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Disciplina: Dança e atividades rítmicas

Autor: M.e Éder Fernando do Nascimento

Revisão de Conteúdos: Esp. Guilherme Natan Paiano dos Santos

Designer Instrucional: Sérgio Antonio Zanvettor Júnior

Revisão Ortográfica: Esp. Juliano de Paula Neitzki

Ano: 2019

Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas


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Marketing da Faculdade São Braz (FSB). O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em
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1
Éder Fernando do Nascimento

Dança e atividades rítmicas


1ª Edição

2019

Curitiba, PR

Editora São Braz

2
Editora São Braz
Rua Cláudio Chatagnier, 112
Curitiba – Paraná – 82520-590
Fone: (41) 3123-9000

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Barros Dias / D.ra Rosi Terezinha Ferrarini Gevaerd / D.ra Wilma de Lara
Bueno / D.ra Yara Rodrigues de La Iglesia

Revisão de Conteúdos
Guilherme Natan Paiano dos Santos

Designer Instrucional
Sérgio Antonio Zanvettor Júnior

Revisão Ortográfica
Juliano de Paula Neitzki

Desenvolvimento Iconográfico
Juliana Emy Akiyoshi Eleutério

FICHA CATALOGRÁFICA

NASCIMENTO, Éder Fernando do.


Dança e atividades rítmicas / Éder Fernando do Nascimento. – Curitiba: Editora
São Braz, 2019.
58 p.
ISBN: 978-85-5475-473-0
1. Arte e Educação. 2. Dança Folclórica. 3. Dança Teatral.
Material didático da disciplina de Dança e atividades rítmicas – Faculdade São
Braz (FSB), 2019.

Natália Figueiredo Martins – CRB 9/1870

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PALAVRA DA INSTITUIÇÃO

Caro(a) aluno(a),
Seja bem-vindo(a) à Faculdade São Braz!

Nossa faculdade está localizada em Curitiba, na Rua Cláudio Chatagnier,


nº 112, no Bairro Bacacheri, criada e credenciada pela Portaria nº 299 de 27 de
dezembro 2012, oferece cursos de Graduação, Pós-Graduação e Extensão
Universitária.
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comunidade de estar sempre sintonizada no objetivo de participar do
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também brasileiros conscientes de sua cidadania.
Nossos cursos são desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar
comprometida com a qualidade do conteúdo oferecido, assim como com as
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de dúvidas via telefone, atendimento via internet, emprego de redes sociais e
grupos de estudos, o que proporciona excelente integração entre professores e
estudantes.

Bons estudos e conte sempre conosco!


Faculdade São Braz

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Sumário
Prefácio........................................................................................................... 07
Aula 1 – Atividades rítmicas ........................................................................... 08
Apresentação da Aula 1 ................................................................................. 08
1.1 - O ritmo ............................................................................................. 08
1.2 - Exercícios rítmicos .......................................................................... 11
1.3 - Coreografias e o ritmo musical ........................................................ 13
1.4 - Ritmos e possibilidades de movimentos .......................................... 14
Conclusão da aula 1 ....................................................................................... 18
Aula 2 – Possibilidades de movimentação ...................................................... 19
Apresentação da aula 2 .................................................................................. 19
2.1 - Movimento e comportamento motor ................................................ 19
2.2 - O que é possível mover? ................................................................. 20
2.3 - Espaço e possibilidades de movimento ........................................... 21
2.4 - Qualidades do movimento ............................................................... 25
2.5 - Estilos de dança .............................................................................. 26
Conclusão da aula 2 ....................................................................................... 31
Aula 3 – História da dança ............................................................................. 31
Apresentação da aula 3 .................................................................................. 31
3.1 - A dança na Antiguidade ................................................................... 32
3.2 - A dança durante a Idade Média ....................................................... 34
3.3 - A dança a partir do Renascimento ................................................... 36
3.4 - A importância do rei Luís XIV para a dança ...................................... 38
3.5 - A dança e o Romantismo ................................................................. 40
3.6 - O ballet russo ................................................................................... 40
3.7 - A Dança moderna ............................................................................ 42
3.8 - A dança pós-moderna ..................................................................... 43
3.9 - A dança no Brasil ............................................................................. 44
3.10 - Dança folclórica ............................................................................ 45
Conclusão da aula 3 ....................................................................................... 46
Aula 4 – Dança na Educação Básica e para populações especiais ................ 47
Apresentação da aula 4 .................................................................................. 47
4.1 - Breve abordagem histórica da dança na educação ......................... 47
4.2 - Base Nacional Comum Curricular – BNCC ...................................... 49
4.3 - Propostas de dança na Educação Básica ....................................... 51

5
4.4 - Dança e populações especiais ........................................................ 52
Conclusão da aula 4 ....................................................................................... 55
Índice Remissivo ............................................................................................ 56
Referências .................................................................................................... 58

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Prefácio

Caro aluno (a), este material é um guia para que você entenda alguns
aspectos importantes da dança e outras atividades rítmicas, que envolvem ritmo,
música, abordagens metodológicas, historicidade, possibilidades de
movimentos, estilos e técnicas, por exemplo.
Para maior aproveitamento, é importante que você leia com atenção os
conteúdos abordados, anotando eventuais dúvidas e curiosidades que surgirem
no processo.
Sendo um guia, este material aborda vários conhecimentos importantes
relacionados às atividades rítmicas e à dança, e é interessante que, se sentir
necessidade de mais aprofundamento em algumas áreas, você tenha autonomia
para pesquisar sobre.
Assim, espero contribuir significativamente para seu processo de
formação enquanto futuro professor.
Bom estudo!

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Aula 1 – Atividades rítmicas

Apresentação da aula 1

Olá! Seja bem-vindo (a) à primeira aula da disciplina Dança e atividades


rítmicas. Nela será abordado o que é ritmo e qual sua importância, assim como
sua classificação, valores e composição, tratando também de exercícios
rítmicos, coreografias e alguns ritmos e suas possibilidades de movimentos.
Ao trabalhar com dança e outras atividades rítmicas, é importante estudar
o que é o ritmo e suas propriedades, a fim de dar embasamento para você, futuro
professor, elaborar e refletir sobre suas atividades e seu papel de docente em
diversos ambientes e situações.

1.1 O ritmo

Com certeza você já ouviu esta palavra algumas vezes durante sua vida,
como, por exemplo, alguém se referindo ao ritmo de uma caminhada, de
respiração, de batimentos cardíacos, ao ritmo da vida diária, e até mesmo em
relação aos estudos, além disso, quantas vezes você escutou uma música, e
quando percebeu já estava mexendo uma parte do corpo para acompanhar o
ritmo dela?
É possível perceber que o ritmo não é apenas um elemento da música,
mas, sim, da vida. Na natureza, por exemplo, encontramos o ritmo do mar, do
vento, das estações, do crescimento das plantas, entre outros. Também se pode
falar dos ritmos funcional biológico e de aprendizagem, que inclui os aspectos
fisiológicos e de desenvolvimento motor e cognitivo do indivíduo. Mas, afinal,
como podemos definir o que é ritmo?
Ao longo de anos, muitos autores trouxeram definições para esta palavra.
Como dizia Platão, filósofo e matemático da Grécia Antiga, “o ritmo é movimento
ordenado”. Para Dalcroze, pedagogo e compositor nascido no século XIX, “o
ritmo é um princípio vital e é movimento”. Já para Lapierre, educador francês do
século XX, seria “uma estrutura que se repete ciclicamente”. Frente a tantas
definições, que incluem as de outros autores não citados aqui, pode-se dizer que

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o ritmo (Rhytmos, em grego) é a relação harmoniosa e regular entre elementos,
a qual gera um movimento ordenado.

Vocabulário
Rhytmos: de origem grega, significa aquilo que flui, que se move, com
movimento regulado.

Sabendo que o ritmo é algo inerente à vida, a importância da educação


do ritmo se encontra na capacidade de formação física básica, educando o
indivíduo quanto à economia do movimento. Também estimula a criatividade e
permite a descoberta das possibilidades de movimentação do próprio corpo,
assim como de seu próprio ritmo (ritmo individual), aperfeiçoando os aspectos
motores e instigando o trabalho coletivo dos sujeitos (ritmo coletivo ou grupal).
Na música, o ritmo é um de seus três elementos básicos, junto com a
melodia e a harmonia. Ele é dado pela relação de alternância regular dos tempos
fortes e fracos que a compõem, os quais se repetem sempre com o mesmo
espaço de tempo entre eles, formando assim o compasso musical, ou seja, o
ritmo musical é composto por som e pelo silêncio, que combinados formam
padrões rítmicos sonoros.
O compasso é representado por dois travessões, e correspem que ao
espaço entre eles. A música é dividida em sequências de 2, 3 ou 4 tempos,
sempre em partes iguais, denominando assim se o compasso é binário
(representado por 2/4), ternário (representado por 3/4) ou quaternário
(representado por 4/4). No compasso binário, a sequência que se repete é a de
um tempo forte e um tempo fraco. No compasso ternário, a sequência é de um
tempo forte e dois tempos fracos. E o quaternário é a sequência de um tempo
forte, um fraco, um tempo meio forte e um fraco.

Representação do compasso
Fonte: http://conservatorio0.tripod.com/compasso_.htm

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Compasso binário
Fonte: http://conservatorio0.tripod.com/compasso_.htm

Compasso ternário
Fonte: http://conservatorio0.tripod.com/compasso_.htm

Compasso quaternário
Fonte: http://conservatorio0.tripod.com/compasso_.htm

Ao contar em voz alta um compasso binário, conta-se “um, dois”, sendo o


“um” o tempo forte e “dois” o tempo fraco. No caso do compasso ternário, ficaria
“um, dois, três”, sendo o “um” o tempo forte e “dois” e “três” os tempos fracos. Já
no compasso quaternário, conta-se “um, dois, três, quatro”, sendo o “um” o
tempo forte, o “três” o tempo meio forte, e “dois” e “quatro” os tempos fracos.
Para melhor ilustrar, o compasso binário seria o de uma marcha, o ternário é o
da valsa, e o quaternário o da batida de rock.
Ao ilustrar um compasso, nota-se que, além dos travessões, é usada uma
figura rítmica positiva. Essas figuras do ritmo, também denominadas valores
rítmicos ou valores positivos, são utilizadas para escrever o ritmo musical, tendo
cada figura o seu valor. As figuras positivas registram o som por meio de notas
musicais, e as figuras negativas registram o silêncio por meio de pausas.
Os nomes dessas figuras rítmicas são: semibreve, mínima, semínima,
colcheia, semicolcheia, fusa e semifusa. A duração da semibreve é dada pelo
compositor de determinada música, sendo as outras figuras suas frações. Assim,

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o valor de cada figura rítmica é dado pela metade da anterior e pelo dobro da
seguinte.

