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BIOLOLOGIA GERAL

1.
As bactérias, sendo organismos simples, conseguem se adaptar muito mais rápido às condições
do meio em que vivem. Com base nessa alternativa é correto afirmar:

 A) a) Quando você faz uso de um antibiótico, o esperado é que este consiga quebrar alguma
defesa da bactéria para que seu organismo consiga eliminá-la.

 B) b) Quando o antibiótico não é eficiente, a bactéria consegue “alterar” seu material genético,
ficando mais forte.

 C) c) Essa alteração vai ser passada para as próximas gerações, formando assim, bactérias
resistentes àquele determinado antibiótico.

 D) d) Todas as alternativas estão corretas.


2
zooplâncton é constituído por consumidores primários, os herbívoros, e por predadores de
diferentes níveis tróficos. Ao contrário dos ambientes marinhos, o zooplâncton dos ambientes de
água doce é composto por poucos grupos de invertebrados aquáticos.” Sendo assim, marque a
alternativas incorreta.
 A) Protozoários. B. Crustáceo C. Moluscos D peixes

E3
O exame que nos permite estudar como as células em um determinado tecido estavam se
comportando em seu microambiente é denominado:
4. Qual o exame nos permite saber quais antibióticos são realmente eficazes contra uma bactéria.
5. Sabemos que o conhecimento biológico pode ser utilizado em favor das necessidades do ser
humano. Além disso, o que é necessário para diminuir os prejuízos causados pelo homem?

 A) a) É preciso construir leis que protejam as crianças das ameaças dos adultos.
 B) b) É preciso construir leis que protejam as espécies ameaçadas pelas atividades humanas.

 C) c) É preciso construir leis para que as pessoas possam entender mais sobre o mundo animal.

 D) d) É desnecessário construir leis que protejam as espécies ameaçadas pelas atividades
humanas.

5. Desde o início da agricultura o ser humano vem desenvolvendo técnicas cada vez mais
avançadas para elevar a produção agrícola, com base neste assunto é incorreto afirmar que:

 A) Todos os anos, pesticidas são lançados às toneladas nas lavouras para controlar as pragas que
devastam as plantações.

 B) Na maioria dos casos, essas pragas que surgem nas lavouras são insetos

 C) Os insetos são considerados como pragas, pois eles destroem as plantações

 D) A forma com que o ser humano desenvolve a agricultura não permite que o ecossistema
agrícola permaneça em equilíbrio.

6. O Projeto TAMAR (tartarugas marinhas) foi criado em 1980 com o intuito de proteger as
tartarugas marinhas que nesta época já faziam parte da lista de espécies ameaçadas de extinção. É
correto afirmar que:

 A) O projeto obteve tanto sucesso que atualmente são mais de 18 bases espalhadas por todo o
Brasil.

 B) Totalizando mais de 1100 Km de praias monitoradas durante a época da desova entre os
meses de outubro a março.
 C) Em Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo, está localizada uma das bases que recebe
milhares de turistas e estudantes todos os anos, incluindo muitos alunos de graduação

 D) A estratégia do projeto não funcionou muito bem, e atualmente a renda originada da venda de
produtos associados à marca beneficia mais de 1300 famílias e financia as ações de conservação
do projeto.

7. Hoje em dia nós podemos obter informações importantes a respeito da saúde de um indivíduo
analisando alguns aspectos de suas células. Este exame, que tem por finalidade a análise da
morfologia de uma célula, recebe o nome de:

 A) Citopatologia.

 B) Toxicologia.

 C) Limnologia.

 D) Biologia.
8. A fitoterapia brasileira com base científica tem crescido a cada ano, já são centenas de
substâncias extraídas de plantas brasileiras utilizadas em todo o mundo. Todos são exemplos de
fitoterápicos, exceto:

 A) Digitalina (cardiotônico).

 B) Emetina (amebicida).

 C) Escopolamina (sedativo).


 D) Vitamina (antitumorais).

efeitos prejudiciais à saúde humana e o não desenvolvimento de resistência aos


inimigos naturais como ocorre com os produtos químicos. Uma limitação do uso da
técnica descontrole biológico é que os verdadeiros resultados gerados por este tipo de
ação só poderão ser visualizados após um longo período. Algumas espécies animais,
além de prejudicar as lavouras, podem trazer doenças aos seres humanos, é o caso
de Achatina fulica(Bowdich,1822), mais conhecido como caramujo africano. Esta
espécie de molusco é uma praga introduzida no Continente Americano que já
devastou lavouras em vários países (VASCONCELLOS & PILE, 2001).

Segundo TELES etal. (1997), foi introduzido no Brasil para criação em cativeiro, com
o objetivo de comercialização para restaurantes especializados, mas o produto não foi
bem aceito no nosso país e os criadores abandonaram o negócio, com isso, a praga
se alastrou por várias partes do país, chegando até as regiões entre marés
(SANT’ANNA et al., 2005), servindo de recursos de concha para organismos marinhos
como os ermitões. Esta espécie, além de destruir lavouras, pode transmitir doenças
como a meningite eosinofilia ou angiostrongilíase menino encefálica (VASCONCELOS
&PILE, 2001). Apesar do perigo que esta espécie pode trazer para os seres humanos,
até o momento não foi desenvolvida uma técnica eficaz para o controle desta praga,
atualmente é feita por meio de recolhimento dos espécimes que são colocados em
sacos plásticos com sal, sendo encaminhados “mortos” para os lixões.

Este é apenas um exemplo de que são necessários mais estudos sobre esta
espécie para que possamos desenvolver técnicas mais eficientes de combate a esta
praga introduzida na fauna brasileira. Como você pôde observar no exemplo acima,
estudos zoológicos são fundamentais para a manutenção do bem-estar humano. 1.1
Zoologia Aplicada -os invertebrados IIO conhecimento biológico pode ser utilizado em
favor das necessidades do ser humano. Além disso, muitas vezes para diminuir os
prejuízos causados pelo homem, é preciso construir leis que protejam as espécies
ameaçadas pelas atividades humanas.
Na aula de hoje vamos constatar que estudos de Biologia básica podem fornecer
dados para o manejo de espécies ameaçadas ou que estão sendo amplamente
exploradas por atividades comerciais. Para compreendermos como os estudos
zoológicos podem ser empregados de forma a proteger espécies que estão sendo
exploradas de forma indiscriminada, vamos utilizar exemplos ligados a espécies de
interesse comercial. Na área de pesca, é muito comum se utilizar períodos de defeso,
que consiste na proibição da captura de determinada espécie durante um certo
espaço de tempo em que a espécie se encontra mais vulnerável, seja por estar
relacionada a eventos reprodutivos, migrações ou outros motivos. Vamos tomar como
exemplo inicial o caranguejo de manguezal Ucides cordatos(Linnaeus, 1763), figura 1.
Ucidescordatus é conhecido popularmente como caranguejo uçáou caranguejo
verdadeiro, dependendo da região de ocorrência.

É a espécie de caranguejo mais explorada do Brasil, principalmente na Região


Nordeste, onde têm ocorrido problemas de mortandade da espécie por fatores ainda
não totalmente esclarecidos. (BOEGER et al. 2005). Caranguejo de manguezal
Ucides cordatos. Imagem cedida pelo Prof. Marcelo Antônio Amaro Pinheiro. Estudos
de crescimento desta espécie evidenciaram que fêmeas atingem a maturidade sexual
(HATTORI, 2002) com, aproximadamente, 43mm de largura da carapaçona Região de
Iguape, sul do Estado de São Paulo. Com base no estudo de HATTORI (2002) e
alguns outros trabalhos, o IBAMA formulou a portaria nº 52/2003 de defeso da espécie
que proíbe a captura de animais com tamanho inferior a 60mm, o que possibilita a
reprodução da espécie em pelo menos uma época reprodutiva. Da mesma forma,
essa portaria proíbe a captura, manutenção em cativeiro e o transporte de animais
durante os meses de outubro e novembro, época reprodutiva da espécie
(SANT’ANNA, 2006), além de não ser permitida a captura de fêmeas com ovos
durante todo o ano. O grupo dos moluscos também desperta um grande interesse
econômico, mexilhões, ostras e polvos são os animais mais apreciados deste grupo
para alimentação humana.
Semelhante ao procedimento adotado pelo IBAMA para o caranguejo U. cordatus,
foi determinado o tamanho mínimo de captura de 11cm de comprimento do manto
para as espécies de polvo do Brasil (Instrução normativa, nº3 –abril/2005),
respeitando a reprodução da espécie. Além de determinar uma série de normas para
as embarcações que atuam na pesca do polvo, e de proibir a coleta e embarque de
ovas de polvo. Na figura 2, podemos observar um exemplar de polvo, cuja legislação
acima incide.

Imagem de uma espécie de polvo, cedida pelo Prof. Acácio Ribeiro Tomás. Uma
outra saída para diminuir a extração de espécimes do seu ambiente natural é
desenvolver técnicas para criação em cativeiro, que mais uma vez depende de
estudos relacionados à reprodução, como fertilidade, fecundidade, desenvolvimento
embrionário e também sobre a sua ecologia trófica. Apesar da demanda crescente
que o mercado apresenta com relação ao polvo, no Brasil ainda não se pratica a
criação em cativeiro para produção em larga escala, o que já é feito na Espanha, mais
precisamente nas águas da Galícia desde 1996. (CARVALHO-FILHO, 2004)

Com os exemplos acima você pôde perceber que sem estudos básicos como os de
reprodução e crescimento não seria possível desenvolver o manejo efetivo de
espécies que necessitam de políticas de defeso ou novas técnicas de criação em
cativeiro!

2 ZOOLOGIA APLICADA

-OS VERTEBRADOS Nas aulas anteriores observamos algumas aplicações do


conhecimento zoológico dos invertebrados, hoje vamos estudar a zoologia dos
vertebrados e suas aplicações. Os vertebrados são animais que possuem coluna
vertebral ou “espinha dorsal” formada por vértebras que protegem a medula espinhal.

O conhecimento sobre os vertebrados pode ser aplicado de várias formas, uma das
aplicações mais conhecidas é a utilização de dados sobre a reprodução, crescimento,
alimentação etc, para a criação de espécies de interesse econômico. A criação de
espécies aquáticas (aquicultura) é uma área em amplo desenvolvimento que vamos
estudar na unidade II. Espécies animais são largamente utilizadas pelos seres
humanos para alimentação, as carnes animais mais consumidas no Brasil, são as de
boi, porco e frango. Para aumentar a produção animal, os zootecnistas, todos os
anos, desenvolvem novas técnicas para incrementar o peso, a reprodução e a
adaptação das espécies ao cativeiro. O conhecimento zoológico é a base para a
aplicação das técnicas de melhoramento, por exemplo, há muitos anos estudos
confirmaram a relação da colocação de ovos pelos frangos, com o foto período.
Utilizando o artifício de “ludibriar” as aves, durante o crepúsculo, os criadores
acendem fortes lâmpadas, o que faz as aves

pensarem que ainda é dia e continuarem colocando ovos, elevando a produção total
de ovos. Até mesmo o conhecimento dos hábitos alimentares e da morfologia do bico
destas aves são importantes para aplicabilidade de certas técnicas.

A debicagem, técnica que consiste no corte de parte do bico das aves, é


implementada para diminuir o desperdício de ração e a morte de aves feridas por
brigas ocasionais entre frangos de corte que convivem juntos nos galpões. Com o uso
desta técnica, diminui-se o risco de morte das aves e o custo da criação pelo baixo
desperdício de ração. Através do conhecimento popular há muitos anos iniciou-se o
estudo dos problemas causados por venenos animais, cujas espécies mais
popularmente associadas a estes são as serpentes.

Em São Paulo, podemos encontrar o Instituto Butantã, que produz cerca de 80% dos
soros e vacinas consumidos no país; podemos nos considerar privilegiados por
possuirmos um órgão competente nesta área que é reconhecido mundialmente. A
zoologia e a pesquisa de venenos de serpentes caminham juntas no desenvolvimento
de novos medicamentos, pois entendendo-se os hábitos e até mesmo o
desenvolvimento reprodutivo das espécies de serpentes e de suas presas, pode-se
capturar o animal na natureza para a extração do veneno ou criar espécimes em
cativeiro para a produção de veneno, como é feito em todo o mundo. 2.1 Zoologia
Aplicada -Os Vertebrados IINa aula anterior aprendemos sobre algumas aplicações do
conhecimento dos animais vertebrados, hoje vamos perceber que a economia ligada
ao turismo ecológico vem crescendo a cada ano e quem é mais beneficiado com a
conservação animal é a natureza. Em todo o Brasil muitas espécies animais vêm
sendo ameaçadas de extinção devido a diversos fatores como a caça, poluição,
extração de recursos e pesca excessiva. A conservação de espécies de apelo
popular, além de trazer benefícios para a conservação das espécies, tem subsidiado o
turismo ecológico em muitas cidades.

O Projeto TAMAR (tartarugas marinhas) foi criado em 1980 com o intuito de


proteger as tartarugas marinhas que nesta época já faziam parte da lista de
espécies ameaçadas de extinção. O projeto obteve tanto sucesso que
atualmente são mais de 18 bases espalhadas por todo o Brasil, totalizando mais
de 1100 Km de praias monitoradas durante a época da desova entre os meses
de outubro a março. Em Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo, está
localizada uma das bases que recebe milhares de turistas e estudantes todos os
anos, incluindo muitos alunos de graduação.

A estratégia do projeto funcionou tão bem que atualmente a renda originada da


venda de produtos associados à marca beneficia mais de 1300 famílias e financia as
ações de conservação do projeto. A conservação do peixe-boi, grande mamífero de
hábito aquático que habita os rios, estuários e o mar das regiões intertropicais, é outro
bom exemplo de associação de conservação e turismo. Desenvolvido na região
nordeste, o projeto conta com quatro bases, sendo uma em Pernambuco, Alagoas,
Paraíba e Piauí. A base de Itamaracá (PE) conta com três oceanários para
manutenção dos espécimes, nos quais é feita a

recuperação de filhotes encalhados, estudos sobre a biologia da espécie,


comportamento, alimentação e fisiologia, além de estudos médico veterinários,
sanguíneos e genéticos. A experiência adquirida nesta base abriu portas para
ampliação dos objetivos do projeto, criando o Centro de Mamíferos Aquáticos, que
recebe mamíferos aquáticos como os pinípedes e cetáceos. O projeto é mantido de
forma semelhante ao TAMAR, existem patrocínios como da Petrobrás, renda
originada de visitação de turistas às bases e também pela venda de produtos
associados ao peixe-boi. Os cetáceos, mais especificamente as baleias, sofreram
muito e ainda sofrem pela prática da caça, atualmente o conhecimento dos locais e
épocas reprodutivas de várias espécies deste grupo, auxilia na fiscalização desta
prática, proibida na maior parte do mundo. Os estudos de migração reprodutiva e
alimentar, também, são empregados no monitoramento das baleias próximas a costa,
para que se evite o encalhe, para que se possam desenvolver análises populacionais
e também para o crescimento turístico da região de ocorrência. Abrolhos é um bom
exemplo de desenvolvimento turístico relacionado à ocorrência de baleias.

