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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

FACULDADE DE GESTÃO DE TURISMO E INFORMÁTICA

Fluxo de Caixa como Instrumento no Processo de Tomada de Decisão nas Pequenas e


Medias Empresas: Caso da Shoprite Pemba (2018-2019)

Sérgio Alfredo Macore

Pemba, Outubro de 2020


Universidade Católica de Moçambique
Faculdade de Gestão de Turismo e Informática

Fluxo de Caixa como Instrumento no Processo de Tomada de Decisão nas Pequenas e


Medias Empresas: Caso da Shoprite Pemba (2018-2019)

Sérgio Alfredo Macore

Monografia submetida a Universidade Católica de


Moçambique - Faculdade de Gestão de Turismo e
Informática em Pemba (FGTI), para obtenção do grau
de Licenciatura em Contabilidade e Auditoria.

Dra:

Pemba, Outubro de 2020


ÍNDICE

LISTA DE ABREVIATURAS........................................................................................................v
DECLARAÇÃO DE AUTORIA....................................................................................................vi
DEDICATÓRIA............................................................................................................................vii
AGRADECIMENTOS.................................................................................................................viii
RESUMO........................................................................................................................................ix
ABSTRACT....................................................................................................................................x
CAPITULO I - INTRODUÇÃO.....................................................................................................1
1.1.Introdução..............................................................................................................................1
1.2.Problematização.....................................................................................................................2
1.3.Objectivos..............................................................................................................................3
1.3.1.Objectivo Geral...............................................................................................................3
1.3.2.Objectivos Específicos....................................................................................................3
1.4.Questões da pesquisa.............................................................................................................3
1.5.Justificativa............................................................................................................................3
1.6.Delimitação do tema..............................................................................................................4
CAPÍTULO II – REVISÃO DE LITERATURA............................................................................5
2.1.Conceito de Fluxo de caixa....................................................................................................5
2.1.1.A importância do fluxo de caixa.....................................................................................5
2.1.1.1.instrumentos de tomada de decisão..............................................................................6
2.1.2.Abrangencia e Importância do Fluxo de Caixa...............................................................7
2.1.3.Método para elaboração da demonstração dos fluxos de caixa.......................................8
2.1.4.Administração ou Planeamento do fluxo de caixa..........................................................9
2.2.Análise da gestão de caixa.....................................................................................................9
2.2.1.Fluxo de caixa histórico x projectado..............................................................................9
2.2.2.Estrutura da demonstração do fluxo de caixa................................................................10
2.2.3.Métodos para elaboração da demonstração do fluxo de caixa..........................................10
2.2.3.1.Método directo...........................................................................................................10
2.2.3.2.Método indirecto........................................................................................................10
2.3.Evolução do Sistema de Contabilidade Empresarial de Moçambique................................11
2.4.Importância da Informação Financeira................................................................................12
2.5.As Decisões Financeiras......................................................................................................13
2.6.Criação de Projecção de Fluxo de Caixa.............................................................................14
2.6.1.Estrutura de uma Projecção de Fluxo de Caixa.............................................................14
2.6.2.Abrangência do fluxo de caixa......................................................................................15
2.6.3.Principais regras sobre fluxo de caixa de Projecto........................................................18
2.6.4.Dimensão do fluxo de caixa..........................................................................................18
2.6.5.Componente da projecção do cash flow........................................................................18

ii
2.7.Demonstrações financeiras..................................................................................................20
2.7.1.Instrumentos Base da Análise Financeira.....................................................................21
2.8.Balanço Patrimonial.............................................................................................................21
2.9.Demonstração do Resultado do Exercício...........................................................................22
2.10.Demonstração do Fluxo de Caixa......................................................................................23
CAPITULO III – METODOLOGIA.............................................................................................25
3.1.Introdução............................................................................................................................25
3.2.Quanto abordagem...............................................................................................................25
3.3.Quanto aos objectivos..........................................................................................................26
3.4.Quanto aos procedimentos e técnicas de colecta de dados..................................................26
3.4.1. Pesquisa Bibliográfica..................................................................................................29
3.4.2.Pesquisa Documental....................................................................................................29
3.4.3.Estudo de Caso..............................................................................................................29
3.5.Quanto a natureza.................................................................................................................29
3.6.Populacao e Participantes do estudo....................................................................................31
3.7.Modelo de Análise de Dados...............................................................................................31
CAPITULO IV – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS.............................................33
4.1.Descrição da Shoprite..........................................................................................................33
4.2.Breve Historial da Shoprite..................................................................................................33
4.3.Apresentação dos Resultados...............................................................................................35
4.4.Categorias A, B, C e D.........................................................................................................35
4.4.1.CATEGORIA A: Descrever como pode ser utilizado o fluxo de caixa mostrando a
importância do mesmo para obtenção de informações para tomada de decisão........................35
4.4.1.1.Sub Categoria A1: Até que ponto o Fluxo de Caixa é um instrumento vital no
Processo de Tomada de Decisão nas Pequenas e Medias Empresas?....................................35
4.4.1.2.Sub Categoria A2: Quando é que se considera positivo e negativo do fluxo de caixa
da Shoprite - Pemba?..............................................................................................................36
4.4.1.3.Sub Categoria A3: Qual é a importância da DFC na tomada de decisões financeiras?
................................................................................................................................................36
4.4.2.CATEGORIA B: Avaliar o processo de interligação das informações das DF’s, utilizado
pelos administradores na tomada de decisões............................................................................36
4.4.2.1.Sub Categoria B1: Como é que os administradores podem utilizar as informações das
DF’s de forma conjunta para auxiliar as suas decisões?........................................................36
4.4.2.2.Sub Categoria B2: Quando se pode afirmar que o fluxo de caixa é positivo e
negativo?................................................................................................................................37
4.4.2.3.Sub Categoria B3: Quais são as ferramentas ou critérios que a Shoprite usa para
avaliar a importância de fluxo de caixa?................................................................................37
4.4.3.CATEGORIA C: Efectuar uma análise comparativa de decisões financeiras tomadas com
base na DRE e DFC para processo de tomada de decisão.........................................................37
4.4.3.1.Sub Categoria C1: Qual é o melhor demonstrativo financeiro para a tomada de
decisões financeiras?..............................................................................................................37
iii
4.4.3.2.Sub Categoria C2: Qual dos mapas aconselha as outras empresas a usarem para fins
de tomada de decisões financeiras?........................................................................................38
4.4.4.CATEGORIA D: Avaliar o fluxo de caixa da Shoprite - Pemba nos períodos em análise.
....................................................................................................................................................38
4.4.4.1.Sub Categoria D1: Para cada um dos anos em analise qual foi o resultado económico
da empresa?............................................................................................................................38
4.4.4.2.Sub Categoria D2: Qual é a diferença entre as decisões financeiras tomadas por via
de FC e da DRE?....................................................................................................................38
CAPITULO V – DISCUSSÃO DE RESULTADOS....................................................................39
5.1.O Processo de Tomada de Decisões na Shoprite - Pemba...................................................39
5.2.Decisão de Investimento Operacional..................................................................................40
5.3.Decisão de Investimento de Capital.....................................................................................41
5.4.Decisão de Investimento Operacional..................................................................................41
5.5.Decisão de Financiamento...................................................................................................42
CAPITULO VI – CONCLUSÕES E SUGESTÕES.....................................................................43
6.1.Conclusão.............................................................................................................................43
6.2.Sugestões..............................................................................................................................45
7.Referências bibliográficas..........................................................................................................46
APÊNDICES.................................................................................................................................49
APÊNDICE I: Roteiro de Entrevistas........................................................................................50
APÊNDICE II: Grelha de categorias mobilizadas.....................................................................52
ANEXOS.......................................................................................................................................55
Anexo 1: Fluxo de caixa projectado da Shoprite.......................................................................56

iv
LISTA DE ABREVIATURAS

AGC Análise da Gestão de Caixa


CF Casf Flow
DF’s Demonstrações Financeiras
DFC Demonstrações de Fluxo de Caixa
FC Fluxo de Caixa
FO Fluxos Operacionais
GF Gestão Financeira
NIRF Normas Internacionais de Relato Financeiro
PE Planeamento Estratégico
PFC Planeamento de Fluxo de Caixa
PMB Pemba
PME’s Pequenas e Medias Empresas
SCEM Sistema de Contabilidade Empresarial em Moçambique
UCM Universidade Católica de Moçambique

DECLARAÇÃO DE AUTORIA

Declaro por minha honra que esta monografia é fruto da minha investigação pessoal com as
orientações do meu supervisor e o seu conteúdo é devidamente original e todas as obras
consultadas foram citadas no texto final deste trabalho.

Declaro ainda que este trabalho científico nunca foi submetido em nenhuma outra instituição
para obtenção do grau de Licenciatura em Contabilidade e Auditoria.

v
Pemba, ao _______ de Outubro de 2020

Autora
__________________________________________________________
Sérgio Alfredo Macore

O Supervisor
____________________________________________________________

DEDICATÓRIA

Este trabalho é especialmente dedicado a minha querida mãe, mulher de grande carácter,
personalidade e sabedoria que despertou em mim o gosto do saber, ensinou-me ao longo do
caminho das descobertas científicas e muito se sacrificou para que pudesse chegar até aqui e
transformar o sonho de se licenciar em Contabilidade e Auditoria se torna-se uma realidade.

vi
AGRADECIMENTOS

Em primeiro agradeço a Deus pelo dom da vida, por seguir meus passos iluminado todas as
minhas barreiras e proporcionando a gloria e a sabedoria.

Agradeço também a todos os docentes da Universidade Católica de Moçambique, em especial ao


curso de Contabilidade e Auditoria, e a todos vós, que de forma directa ou indirecta contribuíram
para que este sonho se tornasse uma realidade.

Obrigado

vii
RESUMO

A presente pesquisa faz uma análise sobre Fluxo de caixa como Ferramenta no Processo de
tomada de decisão. O objectivo da pesquisa consiste na análise da utilização do fluxo de caixa
como uma ferramenta essencial para tomada de decisão nas pequenas e medias empresas. A
escolha deste tema, está ligado na introdução deste demonstrativo em Moçambique e ainda na
verificação da dificuldade das empresas moçambicanas em distinguir o lucro económico do lucro
financeiro ou seja ter lucro e ter dinheiro. Neste caso, partindo de que o tal lucro é ilustrado pela
Demonstração de resultados e o dinheiro pela DFC, procurou-se pesquisar a importância da DFC
e a diferença das decisões financeiras tomadas por via de utilização de um deste demonstrativo,
visto que ambos ilustram realidades diferentes. No entanto, para se chegar a conclusão foi
pesquisada uma empresa, denominada por Shoprite - Pemba. Devido a característica da pesquisa,
considera-se de carácter qualitativo com uma abordagem exploratória. Portanto, da pesquisa foi
possível verificar que a tomada de qualquer decisão financeira, a escolha e a utilização de
viii
demonstrativo financeiro adequado é pertinente para a eficiência e a eficácia da mesma. Deste
modo, concluiu-se que a DFC é bastante importante neste processo, pois para além de ditar a
realidade financeira, determina se a empresa pode ou não recorrer a um financiamento caso as
actividades operacionais da empresa não consigam gerar fluxos para financiar as outras
actividades. A empresa pesquisada, recomenda-se a instalação de um sistema de contabilidade
inovado (Pastel, Primavera e FlexCube Ubs) que lhes ajude a elaborar a DFC de forma mais fácil
e por outro lado recomenda-se o mesmo e ainda o mais envolvimento da direcção local no
processo de decisões financeiras estratégicas e na formação do pessoal ligado a contabilidade e
administração financeira no processo de elaboração de DFC.

Palavras-chave: Fluxo de Caixa. Demonstrações Financeiras.

ABSTRACT

This research analyzes cash flow as a tool in the decision-making process. The objective of the
research is to analyze the use of cash flow as an essential tool for decision making in small and
medium sized companies. The choice of this theme is linked to the introduction of this statement
in Mozambique and also to the verification of the difficulty of Mozambican companies in
distinguishing economic profit from financial profit, that is, having a profit and having money. In
this case, starting from the fact that such profit is illustrated by the Income Statement and the
money by the DFC, we sought to research the importance of the DFC and the difference in the
financial decisions made through the use of one of this statement, since both illustrate realities
many different. However, to reach the conclusion a company was researched, called Shoprite -
Pemba. Due to the characteristic of the research, it is considered of a qualitative character with

ix
an exploratory approach. Therefore, from the research it was possible to verify that the making
of any financial decision, the choice and the use of an adequate financial statement is relevant to
its efficiency and effectiveness. Thus, it was concluded that the DFC is very important in this
process, because in addition to dictating the financial reality, it determines whether or not the
company can resort to financing if the company's operational activities are unable to generate
flows to finance other activities .The researched company, it is recommended to install an
innovative accounting system (Pastel, Primavera and FlexCube Ubs) that helps them to elaborate
the DFC in an easier way and on the other hand the same and even more involvement of the
management is recommended local in the process of strategic financial decisions and in the
training of personnel related to accounting and financial administration in the process of
preparing the DFC.

