na fase com a distância. Por isto,  é chamado fator de atenuação, medido em nepers por metro
(Np/m), e  é conhecido como fator de fase, expresso em radianos por metro (rad/m).
Inicialmente, será analisado o campo a partir da solução com o sinal negativo no expoente. Isto é, a
descrição do campo no domínio do tempo ficaria
 
a  Ao e   cos  t     (3.38)

e o seu valor será obtido em diferentes instantes comparados com o período. Alguns valores:
2  
t0 t  0  0 a  Ao e   cos  0    (a)
T
T 2 T     
t t    a  Ao e    cos     (b)
8 T 8 4 4 
(3.39)
T 2 T     
t t    a  Ao e    cos     (c)
4 T 4 2  2 
3T 2  3T 3      3  
t t    a  Ao e cos     (d)
8 T 8 4  4 
Na Fig. 3.3 mostram-se estes valores de campo em função da distância para os diferentes instantes in-
dicados. Fica evidente que à medida em que o tempo vai aumentando, a onda desloca-se na direção posi-
tiva de , ou seja, a solução da equação de onda com o sinal negativo no expoente representa um campo
que se desloca no sentido positivo da variável  e é identificada como onda caminhante ou onda progres-
siva. O seu deslocamento no meio é o fenômeno já identificado como propagação. Ao mesmo tempo,
nota-se que o aumento na distância implica redução exponencial na amplitude do campo elétrico e do
campo magnético. Seguindo o mesmo raciocínio, a solução com o sinal positivo no expoente é uma onda
progressiva no sentido negativo de . De novo, o expoente será negativo, indicando redução na amplitude
do campo de acordo com o valor de .

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a t = 0 T/8 T/4 3T/8 A0 e 

 Fig. 3.3. Solução da equação de onda para o sinal


negativo no expoente, indicando uma onda progres-
siva com deslocamento positivo.

0 0,5

3.4. Estudo do fator de propagação


(a) Expressão geral. Elevando ambos os membros de (3.34) ao quadrado e comparando as respectivas
partes reais e imaginárias, encontram-se as relações entre os fatores  e :

 2   2   2  (3.40)
2     (3.41)
A solução simultânea destas equações conduz às equações gerais para o fator de atenuação e para o fator
de fase, com as seguintes representações:

 2 
     
  1     1 (a)
2      
 
(3.43)
 2 
     
  1   
    1 (b)
2    
 
Estas são fórmulas gerais para as condições utilizadas na equação de onda e com o meio isotrópico, ho-
mogêneo e linear. Aparecem os efeitos da freqüência () e das propriedades do meio () sobre as
parcelas que constituem o fator de propagação. Ainda que estas sejam expressões sempre válidas, às ve-
zes é conveniente obter os fatores diretamente da fórmula básica dada em (3.35), utilizando as seleções

  e   e i  (  i  ) (3.44)
  m   m i  (  i ) (3.45)
Em (3.38) e nas análises seguintes, fica evidente que as amplitudes do campo elétrico e do campo mag-
nético da onda apresentam uma modificação com a distância dada por
A  Ao e   (3.46)
A atenuação introduzida nesse campo costuma ser definida pela relação entre a amplitude no ponto de
referência e a amplitude após o percurso especificado. Em valor numérico, corresponde a
Ao
L pro   e  (3.47)
A
Em análises de transmissão, esta redução na amplitude do sinal costuma ser especificada em nepers (Np)
ou mais comumente em decibels (dB) por meio de uma das seguintes relações logarítmicas:

90
Lnp  n ( L pro )  n ( e  )    (3.48)

Ldb  20og ( L pro )  20og ( e ) (3.49)
Comparando as duas formas de calcular a atenuação, conclui-se que há uma relação entre os resultados:
1Np  8, 686 dB (3.50)
Exemplo. Uma onda eletromagnética com freqüência de 12MHz propaga-se em um meio que apresenta permeabili-
dade igual à do vácuo, permissividade de 6o e condutividade de 4mS/m. (a) Achar o fator de atenuação e o fator de
fase na freqüência especificada. (b) Achar a distância necessária para o campo elétrico sofrer uma atenuação de 40dB.
Solução. Com as informações do problema, encontram-se:
i   i 2   12  106  4  107  i 94,7482  m (1)
9
10
i   i 2   12  106  6   i 4  103 S m (2)
36 
e verifica-se que , situação de meio quase condutor. Logo, na expressão geral do fator de propagação, vem:

  i  (  i )  i 94,7482(4  i 4)  103  0,5360 135o (3)


Efetuando a operação do número complexo, encontra-se
  0,732167,5o  0,7321(cos 67,5o  isen 67,5o )  (0, 2802  i 0,6764) m 1 (4)
Portanto, os valores procurados são
  e   0, 2802 Np m (5)   m   0, 6764 rad m (6)
Para utilização de (3.42) e (3.43), é conveniente efetuar em separado os cálculos
  4  6 1016 1
   1016 s 2 m 2 (7)
2 2  36  3
2 2
    0,004 
1    1    2 (8)
  0,004 
Substituindo os valores nas equações gerais deduzidas, acham-se:
 2 
  

 
2 
 1  
  


 1

  2   12  10

6 1
3
 1016  
2  1  0, 2802 Np m (9)
 

 2 
  

 
2 
 1 


  1  2   12  10

6 1
3
 1016  
2  1  0,6764 rad m (10)
 
(c) Para uma atenuação de 40dB, significa que são satisfeitas as condições:
Ldb  40  20og (e  ) (11) e   100 (12)
Logo, para a atenuação especificada, a distância percorrida é de
1 n (100)
 n (100)   16,44m (13)
 0, 2802
Uma vez emitida, a onda eletromagnética continua propagando-se indefinidamente, se não encontrar obstáculos em
seu caminho que possa alterar sua trajetória e reduzir sua energia. Neste exemplo, tem-se um ambiente quase condu-
tor e uma freqüência bem comum em enlaces de radiocomunicações. O fator de atenuação resultou elevado, com
significativo prejuízo para o aproveitamento do campo, pois em um percurso de pouco mais de 16m já reduziu a
amplitude do campo para 1% do valor no local de referência.

91
Diferentes ondas estão presentes nos mais diversos ambientes. A energia vinda do espaço, originada no
sol e outras estrelas, atravessa imensas regiões de vácuo absoluto e penetram na atmosfera. Grande parte
das radiocomunicações são acima do solo e viajam por várias camadas de gases atmosféricos com carac-
terísticas próprias, podendo incluir regiões ionizadas que avançam por algumas centenas de quilômetros
de altitude. Muitos enlaces de telecomunicações operam com ondas que se deslocam pela atmosfera e
alcançam satélites antes de retornarem para completar a conexão e, nesses casos, estarão presentes em
regiões gasosas e em regiões onde existe praticamente o vácuo. Há enlaces de radiocomunicações para
submarinos submersos em água de mar, ambiente com elevada condutividade, situações em que são utili-
zadas baixas freqüências para garantir maior alcance.16 Encontram-se ondas eletromagnéticas guiadas por
estruturas metálicas, como as linhas de transmissão e guias de onda, e em estruturas dielétricas, como as
modernas fibras ópticas para comunicações de elevada capacidade. Por estes motivos, há interesse em se
discutir determinadas situações para estudo da transmissão das ondas eletromagnéticas.
(b) Propagação em um dielétrico perfeito. Um meio dielétrico perfeito ou dielétrico ideal tem condutivi-
dade nula (e as demais propriedades, como permeabilidade magnética e permissividade elétrica,
são independentes da freqüência. Logo, nas relações para o fator de atenuação e para o fator de fase, vêm:
0 (3.52)
    (3.52)

O resultado para  mostra que não há redução nas amplitudes dos campos com o deslocamento da onda
em determinada direção. A justificativa é que na equação do campo o fator envolvendo a função expo-
nencial fica igual à unidade. Indica que não há dissipação de potência no meio sob a forma de calor. Por
causa deste comportamento, um dielétrico perfeito é identificado também como meio sem perdas. A
conclusão dada em (3.52) mostra que o fator de fase varia linearmente com a freqüência, uma caracterís-
tica importante nas transmissões de sinais compostos. Portanto, em uma onda progressiva como na Fig.
3.3, a amplitude do campo não sofreria redução e a sua representação ficaria como na Fig. 3.4.

t = 0 T/8 T/4 3T/8

 Fig. 3.4. Comportamento da onda caminhante


em determinada direção deslocando em um
meio dielétrico perfeito.

0 0,5

(c) Propagação em um dielétrico real. Um dielétrico real possui condutividade muito pequena compara-
da ao produto , porém diferente de zero, como discutido na classificação dos meios quanto à condução
de corrente elétrica. Nas expressões para os fatores de atenuação e de fase o termo (/)2 será muito
menor do que a unidade. A expansão da raiz quadrada na série binomial permitirá que se selecionem
apenas os seus primeiros termos, uma vez que os demais ficam insignificantes. Assim, sem se cometer
erros que possam comprometer os resultados, é possível adotar a conhecida aproximação
u
1 u  1 para u  1 (3.53)
2
No fator de atenuação e no fator de fase aparece uma operação que pode ser aproximada segundo esta
propriedade como

92
2 2
   1  
1    1   (3.54)
   2   

Então, com um erro muito pequeno, utiliza-se esta aproximação e resultam nos valores

 
 (3.55)
2 
 1   2 
     1       (3.56)
 8     
 
Por estes resultados, o fator de atenuação é quase independente da freqüência e o fator de fase varia
quase linearmente com a freqüência. Conforme as circunstâncias, é importante considerar o termo não-
linear de . Em comunicações que incluam modulação por diversas componentes de uma mensagem ou
em uma modulação digital, esta parcela é um dos fatores responsáveis por alteração na forma do sinal e
este problema poderá limitar a taxa máxima de transmissão.
(d) Propagação em condutor real. Muitas substâncias comportam-se como condutores reais, dentro de
certa faixa de freqüências. São os casos, por exemplo, da água do mar quando recebe uma onda com
freqüência de até alguns megahertz ou o solo de uma região agricultável até algumas centenas de quilo-
hertz. Nestas situações, o termo (/)2 será muito maior do que a unidade. Partindo da expressão do
fator de propagação e empregando a aproximação permitida pelos primeiros termos da expansão binomi-
al, os valores para o fator de atenuação e para o fator de fase tendem para

      
  1  (3.57)
2  2  2

       
 1   (3.58)
2  2  2

ambos variando aproximadamente com a raiz quadrada da freqüência. Como um meio condutor possui
condutividade grande, significa que o fator de atenuação será também muito elevado e a onda eletromag-
nética sofrerá uma enorme atenuação ao penetrar nesse tipo de material. No limite máximo teoricamente
possível, caso do condutor perfeito, a condutividade e o fator de atenuação seriam infinitos e não haveria
possibilidade de a onda eletromagnética penetrá-lo. Alguns meios reais aproximam-se deste comporta-
mento, como é o caso da maior parte dos condutores empregados na engenharia (cobre, alumínio, etc.).
Exemplo. Uma onda eletromagnética com variação harmônica no tempo propaga-se em um meio não-ferromagnético
que apresenta condutividade de 0,002S/m e permissividade de 3o. (a) Determinar o fator de atenuação e o fator de
fase para essa onda nas freqüências de 100kHz, 5MHz e 100MHz. (b) Avaliar o comportamento destes dois fatores
nas freqüências entre os limites especificados. (c) Na faixa de freqüências entre 100kHz e 100MHz, achar a distância
percorrida pela onda para reduzir a amplitude do campo para 1% do valor original em um local de referência.
Solução. (a) Pode-se aplicar a expressão geral para o fator de propagação e os dois resultados são encontrados de
imediato. Para as três freqüências especificadas, encontram-se
1  i1 (  i1 )  ( 0, 0280  i 0, 0282 ) m 1 (1)
2  i2  (  i2  )  ( 0,1622  i 0, 2483) m 1 (2)

3  i3 (  i3  )  ( 0, 2173  i 3,6341) m 1 (3)


Com estes resultados, encontram-se os valores procurados para o fator de atenuação e o fator de fase:
(Para f = 100kHz)   0, 0280 Np m (4)   0, 0282 rad m (5)

93
(Para f = 5MHz)   0,1622 Np m (6)   0, 2483 rad m (7)
(Para f = 100MHz)   0, 2173 Np m (8)   3, 6341 rad m (9)
(b) A Fig. 3.5 mostra os comportamentos do fator de atenuação e do fator de fase nesse meio nas freqüências entre
100kHz e 100MHz. Os levantamentos foram feitos com a distribuição da freqüência em escala logarítmica e em
escala linear para facilitar a visualização. Em freqüências elevadas, há pequena mudança no fator de atenuação, pois
o meio passa a comportar-se como um dielétrico real. Ao mesmo tempo, e pela mesma razão, o fator de fase tende a
ter um crescimento praticamente linear com a freqüência, o que fica mais evidente no levantamento em escala linear.
0.25 4
Fator de atenuação (Np/m)

Fator de fase (rad/m)


0.2
3
0.15
2
0.1

0.05
1

0 5 6 7 8 0 5 6 7 8
10 10 10 10 10 10 10 10
Freqüência (Hz) Freqüência (Hz)
(a) (b)
0.25 4
Fator de atenuação (Np/m)

Fator de fase (rad/m)


0.2
3
0.15
2
0.1
1
0.05

0 0
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Freqüência (MHz) Freqüência (MHz)

(c) (d)
Fig. 3.5. Variação do fator de propagação do meio analisado em função da freqüência. (a) Comportamento do fator
de atenuação. (b) Modificação do fator de fase. (c) Levantamento d fator de atenuação em escala linear de freqüência.
(d) Comportamento do fator de fase em uma escala linear de freqüências.

200
Distância (metros)

150

100 Fig. 3.6. Redução na distância percorrida no


meio em função da freqüência para uma atenua-
ção especificada de 40dB no campo elétrico.
50

0 5 6 7 8
10 10 10 10
Freqüência (Hz)

(c) Os valores do fator de atenuação mostram a dificuldade do meio apresentado para a propagação. Demonstrou-se
que para certa atenuação a distância percorrida pela onda é encontrada a partir de (3.48):
1 4, 6052
 n ( L pro )  (10)
 
em que Lpro = 100 pela especificação do problema. Conforme a freqüência, os resultados destes cálculos estão resu-
midos na Fig. 3.6 e mostram a significativa redução na penetração no meio com o aumento da freqüência. Em
100kHz a distância percorrida é de 164,6m e em 100MHz é de 21,2m.

