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Copyright© 2006, 2005, 2004 (duas edições), 2002, 2001, 2000, 1999, 1984

by João Lucas Marques Barbosa


Direitos reservados, 1984 pela Sociedade Brasileira de Matemática
Estrada Dona Castorina, 11 O - Ho1to
22460-320, Rio de Janeiro - RJ

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Coleção do Professor de Matemática

Capa: Rodolfo Capeta

Distribuição e vendas:
Sociedade Brasileira de Matemática
e-mail: vendalivros@sbm.org.br
Te!.: (21) 2529-5073, 2529-5095
www.sbm.org.br

ISBN: 85-85818-02-6
GeoITietria
Euclidiana Plana
João Lucas Marques Barbosa

Nona Edição

Coleção do Professor de Matemática


SOCIEDADE
· BRASILEIRA
· li] DE MATEMÁTICA
■ p SOCIEDADE
1 BRASILEIRA
, ~~ DE MATEMÃTICA

COLEÇÃO DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA


• Logaritmos - KL.Lima
• Análise Combinatória e Probabilidade com as soluções dos exercícios - A.C.Morgado,
J.B.Pitombeira, P.C.P.Carvalho e P.Fernandez
• Medida e Forma em Geometria (Comprimento, Área, Volume e Semelhança) -
E,L.Lima
• Meu Professor de Matemática e outras Histórias - E,L.Lima
• Coordenadas no Plano com as soluções dos exercícios - KL.Lima com a colaboração
de P.C.P.Carvalho
• Trigonometria, Números Complexos - M.P.do Carmo, A.C.Morgado, E.Wagner,
Notas Históricas de J.B.Pitombeira
• Coordenadas no Espaço - E.L.Lima
• Progressões e Ivfatemática Financeira - A.C.Morgado, E.Wagner e S.C.Zani
• Construções Geométricas - E.Wagner com a colaboração de J.P.Q.Carneiro
• Introdução à Geometria Espacial - P.C.P.Carvalho
• Geometria Euclidiana Plana - J.L.M.Barbosa
• Isometrias - E.L.Lima
• A Matemática do Ensino Médio Vol.1 - E.L.Lima, P.C.P.Carvalho, E.Wagner e
A.C.Morgado
• A Matemática do Ensino Médio Vol,2 - E.L.Lima, P.C.P.Carvalho, E.Wagner e
A.C.Morgado
• A Matemática do Ensino Médio Vol. 3 - E.L.Lima, P.C.P.Carvalho, E.Wagner e
A.C.Morgado
• Matemática e Ensino - E.L.Lima
• Temas e Problemas - E.L.Lima, P.C.P.Carvalho, E.Wagner e A.C.Morgado
• Episódios da História Antiga da Matemática - A.Aaboe
• Exame de Textos: Análise de livros de Matemática - E.L.Lima
• Temas e Problemas Elementares- E.L.Lima, P.C.P.Carvalho, E. Wagner e A.C.Morgado
COLEÇÃO INICIAÇÃO CIENTÍFICA
• Números Irracionais e Transcendentes - D.G.de Figueiredo
• Primalidade em Tempo Polinomial- Uma Introdução ao Algoritmo AKS- S.C.Coutinho
COLEÇÃO TEXTOS UNIVERSITÁRIOS
• Introdução à Computação Algébrica com o Maple - L.N.de Andrade
• Elementos de Aritmética - A. Hefez
• Métodos Matemáticos para a Engenharia - E.C.de Oliveira e M.Tygel
• Geometria Diferencial de Curvas e Superfícies - M.P.do Carmo
• Matemática Discreta - L. Lovász, J. Pelikán e K. Vesztergombi
• Álgebra Linear - H.P. Bueno
COLEÇÃO MATEMÁTICA APLICADA
• Introdução à Inferência Estatística - H.Bolfarine e M.Sandoval
COLEÇÃO OLIMPÍADAS
• Olimpíadas Brasileiras de Matemática, 9'ª a 16'ª - e.Moreira, E.Motta, E.Tengan,
L.Amâncio, N.Saldanha, P.Rodrigues
A
A ída Marques Barbosa
que me criou incentivando
o ideal pelo magistério.

A meus filhos
Henrique, Lucas e Davi
que só me têm dado alegrias.
Introdução

Desde sua publicação em 1985 este livro foi revisto apenas na edição
ele 1994, para eliminar pequenos erros tipográficos, e, exceto pela
inclusão ele um prefácio elo Professor Manfredo P. elo Carmo na
edição ele 1999, não sofreu qualquer alteração relevante.
Apesar elos inúmeros apelos, sempre me esquivei ele rever o seu
texto; como desculpa a falta ele tempo. Foi somente depois que
recebi um exemplar contendo a indicação ele um grande número de
erros tipográficos e sugestões, que me convenci a fazê-lo. O exem-
plar me chegou às mãos, pelo correio, sem qualquer outra mensagem
que uma nota manuscrita na página de rosto, logo abaixo elo título
e do nome do autor, que dizia " ... com anotações de Vanclik Estevam
Barbosa ... ". Fiquei encantado com o detalhamento de suas anota-
ções, com as quais concordei na quase totalidade. Foi o incentivo
que estava faltando para me fazer colocar mãos à obra, trabalho cio
qual resultou a presente edição. Quero, neste momento, agradecer
ao Vanclik por sua contribuição.
A permanência elo livro entre os mais vendidos ela Sociedade
Brasileira de Matemática a cada ano, desde 1985, o que tem exigido
constantes reimpressões, me convenceu ele que o texto não deveria
ser modificado, apenas corrigido. Atendendo ao apelo ele grande
número ele colegas que utilizam ou utilizaram o livro, inclui novos
exercícios em todos os capítulos e criei um novo, no final, apenas
com exercícios, pensando naqueles alunos que precisam fazer uma
revisão da Geometria Euclidiana. Neste mister fui auxiliado dire-
tamente por três alunos de iniciação científica do Departamento de
Matemática da UFC: a Valdenize Lopes do Nascimento, o Antonio
Marcelo Barbosa da Silva e o Gláucio Cordeiro Alencar, que se dis-
puseram a encontrar, selecionar e resolver uma enorme quantidade
de exercícios de geometria. Se por um lado eles me auxiliaram bas-
tante, por outro, aprofundaram seus conhecimentos matemáticos.
Agradeço-lhes elo excelente trabalho que fizeram
Devo também agradecer a contribuição do meu filho mais novo,
Davi, que no presente ano cursa o terceiro científico e se prepara
para o vestibular. Os problemas de Matemática, que me trouxe,
vez por outra, sem que soubesse, serviram de inspiração para a
proposta de novos exercícios.
Infelizmente todas as figuras do texto original foram perdidas e
tiveram de ser refeitas. Para isto contei com o talento e dedicação
do Márcio Pereira da Silva, o qual investiu tempo e esforço para
reconstituí-las e para produzir outras, que acompanham os novos
exercícios.
Agradeço a todos os que direta ou indiretamente, colaboraram
com esta edição do livro, particularmente a Professora Suely Driick,
atual presidente da Sociedade Brasileira de Matemática e a todos
os professores que, ao longo dos anos, me enviaram indicações de
erros tipográficos no texto das edições anteriores deste livro.

João Lucas Marques Barbosa

Fortaleza, Julho de 2003

ii
Prefácio da 4~ Edição

Até a publicação deste livro do Professor João Lucas Barbosa, não


existia em português um texto que pudesse ser indicado para um
estudante iniciar o seu aprendizado ela Geometria axiomtica. O
método ela geometria axiomtica fornece uma demonstração tão con-
vincente da força do pensamento puro que os livros ele Euclides
foram usados, através dos séculos, para treinar inteligências em
formação, e serviram de modelos ele rigor para trabalhos tais como
a Ética ele Espinoza e os Princípios de Newton. A Geometria ele-
mentar é o domínio por excelência no qual o método axiomático
pode ser aplicado em situaçes que, embora simples, dão resultados
altamente não-triviais. Tais métodos devem, portanto, fazer parte
ela formação básica de um cidadão. Os livros ele Euclides são, entre-
tanto, difíceis para principiantes (além ele ser incompleta a axiomá-
tica ele Euclides) e, em outros países, várias tentativas foram feitas
para tornar mais accessível (e mais completo) o método axiomáti-
co no ensino da Geometria. No Brasil, há anos atrás, houve um
relativo abandono elo ensino da Geometria à maneira ele Euclides.
Na prática, o que se passava era que o assunto era relegado para
o fim elo curso, e quase sempre não era ensinado. Isto devia-se em
parte às dificuldades próprias elo assunto e em parte a uma certa
influência ela então chamada, "matemática moclerna"que, embora
utilizando a axiomática em outros tópicos, propugnava a eliminação
ela Geometria ele Euclides no ensino básico. Foi neste quadro que

iii
apareceu o livro cio Professor Lucas Barbosa. Utilizando uma mo-
dificação ela axiomática ele Euclides, devida ao matemático russo
A.V. Pogorelov, o Professor Lucas produziu um texto em português
apresentando os elementos fundamentais ela Geometria Plana ele
modo accessível, eficiente e correto. Que o livro foi bem recebido
é comprovado pelo fato que ele foi reimpresso diversas vezes e que
continua a demanda por novas edições. O livro, como diz o co-
nhecido chavão, preencheu uma lacuna. Ele é uma boa referência
em português para aqueles que queiram ir mais adiante no estudo
ela Geometria. Por exemplo, o excelente ((Medida e Forma em
Geometria"clo Professor Elon Lima cita o livro cio professor Lu-
cas como referência para Geometria Plana. Em verclacle, O livro cio
Professor Elon e um curso ele Geometria Hiperbólica dado no XX
Colóquio Brasileiro ele Matemática pelo Professor Lucas constituem
uma ótima continuação para os estudos aqui iniciados. Com isto,
começo a me afastar cio meu tema inicial e creio conveniente con-
cluir aqui este Prefácio. Antes, porém, quero parabenizar o Profes-
sor Lucas pelo ótimo trabalho realizado.

Manfreclo Perdigão cio Carmo

19 ele abril ele 1999.

iv
Introdução da 3~ edição

Esta é uma edição revista elo livro ele mesmo título que escrevi há
cerca ele vinte anos e que foi publicado, em sucessivas impressões,
na coleção Fundamentos ele Matemática Elementar ela Sociedade
Brasileira ele Matemática.
A revisão consistiu essencialmente na alteração cio enunciado ele
alguns elos exercícios e problemas propostos, a correção de alguns
erros ele datilografia e a possível inclusão ele alguns novos ...
Agradeço a todos aqueles que me indicaram erros e enganos
no texto original e fizeram sugestões para modificações do mesmo.
Foram mais ele uma centena ele cartas, algumas apresentando a
contribuição ele turmas inteiras ele cursos ele geometria em que ele.
foi adotado. Por ser impossivel aqui registrar todos os seus nomes,
quero representa-los na pessoa cio mais ilustre destes leitores, o
Professor Manfreclo Perdigão cio Carmo, que me enviou em 1986
uma cópia cio livro com suas observações e sugestões, a qual utilizei
como repositório ele todas as que me foram enviadas posteriormente,
o que simplificou sobremaneira a preparação desta nova edição.

João Lucas Marques Barbosa

Fortaleza, julho ele 1994

V
Introdução da 1~ edição

Este livro foi escrito para servir de texto a uma disciplina de Geo-
metria para alunos ele cursos de licenciatura em Matemática. Ele
contém o material padrão de um curso ele Geometria Euclidiana
Plana, excetuando-se os tópicos relativos a movimentos e a cons-
trução de figuras com régua e compasso. Este material será incluído
numa versão futura deste texto.
Os axiomas adotados são aqueles selecionados por A.V. Pogo-
rélov no seu livro "Geometria Elemental". Estes axiomas têm a
vantagem de levarem o aluno rapidamente aos teoremas mais impor-
tantes da Geometria Plana. Em alguns casos eles estão enunciados
ele forma mais ampla do que seria necessário. Por exemplo, um de-
les afirma que, dada uma reta existem pontos sobre ela e pontos fora
dela. De fato seria suficiente postular apenas a existência ele dois
pontos sobre a reta e um ponto fora dela. Os axiomas sobre medição
ele segmentos e medição de ângulos são extremamente vantajosos elo
ponto ele vista metodológico. Primeiramente eles evitam o traba:ho
ele estabelecer os conceitos ele medida ele segmentos e ele medida ele
ângulos. É sabido que a introdução destes conceitos, quando se faz
uso de uma axiomática clássica, constitui-se num problema nada
simples e que requer a utilização ele meios inacessíveis ao aluno,
por sua profundidade. Segundo, através dos a.xiomas de medição,
incorpora-se a aritmética e a álgebra elementar ao arsenal de meios
utilizáveis para as demonstrações cios teoremas ela Geometria.

vii
A introdução cio quinto postulado, característico ela Geometria
Euclidiana, é retardada até o capítulo 6. Assim, os teoremas obti-
dos até o capítulo 5 são válidos em uma geometria não Euclidiana
em que sejam verdadeiros os quatro primeiros axiomas. Neste as-
pecto este livro poderia ser considerado como um texto preliminar
a um curso ele Geometria não Euclidiana ou servir como fonte ele
referência para alunos daqueles cursos.
O livro está organizado em 10 capítulos. Cada um deles contém,
além ela parte ele conteúdo, uma relação ele exercícios, uma ele
problemas e um texto denominado "Comentário". A separação
elas questões propostas aos alunos, em problemas e exercícios, foi
feita, em princípio, considerando-se que os problemas complemen-
tam a teoria e têm um caráter mais conceituai, enquanto que os
exercícios destinam-se mais à fixação cio conteúdo apresentado. Os
comentários constituem-se numa seleção ele pequenos tópicos, que
não fazem parte cio conteúdo cio livro, mas que têm sido ele muita
utiliclacle na formação cios alunos cios cursos ele Geometria que tenho
lecionado. Incentivado por eles fui levado a incluir alguns destes pe-
quenos tópicos neste livro.
Ao finalizar esta introdução gostaria de agradecer ao professor
José Euny Moreira, que leu criticamente a versão manuscrita deste
texto, e a minha esposa Cira que me incentivou a escrevê-lo.

João Lucas Marques Barbosa

Fortaleza, maio ele 1985

viii
Sumário

Introdução

Prefácio da 4ª Edição 111

Introdução da terceira edição V

Introdução da primeira edição Vll

1. Axiomas de Incidência e Ordem 1

2. Axiomas sobre Medição de Segmentos 13

3. Axiomas sobre Medição de Ângulos 29

4. Congruência 45

5. O Teorema do Ângulo Externo e suas Conseqüências 61

6. O Axioma das Paralelas 85

7. Semelhança de Triângulos 109

8. O Círculo 127

9. Funções Trigonométricas 157

ix
10. Área 175

11. Revisão e Aprofundament: 195

X
CAPÍTULO 1

AXIOMAS DE INCIDÊNCIA E ÜRDEM

As figuras geométrica elementares, no plano, são os pontos e as


retas. O plano é constituído de pontos e as retas são subconjuntos
distinguidos ele pontos do plano. Pontos e retas cio plano satisfazem
a cinco grupos ele axiomas que serão apresentados ao longo deste e
dos próximos capítulos.
O primeiro grupo ele axiomas é constituído pelos axiomas de
incidência.

Axioma 11 Qualquer que seja a reta existem pontos que pertencem


e pontos que não pertencem à reta.

Axioma 12 Dados dois pontos distintos existe uma única reta que
os contém.

Quando duas retas têm um ponto em comum diz-se qt1e elas se


intersectam ou que elas se cortam naquele ponto.

Proposi-;ão 1.1 Duas retas distintas ou não se intersectam ou se


intersectarr:, em um único ponto.

Prova: Sejam rn e n duas retas distintas. A interseção destas duas


retas não pode conter dois (ou mais) pontos, cio contrário, pelo

1
2 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

axioma 12 , elas coincidiriam. Logo a interseção de m e n é vazia ou


contém apenas um ponto.
Imaginamos um plano como a superfície de uma folha de papel
que se estende infinitamente em todas as direções. Nela um ponto
é representado por uma pequena marca produzida pela ponta de
um lápis, quando pressionada sobre o papel. O desenho da parte
de uma reta é feito com o auxílio de uma régua.

Figura 1.1

Ao estudarmos geometria é comum fazer-se uso de desenhos.


Nós mesmos faremos uso extensivo de desenhos ao longo destas
notas. O leitor, no entanto, deve ser advertido, desde logo, que os
desenhos devem ser considerados apenas como um instrumento de
ajuda à nossa intuição e linguagem.
Utilizaremos letras maiúsculas A, B, C, ... para designar pontos,
e letras minúsculas a, b, e, ... para designar retas. Por exemplo, na

Figura 1.2

figura a:cima estão representados três pontos: A, B e C, e duas


retas: me n. O ponto A é o ponto de interseção das du~ \~tas.
1. AXIOMAS DE INCIDÊNCIA E ORDEM 3

A figura abaixo apresenta uma reta e três pontos A, B e C desta


reta. O ponto C localiza-se entre A e B ou, equivalentemente, os
pontos A e B estão separados pelo ponto C.

A e B

Figura 1.3

A noção de que um ponto localiza-se entre dois outros é uma


relação, entre pontos de uma mesma reta, que satisfaz aos axiomas
II 1 , II 2 e Ih apresentados a seguir. Estes são referidos como axiomas
de ordem.

Axioma II 1 Dados três pontos distintos de uma reta, um e apenas


um deles localiza-se entre os outros dois.

Definição 1.2 O conjunto constituído por dois pontos A e B e por


todos os pontos que se encontram entre A e B é chamado segmento
AB. Os pontos A e B são denominados extremos ou extremidades
do segmento.

Muitas figuras planas são construídas usando-se segmentos. A


mais simples delas é o triângulo que é formado pôr três pontos que
não pertencem a uma mesma reta e pelos três segmentos determi-
nados por estes três pontos. Os três pontos são chamados vértices
do triângulo e os segmentos, lados do triângulos.

Figura 1.4
4 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Definição 1. 3 Se A e B são pontos distintos, o conjunto consti-


tuído pelos pontos do segmento AB e por todos os pontos C tais que
B encontra-se entre A e C, é chamado de semi-reta de origem A
contendo o ponto B, e é representado por S.4B. O ponto A é então
denominado origem da semi-reta S AB

A B

Figura 1.5

Observe que dois pontos A e B determinam duas semi-retas SAB


e SnA as quais contêm o segmento AB.

A B

Figura 1.6

Proposição 1.4 Para as semi-retas determinadas por dois pontos


A e B tem-se:

a) SAB U SBA é a reta determinada por A e B,

Prova (a) Sejam a reta determinada por A e B. Como SAB e SBA


são constituídas ele pontos ela reta m, então SAB U SBA e m. Por
outro lado, se C é um ponto ela reta m então, ele acordo com o
axioma 11 1 , uma das três possibilidades exclusivas ocorre:

1) C está entre A e B,

2) A está entre B e C,
1. AXIOMAS DE INCIDÊNCIA E ORDEM 5

3) B está entre A e C.

No caso (1), C pertence ao segmento AB; no caso (2), C per-


tence a SBAi e no caso (3), C pertence a SAB· Portanto, em qual-
quer caso, C pertence a SAB U SBA·
A prova ele (b) é deixada como exercício para o leitor.

Axioma Ih Dados dois pontos distintos A e B sempre existem:


um ponto C entre A e B e um ponto D tal que B está entre A e
D.

Uma conseqüência imediata deste axioma é que, entre quaisquer


dois pontos ele uma reta, existe uma infinidade ele pontos. Também
é uma conseqüência dele que uma semi-reta S'AB contém uma in-
finidade ele pontos além daqueles contidos no segmento AB.
Considere uma reta m e dois pontos A e B que não pertencem
a esta reta. Diremos que A e B estão em um mesmo lado da reta
m se o segmento AB não a intercepta.

Definição 1.5 Sejam m uma reta e A um ponto que não pertence


a m. O conjunto constituído pelos pontos de m e por todos os pontos
B tais que A e B estão em um mesmo lado da reta m é chamado
de semi-plano determinado por m contendo A, e será representado
por Pm.A·

Axioma Ih Uma reta m determina exatamente dois semi-planos


distintos cuja interseção é a reta m.

Figura 1.7
6 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

EXERCÍCIOS

1. Sobre uma reta marque quatro pontos A, B, C e D, em ordem,


da esquerda para a direita. Determine:

a) ABUBC e) SAB n SBc


b) AB n BC f) SAB n SAn
e) ACnBD g) ScB n SBc
d) AB nCD h) SAB U SBc

2. Quantos pontos comuns a pelo menos duas retas pode ter um


conjunto de 3 retas do plano? E um conjunto de 4 retas do
plano?

3. Prove o item (b) da proposição (1.4).

4. Prove a afirmação feita, no texto, ele que existem infinitos


pontos em um segmento.

5. Um subconjunto do plano é convexo se o segmento ligando


quaisquer dois de seus pontos está totalmente nele contido.
Os exemplos mais simples de conjuntos convexos são o próprio
plano e qualquer semi-plano. Mostre que a interseção de dois
semi-planos é um convexo.

6. Mostre que a interseção de n semi-planos é ainda um convexo.

7. Mostre, exibindo um contra-exemplo, que a união de convexos


pode não ser um convexo.
1. AXIOMAS DE INCIDÊNCIA E ORDEM 7

8. Diz-que três ou mais pontos são colineares quando eles to-


dos pertencem a uma mesma reta. Do contrário, diz-se que
eles são não coline;ares. Mostre que três pontos não colineares
determinam três retas. Quantas retas são determinadas por
quatro pontos sendo que quaisquer três deles são não colinea-
res?

9. Repita o exercício anterior para o caso de ô pontos.

10. Seja U um subconjunto do plano. Dizemos que U é estrelado


relativamente a um ponto P quando, para todo ponto A EU,
o segmento PA esta totalmente contido em U. Mostre que
conjuntos convexos são estrelados relativamente a qualquer
de seus pontos. Dê um exemplo de conjunto estrelado que
não é convexo.

11. Se um conjunto é estrelado relativamente a todos os seus pon-


tos mostre que ele é convexo.

12. Prove que a união de todas as retas que passam por um ponto
A é o plano.

13. Chama-se plano de incidência ao par (P, R) onde P é um


conjunto de pont?s e 'R é uma coleção de subconjuntos de P,
denominados retas, satisfazendo apenas aos axiomas 11 , 12 e
à condição de que cada reta possui pelo menos dois pontos.
Verifique se são planos de incidência os pares (P, R) seguintes:

a) P = {A,B} e R = {{A, B}}


b) P = {A, B, C} e 'R = {{A, B}, {A, C}}
c) P = {A, B, C, D} e R = {{A, B}, {A, C}, {A, D},
{B, C}, {B, D}, {C, D}}
d) P = R2 e R = {{ (x, y) E R2 ; ax + by + e = O};
sendo ab-/= O}
8 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

e) P = {A, B, C, D} e 'R. = {{A, B, C}, {A, D}, {B, D},


{C,D}}
14. Construa exemplos distintos ele planos ele incidência com 5
pontos.

15. Um conjunto ele n cidades é ligado por estradas de modo que


existe sempre uma ligando diretamente quaisquer duas delas.
Tomando-se as cidades como pontos e as estradas como retas,
verifique a validade elos axiomas ele plano de incidência.

16. Denomina-se uma malha tipo 2-3 ao par ('P, 'R-) onde Pé um
conjunto de pontos e Ré uma coleção ele subconjuntos de P,
denominados retas, satisfazendo aos seguintes axiomas:
Ml. Cada reta contém exatamente três pontos.
M2. Por cada ponto passam exatamente duas retas.
M3. Por dois pontos passa no máximo uma reta.
M4. Existe pelo menos um ponto no plano.

Construa exemplos de tais malhas com 6 e 9 pontos.

17. São dados quatro pontos A, B, C e D e uma reta m que não


contém nenhum deles. Sabe-se que os segmentos AB e CD
cortam a reta me que o segmento BC não a corta. Mostre
que o segmento AD também não a corta.

18. Dados quatro pontos A, B, C e D no plano, mostre que, se os


segmentos AB e CD se intersectam, então os pontos B e D
estão em um mesmo semi-plano com relação á reta que passa
por A e C.
1. AXIOMAS DE INCIDÊNCIA E ORDEM 9

PROBLEMAS

1. Discuta a seguinte questão utilizando apenas os conhecimen-


tos geométricos estabelecidos, até agora, neste livro: "Exis-
tem retas que não se interceptam?"
2. Repita o exercício 2 para o caso de 5 e 6 retas. Faça uma
conjectura de qual será a resposta no caso de n retas.
3. Sejam AB e CD segmentos e E um ponto tais que AB íl CD=
{E}. Mostre que a reta que contém AB não pode conter CD.
4. Mostre que não existe um exemplo de um plano de incidência
com 6 pontos, em que todas as retas tenham exatamente 3
pontos.
5. Se C pertence a SAB e C =/- A, mostre que: SAB = SAc, que
BC e SAB e que A <j. BC.
6. Demonstr~ que a interseção de convexos é ainda um con,rexo.

7. Mostre que um triângulo separa o plano em duas regiões, uma


das quais é convexa.
8. Generalize os exercícios 8 e 9 para o caso de n pontos.
9. Podem existir dois segmentos distintos tendo dois pontos em
comum? E tendo exatamente dois pontos em comum?
10. Porque o conjunto de todos os pontos do plano não pode ser
uma reta? Pode o conjunto vazio ser uma reta do plano?
10 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

11. De acordo com os axiomas enunciados neste capítulo, qual o


número mínimo de pontos de uma reta?

12. Dado um conjunto P com n pontos, qual o número máximo


de retas que o torna um plano de incidência?

13. Seja (P, n) uma malha do tipo 2-3. Mostre que o número de
elementos de Pé divisível por 3, e que o número de elementos
de n é divisível por 2.

14. Construa exemplos de malhas do tipo ·2-3 com 12 e 18 pontos.

15. Generalize a noção de malha do tipo 2-3 para malha do tipo


2-n. Classifique as malhas do tipo 2-2.

16. Construa um exemplo de malha do tipo 2-4 com 16 pontos.


Construa, em geral exemplo de malha do tipo 2-n com 2n
pontos.
1. AXIOMAS DE INCIDÊNCIA E ORDEM 11

COMENTÁRIO

Para se aprender a jogar algum jogo, tal como damas, firo,


xadrez, etc., temos que, inicialmente, aprender as suas regras. Um
pai tentando ensinar seu filho a jogar damas dirá algo como: "Este
é o tabuleiro de damas e estas são as pedras com que se joga", "São
12 para cada jogador", "As pedras são arrumadas no tabuleiro as-
sim.", e arrumará as pedras para o filho. Aí já terá recebido uma
enxurrada de perguntas do tipo: "Por que as pedras só ficam nas
casas pretas?" , "Por que só são doze pedras?", "Eu acho mais boni-
tas as pedras brancas nas casas pretas e as pretas nas casas brancas,
por que não é assim?", etc.
Todas estas perguntas têm uma única resposta: Porque esta
é uma das regras do jogo. Se alguma delas for alterada, o jogo
resultante, embora possa ser também muito interessante, não será
mais um jogo de damas.
Observe que, ao ensinar um tal jogo, você dificilmente deter-se-
ia em descrever o que são as pedras. O importante são as regras do
jogo, isto é, a maneira de arrumar as pedras no tabuleiro, a forma
de movê-las, a forma de "comer" uma pedra do adversário, e etc.
Qualquer criança, após dominar o jogo, improvisará tabuleiros com
riscos no chão e utilizará tampinhas de garrafa, botões, cartões, e
etc., como pedras.
Ao criar-se um determinado jogo é importante que suas regras
sejam suficientes e consistentes. Por suficiente queremos dizer que
as regras devem estabelecer o que é permitido fazer em qualquer
situação que possa vir a ocorrer no desenrolar de uma partida do
jogo. Por consistente queremos dizer que as regras não devem
contradizer-se, ou sua aplicação levar a situações contraditórias.
12 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Geometria, como qualquer sistema dedutivo, é muito parecida


com um jogo: partimos com certos conjuntos de elementos (pon-
tos, retas, planos) e é necessário aceitar algumas regras básicas que
dizem respeito às relações que satisfazem estes elementos, as quais
são chamadas de axiomas. O objetivo final deste jogo é o ele deter-
minar as propriedades elas figuras planas e cios sólidos no espaço.
Tais propriedades, chamadas Teoremas ou Proposições, devem ser
clecluziclas somente através cio raciocínio lógico a partir cios axiomas
fixados ou a partir de outras propriedades já estabelecidas.
De fato, existem várias geometrias distintas clepenclenclo elo con-
junto de axiomas fixado. A geometria que iremos estudar nestas no-
tas é chamada de Geometria Euclidiana, em homenagem a Euclides
que a descreveu no seu livro, denominado "Elementos".
CAPÍTULO 2

AXIOMAS SOBRE l\1EDIÇÃO DE SEGMENTOS

O instrumento utilizado para medir comprimento ele segmentos é


a régua graduada. Na figura abaixo o segmento AB mede 3cm, o
segmento AC mede 8cm, e o segmento BC mede 5cm.

A B e
111111111111111q1111p111111111111q11111p111111111111111111p111111111111q1111p11111111p111
O 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 \

\
Figura 2.1

Observe que ao ponto B, corresponde (na régua) o número 3 e


ao ponto C, o número 8. A medida elo segmento BC é obtida pela
diferença 8 - 3 = 5. É claro que a régua poderia ter sido colocada
em muitas outras posições e números diferentes corresponderiam
aos pontos B e C. No entanto, em cada caso, a diferença entre eles
seria sempre 5 que é a medida do segmento BC.
Estes fatos são introduzidos em nossa geometria através ele axio-
mas.

Axioma III 1 A todo par de pontos elo plano corresponde um


número maior ou igual a zero. Este número é zero se e só se os
pontos são coincidentes.

13
14 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

O número a que se refere este axioma é chamado de distância


entre os pontos ou é referido como o comprimento do segmento
determinado pelos dois pontos. Está implícito no enunciado do
axioma, a escolha de uma unidade de medida que será fixada de
agora em diante ao longo destas notas.

Axioma III 2 Os pontos de uma reta podem ser sempre colocados


em correspondência biunívoca com os números reais, de modo que
a diferença entre estes números meça a distância entre os pontos
correspondentes.

Este axioma bem poderia receber o apelido de axioma da "régua


infinita" pois, ao estabelecer a correspondência biunívoca entre os
números reais e os pontos da reta, a própria reta torna-se como que
uma régua infinita que pode ser usada para medir o comprimento
de segmentos nela contidos.
Ao aplicarmos este axioma, o número que corresponde a um
ponto da reta é denominado coordenada daquele ponto.
De acordo com o axioma 111 1 o comprimento ele um segmento
AB é sempre maior do que zero. Assim, se a e b são as coorde-
nadas das extremidades deste segmento, o seu comprimento será a
diferença entre o maior e o menor destes números. Isto é equivalente
a tomar-se a diferença entre a e bem qualquer ordem e, em seguida,
considerar o seu valor absoluto. Nós indicaremos o comprimento do
segmento AB pelo símbolo AB. Portanto

AB = lb-al.
Axioma III3 Se o ponto C encontra-se entre A e B então

Com a introdução dos axiomas 111 1 , llh e llh, podemos rela-


cionar a ordenação dos pontos· de uma reta, introduzida através dos
axiomas 11 1 e 11 2 , com a ordem dos números reais. Os números reais
são ordenados pela relação "menor do que" (ou pela relação "maior
2. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE SEGMENTOS 15

do que"), e faz sentido dizer-se que um número e está entre dois


outros a e b, quando ocorre a < e < b ou b < e < a.

Proposição 2.1 Se, em uma semi-reta SAB, considerarmos um


segmento AC com AC < AB, então o ponto C estará entre A e B.

Prova: Certamente o ponto A não pode estar entre B e C, já que B


e Cestão na mesma semi-reta de origem A. Se o ponto B estivesse
entre A e C então, pelo axioma Ilh, teríamos AB + BC = AC e,
como conseqüência, AB < AC. Mas esta desigualdade é contrária
a hipótese AC< AB. Portanto, é o ponto C que está entre A e B.

Teorema 2.2 Sejam A, B e C pontos distintos de uma mesma reta


cujas coordenadas são, respectivamente, a, b e e. O ponto C está
entre A e B se e só se o número c está entre a e b.

Prova Se C está entre A e B então, pelo axioma Ilh, tem- se que


AC+ CB = AB, ou seja

lc - ai + lb - cl = la - bl .
Vamos supor inicialmente que a < b. Neste caso, da igualdade
acima, obtém-se

lc- ai< b- a e lb-cl < b-a.


Como conseqüência, c - a < b - a e b - c < b - a. Portanto,
e< b e a< c. Assim, resulta que c está entre a e b.
O caso em que b < a pode ser analisado de maneira análoga e é
deixado a cargo do leitor.
Reciprocamente, se o número c está entre os números a e b então

lc - ai + lb - cl = la - bl .
Segue-se daí que AC + C B = AB. Em particular
e CB < AB.
16 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Consideremos as semi-retas determinadas pelo ponto A. Se C e


B pertencem à mesma semi-reta, então é uma conseqüência ela
proposição anterior que C está entre A e B. Afirmo que C e B
não podem pertencer a semi-retas distintas, isto é, não podem ser
separados pelo ponto A. Se este fosse o caso, seria o ponto A que
estaria entre B e C e teríamos BA + AC = BC. Mas daí resulta
que BA < BC o que está em contradição com a designaldadc já
obtida acima. Isto prova a afirmação e conclui a demonstração do
teorema.

Definição 2.3 Chamamos de ponto médio do segmento AB a um


ponto C deste segmento tal que AC = C B.

Teorema 2.4 Um segmento tem exatamente um ponto médio.

Prova (Existência) Sejam a e b as coordenadas elas extremidades


cio segmento. Considere o número c = (a+ b)/2. De acordo com o
axioma IIl 2 existe um ponto C ela reta que tem c por coorclenaela.
Como
AC la- cl = 'ª - ª; bl = ,~ - ~,

C B = 1e - bl = 1 a ; b - b1 = 1 ~ - t1

concluímos que AC = C B. Como o número (a + b) /2 está entre os


números a e b, segue-se ela proposição anterior que C está entre A
e B. Logo C é o ponto médio ele AB.

( Unicidade)
Seja C como obtido na prova ela existência e seja
C' um outro ponto cio segmento AB tal que AC' = BC'. Sejam a, b
e e' as coordenadas cios pontos A, B e C' respectivam1:;nte. Então
teremos,

(i) e' - a= b - e' , no caso em que a < e' < b,


2. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE SEGMENTOS 17

(ii) a - é = é - b, no caso em que b < é < a.