Figuras rítmicas
Fonte: https://musica.culturamix.com/blog/wp-content/gallery/valor-das-notas-musicais-
exercicios-5/Valor-das-Notas-Musicais-Exerc%C3%ADcios-11.jpg

1.2 Exercícios rítmicos

A importância da educação do ritmo, tratada anteriormente, é algo com


que o professor e compositor Émile Jacques Dalcroze (1865-1950), que viveu
em Genebra, na Suíça, se preocupou após notar certa dificuldade em seus
alunos quanto ao ritmo, o que o estimulou a desenvolver um sistema de ensino.
Dalcroze observou a importância do corpo como instrumento para
assimilação da música, passando a criar um método de educação chamado
“Rítmica”, o qual foi baseado no ritmo musical. Assim, seus alunos passaram a
vivenciar o ritmo de forma sensorial por meio do corpo, por um método que
trabalhava movimentos corporais junto com a coordenação musical do indivíduo,
o qual se denomina “Eurritmia”.
Esse professor tinha como objetivos não apenas o desenvolvimento da
consciência rítmica de seus alunos, mas também a capacidade de
desenvolvimento da percepção e expressão de cada um, assim como sua
integração social.
A primeira escola do método de Dalcroze foi aberta em Londres (1913), e
posteriormente vieram outras em lugares da Europa e EUA. Em 1914, foi

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inaugurado o Institut Jacques Dalcroze, em Genebra, o qual foi dirigido pelo
próprio Dalcroze até sua morte, deixando discípulos para a continuação de seu
trabalho.
Influenciado pelo sistema de ensino de Dalcroze, o compositor alemão
Carl Orff (1895-1982) também passou a utilizar o trabalho corporal em sua
abordagem, acreditando na necessidade de proporcionar experiências musicais
aos indivíduos antes destes estudarem os conceitos teóricos. Sua proposta
educacional prioriza experiências simples que incluem fala, movimento e ritmo,
utilizando também alguns instrumentos de percussão, como tambor, sinos,
xilofones, entre outros.

Exemplos de instrumentos de percussão


Fonte: elaborado pelo autor (2017).

Após o estudo desses dois métodos de ensino, tem-se a noção de como


os exercícios rítmicos podem ser trabalhados, partindo de experiências simples,
como andar no ritmo da música, reproduzindo as variações de dinâmica musical,
e deixando esses exercícios cada vez mais complexos. Por exemplo, pode-se
passar a vivenciar as variações musicais por meio de movimentos improvisados,
ou marcar o compasso musical com as mãos, ao mesmo tempo em que os pés
fazem outros movimentos. Também pode-se utilizar a voz durante os exercícios,
por meio de contagem da música ou de cantos, utilizando proposição de
exercícios rítmicos em grupo que também estimulem a capacidade de criação
dos indivíduos, gestos corporais que podem ser executados posteriormente em

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instrumentos, ou até mesmo junto com instrumentos musicais, entre outras
atividades que também dependem da capacidade criadora do professor.

1.3 Coreografias e o ritmo musical

Ao ver pessoas se movimentando com uma música, seja na dança ou em


atividades rítmicas como jump ou step, por exemplo, é possível ter a sensação
de que os movimentos encaixam ou não na música. Ao frequentar essas aulas,
também se nota que o professor conta os tempos da música de um até oito. Isso
tudo porque a música tem frases musicais e compassos, como visto
anteriormente.
Portanto, ao pensar na criação de uma coreografia que será
acompanhada de música, é importante fazer um mapeamento musical do que
se pretende utilizar, ou seja, entender se é utilizado compasso musical 2/4, ¾ ou
4/4, de quantos compassos a música é composta, quanto tempo dura as partes
instrumentais e as partes vocais e em qual ordem, identificar o refrão da música,
entre outros elementos que o professor achar importante.
Geralmente se utilizam músicas com compassos binários ou quaternários,
por isso a contagem até oito durante as aulas. Ao fazer o mapeamento da
música, é interessante identificar qual compasso é utilizado e fazer uma
anotação a cada oito tempos, que equivale a dois compassos quaternários ou
quatro compassos binários. Quando utilizar uma música com compasso ternário,
que é o da valsa, fica mais viável fazer uma anotação a cada oito compassos,
que equivale a oito tempos fortes.
Claro que essas são apenas sugestões de como fazer um mapeamento
musical, o qual é feito para estudo e compreensão da música a ser utilizada em
determinada coreografia. O importante é o professor fazer esse estudo
identificando as partes da música já mencionadas, para poder utilizá-lo na
montagem da coreografia, fazendo também com que o aluno compreenda o
ritmo da música.

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Exemplo de mapeamento musical
Fonte: acervo do autor (2017).

1.4 Ritmos e possibilidades de movimentos

Ao decorrer dos anos, muitos gêneros musicais foram sendo criados, e


junto também surgiram possibilidades de movimentação de acordo com o ritmo.
Entre eles é possível citar o ritmo afro-brasileiro, axé, bossa nova, baião,
carimbó, catira, chula, coco, ciranda, forró, frevo, funk, lundu, maxixe, maculelê,
rock, salsa, samba, samba de roda, valsa, entre outros. A seguir, serão
apresentados alguns desses ritmos:

➢ Afro-brasileiro: herança do povo africano trazida para o Brasil, o


ritmo afro-brasileiro originou muitos outros ritmos, como o samba,
por exemplo. Tem sua origem das tribos africanas, as quais
usavam instrumentos de percussão como o tambor, ou até mesmo
o corpo, ao bater ritmicamente os pés no chão. Era comum essas
tribos fazerem cerimônias para diversos acontecimentos, nas quais
eram usados movimentos naturais e que tinham relação com seus
afazeres diários (cortar madeira, cultivar a terra, apanhar água,

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entre outros), acompanhados de percussão (instrumental e
corporal), como forma de celebração;

É possível identificar algumas características desses movimentos, como


o molejo do corpo e a intensa movimentação do quadril e do tronco. Por serem
povos que tinham como fonte de alimento a plantação, os passos feitos durante
as celebrações tinham relação com a terra, sendo realizados sempre com os
joelhos levemente flexionados, ou seja, os movimentos eram para baixo,
aterrados.
Percebe-se também a utilização do quadril, que é o ponto de equilíbrio e
centro de energia do corpo, sendo que seus movimentos repercutem em
ondulações por todo o tronco, trazendo sensualidade aos movimentos. Além das
partes do corpo já citadas, os braços e mãos também têm sua importância nesse
tipo de dança, pois simulam algumas ações cotidianas, como segurar algum
objeto. É comum também os africanos utilizarem a emissão de sons junto com
suas danças, sendo cantos ou apenas gritos.

➢ Axé: o axé é uma mistura de vários ritmos, em que se destaca a


forte influência do ritmo afro-brasileiro. Surge na década de 1980,
durante o carnaval da cidade de Salvador, na Bahia, e se expande
para o restante do país;

Vocabulário
Axé: vem de asé, termo iorubá que significa energia, força, poder; significa a
força sagrada de cada orixá do candomblé.

➢ Baião: o baião nasceu no Nordeste brasileiro, misturando a


experiência dos africanos ao dos nativos da região. Seu ritmo é
dado principalmente pela sanfona, podendo ser complementada
por outros instrumentos musicais, como o triângulo, a viola caipira,
e o acordeon. Também é utilizado o canto, tendo como temática a
vida cotidiana dos nordestinos e suas dificuldades, e a pessoa que

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dança ao som deste ritmo escolhe seu substituto por meio de uma
umbigada;

Vocabulário
Baião: ritmo musical, tipicamente nordestino, difundido a partir de 1946 pelo
cantor, compositor e sanfoneiro Luís Gonzaga. Dança e canto popular
normalmente conduzido e acompanhado por uma viola.

Mesmo sendo mais conhecido no Norte e no Nordeste do Brasil, o baião


se espalhou pelo país, sofrendo algumas modificações de acordo com a região.
Por exemplo, no Sul a umbigada foi substituída pelo estalar dos dedos.

➢ Carimbó: este ritmo teve origem em Belém, com elementos da


cultura indígena, africana e portuguesa. Tradicionalmente o
carimbó era executado por tambores, que eram acompanhados de
outros instrumentos como o reco-reco, a flauta e maracás. Além
disso, era dançado por casais que iniciavam em filas, e
posteriormente o homem convidava a mulher para dançar por meio
de palmas, começando a dança com amplos círculos e movimentos
de saias. Este ritmo deu origem à lambada e ao zouk;

Vocabulário
Carimbó: é uma dança típica do Pará e da Ilha do Marajó. É considerada uma
variação do batuque e, para dançá-la as mulheres usam saia comprida, bem
rodada, e flores no cabelo. Carimbó em Tupi significa pau que produz som.

➢ Catira: surgiu no estado de Goiás, no Norte de Minas Gerais e no


interior de São Paulo, e seu ritmo é caracterizado pela batida dos
pés e mãos das pessoas que participam da dança. Geralmente o
catira é dançado por dez pessoas e mais dois violeiros, tendo
poucas variações de uma região para outra;

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➢ Chula: de origem gaúcha, o ritmo é dado principalmente pela gaita,
violão, cavaquinho, e pandeiros, enquanto que os dançarinos
(geralmente homens) fazem movimentos rápidos e sapateados, em
uma espécie de disputa;
➢ Forró: Também chamado de arrasta-pé, o forró surgiu no fim do
século XIX, mas ficou mais conhecido na década de 1950.
Característico de festas da região Nordeste brasileira,
tradicionalmente é tocado por trios que tocam sanfona, zabumba e
triângulo. Com influências de danças europeias e indígenas, as
pessoas dançam ao ritmo do forró arrastando os pés no chão,
semelhante ao arrastar do pé dos índios;
➢ Frevo: de origem pernambucana, o frevo surgiu no fim do século
XIX e tem um ritmo muito acelerado, sendo a música uma mistura
de diversos gêneros (como a marcha, o maxixe, e a polca) e a
dança influenciada pelos movimentos da capoeira. É dividido em
três tipos: frevo de rua, frevo-canção, e frevo de bloco;

Vocabulário
Frevo: corruptela do verbo ferver, designando efervescência, agitação,
confusão. Também conhecido como estilo de dança e ritmo musical típico do
carnaval popular de Pernambuco.

➢ Salsa: este ritmo surgiu a partir de 1950 com forte influência da


música caribenha, predominando o uso de instrumentos de
percussão. A salsa é latina, sendo uma mistura do ritmo africano
com o dos índios que viviam no Caribe, com influências europeias
e também do jazz estadunidense. Este ritmo foi mantido e sendo
reinventado por latinos que viviam em Nova York, chegando ao
modo que a conhecemos atualmente;
➢ Samba: o samba se origina do ritmo afro-brasileiro e surge no início
do século XX, na cidade do Rio de Janeiro, nas casas de migrantes
da Bahia. Neste ritmo utilizam-se tradicionalmente instrumentos de
percussão, tendo como base o violão e o cavaquinho. Mais tarde

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passaram a utilizar também trombone, trompete, flauta e clarineta,
por influência de orquestras americanas e do choro;
➢ Valsa: a valsa é um ritmo que surgiu na Europa e chegou ao Brasil
com a vinda da família real portuguesa. O ritmo musical é ternário,
podendo ter o andamento moderado (francesa) ou rápido
(vienense). Os passos têm como características principais a dança
realizada por pares que giram e deslizam os pés pelo chão ao ritmo
da música.

