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Módulo da Didáctica de

Química I

Curso de Licenciatura em ensino de Química

Universidade Pedagógica
Departamento de Química
Direitos de autor (copyright)

Este módulo não pode ser reproduzido para fins comerciais. Caso haja necessidade de
reprodução, deverá ser mantida a referência à Universidade Pedagógica e aos seus Autores.

Universidade Pedagógica

Rua Comandante Augusto Cardoso, nº 135

Telefone: 21-320860/2

Telefone: 21 – 306720

Fax: +258 21-322113

Maputo, 2013

www.up.ac.mz
Agradecimentos

À COMMONWEALTH of LEARNING (COL) pela disponibilização do Template usado na produção


dos Módulos.

Ao Instituto Nacional de Educação a Distância (INED) pela orientação e apoio prestados.

Ao Magnífico Reitor, Directores de Faculdade e Chefes de Departamento pelo apoio prestado em todo
o processo.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química i

Ficha Técnica
Autores: Ana Paula Camuendo e Aldovanda Estrela Bata

Desenho Instrucional: Manuel Macandza

Revisão Linguística: Jerónimo Simão

Maquetização: Valdinácio Florêncio Paulo

Ilustração: Valdinácio Florêncio Paulo


ii Índice

Índice

Visão geral 1
Bem-vindo ao módulo de Didáctica Química................................................................... 1
Objectivos do modulo ....................................................................................................... 1
Objectivos gerais do curso ................................................................................................ 2
Quem deve estudar este módulo? ..................................................................................... 2
Como está estruturado este módulo? ................................................................................ 2
Ícones de actividade .......................................................................................................... 3
Acerca dos ícones .......................................................................................... 4
Habilidades de estudo ....................................................................................................... 5
Precisa de apoio? ..................................................................................................... 5
Autoavaliação ................................................................................................................... 5
Avaliação .......................................................................................................................... 5
Tempo de estudo e outras actividades .............................................................................. 6

Unidade nº 01 7
Introdução à Didáctica de Química I .............................................................................. 7
Introdução ................................................................................................................ 7

Lição no 01 9
Fundamentos da Didáctica de Química ............................................................................ 9
Introdução ................................................................................................................ 9
Fundamentos da Didáctica de Química I ....................................................... 9
Exercícios........................................................................................................................ 12
Auto-avaliação ................................................................................................................ 12

Lição no 02 14
Relação entre a Didáctica de Química I e outras disciplinas .......................................... 14
Introdução .............................................................................................................. 14
Exercícios........................................................................................................................ 16
Autoavaliação ................................................................................................................. 17

Lição no 03 19
Interdisciplinaridade, transdisciplinaridade e integração na Didáctica de Química ....... 19
Introdução .............................................................................................................. 19
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química iii

Exercícios........................................................................................................................ 23
Auto-avaliação ................................................................................................................ 24
Resumo da unidade ......................................................................................................... 26

Unidade n° 02 27
Visão geral da organização do ensino de Química ......................................................... 27
Introdução .............................................................................................................. 27

Lição no 01 28
O Processo de Ensino-Aprendizagem e Tarefas do professor no ensino de Química .... 28
Introdução .............................................................................................................. 28
Exercícios........................................................................................................................ 32
Auto-avaliação ................................................................................................................ 32

Lição no 02 34
Ensino de Química e o contexto nacional ....................................................................... 34
Introdução .............................................................................................................. 34
O ensino de Química e o contexto Nacional ......................................................... 34
Exercícios........................................................................................................................ 39

Lição no 03 42
Princípios didácticos e suas características ..................................................................... 42
Introdução .............................................................................................................. 42
Exercícios........................................................................................................................ 45
Auto avaliação ................................................................................................................ 45

Lição no 04 47
O Processo de construção do conhecimento no ensino de Química ............................... 47
Introdução .............................................................................................................. 47
Exercícios........................................................................................................................ 55
Auto-avaliação ................................................................................................................ 55
Resumo da unidade ......................................................................................................... 57

Unidade n° 03 58
Organização curricular e o Processo de Ensino Aprendizagem ..................................... 58
Introdução .............................................................................................................. 58

Lição no 01 59
Estudo do plano curricular do Ensino Secundário Geral ................................................ 59
Introdução .............................................................................................................. 59
iv Índice

Exercícios........................................................................................................................ 60
Auto-avaliação ................................................................................................................ 60

Lição no 02 62
Estudo dos programas de ensino ..................................................................................... 62
Introdução .............................................................................................................. 62
Exercícios........................................................................................................................ 64
Auto-avaliação ................................................................................................................ 64

Lição no 03 66
Objectivos e Competências gerais e básicas ................................................................... 66
Introdução .............................................................................................................. 66
Exercícios........................................................................................................................ 72
Auto-avaliação ................................................................................................................ 72
Resumo da unidade ......................................................................................................... 74

Unidade n° 04 75
Mediação didáctica no ensino de Química ..................................................................... 75
Introdução .............................................................................................................. 75

Lição no 1 76
Métodos e estratégias de ensino centrado no aluno ........................................................ 76
Introdução .............................................................................................................. 76
Critérios para formação de grupos ............................................................... 81
Exercícios........................................................................................................................ 89
Auto-avaliação ................................................................................................................ 89

Lição no 02 92
Funções didácticas e sua aplicação com métodos adequados ......................................... 92
Introdução .............................................................................................................. 92
Técnica de elaboração ................................................................................ 112
Exercícios...................................................................................................................... 115
Auto-avaliação .............................................................................................................. 116

Lição no 3 118
Abordagem dos temas transversais ............................................................................... 118
Introdução ............................................................................................................ 118
Exercícios...................................................................................................................... 126
Auto-avaliação .............................................................................................................. 126
Resumo da unidade ....................................................................................................... 128
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 1

Visão geral

Bem-vindo ao módulo de
Didáctica Química
Neste módulo, você fará uma revisão dos conteúdos abordados na
disciplina de Didáctica Geral e Prática Pedagógica Geral, dando-se ênfase
ao tratamento de temas ligados ao processo de ensino de Química, bem
como os princípios didácticos que orientam a actividade do professor.
Também fará uma análise profunda dos programas de ensino da 8a a 12a
classe e dos documentos normativos do Ensino Secundário Geral (ESG).
Esta abordagem irá contribuir na sua preparação para o trabalho docente
na situação real da sala de aula e da escola por acções teóricas e práticas.

O módulo é constituído por quatro (4) unidades temáticas, a saber: 1a


unidade com três (3) aulas; a 2a com quatro (4) aulas; a 3a com quatro
aulas (4) e a 4a unidade com três (3) aulas.

Objectivos do modulo
Pretende-se com o módulo:

 Formar profissionais para a leccionação das disciplinas de


Química, nos ensinos secundário geral e técnico-profissional e
que participem na direcção e organização escolar;
Objectivos da lição
 Formar professores activos na investigação pedagógica e em
particular no ensino da disciplina de Química;

 Formar professores comprometidos com a investigação das


Ciências Químicas e o quotidiano.

 Habilitar professores e quadros da educação a responderem


Módulo da Didáctica de Química I 2

aos desafios e exigências mais recentes da educação,


proporcionando, por meio de um processo formativo
articulado com a prática docente e com a realidade escolar, um
conjunto de competências teóricas e instrumentais que
permitam uma operacionalização efectiva da “Escola para
todos”.

Objectivos gerais do curso


Os objectivos gerais do curso de Licenciatura em Ensino de Química são
a formação de quadros de nível superior com conhecimentos científicos
adequados e domínio das técnicas especiais de pensamento e trabalhos
nas áreas de Química e Ciências Pedagógicas.

Quem deve estudar este módulo?


Este módulo foi concebido para estudantes do curso de Química do
Ensino à distância, podendo servir também para os estudantes do curso
regular assim como para os estudantes do curso de Biologia que
frequentam o minor de Química. Serve ainda para o tutor geral e de
especialidade.

Como está estruturado este


módulo?
Todos os módulos dos cursos produzidos pela Universidade Pedagógica
encontram-se estruturados da seguinte maneira:
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 3

Páginas introdutórias

Um índice completo.

Uma visão geral detalhada do módulo, resumindo os aspectos-chave que você precisa de
conhecer para completar o estudo. Recomendamos vivamente que leia esta secção com
atenção antes de começar o seu estudo.

Conteúdo do módulo

O módulo está estruturado em unidades. Cada unidade incluirá uma introdução,


objectivos da unidade, conteúdo da unidade, incluindo actividades de aprendizagem,
um sumário da unidade e uma ou mais actividades para autoavaliação.

Outros recursos

Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos uma lista de recursos
adicionais para você explorar. Estes recursos podem incluir livros, documentos normativos
e regulamentos.

Tarefas de avaliação e/ou Autoavaliação

As tarefas de avaliação para este módulo encontram-se no final de cada lição. Sempre que
necessário, dão-se folhas individuais para desenvolver as tarefas, assim como instruções
para as completar. Estes elementos encontram-se no final do módulo.

Comentários e sugestões

Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer comentários sobre a estrutura e o
conteúdo do módulo. Os seus comentários serão úteis para nos ajudar a avaliar e melhorar
este módulo.

Ícones de actividade
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das
folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo
de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de um texto,
uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.
Módulo da Didáctica de Química I 4

Acerca dos ícones

Neste módulo encontrará ícones que identificam as actividades, dicas,


sumários e actividades de autoavaliação.

Pode ver o conjunto completo de ícones deste manual já a seguir, cada


um com uma descrição do seu significado e da forma como nós
interpretámos esse significado para representar as várias actividades ao
longo deste curso / módulo.

Comprometimento/ Resistência, “Qualidade do “Aprender através


perseverança perseverança trabalho” da experiência”

(excelência/
autenticidade)

Actividade Auto-avaliação Avaliação / Exemplo /


Teste Estudo de caso

Confirmação / Horas / Vigilância / “Eu mudo ou


Correcção programação preocupação transformo a minha
vida”
Resultados Tempo Tome Nota!
Objectivos

“[Ajuda-me] deixa- “Pronto a enfrentar “Nó da sabedoria” Apoio /


me ajudar-te” as vicissitudes da encorajamento
vida”

(fortitude /
Leitura preparação)
Terminologia Dica
Resumo
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 5

Habilidades de estudo
Este módulo foi concebido tendo-se em consideração que você vai
estudar sozinho. É por isso que, no fim de cada unidade/lição, você tem
actividades que o ajudam a verificar tudo o que nela aprendeu.

Fazem parte deste conjunto de actividades, as consultas em livros e


Internet, a análise de programas e documentos normativos do ESG, etc.,
pois eles são preciosos para você conhecer o nível da sua aprendizagem.

Precisa de apoio?
Se você tiver dificuldades, tem o Centro de Recursos e lá irá encontrar
tutores gerais em todas as semanas e tutores de especialidade duas vezes
por semestre. Estes podem ser consultados também por e-mail ou pelo
telefone. Os endereços serão fornecidos no início de cada semestre. Não
hesite em recorrer a esse centro, pois ele foi criado para si, podendo
encontrar acervo bibliográfico e outros materiais de consulta.

Autoavaliação
Ao longo de cada Unidade/lição você terá de resolver uma série de
exercícios que o ajudarão a consolidar a matéria dada.

Recomendamos que você resolva todos os exercícios indicados sem


consultar a chave de correcção.

Avaliação
Nesta disciplina você vai realizar 2 testes: o primeiro teste terá lugar
depois de completar a unidade 2 e segundo ocorrerá depois de completar
a última unidade.
Módulo da Didáctica de Química I 6

Cada teste tem a duração de 90 minutos e o exame tem a duração de 120


minutos. O seu tutor terá 15 a 20 dias para marcar a data do teste, bem
como a do exame.

Tempo de estudo e outras


actividades
Este módulo foi elaborado para ser estudado num semestre lectivo. Isto é,
você deverá despender 100 horas de estudo, sendo em média, uma hora
por dia consoante a sua disponibilidade para completar as (5 horas)
semanais recomendadas pelo plano de estudos.
Quanto tempo?

Das horas totais, você tem 48 horas para o estudo independente, que
inclui leituras complementares e actividades individuais ou em grupo a
realizar ao longo do semestre. As restantes 52 horas são de contacto com
o seu tutor geral e de especialidade.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 7

Unidade nº 01

Introdução à Didáctica de
Química I

Introdução
Bem-vindo à primeira unidade da disciplina da Didáctica de Química I
constituída por três lições. Nesta unidade terá noções sobre o conceito da
Didáctica de Química I e o seu objecto de estudo. Para tal, exige-se a
aplicação de conhecimentos que adquiriu na disciplina de Didáctica Geral,
Prática pedagógica geral em outras áreas específicas.

Ao lhe propormos esta unidade, pretendemos que você aprofunde os


conhecimentos adquiridos na Didáctica Geral e se envolva em todas as
actividades indicadas ao longo das lições, fazendo a interligação dos
vários saberes. Neste sentido, achamos que devíamos proporcionar-lhe
informações em forma de revisão sobre o processo de ensino-
aprendizagem (PEA), abordados na Didáctica Geral.

Assim, nesta unidade, abordaremos os fundamentos da Didáctica de


Química I, objecto do estudo da Didáctica de Química I, a relação entre a
Didáctica e outras disciplinas. Trataremos ainda os conceitos de
interdisciplinaridade, transdisciplinaridade, integração e a sua aplicação
no ensino da Química.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Descrever os fundamentos da Didáctica Geral e da

Didáctica de Química I em particular;

Objectivos da unidade  Identificar o objecto de estudo da Didáctica de Química I;

 Descrever a relação da Didáctica de Química I com outras


Módulo da Didáctica de Química I 8

disciplinas;

 Identificar as disciplinas de suporte da Didáctica de Química I;

 Explicar os conceitos de interdisciplinaridade,


transdisciplinaridade e integração e a sua aplicação no ensino da
Química.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 9

Lição no 01

Fundamentos da Didáctica de
Química

Introdução
Nesta sua primeira lição você estudará os fundamentos da Didáctica de
Química I. Seguramente que já conhece os fundamentos da disciplina de
Didáctica Geral. Aqui você aplicará alguns desses conhecimentos para
melhor compreender esta lição.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Descrever os fundamentos da Didáctica de Química I;

 Identificar o objecto de estudo da Didáctica de Química I;

Objectivos da lição  Distinguir os conceitos de educação e instrução.

Fundamentos da Didáctica de Química I


A Didáctica, do grego, “arte de ensinar” é uma parte da pedagogia
que investiga as regularidades do processo de ensino como uma
unidade de educação e instrução.

A instrução refere-se ao processo e ao resultado da assimilação


sólida de conhecimentos sistematizados e ao desenvolvimento de
capacidades cognoscitivas. Sendo o núcleo os conteúdos das
matérias e o ensino, a instrução consiste na planificação e avaliação
das tarefas a que se reserva. Nesse sentido, a Didáctica assegura a
concretização de acções pedagógicas na escola e é, por isso uma
disciplina pedagógica.
Módulo da Didáctica de Química I 10

A Educação refere-se ao processo de desenvolvimento da


personalidade envolvendo a formação de qualidades humanas
(físicas, morais, intelectuais, estéticas, éticas, entre outras), tendo
em vista a orientação da actividade humana na sua relação com o
meio social.

A educação escolar é uma tarefa social, pois a sociedade necessita


de prover as gerações mais novas de conhecimentos e habilidades
que vão sendo acumulados pela experiência ao longo da história da
humanidade.

Assim, os objectivos da disciplina da Didáctica de Química


assentam nos objectivos de educação em geral que consistem na
preparação das novas gerações para a sua vida futura no contexto
social em que se encontram (educação para a cidadania). Por
exemplo, um dos objectivos da educação é desenvolver nos
indivíduos qualidades humanas. Isto é, qualidades intelectuais,
físicas, morais e éticas. Essas qualidades garantem a formação de
cidadãos responsáveis.

A Química como uma Ciência da Natureza que se ocupa pelo estudo


da matéria e a sua transformação, assume um papel fundamental
como veículo necessário e indispensável para a formação de um
cidadão cientificamente qualificado.

A educação escolar é uma actividade social que, através de


instituições próprias, visa a construção de conhecimentos e
experiências humanas acumuladas no decorrer da história, tendo em
vista a formação de indivíduos enquanto seres sociais.

Nesta perspectiva, a Didáctica de Química é a arte de ensinar a


Química através dos seus componentes: objectivos da educação, os
conteúdos científicos, os métodos, as formas de organização de
ensino, as condições e meios que mobilizam o aluno para o estudo
activo, promovendo o seu desenvolvimento intelectual.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 11

O ensino configura-se como um processo complexo no qual se


sequenciam e se desenvolvem uma série de actividades do professor e dos
alunos dentro e fora da sala de aula, onde o professor desempenha o papel
de mediador entre os objectivos do ensino e os conteúdos escolares.

Objecto de estudo da Didáctica de Química I

O objecto de estudo da Didáctica de Química é o Processo de


Ensino de Química que no seu conjunto inclui: os conteúdos dos
programas e dos livros didácticos, os métodos e formas de
organização do ensino, as actividades do professor e dos alunos e as
directrizes que regulam e orientam esse processo.
Os programas de ensino constituem a base de estudo de Química
nas escolas. Estes determinam os objectivos, os conteúdos e os
métodos a serem implementados no PEA.

Assim, o livro do aluno deve corresponder às exigências dos


programas escolares oficiais, garantindo a aquisição sistemática do
conhecimento científico e assegurando a clareza do conteúdo da
classe ou do curso.
Os livros são meios didácticos cuja finalidade é dirigir e orientar o
processo de ensino-aprendizagem nas escolas. Estes correspondem
às exigências dos programas aprovados e incluem, em regra, o
conteúdo de uma disciplina e de uma classe de forma didáctico-
metodológica, procurando apoiar o processo de construção de
conhecimentos no âmbito do “saber fazer” e “saber ser e estar” dos
alunos.
Os livros contribuem para a realização das exigências formuladas
nas linhas gerais do Sistema Nacional de Educação (SNE) que
consistem em dar a todas as crianças e jovens uma formação básica,
integral e unificada, baseada no conhecimento profundo da Ciência
e da técnica para o desenvolvimento de capacidades intelectuais e
manuais.
Módulo da Didáctica de Química I 12

Exercícios

Você teve oportunidade de rever alguns conceitos da Didáctica


Geral como educação, instrução entre outros. Agora deve ler
Actividade novamente o texto e responder o seguinte:

1. Defina o conceito da Didáctica de Química.

2. Qual é o objecto de estudo da Didáctica de Química?

Auto-avaliação
1. Por que se afirma que a Educação escolar é uma actividade
social?

2. Comente sobre a utilização do programa de ensino e livros


escolares no processo de ensino de Química.

Para esta lição, você deve ler o texto e o manual de prática


Pedagógica Geral para compreender melhor os fundamentos da
Didáctica de Química na formação de professores nesta disciplina.
Leitura
NIVAGARA, Daniel. Didáctica Geral: aprender a ensinar.
Ministério de Educação Moçambique. Universidade Pedagógica,
Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 13

Para responder à questão no 1, você deve procurar ler novamente o


texto apresentado nesta lição a fim de verificar se conseguiu
responder correctamente à pregunta colocada;

Quanto à questão no 2, você deve procurar ler novamente o texto e


explicar a um colega seu qual é o objecto da Didáctica de Química
e peça para ele verificar no texto se a resposta está certa.

Chave de correcção
-Em relação à actividade de autoavaliação:

Para responder à questão no 1, você deve procurar ler novamente o


texto apresentado nesta lição e o módulo de Didáctica Geral,
disciplina dada no semestre passado.

Com relação à questão no 2, você deve procurar analisar se os


professores utilizam ou não os programas de ensino na planificação
de aulas de Química na escola. E na leccionação de aulas procure
observar como é o processo de utilização do livro do aluno durante
as aulas. Depois, procure discutir com um seu colega as suas
observações para verificar se a sua resposta está de acordo com a
pergunta colocada.
Módulo da Didáctica de Química I 14

Lição no 02

Relação entre a Didáctica de


Química I e outras disciplinas

Introdução
Nesta lição, você irá estudar a relação entre a Didáctica de Química I e
outras disciplinas.

A disciplina da Didáctica de Química impõe-se como uma disciplina


pedagógica que articula conteúdos de outras disciplinas, associando a
Ciência Química às Ciências de “arte de ensinar”, preparando os
educandos para a sua vida futura no contexto da educação para a
cidadania. Ela articula uma série de competências adquiridas nas outras
áreas científicas e das Ciências de educação para a construção dum
conhecimento sólido e aplicável.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Analisar e reflectir sobre as relações entre a Didáctica de Química


e outras áreas de conhecimento;

 Explicar a contribuição das outras disciplinas na Didáctica de


Objectivos da lição
Química;

 Identificar as disciplinas de suporte para aprendizagem da


Didáctica de Química
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 15

Esquema 1: Relação da Didáctica de Química com outras disciplinas

Química Geral
Química Inorgânica I
Química Orgânica I
Química Física
História da
Química Laboratório I Indústria
Química
Etc.

Ciência Química

Filosofia
Fund. Pedagogia
Didáctica Geral Processo de
Conhecimento Lógico
Didáctica da Química

Análise Crítica
Psicologia da
Etc.
Aprendizagem

A Didáctica de Química articula com várias áreas de saber como ilustra o


esquema acima. Esta forma de abordagem dos conteúdos permite um
desenvolvimento integrado do futuro professor. O objectivo desta
coordenação é garantir uma aquisição dum saber sólido e o
desenvolvimento de um saber fazer integrado.