94
3.5. Descrição da onda eletromagnética transversal
(a) O campo eletromagnético no espaço ilimitado. As soluções para o campo elétrico e o campo magné-
tico satisfazem às equações de Maxwell. Tomando a solução com o sinal negativo no expoente, acham-se
     

  E    E0 e   r  i  H  (3.59)
      r 
  H    H 0e  (  i  ) E  (3.60)

Desenvolvendo o rotacional nos membros intermediários destas equações, encontram-se


    r         

  E0 e 
   E  i  H (3.61)  
  H 0 e   r     H  (  i  ) E (3.62)

No membro da direita de (3.61), tem-se um vetor proporcional ao campo magnético e apontando na sua
mesma direção, uma vez que i é uma grandeza escalar. O produto vetorial no primeiro membro é um
vetor perpendicular ao plano formado pelo campo elétrico e pelo vetor de propagação. Portanto, a equa-
ção de Maxwell da lei de Faraday mostra o campo magnético perpendicular ao plano formado pelos veto-
res de propagação e campo elétrico. Analisando (3.62), a operação é uma grandeza vetorial proporcional
ao campo elétrico e apontando em sua direção, considerando que o fator ( + i é escalar. No primeiro
membro da equação, tem-se um vetor perpendicular ao plano formado pelo vetor de propagação e pelo
campo magnético. Assim, a equação de Maxwell relativa à lei de Ampère mostra o campo elétrico normal
ao plano formado pelos vetores de propagação e do campo magnético. Por conseguinte, os três vetores
  
 , E e H são mutuamente perpendiculares: o campo elétrico e o campo magnético são perpendiculares
entre si e estão contidos em um plano transversal à direção do vetor de propagação. Por esta razão, a
solução para a equação de Helmholtz no espaço ilimitado conduz a um tipo conhecido como onda ele-
tromagnética transversal ou onda TEM. Trata-se de solução quando a onda eletromagnética estiver em
regiões bem afastadas da sua origem. Em meios confinados, tais como em cabos coaxiais, em guias de
onda, em fibras ópticas, em guias dielétricos, podem surgir outros tipos de onda.
Quando a corrente que originou o campo eletromagnético variar harmonicamente no tempo, situação
aqui admitida, os campos elétrico e magnético acompanharão a mesma variação, deslocando-se no espaço
sem alterações no formato original, com um ângulo 90o entre si. O deslocamento do conjunto é normal ao
plano formado pelos vetores que representam os campos elétrico e magnético. Logo, o sentido de propa-
gação da onda obedece à regra do produto vetorial, que corresponde ao movimento do parafuso de passo
à direita.17, 18 Isto é, iniciando a rotação a partir do campo elétrico, gira-se a fenda do parafuso na direção
do campo magnético. O movimento longitudinal do parafuso coincide com o sentido de propagação.

Deslocamento Deslocamento
x
x
Giro do parafuso e
Fig. 3.7. Orientações dos campos elétrico e mag-
nético da onda, em relação à sua direção de propa-
z gação em um meio ilimitado.

H  r
h
y y

Na Fig. 3.7, admitiu-se o campo elétrico apontando instantaneamente na direção positiva de x e o cam-
po magnético na direção  y e pela regra descrita, a onda desloca-se na direção  z. A cada semiperíodo,
há inversão dos campos elétrico e magnético, preservando-se o sentido de propagação. É possível que os
campos tenham outras direções arbitrárias e que até mesmo estas direções não sejam mantidas enquanto a
onda avançar no meio. Encontram-se situações com o desdobramento em mais de uma onda com direções
diferentes de propagação, dependendo do meio e da forma como a onda penetra na região. São dadas
pelas soluções da equação de onda nos denominados meios anisotrópicos. 19

95
Exemplo. A água do mar é não-magnetizável e apresenta as seguintes características eletromagnéticas: condutividade
de 4S/m, permissividade de 81o. Admitindo que estas propriedades sejam independentes da freqüência, determinar a
distância necessária para que a amplitude de um campo eletromagnético caia a 1% de seu valor original nas freqüên-
cias de 20kHz e 200MHz. Supondo que haja necessidade de efetuar a comunicação com um submarino submerso,
qual seria a freqüência mais adequada para se completar essa conexão?
Solução. Em 20kHz, tem-se  = 2  20  103  81o = 90  106S/m. Portanto, a relação deste valor com a condu-
tividade é de  = 44.444 e o meio comporta-se como condutor. O fator de atenuação é de aproximadamente
 
    20  10 3  o  4  0 ,562 Np/m (1)
2
Obtém-se um resultado praticamente igual para o fator de fase. Para a amplitude do campo cair a 1% do valor inicial,
deve-se ter 0,01Eo = Eo exp(), sendo  a distância percorrida. Encontra-se:
1  1 
     n 0 ,01     n 0 ,01  8,2 m (2)
  0 ,562 
Para 200MHz, tem-se  = 2  200  106  81o = 0,90S/m e / = 4,44. Logo, a água do mar comporta-se como
meio quase-condutor e aplica-se a expressão geral para o fator de propagação:

 i (   i  )  i 2  200  106  o ( 4  i0 ,9 )  ( 50,266  i 62,832 ) m 1 (3)


A parte real leva ao fator de atenuação de onde se acha-se a distância procurada:
  50,266 Np/m (4)
1
     n 0,01  0,0916 m  9,16 cm (5)

Este valor é 90 vezes menor do que no primeiro caso. Para a comunicação com o submarino submerso a freqüência
de 20kHz é mais conveniente, por apresentar menor atenuação, ainda que também represente uma perda bem alta.
(b) Relação entre os campos elétrico e magnético. Mostrou-se que a dependência entre os campos elétri-
co e magnético de uma onda TEM obedecem às relações (3.61) e (3.62) para um comportamento harmô-
nica no tempo. Escrevendo o vetor de propagação como o produto do fator de propagação  (identificado
pelo valor escalar do vetor de propagação) pelo vetor unitário de sua direção, tem-se:
    
  E    E  iH (3.63)
Conclui-se que o campo magnético pode ser obtido a partir do campo elétrico por meio de
 
  ˆ  E ˆ  E
H   (3.64)
i  i   /

O numerador da expressão final é um vetor com mesmo módulo do campo elétrico, porém apontando
na direção do campo magnético. O denominador, dado pela grandeza
i 
 (3.65)

é um parâmetro escalar com dimensão de impedância para se garantir as dimensões corretas dos campos
elétrico e magnético. A nova quantidade chama-se de impedância de onda, medida em ohms (
Para uma onda eletromagnética transversal, que corresponde à solução em um ambiente ilimitado, com
o fator de propagação deduzido, obtém-se a expressão geral para a impedância de onda:
i  i  i 
    | | ei n  |  | n (3.66)
   i   i 
Em dada freqüência, tem-se influência apenas das características do meio (,  e ). Por isto, a impedân-
cia de onda para propagação no espaço sem fronteiras chama-se impedância intrínseca do meio. Em ge-

96
ral, seu valor é complexo de argumento n com campos elétrico e magnético defasados entre si.
Com estas considerações, o campo magnético é encontrado a partir do campo elétrico com o emprego
da relação (3.64) e o valor de calculado em (3.66). Relações entre os valores são:

 ˆ  E  
H (3.67) ˆ  E   H (3.68)

Multiplicando vetorialmente os dois membros pelo vetor unitário presente no primeiro membro, vem:
         
( ˆ  E )    (    ) E  ( E   )    H   (3.69)

na qual se aplicou a lei do triplo produto vetorial. Como ficou demonstrado que o campo elétrico e o
campo magnético são ambos perpendiculares ao vetor de propagação, o produto escalar que envolve os
seus valores é igual a zero. Desta maneira, o campo elétrico fica obtido a partir do campo magnético por
  
E   H  (3.70)

As Equações (3.67) e (3.70) mostram operações algébricas simples que relacionam as formas comple-
xas dos campos elétrico e magnético harmônicos no tempo. Trata-se de uma vantagem significativa, pois
seguindo este procedimento não há necessidade de expansão das operações envolvendo o rotacional das
grandezas. Ou seja, os cálculos no domínio da freqüência levam aos fasores que representam os campos
elétrico e magnético. A partir destes fasores, são encontrados os campos na forma instantânea. Como se
fez no estudo do fator de propagação, é conveniente conhecer algumas situações particulares para este
parâmetro, de acordo com o ambiente em que os campos estiverem sendo analisados.
Exemplo. O campo magnético de uma onda em um meio ilimitado não-magnético tem a freqüência de 1MHz e é
descrito na forma complexa como
  
H  (0, 025 x  i 0,035 y ) e 0,62832(1 i ) z A m
(a) Especificar o tipo de meio e encontrar sua condutividade. (b) Achar a impedância intrínseca do meio. (c) Obter o
campo elétrico complexo correspondente. (d) Determinar os campos elétrico e magnético no domínio do tempo.
Solução. (a) Pelas informações do campo magnético, o fator de propagação é o valor complexo
    i  0,62832(1  i )  (0,62832  i 0,62832) m 1 (1)
com iguais valores para as partes real e imaginária:  = 0,62832 Np/m e  = 0,62832 rad/m. Portanto, conclui-se que
se trata de um meio condutor real. De acordo com (3.57) e (3.58),
 
  0,62832 (2)
2
em que  = o pelo fato de o meio ser não-magnético. Desta relação, tira-se a condutividade procurada:
2  (0,62832) 2 2  (0,62832)2
   0,100 S m (3)
 2   106  4   107
(b) Comparando o campo dado com a solução para a equação de onda, verifica-se que a projeção do vetor posição na
direção do vetor de propagação corresponde à coordenada z, isto é,  = z. Portanto, conclui-se que o vetor unitário da
 
direção de propagação é   z . De acordo com (3.66) a impedância de onda fica

i  i  i 2  106  4  107
    (6,2832  i 6, 2832)   8,8858  45o  (4)
   i 0,62832(1  i )
com parte real e imaginária iguais, compatível com o esperado para meio condutor real.
(c) O campo elétrico procurado em sua representação complexa assume o aspecto
     
E   H    6, 2832 (1  i ) (0, 025 x  i 0, 035 y )  z e 0,62832(1 i ) z 
 
  (i 0, 2199 x  0,1571 y ) e 0,62832(1i ) z ei  4 V m (5)

97
Na Fig. 3.8, estão apresentados estes fasores com suas componentes, de forma esquemática. A representação foi feita
no plano x-y, ou seja no plano transversal à direção de propagação. Deve-se destacar que, além de direções ortogonais
entre si (uma parcela na direção x e a outra na direção y), estas componentes estão defasadas de 90o. Ou seja, no
domínio complexo uma é especificada como grandeza real e outra como imaginária.

Ex z Hx
x
Fig. 3.8. Fasores dos campos elétrico e magnético para
o exemplo proposto.
Hy

H
E Ey

(d) O campo magnético, expresso em miliampères por metro no domínio do tempo, é encontrado como já se descre-
veu, efetuando a operação
     
     
h  e Hei t  e (25 x  i 35 y ) e 0,62832(1i ) z ei t  e (25 x  i 35 y ) e  0,62832 z ei ( t 0,62832 z ) 
(6)
  
 25 e  0,62832 z cos ( t  0,62832 z ) x  35 e  0,62832 z sen( t  0,62832 z ) y mA m 
Utilizando agora o campo elétrico fasorial, chega-se à sua descrição instantânea efetuando a mesma operação, che-
gando-se ao resultado:
   
  
e  e E ei t  e (i 0, 2199 x  0,1571 y ) e  0,62832 z ei ( t  0,62832 z  4) V m  
 

 0, 2199e  0,62832 z sen ( t  0,62832 z   4) x  0,1571e 0,62832 z cos (t  0, 62832 z   4) y V m  (7)

3.6. Estudo da impedância intrínseca do meio


(a) Situação geral. De acordo com a expressão geral para a impedância intrínseca, o seu valor pode ser
obtido pelos métodos conhecidos de operações com números complexos. Assim, conforme (3.66), em um
meio genérico submetido a campos harmônicos no tempo, tem-se a impedância intrínseca complexa

  |  | ei n  r  i i  |  |( cos n  i sen n ) (3.71)

na qual os valores necessários são encontrados com


  (3.72)
  ( )2
2

 1   
n     arctg   (3.73)
4 2   
com as partes real e imaginária dependentes das propriedades do meio e da freqüência. Em um dielétrico
perfeito ( = 0), o argumento de  torna-se nulo, pois
  1        1   
n  im     arctg          0 (3.74)
0 4  2      4  2  2 
independentemente da freqüência. Por outro lado, quando a condutividade for muito grande comparada
com o produto , situação que acontece em um condutor, o argumento aproxima-se de
  1        1  
n  im     arctg 
    4  2     4   2   0   4 (3.75)
   

98
Conclui-se que em meios ilimitados sujeito a uma freqüência especificada, conforme a condutividade o
argumento da impedância intrínseca fica limitado por

0  n  (3.76)
4
(b) Impedância intrínseca em um dielétrico perfeito. Em um dielétrico perfeito, a condutividade é zero e
a impedância intrínseca, dada em (3.66), ficaria uma grandeza real pura, considerando a operação

i  i    r o
    (3.77)
  i  i    r o

Logo, o campo elétrico e o campo magnético estão rigorosamente em fase. Assim, embora estejam apon-
tando em direções diferentes no espaço, quando um deles estiver passando pelo seu máximo positivo, o
outro também estará. Quando o primeiro passar pelo máximo negativo, o outro campo também será má-
ximo negativo e assim por diante. Esta situação está representada na Fig. 3.9 com o desenho separado dos
campos para destacar as posições relativas de máximos e mínimos. Optou-se por colocar o campo elétrico
na direção x e o magnético na direção y, com a propagação ao longo do eixo z.

ex
z

Fig. 3.9. Em um meio sem perdas, os campos elétrico e


magnético da onda são perpendiculares entre si, mas
hy estão rigorosamente em fase no tempo.
z

