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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

01ª PROMOTORIA DE JUSTIÇA DA COMARCA DE PATROCÍNIO

TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA AMBIENTAL

Pelo presente instrumento, na forma do art. 5 o, par. 6o, da Lei n. 7.347


de 24 de julho de 1985, alterado pelo art. 113 da Lei n. 8.078 de 11 de novembro
de 1990, o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, por seu
Promotor de Justiça no uso de suas atribuições legais, doravante denominado
compromitente, e EDGARD JOSÉ PEREIRA, brasileiro, casado, nascido aos
06/04/1965, natural de Cruzeiro da Fortaleza-MG, filho de Helena Maria do Socorro
Marques e Paulo Pereira Marques, residente na Avenida Padre Geraldo, nº. 57 –
Centro – Cruzeiro da Fortaleza/MG, CEP: 38.735-000, doravante denominado
compromissário, RESOLVEM celebrar o presente COMPROMISSO DE
AJUSTAMENTO DE CONDUTA mediante os seguintes termos:

Considerando que o compromissário é proprietário do imóvel rural


denominado Fazenda Fortaleza, situada em Cruzeiro da Fortaleza/MG, e registrado
no Cartório de Registro de Imóveis de Patrocínio/MG na matrícula nº. 49.228.

Considerando que o compromissário por meio deste, reconhece ter dado


causa aos ilícitos ambientais retratados no REDS nº 2017-031408020-001 de fls.
02/10, e comprometendo-se a repará-los e compensá-los na forma das cláusulas a
seguir.

O compromissário assume as seguintes obrigações:

1) O compromissário se obriga a apresentar, nesta Promotoria de


Justiça, a(s) matrícula(s) referente(s) ao imóvel rural acima descrito, com a devida

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Área de Reserva Legal constituída e averbada à margem do registro do imóvel,


com, no mínimo, 20% (vinte por cento) da área total da propriedade (excluídas
eventuais áreas de preservação permanente e vedadas “consolidações/anistia” de
quaisquer espécies) ou, de forma facultativa, promover o registro desta área
no Cadastro Ambiental Rural (CAR), no prazo de 06 (seis) meses, a contar da
assinatura deste termo.

§1º Caso seja realizado o CAR, como se trata, nesta primeira fase, de
inscrição no Cadastro preenchida e alimentada por informações do próprio
demandado, este deverá apresentar laudo técnico, com Anotação de
Responsabilidade Técnica – ART e anexos fotográficos, que comprove o
cumprimento dos parâmetros e percentuais acima indicados e ateste o
estado de vegetação da área, no prazo de 06 (seis) meses, a contar da
assinatura deste acordo.

§2º - Fica cumprida a obrigação prevista no caput caso o compromissário


apresente laudo técnico do IEF de realocação/compensação da área de
Reserva Legal, desde que obedecidos os mesmos critérios da área anterior,
tratando-se de 20% (vinte por cento) do total do imóvel principal, e
averbação na matrícula, florestada e isolada, dentro da mesma microbacia.

§3º - Caso seja constatado qualquer dano ambiental na Área de Reserva


Legal localizada no imóvel acima, o compromissário se obriga a
recuperar o dano, devendo apresentar Plano de Revegetação
(PTRF/PRAD), realizado por profissional habilitado, com anotação de
responsabilidade técnica, nesta Promotoria de Justiça, pelo prazo de 04
(quatro) meses, contados da assinatura do acordo.

I - O compromissário se obriga a executar o plano referido


(PRAD/PTRF), no prazo e na forma nele estabelecido, não
podendo ultrapassar 1 (um) ano. Havendo necessidade de
alteração do plano, obriga-se a alterar o projeto conforme vier a ser
determinado pelo órgão ambiental, ou pelo Compromitente no prazo
de 04 (quatro) meses contados do recebimento da notificação.