Em ambos os casos a conclusão é que

, a+ b
e=--.
2

Assim, em qualquer circunstância, é = e e, portanto, pelo


axioma 111 2 , C = C'. Fica assim provada a unicidade do ponto
médio.

Observação A noção de distância é uma das noções mais básicas


da geometria. Pelo que já vimos ela satisfaz às seguintes pro-
priedades:

1) Para quaisquer dois pontos A e B do plano, tem-se AB ~ O.


Além disso, AB = O se e somente se A = B.

2) Para quaisquer dois pontos A e B tem-se que AB = BA.

Uma outra importante propriedade da distância é a desigualdade


triangular:

3) Para quaisquer três pontos A, B e C do plano tem-se AC ::;


AB + BC. Igualdade ocorre se e somente se B pertence ao
intervalo AC.

Esta desigualdade será demonstrada no capítulo 5 (veja o teorema


(5.11)) como conseqüência cios 4 primeiros grupos ele axiomas.

Definição 2.5 Seja A um ponto do plano e r um número real pos-


itivo. O círculo de centro A e raio r é o conjunto constituído por
todos os pontos B do plano tais que AB = r.
18 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

o

A e
e

Figura 2.2

É uma conseqüência elo axioma 111 2 que podemos traçar um


círculo com qualquer centro e qualquer raio.
Todo ponto C que satisfaz a desigualdade AC < r é dito estar
dentro elo círculo. Se, ao invés, AC > r, então C é dito estar fora
elo círculo. O conjunto elos pontos que estão dentro do círculo é
chamado de disco ele raio r e centro A.
É também uma conseqüência elo axioma 111 2 que o segmento ele
reta ligando um ponto de dentro elo círculo com um ponto fora elo
mesmo tem um ponto em comum com o círculo.
2. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE SEGMENTOS 19

EXERCÍCIOS

1. Sejam A, B e C pontos ele uma reta. Faça um desenho repre-


sentando-os, sabendo que AB = 3, AC = 2 e BC = 5.

2. Repita o exercício anterior, sabendo que C está entre A e B


e que AB = 7 e AC = 5.

3. Quatro pontos A, D, V e I estão sobre uma reta ele modo que


suas coordenadas são número inteiros consecutivos. Sabe-se,
além disto, que V está entre I e A e que DA < DV. Faça
uma figura indicando as posições relativas destes pontos.

4. Desenhe uma reta e sobre ela marque dois pontos A e B.


Suponha que a coordenada do ponto A seja zero e a do ponto
B seja um. Marque agora pontos cujas coordenadas são
3, 5, 5/2, 1/3, 3/2, 2, -1, -2, -5, -1/3, -5/3.

5. Sejam A 1 e A2 pontos de coordenadas 1 e 2. Dê a coordenada


elo ponto médio A3 elo segmento A 1 A 2 . Dê a coordenada elo
ponto médio A 4 elo segmento A2 A3 . Dê a coordenada A5 elo
ponto médio elo segmento A3 A4 .

6. Dados três pontos colineares A, B e C tais que AB seja o


triplo ele BC, calcule as medidas ele AB e BC sabendo que
AC mede 32cm.

7. São dados três pontos A, B e C com B entre A e C. Sejam M


e N os pontos médios ele AB e BC respectivamente. Mostre
que MN = (AB + BC)/2.
20 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

8. São dados três pontos A, B e C com Centre A e B. Sejam M


e N os pontos médios de AB e BC respectivamente. Mostre
que M N = (AB - BC)/2.

9. Considere três pontos colineares A, B e C, sendo que B fica


entre A e C e AB = BC. Se M é o ponto médio de AB e N
é o ponto médio de BC mostre que M N = AB.

10. São dados pontos A, B, C e D colineares com coordenadas


x, y, z e w tais que x < y < z < w. Prove que AC = BD se e
só se AB = CD.

11. Prove que, se (a/b) = (c/cl) então


a b cl e
a) e
e cl b a
a+b e+ cl a-b e - cl
b) e --
a e a e
a+b e+ cl a-b e - cl
e) e
b cl b d
12. Se P é ponto de interseção de círculos de raio r e centros em
A e B, mostre que PA = PB.
13. Usando régua e compasso, descreva um método para constru-
ção de um triângulo com dois lados de mesmo comprimento.
(Um tal triângulo é chamado de triângulo isósceles).

14. Descreva um método para construção de um triângulo com


os três lados de mesmo comprimento. (Um tal triângulo é
chamado de triângulo eqüilátero).

15. Mostre que, se a < b então a< (a+ b)/2 e b > (a+ b)/2.
16. Um segmento ligando dois pontos de um círculo e passando
pelo seu centro é chamado de diâmetro. Mostre que todos os
diâmetros têm a mesma medida.
2. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE SEGMENTOS 21

17. Considere um círculo de raio r. Mostre que a distância entre


quaisquer dois pontos situados dentro do círculo é menor do
que 2r.

18. Considere dois círculos de raio r que não se intersectam.


Mostre que o comprimento do segmento ligando seus centros
é maior do que 2r. '

19. O círculo de raio r 1 centrado em A intercepta o círculo de raio


r 2 centrado em B em exatamente dois pontos. O que se pode
afirmar sobre AB?

20. Considere um círculo de raio r e centro A. Sejam B e C


pontos deste círculo. O que se pode afirmar sobre o triângulo
ABC?

21. Considere um círculo de raio r e centro O. Seja A um ponto


deste círculo e seja B um ponto tal que o triângulo OAB é
eqüilátero. Qual é a posição do ponto B relativamente ao
círculo?

22. Dois círculos de mesmo raio e centros A e B se interceptam


em dois pontos C e D. O que pode ser afirmado sobre os
triângulos ABC e AC D?

23. Sejam A, B, C e D quatro pontos da reta m tais que Besta


entre A e C, e Cesta entre B e D. Sabendo que AB = CD
mostre que AC = BD.

24. Decida se existem pontos A, B e C tais que AB = 5, BC = 3


e CA = 1.

25. Seja m uma reta e 'H a união de todos os discos de raio 1


e centro em pontos de m. Seja 'H' o conjunto de todos os
pontos A satisfazendo a propriedade de que existe um ponto
P(A) E m tal que a distância da A a P(A) e menor do que
1. Mostre que 'H = 'H'.
22 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

26. Decida se o resultado elo exercício anterior é verdadeiro quando


substituímos m por um segmento LM.

27. Uma emissora ele rádio transmite com potência suficiente para
alcançar qualquer receptor situado a menos de 100 Km de
sua antena. Justifique a veracidade da seguinte afirmação:
sabendo-se que é possível viajar da cidade A para a cidade B
ouvindo no rádio continuamente a transmissão daquela emis-
sora conclui-se que a distância entre A e B é de, no máximo,
de 200 Km.

28. Sejam M, A e B pontos distintos situados sobre uma mesma


reta. Se a = 1"\1 A/ M B diz-se que M divide AB na razão a.
Dado qualquer número real positivo a mostre que existe um
único ponto M E AB tal que M divide AB na razão a.

29. Dado qualquer número real positivo a -=I= 1 mostre que existe
um único ponto M na reta determinada por A e B, que não
pertence a AB e que divide AB na razão a. Porque o caso
a = 1 teve ele ser excluído?

30. Sejam M, N, A e B pontos distintos sobre uma mesma reta,


sendo que ME AB e que N está fora de AB. Diz-se que M
e N dividem harmonicamente o segmento AB quando

MA NA
====a.
MB NB
Quando a > 1, determine as posições relativas dos quatro
pontos. Repita o exercício para o caso em que O < a < 1.

31. Suponha que M e N dividem harmonicamente o segmento


AB. Mostre que
2 1 1
-=-±-
AB AM AN
2. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE SEGMENTOS 23

32. Suponha que M e N dividem harmonicamente o segmento


AB e que O seja o ponto médio ele AB. Mostre que

33. São dados três pontos A, B e C no plano e constata-se que a


distância ele A a B é igual a soma elas distâncias ele A a C e
ele C a B. O que pode ser afirmado sobre estes pontos?

34. Decida se existem três pontos A, B e C sobre uma reta tais


que AB = 5cm, BC= 6cm e AC= 7cm?

35. No plano se tem quatro pontos distintos A, B, C e D e uma


reta m que não passa por nenhum deles. Sabe~se.que os seg-
mentos AB e CD cortam a reta e que AC não a corta. O que
pode ser dito sobre o segmento BD? ·

36. Quatro pontos A, B, C e D são colineares. O ponto B está


entre A e C, e o ponto C entre B e D. Demonstre que o
ponto C se encontra entre A e D.

37. Considere uma reta m. Associe a cada ponto um número real


como é garantido pelo Axioma III 2 • Seja A um ponto desta
reta que tem coordenada a. Mostre que as duas semi-retas
L 1 e L 2 determinadas por A em rn podem ser descritas como:
L 1 = {B E m; a coordenada ele B é ~ a} e L 2 = {B E
m; a coordenada ele B é ~ a}.

38. Seja X um ponto qualquer da reta m cuja coordenada repre-


sentaremos por x. Mostre que as soluções da desigualdade
x ~ a constitui uma semi-reta.
39. Usando a notação elo exercício anterior, descreva geométricamente
as soluções da desigualdade x 2 - 1 ~ O.

40. Repita o exercício anterior para a desigualdade x 2 -5x+6 ~ O.


24 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

41. Repita o exercício anterior para x 3 - x ~ O.


42. É frequentemente dito que «a menor distância entre dois pon-
tos é uma linha reta". Embora seu significado seja muito
claro, tal afirmação é incorreta. Porque? Como você modifi-
caria as três últimas palavras da frase para que ela se tornasse
correta?
43. Tome uma caixa de cartolina e escolha sobre ela dois pontos
quaisquer. Usando um cordão tente achar a menor distância
a ser percorrida por uma formiga que deseje ir de um ao outro
ponto escolhidos. Relate os resultadoe encontrados.
44. Aproximadamente quantos tijolos serão necessários para cons-
truir uma parede de 6m de comprimento por 3m de altura
sabendo-se que: ela deve ser construída com ~'iolos e arga-
massa, cada tijolo mede 19cm de comprimento por 14cm ele
altura e sua largura é a largura da parede, e cada tijolo será
contornado por uma camada de argamassa de 1cm.
2. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE SEGMENTOS 25

PROBLEMAS

1. Dado um segmento AB mostre que existe, e é único, um ponto


C entre A e B tal que (AC/ BC) = a, onde a é qualquer
número real positivo.

2. Prove a seguinte afirmação feita no texto: o segmento de reta


ligando um ponto fora ele um círculo com um ponto dentro
do mesmo, tem um ponto em comum com o círculo.

3. Dados dois pontos A e B e um número real r maior do que


AB, o conjunto dos pontos C satisfazendo a CA + CB =ré
chamado de elipse. Estabeleça os conceitos de região interior
e de região exterior a uma elipse.

4. Um conjunto M de pontos elo plano ·é limitado se existe um


círculo C tal que todos os pontos de M então dentro de C; e é
ilimitado quando não é limitado. Prove que qualquer conjunto
finito de pontos é limitado. Prove também que segmentos são
limitados. Conclua ·o mesmo resultado para triângulos.

5. Prove que a união de uma quantidade finita de conjuntos


limitados é ainda um conjunto limitado.

6. Mostre que, dado um ponto P e um conjunto limitado M,


existe um disco com centro em P que contém M.

7. Prove que as retas são conjuntos ilimitados. (Sugestão: use o


problema 6.)
26 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

8. Discuta a veracidade da seguinte afirmação: o caminho que


realiza a menor distância entre dois pontos é o segmento de
reta que os une.

9. Mostre que é possível construir um círculo de qualquer raio


contido em um semi-plano.

10. Considere uma semi-reta SAB· Mostre que, para cada ponto
C de S AB existe um círculo centrado em C passando pelo
ponto A. Para cada C, seja B(C) o disco limitado por C.
Mostre que a união dos B(C) é um conjunto convexo.

11. Sejam uma reta e Pum ponto que não pertence a m. Seja
1i a união das semi-retas de origem P que cortam m.

a) Mostre que 1{ é um conjunto convexo.


b) Discuta a seguinte afirmação: a fronteira de 1{ é a união
de duas semi-retas que não interceptam m.

12. Sejam A, B, C e D quatro pontos situados fora de um círculo


de raio r e centro O. Suponha que os segmentos AB, BC,
CD e D E estão fora do círculo e que o segmento AC contém
o ponto O. Mostre que AB +BC+ CD+ DA> 4r.

13. Descreva um método para desenhar um triângulo eqüilátero.

14. Descreva um método para desenhar um triângulo cujos lados


medem 3, 4 e 6.

15. A superfície ela terra é uma esfera ele raio muito grande.
Tão grande que, localmente, tem-se a sensação ele que estar
vivendo sobre uma superfície plana. De fato, esta sensação é
tão forte que a história registra um período em que tal crença
era lugar comum. Discuta a seguinte questão: o que são retas
sobre uma esfera.
2. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE SEGMENTOS 27

16. Continue a questão anterior discutindo se as retas na esfera


satisfazem ou não aos axiomas I, II e III.

17. Dentro da mesma ordem ele idéias, suponha que vivêssemos


numa superfície cilíndrica. Repita os exercícios 15 e 16 neste
contexto. Observo que um autor de ficção científica concebeu
uma nave espacial de dimensões gigantescas na forma ele um
cilindro que giraria em torno de seu eixo para gerar gravidade
artificial. Tal nave seria a nova morada elo homem ao longo
de viagens espaciais que durariam várias gerações.

18. Considere como plano a parte ela planta de uma cidade ocu-
pada pelas ruas e avenidas. Considere como segmento de reta
qualquer caminho que possa ser seguido por um ta.xi para ir
de um ponto a outro ela cidade. Verifique se cada um dos
axiomas que já enunciamos vale ou não nesta "geometria".

19. Tome uma folha de papel. Suponha que o plano seja cons-
tituído apenas elos pontos desta folha ele papel. Dados dois
pontos neste plano, usando uma régua e um lapis pode-se
traçar um segmento ligando os dois pontos. Defina as reta
como a extensão ele um segmento até a borda ela folha ele
papel. Discuta a validade ou não, nesta "geometria", de todos
os a.xiomas já apresentados até aqui.

20. Se a folha ele papel for levemente encurvada, muda alguma


coisa na resposta elo item anterior?

21. Analise a possibilidade ele estabelecer um conceito ele "estar


entre" para pontos de um círculo.
28 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

COMENTÁRIO

As primeiras noções geométricas surgiram quando o homem viu-


se compelido a efetuar medidas, isto é, a comparar distâncias e
a determinar as dimensões dos corpos que o rodeavam. Egípcios,
Assírios e Babilônios já conheciam as principais figuras geométricas
e a noções de ângulo que usavam nas medidas ele área e na Astrono-
mia.
A maior parte do desenvolvimento da Geometria resultou cios es-
forços feitos, através de muitos séculos, para construir-se um corpo
de doutrina lógica que correlacionasse os dados geométricos obtidos
da observação e medida. Pelo tempo de Euclides (cerca de 300 a.C.)
a ciência da Geometria tinha alcançado um estágio bem avançado.
Do material acumulado Euclides compilou os seus "Elementos", um
dos mais notáveis livros já escritos.
A Geometria, como apresentada por Euclides, foi o primeiro
sistema ele idéias desenvolvido pelo homem, no qual umas pou-
cas afirmações simples são admitidas sem demonstração e então
utilizadas para provar outras mais complexas. Um tal sistema é
chamado dedutivo. A beleza da Geometria, como um sistema de-
dutivo, inspirou homens, das mais diversas áreas, a organizarem
suas idéias da mesma forma. São exemplos disto o "Principia" de
Sir Isaac Newton, no qual ele tenta apresentar a Física como um
sistema dedutivo, e a "Ética" do filósofo Spinoza. ·
CAPÍTULO 3

AXIOMAS SOBRE lVIEDIÇÃO DE ÂNGULOS

Definição 3.1 Chamamos de ângulo a figura formada por duas


semi-retas com a mesma origern.

Figura 3.1

As semi-retas são chamadas ele lados do ângulo e a origem comum,


de vértice cio ângulo. Um ângulo formado por duas semi-retas dis-
tintas de uma mesma reta é chamado ele ângulo raso.

Figura 3.2

29
30 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Existem várias maneiras distintas de representar um ângulo.


Por exemplo, o ângulo da figura (3.3) pode ser designado por BÂC
ou por CÂB. Ao utilizarmos esta notação, a letra indicativa do
vértice deve sempre aparecer entre as outras duas, as quais repre-
sentam pontos das semi-retas que formam o ângulo.

Figura 3.3

Quando nenhum outro ângulo exibido tem o mesmo vértice,


pode-se usar apenas a letra designativa elo vértice para represen-
tar o ângulo. Por exemplo, o ângulo da figura (3.3) poderia ser
representado simplesmente por Â. Em qualquer dos dois casos con-
siderados a letra designativa do vértice levará sempre um acento
circunflexo. Também é comum a utilização de letras gregas para
representação ele ângulos. Neste caso é conveniente escrever a letra
designativa elo ângulo próximo do seu vértice, como indicado na
figura abaixo.

\~ª- Figura 3.4

Os ângulos são medidos em graus com o auxílio de um trans-


feridor1. Na figura seguinte, o ângulo BÂC mede 20° (vinte graus).
3. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE ÂNGULOS 31

Observe que, de maneira análoga ao que ocorre no caso da medição


de segmentos, o transferidor pode ser colocado de várias maneiras
diferentes, no entanto, o valor ela medida elo ângulo BÂC será sem-
pre 20°.

Figura 3.5

A maneira ele introduzir a medição ele ângulos na geometria é


através elos axiomas apresentados a seguir. Observe que eles têm
enunciados semelhantes aos dos ax:iomas sobre medição ele segmen-
tos.

Axioma III 4 Todo ângulo tem uma medida maior ou igual a zero.
A medida ele um ângulo é zero se e somente se ele é constituído por
duas semi-retas coincidentes.

Para facilitar o enunciado elo próximo axioma, vamos dar a se-


guinte definição:

Definição 3.2 Diremos que uma semi-reta divide um semi-plano


se ela estiver contida no semi-plano e sua origem f ar um ponto da
reta que o determina.
32 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Axioma 111 5 É possível colocar, em correspondência biunívoca, os


números reais entre zero e 180 e as semi-retas da mesma origem
que dividem um dado semi-plano, de modo que a diferença entre
estes números seja a medida do ângulo formado pelas semi-retas
correspondentes.

60
125

B A

180 o
o
Figura ~-6

Ao fazer tal correspondência chamamos o número que corres-


ponde a uma dada semi-reta de coordenada da semi-reta. Na figura
(3.6) acima, a semi-reta SoA tem coordenada 60, a semi-reta SoB
tem coordenada 125. De acordo com o axioma 111 5 a medida do
ângulo AÔB é 125-60=65. Este é um fato geral. Se a e b forem
coordenadas cios lados cio ângulo AÔB, então ia - bl é a medida
deste ângulo. Indicaremos um ângulo e a sua medida pelo mesmo
símbolo. Assim escreveremos ele uma maneira geral
AÔB = la-bl
para significar que la-bl é a medida elo ângulo AÔB. Observe que
as semi-retas que formam um ângulo raso serão sempre numeradas
por O e 180, sendo assim a medida de tais ângulos sempre 180°.

Definição 3:3 Sejam SoA, SoB e So::: semi-retas de mesma origem.


Se o segmento .4.B interceptx· Soe dircr,ws que S 00 divide o ângulo
AÔB.
3. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE ÂNGULOS 33

Axioma III 6 Se uma semi-reta Soe divide um ângulo AÔB, então

AÔB = AÔC + CÔB .


Definição 3.4 Dois ângulos são ditos suplementares se a soma
de suas medidas é 1800. O suplemento de um ângulo é o ângulo
adjacente ao ângulo dado obtido pelo prolongamento de um de seus
lados

Figura 3.7

É claro que um ângulo e seu suplemento são ângulos suple-


mentares. É também evidente que, se dois ângulos têm a mesma
medida, então o mesmo ocorre com seus suplementos.
Quando duas retas distintas se interceptam, formam-se quatro
ângulos, como indicado na figura abaixo. Os ângulos AÔB e DÔC
são opostos pelo vértice. Do mesmo modo o são os ângulos AÔ D e
BÔC.

D
A

B
e

Fig.ura 3.8
34 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Proposição 3.5 Ângulos opostos pelo vértice têm a mesma me-


dida.

Prova: De fato, se AÔB e DÔC são ângulos opostos pelo vértice,


então eles têm o mesmo suplemento: AÔD. Logo

AÔB + AÔD 180º


DÔC + AÔD 180º

Portanto AÔB = 180° - AÔD = DÔC.

Definição 3.6 Um ângulo cuja medida é 9(f. é chamado ângulo


reto.

É claro que o suplemento ele um ângulo reto é também um


ângulo reto. Quando duas retas se intersectam, se um elos quatro
ângulos formados por elas for reto, então todos os outros também
o serão. Neste caso diremos que as retas são perpendiculares.

Teorema 3. 7 Por qualquer ponto de uma reta passa uma única


perpendicular a esta reta.

Prova: (Existência}. Dada uma reta rn e um ponto A sobre ela, as


duas semi-retas determinadas por A formam um ângulo raso. Con-
sidere um elos semi-planos determinados pela reta m. De acordo
com o axioma IIl 5 , entre todas as semi-retas com origem A, que
dividem o semi-plano fixado, existe uma cuja coordenada será o
número 90. Esta semi-reta forma, com as duas semi-retas determi-
nadas pelo ponto A sobre a reta m, ângulos ele 90°. Portanto ela é
perpendicular a reta m.

(Unicidade}. Suponha que existissem duas retas n e n' pas-


sando pelo ponto A e perpendiculares a m. Fixe um elos semi-
planos determinados por m. As interseções elas retas n e n' com
este semi-plano são semi-retas que formam um ângulo a e, como na
3. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE ÂNGULOS 35

n' n

y m

Figura 3.9

figura (3.9), formam outros dois ângulos /3 e I com as semi-retas


determinadas pelo ponto A na reta m.
Como n e n' são perpendiculares a 1n então /3 = 1 = 90º. Por
outro lado, devemos ter a + /3 + 1 = 180°. Lego a = 0° e as retas
n e n' coincidem.

1 Queremos observar que os ângulos podem também ser medidos utilizando


o grado, o radiano ou qualquer outra unidade de medida de ângulos. Elas cor-
respondem a diferentes maneiras de numerar ao:; semi-retas de mesma origem e
sua adoção não interfere com o desenvolvimento da teoria. O leitor vai encon-
trar no "comentário" deste capítulo uma razão histórica pela qual escolhemos o
grau para unidade de medida de ângulos neste texto.
36 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

EXERCÍCIOS

1. Mostre que se um ângulo e seu suplemento têm a mesma


medida então o ângulo é reto.
2. Dois ângulos são suplementares. A diferença entre eles é de
50°. Determine a medida dos dois ângulos.
3. Um ângulo é chamado agudo se mede menos de 90°, e é cha-
mado obtuso se mede mais de 90°. Mostre que o suplemento
de um ângulo agudo é sempre obtuso.
4. Quanto mede o ângulo cuja quinta parte do seu suplemento
mede 24º?
5. O ângulo formado pelas bissetrizes ele dois ângulos adjacentes
mede 40°. Sendo a medida de um deles igual a três quintos
da medida elo outro, determine a medida elos dois ângulos.
6. Três semi-retas ele mesma origem são traçadas no plano. Co-
locando-se o transferidor de forma adequada, a primeira delas
tem coordenada O, a· seg_unda 30 e a ultima 120. Qual a me-
dida do ângulo entre a segunda e a terceira? Se o transferidor
fosse rodado um pouco de modo que a coordenada da primeira
fosse agora 20, qual seriam as coordenadas das outras semi-
retas?
7. Duas retas se interceptam formando quatro ângulos. Se um
deles é reto, mostre que os outros também são retos. Se,
ao invés de ser reto, um deles medisse 60°, qual seriam as
medidas elos outros.
3. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE ÂNGULOS 37

8. Use um transferidor e desenhe ângulos de 45º, 60°, 90º, 142°,


15.5° e 33°.

9. Dois ângulos são ditos' complementares se sua soma é um


ângulo reto. Dois ângulos são complementares e o suplemento
de um deles mede tanto quanto o suplemento do segundo mais
30º. Quanto medem os dois ângulos?

10. Determine a medida do ângulo agudo que tem a mesma me-


dida do seu complemento.

11. Qual é o ângulo agudo que mede o dobro do seu complemento?

12. Porque o complemento de um ângulo é sempre menor do que


o seu suplemento?

13. Qual a medida da diferença entre o suplemento de um ângulo


e seu complemento?

14. Ao longo de 1/2 hora o ponteiro dos minutos de um relógio


descreve um ângulo raso (ou seja, o ângulo entre sua posição
inicial e sua posição final é um ângulo raso). Quanto tempo
ele leva para descrever um ângulo de 60° graus?

15. Ao mesmo tempo em que o ponteiro dos minutos gira, o das


horas também gira, só que em menor velocidade: ele leva 6
horas para descrever um àngulo raso. Quanto tempo ele leva
para percorrer um ângulo de 10º.

16. Qual o ângulo formado entre o ponteiro dos minutos e da~


horas quando são 12 horas e 30 minutos?

17. Exatamente às 12 horas um ponteiro estará sobre o outro. A


que horas voltará a ocorrer que os dois ponteiros formem um
ângulo de Oº?
38 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

18. Uma poligonal é uma figura formada por uma seqüência ele
pontos A1 , A2, ... , An e pelos segmentos A1A2, A2A3, A3A4,
... , An_ 1 A 11 • Os pontos são os vértices ela poligonal e os
segmentos são os seus lados. Desenhe a poligonal ABCD
sabendo que: AB = BC = CD = 2cm,, ABC = 120º e
BÔD = 100º.

19. Um polígono é uma poligonal em que as seguintes 3 condições


são satisfeitas: (a) A11 = A 1 , (b) os lados ela poligonal se in-
terceptam somente em suas extremidades, (e) cada vértice é
extremidade ele dois lados e (d) dois lados com mesma ex-
tremidade não pertencem a uma mesma reta. Das 4 figuras,
abaixo, apenas duas são polígonos. Determine quais são elas.

D A D
E

A e e

e E B
B
A B

\
B

c~c
A E
E D

Um polígono ele vértices A1 , A2, ... , An+l = A1, será repre-


sentado por A 1 A 2A 3, ... , A 11 • Ele tem n lados, n vértices e n
ângulos.
3. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE ÂNGULOS 39

20. Desenhe um polígono de 4 lados ABC D tal que AB = BC =


CD= DA= 2cni, com AÊC = AÍJC = 100º e com BêD =
BÂD = 80º.

21. A soma dos comprimentos dos lados de um polígono é chamada


de perímetro do polígono. Desenhe um polígono, meça seus
lados e determine seu perímetro.

22. Seja ABCD um polígono tal que AB =BC= CD= DA. Se


AB = a seu perímetro será 4a. Determine um ponto E fora
da região limitada pelo polígono tal que ABE é um triângulo
eqüilátero. Considere agora o polígono AEBCD. Determine
seu perímetro.

23. No polígono ABCD da questão anterior, seja M o ponto


médio do lado AB. Determine agora dois pontos E 1 e E 2
tais que AE1 M e !11 E 2 B sejam eqüiláteros. Determine agora
o perímetro do polígono AE1Jvf E 2 BCD.

24. Generalize a construção do exercício anterior tomando agora


pontos médios dos segmentos AM e M B e determine o perí-
metro do polígono resultante.

25. Mostre que todo polígono é limitado.

26. O segmento ligando vértices não consecutivos de um polígono


é chamado uma diagonal do polígono. Faça o desenho de um
polígono de seis lados. Em seguida desenhe todas as suas
diagonais. Quantas diagonais terá um polígono de 20 lados?
E de n lados?

27. Discuta a seguinte afirmação: todo polígono separa o plano


em duas partes, uma limitada e outra ilimitada. (A parte
limitada é referida como a região limitada pelo polígono, ou
o interior do polígono).
40 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

28. Dê exemplo de um polígono que possua uma diagonal que não


esteja contida na região por ele limitada.

29. Considere um polígono de quatro lados. Mostre que o com-


primento de qualquer uma de suas diagonais é menor do que
a metade do seu perímetro.

30. São dados quatro pontos A, B, C e D. É também sabido que


AB +BC+ CD+ DA e 2AC são iguais. O que você pode
afirmar sobre a posição relativa dos quatro pontos?

31. Um polígono é convexo se está sempre contido em um dos


semi-planos determinados pelas retas que contêm os seus la-
dos. Na figura abaixo mostre que o polígono (a) é convexo e
o {b) é não convexo.

(a) (b)

32. Mostre que, em um polígono convexo, as diagonais estão sem-


pre contidas na região limitada pelo polígono.

33. Os ângulos formados pelos lados de um polígono convexo são


chamados de ângulos do polígono. Suponha que tenha sido
demonstrado que a soma dos ângulos de qualquer triângulo
é um valor constante s. Com esta informação mostre que
3. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE ÂNGULOS 41

a soma dos ângulos de um polígono convexo de n lados é


(n - 3)a.
34. Suponha agora que tenha sido demonstrado que a soma dos
ângulos de qualquer triângulo é sempre menor do que um
número a. Mostre então que a soma dos ângulos de um
polígono convexo de n lados é menor do que (n - 3)a.

35. Polígonos convexos recebem designações especiais. São as


seguintes as designações dadas a estes polígonos de acordo
com seu número de lados, até 10 lados.

nº de lados nome do polígono convexo


3 triângulo
4 quadrilátero
5 pentágono
6 hexágono
7 heptágono
8 octágono
9 nonágono
10 decágono

Dado um polígono convexo mostre que qualquer de suas dia-


gonais sempre o divide em dois conjuntos convexos.

36. Dê exemplo de uma polígono não convexo que possua uma


diagonal que o divide em dois polígonos convexos.
42 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

PROBLEMAS

1. Dado um ângulo AÔ B mostre que existe uma única semi-reta


Soe tal que AÔC = ÇÔB. A semi-reta Soe é chamada de
bissetriz do ângulo AO B.

2. Mostre que as bissetrizes de um ângulo e do seu suplemento


são perpendiculares.

3. Dado um ângulo AÔ B e um número real positivo a, O < a <


1, mostre que existe uma única semi-reta Soe, contida neste
ângulo, tal que CÔB =a• AÔB.

4. De quantos graus move-se o ponteiro dos minutos enqaanto o


ponteiro elas horas percorre um ângulo raso?

5. Descreva um processo pelo qual um desenhista, sem usar


um transferidor, possa "copiar" um ângulo, isto é, dado um
ângulo desenhado em uma folha de papel, desejamos estabele-
cer um procedimento pelo qual possamos desenhar um outro
ângulo que tenha a mesma medida do primeiro, isto sem fazer
uso de um transferidor.

6. Descreva um método, em que se faça uso apenas de um com-


passo e de uma régua não numerada, para desenhar um tri-
ângulo eqüilátero.

7. Descreva um método, em que se faça uso apenas de um com-


passo e de uma régua não numerada, de construção de um
quadrilátero com os quatro lados de mesmo comprimento.
3. AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE ÂNGULOS 43

8. Seu método se estende para o caso de 5 lados?

9. Uma alternativa para definir ângulo é a de considerar a in-


terseção de semi-planos. Formalize esta ideia. Relacione com
nossa definição.

10. Considere dois círculos S1 e S2 centrados no ponto O. As


semi-retas tendo O como origem podem ser usadas para as-
sociar a cada ponto P do círculo S1 um ponto Q do círculo
S2 . Pense nela como uma função f elo círculo S1 no círculo
S2. Mostre que:
a) Se J(Pi) = J(A) então A = A- (fé biunívoca.)
b) Se Q for qualquer ponto ele S2 então existe P E S1 tal
que J(P) = Q. (fé sobre.)

Comente sobre a seguinte afirmação: "Os círculos S1 e S2 têm


o mesmo número ele pontos".

11. De exemplo de um quadrilátero (não convexo) com duas dia-


gonais que não se interceptam.

12. Por definição, se P for um polígono convexo, então, para cada


um ele seus lados m,, podemos escolher um semi-plano L(m,)
determinado por m tal que P e L(m). Logo P e ílm L(m).
Mostre que P = ílm L(m).
13. Sejam m e n duas retas. Mostre que: se 1n está contida em
um elos semi-planos determinados por n então ou m, = n ou
m, e n não se intersectam.

14. Mostre que se uma semi-reta tem origem no vértice A ele um


triângulo ABC e passa por algum ponto interior ao triângulo,
então ela intercepta o lado BC.
44 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

COMENTÁRIO

No segundo e primeiro milênios antes de Cristo, floresceram


na Mesopotâmea (a região entre os rios Eufrates e Tigre, o que
hoje é aproximadamente o Iraque) várias civilizações conhecidas,
de um modo geral, como civilização babilônica. Entre elas, a ci-
vilização Suméria, que teve seu ápice no segundo milênio a.C., e
a civilização que se desenvolveu em torno da cidade chamada Ba-
bilônia no primeiro milênio a.C. Os babilônios absorveram grande
parte da cultura matemática egípcia e a ela acrescentaram suas
próprias conquistas. Entre estas, figura o total desenvolvimento da
álgebra elementar e a invenção de um sistema de numeração em que
os algarismos têm um valor de posição na grafia dos números. Este
método de escrever os números, infelizmente não foi absorvido pelas
civilizações que se seguiram à civilização babilônica. Em passado
mais recente ele foi redescoberto pelos hindus de quem o importa-
mos, através dos árabes.
Enquanto a base de numeração hindú era decimal, exatamente
como utilizamos hoje, a base de numeração babilônica era sexa-
gesimal. Isto significa que eles utilizavam 60 símbolos (algarismos)
distintos para escrever todos os números. Infelizmente o zero era
representado por uma lacuna o que tornava a leitura de alguns
números confusa. Talvez esta tenha sido a dificuldade essencial,
que levou este sistema a não ser absorvido pelas civilizações que
sucederam a civilização babilônica.
Para este povo, que utilizava um sistema de numeração de base
60, foi muito natural dividir o círculo em 360 partes (grau), e cada
uma destas partes em 60 partes (minuto) e repetir o processo para
estas sub-partes. Assim o "grau" é uma invenç:ão dos babilônios,
que entraram para a história da ciência matemática com uma con-
tribuição importante que utilizamos até hoje.
CAPÍTULO 4

CONGRUÊNCIA

Definição 4.1 Diremos que dois segmentos AB e CD são con-


gruentes quando AB = CD; diremos que dois ângulos  e Ê são
congruentes se eles têm a mesma medida.