Assim, as disciplinas que servem de suporte para a Didáctica de Química I


são:
 Fundamentos da Pedagogia que integra a função social e cultural
da educação, ao responder aos desafios da educação
contemporânea em Moçambique em diferentes momentos
históricos;
Módulo da Didáctica de Química I 16

 Psicologia Geral e da Aprendizagem que explica os


processos de desenvolvimento cognitivo do indivíduo e
factores gerais que influenciam a personalidade na
perspectiva de garantir a qualidade de ensino;

 Didáctica Geral que aborda as características e princípios


gerais do Processo de Ensino-Aprendizagem (PEA) e os
respectivos componentes;

 Filosofia que permite a apresentação do raciocínio lógico na


explicação, comparação e argumentação de fenómenos;

 Disciplinas da Ciência Química como a Química Básica,


Química Geral, Química Inorgânica I, Química Orgânica I,
Química Física I, Química Ambiental entre outras que
também actuam na integração dos vários saberes.

Exercícios
Você teve oportunidade de estudar a relação entre a Didáctica de Química
I e outras disciplinas. Agora deve ler novamente o texto e responder ao
seguinte:

1. Como é que a disciplina de Laboratório I contribui para a


Actividade
aprendizagem da Didáctica de Química I?

2. Qual é o contributo da disciplina de Fundamentos de Pedagogia


na aprendizagem da Didáctica de Química I?
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 17

Auto-avaliação
1. Qual é o contributo da Filosofia e da Didáctica Geral na
aprendizagem da Didáctica de Química I?

Exercícios

Leia mais sobre os objectivos da Prática Pedagógica de Química I em:

Leitura DUARTE, Stela; et al. Manual de supervisão de práticas pedagógicas.


Maputo, Editora Educar, 2008.

LIBÂNIO, José Carlos. Didáctica. São Paulo: Cortez, 1994.

NIVAGARA, Daniel. Didáctica Geral: aprender a ensinar. Ministério de


Educação Moçambique. Universidade Pedagógica, Rio de Janeiro:
Fundação CECIERJ, 2010.
Módulo da Didáctica de Química I 18

Para responder à questão no 1 você deve procurar lembrar-se das


principais actividades que realizou nas aulas de Laboratório I e que
poderão ajudá-lo a interpretar os conteúdos desta disciplina. Procure
partilhar as suas ideias com o seu colega.

Sobre a questão no 2, você deve procurar ler novamente o texto


apresentado nesta lição para verificar se conseguiu responder
correctamente à pergunta colocada.

Chave de correcção

Em relação às actividades de autoavaliação:

Para responder à questão no 1, você deve procurar ler novamente o texto


apresentado nesta lição e o módulo de Didáctica Geral. Depois explique a
um colega seu qual é o contributo da Filosofia e da Didáctica Geral na
aprendizagem da Didáctica de Química I para verificar se respondeu
correctamente à pergunta colocada.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 19

Lição no 03

Interdisciplinaridade,
transdisciplinaridade e integração
na Didáctica de Química

Introdução
Nesta lição, você vai estudar aspectos relacionados com a aplicação dos
conceitos de interdisciplinaridade, transdisciplinaridade e integração no
ensino de Química. Abordar estes conceitos no ensino de Química é
necessário por se tratar de um tema bastante actual e muito discutido na
área de ensino, pois permitem a articulação dos vários sabres.

Neste contexto, a interdisciplinaridade exige uma nova pedagogia, a da


comunicação. Por exemplo, um professor de Química deve saber explicar
aos seus alunos o processo de destruição da camada de Ozono e a
importância desta camada para a sobrevivência dos seres vivos. Nesta
perspectiva, refere-se aos conhecimentos de Geografia e de Química. Para
o estudante adquirir esse conhecimento de forma integrada, o professor
deve articular os saberes de Química com os de Geografia.

Do ponto de vista de elaboração do conhecimento, a interdisciplinaridade


corresponde a uma nova consciência da realidade, a um novo modo de
pensar e agir, que resulta da reciprocidade e integração entre diferentes
áreas de conhecimentos, visando a produção de novos conhecimentos,
como a resolução de problemas do quotidiano de modo global.

Ao completar esta lição, você será capaz de:


Módulo da Didáctica de Química I 20

 Relacionar os conceitos de interdisciplinaridade,


transdisciplinaridade e integração no ensino de Química;

 Reconhecer a importância da aprendizagem integrada na produção


Objectivos da lição
de novos conhecimentos;

 Explicar o processo de integração do conhecimento na aprendizagem


da disciplina de Química;

 Descrever a relação entre a transdisciplinaridade e a


transversalidade.

Interdisciplinaridade, Transdisciplinaridade e integração na


Didáctica de Química

a) Interdisciplinaridade

A interdisciplinaridade surgiu no final do século XIX, pela necessidade


de dar resposta à fragmentação das Ciências subdivididas em várias
disciplinas. Ela foi elaborada visando restabelecer um diálogo entre as
diversas áreas do conhecimento científico.

Na interdisciplinaridade, a palavra “inter” significa “troca ou


reciprocidade” entre áreas do conhecimento. Ela deve ser vista como eixo
integrador de todas as disciplinas, permitindo compreender um fenómeno
sob vários pontos de vista, pois esta rompe com os limites da disciplina,
permitindo estabelecer uma relação entre os conteúdos leccionados em
diferentes disciplinas

No caso da Química, a interdisciplinaridade visa interligar os


conhecimentos adquiridos na disciplina de Química com os
conhecimentos das outras disciplinas como a Física, a Matemática, a
Biologia e outras.

Neste contexto, a interdisciplinaridade exige uma nova pedagogia, a da


comunicação, cabendo ao professor articular teoria e prática de forma
integrada.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 21

Do ponto de vista de elaboração do conhecimento, a interdisciplinaridade


corresponde a uma nova consciência da realidade, a um novo modo de
pensar, que resulta da reciprocidade e integração entre diferentes áreas de
conhecimento, visando a produção de novos conhecimentos.

No entanto, a interdisciplinaridade visa garantir a construção globalizada


do conhecimento, rompendo com as fronteiras das disciplinas. Para isso
integrar conteúdos não seria suficiente, seria preciso uma atitude de busca,
envolvimento, compromisso e reciprocidade diante do conhecimento.

Nos projectos educacionais, a interdisciplinaridade baseia-se em alguns


princípios, entre eles:

 na noção do tempo: o aluno não tem tempo certo para aprender.


Ele aprende toda a hora e não apenas na sala de aula;

 na crença de que é o individuo que aprende: então, é preciso


ensinar a aprender, pois embora a aprendizagem seja um processo
individual, o conhecimento é uma totalidade;

 a criança, o jovem e o adulto aprendem quando têm um projecto


de vida e o conteúdo do ensino é significativo para eles.

 a metodologia do trabalho interdisciplinar implica: integração de


conteúdos que deve passar de uma concepção de fragmentação
para uma concepção unitária de conhecimento;

 ensino-aprendizagem centrado numa visão de que aprendemos ao


longo de toda a vida.

Nesta perspectiva, a acção pedagógica através da interdisciplinaridade


aponta para a construção de uma escola participativa e descritiva na
formação do sujeito social. Na teoria de PIAGET (1970) o sujeito não é
alguém que espera que o conhecimento seja transmitido a ele por acto de
benevolência. Mas aquele que aprende através das suas próprias acções
sobre os objectos do mundo e constrói as suas próprias categorias de
pensamento.
Módulo da Didáctica de Química I 22

O objectivo da interdisciplinaridade é articular saber, conhecimento,


vivência, escola e comunidade, meio-ambiente que se traduz na prática,
por trabalho colectivo e solidário na organização da escola.

Em síntese, podemos definir a interdisciplinaridade como sendo a


interacção entre duas ou mais disciplinas, desde a simples comunicação
das ideias até à integração mútua de conceitos, epistemologia, da
termologia e dos procedimentos.

b) A transdisciplinaridade

A transdisciplinaridade, tal como o prefixo “trans” sugere, diz respeito


àquilo que está ao mesmo tempo entre as disciplinas a além de qualquer
disciplina. Ela é um princípio teórico que busca uma intercomunicação
entre as disciplinas, tratando efectivamente de um tema comum
(transversalidade) e não existe fronteira entre as disciplinas. A
transversalidade refere-se aos conteúdos que pela sua natureza podem ser
tratados em mais do que uma disciplina.

O conceito de transdisciplinaridade surge para superar o conceito de


disciplina, que se configura pela fragmentação do saber em diversas
matérias. Ela considera que as práticas educativas foram centradas num
paradigma em que cada disciplina é abordada de modo fragmentado e
isolado. Isso resulta também na fragmentação da mentalidade, da
consciência e da postura do indivíduo, perdendo assim a compreensão do
ser, da vida, da cultura nas suas relações e inter-relações.

Nesta perspectiva, a transdisciplinaridade é entendida como a coordenação


de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado. O
termo foi originalmente criado por PIAGET em 1970 e o conceito dado
em 1994 no 1o Congresso Mundial de transdisciplinaridade realizado em
Portugal pela UNESCO.

A transdisciplinaridade não significa apenas que as disciplinas colaboram


entre si, mas significa também que existe um pensamento organizado
chamado pensamento complexo que ultrapassa as próprias disciplinas e é
integradora.

c) Integração
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 23

Integração é uma operação pela qual são tornados interdependentes


diferentes elementos inicialmente dissociados, com vista a fazê-los
funcionar de uma maneira articulada em função de um determinado
objectivo.

Assim, quando se aborda o termo integração, pensa-se naturalmente na


integração de pessoas de diferentes culturas, raças, idades, etc. Pensa-se
também na integração de pessoas deficientes no ensino comum, no meio
profissional. Neste contexto, interessa-nos a integração no sentido
pedagógico que consiste em o aprendiz articular os diferentes saberes
visando mobilizá-los na prática numa situação de aprendizagem.

No processo de integração das aquisições, o professor deve preparar o


aprendiz para que este possa efectuar essas aprendizagens.

Integração significa estabelecer formas comuns de vida, de aprendizagem


e de trabalho entre as pessoas deficientes ou não; significa ser participante,
fazer parte de, ser considerado e ser encorajado.

A integração requer a promoção das qualidades próprias do indivíduo,


sem estigmatização e sem segregação. Realizar pedagogicamente a
integração significa que cada indivíduo brinque, aprenda e trabalhe de
acordo com o seu próprio nível ritmo de desenvolvimento em cooperação
com os outros

Exercícios
Você teve oportunidade de rever e aprofundar os conceitos de
interdisciplinaridade, transdisciplinaridade e integração no ensino. Agora
deve ler novamente o texto e responder às questão seguinte:
Actividade
1. Explique com dois exemplos como pode ser realizada a
interdisciplinaridade no ensino de Química?
Módulo da Didáctica de Química I 24

Auto-avaliação
1. Defina o conceito de interdisciplinaridade;

2. Dê quatro exemplos concretos de interdisciplinaridade no ensino


de Química na base dos programas da 8a classe do ESG (aliste os
Exercícios
conteúdos que podem ser abordados de forma interdisciplinar)

3. Faça uma análise crítica sobre a abordagem integrada dos


diferentes conteúdos no ensino de Química, propondo medidas
para ultrapassar os possíveis constrangimentos.

Leia mais sobre os fundamentos da Didáctica de Química e a relação da


Didáctica de Química com outras disciplinas, assim como a
interdisciplinaridade no ensino em:
Leitura
LIBÂNIO, José Carlos. Didáctica. São Paulo: Cortez, 1994.

NIVAGARA, Daniel. Didáctica Geral: aprender a ensinar. Ministério de


Educação Moçambique. Universidade Pedagógica, Rio de Janeiro:
Fundação CECIERJ, 2010.

ROEGIERS, Xavier & KETELE, Jean. Uma pedagogia da integração:


competências e aquisições no ensino. 2ª Ed., Porto Alegre, Artmed, 2004.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 25

Para responder à questão no 1, você deve procurar ler novamente o texto


apresentado nesta lição e identificar no programa de ensino da 8a ou 9a
classe ou ainda da 10a conteúdos que podem ser abordados de forma
interdisciplinar. Por exemplo, quando se fala da Água na 8a classe, usa-se
conhecimentos de Biologia para explicar as doenças causas pelo consumo
de água não tratada.

Chave de correcção

Em relação à actividade de autoavaliação:

Para responder à questão no 1, procure ler novamente o texto apresentado


nesta lição e responda à questão colocada. Para verificar se conseguiu
responder correctamente à pregunta colocada, partilhe com um colega seu
e peça para ele ler novamente o texto.

Para responder à questão no 2, leia novamente o texto apresentado nesta


lição e depois analisar se os professores, na escola da sua comunidade ou
província, abordam os conteúdos de forma integrada. Isto é, verificar se
no PEA os professores estimulam os alunos a aplicar os conhecimentos
de Química e de outras disciplinas. Por exemplo, para explicar o
fenómeno de aquecimento global, o aluno precisa de utilizar os diferentes
saberes tais como a formação de dióxido de carbono, as causas do
aumento da sua concentração, a relação entre esta substância e a radiação
solar, etc.
Módulo da Didáctica de Química I 26

Resumo da unidade

Nesta unidade, você descreveu a relação entre a Didáctica de


Química e outras disciplinas, identificando as que servem de suporte
para aprendizagem da Didáctica de Química I tais como:
Fundamentos de Pedagogia, Didáctica Geral, Filosofia e as
disciplinas de Ciência Química como a Química Básica, Química
Geral, Química Inorgânica I, Química Orgânica I, Química Física I,
Química Ambiental entre outras leccionadas no primeiro ano do
curso que também actuam na integração dos vários saberes.

Interpretou os conceitos de integração, interdisciplinaridade, e


transdisciplinaridade no ensino de Química, como sendo aqueles
que possibilitam o desenvolvimento de indivíduos com um saber
integrado, porque exigem uma nova postura pedagógica do
professor na forma de mediar os conhecimentos no processo de
ensino-aprendizagem.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 27

Unidade n° 02

Visão geral da organização do


ensino de Química

Introdução
Nesta unidade, constituída por quatro lições, você vai consolidar os
conhecimentos sobre os componentes do processo de ensino-
aprendizagem e os princípios didácticos que orientam a tarefa do professor
adquiridos na Didáctica Geral. Irá saber também como se constrói o
conhecimento na disciplina de Química. Isto é, as considerações
epistemológicas do processo de conhecimento e a diferença entre o
conhecimento científico e o senso comum, pois no nosso quotidiano
deparamo-nos com vários fenómenos naturais como relâmpagos,
luminescências nos cemitérios, cujas interpretações têm sido variadas.

Com esta abordagem, pretende-se que você desenvolva competências na


interpretação dos fenómenos do quotidiano, recorrendo ao método
científico.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Identificar os componentes do processo de ensino-aprendizagem;

 Descrever as tarefas do professor no processo de ensino-


aprendizagem da disciplina de Química;
Objectivos da unidade
 Caracterizar os diferentes princípios didácticos;

 Explicar o processo de construção do conhecimento na disciplina de


Química;

 Identificar os passos do método científico.

 Diferenciar o conhecimento científico do senso comum.


Módulo da Didáctica de Química I 28

Lição no 01

O Processo de Ensino-
Aprendizagem e Tarefas do
professor no ensino de Química

Introdução
Nesta lição, você irá consolidar as noções sobre os componentes do
Processo de ensino-aprendizagem (PEA) e as tarefas do professor no
ensino de Química. Uma vez que estes conteúdos já foram anteriormente
abordados na Didáctica Geral, recomenda-se que faça a revisão dos
mesmos.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Enumerar e caracterizar os componentes do PEA;

 Descrever as tarefas do professor no PEA;

Objectivos da lição  Explicar o processo de ensino-aprendizagem de Química.

O processo de Ensino-aprendizagem de Química


Quando se fala de ensino não só se faz referência ao processo de
transmissão de conhecimentos, mas também ao processo de
aprendizagem.
O processo de ensino-aprendizagem caracteriza-se por uma interligação
entre todos os componentes da sua estrutura: os objectivos, a matéria de
ensino (conteúdos), a acção de ensinar (mediação pelo professor), a acção
de aprender (assimilação activa da matéria de ensino), as condições reais e
concretas do ensino (as relações entre o professor- alunos e as condições
materiais da escola) e os resultados de ensino (os conhecimentos, as
capacidades, habilidades e as atitudes).
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 29

Você como docente (se for o caso) ou como estudante que algum dia foi
aluno, elabore um esquema que ilustre a relação entre os diferentes
componentes do processo de ensino-aprendizagem na base na sua
experiência.

Para você verificar se o seu esquema está correcto, procure trocar com um
colega seu do curso. Depois, observe o esquema que se seguem para
verificar se compreendeu do que se trata nesta lição.

Esquema 2: Relação entre os componentes do processo de ensino-


aprendizagem

Objectivos / Competências básicas

Conteúdo - Conceitos, Leis, Teorias etc.


s
Alunos
- Apresentativo / Expositivo;
- Elaboração conjunta;
- Trabalho relativamente independente;
Métodos - Trabalho em projecto;
- Actividade experimental;
- Etc.
Tempo

- Livros;
- Fichas;
Meio
Professor - Modelos;
- Etc.
- Planifica;
- Controla / Avalia;
- Escolhe de Técnicas e Estratégias;
- Dirige o processo na base do
programa de ensino.

Observando o esquema, você constata que os conceitos ensinar e


aprender implicam a unidade entre ensino-aprendizagem. Não se pode
analisar separadamente o processo de ensino-aprendizagem, pois não é
uma relação simples entre dar (por parte do professor) e receber de
maneira passiva (por parte do aluno). A aprendizagem é válida na medida
em que os alunos participam activamente na construção dos
conhecimentos. No processo, o professor deve ter em consideração as
seguintes características principais:
Módulo da Didáctica de Química I 30

 Ensino como associação entre ensinar e aprender;


 Ensino como unidade entre instrução e educação;
 Ensino como processo social;
 Ensino como processo didáctico.

Assim, a finalidade do processo de ensino-aprendizagem é a de


proporcionar aos alunos os meios para assimilarem activamente os
conhecimentos. Este tem uma estrutura complexa constituída por
objectivos, os conteúdos, os meios e os métodos.

Podemos definir o processo de ensino como uma sequência de actividades


do professor e do aluno, tendo em vista a assimilação de conhecimentos e
desenvolvimento de habilidades, através dos quais os alunos desenvolvem
o pensamento independente.

Portanto, o ensino configura-se como um processo no qual se sequenciam


e se desenvolvem uma série de actividades do professor e dos alunos
dentro e fora da sala de aula, no qual o professor desempenha uma
actividade mediadora entre os objectivos do ensino e os conteúdos
escolares. Isto é, a actividade do professor não se esgota apenas no
cumprimento integral dos objectivos; acima de tudo, o professor deve
fazer com que, tal mediação signifique uma melhor qualidade do ensino,
aquela que corresponde, efectivamente, às necessidades de aprendizagem
e ao desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos.

Nesta perspectiva, ensinar e aprender não existem isoladamente, são duas


faces do mesmo processo. Ensinar e aprender constituem os dois
processos didácticos básicos. Neste processo, a tarefa principal do
professor é garantir a unidade Didáctica entre ensino e aprendizagem,
através do processo de ensino

As tarefas do professor
O trabalho docente, entendido como actividade pedagógica do professor,
busca os seguintes objectivos principais:
 Assegurar aos alunos o domínio duradouro dos conhecimentos
científicos;
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 31

 Criar as condições e os meios para que os alunos desenvolvam


capacidades e habilidades intelectuais de modo que dominem
métodos de estudo e trabalho intelectual, visando a sua autonomia
no processo de aprendizagem e independência de pensamento;
 Orientar as tarefas de ensino para objectivos educativos de
formação da personalidade, isto é, ajudar os alunos a escolherem
um caminho da vida, a terem atitudes e convicções que orientam
as suas opções diante dos problemas e situações da vida
quotidiana.

No processo de ensino-aprendizagem de Química o professor deve criar


oportunidades para que a assimilação da matéria tenha a sua base em
ideias concretas. Na aula, é muito importante transmitir aos alunos ideias
vivas sobre a realidade e os objectos concretos (ex. substâncias e reacções
Químicas). Para que os alunos possam chegar a conhecimentos vivos
acerca de objectos podem seguir dois caminhos:
 Primeiro através da observação (trabalho experimental)
 E segundo através da capacidade imaginativa (modelos de átomos,
figuras, esquemas, etc.).

Na formação de ideias dos alunos mediante a actividade imaginativa, o


professor deve estimular a capacidade de análise, interpretação e descrição
de factos e fenómenos. E na observação, o professor deve orientar os
alunos a dirigirem a sua atenção para as características mais importantes
dos objectos.

Assim, a actividade do professor não se esgota apenas no cumprimento


integral dos objectivos, mas acima de tudo, ele deve fazer com que tal
mediação signifique uma melhor qualidade de ensino, aquela que
corresponde efectivamente às necessidades de aprendizagem e ao
desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos.
Módulo da Didáctica de Química I 32

Exercícios
Você teve oportunidade de aprofundar a relação entre os
componentes do PEA e identificar as tarefas do professor no ensino
de Química. Agora deve ler novamente o texto e responder às
Actividade questões seguintes:

1. Quais são os componentes do processo de ensino-


aprendizagem?

2. Descreva duas tarefas do professor no ensino de Química?

Auto-avaliação
1. Qual é a relação entre os vários componentes do processo de
ensino-aprendizagem?

2. Que estratégias os professores devem adoptar para estimular a


Exercícios
aprendizagem dos alunos nas aulas de Química?

Leia mais sobre o processo de ensino-aprendizagem e as tarefas do


professor em:

Leitura

DUARTE, Stela; et al. Manual de supervisão de práticas pedagógicas


Maputo. Editora Educar, 2008.

LIBÂNIO, José Carlos. Didáctica. São Paulo: Cortez, 1994.

NIVAGARA, Daniel. Didáctica Geral: aprender a ensinar. Ministério de


Educação Moçambique. Universidade Pedagógica, Rio de Janeiro:
Fundação CECIERJ, 2010.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 33

Para responder à questão no 1, você deve procurar ler novamente o texto


apresentado nesta lição e o módulo de Didáctica Geral para verificar se
conseguiu responder correctamente à pregunta sobre os componentes de
PEA.

