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Cálculo I

Mariele Vilela Bernardes Prado


Renata Karoline Fernandes
Keila Tatiana Boni
© 2015 por Editora e Distribuidora Educacional S.A

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Prado, Mariele Vilela Bernardes


P896c Cálculo I / Mariele Vilela Bernardes Prado, Renata
Karoline Fernandes, Keila Tatiana Boni. – Londrina:
Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2015.
208 p.

ISBN 978-85-8482-159-4

 1. Cálculo. 2. Funções (Matemática). I. Fernandes,


Renata Karoline. II. Boni, Keila Tatiana. III. Título

CDD 515

2015
Editora e Distribuidora Educacional S. A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041 ‑100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Sumário

Unidade 1 | Funções, limite, continuidade e definição de derivada 7

Seção 1 - Revisando funções 11


1.1 | Domínio e Imagem de uma função 13
1.2 | Gráficos de funções 15
1.3 | Operações com funções 17
1.4 | Função composta 18
1.5 | Função Elementares 19
1.6 | Função crescente e decrescente 22
1.7 | Função injetora, sobrejetora e bijetora 23
1.8 | Função inversa 24

Seção 2 - Limite de uma função 27


2.1 | Propriedades de limites 29
2.2 | Teorema do Confronto 30
2.3 | Indeterminação 31
2.4 | Limites Laterais 33
2.5 | Limites e infinitos 36
2.6 | Assíntotas 38
2.7 | Limites fundamentais 40
2.8 | Definição formal de limite 41

Seção 3 - Funções contínuas 45


3.1 | Definição de continuidade 45
3.2 | Propriedades das funções contínuas 47
3.3 | Continuidade por intervalos 48
3.4 | Continuidade de funções inversas 48
3.5 | Valor intermediário 49

Seção 4 - A derivada 53
4.1 | Taxa de variação 53
4.2 | Função derivada 55

Unidade 2 | Cálculo de derivadas 63

Seção 1 - A derivada de uma função e regras de derivação 67


para a multiplicação e divisão
1.1 | O Cálculo de Derivadas de funções 67
1.2 | Técnicas de derivação 72

Seção 2 - A regra da cadeia e derivada de ordem superior 79


2.1 | A regra da Cadeia e sua aplicação 79
2.2 | Derivada de ordem superior 82
2.3 | Concavidade do gráfico 87
Seção 3 - Derivadas implícitas e otimização de funções 89
3.1 | Aplicação de derivadas 89
3.2 | A Derivada e taxas relacionadas 95

Unidade 3 | Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 111

Seção 1 - Introdução ás integrais, técnicas de integração e integrais definidas 115


1.1 | Introdução à integração 115
1.2 | Técnicas de integração 117
1.2.1 | Técnica da substituição 117
1.2.2 | Técnica da integração por partes 118
1.3 | A integral definida 120
1.3.1 | O Teorema Fundamental do Cálculo (TFC – Parte I) 121
1.3.2 | O Teorema Fundamental do Cálculo (TFC – parte II) 121
1.3.3 | Teorema do Valor Médio para Integrais 124

Seção 2 - Integrais múltiplas 127


2.1 | A integral dupla 127
2.2 | A integral tripla 132
2.3 | Mudança de coordenadas: de cartesianas para polares 134

Seção 3 - Integral de linha e integral de superfície 137


3.1 | A integral de linha 137
3.1.1 | Teorema de Green 141

Seção 4 - Equações Diferenciais Ordinárias de Primeira e 145


de Segunda Ordem
4.1 | Equações diferenciais ordinárias de 1ª ordem 145
4.1.1 | Soluções de uma Equação Diferencial Ordinária 147
4.1.2 | Problema de Valor Inicial (PVI) 148
4.1.3 | Métodos para obtenção de soluções de EDOs de Primeira Ordem 149
4.1.3.1 | Equações diferenciais de variáveis separáveis 149
4.1.3.2 | Equações diferenciais com coeficientes homogêneos 150
4.1.3.3 | Equações diferenciais exatas 151
4.1.3.4 | Equações diferenciais lineares 152
4.2 | Equações diferenciais ordinárias de 2ª ordem 153
4.2.1 | Teorema de Existência e Unicidade de Soluções 154
4.2.2 | EDOs Lineares Homogêneas de ordem 2 com coeficientes constantes 155

Unidade 4 | Conhecendo matrizes 163


Seção 1 - Matriz, propriedades e classificações 167
1.1 | Definição de Matrizes 167

Seção 2 - Operações com matrizes 177

Seção 3 - Determinantes de matrizes de diferentes ordens 189


3.1 | Determinantes 189
Apresentação

Este livro foi elaborado com a intenção de auxiliar no processo de aprendizagem


dos estudantes da disciplina de Cálculo I do curso de Ciências Econômicas. Os
conteúdos aqui abordados objetivam estudar o comportamento de funções
utilizando conceitos de limite, continuidade, derivas e integrais.

Este material está dividido em quatro unidades. No início da unidade 1 será


realizada uma revisão envolvendo a teoria de funções. Esta revisão é necessária
visto que os conceitos que serão abordados no decorrer deste livro tratarão
diretamente sobre o assunto. No desdobrar da unidade, serão apresentados os
conceitos de limite e continuidade para avaliação do comportamento de funções.
Ao final da primeira unidade será apresentada a definição de derivas a partir da ideia
de taxa de variação.

Na unidade 2, serão apresentados os diferentes métodos de derivação


de funções não sendo mais necessária a utilização da definição de derivada
apresentada na unidade 1. Ainda na unidade 2, serão trabalhados os conceitos de
derivadas de ordem superior, derivadas implícitas e otimização de funções.

O foco da unidade 3 será o cálculo de integrais e as equações diferenciais.


Serão apresentadas as equações diferenciais de primeira e segunda ordem e as
técnicas de integração, além das aplicações de integrais.

Na Unidade 4 será abordado o conceito de matrizes. Ao final do estudo desta


unidade você compreenderá o processo de resolução e o uso de matrizes nas
quatro operações básicas. Você também conseguirá classificar as matrizes, calcular
determinante de uma matriz quadrada, realizar escalonamento e calcular a inversa
de uma matriz.

Cabe ressaltar que a utilização dos links e materiais disponíveis nas seções
Saiba mais e Aprofundando o conhecimento deste livro são essenciais para que o
aprendizado aconteça de forma completa.

Bons estudos!
Unidade 1

FUNÇÕES, LIMITE,
CONTINUIDADE E DEFINIÇÃO
DE DERIVADA
Mariele Vilela Bernardes Prado

Objetivos de aprendizagem:

Os assuntos abordados nesta primeira unidade têm por objetivo, além de


apresentar os conceitos básicos do cálculo, preparar o aluno para a aplicação de
derivadas e integrais.

Seção 1 | Revisando funções


Nesta seção, revisaremos os principais conceitos envolvendo funções, as
principais definições, gráficos, propriedades e as funções mais utilizadas. Estes
conceitos serão fundamentais nos estudos e aplicação do Cálculo.

Seção 2 | Limite de uma função


Nesta seção será apresentado, inicialmente, o conceito intuitivo de limite.
A partir desta ideia intuitiva trabalharemos as propriedades, os teoremas e as
indeterminações envolvendo limites. Serão abordados, ainda, os conceitos
de limites laterais, limites envolvendo infinitos, limites fundamentais e
assíntotas. Ao final da seção, será apresentada a definição formal de limite.

Seção 3 | Funções contínuas


Na seção 3 será apresentada a definição de continuidade, bem como
as propriedades das funções contínuas, continuidade por intervalos e
continuidade de funções inversas. Será abordado de forma intuitiva o
Teorema de Valor Intermediário e suas consequências.
U1

Seção 4 | A derivada
Nesta seção, será apresentada a definição de derivada a partir dos
conceitos de taxa de variação e retas secantes e tangentes.

8 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Introdução à unidade

O Cálculo Diferencial e Integral tem como objetivo estudar o comportamento de


funções, fazendo uso de conceitos como limite, continuidade, derivada, integral e
séries. Tais conceitos são resultados de estudos feitos de forma independente pelos
matemáticos Isaac Newton (1642-1727) e Gottfried Wilhelm Von Leibniz (1646-1716).
Newton e Leibniz generalizaram as regras para problemas que antes eram abordados
apenas para casos particulares de funções. Nesta primeira unidade, serão abordados
os conceitos de limite e continuidade e a definição de derivadas. Antes, porém, é
necessário que façamos uma revisão dos conceitos de funções, tema abordado na
disciplina de Introdução ao Cálculo.

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 9


U1

10 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Seção 1

Revisando funções
A função é descrita por leis científicas e princípios de engenharia como uma
quantidade que depende de outra. O termo “função” foi apresentado por Leibniz
para indicar a dependência de uma quantidade em relação à outra de acordo com a
definição a seguir:

Se uma variável y depende de uma variável x de tal modo que cada valor de x
determina exatamente um valor de y, então dizemos que y é uma função de x.

As funções podem ser representadas por equações, por tabelas, por gráficos ou até
mesmo por meio de palavras.

No século XVIII, o matemático Leohnard Euler passou a denotar as funções pelas


letras do alfabeto, conforme a seguinte definição:

Uma função ƒ é uma regra que associa uma única saída a cada entrada. Se a
entrada for denotada por χ , então a saída será denotada por ƒ ( χ ) .

Muitas vezes, a saída de uma função também é denotada por uma letra -
normalmente o γ - e escreve-se γ = ƒ ( χ ) . Tal equação expressa γ como uma função
de χ . A variável χ é denominada variável independente e a variável γ é denominada
variável dependente.

Vejamos um exemplo:

A equação γ = 2χ2 - 3χ + 4 está na fórmula γ = ƒ ( χ ) em que a função ƒ é dada pela


fórmula ƒ ( χ ) = 2χ2 - 3χ + 4 .

Para cada entrada χ, a saída correspondente γ é obtida substituindo χ nessa


fórmula.

Assim, assumindo χ = 2 teríamos ƒ (2) = 2(2)2 - 3(2) + 4 = 8 - 6 + 4 = 6.

ƒ associa γ = 6 a χ = 2.

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 11


U1

Na disciplina de Introdução ao Cálculo, você aprendeu que uma função também


pode ser apresentada como uma relação entre dois conjuntos, de modo que, para
cada valor do primeiro conjunto teríamos um valor do segundo conjunto. Mas, o que
é mesmo uma relação?

Dados dois conjuntos A e B, denominamos relação binária de A em B a todo


subconjunto R de A ×B, isto é, R é uma relação binária de A em B ⇔ R ⊂ A × B ou
ainda x R y ⇔ R ⊂ A × B, sendo A×B o produto cartesiano entre os conjuntos A e B.

Produto cartesiano de A por B é o conjunto dos pares ordenados cujos primeiros


elementos pertencem a A e os segundos elementos pertencem a B, isto é:
A×B={(x,y)|x∈A,y∈B}.

Vejamos um exemplo:

Dados os conjuntos A={1,2} e B={2,4,5}, o produto cartesiano A×B={(x,y)|x∈A e


y∈B} é dado por A×B= {(1,2),(1,4),(1,5),(2,2),(2,4),(2,5)}.

Atente para o fato de que o número de elementos de um produto cartesiano é dado


pela multiplicação do número de elementos de cada um dos conjuntos envolvidos.
No exemplo acima teríamos o conjunto A com 2 elementos e o conjunto B com
3 elementos. Logo, o número de elementos do conjunto formado pelo produto
cartesiano A×B é 2 . 3 = 6 elementos.

Considere, agora, a relação definida por R={(x,y)∈A×B| γ=2χ}, ou seja, deve-se


considerar apenas os pares ordenados em que γ=2x.

χ=1⇒γ=2.1=2

χ=2⇒γ=2.1=4

Logo, R={(1,2),(2,4)}.

Qualquer relação pode ser considerada como uma função?

Lembre-se: Uma relação de A em B é uma função se, e somente se:

• Todo elemento χ pertencente a A tem um correspondente γ pertencente a B


definido pela relação.

• A cada χ pertencente a A não podem corresponder dois ou mais elementos


de B por meio da relação.

Simbolicamente, definimos uma função como ƒ: A → B .

Se ƒ é uma função definida pela relação de A em B, dizemos que ƒ é uma


função definida em A com valores em B. Se tanto A quanto B forem subconjuntos
dos reais (R), dizemos que ƒ é uma função real de variável real.

12 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

A partir de agora, sempre que falarmos de funções e não definirmos seus conjuntos
de entrada e saída, vamos assumir que estamos trabalhando com funções reais de
variáveis reais.

Para conhecer mais sobre a história das funções acesse: Disponível em:
<http://www.unifal-mg.edu.br/matematica/?q=hist_funcao>.

No estudo de relações, há um caso particular denominado aplicação,


cuja definição é apresentada abaixo:
Sejam A e B conjuntos quaisquer, todo elemento x ∈ A apresenta um
correspondente γ ∈ B, sendo γ único para cada χ, definido conforme a
relação.
Mas esta é a definição que você conhece de funções, não é verdade?
Qual seria a diferença então?
As funções são um caso particular de aplicação em que o contradomínio
de uma aplicação é um conjunto numérico.
Perceba que até este momento estamos trabalhando apenas com
conjuntos numéricos e por isso utilizamos o conceito de funções. Em
estudos futuros, vocês trabalharão com conjuntos não numéricos e o
conceito aplicação poderá ser empregado.

1.1 Domínio e Imagem de uma função


Em certos momentos, é necessário impor restrições aos possíveis valores de
entrada de uma função. É o caso da função ƒ(χ)=x2 que representa a área de um
quadrado de lado χ. Embora a equação γ=x2 apresente um único valor de γ para
cada número real de χ, o fato de que os comprimentos devem ser números positivos
limita γ tal que χ ≥ 0.

Em outros casos, a própria fórmula matemática de uma função impõe alguma


restrição para os seus valores de entrada. Por exemplo, se γ=√χ devemos ter χ ≥0, uma
vez que para χ<0 teríamos um número imaginário, e conforme definimos anteriormente,
estamos trabalhando com funções reais de variáveis reais. O mesmo acorre para γ=1 ⁄ χ,
em que x deve ser diferente de 0, pois divisão por zero não está definida.

Tais restrições são apresentadas ao estabelecermos o domínio de uma função


( Dƒ ). Ou seja, o domínio natural de uma função são todos os números reais para
os quais a função apresente valores reais. Ou ainda, o domínio de uma função é o
conjunto cujos elementos são todos os possíveis valores de χ para os quais existe
um único γ em correspondência.

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 13


U1

Exemplo:

Apresente o domínio natural das funções:

a. ƒ ( χ ) = χ4

b. ƒ ( χ ) = √χ - 5

Resposta:

a. A função ƒ tem valores reais para todo χ real. Logo, seu domínio é o intervalo
( - ∞, ∞ ), ou simplesmente o próprio conjunto dos reais (R).

b. A função ƒ apresenta valores reais exceto quando a expressão dentro do radial


for negativa. Logo, χ - 5 deve ser maior que zero, ou seja, χ - 5 ≥ 0 ⇔ χ ≥ 5.

Se considerarmos que o domínio de ƒ( χ )=γ é o conjunto formado por todas


as entradas possíveis, isto é, os possíveis valores para χ, podemos considerar que a
imagem desta função (Imƒ) é o conjunto formado por todos os valores de saída a partir
dos valores assumidos para x. Isto é, a imagem é dada apenas pelos valores de saída
que apresenta relação com algum valor de entrada.

Exemplo:

I. Qual a imagem de ƒ ( χ ) = 5 + √χ - 1 ?

Resposta:

O domínio de ƒ é o intervalo [1,∞), pois para χ - 1 ≥ 0 (radicando deve ser maior ou


igual a zero) temos χ ≥ 1.

Quais os possíveis valores de saída quando x assume valores dentro de seu domínio?

χ=1→γ=5
χ = 3 ⁄ 2 → γ ≅ 5,71
χ=2→γ=6
χ=5→γ=7
χ = 65 → γ = 13
Observe que para cada valor que χ assume em seu domínio os valores de γ serão
sempre maiores que 5. Sendo assim, a imagem de ƒ é o intervalo [5,∞), ou ainda, Imƒ
= {γ ∈ R | γ ≥ 5}.

14 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

χ+1
II. Qual a imagem de ƒ ( χ ) = ?
χ-1

Observe que, para que o denominador seja diferente de zero, devemos ter χ - 1 ≠ 0
⇒ χ ≠ 1 . Logo, o domínio natural de ƒ é dado por Dƒ = {χ ∈ R | χ ≠ 1}.
χ+1
Agora, sendo γ = quais os possíveis valores que y pode assumir?
χ-1

Para encontrarmos estes valores, façamos:


χ+1
γ= ⇒ γ (χ-1) = χ + 1 ⇒ γχ - γ = χ + 1 ⇒ γχ - χ = 1 + γ
χ-1

γ+1
Observe que χ = 1, = 1 ⇒ γ + 1 = γ - 1 ⇔ 1 = - 1, o que é um absurdo. Logo,
γ-1
a restrição denominada por Dƒ não implica restrição para a Imƒ.

Observe, porém, que para γ=1 não teríamos um valor possível para χ , uma vez que
a divisão por zero não é definida. Logo, Imƒ = {γ ∈ R | γ ≠ 1}.

Foi definido acima que a imagem de uma função é o conjunto formado apenas
pelos valores de saída que apresenta relação com algum valor de entrada. Assim,
podemos esperar que alguns valores de saída de uma função podem não se relacionar
com os valores de entrada. O conjunto formado por todos os elementos do conjunto
de saída, independentemente se este valor se relaciona ou não com algum elemento
do conjunto de entrada, é chamado de contradomínio de ƒ.

Para complementar o estudo inicial das funções, você pode acessar:


http://ellalves.net.br/textos/conteudo/43/funcao_dominio_e_imagem

1.2 Gráficos de funções

Sendo ƒ uma função real de variável real, temos que o gráfico de ƒ no plano
cartesiano χγ é dado pelo gráfico da equação γ=ƒ(χ). Ou ainda, o gráfico de ƒ é o
conjunto dos pontos dados pelos pares ordenados (χ,γ) em que χ∈Dƒ e γ∈Imƒ.

Por exemplo, o gráfico da função f(x)=x^2 é uma parábola construída


considerando os pares ordenados (x,y).

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 15


U1

x -2 -1 0 1 2
y 4 1 0 1 4
Figura 1.1 | Gráfico de f(x)=x2

Fonte: Adaptado da ferramenta online Function Graphs (2015)

O domínio e a imagem de uma função podem ser encontrados projetando o


gráfico γ=ƒ(χ) sobre os eixos coordenados. Observe na figura 1.2 que a projeção de
γ=ƒ(χ) sobre o eixo χ é o conjunto dos possíveis valores de χ, isto é, o domínio de ƒ. Já
a projeção de γ=ƒ(χ) sobre o eixo γ é o conjunto dos valores de γ que se relacionam
com os valores do Dƒ.
Figura 1.2 | Projeção de y=f(x) sobre os eixos coordenados

Fonte: O autor (2015)

Nas definições dadas no início da unidade aprendemos que, para que uma função
exista, é preciso que exista um único valor da variável dependente para cada valor da
variável independente, ou seja, para cada χ pertencente ao conjunto de entrada existe
um único γ pertencente ao conjunto de saída.

16 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Fundamentado nesta observação, podemos utilizar uma forma prática para


verificarmos se uma curva no plano χγ é ou não uma função, tal método é também
conhecido como “Teste da reta vertical”.

Imagine retas verticais, paralelas ao eixo γ, passando pelos elementos do domínio.


Caso todas as retas que você imaginou tocarem a curva em apenas um ponto, esta
será uma função. É o caso do gráfico (a), da figura 1.3. Já no gráfico (b) as retas verticais
tocam a curva em dois pontos, logo, não existe uma função representada por esta curva.
Figura 1.3 | Esboços de gráficos

Fonte: O autor (2015)

Você consegue explicar por que o uso do “Teste da reta vertical”


é válido?

Para conhecer os gráficos das principais funções acesse:


<http://educacao.uol.com.br/disciplinas/matematica/graficos-das-
principais-funcoes-reconheca-as-curvas-mais-comuns.htm>.

1.3 Operações com funções

Assim como os números são passíveis de operações, permitindo que sejam


somados, multiplicados e divididos para se obter novos números, existem operações
possíveis de serem realizadas entre duas ou mais funções, afim de se encontrar uma
nova função.

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 17


U1

Sendo ƒ(χ) e g(χ) duas funções, definimos:

(ƒ + g)(χ) = ƒ(χ) + g(χ)


(ƒ - g)(χ) = ƒ(χ) - g(χ)
(ƒ . g)(χ) = ƒ(χ) . g(χ)
(ƒ / g)(χ) = ƒ(χ) / g(χ), para g(χ) ≠ 0

O domínio de ƒ + g, ƒ - g e ƒ . g é definido como sendo a intersecção dos


domínios de ƒ e g. Já para a função ƒ/g , o domínio é definido como a intersecção
dos domínios de ƒ e g, eliminando os pontos em que g(χ)=0.

Exemplo:

Sejam, ƒ(χ)= χ2 e g(χ)=χ - 2, apresente ƒ + g, ƒ - g, ƒ . g e ƒ/g.

Resposta:

ƒ + g = ƒ(χ) + g(χ) = χ2 + χ - 2
ƒ - g = ƒ(χ) - g(χ) = χ2 - (χ - 2) = χ2 - χ + 2
ƒ . g = ƒ(χ) . g(χ) = (χ2) . (χ - 2) = χ3 - 2χ2
ƒ / g = ƒ(χ) / g(χ) = χ2 / (χ - 2), para χ ≠ 2

1.4 Função composta

Veremos agora outra operação possível de ser realizada entre funções que não
apresenta analogia com nenhuma operação entre números.

Sejam as funções ƒ e g, define-se função composta de ƒ em g, denotada por ƒ o


g (lê-se ƒ composta g) por:

(ƒ o g)(χ) = ƒ(g(χ)).
Exemplo:

Sejam, ƒ(χ)= χ2 - 2 e g(χ)=χ + 3, apresente ƒ o g e g o ƒ.

18 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Resposta:

ƒ o g = ƒ(g(χ)) = [g(χ)]2 - 2 [g(χ)]


= (χ + 3)2 - 2 (χ + 3) = χ2 + 6χ + 9 - 2χ - 6
= χ2 + 4χ + 3

g o ƒ = g(ƒ(χ)) = [ƒ(χ)] + 3 (χ2 - 2) + 3


= χ2 -2χ + 3

Podemos ter [ƒ o g](χ) = [g o ƒ](χ) ?

Para saber mais sobre funções compostas acesse:


<http://www.im.ufrj.br/dmm/projeto/projetoc/precalculo/sala/
conteudo/capitulos/cap71s2.html>.

1.5 Função Elementares


Vamos relembrar agora os as funções mais conhecidas e utilizadas na prática. Uma
função polinomial de grau n, ƒ: R → R é definida por:

ƒ(χ) = a0 + a1χ + a2χ2 + ... + anχn

Sendo ai ∈R, i = 0,1,...,n e an ≠ 0, n∈N.

As funções polinomiais apresentam alguns casos particulares. Esses casos são


classificados quanto ao grau da função ou aos seus coeficientes.

A função ƒ(χ) = aχ + b (primeiro grau) recebe o nome de função afim.

Quando uma função afim apresenta um coeficiente linear nulo ( ) recebe o nome
de função linear.

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 19


U1

A função linear em que a = 1 é classificada por função identidade.

A função do tipo ƒ(χ) = b é chamada de função constante.

Figura 1.4 | Esboços de gráficos de funções polinomiais de primeiro grau

Fonte: O autor (2015)

As funções de segundo e terceiro grau recebem o nome de função quadrática e


função cúbica respectivamente.

As funções de segundo grau estarão presentes em diversos estudos e aplicações.


Por isso, é importante lembrarmos algumas características destas funções.

Sendo ƒ(χ) = aχ2 + bχ + c, e a ≠ 0 temos que:

O gráfico de uma função quadrática é uma parábola com eixo de simetria


paralelo ao eixo γ.

Para a>0, a parábola apresenta concavidade voltada para cima e para a<0,
concavidade voltada para baixo.

As raízes, ou zeros da função, são definidos pela intersecção da parábola


com o eixo χ.

O vértice da parábola apresenta coordenadas


( -b -∆
2a 4a (
, sendo ∆ = b2 - 4ac.

20 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Figura 1.5 | Esboços de gráficos de funções quadrática e cúbica

Fonte: O autor (2015)

Uma função é dita racional, se ela é o cociente entre duas funções polinomiais,
isto é:
p(χ)
ƒ(χ) =
q(χ)

Sendo p(χ) e q(χ) polinômios e q(χ) ≠ 0.

Para saber mais sobre funções quadráticas, assista ao vídeo disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=W7NbQuiNnsc>.

Sejam a > 0 e a ≠ 1 , a função exponencial de base a de ƒ : i → i definida por ƒ(χ) = aχ.

Sobre as funções exponenciais é importante lembrar que: Im (ƒ) = R+*

ƒ é crescente para a > 1 e decrescente para 0 < a < 1.

Sejam a > 0 e a ≠ 1, a função logarítmica de base a denotada por logaχ de ƒ : i + → i é


definida como ƒ(χ) = logaχ .

Existem também as funções trigonométricas. As mais comuns são seno,


cosseno e tangente. Estas funções serão definidas e seus gráficos apresentados na
figura 1.6, para isso assumimos ƒ: R → R.

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 21


U1

Figura 1.6 | Funções trigonométricas

Fonte: O autor (2015)

Para saber mais sobre algumas funções elementares, acesse os links:


<http://www.matematicadidatica.com.br/FuncaoExponencial.aspx>.
<http://www.matematicadidatica.com.br/FuncaoLogaritmica.aspx>.
<http://ecalculo.if.usp.br/funcoes/trigonometricas/funcoes_trig_circ_
trig/funcoes_trigon.htm>.

1.6 Função crescente e decrescente


Dizemos que uma função ƒ é crescente em um intervalo [a, b] se à medida que
se aumenta o valor de χ, dentro do intervalo, as imagens correspondentes também
aumentam. Em outras palavras, ƒ é crescente em [a, b] se para quaisquer valores χ1 e
χ2 ∈[a, b], com χ1 < χ2, tivermos ƒ(χ1) < ƒ(χ2).

Da mesma forma, podemos dizer que ƒ é decrescente em um intervalo [a,


b], se à medida que se aumenta o valor de χ , dentro do intervalo, as imagens
correspondentes vão diminuindo. Isto é, ƒ é decrescente em [a, b] se para quaisquer
valores χ1 e χ2 ∈[a, b], com χ1 < χ2, tivermos ƒ(χ1) > ƒ(χ2).

Muitas vezes, as funções podem assumir comportamentos diferentes em


intervalos do domínio, ou seja, uma mesma função pode ser classificada
em crescente e decrescente, dependendo do intervalo considerado.
Para saber mais sobre crescimento e decrescimento de funções acesse:
<http://ecalculo.if.usp.br/derivadas/estudo_var_fun/cresc_decresc/
cresc_decresc.htm>.

22 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

1.7 Função injetora, sobrejetora e bijetora


Seja ƒ : A → B uma função, dizemos que:

ƒ é injetora, se para todo χ1, χ2 ∈ A , se ƒ(χ1) = ƒ(χ2) ⇒ χ1 = χ2.

ƒ é sobrejetora se Im(ƒ) = B ou, em outra palavras, .

ƒ é bijetora se, e somente se, ƒ é injetora e sobrejetora.