Observe que, com esta definição, as propriedades ela igualdade


ele números passam a valer para a congruência ele segmentos e ele
ângulos. Como conseqüência, um segmento é sempre congruente a
ele mesmo e dois segmentos, congruentes a um terceiro, são con-
gruentes entre si. O mesmo valendo para ângulos.
Para simplificar ao máximo a nossa notação, iremos utilizar o
símbolo "="para significar congruente. Assim, AB = CD eleve ser
lido como AB é congruente a CD e  = Ê eleve ser lido como
ângulo A é congruente ao ângulo B. Em geral não haverá perigo
ele confusão com a igualdade ele números ou ele conjuntos. Quando
houver, reforçaremos com palavras o significado elo símbolo.

Definição 4.2 Dois triângulos são congruentes se for possível es-


tabelecer uma correspondência biunívoca entre seus vérices de modo
que lados e ângulos correspondentes sejam congruentes.

Se ABC e EFG são dois triângulos congruentes e se

45
46 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

A - E
B -----.t F
C - G
é a correspondência que define a congruência, então valem, simul-
taneamente, as seis relações seguintes:

AB EF BC FC AC EG
Â Ê Ê p ê ê
Se, nos triângulos abaixo, considerarmos a correspondência C - F,
B - D e A - E, verificaremos que ê = P, Ê = ÍJ, Â = Ê,
CB = FD, BA = DE e AC= EF. Portanto os triângulos CBA
e F D E são congruentes.

G
e

6
F

30
,____,__ _ _4
_ _ _.___--"" A

Figura 4.1

Escreveremos ABC = EFG para significar que os triângulos


ABC e EFG são congruentes e que a congru.ência leva A em E, B
em F e Cem G.

Axioma IV Dados dois triângulos ABC e EFG, se AB = EF,


AC = EG e  = Ê então ABC = EFG.
4. CONGRUÊNCIA 47

Observe que, ele acordo com a definição (4. 2), para verificarmos
se dois triângulos são congruentes temos que verificar seis relações:
congruência elos três pares de lados e congruência dos três pares de
ângulos correspondentes. O axioma acima afirma que é suficiente
verificar apenas três delas, ou seja:

AB = EF}
AC=EG ==> { A-f! = E}F, BC= FC, AC= EG
A= E, Ê = F, ê= ê
Â=Ê

Este axioma é conhecido como primeiro caso ele congruência ele


triângulos. Outros dois casos serão apresentados a seguir.

Teorema 4.3 (2° caso de congruência de triângulos) Dados


dois triângulos ABC e EFG, se AB = EF, Â = Ê e Ê = F,
então ABC = EFG.

Prova: Sejam ABC e EFG dois triângulos tais que AB = EF,


 = Ê e Ê = F. Seja D um ponto ela semi-reta SAc tal que
AD= EG.
G

A~----------~B E~----------~F

Figura 4.2

Compa~e os !riângulos ABD e EFG. Como AD = EG, AB =


EF e A = E, concluímos, pelo axioma IV, que ABD = EFG.
Como conseqüência, tem-se que AÊD = F. Mas, por hipótese,
F = AÊC. Logo AÊD = AÊC. Consequentemente as semi-retas
SBD e S8 c coincidem. Mas então o ponto D coincide com o ponto
48 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

C· e, portanto, coincidem os triângulos ABC e ABD. Como já


provamos que ABD = EFG, então ABC= EFG.

Definição 4.4 Um triângulo é dito isósceles se tem dois lados con-


gruentes. Estes lados são chamados de laterais, e o terceiro lado é
chamado de base.

Proposição 4.5 Em um triângulo isósceles os ângulos da base são


congruentes.

Prova Seja ABC um triângulo em que AB = AC. Pretende-se


provar que Ê = ê. Para isto compare o triângulo ABC com ele
mesmo fazendo corresponder os vértices da seguinte maneira:

A t--t A, B t-t C e C t-t B.

A
Por hipótese, AB = AC e
AC = AB. Como  =
Â, segue-se (pelo axioma IV)
que esta correspondência de-
fine uma congruência. Como
conseqüência tem-se Ê = ê. B e
P.igura 4.3

Caso o leitor tenha alguma dificuldade em seguir o argumento


acima, deve desenhar duas cópias elo triângulo ABC e repetir o
raciocínio para estes dois triângulos.

Proposição 4.6 Se, em um triângulo ABC, tem-se dois ângulos


congruentes, então o triângulo é isósceles.
4. CONGRUÊNCIA 49

Prova Seja ABC um triângulo em que Ê3 = ê. Vamos mostrar


que AB = AC. Novamente comparemos o triângulo ABC com
ele próprio, fazendo corresponder os vértices como na prova ela
proposição anterior, isto é: A - A, B - C e C - B. Como
Ê3 = ê e ê = Ê3 por hipótese, e BC= CB, segue-se (pelo teorema
(4.3)) que esta correspondência define uma congruência. Como
conseqüência AB = BC.

Definição 4. 7 Seja ABC um triângulo e seja D um ponto da


reta que contém B e C. O segmento AD chama-se mediana do
triângulo relativamente ao lado BC, se D for o ponto médio de
BC. O segmento AD chama-se bissetriz do ângulo  se a semi-reta
SAD divide o ângulo C ÂB em dois ângulos congruentes, isto é, se
CÂD = DÂB. O segmento AD chama-se altura do triângulo rela-
tivamente ao lado BC, se AD for perpendicular a reta que contém
B eC.

Na figura (4.4), em (a) AD é mediana, em (b) AD é bissetriz,


e em (c) AD é altura.

A C

I
I
I
I
I
I
I
BL...---0.___ _,
A
(a) (b) (e)

Figura 4.4
50 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Proposição 4.8 Em um triângulo isósceles a mediana relativa-


mente a base é também bissetriz e altura.

Prova: Seja ABC um triângulo isósceles cuja base é AB. Seja


CD sua mediana relativamente à base. Deve-se provar que AÔD =
BÔD e que ADC é um ângulo reto. Para isto considere os triângulos
ADC e BDC. Como AD = BD (já que CD é mediana), AC =
BC (já que o triângulo é isósceles com base AB) e  = Ê (de
acordo com a proposição anterior), então,pelo Axioma IV, tem-se
ADC = BCD. Segue- se daí que AÔD = BÔD e CÍJA = BÍJC.
A primeira congruência nos diz que CD é bissetriz do ângulo Aê B.
Como AD B é um ângulo raso e C ÍJ A + B ÍJC = AD B então
CÍJA + BÍJC = 180°. Como já sabemos que CÍJA = BÍJC então
concluímos que CÍJA = BÍJC = 90°. Portanto CD é perpendicular
a AB. Isto conclui a prova da proposição.

A D e

Figura 4.5

Teorema 4.9 (3º caso de congruência de triângulos) Se dois


triângulos têm três lados correspondentes congruentes então os tri-
ângulos são congruentes.
4. CONGRUÊNCIA 51

A1------,-------➔ B

Figura 4.6

Prova Sejam ABC e EFG dois triângulos tais que AB = EF,


BC = FC e AC = EG. Vamos provar que ABC = EFG.
Para isto, construa, a partir da semi-reta SAB e no semi-plano
oposto ao que contém o ponto C, um ângulo igual ao ângulo Ê. No
lado deste ângulo que não contém o ponto B, marque um ponto D
tal que AD = EG e ligue D a B. Como AB = E F (por hipótese),
AD = EG (por construção) e DÂB = Ê (por construção), então
ABD = EFG. Vamos agora mostrar que os triângulos ABD e
ABC são congruentes. Para isto trace CD. Como AD = EG =
AC e DB = FG = BC, então os triângulos ADC e BDC são
isósceles. Segue-se que AÍJC = AêD e C ÍJ B = Dê B e logo que
AÍJ B = Aê B. Mas então, pelo primeiro caso de congruência de
triângulos, podemos concluir que ABD = ABC. Como já tínhamos
provado que ABD = EFG, concluímos que ABC= EFG.
52 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

EXERCÍCIOS

1. Um ângulo raso é dividido por duas semi-retas em três ângulos


adjacentes congruentes. Mostre que a bissetriz elo ângulo elo
meio é perpendicular aos lados elo ângulo raso.
2. Desenhe um triângulo. Construa agora um outro triângulo
congruente ao que você desenhou. Descreva o procedimento.
3. Construa um triângulo ABC sabendo que AB = 7, 5e111,,
BC = 8, 2e111, e AÊC = 80°. Meça o comprimento ele AC
e os outros ângulos elo triângulo.
4. Na figura abaixo à esquerda os ângulos a e /3 são congruentes.
Mostre que AC = BC.
D

e A

5. Na figura acima à direita tem-se AB = AC e BD = CE.


Mostre que: ACD = ABE e BCD = CBE
6. Dois segmentos AB e CD se interceptam em um ponto M o
qual é ponto médio elos dois segmentos. Mostre que AC =
BD.
7. Em um triângulo ABC a altura elo vértice A é perpendicular
ao lado BC e o divide em dois segmentos congruentes. Mostre
que AB = AC.
4. CONGRUÊNCIA 53

8. Mostre que os pontos médios dos lados de um triângulo isósceles


formam um triângulo também isósceles.
' e
9. Na figura ao lado, AC = AD
e AB é a bissetriz do ângulo
C ÂD. Prove que os triângulos
AC B e AD B são congruentes. A <---------o B

10. Complemente o exercício


anterior mostrando que, se D

traçármos o segmento CD, ele


será perpendicular a AB.

11. Em um quadrilátero ABC D sabe-se que AB = CD e BC =


AD. Mostre que os triângulos AC B e CAD são congruentes.
Conclua que os ângulos opostos do quadrilátero são congruen-
tes, isto é, que  = ê e Ê = ÍJ. Altere sua prova para mostrar
que, se os quatro lados tiverem a mesma medida então os qua-
tro ângulos serão congruentes.
12. Mostre que um triângulo eqüilátero é também eqüiangular,
isto é, tem os três ângulos iguais.
13. Na figura abaixo o ponto A é ponto médio dos segmentos CB
e DE. Prove que os triângulos ABD e AGE são congruentes.
e

D A ~ E

~ B

14. Considere um círculo de raio R centrado em um ponto O.


Sejam A e B pontos do círculo. Mostre que o raio que passa
54 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

pelo ponto médio do segmento AB é perpendicular a este


segmento. Inversamente, mostre que, se o raio é perpendicular
ao segmento então o cortaria no seu ponto médio.
15. Na figura abaixo os ângulos  e ê são retos e o segmento DE
corta CA no ponto médio B de CA. Mostre que DA= CE.
D

e B
A

16. Dois círculos de centro A e B e mesmo raio se interceptam


em dois pontos C e D. Se M é o ponto de intersecção de AB
e CD, mostre AM = M B e Clvi M D.
17. Use o resultado do exercício anterior para descrever um mé-
todo de construir, usando apenas régua e compasso, a per-
pendicular a uma reta passando por um ponto fora da reta.
18. Da figura ao lado sabe-se que
OC = O B, O D = O A e e B
BÔD = CÔA. fl.fostre que
CD = BA. ~:e, além disto,
soubermos que CD = O B con-
clua que os três triângulos for-
mados são isósceles.
19. Considere um ângulo AÔB onde AO
D
M o
BO. Trace dois
A

círculos ele mesmo raio centrados erL A e em B. Suponha


que seus raios sejam grande suficientes para que eles se inter-
ceptem em dois pontos. Mostre que a reta ligando estes dois
pontos passa pelo vértice do âr1gulo e é sua bissetriz.
4. CONGRUÊNCIA 55

20. Use o resultado o exercéicio anterior para descrever um método


ele construir a bissetriz de um ângulo usando apenas régua e
compasso.

21. Faça uma demonstração cliferente da Proposição (4.5) fazendo


uso da solução elo exercício 5.

22. Três sarrafos ele madeira são


pregados, dois a dois, ele
modo a formar um triângulo,
com somente um prego em
cada vértice. A figura as-
sim obtida é rígida. Por que?
Para comparação construa um
quadrilátero com quatro sar-
rafos e um prego em cada
vértice. É esta figura rígida?

23. Explique porque é usual reforçar-se um portão com uma trave


na diagonal como indicado esquematicamente na figura se-
guinte à esquerda.

24. Explique porque a figura acima à direita é rígida.


56 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

PROBLEMAS

1. Na figura ao lado C!vl A é


ç
um ângulo reto e M é ponto
médio de AB Mostre que
CA = CB.

2. A região marcada com um


11,f representa um lago. Des-
creva um processo pelo
e
qual seja possível medir a
distância entre os pontos A
e B. (Qualquer medição
fora do lago é possível). B

3. Mostre que, se um triângulo tem os três lados congruentes,


então tem também os três ângulos congruentes.

4. Na figura ao lado ABD


e BCD são triângulos B

isósceles com base D B.


e
Prove que os ângulos
AÊC e AÍJC são congru- D
entes.

5. Usando a mesma figura, mostre que ,também a reta AC é


bissetriz de B ÂD e é perpendicular a D B.
4. CONGRUÊNCIA 57

6. Na ao lado, ABD
e são triângulos
isósceles com base BD.
Prove que AÊC = AÍJC
e que AC é bissetriz do
ângulo BêD. e

7. Justifique o seguinte procedimento para determinação do pon-


to médio de um segmento. "Seja AB um segmento. Com um
compasso centrado em A, desenhe um círculo de raio AB.
Descreva outro círculo de mesmo raio e centro em B. Estes
dois círculos se interceptam em dois pontos. Trace a reta
ligando estes dois pontos. A interseção desta reta com o seg-
mento AB será o ponto médio de AB."

A M B

8. Na construção acima é realmente necessário que os dois cír-


culos tenham raio AB '?
9. Mostre que, na construção descrita no problema 7, acima, a
reta que determina o ponto médio de AB é perpendicular a
AB.
10. Utilize a idéia da construção descrita no problema 7 e pro-
ponha um método de construção de uma perpendicular a uma
reta dada passando por um ponto desta reta.
58 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

11. Na figura abaixo tem-se AD = DE, Â = DÊC e AÍJE =


BÍJC. Mostre que os triângulos ADB e EDC são congruen-
tes.

12. Um quadrilátero tem diagonais congruentes e dois lados opos-


tos também congruentes. Mostre que os outros dois lados são
congruentes.

13. Determine o conjunto de pontos que satisfazem a propriedade


de serem equidistantes dos extremos de um segmento.
14. Sejam A e B pontos de um círculo e M o ponto médio de
AB. sejam C e D pontos do segmento AB equidistantes do
ponto M. Mostre que C e D são também equidistantes do
centro do círculo. O resultado ainda vale se os pontos C e D
estiverem sobre a reta que contém AB?
15. Uma reta corta dois círculos concêntricos em quatro pontos.
Mostre que os dois segmentos que ficam ·na região entre os
círculos são congruentes.
4. CONGRUÊNCIA 59

COMENTÁRIO

Foi na Grécia que surgiu, pela primeira vez na história, a figura


do cientista profissional. Aquele homem devotado à busca ele co-
nhecimento e recebendo um salário para fazer isto. Alguns elos
nomes mais representativos desta classe, durante a civilização grega,
viveram em Alexandria, onde Ptolomeu I fez erigir um grande cen-
tro de pesquisas denominado "Museo", com sua famosa biblioteca.
Ali, a tradição grega em Ciência e Literatura foi preservada e de-
senvolvida. O sucesso desse empreendimento foi considerável.
Entre os primeiros pesquisadores associados ao Museo de Ale-
xandria está Euclides, um dos matemáticos mais influentes de todos
os tempos. Euclides aparentemente recebeu sua educação mate-
mática em Atenas, dos discípulos ele Platão, e sua principal obra
intitula-se: "Elementos", (composto de 13 volumes). Este trabalho
deve ter-se tornado um clássico logo após sua publicação. Cer-
tamente, desde os tempos de Arquimedes, ele era constantemente
referido e utilizado como texto básico. Ao lado ela bíblia é sem
düvida o livro mais reproduzido e estudado de todos os que já foram
escritos na história do rriundo ocidental. Mais de 1.000 edições dele
já foram produzidas desde a invenção ela imprensa e, antes disto,
cópias manuscritas dominavam todo o ensino ela matemática. A
geometria ensinada na escola secundária é, freqüentemente, cópia
quase literal ele 8 ou 9 dos 13 volumes que o constituem. O próprio
texto que o leitor tem em mãos contém muitas demonstrações que
são, exceto pela linguagem, parte dos "Elementos".
Certamente Euclides não criou toda a geometria contida nos
seus "Elementos". Seu trabalho foi muito mais aquele de um com-
pilador, desejoso de colocar em um ünico texto, três das grandes
descobertas gregas:
60 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

a) a teoria de Eudoxio das proporções (livro V).


b) a teoria ele Teteto dos irracionais (livro X) e
c) a teoria dos cinco corpos regulares que ocupava lugar ele des-
taque na cosmologia ele Platão.

Foi, no entanto, a aplicação sistemática do método dedutivo


para desenvolver a geometria à partir ele alguns fatos básicos toma-
dos como axiomas, que, sem dúvida, teve o maior impacto e in-
fluência sobre o ensino e sobre a maneira ele fazer ciência a partir
de então.
CAPÍTULO 5

Ü TEOREMA DO ANGULO EXTERNO E SUAS


CONSEQÜÊNCIAS

Definição 5.1 Se ABC é um triâng·ulo, os seus ângulos ABC,


Bê A e CÂB são chamados de ângulos internos ou simplesmente de
ângulos do triângulo. Os suplementos destes âng·ulos são chamados
de ângulos externos do triângulo.

e ~ D
A

Figura 5.1

Na figura acima o ângulo BÂD é um ângulo externo do triângulo


ABC adjacente ao ângulo interno CÂB.

Teorema 5.2 (ÂNGULO EXTERNO) Todo ângulo e:rterno de um


triângulo mede mais do que qualquer dos ângulos internos a ele
não adjacentes.

61
62 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Prova: Seja ABC um triângulo. Na semi-reta ScA marque um


ponto D tal que A esteja entre C e D, como indicado na figura 5.2.
Devemos provar que BÂD > Ê e BÂD > ê. Vamos inicialmente
provar que BÂD > Ê. Para isto considere o ponto médio E do
segmento AB.

B __ ,F
- - I
- - I

e~,'/ A D
Figura 5.2

Na semi-reta ScE, marque um ponto F tal que CE = EF.


Trace AF. Compare os triângulos CEB e FAE. Como BE= AE
(já que E é o ponto médio de AB), CE = EF (por construção)
e BÊC = AÊF (por serem opostos pelo vértice), segue-se que
BEC = AEF. Consequentemente Ê = EÂF. Como a semi-
reta SAF divide o ângulo BÂD, então EÂF < BÂD. Portanto.
Í3 < BÂD. Deixamos a cargo do leitor a prova de que BÂD > ê.

Proposição 5.3 A soma das medidas de quaisquer dois ângulos


internos de um triângulo é menor do que 18(!1.

Prova: Seja ABC um triângulo. Vamos mostrar que Ê+ê < 180º.
Seja 0 o ângulo externo deste triângulo com vértice em C. Pela
proposição anterior temos que

Como 0 e ê são suplementares, então 0 + ê = 180°. Portanto,

Ê+ê < e+ê = 180°.


5. O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO 63

Corolário 5.4 Todo triângulo possui pelo menos dois ângulos in-
ternos agudos.

Prova: De fato, se um triângulo possuísse dois ângulos internos


não agudos, sua soma seria maior ou igual a 180º, o que não pode
ocorrer de acordo com a proposição anterior.

Corolário 5.5 Se duas retas distintas rn e n são perpendiculares


a uma terceira, então rn e n não se interceptam.

m
Prova: Se rn e n se inter-
ceptassem formar-se-ia um
triângulo com dois ângulos
retos, o que é absurdo pelo n
corolário anterior.

Figura 5.3

Definição 5.6 Duas retas que não se interceptam são ditas para-
lelas.

A proposição seguinte fornece um método ele construção de re-


tas perpendiculares. Como conseqüência do Corolário (5.5), este
método pode ser utilizado para construção de retas paralelas.

Proposição 5. 7 Por um ponto fora de uma reta passa uma e so-


mente uma reta perpendicular a reta dada.

Prova (Existência). Seja rn uma reta e A um ponto fora desta


reta. Tome sobre rn dois pontos B e C distintos. Trace AB. Se AB
já é perpendicular a m, terminamos a construção. Caso contrário,
considere, no semi-plano que não contém A, uma semi-reta com
origem B formando com SBc um ângulo congruente a AÊC. Nesta
semi-reta tome um ponto A' tal que BA' = BA. O segmento AA'
é perpendicular a m. De fato, como BA = BA', o triângulo ABA'
64 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

m
n', . . e
'
'A'

Figura 5.4

é isósceles. Como AÊC = CÊA', então BC é bissetriz do ângulo


ABA'. Segue-se, então, que BC é perpendicular a AA'.
( Unicidade) Se existissem duas retas distintas passando pelo
ponto A e sendo ambas perpendiculares a reta rn, formar-se-ia um
triângulo com dois ângulos retos, o que é absurdo de acordo com o
corolário (5.4).

Figura 5.5

O ponto A' obtido a partir de A e rn na construção acima (vide


figura (5.4)), é chamado de reflexo do ponto A relativamente à reta
rn. O reflexo é caracterizado pelas seguintes condições:

a) AA' é perpendicular a rn, e

b) rn corta AA' no seu ponto médio.


5. O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO 65

A função Fm que associa a cada ponto elo plano, o seu reflexo


relativamente a uma reta m fixada, é chamada reflexão e tem as
seguintes propriedades:

i) Fm(Fm(A)) =Apara todo ponto A,


ii) Fm(A) =Ase e somente se A é ponto ela reta m,
iii) Fm(A)Fm(B) = AB, ou seja, Fm preserva a distância entre
pontos elo plano, e
iv) se A E m, B ~ ni e B' = Fm(B) então m é a bissetriz elo
ângulo BÂB'.

Fica a cargo elo leitor a demonstração ela validade destas pro-


priedades.
Dado um ponto A e uma reta ni, a perpendicular a m passando
por A interceptam em um ponto P chamado: pé ela perpendicular
baixada elo ponto A a reta m. Se Q é qualquer outro ponto ele m,
o segmento AQ é dito ser oblíquo relativamente a m.

m
Q p

Figura 5.6

Na figura, o segmento Q P é chamado ele projeção do segmento


QA sobre a reta m. É uma conseqüência ela proposição seguinte
que QA > QP e que QA > AP. O número AP é chamado de
distância elo ponto A à reta m.
Dado um triângulo ABC diremos que o lado BC opõe-se ao
ângulo  ou, ele maneira equivalente, que o ângulo  é oposto ao
lado BC.
66 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

e
Figura 5.7

Proposição 5.8 Se dois lados de um triângulo não são congru-


entes então seus ângulos opostos não são congruentes e o maior
ângulo é oposto ao maior lado.
Prova: A primeira parte da proposição é uma conseqüência ime-
diata das proposições (4.5) e (4.6). Para provar a segunda parte,
considere um triângulo ABC em que BC < AC e vamos mostrar
que CÂB < CÊA.
e

Figura 5.8

Para isto, marque, sobre a semi-reta ScA, um ponto D tal que


CD= BC. Como BC< AC então este ponto D pertence ao seg-
mento AC e, como conseqüência, a semi-reta S 8 v divide o ângulo
CÊ A. Portanto tem-se
CÊA > CÊD.
Agora observe que

CÊD = CÍJB > CÂB.


5. O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO 67

A igualdade acima é conseqüência de CBD ser um triângulo isós-


celes, e a desigualdade ocorre porque C ÍJ B é ângulo externo elo
triângulo BDA. Portanto
CÊA > CÂB
como queríamos demonstrar.
Proposição 5.9 Se dois ângulos de um triângulo não são congru-
entes então os lados que se opõem a estes ângulos têm medidas
distintas e o maior lado opõe-se ao maior ângulo.
Prova: Novamente aqui, a primeira parte ela proposição é uma
conseqüência imediata das proposições (4.5) e (4.6). Para provar
a segunda parte, considere um triângulo ABC em que CÂB <
CÊA e vamos mostrar que BC< AC. Observe que, existem três
possibilidades: BC< AC, BC> AC e BC= AC.
Se BC > AC então, pela proposição anterior, deveríamos ter
CÂB > CÊA, o que é contrário a nossa hipótese. Do mesmo modo,
se ocorresse BC= AC, o triângulo seria isósceles e CÂB = CÊA,
o que está também em desacordo com nossa hipótese.
Logo eleve ocorrer BC< AC, como queríamos demonstrar.
Teorema 5.10 Em todo triângulo, a soma dos comprimentos de
dois lados é maior do que o comprimento do terceiro lado.
Prova Dado um triângulo ABC mostraremos que AB+BC > AC.
Para isto, marque um ponto D na semi-reta SAB, ele modo que
AD= AB + BC. Segue-se que BD= CB e, portanto, o triângulo
BCD é isósceles com base CD. Logo, teremos BÔD = BÍJC.
Como B está entre A e D, então BÔD < AÔD. Segue-se que
no triângulo ACD tem-se BÍJC < AÔD. Logo, pela proposição
anterior, AC< AD. Mas então AC< AB + BC.
Teorema 5.11 (DESIGUALDADE TRIANGULAR) Dados três pon-
tos distintos A, B e C do plano, tem-se que AC ::; AB + BC.
Igualdade ocorre se e somente se B pertence ao segmento AC.
68 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

A~---------~
13
------~D

Figura 5.9

Prova: Se A, B e C não estão sobre uma mesma reta, então eles de-
terminam um triângulo e a desigualdade é conseqüência do teorema
anterior. Se estão sobre uma mesma reta, sejam a, b e e, respecti-
vamente, as suas coordenadas. Neste caso é simples verificar que

la - cl :'.S la - bl + lb - cl
e que igualdade ocorre se e somente se b está entre a e e. O resultado
é agora uma conseqüência do teorema (2.2).

A desigualdade triangular é a única restrição para que se possa


construir um triângulo com comprimento dos lados pré-determina-
dos. Por exemplo, de acordo com esta desigualdade é impossível
construir-se um triângulo cujos lados sejam 5, 3 e 9.

Proposição 5.12 Sejam a, b e e três números positivos. Suponha


que la - bl < e < a+ b. Então pode-se construir ·um t?·iângulo cujos
lados medem a, b e e.
Prova: Trace uma reta e sobre ela marque dois pontos A e B tais
que AB = e. Com um compasso descreva um círculo ele centro A e
raio b, e um círculo ele centro B e raio a.
Como la-bl < c < a+b, os dois círculos se interceptam. Chame
quaisquer elos pontos ela interseção ele C. O triângulo ABC tem
lados medindo a, b e e como desejado.
5. O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO 69

Figura .5.10

Vamos agora aplicar a desigualdade triangular para resolver o


seguinte problema: São dados dois pontos A e B fora de uma reta
m,. Determinar um ponto P sobre a reta m tal que AP + P B seja
o menor possível.
Inicialmente vamos supor que A e B estejam em semi-planos
distintos relativamente a reta m,. Neste caso o segmento AB inter-
cepta a reta m, num ponto P. Afirmo que este ponto é a solução
elo nosso problema. De fato, se P' é qualquer ponto de m, então,
pela desigualdade triangular, teremos: AP' + P' B 2:: AB, ocorrendo
igualdade se e somente se P = P'.

Figura 5.11

No caso em que A e B estão em um mesmo semi-plano, seja


B' o reflexo elo ponto B relativamente a reta m. Se P' é qualquer
ponto de m, então P' B = P' B'. Consequentemente, teremos que
AP1 +P1 B = AP' +P1 B 1 •
70 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Assim, o problema reduz-se ao caso anterior e a solução é o ponto


P obtido pela interseção de m com o segmento AB'
A

B'

... ...
... 1
'B

Figura 5.12

É interessante observar que este problema surge em Física, quan-


do se tenta determinar um ponto P, sobre um espelho, onde deve
ocorrer a reflexão de um raio de luz que vai do ponto A ao ponto B,
refletindo-se no espelho. Ou quando tenta-se determinar um ponto
onde uma bdl.it de bilhar deve chocar-se com a lateral da mesa, para
ir do ponto A, tocar na lateral e atingir uma bola que se encontra
no ponto B.
Vamos agoral 'apHcar os resultados já obtidos para estudar uma
classe especial de triângulos.
Definição 5.13 Um triângulo que possui um ângulo reto é cha-
mado triângulo retângulo. O lado oposto ao ângulo rew é chamado
hipotenusa, e os outros dois lados são denominados catetos.
De acordo com (5.4) os ângulos opostos aos catetos são agudos.
É uma conseqüência de (5.9) que a hipotenusa é maior do que qual-
quer dos catetos. Por outro lado, pela desigualdade triangular, o
comprimento da hipotenusa é menor do que a soma dos compri-
mentos dos catetos. Se dois triângulos retângulos são congruentes,
então, necessariamente, os ângulos retos rlP.vem-se corresponder.
5. O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO 71

B hipotenusa e
Figura 5.13

Por causa disto, além dos três casos de congruência que já conhe-
cemos, existem outros três específicos para triângulos retângulos.
Estes são apresentados no teorema seguinte.

Teorema 5.14 (CONGRUÊNCIA DE TRIÂNGULOS RETÂNGULOS)


Sejam ABC e A' B'C' dois triângulos retângulos cujos ângulos retos
são ê e ê 1 • Se alguma das condições abaixo ocorrer, então os dois
triângulos soo congruentes:
\l'~:.\·1.
1. BC= B'C' e
2. AB = kE' e BC= B'C', e

3. AB = A'B' e Â=Â'.

Os casos acima podem ser identificados como igualdade entre

1. (c • a) cateto e ânguio oposto,

2. (h • c) hipotenusa e cateto, e

3. (h • a) hipotenuss, e §.:ngulo agudo.

Prova: (Caso 1) Nossas hipóteses são, neste caso, as seguintes:

ê = ê' (reto), BC= B'C' e  = Â'.


72 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Observe que, apesar ele termos informações sobre dois ângulos e um


lado, não podemos aplicar o "2º caso ele congruência". Para provar
que ABC e A' B'C' são congruentes marque um ponto D sobre a
semi-reta ScA ele sorte que CD = C'A'. Os triângulos CDB e
C' A' B' são então congruentes, pelo primeiro caso ele congruência.

Figura 5.14

Como conseq_üência, tem-se que C ÍJ B = Â'. Desde que C ÂB = Â'


(por hipó-~s:e), concluímos que

CÍJB = CÂB.

Afirmo que os pontos A e D coincidem. De fato, se tal não ocor-


rer A, D!'l'B formam um triângulo em que os ângulos CÍJB e
C ÂB sã~ ângulo externo e interno não adjacente. Portanto a igual-
dade acima hão pode ocorrer ele acordo com o teorema elo ângulo
externo. Então A e D coincidem e logo CAB = CDB. Como
CDB = C'A'B' conclui-se que CAB = C'A'B', como queríamos
demonstrar.
As demonstrações elos outros dois casos são deixadas a cargo elo
leitor.
5. O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO 7:3

EXERCÍCIOS

1. Prove que, se um triângulo tem dois ângulos externos congru-


entes, então ele é isósceles.
2. A figura ao lado é formada pe-
los segmentos AC, AE, CF e
E B. Determine os ângulos que
são: D e
8
a) menores elo que o ângulo s/
7. .t
7 B
\ /
b) maiores elo que o ângulo
5, e,
3/
A
c) menores elo que o ângulo
4 \
3. Na figura ao lado os ângulos
externos Aê'E e AÊD satis-
fazem a clesig-_-:.alclacle: Aê E <
AÊD. Mostre que AÊD >
ABC.
D B e E

4. Prove que um triângulo retângulo tem dois ângulos externos


obtusos.

5. Em um cartório ele registro ele imóveis um escrivão recusou-se


a transcrever o registro ele um terreno triangular cujos lados,
segundo o seu proprietário, mediam 100m, 60m e 20m. Você
pode dar um argumento que justifique a atitude do escrivão?
74 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

6. Sejam ABC e A' B'C' dois triângulos em que AB = A' B',


 = Â' e ê = Ô'. Decida se ABC e A' B'C' são congruentes
ou não. (Prove que eles são congruentes ou dê um exemplo
para mostrar que as hipóteses podem ocorrer sem que os dois
triângulos sejam congruentes).

7. A figura abaixo foi copiada de um livro por uma criança. As


medidas dos ângulos indicadas são as medidas corretas do
desenho original. Com base nesta informação, responda às
seguintes questões relativas ao desenho original.

a) Os triângulos ABC e
DCB são congruen- e
tes?
b) Qual o lado do
triângulo ABC qu-3 é
A
mais longo?
c) ·Qual o lado do
tr,1,ângulo DC B que é B
mais curto?
e
8. Se, no problema anterior, os
ângulos tivessem _sido indica-
dos como na figura ao lado,
A
quais seriam as respostas às
perguntas a, b e e acima?
B
B
9. Na figura ao lado tem-se
BD > BC e  > AÊC. Prove D
A
que BD> AC.

e
5. O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO 75

F
10. Na figura ao lado H foi esco-
lhido no segmento FG de sorte
1H
que EH = EG. Mostre que
2
i > 2.

11. Se um triângulo ABC é


eqüilátero e D é um ponto
do segmento BC mostre que
AD> DB.
m
A

12. Na figura ao lado m e n B


são duas retas perpendicula-
res. Qual o caminho mais a n
curto para se ir do ponto A ao
ponto B tocando-se nas duas
retas?

13. Na figura ao lado i 2. 2


Mostre que as retas m e n são n
paralelas.

14. Mostre que, qualquer triângulo tem pelo menos um ângulo


externo obtuso.
76 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

15. Na figura ao lado, B, D e A D


são colineares. Do mesmo E
modo D, E e C são colineares.
Mostre que AÊC > DÊC.
A e

16. Prove as propriedades da função "reflexão" , constantes do


texto.

B
17. Na figura ao lado os triângulos
ABC e EDC são congruentes E
e os pontos A, C e D são coli-
neares. Mostre que AD> AB.
A e D

m
18. Na figura ao lado tem-se i = 2 n

e i + 2 = 180º. Conclua que as


retas m e n são paralelas. 2

A B
i

19. Na figura ao lado Ê e ÍJ são


ângulos retos e AB = DC.
Mostre que AD= BC. e
1

20. No final da demonstração do teorema (5.2), é feita a seguinte


afirmação: ".. a semi-reta SAF divide o ângulo BÂD, ... ".
Justifique com detalhes porque esta afirmação é verdadeira.
5. O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO 77

B
21. Na figura ao lado AD e BC são A

segmentos. Mostre que AD +


BC> AB+CD
e D

22. Duas retas m e n são cortadas


por uma transversal formando m

ângulos a e I como indicado


na figura ao lado. Mostre que, 11 (l

se a+ 1 = 180º então 1n e n
não se interceptam.

