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James Nganjo

Importância da Terapia Transpessoal no tratamento da Síndrome do Pânico. Caso do


Hospital Provincial de Pemba (2015 – 2018)

(Licenciatura em Psicologia das Organizações)

Instituto Superior de Ciências e Tecnologias Alberto Chipande


Pemba
2019
ii

James Nganjo

Importância da Terapia Transpessoal no tratamento da Síndrome do Pânico. Caso do


Hospital Provincial de Pemba (2015 – 2018)

Monografia científica a ser apresentado no


Instituto Superior de Ciências e Tecnologias
Alberto Chipande, como Requisito parcial para
Obtenção do grau académico de licenciatura em
Psicologia das Organizações.

Supervisor

Dr: Jorge Cofe

Instituto Superior de Ciências e Tecnologias Alberto Chipande


Pemba
iii

2019
ii

ÍNDICE

LISTA DE TABELAS....................................................................................................................iv
LISTA DE FIGURAS......................................................................................................................v
LISTA DE GRAFICOS..................................................................................................................vi
LISTA DE ABREVIATURAS......................................................................................................vii
DECLARAÇÃO...........................................................................................................................viii
DEDICATÓRIA.............................................................................................................................ix
AGRADECIMENTO....................................................................................................................x
EPIGRAFE.....................................................................................................................................xi
RESUMO......................................................................................................................................xii
CAPITULO I: INTRODUÇÃO.......................................................................................................1
1.1.Introdução..............................................................................................................................1
1.2.Objecto do estudo...................................................................................................................2
1.2.1. Objectivos gerais............................................................................................................2
1.2.2.Objectivos específicos.....................................................................................................2
1.3.Justificativas...........................................................................................................................2
1.4.Problema................................................................................................................................3
1.5.Delimitação do estudo............................................................................................................4
1.6.Estrutura do trabalho..............................................................................................................5
CAPITULO II: REVISÃO DE LITERATURA..............................................................................6
2.1.Conceito de Psicologia Transpessoal.....................................................................................6
2.1.1.Etiologia..........................................................................................................................7
2.1.2.Sintomatologia...............................................................................................................11
2.2.Implicações nas Relações Familiares...................................................................................12
2.2.1.Tratamento Psicológico.................................................................................................13
2.3.Descrição das Técnicas Comportamentais, Cognitivas e Cognitivo Comportamentais......16
2.3.1.Relaxamento..................................................................................................................16
2.3.2.Retreinamento da Respiração........................................................................................17
2.3.3.Inervação Vagal.............................................................................................................17
2.3.4.Exposição Interoceptiva................................................................................................17
2.3.5.Reestruturação cognitiva...............................................................................................17
2.3.6.Treinamento Assertivo..................................................................................................18
2.4.7.Exposição......................................................................................................................18
2.5.Exposição com Prevenção de Resposta (EPR)....................................................................19
2.5.1.Descatastrofização.........................................................................................................19
2.5.2.Desensibilização Sistemática........................................................................................20
2.5.2.1.Auto-Instrução............................................................................................................20
iii

2.5.2.2.Inoculação do Estresse...............................................................................................20
2.5.2.3.Treino em Habilidades Sociais...................................................................................21
2.5.2.4.Tratamento Psicofarmacológico.................................................................................21
2.5.2.5.Tratamento Combinado..............................................................................................23
2.6.Soluções Tecnológicas.........................................................................................................25
CAPITULO III - METODOLOGIA DA PESQUISA...................................................................26
3.1.Natureza da Pesquisa...........................................................................................................26
3.2.Procedimentos Técnicos de Pesquisa...................................................................................27
3.3.Método Monográfico...........................................................................................................27
3.4.Método Bibliográfico...........................................................................................................27
3.5.Forma de Abordagem...........................................................................................................28
3.6.Métodos de Pesquisa............................................................................................................28
3.7.Método de Abordagem.........................................................................................................28
3.8.Método de Procedimento.....................................................................................................29
3.9.População e Amostra...........................................................................................................29
3.9.1.Processos de Amostragem.............................................................................................30
3.10.Instrumentos de Recolhas de Dados..................................................................................31
3.11.Procedimentos para Análise de Dados...............................................................................31
CAPITULO IV – APRESENTAÇÃO, ANALISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS.............32
4.1.Breve Descrição do Hospital Provincial de Pemba.............................................................32
4.1.1.Serviços Prestados pelo HPP.........................................................................................34
4.2. Apresentação e Analise de Dados da Pesquisa...................................................................34
4.3.Discussão dos Resultados da Pesquisa.................................................................................36
4.3.1.Avaliação dos serviços prestados no HPP.....................................................................36
4.4.Casos sobre síndrome de pânico..........................................................................................40
4.4.1.Caso de estudo 1:...........................................................................................................40
4.4.2.Caso de estudo 2:...........................................................................................................43
CAPITULO V: CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES...........................................................46
5.1.Conclusão.............................................................................................................................46
5.2.Recomendações....................................................................................................................48
Referências bibliográficas.............................................................................................................49
APÊNDICES

LISTA DE TABELAS
iv

LISTA DE FIGURAS
v

LISTA DE GRAFICOS
vi

LISTA DE ABREVIATURAS

CD Cabo Delgado

HPP Hospital Provincial de Pemba

ISCTAC Instituto Superior de Ciências e Tecnologias Alberto Chipande

MC Métodos Clínicos
vii

MG Medicina Geral

MISAU Ministério de Saúde

PC Psicologia Clínica

PE Psicologia Educacional

PMB Pemba

PNS Programa Nacional de Saúde

SP Síndrome de Pânico

TT Terapia Transpessoal

DECLARAÇÃO

Declaro por minha honra que esta monografia é fruto da minha investigação pessoal com as
orientações da minha supervisora e o seu conteúdo é devidamente original e todas as obras
consultadas foram citadas no texto final deste trabalho.

Declaro ainda que este trabalho cientifico nunca foi submetido em nenhuma outra instituição
para obtenção do grau de licenciatura em Psicologia das Organizações.

Pemba, _______ / _____________________ / 2019


viii

Nome do Autor
______________________________________________

(James Nganjo)

Nome do Supervisor
_____________________________________________
(DR. Jorge Cofe)

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho de forma especial aos meus amados pais, minha mulher e meus filhos
que tanto lhes amo muito.
ix

AGRADECIMENTO

A Grande Energia, que tudo permeia.

A meus avós maternos, onde quer que estejam, a ela pelo convívio pleno de ensinamentos e
carinho, a ele pela herança de bondade e altruísmo. A meus avós paternos, também já em
outra dimensão, pelo exemplo de solidariedade e compromisso social.

A meus pais, amigos de todos os momentos, pelo carinho e apoio de sempre.

A meus filhos, meus amores, pela alegria e encantamento que trouxeram para minha vida.
x

Ao Dr. Jorge Cofe, meu supervisor, pelo carinho e desprendimento.

Ao Hospital Provincial de Pemba, pela dedicação e disponibilidade.

Aos Colegas e, especialmente, sem a qual seria impossível a realização do presente trabalho.

Obrigado

EPIGRAFE
xi

“Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança
verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência.”

(Henry Ford)

RESUMO

O trabalho teve como objectivos demonstrar a importância da Terapia Transpessoal no


tratamento da Síndrome do Pânico, para alcançar a cura efectiva da doença, numa perspectiva
de busca da saúde integral do indivíduo, o método utilizado foi a revisão narrativa da
literatura nas principais bases de dados existentes e em livros - textos actualizados. Como
resultado encontramos que devido à sintomatologia predominantemente física desse
transtorno, os pacientes geralmente procuram vários atendimentos clínicos até que o
diagnóstico seja feito. O tratamento do TP pode ser feito com psicoterapia e/ou
psicofármacos. As diversas abordagens terapêuticas são apresentadas com o nível de
evidência de cada recomendação. E pudemos concluir que o conhecimento do Transtorno de
Pânico, seus tratamentos por todos os portadores, envolvidos e os profissionais de saúde são
de suma importância para o encaminhamento directo do paciente ao terapeuta para que
comece o mais rápido possível o tratamento, podendo desse modo, diminuir o sofrimento dos
xii

portadores antes que o quadro de ansiedade se torne cada vez mais grave. A Terapia
Transpessoal tem como meta auxiliar o indivíduo no seu processo de cura, através da
expansão da consciência, do auto-conhecimento e da integração dos resultados ao seu “self”,
visando sempre a auto-transformação em direcção à saúde integral. É assim que a Terapia
Transpessoal pode colaborar no tratamento da Síndrome do Pânico: auxiliando o paciente a
tomar consciência dos conteúdos que estão por trás dos sintomas vivenciados; trabalhando
com ele cada um desses conteúdos; e, promovendo sua integração, buscando sempre a saúde
integral. O resultado do presente trabalho pode contribuir para levar estudantes e
profissionais da área de saúde a compreender a importância do acompanhamento terapêutico,
em sua abordagem transpessoal, no tratamento da Síndrome do Pânico, possibilitando uma
alternativa acessível e eficaz de cura para os portadores dessa grave doença, cada vez mais
presente na nossa sociedade.

Palavras-chave: Transtorno do pânico, tratamento, implicações, diagnóstico, farmacoterapia,


psicoterapia.
1

CAPITULO I: INTRODUÇÃO

1.1.Introdução

A presente Monografia de pesquisa tem como o tema: Importância da Terapia Transpessoal


no tratamento da Síndrome do Pânico. O Transtorno do Pânico permanece entre as questões
mais preocupantes no que diz respeito à saúde mental e colectiva. As contingências
estressantes e a ansiedade dos dias actuais tem despertado o interesse de estudiosos e
pesquisadores, a fazerem levantamentos e investigações diagnosticas sobre causas,
consequências e tratamento do Transtorno do Pânico para melhor orientar os seus portadores,
familiares e a comunidade. Nesse contexto, tornou-se importante conhecer o conceito,
etiologia, sintomas, tratamento, consequências e repercussões psicossociais que acometem os
portadores deste transtorno.

A vida dos portadores desse transtorno passa por grandes mudanças que afectam seu dia a
dia. A rotina muda, as relações sociais ficam comprometidas, pois eles temem tanto a
exposição, como ser acometidos por outro ataque, que além da sensação da vergonha, implica
no medo de não conseguir meios de serem socorridos ou que ocorra o “terror” novamente.
Por esses motivos eles tendem não sair do lugar onde se sentem menos expostos ou “mais
seguros”.

A vida afectiva, profissional e pessoal fica gravemente prejudicada. Não conseguem sair
sozinhos e às vezes nem acompanhados, e actividades como ir ao supermercado, cinema, ao
teatro, torna-se muito difíceis e penosas (NARDI, 2001). A família e pessoas próximas
podem colaborar com o tratamento do portador do Transtorno do Pânico, sendo fundamental
este tipo de apoio em sua recuperação. Além disso, apoiado na realização de actividades
propostas pelos profissionais (psicólogo e psiquiatra), a pessoa se sente mais compreendida,
acolhida e motivada para enfrentar as dificuldades e inseguranças que podem surgir ao longo
do tratamento. É muito relevante a função e actuação multiprofissional envolvidas no
processo, empenhando-se com embasamento teórico e técnico no tratamento do portador do
Transtorno do Pânico (BATISTELLO, 2006).
2

Embora sabendo que o tema é um objecto de estudos relativamente recente na Psicologia, ele
surge com a necessidade de reflexão sobre uma realidade cada vez mais significativa no
mundo, sendo preciso buscar respostas concretas. O Transtorno do Pânico, denominação mais
usada na área de psicopatologia, tem sido uma grande preocupação das áreas médicas,
científicas, psicossociais, pela crescente incidência dessa doença, em milhares de pessoas, a
maioria em mulheres, com início na adolescência.

A extensão de inúmeros casos e a gravidade das consequências desse transtorno reflectem as


contingências estressantes da vida actual, as ansiedades do dia-a-dia instigando a busca por
informações consistentes que possam agregar conhecimento sobre o tema e
consequentemente possibilitar a articulação do conhecimento adquirido em benefício dos
portadores desse transtorno.

1.2.Objecto do estudo

1.2.1. Objectivos gerais

O presente trabalho tem como objectivo geral:

 Demonstrar a importância da Terapia Transpessoal no tratamento da Síndrome do Pânico,


para alcançar a cura efectiva da doença, numa perspectiva de busca da saúde integral do
indivíduo.

1.2.2.Objectivos específicos

 Demonstrar como o acompanhamento terapêutico transpessoal pode contribuir no


processo de cura do paciente, através de trabalhos específicos, exemplificados nos
estudos de casos apresentados no Hospital Provincial de Pemba.

1.3.Justificativas

Quando o indivíduo não está bem de saúde, ou seja, apresenta qualquer desequilíbrio físico
e/ou emocional e/ou espiritual, ele procura algum Agente de Cura para lhe auxiliar a
encontrar o equilíbrio perdido.
3

Embora, normalmente, em especial nas sociedades ocidentais, face à aparente omnipotência


da Medicina Moderna, o primeiro Agente de Cura a ser procurado seja o Médico; devido às
limitações encontradas nesse tipo de tratamento, a Terapia Alternativa está sendo cada vez
mais demandada, ainda que para complementar o tratamento médico convencional.

