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Sd JurisAv – Sandra Mara Dobjenski

DIREITO PENAL

TEORIA DA PENA

*O sujeito foi processado, julgado e foi condenado (sujeito praticou o fato típico, ilícito e culpável) – o juiz aplicará a pena ao
cidadão – ele profere a sentença levando em consideração:
Fixação da pena
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às
circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e
suficiente para reprovação e prevenção do crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
Cálculo da pena (Critério trifásico de fixação da pena)
Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas as
circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a
um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua.(Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
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REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA (crimes apenados com reclusão ou detenção)
Reclusão e detenção
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. A de
detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Considera-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média;
b) regime semiaberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado.
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o mérito do condenado,
observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio,
cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime
aberto.
§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios previstos no art. 59
deste Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena
condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais. (Incluído
pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)
*Crimes apenados com RECLUSÃO somente é possível fixar o regime FECHADO, SEMIABERTO ou ABERTO.
*Crimes apenados com DETENÇÃO o juiz somente poderá fixar o regime SEMIABERTO ou ABERTO
RECLUSÃO – para a aplicação do regime o juiz leva em consideração a quantidade de pena aplicada na sentença
FECHADO SEMIABERTO ABERTO
Pena superior a 08 anos (não importa se Pena superior a 04 anos até 08 anos Pena até 04 anos
é reincidente ou primário) (inclusive 08 anos) Não reincidente (primário)
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Sujeito não reincidente (primário)


Se o sujeito for reincidente e pegar uma Sujeito condenado a uma pena até 04
pena superior a 04 anos até 08 anos – anos sendo reincidente (não precisa ser e
não é possível a fixação do regime crime doloso) o juiz poderá fixar o regime
semiaberto – o juiz fixa o regime fechado. inicial fechado ou semiaberto.- o que
define o parâmetro são as circunstâncias
judiciais (Art. 59 CP – culpabilidade,
antecedentes, conduta, personalidade,
consequência) forem desfavoráveis –
regime inicial fechado; se as
circunstâncias forem favoráveis – regime
inicial semiaberto - Súmula 269/STJ -
29/05/2002 - Pena. Regime semiaberto.
Possibilidade. Reincidentes condenados
à pena igual ou inferior a quatro
anos. CP, art. 33, § 2º, É admissível a
adoção do regime prisional semiaberto
aos reincidentes condenados a pena igual
ou inferior a quatro anos se favoráveis as
circunstâncias judiciais.

*Se o juiz fixar o regime inicial mais severo do que a quantidade lhe permitia (Sujeito condenado a pena de 06 anos sendo
primário, o juiz fixa o regime fechado por achar que o crime é grave) – isso não pode ocorrer – Súmula 718 STF - A opinião do
julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o
permitido segundo a pena aplicada. Súmula 719 STF: A IMPOSIÇÃO DO REGIME DE CUMPRIMENTO MAIS SEVERO DO QUE A
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PENA APLICADA PERMITIR EXIGE MOTIVAÇÃO IDÔNEA. SÚMULA 440 - Fixada a pena-base no mínimo legal,
é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção
imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito. (SÚMULA 440, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
28/04/2010, DJe 13/05/2010)(DIREITO PENAL - APLICAÇÃO DA PENA)
DETENÇÃO – não é possível o juiz fixar o regime inicial FECHADO mesmo para crimes com pena superior a 08 anos
SEMIABERTO ABERTO
Pena superior a 04 anos – sendo o agente primário ou Pena até 04 anos – sujeito não reincidente – se o sujeito for
reincidente reincidente regime inicial SEMIABERTO.

*Regime Inicial não pode ser o fechado, entretanto o sujeito apenado com detenção poderá cumprir pena em Regime Fechado –
fixado ao longo da execução da pena em decorrência de falta penal grave (dessa forma ocorre a regressão para o regime mais
severo) (Art. 33 parte final).
*Um sujeito foi acusado de praticar um determinado delito, tendo sido preso - ficado 8 meses preso em prisão provisória de forma
preventiva – tendo sido solto após o término desse período – processo tramitou- ocorreu a sentença – tendo o juiz condenado esse
sujeito a pena de 08 anos e 02 meses – para a fixação do regime inicial deverá ser computado o período que o sujeito ficou preso
provisoriamente – nesse caso a pena ficará em 07 anos e 04 meses, ficando abaixo de 08 anos – sendo que o regime inicial de
cumprimento de pena deverá ser o SEMIABERTO. Art. 387, § 2º CPP O tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou de
internação, no Brasil ou no estrangeiro, será computado para fins de determinação do regime inicial de pena privativa de liberdade.
(Incluído pela Lei nº 12.736, de 2012).

PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO


*Três espécies de pena:
Art. 32 - As penas são: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - privativas de liberdade;
II - restritivas de direitos;
III - de multa.
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*Penas restritivas de direito existem justamente como uma medida alternativa a prisão – (Acordo de Não
Persecução Penal medida alternativa a fixação de sentença. (condenatória com privativa de liberdade) –
suspensão condicional da pena (meio de evitar que o sujeito venha a cumprir a pena encarcerado)).
*NATUREJA JURÍDICA: substitutiva (a pena restritiva de direitos vai substituir a pena privativa de liberdade – o juiz profere uma
sentença condenatória, fixando uma PPL, por exemplo, de 02 anos – verificando que estão presentes os requisitos do Art. 44 CP -
As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714,
de 1998)
I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça
à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;(Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
II – o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as
circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
De forma a substituir a pena PPL por PRD.
*REQUISITOS:
CRIMES DOLOSOS CRIMES CULPOSOS
Requisito objetivo – só tem cabimento a possibilidade de É possível a substituição da PPL por PRD se o sujeito foi
substituir a PPL por PRD se for crime praticado sem violência condenado por um crime culposo independentemente da pena
ou grave ameaça. (furto, apropriação indébita, estelionato, porte desde que preenchidos os demais requisitos. REGRA
ilegal de arma) – Crime de ROUBO ou tentativa de roubo não EXCEÇÃO: Art. 312 –B CTBN (Lei 9503/97) - nova norma
cabe a substituição da pena, pois é praticado com violência prevê também que, em casos de lesão corporal e homicídio
ou grave ameaça. (Art, 44, I) causados por motorista embriagado, mesmo que sem intenção,
a pena de reclusão não pode mais ser substituída por outra
mais branda, restritiva de direitos (se o sujeito em um contexto
de homicídio culposo ou lesão corporal culposa na condução de
veículo automotor, estando ele embriagado ou sob o efeito de
substância análoga – o sujeito não terá direito a substituição da
pena)
É um benefício
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Pena até 04 anos será possível a substituição da PPL pela PRD


(pena aplicada na sentença)
Requisitos cumulativos
*Requisito Subjetivo: sujeito não ser reincidente em crime
doloso (sujeito cometido um crime doloso, ser processado,
julgado e definitivamente condenado e depois do trânsito em
julgado da sentença penal condenatória – comete um novo
crime doloso = reincidente em crime doloso – REGRA: o sujeito
não terá direito a PRD) (Art. 44, II)
*Se o sujeito foi processado, julgado e condenado por um crime
culposo e depois de uma sentença penal transitada em julgado
definitivamente, comete um crime doloso – o sujeito é
reincidente, entretanto não é reincidente em crime doloso –
nesse caso é possível a substituição da PPL pela PRD, desde
que preenchidos os demais requisitos.
EXCEÇÃO: É possível a PRD ainda que o sujeito seja
reincidente em crime doloso quando:
1. Sujeito não seja reincidente pelo mesmo crime
(reincidência específica)
2. Socialmente recomendável que o sujeito não seja
submetido a uma PPL e que ele cumpra a PRD
(Ex.: Sujeito condenado pelo crime de furto – Art. 155 CP, ele
foi processado, julgado e definitivamente condenado – depois
do trânsito em julgado da sentença penal condenatória ele
come um estelionato (Art. 171 CP) – é reincidente em crime
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doloso, só que ele não é reincidente pelo mesmo crime – esse


sujeito possui 03 filhos sendo o único provedor das crianças –
neste caso será possível a substituição da PPL pela PRD (Art.
44, parágrafo 3º) - § 3o Se o condenado for reincidente, o juiz
poderá aplicar a substituição, desde que, em face de
condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável
e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do
mesmo crime. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
*Sujeito condenado pela prática de furto (Art. 155 CP),
tendo sido definitivamente condenado e posteriormente
comete outro crime de furto – esse sujeito não possui
direito da substituição da PPL pela PRD – ele é reincidente
pela prática do mesmo crime.