Através do gráfico da função podemos reconhecer se ƒ é ou não uma


função bijetora. Para isso, devemos traçar retas paralelas ao eixo χ pelos
pontos que pertencem ao contradomínio da função. Se cada uma dessas
retas interceptar o gráfico em um único ponto, a função é bijetora.
Para entender de uma forma mais fácil as três definições anteriores, assista
ao vídeo do link: <https://www.youtube.com/watch?v=vTJCbbHFMxU>

A função é par se para todo , .

Vejamos alguns exemplos:

é uma função par, pois .

é uma função par, pois .

A função é ímpar se para todo , .

Vejamos alguns exemplos:

é uma função ímpar pois,

é uma função ímpar pois,

- O gráfico de uma função par é simétrico com relação ao eixo das


ordenadas, isto é, toda reta paralela ao eixo corta o gráfico simetricamente.
- O gráfico de uma função ímpar é simétrico com relação à origem.
- Uma função que não é par nem ímpar é chamada de função sem paridade.

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 23


U1

1.8 Função inversa


A inversa de , denotada por , é a função que satisfaz,
sendo i a função identidade.

Para evidenciarmos a definição dada acima, vamos considerar os conjuntos A =


{1, 2, 3, 4}, B = {1, 3, 5, 7} e a função ƒ : A → B definida por ƒ(χ) = 2χ + 3. A função
1 3
inversa de ƒ é ƒ-1(χ) = χ .
2 2

Verificamos assim que ƒoƒ-1= ƒ-1oƒ = i satisfeito, então ƒ-1 (χ) = 1 χ - 3 .


2 2

É importante perceber que apenas funções bijetoras admitem


inversa. Reflita o porquê de a afirmação acima ser verdade.

A função inversa pode ser encontrada aplicando uma regra simples.

Dada a função bijetora ƒ: A→B definida pela sentença γ = ƒ(χ), para obtermos a
sentença aberta que define ƒ-1 devemos seguir os seguintes passos:

i. Na sentença γ = ƒ(χ), trocamos as variáveis, isto é, colocamos χ no lugar do γ e


γ no lugar do χ.

ii. Transformamos algebricamente a expressão χ = ƒ(γ), expressando γ em função de χ.

Exemplo:

Qual a função inversa da função ƒ bijetora em i definida por ƒ(χ) = 4χ + 7?

A função dada é γ = ƒ(χ) = 4χ + 7

i. γ = 4χ + 7 → χ = 4γ + 7
χ-7
ii. χ = 4γ + 7 ⇒ 4γ + 7 = χ ⇒ 4γ = χ - 7 ⇒ γ = .
4

24 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

χ-7
Logo, a inversa de ƒ, isto é, ƒ-1 é dada por γ = .
4

1. Considere a afirmação: ‘A função ƒ(χ)=√(χ2-1) é injetora e


par’. Tal afirmação está:
a. Correta.
b. Incorreta, pois ƒ(χ) é injetora, mas não é par.
c. Incorreta, pois ƒ(χ) é par, mas não é injetora.
d. Incorreta, pois não é possível analisar ƒ(χ).
e. Incorreta, pois ƒ(χ) não é par e não é injetora.

2. Seja ƒ(χ) = χ2 e g(χ) = χ -3. A composta ƒog é:


a. χ2 - 3
b. χ2 - 6χ + 9
c. χ2 - 6χ - 3
d. χ2 + 6χ + 9
e. χ2 - 6χ + 3

3. Seja ƒ(χ): R → R definida por ƒ(χ) = 3χ - 2 . A sua inversa ƒ-1 é:


χ+2
a. ƒ-1 =
3
χ-2
b. ƒ-1 =
3
2-χ
c. ƒ-1 =
3
- (2 + χ)
d. ƒ-1 =
3
χ
e. ƒ-1 =
3

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 25


U1

26 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Seção 2

Limite de uma função


Uma das noções básicas no cálculo é o conceito de limite. A ideia de limite será
abordada inicialmente de forma intuitiva. Em seguida, será trabalhada sua definição
formal e seu cálculo.

O conceito de limite nos permite estudar o comportamento de uma função na


vizinhança de um ponto fora de seu domínio. Isto é, podemos identificar como
uma função se comporta próximo a um ponto, mesmo que este ponto não esteja
em seu domínio.

Para entendermos melhor a ideia de limite, vamos analisar a função:

definida para χ ∈ R / χ ≠ 2.

Se χ ≠ 2, podemos dividir o numerador e o denominador por χ - 2 e assim obtermos


ƒ (χ) = χ + 1.

A função não está definida para χ = 2 . Como será o comportamento


de ƒ (χ) quando χ assume valores bem próximos de 2?

Vamos estudar ƒ (χ) quando χ assume valores bem próximos de 2.

Para χ < 2 teremos:

χ 1,00 1,50 1,75 1,90 1,99 1,999


ƒ (χ) 2,00 2,50 2,75 2,90 2,99 2,999

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 27


U1

Para χ > 2 teremos:


χ 3,00 2,50 2,25 2,10 2,01 2,001
ƒ (χ) 4,00 3,50 3,25 3,10 3,01 3,001

Os limites para χ < 2 e χ > 2 são chamados de limites laterais. O tema será abordado
de forma mais completa ainda neste material.

Você já deve ter percebido que, conforme o valor de χ se aproxima de 2, ƒ (χ) fica
cada vez mais próxima de 3. Ou ainda, podemos tornar ƒ (χ) tão próximo de 3 quanto
desejarmos, basta tomarmos χ suficientemente próximo de 2, conforme observado
na figura 1.7.

Figura 1.7 | Esboço do gráfico de ƒ (χ)=χ+1 para χ≠2

1 2

Fonte: O autor (2015)

A partir desta observação podemos definir, de forma informal: seja ƒ uma função
definida em um intervalo que contenha o ponto a, exceto eventualmente no próprio
a, dizemos que:

O limite descreve o comportamento da função em pontos extremamente


próximos de , mas jamais no próprio .
Para saber mais sobre os conceitos de limite, assista ao vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=iUxAIFuX7f4&list=PLB938B28006
4A4AB4

28 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

2.1 Propriedades de limites


Ainda explorando a ideia intuitiva de limite, vamos agora apresentar suas
propriedades a as regras básicas para seu cálculo.

A apresentação será feita por meio de teoremas.

Teorema 1: Se existe, ele é único.


Teorema 2: Se a, b e c são números reais e ƒ(χ) = bχ + c.

Então

Teorema 3: Se e , então:

a. .

b. .

c. .

d. desde que .

e. desde que quando n for par.

f. e .

g.

h. , desde que L1 > 0.

Você pode ver a demonstração de algumas das propriedades


apresentadas acima acessando: <http://www.uff.br/webmat/Calc1_
LivroOnLine/Cap05_Calc1.html#PropriedadesLimite>.

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 29


U1

Qual é o limite de quando χ tende a 2?

Utilizando as propriedades apresentadas acima, temos:

2.2 Teorema do Confronto


Seja a um número real e ƒ,g e h funções que satisfazem ƒ(χ) ≤ h(χ) ≤ g(χ), para
todo χ∈R, exceto eventualmente para χ=a. Se lim ƒ(χ) = lim g(χ) = L.
χ→a χ→a

Então lim h(χ) = L.


χ→a

O Teorema do Confronto é também conhecido como


Teorema do Sanduíche.
Reflita o porquê do termo sanduíche ser aplicado neste
contexto.

Mais informações sobre o Teorema do Confronto, bem como sua


demonstração, você encontra acessando o site: <http://ecalculo.if.usp.
br/ferramentas/limites/calculo_lim/teoremas/teo_confronto.htm>.

30 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Exemplo:

Calcule .

Resposta:

Podemos afirmar que .

Multiplicando a desigualdade por χ4, temos:

Agora, e .

Pelo Teorema do Confronto, temos que

2.3 Indeterminação
A propriedade d do teorema 3 nos diz que o desde que L2 ≠ 0. Tal
restrição é clara, uma vez que a divisão por zero não está definida.

Como calcular, então, o ?

Sendo , não podemos aplicar a propriedade.

Caso você não percebesse, a princípio, que o denominador tende a zero, e


aplicasse a propriedade, você encontraria a expressão 0 , pois também é
0
igual a 0. Temos aqui um caso de indeterminação.

Para casos como este, deve-se, quando possível, reescrever a expressão estudada
de outra forma equivalente.

Para χ ≠ 2, temos que

Logo

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 31


U1

Outros casos de indeterminação são ∞ , 0.∞ e ∞ - ∞ (e suas variações).



Para conhecer alguns exemplos de indeterminações, acesse: <http://
www.uff.br/webmat/Calc1_LivroOnLine/cap07_TiposIndeterm.html>.

Exemplo:

I. Calcule

Como e temos uma indeterminação do tipo 0 .


0

Fatorando os polinômios do numerador e do denominador, podemos escrever:

Logo,

II. Calcule

O limite apresenta mais uma vez uma indeterminação do tipo 0 . Neste caso, não
0
se trata de um quociente de polinômios e para reescrever a expressão pode-se usar o
artifício de multiplicar o numerador e o denominador por .

32 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

III. Calcule

O exemplo III apresenta outro tipo de indeterminação do tipo 0 . Aqui, uma solução
0
possível para encontrarmos uma expressão equivalente que permita o cálculo do
limite é utilizar o artifício da mudança de variável.

Assumindo , reescreveremos toda a expressão em função de u.

Se então, , logo χ = 9 - u3.

Se χ → 1, então . Logo u → 2.

Assim,

A expressão pode ser reescrita na forma .

Logo,

2.4 Limites Laterais

No início dos estudos de limites foi mencionada a existência dos limites laterais.
Vimos que o estudo do comportamento de uma função nos valores próximos a a, isto
é, uma função definida em um intervalo que contenha o ponto a, exceto eventualmente
no próprio a, deve ser feita para valores menores que a e maiores que a. Para χ < a, é
calculado o limite lateral à esquerda, e para χ > a calculamos o limite lateral à direita.

Esses limites são definidos da seguinte forma:

Seja ƒ uma função definida em um intervalo aberto ]a,b[ . O limite de ƒ(χ) , quando
χ se aproxima de a pela direita é L1 e escrevemos .

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 33


U1

Seja ƒ uma função definida em um intervalo aberto ]c,a[. O limite de ƒ(χ), quando χ
se aproxima de a pela esquerda é L2 e escrevemos .

Condição de existência para lim ƒ(χ) é que os limites laterais existam e


χ→a
sejam iguais. Isto é:
lim ƒ(χ) = L se, e somente se, lim ƒ(χ) + lim ƒ(χ) = L.
χ→a χ→a χ→a

Para o caso de termos lim ƒ(χ) ≠ lim ƒ(χ), dizemos que lim ƒ(χ) não existe.
χ→a χ→a

Exemplo:

Observe os limites das funções apresentadas na figura 1.8. Os limites laterais de ƒ(χ)
quando χ tende a a são χlim
→a
ƒ(χ) = 2 e χlim
→a
+
ƒ(χ) = 6 . Logo, podemos afirmar que χlim
-
→a
ƒ(χ)
não existe, pois seus limites laterais são diferentes. Já na função g(χ), os limites laterais
são lim g(χ) = 5 e lim g(χ) = 5 . Sendo os limites laterais iguais, podemos afirmar que lim
χ → b+ χ → b-

g(χ) existe e é igual a 5. Mesmo que o valor de g em χ=b seja diferente do limite de g(χ)
quando χ→b.

Figura 1.8 | Esboços de ƒ(χ) e g(χ)

Fonte: O autor (2015)

34 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

II. Seja ƒ(χ)=χ2 - 4, temos que lim ƒ(χ) = 0 e lim ƒ(χ) = 0. Logo, lim ƒ(χ) existe e é
χ → 2+ χ → 2- χ→a

também igual a 0.

III. Seja vamos determinar lim g(χ) e lim g(χ).


χ → 2+ χ → 2-

O primeiro passo é reescrevermos g(χ) eliminando o valor absoluto.

Logo,

Como χ2 - 4 = (χ - 2)(χ + 2), podemos escrever:

logo

Agora fica fácil calcularmos os limites laterais, basta utilizarmos a ideia apresentada
no início da seção.

Como, lim g(χ) = lim g(χ) temos que lim g(χ) não existe.
χ → 2+ χ → 2- χ→2

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 35


U1

2.5 Limites e infinitos

Em alguns casos, a função pode assumir valores cada vez maiores, ou cada vez
menores.
1
Observe a função ƒ(χ) = definida para R*.
χ
Como é o comportamento de ƒ(χ) próximo a 0?

Para χ < 0 teremos:

χ -1 -0,1 -0,01 -0,001 -0,0001


ƒ (χ) -1 -10 -100 -1.000 -10.000

Para χ > 0 teremos:

χ 0,0001 0,001 0,01 0,1 1


ƒ (χ) 10.000 1.000 100 10 1

A partir da tabela acima e do gráfico de ƒ(χ) apresentado na figura 1.9 é fácil perceber
que, conforme χ se aproxima de 0 pela direita, os valores de ƒ(χ) crescem infinitamente
e de forma positiva. Quando χ se aproxima de 0 pela esquerda, ƒ(χ) assume valores
negativos e decrescem infinitamente.

Figura 1.9 | Gráfico de ƒ(χ) =


1
χ

Fonte: O autor (2015)

36 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Quando lim ƒ(χ) = + ∞ e lim ƒ(χ) = + ∞ , podemos afirmar que lim ƒ(χ) existe, e ainda
χ → a+ χ → a- χ→a

lim ƒ(χ) = + ∞. De forma análoga, temos que lim ƒ(χ) = + ∞ se lim ƒ(χ) = lim ƒ(χ) = + ∞.
χ→a χ→a χ → a+ χ → a-

Outra caso que envolve valores infinitos é quando χ assume valores cada vez maiores,
ou menores. Nestes casos, teremos limite no infinito.

Para definir esses limites, usamos a seguinte notação:

lim ƒ(χ) = L se os valores de ƒ(χ) forem se aproximando cada vez mais de L à


χ→+∞

medida que χ cresce indefinidamente.

Da mesma forma podemos dizer que:

lim ƒ(χ) = L se os valores de ƒ(χ) forem se aproximando cada vez mais de L à


χ→-∞
medida que χ decresce indefinidamente.

Além das propriedades para o cálculo de limites já apresentadas, que são válidas
para limites no infinito, devemos saber também que:

As demonstrações das propriedades acima podem ser conferidas


acessando o link:
<http://www.uff.br/webmat/Calc1_LivroOnLine/Cap07_Calc1.
html#Observacao_7-1>.

Exemplo:

Calcule .

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 37


U1


Observe que o limite apresenta uma indeterminação do tipo . Afim de resolvermos

o problema, vamos dividir o numerador e o denominador da função por χ3. Observe
que tal argumento só é válido pois χ ≠ 0.

Como , temos

2.6 Assíntotas

Vamos voltar ao exemplo do tópico anterior, a função ƒ(χ) = 1χ definida para R* , com
o gráfico apresentado na figura 1.9.

Observe que ƒ(χ) aproxima-se da reta χ = 0 cada vez mais, chegando a confundir-se
com ela. Do mesmo modo, ƒ(χ) aproxima-se da reta γ = 0 cada vez mais.

Retas que apresentam características como as descritas acima são chamadas de


assíntotas e são definidas da seguinte maneira:

• Uma reta χ = a é uma assíntota vertical ao gráfico de ƒ(χ) caso lim ƒ(χ) = -+ ∞ ou
χ → a+

lim ƒ(χ) = ∞ +
-
χ → a-

• Uma reta γ = a é uma assíntota horizontal ao gráfico da função ƒ(χ) caso χlim
→ ∞
ƒ(χ) = b.
+
-

• lim ƒ(χ) e lim ƒ(χ), sendo a um ponto de descontinuidade de ƒ. Caso


- esses
limites sejam +- ∞, temos que a reta χ = a é uma assíntota vertical.

• Calcular os lim ƒ(χ) e lim ƒ(χ), e se o valor encontrado for um número real a,
χ→+∞ χ→-∞

temos que a reta γ = a é uma assíntota horizontal.

38 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Verificar a existência de assíntotas e identificá-las facilita a construção do gráfico de


uma função, tornando mais fácil o seu estudo.

Exemplo:

Seja a função vamos encontrar, caso exista, suas assíntotas.

Vamos verificar a existência de assíntotas horizontais:

Para facilitar o cálculo dos limites, vamos reescrever ƒ(χ)

, temos que γ=1 é uma assíntota horizontal.

, temos que γ=1 é uma assíntota horizontal.

Vamos verificar a existência de assíntotas verticais:

Temos que χ=-3 é um ponto crítico de , pois para χ=-3, teríamos o valor

zero no denominador. Vamos, então, calcular .

Logo, e χ=-3 é assíntota vertical.

O esboço do gráfico de ƒ(χ) pode ser verificado na figura 1.10.

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 39


U1

Figura 1.10 | Gráfico de ƒ(χ) e suas assíntotas

Fonte: O autor (2015)

Para saber mais sobre as assíntotas, acesse os links:


<http://checkmath.wordpress.com/2013/06/20/retas-assintotas/>.
<https://www.youtube.com/watch?v=-FfodxO713c>.

2.7 Limites fundamentais


Limites de funções também podem ser calculados a partir de limites já conhecidos,
chamados de limites fundamentais. São três os limites fundamentais que iremos trabalhar:

1.

2.

3.

40 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Exemplos:

I. Calcule .

Seja u=5χ, então χ=u / 5 e se χ→0 , u→0. Substituindo na função inicial, temos

II. Calcule .

A expressão pode ser escrita na forma . O artifício é utilizado a fim

de se obter o expoente χ igual ao denominador 2χ. Feito isso, temos que:

III. Calcule .

Colocando 35χ em evidência, tem-se . Para obtermos um expoente igual


ao denominador, podemos ainda multiplicar a expressão por -3 , obtendo .
-3

Calculamos, então, o limite.

2.8 Definição formal de limite


Agora que você já entendeu o conceito de limite de forma intuitiva, será apresentada
a definição formal. Para apresentar tal definição, vamos mais uma vez usar um exemplo:

Seja,

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 41


U1

Usando a ideia de limite que aprendemos anteriormente, podemos concluir


que
χ→2
lim ƒ(χ) = 5. Isso significa que ƒ(χ) pode estar o mais próxima de 5 quanto
se queira, desde que, para isso, χ seja o mais próximo de 2. Em outras palavras,
podemos tornar a distância entre ƒ(χ) e 5 tão pequena quanto desejarmos, desde
que a distância entre χ e 2 seja suficientemente pequena, mas diferente de 0.

Você deve recordar que a distância entre ƒ(χ) e 5 e entre χ e 2 é dada por |ƒ(χ)
= -5| e |χ-2| respectivamente.

Vamos reescrever, então, o que foi dito anteriormente: Podemos tornar |ƒ(χ)
= -5| tão pequeno quanto desejarmos, desde que tomemos |χ-2| suficientemente
pequeno, mas diferente de 0.

Supondo que desejamos que |ƒ(χ) = -5| < 1 . Quais valores de |χ-2| devemos ter?
100

Se |ƒ(χ) = -5| < 1 e sendo ƒ(χ) = 2χ + 1 para χ ≠ 2,


100

1
Portanto, devemos tomar χ, tal que |χ-2| < e χ ≠ 2.
200

Para quantificar o quão pequenas devem ser essas diferenças, faremos uso das letras
ε (epsilon) e δ (delta).

Assim, dado um número positivo ε, supostamente pequeno, é possível tornar |ƒ(χ) =


-5| < ε desde que se tome |χ-2| < δ e χ ≠ 2 . O que pode ser escrito da seguinte forma:

Para todo ε > 0, existe um δ > 0 tal que |ƒ(χ) = -5| < δ sempre que 0 < |χ-2| < δ.

Usando os conceitos apresentados acima, podemos definir o limite da seguinte


forma: seja ƒ uma função definida em um intervalo que contenha o ponto a,
exceto, eventualmente, no próprio a, dizemos que o limite de ƒ, quando χ tende a
a, é L se para todo ε > 0 existe um δ > 0 tal que |ƒ(χ) - L| < ε, sempre que 0 < |χ-a| < δ.

Mais informações sobre a definição formal de limites você encontra em:


<http://manthanos.blogspot.com.br/2011/06/sobre-definicao-formal-
de-limite.html>.

42 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Exemplos:

Mostre que utilizando a definição formal de limites.

É preciso mostrar que, dado ε > 0, pode-se encontrar um δ > 0 tal que
se .

Deve-se encontrar um valor de que δ garanta a afirmação acima e, em seguida,


provar que tal afirmação é válida para δ indicado.

|2χ - 4| < ε se 0 < |χ - 2| < δ

Pode-se reescrever a afirmação acima de forma que torne mais fácil encontrar o δ
apropriado.

2|2χ - 4| < ε se 0 < |χ - 2| < δ


ε
|χ - 2| < se 0 < |χ - 2| < δ
2

Portanto, quando 0 < |χ - 2| ε , então |ƒ(χ) -1| < ε. Basta tomar δ = ε , qualquer que
2 2
seja ε > 0. Logo, .

4χ2 + 11
1. Calcule limχ → - ∞
3χ2 + χ - 7

(2 + χ)2 - 4
a. limχ → 0
χ

5χ2 - 4χ + 3
a. O limite da função ƒ(χ) = quando χ tende a ∞ é:
3χ - 2

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 43


U1

44 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Seção 3

Funções contínuas
Podemos apresentar a ideia de continuidade como processos que ocorrem de
maneira ininterrupta, sem mudanças repentinas. Imagine que você deixe cair uma
moeda de uma altura de 2m. A moeda não pode, ao seguir sua trajetória, estar a 1,5m
do chão e, em seguida, aparecer a 0,5m, não é mesmo? A trajetória da moeda deve
percorrer todos os valores entre 0 e 2m. Funções que representam processos como
esse são chamadas de funções contínuas.

Nesta seção, vamos definir a noção de continuidade e estudar algumas de suas


propriedades.

3.1 Definição de continuidade


Sejam ƒ(χ) uma função real e χ = a um ponto no interior de seu domínio. Dizemos
que ƒ é contínua em χ = a se as seguintes condições forem satisfeitas:

i. ƒ (a) existe. ii. lim


χ→a
ƒ(χ) existe. iii. lim
χ→a
ƒ(χ) = im ƒ(a) .

Caso uma ou mais dessas condições não sejam satisfeitas, dizemos que ƒ apresenta
uma descontinuidade em χ = a, ou é descontínua em χ = a.

Agora que apresentamos a condição de continuidade para um ponto da função


podemos concluir que:

ƒ é uma função contínua quando ƒ é contínua em todos os pontos de seu domínio.

Exemplos:
χ2 - 4
I. A função ƒ(χ) = χ - 2 é contínua em χ=2?

Devemos verificar as condições necessárias apresentadas na definição de função


contínua.

• ƒ(2) existe?

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 45


U1

Se ƒ(χ) = χ + 2, então ƒ(2) = 2 + 2 = 4.

Logo, ƒ(2) existe e é igual a 4.

• lim ƒ(χ) existe?


χ→2

Como os limites laterais são iguais, podemos afirmar que lim ƒ(χ) existe e é igual a 4.
χ→2

• lim ƒ(χ) = ƒ(2) ?


χ→2

A partir das duas primeiras condições, chegamos que lim ƒ(χ) = ƒ(2) = 4.
χ→2

Sendo todas as condições de continuidade satisfeitas, conclui-se que é uma


função contínua.
1
II. A função g(χ) = é contínua?
χ-3

Observando o esboço do gráfico de g(χ) apresentado na figura 1.11 (a), vimos que
existe uma quebra no gráfico no ponto χ - 3 e que g(χ) não está definida neste ponto.
Assim, a condição (i) não é satisfeita. Logo, g apresenta uma descontinuidade no ponto
χ - 3, isto é, g(χ) é uma função descontínua.

III. A função é contínua?

O esboço do gráfico de h(χ) é apresentado na figura 1.11 (b). O gráfico de h(χ)


apresenta uma quebra em χ = 3, porém, pela definição, h(χ) está definida para χ = 3 e
h(3)=0. Assim, a condição (i) está satisfeita.

Vamos agora verificar a existência do lim


χ→3
h(χ).

46 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Como os limites laterais são diferentes, temos que χlim


→3
h(χ) não existe e a condição
(ii) não é satisfeita. Logo, h(χ) é descontínua em χ=3.

Figura 1.11 | Esboço de gráficos

Fonte: O autor (2015)

A continuidade pode ser verificada graficamente. Quando o gráfico de uma função


não apresenta interrupções, isto é, quando podemos desenhá-lo sem tirar o lápis do
papel, assumimos que a curva apresentada no gráfico é uma função contínua.

3.2 Propriedades das funções contínuas


A partir das propriedades de limites apresentadas na seção 2, podemos concluir
que soma, subtração, multiplicação e divisão de funções contínuas em χ = a é também
contínua em χ = a. É o que nos apresentada o teorema a seguir.

Teorema 4: Se as funções e forem contínuas em , então:

1. ƒ + g é contínua em χ = a.

2. ƒ - g é contínua em χ = a.

3. ƒ . g é contínua em χ = a.

4. ƒ / g é contínua em χ = a se g(a) ≠ 0 e tem uma descontinuidade em a se g(a) = 0.

Outras propriedades importantes são:

I. Toda função polinomial é contínua em todos os reais.

II. Toda função racional é contínua em seu domínio.

III. As funções trigonométricas sen(χ) e cos(χ) e a função exponencial ex são


contínuas para todo χ real.

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 47


U1

Assim como nas operações entre funções, a composição de duas funções


contínuas é também contínua.

Teorema 5: Se lim g(χ) = L e ƒ é contínua em L, então lim ƒ(g(χ)) = ƒ (L), ou seja,


χ→a χ→a

lim ƒ(g(χ)) = ƒ (lim g(χ)).


χ→a χ→a

Exemplo:

Vamos estudar a função h(χ) = √9 - χ2. Seria h(χ) contínua?

Podemos escrever h(χ) como uma função composta h = ƒog, sendo ƒ(χ) = √χ
e g(χ) = 9 - χ2. Como ƒ e g são funções contínuas em seu domínio, pelo teorema 5
podemos afirmar que h é também continua em seu domínio.

3.3 Continuidade por intervalos


Dizemos que uma função ƒ é contínua em um intervalo aberto ]a,b[ se ƒ for
contínua em todos os pontos deste intervalo.

Dizemos que uma função ƒ é contínua em um intervalo fechado [a,b] se ƒ for


contínua no intervalo aberto ]a,b[ e ainda satisfazer as condições de continuidade lim
χ→a
ƒ(χ) = ƒ(a) e lim ƒ(χ) = ƒ(b).
+

χ → b-

3.4 Continuidade de funções inversas


Sendo ƒ uma função injetora, o gráfico de ƒ-1 é uma reflexão do gráfico de ƒ
em relação à reta χ=γ. Conhecendo esta informação, podemos concluir que, se o
gráfico de ƒ não apresenta rupturas, o gráfico de ƒ-1 também não apresentará. A partir
desta conclusão, e sendo a imagem de f igual ao domínio de ƒ-1, tem-se o seguinte
resultado: se f é uma função bijetora, contínua em cada ponto de seu domínio, então
ƒ-1 é contínua em cada ponto de seu domínio.

Veja alguns exemplos de como identificar uma função contínua.


<https://www.youtube.com/watch?v=PTwiNgefl7U>.