3 BOTÂNICA E ALGUMAS DE SUAS APLICAÇÕES

Apesar de cada um de nós possuirmos preferências alimentares, todos nós


dependemos direta ou indiretamente da agricultura. Na aula de hoje vamos perceber
que o conhecimento da Botânica foi e é fundamental para a evolução da agricultura. A
botânica aplicada é enfocada no desenvolvimento de técnicas que podem ser
empregadas na resolução de problemas práticos atrelados aos vegetais. Podemos
dividir as aplicações da botânica em várias áreas: agricultura, silvicultura, floricultura,
as plantas medicinais, virologia e bacteriologia.

Agricultura:

a domesticação de plantas começou há cerca de 11.000 anos nas terras que


atualmente compõem o Líbano, Turquia, Síria, Irã, Iraque, Jordânia e Israel. As
primeiras plantas a serem cultivadas foram a cevada e o trigo, sendo seguidas pela
ervilha e a lentilha (Raven et al., 2001). Com o crescimento da população humana foi
necessário otimizar a agricultura, que se iniciou de forma rudimentar, sem nenhuma
técnica específica. Além do desenvolvimento tecnológico, foi fundamental o
aprofundamento do conhecimento da Biologia das plantas para se proceder um
manejo de forma eficiente. Investigando-se as necessidades nutricionais das plantas
associadas ao tipo de solo e às épocas de melhor desenvolvimento das espécies
vegetais, a agricultura pôde crescer de forma a suprir a enorme necessidade de
alimento que a população humana requer. A agricultura pode ser dividida em vários
seguimentos: pomicultura, que trata do cultivo de frutas comestíveis; horticultura, que
se refere ao cultivo de hortas, dentre outros.

Silvicultura:

É o cultivo ou povoamento florestal, com intuito comercial. A silvicultura brasileira


pode ser considerada uma das mais ricas em todo o planeta, devido a sua
biodiversidade, as condições dos fatores edafoclimáticos e a boa adaptação das
espécies introduzidas. Apesar das boas condições apresentadas pelo nosso país, o
mais difícil é a escolha da espécie correta a ser cultivada em determinada região.
Podemos citar como exemplo clássico, as árvores do gênero Eucalyptus,

dependendo da região brasileira é indicado o plantio de determinada espécie que se


adapta melhor ao clima frio ou quente. Na região sul é indicado o plantio de E. dunniie
nitens

espécies de maior tolerância ao frio, já nas regiões leste e centro-oeste brasileiras,


são cultivadas as espécies E. grandis, E. salignae E. urophylla, ou híbridos destas
espécies.

Floricultura:

é basicamente o cultivo de flores. Muitos agricultores pensam que esta área é muito
fechada pela dificuldade na aquisição de tecnologia e pela escassez de literatura
sobre o assunto. Apesar disso, a realidade é que a floricultura no Brasil é recente,
sendo o Estado de São Paulo líder em tecnologia e produção de flores. Para o
sucesso dos pequenos agricultores em todo o Brasil é fundamental a criação de
núcleos que consigam atender o mercado regional e até mesmo exportar.
Plantas Medicinais:

devido à amplitude desta aplicação da botânica esta será abordada em uma aula à
parte. Virologia e bacteriologia: a virologia e bacteriologia vegetal são áreas
destinadas à identificação de pragas e ao desenvolvimento de técnicas e soluções
aplicadas ao combate de pragas agrícolas na forma de bactérias e vírus. Como
podemos observar, o conhecimento adquirido pelos cientistas botânicos é de
fundamental importância para o desenvolvimento da agricultura e também das outras
áreas ligadas à botânica. 3.1lantas medicinais

IVamos conhecer a aplicação das plantas na manutenção da saúde humana, desde


os primórdios até os dias atuais. É importante ressaltar que o Brasil é o país que
possui a maior biodiversidade do mundo, com aproximadamente 20% do número total
de espécies animais e vegetais do planeta. A maior diversidade vegetal é
representada por cerca de 55.000 espécies catalogadas de um total de
aproximadamente 350.000 a 550.000 espécies existentes no mundo. Em virtude
dessa diversidade vegetal, nosso país é alvo de muitos cientistas mal-intencionados,
que fazem biopirataria atuando principalmente na região da Amazônia, local que
abriga a maior floresta do mundo, a Floresta Amazônica. Estes cientistas se
aproveitam da dificuldade financeira da população para adquirir, a preço de “banana”,
exemplares da nossa flora que são enviados irregularmente para fora do país. A
história da botânica se confunde com a história das plantas medicinais, inicialmente os
primeiros trabalhos dedicados ao estudo das plantas tinham o intuito de nomear e
categorizar as plantas de importância medicinal (LORENZI & MATOS, 2002). Muitas
plantas foram nomeadas com base em suas propriedades medicinais, por exemplo,
Justicia pectoralis (propriedade balsâmica) e Spigelia anthelmia (vermíuga). No Brasil,
a utilização de plantas medicinais é anterior à chegada dos europeus, pois as
comunidadesindígenas já utilizavam um gama de ervas em seus rituais, e o
conhecimento era transmitido de geração para geração. Os europeus também
trouxeram a sabedoria popular das plantas medicinais utilizadas na Europa.
Finalmente, o início do emprego das ervas medicinais no Brasil é fechado com a
utilização destas

em rituais religiosos que os escravos africanos trouxeram da África. Apesar da


difusão dos produtos fitoterápicos no Brasil, a maioria destes não atende às normas
vigentes de controle de qualidade, sendo vendidos sem rotulagem que deve conter a
designação de produto fitoterápico, nomenclatura botânica oficial, parte da planta
utilizada, data de fabricação e número de registro no Ministério da Saúde. Também
deve trazer a concentração do princípio ativo, bem como o nome do responsável
técnico. A embalagem do produto também tem que ser feita de maneira cuidadosa,
pois esta não pode alterar as características do produto (STASI, 1996).

Para darmos sequência na próxima aula, é importante ressaltar que produto


fitoterápico é todo medicamento tecnicamente obtido, empregando-se, exclusivamente
matéria prima vegetal com finalidade profilática, curativa ou para fins diagnósticos,
com benefícios para o usuário. É caracterizado pelo conhecimento dos seus riscos e
eficácia, é o produto final acabado, rotulado e embalado. Não podem estar incluídas
substâncias ativas de outras origens, não sendo de fitoterápicas, ainda que de origem
vegetal isolada. A fitoterapia brasileira com base científica tem crescido a cada ano,já
são centenas de substâncias extraídas de plantas brasileiras utilizadas em todo o
mundo. Podemos citar como exemplos a digitalina (cardiotônico), a emetina
(amebicida), a escopolamina (sedativo), a vimblastina e a vincristina (antitumorais).
Pela biodiversidade e necessidade de substâncias médicas cada vez mais
específicas, não podemos deixar de pesquisar novas substâncias fitoterápicas.

Na aula de hoje tivemos uma introdução ao estudo das plantas medicinais


conhecendo um pouco da fitoterapia. Na próxima aula vamos estudar os métodos
utilizados para descobrir novas drogas e plantas medicinais.
3.2 Plantas Medicinais IINa aula de hoje vamos dar continuidade ao estudo das
plantas medicinais aprendendo como estas são validadas como plantas medicinais e,
também, as duas principais formas de uso destas plantas. A validação de novas
drogas e plantas medicinais Uma planta só deve ser utilizada como medicamento
após ter seu princípio ativo determinado, para isso, a análise do princípio ativo pode
ser dividida em duas etapas. (LORENZI & MATOS, 2002) Na primeira etapa são
desenvolvidos os estudos farmacológicos, pré-clínicos e toxicológicos,
complementados por ensaios clínicos e estudos de toxicologia humana aguda.

Na segunda etapa promove-se o estudo químico, com objetivo de isolar o princípio
ativo, ou seja, o principal componente químico da planta que vai agir de forma
terapêutica e ou curativa. Uso de plantas recém colhidas O uso de plantas frescas,
recém colhidas é a forma mais popular de utilização das plantas medicinais pelos
brasileiros, principalmente das regiões norte e nordeste. Apesar disso, devemos tomar
muito cuidado, averiguando a procedência das ervas e, da mesma forma, a qualidade
de produção das mesmas, principalmente informando-se das formas mais corretas de
se utilizar determinada erva. A adoção deste tipo de fitoterapia, cientificamente
orientada para produção de plantas para uso imediato, é muito importante e pode
contribuir para a melhoria do nível de saúde pública local. Principalmente devido à
atual condição financeira da maioria da população que não tem recursos financeiros
para adquirir medicamentos em drogarias especializadas. Uso de plantas secas
utilização de plantas secas é feita principalmente pela indústria que requer uma
quantidade maior, não sendo viável a utilização de plantas recém colhidas. A forma de
secagem e armazenamento do material é muito importante para manter as
propriedades das plantas. O material a ser submetido à secagem pode ter várias
origens como folhas, raízes, flores, frutos, tubérculos, sementes, dentre outras. A
utilização das plantas medicinais é, conforme o caso, por ingestão na forma de
infusão, cozimento ou maceração; ou pelo uso externo com aplicações na pele, nas
mucosas e até mesmo no couro cabeludo. Como pudemos perceber nestas duas
aulas, o Brasil é muito rico em diversidade vegetal, mas precisamos tomar cuidado
quando utilizamos algum tipo de planta medicinal, principalmente na forma de
aplicação destas.

4 ECOLOGIA APLICADA AO CONTROLE DE PRAGAS

No primeiro semestre conhecemos a ecologia, que é a área da Biologia que estuda a


relação entre os organismos e o ambiente, em conjunto com os fatores ambientais. Na
aula de hoje vamos observar algumas das aplicações da Ecologia. É incontestável
que nenhuma espécie vive isolada, de algum modo, está se relacionará com outras
espécies pertencentes ou não à mesma comunidade (FORATINI, 1992). Quando
identificamos e interpretamos estas relações podemos intervir de forma a melhorar a
qualidade de vida humana.

O estudo das interações entre as espécies e destas com o meio ambiente é


fundamental para implementação de futuros planos de manejo e conservação de
espécies animais que estão sob ameaça de extinção ou não. Atualmente, os meios de
comunicação divulgam principalmente as pesquisas que tem foco em espécies de
apelo popular como tubarões, golfinhos, baleias e tartarugas, ou aquelas que estudam
espécies de importância econômica como ostras, crustáceos e peixes. Muitos outros
trabalhos de igual importância ecológica são desenvolvidos todos os anos no território
brasileiro e não chegam ao conhecimento da população. Espécies de fungos ou
bactérias e pequenos invertebrados como os insetos e aranhas desempenham papel
importantíssimo na manutenção do ecossistema de forma geral.

A conservação de espécies ameaçadas ou mesmo a recolocação de animais


apreendidos pela fiscalização pública necessita de dados sobre a ecologia das
espécies, para aumentar a chance de sobrevivência destas no ambiente ou mesmo
espécies que não estão ameaçadas podem ser vítimas de acidentes ambientais e os
dados ecológicos disponíveis podem auxiliar a resolver possíveis problemas. Para
exemplificar podemos citar espécies que não são conhecidas pela população como os
ermitões, que são caranguejos que protegem o seu corpo se escondendo dentro de
uma concha de caracol e utilizando está para se locomover. Ermitões da espécie
Clibanarius vittatus(Bosc, 1802) são organismos marinhos que vivem na região entre
marés de praias estuarinas ou costões rochosos e dependem de conchas de caracóis
para sobreviver, quando desprotegidos pelas conchas estes animais ficam totalmente
vulneráveis no ambiente, sendo predados por peixes e outros caranguejos facilmente.
Suponha que houve um derramamento de petróleo no mar que não atingiu a região
entre marés, ou seja, que os ermitões não foram afetados, e que o óleo derramado
atingiu muitas espécies animais, dentre estas, a população de caracóis que foi
totalmente dizimada. Diretamente os ermitões não foram afetados e em curto prazo
não se pode diagnosticar nenhum efeito sobre estes animais, mas conhecendo um
pouco da ecologia e do comportamento e vida destes animais sabemos que a médio e
longo prazo estes animais serão afetados drasticamente, deixando de existir neste
local por extinção ou por migração para outras áreas onde existam recursos de
conchas disponíveis. Quando se trata de uma espécie que está sob forte ameaça de
extinção, o conhecimento ecológico é mais importante ainda, pois, medidas de
manejo e proteção, com demarcação de áreas de proteção ambiental podem ser
subsidiadas por dados referentes à ecologia trófica, distribuição e ocorrência
das espécies.

Como pudemos observar na aula de hoje, o estudo da interação entre as espécies e


destas com o ambiente é fundamental, independente da importância econômica
desta. Em sua casa, observe as formigas carregando um pedaço de alimento quando
estão subindo a parede e perceba que na sua casa estes organismos podem ser
considerados como pragas, mas, na natureza elas estariam cumprindo um importante
papel dentro do ecossistema.

6 EVOLUÇÃO E O DNA MICROSATÉLITE

Na aula de hoje poderemos verificar a utilização da análise de DNA aliado a estudos


evolutivos, como a identificação de microssatélite. O DNA microssatélite é um
fragmento de DNA que normalmente não carrega informação, este é composto por
unidades de 1 a 6 nucleotídeos repetidos em sequência dentro do genoma de vários
organismos, principalmente os seres eucariontes. O microssatélite foi descoberto em
1960, através da separação do DNA em duas ou mais partes através do processo de
centrifugação. Após a centrifugação era possível visualizar uma banda principal
composta de genes e bandas secundárias compostas por sequências de DNA
repetidos que receberam o nome de bandas satélites. A função dos microssatélites na
evolução foi apresentada por BELKUN (1999). Em seu trabalho ele descreve que em
bactérias patogênicas Haemophilus influenza e ectoplasma spp. as alterações no
número de repetições de microssatélite, induzem a produção de proteínas com
pequena diferença da proteína normal. Sob certas condições do ambiente essas
proteínas modificadas são mais úteis para o patógeno, no caso das bactérias acima
proporcionou uma melhor adaptação ao ambiente. A análise da composição do
microssatélite também é utilizada para fazer exames de paternidade em cães.

Para determinação da paternidade, são colhidas células dos cães suspeitos, por
exemplo, células da mucosa bucal, aplicando-se posteriormente a técnica de PCR
(Polymerase Chain Reaction, ou seja, reação em cadeia da polimerase) para se
ampliar o DNA microssatélite e determina-se a paternidade. Podemos entender
melhor a importância do estudo de microssatélites analisando a bactéria Haemophilus
influenzaeque é responsável por alguns tipos de meningite e pneumonia. Esta
bactéria possui um microsatélite com as seguintes bases nitrogenadas: CAAT, a
mudança no número de repetições desta sequência faz com que a bactéria perca a
substância colina fosfato. As bactérias sem essa substância são menos eficientes na
colonização das vias nasais e garganta, de outra forma, estas são mais eficientes ao
sistema imune. Para que estudemos a evolução das espécies é importante
entendermos como funcionam os mecanismos de interação genéticos e ecológicos
das mudanças evolutivas. Apesar disso, estudando estes aspectos conseguimos
apenas propor teorias que expliquem como ocorreu o processo evolutivo de um certo
organismo e isso é diferente de determinar como foi que realmente ocorreu a
evolução. A história evolutiva pode ser melhor contada por dados paleontológicos e de
sistemática biológica, aliados a estudos ecológicos e genéticos. Portanto, o estudo da
evolução das espécies tem que ser feito de forma multidisciplinar envolvendo
cientistas de várias áreas. Como pudemos verificar na aula de hoje, o estudo
evolutivo, ou da evolução a nível microscópico é de extrema importância,
contribuindo até mesmo para o entendimento de algumas doenças.