Quanto ao portador da Síndrome do Pânico não é diferente. Ocorrendo os primeiros sinais da


doença, o paciente procura um médico – normalmente, neurologista e/ou psiquiatra -, que lhe
prescreve medicamentos, anti-depressivos e/ou ansiolíticos, e lhe orienta procurar um
acompanhamento terapêutico.

Assim, os terapeutas, especialmente os Transpessoais, precisam estar conscientes de seu


papel como auxiliares na cura desses pacientes.

Esse trabalho se justifica na medida em que procura identificar a efectiva contribuição da


Terapia Transpessoal no tratamento da Síndrome do Pânico - visando alcançar a saúde
integral do paciente e não apenas o controle dos sintomas da doença -, bem como, estudar
como as diversas técnicas podem se combinar no processo terapêutico, para alcançar um
melhor resultado.

1.4.Problema

Retomando a ideia de que o indivíduo tem saúde se está em equilíbrio físico, emocional e
espiritual (seus sistemas fisiológicos funcionam bem; ele se encontra emocionalmente
tranquilo; e, vive em paz e harmonia consigo mesmo e com o seu meio), quando ele está em
desequilíbrio em, pelo menos um desses aspectos, ele vai procurar o profissional que julga
mais adequado a lhe auxiliar a restabelecer o equilíbrio.

Daí a grande responsabilidade do profissional de saúde, seja ele Médico (de qualquer
especialidade), Psicólogo (de qualquer corrente) ou Terapeuta (de qualquer linha). É o
profissional de saúde procurado que terá melhor oportunidade de auxiliar o paciente a
reencontrar o equilíbrio perdido. É importante registar que o papel do profissional de saúde é
mesmo auxiliar o paciente a reencontrar o equilíbrio perdido, pois quem vai reencontrar de
fato esse equilíbrio – ou seja, quem vai alcançar a cura - é o próprio paciente.
4

Na Síndrome do Pânico, pensamentos negativos passam pela mente do indivíduo, reforçando


o medo absurdo de algo que não existe. A partir da primeira crise, o indivíduo sente-se
extremamente inseguro e amedrontado, principalmente porque teme uma nova crise. É o que
se chama “Medo de sentir Medo”. Isto é extremamente contraditório, uma vez que, quanto
mais se foca na situação que se teme, antecipa-se o sentimento de medo que se quer evitar.
Assim, o indivíduo não suporta afastar-se de sua “Zona de Segurança”, pensando que, ao se
afastar, a crise vai reaparecer.

Mas por mais cuidado que se tenha, as crises reaparecem com frequência e intensidade
variáveis, fazendo com que o indivíduo se sinta fraco, prostrado, em total desequilíbrio
emocional. Com o desenvolvimento do quadro aumentam os medos específicos, os delírios
persecutórios, a debilidade física e o sentimento de solidão. Por fim, o indivíduo acaba,
muitas vezes, abandonando o emprego ou a escola e isolando-se da vida social.

Deste modo o problema identificado é:

 O que é a Síndrome do Pânico? Como ela ocorre? E, como tratá-la, devolvendo ao


paciente o controle de sua vida?

1.5.Delimitação do estudo

O estudo foi realizado no Hospital Provincial de Pemba. A pesquisa abrange informações


sobre Terapia, Síndrome do pânico e os resultados obtidos no período compreendido entre
2015 a 2018.
5

1.6.Estrutura do trabalho

No presente trabalho, para um melhor entendimento dos factores, esta estruturada em 5


capítulos. Sendo que na parte de pré-textuais encontramos a lista de tabelas, gráficos,
abreviaturas, seguindo a declaração do autor, as dedicatórias, agradecimento e por fim o
resumo do trabalho.

No primeiro capítulo deste trabalho temos a introdução, os objectivos dos trabalhos: Geral
assim como específicos, as justificativas, problematização, delimitação do tema e estrutura do
trabalho,

No segundo capítulo encontramos a revisão de literatura, onde vários autores retratam do


delineamento do tema proposto. No terceiro capítulo temos a metodologia da pesquisa, onde
se evidencia o tipo de pesquisa, fontes de dados, universo, amostra e software usado para
análise de gráficos.

No quarto capítulo temos a apresentação do cenário da instituição em análise e interpretação


de dados e por fim no quinto capítulo temos as conclusões, recomendações / sugestões e
bibliografias.
6

CAPITULO II: REVISÃO DE LITERATURA

2.1.Conceito de Psicologia Transpessoal

A Psicologia Transpessoal é a área da psicologia que estuda a consciência humana, nos seus
mais diversos níveis de manifestação. Assim, tendo a consciência como seu objecto de
estudo, a Psicologia Transpessoal considera toda e qualquer expressão do comportamento
humano, não somente nos aspectos conscientes e inconsciente; como, também, nos aspectos
superconsciente e supraconsciente.

Assim, a Psicologia Transpessoal não se detém apenas aos conteúdos da mente pertinentes ao
nível psicodinâmico (relativo à biografia do indivíduo) nos estados normais de consciência;
mas, vai muito além, considerando conteúdos de níveis mais profundos, como: as memórias
de vida intra-uterina, experiências de vidas passadas, vivências arquetípicas, percepções de
unidade cósmica, estados de êxtase e toda sorte de experiências humanas, provenientes de sua
dinâmica interior.

Ataques de pânico são episódios isolados de intensa pressão ou medo, acompanhados por
sintomas somáticos e cognitivos de acordo com os critérios para ataque de pânico descritos
na quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV;
APA, 1993) (David BARLOWN, p. 13).

O Transtorno do Pânico é conceituado como medo aprendido de certas sensações corporais


associadas com o ataque de pânico, e a Agorafobia como uma resposta comportamental à
antecipação de tais sensações ou sua evolução para um ataque de pânico completamente
caracterizado (CRASKE e BARLOW, 1999). O que caracteriza o Transtorno do Pânico é a
ansiedade sobre a recorrência do pânico e não o pânico em si (BARLOW, 1991).

Caracteriza-se por episódios repentinos e recorrentes de forte ansiedade e medo,


acompanhados de uma série de sintomas físicos e cognitivos intensos e muito desagradáveis.
Embora os sintomas desapareçam espontaneamente após alguns minutos de seu início, o
carácter fortemente aversivo da experiência deixa no indivíduo um contínuo medo de vir a ter
outros ataques, o que configura a ansiedade antecipatória.
7

A CID-10 (1993) denomina a Transtorno do Pânico como quadro marcado por crises agudas
de ansiedade, provocando sentimento de morte ou perda de controlo independente de
qualquer situação.

2.1.1.Etiologia

Recentes estudos demonstram haver uma variedade de factores implicados na génese do


Transtorno do Pânico, incluindo variáveis de ordem biológica, genética, psicológica e
ambiental, como também em decorrência de outras patologias previamente existentes.
Entretanto, não há consenso sobre a predominância de uma ou outra.

O Transtorno do Pânico parece estar relacionado as alterações nos neurotransmissores


monoaminérgicos cerebrais. As pesquisas de Ehlers e Margraf, 1989, apontaram que durante
um ataque são detectados disparos repetitivos de neurónios noradrenérgicos do tronco
cerebral (locus coeruleus). As monoaminas, a norepinefrina e a serotonina são os dois
neurotransmissores mais envolvidos na fisiopatologia dos transtornos de humor e de
ansiedade.

Outros sistemas de neurotransmissores e neuroendócrinos certamente estão envolvidos, pois a


crise parece representar uma reacção de "luta ou fuga" que ocorre de maneira exacerbada sem
um evento desencadeante nítido. Aproximadamente 72% dos pacientes conseguem identificar
a presença de estressores na ocasião do primeiro ataque de pânico (CRASKE, MILLER,
ROTUNDA, e BARÇOW, 1990). Várias teorias têm sido propostas para explicar o
Transtorno do Pânico. Todas elas acentuam a importância das respostas psicológicas a um
conjunto de sensações fisiológicas.

Barlow (1988) enfatiza a natureza traumática do primeiro ataque de pânico e a consequente


aprendizagem que ocorre. Isto fica evidente quando se observa um alto índice de procura de
auxílio médico emergencial, devido à avaliação negativa do ataque de pânico como morte
iminente. O ataque de pânico inicial é então visto como uma falha no sistema do medo sob
circunstâncias estressantes em indivíduos psicológica e biologicamente vulneráveis.
8

O indivíduo, vulnerável psicologicamente, apresenta um conjunto de crenças de que as


sensações corporais oferecem perigo como, por exemplo, o coração acelerado ser
interpretado como um ataque cardíaco.

Como o indivíduo que sofre do Transtorno do Pânico tem dificuldade para identificar quando
o ataque vai ocorrer, passaria a desenvolver uma antecipação da ansiedade, elevando a
probabilidade de sua ocorrência, uma vez que a ansiedade aumenta a disponibilidade de
sensações que foram associadas, por condicionamento respondente, ao pânico (BARLOW,
1988).

Embora muitos estudiosos enfatizem os factores biológicos como principais determinantes


para o surgimento do transtorno de pânico, argumentando que 35% dos parentes de primeiro
grau dos pacientes com esta doença sofrem do mesmo problema, (RANGÉ e BERNIK,
2001), há críticas a essa correlação, que poderia ser igualmente justificada por argumentos de
outra ordem. É o caso, por exemplo, de factores ligados às relações familiares e sua
implicação na aprendizagem de comportamentos em geral, especialmente a suscetibilidade a
ansiedade.

Manfro et al. (2002) pesquisou a correlação entre transtorno de pânico em adultos e o


transtorno de ansiedade na infância, através de avaliação retrospectiva em 84 pacientes
brasileiros. Os resultados mostraram que 59% dos adultos com Transtorno do Pânico
apresentavam história de ansiedade na infância. Também foi encontrada uma associação
significativa entre a história de transtorno de ansiedade generalizada na infância e a presença
de comorbidades na vida adulta, especialmente Transtorno do Pânico, agorafobia e depressão.

Clark (1986) construiu um modelo explicativo para o Transtorno do Pânico, no qual enfatiza
variáveis cognitivas. Segundo o autor, episódios de pânico decorrem de interpretações
catastróficas e equivocadas sobre algumas sensações corporais que disparariam o sistema
simpático gerando, por sua vez, novas sensações corporais alarmantes. Isso ocorreria no
indivíduo que tende a superdimensionar as consequências de suas sensações, gerando ainda
mais ansiedade, num movimento em espiral rápida e crescente.
9

Beck (1985) formulou uma hipótese similar à de Clark, porém aprofundando-se nos
esquemas disfuncionais que estariam presentes nos transtornos de ansiedade em geral,
especialmente o esquema da vulnerabilidade, as distorções perceptivas e os pensamentos
automáticos. Também valorizou a importância dos recursos pessoais no enfrentamento de
situações percebidas como ameaçadoras.

Barlow (1988) propõe que o primeiro episódio de pânico nada mais é do que um “alarme
falso” a um aumento passageiro no nível de estresse, em pessoas biológica ou
psicologicamente vulneráveis. O Transtorno do Pânico instalar-se-ia, dependendo de
variáveis culturais e sociais – pelo estado de grande apreensão do indivíduo em relação a
ataques futuros, pois geraria associações de medo condicionadas a diferentes aspectos do
contexto em que ocorreu o primeiro ataque, incluindo a proximidade da situação e os
sintomas da activação.

A hipótese da sensibilidade à ansiedade foi formulada por Reiss e McNally (1985). Segundo
esses autores, algumas pessoas mais sensíveis à ansiedade e portadoras de crenças
preexistentes sobre a possível periculosidade de determinados sinais corporais tenderiam a
reagir com medo, criando as condições favoráveis à instalação do Transtorno do Pânico.
Neste modelo, uma taquicardia seria interpretada como aviso de um ataque cardíaco
iminente, por exemplo. McNally e Lorenz (1987) afirmam que indivíduos portadores do
Transtorno do Pânico possuem crenças e temores mais pronunciados em relação aos prejuízos
físicos e mental que poderiam decorrer de algumas sensações corporais específicas (In:
CRASKE e LEWIN, 2003, p. 116).

Ataques isolados de pânico, produzidos a partir de respostas reflexas, tendem a apresentar


uma ocorrência significativamente mais acentuada em indivíduos ansiosos. Segundo Sidman
(2003), algumas situações eliciadoras de respostas reflexas, como aceleração do batimento
cardíaco, sudorese, aumento da pressão sanguínea, etc. são reforçadoras quando ocorrem em
situações prazerosas, como na prática de esportes radicais ou em parques de diversões. No
entanto, esses mesmos sinais poderiam provocar um ataque de pânico ao serem eliciadas
espontaneamente, numa situação que não foi buscada pelo indivíduo ansioso (BANACO e
ZAMIGNANI, 2004).
10

Banaco e Zamignani propõem uma explicação para a instalação do Transtorno do Pânico com
agorafobia, a partir dos efeitos traumáticos do primeiro ataque. Podemos aqui imaginar uma
situação na qual pela primeira vez ocorreu um ataque de pânico. A primeira resposta ansiosa
ocorreu como um reflexo incondicionado eliciado pela activação biológica do organismo,
configurando um ataque de pânico.

