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2ª Edição D I S C I P L I N A Ciências da Natureza e Realidade

Situando a Ciência
no Espaço e no Tempo

Autores

Franklin Nelson da Cruz

Gilvan Luiz Borba

Luiz Roberto Diz de Abreu

aula

01
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Governo Federal
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva

Ministro da Educação
Fernando Haddad

Secretário de Educação a Distância


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Reitor
José Ivonildo do Rêgo

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Secretária de Educação a Distância


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Editoração de Imagens
Adauto Harley
Carolina Costa

Divisão de Serviços Técnicos


Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”

Cruz, Franklin Nelson da.


Ciências da natureza e realidade: interdisciplinar/ Franklin
Nelson, Gilvan Luiz Borba, Luiz Roberto Diz de Abreu. – Natal, RN:
EDUFRN Editora da UFRN, 2005.
348 p.

ISBN 85-7273-285-3

1. Meio Ambiente. 2. Terra. 3. Universo. 4. Natureza. 5. Seca. I.


Borba, Gilvan Luiz. II. Abreu, Luiz Roberto Diz de. III. Título.

CDD 574.5
RN/UF/BCZM 2005/45 CDU 504

Copyright © 2007 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou
reproduzida sem a autorização expressa da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

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Apresentação

E
sta é a primeira aula da disciplina Ciências da Natureza e Realidade. Pretendemos viajar
pelo mundo, percebendo-o com um olhar físico, químico e biológico, abordando temas
relativos à natureza. Dessa forma, veremos que a ciência está presente em nosso dia-
a-dia em situações e acontecimentos dos quais muitas vezes, não nos damos conta. Durante
esse percurso, teremos o privilégio e o prazer de desenvolvermos juntos uma visão mais crítica
da realidade, ou seja, um olhar científico. Boa viagem!

Objetivos
Após estudar o material correspondente a esta aula, esperamos que
você seja capaz de:

dissertar sobre as diferenças entre as várias formas de


1 explicar a natureza;

identificar alguns dos ramos das ciências naturais e


2 suas características;

classificar e diferenciar conceitos, informações e


3 hipóteses, como sendo científicos ou não.

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Situando a Ciência no
Espaço e no Tempo
O que você mais gosta de fazer quando chegam as férias ou um feriado prolongado?

Se respondeu viajar, ir para outro lugar, você faz parte da maioria das pessoas do mundo.
Por isso, dispomos de tantas estações rodoviárias, aeroportos e portos.

Somos andarilhos por natureza. Gostamos, e como gostamos de nos locomover!

Esse comportamento, que vem desde a Pré-História, permitiu que ocupássemos todos os
recantos do nosso planeta: das geleiras polares aos tórridos desertos africanos, das savanas
do oeste americano aos sertões nordestinos, das florestas tropicais aos plácidos litorais.
Também nos levou a mergulhar nas profundezas oceânicas e a alçar vôos em direção à Lua; a
construir “casas no espaço”, as chamadas estações espaciais, que giram continuamente em
volta da Terra a uma altura aproximada de 400km com velocidades superiores a 15000km/h
(quinze mil quilômetros por hora); e a enviar naves para outros planetas, sonhando com
viagens interestrelares.

Viajar, conhecer lugares, falar sobre as viagens, registrar fatos e impressões... Foi e é
assim que deixamos marcas de nossa passagem pelo planeta. Graças a esse costume é que
Peabiru e Marapés conseguimos fazer a História. Hoje, por exemplo, podemos “rastrear” o percurso que o homem
Caminho, primitiva via pré-histórico fez para chegar ao nordeste brasileiro.
indígena de comunicação
pré-colonial, era chamado A citação a seguir apresenta sucintamente a questão da chegada do homem ao Nordeste.
de Peabiru ou Peabiyú, Leia-a para ter uma idéia de quão distante é nossa provável origem.
e os assentamentos ao
longo desses caminhos A professora Maria da Conceição Beltrão, arqueóloga do Museu Nacional, afirma ser
de marapés, pelos índios, possível reconhecer, hoje, elos fundamentais que interligam a Pré-História e a História
e “caminho de São no processo dos assentamentos humanos em nosso território, e que corresponderiam ao
Tomé” pelos Jesuítas.
enorme sistema viário pré-cabralino conhecido como o conjunto de Peabiru e Marapés
Encontrando caminhos
existentes antes da vinda
[grifo nosso]. E acrescenta: “Considerando que a entrada do homem na América do Sul
dos conquistadores se deu através de um corredor livre de florestas, entre os Andes e a atual Amazônia, ali
europeus, os jesuítas o se observaram superposições humanas, bem como conseqüentes pólos irradiadores do
atribuíram à intervenção desenvolvimento econômico. Esse processo se verifica em dois sentidos. A partir do alto
do sobrenatural, e Juruá (AM), situado em pleno corredor migratório, as correntes humanas buscam o litoral
concluíram que foram
atlântico, alcançando-o na altura de Pernambuco; e uma segunda onda, na direção do
feitos por milagres, apenas
com a passagem do
Sudeste, que se estende até São Vicente. Esse grupo se encarregaria de atingir o planalto
apóstolo Tomé. meridional e, depois, pela costa, o Nordeste (GALDINO, 2002, p.5-6).