7 AQUICULTURA -EXEMPLO DE CULTIVO

Na aula de “Aquicultura” falamos sobre este ramo da ciência que trata do cultivo de
animais aquáticos e abordamos os aspectos positivos e negativos desta atividade.
Hoje, vamos apresentar um exemplo prático de cultivo de um organismo marinho.
Mexilhão é o termo utilizado na língua portuguesa para denominar as diversas
espécies de moluscos bivalves da família Motilidade, sendo os gêneros mais comuns
o Perna, Mytiluse Mytella, popularmente conhecidos como mariscos (MORALES,
1983). Estes animais são marinhos e habitam a região entre marés dos costões
rochosos, de onde, muitas vezes, são frequentemente extraídos pela população para
a utilização na culinária. O cultivo de mexilhões é denominado de mitilicultura e, em
diversos países, é uma atividade produtiva de importância econômica. De forma geral,
os mexilhões liberam os gametas na água do mar, sendo que não há dimorfismo entre
sexos, mas a coloração das gônadas das fêmeas tende a se tornar alaranjada em
função do estágio sexual e o macho pode ter uma cor esbranquiçada. As larvas se
desenvolvem na água e se alimentam por si mesmas por aproximadamente 21 dias.
Na costa brasileira, após 6 ou 7 meses de cultivo se encontra pronto para a venda
(MARENZI & BRANCO, 2005). A primeira etapa para o cultivo é a obtenção das
sementes, ou mexilhões jovens, que ainda são, na maioria das vezes, extraídos dos
costões rochosos, sendo esta uma prática que pode causar impacto nas populações
deste molusco no ambiente. Ainda hoje são poucos os mitilicultores que retiram
sementes fixadas nas próprias estruturas de cultivo, sendo que muitos artefatos, tais
como tubos de PVC, redes velhas enroladas, cordas de polietileno, podem ser
utilizados para a obtenção da semente no ambiente natural, desta forma com menor
impacto sobre as populações que se desenvolvem no costão rochoso.

A segunda etapa do cultivo é chamada de engorda. Nesta etapa, as sementes são


obtidas e fixadas a estruturas especiais as quais são colocadas no mar para que os
animais possam se alimentar e se desenvolver. Os mexilhões podem ser cultivados
em longas cordas suspensos em balsas ancoradas em áreas protegidas do mar.
Cabos mestres são dispostos na superfície da água através de flutuadores e a fixação
dos cabos é feita por intermédio de poitas de concreto. Ao longo do cabo são
amarradas as cordas de produção, nas quais os mexilhões são presos e ficam
imersos na água do mar. Inicialmente são colocadas 1,5 kg/m descorda de sementes.
O tempo de cultivo é em torno de 6 a 8 meses, quando os mexilhões estarão atingindo
o tamanho comercial, ou seja, 7 a 8 cm (MARENZI & BRANCO, 2005). Pode-se
perceber que o manejo é restrito à limpeza e manutenção das cordas. A produção de
mexilhões ocorre durante o ano inteiro, com algumas interrupções na colheita, por
ocasião da desova.

O ciclo reprodutivo do mexilhão apresenta uma certa variação temporal de um ano


para outro, sendo que, em pelo menos três meses por ano, eles se encontram muito
magros para serem comercializados. A comercialização se concentra no período de
verão, época em que os moluscos estão com ótimo rendimento de carne e o fluxo dos
turistas ao litoral é intenso. Quanto à forma de comercialização, ela geralmente ocorre
na concha ou descochado, principalmente por intermediários.

No cultivo de mexilhões, as perdas podem decorrer de más condições do mar,


ataques de predadores ou roubos. Para se ter uma ideia da viabilidade econômica do
negócio, segundo dados do Ministério da Agricultura e do Abastecimento (2006), o
investimento médio necessário para a instalação de uma unidade de cultivo no
sistema de longline (espinhel) com 1.000 cordas de cultivo com 2 m de comprimento é
de R$ 7.250,00. A produção proveniente deste sistema oscila entre 25 e 30 toneladas
brutas de mexilhão. Se levarmos em conta que o preço do mexilhão com casca (bruto)
é de R$ 0,80, o produtor terá uma receita bruta de até R$ 24.000,00 por ano (R$
2.000/mês). Após essa aula você pôde perceber como o homem pode obter recursos
alimentares causando um baixo impacto no meio ambiente. 7.1 Aquicultura -Cultivo de
algas A Aquicultura pode ser desenvolvida trazendo muitos benefícios sociais, tais
como o aumento de renda das populações ribeirinhas. Muitos cultivos que geram
menor lucro para grandes empreendedores, como o de algas, podem ser utilizados
por cooperativas e populações tradicionais aumentando sua renda e diminuindo o
impacto ambiental. As algas são empregadas comercialmente no mundo inteiro como
recurso comestível para homens ou animais, e para a produção de ficocoloides (gels
de macroalgas), que são polissacarídeos hidrossolúveis naturalmente encontrados em
grande quantidade em algas pardas e vermelhas. As algas são usadas para extração
de substâncias como o agregar usado na indústria alimentícia que funciona como
espessante, gelificam-te e estabilizante para doces, iogurtes e sorvetes, por exemplo,
e a carrega a empregada em alimentos e também na indústria de cosméticos. Em
regiões tropicais, o grupo mais importante é o das algas vermelhas, com 3 gêneros
respondendo por mais de 90% da produção: Encheu-a, Hypneae Gracilaria.O cultivo
tem sido uma saída para incrementar a produção no mundo, sendo que a maricultura
de macroalgas foi uma das que mais se expandiu na última década. Os cultivos de
macroalgas em todo o mundo, diferentemente das demais mariculturas, são
tradicionalmente conduzidos por famílias de pescadores, principalmente pelas
mulheres, apresentando um significante impacto social (OLIVEIRA, 1998). Como
exemplo, um projeto de cultivo de algas patrocinado pela Organização de Alimentação
e Agricultura (FAO) da Organização das Nações Unidas (ONU) tem promovido um
aumento da renda de comunidades litorâneas no nordeste brasileiro, evitando a
extração indiscriminada de algas de seu ambiente natural. Além disso, esse projeto
pode ajudar, ainda que modestamente, a balança comercial brasileira, uma vez que o
Brasil apresenta duas indústrias de fabricação de ficocoloides, sendo a matéria prima
comprada de cultivos estrangeiros e só uma pequena parte colhida nos bancos
naturais da costa nordeste, provocando impacto ambiental negativo. Segundo dados
da FAO, em 2001, o Brasil importou mais de US$ 15 milhões em derivados de algas.
As algas são normalmente cultivadas por meio de cordas nas quais são fixadas as
mudas, e estas cordas colocadas próximas à costa. Depois de 3,5 meses a colheita

é feita e, antes da venda, as plantas são limpas e secas, sendo que as algas perdem
80% de seu peso neste processo. Cada quilo de alga seca é vendido entre R$ 0,50 e
R$ 1. O projeto realizado no nordeste brasileiro mostra que é possível produzir várias
toneladas de algas e já se estuda a redução do tempo de colheita para um prazo de
45 dias. Com esta venda, tem sido possível dobrar a renda mensal das famílias locais,
que era menos de um salário mínimo antes do projeto. Além do aumento da renda, o
cultivo de algas gera benefícios paralelos, como a atração para a área de cultivo de
peixes e crustáceos, que podem ser pescados e comercializados, ou mesmo servir
como alimento para as comunidades. Paralelamente à pesca, as famílias ainda obtêm
renda da agricultura e do artesanato. O cultivo de macroalgas também pode ser
realizado integrado ao cultivo de camarões. Este processo é relativamente simples e
pode aumentar o lucro do empreendimento bem como diminuir o impacto ambiental.
De modo geral, no cultivo de algas associado aos tanques de camarões, as algas
cresceriam utilizando os nutrientes disponíveis anágua de cultivo, vindos das excretas
e do resto de ração dos camarões e, sendo assim, estariam diminuindo a quantidade
de nutrientes que seriam lançados nas águas dos estuários, servindo como um filtro
biológico. Ao final do cultivo, tanto os camarões quanto as algas poderiam ser
vendidos para obtenção do lucro final. Com este exemplo você notou como é possível
realizar o desenvolvimento sustentável, ou seja, aliar desenvolvimento econômico,
social, cultural e ainda preservar o meio ambiente. 7.2 Aquicultura -cultivo x impactoA
Aquicultura tradicional se desenvolveu com base no cultivo dos organismos em
tanques e viveiros escavados na terra. Atualmente, novas técnicas que visam cultivar
os organismos no ambiente natural têm sido desenvolvidas. É neste contexto que
vamos discutir nesta aula, com base no cultivo de camarões marinhos. A
carcinicultura, ou seja, o cultivo de crustáceos tem, como foco principal, a criação de
camarões. Em todo o mundo, camarões de água doce e marinhos são cultivados têm
grande importância como fonte de alimento para as populações e também como fonte
de renda. No Brasil, a atividade vem se desenvolvendo nas últimas décadas, sendo
que o consumo interno de camarões de água doce ainda é baixo perto da procura por
camarões marinhos pelo mercado consumidor. Tradicionalmente os cultivos de
camarões marinhos ocorrem em viveiros escavados em áreas estuarinas internas ou
próximas aos manguezais. Esta atividade é considerada impactante ao meio ambiente
uma vez que os bosques de mangue são devastados para a construção dos viveiros
e, desta forma, todo o fluxo de nutrientes é afetado. Além disso, a constante adição de
ração e remédios aos tanques de cultivo e a liberação desta água para o ambiente faz
com que estes produtos vindos da ração e dos remédios sejam levados ao ambiente
alterando desta forma a dinâmica natural das regiões costeiras. Assim, além do
impacto causado ao meio ambiente, a falta de áreas continentais para o aumento de
viveiros, aliada à elevação dos custos da terra contribuiu com o desenvolvimento de
novas técnicas de produção. Neste contexto, surgiu a

proposta de criação de camarões marinhos em estruturas flutuantes, conhecidas


como tanques-rede. A utilização de estruturas e metodologias alternativas para o
cultivo de camarões tem sido buscada por pesquisadores de diversas partes do
mundo. Isso se deve, principalmente, à diminuição da disponibilidade de áreas
continentais, à elevação do custo da terra, à redução dos custos operacionais, à
necessidade de desenvolvimento de sistemas geradores de renda para as populações
menos favorecidas das zonas litorâneas e à necessidade de minimização dos
impactos da carcinicultura sobre o meio ambiente.Os cultivos em tanques-rede
aparecem como uma alternativa para o ingresso de pequenos produtores na
carcinicultura, já que tais sistemas de produção possibilitam a redução dos
investimentos necessários para a implantação de unidades de cultivo, aproveitam bem
os recursos naturais dos ecossistemas costeiros, não implicam emmovimentação de
terra, desmatamento ou abertura de canais, permitem a economia de energia com a
renovação de água e podem possibilitar a obtenção de margens compensadoras de
lucro.No Brasil, o cultivo de camarões em tanques-rede se iniciou na década de 1980
e, desde então, a tecnologia de cultivo vem sendo continuamente aperfeiçoada com o
empenho de instituições de pesquisa e da iniciativa privada. Este tipo de cultivo tem-
se revelado uma opção bastante apropriada para regiões litorâneas abrigadas, tais
como baías, enseadas e estuários, em que haja restrições para a construção de
viveiros tradicionais, seja por questões topográficas ou ambientais. A produção de
camarões em tanque-rede é uma alternativa mais barata, equilibrada, mais
sustentável e também rentável, para regiões onde existem restrições para a
construção de viveiros tradicionais, tanto por questões topográficas como
ambientais.O cultivo de camarões marinhos está em constante desenvolvimento no
Brasil e no mundo, pois é uma alternativa para a estagnação da produção pesqueira,
que se encontra próxima ao seu rendimento máximo sustentável. A necessidade de
produzir alimentos para o consumo humano proporciona um incentivo para o
desenvolvimento e aprimoramento de técnicas de cultivo aquícola, visando não só
expandir a quantidade produzida, mas também o aproveitamento dos recursos
naturais e minimizando o impacto ao ambiente. Atualmente tem crescido a
necessidade de produzir organismos cultivados de maneira sustentável, evitando-se
maiores impactos ao meio ambiente.Você pôde perceber que o papel do biólogo é
mais do que cuidar dos aspectos básicos do cultivo, ele deve também se preocupar
com o impacto causado ao ambiente e desenvolver novas técnicas que aliem o bom
desenvolvimento dos animais ao menor impacto ao ambiente e ao lucro obtido.

8 EDUCAÇÃO AMBIENTAL -DESENVOLVIMENTO E PRESERVAÇÃO

Nos dias atuais, o grande desenvolvimento científico-tecnológico tem sido aliado ao


desenvolvimento e à preservação ambiental. Apesar disso, no aspecto prático, ainda
temos muito a discutir e a realizar para que a sociedade possa se desenvolver
preservando os recursos naturais. Assim, falaremos um pouco sobre estes aspectos
de desenvolvimento e conservação.