48 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

3.5 Valor intermediário


Observe a figura 1.12, que apresenta o gráfico de uma função ƒ contínua no
intervalo [a,b]. O gráfico nos mostra que, estando k entre ƒ(a) e ƒ(b), para qualquer
reta horizontal γ=k que traçarmos, esta reta cruzará a função ƒ pelo menos uma vez
no intervalo entre a e b. Essa ideia é apresentada no teorema 6, também conhecido
como Teorema do Valor Intermediário.
Figura 1.12 | Gráfico de uma função contínua

Fonte: O autor (2015)

Teorema 6: Seja ƒ contínua em [a,b] e k um número qualquer entre ƒ(a) e ƒ(b),


então existe pelo menos um número χ no intervalo [a,b], tal que ƒ(χ) = k.

Embora o teorema 6 apresente um enunciado intuitivo e bastante simples, sua


demonstração requer conhecimentos que não serão abordados neste livro. A
demonstração do teorema pode ser encontrada em livros de cálculo avançado.

Uma das consequências do Teorema do Valor Intermediário é que ele é útil para
identificarmos intervalos em que a raiz de uma função pertença.

Teorema 7: Se ƒ é contínua em [a,b], e se ƒ(a) e ƒ(b) forem diferentes de zero


com sinais opostos, então existe, no mínimo, uma solução para a equação ƒ(χ) = 0 no
intervalo (a,b).

Vamos aplicar o teorema 7 na função polinomial p(χ) = χ2 + 3χ + 4 no intervalo [2,5].

Para χ = 2 temos p(2) = 6 e para χ = 5 temos p(5) = -6.

Você já sabe que funções polinomiais são contínuas, e pelo teorema 7 podemos
afirmar que p(χ) = χ2 + 3χ + 4 assume pelo menos um valor c entre [2,5] tal que ƒ(c)=0.

Vamos encontrar as raízes de p(χ) e comprovar que pelo menos uma delas
pertence ao intervalo [2,5].

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 49


U1

Utilizando , temos que:

Como 4 ∈ [2,5], temos que pelo menos uma das raízes de p(χ) está no intervalo
analisado.

Veja outro exemplo em que podemos aplicar o teorema 7:

A função χ - cos2 χ = 0 possui pelo menos uma raiz no intervalo

Como ƒ(χ) = χ - cos2 χ é contínua no intervalo dado;

Pelo teorema 7 podemos afirmar que existe um k ∈ tal que ƒ(k) = 0.

Para mais informações sobre o Teorema do Valor Intermediário e seus


resultados, acesse:
<http://www.uff.br/webmat/Calc1_LivroOnLine/Cap06_Calc1.
html#VI-2_TVI>.

Nos links abaixo você encontra um material completo sobre limites e


continuidade.
<http://www2.ufersa.edu.br/portal/view/uploads/setores/72/limites.
pdf>.
<http://portal.virtual.ufpb.br/biblioteca-virtual/files/pub_1291086101.
pdf>.

50 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

χ3 + 1
1. A função ƒ(χ) = é contínua para quais valores?
χ2 - 9

2. Determine os valores para os quais g(χ) seja contínua:

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 51


U1

52 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Seção 4
A derivada
A derivada estuda a taxa segundo qual varia uma quantidade em relação a outra,
conhecida como taxa de variação.

4.1 Taxa de variação


A taxa de variação é utilizada em diversas áreas. Receita, custo e lucro marginais, são
exemplos de taxas de variação estudados pelos economistas. A taxa de crescimento de
bactéria na medicina laboratorial. A velocidade de queda de um determinado corpo que
você calculou na aula de física no ensino médio também é um exemplo de taxa de variação.

Antes de continuarmos os estudos a respeito das derivadas, faça a


leitura do texto disponível no link a seguir. Você aprenderá mais sobre
a origem do conceito de derivada.
<http://www.somatematica.com.br/historia/derivadas.php>.

Seja a função contínua γ = ƒ(χ) definida no intervalo I∈R, com χ1 e χ2 pertencentes


a I. Geometricamente, a taxa de variação média de γ em relação à χ no intervalo
[χ1,χ2] é a inclinação da reta secante pelo pontos p(χ1,ƒ(χ1)) e q(χ2,ƒ(χ2)) e a taxa de
variação instantânea de γ em relação à χ em χ1 é a inclinação da reta tangente no
ponto p(χ1,ƒ(χ1)), conforme figura 1.13.

Figura 1.13 | Retas secante e tangente à curva de ƒ(χ)

Fonte: O autor (2015)

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 53


U1

Vamos denotar a diferença entre as abscissas de Q e P por h, ou seja, h=χ2 - χ1. A


inclinação da reta secante PQ é dada por desde que a reta
PQ não seja vertical.

Como h=χ2 - χ1, podemos escrever χ2=h+χ1. A inclinação de PQ pode ser escrita

Vamos considerar o ponto P fixo e o ponto Q movendo-se em direção a P, isto


é, Q tende a P. Se Q tende a P, h tende a 0.

Quando P=Q, a secante gira em torno do ponto P. Observe que este movimento
no leva a infinitas retas, sendo uma delas a reta tangente a ƒ em P.

Vamos, então, assumir que a inclinação da reta tangente à ƒ em P, dada por


m(χ1), seja o limite de msec quando h tende a zero, se este limite existir.

Assim, .

Quando m(χ1) tende a ±∞ temos a reta χ=χ1.

Exemplos:

Encontre a inclinação da reta tangente ao gráfico de γ=χ2-2χ+3 no ponto (χ1, γ2).

Sendo h=γ1-χ1 e ƒ(χ1)=χ12 - 2χ1 + 3, temos que

54 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Vamos agora encontrar uma equação para a reta tangente a curva dada no exemplo I
no ponto (3,2).

Como a inclinação da reta tangente em qualquer ponto (χ1, γ1) é dada por m(χ1)=2χ1 - 2,
a inclinação da reta tangente no ponto (3,2) é m(3)=4.

Conhecendo a inclinação da reta no ponto (3,2), e sabendo que uma possível equação
da reta tangente a ƒ(χ) no ponto (χ1, γ1) é dada por (γ - γ1)=m(χ1).(χ - χ1), temos que

4.2 Função derivada


Acabamos de aprender que se existe, ele pode ser interpretado
como a inclinação da reta tangente à curva γ=ƒ(χ) no ponto χ=χ1, ou ainda, como a taxa
de variação instantânea de γ em relação a χ1, em χ1=χ1. Aprendemos também que a taxa
de variação pode ser empregada em diversas áreas e para diferentes usos. Devido à sua
importância, este limite possui uma notação especial:

Se ƒ'(χ) existir, esta é denominada derivada de ƒ em relação χ, sendo o domínio de


ƒ' composto por todos χ pertencentes ao domínio de ƒ para os quais existe o limite.

O termo derivada decorre do fato de ƒ' derivar da função ƒ por meio de um limite.

Exemplo:

Utilizando a definição de derivada, encontre ƒ' da função ƒ(χ) = 5√χ para χ = 9.

0
Que nos leva à indeterminação .
0
Podemos escrever

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 55


U1

Vamos encontrar agora a ƒ' da função ƒ(χ)=5√χ para qualquer χ > 0.

Procedendo de forma análoga, chegamos que

Para os casos em que não existe para algum ponto pertencente


ao domínio de ƒ, temos que a derivada não está definida.

Assim, dizemos que uma função ƒ é diferenciável (ou derivável) em χ, se existe

Se ƒ é diferenciável em cada ponto do intervalo aberto (χ, γ), então dizemos que ƒ
é diferenciável em (χ, γ).

A derivada pode também ser representada pela notação de Leibniz dγ .


Para saber mais sobre taxa de variação e os conceitos iniciais de derivada,


acesse:
<http://ecalculo.if.usp.br/derivadas/rz_de_varinst/tx_var_inst.htm>.
<https://www.youtube.com/watch?v=mQSVKCmeAQE>.

56 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

1. Calculando obtemos:

a. 4
b. 1/2
c. 0
d. 1

2. O :

a. √5
10
b. √5
c. 4√5
3
d. √5
3

3. O é:

a. Não existe.
b. 7
5
c. 7
5
d. +∞

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 57


U1

4. Estudando a função abaixo, podemos afirmar que:

a. ƒ(χ) é continua nos pontos χ = 0 e χ = 1


b. ƒ(χ) não é continua nos pontos χ = 0 e χ = 1
c. ƒ(χ) é continua apenas no ponto χ = 0
d. ƒ(χ) é continua apenas no ponto χ = 1

5. Utilizando a definição de derivada, podemos afirmar que


ƒ' de ƒ(χ) = 2χ + 1 é:

a. 4
b. 2χ
c. 2
d. χ + 1

Nesta unidade você aprendeu:

• Que o conhecimento sobre funções é fundamental para os


estudos envolvendo derivadas e integrais e que, por isso, foi
necessária uma revisão sobre o assunto.

• O conceito intuitivo de limites e como calcular limites utilizando


propriedades e limites fundamentais.

• Que artifícios algébricos podem ajudar a resolver problemas de


indeterminação no cálculo de limites.

58 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1 U1

Calcular limites quando x tende


• Calcular
a infilimites
nito e reconhecer
quando x tende
limites
a infi
quenito e reconhecer limites que
ndem a infinito. tendem a infinito.

Reconhecer funções contínuas


• Reconhecer
e as características
funções contínuas
para quee um
as características para que um
ervalo seja contínuo. intervalo seja contínuo.

Limite e continuidade são •fundamentais


Limite e continuidade
para a compreensão
são fundamentais
dos para a compreensão dos
nceitos de derivada e integral
conceitos
que serão
de derivada
abordados
e integral
nas próximas
que serão abordados nas próximas
idades. unidades.

A relação entre taxas de variação,


• A relação
retasentre
tangentes
taxas edederivadas.
variação, retas tangentes e derivadas.

Calcular a derivada de uma•função


Calcular
a partir
a derivada
da defi
denição.
uma função a partir da definição.

esta unidade você iniciou os


Nesta
estudos
unidade
do Cálculo
você iniciou
Diferencial
os estudos
e do Cálculo Diferencial e
tegral. Todo o conteúdo trabalhado
Integral. Todo
até aqui
o conteúdo
são fundamentais
trabalhado até aqui são fundamentais
ara a compreensão dos conceitos
para a compreensão
de derivada edosintegral
conceitos
que de derivada e integral que
erão abordados nas próximas serão
unidades.
abordados nas próximas unidades.
importante que você façaÉ usoimportante
dos materiais
que vocêsugeridos
faça usonosdos materiais sugeridos nos
aiba mais e Aprofundando Saiba
o conhecimento
mais e Aprofundando
para que osua conhecimento para que sua
prendizagem seja completaaprendizagem
e que não restemseja completa
dúvidas sobre
e queo não restem dúvidas sobre o
onteúdo. A bibliografia também
conteúdo.
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um bomamaterial
tambémpara apresenta um bom material para
esquisas e grande número pesquisas
de exercícios,
e grande
o quenúmero
é fundamental
de exercícios, o que é fundamental
ara a fixação do conteúdo aqui
paraabordado.
a fixação do conteúdo aqui abordado.

Calculando 1. Calculando
, obtemos: , obtemos:

2. O é: 2. O é:

59e definição de derivada


Funções, limite, continuidade
Funções, limite, continuidade e definição de derivada 59
U1

3. O é?

4. Estudando a função, podemos afirmar que:

a. ƒ(χ) é continua nos pontos χ = 0 e χ = 1


b. ƒ(χ) não é continua nos pontos χ = 0 e χ = 1
c. ƒ(χ) é continua apenas no ponto χ = 0
d. ƒ(χ) é continua apenas no ponto χ = 1

5. Utilizando a definição de derivada, podemos afirmar que


ƒ´de ƒ(χ) = 2χ + 1 é:

60 Funções, limite, continuidade e definição de derivada


U1

Referências

FUNCTION GRAPHS. Ferramenta gráfica. Disponível em: <http://rechneronline.de/


function-graphs/>. Acesso em: 31 mar. 2015.

SUGESTÃO DE LEITURA

ANTON, H.; BIVENS, I.; DAVIS, S. Cálculo. 8. ed. Porto Alegre: Bookman, 2007.
DOMINGUES, H. H.; IEZZI, G. Álgebra Moderna. 4. ed. São Paulo: Atual, 2003.
ERCOLE, G.; PINTO, M. M. F. Introdução ao Cálculo Diferencial. Belo Horizonte:
UFMG, 2009.
GIMENEZ, C. S. C.; STARK, R. Cálculo 1. 2. ed. Florianópolis: UFSC, 2011.
IEZZI, G.; MURAKAMI, C. Fundamentos de Matemática Elementar: conjuntos e
funções. 8. ed. São Paulo: Atual Editora 2004.
IEZZI, G.; MURAKAMI, C. Fundamentos de Matemática Elementar: limites, derivadas e
noções de integral. 8. ed. São Paulo: Atual Editora 2004.
LEITHOLD, L. O Cálculo com Geometria Analítica. 3. ed. São Paulo: Harbra, 1994.
MORETTIN, P.; BUSSAB, W.; HAZZAR, S. Cálculo: Funções de uma e várias variáveis.
São Paulo: Saraiva, 2003.

Funções, limite, continuidade e definição de derivada 61


Unidade 2

CÁLCULO DE DERIVADAS
Renata Karoline Fernandes

Objetivos de aprendizagem:

Essa unidade tem como objetivo auxiliar no processo de aprendizagem de


conteúdos e conceitos de grande importância, que é o cálculo de derivadas.
A derivada faz parte do que conhecemos como cálculo moderno e, mesmo
não sendo um conteúdo que não consta no currículo do Ensino Fundamental
e Ensino Médio, é imprescindível que você, como futuro(a) professor(a), saiba
como realizar derivadas de funções, suas aplicações e técnicas.

Ao final dessa unidade, espera-se que você seja capaz de realizar derivadas de
funções, utilizar a regra do produto, do quociente e da cadeia, conheça e saiba
utilizar aplicações para esse conceito. Saiba realizar derivadas em funções
com duas variáveis, derivadas implícitas, bem como calcular e interpretar o
gradiente de uma função.

Estes conceitos serão aplicados em várias disciplinas ao longo do curso e da


disciplina de Cálculo Diferencial e Integral, sendo assim, desejo a você bons
estudos, dedicação e esforço.

Seção 1 | A derivada de uma função e regras de derivação


para a multiplicação e divisão
Nesta seção, vamos aprender a respeito das derivadas de funções por
meio da utilização de técnicas quando as funções envolvem operações
de soma, subtração, multiplicação e divisão. No final da unidade 1,
aprendermos o que é uma derivada e como derivar funções por meio da
definição, mas tendo em mente que o cálculo de algumas derivadas pela
definição pode ser muito trabalhoso, aprenderemos regras que facilitarão
nosso trabalho.

A derivada tem diferentes interpretações, mas uma das mais


U2

importantes é a derivada como coeficiente angular de uma reta tangente


a uma determinada curva, e será nessa unidade que aprenderemos mais
a respeito dessa aplicação.

Seção 2 | A regra da cadeia e derivada de ordem superior


Na seção anterior, aprendemos técnicas para derivar funções sem
a necessidade de aplicar a definição de derivadas, mas até o momento
nossas técnicas se limitam para funções simples, ou então aquelas que
envolvem operações de soma, subtração, multiplicação e divisão.

Nesta seção, nos aprofundaremos e conheceremos uma técnica muito


importante, a regra da cadeia, que é utilizada para derivar funções compostas.

Seção 3 | Derivadas implícitas e otimização de funções


Nesta seção, aprenderemos a respeito de derivação implícita, ou seja, a
derivada de funções que não conseguimos expressar de forma explicita a
variável dependente em função da variável independente.

Será nessa seção também que aprenderemos a respeito de uma


aplicação muito importante para as derivadas, a otimização de funções.

64 Cálculo de derivadas
U2

Introdução à unidade

Todos os principais conceitos do cálculo moderno são: limites, derivadas e


integrais.

Nesta unidade, nossa atenção se volta para o cálculo de derivadas de funções. A


derivada de funções tem sua definição oriunda do estudo dos limites, por esse motivo
aprendemos limites e depois derivadas, porém historicamente isso não aconteceu.

O desenvolvimento desses conceitos se deu ao contrário, ou seja, primeiro


desenvolveu-se o cálculo de derivadas e, posteriormente, o estudo dos limites.

Um dos principais fatores que motivou o estudo das derivadas foi a intenção
de determinar o coeficiente angular de uma reta tangente a uma curva, pois por
meio desse coeficiente angular podemos realizar diferentes estudos, por exemplo,
o ponto de máximo e de mínimo de uma função.

Aprenderemos a respeito das técnicas de derivação, bem como algumas de


suas aplicações.

Bons estudos!

Cálculo de derivadas 65
U2

66 Cálculo de derivadas
U2

Seção 1

A derivada de uma função e regras de derivação


A derivada
para de uma função
a multiplicação e regras de derivação
e divisão
Nessa seção estudaremos conceitos relativos à derivada de funções. Aprendemos,
na unidade anterior, a calcular a derivada de uma função por meio de sua definição,
agora veremos como aplicar algumas técnicas para obter suas resoluções.

Além das técnicas, aprenderemos também algumas aplicações para elas e a


importância de compreender tais conceitos.

1.1 O Cálculo de Derivadas de funções


A derivada teve uma grande importância para o desenvolvimento da Matemática,
tendo ela alguns aspectos principais, entre eles, o geométrico, algébrico e
computacional.

Além de sua importância para a própria Matemática, esse conteúdo tem aplicações
na física, química, engenharia, tecnologia, ciências econômicas e várias outras.

Para conhecer mais a respeito da história da derivada desde sua


descoberta, acesse o seguinte link: http://www.joinville.udesc.br/
portal/professores/eliane/materiais/historia_calculo.pdf

A interpretação geométrica da derivada foi o principal impulso para seu


desenvolvimento, pois está relacionada ao coeficiente angular de uma curva em um
ponto e, também, com taxa de variação de uma função.

Nós estudamos a derivada como coeficiente angular da reta tangente que passa
por um ponto de uma curva na unidade anterior desse material impresso, mas
sempre é bom relembrar.

Cálculo de derivadas 67
U2

Vamos relembrar o que é o coeficiente angular de uma curva estudando


os links a seguir.

<http://www.youtube.com/watch?v=oLEsg0BPdik>.

<http://www.vestibular1.com.br/revisoes/matematica/aulas_
matematica/aula46.pdf>.

Como vimos nos materiais anteriores, o coeficiente angular de uma curva


está relacionado com a inclinação dela. Em uma função na qual o gráfico é uma
reta (função linear, constante e afim), o coeficiente angular é o mesmo em todos
os pontos (a inclinação é sempre a mesma), mas em funções com inclinações
diferentes, para cada ponto temos um coeficiente angular também diferente.

Com o estudo dos links anteriores, aprendemos a calcular o coeficiente angular


de uma reta de modo algébrico e, agora, retomaremos a definição de coeficiente
angular da reta tangente a uma curva em um ponto, como sendo uma derivada da
função em um ponto específico, no próximo Para saber mais.

Para aprender mais a respeito da derivada de uma função em um ponto


específico, estude os links abaixo.
<http://www.mat.ufmg.br/protem/Teste/Calc/der/RetaTan.html>.

<https://www.youtube.com/watch?v=AzqYhgmDWsE>.

<https://www.youtube.com/watch?v=2xqYJKVcb4Y>.

<https://www.youtube.com/watch?v=WcFfGlH02uI&index=11&list=PL9
18074FE0AD0458B>.

Você percebeu que a derivada nada mais é do que o limite de uma função
quando a distância entre estes dois pontos dessa função tende a zero?

Ao calcular este limite, obtemos a derivada da função em um ponto e, ainda, o


coeficiente angular da reta tangente que toca a função que queremos em apenas
um ponto.

68 Cálculo de derivadas
U2

No segundo link sugerido anteriormente e no final da unidade 1 desse material


impresso, você aprendeu a realizar o cálculo de uma derivada pela definição. Todas
as funções para as quais existe derivada em determinado ponto podem ser calculadas
pela definição, ou seja, aplicando o seguinte limite:

Vale lembrar que o cálculo desse limite será uma derivada, desde que ele exista; se
não existir em um determinado ponto, significa que não existe derivada nesse ponto,
mas pode existir em outros pontos da mesma função. Esse limite foi desenvolvido
a partir de variações, de modo similar ao que utilizamos para calcular o coeficiente
angular de uma reta. Vamos ver a figura 2.1 para compreender melhor.

Figura 2.1 | Interpretação geométrica da Derivada

Fonte: O autor (2015)

Nós calculamos o coeficiente angular de uma reta como sendo a variação na


variável dependente dividido pela variação na variável independente, no caso:

Em que m representa o coeficiente angular e h a variação entre um ponto e outro.


Como queremos calcular o coeficiente angular de uma reta tangente, sabemos que
essa reta não pode tocar em dois pontos, deste modo é preciso que a distância entre
os dois pontos que utilizamos para calcular a variação seja desprezível, ou seja, se
aproxime muito de zero.

Para isso, após realizar a possível operação no denominador, aplicamos o limite


com a distância h entre os pontos tendendo a zero, assim, obtemos:

Cálculo de derivadas 69
U2

Anteriormente, foi dito que para toda função que existe


derivada no ponto podemos calcular essa derivada por meio
da definição. Sabendo que a definição de derivada vem de
um limite, reflita a respeito de quando uma função não tem
derivada em um ponto.

Vejamos um exemplo para aprofundar nosso conhecimento a respeito do cálculo


de derivadas por meio da definição.

EXEMPLO:

Determine o coeficiente angular da curva y= 1 em qualquer ponto x = a, a ≠0.


x
Qual é o coeficiente angular no ponto x = -1? Em que ponto o coeficiente angular
é igual a -1 ?
4

REPOSTA:

Para responder os itens a e b é preciso determinar o coeficiente angular, e para


isso utilizamos . Substituindo f(x0+h) e f(x0) na função y= 1 , no ponto
x
a e realizando as simplificações, obtemos:

Calculando esse limite:

70 Cálculo de derivadas
U2

1 -1
Então, o coeficiente angular da curva y = x no ponto a, com a≠0, vale a2 .
Agora podemos responder aos itens do exemplo, para isso temos que substituir no
coeficiente angular (que chamaremos de m) o valor -1. Assim:

Deste modo, o coeficiente angular no ponto x = -1 nessa curva vale -1.


-1
Agora, substituímos m por 4 para saber o valor de x em que o coeficiente
angular tem o valor esperado:

-1 1
Sendo assim, a=2 ou a= -2. A curva tem coeficiente angular 4 nos pontos (2, 2 )
-1
e (2, 2 ).
Fonte: Thomas (2012, p.118)

Para saber mais a respeito do cálculo de derivadas por meio da definição,


estude: <http://wwwp.fc.unesp.br/~arbalbo/arquivos/derivadas.pdf>
(até a página 64)

<http://eaulas.usp.br/portal/video?idItem=2674>.

Nós já aprendemos que todas as funções que têm derivada em um ponto podem
ser calculadas por meio da definição, mas mesmo existindo a definição de derivada,
calcular algumas funções por meio dela pode ser muito trabalhoso e, por vezes,
complicado.

Com a intenção de facilitar nosso trabalho e porque matemáticos perceberam


regularidades de acordo com as funções e com suas derivadas, desenvolveram-se
técnicas de derivação, ou seja, modos de resolver derivadas sem utilizar a definição.
Vamos aprender a respeito delas.

Cálculo de derivadas 71
U2

1.2 Técnicas de derivação


No quadro a seguir, vamos aprender as técnicas, suas interpretações e exemplos
que com certeza nos ajudarão com as derivadas.

Quadro 2.1 | Técnicas de derivação

Função e sua derivada Interpretação


Derivada de uma função constante
Se f tem o valor constante f(x) = c, então
A derivada de uma função constante
é sempre zero.

Exemplos:

Regra da potência para inteiros positivos


Se n for um número inteiro positivo, então Essa regra é conhecida como a “regra do
tombo”, pois o expoente inteiro positivo desce
multiplicando a constante e a variável e subtrai
uma unidade do valor do expoente.

Exemplos:

Regra da potenciação
Se n for um número inteiro real, então
A interpretação dessa regra é a mesma que
a da anterior, porém, de modo geral, com o
expoente sendo um número real.
Para todo x em que as potências xn e nxn-1 forem
definidas.
Exemplos:

Regra da multiplicação da derivada por


uma constante A derivada de uma função que é multiplicada
Se v for uma função derivável de x, e c for uma por uma constante é a derivada da função vezes
constante, então: a constante.
(Perceba que já utilizamos essa regra em alguns
exemplos)

72 Cálculo de derivadas
U2

Exemplos:

Fonte: Do autor (2015)

Nós acabamos de conhecer algumas das regras de derivação que podemos


sempre aplicar e que facilitam na hora de resolver atividades e problemas, pois não
precisamos utilizar a definição. Quando a função envolve uma soma ou subtração
de parcelas, nós derivamos a primeira parcela, somamos ou subtraímos a segunda
parcela, e assim por diante.

As técnicas que estamos aprendendo vieram da definição de


derivadas. Como seria possível provar que essas técnicas são
realmente válidas? Reflita a respeito.

Vejamos exemplos do cálculo de algumas derivadas.

EXEMPLO: Calcule a derivada da função f(x) = x³ + 5x² - 6x +12.

Para resolver essa derivada, devemos utilizar as técnicas aprendidas anteriormente


e, como envolvem as operações de soma e subtração, devemos derivar cada uma
das parcelas, assim:

EXEMPLO: Calcule a derivada da função

Para resolver a derivada dessa função, é necessário organizar as parcelas, ou seja,


escrever a fração como um expoente fracionário e mudar o sinal da variável que está
no denominador para que ela fique no numerador, assim:

Cálculo de derivadas 73
U2

Agora que já organizamos a função, podemos utilizar as técnicas de derivação


para derivá-la.

Não podemos esquecer que existem


diferentes notações para representar
derivadas, algumas delas são:

Vamos treinar a aplicação dessas técnicas nas nossas atividades de aprendizagem.

1. Utilize as técnicas de derivação, calcule a derivada da função


f(x)= √x+12x-π e assinale a alternativa correta.
1√x
a. f'(x) = + 12 - 1
2

b. f'(x) = 1 + 12
2√x

c. f'(x) = 1 + 12 - 1
2√x

d. f'(x) = x + 12
2
e. f'(x) = 1
2√x

1. Utilize as técnicas de derivação, calcule a derivada da função


t(x)= -2 +5x2-ex e assinale a alternativa correta.
x4
a. t'(x) = 8 + 10x - ex
x5
b. t'(x) = 8 + 10x - ex
x3

74 Cálculo de derivadas
U2

c. t'(x) = 8 + 10x
x5

d. t'(x) = 8 + 10x
x3

e. t'(x) = 6 + 10x - ex
x5

Que tal conhecer mais algumas regras que serão de grande ajuda no nosso
estudo? Nos links a seguir, veremos como é possível calcular uma derivada sem a
necessidade de utilizar sua definição.

Técnicas de derivação
Para aprender mais a respeito das técnicas de derivação, veja mais
exemplos acessando os seguintes links:

<https://www.youtube.com/watch?v=DuGtJNuMh08>.

<http://wwwp.fc.unesp.br/~arbalbo/arquivos/derivadas.pdf>. (A partir
da página 64)

<http://www.pucrs.br/famat/silveira/calculoa/m2/3tecnicas.htm>.

<https://www.youtube.com/watch?v=WZnpYljB368&index=12&list=P
L918074FE0AD0458B>.

<http://ltodi.est.ips.pt/analise1/documentos/DERIVADAS/
FolhasRegrasDeriv.pdf>.

<http://www.matematiques.com.br/conteudo.php?id=553>.

<http://www.uff.br/webmat/Calc1_LivroOnLine/Cap10_Calc1.html>.