No que respeita à questão no 2, leia novamente o texto e explique a um


colega seu qual é a tarefa de um professor da disciplina de Química,
usando a sua experiência como docente (se for o caso) ou como aluno que
Chave de correcção
já foi alguma dia.

Em relação à actividade de autoavaliação:

Quanto à questão no 1, releia o texto apresentado nesta lição, usando o


esquema que elaborou durante a aula e explique a relação que existe entre
os componentes do PEA. Por exemplo, verifique se um professor pode
dar aulas sem ter conteúdos ou se um determinado conteúdo pode ser
mediado sem os objectivos, etc.

Para responder à questão no 2, você deve procurar identificar os


procedimentos que os professores de Química usam para dar aulas. Isto é,
sendo a Química uma Ciência experimental, deve verificar se os
professores usam métodos adequados para a disciplina. Depois, procure
discutir com um colega seu as suas observações feitas para verificar se a
sua resposta está de acordo com a pergunta colocada.
Módulo da Didáctica de Química I 34

Lição no 02

Ensino de Química e o contexto


nacional

Introdução
Nesta lição, você irá consolidar os conhecimentos sobre a história do
ensino de Química ontem e hoje no que concerne às estratégias de ensino
centradas no aluno. Irá ainda analisar as vantagens da abordagem
contextualizada no ensino, procurando contribuir para a melhoria da
qualidade de vida dos educandos.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Analisar criticamente a história do ensino de Química e as


estratégias de ensino no contexto actual;

 Fazer o levantamento das pesquisas educacionais efectuadas no


Objectivos da lição âmbito do ensino de Química;

 Listar os temas que podem ser abordados de forma


contextualizada no ensino de Química

O ensino de Química e o contexto Nacional

O ensino de Química em Moçambique


A história da Educação em Moçambique é uma área ampla e complexa da
realidade social, cujo conhecimento e desenvolvimento requerem
perspectivas de análise sobre o passado, presente e futuro.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 35

A realidade do ensino de Química enquadra-se no contexto histórico do


país e para se fazer a análise da situação actual, é necessário ter-se em
conta o que foi no passado.

Foram duas épocas marcantes na história do país. A primeira, conhecida


como época socialista, de 1975, período da Independência Nacional, a de
1987, período em que Moçambique aderiu ao novo sistema económico e
social onde se operaram várias mudanças nos sectores sociais como a
Educação.

Assim, o sistema educativo em Moçambique só foi reestruturado no


período de 1983 a 1994 com a introdução do Sistema Nacional de
Educação (SNE) através da lei 4/83, de 23 de Março e revisto pela lei 6/92
de 6 de Maio.

Portanto, as reformas educacionais decorrem no sentido de mudar a visão


da Ciência e a postura do professor como dono da verdade absoluta no
processo de ensino-aprendizagem.

Nessa realidade, o ensino da Química deve inserir-se numa perspectiva de


desenvolvimento técnico, científico e ético do país e do mundo.

Nesta perspectiva, o que se deve ensinar aos alunos tem que ter em vista o
conhecimento do contexto onde eles vivem.

Como se sabe, Moçambique não possui uma tradição de produção


científica comparativamente com os países desenvolvidos, chamados do
primeiro mundo. Durante os anos da colonização, a Educação no nosso
país caracterizou-se por um ensino inadequado para a maioria da
população, vincando-se mais os objectivos instrucionais do que
educacionais no sentido de educar-ensinar para a cidadania e para o
trabalho. No processo de desenvolvimento do país, ocorreram mudanças
estruturais a todos os níveis e aquelas que dizem respeito ao ensino de
Química exigiram novas reconfigurações curriculares. Consideramos, por
isso, importante que os estudantes tomem essa parte da história como
fundamental para o início do estudo da Didáctica de Química I.
Módulo da Didáctica de Química I 36

Assim, para o tratamento desta temática e recorrendo aos procedimentos


da pesquisa qualitativa e/ou quantitativa, os estudantes (individualmente
ou em grupos) deverão elaborar um trabalho escrito abordando as diversas
fases da evolução do ensino de Química em Moçambique apoiando-se nos
seguintes temas estruturadores:

 Análise crítica sobre a história do Ensino de Química no passado


colonial;

 Levantamento e análise de pesquisas educacionais efectuadas no


âmbito do ensino de Química e das Ciências Naturais e o seu
contributo para a melhoria de qualidade de ensino;

 Análise crítica sobre as estratégias de ensino de Química no passado


colonial, no período pós-independência e na actualidade;

 Reflexão sobre o ensino de Química considerando as mudanças


estruturais ocorridas quanto às reformas curriculares e o seu
impacto no processo de ensino-aprendizagem;

Para você verificar se o seu trabalho está de acordo com a orientação dada,
deve procurar ler algumas pesquisas de Mestrado e Doutoramento da área
de Educação/Currículo em particular na disciplina de Química que estão
disponíveis nas bibliotecas da Universidade Pedagógica, cujas referências
serão apresentadas mais adiante.

O ensino de Química no contexto nacional

A Química no contexto é uma proposta que visa a mudança do ensino de


Química meramente informativa para uma Química formativa. A
abordagem contextualizada permite que o aluno associe o conteúdo
estudado com a sua vida quotidiana.

Muitos alunos perguntam-se, por que tenho que estudar a Química? Para
quê tenho que conhecer fórmulas e símbolos químicos? Em quê tais
conhecimentos serão úteis na minha vida?

Aprender a Química não é memorizar fórmulas e decorar conceitos. A


Química contribui para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, por
isso, aprender a Química é entender como esta Ciência que envolve a
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 37

actividade humana tem-se desenvolvido ao longo dos anos, como os seus


conceitos explicam os fenómenos que ocorrem na natureza e como
podemos fazer o uso desse conhecimento na busca de alternativas para
melhorar a condição de nossa vida.

Actualmente, existe consenso entre os pesquisadores de que o ensino


contextualizado, incorpora nos currículos aspectos ambientais, políticos,
económicos, éticos, sociais e culturais relativos à Ciência e a Tecnologia.

O estudo de Química no nível secundário vem sendo de forma


predominantemente teórico. Assim, a abordagem no contexto possibilita o
aluno aprender a Química útil para a sua vida diária, ou seja os alunos
deverão privilegiar a resolução de problemas do quotidiano e, ao mesmo
tempo, desenvolver habilidades para viver em sociedade competitiva.

A abordagem contextualizada vai para além da mera motivação, pois leva


os alunos a entenderem os benefícios e as implicações sociais da Química
e da tecnologia na sua vida e permite o desenvolvimento de valores e
atitudes para uma acção social responsável.

Os fenómenos químicos não se limitam naqueles que podem ser


reproduzidos em laboratórios, mas podem estar materializados nas
actividades sociais, por exemplo, nas reacções químicas que ocorrem no
nosso dia-a-dia: fermentação, produção de corantes, combustões,
produção de sabão, produção de álcool (aguardente), entre outros.

Por exemplo, para a produção de sabão, há regiões onde se usam gorduras


de origem vegetal (copra, óleo de soja, milho ou amendoim) e noutras
usam-se gorduras de origem animal (banha de porco, ovelha ou sebo de
boi), etc.

A seguir vamos apresentar um exemplo de produção de sabão apenas para


você ter uma ideia de como ocorre este processo, pois para esta lição
pretende-se que cada um dos formandos traga a descrição de como se
Módulo da Didáctica de Química I 38

produz o sabão ou outras substâncias de utilidade quotidiana na base do


conhecimento local. Esta actividade será orientada pelo seu tutor geral.

Produção de sabão (saponificação de uma gordura)

Procedimento:

Dissolve três gramas (3g) de Hidróxido de sódio (NaOH), em dez


mililitros (10ml) de água destilada, num copo de Bécker de 100ml de
capacidade ou num recipiente que pode ir ao aquecimento;

De seguida, adicione 15mil de Etanol (álcool) e agite a solução com ajuda


de uma vareta;

Acrescente 20mil de óleo vegetal, pode ser de soja, milho, amendoim ou


uma gordura derretida de origem animal (banha de porco, ovelha ou sebo
de boi) e leve a mistura ao aquecimento, mexendo sempre com a vareta
até a ebulição (fervura);

Dissolva sal de cozinha (NaCl) à parte, de modo a obter uma solução de


cerca de 40ml;

Adicione 30mil da solução obtida a partir de sal de cozinha à mistura


fervida, deixando aquecer por mais 5 minutos, mexendo sempre;

Por fim, retire o recipiente da fonte de aquecimento e deixe arrefecer;

Teste as propriedades espumantes da substância produzida;

Anote as observações e tire as conclusões.

Lembre-se que o procedimento acima descrito corresponde à produção de


sabão num laboratório. Mas nesta lição pretende-se que você traga a
experiência da sua comunidade, onde, por exemplo, o NaOH pode ser
substituído por água de cinza e o Etanol por Aguardente (primeirinha),
entre outras, dependendo de usos e costumes de cada região.

Com a abordagem contextualizada, pretende-se que você possa resgatar


esses saberes na sua comunidade. Por isso, recomenda-se que o professor
de Química oriente os seus alunos para trazerem o rico conhecimento do
quotidiano para sala de aula, de forma a articulá-lo com o conhecimento
científico, mostrando dessa forma a aplicação da Química no dia-a-dia.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 39

Assim, para despertar o interesse dos alunos é aconselhável iniciar com a


abordagem prática dos fenómenos (nível macroscópico), seguir-se a
abstracção (nível microscópico) e a explicação incluindo as equações
químicas (representações simbólicas).

Exercícios
Você aprendeu que a realidade do ensino de Química enquadra-se no
contexto histórico do país e a abordagem dos conteúdos de Química deve
ser contextualiza para permitir a articulação entre o conhecimento
científico e o quotidiano. Agora deve ler novamente o texto e as leituras
recomendadas e responder ao seguinte:

1. Qual é a importância da obordagem contextualizada no ensino de


Química?

2. Será que a abordagem dos conteúdos no ensino de Química é feita


de forma contextualizada? Justifique a sua resposta.

1. Na sua comunidade são realizadas várias actividades quotidianas


relacionadas com a Química. Descreva, pelo menos, 4
actividades que podem ser usadas na abordagem contextualizada
Autoavaliação no ensino de Química.

2. Faça o levantamento das pesquisas educacionais efectuadas no


âmbito do ensino de Química em Moçambique na biblioteca da
sua delegação.
Módulo da Didáctica de Química I 40

Leia mais sobre a história do ensino de Química e a abordagem


contextualizada em:

CAPECE, Jô António. Resgate do saber das comunidades locais para a


melhoria da qualidade do ensino de Ciências Naturais do primeiro grau
Leitura
do nível primário, em Moçambique. Tese de Doutoramento. PUC/São
Paulo, 2001.

CAMUENDO, Ana Paula. Impacto das experiências na aprendizagem


dos alunos no Ensino de Química. Dissertação de mestrado. PUC/São
Paulo, 2006.

DUARTE, Stela e tal. Formação de professores em Moçambique:


resgatar o passado, realizar o presente e perspectivar o futuro. Editora:
EDUCAR-UP. Maputo, 2009.

FRANCISCO, Zulmira. O ensino de Química em Moçambique e saberes


culturais locais. Tese de doutoramento. PUC/São Paulo, 2004.

RIBEIRO, Amadeu. Uma reflexão sobre o ensino de Química em


Moçambique no passado, presente e perspectivas para o futuro.
Monografia científica. Faculdade de Ciências Naturais e Matemática.
Universidade Pedagógica. Maputo, 2002.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 41

Para responder à questão no 1, leia novamente o texto apresentado


nesta lição sobre o ensino de Química no contexto nacional. Depois
partilhe com um colega seu a sua resposta.

Quanto à questão no 2, releia o texto apresentado nesta lição e de


seguida procure verificar na escola mais próxima do seu Centro de
Recursos ou na base da sua experiência de docência se os
Chave de correcção professores fazem a articulação entre o conhecimento científico e o
saber local e/ou quotidiano do aluno ao mediar os conteúdos de
Química. Isto é, se fazem uma abordagem contextualiza.

Em relação à actividade de autoavaliação

Para responder à questão no 1, releia igualmente o texto


apresentado nesta lição e identifique na sua comunidade ou
província as actividades desenvolvidas que envolvem
transformações químicas e que podem ser usadas como exemplos
de abordagem contextualizada no ensino de Química.

Para a questão no 2, faça a listagem de todas as pesquisas que


abordam questões de ensino de Química em Moçambique. Essas
pesquisas poderão ser encontradas nas bibliotecas da UP e também
na internet, bastando para tal escrever “pesquisas educacionais no
âmbito do ensino de Química em Moçambique”.
Módulo da Didáctica de Química I 42

Lição no 03

Princípios didácticos e suas


características

Introdução
Nesta lição, você irá consolidar os conhecimentos sobre os princípios
didácticos que orientam o processo de ensino-aprendizagem e será capaz
de explicar a diferença entre os princípios didácticos e os metodológicos.
Uma vez que estes conteúdos já foram anteriormente abordados na
Didáctica Geral, recomenda-se que faça a revisão dos mesmos.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Caracterizar os princípios didácticos;

 Diferenciar os princípios metodológicos dos didácticos;

Objectivos da lição  Explicar a importância dos princípios didácticos no PEA de


Química.

Princípios didácticos e suas características

De modo geral, o processo de ensino-aprendizagem caracteriza-se por


uma interligação entre todos os componentes da sua estrutura: os
objectivos, os conteúdos de ensino, a acção de ensinar (mediação pelo
professor), a acção de aprender (assimilação activa da matéria pelo aluno),
as condições reais e concretas do ensino. A condução deste processo
implica a aplicação de princípios didácticos básicos.

Os princípios didácticos são aspectos gerais do processo de ensino que


expressam os fundamentos teóricos de orientação do trabalho docente.
Estes são entendidos como relações dinâmicas e participativas onde, sob
orientação do professor, os alunos adquirem conhecimentos, capacidades e
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 43

habilidades, formam as convicções e atitudes sobre as concepções


científicas da técnica e da cultura.

Os Princípios didácticos são:

 O princípio de unidade entre ensino científico e Educação;

 O princípio do carácter científico e da compreensibilidade do


ensino;

 O princípio do carácter científico e sistemático;

 O princípio da ligação do ensino com o quotidiano social;

 O princípio da unidade entre o concreto e o abstracto;

 O princípio da consolidação dos resultados essenciais do ensino;

 O princípio da activação dos alunos, tomando estes como


protagonistas da sua própria aprendizagem.

No tratamento dos conteúdos, deve-se ter em conta a aplicação dos


princípios didácticos, que são válidos em todas as disciplinas e em todas
as classes, são obrigatórios no cumprimento do projecto pedagógico
escolar e são as directrizes básicas para a utilização complexa das leis
objectivas do ensino.

Assim, os princípios didácticos são as indicações que apoiam uma atitude


didáctica de orientação para alcançar cabalmente os objectivos do ensino.
De seguida, apresentamos as características de alguns princípios
didácticos:

a) A princípio do carácter científico e sistemático - os conteúdos de


ensino devem estar em correspondência com os conhecimentos
científico actuais e com os métodos de investigação próprios da cada
matéria; deve-se garantir também a estruturação lógica do sistema de
conhecimentos de cada matéria ao longo das classes. Nesta
perspectiva, recomenda-se ao professor:

 Buscar a explicação científica de cada conteúdo da matéria;

 Certificar-se da consolidação da matéria anterior por parte dos


alunos, antes de introduzir matéria nova;
Módulo da Didáctica de Química I 44

 Assegurar no plano da aula a articulação sequencial entre os


conceitos e habilidades a desenvolver;

 Assegurar a unidade entre objectivos-conteúdos-métodos.

b) O princípio do carácter científico e da compreensibilidade do ensino -


não se deve diminuir o rigor no cumprimento do programa, mas criar
condições de tal forma que, com base nas possibilidades reais se exija
dos alunos o máximo de aproveitamento escolar. Assim, recomenda-
se ao professor:

 Dosear o grau de dificuldades no processo de ensino, tendo em


conta as condições prévias e os objectivos a serem alcançados;

 Diagnosticar periodicamente o nível de conhecimentos e


desenvolvimento dos alunos;

 Analisar sistematicamente a correspondência entre o volume de


conhecimentos e as condições concretas de aprendizagem dos
alunos;

 Aprimorar e actualizar os conteúdos da matéria que lecciona,


como forma de torná-los compreensíveis e assimiláveis pelos
alunos.

c) O princípio da ligação do ensino com o quotidiano social - a


preparação dos indivíduos para o mundo do trabalho, para a cidadania,
para a participação nos vários sectores da vida social decorre no
processo de ensino. Por isso, dominar conhecimentos e habilidades é
saber aplicá-los, tanto nas tarefas escolares como nas tarefas da vida
prática. Os conhecimentos servem não só para explicar os factos,
acontecimentos e processos que ocorrem na natureza e na sociedade,
mas também para transformá-los. Neste sentido, recomenda-se ao
professor:

 Estabelecer, sistematicamente, vínculos entre conteúdos


escolares, as experiências e os problemas da vida prática;

 Exigir dos alunos que fundamentem com o conhecimento


sistematizado, aquilo que realizam na prática;
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 45

 Mostrar como os conhecimentos de hoje são resultados da


experiência das gerações anteriores em atender necessidades
práticas da humanidade e como servem para criar novos
conhecimentos para novos problemas.

Para saber mais sobre as características dos princípios didácticos deve ler
LIBÂNIO (1994) e NIVAGARA (2010).

Exercícios
Você teve oportunidade de rever e aprofundar os princípios didácticos e
as suas características. Agora deve ler novamente o texto e responder ao
seguinte:
Actividade
1. Identifique os princípios didácticos mais aplicados no ensino de
Química.

2. Mencione 4 princípios didácticos e caracterize um deles à sua


escolha.

Auto-avaliação
1. O que é um princípio didáctico?

2. O princípio didáctico “unidade entre o concreto e o abstrato no


ensino de Química” é aplicado no PEA? Justifique a sua resposta.
Exercícios
Módulo da Didáctica de Química I 46

Leia mais sobre os princípios didácticos e suas características em:

Leitura LIBÂNIO, José Carlos. Didáctica. São Paulo: Cortez, 1994.

NIVAGARA, Daniel. Didáctica Geral: aprender a ensinar. Ministério de


Educação Moçambique. Universidade Pedagógica, Rio de Janeiro:
Fundação CECIERJ, 2010.

Para responder à questão no 1, deve reler o texto apresentado nesta lição


para reflectir sobre a implementação dos princípios didácticos no ensino
de Química e identificar os mais utilizados. Para verificar se conseguiu
responder correctamente à pergunta colocada, peça a um colega seu para
ler novamente o texto.

No que toca à questão no 2, procure ler novamente o texto apresentado


Chave de correcção nesta lição e listar os princípios didácticos apresentados. De seguida,
escolha um dos princípios e procure caracterizá-lo nas obras acima
recomendadas ou em outras fontes.

Em relação à actividade de autoavaliação

Para responder à questão no 1, você deve reler o texto apresentado nesta


lição e reelaborar o conceito de princípio didáctico. Para verificar se
respondeu correctamente peça a um colega seu para ler novamente o
texto.

Para a questão no 2, leia as obras recomendadas sobre as características


desse princípio, depois discuta com um colega seu sobre a efectivação do
princípio no PEA. Por exemplo, reflectir sobre a mediação dos conteúdos,
sobre a estrutura do átomo, classificação das moléculas, reações
Químicas, etc.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 47

Lição no 04

O Processo de construção do
conhecimento no ensino de
Química

Introdução
Nesta lição, você irá adquirir noções sobre as formas pelas quais se
constrói o conhecimento na disciplina de Química e a sua validação.

Poderá também conhecer as características e a importância do método


científico, assim como a relação entre este e o método experimental.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Explicar o conceito de método científico

 Descrever as características do método científico

Objectivos da lição  Identificar os passos do método científico

 Distinguir o conhecimento científico do senso comum.

 Explicar a relação entre o método científico e o


experimental
Módulo da Didáctica de Química I 48

O processo de construção do conhecimento na disciplina


de Química

Considerações epistemológicas preliminares

Ao se fazer uma reflexão sobre o conhecimento, a forma de produzi-lo e


de validá-lo, deve ser considerada no sentido de mostrar que a Ciência é
produto da criação humana, produzida historicamente e, por isso, evoluiu
e continuará evoluindo ao longo da história.

Na Química, o conhecimento é de um tipo especial, pois ela é uma


Ciência da natureza, estuda a matéria e as suas transformações. São as
substâncias e as reacções químicas que constituem o seu objecto de
estudo. Poderemos então nos interrogarmos sobre o que significa
conhecer?

Em todas as áreas da actividade humana, quer seja social, política,


religiosa, artística e, principalmente no que importa para a área científico-
acadêmica, fala-se em conhecer.

Conhecer pessoas, conhecer coisas, objectos, conhecer conteúdos de


textos etc. Isso supõe que o acto de conhecer é uma premissa para a
convivência entre pessoas e objectos entre pessoas, e é efectivamente uma
característica inerente e necessária ao ser humano (sujeito), pois o acto em
si pressupõe uma reciprocidade na comunicação com algo (objecto).

Sabemos algo sobre o “objecto” do conhecimento após o conhecermos.


Reconhecemos esse objecto depois de termos tido um primeiro contacto
com o objecto sobre o qual desenvolvemos diversos sentimentos. A partir
do momento em que se conhece algo, estabelecem-se vínculos e relações
de comunicação e de familiaridade com o objecto conhecido.