Mídias
Assista ao vídeo do evento registrado pela Memory Produções Brasil no Teatro
do SESI em Vitória/ES, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=
3jYn2CU_sgA

Conclusão da aula 1

Após o estudo sobre ritmo, é possível perceber como se dá sua presença


na vida das pessoas, assim como a importância de se trabalhar com atividades
rítmicas desde a infância, utilizando também uma variedade de instrumentos de
percussão. Além disso, tem-se uma base de como coreografar uma música,
estudando-a antes de iniciar a coreografia, podendo também trabalhar com seus
futuros alunos os diversos ritmos que foram surgindo ao longo dos anos.

Atividade de aprendizagem

Pesquise no mínimo outros 5 (cinco) ritmos brasileiros que não foram


abordados neste material, descrevendo suas origens, suas influências, quais
instrumentos definem seu ritmo e quais as possibilidades de movimentação
de cada um.

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Aula 2 – Possibilidades de movimentação

Apresentação da aula 2

Olá! Seja bem-vindo (a) à segunda aula da disciplina de Dança e


Atividades Rítmicas. Nesta aula serão abordadas algumas propriedades dos
movimentos, assim como alguns estilos de dança atuais e suas possibilidades
de movimentação. Para esta disciplina, é muito importante que você, aluno (a)
do curso de Educação Física, compreenda de em que partem os movimentos
corporais e quais são suas possibilidades, assim como os movimentos
característicos de alguns estilos de dança.

2.1 Movimento e comportamento motor

Ao trabalhar com dança e atividades rítmicas, é necessária a exploração


das possibilidades de movimentos do corpo, os quais incluem habilidades de
estabilidade (equilíbrio dinâmico, estático e movimentos axiais), locomotoras e
manipulativas. Assim, é importante estar atento à faixa etária dos alunos e à fase
motora e estágio de desenvolvimento em que se encontram. Sendo assim, o
período de 2 a 7 anos de idade, que se divide em estágios, como maduro,
elementar e inicial, é compreendido como a fase motora, chamada de
fundamental.
O equilíbrio dinâmico é a capacidade de o indivíduo manter o equilíbrio do
corpo em deslocamento, como caminhar e rolar, enquanto que o estático exige
esta habilidade sem locomoção, como se equilibrar em um pé ou inverter a base
de apoio para outra parte do corpo, por exemplo. Já os movimentos axiais,
também chamados de posturas estáticas, incluem a inclinação do corpo, giros,
rotações, alongamentos, entre outros parecidos.
Quanto às habilidades locomotoras, pode-se citar como exemplo a
caminhada, a corrida, o galope, os saltos e saltitos. E, como exemplos de
habilidades manipulativas, tem-se o alcançar, segurar, soltar, lançar, pegar,
chutar, bater, entre outras ações.

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Fases do desenvolvimento motor
Fonte: https://www.efdeportes.com/efd186/padroes-motores-fundamentais-de-movime
nto-01.jpg

2.2 O que é possível mover?

Ao falar em movimento corporal, também é importante ter consciência de


quais partes do corpo é possível movimentar: as articulações, em geral as
sinoviais, ou seja, as articulações que possuem grande mobilidade, que podem
flexionar e estender, abduzir e aduzir, rotacionar e/ou circundar, como os
tornozelos, joelhos, coxofemoral, intervertebrais, temporomandibular, ombros,
cotovelos, punhos, interfalangeanas, metacarpo falangeanas, e metatarso
falangeanos.

Vocabulário
Rotacionar: ato ou efeito de fazer a rotação em torno de si mesmo;
Temporomandibular: pertencente ou relativo ao temporal e à mandíbula. Diz-
se do músculo temporal; Interfalangeanas: redução dos espaços articulares
interfalangeanos dos segundo, terceiro e quarto pododáctilos, bem como dos
interfalangeano proximal do terceiro esquerdo, de caráter degenerativo;
Metacarpo: parte do esqueleto da mão compreendida entre o punho e os dedos;
Metatarso: parte do esqueleto do pé compreendida entre o tarso e os dedos.

Além das possibilidades de movimentação de cada articulação móvel, é


interessante saber como se dá a relação dessas articulações, trabalhando
principalmente o alinhamento dos calcanhares com os ísquios, dos joelhos com

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os pés, das partes da coluna, e das mãos e cotovelos com os ombros, o que não
significa que os movimentos devem sempre seguir esse alinhamento.

2.3 Espaço e possibilidades de movimento

Cada movimento, de pequena, média ou grande amplitude, é realizado


em alguma direção do espaço, frente/traz, lado direito/esquerdo, cima/baixo, e
diversas diagonais. Para isso, tem-se como referência a posição do corpo ereto
e com os pés inteiros no chão. A direção da diagonal é sempre entre duas
direções citadas anteriormente, o que ficará mais claro ao estudar os planos.

Saiba mais
No ensino do Ballet Clássico, existe o diagrama no qual se atribui um número
para cada direção do espaço, ou seja, para os movimentos: frente/traz,
direito/esquerdo, cima/baixo, e diversos diagonais, chamados de Vaganova,
inventado pela bailarina de mesmo nome, no qual se atribui um número para
cada direção do espaço.

Direções no espaço – Método Vaganova


Fonte: elaborado pelo autor (2017).

Ao combinar algumas direções, têm-se os planos e eixos nos quais os


movimentos são realizados:

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➢ Plano sagital: utiliza as direções cima/baixo e frente/traz,
eliminando a possibilidade de utilizar as laterais. Para melhor
lembrar este plano, também se atribui o nome de plano da roda.
Consequentemente, os movimentos feitos neste plano serão em
torno de um eixo horizontal. Para entender o que é o eixo, é
possível imaginar uma linha passando pelo centro do corpo, que
inicia e termina nas direções não utilizadas de determinado plano,
neste caso, uma linha que começa de um lado, atravessa o corpo
e termina na outra lateral;

Plano Sagital
Fonte: elaborado pelo autor (2017).

➢ Plano coronal: utiliza as direções cima/baixo e lado


direito/esquerdo, não fazendo parte os movimentos que utilizam
frente e trás. Também é chamado de plano frontal ou plano da
porta. Assim, os movimentos deste plano acontecem em torno de
um eixo anteroposterior, pois o eixo é dado por uma linha que inicia
na frente, atravessa o corpo e termina na parte de trás (direções
que não definem este plano);

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Plano Coronal
Fonte: elaborado pelo autor (2017).

➢ Plano transversal: utiliza as direções frente/trás e lado


direito/esquerdo, eliminando desta vez as direções cima e baixo. É
conhecido também por plano da mesa, sendo que os movimentos
acontecem em volta de um eixo vertical (inicia em cima, atravessa
o corpo e termina embaixo, ou vice-versa);

Plano Transversal
Fonte: elaborado pelo autor (2017).

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Além dos planos, os movimentos podem acontecer em diferentes níveis
espaciais, ainda considerando como ponto de partida a posição do corpo ereto.
A partir dessa posição, imagina-se uma linha horizontal na altura do umbigo:
quando o umbigo se mantém nessa altura, seria o nível médio; ao ficar acima
dessa linha imaginária, o nível alto; e abaixo da linha imaginária, seria o nível
baixo, ou seja, quando alguém está em pé, com os pés inteiros encostados no
chão, seria o nível médio. Ao deixar apenas os dedos dos pés encostando o
chão, ou saltar, tem-se o nível alto. E, ao flexionar bem os joelhos ou encostar
outras partes do corpo no chão, estaria em nível baixo.

Níveis Espaciais
Fonte: elaborado pelo autor (2017).

Como já dito anteriormente, os movimentos acontecem em diferentes


amplitudes, perto ou longe do próprio corpo. Para isso, Laban (2006) deu o nome
de Cinesfera (ou Kinesfera), que basicamente é o espaço pessoal que cada um
carrega. Portanto, os movimentos podem ser feitos usando a Cinesfera pequena
(mais próxima do corpo, como um aceno de mão tímido, por exemplo),
representada pela cor azul abaixo; Cinesfera média (um pouco mais afastado do
que o anterior, como um aperto de mão, por exemplo), representada pela cor
rosa abaixo; ou a Cinesfera grande (o mais expandido possível, como se
espreguiçar), representada pela cor verde abaixo.

24
Cinesfera
Fonte: elaborado pelo autor (2017).

2.4 Qualidades do movimento

Rudolf Laban (1879-1958), após analisar e estudar os movimentos em


diversos âmbitos, concluiu que todos possuem certas características, chegando
aos quatro fatores do movimento: tempo, peso, fluxo e espaço. Assim, todo
movimento tem um tempo rápido ou lento, um peso passivo ou ativo, um fluxo
contínuo ou interrompido e um direcionamento no espaço focado/direto ou
multifocado/indireto.
O movimento pode ser rápido ou lento e até mesmo acelerando ou
desacelerando. Já o peso de um movimento está relacionado com a ação da
gravidade, ou seja, passivo quando cedo à gravidade, e ativo quando resiste a
ela. O fluxo trata da energia do movimento. Podendo ser interrompido, o fluxo de
energia é “quebrado”, como, por exemplo, ao parar bruscamente de caminhar
para não bater em alguém ou algo; ou contínuo, em que o fluxo de energia não
é interrompido. Quanto ao direcionamento do movimento no espaço, ele pode
ser focado, o movimento tem um ponto específico de direção espacial (estudado
anteriormente), como andar em linha reta, por exemplo; ou multifocado, quando
um movimento passa por diversas direções espaciais, como andar em curvas.

25
Rudolf Laban (1879-1958)
Fonte: http://www.wikidanca.net/wiki/images/b/b2/Laban.jpg

2.5 Estilos de dança

Ao longo dos anos, muitos estilos de dança têm surgido e se


transformado, assim como muitos ritmos já vistos na aula anterior. Cada dança
tem suas características, utilizando mais uma determinada qualidade de
movimentação, ou um nível espacial, e até mesmo dando ênfase em algumas
partes do corpo. É importante saber também que cada professor tem seu jeito
de trabalhar e coreografar mesmo dentro de um estilo de dança, ou seja, cada
profissional, e consequentemente suas coreografias, tem sua particularidade.
O Ballet Clássico, técnica criada e adaptada há séculos, basicamente
exige do bailarino movimentos rápidos e ágeis com os membros inferiores, e
movimentos suaves com os membros superiores e meio tronco. É uma técnica
codificada, com passos e nomes determinados, os quais são em idioma francês.
Os passos seguem uma progressão, indo do nível mais fácil ao mais avançado,
e não valorizam o movimento dos ombros e do quadril. Além disso, geralmente
nesta técnica não se utiliza o nível baixo nas apresentações, apenas durante as
aulas para melhorar a técnica dos passos executados em nível médio e alto. Os

26
momentos da aula passam por aquecimento, exercícios em nível baixo,
exercícios na barra (fixada na parede da sala ou móvel), em deslocamento na
diagonal da sala, e no centro da sala, terminando com um agradecimento, e não
necessariamente nessa ordem. As músicas geralmente são clássicas, de ritmos
variados.