Keywords: Cash Flow. Financial Statements.

x
CAPITULO I - INTRODUÇÃO

1.1.Introdução

Em uma economia dinâmica em constante mutação a informação tornou-se ferramenta acessória


fundamental para o empreendedor. O fluxo de caixa como ferramenta de gestão fornece a
empresa o volume de capital necessário para suprir os compromissos do dia-a-dia, como
disciplinar e alocar os recursos ou investimentos. O acesso a informações actualizadas, com
projecções futuras e ao mesmo tempo de fácil compreensão, tem levado as empresas a buscarem
ferramentas de controlo, auxiliando no fluxo de informações de forma dinâmica demonstrando
tendências (positivas ou negativas) de seu fluxo de caixa.

O controlo dos fluxos financeiros inclui e requer, indispensavelmente, a gestão de caixa em


qualquer situação organizacional. Tanto que, para Santos (2001), "a necessidade de planeamento
de caixa está presente tanto em empresas com dificuldades financeiras, como naquelas bem
capitalizadas".Segundo Sá (2008), constantemente as empresas deparam-se com situações
financeiras desagradáveis. Algumas com um déficit de caixa outras com excesso de recursos. Tal
facto ocorre, muitas vezes, porque os gestores não utilizam ferramentas adequadas para os
auxiliarem na tomada de decisão.

O fluxo de caixa, por se tratar de uma ferramenta de apoio à contabilidade gerencial actualmente
pouco utilizada em Moçambique, pode ilustrar em tempo real a verdadeira situação da empresa e
pode intervir nela a qualquer momento, ajustando seu planeamento e orçamento, antecipando
factos que poderiam prejudicar a empresa. Portanto, por se tratar de uma ferramenta gerencial
que visualiza as ocorrências financeiras da empresa, o fluxo de caixa é uma ferramenta que
auxilia o gestor na tomada de decisão e é de fácil interpretação e adaptação. É essa praticidade de
uso que faz do fluxo de caixa uma ferramenta que actualmente está sendo discutida para se tornar
um demonstrativo obrigatório na publicação junto aos demonstrativos contabilísticos.

Nessa ordem de ideias e pelos factos supracitados, o tema para a monografia é:Fluxo de Caixa
como Instrumento no Processo de Tomada de Decisão nas Pequenas e Medias Empresas:
Caso de estudo da Shoprite Pemba (2018-2019).

1
No que tange a estrutura, a pesquisa encontra-se sequenciada em seis (6) capítulos, que são:

Capítulo I: A Introdução, que contém uma apresentação do tema; os objectivos gerais e


específicos; problemas de pesquisa; justificativa de escolha de tema pesquisado e delimitação do
tema. E no Capitulo II: Tem a ver com o enquadramento teórico, onde aborda questões
relacionadas com Fluxo de Caixa. É neste capítulo que mostra as diferentes abordagens
relacionadas com o processo de tomada de decisão.

Para Capítulo III: aborda a metodologia da pesquisa que foi usada ao longo do trabalho, desde o
inicio ate a sua efectivação. E no Capitulo IV: Temos apresentação do estudo de caso. Dai que,
no Capitulo V: Encontramos a discussão de resultados.E por último, o capítulo VI, reservado
para as conclusões e sugestões, onde mostra -se uma resenha sobre Fluxo de caixa
especificamente na Shoprite – Pemba.

1.2.Problematização

Para um mundo onde a concorrência esta cada vez mais acirrada exige-se das empresas maior
eficiência na gestão financeira de seus recursos, não cabendo indecisões sobre o que fazer com
eles. Sabidamente, uma boa gestão dos recursos financeiros reduz substancialmente a
necessidade de capital giro, promovendo maiores lucros pela redução principalmente das
despesas financeiras e é essa a finalidade do fluxo de caixa.

Em verdade, a actividade financeira de uma empresa requer acompanhamento permanente de


seus resultados, de maneira a avaliar seu desempenho, bem como proceder aos ajustes e
correcções necessários. O objectivo básico da função financeira é prover a empresa de recursos
de caixa suficientes de modo a respeitar os vários compromissos assumidos e promover a
maximização de seus lucros.

Dai que, em uma economia dinâmica em constante mutação a informação se tornou ferramenta
acessória fundamental para o empreendedor. O fluxo de caixa como ferramenta de gestão
fornece a empresa o volume de capital necessário para suprir os compromissos do dia-a-dia
como disciplinar e alocar os recursos para superar o caixa e ou investimentos.

2
O acesso a informações actualizadas, com projecções futuras e ao mesmo tempo de fácil
compreensão, tem levado as empresas a buscarem ferramentas de controlo, auxiliando no fluxo
de informações de forma dinâmica demonstrando tendências (positivas ou negativas) de seu
fluxo de caixa.

Diante do exposto acima, pergunta-se o seguinte:

 Até que ponto o Fluxo de Caixa é um instrumento vital no Processo de Tomada de


Decisão nas Pequenas e Medias Empresas, em particular a Shoprite de Pemba?

1.3.Objectivos

1.3.1.Objectivo Geral

 Analisar a utilização do fluxo de caixa como instrumento para tomada de decisão nas
pequenas e medias empresas.

1.3.2.Objectivos Específicos
 Analisar os instrumentos de tomada de decisão;
 Descrever o processo de interligação das demonstrações financeiras utilizadas no
processo de tomada de decisão;
 Correlacionar as decisões financeiras com nas DF’s e DFC para o processo de tomada de
decisão.

1.4.Questões da pesquisa
1. Até que ponto o Fluxo de Caixa é um instrumento vital no Processo de Tomada de
Decisão nas Pequenas e Medias Empresas?
2. Como é que os administradores podem utilizar as informações das DF’s de forma
conjunta para auxiliar as suas decisões?
3. Qual é o melhor demonstrativo financeiro para a tomada de decisões financeiras?
4. Para cada um dos anos em analise qual foi o resultado económico da empresa?

1.5.Justificativa

O fluxo de caixa é uma ferramenta fundamental, pois envolve todos os sectores da empresa com
o objectivo de maximizar a produtividade, as receitas e ainda controlar os prazos de pagamentos,
planear compras e demais negociações, entre outros benefícios. Diante disso, a escolha do tema
3
deu-se a partir da necessidade que as empresas têm de obter informações reais do caixa, diferente
das demais demonstrações contáveis que são elaboradas com base no princípio da competência
auxiliando na tomada de decisões.

Para Sá (2008) o fluxo de caixa é uma ferramenta capaz de planear, controlar e analisar as
entradas e saídas auxiliando na tomada de decisão e fazendo com que a empresa sobreviva no
mercado. Ao utilizar o fluxo de caixa as empresas podem identificar a capacidade de gerar fluxos
positivos e a partir disso obter alternativas de investimentos, ou ainda verificar os motivos que
levaram a um resultado negativo e qual ponto deve ser mudado para reverter a situação.

O fluxo de caixa é uma ferramenta fundamental, pois envolve todos os sectores da empresa com
o objectivo de maximizar a produtividade, as receitas e ainda controlar os prazos de pagamentos,
planear compras e demais negociações, entre outros benefícios. Neto (2009) destaca que o
interessante desta ferramenta é a facilidade de compreensão além de poder ser aplicada em todas
as empresas independentemente do tamanho.

Sendo o fluxo de caixa uma ferramenta de gestão financeira capaz de demonstrar a solvência da
empresa, além de projectar suas receitas e despesas, o estudo pressupõe que as empresas que o
utilizarem terão um controle financeiro eficiente. Acredita-se que o uso do fluxo de caixa pode
dizer se a empresa fechará suas portas ou se manterá no mercado.Sabendo-se da deficiência das
pequenas e médias empresas quanto ao controlo financeiro a partir desse instrumento, é que
serão abordados e demonstrados alguns passos enfocando uma ferramenta que, seguramente é
fundamental poderá ser fundamental para melhor a gerência das suas finanças empresariais.

1.6.Delimitação do tema

O presente trabalho de pesquisa realizou-se na Shoprite da cidade de Pemba, no período de 2018


a 2019. Onde debruçou sobre Fluxo de caixa como instrumento no processo de tomada de
decisão, nas Pequenas e Medias Empresas.

4
CAPÍTULO II – REVISÃO DE LITERATURA

2.1.Conceito de Fluxo de caixa

Segundo Iudícibus E Marion (1999, P.218) afirmam que a DFC “demonstra a origem e a
aplicação de todo o dinheiro que transitou pelo caixa em um determinado período e o resultado
desse fluxo”, sendo que o caixa engloba as contas caixa e bancos, evidenciando as entradas e
saídas de valores monetários no decorrer das operações que ocorrem ao longo do tempo nas
organizações.

Por sua vez, Thiesen (2000, P.10) complementa explicando que a DFC ‘’permite mostrar, de
forma directa ou mesmo indirecta, as mudanças que tiveram reflexo no caixa, suas origens e
aplicações’’. Percebe-se que a demonstração do fluxo de caixa demonstra tanto a origem quanto
à aplicação dos recursos da empresa. Ressalte-se que os recursos mencionados referem-se aos
recursos em dinheiro, ou seja, aqueles que têm reflexo no caixa da empresa.

O fluxo de caixa é um instrumento que permite ao administrador planejar, organizar, coordenar,


dirigir e controlar os recursos financeiros de sua empresa para um determinado período. É um
instrumento que relaciona o conjunto de ingressos e desembolsos de recursos financeiros pela
empresa em determinado período.

2.1.1.A importância do fluxo de caixa

“O fluxo de caixa é um instrumento que permite ao administrador financeiro: planejar, organizar,


coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros de sua empresa num determinado período”
(Zdanowicz, 1995, p. 21).

O Fluxo de Caixa constitui ferramenta de fundamental importância para a boa administração e


avaliação das organizações. A sua adopção possibilita uma boa gestão dos recursos financeiros,
evitando situações de insolvência ou falta de liquidez que representa sérias ameaças à
continuidade das organizações.

É o Fluxo de Caixa que viabiliza a avaliação da capacidade do capital de giro da empresa ou a


identificação da necessidade de cobertura de eventuais situações de deficits, além de orientar as
aplicações dos seus excedentes de caixa. Desta forma, a boa utilização da ferramenta Fluxo de
Caixa também possibilita o conhecimento do grau de independência financeira da organização,

5
com base na avaliação do seu potencial para geração de recursos no futuro, para saldar seus
compromissos e para pagar a remuneração dos seus empreendedores.

O fluxo de caixa é um relatório que trabalha com informações actuais, é dinâmico e, portanto,
evidência de forma transparente e verdadeira a situação financeira da empresa.

2.1.1.1.instrumentos de tomada de decisão

O processo de tomada de decisões reflecte a essência do conceito de Administração. Dai que,


administrar é decidir, pois a continuidade de qualquer negócio depende da qualidade das
decisões tomadas por seus administradores nos vários níveis organizacionais. E estas decisões,
por sua vez, são tomadas com os dados e as informações visualizados pela contabilidade,
levantados pelo comportamento do mercado e desempenho interno da entidade.

Chiavenato (2003) refere que a decisão é o processo de análise e escolha, entre várias
alternativas disponíveis, do curso de acção que a pessoa deverá seguir, e que existem, no
mínimo, seis instrumentos ou elementos comuns a toda decisão:

 Tomador de decisão - é a pessoa que faz a escolha ou opção entre várias alternativas de
acção;
 Objectivos - são os objectivos que o tomador de decisão pretende alcançar com suas
acções;
 Preferência - são os critérios que o tomador de decisão usa para fazer sua escolha;
 Estratégia - é o custo de acção que o tomador de decisão escolhe para melhor atingir os
objectivos. Depende do recursos de que pode dispor;
 Situação - são os aspectos do ambiente que envolve o tomador de decisão, muitos dos
quais fora do seu controle, conhecimento ou compreensão e que afectam sua escolha;
 Resultado - é a consequência ou resultante de uma dada estratégia.

De acordo com Neves (2006), o processo de tomada de decisão, são baseada numa análise da
DFC, e só se justifica, ao diagnosticar um ou vários problemas, se for possível identificar com
clareza potenciais decisões a serem tomadas, de forma a provocar mudanças, e estas decisões
podem ser tomadas em três níveis:

6
1. Estratégicos – são decisões normalmente de médio e longo prazo que movem todos os
recursos de uma entidade. Em termos financeiros, corresponde ás decisões de
investimento e de financiamento a médio e longo prazo;
2. Operacionais – dizem respeito á actividade corrente, tais como o aprovisionamento,
fabricação e a comercialização, correspondendo ao volume de clientes, existências e
fornecedores;
3. Decisões de tesouraria – correspondem, ás decisões de financiamento de curto prazo, de
forma a que a entidade mantenha a curto prazo um nível mínimo de liquidez.

Se por um lado, a análise de fluxos permitir distinguir quais os fluxos resultantes das decisões
financeiras, por outro lado, dá uma visão dos sucessivos saldos de caixa ao longo dos diversos
ciclos financeiros, contribuindo para uma informação mais apropriada à gestão e ao seu controlo
(Neves, 2006).