As teorias empiristas, assim como as racionalistas buscam na realidade


objectiva (as experiências sensíveis) ou na realidade subjectiva (as ideias),
o fundamento do conhecimento, o objecto a ser conhecido, através de
várias formas de apreensão. Destas, salientam-se quatro: os sentidos, a
razão, o intelecto e a contemplação intuitiva, não havendo, no entanto,
consenso epistemológico a respeito dessa classificação, propondo-se que
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 49

tais formas devam relacionar-se essencialmente a uma categorização das


distintas formas de classificação dos conhecimentos.

Esquematicamente, podemos resumir todas estas considerações da


seguinte forma:

Assim, no ensino de Química, a produção do conhecimento dá-se no


processo de observação onde predomina a actividade dos sentidos,
analisadores sensoriais que permitem conhecer a qualidade dos objectos e
dos fenómenos como a cor, o cheiro, o tamanho, etc.

Os objectos e fenómenos podem ser representados por meio de percepções


e com a ajuda das representações constroem-se novas imagens dos
elementos distintos. O pensamento é a forma superior que permite ao
homem penetrar na essência mais profunda dos factos e fenómenos, ao
mesmo tempo que o pensamento reflecte a sua relação com outros factos e
fenómenos, através de operações lógicas de análise, síntese e abstracção.

Pode-se dizer que com a ajuda das operações lógicas do pensamento,


constroem-se expressões ou juízos gerais cuja forma mais elevada é a Lei,
Módulo da Didáctica de Química I 50

por exemplo a lei da Regularidade do Quadro periódico, lei da


periodicidade, lei da conservação de massa, Lei de Le Chatellier, etc.

Os juízos gerais formam-se quando se expressa uma qualidade do objecto


ou fenómeno, através da percepção sensorial e partem do concreto, do
real, analisando, abstraindo o essencial e generaliza-se para um grupo de
fenómenos para chegar aos juízos finais. Estamos a falar dos processos da
indução (do particular ao geral) e da dedução (do geral ao particular).

Considerações didácticas sobre o processo de construção do


conhecimento no ensino de Química

Consideremos que a apropriação e a construção dos conhecimentos na


disciplina de Química devem ser realizadas de forma especial, isto é, de
forma metódica e sistemática, uma vez considerada como uma disciplina
com uma forte componente experimental. Busca-se assim, favorecer e
privilegiar determinados princípios didácticos tornando o aluno e o
estudante o protagonista da sua aprendizagem, criando oportunidades para
que sejam os próprios estudantes e alunos a fundamentar e a procura de
respostas para os problemas colocados.

Esta proposta construtivista de apropriação dos conhecimentos em


Química tem em vista contrapor-se ao estilo de ensino tradicional e
dogmático, no qual, os métodos são apresentados aos alunos prontamente
elaborados e sistematizados para serem aprendidos por aqueles.

Concebemos esta forma de apropriação não como uma teoria


construtivista elaborada, mas admitindo o construtivismo como a ideia de
que o conhecimento se vai construindo como produto das relações do
homem com a natureza, perante as necessidades concretas de realização
do ser humano. A existência de esquemas conceptuais para a
aprendizagem da Química não pode ser considerada a única forma de
aprendizagem. Neste ponto, enfatizemos o princípio didáctico no qual a
aprendizagem é mais bem realizada fazendo do que vendo.

Por isso, é necessário que o professor saiba reconhecer nos seus alunos as
potencialidades criativas e a sua flexibilidade na resolução dos problemas.
Deve-se tratar a matéria da disciplina como situações de aprendizagem
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 51

problemáticas as quais despertam os aspectos motivacionais tais como o


interesse e a curiosidade. Isto requer da parte do professor conhecimentos
mais do que dos conteúdos da matéria a ser ensinada, requerem-se, entre
outros, que o professor adquira conhecimentos de outras matérias
relacionadas, para poder abordar problemas afins, as interacções entre os
diferentes campos e os processos de unificação

Na aula de Química, é muito importante transmitir ideias vivas sobre a


realidade e os objectos concretos, as substâncias químicas, reacções
químicas, para que os alunos possam chegar a conhecimentos sólidos
sobre os objectos e fenómenos: através da observação (com o trabalho
experimental) e através da capacidade ou actividade imaginativa
(usando modelos de átomos por, exemplo.)

É importante que o professor parta do princípio de que os alunos podem


descrever bem aquilo que já observaram e reconheceram;

É igualmente importante que os alunos formulem, eles próprios,


oralmente, a suas conclusões para poderem desenvolver aspectos da
linguagem e o pensamento abstracto.

A linguagem permite o desenvolvimento intelectual, ajuda o pensamento


lógico e dialéctico quando se apreende a formar conceitos, juízos gerais e
a tirar conclusões. Como a disciplina de Química tem uma forte
componente experimental, a observação dos fenómenos é feita na base do
método experimental que se baseia no método científico.
Módulo da Didáctica de Química I 52

Características do método científico

O método usado pelos cientistas é conhecido como método científico, que


consiste numa sequência organizada de etapas para o estudo dos
fenómenos.

O método científico é o conjunto de procedimentos lógicos que se seguem


na investigação para descobrir as relações internas e externas dos
processos da realidade natural e social. Este método é racional porque se
fundamenta na razão, quer dizer, na lógica, o que significa que parte de
conceitos, juízos e raciocínios e retorna a eles.

Importância do método científico

O método científico é de vital importância para a Ciência em geral, porque


tem sido a responsável directa de todos os avanços que se tem produzido
em todos os campos científicos e que por isso têm influenciado no
desenvolvimento da nossa sociedade. Este método tem dado os passos
necessários para que grupos de cientistas vão descobrindo e detectando
falhas em teorias precedentes às suas.

Portanto, a aprendizagem de Química no ensino secundário deve


possibilitar ao aluno a compreensão tanto dos processos químicos, quanto
de construção de um conhecimento científico através da estreita relação
com as aplicações tecnológicas e as suas implicações ambientais, sociais,
políticas e económicas.

Neste contexto, o método científico torna-se de extrema importância para


a aprendizagem de Química, pois a Química é uma Ciência experimental.

Passos do método científico:

O método científico pode ser resumido nos seguintes passos:

 Observação de fenómenos
 Elaboração de hipótese
 Teste das hipóteses
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 53

 Generalização e proposição de uma teoria explicativa do


fenómeno

A partir da observação de um fenómeno, o cientista pode propor


explicações diferentes para a sua ocorrência. Assim, a hipótese consiste
numa afirmação prévia para explicar um determinado fenómeno. Por
exemplo, para explicar a combustão, podem ser formuladas algumas
hipóteses, como:

 A combustão ocorre pela combinação do combustível com o


 Oxigénio
 A combustão ocorre pela combinação do combustível com outro
tipo de gases.

Essas são consideradas hipóteses até que possam ser testadas e


comprovadas.

O passo seguinte seria testar cada uma das hipóteses por meio de
experimentação.

Para testar as hipóteses citadas, a combustão teria que ser processada


inicialmente na presença de Oxigénio, depois na presença de diferentes
tipos de gases, como o Dióxido de carbono, o Nitrogénio, etc.

A análise dos resultados dessas experiências levaria à comprovação de


alguma hipótese inicial, ou até mesmo à elaboração de novas hipóteses
que seriam também testados em outras situações.

Assim, a comparação dos resultados de diferentes experiências pode levar


à generalização, que em Ciência corresponde ao que chamamos de lei
científica. Por exemplo, no caso da combustão os resultados
experimentais indicam que ela não ocorre na ausência do Oxigénio.
Assim, o enunciado seria: “para haver combustão deve haver Oxigénio” o
que corresponderia a uma lei, pois as explicações que estivessem de
acordo com os resultados encontrados, passariam a constituir as teorias
científicas
Módulo da Didáctica de Química I 54

Teoria científica é o conjunto de afirmações consideradas válidas pela


comunidade científica para explicar determinado fenómeno. Se repetida a
experiência e os seus resultados não se contradizerem, passam a ser teoria.
As teorias em si servem como guias para novas experiências e são
constantemente submetidas a provas.

O Conhecimento científico e o senso comum

O conhecimento científico é sistemático, rigoroso e é obtido na base do


método científico. Ele é constituído por factos naturalmente observáveis
através de experiências químicas. É acompanhado por uma atitude crítica,
na medida em que os cientistas não encaram as teorias como
inquestionáveis, podendo serem revistas em qualquer altura.

O que difere o conhecimento científico do senso comum é a maneira como


ele é obtido e organizado. Isto é, os cientistas estabelecem critérios e
métodos de investigação para obter, justificar e transmitir o conhecimento
científico.

No senso comum, o conhecimento é obtido sem necessariamente, seguir


métodos e técnicas específicos.

A Química, como toda a Ciência, não expressa a verdade absoluta. Ela


apresenta a explicação que é mais bem-aceite pela comunidade científica
em determinado período histórico.

O conhecimento científico é elaborado com rigor e permite muitas vezes,


com bastante precisão, prever e explicar novos fenómenos.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 55

Exercícios
Você teve a oportunidade de aprofundar os conhecimentos sobre os
passos e as características do método científico, assim como a diferença
entre o conhecimento científico e o senso comum. Agora deve ler
Actividade novamente o texto e responder ao seguinte:

1. Explique os passos do método científico?

2. Qual é a relação entre o método científico e actividade


experimental?

Auto-avaliação
1. Explique a diferença entre o conhecimento científico do senso
comum?

2. Identifique no programa de ensino da 8a a 10a classe todas as leis


Exercícios
e as teorias propostas, indicando a respectiva classe e a unidade
temática.

Leia mais sobre o processo de construção do conhecimento na disciplina


de Química, as características do método científico e a sua importância
em:
Leitura
CAMUENDO, Ana Paula. Impacto das experiências na aprendizagem
dos alunos no Ensino de Química. Dissertação de mestrado. PUC/São
Paulo, 2006.

FRANCISCO, Zulmira. O ensino de Química em Moçambique e saberes


culturais locais. Tese de doutoramento. PUC/São Paulo, 2004.

LIBÂNIO, José Carlos. Didáctica. São Paulo: Cortez, 1994.


Módulo da Didáctica de Química I 56

Para responder à questão no 1, releia novamente o texto apresentado nesta


lição. Para verificar se conseguiu responder correctamente à pergunta
colocada sobre os passos do método científico peça a um colega seu para
ler novamente o texto.

Quanto à questão no 2, reveja o texto apresentado nesta lição e identifique


as características do método experimental comparando- as com o método
Chave de correcção científico.

Em relação à actividade de autoavaliação

Para responder à questão no 1, reveja o texto apresentado nesta lição e


procure verificar se estabeleceu correctamente a diferença entre o método
científico e o senso comum.

No que respeita à questão no 2, consulte os programas de ensino da 8a a


10a classe, identificando todas as leis e as teorias propostas em cada
classe e unidade temática. Pode elaborar uma tabela de três colunas para
ilustrar melhor os factos. Por exemplo, Classe, unidade temática, leis e
teorias propostas.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 57

Resumo da unidade
Ao longo desta unidade você aprendeu:

Os componentes do PEA consistem em: objectivos, competências,


conteúdos, condições reais e concretas de ensino, o professor, o aluno, os
métodos de ensino, etc.

As tarefas do professor no PEA visam assegurar aos alunos o domínio


duradouro dos conhecimentos científicos, criando as condições e os meios
para que os estes desenvolvam capacidades e habilidades intelectuais de
modo que dominem os métodos de estudo e de trabalho intelectual,
visando a sua autonomia no processo de aprendizagem e independência de
pensamento;

A Química no contexto é uma proposta que visa a mudança do ensino da


Química meramente informativa para uma Química formativa. A
abordagem contextualizada permite que o aluno associe o conteúdo
estudado com a sua vida quotidiana.

A condução do PEA implica a aplicação de princípios didácticos básicos.

O método científico é de vital importância para a Ciência em geral, porque


tem sido a responsável directa de todos os avanços que se tem produzido
em todos os campos científicos e, por isso, tem influído sobre o
desenvolvimento da nossa sociedade.

Os passos do método científico são: observação de fenómenos, elaboração


da hipótese, o teste das hipóteses, generalização e proposição de uma
teoria explicativa do fenómeno.

O que difere o conhecimento científico do senso comum é a maneira como


ele é obtido e organizado. Isto é, os cientistas estabelecem critérios e
métodos de investigação para obter, justificar e transmitir o conhecimento
científico.

A Química no contexto é uma proposta que visa a mudança do ensino da


Química meramente informativa para uma Química formativa. A
abordagem contextualizada permite que o aluno associe o conteúdo
estudado com a sua vida quotidiana.
Módulo da Didáctica de Química I 58

Unidade n° 03

Organização curricular e o
Processo de Ensino
Aprendizagem

Introdução
Nesta unidade, constituída por três lições, você conhecerá a estrutura do
Plano Curricular do Ensino Secundário Geral e dos programas de ensino,
assim como efectuará uma leitura crítica sobre o alcance dos objectivos e
das competências em cada classe.

Nela abordará também aspectos de qualidade da formulação dos


objectivos e das competências, assim como os constrangimentos na sua
efectivação no PEA e as possibilidades de ultapassá-los. Irá adquirir ainda
conhecimentos sobre as inovações e os princípios orientadores dos novos
programas de ensino.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Interpretar os programas de ensino e reflectir criticamente sobre


as formas mais adequadas de operacionalizá-los;

 Conhecer as inovações e os princípios orientadores dos novos


Objectivos programas de ensino;

 Compreender o processo educativo na escola como instância de


transmissão, recriação, transformação de saberes e de
socialização da cultura e construção da cidadania;

 Analisar criticamente o alcance dos objectivos e das


competências no processo de ensino-aprendizagem de Química.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 59

Lição no 01

Estudo do plano curricular do


Ensino Secundário Geral

Introdução
Nesta lição, você irá identificar as inovações nos novos programas de
ensino. Irá consolidar os princípios orientadores do plano curricular. Uma
vez que estes conteúdos já foram anteriormente abordados na Didáctica
Geral, está previsto um estudo profundo e completo na Prática Pedagógica
de Química I, daí que se recomenda a revisão dos mesmos.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Identificar as inovações nos novos programas;

 Consolidar os princípios orientadores do plano curricular do


Ensino Secundário Geral (ESG).
Objectivos da lição

Plano curricular do Ensino Secundário Geral

O currículo traduz as aspirações de uma sociedade no sentido de


formar cidadãos responsáveis, activos, participativos e
empreendedores. Assim, através do Plano Curricular do Ensino
Secundário Geral (PCESG) pretende-se, por um lado, garantir a
continuidade do processo de transformação curricular do Ensino
Básico e, por outro lado, assegurar uma melhor transição do Ensino
Secundário Geral para o Ensino Superior ou para o sector laboral.
Módulo da Didáctica de Química I 60

Exercícios
Você teve a oportunidade de explicar a estrutura do plano curricular do
ESG, assim como os princípios orientadores do processo de ensino-
aprendizagem. Agora deve ler novamente o texto e o Plano curricular e
Actividade responder ao seguinte:

1. Quais são os princípios orientadores do currículo do ESG?

Auto-avaliação

1. Caracterize os seguintes princípios: Educação inclusiva e ensino


centrado no aluno.

Exercícios

Leia mais sobre o Plano Curricular do Ensino Secundário Geral em:

INSTITUTO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DE


EDUCAÇÃO. Plano curricular do Ensino Secundário Geral: objectivos,
Leitura
políticas, estrutura, plano de estudos e estratégias de implementação.
Maputo. Imprensa Universitária, UEM, 2007.

INSTITUTO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DE


EDUCAÇÃO. Plano curricular do Ensino Básico: objectivos, políticas,
estrutura, plano de estudos e estratégias de implementação. Maputo.
INDE, 1999.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 61

Para responder à questão no 1, deve recorrer ao PCESG, identificando


todos os princípios que orientam o novo currículo. Para verificar se
conseguiu responder correctamente à pergunta colocada peça a um colega
seu para ler novamente o texto.

Em relação à actividade de autoavaliação


Chave de correcção

Para responder à questão no 1, releia o PCESG e procure verificar se


explicou correctamente os princípios recomendados, comprando as suas
respostas com as de um colega seu.
Módulo da Didáctica de Química I 62

Lição no 02

Estudo dos programas de ensino

Introdução
Nesta lição, você irá descrever a estrutura dos programas de ensino do
primeiro e segundo ciclos do ESG, reflectir sobre a implementação das
diferentes formas de avaliação propostas no programa de ensino nas
condições das escolas moçambicanas. Poderá também conhecer os
conceitos de competências, temas transversais e indicadores de
desempenho e a sua aplicabilidade.

Nesta lição, você vai ainda estudar aspectos relacionados com a estrutura
organizacional dos novos programas do ESG. Também vai reflectir sobre
as condições concretas para a operacionalização dos novos programas de
ensino.

Para compreender os conteúdos em referência, você deve consultar os


programas de ensino em anexo neste módulo.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Descrever a estrutura do programa de ensino;

 Definir os conceitos de competências, temas transversais e


indicadores de desempenho;
Objectivos da lição
 Reflectir sobre as formas de avaliação propostas no programa de
ensino;

 Reflectir sobre a qualidade de formulação dos


objectivos/competências, o grau da sua aplicação, e os
constrangimentos da sua efectivação.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 63

Estrutura dos programas de ensino

Os programas de ensino apresentam uma estrutura semelhante constituída


por:

 Introdução que contém: linhas orientadores do currículo do ESG,


os desafios da escola, abordagem transversal, as línguas no ESG e
o papel do professor,

 O ensino e aprendizagem na disciplina de Química. Este item


apresenta de forma sintética as estratégias de ensino de Química;

 Objectivos gerais da disciplina - este item apresentam as


finalidades da disciplina de Química no ESG;

 Competências a desenvolverem no 1o ciclo - neste item estão


descritas as competências a serem desenvolvidas neste ciclo;

 Objectivos grais do 1o ciclo - neste item estão mencionados os


objectivos a serem alcançados neste ciclo;

 Visão geral dos conteúdos do 1o ciclo - neste item encontra todos


os conteúdos a serem abordados no 1o ciclo do ESG;

 A partir do ponto sete, encontramos aspectos particulares para


cada classe, tais como: objectivos da classe, visão geral dos
conteúdos de classe, unidades temáticas (sugestões metodologias
e indicadores de desempenho),

 Na parte final, apresentam-se as formas de avaliação: diagnóstica,


formativa e sumativa.

Nos programas de ensino estão descritos os objectivos gerais para os


vários ciclos ou classes e respectivas unidades temáticas. O professor
deverá fazer a correspondência dos objectivos gerais com a matéria de
ensino no sentido de obter os resultados no âmbito do saber, saber fazer e,
saber ser e estar (atitudes e convicções) através dos quais se buscam o
desenvolvimento de capacidades de cognitivas dos alunos, desdobrando-
os em objectivos específicos de cada aula ou conjunto de aulas.
Módulo da Didáctica de Química I 64

Caro estudante, lembre-se que a Didáctica de Química I é dada de forma


integrada com as Práticas Pedagógicas. Por isso, os conteúdos da maioria
das actividades que propomos para você realizar já foram abordados e
aprofundados. Não hesite em consultar novamente todas as informações
pertinentes que lhe ajudarão a responder correctamente as questões que a
seguir são colocadas.

Exercícios
Você teve a oportunidade de identificar a estrutura dos programas de
Química, assim como as competências a serem desenvolvidas no 1o ciclo
do ESG. Agora, deve ler novamente o texto, os programas de ensino e
Actividade responder ao seguinte:

1. Identifique nos programas de ensino (8a, 9a e 10a classe) as principais


inovações.

Auto-avaliação

1- Defina o conceito de indicadores de desempenho, dando três


exemplos para cada unidade temática na base do programa de
ensino para cada classe (8a, 9a e 10a)
2- Identifique os instrumentos de avaliação dos conteúdos de
Exercícios Química propostas no programa de ensino (8a, 9a e 10a classe) e
comente sobre a implementação dos mesmos face às condições
- das escolas moçambicanas.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 65

Leia mais sobre a estrutura dos programas de ensino em:

INSTITUTO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DE


a
EDUCAÇÃO-MINED. Programa de ensino de Química da 8 classe.
Leitura
MEC-INDE. Maputo. Moçambique, 2010

-------------------.Programa de ensino de Química da 9a classe. MEC-


INDE. Maputo. Moçambique, 2010

--------------------. Programa de ensino de Química da 10a classe. MEC-


INDE. Maputo. Moçambique, 2010

Para responder à questão no 1, consulte o PCESG e os programas de


ensino. Para verificar se conseguiu responder correctamente à pergunta
colocada sobre as inovações nos novos programas releia o PECSG onde
estão listadas todas as inovações.

Em relação a actividade de autoavaliação

Para responder à questão no 1, reveja os programas de ensino,


Chave de correcção
principalmente na parte introdutória, onde estão explicados alguns
conceitos e procure verificar se reelaborou correctamente, consultando
novamente o programa.

Quanto à questão no 2, consulte igualmente os programas de ensino da 8a


a 10a classe, identificando em todas as classes os instrumentos
recomendados. Pode elaborar uma tabela de duas colunas para ilustrar
melhor os factos. Por exemplo, Classe e instrumentos de avaliação
recomendados. De seguida, faça um comentário se os instrumentos
recomendados são implementados na íntegra, olhando para as condições
reais das nossas escolas.
Módulo da Didáctica de Química I 66

Lição no 03

Objectivos e Competências gerais


e básicas

Introdução
Nesta lição, você irá consolidar os conhecimentos sobre as regras para a
formulação dos objectivos de ensino nos diferentes âmbitos. Irá também
conhecer a relação entre habilidades/capacidades e as competências.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Formular os objectivos nos diferentes âmbitos;

 Classificar os objectivos nos diferentes níveis;

Objectivos da lição  Distinguir as competências dos objectivos;

 Relacionar as competências com as habilidades/capacidades.