Essa resposta, entretanto, ocorreu em um contexto no qual estavam presentes muitos outros
estímulos; além disso, outras respostas (públicas e privadas) do indivíduo poderiam estar
sendo emitidas no momento do ataque. Os estímulos que estavam presentes na ocasião do
ataque de pânico, bem como as respostas que o indivíduo emitia no momento podem, por
associação com o estímulo aversivo incondicionado, adquirir a função de estímulo aversivo
condicionado e estímulo discriminativo para a emissão de respostas de esquiva. As funções
eliciadora e discriminativa desses estímulos condicionados, por sua vez, podem ser
transferidas para outros estímulos por meio de novos pareamentos, pelo processo de
generalização de estímulos, ou ainda por meio da formação de classes equivalentes de
estímulos... “inclusive as respostas que o indivíduo emitia podem ser sujeitas aos mesmos
processos, adquirindo a função de estímulos eliciadores e discriminativos condicionados
(BANACO e ZAMIGMANI, 2004, p.74).

Outros autores propõem modelos explicativos semelhantes, a partir de um entendimento


comportamentalista do transtorno. Para explicar alguns fenómenos presentes nos transtornos
psiquiátricos, dentre eles o Transtorno do Pânico, (Hayes et al. (1996) resgataram a noção de
evitação cognitiva ou emocional, tradicionalmente adoptada por outras abordagens
psicológicas, descrevendo-as como estratégias não-saudáveis de evitação da experiência
traumática prévia. Esses autores cunharam a expressão “evitação experiencial” para descrever
uma classe de respostas que refere-se ao fenómeno que ocorre quando uma pessoa está
relutante em permanecer em contacto com experiências privadas particulares, sejam elas
memórias, emoções, estimulação autonómica e pensamentos.

Tendo em vista que, apesar das teorias actualmente existentes contribuírem para uma maior
compreensão da doença e de novas possibilidades de tratamento, não existe uma teoria que,
isoladamente, explique de maneira satisfatória o Transtorno do Pânico.
11

Desse modo, Kapczinski et al. (2003) propõem que o estado actual do conhecimento
demanda um modelo integrado, que inclua os aspectos cognitivos e biológicos do transtorno,
destacando que as principais teorias explicativas actuais são a cognitivo-comportamental e a
biológica.

Assim, Craske e Lewin (2003) destacam a necessidade de estudos longitudinais com


populações de alto risco, a fim de que seja determinado qual o papel das vulnerabilidades
biológicas e psicológicas e qual a importância da aprendizagem que poderia ocorrer em
consequência dos primeiros episódios de pânico.

2.1.2.Sintomatologia

Segundo os critérios do DSM-IV, para que seja fechado o diagnóstico do Transtorno do


Pânico deve haver a ocorrência de ataques de pânico recorrentes e inesperados, em que
estejam presentes, no mínimo, quatro dos seguintes sintomas: sudorese ou calafrios;
palpitações ou ritmo cardíaco acelerado; aperto, dor ou desconforto no peito; náuseas ou mal-
estar abdominal; parestesias (sensações de dormência ou formigamento); sensação de
fraqueza, sensação de falta de ar ou asfixia, sensação de sufocamento; ondas de frio ou de
calor; tremer ou sacudir-se; desrealização (sentimentos de irrealidade); despersonalização
(sentir-se destacado de si mesmo); medo de perder o controlo, medo de morrer ou de ficar
louco.

Também pode-se fechar a sintomatologia na ocorrência de um único episódio se, além dos
quatro critérios mínimos mencionados acima, o episódio for seguido de uma antecipação
ansiosa e incapacitante em relação a futuros ataques.

Outros critérios que devem estar presentes: preocupação quanto às consequências ou


implicações do ataque, presença de significativas alterações comportamentais relacionadas
aos ataques e a persistente expectativa de passar novamente pela experiência (APA, 2000).

No Brasil, o sistema de classificação para transtornos mentais e de comportamento, é o CID


10, publicado pela Organização Mundial de Saúde, que descreve o Transtorno do Pânico é
como um quadro que apresenta recorrentes ataques de intensa ansiedade, que não se limitam
a situações ou circunstâncias específicas, sendo, portanto, imprevisíveis. Os sintomas variam
12

de pessoa para pessoa, mas são comuns: palpitações, dor no peito, sensação de
desfalecimento, vertigem e sentimentos de irrealidade (despersonalização ou desrealização);
medo de estar morrendo, medo de estar enlouquecendo ou perdendo o controlo.

As crises duram alguns minutos, mas podem ser mais prolongadas. O local, actividade ou
situação em que se deu a crise passa a ser evitado. Para Craske e Lewin (2003), o Transtorno
do Pânico ocorre a partir de um conjunto de sintomas físicos e cognitivos que ocorrem de
forma recorrente, inesperada ou não, e se distingue tanto da activação ansiosa, que cresce
gradualmente, quanto das reacções fóbicas diante de estímulos específicos e facilmente
identificáveis.

2.2.Implicações nas Relações Familiares

Frequentemente os pacientes com pânico sofrem em duas etapas: a primeira por causa dos
ataques e suas consequências e a segunda por causa da incompreensão de que são vítimas. É
muito comum a família entender o pânico como uma forma de fraqueza moral e de
personalidade. Por isso, é de importância fundamental a conscientização da família (SOUZA,
2007).

Grupos de auto-ajuda, livros sobre o assunto ou mesmo a internet podem ser úteis para que os
familiares entendam a natureza da doença. Por outro lado, o excesso de compreensão pode
favorecer a esquiva fóbica. A família deve incentivar que o paciente com Transtorno de
Pânico possa fazer várias actividades, exercícios. A primeira coisa que os parentes têm que
fazer é compreender, aceitar e apoiar os pacientes. O transtorno do pânico é uma doença
como outra qualquer, o paciente não escolheu tê-la, nem pode evitá-la (SOUZA, 2007).

Abaixo estão citadas algumas recomendações para os familiares (MAROT, 2006):

 Não faça suposições a respeito do que a pessoa com Transtorno de Pânico precisa,
pergunte a ela;
 Proporcione a quem sofre de pânico a paz necessária para se recuperar;
 Procure ser optimista para com quem tem Transtorno de Pânico, procure aspectos
positivos nos problemas;
 Não sacrifique sua própria vida, pois acabará criando ressentimentos;
13

 Não entre em pânico quando o paciente com pânico tiver um ataque;


 Seja paciente e aceite as dificuldades de quem tem pânico, mas não se conforme como se
ela (e) fosse uma inválida(o).

O portador do Transtorno do Pânico já sofre pelas próprias características desse problema.


Mas há a relação com os familiares e pessoas próximas que, quando não entendem o que é o
Transtorno do Pânico, na tentativa de ajudar acabam atrapalhando, causando mais sofrimento.
Para que os familiares possam ajudar alguém com Transtorno do Pânico, é importante que se
informe sobre esse assunto, e procure entender qual é a melhor forma de ajudar quem está
com essa dificuldade.

Os portadores do Transtorno do Pânico sofrem muito, principalmente quando não são


compreendidas pelos outros ou não conseguem atendimento profissional, psicólogo ou
médico, adequados. Segundo Kapczinski, frases como: fique calmo, relaxe, você pode lutar
contra isso, não seja fraco, não seja covarde, devem ser evitadas de serem ditas.

Diante de uma crise do pânico deve-se manter uma atitude de:

 Não se apavore se a pessoa com pânico tiver um ataque,


 Não faça suposições a respeito do que a pessoa com pânico precisa, pergunte a ela, evite
surpresas, sempre comunique o que vai fazer, crie um contexto que proporcione a quem
sofre de pânico a tranquilidade necessária para se recuperar, encoraje a pessoa a continuar
o tratamento, mostre outro lado, positivo das coisas, evitando o pessimismo e o
pensamento catastrófico, reveja sua estrutura e peça ajuda se precisar se fortalecer para
continuar paciente e ajudando a pessoa com o Transtorno do Pânico (KAPCZINSK,
2003).

2.2.1.Tratamento Psicológico

Algumas abordagens psicológicas, por entenderem que a patologia nada mais é do que uma
manifestação explícita de um conflito existencial e individual pré-existente, conduzem o
paciente através do processo analítico, a realizar um trabalho de crescimento pessoal que visa
a extrair o significado desse sofrimento em sua vida.
14

Quando uma pessoa vive um quadro de Pânico, e faz terapia, está se motivando a praticar e
tentar técnicas novas para o tratamento. Essa pessoa está mudando a sua maneira de
funcionar, como também o meio em que está inserida. Quando se muda a percepção de uma
pessoa, ela aprende a lidar com a sua dificuldade, de forma a não ter mais crise de pânico.

Pereira (1997) compartilhando da postulação freudiana de que o sentimento de desamparo é o


reflexo de um estado de falência do funcionamento psíquico, entende que o Transtorno do
Pânico é a via psicopatológica encontrada pelo indivíduo para confrontar-se com o
desamparo radical de sua existência, evitando o risco de aniquilamento. Este autor defende a
conjugação da Psicanálise com o uso de psicofármacos no tratamento do Transtorno do
Pânico.

A psicoterapia cognitivo-comportamental tem um papel muito importante principalmente na


manutenção do paciente livre dos comportamentos agorafóbicos. Em vários ensaios clínicos,
a terapia cognitiva mostrou-se tão eficaz quanto o tratamento medicamentoso para distúrbios
da ansiedade leves e moderados. Ela consiste basicamente em ensinar o paciente a reconhecer
parâmetros de pensamento ou situações que podem iniciar, magnificar e sustentar ansiedade,
comportamentos fóbicos, depressão e somatização.

Trata-se da combinação da Terapia Cognitiva, que visa a modificar ou eliminar padrões e


crenças disfuncionais que alimentam os sintomas e da Terapia Comportamental, que propõe a
mudança no comportamento do indivíduo, de modo a produzir um enfrentamento adequado
às situações de sua vida.

A abordagem cognitiva do tratamento buscará investigar cuidadosamente quais os


pensamentos e sentimentos que acompanham o transtorno de pânico, discutindo esses eventos
mentais num modelo cognitivo, identificando pensamentos distorcidos e propondo técnicas
para modificá-los. A partir da modificação do padrão mental, o paciente passa a ter maior
controlo sobre os seus sintomas. O processo terapêutico focará as dificuldades e os ganhos
que o paciente está obtendo no presente e nas habilidades que precisam ser aprendidas. A
abordagem comportamental lançará mão da análise da tríplice contingência para identificar
que consequências o indivíduo obtém a partir da maneira como se comporta.
15

Analisando factores que antecedem e sucedem determinados comportamentos considerados


inadequados, são propostas modificações comportamentais que poderão gerar consequências
favoráveis ao paciente (RANGÉ, 2001).

Além da análise funcional do comportamento, várias técnicas são utilizadas pelo terapeuta
comportamental: treino sistemático em relaxamento, cuja finalidade é diminuir o grau da
ansiedade; exposição interoceptiva, isto é, estimular o paciente a expor-se às suas sensações
internas; exposição “in vivo”, que consiste no enfrentamento de situações que o paciente
tende a evitar; técnicas de descatastrofização, dentre outras. A abordagem cognitiva tem por
característica ensinar o alto controle através da correcção das cognições distorcidas.

Ela não visa “reestruturar a personalidade”, mas mudar as crenças e comportamentos


disfuncionais de um sujeito. Essas duas técnicas eram até pouco tempo utilizadas
separadamente. Alguns autores sugerem que associação das duas abordagens é mais eficazes
que a utilização de cada uma delas isoladamente (GENTIL, 1997).

Assim sendo, através do modelo cognitivo o que conta como princípio fundamental são as
inter-relações de cognições, emoções e comportamentos. Ou seja, os transtornos emocionais
são produtos de percepções e crenças distorcidas a respeito das diversas situações vivenciadas
pelo sujeito.

Portanto, sendo assim, a compreensão do modelo cognitivo comportamental é indispensável


para o sucesso do tratamento, pois o objectivo final dessa técnica não é a mudança isolada de
um pensamento do sujeito, mas de todo o seu modo de pensar, ajudando-o a perceber a
realidade de forma objectiva e funcional. Ela não pode ser considerada como tratamento ideal
para todos os pacientes, mas a comprovação de sua eficácia para uma grande maioria,
fortalece a recomendação da sua utilização pelos serviços primários e ambulatórias
possibilitando, dessa forma, que uma parcela maior da população tenha acesso a um método
de tratamento prático, eficaz e de baixo custo (NIMH, 2006).