Apresentação de Ballet Clássico


Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2017/03/07/17/05/ballet-2124652_960_720.jpg

O Jazz Dance tem influências da cultura negra, surgindo nos Estados


Unidos no início do século XX, misturando-se com a cultura branca. Este estilo
de Dança ganhou espaço nos musicais da Broadway e também no cinema e na
TV, chegado a outros países e passando por muitas transformações até a
atualidade. Tem como característica isolar partes do corpo em movimento, com
movimentos fortes e contínuos, adaptando a técnica do Ballet Clássico. Além
disso, geralmente neste estilo de dança se trabalha com as mesmas sequências
coreográficas durante algumas aulas, como sequências de aquecimento, de
barra, de diagonais e de centro, sendo lentas ou rápidas. Atualmente existem
estilos de Jazz, como o Jazz Lyrical, Jazz Moderno, Jazz Contemporâneo, entre
outros.

27
Jazz dance
Fonte: https://blog.sodanca.com.br/wp-content/uploads/2018/11/jazz.jpg

A dança moderna também surge no início do século XX, se contrapondo


ao Ballet Clássico, buscando formas de se movimentar mais naturais e que
expressassem o sentimento da época, principalmente durante e depois das
guerras. Assim, neste estilo de dança não cabia mais usar sapatilhas nos pés,
collants e coques no cabelo. Como qualquer outro estilo de dança, também
passou por modificações e acabou se transformando em uma técnica, que no
geral utiliza movimentos fortes e angulosos.

Pose de dança moderna


Fonte: https://br.depositphotos.com/stock-photos/dan%C3%A7a-moderna-s%C3%A9
culo-xx.html?filter=all&qview=44894013

A dança contemporânea surge em meados do século XX, negando a


técnica do Ballet Clássico e o expressionismo da dança moderna, buscando o

28
movimento pelo movimento, usando muitas vezes gestos do cotidiano. Além
disso, com a dança contemporânea, esta Arte chegou às ruas e a outros espaços
diferentes do palco e do teatro. Ao se espalhar por todo o mundo, teve muitas
modificações, e atualmente pode-se perceber vários tipos de dança
contemporânea, que variam de acordo com a vivência de cada
professor/coreógrafo e o que este julga ser importante, mesclando muitas vezes
várias técnicas à sua dança. Ainda assim, nas aulas desse estilo de dança é
importante trabalhar com o improviso de movimentos e com a capacidade de
criação individual e coletiva dos bailarinos/alunos, se utilizando de movimentos
e músicas muito variados, podendo até mesmo não utilizar músicas. Além disso,
nesse estilo o nível espacial baixo é muito mais explorado em aulas e
apresentações.

Dança Contemporânea
Fonte: https://pixabay.com/pt/dan%C3%A7a-contempor%C3%A2nea-desempenho-22
13331/

A dança de salão inclui vários tipos de dança executadas por um par de


dançarinos, e, como o próprio nome já diz, são dançadas em salão e surgiram
em festas em diversas partes do mundo. Assim, existe o forró, o samba de
gafieira, a lambada, a salsa, o bolero, o zouk, o tango, entre muitos outros ritmos,
sendo que cada um tem seus movimentos e músicas característicos.
Atualmente, além dos salões de festas, essas danças também são apresentadas
em palco algumas vezes.

29
Dança de salão
Fonte: https://br.depositphotos.com/stock-photos/dan%C3%A7a-de-sal%C3%A3o.html
?qview=13607338

O hip-hop é uma cultura que inclui dança, música e grafite e surgiu por
volta da década de 1970 nos Estados Unidos, em comunidades latinas e negras.
Atualmente, os estilos de Dança de hip hop são o breaking, locking, popping e
krumping. No geral, os movimentos são rápidos e com fluxo interrompido.

Hip-hop
Fonte: https://br.depositphotos.com/stock-photos/dan%C3%A7a-moderna.html?qview
=4489762

A dança folclórica também abrange vários tipos de danças populares,


que variam de acordo com a região de cada país, as quais estão ligadas à cultura
de cada povo, ou seja, seus costumes, crenças e histórias. Cada dança tem seu
tipo de movimentação, acompanhamento musical e roupas típicas. Algumas
danças populares ultrapassam fronteiras e são praticadas em outros países,

30
sofrendo muitas vezes algumas modificações, como é o caso da dança do ventre
e do sapateado, por exemplo. No Brasil, alguns exemplos de dança popular são:
Catira, Ciranda, Maracatu, Maculelê, Frevo, Fandango, entre outros.

Conclusão da aula 2

Após o estudo das diversas possibilidades de movimentação do corpo,


você, futuro professor, tem ferramentas para elaborar seus próprios movimentos
e para instigar os alunos a investigarem os movimentos corporais a partir dos
conteúdos abordados nesta aula, podendo abordar mais de um conteúdo por
vez, por exemplo, além de investigar as possibilidades de movimentos em nível
baixo, utilizando apenas a lateral, com fluxo interrompido. Além disso, também é
interessante abordar estes conteúdos por meio de ações corporais do cotidiano,
como empurrar, pressionar, jogar, entre outros.

Atividade de aprendizagem

Elabore e descreva uma atividade de dança para crianças de 6 (seis) a 8


(oito) anos, utilizando no mínimo dois conteúdos abordados nesta aula e
escolhendo um estilo de dança a ser trabalhado.

Aula 3 – História da Dança

Apresentação da aula 3

Olá! Seja bem-vindo (a) à terceira aula da disciplina de Dança e Atividades


Rítmicas. Nesta aula serão abordados alguns acontecimentos históricos da
dança no âmbito mundial e nacional, de acordo com cada período da
humanidade.
Ao trabalhar com a dança, é imprescindível entender porque atualmente
existem tantos estilos de dança, sendo que cada trabalho traz um pensamento
do que é corpo, do que é dança e de em que ela pode ser apresentada. Além

31
disso, também é importante saber por que a Dança Folclórica, na realidade, são
várias danças, surgindo de acordo com cada região. Para isso, é necessário
estudar, mesmo que brevemente, seu contexto histórico.

3.1 A dança na Antiguidade

A dança é praticada desde a existência de povos primitivos, surgindo


como uma necessidade, por vários motivos. Inicialmente, acredita-se que esses
povos dançavam para tentar se comunicar, expressando seus sentimentos, e
posteriormente passaram a utilizar esta linguagem corporal em rituais e
celebrações de um povo.
Esses povos passaram a acreditar que a dança tinha certo poder sobre a
natureza, então surgiram rituais dançados para atrair chuva, calor e também para
curar pessoas doentes e afastar o espírito dos mortos, por exemplo. Os
movimentos dessas danças eram inspirados nos animais e nos fenômenos
naturais, como a corrente de um rio ou os ventos. Também era comum o uso de
adornos e máscaras, que tinham relação com o objetivo da dança que
executavam.
É importante perceber que até então a dança não tinha caráter de
divertimento, nem existia como uma arte, mas sim como uma manifestação de
um povo que dançava de acordo com suas crenças e necessidades. Isso foi
mudando de acordo com cada sociedade e sua cultura.
Na Índia, acredita-se que a dança foi uma revelação divina, e na tradição
hindu, ela é atribuída ao deus Shiva, um dos três deuses do hinduísmo. Assim,
tem-se a dança do deus Shiva Nataraj, conhecido como o deus dançarino, o qual
expressa cinco atividades divinas: criação, manutenção, destruição,
reencarnação e salvação. Antigamente, existiam as dançarinas sagradas
Devadasis, que homenageavam os deuses de determinado templo, e com o
tempo passaram a dançar para o rei e também para o público presente em
festas.
No século II a.C., o sábio Bharata Muni escreveu um manual chamado
Natya Shastra, com todas as regras da dança indiana (Nritya), em que também
há a classificação de todos os estilos de dança e a descrição dos Hastas Mudras,

32
que são gestos corporais executados principalmente pelas mãos com um
significado para cada.
Na China, a dança fazia parte das solenidades imperiais desde
aproximadamente o século II a.C., e que eram rigorosamente treinadas. Os
dançarinos aprendiam as danças desde a infância, abandonando suas famílias.
Atualmente, as danças chinesas são divididas em três estilos: clássica,
civil/militar, e danças folclóricas.
No Japão, a dança era considerada um vínculo entre os deuses e o
homem, sendo que as danças realizadas na corte imperial se chamavam mi-
kagura, e as que aconteciam nas aldeias, sato-kagura. Os sacerdotes (miko)
criaram e instituíram as danças (kagura) cerimoniais para fortalecer as preces
das pessoas e expressar os mandamentos dos deuses.

Kugara dance
Fonte: http://www.cacadoresdelendas.com.br/japao/wp-content/uploads/2014/04/kagu
ra.jpg

No Kojiki, um livro sagrado do Japão, encontra-se uma explicação de


como surgiu a dança, que teria sido realizada pela primeira vez por uma deusa.
Assim, os imperadores recebiam homenagens por meio de danças, pois eram
considerados descendentes dos deuses. Essas danças feitas como forma de
homenagem eram do estilo Mai, ou seja, uma dança lenta, clássica e solene;
enquanto que as danças praticadas pelos camponeses ou em festas populares
eram do estilo Odori, festivas, ágeis e espontâneas.

33
No Egito, a dança também era relacionada com o sagrado e praticada
vastamente. Após praticar a dança sagrada, o povo do Egito passou a praticar a
dança litúrgica, e posteriormente a dança de recreação/lazer. As danças eram
praticadas apenas pelos escravos, servos e sacerdotisas especializados para
esta função, servindo para divertimento dos faraós e dos nobres. A criação da
dança era atribuída ao deus Bes, enquanto que a patrona da dança era a deusa
Hathor, e ambas as figuras eram relacionadas à palavra Hbij, que significa
dançar e estar feliz. Os tipos de dança presentes no antigo Egito eram a dança
dancística, dança mímica, dança ritual e a dança processional.
Na Grécia, mais uma vez a dança estava associada aos deuses, tendo
grande importância na vida cívica e religiosa dos gregos. Atribuíam a invenção
da dança à titã Réia, e duas figuras mitológicas eram envolvidas com os tipos de
dança existentes: Dionísio, que representava as danças de rituais de fertilidade,
além das danças alegres e espontâneas; e Apolo, que representava a dança da
ordem e da beleza, influenciada pelas nove deusas que o acompanhavam e
inspiravam as artes e as ciências, sendo a Terpsícore a musa da dança. Por fim,
existiam as danças ditirâmbicas, as religiosas, as dramáticas, as guerreiras, as
de nascimento e pós-parto, e as nupciais.
Em Roma, a dança de origem agrária e religiosa foi introduzida pelos
etruscos no período dos reis, em que se destacaram as danças relacionadas aos
deuses. No período da república, a dança passou a ter um caráter de recreação,
época em que se praticava a chamada dança sinistra, que consistia em pessoas
irem assistir, no coliseu, criminosos, escravos e rebeldes pegando fogo. Já no
período do império romano, a dança voltou a ser praticada por outras pessoas,
inclusive as da classe alta, destacando-se a pantomima dançada, atraindo
muitas pessoas aos espetáculos.