Os objectivos e competências no ensino de Química

a) Os objectivos no ensino de Química

Os objectivos expressam antecipadamente os nossos propósitos em


relação ao desenvolvimento e transformação da personalidade dos alunos
face às exigências individuais e sociais. A disciplina da Didáctica de
Química procura proporcionar os subsídios teóricos da educação,
formulando directrizes orientadoras da actividade profissional dos
professores.

Assim, pode-se afirmar que os objectivos explicitam aos propósitos


pedagógicos intencionais e planificados de instrução e educação, os
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 67

conteúdos formam a base informativa para a elaboração dos objectivos e


os métodos formam a totalidade dos passos que viabilizam a assimilação
dos conteúdos.

A prática educacional orienta-se, necessariamente, para alcançar


determinados objectivos, por meio de uma acção intencional e sistemática.
A finalidade do PEA é proporcionar aos alunos os meios para que
assimilem activamente os conhecimentos. Este processo concretiza-se
através dos objectivos educacionais.

Os objectivos educacionais expressam propósitos definidos quanto ao


desenvolvimento das qualidades humanas que todos os indivíduos
precisam de adquirir. Isto é, formar cidadãos com uma sólida preparação
científica, técnica, cultural e física e uma elevada educação moral, cívica e
patriótica.

Os objectivos educacionais têm, pelo menos, três referências para a sua


formulação:

 Os valores e ideias proclamados na legislação educacional e que


expressam os propósitos das forças políticas dominantes no
sistema social;

 Os conteúdos básicos da Ciência produzidos e elaborados no


decurso da prática social da humanidade;

 As necessidades e expectativas de formação cultural exigidas pela


sociedade, decorrentes das condições concretas de vida.

Nesta abordagem, consideram-se dois níveis de objectivos

 Objectivos gerais (classe ou ciclo)

 Objectivos específicos (unidade temática e/ou aula)

Objectivos gerais: expressam propósitos mais amplos acerca do papel da


escola e do ensino diante das exigências postas pela realidade social e
diante do desenvolvimento da personalidade do aluno.

Objectivos específicos: expressam as expectativas do professor sobre o


que deseja obter dos alunos no decorrer do PEA. A formulação dos
Módulo da Didáctica de Química I 68

objectivos específicos deverá partir do que se tem como conteúdos de


matéria de ensino e estes devem:

 Ser redigidos com clareza;

 Ser alcançáveis em função do tempo e das condições reais;

 Permitir que o professor transforme os tópicos das unidades


em resultados que expressam conhecimentos, habilidades,
atitudes e convicções.

Os objectivos antecipam resultados e processos esperados do trabalho do


professor e dos alunos, expressam conhecimentos, habilidades e hábitos a
serem assimilados de acordo com as exigências metodológicas e
subdividem-se em três categorias ou âmbitos.

Âmbito cognitivo ou conhecimentos,

Âmbito psicomotor-experimental ou habilidades/capacidades,

Âmbito afectivo ou convicções e atitudes,

A formulação dos objectivos específicos permite que o professor


transforme os tópicos das unidades temáticas (conteúdos) em depoimentos
que expressam resultados por alcançar no fim da unidade ou da aula no
que concerne a:

 Conhecimento: sobre factos, conceitos, princípios, teorias, etc.

 Habilidades: sobre o que o aluno deve aprender para desenvolver


capacidades intelectuais e habilidades manipulativas ao aplicar
fórmulas em exercícios, ao observar fenómenos, ao recolher e
organizar dados ou informações, formular hipóteses, usar
materiais, substâncias e outros instrumentos, ao apresentar
resultados de pesquisa, etc.

 Atitudes e convicções em relação à matéria, ao relacionamento


humano, a realidade social (atitude científica, consciência crítica,
responsabilidade, solidariedade, etc.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 69

Isso significa que o professor não deverá apenas copiar os objectivos


prescritos nos programas de ensino, mas reavaliá-los em função da
realidade concreta e objectiva que se apresenta na escola.

A formulação dos objectivos específicos deve partir daquilo que se


tem como conteúdos da matéria de ensino. A partir da sua formulação,
o professor fixará os resultados a obter do processo de transmissão e
assimilação dos conhecimentos. A tabela abaixo apresenta exemplos
de alguns verbos comumente usados na formulação dos objectivos.

Tabela 1: Alguns verbos usados na formulação dos objectivos


específicos

Âmbito ou sector Exemplo de verbos a usar

Cognitivo ou de conhecimento Saber, possuir, obter, apropriar,


ampliar, consolidar, adquirir,
reflectir, reconhecer, etc.

Explicar, resolver, aplicar,


comparar, prever, relacionar,
Psicomotor-experimental ou distinguir, ordenar, demonstrar,
habilidades e capacidades classificar, montar, interpretar,
observar, argumentar, nomear, etc.

Valorizar, ter responsabilidade


para…, despertar interesse para…,
Afectivo ou atitudes e revelar o gosto pelo…, manifestar
convicções interesse pelo…, prestar uma
contribuição para…, etc.

Caro estudante, depois de aprender com se formulam os objectivos


específicos está em condições de fazer uma reflexão sobre a
operacionalização dos mesmos durante uma aula de Química.

Agora, a partir do conteúdo “obtenção do Oxigénio no laboratório”,8a


classe, 4a unidade temática, formule três objectivos.

Para você responder correctamente a esta questão, deve ler novamente o


texto apresentado nesta lição sobre os critérios para a formulação dos
objectivos, depois consulte o programa da 8a classe na 4a unidade temática,
onde são apresentados alguns objectivos específicos para esta unidade.
Módulo da Didáctica de Química I 70

A seguir vamos abordar o conceito de competências que constitui uma das


inovações no novo currículo do ESG.

b) As competências no ensino de Química

O conceito de competências é polissémico e relaciona-se a uma


combinação complexa de atributos.

As competências podem ser definidas como um conjunto de capacidades


práticas mobilizadas para realizar uma tarefa ou conjunto de tarefas,
satisfazendo as exigências sociais. As competências sempre se manifestam
por um comportamento observável. Por exemplo, realizar uma experiência
química é uma competência que coloca em prática algumas habilidades
como seleccionar matérias e reagentes.

Portanto, a correspondência entre capacidade/habilidade e competências


não é directamente observável. Uma mesma capacidade manifesta-se
numa multiplicidade de competências. Por exemplo, a capacidade de
aplicar regras de higiene e segurança no laboratório manifesta-se na
competência necessária para efectuar ensaios. Do mesmo modo, uma
competência apela para múltiplas capacidades. Para realizar experiências,
por exemplo, necessita de colocar em acção capacidades como reconhecer
sinais, diferenciar, observar, interpretar fenómenos, entre outras.

A definição do conceito de competências é apresentada em três


perspectivas segundo alguns autores:

Conjunto de tarefas - a competência é analisado pela observação directa


do desempenho;

Conjunto de atributo - a competência mostra os atributos gerais


indispensáveis para o desempenho efectivo do educando;

Conjunto de estrutura holístico-integrado - a competência é relacionada


com uma combinação complexa de atributos (conhecimentos, habilidades
e valores) necessários para o desempenho profissional em situações
específicas.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 71

Uma das afirmações mais frequentes quando se fala de competências na


educação é que elas não podem ser vistas exclusivamente numa
perspectiva operacional de tarefas. É fundamental verificar quais são as
capacidades e conhecimentos que permitem a mobilização das
competências.

Assim, o currículo do ESG proporcionará aos alunos um conjunto de


competências (conhecimentos, habilidades e valores) para enfrentarem
com sucesso as exigências da vida quotidiana.

Num currículo por competências, uma das premissas pedagógicas é a de


desenvolver no educando a capacidade de resolver problemas do
quotidiano. O principal objectivo da resolução de problemas é a superação
de obstáculos e a estimulação da actividade cognitiva.

A Universidade Pedagógica introduziu em 2010 o novo currículo baseado


em competências. Isto trouxe um desafio para os docentes desta
instituição em geral e para os de Química, em particular, no concernente
às formas de avaliação. Com efeito, um currículo por competências
caracteriza-se pela estruturação de conhecimentos de forma
interdisciplinar e privilegia o desenvolvimento de capacidades que
mobilizam essas competências. A adopção de uma proposta
interdisciplinar implica profundas mudanças nos modos de ensinar e
aprender.

Portanto, a actividade do professor não se esgota apenas no cumprimento


integral dos objectivos previstos; acima de tudo, o professor deve fazer
com que, a mediação dos conteúdos signifique uma melhor qualidade do
ensino, aquela que corresponde, efectivamente, às necessidades de
aprendizagem e ao desenvolvimento de competências para a vida.
Módulo da Didáctica de Química I 72

Exercícios
Você teve a oportunidade de consolidar os conhecimentos sobre
objectivos, assim como a relação entre as competências e habilidades.
Agora deve ler novamente o texto e responder ao seguinte:
Actividade
1. O que são competências?

2. Analise criticamente a qualidade de formulação dos


objectivos/competências em cada classe e os constrangimentos da sua
efectivação nas condições das escolas moçambicanas.

Auto-avaliação

1- Reflicta sobre a implementação da seguinte competência geral no


ensino de Química “ apresenta oralmente e por escrito os resultados
das experiências Químicas, trabalhos de investigação, visitas de
Exercícios
estudos e entrevistas, usando a termologia apropriada”
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 73

Leia mais sobre os objectivos e competências gerias e básicas em:

LIBÂNIO, José Carlos. Didáctica. São Paulo: Cortez, 1994.

Leitura
DUARTE, Stela e tal. Formação de professores em Moçambique:
resgatar o passado, realizar o presente e perspectivar o futuro. Editora:
EDUCAR-UP. Maputo, 2009.

MESQUITA, Elisa. Competências do professor: representações


sobre a formação e a profissão Lisboa: Edições Sílabo, 2011.

ROEGIERS, Xavier & KETELE, Jean. Uma pedagogia da


integração: competências e aquisições no ensino. 2. Ed. Porto
Alegre: Artmed, 2004.

Para responder à questão no 1, deve reler o texto apresentado nesta lição.


Para verificar se conseguiu responder correctamente à pergunta colocada
sobre o conceito de competência peça a um colega seu para ler
novamente o texto.

Sobre a questão no 2, consulte os programas de ensino, PCESG ou leia


novamente o texto apresentado nesta lição para identificar os verbos
Chave de correcção usados na formulação dos objectivos. Só depois é que estará em
condições de comentar se os objectivos específicos nos programas de
ensino da 8a a 10a classe estão bem formulados e se estes são alcançados
durante a leccionação das aulas de Químicas nas condições das nossas
escolas.

Em relação à actividade de autoavaliação

Respondendo à questão no 1, leia, uma vez mais, o PCESG,


principalmente na parte das competências do 1o ciclo e procure analisar as
condições para a implementação dessas competências. Por exemplo,
analisar se são realizadas experiências Químicas e qual é o impacto de
não realização na aprendizagem dos alunos, olhando para a competência
a ser desenvolvida.
Módulo da Didáctica de Química I 74

Resumo da unidade
Nesta unidade você aprendeu:

Que constituem inovações no novo currículo a introdução de línguas


moçambicanas no ensino, temas transversais, actividades co-curriculares,
disciplinas profissionalizantes, abordagem dos ciclos de aprendizagem,
etc.

Os princípios orientadores do plano curricular do Ensino Secundário Geral


são: educação inclusiva, ensino centrado no aluno, ensino aprendizagem
para o desenvolvimento de competências, ensino secundário integrado e
em espiral;

O conceito de competências é polissémico e relaciona-se com uma


combinação complexa de atributos. As competências podem ser definidas
como um conjunto de capacidades práticas mobilizadas para realizar uma
tarefa ou conjunto de tarefas, satisfazendo as exigências sociais;

A formulação dos objectivos específicos deve partir daquilo que se tem


como conteúdos da matéria de ensino. A partir da sua formulação, o
professor fixará os resultados a obter do processo de transmissão e
assimilação dos conhecimentos;

Os objectivos subdividem-se em três categorias ou âmbitos: âmbito


cognitivo ou conhecimentos, âmbito psicomotor-experimental ou
habilidades/capacidades e âmbito afectivo ou convicções e atitudes.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 75

Unidade n° 04

Mediação didáctica no ensino de


Química

Introdução
Nesta unidade composta por três lições, você vai rever e aprofundar os
conteúdos sobre os métodos e estratégias de ensino iniciados na Didáctica
Geral. Irá consolidar as funções didácticas e os métodos de ensino
adequados para a sua aplicação nas aulas.

Nela abordará também as propostas de recuperação dos alunos com baixo


rendimento pedagógico e saberá quando e como avaliar os alunos.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

 Descrever as estratégias metodológicas de ensino centrado no aluno;

 Mencionar os diferentes métodos de ensino;

Objectivos  Caracterizar o método experimental e o método de projectos;

 Descrever as funções didácticas e os métodos de ensino adequados


para a sua aplicação nas aulas;

 Identificar nos programas de ensino as formas de controlo e


avaliação na aprendizagem de Química;

 Implementar estratégias de recuperação de alunos com baixo


rendimento pedagógico;
Módulo da Didáctica de Química I 76

Lição no 1

Métodos e estratégias de ensino


centrado no aluno

Introdução
Nesta lição, daremos continuidade ao conteúdo introduzido na Didáctica
Geral, dando ênfase aos métodos participativos que possibilitam o
desenvolvimento de habilidades e competências para a vida.

Neste sentido, veremos as caraterísticas da aprendizagem centrada no


aluno, os métodos experimental e de projectos. Veremos também como os
métodos apresentativos, elaboração conjunta, método de trabalho
relativamente independente, entre outros.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Identificar os métodos de ensino que possibilitam a participação


activa dos alunos na aprendizagem de Química;

 Descrever estratégias de ensino centrado no aluno;


Objectivos da lição
 Identificar temas nos programas de ensino que podem ser abordados
na base dos métodos experimental e de projectos;

Estratégias de ensino-aprendizagem centrado no aluno


O ensino-aprendizagem centrado no aluno é um dos princípios
orientadores do novo currículo do ESG. Com esta abordagem, significa
que o professor deve escolher estratégias que estimulem a participação
activa do aluno.

Nesta concepção de ensino, o professor funciona como um facilitador a


quem cabe criar oportunidades educativas diversificadas que permitam ao
aluno desenvolver as suas competências. Para o efeito, são aplicadas
estratégias que proporcionam uma participação activa do aluno tais como
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 77

trabalhos em grupos, realização de pequenas pesquisas, realização de


actividades experimentais, jogos de papéis, elaboração de portefólio ou
portfólio, entre outros.

O portfólio é uma nova técnica de avaliação que permite acompanhar o


trabalho do aluno por revelar o seu progresso, dificuldades, esforços e
realizações. Este constitui uma colecção dos trabalhos realizados pelo
aluno ao longo do trimestre ou ano lectivo.

Assim, o uso de portfólio baseia-se nos seguintes princípios:

 O aluno é o responsável pela sua aprendizagem e o seu


desenvolvimento pessoal,

 A avaliação do aluno não é apenas da responsabilidade do


professor mas também do próprio educando (auto-reflexão e
autoavaliação)

 O enfoque está na aquisição e desenvolvimento de competências


do educando (saber fazer e saber ser e estar).

Na elaboração do portfólio, devemos, por exemplo, colocarmo-nos as


seguintes questões:

Parte inicial - O que devo aprender? Onde me encontro em relação aos


objectivos da disciplina?

Parte intermédia - Quais são os progressos que fiz? Quais são as minhas
dificuldades? O que tenho que aprender ainda? O que fazer para aprender
mais?

Parte final - O que aprendi? Como consegui aprender? Alcancei os meus


objectivos?

As questões acima colocadas podem ser respondidas recorrendo ao diário


do aluno, isto é, anotações diárias sobre as aulas teóricas, práticas,
seminários, pesquisas e algumas reflexões no decurso das actividades
lectivas.

No entanto, o professor, ao dirigir e estimular o processo de ensino em


função da aprendizagem dos alunos, utiliza intencionalmente um conjunto
de acções, passos, condições externas e procedimentos a que chamamos
métodos de ensino.
Módulo da Didáctica de Química I 78

Caro estudante, acabou de ver como caracterizar um ensino centrado no


aluno. Agora vai rever este conteúdo, desenvolvendo algumas actividades.
Pensa nas condições concretas das nossas escolas (turmas numerosas) e
diga se é possível realizar um ensino centrado no aluno. Justifique a sua
resposta.

Para responder à questão colocada analise o texto para identificar as


características de um ensino centrado no aluno e de seguida explique
como se pode implementar em turmas numerosas.

Ainda no âmbito da implementação de estratégias de ensino, você


recorda-se que na disciplina de Didáctica Geral estudou os diferentes
métodos de ensino. Agora pretendemos que reveja e aprofunde os
conhecimentos adquiridos e aplique-os à Didáctica de Química I com
exemplos concretos na base dos programas de ensino de Química.

Classificação dos métodos de ensino

 Apresentativo /Expositivo (APP ou APA)

 Elaboração conjunta (EC)

 Trabalho independente dos alunos (AIA)

 Trabalho em grupo (TE)

 Método experimental (AE)

 Método de trabalho em projectos (ATP)

1. Método Apresentativo/Expositivo (APP ou APA)

Os conhecimentos, habilidades e tarefas são mediados através da


explicação ou demonstração feitas pelo professor e os alunos têm
actividade receptiva.

A exposição lógica da matéria continua a ser um procedimento necessário,


desde que o professor consiga mobilizar a actividade interna do aluno para
se concentrar e pensar, combinado com outros procedimentos como
trabalho independente, a conversação ou diálogo, trabalho em grupo, etc.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 79

As formas do método Expositivo

 Exposição oral feita pelo professor (APP) e/ou pelo aluno (APA)

 Demonstração

 Ilustração

 Exemplificação

Exigências pedagógicas do método Expositivo

 Apresentar aos alunos conhecimentos exactos, correctos e


válidos;

 Utilizar o material didáctico para a concretizar a lição planificada;

 Usar uma linguagem simples, clara e viva para quebrar a


monotonia;

 Escrever no quadro e explicar aos alunos as palavras novas e


difíceis

 Usar giz/caneta (marcador) de cores diferentes sempre que for


possível

2. Método de Elaboração conjunta (EC)


A elaboração conjunta é uma forma de interacção activa entre o professor
e os alunos visando a obtenção de novos conhecimentos, desenvolvimento
de habilidades, atitudes e convicções, bem como a fixação e consolidação
de conhecimentos adquiridos.

As formas do método de elaboração conjunta

 Diálogo para elaborar novos conhecimentos;

 Diálogo para controlar os conhecimentos adquiridos;

 Discussão e debate entre os alunos dirigido pelas perguntas e


impulsos do professor;
Módulo da Didáctica de Química I 80

O diálogo ou a conversação tem um grande valor didáctico, pois


desenvolve nos alunos as habilidades de expressar opiniões fundamentais,
argumentar, refutar opiniões de outros, aprender a escutar, contar factos,
interpretar, etc.

Os meios para a orientação do diálogo são:

 Pergunta - é um estímulo para o raciocínio, incentiva os alunos a


observar, pensar, duvidar, etc.;

Critérios para a elaboração de perguntas

 A pergunta deve ser formulada de forma clara e precisa


para que o aluno saiba exactamente qual o sentido;

 Deve ser iniciada por um pronome interrogativo correcto.


Por exemplo: o quê, quando, explique, porquê, etc;

 Deve estimular uma resposta e/ou um comentário pensado


e não simplesmente sim ou não;

 Deve ser formulada na 3a pessoa do singular

 Impulso - é um meio eficaz para guiar os alunos a pensar e falar


coerentemente

Tipos de impulsos:

 Linguísticos (verbais) – por exemplo: explique melhor,


mais, etc.;

 Mímicos-gesticulados – por exemplo: o professor mostra


modelos, aparelhos, materiais, substâncias, etc.;

 Concretos ou objectivos – por exemplo: compare, defina,


classifique, etc.

3. Método Trabalho (relativamente) independente dos alunos


(AIA)

O método trabalho independente dos alunos consiste em tarefas dirigidas e


orientadas pelo professor para que eles resolvam de modo relativamente
independente. Este método pressupõe determinados conhecimentos,
compreensão da tarefa e do seu objectivo, de modo que os alunos possam
aplicar conhecimentos e habilidades adquiridos.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 81

Formas de trabalho independente do aluno

 Cada aluno trabalha sozinho e todos resolvem tarefas iguais;

 Cada aluno trabalha sozinho, mas todos resolvem tarefas


diferentes;

 Os alunos trabalham em grupos de 2 até 4 alunos, deste modo, há


maior cooperação (eles ajudam-se) e o avanço de todos é muito
maior.

Para que o trabalho independente cumpra a sua função é necessário que o


professor:

 Dê tarefas claras, compreensíveis, adequadas ao nível dos


conhecimentos dos alunos e das capacidades de raciocínio
dos mesmos;

 Assegure as condições de trabalho (local, material


disponível, etc.)

 Acompanhe de perto o trabalho dos alunos;

 Aproveite os resultados das actividades para toda a turma

4. Método de trabalho em grupo

O método de trabalho em grupo consiste basicamente em distribuir temas


de estudo iguais ou diferentes a grupos fixos ou variáveis, compostos por
3 a 5 alunos. Este método deve ser usado conjugado com os outros
métodos.

A finalidade do trabalho em grupo é obter a cooperação dos alunos entre


si na realização de uma tarefa. A formação de grupos pode ser espontânea
ou dirigida.

É espontânea quando os alunos se reúnem livremente e dirigida quando se


reúnem por determinação do professor.

Critérios para formação de grupos

 Formar grupos de 3 a 5 alunos pela indicação do professor ou


espontaneamente em que os alunos apresentam diferentes
rendimentos;
Módulo da Didáctica de Química I 82

 Cada grupo deve ter um coordenador ou responsável;

 É recomendado que a deslocação das carteiras seja feita antes do


início da aula, para ganhar tempo e evitar confusão.

