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1. Distâncias topográficas

As distâncias são elementos lineares fundamentais para a


Topografia, pois para se caracterizar um terreno necessitam-se de figuras
geométricas
formadas por Figura 41 – Demonstração através de perfil de um
distâncias e ângulos. terreno, das distâncias horizontal, vertical, natural e
inclinada entre dois pontos A e B.
As principais
distâncias que
ocorrem na
A
Topografia são:
distância horizontal DI
(DH), distância DV
vertical (DV),
distância inclinada Dnatural
(DI) e distância
natural do terreno B
(Dnatural) (Figura DH A’
41).
A distância
horizontal (DH) é uma distância entre dois pontos situados em um plano
horizontal (perpendicular ao eixo zênite-nadir). Pode também ser
chamada de distância reduzida ou distância útil à Topografia. É
considerada útil, pois a partir dela pode ser desenvolvida a maioria dos
usos e interesses da sociedade em nível de propriedade, como por
exemplo, a construção de casas. É o caso de um terreno com uma
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declividade acentuada e onde se queira construir uma casa. Logicamente


que a casa não será construída no plano inclinado. Terá que se fazer um
corte no terreno para a construção da casa. Então, conclui-se que a
distância inclinada não será utilizada, sendo a distância reduzida ou
horizontal a que será utilizada para esse fim. O mesmo se aplica para
diversos usos, como o plantio de árvores, tanques para criação de peixes,
cultivo de arroz, criação de animais, entre outros (Figura 42).

Figura 42 - Na esquerda, casa inadequadamente construída em terreno inclinado. Na


direita casa construída corretamente em um plano horizontal.

A distância vertical (DV) é a distância perpendicular à distância


horizontal, ou ainda, paralela ao eixo zênite-nadir. Como distâncias
verticais temos a diferença de nível, cota e altitude de pontos no terreno.
A distância inclinada (DI) é a distância em linha reta que une dois
pontos em que a DH e a DV sejam diferentes de zero.
Distância natural do terreno (Dnatural) é a distância que percorre
naturalmente a superfície do terreno.

2. Precisão e acurácia (exatidão)

A Topografia vem ao longo do tempo tendo resultados bastante


espantosos quanto à precisão e à acurácia na obtenção de medidas. Antes
os erros métricos eram considerados toleráveis, já hoje são os
milimétricos para distâncias e segundos para ângulos. Diante disso,
surgem dois conceitos importantes em busca do aprimoramento deste
aperfeiçoamento, quais sejam: acurácia (exatidão) e precisão.
A precisão é obtida quando são realizadas diversas mensurações,
as quais resultam em valores bastante próximos uns dos outros. Na
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verdade, pode-se dizer que precisão é algo relativo, pois comparam-se


diferenças de valores de medidas entre si, podendo ou não estarem
próximas do valor real. Quanto mais próximos os valores obtidos, maior
será a precisão. Já a acurácia (exatidão) é relacionada à proximidade dos
valores obtidos de uma medida com relação ao valor real dessa medida.
Assim, quanto mais próximos os valores obtidos estiverem do valor real
de uma medida, maior será a acurácia. Então, pode-se notar que, as duas
maneiras de se falar são diferentes e independentes. O grau de
precisão/acurácia vai variar da metodologia aplicada, dos instrumentos,
do tempo e do operador. Na verdade, por mais modernos que sejam os
instrumentos e métodos de medição, e por mais repetições que se façam
na obtenção de valores de uma medida, nunca se saberá com certeza qual
o valor real da grandeza medida.

3. Tipos de medições

As medições dividem-se em: por estimativas, diretas e indiretas

3.1. Estimativa visual é um tipo de medição com pouca acurácia e que a


diminuição ou aumento da acurácia vai depender da acuidade visual do
mensurador, como por exemplo do topógrafo, principalmente da
experiência que ele tenha. Essa estimativa serve para fazer um trabalho
inicial para se ter noção do tamanho de uma área por exemplo, porém
após a análise preliminar ter-se-ão que utilizar os procedimentos exigidos
de medição direta/indireta.