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Você deve ter percebido, de acordo com o texto, que o homem pré-histórico chegou ao
nordeste vindo dos Andes através de trilhas que cortavam as florestas. As marcas dessa viagem
foram deixadas para trás e hoje arqueólogos junto com outros pesquisadores conseguem
mapear e resgatar essa história.

ESTREITO DE BERING
5.000 km

A B

PATAGÔNIA

Figura 1

A Figura 1 mostra uma possível rota migratória para a chegada do Homem ao Continente
sul-americano. Esse modelo propõe que oriundo da Ásia e atravessando o estreito de Bering,
o Homem chega tanto ao sul do nosso continente, a Patagônia, quanto ao nordeste brasileiro.

Datações

Processo usado para

Atividade 1 identificar a idade de


materiais muito antigos.
Existem diversas formas
de datação, entre elas a
que usa o carbono. Essa
técnica é muito usada
Usando a escala indicada no lado direito da figura, determine a distância para datação de material
orgânico. Os seres vivos,
aproximada percorrida pelo Homem desde o estreito de Bering até o litoral ao respirar, absorvem
brasileiro. Datações com o C14 (isótopo radioativo do carbono) realizadas com junto com o Carbono 12,
material encontrado ao longo desse percurso indica que a viagem demorou cerca uma fração de Carbono
14, que é radioativo. Ao
de 10.000 anos. Sabendo que a velocidade média de um corpo é dada pela razão morrer, isto é, ao parar de
entre o espaço percorrido e o tempo gasto para percorrê-lo, estime a velocidade respirar, a quantidade de
média da migração do homem pré-histórico em sua caminhada para o nordeste. Carbono 14 alojada nos
tecidos do ser diminui
com o tempo, quanto
mais antigo, menor a
quantidade de C14.

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Outros animais que compõem a fauna de nosso planeta, em maior ou menor escala,
fazem suas migrações, por exemplo, algumas espécies de baleias que se aproximam da
costa brasileira em época de acasalamento. Essas migrações, em geral, são provocadas por
mudanças climáticas ou necessidade de reprodução. O homem, porém, é motivado em suas
andanças pelo planeta por diversos fatores, além dos climáticos.

Um dos principais aspectos que nos diferencia dos outros organismos vivos é nossa
competência para resolver problemas e armazenar vivências, acumulando conhecimentos, os
quais demonstram nossa capacidade de memória e de ação sobre a realidade. Esse processo
é possível devido ao desenvolvimento de um complexo sistema nervoso em nossa espécie,
que herdamos e aperfeiçoamos de nossos ancestrais.

Atividade 2
Pesquise e responda.

Você sabe o que é migração e imigração? Procure num dicionário o


1 significado dessas palavras.

Você conhece alguém, ou mesmo uma família, que tenha vivido um


2 processo de imigração? De onde vieram? Quais foram os fatores
determinantes desse deslocamento?

E, em relação à fauna de sua região, você conhece algum tipo de animal


3 que apresenta atividade migratória? Em caso afirmativo, escreva abaixo
algumas das características desse animal e da sua rota de migração.

A capacidade da memória possibilitou-nos a percepção do transcorrer do tempo e das


mudanças espaciais. Quando acordamos, nos lembramos dos acontecimentos passados,
vivenciamos o presente e temos total perspectiva de que teremos um dia pela frente. Quando
viajamos, recordamos os lugares por onde passamos e o local deixado para trás. Hoje, isso é
banal, mas para nossos ancestrais foi fundamental para a percepção de um momento passado,
presente e futuro, levando a nossa espécie a um processo de acúmulo de experiências e a um
contínuo aprendizado.

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Esse acúmulo de experiências distinguiu a espécie humana dos outros seres vivos,
levando-nos a uma capacidade de desenvolver e utilizar diversos tipos de conhecimento e,
entre eles, a ciência e a tecnologia nas soluções dos problemas até então nunca vistos em
nosso planeta. Há séculos, o conhecimento adquirido com a ciência e a sua aplicabilidade
é o grande propulsor das mudanças observadas em nossa sociedade, principalmente
na qualidade de vida.