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) nos casos de Transtorno do Pânico, mais


comummente usada, é baseada nos modelos descritos por Barlow (1988) e Clark (1986,
1997). De maneira geral, o indivíduo com pânico teria a tendência a reagir com medo na
16

presença de sensações corporais e essa sensibilidade seria consequência do condicionamento


interoceptivo e/ou de falsas interpretações catastróficas das sensações corporais. A TCC teria
como premissa básica o descondicionamento das sensações corporais e do medo, utilizando
os princípios de aprendizagem para enfraquecer comportamentos desadaptados. Além disso,
utiliza-se de procedimentos que visam à identificação de pensamentos distorcidos para
posterior confrontação com a realidade, ou seja, procura alterar o sistema de crenças
disfuncionais que se encontram subjacentes a essas cognições.

A TCC tem como objectivo:

1. Primeiramente, fazer uma avaliação das ocorrências dos ataques de pânico espontâneos
ou situacionais, frequência a, estímulos desencadeantes, pensamentos disfuncionais,
esquivas fóbicas e possíveis dificuldades decorrentes do quadro.
2. Fornecer informações clínicas sobre o problema (influências biológica e psicológica) e
esclarecer o papel da ansiedade no dia-a-dia das pessoas, assim como da importância dos
medicamentos. Essas informações facilitam a adesão ao tratamento, pois o paciente
sente-se compreendido, amparado, podendo assim ter maior confiança na pessoa do
terapeuta.
3. Utilizar estratégias para lidar com a crise, sendo necessária uma análise cuidadosa de
cada caso clínico que deverá nortear a escolha da melhor combinação de algumas delas,
sua adaptação ou mesmo alguma inovação, para que sirva adequadamente aos objectivos
da situação terapêutica.

2.3.Descrição das Técnicas Comportamentais, Cognitivas e Cognitivo Comportamentais

2.3.1.Relaxamento

Uma forma de relaxamento bastante promissora é o relaxamento aplicado, que consiste num
processo de relaxação muscular progressiva (RMP). Treina-se o paciente a realizar uma
resposta somática de relaxamento à tensão muscular, até que se mostre hábil nessa tarefa. A
partir daí, ele é instruído a utilizar-se dessa estratégia em situações ansiógenas, que devem ser
hierarquizadas junto com o terapeuta e treinadas gradativamente (CRASKE e LEWIN, 2003).
17

2.3.2.Retreinamento da Respiração

Consiste em ensinar o paciente a trazer sua respiração de volta à normalidade, através de


respiração diafragmática e lenta. Esta técnica deve ser ensinada aos pacientes que referem
sintomas de hiperventilação que, segundo DeRuiter et al. (1989) ocorre em 50% a 60% dos
indivíduos que têm ataques de pânico.

2.3.3.Inervação Vagal

Esta técnica de controlo somático objectiva, controlar a taxa cardíaca, através de massagens
na carótida. O paciente é orientado a exercer pressão sobre o peito ou num dos olhos durante
a expulsão de ar (SARTORY e OLAJIDE, 1988).

2.3.4.Exposição Interoceptiva

É realizada através de procedimentos que, de forma confiável, possam reproduzir sensações


semelhantes àquelas vivenciadas durante um ataque de pânico. Para isso, utilizam-se
exercícios cardiovasculares, hiperventilação, inalações de dióxido de carbono ou girar o
paciente repetidamente sobre seu próprio eixo, sentado numa cadeira. O objectivo da
exposição interoceptiva é eliminar ou fragilizar a associação que o paciente faz entre as
respostas corporais específicas e os sintomas do pânico, a fim de que deixe de temer ou
superdimensionar o efeito desses sinais (BARLOW, 1988).

2.3.5.Reestruturação cognitiva

Consiste em corrigir as avaliações erróneas que o paciente faz das sensações corporais
vivenciadas como ameaçadoras. Para isso, o terapeuta treina-o para que aprenda a identificar
pensamentos distorcidos e possa substituí-los por outros mais acurados e objectivos, o que
redundará em modificação de seus valores, crenças, cognições e/ou atitudes frente a eventos
ansiógenos (COSTA e LANNA, 2001).
18

2.3.6.Treinamento Assertivo

Faz-se o treino de assertividade orientando-se o paciente a emitir respostas adequadas em


situações específicas e através de ensaio comportamental (role-playing), em que se
reproduzem situações da vida real. O treinamento é iniciado habilitando-se o paciente a
identificar a diferença entre respostas assertivas, agressivas e passivas, bem como as
situações que costumam inibir suas respostas positivas de auto-expressão.

Ele é treinado e estimulado a expressar seus próprios sentimentos, desejos e ideias, usar um
tom de voz apropriado e a evitar suposições sobre o comportamento de outras pessoas. Tendo
treinado em sessão com o terapeuta, ele é estimulado a comportar-se assertivamente no seu
ambiente natural (GUIMARÃES, 2001).

2.4.7.Exposição

Esta técnica consiste em expor o paciente directamente aos estímulos que lhe são aversivos,
repetidamente, de forma abrupta (implosão ou inundação), protegida ou gradual, ao vivo ou
por formação de imagens mentais, conforme for mais indicado pela avaliação previamente
realizada. O tempo da exposição deve ser o suficiente para que a ansiedade atinja seu ponto
máximo para, a partir daí, ir reduzindo naturalmente. Desta forma, serão viabilizados os
processos de habituação e extinção. Roso e Lotufo (2006), enfatizam que o tratamento por
exposição deve contemplar os seguintes itens:

a) A exposição à situação fóbica deve ser prolongada e oferecerá resultados melhores se durar
mais de 90 minutos, devendo necessariamente durar, no mínimo, até que a ansiedade cesse ou
diminua de maneira significativa.

b) Deve ser sistemática e frequente, para que o resultado seja mais rápido.

c) Deve ter sua duração controlada através de registo em diário, para posteriores avaliações.

d) Pode ser gradual ou directa na situação mais aversiva, sendo que os melhores resultados
são obtidos na segunda alternativa.
19

e) É necessário que o paciente mantenha-se engajado na prática dos exercícios para que
ocorra a habituação.

f) A exposição não requer a presença de terapeuta ou médico, podendo ser realizada em


companhia de qualquer pessoa devidamente treinada.

g) O procedimento de exposição é ineficaz se o paciente estiver fazendo uso de álcool ou


benzodiazepínicos.

Estudos sugerem que os resultados alcançados quando a técnica é controlada pelo terapeuta
são similares aos resultados obtidos quando é o próprio paciente quem controla a exposição
(GUIMARÃES, 2001).

2.5.Exposição com Prevenção de Resposta (EPR)

Neste procedimento o indivíduo é exposto, por longos períodos de tempo, a uma hierarquia
de estímulos ansiogênicos e, ao mesmo tempo, inibido de emitir respostas de fuga ou esquiva.
O bloqueio de suas possibilidades de esquivar-se é a principal diferença entre a Exposição e a
EPR. Por tratar-se de um procedimento que pode adquirir propriedades de estímulo aversivo
condicionado, é fundamental que a aliança terapêutica seja sólida e baseada numa audiência
de carácter estritamente não-punitivo, nos moldes propostos por (Skinner, 1953/2003).

2.5.1.Descatastrofização

Esta estratégia de tratamento auxilia o paciente a testar a validade de suas cognições.


Segundo Savoia (2004), esta não é uma técnica geral a ser aplicada, pois requer uma
avaliação do paciente para que se utilizem as estratégias mais apropriadas ao seu caso, mas
oferece uma série de opções ao terapeuta:

a) Análise lógica, em que o paciente a fazer testes de realidade.


b) Coping cards ou cartões de enfrentamento, que contém anotações sobre respostas bem
sucedidas.
c) Teste de hipóteses, em que predições catastróficas são comparadas com a situação real.
d) Projecção no tempo, na qual o paciente é convidado a imaginar quais as consequências
reais, no futuro, de um determinado pensamento.
20

e) Descatastrofização de imagens, em que se identificam os aspectos extremos da imagem


distorcida feita pelo paciente.

2.5.2.Desensibilização Sistemática

Esta técnica, largamente utilizada desde sua criação, na década de 40, por Joseph Wolpe,
pode ser aplicada por imaginação (DS por Imagens) ou exposição ao vivo (DS ao Vivo). Seu
objectivo é levar o paciente a emitir respostas contrárias à ansiedade e, num momento
posterior, colocá-lo em situações em que a estimulação aversiva esteja presente, mas de
forma gradualmente controlada (Ferraz, 2004). Trata-se de um procedimento de
contracondicionamento, já que são apresentados, simultaneamente, estímulos aversivos e
reforçadores. Consiste, basicamente, dos seguintes elementos:

a) Treino de relaxamento.
b) Elaboração de uma escala hierárquica de ansiedade subjectiva.
c) Planeamento da exposição gradual aos eventos eliciadores de respostas de fuga e esquiva.
d) Pareamento dos eventos eliciadores de ansiedade com o relaxamento.

2.5.2.1.Auto-Instrução

Trata-se de uma estratégia através da qual o paciente é orientado a desenvolver pensamentos


adequados e funcionais em relação à situação temida e que sejam realistas em relação às
possíveis consequências dos comportamentos, tanto aqueles que já fazem parte do seu
repertório quanto os que estão sendo instalados.

2.5.2.2.Inoculação do Estresse

O objectivo desta técnica é ensinar o paciente a desenvolver recursos pessoais de


enfrentamento das situações ansiógenas reais. É programada a partir da queixa e aplicada em
três etapas:

a) Preparação: O paciente recebe informações acerca dos mecanismos da ansiedade e do


medo, aprendendo a identificar e reconhecer suas respostas físicas, comportamentais e
cognitivas de ansiedade.
21

b) Treino em habilidades básicas: Aprende e ensaia respostas apropriadas de auto-instrução


e enfrentamento.
c) Confrontação: Nesta fase ele é confrontado com situações ansiógenas reais para aplicar
suas habilidades recém-adquiridas. A confrontação inicia-se com situações de dificuldade
média.

2.5.2.3.Treino em Habilidades Sociais

Após a avaliação individual do paciente, que dará ao terapeuta uma visão das situações que
requerem intervenção, inicia-se um treino no qual, segundo Thorpe e Olson (1997),
geralmente predomina a necessidade de desenvolver habilidades sociais nas seguintes
situações:

a) Iniciar e manter conversações.


b) Falar em público.
c) Expressar amor, agrado e afecto.
d) Defender os próprios interesses e direitos.
e) Pedir e receber favores.
f) Dizer não e recusar pedidos.
g) Aceitar e fazer elogios.
h) Desculpar-se e aceitar críticas.
i) Sorrir e fazer contacto visual adequado.
j) Realizar entrevistas para solicitar emprego.
k) Solicitar mudanças de comportamento no outro.
l) Expressar opiniões pessoais, mesmo que sejam divergentes e desagradem ao outro.

2.5.2.4.Tratamento Psicofarmacológico

A partir de estudos que demonstram o envolvimento dos sistemas adrenérgicos,


serotonérgicos e gabaérgicos na origem da doença, a terapia farmacológica tem sido adoptada
como primeira alternativa de tratamento no Transtorno do Pânico, devido ao alívio que
produz na sintomatologia, apesar da ocorrência de efeitos colaterais (RANGÉ e BERNIK,
22

2001). No entanto, estudos desenvolvidos por Tesar et al. (1991) demonstraram que 30% a
48% dos pacientes medicados continuam apresentando agorafobia.

Outros estudos de seguimento em longo prazo têm demonstrado que entre 25% a 75% de
pacientes com Transtorno do Pânico, tratados exclusivamente com terapia medicamentosa,
permanecem sintomáticos após o término do tratamento. Dentre os principais sintomas
residuais estão a evitação fóbica e a ansiedade antecipatória (TESAR et al., 1991), sendo que
50% a 80% dos pacientes seguem apresentando ansiedade patológica, responsável por
prejuízos significativos na qualidade de vida e aumentando o risco de recaídas (NOYES et
al., 1989). Outros pesquisadores alertam, ainda, para o aumento do risco no abuso de álcool e
outras substâncias e tentativas de suicídio em pacientes com sintomas residuais após o
término de tratamento exclusivamente medicamentoso (MANFRO, et al. 1999).

O controlo agudo de uma crise de pânico em curso é, geralmente, feito com tranquilizantes da
classe dos benzodiazepínicos (por exemplo, o diazepam). Estas drogas bloqueiam crises de
maneira rápida e eficaz, porém apresentam potencial de abuso e dependência (DAVIDSON,
1997). O uso continuado pode levar à tolerância e escalada de dose. Por isso, seu uso limita-
se, mais frequentemente, ao início do tratamento, para alívio sintomatológico, e também
como para atuar como colaborador na aderência ao tratamento psicoterápico, enquanto
medicamentos antipânico específico (antidepressivos, especialmente os serotoninérgicos)
ainda não iniciaram uma acção mais efectiva, o que pode levar algumas semanas.