Atualmente, grande parte da população brasileira vive concentrada nas cidades e,


aliada ao grande desenvolvimento tecnológico das últimas décadas, ocorre uma
grande crise ambiental. Neste contexto torna-se de grande importância uma série de
reflexões e discussões sobre Educação Ambiental. LEFF (2001) fala sobre a
impossibilidade de resolver os crescentes e complexos problemas ambientais e
reverter suas causas sem que ocorra uma mudança radical nos sistemas de
conhecimento, dos valores e dos comportamentos gerados pela dinâmica de
racionalidade existente, fundada no aspecto econômico do desenvolvimento. A partir
da Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental realizada em Tbilisi
(URSS), em 1977, iniciou-se um amplo processo com objetivo de criar condições que
formem uma nova consciência sobre o valor da natureza e para reorientar a produção
de conhecimento baseada nos métodos da interdisciplinaridade e nos princípios da
complexidade. Esta nova área educacional tem se fortalecido e possibilitado a
realização de experiências concretas de educação ambiental de forma criativa e
inovadora por diversos segmentos da população e em diversos níveis de formação.
Atualmente, diversas conferências e especialistas na área chamam a atenção para a
necessidade de se articularem ações de educação ambiental baseadas nos conceitos
de ética e sustentabilidade, identidade cultural e diversidade, mobilização e
participação e práticas interdisciplinares. (SORRENTINO, 1998)A necessidade de
abordar o tema da complexidade ambiental decorre da percepção sobre a baixa
reflexão existente sobre as práticas de conservação e de destruição dos dias atuais e
das múltiplas possibilidades de pensar a realidade de modo complexo, defini-la como
uma nova racionalidade e um espaço onde se articulam natureza, técnica e cultura.
Refletir sobre a complexidade ambiental abre uma oportunidade para compreender a
formação de novos atores sociais que se mobilizam para a apropriação da natureza,
para um processo educativo articulado e compromissado com a sustentabilidade e a
participação, apoiado numa lógica que privilegia o diálogo e a interdependência de
diferentes áreas de saber. Mas também questiona valores e premissas que norteiam
as práticas sociais prevalecentes, implicando mudança na forma de pensar e
transformação no conhecimento e nas práticas educativas. (JACOBBI, 2003)Neste
contexto, voltamos novamente a falar em desenvolvimento sustentável, o que
representa a possibilidade de garantir mudanças sociopolíticas que não comprometam
os sistemas ecológicos e sociais que sustentam as comunidades. Nestes tempos em
que a informação assume um papel cada vez mais relevante, ciberespaço, multimídia,
Internet, a educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar e
sensibilizar as pessoas para transformar as diversasformas de participação na defesa
da qualidade de vida. Nesse sentido cabe destacar que a educação ambiental assume
cada vez mais uma função transformadora, na qual a corresponsabilização dos
indivíduos torna-se um objetivo essencial para promover um novo tipo de
desenvolvimento -o desenvolvimento sustentável. Sendo assim, podemos afirmar que
a educação ambiental é condição necessária para modificar um quadro de crescente
degradação socioambiental, mas ela ainda é insuficiente, sendo mais uma
ferramentade mediação necessária entre culturas,

comportamentos diferenciados e interesses de grupos sociais para a construção das


transformações desejadas. O desenvolvimento sustentável somente pode ser
entendido como um processo no qual, de um lado, estão as restrições mais relevantes
relacionadas com a exploração dos recursos, a orientação do desenvolvimento
tecnológico e o marco institucional; de outro, o crescimento deve enfatizar os aspectos
qualitativos, notadamente os relacionados com a equidade, o uso de recursos -em
particular da energia -e a geração de resíduos e contaminantes. Além disso, a ênfase
no desenvolvimento deve se fixar na superação dos déficits sociais, nas necessidades
básicas e na alteração de padrões de consumo, principalmente nos países
desenvolvidos, para poder manter e aumentar os recursos base, sobretudo os
agrícolas, energéticos, bióticos, minerais, ar e água. (JACOBBI, 2003)A educação
ambiental deveria ser vista como um processo de permanente aprendizado que
valoriza as diversas formas de conhecimento e forma cidadãos com consciência local
e planetária, de forma a promover o desenvolvimento sócio, político, cultural,
econômico e ambiental em conjunto. E o que tem sido feito em termos de educação
ambiental? A grande maioria das atividades são feitas dentro de uma modalidade
formal. Os temas predominantes são lixo, proteção do verde, uso e degradação dos
mananciais, ações para conscientizar a população em relação à poluição do ar. A
educação ambiental que tem sido desenvolvida no país é muito diversa, e a presença
dos órgãos governamentais como articuladores, coordenadores e promotores de
ações é ainda muito restrita.Desta forma, você pôde notar que ainda existe muito a
ser discutido e realizado, sendo que a participação dos biólogos conscientes dos
processos e aspectos importantes de serem realizados é fundamental.

8.1 Educação Ambiental –

material didático e divulgação A Educação Ambiental é uma área cada vez mais
importante nos dias atuais e encontra um grande problema relacionado à falta de
produção de materiais didáticos e de divulgação, seja científica ou para a população
leiga. Vamos discutir sobre a importância destes materiais e seu efeito no
desenvolvimento da Educação Ambiental. Um objetivo fundamental da Educação
Ambiental é lograr que os indivíduos e a coletividade compreendam a natureza
complexa do meio ambiente natural e do meio ambiente criado pelo homem,
resultante da integração de seus aspectos biológicos, físicos, sociais, econômicos e
culturais, e adquiram os conhecimentos, os valores, os comportamentos e as
habilidades práticas para participar responsável e eficazmente da prevenção e
solução dos problemas ambientais, e da gestão da questão da qualidade do meio
ambiente. De acordo com a Conferência de Tbilisi, o desenvolvimento eficaz da
Educação Ambiental exige o pleno aproveitamento de todos os meios públicos e
privados que a sociedade dispõe para a educação da população: sistema de
educação formal, diferentes modalidades de educação extraescolar e os meios de
comunicação de massa.

8.2 Educação Ambiental –Exemplo Nesta aula observaremos um exemplo prático de


Educação Ambiental para ver como uma iniciativa pode modificar a realidade das
comunidades. A educação ambiental se destaca como base para o desenvolvimento
de diversas ações, onde o respeito e o cuidado com a vida e a natureza são
fundamentais, sendo todas as pessoas os sujeitos transformadores da realidade. A
natureza predatória do modo de produção capitalista intensificado nas últimas
décadas pela necessidade de desenvolver outras fontes de energia causa, por um
lado, o esgotamento dos recursos naturais e, por outro, o agravamento da pobreza,
fome e doenças. Assim, normalmente, impõe-se como exigência à humanidade a
proteção dos recursos ambientais que em muitas regiões encontra-se com sua
capacidade limite esgotada. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) refletem a
visão de que a aprendizagem de valores e atitudes é pouco explorada do ponto de
vista pedagógico. Alguns estudos apontam a importância da informação como fator de
transformação de valores e atitudes. Conhecer os problemas ambientais e saber de
suas consequências desastrosas para a vida humana é importante para promover
uma atitude de cuidado e atenção a essas questões, valorizar ações preservacionistas
e aquelas que proponham a sustentabilidade como princípio para a construção de
normas que regulamentem as intervenções econômicas (MEC, 1997).A partir destes
conceitos, muitos projetos são desenvolvidos com as populações e comunidades no
intuito de promover a Educação Ambiental e conscientizar estas pessoas da
importância de preservar o meio ambiente para que o seu próprio desenvolvimento
seja melhor. Neste contexto, podemos dar exemplos relacionados ao uso da água, à
liberação de poluentes, ao desmatamento e no caso que vamos descrever a seguir, a
reciclagem de lixo.Em muitos locais, desenvolvem-se cooperativas formadas por
moradores da região de estudo e é montada a Usina de Reciclagem de Lixo, na qual
os próprios moradores são responsáveis por todas as etapas, inclusive
administrativas. Como exemplo, a coleta de lixo pode ser realizada de porta em porta,
nos bairros participantes do projeto, sendo que para tanto, seria desejável que a
cooperativa tivesse veículos para a coleta do lixo. Neste caso, o incentivo do governo
para tais atividades torna-se fundamental, como a formação de convênios com a
prefeitura, a qual poderia pagar à cooperativa pelo serviço de coleta, sendo realizadas
ainda captações de lixo em outros pontos da cidade, tais como shoppings, empresas,
Universidades. Para que o trabalho de coleta tenha resultado, são realizadas,
previamente, visitas domiciliares com o objetivo de orientar os moradores na
separação do lixo, informando sobre a coleta seletiva e a preservação dos recursos
naturais, necessidade de preservação do meio ambiente. Folhetos explicativos são
utilizados como recurso didático nas visitas com informações sobre a separação do
lixo, exemplos de lixo seco, molhado e perigoso, vantagens e desvantagens da
separação do lixo, dias de coleta e convite aos moradores para visita à usina de
reciclagem. Para um melhor funcionamento e incentivo, também é realizado o
cadastramento dos moradores possibilitando o levantamento de informações e
verificação do índice de adesão à coleta seletiva. Desta forma, é possível que seja

realizado um acompanhamento e avaliação do projeto. A equipe da Usina também


deve estar disposta para realizar visitas monitoradasnas quais as entidades e escolas
que apresentarem interesse em conhecer o projeto possam ser assistidas e
incentivadas a aderir. Assim, a usina de reciclagem torna-se um espaço de pesquisa e
troca de experiências, estimulando o pensamento crítico sobre a conduta individual e
coletiva na geração de lixo. O trabalho consiste na sensibilização para uma mudança
de hábitos, valorizando os recursos naturais e incentivando a redução de resíduos
lançados no ambiente. Atividades tais como palestras, dinâmicas, passeios,
construção de brinquedos de material reciclado para as crianças, dentre outros, são
de extrema importância para sensibilizar e alcançar os objetivos.Os resíduos, depois
de coletados pela cooperativa devem ser levados até a usina para processamento. As
usinas de reciclagem e compostagem geram emprego e renda e podem reduzir a
quantidade de resíduos que deverão ser dispostos no solo, em aterros sanitários. A
economia da energia que seria gasta na transformação da matéria prima, já contida
no reciclado, e a transformação do material orgânico do lixo em composto orgânico
adequado para nutrir o solo destinado à agricultura representam vantagens
ambientais e econômicas importantes proporcionadas pelas usinas de reciclagem e
compostagem. Na usina os resíduos passam primeiramente pela triagem, onde é
separado em papel, plástico, material orgânico e rejeito.Educação ambiental,
preservação da natureza, tratamento do lixo, consumo responsável, são temas que
aparecem na agenda da sociedade brasileira e mundial com a urgência de um planeta
que não suporta mais o ritmo de exploração que o homem impôs a ele. Assim, não se
trata mais de uma mera vontade de ambientalistas ou de naturalistas, mas uma
necessidade de todas as pessoas. A inserção deste tipo de trabalho dentro da
realidade da extensão universitária, articulada com as unidades acadêmicas tanto no
que diz respeito aos campos de estágio quanto à própria dinâmica das aulas, orienta
para uma formação universitária que privilegia as necessidades proeminentes da
sociedade, e é neste sentido que a pesquisa universitária torna-se o caminho para
melhorar os processos dentro da usina e no próprio tratamento dos resíduos.A
vinculação por outro lado, da necessidade de reciclar o resíduo que não pode ser
reutilizado com a necessidade de geração de renda, atinge dois aspectos de
estrangulamento social, quais sejam, aquestão do lixo urbano e do desemprego. Este
breve exemplo mostra como uma iniciativa de Educação Ambiental bem planejada é
certamente uma proposta eficiente para os mais diversos problemas do mundo
atual.Agora você notou como os projetos de Educação Ambiental são importantes,
não só para a preservação ambiental, mas para o desenvolvimento sustentável como
um todo e para a resolução de muitos problemas sociais, tais como o desemprego. 9
LIMINOLOGIA -A FLORANesta aula vamos falar sobre a importância da vegetação
para a água doce, principalmente enfocando rios e riachos.
A flora e a fauna são extremamente diversas nos ambientes de riachos litorâneos. A
flora é constituída por diferentes grupos de organismos autótrofos responsáveis pela
produtividade primária deste ambiente e é composta principalmente pela mata ciliar,
pelo perifíton e pelo fitoplâncton. Já a fauna inclui todos os organismos heterotróficos,
os quais são responsáveis por dar continuidade aos elos da cadeia trófica e
compreende principalmente o zooplâncton e a macrofauna. A Mata Atlântica no
Estado de São Paulo está representada por três formações florestais diferentes, as
matas da planície litorânea, as matas de encosta e as matas de altitude (JOLY et al,
1992). Apesar de diversos estudos realizados no levantamento da mata ciliar, a sua
composição ainda permanece pouco conhecida (SANCHEZ, 1999). A distinção de
uma floresta ripária (ou mata ciliar) em domínio florestal pode ser feita através da
análise de sua composição florística, a qual está frequentemente relacionada com a
influência de cheias periódicas e com a flutuação do lençol freático. O teor de água no
solo é o maior condicionante da vegetação ripária e está relacionada com o regime
pluviométrico, com a topografia local, com o traçado do rio e os tipos de solo, que
podem variar com a dinâmica de deposição e retirada de sedimentos junto às
margens, nas curvas internas e externas dos rios. Estes distúrbios podem ser
responsáveis pelo aumento da heterogeneidade local favorecendo processos de
sucessão e alteração florística no tempo e no espaço. O novo Código Florestal (Lei
n.°4777/65) desde 1965 inclui as matas ciliares na categoria de áreas de preservação
permanente. Assim toda a vegetação natural(arbórea ou não) presente ao longo das
margens dos rios e ao redor de nascentes e de reservatórios deve ser preservada. De
acordo com o artigo 2° desta lei, a largura da faixa de mata ciliar a ser preservada
está relacionada com a largura do curso d’água.Tabela 1: Dimensões das faixas de
mata ciliar em relação à largura dos rios

Apesar desta regulamentação, muitas vezes a mata ciliar vem sendo fragmentada,
dando espaço a áreas agrícolas, pastagens e cidades. Além do processo de
urbanização, as matas ciliares sofrem pressão antrópica por uma série de fatores: são
áreas diretamente afetadas na construção de hidrelétricas; nas regiões com topografia
acidentada, são as áreas preferenciais para a abertura de estradas, para a
implantação de culturas agrícolas e de pastagens; para os pecuaristas, representam
obstáculos de acesso do gado ao curso d’água, dentre outros. Este processo de
degradação das formações ciliares, além de desrespeitar a legislação, resulta em
vários problemas ambientais. As matas ciliares funcionam como filtros, retendo
defensivos agrícolas, poluentes e sedimentos que seriam transportados para os
cursos d’água, afetando diretamente a quantidade e a qualidade da água e
consequentemente a fauna aquática e a população humana. São importantes também
como corredores ecológicos, ligando fragmentos florestais e, portanto, facilitando o
deslocamento da fauna e o fluxo gênico entre as populações de espécies animais e
vegetais. Em regiões com topografia acidentada, exercem a proteção do solo contra
os processos erosivos. (SIMÕES, 2003) O perifíton é um componente biótico que
representa um elo físico entre o substrato e a água circundante e, por esse motivo, se
destaca nos ambientes de água doce (SLÁDECKOVÁ, 1962, WETZEL, 1983). O
perifíton pode ser categorizado como epipélon, o qual se encontra sobre substratos
não consolidados, como epifíton, sobre plantas, e como epilíton, sobre rochas
(ALLAN, 1995). Segundo GOLDSBOROUGH & ROBINSON (1996), certos fatores são
determinantes na dominância de espécies em dada área incluindo a natureza do
grupo. Outras considerações importantes são a localização geográfica, as estações
do ano, a profundidade da coluna d’água, o hidroperíodo, os tipos de macrófitas
presentes e a concentração de nutrientes. No perifíton, as diatomáceas compõem a
maioria de espécies, embora algas verdes e cianobactérias também sejam
importantes. A comunidade perifítica vem sendo ultimamente utilizada para o
monitoramento ambiental, pois, devido ao seu modo de vida séssil e grande riqueza
de espécies, apresentam diferentes preferências e tolerâncias ambientais
(RODRIGUES, et al. 2003). Apesar do grande número de espécies registradas em
águasácidas (BROOK 1981, HUSZAR 1994), muitas espécies são relativamente
abundantes em águas alcalinas (BROOK 1981) e algumas espécies podem sobreviver
em condições de dessecação durante longos períodos (BROOK & WILLIAMSON,
1988). Ainda, mudanças nas características físicas e químicas da água, como também
o desaparecimento de habitats de macrófitas, podem afetar diretamente a diversidade
e a composição das espécies. (BROOK, 1981; COESEL, 1982) A vegetação tem
grande importância em todos os estudos ecológicos e pôde influenciar muito na
qualidade da água. Assim, você pode observar a necessidade de estudar todos os
fatores associados à água. 9.1 Limnologia -O plâncton e a macrofaunaNesta aula
vamos falar sobre os organismos da fauna e do plâncton que vive na água doce e a
importância de todos estes organismos. A palavra plâncton é originária do grego
plagktón, significando errante ao sabor das ondas e foi pela primeira vez utilizada por
Victor Hensen em 1887.

