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NOME - ANA BRENDA GOMES SOUSA

REQUISITOS DA PRISÃO PREVENTIVA

Para decretação da prisão preventiva, necessário se faz a presença de três requisitos:


fumaça do cometimento do crime (a materialidade e indício de autoria) + perigo na
liberdade do agente (um dos fundamentos trazidos na parte final no artigo 312) +
cabimento (hipóteses descritas no artigo 313)

O primeiro ponto a ser destacado é sobre a existência de mais de um tipo de prisão.


Temos a prisão em flagrante (artigo 301 e seguintes do Código de Processo Penal), a
prisão preventiva (artigo 311 e seguintes do Código de Processo Penal), a prisão
temporária (Lei 7.960/89) e a prisão para cumprimento de pena.

Desse modo, além da comprovação da existência do crime (materialidade) e indício


suficiente de autoria, nós temos como requisitos: a garantia da ordem pública; a
garantia da ordem econômica; a conveniência da instrução criminal; para assegurar a
aplicação da lei penal.

Portanto, percebe-se que a ausência de qualquer um dos requisitos fará com que a
prisão preventiva não possa ser decretada, ou deverá ser objeto de impugnação.

Porém, mesmo diante de todos os requisitos, deve ser considerado os princípios da


necessidade, adequação e da proporcionalidade em sentido estrito.

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1712351 - PI (2020/0137231-4) RELATOR :


MINISTRO PRESIDENTE DO STJ AGRAVANTE : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO
PIAUÍ AGRAVADO : J F DE J A S ADVOGADOS : CÉSAR RÔMULO FEITOSA ARAÚJO E
OUTRO (S) - PI002153 RÔMULO ARÊA FEITOSA - PI015317 ALEXANDRE MENDONÇA
REZENDE GARCIA - PI015738 DECISÃO Trata-se de agravo apresentado por MINISTÉRIO
PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ contra a decisão que não admitiu seu recurso especial.
O apelo nobre, fundamentado no art. 105, inciso III, alínea a, da CF/88, visa reformar
acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ, assim ementado:
HABEAS CORPUS DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE CONDIÇÕES PESSOAIS
FAVORÁVEIS ORDEM CONCEDIDA 1. A SEGREGAÇÃO PROVISÓRIA DEVE SER
INFORMADA PELO PRINCÍPIO DA NECESSIDADE DEVENDO SER DEMONSTRADO PELO
JUÍZO A QUO QUE O ENCARCERAMENTO SE MOSTRA NECESSÁRIO IMPRESCINDÍVEL
NO CASO EM EPÍGRAFE O PACIENTE É PORTADOR DE CONDIÇÕES PESSOAIS
FAVORÁVEIS CONFORME JÁ ASSINALADO INEXISTINDO EVIDÊNCIAS DE QUE A SUA
SOLTURA INVIABILIZARIA A APLICAÇÃO DA LEI PENAL FICANDO PATENTE A
DESNECESSIDADE DA SEGREGAÇÃO CAUTELAR 2. APLICAÇÃO DE MEDIDAS
CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO 3. ORDEM CONCEDIDA Quanto à controvérsia em
exame, aponta o Parquet negativa de vigência do art. 312 do CPP, ao raciocínio de que
presentes, no caso em testilha, os requisitos autorizadores à prisão preventiva do
recorrido, nos moldes satisfatoriamente expendidos pelo Juízo singular,
consubstanciados na presença do fumus comissi delicti e do periculum libertatis, seu
premente restabelecimento, destinado à salvaguardar a ordem pública, é medida de
rigor. Para tanto, traz à colação o (s) seguinte (s) argumento (s): O Recurso Especial
mostra-se consentâneo in casu, pois o E. Tribunal de Justiça do Estado, ao proferir
Acórdão que concedeu a Ordem de Habeas Corpus, contrariou o que dispõe o art. 312
do Código de Processo Penal, aduzindo ilegalidade da prisão. (fls. 88). Todavia, [...] a
decisão encontra-se devidamente fundamentada e, sendo assim, não se trata, então,
de caso de concessão do Mandamus. Dessa forma, a decisão é recorrível e este é o
Recurso adequado. (fls. 88). A concessão da liberdade ao recorrido viola o disposto no
art. 312 do Código de Processo Penal, eis que a prisão preventiva foi decretada para
garantir a ordem pública, sendo que existem indícios suficientes da autoria do delito e
prova da existência do crime. (fls. 90). O juízo de primeiro grau evidenciou a presença
do fumus comissi delicti, na medida em que asseverou não só a gravidade concreta do
delito, mas também a periculosidade do paciente evidenciada pelo modus operandi do
delito, demostrando sua intenção de não cumprir com os compromissos impostos por
lei. (fls. 90). Assim sendo, considerando a alta periculosidade do agente e a
probabilidade de reiteração das condutas delitivas, deve-se manter o réu preso para
garantir a ordem pública. (fls. 92). É o relatório. Decido. No que concerne ao tema
controvertido, o Tribunal de origem, ao conceder a ordem ambulatorial vindicada pelo
paciente, ora recorrido, manifestou-se nos seguintes termos: Considerando a natureza
excepcional da prisão preventiva, somente se verifica a possibilidade da sua imposição
quando evidenciado, de forma fundamentada e com base em dados concretos, o
preenchimento dos pressupostos e requisitos legais, previstos no artigo 312, do CPP, e
quando não for possível a aplicação de outras medidas cautelares. Em que pese a
reprovabilidade da conduta imposta ao paciente - estupro de menores - mostra-se
devida e suficiente a imposição de medidas cautelares alternativas, diante de suas
condições pessoais favoráveis, sobretudo se tratar de agente primário e de bom
antecedente. É consabido que, apesar das condições subjetivas favoráveis do paciente,
em regra, não obstar a segregação cautelar, neste caso, essas condições depõem em
favor do paciente, dada as circunstâncias fáticas do evento delitivo. Portanto, após
uma detida análise, considero assistir razão ao Impetrante, haja vista estar veemente
comprovado nos autos ser o paciente primário e residir no distrito da culpa. De fato, o
argumento de condições pessoais favoráveis foi comprovada por meio dos
documentos acostados aos autos [...] Embora reconheça que em certos momentos a
manutenção prisional seja efetivamente necessária e, mesmo prestando confiabilidade
ao juízo da causa, que, presidindo o processo, é realmente o órgão mais sensível às
suas vicissitudes, não vislumbro, concretamente, a necessidade de se manter a prisão
do paciente neste estágio processual, pois, quanto à presença de bons antecedentes,
verifico que assiste razão ao impetrante. [...] Pelo exposto, em desarmonia com o
parecer do Ministério Público Superior, VOTO pela CONCESSÃO PARCIAL da ordem
impetrada, mediante as condições tipificadas no art. 319, I, II, IV, V e IX, do CPP, por
conseguinte, determino a expedição do alvará de soltura em favor de JOSÉ FRANCISCO
DE JESUS ARAÚJO SILVA, se por outro motivo não estiver preso. (fls. 66/68 - g.n.) Da
compreensão dos excertos transcritos, infere-se incidir o óbice da Súmula n. 7 do STJ
("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial") quanto à
aspiração ministerial alhures, porquanto a revisão das premissas assentadas pelo
Tribunal a quo demandaria inexorável reexame do acervo fático-probatório carreado
aos autos, mister incabível na via eleita. Nesse sentido: "O recurso especial não será
cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-
probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias
ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)" (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator
Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de 7/3/2019). Confiram-se, ainda, os
seguintes precedentes: AgRg no AgRg no AREsp n. 1.374.756/BA, relatora Ministra
Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 1º/3/2019; AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.356.000/RS,
relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 6/3/2019; e REsp n.
1.764.793/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 8/3/2019.
Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal
de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se.
Intimem-se. Brasília, 17 de agosto de 2020. MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
Presidente.