O uso de antidepressivos no controle dos ataques de pânico pode ser considerado a estratégia
principal de controlo psicofarmacológico do Transtorno do Pânico. Drogas como
clomipramina, imipramina, fluoxetina e, mais recentemente, a paroxetina, têm eficácia
comprovada no controle dos ataques de pânico (Gentil, et al., 1993). As drogas consideradas
atualmente de primeira escolha seriam os inibidores selectivos de recaptura de serotonina
(ISRS), pela sua maior eficácia e boa tolerabilidade (Jefferson, 1997).

O tratamento inicia-se com doses baixas e, posteriormente, são elevadas gradualmente até a
melhora ou controle das crises. Em alguns casos, observa-se uma piora inicial, seguida de
melhora. Nestes casos, pode-se ter o controle com o uso de benzodiazepínicos, como citado
anteriormente. Quando as crises passam a ser controladas com o antidepressivo, o
23

benzodiazepínico pode ser retirado gradualmente. Mesmo assim, o tratamento com


antidepressivo deve continuar por vários meses, após a remissão das crises, sendo sugerido
um período mínimo de seis meses e, idealmente, de dezoito meses.

A eficácia dos tratamentos psicofarmacológicos nos sintomas agorafóbicos ainda é motivo de


controvérsia. Apesar de existirem evidências da diminuição dos sintomas agorafóbicos, é
comum a ocorrência de quadros agorafóbicos mais intensos, em que sintomas continuam a
persistir e até casos de resistência ao tratamento psicofarmacológico (ROSENBAUM, 1997).

2.5.2.5.Tratamento Combinado

Vários trabalhos da literatura (TELCH e LUCAS, 1994) apontam que as estratégias de


tratamento psicofarmacológico (imipramina), juntamente com a Terapia Comportamental
Cognitiva, têm sido eficientes no Transtorno do Pânico.

No entanto, observou-se em uma revisão da literatura sobre tratamento combinado para o


Transtorno do Pânico (DEMÉTRIO, SOARES, TUNG, YANO e WEIGT, 1999) que, nem
sempre essa combinação pode ser a melhor estratégia. O tratamento combinado seria eficaz
quando o quadro de pânico é acompanhado de agorafobia e/ou depressão. Nos casos em que
não há comorbidade, ou seja, somente pânico, em curto prazo, tanto a TCC isolada como a
terapia medicamentosa sozinha poderiam oferecer melhoras. Já em longo prazo o tratamento
combinado não ofereceria vantagens sobre o tratamento isolado com TCC.

O uso de benzodiazepínicos parece ser útil na introdução da TCC em pacientes com


agorafobia, porém quando combinado, em longo prazo, oferece maior taxa de recaídas e pior
prognóstico do que a TCC isolada, sendo assim semelhante ao efeito do uso de placebo +
TCC, uma vez que haveria a atribuição de melhora às pílulas ingeridas e não ao tratamento
psicoterápico (SPIEGEL e BRUCE, 1997).

Na maioria dos trabalhos, o tratamento psicofarmacoterápico foi realizado com


antidepressivos tricíclicos como, por exemplo, a imipramina, (DEMÉTRIO et al., 1999;
BARLOW, GORMAN, SHEAR e WOODS, 2000). Actualmente esta droga tem sido deixada
de lado, uma vez que existem outras mais específicas como os bloqueadores selectivos da
receptação de serotonina (IRSS), por exemplo, a fluoxetina (ROSENBAUM, 1997). Estes
24

medicamentos (IRSS) têm sido recomendados como psicofarmacoterápicos de primeira linha


para o Transtorno do Pânico (APA, 1998), além de provocarem menos efeito colateral (boca
seca, aumento ou diminuição do apetite, prisão de ventre, taquicardia, tremores, visão
embaçada, sudorese, náusea, dor de cabeça, sonolência excessiva ou insónia, diminuição do
desejo sexual, dificuldade para urinar) quando comparadas a outras drogam ministradas.

Vale a pena ressaltar que a variável - efeito colateral - deve ser motivo de grande
preocupação, pois sabe-se que o paciente pode abandonar o tratamento psicofarmacológico
por não tolerar tais efeitos, ou seja, o custo para se manter no tratamento acaba sendo muito
alto. Além disso, a descontinuação abrupta dos medicamentos IRSS pode ser prejudicial,
pois, como os portadores de Transtorno do Pânico são hipervigilantes às sensações corporais,
os sintomas gerados pela retirada do medicamento podem ser suficientes para gerar um novo
ataque de pânico (WHITTAL, OTTO e HONG, 2001).

De acordo com a revisão (DEMÉTRIO et al, 1999), pode-se levantar a hipótese da existência
de subtipos de Transtorno do Pânico, uma vez que, dependendo das características, os
pacientes podem responder mais rapidamente a um tratamento e menos rapidamente a outros,
ou seja, se tiver diagnóstico somente de pânico, tanto a Terapia Comportamental Cognitiva
como o tratamento medicamentoso são eficazes. Já nos casos em que há depressão e
agorafobia conjuntamente com o pânico, o tratamento combinado é o mais indicado.

Há evidências consistentes da efectividade das duas modalidades de tratamento -


farmacoterapia e TCC - para o tratamento do Transtorno do Pânico. Ambas propiciam efeitos
bons e também em curto prazo de tempo (BARLOW, et al., 2000; UHLENHUTH, et al.,
1998). Porém, a longo prazo parece haver uma pequena diferença na manutenção dos ganhos,
favorecendo o uso da TCC, quando houver descontinuidade da medicação (WHITTAL et al.,
2001). Outros trabalhos também apontam na mesma direcção, sugerindo que a TCC favorece
a manutenção dos ganhos ao longo do tempo (OTTO, POLLACK, e SABATINO, 1996). No
entanto, para melhor confirmar esta hipótese seria necessário que mais pesquisas controladas
de seguimento (follow up) pudessem ser feitas.
25

2.6.Soluções Tecnológicas

Tratamentos bem menos ortodoxos, em forma de aparelhos electrónicos, também já se


encontram disponíveis para pessoas portadoras do Transtorno do Pânico. São conhecidos
comercialmente pelo nome de Fear Fighter e seus fabricantes, usuários e profissionais de
saúde que o utilizam garantem a sua eficácia. São recomendados para quadros de ansiedade
extrema, Transtorno do Pânico, fobias e alto nível de estresse.

Dentre os modelos mais populares, destaca-se o Alpha-Stim, um aparelho do formato e


tamanho de um walkman, que produz estimulação craniana por eletroterapia e é composto de
dois eléctrodos, que são colocados nos lobos auriculares do paciente, à maneira de um fone
de ouvido. Sua função é diminuir a sensação de ansiedade, impedindo o ataque de pânico no
início. Este modelo requer acompanhamento médico. Já na versão Alpha-Stim Stress Control
System, os eléctrodos podem ser usados em qualquer parte do corpo e o usuário pode
prescindir de acompanhamento médico.

O Alpha-Stim foi concebido pelo neurobiólogo americano Daniel Kirsch e é licenciado pela
FDA (Food and Drug Administration) para tratamento de saúde (BBC, 1999).

Um outro fruto da tecnologia para tratamento de sintomas ansiosos e fobias é o Eye Trek TV.
Trata-se de um monitor com som sorround, que pode ser conectado ao computador, DVD ou
VCR e sua proposta é realizar Terapia de Realidade Virtual, através do incremento do nível
da consciência do paciente, que usará seus recursos internos para se curar. Essa tecnologia
vem sendo utilizada em alguns hospitais gerais e clínicas psiquiátricas no Brasil (REDEPSI,
2002).

Dentre os profissionais de saúde que têm ou tiveram contacto com esses equipamentos, as
opiniões encontram-se ainda bastante divididas: por um lado, há entusiasmo com a
perspectiva de novas opções de tratamento e, por outro, muita cautela, devido ao
desconhecimento em relação aos seus efeitos sobre a saúde do paciente a médio e longos
prazos, já que o produto é bastante novo e ainda não existem estudos de seguimento do seu
uso para detecção de possíveis efeitos colaterais.
26

CAPITULO III - METODOLOGIA DA PESQUISA

3.1.Natureza da Pesquisa

Para a realização da pesquisa foi utilizado o método de procedimento monográfico ou estudo


de caso, em que a literatura empírica que fornece um fenómeno antigo para actual dentro do
seu contexto da realidade é a base no qual são utilizadas várias fontes de evidência. O que
significa que para este trabalho, a investigação pressupõe uma abordagem concreta em que o
proponente inteirou-se sobre a matéria a qualidade dos serviços prestados na administração
publica, pelo que, usou a seguinte metodologia:

 Revisão bibliográfica, análise descritiva e comparativa de obras publicadas, textos e


documentos, buscados em publicações referentes ao tema; e
 O trabalho do campo a ser realizado no Hospital Provincial de Pemba, que ira constituir
na observação directa, entrevista e com recurso a um questionário dirigido aos
colaboradores e utentes.

Por outro lado, a elaboração da monografia foi delineada com base nas seguintes abordagens:
Quanto ao problema, o estudo contempla uma abordagem qualitativa e quantitativa, uma vez
que está relacionado com a compreensão sobre a importância da Terapia Transpessoal no
tratamento da Síndrome do Pânico. Assim sendo, o presente trabalho foi desenvolvido através
de uma pesquisa bibliográfica e foi usado o método de observação directa participativa.

Dai que, o estudo resultado de uma investigação bibliográfica e de campo, com uma
abordagem quantitativa e descritiva, pois, foram descritivas características da população e
estabelecimento de relação entre as variáveis, por meio da revisão da Literatura (Lakatos e
Marconi, 2000).

Inicialmente fez a revisão da literatura incluindo consulta das leis e decretos que
fundamentam sobre importância da Terapia Transpessoal no tratamento da Síndrome do
Pânico. Fez uma discussão de várias teorias que culmina com uma comparação com os
resultados provenientes da análise quantitativa segundo o questionário administrado a alguns
servidores de referência que são chaves e conhecedores para o seguimento das normas.
27

3.2.Procedimentos Técnicos de Pesquisa

Por técnica de pesquisa entende-se como sendo um conjunto de preceitos ou processos, que
serve à ciência na obtenção de seus propósitos, correspondem, portanto, a parte de colecta de
dados, (Lakatos, 2001). Dentro dos métodos de procedimentos pretende-se destacar o facto
de virmos a usar os métodos monográficos, bibliográfico que são acompanhados por algumas
técnicas como o inquérito ou entrevistas aos colaboradores do HPP e outros que se acharem
importantes para a materialização do mesmo.

3.3.Método Monográfico

Proposto por Lê Play em 1830, o método monográfico consiste no estudo de determinados


indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos ou comunidades, com a finalidade de
obter generalizações.

Pressupõe um estudo aprofundado de uma unidade individual, tal como: uma pessoa, um
grupo de pessoas, uma instituição, um evento cultural, etc. Quanto ao tipo de casos estudo,
estes podem ser exploratórios, descritivos, ou exploratórios (Yin, 1993).

3.4.Método Bibliográfico

Segundo Pritchard (1969, p. 349), define-se como “[...] todos os estudos que tentam
quantificar processos de comunicação escrita [...]”, o que remete à conotação de análise
estatística dos referencias bibliográficos.

De acordo com Pao (1989), refere-se a uma área de estudo que utiliza a estatística e a
matemática com o intuito de quantificar os processos de comunicação escrita, oferecendo
uma base quantitativa para o levantamento de informações documentais.
28

3.5.Forma de Abordagem

Para a responder os objectivos do presente trabalho foram utilizados os seguintes materiais:


Foi elaborado um questionário composto por perguntas sobre o conhecimento sobre
Importância da Terapia Transpessoal no tratamento da Síndrome do Pânico no Hospital
Provincial de Pemba, para avaliar o seu nível de conhecimento.

3.6.Métodos de Pesquisa

Segundo Vieira (2010), a pesquisa científica é caracterizada por um processo de aquisição e


construção do conhecimento. Este processo de aquisição e produção do conhecimento, por
sua vez é caracterizado por um processo padronizado e metodológico, onde estabelecem-se
regras ou procedimentos que levam a validação dos resultados da pesquisa.

De acordo com Silva (2008), o estudo de caso ocorre quando envolve o estudo profundo e
exaustivo de um ou poucos objectos, de maneira que se permita o seu amplo e detalhado
conhecimento. Para Castro (2007), o método de estudo de caso tem a vantagem,
principalmente, de estudar fenómenos reais e descobrir laços e implicações não evidentes
explorando hipóteses, descrevendo variáveis e construindo teorias (inferências).

Com a forma de responder os objectivos do presente trabalho o estudo é de natureza


qualitativo e quantitativo, onde foi feita uma investigação bibliográfica para se colher o que
está teoricamente previsto como norma de funcionamento e de campo que consistiu na
análise do nível de conhecimento e seguimento dos procedimentos para responder a
abordagem quantitativa.

3.7.Método de Abordagem

A pesquisa qualitativa busca entender fenómenos humanos, buscando deles obter uma visão
detalhada e complexa por meio de uma análise científica do pesquisador. Esse tipo de
pesquisa se preocupa com o significado dos fenómenos e processos sociais. Mas sendo uma
análise relacionada também à subjectividade, quais são os critérios do pesquisador? Bem, ele
29

leva em consideração as motivações, crenças, valores e representações encontradas nas


relações sociais (KNECHTEL, 2014).