Vantagens do método de trabalho em grupo

 Complementar, fixar e enriquecer conhecimentos;

 Enriquecer experiências;

 Atender às diferenças individuais;

 Desenvolver o senso crítico e de responsabilidade;

 Treinar a capacidade de liderança e aceitação do outro;

 Desenvolver o espírito de cooperação.

Depois de rever as características dos métodos de ensino mais utilizados


no processo de ensino-aprendizagem, responda ao seguinte. A partir do
tema “Reacções redox”, 8a classe, 4a unidade explique quais são os
métodos adequados para a mediação desse conteúdo. Lembre-se que uma
das inovações no novo currículo é a aprendizagem centrada no aluno.

Para responder à questão colocada consulte no programa de ensino da 8a


classe os objectivos específicos previstos e as competências que se
pretende desenvolver no final da aula. Só depois disso é que será mais
fácil para identificar os métodos adequados, lembrando sempre que a
aprendizagem deve estar centrada no aluno.

Além dos métodos acima referidos, a Química como uma Ciência


experimental baseia-se na experiência. Por isso, você deve aplicar também
o método experimental na abordagem dos conteúdos de Química.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 83

5. Método experimental
Segundo NEVES (1998) o conceito de experiência provém do latim
“experientia” cujo significado é ensinar, testar, experimentar, submeter à
prova.

Na prática científica, usa-se a expressão realizar experiência no sentido de


experimentar ou verificar uma hipótese.

Ao usar o método experimental para a preparação, realização e


valorização de uma experiência concreta fala-se em actividade
experimental.

As actividades experimentais são realizadas no processo de ensino-


aprendizagem e efectuam-se no laboratório ou na sala de aula ou noutro
lugar seguro e visa aproximar o aluno à realidade e ao método de trabalho
científico que consiste em observar os fenómenos naturais, compreender
as regularidades e depois fazer previsões.

Passos a observar no método experimental:

 A dedução das conclusões na base de uma hipótese que pode ser


provada pela experiência;

 A preparação teórica da experiência – este processo abrange a


selecção dos materiais e a sua organização num modelo de
pensamento (desenhos, figuras, etc.);

 A realização da experiência;

 A interpretação dos resultados obtidos – neste passo faz-se a


comparação dos resultados obtidos com a conclusão deduzida da
hipótese.

Etapas da aplicação do método experimental

1-Preparação da experiência
Módulo da Didáctica de Química I 84

Aqui são colocadas questões relativas à experiência como um problema


que deve ser resolvido.

2-Realização da experiência

Nesta fase os alunos, com base nas questões acima colocadas, devem fazer
todas as observações, descrever o decurso da experiência e tomar as
devidas anotações.

3-Interpretação dos resultados da experiência

Com base nas tarefas colocadas em 1 e nas anotações feitas em 2, os


alunos estarão em altura de apresentar a solução do “problema”, isto é,
apresentar os resultados da experiência, usualmente em forma de um
relatório, mas também através de uma apresentação oral.

Regras gerais para a realização da experiência

1. Apresentar o tema da experiência de uma forma problematizada;


2. Reflectir sobre o modo para a resolução do problema;
3. Reflectir sobre os perigos que possam advir do uso de certas
substâncias para a saúde e para o meio ambiente;
4. Reflectir na possibilidade de tratamento de resíduos após a
realização de experiências;
5. Seleccionar os aparelhos mais convenientes para a realização da
experiência;
6. Preparar os aparelhos e reagentes para a experiência;
7. Montar a aparelhagem e verificar possíveis falhas na montagem;
8. Reflectir sobre os passos parciais para a realização da experiência.

Classificação das experiências

 Experiência de demonstração (professor ou aluno)

 Experiências dos alunos (sozinhos ou em grupo)

Exigências para a realização das experiências de demonstração


pelo professor
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 85

 O professor deve utilizar aparelhos e instrumentos que


possuam um tamanho aceitável que dê o efeito de
demonstração, de modo a permitir que os alunos possam
observar, desenhar, colocar dúvidas e elaborar um relatório
sobre a aula, se for necessário;

 O arranjo dos aparelhos e dos instrumentos deve ser distinto


para permitir que todos os alunos possam acompanhar de
perto o decorrer da experiência;

 O professor deve examinar cada experiência antes da aula


prevista, utilizando as mesmas quantidades das substâncias e
os mesmos aparelhos que vai colocar em frente dos alunos,
para evitar situações de perigo e resultados secundários
desconhecidos.

Vantagens das experiências de demonstração

 Todos os alunos percebem ao mesmo tempo os mesmos


efeitos;

 O professor pode dirigir facilmente a atenção dos alunos;

 O professor pode realizar experiências que possuem um


carácter perigoso.

Exigências gerais para a realização das experiências dos alunos

 As experiências devem ser fáceis de realizar;

 Os alunos devem aprender a manusear rapidamente os


aparelhos;

 Os alunos não podem realizar experiências com substâncias


venenosas e perigosas ou ainda que podem explodir;

 A montagem dos aparelhos não deve levar muito tempo.


Módulo da Didáctica de Química I 86

Depois de ter estudado as características do método experimental, você


está em condições de explicar por que razão na maioria das escolas não se
realizam experiências químicas?

Para responder a questão colocada, poderá recorrer novamente ao texto


apresentado e na base da sua experiência como docente (se for o caso) ou
como aluno que algum dia já foi, explicar por que não se realizam
experiências nas aulas de Química.

Para além do método experimental, o método de projectos está a ganhar


espaço na área de ensino por permitir a realização de actividades que
possibilitam o desenvolvimento de pensamento autónomo.

6. Método de trabalho em projectos


O objectivo principal do método de projecto no ensino é educar e
incentivar a autonomia e desenvolvimento de competências dos alunos. A
prática deste método de ensino data nos princípios do século XX,
concebido e praticado pelos pedagogos reformistas da Alemanha e os
pragmatistas nos Estados Unidos da América.

O que é um Projecto?

O projecto como conceito educativo


O termo "projecto" surge como designação possível de um conceito que
procura unificar vários aspectos importantes do processo de
aprendizagem: a acção realizada com empenhamento pessoal; a
intencionalidade dessa acção; e a sua inserção num contexto social.

Projecto é uma série de actividades concebidas de modo a alcançar um


objectivo específico dentro de um determinado espaço de tempo e, por
vezes, requer um certo orçamento para o efeito.

Características do projecto
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 87

O conceito de projecto pode ser definido, e tem sido definido, de várias


maneiras. Porém, há um conjunto de características fundamentais que
lhe estão quase sempre associadas:

 Um projecto é uma actividade intencional. A sua realização


pressupõe um objectivo, formulado pelos autores e executores,
que dá sentido às várias actividades, e está associada a um produto
final.

 Um projecto pressupõe uma margem considerável de iniciativa e


de autonomia daqueles que o realizam. Geralmente, há um grupo
de pessoas envolvidas na realização do projecto, pelo que a
cooperação assume igualmente uma grande importância, ainda
que haja também projectos individuais.

 A autenticidade é outra característica fundamental de um


projecto. Aquilo que se pretende fazer constitui um problema
genuíno para quem o faz e envolve alguma originalidade. Não
chamamos projecto à mera reprodução de um trabalho já feito por
outros.

 Um projecto tem um carácter prolongado e faseado. Pela sua


própria natureza, um projecto corresponde a um trabalho que se
estende ao longo de um período de tempo mais ou menos
prolongado e percorre várias fases desde a formulação do
objectivo central até à apresentação dos resultados passando pela
planificação e execução.

O método de trabalho por projectos é importante no processo de ensino-


aprendizagem porque permite:

 desenvolver uma cultura de autonomia, criatividade, pesquisa e


reflexão nos alunos;

 desenvolver o papel do aluno como actor responsável e


interveniente na comunidade;

 despertar orientações vocacionais ou caminhos profissionais;

 promover a interdisciplinaridade, relacionando conhecimentos


diversos;
Módulo da Didáctica de Química I 88

 desenvolver a capacidade de comunicar e exprimir as opiniões dos


alunos publicamente;

 produzir materiais úteis e necessários à comunidade;

 desenvolver a capacidade de questionar e identificar os problemas


do quotidiano;

 desenvolver a capacidade de realizar actividades planificadas;

 estabelecer a ligação dos conteúdos escolares com o quotidiano


dos alunos

Fases de um Projecto:

 Diagnóstico da situação, (identificação do problema) e a


descrição de meios;

 Planificação das actividade a serem desenvolvidas,

 Realização do projecto

 Avaliação,

 Divulgação dos seus resultados mais significativos. O esforço de


divulgação é útil não só para outras pessoas como para os próprios
intervenientes no projecto, ajudando-os a reflectir no trabalho que
realizaram.

Exemplos de alguns projectos:

 elaboração do jornal de parede;

 reportagem sobre um determinado tema;

 colecção de receitas de determinados tipos de pratos;

 construção de um aparelho;

 técnicas de conservação de alimentos;


Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 89

Para verificar se compreendeu as características do método de trabalho em


projectos deve identificar nos programas de ensino de 8a e 10a classe os
conteúdos que podem ser abordados na base deste método.

Para responder esta questão, procure ler novamente o texto apresentado


nesta lição e consulte no programa os temas a partir dos quais os alunos
podem desenvolver pequenas pesquisas em grupo ou individualmente. Por
exemplo, na 8a classe, na 4a unidade temática pode-se identificar temas
como: fontes e formas de abastecimento de água para consumo humano,
combustíveis renováveis e não renováveis, entre outos. Os alunos poderão
desenvolver pequenos projectos dependendo do contexto em que
estiverem inseridos.

Exercícios
Você teve a oportunidade de aprofundar os conhecimentos sobre os
métodos de ensino e as suas e características, assim como as estratégias de
ensino-aprendizagem centrado no aluno. Agora deve ler novamente o
texto para responder ao seguinte:

1. Identifique os principais métodos de ensino.

2. Por que razão no processo de ensino-aprendizagem de Química usa-se


com maior predomínio o método expositivo em detrimento do método
experimental?

Auto-avaliação
1-Explique as exigências gerais para a realização das experiências dos
alunos.

2-O programa de ensino recomenda a uso de métodos que colocam o


Exercícios
aluno como sujeito activo. Será que na nossa prática educativa se cumpre
essa orientação? Justifique e dê sugestões para a solução.
Módulo da Didáctica de Química I 90

Leia mais sobre os métodos de ensino e as estratégias de ensino centrado


no aluno em:

CAMUENDO, Ana Paula. Impacto das experiências na aprendizagem


Leitura
dos alunos no Ensino de Química. Dissertação de mestrado. PUC/São
Paulo, 2006.

DUARTE, Stela; e tal. Manual de supervisão de práticas pedagógicas


Maputo. Editora Educar, 2008.

INSTITUTO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO DA


EDUCAÇÃO. Plano curricular do Ensino Secundário Geral: objectivos,
política, estrutura, plano de estudos e estratégia de implementação.
Imprensa Universitária, UEM. Maputo, 2007.

FRANCISCO, Zulmira. O ensino de Química em Moçambique e saberes


culturais locais. Tese de doutoramento. PUC/São Paulo, 2004.

LIBÂNIO, José Carlos. Didáctica. São Paulo: Cortez, 1994.

MONJANE, Armindo et al. Manual de educação ambiental: uma questão


de cidadania. Imprensa Universitária, Universidade Pedagógica. Maputo,
2011
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 91

Para responder à questão no 1, precisa de reler o texto apresentado nesta


lição, deve ler também o PCESG para entender que o novo currículo
privilegia os métodos de ensino que colocam o aluno como sujeito activo.
Para verificar se respondeu correctamente a questão peça um colega seu
para ler novamente o texto.
Chave de correcção
Para responder à questão no 2, volte ao texto para compreender melhor as
características do método experimental e do método expositivo. Depois,
procure identificar as vantagens e desvantagens da utilização de cada um
dos métodos para encontrar os motivos que levam os professores a
preferir o método expositivo, embora reconheçam que a Química é uma
Ciência experimental.

Em relação às actividades de autoavaliação

Para responder à questão no 1, reveja o texto apresentado nesta lição e


explique cada uma das exigências para a realização de experiências do
aluno. Por exemplo, explicar porque é que as experiências dos alunos
devem ser fáceis de realizar.

Para responder à questão no 2, revisite o texto apresentado nesta lição


sobre ensino centrado no aluno e estratégias de ensino de Química. De
seguida, deve ir a uma escola mais próxima ou observar aulas de um
colega seu para analisar a situação de ensino na comunidade onde você se
encontra. Isto é, verificar se os professores usam métodos que permitem a
participação activa dos alunos. Caso não, deve apresentar propostas de
solução. Lembre-se que, para qualquer dificuldade, tem à disposição um
tutor geral que, neste caso, poder-lhe-á ajudar na sua inserção na escola.
Módulo da Didáctica de Química I 92

Lição no 02

Funções didácticas e sua


aplicação com métodos
adequados

Introdução
Nesta lição, você vai rever e aprofundar os conhecimentos sobre funções
didácticas, tema introduzido na Didáctica Geral, dando ênfase aos
métodos adequados na aplicação das respectivas funções didácticas. Não
pretendemos aplicar as mesmas na planificação de aulas, pois este
conteúdo será abordado na Didáctica de Química II no próximo semestre.

Neste sentido, veremos as caraterísticas das funções didácticas e a sua


aplicação na base dos programas de ensino de um modo geral como
pressupostos para uma boa planificação de aulas.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Caracterizar as diferentes funções didácticas;

 Aplicar a função didáctica ao método de ensino adequado;

Objectivos da lição  Descrever as possibilidades de estimulação de interesses cognitivos


no ensino de Química;

 Apresentar exemplos da motivação escolhidos na base da matéria


escolar nos programas de ensino;

 Descrever as formas de controlo e avaliação na disciplina de


Química;

 Elaborar instrumentos de avaliação para o ensino de Química.


Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 93

Funções didácticas e exemplos de uso no ensino de Química

No Processo de ensino-aprendizagem, a aula deve ser materializada,


estruturada e planificada relacionando objectivos, conteúdos, métodos e
meios. Neste ponto, coloca-se a questão da decisão sobre o tipo de aula
que o professor realiza:

 Uma aula na qual tem prioridade uma tarefa didáctica denominada


aula especializada;

 Uma aula combinada que abrange todas as etapas para aquisição


relativamente completa do conteúdo da matéria.

Assim sendo, a distinção acima não significa que a condução das aulas
deve seguir um esquema rígido e fixo. É importante que o professor faça
as opções pelas etapas didácticas adequadas dependendo dos objectivos,
os conteúdos, métodos, recursos e meios didácticos, características dos
alunos e as condições da escola. Esse procedimento exige do professor
criatividade e flexibilidade. As etapas ou passos da aula constituem as
funções didácticas:

 Introdução/motivação/ estimulação da aprendizagem (IO/M

 Matéria nova (MN)

 Domínio e Consolidação (D/C)

 Controlo e avaliação (C/A)

Introdução/motivação/ estimulação da aprendizagem

A preparação e introdução da matéria constituem momentos importantes


do processo de ensino por corresponderem às actividades de motivação
dos alunos. O professor prepara a aula, assegura o tempo de realização das
actividades dos alunos, produz e organiza meios e materiais didácticos
auxiliares que vão ser utilizados, em concordância com os métodos de
ensino.

A preparação das condições da aprendizagem dos alunos tem como


objectivo mobilizar a sua atenção, criar interesses cognitivos para a
matéria de estudo, suscitar curiosidade, considerando as suas pré-
Módulo da Didáctica de Química I 94

concepções, relacionar a matéria com as aprendizagens anteriores, entre


outras.

Assim, a motivação deve ser feita em todos os momentos:

 No início da aula;

 Durante a aula;

 No início de uma unidade temática;

 No início do ensino de qualquer disciplina.

Algumas formas de motivação:

 Novidades dentro da matéria escolar que causam


admiração e curiosidade nos alunos;

 Factos, fenómenos da realidade quotidiana;

 Informações actuais sobre as Ciências

 Explicações de significados de conceitos novos;

 Informações sobre cientistas e descobertas importantes;

 Anedotas;

 Reconhecimentos actuais (combustíveis alternativos,


factores ambientais, emprego de substâncias, etc.).

Depois de ter estudado algumas formas de motivação no ensino de


Química, você está em condições de identificar no programa de ensino da
9a classe as formas que os professores de Química podem usar para
estimular os alunos na aprendizagem dos conteúdos propostos em cada
unidade temática.

Para responder à sugestão colocada, releia novamente o texto apresentado


e na base do programa, procure identificar as formas de motivação
propostas. Por exemplo, na 9a classe quando se fala do VII-grupo principal
o Cloro é um dos representantes do grupo. A questão seria, das diferentes
formas de motivação que estudou quais as que podem ser usadas para a
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 95

abordagem do Cloro? Pode partilhar as suas respostas com um dos seus


colegas e você sabe que em caso de dúvida não pode hesitar em procurar o
seu tutor geral ou de especialidade.

Possibilidades de estimulação de interesses cognitivos no ensino de


Química

Estímulos determinados pelo conteúdo das aulas

São as novidades dentro da matéria escolar que causam admiração e


curiosidade no que concerne a:

 Factos, fenómenos da realidade quotidiana como motivação


prática na base racional;

 Preposições, depoimentos e informações actuais sobre a Química;

 Leis, regularidades, regras (p.e. ensaio de leitura);

 Explicações dos significados dos conceitos, dos símbolos


químicos, das fórmulas Químicas;

 Busca de integrações do conhecimento científico com o


conhecimento quotidiano da Química.

 Estímulo “histórico”

 Exemplos da história das Ciências Naturais;

 Cientistas e descobertas importantes e


significantes na história da pesquisa da
Ciência;

 Anedotas;

 Reconhecimentos actuais

 Hidrogénio como fonte de energia;

 Metanol como combustível;

 Factores ambientais: efeitos do uso e abuso de compostos


químicos como o Cloro, herbicidas, pesticidas, gases poluentes do
Módulo da Didáctica de Química I 96

ar atmosfera como Monóxido de carbono, Dióxido de enxofre,


monóxido de nitrogénio etc.;

 Importância e emprego das substâncias e produtos químicos na


indústria e nas tecnologias.

A seguir, apresentamos alguns exemplos de motivações na base do


programa de ensino:

 Substâncias e reconhecimentos das substâncias;

 Importância dos elementos químicos (motivar a unidade didáctica


usando exemplos da aplicação dos elementos do 7º grupo da
Tabela Periódica)

 Importância, aplicação dos Fenóis (motivar uma parte da aula:


propriedades físicas e Químicas dos fenóis).

Portanto, no processo de ensino-aprendizagem de Química os alunos deve


ser participativos de forma a garantir o desenvolvimento de competências
para a vida. Para que este propósito seja alcançado, é importante que o
professor faça uma boa articulação entre as funções didácticas e os
métodos de ensino.

Assim, o professor deve dominar as características dos diferentes métodos


de ensino e as funções didácticas de forma a garantir que este saiba aplicar
estratégias adequadas a partir de um conteúdo identificado no programa de
ensino. Lembre-se que este conteúdo foi estudado na Didáctica Geral e
agora pretende-se que seja aprofundado o conhecimento na base de
exemplos concretos da disciplina de Química.

Alguns exemplos de funções didácticas e sua aplicação com métodos


de ensino adequados

A aplicação da função didáctica matéria nova ao método


apresentativo

A mediação dos conteúdos da matéria nova requer uma opção


metodológica adequada e conveniente para o confronto directo com os
factos e fenómenos por meio da demonstração, observação da realidade
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 97

estudada, a explicação da matéria pelo professor (a exposição verbal), o


trabalho independente dos alunos, o diálogo permanente, a exemplificação
e ilustração do objecto de estudo. O método apresentativo e as suas formas
de realização parecem ser o método mais adequado para realizar esta
função didáctica considerando-se os seguintes aspectos:

 O nível de exigência do professor deve ser alto (concentração da


matéria, garantir que os alunos tomem nota dos apontamentos,
garantir os níveis da atenção e concentração dos alunos, etc.);

 O efeito da apresentação não deve ser monótono e seco; deve


considerar os objectivos no âmbito dos conhecimentos, das
habilidades /capacidades, das atitudes e convicções;

 A exposição verbal é um procedimento didáctico valioso para a


assimilação dos conhecimentos: envolve maior número de alunos,
poupa tempo levando o aluno mais directamente ao objecto de
estudo de uma maneira rápida e objectiva.

Na disciplina de Química o conteúdo da aula tornar-se-á mais significativo


para canalizar o interesse dos alunos para a matéria de estudo ao ser
complementada com elementos ilustrativos, demonstrativos, exercitação,
actividade experimental, mudando a ideia de que a exposição verbal seja
um “depósito” de informações.

Chama-se particular atenção para os cuidados que o professor deve


observar durante a exposição verbal nomeadamente, evitar conduzir os
alunos a uma aprendizagem mecânica fazendo-os memorizar e decorar
factos, regras, definições, usar linguagem e termos inadequados aos seus
reais interesses, apresentar factos, noções e assuntos sem ligação com a
matéria anterior.

A aplicação da função didáctica domínio e consolidação ao método


apresentativo

A consolidação é possível e realizar-se com as formas do método


apresentativo, por exemplo:

 Na exposição do professor, é possível uma concentração dos factos


essenciais;
Módulo da Didáctica de Química I 98

 A exposição do aluno pode ser uma explicação e realização das


experiências em combinação com outros meios didácticos, a
demonstração de filmes, slides, transparências, é possível mas não é
típica.

A consolidação é uma forma de aprimoramento de conhecimentos e


habilidades fixados na mente dos alunos para que estejam disponíveis nas
situações concretas do estudo e para a sua aplicação na vida dos alunos.

A consolidação pode acontecer em qualquer fase da aula ou conjunto da


aula (antes do início da matéria nova, com sistematização, realização de
exercícios da matéria anterior, durante a exposição da matéria nova
paralelamente com a mediação).