<https://www.youtube.com/watch?v=P4nYv6p8DQc&index=13&list=
PL918074FE0AD0458B>.

Ao estudar os links sugeridos, você teve contato com regras importantes para a
derivação, entre elas, a regra da soma e subtração de funções, mas nesses links você

Cálculo de derivadas 75
U2

aprendeu também sobre a regra derivada da multiplicação de funções e a regra da


derivada de divisão de funções.

Além disso, aprendemos algo muito importante também, que só existe derivada
em um ponto dado da função se nesse ponto ela for contínua. Acabamos de
associar o que aprendemos na unidade anterior com o que estamos aprendendo
nessa unidade.

Vamos aprofundar mais nosso conhecimento.

Se for derivar uma função que tenha a soma ou subtração de parcelas,


você deriva cada uma das parcelas separadamente, ou seja, a derivada da
soma e/ou subtração de funções é a soma e/ou subtração da derivada
das funções.
A derivada da multiplicação de funções NÃO é a multiplicação da derivada
das funções. Sempre para derivar multiplicação de funções você precisa
utilizar a seguinte fórmula:
d dv du
dx (uv) = u dx + v dx
Essa é a regra da derivada do produto.
A derivada da divisão de duas funções, NÃO é a divisão das derivadas.
Para derivar uma divisão, você sempre deve utilizar a fórmula:
du dv
d u v dx -u dx
=
dx v v2
Essa é a regra da derivada do quociente (divisão).

Para entender melhor as regras, podemos ler a regra da derivada do produto


como: copia a primeira função e deriva a segunda, mais copia a segunda função e
copia a primeira. Aplicando essa regra, já resolvemos a derivada.

Podemos também ler a regra da derivada do quociente como: copia o


denominador e deriva o numerador, menos, copia o numerador deriva o denominador
e o resultado, divide pelo denominador ao quadrado. Vejamos alguns exemplos.

EXEMPLO: Se h(x)=(2x-3)(3x-1), então a derivada dessa função é:

Para calcular a derivada dessa função, precisamos utilizar a regra do produto, pois
temos o termo (2x-3) vezes o termo (3x-1), assim:

76 Cálculo de derivadas
U2

Sendo assim, a derivada da função h(x)=(2x-3)(3x-1) é h' (x)=12x+7.

EXEMPLO: O valor de g' (1) da função g(x)=x2 ln(x) vale:

Calculando a derivada, aplicando a regra do produto de derivada de funções,


temos:

g(x)=x2 ln(x)

g' (x)=2x ln(x)+x

Substituindo na abscissa de valor 1, temos:

g' (1)=2.1.ln(1)+1=1

Lembre-se de que quando copiamos o x² e derivamos ln(x), obtemos como


resposta x² dividido por x, por isso obtivemos como resposta a variável x.

EXEMPLO: Derive a função

Para derivar essa função é necessário utilizar a regra do quociente


, assim:

Vamos praticar a aplicação dessas técnicas em nossa atividade de aprendizagem.

1. Utilize as técnicas de derivação, calcule a derivada da


função
x5-1
g(x)= e assinale a alternativa correta.
cos(x)-1

a. g'(x)= [sen(x)-1]5x4-(x5-1)[-sen(x)]
[cos(x)-1]2

Cálculo de derivadas 77
U2

b. g'(x)= -(x5-1)[-sen(x)]-[cos(x)-1]5x4
[cos(x)-1]2

c. g'(x)= (x5-1)[-sen(x)]-[cos(x)-1]5x4
[cos(x)-1]2
d. g'(x)= [cos(x)-1]5x4-(x5-1)[-sen(x)]
[cos(x)-1]2
e. g'(x)= -(x5-1)[-sen(x)]-[cos(x)-1]5x4
cos(x)-1

2. Utilize as técnicas de derivação, calcule a derivada da


função t(x)=ln(x).(3x+5) e assinale a alternativa correta.
3x + 5
a. t'(x)=3 ln(x)+
x
8
b. t'(x)=3 ln(x)+
x
3x + 5
c. t'(x)=ln(x)+
x
d. t'(x)=3 ln(x)+ 3x +5
e. t'(x)=ln(x)(3x +5) + 3x + 5

3. Utilize as técnicas de derivação, calcule a derivada da


função h(x) = x3 sen(x) e assinale a alternativa correta.
a. h'(x)= x3 cos(x)- 3x²sen(x)
b. h'(x)= x³cos(x) + 3x²sen(x)
c. h'(x)= x³sen(x) + 3x²cos(x)
d. h'(x)= 3x²sen(x) - x³cos(x)
e. h'(x)= 3x²cos(x) + 3x²sen(x)

78 Cálculo de derivadas
U2

Seção 2

A regra da cadeia e derivada de ordem superior


Nesta unidade, vamos aprender a calcular derivadas de funções compostas,
ou seja, aquelas que não podemos utilizar as regras de derivação anteriormente
aprendidas. A regra para essa derivação é conhecida como a regra da cadeia.

Além disso, aprenderemos que dependendo da aplicação não é possível resolvê-


la apenas derivando a função uma única vez, por isso derivamos mais de uma vez,
ou seja, realizamos uma derivada de ordem superior.

2.1 A regra da Cadeia e sua aplicação


Na seção anterior, aprendemos a utilizar algumas das técnicas de derivação, entre
elas, como podemos derivar funções que envolvem multiplicações e quocientes. Agora
que já conhecemos essas regras, vamos conhecer e aplicar uma regra muito importante,
chamada de regra da cadeia. Quando temos uma função composta, utilizamos para
realizar a derivada dessa função a regra da cadeia. A definição dessa regra é:

Se f(u) é derivável no ponto u =g(x) e g(x) é derivável em x, então a


função composta (f ° g)(x) = f(g(x)) é derivável em x e:
(f ° g)' (x)=f' (g(x)).g' (x)
Em outra notação, a notação de Leibniz, se y=f(u) e u =g(x), escrevemos
dy dy du dy
a regra da cadeia como: = . em que é calculada em u = g(x).
dx du dx du

Agora que você já conhece a regra da cadeia, vamos pensar um pouco a respeito.

Cálculo de derivadas 79
U2

Nós vimos que a regra da cadeia é utilizada para derivar


funções compostas. Reflita a respeito de como podemos
identificar quando uma função é ou não composta.

Vamos ver exemplos de como utilizar essa regra para realizar derivadas.

EXEMPLO: Calcule a derivada da função composta f(g(x))sendo f(g(x))= (2x+5)2.

Utilizamos a regra da cadeia e obtemos:

EXEMPLO: Calcule a derivada da função h(x) = cos(x²+5x).

A função h(x) = cos(x²+5x) é uma função composta, por isso devemos utilizar a regra
da cadeia para calcular sua derivada, assim:

LEMBRESE: A derivada da função t(x) = √(2x2+x+1)3 é:

Resolvendo a derivada temos:

Perceba que a função t(x) = √(2x2+x+1)3 também é uma função composta, por isso,
utilizamos a regra da cadeia para calcular sua derivada.

EXEMPLO: Calcule a derivada da função h(x)= e3x4+12 + ex.

A função h(x) tem um termo composto que é e3x4+12, por isso, nessa parte iremos
utilizar a regra da cadeia, assim:

Lembre-se de que a derivada da função y = ex é y’= ex.

80 Cálculo de derivadas
U2

EXEMPLO: Calcule a derivada da função y = (2x² + 5x)³.

Utilizando a regra da cadeia para derivar essa função, obtemos:

Para saber mais a respeito da regra da cadeia e também para aprender a utilizá-la,
vamos assistir a alguns vídeos e estudar alguns materiais.

Aprenda mais a respeito da regra da cadeia acessando os seguintes


links.

<https://www.youtube.com/watch?v=IQitdam5vi8&index=14&list=PL
918074FE0AD0458B>.

<https://www.youtube.com/watch?v=QUpDGyNOKZQ>.

<http://ecalculo.if.usp.br/derivadas/regras_cadeia/regra_cadeia.htm>.

<http://arquivos.unama.br/nead/graduacao/cesa/
administracao/1semestre/matematica/html/unidade2/aula3/unid2_
aula3.pdf>.

Com as técnicas que você aprendeu nessa seção, você é capaz de resolver a derivada
de inúmeras funções.

O que você aprendeu até nesse momento na unidade desse


material impresso? Nós tratamos de técnicas de derivação, não
é? O que você é capaz de falar a respeito delas? Quando usamos
uma ou outra? Pense a respeito e escreva um pequeno texto
relatando suas aprendizagens.

Vamos treinar a aplicação da regra da cadeia para a derivada de funções compostas


em nossa atividade de aprendizagem.

Agora que você já aprendeu a respeito das técnicas de derivação, vamos aprender
a respeito da repetição de derivadas, ou seja, a derivada de uma derivada, as conhecidas
derivadas de ordem superior.

Cálculo de derivadas 81
U2

2.2 Derivada de ordem superior


As derivadas de segunda ordem (a derivada de uma derivada) muito nos auxilia no
processo de representação gráfica de uma função, pois por meio do cálculo da derivada
de primeira ordem conseguimos verificar se a função é crescente ou decrescente
em um determinado intervalo I e com a derivada de segunda ordem verificamos se a
concavidade de uma função é voltada para cima ou para baixo.

1. Assinale a alternativa que apresenta a derivada da função


t(x)=(6x4+12x2)6.
a. t'(x)=6(6x4+12x2)5
b. t'(x)=6(24x3+24x)5
c. t'(x)=(24x3+24x)6
d. t'(x)=6(6x4+12x2)6 (24x3+24x)
e. t'(x)=6(6x4+12x2)5 (24x3+24x)

2. Assinale a alternativa que apresenta a derivada da função


g(x)=e√(3x+1).

3e√(3x+1)
a. g'(x)=
2√(3x+1)
3e√(3x+1)
b. g'(x)=
√(3x+1)
e√(3x+1)
c. g'(x)=
2√(3x+1)
e√(3x+1)
d. g'(x)=
√(3x+1)
3e√(3x+1)
e. g'(x)=
2

Vamos, agora, compreender melhor o que são derivadas de ordem superior (também
conhecidas como derivadas sucessivas, ou então derivadas de segunda ordem, terceira

82 Cálculo de derivadas
U2

ordem, e assim por diante).

DERIVADAS DE ORDEM SUPERIOR – DERIVADAS SUCESSIVAS


Seja f'a derivada de uma função f num intervalo aberto I que está contido ou
é igual ao conjunto dos números reais. Se f' é derivável nesse intervalo I podemos
considerar f'' como a derivada de f'no mesmo intervalo I.

A função f'' é chamada de derivada de segunda ordem da função f n intervalo I.

Vale lembrar que apenas existe a função de segunda ordem (f'') se a derivada
da função f (a função f') for derivável em um determinado intervalo de números,
sendo este intervalo contido ou igual ao conjunto dos números reais.

Não existem apenas as derivadas de segunda ordem. Se derivarmos uma


função que é a derivada de segunda ordem de uma função, obtemos a derivada
de terceira ordem. Se derivarmos uma função que é a derivada de terceira ordem
de uma função, obtemos a derivada de quarta ordem, e assim, sucessivamente,
quantas vezes nos interessar, ou for possível.

Nós denotamos, ou indicamos essas derivadas utilizando as seguintes notações:

- derivada de primeira ordem

- derivada de segunda ordem

- derivada de terceira ordem

E assim por diante. De forma generalizada, a representação das derivadas de


ordem superior são:

- derivada de ordem n,ou derivada n-ésima.

Na explicação das derivadas de ordem superior, você pode ler que poderíamos
realizar a quantidade de derivadas sucessivas que nos interessasse, ou então a quantidade
que fosse possível, vamos pensar um pouco a respeito disso.

Quais tipos de funções têm ordens infinitas de derivação e


quais tipos de funções têm ordens finitas de derivações. Quais
são as características dessas funções? Pense a respeito disso
antes de prosseguir seus estudos

Cálculo de derivadas 83
U2

Vamos ver o cálculo de alguns exemplos de derivada de ordem superior:

EXEMPLO: Calcule as derivadas de primeira, segunda e terceira ordem das funções:

a) f(x) = ln(1 - 2x)

b) h(x) = excos(x)

c) g(p) = p6-2p3
1 - 2x
d) t(x) =
x-5

RESOLUÇÃO DOS EXEMPLOS:

a) Derivada de primeira ordem de f(x) = ln(1 - 2x)


2
f'(x) =
2x - 1

Para realizar a primeira derivada da função f(x) é necessário aplicar a regra da cadeia.

Derivada de segunda ordem de f(x) = ln(1 - 2x)


4
f'(x) =
(2x - 1)2

Para calcular a derivada de segunda ordem da função f(x) é necessário aplicar a regra
do quociente para derivadas.

Derivada de terceira ordem de f(x) = ln(1 - 2x)


16
f'''(x) =
(2x - 1)3

Para calcular a derivada de terceira ordem da função f(x) é necessário aplicar a regra
do quociente para derivadas e também a regra da cadeia.

b) Derivada de primeira ordem de h(x) = excos(x)

h' (x)= ex cos(x)- ex sen(x)

Para realizar a primeira derivada da função h(x) é necessário aplicar a regra do produto
para derivadas.

Derivada de segunda ordem de h(x) = excos(x)

84 Cálculo de derivadas
U2

h'' (x)= - 2ex sen(x)

Para calcular a derivada de segunda ordem da função h(x) é necessário aplicar a regra
do produto para derivadas e também a propriedade da soma da derivada de funções.

Derivada de terceira ordem de h(x) = excos(x)

h''' (x)= -2ex sen(x)- 2ex cos(x)

Para calcular a derivada de terceira ordem da função h(x) é necessário aplicar a regra
do produto para derivadas.

c) Derivada de primeira ordem de g(p) = p6-2p3

g' (x)= 6p5-6p2

Para realizar a primeira derivada da função g(x) é necessário aplicar a propriedade da


subtração de derivada de funções.

Derivada de segunda ordem de g(p) = p6-2p3

g'' (x)= 30p4 - 12p

Para calcular a derivada de segunda ordem da função g(x) é necessário aplicar a


propriedade da subtração de derivada de funções.

Derivada de terceira ordem de g(p) = p6 - 2p3

g''' (x)= 120p3 - 12

Para calcular a derivada de terceira ordem da função g(x) é necessário aplicar a


propriedade da subtração de derivada de funções.
1 - 2x
d) Derivada de primeira ordem de t(x) =
x-5
9
t'(x) =
(x - 5)2

Para realizar a primeira derivada da função t(x) é necessário aplicar a regra do


quociente para derivadas.
1 - 2x
Derivada de segunda ordem de t(x) =
x-5
18
t''(x) =
(x - 5)3

Cálculo de derivadas 85
U2

Para calcular a derivada de segunda ordem da função t(x) é necessário aplicar a regra
do quociente para derivadas.
1 - 2x
Derivada de terceira ordem de t(x) =
x-5
54
t'''(x) =
(x - 5)4

Para calcular a derivada de terceira ordem da função t(x) é necessário aplicar a regra
do quociente para derivadas e também a regra da cadeia.

1. A função que é a derivada de terceira ordem da função g(x)=


(x - 3) é:
(x + 1)
24
a. g'''(x) =
(x + 1)3

b. g'''(x) = (x + 1) 4
3

(x + 1)
8
c. g'''(x) =
(x + 1)4
3
d. g'''(x) =
(x + 1)4
24
e. g'''(x) =
(x + 1)4

Agora que aprendemos mais a respeito das derivadas de ordem superior, vamos
aprofundar nosso conhecimento a respeito desse assunto.

Estude os materiais a seguir para saber mais sobre derivadas de ordem


superior.
<http://www.ifba.edu.br/dca/Corpo_Docente/MAT/EJS/CALCULO_1_
DERIVADA_PARTE_II_E_III.pdf>.

86 Cálculo de derivadas
U2

Agora vamos ver uma aplicação para a derivada de segunda ordem, a concavidade
de funções.

2.3 Concavidade do gráfico


Com a utilização da derivada de segunda ordem nós conseguimos averiguar se a
concavidade de um gráfico é voltada para cima ou para baixo. Vamos conhecer um
teorema.

Teorema. Sendo f(x) derivável duas vezes nos pontos do intervalo aberto I,

1. Se f”(x) > 0 para todo x pertencente I, a curva y = f(x), tem concavidade voltada
para cima no intervalo I.

2. Se f”(x) < 0 para todo x pertencente a I, a curva y = f(x) tem concavidade


voltada para baixo no intervalo I.

3. Se f’’(x) = 0 em um x pertencente a I, essa coordenada x pode ser a coordenada


do ponto de inflexão do gráfico.

Vamos aprender mais a respeito da concavidade de uma curva estudando os


seguintes links.

Estudando os conteúdos dos links a seguir, você vai aprender ainda


mais a respeito das derivadas implícitas.
<http://livresaber.sead.ufscar.br:8080/jspui/
bitstream/123456789/1075/2/No%C3%A7%C3%B5es%20de%20
C%C3%A1lculo%20Diferencial_Desenhando%20gr%C3%A1ficos%20
de%20fun%C3%A7%C3%B5es_4-2_Jo%C3%A3o%20Carlos%20
Vieira%20Sampaio.pdf>

Vejamos alguns exemplos de aplicação de derivada de segunda ordem para verificar


a concavidade de uma função.

EXEMPLO: Verifique se nos intervalos da função ela tem


concavidade voltada para cima ou para baixo.

Para conseguir resolver esse problema é necessário derivar uma primeira vez e igualar
a zero para verificar os intervalos dessa função, assim:

Cálculo de derivadas 87
U2

Igualando a primeira derivada a zero temos 3x²-3x-6=0, utilizando um método para


resolver equações do segundo grau, obtemos como raízes da função -1 e 2. Assim
podemos afirmar que essa função tem o intervalo de (-∞,-1),(-1,2) e (2,∞).

Para verificar se nesses intervalos o gráfico da função tem concavidade voltada para
cima ou para baixo, é preciso utilizar a derivada de segunda ordem e substituir a variável
independente por um valor que pertença a cada um dos intervalos, assim:

f''(x)= 6x-3

I) Substituir x na segunda derivada por um valor pertencente ao intervalo (-∞,-1), assim:


f"(-2)= 6(-2)-3= -12-3=-15, como a segunda derivada no ponto foi negativa, significa que
esse intervalo tem concavidade voltada para baixo.

II) Substituir x na segunda derivada por um valor pertencente ao intervalo (-1,2) ,


assim: f"(0)= 6(0)-3= 0-3=-3, como a segunda derivada no ponto foi negativa, significa
que esse intervalo tem concavidade voltada para baixo.

III) Substituir x na segunda derivada por um valor pertencente ao intervalo (2,∞), assim:
f"(3)= 6(3)-3= 18-3=15, como a segunda derivada no ponto foi positiva, significa que esse
intervalo tem concavidade voltada para cima.

Na próxima seção dessa unidade, vamos aprender a derivar funções implícitas


e também mais aplicações para a derivada e para as derivadas de ordem superior na
realização de otimização de funções.

Bons estudos!

88 Cálculo de derivadas
U2

Seção 3

Derivadas implícitas e otimização de funções


Nesta seção, estudaremos procedimentos para realizar a derivação de funções
que não podem ser escritas facilmente como f(x) = y. Essas derivadas são chamadas
de derivadas implícitas.

Além das derivadas implícitas aprofundaremos o nosso conhecimento nos testes


das derivadas para aprender sobre a otimização das funções.

3.1 Aplicação de derivadas


Nas seções anteriores, nós estudamos a derivada de funções descrita por leis de
formação em que a variável dependente era escrita em termos da variável independente.
Agora, nessa seção, vamos começar a nos preocupar com funções em que não
conseguimos fazer isso facilmente.

Vamos pensar na função xy+1=2x-y, ela está escrita de forma implícita, mas realizando
algumas operações algébricas nós conseguimos escrevê-la de forma explícita, vejamos:

2x - 1
Sendo assim, a função xy+1=2x-y pode ser escrita como y=
x+1

Você sabe o que significa as palavras implícita e explícita? Reflita


a respeito e se ficar em dúvida, que tal procurar um dicionário?
A compreensão do significado dessas palavras pode te ajudar a
entender melhor o conceito de derivação implícita.

Cálculo de derivadas 89
U2

Vamos ver como podemos realizar a derivada de uma função de forma implícita.

Exemplo: Derive implicitamente a função xy+1=2x-y.

Para derivar a função implicitamente é necessário derivar cada um dos lados da


equação, assim:

Nós precisamos compreender y como uma função, assim, xy é uma função x


vezes uma função y (deste modo, para derivar a função xy nós utilizamos a regra
do produto para a derivada), e como y é uma função, mas não explicita, nós
representamos a derivada de y como dy , ou então y’.
dx
Vamos para a primeira etapa da resolução da derivada implícita dessa função. Para
facilitar a compreensão irei derivar separadamente o primeiro termo da equação e o
segundo termo da equação e depois igualá-los. Assim:

Perceba que aqui foi utilizada a regra do produto e


que quando derivamos a função representada por y indicamos a derivada com dy .
dx

Vamos derivar o segundo termo da equação, que estamos derivando


implicitamente.

Nesse termo não precisamos utilizar nenhuma regra, apenas a propriedade da


subtração da derivada de funções.

Igualando os dois termos, obtemos:

As técnicas de derivadas já foram aplicadas, agora é só isolar o termo dy , que


dx
indica a derivada que estamos buscando, portanto:

perceba que colocamos dy em evidência para poder isola-lo


dx
no próximo passo.

90 Cálculo de derivadas
U2

Sendo assim, a derivada implícita da função xy+1=2x-y é

Perceba que as regras utilizadas para realizar a derivada de funções implícitas são
as mesmas utilizadas para a derivada de funções escritas na forma explícita.

Vamos a mais alguns exemplos de derivadas de funções implícitas.

EXEMPLO: Calcule a derivada implícita da função y4+x2 y3=12x2.

Com a intenção de auxiliar na compreensão, derivarei cada um dos termos


separados antes de igualar cada uma.

Função Derivada Justificativa


Para derivar a função y4 utilizamos a regra cadeia,
lembrando que y pode ser considerado como
y4
uma função que não conseguimos expressar em
termos de x.
Para derivar x2 y3 é preciso utilizar a regra do
x2y3
produto.
A função 12x² é uma função polinomial que de-
12x2 24x
pende da variável x.

Agora podemos organizar as derivadas e isolar


dy
. Assim:
dx

Vamos colocar em prática o que você aprendeu realizando a atividade de


aprendizagem.

Cálculo de derivadas 91
U2

1. Assinale a alternativa que apresenta a derivada da função y²


= x² + sen(xy)

a. dy = ycos(xy)
dx 2y-xcos(xy)

b. dy =2x+ysen(xy)
dx 2y-xcos(xy)

c. dy =2x+ycos(xy)
dx 2y-xcos(xy)

d. dy =2x+ycos(xy)
dx -xcos(xy)

e. dy =2x+ycos(xy)
dx 2y-cos(xy)

Antes de continuar nossos estudos, vamos refletir.

Antes de continuar o nosso estudo, vamos pensar a respeito


de uma questão. Será que todas as equações definidas de
forma implicitamente podem definir uma função?

E aí, a qual conclusão você chegou? Vamos pensar juntos agora. Pense na
equação implícita 3x2+y2+5=0, ela define uma função?Se sua resposta foi não,
você está correto. Vejamos o que acontece quando tentamos escrever uma função
explicita por meio dessa equação:

Perceba que não existe um número pertencente ao conjunto dos números reais
que faça com que essa igualdade seja verdadeira, pois, para qualquer valor de x,
teremos uma raiz quadrada de número negativo e esse tipo de raiz não existe nos
números reais.

92 Cálculo de derivadas
U2

Vamos ver mais um exemplo a respeito de derivadas implícitas.

EXEMPLO

Determine o coeficiente angular do círculo x2+y2=25 no ponto (3,-4).

Solução

O círculo x2+y2=25 não é o gráfico de uma única função x,e sim combinação dos
gráficos de duas funções deriváveis, .O ponto (3,-4) está
no gráfico de y2=-√25-x2, portanto podemos determinar o coeficiente angular pelo
cálculo direito da derivada usando a regra da cadeia para potências.

Para resolver esse problema, nós escrevemos a função implícita de forma explicita
e depois realizamos a derivada, mas vejamos como ficaria se nós calculássemos a
derivada da função implícita x2+y2=25. Teríamos:

Percebam que para derivar y2 nós utilizamos a regra da cadeia. Isolando dy


dx
obtemos:

O problema pede o coeficiente angular do círculo no ponto (3, -4). Substituindo


estes valores temos:

dy2
Observe que, diferentemente da fórmula do coeficiente angular para dx
, que se
aplica apenas a pontos abaixo do eixo x, a fórmula se aplica a qualquer
ponto do círculo que apresente um coeficiente angular. Observe também que a
derivada envolve ambas as variáveis x e y, e não apenas a variável independente x.

Fonte: Adaptado de Thomas (2012)

Cálculo de derivadas 93
U2

Percebeu que para realizarmos derivadas de funções definidas implicitamente


nós tratamos y como uma função derivável implícita de x e aplicaremos as regras
usuais para derivar os dois lados da equação. Isso é muito importante!

DERIVAÇÃO IMPLÍCITA

Para derivar uma função definida de forma implícita, derivamos os dois lados da
equação em relação a x, considerando y como uma função derivável de x.

Na sequência, agrupamos os termos que contêm dy em um lado da equação e,


dx
assim, determinamos dy .
dx

Vamos aprofundar nosso conhecimento a respeito de derivadas implícitas.

Para aprender mais a respeito de derivadas implícitas, estude:

<http://www.uff.br/webmat/Calc1_LivroOnLine/Cap12_Calc1.
html#XII-2_DiferenciacaoImplicita>.

<http://mtm.ufsc.br/~azeredo/calculos/Acalculo/x/listas/implicexer/
implexer.html>.

<http://wwwp.fc.unesp.br/~arbalbo/arquivos/
derivadaimplicitaediferenciais.pdf>.

Vejamos outro exemplo de derivada de função implícita.

EXEMPLO

Derive a dy se y2=x2+ sen(xy)


dx

Solução. Derivamos a equação implicitamente

sen(xy) derivamos os dois lados em relação a x

94 Cálculo de derivadas
U2

Resolvemos a derivada de xy utilizando a regra do produto

Agrupamos os termos com dy


dx

3.2 A Derivada e taxas relacionadas


Quando nós temos uma função em que a cada instante t (do intervalo de tempo
durante o qual se desenvolve o movimento) existe uma associação ao número s(t),
podemos chamar essa função de função posição, ou então, como é conhecida na
física, função horária do movimento.

Se derivarmos uma função que descreve a posição de uma partícula, nós obtemos
uma função que descreve a velocidade dessa partícula.

Vamos ver um exemplo dessa situação:

EXEMPLO:

A função horária do movimento de uma partícula é dada por s(t)=(t2-t) ln(t). Calcule
a velocidade escalar nos instantes:

Resolução: Temos

Sendo assim, a função velocidade é v(t)=(2t-1) ln(t)+t-1

a) Fazendo t = 1 , vem
2

Cálculo de derivadas 95
U2

Ou seja, no instante t = 1/2 a velocidade dessa partícula é de - 1 m/s, logo, a partícula


2
esta diminuindo a velocidade.

b) Fazendo t =1, vem

Logo, no instante t = 1 a velocidade dessa partícula é nula.


Fonte: Adaptado de Boulos (1999)

Como vimos no exemplo anterior, apenas com a aplicação da derivada de uma


função posição encontramos a função velocidade. Por meio dessa função velocidade é
possível determinar a velocidade da partícula em qualquer instante.