23. Na figura ao lado AD e BC são


congruentes e perpendiculares
a CD. Mostre que os ângulos
~I~I
A I3

 e Ê são congruentes. D C

24. Dado um triângulo ABC, marca-se um ponto D no lado AB.


Mostre que CD é menor do que o comprimento de um elos
lados AC ou BC.
78 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

PROBLEMAS

1. No triângulo ABC da figura


ao lado tem-se CD perpendi-
cular a AB, BE perpendicular
a AC e CD= BE. Mostre que
ABC é um triângulo isósceles.

2. Na figura ao lado ABC é um A


triângulo eqüilátero e AD =
BE = CF. Se, além disso,
DÂB = EÊC, mostre que e

A
EFD é também eqüilátero.

B e A B

~l
3. Na figura ao lado AD = BC,
A M B
AÍJC e Bê.D são ângulos re-
tos, e M. E; N são pontos
médios dos segmentos AB e
DC respectivamente. Mostre
que M N é perpendicular a AB D
1

N
]
e
e a CD.

4. Demonstre os casos (2) e (3) da Proposição (5.14).

5. Sejam AHC e A' B'C' dois triângulos não retângulos comê =


ê1 , AB = A' B' e BC = B' C'. Dê um exemplo para mostrar
5. O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO 79

que estas hipóteses não acarretam que os triângulos devam


ser congruentes.

6. Mostre que, por um ponto fora de uma reta sempre passa uma
outra reta que não intercepta a reta dada.

7. Mostre que, se duas retas têm uma perpendicular comum


então elas não se interceptam.

8. Dado um triângulo ABC seja D o ponto médio do lado BC.


Considere então o segmento AE passando pelo ponto D tal
que AD = D E e trace EC. Mostre que a soma elos ângulos in-
ternos do triângulo AEC é igual à soma dos ângulos internos
do triângulo ABC. Mostre, além disto, que EÂC + AÊC =
B ÂC. Portanto o triângulo AEC possui um ângulo 0 satis-
fazendo a 0 ~ Â/2.

9. Mostre que a soma dos ângulos internos de um triângulo é


sempre menor ou igual a 180°. (Ajuda: Suponha que existe
um triângulo ABC cuja soma dos ângulos seja maior do que
:80º. Utilize o exercício anterior para construir uma seqüência
de triângulos AnBnCn todos tendo soma dos ângulos internos
i~uais a soma dos ângulos internos de ABC e tais que Ân ~
A/2n. Conclua~ prova mostrado que, para n suficientemente
grande chegar,epi<;>s_num triângulo em que dois ângulos somam
mais do que 180'\.2)

10. Mostre que, se num quadrilátero ABC D tem-se AB = CD


e BC = DA então os lados opostos deste quadrilátero estão
sobre retas que não se interceptam.

11. Dado u:rr. segmento AB mostre que existe um número a 0 satis-


fazendo a O < a 0 < 90 tal que, para todo ângulo O < a < a 0
existe "um ponto C fora de AB tal que o triângulo ABC é
isósceles com base AB e tal que a medida de C AB é igual
2A ideia desta )rova é devida a Legendre
80 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

a a. (Ajuda: Não é suficiente construir dois ângulos agu-


dos congruentes a a nas extremidades ele AB, pois as duas
retas construídas podem não se encontrar. Proceda ela se-
guinte forma. Trace a perpendicular 1n que passa pelo ponto
médio ele AB. Mostre que, para toda escolha ele C E m o
triângulo formado é isósceles. Mostre que os ângulos ela base
elos triângulos assim formados tem medida menor elo que um
certo número a 0 < 90 e maior elo que zero.)

12. Dois segmentos têm extremidades em um círculo. Mostre que


o mais distante elo centro elo círculo têm o menor compri-
mento.

13. Define-se a distância entre dois círculos como o menor com-


primento elos segmentos que têm uma extremidade em um
círculo e a outra no outro. Mostre que a distância entre dois
círculos concêntricos é o valor absoluto ela diferença entre seus
raios.
5. O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO 81

COMENTÁRIO

Quando se deseja demonstrar uma proposição, resolver um exer-


cício ou simplesmente entender o enunciado de um teorema, é muito
importante que sejamos capazes ele separar as hipóteses do que se
deseja provar (tese ou conclusão). Esquematicamente o enunciado
ele uma proposição (ou teorema, ou corolário, ou problema, ou exer-
cício etc.) pode ser sempre representado por

P - Q (leia: P implica Q)

onde P e Q representam aqui duas afirmações. A afirmação Pé a


hipótese e a afirmação Q é a tese. Em muitos casos, a hipótese vem
precedida ele um "se" ou de um "quando", e a tese de um "então".
Um exemplo disto é a seguinte proposição:

"Se duas retas distintas possuem uma perpendicular co-


mum, então elas não se interceptam."

Neste enunciado temos

Hipótese: Duas retas distintas possuem uma perpendicular


comum.
Tese: As duas retas não se interceptam.

Evidentemente, nem todos os enunciados ele proposições estão apre-


sentados no formato "se ... , então .. ". Por exemplo, a mesma propo-
sição poderia ter sido enunciada ela seguinte maneira:
82 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

"Retas perpendiculares a uma terceira não se encon-


tram".

Agora, a hipótese está disfarçada no pedaço de frase "Retas per-


pendiculares a uma terceira ... ", e a tese, no restante. Pelo menos
quatro proposições constantes deste capítulo nos dão exemplos de
enunciados deste tipo. Quando encontramos dificuldade em reco-
nhecer a hipótese e a tese de um dado enunciado, é sempre uma
boa política tentar reescrevê-lo no formato "se ... , então ... ". Por
exemplo, a proposição (4.8) tem o seguinte enunciado:

"Em um triângulo isósceles a mediana relativamente à


base é também bissetriz e altura."

Uma maneira de reescrevê-la no formato "se ... , então ... " é o se-
guinte:

"Se ABC é um triângulo isósceles com base BC e D é


o ponto médio de BC, então AD é bissetriz do ângulo
BÂC e é perpendicular ao lado BC."
Embora estes dois enunciados sejam extremamente diferentes, eles
dizem exatamente a mesma coisa. O primeiro é sem dúvida mais
elegante, mas o segundo é o enunciado com que realmente traba-
lhamos quando demonstramos esta proposição.
Consideremos agora as duas proposições seguintes:

a) "Se um triângulo é isósceles, então ele possui dois


ângulos iguais" .
b) "Se dois ângulos de um triângulo são iguais, então
o triângulo é isósceles" .

Observe que a hipótese da primeira é a tese da segunda e que a tese


da primeira é a hipótese da segunda. Em termos esquemáticos, se

P-+Q
5. O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO 83

representa a proposição (a), então

Q- p

representa a proposição (b). A segunda proposição é dita ser a


inversa da primeira. Cada proposição tem sempre uma inversa a
qual pode ser verdadeira ou não. Exemplos:

1.i) Se duas retas possuem uma perpendicular comum então elas


são retas paralelas.

l.ii) Se duas retas são paralelas, então elas possuem uma perpen-
dicular comum.

2.i) Se um triângulo é retângulo, então ele possui dois ângulos


agudos.

2.ii) Se um triângulo possui dois ângulos agudos, então ele é um


triângulo retângulo.

A proposição (1.i) foi demonstrada neste capítulo. Sua inversa, a


proposição (1.ii), é verdadeira, mas sua demonstração neste nível
do curso seria muito complicada. A proposição (2.i) também foi
demonstrada neste capítulo. Sua inversa, a proposição (2.ii), é ob-
viamente falsa.
Quando ocorre que as proposições P - Q e Q - P são simul-
taneamente verdadeiras, dizemos que P e Q são afirmações equiva-
lentes, e representamos esquematicamente isto por

P- Q (Pé equivalente a Q)
No enunciado de teoremas estabelecendo que as duas afirmações são
equivalentes é comum que se use o formato " ... se e somente se ... ".
Por exemplo:

"Dois lados de um triângulo são ·congruentes se e so-


mente se dois de seus ângulos são congruentes".
84 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Outros formatos comuns são "... se e só se ... ", "... é condição neces-
sária e suficiente para ... " e "... é equivalente a ... ".
Considere agora as duas seguintes proposições:

I) Se dois lados de um triângulo são congruentes então


seus ângulos opostos são também congruentes.
II) Se dois ângulos ele um triângulo não são congru-
entes, então os lados que se opõem a estes ângulos
também não são congruentes.

Se representarmos por _p a negação da afirmação P, então esque-


maticamente as proposições acima podem ser representadas por

I) p-+ Q
II) Ç'J -+1/

Chamamos a segunda proposição ele negativa da primeira. Um


fato simples ele lógica, e extremamente útil, é que uma proposição
e sua negativa são sempre simultaneamente verdadeiras ou simul-
taneamente falsas. Por isso é equivalente demonstrar-se qualquer
uma das duas. Deve-se, no entanto, observar que, o trabalho para
demonstração ele uma delas pode ser menos complicado do que o
trabalho para se demonstrar diretamente a outra. O leitor eleve
observar que a proposição I acima é exatamente a proposiç·ão (4.5)
e que II é a primeira parte ela proposição (5.9).
CAPÍTULO 6

Ü AXIOMA DAS PARALELAS

A existência ele retas paralelas é uma conseqüência elos postulados


já apresentados. O Corolário (5. 5), além ele garantir tal existência,
fornece um método ele, efetivamente, desenhar-se retas paralelas.
O axioma que apresentamos a seguir diz, essencialmente, que duas
retas paralelas a uma terceira e com um ponto em comum são co-
incidentes.

Axioma V Por um ponto fora ele uma reta m pode-se traçar uma
única reta paralela a reta m.

Deve-se observar que este axioma prescreve a 'Unicidade, já que


a existência ele reta paralela a m, passando por um ponto dado, já
era garantida por (5.5). Como conseqüência imediata deste axioma
tem-se:

Proposição 6.1 Se a reta rn é paralela às retas n 1 e n 2 , então n 1


e n2 são paralelas ou coincidentes.
Prova: Suponha que n 1 e n 2 não coincidem e são paralelas a reta
ni. Se n 1 e n 2 não fossem paralelas entre si, elas teriam um ponto ele
interseção, digamos, P. Mas então n 1 e n 2 seriam distintas paralelas
à reta m, passando por P. Isto contradiz o axioma V. Logo n 1 e n 2
são paralelas.

85
86 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Corolário 6.2 Se uma reta corta uma de duas paralelas, então


corta também a outra.
Prova: Sejam n 1 e n 2 retas paralelas. Se uma reta m cortasse n 1
e não cortasse n 2 , então m e n 2 seriam paralelas. Assim n 2 seria
paralela a m e a n 1 . Como m e n 1 não são paralelas entre si nem
coincidentes, temos uma contradição com a proposição anterior.
Logo m corta também n 2 .
A nossa definição de retas paralelas não é tão simples de usar
como aparenta. Desde que retas são infinitas em comprimento,
como poderemos provar que duas retas não se intersectam? Por
exemplo, as retas m e n da figura abaixo parecem ser paralelas.
Como decidir se elas não se encontram em algum ponto do plano
muito distante de A e B-?

Figura 6.1

Uma maneira muito simples de responder a esta pergunta é


através da comparação dos ângulos i e 2, indicados na figura, for-
mados pelas duas paralelas com a reta que passa por A e B

Proposição 6.3 Sejamm, n, i e 2 como na figura (6.1} Sei= 2,


então as retas m e n são paralelas.
Prova: De fato, se m interceptasse n em algum ponto P, como
representado na figura seguinte, formar-se.:.ia um triângulo ABP.
6. O AXIOMA DAS PARALELAS 87

Neste triângulo i é ângulo externo e 2 é um ângulo interno não


adjacente ao ângulo i, ou vice-versa. Assim, pelo teorem~ do ângulo
externo teríamos i-/- 2 o que contradiz nossa hipótese. Portanto m
e n não se intersectam.

Figura 6.2

Quando duas retas são cortadas por uma transversal formam-


se oito ângulos como indicado na figura abaixo. Quatro deles são
correspondentes aos outros quatro, a saber

i
-- 2
3
.5
7 -- 4
6
8

Figura 6.3
88 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Observe que i = 7, 2 = 8, 3 = 5 e 4 = 6 por serem opostos


pelo vértice. Como conseqüência, se i = 2 então todos os outros
pares de ângulos correspondentes serão congruentes. Além disso,
teremos que 3 + 2 = 180°. Inversamente, se 3 + 2 = 180° então
i = 2. Estas observações permitem reescrever a proposição (6.3)
de duas maneiras distintas.

Proposição 6.3.A Se, ao c01tarmos duas retas com uma trans-


versal, obtivermos 3 + 2 = 180º então as retas são paralelas.
Proposição 6.3.B Se, ao cortarmos duas retas com uma trans-
versal, os ângulos correspondentes forem congruentes, então as re-
tas são paralelas.

O axioma V permite-nos mostrar que a inversa desta proposição


é também verdadeira.

Proposição 6.4 Se duas retas paralelas são cortadas por uma trans-
versal, então os ângulos correspondentes são congruentes.

m"
m

m'

Figura 6.4

Prova: Sejam m e m' duas retas paralelas e seja n uma reta que
corta m e m' nos pontos A e B, respectivamente. Considere uma
reta m" passando pelo ponto A e formando com a transversal qua-
tro ângulos congruentes aos ângulos correspondentes formados pela
reta m' com a mesma transversal. De acordo com a proposição an-
terior m' em" são paralelas. De acordo com a proposição (6.1) e
6. O AXIOMA DAS PARALELAS 89

o Axioma V, m, e m" são coincidentes. Portanto 1n forma ângulos


com a reta n congruentes aos correspondentes formados por m' com
a reta n.
Vamos agora apresentar duas conseqüências importantes elo axio-
ma V.

Teorema 6.5 A soma das medidas dos ângulos internos de um


triângulo é 180°.

Prova: Seja ABC um triângulo. Pelo vértice C trace uma reta


paralela ao lado AB. Numere os ângulos formados com vértice C,
como indicado na figura seguinte.

Figura 6.5

Tem-se i + 2 + 3 180º. Como AC é transversal às duas


paralelas, é uma conseqüência direta ela proposição anterior que
i = Â. Como BC é também transversal às duas paralelas, então
3 = Ê. Portanto
Â+Ê+AêB = 1+3+2 = 180°.
A proposição seguinte relaciona uma série ele corolários imedia-
tos deste teorema.

Corolário 6.6
a) A soma das medidas dos ângulos agudos de um triângulo
retângulo é 90º.
b) Cada ângulo de um triângulo eqüilátero mede 60º.
90 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

e) A medida de um ângulo externo de um triângulo é igual a


soma das medidas dos ângulos internos que não lhe são adjacentes.
d} A soma dos ângulos internos de um quadrilátero é 360º.
A pr~va deste corolário é deixada a cargo do leitor.

O teorema seguinte nos diz que retas paralelas são eqüidistantes.


Teorema 6. 7 Se m e n são retas paralelas, então todos os pontos
de m estão à mesma distância da reta n.
Prova: Sejam m e n retas paralelas. Sobre m tome dois pontos
A e A', e deles baixe perpendiculares à reta n. Sejam B e B'
respectivamente os pés destas perpendiculares. Devemos provar
que AB = A' B'. Para isto trace A' B como indicado na figura
seguinte.

Figura 6.6

Observe que AÂ' B = A' ÊB' e que A' ÂB = 90º. isto é uma
decorrência de que m e n são paralelas e da aplicação da proposição
(6.4) ao considerar-se A' B e AB como transversais. Portanto os
triângulos AA' B e B' B A' são triângulos retângulos com um ângulo
agudo e hipotenusa (comum) congruentes. Segue-se do teorema
(5.14) que eles são congruentes. A congruência é a que leva A
em B', A' em B e B em A'. Logo AB = A' B', como queríamos
demonstrar.
A inversa deste teorema é também verdadeira e sua demonstra-
ção é proposta como um exercício deste capítulo.
6. O AXIOMA DAS PARALELAS 91

Definição 6.8 Um paralelogramo é um quadrilátero cujos lados


opostos são paralelos.

A B

e
Figura 6.7

Proposição 6.9 Em um paralelogramo lados e ângulos opostos são


congruentes.

Prova: Seja ABCD um paralelogramo. Trace a diagonal AC.


Como AB e DC são paralelos, então BÂC = AêD. Como AD
e BC são paralelos, então CÂD = AêB. Como, além disso, AC
é comum aos triângulos ABC e CDA, então estes triângulos são
congruentes. Logo Ê = iJ,· AB = CD e BC= DA. É agora fácil
ver que  = ê.

Proposição 6.10 As diagonais de um paralelogramo se intersec-


tam em um ponto que é ponto médio das duas diagonais.

A prova desta proposição é simples e é deixada a cargo do leitor.


As duas proposições seguintes dão condições suficientes para que um
quadrilátero seja um paralelogramo.

Proposição 6.11 Se os lados opostos de um quadrilátero são con-


gruentes então o quadrilátero é um paralelogramo.
92 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Prova: Seja ABCD um quadrilátero em que AB = CD e BC=


AD. Trace a diagonal BD elo quadrilátero. Os triângulos ABD e
CD B são congruentes ele acordo com o terceiro caso ele congruência
ele triângulos. Logo CÊD = BDA e CDB = DÊA. A primeira
igualdade garante que BC e AD são paralelos, a segunda garante
que CD e BA também são paralelos. Logo ABCD é um paralelo-
gramo.

A B

e
Figura 6.8

Proposição 6.12 Se dois lados opostos de um quadrilátero são


congruentes e paralelos, então o quadrilátero é ·um paralelogramo.

A prova desta proposição é deixada a cargo elo leitor. Outras


proposições sobre paralelogramos são propostas como exercícios ou
problemas.

Teorema 6.13 O segmento ligando os pontos médios de dois lados


de um triângulo é paralelo ao terceiro lado e tem metade de seu
comprimento.

Prova: Seja ABC um triângulo. Designe por D o ponto médio


ele AB e por E o ponto médio ele AC. Devemos provar que D E é
paralelo a BC e que DE= ½BC. Para isto, marque na semi-reta
SEv um ponto F tal que FD = DE. Como AD = DB (já que
D é ponto médio de AB) AÍJE = F ÍJB por serem opostos pelo
6. O AXIOMA DAS PARALELAS 93

B e
Figura 6.9

vértice, então os triângulos AD E e F D B são congruentes. Como


conseqüência tem-se que DFB = AÊD e FB = AE. Logo FB e
EC são paralelos e têm o mesmo comprimento. Segue-se então ela
proposição (6.12) que o quadrilátero FBCE é um paralelogramo.
Portanto F E é paralelo a BC e têm o mesmo comprimento. Como
D é ponto médio ele FE então DE= ½BC, como queríamos de-
monstrar.

Proposição 6.14 Suponha que três retas paralelas, a, b e e, cor-


ta:m as retas m e n nos pontos A, B e C e nos pontos A', B' e C',
respectivamente. Se o ponto B encontra-se entre A e C, então o
ponto B' também encontra-se entre A' e C'. Se AB = BC, entâo
também tem-se A' B' = B' C'.

Prova: Sejam a, b e e retas paralelas em e n retas que intersectam


estas paralelas nos pontos A, B e C e A', B' e C' como indicado na
figura seguinte. Se B está entre A e C, então A e Cestão em semi-
planos distintos relativamente à reta b. Observe que A e A' estão
em um mesmo semi-plano determinado por b, já que a e b são retas
paralelas e A e A' pertencem à reta a. Do mesmo modo C e C' estão
em um mesmo semi-plano determinado por b. Podemos portanto
concluir que A' e C' estão em semi-planos distintos relativamente
à reta b.
94 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Logo b intercepta o seg- n


mento A' C' em um único a D
ponto. Como B' é o ponto A'
de interseção da reta n com b
a reta b, e A' e C' per-
tencem a n concluímos que o
ponto de interseção de A'C' e

com b é exatamente o ponto e E


B'. Logo B' pertence ao seg- Figura 6.10
mento A' C' e logo B' está en-
tre A' e C'. Isto demonstra a primeira parte ela proposição.
Para demonstrar a segunda parte, trace pelo ponto B' uma reta
paralela à reta m. Esta corta as retas a e e em pontos D e E,
respectivamente. Afirmo que os triângulos B' D A' e B' EC' são
congruentes. De fato, como DB'BA e B'ECB são paralelogramos,
então DB' = AB e B' E = BC. Como AB = BC por hipótese,
então concluímos que D B' = B' E. Observe que os ângulos DÊ' A'
e E B' C' são congruentes por serem opostos pelo vértice e B' b A' e
B' ÊC 1 são também congruentes por serem ângulos correspondentes
determinados por uma transversal cortada pelas paralelas a e e. Isto
prova a nossa afirmação. Da congruência dos triângulos B' D A' e
B' EC' decorre imediatamente que A' B' = B'C'.
Esta proposição pode ser generalizada de maneira quase ime-
diata para o caso em que as duas transversais cortam um número
qualquer (maior ou igual a três) ele retas paralelas.

Corolário 6 .15 Suponha que k retas paralelas a 1 , a2, ... , ak cor-


tam duas retas m e n nos pontos A 1 , A 2, ... , Ak e nos pontos A~,
A;, ... , A~, respectivamente. Se A1A2 = A2A3 = ... = Ak-1Ak
então A~A; = A;A; ~ ... = A~_ 1A~ .
A prova deste corolário é deixada a cargo do leitor. O teorema
que iremos enunciar a seguir constitui-se numa etapa essencial para
o estabelecimento ela teoria das figuras semelhantes que será desen-
volvida no próximo capítulo. Na sua demostração iremos utilizar,
6. O AXIOMA DAS PARALELAS 95

de maneira essencial, o fato de que o corpo dos números reais é


completo.

Teorema 6.16 Se uma reta, paralela a um dos lados de um tri-


ângulo, corta os outros dois lados, então ela os divide na mesma
razão.

Prova: Seja ABC um triângulo. Considere uma reta paralela ao


lado BC. que corta os lados AB e AC, respectivamente, nos pontos
D e E, como representado na figura (6.11). Deveremos provar que:

(AD/AB) = (AE/AC).
Para isto, tome um pequeno segmento APi na semi-reta SAB de
modo que as razões AB/AP 1 e AD/AP 1 não sejam números in-
teiros. Consideremos na semi-reta SAB os pontos A, Pa, ... , A,
... tais que

para todo k 2: 2. Existem então dois números inteiros m e n tais


que:

D está entre e
B está entre e

B~-------------~c
Figura 6.11
96 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Tem-se portanto:
ni · AP 1 < AD < (m + 1) · AP 1 e
n · AP 1 < AB < (n + 1) · AP 1 .

É então simples concluir destas desigualdades que


m AD m+ l
a) --<=<--.
n+ l AB n
Tracemos pelos pontos Pi, A, ... , Pn+i retas paralelas a BC. Estas
retas, segundo (6.15), cortam a semi-reta SAc em pontos Q1 , Q2 ,
... , Qn+i, os quais também satisfazem a

para todo k, 2 ~ k ~ n + 1. Além disso, o ponto E encontra-se


entre Qm e Qm+l e o ponto C entre Qn e Qn+l · O mesmo raciocínio
feito acima pode ser repetido aqui obtendo-se corno resultado a
desigualdade:
rn AE 1n + 1
b) --<=<--.
n+ l AC n
As desigualdades (a) e (b) permitem-nos concluir que

1n + 1
c) AD- AE
- -1 < - - - -m-
1
AB AC n n + 1.
Observe que, corno 1n ~ n, então
1n + l m m+ n + 1 2n + 2 2
-----=----<---
n n+l n(n+l) -n(n+l) n
ou seja, as razões AD/ AB e AE / AC diferem por não mais elo que
2/n. Quanto menor for o segmento APi tanto maior será o número
n e tanto menor será o quociente 2/n. Corno o lado esquerdo ela
desigualdade (c) não depende ele n, só podemos concluir que os quo-
cientes AD/ AB e AE / AC são iguais, como queríamos demonstrar.
6. O AXIOMA DAS PARALELAS 97

EXERCÍCIOS

1. Na figura ao lado O é o ponto


médio ele AD e Ê = ê. Se B,
O e C são colineares, conclua
que os triângulos ABO e DOC
são congruentes.
2. Prove que a soma elas medidas dos ângulos agudos de um
triângulo retângulo é 90°.
3. Prove que cada ângulo de um triângulo eqüilátero mede 60°.
4. Prove que a medida do ângulo externo ele um triângulo é igual
a soma das medidas dos ângulos internos a ele não adjacentes.
5. O que é maior, a base ou a lateral ele um triângulo isósceles
cujo ângulo oposto à base mede 57°?
6. Quanto medem os ângulos ele um triângulo se eles estão na
mesma proporção que os nümeros 1, 2 e 3?
7. Se um triângulo retângulo possui um ângulo que mede 30º,
mostre que o cateto oposto a este ângulo mede a metade ela
hipotenusa.

8. Na figura ao lado O é o centro


do círculo, AB é um diâmetro
e C é outro ponto elo círculo.
Mostre que 2 = 2 • i.
98 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

9. Seja ABC um triângulo isósceles com base AB. Sejam Jvf


e Nos pontos médios dos lados CA e CB, respectivamente.
Mostre que, o reflexo do ponto C relativamente à reta que
passa por M e N é exatamente o ponto médio do segmento
AB.

10. Demonstre a proposição (6.10).

11. Demonstre a proposição (6.12).

12. Um retângulo é um quadrilátero que tem todos os seus ângulos,


retos. Mostre que, todo retângulo é um paralelogramo.

13. Mostre que, as diagonais de um retângulo são congruentes.

14. Um losango (também denominado, rombo) é um paralelo-


gramo que tem todos os seus lados congruentes. Mostre que,
as diagonais de um losango cortam-se em ângulo reto e são
bissetrizes dos seus ângulos.

15. Um quadrado é um retângulo que também é um losango.


Mostre que, se a diagonais de um quadrilátero são congru-
entes e se cortam em um ponto que é ponto médio de ambas,
então o quadrilátero é um retângulo. Se, além disso, as dia-
gonais são perpendiculares uma a outra, então o quadrilátero
é um quadrado.

16. Um trapézio é um quadrilátero em que dois lados opostos


são paralelos. Os lados paralelos de um trapézio são chama-
dos bases e os outros dois são denominados de laterais. Um
trapézio é dito isósceles se suas laterais são congruentes. Seja
ABCD um trapézio em que AB é uma base. Se ele é isósceles,
mostre que  = Ê e ê = ÍJ.

17. Mostre que, as diagonais de um trapézio isósceles são congru-


entes.
6. O AXIOMA DAS PARALELAS 99

18. Determine a soma dos ângulos internos de um pentágono.

19. Determine a soma elos ângulos internos ele um nonágono.

20. Determine a soma dos ângulos externos ele um triângulo.

21. Determine a soma dos ângulos internos de um quadrilátero


não convexo.

22. Mostre que, em um paralelogramo os ângulos elos vértices


consecutivos são suplementares.

23. Se as diagonais ele um quadrilátero convexo têm o mesmo


comprimento o que pode ser dito sobre ele?

24. Um triângulo têm dois ângulos que medem 20º e 80º. Deter-
mine a medida de todos os seus ângulos externos.

25. Considere um ângulo ele vértice A e seja O um ponto na região


limitada por ele. Sejam M e N os pés das perpendiculares
baixadas de O aos lados do ângulo. Qual a medida elo ângulo
MÔN se a medida ele  for 20º.

26. Qual a resposta da questão anterior se o ponto O ficar na


região não limitada pelo ângulo. (Faça várais hipóteses sobre
a localização ele O, se achar necessário.)

27. Pode existir um triângulo ABC em que a bissetriz elo ângulo


 e a bissetriz elo ângulo externo no vértice B sejam paralelas?

28. Determine os ângulos de um triângulo retângulo isósceles.

29. Porque um triângulo não pode ter dois ângulos externos agu-
dos?

30. Pode um ângulo externo ele um triângulo ser menor elo que o
ângulo interno que lhe é adjacente?
100 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

31. Seja ABC um triângulo isósceles ele base BC. Mostre que a
bissetriz elo seu ângulo externo no vértice A é paralela a sua
sua base.

32. Na figura ao lado determine


o valor da soma dos ângulos
Ae B.

33. Na figura ao lado AE =


AD, CD = C F' BA = BC
e E ÍJ F = 80°. Determine
Ê.

A
34. Na figura ao lado AB é con-
gruente a AC, AE é congru-
ente a AD, e BÂD = 48".
Calcule a medida elo ângulo
B e CÍJE.
D
6. O AXIOMA DAS PARALELAS 101

E
35. Na figura ao lado tem- A
se que CE é bissetriz elo
ângulo AÔD e BE é bis-
setriz elo ângulo AÊC. De-
termine a medida elo ângulo
 sabendo que BÊC mede B e D
50°.

36. Na figura ao lado AB =


BC, AD é uma altura e AE
é uma bissetriz e Ê = 80º.
Determine o ângulo DÂE.

37. Na figura ao lado ABCD é


um quadrado e BCE é um
triângulo eqüilátero. Deter-
mine o ângulo B ÍJ E.
D C

38. Na figura ao lado determine


o valor ele a + b + e sabendo
d a
que d= 25º.

39. Na figura ao lado ABCD é


um quadrado e CD E é um
triângulo eqüilátero. Deter-
mine a medida elo ângulo
AÊD.
D C
102 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

40. Na figura ao lado AB, AC


e CD são congruentes. De-
termine /3 en função de a. a
B e D

41. Seja ABC um triângulo, Pum ponto de AC e Q um ponto


de AB. Além disto se sabe que CB = BP = PQ = QA.
Supondo que os ângulos ê mede 60º, determine a medida do
ângulo Â.

42. Na figura ao lado determine


o valor de a + /3 + 'Y + 0.
r
6. O AXIOMA DAS PARALELAS 103

PROBLEMAS

1. Mostre que, os casos (1) e (3) do teorema (5.14) são con-


seqüências imediatas do segundo caso de congruência de tri-
ângulos.

2. Demonstre o caso (2) do teorema (5.14) utilizando a constru-


ção sugerida pela figura seguinte.

B B'

\
\
\
\
\

\
\
\

--f---'D A'~--+--~ C'

3. Mostre que, se dois ângulos e o lado oposto a um deles, em um


triângulo, são iguais às correspondentes partes de um outro
triângulc, e!ltão os triângulos são congruentes.

4. Na figura ao lado A, B e
C são pontos de um círculo
de centro O. Mostre que A
BÔC=2-BÂC.
104 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

5. Mostre que, se m e n são


duas retas que formam, com
2
uma transversal, ângulos 2
e 3 (como na figura se-
3
guinte) tais que 2 + 3 #-
180º, então m e n se inter-
sectam.
6. Mostre que, se os ângulos opostos de um quadrilátero são
congruentes, então o quadrilátero é um paralelogramo.
7. Mostre que, se as diagonais de um quadrilátero se intersec-
tam em um ponto que é ponto médio de ambas, então o
quadrilátero é um paralelogramo.
8. Mostre que, se as diagonais de um paralelogramo são congru-
entes, então o paralelogramo é um retângulo.
9. Mostre que, um paralelogramo cujas diagonais são perpendi-
culares é um losango.
10. Prove que o segmento ligando os pontos médios das laterais
de um trapézio é paralelo às bases e que seu comprimento e
a média aritmética dos comprimentos das bases.
11. Mostre que, os pontos médios dos lados de um quadrilátero
qualquer são vértices de um paralelogramo.
12. Use a proposição (6.15) para estabelecer um método de di-
visão de. um segmento qualquer em k partes iguais.
13. Adote como axioma V', em sult~btuição ao axioma V, a vali-
dade da proposição contida no problema 5 acima. Prove agora
o axioma V. Explique por que o problema 5 e este mostram
que os axiomas V e V' são equivalentes. O axioma V' é exa-
tamente o quinto axioma como enunciado por Euclides (vide
comentário a seguir)
6. O AXIOMA DAS PARALELAS 105

CorvIENTÁRIO

Euclides baseou a construção ela sua geometria em 10 axiomas


separados em dois grupos: cinco foram classificados como "noções
comuns" e os outros como "postulados". A distinção entre eles não
é ele todo clara. As "noções comuns"parecem ter sido consideradas
como hipóteses aceitáveis a todas as ciências ou a todas as pessoas
inteligentes, enquanto que os postulados eram considerados como
hipóteses características ela geometria. As cinco noções comuns
eram:

1. Coisas que são iguais a uma mesma coisa são também iguais
entre si.
2. Se iguais são adicionados a iguais, os resultados são iguais.
3. Se iguais são subtraídos de iguais, os restos são iguais.
4. Coisas que coincidem com outras coisas são iguais uma a
outra.
5. O todo é maior do que qualquer ele suas partes.

Os postulados eram:

I Pode-se traçar uma reta por quâi'squer dois pontos.


II Pode-se continuar uma reta infinitamente.
III Pode-se descrever uma circunferência com qualquer centro e
qualquer raio.
IV Todos os ângulos retos são iguais.
106 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

V Se uma reta corta duas outras retas formando ângulos co-


laterais internos cuja soma é menor elo que dois retos, então
as duas retas, se continuadas infinitamente, encontram-se no
lado no qual estão os ângulos cuja soma é menor do que dois
retos.