A consolidação permanente significa mediação da matéria nova e


consolidação paralelamente. A consolidação directa ou concreta significa
a aplicação de conhecimentos para situações novas, após a sua
sistematização; implica a integração dos conhecimentos de forma que os
alunos estabeleçam relações de similaridade, de analogias entre conceitos,
fenómenos e liguem os conhecimentos com situações novas e factos da
prática social.

As formas de consolidação são: sistematização, aplicação, repetição.

A sistematização é uma forma de consolidação que consiste no registo e


classificação onde se acentuam os pontos essenciais dos conteúdos
mediados e as suas relações, possibilitando aos alunos separar o essencial
do acessório.

Aplicação é uma forma de consolidação, onde os alunos actualizam e


enriquecem os seus conhecimentos, capacidades e habilidades em
situações novas, unindo a teoria e a prática. Não é uma repetição, procura
estabelecer vínculos do conhecimento com a vida de modo a suscitar
autonomia de pensamento e atitudes críticas nos alunos.

Na repetição há um aspecto memorativo e pode ser realizado através de


resumos das partes da aula ou repetição total da aula. Esta pode ocorrer no
início duma aula (serve para introdução e reactivação dos conhecimentos);
durante a aula (tem função de resumo); no fim de uma aula (tem carácter
de uma sistematização) e como trabalho de casa.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 99

A exercitação é uma forma de repetição, aperfeiçoamento e complemento


das actividades e capacidades dos alunos.

As tarefas da repetição são:

 Garantir a fixação dos conhecimentos essenciais na


memória;

 Reactivar o nível inicial;

 Treinar a memória para aumentar a capacidade mental.

 Consolidar os novos conhecimentos e refrescar os já


adquiridos.

Aplicação da função didáctica domínio e consolidação ao método de


elaboração conjunta

A elaboração conjunta é uma forma de interactividade entre o professor e


os alunos para cumprir os objectivos e para a consolidação dos
conhecimentos adquiridos. Aplica-se em vários momentos (início,
decorrer e final) da aula ou conjunto de aulas. Sendo a forma típica da sua
aplicação o diálogo, através de perguntas adequadas e dirigidas (em
muitas variantes).

Conversa didáctica supõe-se uma contribuição conjunta de alunos e


professor: os alunos dialogam de forma aberta trazendo contribuições e
experiências novas e o professor traz conhecimentos, experiências mais
elaborados e sistematizados. A combinação deste método com o recurso
aos meios didácticos pode melhorar o efeito educativo.

A elaboração conjunta é o melhor método para uma consolidação em


forma de repetição e sistematização. O professor pode controlar bem quais
são as lacunas no saber. A consolidação deve ser combinada com os
problemas e tarefas que correspondem ao nível inicial dos alunos; os
alunos podem participar na aula activamente, por exemplo. quanto a:

 Classificação das substâncias (o professor mostra uma colecção de


substâncias diferentes e os alunos devem determinar a sua classe);
Módulo da Didáctica de Química I 100

 Relação entre a estrutura atómica e ligação química (os alunos


devem explicar as propriedades de determinadas substâncias);

 O professor escreve no quadro a fórmula de uma substância e os


alunos conhecem as partículas e os métodos da sua obtenção.

A aplicação das funções matéria nova, domínio e consolidação ao


método de trabalho relativamente independente

De modo geral, o método de trabalho independente do aluno consiste de


tarefas dirigidas e orientadas pelo professor para que os alunos resolvam
de modo relativamente independente e de forma criativa. Podem ser
tarefas simples (fazer um desenho, esquema de aparelhagem de
experiências químicas, avaliação de um relatório e/ou protocolo sobre
experiências científicas) ou complexas (preenchendo fichas de trabalho ou
realizando independentemente experiências químicas individuais ou em
grupo).

Este método é útil para uma aplicação dos conhecimentos e para


exercícios; há também uma combinação do trabalho colectivo e trabalho
independente dos alunos. O aspecto mais importante deste método é a
actividade mental dos alunos, podendo ser adoptado em qualquer
momento da aula, como tarefa inicial ou preparatória da aula (para
verificar as condições prévias dos alunos, colocar problemas, despertar
interesse, incitar atitudes interrogativas etc.); como tarefa de assimilação
da matéria nova (exercícios e tarefas seguidas à explicação do professor,
estudo dirigido, solução de problemas, pesquisa com base num problema
novo, leitura de textos etc.) ou como tarefa de elaboração pessoal
(exercícios nos quais os alunos produzem respostas surgidas do seu
próprio pensamento, relatos de observações etc.).

Para que essa actividade seja realizada, o professor deve ser bastante
exigente planeando-a em correspondência com os objectivos, conteúdos e
procedimentos metodológicos adequados:

 Indicando tarefas claras, compreensíveis e adequadas, à altura e


capacidade de raciocínio dos alunos;
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 101

 Assegurando as condições de trabalho na sala de aula (como meios


didácticos adequados, acessíveis e disponíveis) ou no laboratório
(com materiais, reagentes e aparelhagens);

 Acompanhando de perto o trabalho dos alunos;

 Aproveitando o resultado das tarefas para toda a turma.

Por seu lado, os alunos devem:

 Saber precisamente o que fazer e como trabalhar;

 Dominar as técnicas de trabalho recomendado pelo professor;

 Desenvolver atitudes de solidariedade com os colegas.

Exemplo de matéria nova escolhida na base do programa de ensino:

 Os alunos sabem que os metais reagem com ácidos diluídos


formando Sais;

 Os alunos realizam experiências em grupos (3 a 4 alunos) com os


mesmos ácidos e metais ou com ácidos e metais diferentes;

 Os alunos tiram conclusões da experiência: alguns metais reagem e


outros não reagem;

A função didáctica matéria nova serve para mediação e assimilação


estruturada dos conhecimentos e é determinada pela mediação de novos
conhecimentos, ligação da matéria nova com a já conhecida, compreensão
e generalização dos conhecimentos, aprofundamento e construção de
novos saberes.

Nesta etapa, realiza-se a percepção dos objectos e fenómenos ligados ao


tema da aula, a formação e explicação dos conceitos, desenvolvimento das
capacidades de observação, imaginação e de raciocínio dos alunos. No
entanto, é necessário relembrar que para o cumprimento integral dos
objectivos específicos da aula, deve existir uma articulação entre o
processo de mediação e assimilação activa da matéria nova.
Módulo da Didáctica de Química I 102

A aplicação da função didáctica controlo e avaliação ao método de


trabalho relativamente independente

O método de trabalho relativamente independente é o melhor método para


controlo e avaliação através de tarefas dirigidas e orientadas pelo
professor para que os alunos resolvam de modo relativamente
independente e de forma criativa.

Assim, a verificação e o controlo do rendimento escolar para efeito de


avaliação é uma função didáctica de extrema importância e ocorre em
todas as etapas do ensino, abrangendo a consideração dos vários tipos de
actividades do professor e dos alunos no PEA. A avaliação do ensino-
aprendizagem deve ser vista como um processo sistemático e contínuo, no
decurso do qual vão sendo obtidas informações e manifestações acerca do
desenvolvimento das actividades docentes e discentes. Os seus resultados
dizem respeito ao grau em que se alcançam os objectivos e em que se
cumprem as exigências do domínio dos conteúdos, a partir dos parâmetros
de desempenho escolar. Para tal, são empregues procedimentos e
instrumentos de mensuração (observação, testes, exercícios teóricos e
práticos) que proporcionam dados quantitativos e qualitativos.

A avaliação na escola tem a função de controlo e é expressa através de


notas ou conceitos (na escala numérica de zero a vinte ou de menção mau,
insuficiente, suficiente a muito bom ou excelente) que comprovam, em
quantidade e qualidade o grau de assimilação dos conhecimentos
adquiridos em função dos objectivos. No caso da escola moçambicana a
prática comum situa o registo da avaliação através de notas.

Neste sentido, algumas questões para discussão são colocadas a seguir:

1) É correcto pedagogicamente aprender só para obter boas


notas?

2) Quem está conforme A, B, C, ou D?

As notas são necessárias:

A. Para o professor exercer pressão;

B. Para o aluno, como estimulação;

As notas não são necessárias:


Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 103

C. Porque criam medo;

D. Porque tentam ao aprender formal, dificultam a


formação de interesses.

3) A aplicação regular da avaliação com notas aumenta os


resultados do ensino;

4) Um controle é necessário para a determinação do nível de


partida antes do tratamento de uma unidade temática;

5) O controlo deve e pode fornecer as informações necessárias


para:

 A sociedade – de modo a planificar e direccionar a


tomada de decisões ao nível do Ministério da Educação;
para informações quanto à escolha do emprego;

 O professor – com o fim de apreciar o decorrer do PEA;


ajudar os alunos; permitir o controlo do seu trabalho e
em seguida aperfeiçoar os seus métodos; possibilitando a
planificação do PEA com mais eficiência;

 O aluno – para apreciar do seu desenvolvimento;


desenvolver as suas pretensões; como estímulo
constante; permitir a descoberta das dificuldades e
conhecimentos adquiridos erradamente.

6) Controlo do nível de partida - significa que antes de elaborar


conhecimentos novos o professor deve controlar as aquisições
anteriores, porque constituem a base para a etapa seguinte do
novo saber;

7) Controlo da aquisição da matéria nova - permite ao professor


ter uma noção correcta sobre a qualidade da aquisição dos
conhecimentos novos pelos alunos.

Depois de ter aprofundado o conhecimento sobre as funções didácticas e


métodos de ensino com exemplos, você está em condições de identificar
as funções didácticas e os métodos de ensino adequados para leccionar o
conteúdo sobre “obtenção de Hidrogénio no laboratório e na indústria” e
justifique a sua escolha.

Para responder a esta questão reveja o texto apresentado nesta lição, pois
ficou explícito que numa aula pode ser usado mais de um método e função
Módulo da Didáctica de Química I 104

didáctica. Neste caso, a partir do conteúdo proposto, mencione os métodos


e as funções didácticas adequadas e explique a razão da escolha desse
método e da função didáctica.

A seguir, procurou-se descrever com mais detalhe a função didáctica


controlo e avaliação por reconhecer que o sucesso de implementação do
novo currículo também depende das formas que os professores usam para
avaliar a aprendizagem dos alunos. No caso da disciplina de Química, pela
sua natureza experimental, é importante reflectir sobre o que tem
acontecido na prática. Isto é, se os professores implementam as formas de
avaliação previstas nos documentos orientadores como o regulamento de
avaliação, os programas de ensino e o PCESG.

Formas de controlo e avaliação na disciplina de Química

Formas de controlo

 Interrogação oral, pelo professor;

 Interrogação escrita, como mini-teste, autocontrolo, fichas de


trabalho;

 Provas com a duração de 1 ou 2 horas;

 Comparação das soluções e tarefas, como autocontrolo;


resultados no quadro.

Formas de avaliação

 Acções gesticuladas e mímicas do professor para avaliar as


respostas ou comportamentos dos alunos: com gestos de mão
para interromper ou provocar respostas; provocar atenção; ou
ainda para indicar erros;

 Dar razões sobre actividades, resultados do trabalho,


resultados das tarefas: oralmente; de forma escrita (avaliação
pelas palavras, ou seja, verbalmente;

 Atribuição de notas.

Exigências nas formas de controlo e avaliação

A avaliação é um acto de grande responsabilidade para cada professor;


tem que se realizar sob os aspectos seguintes:
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 105

 Como avaliar objectivamente? Na base das exigências do


programa de ensino de cada nível, ou seja, a avaliação deve
reflectir a unidade entre os objectivos-conteúdos-métodos,
expressos nos programas de ensino, este como o critério
objectivo;

 Avaliar eficazmente com respeito à psique do aluno,


aumentando a autoconfiança no saber e saber-fazer do aluno,
evitando emoções de insucessos permanentes.

O controlo e avaliação devem consciencializar o aluno de modo a saber o


que é que os alunos dominam e quais são as suas lacunas no saber e saber-
fazer mas com o objectivo de superar as suas deficiências.

A avaliação deve apreciar os bons trabalhos e resultados ou estimular para


mais e intensiva aprendizagem.

A avaliação, como um acto pedagógico, deve ter uma acção educativa


tanto sobre o aluno que recebe a nota como para a turma:

 As notas devem ser justas, devem corresponder ao valor do aluno;


elas não devem ser demasiado generosas nem demasiado
rigorosas; o professor deve ter convicções éticas, pedagógicas e
sociais de modo a superar situações de aparente ambiguidade
entre o carácter objectivo e subjectivo da avaliação;

 Nunca se deve usar as notas como forma de exclusão evitando a


avaliação arrogante, a humilhação moral dos alunos;

 O professor deve ser imparcial no processo de avaliação.

O professor deve obter permanentemente informações sobre o processo de


aquisição dos conhecimentos;

Cada aluno deve reflectir sobre as exigências da tarefa de controlo e deve


dispor de tempo suficiente para resolver as tarefas. O controlo e a
avaliação devem ser preparados objectivamente no momento da realização
da avaliação:
Módulo da Didáctica de Química I 106

Passos da realização de controlo dos conhecimentos

Controle oral

1º Passo – o professor coloca a tarefa de controlo a toda a turma e depois


indica um aluno para dar a resposta;

2º Passo – na realização do controlo, a turma ouve e o professor compara


os resultados com os critérios já fixados na sua preparação;

3º Passo – o professor coloca perguntas complementares;

4º Passo – classificação pelo professor qualitativa ou quantitativa.

Controlo escrito

1º Passo – preparação e introdução: informações sobre a maneira de


controlo; organização ou indicações quanto à forma (margem da folha,
data, nome, régua e outros meios auxiliares); indicações para a realização
(tempo, a forma de dar as respostas, condições para o trabalho correcto e
leal; colocação das tarefas (ditar, escrever no quadro ou na transparência,
ficha de trabalho, etc.);

2º Passo – realização: controlo e obediência das normas; respostas às


perguntas dos alunos; comentários sobre erros observados; indicação de
releitura do teste escrito antes da entrega ao professor;

3º Passo – valorização e correcção: avaliação e validação dos resultados;


análise dos erros qualitativa e quantitativa; devolução e apreciação.

Exigências na maneira de classificação com notas

Elaboração das tarefas em concordância com os objectivos. O controlo


escrito deve englobar:

 Reprodução do saber (conceitos, regras, teorias etc.);

 Aplicação do saber sob condições novas;

 Ligação da matéria nova com a matéria conhecida.

Os casos singulares da resolução de cada tarefa devem ser avaliados com


pontos ou valores etc.. No fim da correcção pode-se produzir esquemas:
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 107

Valores____________________nº de alunos, por exemplo:

20 valores _________________1 aluno

19 valores _________________0 alunos

18 valores _________________2 alunos.

Assim sucessivamente. Cotação máxima: pode-se verificar quais as


perguntas nas quais há maiores dificuldades e quais as que foram
percebidas, por exemplo:

Pergunta _______________nº de alunos

Pergunta1_______________13 alunos

Pergunta2 _______________6 alunos (...)

O controlo e avaliação devem consciencializar o aluno a saber o que é que


ele domina e quais são as suas lacunas no saber e saber fazer com o
objectivo de superar as suas dificuldades.

O professor deve ser imparcial no processo de avaliação. As notas devem


ser justas, devem corresponder ao valor do aluno (competências
desenvolvidas).

Tipos de perguntas na realização de avaliações

Considerando que algumas situações de verificação do rendimento escolar


realizam-se através de exercícios, provas ou testes escritos, os
procedimentos da sua elaboração incluem perguntas que devem ser
respondidas pelos alunos. Daí a necessidade de as questões colocadas
serem formuladas com muita clareza para que correspondam, de um modo
geral, às exigências do nível cognitivo que se pretende que os alunos
demonstrem. As questões mais comumente utilizadas, embora existam
outras classificações, podem ser assim sistematizadas:

 Questões do tipo objectivas - avaliam a extensão de


conhecimentos e habilidades; possibilitam a elaboração de maior
número de questões abrangendo um campo maior da matéria
dada; requerem respostas curtas dos alunos; possibilitam controlar
Módulo da Didáctica de Química I 108

mais a interferência de factores subjectivos dos alunos e do


professor; possibilitam uma correcção mais rápida no caso em que
cada item apresenta apenas uma resposta correcta. Nestes casos,
exige-se que o aluno escolha uma resposta de entre as alternativas
possíveis de resposta.

1. O aluno selecciona a resposta:

a) Identifica a alternativa válida (verdadeira/falsa);

b) Associa pares (associação ou combinação);

c) Escolhe de entre alternativas (escolha múltipla);

2. O aluno dá a resposta:

a) Enuncia a resposta (resposta curta);

b) Completa a resposta (complementação).

Questões do tipo composição - compõem-se de um conjunto de questões


ou temas que devem ser respondidas pelos alunos com as suas próprias
palavras. Usam-se expressões como compare, relacione, sintetize,
descreva, resolva, apresente argumentos etc.

As questões devem estar relacionadas com o conteúdo das aulas cujo


objectivo é verificar o desenvolvimento de habilidades intelectuais dos
alunos na assimilação da matéria como o raciocínio lógico, a organização
das ideias, clareza de expressão, originalidade, capacidade de fazer
relações entre factos, ideias e coisas, capacidade de aplicação de
conhecimentos etc. Permitem também avaliar hábitos necessários ao
trabalho escolar como caligrafia, ordem, limpeza, entre outros.

3. O aluno organiza a resposta:

a) Organiza dentro dos limites estabelecidos (resposta orientada);

b) Organiza livremente (resposta livre).

Há, no entanto, a considerar o nível cognitivo dos alunos na taxonomia de


Bloom, quanto a:

1. Memorização/reprodução
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 109

2. Compreensão

3. Aplicação

4. Análise

5. Síntese

Conceito e função de avaliação

A avaliação não deve ser vista como uma caça aos incompetentes, mas
como uma busca de excelência pela organização escolar como um todo.

A avaliação necessária é aquela que consegue analisar como o aluno está a


desenvolver as suas competências e estimulá-lo, através de uma reflexão
sobre o que ele realizou, a encontrar caminhos para o seu próprio
desenvolvimento.

Segundo HADJI (2001:34), avaliação é uma interacção, uma troca, uma


negociação entre o avaliador e o avaliado sobre o objecto particular em
ambiente social.

Neste contexto, todos os avaliadores deveriam ter compreendido que a


noção de “nota verdadeira” quase não tem sentido. Um tratamento apenas
quantitativo em nada muda o fundo do problema. Nesta perspectiva, deve-
se questionar a natureza e o sentido da actividade de avaliação no processo
de ensino-aprendizagem.

a) Função da avaliação

A avaliação auxilia o professor a obter informações sobre o que foi


aprendido pelo aluno. O professor deve avaliar para acompanhar o
processo de construção de conhecimentos do seu aluno. E sempre que
constatar que alguns alunos apresentam dificuldades deverá propor uma
acção pedagógica (alternativas diversificadas).

O objectivo principal da avaliação é ajudar o aluno a autoavaliar-se, a


perceber as suas falhas e os seus pontos fortes, através de uma reflexão
conjunta, aprender a buscar novos caminhos para a sua realização.
Módulo da Didáctica de Química I 110

b) Quando e como avaliar?


A avaliação deve ser realizada no início de uma aula, depois da explicação
de um conteúdo, no fim da aula, no fim ou no início de um capítulo ou
uma unidade temática, no fim de uma aula prática ou outra actividade
lectiva. A avaliação pode ser feita de forma escrita, oral ou prática.

A avaliação da área afectiva é feita através da observação. A área afectiva


refere-se aos sentimentos e emoções do indivíduo e reflectem-se, de modo
geral, nas suas atitudes. Os resultados da avaliação das atitudes permitem
conhecer melhor o desenvolvimento do aluno e propor o que deve ser feito
para redireccioná-lo.

A área psicomotora diz respeito às habilidades e aspectos práticos


específicos de cada indivíduo e a principal técnica de avaliação é também
a observação. Na área psicomotora são avaliados, por exemplo, a arte,
educação física e as várias actividades práticas.

A área cognitiva diz respeito ao desenvolvimento cognitivo do indivíduo,


isto é, desenvolver habilidades e atitudes através dos conhecimentos e
experiências vividas na escola. Desta forma, é importante que o professor
tenha uma visão ampla dos objectivos essenciais que devem ser
desenvolvidos nos diferentes níveis de ensino.

c) Proposta de recuperação dos alunos com baixo rendimento

 Recuperar os alunos com baixo rendimento escolar ao longo do


período lectivo através da realização de actividades que se
adequam às dificuldades que estes apresentam;

 Mudar a estratégia de trabalho na sala de aula sempre que o


professor perceber que os alunos apresentam dificuldades na
matéria dada. Isto é, trabalhar o conteúdo usando outros métodos,
pois aos alunos nem sempre aprendem da mesma forma e no
mesmo ritmo;

 Diversificar as formas de avaliação, por exemplo, actividades por


escrito, trabalhos de pesquisa, apresentação de trabalhos práticos,
etc.;
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 111

 Diversificar os tipos de perguntas nas provas escritas, por


exemplo, testes objectivos Verdadeiro ou Falso, palavras
cruzadas, completar, desenhar, associar, entre outras;

 Avaliar a participação dos alunos nas aulas bastando apresentar


critérios bem objectivos para evitar ambiguidades;

 Contextualizar as perguntas das provas, por exemplo a partir do


texto, relacionar à aplicação prática, aos problemas do quotidiano,
acompanhadas de desenhos, gráficos, esquemas, etc.;

 Alterar a postura diante dos resultados da avaliação, isto é, o


professor deve dar mais atenção à matéria em que os alunos
apresentaram mais dificuldades e retomar os assuntos explicando
de outra forma. O professor não se deve preocupar muito com as
médias, mas com a aprendizagem dos alunos com mais
dificuldades;

 Aproveitar os alunos que já se apropriaram do conteúdo para


explicar aos outros alunos que apresentam dificuldades, pois a
criança aprende mais facilmente com a outra.

d) Classificação das perguntas


Existem sistemas diferentes de classificação e optaremos pelos mais
simples: Perguntas de reprodução (conhecimento e compreensão) e
Perguntas de produção (aplicação).

