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PERGUNTAS AVALIAÇÃO LACAN

01-Como distinguimos o sujeito da Psicanálise e o Eu.


RESP: O sujeito sobre o qual ocupa a Psicanálise é, antes de tudo, o sujeito
pensado a partir da concepção do inconsciente. Lacan cita em suas obras, que o
indivíduo empírico que se submete à experiência e a instância que se deduz da
mesma experiência, instância suposta ao saber inconsciente, ao inconsciente
como saber. O sujeito é barrado e simbolizado por S. É assim que se dá o sujeito
da Psicanálise, da enunciação ou do inconsciente. Este sujeito não é pensamento,
ele não é construído. O sujeito da Psicanálise é constituído, a partir da
linguagem, do simbólico. Ele, o sujeito, só é possível exatamente porque entra
na ordem social que quase sempre precede sua chegada e tem a família como
porta de entrada. O autocentramento do sujeito no eu e na consciência é o marco
cartesiano, com a célebre formulação “penso, logo sou”, que atribui ao eu o seu
reinado, subjugando o conceito de inconsciente, ficando este reduzido a uma
espécie de consciência desconhecida.

02-O que é auto-erotismo e como ele se organiza narcisicamente?


RESP: Pode-se explicar por meio do estádio do espelho de Lacan. O bebê vê
sua imagem refletida no espelho, o que produz uma Gestalt, uma formatação ou
configuração. A sanção disso é a resposta da criança, com seu jubilo e a
experimentação de gestos que o bebê começa a fazer e que antecipam a
maturidade motora. Não se pode deixar de pensar que a imagem especular é um
outro e, concomitantemente, é o próprio corpo agora tomando como objeto de
amor, tratando-se do auto-erotismo. O momento posterior é o narcisismo, fase
mediadora entre o autoerostismo e a eleição do objeto de amor, sendo no bebê, o
auto-erotismo inicial.

03-Diferencie sobre a Formação do Eu imaginário e simbolicamente.


RESP: Lacan ao falar do simbólico, faz alusão que este é um elemento de
alteridade, assim como o real e o imaginário e que conjuntamente, formarão o
corpo, o ser, o eu. Ao falar do simbólico, aborda as figuras dos outros, uma
natureza especular e um de natureza significante. É o de natureza significante
que repousa no simbólico, porque é determinante para geração, produção e
criação. Já o imaginário está ligado ao ego da pessoa. Esse ego, todavia, procura
no outro, o que se chama completude, algo que se torna um com o indivíduo,
sem ser encarado pelo ego como uma espécie de sustento, base, suporte.

04-Quais os elementos da estrutura familiar.


RESP: Os quatros elementos, como o falo, a mãe, o pai e a criança, interagem
entre si, a partir da relação que cada um deles mantém com as três formas
possíveis de falta de objeto, sendo estrutura para o Complexo de Édipo.
05-Por que o “falo” é um dos elementos da estrutura familiar?
RESP: Mostra que essa estrutura que ajuda no Complexo de Édipo é sustentada
na anterioridade e prevalência das partes, o que promove no sujeito neurótico, a
questão de saber o que quer o Outro, além dele se indagar que lugar ele ocupa
no desejo do Outro, sendo o falo como significante da falta.

06- Descreva sucintamente, sobre o primeiro e o segundo tempo do complexo de


Édipo.
RESP: Quando o bebê tem dificuldades em aceitar o desmame e a separação de
sua mãe para se tomar um sujeito único e separado dela, é chamado primeiro
tempo do Complexo de Édipo, caracterizado pela fixação na fase oral e a não
aceitação em se tornar sujeito. Caso ele passe pela fase de separação com a mãe
sem maiores problemas, entrará no Complexo de Édipo, pois com a entrada do
pai na relação para castrar a criança, a impede de possuir a mãe, no caso do
menino e o pai, no caso da menina. A criança se torna sujeito, mas ao não
aceitar a castração do pai entra no segundo tempo do complexo, caracterizado
pela fixação na fase anal.

07-O que é Metáfora Paterna?


RESP: A saída do complexo de édipo acontece e se mostra plena de
potencialidades estruturantes para a criança. A partir do recalcamento do
significante originário do desejo da mãe, há a produção do significante, dando
forma ao simbólico. Ao mesmo tempo, ao aceitar se separar da mãe, a criança
aceita se submeter ao primado da Lei. Ela se torna sua a Lei que o Outro lhe
transmitiu. A metáfora paterna se desenvolve, assim, a partir do recalcamento de
um significante de origem em benefício do surgimento de um outro que virá
tomar o lugar do significante originário do desejo da mãe ou pai.