O plâncton é constituído pelo fitoplâncton e pelo zooplâncton, organismos que não


possuem movimentos próprios suficientemente fortes para vencer as correntes, que
porventura, se façam sentir na massa de água onde vivem. Esses organismos estão
na base da cadeia alimentar e, graças a seu elevado metabolismo, são capazes de
influenciar processos ecológicos fundamentais como ciclagem de nutrientes e
magnitude da produção biológica. O fitoplâncton é formado por organismos autótrofos,
principalmente por dinoflagelados e diatomáceas, cuja presença e concentração nos
ambientes aquáticos está fortemente associada ao estado trófico do manancial. As
diatomáceas constituem as formas dominantes do fitoplâncton e são predominantes
na primavera e no verão. Muitos dos seus gêneros são unicelulares (e.g.
Coscinodiscus), embora formas coloniais em cadeia (e.g. Chaetocerus) ou padrões
distintos (e.g. Asterionella) também existam. As formas coloniais constituem
adaptações à vida pelágica com o consequente aumento da flutuabilidade. Seu
crescimento pode ser limitado por fatores como a luminosidade, a temperatura e a
concentração de nutrientes no meio, além da influência de correntes, descargas,
turbidez e profundidade nos riachos, as quais podem afetar a ontogenia destes
organismos. (ALLAN, 1995) O zooplâncton é constituído por consumidores primários,
os herbívoros, e por predadores de diferentes níveis tróficos. Ao contrário dos
ambientes marinhos, o zooplâncton dos ambientes de água doce é composto por
poucos grupos de invertebrados aquáticos, e dentre os principais estão os
protozoários, crustáceos, moluscos, larvas de insetos e larvas de peixes. Sua
distribuição é limitada por fatores como disponibilidade de hábitat, alimento,
velocidade das correntes e predação (HARRISON et al, 2005). A ecologia do
zooplâncton foi mais focada nos crustáceos, principalmente cladóceros, que são os
herbívoros predominantes de ambientes lóticos. Como consequência, este grupo foi
visto por muito tempo como o principal elo entre a produção primária e os predadores
maiores, como peixes (SOMMER & SOMMER, 2006). Atualmente sabe-se a
importância dos outros grupos na da cadeia trófica. A macrofauna representa uma
comunidade diversificada de invertebrados e vertebrados, que apresenta o
comprimento do corpo entre 4 e 80 mm, como exemplo moluscos, crustáceos, insetos
e peixes. Influência nos processos do solo através da escavação e/ou ingestão e
transporte de material inorgânico e orgânico do solo (LAVELLE et al, 1997), e são
influenciadas pela ação antrópica que pode modificar consideravelmente a
abundância e a diversidade da comunidade, principalmente pela perturbação do
ambiente físico e pela modificação da quantidade e qualidade de matéria orgânica
(LAVELLE et al, 1993). Apesar da relação entre diversidade e estabilidade ser objetivo
de muita discussão, entende-se que a interação entre as espécies é muito importante,
na medida em que a falta de variabilidade genética leva a uma diminuição da
habilidade de sobrevivência das populações frente às condições adversas do
ambiente. Portanto, analisar a diversidade, a riqueza e a importância de determinados
grupos poderá ser a abordagem que mais contribua para a compreensão da
capacidade reguladora da fauna nos ecossistemas aquáticos.

A diversidade de espécies envolve o número de espécies (riqueza de espécies) e a


distribuição do número de indivíduos entre as espécies (equitabilidade). Esta definição
está explicitada nos índices de diversidade, que conjugam estes dois parâmetros
(ODUM, 1988; COLINVAUX, 1986). Uma vantagem do uso da riqueza de espécies é
que ela fornece uma ampla medida da complexidade das comunidades e talvez da
sua resiliência. As desvantagens estão associadas à identificação dasespécies e de
que pouco é revelado sobre as interações entre espécies (STORK & EGGLETON,
1992). Agora você pôde ter um bom entendimento da diversidade de organismos que
habitam a água doce e, além de aprofundar seus conhecimentos, estimular a
conservação da água e tudo que a ela está associado. 9.2 Limnologia -Poluição
ambiental e ecotoxicologiaApós conhecer a importância dos estudos limnológicos e a
composição da flora e da fauna, vamos aprender que estes organismos podem ser
utilizados como indicadores da qualidade da água doceno ambiente natural. A
industrialização foi a base da produção mundial nos últimos dois séculos. Como
consequência da produção industrial, a disponibilidade de uma gama de produtos
químicos potencialmente tóxicos e a geração de resíduos em grande volume se
tornaram significativamente prejudiciais ao ambiente. As atividades industriais e
agrícolas distribuem-se principalmente em locais próximos a rios e regiões litorâneas
e trazem consigo um considerável aumento na densidade populacional. Juntos, os
efluentes e resíduos urbanos, agrícolas e industriais, vêm causando grande poluição e
riscos para os cursos d’água. O ambiente aquático, entretanto, não é um
compartimento de diluição infinita da poluição que nele é despejada e como outros
ambientes apresenta grande diversidade biológica, além da importância para a própria
população humana. (ZAGATTO, 2006) Muitos dos efluentes lançados aos ambientes
aquáticos são altamente complexos físico quimicamente e geram uma variedade de
agentes químicos e efeitos biológicos. As análises tradicionais dos contaminantes não
são eficientes na caracterização de seus efeitos na biota e avaliação dos riscos
ambientais, sendo que a estratégia mais adequada é o uso integrado de análises
físicas, químicas e ecotoxicológicas. (MOZETO & ZAGATTO, 2006) Os primeiros
testes de toxicidade foram realizados ainda no século XIX, mas somente no decorrer
do século seguinte foram utilizados organismos aquáticos para este fim. Vários dos
estudos mencionam o uso de peixes como indicadores de contaminação de
ambientes aquáticos, com especial destaque para as espécies mais sensíveis e de
importância econômica. (ZAGATTO, 2006) Atualmente, a toxicidade de agentes
químicos no meio hídrico é avaliada por meio de ensaios ecotoxicológicos com
organismos representativos da coluna d’água e dos sedimentos do ambiente aquático.
O uso de parâmetros biológicos para estimar a

qualidade da água se baseia na resposta dos organismos em relação às condições


deste meio. (BUSS et al., 2003) Estes procedimentos permitem o estabelecimento de
limites permissíveis de várias substâncias químicas, além de avaliar o impacto
momentâneo que os poluentes causam à biota dos corpos hídricos. Os ensaios
desenvolvidos em laboratório podem ser de toxicidade aguda ou crônica, sendo
possível assim a avaliação de efeitos severos e rápidos sobre os organismos
expostos, levando-os à morte, ou de efeitos mais sutis sobre estes organismos,
gerando distúrbios fisiológicos e comportamentais. (ARAGÃO & ARAÚJO,
2006)Alguns fatores podem afetar os resultados dos ensaios ecotoxicológicos com
organismos aquáticos. Esses fatores podem ser bióticos, relacionados a estágio de
vida, tamanho, idade e estado nutricional dos organismos, ou abióticos, que incluem
pH, oxigênio dissolvido, temperatura e dureza da água. Estes fatores devem ser,
portanto, monitorados ao longo da execução destes testes. (ARAGÃO & ARAÚJO,
2006) A Ecotoxicologia é a ciência que tem como base o estudo dos efeitos dos
agentes físicos, químicos e biológicos sobre os organismos vivos, particularmente
sobre populações e comunidades em seus ecossistemas, incluindo as formas de
transporte, distribuição, transformação, interações e destino final desses agentes nos
diferentes compartimentos do ambiente. As alterações na biodiversidade são,
portanto, consequências de dois fatores principais: Maior disponibilidade de
nitrogênio e carbono Mudança do ambiente natural dos rios de aeróbios para
anaeróbios, ou seja, menor disponibilidade de oxigênio. Em estudos limnológicos de
Ecotoxicologia, importantes como indicadores da qualidade da água de rios, riachos,
lagos e lagoas, o peixe paulistinha Danio reriotem sido utilizado como modelo
experimental por apresentar-se como um organismo teste de fácil adaptação em
laboratório, por ter uma reprodução contínua e número de ovos suficiente para os
testes propostos. Conhecer os aspectos básicos de um ambiente e os organismos
que o compõem é de grande importância para estudos de preservação e impacto
ambiental.

APLICAÇÕES DA BIOLOGIA CELULAR –CITOPATOLOGIA Na aula de hoje,


abordaremos a importância de conhecermos a estrutura de uma célula e sua
aplicação na área médica. Hoje em dia nós podemos obter informações importantes a
respeito da saúde de um indivíduo analisando alguns aspectos de suas células. Este
exame, que tem por finalidade a análise da morfologia de uma célula, recebe o nome
de Citopatologia ou cito diagnóstico.

Este exame simples e de baixo custo para os serviços de saúde ganhou destaque
após um médico italiano, chamado Papanicolau, utilizá-lo na detecção de um dos
maiores problemas de saúde pública, o câncer do colo de útero. É importante
ressaltar que a Citopatologia é empregada em várias áreas da saúde humana e
animal. A Citopatologia pode ser dividida em dois tipos:Esfoliativa, onde a célula é
coletada através de raspagem; 

Aspirativa, na qual é feita por punção, ou seja, aspiração das células, como uma
coleta de sangue, por exemplo. Durante a análise da célula sob o microscópio, o
observador analisará: 1) Tamanho da célula –Dependendo do órgão, as células
apresentam tamanho e forma bem definidos. Qualquer alteração neste item pode ser
indicativa de alguma doença. Mas não se preocupe em querer saber a forma das
células agora! Este tópico será abordado em outras disciplinas.

2)Proporção entre o núcleo e o citoplasma –De um modo geral, as células


apresentam uma área maior de citoplasma comparado ao núcleo. Dizemos que esta
proporção é de 9:1, ou seja, 9 partes de citoplasma para 1 de núcleo. Quando
observamos uma célula com um núcleo enorme, pode estar ocorrendo, por exemplo,
uma infecção viral.

3)Número de núcleos –Com exceção de algumas células do nosso corpo (como as


células do fígado e dos músculos) a maioria das células apresenta um núcleo apenas.
Portanto, quando é vista uma célula com mais de um núcleo, pode ser sugestivo de
alguma doença.

4)Coloração–Para podermos estudar as células ao microscópio, antes temos que


corá-las. Para cada situação existe um tipo de corante específico. Mas a célula normal
exibe um padrão uniforme de cor. Toda vez, que uma parte da célula estiver mais
corada do que outra algo de errado está ocorrendo. Estes quatro itens devem ser
analisados em conjunto com os sintomas que o paciente apresenta e confrontados
com outros exames, caso necessário, para o fechamento de um diagnóstico. Observe
as figuras 1 e 2 abaixo:

Dando continuidade à nossa unidade, vamos abordar a utilidade da histologia para a


saúde. Como visto anteriormente, histologia é uma ciência que estuda um conjunto de
células com morfologia semelhante e que desempenham basicamente amesma
função.

Um conceito importante deve estar claro na sua mente! Assim como foi visto na
última aula, a análise da célula pode mostrar muito do que está acontecendo com ela
em um dado momento. E esse é o nosso assunto de hoje. O exame que nos permite
estudar como as células em um determinado tecido estavam se comportando em seu
microambiente é denominado biópsia (gr. Bios = vida; psias = ver). Um exemplo
clássico para entendermos aplicação da biópsia é para sabermos se um tumor é
benigno ou maligno. Uma definição simples para biópsia é a retirada de um fragmento
de tecido vivo para análise. Tem como objetivo o diagnóstico de doenças, cura e
controle de cura. Existem três tipos de biópsia: incisional, excisional e aspirativa.
Biópsia Incisional –Indicada para lesões grandes onde apenas um fragmento da lesão
é retirado para análise. Observe a figura 1. Figura 1 –Biópsia incisio –nal da próstata
evidenciando oaumento do número de células (pontos em azul). Imagem cortesia do
Prof. Maurício Pereira Gouvinhas. Biópsia Excisional –Indicada para lesões pequenas,
onde a lesão é retirada como um todo. Um bom exemplo é a retirada de uma verruga.
Biópsia Aspirativa –Indicada para tecidos ou lesões líquidas. Se vocêacha que nunca
fez uma biópsia, está enganado. Quando você vai coletar sangue para fazer um
hemograma, por exemplo, você está fazendo uma biópsia, o sangue é o único tecido
líquido do organismo. A biópsia aspirativa também se aplica em abcessos, ou seja,
uma massa de tecido com conteúdo líquido ou purulento. Como podemos perceber,
através de um pequeno pedaço de uma área afetada, podemos diagnosticar e
descobrir doenças. A biópsia é uma ferramenta fundamental de auxílio da medicina.

12 APLICAÇÕES DA HISTOLOGIA –

NECROPSIA Dando continuidade à aula sobre as aplicações da Histologia, hoje


vamos abordar um assunto de extrema importância para o diagnóstico médico. É bem
verdade que a maioria das pessoas não vê esse procedimento com bons olhos! Mas
tenho certeza de que você entenderá a necessidade de sua aplicação. Quando o
estudo do corpo humano começou com o anatomista Bichat em meados do século
XIX, era terminantemente proibido o uso de cadáveres para fins didáticos. Então
esses devotos pesquisadores tinham que realizar seus estudos escondidos. Imaginem
se o estudo sobre o corpo humano não tivesse acontecido! A medicina ainda estaria
caminhando. Hoje em dia várias séries de televisão mostram a importância da
necropsia para a medicina e para a justiça também. Então, podemos definir a
necropsia como um procedimento de retirada de um fragmento de tecido morto, que
tem por finalidade descobrir a causa mortis, ou seja, por que e o que levou uma
pessoa (ou animal) a morte. A necropsia pode ser dividida em duas: a necropsia
médico científico e a necropsia médico legal. Embora o procedimento seja o mesmo
em ambos os casos, existem diferenças marcantes.

Necropsia Médico Científico –


É realizada em pessoas que tiveram morte assistida, ou seja, que sofriam de uma
determinada doença e que a mesma poderia lhe tirar a vida, ou em pessoas que se
submetem a um procedimento cirúrgico e acabam falecendo durante a operação.
Neste caso, a necropsia será feita no chamado SVO (Sistema de Verificação de
Óbito), do próprio hospital e é obrigatória a autorização da família. Necropsia Médico
Legal –Neste tipo de procedimento existe um contexto jurídico, pois é realizada em
pessoas que tiveram morte violenta (suicídio, homicídio, acidentes automobilísticos ou
de trabalho). É realizada no IML (Instituto Médico Legal) e é compulsória, ou seja,
obrigatória em todos os casos. Procedimento –Existe toda uma metodologia para se
fazer uma necropsia. Tudo o que o examinador achar é gravado e registrado. Primeiro
começa a análise externa do corpo. Ele é medido, pesado e quaisquer alterações na
pele (tatuagens, arranhões ou fraturas) são anotadas. O próximo passo é análise do
crânio, do cérebro e por último as cavidades torácica e abdominal. Órgãos como
cérebro, coração, pulmão, fígado, rim e baço são retirados, pesados e analisados em
relação a sua cor, forma e consistência. Em caso de suspeita, um fragmento do órgão
é retirado para análise patológica (sob o microscópio). Para finalizar, os órgãos são
colocados em seus lugares anatômicos, o corpo é suturado e o diagnóstico é feito a
posteriori. Talvez o que mais choque você é o fato de que quando temos um
natimorto, a necropsia só poderá ser realizada se o bebê pesar mais do que 500
gramas, caso contrário ele é descartado como sendo peça anatômica não poderá nem
ser enterrado. Essa é a nossa lei, fica aqui um tema para ser analisado! Devemos
encarar tais procedimentos com olhos científicos e não com olhos “humanos”. Ao
longo do curso você terá a oportunidade de se fascinar com o estudo do corpo, seja
do homem, de um inseto ou mesmo uma planta, todos têm uma máquina perfeita para
ser explorada!