3.2. Medições diretas


As medições diretas ocorrem quando são feitas sem a necessidade
do emprego de funções matemáticas para obtenção de determinada
medida, como por exemplo: passo médio, trena, hodômetro, entre outras
menos comuns.
O hodômetro é um instrumento pouco utilizado na Topografia,
que faz a medição de um determinado comprimento a partir da contagem
do número de voltas dadas por uma roda, multiplicado pelo comprimento
do perímetro do hodômetro. Este instrumento irá percorrer o caminho de
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acordo com a conformidade do terreno. Para obtenção de distâncias


horizontais e verticais em terrenos inclinados, esburacados, sinuosos, o
instrumento de medição não será tão eficiente, podemos chegar a erros
extremamente grandes por não percorrer, nesse caso, a distância
horizontal ou vertical desejada.
Passo médio é um tipo de medição onde o topógrafo calcula qual
o valor médio de sua passada em condições normais. Para se obter o valor
do passo médio, é colocado um alinhamento de 100 m, onde o
profissional contará a quantidade de passos que dará nessa distância e
utilizando a fórmula Distância percorrida / quantidade de passos = passo
médio (PM), chegará a saber qual o valor de seu passo médio. Por
exemplo, se ele executar 200 passos em 100 m, o seu passo médio será
de 0,5 m. Esse procedimento deve ser realizado pelo menos três vezes,
onde o topógrafo deverá andar num alinhamento, longe de condições
psicológicas que afetem a distorção entre um passo e outro.
Outro tipo de procedimento de se obter as distâncias de maneira
direta é utilizando a trena.

3.3. Medições indiretas

As medições indiretas são aquelas que requerem o uso de funções


matemáticas para se obterem as distâncias. Dividem-se em eletrônica e
taqueométrica (estadimétrica).
As medições indiretas eletrônicas são realizadas por instrumentos
que se utilizam do laser para fazer as medições. A distância é calculada
através do tempo em que o laser leva para sair do equipamento e atingir
o prisma ou objeto. Os instrumentos mais comuns para obtenção das
distâncias de maneira indireta são distanciômetro eletrônico (em desuso),
a trena eletrônica e a Estação Total.
A Taqueometria ou estadimetria é um tipo de medição indireta
que tem como princípio determinar a distância horizontal entre um ponto
e outro utilizando-se um instrumento (teodolito e nível de luneta) e o
acessório mira falante através da relação entre as leituras dos fios
estadimétricos e os valores de constantes do instrumento.
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Os equipamentos envolvidos para a Taqueometria, são: teodolito,


mira-falante e tripé ou nível de luneta, mira-falante e tripé. Os fios
estadimétricos utilizados para esses procedimentos são o fio superior e o
fio inferior. Esses fios são paralelos entre si e equidistantes ao fio médio
ou também chamado de fio nivelador.

O princípio da Taqueometria:

Como mostra a Figura 43, os três fios, em forma de imagem, são


gerados a partir do meio da luneta, coincidindo com o ponto topográfico,
saindo do instrumento e interceptando a mira falante através dos fios
superior, médio e inferior, formando um triângulo. Através da fórmula
de semelhança de triângulos, temos a seguinte fórmula:

0B AC
= ac
0b
0B é a distância horizontal (DH) do ponto onde está o
teodolito/nível de luneta até o ponto onde está a mira-falante. É essa
distância (DH) que desejamos descobrir, dado a fórmula:

DH AC
= ac
0b
0b e ac são, respectivamente, a distância focal (f) e altura focal
(h). Essas duas distâncias estão relacionadas entre si. A razão entre
distância focal e altura focal é uma constante de valor igual a 100 para
todos os equipamentos na atualidade, com objetivo de facilitar os
cálculos, resultando da fórmula abaixo.

DH AC
= Relação f/h = 100
f h
AC é simplesmente a diferença entre fio superior e inferior.
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DH FS-FI
=
f h
Separando o DH, temos:

DH = f (FS-FI)
h
OU

DH = 100 (FS-FI)
Todas as leituras dos fios são feitas em milímetro.Se for desejada
a resposta do DH em metros, será necessária a divisão por 1000,
conforme a fórmula abaixo.

DH = 100 (FS-FI)
1000
Para simplificar a fórmula faz-se a divisão 100/1000.

