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*Os impactos do covid-19 sobre os povos indígenas*

A pandemia do covid-19, decretada pela Organização Mundial da Saúde em


março de 2020 atingiu com grande impacto a população mundial, cerca de 4 milhões de
pessoas. No entanto, os povos indígenas do estado brasileiro, devido ao seu histórico de
mortes desde o período colonial, por gripes, guerras, sarampo e outras doenças trazidas
pelos portugueses e espanhóis, foram os mais atingidos e que possuíram uma média de
mortes acima do restante do mundo, chegando por volta de 1200 indígenas de 163
povos diferentes mortos pela doença. Somando a isso, diversos outros problemas
somaram-se à pandemia, como o desmatamento, conflitos territoriais, garimpo e
mineração incentivados pelo governo federal através de se seu representante que é
publicamente já se manifestou contra os povos indígenas. No entanto, os povos
indígenas não assistiram essas violências históricas inertes. O movimento indígena
brasileiro, junto com as lideranças, parlamentares, apoiadores e as próprias aldeias e
comunidades se mobilizaram e deram respostas imediatas para conter o avanço da
doença e evitar maiores danos aos seus povos.

Desde que se iniciou a pandemia, indígenas de vários povos e regiões, através


de suas organizações políticas, trataram de divulgar os nomes e fotos dos mortos.
Muitas dessas falavam do quanto isto significou que os saberes e culturas estavam
morrendo junto com esses corpos físicos. Isso foi de extrema importância para
contabilizar os mortos indígenas, uma vez que os órgãos oficiais não divulgavam esse
número ou classificavam indígenas como se fosse pardo, significando, portanto, a
invisibilização das identidades dos mortos. As organizações indígenas, junto
pesquisadores, passaram a utilizar esses dados para evidenciar que o que estava
ocorrendo, tratava-se de um genocídio, de uma repetição da história de morte que se
abate sobre os povos indígenas.

Além da pandemia, o garimpo que também foi incentivado pela política do


governo, foi um dos principais vetores de contaminação e invasão das terras indígenas.
Nas terras Yanamomi, por exemplo, estiveram de 20 mil garimpeiros extraindo
minérios desde o inicio do ano. Na Raposa/Serra do Sol, mais de 2mil garimpeiros
presentes. Entre os Munduruku também não foi diferente. E ainda estes garimpeiros
causam terror nas comunidades, chegando a jogar bombas e executar tiros entre os
moradores, bloquear suas passagens e levando doenças. E o governo nada fez para
impedir essas invasões e salvar os indígenas.

Os indígenas reagiram a isso da forma como sempre fizeram: lutando. Muitas


aldeias, para impedir que o vírus adentrasse fizeram as barreiras sanitárias e isolaram-se
da cidade, das rodovias, os rios, no caso dos indígenas do Acre. Em Roraima, muitas
barreiras foram construídas e os grupos se organizaram pelo WhatsApp e divulgaram
suas ações nas redes sociais como forma de protesto. Também ressalto aqui a
recuperação e fortalecimento da medicina tradicional, das rezas e banhos que se
recomeçou a ser praticada. A lideranças ainda realizares lives para levar esclarecimentos
para as aldeias e criaram conteúdos de celular para falar da importância do isolamento e
mais recentemente, sobre a importância da vacina.

Isso tudo nos mostra que a força dos povos indígenas continua viva. Apesar de
toda violência que sofremos, mortes de parentes, amigos, professores, que é sim uma
tragédia, nós conseguimos evitar, através de nossos saberes, que fosse muito pior.
Conseguimos nos fortalecer e continuamos lutando em vários planos, seja na aldeia ou
no Congresso Nacional, levando nossas espiritualidades e nossas forças ancestrais para
continuarmos resistindo à esse plano de governo genocida e evitar a morte dos povos
indígenas e de seus território.

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