2.1.2.Abrangencia e Importância do Fluxo de Caixa

De onde vem, e para onde vai o dinheiro é a questão respondida pela Demonstração do Fluxo de
Caixa, que, através da análise das entradas e das saídas de valores monetários constantes da
contabilidade da companhia, tenta a elaboração permanente ou periódica desse demonstrativo.
Sua importância é traduzida no indispensável equilíbrio financeiro cuja evidência, resultante da
dinâmica empresarial, requer o exame analítico e constante das fontes de recursos e suas
demonstrações no qual o significado é tão relevante quanto o das demais demonstrações
financeiras da companhia, especialmente a do resultado do exercício.

A saúde de uma empresa depende da manutenção de um fluxo de caixa positivo: o dinheiro tem
que entrar tão depressa quanto sai. Uma administração eficiente do fluxo de caixa fará com que a
empresa funcione perfeitamente.

Os problemas de fluxo de caixa são resolvidos com decisões cuidadosas e bem pensadas. Com
isso, se não podem ser evitados, pelo menos podem ser previstos, minimizando-se assim o
impacto sobre a sobrevivência da empresa e a rentabilidade, permitindo ao administrador
planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros de uma empresa para
determinado período.

7
O fluxo de caixa da empresa é um dos eventos mais fundamentais nos quais são baseadas as
mensurações contáveis. Os gestores e os investidores em particular estão bastante interessados
no fluxo de caixa gerado pelos activos da empresa. Este fluxo de caixa não é somente o problema
central de sobrevivência da empresa, mas é essencial para que os objectivos da empresa sejam
alcançados. (Figueiredo; Caggiano, 1997).

Silva (1996) afirma que o fluxo de caixa é considerado um dos principais instrumentos de
análise, propiciando identificar o processo de circulação do dinheiro, pois, ele tem a capacidade
de examinar as entradas e saídas de dinheiro que transitaram pela empresa, assim como o que
ainda não aconteceu, mas que está projectado para o futuro. Portanto, pode-se dizer que o fluxo
de caixa é o instrumento estratégico que permite ao administrador financeiro planejar, organizar,
coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros de uma empresa para determinado período.

Assim, entre os vários relatórios contáveis, a Demonstração de Fluxo de Caixa tornou-se uma
ferramenta indispensável para uma boa gestão de qualquer negócio.

2.1.3.Método para elaboração da demonstração dos fluxos de caixa

O propósito da Demonstração dos Fluxos de Caixa é propiciar informações sobre os


recebimentos e pagamentos de uma empresa durante determinado período. Secundariamente,
objectiva prover ao usuário discernimento sobre os investimentos e actividades financeiras da
empresa. Mais especificamente, a Demonstração do Fluxo de Caixa pode ajudar investidores e
credores a avaliar a capacidade da empresa de gerar fluxo futuro de caixa positivo, saldar as
obrigações e pagar dividendos.

Por intermédio da Demonstração do Fluxo de Caixa a empresa relata informações para o usuário
acerca da origem do caixa gerado e como esse caixa foi consumido. Além de suas próprias
operações, isto é, manufactura, compra e venda de bens ou prestação de serviço a empresa pode
gerar caixa pela venda de activos, emissão de acções, contratação de empréstimos e
financiamentos, entre outros.

8
2.1.4.Administração ou Planeamento do fluxo de caixa

Para uma perfeita análise das informações o Fluxo de Caixa de uma organização deve apresentar
uma estrutura com determinado grau de detalhamento, para que o administrador possa analisar,
entender e decidir adequadamente sobre sua liquidez.

Os Fluxos Operacionais representam todos os gastos relacionados com a produção e


comercialização dos bens e serviços da empresa. Deve conter como entradas a cobrança das
vendas dos produtos/serviços gerados e comercializados; como saídas os elementos que estão
ligados à geração, administração e comercialização de tais produtos como: pagamentos a
fornecedores, gastos com serviços públicos, etc.

Os Fluxos de Investimentos envolvem a aquisição e venda de activos que serão utilizados na


produção de bens e serviços, a concessão e o recebimento de empréstimos, as movimentações
relativas às aplicações financeiras e as participações em outras empresas.

2.2.Análise da gestão de caixa

A administração do caixa compreende uma tarefa de suma importância para a empresa. A grande
maioria dos fracassos empresariais tem fortalecido a convicção de que a principal razão da
chamada mortalidade precoce das pequenas empresas é a falta da habilidade gerência de seus
administradores. Neves (1998)

2.2.1.Fluxo de caixa histórico x projectado

Existem duas formas para tratamento das informações relativas ao Fluxo de Caixa:

 A primeira forma refere-se ao fluxo de caixa histórico, que apresenta o desempenho do


passado;
 E a segunda ao fluxo de caixa projectado, que procura antever as situações relacionadas
ao caixa das organizações.

O fluxo de caixa histórico ou Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) coloca-se como


instrumento complementar às demais demonstrações contáveis, especialmente ao balanço
patrimonial e à demonstração de resultado do exercício. Procura esclarecer e historiar as
actividades operacionais de investimento e de financiamento, estabelece o rastreamento da

9
actividade passada com vistas a elucidar pontos críticos no desempenho financeiro das
organizações, fornecendo subsídios para a tomada de decisões, correcção de rumos e
incrementos de resultados.

Sua análise permite avaliar a forma como o recurso de cada fonte vem sendo aplicado e
proporciona uma visão acerca do crescimento da organização. Também, aliado aos outros
indicadores, serve como base para a construção do Fluxo de Caixa Projectado.

2.2.2.Estrutura da demonstração do fluxo de caixa

Para uma perfeita análise das informações, o Fluxo de Caixa de uma organização deve apresentar
uma estrutura do determinado grau de detalhamento, para que o administrador possa analisar,
entender e decidir adequadamente sobre a liquidez.

Segundo Assaf Neto E Silva (1997) explicam que o fluxo de caixa, de maneira ampla, é um
processo pelo qual a empresa gera e aplica seus recursos de caixa determinados pelas várias
actividades desenvolvidas, onde as actividades da empresa dividem-se em operacionais, de
investimentos e de financiamento.

2.2.3.Métodos para elaboração da demonstração do fluxo de caixa

2.2.3.1.Método directo

O Método Directo consiste em classificar os recebimentos e pagamentos de uma empresa


utilizando as partidas dobradas. A vantagem deste método é que gerar as informações com base
em critérios técnicos, eliminando, portanto, qualquer interferência de legislação fiscal. Este
caracteriza - se por apresentar os componentes dos fluxos por seus valores brutos, ao menos para
os itens mais significativos dos recebimentos e dos pagamentos, tornando-se mais informativo,
pela clareza com que revela as informações do caixa. Assaf Neto (1997)

2.2.3.2.Método indirecto

É o método em que as empresas ao decidirem não mostrar os recebimentos e pagamentos


operacionais deverão relatar à mesma importância do fluxo de caixa líquido das actividades
operacionais indirectamente, ajustando o lucro líquido par reconciliá-lo ao fluxo de caixa das
actividades operacionais eliminando os efeitos de todos os deferimentos e pagamentos

10
operacionais passados e de todas as provisões de recebimentos e pagamentos operacionais
futuros e de todos os itens que são incluídos no lucro líquido que não afectam recebimentos e
pagamentos operacionais Assaf Neto (1997)

2.3.Evolução do Sistema de Contabilidade Empresarial de Moçambique

A evolução da contabilidade em Moçambique conheceu três fases diferentes. Sendo assim,


verifica-se que a primeira surgiu nove anos após a declaração da independência nacional em
1975. Isto é, após a independência, o País viveu uma era de reestruturação económica e
administrativa, caracterizada pela nacionalização de infra-estruturas físicas e económicas. E,
existindo empresas privadas, em 1984, ainda República Popular de Moçambique, foi aprovada a
Resolução nº 13/ 84 de 14 Dezembro, cujo objectivo era de introduzir um Sistema de
Contabilidade para Sector Empresarial de Moçambique.

Com está resolução, Moçambique passou a apoiar-se para regulamentar as actividades do sector
privado, permitindo deste modo dar maior informe ao governo de modo a regular a actividade
económica bem como definir as políticas fiscais e tributárias. Desta forma, importa referir que as
políticas fiscais constituem o processo de administração das receitas e despesas públicas e as
tributárias são mecanismos usados por este orgão que permitem obter as receitas necessárias para
fazer face as despesas públicas.

DF’s, os primeiros para fins locais e o segundo para fins de gestão interna da empresa,
comparação e submissão ao Mercado de Capital Internacional.

Tabela 1: Resumo da evolução da contabilidade em Moçambique

Período Normativo Objectivos


1984 - 2006 Resolução nº 13/84 de 14  Introdução do SCE em Moçambique
Dezembro
2006 - 2009 Decreto nº 36/2006 de 25 de  Fazer face ao desenvolvimento
Julho tecnológico Mundial
Actualmente Decreto nº 70/2009 de 22 de  Desenvolver mercado de capital;
Dezembro  Responder as necessidades de
investimentos estrangeiros;
 Necessidades de harmonizar o sistema de

11
contabilidade
Fonte: Decreto nº 36/ 2006

2.4.Importância da Informação Financeira

Actualmente, a informação financeira passou a ser o mecanismo mais importante para a tomada
de decisões de forma adequada pelos administradores e esta, bem apresentada pode contribuir no
crescimento das Empresas. Deste modo, de acordo com Serra (s.d) para que a informação seja
útil aos seus utentes deve apresentar os seguintes requisitos:

 Objectividade – corresponder a factos, não depender da informação pessoal do


informador;
 Inteligibilidade – ser perceptível para os utilizadores;
 Relevância – a informação deve ser pertinente para a tomada de decisão, ou seja, deve
estar relacionada com a mesma;
 Oportunidade – estar disponível no momento em que é necessária;
 Rendibilidade – o custo de obter a informação não deve ser superior ao proveito de
utilizar a mesma;
 Credibilidade – deve ser credível para que todos os utentes a quem ela se destina possam
retirar conclusões idóneas.

No entanto, devido aos requisitos acima referidos a contabilidade passou a exercer um papel
importante na economia como uma técnica de informação e não simplesmente de registo que
visava controlar e preservar bens, isto é, devido a complexidade e a globalização do mundo
empresarial, as empresas são exigidas a clarificarem as suas informações económicas e
financeiras, obrigando-se a cumprirem com os requisitos mencionados.

Nabais e Nabais (2010), afirmam que a Contabilidade é uma importante fonte de informação
para todos os possíveis interessados (sócios, administradores, Estado, credores, concorrentes,
etc) e, no seu entender as informações podem ser:

a) Internas – aquelas que abrangem a actividade interna de uma empresa, onde há uma
preocupação em conhecer os gastos, os rendimentos e os resultados, por centros ou
produtos, e apoiam a tomada de decisões;

12
b) Externas – refere as que são úteis aos administradores da empresa mas também aos
sócios, a outras empresas concorrentes, ao Estado, aos credores, etc.

2.5.As Decisões Financeiras

A contabilidade desde muito já vem revelando que o Balanço Patrimonial de uma empresa é
composto por dois membros, o primeiro designado por Activo e o segundo por Passivo e Capital
Próprio e, ao mesmo tempo tem afirmado que o primeiro não existe sem que antes exista o
segundo. Supondo-se que a empresa está no momento da sua constituição e não existem nenhum
investimento de capital (activos tangíveis e intangíveis) na sua estrutura é lógico que o primeiro
ponto de partida será recorrer a um financiamento que pode ser interno ou externo. Neste caso, o
Interno seria por vias dos sócios e o externo seriam por via de credores comerciais ou outros
credores.

Desta forma, diz-se que houve uma decisão financeira. Uma decisão que envolveu uma
necessidade de financiamento para efectuar um investimento, por isso, diz-se que ao obter os
activos corresponde uma decisão de investimento tomada pelos administradores da empresa
enquanto, se esta optar recorrer a terceiros por via de aquisições a crédito de longo prazo de
vários elementos do património (recurso financeiros, materiais e imobilizados) por via de passivo
e ou de capital próprio diz-se houve uma decisão de financiamento.

E ainda complementado de forma mais explícita o que foi anteriormente dito, Nabais & Nabais
(2011), afirmam que as decisões financeiras tradicionalmente são classificadas de curto e de
médio e longo prazo.

 Decisões financeiras de curto prazo - são as que centram-se na gestão de fundo de


maneio e na gestão da tesouraria. Por outras palavras pode-se dizer que são as decisões de
investimento operacional e, destacam-se:
a) Gestão do activo circulante – aqui refere que as decisões a tomar centram-se nas
disponibilidades, no controlo do crédito concedido aos clientes, no controlo financeiro
dos inventários e na aplicação dos excedentes temporários de tesouraria em depósitos a
prazo e em títulos negociáveis.

13
b) Gestão dos Débito a curto prazo – são as decisões a tomar, tem por domínio de
actuação os créditos obtidos dos fornecedores e de outros credores e a cobertura dos
défices temporários de tesouraria.
c) Decisões financeiras de médio e longo prazo – aqui encontramos, as decisões de
investimento e de financiamento e ainda as de distribuição de resultados e segundo os
autores afirmam que estas decisões estão inseridas na estratégia financeira da empresa.