3.2 A dança durante a Idade Média

Prolongando-se por aproximadamente mil anos, a Idade Média foi


marcada por invasões, guerras, doenças e pelo teocentrismo. Nessa época, os
teatros existentes passaram a ser usados raramente para cerimônias religiosas,
e as peças de teatro foram adaptadas para tratar apenas de temas permitidos
pelo cristianismo.

34
A Igreja cristã entendia corpo e espírito separados, sendo que o corpo era
a carne que simbolizava o pecado, e o espírito era entendido como a alma da
vida eterna no céu. Assim, a dança era entendida pela Igreja como um grave
pecado, mas mesmo assim o povo continuou a praticá-la em seus costumes e
rituais, aliando-os às datas comemorativas cristãs. Mesmo com várias tentativas
de proibição da dança, os costumes do povo persistiam, destacando-se assim
algumas danças praticadas nessa época:

➢ Choreae-Carola: dançada em círculo;


➢ Tripudium: dançado em filas;
➢ Dança de Los Seises: dançada por seis crianças durante a Semana
Santa da Igreja, dando origem aos coroinhas.

Mais tarde surge a Dançomania, que dura até o Renascimento, e era uma
dança coletiva que durava horas, com as pessoas dançando freneticamente pelo
desespero diante da morte, ou seja, esta dança era um sinal de histeria coletiva
frente às pragas e às epidemias da época, as quais a igreja dizia que era um
castigo de Deus aos pecadores. Recebeu diferentes nomes de acordo com a
região, como:

➢ Dança Macabra: de origem árabe, que era dançada em círculos


com movimentos frenéticos e saltos, dançando-se até a morte;
➢ Tarantismo: surgido na Itália, acreditando-se que o movimento
frenético iria expelir, pelo suor, o veneno da aranha tarântula, que
era uma praga na região;
➢ Dança de São Vito: que surgiu na Alemanha e nos Países Baixos,
em que as pessoas dançavam por horas seguidas, esperando pela
morte.

No Teatro Religioso, a Dançomania simbolizava a insanidade que o


pecado causava nas pessoas. No Teatro Popular, apareciam as figuras do diabo,
com gestos desarticulados e com uma dança “quebrada”, e dos anjos, que
dançavam em círculos.

35
Durante a Idade Média, também surgiram os trovadores e menestréis, que
eram artistas que conheciam as danças populares de diversas regiões. Eles
levavam à corte essas danças, adaptadas para serem dançadas pela nobreza
durante os bailes. Surge, assim, a:

➢ Haute Danse (dança alta): com movimentos alegres, saltitantes e


de rápida execução, na qual as pessoas muitas vezes se tocavam,
sendo praticadas pelos camponeses;
➢ Basse Danse (dança baixa): com movimentos suaves, elegantes e
de execução lenta, realizadas pelos nobres.

No geral, as principais danças desse período foram:

➢ Danças de pares;
➢ Rem que de Dames;
➢ Bergamasca ou Bergamasque;
➢ Courante;
➢ Sarabanda;
➢ Mourisca;
➢ Polonaise;
➢ Estampie.

Também surge nessa época uma espécie de dança como espetáculo,


chamado momo, em que os participantes se disfarçavam usando máscaras e
fantasias, apresentando essa dança entre os pratos de um banquete da corte, a
qual deu origem posteriormente ao ballet de corte.

3.3 A dança a partir do Renascimento

O renascimento era uma época marcada principalmente pelo


Antropocentrismo. As cortes renascentistas eram sinônimo de luxo, ostentação
e conforto, nas quais aconteciam grandiosos bailes com muita música e dança.
Em Florença (Itália), Lourenço de Médici começou a realizar festas
chamadas de Triunfos (ou Triunphi), que duravam dias seguidos, e tinham como

36
temas as lendas da Antiguidade Grega e Romana, comparando o patrono da
festa ao herói/deus abordado. As danças eram compostas para cada ocasião e
apresentadas entre os pratos do banquete pelos próprios cortesãos, ensaiados
por um mestre de dança.
Na corte renascentista surge a dança técnica, que se difere das danças
populares dos camponeses. A dança passou a ser parte da etiqueta social da
época, sendo primordial conhecer os códigos e passos que foram sendo criados.
Assim surgem os Mestres de Dança, que tinham como principais funções:
ensinar os passos e as danças aos cortesãos, compor triunfos/ballet s de corte,
dançar nos espetáculos e escrever os Tratados de Dança, nos quais continham
os códigos, regras e os passos sobre as danças praticadas.
Dentre alguns desses Tratados de Dança, um dos mais importantes é o
Nuove Inventioni di Balli (Nova Invenção do Balé), de Cesare Negri, publicado
em 1604, no qual uma das regras apresentadas era o piedi in fuora (pés voltados
para fora), que mais tarde se tornou o en dehors no Ballet Clássico. Porém, já
em 1588, foi publicado o tratado Orchésographie (Oschesografia, a escrita da
dança), de Thoinot Arbeau, no qual já aparecia a necessidade das pernas e pés
en dehors, além das regras que posteriormente deram origem às cinco posições
do ballet clássico.

Saiba mais
Thoinot Arbeau é o pseudônimo anagramático de um clérigo francês chamado
Jean Tabourot, autor de uma renomada obra musical chamada Orchésographie,
um tratado sobre danças sociais da França Renascentista do final do século XVI.

As principais danças praticadas nas cortes renascentistas foram:


Saltarello (Pas de Brébant), Branle, Pavana (ou Pavane), Galharda, Courante
(ou Corrente), Alemanda, Sarabanda (ou Zarabanda), Gavotte (ou Gavota),
Minueto, Bourré e Giga (ou Jigue).
Quando Catarina de Médicis (bisneta de Lourenço) se casa com o francês
Duque de Orleans (rei Henrique II), leva da Itália para a França a arte praticada
na corte italiana. Anos depois, ao assumir o poder da França, também leva
alguns artistas italianos para produzir luxuosos espetáculos, com a finalidade de
distrair a corte. Assim surge o Ballet de propaganda política.
37
Em 1555, chega à França o mestre de dança Balthasar de Beaujoyeux,
de origem italiana, que em 1567 é nomeado por Catarina de Médicis, o mestre
de danças e espetáculos da corte francesa. Ele criou o Ballet des Polonais e
depois o Ballet Comique de La Reine (1581), sendo seus intérpretes os próprios
cortesãos.
Assim, surgem os ballets de corte, em substituição aos triunfos, e que
tinham as seguintes características: sua duração era de algumas horas, não
dias; a ação dramática é ininterrupta; eram compostos por dança, música,
poesia, canto e cenários com máquinas; o elenco eram de cortesãos; utilizavam
dança geométrica de solo; e tinham várias entrées (praticamente desfiles), com
diversas finalidades, como aparecer e mostrar roupas e joias, sem conexão com
a história.
A dança geométrica de solo era a utilização de desenhos geométricos no
espaço, em que os intérpretes montavam e desmontavam quadrados, círculos,
triângulos, entre outras formas, pois o público a via de cima.

3.4 A importância do rei Luís XIV para a dança

O ballet de cour (de corte) chega ao seu auge no reinado de Luís XIV (rei
pelo período de 1643 a 1715), que se dedicou ao ballet e em 1651 dançou pela
primeira vez em público, em um ballet coreografado por Pierre Beauchamps. Por
sua vez, Beauchamps foi mestre de dança do rei Luís XIV e definiu as cinco
posições básicas do Ballet Clássico.

Saiba mais
A Corte francesa foi o modelo mais imitado por todos os príncipes da Europa,
sobretudo quando Luís XIV trocou o Louvre em Paris, por Versalhes. Para saber
mais, assista ao vídeo referente à vida de Luís XIV e o esplendor do seu palco,
o Palácio de Versalhes, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v
=uBrM6pGPfX8

Foi no Ballet de La Nuit (1653), com enredo político, que Luís XIV
apareceu como o Rei-sol que derrotava as trevas, as quais representavam seus
países inimigos. Em 1661, Luís XIV funda a Academia Real de Dança, sua

38
primeira criação acadêmica, composta por treze mestres de dança e de música
que serviam na corte.
Assim, a dança passa por algumas transformações, tornando a forma
mais importante que o conteúdo, crescendo a tendência ao virtuosismo técnico
e acelerando o processo de profissionalização na dança. Além disso, a repetição
de temas e de movimentos extingue a inspiração e a sensibilidade, enrijecendo
o corpo, a técnica e a dança.
Em 1669, Luís XIV fundou a Académie Royale de La Musique, que tinha
também uma escola de dança, conhecida atualmente como Ópera de Paris. Sob
direção de Jean-Baptiste Lully, em 1672 essa academia passou a se chamar
Académie Royale de Danse e Musique. A função dessa escola foi a de
sistematizar o ensino do ballet por meio de um esquema rígido de posições do
corpo, com orientação de Beauchamps. Além disso, Lully, junto com Molière,
criaram o gênero Commédie-Ballet, juntando canções, coros, danças e
elementos da Commédiedell’Arte.

Vocabulário
Commediedell’Arte: forma de teatro popular surgida no século XV na Europa,
na qual os atores improvisavam a partir de um roteiro simples e usavam
máscaras que caracterizavam determinados personagens deste estilo.

Luís XIV também inaugurou dois teatros (Palais Royal e Petit Bourbon),
levando a primeira geração de bailarinos profissionais para o palco. Devido ao
palco elevado e os espectadores todos do mesmo lado, tornou-se necessário o
uso do endehors, para que os bailarinos sempre ficassem de frente para o
público. Esta mudança também verticalizou a dança, mudou as vestes em cena,
e fez com que a técnica fosse vista como um fim.
Os espetáculos tornaram-se uma diversão, e um novo gênero foi colocado
em palco no século XVIII, a ópera-ballet. Assim, a mitologia retratada era mais
próxima das experiências humanas, e os dançarinos passaram a usar roupas
parecidas com as do cotidiano, ou seja, perucas, sapatos de salto e vestes
pesadas.

39
Até que surge um reformador da dança, Jean Georges Noverre, que a
partir de 1760 publica 33 Cartas sobre a dança e sobre os balés. Assim nascia
o Ballet d’Action (ou ballet -pantomima), em oposição ao Ballet d’Entrée,
priorizando a natureza e a expressão dos sentimentos e emoções, sem excesso
de vestimentas. Noverre protagonizava o pré-romantismo na dança.