Podemos acompanhar a história da evolução do Homem através dos tempos


desde as eras Pré-Históricas, a partir de registros em pinturas rupestres gravadas em
cavernas, pedaços de ossos e cacos de utensílios, bem como restos de fogueiras que
são eventualmente descobertos em escavações arqueológicas.

As pinturas rupestres são encontradas em sítios arqueológicos espalhados por


quase todo o planeta. Por exemplo, no Brasil são famosos os registros encontrados no
Piauí, Bahia, Rio Grande do Norte, Paraíba e Minas Gerais, entre outros Estados. Em
outros países, podemos destacar as pinturas rupestres existentes na França, Espanha e
Etiópia, entre outros.

O estudo desse material indica serem esses os primeiros passos da mente humana
em direção às ciências e ao registro dos conhecimentos adquiridos a partir da observação.

Figura 2 – Pintura rupestre

Atividade 3
Observe a Figura 2. Como você descreve o que foi observado? Parece
uma cena comum de nosso dia-a-dia? Explique.

Pesquise e descubra qual o sítio arqueológico mais próximo de sua


região. Descreva-o e relate sua importância para a preservação da
cultura local.

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A sistematização do Conhecimento
O mundo a nossa volta pode ser descrito a partir de diversos ângulos da realidade, como
o olhar artístico e a poética. No entanto, estamos interessados em apresentar duas visões
específicas do mundo: a filosófica (do pensamento racional) e a científica (da experimentação
e do método).

Existem as descrições religiosas e míticas em seus diversos matizes, mas não trataremos
delas aqui. Ressaltemos que as verdades científicas e filosóficas não são as únicas nem são
melhores ou piores que os outros tipos de verdades ou conhecimentos. Apenas representam
um modo específico de olhar o mundo e que é muito útil quando se pretende obter um
conhecimento mais sistematizado do que está acontecendo ao nosso redor.

Filosofia

A
palavra Filosofia significa “amor ao conhecimento, ao saber (philos = amigo, amante
e Sophia = conhecimento, saber). Assim, o conhecimento filosófico busca a essência
das causas reais dos fenômenos, ou seja, a origem de tudo e as suas explicações. A
filosofia se caracteriza, então, como reflexão crítica da realidade considerada em sua totalidade,
bem como tentativa de refletir sobre as formas do fazer e do agir do ser humano, também
considerado aqui como totalidade.

A interpretação das informações que nos chegam pelos sentidos é uma característica
da busca filosófica. Nesse contexto, a questão “o que é real” faz parte do projeto filosófico,
indicando, assim, a possibilidade desse conhecimento ser contraditório à medida que discute
a realidade das coisas e o que é o real, ao mesmo tempo.

Por outro lado, a sistematização do conhecimento foi um processo lento que desponta em
diversas épocas e em diversos povos ao longo da civilização. Para o caso especial da cultura
ocidental, a maior influência vem do aparecimento na Grécia de uma organização peculiar das
idéias em um corpo chamado de filosofia.

Esse saber moldou em grande parte o pensamento e a cultura da civilização ocidental,


tornando-se a fonte do que hoje chamamos conhecimento científico.

A história do conhecimento ocidental está relacionada a nomes que você já deve ter
ouvido: Sócrates, Platão e outros. Propomos um breve resgate desses personagens históricos,
sugerindo que você visite a biblioteca de sua cidade e faça uma pesquisa mais aprofundada
sobre esse assunto.

Podemos afirmar que a origem da filosofia remonta ao Séc. VI antes da Era Cristã (a.C.),
na Grécia Antiga, com Tales de Mileto.

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Atividade 4
Você gosta de ler? Tente lembrar e escreva o nome de pelo menos
cinco livros que você já leu. Se você não é o que se poderia chamar de
um bom leitor, até mesmo pela natureza de nosso curso, agora está
na hora de começar a criar o salutar hábito da leitura.

Ciência
As origens da ciência nos remetem a Aristóteles (384-322 a.C.) que, a partir da obra
filosófica de Platão, de quem foi discípulo, propõe um novo olhar para a realidade objetiva.

Na visão de Aristóteles, a realidade ou aquilo que nos envolve de modo mais imediato
é o tema central do estudo científico e, para ele, a razão é a mais fundamental característica
humana. Aristóteles trata desde o problema do movimento (por que os corpos se movem?) até
a classificação dos seres que compõem a natureza. Ele acreditava na constituição do mundo
por quatro elementos (terra, água, ar e fogo), bem como na imobilidade da Terra. Vemos
com isso que mesmo as mentes mais brilhantes cometem erros! Nem o mundo é formado
por “quatro elementos”, nem a Terra é imóvel.