Ainda que o vácuo não seja um material, apresenta o comportamento semelhante ao de um dielétrico
perfeito do ponto de vista de sua condutividade. Assim, o resultado (3.77) pode ser aplicado a esta situa-
ção colocando-se r = 1 e r = 1. O resultado pode ser também utilizado para o ar, considerando que pos-
sui r entre 1,000594 e 1,000528 para temperatura entre 0oC e 20oC e tem comportamento paramagnético
com a permeabilidade magnética relativa r = 1,00000037.20, 21 Logo, os dois valores podem ser aproxi-
mados para a unidade com erro muito pequeno, desprezado na maioria das aplicações. Então, substituindo
a permeabilidade magnética e a permissividade elétrica, vem

o
  o c  4   107  2,99792458 108  376, 73   377   120   (3.78)
o

Salienta-se, mais uma vez, que valores para o ar (ou o vácuo) são importantes porque é comum a onda
eletromagnética propagar-se nesse ambiente ou em situações em que a atmosfera mantém contato com
outros meios, como o solo, as superfícies líquidas ou outras regiões. Usando as duas expressões anterio-
res, para um dielétrico perfeito e para um meio não-magnetizável, encontram-se, respectivamente,
r 120 
  120  (3.79)  (3.80)
r r

(c) Impedância intrínseca em um dielétrico real. Reescrevendo a a impedância de onda na forma

i   
  (3.81)
i  1   i   1   i 

99
O critério usual estabelece que para os dielétricos reais () << 1. Expandindo a raiz quadrada na série
binomial e aplicando a aproximação para pequenas diferenças em relação à unidade, encontra-se
          
  1   1  i   (3.82)
1    i 2    i 2     2  
A segunda parcela quase sempre pode ser desconsiderada por ser bem pequena comparada com o primei-
ro termo. A sua existência demonstra que em condições de baixas perdas, o campo elétrico está ligeira-
mente adiantado do campo magnético. Para muitas das aplicações, não há inconvenientes em ser descon-
siderada esta pequena defasagem. Basta ver que em ambientes com ( > 20, o campo elétrico estará
adiantado do campo magnético de um ângulo em torno de 1,4o e nem sempre será necessário este rigor.
(d) Impedância intrínseca em um condutor real. Em um bom condutor, a parte imaginária do denomina-
dor da expressão geral da impedância de onda é muito pequena face ao valor da condutividade. Nestas
condições, é conveniente reescrever a fórmula da impedância intrínseca como

i  i   1 
    (3.83)
 1  i      1  i   
Lembrando que
    1 i
i  ei  2  ei  4  cos    i sen    (3.84)
4 4 2
para valores muito pequenos da relação (, pode-se adotar a aproximação
1 1   
  1 i   (3.85)
1  i   1  i  2  2 
Combinando estas passagens em (3.83) para a situação de um condutor real, conclui-se que a impedância
intrínseca pode ser representada na forma retangular como
  Rs  i X s (3.86)
na qual as partes real e imaginária têm praticamente o mesmo valor:

    
Rs  1   (3.87)
2  2 2

    
Xs  1   (3.88)
2  2  2

Este resultado indica que em um condutor real, como o solo e a água do mar abaixo de certas freqüên-
cias, o campo elétrico está adiantado do campo magnético de um ângulo de quase 45o, uma vez que a
parte real e a parte imaginária da impedância intrínseca são praticamente iguais. Nos metais, a condutivi-
dade é muito grande e a impedância intrínseca assume um valor muito pequeno, da ordem de milésimos
de ohms. Neste tipo de material, a parte real fica conhecida como resistência superficial e a parte imagi-
nária como reatância superficial do meio.
Exemplo. Uma onda eletromagnética de 20MHz propaga-se em um meio não-magnetizável ilimitado que tem per-
missividade de 3o e condutividade de 2mS/m. São propriedades do solo de certas regiões e deseja-se conhecer seu
comportamento para o campo eletromagnético. (a) Caracterizar esse meio quanto a sua condutividade e determinar a
sua impedância intrínseca. (b) Encontrar a freqüência para a qual as amplitudes das correntes de condução e de deslo-
camento assumem o mesmo valor por unidade de superfície. (c) Achar o fator de atenuação e o fator de fase na fre-
qüência dada.. (d) Analisar o comportamento da impedância intrínseca para freqüências entre 100kHz e 100MHz.

100
Solução. (a) A comparação entre a corrente de deslocamento e a de condução em 20MHz leva a
 2 10 3
  0,6 (1)
  2   2  10 7  3  o
indicando um meio quase-condutor. Nesta condição, devem ser utilizadas as expressões gerais para os cálculos dos
parâmetros envolvidos na propagação. A impedância intrínseca fica

i  i (4 )2
   201,55 15, 48o   (194, 24  i 53,80)  (2)
  i  2  103  i (102 ) 3
(b) As correntes de condução e de deslocamento têm mesma amplitude se
 2  10 3
f  fo    12  10 6 Hz  12 MHz (4)
2   2 3o
(c) Para cálculo do fator de atenuação e do fator de fase na freqüência dada pode-se utilizar a expressão geral do fator
de propagação:

 102 
  i  (  i )  i (4 )2  2  103  i   (0,2091  i 0,7551) m 1 (5)
 3 
 
Portanto, chega-se aos valores do fator de atenuação e de fase:
  0,2091 Np m (6)   0,7551 rad m (7)
Ressalta-se que o fator de atenuação encontrado demonstra a grande influência do meio na freqüência especificada.
Como os decréscimos nas amplitudes dos campos elétrico e magnético são exponenciais, para o valor encontrado
cada uma delas reduz-se para cerca de 1,5% do valor original em apenas 20 metros de avanço no meio.
(d) Modificando a freqüência entre os limites especificados, repetiram-se os cálculos para a impedância intrínseca e
os resultados estão ilustrados na Fig. 3.10. Em freqüências bem pequenas, as partes real e imaginária tornam-se i-
guais, como esperado no comportamento de um condutor. Em freqüências muito elevadas, a parte imaginária fica
muito menor do que a parte real, típico de um dielétrico real. No limite de interesse de 100MHz, a parte real fica em
216,5 e a parte imaginária com 12,94, isto é, tem módulo de 216,89 e argumento de 3,42o.
250
Impedância intrinseca (ohms)

200
Parte real
150
Fig. 3.10. Comportamento da impedância
Parte imaginária
100 característica para o meio analisado entre
freqüências muito baixas e muito altas.
50

0
0 20 40 60 80 100
Freqüência (MHz)

3.7. Frente de onda e tipos de ondas


(a) Destaques na composição do campo eletromagnético. Conforme a solução para a equação de onda
para campos harmônicos no tempo, o campo elétrico é representados por uma função complexa da forma
   
E  Eo e  r (3.89)
e acha-se uma expressão semelhante para o campo magnético. Nesta solução, interpreta-se o vetor de
propagação com sua parte real e sua parte imaginária, tendo a direção relacionada ao seu respectivo vetor
unitário. Assim, deve-se escrever que
      
        i       i      i  (3.90)

101
Logo, a solução encontrada para os campos pode ser mais bem detalhada escrevendo o expoente dos
campos separado na parcela relacionada ao fator de atenuação e na parcela relativa ao fator de fase:
        
E  Eo e  r e  i  r  Eo e   e  i  r (3.91)

em que, como nas situações já analisadas, aparece o valor  como a projeção do vetor posição na direção
do vetor de propagação. Neste ponto da análise, é mais conveniente deixar o fator que representa a fase
descrito com o produto escalar dos vetores que entram em sua determinação.
(b) Definição de frente de onda. Denomina-se frente de onda, superfície equifásica, ou ainda superfície
isofásica, ao lugar geométrico dos pontos de mesma fase das grandezas associadas ao campo eletromag-
nético. Em princípio, essa superfície pode assumir um formato arbitrário, como mostra a Fig. 3.11, prin-
cipalmente nas proximidades de sua fonte. Normalmente, para esta avaliação considera-se que o campo
eletromagnético varie de forma harmônica no tempo, uma vez que para outros comportamentos há maio-
res dificuldades em estabelecer-se um valor para a fase. Da equação de onda, mostrou-se que o campos
elétrico na forma instantânea e para variações harmônicas no tempo fica
   
e  Eo e  cos (  t   r  ) V m (2,92)
em que  é uma fase constante que indica a condição inicial da grandeza. Representando os vetores em
coordenadas cartesianas, para o fator de fase e para a posição do ponto no espaço têm-se
       
  x x   y y  z z (3.93) r  xx y yzz (3.94)

Distâncias da origem
Superfície de
mesma fase
Fig. 3.11. Forma arbitrário de uma superfície na qual a
fase do campo eletromagnético é constante.

Considerando um instante fixo t = tr em (3.92), conclui-se que a frente de onda, na qual todos os pontos
da região a fase é a mesma, ocorre quando
 
 r  K  constante (3.95)

e com as unidades dos parâmetros utilizados nesta operação, o resultado é expresso em radianos. Substitu-
indo o fator de fase e o vetor posição como em (3.93) e (3.94), obtém-se a equação de um plano:
 
 r   x x   y y   z z     K (3.96)

Conclui-se que a superfície de fase constante será representada por um valor de  também constante,
admitindo que o movimento da onda ocorra segundo esta direção projetada sobre o vetor de propagação.
Tomando o gradiente da fase do campo, cuja variação com a distância está detalhada em (3.92), tem-se
          x  y  z 
 
  r   x 
 x y z 

y  z  x x   y y  z z  x 
x
x  y
y
y z
z
(3.97)

Com as simplificações das três parcelas do membro da direita, chega-se a


       
 
  r   x x   y y   z z      (3.98)

Sabe-se que o gradiente de uma função representa um vetor normal à superfície em que a função é cons-

102
tante.17 Nesta operação, calculou-se o gradiente da função que descreve a fase e, por conseguinte, resulta
em um vetor normal à superfície em que a fase é constante, isto é, normal à frente de onda. A direção
deste vetor é a mesma do vetor de propagação. Logo, a direção do deslocamento do campo eletromagné-
tico é normal à frente de onda.

Frente de onda plana

E Fig. 3.12. Ilustração para frente de onda plana, obtida com a


solução das equações de Maxwell em coordenadas retangu-
H Direção de propagação lares em meio ilimitado.

Com esta descrição, mostrou-se que a superfície equifásica para um campo muito afastado de sua ori-
gem é um plano normal à direção de propagação, como se representa na Fig. 3.12. Por isto, o campo ele-
tromagnético obtido em meios ilimitados e em pontos bem distantes da fonte de emissão da energia é
denominado onda plana. Ainda segundo a solução demonstrada, em todos os pontos do plano relativo à
frente de onda de uma fase especificada, as amplitudes dos campos elétrico e magnético são constantes.
Esta interpretação caracteriza a chamada onda plana uniforme. Trata-se de um conceito de importância
para a avaliação de muitos valores e comportamentos relativos à transferência da energia em diferentes
ambientes de propagação. Não é raro, por exemplo, admitir que outras distribuições de campo serem
encontradas pela superposição de ondas planas.
(c) Algumas descrições da frente de onda. É possível haver frente de onda diferente da superfície plana
e a designação da onda depende desse formato. Por exemplo, nas proximidades de um condutor cilíndrico
muito comprido, tem-se a irradiação de uma frente de onda cilíndrica. Imaginando-se uma fonte de pe-
queno tamanho, a emissão da energia para o espaço é feita na forma de uma frente de onda esférica. Estas
situações estão mostradas nas partes (a) e (b) da Fig. 3.13. Nestas situações, a uma grande distância da
fonte visualiza-se apenas uma pequena parte da frente de onda. Portanto, mesmo com fontes emitindo
ondas de frentes não-planas, para grandes distâncias e em pequenas regiões pode-se considerá-las como
se fossem ondas planas. Por exemplo, será analisada uma fonte de emissão pontual que crie uma onda
esférica. A um quilômetro e sob um ângulo de 6o (/30 rad) tem-se um arco com extensão de aproxima-
damente 104,72 metros. Tomando a tangente a esse mesmo ponto (segmento retilíneo), tem-se um valor
de 105,1 metros, uma diferença menor do que 0,4%. Ou seja, pode-se considerar que a superfície curva
seja bem próxima de um pequeno plano, como na parte (c) da Fig. 3.13. Nem sempre, nestes casos, serão
ondas uniformes, pois as superfícies equifásicas não necessariamente correspondem a superfícies de
mesmos valores de amplitude.

Parte da frente
de onda Fig. 3.13. Formatos de frentes de onda. (a) Frente de
 onda cilíndrica. (b) Fonte de onda esférica. (c) Frente
 de onda arbitrária que pode ser interpretada pela
  superposição de ondas planas.
 