3.5 A dança e o Romantismo

Sob o lema da Revolução Francesa (liberdade, igualdade e fraternidade),


a dança teatral tem uma grande mudança, surgindo então o ballet romântico,
com a valorização do sentimento sobre a razão.
Assim, algumas características do ballet romântico são: a preferência pelo
sobrenatural, como fantasmas, sílfides, sereias, entre outros; as cores mudam,
geralmente trazendo muita cor no 1º ato (natureza) e cores mais escuras no 2º
ato (sobrenatural); luta do mundo real com o mundo irreal, levando à morte de
um dos personagens principais; busca do homem pelo inatingível; e movimentos
suaves, expressivos, dando destaque aos movimentos dos braços.
Tecnicamente, algumas mudanças foram possíveis, como bailarinas em
voo, personagens que apareciam e desapareciam, além da iluminação a gás e
do tutu romântico (saia usada pela bailarina). Neste contexto surge o avanço
técnico que se tornou símbolo do ballet, a sapatilha de ponta.
Dois documentos importantes dessa época, que trazem as novidades do
ballet e sua codificação, são Traité Élémentaire de La Danse (Tratado Elementar
da Dança) e Code de Terpsichore (Código de Terpsícore), do professor Carlo
Blasis.
O primeiro ballet romântico foi La Sylphide (1832), de Filippo Taglioni,
seguido de vários outros, entre os quais se destacam: La Fille du Danube (1836),
Giselle (1841), La Fille de Feu (1842), La Esmeralda (1844), e Coppélia (1870),
que foi o último bailado desse período romântico.

3.6 O ballet russo

Diferente do que foi visto até agora, o ballet clássico russo se desenvolveu
em contato com os camponeses, ficando marcado pela vitalidade que este povo

40
agregava ao ballet. Assim, dois núcleos formadores de bailarinos surgem:
Maryinski/Kirov (1889), em São Petersbugo, e Bolshoi (1856), em Moscou.
Os estudantes de ballet que frequentavam as escolas na Rússia,
patrocinadas pelos imperadores, viviam sob regime de internato e eram muito
respeitados pela sociedade. Entre vários nomes, o da bailarina Agrippina
Vaganova se destaca pelo seu trabalho e pelo livro Fundamentos do Ballet
Clássico.
Um coreógrafo russo que se destacou foi Marius Petipa (1822-1910),
sendo que suas obras tinham como características: narrativa longa, tendo 3 ou
4 atos; divertissement, que eram danças para divertir o público; pás de deux, que
consistia em um dueto entre a bailarina e o bailarino principais e se dividia em 4
partes, Adágio, solo masculino, solo feminino, e Coda; a inclusão de outros tipos
de danças, como as folclóricas; e grandes cenários que criavam efeitos
especiais. Suas principais obras, em conjunto com outros artistas, são: A Bela
Adormecida (1890), Quebra-Nozes (1892), O Lago dos Cisnes (1877), La
Bayadère (1877), e Cinderella (1893).

Irina Kolesnikova (in Swan Lake) – St Petersburg Ballet Theatre (2018)


Fonte: http://seenandheard-international.com/wp-content/uploads/2018/03/Kolesnikova
-Irina-Lac-des-Cygnes-%C2%A9-KT_OK_preview-500x333.jpeg

No final do século XIX, entra para a administração do teatro o russo Sergei


Diaghilev, que propõe mudanças nos ballets e logo é demitido. Indo de encontro
com a época de revolução, Diaghilev publicava revistas nas quais falava das
mudanças que julgava necessárias para a Arte no geral, como a integração das

41
Artes para a montagem de um bailado (música, figurino, cenário e coreografia)
e a redução do tempo de duração de uma obra.
No teatro, teve contato com Michel Fokine, coreógrafo importante que
estava surgindo. Assim, se unindo a Fokine e outros bailarinos dos teatros
Imperiais, fazem as duas primeiras temporadas dos Ballets Russos em Paris
(1909 e 1910). Em 1911, com o nome de Ballets Russes de Diaghilev, iniciam
sua terceira temporada por Roma, Paris, Monte Carlo e Londres.
Em 1912, Diaghilev coloca o até então bailarino Vaslav Nijinsky para
coreografar também, que cria O Entardecer de um Fauno, obra polêmica
apresentada em Paris. Depois da estreia, Fokine abandonou a companhia. Em
1913, estreava A Sagração da Primavera, de Nijinsky, em que apareciam
elementos neoclássicos da dança.
No ano seguinte, por motivos pessoais, Diaghilev demite Nijinsky e
recontrata Fokine. Já em 1917, o coreógrafo da companhia é Leonide Massine,
com obras influenciadas pelo Cubismo e Surrealismo. Na década de 1920, surge
Bronislava Nijinska como coreógrafa dos ballets e, posteriormente, George
Balanchine. Após a morte de Diaghilev, sua companhia se transforma em duas
no ano de 1932: Ballets Russos de Monte Carlo, com sede em New York, e
Original Ballet Russe, com sede em Londres.

3.7 A Dança Moderna

No início do século XX, o homem vive a mecanização do trabalho, o que


influencia o pensamento de que ao homem deveria ser devolvida sua
consciência corporal e o movimento deveria vir de dentro para fora do corpo, de
forma mais natural. Assim, surgem as pioneiras da Dança Moderna, com este
pensamento oposto ao da escola clássica, como Isadora Duncan, Luie Fuller e
Ruth St. Denis.
Além disso, não era mais possível dançar um mundo fantasioso frente às
grandes guerras que o mundo enfrentava, mudando o pensamento e os
movimentos da dança, surgindo lugar para a liberdade criativa individual.
Algumas características em comum dessa dança são: pés descalços,
movimentos que partem do centro do corpo, movimentos em nível baixo, uso da
dramaticidade e significação dos gestos.

42
Em 1922, nos Estados Unidos, St. Denis e Ted Shawn fundam a
Companhia e Escola de Danças Denishawn, e desta escola/companhia surgiram
nomes importantes para a Dança Moderna, como Martha Graham, Doris
Humphrey e Charles Weidman.
Humphrey e Weidman fundaram sua própria escola e companhia,
desenvolvendo uma técnica que se aproximava mais do homem estadunidense,
de sua rotina e suas ações e movimentos naturais, tendo como referência teórica
Nietzsche. Graham também criou sua técnica de Dança Moderna, usando muito
a contração e o relaxamento como princípios básicos de movimentação, que
geralmente eram angulares, fortes e cortados. Suas coreografias tinham a
intenção de mostrar o interior do ser humano.
Outros importantes nomes deste estilo de dança que também criaram
obras coreográficas com conteúdo social, político e psicológico foram José
Limón, Alvin Ailey, Alwin Nikolais, Merce Cunningham, Kurt Joss, e Mary
Wigman, sendo estes dois últimos os pioneiros da Dança Moderna na Alemanha.

3.8 A dança pós-moderna

Após a dança moderna, houve a necessidade de trazer para a dança o


movimento apenas pelo movimento, sem dramaticidade, enredos, e
artificialidades agregados a ela até então. Destaca-se, assim, o trabalho do
coreógrafo Cunningham, que durante os anos 1940 afasta-se da dança moderna
e começa a questionar sua ideologia, por meio de outras opções cênicas e tendo
a improvisação de movimentos como um fim.
Seguindo essa lógica, surgiram os happenings e as performances em
New York, no final da década de 1950, em que vários artistas se juntavam em
um espaço para fazer sua arte. Basicamente, a característica desse estilo de
dança que surge é a liberdade criativa e a experimentação, de acordo com a
necessidade individual de cada artista, surgindo assim muitos estilos e métodos
de criação. Alguns nomes muito importantes dessa época são: Yvonne Rainer,
Trisha Brown, Steve Paxton, Lucinda Childs, David Gordon, e Deborah Hay.
A partir disso, nas décadas que se seguiram foram surgindo outros estilos
de dança, como a dança-teatro, destacando-se o trabalho da alemã Pina
Bausch; o Contact Improvisation, que consiste em improvisações de movimentos

43
a partir do contato de duas ou mais pessoas; e os trabalhos interdisciplinares,
utilizando a tecnologia junto com a dança, por exemplo. Atualmente é possível
falar em diversos tipos de Danças Contemporâneas.

3.9 A dança no Brasil

Quando os colonizadores europeus chegaram ao Brasil, já existiam as


danças indígenas, com as características daquelas praticadas pelos povos
primitivos. Assim, os jesuítas utilizaram a dança como uma das formas de atrair
e catequizar os índios. Mais tarde, com a chegada dos escravos africanos, vão
se misturando ao longo dos anos as danças indígenas, africanas e europeias,
dando origem às danças folclóricas que conhecemos atualmente.
Já a dança teatral chegou ao Brasil em 1808, junto com a família real, e
eram apresentadas nas casas de espetáculos que aqui existiam. Assim, a ida ao
teatro passou a fazer parte da vida social, e alguns mestres de dança e
coreógrafos foram importados para cá, como Louis Lacombe (chegada em
1811), Auguste Toussaint (chegada em 1815), Estela Sezefreda (chegou junto
com a corte), Felipe e Carolina Catton e Luigi Montani (chegada em 1829), e
Giuseppe de Vecchy (chegada em 1843).
Mesmo com a apreciação da Arte, existia certo preconceito em relação à
dança. Ainda assim, a dança de salão se desenvolvia durante os bailes, sendo
que as mais dançadas no final do século XIX eram a valsa, a polca, a quadrilha,
os lanceiros, o xote e o galope.
No início do século XX, o centro artístico e cultural era a cidade do Rio de
Janeiro, em que vários artistas e companhias internacionais se apresentavam no
Teatro Municipal, como Loie Fuller, Ballets Russes de Diaghilev, Isadora Duncan
e Anna Pavlova. Além disso, alguns artistas estrangeiros vieram morar no Brasil,
vislumbrando a possibilidade de trabalho no campo artístico e fugindo da II
Guerra Mundial que eclodia, como foi o caso de Maria Olenewa, Vaslav Veltchek,
Yuco Lindberg, Iurek Shabelewski, Tatiana Leskova, Eugênia Feodorova, Igor
Chvezov, Aurel Milloss, Vera Grabinska, Pierre Michailowsky, Tadeusz
Morozowicz, Nina Verchinina, Ianka Rudzka, Renée Gumiel e Maria Duschenes.
Com a vinda de tantos artistas para cá, de diferentes estilos de dança,
foram criadas as primeiras escolas de dança no Brasil, sendo a primeira

44
inaugurada por Maria Olenewa no Rio de Janeiro, que mais tarde se tornou a
Escola de Dança do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Já Iurek Shabelewski
se fixou em Curitiba, em que posteriormente ajudou a fundar o Balé Teatro
Guaíra.
A partir de 1970, outros grupos de dança vão surgindo no Brasil e mantêm
seus trabalhos até hoje, cada um com seu estilo, como o Centro de Pesquisa
Corporal Arte e Educação (fundado por Angel e Klauss Vianna em 1975 – RJ),
Ballet Stagium (1971 – SP), Grupo de Dança Cisne Negro (1977 – SP), Balé
Teatro Guaíra (1969 – PR), Grupo Corpo (1975 – MG), Déborah Colker (1994 –
RJ), Quasar (1988 – GO), e Cena 11 (1994 – SC).

