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CURSO ON-LINE DIREITO CONSTITUCIONAL EM EXERCÍCIOS

P/ RECEITA FEDERAL - QUESTÕES ESAF


PROFESSORES: VICENTE PAULO E FREDERICO DIAS

Aula 1 – Constituição: Conceito; Classificação; Aplicabilidade e


Interpretação das Normas Constitucionais. Organização dos Poderes do
Estado. Conceito de Poder: Separação, Independência e Harmonia.
Bom dia!
Seja bem-vindo à primeira aula do nosso curso.
Iniciaremos, hoje, um curso de revisão dos principais aspectos do Direito
Constitucional relacionados ao edital do concurso de Auditor Fiscal da
Receita Federal do Brasil (AFRFB).
Realizaremos essa breve revisão a partir de recentes questões da ESAF,
para que, ao final, você esteja atualizadíssimo nos assuntos que têm sido
cobrados pelos atuais examinadores dessa banca.
Considerando que o objetivo de um curso de exercícios é revisar um
conteúdo já conhecido, tentaremos apresentar comentários breves às
questões, destacando apenas o que há de mais relevante sobre o
conteúdo nelas cobrado (ou seja, o que teria maior chance de ser
cobrado nas próximas provas).
Em suma, a didática utilizada será, na medida do possível, a seguinte: ao
abordar a primeira questão sobre o assunto, os comentários serão mais
amplos, revisando os principais conceitos correlatos, ainda que não
diretamente nela abordados; em seguida, ao examinar as demais
questões sobre o mesmo assunto, os comentários serão mais breves,
evitando-se repetições desnecessárias e cansativas – afinal, você não
estuda só Direito Constitucional, mas sim diversas disciplinas (ainda mais
agora, com esse novo edital), e, com isso, seu tempo é valiosíssimo!
Nessa primeira aula, comentaremos o item 1 do edital, por meio das
questões da ESAF que tratam das normas constitucionais em si, sua
classificação, eficácia, princípios e métodos de interpretação,
classificação das Constituições etc.
Depois resolveremos algumas questões que versam sobre Organização
dos Poderes, mas de acordo com o exigido no item 5 do edital. Assim, da
forma que foi explicado na Aula 0, selecionaremos questões que, a nosso
entender, têm maior relação com a teoria da separação,
independência e harmonia dos poderes. Pelo teor do edital, é o que
parece ter mais chances de cair (apesar de haver a possibilidade de vir
qualquer questão sobre os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário).
Para quem preferir, as questões estão listadas no final da aula, para que
possam ser resolvidas sem os comentários.

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Iniciaremos o nosso curso com o assunto eficácia e aplicabilidade das


normas constitucionais. Vamos fazer uma breve revisão sobre esse tema?
Vamos lá, então...
Primeiro: todas as normas constitucionais possuem eficácia jurídica. Assim,
não existem normas desprovidas de eficácia jurídica no texto da
Constituição. O que se admite é a existência de uma variação no grau
de eficácia e aplicabilidade dessas normas, isto é, todas têm eficácia,
mas o grau dessa eficácia é variável.
Enfim, algumas normas já produzem seus efeitos essenciais com a simples
promulgação da Constituição. Outras têm um grau de eficácia reduzido,
já que só produzem os seus plenos efeitos quando forem regulamentados
por lei.
Portanto, nesse primeiro assunto, não estaremos separando as normas
constitucionais em “normas eficazes” e “normas ineficazes”. Estaremos,
apenas, identificando os diferentes graus de eficácia de tais normas -
mas, partindo sempre da idéia de que todas elas possuem eficácia
jurídica.
Você pode nos perguntar: o mesmo pode ser afirmado quanto ao
preâmbulo da Constituição? E quanto às normas integrantes do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT?
A resposta é não e sim, respectivamente. Vamos explicar:
A jurisprudência do STF assentou-se no sentido de que o preâmbulo não é
norma constitucional; trata-se de mera manifestação de cunho
político/filosófico/ideológico que não se insere no âmbito do Direito
Constitucional. Portanto, o preâmbulo não possui a mesma força
normativa das demais normas constitucionais, não serve de parâmetro
para a declaração da inconstitucionalidade das leis, não impõe limite ao
poder constituinte derivado ao emendar a Constituição e não é de
observância obrigatória pelos estados-membros na elaboração de suas
Constituições (os estados não precisam nem mesmo criar preâmbulo na
Constituição Estadual!).
Já o ADCT é uma norma constitucional como qualquer outra, ressalvada
a sua natureza transitória; a única distinção entre uma norma do ADCT e
uma norma que integra a parte dogmática (corpo principal) da
Constituição é a natureza transitória da primeira; uma vez ocorrida a
situação transitória prevista na norma do ADCT, esgota-se a sua eficácia;
portanto, as normas do ADCT são formalmente constitucionais, têm a
mesma rigidez das demais, situam-se no mesmo nível hierárquico das
demais normas constitucionais (não há subordinação entre norma

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integrante do ADCT e norma do corpo principal da Constituição) e


podem ser modificadas (ou revogadas, ou acrescentadas) por emenda
à Constituição.
Veja que as peculiaridades dessas normas – do preâmbulo e do ADCT –
não retiram a validade da máxima segundo a qual “todas as normas
constitucionais possuem eficácia jurídica”. Por que não? Porque o
preâmbulo não integra o Direito Constitucional, e as normas do ADCT
têm sim eficácia jurídica, enquanto não ocorrida a situação nelas
prevista.
Antes de iniciarmos a primeira questão, vale comentar que quanto ao
assunto “aplicabilidade das normas constitucionais”, o mais comum, em
praticamente 100% dos casos, é a ESAF cobrar aquela famosa
classificação do prof. José Afonso da Silva: normas constitucionais de
eficácia plena, limitada e contida.
Veja essa assertiva:
1) (ESAF/Auditor-Fiscal da Receita Estadual – Ceará/2007) As normas
constitucionais de eficácia contida são aquelas que apresentam
aplicabilidade reduzida, haja vista necessitarem de norma ulterior
para que sejam aplicadas.
Item errado.
O Professor José Afonso da Silva divide as normas constitucionais em três
diferentes graus de eficácia: eficácia plena, eficácia contida e eficácia
limitada.
As normas de eficácia plena são aquelas que já estão aptas para
produzirem os seus plenos efeitos com a simples entrada em vigor da
Constituição, independentemente de regulamentação por lei.
São, por isso, dotadas de aplicabilidade imediata (porque estão aptas
para produzir efeitos imediatamente, com a simples promulgação da
Constituição), direta (porque não dependem de nenhuma norma
regulamentadora intermediária para a produção de efeitos) e integral
(porque já produzem seus essenciais efeitos).
As normas de eficácia contida (ou restringível) são aquelas que também
estão aptas para a produção de seus plenos efeitos com a simples
promulgação da Constituição (têm aplicabilidade direta e imediata),
mas que podem ser restringidas. O direito nelas previsto é imediatamente
exercitável, com a simples promulgação da Constituição, mas esse
exercício poderá ser restringido no futuro.

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São, por isso, dotadas de aplicabilidade imediata (porque estão aptas


para produzir efeitos imediatamente, com a simples promulgação da
Constituição), direta (porque não dependem de nenhuma norma
regulamentadora intermediária para a produção de efeitos), mas não-
integral (porque sujeitas à imposição de restrições).
Ou seja, a assertiva está ERRADA, pois as normas de eficácia contida são
dotadas de aplicabilidade imediata e, por isso, não necessitam de lei
posterior para que sejam aplicadas. Na realidade, lei posterior viria para
restringir o exercício do direito nelas previsto.
É importante comentar ainda que as restrições às normas de eficácia
contida podem ser impostas:
a) por lei (exemplo: art. 5º, XIII, da CF/88, que prevê as restrições ao
exercício de trabalho, ofício ou profissão, que poderão ser impostas pela
lei que estabelecer as qualificações profissionais);
b) por outras normas constitucionais (exemplo: art. 139 da CF/88, que
impõe restrições ao exercício de certos direitos fundamentais, durante o
período de estado de sítio);
c) por conceitos ético-jurídicos geralmente aceitos (exemplo: art. 5º, XXV,
da CF/88, em que o conceito de “iminente perigo público” autoriza a
autoridade competente a impor uma restrição ao direito de
propriedade, requisitando administrativamente a propriedade particular).
Um bom exemplo de norma constitucional de eficácia contida é o inciso
XIII do art. 5º: “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”.
Veja que essa norma assegura, com a simples promulgação da
Constituição, o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, mas se
sujeita à imposição de restrições futuras por parte do legislador ordinário,
devendo ser interpretada da seguinte maneira:
a) enquanto não estabelecidas em lei as qualificações profissionais
necessárias para o exercício de determinada profissão, o seu exercício
será amplo, vale dizer, qualquer pessoa poderá exercê-la;
b) em um momento seguinte, quando a lei vier a estabelecer as
qualificações profissionais necessárias para o exercício dessa profissão, só
poderão exercê-la aqueles que atenderem a essas qualificações
previstas em lei.
Passemos à questão seguinte, que trata da última classificação: normas
de eficácia limitada.

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2) (ESAF/Auditor-Fiscal da Receita Estadual – Ceará/2007) As normas


constitucionais de eficácia limitada estreitam-se com o princípio da
reserva legal, haja vista regularem interesses relativos à
determinada matéria, possibilitando a restrição por parte do
legislador derivado.
Item errado.
É de se observar que, apesar de se referir à eficácia limitada, a assertiva
apresenta um conceito relacionado com as normas de eficácia contida,
pois é característica desse tipo de norma a possibilidade de restrição
pelo legislador ordinário. Portanto, está ERRADA.
As normas de eficácia limitada são aquelas que só produzem seus plenos
efeitos depois da exigida regulamentação. Elas asseguram determinado
direito, mas esse direito não poderá ser exercido enquanto não for
regulamentado pelo legislador ordinário. Enquanto não expedida a
regulamentação, o exercício do direito permanece impedido.
São, por isso, dotadas de aplicabilidade mediata (só produzirão seus
efeitos essenciais posteriormente, depois da regulamentação por lei),
indireta (não asseguram, diretamente, o exercício do direito,
dependendo de norma regulamentadora intermediária para tal) e
reduzida (com a promulgação da Constituição, sua eficácia é
meramente “negativa”, isto é, com a simples entrada em vigor da
Constituição, elas já servem de parâmetro para a realização do controle
de constitucionalidade das leis, para o fim de ser declarada a
revogação da legislação pretérita em sentido contrário, bem assim a
inconstitucionalidade da legislação posterior em sentido contrário).
Sobre as normas de eficácia limitada ainda devemos comentar que são
divididas pelo Professor José Afonso da Silva em dois grupos distintos:
a) de princípio institutivo ou organizativo;
b) de princípio programático.
As normas definidoras de princípio institutivo ou organizativo são aquelas
em que a Constituição estabelece regras para a futura criação,
estruturação e organização de órgãos, entidades ou institutos, mediante
lei. São exemplos: “a lei disporá sobre a organização administrativa e
judiciária dos Territórios” (art. 33); “a lei disporá sobre a criação,
estruturação e atribuições dos Ministérios” (art. 88); “a lei regulará a
organização e o funcionamento do Conselho de Defesa Nacional” (art.
91, § 2o); “a lei disporá sobre a constituição, investidura, jurisdição,
competência, garantias e condições de exercício dos órgãos da Justiça
do Trabalho” (art. 113).

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As normas constitucionais definidoras de princípios programáticos são


aquelas em que a Constituição estabelece os princípios e diretrizes a
serem cumpridos futuramente pelos órgãos estatais (legislativos,
executivos, jurisdicionais e administrativos), visando à realização dos fins
sociais do Estado.
Constituem programas a serem realizados pelo Poder Público,
disciplinando interesses econômico-sociais, tais como: realização da
justiça social; valorização do trabalho; amparo à família; combate ao
analfabetismo etc. Esse grupo é composto pelas chamadas normas
programáticas. Exemplos: o art. 3º; o parágrafo único do art. 4º; o art. 7º,
XX; o art. 7º, XXVII; o art. 173, § 4º; o art. 216, § 3º.
Veja que, embora essas terminologias - definidoras de princípio institutivo
ou organizativo e definidoras de princípio programático - não sejam
“amigáveis”, na prova é fácil distinguir um grupo do outro. Isso porque,
como são apenas dois grupos, se a norma de eficácia limitada não está
ligada à criação, estruturação e organização de órgãos ou entidades,
certamente ela é uma norma definidora de princípio programático
(norma programática).
Essas classificações elaboradas pelo prof. José Afonso da Silva são
frequentemente cobradas em provas da ESAF. Portanto, não deixe de
memorizá-las!
Sintetizando:

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Eficácia das normas constitucionais

- Produzem seus efeitos essenciais com a simples entrada em vigor


Imediata (aptas para produzir efeitos imediatamente)
Eficácia
- Aplicabilidade Direta (não dependem de nenhuma norma regulamentadora)
Plena
Integral (já produzem seus integrais efeitos)

- Produzem seus efeitos essenciais, mas eles podem ser restringidos


Imediata (aptas para produzir efeitos imediatamente)
Eficácia
- Aplicabilidade Direta (não dependem de nenhuma norma regulamentadora)
Contida
Não integral (sujeitas à imposição de restrições)

- Só produzem seus plenos efeitos depois da exigida regulamentação


Eficácia Mediata (efeitos essenciais apenas após regulamentação)
Limitada Indireta (dependem de nenhuma norma regulamentadora)
- Aplicabilidade
Reduzida (com a promulgação da Constituição, sua eficácia é
meramente “negativa”, isto é, revogam a legislação pretérita
e proíbem a legislação futura em sentido contrário)

- Princípio Institutivo → regras para a futura criação, estruturação e organização de órgãos,


entidades ou institutos, mediante lei.
- Princípio Programático → princípios e diretrizes a serem cumpridos futuramente pelos órgãos
estatais visando à realização dos fins sociais do Estado.
3) (ESAF/Auditor-Fiscal da Receita Estadual – Ceará/2007) O
condicionamento da aplicação de direitos e garantias
fundamentais à preexistência de lei, não retira o poder normativo
do dispositivo constitucional, haja vista impor ao legislador e ao
aplicador da norma limites de atuação.
Item certo.
O fato de a Constituição condicionar o exercício da aplicação de certos
direitos e garantias fundamentais à regulamentação por lei não retira a
força normativa dessas normas constitucionais de eficácia limitada.
É importante você ter em mente que mesmo uma norma constitucional
dependente de regulamentação já tem alguma eficácia com a sua
simples entrada em vigor.
Com efeito, podem-se destacar pelo menos dois efeitos da entrada em
vigor de uma norma constitucional de eficácia limitada:
a) a revogação de todas as disposições contrárias ou incompatíveis com
seus comandos; e

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b) a vedação à produção legislativa ulterior que seja com ela


incompatível.
Significa dizer, em simples palavras, que com a simples entrada em vigor
da Constituição, as normas de eficácia limitada, mormente as de
princípio programático, já servem de parâmetro para a realização do
controle de constitucionalidade das leis.
Ademais, mesmo antes de sua regulamentação por lei, essas normas de
eficácia limitada servem como parâmetro para a interpretação do texto
constitucional.
4) (ESAF/Auditor-Fiscal da Receita Estadual – Ceará/2007) Caberá
mandado de injunção sempre que a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício de direitos e liberdades
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à
soberania e à cidadania. Logo, poderá ser impetrado o remédio
constitucional para sanar a omissão de norma de eficácia contida.
Item errado.
A primeira parte da assertiva está de acordo com o art. 5°, LXXI, que trata
do mandado de injunção. Mas o questionamento é: seria compatível a
utilização desse instrumento para exigir a edição de lei que vise a
regulamentar norma de eficácia contida?
Bom, o direito previsto em norma constitucional de eficácia contida não
depende de lei regulamentadora para o seu exercício (são dotadas de
aplicabilidade direta e imediata). Assim, a lei regulamentadora, se
houver, virá para restringir o direito que era plenamente exercitável.
Logo, não cabe mandado de injunção diante da falta de norma
regulamentadora de direito previsto em norma de eficácia contida.
O mandado de injunção é remédio para falta de norma
regulamentadora de direito previsto em norma de eficácia limitada (pois
neste tipo de norma sim, o exercício do direito depende da expedição
de norma regulamentadora).
5) (ESAF/Auditor-Fiscal da Receita Estadual – Ceará/2007) As normas
definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação
imediata e eficácia plena.
Item errado.
Determina a Constituição Federal que as normas definidoras dos direitos
e garantias fundamentais têm aplicação imediata (art. 5º, § 1º).

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Entretanto, isso não significa que sejam todos os direitos e garantias


fundamentais dotados de eficácia plena, haja vista muitos deles estarem
consagrados em normas programáticas (de eficácia limitada, portanto),
dependentes de regulamentação por lei para a produção de seus
efeitos essenciais.
Por exemplo: os direitos fundamentais sociais previstos nos incisos XX
(“proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos
específicos, nos termos da lei”) e XXVII (“proteção em face da
automação, na forma da lei”) do art. 7º da Constituição são normas
tipicamente programáticas, dependentes de lei para a produção de
seus efeitos essenciais.
6) (ESAF/EPPGG/MPOG/2009) São constitucionais as normas que
dizem respeito aos limites, e atribuições respectivas dos poderes
políticos, e aos direitos fundamentais. As demais disposições que
estejam na Constituição podem ser alteradas pelo quórum exigido
para a aprovação das leis ordinárias.
Item errado.
Além da classificação do prof. José Afonso da Silva, observa-se que as
normas constitucionais podem ser divididas em materiais e formais. A
assertiva trata da classificação das normas constitucionais em sentido
material (ou substancial).
No sentido material de Constituição, as normas constitucionais são
identificadas a partir do seu conteúdo, isto é, nessa concepção só são
normas constitucionais aquelas que tratam de matérias substancialmente
constitucionais (organização e finalidades do Estado e direitos
fundamentais, por exemplo).
As demais normas constitucionais, ainda quando expressamente
integrantes de uma Constituição escrita e rígida, são, tão-somente,
formalmente constitucionais (isto é, têm forma de Constituição, porque
integram um documento constitucional solenemente elaborado e
dotado de rigidez; mas, não têm substância de Constituição, por não
versarem sobre matéria de relevância para a organização do Estado).
Aí você nos pergunta: E quais são, exatamente, esses temas
substancialmente constitucionais? Bom, esse assunto não é nada
pacífico (muito pelo contrário, é altamente controvertido!), mas há um
núcleo de temas sobre os quais não há muita controvérsia. Nesse sentido,
pode ser considerado materialmente constitucional aquele conteúdo
que verse sobre organização do Estado, distribuição de competências,

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regulação do exercício do poder e limites ao poder do Estado (direitos


fundamentais).
Todavia, quando determinado Estado concentra a Constituição em um
documento solene e rígido, escrito por um órgão soberano, são
consideradas constitucionais não só as normas materialmente
constitucionais, mas também as demais.
Veja o caso da nossa CF/88. Ao tratar de ordem econômica e social, ela
traz normas que podem não ser materialmente constitucionais, mas não
são hierarquicamente inferiores às demais, tendo sim caráter
constitucional. E, com isso, sua alteração requer procedimento mais
rígido que o das leis ordinárias, como qualquer outra norma
constitucional. Daí o erro da questão.
Por fim, guarde os seguintes detalhes sobre esse assunto:
I – O conceito de Constituição em sentido formal só existe em Estados de
Constituição rígida e escrita;
II – O fato de determinada norma não tratar de temas propriamente
(materialmente, substancialmente) constitucionais não a torna inferior às
demais;
III – Para fins de controle de constitucionalidade e de aplicabilidade das
normas constitucionais não importa se a norma inserida na Constituição é
(ou não) substancialmente constitucional.
7) (ESAF/EPPGG/MPOG/2009) A Constituição material é o peculiar
modo de existir do Estado, reduzido, sob a forma escrita, a um
documento solenemente estabelecido pelo poder constituinte e
somente modificável por processos e formalidades especiais nela
própria estabelecidos.
Item errado.
Observe que a assertiva trouxe a noção de Constituição formal, que se
relaciona com um documento solene e rígido, independentemente do
conteúdo tratado.
Como vimos, a Constituição em sentido material tem conteúdo
propriamente constitucional, independentemente de estar ou não
sintetizada em determinado documento escrito.
8) (ESAF/EPPGG/MPOG/2009) A constituição formal designa as
normas escritas ou costumeiras, inseridas ou não num documento
escrito, que regulam a estrutura do Estado, a organização dos seus
órgãos e os direitos fundamentais.

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Item errado.
A assertiva trouxe a definição de constituição material. Só faz sentido
falarmos em constituição formal caso haja um documento solene único,
com formalidades especiais (constituições escritas e rígidas).
9) (ESAF/EPPGG/MPOG/2009) A Constituição contém normas
fundamentais da ordenação estatal que servem para regular os
princípios básicos relativos ao território, à população, ao governo,
à finalidade do Estado e suas relações recíprocas.
Item certo.
Correto. Estão entre as normas fundamentais de ordenação estatal
aquelas que regulam território, população e finalidade do Estado. É de
se observar que nesse núcleo concentram-se as normas de conteúdo
materialmente constitucional.
10)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) As normas
programáticas não são auto-aplicáveis porque retratam apenas
diretrizes políticas que devem ser alcançadas pelo Estado Brasileiro,
não possuindo caráter vinculante imediato.
Item errado.
Já comentamos sobre as normas programáticas, segundo a clássica
lição de José Afonso da Silva. De outra forma, podemos também
conceituar as normas programáticas como aquelas cuja concretização
dependeria de providências situadas além do texto constitucional.
Está errado afirmar que não teriam as normas programáticas caráter
vinculante. Aliás, a entrada em vigor de um preceito de natureza
programática vincula a atuação do Estado no sentido de buscar o seu
alcance. Tanto é assim que pode ser questionada a
inconstitucionalidade de uma ação estatal em sentido contrário.
11)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) As normas
definidoras de direitos e garantias fundamentais são consideradas
normas de aplicação mediata, embora direta e potencialmente
não integral.
Item errado.
Como regra, as normas definidoras de direitos e garantias fundamentais
têm aplicabilidade imediata (CF, art. 5º, § 1º).
A regra, portanto, em se tratando de normas constitucionais definidoras
de direitos e garantias fundamentais, é a auto-aplicabilidade (“eficácia
plena”, nos dizeres de José Afonso da Silva).

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Mas já sabemos que essa regra não é absoluta, pois temos, no texto da
Constituição Federal de 1988, direitos fundamentais consagrados em
normas não auto-aplicáveis, dependentes de regulamentação para a
produção dos seus efeitos essenciais. Mas, repita-se, a regra é a
aplicação imediata, por força do § 1º do art. 5º da Constituição Federal.
12)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) É auto-aplicável a
norma constitucional que prevê que a atividade jurisdicional será
ininterrupta, sendo vedadas férias coletivas nos juízos e tribunais de
segundo grau, funcionando, nos dias em que não houver
expediente forense normal, juízes em plantão permanente.
Item certo.
As normas constitucionais podem classificar-se em auto-aplicáveis e não
auto-aplicáveis.
No primeiro conceito enquadram-se aquelas disposições constitucionais
bastantes em si, completas e suficientemente precisas na sua hipótese
de incidência.
Por outro lado, são não auto-aplicáveis as disposições incompletas ou
insuficientes, para a efetivação das quais se faz necessária uma atuação
do legislador infraconstitucional.
Ressalte-se que não existe critério objetivo, preciso, que nos permita
identificar, com segurança, quais normas constitucionais pertencem a
um ou a outro grupo.
Nessa assertiva a ESAF cobrou o entendimento do STF sobre o art. 93, XII,
incluído pela Reforma do Judiciário (EC n° 45/2004).
Num caso concreto, o Supremo entendeu que os atos normativos
impugnados, que dispunham sobre as férias coletivas nos juízos e tribunais
de 2º grau, violavam o art. 93 , XII. Na decisão é mencionado
expressamente que essa norma constitucional proibitiva das férias
coletivas é auto-aplicável (ADI 3.823-MC, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgamento em 6-12-06, DJ de 23-11-07).
De qualquer forma, é de se observar não haver nesse inciso remissão à
necessidade de norma infraconstitucional para regulamentar ou dar
eficácia a esse preceito constitucional.
13)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) A norma
constitucional que prevê que a lei só poderá restringir a
publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade
ou o interesse social o exigirem é de eficácia limitada.
Item errado.