13 APLI

bactérias eram coradas com uma solução de iodo e que o mesmo não era retirado
quando lavado em álcool; outras bactérias perdiam a coloração com iodo e tinham
que ser contra coradas para sua visualização. Essa técnica nos permite agrupar as
bactérias como sendo patogênicas (gram-negativas) e não patogênicas (gram-
positivas).A diferenciação na cor (roxa ou rosa) depende das propriedades físicas da
parede celular. As bactérias, sendo organismos procariotos, apresentam além da
membrana celular uma camada extra de membrana denominada parede celular.As
bactérias Gram-positivas têm parede celular grossa, densa e relativamente não
porosa, por isso retêm o corante, não permitindo que seja lavadoquando aplicado o
álcool.A figura 1, representa uma biopsia de pulmão evidenciando a presença de
bactérias Gram-negativas causadoras da tuberculose. As bactérias têm forma de
bastão e são denominadas de bacilos.Figura 1 -Biopsia de pulmão evidenciando a
presença de bactérias Gram-negativas. Imagem cortesia do Prof. Maurício Pereira
Gouvinhas.Quando dizemos que uma bactéria é patogênica, significa que ela tem
uma capacidade maior de multiplicação e produz, com frequência, substâncias que
destroem os tecidos sadios, além de ter uma resistência maior aos antibióticos.Outro
detalhe que deve ser levado em conta quando se classificam as bactérias em
positivas ou negativas é que, por exemplo, se uma bactéria Gram-positiva tiver sua
estrutura danificada pelas nossas células de defesa ou se, antes da realização da
coloração de Gram, o paciente já tiver em tratamento com antibióticos, a coloração
pode ser alterada de Gram-positiva para Gram-negativa; isso pode gerar um resultado
falso-positivo e prejudicar o método de escolha do antibiótico.Portanto, a coloração de
Gram não só ajuda a diferenciar as bactérias patogênicas das não patogênicas, mas
auxilia também na escolha do antibiótico. Na próxima aula, veremos como é feito o
exame para determinar o melhor antibiótico contra esses “inimigos invisíveis”.
14 APLICAÇÃO DA MICROBIOLOGIA –ANTI-BIOGRAMAComo vimos na última
aula sobre Coloração de Gram, a classificação das bactérias é importante, mas o mais
importante é saber como controlar uma infecção! Nossa aula de hoje vamos abordar
como é feito um teste para a escolha de um antibiótico. O uso sem controle de um
antibiótico pode ser um ato suicida. Sem exageros, a utilização sem prescrição e
acompanhamento médico pode piorar a situação no curso de uma determinada
infecção. As bactérias, sendo organismos simples, conseguem se adaptar muito mais
rápido às condições do meio em que vivem. Quando você faz uso de um antibiótico, o
esperado é que este consiga quebrar alguma defesa da bactéria para que seu
organismo consiga eliminá-la. Quando o antibiótico não é eficiente, a bactéria
consegue “alterar” seu material genético, ficando mais forte. Essa alteração vai ser
passada para as próximas gerações, formando assim, bactérias resistentes àquele
determinado antibiótico. Então, como é possível escolher um antibiótico que seja
capaz de neutralizar a bactéria e que tenha menos chances de resistência? Para
responder a esta pergunta vamos apresentar o antibiograma. Este exame nos permite
saber quais antibióticos são realmente eficazes contra uma bactéria. Vejamos:O
primeiro passo é colher uma amostra da bactéria (pode ser de uma ferida,
secreção,de algum objeto contaminado). Essa bactéria é colocada em um meio de
cultura, ou seja, um local que tenha nutrientes para que a bactéria consiga sobreviver.
Mas com tantas bactérias e antibióticos como vamos encontrar um que seja eficiente?
Boa pergunta! Quando o médico examina um paciente, ele já tem ideia de qual
bactéria ou qual família de bactérias está causando a infecção, e com essa
informação, é pedido um antibiograma com antibióticos conhecidos para aquela
família em específico. Agora nós vamos precisar de outro meio de cultura e, a esse
meio, vamos colocar pequenos discos de papel-filtro embebidos nos possíveis
antibióticos. (veja a ilustração a seguir).
O círculo maior representa a placa de vidro com meio de cultura contendo as
bactérias. Cada círculo colorido representa o disco de papel contendo o antibiótico a
ser testado. A placa de vidro será colocada em uma estufa aquecida a 47°C para que
as bactérias possam crescer. Após um período de 48 horas, a placa é retirada da
estufa e analisada. Em um meio de cultura sem os discos de antibiótico é esperado
que as bactérias se multipliquem por toda a placa. Neste caso, como estamos
testando a ação de um antibiótico, aquele que é mais eficaz não deixará que as
bactérias se multipliquem ao seu redor. . No esquema acima, podemos observar que
houve um crescimento bacteriano ao redor dos discos amarelo e azul, isso quer dizer
que esses dois tipos de antibióticos não são eficientes contra a bactéria em questão.
Agora compare o resultado do disco rosa, não houve crescimento ao redor, isto
significa que este antibiótico é ideal para combater a infecção. Este exame deveria ser
obrigatório sempre antes do médico prescrever o antibiótico, o que não acontece na
prática. Sem o antibiograma pode se deixar uma margem para que a bactéria crie
resistência, caso isso ocorra um novo antibiótico mais forte terá que ser receitado.
Portanto, podemos evitar erros usando um exame simples e de baixo custo. O único
inconveniente são os dois dias de espera que, dependendo do caso, pode ser um
tempo precioso no combate contra esses organismos. Após esta aula, reflita sobre o
uso de remédios sem a devida prescrição médica, principalmente os antibióticos.
15APLICAÇÕES DA EMBRIOLOGIA –FERTILIZAÇÃO IN VITROA embriologia, é a
ciência que, por definição, é o estudo do embrião, mas que não estuda apenas o
embrião. Estuda também todos os eventos que envolvem desde a formação das
células sexuais até o nascimento. De fato, a embriologia é uma das ciênciasbásicas
que tem a maior importância na aplicação clínica tanto do homem quanto animal. Foi
graças ao estudo da embriologia que áreas como ginecologia, neonatologia, pediatria
e reprodução humana e animal, tiveram os maiores avanços em conhecimento. As
causas de infertilidade são várias e atingem vários casais que, na maioria das vezes,
só descobrem que têm algum problema quando as tentativas para gerar um novo ser
não dão resultados. MARIANI, em 1983, apontou que 8 a 12% dos casais são
inférteis. Frente a esse problema, em 1978, nasceu o primeiro bebê de proveta. Foi
utilizada a técnica de fertilização in vitro (FIV). Hoje em dia, não só essa técnica foi
aprimorada, mas outras também foram desenvolvidas (Transferência de Embrião, TE;
Transferência Intrafalopiana de Gameta, TIFG; Injeção Intracitoplasmática de
Espermatozoides, IICE). No interior dos ovários, existem estruturas que abrigam os
ovócitos (células sexuais) denominadas folículos, estes, ao longo do ciclo sexual da
mulher, vão amadurecendo para dar origem ao folículo maduro, o qual 14 dias antes
do término do ciclo, deverá expelir o ovócito para que este seja fecundado pelo
espermatozoide. Depois de fecundado, o agora chamado ovo ouzigoto, percorre a
tuba uterina em direção ao útero para sefixar emsua parede e se desenvolver.
Pesquisas têm demonstrado que, aproximadamente, 30% dos casos de infertilidade
são devidos a fatores ovulatórios e 20% a fatores uterinos e/ou tubários. Mas os
homens não escapam da estatística, problemas de causa masculina chegam a quase
50% dos casos. A seguir vamos ver as etapas para a realização da Fertilização in
vitro: 1–Os folículos são estimulados a se desenvolverem dentro do ovárioatravés da
administração de um hormônio denominado FSH (Hormônio FolículoEstimulante); 2 –
Por meio de uma videolaparoscopia (procedimento cirúrgico feitoatravés da introdução
de uma câmera de fibra-óptica no abdômen da paciente), vários folículos são
coletados; 3–Os ovócitos são retirados de dentro dos folículos e colocadosem placas
de vidro ou tubos de ensaio contendo líquido nutritivo específico; 4–Os
espermatozoides são colocados logo em seguida e a fertilização eas primeiras
divisões do zigoto são monitoradas constantemente através de microscópio; 5–
Quando o zigotochega ao estágio de 8 células, é transferido para acavidade uterina.
Pode até parecer um procedimento simples, de fato, teoricamente é, mas existem
restrições ao procedimento. Primeiro é um procedimento caro, devido aos
instrumentos e meios nutritivos; segundo a taxa de implantação é pequena, o que
pode ser evitado transferindo para o útero de 3 a 4 zigotos de uma vez, o que pode
aumentar o risco de uma gravidez múltipla; terceiro, a administração dos hormônios
pode aumentar o risco de ocorrer trombos(principalmente se a paciente já tem
problema de circulação); e por último, a taxa de aborto espontâneo também aumenta
em comparação a uma fecundação normal. Mas não devemos desencorajar os casais
que procuram os métodos laboratoriais para conseguirem engravidar, na verdade,
vale ressaltar que desde 1978, vários milhares de bebês nasceram por meio da
fertilização in vitro ou outra técnica de reprodução assistida! A fertilização in vitro,
como toda intervenção médica, tem seus riscos, mas, a alegria de ter um filho não tem
preço. 16 APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA –CHOQUE ANAFILÁTICONosso sistema
imunológico é o responsável por defender nosso organismo contra agressões do meio
externo, mas em determinadas situações, o próprio sistema imunológico se torna o
agressor. A aula de hoje aborda um tema importante o qual as pessoas não sabem
que são portadoras. Vamos falar sobre o choque anafilático. O sistema imunológico
possui células especializadas na defesa contra qualquer agente agressor ou antígeno,
que pode ser desde uma bactéria até uma partícula de poeira. Essas células
especializadas produzem proteínas denominadas anticorpos, as quais têm a função
de neutralizar o agente agressor para que outras células possam destruí-los. Uma
grande parte da população mundial tem alergia e não é muito difícil você descobrir
que possa ser alérgico a uma variedade de substâncias. Nosso sistema imunológico
trabalha em equilíbrio, ou seja, a produção de anticorpos é proporcional à quantidade
de antígeno que entra em nosso corpo. Mas, às vezes, isso não acontece, então
podemos ter duas situações: a primeira é quando o sistema imunológico trabalha
pouco, nesse caso damos o nome de anergia, a outra situação é o inverso, quando o
sistema trabalha muito, chamamos então de hipersensibilidade.Nesse ponto você
deve estar imaginando que é melhor ter um sistema imunológico que trabalha mais, é
aí que você se engana. O choque anafilático pode ser definido como sendo uma
reação alérgica de hipersensibilidade a um antígeno específico e, se não contida a
tempo, pode levar à morte. Vamos agora analisar como ocorre o processo. Vamos
pegar como exemplo um indivíduo que tem alergia a camarão. A primeira vez que o
camarão é ingerido, as células de defesa interpretam que as proteínas do camarão
são antígenos, e alertam o sistema imunológico para começar a produzir anticorpos.
Neste primeiro contato, a produção de anticorpos é sempre um pouco a mais do que o
necessário. Os anticorpos, então, se ligam aos antígenos e ambos são destruídos.
Aqueles anticorpos a mais que não foram usados serão armazenados, na superfície
de uma célula chamada mastócito, para formar o que nós chamamos de memória
imunológica. O resultado deste primeiro combate é percebido

através de sinais clássicos de um processo alérgico, como: vermelhidão na pele,


pequenas erupções de pele chamadas máculas, que se assemelham a picadas de
mosquito, espirros, etc. O perigo do choque anafilático é que as pessoas não sabem
que são hipersensíveis e, de fato, não tem como saber até que o antígeno entre no
organismo pela segunda vez. Outro fator importante é que pessoas hipersensíveis
produzem uma quantidade exagerada de anticorpos. Lembram que os anticorpos não
utilizados se fixam na superfície dos mastócitos? Estas células possuem em seu
citoplasma uma substância química que dá início ao choque anafilático e, de modo
geral, ao processo alérgico, esta substância é a histamina. Imagine agora nosso
amigo hipersensível ingerindo camarão pela segunda vez. Seu organismo vai produzir
mais anticorpos, mas agora a diferença é que ele possui dezenas desses mesmos
anticorpos fixos na superfície dos mastócitos. O processo se repete, ou seja, os
anticorpos vão se fixar aos antígenos e ambos serão destruídos. Logo em seguida,
como os anticorpos estavam na superfície dos mastócitos, a reação antígeno +
anticorpo faz com que haja a liberação da histamina para os tecidos. A histamina
provoca o aumento dos vasos sanguíneos e a contração dos músculos lisos. Pelo
efeito da histamina, nosso amigo começa a sentir um grande desconforto, ele não
está conseguindo respirar normalmente; isto é devido ao fato de que na região da
garganta e do pulmão existe uma grande concentração de mastócitos, logo ocorre a
liberação de histamina nesses locais, a histamina começa a aumentar o calibre dos
vasos sanguíneos provocando um inchaço. Na garganta, o inchaço começa a
bloquear a passagem de ar na traqueia, e nos pulmões a histamina provoca a
contração do músculo liso que está em volta dos bronquíolos, que são pequenos
tubos que levam o ar até os pulmões, dificultando também a passagem de ar. Toda
essa reação é conhecida como choque anafilático. Se uma pessoa não for socorrida
imediatamente, ela pode morrer por asfixia (falta de ar). O tratamento para o choque
anafilático é simples, basta a aplicação de um anti-histamínico. Se aplicado a tempo,
os sintomas desaparecem em poucos minutos. Outro procedimento, em casos mais
graves, é a realização de um corte na traqueia para dar passagem ao ar em direção
aos pulmões. Este procedimento só poderá ser realizado por um médico capacitado
dentro de um hospital, onde há todo um suporte específico, o procedimento é
chamado de traqueostomia. A aula de hoje mostrou que existem situações em que o
nosso organismo, na tentativa de eliminar um agente agressor, pode acabar
complicando ainda mais, como é o casodas doenças autoimunes. 17 APLICAÇÕES
DA IMUNOLOGIA –VACINASA vacina não é um método de cura, como a maioria das
pessoas pensam, ela é um método profilático, ou seja, preventivo. O objetivo é ajudar
o sistema imunológico a produzir anticorpos contra um determinado antígeno antes
que este penetre no seu organismo.