2.6.Criação de Projecção de Fluxo de Caixa

Uma das formas mais comuns de saber a Caixa Projectado de sua empresa para meses e até
mesmo anos à frente, é partir das estimativas obtidas com o Orçamento Empresarial. Isto porque
o Orçamento Empresarial é um instrumento de gestão que já traz as previsões de receitas, custos,
despesas e investimentos, em geral, para pelo menos 01 ano futuro.

Além disto, sua empresa precisa conhecer seus Prazos Médios de Pagamento e Recebimento.

 Prazos Médios de Pagamento: é o tempo entre a data da compra e o pagamento efectivo


ao fornecedor. Por exemplo, se sua empresa compra matérias-primas e paga seu
fornecedor em duas vezes (1+1), seu prazo médio de pagamento vai ser de 50% a vista e
50% em 30 dias.
 Prazos Médios de Recebimento: é o tempo entre a venda e o efectivo recebimento do
dinheiro. Por exemplo, se sua empresa vende parcelado em 3x sem entrada, seu prazo
médio de recebimento vai ser de 33% em 30 dias, 33% em 60 dias e 34% em 90 dias.

Pronto! Basta aplicar os prazos médios de pagamento e recebimento nas informações obtidas
com o Orçamento Empresarial e sua empresa vai ter uma Projecção de Fluxo de Caixa.

2.6.1.Estrutura de uma Projecção de Fluxo de Caixa

Independente das particularidades de análise de cada empresa é fundamental que a Projecção de


Fluxo de Caixa esteja dividida em pelo menos três grandes grupos que vão facilitar a
compreensão do que a empresa tem, quanto ela ganha, o que ela gasta, quanto tem para investir e
quando pode investir. Estes grupos são:

 Actividades Operacionais: é o que mantém a empresa funcionando. É neste grupo que


estarão as receitas das vendas de mercadorias e serviços, os custos de produção, as
14
despesas de venda e administração. Desde a compra de matéria-prima e gastos com
transporte até o pagamento de funcionários e a energia eléctrica. É aqui que estará o dia-
a-dia do negócio.
 Actividades de Investimento: neste grupo é onde devem aparecer todas as
movimentações referentes a investimentos, como a compra de bens para empresa
(computadores, móveis, máquinas, equipamentos, veículos, etc.) e também investimentos
financeiros (aplicações), se for o caso.
 Actividades de Financiamento: por fim, neste grupo devem ser listadas todas as
entradas e saídas provenientes de actividades de financiamento, como pagamento de juros
e amortização de empréstimos bancários.

Desta forma, o conceito de cash-flow passa a incluir as vendas e os custos (excluindo


obviamente os custos que não representam movimentos monetários como por exemplo as
amortizações de instalações e equipamentos) e não os recebimentos e os pagamentos.

Fórmula de Cálculo do Cash-Flow ou Fluxo de Caixa:

CF = RL + AA - REx

Onde:

 FC / CF é o fluxo de caixa ou cash-flow,


 RL os resultados líquidos,
 AA as amortizações e outros ajustamentos de valor efectuados aos activos
 REx os resultados extraordinários.

2.6.2.Abrangência do fluxo de caixa

Foi comentado que o fluxo de caixa descreve as diversas movimentações financeiras da empresa
em determinado período de tempo, e sua administração tem por objectivo preservar uma liquidez
imediata essencial à manutenção das actividades da empresa. Por não incorporar explicitamente
um retorno operacional, seu saldo deve ser o mais baixo possível, o suficiente para cobrir as
várias necessidades associadas aos fluxos de recebimentos e pagamentos.

15
Deve-se ter em conta que saldos mais reduzidos de caixa podem provocar, entre outras
consequências, perdas de descontos financeiros vantajosos pela incapacidade de efectuar
compras a vista junto aos fornecedores. Por outro lado, posição de mais elevada liquidez
imediata, ao mesmo tempo em que promovem segurança financeira para a empresa, apura maior
custo de oportunidade. Em essência, este é o dilema risco e rentabilidade presente nas finanças
das empresas.

Tabela 2: Os momentos do fluxo de caixa de projecto

Fluxo de caixa durante o período de análise


Período Fluxo de Caixa Caracterização
Geralmente ocorre cash flow
(COF) ou saída que traduzem
Momento inicial Investimentos investimento em imobilizados
(construções, equipamentos,
estudos, licenças, etc) e fundo de
maneio de arranque.
Haverá cash in flow (CIF) e cash
out flow (COF) por ocasião das
vendas e dos custos, tendo em
Período das operações Cash flow das operações
conta o investimento em fundo
do maneio: Variação de crédito
(obtido e concedido), variação de
estoque reserva de segurança da
tesouraria de exploração.
Cash flow na continuidade se o
projecto inferir-se a uma
empresa que continuará a operar
indefinidamente ou em que o fim
Período da continuidade ou Perpetualidade ou valor
terminal contabilístico das suas operações é
desconhecido. Sendo um
projecto cujo final é conhecido
com razoabilidade ou cash flow
terminal, termina-se pelo valor
de liquidação dos principais
activos de estoque remanescente.
Fonte:, 2020

16
Com o funcionamento do projecto nem todas as vendas reverterão a favor da empresa da forma
de cash flow; como tivemos a ocasião de ver, haverá credito concedido aos clientes. Com efeito,
durante a fase de exploração o fundo de maneio resultarão da diferença entre:

 As contas dos clientes de estoque de matéria-prima e estoque de produto, por um lado; e


 As contas de fornecedores e outros credores, por outro lado.

De uma forma geral, as necessidades de fundo de maneio dependem do tipo de actividade da


empresa (comercio, industria ou serviços), pois que o ciclo de cash to cash (tesouraria) poderá
ser mais longo ou mais curto. Por último, temos duas observações:

 O investimento em fundo de maneio correspondera a diferença entre o fundo de maneio


depois de período sucessivos.
 A falta de consideração do fundo de maneio em análise de investimento conduzira a um
erro grave na tomada de decisões.

Deste modo, com ajustamento das contas de exploração pela s contas do fundo de maneio (conta
do balanço), o cash flow de exploração resultara de:

CF = (V – C) x ( 1- T) + AR- WC = EBIT x (1 – T) + AR – WC

Onde:

 EBIT = Resultados antes do juro de imposto, decorrente da diferença entre proveitos e


custo de exploração antes da função financeira.
 T = Taxa de imposto
 AR = Amortizações dos exercícios. Trata-se de um ajustamento por se tratar de um custo
não desembolsáveis que apenas serve para a poupança fiscal.
 WC = investimento em fundo de maneio

Repare que se o período inicial for incluído, o cash flow terá a seguinte formulação:

CF = EBIT x (1 – T) + AR – WC – CAPEX

Sendo CAPEX, o valor de investimento imobilizado. Ressalta-se que é usual referir-se a cash
flow bruto ( Grouss Cash flow, GCF) como o cash flow antes de investimento. Ou seja:

GCF = EBIT x (1 – T) + AR.

17
2.6.3.Principais regras sobre fluxo de caixa de Projecto

A estimativa dos fluxo de caixa devera obedecer as seguintes regras:

 Os fluxos de caixa devem ser líquidos de impostos sobre resultados;


 Os fluxos de caixa devem ser incrementais: Apenas os cash flow que dizem respeito ao
projecto, deverão ser considerado. Todos os Cash in Flow e Cash Out Flow que podem
ser identificados, como resultados directo do projecto, incluído as consequências de
projecto, noutros negócios da empresas.
 Os fluxos de caixa devem ser consistentes com a taxa de desconto. Em particular, cash
flow para accionistas ( cash flow to equity, CFE) devem ser descontáveis a taxa de custo
de capital dos accionistas e cash flow para empresa ( cash flow to the firm, também, Free
Cash flow, FCF) devem ser descontado a taxa de custo médio ponderado do capital
(WACC).

2.6.4.Dimensão do fluxo de caixa

Na elaboração de um projecto, é necessário quantificá-lo para poder saber em que momento


ocorrerá às saídas e as entradas de recursos.

A este procedimento denominamos dimensionamento do fluxo de caixa.

O fluxo de caixa nada mais é do que a sincronização dos ingressos e desembolsos de um projecto
durante sua vida útil, a fim de que, com algumas técnicas de análise de investimento, se possa
avaliar a sua viabilidade financeira de implantação.

Para dimensionar o fluxo de caixa de projecto é preciso que se tenha claro todo e qualquer
desembolso que o projecto irá gerar, e todas as despesas desembolsáveis que terá, a fim de que se
possa saber em que momento a empresa fará o efectivo desembolso e terá o efectivo ingresso de
recursos.

2.6.5.Componente da projecção do cash flow

Basicamente, o investimento caracteriza-se por um desembolso inicial em prol da obtenção de


uma série de ganhos futuros. Para a definição do cash flow do projecto, é necessário que se

18
defina primeiramente o horizonte de análise, que também chamamos de horizonte de projecção.
Normalmente este horizonte corresponde à vida útil do projecto.

Durante o período de vida útil do projecto, é necessário construir a projecção dos fluxos de caixa
futuros. Geralmente essas estimativas são realizadas com base em três elementos:

1. Investimento inicial

Corresponde aos gastos incorridos no início do investimento. Devem ser considerados todo e
qualquer desembolso de recurso que o investimento necessite, como: valor das máquinas e
equipamentos, despesas de montagem e treinamento pessoal.
Caso o projecto de investimento a ser implantado venha substituir um projecto já existente e o
projecto existente tenha um valor de revenda, este deverá servir para abater o valor inicial do
projecto a ser implantado.

2. Fluxos de caixa incremental

É um dos mais importantes conceitos em finanças para a tomada de decisão. Por incremento
entende-se a alteração ocorrida nos fluxos de caixa da empresa em função da realização do
investimento, ou seja, a contribuição do fluxo de caixa que o projecto irá gerar no futuro para a
empresa. Nesta perspectiva é importante levar em consideração três pontos:

a) Valor de revenda dos activos: consiste no valor que pode ser obtido pela empresa pela
venda dos activos após sua vida útil.

Exemplo – Uma determinada empresa adquire uma frota de veículos e define que a vida útil da
mesma é de dez anos. Após este período a empresa vende esta frota. O recurso decorrente da
venda deve ser considerado com o ingresso do projecto em seu fluxo de caixa.

b) Investimento em capital de giro: muitas vezes os projectos de investimento necessitam


que a empresa também disponibilize recursos para aquisição de estoques e financiamento
de clientes. Chamamos estes recursos empregados de investimento em capital de giro do
projecto, que deverá ser considerado no início do mesmo e retornar ao final.
c) Valor residual: corresponde ao valor de revenda do projecto de investimento ao final de
sua vida útil para a empresa. No caso de uma máquina, por exemplo, o valor que poderá

19
ser vendida como sucata, e deve ser considerado como um ingresso de recurso do
projecto em seu fluxo de caixa.

Os investimentos feitos por qualquer empresa devem possuir capacidade de gerar fluxo de caixas
incrementais. Devemos entender como incremental os valores relevantes para a avaliação que se
originam em consequência da decisão de investimento.

O fluxo de caixa de um projecto de investimento é um modelo matemático que visa mostrar as


diversas entradas e saídas efectivas de dinheiro ao longo do horizonte do planeamento do
projecto e que ocasionarão impacto na economia da empresa e, permitindo, dessa maneira
conhecer a rentabilidade e viabilidade económica. Nesse sentido, os fluxos de caixa representam
a renda económica gerada pelo projecto ao longo de sua vida útil.

A construção do fluxo de caixa de um projecto de investimento deve ser realizada para que o
projecto possa ser analisado com vistas na tomada de decisão sobre a implantação ou não.

Os principais aspectos que devemos considerar na montagem do fluxo de caixa são:

 O valor do investimento a ser realizado durante a execução do projecto;


 A vida útil de cada componente dos investimentos;
 O valor das receitas, ano a ano, esperada para o projecto, durante sua vida útil;
 A evolução dos custos (fixos e variáveis) prevista para cada ano;
 O valor de recuperação que se espera obter graças a venda dos resíduos do projecto, ao
final de sua vida útil.

2.7.Demonstrações financeiras

Segundo a IAS as demonstrações financeiras são representações estruturadas da posição


financeira e do desempenho financeiro de uma determinada entidade com o objectivo de
proporcionar informação fiável acerca da posição financeira, do desempenho financeiro e de
fluxo de caixa de uma determinada entidade que seja útil a uma vasta gama de
gestores/tomadores nas respectivas tomadas de decisões económicas, permitindo,
simultaneamente mostrar os resultados da gestão por parte destes dos recursos que lhes foram
confiados e colocados à disposição.

20
2.7.1.Instrumentos Base da Análise Financeira

É tarefa da Análise Económica e Financeira examinar, de forma detalhada, os dados financeiros


relativos a uma determinada empresa.