Embora Euclides não tenha dito especificamente, fica claro,


através da forma como ele o utilizou, que o primeiro postulado
refere-se a uma única reta ligando os dois pontos. Também, elo
contexto, fica claro que, para Euclides, "reta"significava o que hoje
chamamos de "segmento". Daí ele falar em "continuar infinita-
mente uma reta". Ele assumiu tacitamente que tal prolongamento
pode ser feito de uma única maneira em cada extremidade de uma
"reta", de modo que duas retas distintas não podem ter um seg-
mento comum. De fato Euclides utilizou-se ele muitas hipóteses
que não constavam, sob nenhuma forma, nem das "noções comuns",
nem dos "postulados". Esta omissão é considerada pelos geômetras
como um dos mais graves defeitos elos "Elementos".
Mesmo um exame apressado do livro Idos "Elementos" revela
que ele compõe-se de três partes distintas (embora Euclides não
as tenha separado formalmente). A primeira parte, constituída
pelas primeiras 26 proposições, trata quase exclusivamente da teo-
ria elementar dos triângulos. Ela abrange todo o material que
apresentamos até o final do capítulo 5 destas notas. A segunda
parte trata da teoria das paralelas. Inicia-se com a proposição 27 e
prossegue até a proposição 34. Ali são apresentadas as proposições
que abrangem o material apresentado no capítulo 6 destas no-
tas. A partir da proposição 34, até o final (proposição 48), o
livro I dos "Elementos"trata elas relações entre áreas de paralelo-
gramos, triângulos e quadrados e culmina com o famoso teorema de
Pitágoras (Proposição 47) e ele seu inverso (Proposição 48). É fato
importante a ser observado que o quinto postulado não foi utilizado
por Euclides na prova de qualquer elas 26 primeiras proposições do
livro I, as quais ainda são válidas caso o quinto postulado seja
6. O AXIOMA DAS PARALELAS 107

excluído ou trocado por um outro compatível com os restantes pos-


tulados e noções comuns.
Há evidência de que os postulados, particularmente o quinto,
foram formulados por Euclides mesmo. Sabe-se que o quinto pos-
tulado tornou-se, ele imediato, alvo ele críticas pelos matemáticos
ela época. Este fato não é de estranhar, quando consideramos
que, primeiramente, ele é bastante diferente, inclusive em tamanho
dos outros postulados, parecendo mais uma proposição do que um
axioma; depois, tecnicamente, ele é a inversa de uma das proposições
demonstradas nos "Elementos" com base apenas nos quatro primei-
ros postulados, a saber, a proposição 27; por último, ele não possui,
em nenhum sentido, aquela característica de "auto-evidência" que
caracterizou inicialmente a escolha dos outros a.,xiomas. Além disso,
a sua tardia utilização, após tantas proposições serem provadas sem
seu auxílio, levantou suspeitas de que ele seria simplesmente uma
proposição demonstrável a partir dos outros axiomas a qual Eu-
clides não conseguira demonstrar. Como conseqüência desta sus-
peita, inumeráveis tentativas foram feitas para prová-lo ou eliminá-
lo através de uma redefinição elo conceito ele retas paralelas. Entre
os nomes famosos dos que tentaram demonstrar o quinto postulado
podemos listar Proclus (485-410 a.C.), Nasiraclin (1201-1274), John
Wallis (1616-1703), Gerolamo Sacheri (1667- 1733), John H. Lam-
bert (1728-1777), Aclrien M. Legendre (1752-1833), Louis Bertrand
(1731-1812) e Carl F. Gauss (1777-1855). Estes deixaram nas suas
obras referências relevantes sobre o assunto. É, no entanto, certo
que todos aqueles interessados seriamente em matemática até o
século dezessete tentaram eventualmente demonstrar o quinto pos-
tulado.
Foi somente na primeira metade do século dezenove que os
matemáticos chegaram à conclusão ele que o quinto postulado não
era demonstrável a partir elos outros quatro. Isto ocorreu com ades-
coberta elas chamadas geometrias não-Euclidianas em que o quinto
postulado ele Euclides é substituído por uma outra afirmação que
lhe é contraditória. Esta descoberta esta associada com o nome
108 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

ele dois matemáticos que a obtiveram independentemente: Johann


Bolyai (1802-1860) e Nikolai I. Lobachewsky (1793-1856). Ostra-
balhos destes dois matemáticos foram el~vaclos às suas devidas pro-
porções por Friedrich B. Riemann ( 1826-1866) que deu início a
um segundo período no desenvolvimento elas geometrias Euclidi-
ana e não-Euclidianas, um período caracterizado pelas investigaç:ões
elo ponto ele vista ela geometria diferencial, em contraste com os
métodos sintéticos previamente utilizados. Associados a este se-
gundo período estão os nomes ele Lie, Beltrami, Cayley, Klein, Clif-
forcl e Hilbert.
Lie foi responsável pela introdução elos grupos de transformação
no estudo ela geometria. Beltrami tem o crédito ele ter produzido
a primeira prova ela consistência elas geometrias não-Euclidianas.
Embora Bolyai e Lobachewsky não tenham encontrado nenhuma
contradição em sua geometria ao longo ele todas as suas inves-
tigações, ainda permanecia a possibilidade ele que alguma incon-
sistência pudesse aparecer no desenvolvimento ele novos trabalhos
ele pesquisa. Beltrami mostrou como a geometria ele Bolyai e Lo-
bachwsky podia ser representada sobre uma superfície no espaço
Euclidiano a três dimensões, ele forma que os seus postulados fos-
sem obtidos a partir elos axiomas ela geometria Euclidiana. Como
conseqüência, qualquer inconsistência que pudesse existir nas geo-
metrias não-Euclidianas seria também uma inconsistência ela geo-
metria Euclidiana.
Os trabalhos ele Cayley, Klein e Clifforcl produziram uma linda
classificação destas geometrias elo ponto ele vista projetivo-métrico.
Daí em diante, a preocupação com a fundamentação ela geome-
tria em bases sólidas dominou a pesquisa matemática sobre o as-
sunto culminando com a reconstruç:ão ela geometria Euclidiana por
Hilbert o que, finalmente, e definitivamente, encerrou a longa ba-
talha com o quinto postulado ele Euclides.
CAPÍTULO 7

SEMELHANÇA DE TRIÂNGULOS

Diremos que dois triângulos são semelhantes se for possível estabe-


lecer uma correspondência biunívoca entre seus vértices ele modo
que ângulos correspondentes sejam iguais e lados correspondentes
sejam proporcionais. Com isto queremos dizer que, se ABC e
G

Figura 7.1

EFG são dois triângulos semelhantes e se A - E, B - F e C -


G é a correspondência que estabelece a semelhança, então valem
simultaneamente as seguintes relações:
Â=Ê Ê=F ê=ê e
' '
AB BC CA
EF FG GE

109
110 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

O quociente comum entre as medidas elos lados correspondentes é


chamado de razão de proporcionalidade entre os dois triângulos.
Observe que dois triângulos congruentes são semelhantes com
razão ele proporcionalidade um; inversamente, dois triângulos se-
melhantes com razão ele proporcionalidade um, são congruentes.
O teorema seguinte será referido como "segundo caso ele seme-
lhança ele triângulos" a fim de que os casos ele semelhança e os casos
ele congruência se correspondam de uma forma natural.
Teorema 7.1 Dados dois triângulos ABC e EFG, se  = Ê e
Ê= F então os triângulos são semelhantes.
Prova: Como a soma dos ângulos de um triângulo é 180°, então
a congruência dos ângulos  e Ê e dos ângulos Ê e F acarreta
na congruência dos ângulos ê e ê. Resta provar que os lados são
proporcionais. Para isto, tome na semi-reta SEF o ponto H de
modo que EH= AB. Pelo ponto H trace uma reta paralela a FC.
G

Figura 7.2

Esta corta a semi-reta SEa num ponto J, formando um triângulo


EH J que é congruente ao triângulo ABC, já que  = Ê, AB = EH
e Ê = F = EH J. Esta última congruência deve-se ao paralelismo
de JH e GF. Segue-se agora do teorema (6.16) que (EH/EF) =
(EJ/EG). Como EH = AB e EJ = AC então, da igualdade
acima obtém-se:
(AB/EF) = (AC/EG).
7. SEMELHANÇA DE TRIÂNGULOS 111

De maneira análoga demonstra-se que (AC/ EG) (CB/GF).


Fica assim demonstrado o teorema.

O teorema (7.1) permite construir, com facilidade, exemplos de


triângulos semelhantes fazendo-se uso ele régua e transferidor. Por
exemplo, para desenhar um triângulo semelhante ao triângulo ABC
ela figura (7.3), inicia-se traçando um segmento EF qualquer;
\ 1

'~G
1 ',
1 \
e 1 \
\

Figura 7.3

a partir de suas extremidades constroem-se ângulos Ê e P congru-


entes aos ângulos  e Ê, respectivamente (em um mesmo semi-
plano determinado pela reta EF); prolongando-se os lados destes
ângulos determina-se um ponto G. De acordo com a proposição
anterior os triângulos ABC e EFG são semelhantes.
O seguinte teorema será referido como primeiro caso de seme-
lhança de triângulos.
Teorema 7.2 Se, em dois triângulos ABC e EFG tem-se  = Ê
e (AB / EF) = (AC/ EG), então os triângulos são semelhantes.
Prova: Construa um triângulo H I J que tenha H I = EF, ÍI = Â
e i = Ê. De acordo com o teorema (7.1), os triângulos ABC e
H I J são semelhantes. Por conseguinte:
(AB/HI) = (AC/HJ).
112 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

A~BE..__._-----+----~FH..__._---+------'"~

Pígura 7.4

Como HI = EF, a hipótese (AB/EF) = (AC/EC) e a igualdade


acima implicam que:
HJ=EC.
Como, por construção, H I = EF e ÍI = Â = Ê, podemos concluir,
pelo primeiro caso ele congruência ele triângulos, que os triângulos
EFC e H I J são congruentes. Como já sabíamos que ABC e H I J
eram semelhantes, podemos concluir facilmente que ABC e EFC
são semelhantes.

O terceiro caso ele semelhança ele triângulos é o seguinte.

Teorema 7.3 Se, em dois triângulos ABC e EFC, tem-se

AB BC CA
EF FC CE'
então os dois triângulos séi,o semelhantes.

Prova: Construa um triângulo H I J que tenha ÍI = Â, H I = EF


e H J = EC. Segue-se então ela hipótese que

(AB/HI) = (AC/HJ).

Portanto, ele acordo com o teorema (7.2), os triângulos ABC e H I J


são semelhantes.
7. SEMELHANÇA DE TRIÂNGULOS 113

G J

A ~ B E~-----+---~F H~----+----~J

Figura 7.5

Decorre daí que, além da igualdade acima, também ocorre

(AB/HI) = (BC/IJ).

Segue-se (daí e da hipótese do teorema) que I J = FG. Como


já tínhamos que H I = EF e H J = EG (por construção) então,
pelo terceiro caso de congruência de triângulos, H I J e EFG são
congruentes. Como H I J e ABC são semelhantes, conclui-se que
ABC e EFG são também semelhantes. Isto conclui a prova do
teorema.

Seja ABC um triângulo retângulo com ângulo reto no vértice


A. Trace a altura AD do vértice A ao lado BC. No que se segue
vamos fazer uso da seguinte notação a = BC, b = AC, e = AB,
h = AD, m = BD e n = DC.
Como AD é perpendicular a BC, então os triângulos ADB e ADC
são retângulos. Como Ê + ê = 90° e Ê + BÂD = 90° então

BÂD = ê.
Como também D ÂC + ê = 90° então

DÂC= Ê.

Os triângulos AD B e CD A são portanto ambos semelhantes ao


triângulo ABC e são também semelhantes entre si. Destas seme-
lhanças podemos deduzir várias relações entre as medidas a, b, e,
114 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Figura 7.6

h, m e n acima mencionadas. Por exemplo, a semelhança entre


AD B e CD A é a que leva A em C. B em A e D em D. Como
conseqüência desta semelhança tem-se

c m h
b h n
Da última igualdade deduz-se que

h2 = mn
Assim provamos a seguinte proposição;

Proposição 7.4 Em todo triângulo retângulo a altura do vértice


do ângulo reto é média geométrica entre as projeções dos catetos
sobre a hipotenusa.

O seguinte é um dos mais importantes e mais úteis teoremas


da geometria Euclidiana plana. É conhecido como "teorema ele
Pitágoras" em homenagem a um grande geômetra da Grécia antiga.

Teorema 7.5 (Pitágoras) Em todo triângulo retângulo o quadra-


do do comprimento da hipotenusa é igual a soma dos quadrados dos
comprimentos dos catetos.
7. SEMELHANÇA DE TRIÂNGULOS 115

Em termos da notação estabelecida acima o teorema de Pitágoras


afirma que
a2 = b2 + c2

Prova: A prova do teorema de Pitágoras é uma conseqüência da


semelhança dos triângulos ADB, CDA e ABC. Da semelhança de
ADB e ABC (A ---t C, B ---t B e D ---t A) conclui-se que
m e
e a
Da semelhança dos triângulos CDA e ABC conclui-se que
n b
b a

Logo am = c2 e an = b2 . Portanto a(m + n) = c2 + b2 . Como


m +n = a, então a2 = b2 + c2 , como queríamos demonstrar.
A seguinte proposição é a inversa do teorema de Pitágoras.

Proposição 7.6 Um triângulo possui lados medindo a, b e e. Se


a2 = b2 +c2 , então o triângulo é retângulo e sua hipotenusa é o lado
que mede a.

Prova: Gonstrua um triângulo retângulo cujos catetos meçam exa-


tamente b e e. Neste novo triângulo, de acordo com o teorema de
Pitágoras, a hipotenusa mede Jb 2 + c2 = a. Portanto este novo
triângulo (que é retângulo) tem lados medindo a, b e e. Pelo terceiro
caso de congruência, ele é portanto congruente ao triângulo original.
Logo o triângulo original é retângulo e sua hipotenusa mede a.
116 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

EXERCÍCIOS

1. Quanto mede a hipotenusa ele um triângulo retângulo em que


os catetos medem um centímetro cada?

2. Quanto mede a altura ele um triângulo eqüilátero cujos lados


medem um centímetro cada?

3. No triângulo ABC, AB = 5, BC = 12 e CA = 13. Qual a


medida elo ângulo Ê?

4. No triângulo DEF, DE = EF = Ge FD = 6v'2. Quanto


medem os ângulos elo triângulo?

5. Uma caixa mede 12 centímetros ele comprimento, 4 centíme-


tros ele largura e 3 centímetros ele altura. Quanto medem as
diagonais ele cada uma elas faces da caixa?

6. Mostre que dois triângulos eqüiláteros são sempre semelhan-


tes.

7. Mostre que são semelhantes dois triângulos isósceles que têm


iguais os ângulos opostos à base.

8. Na figura ao lado D e
é ponto médio ele AB
e E é ponto médio ele E
AC. Mostre que os
triângulos AD E e ABC
A~--~0- - - ~ B
são semelhantes.
7. SEMELHANÇA DE TRIÂNGULOS 117

9. Na figura ao lado tem-


se que BDA e ABC
B
são semelhantes, sendo
a semelhança a que leva
B em A, D em, B
e A em C. Conclua
que o triângulo BDA é
isósceles.

10. Os lados de um triângulo ABC medem 6 m, 9 me 12 m. Em


um triângulo EFG semelhante a este, o menor lado mede 30
m. Determine a medida dos outros lados.

11. Os lados de um triângulo medem 9 cm, 17 cm e 21 cm. De-


termine os lados de um segundo triângulo sabendo que ele é
semelhante ao primeiro e que seu perímetro é 141 cm.

12. Todos os triângulos indicados na figura abaixo são retângulos.


Determine a, b, e, d e e.

13. Sejam Q e T respectivamente um quadrado e um triângulo


eqüilátero cujos lados medem a. Determine a relação entre
suas áreas.
118 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

14. Na figura ao lado


o triângulo ABC é
eqüilátero, as três retas A
ligando os lados AB
a AC são paralelas a
BC, dividem o lado
AB em quatro segmen-
tos congruentes. Se B,___ _ _ _ _....,. C
DG + EH + F I = 18.
Determine o perímetro
do triângulo ABC.

15. Na figura ao lado tem-se


AB = AC. Mostre que
DE é paralelo a BC se
e só se EÔB = CÊD.

B e

16. Um conjunto de três inteiros que são comprimentos dos lados


ele um triângulo retângulo é chamado de tripla pitagórica.
A mais simples delas é {3, 4, 5}. Verifique que {5, 12, 13} e
{9, 12, 15} são triplas pitagóricas.

17. É claro que, se {a, b, e} for um tripla pitagórica então, para


qualquer inteiro n, maior elo que 1, {na,nb,nc} é também
uma tripla pitagórica. Explique por que?

18. Encontre mais três triplas pitagóricas que não sejam obtidas
uma ela outra por multiplicação por inteiro.
7. SEMELHANÇA DE TRIÂNGULOS

19. Mostre que uma tripla pitagórica não pode ser formada ape-
nas de números ímpares.

Dois polígonos são semelhantes quando existe uma corres-


pondência entre seus vértices de sorte que ângulos correspon-
dentes são congruentes e lados correspondentes são propor-
cionais numa mesma razão. Assim, um polígono convexo
A1 A2 ..• An é congruente a um outro A~A; ... A~ se e só se
Â1 = Â~, Â2 = Â;, ... , Ân = Â~, e

De fato, a noção de figuras semelhantes se estende muito


além dos simples polígonos convexos. Quando comparamos
um retrato e sua ampliação temos claramente duas figuras
semelhantes. No caso, temos uma grande quantidade de pon-
tos correspondentes e a distância entre eles é multiplicada
por um determinado fator de ampliação (2 vezes, 3 vezes,
etc.). Os mapas pretendem ser representações esquemáticas
de regiões, onde as ditâncias lineares entre pontos represen-
tam as distâncias reais quando multiplicadas por um fator
fixo. As plantas baixas de casas e apartamentos são outro ex-
emplo de representação de uma situação real de modo que as
distâncias na planta representam as distâncias reais quando
multiplicadas pelo fator de conversão usado na elaboração da
planta.

20. Como no caso de triângulos, quando duas figuras são seme-


lhantes, chama-se razão de semelhança ao quociente dos com-
primentos dos segmentos correspondentes. Sabe-se que a
razão de semelhança entre um triângulo eqüilátero T1 , cujo
lado mede 28 cm, e um triângulo T2 é 4/7. Determine o com-
primento dos lados do segundo triângulo.
120 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

21. Dois retângulos são semelhantes. A base do primeiro mede 15


cm e sua altura 6 cm. Ache os lados do segundo retângulo sa-
bendo que a razão de semelhança entre o primeiro e o segundo
é 2.

22. Dois retângulos são semelhantes. A base do primeiro mede


3cm e sua altura 2cm. A base do segundo mede 10cm. De-
termine a altura do segundo e a razão de semelhança entre o
primeiro e o segundo retângulo.

23. Dois retângulos são semelhantes sendo 3,5 a razão de seme-


lhança entre o primeiro e o segundo. Se o perímetro do pri-
meiro é 10 cm, qual o perímetro do segundo.

24. Dois paralelogramos são congruentes e a razão de proporcio-


nalidade do primeiro para o segundo é a. Mostre que a razão
entre o comprimento ele uma diagonal do primeiro e a ela cor-
respondente diagonal elo segundo também é a.

25. A legenda ele um mapa elo Brasil indica que o mesmo foi feito
ele forma que as distâncias lineares ele 600km correspondem
no mapa a apenas 4cm. No mapa, com uma régua medimos a
distância de Fortaleza a Caninclé e encontramos 0,5 cm. Qual
a distância real de Fortaleza a Canindé? Observe que o valor
encontrado representa a distância entre as duas cidades em
linha reta.

26. Na planta de uma cidade, desenhada na escala 1:6000, a


distância entre o local ela Catedral e o elo estádio ele fute-
bol é ele 45 cm. Qual a distância verdadeira entre os dois
locais?

27. A sombra, sobre o solo, de um bastão ele 7 m colocado na


vertical, mede 3m. Estime a altura ele um edifício, na mesma
região, cuja sombra, no mesmo instante, mede 27 m.
7. SEMELHANÇA DE TRIÂNGULOS 121

28. Um farol fica em uma ilha à vista da costa. Um nadador,


querendo saber a distância da praia até o farol, fez o seguinte:
Marcou dois pontos A e B na praia, distantes 100 m um do
outro. Colocou uma folha de papel no ponto A e marcou
sobre ela um segmento na direção do ponto B e outro na
direção do farol. Mediu o ângulo entre os dois segmentos,
com um transferidor, e anotou o resultado: 90°. Foi então
para o outro ponto e repetiu o processo marcando, desta vez,
60º. Desenhou então um triângulo retângulo numa folha de
papel em que um dos ângulos agudos era 60º, verificando que
a hipotenusa neste triângulo media o dobro do lado menor.
Concluíu então que a distância da praia ao farol era de 200
m. Ele está certo ou errado? Se você acha que ele está certo,
justifique seu procedimento. Se acha que está. errado, diga
por que e proponha outro procedimento.
29. Dois octógonos são semelhantes e a razão de semelhança do
maior para o menor é de 3,5. Determine o perímetro elo maior
sabendo que o perímetro elo menor é 20 cm.
30. Considere o triângulo EFG formado pelos pontos médios elos
lados elo triângulo ABC. Qual a relação entre seus perímetros?
122 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

·PROBLEMAS

1. Prove o segundo caso de semelhança de triângulos supondo


conhecido o teorema (7.2) e sem fazer uso do teorema (6.16).

2. Prove que a relação "é semelhante a" é transitiva, isto é, prove


que, se dois triângulos são semelhantes a um terceiro, então
são semelhantes entre si.

3. Prove que alturas correspondentes em triângulos semelhantes


estão na mesma razão que os lados correspondentes.

4. Prove que a bissetriz de um ângulo de um triângulo divide


o lado oposto em segmentos proporcionais aos outros dois
lados. _Isto é, se ABC é o triângulo e BD é a bissetriz do
ângulo Ê sendo D um ponto de lach AC, então (AD/ DC) =
(AB/ BC). (Ajuda: trace pelo ponto A uma reta paralela
ao lado BD. Esta intercepta a semi-reta ScB num ponto E
formando triângulos semelhantes.)

5. Enuncie e prove a afirmação inversa do exercício anterior.

6. Prove que, se um triângulo retângulo tem ângulos agudos de


30° e 60°, então seu menor cateto mede metade do compri-
mento da hipotenusa. (Ajuda: Faça uso do que foi obtido no
exercício 3).

7. Prove que, se em um triângulo retângulo o menor cateto mede


metade do comprimento da hipotenusa, então seus ângulos
agudos são de 30° e 60º.
7. SEMELHANÇA DE TRIÂNGULOS 123

8. Prove que, se dois triângulos têm lados correspondentes pa-


ralelos, então eles são semelhantes. Prove também que as
retas ligando os vértices correspondentes são concorrentes ou
paralelas. (Suponha que os vértices correspondentes são dis-
juntos).

9. A afirmação do Problema anterior valeria para polígonos?

10. Seja ABC um triângulo em que AB = 6 cm, BC = 12 cm


e o ângulo Ê3 mede 120º. Seja D o ponto em que a bissetriz
do ângulo Ê3 corta o lado AC. Determine o comprimento de
BD.

11. Seja ABC um triângulo, D o ponto médio de AC e E o


ponto médio de BC. Sabendo que BD é perpendicular a
AE, AC= 6 e BC= 7, determine AB.

12. Seja ABC um triângulo retângulo em que ê é o ângulo reto.


Trace a altura a partir do ponto C. Se a e b são os compri-
mentos dos catetos e h é o comprimento da altura, mostre
que
1 1 1
-=-+-
h,2 a2 b2
13. Mostre que todos os polígonos regulares de n lados são seme-
lhantes.

14. Os lados de um triângulo ABC medem: AB = 20cm, BC =


15cm e C A = 10cm. Sobre o lado BC marca-se um ponto
D de modo que BD = 3cm e traçam-se pelo ponto D retas
paralelas aos lados AB e AC as quais os interceptam, res-
pectivamente, nos pontos F e E. Mostre que o quadrilátero
AEDF é um paralelogramo e determine seu perímetro.

15. Sejam ABCD e A' B'C' D' quadriláteros convexos semelhantes


tais que (A' B' / AB) = ,\
124 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

(a) Mostre que A'C' B'D' \


AC = BD = .,.. ,

(b) Seja M o ponto médio de AB e M' o ponto médio de


A'B' . M ostre que M'C'
MC = .,..\ .

(c) Seja Mo ponto de AB e /3 um número real entre zero e


um tal que MA = /3.M B. Seja M' o ponto de A' B' tal
que M' A'= f]M' B'. Mostre que ~;g'
=À .
16. Um segmento é ampliado de modo que o comprimento do
segmento ampliado é duas vezes o original. Descreva que
pontos correspondem a que pontos pela ampliação.
17. Um retângulo é ampliado de modo que o comprimento dos
lados da ampliação medem o dobro dos originais. Descreva
que pontos correspondem a que pontos pela ampliação.
18. É dado um retângulo ABCD tal que AB = 18 me BC= 12
m. Ligue o ponto D ao ponto médio .M do lado AB. Designe
por P o ponto de encontro de DA1 com AC. Determine a
distância de P a cada um dos lados do retângulo.
19. Determine o lado do quadrado inscrito em um triângulo eqüi-
látero. (O quadrado terá dois vértices sobre um lado do
triângulo e os outros dois vértices nos outros lados do tri-
ângulo.
20. Um quadrado está inscrito num triângulo tendo um de seus
lados sobre o lado do triângulo que mede 25 cm. Sabendo que
a altura do triângulo relativamente a este lado mede 15 cm,
determine o lado do quadrado.
21. Considere um triângulo ABC em que AB = 18 cm, AC = 27
cm e BC = 15 cm. Marque D sobre AB de modo que AD = 6
cm e E sobre AC tal que DE seja paralelo a BC. A bissetriz
do ângulo A corta D E no ponto F. Determine D F e F E.
7. SEMELHANÇA DE TRIÂNGULOS 125

COMENTÁRIO

Pitágoras, que morreu em 490 a.C., foi conhecido por seus con-
temporâneos como o fundador ele um movimento ele cunho reli-
gioso que veio a ser conhecido como Pitagorismo. Os pitagóricos
interessavam-se pela ciência ele um modo geral e particularmente
pela Filosofia e pela Matemática. No que concerne à Matemática a
maior contribuição elos pitagóricos foi o desenvolvimento ela teoria
elos números, e a descoberta elos números irracionais. Foram eles
que provaram, pela primeira vez, que o número v'2 é irracional. A
prova deste fato apresentada no 10º livro ele Euclides é a seguinte:

Suponha que v'2 é um número racional. Então v'2 pode ser


representado na forma ~ = m/n onde m e n são dois números
inteiros primos entre si. Logo 2n 2 = m 2 . Como conseqüência 1n2 é
um número par. :tvias então 1n é par e podemos escrever m, como
m, = 2p. Portanto 2n 2 = 1n2 = 4zi. Mas então n 2 = 2p2 . Segue-se
que n 2 é um número par e, como conseqüência, n é um número
par. Mas se n é par e 1n é par então os dois não são primos entre si.
Por outro lado, no início, havíamos escolhido 1n e n primos entre
si. Esta contradição provém ela hipótese de que v'2 é racional.
Portanto v'2 não é racional.
Esta descoberta foi, sem dúvida, a grande contribuição do Pi-
tagorismo à Geometria Grega. Ela influenciou ele forma definitiva
o desenvolvimento que teve a matemática Grega a partir daí.
A lenda sobre a origem elo teorema ele Pitágoras diz que ele
foi descoberto por Pitágoras o qual sacrificou 100 bois aos Deuses
como prova ele sua gratidão por ter conseguido esta descoberta.
No entanto, a verdade histórica é que o teorema ele Pitágoras
já era conhecido, em casos particulares, no Egito (3.000 a.C.), e
126 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

em sua total generalidade pelos Sumérios e Babilônios (2000 a 1000


a.C.). E é bem possível que sua demonstração tenha sido obtida
na Grécia em época anterior a de Pitágoras.
Há um grande número de demonstrações deste teorema. Neste
capítulo apresentamos uma delas, e algumas outras serão apresen-
tadas no capítulo relativo a áreas, sob a forma ele exercícios e pro-
blemas.
CAPÍTULO 8

0 CÍRCULO

No Capítulo 2 definimos círculo ele centro A e raio r como o con-


junto dos pontos elo plano que estão a uma distância r elo ponto
A. Também chamaremos de raio ao segmento que une o centro do
círculo a qualquer de seus pontos. O segmento ligando dois pontos
de um círculo será denominado de corda. Toda corda que passa
pelo centro do círculo é um diâmetro. Também chamaremos de
diâmetro a distância 2r. Não haverá perigo de confusão no uso da
mesma palavra para significar duas coisas diferentes. No contexto
será sempre claro a que estaremos nos referindo.

AB e CD são cordas
D CD é um diâmetro

Figura 8.1

127
128 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Proposição 8.1 Um raio é perpendicular a uma corda (que não é


um diâmetro) se e somente se a divide em dois segmentos congru-
entes.
Prova: Seja O o centro elo círculo e OC o raio que é perpendicular
a corda AB. Seja M o ponto ele interseção ela corda com o raio.
Com OA = OB (raios) então o triângulo OAB é isósceles com base
AB.

''
M ' o
e /
/
/
/
/
/
/
/

Figura 8.2

Logo  = Ê3. Se a corda é perpendicular ao raio, então os ângulos


OM A e OM B são retos. Como conseqüência AÔM = BÔM.
Segue-se então, pelo primeiro caso ele congruência ele triângulos,
que AOM = BOJVJ. Como conseqüência AM = l'vfB. Inversa-
mente, se AM = M B, então, pelo terceiro caso ele congruência
ele triângulos deduz-se que: AO1'1 = BOM. Como conseqüência,
O MA = O 1\1 B. Mas como a soma destes dois ângulos é um ângulo
raso, conclui-se que cada um deles mede 90°. Portanto a corda é
perpendicular ao raio passando por JVJ. Isto completa a prova ela
proposição.
Quando uma reta e um círculo têm apenas um ponto em co-
mum, dizemos que a reta tangencia o círculo e chamamos a reta
ele tangente ao círculo. O ponto comum entre uma tangente e um
círculo é chamado ele ponto de tangência ou ponto de contacto.
8. O CÍRCULO 129

Proposição 8.2 Se uma reta é tangente a um círculo então ela é


perpendicular ao raio que liga o centro ao ponto de tangencia.

Figura 8.3

Prova: Consideremos um círculo de centro O e uma reta m que


lhe seja tangente. Seja T o ponto de tangência. Designemos por P
o pé da perpendicular baixada do ponto O à reta m. Gostaríamos
de concluir que P e T coincidem. Vamos então supor que P e T são
pontos distintos. Então OT é a hipotenusa do triângulo retângulo
OPT. Portanto OP < OT. Como OT é um raio, então Pé um
ponto que está dentro do círculo. Tomemos então um ponto T' sobre
a reta m, tal que PT = PT', com T' f:. T. Pelo primeiro caso de
congruência de triângulos concluímos que OPT = OPT'. Portanto
OT = OT'. Mas então T' é outro ponto da reta m que também
pertence ao círculo. Logo a reta m não é tangente. Contradição!
Assim P e T coincidem, OT é perpendicular a m e a proposição
fica demonstrada.

A extremidade de um raio que não é o centro do círculo é


chamada de extremidade do raio.

Proposição 8. 3 Se uma reta é perpendicular a um raio em sua


extremidade, então a reta é tangente ao círculo.
130 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Prova: Consideremos um círculo ele centro O e seja m uma reta


perpendicular ao raio OT passando pelo ponto T. Devemos provar
que m é tangente ao círculo, ou seja, que m não tem outro ponto ele
interseção com o círculo. Seja P qualquer outro ponto de m, então o
triângulo OT P é retângulo e portanto OT 2 +T P 2 = O P 2 . Segue-se
que OP > OT e portanto P está fora elo círculo. Logo T é o único
ponto comum à reta e ao círculo. Isto conclui a demonstração.
Sejam A e B dois pontos de um círculo. Tracemos a reta que
passa por estes dois pontos. Ela separa o plano em dois semi-planos.
Cada um destes semi-planos contém uma parte elo círculo. Estas
partes são denominadas ele arcos determinados pelos pontos A e
B. Quando A e B são extremidades de um diâmetro, estes arcos
são denominados de semicírculos. Quando a corda AB não é um
diâmetro, distinguimos os dois arcos determinados por A e B elo
seguinte modo: como o centro elo círculo encontra-se em um elos
semi-planos determinados pela reta que passa por A e B, o arco
que fica no mesmo semiplano que o centro elo círculo é chamado
ele arco maior; o outro é chamado de arco menor. Observe que os
raios que ligam o centro do círculo aos pontos elo arco menor todos
cortam a corda AB. Já os raios que ligam o centro do círculo aos
pontos do arco maior não intersectam a corda AB.

\
v
o

....._____...- arco maior

Figura 8.4
8. O CÍRCULO 131

Se O é o centro do círculo então AÔ B é chamado de ângulo central.


A medida em graus do arco menor determinado pelos pontos A e
B é por definição a medida do ângulo central AÔ B. A medida
em graus do arco maior é definida como sendo 360° - aº, onde aº
é a medida em graus do arco menor. No caso em que AB é um
diâmetro a medida dos dois arcos é 180°.
Proposição 8.4 Em um mesmo círculo, ou em círculos de mesmo
raio, cordas congruentes determinam ângulos centrais congruentes
e reciprocamente.
A prova desta proposição é simples e é deixada a cargo do leitor.
Uma conseqüência dela é que cordas congruentes determinam arcos
menores de mesma medida e portanto, também arcos maiores de
mesma medida.
O leitor deve observar que, a maneira de somar ângulos que têm
o mesmo vértice permite introduzir uma maneira de somar arcos
que se justapõem. Esta soma é associativa e comutativa como o é
a soma de ângulos.

9 A

Um ângulo se denomina inscrito em um círculo se seu vértice A


é um ponto do círculo e seus lados cortam o círculo em pontos B e
C distintos do ponto A. Os pontos B e C determinam dois arcos. O
arco que não contiver o ponto A é chamado de arco correspondente
ao ângulo inscrito dado . Diremos também que o ângulo subtende
o arco.
132 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Proposição 8.5 Todo ângulo inscrito em um círculo tem a metade


da medida do arco correspondente.

Prova: Consideremos primeiro o caso em que um dos lados do


ângulo inscrito é um diâmetro. Seja A o vértice do ângulo inscrito
e B e C os pontos em que seus lados cortam o círculo. Suponha que
o centro O do círculo pertença ao lado AC. Neste caso, a medida do
arco corresp~ndente ao ângulo inscrito é a medida do ângulo BÔC.
Como BO = AO então o triângulo OAB é isósceles e portanto
OÂB = OBA. Mas então BÔC = OÂB + OBA = 2 · CÂB.
Portanto, neste caso particular a proposição é verdadeira.

1
' ' ,,, ,
A e ,o
1
1
1

D
D
Figura 8.6

Suponhamos agora que nenhum dos lados do ângulo inscrito é


um diâmetro. Tracemos então o diâmetro que passa pelo vértice
A do ângulo inscrito. Seja D a outra extremidade deste diâmetro.
Pelo primeiro caso concluiremos que BÔD = 2-BÂD e que DÔC =
2-DÂC.
Neste ponto temos de distinguir dois casos: (a) o diâmetro AD
divide o ângulo BÂC. (b) O diâmetro AD não divide o ângulo
BÂC. (Veja figura acima). No caso (a), temos que BÂD+DÂC =
BÂC. A demonstração é então completada somando-se as igual-
dades já encontradas:

BÔD + DÔC = 2 · (BÂD + DÂC) = 2 · BÂC.