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A questão trata do art. 5°, LX, da CF/88:


“LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando
a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;”
Para não errar essa questão você deve identificar corretamente o
sentido do comando constitucional. O direito fundamental em tela é o
do princípio da publicidade dos atos processuais. Essa garantia do
indivíduo decorre do princípio da proteção judicial efetiva e da
necessidade de controle das decisões judiciais pelas partes e pela
sociedade.
Entretanto, esse direito poderá vir a ser restringido pela lei, nos casos em
que isso seja exigido pela defesa da intimidade ou pelo interesse social.
Diante disso, podemos concluir que, na realidade, trata-se de norma
constitucional de eficácia contida, uma vez que o direito previsto é
imediatamente exercitável, com a simples promulgação da
Constituição, mas esse exercício poderá ser restringido no futuro.
14)(ESAF/EPPGG/MPOG/2009) Sob o ponto de vista jurídico, a
supremacia da Constituição sob os aspectos formal e material se
apóia na regra da rigidez decorrente da maior dificuldade para
modificação da Constituição do que para a alteração das demais
normas jurídicas.
Item errado.
Devido à importância desse assunto para concursos, vamos nos deter um
pouco mais nesse ponto.
Como visto, na concepção material (ou substancial) de Constituição,
são constitucionais as normas – escritas ou não escritas – que
estabelecem os elementos básicos de organização do Estado, vale dizer,
as normas que tratam de matérias substancialmente constitucionais, tais
como: as formas de aquisição e exercício do poder, a estruturação e as
finalidades do Estado e os direitos fundamentais. Nessa concepção, leva-
se em conta, para identificar uma norma constitucional, o seu conteúdo
(não importando, em nada, o seu processo de elaboração).
Na concepção formal de Constituição, são constitucionais todas as
normas que integram o texto de uma Constituição escrita, solenemente
elaborada, por um processo distinto daquele de elaboração das demais
leis (constituição rígida), independentemente de seu conteúdo. Nessa
concepção, leva-se em conta, para identificar uma norma
constitucional, o processo de sua elaboração (não importando, em
nada, o seu conteúdo).

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Aqui no Brasil, o conceito formal é o mais relevante, tendo em vista que


adotamos uma Constituição do tipo rígida. E tudo que está no corpo da
nossa Constituição recebe o mesmo tratamento jurídico, consistente na
sua supremacia sobre todo ordenamento jurídico.
Veja que a rigidez, ao exigir formalidades especiais para a elaboração
das normas constitucionais, posiciona a Constituição em um patamar de
superioridade hierárquica em relação a todas as demais normas do
ordenamento, em virtude da exigência dessas formalidades especiais.
Essa superioridade hierárquica da Constituição, decorrente da exigência
de formalidades especiais para elaboração de suas normas, é,
precisamente, a chamada supremacia formal (isto é, supremacia
decorrente de forma, decorrente das formalidades especiais exigidas
para a elaboração das normas constitucionais).
Nesse sentido, não é o conteúdo, a matéria de que trata a norma, que
lhe dará força sobre as demais. É o fato de estar dentro da Constituição
que proporcionará essa supremacia sobre todo o ordenamento jurídico.
Aliás, é por esse motivo que só se pode falar em supremacia formal das
normas constitucionais sobre as demais leis do ordenamento num sistema
de Constituição rígida. Afinal, se estamos num sistema de Constituição
flexível, não há distinção entre os processos legislativos de elaboração
das normas constitucionais e das leis ordinárias. Ora, se no regime de
Constituição flexível não há formalidades especiais para a elaboração
das normas constitucionais, não podemos falar em supremacia formal
(que decorre, justamente, da exigência de formalidades especiais para
a elaboração das normas constitucionais).
Assim, guarde que, independentemente do seu conteúdo, qualquer
norma integrante de uma Constituição rígida terá o mesmo valor. Assim,
podemos dizer que todo o processo de fiscalização da
constitucionalidade das leis leva em conta apenas o aspecto formal, a
supremacia formal da Constituição.

Só não confunda esse conceito de supremacia formal (resultante da


rigidez constitucional) com a noção de supremacia material da
Constituição, essa sim, decorrente da dignidade do conteúdo das
normas constitucionais.
Como efeito, a noção de supremacia material da Constituição leva em
conta a superioridade da norma constitucional em razão da dignidade
de seu conteúdo (sem nenhuma relação com o seu processo de
elaboração). Como exemplo, podemos destacar as normas que tratam

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de direitos fundamentais: diz-se que essas normas são dotadas de


supremacia material, devido à dignidade de seu conteúdo, por tratar de
matéria substancialmente constitucional.
Assim, num sistema de Constituição não-escrita, costumeira, flexível, não
podemos falar na presença de supremacia formal das normas
constitucionais sobre as demais leis do ordenamento, pois não há
diferença “de forma” entre elas (ambas são elaboradas pelo mesmo
processo legislativo). Porém, mesmo nesse tipo de Constituição, podemos
falar na existência de supremacia material das normas constitucionais
sobre as demais leis do ordenamento, em razão da “superioridade” do
conteúdo daquelas sobre estas.
Exemplificando: num país de Constituição não-escrita, costumeira, não
há processo legislativo especial para a elaboração de suas normas
constitucionais (não há, portanto, rigidez constitucional). Assim, a uma lei
será constitucional se versar sobre matéria considerada substancialmente
constitucional pelo Estado; outra lei não terá esse mesmo status se tratar
de assunto que nada tenha a ver com a organização do Estado. Nesse
exemplo, a primeira lei (constitucional) é dotada de supremacia em
relação à segunda (ordinária), mas não em razão de formalidade, do
processo legislativo de sua elaboração, pois o que as diferencia é a
matéria, o seu conteúdo. Temos, aí, a chamada supremacia material
(decorrente do conteúdo da norma).
Portanto, você deve saber distinguir “supremacia formal” (presente
somente nas Constituições que adotam a rigidez constitucional, por
resultar do processo especial de elaboração das normas constitucionais)
de “supremacia material” (decorrente da dignidade do conteúdo das
normas substancialmente constitucionais sobre as demais leis do
ordenamento).
Após essa explicação, você pode observar que a assertiva está ERRADA.
A supremacia formal da Constituição relaciona-se com as Constituições
escritas e rígidas. Assim, ela se apóia na rigidez da Constituição como um
documento solene que exige mais rigor na alteração de seu texto do
que é exigido para as demais normas.
Todavia, essa não é uma característica da supremacia no aspecto
material, que se apóia no conteúdo da norma.
15) (ESAF/APO/MPOG/2005) Uma norma constitucional que possua
em seu texto a expressão “na forma da lei”, até a promulgação e
publicação dessa lei, é classificada por José Afonso da Silva,
quanto à sua aplicabilidade, como norma constitucional de
eficácia contida.

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Item errado.
Embora essa regra não seja absoluta, a expressão “na forma da lei”
normalmente indica uma norma constitucional de eficácia limitada (e
não contida, como afirmado no enunciado).
Outras expressões que normalmente indicam uma norma constitucional
de eficácia limitada são as seguintes: “cabe à lei...”; “a lei
estabelecerá...”; “lei disporá sobre...”; “nos termos e limites estabelecidos
em lei”.
Mas, que fique claro: não se trata de regra absoluta! Existem diversas
normas constitucionais de eficácia limitada que não vêm
acompanhadas de nenhuma dessas expressões. É o caso, por exemplo,
do art. 3º e do parágrafo único do art. 4º da Constituição Federal, que
são normas tipicamente programáticas (de eficácia limitada, portanto),
mas não são acompanhadas de nenhuma dessas expressões indicativas.
16)(ESAF/AFT/2003) Segundo a melhor doutrina, as normas de eficácia
contida são de aplicabilidade direta e imediata, no entanto,
podem ter seu âmbito de aplicação restringido por uma legislação
futura, por outras normas constitucionais ou por conceitos ético-
jurídicos.
Item certo.
Como já comentado em assertiva no início desta aula, as normas de
eficácia contida são aquelas que estão aptas para a produção de seus
efeitos com a promulgação da Constituição (aplicabilidade direta e
imediata), mas que podem ser ulteriormente restringidas. O direito nelas
previsto é direta e imediatamente exercitável com a simples
promulgação da Constituição, mas esse exercício poderá ser restringido
no futuro.
Essa restrição poderá ser futuramente imposta por lei, por outras normas
constitucionais ou pela utilização de conceitos ético-jurídicos geralmente
aceitos, tais como “eminente perigo público”, “utilidade pública”,
“interesse social” etc.
17) (ESAF/AFRF/2000) As normas programáticas são, na sua maioria,
normas auto-aplicáveis.
Item errado.
Às vezes acontece de haver uma questão antiga que precisamos utilizar
para chamar sua atenção para determinado ponto. Nesses casos,
continuaremos fazendo uso de questões um pouco mais antigas. Mas,

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fiquem tranqüilos, pois teremos o cuidado de não deixar de apresentar a


você questões recentes.
Feita essa ressalva, vamos à questão!
Como vimos, as chamadas “normas programáticas” são, na verdade,
uma das espécies do gênero normas de eficácia limitada. Ora, se são
normas de eficácia limitada, é porque não são auto-aplicáveis.
Com efeito, as normas de eficácia limitada são divididas pelo Prof. José
Afonso da Silva em dois grupos: (i) de princípios institutivos ou
organizativos; e (ii) definidoras de princípios programáticos. Lembre-se do
que já falamos:
I - Princípios institutivos ou organizativos → criação, estruturação e
organização de órgãos ou entidades
II - Princípios programáticos → diretrizes para serem seguidas pelos
órgãos do Estado (legislativos, executivos, jurisdicionais e administrativos),
visando à realização dos seus fins sociais.
Bem, as terminologias utilizadas pelo Prof. José Afonso da Silva não são
tão simples, mas devem ser memorizadas. Então, para simplificar um
pouco, pense nessa seqüência:
(1º) as normas de eficácia limitada podem ser de dois grupos distintos:
definidoras de princípios institutivos ou organizativos e definidoras de
princípios programáticos;
(2º) as primeiras dizem respeito à instituição, criação, estruturação ou
organização de órgãos ou entidades;
(3º) as últimas são as chamadas “normas programáticas”, que
estabelecem programas e diretrizes para a atuação futura dos órgãos
estatais (desde que esses programas não digam respeito à criação,
estruturação ou organização de órgãos ou entidades).
O enunciado está ERRADO porque afirma que as normas programáticas
são, em sua maioria, normas auto-aplicáveis. Isso não é verdade, pois,
sendo espécie de normas de eficácia limitada, tais normas não são auto-
aplicáveis.
18)(ESAF/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/TCU/2006) Na aplicação
do princípio da interpretação das leis em conformidade com a
Constituição, o intérprete deve considerar, no ato de
interpretação, o princípio da prevalência da constituição e o
princípio da conservação das normas.
Item certo.

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Iniciamos, agora, os comentários aos exercícios que abordam o assunto


interpretação constitucional.
Esse enunciado está certo, pois retrata corretamente o princípio da
interpretação conforme a Constituição.
Situado no âmbito do controle de constitucionalidade, esse princípio
recomenda que, no caso de uma norma infraconstitucional de múltiplos
significados, seja dada prevalência àquele sentido que esteja conforme
a Constituição.
Ou seja, ao invés de declarar inconstitucional a norma, o intérprete deve
dar aplicação ao seu sentido compatível com a Constituição e afastar a
aplicação daquele que seja desconforme.
Assim, prevalece a supremacia da Constituição (na medida em que
repele a aplicação inconstitucional) e o princípio de presunção de
constitucionalidade das leis (que inclui o esforço de conservação da
norma, já que deixa de declará-la inconstitucional como um todo).
Vale a ressalva de que nesse esforço não pode o aplicador da lei chegar
a uma interpretação que subverta o próprio sentido e teor da lei (ou seja,
a fim de adequá-la à Constituição seguir interpretação dissonante com a
vontade do legislador). Isso porque essa forma de interpretação, na
prática, transformaria o intérprete em legislador positivo.
Para você resolver as questões que possam vir na sua prova sobre os
princípios de interpretação constitucional, vamos revisar rapidamente os
principais aspectos relacionados com o assunto.
Vamos, então, revisar a essência conceitual de cada um dos princípios
de interpretação constitucional.
Atenção: nesse assunto interpretação constitucional, convenhamos, a
responsabilidade maior será sua, caro concursando! Por quê? Ora,
porque o conteúdo dos diferentes princípios é de fácil assimilação,
dependendo apenas de uma boa leitura de sua parte, especialmente
para se evitar que, na hora da prova, você confunda um princípio com
outro, pois alguns têm conceitos muito próximos!
PRINCÍPIO DA UNIDADE DA CONSTITUIÇÃO
Segundo este princípio, o texto de uma Constituição deve ser
interpretado de forma a evitar contradições (antinomias) entre suas
normas e, sobretudo, entre os princípios constitucionalmente
estabelecidos. O intérprete deve considerar a Constituição na sua
globalidade, procurando harmonizar suas aparentes contradições; não
pode interpretar suas disposições como normas isoladas e dispersas, mas

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sim como preceitos integrados em um sistema interno unitário de regras e


princípios.
PRINCÍPIO DO EFEITO INTEGRADOR
Corolário do princípio da unidade da Constituição, o princípio integrador
significa que, na resolução dos problemas jurídico-constitucionais, deve-
se dar primazia aos critérios ou pontos de vista que favoreçam a
integração política e social e o reforço da unidade política.
PRINCÍPIO DA MÁXIMA EFETIVIDADE
O princípio da máxima efetividade (ou princípio da eficiência, ou
princípio da interpretação efetiva) reza que o intérprete deve atribuir à
norma constitucional o sentido que lhe dê maior eficácia, mais ampla
efetividade social.
PRINCÍPIO DA JUSTEZA
O princípio da justeza (ou da conformidade funcional) estabelece que o
órgão encarregado de interpretar a Constituição não pode chegar a um
resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional
estabelecido pelo legislador constituinte.
PRINCÍPIO DA HARMONIZAÇÃO
O princípio da harmonização (ou da concordância prática) impõe a
coordenação e combinação dos bens jurídicos – quando se verifique
conflito ou concorrência entre eles – de forma a evitar o sacrifício (total)
de uns em relação aos outros.
PRINCÍPIO DA FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO
Este princípio, desenvolvido por Konrad Hesse, impõe que, na
interpretação constitucional, seja dada prevalência aos pontos de vista
que, tendo em conta os pressupostos da Constituição (normativa),
contribuem para uma eficácia ótima da Lei Fundamental. O intérprete
deve valorizar as soluções que possibilitem a atualização normativa, a
eficácia e a permanência da Constituição.
INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO
O princípio da interpretação conforme a Constituição impõe que, no
caso de normas polissêmicas ou plurissignificativas (que admitem mais de
uma interpretação), dê-se preferência à interpretação que lhes
compatibilize o sentido com o conteúdo da Constituição.
Como decorrência desse princípio, temos que:

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i) dentre as várias possibilidades de interpretação, deve-se escolher a


que não seja contrária ao texto da Constituição (aqui, valoriza-se a
supremacia da Constituição);
ii) a regra é a conservação da validade da lei, e não a declaração de
sua inconstitucionalidade; uma lei não deve ser declarada
inconstitucional quando for possível conferir a ela uma interpretação em
conformidade com a Constituição (aqui, valoriza-se a presunção de
constitucionalidade das leis).
19)(ESAF/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/TCU/2006) Quando o
intérprete, na resolução dos problemas jurídico-constitucionais, dá
primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social
e o reforço da unidade política, pode-se afirmar que, no trabalho
hermenêutico, ele fez uso do princípio da conformidade funcional.
Item errado.
Não tem jeito, você vai ter que memorizar os princípios de interpretação.
Perceba que apenas pelo teor das expressões não é possível acertas as
questões sobre o assunto.
Sintetizando:
Unidade da Constituição evitar contradições (antinomias)

Efeito integrador integração política e social e o reforço da unidade política

Máxima efetividade sentido que dê maior eficácia, mais ampla efetividade social

Justeza (conformidade
funcional) esquema organizatório-funcional

Harmonização evitar o sacrifício (total) de uns em relação aos outros

Força normativa da atualização normativa, a eficácia e a permanência da


constituição Constituição

Interpretação conforme a preferência ao sentido da norma que a compatibilize com o


constituição conteúdo da Constituição

A assertiva trocou os conceitos do princípio do efeito integrador com o


princípio da conformidade funcional. Em verdade, segundo o princípio
da conformidade funcional, ou da justeza, o intérprete deve prezar pelo
esquema organizatório funcional estabelecido pelo constituinte,
evitando subvertê-lo.

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20)(ESAF/AFRF/2003) Somente o Supremo Tribunal Federal – STF está


juridicamente autorizado para interpretar a Constituição.
Item errado.
Interpretar as normas constitucionais significar captar, compreender,
investigar o conteúdo do texto constitucional em busca de seu sentido.
Não é difícil perceber que essa tarefa é função não só do Supremo
Tribunal Federal, mas de todos os juízes e tribunais ao exercer a jurisdição.
O que talvez não seja intuitivo é que a interpretação da Constituição é
tarefa que não se restringe nem mesmo ao Judiciário, visto que
desempenhada pelos demais poderes no exercício de suas funções.
21)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2006) A interpretação
conforme a Constituição consiste em procurar extrair o significado
de uma norma da Lei Maior a partir do que dispõem as leis
ordinárias que preexistiam a ela.
Item errado.
O princípio da interpretação conforme a Constituição impõe que, no
caso daquelas normas que admitem mais de uma interpretação, dê-se
preferência à interpretação que lhes compatibilize o sentido com o
conteúdo da Constituição.
Ao contrário, o conceito apresentado na questão seria o de interpretar
as normas constitucionais de acordo com as leis pré-existentes. Ora, não
se interpreta a Constituição segundo as leis, mas sim essas em confronto
com aquela!
22)(ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) Segundo a doutrina do
conceito de constituição, decorrente do movimento constitucional
do início do século XIX, deve ser afastado qualquer conteúdo que
se relacione com o princípio de divisão ou separação de poderes,
uma vez que tal matéria não se enquadra entre aquelas que se
referem de forma direta à estrutura do Estado.
Item errado.
A doutrina apresenta a Constituição como sendo a lei fundamental e
suprema do Estado e da sociedade. Assim, contém normas referentes à
estruturação do Estado, à formação dos poderes públicos, forma de
governo e aquisição do poder de governar, distribuição de
competências, direitos, garantias e deveres dos cidadãos.
Segundo J. J. Gomes Canotilho, o conceito ideal de constituição,
imposto a partir do triunfo do movimento constitucional no início do
século XIX, identifica-se fundamentalmente com os postulados político-

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liberais, considerando-os como elementos materiais caracterizadores e


distintivos os seguintes:
a) a constituição deve consagrar um sistema de garantias da liberdade
(esta essencialmente concebida no sentido do reconhecimento de
direitos individuais e da participação dos cidadãos nos atos do poder
legislativo através do parlamento);
b) a constituição contém o princípio da divisão de poderes, no sentido
de garantia orgânica contra os abusos dos poderes estatais;
c) a constituição deve ser escrita (documento escrito).
Já comentamos que o rol de temas substancialmente constitucional não
é assunto totalmente pacificado (ao contrário, trata-se de assunto
altamente controvertido). De qualquer forma, não há controvérsia em
que as normas que tratam de organização do Estado, distribuição de
competências e limitações ao poder são materialmente constitucionais.
Assim, mesmo que você não conheça a lição de Canotilho, deve saber
que o princípio da separação dos poderes inclui-se entre esses temas de
organização do Estado e do poder estatal.
23) (ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) De acordo com o
princípio da máxima efetividade ou da eficiência, princípio de
interpretação constitucional, a interpretação de uma norma
constitucional exige a coordenação e combinação dos bens
jurídicos em conflito, de forma a evitar o sacrifício total de uns em
relação a outros.
Item errado.
O conceito apresentado refere-se ao princípio da harmonização.
24) (ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) O princípio de
interpretação conforme a constituição não pode ser aplicado na
avaliação da constitucionalidade de artigo de uma Emenda à
Constituição promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados
e do Senado Federal.
Item errado.
Como visto, o princípio da interpretação conforme a Constituição é
aplicável no âmbito do controle de constitucionalidade.
Imagine que uma emenda constitucional, regularmente aprovada
(quanto ao aspecto procedimental) no Parlamento, venha a ter sua
constitucionalidade questionada perante o Supremo Tribunal Federal.

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Primeiramente, pode uma emenda constitucional ter sua


constitucionalidade contestada? Sim, pode, e veremos esse assunto com
maiores detalhes na aula sobre controle de constitucionalidade.
Continuando na nossa situação hipotética...
Ao julgar a matéria, suponha que o Supremo se depare com dois
sentidos (duas formas de interpretação) para essa emenda, um
compatível com a CF/88 e outro não. Assim, a fim de conservar a norma
válida, o Supremo declarará constitucional a emenda, desde que
interpretada de determinada maneira (excluindo-se as demais
interpretações).
Ou seja, a interpretação conforme a Constituição tem aplicação sobre
qualquer norma que possa ser objeto de controle de
constitucionalidade, incluindo, portanto, as emendas constitucionais.
25)(ESAF/AFC/CGU/2006) O princípio de interpretação conforme a
constituição comporta o princípio da prevalência da constituição,
o princípio da conservação de normas e o princípio da exclusão
da interpretação conforme a constituição mas contra legem.
Item certo.
Observe como a ESAF adora o princípio da interpretação conforme a
constituição!
Está correta a questão, de acordo com o que foi explicado
anteriormente. A interpretação conforme a constituição comporta:
I – o princípio da supremacia (ou prevalência) da Constituição, ao
admitir apenas aquela interpretação compatível com a Lei Maior;
II – o princípio da conservação das normas, ao manter a norma
mediante a aplicação da interpretação que seja válida, protegendo-a
contra a invalidação por inconstitucionalidade; e
III – vedação da interpretação contra legem , ao não admitir que seja
encontrada uma forma de interpretação desconexa com a finalidade
original do legislador, mesmo que seja compatível com a Constituição.
26)(ESAF/AFC/CGU/2006) A eficácia do método de interpretação
jurídico clássico não é afetada pela estrutura normativo-material
da norma constitucional a serem interpretada.
Item errado.
Passemos a analisar os métodos de interpretação.
O método jurídico (hermenêutico clássico) adota a premissa de que a
Constituição é uma lei. Logo, interpretar a Constituição é interpretar uma

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lei. Daí o erro da questão, já que a estrutura normativo-material da


norma influenciará de maneira preponderante o processo de
interpretação.
Em suma, para a atividade de interpretação da Constituição, atribui-se
grande importância ao texto constitucional: a função do intérprete é
desvendar o sentido do texto, sem ir além do teor literal dos seus
preceitos.
Assim, desvenda-se o sentido as normas constitucionais por meio da
utilização dos elementos: (i) literal ou textual (filológico); (ii) lógico
(sistemático); (iii) histórico; (iv) teleológico (finalidade da norma); (v)
genético (investigação das origens dos conceitos empregados no texto
constitucional).
27)(ESAF/AFC/CGU/2006) No método de interpretação constitucional
tópico-problemático, há prevalência da norma sobre o problema
concreto a ser resolvido.
Item errado.
Essa questão trata dos métodos modernos de interpretação
constitucional.
Além do método clássico de hermenêutica, a doutrina e a jurisprudência
desenvolveram alguns métodos diferentes, mas que se complementam.
MÉTODO TÓPICO-PROBLEMÁTICO
Baseia-se na priorização do estudo do caso concreto sobre a norma, já
que parte da premissa de que a interpretação tem um caráter prático.
Assim, procura-se encaixar o problema na interpretação mais
conveniente, em face de possibilidades extraídas da polissemia de
sentido do texto constitucional. Observe que o caso concreto é o centro
do método. Em outras palavras, o problema concreto prevalece sobre a
norma.
MÉTODO HERMENÊUTICO-CONCRETIZADOR
Reconhece a importância do aspecto subjetivo, da pré-compreensão
que o intérprete tem daquela situação. Assim, a interpretação
constitucional dá-se pela conjugação dessa pré-compreensão (juízo
abstrato e antecipado sobre a norma) e o caso concreto (problema em
relação ao qual a norma constitucional é aplicada).
Em outras palavras, a interpretação tem como ponto de partida a pré-
compreensão do intérprete, a quem compete concretizar a norma a
partir de uma dada situação histórica.

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MÉTODO CIENTÍFICO-ESPIRITUAL
Método de interpretação sistêmico e espiritualista, que se baseia na
premissa de que o intérprete deve levar em conta os valores subjacentes
à Constituição (econômicos, sociais, políticos e culturais), integrando o
sentido de suas normas a partir da "captação espiritual" da realidade da
comunidade. Ou seja, as normas são analisadas menos pelo seu sentido
textual e mais pela ordem de valores do mundo real, a fim de alcançar a
integração da Constituição com a realidade espiritual da comunidade.
MÉTODO NORMATIVO-ESTRUTURANTE
Distingue a “norma constitucional” do “texto da norma”. Ou seja, além
do texto, a norma constitucional compreende também um domínio
normativo, isto é, pedaço da realidade concreta, que o programa
normativo só parcialmente contempla. Assim, a tarefa do intérprete
abrange interpretar o texto da norma (elemento literal) e também
verificar os modos de sua concretização na realidade social.
INTERPRETAÇÃO COMPARATIVA
Pretende captar a evolução de institutos jurídicos, normas e conceitos de
vários ordenamentos jurídicos, identificando semelhanças e diferenças.
Essa análise pode esclarecer o significado a ser atribuído a determinadas
expressões presentes nas normas constitucionais.
Bom, quanto à nossa questão, você já percebeu o erro, não é?
Diferentemente do que afirma a assertiva, no método tópico-
problemático, o problema prevalece sobre a norma.
28)(ESAF/AFC/CGU/2006) O método de interpretação hermenêutico-
concretizador prescinde de uma pré-compreensão da norma a ser
interpretada.
Item errado.
Assim como vimos, o método hermenêutico-concretizador valoriza a pré-
compreensão do intérprete sobre a norma a ser interpretada.
Bom, sabemos que não é fácil tentar captar todos esses conceitos de
uma vez só... De qualquer forma, guarde o mais importante de cada
método.
Sintetizando:
I) método jurídico = interpreta-se a constituição como se interpreta uma
lei, utilizando-se dos tradicionais elementos filológico, lógico, histórico,
teleológico e genético;

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II) método tópico problemático = confere primazia ao problema perante


a norma, parte-se do problema para a norma;
III) método hermenêutico concretizador = pré-compreensão do sentido
do texto constitucional através do intérprete, conferindo primazia à
norma perante o problema, formando um círculo hermenêutico;
IV) método científico-espiritual = de cunho sociológico, leva em conta a
ordem de valores subjacente ao texto constitucional, bem assim a
integração do texto constitucional com a realidade da comunidade;
V) método normativo-estruturante = valorização da norma propriamente
dita e da situação normada, do texto e da realidade social que o
mesmo intenta conformar;
VI) método comparativo = comparação entre diferentes ordenamentos
constitucionais, a partir do direito constitucional comparado.
29) (ESAF/AFC/STN/2008) “E preciso, pois, dizer o óbvio: a Constituição
constitui (no sentido fenomenológico-hermenêutico); a
Constituição vincula (não metafisicamente); a Constituição
estabelece as condições do agir político-estatal. Afinal, como bem
assinala Miguel Angel Pérez, uma Constituição democrática é,
antes de tudo, normativa, de onde se extrai duas conclusões: que
a Constituição contém mandatos jurídicos obrigatórios, e que estes
mandatos jurídicos não somente são obrigatórios senão que, muito
mais do que isso, possuem uma especial força de obrigar, uma vez
que a Constituição é a forma suprema de todo o ordenamento
jurídico.” (STRECK, Lenio Luiz, Jurisdição constitucional e
hermenêutica: uma crítica do direito. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense,
2004 , p.287).
Assinale a opção que indica com exatidão os princípios de
hermenêutica constitucional utilizados no texto para sustentar a
aplicabilidade das normas constitucionais.
a) Unidade da Constituição e razoabilidade.
b) Eficácia integradora e lógica do razoável.
c) Harmonização e proporcionalidade.
d) Reserva do possível e conformidade funcional.
e) Máxima efetividade e força normativa da Constituição.
Gabarito: “e”
Observa-se que o trecho ressalta a máxima efetividade e força
normativa da Constituição.