Os instrumentos base da análise financeira tende a ser essencialmente a informação financeira


divulgadas pelas empresas e de mais organizações, de natureza maioritariamente contabilística,
mas também de natureza extra contabilística, desde que se revele importante para o objectivo
pretendido.

Segundo Ribeiro (2010, p. 40) “Demonstrações Financeiras são relatórios ou quadros técnicos
que contém dados extraídos dos livros, registos e documentos que compõem o sistema
contabilístico de uma entidade.” Os registos contabilísticos realizados periodicamente pelas
empresas são a fonte dos dados para o processo de elaboração das Demonstrações Financeiras.

As demonstrações financeiras de uma empresa apresentam informações que revelam suas


operações por um período de tempo, e quando analisadas permitem detectar quais são os
aspectos fortes e fracos apresentados em suas actividades operacionais e não operacionais, bem
como suas potencialidades, auxiliando assim, a tomada de decisão.

As Demonstrações Financeiras são o conjunto de informações que devem ser elaboradas pelas
empresas e demais entidades com o objectivo de proporcionar informações sobre a posição
financeira, o desempenho e as alterações na posição financeira de uma entidade e que seja útil a
um conjunto alargado de utilizadores para tomarem decisões económicas. Para dar uma maior
clareza sobre as demonstrações Contabilísticas serão elencadas de forma sucinta cada uma delas,
no intuito de apresentar uma visão geral das mesmas, conforme a seguir:

2.8.Balanço Patrimonial

O Balanço Patrimonial é um demonstrativo que traz importantes informações sobre a estrutura


contabilística e os seus elementos directamente relacionados com a mensuração do balanço são
os activos, passivos e capital próprio. Conforme exposto por Kroetz (2000:36), “nele se sintetiza,

21
na forma de origem e aplicações, a riqueza da entidade, servindo de ferramenta para análises e
controles, objectivando estudar o comportamento e tendências do património”.

ACTIVO 31-dez-2018 31-Dez-2019

Activo não corrente

Activos tangíveis 331.200,84 183.690

Depreciações acumuladas - 72.251,28 -31.171

Total do activo não corrente 258.949,56 152.519

Activo corrente

Outros devedores 70.059,60 -------

Bancos 1.108.579,63 133.491

Total do activo corrente 1.178.639,23 133.491

TOTAL DO ACTIVO 1.437.588,79 286.010

CAPITAL PROPRIO E PASSIVO

Capital social 20.000,00 20.000,00

22
Resultados transitados 141.047 --------

Resultado liquido do exercício 972.672,50 141.047

TOTAL DO CAPITAL PROPRIO 1.133.674,50 161.047

Passivo corrente

Impostos a pagar 106.614,34 33.777

Outros credores 197.299,93 91.186

TOTAL DO PASSIVO 303.914,27 124.963

TOTAL DO CAPITAL PROPRIO E PASSIVO 1.437.588,79 286.010

2.9.Demonstração do Resultado do Exercício

A Demonstração do Resultado do Exercício é uma peça contabilística que apresenta a gestão


económica e financeira de uma empresa. ConformeAssaf Neto (2001:75), esse demonstrativo
“visa a fornecer, de maneira esquematizada, os resultados (lucro ou prejuízo) auferidos pela
empresa em determinado exercício social”.

23
2018 2019

PROVEITOS OPERACIONAIS

Prestação de serviços 3.138.170,05 768.420

Total dos proveitos operacionais 3.138.170,05 768.420

CUSTOS OPERACIONAIS

Gastos com o pessoal 672.000,00 91.500

Fornecimento e serviços de terceiros 1.253.252,27 504.702

Depreciação do período 41.081,28 31.170,98

Total dos custos operacionais 1.966.333,55 627.372,98

Resultado antes do imposto 1.171.836,50 141.047,02

Imposto sobre rendimento -199.209 ------

Resultado liquido do exercício 972.627,50 141.047,02

24
2.10.Demonstração do Fluxo de Caixa

A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), procura explicar a forma como é gerado e utilizado
o dinheiro evidenciando os fluxos de recebimentos e de pagamentos de determinada entidade no
exercício económico, e reconciliando o saldo inicial e final de caixa e seus equivalentes.
Além destas demonstrações, a Demonstração de Fluxo de Caixa, mesmo não sendo obrigatória,
as empresas vem publicando com o objectivo de fornecer informações sobre a movimentação das
disponibilidades da empresa e demonstrar o impacto final de tal movimentação nesse grupo de
contas, tendo como objectivo principal explica a variação da disponibilidade imediata da
empresa.

2018 2019

Fluxo de caixa de actividades operacionais

Fluxo de caixa gerado pelas operações 2,434,155,631 2,510,816,511

Juro pago (117,609,354) (417,505,938)

Impostos pagos (503,655,385) (433,961,857)

Fluxo líquido de caixa de actividades operacionais 1,812,890,892 1,659,348,716

Fluxo de caixa de actividades de investimento

Aquisição de activos fixos tangíveis (1,031,849,086) (787,261,841)

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Juro recebido 2,123,063 1,970,349

Receitas da venda de activos fixos tangíveis 1,739,613 24,457,646

Fluxo líquido de caixa de actividades de investimento (1,027,986,410) (760,833,846)

Fluxo de caixa de actividades de financiamento

Reembolsos de empréstimos (1,783,177,430)

Emissão de acções 1,090,082,246

Dividendos pagos (696,525,876) (863,740,519)

Fluxo líquido de caixa de actividades de (696,525,876) (1,556,835,703)


financiamento

(Decréscimo) / Acréscimo líquido em caixa e 88,378,606 (658,320,833)


equivalentes de caixa

Caixa e equivalentes de caixa em 1 de Abril (850,010,393) (191,689,560)

Caixa e equivalentes de caixa em 31 de Março (761,631,787) (850,010,393)

26
CAPITULO III – METODOLOGIA

3.1.Introdução

A origem epistemológica do termo metodologia provém do termo grego “ methodos” que


traduzido em português significa “ método”, ou seja “o conjunto sistemático de regras e
procedimentos que, se devidamente respeitados em uma pesquisa científica, conduzem a
resultados consistentes”. (Tartuce, 2006, p.11).

Já a metodologia científica, pode ser conceituada como o estudo dos caminhos a percorrer para
se realizar uma pesquisa (Fonseca, 2002). Ao passo que Beuren (2004, p.67), explica que a
metodologia científica tem como função “mostrar como andar no caminho das perdas da
pesquisa”. Para Marconi e Lakatos (2008), consideram que esta deve ser definida com base no
problema da pesquisa formulado. Portando, falar do método é mesmo de falar de metodologia
científica. Portando, falar do método é mesmo de falar de metodologia científica. Neste capítulo,
iremos abordar os métodos usados para a condução da pesquisa, tendo em conta que trata-se de
uma pesquisa da abordagem qualitativa.

3.2.Quanto abordagem

Para a pesquisa usou-se o enfoque qualitativo. A utilidade desta abordagem de acordo com
diversos autores, reside no facto de nesta assumir-se que a realidade é uma construção social

27
subjectiva que será construída da interacção entre o pesquisador e o fenómeno em estudo, sendo
que a forma de conhecer a realidade é por meio da interpretação dos significados que os actores
atribuem ao fenómeno, e tem como compreender os significados co-produzidos pelos actores em
contexto. (Flick, 2005).

A pesquisa qualitativa, na óptica de Prodanov e Freitas (2013), estabelece uma relação dinâmica
entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objectivo e a
subjectividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. Nesta abordagem, o
pesquisador é ao mesmo tempo o sujeito e objecto da pesquisa e não se preocupa com a
representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compressão de um grupo
social, tais como: uma organização, instituição e pessoas.

Outro aspecto, preocupa-se com os aspectos que não podem ser quantificados, centrando-se na
compreensão e explicação da dinâmica das relações sociais, tem como característica descrever,
compreender e analisar, a precisão da relação entre o global e o local em determinado fenómeno
(Minayo, 2007).

3.3.Quanto aos objectivos

Quanto aos objectivos, recorreu-se a pesquisa exploratória. GIL (1999), afirma que este tipo de
pesquisa “tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias,
tendo em vista, a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos
posteriores”.

Com esta pesquisa, pretendeu-se colher dados credíveis, de modo a esclarecer a situação de fluxo
de caixa como instrumento de tomada de decisão na Shoprite de Pemba.

3.4.Quanto aos procedimentos e técnicas de colecta de dados

O método de procedimento consiste em etapas mais concretas da investigação, com finalidade


mais restrita em termos de explicação geral dos fenómenos e menos abstractos. Este pressupõe
uma atitude concreta em relação ao fenómeno e estão limitados a um domínio particular
(LAKATOS e MARCONI, 2006:34).

Para efeitos de nossa pesquisa escolhemos como método de procedimento o monográfico.


Segundo Gil (1999:35), o método monográfico é aquele que parte do princípio de que o estudo
28
de um caso em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros ou mesmo de
todos os casos semelhantes. Estes podem ser casos individuais, instituições, grupos,
comunidades.

E quanto, a técnica significa a forma segura e ágil para se cumprir algum tipo de actividade, com
a utilização dos instrumentos apropriados. Ao passo que colecta de dados é a fase da pesquisa em
que se reúnem dados ou informação por meio de técnicas ou instrumentos específicos. (Minayo,
2007, p.36). Por técnica de colecta de dados define-se como: “o conjunto de preceitos ou
processos que se serve uma ciência para a obtenção de seus propósitos nas fases da colecta de
dados”. (Marconi & Lakatos). Tratando-se da pesquisa do enfoque qualitativo, as técnicas
escolhidas de colecta de dados foram as seguintes:

a) Questionário: instrumento constituído por “uma serie de perguntas que devem ser
respondidas por escrito pelo informante, sem a presença do pesquisador”. (Minayo,
2007). Também o questionário é concebido como “uma conversa escrita entre duas ou
mais pessoas das quais uma delas é o entrevistador e as demais são entrevistados”
(Marconi & Lakatos 2004).

Durante a pesquisa, foi feito um questionário com perguntas dirigidas aos colaboradores da
Shoprite para saber se tem noção sobre o fluxo de caixa. A escolha deste modelo deveu-se ao
facto de esta técnica permitiu obter informações importantes sobre opiniões, sentimento,
expectativas perspectivas e experiências.

b) Entrevista: instrumento de pesquisa utilizado com o objectivo de “colectar dados,


oralmente ou por escrito. Consiste em uma interacção social na forma de diálogo
assimétrico, em que uma das partes busca colectar dados do entrevistador e a outra se
apresenta como fonte de informação entrevistados (Gil, 2007). A entrevista dirigida aos
funcionários face a face de maneiras metódica junto aos trabalhadores de modo a
verificar a sua avaliação acerca do fluxo de caixa.
c) Observação Directa: observação é uma técnica que faz uso dos sentidos para a
apreensão de determinados aspectos da realidade. Esta consiste em ver, ouvir e examinar
os factos, fenómenos que se pretende investigar. Esta técnica desempenha papel

29
importante no contexto da descoberta e obriga o investigador a ter um contacto mais
próximo com o objecto de estudo. (Minayo, 2002).

Marconi e Lakatos (2004), ambos defendem que a validade desta técnica, fundamenta-se na
“colecta de dados para conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados
aspectos da realidade”. Segundo Gil (2007), existem três tipos de técnicas de observação, sendo:
a) a primeira observação simples ou assistemática; b) segunda observação sistemática não
participante ou passiva; e c) terceira observação participante ou directa.

a) Observação simples: nesta o pesquisador permanece abstraído da situação estudada, apenas


observa de maneira espontânea como os factos ocorrem e controla apenas os dados obtidos (Gil,
2007);

b) Observação não participante: o pesquisador não se integra ao grupo observado,


permanecendo-se de fora. Presencia os factos, mas não participa neles, não se deixa envolver
pelas situações, faz o papel de espectador. (Gil, 2007); e

c) Observação directa: o pesquisador participa até certo ponto como membro da população
estudada de modo a ganhar confiança pelo grupo ser influenciado pelas características dos
elementos do grupo e ao mesmo tempo, consciencializá-los da importância da investigação. (Gil,
2007);

Neste os fenómenos são observados directamente na própria realidade, Fonseca (2002) e Gil
(2007), defende que na observação directa “os factos são percebidos de forma directa, sem que
haja qualquer tipo de intermediação, sendo considerada uma vantagem, em comparação as
demais técnicas”.Para a pesquisa, usou-se a técnica de observação directa, pois, esta tem como
vantagem permite captar uma variedade de fenómenos que não são obtidos por meio de
perguntas de forma directa.

Pesquisa bibliográfica: fundamenta-se em fontes bibliográficas e os dados são obtidos a partir de


fontes escritas, obras escritas imprensas em editoras, comercializadas em livrarias e classificadas
nas bibliotecas. Esta é considerada a mãe das pesquisas (Fonseca 2002, p.32). A opção pela
escolha deveu-se da necessidade de consultar diferentes fontes bibliográficas de modo a poder

30
melhor fazer o enquadramento teórico e ter ilações das semelhanças e possíveis diferenças
conceptuais na literatura.