Se ao derivarmos uma função posição nós calculamos a


função velocidade, o que você acha de encontramos ao
derivar a função velocidade?
Pense a respeito antes de prosseguir seus estudos.

Agora que você já refletiu a respeito da derivada da velocidade, será que você chegou
à conclusão correta? Lá vai a resposta, quando derivamos uma função velocidade,
calculamos a função aceleração.

Mas as taxas relacionadas não são apenas com a posição, velocidade e aceleração.
Vamos conhecer mais uma taxa. Quando derivamos uma função que representa a
massa de algo, obtemos a densidade (linear) deste objeto.

Quando temos uma função V(t) é o volume de um líquido despejado em um


recipiente até o instante t, então a taxa de variação do volume do líquido, obtido por
meio da derivada da função volume, é o que chamamos de vazão.

Vamos ver mais um exemplo:

EXEMPLO:

Uma torneira lança água em um tanque. O volume de água nele, no t, é dado por
V(t)=5t3+3t litros, t sendo dado em minuto. Calcule a vazão da água, no instante t = 3
minutos.

96 Cálculo de derivadas
U2

Resolução:

A vazão é dv . Temos:
dt

Logo, a vazão para t = 3 é:

Fonte: Boulos (1999)

Por meio das derivadas podemos também calcular o que chamamos de funções
marginais. As funções marginais são as derivadas de funções que descrevem a receita, o
lucro ou custo de uma empresa.

Vamos ver mais um exemplo a respeito dessa aplicação das derivadas.

EXEMPLO:

A equação de demanda para certo produto é p=13-x-2x2, e o custo para produzi-lo é


dada pela função custo C(x)=4x+ 1 x2. Pede-se:
2
- A função custo marginal para uma unidade.

- A função receita marginal.

- O lucro marginal para uma unidade.

Resolução:

O custo marginal de uma função é obtido por meio da derivada da função custo,
assim:

O problema pede o custo marginal para uma unidade, deste modo:

Portanto, o custo marginal para a produção de uma unidade é de 5.

A receita marginal é dada pela derivada da função receita. A função receita é obtida
pela multiplicação da demanda pela quantidade de unidades, no caso desse exemplo,
representada pela letra x, logo:

Cálculo de derivadas 97
U2

Derivando a função receita, obtemos:

A receita marginal dessa empresa com a venda de x unidades é descrita pela função
Rmg (x)= 13-2x-6x2

A função lucro é dada pela função receita menos a função custo, desta forma, o
lucro dessa empresa é descrito pela função:

Como o problema pede o lucro marginal, nós precisamos derivar a função lucro.

Essa é a função que descreve o lucro marginal dessa empresa. Como queremos o
lucro marginal para uma unidade, necessitamos substituir x por 1, e assim:

Ou seja, o lucro marginal é nulo para uma única peça.

E o que podemos falar a respeito das taxas de variação com relação a uma área?
Com certeza, você já pensou na derivada, já começamos a compreender que, ao derivar
uma função, obtemos uma taxa relacionada.

Vamos aprender mais a respeito da taxa relacionada à variação da área.


<https://www.youtube.com/watch?v=H6K7ztY0eGc>.

O livro do autor George B. Thomas (2012, p.186) traz um quadro síntese a respeito
de estratégias para problemas de taxas relacionadas. Que tal conhecer essa estratégia?

- Desenhe uma figura e identifique as variáveis e as constantes. Use t para tempo.


Suponha que todas as variáveis sejam funções deriváveis de t.

- Anote informações numéricas (em termos dos símbolos que você escolheu).

98 Cálculo de derivadas
U2

- Anote aquilo que você deve determinar (geralmente uma taxa, expressa em forma
de derivada).

- Escreva uma equação que relacione as variáveis. Talvez você precise combinar
duas ou mais equações para obter uma única (esse foi o caso do nosso exemplo
anterior), que relacione as variáveis cuja taxa você quer descobrir com as variáveis
cujas taxas você conhece.

- Derive em relação a t. Em seguida, expresse a taxa que você quer em termos de


taxas e variáveis cujos valores você conhece.

- Calcule. Use os valores conhecidos para determinar a taxa desconhecida.

Essa estratégia não é válida só para esse tipo de problemas, podemos utilizá-las em
problemas que envolvem a otimização de funções, uma aplicação muito importante
para das derivadas e seguir a estratégia apresentada anteriormente, pode ajudar bastante.

Nós conhecemos a respeito das aplicações de derivadas, porém ainda temos muito
que aprender. E para isso vamos saber mais.

Assista aos vídeos e estude os arquivos sugeridos para aprofundar seu


conhecimento a respeito das derivadas.

<https://www.youtube.com/watch?v=tX9JQeWFUQk>.
<https://www.youtube.com/watch?v=uuvEF4VQf90>.
<http://acessibilidade.bento.ifrs.edu.br/oa-04-html.php>.
<http://www.dm.ufscar.br/~sampaio/calculo1_aula14.pdf>.
<http://anotacoesdeaula.wordpress.com/2011/03/21/bc0402-
interpretacoes-da-derivada-tangente-taxa-de-variacao-taxas-
relacionadas/>.

Uma das aplicações para as derivadas é a otimização de funções e a partir desse


momento iremos estudar esse assunto. Otimizar uma função que descreve uma
situação significa encontrar um número que faça com que a função atinja seu maior ou
seu menor valor.

Para calcular esses valores que otimizam uma função, muitas vezes, precisamos
calcular os pontos máximos ou mínimos dessa função e fazemos isso utilizando os
testes das derivadas (teste da primeira derivada e da segunda derivada). Vejamos alguns
materiais relacionados a esses testes.

Cálculo de derivadas 99
U2

Vamos aprender a respeito dos testes das derivadas, estudando os


conteúdos dos links a seguir.

<http://pessoal.sercomtel.com.br/matematica/superior/maxmin/mm01.htm>.
<http://pessoal.sercomtel.com.br/matematica/superior/maxmin/mm02.htm>.
<http://pessoal.sercomtel.com.br/matematica/superior/maxmin/mm03.htm>.
<http://pessoal.sercomtel.com.br/matematica/superior/maxmin/mm07.htm>.
<https://www.youtube.com/watch?v=KL08c3aow38>.
<https://www.youtube.com/watch?v=tkWUCUB-rCY>.
<https://www.youtube.com/watch?v=Ir4cZNfyZ70>.

Como podemos ver nos arquivos sugeridos, existem dois testes para as derivadas
que possibilitam o cálculo de pontos de máximo e pontos de mínimo. Na sequência
será apresentado um quadro síntese destes testes e de como aplicá-los.

Teste da derivada Como aplicar


Teste da Primeira Derivada
Para aplicar o teste da primeira derivada é preciso
calcular o ponto crítico. Suponha que c seja o Para utilizar o Teste da primeira Derivada, o
ponto crítico da função contínua f, e que f seja primeiro passo é encontrar o(s) extremo(s) da
derivável em qualquer ponto do intervalo que função, o valor que chamamos na coluna ao
contém c, exceto talvez no próprio c. Se nos lado de c. Para calcular o valor de c, primeiro
deslocarmos neste intervalo da esquerda para a resolvemos a derivada da função e depois
direita: igualamos essa derivada a zero.
Quando igualamos a zero, passamos a ter uma
i) Se f’ passa de negativa para positiva, então f equação. A solução dessa equação é/são o(s)
possui um ponto de mínimo em c; ponto(s) críticos(s) da função.
ii) Se f’ passa de positiva para negativa, então f Para saber se esse extremo é ponto de máximo,
possui um ponto de máximo em c; mínimo ou nenhum dos dois, analisamos os
i) Se f’ não muda de sinal, ou seja, f’ continua sinais da derivada em pontos menores do que
positiva ou negativa nos dois lados da vizinhança valor de c e em pontos maiores que o valor de c.
de c, então c não é ponto de máximo nem de
mínimo.
Para a aplicação deste teste, utilizamos os
Teste da Segunda Derivada
mesmos procedimentos iniciais do teste da
Se f é uma função que podemos derivar duas
primeira derivada, ou seja, derivamos a função,
vezes em um intervalo determinado e c é um
igualamos sua derivada a zero e calculamos a raiz
extremo, então:
dessa equação.
i) Se f’(c)=0 e f”(c)<0, então f tem um máximo
Mas na sequência não necessitamos analisar
em x=c.
a vizinhança do ponto c. Iniciamos o teste da
ii) Se f’(c)=0 e f”(c)>0, então f tem um mínimo
segunda derivada.
em x=c.
Para isso calculamos a segunda derivada (a
i) Se f’(c)=0 e f”(c)=0, então este teste falhou.
derivada da derivada), depois disso substituímos
A função f pode ter um máximo, mínimo ou
a variável pelo valor de c. As únicas possibilidades
nenhum dos dois.
para os valores de f”(c) são as descritas na coluna
ao lado.

100 Cálculo de derivadas


U2

Reflita a respeito dos testes apresentados anteriormente e


construa uma interpretação geométrica para eles. Ao fazer isso,
ficará claro o motivo pelo qual esses testes funcionam para todas
as funções deriváveis em um determinado intervalo.

Os pontos de máximo ou mínimo de uma função são os pontos que a otimizam, por
exemplo, se uma função descreve o custo do material utilizado para a construção de
algo, ao calcular o ponto de máximo e mínimo dessa função obtemos os valores para
os quais este custo será máximo e mínimo.

Minha sugestão para que você aprofunde seu conhecimento referente à otimização
de funções é:

<http://obaricentrodamente.blogspot.com.br/2010/03/aplicacao-de-
derivada-para-determinacao.html>.
<http://www.explicamat.pt/explicacoesonline12ano/mat_12_
periodo2/otimizacao_derivadas_p1.html>.
<https://www.youtube.com/watch?v=umNp2C5Zi9w>.

Os materiais anteriores apresentaram algo a respeito da teoria de otimização e


também exemplos. Vamos ver a resolução de um problema de otimização, assim como
a explicação de suas etapas.

Problema e resolução Etapas


Para resolver problemas de otimização, você
Uma caixa sem tampa será construída recortando- precisa:
se pequenos quadrados congruentes dos cantos Ler o problema com atenção. Fazer um esquema
de uma folha de estanho que mede 12 X 12 cm, mental para compreender o que é solicitado.
e dobrando-se os lados para cima. Que tamanho Dependendo da situação, desenhar o que se
os quadrados das bordas devem ter para que a pede; Introduzir variáveis para as informações
caixa tenha sua capacidade máxima? que não possui; Calcular os pontos críticos e
aplicar os testes das derivadas.

Cálculo de derivadas 101


U2

Resolução
Esse problema busca o volume máximo para O volume foi calculado multiplicando as três
caixa, no caso, o volume pode ser representado dimensões da caixa x (que é o valor do lado dos
como: quadrados cortados, sendo assim, é a altura da
V(x)=x(12-2x)2=144x-48x2+4x3 caixa), 12 -2x (que são a medida da largura e do
V' (x)=144-96x+12x2 comprimento da caixa, por este motivo está ao
Igualando a derivada da função a zero e quadrado, foi multiplicado duas vezes).
calculando suas soluções temos: Aqui começa o cálculo para descobrir o valor dos
144-96x+12x2=0 pontos críticos da função.
x1=2 e x2=6 Quando igualamos a derivada a zero, tivemos
As raízes da equação são 2 e 6, ou seja são os uma equação do segundo grau, que Pode ser
pontos críticos da função. resolvida utilizando a fórmula de Bháskara, soma
Aplicando o teste da segunda derivada temos: e produto, ou fatoração.
V" (x)=-96+24x As respostas dessa equação são os pontos
Substituindo x pelos valores dos pontos críticos, críticos da função.
temos: Após ter os pontos críticos, calcula-se a segunda
V" (6)=-96+24.6=48 derivada.
Ou seja, V" (6)>0, sendo assim, 6 é um ponto de No resultado da segunda derivada, substituímos
mínimo. a variável (no caso x) pelos valores dos pontos
V" (2)=-96+24.2=-48 críticos.
Ou seja, V" (2)<0, sendo assim, 2 é um ponto de Após obter os resultados números verificamos se
máximo. a segunda derivada é positiva, negativa ou nula.
Resposta: Para que essa caixa tenha a maior Se ela for positiva, o ponto crítico é ponto de
capacidade, os lados dos quadrados recordados mínimo; se for negativa, o ponto crítico é ponto
devem medir 2 cm. de máximo; se for nula, o teste foi inconclusivo.

Vejamos mais um exemplo de otimização de funções.

EXEMPLO: Uma indústria deseja fabricar um tambor fechado na forma de um


cilíndro circular reto. Se a área total da superfície do tambor é fixada em 36π dm2, o
volume máximo desse tambor pode ter, em dm3, igual a:

SOLUÇÃO: Para resolver essa questão é necessário utilizar as regras das derivadas,
para calcular as dimensões do cilindro, para as quais este tenha o volume máximo.

A área total do cilindro é dada por At=2πr2+2πrh e o problema diz que essa área total
é de 36π, logo:

2πr2+2πrh= 36π

Isolando h, temos:

O volume do cilindro é dado por V= Ab.h, substituindo o valor de h, temos:

102 Cálculo de derivadas


U2

Para calcular as dimensões que tornam o volume máximo, é necessário aplicar o


teste da primeira e segunda derivada, assim:

Calculando o valor o(s) ponto(s) críticos da função temos:

Aplicando o teste da segunda derivada, veremos se r=√6 é o raio para o qual o cilindro
terá o volume máximo. Assim:

V''=- 6πr

Se r=√6, então:

V''=- 6π√6<0

Logo r=√6 é um ponto de máximo.

Sabendo o valor do raio desse cilindro, nós podemos calcular a altura que faça com
que o cilindro tenha o volume máximo.

Calculando o volume máximo temos:

Para facilitar a compreensão desse exemplo, lembre-se de que a planificação de um


cilindro são círculos nas bases e um retângulo.

Exercite o que você aprendeu com a próxima atividade de aprendizagem.

Cálculo de derivadas 103


U2

1. Dentre todos os retângulos de perímetro iguais a 48 cm,


quais devem ser as medidas da largura e do comprimento
respectivamente para que sua área seja a máxima possível?

a) 18 cm e 14 cm
b) 15 cm e 17 cm
c) 12 cm e 12 cm
d) 10 cm e 22 cm
e) 9 cm e 23 cm

Os conteúdos dessa unidade chegam ao fim, mas agora é vez de praticar. Vamos
relembrar o que aprendemos no Fique ligado e realizar algumas atividades.

Nesta unidade, você aprendeu:

- Que é possível utilizar técnicas para o cálculo de derivadas e


assim não precisa utilizar a definição de derivada.

- Existe uma fórmula para derivar funções que envolvem o produto


de termos e outra fórmula para derivar funções que envolvem o
quociente de termos.

- Para as funções compostas devemos utilizar a regra da cadeia.

- A derivada de uma função em um ponto é o coeficiente angular


da reta tangente a curva nesse ponto.

- A derivada pode ser entendida como uma taxa relacionada.

- Com o teste da primeira derivada podemos definir em quais


intervalos das funções são crescentes e quais são decrescentes.

- Com o teste da segunda derivada podemos definir quais são


os pontos de máximo ou de mínimo de uma função e em quais

104 Cálculo de derivadas


U2

intervalos a função tem concavidade voltada para cima e em quais


intervalos têm concavidade voltada para baixo.

- Função das quais não é possível escrevê-las de forma explicita, é


possível derivar de forma implícita, utilizando técnicas similares às das
funções explícitas.

- Uma aplicação para os testes das derivadas é a otimização de


funções.

Quantas coisas foram possíveis aprender nessa unidade, não é? Faça


um pequeno texto relatando suas aprendizagens.

Na próxima unidade deste material impresso daremos continuidade


ao nosso estudo relacionado às derivadas, mas estudaremos as
funções que envolvem mais de duas variáveis, bem como sequências
convergentes e divergentes.

Com a intenção de aprofundar o conhecimento a respeito do que


estudamos, participe do fórum de discussão e continue tendo bons
estudos.

A unidade 2 desse material impresso foi elaborada com a intenção


de auxiliar na aprendizagem de conceitos muito importantes
para você como futuro(a) professor(a).
Os conceitos trabalhados nessa unidade são a base do que
chamamos de Cálculo Moderno e dão base para estudos
sequentes, por exemplo, o cálculo de integrais, que são utilizadas
para o cálculo da área e de volumes, bem como diversas outras
aplicações.
É muito importante, para aprofundar sua aprendizagem, que você
faça as leituras sugeridas, resolva as atividades de aprendizagem,
participe do fórum e também, se possível, vá a uma biblioteca e
estude os materiais que compõem a bibliografia dessa unidade.
Para aprender conceitos matemáticos, o treino é muito
importante, então faça as atividades de aprendizagem da
unidade com bastante atenção. Bons estudos!

Cálculo de derivadas 105


U2

1. Se conhecermos a lei de formação de uma função é


possível estabelecer a lei de formação de uma reta tangente
a um ponto dessa função. Se a função f(x)= x2-2x+1 descreve
o movimento de um projétil, a lei de formação da reta
tangente a f(x) em x=2 é:
a) g(x) = 3x - 2
b) g(x) = 2x - 3
c) g(x) = 3x + 3
d) g(x) = 2x + 3
e) g(x) = x – 1

2. As técnicas de derivação auxiliam no processo do cálculo


de derivadas sem a necessidade da aplicação da definição.
Aplicando essas técnicas é possível afirmar que a derivada da
função 22 +cos(e2x) é:
x

3. A derivada implícita da função definida por xe(x2+y2)=5 é:

106 Cálculo de derivadas


U2

5. Um reservatório de água está sendo esvaziado para


a limpeza. A quantidade de água nesse reservatório, em
litros, t horas após o escoamento ter começado é dada por
V(t)=50(80-t)2. Qual a vazão da água desse reservatório após
oito horas do inicio do escoamento?
a) - 1800 l/h
b) - 3600 l/h
c) - 7200 l/h
d) – 10400 l/h
e) – 20800 l/h

Cálculo de derivadas 107


U2

108 Cálculo de derivadas


U2

Referências

THOMAS, George B. Cálculo I. 12. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012.
BOULOS, Paulo. Cálculo Diferencial e Integral. São Paulo: Makron Books, 1999.

Cálculo de derivadas 109


3
Unidade 4

EQUAÇÕES DIFERENCIAIS,
INTEGRAIS E INTEGRAIS
MÚLTIPLAS
Keila Tatiana Boni

Objetivos de aprendizagem:
Nesta unidade trazemos uma discussão de conceitos fundamentais
relacionados às informações que você já obteve nos capítulos anteriores,
sobretudo com relação a uma quantidade expressa por uma função no
caso de se conhecer sua taxa de variação (derivada). É a partir desse estudo
já realizado, bem como do cálculo de áreas e volumes, que introduzimos o
conceito de integral e suas técnicas de cálculo.
Vamos, ainda, nesta unidade, estudar um dos tópicos da Matemática
mais usados na resolução de determinados problemas de Engenharia e de
Ciências: as equações diferenciais.
Todas essas abordagens têm por objetivo levar você, estudante, a se
apropriar de conhecimentos mínimos que são considerados essenciais
aos estudos no campo do Cálculo Diferencial e Integral, se constituindo,
portanto, em um ponto de partida para que você busque um conhecimento
mais amplo e aprofundado sobre o assunto.

Seção 1 | Integrais, técnicas de integração e integrais


definidas
Nesta seção você conhecerá um novo conceito: o de integrais. Tal
conceito pode ser basicamente compreendido como a ação inversa da
derivada, objetivando, por meio do desenvolvimento de estratégias e
técnicas, recuperar informações sobre uma quantidade expressa por uma
função a partir do conhecimento de sua taxa instantânea de variação,
bem como para encontrarmos a primitiva de funções.

Quanto à integral definida, este estudo consiste em um refinamento da


estratégia de cálculo da variação total por meio de variações acumuladas,
de cálculo de primitiva de funções e de estratégias importantes para o
cálculo de áreas.
U4

Seção 2 | Integrais múltiplas


Nesta seção, você estudará como expressar uma integral dupla como
uma integral iterada, cujo valor pode ser obtido calculando-se duas
integrais unidimensionais, sendo tal conceito da mesma forma estendido
para a integral tripla, calculando-se três integrais unidimensionais.

Ainda, você conhecerá a aplicação das integrais duplas e triplas nos


cálculos de áreas e de volumes, respectivamente.

Seção 3 | Integral de linha e integral de superfície


O estudo que será realizado nesta seção permitirá que você se
familiarize com a linguagem e com os conceitos e as ideias relacionados
ao estudo das integrais de linha e de superfície.

A integral de linha será apreendida por meio do cálculo de massa de


um arame (fio físico delgado), com respeito ao comprimento de arco,
porém, vai muito além disso, tendo aplicações, inclusive, no cálculo
de entes físicos como momento de inércia, coordenadas do centro de
massa e intensidade do campo elétrico.

A integral de superfície, por sua vez, é uma excelente ferramenta para


resolver problemas relacionados ao cálculo de áreas, quando métodos
comuns de medição não puderem ser aplicados, sendo tais conceitos
vastamente aplicados na Física e na Engenharia, como conhecimentos
bases para o cálculo de escoamento de fluídos e projetos de cabos de
transmissão subaquáticos, por exemplo.

Seção 4 | Equações Diferenciais Ordinárias de Primeira e


de Segunda Ordem
Nesta seção você estudará que existem muitos exercícios e
problemas que, quando formulados em termos matemáticos, requerem
a determinação de uma função que satisfaça uma dada relação (ou
equação) envolvendo uma ou mais derivadas dessa função desconhecida.
É nesse contexto que você estudará conceitos que conduzem a estes
tipos de equações: as equações diferenciais ordinárias (de primeira e de
segunda ordem).

162 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas


U3
U4

Introdução à unidade

Nesta unidade você é convidado a aprofundar os conhecimentos já estudados


nas unidades anteriores, bem como integrá-los a novos conhecimentos. Estes
novos conhecimentos estão divididos em quatro seções, sendo que nas três
primeiras seções a abordagem é sobre o cálculo de integrais e a quarta seção
sobre equações diferenciais.

Em pormenores, a primeira seção introduz conceitos básicos e primordiais


de integração, envolvendo o cálculo de integrais indefinidas e definidas e a
apresentação de técnicas de integração. A segunda seção contempla definições
e cálculos de integrais múltiplas, sobretudo, integrais duplas e triplas. A terceira
seção apresenta definições e cálculos de integrais de linha e de superfície e, por
fim, a quarta seção aborda sobre equações diferencias lineares de primeira e de
segunda ordem.

Por meio deste estudo será possível você perceber que a importância dos
assuntos abordados extrapola os conteúdos matemáticos em si, uma vez que
podem ser aplicados em diversas áreas.

O capítulo traz apenas os aspectos mais relevantes sobre cada assunto, sendo
muito importante que você busque aprofundar seus conhecimentos por meio dos
demais materiais que o professor da disciplina disponibilizará para você, além de
contar com o fórum para sanar suas dúvidas.

Esperamos que o estudo proposto nesta unidade possa contribuir para melhor
compreensão e aprofundamento dos temas que constituem a estrutura curricular
do seu curso de Matemática.

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 113


163
U3
U4

114
164 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Seção 1

Introdução às integrais, técnicas de integração


e integrais definidas
Nesta primeira seção você estudará os conceitos fundamentais sobre integrais, que
o auxiliarão em dois problemas do Cálculo: no problema de calcular uma função
cuja derivada seja uma função dada; e no problema de determinação de áreas sob
gráficos de funções. Além disso, as integrais também são empregadas para encontrar
o comprimento de curvas, centro de massas, volumes de sólidos etc.

1.1 Introdução à integração

Um dos problemas do Cálculo, para o qual podemos contar com o auxílio das
integrais, diz respeito ao problema de calcular uma função cuja derivada seja uma função
dada. Por exemplo: supondo que conhecemos uma função f(x) e queremos encontrar
outra função F(x) de maneira que a derivada de F(x) seja igual à funçãof(x) inicial.

Esse problema, tal como acabamos de exemplificar, é conhecido como problema


de antidiferenciação, sendo a função F(x) chamada de antiderivada ou primitiva de f(x).

Podemos, portanto, definir:

Uma função F(x) é dita ser uma antiderivada da função

Chamamos ∫ f(x)dx de integral indefinida de f.

Denotamos tal fato por:

∫ f(x)dx=F(x)+C

Para compreender melhor essa definição, vamos analisar o seguinte caso:


consideremos a função f(x)=8. Qual é a função F(x) cuja função derivada seja igual a
f(x)? Em outras palavras, qual é a F(x), tal que F' (x)=8?

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 115


165
U3
U4

As respostas para este caso são diversas: pode ser F(x)=8x+15,F(x)=8x-3 etc. A
resposta mais apropriada para esse caso seria: uma família de funções com a expressão
F(x)=5x+C,C∈R, onde C é uma constante.

Ou, pela definição, a resposta seria: ∫8dx=8x+C,C∈R.

Acabamos de estudar que a integração nos permite


determinar a antiderivada (ou primitiva) de uma função.
Entretanto, analisando o exemplo apresentado, será que, se
conhecermos uma primitiva F(x) de uma função f(x), então
conheceremos todas as outras primitivas?

Visto que a integração pode ser vista como um processo inverso da derivação,
assim como para as derivadas, para as integrais podemos enunciar alguns teoremas
que facilitarão nossos cálculos de antiderivadas:

TEOREMA 1: Seja k∈R. Se f(x) possui antiderivada, então:

TEOREMA 2: Se f1 (x) e f2 (x) são definidas sobre um mesmo intervalo e possuem


antiderivadas, então existe a antiderivada da função soma f1 (x)+f2 (x) e vale:

Podendo ser esse último teorema generalizado para qualquer quantidade finita de
parcelas.

A seguir, apresentamos um formulário que consiste de teoremas que podem ser


adotados na intenção de agilizar nossos cálculos.

Quadro 4.1
3.1 | Tabela
Tabelade
defórmulas
fórmulasde
deintegrais
integraisindefinidas
indefinidas

116
166 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Fonte: Adaptado de Barros (2009, p. 177)

Conheça mais fórmulas de integrais indefinidas acessando o link:


<http://people.ufpr.br/~jcvb/online/Tabelas%20de%20Integrais%20
Indefinidas%20%281%29.pdf>.

Vejamos alguns exemplos do cálculo de antiderivadas (integrais) das seguintes


funções:

1.2 Técnicas de integração


1.2.1 Técnica da substituição
Nos exemplos resolvidos, tivemos funções cujos cálculos de antiderivadas foram
imediatos. Contudo, nem sempre nos depararemos com esse tipo de situação.

Você estudou na unidade de derivadas de funções reais a Regra da Cadeia, a qual era
utilizada para calcular a derivada de funções compostas.

Do mesmo modo, não é possível usar a tabela de integrais imediatamente para


calcular a antiderivada de uma função composta, mas é preciso primeiro realizar
transformações no integrando.

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 117


167
U3
U4

TEOREMA 3: Considere f uma função definida em D e F uma antiderivada de f em D.


Se u:B → D) é uma função diferenciável, então:

Em outras palavras, a técnica da substituição consiste em fazer a substituição de uma


das funções da função composta por u, de maneira que sua derivada (du) corresponda à
outra função dessa mesma função composta, possibilitando utilizar a tabela de integrais.