8. O CÍRCULO 133

Observe que BÔD + DÔC é exatamente a medida do arco corres-


pondente ao ângulo BÂC. No caso (b), podem ainda advir duas
situações distintas: (i) AC divide o ângulo BÂD e (ii) AB divide
o ângulo C ÂD. A prova nos dois casos é essencialmente a mesma.
Faremos o caso (i). Neste caso BÂC = BÂD - CÂD. Então,
utilizando-se as duas igualdades obtidas inicialmente, tem-se

BÔD - CÔD = 2 · (BÂD - CÂD) = 2 · BÂC.

Agora observe que BÔD - CÔD é exatamente a medida do arco


correspondente ao ângulo BÂC. Isto completa a demonstração.

Corolário 8.6 Todos os ângulos insc1'itos que subtendem um mes-


mo arco têm a mesma medida. Em particular, todos os ângulos que
subtendem um semicírculo são retos.

Figura 8.7

A seguinte proposição é também de certo modo um corolário da


proposição (8.5).

Proposição 8. 7 Sejam AB e CD cordas distintas de um mesmo


círculo que se intersectam num ponto P. Então AP •P B = CP• P D.

Prova: Observe que nos triângulos CPB e DAP tem-se: CPB =


AP B (opostos pelo vértice) e CÊ P = AÍJ P (por serem ângulos
134 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

e
I
I
I

Figura 8.8

inscritos que subtendem o mesmo arco). Logo, os dois triângulos


são semelhantes e a semelhança é a que leva C em A, P em P e B
em D. Logo~;=;~. Mas então, AP · PB =CP· PD.

Proposição 8.8 Se os dois lados de um ângulo de vértice P são


tangentes a um círculo nos pontos A e B, então:
a) a medida do ângulo P é igual a 180º menos a medida do arco
menor determinado por A e B;
b} PA=PB.

Prova: Seja O o centro do círculo. No quadrilátero OAP B temos


que A= B = 90º. Logo P + Ô = 180º. Como Ô é exatamente a
medida do arco menor determinado por A e B, fica provado a parte
(a). Para provar a parte (b), trace PO e compare os triângulos
P AO e P BO. Como  = Ê = 90º os dois triângulos são retângulos.
Como AO= BO (raios) e PO é comum, então os dois triângulos
são congruentes (conforme o teorema (5.14)). Logo P A = P B.
Assim o resultado fica demonstrado.
Diremos que um polígono está inscrito num círculo se seus
vértices pertencem ao círculo.
8. O CÍRCULO 135

1
1
- - ~o
I
I
I
I

Figura 8.9

Proposição 8.9 Todo triângulo está inscrito em um círculo.


Prova: Seja ABC um triângulo.
Para mostrar que ele está inscrito
em um círculo deveremos exibir um
ponto que seja eqüidistante de A, B
e C. Seja m uma reta perpendicu-
lar a BC e passando pelo seu ponto
médio 1\1 e seja n a reta perpendicu-
lar a BC e passando pelo seu ponto
médio N. Designe por P o ponto de
interseção destas duas retas. Observe
que todo ponto da reta m. é eqüidis- Figura 8.10
tante de A e B, e que todo ponto da
reta n é eqüidistante de B e C. Logo o ponto P será eqüidistante
de A, B e C.
Esta proposição pode ser enunciada da seguinte maneira:
Proposição 8.10 Três pontos não colineares determinam um cír-
culo.
Chamamos de mediatriz de um dado segmento à reta perpen-
dicular ao segmento passando pelo seu ponto médio. Com esta
definição podemos enunciar o seguinte corolário da proposição (8.9).
136 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Corolário 8.11 As mediatrizes dos lados de um triângulo encon-


tram-se em um mesmo ponto.

De um modo geral apenas os triângulos possuem a propriedade


de serem inscritíveis em círculos. Para outros polígonos a condição
de que o mesmo possa ser inscrito em um círculo acarreta fortes res-
trições sobre as suas medidas. A seguinte proposição é um exemplo
disto.

Proposição 8.12 Um quadrilátero pode ser inscrito em um drcu-


lo se e somente se possui um par de ângulos opostos suplementares.

Prova: Vamos supor inicialmente que o quadrilátero possa ser ins-


crito em um círculo. Observe que cada um de seus ângulos _é um
ângulo inscrito no círculo. Seja ABC D o quadrilátero. Considere
os ângulos  e ê. Eles subtendem exatamente os dois arcos deter-
minados pelos pontos B e D. Como estes dois arcos somam 360°,
então, de acordo com a proposição (8.5), a soma dos ângulos  e
ê será 180º. Portanto eles são suplementares.

D
Figura 8.11
8. O CÍRCULO 137

Vamos agora supor que um quadrilátero ABCD tem um par de


ângulos opostos suplementares. Como a soma dos ângulos inter-
nos do quadrilátero é 360º, então o outro par de ângulos opostos
também é suplementar. Trace um círculo pelos pontos A, B e C.
Isto sempre pode ser feito (de acordo com (8.10)). Só existem três
alternativas para a localização do ponto D: ele pode estar sobre,
dentro, ou fora do círculo. Vamos supor que ele esteja fora do
círculo. Neste caso trace o segmento BD. Seja E o ponto onde
este corta o círculo. O quadrilátero ABCE é um quadrilátero ins-
crito no círculo e, portanto, pela primeira parte da proposição, seus
ângulos opostos são suplementares. Em particular, temos

ABC+ AÊC = 180º


Por hipótese também temos

ABC+ ADC = 180º.

Das duas igualdades concluímos que ADC = AÊC. Agora observe


que AÊB > ADB e BÊC > BDC (ângulos externos). Logo:

AÊC=AÊB+BÊC>ADB+BDC=ADC

Esta contradição mostra que D não pode estar fora do círculo. O


resto da prova mostrando que D também não pode estar dentro do
círculo é deixada como exercício.

Um círculo está inscrito em um polígono se todos os lados do


polígono são tangentes ao círculo. Quando tal ocorre diz-se que o
polígono circunscreve o círculo.

Proposição 8.13 Todo triângulo possui um círculo inscrito.

Prova: Seja ABC um triângulo. Trace as bissetrizes dos ângulos


 e Ê. Estas se encontram em um ponto P. Deste ponto, baixe
perpendiculares aos lados do triângulo. Sejam E, F e G os pés
138 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

destas perpendiculares nos lados AB, BC e C A, respectivamente.


Vamos provar que PE = PF = PC. Assim o ponto Pé o centro
de um círculo que passa pelos pontos E, F e G; além disto, como
os lados do triângulo ABC são perpendiculares aos raios P E, P F
e PC eles são também tangentes ao círculo. Logo o círculo está
inscrito no triângulo.
A

e
Figura 8.12

Para provar que P E = P F = PC vamos comparar os triângulos


PGA e P EA, e os triângulos P EB e P F B. Todos eles são triân-
gulos retângulos. Nos dois primeiros temos PÂG = PÂE (PA
é bissetriz) e P A comum. Nos dois últimos temos P ÊE = P ÊF
(P B é bissetriz) e P B comum. Portanto os dois pares de triângulos
são congruentes. Da congruência dos dois primeiros concluímos que
PC= PE. Da congruência dos dois últimos obtemos PE = PF.
Isto completa a demonstração.
Corolário 8.14 As bissetrizes de um triângulo encontram-se em
um ponto.
Prova: Na demonstração anterior provamos que o ponto de en-
contro de duas bissetrizes do triângulo ABC é o centro de um
8. O CÍRCULO 139

círculo inscrito naquele triângulo. Para obter o Corolário é sufi-


ciente provar que o segmento unindo o centro deste círculo inscrito
com o terceiro vértice, é também uma bissetriz do triângulo ABC.
O leitor não terá dificuldade em fazer esta demonstração que é
deixada como exercício.

Um polígono regular é um polígono que é eqüilátero e eqüiangu-


lar. Com isto queremos dizer que todos os seus lados são congru-
.entes (eqüilátero) e também todos os seus ângulos são congruentes
(eqüiangular).

Figura 8.13

Proposição 8.15 Todo polígono regular está inscrito em um cír-


culo.

Prova: Seja A1 , A 2 , ... , An um polígono regular. Tracemos o


círculo que passa pelos pontos A1 , A 2 e A 3 . Seja O o centro deste
círculo. Como OA 2 = OA 3 então o triângulo OA 2 A 3 é isósceles
e logo OAA2 A 3 = OA;A 2 . Como o polígono é regular todos os
seus ângulos internos têm a mesma medida. Portanto A 1 Â 2 A3 =
A2Â3A4.
140 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Mas então, A1Â20 OA~A4. Como além disso A1A2 = A3A4


(lados de um polígono regular são congruentes) e OA 2 = OA3 ,
então os triângulos OA 1 A2 e OA4A 3 são congruentes. Daí obtém-
se OA4 = OA 1 . Portanto A 4 também é um ponto do círculo.
O mesmo raciocínio pode agora ser repetido para provar que A5
também pertence ao círculo, e assim sucessivamente. Como resul-
tado final obtém-se que todos os pontos do polígono pertencem ao
círculo.

Corolário 8.16 Todo polígono regular possui um círculo inscrito.

Prova: Trace o círculo no qual o polígono regular A1 A2 ... An está


inscrito. Seja O o seu centro. Todo os triângulos isósceles A10A 2 ,
A 2 OA 3, A 3OA 4, ... são congruentes. Como conseqüência suas al-
turas relativamente às bases são também congruentes. O círculo
de centro O e com raio igual ao comprimento destas alturas está
inscrito no polígono.
8. O CÍRCULO 141

EXERCÍCIOS

1. Pode existir um círculo de raio igual a 6 cm e no qual uma


corda meça 14 cm?
2. Em um círculo cujo raio mede 30 cm pode existir uma corda
que meça 45 cm?
3. Considere dois círculos de raios r 1 e r 2 . Mostre que se eles se
intersectam em mais de um ponto então r 1 + r 2 é maior do
que a distância entre seus centros.
4. Dados dois círculos de raios r 1 e r 2 cujos centros distam d,
mostre que, se r 1 +r2 > d então os dois círculos se intersectam
em dois pontos.
5. Diremos que dois círculos são tangentes se são tangentes a
uma mesma reta em um mesmo ponto. O ponto mencionado
é chamado de ponto de contacto. Mostre que, quando dois
círculos são tangentes, os dois centros e o ponto de contacto
são colineares.
6. Dois círculos são ditos tangentes exteriores se ficam de lados
opostos da reta tangente comum. Se os dois ficam do mesmo
lado da reta tangente, diz-se que os dois são tangentes inte-
riores. Qual a distância entre os centros de dois círculos que
são tangentes exteriores sabendo-se que seus raios m·edem 2
cm e 5 cm?
7. Qual a distância entre os centros de dois círcülos que são
tangentes interiores se seus raios medem 2 cm e 3 cm?
142 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

8. O diâmetro de um círculo é 12 cm. Calcule a distância ao


círculo de um ponto exterior que dista 15 cm do seu centro.

9. O raio de um círculo é 10 cm. Calcule a distância ao círculo


de um ponto interior sabendo que ele dista 4 cm do seu centro.

10. Qual é o lugar geométrico dos pontos que distam 2cm de um


círculo cujo raio mede 5 cm?

11. Três círculos são dois a dois tangentes exteriores. Seus cen-
tros formam um triângulo eqüilátero. Qual a medida ele seus
raios?

12. Prove que, em um mesmo círculo ou em círculos de mesmo


raio, cordas congruentes são eqüidistantes do centro.

13. Prove que, em um mesmo círculo ou em círculos de mesmo


raio, cordas eqüidistantes do centro são congruentes.

14. Prove que, em um mesmo círculo ou em círculos de mesmo


raio, se duas cordas têm comprimentos diferentes, a mais
curta é a mais afastada do centro.

15. Mostre que a mediatriz de uma corda passa pelo centro elo
círculo.

16. Explique porque o reflexo de um círculo relativamente a uma


reta que passa pelo seu centro é o mesmo círculo. (vide
capítulo 5 para definição ele reflexo).

17. Em um triângulo eqüilátero mostre que o círculo inscrito e o


círculo circunscrito têm o mesmo centro.

18. São traçadas duas cordas paralelas à partir das extremidades


de um diâmetro. Mostre que as duas são congruentes.
8. O CÍRCULO 143

19. Na figura ao lado AE é


tangente comum e JS liga
os centros dos dois círculos.
Os pontos E e A são pon-
tos de tangência e M é o
ponto de interseção dos seg-
mentos JS e AE. Prove que
o ângulo J é congruente ao
ângulo S.
20. Na figura ao lado as três re-
tas são tangentes simulta-
neamente aos dois círculos.
Estas retas são denomi-
nadas de tangentes comuns
aos círculos. Desenhe dois
círculos que tenham:

a) quatro tangentes co-


muns.
b) exatamente duas tan-
gentes comuns.
c) somente uma tangente
comum.
cl) nenhuma tangente co-
mum.
e) mais de quatro tan-
gentes comuns.

21. Na figura relativa ao exercício anterior, os dois círculos são


tangentes e a tangente que passa no ponto de contacto inter-
secta as outras duas, determinando um segmento. Determine,
144 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

em função dos dois raios, o comprimento deste segmento e


mostre que o ponto de contacto é o seu ponto médio.

22. Na figura seguinte à esquerda, 1\1 é o centro dos dois círculos


e AI< é tangente ao círculo menor no ponto R. Mostre que
AR= RI<.

23. Na figura acima à direita, UK é tangente ao círculo no ponto


U e UE= LU. Mostre que LE = EK.

24. Na figura seguinte à esquerda, 1\10 = IX. Prove que 1\1 I =


ox.

25. Na figura anterior à direita, H é o centro do círculo e q__1 é


um diâmetro. Se CA e H N são paralelos, mostre que AN e
I N são congruentes.
26. Na figura abaixo à esquerda, O é o centro do círculo e TA é
um diâmetro. Se P A = AZ, mostre que os triângulos P AT e
Z AT são congruentes.
8. O CÍRCULO 145

z
27. Na figura acima à direita, sabe-se que Y é o centro do círculo
e que BL = ER. Mostre que BE é paralelo a LR.
28. Na figura seguinte à esquerda, o quadrilátero DI AN é um
paralelogramo e I, A e Jvf são colineares. Mostre que DI =
DM.

29. Na figura anterior à direita, qual dos dois arcos, AH ou MY,


tem a maior medida em graus? Sabe-se que os dois círculos
são concêntricos.

Uma reta intersecta um círculo em no máximo dois pontos


(veja problema 1). As que o intersectam em exatamente dois
pontos são chamadas de secantes . Um ângulo secante é um
ângulo cujos lados estão contidos em duas secantes do círculo
e que cada lado intersecta o círculo em pelo menos um ponto
excluído o vértice. Vamos chamar de região angular asso-
ciada a um ângulo AÊC a interseção dos seguintes dois semi-
planos: o que contém o ponto C e é determinado por AB,
146 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

e o que contém o ponto A e é determinado por BC. Dados


um ângulo e um círculo, a parte elo círculo contida na região
angular associada ao ângulo dado é designada arco (ou ar-
cos) determinado (determinados) pelo ângulo. Nos exercícios
seguintes indicaremos por AB a medida em graus elo arco AB.

30. Na figura anterior à esquerda AP B é um ângulo secante cujo


vértice esta dentro elo círculo. Mostre que AP B = ½(ÁB
+CD).
31. Na figura anterior à direita AP 8 é um ângulo secante cujo
vértice está fora elo círculo mostre que AP B = ½(A~B - CD).
32. Mostre que dois pontos tomados sobre uma corda e situados
a igual distância elo seu ponto médio são eqüiclistantes elo
círculo.
33. Mostre que dois pontos tomados sobre uma reta tangente a
um círculo a igual distância elo ponto ele contacto são eqüiclis-
tantes elo círculo.
34. Sucessivos arcos são marcados em um círculo ele modo que
cada arco tenha uma corda ele mesmo comprimento que o raio.
Prove que o sexto arco termina no ponto onde o primeiro arco
começa.
35. Prove que todo paralelogramo inscrito em um círculo é retân-
gulo.
8. O CÍRCULO 147

36. Prove que todo trapézio inscrito em um círculo é isósceles.

37. Prove que o segmento ligando um vértice ele um polígono


regular ao centro elo círculo em que ele está inscrito é bissetriz
elo ângulo daquele vértice.

38. Desenhe dois exemplos ele polígonos eqüiangulares inscritos


em um círculo, mas que não são regulares.

39. Desenhe dois exemplos ele polígonos eqüiláteros que circuns-


crevem um círculo, mas que não são regulares.

40. Dado um quadrado ele lado 5cm, qual o raio elo círculo no qual
ele está inscrito? Qual o raio elo círculo que ele circunscreve?

41. Dado um triângulo eqüilátero ele lado 4cm, qual o raio elo
círculo no qual ele está inscrito? E qual o raio elo círculo que
ele circunscreve?

42. Dados dois círculos e duas retas, cada uma elas quais tangentes
aos dois círculos. Mostre que os segmentos delas determinados
pelos pontos ele tangencia são congruentes.

43. Um círculo está inscrito em um triângulo retângulo cujos la-


dos medem 3, 4 e 5. Determine o diâmetro elo círculo

44. Um círculo esta inscrito em um triângulo retângulo cujos cate-


tos medem b e e e cuja hipotenusa mede a. Determine o
diâmetro elo círculo.

45. Um círculo está inscrito em um triângulo eqüilátero. Deter-


mine o raio do círculo sabendo que a altura do triângulo é
6cm.

46. Dois círculos são tangentes exteriores sendo A o ponto ele


contacto. Seja Bum ponto ele um elos círculos e C um ponto
elo outro tais que a reta que passa por estes pontos é tangente
comum aos dois círculos. Mostre que o ângulo BÂC é reto.
148 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

47. Um ponto M é exterior a um círculo. Determine sobre o


círculo dois pontos (distintos) eqüidistantes de M.

48. Prove que, em dois círculos de raios R e kR, cordas de compri-


mento e e kc, respectivamente, subtendem arcos que medem
Se kS.
8. O CÍRCULO 149

PROBLEMAS

1. Prove que uma reta pode cortar um círculo em no máximo


dois pontos.

2. Uma reta que contém os centros de dois círculos é chamada de


reta dos centros dos dois círculos. Prove que, se dois círculos
têm dois pontos em comum, a reta dos centros é mediatriz do
segmento ligando estes dois pontos.

3. Prove que dois círculos distintos não podem ter mais do que
dois pontos em comum.

4. Prove, que se dois círculos são tangentes, a reta dos centros


passa pelo ponto de contacto.

5. Prove que, se dois cír~los se intersectam em exatamente um


ponto então eles são tangentes.

6. Dois círculos de mesmo raio são tangentes exteriores sendo


P seu ponto de tangência. Determine o local geométrico dos
pontos equidistantes dos dois círculos.

7. Na sua opinião, qual seria a resposta da questão anterior se


os dois raios fossem diferentes?

8. Na figura seguinte à esquerda, APC é um ângulo secante


cujo vértice encontra-se fora do círculo e que o intersecta em
quatro pontos como indicado. Prove que AP •P B = CP• P D.
Compare este resultado com a Proposição (8.7).
150 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

9. Na figura acima à direita WS e H I são cordas que se inter-


sectam no ponto G, e RT é bissetriz do ângulo WÔI. Prove
que WR-TS =RI· HT.

10. Na figura seguinte à esquerda ABC é um triângulo e D um


ponto de BC tal que AD é bissetriz do ângulo Â. Prove que
(AD) 2 = AB •AC-BD• DC. (Ajuda: considere o círculo no
qual o triângulo está inscrito, prolongue AD até o ponto E
do círculo, como indicado na figura. Mostre que os triângulos
ABE e ADC são semelhantes e use a Proposição (8.7).)

11. Na figura anterior à direita o círculo está inscrito no quadrilá-


tero. Prove que a soma dos comprimentos de um par ele lados
opostos é igual a soma elos comprimentos elo outro par.

12. Seja ABCDEF um hexágono que circunscreve um círculo.


Prove que AB +CD+ EF =BC+ DE+ FA.
8. O CÍRCULO 151

13. Enuncie e prove uma proposição semelhante a do exercício an-


terior para um polígono de 8 lados. Será que uma proposição
semelhante vale para um polígono de 10 lados? E para um
de 11 lados? Enuncie suas conclusões na forma mais geral
possível.

14. Na figura seguinte as retas são tangentes comuns aos dois


círculos. Prove que m 1 e m 2 se intersectam na reta dos cen-
tros. Prove que se os raios dos dois círculos são diferentes, as
retas n 1 e n 2 também se intersectam na reta dos centros.

15. Sejam A e B pontos de interseção de dois círculos. Sejam C


e D as extremidades dos diâmetros dos dois círculos que se
iniciam no ponto A. Prove que a reta que liga C a D contém
o ponto B.

16. Prove que a medida de um ângulo formado por uma tangente


e uma corda de um círculo é igual a metade da medida do
arco que ele determina.

17. Prove que a medida de um ângulo formado por uma tangente


e uma secante é igual a metade da diferença entre as medidas
dos arcos que ele determina.
152 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

18. Seria possível reunir em uma única proposição as informações


parciais fornecidas pelos exercícios 16 e 17 e pelos problemas
13 e 14?

19. Prove que um polígono eqüilátero inscrito em um círculo é


um polígono regular.

20. Prove que um polígono eqüiangular que circunscreve um cír-


culo é um polígono regular.

21. Prove que, se um círculo for dividido em um número qual-


quer de arcos iguais, então as cordas destes arcos formam um
polígono regular inscrito no círculo, e as tangentes traçadas
pelos pontos ele separação dos arcos forma um polígono regu-
lar que circunscreve o círculo.

22. Descreva um método ele traçar um círculo de raio dado que


seja tangente aos lados de um ângulo.

23. Descreva um método para traçar um círculo de raio dado que


seja tangente a dois círculos fixados. Quantas soluções pode
ter este problema?

24. Determine o lugar geométrico descrito pelos pés das perpen-


diculares baixadas ele um ponto A às retas que passam por
um ponto B.

25. Determine o lugar geométrico descrito pelos vértices dos tri-


ângulos de base AB e com ê = 30°. A medida fixada elo
ângulo ê faz alguma diferença na sua resposta?

26. Dois círculos se cortam nos pontos A e B. Pelo ponto B


traçamos uma reta que corta o primeiro círculo num ponto X
e o segundo círculo num ponto Y. Mostre que a medida do
ângulo X ÂY não depende da reta traçada.
8. O CÍRCULO 153

COMENTÁRIO

Ao longo destas notas postulamos a maneira de medir o compri-


mento de segmentos. A partir daí pudemos definir o comprimento
ele uma poligonal como a soma elos comprimentos elos seus lados.
No entanto não fizemos referência a questão de como medir o com-
primento de curvas. De fato, a única curva que consideramos até o
momento foi o círculo. Intuitivamente o comprimento de um círculo
deve ser o comprimento do segmento que obteríamos se pudéssemos,
cortando o círculo, desencurvá-lo, como faríamos a um pedaço de
arame circular. No entanto esta noção de "desencurvamento" não
existe na geometria que construímos. Podemos partir de uma idéia
bem mais simples que é a de aproximar o círculo por uma poligonal.
Tomemos para isto um polígono regular inscrito no círculo, com n
lados, cada um deles medindo Bn- Se o número de lados for sufi-
cientemente grande, a nossa intuição nos diz que o perímetro deste
polígono, n • Bn, será muito próximo do comprimento do círculo.

Figura 8.14
154 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Vamos determinar s 2n em termos ele Sn e elo raio elo círculo.


Na figura anterior à direita, temos um círculo ele centro O e raio
R, e neste, uma corda CE perpendicular a um diâmetro AB. O
triângulo ABC é retângulo e CD é a altura elo vértice C. Logo
-2 - - --2
AC = AB · AD. Também OC D é retângulo e portanto DO =
OC 2 - CD 2 . Se CE= Sn, então AC= S2n e, das fórmulas acima,
obtém-se

1) (s2n) 2 = 2R · m,

2) (R-m)2 = R2 - (8~')2
onde m = AD. Eliminando-sem destas equações resulta:

É fácil verificar que o lado s 4 ele um quadrado inscrito no círculo


é R../2 e que seu perímetro é 4R../2. Utilizando-se agora sucessi-
vamente a fórmula acima podemos encontrar os perímetros Pn dos
polígonos regulares inscritos no círculo com 8, 16, 32, 64, ... lados.
O leitor não terá dificuldade em verificar que

Ss R✓2- /2
R✓2-J2+ v'2
RJ2-J2+ j2+ /2
E poderá facilmente estabelecer uma expressão geral para s2n, (n 2::
8). Com base nas fórmulas acima, calculamos, em termos aproxi-
mados, corretos até a quarta casa decimal, os valores constantes
ela tabela 8.1. Assim, segundo nossa intuição, o comprimento de
8. O CÍRCULO 155

n Sn Pn
4 1, 41421 ·R 5,6568 ·R
8 O, 76537 ·R 6, 1229 ·R
16 O, 39018 ·R 6,2428 ·R
32 O, 19603 ·R 6,2730 ·R
64 O, 09814 ·R 6,2806 ·R
128 0,04908 ·R 6, 2825 ·R
256 0,02454 ·R 6, 2830 ·R
512 0,01227 -R 6, 2831 -R

Tabela 8.1: Alguns valores ele Sn e Vn

um círculo ele raio R eleve ser aproximadamente 6, 2831 · R. Infe-


lizmente não dispomos ainda ele uma definição ele comprimento elo
círculo que nos permita verificar a validade desta afirmação.
Antes ele tentar estabelecer a definição ele comprimento ele um
círculo vamos fazer algumas observações. Seja Pum polígono con-
vexo inscrito num círculo, e sejam A e B dois ele seus vértices
consecutivos. Tomemos um ponto C elo arco AB e indiquemos por
P 1 o polígono cujos vértices são os vértices elo polígono P, mais o
ponto C. A passagem elo polígono P para o polígono Pi constitui-
se na substituição ao lado AB pelos lados AC e C B. Desde que
AB < AC+CB, concluímos que o perímetro ele Pi é maior elo que o
perímetro ele P. Assim, adicionando-se a um polígono convexo ins-
crito no círculo novos vértices, aumentamos o seu perímetro. Sem
dúvida este procedimento não resulta em um crescimento ilimi-
tado. De fato, se tomarmos um polígono circunscrito ao círculo,
seu perímetro será maior elo que o perímetro ele qualquer polígono
convexo inscrito.
Chama-se ele comprimento elo círculo ao menor elos números
maiores elo que o perímetro ele qualquer polígono convexo nele ins-
crito.
É uma conseqüência imediata desta definição que, dado qual-
quer número é > O, pode-se sempre inscrever um polígono convexo
156 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

no círculo tal que a diferença do seu perímetro para o comprimento


do círculo (em valor absoluto) seja menor do que€. O comprimento
do círculo é tradicionalmente representado na forma 271" R onde 7r é
o comprimento de um semicírculo de raio 1. O valor aproximado
de 7r, correto até a 5ª casa decimal é:

7r = 3.141593
o que nos dá um perímetro de aproximadamente 6, 283186 • R.
CAPÍTULO 9

FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Considere um círculo de centro O e nele um diâmetro AB. Fixemos


nossa atenção em um dos semicírculos determinados por AB. Tome
um ponto qualquer C deste semicírculo e indique por a o ângulo
CÔB. Trace, a partir de C, uma perpendicular à reta que contém
AB. Seja D o pé desta perpendicular.

ex.
A'-----~o__._ _ _D_~B A'--=-n-----'=-'-------'B
Figura 9.l

Chama-se de seno do ângulo a ao quociente CD/ OC. O seno


do ângulo a é representado por: sena. Observe que, de acordo
com esta definição, tem-se que:

sen0º = O, sen90º =1 e sen180º =O (9.1)

Define-se o co-seno do ângulo a como o quociente O D/ OC


quando o ângulo a é agudo. Se o ângulo a é obtuso, o co-seno

157
158 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

é definido como valor negativo deste quociente, isto é -OD /OC.


Representa-se oco-seno elo ângulo a por: cosa. Com esta definição
tem-se que:

cosOº = 1, cos90º = O e cos180º = -1. (9.2)

Chama-se ele tangente do ângulo a ao quociente


sena
tga=-- (9.3)
cosa
não sendo esta função definida se a = 90°.

Proposição 9.1 Os valores do seno e do co-seno de um ângulo


independem do semicírculo utilizado para definí-los.

Prova: Consideremos um outro círculo ele centro O' e neste um


diâmetro A' B'. Consideremos um ponto C' sobre o círculo ele modo
que o ângulo C'Ô' B' seja congruente ao ângulo a e portanto con-
gruente a CÔB. Considere os triângulos COD e C'O' D' onde D e
D' são os pés elas perpendiculares baixadas àos segmentos ele reta
AB e A' B', respectivamente, a partir elos pontos C e C'. Como
CÍJO e C' D'O' são ângulos retos e já sabemos que CÔB = C'Ô' B',
então concluímos que os triângulos considerados são semelhantes.
Portanto teremos
C'O' C' D' 0' D'
CO CD OD
Como conseqüência

CD C'D' OD O'D'
sena==== e cosa====
CO C'O' CO C'D'
Isto prova a nossa afirmação.

Teorema 9.2 Qualquer que seja o ângulo a tem-se:


9. FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 159

Prova: Para a igual a 0°, 90° ou 180°, a afirmação acima é com-


provada pela substituição direta dos valores do seno e do co-seno
correspondentes. Nos outros casos, considere o triângulo OêD da
figura (9.1). Tem-se então

cos 2 a+ sen 2 a = (OD)


OC
2
+ (CD)
OC
2 OD 2 +CD 2 OC
-------cc-- - - - - 1
2

oc 2 - oc 2 -

onde fez-se uso do teorema de Pitágoras na penúltima igualdade.

Teorema 9.3 (Fórmulas de redução) Se a é um ângulo agudo


então

a) sen(90º - a)= cosa

b) cos(90º - a)= sena

e) tg(90º - a) = 1/ tga

Prova: (Veja figura 9.2) Sejam C e C' pontos de um semicírculo


de extremidades A e B, tais que CÔB = a e C 1ÔB = 90º - a.

Figura 9.2

Sejam D e D' os pés das perpendiculares baixadas à reta que


contém AB a partir de C e C', respectivamente. Observe que,
como C'ÔB = 90° - a, então OC' D' = a. Logo os triângulos COD
160 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

e OD'C' são congruentes (OC = OC', CÍJO = C 1ÍJ 1O = 90° e


CÔ D = OC' D' = a) e portanto

C'D' OD' OC'


OD CD OC
Segue-se que

C'D' OD
sen(90º - a)= OC' = OC = cosa
OD' CD
cos(90º - a)= OC' = OC = sena

A prova de (c) é deixada a cargo do leitor.

Teorema 9.4 Qualquer que seja a tem-se:

a) sen(180º - a) = sena
b} cos(180º - a)= - cosa

Prova: Quando a é igual a 0°, 90° ou 180°, a afirmação acima é


comprovada por substituição direta dos valores do seno e co-seno
correspondentes. Nos outros casos, considere pontos C e C' no
semicírculo de sorte que CÔB = a e C'ÔB = 180° - a. Sejam D
e D' os pés das perpendiculares baixadas dos pontos C e C' à reta
determinada por A e B.

Figura 9.3
9. FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 161

A congruência dos triângulos OC D e OC' D' nos fornece

CD = C' D' e DO = D' O

Como conseqüência imediata temos que

C'D' CD
sen(180º-a) = = == = sena
C'O CO
D'O DO
e I cos(180º - a)I = C'O = CO = 1 cosa!
Como a =I= 90° então a ou 180° - a é obtuso e o outro é agudo. Por
isto, cosa e cos ( 180º - a) têm sinais opostos. Logo

cos(180º - a)= - cosa.

As definições de seno, co-seno e tangente dadas no início do


capítulo permitem concluir imediatamente as seguintes fórmulas
relacionando os lados de um triângulo retângulo e os seus ângulos
agudos.

Proposição 9.5 Em um triângulo retângulo ABC, de ângulo reto


ê,tem-se

BC= AB senÂ, AC= AB cos e BC= AC tgÂ

Uma conseqüência desta proposição é que, se conhecermos um


ângulo e um lado de um triângulo retângulo é possível calcularmos
a medidas de seus outros dois lados, supondo-se que conheçamos
como calcular as funções seno, co-seno, e tangente de um ângulo.
Atualmente, uma máquina de calcular razoavelmente simples, pos-
sui circuitos que calculam estas funções com aproximação correta
até a quarta ou quinta casa decimal, o que é mais do que suficiente
para a grande maioria dos cálculos. Pode-se, no entanto, fazer
uso de uma tabela de funções trigonométricas obtida facilmente em
qualquer compêndio sobre trigonometria.
162 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Proposição 9. 6

a) sen45º = 1/./2, cos45º = 1/./2 e tg45º = 1

b} sen30º = 1/2, cos30º = /3/2 e tg30º = 1//3

Prova: (a) Construa um triângulo retângulo ABC tendo ângulo


reto Ô, e tendo AC = BC. Tem-se então que  = Ê = 45º e,
utilizando-se o teorema ele Pitágoras, AC = BC = AB / \1'2. Logo

AB/v2
sen45º = ___,,,,,=- = 1/V2
AB
Da mesma forma obtém-se o valor ele cos45º. O valor ela tangente
é obtido pela simples divisão elos valores elo seno e co-seno.
(b) Construa um tri-
ângulo eqüilátero ABC. Todos A
os seus ângulos medem 60º e to-
dos os seus lados têm o mesmo
comprimento a. Considere a al- B
tura baixada elo vértice B ao
lado AC e seja D o pé desta
altura. Os dois triângulos for- e
mados são congruentes e DA= Pig-ura 9.4
DC = a/2. Aplicando o teo-
rema ele Pitágoras ao triângulo ABD concluímos que BD= a/3/2.
Observe que o ângulo AÊ D mede 30º. Logo

0 a/2
sen30 = - = 1/2 (9.4)
a
a/3/2
cos30º = - - = v'3/2 (9.5)
a
1/2 r,:;
tg30º = - - = 1/v3 (9.6)
/3/2
9. FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 163

Com esta proposição e os teoremas (9.3) e (9.4) podemos agora


facilmente determinar os valores do seno, co-seno e tangente elos
ângulos de 60º, 120º, 135° e 150º.