Aristóteles é o grande pensador e articulador de sua época na construção do pensamento


ocidental. Sua influência vai muito além da filosofia e da ciência, tendo sido inclusive preceptor
Figura 3 – Platão
de Alexandre, o Grande. Voraz leitor e notável estudioso, chegou a merecer de Platão (de
quem foi amigo e discípulo) o comentário de que sua residência era “a loja de leitura”, devido
ao vasto acervo de livros que continha.

O gosto pela leitura e a consciência da importância dos livros levaram nossos ancestrais
(Séc. III a.C.) a construir a bela e imponente Biblioteca de Alexandria, conhecida na época
como Museum, e que foi o mais importante centro cultural da Antigüidade. Entre seus
diretores, destacam-se personagens como Eratóstenes – matemático, filósofo, pensador
– a quem cabe, entre outros, o mérito de ter calculado o comprimento da circunferência
da Terra e de ter escrito uma obra chamada Geografia, que influenciou significativamente o
conhecimento de nosso mundo.

Neste livro, Eratóstenes relatou que, em uma certa hora de um determinado dia, se
comparássemos a sombra gerada por uma haste vertical à luz do Sol no fundo de um poço,
em duas cidades diferentes, no caso Alexandria e Siene (Egito) respectivamente, seria possível
concluir que a superfície da Terra era esférica. Determinando o valor do ângulo entre a haste Figura 4 – Aristóteles

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e a sombra e relacionando esse ângulo com a distância entre as cidades, seria possível
determinar o tamanho da circunferência terrestre, chegando ao valor de 40.000 km, errando
em apenas 75 km o valor real da circunferência da Terra no Equador.

Distância Eratóstenes tanto determinou experimentalmente o tamanho da superfície terrestre


quanto intuiu a esfericidade de nosso planeta.
Eratóstenes conhecia a
distância entre Alexandria
e Siene, pois havia
mandado um homem
medi-la, contando
os passos. Sol

Siena
Poço Haste

Alexandria

Terra

Figura 5

Quando ocorreu sua destruição, a Biblioteca de Alexandria tinha mais de quatrocentos mil
volumes ou papiros, contendo praticamente todo o conhecimento produzido até aquele momento.

Nessa época, à frente da direção da Biblioteca estava uma mulher, Hiparca, que muito fez
pelo saber e pela Ciência, mostrando até que ponto o mundo antigo avançou, ao reconhecer e
permitir à mulher ocupar espaços relevantes nas atividades intelectuais da humanidade.

Atividade 5
Procure em um dicionário ou enciclopédia o significado dos termos
filósofo e filosofia. Exponha com suas palavras as definições encontradas,
não esquecendo de citar a fonte consultada (nome e autor).

Na sua cidade existe biblioteca? As pessoas costumam freqüentá-la?


Como ela é? Certamente muito diferente da de Alexandria, não é?

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A ciência permite-nos uma visão privilegiada dos fenômenos naturais em nosso universo.
Do ponto de vista físico, químico e biológico, conseguimos visualizar, com relativa clareza,
quase todos os eventos envolvidos na manutenção e perpetuação da vida.

Conseguimos descrever, desde interações macroscópicas entre os seres vivos envolvendo


eco-sistemas de diversos graus de complexidade até comportamentos que se dão no nível
molecular e celular, passando por descrições de imensos sistemas, como o de nosso planeta,
seu lugar no sistema solar e no universo. Podemos descortinar com o auxílio de olhos
mecânicos, como os telescópios, a vastidão do meio interplanetário e intergaláctico, chegando
ao ponto de estimar com razoável precisão a idade do Universo e seu modo de funcionamento
desde seus instantes iniciais.

Apresentaremos uma breve definição de Ciência, à qual certamente ao longo de nosso


curso você irá acrescentando novos elementos e, ao final, chegará a uma definição correta
e que contemple a sua expectativa. Assim, a Ciência pode ser definida como conjunto de
conhecimentos sistematicamente organizados, com um objeto de estudo definido.

Cabe à Ciência classificar, medir, quantificar, formular e testar hipóteses, construir teorias
com as quais pode-se prever comportamentos de sistemas físicos, químicos e biológicos. A
Ciência também procura entender o funcionamento do universo e com isso produzir os saberes
necessários para tornar melhor a vida em nosso planeta.

No nosso caso, aqui no Nordeste, um problema científico importante é o da seca.