Direito Penal – FGV – 2016 – XXI Exame da OAB


Carlos, 21 anos, foi condenado a cumprir pena de prestação de
serviços à comunidade pela prática de um crime de lesão
corporal culposa no trânsito. Em 01/01/2014, seis meses após
cumprir a pena restritiva de direitos aplicada, praticou novo
crime de natureza culposa, vindo a ser denunciado.
Carlos, após não aceitar qualquer benefício previsto na Lei nº
9.099/95 e ser realizada audiência de instrução e julgamento, é
novamente condenado em 17/02/2016. O juiz aplica pena de 11
meses de detenção, não admitindo a substituição por restritiva
de direitos em razão da reincidência.
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Considerando que os fatos são verdadeiros e que o Ministério


Público não apelou, o(a) advogado(a) de Carlos, sob o ponto de
vista técnico, deverá requerer, em recurso,
A a substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos. (Carlos é reincidente em crime
culposo, fato que não viabiliza a substituição da PPL por
PRD)
B a suspensão condicional da pena.
C o afastamento do reconhecimento da reincidência.
D a prescrição da pretensão punitiva.

*PRD em caso de violência doméstica e familiar contra a mulher - não é possível – ainda que a pena não seja superior a
04 anos (crime ou contravenção penal praticado no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher)
Súmula 588 - A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente
doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. (SÚMULA 588, TERCEIRA
SEÇÃO, julgado em 13/09/2017, DJe 18/09/2017)(DIREITO PENAL - LEI MARIA DA PENHA)
*FORMAS DE SUBSTITUIÇÃO:
Art. 44, § 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de
direitos; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por
duas restritivas de direitos. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
(Sujeito condenado a uma pena igual ou inferior a 01 ano o juiz somente poderá aplicar uma pena – ou ele substitui a PPL por
PRD ou o juiz vai aplicar somente a pena de multa – se a pena aplicada for superior a 01 ano o juiz poderá substituir a PPL por
PRD por duas penas restritivas de direito (prestação de serviço a comunidade + prestação pecuniária) ou o juiz aplica uma PRD +
multa)
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*Se o sujeito foi condenado pelo tráfico privilegiado é possível a substituição da PPL por PRD.

PENA DE MULTA
*Pagamento de pecúnia que vai para um fundo penitenciário que é para ser restabelecido nos sistemas penitenciários.
Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa.
Será, no mínimo, de 10 (dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário mínimo mensal
vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse salário. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
*Critério para a fixação da pena é um SISTEMA BIFÁSICO:
1. Verificação dias-multa – Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do
agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme
seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(circunstâncias judiciais)
2. Valor de cada dia – vai depender da situação econômica do réu. Art. 60 - Na fixação da pena de multa o juiz deve atender,
principalmente, à situação econômica do réu. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - A multa pode ser aumentada até o triplo, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica do réu, é ineficaz,
embora aplicada no máximo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
*Novidade no Pacote Anticrime: execução da multa - Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será
executada perante o juiz da execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à dívida ativa da
Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. (Redação dada pela Lei
nº 13.964, de 2019) (Se ocorrer o descumprimento da pena de multa não ocorrerá detenção – não ocorrerá a conversão em PPL)
a consequência do não pagamento é a conversão em dívida de valor = dívida ativa para execução (busca de bens do sujeito a
penhora). A competência para essa execução: JUIZ DA EXECUÇÃO PENAL (antes do pacote anticrime a competência era do juiz
da Fazenda Pública – execução fiscal – quem entrava com a execução era o procurador da fazenda) agora a legitimidade para
execução da multa é do MP – pois possui a natureza de pena.
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APLICAÇÃO DA PENA (fixação da pena)