Vamos ver alguns exemplos:

1.2.2 Técnica da integração por partes

Na unidade sobre derivadas você estudou a regra para o cálculo da derivada de um


produto:

f(x)∙g(x)=f' (x)∙g(x)+f(x)∙g' (x)

Sendo assim, podemos entender que f(x)g(x)é uma primitiva de f' (x)g(x)+f(x)g' (x).
Portanto, podemos escrever:

118
168 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Substituindo f(x)=u eg(x)=v, obteremos du=f' (x)dx e dv=g' (x)dx. Portanto,


reescrevendo a última expressão, obteremos a fórmula para o cálculo de
antiderivadas por partes:

Vamos ver alguns exemplos. Nesses exemplos, perceba que nesse caso não
é possível resolver por substituição e nem de imediato recorrendo à tabela de
integrais.

Percebam que os três casos são possíveis de serem solucionados, porém,


alguns nos levarão a cálculos menos triviais: no item a, para encontrarmos o termo
v, será necessário utilizar a técnica de integração por partes novamente; no item
c, o integrando v du corresponde ao produto de um polinômio de 3º grau por
uma função trigonométrica, tornando o cálculo bastante complexo. Sendo assim,
aparentemente, o item b seria o mais trivial.

Para resolvermos a última parte dessa integração por partes 2∫x cos(x) dx, vamos
utilizar essa mesma técnica novamente:

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 119


169
U3
U4

Logo, temos:

Considerando que a integral pode ser considerada como


antiderivada, será que é possível fazer a verificação dos
resultados obtidos nos exemplos apresentados até o
momento? De que maneira?

ATENÇÃO: Vimos que existem casos em que podemos ter várias opções para
realizar a integração por partes, porém é preciso analisar tais opções de maneira
a escolher a que nos levará à resolução mais trivial. Perceba que ignoramos as
substituições u=1 edv=dx, pois estas, certamente, pouco (ou em nada) ajudarão
ou facilitarão no cálculo.

1.3 A integral definida


De acordo com Barros (2009, p. 184), “as integrais definidas relacionam-se com
o problema do cálculo de áreas limitadas por arcos de gráficos de funções. Essas
áreas, em geral, não têm uma fórmula simples para o cálculo da sua medida”.

Você já aprendeu no Ensino Básico e na disciplina de Geometria como calcular


as áreas de figuras poligonais (quadrado, retângulo, triângulo etc.) por meio de
fórmulas específicas. Mas não temos fórmulas específicas para o cálculo de
áreas de figuras cujos lados são “curvos”. Resolveremos esses casos por meio de
integrais definidas, que consiste, basicamente, em um processo de limite de áreas
conhecidas.

Esse processo de limite de áreas conhecidas corresponde ao conceito de


“somatória infinita”, cujo estudo foi introduzido por Bernhard Riemann (1826-1866).
Por esse motivo, chamaremos a integral definida de Integral de Riemann.

120
170 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Veja nas figuras a seguir a exemplificação da “somatória infinita” de áreas


conhecidas para determinar, aproximadamente, a área de uma figura com lados
“curvos”:
Figura 4.1
3.1 | Cálculo de área limitada por curvas – conceito de “somatória infinita”

FONTE: Ribeiro (2007)

b
Podemos definir: quando existir a integral de Riemann∫a f(x)dx, diremos que a
função f é integrável em [a.b] e a chamaremos de integral definidadefem [a.b].

Contudo, como a integral de Riemann corresponde a um limite, é necessário


deixarmos claro as condições para a existência de alguma integral:

TEOREMA 4: Se a função f é contínua em [a,b], então f é integrável em [a,b].

Confirmada a condição descrita no teorema 4, podemos estabelecer que a área


limitada pelo eixo Ox, pelas retas verticais x=a e x=b e pelo gráfico de f é dada por:

Da fórmula, podemos definir ainda:

Antes, porém, de vermos exemplos de aplicação dessas definições, é importante


estudarmos alguns teoremas que estabelecem a relação entre os problemas do
cálculo de taxa de variação instantânea e do cálculo de áreas.

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 121


171
U3
U4

1.3.1 O Teorema Fundamental do Cálculo (TFC – Parte I)

Veja a figura a seguir:

3.2 | Área limitada por uma função contínua, pelo eixo Ox e por[a,b]
Figura 4.2

Fonte: Disponível em: <http://fatosmatematicos.blogspot.com.br/2012/01/teoremas-relativos-integral-definida.html>. Acesso


em: 31 mar. 2015

Pela figura podemos perceber que a função F calcula a área limitada entre o
gráfico de f e o eixo Ox situada entre as abscissas a e x, quando percorre [a,b].
Podemos perceber, ainda, que:

Agora, fica fácil compreender o que diz o TFC (parte I):

Segundo Barros (2009, p. 190), “o TFC demonstra que essa função, que
calcula a área entre o gráfico e o eixo Ox, é diferenciável, e que a taxa de variação
instantânea (derivada) dessa função é o próprio valor da função f no ponto x”.

1.3.2 O Teorema Fundamental do Cálculo (TFC – parte II)


Essa segunda parte do TFC trata sobre os cálculos que realizaremos: de acordo
com o TFC (parte II), para calcular a área (integral) definida entre os pontos de
abscissas a e b é necessário determinar a antiderivada do integrando e, em seguida,
calcular a diferença entre os valores das antiderivadas no ponto b e no ponto a.

Assim, temos:

Sendo f uma função contínua em [a,b], se F é tal que F' (x)=f(x) para x∈[a,b],
então,

122
172 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Vamos conhecer algumas propriedades que nos permitirão realizar algumas


regras operatórias:

3.3 | Área da região limitada pelas curvas y²=2x-2 ey=x-5


Figura 4.3

Fonte: Disponível em: <http://wwwp.fc.unesp.br/~arbalbo/arquivos/integraldefinida.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2015.

Vejamos um exemplo de cálculo de área de regiões planas utilizando o Teorema


Fundamental do Cálculo (parte II):

a) Encontre a área da região limitada pelas curvas y²=2x-2 ey=x-5. As intersecções


ocorrem em x=3 e x=9.

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 123


173
U3
U4

Solução:

A área pode ser calculada se separarmos a região em duas regiões do tipo Rx. A
primeira situada entre as abscissas x=1 ex=3 e limitada entre o gráfico superior, o
da função y²=2x-2, o qual pode ser escrito como y=√(2x-2), e o gráfico inferior, o
da função y=-√(2x-2).

A segunda região fica entre as abscissas x=3 ex=9. O limite superior é do gráfico
y=√(2x-2), e o limite inferior é o do gráfico da função y=x-5. Portanto, temos:

1.3.3 Teorema do Valor Médio para Integrais


Considere uma função contínua em [a,b]. Existe um número z∈(a,b), tal que:

Ou seja, existe c tal que:

Para compreender melhor tal definição, veja a figura abaixo:

124
174 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Figura 4.4
3.4 | Integral Definida

FONTE: Disponível em: <http://wwwp.fc.unesp.br/~arbalbo/arquivos/integraldefinida.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2015.

Pela figura podemos observar que se , então a área sob o gráfico


de f é igual à área de retângulos de lados (b-a) e f(z).

Vejamos um exemplo de aplicação envolvendo o Teorema do Valor Médio para


integrais:

a) Um pesquisador estima que t horas depois da meia-noite, em um período típico


de 24 horas, a temperatura em certa cidade é dada por graus
Celsius. Qual é a temperatura média na cidade entre 6 da manhã e 4 da tarde?

Solução: Como 6 horas da manhã e 4 horas da tarde correspondem a t = 6 e


t = 16, respectivamente, estamos interessados em calcular a temperatura média,
T(t), no intervalo 6 ≤ t ≤ 16 , o que corresponde à integral:

Assim, a temperatura média no período estipulado é -5,22 °C.

Veja outros exemplos resolvidos sobre o que foi estudado até o


momento a respeito de integrais, acessando os links:
<http://paginas.isep.ipp.pt/epf/files/integral_definido._exercicios_
resolvidos.pdf>. <http://www.dma.uem.br/jrgeronimo/calculo/
resolucao_30.pdf>.

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 125


175
U3
U4

1. Um estudo indica que daqui a x meses a população de uma


cidade estará crescendo a uma taxa def(x)=2+6√x pessoas
por mês. Considerando o mês atual como x=0, em quanto a
população crescerá durante os próximos 4 meses? Assinale a
alternativa correta:

a) 30 pessoas.
b) 40 pessoas
c) 50 pessoas.
d) 60 pessoas.

2. Resolvendo a função f(x)=sen(x+5) pela técnica da


substituição e resolvendo a função g(x)=x ln(x) pela técnica
de integração por partes, assinale a alternativa que apresenta,
respectivamente, os resultados de ambas as integrações.
(DICA: na segunda função, utilize u=ln(x)).

126
176 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Seção 2

Integrais múltiplas
Nesta seção estenderemos nossos estudos sobre integrais: abordaremos sobre
integrais múltiplas, as quais também são conhecidas como integrais de funções
variáveis reais.

Nesse sentido, passaremos, de agora em diante, a chamar de integral simples


aquelas estudadas na seção anterior (funções reais de uma variável real) e de integrais
múltiplas aquelas que começaremos a estudar e que envolvem funções reais de várias
variáveis reais. Dentre as integrais múltiplas, estudaremos duas, especificamente: as
integrais duplas e as integrais triplas.

2.1 A integral dupla

Na seção anterior estudamos a integral definida para calcular áreas. Mas, e para
calcular volume? Será que a integral definida é um procedimento eficiente?

Para o cálculo de volumes estudaremos as integrais duplas. Para entender esse


conceito e sua relação com as integrais simples que estudamos, vamos analisar o
seguinte caso:

Considere uma função f de duas variáveis, definida em um retângulo fechado,


conforme mostra o gráfico a seguir:

Figura
Figura 4.5
3.5 || Gráfico
Gráfico de
de uma
uma função
função ff de
de duas
duas variáveis,
variáveis, definida
definida em
em um
um retângulo
retângulo fechado
fechado

Fonte: Disponível em: <www.pucrs.br/famat/beatriz/calculoII/INTEGRAL_DUPLA.doc>. Acesso em: 31 mar. 2015

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 127


177
U3
U4

Na figura temos que

Agora, vamos supor que f(x)≥0.

O gráfico de f é a superfície de equação z=f(x,y).

Figura
Figura 4.6
3.6 || Gráfico
Gráfico da
da superfície
superfície de
de equação
equação z=f(x,y)
z=f(x,y)

Fonte: Disponível em: <www.pucrs.br/famat/beatriz/calculoII/INTEGRAL_DUPLA.doc>. Acesso em: 31 mar. 2015

Chamando de S o sólido que está contido na região acima R e abaixo do gráfico S,


temos por objetivo calcular o volume de S.

Para isso, temos que essa região é tal que

Primeiramente, dividiremos o retângulo R em subretângulos, como mostra o


gráfico abaixo:

Figura
Figura 4.7
3.7 || Retângulo
Retângulo R
R dividido
dividido em
em subretângulos
subretângulos

FONTE: Disponível em: <www.pucrs.br/famat/beatriz/calculoII/INTEGRAL_DUPLA.doc. Acesso em: 31 mar. 2015

128
178 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Vamos escolher um ponto arbitrário (xij,yij) em cada Rij, aproximando a parte de


S que está acima de cada Rij por uma caixa retangular bastante fina, formando um
prisma, com base Rij e altura f(xij,yij).

Figura
Figura 4.8
3.8 || Prisma
Prisma formado
formado aa partir
partir de
de um
um ponto
ponto arbitrário
arbitrário (x
(xijij,y
,yijij)) de
de R
Rijij

Fonte: Disponível em: <www.pucrs.br/famat/beatriz/calculoII/INTEGRAL_DUPLA.doc. Acesso em: 31 mar. 2015

O volume será dado pelo produto entre a altura e a área do retângulo da base:

Vij=f(xij,yij) ∆A

Repetiremos o processo para todos os retângulos, somando os volumes


correspondentes, nos aproximando ao volume de S.

A Integral Dupla é considerada como Soma Dupla de Riemann.


Analisando o que foi descrito até o momento sobre Integrais
Duplas, reflita sobre o que há de analogias entre a Soma de Riemann
estudada nas integrais simples e a Soma Dupla de Riemann.

Podemos, portanto, definir que o volume de S será dado por:

Se esse limite existir. Tal expressão pode ser do mesmo modo, representada por:

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 129


179
U3
U4

Para provar que o limite existe, f deve ser contínua.

Dado f(x,y)≥0, podemos considerar que o volume do sólido que está acima do
retângulo R e abaixo da superfície z=f(x,y) é:

Vamos ver alguns exemplos:

1) Calcule a integral:

Onde D é a região delimitada por x=-1,x=2,y=-3 e y=2.

Solução:

Podemos resolver de duas maneiras: integrando primeiramente em relação a x e


depois em relação a y, ou ao contrário. Vamos resolver das duas maneiras.

1º modo: Integrando primeiramente em relação a x.

2º modo:

130
180 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Figura
Figura 4.9
3.9 || Área
Área do
do plano
plano limitada
limitada pelas
pelas cuvas
cuvas y=4-x²
y=4-x² ey=(x-2)²
ey=(x-2)²

FONTE: Do autor (2015)

2) Encontre, utilizando integração dupla, a área do plano limitada pelas curvas


y=4-x² ey=(x-2)².

Solução:

Veja nesse exemplo que não utilizaremos as integrais duplas apenas no cálculo
de volumes. Aqui temos um cálculo de área limitada por duas funções. Neste caso, já
temos y escrito em função de x, portanto é mais fácil começarmos a integração em
relação a y.

Chamaremos a área que queremos calcular de R. Assim, temos:

Os cálculos que realizamos nos exemplos acima envolveram integral


dupla de f em R por meio de integrais iteradas:

Tal resultado é conhecido como Teorema de Fubini.


Veja mais exercícios resolvidos sobre o assunto acessando: <http://
www.uff.br/gma/informacoes%20disciplinas/calc%2003%20-A-%20
2012-2/lista1.pdf>.

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 131


181
U3
U4

2.2 A integral tripla

As integrais de funções de três ou mais variáveis são uma extensão natural da integral
dupla. O principal cuidado é quanto ao domínio de definição dessas funções, que precisa
ocorrer em domínios simples, cujas fronteiras sejam regulares.

Quanto às funções de três variáveis, a fronteira regular constitui-se como uma


superfície regular ou uma união finita de superfícies regulares. Em suma, “uma superfície
é regular, se todo conjunto de pontos da superfície admite uma representação por uma
função contínua, com derivadas contínuas de um dos tipos z=z(x,y),y=y(x,z) oux=x(y,z)”
(SHIMONISHI; FRANCO, 2009, p. 155).

Vejamos alguns exemplos:

1) Calcule a integral reiterada:

Solução:

132
182 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Figura
Figura 4.10
3.10 || Região
Região D
Dxyz
xyz

Fonte: Barbosa; Barreda (2014, p. 74)

2) Sendo D_xyz a região do Primeiro Octante abaixo do plano 2x+3y+z=6, então Dxy
é a região do Primeiro Quadrante abaixo da reta

Na figura temos

Solução:

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 133


183
U3
U4

2.3 Mudança de coordenadas: de cartesianas para polares

Quando a fronteira Dxy, em geral, tem partes curvilíneas, faz-se necessário realizar a
mudança de coordenadas cartesianas para polares. “Ao procedermos tal mudança de
variáveis, podemos obter um novo domínio de integração cuja fronteira tem apenas
partes retilíneas” (BARBOSA; BARREDA, 2014, p.70).

Vamos ver como realizar tal mudança:

Sendo r a distância de (x,y) a(0,0) e θ o ângulo que o eixo 0X


faz com a reta que passa por (0,0) e (x,y), conforme apresenta a
figura ao lado, utilizando o Teorema de Pitágoras, temos:

Vamos ver um exemplo:

Sejam

Figura 4.11
3.11 | Representação gráfica de

Fontes: Barbosa; Barreda (2014, p.72)

134
184 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Daí,

Apesar de mostrarmos como realizar a mudança de coordenadas


cartesianas para coordenadas polares por meio da integral dupla,
também é possível realizar mudança de coordenadas na integral tripla
para as coordenadas cilíndricas e coordenadas esféricas. Além disso, em
ambos os tipos de integrais podemos realizar o processo de mudança
de maneira inversa. Para saber mais sobre as mudanças de coordenadas
em integrais duplas e triplas, acesse os links sugeridos a seguir:
Mudança de coordenadas em integrais duplas: Disponível em: <http://
www.professores.uff.br/paulab/M02_aluno.pdf>; <https://www.
youtube.com/watch?v=2nFRQnmgS48>.
Mudança de coordenadas em integrais triplas: Disponível em: <http://
www.mat.ufmg.br/~tcunha/CalcIII08/05IntTriplaPolares.pdf>. <http://
www.ime.uerj.br/~calculo/LivroII/integt.pdf>.
<https://www.youtube.com/watch?v=HBGOek7HSas>.

1. É correto afirmar que o volume do sólido limitado pelo


paraboloide x²+2y²+z=16, pelos planos x=2,y=2 e pelos três
planos coordenados é igual a:
Considere

a) 45 u. v.
b) 46 u. v.
c) 47 u. v.
d) 48 u. v.

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 135


185
U3
U4

2. Estudamos que integrais triplas por meio de somas de Riemann


é um processo análogo ao que foi feito para integrais duplas.
Sendo assim, como no caso de funções de duas variáveis, o
Teorema de Fubini é válido para funções de três variáveis. Nesse
contexto, calculando:

É correto afirmar que obteremos:

136
186 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Seção 3

Integral de linha e integral de superfície


A partir desse momento você se introduzirá no estudo sobre integrais de linha e
integrais de superfície, se familiarizando com a linguagem e com as ideias relacionadas
a tais conceitos.

3.1 A integral de linha

Considerando o que você estudou sobre integrais até o


momento, o que você considera que pode ser a integral de
linha? O que ela pode representar?

Para que possa compreender o que vem a ser a integral de linha, vamos supor que
queremos encontrar a massa de um arame bastante fino. Esse arame descreve uma
curva lisa C, e para cada ponto (x,y,z) em C, a função densidade linear é f(x,y,z).

Figura 4.12
3.12 | Representação gráfica de uma integral de linha

Fonte: Simch, Suazo e Pinto (2009, p. 52)

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 137


187
U3
U4

Seria possível determinar a massa do arame dividindo C em n seções pequenas,


como mostram os pontos P0, P1,...,Pn na figura acima, sendo P0 o ponto inicial de C e
Pn o ponto final.

Em cada pequena divisão, ou seja, em cada seção, escolhemos um ponto (xi, yi,
zi). Considerando o comprimento dessa seção como ∆Si, é possível aproximarmos a
função f nessa seção pelo valor f(xi, yi, zi). Logo, podemos escrever a massa dessa seção
como:

∆Mi≈f(xi, yi, zi)∆Si

Sendo assim, a massa do arame pode ser aproximada por:

De maneira mais exata, ou seja, considerando o erro de aproximação, podemos


determinar M por:

Onde max∆Si é a definição do comprimento da partição P0, P1,...,Pn.

Diante do que foi exposto, podemos, então, definir: sendo C uma curva lisa, a
integral de linha de uma função real f,(f(x,y)ou f(x,y,z)), em relação a S ao longo de
C é definida como:

Com a condição de que os limites mencionados sempre existam.

Após definirmos a integral de linha, vamos estudar o cálculo de integrais de linha.

Considerando que a curva C é descrita por então o


comprimento da curva de cada seção será dado por:

138
188 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Para algum ti ∈[ti-1, ti], utilizando o teorema do valor médio para integrais.

Supondo que as funções x(t),y(t) ez(t) têm derivadas contínuas em [a,b], então, temos,
em R²:

Vejamos um exemplo:

1) Vamos calcular a integral de linha ∫C (xy2-z2)dS, ao longo da curva C dada por:

Figura 4.13
3.13 | Representação gráfica da integral de linha

Fonte: Simch, Suazo e Pinto (2009, p. 54)

Solução:

Pela figura acima podemos observar que a curva em questão é uma hélice.

Assim, temos:

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 139


189
U3
U4

Para que a aprendizagem na disciplina de integrais realmente ocorra,


é essencial que você, aluno, além de compreender os conceitos
envolvidos, resolva exercícios para colocar em prática as definições e
teoremas estudados. E é nessa perspectiva que indicamos o link abaixo, o
qual contém exercícios resolvidos sobre integrais de linha. Tente resolver
os dois primeiros exercícios sem olhar a resposta, recorrendo a esta
apenas para conferir seus resultados. http://www.mat.ita.br/mat36/capi/
integrais_de_linha/2asem/exer/exerc1/pdf.pdf

Do mesmo modo que foi estudado, é possível calcularmos integrais de linha em


relação a x,y ez: se C: então:

Sendo esse processo análogo para dy e dz.

Veja o exemplo:

1) Vamos calcular sendo C como no caso

Solução:

140
190 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

3.1.1 Teorema de Green

Teorema de Green é como denominamos o resultado que permite transformar


algumas integrais duplas sobre uma região R em integrais de linha ao longo da
fronteira de R.

TEOREMA: “Seja R uma região plana simplesmente conexa, cuja fronteira é uma
curva C lisa por partes, fechada, simples e orientada no sentido anti-horário. Se f(x,y) e
g(x,y) possuem derivadas de primeira ordem contínuas” (SIMCH; SUAZO; PINTO, 2009,
p. 65), temos:

Veja o exemplo:

Usar o teorema de Green para calcular ∫C x²ydx+xdy ao longo de C como é


mostrado na figura:

3.14 | Gráfico de ∫Cx²ydx+xdy


Figura 4.14

Fonte: Simch, Suazo e Pinto (2009, p. 65)

Solução:

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 141


191
U3
U4

3.2 A integral de superfície


Estudaremos, agora, a integral de uma função sobre uma superfície, conhecimento
este que auxiliará o cálculo de área de uma superfície.

Vamos supor uma lâmina curva que pode ser representada por uma superfície no
espaço tridimensional. Vamos supor, ainda, que para cada ponto (x,y,z) de tal superfície
a função x(x,y,z) represente a densidade por área.Para calcular a massa dessa lâmina,
deveríamos:

1º) Dividir a superfície em subretângulos (σ1, σ2,…, σn com áreas ∆S1, ∆S2,…, ∆Sn:

Figura 4.15
3.15 | Superfície dividida em subretângulos

Superfície dividida em subretângulos

2º) Vamos supor que (xK, yK, zK) seja um ponto da k-ésima porção e que ∆MK represente
a massa dessa porção.

3º) Considerando as dimensões σK muito pequenas, podemos determinar a massa


da lâmina por:

Assim, podemos definir: se σ é uma superfície paramétrica lisa, então a integral de


superfície de f(x,y,z) em σ dada por:

Para isso, consideramos que o limite existe e, para afirmar que existe, basta mostrar
que f(x,y,z) é contínua em σ.

→ → →
TEOREMA 1: Seja σ uma superfície lisa, com equação vetorial r=x(u,v)i + y(u,v)j +z(u,v)

k, onde (u,v)∈ R. Se f(x,y,z) é contínua em σ, então:

142
192 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

TEOREMA 2: Seja σ uma superfície paramétrica lisa com equação z=g(x,y) e seja R a
sua projeção sobre o plano xy. Se g tiver derivadas parciais de primeira ordem contínuas
em R e f(x,y,z) for contínua em σ, então:

Ou simplesmente:

Vejamos um exemplo:

1) Calcule a área da superfície esférica x²+y²+z²=R².

Solução: Vamos calcular a área da superfície esférica utilizando z>0. Em seguida,


vamos multiplicar por dois, pela simetria da superfície.

Essa parte da superfície esférica será dada pela equação:

Portanto, a área da metade de uma superfície esférica é 2πR². Assim, a área da


superfície esférica é da por 4πR².

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 143


193
U3
U4

→ → →
1. Calculando ∫C (xy+z)dx, sendo C como no caso C: r (t)=ti + tj

+tk ,t∈[0,1], é correto afirmar que o resultado será:

2. Aplicando o que foi estudado sobre Integrais de Superfície,


calculando a integral ∫∫σ xy dA sendo σ a parte do plano x+y+z=1
que fica no primeiro octante, obtemos como resultado:

144
194 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Seção 4

Equações diferenciais ordinárias de primeira e


de segunda ordem
Nesta seção você estudará as equações diferenciais ordinárias de primeira e de
segunda ordem, que passaremos a chamar de EDOs. Tal estudo caracteriza-se como
um ramo da Matemática que está ligado a diversas áreas da Ciência.

4.1 Equações diferenciais ordinárias de 1ª ordem

Antes de iniciarmos os estudos de equações diferenciais ordinárias de 1ª ordem,


vamos entender o que é uma equação diferencial: é uma relação matemática que
abrange uma função, a incógnita da equação e as suas derivadas. Dizemos que a
equação diferencial é ordinária quando a função incógnita depende de uma única
variável, e dizemos que a equação diferencial é parcial quando a função incógnita
depende de mais de uma variável (MONTORFANO; KATO; SHIMONISHI, 2010).

Vamos entender tais conceitos por meio do quadro a seguir:

Quadro 4.1
3.2 | Exemplos de equações diferenciais ordinárias e parciais

Fonte: Adaptado de Montorfano, Kato e Shimonishi (2010, p. 58)

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 145


195
U3
U4

A partir do que foi exposto, reflita sobre o que significa


resolver uma equação diferencial. Para ajudar na reflexão,
pesquise sobre o assunto.

Para obter soluções de EDOs, primeiramente precisamos nos atentar à ordem: a


ordem da equação será a ordem da derivada de maior ordem que aparece na equação.

Por exemplo: as equações:

São de Primeira Ordem.

As equações:

São de Segunda Ordem.

A equação:

y^'''+ (y^'')4-y^'=x

É de Terceira Ordem.

Na primeira parte dessa seção estudaremos equações de primeira ordem e, na


segunda parte, estudaremos as equações de segunda ordem.

Ainda é importante que você conheça o que são equações diferenciais ordinárias
lineares, que são equações da forma:

Onde P(x) eQ(x) são funções contínuas em um intervalo I. A função incógnita e


suas derivadas aparecem na forma linear.

146
196 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

4.1.1 Soluções de uma Equação Diferencial Ordinária

A solução de uma EDO pode ser expressa de duas maneiras: explícita(y=f(x))


ouimplícita (equação em x e y que é descrita por H(x,y)=0).

Vamos ver dois exemplos em que envolveremos ambos os tipos de solução,


explícita e implícita, respectivamente:

1) A função real definida por f(x)=2e-x+3xe-x é uma solução na forma explícita da


EDO para todo x real.

Solução: começaremos derivando f duas vezes.

Substituindo y porf(x),dy por f' (x) e d y2 por f'' (x) no primeiro membro da EDO dada,
2

dx dx
teremos:

Percebam que esse resultado é válido para todo x real. Portanto, f(x)=2e-x+3xe-x é
uma solução, na forma explícita, para a EDO dada, em R.

A relação definida por 4x²+y²=16 define implicitamente uma solução da EDO

Solução: Inicialmente, podemos notar que a EDO não está definida para y=0.

Vamos supor que y=y(x) e derivando 4x²+y²=16 implicitamente em relação a x,


teremos:

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 147


197
U3
U4

Vamos substituir dy na EDO, obtendo, assim, a identidade


dx

Temos que a equação 4x²+y²=16 está definida no retângulo [-2,2] e [-4,4] e y se


anula quando x=±2. Sendo assim, podemos dizer que ela define implicitamente uma
solução da EDO no intervalo [-2,2], em cada uma das regiões do plano,
em que y≠0.

4.1.2 Problema de Valor Inicial (PVI)

Um problema de valor inicial (PVI) é uma equação diferencial a ser resolvida


conjuntamente com condições sobre a função incógnita y e as suas derivadas. Tais
condições devem ser satisfeitas para um dado valor da variável independente. Estas
condições são chamadas condições iniciais.

