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Gustavo Fausto Miele

Luiz Carlos Branco


Rosiquel Simone Bonato

Joint Venture consiste em mecanismos de


cooperação entre empresas, ou seja, é um acordo comercial ou
associação econômica. As empresas não compartilham apenas
vantagens e lucros, mas, também, conforme a própria tradução, dividem
entre si riscos, prejuízos e custos.

Um exemplo de formação de uma Joint Venture


se dá quando uma empresa possui um vasto conhecimento em uma
área e a outra possui recursos financeiros e, assim, se unem para juntar
forças e alavancarem juntas. Nessa estratégia pode ser formada ou não
uma nova empresa (joint venture societária e joint venture contratual).

As grandes vantagens são:

*oportunidade de crescimento;
*acesso a novos recursos e tecnologias;
*redução de custos e custos compartilhados;
*possibilidade de abertura de novos negócios;
*expansão para novos mercados e horizontes.

Algumas desvantagens são:

*por ser diferentes empresas trabalhando


juntas pode haver um conflito de
gestão/cultural/organizacional;
*problemas de confidencialidade;
*dificuldades na distribuição de ativos.

O primeiro grande passo é fazer uma análise de


negócio, de gestão, de viabilidade. Depois, analisar as possibilidades de
acordos e contratos e pesar as vantagens e desvantagens para o seu
negócio.

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O contrato de “Joint Venture” não está previsto


no Código Civil, tão pouco em alguma lei específica. Contudo, é um
contrato amplamente usado no mundo, inclusive no Brasil.

Trata-se de importante contrato do ramo


empresarial, possibilitando que empresas nacionais e estrangeira se
relacionem criando parcerias para o fornecimento de produtos e
serviços, servindo também como uma espécie de porta de entrada para
empresas conhecerem e explorarem atividades outras, bem como
adentrarem em diferentes mercados, com um menor custo.

Por não ser uma espécie de contrato prevista


no Código Civil, ele pode ser caracterizado como um contrato aleatório
(arts. 458 a 466, C.C.), ou seja, de risco, uma vez que, entre outras
coisas, não há certeza de que da união das empresas haverá lucro ou
prejuízo.

Ademais, como nem tudo são flores, esse tipo


de contrato pode acarretar conflitos na administração do negócio
proposto pela união, razão pela qual a elaboração de um bom plano de
negócios se faz extremamente necessário. Constando nele, de maneira
clara, quem vai fazer o que, quem vai investir o que, e mais importante e
conflituoso, como será a divisão dos lucros etc.

Dito isso, pode surgir a pergunta, qual a


diferença entre a Joint Venture e uma Holding? Na verdade, não há
confusão entre uma e a outra. Ambas são a união entre empresas,
contudo, a Joint Venture é uma união com objetivo e tempo
determinado, enquanto a Holding é formada pela compra de ações de
uma empresa pela outra. Em resumo, a Joint Venture é parceria/união
de empresas e a Holding é compra/aquisição de empresas.

Sobre as vantagens da formação dessa parceria


entre empresas, talvez a principal esteja no menor investimento inicial
para exploração de outra atividade empresarial; ou na troca de
tecnologia e conhecimento entre as empresas; ou ainda na autonomia da
“criatura” frente aos seus “criadores”, ou seja, o “negócio” criado possui
independência das empresas que lhe criaram, não possuindo, em tese,
responsabilidade solidária nas questões financeira, jurídica, trabalhista
etc. As empresas se unem sem perderem as suas personalidades
jurídicas, podendo vir a Joint Venture possuir a sua própria
personalidade jurídica.

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Por fim, importante dizer que em grandes


parcerias cabe ao CADE aprovar ou não o negócio. Contudo, tal
possibilidade não é restrita somente para grandes negócios, podendo ser
executado perante pequenos empresários que queiram se unir para
realizar uma determinada atividade durante um tempo específico, como,
por exemplo, se unirem para fornecerem um produto durante o
carnaval.