Nesta precisávamos de bases teóricas (manuais, e artigos científicos) para sustentar o tema. Esta,
segundo Ivala (2007), “é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído
principalmente de livros e artigos científicos”.

Pesquisa electrónica: consiste em informações extraídas de endereços electrónicas


disponibilizados em home page e site, a partir de livros, manuais. (Fonseca 2002, p.32).

Pesquisa documental: elaborada a partir de documentos contemporâneos considerados


cientificamente autênticos. Esta abrange consulta de arquivos públicos, privados, dados de
registo, de recenseamento. (Fonseca 2002, p.32). O uso deste justificou-se pela necessidade de
analisar dados sobre pobreza, projecções de crescimento populacional, normas legais
administrativas.

3.4.1. Pesquisa Bibliográfica

Na óptica de GIL (1999), “a pesquisa bibliográfica obtêm os dados a partir de trabalhos


publicados por outros autores, como livros, obras de gerência, periódicos, teses e dissertações”.

Neste trabalho, esta técnica consistiu na consulta de bibliografias disponíveis relacionadas com o
tema em análise com o objectivo de conhecer as diferentes contribuições científicas sobre o
tema.

31
3.4.2.Pesquisa Documental

Para este tipo de pesquisa, suas características, pode ser confundida com a bibliográfica. Para Gil
(2002) destaca como principal diferença entre esses tipos de pesquisa a natureza das fontes de
ambas as pesquisas. Enquanto a bibliográfica se utiliza fundamentalmente das contribuições de
vários autores sobre determinado assunto, a pesquisa documental baseia-se em materiais que não
receberam ainda um tratamento analítico ou que podem ser reelaborados de acordo com os
objectivos da pesquisa. Pesquisa documental.

3.4.3.Estudo de Caso

De acordo com Fonseca (2002), este método é amplamente usada nas ciências sociais e tem por
objectivo conhecer e investigar fenómenos contemporâneos dentro do seu contexto de vida real,
em situações em que as fronteiras entre o fenómeno e o contexto não estão claramente
estabelecidos, onde se utilizam múltiplas fontes de evidências com profundidade o como e o
porquê de uma determinada situação, procurando descobrir o que há nelas o mais essencial e
característico.

3.5.Quanto a natureza

De acordo com Gil (2007), a pesquisa, pode ser conceituada como a acção metódica ou
investigação através do qual se busca uma resposta a um problema de natureza científica (p.17).
Neste sentido, durante a pesquisa são usados diferentes tipos. Para autores como Flick, et., alt
(2005), os principais métodos usados para a pesquisa do tipo qualitativo são: a) hermenêutico; b)
etnográfico; c) investigação acção; e d) estudo de caso.

Neste contexto, para a pesquisa, foram usados os seguintes métodos:

a) Método hermenêutico: a base empírica que sustenta este método reside nos textos
produzidos pelo pesquisador, tendo suporte os registos efectuados durante as entrevistas
ou textos provenientes da pesquisa documental. (Flick, e tal., 2005).
b) Método etnográfico: a base que sustenta este método na análise do pesquisador é o
contexto cultural simbólico das pessoas e comunidades. Constituem como notas de
campo o meio principalmente privilegiado para a recolha de dados, sendo que a
observação naturalista a técnica usada. (Flick, e tal., 2005).

32
c) Investigação acção: este método é usado habitualmente quando o pesquisador pretende
estudar um determinado tipo de programa de intervenção social. Recorre também ao uso
das entrevistas como principal instrumento de recolha de dados. (Flick, e tal., 2005). Por
sua vez Fonseca (2002), considera que: “a pesquisa acção é um tipo de investigação
social com base empírica em estreita associação com a acção no qual o pesquisador e os
participantes representativos da situação estão envolvidos de modo participativo”.
d) Dedutivo: pois a mesma parte de teorias e leis mais gerais para a ocorrência de
fenómenos particulares.

Também é importante para estudo de fenómenos sociais geralmente fenómenos complexos, com
a triangulação de diferentes técnicas de colecta de dados para captar a complexidade que se
reveste o estudo (Flick, e tal., 2005).

3.6.Populacao e Participantes do estudo

Lembremos que a abordagem da pesquisa é do tipo qualitativo com recurso ao método de estudo
de caso. Constituíram participantes da pesquisa 15 funcionários da Shoprite – Pemba.

Tabela 3: Amostra dos colaboradores da Shoprite - Pemba

Empresa Colaboradores da Shoprite Pemba


Dep. Financeiro Contabilidade Administração Tesouraria
H M H M H M H M
Shoprite Pemba
2 2 3 1 3 1 1 2
Total 15
Fonte: 2020

33
3.7.Modelo de Análise de Dados

Para a análise e interpretação de dados basear-se na triangulação entre a técnica de análise de


conteúdos e análise temática. A análise de conteúdo de acordo com Bardin (1979), “é um
conjunto de técnicas de análise das comunicações que visam obter, por procedimentos
sistemáticos e objectivos da descrição do conteúdo das mensagens, sejam quantitativos ou não
que permitem a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e recepção das
mensagens”. (p.42).

Ao passo que Minayo, (2007), explica que a análise temática, consiste em descobrir os núcleos
de sentido que compõem uma comunicação cuja presença e frequência significam alguma coisa
para o objecto analítico vigente visada (p.316).

Estas técnicas são de extrema importância para as pesquisas de abordagem do tipo qualitativa em
que todo o material recolhido é sujeito a um a análise que constitui um procedimento neutro
decorrente da forma de tratamento do material em referência, pois, esta tem como objectivo
estruturar e organizar todo o material recolhido no campo para a posterior codificar a partir das
categorias mobilizadas e destas em subcategorias. (Guerra, 2006).

Também, foi constituída uma grelha de conteúdos das entrevistas que comportará toda a
informação facultada no campo pelos entrevistados, procurando sempre trazer a veracidade dos
factos e o resumo das diferentes percepções em relação às questões da pesquisa. A grelha
elaborada suportará com base em três categorias mobilizadas que adiante designamos pelos
códigos por categorias A, B, C e D respectivamente. As subcategorias serão constituídas com
base nas categorias mobilizadas e enumeradas de acordo com a ordem de sequência das
categorias mobilizadas.

Para além das subcategorias foi constituídas as unidades de registo com base nas respostas dos
participantes. A frequência, representa o número de vezes que cada participante respondia as

34
questões colocadas. A estrutura desta unidade comporta: a) categorias mobilizadas, b)
subcategorias, c) unidade de registo; e d) frequência.

Deste modo os dados colhidos, foram devidamente transcritos fielmente na sua íntegra e
agrupados de acordo com as categorias mobilizadas de modo a melhor permitir a análise dos
conteúdos temáticos arrolados segundo a grelha.

CAPITULO IV – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

4.1.Descrição da Shoprite

O Shoprite Group of Companies (JSE: SHP), é o maior conglomerado de alimentos da África.


Opera mais de 2.829 lojas em 15 países da África. A sede da empresa está localizada em
Brackenfell, na província de Western Cape na África do Sul. A Shoprite Holdings Limited é uma

35
empresa pública listada na Bolsa de Valores de Joanesburgo, com listagens secundárias nas
Bolsas de Valores da Namíbia e da Zâmbia. Em 2020, o Shoprite Group empregava mais de
141.000 pessoas em mais de 2.829 lojas em todo o continente africano.

4.2.Breve Historial da Shoprite

O grupo de empresas Shoprite foi estabelecido em 1979. Em 1990, a Shoprite foi aberta na
Namíbia. Em 1998, adquiriu a rede nacional de Checkers. Em 1995 foi inaugurada a primeira
loja em Lusaka, Zâmbia. No mesmo ano, eles adquiriram uma empresa de distribuição
centralizada Sentra, que actuava como um comprador central para 550 supermercados
administrados pelo proprietário, permitindo assim que a Shoprite se expandisse para a franquia.
Em 24 de Dezembro de 1996, uma bomba explodiu em um Worcester Shoprite e matou 3
pessoas e feriu mais de 50. Foi um acto de motivação racial que chocou a empresa.

Em 1997, a problemática "OK Bazaars" foi adquirida pela empresa da South African Breweries
por um rand, adicionando 139 lojas OK Bazaars e 18 Hyperamas à empresa. Em 2000, o grupo
abriu seus primeiros supermercados no Zimbabwe e em Uganda. Dois anos depois, a empresa
adquiriu as lojas em Madagascar da rede francesa Champion . No mesmo ano, a empresa
comprou três supermercados da Tanzânia do Score Supermarket e abriu o primeiro hipermercado
fora da África do Sul nas Ilhas Maurício.

Em 2005, o Grupo adquiriu a Foodworld, bem como a vendedora sul-africana de ingressos


Computicket, e abriu a primeira Shoprite LiquorShop. A empresa também abriu sua primeira loja
nigeriana na área da Ilha Victoria de Lagos em Dezembro de 2005.

Em 2008, o Grupo Shoprite foi adicionado ao Índice JSE Top-40 de blue-chips. Em 2019,
Shoprite ganhou o Proudly South African Brand Award e foi eleito o melhor na categoria
Mercearia como parte da Pesquisa de Marca Top Tiso-Blackstar / Sunday Times. da Deloitte
Global Powers of Retailing 2019 (referente ao exercício de 2017) classificou o Grupo Shoprite
como a 86 ª maior varejista do mundo.

36
Em 2011, foi anunciado que o Grupo Shoprite celebrou um acordo com a Metcash Trading
Africa (Pty) Limited. Nos termos desse acordo, a divisão de franquia da Metcash seria vendida
para Shoprite Checkers, incluindo acordos de franquia com franqueados que operam lojas de
varejo sob nomes de marcas registadas, como Friendly e Seven Eleven.

A Shoprite Holdings anunciou na Assembleia Geral Anual da empresa realizada em 31 de


Outubro de 2016 que o CEO da empresa, Whitey Basson , decidiu se aposentar no final de
Dezembro de 2016. O conselho nomeou Pieter Engelbrecht (nascido em 1970), o ex-Chefe de
Operações Director, como CEO entrante em 1º de Janeiro de 2017.

Figura 1: Vista Frontal da Shoprite – Pemba

Fonte: 2020

4.3.Apresentação dos Resultados

O processo da análise de dados, do tema “Fluxo de Caixa como Instrumento no Processo de


Tomada de Decisão nas Pequenas e Medias Empresas: Caso da Shoprite Pemba (2018 -
2019) ”, foi feito com base da análise de conteúdo, técnica que consistiu na elaboração da grelha
de análise do conteúdo das entrevistas feitas. Para a análise foi constituídos três categorias

37
designadas por A, B, C e D. Destas, foram constituídas as respectivas subcategorias, com as
frequências que significa o número de vezes que cada participante respondia as questões e
unidades de registo.

4.4.Categorias A, B, C e D

4.4.1.CATEGORIA A: Descrever como pode ser utilizado o fluxo de caixa mostrando a


importância do mesmo para obtenção de informações para tomada de decisão.

Com esta categoria mobilizada, pretendia se Descrever como pode ser utilizado o fluxo de caixa
mostrando a importância do mesmo para obtenção de informações para tomada de decisão. Para
a análise desta, formulou-se três (3) subcategorias sendo a primeira: a) Até que ponto o Fluxo de
Caixa é um instrumento vital no Processo de Tomada de Decisão nas Pequenas e Medias
Empresas? b) Quando é que se considera positivo e negativo do fluxo de caixa da Shoprite -
Pemba? e c) Qual é a importância da DFC na tomada de decisões financeiras?

4.4.1.1.Sub Categoria A1: Até que ponto o Fluxo de Caixa é um instrumento vital no
Processo de Tomada de Decisão nas Pequenas e Medias Empresas?

Para os participantes 1 e 2: […]Na medida em que, o FC desempenha um papel bastante


importante na tomada de decisões de carácter financeira, a nível das empresas assim como na
empresa alvo. Pois, as empresas necessitam da informação que a DFC fornece com o objectivo
de avaliar a capacidade financeira bem como verificar a necessidade de financiamento para as
PME’s […].

4.4.1.2.Sub Categoria A2: Quando é que se considera positivo e negativo do fluxo de caixa
da Shoprite - Pemba?

Segundo o participante 4: […] Considera-se fluxo de caixa positivo da Shoprite quando todas
as entradas de dinheiro em um determinado espaço de tempo o saldo for de entre as diferenças de
entradas de caixa for maior que as saídas […].

Posicionamento similar foi expresso pelo outro funcionário nos seguintes dizeres:

38
Para o participante 3: […] É negativo quando as saídas forem maiores que as entradas […].

4.4.1.3.Sub Categoria A3: Qual é a importância da DFC na tomada de decisões


financeiras?

Segundo o participante 7: […] Conclui-se que as DFC são muito importante na tomada de
decisões financeiras porque permitem mostrar, de forma directa ou mesmo indirecta, as
mudanças que tiveram reflexo no caixa, suas origens e aplicações […].

4.4.2.CATEGORIA B: Avaliar o processo de interligação das informações das DF’s,


utilizado pelos administradores na tomada de decisões.