Em geral, um PVI para EDOs de primeira ordem é representado por:

Vamos ver um exemplo:

Solução: Primeiro, determinamos a solução geral da EDO:

Esta solução deve satisfazer a condição inicial y(0)=1, assim:

148
198 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Portanto, a solução do PVI é:

4.1.3 Métodos para obtenção de soluções de EDOs de Primeira Ordem

As EDOs de primeira ordem podem se apresentar nas seguintes formas:

Forma geral:

Forma normal:

Forma diferencial:

A última forma apresentada é a mais comum nesse estudo.

Na sequência, veremos quatro tipos básicos de EDOs de primeira ordem:


Equações diferenciais de variáveis separáveis; Equações diferenciais com coeficientes
homogêneos; Equações diferenciais exatas; Equações diferenciais lineares.

4.1.3.1 Equações diferenciais de variáveis separáveis

Estas equações são escritas como:

Para obter a solução geral, vamos integrar termo a termo:

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 149


199
U3
U4

Exemplo: Resolva a EDO de variáveis separáveis

Solução: Escrevendo na forma separável, temos:

Agora que as variáveis já estão separadas, integramos, termo a termo:

Considerando c=c1, temos y-1=x²+c

4.1.3.2 Equações diferenciais com coeficientes homogêneos

São equações da forma:

M(x,y)dx+N(x,y)dy=0

Sendo as funções M eN homogêneas de mesmo grau.

Diz-se que uma função contínua z=f(x,y) é homogênea de grau n se existe um


número real n satisfazendo a condição: f(tx,ty)=t^n f(x,y).

Exemplo: A função definida por f(x,y)=x²+2xy é homogênea de grau n=2, pois

A função dada por:

é homogênea de grau n=0, pois:

150
200 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Uma equação diferencial homogênea pode ser resolvida por meio de uma
substituição algébrica. Especificamente, a substituição y=ux oux=vy, em que ‘u’ e ‘v’
são novas variáveis independentes, transformará a equação diferencial de primeira
ordem em separável. Para ver isso, seja y=vx; então, sua diferencial dy=x dv+v dx.

Veja exemplos de exercícios resolvidos acessando:


<http://www.igm.mat.br/cursos/edo/edo_homogeneas.htm>.

Nos vídeos indicados, há a explicação de exercícios sobre equações


com coeficientes homogêneos sendo resolvido:
<https://www.youtube.com/watch?v=ZPdpuLW2SKw>.
<https://www.youtube.com/watch?v=KPPdAQ3mhqk>

4.1.3.3 Equações diferenciais exatas

Essas equações são escritas como:

M(x,y)dx+N(x,y)dy=0

Tal equação é uma diferencial exata em uma região R do plano xy se ela corresponde
à diferencial total de alguma função f(x,y).

TEOREMA – Critério para uma diferencial exata

Sejam M(x,y) e N(x,y)funções contínuas com derivadas parciais contínuas em uma


região retangular R definida pora <x<b,c<y<d. Então, uma condição necessária e
suficiente para que M(x,y)dx+N(x,y)dy=0 seja uma diferencial exata é:

Método de obtenção da solução geral de Equações Exatas

Dada a equação M(x,y)dx+N(x,y)dy=0, mostre primeiro que:

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 151


201
U3
U4

Depois, suponha que:

Daí, podemos encontrar F integrandoM(x,y) com relação a x, considerando y


constante.Escrevemos:

Em que a função arbitrária g(y) é a constante de integração. Agora, derivando F(x,y)


com relação ay e supondo:

Temos:

Assim:

Finalmente, integreg^' (y) com relação a y e obtém-se g.Substituindo g(y) na


expressão acima, obtém-se F.

Veja exemplos de exercícios resolvidos acessando os links de vídeos a


seguir:
<https://www.youtube.com/watch?v=pnJ9xVQBMhk>.
<https://www.youtube.com/watch?v=PIr8MdOjV3M>.
<https://www.youtube.com/watch?v=Igi-O5WJHho>.

4.1.3.4 Equações diferenciais lineares

Uma equação diferencial da forma

152
202 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

é chamada de equação linear.

→ Resolvendo uma Equação Linear de Primeira Ordem

Vamos seguir os seguintes passos:

1. Para resolver uma equação linear de primeira ordem, primeiro coloque-a na


forma abaixo, isto é, faça o coeficiente de:

2. Identifique a função pe encontre o fator de integração:

3. Multiplique a equação obtida pelo fator de integração:

4. Escreva o primeiro membro da EDO obtida no passo anterior como:

5. Integre ambos os lados da equação encontrada para obter y=y(x).

Acesse os vídeos por meio dos links abaixo para ver alguns exemplos
com explicações de exercícios sobre equações lineares de primeira
ordem:
<https://www.youtube.com/watch?v=31YFqhkIf_I>.
<https://www.youtube.com/watch?v=5L-skgtWvoY>.

4.2 Equações diferenciais ordinárias de 2ª ordem

As EDOs lineares de 2ª ordem são base para o estudo de equações de ordem


superior.

Uma diferença que já podemos apontar entre as EDOs lineares de 1ª e de 2ª ordem

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 153


203
U3
U4

é com relação ao PVI: nos de 1ª ordem vimos que procurávamos uma solução de uma
EDO, sujeito a uma condição dada. No caso das de 2ª ordem, duas condições devem
ser impostas e, consequentemente, para EDOs de ordem n, n condições devem ser
impostas.

Diante do que foi exposto sobre PVI de EDOs de segunda


ordem, reflita: será que todos os PVI’s terão solução única?

4.2.1 Teorema de Existência e Unicidade de Soluções

Sobre a unicidade de soluções de um PVI, o teorema a seguir nos auxilia a responder


a essa questão:

TEOREMA: Sejam a0,a1,…,an-1 ef funções contínuas em um intervalo aberto I,


L=Dn+an-1 (t) Dn-1+...+a1 (t)D+a0 (t) um operador diferencial linear de ordem n, e t0
um ponto qualquer de I. Então, se y0,y1,…,yn-1 são números reais arbitrários, existe uma
única solução y=y(t) em I para o PVI.

Em particular, o PVI:

Admite a função y=0 em I, como solução única.

Para melhor compreensão, veja o exemplo:

1) Resolva o PVI:

154
204 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

De acordo com o Teorema, o PVI apresenta solução única y=y(t) em R. Para obter
tal solução, precisamos determinar c1 ec2 da combinação linear y(t)=c1 e-t +c2 e2t que
satisfazem simultaneamente às condições iniciais y(0)=3 e y' (0)=0. Assim, temos:

Derivando y em relação à t, temos:

Assim, a segunda condição nos fornece:

Resolvendo o sistema linear:

Obtemos os valores c1=2 ec2=1. Logo, a única solução do PVI dado é a função
y(t)=2e-t+e2t.

4.2.2 EDOs Lineares Homogêneas de ordem 2 com coeficientes constantes

Podemos reescrever a EDO linear homogênea com coeficientes constantes a


seguir da seguinte maneira:

Para resolver a EDO homogênea de ordem 2:

Vamos associar o operador L à expressão quadrática abaixo, denominada de


equação auxiliar ou equação característica:

1
Operador Diferencial Linear de ordem n a coeficientes constantes. Para saber mais, procure em livros
de Álgebra Linear.

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 155


205
U3
U4

Efetuaremos a fatoração algébrica, considerando r1 er2 como raízes da equação


quadrática. Sendo assim, podemos obter os seguintes casos:

1. Raízes reais e distintas: r1 ≠ r2. Teremos:

2. Raízes reais e iguais: r1=r2-r. Teremos:

3. Raízes complexas conjugadas: r1=α+βie r2=α-βi. Teremos:

Veja exemplos de exercícios acessando os vídeos:


• Raízes iguais: <https://www.youtube.com/watch?v=xgJyXr_ySpU>.
• Raízes diferentes: <https://www.youtube.com/watch?v=flHdiKdy-Jk>.
• Raízes complexas: <https://www.youtube.com/
watch?v=5xTwIEZNKU4>.
• Outros exercícios em: <https://www.youtube.com/
watch?v=1y0g1Ne7vao>.

1. Associe corretamente cada equação homogênea à sua


solução:

a. y''-9y=0
b. 4y''-4y'+y=0
c. y''-4y'+5y=0

156
206 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

a. A - B - C
b. B - A - C
c. B - C - A
d. C - A - B

2. Resolva o PVI:

Assinale a alternativa que apresenta a solução do PVI:

a) y(t)=2e2t (cos t-2sen t)


b) y(t)=3e2t (cos t-2sen t)
c) y(t)=2e2t (sen t-2cos t)
d) y(t)=3e2t (sen t-2cos t)

• O conceito de integral, associando-o à busca de funções


primitivas, se caracterizando, basicamente, como um processo
inverso da derivada.

• Fórmulas que auxiliam no cálculo de integrais indefinidas.

• Técnicas que facilitam o cálculo de integrais, sobretudo quando


os cálculos não são possíveis de imediato.

• O conceito e os procedimentos de cálculo de integrais definidas,


bem como suas aplicações no cálculo de áreas.

• O conceito de integrais múltiplas e o cálculo destas por meio

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 157


207
U3
U4

de integrais iteradas, dentre as quais destacamos as integrais duplas


e triplas.

• A linguagem e os conceitos principais relacionados ao estudo das


integrais de linha e de superfície, sendo a primeira utilizada, dentre
outros, no cálculo de massa de fios e contornos e, o último, no cálculo
de áreas que métodos comuns não são capazes de resolver.

• Equações diferenciais de primeira e de segunda ordem, os quais


são utilizados quando precisamos determinar, em dada situação, uma
função que satisfaça uma dada relação, envolvendo uma ou mais
derivadas da função desconhecida.

Esta unidade foi elaborada com a intenção de auxiliar na


aprendizagem de conceitos muito importantes para você, futuro
professor.
Os conceitos trabalhados nessa unidade compõem o campo
do conhecimento de Cálculo Diferencial e Integral, muito
importante não apenas para a Matemática, como para diversas
outras áreas como Física, Engenharia, Finanças etc. Sendo assim,
os conteúdos aqui apresentados podem ser considerados como
base para estudos sequentes.
No intuito de aprofundar sua aprendizagem, enfatizamos que
é muito importante que você não apenas faça a leitura desse
material, mas busque refazer e compreender os exemplos
apresentados, acesse os materiais sugeridos, resolva as atividades
de aprendizagem que foram propostas e busque em outras
fontes (inclusive na Biblioteca Digital) mais exercícios.
Além disso, não se esqueça de acessar o fórum. É por meio dele
que você poderá sanar suas dúvidas.
Bons estudos!

158
208 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
U4

1. Partindo do que foi estudado sobre integrais indefinidas, é


correto afirmar que a solução da funçãof(x)=sec(x)+tg(x) é:
a)ln|sec(x)+tg(x)|+ln|sec(x) |+C
b)ln|tg(x)+sec(x)|+ln|sec(x) |+C
c)ln|cot(x)+tg(x)|+ln|tg(x)|+C
d)ln|cos(x)+tg(x)|+ln|sen(x) |+C

2. Você estudou na primeira seção dessa unidade que existem


integrais que não é possível solucionar imediatamente,
sendo preciso recorrer à técnicas de integração. Dentre estas
técnicas, você estudou duas: por partes e por substituição.
Considerando a função f(x)= 1 assinale a alternativa que
x1nx
apresenta a técnica de integração correta a ser utilizada e a
resposta da integração da função dada:

a) Técnica da substituição / ln(x)+C


b) Técnica da integração por partes / 2 ln|ln(x) |+C
c) Técnica da substituição / ln|ln(x) |+C
d) Técnica da integração por partes / ln|ln(x²) |+C

3. Ao estudar as integrais múltiplas, você aprendeu que o


cálculo corresponde a resolução de integrais iteradas. Nesse
contexto, é correto afirmar que o resultado da integral dupla
3
∫0 ∫1²x²y dydx é igual a:

a) 32
3
b) 27
2
c) 19
5
15
d)
6

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 159


209
U3
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4. Calculando a integral de superfície ∫∫Sz dS, onde S é a parte


do plano z=4-x-y que está acima do quadrado [0,1] x [0,1], o
resultado obtido é:

a) 3√3
b) 5√6
c) 4√3
d) 7√5

5. Resolvendo o problema de valor inicial (PVI) a seguir:

Obtemos como resultado:

a) y=8e-3x- 9e-2x
b) y=5e-3x-7e-2x
c) y=-7e-2x-9e-3x
d) y=9e-2x-7e-3x

160
210 Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas
U3
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Referências

BARBOSA, José Renata Ramos; BARREDA, Manuel Jesus Cruz. Manual Técnico-
Didático Cálculo de várias variáveis. Universidade Federal do Paraná, 2014.
BARROS, Rui Marcos de Oliveira. Cálculo Diferencial e Integral 1. Maringá: Eduem,
2009.
MONTORFANO, Carla; KATO, Lilian Akemi; SHIMONISHI, Maria Lauricéa. Cálculo
Diferencial e Integral III. Maringá: Eduem, 2010.
RIBEIRO, Ademir. A integral de Riemann. Paraná: UFPR, 2007. Disponível em: <http://
people.ufpr.br/~ademir.ribeiro/ensino/slides/integral.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2015.
SHIMONISHI, Maria Lauricéa; FRANCO, ValdeniSoliani. Cálculo Diferencial e Integral
II. Maringá: Eduem, 2009.
SIMCH, Márcia Rosales Ribeiro; SUAZO, Germán Ramón Canahualpa; PINTO, Silvia
PrietschWendt. Cálculo D. Pelotas: Universidade de Pelotas/ Ministério da Educação,
2009. Disponível em: <http://wp.ufpel.edu.br/nucleomatceng/files/2012/08/
calculo_d.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2015.

Equações diferenciais, integrais e integrais múltiplas 161


211
Unidade 4
1

CONHECENDO MATRIZES

Renata Karoline Fernandes

Objetivos de aprendizagem: Essa unidade tem por objetivo conduzi-lo


no processo de aprendizagem a respeito de uma parte muito importante
dessa disciplina, o conceito de matrizes e operações com matrizes.

Ao final dessa unidade, espero que você reconheça uma matriz e


saiba realizar operações, como adição, subtração, multiplicação e divisão
de matrizes, consiga identificar as principais propriedades das matrizes,
conheça e saiba classificá-las de acordo com seus tipos. Espera-se, também,
que você seja capaz de calcular determinantes de uma matriz quadrada e
consiga realizar escalonamentos em uma matriz qualquer e calcular uma
matriz inversa.

Estes conceitos serão aplicados em várias disciplinas ao longo do curso


e ao longo da disciplina de Álgebra Linear e Vetorial e também durante o
exercício de sua futura profissão.

Bons estudos.

Seção 1 | Matriz, propriedades e classificações

Nesta seção, vamos definir o que são matrizes, como utilizá-las e


aprenderemos algumas aplicações.

As matrizes apresentam algumas propriedades específicas e é


importante que você conheça essas propriedades e também suas
classificações, pois elas serão úteis para aprender e compreender melhor
os conceitos das próximas seções.
U4
U1

Seção 2 | Operações com matrizes


Nesta seção, você aprenderá como operar com matrizes e também a
respeito da soma, subtração, multiplicação de matrizes por uma constante,
multiplicação de matrizes e divisão de matrizes.

Essas operações fazem parte do currículo básico do Ensino Médio, sendo


assim, tem importância tanto para sua formação quanto para a formação
dos estudantes aos quais você ministrará aulas futuramente.

Seção 3 | Determinantes de matrizes de diferentes ordens


A terceira seção dessa unidade é destinada ao estudo de determinantes
de matrizes de diferentes ordens.

Vamos aprender a operar e calcular determinantes por meio de técnicas


específicas, o que nos permitirá resolver determinantes de matrizes com
ordem superior a três.

164
8 Conhecendo matrizes
U4
U1

Introdução à unidade

É muito comum ver em computadores programas que utilizem planilhas


eletrônicas para organizar informações. Algumas dessas planilhas são
“tabelas” compostas de certa quantidade de linhas (que são horizontais) e
de certa quantidade de colunas (que são verticais).

Nós chamamos essas “tabelas” de matrizes. As matrizes são formas


para auxiliar na representação de informações, sendo essas informações
dados quantitativos. Comumente, para facilitar a realização de cálculos
que podem ser complexos, utilizamos matrizes numéricas quadradas ou
retangulares.

Nós podemos utilizar matrizes em diversas áreas, por exemplo,


Engenharia, Física, Computação, Engenharia, entre outras.

As matrizes tiveram sua importância dissociada do cálculo de


determinantes há pouco mais de 150 anos, porém este conceito já é
conhecido desde, aproximadamente, 1826; entretanto, o nome matriz só
foi estabelecido em 1850, por James Joseph Sylvester, mas foi Cayley, em
1858, na obra Memoir on the Theory of Matrices, quem divulgou o nome
matriz e também iniciou o processo de demonstração de sua utilidade
(SILVEIRA, 2014).

James Joseph Sylvester utilizou a palavra matriz como sendo o local onde
algo se gera ou cria, ou ainda: “[...] um bloco retangular de termos [...], o
que não representa um determinante, mas é como se fosse uma MATRIZ a
partir da qual podemos formar vários sistemas de determinantes, ou fixar um
número p e escolher à vontade p linhas e p colunas [...]” (artigo publicado na
Philosophical Magazine, 1850, p. 363-370 apud SILVEIRA, 2014).

Somente com Cayley que as matrizes passaram a ter “vida própria” e deixaram
de ser apenas um conceito matemático para o cálculo de determinantes.

Sabendo da necessidade e importância tanto para a disciplina quanto

Conhecendo matrizes 165


9
U4
U1

para a sua formação de aprender a respeito de matrizes, a Unidade 1 desse


material está organizada em três seções.

Na primeira seção, acontece a apresentação das matrizes, suas


propriedades e classificações, tendo como intenção criar uma familiaridade
com tais conceitos.

Na segunda seção, aprenderemos a realizar operações com matrizes,


somas, subtrações, multiplicações de matrizes por um número, que
chamamos de constantes, e também matriz por matriz.

A última seção é dedicada ao estudo de métodos para a resolução dos


importantes determinantes. Aprenderemos a calcular o determinante de
matrizes quadradas de qualquer ordem.

Desejo a você um bom estudo e que possa aproveitar ao máximo o


conteúdo que lhe é fornecido, assim como as dicas de leitura e pesquisa.

166
10 Conhecendo matrizes
U4
U1

Seção 1

Matriz, propriedades e classificações

1.1 Definição de Matrizes

As matrizes são utilizadas para organizar dados, de forma que possam


ser realizadas determinadas operações com eles.

Cada número que compõe uma matriz é chamado de elemento da


matriz; as filas horizontais que compõem uma matriz são chamadas de
linhas; já as filas verticais são chamadas de colunas.

Nós podemos definir uma matriz como:

Os conjuntos a seguir são espaços vetoriais se as operações de adição


e multiplicação podem ser não usuais.

Uma matriz de ordem m x n é uma tabela numérica composta por m.n


elementos. Estes elementos são dispostos em m linhas e n colunas.
Por se tratar de linhas e colunas, os números que representam as
quantidades de m e n pertencem ao conjunto dos números naturais e
são diferentes de zero.
A quantidade de linhas (m) e colunas (n) de uma matriz pode ser igual,
ou diferente.
Em muitos materiais, ao invés de m e n, os índices são representados
por i (para a quantidade de linhas) e j (para a quantidade de colunas).

Conhecendo matrizes 167


11
U4
U1

Vamos ver exemplos de matrizes de diferentes ordens em diferentes


situações.

Exemplo 1 – Matriz
Figura 4.1
Figura 1.1 - Matriz 3 x 3 Como podemos ver
pela imagem anterior, os
elementos das matrizes
podem ser representados
dentro de parênteses
ou colchetes. As
matrizes representadas
anteriormente são
matrizes de ordem 3,
pois têm três linhas e três
colunas, mas podemos
também dizer que elas
são matrizes 3 x 3 (lemos
matrizes três por três,
sempre o primeiro valor
Fonte: A autora (2014) se refere à quantidade de
linhas e o segundo valor à
quantidade de colunas.).

Vamos ver, no próximo exemplo, como utilizar uma matriz para a


representação de dados.

Exemplo 2 – Utilização de matrizes para organizar dados

O quadro abaixo mostra o consumo mensal de uma família, em


quilogramas, de dois alimentos durante quatro meses específicos. Vejamos
esse quadro:
Quadro 4.1
Quadro 1.1 --Consumo
Consumode
dealimentos
alimentos
Arroz Feijão
Janeiro 15 4
Fevereiro 13 5
Março 16 5
Abril 15 6
Fonte: A autora (2014)

168
12 Conhecendo matrizes
U4
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Por meio do Quadro 1.1, podemos, por exemplo, saber quanto de feijão
essa família consumiu no mês de março, procurando o número localizado
na terceira linha e segunda coluna.

Representando essas informações por meio de uma matriz, obtemos:

informações por meio de uma matriz, obtemos:

Essa é uma matriz do tipo 4 x 2, pois temos quatro linhas e duas colunas.

Vamos ver, no próximo exemplo, outros exemplos de matrizes.

Exemplo 3: Matrizes

a) Essa é uma matriz 2 x 4, pois é composta por 2 linhas e 4


colunas.

b) [−2 1,5 9 −8 0] Essa é uma matriz 1 x 5, pois é composta por 1 linha e 5


colunas. A matriz que é composta por apenas uma linha é
chamada de matriz linha.

c) Essa é uma matriz 3 x 1, pois é composta por 3 linhas e 1


coluna. A matriz que é composta apenas por uma coluna
é chamada de matriz coluna.

d) Essa é uma matriz 2 x 2, pois é composta por 2 linhas e 2


colunas. Como todos os elementos dessa matriz são zero,
chamamos essa matriz de matriz nula.

Conhecendo matrizes 169


13
U4
U1

Existe uma representação genérica para as matrizes


com m linhas e n colunas, a qual é a seguinte:

Essa é uma representação genérica para uma matriz de qualquer ordem,


em que podemos identificar um elemento de acordo com o local que
ocupa na matriz, por exemplo, sabemos que o elemento a_23 ocupa na
matriz a segunda linha e a terceira coluna, já o elemento a_31 ocupa a
terceira linha e primeira coluna.

Vamos ver um exemplo de como estabelecer matrizes utilizando a


forma genérica das matrizes.

Exemplo 4: Construção de matrizes

Construa a matriz B= (bmn)4 x 2, tal que

Para construir essa matriz, é necessário verificar em quais locais dela


temos m≥n, nesses locais devemos calcular m+n2, e a resposta será o valor
do elemento da matriz que ocupa a determinada linha e coluna. Vejamos,
então, essa primeira determinação:

170
14 Conhecendo matrizes
U4
U1

Agora, só falta calcular o valor do único elemento que falta o b_12. Para
esse elemento, devemos utilizar a regra m-n, pois m é menor que n. Assim:

Sendo assim, nossa matriz B que segue as indicações é:

Agora é sua vez!

1. Qual o resultado da adição do elemento a12 e a23 da matriz


A = (amn) 2x3 tal que amn=m2-n2.

2. Qual o resultado da soma de todos os elementos que


compõem a matriz b = (bmn) 3x3 tal que bmn= m-n.

Agora que nós já conhecemos o que são matrizes e como elaborá-las


por meio de uma lei de formação, vamos agora aprender classificações
para as funções.

Conhecendo matrizes 171


15
U4
U1

Matriz quadrada
Nós dizemos que uma matriz m x n é quadrada quando m = n, ou seja,
a matriz tem a mesma quantidade de linhas e de colunas.

As matrizes a seguir são matrizes quadradas.

Matriz quadrada de ordem 2.

Matriz quadrada de ordem 3

Matriz quadrada de ordem n.

Nas matrizes quadradas de ordem n, os elementos a11 , a22 , ..., ann


formam a diagonal principal da matriz. Nesses elementos o valor de m e n
são iguais. Já a outra diagonal é chamada de diagonal secundária. Vamos
ver essas diagonais na imagem abaixo.
Figura 4.2
Figura 1.2 -- Diagonais
Diagonais da
da matriz
matriz

Fonte: A autora (2014)

MATRIZ TRIANGULAR

Uma matriz triangular é um tipo de matriz em que todos os elementos


acima ou abaixo da diagonal principal são nulos. Se os elementos acima
da diagonal principal forem nulos, temos o que nós chamamos de matriz
triangular inferior; e se os elementos abaixo da diagonal forem nulos,
temos o que chamamos de matriz triangular superior. Vamos ver exemplos
dessas matrizes na figura 1.3:

172
16 Conhecendo matrizes
U4
U1

Figura 4.3
Figura 1.3 - Matrizes Triangulares

Fonte: A autora (2014)

Na Figura 1.3, Matrizes Triangulares, os dois exemplos,


tanto a matriz triangular inferior quanto a matriz
triangular superior, são matrizes quadradas. Será que
é possível uma matriz triangular sem ser quadrada?
Pense a respeito antes de prosseguir o estudo do
nosso material impresso.

Agora que você já refletiu a respeito da questão apresentada


anteriormente, podemos discutir a respeito dela. Todas as matrizes
triangulares, tanto superiores quanto inferiores, são quadradas, não existem
matrizes triangulares sem serem quadradas, mas, como vimos alguns
exemplos, nem todas as matrizes quadradas são triangulares.

MATRIZ DIAGONAL

Diferentemente da matriz triangular em que os elementos acima ou


abaixo da diagonal principal são nulos, na matriz diagonal os elementos
acima e abaixo são nulos. Vamos ver um exemplo de matriz diagonal na
figura abaixo.
Figura 4.4
Figura 1.4 - Matriz Diagonal

( )
2 0 0 0 Matriz
0 2 0 0 Diagonal
0 0 9 0
0 0 0 3
Fonte: A autora (2014)

Conhecendo matrizes 173


17
U4
U1

Existe um caso especial para a matriz diagonal, que é a matriz identidade.


A matriz identidade é uma matriz diagonal em que todos os elementos da
diagonal principal são o número um. Vamos ver uma matriz identidade.

Figura1.5
Figura 4.5--Matriz
MatrizIdentidade
Identidade

A matriz identidade é uma


matriz quadrada, triangular e
diagonal.
Fonte: A autora (2014)

3.
a) Escreva uma matriz diagonal de ordem 4, em que amn=2m-n
quando m = n e 0 quando m é diferente de n.

b) Escreva a matriz de ordem 3 que segue

Essa matriz pode ser classificada de qual forma?

Vamos aprofundar nosso conhecimento estudando os links abaixo:

Para saber mais a respeito das classificações de matrizes, acesse os


seguintes links:
<http://educacao.uol.com.br/disciplinas/matematica/matriz-1-
definicao-e-classificacao.htm>
<http://www.brasilescola.com/matematica/tipos-matrizes.htm>.

Agora, vamos estudar uma matriz que será de grande importância para o
nosso estudo, a matriz transporta.

174
18 Conhecendo matrizes
U4
U1

MATRIZES IGUAIS

Este conceito é bem simples, mas tem utilidade na resolução de diversos


exercícios.

Nós dizemos que uma matriz é igual a outra se e somente se as matrizes


tiverem a mesma quantidade de linhas e colunas e cada um dos elementos
da primeira matriz é igual aos elementos da segunda matriz. Vamos ver um
exemplo:

Exemplo 5: Matrizes Iguais

Sejam as matrizes sabendo

que A = B, então os valores da x, r, y e t valem:

Como vimos, para duas matrizes


serem iguais é preciso que os valores
de todos os elementos correspondentes
sejam iguais, deste modo:

MATRIZES TRANSPOSTAS

A matriz transposta da matriz A m x n é indicada por At e essa matriz n x m,


pois uma matriz transposta é formada pela inversão das linhas pelas colunas
da matriz inicial.