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Genericamente, a joint venture constitui


instrumento flexível de colaboração entre empresas, cuja
complementação de especialidades e esforços vem a ser melhor
empregada de modo conjunto na realização de determinado
empreendimento.

Sua caracterização e consequente definição são


construídas caso a caso, de acordo com a natureza do empreendimento,
o objeto da associação, a atuação dos parceiros, dentre outros fatores.

Classificação quanto à forma de constituição

Para a realização de uma joint venture pode ser


criada uma nova empresa, com personalidade jurídica distinta
(corporate ou societária) ou a relação pode estar disciplinada em
contratos de associação (non corporate ou contratual).

As empresas que desejam fazer uma joint


venturecontratual definirão suas regras, mas em geral, as principais
características são:

a) limitação do objetivo a um empreendimento


determinado;

b) caráter eminentemente contratual e não


institucional;

c) autonomia restrita aos limites fixados pelo


acordo originário da joint venture;

d) gestão e controle conjuntos e capacidade de


cada participante agir pelos demais;

e) expectativa de lucro e consequente


repartição entre os participantes são consideradas características
essenciais (a repartição dos prejuízos, porém, é elencada como
acessória, dependendo do acordo entre as partes).

Em relação à joint venture societária, onde há


a criação de uma empresa com personalidade jurídica distinta, as
principais características são:

a) há aporte de capitais;

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b) constituirá nova sociedade na forma da lei;

c) natureza jurídica limitada ou não a um


empreendimento;

d) maturação do negócio a médio ou longo


prazo;

e) expectativa de lucro.

Vantagens

As empresas que enxergam a joint venture


como uma boa estratégia para a alavancagem e crescimento de seus
negócios levam em consideração inúmeras vantagens, dentre elas:
transferência de tecnologia; ampliação de mercado para os produtos das
investidoras; participação nos lucros e benefícios gerados pela nova
empresa; forma jurídica flexível; benefícios fiscais e tributários; trânsito
comercial facilitado nas esferas do setor econômico, institucional e legal;
abertura de restrições ou reservas de mercado, no caso de empresas
criadas com parceria internacional.

Riscos

Já em relação aos riscos, podemos destacar,


dentre os principais: problemas gerenciais entre as empresas
associadas; riscos de mercado por falta de know how; concorrência entre
parceiros; formas jurídicas inflexíveis entre as empresas associadas;
incompatibilidade de sistemas administrativos e financeiros entre as
empresas participantes; não adaptação às normas legais, institucionais
e econômicas de outros países; ausência de interação entre as empresas
e riscos de prejuízos comuns, com reflexos para todo o grupo formador
da joint venture.

Implementação

Uma joint venture bem sucedida é aquela que


cumpre os objetivos formais de sua proposta, trazendo para os parceiros
a satisfação almejada. Não se deve desprezar os eventuais ganhos
indiretos gerados nestas associações, como a expansão de seu círculo de
negócios, revigoração da imagem da empresa no mercado, as novas
experiências acumuladas com o trabalho em parceria, novas técnicas de
administração, dentre outras.

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Em todas as situações caberá às partes


formalizar da maneira mais clara e objetiva a joint venture, evitando, ao
máximo, dúvidas e conflitos na gestão do novo “empreendimento”.

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Joint Venture é um modelo de parceria


empresarial (um acordo comercial) entre duas ou mais empresas, de
ramos iguais ou distintos, que decidem juntar recursos para uma
finalidade específica, podendo ter objetivos diferentes, como incremento
de lucros, aperfeiçoamento tecnológico, maior participação no mercado,
dentre outros, durante determinado período.

A joint venture é um instrumento jurídico


utilizado para expansão empresarial, sendo um facilitador da
internacionalização das companhias, expandindo produtos e oferta de
trabalho.