*É necessário que o juiz siga um critério estabelecido em lei para a fixação da pena – Sistema trifásico.
Cálculo da pena
Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas as
circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a
um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua.(Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
Fases do Sistema trifásico:
1. Pena base – juiz tem que fixar uma pena sobre a qual recaíra eventual circunstância agravante ou atenuante e eventuais
causas de aumento e diminuição da pena (Sujeito condenado pelo crime de furto (Art. 155CP) pena de um a quatro anos –
a pena base pode circular entre o mínimo e o máximo – o juiz vai considerar para a fixação da pena base as circunstâncias
judiciais – Art 59 CP :
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às
circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário
e suficiente para reprovação e prevenção do crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
*Se as circunstâncias forem favoráveis ou neutras o juiz fixará a pena base no mínimo (01 ano); se eventualmente forem
desfavoráveis as circunstâncias judiciais o juiz pode se afastar do mínimo legal (jurisprudência estabelece o aumento de 1/6) (pena
1 ano e 2 meses)
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2. Pena intermediária – o juiz verifica se sobre a pena base existe alguma agravante ou atenuante
Agravantes – Art. 61 CP
Circunstâncias agravantes
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:(Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - a reincidência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) por motivo fútil ou torpe;
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime;
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do
ofendido;
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum;
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência
contra a mulher na forma da lei específica; (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão;
h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida; (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido;
l) em estado de embriaguez preordenada.
Agravantes no caso de concurso de pessoas
Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes; (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
II - coage ou induz outrem à execução material do crime; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em virtude de condição ou
qualidade pessoal; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
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IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de recompensa.(Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(se o sujeito for reincidente o juiz poderá sobre a pena base aumentar a pena)
Atenuantes:
Circunstâncias atenuantes
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 (setenta) anos, na data da sentença; (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - o desconhecimento da lei; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - ter o agente:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral;
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as conseqüências,
ou ter, antes do julgamento, reparado o dano;
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob a influência
de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima;
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime;
e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou.
Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não
prevista expressamente em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
*NA PRIMEIRA FASE E NA SEGUNDA FASE DA FIXAÇÃO DA PENA O JUIZ NÃO PODE MEDIANTE NENHUM PRETEXTO
ESTABELECER A PENA ABAIXO DO MÍNIMO LEGAL E NEM SER SUPERIOR AO MÁXIMO.
SÚMULA 231 STJ: A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal.
(Sujeito teve a pena base fixada em 01 ano – sendo este menor de 21 anos na época do fato= atenuante (Art. 65, I CP)
nessa situação o juiz não pode reconhecer a atenuante, visto a previsão da súmula 231 do STJ mediante pena de violação
de separação dos poderes)
3. Pena definitiva: o juiz verifica se existe alguma causa de aumento de pena ou causa de diminuição de pena
(Sujeito reincidente – pena fixada em um ano – sobre a qual incidiu uma agravante, subindo a pena para 01 ano e 04
meses (pena intermediária) (16 meses) – furto durante o período de descanso noturno (Art. 155, parág. 1º CP) – sujeito
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terá uma pena aumentada em 1/3 – pena será aumentada em 5 meses e 3 dias – pena definitiva ficará em
20 meses e 3 dias = 1 ano 8 meses e 3 dias)
Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida serão
consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a
um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua.(Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
*NA TERCEIRA FASE A PENA PODE FICAR ABAIXO DO MÍNIMO E ACIMA DO MÁXIMO (Sujeito condenado por um crime
de furto tentado – juiz fixou a pena base em 01 ano – não tem circunstâncias agravantes nem atenuantes – pena
intermediária continua sendo de 01 ano – existindo na terceira fase uma causa de diminuição da pena de 1/3 a 2/3 pela
tentativa – a pena será diminuída em 1/3 – 12 meses/3 – 04 meses de pena – pena definitiva 08 meses)

CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES E ATENUANTES


*AGRAVANTES (ART.61 CP) são taxativas – so existiram se previstas em lei – sempre agravam – REGRA.
EXCEÇÃO: se a agravante já servir para qualificar, para constituir o crime – a agravante não poderá ser considerada – Bis in idem.
(Sujeito pratica o crime de homicídio (Art. 121, parág. 2, II CP – motivo fútil) – fato do sujeito cometer um crime pelo motivo da
pessoa ser coxa branca é motivo fútil – essa circunstância já serve para elevar a pena de 06 a 20 anos para 12 a 30 anos – serve
para qualificar o crime, portanto não se pode utilizar essa circunstância para agravar a pena) (Sujeito praticou o crime de aborto
(Art. 125CP) – crime que gera a interrupção da gravidez com a morte do feto – somente é possível praticar o crime de aborto
contra a mulher grávida – o fato de a mulher ser grávida irá constituir o crime – essa circunstância somente será usada para
tipificar a conduta e não será utilizada para elevar a pena na 2ª fase) – NÃO CONSTITUE = NÃO INTEGRA O TIPO PENAL
*REINCIDÊNCIA (ART.61, I CP) – define que a reincidência é uma circunstância agravante – a reincidência gera reflexo na fixação
do sistema inicial de cumprimento de pena – influência na possibilidade de substituição da PPL por PRD, influencia no livramento
condicional – Conceito: Art. 63 CP - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado
a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
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*Para a verificação da reincidência é necessário a observação de duas datas – data do trânsito em julgado da
sentença condenatória do crime anterior (sujeito praticou um crime e foi processado, julgado e
definitivamente condenado = sentença transitada em julgado – ou seja, não cabe mais recurso) para o
sujeito ser considerado reincidente ele tem que ter cometido um novo crime após o trânsito em julgado da sentença penal
condenatória do crime anterior (Sujeito praticou um crime de roubo (Art. 157 CP) no dia 10/11/2010 foi proferida a sentença
15/12/2012 – se esgotaram os recursos ocorrendo o trânsito em julgado em 19/07/2014 – não se contentando, o sujeito cometeu
um novo crime – crime de furto (Art. 155 CP) no dia 10/11/2014 – o sujeito é reincidente. (o agente pode ser considerado
reincidente qualquer que for o crime, não é necessário ser o mesmo crime cometido)
Conceito – Art. 7º decreto lei 3688/41 – (lei das contravenções) - Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma
contravenção depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime,
ou, no Brasil, por motivo de contravenção. (sujeito cometeu uma contravenção e ocorreu o trânsito em julgado da sentença
condenatória e ele praticou uma nova contravenção – reincidente) (o sujeito que registra contra si uma sentença condenatória
transitada em julgado por um crime anterior e comete uma contravenção depois do trânsito em julgado de uma sentença
condenatória por crime anterior – reincidente) (Contravenção – crimes de menor potencial ofensivo – vias de fato –
perturbação de sossego alheio)