A primeira tentativa de vacinação foi em 1796 contra a varíola, entretanto, foi em


1885 com Pasteur, a primeira vacinação em humanos contra a raiva. Atualmente, a
tecnologia e o conhecimento acerca do sistema imunológico nos permitem produzir
vacinas contra vários agentes patológicos, um exemplo recente é a produção da
vacina contra o vírus do papiloma humano responsável pelo câncer do colo uterino.A
vacina nada mais é do que a administração do antígeno específico em uma
concentração bem pequena, mas suficiente para o sistema imunológico começar a
produção de anticorpos. Já o soro é composto pelo próprio anticorpo.Basicamente se
utiliza um animal de experimentação para produzir o soroque será usado como
matéria-prima. Normalmente utiliza-se um cavalo, não só pelo porte, mas devido ao
seu sistema imunológico ser bastante forte. Primeiro inocula-se o antígeno que se
deseja produzir a vacina contra. Após um período de duas semanas (para que o
sistema imunológico produza anticorpos), faz-se a retirada de sangue do animal. O
sangue é levado ao laboratório para que o soro, um líquido amarelado contendo os
anticorpos, seja retirado, purificado e armazenado.Antes de serem usadas, as vacinas
passam por uma série de testes de qualidade e, só depois, são distribuídas para os
serviços de saúde e usadas nas campanhas de vacinação. 18 TESTE DE
PATERNIDADEO teste de paternidade utiliza o DNA para pesquisar quem é o pai ou
a mãe de um determinado indivíduo. O método utilizado, relativamente simples, é
dividido em duas etapas: a primeira, será feita através de uma técnica denominada
PCR (Reação em cadeia da Polimerase) que consiste em fazer cópias da molécula de
DNA.Primeiro é retirada uma amostra de sangue do filho e dos supostos pais, por
exemplobactérias eram coradas com uma solução de iodo e que o mesmo não era
retirado quando lavado em álcool; outras bactérias perdiam a coloração com iodo e
tinham que ser contra coradas para sua visualização. Essa técnica nos permite
agrupar as bactérias como sendo patogênicas (gram-negativas) e não patogênicas
(gram-positivas).A diferenciação na cor (roxa ou rosa) depende das propriedades
físicas da parede celular. As bactérias, sendo organismos procariotos, apresentam
além da membrana celular uma camada extra de membrana denominada parede
celular.As bactérias Gram-positivas têm parede celular grossa, densa e relativamente
não porosa, por isso retêm o corante, não permitindo que seja lavadoquando aplicado
o álcool.A figura 1, representa uma biopsia de pulmão evidenciando a presença de
bactérias Gram-negativas causadoras da tuberculose. As bactérias têm forma de
bastão e são denominadas de bacilos.Figura 1 -Biopsia de pulmão evidenciando a
presença de bactérias Gram-negativas. Imagem cortesia do Prof. Maurício Pereira
Gouvinhas.Quando dizemos que uma bactéria é patogênica, significa que ela tem
uma capacidade maior de multiplicação e produz, com frequência, substâncias que
destroem os tecidos sadios, além de ter uma resistência maior aos antibióticos.Outro
detalhe que deve ser levado em conta quando se classificam as bactérias em
positivas ou negativas é que, por exemplo, se uma bactéria Gram-positiva tiver sua
estrutura danificada pelas nossas células de defesa ou se, antes da realização da
coloração de Gram, o paciente já tiver em tratamento com antibióticos, a coloração
pode ser alterada de Gram-positiva para Gram-negativa; isso pode gerar um resultado
falso-positivo e prejudicar o método de escolha do antibiótico.Portanto, a coloração de
Gram não só ajuda a diferenciar as bactérias patogênicas das não patogênicas, mas
auxilia também na escolha do antibiótico. Na próxima aula, veremos como é feito o
exame para determinar o melhor antibiótico contra esses “inimigos invisíveis”.

14 APLICAÇÃO DA MICROBIOLOGIA –ANTI-BIOGRAMAComo vimos na última


aula sobre Coloração de Gram, a classificação das bactérias é importante, mas o mais
importante é saber como controlar uma infecção! Nossa aula de hoje vamos abordar
como é feito um teste para a escolha de um antibiótico. O uso sem controle de um
antibiótico pode ser um ato suicida. Sem exageros, a utilização sem prescrição e
acompanhamento médico pode piorar a situação no curso de uma determinada
infecção. As bactérias, sendo organismos simples, conseguem se adaptar muito mais
rápido às condições do meio em que vivem. Quando você faz uso de um antibiótico, o
esperado é que este consiga quebrar alguma defesa da bactéria para que seu
organismo consiga eliminá-la. Quando o antibiótico não é eficiente, a bactéria
consegue “alterar” seu material genético, ficando mais forte. Essa alteração vai ser
passada para as próximas gerações, formando assim, bactérias resistentes àquele
determinado antibiótico. Então, como é possível escolher um antibiótico que seja
capaz de neutralizar a bactéria e que tenha menos chances de resistência? Para
responder a esta pergunta vamos apresentar o antibiograma. Este exame nos permite
saber quais antibióticos são realmente eficazes contra uma bactéria. Vejamos:O
primeiro passo é colher uma amostra da bactéria (pode ser de uma ferida,
secreção,de algum objeto contaminado). Essa bactéria é colocada em um meio de
cultura, ou seja, um local que tenha nutrientes para que a bactéria consiga sobreviver.
Mas com tantas bactérias e antibióticos como vamos encontrar um que seja eficiente?
Boa pergunta! Quando o médico examina um paciente, ele já tem ideia de qual
bactéria ou qual família de bactérias está causando a infecção, e com essa
informação, é pedido um antibiograma com antibióticos conhecidos para aquela
família em específico. Agora nós vamos precisar de outro meio de cultura e, a esse
meio, vamos colocar pequenos discos de papel-filtro embebidos nos possíveis
antibióticos. (veja a ilustração a seguir).

O círculo maior representa a placa de vidro com meio de cultura contendo as


bactérias. Cada círculo colorido representa o disco de papel contendo o antibiótico a
ser testado. A placa de vidro será colocada em uma estufa aquecida a 47°C para que
as bactérias possam crescer. Após um período de 48 horas, a placa é retirada da
estufa e analisada. Em um meio de cultura sem os discos de antibiótico é esperado
que as bactérias se multipliquem por toda a placa. Neste caso, como estamos
testando a ação de um antibiótico, aquele que é mais eficaz não deixará que as
bactérias se multipliquem ao seu redor. . No esquema acima, podemos observar que
houve um crescimento bacteriano ao redor dos discos amarelo e azul, isso quer dizer
que esses dois tipos de antibióticos não são eficientes contra a bactéria em questão.
Agora compare o resultado do disco rosa, não houve crescimento ao redor, isto
significa que este antibiótico é ideal para combater a infecção. Este exame deveria ser
obrigatório sempre antes do médico prescrever o antibiótico, o que não acontece na
prática. Sem o antibiograma pode se deixar uma margem para que a bactéria crie
resistência, caso isso ocorra um novo antibiótico mais forte terá que ser receitado.
Portanto, podemos evitar erros usando um exame simples e de baixo custo. O único
inconveniente são os dois dias de espera que, dependendo do caso, pode ser um
tempo precioso no combate contra esses organismos. Após esta aula, reflita sobre o
uso de remédios sem a devida prescrição médica, principalmente os antibióticos.

15APLICAÇÕES DA EMBRIOLOGIA –FERTILIZAÇÃO IN VITROA embriologia, é a


ciência que, por definição, é o estudo do embrião, mas que não estuda apenas o
embrião. Estuda também todos os eventos que envolvem desde a formação das
células sexuais até o nascimento. De fato, a embriologia é uma das ciênciasbásicas
que tem a maior importância na aplicação clínica tanto do homem quanto animal. Foi
graças ao estudo da embriologia que áreas como ginecologia, neonatologia, pediatria
e reprodução humana e animal, tiveram os maiores avanços em conhecimento. As
causas de infertilidade são várias e atingem vários casais que, na maioria das vezes,
só descobrem que têm algum problema quando as tentativas para gerar um novo ser
não dão resultados. MARIANI, em 1983, apontou que 8 a 12% dos casais são
inférteis. Frente a esse problema, em 1978, nasceu o primeiro bebê de proveta. Foi
utilizada a técnica de fertilização in vitro (FIV). Hoje em dia, não só essa técnica foi
aprimorada, mas outras também foram desenvolvidas (Transferência de Embrião, TE;
Transferência Intrafalopiana de Gameta, TIFG; Injeção Intracitoplasmática de
Espermatozoides, IICE). No interior dos ovários, existem estruturas que abrigam os
ovócitos (células sexuais) denominadas folículos, estes, ao longo do ciclo sexual da
mulher, vão amadurecendo para dar origem ao folículo maduro, o qual 14 dias antes
do término do ciclo, deverá expelir o ovócito para que este seja fecundado pelo
espermatozoide. Depois de fecundado, o agora chamado ovo ouzigoto, percorre a
tuba uterina em direção ao útero para sefixar emsua parede e se desenvolver.
Pesquisas têm demonstrado que, aproximadamente, 30% dos casos de infertilidade
são devidos a fatores ovulatórios e 20% a fatores uterinos e/ou tubários. Mas os
homens não escapam da estatística, problemas de causa masculina chegam a quase
50% dos casos. A seguir vamos ver as etapas para a realização da Fertilização in
vitro: 1–Os folículos são estimulados a se desenvolverem dentro do ovárioatravés da
administração de um hormônio denominado FSH (Hormônio FolículoEstimulante); 2 –
Por meio de uma videolaparoscopia (procedimento cirúrgico feitoatravés da introdução
de uma câmera de fibra-óptica no abdômen da paciente), vários folículos são
coletados; 3–Os ovócitos são retirados de dentro dos folículos e colocadosem placas
de vidro ou tubos de ensaio contendo líquido nutritivo específico; 4–Os
espermatozoides são colocados logo em seguida e a fertilização eas primeiras
divisões do zigoto são monitoradas constantemente através de microscópio; 5–
Quando o zigotochega ao estágio de 8 células, é transferido para acavidade uterina.
Pode até parecer um procedimento simples, de fato, teoricamente é, mas existem
restrições ao procedimento. Primeiro é um procedimento caro, devido aos

instrumentos e meios nutritivos; segundo a taxa de implantação é pequena, o que


pode ser evitado transferindo para o útero de 3 a 4 zigotos de uma vez, o que pode
aumentar o risco de uma gravidez múltipla; terceiro, a administração dos hormônios
pode aumentar o risco de ocorrer trombos(principalmente se a paciente já tem
problema de circulação); e por último, a taxa de aborto espontâneo também aumenta
em comparação a uma fecundação normal. Mas não devemos desencorajar os casais
que procuram os métodos laboratoriais para conseguirem engravidar, na verdade,
vale ressaltar que desde 1978, vários milhares de bebês nasceram por meio da
fertilização in vitro ou outra técnica de reprodução assistida! A fertilização in vitro,
como toda intervenção médica, tem seus riscos, mas, a alegria de ter um filho não tem
preço. 16 APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA –CHOQUE ANAFILÁTICONosso sistema
imunológico é o responsável por defender nosso organismo contra agressões do meio
externo, mas em determinadas situações, o próprio sistema imunológico se torna o
agressor. A aula de hoje aborda um tema importante o qual as pessoas não sabem
que são portadoras. Vamos falar sobre o choque anafilático. O sistema imunológico
possui células especializadas na defesa contra qualquer agente agressor ou antígeno,
que pode ser desde uma bactéria até uma partícula de poeira. Essas células
especializadas produzem proteínas denominadas anticorpos, as quais têm a função
de neutralizar o agente agressor para que outras células possam destruí-los. Uma
grande parte da população mundial tem alergia e não é muito difícil você descobrir
que possa ser alérgico a uma variedade de substâncias. Nosso sistema imunológico
trabalha em equilíbrio, ou seja, a produção de anticorpos é proporcional à quantidade
de antígeno que entra em nosso corpo. Mas, às vezes, isso não acontece, então
podemos ter duas situações: a primeira é quando o sistema imunológico trabalha
pouco, nesse caso damos o nome de anergia, a outra situação é o inverso, quando o
sistema trabalha muito, chamamos então de hipersensibilidade.Nesse ponto você
deve estar imaginando que é melhor ter um sistema imunológico que trabalha mais, é
aí que você se engana. O choque anafilático pode ser definido como sendo uma
reação alérgica de hipersensibilidade a um antígeno específico e, se não contida a
tempo, pode levar à morte. Vamos agora analisar como ocorre o processo. Vamos
pegar como exemplo um indivíduo que tem alergia a camarão. A primeira vez que o
camarão é ingerido, as células de defesa interpretam que as proteínas do camarão
são antígenos, e alertam o sistema imunológico para começar a produzir anticorpos.
Neste primeiro contato, a produção de anticorpos é sempre um pouco a mais do que o
necessário. Os anticorpos, então, se ligam aos antígenos e ambos são destruídos.
Aqueles anticorpos a mais que não foram usados serão armazenados, na superfície
de uma célula chamada mastócito, para formar o que nós chamamos de memória
imunológica. O resultado deste primeiro combate é percebido

através de sinais clássicos de um processo alérgico, como: vermelhidão na pele,


pequenas erupções de pele chamadas máculas, que se assemelham a picadas de
mosquito, espirros, etc. O perigo do choque anafilático é que as pessoas não sabem
que são hipersensíveis e, de fato, não tem como saber até que o antígeno entre no
organismo pela segunda vez. Outro fator importante é que pessoas hipersensíveis
produzem uma quantidade exagerada de anticorpos. Lembram que os anticorpos não
utilizados se fixam na superfície dos mastócitos? Estas células possuem em seu
citoplasma uma substância química que dá início ao choque anafilático e, de modo
geral, ao processo alérgico, esta substância é a histamina. Imagine agora nosso
amigo hipersensível ingerindo camarão pela segunda vez. Seu organismo vai produzir
mais anticorpos, mas agora a diferença é que ele possui dezenas desses mesmos
anticorpos fixos na superfície dos mastócitos. O processo se repete, ou seja, os
anticorpos vão se fixar aos antígenos e ambos serão destruídos. Logo em seguida,
como os anticorpos estavam na superfície dos mastócitos, a reação antígeno +
anticorpo faz com que haja a liberação da histamina para os tecidos. A histamina
provoca o aumento dos vasos sanguíneos e a contração dos músculos lisos. Pelo
efeito da histamina, nosso amigo começa a sentir um grande desconforto, ele não
está conseguindo respirar normalmente; isto é devido ao fato de que na região da
garganta e do pulmão existe uma grande concentração de mastócitos, logo ocorre a
liberação de histamina nesses locais, a histamina começa a aumentar o calibre dos
vasos sanguíneos provocando um inchaço. Na garganta, o inchaço começa a
bloquear a passagem de ar na traqueia, e nos pulmões a histamina provoca a
contração do músculo liso que está em volta dos bronquíolos, que são pequenos
tubos que levam o ar até os pulmões, dificultando também a passagem de ar. Toda
essa reação é conhecida como choque anafilático. Se uma pessoa não for socorrida
imediatamente, ela pode morrer por asfixia (falta de ar). O tratamento para o choque
anafilático é simples, basta a aplicação de um anti-histamínico. Se aplicado a tempo,
os sintomas desaparecem em poucos minutos. Outro procedimento, em casos mais
graves, é a realização de um corte na traqueia para dar passagem ao ar em direção
aos pulmões. Este procedimento só poderá ser realizado por um médico capacitado
dentro de um hospital, onde há todo um suporte específico, o procedimento é
chamado de traqueostomia. A aula de hoje mostrou que existem situações em que o
nosso organismo, na tentativa de eliminar um agente agressor, pode acabar
complicando ainda mais, como é o casodas doenças autoimunes.

17 APLICAÇÕES DA IMUNOLOGIA –VACINAS

A vacina não é um método de cura, como a maioria das pessoas pensam, ela é um
método profilático, ou seja, preventivo. O objetivo é ajudar o sistema imunológico a
produzir anticorpos contra um determinado antígeno antes que este penetre no seu
organismo.