(FS-FI)
DH(m) =
10
Figura 43 – Esquema da leitura dos fios superior, médio e inferior.
A 07

B
06

05

a C 04

0 b 03

02

c
01
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Como se vê, para a formação da semelhança de triângulos, e essa


fórmula ficar coerente, é necessário que a luneta esteja em 90º em relação
ao Zênite. Caso contrário, resultará numa variação dessa fórmula.
Existem situações nas medições entre dois pontos onde o terreno é muito
inclinado, necessitando de um giro vertical da luneta para se realizar a
leitura dos três fios. Caso não seja feito este giro, resultará algo parecido
com a Figura 44.

Figura 44 – Interceptação incompleta ou não interceptação dos três fios na mira-


falante ao deixar a mira em 90º em relação ao Zênite.

B B

A A

Ao se girar a luneta em um determinado ângulo alfa, a partir do


plano topográfico, podem ser visualizados os três fios. Porém, para se ter
a semelhança de triângulos, teremos que ter a mira-falante a um ângulo
alfa igual ao que girou na luneta, como mostra a Figura 45.

Figura 45 – Esquema de como deveria estar a mira falante quando se trata apenas de
semelhança de triângulos.

Como se sabe, a distância pretendida (DH) não vai ser obtida,


caso a mira falante esteja inclinada, devido ao fato de não se ter certeza
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do quanto a mira deve ser inclinada em função do ângulo vertical de


inclinação alfa obtido no teodolito. Portanto, para se obter o DH a mira
terá que ficar verticalizada, como mostra a Figura 46.
Figura 46 – Esquema com a mira falante verticalizada.

Para se calcular o DH, deve-se fazer uma correção da posição da


mira que faz a semelhança de triângulos e a posição da mira verticalizada,
como mostra a Figura 47. Sendo fs, fm e fi leituras sem a correção e FS,
FM e FI a leitura correta.
Figura 47- Inclinação imaginária da mira falante para obtenção da DH.
FS
fs
FM
fm

fi FI

Na situação sem girar a luneta, tem-se uma coincidência de DH


com 0B, como mostra a Figura 48.
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Figura 48 - Relação 0B e DH.

0
B

Na situação em que se gira a luneta, em que 0B é diferente de DH, é


necessária a realização da conversão (Figura 49):

Figura 49 - Relação 0B e DH.


0
DH B

A
DH (reduzido) = 0B (fs-fi) x cos 

Para essa situação, 0B = fs-fi. Nesse caso, deveremos fazer a


correção para a leitura do 0B que leia os FS – FI (Figura 50).

Figura 50 - Relação fs, fm, fi, FS, FM e FI.

FS
fs
 FM
fm

fi FI
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Cos  = fs-fi
FS-FI fs-fi = (FS-FI) . Cos 

DH = (FS-FI) . Cos  . Cos 

Então,

DH (m) = (FS-FI) . Cos2 


10
4. Exercícios de fixação

1) Quais são as medidas diretas e indiretas de distâncias?

2) Calcular a DH, sabendo-se que ao instalar o teodolito, o topógrafo


obteve os seguintes dados:  = 0º 00’ 00’’, FS = 2500 mm, FM = 2300
mm e FI = 2100 mm.

3) Calcular a DH, sabendo-se que ao instalar o teodolito, o topógrafo


obteve os seguintes dados:  = 30º 00’ 00’’, FS = 2000 mm, FM = 1500
mm e FI = 1000 mm.

4) Calcular a DH, sabendo-se que ao instalar o teodolito, o topógrafo


obteve os seguintes dados: z = 45º 00’ 00’’, FS = 3500 mm, FM = 3000
mm e FI = 2500 mm.

5) Calcular a DH, sabendo-se que ao instalar o teodolito, o topógrafo


obteve os seguintes dados: z = 30º 00’ 00’’, FS = 2000 mm, FM = 1500
mm e FI = 1000 mm.

6) Calcular a DH, sabendo-se que ao instalar o teodolito, o topógrafo


obteve os seguintes dados: z = 90º 00’ 00’’, FS = 2000 mm, FM = 1500
mm e FI = 1000 mm.

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