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Pelas definições apresentadas anteriormente, é de se notar que, como


observa a doutrina, os conceitos dos princípios da máxima efetividade e
força normativa da Constituição estão estreitamente vinculados,
havendo vozes que consideram o primeiro como subprincípio do
segundo.
30) (ESAF/AFRF/2000) Normas constitucionais não auto-aplicáveis
somente se tornam normas jurídicas depois de reguladas por lei,
uma vez que, antes disso, não são capazes de produzir efeito
jurídico.
Item errado.
Vimos que o direito previsto em uma norma constitucional de eficácia
limitada somente pode ser exercido após a exigida regulamentação.
Em face dessa realidade, desenvolveu-se uma tese doutrinária segundo
a qual as normas de eficácia limitada somente se tornariam normas
jurídicas depois de regulamentadas por lei, haja vista que, antes disso,
não seriam capazes de produzir os seus efeitos jurídicos essenciais.
Entretanto, essa tese jurídica não é aceita pelo constitucionalismo
moderno, que refuta a idéia da existência de “letra morta” no texto de
uma Constituição.
O entendimento moderno é o de que as normas constitucionais não
auto-aplicáveis (as normas de eficácia limitada) não produzem os seus
plenos/essenciais efeitos com a sua promulgação. Porém, não se pode
afirmar que sejam elas totalmente desprovidas de eficácia jurídica, pois,
como já vimos exaustivamente nesta aula, com a simples promulgação
da Constituição, já produzem, pelo menos, os seguintes efeitos:
a) revogam as disposições pretéritas em sentido contrário;
b) impedem a produção legislativa posterior contrária aos seus
comandos.
Assim, peguemos como exemplo o direito de greve do servidor público,
em que temos o seguinte:
a) trata-se de norma constitucional de eficácia limitada, de cunho
programático, dependente de regulamentação por lei ordinária
específica (CF, art. 37, VII);
b) as leis do regime constitucional pretérito que proibiam o direito de
greve ao servidor foram revogadas pelo art. 37, VII, da CF/88, com a sua
simples promulgação, em 5/10/1988;

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c) ademais, qualquer lei posterior à promulgação da CF/88 que proíba o


direito de greve do servidor público será flagrantemente inconstitucional,
por desrespeito ao comando programático do art. 37, VII, da CF/88.
Essa eficácia especial das normas constitucionais não auto-aplicáveis é
chamada “eficácia negativa”. Eficácia negativa porque ela não
assegura ao titular do direito a sua imediata fruição, mas impede a
atuação do Estado em sentido contrário (pela revogação das leis
pretéritas em sentido contrário, e pelo impedimento à elaboração de leis
posteriores contrárias ao comando programático).
Por isso, diz-se que uma norma programática pode ser parâmetro para a
realização do controle de constitucionalidade das leis, abstrato ou
concreto. Na verdade, uma norma programática poderá ser usada
como parâmetro para fiscalizar a validade das leis pré-constitucionais
(que serão consideradas revogadas pela nova Constituição, caso
contrariem norma programática) e também das leis editadas após a
promulgação da Constituição (que serão consideradas inconstitucionais,
caso contrariem o programa estabelecido na norma programática).
O enunciado está ERRADO porque afirma que essas normas
constitucionais não auto-aplicáveis não produziriam efeitos jurídicos antes
de sua regulamentação por lei, o que, conforme explicado acima, não é
verdade.
31) (ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) O art. 5º, inciso XXII, da
Constituição Federal de 1988, que estabelece “Art. 5º [...] inciso XXII
– é garantido o direito de propriedade”, é uma norma
constitucional de eficácia contida ou restringível.
Item certo.
O Professor José Afonso da Silva classifica o direito de propriedade (art.
5º, XXII) como típica norma de eficácia contida.
Segundo ele, o direito de propriedade é norma de eficácia contida
porque, embora a Constituição Federal assegure sua imediata eficácia
(art. 5º, XXII), o mesmo texto constitucional já autoriza a imposição de
restrição ao seu gozo, mediante desapropriação por necessidade ou
utilidade pública, ou por interesse social (art. 5º, XXIV) e também
mediante requisição administrativa, em caso de iminente perigo público
(art. 5º, XXV).
32)(ESAF/APO/MPOG/2005) Quanto à natureza jurídica, a doutrina
mais moderna considera que certas disposições de uma
Constituição, por não possuírem eficácia positiva direta e imediata,

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não devem ser classificadas como normas jurídicas, mas como


normas meramente diretivas, de caráter não obrigatório.
Item errado.
Conforme dito durante essa aula, a doutrina moderna não admite a
existência de normas constitucionais sem força jurídica. Ao contrário, o
entendimento moderno é de que todas as normas constitucionais
possuem eficácia jurídica. O que se admite é a existência de uma
variação no grau dessa eficácia. Fique atento!
33)(ESAF/ADVOGADO/IRB/2006) Uma norma constitucional
classificada quanto à sua aplicabilidade como uma norma
constitucional de eficácia contida não possui como característica
a aplicabilidade imediata.
Item errado.
Como vimos, uma norma constitucional de eficácia contida tem como
característica a aplicabilidade direta e imediata, podendo o exercício
do direito nela previsto ser restringido posteriormente por lei, por outras
normas constitucionais ou por conceitos ético-jurídicos amplamente
aceitos.
34)(ESAF/Auditor-Fiscal do Trabalho/2006) Segundo a doutrina mais
atualizada, nem todas as normas constitucionais têm natureza de
norma jurídica, pois algumas não possuem eficácia positiva direta
e imediata.
Item errado.
De novo? Veja a importância de se fazer questões anteriores da banca!
Conforme já exaustivamente comentado nesta aula, a doutrina
moderna não admite a existência de normas constitucionais sem força
jurídica. Ao contrário, o entendimento moderno é de que todas as
normas constitucionais possuem eficácia jurídica, sendo admitida,
apenas, a existência de variação no grau dessa eficácia.
35)(ESAF/Procurador da Fazenda Nacional/2006) Uma norma
constitucional programática pode servir de paradigma para o
exercício do controle abstrato de constitucionalidade.
Item certo.
Vimos que, com a mera promulgação da Constituição, a norma
programática poderá ser parâmetro para o controle de
constitucionalidade das leis (abstrato ou concreto), haja vista que nem a

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legislação pretérita, nem a legislação futura poderão contrariar os seus


comandos programáticos.
Assim, a legislação pretérita conflitante com a norma programática será
por esta revogada, e a legislação futura que a contrariar poderá ser
declarada inconstitucional.
36) (ESAF/Procurador da Fazenda Nacional/2006) Normas
constitucionais de eficácia restringida não apresentam eficácia
jurídica alguma senão depois de desenvolvidas pelo legislador
ordinário.
Item errado.
Essa questão está errada duas vezes!
Primeiro, porque que as normas constitucionais de eficácia restringível (ou
contida) não dependem de legislação ordinária regulamentadora para
produzirem eficácia jurídica, pois têm elas aplicabilidade direta e
imediata.
Segundo, que esse enunciado estaria errado ainda que ele se referisse às
normas de eficácia limitada. Por quê? Ora, porque mesmo as normas de
eficácia limitada possuem eficácia jurídica antes de regulamentadas por
lei, pois, com a simples promulgação da Constituição, elas:
a) revogam a legislação pretérita em sentido contrário; e
b) impedem a produção legislativa futura em sentido contrário.
37)(ESAF/AFRF/2001) As normas do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias da Constituição de 1988 não se definem como normas
formalmente constitucionais.
Item errado.
Como visto na introdução dessa aula, o ADCT reveste-se de caráter
constitucional, da mesma forma que as demais disposições
constitucionais. Pode, até mesmo, ser parâmetro para controle de
constitucionalidade das leis.
Daí o erro da questão, já que o ADCT é uma norma constitucional como
qualquer outra, ressalvada a sua natureza transitória.
Assim, uma integrante do ADCT só difere de uma norma que integra a
parte permanente da Constituição pela sua natureza transitória. Uma vez
ocorrida a situação transitória prevista na norma do ADCT, esgota-se a
sua eficácia.
Sintetizando:

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a) as normas do ADCT são formalmente constitucionais;


b) situam-se no mesmo nível hierárquico das demais normas
constitucionais (não há relação de subordinação entre uma norma
integrante do ADCT e as demais normas do corpo principal da
Constituição);
c) podem ser modificadas (ou revogadas, ou acrescentadas) por
emenda à Constituição; e
d) podem ser parâmetro para o controle da constitucionalidade das leis.
38) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) No caso das
normas constitucionais de eficácia contida, a atividade
integradora do legislador infraconstitucional é vinculada e não
discricionária, ante a necessidade, para fins de auto-execução, de
delimitar o ambiente da sua atuação restritiva.
Item errado.
A assertiva dá a entender que, para fins de auto-execução das normas
de eficácia contida, seria necessária atuação do legislador
infraconstitucional, o que é incorreto.
Como visto, as normas constitucionais de eficácia contida são
plenamente exercitáveis independentemente de regulamentação.
Diante disso, também não há que se falar em vinculação dessa
atividade legislativa.
Tratando desse último aspecto, vale comentar um detalhe sobre as
normas constitucionais de eficácia limitada definidoras de princípio
institutivo ou organizativo. Elas podem ser impositivas ou facultativas.
São impositivas aquelas vinculadas, em que se determina ao legislador a
obrigação de emissão da legislação integrativa (por exemplo, art. 20,
§2°; art. 32, §4°; art. 33; art. 88; art. 91, § 2°).
São facultativas ou permissivas quando dão ao legislador ordinário a
possibilidade (e não a obrigação) de instituir ou regular a situação nelas
delineada (por exemplo, art. 22, § único; art. 125, § 3°; art. 195, § 4°; art.
25, § 3°; art. 154, I).
Quando tratarmos do mandado de injunção, diremos a você que só
cabe mandado de injunção quando a norma constitucional sem
regulamentação for de eficácia limitada definidora de princípio
programático ou de eficácia limitada definidora de princípio institutivo ou
organizativo de caráter impositivo. Isso porque não cabe mandado de
injunção quando o constituinte estabeleceu uma mera faculdade ao
legislador ordinário (natureza facultativa ou permissiva). Aguarde.

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39)(ESAF/AFC/CGU/2006) Uma norma constitucional de eficácia


contida não possui eficácia plena, no momento da promulgação
do texto constitucional, só adquirindo essa eficácia após a edição
da norma que nela é referida.
Item errado.
A questão está ERRADA, pois trocou os conceitos. A definição
apresentada refere-se às normas de eficácia limitada.
Bom, o tema “eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais”, de
acordo com a classificação de José Afonso da Silva, já foi bem revisado,
concorda? Mas, antes de mudar de assunto, vale a pena apresentar a
classificação da Professora Maria Helena Diniz, já cobrada em questões
de outras bancas.
A Professora Maria Helena Diniz divide as normas constitucionais em
quatro grupos, a saber:
a) normas com eficácia absoluta;
b) normas com eficácia plena;
c) normas com eficácia relativa restringível;
d) normas com eficácia relativa dependente de complementação
legislativa.
As normas de eficácia absoluta são normas constitucionais intangíveis,
que não poderão ser contrariadas nem mesmo por meio de emenda
constitucional. É o caso das cláusulas pétreas, previstas no art. 60, § 4º, da
Constituição Federal.
As normas com eficácia plena são aquelas plenamente eficazes desde a
entrada em vigor da Constituição, por conterem todos os elementos
imprescindíveis para que haja a produção imediata dos efeitos previstos.
Diferem das normas de eficácia absoluta porque, ao contrário destas,
poderão ser atingidas por emenda constitucional.
As normas com eficácia relativa restringível correspondem em sua
descrição às que o professor José Afonso da Silva denomina normas de
eficácia contida. Têm aplicabilidade imediata, embora sua eficácia
possa ser reduzida, restringida nos casos e na forma que a lei
estabelecer.
As normas com eficácia relativa dependente de complementação
legislativa não têm aplicação imediata, por dependerem de norma
posterior que lhes desenvolva a eficácia, para então permitir o exercício
do direito ou benefício nelas consagrado. Correspondem às normas de

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eficácia limitada, na terminologia adotada pelo Professor José Afonso da


Silva.
Veja que, em suma, a novidade trazida pela classificação da Professora
Maria Helena Diniz é a existência das normas com eficácia absoluta. Nos
demais grupos, há certa correspondência com a classificação do
Professor José Afonso da Silva, apenas com mudança de terminologia.
Vamos, agora sim, mudar de assunto e tratar sobre a classificação das
Constituições. Iniciemos com uma questão bem recente da ESAF.
40)(ESAF/APOFP/SEFAZ/SP/2009) Assinale a opção correta relativa à
classificação da Constituição Federal de 1988.
a) É costumeira, rígida, analítica.
b) É parcialmente inalterável, outorgada, sintética.
c) É rígida, outorgada, analítica.
d) É rígida, parcialmente inalterável, promulgada.
e) É flexível, promulgada, analítica.
Gabarito: “d”
Essa é uma ótima questão para tratarmos do assunto “Classificação das
Constituições”, já que ela apresenta classificações quanto à origem, ao
modo de elaboração, à estabilidade e à extensão.
Quanto à origem, as Constituições são tradicionalmente classificadas
em: outorgadas, promulgadas (democráticas ou populares), cesaristas e
pactuadas.
As Constituições outorgadas são aquelas elaboradas sem participação
popular.
As Constituições promulgadas são aquelas elaboradas com participação
popular, normalmente mediante a atuação de uma Assembléia
Nacional Constituinte.
As Constituições cesaristas têm o seu texto elaborado unilateralmente,
mas esse texto é posteriormente submetido à aprovação do povo,
mediante referendo. A eficácia do texto constitucional depende, pois,
de confirmação popular, mediante referendo. Veja que o povo participa
da formação dessa espécie de Constituição não por meio da eleição de
representantes para a elaboração do texto constitucional, mas sim
mediante referendo, ratificando o texto já elaborado.

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As Constituições pactuadas são aquelas resultantes de um pacto de


governabilidade celebrado entre a monarquia (em processo de
decadência) e a nobreza (em processo de ascensão).
Vale lembrar que na história do constitucionalismo brasileiro tivemos
Constituições outorgadas (1824, 1937, 1967 e 1969) e Constituições
promulgadas (1891, 1934, 1946 e 1988).
Quanto ao modo de elaboração, as Constituições são classificadas em
dogmáticas e históricas (ou costumeiras).
São dogmáticas quando escritas por um órgão constituinte, segundo as
ideias reinantes no momento de sua elaboração.
São históricas ou costumeiras quando não-escritas, mas sim formadas
pelo lento passar do tempo, representando uma síntese histórica da
evolução do Estado.
No que tange à classificação quanto à estabilidade ou alterabilidade, as
Constituições são: imutáveis, rígidas, flexíveis ou semirrígidas (ou
semiflexíveis).
As Constituições imutáveis são aquelas que não admitem alteração do
seu texto, tipo esse absolutamente em desuso nos dias atuais.
As Constituições rígidas são aquelas que admitem alteração do seu
texto, mas somente mediante um processo legislativo solene, mais
dificultoso do que aquele de elaboração das leis.
As Constituições flexíveis são aquelas que admitem alteração do seu
texto mediante processo legislativo simples, igual ao de elaboração das
leis.
As Constituições semirrígidas são aquelas que exigem um procedimento
especial para alteração de parte do seu texto (parte rígida) e permitem
a alteração da outra parte mediante procedimento simples, igual ao de
elaboração das leis (parte flexível).
Há, ainda, na doutrina (Alexandre de Moraes), pensamento segundo o
qual a nossa Constituição Federal é do tipo super rígida, haja vista que,
além de exigir um processo especial para a modificação do seu texto,
possui um núcleo inabolível (cláusulas pétreas).
Destaque-se que, no Brasil, todas as Constituições foram do tipo rígida,
exceto a Imperial de 1824, que foi do tipo semirrígida.
No aspecto da extensão, as Constituições classificam-se em sintéticas,
breves ou concisas (de texto abreviado, que tratam apenas de matérias
substancialmente constitucionais) ou analíticas, extensas ou prolixas (de

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texto extenso, tratando de matérias variadas, e não só de temas


substancialmente constitucionais).
Em suma, tratando da nossa Constituição de 1988, podemos dizer que
ela é classificada como: promulgada (elaborada com participação
popular), dogmática (escrita por um órgão constituinte, apresentando as
idéias reinantes no momento de sua elaboração), rígida (sua alteração
exige procedimento mais dificultoso do que o das leis ordinárias) e
analítica (de texto extenso, tratando das mais variadas matérias).
Assim, a única alternativa que satisfaz corretamente a classificação da
CF/88 é a letra “d”.
Cabe destacar que nossa Constituição pode ser caracterizada como
parcialmente inalterável, tendo em vista a existência de um núcleo que
não está sujeito à supressão: as cláusulas pétreas.
Sabemos que essa explicação ficou extensa, mas não havia como não
fazer essa revisão (que só terminará nas questões seguintes).
41)(ESAF/AFC/CGU/2003) Em sua concepção materialista ou
substancial, a Constituição se confundiria com o conteúdo de suas
normas, sendo pacífico na doutrina quais seriam as matérias
consideradas como de conteúdo constitucional e que deveriam
integrar obrigatoriamente o texto positivado.
Item errado.
Esse enunciado versa sobre a classificação das Constituições quanto ao
conteúdo, que as divide em: materiais e formais.
Na concepção material (ou substancial) de Constituição, são
constitucionais as normas – escritas ou não escritas – que estabelecem os
elementos básicos de organização do Estado, vale dizer, as normas que
tratam de matérias substancialmente constitucionais, tais como: as
formas de aquisição e exercício do poder, a estruturação e as finalidades
do Estado e os direitos fundamentais. Nessa concepção, leva-se em
conta, para identificar uma norma constitucional, o seu conteúdo (não
importando, em nada, o seu processo de elaboração).
Na concepção formal de Constituição, são constitucionais todas as
normas que integram o texto de uma Constituição escrita, solenemente
elaborada, por um processo distinto daquele de elaboração das demais
leis (constituição rígida), independentemente de seu conteúdo. Nessa
concepção, leva-se em conta, para identificar uma norma
constitucional, o processo de sua elaboração (não importando, em
nada, o seu conteúdo).

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Um detalhe: não é correto afirmar que a nossa Constituição Federal de


1988 é parte material (parcela que trata de assuntos substancialmente
constitucionais) e parte formal (demais assuntos). Em verdade, numa
Constituição como a nossa (que é formal), qualquer matéria inserida
naquele documento é matéria constitucional, independentemente do
conteúdo. Ou seja, a CF/88 é classificada como formal. Entretanto,
compõe-se de algumas normas apenas formalmente constitucionais e
outras formal e materialmente constitucionais.
Quanto à questão, veja que a primeira parte do enunciado está correta,
pois, de fato, na concepção materialista ou substancial, a Constituição
se confundiria com o conteúdo de suas normas, haja vista que a
Constituição, na concepção material, é identificada a partir do
conteúdo das normas.
Porém, a parte final do enunciado está errada, ao afirmar que é pacífico
na doutrina quais seriam as matérias substancialmente constitucionais, e
que, por isso, deveriam integrar obrigatoriamente o texto das
Constituições. Nós vimos lá no início da aula que não há consenso sobres
isso, afinal de contas, essas concepções jurídicas – material e formal – são
muito subjetivas.
O erro do enunciado está, portanto, em afirmar que é pacífico na
doutrina o entendimento sobre quais seriam as normas materialmente
constitucionais.
42)(ESAF/AFC/CGU/2003) Segundo a classificação das Constituições,
adotada por Karl Lowenstein, uma constituição nominativa é um
mero instrumento de formalização legal da intervenção dos
dominadores de fato sobre a comunidade, não tendo a função ou
a pretensão de servir como instrumento limitador do poder real.
Item errado.
O constitucionalista alemão Karl Loewenstein (houve um erro de
digitação da Esaf, que omitiu a vogal “e” no nome do jurista!)
desenvolveu uma classificação ontológica para as Constituições levando
em conta a existência, ou não, de correspondência entre o texto
constitucional e a vida política do Estado, dividindo as Constituições em
três grupos: normativas, nominativas e semânticas.
Para ele, em alguns países há uma perfeita correspondência entre o que
diz a Constituição e o que, de fato, ocorre na vida política do Estado, isto
é, a Constituição consegue efetivamente normatizar a vida política do
Estado, limitando a ingerência deste e estabelecendo direitos aos

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indivíduos. Nesse caso, em que há correspondência entre Constituição e


vida política do Estado, temos a chamada Constituição normativa.
Em outros países, a Constituição tem o objetivo de regular a vida política
do Estado, mas não consegue cumprir o seu papel. A Constituição, nesse
caso, é chamada de nominativa.
Já em outros países, a Constituição sequer tem por objetivo limitar a
ingerência estatal em favor do indivíduo, mas somente legitimar os atos
de determinados governantes, servindo aos exclusivos interesses dos
atuais detentores do poder. Nesse caso, a Constituição é chamada de
semântica.
O enunciado está errado porque o conceito nele apresentado refere-se
à Constituição semântica (e não à Constituição nominativa, como
afirmado).
43)(ESAF/AFRF/2000) Numa Constituição classificada como dirigente,
não se encontram normas programáticas.
Item errado.
Esse enunciado se refere à classificação das Constituições quanto aos
fins (ou quanto à finalidade), que divide as Constituições em três grupos:
garantia, balanço e dirigente.
As Constituições do tipo garantia são aquelas de texto abreviado
(sintéticas) que se limitam a estabelecer as garantias fundamentais frente
ao Estado. São também chamadas “constituições negativas”, pois sua
preocupação é com a fixação de limites à atuação do Estado, em
respeito às garantais dos indivíduos.
As Constituições balanço são aquelas elaboradas para retratar a vida do
Estado por um período certo de tempo. A Constituição retrataria a
evolução do Estado num determinado período de tempo, findo o qual,
far-se-ia um “balanço” dessa evolução e seria elaborado um novo texto
constitucional, para um novo período. Existiram na antiga URSS, como
meio de acompanhamento da evolução do antigo Estado comunista
russo.
As Constituições dirigentes (ou programáticas) são aquelas de texto
extenso (analíticas) que, além de estabelecer as garantias fundamentais
frente ao Estado, preocupam-se com a fixação de programas e diretrizes
para a atuação futura dos órgãos estatais, normalmente de cunho
social. Nasceram com o surgimento do chamado Estado Social, e
passaram a introduzir no texto constitucional verdadeiros programas
sociais a serem concretizados no futuro pelos órgãos estatais. Esses

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programas, em sua maioria de cunho social-democrático, correspondem


às chamadas “normas programáticas”.
Portanto, podemos afirmar que a marca de uma Constituição dirigente é
a presença nela de normas programáticas. Tanto é assim que alguns
autores denominam esse tipo de Constituição de “Constituição
programática ou dirigente”.
O enunciado está errado porque diz justamente o contrário: que numa
Constituição dirigente não teríamos normas programáticas.
Vale lembrar que a tendência moderna é de elaboração de
Constituições dirigentes, recheadas de programas sociais para
concretização futura, como a nossa Constituição Federal de 1988. Por
sua vez, essa tendência de introduzir cada vez mais programas sociais
nos textos das Constituições é que fez com que os textos dessas
passassem a ser cada vez mais extensos, dando origem às chamadas
Constituições analíticas. Entenderam? A tendência moderna é de
elaboração de Constituições analíticas, de textos extensos. Por quê?
Porque com a elaboração de Constituições do tipo dirigentes, com a
inserção de programas e mais programas de cunho social para
concretização futura, os textos constitucionais foram ficando cada vez
mais extensos.
44)(ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) Uma constituição não-
escrita é aquela cujas normas decorrem de costumes e
convenções, não havendo documentos escritos aos quais seja
reconhecida a condição de textos constitucionais.
Item errado.
Esse item nos remete à classificação das Constituições quanto à forma,
em que são divididas em: escritas e não-escritas.
As Constituições escritas são aquelas solenemente elaboradas por um
órgão constituinte, num determinado momento, resultando num
documento escrito único do qual constam todas as normas
constitucionais. É o caso da Constituição Federal de 1988, que foi
formalmente elaborada num determinado momento (1987/1988), por um
órgão constituinte (Assembléia Nacional Constituinte) e em que todas as
normas constitucionais estão consolidadas num único documento escrito.
As Constituições não-escritas são aquelas que surgem com o lento passar
do tempo, como resultado de lenta síntese da evolução histórica do
Estado. São integradas por leis escritas esparsas, jurisprudências, normas
costumeiras e convenções. É o caso da Constituição da Inglaterra.