3.10 Dança Folclórica

Como já dito anteriormente, a dança folclórica surge da cultura, do modo


de viver, das crenças, valores e dos costumes de um povo. Assim, existem várias
danças folclóricas, no Brasil e em outros países, e também são chamadas de
danças típicas ou danças populares.
No geral, algumas características são observadas nas danças populares:
as figuras que formam no espaço (círculo, filas, fileiras, entre outros);
acompanhamento musical, específico para cada dança; realização em pares,
conjuntos ou individual; separação por sexo e uso de indumentária e outros
acessórios condizentes com a dança e a cultura do povo.
A nível internacional, é possível encontrar algumas danças típicas de
determinados países: na Índia, tem-se a Bharata Natyan; na China, as danças
folclóricas são divididas em danças de festas de temporada, danças da vida,
danças rituais, danças de crenças, e danças baseadas no trabalho; no Japão,
tem-se Kagura, Odori, Nô, e o Kabuki. Neste âmbito, ainda é possível citar a
Dança do Ventre (Egito e outras regiões do Oriente), o Tango (Argentina), a
Tarantella (Itália), o Flamenco e a Sevilhanas (Espanha).
Voltando ao Brasil, cada região tem suas danças típicas, as quais foram
sendo influenciadas pela cultura dos povos que aqui chegavam em diferentes
períodos: africanos (de diferentes regiões do continente), portugueses,
holandeses, alemães, entre outros povos europeus, além dos índios que já

45
habitavam aqui. Assim, algumas regiões do país terão mais características das
danças africanas, outras das indígenas e outras da Europa.
No geral, é possível citar as seguintes danças, de acordo com a região
brasileira: Chimarrita, Milonga, Polca, Mazurca, entre outras do RS; Balainha e
Boi de Mamão, de SC; Jongo, de SP; Samba e Xiba, do RJ; Dança do
Tamanduá, de ES; Caxambu e Mineiro-Pau, de MG; Catira e Tambor, de GO;
Dança de São Gonçalo, Cururu, e Siriri, de MT; Sarandi, Polca de Carão, e
Chupim, de MS; Maculelê, da BA; Marajuda, Reisado, e Cavalo Piancó, do PI;
Torém e Coco, do CE; Cacuriá e Tambor de Criola, do MA; Cavalo Marinho,
Caboblinhos, Maracatu, e Frevo, de PE; Espontão, do RN; Desfeitera, Dança do
Maçarico e Camaleão, do AM; Carimbó e Lundu Marajoara do PA.
No Paraná, as danças típicas encontradas são: Pau-de-fitas, de origem
alemã, que consiste de um número par de pessoas dançando em torno de um
mastro com fitas coloridas; e Fandango, de origem portuguesa com influência
indígena, na qual as pessoas dançam em roda com passos valsados, e o ritmo
é dado também pelas palmas e batidas dos pés. Em Curitiba, é possível
encontrar diversos grupos folclóricos que praticam as danças de determinados
países europeus, e que participam há vários anos do Festival Folclórico e de
Etnias realizado na capital.

Conclusão da aula 3

Após o breve estudo da história da Dança, é possível perceber como esta


linguagem passou de uma necessidade individual para uma coletiva, se
transformando de dança ritual para divertimento, e posteriormente sendo
entendida como Arte. Também é possível compreender porque cada região tem
suas danças populares, que carregam a história de determinado povo.

Atividade de aprendizagem

Descreva no mínimo 3 (três) pensamentos sobre a Dança Contemporânea


que existem atualmente, relacionando-os com diferentes trabalhos realizados
por grupos e coreógrafos.

46
Aula 4 – Dança na Educação Básica e para populações especiais

Apresentação da aula 4

Olá! Seja bem-vindo (a) à quarta e última aula da disciplina de Dança e


Atividades Rítmicas. Nesta aula serão abordados conteúdos que trazem
possibilidades da dança na Educação Básica e adaptações da dança para
grupos especiais.
A dança também é trabalhada nas escolas, por isso é importante entender
como se dá a relação desta área do conhecimento neste ambiente educacional,
por meio de documentos que norteiam a ação docente e reflexões sobre a
importância de suas práticas. Além disso, em diversos espaços de ensino pode
ser necessário adaptar a prática da dança para populações especiais, assunto
também desta aula.

A dança e as pessoas com deficiência


Fonte: https://petitedanse.com.br/wp-content/uploads/2017/06/dan%C3%A7a-para-defi
cientes-1.jpg

4.1 Breve abordagem histórica da dança na Educação

Voltando ao olhar para a história de alguns povos e suas relações com a


dança, é possível percebê-la relacionada à educação de diferentes formas. Por
exemplo, na China, durante a dinastia dos Chou (1122-255 a.C.), as danças já

47
estavam presentes nas escolas como uma das formas de desenvolver a força
física.
Já para os gregos, o ensino da dança era obrigatório na formação dos
cidadãos desde a infância, buscando assim a harmonia entre corpo e mente. Os
filósofos gregos escreviam sobre a importância de se ensinar dança, mas aquela
que trabalhava com a harmonia das formas e a disciplina.
Em Roma, os jovens tinham aulas de dança nas escolas, mas apenas
com o fim militar, ou seja, a preparação física do indivíduo, sem preocupação
estética. Mais tarde, a dança é profissionalizada, sendo necessária a contratação
de professores por uma determinada classe social.
Passando por toda a história da dança já abordada anteriormente, chega-
se ao século XX no Brasil, momento em que é possível trazer um pouco da
história do ensino de Arte e de Educação Física nas escolas brasileiras, tendo
em vista que a dança atualmente aparece como componente curricular dessas
duas disciplinas.
No ensino de Arte, até a primeira metade do século XX, ensinava-se
apenas Canto Orfeônico, Desenho, Música e Trabalhos Manuais nas escolas,
de acordo com a pedagogia tradicional da época, ou seja, a transmissão de
conceitos e habilidades técnicas. Mais tarde, é trabalhado o “espontaneísmo”
nestas aulas, mas ainda nas áreas já mencionadas. Entre 1970 e 1980, exige-
se a polivalência do professor de Arte, que deveria trabalhar as quatro
linguagens artísticas (Artes Plásticas, Música, Teatro e Dança), que refletiu em
um ensino de Arte sem profundidade e qualidade. Enfim, com a LDB 9.394/1996,
a Arte passou a ser componente obrigatório na educação básica, priorizando o
ensino que faça o aluno experiênciar, apreciar e refletir sobre este campo.
Já no campo da Educação Física, é preciso lembrar que a importância
dessa disciplina era o desenvolvimento de um corpo saudável, e em 1930, os
objetivos dela eram de fortalecer o trabalhador para prevenir doenças e
desenvolver a coletividade dos indivíduos. Com a LDB de 1961, a Educação
Física passa a ser obrigatória nas escolas, incorporando a ginástica e o esporte.
Mais tarde, o ensino dessa área foi dividido em três blocos: esportes, jogos, lutas
e ginástica; atividades rítmicas e expressivas; e conhecimentos sobre o corpo.
Assim, a dança se insere na Educação Física por meio do segundo bloco de
ensino.

48
4.2 Base Nacional Comum Curricular – BNCC

Dentre tantos documentos que regulamentam e apoiam a prática docente


no ensino básico, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB),
os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), e as Diretrizes Curriculares
Nacionais e as Estaduais (DCN e DCE), é importante entender como a dança é
trazida como conteúdo das disciplinas de Arte e de Educação Física. Para isso,
serão trazidas algumas definições encontradas na Base Nacional Comum
Curricular (BNCC), documento no qual são definidas as aprendizagens
essenciais para todos os alunos, de todas as etapas e modalidades da Educação
Básica.
Assim, na disciplina de Arte, que visa à criação, crítica, estesia,
expressão, fruição, e reflexão do aluno, a dança é vista como uma prática
artística, que acontece pelo pensamento e sentimento do corpo, valorizando a
investigação e a produção estética, a fim de transformar a visão que os alunos
têm de si e do mundo.

Dança na disciplina de Arte


Fonte: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_publicacao.pdf

49
Já na disciplina de Educação Física, a dança é entendida como uma
prática corporal a partir de movimentos rítmicos, com passos e códigos
específicos e construídos historicamente, gerando muitas vezes coreografias
individuais, em duplas ou em grupos.

Dança na disciplina de Educação Física – Ensino Fundamental I


Fonte: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_publicacao.pdf

Dança na disciplina de Educação Física – Ensino Fundamental II


Fonte: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_publicacao.pdf

50
4.3 Propostas de dança na Educação Básica

Após a análise dos conteúdos trazidos pela BNCC em diferentes


disciplinas, é possível observar que em uma é mais valorizada a investigação do
movimento corporal, e nos outros alguns estilos de dança específicos aparecem
como prioridades. Assim, esta aula seguirá com propostas do ensino da dança
na Educação Básica, visando os dois aspectos apresentados.
Mas, para começar, por que ensinar dança nas aulas curriculares da
escola? Entre outras possíveis respostas, sua importância se dá na formação
integral dos alunos, que têm a oportunidade de conhecer melhor seu próprio
corpo, respeitando-o e aprendendo a respeitar seus colegas e as diferenças
existentes. A dança também possibilita pensar a criação e a expressão com o
próprio corpo, utilizando muitas vezes de seus sentimentos, algo que não é
rotineiro nas escolas, ou seja, a dança também tem a capacidade de sensibilizar
as pessoas, contribuindo para relações mais harmoniosas. Além disso, tudo isso
culmina na formação de um indivíduo criativo e crítico, no sentido de pensar por
si só sobre o mundo.
Sobre o que ensinar, é importante que o aluno possa apreciar obras de
dança, seja no teatro, por vídeos, ou outras formas, e conhecer a história desta
linguagem corporal. Quanto à experimentação e criação, podem ser elencados
os seguintes conteúdos: consciência/percepção do próprio corpo; investigação
de possibilidades de movimentos em cada parte do corpo; fatores do movimento
(peso, tempo, fluxo, espaço); como o movimento se dá no espaço (planos, níveis,
cinesfera); improvisação de movimentos; composição coreográfica (individual ou
em grupos); e contato com diversas técnicas de dança e danças populares.
É interessante instigar o aluno a relacionar os conteúdos e suas
descobertas com seu cotidiano, tornando o aprendizado mais significativo. Para
trabalhar os conteúdos descritos acima, também é importante fazer relação com
estudos da anatomia e cinesiologia, lembrando que os trabalhos em grupos
estimulam a coletividade dos indivíduos. Quanto às técnicas de dança, é
imprescindível lembrar que o objetivo não é formar bailarinos clássicos,
modernos, ou de outras técnicas existentes, mas sim mostrar aos alunos que
estas técnicas existem e propiciar certo contato com elas.

51
A partir disso, é possível pensar em como ensinar dança nas escolas:
orientando os alunos a realizarem tarefas referentes aos conteúdos; dando
liberdade para a criação e a expressão individual e do grupo; instigando a partilha
das descobertas e criações com os colegas; e prezando por atividades lúdicas,
utilizando jogos, brincadeiras, imagens, e materiais como bexigas, cordas, entre
outros. Portanto, o professor também deve buscar a criatividade ao elaborar suas
aulas.
É possível observar que só a dança já tem muitos conteúdos a serem
trabalhados na Educação Básica, sendo essencial que o professor saiba
reconhecer o que é importante trabalhar com determinada turma, pois nem
sempre dá tempo de trabalhar todos os conteúdos. Ainda assim, é importante
que o professor mantenha os três pilares aqui apresentados: criação,
fruição/apreciação e contextualização.