(a) (b) (c)

3.8. Energia do campo eletromagnético


(a) A lei de Planck. Como se mostrou com a lei de Lorentz, o campo eletromagnético pode ser verificado
pela ação de uma força sobre uma partícula carregada e as grandezas que o caracterizam são quantificadas
a partir dessa força. Portanto, o campo eletromagnético é dotado de energia e pode exercer trabalho sobre

103
a partícula, sobre um corpo carregado eletricamente, sobre um condutor conduzindo corrente elétrica,
etc.. No final do ano de 1900, Planck 22 demonstrou que essa energia eletromagnética era quantizada, isto
é, sempre múltipla de uma unidade fundamental denominada quantum, cujo plural escreve-se quanta.
Embora o termo seja geral, se a freqüência do campo eletromagnético estiver na faixa de luz, o quantum
de energia é comumente denominado fóton. Estudos dos fenômenos que se baseiam neste princípio com-
põem a parte da Física conhecida como teoria de fótons. A confirmação do comportamento das irradia-
ções eletromagnéticas na forma de quanta é feita modernamente sem dificuldades.23, 24 Segundo a lei de
Planck, o quantum de energia é proporcional à freqüência da irradiação eletromagnética. Logo,
Een  h f (3.99)
onde f é a freqüência em hertz e h é uma constante universal, conhecida como constante de Planck, um
parâmetro fundamental da mecânica quântica. Para expressar a energia em joules, esta constante vale

h  6,626  10 34 joules.segundo (3.100)

Outra grandeza associada à energia é a potência, definida como sendo a energia por unidade de tempo
e medida em watts (W).25 Assim, designando a energia total que flui em determinado sistema por u, no
intervalo de tempo t, a potência média total ou sua representação em forma diferencial fica descrita como:
u u
p (3.101) p (3.102)
t t

Este conceito pode ser estendido para as análises envolvendo o campo eletromagnético. Como a sua
energia está associada ao seus quanta, cujo valor individual depende apenas de sua freqüência, significa
que a potência depende do fluxo de quanta por unidade de tempo. Isto é, a potência em determinada fre-
qüência será tanto maior quanto maior for o número de quanta por segundo, especificando o fluxo de
energia por unidade de tempo. Portanto, significa a transferência de maior quantidade de quanta ou de
fótons por unidade de tempo. De uma forma geral, pode-se anotar que a potência do campo eletromagné-
tico de freqüência f que emite uma taxa de Nf quanta por segundo é:

P  N f Een  N f h f  6,626  10 34 N f f (3.103)

Exemplo. Achar o fluxo de quanta de energia por unidade de tempo em uma irradiação eletromagnética associada a
uma potência de 10W em 1GHz, freqüência típica de comunicações em microondas. Repetir a análise para a uma
potência de 1mW em 3×1014Hz, valor de uma emissão na faixa de infravermelho utilizada em comunicações ópticas.
Solução. Para as freqüências de 1GHz e de 3×1014Hz, as energias eletromagnéticas são de:
E pen  6,626 1034 1109  6,626 1025 J (1) E sen  6 ,626  10 34  3  1014  1,988  10 19 J (2)
com o segundo valor incomensuravelmente maior do que o correspondente à freqüência de 1GHz. Como a potência é
a energia por unidade de tempo, na freqüência mais baixa o valor dado é muito maior do que na freqüência óptica,
indicando um número de quanta por segundo tal que
10
P1  N1 E pen  N1  6,626  10 25  10 W (3) N1   15,09  10 25 quanta segundo (4)
6 ,626  10  25
Para a faixa de infravermelho, tem-se os seguintes valores de potência e de quantidade de fótons por segundo:
10 3
P2  N 2 E sen  N 2  1,988  10 19  10 3 W (5) N1   5,03 1015 fótons segundo (6)
1,988  10 19
Portanto, o fluxo é muito menor do que para a irradiação 1GHz, justificando a menor potência no infravermelho.
(b) O teorema de Poynting. Na abordagem de um teorema, é hábito estabelecer o seu enunciado e em
seguida fazer sua demonstração e interpretação. Neste caso, por comodidade optou-se por iniciar com as
equações de Maxwell, obtendo seu significado físico em sua composição. Multiplicando os dois membros

104
da lei de Ampère escalarmente pelo vetor do campo elétrico, os dois membros da lei de Faraday escalar-
mente pelo campo magnético e subtraindo os resultados membro a membro, encontra-se:
 
          d  b
e  h  h  e  j e  e  h (3.104)
t t
O primeiro membro desta equação corresponde à expansão 17, 18
        
  ( e  h )  e    h  h    e (3.105)
Portanto, em (3.104) emprega o divergente de um produto vetorial no primeiro membro:
 
      d  b
  ( e  h )  j  e  e  h (3.106)
t t

Mostrou-se que o divergente representa o fluxo de uma grandeza vetorial por unidade de volume, quando
esse volume tender para zero. Ou seja, é a densidade de fluxo em todos os pontos do espaço nos quais a
função estiver definida e existir sua derivada. Por conseguinte, para obtenção do fluxo total na região,
efetua-se a integração desta equação em todos os pontos, como na Fig. 3.14. Esta integração é possível
porque as grandezas eletromagnéticas são bem comportadas e não ocorrem indeterminações ao se multi-
plicar os dois membros de (3.106) pelo elemento de volume dV. Portanto, tem-se:
 
    d  b  

   ( e  h ) dV  e 
V

t
V
dV  h 
t 
dV  j  e dV
V

V
(3.107)

O primeiro membro pode ser modificado com a aplicação do teorema do divergente, permitindo que a
integração em um volume arbitrário possa ser convertida em uma integração de superfície, executada
sobre a superfície que envolve toda a região.17, 18 Neste caso, o integrando passa a ser a componente nor-
mal do vetor. A última parcela do segundo membro pode ser modificada ligeiramente usando o produto
dos módulos dos vetores, pois ambos estão na mesma direção. Os outros dois integrandos também podem
ser modificados com o uso da regra de derivação de produtos escalares. Obtém-se a expressão conhecida
como teorema de Poynting,26 que, em sua forma integral assume o aspecto: 27, 28
  
 e  d 

    h b   
  

 ( e  h )  n dSi 
ˆ   dV    dV  j  e dV (3.108)
t  2  t  2 
S V V V

V
dS Fig. 3.14. Região do espaço na qual está sendo analisa-
dS 
n da a energia do campo eletromagnético.


n

(c) Interpretação do teorema de Poynting. Para interpretar o resultado (3.108), será admitido o desloca-
mento de uma quantidade de cargas dq em uma região de campo eletromagnético. Nessa região, identifi-
ca-se um volume V delimitado por uma superfície S, como na expressão completa do teorema de Poyn-
ting. Pela lei de Lorentz, esse deslocamento está associado um trabalho
     
dW  f  d   dq (e  v  b )  d  (3.109)
que corresponde a uma potência elementar dada por esta quantidade de trabalho por unidade de tempo.
Ou seja, pode-se verificar que em uma pequena região do espaço haja

105
 
dW   d      d 
dp   f   dq ( e  v  b ) 
dt  dt    (3.110)
   dt 
em que o último fator no membro da direita representa a velocidade da carga elementar. O produto veto-
rial da velocidade pela indução resulta em um vetor perpendicular à velocidade. Esse vetor multiplicado
escalarmente pela velocidade dará zero. Ou seja, não existe uma contribuição na potência do vetor resul-
tante do produto vetorial da velocidade pela indução magnética. A potência elementar associada ao traba-
lho realizado pela carga vale, portanto,

dW   d   dq    
dp   dq e     e  d   di ( e  d  ) (3.111)
dt 
 dt  dt
onde o fluxo de carga por unidade de tempo corresponde à corrente elementar di. Essa corrente indica o
fluxo de carga através de uma superfície elementar dS. Então, pode-se escrever

di   di    di   
dp  (e  d  ) dS  ( e  ue d  ) dS   ue   e  d  dS  (3.112)
dS dS  dS 
Nesta expressão, o primeiro fator entre parênteses é a densidade de corrente no meio e o último entre
parênteses é o produto do comprimento elementar pela área elementar transversal a ele e indica o volume
elementar. Conclui-se que a potência em um ponto da região e em todo o volume delimitado pela superfí-
cie especificada resultam em
 
 
dp  j  e dV (3.113) p

V
j  e dV (3.114)

Esta análise demonstra que o último termo do segundo membro de (3.108) resulta em uma potência o-
riginada do movimento de cargas no meio quando sua condutividade for diferente de zero, ou seja, rela-
cionada à densidade de corrente de condução. Trata-se da potência dissipada no meio, segundo o fenôme-
no conhecido como efeito Joule.29 De acordo com esta análise, a potência por unidade de volume, expres-
so em watts por metro cúbico (W/m3), é obtida com:
  j2
p  j  e  j e   e2  (3.115)

Em meios dielétricos perfeitos, a condutividade é nula e não há potência dissipada. No interior de um
condutor perfeito também não há dissipação de potência. Sua condutividade tende para o infinito, mas a
ausência de potência dissipada é por não ser possível estabelecer-se campo elétrico. Como o último termo
representa potência dissipada sob forma de calor, todos demais que estão sendo somados (3.108) também
são potências na mesma região, associadas às grandezas envolvidas. O primeiro termo do segundo mem-
bro é a potência associada ao campo elétrico e o segundo termo é a potência relacionada ao campo mag-
nético. Conclui-se que o segundo membro de (3.108) indica a potência total existente no volume. Pelo
princípio da conservação da energia, o primeiro membro é a potência total que entra nesse volume através
da superfície que o envolve. Essa potência é o fluxo do produto vetorial do campo elétrico pelo campo
magnético. Ou seja, é o fluxo da grandeza
  
s  e h (3.116)
conhecida como vetor de Poynting, expresso em watts por metro quadrado (W/m2). Os valores do segun-
do membro são positivos e, em conseqüência, o primeiro membro também deve ser positivo. Assim,
como o vetor unitário normal à superfície aponta para fora da região, o vetor de Poynting aponta para o
seu interior, identificando a potência que entra através da superfície S.

106
Como a potência é a taxa de variação da energia no tempo, este fato está indicado pelo operador /t
nas parcelas do segundo membro. Logo, as duas integrações representam a energia contida nos campos
elétrico e magnético na região de interesse, expressas em joules (J), e calculadas da forma:

 e  d   
ue   

 2 
V
 dV    e  e  dV
  2  
V
(3.117)

   

 
 h b   h  h 
uh    dV   
 2   2  dV (3.118)
   
V V

Tomando em valores diferenciais, acham-se as densidades de energia dos campos elétrico e magnético,
expressas em joules/m3 (J/m3). São dadas por:
 
d ue  e  e  e 2
we    (3.119)
dV 2 2
 
d uh  h  h  h 2
wh    (3.120)
dV 2 2
(d) Densidade de potência para campos harmônicos no tempo. Os campos harmônicos no domínio do
tempo são obtidos da parte real dos produtos dos fasores pelo fator envolvendo a freqüência angular.
Pode-se escrever o vetor de Poynting instantâneo como
    

s  e  h  e E ei t e H ei t   (3.121)

A parte real de um número complexo é a semi-soma desse número complexo com o seu conjugado, ou
seja, um número complexo que tenha mesma parte real do primeiro mas parte imaginária simétrica. A
expressão anterior pode ser modificada para:
   1   
 
s  e  h  e E ei  t  H ei t  H  e  i t
2
 (3.122)

Uma vez que o último fator desta equação é uma grandeza real, o seu valor pode ser incluído dentro do
primeiro par de chaves. Desta maneira, a expressão fica
 1    

s  e E  H   E  H e i 2  t
2
 (3.123)

O valor médio desta densidade de potência é encontrado com sua integração em um período:
 T

T    
   
1 1
Sav  s dt  e E  H   E  H ei 2 t dt (3.124)
T 0 2T 0

Esta integração será feita em duas parcelas. A segunda parcela do integrando implica a operação em uma
função co-senoidal em um período e, portanto, seu valor final será igual a zero. Restará a integração do
primeiro termo independente do tempo. Logo, resulta
  
1
Sav  e E  H 
2
  (3.125)

como esperado em (3.123), uma vez que o valor médio de uma função variável no tempo corresponde à
sua parte independente do tempo.
Usando o campo magnético em termos do campo elétrico e da impedância intrínseca do meio, vem

107
      E   1      

  
1 
Sav  e  E  
2      2
 
   e  E  

E
  e i n




1
 2

e E  (   E ) ei n  (3.126)
   
No desenvolvimento do triplo produto vetorial, aparecerá uma parcela proporcional ao produto escalar do
campo elétrico pelo vetor unitário da direção de propagação. Outra parcela do triplo produto vetorial é
proporcional ao produto escalar do fasor do campo elétrico pelo seu conjugado. Ou seja, acha-se:
        
E  (   E )  ( E  E  )   ( E   ) E  (3.127)
Demonstrou-se que o campo elétrico e o vetor de propagação são perpendiculares entre si, de maneira que
o produto escalar entre eles é igual a zero. Assim:
     
Sav 
2
1
 
e ( E  E  ) e i  n  
1
2

e | E |2 ( cosn  isenn )   (3.128)

Uma vez que esta operação exige a seleção da parte real, o valor médio do vetor de Poynting fica

 | E |2 
Sav  cosn  (3.129)
2
Esta solução mostra uma densidade de potência do campo eletromagnético na mesma direção do vetor
de propagação. Isto é, o fluxo de potência acompanha a direção de deslocamento da onda eletromagnéti-
ca. Em um meio com perdas, a amplitude do campo elétrico decresce exponencialmente de acordo com o
fator de atenuação. Com isto, a densidade média de potência fica

 | E0 |2 2   
Sav  e cosn  (3.130)
2

na qual a distância  é medida na direção do vetor de propagação. Em um dielétrico perfeito, a impedân-


cia intrínseca é real (n = 0) e  = 0 e encontra-se

 | E0 |2 
Sav   (3.131)
2
Seria possível calcular estes valores a partir do campo magnético aproveitando-se a relação conhecida
entre os dois campos. Acham-se as expressões
 
  | H |2   | H 0 |2 2  
Sav  cosn   e cosn  (3.132)
2 2
Com as mesmas particularizações para a transmissão através de um meio dielétrico perfeito:
 1  
Sav   | H 0 |2  (3.133)
2
A parcela do valor instantâneo dependente do tempo deve ser desenvolvida da forma

   i 2 t      E  i 2 t     i 2 t  i 
1
2

sm  e E  H e 1
 e  E  
2

i 
  |  | e n 
e  
1
 2 |  |
 e E 
 (  E ) e e n  (3.134)

De novo, empregando a lei do triplo produto vetorial, resulta em



  2   i 2  t  i 2  i 

sm 
1
2||

e E0  E0 e 
e e e n


| E0 |2 e 2 
2||

cos (2t  2  n )  (3.135)

108
e com um desenvolvimento semelhante a partir do campo magnético. Logo, o valor final em watts por
metro quadrado (W/m2) é apresentado como
  2 2 
 | E0 |2 e 2   | E0 | e 
s cosn   cos (2t  2  n )  (3.136)
2|| 2| |
(e) Densidades de energia para campos harmônicos no tempo. Demonstrou-se que os campos elétrico e
magnético harmônicos no tempo são descritos por
 
e  E0 e  cos  t    (3.137)
  
h  H 0 e cos  t    n  (3.138)

Estes campos serão empregados em (3.119) e em (3.120) para cálculo das densidades de energia do cam-
po elétrico e do campo magnético. Para o primeiro campo, tem-se:

 e2  E02 e 2 
 
2
we   E0 e  cos ( t   )  cos 2 (t   ) (3.139)
2 2 2
Utilizando a identidade trigonométrica
1 1
cos 2    cos 2 (3.140)
2 2
a densidade de energia do campo elétrico fica