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O enunciado está ERRADO porque afirma que as Constituições não-


escritas são compostas exclusivamente por normas costumeiras,
jurisprudência e convenções. A expressão “exclusivamente” invalida a
assertiva, porque num regime de Constituição não-escrita temos,
também, leis escritas esparsas.
A diferença é que, num regime de Constituição não-escrita, as leis
constitucionais escritas não foram formalmente elaboradas como tais,
por um processo especial, num determinado momento, tampouco estão
consolidadas num único documento. Foram elas elaboradas como leis
comuns, estão espalhadas pelo ordenamento jurídico e, com o lento
passar dos tempos, em razão da importância que assumiram para o
Estado, passaram a ser consideradas leis constitucionais.
Vejamos como surge uma lei constitucional na Inglaterra, que adota
Constituição não-escrita. Uma lei constitucional na Inglaterra não surge a
partir da sua elaboração solene por um órgão constituinte, que receba
competência especial para essa tarefa. A lei é elaborada normalmente
pelo parlamento inglês, como norma ordinária e, com o passar do
tempo, caso essa norma assuma relevância para o Estado inglês, os
Tribunais passam a considerá-la uma norma constitucional, isto é, em
razão de a lei, com o tempo, assumir relevância para o Estado inglês, ela
é alçada ao nível de norma constitucional.
Enfim, em um regime de Constituição não-escrita, há as seguintes normas
constitucionais: convenções, jurisprudência, leis esparsas e normas
costumeiras. Portanto, não só de normas costumeiras é formada uma
Constituição não-escrita; temos, também, no regime de Constituição
não-escrita, textos escritos de natureza constitucional (convenções,
jurisprudência e leis esparsas).
45) (ESAF/AFCE/TCU/2000) Em relação à supremacia material e formal
das constituições, podemos afirmar:
a) a formal é reconhecida nas constituições flexíveis
b) a material está relacionada à produção de um documento escrito
c) a material tem a ver com o modo como as normas constitucionais
são elaboradas
d) a formal resulta da situação da Constituição no topo da hierarquia
das normas, independentemente da matéria tratada
e) a jurisdição constitucional está concebida para proteger a
supremacia material, mas não a supremacia formal da Constituição
Gabarito: “d”

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Conforme vimos anteriormente, a supremacia formal das normas


constitucionais decorre da rigidez constitucional, que posiciona a
Constituição num patamar de superioridade em relação às demais leis
do ordenamento. A supremacia formal decorre do processo especial de
elaboração da Constituição e, portanto, só está presente nas
Constituições que possuem conteúdo rígido (ou, ainda, numa
Constituição do tipo semirrígida, no tocante à sua parte rígida, somente).
Por sua vez, a supremacia material decorre da dignidade do conteúdo
da norma constitucional, isto é, do fato de a norma tratar de matéria
relevante, substancialmente constitucional. A supremacia material
independe do processo de elaboração da norma e, por isso, está
presente também nas Constituições flexíveis, não-escritas, históricas e
costumeiras.
Feita essa breve revisão, passemos ao exame das assertivas da questão.
A assertiva “a” está ERRADA porque afirma que a supremacia formal está
presente nas Constituições flexíveis, o que não é verdade. Afinal, a
supremacia formal é decorrência da exigência de um procedimento
especial para a modificação do texto constitucional (rigidez), o que não
existe em um sistema de Constituição flexível.
A assertiva “b” está ERRADA porque a supremacia material não tem
nenhuma relação com o processo de elaboração da norma
constitucional, com o fato de a Constituição ser, ou não, escrita. A
supremacia material decorre unicamente da dignidade do conteúdo da
norma constitucional, seja ela escrita ou não-escrita.
A assertiva “c” está ERRADA porque a supremacia material não tem
nada a ver com o modo como as normas constitucionais são
elaboradas. Decorre, como vimos, da dignidade do conteúdo da norma
constitucional, isto é, do fato de tratar de matéria substancialmente
constitucional.
A assertiva “d” é a CERTA, pois, de fato, a supremacia formal decorre do
fato de a Constituição posicionar-se no topo da hierarquia das normas,
em razão da rigidez constitucional, nada importando a matéria tratada
pela norma. É o que temos, por exemplo, na Constituição Federal de
1988 : todos os seus dispositivos são dotados de supremacia formal em
relação às demais leis do ordenamento porque a Constituição está, por
força da rigidez, posicionada no topo do ordenamento jurídico brasileiro.
A letra “e” está ERRADA porque a jurisdição constitucional, integrada por
todos os juízes e tribunais do Poder Judiciário, está concebida para
proteger, especialmente, a supremacia formal da Constituição.

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No Brasil, por exemplo, os órgãos do Poder Judiciário – juízes e tribunais –


realizam o controle de constitucionalidade levando em conta a
supremacia formal da Constituição. Com efeito, independentemente do
conteúdo da norma, se ela integra o texto da Constituição Federal, não
poderá ser desrespeitada pelas leis inferiores, sob pena de
inconstitucionalidade. Ou, em outras palavras: ainda que seja uma
norma apenas formalmente constitucional (dotada, portanto, somente
de supremacia formal), não poderá ela ser desrespeitada pela legislação
inferior, sob pena de inconstitucionalidade.
46)(ESAF/EPPGG/MPOG/2009) São classificadas como dogmáticas,
escritas e outorgadas as constituições que se originam de um
órgão constituinte composto por representantes do povo eleitos
para o fim de as elaborar e estabelecer, das quais são exemplos as
Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988.
Item errado.
Revendo essa questão: realmente, podemos dizer que são classificadas
como dogmáticas e escritas as Constituições que se originam de um
órgão constituinte composto por representantes do povo, escolhidos em
determinado momento para o fim de elaborar a Constituição como um
documento solene.
Todavia, essa definição não se aplica às Constituições outorgadas, que
são aquelas impostas, originadas sem a participação popular. Daí o erro
da questão.
Observe que todas as Constituições brasileiras citadas na questão foram
promulgadas ou democráticas.
Sei que não é fácil guardar as características de todas as Constituições
anteriores à CF/88, mas sabendo um pouquinho de história você pode
ter uma noção inicial do perfil daquela Constituição. Quer ver?
Observe que, além da Constituição Imperial de 1824 (que foi outorgada),
as demais Constituições outorgadas foram aquelas que se seguiram aos
regimes de força:
I – 1937: durante do Estado Novo, com o regime totalitário de Getúlio
Vargas;
II – 1967 e 1969: constituição e emenda constitucional que seguiram ao
golpe militar de 1964 e regeram o país até 1988.
Viu? Agora você não se esquece mais.

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47)(ESAF/MPOG/ENAP/ADMINISTRADOR/2006) As constituições
classificadas quanto à forma como legais são aquelas
sistematizadas e apresentadas em um texto único.
Item errado.
Nesse enunciado, a Esaf cobrou uma classificação das Constituições
pouco tradicional, apresentada pelo Professor André Ramos Tavares.
Para ele, as Constituições podem ser Codificadas ou legais.
As Constituições codificadas são aquelas sistematizadas em um único
documento.
As Constituições legais são aquelas integradas por documentos diversos,
fisicamente distintos, como foi o caso da Terceira República Francesa,
formada por inúmeras leis constitucionais, redigidas em momentos
distintos, tratando cada qual de elementos substancialmente
constitucionais.
Como se vê, o enunciado está errado, pois ele apresenta a definição de
Constituição codificada, e não de Constituição legal.
48) (ESAF/AFC/CGU/2003) As Constituições outorgadas, sob a ótica
jurídica, decorrem de um ato unilateral de uma vontade política
soberana e, em sentido político, encerram uma limitação ao poder
absoluto que esta vontade detinha antes de promover a outorga
de um texto constitucional.
Item certo.
O enunciado versa sobre a classificação das Constituições quanto à
origem, que as divide em: outorgadas, promulgadas, cesaristas e
pactuadas.
Já vimos essa classificação. As Constituições outorgadas são aquelas
elaboradas unilateralmente por um agente revolucionário, sem a
participação popular.
O enunciado está correto porque, de fato, sob a ótica jurídica, as
Constituições outorgadas são resultado de uma vontade unilateral
soberana (do agente revolucionário). Por outro lado, em sentido político,
representam a decisão desse agente revolucionário em fixar certos
limites ao seu próprio poder, até então absoluto.
É verdade que, convenhamos, os golpistas não outorgam uma
Constituição, limitando em parte sua soberania, preocupados com os
direitos dos indivíduos! A preocupação, normalmente, é com a
manutenção do seu próprio poder! No intuito de perpetuarem no poder,

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dão uma de “bonzinhos” e outorgam uma Constituição, limitando, em


parte, sua soberania e “legitimando” seu governo antidemocrático!
Lembre-se que, no Brasil, tivemos Constituições outorgadas (1824, 1937,
1967 e 1969) e Constituições promulgadas (1891, 1934, 1946 e 1988).
49)(ESAF/AFC/CGU/2003) Segundo a melhor doutrina, a tendência
constitucional moderna de elaboração de Constituições sintéticas
se deve, entre outras causas, à preocupação de dotar certos
institutos de uma proteção eficaz contra o exercício discricionário
da autoridade governamental.
Item errado.
Esse enunciado versa sobre a classificação das Constituições quanto à
extensão, que as divide em: sintéticas e analíticas.
O enunciado está errado porque a tendência moderna não é de
elaboração de Constituições sintéticas, mas sim de elaboração de
Constituições analíticas.
Constituição sintética, de texto abreviado, é coisa do passado, como foi
a Constituição dos Estados Unidos da América, de 1787, que possui
somente 7 artigos originários.
Essa tendência moderna de elaboração de Constituições analíticas é
decorrência, sobretudo, de dois fatores:
a) conferir maior estabilidade a certas matérias, levando-as para o texto
da Constituição, no intuito de limitar a discricionariedade do Estado
sobre elas; e
b) assegurar uma maior proteção social aos indivíduos (a partir do
surgimento do Estado social, as Constituições passaram a ter conteúdo
extenso, de cunho social e programático, estabelecendo não só as
bases de organização do Estado, mas, também, fixando programas e
diretrizes de política social para a concretização futura pelos órgãos
estatais).
50)(ESAF/AFC/CGU/2003) Na história do Direito Constitucional
brasileiro, apenas a Constituição de 1824 pode ser classificada,
quanto à estabilidade, como uma constituição semi-rígida.
Item certo.
Esse item nos remete à classificação das Constituições quanto à
estabilidade (ou alterabilidade), em que, a depender da maior ou menor
dificuldade para modificação do seu texto, as Constituições podem ser:
imutáveis, rígidas, flexíveis e semi-rígidas.

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No Brasil, todas as Constituições foram rígidas, exceto a Constituição


Imperial de 1824, que foi do tipo semirrígida.
Como funciona uma Constituição semi-rígida? Como sabemos qual
parte do seu texto é rígida, e qual é a parte flexível? Bem, a própria
Constituição traz um dispositivo que indica qual é a sua parte rígida (e
que, portanto, exige um processo especial para sua modificação) e qual
é a sua parte flexível (que pode ser modificada por processo legislativo
simples, igual ao de elaboração das leis). No caso brasileiro, a
Constituição de 1824 apresentava essa regra no seu artigo 178, nos
termos seguintes:
“Art. 178. É só Constitucional o que diz respeito aos limites e atribuições
respectivas dos Poderes Políticos, e aos Direitos Políticos e individuais dos
Cidadãos. Tudo o que não é Constitucional pode ser alterado, sem as
formalidades referidas, pelas Legislaturas ordinárias.”
Veja que este artigo estabelecia uma distinção no tocante às
formalidades necessárias para a alteração dos diferentes dispositivos da
mesma Constituição:
a) os dispositivos substancialmente constitucionais (limites e atribuições
respectivas dos Poderes Políticos e os Direitos Políticos e individuais dos
Cidadãos) só podiam ser modificados por um procedimento especial
(parte rígida da Constituição);
b) os demais dispositivos, considerados não-constitucionais, podiam ser
modificados pelo processo legislativo ordinário (parte flexível da
Constituição).
Quanto à estabilidade das Constituições, além dessa classificação
tradicional, vá para a prova com o seguinte detalhe: embora a
Constituição Federal de 1988 seja tradicionalmente classificada como
rígida, o Professor Alexandre de Moraes a classifica como super rígida.
Para ele, ela é super rígida porque, além de exigir um procedimento
especial para sua alteração, possui um núcleo que não pode ser abolido
(cláusulas pétreas).
Sabemos que a banca desse nosso concurso é a ESAF, mas o CESPE já
cobrou esse termo em suas provas, e pode ser que a ESAF venha a
cobrá-lo nos próximos concursos. Portanto, fique atento: para a sua
prova, a nossa Constituição é classificada como rígida, mas, caso lhe
seja exigido o conceito de Constituição super rígida você já sabe que
está certo classificá-la também dessa forma, segundo o entendimento
do Professor Alexandre de Moraes.

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51)(ESAF/AFC/CGU/2003) A existência de supremacia formal da


Constituição independe da existência de rigidez constitucional.
Item errado.
A supremacia formal das Constituições decorre, precisamente, da rigidez
do seu texto.
Vejamos como nasce a supremacia formal. A rigidez, ao exigir
formalidades especiais para a elaboração das normas constitucionais,
posiciona a Constituição em um patamar de superioridade hierárquica
em relação a todas as demais normas do ordenamento, em virtude da
exigência dessas formalidades especiais. Essa superioridade hierárquica
da Constituição, decorrente da exigência de formalidades especiais
para elaboração de suas normas, é, precisamente, a chamada
supremacia formal (isto é, supremacia decorrente de forma, decorrente
das formalidades especiais exigidas para a elaboração das normas
constitucionais).
Aliás, é por esse motivo que só se pode falar em supremacia formal das
normas constitucionais sobre as demais leis do ordenamento num sistema
de Constituição rígida (ou semirrígida, no tocante à sua parte rígida).
Afinal, se estamos num sistema de Constituição flexível, não há distinção
entre os processos legislativos de elaboração das normas constitucionais
e das leis ordinárias. Ora, se no regime de Constituição flexível não há
formalidades especiais para a elaboração das normas constitucionais,
não podemos falar em supremacia formal (que decorre, justamente, da
exigência de formalidades especiais para a elaboração das normas
constitucionais).
Essa noção de supremacia formal, resultante da rigidez constitucional,
não pode ser confundida com o conceito de supremacia material da
Constituição, decorrente da dignidade do conteúdo das normas
constitucionais.
Fala-se em supremacia material da Constituição quando se tem em
conta a superioridade da norma constitucional em razão da dignidade
de seu conteúdo (sem nenhuma relação com o seu processo de
elaboração). Por exemplo: diz-se que a norma constitucional que
assegura o direito à vida é uma norma dotada de supremacia material,
devido à dignidade de seu conteúdo, por tratar de matéria
substancialmente constitucional (direito fundamental individual à vida).
Assim, num sistema de Constituição não-escrita, costumeira, flexível, não
podemos falar na presença de supremacia formal das normas
constitucionais sobre as demais leis do ordenamento, pois não há

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diferença “de forma” entre elas (ambas são elaboradas pelo mesmo
processo legislativo). Porém, mesmo nesse tipo de Constituição, podemos
falar na existência de supremacia material das normas constitucionais
sobre as demais leis do ordenamento, em razão da “superioridade” do
conteúdo daquelas sobre estas.
Melhor explicando. Imagine a Inglaterra, que adota Constituição não-
escrita, costumeira, em que não há um processo legislativo especial para
a elaboração de suas normas constitucionais (não há, portanto, rigidez
constitucional). Ora, se não há um processo especial para a elaboração
das normas constitucionais, como se distingue, na Inglaterra, uma lei
ordinária de uma lei constitucional? Se tivermos pela frente duas leis
inglesas (Lei “A” e Lei “B”), elaboradas pelo mesmo parlamento, pelo
mesmo processo legislativo, como saberemos qual delas é constitucional
e qual é ordinária?
Ah, essa distinção é feita levando-se em conta o conteúdo das duas
normas. Como assim? Muito fácil: a Lei “A” será constitucional se versar
sobre matéria considerada substancialmente constitucional pelo Estado
inglês; a Lei “B” será ordinária se tratar de matéria que nada tenha a ver
com a organização do Estado inglês. Nesse caso, a Lei “A”
(constitucional) é dotada de supremacia em relação à Lei “B”
(ordinária), mas não em razão de formalidade, do processo legislativo de
sua elaboração. A Lei “A” é dotada de supremacia sobre a Lei “B” em
razão da dignidade do seu conteúdo (em razão da matéria). Temos, aí,
a chamada supremacia material (decorrente do conteúdo da norma).
Muito interessante esse tema, bonito mesmo, de emocionar!
E, além de emocionante, é importantíssimo numa prova você saber
distinguir “supremacia formal” (presente nas Constituições que adotam a
rigidez constitucional, por resultar do processo especial de elaboração
das normas constitucionais) de “supremacia material” (decorrente da
dignidade do conteúdo das normas substancialmente constitucionais
sobre as demais leis do ordenamento).
E não se esqueça: numa Constituição do tipo semirrígida só se pode falar
em supremacia formal dos seus dispositivos sobre as demais leis do
ordenamento no tocante à sua parte rígida.
Com efeito, se estivermos diante de uma Constituição semi-rígida,
poderemos falar em supremacia formal das normas constitucionais que
integram a parte dessa Constituição que é rígida (parte que só pode ser
alterada por um procedimento especial). Em relação à parte flexível
(que pode ser modificada por procedimento simples, de elaboração das

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demais leis), não há que se falar em supremacia formal. Poderemos,


neste último caso, falar, apenas, em supremacia material.
52)(ESAF/ANALISTA/MPU/2004) Constituições semi-rígidas são as
constituições que possuem um conjunto de normas que não
podem ser alteradas pelo constituinte derivado.
Item errado.
Constituições semirrígidas são aquelas que permitem a modificação de
parte do seu texto por procedimento simples (parte flexível da
Constituição), mas exigem um procedimento especial, mais dificultoso,
para a modificação da outra parte do seu texto (parte rígida da
Constituição).
Veja que, ao contrário do que afirma o enunciado, todo o texto
constitucional de uma Constituição semirrígida poderá ser modificado,
embora por procedimentos legislativos distintos: uma parte por
procedimento simples, outra parte por procedimento dificultoso.
53)(ESAF/ANALISTA/MPU/2004) Constituições populares são aquelas
promulgadas apenas após a ratificação, pelos titulares do poder
constituinte originário, do texto aprovado pelos integrantes da
Assembléia Nacional Constituinte.
Item errado.
Constituições populares são aquelas elaboradas com participação
popular. A regra é a convocação de uma Assembléia Nacional
Constituinte (ANC) ou Convenção para, em nome do povo, elaborar o
texto constitucional. Com a aprovação da Constituição pelos
representantes do povo, não há necessidade de ulterior ratificação do
texto pelo povo. Veja o que aconteceu em 1988: a Constituição Federal
foi aprovada pela Assembléia Nacional Constituinte (representantes do
povo) e não houve nenhuma ratificação popular ulterior do texto
aprovado (não houve referendo para aprovação do texto aprovado
pela ANC).
54)(ESAF/AFC/2000/ADAPTADA) Apresenta característica típica de
Constituição rígida aquela que
a) somente admite mudanças no seu texto por meio de
procedimentos mais demorados e difíceis do que o procedimento
comum de elaboração das leis.
b) resulta de lenta formação histórica, do lento evoluir das tradições,
sendo por isso mesmo dotada de maior estabilidade, decorrente do
prestígio social das suas prescrições.

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c) não consagra direitos fundamentais no seu texto, em razão de ter


sido elaborada sem nenhuma participação popular.
d) não admite a reforma do seu texto por meios institucionais.
e) possui conteúdo abreviado, versando somente sobre matérias
substancialmente constitucionais.
Gabarito: “a”
Constituição rígida é aquela que exige um procedimento especial, mais
dificultoso do que aquele de elaboração das demais leis, para a
modificação do seu texto.
São dois os principais mecanismos para se outorgar rigidez a uma
Constituição:
a) exigência de um procedimento mais árduo, mais demorado
(exigência de dois turnos de votação em cada Casa Legislativa, por
exemplo); e
b) exigência de uma deliberação qualificada para a aprovação da
matéria (exigência de três quintos dos votos dos integrantes do
Legislativo, por exemplo).
A Constituição Federal de 1988 adotou os dois mecanismos (CF, art. 60, §
2º): exigência de um procedimento mais demorado (dois turnos de
votação em cada uma das Casas do Congresso Nacional) e de uma
deliberação qualificada para aprovação da matéria (votos de três
quintos dos integrantes das Casas Legislativas).
A assertiva “a”, portanto, responde perfeitamente ao enunciado da
questão.
A assertiva “b” está ERRADA porque apresenta o conceito de
Constituição histórica, que não é elaborada por procedimento especial,
dificultoso.
A assertiva “c” está ERRADA porque Constituição elaborada sem
nenhuma participação popular é a outorgada, e esse aspecto não tem
nenhuma relação com a rigidez constitucional (isto é, tanto Constituições
democráticas quanto Constituições outorgadas podem ser rígidas).
A assertiva “d” está ERRADA porque Constituição que não admite a
reforma do seu texto por meios institucionais é do tipo imutável. A rigidez
admite modificações do seu texto, desde que por procedimento
especial.
A assertiva “e” está ERRADA porque Constituição que possui conteúdo
abreviado, versando somente sobre matérias substancialmente

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constitucionais é a sintética, aspecto que não tem nenhuma relação


com rigidez constitucional (isto é, tanto Constituições sintéticas quanto
Constituições analíticas podem ser rígidas).
55)(ESAF/GESTOR/MPOG/2002) A Constituição brasileira de 1988 pode
ser classificada como:
a) Constituição democrática, histórica, programática e analítica.
b) Constituição semi-rígida, promulgada, programática e dogmática.
c) Constituição flexível, sintética, promulgada e democrática.
d) Constituição rígida, promulgada, escrita e programática.
e) Constituição rígida, dogmática, analítica e histórica.
Gabarito: “d”
A assertiva que responde ao enunciado é a letra “d”, pois a Constituição
Federal de 1988 é do tipo rígida (porque exige um procedimento
especial para modificação do seu texto), promulgada (porque foi
elaborada com participação popular), escrita (porque está
consubstanciada em um único documento escrito, solenemente
elaborado por um órgão constituinte, num determinado momento) e
programática (porque está recheada de normas programáticas, que
estabelecem programas e diretrizes de ordem social para a atuação
futura dos órgãos estatais).
As assertivas “a” e “e” estão ERRADAS porque afirmam ser a Constituição
Federal histórica; a assertiva “b” está ERRADA porque afirma ser a
Constituição Federal semirrígida; e a assertiva “c” está ERRADA porque
afirma ser a Constituição Federal flexível e sintética.
56)(ESAF/AFC/CGU/2006 - MODIFICADA) Sobre Teoria Geral da
Constituição, Poderes do Estado e suas respectivas funções e
Supremacia da Constituição, assinale a única opção correta.
a) Nem toda constituição classificada como dogmática foi elaborada
por um órgão constituinte.
b) Uma constituição rígida não pode ser objeto de emenda.
c) A distinção de conteúdo entre uma norma constitucional em
sentido formal e uma norma constitucional em sentido material tem
reflexos sobre a aplicabilidade das normas constitucionais.
d) Uma constituição é classificada como popular, quanto à origem,
quando se origina de um órgão constituinte composto de
representantes do povo.