Teorema 9. 7 (Lei dos co-senos) Em um triângulo ABC tem-se:

AB 2 = AC 2 + BC 2 - 2 ·AC· BC· cosê

Prova: Se o ângulo ê for reto então a afirmação acima é exata-


mente o teorema de Pitágoras. Podemos portanto supor que ê não
é um ângulo reto. Tracemos a altura do vértice A. Como ê não é
um ângulo reto então o pé desta altura, que designaremos por D,
não coincide com o ponto C. Se D coincidir com o ponto B então o
triângulo ABC é retângulo tendo Ê como ângulo reto. Neste caso,
AC• cosê= BC e o resultado acima é uma decorrência imediata
do teorema de Pitágoras. Assim podemos supor que B, C e D
são pontos distintos. Como ADB e ADC são triângulos retângulos
tem-se

AB 2 = AD 2 + BD 2

AC 2 = AD 2 + DC 2

A A A

~A~
L___j) ~~B ~-----,L-'---____,,__
e BD e D BDC
Figura 9.5

Logo, subtraindo-se estas duas equações obtém-se

AB 2 - AC 2 = BD 2 - DC 2
164 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Agora iremos substituir o termos BD 2 desta equação. Para isto,


teremos de considerar três possibilidades. (Veja figura 9.5)

a) C está entre B e D

Neste caso tem-se DC + BC = BD. Substituindo-se BD por


DC + BC, desenvolvendo-se o quadrado e simplificando-se os ter-
mos, a equação acima torna-se:

AB 2 = AC 2 + BC 2 + 2 · BC · DC.

O~serve que DC =AAC· cos(AêD) e que cos(AÔD) = - cos(~80º-


ACD) = - cos(ACB). Como ACB é exatamente o ângulo C do
triângulo ABC, o resultado fica demonstrado neste caso.

b) D está entre C e B

Neste caso tem-se BD+ DC = BC e, portanto, BD = DC -


BC. Substituindo-se como no caso anterior este valor de BD,
obtém-se
AB 2 = AC 2 + BC 2 - 2 · BC · DC
Observando-se que DC =AC• cosê obtém-se o resultado.

c) B está entre C e D

Este caso é tratado de forma semelhante e é deixado a cargo do


leitor completar a demonstração.

Teorema 9.8 (Lei dos senos) Qualquer que seja o triângulo ABC,
tem-se:
sen  sen Ê3 sen ê
BC AC AB
9. FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 165

,
,,
, ,o
, ,
,,

Figura 9.6

Prova: Considere o círculo que circunscreve o triângulo ABC. Seja


O o seu centro e R o seu raio. Considere o diâmetro que tem B
como extremidade. Seja D sua outra extremidade. Se os pontos
A e D estiverem de um mesmo lado da reta determinada por B
e C, então os ângulos BÍJC e BÂC são congruentes por serem
ângulos inscritos correspondentes a um mesmo arco. Se os pontos
A e D estiverem em lados distintos da reta que contém BC então
os ângulos BÍJC e BÂC são suplementares já que correspondem a
arcos que se complementam para formar o círculo. Em ambos os
casos tem-se que ·

senÍJ = senÂ.
Conseqüentemente

BC= 2R senÂ.

(Observe que aqui utilizamos o fato de que o triângulo BCD é


retângulo). De forma análoga demonstra-se que

AB = 2R • sen ê e AC = 2R • sen Ê .
Comparando-se as três fórmulas obtidas conclui-se que
166 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

sen senB senê 1


BC AC AB 2R.
Fica assim demonstrado este teorema.

Teorema 9.9 Sejam a e (3 dois ângulos agudos. Então tem-se:

a) cos(a + (3) = cosa cos(3- sena sen(3,

b} sen(a + (3) = sena cos(3 + cosa sen(3.

Prova: Dado o ângulo a+ (3 de origem O, trace a semi-reta


de mesma origem que o divide em dois ângulos congruentes aos
ângulos a e (3. Por qualquer ponto H desta semi-reta trace uma
perpendicular a qual interceptará os lados do ângulo a + (3 em
pontos A e B como indicado na figura abaixo, de modo que AÔH =
a e BÔH = (3. Seja a = OA, b = OB, h = OH, m = AP e
n=BP.
Pelo teorema (9.7) aplicado aos triângulos OAB, OAH e OBH
teremos respectivamente:

(m + n) 2 a 2 + b2 - 2ab cos (a + (3) (9.7)


m2 a 2 + /-,,2 - 2ah cosa (9.8)
n2 b2 + /-,,2 - 2bh cos (3 (9.9)

Utilizando-se o triângulo OAH tem-se h = a cosa e usando-se


o triângulo OBH tem-se h = b cos(3. Segue-se que

li2 = ab cosa cos(3 e que

ah cosa= ab cosa cos(3 = bh cos(3


Portanto, podemos reescrever as equapes (9.8) e (9.9) como

m2 a 2 - ab cosa cos(3
n2 b2 - ab cosa cos(3.
9. FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 167

Figura 9.7

Além disto, corno m = a sena e n = b sen /3 tem-se que mn =


ab sena sen /3. Logo

(m+n)2 = rn 2 +n2 +2mn = a2 +b2 -2ab cosa cos/3+2 sena sen/3.


Segue-se então de (9.7) o resultado desejado. Fica a cargo do leitor
provar a equação (b) bem corno o seguinte corolário

Corolário 9.10 Se a é um ângulo maior do que /3 tem-se


a) cos(a - /3) = cosa cos/3 + sena sen/3

b) sen(a - /3) = sena cos/3- cosa sen/3


168 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

EXERCÍCIOS

1. Os catetos de um triângulo retângulo medem 5cm e 12cm.


Qual o valor do seno de seu menor ângulo agudo? e qual o
do co-seno?

2. Em um triângulo ABC, em que todos os ângulos são agudos,


a altura do vértice C forma com os lados CA e CB, respec-
tivamente, ângulos a e /3. Seja D o pé da altura do vértice
C. Calcule AD, BD, AC e CB sabendo que AD = l, que
a = 30º e J3 = 45º.
3. Quando o sol está 30° acima do horizonte, qual o comprimento
da sombra projetada por um edifício de 50 metros?

4. Uma árvore de 10 metros de altura projeta uma sombra de


12 metros. Qual é a altura angular do sol?

5. Em um triângulo retângulo a hipotenusa mede 10cm e um


dos ângulo agudos mede 30°. Quais as medidas dos catetos?

6. Um barco esta ancorado no meio de um lago. Uma longa


estrada retilínea acompanha parte de sua margem. Dois ami-
gos em passeio turístico observam o barco de um ponto na
estrada e anotam que a reta daquele ponto ao barco forma
um ângulo de 45º com a estrada. Após viajarem 5 km eles
param e anotam que agora podem ver o barco segundo um
ângulo de 30º com a estrada. Com esta informação calcule a
distância do barco à estrada.
9. FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 169

A idéia da questão anterior é usada pelos astrônomos para de-


terminar aproximadamente a distância da terra a um estrela
da seguinte maneira. Em um determinado dia, usando instru-
mentos de alta precisão, eles medem o ângulo que a direção
da estrela faz com a reta que liga a terra ao centro do sol.
Meio ano mais tarde, eles voltam a realizar a mesma medida.
Como, no seu movimento em torno do sol, após meio ano, a
terra se encontra aproximadamente na posição oposta, relati-
vamente ao sol, da que se encontrava no momento da primeira
medição, a distância entre duas posições de tomada das me-
didas é aproximadamente igual a duas vezes a distância da
terra ao centro do sol, que é conhecida.

7. Um parque de diversões deseja construir um escorregador gi-


gante cujo ponto de partida fique a 20m de altura. As nor-
mas de segurança exigem que o ângulo do escorregador com a
horizontal seja de, no máximo, 45º. Qual será o comprimento
mínimo do escorregador?
8. Achar a altura de um edifício sabendo-se que o ângulo segundo
o qual é visto varia de 20° a 30° quando o observador avança
92m em sua direção.
9. Uma escada, encostada em uma casa, forma um ângulo de
70º com o solo quando seu pé está afastado 4m da casa. Qual
o comprimento da escada?
10. Achar o comprimento da corda de um círculo de 20cm de raio
subtendida por um ângulo central de 150º.
11. Os lados de um triângulo ABC são os seguintes: AB 5,
AC = 8 e BC = 5. Determine o seno do ângulo Â.
12. Do topo de um farol, 40 metros acima do nível do mar, o
faroleiro vê um navio segundo um ângulo (de depressão) de
15°. Qual a distância do navio ao farol?
170 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

13. Um carro percorreu 500 metros de uma estrada inclinada 20º


em aclive. Quantos metros o ponto de chegada está acima do
ponto de partida?

14. Mostre que o perímetro de um polígono regular inscrito em


um círculo de raio R é Pn = 2Rn sen ( 1~º).

15. Num triângulo ABC tem-se AC = 23, Â = 20º e ê= 140º.


Determine a altura do vértice B.

16. As funções secante, c~-secante e fO-tan!Jente de UI!} ângul<? Â


são definidas por sec A = 1/ cos A, csc A = 1/ sen A e cot A =
1/ tgÂ, desde que cosÂ, sen e tg sejam definidas e di-
ferentes de zero. Prove que:

a) 1 + tg 2 Â = sec2 Â
b) 1 + cot2 Â = csc2 Â

17. O que é maior:


a) sen55º ou cos55º ? c) tg 15° ou cot 15º ?
b) sen 40° ou cos 40º ? d) sec 55° ou csc 55º ?

18. Para qualquer ângulo a diferente de zero e 180º mostre que:


(a) sena+ cosa = 1
csca seca
(b) tg a + cot a = sec a csc a
(c) sec a = sena (cot a + tg a)
(d) sec2 a - csc2 a= tg 2 a - cot 2 a.
cosa 1 + sena
(e) 1 - sena cosa
(f)
19. Calcule o valor de cos 105º usando que 105=60+45.
9. FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 171

20. Encontre o valor de cos 15º.

21. Calcule o valor de sen 75º e de tg75ª usando que 75=45+30.

22. Se sena= 3/5 e cos/3 = 12/13 determine o valor de sen(a+


/3).
23. Dado um triângulo equilátero, seja C o seu círculo circuns-
crito. Determine a altura do triângulo em função do raio.

24. Achar o perímetro de um triângulo isósceles cuja base mede


40cm e cujos ângulos da base medem 70º.

25. Se tg0 = 5/12 determinar sen0 e cos0.


26. Dado um triângulo retângulo ABC, sendo  o ângulo reto,
trace a altura do vértice A e seja D o seu pé em BC. Mostre
que os triângulos ABC, DAC e DBA são congruentes e de-
termine a razão entre os lados correspondentes.
27. Na figura abaixo temos um círculo de centro O cujo raio mede
10 cm e onde BC é perpendicular ao diâmetro AC. Determine
o comprimento ele BC sabendo que o ângulo  mede 15ª.

o
A --------'----;
e
172 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

PROBLEMAS

1. A figura abaixo à esquerda representa uma folha de papel


retangular dobrada. A, B, C e D são os vértices do retângulo
e E F B representa a posição do triângulo EC B após a dobra
do papel. Sabendo-se que AB = 6 cm e que cos 0 = ../3/2
calcule o comprimento de BE.

2. Na figura acima à direita temos um círculo e um quadrado


tendo 3 pontos em comum. Sabendo que o lado do quadrado
é 10 cm, determine o raio do círculo.

3. Mostre que, se a e /3 são ângulos agudos então

) ( tga + tg/3
ª tg ª + /3) = 1 - tg a tg /3
cot a cot /3 - 1
b) cot (a+ /3) = - ----
cota+ cot/3
4. Ache fórmulas para tg(a-/3) e cot(a-/3) em termos de tga,
tg/3, cota e cot /3.
5. Mostre que tg(180º - a)= - tga.

6. Mostre que, se o ângulo a é agudo então


9. FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 173

(a) sen2a = 2 sena cosa


(b) cos2a = 1 - 2 sen 2a
2tga
(c) tg2a = 1
- tg 2 a

7. Mostre que cos(0/2) = J1 + cose


2

__ 1- cose
8. M ostre que tg(0/ 2)
sen0
9. Exprimir sen3a em função de sena.
10. Mostre que cos 20 = cos4 0 - sen 4 0

11. Num triângulo isósceles o ângulo oposto à base é 0 e os lados


medem a. Determine a medida da base.

12. Supondo que 0 é um ângulo agudo, mostre que

cos0 = sen(0 + 30º) + cos(0 + 60º).

13. Em um triângulo ABC, em que todos os ângulos são agudos,


a altura do vértice C forma com os lados C A e C B respecti-
vamente ângulos a e /3. Seja D o pé da altura do vértice C.
Calcule AD, BD, AC e CB sabendo que AD= 1.
174 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

COMENTÁRIO

O estudo das funções trigonométricas e de suas aplicações é de-


nominado trigonometria. A trigonometria iniciou-se como o estudo
das aplicações, a problemas práticos, elas relações entre os lados de
um triângulo. Na Grécia, associava-se a um dado ângulo a corda
correspondente ao arco que eie determinava em um círculo centrado
no seu vértice. Posteriormente, na matemática hindu, começou-se
a associar metade desta corda. A correspondência era estabelecida
através de tabelas.
Uma grande dificuldade que existia tanto no tempo dos gre-
gos como no tempo dos hindus para elaboração e utilização destas
tabelas era a não existência de um sistema adequado de numeração
(introduzido na aritmética somente no 16° século). O primeiro tra-
balho sobre trigonometria de que se tem real conhecimento está
contido no "Almagest". (Um trabalho sobre astronomia em 13 vo-
lumes, escrito por Ptolomeu de Alexandria por volta da metade do
segundo século.) Num de seus capítulos é apresentada uma tabela
de cordas. Esta tabela refere-se a uma seqüência de ângulos, distan-
ciados de meio grau um do outro, e seus valores estão corretos até
pelo menos cinco casas decimais. Ali também é explicado o método
de calcular a tabela. Um outro capítulo é dedicado a solução de
triângulos. Vários teoremas relativos a cordas são demonstrados.
Estes teoremas contêm implicitamente o conhecimento das fórmulas
mais importantes da trigonometria. No entanto, os escritores gre-
gos do quarto século chamam a Hiparco, que viveu no segundo
século a.C., ele originador da ciência ela trigonometria. Ele teve a
reputação ele ter calculado uma tabela de cordas que constituiu um
livro com doze volumes.
CAPÍTULO 10

ÁREA

Uma região triangular (figura (a) abaixo) é um conjunto de pontos


do plano formado por todos os segmentos cujas extremidades estão
sobre os lados de um triângulo. O triângulo é chamado de fronteira
da região triangular. O conjunto de pontos de uma região triangular
que não pertencem a sua fronteira é chamado de interior da região
triangular.

(a) (b)
Figura 10.1

Uma região poligonal é a união de um número finito de regiões


triangulares que duas a duas não têm pontos interiores em comum
(figura (b) acima).

175
176 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

Um ponto é interior a uma região poligonal se existe alguma


região triangular contida na região poligonal e contendo o ponto no
seu interior. O interior da região poligonal é o conjunto dos pontos
que lhe são interiores. A fronteira da região poligonal é constituída
pelos pontos da região que não pertencem ao seu interior.

p é ponto interior a região


q é ponto da fronteira

Figura 10.2

A noção de área de regiões poligonais é introduzida na geometria


através dos seguintes axiomas:

Axioma VI.1 A toda região poligonal corresponde um número


maior do que zero.

O número a que se refere este axioma é chamado de área da


região.

Axioma VI.2 Se uma região poligonal é a união de duas ou mais


regiões poligonais que duas a duas não tenham pontos interiores em
comum, então sua área é a soma das áreas daquelas regiões.

Axioma VI.3 Regiões triangulares limitadas por triângulos con-


gruentes têm áreas iguais.

É claro que todo polígono convexo determina uma região poli-


gonal. Nós iremos tomar a liberdade de usar expressões do tipo "a
área de um quadrado" quando queremos dizer realmente "a área da
região poligonal cuja fronteira é um quadrado". Em geral falare-
mos de "área de um dado polígono", quando queremos de fato nos
referir a área da região cuja fronteira é aquele polígono. Assim, o
10.ÁREA 177

axioma VI.3 acima poderia ter sido enunciado como: "triângulos


congruentes possuem áreas iguais" .

Axioma Vl.4 Se ABCD é um retângulo então sua área é dada


pelo produto: AB · BC.

A partir destes axiomas vamos determinar a área ele algumas


regiões poligonais simples. Vamos iniciar pelo paralelogramo.
Dado um paralelogramo ABCD designemos por b o compri-
mento elo lado AB e por h o comprimento de um segmento ligando
as retas que contém os segmentos AB a CD e que seja perpendicular
a ambas. Um tal segmento é chamado de altura elo paralelogramo
relativamente ao lado AB.

Proposição 10.1 A área do paralelogramo é o produto do cornpri-


mento de um de seus lados pelo comprimento da altura relativa a
este lado.

Figura 10.3

Prova: Em termos da notação fixada acima elevemos provar que


a área do paralelogramo ABCD é b · h. Para isto trace, a partir
dos pontos A e B, dois segmentos, AE e B F, perpendiculares à
reta que contém CD. O quadrilátero AB F E é um retângulo cuja
área é AB • BF a qual, em termos de nossa notação, é exatamente
b • h. Para concluir a demonstração observe que os triângulos ADE
178 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

e C B F são congruentes e que


Área(ABCD) Área(ABCE) + Área(ADE) =
Área(ABCE) + Área(CBF)
Área(ABFE) = b · h
Isto conclui a demonstração.
Como corolário desta proposição determina-se a área ele um
triângulo qualquer.

Proposição 10.2 A área de um triângulo é a metade do produto


do comprimento de qualquer de seus lados pela altura relativa a este
lado.

----------------------D
I

I
A ' - - - - - - - - - - - - ~1B
Figura 10.4

Prova: Dado um triângulo ABC, trace pelo vértice C uma reta


paralela ao lado AB, e pelo vértice B uma reta paralela ao lado
AC. Estas duas retas se interceptam em um ponto D. O polígono
ABDC é um paralelogramo, e os dois triângulos ABC e CDB são
congruentes. Como Área(ABDC) = Área(ABC) + Área(CDB) e
Área(ABC) = Área(CDB), então: Área(ABC) = ½Área(ABDC).
Para completar a demonstração observe que a altura do vértice C
do triângulo ABC é exatamente a altura elo paralelogramo ABDC
relativamente ao lado AB.
Proposição 10.3 A área de um trapézio é metade do produto do
comprimento de sua altura pela soma dos comprimentos de suas
bases.
10. ÁREA 179

Prova: Seja ABCD um trapézio cujas bases são os lados AB e CD.


'fi·ace a diagonal AC para dividir o trapézio em dois triângulos.
e

E B

Figura 10.5

Trace as alturas CE, do triângulo ACB, e AF, do triângulo ACD.


Então teremos que AF = CE, já que os lados AB e CD são para-
lelos. Como conseqüência
Área(ABCD) Área(ACB) + Área(ACD) (10.10)
1- - 1- -
- AB · CE+- DC · AF = (10.11)
2 2
1- - -
- (AB + DC) · CE (10.12)
2
Fica assim demonstrada a proposição.

Proposição 10.4 A área de um polígono regular de n lados, ins-


crito numa circunferência de raio Ré ½R2 n • sen(360º/n).

Prova: Seja O o centro do círculo. Ligando-se cada um dos vértices


do polígono ao ponto O formam-se n triângulos isósceles cujas bases
são os lados do polígono, cujos lados iguais têm comprimento R e
cujo ângulo do topo mede 360º /n. Seja OAB um tal triângulo.
Trace a altura do vértice A. Esta altura mede R sen (360º /n) e o
lado O B mede R. Logo a área deste triângulo é ½R 2 sen (360° / n) e
a área total do polígono é ½nR2 sen(360º/n).
180 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

No comentário feito ao final do


Capítulo 8 nós vimos como pro-
ceder para estabelecer a noção de
comprimento de um círculo. Pode-
mos proceder de maneira análoga
com relação à área da região li-
mitada por um círculo. Consider-
amos polígonos inscritos e obser-
vamos que, ao aumentarmos um
vértice em um de tais polígonos,
Figura 10.6
aumentamos a sua área. Assim,
não existe um polígono inscrito no
círculo co;m área maximal. Por outro lado, a área de qualquer
polígono inscrito é menor do que a área de qualquer polígono cir-
cunscrito. É então natural definir: a área da região limitada por um
círculo é o menor número maior do que a área de qualquer polígono
nele inscrito.
Valores aproximados para a área da região limitada por um
círculo podem então ser obtidos a partir da fórmula determinada
na proposição (10.4) para a área de um polígono regular inscrito.
Na tabela (10.1), n é o número de lados do polígono e An é a sua
área.

O leitor não terá dificuldade em reformular a prova da proposição


(10.4) (considerando a altura do vértice O do triângulo OAB) de
modo a obter a seguinte expressão para a área do polígono regular
inscrito de n lados.

An = nR2 sen 180º) ·cos (180º)


(n n
e a seguinte fórmula para o perímetro do mesmo polígono

Pn = 2nR• sen 180º)


(n
10. ÁREA 181

n An
16 3,06147
32 3,12145
64 3,13655
128 3,14033
256 3,14128
512 3,14151
1024 3,14157
2048 3,14158
4096 3,14159
1048546 3,14159

Tabela 10.l

Segue-se daí que


2
RAn = cos(180º/n)
Pn
Se considerarmos um polígono regular inscrito com um grande nú-
mero de lados, o valor de cos(180º /n) será extremamente próximo
elo valor de cos0º, enquanto que o valor de An estará muito próximo
elo valor da área da região limitada pelo círculo e o valor ele Pn será
aproximadamente o valor do comprimento do círculo. É portanto
razoável esperar que, para o círculo, duas vezes sua área seja igual
a R vezes seu perímetro. A proposição abaixo tem exatamente este
enunciado.

Teorema 10.5 A área da região limitada por um círculo é igual a


metade do produto do raio pelo comprimento do círculo.

Prova: Representemos por p o comprimento do círculo e por A a


área da região por ele limitada. Se P é um polígono inscrito no
círculo, representemos por p(P) o seu perímetro, por A(P) a sua
área e por L(P) o comprimento do maior de seus lados.
Tomemos um número positivo a qualquer, e seja P um polígono
inscrito tal que
182 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

a) L(P) < a

b) A-A(P) <a•R

c) p - p(P) < a

Para fazer a escolha deste polígono podemos inicialmente escolher


três polígonos: Pi, onde se verifica (a), A onde se verifica (b) e P3 ,
onde se verifica (c). A maneira como se definiu área e perímetro
elo círculo permite afirmar que as escolhas ele A e A são possíveis.
Agora, forme um novo polígono que tenha como vértices os vértices
dos três polígonos. Este novo polígono satisfaz as três condições
acima. A ele chamaremos ele polígono P. A área deste polígono
pode ser calculada somando-se as áreas de todos os triângulos com
vértice no centro elo círculo e tendo como lado um elos lados elo
polígono P. Seja OAB um destes triângulos. Sua área será
, 1- -
Area(OAB) = 2 AB · OC
onde OC é a altura do vértice O deste triângulo.

Figura 10.7

Como OA > OC > OA-AC, tem-se que


1- - - , 1--
2 AB · (OA-AC) < Area(OAB) < 2 AB · OA
10. ÁREA 183

Observando que OA = R e AC< L(P) < a, concluímos que


1- , 1-
2 AB · (R- a)< Area(OAB) < 2 AB. R
Desde que uma desigualdade como esta vale em cada um dos tri-
ângulos em que subdividimos o polígono P, podemos somar todas
elas para obter
1 1
2p(P) · (R- a)< A(P) < 2p(P) · R
Como o polígono P satisfaz a condição (c), temos que p-a < p(P).
Por outro lado sabemos, da definição de perímetro do círculo, que
p(P) < p. Utilizando estas duas informações na desigualdade acima
obtém-se
1 1
-(p-a)(R-a) < A(P) < -p·R
2 2
ou seja

+ ap - a2 ) < A(P) < ~ p · R


..!_ p · R- ~(aR
2 2 2
Desta desigualdade decorre que a área do polígono A(P) difere de
p • R/2 em menos que (aR + ap - a 2 )/2. Já que, pela escolha do
polígono P, A - A(P) <a• R, então concluímos que

IA - ..!_2 P · RI <a· R + ..!.(aR


2
+ ap - a2 )
Como o valor de a é arbitrário, podendo ser tomado tão pequeno
quanto se queira, e o lado esquerdo desta desigualdade não depende
da escolha de a, só podemos concluir que a diferença A - ½p •Ré
zero.
Fica assim demonstrado o teorema.
Observe que o número 7r foi definido no capítulo 8 como o com-
primento de um semicírculo. Podemos portanto reformular o enun-
ciado do Teorema (10.5) para o seguinte:
Corolário 10.6 A área de um disco de raio r é 7rr 2 •
184 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

EXERCÍCIOS

1. Determine a área ele um triângulo eqüilátero ele lado s.

2. Que relação satisfazem as áreas ele dois triângulos congruen-


tes?

3. Que relação satisfazem as áreas ele polígonos congruentes?

4. Que relação satisfazem as áreas de dois triângulos retângulos


semelhantes ?

5. Que relação satisfazem as áreas ele dois quadriláteros seme-


lhantes ?

6. O raio do círculo inscrito em um polígono regular é chamado


ele apótema elo polígono regular. Prove que a área ele um
polígono regular é igual a metade elo produto elo seu perímetro
por seu apótema.

7. Determine a área ele um hexágono regular inscrito em um


círculo de raio R.

8. Prove que a razão entre os comprimentos ele dois círculos é


igual a razão entre seus raios.

9. Prove que a razão entre as áreas ele d'..'is discos é igual a razão
entre os quadrados elos seus raios.

10. Se os diâmetros ele dois discos são 3 e 6, qual a relação entre


as suas áreas?
10. ÁREA 185

11. Qual a área de um quadrado inscrito em um círculo cujo raio


mede 5 cm?
12. Dois hexágonos regulares têm lados medindo 2 cm e 3 cm.
Qual é a relação entre as suas áreas?
13. O comprimento de um círculo vale duas vezes o comprimento
de outro círculo. Que relação satisfazem suas áreas?
14. A área de um disco vale cinco vezes a área de outro disco.
Que relação satisfazem seus raios?
15. A escritura indica que um terreno é regular com 20m de frente
e 50m de fundo. Na linguagem legal, terreno é dito regular
quando tem a forma de um paralelogramo, usualmente um
retângulo. Na prefeitura o terreno foi registrado como tendo
1000 metros quadrados. A planta do terreno é apresentada
abaixo. Que forma deveria ter o terreno para que o valor
registrado estivesse correto? Qual a área aproximada do ter-
reno? Qual seria o prejuízo de uma pessoa que o tivesse com-
prado pela informação do registro e pago 300 reais por metro
quadrado?

i
E
oN
Cll
-~
iii
Cll
"O
Cll
::,
a::

◄ 48,98 m - -- --

16. Quanto seria necessário de papel para cobrir toda a face ex-
terna de uma lata cilíndrica cuja altura é 15 cm e cujo raio
de base é 5 cm?
186 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

17. Inscreve-se um triângulo eqüilátero de raio a em um círculo.


Determine a área limitada por este círculo em termos de a.

18. Seja ABCD um quadrado de lado a em que AC e BD são as


duas diagonais. Seja O o ponto de encontro destas diagonais
e sejam P e Q os pontos médios dos segmentos AO e BO
respectivamente. Determine a área do quadrilátero que tem
vértices nos pontos A, B, Q e P.

19. Seja Tum triângulo eqüilátero inscrito em um círculo de raio


R. Determine a área da região formada pelos pontos interiores
ao círculo e exteriores ao triângulo.

20. Na figura ao lado ABCD


é um quadrado e a, b e e
são três retas paralelas pas- A a
sando nos vértices A, B e
b
C respectivamente. Deter-
mine a área do quadrado sa- e
bendo que a distância entre e
as retas a e b é 5 cm e entre
as retas b e e é 7 cm.
21. A figura ao lado apresenta
um círculo de centro O cujo
raio mede 2cm. AB é um
diâmetro, C é um ponto do e
círculo tal que BÔC = 60º.
Determine a área da região
sombreada limitada por AC
e pelo arco menor determi-
nado por A e C.

22. Um losango tem três de seus vértices sobre um círculo de raio


r e o quarto no centro do círculo. Determine sua área.
10. ÁREA 187

23. Dado um quadrado Q 1 , os pontos médios elos seus lados deter-


minam um novo quadrado Q 2 , e os pontos médios dos lados
de Q2 determinam um outro quadrado Q3 • Qual a razão entre
as áreas do maior e elo menor quadrado?

24. Na figura abaixo são representados dois círculos concêntricos


de raios r e R, sendo r < R. Seja m uma reta tangente ao
círculo menor tendo A como ponto de contacto. Seja B o
ponto onde esta reta corta o círculo maior e seja n a reta
tangente em B ao círculo maior. Se o ângulo a (o menor
formado entre m e n) mede 30°, determine a razão entre as
áreas limitadas pelos dois círculos.

25. Construa uma estrela ele seis pontas usando dois triângulo
eqüiláteros congruentes concêntricos. Determine sua área em
função elo lado elos triângulos.

26. Sejam me n duas retas paralelas. Considere pontos A e Bem


me C e D em n. Qual a relação entre as áreas elos triângulos
ABC e ABD?

27. Na figura seguinte à esquerda, ABCD é um quadrado de lado


a, 1\1 é um ponto ele AD, N é um ponto de AB e M NC é
um triângulo eqüilátero. Determine sua área.
188 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

D e

N B

28. Seja ABC um triângulo retângulo com ângulo reto no vértice


C, como na figura acima à direita. Sobre cada um de seus
lados foram construídos semi-círculos tendo os lados como
diâmetros. Qual a relação entre as áreas das regiões limitadas
pelos semi-círculos destacadas na figura.
29. Qual seria a resposta ela questão anterior se, em lugar ele
semi-círculos usássemos triângulo eqüiláteros? E se fossem
hexágonos regulares?

30. Deseja-se calcular a área ela figura


ao lado. Ela foi desenhada
tomando-se um círculo e um
p
ponto P fora dele e traçando-se as
duas tangentes ao círculo à par-
tir ele P. Sabe-se também que
o ponto P dista 2r do centro elo
círculo, sendo r é o seu raio.
10. ÁREA 189

PROBLEMAS

1. Mostre que se dois triângulos são semelhantes então a razão


entre suas áreas é igual a razão entre os quadrados de quais-
quer dois de seus pares de lados correspondentes.

2. Mostre que a razão entre as áreas de dois polígonos semelhan-


tes é igual a razão entre os quadrados de quaisquer dois de
seus lados correspondentes.

3. Três polígonos semelhantes são construídos tendo cada um de-


les, como lado, um dos lados de um dado triângulo retângulo.
Prove que a área do maior deles é igual a soma das áreas dos
dois menores.

4. A região limitada por dois raios e um arco de um círculo é


chamada de setor elo círculo. Mostre que a área de um setor
é ½RS onde R é o raio do círculo e S é comprimento do arco.

5. Determine a área da região limitada por uma corda e pelo


arco de círculo que ela subtende.

6. Determine a área da parte da região limitada por um círculo


que fica entre duas de suas cordas.
190 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

8. A figura ao lado sugere uma


outra maneira ele demons-
trar o teorema ele Pitágoras.
Para fazer a demonstração ex-
presse a área elo quadrado
maior ele duas maneiras dife-
rentes: como produto elos la- e
dos e como soma elas áreas
elos 4 triângulos e elo quadrado
menor. Complete a demon- b e

stração.

9. Uma outra prova elo teorema


ele Pitágoras é sugerida pela
figura ao lado. Determine
a área elo trapézio ele duas
maneiras diferentes, ele forma
análoga ao que foi feito na
questão anterior. Complete a
prova. Esta prova foi inven-
tada por Garfielcl em 1876.

10. Bhaskara, um matemático


hindu elo século doze, criou
uma prova elo teorema ele
Pitágoras baseada na figura
ao lado. Faça esta demonstra-
ção.

11. Sejam a e {3 os círculos inscrito e circunscrito a um dado


triângulo retângulo. Se a soma elos comprimentos destes dois
círculos é 2l7r cm e um elos catetos elo triângulo mede 8 cm,
determine a área elo triângulo.
10. ÁREA 191

12. Na figura ao lado os seg-


mentos PQ e 1\1 N são
paralelos ao lado BC do
triângulo ABC. Se M é o
ponto médio de AC e P é
o ponto médio de Alvl, de-
termine a área do trapézio
lvl PQ N em termos da área
do triângulo ABC.

13. Quaisquer dois quadrados podem ser cortados em 5 pedaços


de tal forma que estes cinco pedaços podem ser rearrumados
para formar um novo quadrado. A maneira de fazer os cortes
é indicada na figura seguinte, no caso particular em que os
quadrados considerados têm lados um o duplo do outro. De-
pois que você verificar como construir o quadrado com os 5
pedaços, tente determinar como fazer os cortes no caso em
que os quadrados têm lados 12 e 8.
192 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

COMENTÁRIO

É possível evitar a introdução dos Axiomas VI.1 a Vl.4. O con-


ceito de área teria então ele ser trabalhado a partir dos axiomas e
teoremas demonstrados nos capítulos anteriores e o conteúdo dos
axiomas VI.1 a VI.4 apareceria como um teorema ela nossa geome-
tria. Vamos dar um idéia ele como isto poderia ser feito.
Começamos observan-
do que, em todo triângulo, A
o valor elo produto do
comprimento de um lado
pela altura que lhe é cor- e
respondente, não depende
ela escolha elo lado. Se
usarmos a notação indi-
cada na figura abaixo, o
que estamos dizendo é que ag = bh = ck. Definimos, então a área
ele um triângulo como este produto, vezes uma constante universal
L. Isto é, dado um triângulo ABC, definimos sua área como

Área(ABC) = L · AB · h ( 10.13)

onde h é o comprimento ela altura elo vértice B relativamente ao


lado AC. Em seguida temos de mostrar que, se subdividirmos o
triângulo ABC em um número finito de triângulos, e utilizarmos
para cada um elos triângulos ela subdivisão a fórmula acima, a soma
ele suas áreas será igual a área elo triângulo original ABC.
Esta demonstração não será apresentada aqui. O leitor inte-
ressado poderá encontra-la no livro "Geometria Elemental"cle A.V.
Pogorélov, Editora Mir. Mas se quiser tentar por si mesmo, deve
10. ÁREA 193

iniciar com o caso mais simples em que a subdivisão foi feita como
na figura seguinte. Observe que, neste caso, há uma altura que é
comum a todos os triângulos! Para o caso geral, se PQ R for um
triângulo da subdivisão, tente determinar uma fórmula para sua
área em termos elas áreas dos triângulos APQ, AQ R e ARP.
O valor L que figura na fórmula (10.13) é ali colocado para
permitir a adaptação daquela fórmula às diversas unidades de área.
Dada uma região po-
A ligonal, a coisa mais na-
tural a fazer é definir sua
área como a soma elas
áreas dos triângulos que
a compõem. Observemos
que uma mesma região
c~-~-~-~-~B poligonal pode ser subdi-
vidida em regiões triangu-
lares de muitas maneiras diferentes. Assim, temos uma questão
de consistência a ser resolvida. Para que possamos usar esta
definição devemos verificar se o valor final ela área ele uma região
poligonal é independente da particular subdivisão da mesma em
triângulos. Suponhamos que uma região poligonal P tenha sido
subdividida em triângulos T1 , T2 , ... , T,.,, e depois em triângulos
T{, T~, ... , T~.,,. Precisamos demonstrar que a soma elas áreas elos
triângulos, em ambos os casos, é a mesma. Os triângulos elas duas
subdivisões, considerados em conjunto, realizam uma subdivisão ela
região poligonal P em polígonos convexos, a saber: em triângulos,
quadriláteros, pentágonos e hexágonos. Subdividimos, cada um de-
les, em triângulos. Teremos agora uma subdivisão T{1, T~', ... , r;'
da região poligonal P com a propriedade de que qualquer triângulo,
da primeira subdivisão ou da segunda subdivisão, é composto de
triângulos da nova subdivisão. Como já vimos, a área de todo
triângulo da primeira subdivisão de P é a soma das áreas dos
triângulos que o compõem. Igualmente a área de todo triângulo
ela segunda subdivisão é a soma elas áreas dos triângulos que o
194 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

compõem. Por isto

LÁrea(T;) LÁrea(T;')
LÁrea(TD LÁrea(T;')

Portanto a soma das áreas dos triângulos de qualquer das partições


é a mesma. Isto conclui o nosso argumento.
Agora é fácil obter que a área de um retângulo ABC D é igual
a 2L • AB • CD. Para isto basta subdividir o retângulo em dois
triângulos retângulos através da diagonal AC.
É extremamente conveniente escolher o valor de L de modo que,
a área de um quadrado de lado um, seja exatamente um. De acordo
com a fórmula acima, basta tomar L = 1/2. Esta escolha trans-
forma a equação (10.13) na fórmula usual da área ele um triângulo!
CAPÍTULO 11

REVISÃO E APROFUNDAMENTO

EXERCÍCIOS

1. Num losango, prove que as diagonais se encontram em ângulo


reto formando 4 triângulos congruentes.