II - O compromissário se obriga a repor as mudas que morrerem, em


quaisquer das áreas referidas neste termo, bem como aquelas que
apresentarem pouco desenvolvimento vegetativo, substituindo-as, e,
ainda, adotar todas as providências necessárias para evitar o
perecimento das espécies plantadas.

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III - Ao final da execução do Plano de Revegetação, sem


necessidade de notificação, obriga-se o compromissário a entregar
laudo técnico, com ART, a esta Promotoria de Justiça, informando o
estado em que se encontra a Área de Reserva Legal do imóvel rural,
atestando se houve a completa e efetiva recuperação do dano.

§4º - O compromissário reconhece que as áreas de preservação


permanente e de reserva legal não são compensáveis entre si, em virtude
das diferentes funções ecológicas que desempenham, sendo as primeiras
destinadas, primordialmente, a manter a qualidade do solo, dos cursos e
reservatórios d’água, bem como funcionar como corredor de fauna,
enquanto a segunda cumpre papel de proteção da diversidade biológica.

2) O compromissário obriga-se, de imediato, a adotar providências para


evitar o lançamento dos efluentes e dejetos bovinos e suínos, provenientes da sala
de ordenha e do cercado onde são criados 07 (sete) suínos, os quais são
direcionados, de modo irregular, a um curso fluvial sem denominação, a ser
demonstrado, no prazo de 60 (sessenta) dias, por laudo técnico ambiental,
acompanhado de ART.

3) O compromissário obriga-se a recuperar a área ambiental atingida


pelo lançamento de efluentes; bem como a construção de local adequado para
captação de lançamentos dos efluentes e dejetos bovinos e suínos oriundos da sala
de ordenha e do cercado onde são criados 07 (sete) suínos (conforme narrado no
REDS 2017-031408020-001 de fls. 02/10).

§1º - Para tanto, deverá executar as medidas necessárias à


recuperação da área atingida pelo lançamento de efluentes, bem
como adequar a captação dos lançamentos de efluentes e dejetos
bovinos e suínos oriundos da sala de ordenha e do cercado onde
são criados 07 (sete) suínos, a serem apresentadas por laudo técnico,
com ART, elaborado por profissional habilitado, ou recomendadas por órgão
ambiental, no prazo estabelecido pelo cronograma do projeto, o qual não
poderá ser superior a 01 (um) ano. Ao final do prazo, deverá
apresentar relatório técnico informando sobre a efetividade das medidas
adotadas para a recuperação ambiental do local.

4) O compromissário se obriga a recuperar o dano ambiental ocorrido


na Área de Preservação Permanente indicado no REDS 2017-031408020-001,
por meio de pisoteio de gado, em uma área de 70 (setenta) metros quadros, sem

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autorização do órgão ambiental competente, às margens de um curso fluvial sem


denominação, localizada nas coordenadas geográficas – Lat. 18º 57’ 30” e Long.
46º 40’ e 10”, tomando todas as medidas de proteção recomendados por
profissional habilitado, com o escopo de recuperá-la e evitar a danificação daquela.

§1º - Para tanto, deverá, no prazo de 04 (quatro) meses, apresentar nesta


Promotoria de Justiça plano de recuperação de área degradada (PRAD) ou
projeto técnico de recuperação florestal (PTRF), com cronograma de
execução com prazo máximo não superior a 01 (um) ano, elaborado por
profissional com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, com
aprovação pelo órgão técnico ambiental ou polícia militar do meio
ambiente, a critério do Parquet, se houver necessidade;

§2º - Deverá se for o caso, e nos termos da exigência do órgão ambiental,


ser modificado o PRAD ou PTRF, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da
manifestação deste, independentemente de notificação formal, executando-
se o projeto na forma do cronograma aprovado;

§3º - Ao final da execução do Plano de Revegetação, sem necessidade de


notificação, obriga-se o compromissário a entregar laudo técnico, com ART,
à esta Promotoria de Justiça, informando o estado em que se encontra a
Área de Preservação Permanente do imóvel rural, atestando se houve a
completa recuperação do dano ambiental;

§4º - O compromissário se obriga a repor as mudas que morrerem, em


quaisquer das áreas referidas neste termo, bem como aquelas que
apresentarem pouco desenvolvimento vegetativo, substituindo-as, e, ainda,
adotar todas as providências necessárias para evitar o perecimento das
espécies plantadas.