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e) Segundo a doutrina, não há relação entre a rigidez constitucional e


o princípio da supremacia da constituição.
Gabarito: “d”
A assertiva “a” está errada porque as Constituições dogmáticas são
necessariamente escritas e, como tais, são elaboradas por um órgão
constituinte. Tais constituições são elaboradas num determinado
momento, por um órgão constituinte, segundo os dogmas e idéias então
reinantes.
A assertiva “b” está errada, pois uma Constituição rígida pode sim ser
objeto de emenda. Essas modificações, entretanto, deverão se dar por
um processo legislativo especial, mais complexo que o processo de
alteração das demais normas do ordenamento.
A assertiva “c” está errada porque, num sistema de Constituição formal,
como é o nosso, as normas constitucionais se equivalem em termos de
dignidade, independente de terem conteúdo materialmente
constitucional ou não. Isso se deve ao fato de terem sido elaboradas
segundo um procedimento mais solene do que aquele de elaboração
das demais leis, sendo todas elas dotadas, portanto, de supremacia
formal. Dessa forma, num sistema de Constituição rígida como o nosso,
não há que se falar em diferenciação da aplicabilidade das normas
constitucionais em razão de seu conteúdo.
A assertiva “d” está certa porque Constituição popular é aquela
originada de um órgão constituinte formado por representantes do povo.
A assertiva “e” está errada porque, segundo a doutrina, o princípio da
supremacia formal da Constituição decorre da rigidez constitucional, isto
é, da existência de um processo legislativo distinto, mais complexo, para
elaboração da norma constitucional. Portanto, ao contrário do que
afirmado o enunciado, a supremacia (formal) da Constituição decorre
diretamente da rigidez constitucional.
57)(ESAF/Auditor-Fiscal do Trabalho/2006) Na concepção materialista
de Constituição, é dada relevância ao processo de formação das
normas constitucionais, que, além de ser intencional, deve produzir
um conjunto sistemático com unidade, coerência e força jurídica
próprias, dentro do sistema jurídico do Estado.
Item errado.
Na concepção material de Constituição, é dada relevância ao
conteúdo da norma, isto é, só serão normas constitucionais aquelas que
tratarem dos elementos essenciais de organização do Estado – nada
importando o processo de sua elaboração.

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58)(ESAF/MPOG/ENAP/ADMINISTRADOR/2006) Constituições rígidas


são as que possuem cláusulas pétreas, que não podem ser
abolidas pelo poder constituinte derivado.
Item errado.
Constituições rígidas são aquelas que só admitem a mudança do seu
texto mediante processo especial, mais árduo do que aquele de
elaboração das demais leis. A Constituição pode ser rígida e não possuir
cláusula pétrea (isto é, pode exigir um procedimento especial para a
modificação do seu texto, permitindo, porém, desde que obedecido
esse procedimento, a abolição de qualquer matéria constitucional).
59)(ESAF/MPOG/ENAP/ADMINISTRADOR/2006) Segundo a doutrina,
são características das constituições concisas: a menor
estabilidade do arcabouço constitucional e a maior dificuldade de
adaptação do conteúdo constitucional.
Item errado.
Ao contrário do afirmado no enunciado, as Constituições sintéticas são
mais estáveis e apresentam uma maior facilidade para a sua
atualização/adaptação em face da evolução da sociedade.
Isso porque, como ela praticamente se restringe à apresentação dos
princípios basilares de organização do Estado, a atualização do seu
conteúdo é facilmente efetuada, por meio da interpretação
constitucional. Bem diferente de uma Constituição analítica ou prolixa,
como a nossa, de 1988, que, para qualquer atualização, exige
modificação formal do seu texto, mediante a aprovação de emenda
constitucional.
A partir dos exercícios até aqui comentados, examinamos todas as
classificações tradicionais, a saber: quanto à origem (outorgadas,
promulgadas, cesaristas e pactuadas); quanto à forma (escritas e não-
escritas); quanto ao modo de elaboração (históricas e dogmáticas);
quanto à estabilidade (imutáveis, rígidas, flexíveis e semi-rígidas); quanto
ao conteúdo (materiais e formais); quanto à extensão (analíticas e
sintéticas); quanto à correspondência com a realidade (normativas,
nominativas e semânticas); e quanto aos fins (garantia, dirigentes e
balanço).
Guarde essas classificações, que são as mais importantes. De qualquer
forma, apresentaremos, a seguir, algumas outras denominações
utilizadas pela doutrina para designar certas Constituições. São
classificações que, embora ainda não cobradas em concursos públicos

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até esta data, poderão aparecer em certames futuros. Então, não custa
nada conhecê-las...
Constituição nominalista - é aquela cujo texto da Carta Constitucional já
contém verdadeiros direcionamentos para os problemas concretos, a
serem resolvidos mediante aplicação pura e simples das normas
constitucionais (ao intérprete caberia tão-somente interpretá-la de forma
gramatical-literal); por outro lado, há a Constituição semântica – aquela
cuja interpretação depende da averiguação de seu conteúdo
sociológico, ideológico, metodológico, possibilitando uma maior
aplicabilidade político-normativa-social do texto constitucional
(Alexandre de Moraes).
Constituições reduzidas - aquelas sistematizadas, cujas normas estão
consolidadas em um único código; e Constituições variadas - aquelas
formadas por textos esparsos, espalhados no ordenamento jurídico (Pinto
Ferreira).
Constituições liberais - são aquelas resultantes do triunfo da ideologia
burguesa, dos ideais do Liberalismo, correspondentes ao primeiro período
de surgimento dos direitos humanos, que exigiam a não-intervenção do
Estado na esfera privada dos particulares; e Constituições sociais -
correspondem a um momento posterior do constitucionalismo, em que se
passou a exigir do Estado atuação positiva, corrigindo as desigualdades
sociais e proporcionando o surgimento do Estado do bem comum (André
Ramos Tavares).
Constituição expansiva – como a Constituição Federal de 1988, que é
caracterizada por dois aspectos: (i) a abordagem de novos temas, não
presentes nas Constituições brasileiras pretéritas; e (ii) a ampliação do
tratamento de temas permanentes, já presentes nas Constituições
pretéritas (Raul Machado Horta).
Alguns autores referem-se, ainda, à Constituição plástica, embora não
haja consenso quanto ao seu significado.
Para o Professor Pinto Ferreira, Constituição plástica é sinônimo de
Constituição flexível, isto é, que admite modificações no seu texto
mediante procedimento simples, igual ao de elaboração das leis
infraconstitucionais.
Entretanto, para o constitucionalista Raul Machado Horta, o vocábulo
“plástica” designa as Constituições nas quais há grande quantidade de
disposições de conteúdo aberto, de tal sorte que é deixada ao legislador
ordinário ampla margem de atuação em sua tarefa de mediação
concretizadora, de densificação ou “preenchimento” das normas

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constitucionais, possibilitando, com isso, que o texto constitucional


acompanhe as oscilações da vontade do povo, assegurando a
correspondência entre a Constituição normativa e a Constituição real.
Vistas essas classificações, passamos, a partir de próxima questão, a
comentar as questões que versam sobre os sentidos político, sociológico
e jurídico da Constituição.
60)(ESAF/AFC/STN/2005) Na concepção de constituição em seu
sentido político, formulada por Carl Schmmitt, há uma identidade
entre o conceito de constituição e o conceito de leis
constitucionais, uma vez que é nas leis constitucionais que se
materializa a decisão política fundamental do Estado.
Item errado.
Esse enunciado trata das tradicionais concepções de Constituição:
jurídica, política e sociológica.
Para a visão política de Constituição, defendida por Carl Schmitt, a
Constituição é uma decisão política fundamental (do poder constituinte).
Carl Schmitt estabeleceu uma distinção entre Constituição (que disporia
somente sobre as matérias substancialmente constitucionais, de grande
relevância jurídica, as ditas decisões políticas fundamentais) e leis
constitucionais (as demais matérias integrantes do texto da Constituição,
de menor relevância).
Para Lassalle, defensor da concepção sociológica de Constituição, a
Constituição é concebida como fato social, como resultado da
realidade social do país, e não propriamente como norma; a
Constituição seria, assim, a soma dos fatores reais de poder que imperam
na sociedade, tais como a aristocracia, a burguesia, os banqueiros etc.
Para Lassalle, há, no país, duas Constituições: a real (“soma dos fatores
reais de poder”) e a escrita (“folha de papel”), sendo que, em caso de
conflito, aquela sempre prevalecerá sobre esta. Observe que, dessa
forma, Lassalle nega a força normativa da Constituição escrita.
Para Hans Kelsen, defensor da concepção jurídica de Constituição, a
Constituição é norma jurídica pura, sem qualquer consideração de
ordem social, política, moral ou filosófica.
Kelsen estabeleceu uma distinção entre Constituição em sentido lógico-
jurídico (norma fundamental hipotética, fundamento da Constituição em
sentido jurídico-positivo) e Constituição em sentido jurídico-positivo
(norma positiva suprema, que regula a criação das demais normas).

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Note-se que a visão de Kelsen valoriza a força normativa da


Constituição, contrapondo-se à concepção sociológica de Ferdinand
Lassalle.
Como você já deve ter percebido, a assertiva está ERRADA, pois na
concepção política não há identidade entre Constituição e leis
constitucionais. Pelo contrário, Carl Schmitt estabelece uma clara
distinção entre esses dois conceitos.
61)(ESAF/AFTE/RN/2005) A constituição em sentido político pode ser
entendida como a fundamentação lógico-política de validade
das normas constitucionais positivas.
Item errado.
Caro aluno, você deve observar que é comum a ESAF apresentar
determinado conceito, trocando o sentido de Constituição que a ele se
refere.
Nessa questão, por exemplo, foi apresentada uma característica
relacionada com o sentido jurídico de Constituição. Com efeito, em seu
sentido jurídico, a Constituição é compreendida como norma
fundamental do Estado, paradigma de validade de todo ordenamento
jurídico.
Já no sentido político, a validade da Constituição apóia-se na decisão
política fundamental que lhe dá existência.
62) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) Para Ferdinand
Lassalle, a constituição é dimensionada como decisão global e
fundamental proveniente da unidade política, a qual, por isso
mesmo, pode constantemente interferir no texto formal, pelo que
se torna inconcebível, nesta perspectiva materializante, a idéia de
rigidez de todas as regras.
Item errado.
Ferdinand Lassalle defende o conceito sociológico de Constituição.
A definição apresentada aproxima-se da noção de sentido político de
constituição ao mencionar a decisão política fundamental. Nesse
sentido, a Constituição disporia apenas sobre as matérias de grande
relevância jurídica, as decisões políticas fundamentais. Diferentemente,
as demais normas da Constituição são tão somente leis constitucionais.
Observe, ainda, que essa distinção tem certa relação com os conceitos
de Constituição material e formal.

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63)(ESAF/AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/MTE/2003) Para Hans Kelsen,


a norma fundamental, fato imaterial instaurador do processo de
criação das normas positivas, seria a constituição em seu sentido
lógico-jurídico.
Item certo.
O nome de Hans Kelsen relaciona-se à concepção jurídica, em que a
Constituição é tratada de uma perspectiva estritamente formal, como
norma-pura desprovida de influência de valores sociais, morais, políticos
ou filosóficos.
Assim, a palavra Constituição se segmentaria em dois sentidos: (i) lógico-
jurídico; e (ii) jurídico-positivo.
De acordo com o sentido lógico-jurídico, a Constituição significa norma
fundamental hipotética, cuja função é servir de fundamento lógico
transcendental da validade da Constituição jurídico-positiva.
Em seu sentido jurídico-positivo, a Constituição equivale à norma positiva
suprema, conjunto de normas que regula a criação de outras normas, lei
nacional no seu mais alto grau.
O conceito apresentado na assertiva está CORRETO, pois relaciona o
sentido lógico-jurídico à norma fundamental, fato imaterial instaurador
do processo de criação das normas positivas.
Por fim, dê uma olhada no quadro abaixo que sintetiza os conceitos
apresentados:

SOCIOLÓGICA POLÍTICA JURÍDICA


Ferdinand Lassalle Carl Schmitt Hans Kelsen
A Constituição é a soma A Constituição é uma A Constituição é norma
dos fatores reais de decisão política jurídica pura, sem
poder, como a fundamental (poder qualquer consideração
aristocracia, a constituinte) de ordem social, política
burguesia, os ou filosófica
banqueiros etc.
Há, no país, duas Estabelece uma Estabelece uma
Constituições: a real distinção entre distinção entre
(soma dos fatores reais Constituição (matérias Constituição em sentido
de poder) e a escrita substancialmente lógico-jurídico (norma
(“folha de papel”), constitucionais) e leis fundamental hipotética,
sendo que, em caso de constitucionais (matérias fundamento da
conflito, aquela sempre apenas formalmente Constituição em sentido
prevalecerá constitucionais) jurídico-positivo) e

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Constituição em sentido
jurídico-positivo (norma
positiva suprema, que
regula a criação das
demais normas)
64)(ESAF/ENAP/2006) Na concepção sociológica, defendida por
Ferdinand Lassale, a Constituição seria o resultado de uma lenta
formação histórica, do lento evoluir das tradições, dos fatos sócio-
políticos, que se cristalizam como normas fundamentais da
organização de determinado Estado.
Item errado.
Não há relação entre a concepção sociológica e uma Constituição
resultante do lento evoluir das tradições.
Para Lassalle, a Constituição seria um fato social, espelho da realidade
social em determinada conjuntura e da distribuição de forças na
sociedade (banqueiros, aristocracia, burguesia etc.). A Constituição
representa, pois, a soma dos fatores reais de poder que atuam no país
(Constituição real).
Para Lassalle, a Constituição escrita seria apenas uma folha de papel.
Assim, independentemente de estar ancorada na evolução histórica
daquele país não teria validade se estivesse desconexa dos fatores reais
de poder.
65)(ESAF/AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/MTE/2003) A concepção de
constituição, defendida por Konrad Hesse, não tem pontos em
comum com a concepção de constituição defendida por
Ferdinand Lassale, uma vez que, para Konrad Hesse, os fatores
históricos, políticos e sociais presentes na sociedade não
concorrem para a força normativa da constituição.
Item errado.
Como você já está cansado de saber, segundo a tese de Lassalle, a
Constituição de um país expressa as relações de poder nele dominantes.
A conjugação dos fatores reais de poder forma a Constituição real do
país. O documento jurídico escrito chamado Constituição é apenas uma
folha de papel e tem sua capacidade de regular e de motivar a
sociedade limitada à sua compatibilidade com a Constituição real.
Em caso de conflito entre as duas, o desfecho há de se verificar contra a
Constituição escrita, que sucumbirá frente aos fatores reais de poder
dominantes no país.

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Pois bem, a noção de força normativa da Constituição, desenvolvida por


Konrad Hesse tem alguns pontos em comum e outros pontos contrários à
concepção de Lassalle. Por isso, errada a questão.
Segundo Konrad Hesse, a Constituição realmente está vinculada à
realidade histórica concreta do seu tempo, e nisso sua visão assemelha-
se à concepção de Lassalle.
Todavia, Hesse defende que a Constituição escrita não está
condicionada simplesmente por essa realidade. Nesse sentido, em caso
de confronto, a Constituição escrita não deve ser considerada
necessariamente a parte mais fraca, pois há pressupostos que asseguram
força normativa a esse documento jurídico.
Ou seja, para Konrad Hesse, Constituição real e Constituição jurídica
estão em uma relação de coordenação (e nesse sentido, os fatores reais
de poder concorrem para a força normativa da Constituição). Elas
condicionam-se mutuamente, mas não dependem pura e simplesmente,
uma da outra.
Vejamos, a partir de agora, algumas questões sobre a organização dos
poderes.
66)(ESAF/APOFP/SEFAZ/SP/2009) São Poderes do Estado,
independentes e harmônicos entre si, o Ministério Público, o
Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Item errado.
De acordo com o art. 2° da CF/88:
“São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o
Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”
Ou seja, a CF não inclui o Ministério Público dentro dos Poderes da União.
Esse é o erro da questão, que cobrou a literalidade da Constituição.
Nada obstante, devemos alertar que a CF/88 também institui o Ministério
Público como forma de controle do poder, assegurando prerrogativas e
autonomia para que possa desempenhar essa função.
Esse artigo 2° consagra o princípio da separação dos poderes, ou
distinção funcional do poder do Estado.
A divisão funcional do poder consiste em atribuir a órgãos independentes
entre si o exercício precípuo das funções estatais essenciais. Nesse
sentido, como funções típicas:
a) compete ao Poder executivo as funções de Governo e Administração;

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b) compete ao Poder Legislativo o exercício da elaboração de leis e a


fiscalização dos atos de caráter público; e
c) cabe ao Poder Judiciário o exercício da jurisdição.
67)(ESAF/MRE/2004) É característica fundamental do poder político do
Estado ser ele divisível, o que dá origem às três funções que serão
atribuídas a diferentes órgãos.
Item errado.
Você deve entender bem o conceito da divisão funcional do poder.
Aliás, esse termo é mais preciso do que o mais comumente utilizado:
“separação dos poderes”. Isso porque o poder do Estado é uno e
indivisível.
Ou seja, o poder não é divisível. Ocorre uma tripartição das funções
estatais para que o Estado possa exercer sua vontade (ou poder).
Em suma, apesar de o termo “separação de poderes” ser bastante
comum em concursos, considera-se ERRADO afirmar que é divisível o
poder do Estado.
68)(ESAF/AFT/2006) Segundo a doutrina, "distinção de funções do
poder" e "divisão de poderes" são expressões sinônimas e, no caso
brasileiro, é um dos princípios fundamentais da República
Federativa do Brasil.
Item errado.
Essa questão reforça o que acabamos de afirmar. Segundo a doutrina, o
termo correto é distinção entre as funções do poder do Estado, visto que
esse poder é uno, indivisível.
69)(ESAF/TRF/2006) Em razão da independência funcional, um dos
elementos essenciais do princípio de separação dos poderes, o
exercício das funções que integram o poder político da União é
exclusivo.
Item errado.
Vimos que determinadas funções do poder do Estado são exercidas de
forma predominante por determinados órgãos independentes.
Entretanto, essas funções não são atribuídas de forma exclusiva e, por
isso, está ERRADA a questão.
Assim, os Poderes exercem suas funções típicas, bem como funções
atípicas. Por exemplo, o chefe do Poder Executivo exerce a função
legislativa de forma atípica ao editar uma medida provisória. O mesmo

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acontece a um tribunal do Poder Judiciário ao elaborar e publicar seu


regimento.
Outro exemplo é o Poder Legislativo. Por um lado, tem como típicas as
funções de fiscalização e de legislação. Mas exerce função
administrativa ao emitir atos administrativos internos (por exemplo, a
nomeação ou posse de um consultor de orçamentos do Senado
Federal). Além disso, o Senado Federal exerce função jurisdicional no
julgamento do Presidente da República nos crimes de responsabilidade.
70)(ESAF/AFC/CGU/2006) O poder político de um Estado é composto
pelas funções legislativa, executiva e judicial e tem por
características essenciais a unicidade, a indivisibilidade ea
indelegabilidade.
Item certo.
A doutrina apresenta como características do poder político a
unicidade, a indivisibilidade e também a indelegabilidade.
Assim, fique atento às questões que afirmem ser o poder estatal divisível
em 3 partições ou que afirmem ser possível sua delegação, pois estão
ERRADAS.
71)(ESAF/AFT/2006) O exercício da função jurisdicional, uma das
funções que integram o poder político do Estado, não é exclusivo
do Poder Judiciário.
Item certo.
As funções estatais não são atribuídas aos órgãos de forma exclusiva.
Assim, ao julgar o Presidente da República nos crimes de
responsabilidade, o Senado Federal exerce a função jurisdicional de
forma atípica.
72) (ESAF/AFRF/2005) A especialização funcional, elemento essencial
do princípio de divisão de poderes, implica o exercício exclusivo
das funções do poder político - legislativa, executiva e judiciária -
pelo órgão ao qual elas foram cometidas no texto constitucional.
Item errado.
Como visto, a especialização funcional não implica exercício exclusivo
das funções estatais. Daí o erro da questão. Não erre isso!
73)(ESAF/AFTE/RN/2005) A adoção do princípio de separação de
poderes, inspirado nas lições de Montesquieu e materializado na
atribuição das diferentes funções do poder estatal a órgãos

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diferentes, afastou a concepção clássica de que a unidade seria


uma das características fundamentais do poder político.
Item errado.
Como dissemos, o termo “separação de poderes” não é, a rigor, muito
adequado, apesar de ser frequentemente utilizado.
Mas, observe que apenas isso não torna a questão ERRADA. O erro da
assertiva está na parte em que afirma estar afastada a concepção de
que a unidade seja uma das características fundamentais do poder
político.
Em realidade, o poder político do Estado caracteriza-se por ser uno,
indivisível e indelegável.
74) (ESAF/MRE/2004) O exercício de uma das funções do poder
político do Estado por um determinado órgão se dá sob a forma
de exclusividade, com vistas à preservação do equilíbrio no
exercício desse poder.
Item errado.
Está ERRADO afirmar que o exercício de alguma das funções do poder
político seria atribuída de forma exclusiva a determinado órgão. Na
verdade, cada uma das funções estatais é exercida por determinado
órgão em sua função típica e pelos demais de forma atípica.
75)(ESAF/ASSISTENTE TÉCNICO-ADMINISTRATIVO/MINISTÉRIO DA
FAZENDA/2009) A limitação do poder estatal foi um dos grandes
desideratos do liberalismo, o qual exalta a garantia dos direitos do
homem como razão de ser do Estado.
Item certo.
Você deve lembrar de que o advento da ideologia liberal traz em si a
ideia de que o Estado “atrapalha a vida” do indivíduo e, principalmente,
sua atividade econômica. Assim, as Constituições passam a limitar o
poder estatal através da garantia de uma esfera de direitos
fundamentais, que irão proteger o indivíduo dessa atuação do Estado.
Esse assunto será desenvolvido na aula 3.
Saiba, porém, que as revoluções americana e francesa trouxeram
também outra forma de limitação do poder do Estado: a própria
repartição das funções estatais entre três órgãos distintos, evitando a
concentração de todo o poder nas mãos de uma única pessoa. De
certa forma, esse modelo foi tratado por Montesquieu, que defendeu
que as três funções – administrativa, legislativa e judiciária – fossem

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exercidas por órgãos diferentes, segundo a ideia de que o poder


corrompe-se quando não encontra limites.
Observe que o célebre artigo XVI da Declaração dos Direitos do Homem
e do Cidadão já declarava que não haveria Constituição numa
sociedade em que não estivessem assegurados os direitos dos indivíduos,
nem separados os poderes estatais.
76) (ESAF/ASSISTENTE TÉCNICO-ADMINISTRATIVO/MINISTÉRIO DA
FAZENDA/2009) A divisão do poder, segundo o critério geográfico,
é a descentralização, e a divisão funcional do poder é a base da
organização do governo nas democracias ocidentais.
Item certo.
A descentralização do poder é sua divisão segundo o critério geográfico.
Isso é o que ocorre, por exemplo, na forma de Estado Federal, em que o
poder está distribuído por várias entidades autônomas.
Nessa parte da aula estamos tratando da divisão funcional do poder,
que é a atribuição das funções do poder a órgãos independentes entre
si. Essa estruturação do governo é uma forma de limitação do poder
estatal, esforço que se coaduna com o espírito do principio democrático.
77)(ESAF/ASSISTENTE TÉCNICO-ADMINISTRATIVO/MINISTÉRIO DA
FAZENDA/2009) Aristóteles apresenta as funções do Estado em
deliberante, executiva e judiciária, sendo que Locke as reconhece
como: a legislativa, a executiva e a federativa.
Item certo.
Antes da divulgação do tema por Montesquieu, o chamado princípio da
separação dos poderes (atualmente é mais correto falar-se em
colaboração ou harmonia) já havia sido sugerido por Aristóteles e Locke.
Aristóteles é considerado como sendo aquele que primeiro estabeleceu
a distinção das funções do Estado em deliberante, executiva e judiciária.
John Locke, por seu turno, formulou uma construção sistemática dessa
teoria, dividindo os poderes em Legislativo (aquele poder supremo,
superior aos demais), Executivo (relativo ao príncipe) e Federativo
(relacionado às relações exteriores, guerra, paz, alianças e tratados).
Fique tranquilo, caro aluno! Na realidade, essa questão acabou fugindo
do padrão de cobrança da Esaf para esses assuntos. Aliás, uma dica de
concurseiro: não se assuste caso a sua prova traga um assunto
totalmente inédito ou extremamente avançado. Não é isso que decide
um concurso, nem será isso que irá tirar sua vaga!