2. Mostre que a área de um losango é igual a metade do produto


dos comprimentos de suas diagonais.

3. Mostre que as diagonais de um retângulo são congruentes e


se bissectam.

4. Um retângulo tem 24 cm 2 de área e 20cm de perímetro. De-


termine sua dimensões.

5. Determinar a soma dos ângulos externos de um pentágono

6. Enuncie os casos de congruência de triângulos retângulos

7. Mostre que os pontos da bissetriz de um ângulo são equidis-


tantes de seus lados.

8. Mostre que, num triângulo isósceles as bissetrizes dos ângulos


da base são congruentes.

195
196 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

9. Em um triângulo retângulo, as projeções dos catetos sôbre a


hipotenusa medem 9cm e 16cm. Determine as medidas dos
lados do triângulo.

10. Uma reta corta uma região triangular ao longo de um seg-


mento de comprimento a. Mostre que a é menor ou igual ao
comprimento do maior lado do triângulo.
11. Considere um triângulo ABC sobre o qual se sabe que AC = b
e BC= a. Mostre que a área de ABC é igual a ½ab senê.

12. Em um triângulo ABC, AB = 5cm, AC = 6cm e BC = 7cm.


Calcule
a) a área desse triângulo,
b) a medida das três alturas,
c) o raio do círculo inscrito, e
d) o raio do círculo circunscrito.
13. Na figura seguinte ABCD é um retângulo e Dl\1 = 1\1 N =
N B. Determine a área do triângulo M N C.

D e

14. Mostre que se duas cordas estão à mesma distância do centro


do círculo então têm o mesmo comprimento.
15. Mostre que todos os seus pontos de um corda, excetuando
suas extremidades, estão no interior da região limitada pelo
11. REVISÃO E APROFUNDAMENTO 197

círculo. Conclua que a região limitada por um círculo é um


convexo.
16. Mostre que a maior corda de um ctculo é um diâmetro.
17. Determine a área da região limitada por um polígono regular
de 12 lados inscrito num círculo cujo raio mede 5cm.
18. Um quadrado está inscrito em um círculo cujo raio mede
5cm. Qual a área da região exterior ao quadrado e interior ao
círculo?
19. Um triângulo isósceles está inscrito em um círculo cujo raio
mede 5cm. Qual á área de região exterior ao triângulo e
interior ao círculo?
20. Qual a razão entre os comprimentos dos círculos circunscrito
e inscrito em um quadrado?
21. Determine a área da região situada entre os círculos inscrito
e circunscrito a um quadrado de lado a.
22. Mostre que, em um quadrilátero convexo, qualquer segmento
ligando dois de seus pontos tem menor comprimento do que
sua maior diagonal.
23. Num trapézio, as bases medem 9 cm e 15 cm e a altura 12
cm. Prolongando-se os lados não paralelo formam-se dois
f

triângulos. Determine suas alturas.


24. Dois lados consecutivos de um paralelogramo medem 3 cm e
6 cm e formam um ângulo de 45°. Qual é sua área?
25. As bases de um trapézio isósceles medem 6 cm e 10 cm. De-
termine sua área sabendo que que seu perímetro mede 24 cm.
26. Mostre que o segmento de menor comprimento ligando um
ponto A, situado fora de um círculo, a um ponto do círculo
está sobre o segmento ligando A ao centro do círculo.
198 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

27. Aproveite a ideia do exercício anterior para definir a noção de


distância de um ponto a um círculo.

28. Determine o segmento mais curto ligando um ponto A a um


triângulo. (Ajuda: determine primeiro as regiões do plano
onde o segmento mais curto é simplesmente a perpendicular
baixada do ponto a um dos lados do triângulo.)

29. Prove que se m e n são retas eqüidistantes então m e n são


paralelas ou coincidentes.

30. Mostre que, se duas retas são paralelas a uma terceira, então
são paralelas.

31. Dado um triângulo ABC seja D E AB e E E AC tais que


DE é paralelo a BC. Se Fé o ponto médio de DE, mostre
que a reta passando por A e F corta BC no seu ponto médio.

32. Mostre que um triângulo inscrito em um círculo que tem dois


vértices nas extremidades de um diâmetro é reto.

33. Seja A um ponto fora de um círculo. Por ele são traçadas


duas tangentes distintas ao círculo representando-se por B e
C os seus pontos de tangência. Mostre que AB = AC.

34. Na figura seguinte sabe-se m n e r são tangentes ao círculo,


que B é ponto de tangência e que AB = 10cm. Qual o
perímetro do triângulo AP R?

A
11. REVISÃO E APROFUNDAMENTO 199

35. Na figura seguinte o círculo é tangente aos três semi-círculos


e tem raio a. Os semi-círculos são tangentes nos seus pontos
de contacto. Sabendo que M N = N P = 2R determine a.

M N p

36. Dado um pentágono ABCDE, suponha que seus lados são


dois a dois congruentes e que os ângulos A, B, e C são também
dois a dois congruentes. Mostre que ABCDE pode ser ins-
eri to em um círculo.

37. Dois círculos Se S' se encontram em um ponto P. A tangente


a S em P corta S' em B e a tangente a S' corta S em A. Seja
S" o círculo que passa por A, B e P. A tangente a S" corta
o círculo S em C e o circulo S' em D. Mostre que PC = P D

38. Duas retas concorrentes são tangentes a um círculo de centro


O nos pontos B e C. Seja A o ponto onde as retas se encon-
tram. Seja D o ponto de interseção de AO com BC. Prove
- - -2
que O A x OD = O B .

39. Seja ABC um triângulo retângulo em A e AD uma de suas


alturas. Mostre que AD 2 = BD x DC.

40. Dado um triângulo ABC e D E BC determine a retapas-


sando por D que separa o triângulo em duas regiões de igual
área. (Sugestão: Seja E o ponto médio de BC. Por E trace
200 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

EF paralelo a AD com F E AC e mostre que DF resolve o


problema.)

41. Dado um triângulo ABC, sejam D e E os pontos médios de


AB e AC respectivamente. Mostre que BDC e BEC têm
mesma área.

42. Dado um triângulo ABC, mostre que o triângulo formado


pelos pontos médios dos seus lados divide o triângulo original
em 4 triângulos congruentes.

43. Seja ABC D um quadrilátero convexo. Demonstre que ele


está inscrito em um círculo se e só se DÂC = DÊC.

44. Mostre que todo paralelogramo circunscrito a um círculo é


um losango.

45. Demonstre que a altura de um triângulo eqüilátero inscrito


em um círculo mede 3/4 do diâmetro do círculo.

46. Sejam AB e CD cordas congruentes de um círculo. Sejam


M e N seus pontos médios. Mostre que Aif N forma ângulos
congruentes com AB e CD.

47. Mostre que os segmentos ligando os pontos médios de um


quadrilátero forma um paralelogramo

48. Dado um conjunto finito de pontos do plano mostre que existe


uma reta tal que todos os pontos se encontram em um dos
semi-planos por ela determinado.

49. Sejam O, O' e A três pontos colineares distintos. Mostre que


os círculos de centro O e raio O A e de centro O' e raio O' A
são tangentes no ponto A. Inversamente, mostre que, se dois
círculos são tangentes num ponto A, então os dois centros e
o ponto A são colineares.
11. REVISÃO E APROFUNDAMENTO 201

50. Mostre que se uma reta intersecta um círculo em um ponto e


não lhe é tangente, então ela o intersecta também em outro
ponto.

51. Mostre que se um círculo intersecta outro e os dois não são


tangentes, então os dois se intersectam também em outro
ponto.

52. Prove que, se dois pontos B e Cestão fora de um círculo então


existe um ponto A tal que AB e AC estão fora do círculo.

53. Dois círculos que têm um ponto comum A são tangentes se e


so se a reta passando pelo ponto A, tangente à um deles, é
também tangente ao outro.

54. Dois círculos Se S', de raios distintos, são tangentes em um


ponto A. Mostre que, exceto pelo ponto A, S' está totalmente
fora da região limitada por Sou totalmente dentro dela.

55. Determine a medida do lado de um octógono inscrito num


círculo cujo raio mede 10cm.

56. Determine a medida do lado de um decágono inscrito num


círculo cujo raio mede 10cm.

57. Determine o comprimento d da corda que subtende um arco


a de um círculo cujo raio mede 10cm.
58. Determine o comprimento de um arco de 18° em um círculo
cujo raio mede 10cm.

59. Qual a medida em graus de um arco de um círculo que mede


47!' cm sabendo-se que o raio do círculo mede 6 cm.

60. Dadas duas retas m e n e pontos A, B, C E m e A', B',


C' E n tais que AC' é paralelo a A'C e BC' é paralelo a B'C,
mostre que AB' é paralelo a A' B ( Teorema de Papus)
202 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

61. Considere 3 semi-retas de mesma origem O. Na primeira


temos pontos A e A', na segunda pontos B e B' e na terceira
C e C'. Suponha que A esta entre O e A', B esta entre O e
B' e C esta entre O e C'. Se AB for paralela a A' B' e AC for
paralela a A' C' mostre que BC é paralela a B' C'. ( Teorema
de Desargues).
62. Um ponto M está dentro ela região limitada por um ângulo
de 60º, distando 2cm de um lado e 11cm do outro lado. De-
termine sua distância ao vértice do ângulo.
63. Os comprimentos dos lados de um triângulo são a, b e e. Se
c3 = a3 + b3 o que se pode dizer sobre o ângulo que se opõe
ao maior lado? ele é agudo?, é reto? ou é obtuso?
64. Mostre que, se as áreas de um triângulo eqüilátero e de um
quadrado são iguais então o perímetro do triângulo é maior
do que o do quadrado.
65. Sejam a, b e e as medidas dos lados de um triângulo e seja
R o raio do seu círculo circunscrito. Mostre que R = abc/4A
onde A é a área do triângulo.
66. Na figura abaixo D é ponto médio de AB, N D é perpendicular
a AB e AC é perpendicular a N B. Se M D = a e lvl N = b
qual o valor de AB?

e
M

B D A
11. REVISÃO E APROFUNDAMENTO 203

67. Uma base de um trapézio mede 2cm enquanto que a outra e


as suas laterais medem 1cm cada. Qual o comprimento elas
diagonais do trapézio?

68. Seja ABC um triângulo isósceles de base AB. Mostre que é


constante a soma elas distância de qualquer ponto de AB aos
lados AC e BC. (Constante, no enunciado, quer dizer que o
resultado independe da escolha do ponto no segmento AB.)

69. Em um retângulo ABCD AD mede a e AB mede b, sendo


que a > b. Um ponto M é marcado sobre AD ele tal sorte
que BM A= BA1C. Determine o comprimento de M D.

70. O inverso de um ponto P com relação a um círculo de centro


O (diferente de P) e raio ré um ponto P' ela semi-reta Sop
tal que O P •O P' = r 2 . Mostre que o inverso de um ponto que
fica sobre o círculo considerado é o próprio ponto. Mostre que
os inversos dos pontos da região limitada pelo círculo estão
na região exterior ao círculo.

71. Represente por O* o plano menos o ponto O. Mostre que a


inversão relativamente a um círculo de centro O e raio r é
uma função f definida em O* com valores em O* que é 1-1,
ou seja, se J(P) = J(Q) então P = Q. Mostre em seguida
que J(J(P)) = P.

72. Mostre que f leva pontos muito distantes de O em pontos


muito próximos de O. Trace uma reta que não intersecte o
círculo e tente fazer uma figura da imagem desta reta pela
função f.

73. Seja P um ponto exterior ao círculo de centro O e raio r.


Considere a partir de P uma reta tangente ao círculo em
um ponto T. Mostre que P' é obtido pela projeção de T
sobre o segmento OP. Este procedimento permite construir
geometricamente o inverso ele um ponto exterior ao círculo.
204 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

74. Seja P um ponto interior ao círculo ele centro O e raio r.


Trace a reta perpendicular à semi-reta S 0 p passando por P.
Esta reta corta o círculo em dois pontos. De qualquer um
deles trace a reta tangente ao círculo. Tal reta intercepta a
semi-reta S 0 p em um ponto P'. Mostre que P' é o inverso ele
P relativamente ao círculo.

75. Fixe um círculo ele centro O e raio r e seja f a função inversão


definida acima.
(a) Mostre que se L é uma reta passando pelo ponto O então
J(L) e L.
(b) Sejam A e B pontos tais que O, A e B não sejam coli-
neares. Sejam A' = J(A) e B' = J(B). Mostre que os
quatro pontos A, B, B' e A' estão sobre um círculo e que
os ângulos OÂB e OÊ' A' são congruentes.

76. Dois círculos são ortogonais se eles se intersectam e suas tan-


gentes, nos pontos ele intersecão são perpendiculares. Usanclo
a função inversão da questão anterior mostre que, qualquer
círculo que passa por A e A' = f (A) é ortogonal ao círculo ele
inversão.

77. Consiciere um círculo S de raio r e centro O e seja f a in-


versão relativamente a este círculo. Sejam uma reta que não
intercepta S. Seja A o pé da perpendicular baixada elo ponto
O à reta m. Seja A'= J(A). Trace o círculo S' centrado no
ponto médio de O A' e que passa por O e A'. Mostre que se
BE m então f(B) E S'.

78. Neste e nos próximos exercícios vamos usar o verbo construir


para significar que desejamos achar a solução do problema
usando apenas régua não numerada e compasso. Dado um
ângulo, construa sua bissetriz.
79. Dado um segmento AB, construa o seu ponto médio.
11. REVISÃO E APROFUNDAMENTO 205

80. Dada uma reta m e um ponto A E m, construa a perpendi-


cular a m passando por A.
81. Dada uma reta me um ponto A fora ele m, construa a per-
pendicular a m passando por A.
82. Dado um ângulo ele vértice A e uma semi-reta de extremidade
B, construa um ângulo de vértice B, congruente ao ângulo Â
e tendo a semi-reta como um dos seus lados.
83. Dada uma reta e um ponto A fora dela, construa a reta n
paralela a m passando por A.
84. Dado um círculo construa seu centro.
85. Dado um círculo ele centro O e um ponto A fora ela região
limitada pelo círculo, construa a reta tangente ao círculo pas-
sando pelo ponto A.
86. Construa o círculo inscrito em um triângulo dado.
87. Construa o círculo circunscrito a um triângulo dado.
88. Dados uma reta m, um ponto BE me um ponto A fora ele m
tal que .~_B não é perpendicular a m, construa o círculo que
passa por A e B e é tangente a m em B.
89. Dado um segmento AB, determine C, D E AB tais que AC=
CD= DB.

90. Dado um ponto P dentro de um ângulo, construir um círculo


que passe pelo ponto P e seja tangente aos lados elo ângulo.
206 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

PROBLEMAS

1. Mostre que as bissetrizes de um triângulo se encontram em


um ponto.

2. Mostre que as três mediatrizes aos lados de um triângulo se


encontram em um ponto.
3. Mostre que as medianas de um triângulo se intersectam em
um mesmo ponto (o qual é chamado de baricentro do triân-
gulo )3 . Mostre, além disto, que a distância do baricentro a
cada vértice é igual a 2/3 do comprimento da mediana que
parte do vértice.
4. Mostre que as alturas de um triângulo se encontram em um
mesmo ponto (chamado ortocentro). (Ajuda: use que as per-
pendiculares aos lados de um triângulo passando pelos pontos
médios dos lados se encontram em um mesmo ponto).
5. Uma ceviana de um triângulo é uma segmento que liga um
vértice a um ponto do lado oposto. Prove a seguinte afirmação
( Ceva): seja ABC é um triângulo e sejam X E AB, Y E BC
e Z E CA; as cevianas CX, AY e BZ se encontram em um
ponto P se e somente se
AX BY CZ
-·-·-=1
XB YC ZA

3 Arquimedes mostrou que o baricentro é o centro de gravidade de uma placa

triangular de espessura e densidade constantes.


11. REVISÃO E APROFUNDAMENTO 207

6. Use o resultado do exercício anterior para dar outra prova de


que:

a) as medianas de um triângulo são concorrentes.


b) as bissetrizes de um triângulo são concorrentes.
c) se as alturas de um triângulo são cevianas então elas são
concorrentes.

7. Se os pontos X, Y e Z são colineares e pertencem à retas de-


terminadas pelos lados BC, CA e AB respectivamente, como
na figura seguinte, então

Este resultado é conhecido como Teorema de Menelau. 4

X
B e

8. Um triângulo tem lados medindo a, b e e e perímetro igual a


2p. Mostre que sua área vale ✓p(p - a)(p - b)(p - e). (pé
referido como o semi-perímetro elo triângulo.)

9. Um triângulo tem semi-perímetro p e o raio elo círculo inscrito


é r. Mostre que sua área é igual a pr.
4 Menelau, geômetra, viveu por volta do ano 100 de nossa era em Alexandria.
208 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

10. Um triângulo tem lados medindo a, b e e. Se R é a medida


elo raio circunscrito ao triângulo então sua área é dada por
abc/4R.

11. Na figura abaixo à esquerda ABC D é um quadrado e Eê B =


EÊC = 15º. Mostre que AED é eqüilátero.

12. Na figura acima à direita AX e BY são perpendiculares a


AB, X PY = 90°. Qual deve ser o valor do ângulo PY B para
que a área elo triângulo X PY seja a maior possível?

13. Na figura abaixo à esquerda o círculo maior tem raio R 1 e


o círculo menor tem raio R2 , a reta s é tangente aos dois
cfrculos no ponto P. Determine a relação entre os ângulos a
e {3.
r

s
a

14. A figura acima à direita representa um corredor com uma


"esquina" em um hospital. Qual o comprimento da maior
11. REVISÃO E APROFUNDAMENTO 209

maca que pode trafegar no corredor sabendo-se que as macas


têm largura e.

15. Na figura a seguir à esquerda tem-se AB = AC, /3 = 20°,


'Y = 60° e 0 = 50°. Determine a.
A A

B e e

16. Na figura acima à direita tem-se AB = AC, DE paralelo


a BC e DF perpendicular a EC. Sabendo que  = 20º e
DÊC = 60º determine BêF.

17. Na figura abaixo, BC é perpendicular a 00, BQ é paralela


a 00, os pontos O, P e Q são colineares e PQ = 2 • 00.
Sabendo que PÔC = 26º determine o ângulo BÔC.

o
210 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

18. Mostre que o comprimento da mediana relativa a um lado de


um triângulo é menor do que a semi-soma dos comprimentos
dos outros lados e é maior que a semi-diferença. (Obs.: Semi-
soma é a mesma coisa que metade da soma, ou seja, a média
aritmética. Semi-diferença é a metade da diferença.)
19. Mostre que a soma dos comprimentos das medianas de um
triângulo é menor do que o seu perímetro e é maior do que o
semi-perímetro.
20. Seja ABC D um paralelogramo e 111 e N, respectivamente, os
pontos médios de AB e BC. Mostre que os segmentos DM
e DN cortam a diagonal AC dividindo-a em três segmentos
congruentes.
21. Prove que a soma dos comprimentos das medianas de um
triângulo é maior do que 3/ 4 do seu perímetro.
22. Dado um triângulo, mostre que o centro do círculo que lhe
é circunscrito, o baricentro e o ortocentro estão sobre uma
mesma reta (denominada reta de E-uler).
23. Num triângulo, os pontos médios dos três lados, os pés das
alturas, e os pontos médios dos segmentos ligando os três
vértices ao ortocentro estão em um mesmo círculo (denomi-
nado: círc-ulo dos nove pontos)
24. Seja ABC um triângulo e sejam K, L e 1\1 os pés elas alturas.
Mostre que as alturas de ABC são as bissetrizes dos ângulos
do triângulo J{ LM que é denominado triâng-ulo ártico.
25. Mostre que, entre todos os retângulos de perímetro 8cm o que
tem maior área é o quadrado.
26. Considere um ângulo de 30º inscrito em um círculo de raio
2cm sendo que um de seus lados é uma corda. Determine a
área da região interior ao círculo e ao ângulo.
11. REVISÃO E APROFUNDAMENTO 211

27. Dois círculos são tangentes em um ponto A. Sejam m e n


duas retas passando pelo ponto A. Suponha que m corta os
círculos em E e C, e n o faz nos pontos D e B, sendo que D
e E estão no mesmo círculo. Mostre que BC é paralelo a D E
28. Considere um círculo de raio r e centro O, como na figura
abaixo. Seja AB um diâmetro e CD uma corda que corta AB
no ponto E que é ponto médio de AO. Suponha que o ângulo
AÊC mede 45°. Determine a área da região sombreada.

29. Mostre. que todo triângulo de lados p 2 - q2 , 2pq e p 2é + q2


um triângulo retângulo. Aqui, p e q são quaisquer números
inteiros positivos com p > q. São todas as triplas pitagóricas
obtidas desta forma?
30. Um círculo é dividido em quatro partes por dois diâmetros
ortogonais. Determine o raio do maior círculo que pode ser
desenhado dentro de uma destas partes.
31. Qual seria sua resposta se os diâmetros formassem um ângulo
de 45º?
32. Sejam P e Q dois pontos em um círculo e sejam me n retas
tangentes ao círculos nestes pontos. Sejam P' um ponto de
m e Q' um ponto de n que ficam do mesmo lado da reta
determinada por P e Q. Mostre que, se PP' = QQ' então
existe um círculo que passa por P' e Q' o qual também tem
as retas m e n como tangentes.
212 GEOMETRIA EUCLIDIANA PLANA

33. Na figura seguinte, à esquerda, sabe-se que ABC é eqüilátero


e que AD = BE = C F, mostre que EF D é também eqüilátero.
A
e

34. Determine a medida elo ângulo A na figura acima à direita


sabendo que ABC é isósceles e que os segmentos BC, CD,
DE, EF e F A são congruentes.
35. Na figura seguinte o triângulo ABC é retângulo, com ângulo
reto no vértice A, as retas BD e CE são bissetrizes dos
ângulos Ê e ê, respectivamente. A normal baixada do ponto
A ao lado BC corta as duas bissetrizes mencionadas em dois
pontos. Determine a distância entre estes pontos, sabendo
que AE = 4cm e AD = 5cm.

e D A

Figura 11.1
Referências Bibliográficas

[1] Ayres Jr., Frank, Trigonometria Plana e Esférica Coleção


Schaum, Editora McGraw-Hill do Brasil Ltda., 1972.

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Paris, 1920.
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Mathematical Association of America, 1967.

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213
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,
Indice Remissivo

área, 175 interno de um triângulo. 61


de um disco, 180, 181 interseção de semi-planos,
de um paralelogramo, 177 43
de um polígono regular, 179 lados de um, 29
de um retângulo, 177 medição, 32
de um trapézio, 178 medidos em grau, 30
de um triângulo, 178 obtuso, 36
de uma região, 176 oposto a um lado, 65
ângulo, 29 que subtende um arco, 131
externo, teorema do, 62 raso, 29, 42
agudo, 36 reto, 34
axiomas sobre medição de, secante, 145
29 secante de um, 170
bissetriz, 42 seno de um, 157
central, 131 suplemento, 33
tangente ele um, 158
co-seno de um, 157
vértices de um, 29
complementares, 37
ângulos
cossecante de um, 170
ela base, 48
cotangente de um, 170
congruentes, 45
de um polígono, 41 de um triângulo, soma, 89
de um triângulo, 61 externos ele um triângulo,
dividido por uma semi-reta, 73
33 opostos pelo vértice, 33
externo de um triângulo, suplementares, 33
61
inscrito em um círculo, 131 altura, 50

215
216 ÍNDICE REMISSIVO

ele um triângulo, 49 círculo, 18


apótema centro, 18
elo polígono, 184 comprimento ele um, 156
arco, 130 diâmetro, 20
correspondente a um ângulo elos nove pontos, 210
inscrito, 131 em um semi-plano, 26
ele um círculo, 130 existência, 18
maior, 130, 131 inscrito em um polígono,
menor, 130, 131 137
Arquimedes, 206 pontos ele interseção, 20
axioma, 12 pontos exteriores, 18
ele incidência, 1 pontos interiores, 18
ele ordem, 3 raio, 18
sobre áreas, 176 setor ele um, 189
elas paralelas, 85 tangente ele um, 128
ele congruência, 46 círculos, 21
ele ordem, 5 ortogonais, 204
o quinto axioma ele Euclides, tangente comum a dois, 143
106, 107 tangentes, 141
sobre medição ele ângulos, tangentes exteriores, 141
31 tangentes interiores, 141
sobre medição ele segmen- catetos, 70
tos, 13, 14 Cayley, 108
Axiomas ele Euclides, 105 centro ele um círculo, 18
noções comuns, 105 ceviana, 206
postulados, 105 Clifforcl, 108
base ele um triângulo isósceles, co-secante de um ângulo, 170
48 co-seno de um ângulo, 157
bases ele um trapézio, 98 lei elos co-senos, 163
Beltrami, 108 co-tangente ele um ângulo, 170
Bertrand, 107 complemento ele um ângulo, 37
bissetriz, 42, 49, 50, 53, 56 comprimento
construção ela, 55, 204 de um círculo, 156
Bolyai, 108 ele um segmento, 13, 14
ÍNDICE REMISSIVO 217

congruência elo centro de um círculo,


de ângulos, 45 205
ele segmentos, 45 do ponto médio, 57, 204
ele triângulos, 45, 46 convexos, 6
ele triângulos retângulos, 71 interseção, 6, 9
ele triângulos, primeiro caso, polígonos, 40
46, 47 união, 6
ele triângulos, segundo caso, coordenadas, 19
47 de um ponto em uma reta,
ele triângulos, terceiro caso, 14
50 de uma semi-reta, 32
conjuntos corda de um círculo, 127
convexos, 6
estrelados, 7 decágono, 41
ilimitados, 25 desenhos, 2
limitados, 25 desigualdade triangular, 17, 67,
consistência, 11 68
construção, 204 diâmetro
ele um triângulo, 68 ele um círculo, 20, 127
ela bissetriz, 204 diagonal
ela perpendicular, 205 ele um paralelogramo, 91
ele reta tangente a um círculo de um polígono, 39
passando por um ponto, disco, 18
205 área de um, 180, 181
de retas paralelas, 205 centro de um, 18
ele um quadrilátero, 42 raio de um, 18
ele um ângulo, 42, 205 distância, 28, 56
ele um triângulo eqüilátero, de um ponto a uma reta,
42 65
ele uma bissetriz, 55 entre círculos, 80
elo círculo circunscrito a um entre pontos, 14
triângulo, 205 propriedades, 17
do círculo inscrito num triângulo, divisão harmônica
205 de um segmento, 22
218 ÍNDICE REMISSIVO

Elementos de Euclides, 12, 28, grau, 30, 44


59
elipse, 25 heptágono, 41
região interior, 25 hexágono, 41
eqüiangular Hilbert, 108
triângulo, 53 Hiparco, 174
eqüilátero hipotenusa, 70
triângulo, 20 inscrito, 134
Euclides, 12, 28, 59 interior
axiomas de, 105 de uma região poligonal,
extremidades do raio, 129 176
extremos de um segmento, 3 de uma região triangular,
figura rígida, 55 175
figuras semelhantes, 119 inversão, 203
fronteira isósceles
ele uma região poligonal, triângulo, 20
176 jogo, 11
de uma região triangular,
175 Klein, 108
funções trigonométricas
co-secante, 170 lado
co-seno, 157, 163 de um triângulo, 3
co-tangente, 170 de uma poligonal, 38
secante, 170 oposto a um ângulo, 65
seno, 157, 164 Lambert, 107
tangente, 158 laterais
ele um trapézio, 98
Gauss, 107 ele um triângulo isósceles,
geometria 48
do motorista de taxi, 27 Legendre, 79, 107
Euclidiana, 12, 28 Lei
sobre um cilindro, 27 elos co-senos, 163
sobre uma esfera, 26 elos senos, 164
grado, 35 Lie, 108
ÍNDICE REMISSIVO 219

limitados, 25 perpendicular, 34
Lobachewsky, 108 existência, 34
losango, 98 unicidade, 35
diagonais, 98 construção da, 205
lugar geométrico, 152 pi (7r), 156
Pitágoras
malha, 8
teorema ele, 114
ele tipo 2-3, 8
teorema inverso, 115
do tipo 2-n, 10
plano, 1
medição
planos ele incidência, 7, 8, 10
de ângulos, 29, 30
polígono, 38
ele segmentos, 14
ângulos de um, 41
mediana, 49
circunscrito a um círculo,
mediatriz, 135
137
medida, 14, 28
convexo, 40
ele um ângulo, 32
diagonal, 39
ele um segmento, 14
unidade, 14 inscrito em um círculo, 134
lados, 38
Nasiradin, 107 regular, 179
nonánogo, 41 vértices, 38
polígonos semelhantes, 119
octógono, 41
poligonal, 38
ordem elos pontos ele uma reta,
lados, 38
15
vértices, 38
origem ele uma semi-reta, 4
ponto
ortocentro, 206
de contacto, 128, 141
paralelas, 63 de tangencia, 128
paralelogramo, 91 médio, 16, 57, 204
área, 177 pontos, 1
diagonais, 91 ordem, 3
lados, 91 colineares, 7
pentágono, 41 coordenadas, 14
perímetro, 39 distância entre dois, 14
ele um polígono, 39 elo mesmo lado ele uma reta,
220 ÍNDICE REMISSIVO

5 de um ponto, 64
entre dois, 3 região
não colineares, 7 exterior de uma elipse, 25
separados por um ponto, 3 angular, 146
Proclus, 107 interior de uma, 175
projeção interior de uma elipse, 25
de um segmento sôbre uma limitada por um polígono,
reta, 65 39
proposições poligonal, 175, 176
equivalentes, 83 triangular, 175
hipótese de uma, 81 retângulo, 98
inversas, 83 área de um, 177
negativa de, 84 diagonais de um, 98
tese ele uma, 81 reta
Ptolomeu, 174 dos centros, 149
de Euler, 210
quadrado, 98
secante, 145
diagonais, 98
tangente a um círculo, 128
inscrito em um triângulo,
retas, 1
124
interseção, 1
quadrilátero, 41
correspondência com os número~
régua, 2, 13 reais, 14
radiano, 35 determinam semi-planos, 5
raio eqüidistantes, 90, 198
ele um círculo, 18 ordem dos pontos, 15
extremidade do, 129 paralelas, 63
razão perpendiculares, 34
ele proporcionalidade, 110 se cortam, 1
ele semelhança, 119 retas paralelas
reflexão, 65, 70, 76 axioma das, 85
propriedades, 65 Riemann, 108
relativamente a uma reta,
65 Sacheri, 107
reflexo, 64 secante a um círculo, 145
ÍNDICE REMISSIVO 221

secante ele um ângulo, 170 ele um ângulo, 33


segmento, 3
divisão harmônica, 22 tangente
divisão numa razão dada, de um ângulo, 158
22 a um círculo, 128
extremos, 3 comum a dois círculos, 143
medição, 13 teorema
ponto médio, 16, 57 ele Menelau, 207
segmentos de Ceva, 206
congruentes, 45 de Desrgues, 202
extremidades, 3 ele Papus, 201
semelhança ele Pitágoras, 114
de figuras, 119 elo ângulo externo, 62
de polígonos, 119 inverso elo teorema de Pitágoras,
razão de, 119 115
semelhança de triângulos transferidor, 30
primeiro caso, 111 trapézio, 98
segundo caso, 110 área ele um, 178
terceiro caso, 112 bases, 98
semi-perímetro, 207 diagonais, 98
semi-plano, 5 isósceles, 98
semi-retas, 4 laterais, 98
divide um semi-plano, 31 triângulo, 3, 41
ordem, 15 área ele um, 178
origem, 4 órtico, 210
que divide um ângulo, 33 ângulo externo, 61
semicírculo, 130 ângulo interno, 61
comprimento de um, 156 retângulo, catetos, 70
seno de um ângulo, 157 retângulo, hipotenusa, 70
lei elos senos, 164 altura, 49
setor bissetriz, 49
de um círculo, 189 construção, 20
suficiência, 11 eqüiangular, 53
suplemento eqüilátero, 20, 75
222 ÍNDICE REMISSIVO

figura rígida, 55
isósceles, 20, 48-50, 56, 57
isósceles, ângulos da base,
48
isósceles, ângulos externos,
73
isósceles, base, 48
isósceles, laterais, 48
lados, 3
lados e ângulos opostos, 65
mediana, 49
retângulo, 70, 73
soma dos ângulos, 62, 79,
89
vértices, 3
triângulos
retângulos, casos de con-
gruência, 71
congruência, 53, 56, 58
congruência, primeiro caso,
47
congruência, segundo caso,
47
congruência, terceiro caso,
50
congruentes, 45, 46
semelhança de, 109
trigonometria, 174
tripla pitagórica, 118

vértices
de um triângulo, 3
de uma poligonal, 38

Wallis, 107

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