E02 e 2  E02 e 2 
we   cos 2( t  ) (3.141)
4 4
Com o mesmo procedimento, encontra-se a densidade de energia do campo magnético:
H 02 e 2  H 02 e 2  (3.142)
wh   cos 2(t    n )
4 4
Nestas últimas equações, os termos independentes do tempo representam os valores médios de densidade
de energia nos campos elétrico e magnético:

E02 e 2 
Weav  (3.143)
4
H 02 e 2 
Whav  (3.144)
4
Como ocorria com a densidade de potência, os valores médios coincidem com os valores de pico da
parcela variável no tempo das densidades de energia representadas em suas formas instantâneas. Ou seja,
os resultados totais serão sempre positivos ou no mínimo iguais a zero. Estas grandezas decrescem expo-
nencialmente segundo uma razão igual ao dobro do fator de atenuação dos campos e a variação no tempo
corresponde a uma freqüência igual ao dobro da freqüência dos campos. A Fig. 3.15 representa os campos
em função do tempo em uma posição especificada do espaço e os comportamentos típicos para o valor
instantâneo do vetor de Poynting e da densidade de energia do campo elétrico.
Em um dielétrico perfeito, o fator de atenuação é zero e a impedância intrínseca é real. Assim, o valor
instantâneo da densidade de energia do campo elétrico e do campo magnético ficam:
E02 E02
we   cos 2( t  ) (3.145)
4 4

109
H 02 H 02
wh   cos 2( t   ) (3.146)
4 4
Substituindo a amplitude do campo magnético em termos do campo elétrico e da impedância intrínseca
do meio, operações simples levam a
2 2
     E 2 E 2
wh   E0    E0  cos 2( t   )  0  0 cos 2(t  ) (3.147)
4    4    4 4
igual à densidade de energia do campo elétrico. Portanto, em um dielétrico perfeito, a densidade de ener-
gia de um campo eletromagnético distribui-se igualmente entre os campos elétrico e magnético.
e s

Emáx Smmáx
t
T 2T
Sav
(a) t
(c)
we
h

Hmáx Wemáx
t
tr tr + T tr +2T
Weav
(b) t
(d)
Fig. 3.15. Campos elétrico e magnético harmônicos no tempo e grandezas relacionadas à energia em determinado
local do espaço. (a) Campo elétrico. (b) Campo magnético defasado do campo elétrico. (c) Densidade de potência. (c)
Densidade de energia do campo elétrico.
Em um meio condutor, a amplitude do campo magnético em relação à amplitude do campo elétrico é
dada aproximadamente por

Eo    i 45o 
H0   E0  E0 e  E0 (3.148)
| | i   
com o fator de atenuação e de fase dos campos já determinados e válidos tanto para o campo elétrico
como para o campo magnético. Obtém-se a amplitude da densidade de energia do campo magnético com
H 02 e 2  e2  2    E02 e 2 
Whmáx   E0   (3.149)
4 4    4
Comparando com a densidade de energia do campo elétrico, vem:

Whmáx   2 2    4  
 E0 e   2 2    (3.150)
Wemáx  4   0 E e  
Demonstrou-se que em meios condutores, esta relação é muito maior do que a unidade. Portanto, nesse
tipo de ambiente, a energia do campo magnético é muito mais acentuada do que a energia do campo elé-
trico da onda eletromagnética.
Exemplo. Um meio não-magnético tem permissividade de 2o e condutividade de 1mS/m. Nele propaga-se uma onda
eletromagnética com freqüência de 200MHz, deslocando-se na direção +z e com o campo elétrico na direção x. No

110
plano z = 0, seu campo elétrico tem amplitude de 3V/m. Determinar os valores instantâneo e médio da densidade de
potência da onda, da densidade de energia do campo elétrico, da densidade de energia do campo magnético.
Solução. Para os campos harmônicos no tempo, o fator de propagação e a impedância intrínseca são

 i (  i )  i1,5791  103 (1  i 22,2)103  (0,1333  i 5,9253) m 1 (1)

i i1,5791  103


   (266,37  i 5,9903)   266, 44 1, 29o  (2)
  i (1  i 22,2)103
Logo, o fator de atenuação e o fator de fase são
  0,1333 Np m (3)   5,9253 rad m (4)
Especificou-se que a onda propaga-se na direção z, isto é, neste caso tem-se  = z. A densidade de potência da onda é
dada pelo vetor de Poynting. Para a amplitude inicial de 3V/m, seu valor instantâneo e o seu valor médio ficam:
  2 2
 | E0 |2 e2   | E0 | e 
s cosn   cos (2t  2   n )  
2| | 2||


 16,8852 e  0,2666 z  

z  16,8895 e 0,2666 z cos (2,5133  109 t  11,85068 z  1,29o ) z mW m 2 (5)
  
Sav  16,8852 e 0,2666 z  103 z W m 2  16,8852 e 0,2666 z z mW m 2 (6)
Para a densidade de energia do campo elétrico, usa-se (3.141) e a parcela constante corresponde ao seu valor médio:
E02 e2  E02 e2 
we   cos 2(t  ) 
4 4
2 o (32 )e 0,2666 z 2o (32 ) e  0,2666 z
  cos (2,5133  109 t  11,85068 z ) 
4 4

 39,789  1012 e  0,2666 z  39,789  1012 e0,2666 z cos (2,5133  109 t  11,85068 z ) J m3 (7)

Weav  39,789  10 12 e 0,2666 z J m 3  39,789 e 0,2666 z p J m3 (8)


O cálculo da densidade de energia do campo magnético deve ser encontrada com a aplicação de (3.142). Para isto, é
necessário obter a amplitude do campo magnético na origem da análise, oi seja,
E0 3
H0    11, 2596  103 A m  11, 2596 mA m (9)
|  | 266, 44
Portanto, têm-se o valor instantâneo e o correspondente valor médio dados por
H 02 e 2  H 02 e2 
wh   cos 2(t    n ) 
4 4
 (11, 2596  103 )2 e0,2666 z  (11,2596  103 )2 e0,2666 z
  cos 2( t    n ) 
4 4

 39,829  1012 e 0,2666 z  39,829  1012 e 0,2666 z cos (2,5133  109 t  11,85068 z  2,58o ) J m3  (10)

Whav  39,829  1012 e  0,2666 z J m3  Whav  39,829 e  0,2666 z pJ m3 (11)


Pelo fato de o meio ter perda, há uma diferença entre as energias elétrica e magnética, a do campo magnético um
pouco maior. Mostrou-se que em condutores, prevalece a energia do campo magnético sobre a do campo elétrico.

3.9. Velocidade de fase do campo eletromagnético


(a) Conceito de velocidade de fase. Mostrou-se que uma frente de onda corresponde à superfície equifá-
sica, representada por
t     K (3.151)

sendo K uma constante,  o fator de fase,  a freqüência angular e  a projeção do vetor posição na dire-
ção de propagação. Observa-se que à medida que o tempo passa, o valor de  cresce para o resultado

111
permanecer constante. Isto mostra a frente de onda deslocando-se no sentido positivo de . (Fig. 3.16). Na
ilustração, a coordenada da frente de onda assume sucessivos valores, indicando deslocamento com o
tempo. A rapidez desta frente de onda é a velocidade de fase (vp). Seu valor é obtido da derivada do des-
locamento no tempo. Assim, derivando o dois membros de (3.151) , vem:
 t   K
t          0 (3.152)
t t t t

A derivação de  representa o deslocamento com o tempo e, por definição, é a velocidade da frente de


onda. Portanto, a expressão geral para esta grandeza é

vp  (3.153)

Para um meio qualquer, a velocidade de fase depende da freqüência, uma vez que o fator de fase não
é função linear da freqüência angular. Em uma situação deste tipo, demonstrou-se que  = m{}, em
que  é o fator de propagação. O dois valores relacionam-se às propriedades do meio, reproduzidas para
facilitar o acompanhamento da análise:

    i  i  (   i  ) (3.154)

 2 
     
  1    1 (3.155)
2     

 

Frente de onda Frente de onda


em t = t1 em t = t1 + t

Fig. 3.16. Deslocamento da frente de onda com o


 aumento do tempo em dois instantes arbitrários.
r



Conclui-se que a expressão geral para a velocidade de fase medida na direção de propagação deve ser
escrita de uma das maneiras

vp 
m  i  (   i  )  (3.156)

1
vp 
(3.157)
   2   
1   (  )   1
2

 
(b) Velocidade de fase em um dielétrico perfeito. Em dielétricos perfeitos, ou seja, um meio no qual a
condutividade é nula e não apresenta perdas de potência por efeito Joule, mostrou-se que o fator de fase
obedece ao comportamento  = ()1/2. Conseqüentemente, a equação geral para a velocidade de fase
assume um valor mais simples:

112
1
vp  (2,158)


um resultado que não depende da freqüência considerando que em um dielétrico ideal as características
eletromagnéticas também são imutáveis com a freqüência. Ou seja, as frentes de onda de todas as fre-
qüências propagam-se com a mesma velocidade. Se o meio for o vácuo, no qual as propriedades são  =
o e  = o, esta velocidade torna-se

c  2,99792458 10 8 m s  3  108 m s (3.159)

que representa a velocidade da luz informada em (2.10), quando se fixou a permissividade do vácuo, de
acordo com a Equação (2.9) e que fica justificada a partir de (3.158). O fato era esperado, pois emissões
luminosas são campos eletromagnéticos com as mesmas propriedades das ondas de freqüências mais
baixas, empregadas, por exemplo, em sistemas de radiocomunicações. Se o ambiente de propagação for o
ar, por causa de sua permeabilidade e sua permissividade serem muito próximas dos valores para o vácuo,
não se cometem erros apreciáveis se for considerada que a velocidade de fase coincida com o valor para o
vácuo. Em condições normais de temperatura, umidade e pressão a diferença é inferior a 0,03%. Para
muitas aplicações, não há necessidade do grau de precisão do valor exato e utiliza-se o aproximado.
(c) Velocidade de fase em um dielétrico real. Quando o meio for um dielétrico real, o fator de fase não
tem um comportamento exatamente linear com a freqüência. Seu valor é mais corretamente calculado por
meio de (3.56), reproduzida para facilitar as deduções:
 1   2
   1     (3.160)
 8    
 
na qual a segunda parcela representa uma contribuição muito pequena no valor final. Entretanto, em uma
análise que envolva sinais compostos por diferentes freqüências, pode influir sobre o formato do campo
resultante da propagação. Assim, em termos mais rigorosos, a velocidade de fase tem que ser obtida com

 1 1  1   2
vp    1     (3.161)
 
  1  (1 8)[  (  )]2     8    
 
na qual foi utilizada a aproximação 1/(1+ u)  1  u, quando u for muito menor do que a unidade. Ainda
que este cálculo seja conveniente em muitas situações, não é raro que a última parcela do membro da
direita seja desconsiderado quando não for exigido um rigor grande nos cálculos.
(d) Velocidade de fase em um condutor real. Existem situações em que a propagação pode ocorrer em
um condutor real, tal como na transmissão em baixas freqüências e freqüências muito baixas na água do
mar30, 31 ou no solo de certa região.32 Nesses ambientes, enquanto prevalecer o comportamento de materi-
al condutor, mostrou-se que o fator de fase é calculado com boa exatidão por

     
 1  (3.162)
2  2  2

indicando uma variação quase proporcional à raiz quadrada da freqüência. Substituindo na expressão
geral para a velocidade de fase, obtém-se um resultado que também varia aproximadamente com a raiz
quadrada da freqüência:
1
 2    2     2
vp   1    1   (3.163)
   2   2  

113
Segundo esta expressão, a velocidade de fase será tanto menor quanto maior for a condutividade. Há
situações de condutores não-metálicos de condutividade mais baixa nos quais se prevêem velocidades
pequenas comparadas à do vácuo, mas que ainda garantem a propagação no meio. Por exemplo, na água
do mar uma onda de 20kHz tem a velocidade de fase de 2,24×105m/s e um solo agricultável típico permi-
te um deslocamento em torno de 107m/s. Bons condutores como o cobre, o alumínio e outros metais le-
vam esta velocidade a valores inferiores a 5km/s mesmo em freqüências tão altas como 100MHz. Na
situação limite de um condutor perfeito tem-se    e a velocidade de fase tenderia para zero, indican-
do a impossibilidade de um campo eletromagnético avançar em seu interior.
3.10. Velocidade de grupo do campo eletromagnético
(a) Conceito de velocidade de grupo. Ainda que o conceito de velocidade de grupo seja comum a diferen-
tes tipos de ondas,33 será abordado somente para o campo eletromagnético. A onda eletromagnética em
um sistema de telecomunicações é usada para enviar alguma tipo de informação. Qualquer informação,
por mais simples que seja, é formada por um conjunto de componentes com freqüências próximas entre
si, constituindo um grupo de freqüências. A combinação de amplitudes, fases e freqüências dessas parce-
las será o sinal resultante. Esse campo total passará por valores que dependem de interferências construti-
vas, destrutivas e parciais, conforme o instante e a coordenada do espaço. Para se verificar o movimento
da onda resultante, toma-se uma amplitude como referência e observa-se como esse valor desloca-se na
região. Esse deslocamento por unidade de tempo é a velocidade de grupo (vg). A Fig. 3.17 mostra a com-
binação de dois sinais com freqüências próximas e de mesma amplitude.
e Envoltória
2Eo

 Fig. 3.17. Combinação de duas co-senóides com


freqüências próximas, resultante de interferências
em todos os instantes.