A primeira tentativa de vacinação foi em 1796 contra a varíola, entretanto, foi em


1885 com Pasteur, a primeira vacinação em humanos contra a raiva. Atualmente, a
tecnologia e o conhecimento acerca do sistema imunológico nos permitem produzir
vacinas contra vários agentes patológicos, um exemplo recente é a produção da
vacina contra o vírus do papiloma humano responsável pelo câncer do colo uterino.A
vacina nada mais é do que a administração do antígeno específico em uma
concentração bem pequena, mas suficiente para o sistema imunológico começar a
produção de anticorpos. Já o soro é composto pelo próprio anticorpo.Basicamente se
utiliza um animal de experimentação para produzir o soroque será usado como
matéria-prima. Normalmente utiliza-se um cavalo, não só pelo porte, mas devido ao
seu sistema imunológico ser bastante forte. Primeiro inocula-se o antígeno que se
deseja produzir a vacina contra. Após um período de duas semanas (para que o
sistema imunológico produza anticorpos), faz-se a retirada de sangue do animal. O
sangue é levado ao laboratório para que o soro, um líquido amarelado contendo os
anticorpos, seja retirado, purificado e armazenado.Antes de serem usadas, as vacinas
passam por uma série de testes de qualidade e, só depois, são distribuídas para os
serviços de saúde e usadas nas campanhas de vacinação.

18 TESTE DE PATERNIDADE

O teste de paternidade utiliza o DNA para pesquisar quem é o pai ou a mãe de um


determinado indivíduo. O método utilizado, relativamente simples, é dividido em duas
etapas: a primeira, será feita através de uma técnica denominada PCR (Reação em
cadeia da Polimerase) que consiste em fazer cópias da molécula de DNA.Primeiro é
retirada uma amostra de sangue do filho e dos supostos pais, por exemplo. O sangue
é colocado em um tubo de ensaio e o DNA é separado das células. Então o tubo é
colocado em um aparelho denominado termociclador, o qual através de alterações na
temperatura permite que a molécula de DNA se duplique. Após um período de 2 horas
temos 1 milhão de cópias de DNA. A segunda etapa é realizada pela técnica de
eletroforese, que consiste em colocar o material (DNA) dentro de um gel em uma cuba
de vidro, tampá-la e deixar uma corrente elétrica passar pelo gel. A cuba de
eletroforese tem dois polos, um negativo e outro positivo; e sendo o DNA um
composto orgânico, é formado por partículas carregadas negativamente e por outras
carregadas positivamente. Quando a corrente elétrica passa pelo gel contendo o DNA,
as partículas são forçadas para as extremidades da cuba.Este processo de migração
é chamado de corrida eletroforética e as partículas são atraídas de acordo com sua
carga elétrica: (-) com (+) e vice-versa. Após um período de 2 horas, o gel é retirado
para análise, veja o exemplo a seguir na figura 1.

Figura 1 –Exemplo de um exame de paternidade, cujo pai é determinado pela técnica


de eletroforese.No esquema acima está representado o resultado da corrida
eletroforética. Para determinar quem é o verdadeiro pai temos que comparar o padrão
de bandas brancas que migram ao longo do gel. Assim sendo, quem tiver o maior
número de bandas iguais ao filho será o progenitor. Em nosso exemplo, o pai número
2 é o verdadeiro pai.O exame de DNA tem uma confiabilidade de 99,9999999%. Pode
ser não só nos casos de paternidade, mas em casos em que se queiram comparar
amostras entre indivíduos para identificação.Vale a pena ressaltar que cada indivíduo
tem um tipo particular de DNA, como uma digital. Portanto, não tem como enganar o
que o seu DNA tem a dizer.

19 O CARIÓTIPO

Uma das maiores promessas para a medicina do futuro será a capacidade de curar
doenças corrigindo defeitos na molécula de DNA. Este composto orgânico é tão
importante porque nele podemos encontrar todas as informações necessárias para
formar um outro organismo idêntico ao original, todos devem se lembrar da ovelhinha
Dolly.Todas as nossas células possuem um número definido de cromossomos. Esse
número é o 46, ou seja, nós possuímos 46 cromossomos por célula. Mas você deve
estar se perguntando o que os cromossomos têm em comum com as moléculas de
DNA? Pois a resposta é: tudo! Quando as moléculas de DNA se enrolam
completamente (igual a uma linha em um novelo) formamos os cromossomos. Mas
isso só acontece quando a célula está para se dividir.Para podermos reconhecer em
qual cromossomo está o erro em uma determinada doença genética, usamos um
exame denominado cariótipo. Este exame consiste em organizar os cromossomos por
tamanho em ordem decrescente. Qualquer alteração na estrutura ou número é
detectada neste exame. Observe a figura 1.

. O sangue é colocado em um tubo de ensaio e o DNA é separado das células. Então


o tubo é colocado em um aparelho denominado termociclador, o qual através de
alterações na temperatura permite que a molécula de DNA se duplique. Após um
período de 2 horas temos 1 milhão de cópias de DNA. A segunda etapa é realizada
pela técnica de eletroforese, que consiste em colocar o material (DNA) dentro de um
gel em uma cuba de vidro, tampá-la e deixar uma corrente elétrica passar pelo gel. A
cuba de eletroforese tem dois polos, um negativo e outro positivo; e sendo o DNA um
composto orgânico, é formado por partículas carregadas negativamente e por outras
carregadas positivamente. Quando a corrente elétrica passa pelo gel contendo o DNA,
as partículas são forçadas para as extremidades da cuba.Este processo de migração
é chamado de corrida eletroforética e as partículas são atraídas de acordo com sua
carga elétrica: (-) com (+) e vice-versa. Após um período de 2 horas, o gel é retirado
para análise, veja o exemplo a seguir na figura 1.

Figura 1 –Exemplo de um exame de paternidade, cujo pai é determinado pela técnica


de eletroforese. No esquema acima está representado o resultado da corrida
eletroforética. Para determinar quem é o verdadeiro pai temos que comparar o padrão
de bandas brancas que migram ao longo do gel. Assim sendo, quem tiver o maior
número de bandas iguais ao filho será o progenitor. Em nosso exemplo, o pai número
2 é o verdadeiro pai.O exame de DNA tem uma confiabilidade de 99,9999999%. Pode
ser não só nos casos de paternidade, mas em casos em que se queiram comparar
amostras entre indivíduos para identificação.Vale a pena ressaltar que cada indivíduo
tem um tipo particular de DNA, como uma digital. Portanto, não tem como enganar o
que o seu DNA tem a dizer.

19 O CARIÓTIPO

Uma das maiores promessas para a medicina do futuro será a capacidade de curar
doenças corrigindo defeitos na molécula de DNA. Este composto orgânico é tão
importante porque nele podemos encontrar todas as informações necessárias para
formar um outro organismo idêntico ao original, todos devem se lembrar da ovelhinha
Dolly.Todas as nossas células possuem um número definido de cromossomos. Esse
número é o 46, ou seja, nós possuímos 46 cromossomos por célula. Mas você deve
estar se perguntando o que os cromossomos têm em comum com as moléculas de
DNA? Pois a resposta é: tudo! Quando as moléculas de DNA se enrolam
completamente (igual a uma linha em um novelo) formamos os cromossomos. Mas
isso só acontece quando a célula está para se dividir.Para podermos reconhecer em
qual cromossomo está o erro em uma determinada doença genética, usamos um
exame denominado cariótipo. Este exame consiste em organizar os cromossomos por
tamanho em ordem decrescente. Qualquer alteração na estrutura ou número é
detectada neste exame. Observe a figura 1.

CLONAGEMA chamada clonagem terapêutica tem por finalidade substituir um órgão


doente por um saudável, do próprio paciente, clonado previamente a partir de células
sadias. Isto evitaria vários problemas como rejeição e a demora para conseguir
doadores. O mundo conheceu a clonagem graças a uma ovelha chamada Dolly,
clonada a partir de uma célula adulta, porém, a clonagem de humanos é
expressamente proibida. Mas como é possível fazer um outro organismo idêntico a
partir de uma célula adulta? Para podermos entender como, antes precisamos
esclarecer alguns conceitos. Todos já ouviram falar sobre os genes, mas o que são?
Genes são as unidades formadoras dos cromossomos, os cromossomos são
constituídos de sequências aleatórias de um composto orgânico chamado
nucleotídeo, logo, podemos responder que os genes são sequências aleatórias de
nucleotídeos. É no gene que está qualquer informação pertinente ao nosso
organismo, por exemplo, a cor do olho, cor da pele, como sintetizar uma proteína.

Outro conceito é que apesar de todas as nossas células possuírem os mesmos


genes, existem genes ativos em uma célula que não estão ativos em outras. Um
exemplo para ficar mais claro: se um gene, hipoteticamente, chamado gene A está
ativo em uma célula X, este não estará na célula Y e assim por diante. Cada célula do
nosso organismo possui uma sequência de genes ativos diferentes, permitindo assim
executar funções diferentes. Mas se nós queremos clonar um organismo, é
necessário que todos os genes estejam funcionando e não só um conjunto específico.
Para resolver este problema os pesquisadores coletaram uma célula adulta e a
colocaram em um meio de cultura com poucos nutrientes. Podemos dizer então, que a
célula está “passando fome”. Quando isso acontece, ou seja, quando o ambiente em
que a célula se encontra não é ideal, ela entra em um estado de “dormência”,
diminuindo sua atividade e ativando todos os genes. Pronto! Problema resolvido! O
próximo passo é pegar um ovócito (célula sexual feminina) e retirar seu núcleo, por
quê? Sendo uma célula adulta, ela tem genes ativos específicos, certo! Estamos
querendo clonar outro organismo, então retiramos o núcleo do ovócito e transferimos
o núcleo da nossa célula que estava “passando fome”, lembra; ela possui todos os
genes abertos. Agora é só transferir essa nova célula sexual dentro do útero e
aguardar a gestação!!! Ao final teremos um novo ser, idêntico, ou seja, um clone do
original. A clonagem não é super ideia, é apenas uma imitação da natureza, quando
nossas células se reproduzem, elas produzem clones naturais; quando uma bactéria
se reproduz, ela também produz um clone natural. Mas a questão mais importante
sobre a clonagem talvez resida no fator ético. 21 TRANSGÊNICOS

De uma forma bem simples, podemos definir OGM como sendo organismos (animal,
vegetal ou micro-organismos) que têm seu DNA alterado para que possam fazer ou
melhorar funções que antes não faziam. O termo Biotecnologia foi utilizado pela
primeira vez em 1919 por um engenheiro agrícola da Hungria, porém as primeiras
aplicações biotecnológicas datam de meados de 1800 a.C., com o uso de leveduras
para fermentar vinhos e pães. Após o término do Projeto Genoma Humano, que
identificou todos os nossos genes, os avanços tecnológicos nessa área cresceram
vertiginosamente. Hoje em dia não é difícil encontrar um alimento transgênico na
prateleira do supermercado. Os primeiros experimentos com plantas transgênicas
foram conduzidos em 1986, nos EUA e na França. Entre 1986 e 1995, 56 culturas
foram testadas em mais de 35 mil experimentos realizados em mais de 15 mil locais
(34 países). Em 1996 e 1997, o número de países que testaram plantas transgênicas
aumentou para 45, tendo sido conduzidos somente nestes dois anos mais de 10 mil
experimentos. Neste período, as culturas mais testadas foram a do milho, soja,
tomate, batata e algodão. Na maioria dos casos, as características genéticas
introduzidas formam tolerância a herbicidas, resistência a insetos, qualidade do
produto e resistência a vírus.

Alimentos produzidos através de tecnologias de modificação genética podem ser


mais nutritivos, estáveis, quando armazenados e, em princípio, podem promover
saúde trazendo benefícios para consumidores, seja em nações industrializadas ou em
desenvolvimento. Em animais, a utilização de uma linhagem de camundongos
transgênicos é, com frequência, uma ferramenta poderosa para o estudo in vivo de
processos biológicos. Podem-se reproduzir doenças humanas (câncer, diabetes,
imunodeficiências e outras) ou alterar vias metabólicas específicas e avaliar em
detalhes a atuação celular. Esses animais permitiriam grandes avanços em áreas
como imunologia, neurologia, biologia celular e outras. Embora seja um grande
avanço tecnológico, a geração de animais transgênicos tem limitações. Por ser
aleatória, a integração do trans gene ao DNA pode resultar na mutação de outro gene
(e não do gene alvo). Também há variações na quantidade produzida da proteína
correspondente. Além disso, como o gene-alvo continua intacto, não se sabe, a priori,
como sua expressão será afetada pelo transgene. Isso exige a geração de várias
linhagens independentes de animais com o mesmo transgene, para comparar o efeito
no organismo de diferentes doses da proteína em estudo.Como podemos observar os
alimentos transgênicos nos trazem muitos benefícios, mas não podemos esquecer
que as empresas que produzem estes alimentos devem promover testes antes de
disponibilizar este tipo de produto no mercado

!22 TERAPIA GÊNICAA


terapia gênica pode ser definida como a inserção de material genético em uma
célula, de modo a alterar especificamente o seu genoma com fins terapêuticos.
Inicialmente, as pesquisas em terapia gênica visavam curar doenças hereditárias,
causadas por mutação em um único gene, conhecidas como doenças monogênicas.
Nestas doenças, a mutação que gera o gene defeituoso pode ser causada pela troca
de uma ou mais bases na sequência de nucleotídeos do gene ou pela inserção ou
perda de bases no gene normal. A lógica para o uso da terapia gênica no tratamento
dessas doenças seria substituir o gene defeituoso por um normal ou somente
adicionar à célula um gene normal cuja expressão corrija o problema. A terapia gênica
também tem sido pesquisada como forma de vacinas genéticas. Nesse caso, o intuito
não é curar uma doença, mas sim imunizar a população contra uma doença
infecciosa. A lógica, portanto, seria promover no organismo a produção de antígenos
dos agentes infecciosos, evitando a infecção do indivíduo com o agente causador. Um
quadro patológico comumente observado, principalmente em populações de origem
africana, caracteriza-se pela presença de hemácias (glóbulos vermelhos) muito
frágeis, que facilmente se rompem na circulação sanguínea (hemólise). Esta moléstia
é chamada anemia falciforme. Estudos mostram que a hemoglobina (proteína

contida na hemácia, responsável pelo transporte de oxigênio) dos indivíduos


afetados pela moléstia é diferente da presente em indivíduos sadios. A hemoglobina
falciforme tem em uma de suas cadeias polipeptídicas (cadeia ß) o aminoácido valina
no lugar de um glutamato que existe na hemoglobina normal. Analisando o gene da
hemoglobina em células precursoras das hemácias na medula óssea, observa-se que
o gene que codifica a cadeia alterada nos acometidos pela doença tem um A no lugar
em que aparece um T nos indivíduos sadios. As pessoas acometidas pela doença têm
retardo do crescimento e expectativa e qualidade de vida reduzidas, devido a dores no
corpo, lesões ósseas, fadiga crônica etc. Caracteriza-se, portanto, um grave problema
de saúde pública, já que em algumas regiões do mundo -principalmente na África
equatorial, onde a malária é endêmica -cerca de 40% das pessoas carregam o gene
que codifica a hemoglobina defeituosa. Pelo exposto acima podemos concluir que
aqui reside uma grande promessa para o futuro da medicina em tratar doenças que
hoje são impossíveis de serem curadas.

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