Com esta categoria mobilizada, pretendia se Avaliar o processo de interligação das informações
das DF’s, utilizado pelos administradores na tomada de decisões. Para a análise desta, formulou-
se três (3) subcategorias sendo a primeira: a) Como é que os administradores podem utilizar as
informações das DF’s de forma conjunta para auxiliar as suas decisões? b) Quando se pode
afirmar que o fluxo de caixa é positivo e negativo? e c) Quais são as ferramentas ou critérios que
a Shoprite usa para avaliar a importância de fluxo de caixa?

4.4.2.1.Sub Categoria B1: Como é que os administradores podem utilizar as informações


das DF’s de forma conjunta para auxiliar as suas decisões?

Para os participantes 5 e 6: […] Na verdade, os administradores devem apresentar uma


estrutura com determinado grau de detalhamento, para que o administrador possa analisar,
entender e decidir adequadamente sobre sua liquidez […].

4.4.2.2.Sub Categoria B2: Quando se pode afirmar que o fluxo de caixa é positivo e
negativo?

Segundo o participante 8: […] O fluxo de caixa positivo, também não quer dizer que é uma boa
coisa, afinal, a entrada de dinheiro em um curto espaço de tempo, dependendo também da
quantia, não significa que a empresa esteja bem financeiramente […].

Posicionamento similar foi expresso pelo outro funcionário nos seguintes dizeres:

Para o participante 9: […] A saída de dinheiro da empresa significa um fluxo de caixa negativo
mas não quer dizer que é prejudicial a empresa […].

39
4.4.2.3.Sub Categoria B3: Quais são as ferramentas ou critérios que a Shoprite usa para
avaliar a importância de fluxo de caixa?

De acordo o participante 10: […] Segundo as respostas dos funcionários no que tange as
ferramentas da Shoprite são: ferramenta de diferenciado em busca de vantagens. Ferramenta de
informações contidas na Demonstrações, para a avaliação da liquidez, solvência e flexibilidade
financeira da empresa […].

4.4.3.CATEGORIA C: Efectuar uma análise comparativa de decisões financeiras tomadas


com base na DRE e DFC para processo de tomada de decisão.

Com esta categoria mobilizada, pretendia se Efectuar uma análise comparativa de decisões
financeiras tomadas com base na DRE e DFC para processo de tomada de decisão. Para a análise
desta, formulou-se dois (2) subcategorias sendo a primeira: a) Qual é o melhor demonstrativo
financeiro para a tomada de decisões financeiras? e b) Qual dos mapas aconselha as outras
empresas a usarem para fins de tomada de decisões financeiras?

4.4.3.1.Sub Categoria C1: Qual é o melhor demonstrativo financeiro para a tomada de


decisões financeiras?

Para os participantes 11 e 12: […] Na verdade, no que tange aos demonstrativos para a tomada
de decisões, os melhores são: Demonstrações de Resultados (DRE), Demonstrações de Fluxo de
Caixa (DFC) e Demonstrações de alteração de capital próprio […].

4.4.3.2.Sub Categoria C2: Qual dos mapas aconselha as outras empresas a usarem para
fins de tomada de decisões financeiras?

Para o participante 13: […] Quanto o mapa para a tomada de decisões financeiras aconselha-se
as DFC, DRE e Balanço […].

4.4.4.CATEGORIA D: Avaliar o fluxo de caixa da Shoprite - Pemba nos períodos em


análise.

Com esta categoria mobilizada, pretendia se Avaliar o fluxo de caixa da Shoprite - Pemba nos
períodos em análise. Para a análise desta, formulou-se dois (2) subcategorias sendo a primeira:a)
Para cada um dos anos em analise qual foi o resultado económico da empresa? e b) Qual é a
diferença entre as decisões financeiras tomadas por via de FC e da DRE?

40
4.4.4.1.Sub Categoria D1: Para cada um dos anos em analise qual foi o resultado
económico da empresa?

Segundo o participante 14: […] Através do fluxo de Caixa Descontado foi possível trazer o
resultado económico para o presente mediante uma taxa de desconto do fluxo de caixa futuro da
empresa como sendo um método de avaliação usado para estimar a atractividade de uma
oportunidade de investimento nos dois (2) anos em análise […].

4.4.4.2.Sub Categoria D2: Qual é a diferença entre as decisões financeiras tomadas por via
de FC e da DRE?

Para os participantes 14 e 15: […] Na verdade as demonstrações de fluxo de caixa são muito
útil, na medida que vão propiciando as informações sobre os recebimentos e pagamentos de uma
empresa durante determinado período […].

Posicionamento similar foi expresso pelo outro funcionário nos seguintes dizeres:

De acordo o participante 10: […] As demonstrações de resultados essas objectivam prover ao


usuário discernimento sobre os investimentos e actividades financeiras da empresa […].

CAPITULO V – DISCUSSÃO DE RESULTADOS

5.1.O Processo de Tomada de Decisões na Shoprite - Pemba

A tomada de decisões é um processo que envolve muita prudência, uma das características
qualitativas exigidas desde o momento da elaboração das Df’s. Assim, visto que existem vários
tipos de decisões na empresa, aqui apenas procurou-se analisar como a empresa toma as decisões
de investimento de capital, operacional e de financiamento, bem como qual dos demonstrativos
financeiro é utilizado e de que forma.

Assim, conforme foi dito anteriormente, a Shoprite até 2019 elaborava as Df’s tradicionais,
nomeadamente o Balanço e a DRE, tendo elaborado neste mesmo ano a DFC por incumbência

41
da administração fiscal. No entanto, diante desta situação procurou-se saber qual era o
procedimento utilizado por esta empresa no processo de tomada de decisões financeiras, uma vez
que estas Df’s tradicionais, não ilustram os movimentos dos recursos financeiros na íntegra.

Em resposta, a Shoprite frisou que está ciente de que o lucro proveniente da DRE não constitui a
existência de recursos financeiros na empresa muito mais a capacidade da empresa em puder
cumprir com certas obrigações. Em outras palavras, recorrendo as respostas dadas pelos
colaboradores, estes pretendiam afirmar que sempre preocuparam-se em apurar primeiro o lucro
económico e assim a empresa tomava as decisões financeiras.

Isto comprova que de um ou de outro modo, a Shoprite recorre aos fluxos de caixa com vista a
tomar as suas decisões financeiras, embora não estivesse a elaborar a DFC. Para o efeito,
actualmente, depois de terem elaborado a primeira DFC em 2019, este elemento passou a ter
influências nas decisões de carácter financeiro, principalmente as que dizem respeito a
actividades de financiamento e investimento ou seja a empresa utiliza a DFC para tomar decisões
de financiamento e de investimento. Relativamente, a actividade operacional devido os factos
patrimoniais envolvidos a empresa ainda apoia-se a DRE de modo a efectuar uma análise dos
movimentos operacionais e posteriormente recorre a DFC para verificar os valores aplicados
nestas actividades.

Sendo assim, verificou-se que a Shoprite, ao elaborar ou seja ao incluir no seu processo de contas
a DFC conforme será abordado nos próximos temas, procurava conjugar a DRE com o mapa que
ilustrava os seus movimentos financeiros e, actualmente esta DRE com a elaboração da DFC
ainda continua a apoiar no processo de tomada de decisões financeiras pois é sabido que existem
dois métodos de elaboração de DFC, o indirecto e o directo. O indirecto ilustra a movimentação
dos recursos financeiros depois de apurar o resultado líquido ou seja na parte que diz respeito as
actividades operacionais não difere com o que está ilustrado na DRE, pois apenas na DFC
acrescentasse ao lucro os custos que não envolvem saídas ou dispêndio de recursos financeiros.

42
5.2.Decisão de Investimento Operacional

Depois de verificar e demonstrar os demonstrativos recorridos da Shoprite, na tomada de


decisões financeiras relacionadas com cada uma das actividades, pretende-se aqui demonstrar o
processo de interligação das informações das DF’s, utilizado pelos administradores para a
tomada de decisões financeiras de forma prudente, eficiente e eficaz, principalmente no que diz
respeito as actividades operacionais.

Deste modo, conforme foi referido anteriormente, as decisões de investimento operacional são as
que estão relacionadas com a venda e à produção de bens e serviço e ainda são de curto prazo e,
por sua vez contribuem nas receitas e no apuramento do resultado líquido da empresa.

Portanto, como foi anteriormente dito, esta empresa na tomada de decisão apoia-se a DRE para
posteriormente através da DFC tomar as decisões operacionais. Isto é, as DRE contem a
informação que ilustra o lucro da empresa que por sua vez é utilizado na elaboração da DFC no
seu método indirecto.

Daí, quando colocada a Shoprite a questão como procedia está ligação nos restante períodos em
análise, esta respondeu que recorria a DRE para calcular a margem de resultado operacional e
caso este índice fosse superior que um, buscavam elaborar o mapa de entradas e saídas com vista
a verificar se as receitas e os gastos foram efectivados ou então se as receitas geradas foram
capazes de produzir recursos financeiros de tal modo que a empresa está capacitada em cumprir
com os seus compromissos financeiros.

E com a introdução da DFC na Shoprite, este processo torna-se mais fácil, pois ao invés de
recorrer aos índices financeiros simplesmente a empresa mantém o controlo de recursos
financeiros, pois este mapa já ilustra as entradas e saídas e constitui um demonstrativo
obrigatório. E, aqui mais uma vez a DRE mostra-se incapaz de ajudar a empresa em tomar esta
decisão, deixando-se na responsabilidade da DFC. Mas na Shoprite, a DRE constitui um
demonstrativo importante quando se pretende efectuar orçamento, pois neste mesmo capítulo
este mapa foi considerado mais relevante em relação aos outros a medida que ilustra custos que
geralmente são extraordinários e que a empresa deve passar a orçar para os anos subsequentes.

43
5.3.Decisão de Investimento de Capital

No que concerne a decisão de investimento de capital, há que considerar que este constitui um
dos grandes componentes do seu Património, fazendo parte do activo não corrente e que é
mentor pela execução de actividade principal da empresa, por isso a constante renovação do
mesmo é importante para que a empresa continue a prestar serviços aos seus clientes. Portanto,
para esta renovação ou seja aquisição de investimento de capital passa por um processo de
análise com vista a decidir se a empresa pode ou não acrescer o seu investimento de capital.

De referir que, em algum momento a Shoprite tende a verificar a DRE com vista a verificar se os
investimentos efectuados estão a surtir efeitos positivos sobre as receitas e o lucro da empresa.
Pois, a empresa ao investir tem por objectivo incremental a sua actividade operacional, isto
porque o volume de negócio da empresa está directamente ligado ao seu activo tangível e
intangível.

5.4.Decisão de Investimento Operacional

Como foi anteriormente referido, a empresa está a acumular prejuízos, dai que qualquer decisão
que envolve a operacionalidade da empresa requer muito cuidado pois, pode vir a prejudicar a
empresa. Mas, deve aqui ficar claro que a empresa esclareceu que embora a sua situação
económica não esteja estável ela apresenta uma capacidade e autonomia financeira estável, pois
consegue até então cumprir com as suas obrigações financeiras, evitando acumular dívidas
externas além das que já contraiu com a empresa mãe (África de Sul).

Portanto, aqui pretende-se abordar a forma como a Shoprite efectua a interligação das
informações financeiras e económica no processo de tomada de decisões de carácter operacional.
E ainda, para além efectuar interligação no processo de apuramento de lucro económico e
financeiro, também no processo de maximização e minimizar os custos fixos e variáveis,
respectivamente, a empresa recorre a estes demonstrativos, pois existem custos controláveis
(variáveis) cuja empresa tende a preocupar-se em saber qual a parte dos seus recursos financeiros
é aplicada nestes. Isto, permitirá o uso racional e ou aplicação racional dos seus recursos nos
custos e despesas variáveis.

44
5.5.Decisão de Financiamento

A Shoprite - Pemba até então continua a obter prejuízos contudo está estável e operacional, visto
que apresenta uma situação financeira estável. E recordando mais uma vez, o processo de tomada
de decisão de financiamento é da responsabilidade da empresa e geralmente, está ligado na
necessidade de incrementar a capacidade instalada da empresa ou então emissão de títulos
financeiros.

Mas, no período em análise e conforme é sabido, para que haja um investimento é necessário que
a empresa possua um determinado financiamento, dessa forma a empresa após verificar a
necessidade de investir tomava a decisão de recorrer a um financiamento externo ou então a
empresa mãe.

Neste contexto, são reunidas diversas informações do balanço e da DFC, pois a DRE não entra
neste tipo de decisão por não apresentar um lucro financeiro senão económico e ainda negativo.
Posto isto, através do Balanço a empresa verifica qual a situação das dividas e se vale a penas
recorrer ao financiamento bancário.

A resposta é dada pela DFC, pois se o DFC apresenta saldos em caixa e seus equivalentes que
possam fazer face ao objectivo pretendido não há necessidade de recorrer a nenhum
financiamento, caso contrário, será obrigado a recorrer e mais tarde com o mesmo demonstrativo
ajudará a empresa tomada a decisão em relação a liquidação das dívidas provenientes de tal
financiamento.