Os pressupostos básicos desse tipo de pesquisa, segundo Knechtel (2014), são: a preocupação
primária com os processos, não se preocupando directamente com o resultado e o produto; o
interesse pelo significado, como as pessoas relata suas vivências e experiências, sua visão de
mundo; a busca por informações directamente no campo de pesquisa; a ênfase na descrição e
explicação de fenómenos; a utilização de processos indutivos, a fim de construir conceitos,
hipóteses e teorias.

3.8.Método de Procedimento

Dentro dos métodos de procedimentos pretende-se destacar, optou-se a usar os métodos


monográficos, bibliográfico que são acompanhados por algumas técnicas como o inquérito ou
entrevistas aos colaboradores do HPP e outros que se acharem importantes para a
materialização do mesmo.

3.9.População e Amostra

Quando realizamos uma pesquisa de carácter científico, pretendemos estudar as


características de uma população ou universo. Normalmente, falamos de população ao
referirmo-nos a todos os habitantes de determinado lugar. População ou universo entende-se
como sendo “conjunto de elementos que possuem determinadas características comuns que se
pretendem estudar”, (SERRA, 2003:46).

A população do estudo foi constituída utentes e funcionários do Hospital Provincial de


Pemba. Foram seleccionados com aplicação da amostragem intencional onde os
trabalhadores foram seleccionados segundo o seu conhecimento sobre Importância da Terapia
Transpessoal no tratamento da Síndrome do Pânico.

Quanto ao universo dos sujeitos de pesquisa, usou-se a amostragem aleatória estratificada,


segundo Stevenson (1986), é um método de amostragem com restrição quanto à eleição da
amostra, porque as unidades de amostras são seleccionadas separadamente, dentro de cada
30

extracto. Neste caso, foi seleccionada 15 funcionários e agentes do Estado, extraídos no


universo de 51 funcionários afectos directamente no Banco de Socorros e outros nos órgãos
de Direcção do HPP. Dos 15 funcionários submetidos a pesquisa, apenas 10 é que
submeteram-se ao estudo e 5 não se submeteram alegando factor tempo. Na mesma ordem
foram seleccionadas 15 utentes, dos quais 10 são usuários dos serviços do HPP e 5 usam
outras unidades tais como Cirurgia II, Otorino e serviços da maternidade, etc.

Todos os funcionários foram consultados quanto ao interesse e disponibilidade em participar


do estudo.

3.9.1.Processos de Amostragem

Amostra constitui uma porção ou parcela, convenientemente seleccionada, do universo


populacional (Lakatos & Marconi, 2001).

No entender de Gil (1999), as pesquisas sociais compreendem um universo de elemento tão


grande que se tornaria impossível considerar em sua totalidade. Por isso, nas pesquisas
sociais é muito constante trabalhar com uma amostra, o que significa, que em muitos casos
trabalha-se com uma parte representativa de um universo.

Quanto a amostra para este estudo optou-se pela amostragem não probabilística intencional
que segundo Caetano (2008) participantes de uma pesquisa são todos aqueles que maneira
directa ou indirecta constam no plano amostral do próprio estudo e são contados como
população.

A escolha deste método de amostragem deve pelas experiências em estudos anteriores que
recomendam a entrevista a unidades estatísticas (trabalhadores), que conheçam sobre o
tratamento da Síndrome do Pânico.

3.10.Instrumentos de Recolhas de Dados


31

Foi usada a documentação direita e indirecta, sendo esta uma pesquisa de campo e
documental, o estudo tem como dados (dados primários e secundários) as informações
obtidos no HPP pelos colaboradores.

3.11.Procedimentos para Análise de Dados

A análise de dados foi feita com auxílios dos softwares Microsoft Office Excell, onde se fez
uma análise descritiva das diferentes variáveis do questionário, com base em tabelas,
gráficos, algumas estatísticas descritivas segundo o tipo de variável.
32

CAPITULO IV – APRESENTAÇÃO, ANALISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS

4.1.Breve Descrição do Hospital Provincial de Pemba

O estudo de acaso foi realizado no Hospital Provincial de Pemba localizado na Província de


Cabo delgado. Segundo a classificação do Serviço Nacional de Saúde é uma unidade sanitária
do terceiro nível e constitui hospital de referência ao nível da província. Presta serviços
preventivos, curativos e de ensino, servindo assim de maior campo de estágio aos
profissionais em formação em saúde e não só, presta serviços clínicos, em regime de
atendimento externo e interno a doentes que não encontram solução dos seus problemas de
saúde nas unidades sanitárias de níveis inferiores, bem como aqueles que voluntariamente
optam por estes serviços. É igualmente a maior unidade hospitalar e constitui a última
instância de cuidados médicos diferenciados. De acordo com o Relatório das Actividades
Realizadas no Hospital Provincial de Pemba durante o ano de 2004”.

O Hospital provincial de Pemba é uma unidade de serviços pertencente ao Ministério de


Saúde que presta serviços clínicos, em regime de atendimento externo e interno a doentes que
não encontram solução dos seus problemas de saúde nas unidades sanitárias de níveis
inferiores, bem como aqueles que voluntariamente optam por estes serviços. De acordo com
o Relatório das Actividades Realizadas no Hospital Provincial de Pemba durante o ano de
2004”.

É igualmente a maior unidade hospitalar e constitui a última instância de cuidados médicos


diferenciados. De acordo com Estatuto Orgânico do Hospital provincial de Pemba – HPP,
nela esta organizado nas seguintes áreas:

(i) Aceitação ou Recepção; (ii) Caixa; (iii) Salas de Espera 1, 2 e 3; (iv) Gabinetes Médicos;
(v) Sala de Tratamento; (vi) Sala de Observação de Medicina e Cirurgia; (vii) Sala de
Traumatologia; (viii) Pequena Cirurgia; (ix) Sala de Radiologia ou Raio X; (x) Bloco
Operatório de SUR; (xi) U.C.I ou Reanimação; (xii) Pequena Morgue ou Pré-Morgue; (xiii)
Laboratório; (xiv) Sala de Colheita; (xv) Laboratório de Baciloscopia. De acordo com o
Relatório das Actividades Realizadas no Hospital Provincial de Pemba durante o ano de
2004”.
33

Figura 1: Vista frontal do Hospital Provincial de Pemba

Fonte: Foto tirado pelo autor, 2019


34

4.1.1.Serviços Prestados pelo HPP

Segundo a Carta de Serviço, são os seguintes serviços prestados pelo Hospital provincial de
Pemba:

a) Urgência de Adultos;
b) Urgência de Pediatria;
c) Urgência de Ginecologia e Obstetrícia;
d) Internamentos;
e) Consultas externas;
f) Consultas internas;
g) Atendimento as empresas;
h) Atendimento personalizado.

Para além dos serviços supra referenciados, a unidade poderá em função da sua dinâmica
introduzir novos serviços e ou agregar valores aos serviços já existentes.

4.2. Apresentação e Analise de Dados da Pesquisa

No seu âmbito de actuação, o Hospital provincial de Pemba, estabelece uma articulação


funcional com todas unidades, onde este possui um efectivo mais de 150 funcionários e
agentes do Estado, dos quais 35 estão afectos no Banco de Socorros, integrados nas diferentes
carreiras e categorias previstas no Sistema de Carreiras e Remuneração aprovado pelo
Decreto n.º 54/2009 (BR, 2009), de 8 de Setembro.

Gráfico 1: Tipo de Instituição

80%
60%
40% 80%
20%
15% 5%
0%
Publica Privada Outra

Fonte: Adaptado pelo autor, 2019


35

Segundo os dados colhidos no momento da entrevista, numa percentagem de 80%, deu para
entender que o HPP é uma instituição pública Moçambicana.

Gráfico 2: Sexo dos funcionários

80% 65%
60%
Axis Title

40% 35%
20%
0%
Masculino Feminino

Fonte: Adaptado pelo autor, 2019

Como se pode ver pelo gráfico, conclui-se que no HPP, no que tange ao género da para
referir que existe mais Homens com uma percentagem de 65% em relação as mulheres com
35%.

Gráfico 3: Faixa etária dos Funcionários do HPP

Faixa etária dos Funcionários do HPP


60%
50%
50%
40%
Axis Title

30% 25%
20% 15%
10%
10%
0%
de 18 anos a 30 anos De 31 anos a 40 anos De 41 a 55 anos Outra
Axis Title

Fonte: Adaptado pelo autor, 2019

Na idade dos funcionários que foram submetido a questionário, ate 30 anos a qual apresentou
uma percentagem de 10% e 31 a 40 anos esteve representada por 50% e por fim os
funcionários com mais de 55 anos a mais apresentam com 25%, respectivamente.
36

Gráfico 4: Sector de Actuação

6
5
5
4
Axis Title

3
2
62.50% 1 1 1
1 12.50% 12.50% 12.50%
0
Fisioterapia Consultas pre-natais Medicina 1 e 2 Aprovisionamento
Axis Title

Fonte: Adaptado pelo autor, 2019

Deslindando-se o sector de actuação dos colaboradores submetidos a entrevista, constatou-se


que os funcionários do HPP concentram-se no sector de Fisioterapia com 62,5%, 12,5% para
sector de consultas pré-natais, 12,5% para aprovisionamento e por fim para sector de
medicina com 12,5%, respectivamente.

4.3.Discussão dos Resultados da Pesquisa

4.3.1.Avaliação dos serviços prestados no HPP

Os inquiridos afectos aos Órgãos de Direcção do HPP foram unânimes ao afirmarem que os
serviços de saúde no âmbito da implementação da Estratégia da Reforma do Sector do Sector
Público tendem a melhorar porque tem havido a preocupação de os adaptar às expectativas
dos utentes, sendo este um dos principais objectivos do sector da saúde.

Um funcionário afecto na Direcção Científica e Pedagógica, que nos concedeu uma entrevista
aberta frisou que: “A avaliação da qualidade de serviços de saúde é hoje uma preocupação
crescente em todas unidades de serviços do HPP, mas os grandes constrangimentos tem se
constatado nos serviços do Banco de Socorros, devido a complexidade que esta unidade tem
em dar resposta a tempo e hora aos utentes, o que chega a não efectivar por razões estruturais
e tecnológicas”.

Um dos médicos que me concedeu uma entrevista na condição de anonimato, referiu que o
factor formação e a vocação para o trabalho no sector da saúde são determinantes na forma
como um médico ou enfermeiro recebe, atende e trata um doente.
37

Tabela 1: Número de questionários enviados e obtidos

Funcionários Nº Questionário enviados % Nº de %


Respostas
Funcionários do 15 100% 10 75%
HPP

Fonte: Adaptado pelo autor, 2019

A tabela ilustra que dos 15 funcionários directamente afecto no Banco de Socorros do


Hospital provincial de Pemba, submetidos ao estudo, apenas 10 devolveu as respostas o que
representa uma cifra de 75%. De entre os funcionários que se submeteram ao estudo, à uma
concordância em afirmarem que os serviços prestados no Banco de Socorros do HPP, não
melhoraram nem pioraram. Nos últimos anos nesta unidade hospital tem havido uma
movimentação de pessoal, de modo a permitir uma troca de experiências. Os problemas que
enfrentamos são de ordem estrutural (insuficiência de médicos, ligeiro estado de degradação
das infra-estruturas).

Um funcionário afecto no Bloco Operatório de SUR afirmou que: “O nível de degradação das
infra-estruturas; constantes avarias de máquinas de diagnósticos; o baixo nível de gestão de
pessoal de saúde no que concerne as promoções e progressões de carreiras profissionais,
tende a contribuir na fraca qualidade dos nossos serviços. A tabela que se segue, elucida
sobre os níveis de satisfação dos utentes quando questionados se estão satisfeitos com o
atendimento dos serviços a eles prestados.

Tabela 2: Satisfação dos utentes com o atendimento público

Atendimento público
Total
Bom Médio Mau
Utentes 9 3 3 15
Sub-total % 60% 20% 20% 100%
Fonte: Adaptado pelo autor, 2019
38

A tabela ilustra-nos três variáveis (bom; médio e mau) que dos 15 utentes seleccionados para
o estudo 20% (n=3) afirmam que o atendimento é bom, 20% (n=3) afirmam que o
atendimento é médio e 60% (n=9) pautaram por classificar como mau atendimento público.

Desta feita, com os dados fornecidos, confirmam que a maioria dos utentes classifica o
atendimento prestado no Banco de Socorros do Hospital provincial de Pemba é mau.

I. Nível de satisfação com a imagem do Banco de Socorros do HPP

O factor imagem do Banco de Socorros do Hospital provincial de Pemba revela aspectos


tangíveis que têm a ver com a limpeza das instalações, aparência física dos equipamentos e
funcionários, onde os utentes têm facilidade de os avaliar. Assim, os utentes que responderam
o questionário desta pesquisa, mostraram um nível de insatisfação com a imagem desta
unidade, desde as infra-estruturas até a limpeza executada pelos funcionários.