Uma estratégia deste instrumento empresarial


pode estar relacionada a um novo projeto ou outra atividade comercial.
Assim, operações de joint venture são projetadas para diversas
finalidades como: logísticas, industriais, tecnológicas, comerciais, entre
outras. Em grande parte dos projetos a estratégia é adotada para
acelerar a expansão dos negócios, pois, ao unirem seus recursos, as
empresas têm acesso a habilidades escassas podendo, inclusive, inserir-
se em novos mercados.

O modelo não tem previsão legal no Direito


brasileiro, retirando a sua prática da experiência common law do Direito
Anglo-Saxão, cuja maior característica é a falta de dispositivos legais
sobre instrumentos jurídicos, fundamentando-se nos usos e costumes
da sociedade, baseando-se em experiências e não na letra de lei.

Importante ressaltar que nas parcerias de joint


venture, por se tratar de um empreendimento de cunho comum entre as
empresas aderentes, há uma responsabilidade conjunta e um
compartilhamento tanto dos benefícios e dos lucros quanto dos riscos,
prejuízos e custos.

Para melhor compreensão, necessário se faz


trazer a tradução das duas palavras de origem inglesa: joint significa
junto; e venture significa risco.

Ø Exemplos de Joint Venture

Como exemplos de joint venture no Brasil


temos a união da BRF (empresa multinacional brasileira do ramo
alimentício, fruto da fusão entre Sadia e Perdigão) com a Singapore Food
Industries. A empresa brasileira BRF objetivou, com esta parceria
empresarial, a expansão do mercado para a Ásia, em uma estratégia de

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internacionalização de operação empresarial.

Outro exemplo foi a joint venture BP Bunge


Bioenergia firmada entre a Bunge (empresa multinacional de
agronegócio e alimentos) e a BP PLC (empresa multinacional do setor de
energia, petróleo e gás), em julho de 2019, sendo esta uma joint venture
societária estabelecida no Brasil, com a flexibilidade de produzir um mix
de etanol e açúcar, além de gerar energia renovável do bagaço de cana-
de-açúcar.

Outra joint venture de repercussão recente foi


entre a Boeing e a Embraer, cuja parceria foi firmada em fevereiro de
2019, tendo sido o contrato rescindido em 24 de abril de 2020 após mais
de um ano de negociações.

Trata-se de uma joint venture societária


(Boeing Brasil–Commercial) para o setor de aviação comercial da
Embraer, na qual a Boeing ficaria com 80% e a Embraer com 20%. O
acordo estava aprovado pelos conselhos e acionistas das duas empresas
e havia algumas pendências de análises antitrustes. No entanto, a
Boeing decidiu rescindir unilateralmente o contrato, justificando que a
Embraer teria descumprido obrigações contratuais.

Especula-se que um dos motivos da rescisão


pode ter sido os efeitos da pandemia do Covid-19, que agravou a crise
financeira da Boeing e acarretou uma desvalorização de mercado da
Embraer.

Ø Internacionalização das empresas

Constata-se, na economia atual, uma série de


privatizações e a fragilização de monopólios, com a abertura de mercado
e o incremento da concorrência, com uma maior internacionalização ou
globalização, com mais pessoas, capitais e bens em trânsito, sendo este
um cenário propício e favorável às joint venture.

Com as constantes alterações ocorridas nos


últimos anos, as empresas sofreram muitas modificações, e os desafios
vêm obrigando-as a adotar novas estratégias para permanecerem no
mercado auferindo lucro. Daqui para frente ainda mais este cenário se
acentuará após esta pandemia do coronavirus, quando, mais do que
nunca, as empresas terão que se reinventar para se reerguerem.

Estes fenômenos, que ocasionaram

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modificações na economia de forma rápida e permanente, impuseram a


formação de alianças a fim de que a visibilidade das empresas chegasse
a um maior número de nações. A internacionalização deixa de ser opção,
e, sim, conditio sine qua non para as corporações que querem lograr
êxito empresarial.