2Eo

Ficam evidentes os instantes de interferências construtivas, quando a resultante passa por valores má-
ximos positivos ou negativos, e destrutivas, quando as combinações anulam o campo total. Entre estes
limites, encontram-se todos os valores parciais de amplitudes e fases instantâneas. Encontra-se a veloci-
dade de grupo avaliando o espaço percorrido por unidade de tempo de todo o conjunto, com sua forma
preservada. Para determinar esta velocidade, pode-se partir de um grupo simples formado por dois cam-
pos com freqüências 2 = ecom para serem freqüências próximas.
Combinações destas duas freqüências angulares dão
1  2 2  1
o  (3.164)   (3.165)
2 2
A cada freqüência corresponde um fator de fase e nem sempre esta dependência é linear. Todavia, como
foi estabelecida a exigência de que as freqüências sejam próximas entre si, é possível considerar que os
fatores de fase sejam  2 = o +  e 1 = o , de novo com a restrição de que as variações sejam bem
pequenas, de acordo com o. Da mesma maneira que foi feito para a freqüência angular, acham-se:
1  2 2  1
o  (3.166)   (3.167)
2 2
Para facilitar a análise e sem prejuízo para a interpretação final, as duas componentes serão tomadas

114
com a mesma amplitude, que corresponde à representação da Fig. 3.17. Logo, o campo total será

e  Eo cos (1 t  1  )  Eo cos (2 t  2  )  Eo [ cos ( 1 t  1  )  cos ( 2 t   2  )] (3.168)

Neste ponto, serão utilizadas algumas identidades trigonométricas. Sabe-se que 34


cos(p  q )  cosp cosq  senp senq (3.169)
cos(p  q )  cosp cosq  senp senq (3.170)
Somando-se estas duas expressões, encontra-se a equivalência entre a soma de co-senos e o produto des-
tas mesmas funções. O resultado é

cos ( p  q )  cos ( p  q )  2 cos p cos q (3.171)


na qual o primeiro membro é semelhante à soma de co-senos dentro do par de colchetes de (7.168). Para
isto, basta fazer as identificações
p  q  2 t  2  (3.172) p  q  1t  1 (3.173)
Somando e depois subtraindo estas duas expressões, encontram-se
   2   1  2 
p 1 t  2    o t  o  (3.174)
 2   
   1   2  1 
q 2 t    t    (3.175)
 2   2 
cujas apresentações finais foram obtidas com a inclusão dos resultados parciais dados em (3.164) até
(3.167). Assim, estas passagens matemáticas mostram que (3.168) pode ser reescrita como
e  2 Eo cos (  t    ) cos ( o t  o ) (3.176)
Este campo total está representado na Fig. 3.18 e fica evidente que se trata de uma função cuja amplitude
varia com o tempo e no espaço de acordo com a função
Em (, t )  2 Eo cos (  t   ) (3.177)
dada pela curva tracejada na combinação dos campos e denominada envoltória.35 O mesmo raciocínio
pode ser estendido na composição com outras freqüências ou mesmo com parcelas não-periódicas.
Examinando (3.176), verifica-se que se tem um campo resultante deslocando-se na direção positiva de
, com uma fase total estabelecida por t = (ot o e uma amplitude que também desloca-se na dire-
ção positiva de  acompanhando a variação da função mds = (t  Como todo o conjunto está
movimentando-se na direção especificada e o conjunto é dado pela resultante de todas suas parcelas, a
velocidade de grupo tem que ser obtida a partir do deslocamento da amplitude total com o tempo. Para
comprovação deste fato, deve-se tomar uma amplitude qualquer da resultante, correspondente a
 t      K A (3.178)
onde se nota o crescimento de  com a passagem do tempo, para a diferença entre as duas parcelas per-
manecer constante. Ou seja, a amplitude tomada como referência está deslocando-se na direção positiva
de , como ilustram as duas posições do campo total mostradas na Fig. 3.18. Este deslocamento por uni-
dade de tempo representa a velocidade de grupo da onda:
1
    
vg    (3.179)
t  

115
e Referência Envoltória
2Eo



2Eo Fig. 3.18. Campo total analisado em dois


e  instantes diferentes, indicando seu desloca-
mento com o passar do tempo.
2Eo



2Eo

O cálculo exato para vg é o limite da relação anterior quando  tender para zero, resultando no inverso
da taxa de variação do fator de fase com a freqüência angular.14, 36 Ou seja,
1
 
vg    (3.180)
  
que pode ser maior, menor ou igual à velocidade de fase, dependendo da lei de variação do fator de fase e
do comportamento das propriedades do meio com a freqüência.
(b) Velocidade de grupo em um meio ilimitado. Uma expressão geral para esta velocidade deve ser obti-
da a partir do fator de fase em uma condição arbitrária, uma operação longa e muito trabalhosa. Por isto,
optou-se por utilizar o fator de propagação, uma vez que  + i e a derivada de  em relação a  en-
volve as suas duas componentes, de acordo com:
  
 i (3.181)
  
Por conseguinte, a velocidade de grupo poderia ser obtida em caráter geral como
1  
  m   (3.182)
vg     

Substituindo lembrando que se trata de uma grandeza complexa (se a condutividade do meio for dife-
rente de zero) e derivando em relação à freqüência angular, chega-se a

   i (  i )
12
 
 

116
2  2 [ (   )   (   )]  i  i[ (   )   (  )]
 (3.183)
2
Nesta expressão, prevêem-se as dependências das propriedades do meio () com a freqüência. A-
inda que às vezes essas dependências apareçam somente em freqüências muito altas, é conveniente incluí-
las no estudo geral, pois as variações ocorrem em uma ampla faixa de freqüências. É o caso, por exemplo,
de um gás ionizado conhecido como plasma, no qual a permissividade e a condutividade são variáveis
com a freqüência,19, 21 certas cerâmicas imantáveis chamadas ferritas, com variações na permeabilidade
magnética,37 e novas estruturas eletromagnéticas desenvolvidas para diversas aplicações, denominadas
metamateriais.38 Quando ,  e  forem constantes, suas derivadas anulam-se e a expressão anterior sim-
plifica-se de forma que a velocidade de grupo é encontrada por meio de:
1 1
     2     i    
vg      m   (3.184)
    2  

(c) Velocidade de grupo em um dielétrico perfeito. Se a onda deslocar-se em um dielétrico perfeito ilimi-
tado, a expressão geral simplifica-se para
1 1
1 
    2        i     1
vg      m     m    (3.185)
     2 i           

e a velocidade de grupo tem o mesmo valor da velocidade de fase. Esta informação seria esperada, pois
todas componentes apresentam a mesma rapidez de deslocamento da frente de onda e as interferências
entre os sinais mantêm-se em todos os instantes e em todos os pontos.
Como a forma de onda preserva-se ao longo de todo o percurso, esses ambientes costumam ser deno-
minados de meios não-dispersivos. Na prática, não existem materiais que satisfaçam exatamente estas
condições em amplas faixas de freqüências. Logo, a ausência de dispersão é uma possibilidade teórica ou
uma aproximação para os meios reais, sob determinadas circunstâncias. O usual é ocorrerem alterações
no formato da onda em seu percurso, fenômeno identificado como dispersão e, normalmente, trata-se de
uma característica indesejável. Em meios dispersivos, a velocidade de propagação depende da freqüência
e as relações de fase que deram origem às interferências construtivas e destrutivas em certo ponto não se
mantêm no trajeto da onda. A mudança em seu formato acentua-se à medida em que o sinal avança no
meio. Os meios dispersivos normais apresentam velocidade de grupo menor do que a velocidade de fase e
nos identificados como dispersivos anômalos a velocidade de grupo será maior.
(d) Velocidade de grupo em um dielétrico real. Em um dielétrico real, ou seja, quando  << 1, mos-
trou-se que o fator de fase é dado como em (3.56). Portanto, a velocidade de grupo é obtida como

  1  1  1   
2 2
1 
              (3.186)
vg    8       8    

Invertendo o resultado, tem-se a velocidade de grupo mais realista para estas condições de propagação:
1
vg 
(3.187)
  1  (1 8)     
2
 
Comparando as velocidades de fase e de grupo em um dielétricos ideal e reais ilimitados, as duas grande-
zas satisfazem (de forma exata para o dielétrico ideal e aproximada em dielétricos reais) a condição
2
 1  1
v p vg      c2 (3.188)
 
   

117
(e) Velocidade de grupo em um condutor real. Na propagação em um condutor real, em que deve ser
satisfeita a condição>> 1, a velocidade de grupo deve ser obtida como

1         1 
   1   (3.189)
vg  2  2    2   2 2
em que é possível desconsiderar algumas das parcelas, adotando-se a aproximação
1      1 
   (3.190)
vg  2  2   2 2
Além disto, se a segunda parcela do membro da direita for comparada com a primeira, vem
1  2 2 
  1 (3.191)
2 2   

Assim, há uma grande predominância da segunda parcela do membro da direita de (3.190) sobre a primei-
ra, de maneira que a velocidade de grupo em um condutor real é obtida como

2
vg  2 (3.192)


Este resultado mostra que em um meio condutor real a velocidade de grupo é praticamente igual ao dobro
da velocidade de fase, na mesma freqüência.
3.11. Velocidade da energia eletromagnética
(a) Deslocamento da energia no meio. Com os movimentos da frente de onda e do campo resultante de
um grupo de freqüências próximas, não fica evidente a rapidez do fluxo de energia no meio. Esta veloci-
dade é representada pelo deslocamento de um pacote de energia por unidade de tempo. Para esta avalia-
ção, imagina-se o fluxo através de duas superfícies separadas de  (Fig. 3.19) em um intervalo de yempo
t e a velocidade da energia será:

ve  (3.193)
t

to to + t

Fig. 3.19. Fluxo de energia de um campo eletromagnético


em dois instantes de tempo. A potência atravessa a superfí-
S cie elementar S e desloca-se de  em um intervalo de
tempo t.



Será tomada como U a quantidade de energia transportada entre os dois pontos nas condições desta-
cadas na figura. Esta quantidade de energia por unidade de tempo é a potência transferida através da su-
perfície S. Multiplicando e dividindo a equação anterior por U, vem:
 U    U/ t
ve   (3.194)
 U  t  U/ 

e chega-se a uma relação entre a energia por unidade de tempo, que é a potência que atravessa S, dividi-
da pela energia por unidade de deslocamento. Multiplicando por S/S, no numerador tem-se a potência

118
por unidade de superfície e no denominador fica a energia por unidade de volume:
 P S S
ve   av (3.195)
 U S   Wav

indicando que a velocidade da energia é o quociente da densidade média de potência da onda, Sav, e a sua
densidade volumétrica média de energia, Wav
A expressão (3.195) é geral e não depende da descrição do campo eletromagnético no domínio do tem-
po. Para um campo senoidal ou co-senoidal, as densidades médias de energia dos campos elétrico e mag-
nético são calculados com

 E2 H2 E 2
Weav  (3.196) Whav   2 (3.197)
4 4 4 

em que E e H são as amplitudes dos campos, incluindo a atenuação com a distância percorrida. Ou seja,
se na coordenada  = 0 seus valores forem E0 e H0, nas expressões acima devem ser utilizados

E 2  E02 e  2   (3.198) H 2  H 02 e 2   (3.199)

sendo  o fator de atenuação e  a impedância intrínseca do meio. Além disto, a densidade média de
potência pode ser determinada a partir do campo elétrico e da impedância intrínseca nas forma
E 2 cos n E02 e 2   cos n
S av   (3.200)
2 2

Combinando estas equações em (3.195), conclui-se que para campos harmônicos no tempo a velocidade
da energia assume o aspecto
2 E 2 cos  n 2 cos  n
ve   (3.201)
  E E 2 2
    

Nesta situação, a velocidade da energia fica determinada em função das características eletromagnéticas
do meio: permeabilidade, permissividade e impedância intrínseca, incluindo o seu argumento n.
(b) Relação entre a velocidade da energia e a velocidade de fase. Em um meio ilimitado e os campos
harmônicos no tempo, a impedância intrínseca utilizada em (3.201) é complexa, seu argumento n é utili-
zado no numerador e o seu módulo nas parcelas do denominador. Com os valores de ,  e , vem:

i i (  i ) 2  i


   (3.202)
  i  2  (  ) 2  2  ( ) 2

O argumento n é a metade do valor determinado pelo numerador de (3.202). Portanto, o módulo e a


tangente do ângulo dentro da raiz quadrada são:

  
   (3.203)
2 2
  (  ) 1  (   ) 2
  sen 2n 2 senn cosn 2 senn cosn
tg 2n      (3.204)
2
   cos 2n cos 2 n  sen2 n 2 cos 2 n  1

Substituindo senn pela conhecida identidade com o co-seno do mesmo ângulo e desenvolvendo, conclui-
se que o valor necessário para o numerador de (3.201) é a solução da equação biquadrada

119
   2  4
   2  2   
2
1     cos  n   1     cos  
n   0 (3.205)
           2 
Pelo procedimento tradicional, acha-se:
 
 1      1
2

cos  n  (3.206)
2 1    2

Aplicando estes resultados na expressão da velocidade da energia e simplificando os termos e fatores


possíveis, obtém-se:
1 
ve  
 2   2 
            (3.207)
 1      1   1      1
2     2    

O denominador desta última equaçao é o parâmetro  e a equação geral para a velocidade da energia fica:

ve   vp (3.208)

Portanto, em meios simples ilimitados, ou seja, em meios isotrópicos, homogêneos e lineares, a veloci-
dade da energia coincide com a velocidade de fase, quando esta velocidade for calculada na direção de
propagação, na forma deduzida e para as condições dos diferentes meios. Em ambientes confinados, co-
mo um guia de ondas, em uma fibra óptica, etc., a velocidade da energia não coincide com a velocidade
de fase e sim com a velocidade de grupo.14, 19 Além disto, há situações em que a velocidade de fase pode
ser tomada em direções diferentes da direção do fluxo de potência. Em outras situações, como em um
plasma, a velocidade da energia também não coincide com a velocidade de fase, pois há situações em que
a permissividade torna-se menor do que o valor para o vácuo e a velocidade de fase torna-se maior do que
a velocidade da luz. Existem, ainda, os meios anisotrópicos, nos quais há necessidade de interpretar dife-
rentes modos de propagação, cada um deles com características próprias, normalmente sem coincidências
entre elas, exceto em uma ou outra direção.19
Exemplo. Determinar a velocidade de fase, a velocidade de grupo e a velocidade de deslocamento da energia para
uma onda eletromagnética com freqüência de 18MHz que se propaga em um meio não-ferromagnético de condutivi-
dade igual a 4mS/m e permissividade de 4o. Em seguida, avaliar o comportamento das velocidades no mesmo meio
para freqüências entre 100kHz e 1GHz.
Solução. Na freqüência dada de 18MHz,  = 4×103S/m. Portanto, o fator de propagação será
i 142,1223 0,004  i 0,004    0 ,34313  i 0,82839  m
1
 i     i     (1)
de onde se identificam o fator de atenuação e o fator de fase com os valores
  0,34313 Np m (2)   0,82839 rad m (3)
Logo, a velocidade de fase é a razão entre a freqüência angular e o fator de fase:
 2   18  10 6
vp    1,36527  108 m/s (5)
 0,82839
Como a relação entre a condutividade e o produto  não se enquadra nas situações simplificadoras, usa-se a expres-
são geral para a velocidade de grupo na condição de as características serem constantes com a freqüência. Ou seja,
1 1
   2     i       -2  2 18 10 6   o  4  o  i 0 ,004  o  
v g   m     m   
  2     2  0,34313  i 0,82839  