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Aqui você está tendo a oportunidade de ter uma noção do que é mais
importante para a banca examinadora. Então, caso venha uma questão
fora do comum, primeiro verifique se você consegue resolver pelas outras
alternativas. Se não der, marque o que lhe parece mais factível com o
conhecimento que você já acumulou e passe rapidamente à próxima
questão. Em suma, não deixe isso te atrapalhar durante a prova, haja
vista que uma questão fora da realidade não decide concurso algum!
78) (ESAF/ASSISTENTE TÉCNICO-ADMINISTRATIVO/MINISTÉRIO DA
FAZENDA/2009) A divisão funcional do poder é, mais precisamente,
o próprio federalismo.
Item errado.
O federalismo é a divisão geográfica do poder. A divisão funcional
relaciona-se com a distinção das funções de governo.
79)(ESAF/AFRE/RN/2005) Sistema de governo pode ser definido como
a maneira pela qual se dá a instituição do poder na sociedade e
como se dá a relação entre governantes e governados.
Item errado.
A relação entre governantes e governados é definida pela forma de
governo.
Estudar os sistemas de governo é examinar como se dá a relação entre
os Poderes Executivo e Legislativo no Estado, isto é, se há uma maior
independência (separação) ou interdependência (proximidade,
colaboração) entre eles. Daí a relação entre sistemas de governo e
nosso edital.
O Presidencialismo é o sistema de governo marcado pelas seguintes
características:
a) independência entre os Poderes Executivo e Legislativo (o exercício
do Poder no âmbito do Executivo independe da vontade do Legislativo,
e vice-versa);
Vejamos o caso do Brasil. O Presidente da República é eleito para o
exercício de um mandato de quatro anos, e tem direito a cumpri-lo
integralmente, até o último dia de seu governo, sem nenhuma
interferência do Legislativo (isto é, o Legislativo não pode abreviar o
mandato do Presidente da República).
Por outro lado, os membros do Legislativo, deputados e senadores, são
eleitos para mandatos de quatro e oito anos, respectivamente, e terão
também direito a cumprir integralmente tais períodos, sem nenhuma
interferência do Executivo (isto é, o Presidente da República não pode

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determinar a dissolução do Congresso Nacional, a fim de abreviar o


mandado dos congressistas).
b) mandatos por prazo certo (membros do Executivo e do Legislativo
exercem mandatos por prazo certo, que não podem ser abreviados);
Como dito acima, o Presidente da República (Executivo) e os
congressistas (Legislativo) exercem mandatos por prazo certo, que não
podem ser abreviados.
c) chefia monocrática ou unipessoal (as chefias de Estado e de Governo
estão concentradas numa mesma pessoa).
Novamente, temos o exemplo do Brasil, em que o Presidente da
República exerce, simultaneamente, a chefia de Estado e a chefia de
Governo.
O Presidente da República exerce a chefia de Estado quando representa
a República Federativa do Brasil frente a outros Estados soberanos ou
perante organizações internacionais (quando celebra um tratado
internacional, por exemplo), bem assim quando corporifica internamente
a unidade nacional (quando decreta a intervenção federal para manter
a integridade nacional – art. 34, I –, por exemplo).
O exercício da chefia de governo se dá quando o Presidente da
República cuida dos negócios internos de interesse da sociedade
brasileira (quando ele discute a reforma tributária com os governadores e
prefeitos, por exemplo).
Por outro lado, o parlamentarismo é o sistema de governo marcado
pelas seguintes características:
a) interdependência, maior proximidade e colaboração entre os Poderes
Executivo e Legislativo (o exercício do poder no âmbito do Executivo
depende da vontade do Legislativo, e vice-versa);
b) mandatos por prazo incerto (os membros do Parlamento e o chefe de
Governo exercem mandados por prazo incerto);
c) chefia dual (as chefias de Estado e de Governo são exercidas por
duas pessoas distintas: a chefia de Estado é exercida pelo Monarca ou
Presidente da República, conforme seja a forma de governo Monarquia
ou República, e a chefia de Governo é exercida pelo Primeiro Ministro).
Em resumo, o parlamentarismo funciona assim:
a) os membros do Parlamento são eleitos pelo povo;
b) o chefe de Estado escolhe o seu chefe de Governo;

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c) a partir daí, estabelece-se uma interdependência entre os Poderes,


haja vista que o chefe de Governo só permanecerá no seu mandato
enquanto o seu projeto de governo obtiver apoio da maioria do
Parlamento (se ele perder o apoio parlamentar será automaticamente
exonerado); por outro lado, os parlamentares também exercem
mandato por prazo incerto, porque o Governo (Executivo) poderá
determinar a dissolução do Parlamento, abreviando a duração do
mandato dos parlamentares (hipótese em que serão convocadas novas
eleições parlamentares).
O item está errado porque a relação entre os governantes e governados
é relacionado às formas de governo.
Os sistemas de governo dizem respeito à relação entre os poderes
Executivo e Legislativo.
Independência entre os Poderes Executivo e Legislativo

Presidencialismo Mandatos por prazo certo


Chefia monocrática ou unipessoal

Sistema de relação entre o Poder Executivo e Poder Legislativo


Governo

Interdependência (maior colaboração entre os poderes)

Parlamentarismo Mandatos por prazo incerto


Chefia dual

80)(ESAF/AFC/CGU/2003) Em um Estado Parlamentarista, a chefia de


governo tem uma relação de dependência com a maioria do
Parlamento, havendo, por isso, uma repartição, entre o governo e
o Parlamento, da função de estabelecer as decisões políticas
fundamentais.
Item certo.
Como vimos, no parlamentarismo há uma relação de interdependência
entre os Poderes Executivo e Legislativo, visto que a sustentação do
chefe de governo depende do apoio do parlamento.
De se observar que se estabelece uma co-responsabilidade entre o
Parlamento e o chefe de Governo, principalmente tendo em vista que
este submete àquele seu plano de governo, que estabelecerá aquelas
decisões políticas mais relevantes.

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Nesse sentido, entende-se que o próprio Parlamento responsabiliza-se


perante o povo.
81)(ESAF/Procurador da Fazenda Nacional/2006) O princípio da
separação dos poderes não constitui obstáculo a que os Estados-
membros adotem a solução parlamentarista no desenho da
repartição de poderes da sua constituição estadual.
Item errado.
Sabe-se que a CF/88 não estabelece de forma expressa o sistema de
governo a ser adotado pelo Brasil.
Aliás, veremos na aula sobre o Poder Constituinte que a forma de Estado
federativa foi gravada expressamente como cláusula pétrea (art. 60, §4°,
I).
Por outro lado, a CF/88 não estabelece a mesma garantia para a forma
de governo (republicana) tampouco para o sistema de governo
(presidencialista).
Ou seja, forma e sistema de governo não são limitações materiais
explícitas ao poder constituinte derivado reformador.
Se você não for tão jovem se lembrará que, no ano de 1993, tivemos um
plebiscito nacional para a escolha tanto da forma quanto do sistema de
governo. Isso significa que essas características poderiam ser alteradas,
concorda? Tai uma boa dica para você memorizar essa informação!
Todavia, sem entrar demais no assunto da aula seguinte, podemos dizer
que esses temas são limitações à capacidade dos estados-membros se
auto-organizarem por meio da elaboração de suas constituições
(limitações ao poder constituinte derivado decorrente).
Em suma: se, por um lado, esse modelo de estado republicano e sistema
presidencialista não é petrificado expressamente na Constituição
Federal, por outro lado, a forma e o sistema de governo são limitações à
Constituição Estadual. Em outras palavras, é vedado ao estado-membro,
município ou Distrito Federal estabelecer a monarquia como forma de
governo ou o parlamentarismo como sistema de governo.
Enfim, duas dicas para deixá-lo realmente preparado, caso a ESAF
resolva aprofundar (esses detalhes é que colocam o candidato em um
nível superior de conhecimento):
I - na vigência da Constituição Federal pretérita, de 1969, a forma
republicana de governo era expressamente gravada como cláusula
pétrea; e

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II - há autores que consideram que não seria válida uma emenda


constitucional que instituísse a monarquia ou o parlamentarismo, pois ela
estaria em colisão com a decisão direta do Poder Constituinte Originário,
tomada em 1993, no plebiscito.
82)(ESAF/AFC/CGU/2008) O princípio da separação do exercício das
funções estatais não impede que o Poder Legislativo examine o
acerto ou o desacerto de decisão judicial, especialmente quando
o próprio regimento interno da Casa Legislativa admita
possibilidade de instauração de comissão parlamentar de inquérito
sobre matérias pertinentes à competência do Poder Judiciário.
Item errado.
Não é legítimo que o Poder Legislativo venha a descaracterizar uma
decisão do Poder Judiciário, por desrespeito ao princípio da separação
dos poderes. É dizer, o exercício da jurisdição tem caráter de
definitividade.
Aliás, essa prática perniciosa às instituições já foi admitida em regimes
constitucionais anteriores (por exemplo, a Constituição de 1937 permitia
ao Executivo submeter uma lei declarada inconstitucional pelo judiciário
ao crivo do Legislativo, podendo este Poder torná-la aplicável
novamente).
Vale lembrá-lo que o mesmo princípio impede que uma CPI convoque
um juiz para prestar informações sobre sua atividade jurisdicional (pode
convocá-lo apenas para prestar informações sobre a atividade
administrativa).
83)(ESAF/AFC/CGU/2008) Não é plausível, em face do ordenamento
constitucional brasileiro, a existência de leis interpretativas que
veiculariam a denominada interpretação autêntica. Leis
interpretativas consubstanciariam usurpação das atribuições
institucionais do Poder Judiciário e, em conseqüência, ofenderiam
o postulado fundamental da divisão funcional do Poder.
Item errado.
A interpretação autêntica é aquela realizada pelo responsável pela
elaboração da norma. Leis interpretativas não afetam o princípio da
divisão funcional do poder, tendo em vista que a atividade de
interpretação não é exclusiva do Poder Judiciário.
84)(ESAF/TFC/CGU/2008) Compete privativamente ao Senado Federal
julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da
República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de
governo.

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Item errado.
Essa questão pode ser resolvida a partir do conhecimento das funções
do Congresso Nacional, disciplinadas pelos artigos 48 e 49 da CF/88, mais
especificamente o inc. IX do art. 49
“Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
(...)
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República
e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo;”
Já comentamos que a função fiscalizadora é função típica do Poder
Legislativo. Aliás, estabelece a Constituição que a fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das
entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade,
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de
receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle
externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder (art. 70).
Ou seja, a titularidade do Controle Externo é do Congresso Nacional.
Mas, para o desempenho dessa função, ele será auxiliado pelo TCU.
Nem por isso há uma relação de subordinação e dependência entre
eles, visto que o TCU detém e exerce algumas funções de controle, as
quais lhe são próprias e privativas.
Alguém poderia perguntar: e o TCU, não é quem julga as contas do
presidente?
Observe o teor do art. 71, II:
“Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será
exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual
compete:
(...)
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por
dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta,
incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder
Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio
ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;”
Ou seja, compete ao TCU a função administrativa de julgar as contas de
administradores e demais responsáveis.
Mas observe o detalhe mais importante desse assunto para provas de
direito constitucional: no caso das contas do Presidente da República, a

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função o TCU restringe-se à sua apreciação e emissão de parecer prévio


meramente opinativo.
Com efeito, como visto inicialmente, é competência exclusiva do
Congresso Nacional o julgamento anual das contas do Presidente da
República (art. 49, IX).
Caro aluno, veja como esse assunto tem relação com a independência
entre os Poderes, bem como com o sistema de freios e contrapesos
estabelecidos pela nossa ordem constitucional!
O controle externo, por meio do qual é dado ao Poder Legislativo
fiscalizar os demais Poderes, é uma das bases do sistema de freios e
contrapesos.
Observe que interessante esse outro detalhe (que ainda relaciona direito
constitucional, direito administrativo e direito financeiro): enquanto o
controle externo é uma das manifestações do sistema de freios e
contrapesos, o mesmo não se pode afirmar a respeito do controle
interno. Por quê? É simples, porque o controle interno não trata de
controle recíproco, de um Poder sobre o outro, pois é um controle dentro
do mesmo Poder.
85)(ESAF/AUDITOR/TCE-GO/2007) Não é da competência exclusiva do
Congresso Nacional
a) sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do
poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa.
b) autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a
paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território
nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os
casos previstos em lei complementar.
c) autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de
processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os
Ministros de Estado.
d) resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos
internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao
patrimônio nacional.
e) aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o
estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas.
Gabarito: “c”
A questão cobra do candidato o conhecimento do art. 49 da CF/88.

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O Congresso Nacional é o órgão legislativo federal, cabendo a ele dispor


sobre todas as matérias de competência da União.
As competências do Congresso estão expressas no art. 48 (em regra,
exercidas mediante lei ordinária ou complementar, com sanção
presidencial) e no art. 49 (exercidas mediante a edição de decreto
legislativo, sem sanção presidencial).
A letra “a” apresenta uma função muito importante do Congresso
Nacional. Importante porque é frequentemente cobrada em concursos.
E observe que trata de um caso de relacionamento entre Executivo x
Legislativo. Portanto, guarde o teor do art. 49, V, da CF/88, segundo o
qual compete ao Congresso Nacional “sustar os atos normativos do
Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de
delegação legislativa”.
A letra “b” está correta, por reproduzir o teor do inciso II do art. 49 da
CF/88.
A letra “c” está errada. Com efeito, de acordo com o art. 51, I, compete
à Câmara dos Deputados autorizar, por dois terços de seus membros, a
instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da
República e os Ministros de Estado.
A letra “d” reproduz corretamente o art. 49, I. É competência do
Congresso Nacional resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou
atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos
ao patrimônio nacional.
A letra “e” está correta e de acordo com o art. 49, IV, da CF/88. Observe
que a manifestação do Congresso é necessária na intervenção federal,
no estado de defesa e no estado de sítio. Mas observe que nesse último
caso (estado de sítio) ela deve ser antes da execução da medida. Nos
casos de estado de defesa e intervenção federal a atuação do
Congresso Nacional é posterior, restringindo-se a aprovar (ou reprovar) a
execução da medida.
86)(ESAF/AFC/CGU/2008) Ainda que os Poderes Legislativo e Executivo
detenham prerrogativas de formular e executar políticas públicas,
o Poder Judiciário pode determinar a órgãos estatais inadimplentes
que implementem políticas públicas definidas pela própria
Constituição, cuja omissão possa comprometer a eficácia e a
integridade de direitos sociais e culturais.
Item certo
Fique atento, pois esse assunto está na moda!

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Por terem seus agentes eleitos de forma democrática, compete aos


Poderes Executivo e Legislativo definir e implementar as políticas públicas.
Afinal de contas são os legítimos representantes do povo.
Todavia, decisões recentes do STF vão no sentido de que é possível ao
Poder Judiciário, excepcionalmente, determinar a implementação de
políticas públicas, sempre que os órgãos estatais competentes
descumprirem os encargos político-jurídicos impostos pela Constituição
Federal, comprometendo, com sua injustificada inércia, a concretização
dos direitos sociais.
Um exemplo desse ativismo judicial no Brasil pode ser atribuído àquela
decisão do STF que determinou a aplicação temporária ao setor público,
no que couber, da lei de greve vigente no setor privado. Naquela
ocasião, o STF resolveu que não poderia se abster de reconhecer que,
assim como o controle judicial deve incidir sobre a atividade do
legislador, é possível que a Corte Constitucional atue também nos casos
de inatividade ou omissão do Legislativo.
Em diversos outros julgados, o STF tem determinado ao Poder Público que
adote, de imediato, políticas públicas concretizadoras de direitos sociais,
especialmente relacionados à saúde (fornecimento de medicação a
portadores de vírus HIV, por exemplo) e à educação (garantia de
matrícula em escola pública, independentemente da existência de
vaga, por exemplo).
87)(ESAF/PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2007) O decreto
autônomo, isto é, o decreto de perfil não regulamentar, cujo
fundamento de validade repousa diretamente na Constituição,
não é admitido pela ordem constitucional em vigor.
Item errado.
Tenha em mente que até a EC n° 32/2001 nossa Constituição autorizava
ao Presidente da República a edição de decretos regulamentares,
apenas (art. 84, IV).
Com a aprovação da referida emenda, o chefe do Poder Executivo
passa a ter a competência para a edição dos chamados decretos
autônomos, nas seguintes hipóteses (art. 84, VI):
I - organização e funcionamento da administração federal, quando não
implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos
públicos;
II - extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos.

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Ou seja, hoje, o chamado decreto autônomo (atos primários,


diretamente hauridos no texto da Constituição) está expressamente
autorizado, mas apenas nessas situações restritas explicitadas no inciso VI
do art. 84 do texto constitucional.
88)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) Considerando o
contexto da independência do Poder Legislativo, é norma de
repetição obrigatória nas Constituições Estaduais o
reconhecimento às Assembléias Legislativas do poder de
determinar a exoneração de Secretário de Estado.
Item errado.
Na esfera federal, os Ministros de Estado são de livre nomeação e
exoneração pelo Presidente da República (sem nenhuma ingerência do
Legislativo federal). Logo, no âmbito estadual, por força do princípio da
simetria, que informa o federalismo cooperativo, os cargos de Secretário
de Estado também são de livre nomeação e exoneração pelo
Governador (sem nenhuma ingerência do Legislativo estadual).
Enfim, por respeito ao princípio da separação dos poderes, não se pode
atribuir à Assembléia Legislativa o poder de exonerar os Secretários de
Estado.
Evidentemente, essa mesma regra vale para os Secretários Municipais,
que também são de livre nomeação e exoneração pelo Prefeito.
89)(ESAF/ANALISTA CONTÁBIL-FINANCEIRO/SEFAZ-CE/2006) A lei
delegada será elaborada pelo Presidente da República, em razão
de delegação do Congresso Nacional. Editada a norma, com
extrapolação de seus limites, resta ao Poder Legislativo suscitar a
inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal, haja
vista não mais possuir competência para sustar o ato normativo.
Item errado.
Na situação hipotética apresentada na assertiva, pode, sim, o Congresso
Nacional sustar a lei delegada que extrapole os limites da delegação.
Com efeito, estabelece a Constituição Federal que é da competência
exclusiva do Congresso Nacional sustar os atos normativos do Poder
Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de
delegação legislativa (art. 49, V).
Quer ver uma questão difícil sobre esse assunto? Imagine que o TSE, ao
regulamentar certa lei eleitoral, emita um ato administrativo de caráter
normativo extrapolando os seus limites e atingindo reserva de lei. Poderia

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o Congresso Nacional sustar esse ato do TSE diretamente, com base no


art. 49, V, da CF/88?
Não, não poderia.
Anote-se que tal competência é restrita à sustação de atos do Poder
Executivo que exorbitem do poder regulamentar (art. 84, IV) ou dos
limites de delegação legislativa para elaboração de lei delegada (art.
68, § 2º), não contemplando a sustação de atos da competência do
Judiciário, do Ministério Público ou do Tribunal de Contas da União.
Restaria ao Congresso, nessa situação hipotética, acionar o Poder
Judiciário, a fim de ver declarada a suposta ilegalidade do ato do TSE.
Ademais, entende a doutrina que essa competência do Congresso
Nacional, por possuir conteúdo de alcance externo, deverá ser exercida
mediante a expedição de decreto legislativo, e não mediante resolução.
Observe que no exercício dessa função do Congresso exerce uma forma
de controle de constitucionalidade político (ou não jurisdicional).
Guarde, ainda, a seguinte informação: esse ato do Congresso que susta
o ato normativo ou a lei delegada pode ser questionado no Supremo por
meio de ADIN.
90)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2006) Consolidou-se o
entendimento de que matéria que, no âmbito federal, está sujeita
à legislação ordinária sob reserva de iniciativa do Presidente da
República não pode ser regulada em Constituição Estadual.
Item certo.
A Constituição Federal prevê um rol de matérias cuja iniciativa de lei é
privativa do Presidente da República (art. 61, §1°).
Evidentemente, esse comando restringe a atuação do legislador
ordinário, não alcançando o poder constituinte originário ou derivado
reformador da Constituição Federal. Ou seja, não pode uma lei que
concede remuneração para servidores, por exemplo, ser de iniciativa de
um parlamentar, pois esse assunto é tema de iniciativa privativa do
Presidente da República. Entretanto, uma emenda constitucional sobre
esses assuntos pode ser aprovada mesmo que o Presidente não seja o
iniciador.
Pois bem, o que às vezes não se sabe é que o Supremo entende que os
assuntos de iniciativa privativa do chefe do Executivo não podem
integrar a Constituição Estadual, sob pena de desrespeito ao princípio da
separação dos poderes. Em outras palavras, a iniciativa privativa do

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Presidente da República é uma limitação ao poder constituinte derivado


decorrente.
Observe como esse assunto tem estreita relação com a independência e
harmonia entre os poderes e com o próprio sistema de freios e
contrapesos!
Se você ainda não “captou o espírito” do que estamos querendo dizer,
veja o caso do processo legislativo. Se você observar com cuidado,
poderá verificar como todo o processo é regido por relações de
independência, controle e harmonia entre os Poderes.

1 – A elaboração de leis é função 5 – Aprovado o projeto no Congresso,


precípua do Poder Legislativo ele volta ao Presidente, que poderá
vetá-lo

2 – Entretanto, há assuntos que são


de iniciativa privativa do Presidente 6 – Caso ocorra o veto, poderá ele ser
d R úbli superado pelo voto dos parlamentares

3 – Quanto a esses assuntos, o


Congresso não pode iniciar o 7 – Superado o veto, o projeto ainda
processo legislativo sob pena de vai ao Presidente para promulgação,
inconstitucionalidade por vício de que, entretanto, não é obrigatória
iniciativa

8 – O Congresso não fica dependente


da promulgação do Presidente, pois
4 – Mas, os parlamentares podem
caso ele não o faça, a competência
emendar esses projetos de lei (desde
passa ao Presidente do Senado.
que as emendas não aumentem
despesa e sejam pertinentes ao
tema do projeto original)

9 – Por fim, depois de elaborada


a lei, poderá o Judiciário
declará-la inconstitucional

91)(ESAF/PROCURADOR/BACEN/2001) No sistema de separação de


poderes vigente entre nós, não se admite caso de edição, por
órgão do Judiciário, de normas estabelecendo direitos e
obrigações.
Item errado.
Como visto diversas vezes, atualmente, entende-se que o princípio da
separação dos poderes não implica exercício exclusivo das funções de

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governo. Assim, pode o Poder Judiciário legislar de forma atípica. É o que


ocorre, por exemplo, com a edição dos regimentos dos tribunais.
92)(ESAF/TFC/CGU/2008) Compete privativamente ao Senado Federal
proceder à tomada de contas do Presidente da República,
quando não apresentadas ao Congresso Nacional dentro de
sessenta dias após abertura da sessão legislativa.
Item errado.
Vimos que é da competência do Congresso o julgamento das contas do
Presidente, com base em parecer prévio emitido pelo Tribunal de Contas
da União.
E caso o Presidente da República não preste as contas? É o Senado
quem tem competência para a tomada de contas?
A resposta é não. Nos termos do art. 51, II, da CF/88, compete à Câmara
dos Deputados proceder à tomada de contas do Presidente da
República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional dentro de
sessenta dias após a abertura da sessão legislativa.
93)(ESAF/PGFN/2007) Diante de ato normativo do Poder Executivo,
que exorbite do poder regulamentar, compete exclusivamente ao
Congresso Nacional emendar o ato, a fim de enquadrá-lo aos
limites da delegação legislativa.
Item errado.
Não faça confusão! O ato normativo do Poder Executivo que extrapole
os limites do poder regulamentar deve ser sustado pelo Congresso
nacional, nos termos do art. 49, V, da Carta da República.
94)(ESAF/PROCURADOR/DF/2004) Ao Poder Legislativo é conferida a
atribuição para sustar os atos normativos do Poder Executivo,
podendo inclusive, essa função fiscalizadora, recair sobre os
decretos que não exorbitarem da função regulamentar.
Item errado.
Viu como esse aspecto é importante? Sempre é cobrado nas provas da
ESAF!
Bom, o Congresso Nacional pode sustar os atos do Poder Executivo que
exorbitem do poder regulamentar, no exercício do controle de
constitucionalidade.
Caso fosse atribuída ao Congresso competência para sustar
indistintamente quaisquer atos do Poder Executivo, haveria um
desrespeito à separação e independência entre os poderes.

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95)(ESAF/PROCURADOR/DF/2004) A Constituição de Estado-membro


pode atribuir competência ao Governador para dispor, mediante
decreto, sobre organização e funcionamento da administração
estadual, quando não implicar aumento de despesa nem criação
ou extinção de órgãos públicos, não havendo ilegalidade ou
inconstitucionalidade se tal decreto revogar lei anterior em sentido
contrário.
Item certo.
Como dito, estabelece a Constituição que compete privativamente ao
Presidente da República dispor, mediante decreto, sobre (art. 84, VI):
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não
implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos
públicos;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos.
Trata-se da competência excepcional outorgada ao Presidente da
República para a expedição do chamado decreto autônomo, desde
que no trato dessas específicas matérias enumeradas.
Essa competência, por força do federalismo, é automaticamente
estendida aos Governadores dos Estados e do Distrito Federal e aos
Prefeitos, que poderão, nas respectivas esferas, disciplinar as referidas
matérias por meio de decreto autônomo.
A parte final diz que não haverá ilegalidade ou inconstitucionalidade se
o decreto autônomo revogar lei anterior em sentido contrário, o que está
correto. Com efeito, uma lei ordinária que trata da organização e
funcionamento da administração estadual pode ser revogada por um
decreto autônomo do Governador, desde que não ocorra aumento de
despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos. Isso porque o
decreto autônomo tem força lei, e, como tal, pode revogar lei anterior
em sentido contrário.
Vale lembrar que o Presidente da República poderá delegar essa
atribuição aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou
ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas
respectivas delegações (CF, art. 84, parágrafo único).
Da mesma forma, fazendo-se a devida adequação, temos que o
Governador de Estado poderá delegar essa atribuição aos Secretários
de Estado, ao Procurador-Geral de Justiça e ao Advogado-Geral do
Estado, e o Prefeito poderá delegar aos Secretários Municipais e ao
Advogado-geral do Município (nos Municípios não há que se falar em

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delegação ao chefe do Ministério Público, pois não temos esse órgão no


âmbito municipal).
96) (ESAF/PROCURADOR/DF/2004) Lei cujo projeto tenha sido de
iniciativa parlamentar pode prever eleições diretas, com
participação da comunidade escolar, para os cargos de direção
das instituições públicas de ensino.
Item errado.
Os cargos de direção das instituições públicas de ensino são cargos em
comissão, providos mediante livre nomeação e exoneração do chefe do
Poder Executivo.
Assim, o STF já decidiu que fere a separação dos poderes o Poder
Legislativo decidir outra forma de provimento desses cargos (ADI 123, Rel.
Min. Carlos Velloso, julgamento em 03/02/1997, DJ 12-09-1997).
Foi o caso do Estado de Santa Catarina, em que a Constituição Estadual
previa eleição direta para escolha de dirigentes das instituições de
ensino. Naquela ocasião o STF julgou inconstitucional tal dispositivo.
97)(ESAF/PROCURADOR/DF/2004) O Poder Legislativo está autorizado
a aprovar lei em cujos dispositivos se declarem nulas e de
nenhuma eficácia, por serem inconstitucionais, outras leis de sua
autoria.
Item errado.
Nosso ordenamento jurídico não admite a declaração de
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo com força de lei por meio
de lei ou ato normativo posterior.
Ou seja, essa competência de retirar uma lei do mundo jurídico é
exclusiva do Poder Judiciário.
Veremos com mais detalhes em aula seguinte que o Poder Legislativo
exerce controle de constitucionalidade, mas nas seguintes hipóteses:
a) por meio da atuação da Comissão de Constituição e Justiça (que
opina sobre a constitucionalidade das proposições legislativas);
b) por meio do veto legislativo (art. 49, V); e
c) por meio da apreciação das medidas provisórias.
98)(ESAF/ANALISTA/CVM/2001) Cabe ao Congresso Nacional, e não
ao Tribunal de Contas da União, julgar anualmente as contas
prestadas pelo Presidente da República.
Item certo.