CRIME CRIME REINCIDENTE (ART. 63 CP)


CONTRAVENÇÃO CONTRAVENÇÃO REINCIDENTE (ART. 7 DECRETO LEI
3688/41)
CRIME CONTRAVENÇÃO REINCIDENTE (ART. 7 DECRETO LEI
3688/41)
CONTRAVENÇÃO CRIME NÃO SERÁ REINCIDENTE (NÃO SE
ENQUADRA EM NENHUM DOS ART.)

*PRAZO DE VALIDADE DA REINCIDÊNCIA: (sujeito cometeu um crime A e por conta desse crime ele foi definitivamente
condenado – sentença condenatória transitada em julgado – o efeito da reincidência é de 05 anos – a sentença transitada em
julgado gera efeitos pelo prazo de 05 anos – 05 anos do término do cumprimento da pena ou da extinção da pena (prescrição))
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(sujeito teve o trânsito em julgado em 15/10/2012, tendo sido condenado a 02 anos – começou a cumprir a pena
sendo solto no dia 14/10/2012 – tendo cometido novo crime em 20/08/2016 – de forma a ser considerado
reincidente, pois praticou o novo crime dentro dos 05 anos do término do cumprimento da pena até o novo crime
– se o novo crime ocorreu em 20/08/2018 – nesse caso o sujeito não é reincidente, pois se passaram mais de 05 anos – entretanto
considera-se para fins de maus antecedentes).
Art. 64 - Para efeito de reincidência: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver
decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional,
se não ocorrer revogação; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - não se consideram os crimes militares próprios e políticos.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
*Livramento condicional = benefício da execução da pena – o sujeito vai estar em liberdade antes do cumprimento da pena –
antecipação do retorno ao seu convívio social.
Requisitos do livramento condicional
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2
(dois) anos, desde que: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver bons
antecedentes; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
III - comprovado: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
a) bom comportamento durante a execução da pena; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração; (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
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V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de
tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o apenado não for
reincidente específico em crimes dessa natureza. (Incluído pela Lei nº 13.344, de
2016) (Vigência)
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, a concessão do
livramento ficará também subordinada à constatação de condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a
delinquir. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(Sujeito condenado a 06 anos – tendo começado a cumprir a pena em 15/03/2010 – para obter o livramento condicional tem que
cumprir 1/3 da pena – 1/3 de 6 – terá que cumprir dois anos – direito ao livramento condicional no dia 14/03/2012 – sua pena se
findará em 14/03/2016 (término da pena) (4 anos de livramento = período de prova) – sujeito praticou um novo crime 20/04/2020 –
o período de 04 anos é computado para o novo crime – portanto o sujeito não é reincidente – 05 anos contados do término da
pena desde que o sujeito não tenha livramento condicional ou suspensão condicional da pena)
*Para fins de reincidência não se consideram crimes militares próprios (crimes previstos somente no CPM – deserção,
insubordinação, desobediência, etc.) e políticos. Crime militar impróprio (previsto no COM + CP) (se o sujeito comete um crime
militar e posteriormente um crime de furto ele não será reincidente)

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