II. Satisfação com a competência e habilidades do pessoal da saúde

Segundo os utentes inquiridos, os profissionais de saúde da unidade em pesquisa têm


competências e habilidades para o atendimento ao público mas a falta de médicos
especialistas e enfermeiros em número suficiente para atender os níveis de procura que o
Banco de Socorros tem atingido com particular ênfase para os momentos de pico.

Uma idosa, revelou que “na unidade de Banco de Socorros existem períodos que os cuidados
clínicos ficam inteiramente sob o controle das enfermeiras, esta situação é consequência da
incapacidade dos hospital aumentar o número de médicos em regime permanente e a
existência de períodos em que o médico permanente não pode estar presente por diversos
motivos (descanso, deslocações em serviços e atendimento a outras unidades hospitalares) ”.
39

III. Nível de satisfação com a qualidade de atendimento ao utente

Conforme descrito na fundamentação teórica, que a qualidade de atendimento caracteriza-se


por um conjunto de acções desenvolvidas pelo profissional, com conhecimentos, habilidades,
desenvolvimento e competências, objectivando o atendimento nas necessidades e
expectativas de cada utente.

Os utentes inquiridos afirmam que a qualidade de atendimento nos serviços do Banco de


Socorros do Hospital provincial de Pemba não é boa, isto é, não estão satisfeitos com o nível
de atendimento.

IV. Nível de satisfação com o desempenho dos médicos e enfermeiros

O desempenho dos médicos e enfermeiros é caracterizado pela heterogeneidade na prestação


de serviços, que resulta no alto grau de variedade das características destas classe e dos
utentes, isto é, a heterogeneidade ocorre em virtude da ligação do médico e do utente em que
a sua avaliação é feita em função do resultado do seu tratamento. Por isso sobre a diversidade
de serviços oferecidos pelos médicos e enfermeiros, os inquiridos mostram que o
desempenho dos serviços prestados não tem correspondido as expectativas criadas. Por isso,
52% dos utentes não estão satisfeitos com o desempenho desta classe (médicos e
enfermeiros).

V. Nível de satisfação geral com a qualidade dos serviços prestados no Banco de


Socorros do HPP

Em relação a avaliação da qualidade dos serviços prestados no Banco de Socorros do


Hospital provincial de Pemba, muitos utentes demonstraram uma insatisfação. Por isso na
pesquisa utilizou-se os factores: Imagem do Banco de Socorros; competências e habilidades
do pessoal da saúde; qualidade de atendimento; desempenho dos médicos e enfermeiros para
analisarmos a problemática desta pesquisa.

Dos 15 utentes questionados sobre a qualidade de serviços prestados pelo Banco de Socorros
do Hospital provincial de Pemba, 5 afirmaram que existe mau atendimento aos pacientes.
Este mau atendimento está relacionado com a falta de sensibilidade em informar sobre a
40

demora de médicos nas consultas, insuficiência de medicamentos nas farmácias, perda de


processos de doentes, discussão entre o pessoal de saúde e familiares de doentes durante o
acompanhamento e visitas.

4.4.Casos sobre síndrome de pânico

4.4.1.Caso de estudo 1:

O primeiro caso é o de Andrea Januário Victor, Natural de Montepuez – Cabo Delgado, uma
jovem de 22 anos de idade, que após 08 (oito) meses de terapia, com sessões semanais,
consegue libertar-se de uma Síndrome do Pânico, passando a viver normalmente, sem
qualquer medicação.

Andrea Januário Victor, jovem universitária, solteira, cursando o terceiro ano de Psicologia
educacional na Universidade Rovuma, é a filha do meio de um casal de meia-idade. As três
filhas do casal vivem com o pai, militar da activa, em Montepuez, enquanto a mãe vive no
interior, acompanhando os negócios da família.

Andrea Januário Victor, chega ao consultório, inicialmente, com queixas de fraqueza e


desmaios durante o estágio em ambulatório da faculdade. Após duas sessões, de muita escuta
amorosa, onde o vínculo cliente-terapeuta foi bastante fortalecido, a jovem passa a relatar seu
verdadeiro problema, informando que foi diagnosticada como portadora de Síndrome do
Pânico e que está sob acompanhamento médico - um neuropsiquiatra.

Ela faz referência a um medo incontrolável, que surge, aparentemente do nada, deixando-a
sem condições de reagir. Alega que o problema se manifesta em diversas situações (quando
está dirigindo, em festas, no carro, durante os estágios no hospital, etc), causando sérios
transtornos em sua vida – tanto no pessoal, com problemas no relacionamento com o
namorado (não consegue mais sair para os programas costumeiros, como reuniões, festas,
cinemas, etc), quanto no profissional (não consegue cumprir as rotinas estabelecidas no
estágio, tendo, inclusive, desmaiado em diversas ocasiões).

Na primeira sessão em que foi realizado o Trabalho de Cura através do Campo de Energia
Humano (terceira sessão de terapia), o campo áurico da paciente estava bastante estagnado,
41

praticamente sem fluidez. Todo o seu campo estava paralisado, o que deixava a jovem apática
e sem energia para a vida. Após essa primeira sessão, em que os chakras foram recarregados
e equilibrados, a paciente relata sentir-se mais animada e com maior disposição.

Dando continuidade ao processo terapêutico, são realizadas sessões quinzenais de Trabalho


de Cura através do Campo de Energia Humano, entretanto, a cada sessão, podia-se verificar
que o campo áurico da paciente voltava a se apresentar estagnado. Certamente, o estado do
campo áurico da paciente já não era como estava na primeira sessão; entretanto, ela não
estava conseguindo manter seus chakras carregados e alinhados, era como uma bateria que
não consegue manter a carga.

Nas sessões intermediárias, em que não era realizado o Trabalho de Cura através do Campo
de Energia Humano, foram realizados outros trabalhos de energia – tais como: alinhamento
do Hara, exercícios físicos, exercícios de respiração e postura, meditações com respiração
colorida, visualização criativa e outras -, para ensinar a paciente a abrir e carregar seus
chakras, mantendo-os em bom estado por mais tempo. Além da prática dessas técnicas em
consultório, foi incentivada a sua prática diária, em casa, como ferramenta bastante útil no
processo de cura.

Nessa altura, também, foi sugerido à paciente que fizesse uma mudança em seu guarda-roupa
(já que ela praticamente só usava roupa branca), para começar a introduzir, também desta
forma, mais cor e luz em sua vida.

Adoptadas essas providências, a paciente passou absorver mais a energia recebida nas sessões
de Trabalho de Cura através do Campo de Energia Humano, apresentando grande melhora
em seu quadro clínico.

Após 03 (três) meses de terapia, a paciente passa a apresentar mais vitalidade e mais alegria
de viver, embora ainda apresentasse alguns sintomas da doença, especialmente em algumas
situações, como no estágio e no trânsito.

Após 05 (cinco) meses de terapia, foi realizada uma sessão de regressão. Para acessar as
memórias, foram utilizadas frases como: “Eu estou com medo!”, “Não me deixem sozinha!”,
“Não me abandonem!”. Na regressão, ela se vê como uma jovem de aproximadamente 19
42

anos, que estava viajando com os pais num navio e, durante um naufrágio, consegue se
agarrar a uma espécie de tábua.

Durante a vivência, ela pediu muito por socorro, chamou pelos pais e gritou que sentia muito
medo. Foi permitida a descarrega de toda aquela energia de medo e angústia – muitos gritos,
choros e contorções – para, então, se entrar no drama da morte em si. A cena da morte foi
bastante forte: ela tem um acesso de tosse muito grande e expele a uma boa quantidade de
secreção da garganta.

Após a vivência da morte, foi feito o trabalho espiritual, (mundo espiritual). Inicialmente, ela
viu uma mulher, que descreveu como a Virgem Maria. A Virgem segurou-a pela mão e
levou-a para um lugar bonito e tranquilo. Nesse lugar, ela recebeu tratamento, para recuperar
as forças, pois estava se sentindo extremamente esgotada. Foi, então, foi encorajada a
encontrar um animal de poder, para ajudá-la na recuperação. Ela vê uma águia e voa com esta
águia, vivenciando uma grande sensação de paz e liberdade. Depois, foi sugerido que
procurasse seus pais. Ela os encontrou e eles lhe acolheram e disseram que ela foi muito
corajosa; que às vezes é preciso “se virar” sozinha; e, que ela se saiu muito bem (que, naquela
situação, não havia mesmo nada mais a fazer). E, quanto ao medo, eles disseram que, muitas
vezes, é fundamental para a sobrevivência e, então, ela não tinha que temer o medo.

Foi um trabalho muito forte para a cliente; mas, o resultado foi excelente. A partir do
processo vivenciado, ela parece ter tomado consciência de que sentia medo e que o medo, na
verdade, faz parte da vida de todos, sendo inclusive necessário para a sobrevivência do
indivíduo – “quem não tem medo, morre cedo”, diz ela -. Então, passou a adoptar uma atitude
diferente perante a vida: começou a enfrentar o medo, em vez de fugir dele. Em breve, voltou
a dirigir, a sentir vontade de sair e viajar, e, aos poucos, foi enfrentando melhor as situações
que surgiam no estágio e no seu quotidiano em geral.

Três meses depois, estava bem e começou o “desmame” da medicação. Hoje, ela está óptima.
Está formada e fazendo pós-graduação em sua área. Não está namorando (o namorado
terminou o relacionamento e, após um pequeno luto, ela ficou bem); e, não toma mais
medicação alguma, desde SET/2018.
43

4.4.2.Caso de estudo 2:

O segundo caso é o de Faustina Ramadane, natural de Mecufi – Cabo Delgado, uma mulher
de 39 anos de idade, que após 07 (sete) meses de terapia, com sessões semanais, consegue
vencer a Síndrome do Pânico, passando a ter de volta o controlo de sua vida, embora
mantenha, ainda, o uso de medicação, não continuamente, mas de maneira eventual, para
prevenir episódios de insónia, que às vezes reaparecem.

Faustina Ramadane, divorciada de seu segundo marido há mais de 08 (oito) anos, é uma
profissional bem sucedida e vive com um casal de filhos, na cidade de Pemba, sem qualquer
ajuda dos pais dos adolescentes.

Faustina Ramadane, chegou ao consultório, com queixas diversas – ansiedade, solidão,


insónia e crises de pânico -, informando ter sido diagnosticada como portadora de Síndrome
do Pânico há 06 seis meses. Diz, ainda, estar fazendo uso de medicação – RIVORTRIL -,
diariamente, queixando-se de alguns efeitos colaterais que já se fazem presentes, como:
ocorrência de brancos e lentidão de raciocínio.

Após algumas sessões, de muita escuta amorosa, com o desabafo de uma história de muito
sofrimento e angústia, onde o vínculo cliente-terapeuta foi bastante fortalecido, a cliente
mostra-se bastante disponível e pronta a começar a sua jornada de auto-conhecimento e cura.

Descortina-se, então, uma vida de muitas dificuldades. Quando criança - a única menina dos
cinco filhos de um casal de classe média, que vivia no interior do distrito de Mecufi, era
bastante peralta e vivia surpreendendo os pais com suas estripulias. Embora não entendesse à
época, sofria muito com os castigos que lhe eram impostos, mas não se “consertava”. Assim,
cresceu vendo-se como uma “marginal”, pois imaginava que não conseguia enquadrar-se ao
que a Sociedade, em geral, e sua família, em particular, esperava.

Apesar disso, sempre foi excelente aluna, tendo-se formado aos 22 anos e alcançado a
independência económica muito cedo. Adulta, assumiu uma postura de “politicamente
correcta” e é extremamente exigente com a sua própria conduta e com a dos outros, não
admitindo falhas de conduta de seus amigos e familiares. Assim, sofre demasiadamente com
os dois casamentos desfeitos, culpando-se pela “má escolha” dos parceiros.
44

Em meados de 2016, morando na cidade de Pemba, a mais de 03 (três) anos, começa a


apresentar os sintomas da Síndrome do Pânico. A paciente relata a ocorrência de crises
terríveis, em diversas circunstâncias: no engarrafamento, na volta para a casa; no trabalho, em
situações de estresse; e, inclusive, à noite, em sua casa, na presença de seus filhos. Relata,
ainda, que as crises têm causado sérios transtornos em sua vida tanto a nível pessoal, já que
se sente vulnerável e impotente diante dos filhos; quanto a nível profissional, vez que se sente
cada vez mais exposta, num ambiente onde não se sente protegida, nem confortável.

Após passar por uma série de médicos e exames, ela recebe, o diagnóstico de Síndrome do
Pânico, com a prescrição de medicação – RIVORTRIL – e a indicação de acompanhamento
psicoterápico. Ansiosa para se ver livre daquelas terríveis crises, a paciente faz uso da
medicação de acordo coma prescrição médica e inicia, imediatamente, o tratamento
psicoterápico, com uma psicóloga que segue a linha jungüiana. Em março de 2016, a paciente
chega ao consultório, incentivada pela psicóloga que a acompanha, para uma tentativa de
trabalho seguindo uma abordagem transpessoal.