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Como já comentado, o controle externo da administração pública é


função do Congresso Nacional. No exercício dessa competência, o
Parlamento é auxiliado pelo TCU.
Nem por isso há uma relação de subordinação e dependência entre
eles, visto que o TCU detém e exerce funções de controle, as quais lhe
são próprias e privativas.
Compete ao Tribunal de Contas da União julgar as contas dos
administradores públicos em geral, nos termos do art. 71, II da CF/88.
Mas, no caso das contas do Presidente da República, a função o TCU
restringe-se na sua apreciação e emissão de parecer prévio opinativo.
Isso porque é competência exclusiva do Congresso Nacional o
julgamento anual das contas do Presidente da República (art. 49, IX).
99) (ESAF/PFN/2004) Cabe exclusivamente ao Poder Executivo e ao
Poder Legislativo a análise dos pressupostos da urgência e da
relevância das medidas provisórias.
Item errado.
Foi objeto de grande controvérsia na doutrina a possibilidade de o Poder
Legislativo e o Poder Judiciário apreciarem os critérios de urgência e
relevância situados no âmbito da discricionariedade do chefe do Poder
Executivo para a expedição de medidas provisórias.
O STF firmou entendimento de que esses critérios têm caráter político,
estando no âmbito de controle do Poder Executivo (na edição) e do
Poder Legislativo (na apreciação).
Todavia, o Poder Judiciário pode, excepcionalmente, diante de abuso
do Presidente da República, examinar a presença desses pressupostos.
Esse o entendimento do STF sobre a matéria, de permitir o excepcional
controle judicial dos pressupostos de urgência e relevância para a
edição de medida provisória, sempre que caracterizado abuso do
Presidente da República.
Em concurso público, o candidato deve tomar cuidado com o
enunciado da questão, pois se é certo que o Poder Judiciário pode,
excepcionalmente, apreciar os pressupostos de urgência e relevância
para edição de medida provisória, é também certo simplesmente
afirmar-se que o Poder Judiciário pode apreciar esses pressupostos (sem
menção ao caráter de excepcionalidade). Certo?

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Ora, se o Poder Judiciário pode apreciá-los excepcionalmente, é porque


pode apreciá-los (não há necessidade de o enunciado referir-se,
expressamente, ao “excepcionalmente”).
100) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Assinale a opção correta.
a) É constitucionalmente ilegítimo o projeto de lei sobre matéria da
iniciativa exclusiva do Presidente da República que foi proposto por
grupo de parlamentares no Congresso Nacional, mesmo que a lei
tenha sido sancionada pelo Chefe do Executivo.
b) Num projeto de lei do Chefe do Executivo que concede
gratificação a certa categoria de servidores da Administração
Pública Direta, é legítima a emenda parlamentar que estende a
vantagem a outras categorias do serviço público, que estejam sob as
mesmas condições da beneficiada inicialmente, sob o fundamento
da isonomia.
c) Não há impedimento a que, num projeto de lei, fixando novos
vencimentos para certa carreira do serviço público, encaminhado
pelo Presidente da República ao Congresso Nacional, seja aprovada
emenda parlamentar sobre tema diverso, modificando regras sobre
promoção de militares.
d) A Constituição veda a apresentação de emendas parlamentares
a projeto de lei de iniciativa popular.
e) As regras básicas do processo legislativo federal referentes a
reserva de iniciativa são facultativamente seguidas pelos Estados-
membros.
Gabarito: “a”
A assertiva “a” está certa porque se a matéria é de iniciativa exclusiva
do Presidente da República, não podem os parlamentares apresentar
projeto de lei sobre ela, sob pena de inconstitucionalidade, ainda que o
Presidente da República posteriormente sancione o projeto resultante
dessa iniciativa viciada. Isso porque, segundo a jurisprudência do STF, a
sanção do chefe do Executivo não convalida o vício verificado na
iniciativa.
Logo, se houver vício na iniciativa, ainda que o Presidente da República
posteriormente sancione o projeto de lei resultante, esse ato de sanção
não convalidará o vício verificado na iniciativa, isto é, a lei resultante será
inconstitucional, e sua invalidade poderá ser arguida a qualquer
momento perante o Poder Judiciário.

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A assertiva “b” está errada porque essa emenda parlamentar, que


estende vantagem a outras categorias do serviço público, é
inconstitucional, por implicar aumento de despesa em projeto de lei de
iniciativa privativa do chefe do Executivo (art. 61, § 1º, II, a). Nem mesmo
a sanção presidencial terá o condão de sanar o vício de emenda.
A assertiva “c” está errada porque a emenda parlamentar estaria
tratando de tema diverso daquele apresentado pelo chefe do Executivo
e, como vimos, a emenda parlamentar a projeto de lei de iniciativa
privativa do chefe do Executivo deve guardar pertinência temática com
a matéria apresentada no projeto de lei.
A assertiva “d” está errada porque não há nenhuma proibição à
apresentação de emenda parlamentar a projeto de lei resultante de
iniciativa popular (art. 61, § 2º).
Aliás, vale lembrar que o projeto de lei resultante de iniciativa popular
será apresentado à Câmara dos Deputados e, daí por diante, seguirá o
trâmite de projeto de lei apresentado por qualquer outro legitimado
(discussão e votação, apresentação de emendas, envio para sanção ou
veto do chefe do Executivo etc.).
A assertiva “e” está errada porque, segundo a jurisprudência do STF, as
regras básicas do processo legislativo federal são de observância
obrigatória pelos estados-membros, inclusive no tocante à iniciativa de
lei.
Assim, as matérias que na esfera federal são de iniciativa privativa do
Presidente da República (art. 61, § 1º, e art. 165) são, no âmbito estadual,
de iniciativa privativa do Governador.
Sobre isso guarde aquele detalhe mais importante, por nós estudado
anteriormente: aquelas matérias que por reprodução do processo
legislativo federal sejam de iniciativa privativa do Governador, não
podem ser tratadas nem mesmo na Constituição Estadual.
101) (ESAF/AFC/CGU/2006 - adaptada) Os membros do Conselho
Nacional de Justiça serão nomeados pelo Presidente do Supremo
Tribunal Federal, depois de aprovada a escolha pela maioria
absoluta do Senado Federal.
Item errado.
Os membros do CNJ são nomeados pelo Presidente da República após
aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. Não
efetuadas as indicações no prazo legal, caberá ao STF fazê-las.

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O CNJ é um assunto relevante tendo em vista que foi criado pela EC n°


45/2004 e a ESAF adora questões sobre essa reforma do judiciário.
Observe ainda que a constitucionalidade da criação do CNJ foi
questionada no STF, quanto ao fato de estar ferindo o princípio da
separação dos Poderes e o princípio federativo.
O Tribunal entendeu que o CNJ configura órgão administrativo interno ao
Judiciário, tendo sua composição majoritariamente formada por
membros desse Poder. Ademais, suas decisões estariam sujeitas ao
controle jurisdicional do Supremo Tribunal Federal, órgão ao qual se
subordina. Por esse motivo, o CNJ não exerce nenhum poder sobre o STF,
nem sobre seus ministros.
Diante disso, o STF considerou constitucional a criação do CNJ, não
havendo, segundo o Tribunal, nenhuma ofensa à separação dos
Poderes.
Outro aspecto ressaltado pelo STF foi o caráter nacional do CNJ, assim
como o Poder Judiciário como um todo, não havendo como se alegar
prejuízo à Federação.
Outros detalhes sobre o CNJ.
Primeiro, os membros do CNJ são julgados pelo Senado Federal nos
crimes de responsabilidade (art. 52, II).
Quanto aos crimes comuns, não há foro especial por desempenho de
função no CNJ. Seus membros continuam sendo julgados no foro anterior
ao seu ingresso no CNJ. Por exemplo, se o membro é um juiz federal,
continua sendo julgado pelo TRF correspondente; mas, o cidadão
comum, membro do CNJ, continua sendo julgado pela justiça comum.
Outro aspecto: o CNJ dispõe de poder normativo para editar atos
normativos com força de lei nas matérias de sua competência privativa
(indicadas no art. 103-B, §4°, da CF/88).
Tenha em mente, ainda, que o CNJ dispõe de competência
administrativa, e não jurisdicional. É dizer, está ERRADO dizer que ao CNJ
foi atribuída jurisdição nacional. Nesse sentido, por exemplo, a quebra
dos sigilos fiscal, telefônico e bancário não está ao alcance desse
Conselho.
Por fim, lembre-se que compete ao STF julgar as ações instauradas contra
o CNJ (art. 102, I, “r”).
102) (ESAF/OFICIAL/MRE/2002) O princípio da independência dos
poderes, como adotado pela Constituição Federal, é incompatível
com o julgamento de membro do Judiciário pelo Poder Legislativo.

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Item errado.
A independência entre os Poderes não obsta o julgamento de um
membro do Judiciário pelo Legislativo. Esse á um dos aspectos do
controle recíproco, proporcionado pelo sistema de freios e contrapesos.
Compete ao Senado Federal processar e julgar os Ministros do Supremo
Tribunal Federal e os membros do Conselho Nacional de Justiça nos
crimes de responsabilidade (CF, art. 52).
Essa competência mostra duas vertentes da relação entre os Poderes:
I – é um caso de controle de um Poder por outro, sem prejuízo da
independência entre eles; e
II – mostra que não há exclusividade no exercício das funções do poder
estatal, visto que se trata de caso de exercício da função jurisdicional
pelo Poder Legislativo.
103) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) Diversamente do
que ocorre no presidencialismo, no sistema parlamentarista o
chamado referendo ministerial tem o valor de sustentar a validade
do ato praticado pelo Chefe de Estado.
Item certo.
Esse assunto não é pacificado na doutrina.
Mas, de se observar que a Esaf respaldou a posição que, a nosso ver, é
dominante, sendo defendida, por exemplo, pelo prof. José Afonso da
Silva.
Segundo essa linha doutrinária, não é condição de validade do ato
presidencial a referenda ministerial, ou seja, a chancela dada aos atos
do Presidente da República pelo ministro da pasta correspondente.
José Afonso registra que os ministros de Estado têm importância maior no
parlamentarismo, em que eles efetivamente exercem o comando das
funções de governo. Ao contrário, no presidencialismo, os ministros não
passam de meros auxiliares do Presidente da República.
Continua o respeitado professor afirmando que o referendo ministerial é
de pouca importância no sistema presidencialista, já que não interfere
na validade do ato. Ou seja, se o ministro não assina o ato, nem por isso
ele deixa de valer ou ter eficácia.
104) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2006) Suponha que o
Congresso Nacional aprove lei, de iniciativa de Deputado Federal,
que reduz alíquota do Imposto de Renda de Pessoas Físicas. O

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Presidente da República sanciona o projeto. Mais tarde, percebe


que a lei é ruinosa e ouve seus conselheiros jurídicos que lhe dizem:
1. Houve vício de iniciativa na elaboração da lei.
2. O Presidente da República não pode provocar o Supremo Tribunal
Federal a exercer o controle de constitucionalidade sobre a lei, porque
sancionou o projeto.
3. O Presidente da República pode, desde que se atenha ao prazo de
veto de que dispõe constitucionalmente, voltar atrás na sanção e vetar
o projeto.
4. Tendo o Presidente da República sancionado a lei, toda discussão
sobre eventual invasão da sua iniciativa privativa fica prejudicada, já
que, qualquer que seja o caso, a sanção supre o vício de iniciativa.
Assinale a opção correta.
a) Todas as afirmações estão corretas.
b) Apenas uma das afirmações está correta.
c) Apenas duas das afirmações estão corretas.
d) Apenas três das afirmações estão corretas.
e) Nenhuma das afirmações está correta.
Gabarito: “e”
Examinemos, separadamente, as afirmações dos conselheiros jurídicos do
Presidente da República.
A afirmação nº 1 está errada, porque matéria tributária não é de
iniciativa privativa do Presidente da República, podendo os membros do
Legislativo apresentar projeto de lei de conteúdo tributário, como na
hipótese dada, para reduzir a alíquota do imposto de renda. Há muito, o
STF firmou entendimento de que matéria tributária, nas três esferas de
governo, não é de iniciativa privativa do chefe do Executivo.
A afirmação nº 2 está errada, porque o fato de o Presidente da
República ter sancionado o projeto de lei não lhe retira a legitimidade
para, ulteriormente, impugnar a respectiva lei. Nada impede que ele
sancione o projeto hoje e, posteriormente, impugne perante o Poder
Judiciário a lei resultante, mediante a propositura de uma ADI perante o
STF, por exemplo.
A afirmação nº 3 está errada, porque o veto e a sanção a projeto de lei
são atos irretratáveis, isto é, que não admitem desistência. Não pode o
Presidente da República sancionar o projeto de lei e, ulteriormente,

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manifestar sua desistência quanto a esse ato, com o fim de vetar


expressamente o projeto. Da mesma forma, não pode o chefe do
Executivo vetar o projeto de lei e, posteriormente, desistir desse ato, para
o fim de considerar o projeto sancionado.
A afirmação nº 4 está errada porque, segundo a atual jurisprudência do
STF, a sanção a projeto de lei não supre o vício verificado na iniciativa. Se
houve vício no momento da iniciativa, ainda que o chefe do Executivo
sancione expressamente o projeto resultante, esse ato não suprirá o tal
vício de iniciativa. Significa dizer que, mesmo com a sanção ao projeto, a
lei resultante nascerá com o vício da inconstitucionalidade, que poderá,
pelas vias próprias, ser posteriormente requerida ao Poder Judiciário.
Cabe repisar, apenas, que na situação acima apresentada pela Esaf
não houve vício de iniciativa, haja vista que os membros do Congresso
Nacional – deputados e senadores - podem apresentar projeto de lei
sobre matéria tributária.
Portanto, a resposta CERTA é a assertiva “e”, pois, conforme comentado
acima, nenhuma das afirmações dos conselheiros do Presidente da
República está correta.
105) (ESAF/PFN/2006) O princípio da separação dos poderes impede
que o Ministério Público investigue fatos que possam consistir em
crimes contra a ordem tributária, antes de que a investigação,
com igual objeto, por parte da Receita Federal, esteja concluída.
Item errado.
Muito boa essa questão, e tem tudo a ver com concurso da área fiscal!
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil que, no exercício de suas
atribuições, deparar-se com a suposta prática de crime contra a ordem
tributária, definido na Lei nº 8.137/90, deverá, observando procedimento
administrativo próprio, elaborar a chamada “Representação Fiscal para
Fins Penais”, com vistas a instruir futura e eventual persecução criminal
instaurada contra o infrator. Entretanto, essa representação só terá o
devido seguimento (encaminhamento ao Ministério Público) após o
esgotamento do processo administrativo tributário, caso instaurado.
Enfim, a atuação do AFRFB, no tocante à representação fiscal para fins
penais, está condicionada ao esgotamento da via administrativa.
Entretanto, segundo o STF, essa condição – exigência do esgotamento
do processo administrativo tributário – não se aplica ao membro do
Ministério Público, que poderá instaurar a persecução criminal
independentemente da conclusão do respectivo processo administrativo
tributário.

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106) (ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/1999) A deliberação do


Congresso Nacional que suspende a eficácia de ato regulamentar
do Poder Executivo é insuscetível de controle judicial.
Item errado.
Como você já aprendeu, o ato do Congresso Nacional no exercício da
competência de sustar atos (que exorbitem do poder regulamentar) ou
lei delegada (que exorbite dos limites da delegação) pode ser objeto de
controle de constitucionalidade judicial.
107) (ESAF/AFC/2000) O Supremo Tribunal Federal pode declarar
inconstitucional uma medida provisória, por considerar não
preenchidos os pressupostos formais da relevância e urgência para
a sua edição.
Item certo.
Conforme visto anteriormente, embora a regra seja a apreciação dos
pressupostos de urgência e relevância para edição de medida provisória
ficar a cargo do Chefe do Poder Executivo (ao editá-la) e das Casas do
Poder Legislativo (ao apreciá-la), o Poder Judiciário também poderá
examiná-los, para o fim de declarar a inconstitucionalidade da medida
provisória na hipótese do desatendimento desses pressupostos.
Assim, segundo a jurisprudência do STF, o Poder Judiciário dispõe de
competência para apreciar a presença, ou não, dos pressupostos
constitucionais de urgência e relevância para a adoção de medida
provisória.
Esse controle poderá ser efetivado na via incidental (diante de casos
concretos a ele submetidos) ou pela via abstrata (por iniciativa de um
dos legitimados pelo art. 103 da Constituição Federal, mediante a
propositura de ação direta de inconstitucionalidade, por exemplo).
Vale lembrar que, segundo recente jurisprudência do STF, a conversão
em lei da medida provisória não prejudica o controle de
constitucionalidade dos pressupostos formais para a sua edição.
108) (ESAF/AFC/STN/2008) Os Ministros do Supremo Tribunal Federal
serão nomeados pelo Presidente da República, entre cidadãos
com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de
idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada depois de
aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal,
entre advogados, promotores de justiça e membros do Poder
Judiciário.
Item errado.

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Vamos encerrar nossa aula de hoje com essa questão, que também
trata de separação e independência entre os poderes.
Há algumas semanas houve celeuma acerca da escolha do novo
Ministro para o Supremo. A polêmica não importa para você, que deve
estar focado na sua prova! Mas, com isso, você já deve ter ficado
sabendo pela própria imprensa como se dá a indicação desses
magistrados.
Esse assunto é disciplinado na CF/88 em seu art. 101:
“O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos
dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco
anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada.
Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão
nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha
pela maioria absoluta do Senado Federal.
É isso aí.
Observe que não há necessidade de que a escolha se dê dentre
advogados, promotores de justiça e membros do Poder Judiciário. Daí o
erro da questão.
Aliás, ao contrário do que muita gente pensa, se considerada apenas a
literalidade do texto constitucional, não precisa ter diploma em Direito
para se tornar um Ministro do STF! Nem para dar aulas de direito
constitucional... rs
Bom, leve esse conhecimento para sua prova.
Para te ajudar a memorizar, observe que nenhum de nós dois, que
estamos ministrando esse curso, possui (ainda) o diploma de graduação
em Direito. Mas, como você aprendeu, esse aspecto não seria impeditivo
para sermos indicados para Ministros do Supremo Tribunal Federal, veja
só! ...rs
(Texto do Fred) Outro detalhe: veja que o texto constitucional exige,
porém, idade mínima para o cargo de Ministro do STF. Por isso, só um de
nós (Vicente) preenche esse requisito, pois já acumula bem mais do que
os 35 anos exigidos pela Constituição!...rs
(Texto do Vicente) Pois é, o Fred não pode, hoje, ser nomeado Ministro
do STF, devido ao critério da idade mínima. Ademais, talvez o Fred nunca
possa ser Ministro do STF, pois ouvi dizer que estão pensando em alterar a
Constituição Federal para acrescentar mais um requisito para ser Ministro
de nossa Suprema Corte, que é a altura mínima – e, posso estar errado,
mas acredito que o Fred não crescerá mais nesta vida!...rs

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Um grande abraço e bons estudos!


Vicente Paulo e Frederico Dias

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RELAÇÃO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA


1) (ESAF/Auditor-Fiscal da Receita Estadual – Ceará/2007) As normas
constitucionais de eficácia contida são aquelas que apresentam
aplicabilidade reduzida, haja vista necessitarem de norma ulterior
para que sejam aplicadas.
2) (ESAF/Auditor-Fiscal da Receita Estadual – Ceará/2007) As normas
constitucionais de eficácia limitada estreitam-se com o princípio da
reserva legal, haja vista regularem interesses relativos à
determinada matéria, possibilitando a restrição por parte do
legislador derivado.
3) (ESAF/Auditor-Fiscal da Receita Estadual – Ceará/2007) O
condicionamento da aplicação de direitos e garantias
fundamentais à preexistência de lei, não retira o poder normativo
do dispositivo constitucional, haja vista impor ao legislador e ao
aplicador da norma limites de atuação.
4) (ESAF/Auditor-Fiscal da Receita Estadual – Ceará/2007) Caberá
mandado de injunção sempre que a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício de direitos e liberdades
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à
soberania e à cidadania. Logo, poderá ser impetrado o remédio
constitucional para sanar a omissão de norma de eficácia contida.
5) (ESAF/Auditor-Fiscal da Receita Estadual – Ceará/2007) As normas
definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação
imediata e eficácia plena.
6) (ESAF/EPPGG/MPOG/2009) São constitucionais as normas que
dizem respeito aos limites, e atribuições respectivas dos poderes
políticos, e aos direitos fundamentais. As demais disposições que
estejam na Constituição podem ser alteradas pelo quórum exigido
para a aprovação das leis ordinárias.
7) (ESAF/EPPGG/MPOG/2009) A constituição material é o peculiar
modo de existir do Estado, reduzido, sob a forma escrita, a um
documento solenemente estabelecido pelo poder constituinte e
somente modificável por processos e formalidades especiais nela
própria estabelecidos.
8) (ESAF/EPPGG/MPOG/2009) A constituição formal designa as
normas escritas ou costumeiras, inseridas ou não num documento
escrito, que regulam a estrutura do Estado, a organização dos seus
órgãos e os direitos fundamentais.

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9) (ESAF/EPPGG/MPOG/2009) A Constituição contém normas


fundamentais da ordenação estatal que servem para regular os
princípios básicos relativos ao território, à população, ao governo,
à finalidade do Estado e suas relações recíprocas.
10)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) As normas
programáticas não são auto-aplicáveis porque retratam apenas
diretrizes políticas que devem ser alcançadas pelo Estado Brasileiro,
não possuindo caráter vinculante imediato.
11)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) As normas
definidoras de direitos e garantias fundamentais são consideradas
normas de aplicação mediata, embora direta e potencialmente
não integral.
12)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) É auto-aplicável a
norma constitucional que prevê que a atividade jurisdicional será
ininterrupta, sendo vedadas férias coletivas nos juízos e tribunais de
segundo grau, funcionando, nos dias em que não houver
expediente forense normal, juízes em plantão permanente.
13)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) A norma
constitucional que prevê que a lei só poderá restringir a
publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade
ou o interesse social o exigirem é de eficácia limitada.
14)(ESAF/EPPGG/MPOG/2009) Sob o ponto de vista jurídico, a
supremacia da Constituição sob os aspectos formal e material se
apóia na regra da rigidez decorrente da maior dificuldade para
modificação da Constituição do que para a alteração das demais
normas jurídicas.
15)(ESAF/APO/MPOG/2005) Uma norma constitucional que possua em
seu texto a expressão “na forma da lei”, até a promulgação e
publicação dessa lei, é classificada por José Afonso da Silva,
quanto à sua aplicabilidade, como norma constitucional de
eficácia contida.
16)(ESAF/AFT/2003) Segundo a melhor doutrina, as normas de eficácia
contida são de aplicabilidade direta e imediata, no entanto,
podem ter seu âmbito de aplicação restringido por uma legislação
futura, por outras normas constitucionais ou por conceitos ético-
jurídicos.
17)(ESAF/AFRF/2000) As normas programáticas são, na sua maioria,
normas auto-aplicáveis.

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18)(ESAF/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/TCU/2006) Na aplicação


do princípio da interpretação das leis em conformidade com a
Constituição, o intérprete deve considerar, no ato de
interpretação, o princípio da prevalência da constituição e o
princípio da conservação das normas.
19)(ESAF/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/TCU/2006) Quando o
intérprete, na resolução dos problemas jurídico-constitucionais, dá
primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social
e o reforço da unidade política, pode-se afirmar que, no trabalho
hermenêutico, ele fez uso do princípio da conformidade funcional.
20)(ESAF/AFRF/2003) Somente o Supremo Tribunal Federal – STF está
juridicamente autorizado para interpretar a Constituição.
21)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2006) A interpretação
conforme a Constituição consiste em procurar extrair o significado
de uma norma da Lei Maior a partir do que dispõem as leis
ordinárias que preexistiam a ela.
22)(ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) Segundo a doutrina do
conceito de constituição, decorrente do movimento constitucional
do início do século XIX, deve ser afastado qualquer conteúdo que
se relacione com o princípio de divisão ou separação de poderes,
uma vez que tal matéria não se enquadra entre aquelas que se
referem de forma direta à estrutura do Estado.
23)(ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) De acordo com o
princípio da máxima efetividade ou da eficiência, princípio de
interpretação constitucional, a interpretação de uma norma
constitucional exige a coordenação e combinação dos bens
jurídicos em conflito, de forma a evitar o sacrifício total de uns em
relação a outros.
24)(ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) O princípio de
interpretação conforme a constituição não pode ser aplicado na
avaliação da constitucionalidade de artigo de uma Emenda à
Constituição promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados
e do Senado Federal.
25)(ESAF/AFC/CGU/2006) O princípio de interpretação conforme a
constituição comporta o princípio da prevalência da constituição,
o princípio da conservação de normas e o princípio da exclusão
da interpretação conforme a constituição mas contra legem.