08-Por que as estruturas Psíquicas se diferenciam? Apresente os mecanismos de


defesa de cada uma.
RESP: Cada estrutura Psíquica é o resultado de múltiplas vivências complexas e
paradoxais de cada criança com o seu par parental (mãe e pai), a partir da
inscrição da metáfora paterna, de sua presença ou ausência, com as
consequências nos apontando três diferentes versões desse significante paterno:
a versão que engendra as neuroses, a versão que engendra as perversões e a
versão que engendra as psicoses. O mecanismo de defesa da psicose é conhecido
como Forclusão, que é um mecanismo da psicose responsável pela rejeição de
um significante do simbolismo de uma pessoa. O mecanismo de defesa da
neurose é o recalque ou repressão. Para que alguns conteúdos fiquem recalcado,
a neurose provoca no indivíduo uma cisão da psique, onde tudo que é doloroso é
recalcado e fica obscuro. O mecanismo de defesa da perversão é a denegação.
Ele pode ser compreendido através do fetichismo.
IMPRESSÃO DE LACAN

Lacan retomou a obra de Freud ao lidar com conceitos como inconsciente,


identificação e Eu (ego), se apoiando em outros autores, principalmente filósofos. Ele
rejeitava a tendência de considerar o ego como a força dominante na estrutura psíquica do
sujeito. Afirmava, em vez disso, a impotência do Eu frente ao inconsciente. Para ele, o sujeito
opera em conflito eterno, e a situação só é sustentável por meio de artifícios, entre eles a
alienação.
Lacan opõe-se agudamente a essa concepção da análise. Para designar o lugar do
analista e o sentido de suas intervenções, propõe a teoria do sujeito suposto saber. O sujeito
suposto saber é uma condição intrínseca à experiência da análise, um efeito da estrutura do
diálogo analítico. O analista não deve se identificar com essa posição. Nessa concepção,
portanto, o Eu do analista não intervém.
Qualquer que seja a abordagem ou a aplicação da obra de Lacan, contudo, é
importante ter em mente que o ensino e a transmissão de seus conceitos e suas pesquisas
foram primordialmente orais, dando-se por meio de seminários e conferências, a maioria
transcrita e publicada em livro. Lacan ainda concordava com Freud em relação à
impossibilidade de aplicar a psicanálise em outros campos, inclusive a Educação, que também
opera no terreno movediço da linguagem e da interação.
Para Lacan, a teoria torna o entendimento das funções da linguagem ainda mais
complexo. Enquanto para Freud o inconsciente era, grosso modo, uma instância individual,
para Lacan ele sai do sujeito (indivíduo) para abarcar uma rede de relações sociais. Ou seja, à
noção do sujeito dividido, soma-se também o conceito de Outro, podendo esse ser entendido
como uma combinação dos sistemas simbólicos e socioculturais.
Outra peça importante do quebra-cabeça lacaniano é exatamente a distinção e a
definição dos conceitos de imaginário, simbólico e real. O imaginário é o registro da
alienação humana, o registro da loucura humana. É o registro em que confundimos o mundo
com aquilo que percebemos do mundo. Nós confundimos a realidade com a realidade tal qual
ela é para mim. É o registro, portanto, da percepção e da antecipação de sentido. É o território
de afetos como agressividade e ódio, mas também de paixão e fascinação com a relação que
temos com nossos ideais.
Já o simbólico diz respeito à linguagem e, de maneira mais abrangente, aos nossos
universos sociossimbólicos. É um conceito que passa pelo entendimento da sociedade e da
cultura como um sistema de trocas, no qual sempre tornamos uma coisa equivalente e ao
mesmo diferente de outra com a qual é trocada. Na linguística, que inspirou a formação do
simbólico lacaniano, as unidades básicas da troca são os signos, compostos pelo significante,
a imagem acústica da palavra. e o significado, que seria o conceito.
Evidentemente, a centralidade da linguagem na teoria lacaniana desova diretamente na
prática terapêutica. O resultado é uma abordagem atenta à forma e à maneira como o paciente
fala, voltada para ajudá-lo a escutar o que está dizendo, para além das intenções de sua
própria vontade.