Este tipo de contrato empresarial é uma


estratégia cada vez mais imprescindível para a obtenção de recursos
financeiros e não financeiros, sendo uma forma de distinção para a
sobrevivência e competitividade das empresas.

Ø Tipos de Joint Venture

As joint venture podem ser classificadas, de


forma mais relevante, quanto ao risco e à forma jurídica.

No que tange ao risco, refere-se ao investimento


que é destinado para o negócio, podendo ser de duas espécies: (i) equity
joint-venture e (ii) non-equity joint-venture. Na primeira investe-se
capital diretamente, com sujeição aos riscos de acordo com o êxito ou
não do empreendimento. Na segunda espécie há um investimento
indireto ou empréstimo, sem participação nos resultados do
empreendimento, e ao investidor assegura-se o direito de crédito,
normalmente com remuneração prefixada, podendo, ainda, conter
cláusula de risco. (DINIZ, 2006, pp. 140-141).

No que se refere à forma jurídica, as joint


venture podem ser sem formação de uma nova empresa (contractual
joint venture) ou com a criação de uma nova empresa com
personalidade jurídica (corporate joint venture).

As contractual join venture representam uma


associação de interesses com a finalidade de cumprir objetivos
específicos e, como não há a criação de uma terceira empresa, esta
modalidade não envolve a necessidade de mudanças estruturais para as
empresas contratantes. Trata-se de uma união momentânea, de molde
contratual e não societário, para um projeto específico.

As corporate joint venture também objetivam a


realização de um projeto ou empreendimento comum, contudo há a
criação de uma empresa que assume uma nova identidade jurídica. Os
instrumentos jurídicos que podem materializar estas parcerias são o
Estatuto Social da companhia existente ou a ser constituída; o Contrato
Social; entre outros.

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Em quais hipóteses é viável pensar em Joint


Venture?

Conforme explicado ao longo do presente


artigo, o objetivo da joint venture é a união de duas ou mais empresas
para complementar algum elemento faltante reciprocamente, com a
finalidade de juntas terem maior chance de sucesso e rentabilidade em
determinado negócio.

Sendo assim, em caso de dificuldades ou de


alguma lacuna nos recursos empresariais é sempre viável avaliar a
hipótese de uma joint venture, pois certamente a união de esforços será
um primeiro passo para expansão do negócio.

Como exemplo básico e simplório, temos o caso


de uma empresa com um capital, porém sem elemento intelectual ou
técnico especializado, e outra sem recursos financeiros, mas com uma
mão de obra qualificada, técnica ou intelectualmente. Se ambas
firmarem uma parceria de joint venture, podem unir esforços,
desenvolverem um trabalho, expandirem mercado e auferirem lucro.

Veja bem, não se está falando necessariamente


em sociedade empresarial. Pode-se firmar uma joint venture contratual,
ou seja, um contrato, por prazo determinado, com cláusulas específicas,
sem haver a constituição de uma nova pessoa jurídica.

A verificação se seria uma boa estratégia ou


não esta parceria empresarial, além de encontrar o parceiro, ou
parceiros, ideal, leva em consideração diversas variantes, como os
pontos negativos e positivos, a análise da estratégia comercial, a
viabilidade do projeto, a análise SWOT, a Due Diligence entre outros. A
análise desta viabilidade deve ser bem trabalhada.

Por todo o exposto, conclui-se que as joint


venture são uma forma de parceria empresarial moderna, com a
finalidade de inserir as empresas no mercado globalizado e
internacionalizado.

A adoção dessa estratégia traz o


compartilhamento de lucros e benefícios, bem como de custos, riscos e
prejuízos. Inclui a expansão dos negócios, o desenvolvimento de novos
produtos, o acesso a novos mercados e canais de distribuição, e busca
por know-how e recursos.

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É sempre válido avaliar a possibilidade de


adotar uma joint venture, com todos os cuidados de verificações
pertinentes.

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