Conhecimento - envolve o domínio de terminologias, de factos


específicos, de critérios, de princípios, teorias, etc.

Compreensão - refere-se ao entendimento de uma mensagem contida


numa comunicação.

Aplicação - refere-se à habilidade para fazer e usar abstracções em


situações concretas da vida.
Módulo da Didáctica de Química I 112

e) Técnicas de elaboração de teste escrito e oral

1 - Técnicas de elaboração de teste escrito

Teste escrito - é um tipo de avaliação em que o professor propõe questões


a serem respondidas por escrito pelos alunos.

Teste de perguntas e respostas abertas - tanto a formulação como as


suas respostas são relativamente livres. Este tipo de avaliação é usado para
verificar a compreensão global através do raciocínio interpretativo.

Técnica de elaboração
 Formular perguntas relevantes, procurando os aspectos
significativos do que o aluno deve saber de acordo com os
programas de ensino;

 Redigir as perguntas de forma clara e precisa usando adjectivos e


advérbios. Estes devem esclarecer o que desejamos que o aluno
responda e como o deve fazer;

 Prever o tempo adequado para a realização da prova de acordo


com o nível dos alunos;

 Elaborar todas as instruções por escrito, de forma clara.

Vantagens

 Permite a reflexão do aluno;

 Proporciona a oportunidade de julgamento mais criterioso, visto


que o professor pode comparar as respostas dos alunos;

 São úteis para diagnosticar a interpretação incorrecta dos alunos


ou conceitos não assimilados;

 Oferece aos alunos oportunidade de seleccionar aspectos mais


importantes e organizar o conhecimento sobre o assunto.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 113

Desvantagens

 A elaboração permite generalizações e ambiguidades;


 É mais trabalhoso para o aluno e este pode ter interpretações
subjectivas;
 A nota pode ser influenciada pelo tipo de letra do aluno, pelos
seus erros ortográficos e pela organização.

Teste de perguntas objectivas - é o instrumento de medida composto de


questões precisamente específicas que só admitem uma resposta
previamente definida. O teste objectivo pode apresentar as perguntas de
múltipla escolha, perguntas alternativas (verdadeiro ou falso, certo ou
errado), perguntas de escalonamento (combinação, associação,
comparação e classificação).

Vantagens
 Fornece uma grande amostra de conhecimento, visto ser
constituído por questões numerosas;
 Permite uma correcção rápida e objectiva porque cada item só
admite uma resposta;
 Permitem a solução de grande quantidade de itens em pouco
tempo, o que facilita ao professor avaliar uma amostra
relativamente grande de conteúdos;
 São aplicáveis a qualquer área do conhecimento.

Desvantagens
 Limita-se ao conteúdo da matéria, eliminando a interferência dos
traços pessoais do aluno, o seu ponto de vista, etc.
 Estimula os alunos a responder de forma aleatória;
 É de elaboração demorada e exigem conhecimento técnico e certo
treino para que as perguntas sejam mesmo objectivas;
 Acarrecta problemas de sigilo porque é fácil os alunos copiarem
dos outros;
 Exige maior rigor e controlo durante a sua realização para evitar a
comunicação entre os alunos.
Módulo da Didáctica de Química I 114

2-Técnicas de elaboração de teste oral

 Receber o aluno com atitude simpática e acolhedora para que ele


não fique inibido ou aterrorizado;
 Manter um diálogo vivo com o aluno, procurando perguntas
referentes aos conteúdos leccionados;
 Evitar perguntas de carácter puramente informativo (perguntas de
reprodução), formule perguntas de pensamento ou de reflexão
(comparar, criticar, analisar, sintetizar, etc.);
 Criar condições para que haja um ambiente silencioso e calmo que
permita a concentração do aluno e do professor;
 Registar os valores das respostas de forma a não perturbar o
aluno.

Vantagens

 Permite avaliar a capacidade reflexiva e crítica dos alunos;


 É importante no ensino de línguas porque permite verificar a
pronúncia e a fluência nas línguas estrangeiras;
 Possibilita ao aluno o desenvolvimento das suas habilidades de
comunicação.

Desvantagens

 Os alunos são postos à prova em desigualdade de condições, isto


é, perguntas diferentes e em ocasiões diferentes;
 Interferência dos atributos do aluno, por exemplo, a simpatia,
capacidade de exposição, desembaraço, etc.
 Fornece amostra reduzida de conhecimentos que o aluno deve
possuir.

Portanto, você estudou as diferentes formas de avaliação e os critérios


para a elaboração de testes no processo de ensino-aprendizagem de
Química. Agora, para verificar se compreender os conteúdos desta lição,
explique como é que os professores de Química fazem para recuperar os
alunos que apresentam dificuldades ao longo de uma aula ou unidade
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 115

temática. Diga qual é a forma de avaliação mais usada na nossa prática


educativa? Justifique a sua resposta.

Para responder às questões colocadas deve relacionar a teoria com o que


acontece na nossa prática educativa. Isto é, deve procurar relatar os factos
a partir das suas observações feitas na escola. Caso não tenha a
possibilidade de observar algumas aulas, use a sua experiência como
professor (se for o caso) ou como aluno que algum dia já foi.

Exercícios
Você teve a oportunidade de consolidar e aprofundar os conhecimentos
sobre as funções didácticas e sua aplicação com os métodos de ensino
adequados. Assim como a consolidação do conceito e funções da
Actividade avaliação, critérios para a elaboração de testes, tipos de preguntas para a
realização de avaliações, entre outras. Agora deve ler novamente o texto e
responder ao seguinte:

1. A partir do tema “obtenção e propriedades dos álcoois”, explique


como pode ser leccionado na 10a classe com recurso ao método de
elaboração conjunta e função didáctica domínio e consolidação.

2. Explique quando é que se deve avaliar os alunos.


Módulo da Didáctica de Química I 116

Auto-avaliação
1. Escolha um tema no programa de ensino de Química da 9a classe
e proponha, justificando, os métodos e as funções didácticas
adequadas para a sua abordagem.
Exercícios 2. Elabore um teste de Química para 8a, 9a ou 10a classe,
obedecendo aos critérios estabelecidos e proponha uma cotação em
pontos (parcial e total).

Leia mais sobre funções didácicas e sua aplicação com métodos de ensino
adequados em:

HADJI, Charles. Avaliação desmistificada. Porto Alegre: Artes Médicas,


Leitura
2000.

LIBÂNIO, José Carlos. Didáctica. São Paulo: Cortez, 1994.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos


e proposições. 16.ed. São Paulo: Cortez, 2005.

MELCHOIR, M.C. Avaliação pedagógica: função e necessidade. Porto


Alegre: Mercado Aberto, 1994.
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 117

Para responder à questão no 1, reveja o texto apresentado nesta lição e o


módulo de Didáctica Geral para compreender as características do
método de elaboração conjunta e da função didáctica domínio e
consolidação. De seguida, consulte o programa de ensino da 10a classe
para identificar os objectivos a alcançar e as competências a desenvolver.
Finalmente, explique como serão aplicados o método e a função didáctica
proposta. Lembre-se sempre que a aprendizagem deve estar centrada no
Chave de correcção aluno.

No que se refere à pergunta no 2, releia também o texto apresentado nesta


lição para identificar as funções da avaliação. Só depois é que estará em
condições de explicar quando é que deve avaliar os seus alunos.

Em relação a actividade de autoavaliação

Para fazer face à questão no 1, recomendamos que leia novamente o texto


sobre métodos de ensino e funções didácticas e, depois, consulte o
programa da 9a classe para escolher um tema de uma aula a partir do qual
deverá identificar o método e a função didáctica adequados para a sua
mediação. Lembre-se que para um mesmo conteúdo pode ser usado mais
de um método e função didáctica.
Módulo da Didáctica de Química I 118

Lição no 3

Abordagem dos temas


transversais

Introdução
Nesta lição você irá identificar os conteúdos sobre temas transversais
propostos no Plano Curricular do Ensino Secundário Geral (PCESG).

Nesta perspectiva, a transversalidade corresponde, por um lado, à forma


como os temas são incorporados no currículo no que diz respeito à
sequência, continuidade e profundidade e, por outro lado, à maneira como
são tratados do ponto de vista didáctico, por forma a estabelecer uma
ligação com a vida real. Neste sentido, você abordará as estratégias para o
tratamento dos temas transversais no processo de ensino de Química.

Ao completar esta lição, você será capaz de:

 Identificar os temas transversais a serem abordados no ensino de de


Química;

 Listar os conteúdos a serem abordados em cada um dos temas


Objectivos da lição
transversais;

 Descrever as estratégias de abordagem dos temas transversais

Abordagem dos temas transversais


No contexto actual, é necessário adoptar um currículo educacional que
corresponda aos desafios da sociedade que possibilita a formação integral
dos indivíduos. Assim, uma das formas de contribuir para o processo de
transformação da sociedade sem abrir mão dos conteúdos convencionais é
por meio da inclusão dos temas transversais no ESG. Deste modo, a
abordagem dos temas transversais visa desenvolver um conjunto de
competências que levem o aluno a reflectir, problematizar, intervir e
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 119

transformar a realidade e interagir activamente na melhoria das condições


da sua vida.

A transversalidade corresponde a uma estratégia de ensino num currículo


por competências, pois este visa desenvolver no aluno habilidades que
permitem agir e contribuir na mudança de uma realidade que se observa
na sociedade.

Os temas transversais são definidos como um conjunto de questões que


preocupam a sociedade e que, pela sua natureza, não pertencem a uma
área ou disciplina específica.

Os temas transversais caracterizam - se por:

 Traduzir questões candentes que preocupam a família, a


comunidade e a sociedade;

 Veicular valores universais (igualdade, solidariedade, justiça,


liberdade) e valores éticos-morais intimamente ligados à conduta
humana;

 Traduzir um esforço para promover a interdisciplinaridade,


facilitando a compreensão de diferentes fenómenos;

 Mostrar a pertinência de aulas plenamente cooperativas e


participativas, onde os alunos interagem nas diferentes
actividades;

 Fazer a conexão com os elementos da vida quotidiana.

Nesta perspectiva, os temas transversais buscam respostas para as


preocupações sociais tais como calamidades, epidemias (ex. HIV-SIDA),
degradação de valores morais, cívicos e éticos, entre outras. Agora você
deve responder, o que é um tema transversal?

Para responder a esta questão colocada, propomos que leia o PCESG para
entender melhor o conceito de temas transversais no contexto educacional.
Para verificar se respondeu correctamente peça um seu colega para ler
novamente o texto.
Módulo da Didáctica de Química I 120

Assim, para abordagem dos temas transversais podem ser utilizados vários
métodos e técnicas, por exemplo:

 Estudo de caso;

 Visitas de estudo;

 Palestras;

 Elaboração de projectos;

 Chuva de ideias;

 Campanhas de plantio de árvores, de limpezas, etc.

É importante referir que na utilização das técnicas acima referidas, é


necessário que o professor explique claramente o objectivo da tarefa a ser
realizada e os respectivos procedimentos.

Agora você deve explicar as estratégias para abordagem dos temas


transversais usadas na escola da sua comunidade ou província.

Para responder a esta questão retorne ao texto apresentado nesta lição e


identifique e explique as estratégias usadas na escola da sua comunidade.
Lembre-se que ainda há muitas escolas do país que não abordam os temas
transversais apesar de reconhecerem a sua pertinência. Se esse for o caso
da escola, da sua comunidade, apresente as razões de não abordagem dos
mesmos e as sugestões para ultrapassar esse constrangimento.

A seguir, apresenta-se a lista dos temas transversais definidos no Plano


Curricular do Ensino Secundário Geral e os respectivos conteúdos.

Temas transversais a serem abordados no PEA:

 Cultura de paz, direitos humanos e democracia;

 Género e equidade;

 Saúde reprodutiva (Educação sexual, ITS, HIV/SIDA);

 Saúde e Nutrição;

 Prevenção e combate ao álcool, tabaco e outras doenças;


Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 121

 Ambiente e uso sustentável dos recursos naturais;

 Desastres naturais (cheias, secas, ciclone e sismos);

 Segurança rodoviária;

 Preservação do património cultural;

 Identidade cultural e moçambicana.

Os conteúdos de cada tema transversal

1. Cultura de paz, direitos humanos e democracia

 Viver e conviver com o outro, numa sociedade multicultural


e multipartidária;

 Amor ao próximo (justiça, solidariedade e


responsabilidade);

 Direito e deveres dos cidadãos: constituição – exercer a


cidadania, eleger e ser eleito, defesa da pátria (serviço
militar obrigatório).

 Pagar impostos: imposto como um acto de cidadania, uma


necessidade e uma condição para o desenvolvimento do
país.

 Estratégias de resolução pacífica de conflitos.

 Formas de violação dos direitos humanos: a escravatura na


actualidade (tráfico de seres humanos, trabalho infantil);
violação da propriedade (artística, intelectual, bens e
outros).

2. Género e equidade

 Conceito de género;

 Evolução do conceito de género;


Módulo da Didáctica de Química I 122

 Violação na base do género;

 A importância da participação de todos os cidadãos na vida


socioeconómica;

 Acesso à saúde, educação e meios de produção.

3. Saúde reprodutiva (Educação sexual, ITS, HIV/SIDA)

 Sexualidade humana;

 Direitos sexuais e reprodutivos;

 Diferentes formas de combate e prevenção das DTS, do


HIV/SIDA (adiamento da primeira relação sexual, resistir à
pressão);

 Gravidez precoce: causas e consequências;

 Combate à estigmatização de pessoas vivendo com o vírus


do HIV/SIDA solidariedade e empatia.

4. Saúde e Nutrição

 Conceito básico de nutrição e saúde;

 Factores que influenciam a saúde e nutrição;

 Higiene individual e colectiva;

 Importância da vacinação;

 Dieta alimentar;

 Valor energético dos alimentos relacionados com práticas


de alimentos inadequados;

 Crenças e tabus alimentares relacionados com práticas de


alimentos inadequados;
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 123

 Saúde da comunidade: higiene individual e colectiva,


doenças frequentes relacionados com alimentação e
nutrição, saneamento do meio, doenças relacionadas com
água, lixo e excrementos.

5. Prevenção e combate ao álcool, tabaco e outras doenças

 Mudanças: saber lidar com a mudança


(estratégias/formas/dicas para gerir as mudanças);

 Emoções e tensões (autocontrolo, insegurança, angústia,


medo, interesses sexuais): saber lidar com as emoções e
tensões;

 Resistência a pressão e tentações: saber dizer não!

 As consequências do consumo de álcool, tabaco e outras


drogas.

6. Ambiente e uso sustentável dos recursos naturais

 Recursos naturais da comunidade;

 Valor sociocultural e económico dos recursos,

 Formas de utilização racional dos recursos naturais (flora,


fauna, entre outros),

 Principais problemas ambientais na comunidade e no país,

 Mitigação dos problemas ambientais.

7. Desastres naturais (cheias, secas, ciclones e sismos)

 Desastres naturais: (cheias, secas, ciclones e sismos);

 Prevenção de desastres naturais: viver em segurança,


aspectos a ter em conta na movimentação das populações);

 Sistemas de aviso;
Módulo da Didáctica de Química I 124

 Comportamento antes, durante e depois dos desastres


(cheias, ciclones, sismos e tsunamis);

 Solidariedade (empatia, apoio aos afectados).

8. Segurança rodoviária

 Circulação nas vias públicas;

 Normas de segurança;

 Consequências da violação das normas de segurança:


responsabilidade e infractor/vítima;

 Importância do seguro de vida;

 Primeiros socorros.

9- Preservação do património cultural

 Conhecimento dos vestígios do passado histórico;

 Respeito pelas tradições locais;

 Noção de bem comum;

 Valores culturais do património;

 Formas de conservação e preservação do património


cultural;

 Património mundial declaração pela UNESCO (Ilha de


Moçambique, Timbila e Nhawu): aspectos históricos e seu
significado para o país.

10. Identidade cultural e moçambicana

 Vida na sociedade multicultural (unidade na diversidade


étnica e cultural em Moçambique e no mundo);
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 125

 Cultura moçambicana e seus significados, por exemplo:


ritos de passagem, nascimento, morte, puberdade e
casamento;

 Manifestação de identidade cultural e moçambicana: arte,


literatura oral e escrita (contos, provérbios, poesia, mitos,
lendas), musica, dança, teatro e seus instrumentos, artes
plásticas, jogos, culinária, vestuário e outras.

A abordagem destes temas ao nível do ESG visa desenvolver um


conjunto de competências que levem o aluno a reflectir,
problematizar, intervir e transformar a realidade no contexto em que
se encontra inserido.

Assim, para a abordagem dos temas transversais não está previsto


um tempo específico no programa de ensino ou momento específico
da aula, mas é importante estabelecer uma articulação entre os
saberes e a sua utilidade para a vida.

Agora você deve apresentar as razões que levam a maior parte dos
professores e aos de Química em particular a não leccionarem os
temas transversais previstos no PCESG.

Para responder a esta questão, releia o texto apresentado nesta lição


e o PCESG para identificar os temas transversais propostos. De
seguida, deve analisar com base na sua experiência como professor
(se for o caso) ou das observações feitas durante a observação de
aulas (se for estudante) as razões que estão por detrás da não
abordagem dos temas transversais.
Módulo da Didáctica de Química I 126

Exercícios
Você teve a oportunidade de aprofundar os conhecimentos sobre os temas
transversais propostos no Plano Curricular do Ensino Secundário Geral,
assim com as estratégias de abordagem dos mesmos. Agora deve ler
Actividade novamente o texto e responder ao seguinte:

1-Mencione três técnicas que podem ser usados na abordagem do tema


transversal “ambiente e uso sustentável dos recursos naturais”.

Auto-avaliação
1-Proponha estratégias para a abordagem do tema transversal
“prevenção e combate ao álcool, tabaco e outras drogas”

2- Aliste numa tabela por classe (8a a 10a) os temas transversais


Exercícios
a serem abordados no ensino de Química, indicando as
respectivas unidades temáticas e as técnicas a serem usadas.

Leia mais sobre abordagem dos temas transversais no ESG em:

HÉLDER, Dinis. Estratégias de abordagem dos temas transversais no


ensino de Química. Monografia científica. Faculdade de Ciências
Leitura
Naturais e Matemática. Universidade Pedagógica. Maputo, 2010.

INSTITUTO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO DA


EDUCAÇÃO. Plano curricular do Ensino Secundário Geral:
objectivos, política, estrutura, plano de estudos e estratégia de
implementação. Imprensa Universitária, UEM. Maputo, 2007.

INSTITUTO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO DA


EDUCAÇÃO-MINED. Temas transversais: documento de trabalho.
Imprensa Universitária, UEM. Maputo, 2007
Módulo da Didáctica de Química I Curso de Licenciatura em ensino de Química 127

Para responder à questão no 1, aconselhamo-lo a reler o texto


apresentado nesta lição e consultar o PCESG para identificar as
diferentes técnicas usadas na abordagem dos temas transversais. De
seguida, procure identificar as técnicas adequadas para abordagem
do tema proposto. Para verificar se conseguiu responder
correctamente à pergunta colocada, trabalhe com colega um colega
seu ou confronte você mesmo a resposta com o texto estudado.
Chave de correcção

Em relação à actividade de autoavaliação

Para responder à questão no 1, vá novamente ao texto apresentado


nesta lição e/ou consulte o PCESG para propor estratégias de
abordagem deste tema na 10a classe. Por exemplo, pode usar a
técnica de chuva de ideias numa aula de 45 minutos, ou pode
recomendar os alunos para desenvolverem pequenos projectos
sobre como prevenir e combater o álcool, tabaco e outras drogas na
comunidade onde cada um está inserido.

o
Para responder à questão n 2, consulte os programas de ensino da
8a a 10a classe, identificando em todas as classes e unidades
temáticas conteúdos que podem ser abordados de forma transversal.
Atenção, os temas transversais propostos no PCESG precisam de
um enquadramento nos programas de ensino para serem
implementados no processo de ensino-aprendizagem. Lembre-se
que para a abordagem dos temas transversais não está previsto um
tempo específico no programa de ensino. Por isso, a criatividade do
professor é fundamental.
Módulo da Didáctica de Química I 128

Resumo da unidade

Nesta unidade você aprendeu:

 Os métodos de ensino são vários e possibilitam a participação activa


dos alunos na aprendizagem de Química, designadamente: elaboração
conjunta, experimental, trabalho em projecto, entre outros;

 Nos programas de ensino existem vários temas que podem ser usadas
para estimulação da aprendizagem dos alunos. Por exemplo, a
importância e o emprego das substâncias e produtos químicos na
indústria, nas tecnologias e no quotidiano; factos históricos sobre as
descobertas de substâncias, etc.

 No processo de ensino-aprendizagem deve haver articulação entre os


métodos e as funções didácticas adequadas. Por exemplo, o método
apresentativo e as suas formas de realização parecem ser o método
mais adequado para realizar a função didáctica matéria nova;

 A avaliação deve ser realizada no início de uma aula, depois da


explicação de um conteúdo, no fim da aula, no fim ou no início de
um capítulo ou uma unidade temática, no fim de uma aula prática ou
outra actividade lectiva. A avaliação pode ser feita de forma escrita,
oral ou prática.

 Existem várias estratégias para a recuperação de alunos que


apresentam dificuldades na aprendizagem. Por exemplo, mudar a
estratégia de trabalho na sala de aula sempre que o professor perceber
que os alunos apresentam dificuldades na matéria dada. Isto é,
trabalhar o conteúdo usando outros método, pois os alunos nem
sempre aprendem da mesma forma e no mesmo ritmo.

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