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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO

EGRÉRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ

AUTOS 000000000000-000.000.0.00.0000

ASSOCIAÇÃO DE MORADORES UNIDOS DE CAICÓ, devidamente qualificada


nos autos em epígrafe da AÇÃO CÍVIL PÚBLICA, que move em face de
GUARARAPES ADM. LTDA, inconformada com a r. sentença fls___ proferida,
com fundamento nos art.102, III da Constituição Federal, interpor RECURSO
EXTRAORDINÁRIO pelas razões anexas;

Requer que seja recebido o presente recurso no seu regular efeito devolutivo
(art.542, §2° do Código de Processo Civil) com a posterior remessa ao Egrégio
Supremo Tribunal Federal.

Requer a juntada da inclusa guia de preparo devidamente recolhida.

Termos em que pede e espera,

DEFERIMENTO.

Caicó, ____de_____de______

_________________
OAB/_______
BREVE RESUMO:

Anteriormente, foi elabora uma Ação Civil pública, na qual a associação de


moradores da cidade de Caicó, requeriu da empresa, Guararapes adm ltda, a devida
manutenção, zelo, com o patrimônio da cidade, que atrai turistas de vários lugares, sendo
fonte de emprego e movimenta a economia do município.
Ainda a tal Ação Civil Pública, tem como parte requerida a prefeitura do
município de Caicó que apesar de saber de todas essas irregularidades, e queixas da
população, ainda mantém um contrato com a empresa responsável. A Ação teve como
principal objetivo a reparação dos danos gravissímos causados ao ponto turístico, mais
conhecido como “Colosseu”
Entretanto, por duas instancias a presente ação não foi acolhida, isto
porque o juiz da causa extinguiu a ação sem resolução de mérito e após o protocolo da
Apelação ao Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, a fim de reformar a decisão que
extinguiu a ação sem resolução de mérito e proferir outro julgamento.
Erroneamente o Tribunal De Justiça Do Ceará manteve a decisão
constitucionais do sentido da obrigatoriedade de figurar no polo passivo todos os entes
responsáveis pela proteção do patrimônio histórico e cultural, União, Estado e Munícipio.
Explicou que esse deve ser o entendimento, negando vigência ao art. 30 da Constituição.
Portanto, uma afronta a dispositivos Constitucionais, não restando outra
alternativa a não se protocolar o Recurso Extraordinário.

DO CABIMENTO DO RECURSO

Consoante o disposto no artigo 102, § 3º, da Constituição Federal,


acrescentado pela EC nº 45/2004, passou a ser pressuposto à admissão do recurso
extraordinário a comprovação, pelo recorrente, da repercussão geral das questões
constitucionais. Verbis:

“§ 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá


demonstrar a repercussão geral das questões
constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a
fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso,
somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois
terços de seus membros.”

Com o advento da Lei n.º 11.418/2006, de 19 de dezembro de 2006, o


dispositivo constitucional restou regulamentado, acrescentando-se o artigo 543-A ao
Código de Processo Civil, com vigência a partir de 18 de fevereiro de 2007, que assim
preceituou:

“Art. 543-A. O Supremo Tribunal Federal, em decisão


irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário,
quando a questão constitucional nele versada não
oferecer repercussão geral, nos termos deste artigo.
§ 1º Para efeito de repercussão geral, será considerada
a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de
vista econômico, político, social ou jurídico, que
ultrapassem os interesses subjetivos da causa.
§ 2º O recorrente deverá demonstrar, em preliminar do
recurso, para apreciação exclusiva do Supremo Tribunal
Federal, a existência da repercussão geral.
§ 3º Haverá repercussão geral sempre que o recurso
impugnar decisão contrária à súmula ou jurisprudência
dominante do tribunal.”

Embora a verificação da relevância seja subjetiva, porquanto conceito aberto,


indeterminado, a doutrina, nesse exíguo espaço, tende a definir, de forma mais precisa e
objetiva, o que seja a relevância, conforme se pode depreender da lição de Rodolfo de
Camargo Mancuso:

“Tal projeto prevê quatro modalidades ou tipos de


transcendência: (i) jurídica (‘o desrespeito patente aos
direitos humanos fundamentais ou aos interesses
coletivos indisponíveis, com comprometimento da
segurança e estabilidade das relações jurídicas’);148 (ii)
política (‘o desrespeito notório ao princípio federativo ou
à harmonia dos Poderes constituídos’); (iii) social (‘a
existência de situação extraordinária de discriminação,
de comprometimento do mercado de trabalho ou de
perturbação notável à harmonia entre capital e trabalho’);
(iv) econômica (‘a ressonância de vulto da causa em
relação a entidade de direito público ou economia mista,
ou a grave repercussão da questão na política
econômica nacional, no segmento produtivo ou no
desenvolvimento regular da atividade empresarial'’
Sobressai acerca da questão a referência feita a Calmon de Passos, por
Leonardo De Faria Beraldo, in “A arguição de relevância da questão constitucional no
recurso extraordinário sob o prisma da EC n.º 45/2004”, publicada no Juris Síntese n.º
58 - MAR/ABR de 2006, perfeitamente aplicável ao caso “E, quem muito bem soube
transmitir esta indignação, e de forma brilhante e jurídica, foi Calmon de Passos, in
verbis:

‘‘Se toda má aplicação do Direito representa gravame ao


interesse público na justiça do caso concreto (único
modo de se assegurar a efetividade do ordenamento
jurídico), não há como se dizer irrelevante a decisão em
que isso ocorre [...].
Logo, volta-se ao ponto inicial. Quando se nega vigência
à lei federal ou quando se lhe dá interpretação
incompatível, atinge-se a lei federal de modo relevante e
é do interesse público afastar esta ofensa ao Direito
individual, por constituir também uma ofensa ao Direito
objetivo, donde ser relevante a questão federal que
configura’.”

DA TEMPESTIVIDADE

O recurso ora interposto preenche o requisito da tempestividade,


conforme se passa a demonstrar.

O prazo para recurso especial é de 15 dias, conforme determina o artigo


1.003, § 5º do Código de Processo Civil de 2015.

O v. acórdão recorrido foi disponibilizado em 05/03/2018, considerando-


se publicado em 05/03/2018, de modo o início do prazo ocorreu em 06/03/2018
Desta forma, o dies ad quem para interposição do presente recurso
extraordinário é 07/03/2018, tendo em vista que os prazos processuais civis computam-
se excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento e somente em dias úteis,
consoante prescrevem os artss 219 e 224, caput, do Código de Processo Civil de 2015.
DO CABIMENTO

O presente recurso é cabível, haja vista que houve esgotamento prévio


das vias ordinárias e que a decisão recorrida contrariou dispositivos da Constituição da
República Federativa do Brasil, nos termos do art. 102, inciso III, alínea a da
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, in verbis:

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal,


precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
(…)
III – julgar, mediante recurso extraordinário, as causas
decididas em única ou última instância, quando a
decisão recorrida:
a) contrariar dispositivo desta Constituição; (...)

DA CONTRARIEDADE À CONSTITUIÇÃO

A decisão do Tribunal Estadual, conforme demonstrado, contrariou o


disposto na Constituição Federal, porquanto tenha sido abalado o disposto no art. art. 30
da Constituição.

DA FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA

O acórdão acolheu a sentença singular, que julgou sem resolução do


mérito, informando que as partes do processo eram ilegítimas, negando a vigência ao
art. 30 da Constituição.

A sentença de pronúncia que foi confirmada pelo egrégio Tribunal de


Justiça contrariou dispositivo constitucional, conforme vemos no dispositivo legal:

Art. 30. Compete aos Municípios:


        I - Legislar sobre assuntos de interesse local;
        II - Suplementar a legislação federal e a estadual no que
couber;
        III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência,
bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da
obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos
prazos fixados em lei;
        IV - Criar, organizar e suprimir Distritos, observada a
legislação estadual;
        V - Organizar e prestar, diretamente ou sob regime de
concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse
local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter
essencial;
        VI - Manter, com a cooperação técnica e financeira da
União e do Estado, programas de educação infantil e de
ensino fundamental;
        VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da
União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da
população;
        VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento
territorial, mediante planejamento e controle do uso, do
parcelamento e da ocupação do solo urbano;
        IX - Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural
local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e
estadual.

Concomitantemente, o Art. 23 CF/88, também expõe:

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do


Distrito Federal e dos Municípios:

III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor


histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens
naturais notáveis e os sítios arqueológicos;

IV - Impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de


obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou
cultural;
A Constituição Federal prevê claramente a legitimidade das partes,
conforme demostrado. Impõe-se, portanto, a reforma do acórdão hostilizado.

DO PEDIDO

Diante do exposto:
1. Recorrente requer que seja o presente recurso admitido no Juízo “a
quo” para ser remetido ao Juízo “ad quem”, o Supremo Tribunal
Federal, para que por este Tribunal haja o conhecimento e o
provimento do presente recurso extraordinário, pois estão presentes
todos os pressupostos de sua admissibilidade, reformando-se
totalmente a decisão recorrida.
2. Por conseguinte, requer a inversão do ônus de sucumbência, com a
condenação da parte recorrida ao pagamento das custas e
honorários advocatícios, nos termos do art. 82, § 2º do Código de
Processo Civil de 2015.
3. Requer a intimação da parte contrária para a apresentação de
contrarrazões.

Termos em que,

Pede deferimento.

Caicó, 07/03/2018.

NOME DO ADVOGADO
OAB _________

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