Na quarta sessão de terapia, é realizada a primeira sessão de Trabalho de Cura através do


Campo de Energia Humano no Hospital provincial de Pemba. Nesta ocasião, o campo áurico
da paciente apresentava-se bastante desequilibrado, com alguns pontos de bloqueio como nos
tornozelos e nos joelhos e bastante fragilizado na região das pernas, do chakra básico e do
chakra sexual.

Na semana seguinte, a paciente chegou ao consultório, muito alegre e activa. Diz estar se
sentindo muito bem e pergunta o que efectivamente aconteceu, pois estava mais viva, mais
forte e, em consequência disso, estava brigando mais com as pessoas a sua volta e, também,
estava com vontade de fazer sexo (coisa que, segundo ela, há muito tempo não acontecia).

Foi, então, explicado à paciente o que aconteceu que o seu campo áurico estava bastante
descarregado, especialmente nas regiões do primeiro e segundo chakras, o que a deixava bem
desconectada do plano material; e, com o trabalho realizado, houve uma reenergização e
harmonização do seu campo áurico, o que levou a uma maior conexão com o mundo
material, provocando as brigas e vontade de sexo, mostrando a importância de manter o seu
corpo áurico bem energizado e harmonioso.
45

Apesar da forte reacção após a primeira sessão do Trabalho de Cura através do Campo de
Energia Humano, a paciente não manteve o ritmo de mudança ocorrido, tendo tido algumas
recaídas.

Assim, também aqui, nas sessões intermediárias, em que não era realizado o Trabalho de
Cura através do Campo de Energia Humano, foram realizados outros trabalhos de energia
como: alinhamento do Hara, exercícios físicos, exercícios de respiração e postura, meditações
com respiração colorida, visualização criativa e outras -, para ensinar a paciente a abrir e
carregar seus chakras, mantendo-os em bom estado por mais tempo, tendo sido incentivada a
sua prática diária, em casa, como ferramenta bastante útil no processo de cura.

Foi um trabalho muito profundo e o resultado foi surpreendente. A partir do processo


vivenciado, a paciente trouxe para a consciência muitos medos como de ser vista como uma
mulher sensual, de não ser reconhecida como uma boa profissional, de não poder cuidar de si
mesma e de seus filhos sozinha, que foram trabalhados com técnicas de “GESTALT
TERAPIA” e “PNL”. Assim, a paciente passou a adoptar uma atitude diferente perante a
vida: começou a enfrentar seus medos, em vez de tentar fugir deles.

Após 07 (sete) meses de terapia, desde JAN/2018, a paciente passou a se sentir forte o
suficiente para iniciar o “desmame” da medicação, sob orientação médica. Hoje, ela está bem
e, embora ainda tome a medicação esporadicamente quando ocorre algum evento
extraordinário e ela sinta que pode vir a sentir insónia, consegue ter o controlo de sua vida e
não tem mais “medo de sentir medo”.
46

CAPITULO V: CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

5.1.Conclusão

Chegando o fim deste trabalho, podemos concluir que, quando buscamos na literatura o
entendimento sobre o Transtorno de Pânico, poucos relatos foram encontrados de como o
sujeito com esse transtorno, entende esse fenómeno. Então, visando analisar essa
problemática, considerando que o meio onde este sujeito está inserido é uma importante fonte
de apoio ao doente, procuramos ressaltar, que o entendimento desse fenómeno é de suma
importância para todos os envolvidos e pode ser um factor imensurável no processo de
tratamento e cura.

É consensual, que a família constitui um sistema no qual o comportamento de cada um dos


seus membros é interdependente ao dos outros. A família pode ser vista como um conjunto
que funciona como uma totalidade, em que as particularidades dos membros não bastam para
explicar o comportamento de todos os outros membros.

Acredita-se que a compreensão dos envolvidos tem papel fundamental em ambas as


situações, e que as pessoas com Transtorno de Pânico, que tiveram apoio adequado de amigos
e familiares, aderiram melhor ao tratamento. O conhecimento do Transtorno de Pânico, seus
tratamentos por todos os portadores, envolvidos e os profissionais de saúde são de suma
importância para o encaminhamento directo do paciente ao terapeuta para que comece o mais
rápido possível o tratamento podendo, desse modo, diminuir o sofrimento dos portadores
antes que o quadro de ansiedade se torne cada vez mais grave. Dessa maneira, cabe aos
profissionais de saúde máxima atenção na identificação dos sintomas na tentativa de
intensificar as acções que possam promover o seu controlo.

Como pode ser visto, apesar de esse transtorno acarretar altíssimo prejuízo ao funcionamento
normal do indivíduo, é altamente tratável, alcançando-se excelentes resultados tanto com uso
de medicação quanto com aplicação de psicoterapias de curto prazo. Embora nada de
conclusivo possa ser afirmado, esperamos com o avanço da ciência novas descobertas acerca
da origem e cura desse transtorno que tanto abala e interfere a vida das pessoas.
47

A limitação do presente estudo está exactamente na avaliação dos casos práticos, sendo
necessário um estudo envolvendo um maior número de casos clínicos e de técnicas aplicadas
para o fortalecimento dos objectivos apresentados.

O resultado da pesquisa pode contribuir para alertar os profissionais da área de saúde,


especialmente, os Terapeutas Transpessoais, para a responsabilidade que têm para com os
seus pacientes em seus processos de cura.

Longe de querer esgotar o assunto, portanto, o presente trabalho pretende reforçar, entre
estudantes e profissionais da área de saúde, o entendimento de que acompanhamento
terapêutico, seguindo a abordagem transpessoal, pode ser bastante eficaz no tratamento da
Síndrome do Pânico e disseminar a utilização esse tipo de acompanhamento terapêutico no
tratamento dessa doença, para a promoção da saúde integral do indivíduo.
48

5.2.Recomendações

O trabalho feito no Hospital Provincial de Pemba, referente o tratamento sobre síndrome de


pânico, ficou algumas recomendações a saber:

 Sintomas físicos da doença podem ser confundidos com sinais característicos de infarto,
caso se descarte uma ocorrência cardíaca, o transtorno pode ser uma suspeita;
 Praticar exercícios físicos. Algumas das sensações que eles provocam são semelhantes às
da síndrome do pânico batimentos cardíacos acelerados e sudorese, mas em um contexto
agradável, que ajuda a tirar a identificação negativa;
 Não se automedique nem recorrer ao consumo do álcool ou de outras drogas para aliviar
os sintomas. Em vez de resolver um problema, você estará criando outros;
 Procurar assistência médica. O transtorno do pânico é uma doença como tantas outras.
Quanto antes for diagnosticada, melhor será a resposta ao tratamento.
49

Referências bibliográficas

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Transtornos Mentais – DSM-IV. (Dyse Batista, Trad.). 4ª. ed. Porto Alegre: Artes
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Energia Humana. Trad, Octavio Mendes Cajado. Ed. Pensamento - S.Paulo- 1987.
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6. DETHLEFSEN, Thorwald; e. DAHLKE, Rüdiger. A Doença como Caminho. Editora
Cultrix. 16ª Edição. São Paulo, 2006.
7. EDINGER, Edward F. Ego e Arquétipo. Editora Cultrix. São Paulo, 1989.
8. ELIADE, Mircea. O Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase. São Paulo: Martins
Fontes, 1998.
9. FERREIRA, Aurino Lima; BRANDÃO, Eliege Cavalcanti; e, MENEZES, Salete.
Psicologia e Psicoterapia Transpessoal. Caminhos da Transformação. Recife:
Comunigraf, 2005.
10. GIL, António Carlos. Como elaborar projectos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo, editora
Atlas, 2002.
11. GROF, Stainslav. Psicologia do Futuro: Lições das Pesquisas Modernas de Consciência.
Trad. Jussara de Avellar Serpa. Niterói, RJ: Heresis, 2000.
12. IAASB - ISA 520 (2004), Procedimentos Analíticos - Tradução da OROC
13. IVALA, Zacarias Adelino et tal. Orientação para elaboração de projectos e monografias
científicas.1ª ed. Nampula, 2007.
14. KAPCZINSKI, Flávio. Transtorno do Pânico: o que é? Como ajudar? Um guia de
orientação para pacientes e familiares. Porto alegre: Artmed, 2003.
15. KELEMAN, Stanley. Viver o seu Morrer. São Paulo: Afiliadas, 1997.
50

16. LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Andrade. Como elaborar projectos de pesquisa, 4ª
Ed., Atlas, São Paulo, 2002
17. MARCONI, Marina de Andrade & LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de
Metodologias Científicas, Atlas, 7ª Edição, São Paulo, 2010
18. MARINI, Elaine. Síndrome do Pânico: O Tratamento na Visão da Psicologia
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19. MASLOW, H. Introdução à Psicologia do Ser. Rio de Janeiro: Eldorado, 1968.
20. MATOS, Léo. Psicologia Transpessoal: Explorando os Vários Estados da Consciência In:
Caderno de Debates Plural. Colectânea Psicologia Transpessoal. Belo Horizonte:
Faculdade de Ciências Humanas – Fumec, 1992.
21. NARDI, AE. Valença AM. Transtorno do Pânico: diagnóstico e tratamento. Rio de
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22. OLIVEIRA, Maria do Carmo. O Encontro do Eu: Uma Visão Transpessoal. 2006.
Monografia (Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Terapia
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23. RANGÉ, Bernard. Psicoterapia comportamental e cognitiva de transtornos psiquiátricos.
Campinas: Editora Psy, 1995.
24. RANGÉ, Bernard. Psicoterapias Cognitivo - Comportamentais: um diálogo com a
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25. REICH, W. Análise do Caráter. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editor, 1998.
26. SOARES, P. Costa. Uma Contribuição das Formas Não-Locais de Conhecimento para a
Prática Terapêutica: Novas Propostas em Psicoterapia Transpessoal. Dissertação.
Florianópolis, 2003.
51

APÊNDICES
52

Questionário

Desde já quero agradecer a disponibilidade para o preenchimento do questionário, que terá a


duração de 30 minutos. Tal como foi inicialmente comunicado, esta constitui um instrumento
de uma pesquisa a ser remetida a comissão julgadora do ISCTAC que tem como objectivo
geral demonstrar a importância da Terapia Transpessoal no tratamento da Síndrome do
Pânico, para alcançar a cura efectiva da doença, numa perspectiva de busca da saúde integral
do indivíduo, no Hospital provincial de Pemba e visa responder às seguintes perguntas:

1.Ao longo dos últimos 7 dias, quantas vezes você foi incomodado pelos seguintes
problemas?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

2.Sentiu crises inesperadas de medo, insegurança e desespero, aparentemente sem qualquer


risco real?
[ ] Nunca [ ]Alguns dias [ ] Mais da metade dos dias [ ] Quase todos os dias

3.Sentiu-se ansioso, preocupado ou nervoso com a possibilidade de ter outras crises de


pânico?
[ ] Nunca [ ]Alguns dias [ ] Mais da metade dos dias [ ] Quase todos os dias

4.Teve pensamentos e a sensação de perda de controlo, loucura ou morte, devido aos ataques
de pânico?
[ ] Nunca [ ]Alguns dias [ ] Mais da metade dos dias [ ] Quase todos os dias

5.Sentiu o seu coração acelerado, dificuldades em respirar, tremores ou suores frios?


[ ] Nunca [ ]Alguns dias [ ] Mais da metade dos dias [ ] Quase todos os dias

6.Sentiu seus músculos tensos e uma inquietude que não permite que você consiga relaxar ou
dormir?
[ ] Nunca [ ]Alguns dias [ ] Mais da metade dos dias [ ] Quase todos os dias
53

7.Evitou ou não se aproximou de locais onde já teve ataques de pânico?


[ ] Nunca [ ]Alguns dias [ ] Mais da metade dos dias [ ] Quase todos os dias

8.Deixou certos eventos ou situações mais cedo, ou participou pouco, por receio de um novo
ataque de pânico?
[ ] Nunca [ ]Alguns dias [ ] Mais da metade dos dias [ ] Quase todos os dias

9.Passou muito tempo se preparando ou procrastinando situações em que os ataques de


pânico poderiam acontecer?
[ ] Nunca [ ]Alguns dias [ ] Mais da metade dos dias [ ] Quase todos os dias

10.Precisou de ajuda para lidar com essas crises, como por exemplo, apoio no álcool ou
medicação, objectos supersticiosos ou recorreu a outras pessoas?
[ ] Nunca [ ]Alguns dias [ ] Mais da metade dos dias [ ] Quase todos os dias

11.Já alguma vez sentiu um intenso desconforto, medo ou mal-estar intenso, que surge do
nada e que durou vários minutos?
[ ] Sim [ ] Não

Obrigado por participar nesta pesquisa

Pemba, Novembro 2019


__________________________________________________
(Assinatura)