5) O compromissário fica ciente de que a assinatura deste


compromisso de maneira alguma licencia a atividade ou permite a
utilização dos recursos hídricos subterrâneos, atráves de poço tubular (S
18º 57’ 33” – W 46º 40’ 06”), para fins econômicos, como por exemplo,
irrigações de cultura, sem a Outorga e/ou promover o “cadastro de uso
insignificante”.

§1º. O requerimento e obtenção da autorização para uso de recursos


hídricos devem anteceder a implantação de quaisquer intervenções ou
atividades desempenhadas de forma direta ou indireta, que possam alterar

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o regime, a quantidade ou a qualidade de corpo d’água, observadas todas


as diretrizes, critérios e restrições normativas de regência referentes ao uso
dos recursos hídricos.

§2º: No procedimento para obtenção da Outorga de direito de uso da água


perante o Órgão Ambiental competente, o compromissário deverá adotar
tecnologias de irrigação mais poupadoras de água, segundo a cultura
irrigada.

§3º: A obtenção da Outorga e/ou Certidão de “uso insignificante” não


autoriza intervenções em Áreas de Preservação Permanente – APP’s, ou
quaisquer outras áreas protegidas, devendo, se for o caso, obter ato
autorizativo específico para tal finalidade.

6) Observado o critério das tecnologias de irrigação mais poupadoras de


água, segundo a cultura irrigada, o compromissário se obriga, para fazer uso de
recursos hídricos subterrâneos, por meio de poço tubular, localizado nas
coordenadas geográficas Lat. 18º 57’ 33” e Long. 46º 40’ 06”, a obter a devida
Outorga de direito de uso da água, junto ao Órgão Ambiental competente, no
prazo de 01 (um) ano, contados desta data, para desempenho e obras, serviços
ou atividades, juntando a devida documentação comprobatória neste feito, ou, se
for o caso, apresentar neste procedimento documentação comprobatória da
regularidade do uso.

§1º. A Outorga serve para assegurar ao usuário o direito de utilizar


recursos hídricos, sem lhe autorizar a propriedade de água, podendo ser
suspensa, parcial ou totalmente, em ocorrências de escassez extrema, de
não cumprimento pelo outorgado dos termos de outorga, pela urgência de
se atender aos usos prioritários e de interesse coletivo, resguardadas outras
hipóteses legais.

§2º. Respeitadas a vigência da Outorga e/ou Certidão de uso, Extinção,


Suspensão parcial ou total, definitiva ou determinada, e Retificação de
Portaria, a Renovação da Outorga do direito de uso da água e/ou a
obtenção de nova Certidão de “uso insignificante” fica condicionada à
validade outorgada e/ou declarada, cujo processo de renovação deverá ser
formalizado até a data do término da vigência da Portaria referente à
outorga anteriormente concedida.

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§3º – O compromissário se obriga a instalar os equipamentos de horímetro


e sistema de medição de vazão no ponto da aludida captação, a ser
comprovado mediante apresentação de laudo técnico ambiental,
acompanhado de ART, no prazo de 01 (um) ano.

7) Como forma de compensação do dano moral coletivo impingido à


sociedade pela má gestão do recurso ambiental, o(s) compromissário(s) atesta o
conhecimento sobre a prática do ato descrito pela Polícia Militar e se compromete a
pagar o valor de 01 (hum) salário mínimo, o qual será recolhido para , o qual
será recolhido para a AMAR – Associação para o Meio Ambiente Regional
Patrocínio (Banco: Caixa Econômica Federal, Conta Corrente nº. 501892-0,
Agência nº 143), no prazo de 60 (sessenta) dias.