Mas o que isso significa? O que significa dizer que a matriz transposta é
formada pela inversão da linha pela coluna?

Significa que a primeira linha da matriz A é a primeira coluna da matriz


A , a segunda linha da matriz A é a segunda coluna da matriz At, e assim
t

por diante.

Vamos ver um exemplo de matriz transposta na figura a seguir:

Conhecendo matrizes 175


19
U4
U1

4.6 -- Matriz
Figura 1.6 Matriz Transposta
Transposta

Fonte: A autora (2014)

Nós utilizaremos a matriz transposta para o cálculo de matrizes inversas.


Vamos aprender um pouco mais das matrizes transpostas no nosso Para
saber mais.

Para saber mais a respeito das matrizes inversas, que tal estudar o
seguinte material?
<http://www.mundoeducacao.com/matematica/matriz-oposta-
matriz-transposta.htm>
<http://www.colegioweb.com.br/trabalhos-escolares/matematica/
matrizes/matriz-transposta.html>
<http://www.alunosonline.com.br/matematica/matriz-transposta-
matriz-simetrica.html>.

Como você viu nos estudos dos links sugeridos, existem também matrizes
opostas e matrizes simétricas.

O que você compreendeu a respeito das matrizes opostas e


simétricas?

Agora que já conhecemos as classificações das matrizes, vamos, na


próxima seção, aprender a operar com elas.

176
20 Conhecendo matrizes
U4
U1

Seção 2

Operações com matrizes


Vamos aprender agora a respeito das principais operações com matrizes,
como realizar essas operações e alguns exemplos.

ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO DE MATRIZES

Para poder somar ou subtrair duas matrizes (ou mais), é necessário que
elas tenham dimensões iguais, ou seja, tenham a mesma quantidade de
linhas e de colunas. A soma ou subtração de matrizes é obtida por meio
da adição ou subtração de cada elemento da primeira matriz com o seu
correspondente na outra matriz. Vamos ver um exemplo:

Exemplo 1: Adição e subtração de matrizes

Seja então A + B e B – A é:

Vamos calcular A + B, lembrando que fazemos isso somando cada um


dos elementos da primeira matriz com os respectivos elementos na segunda
matriz, assim:

Sendo assim,

Conhecendo matrizes 177


21
U4
U1

De modo análogo, realizamos a subtração dessas duas matrizes, deste modo:

Sendo assim,

Devemos, na operação de subtração, tomar cuidado, com as regras


de sinais.

Na operação de adição de matrizes, existe uma propriedade, vamos


conhecê-la.

Quando é possível realizar a soma de matrizes, ou seja, as matrizes têm


a mesma quantidade de linhas e colunas, a soma apresenta as seguintes
propriedades:

A + B = B + A (propriedade comutativa)
(A + B) + C = A + (B + C) (propriedade associativa)
A + 0 = A (elemento neutro, sendo que 0 representa a matriz nula)
A + (- A) = 0 (elemento oposto)

Vamos pensar agora a respeito dessas propriedades, mas para a operação


de subtração.

178
22 Conhecendo matrizes
U4
U1

Será que as propriedades que valem para a adição


valem também para a subtração de matrizes?

Vamos ver exemplos de atividades que envolvem as operações de


soma e subtração de matrizes.

Exemplo 2. Sejam as matrizes e

sabendo que A + B = Qual é a matriz transposta da matriz A?

RESPOSTA: Para resolver essa questão, é necessário calcular o valor


de x e de y, para isso, devemos utilizar as informações que temos, assim:

Desta informação e do conhecimento a respeito adição com matrizes,


podemos obter:

Como vimos anteriormente, uma matriz só é


igual a outra se todos os elementos forem iguais.
Desta informação, concluímos que:

Com essa equação calculamos o valor de x,


porém poderíamos realizar esse cálculo também
com a equação:

Não poderia ser diferente, em qualquer uma das


equações obtemos o mesmo resultado, ou seja, o
mesmo valor para x. Agora, conhecendo o valor dessa
incógnita, podemos calcular o valor de y, assim:

Conhecendo matrizes 179


23
U4
U1

Desta forma, a matriz A é:

Vamos agora realizar algumas atividades a respeito


dessas operações.

A atividade pede a matriz transposta de


A, deste modo:

Agora é a sua vez, vamos resolver algumas atividades a respeito da adição


e subtração de matrizes.

1. Sabendo que a soma de A + B = e que A =


podemos afirmar que a matriz B é:

2. Sendo

resolva as operações com matrizes.

a) A + B.
b) A + C.
c) B - D.
d) D + B.

Vamos agora aprender mais a respeito da multiplicação de matrizes por


uma constante.

MULTIPLICAÇÃO DE MATRIZES POR CONSTANTES

Para realizar a multiplicação de uma matriz por uma constante, ou seja,


por um número real, nós precisamos multiplicar cada um dos elementos
da matriz por este número. Vejamos exemplos:

180
24 Conhecendo matrizes
U4
U1

Exemplo 3. Sendo A = calcule:

a) 5.A

b) -2.A

c) 1/2.A

A multiplicação de matrizes por uma constante apresenta algumas


propriedades, vamos aprendê-las.

Sejam α e β números reais e A e B matrizes (a+ β) A = aA+βA


de qualquer ordem, temos as seguintes a (A + B) = a A+ a B
propriedades: a(β.A)=(a.β)A

Vamos aprender agora a respeito da multiplicação de matriz por matriz.

MULTIPLICAÇÃO DE MATRIZES

Se a matriz A = (aij)m x n e a matriz B = (bjk)n x p , o produto ou multiplicação


de A por B é uma matriz C = (Cik)m x p. Essa afirmação nos mostra que só
é possível multiplicar uma matriz por outra matriz se a quantidade de coluna
da primeira matriz for igual à quantidade de linhas da segunda matriz. Na
sequência, perceberemos essa necessidade nos exemplos.

Na multiplicação de duas matrizes A e B, o número de colunas da


matriz A deve ser igual ao número de linhas da matriz B, e a matriz
C, que é o produto de AB, tem o mesmo número de linhas de A e o
mesmo número de colunas de B.

Conhecendo matrizes 181


25
U4
U1

Vamos ver alguns exemplos de como realizamos a multiplicações de


matrizes. Por meio desses exemplos vamos perceber que o resultado da
multiplicação de matrizes NÃO se dá por meio da multiplicação de cada um
dos elementos.

Exemplo 4. Seja A , a matriz C, que é resultado de


A.B, é:

Vamos resolver essa multiplicação assim:


Figura 4.7
Figura 1.7 –
– Multiplicação
Multiplicação de
de matrizes
matrizes

Fonte: A autora (2014)

A multiplicação de matrizes também apresenta algumas propriedades.

182
26 Conhecendo matrizes
U4
U1

Sejam A, B e C matrizes, sendo que existam soma e produtos entre


essas matrizes, valem as seguintes propriedades.
(B C) = (A . B) . C -> (PROPRIEDADE ASSOCIATIVA)
(B + C ) . A = B . A + C. A -> (PROPRIEDADE DISTRIBUTIVA)
A . (B + C) = A. B + A . C -> (PROPRIEDADE DISTRIBUTIVA)
Para a multiplicação de matrizes não vale a propriedade comutativa,
ou seja, em geral, A . B≠ B . A.

Vamos aprender mais a respeito da multiplicação de matrizes no próximo


exemplo.

Exemplo 5: Determine os valores de x e y para que


seja verdadeira.

Para resolver esse exercício, é preciso utilizar os conhecimentos a respeito


de multiplicação de matrizes e também de igualdade de matrizes. Sendo
assim:

Para que , que é o resultado de , seja igual a

é preciso que:

Conhecendo matrizes 183


27
U4
U1

Sendo assim, para que é necessário que x =1 e


y = 5.

Agora é sua vez de praticar essa operação.

1. Sendo determine:

a) A . B
b) B . A

A resolução dessa atividade confirma que, para a multiplicação de matrizes,


a ordem dos fatores altera o produto.

Agora que já aprendemos a respeito dessas operações, vamos ver uma


maneira de calcular o que chamamos de matriz inversa.

MATRIZ INVERSA

Quando temos uma matriz quadrada A, de qualquer ordem, ou seja, de


ordem n, se X é uma matriz tal que A. X = I, ou seja, uma matriz identidade
e X. A = I, dizemos que X é a matriz inversa de A e é indicada por A-1. Vale
lembrar que I representa a matriz identidade.

Se uma matriz A tem inversa, então dizemos que essa matriz é invisível ou
não singular. Agora nós vamos aprender por meio dos próximos exemplos
uma forma de resolver e calcular uma matriz inversa para matrizes quadradas
de ordem 2 ou 3, mas na próxima seção aprenderemos outro método para
o cálculo de matrizes, por meio do uso de determinantes.

184
28 Conhecendo matrizes
U4
U1

Exemplo 6. Seja a matriz A = podemos calcular sua inversa por


meio da informação que A . A-1 = I, sendo assim:

Resolvendo a multiplicação, obtemos:

Dessas igualdades obtemos:

Organizando essas informações na matriz, obtemos:

Exemplo 7. Se a matriz A = então vale:

Para resolver essa questão, é preciso calcular inicialmente a matriz inversa da


matriz A e depois calcular a transposta dessa matriz e, na sequência, multiplicar
pela matriz A, sendo assim:

Conhecendo matrizes 185


29
U4
U1

Cálculo da Inversa:

Essa igualdade de matrizes implica que:

Organizando os dados na matriz , obtemos , sendo assim,

A-1=

A matriz transposta de A-1 é: Agora que calculamos a

matriz podemos realizar a multiplicação de assim:

Sendo assim,

186
30 Conhecendo matrizes
U4
U1

1. Calcule a matriz inversa das matrizes que seguem:

Vamos encerrar a nossa unidade com uma questão para refletir.

Como vimos, na multiplicação de matrizes a ordem dos


fatores altera o produto, ou seja, se A e B forem matrizes
e exista as multiplicações A . B e B . A, o resultado dessas
multiplicações será diferente. Pense a respeito das
operações de matrizes.

Agora que já aprendemos a respeito das operações com matrizes,


vamos aprender na próxima seção a calcular o determinante de matrizes.

Para aprofundar seu conhecimento a respeito de operações com


matrizes, acesse:
<http://www.somatematica.com.br/emedio/matrizes/matrizes.php>
<http://www.somatematica.com.br/emedio/matrizes/matrizes2.php>
<http://www.somatematica.com.br/emedio/matrizes/matrizes3.php>
<http://www.somatematica.com.br/emedio/matrizes/matrizes4.php>.

Conhecendo matrizes 187


31
U4
U1

188
32 Conhecendo matrizes
U4
U1

Seção 3
Determinantes de matrizes de diferentes ordens
O cálculo de determinantes de funções é de grande importância para a
resolução de sistemas lineares, assunto da Unidade 2 deste material.

Os dois principais nomes associados ao desenvolvimento do estudo


dos determinantes de matrizes são Augustin – Louis Cauchy e Carl Gustav
Jacobi.

3.1 Determinantes

O estudo dos determinantes é de grande importância. Uma das formas


de resolver sistemas de equações, assunto de nossa próxima unidade é por
meio da utilização desses determinantes.

Os primeiros indícios de noções de determinantes já eram conhecidas


por volta de 250 a.C., mas apenas por volta do século XVII que surgiram
trabalhos matemáticos dos importantes matemáticos Gottfried Wilhelm
Leibniz e Gabriel Cramer. Cramer desenvolveu um método muito utilizado
até os dias de hoje para resolver sistemas de equações por meio de
determinantes.

Foi no século XIX que os determinantes começaram a ser sistematizados


e outros matemáticos também contribuíram para que houvesse essa
sistematização, sendo esses Augustin Louis Cauchy e Carl Gustav Jacobi,
porém estes matemáticos citados não são os únicos.

A notação que utilizamos para indicar o determinante de uma matriz


quadrada B é dado por detB, como vemos no exemplo de uma matriz
quadrada de ordem 3:

Conhecendo matrizes 189


33
U4
U1

Perceba que o determinante não é escrito entre parênteses ou colchetes,


ele é escrito entre barras, semelhantes às utilizadas para indicar o módulo
de um número, porém a barra utilizada nos determinantes não tem relação
com o módulo.

Agora que já sabemos um pouco da história dos determinantes, vamos


conhecer os determinantes de matrizes de ordens diferentes.

Determinantes de uma matriz de ordem 1

O determinante de uma matriz de ordem 1, ou seja, uma matriz do tipo

é o próprio elemento a11. Vejamos alguns exemplos:

Exemplo 1.

Vamos aprender agora a respeito de determinantes de matrizes de ordem 2.

Determinantes de uma matriz de ordem 2

Para calcular o valor do determinante de uma matriz de ordem 2, é


necessário multiplicar os valores dos elementos da diagonal principal e
multiplicar os valores dos elementos da diagonal secundária; na sequência,
realizar a subtração do resultado obtido na multiplicação da diagonal principal
pelo resultado obtido na multiplicação da diagonal secundária. Vamos ver um
exemplo de como realizar essas operações passo a passo na figura abaixo.

Figura 1.8
4.8 -- Determinante
Determinante de
de matrizes
matrizes de
de ordem
ordem 22

Fonte: A autora (2014)

190
34 Conhecendo matrizes
U4
U1

Como podemos ver na Figura 1.8, no caso da matriz genérica, a


multiplicação dos elementos da diagonal principal é igual a a11 a22 e a
multiplicação dos elementos da diagonal secundária é a12 a21 . Para calcular
o determinante da matriz A, é necessário realizar a subtração do resultado
obtido na diagonal principal menos a matriz secundária.

Vamos ver alguns exemplos na sequência.

Exemplo 2: Calcule os determinantes das matrizes de ordem 2, que segue:

Resolução dos exemplos.

Perceba que para resolver esse determinante nós realizamos a subtração


do resultado das multiplicações dos elementos da diagonal principal pelo
resultado da multiplicação dos elementos da diagonal secundária. Tome
cuidado com a regra de sinal.

A matriz E dos nossos exemplos é uma matriz que envolve incógnita,


porém, como não existe uma igualdade ou algo que possibilite definir o valor
de x e y, apenas realizamos um cálculo literal, como veremos na sequência.

Conhecendo matrizes 191


35
U4
U1

Agora que já temos mais familiaridade com o cálculo de determinantes


de matrizes de ordem 2, vamos resolver um exemplo que envolva outros
conceitos já estudados.

Exemplo 3. Seja calcule:

Resolução dos exemplos:

Para resolver o item a, é necessário, inicialmente, calcular A . B e, na


sequência, calcular o determinando da matriz resultante, assim:

Agora que calculamos o valor de A . B, podemos calcular o determinante


dessa matriz, logo:

Para resolver o item b, é necessário, inicialmente, calcular o determinante


de A, depois o de B e o de C e, na sequência, multiplicar os três valores
obtidos, deste modo:

Multiplicando

Para resolver o item c, devemos calcular a matriz transposta de B e, na


sequência, calcular o determinante, deste modo:

192
36 Conhecendo matrizes
U4
U1

Agora, calculando o determinante da matriz transposta, temos:

Se repararmos no determinante da matriz B calculado anteriormente,


veremos que o determinante de uma matriz é igual ao determinante
dessa matriz transposta. Sempre o determinante de uma matriz é igual ao
determinante da sua transposta, logo:

detA= detAt

Vamos pensar a respeito dessa igualdade.

Procure explicar o(s) motivo(s) pelo(s) qual(is) a


igualdade detA= detAt é verdadeira.

Para resolver o item d, é necessário multiplicar a matriz A por 3 e depois


calcular o determinante dessa nova matriz, logo:

Calculando o determinante, obtemos:

Exemplo 4: Calcule o valor da incógnita em cada uma das equações.

Conhecendo matrizes 193


37
U4
U1

Para obter o resultado do item a é necessário calcular o determinante


e resolver a equação resultante. Sabemos que estamos lidando com
determinantes, pois aparece a seguinte notação | |. Desta forma, podemos
resolver o item a da seguinte forma:

Ainda, da igualdade obtemos:

Então:

Para resolver o item b, é necessário calcular os dois determinantes,


somar os resultados e igualá-lo a 4, assim:

Somando os determinantes e igualando a 4, obtemos:

Agora é sua vez de praticar e resolver determinantes de matrizes quadradas de


ordem 2.

194
38 Conhecendo matrizes
U4
U1

1. Sendo calcule o

valor de

Vamos agora estudar os determinantes de matrizes de ordem 3.

DETERMINANTES DE UMA MATRIZ DE ORDEM 3

Vamos aprender um método para realizar o cálculo do determinante de


matrizes de ordem 3, a Regra de Sarrus.

Seja podemos obter o detA por meio do seguinte


cálculo:

De acordo com essa regra (a Regra de Sarrus), para


resolver um determinante de ordem 3 é preciso repetir a 1ª e a 2ª coluna
à direita da matriz e efetuar as multiplicações, conforme evidenciada na
figura abaixo.
Figura4.9
Figura 1.9 -- Regra
Regra de
de Sarrus
Sarrus

Fonte: Ribeiro (2007, p. 334)

Conhecendo matrizes 195


39
U4
U1

Como vimos na figura anterior, as multiplicações feitas da esquerda


para a direita mantêm os sinais e as multiplicações feitas da direita para
a esquerda têm seus resultados multiplicados por menos um, assim, os
números se mantêm, porém os sinais são trocados.

Vamos ver outra forma para resolver o determinante de matrizes de


ordem 3.

Figura4.10
Figura 1.10 -- Cálculo
Cálculo de
de determinantes
determinantes de
de matrizes
matrizes de
de ordem
ordem 33

Fonte: Ribeiro (2007, p. 334)

Utilizando a ordem de multiplicação exposta na figura, também


calculamos o determinante de uma matriz de ordem 3, porém temos que
tomar cuidado com os sinais.

Vejamos alguns exemplos:

Exemplo 5: Calcule o determinante da matriz

Inicialmente, vamos resolver esse determinante por meio da Regra de


Sarrus. Para isso devemos repetir as duas primeiras colunar e realizar as
multiplicações.

196
40 Conhecendo matrizes
U4
U1

Figura 1.11
4.11 -- Resolução
Resolução do
do cálculo
cálculo de
de determinantes
determinantes

Fonte: A autora (2014)

Após realizar as multiplicações, devemos lembrar que algumas das


multiplicações devem ser multiplicadas por menos 1. No caso do nosso
exemplo, multiplicaremos por menos um as multiplicações 0 . 5 . (-2); 6 . 2
. 1 e 0 . (-1) . 4. Assim, obtemos:

Exemplo 6. Calcule o determinante da matriz

Calculando esse determinante pela Regra de Sarrus, obtemos:

Conhecendo matrizes 197


41
U4
U1

Para saber mais a respeito do cálculo de determinantes de ordem 3,


acesse o link sugerido.
<http://www.ptmat.fc.ul.pt/~matjoao/acetatoregrasdetordem3.pdf>.

Agora é sua vez de praticar.

1. Considere as matrizes

em que x é um número real. Sabendo que o determinante da


matriz B . C é igual a 10, qual o valor de x?

Vamos aprender agora a respeito dos determinantes de matrizes de


ordem superior a 2.

DETERMINANTES DE UMA MATRIZ DE ORDEM N

Vamos agora estudar o Teorema de Laplace. Este teorema apresenta


uma regra prática para calcular determinantes de matrizes de ordem maior
que 2. Porém, para estudar este teorema, precisamos aprender o que é o
cofator de uma matriz.

Seja A uma matriz de ordem maior ou igual a 2, chamamos de cofator


do elemento aij o seguinte produto:
Cij=(-1)i+j.Dij
Nesse produto, Dij é o determinante que se obtém da matriz A
eliminando sua i-ésima Lina e j-ésima coluna.

198
42 Conhecendo matrizes
U4
U1

Para compreender um mais o cálculo de um cofator, vamos ver


exemplos.

Exemplo 7: Seja a matriz , vamos obter o cofator


do elementos a11 e a32.

Para calcular o cofator do elemento a11 , é necessário calcular o


determinante da matriz que se forma ao retirarmos a linha 1 e a coluna
1 (pois queremos o cofator do elemento que está localizado na primeira
linha e primeira coluna).

Logo:

Deste modo, o cofator será: a11=(-1)2.8=1.8=8. Sendo assim, podemos


afirmar que cofator do elemento a11 vale 8.

Para calcular o cofator do elemento a32 , é necessário calcular o


determinante da matriz que se forma ao retirarmos a linha 3 e a coluna 2
(pois queremos o cofator do elemento que está localizado na terceira linha
e segunda coluna).

Logo:

Deste modo, o cofator será: a32=(-1)5.0=-1.0=0. Sendo assim, podemos


afirmar que cofator do elemento a32 vale 0.

Exemplo 8: Vamos determinar o cofator do elemento b24 da matriz:

Para calcular o cofator do elemento b24, é necessário calcular o


determinante da matriz que se forma ao retirarmos a linha 2 e a coluna
4 (pois queremos o cofator do elemento que está localizado na segunda
linha e quarta coluna).

Logo:

Conhecendo matrizes 199


43
U4
U1

Deste modo, o cofator será:

Sendo assim, podemos afirmar que cofator do elemento b24 vale -32.

Nós estudamos o cofator de um elemento, pois, para calcular o


determinante de uma matriz de ordem maior que 2 por meio do teorema
de Laplace, iremos utilizá-lo.

O Teorema de Laplace oferece uma forma prática para calcular


determinantes de ordem superior a dois, e podemos realizar esse cálculo
adicionando os produtos dos elementos de uma linha ou coluna qualquer
pelos correspondentes cofatores desses elementos.

Vamos ver como realizar isso na figura abaixo:

Figura4.12
Figura 1.12 -- Teorema
Teoremade
deLaplace
Laplace

Fonte: Ribeiro (2007, p. 337)

Vale lembrar que a segunda linha foi escolhida, mas poderia ser qualquer
uma das linhas ou então das colunas. Vamos ver um exemplo para deixar
esse conteúdo mais claro.

Exemplo 9: Utilizando o teorema de Laplace, calcule o determinante da


matriz A=

200
44 Conhecendo matrizes
U4
U1

Visto que, para utilizar o Teorema de Laplace, necessitamos multiplicar


o elemento pelo seu cofator e podemos escolher qualquer linha ou coluna
para calcular o determinante, então, é preferível escolher a linha ou coluna
que tenha mais zeros, pois como, ao multiplicar o cofator por zero, o
resultado será zero, deixará de ser necessário o cálculo do cofator dos
elementos nulos.

Por conveniência, escolherei a segunda coluna para calcular o


determinante, assim:

Para isso, calcularemos o cofator do elemento a12 e a22, pois o a32 é


zero. Logo:

O cofator do elemento

Agora que já calculamos os cofatores, podemos utilizar a Regra de


Laplace.

Sendo assim, o determinante da matriz A é igual a 42.

Vale ressaltar que esse resultado seria obtido se escolhêssemos qualquer


linha ou qualquer coluna, e também poderíamos utilizar para essa matriz
que tem ordem 3 as regras apresentadas anteriormente.

Vamos aprender mais a respeito do Teorema de Laplace, bem como


outros teoremas relacionados a matrizes no nosso próximo Para saber mais.

Conhecendo matrizes 201


45
U4
U1

Nos links abaixo, você pode aprender mais e conhecer outros


exemplos da utilização do Teorema de Laplace para a resolução de
determinante de matrizes.
<http://www.somatematica.com.br/emedio/determinantes/
determinantes4.php>
<http://www.somatematica.com.br/emedio/determinantes/
determinantes5.php>
<http://tudodeconcursosevestibulares.blogspot.com.br/2012/11/
determinantes-propriedades.html>.

Vamos, agora, fazer uma atividade para praticar.

1. Seja A= , aplique o Teorema de Laplace e

calcule seu determinante.

Com isso encerramos os conteúdos dessa unidade. Na próxima,


aplicaremos esses conceitos em resolução de atividades de sistemas
lineares.

Para treinar e consolidar sua aprendizagem, vamos resolver algumas


atividades na sequência.

202
46 Conhecendo matrizes
U4
U1

Nessa unidade, você aprendeu:

- O que é uma matriz e como utilizá-la para organizar


dados.

- Aprendeu as classificações das matrizes.

- As operações de soma e subtração de matrizes só podem


ser feitas se as matrizes envolvidas tiverem a mesma ordem.

- Na multiplicação de matrizes, a ordem das parcelas altera


o resultado.

- Só podemos realizar multiplicação das matrizes A e B se


a quantidade de colunas da matriz A for igual à quantidade
de linhas da matriz B.

- Ao multiplicar uma matriz pela sua inversa, obtém-se a


matriz identidade.

- Os determinantes são utilizados na resolução de sistemas


de equações.

- Existem determinantes apenas de matrizes quadradas.

- A forma de resolver um determinante de matriz está


relacionada à ordem dessa matriz.

- Existe um teorema para resolver determinantes de ordem


maior ou igual a 2, o Teorema de Laplace.

Conhecendo matrizes 203


47
U4
U1

Esta unidade foi elaborada com a intenção de que por meio dela você
fosse conduzido no processo de construção do conhecimento a respeito
de matrizes, suas operações, características, propriedades, bem como
métodos distintos para o cálculo de determinantes de matrizes, e para a
resolução de problemas que envolvem esses assuntos.

Espero que você tenha compreendido esses conteúdos importantes


e de grande aplicação em diversas áreas, como Física, Computação,
Engenharia e, logicamente, para a própria Matemática. Os conteúdos
tratados nessa unidade fazem parte dos conteúdos do currículo do
Ensino Médio.

Para que você possa se aprofundar nos conteúdos apresentados, sugiro


que faça as leituras dos sites ou livros que foram indicados nas dicas de
leitura, assim como pense e busque uma resposta para as questões de
reflexão.

Faça todas as atividades de aprendizagem tanto da seção quanto da


unidade, inicialmente sem olhar as respostas e, na sequência, verifique
se sua resposta está em concordância com a resposta sugerida.

Anseio que tenha tido bons estudos e uma boa compreensão dos
conceitos que estudamos nessa unidade e desejo que continue
realizando bons estudos nas próximas unidades desse livro.

1. Dada a matriz podemos afirmar que a

matriz A.At pode ser classificado como:


a) Matriz linha. d) Matriz Identidade.
b) Matriz coluna. e) Matriz Inversa.
c) Matriz simétrica.

204
48 Conhecendo matrizes
U4
U1

2. Dadas as matrizes A= Qual matriz X tal que


a igualdade X.A=B é verdadeira?

3. Uma matriz C = [232 165 111 182] consta o consumo


mensal de água em m em uma residência nos quatro primeiros
3

meses do ano. Sabendo que a empresa que fornece água cobra


R$1,20 por m3, determine a matriz que apresenta o valor gasto
em reais da conta de água dessa residência.

4. Sendo tal que M = A. B, os


valores de x e y podem ser obtidos por meio de qual sistema de
equações?

5. Dada as matrizes

vale:

a) 110. d) 200.
b) 140. e) 230.
c) 170.

Conhecendo matrizes 205


49
U4
U1

Referências
RIBEIRO, J. Matemática: ciência e linguagem. São Paulo: Scipione, 2007.

SILVEIRA, J. F. Porto das Matrizes. Disponível em:


<http://www.mat.ufrgs.br/~portosil/passa3b.html>. Acesso em: 03 nov. 2014.

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50 Conhecendo matrizes

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