4.4 Dança e populações especiais

Na escola ou em outros espaços de ensino, é possível que você, futuro


professor, encontre pessoas que podem fazer parte de grupos especiais, ou seja,
que requerem mais atenção ao trabalhar com a dança.
Como populações especiais, entende-se que seriam pessoas mais
sensíveis e suscetíveis a determinadas situações, considerando os aspectos
biomédico, psicológico e social. Assim, muitos consideram tabagistas, crianças,
idosos, obesos e grávidas como populações especiais. Além desses, também é
possível citar pessoas com deficiências: física, visual, auditiva, mental, e de
doenças como diabetes, hipertensão, cardíacas, entre outros.
Logo, observa-se que as populações especiais abrangem diversos tipos
de pessoas, sendo que algumas situações são mais graves do que outras.
Assim, é necessário entender no que implica cada caso, pesquisando sobre
determinada situação, conversando com especialistas da área, e até mesmo
com pais e pedagogas, no caso das escolas. Mas, afinal, você já imaginou como
trabalhar dança com alguém que pertença a um desses grupos especiais?
As crianças são o grupo mais comum de encontrar ao se trabalhar com
dança, e estas requerem um cuidado especial devido, principalmente, ao
sistema osteomioarticular em formação, ou seja, é necessário que o professor

52
tenha conhecimento em anatomia, cinesiologia, entre outras áreas, para saber o
que esperar de crianças com determinada idade para não as frustrá-las e como
trabalhar com elas sem lesioná-las, dando atenção especial ao alinhamento
ósseo.
Quanto aos idosos, este grupo pode apresentar vários problemas como
osteoporose, problemas cardíacos, de memória, entre outros. É necessário que
o professor tenha clareza de como é o idoso com o qual está trabalhando, para
adaptar suas aulas, trabalhando com movimentos mais simples, com repetições,
entre outras ações que julgar necessárias.
Ao se trabalhar com pessoas tabagistas, que são dependentes do fumo,
é importante saber que seu condicionamento físico será menor que o de outras
pessoas, e que a abstinência da droga pode causar irritação, agitação, falta de
concentração, mudanças no humor, etc. Assim como ao trabalhar com obesos,
é necessário entender que estas pessoas são mais propícias a lesões articulares
e podem ter menos agilidade com alguns movimentos (como na mudança de
níveis espaciais, por exemplo), além da possibilidade de também apresentarem
problemas cardíacos e psicológicos.
Já para trabalhar dança com gestantes, é importante entender que cada
gravidez é diferente, sendo muito importante a orientação médica quanto aos
exercícios físicos. No geral, o início da gravidez é o momento mais arriscado, no
qual a mulher está mais suscetível a sofrer abortos, e depois disto seu corpo
apresenta muitas mudanças para suportar o peso. Assim, é importante que o
professor saiba se a gestante já fazia alguma atividade física antes e se a
gravidez é ou não de risco, priorizando a dança com movimentos mais simples
e alongamentos ao final da aula.
Para trabalhar dança com pessoas diabéticas, é importante que o
profissional entenda que esta é uma doença metabólica que causa deficiência
na produção de insulina, sendo importante que o portador desta doença faça
acompanhamento médico. Quanto às atividades de dança, geralmente não há
restrições, mas é importante que o professor saiba se o aluno está se medicando
de acordo com orientação médica, evitando picos de hipoglicemia.
Quando o caso for de hipertensos e pessoas com problemas cardíacos, o
acompanhamento médico também é imprescindível, e é necessário entender
que o condicionamento físico destas pessoas será diferente das que não

53
apresentam nenhum problema, mas que ainda assim a dança pode ajudar no
tratamento dessas doenças. Assim, os movimentos não precisam
necessariamente ser simples, mas é importante que o ritmo da pessoa
hipertensa ou cardíaca seja respeitado.
Chegando ao grupo de pessoas com deficiências físicas, visuais ou
auditivas, é importante esclarecer que muitas destas acreditam ser incapazes de
dançar, ou até mesmo seus familiares têm este pensamento. No entanto, é
possível sim trabalhar a dança com estes grupos especiais, sendo necessário
entender cada caso dessas deficiências, que podem ser de nascença ou
adquiridas em decorrência de doenças ou acidentes, por exemplo.
Ao se trabalhar com deficientes visuais, é importante saber que esta
deficiência pode ser total ou parcial. Quanto às aulas de dança, a maior
dificuldade será a de ensinar, sendo possível utilizar a fala e o toque como meios
para isso, podendo demandar um pouco mais de tempo do professor. Não há
restrições quanto aos movimentos, mas é importante prezar para que o indivíduo
não se machuque, sendo necessário conhecer bem o aluno com a deficiência
visual. Porém, ao contrário do que muitas pessoas pensam, os cegos têm mais
percepção do espaço e das pessoas que o cercam.
Quanto ao trabalho da dança com deficientes auditivos, os quais têm o
sentido da visão mais aguçado, o principal desafio pode parecer a utilização de
músicas. No entanto, essas pessoas são sensíveis à vibração das ondas
sonoras do ar, podendo sentir o ritmo da música. Logo, não há restrições quanto
aos movimentos de dança, só é preciso estar atento quanto ao aprendizado do
aluno, bem como a comunicação entre professor e aluno.
Ao se tratar de pessoas com deficiências físicas, é importante saber que
deficiência é esta e porque a pessoa a tem, as quais devem ter um
acompanhamento médico. Aqui se encaixam pessoas que não têm alguma parte
do corpo, ou que apresentam imobilidade parcial ou total de uma ou mais partes.
Essas deficiências são decorrentes de lesões no sistema nervoso, muscular,
e/ou osteoarticular e podem ser acompanhadas de outros problemas de saúde.
Ao se trabalhar dança com pessoas que têm alguma deficiência física, é
primordial o trabalho de conscientização corporal e de investigação das
possibilidades de movimentos, instigando-os e ao mesmo tempo respeitando os
limites de cada um, além de utilizar o toque muitas vezes. Também é

54
interessante utilizar colchonetes ou outro material no chão, diminuindo o risco de
eventuais lesões.
Além de todos esses grupos especiais já tratados, também é possível
destacar aqueles com síndrome de down, com síndrome de asperger, autismo,
transtorno de bipolaridade, TDAH, superdotados, entre outras síndromes e
transtornos que alteram o desenvolvimento intelectual, o comportamento e
consequentemente a forma dessas pessoas se relacionarem com outras. Cada
caso é muito específico, e cabe ao professor entender cada um por meio de
pesquisas, conversas com médicos, pais, e outros professores, para então tomar
atitudes em suas aulas de dança que atendam a necessidade do aluno, sendo
primordial utilizar sua criatividade na elaboração das aulas.

Conclusão da aula 4

Para concluir, é possível perceber que a dança está ganhando cada vez
mais espaço nas escolas, não sendo mais reduzida a apenas datas
comemorativas, podendo ser trabalhada tanto pelo professor de Educação
Física quanto pelo de Arte. Além disso, também é possível entender que existem
diversos grupos de populações especiais que podem ser encontrados nas salas
de aulas das escolas ou de academias, e cabe ao professor adaptar suas
atividades de acordo com as necessidades dessas pessoas.

Atividade de aprendizagem

Elabore uma aula de dança para uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental,
na qual tem um aluno paraplégico em decorrência de lesão na medula.

55
Índice Remissivo
A dança a partir do Renascimento .................................................................. 36
(Ballet Comique de la Reine; Lourenço de Médici; nuove inventioni di Balli)

A dança durante a Idade Média ...................................................................... 34


(Choreae-Carola; Haute Danse; Rem que de Dames)

A dança e o Romantismo ................................................................................ 40


(Fraternidade; igualdade; liberdade)

A Dança Moderna .......................................................................................... 42


(Companhia e Escola de Danças Denishawn; Doris Humphrey; Martha
Graham)

A dança na Antiguidade ................................................................................. 32


(Mi-Kagura; Shiva Nataraj; titã Réia)

A dança no Brasil ............................................................................................ 44


(Dança teatral; estilos diferenciados; preconceito)

A dança pós-moderna .................................................................................... 43


(Contact Improvisation; danças contemporâneas; happenings e as
performances)

A importância do rei Luís XIV para a dança .................................................... 38


(Fraternidade; igualdade; liberdade)

Atividades rítmicas ......................................................................................... 08


(Classificação; composição; valores)
Base Nacional Comum Curricular – BNCC ..................................................... 49
(Arte e educação; expressão; prática corporal)

Breve abordagem histórica da dança na Educação ........................................ 47


(Canto orfeônico; educação física; espontaneísmo)

Coreografias e o ritmo musical ....................................................................... 13


(Compassos; jump ou step; mapeamento musical)

Dança e populações especiais ....................................................................... 52


(Aspectos biomédico; deficiência física; síndromes)

Dança Folclórica ............................................................................................ 45


(Crenças; cultural; valores e costumes)

Dança na Educação Básica e para populações especiais .............................. 47


(Adaptações da dança; atividades rítmicas; dança para pessoas especiais)
Espaço e possibilidades de movimento .......................................................... 21
(Cinesfera ou kinesfera; direção do espaço; níveis espaciais)

Estilos de dança ............................................................................................. 26


(Ballet Clássico; dança folclórica; dança moderna)

56
Exercícios rítmicos ......................................................................................... 11
(Assimilação da música; Carl Orff; Institut Jacques Dalcroze)

História da dança ........................................................................................... 31


(Estilos de dança; dança folclórica; variedade de danças)

Movimento e comportamento motor ............................................................... 19


(Equilíbrio; habilidades de estabilidade; habilidades locomotoras)

O ballet russo ................................................................................................. 40


(A Bela Adormecida; Bolshoi; Original Ballet Russe)

O que é possível mover? ................................................................................ 20


(Articulação móvel; articulações sinoviais; movimento corporal)

O ritmo ........................................................................................................... 08
(Coletivo ou grupal; individual; relação harmoniosa)

Possibilidades de movimentação ................................................................... 19


(Compreensão; estilos de dança; movimentos corporais)

Propostas de dança na Educação Básica ...................................................... 51


(Cinesfera; consciência; investigação)

Qualidades do movimento .............................................................................. 25


(Ação da gravidade; fatores do movimento; multifocado)

Ritmos e possibilidades de movimentos ......................................................... 14


(Afro-brasileiro; Luís Gonzaga; samba)

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Referências

ARTAXO, Inês; MONTEIRO, Gizele de Assis. Ritmo e movimento. Guarulhos,


SP: Phorte Editora, 2003.

BARRETO, Débora. Dança...: ensino, sentidos e possibilidades na escola.


Campinas, SP: Autores Associados, 2004.

NANNI, Dionisia. Dança-Educação: Pré-Escola à Universidade. Rio de Janeiro, RJ:


Editora Sprint, 1995.

VERDERI, Érica Beatriz Lemes Pimentel. Dança na escola. Rio de Janeiro, RJ: Editora
Sprint, 1998.

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