§1º O não pagamento da indenização prevista acima, na data fixada,


implica em sua cobrança pelo Ministério Público, acrescida de atualização
monetária, adotando-se para tanto os índices utilizados pelo Tribunal de
Justiça do Estado de Minas Gerais, para correção de débitos judiciais, sobre
o montante apurado.

§2º O compromissário fica ciente que deverá trazer a esta Promotoria de


Justiça o comprovante do depósito bancário mensalmente para comprovar
o adimplemento da obrigação.

8) O compromissário se obriga a não utilizar, não degradar, as áreas de


preservação permanente e reserva legal, cuidando para a preservação das mesmas.

9) O não cumprimento das obrigações aqui assumidas sujeitará o


compromissário: a) ao pagamento de multa diária de R$200 (duzentos reais) para
cada obrigação assumida, a qual deverá ser revertida para o Fundo de que cuida o
art. 13 da Lei n. 7.347/85 (ou, v.g., para Associações Regionais de Proteção
Ambiental ou Fundo Municipal Ambiental), até a satisfação integral da obrigação
aqui assumida, independentemente de outras penalidades administrativas, cíveis e
criminais previstas na legislação em vigor; b) à inscrição de seu nome em órgãos
de cadastro de proteção ao consumidor, considerado o descumprimento do título
executivo; c) Comunicação de descumprimento de TAC ou da legislação ambiental
a órgãos de financiamento ou incentivos (Art. 12 da Lei 6938/81), comunicação de
descumprimento de TAC ou de grave violação à ordem ambiental ao INMETRO -
certificador do sistema ISO 14001 ABNT NBR ISO 14001 - Comitê Brasileiro de

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Gestão Ambiental (ABNT/CB-38), Item 4) e Inscrição de dívidas de TAC (obrigação


de pagar) como dívida ativa (§ 1º do art. 2º da Lei nº 6.830/80).

10) O compromissário deverá comprovar, junto a Promotoria de Justiça de


Defesa do Meio Ambiente da Comarca de Patrocínio, o adimplemento das
obrigações assumidas atingidos os seus respectivos termos finais, e o termo
inicial das cláusulas que possuem prazo, será sempre a assinatura do
presente TAC.

11) O compromissário se compromete a arcar com as despesas periciais


necessárias ao cumprimento deste acordo e em futura demanda judicial que tenha
este instrumento por objeto, caso houver.

12) Em caso de futura judicialização do objeto deste termo, ao


compromissário incumbe o ônus da prova quanto à efetiva recuperação e
inexistência do dano ambiental.

13) A fiscalização do cumprimento do compromisso ora firmado será feita


pela Polícia Florestal, Núcleo de Fiscalização Ambiental do Alto Paranaíba (NFA), ou
outro órgão que vier a ser indicado pelo Ministério Público, através da Promotoria
de Justiça do Meio Ambiente de Patrocínio/MG.

14) Este compromisso não inibe ou restringe, de forma alguma, as ações


de controle, fiscalização e monitoramento de qualquer órgão ambiental, nem limita
ou impede o exercício, por ele, de suas atribuições e prerrogativas legais e
regulamentares.

15) Este instrumento produzirá efeitos legais a partir de sua celebração e


terá eficácia de título executivo extrajudicial, na forma dos art. 5 o, par. 6o, da Lei n.
7.347/85, e 784, IV, do Código de Processo Civil.

16)O presente acordo será averbado na matrícula referente ao imóvel rural


descrito acima.

17) Após lavrado e assinado pelas partes, este acordo, com os autos do
inquérito, será encaminhado ao Egrégio Conselho Superior do Ministério Público
para conhecimento e providências cabíveis.

18) As questões decorrentes deste compromisso serão dirimidas no foro


do local do imóvel, Comarca de Patrocínio.

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E, por estarem de acordo, firmam o presente instrumento de compromisso.

Patrocínio, 12 de janeiro de 2018.

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BRENO NASCIMENTO PACHECO
Promotor de Justiça

_____________________________________
Compromissário

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