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Universidade Federal de Uberlândia

Instituto de Ciências Humanas do Pontal (ICHPO)


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RELÁTORIO DE ANÁLISE FÍLMICA

Disciplina: História Moderna II

Discente: Isabella Laísa Santos Franco

Docente: Marco Sávio

FICHA TÉCNICA DO FILME:

Título: A Rainha Margot (Le Reine Margot – título original)

Ano de produção: 1994

Direção: Danièle Thompson e roteiro de Patrice Chéreau

Duração: 2 horas 23 minutos

Gênero: drama, histórico e bibliográfico

Idioma: francês

A obra aqui analisada trata-se do filme de 1994, “A rainha Margot”, que é


baseado no romance clássico de Alexandre Dumas com o mesmo título. O filme retrata
a França em 1572 e a crise religiosa em que o país estava passando por conta das
reformas protestantes, que estava em curso em todo o continente europeu na época. O
episodio histórico abordado no filme trata-se da “Noite de São Bartolomeu”, também
conhecido como um dos maiores massacres religiosos da história, de católicos contra
protestantes huguenotes.

O filme começa mostrando como a cidade de Paris está lotada e em


efervescência por conta do casamento do protestante Henrique de Bourbon, rei de
Navarre, com a católica Maguerite de Valois – apelidada Margot – irmã do rei da
França Carlos IX e filha de Catherine de Médici, a rainha-mãe. O casamento foi
arranjado e arquitetado por Catherine de Médici, com o consentimento do rei, como
uma aliança política e religiosa entre as duas facções, na suposição de um acordo de paz
entre os reinos. Nas cenas do casamento, nota-se que não há o mínimo consentimento
ou até mesmo vontade por parte de Margot na consagração do casamento, e também por
parte de alguns membros da corte francesa, como o caso dos personagens Duque de
Guisé, os outros irmãos de Margot representando o partido católico e o almirante
Coligny representando o partido protestante.

É interessante notar no filme como é feita a construção dos personagens centrais


da obra, que são elementos indispensáveis para a compreensão do decorrer da trama.
Começando pela personagem de Catherine de Médici, representando a rainha-mãe
controladora e manipuladora, que está por trás de todas as tramas do filme, desde o
casamento até a morte do rei Carlos IX, seu próprio filho – é também a persona que
defende os interesses da coroa, do reinado de seus filhos e do catolicismo, nem que para
isso precise matar ou se envolver com coisas místicas. Logo após o casamento,
Catherine arma de matar o chefe do partido protestante Coligny, e faz com que a culpa
recaia sobre o Duque de Guisé, na qual é fracassada. Mas mesmo assim consegue o
apoio e a concordância do rei Carlos IX para o extermínio dos huguenotes,
desencadeando os próximos eventos que vai resultar no massacre destes.

O personagem de Coligny tem sua história retrata apenas no inicio do filme,


como o braço direito de Carlos IX e seu fiel confidente, e que tem o seu apoio para
invadir outros países, o que não se concretiza devidos os planos da rainha-mãe. Apesar
da tentativa de seu assassinato não ter sucesso, ele fica um tempo enfermo, até que
ocorre o ataque e é morto friamente. Já o rei Carlos IX é caracterizado por um jovem
amedrontado, inseguro e facilmente manipulável. Sua relação com seus outros irmãos é
de desconfiança, e fica mais visíveis após as cenas de caça, na qual ele é surpreendido
por um animal e quase morre, sendo salvo por seu cunhado Henrique de Navarre,
enquanto seus outros irmãos só observaram. Após este momento, fica agraciado com
Henrique e eles se tornam amigos, e faz confidencias com este, o levando para onde está
sua amante e seu filho – que mantem em segredo.

A rainha Margot, a personagem principal, é uma mulher forte e determinada e


um tanto libertina, tendo um comportamento sexual desvairado. A relação com seus
irmãos tem elementos incestuosos, já com sua mãe é de austeridade e indiferença. Seu
casamento com Henrique de Navarre é contra sua vontade e deixa claro que não
pretende consuma-lo, no entanto, ela faz um acordo com ele para que se ajudem e sejam
amigos, o que vai se manter até o fim. Conhecida por se relacionar sexualmente com
vários homens, até mesmo seus irmãos, tem um romance com o Duque de Guisé, que
chega ao fim após seu casamento. Porém, insatisfeita com sua solidão ela sai as ruas
mascarada, junto com sua ama e amiga, em busca de um novo parceiro, e encontra com
o nobre protestante La Môle, e por ele vai se apaixonar.

La Môle é um protestante perseguido durante as cenas do massacre, e seu


refugio vai ser no quarto da rainha Margot, que o reconhece e o protege dos assassinos
que estavam em seu encalce. A partir deste momento, Margot sofre graves
consequências por seu envolvimento com La Môle, principalmente, pelos ciúmes de
seus irmãos para com ela. Os dois planejam em fugir juntos para a Navarre, porém
Henrique de Navarre não colabora com seus planos, o que dá elementos melodramáticos
para o romance. La Môle, até então exilado, retorna para Paris para resgata-la, mas é
preso por ser acusado no envolvimento na morte por envenenamento de Carlos IX e
acaba sendo executado.

Henrique de Navarre, que ascendente ao trono após como Henri IV, o primeiro
da dinastia Bourbon, é uma figura conciliadora. Após o episódio do massacre, para não
ser executado ele acaba se convertendo ao catolicismo, mas ao retornar a sua terra natal
de Navarre, mostra que não deixou totalmente de lado suas crenças protestantes. E
reúne forças para suas pretensões de assumir o trono da França, o que fica claro quando
ele propõe uma aliança com Margot, logo o casamento.

O filme tem cenas bem marcantes de violência e nudez, principalmente, no


momento fatídico da “Noite de São Bartolomeu”, mostrando os vários corpos de
homens e mulheres nuas, feridos e mortos espalhados pelas ruas da cidade. Pela história
o número de mortes deste dia conta com mais ou menos 30 mil protestantes huguenotes,
porém no filme é falado que foram apenas 6 mil. Mas, mesmo assim, as cenas do
recolhimento dos corpos de mortos nas ruas para o “despejo” em covas comunitárias
são estarrecedoras e retratam bem e com fidelidade o que um dos maiores genocídios
religioso da história.
Referências Bibliográficas

A Rainha Margot (La Reine Margot. França/Alemanha/Itália, 1994). Dir.: Patrice Chéreau.

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