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26)(ESAF/AFC/CGU/2006) A eficácia do método de interpretação


jurídico clássico não é afetada pela estrutura normativo-material
da norma constitucional a serem interpretada.
27)(ESAF/AFC/CGU/2006) No método de interpretação constitucional
tópico-problemático, há prevalência da norma sobre o problema
concreto a ser resolvido.
28)(ESAF/AFC/CGU/2006) O método de interpretação hermenêutico-
concretizador prescinde de uma pré-compreensão da norma a ser
interpretada.
29)(ESAF/AFC/STN/2008) “E preciso, pois, dizer o óbvio: a Constituição
constitui (no sentido fenomenológico-hermenêutico); a
Constituição vincula (não metafisicamente); a Constituição
estabelece as condições do agir político-estatal. Afinal, como bem
assinala Miguel Angel Pérez, uma Constituição democrática é,
antes de tudo, normativa, de onde se extrai duas conclusões: que
a Constituição contém mandatos jurídicos obrigatórios, e que estes
mandatos jurídicos não somente são obrigatórios senão que, muito
mais do que isso, possuem uma especial força de obrigar, uma vez
que a Constituição é a forma suprema de todo o ordenamento
jurídico.” (STRECK, Lenio Luiz, Jurisdição constitucional e
hermenêutica: uma crítica do direito. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense,
2004 , p.287).
Assinale a opção que indica com exatidão os princípios de
hermenêutica constitucional utilizados no texto para sustentar a
aplicabilidade das normas constitucionais.
a) Unidade da Constituição e razoabilidade.
b) Eficácia integradora e lógica do razoável.
c) Harmonização e proporcionalidade.
d) Reserva do possível e conformidade funcional.
e) Máxima efetividade e força normativa da Constituição.
30)(ESAF/AFRF/2000) Normas constitucionais não auto-aplicáveis
somente se tornam normas jurídicas depois de reguladas por lei,
uma vez que, antes disso, não são capazes de produzir efeito
jurídico.
31)(ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) O art. 5º, inciso XXII, da
Constituição Federal de 1988, que estabelece “Art. 5º [...] inciso XXII
– é garantido o direito de propriedade”, é uma norma
constitucional de eficácia contida ou restringível.

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32)(ESAF/APO/MPOG/2005) Quanto à natureza jurídica, a doutrina


mais moderna considera que certas disposições de uma
Constituição, por não possuírem eficácia positiva direta e imediata,
não devem ser classificadas como normas jurídicas, mas como
normas meramente diretivas, de caráter não obrigatório.
33)(ESAF/ADVOGADO/IRB/2006) Uma norma constitucional
classificada quanto à sua aplicabilidade como uma norma
constitucional de eficácia contida não possui como característica
a aplicabilidade imediata.
34)(ESAF/Auditor-Fiscal do Trabalho/2006) Segundo a doutrina mais
atualizada, nem todas as normas constitucionais têm natureza de
norma jurídica, pois algumas não possuem eficácia positiva direta
e imediata.
35)(ESAF/Procurador da Fazenda Nacional/2006) Uma norma
constitucional programática pode servir de paradigma para o
exercício do controle abstrato de constitucionalidade.
36)(ESAF/Procurador da Fazenda Nacional/2006) Normas
constitucionais de eficácia restringida não apresentam eficácia
jurídica alguma senão depois de desenvolvidas pelo legislador
ordinário.
37)(ESAF/AFRF/2001) As normas do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias da Constituição de 1988 não se definem como normas
formalmente constitucionais.
38)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) No caso das
normas constitucionais de eficácia contida, a atividade
integradora do legislador infraconstitucional é vinculada e não
discricionária, ante a necessidade, para fins de auto-execução, de
delimitar o ambiente da sua atuação restritiva.
39)(ESAF/AFC/CGU/2006) Uma norma constitucional de eficácia
contida não possui eficácia plena, no momento da promulgação
do texto constitucional, só adquirindo essa eficácia após a edição
da norma que nela é referida.
40)(ESAF/APOFP/SEFAZ/SP/2009) Assinale a opção correta relativa à
classificação da Constituição Federal de 1988.
a) É costumeira, rígida, analítica.
b) É parcialmente inalterável, outorgada, sintética.
c) É rígida, outorgada, analítica.

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d) É rígida, parcialmente inalterável, promulgada.


e) É flexível, promulgada, analítica.
41)(ESAF/AFC/CGU/2003) Em sua concepção materialista ou
substancial, a Constituição se confundiria com o conteúdo de suas
normas, sendo pacífico na doutrina quais seriam as matérias
consideradas como de conteúdo constitucional e que deveriam
integrar obrigatoriamente o texto positivado.
42)(ESAF/AFC/CGU/2003) Segundo a classificação das Constituições,
adotada por Karl Lowenstein, uma constituição nominativa é um
mero instrumento de formalização legal da intervenção dos
dominadores de fato sobre a comunidade, não tendo a função ou
a pretensão de servir como instrumento limitador do poder real.
43)(ESAF/AFRF/2000) Numa Constituição classificada como dirigente,
não se encontram normas programáticas.
44)(ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) Uma constituição não-
escrita é aquela cujas normas decorrem de costumes e
convenções, não havendo documentos escritos aos quais seja
reconhecida a condição de textos constitucionais.
45)(ESAF/AFCE/TCU/2000) Em relação à supremacia material e formal
das constituições, podemos afirmar:
a) a formal é reconhecida nas constituições flexíveis
b) a material está relacionada à produção de um documento escrito
c) a material tem a ver com o modo como as normas constitucionais
são elaboradas
d) a formal resulta da situação da Constituição no topo da hierarquia
das normas, independentemente da matéria tratada
e) a jurisdição constitucional está concebida para proteger a
supremacia material, mas não a supremacia formal da Constituição
46)(ESAF/EPPGG/MPOG/2009) São classificadas como dogmáticas,
escritas e outorgadas as constituições que se originam de um
órgão constituinte composto por representantes do povo eleitos
para o fim de as elaborar e estabelecer, das quais são exemplos as
Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988.
47)(ESAF/MPOG/ENAP/ADMINISTRADOR/2006) As constituições
classificadas quanto à forma como legais são aquelas
sistematizadas e apresentadas em um texto único.

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48)(ESAF/AFC/CGU/2003) As Constituições outorgadas, sob a ótica


jurídica, decorrem de um ato unilateral de uma vontade política
soberana e, em sentido político, encerram uma limitação ao poder
absoluto que esta vontade detinha antes de promover a outorga
de um texto constitucional.
49)(ESAF/AFC/CGU/2003) Segundo a melhor doutrina, a tendência
constitucional moderna de elaboração de Constituições sintéticas
se deve, entre outras causas, à preocupação de dotar certos
institutos de uma proteção eficaz contra o exercício discricionário
da autoridade governamental.
50)(ESAF/AFC/CGU/2003) Na história do Direito Constitucional
brasileiro, apenas a Constituição de 1824 pode ser classificada,
quanto à estabilidade, como uma constituição semi-rígida.
51)(ESAF/AFC/CGU/2003) A existência de supremacia formal da
Constituição independe da existência de rigidez constitucional.
52)(ESAF/ANALISTA/MPU/2004) Constituições semi-rígidas são as
constituições que possuem um conjunto de normas que não
podem ser alteradas pelo constituinte derivado.
53)(ESAF/ANALISTA/MPU/2004) Constituições populares são aquelas
promulgadas apenas após a ratificação, pelos titulares do poder
constituinte originário, do texto aprovado pelos integrantes da
Assembléia Nacional Constituinte.
54)(ESAF/AFC/2000/ADAPTADA) Apresenta característica típica de
Constituição rígida aquela que
a) somente admite mudanças no seu texto por meio de
procedimentos mais demorados e difíceis do que o procedimento
comum de elaboração das leis.
b) resulta de lenta formação histórica, do lento evoluir das tradições,
sendo por isso mesmo dotada de maior estabilidade, decorrente do
prestígio social das suas prescrições.
c) não consagra direitos fundamentais no seu texto, em razão de ter
sido elaborada sem nenhuma participação popular.
d) não admite a reforma do seu texto por meios institucionais.
e) possui conteúdo abreviado, versando somente sobre matérias
substancialmente constitucionais.
55)(ESAF/GESTOR/MPOG/2002) A Constituição brasileira de 1988 pode
ser classificada como:

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a) Constituição democrática, histórica, programática e analítica.


b) Constituição semi-rígida, promulgada, programática e dogmática.
c) Constituição flexível, sintética, promulgada e democrática.
d) Constituição rígida, promulgada, escrita e programática.
e) Constituição rígida, dogmática, analítica e histórica.
56)(ESAF/AFC/CGU/2006 - MODIFICADA) Sobre Teoria Geral da
Constituição, Poderes do Estado e suas respectivas funções e
Supremacia da Constituição, assinale a única opção correta.
a) Nem toda constituição classificada como dogmática foi elaborada
por um órgão constituinte.
b) Uma constituição rígida não pode ser objeto de emenda.
c) A distinção de conteúdo entre uma norma constitucional em
sentido formal e uma norma constitucional em sentido material tem
reflexos sobre a aplicabilidade das normas constitucionais.
d) Uma constituição é classificada como popular, quanto à origem,
quando se origina de um órgão constituinte composto de
representantes do povo.
e) Segundo a doutrina, não há relação entre a rigidez constitucional e
o princípio da supremacia da constituição.
57)(ESAF/Auditor-Fiscal do Trabalho/2006) Na concepção materialista
de Constituição, é dada relevância ao processo de formação das
normas constitucionais, que, além de ser intencional, deve produzir
um conjunto sistemático com unidade, coerência e força jurídica
próprias, dentro do sistema jurídico do Estado.
58)(ESAF/MPOG/ENAP/ADMINISTRADOR/2006) Constituições rígidas
são as que possuem cláusulas pétreas, que não podem ser
abolidas pelo poder constituinte derivado.
59)(ESAF/MPOG/ENAP/ADMINISTRADOR/2006) Segundo a doutrina,
são características das constituições concisas: a menor
estabilidade do arcabouço constitucional e a maior dificuldade de
adaptação do conteúdo constitucional.
60)(ESAF/AFC/STN/2005) Na concepção de constituição em seu
sentido político, formulada por Carl Schmmitt, há uma identidade
entre o conceito de constituição e o conceito de leis
constitucionais, uma vez que é nas leis constitucionais que se
materializa a decisão política fundamental do Estado.

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61)(ESAF/AFTE/RN/2005) A constituição em sentido político pode ser


entendida como a fundamentação lógico-política de validade
das normas constitucionais positivas.
62)(ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) Para Ferdinand
Lassalle, a constituição é dimensionada como decisão global e
fundamental proveniente da unidade política, a qual, por isso
mesmo, pode constantemente interferir no texto formal, pelo que
se torna inconcebível, nesta perspectiva materializante, a idéia de
rigidez de todas as regras.
63)(ESAF/AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/MTE/2003) Para Hans Kelsen,
a norma fundamental, fato imaterial instaurador do processo de
criação das normas positivas, seria a constituição em seu sentido
lógico-jurídico.
64) (ESAF/ENAP/2006) Na concepção sociológica, defendida por
Ferdinand Lassale, a Constituição seria o resultado de uma lenta
formação histórica, do lento evoluir das tradições, dos fatos sócio-
políticos, que se cristalizam como normas fundamentais da
organização de determinado Estado.
65)(ESAF/AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/MTE/2003) A concepção de
constituição, defendida por Konrad Hesse, não tem pontos em
comum com a concepção de constituição defendida por
Ferdinand Lassale, uma vez que, para Konrad Hesse, os fatores
históricos, políticos e sociais presentes na sociedade não
concorrem para a força normativa da constituição.
66)(ESAF/APOFP/SEFAZ/SP/2009) São Poderes do Estado,
independentes e harmônicos entre si, o Ministério Público, o
Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
67) (ESAF/MRE/2004) É característica fundamental do poder político
do Estado ser ele divisível, o que dá origem às três funções que
serão atribuídas a diferentes órgãos.
68) (ESAF/AFT/2006) Segundo a doutrina, "distinção de funções do
poder" e "divisão de poderes" são expressões sinônimas e, no caso
brasileiro, é um dos princípios fundamentais da República
Federativa do Brasil.
69) (ESAF/TRF/2006) Em razão da independência funcional, um dos
elementos essenciais do princípio de separação dos poderes, o
exercício das funções que integram o poder político da União é
exclusivo.

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70) (ESAF/AFC/CGU/2006) O poder político de um Estado é composto


pelas funções legislativa, executiva e judicial e tem por
características essenciais a unicidade, a indivisibilidade ea
indelegabilidade.
71) (ESAF/AFT/2006) O exercício da função jurisdicional, uma das
funções que integram o poder político do Estado, não é exclusivo
do Poder Judiciário.
72)(ESAF/AFRF/2005) A especialização funcional, elemento essencial
do princípio de divisão de poderes, implica o exercício exclusivo
das funções do poder político - legislativa, executiva e judiciária -
pelo órgão ao qual elas foram cometidas no texto constitucional.
73) (ESAF/AFTE/RN/2005) A adoção do princípio de separação de
poderes, inspirado nas lições de Montesquieu e materializado na
atribuição das diferentes funções do poder estatal a órgãos
diferentes, afastou a concepção clássica de que a unidade seria
uma das características fundamentais do poder político.
74)(ESAF/MRE/2004) O exercício de uma das funções do poder
político do Estado por um determinado órgão se dá sob a forma
de exclusividade, com vistas à preservação do equilíbrio no
exercício desse poder.
75) (ESAF/ASSISTENTE TÉCNICO-ADMINISTRATIVO/MINISTÉRIO DA
FAZENDA/2009) A limitação do poder estatal foi um dos grandes
desideratos do liberalismo, o qual exalta a garantia dos direitos do
homem como razão de ser do Estado.
76)(ESAF/ASSISTENTE TÉCNICO-ADMINISTRATIVO/MINISTÉRIO DA
FAZENDA/2009) A divisão do poder, segundo o critério geográfico,
é a descentralização, e a divisão funcional do poder é a base da
organização do governo nas democracias ocidentais.
77) (ESAF/ASSISTENTE TÉCNICO-ADMINISTRATIVO/MINISTÉRIO DA
FAZENDA/2009) Aristóteles apresenta as funções do Estado em
deliberante, executiva e judiciária, sendo que Locke as reconhece
como: a legislativa, a executiva e a federativa.
78)(ESAF/ASSISTENTE TÉCNICO-ADMINISTRATIVO/MINISTÉRIO DA
FAZENDA/2009) A divisão funcional do poder é, mais precisamente,
o próprio federalismo.
79) (ESAF/AFRE/RN/2005) Sistema de governo pode ser definido como
a maneira pela qual se dá a instituição do poder na sociedade e
como se dá a relação entre governantes e governados.

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80) (ESAF/AFC/CGU/2003) Em um Estado Parlamentarista, a chefia de


governo tem uma relação de dependência com a maioria do
Parlamento, havendo, por isso, uma repartição, entre o governo e
o Parlamento, da função de estabelecer as decisões políticas
fundamentais.
81) (ESAF/Procurador da Fazenda Nacional/2006) O princípio da
separação dos poderes não constitui obstáculo a que os Estados-
membros adotem a solução parlamentarista no desenho da
repartição de poderes da sua constituição estadual.
82) (ESAF/AFC/CGU/2008) O princípio da separação do exercício das
funções estatais não impede que o Poder Legislativo examine o
acerto ou o desacerto de decisão judicial, especialmente quando
o próprio regimento interno da Casa Legislativa admita
possibilidade de instauração de comissão parlamentar de inquérito
sobre matérias pertinentes à competência do Poder Judiciário.
83) (ESAF/AFC/CGU/2008) Não é plausível, em face do ordenamento
constitucional brasileiro, a existência de leis interpretativas que
veiculariam a denominada interpretação autêntica. Leis
interpretativas consubstanciariam usurpação das atribuições
institucionais do Poder Judiciário e, em conseqüência, ofenderiam
o postulado fundamental da divisão funcional do Poder.
84) (ESAF/TFC/CGU/2008) Compete privativamente ao Senado
Federal julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da
República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de
governo.
85) (ESAF/AUDITOR/TCE-GO/2007) Não é da competência exclusiva
do Congresso Nacional
a) sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do
poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa.
b) autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a
paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território
nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os
casos previstos em lei complementar.
c) autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de
processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os
Ministros de Estado.
d) resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos
internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao
patrimônio nacional.

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e) aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o


estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas.
86) (ESAF/AFC/CGU/2008) Ainda que os Poderes Legislativo e
Executivo detenham prerrogativas de formular e executar políticas
públicas, o Poder Judiciário pode determinar a órgãos estatais
inadimplentes que implementem políticas públicas definidas pela
própria Constituição, cuja omissão possa comprometer a eficácia
e a integridade de direitos sociais e culturais.
87) (ESAF/PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2007) O decreto
autônomo, isto é, o decreto de perfil não regulamentar, cujo
fundamento de validade repousa diretamente na Constituição,
não é admitido pela ordem constitucional em vigor.
88) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) Considerando o
contexto da independência do Poder Legislativo, é norma de
repetição obrigatória nas Constituições Estaduais o
reconhecimento às Assembléias Legislativas do poder de
determinar a exoneração de Secretário de Estado.
89) (ESAF/ANALISTA CONTÁBIL-FINANCEIRO/SEFAZ-CE/2006) A lei
delegada será elaborada pelo Presidente da República, em razão
de delegação do Congresso Nacional. Editada a norma, com
extrapolação de seus limites, resta ao Poder Legislativo suscitar a
inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal, haja
vista não mais possuir competência para sustar o ato normativo.
90) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2006) Consolidou-se o
entendimento de que matéria que, no âmbito federal, está sujeita
à legislação ordinária sob reserva de iniciativa do Presidente da
República não pode ser regulada em Constituição Estadual.
91) (ESAF/PROCURADOR/BACEN/2001) No sistema de separação de
poderes vigente entre nós, não se admite caso de edição, por
órgão do Judiciário, de normas estabelecendo direitos e
obrigações.
92) (ESAF/TFC/CGU/2008) Compete privativamente ao Senado
Federal proceder à tomada de contas do Presidente da
República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional
dentro de sessenta dias após abertura da sessão legislativa.
93) (ESAF/PGFN/2007) Diante de ato normativo do Poder Executivo,
que exorbite do poder regulamentar, compete exclusivamente ao
Congresso Nacional emendar o ato, a fim de enquadrá-lo aos
limites da delegação legislativa.

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94) (ESAF/PROCURADOR/DF/2004) Ao Poder Legislativo é conferida a


atribuição para sustar os atos normativos do Poder Executivo,
podendo inclusive, essa função fiscalizadora, recair sobre os
decretos que não exorbitarem da função regulamentar.
95) (ESAF/PROCURADOR/DF/2004) A Constituição de Estado-membro
pode atribuir competência ao Governador para dispor, mediante
decreto, sobre organização e funcionamento da administração
estadual, quando não implicar aumento de despesa nem criação
ou extinção de órgãos públicos, não havendo ilegalidade ou
inconstitucionalidade se tal decreto revogar lei anterior em sentido
contrário.
96)(ESAF/PROCURADOR/DF/2004) Lei cujo projeto tenha sido de
iniciativa parlamentar pode prever eleições diretas, com
participação da comunidade escolar, para os cargos de direção
das instituições públicas de ensino.
97) (ESAF/PROCURADOR/DF/2004) O Poder Legislativo está autorizado
a aprovar lei em cujos dispositivos se declarem nulas e de
nenhuma eficácia, por serem inconstitucionais, outras leis de sua
autoria.
98) (ESAF/ANALISTA/CVM/2001) Cabe ao Congresso Nacional, e não
ao Tribunal de Contas da União, julgar anualmente as contas
prestadas pelo Presidente da República.
99) (ESAF/PFN/2004) Cabe exclusivamente ao Poder Executivo e ao
Poder Legislativo a análise dos pressupostos da urgência e da
relevância das medidas provisórias.
100) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Assinale a opção correta.
a) É constitucionalmente ilegítimo o projeto de lei sobre matéria da
iniciativa exclusiva do Presidente da República que foi proposto por
grupo de parlamentares no Congresso Nacional, mesmo que a lei
tenha sido sancionada pelo Chefe do Executivo.
b) Num projeto de lei do Chefe do Executivo que concede
gratificação a certa categoria de servidores da Administração Pública
Direta, é legítima a emenda parlamentar que estende a vantagem a
outras categorias do serviço público, que estejam sob as mesmas
condições da beneficiada inicialmente, sob o fundamento da
isonomia.
c) Não há impedimento a que, num projeto de lei, fixando novos
vencimentos para certa carreira do serviço público, encaminhado pelo
Presidente da República ao Congresso Nacional, seja aprovada

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emenda parlamentar sobre tema diverso, modificando regras sobre


promoção de militares.
d) A Constituição veda a apresentação de emendas parlamentares
a projeto de lei de iniciativa popular.
e) As regras básicas do processo legislativo federal referentes a
reserva de iniciativa são facultativamente seguidas pelos Estados-
membros.
101) (ESAF/AFC/CGU/2006 - adaptada) Os membros do Conselho
Nacional de Justiça serão nomeados pelo Presidente do Supremo
Tribunal Federal, depois de aprovada a escolha pela maioria
absoluta do Senado Federal.
102) (ESAF/OFICIAL/MRE/2002) O princípio da independência dos
poderes, como adotado pela Constituição Federal, é incompatível
com o julgamento de membro do Judiciário pelo Poder Legislativo.
103) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) Diversamente do
que ocorre no presidencialismo, no sistema parlamentarista o
chamado referendo ministerial tem o valor de sustentar a validade
do ato praticado pelo Chefe de Estado.
104) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2006) Suponha que o
Congresso Nacional aprove lei, de iniciativa de Deputado Federal,
que reduz alíquota do Imposto de Renda de Pessoas Físicas. O
Presidente da República sanciona o projeto. Mais tarde, percebe
que a lei é ruinosa e ouve seus conselheiros jurídicos que lhe dizem:
1. Houve vício de iniciativa na elaboração da lei.
2. O Presidente da República não pode provocar o Supremo Tribunal
Federal a exercer o controle de constitucionalidade sobre a lei, porque
sancionou o projeto.
3. O Presidente da República pode, desde que se atenha ao prazo de
veto de que dispõe constitucionalmente, voltar atrás na sanção e vetar
o projeto.
4. Tendo o Presidente da República sancionado a lei, toda discussão
sobre eventual invasão da sua iniciativa privativa fica prejudicada, já
que, qualquer que seja o caso, a sanção supre o vício de iniciativa.
Assinale a opção correta.
a) Todas as afirmações estão corretas.
b) Apenas uma das afirmações está correta.
c) Apenas duas das afirmações estão corretas.

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d) Apenas três das afirmações estão corretas.


e) Nenhuma das afirmações está correta.
105) (ESAF/PFN/2006) O princípio da separação dos poderes impede
que o Ministério Público investigue fatos que possam consistir em
crimes contra a ordem tributária, antes de que a investigação,
com igual objeto, por parte da Receita Federal, esteja concluída.
106) (ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/1999) A deliberação do
Congresso Nacional que suspende a eficácia de ato regulamentar
do Poder Executivo é insuscetível de controle judicial.
107) (ESAF/AFC/2000) O Supremo Tribunal Federal pode declarar
inconstitucional uma medida provisória, por considerar não
preenchidos os pressupostos formais da relevância e urgência para
a sua edição.
108) (ESAF/AFC/STN/2008) Os Ministros do Supremo Tribunal Federal
serão nomeados pelo Presidente da República, entre cidadãos
com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de
idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada depois de
aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal,
entre advogados, promotores de justiça e membros do Poder
Judiciário.

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GABARITOS OFICIAIS
1) E 29) E 57) E 85) C
2) E 30) E 58) E 86) C
3) C 31) C 59) E 87) E
4) E 32) E 60) E 88) E
5) E 33) E 61) E 89) E
6) E 34) E 62) E 90) C
7) E 35) C 63) C 91) E
8) E 36) E 64) E 92) E
9) C 37) E 65) E 93) E
10) E 38) E 66) E 94) E
11) E 39) E 67) E 95) C
12) C 40) D 68) E 96) E
13) E 41) E 69) E 97) E
14) E 42) E 70) C 98) C
15) E 43) E 71) C 99) E
16) C 44) E 72) E 100) A
17) E 45) D 73) E 101) E
18) C 46) E 74) E 102) E
19) E 47) E 75) C 103) C
20) E 48) C 76) C 104) E
21) E 49) E 77) C 105) E
22) E 50) C 78) E 106) E
23) E 51) E 79) E 107) C
24) E 52) E 80) C 108) E
25) C 53) E 81) E
26) E 54) A 82) E
27) E 55) D 83) E
28) E 56) D 84) E

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