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Variações linguísticas

A variação linguística consiste em diferentes maneiras de usar uma mesma língua, tanto quando falamos como quando escrevemos.
PENÍNSULA IBÉRICA
Variações linguísticas
Todas são variações geográficas de uma língua só: a língua
portuguesa.
 
Variações linguísticas

 As variações linguísticas ocorrem principalmente nos


âmbitos geográficos, temporais e sociais.

■ A língua é um instrumento de comunicação, sendo composta por regras


gramaticais que possibilitam que determinado grupo de falantes
comunicarem-se. Conjunto de palavras e expressões, escritas ou faladas,
por um povo, por uma nação.
■ Conjunto das regras de sua gramatica.
■ A fala é a forma pessoal de expressão de cada indivíduo, que possui uma
organização própria de pensamentos, ideias, opiniões.
■ O fenômeno da variação é condição para o funcionamento da língua, pois
ela não é estática: ela muda a todo o momento.
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■ Em situações mais formais (como apresentações de trabalho,


entrevistas de emprego, reuniões etc.), procuramos utilizar a norma
padrão.

■ Em situações informais (conversa entre amigos, bate-papo na


internet, ao escrever um bilhete etc.), usamos uma linguagem mais
livre, não tão presa às regras de gramática.

■ Além disso, as distinções geográficas, históricas, econômicas,


políticas, sociológicas e estéticas são fatores que contribuem para as
diversas variações que observamos numa língua.
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VARIAÇÃO HISTÓRICA OU DIACRÔNICA


Diacrônica = variação linguística relativa a tempo.

■ Esse tipo de variação é condicionado pelo tempo, isto é, pode ser observado
no decorrer do tempo dentro da história de uma língua e da comunidade
que a emprega.
■ Se a língua muda, então podemos perceber que há uma variação entre a
forma de falar de hoje e de anos, décadas ou séculos atrás.
■ A variação histórica pode ser vista, por exemplo, quando observamos o
vocabulário de uma língua. Algumas palavras utilizadas há alguns anos já
não são mais hoje em dia.
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Variações linguísticas
■ Palavras que estão em desuso na língua portuguesa:

Bocó: idiota
Caixeiro: vendedor
Disc jockey: DJ
Judiar: fazer mal
Ojeriza: pavor
Velocípede: bicicleta infantil

(VILLAS, Alberto. Pequeno dicionário brasileiro da língua morta: palavras que sumiram do mapa. São Paulo: Globo, 2012.)

 
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VARIAÇÃO GEOGRÁFICA OU DIATÓPICA
Diatópica = variação linguística relativa a lugar. Os fatores geográficos
também podem influenciar na maneira de falar (e escrever) a língua.

■ A palavra “dialeto” vem do grego diálektos, que significava “conversa, discussão


por meio de perguntas e respostas”.

■ Depois, “dialeto” passou a significar a maneira de falar de uma região. Exemplo: o


dialeto rural, o urbano, o carioca, o gaúcho, o paulista, o nordestino, entre outros.

■ O “português brasileiro” é diferente do “português europeu”, falado em Portugal,


isso sem contar as variantes faladas em outras regiões do mundo.
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VARIAÇÃO SITUACIONAL OU DIAFÁSICA

São as variações em que a ocasião determina o modo como falaremos com


o nosso interlocutor, podendo ser formal ou informal.

■ A variação situacional ou diafásica ocorre devido à situação de


comunicação, às circunstâncias (ocasião, lugar e tempo) e relações
(falante e ouvinte – grau de intimidade, variação do tema e elementos
emocionais); aos níveis de fala ou registros: formal ou informal (ou
coloquial) ou às variedades estilísticas.
Nesse caso, o usuário escolhe um estilo para transmitir o seu
pensamento.
Variações linguísticas

Guimarães Rosa, em seu livro Grande Sertão: Veredas, escrito em 1956,


registrou diversas formas utilizadas na região centro-oeste do Brasil para
se referir ao Diabo (segundo os personagens da história, “aquele que
não deve ser nomeado”):

Demo, Demônio, Que-Diga, Capiroto, Satanazim, Diabo,


Cujo, Tinhoso, Maligno, Tal, Arrenegado, Cão, Cramunhão, O
Indivíduo, O Galhardo, O pé-de-pato, O Sujo, O Homem, O
Tisnado, O Coxo, O Temba, O Azarape, O Coisa-ruim, O
Mafarro, O Pépreto, O Canho, O Duba-dubá, O Rapaz, O
Tristonho, O Não-sei-que-diga, O Quenunca-se-ri, O sem
gracejos, Pai do Mal, Terdeiro, Quem que não existe, O
SoltoEle, O Ele, Carfano, Rabudo.
 