120
1
  1,12397  10 8 153, 435o  
  m     1,5995  108 m/s (6)
  2  0,89664  67,5o  
Ainda que já se saiba o valor para a velocidade da energia, em vista de (3.208), a segunda maneira de obtê-la é com a
aplicação de (3.201). O cálculo da impedância intrínseca do meio a partir do fator de propagação fornece o seu módu-
lo e o seu argumento em uma única operação:
i  i 2   18  106 o
   158,505222,5o   (146, 44  i 60,657)  (7)
  0,34313  i 0,82839 
Destes cálculos, saem
  158,5052  (8) n  22,5o (9)
a serem empregado na fórmula da velocidade da energia no meio:
2cos n 2cos 22,5
ve    1,36527  108 m/s (10)
    4 o  158,5052  o 158,5052
idêntica à velocidade de fase no meio. Com os valores constantes para as características do meio, seguindo o mesmo
procedimento, levantaram-se os gráficos da Fig. 3.20 para a velocidade de fase e para a velocidade de grupo entre
100kHz e 1GHz. De uma maneira geral, a velocidade de grupo mantém-se acima da velocidade de fase, com um
máximo em 163,3Mm/s na freqüência de 10,4MHz. Destaca-se que em freqüências muito altas, as duas velocidades
ficam muito próximas e praticamente constantes, compatíveis com o comportamento em um dielétrico para o qual o
meio tende nesta faixa de freqüências.
200
Velocidade de grupo
Velocidade (Mm/s)

150

Velocidade de fase
100 Fig. 3.20. Variações da velocidade de fase e da
velocidade de grupo em um meio real ilimitado.
50

0 5 6 7 8 9
10 10 10 10 10
Freqüência (Hz)

3.12. Parâmetros relacionados à velocidade da onda


(a) O índice de refração. O índice de refração é importante na análise do comportamento da onda nos
meios e é definido pela relação entre a velocidade da onda eletromagnética no vácuo e a velocidade no
material em que ocorre a propagação. Em um dielétrico perfeito, as velocidades de fase, de grupo e de
energia coincidem e o índice de refração assume um valor único. Em outros ambientes, é h´bito especifi-
car um valor para cada velocidade. Assim, os índices de refração de fase e de grupo ficam
c c
N (3.209) Ng  (3.210)
vp vg
Em um dielétrico perfeito, nestes cálculos utilizam-se a permeabilidade magnética e a permissividade
elétrica em cada meio. Logo, os dois valores ficam determinados por

c   r  r o o
N    r r (3.211)
vp o o  o o

Levando em conta que a maior parte dos materiais é de tipo não-imantável, considera-se r  1, de manei-
ra que o índice de refração fica determinado pela raiz quadrada da constante dielétrica:
N r (3.212)

121
Em condições normais de temperatura e pressão e ao nível do mar, o índice de refração do ar é em torno
de 1,0003, de maneira que não há erro substancial em aproximá-lo para a unidade. Desta maneira, consi-
dera-se que a propagação ocorre com uma velocidade praticamente igual à do vácuo. É conveniente sali-
entar que em longas distâncias é necessário considerar esta diferença e suas altrações com a altura, com
as características da atmosfera e, a partir das faixas superiores de microondas, os efeitos da freqüência.
(b) Comprimento de onda. Em um campo harmônico no tempo, o comprimento de onda corresponde à
distância necessária para introduzir uma variação de 2 radianos na sua fase em determinado instante.
Corresponde, portanto, à separação entre dois máximos sucessivos de uma onda senoidal, como mostra a
Fig. 3. 21. Como o fator de fase indica a defasagem por unidade de distância percorrida, significa que em
um comprimento de onda tem-se  = 2. Portanto, o comprimento de onda é obtido com
2
 (3.213)

Multiplicando e dividindo por f sendo f a freqüência do campo, no numerador encontra-se a freqüência
angular, de maneira que se chega a
2 f  
  (3.214)
f f

em que o numerador representa a velocidade de fase. Assim, resulta


vp
  v pT (3.215)
f

e  
Emáx

 Fig. 3.21. Definição de comprimento de onda em um



ambiente de propagação.

Emáx 
     

De acordo com esta última expressão, conclui-se que o comprimento de onda é interpretado também
como a distância percorrida pela onda senoidal em um intervalo de tempo de um período. Quando o meio
de propagação for o vácuo, o comprimento de onda fica:
c 1
o   (3.216)
f f o o

Em qualquer outro meio dielétrico perfeito, levando em conta o índice de refração, tem-se:
vp 1 o o
    (3.217)
f f r r o o  r r N

Esta análise mostra que em um dielétrico perfeito, o comprimento de onda depende das suas característi-
cas eletromagnéticas e que são independentes da freqüência. Portanto, o resultado desta operação é ape-
nas função da freqüência. Em ambientes com perdas, o fator de fase não é mais linear com a freqüência e
o comprimento de onda passa a depender também da forma como a freqüência influi na velocidade.

122
Exemplo. Uma onda eletromagnética de 6MHz propaga-se no ar e depois passa para um meio que apresenta  = o,
condutividade de 1mS/m e permissividade de 3o. Achar seu comprimento de onda nos dois meios de propagação.
Solução. Considerando que a velocidade da onda no ar é praticamente igual à do vácuo, encontra-se:
c 3  108
o    50 m (1)
f 6  106
O fator de propagação leva ao fator de atenuação e ao fator de fase. Para isto, serão calculados os valores:
i  i 2   6  106  4   107  i 47,3741 m (2)
10 9
i  i 2   6  106  3   i 103 S m (3)
36 
Portanto, o fator de propagação fica:

  i (   i )  i 47,3741(1  i )10 3  (99,053  10 3  i 239,14  10 3 ) m 1 (4)


Logo, os valores obtidos são
  99,053  103 Np m (5)   239,14  103 rad m (6)
O comprimento de onda no novo meio valerá:
2 2
   26, 275 m (7)
 239,14  103
Os valores procurados nos dois meios estão indicados na Fig. 3.22, considerando um instante fixo para a análise.
Como o segundo meio tem perda, no trecho correspondente a um comprimento de onda há uma significativa redução
na amplitude do campo, como se esquematiza na figura sem obedecer a uma escala rigorosa.

50m 26,275m

Fig. 3.22. Comparação entre os comprimentos de onda


nos dois meios de propagação. O segundo meio apre-
  senta perda e redução na amplitude do campo com a
distância.

Ar Segundo meio

(c) Relação de dispersão. Em qualquer sistema de transmissão, incluindo um meio de propagação, rela-
ciona-se a sua resposta com a sua excitação por meio da função de transferência, geralmente um valor
dependente da freqüência e representado como H(). Se a grandeza analisada for o campo que se propaga
em determinado ambiente, a função de transferência daria uma expressão do tipo

H ( )  H ( ) e  i  ( ) z (3.218)

na qual o módulo inclui o efeito do fator de atenuação e no argumento tem-se a influência do fator de
fase. Nota-se que a alteração de fase tem o aspecto de () =  ()z, sendo z a distância percorrida pelo
campo. Nestas condições, o retardo de grupo (g) é definido como sendo o negativo da taxa de variação
da fase com a freqüência em determinada localização do campo:
 ( )  [   ( ) z ] 
g    z (3.219)
  

O último fator desta equação é o inverso da velocidade de grupo, de maneira que para uma distância es-
pecificada z o retardo total de grupo fica
z
g  (3.220)
vg

123
Em análises da propagação, é comum este cálculo ser feito por unidade de deslocamento da onda, de
maneira que o resultado seja dado em tempo por unidade de distância (segundos por metro), adaptando-se
a expressão anterior para um cálculo da forma
1
g  (3.221)
vg

Se o retardo de grupo não for constante para as freqüências de um sinal, seu formato modifica-se à medi-
da em que avança pelo meio. Esta alteração em sua forma é a dispersão, fenômeno de relevância nos
sistemas de comunicações digitalizadas, constituídos por elevadas taxas de bits de transmissão. Para ava-
liar a dispersão, verifica-se a dependência da velocidade de grupo com a freqüência partindo de

 (3.222)
vp

cuja derivada em relação a leva ao inverso da velocidade de grupo. Então, vem

1
 

 v p      v p 


1   v p v p     (3.223)
vg  vp2
vp

Portanto, a velocidade de grupo torna-se


vp
vg 
    v p  (3.224)
1  
 vp   
  
uma das maneiras comuns de apresentar a denominada relação de dispersão, relacionando a velocidade
de grupo com a velocidade de fase.
Escrevendo a relação entre a velocidade de fase e o fator de fase como vp, vem
2
 vp (3.225)

e aplicando a regra da derivação em cadeia, vem

        2      v p 
    v p   2   (3.226)
              
Mas, nesta expressão deve-se considerar que
   2   2 
   2  (3.227)
      

 
   2  
 
    v p   v p     
 (3.228)
     2 

Observa-se que o primeiro membro corresponde à velocidade de grupo e no membro da direita há algu-
mas simplificações imediatas, como, por exemplo, colocando 22. Assim, resulta em uma nova
maneira de apresentar a relação de dispersão:
 v p 
v g  v p     (3.229)
  

124
Na Fig. 3.20 mostrou-se uma variação da velocidade de fase com a freqüência e, naquele tipo de meio,
houve um crescimento contínuo de vp, isto é, a sua derivada é sempre positiva. Assim, de acordo com
(3.224) a velocidade de grupo é sempre maior do que a de fase. Situações como estas identificam a condi-
ção de dispersão anômala, ou seja, para vg > vp. Seria possível ocorrer um decréscimo de vp com o au-
mento da freqüência. Logo, sua derivada será negativa e o denominador de (3.224) torna-se maior do que
a unidade e resulta em velocidade de grupo menor do que a velocidade de fase. Quando isto acontecer,
caracteriza-se o meio como dispersivo normal. Verificou-se, ainda, que em meios ilimitados e sem per-
das, ou seja, com a propagação através de um dielétrico perfeito, a velocidade de fase é independente da
freqüência e sua derivada é nula. Nesta situação, a velocidade de fase e a velocidade de grupo são iguais e
tem-se o meio não-dispersivo. Neste tipo de ambiente, a forma de onda no início da propagação preserva-
se em toda a trajetória. Trata-se de uma situação idealizada, uma vez que é comum haver alterações nas
propriedades do ambiente nas grandes distâncias envolvidas normalmente nas análises.
(d) Variação da velocidade de grupo. Demonstrou-se que uma alteração na velocidade de grupo em fun-
ção da freqüência (ou do comprimento de onda). As curvas da Fig. 3.20 comprovam este comportamento
geral, indicando mudanças no retardo de grupo e, por esta razão, alterações no formato do sinal transmiti-
do. É importante observar que naquela análise acha-se uma freqüência para a qual a velocidade de grupo
alcança o valor máximo. Nesta condição, a derivada da velocidade de grupo é igual a zero, ou seja, seu
valor é constante. Assim, transmissões em freqüências em torno deste valor garantiriam pequena disper-
são no sinal transmitido. Em uma avaliação mais ampla, é conveniente verificar os efeitos diretos da fre-
qüência sobre a velocidade de grupo. Para isto, acha-se a derivada de (3.229) em relação ao comprimento
de onda, resultando em
vg v p   2v p  v p    2v p 
       (3.230)
    2      2 
   
Esta derivada da velocidade de grupo é igual a zero (valor máximo de vg) quando a primeira derivada
da velocidade de fase em relação ao comprimento de onda for uma constante. Ou seja, quando a veloci-
dade de fase variar proporcionalmente ao comprimento de onda.
EXERCÍCIOS
3.1. Citar fontes naturais de emissão eletromagnética e descrever uma causa primária dessas emissões.
3.2. Explicar a emissão conhecida como radiação cósmica de fundo e suas características mais relevantes.
3.3. Citar algumas maneiras artificiais de originar uma onda eletromagnética e, a partir das equações de
Maxwell, mostrar como uma carga acelerada pode originar a emissão da energia eletromagnética.
3.4. Considerar a equação de onda com os campos instantâneos e para campos harmônicos no tempo.
Identificar os valores que indicam a dissipação de potência no meio e a distribuição de energia nos cam-
pos elétrico e magnético.
3.5. Estabelecer o conceito de vetor de propagação de uma onda eletromagnética e mostrar que se trata de
um vetor complexo para a onda senoidal deslocando-se em um meio infinito.
3.6. Explicar o fator de atenuação e o fator de fase de uma onda eletromagnética que varia senoidalmente
no tempo. Em determinada freqüência, identificar os parâmetros do meio que afetam esses fatores.
3.7. O que ocorre com o fator de atenuação e com o fator de fase da onda eletromagnética plana em um
dielétrico perfeito? Justificar o valor para o fator de atenuação dos pontos de vista físico e matemático.
3.8. Quais são as características do fator de atenuação e do fator de fase para um dielétrico real? Exami-
nando as expressões matemáticas, explicar o que ocorre em uma transmissão a longa distância para uma
onda eletromagnética de formato não-senoidal.
3.9. Avaliar em qual categoria de meio poderia ser enquadrada a atmosfera terrestre, considerando sua
constituição de gases, de vapor d'água e de outros componentes.
3.10. Por que nem sempre é possível admitir o fator de fase e o fator de atenuação para um dielétrico real
aproximados para a situação prevista em dielétrico perfeito?