(STJ - AREsp: 1712351 PI 2020/0137231-4, Relator: Ministro PRESIDENTE DO STJ, Data


de Publicação: DJ 19/08/2020)

Nosso CPP sofreu alterações significativas no que diz respeito à prisão e às medidas
cautelares. Agora, de acordo com a redação dada pela Lei 13.964/19, as medidas
cautelares podem ser decretadas pelo juiz a requerimento das partes ou, quando no
curso da investigação criminal, por representação da autoridade policial ou mediante
requerimento do Ministério Público. O parágrafo 3º do CPP do mesmo dispositivo legal
traz também novas regras importantes a se observar. Ressalvados os casos de urgência
ou de perigo de ineficácia da medida, o juiz, ao receber o pedido de medida cautelar,
determinará a intimação da parte contrária e, agora, de acordo com a redação dada
pela Lei 13.964/19, deve abrir prazo de 5 dias. Não obstante, a nova lei determina
ainda que, nos casos de urgência ou de perigo, deverão ser justificados e
fundamentados em decisão que contenha elementos do caso concreto que justifiquem
essa medida excepcional. Ainda tratando do mesmo dispositivo legal (artigo 282 CPP),
a Lei 13.964/19 acrescenta no parágrafo 6º que o não cabimento de aplicação da
medida cautelar em substituição à decretação da prisão preventiva deve ser justificado
de forma fundamentada nos elementos presentes do caso concreto, de forma
individualizada.

Uma alteração à qual se deve dar atenção. A Lei 13.964/19 revogou o parágrafo único
do artigo 312 do CPP que trata da decretação da prisão preventiva e, acrescentou dois
parágrafos.

“Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública,
da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a
aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente
de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado”.

Como se vê, as quatro hipóteses para a decretação da prisão preventiva


permaneceram inalteradas: (1) garantia da ordem pública, (2) da ordem econômica,
(3) por conveniência da instrução criminal ou (4) para assegurar a aplicação da lei
penal. Entretanto, para a decretação da prisão preventiva o Pacote Anticrime, além da
(1) prova da existência do crime e do (2) indício suficiente de autoria, traz mais um
requisito obrigatório, qual seja, o (3) perigo gerado pelo estado de liberdade do
imputado.

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