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Veja o exemplo citado pelo autor Marcos Bagno, em seu livro Preconceito linguístico: o
que é, como se faz:
 
■ Quando falamos (ou escrevemos), tendemos a nos adequar à situação de uso da
língua em que nos encontramos: se é uma situação formal, tentaremos usar uma
linguagem formal; se é uma situação descontraída, uma linguagem descontraída, e
assim por diante. [...]
■ É totalmente inadequado, por exemplo, fazer uma palestra num congresso científico
usando gíria, expressões marcadamente regionais, palavrões etc. A plateia
dificilmente aceitará isso.
■ É claro que se o objetivo do palestrante for precisamente chocar seus ouvintes,
aquela linguagem será muito adequada... Como sempre, tudo vai depender de quem
diz o quê, a quem, como, quando, onde, por quê e visando que efeito... ( BAGNO, 2000, p.
130-131)
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VARIAÇÃO SOCIOCULTURAL OU DIASTRÁTICA


Esse tipo de variação é ocasionado por fatores sociais. Os
socioletos ou dialetos sociais são as formas de falar de
determinado grupo social. Veja os exemplos:

■Idade: variações entre socioleto adulto, infantil e jovem. Ex.: “O


au au tá duminu”; “Fui numa balada irada!”; “Eu fui lá... Tipo
assim e num tinha ninguém. É cruel!”. 
■Sexo: socioletos masculino e feminino. Ex.: “E aí, campeão, traz
uma ‘lôra gelada’, aê!”; “Moço, traz uma cerveja, por favor!”. 
■Etnia (ou cultura): fatores etnológicos. Ex.: “Mamma mia!”
(italiano); “tchê” (espanhol). 
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VARIAÇÃO SOCIOCULTURAL OU DIASTRÁTICA

■Profissão: vocabulário de acordo com a atividade ou profissão.


Ex.: linguagem médica (infarto/ PS/ nome de doenças);
jargão policial (elemento/ viatura/ camburão/ meliante/
desinteligência);
jargão jurídico (data venia/ apelação/ petição/
excelentíssimo). 
■Posição social: cultura, posição social e instrução.
Ex.: “Senhores, daremos início a nossa primeira reunião do
ano”; “Bom, vamo começá logo a vê o que tem pra fazê”. 
■Grau de escolaridade: socioleto culto e socioleto popular.
Ex.: “Bom dia, como vai?”; “E aí, beleza? Como tá as coisa?”.
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VARIEDADE CULTA E POPULAR


Nesse tipo de variação se encaixa a diferença entre a variedade culta e
a variedade popular:
 
A variedade culta ( norma culta ou língua padrão) é a língua
prestigiada, conservadora. Ela é uma tentativa de padronização
da língua, registrada pela gramática.

Toda gramática é resultado da observação do uso da língua (não o


contrário), e é por isso que ela não é imutável, ou seja, também sofre
transformações ao longo da história.

A variedade popular (não-padrão) é falada pela comunidade em


geral. Ela é estigmatizada e inovadora e não se submete às
regras da gramática. Muda mais rapidamente, pois é resultado
do aqui e agora da língua.
Variações linguísticas

VARIEDADE CULTA E POPULAR


 Compare as características dessas duas variedades e observe os
exemplos:
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VARIEDADE CULTA E POPULAR

REFERÊNCIAS
BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma
pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola
Editorial, 2007.
FARACO, Carlos Alberto. Norma culta brasileira:
desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português da gente: a
língua que estudamos, a língua que falamos. 2. ed. São
  Paulo: Contexto, 2011.
VILLAS, Alberto. Pequeno dicionário brasileiro da língua
morta: palavras que sumiram do mapa. São Paulo: Globo,
2012.