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FUNDAÇÃO ESCOLA SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO

FACULDADE DE DIREITO
Credenciada pela Portaria MEC n.º 3.640, de 17/10/2005 – DOU de 20/10/2005. 

CURSO DE DIREITO - BACHARELADO


Reconhecido pela Portaria MEC n.º 444, de 1º de novembro de 2011 – DOU de 3/11/2011.

Nome: _____________________________________________________________________

Trabalho de Dir. Urbanístico Professora Betânia Alfonsin Nota: ______

1 Leia a matéria abaixo, publicada no site Brasil de Fato em 04/08/2021.

300 famílias alertam descaso e podem ter casas derrubadas


na Zona Sul de SP
Prefeitura deu um mês para as famílias da Chácara Gaivotas deixarem os
imóveis; Moradores protestam e pedem indenização

Mais de 300 famílias da Chácara Gaivotas, na Zona Sul de São Paulo, vem dormindo sem saber se irão
acordar com tratores - Arquivo Pessoal

Na última semana, o governo de São Paulo vetou o Projeto de Lei que suspendia


reintegrações de posse durante a pandemia do novo coronavírus. Sob autoria da deputada
Leci Brandão (PC do B) e dos deputados Maurici (PT) e Jorge do Carmo (PT), a proposta
havia sido aprovada há mais de um mês pela Assembleia Legislativa do Estado de São
Paulo. 

Enquanto isso, os despejos continuam. Na Chácara das Gaivotas, no Grajaú, cerca de 300
famílias correm o risco de deixarem suas casas em meio à crise sanitária. Muitas vivem há
mais de 30 anos no local. 

Rua Cel. Genuíno, 421 - 9° andar – Porto Alegre/RS  - CEP 90010-350


Tel.: (51) 3027 6565 Fax: (51) 3027 6555
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“A nossa casa, no caso, é como se não valesse de nada. Todo esse tempo, toda essa construção
que a gente teve, o gasto, é como se não valesse de nada. Se é preciso fazer a obra, a gente vai
ficar desamparado?”, destaca a trabalhadora Érica Rodrigues Galvão, de 24 anos.

A Prefeitura de São Paulo justifica às famílias que a área está dentro do Programa de
Recuperação de Mananciais do município, e as obras visam a reparação ambiental das
represas Billings e Guarapiranga. Os dois reservatórios de água abastecem a maior cidade do
país.

Mas o anúncio da desapropriação, segundo as famílias, foi repentino. No final de 2020,


assistentes sociais da Prefeitura passaram pelas casas cadastrando os moradores, mas sem
avisar o motivo. Seis meses após viria o aviso: até o dia 24 de julho as moradias deveriam ser
desocupadas.  

Em troca, a gestão municipal garantiria um auxílio aluguel de 400 reais por seis meses e a
promessa da vaga em um conjunto habitacional na região - que ainda sequer foi construído.  O
acordo não foi aceito pela maioria dos núcleos familiares, que hoje permanecem nas casas e
com receio dos tratores. 

“Não tem documento, é tudo falado por boca, é assistente social que marca reunião, a gente
pergunta, tenta ligar, elas não falam, e a gente fica assim. Já passou o prazo dos trinta dias e a
gente ainda não saiu da casa”, explica Érika. 

“O que a gente tá querendo mesmo nesse momento é apenas uma indenização, que a gente
possa sair com a garantia que ali na frente vai conseguir ter uma moradia fixa, a gente não
quer permanecer no aluguel”, completa.

A maioria das famílias, como a de Érika, adquiriram o terreno de maneira informal e não
apresentam documentação.  Em reuniões, os moradores e vereadores vem tentando negociar
junto à gestão de Ricardo Nunes (MDB) uma alternativa para as centenas de moradores.

“Nós não somos contra a obra, do programa Mananciais. Até porque nós precisamos das
represas, das duas. São elas que produzem as águas que nós consumimos. O problema é que o
governo quando vem com o programa, que tem desapropriação a ser feita, devia fazer era
casada já com outra opção de moradia para pessoa que terá que sair dali”, destaca o vereador
do PT. 

O parlamentar pede transparência e não entende a urgência para a retirada das famílias em
meio ao contexto de crise sanitária. 

“É lamentável essa postura da Prefeitura de em um momento com esse jogar as pessoas nessa
situação. Um absurdo que nós não vamos aceitar. Estamos neste momento negociando no
campo político, mas se não avançar, nós vamos pro campo jurídico”, aponta Alfredinho.

Durante a pandemia, ao menos 14,3 mil famílias foram despejadas no Brasil, durante o
período de março de 2020 a 6 de junho de 2021. Os dados são do levantamento mais recente
da Campanha Despejo Zero, organizada pelos movimentos de moradia desde o início da crise.

Só no estado de São Paulo, já são 3.970 famílias despejadas e mais de 34 mil ameaçadas de
serem removidas de duas casas.

“A gente não sabe se pode chegar um caminhão assim do nada, junto com polícia, e obrigar
que a gente saia de casa. A gente não sabe o que pode acontecer”, alerta a moradora da
Chácara Gaivotas.

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Outro lado

Em nota enviada ao Brasil de Fato, a Secretaria de Habitação da Prefeitura de São Paulo


afirmou que não responde pela área e nem pela assistência às famílias, pois ela pertence à
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
A reportagem solicitou também à Prefeitura se há previsão para a retirada das famílias; o que
será oferecido após a remoção; e quais motivos justificam a urgência do processo de
desapropriação em meio à crise sanitária. Os questionamentos, no entanto, não foram
respondidos até o fechamento da reportagem. 

2 – A partir do estudo que fizemos sobre a história da urbanização brasileira, enfatizando como esse processo
se deu no país, quais foram suas características e como esse processo impacta o exercício da cidadania
estabelece uma relação entre a situação relatada neste texto e a história de produção de cidades no Brasil.

3 - A matéria menciona que a maioria das famílias adquiriu a terra "de maneira informal, sem documentação".
Comenta o papel que o Direito cumpriu no processo de urbanização do país, muito especialmente no que diz
respeito às possibilidades de acesso à terra pelas populações de baixa renda no país.

4 - Considera a situação narrada nesta matéria e analisa-a verificando que diretrizes do Estatuto da
Cidade (Lei 10.257/01) foram violadas no caso em tela.

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