125
3.11. Mostrar que é impossível a propagação da onda eletromagnética no interior de um condutor ideal e
avaliar a possibilidade dessa transmissão em um condutor real.
3.12. Demonstrar que a direção do vetor de propagação coincide com a direção de deslocamento da onda
eletromagnética em um meio isotrópico ilimitado.
3.13. Um meio tem  = 104S/m,  = 1,2o e permeabilidade magnética igual à do vácuo. Achar o fator de
atenuação e o fator de fase desse meio para uma onda eletromagnética com freqüência de 20MHz.
3.14. Um submarino está submerso na água do mar, cujas características médias são condutividade de
4S/m e permissividade de 81o. Deseja-se comunicar com esse navio a 30m de profundidade e dispõem-
se de sinais radioelétricos em 10kHz e em 100MHz. Qual deveria ser o sinal escolhido? Justificar.
3.15. Dar os significados de frente de onda e de onda plana uniforme. Exemplificar outras formas possí-
veis de frente de onda.
3.16. Supondo que o Sol irradie igualmente em todas as direções e que esteja a 150 milhões de quilôme-
tros da Terra, admite-se que sua irradiação nas proximidades do solo terrestre tenha o comportamento de
uma onda plana. Justificar esta afirmação. Estender esta idéia para avaliações do campo eletromagnético
em locais bem afastados de sua fonte de emissão.
3.17. Mostrar que a uma grande distância de sua origem uma onda eletromagnética de qualquer tipo pode
ser considerada como a superposição de ondas planas.
3.18. Mostrou-se que um campo harmônico no tempo é descrito na forma instantânea de maneira que sua
fase modifica-se no tempo e no espaço segundo a expressão (, t) = t . Utilizando esta expressão,
verificar o que ocorre com a frente de onda à medida em que o tempo vai crescendo. Verificar o que ocor-
reria se a fase dessa mesma onda estivesse representada como (, t) = t 
3.19. Admitir que em determinado região um campo elétrico tenha sua amplitude variável com a distância
da forma 0,5e0,003x V/m em que x é a distância percorrida em metros. Qual será a atenuação sofrida pelo
campo depois que avançou nesse meio por uma distância de 10km?
3.20. Descrever o conceito de uma onda eletromagnética transversal e considerar uma onda deste tipo
deslocando-se na direção +z. O seu campo elétrico
 em certo local apresenta-se descrito como
 
E  (5 x  8 y ) V/m
Em que direções ficariam as componentes do campo magnético correspondente? Fazer um esquema re-
presentando os principais vetores envolvidos na descrição desses campos.
3.21. Explicar o conceito de impedância de onda e de impedância intrínseca do meio. Mostrar que em
meio ilimitado os valores destes dois parâmetros coincidem.
3.22. Mostrar que em um dielétrico perfeito a impedância intrínseca é uma grandeza real. Quais são as
informações que se tira deste fato, no que concerne à relação entre o campo elétrico e o campo magnético
de uma onda harmônica no tempo?
3.23 Um meio tem condutividade de 1.5mS/m, permissividade de 1,35o e permeabilidade magnética
igual à do vácuo. Nesse ambiente, propaga-se uma onda eletromagnética com freqüência de 20MHz e
deslocando-se na direção positiva de z. Em z = 0, o seu campo elétrico é representado por
  
E  (1,8 x  1, 6 y ) V m
(a) Achar a impedância intrínseca do meio. (b) Obter o campo magnético complexo em z = 0. (b) Deter-
minar o fator de atenuação e o fator de fase nesse meio. (c) Achar a atenuação que ocorre na amplitude do
campo elétrico ou no campo magnético da onda em 10km de percurso. (c) Encontrar a distância necessá-
ria para a amplitude do campo elétrico sofrer uma redução para um décimo de sua amplitude original.
3.24. Existe um equipamento para sondagens no interior de terrenos denominado radar de penetração em
solo (GPR, ground penetrating radar). Foi desenvolvido para aplicações militares, pesquisas arqueológi-
cas, localização de objetos, entre outras. Supor que um equipamento deste tipo opere em 50MHz e será
utilizado em uma região em que as características do solo são: permeabilidade magnética igual à do vá-
cuo, permissividade de 8o e condutividade de 8mS/m. No local de penetração da onda, o seu campo
elétrico tinha uma amplitude de 2V/m e propaga-se na direção perpendicular à superfície do solo. Ao

126
alcançar um objeto a 15m de profundidade, um campo elétrico com amplitude de 20% do campo inciden-
te retorna em direção à fonte de emissão. (a) Achar o fator de atenuação e o fator de fase da onda eletro-
magnética no solo. (b) Encontrar o campo elétrico e do campo magnético que retornam à superfície.
3.25. Uma onda eletromagnética transversal com freqüência de 1MHz propaga-se em um meio não-
magnetizável que possui impedância intrínseca de (102 + i51)A onda propaga-se na direção positiva
de z e seu campo elétrico é paralelo ao eixo y de um sistema de coordenadas cartesianas. Em z = 0, o
campo elétrico tem valor máximo de 10V/m. (a) Determinar o seu campo magnético em z = 0. (b) Achar
o fator de atenuação e o fator de fase da onda. (b) Obter a condutividade e a permissividade do meio.
3.26. Achar a quantidade de fótons por segundo correspondente a irradiação de uma fonte óptica que
emite 2mW em 5,41014 Hz e uma potência de 10kW em 1,5MHz?
3.27. Explicar o teorema de Poynting para o campo eletromagnético, interpretando cada um dos termos
que entram em sua formulação matemática.
3.28. Quais as grandezas que influenciam na densidade de energia total de um campo eletromagnético?
3.29. Uma onda eletromagnética senoidal no vácuo tem campo elétrico com valor máximo de 500mV/m.
(a) Obter o valor médio da sua densidade de potência e as densidades instantâneas e médias da energia
dos campos elétrico e magnético. (b) Com as informações dadas, seria possível determinar a energia total
desse campo eletromagnético? Justificar.
3.30. Para simplificar o raciocínio, admitir que toda a energia do sol que chega à superfície da Terra esteja
concentrada em uma única freqüência. Nestas condições, a densidade de potência média que chega ao
solo ao meio-dia é de 1.300W/m2. Determinar os correspondentes valores do campo elétrico e do campo
magnético dessa irradiação.
3.31. Em certo meio não-magnético propaga-se um campo eletromagnético com freqüência angular de
2×109rad/s. O meio apresenta permissividade de 3,4o e condutividade de 24mS/m. O campo elétrico é
dirigido na direção x e o deslocamento ocorre ao longo do eixo y. No local de referência, a amplitude do
campo elétrico é de 60V/m. (a) Determinar os campos elétrico e magnético no domínio da freqüência e no
domínio do tempo. (b) Achar o valor instantâneo e o valor médio do vetor de Poynting. (c) Encontrar os
valores instantâneos e médios das densidades de energia dos campos elétrico e magnético.
3.32. Uma onda eletromagnética com freqüência de 10MHz propaga-se no vácuo e tem o campo elétrico
descrito no domínio da freqüência por
  
E  10 ( x  i y ) e  z
(a) Determinar o seu vetor de propagação. (b) Achar o campo magnético correspondente no domínio da
freqüência. (c) Achar os campos elétrico e magnético no domínio do tempo. (d) Determinar o valor ins-
tantâneo e o valor médio do vetor de Poynting. (e) Encontrar os valores instantâneos e médios das densi-
dades de energia dessa onda.
3.33. Uma onda propaga-se em certa região da atmosfera e sofre perda pelos componentes que a constitu-
em. Por esta razão, o campo elétrico dessa onda fica descrito na forma instantânea por
e  100e  0,03 x cos (3  1015 t  107 x ) V m
Determinar o campo magnético correspondente, a velocidade de propagação da onda e estimar a conduti-
vidade efetiva do meio na freqüência da onda.
3.34. Mostrou-se a impossibilidade de um campo eletromagnético propagar-se em um condutor ideal, não
encontrado na prática. Todavia, encontram-se condutores excelentes como o cobre que apresenta conduti-
vidade de 58MS/m, o e o. Para esse material, determinar o fator de atenuação nas freqüências de
100kHz e 1GHz. Comentar os resultados obtidos.
3.35. Em um meio ilimitado tem-se uma onda eletromagnética com freqüência de 1GHz e suas caracterís-
ticas são: S/m, 1,8o, . No plano z = 0. a amplitude do campo elétrico dessa onda é de
10V/m, aponta na direção y e propaga-se na direção +z. (a) Escrever os campos elétrico e magnético no
domínio do tempo. (b) Calcular o valor médio da densidade de potência da onda. (c) Achar os valores
instantâneos e médios das densidades de energia dos campos elétrico e magnético.

127
3.36. Um campo elétrico no vácuo desloca-se na direção positiva de z e em z = 0 tem uma amplitude de
2268,2oV/m e sua freqüência é de 150MHz. Determinar o campo magnético complexo e os campos
instantâneos. Encontrar o valor instantâneo e o valor médio do vetor de Poynting e as densidades de ener-
gia instantâneas e médias dos campos elétrico e magnético.
3.37. Descrever os conceitos de velocidade de fase e de velocidade de grupo de uma onda eletromagnéti-
ca em um meio qualquer.
3.38. Qual é a velocidade de propagação de uma freqüência de 1MHz e de uma freqüência de raios X
(1018Hz) no vácuo. Justificar.
3.39. Um meio apresenta condutividade de 104S/m, permissividade de 1,2o e permeabilidade igual à do
vácuo. Achar a velocidade de fase, a velocidade de grupo, a velocidade da energia e o comprimento de
onda nesse meio para um campo eletromagnético com a freqüência de 108Hz.
3.40. Uma onda plana de 100MHz propaga-se em um meio com = 2o,  = 8o,  = 10-2 S/m. (a) Calcu-
lar a impedância intrínseca do meio, a velocidade de fase, a velocidade de grupo e a velocidade da energi-
a, comparando este resultado com a velocidade de fase. (b) Determinar o comprimento de onda nesse
meio. (c) Achar o deslocamento para o campo reduzir de 50% a amplitude em relação a um plano de
referência. (d) Determinar o valor instantâneo e o valor médio da densidade de potência da onda. (e) A-
char a densidade instantânea e a densidade média de energia dos campos elétrico e magnético.
3.41. (a) Explicar o significado de dispersão. (b) Mostrar que se o fator de fase não mantiver uma depen-
dência linear com a freqüência o meio torna-se dispersivo.
3.42. (a) Identificar meios dispersivos normais e meios dispersivos anômalos. (b) Como seria enquadrado
o meio do exercício 3.40? Justificar.
3.43. Verificou-se que em certa faixa de freqüências a velocidade de fase obedecia a uma lei de variação
do tipo vp = C n, sendo C e n constantes. Determinar a velocidade de grupo correspondente.
3.44. Existem ambientes nos quais a onda eletromagnética propaga-se em freqüências nas quais c
com uma velocidade de fase descrita pela expressão
1 2
1   c  
vp  1   
     
Determinar a velocidade de grupo e especificar o tipo de meio do ponto de vista da dispersão. Verificar
uma relação entre as velocidades de fase e de grupo com as propriedades do meio.
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21. Kraus, J. D. Electromagnetics. 4th. Ed. New York: McGraw-Hill, 1992.
22. Max Karl Ernst Ludwig Planck (1858-1947), notável físico alemão, cujo trabalho publicado em 14 de dezembro de
1900 deu origem à teoria quântica, transição entre a física clássica e a física moderna. Suas descobertas valeram-
lhe o prêmio Nobel de Física de 1919.
23. Beiser, A. Conceitos de física moderna. Trad. Gita K. Ghinzberg. São Paulo: Polígono, 1969.
24. Eisberg, R. E.; Lerner, L. S. Physics: foundations and applications. New York: McGraw-Hill, 1981.
25. A designação da unidade de potência foi para homenagear James Watt (1736-1819), engenheiro e fabricante de
instrumentos inglês, inventor da máquina a vapor.
26. A denominação é para homenagear John Henry Poynting (1852-1914), físico britânico que, entre outras contribui-
ções, comprovou a existência da pressão e do momento de um campo eletromagnético. Deduziu o teorema que le-
va seu nome a partir das equações de Maxwell, como adotado no texto, e publicou os trabalhos relativos ao tema
no período entre 1884 e 1885.
27. Poynting, J. H. On the transfer of energy in the electromagnetic field. Part I, Philosophical Transactions of the
Royal Society of London, v. 175, p. 343-361, 1884.
28. Poynting, J. 1885. On the Connection Between Electric Current and the Electric and Magnetic Inductions in the
Surrounding Field. Part II. Philosophical Transactions of the Royal Society of London, v. 176, p. 277-306, 1885.
29. Em homenagem a James Prescott Joule (1818-1889), físico britânico, criador da teoria mecânica do calor e que em
1840 concluiu estudos sobre o aquecimento provocado pela corrente elétrica em uma resistência.
30. Sterling, C. H. Ed. Military communications: from ancient times to 21st. century. Santa Barbara: ABC Clio, 2008.
31. Ali, M. F.; Jayakody, D. N.; Chursin, Y. A.; Affes, S.; Dmitry, S. Recent advances and future directions on under-
water wireless communications. Arch. Comp. Methods in Eng., Aug., 2019.
32. Levin, B.; Haridin, M. Characteristic properties of underground radio communications. IEEE 28th Conv. Electrical
& Electronic Eng. Israel, Eilat: Israel, 3-5 Dec., 2014.
33. Elmore, W. C.; Heald, M. A. Physics of waves. New York: McGraw-Hill, 1969.
34. Spiegel, M. R. Manual de fórmulas e tabelas matemáticas. Trad. de Roberto Chioccarello. São Paulo: McGraw-
Hill, 1974.
35. Em inglês, este termo é envelope e há quem faça a tradução utilizando envelope em português. Não é uma versão
conveniente, uma vez que este termo no Brasil já tem um significado mais tradicional e com outras finalidades.
36. Johnk, C. T. A. Engineering electromagnetic fields & waves. New York: John Wiley, 1975.
37. Fox, A. G.; Miller, S. E.; Weiss, M. T. Behavior and applications of ferrites in the microwave region. Bell System
Tech. J., v. 34, n. 1, p. 5-103, Jan., 1955.
38. Pendry, J. B.; Smith, D. R. Reversing light with negative refraction. Physics Today, p. 36-43, Jun., 2004.

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