CAPITULO VI – CONCLUSÕES E SUGESTÕES

6.1.Conclusão

Concluindo, o pesquisador considera ter atingido os seus objectivos, quer gerais, quer os
específicos, bem como ter conseguido responder as questões de pesquisa. Pois, relativamente ao

45
objectivo geral, concluiu-se que o FC desempenha um papel bastante importante na tomada de
decisões de carácter financeira, a nível das pequenas e medias empresas assim como na empresa
alvo.

Pois, as empresas necessitam da informação que a DFC fornece com o objectivo de avaliar a
capacidade financeira bem como verificar a necessidade de financiamento. Deste modo,
contrariamente ao procedimento de Brigham & Ehrhardt (2010), na qual apresentam a equação,
para a determinação de financiamento, a Shoprite ainda não aplica o tal procedimento, pelo que
apenas basea-se na informação disponibilizada pela DFC e daí toma as decisões financeiras.

Quanto, ao primeiro e o segundo objectivo específico, verificou-se que, no que concerne a


tomada de decisões de carácter financeiro, que são tomadas por via de utilização de DFC são
mais prudente em relação as que consideram a DRE. Pois, as decisões financeiras para serem
tomadas, pois a Shoprite necessita de informações relacionadas com os fluxos financeiros ou de
caixa, que possibilitem avaliarem a realidade e a capacidade financeira da empresa. Assim,
perante uma DRE que ilustra o lucro meramente económico que não condiz com as entradas e
saídas de caixa da empresa, tornasse ineficaz a sua utilização para este fim.

No entanto, com a introdução das IFRS em Moçambique, notou-se que muitas empresas tiveram
dificuldades de integração destas normas no seu sistema de contabilidade, ao ponto de
trabalharem com consultorias externas para lhes auxiliar na elaboração de alguns demonstrativos
financeiros. Assim sendo, a Shoprite, verificou-se que conta com ajuda externa para elaborarem
a DFC e consequentemente, este elabora geralmente uma vez por ano, no momento de
encerramento de contas, justificando que o seu sistema não tem capacidade de elaborar
constantemente este mapa.

No que tange as limitações dizer que, a realização de uma pesquisa que envolve análise de
informações de carácter financeiro de uma empresa, devido aos fins inadequados que a mesma
pode ser utilizada, cria um receio para o fornecimento da mesma por parte dos colaboradores.

46
Pelo que, a presente pesquisa não fugiu da regra, pois encarou dificuldades na obtenção de
resposta que envolvem informação de carácter confidencial e sigilosa, facto que levou a
pesquisadora para além de utilizar designação fictícia de alguns termos também teve que assumir
o compromisso da mesma não ser utilizada para fins não académicas bem como para prejudicar a
empresa pesquisada.

Outro facto, que limitou o estudo está ligado na dificuldade de comunicação numa das empresas
com um dos elementos das populações alvo (administrador financeiro). Isto devido a dificuldade
da língua com vista a interpretar algum aspecto na entrevista, fazendo com que levasse mais
tempo na empresa bem como a entrevistar mais elemento de modo a alcançar o objectivo
traçado.

47
6.2.Sugestões

Maior utilização deste instrumento de gestão para a tomada de decisão, e aprimorar


constantemente a sua visão do negócio, para evitar que se deparem com as dificuldades
financeiras no futuro, buscando as informações geradas na demonstração de fluxo de caixa.

Resolver problemas de insolvência ou liquidez, que geralmente ocorrem quando não há análise
do desempenho financeiro das Pequenas e medias empresas, permitindo a o administrador ter
visão de suas expansões, e se foi auto-suficiente em seu capital de giro.

Vale ressaltar também que as informações sobre fluxo de caixa são úteis porque além da
facilidade de entendimento e ferramenta auxiliar na tomada de decisões económicas,
proporcionam aos usuários das informações contabilísticas como investidores e credores, uma
base para avaliar a capacidade da empresa gerar caixa e valores equivalentes à caixa e, as
necessidades da empresa em utilizar esses fluxos de caixa.

48
Por fim, dada à importância do tema e o resultado desta pesquisa, que aponta muitos gestores das
empresas referente a tomada de decisões, sugere-se replicar este estudo em outras áreas, como
forma de contribuir para o crescimento e aperfeiçoamento dos instrumentos de gestão financeira
das organizações.

7.Referências bibliográficas

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49
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Yin, Robert K. Case Study Research Design and Methods.SagePublicationsInc., traduzido e


actualizado. USA, 1989.

53
APÊNDICES

54
APÊNDICE I: Roteiro de Entrevistas

Bom Dia/Boa Tarde

Sou estudante finalista do curso de Licenciatura em Contabilidade e Auditoria, curso


ministrado pela Universidade Católica de Moçambique, na Cidade de Pemba. O questionário tem
finalidades académicas e destina-se a recolha de dados sobre Fluxo de Caixa como
Instrumento no Processo de Tomada de Decisão nas Pequenas e Medias Empresas: Caso da
Shoprite Pemba (2018 - 2019). Asseguramos desde já que todas as informações aqui recolhidas
serão tratadas confidencialmente e não para fins que põem em causa a integridade intelectual, e
do bom nome e reputação dos inquiridos. Gostaríamos desde já pedir maior colaboração no
fornecimento de informações.

1. Perfil do entrevistado

1.1. Sector
[ ] Contabilidade [ ] Cestão Financeira [ ] Produção / Prestação de serviços
[ ] Aprovisionamento [ ] Estudos e Projectos [ ] Direcção Geral
[ ] Outro __________________________________________________________________________
1.2 Posição (Facultativo)
1.2. Área de Formação
1.3. Qual é o nível académico?
[ ] Doutoramento [ ] Mestrado [ ] Licenciatura [ ] Bacharelato [ ] Nível Médio
[ ] Nível Secundário [ ] Nível Primário [ ] Nenhum Nível

1.Tópicos da Entrevistas:

1.1.A Shoprite adopta a estratégia de demonstração de fluxo de caixa diferenciado em busca de


vantagens?
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

1.2.O uso das informações contidas na DFC, conjuntamente com as demais DC’s, é considerado
como ferramentas eficazes para a avaliação da liquidez, solvência e flexibilidade financeira da
empresa?
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________

55
1.3.O processo de interligação das informações das DF’s, utilizado pelos administradores da
Shoprite na tomada de decisões financeiras é usado de forma prudente e eficaz?
______________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

1.4.Qual é a importância da DFC na tomada de decisões financeiras?


______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
____________________________________________________________________

1.5.Qual é a diferença entre as decisões financeiras tomadas por via de FC e da DRE?


______________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

1.6.Como é que os administradores podem utilizar as informações das DF’s de forma conjunta
para auxiliar as suas decisões?

______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________

1.7.Quais são as ferramentas que a Shoprite usa para avaliar a importância de fluxo de caixa?

______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________

Obrigada por participares nesta pesquisa

Pemba, ao ______ de _________________de 2020

_______________________________________________

(Assinatura)

56
APÊNDICE II: Grelha de categorias mobilizadas

Categorias SubCategorias Unidade de Registo Frequência


A1:Até que ponto o Fluxo de […] Na medida em que, o FC desempenha um papel
Caixa é um instrumento vital bastante importante na tomada de decisões de carácter
no Processo de Tomada de financeira, a nível das empresas assim como na
Decisão nas Pequenas e Medias empresa alvo. Pois, as empresas necessitam da 2
Empresas? informação que a DFC fornece com o objectivo de
avaliar a capacidade financeira bem como verificar a
CATEGORIA A: necessidade de financiamento para as PME’s […].
Descrever como pode ser utilizado o […] Considera-se fluxo de caixa positivo da Shoprite
fluxo de caixa mostrando a quando todas as entradas de dinheiro em um
importância do mesmo para obtenção A2: Quando é que se considera determinado espaço de tempo o saldo for de entre as 1
de informações para tomada de positivo e negativo do fluxo de diferenças de entradas de caixa for maior que as saídas
decisão. caixa da Shoprite - Pemba? […].

[…] É negativo quando as saídas forem maiores que as 1


entradas […].
[…] Dadas as respostas dos colaboradores, conclui-se
A3: Qual é a importância da que as DFC são muito importante na tomada de
DFC na tomada de decisões decisões financeiras porque permitem mostrar, de
financeiras? forma directa ou mesmo indirecta, as mudanças que 1
tiveram reflexo no caixa, suas origens e aplicações
[…].

CATEGORIA B: B1:Como é que os […] Na verdade, os administradores devem apresentar


Avaliar o processo de interligação administradores podem utilizar uma estrutura com determinado grau de detalhamento, 2
das informações das DF’s, utilizado as informações das DF’s de para que o administrador possa analisar, entender e
pelos administradores na tomada de forma conjunta para auxiliar as decidir adequadamente sobre sua liquidez […].
decisões. suas decisões?
B2: Quando se pode afirmar […] O fluxo de caixa positivo, também não quer dizer

52
que o fluxo de caixa é positivo que é uma boa coisa, afinal, a entrada de dinheiro em 1
e negativo? um curto espaço de tempo, dependendo também da
quantia, não significa que a empresa esteja bem
financeiramente […].

[…] A saída de dinheiro da empresa significa um fluxo


de caixa negativo mas não quer dizer que é prejudicial 1
a empresa […].
B3: Quais são as ferramentas […] Segundo as respostas dos funcionários no que
ou critérios que a Shoprite usa tange as ferramentas da Shoprite são: ferramenta de 1
para avaliar a importância de diferenciado em busca de vantagens. Ferramenta de
fluxo de caixa? informações contidas na Demonstrações, para a
avaliação da liquidez, solvência e flexibilidade
financeira da empresa […]. 1

CATEGORIA C: C1: Qual é o melhor […] Na verdade, no que tange aos demonstrativos para
Efectuar uma análise comparativa de demonstrativo financeiro para a a tomada de decisões, os melhores são: Demonstrações
decisões financeiras tomadas com tomada de decisões de Resultados (DRE), Demonstrações de Fluxo de 2
base na DRE e DFC para processo de financeiras? Caixa (DFC) e Demonstrações de alteração de capital
tomada de decisão. próprio […].
C2: Qual dos mapas aconselha […] Quanto o mapa para a tomada de decisões
as outras empresas a usarem financeiras aconselha-se as DFC, DRE e Balanço […].
para fins de tomada de decisões
financeiras? 1

D1:Para cada um dos anos em […] Através do fluxo de Caixa Descontado foi possível
CATEGORIA D: analise qual foi o resultado trazer o resultado económico para o presente mediante
Avaliar o fluxo de caixa da Shoprite económico da empresa? uma taxa de desconto do fluxo de caixa futuro da 1
nos períodos em análise. empresa como sendo um método de avaliação usado
para estimar a atractividade de uma oportunidade de
investimento nos dois (2) anos em análise […].
[…] Na verdade as demonstrações de fluxo de caixa
são muito útil, na medida que vão propiciando as 2

53
D2:Qual é a diferença entre as informações sobre os recebimentos e pagamentos de
decisões financeiras tomadas uma empresa durante determinado período […].
por via de FC e da DRE?
[…] As demonstrações de resultados essas objectivam
prover ao usuário discernimento sobre os investimentos
e actividades financeiras da empresa […]. 1
Fonte: 2020

Agradecimentos

Mais uma vez, muito obrigada por ter cedido o seu precioso tempo para esta entrevista e garanto que todos os dados serão usados de
forma cuidadosa e sigilosa e não publicados sem prévio consentimento da empresa bem como para fins que possam prejudicar a
empresa.

Obrigado por fazer parte desta pesquisa


Pemba, _____ / Outubro de 2020
________________________________________________
/ Assinatura /

54
ANEXOS

55
Anexo 1: Fluxo de caixa projectado da Shoprite

Fluxo de caixa projectado da Shoprite


(+) Receitas - 250.000 262.500 275.625 289.406 303.876
(-) Custo e despesas Variáveis - (87.500 (91.875) (96.469 (101.292) (106.357)
) )
(-) Custos e despesas fixas - (20.000 (20.000) (20.000 (20.000) (20.000)
(excepto depreciação) ) )
(-) Depreciação - (64.000 (64.000) (64.000 (64.000) (64.000)
) )
(=) Lucro operacional tributável - 78.500 86.625 95.156 104.114 113.519
(-) Imposto de renda (25%) - (19.625 (21.656) (23.789 (26.029) (28.380)
) )
(=) Lucro liquido operacional - 58.875 64.969 71.367 78.085 85.139
(+) Depreciação - 64.000 64.000 64.000 64.000 64.000
(=) Fluxo de caixa operacional - 122.875 128.969 135.367 142.086 149.139
(FCO)
(+/-) Investimentos ou (450.000 - - - - 80.000
desinvestimentos líquidos )
em equipamentos
(+/-) Investimentos ou (50.000) - - - - 50.000
desinvestimentos em capital
de giro
(=) Fluxo de caixa livre (FCL) (500.000 122.875 128.969 135.367 142.086 279.139
)
Relatórios da Shoprite (2018-2019)

56