Esse é um problema que envolve várias áreas do saber, como a humanística, a exata e a
biológica. Veremos adiante, quando estudarmos o clima, que o fenômeno da chuva é bastante
complexo e que, para entendê-lo melhor, precisaremos de algumas ferramentas intelectuais,
as quais vamos encontrar na Física, na Química e na Biologia. Como o fenômeno da chuva,
existe uma quantidade imensa de fenômenos naturais que, para explicá-los, precisamos dos
conhecimentos oriundos da Ciência.

Além disso, para nós que vivemos o Séc. XX e estamos emergindo no Séc. XXI, a Ciência,
com todas as suas realizações, trouxe para nossos lares uma quantidade imensa de aparelhos
tecnológicos cujo funcionamento é entendido a partir de leis e princípios gerais que formam
um tipo de conhecimento chamado científico.

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Curtume

Estabelecimento onde
se curtem couros.
Indústria que se dedica ao
tratamento de peles finas e
de couros.
O método científico
Barbatimão
Acreditamos que lançar mão da descrição de fenômenos é a melhor forma de se perceber
Árvore leguminosa de o significado da Ciência e seu método científico.
casca rica em tanino.
No texto a seguir, adaptado do livro Grande Sertão: veredas, de Guimarães Rosa, escrito
Angico
numa linguagem muito peculiar, o jagunço Riobaldo Tatarana relata um curioso fenômeno.
Nome comum de várias
árvores da família das A pois, um dia, num curtume, a faquinha minha, que eu tinha, caiu dentro de um tanque;
leguminosas. era só caldo de casca de curtir, barbatimão, angico, lá sei que taninos. – Amanhã eu
tiro... – falei comigo. Porque era noite, luz nenhuma eu não tinha. Ah, então saiba: no
Taninos
outro dia, cedo, a faca, o ferro dela estava roído, quase por metade, carcomido por aquela
(plural de tanino) agüinha escura azeda, toda quieta, pouco borbulhando. Deixei, mais pra ver... Sabe o que
Substância encontrada
foi? Pois, nessa mesma tarde, da faquinha, só se achava o cabo... O cabo – por não ser
em vários organismos
de frio metal, mas de chifre de veado galheiro (ROSA, 2001, p.39).
vegetais, que torna as
peles imputrescíveis
O jagunço, ao relatar o fato, utilizou a linguagem popular que se associa a um tipo de
(que não apodrecem),
sendo, por isso, usada em conhecimento, o conhecimento popular. Suas principais características são típicas do sujeito, do
curtume. objeto e de seu meio ambiente, hereditárias e empíricas, mas desprovidas de espírito científico.
Metal No contexto explorado, o jagunço certamente fez uso dos cinco sentidos: visão, tato,
Corpo simples, dotado audição, olfato e paladar, nossos sensores naturais. Através deles, ele coletou as primeiras
de brilho particular, informações a respeito da sua “faquinha” e do meio de onde ela caiu. Esses sensores naturais,
chamado brilho metálico.
Geralmente bom condutor
embora indispensáveis ao homem, apresentam limitações, tornando as informações colhidas
do calor e da eletricidade, a partir deles subjetivas, falhas e quase exclusivamente qualitativas.
possuindo, além disso, a
propriedade de produzir, Por outro lado, uma re-leitura científica do texto, também pode antever fenômenos
quando se combina com o
científicos importantes. Caracterizando esse conhecimento como o que resulta da assimilação
oxigênio, pelo menos um
óxido básico: o ferro é o progressiva e racional de fatos e fenômenos, a partir da observação, prática e experimentação
mais útil dos metais. (a qual envolve medidas e seu registro).

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Retomemos o texto de Guimarães Rosa sob o olhar da Ciência. Na sua concepção
atual, o método científico é composto por um conjunto de etapas que, ao serem executadas
sucessivamente, auxiliam os pesquisadores no processo de produção do conhecimento:
organizar, especular e responder questões pertinentes ao seu trabalho, decorrentes de
observações, medidas obtidas das práticas e experimentos científicos, elaboração e teste de
hipóteses, teorias e generalizações.

Veja bem, tomando o relato do jagunço Riobaldo Tatarana, evidenciam-se as premissas


correlatas ao método científico. O primeiro seria ter um problema que necessita de explicação.O
problema em questão é explicar a corrosão do ferro metálico, quando ocorre a imersão da
faca no caldo, composto por água e algumas espécies de plantas da família das leguminosas,
ricas em tanino.

Serão discutidas brevemente, a seguir, cada uma das etapas do método científico.

Observação da natureza e proposição do problema


Nesta etapa, a questão a ser feita diz respeito à ocorrência do fenômeno. Isto é, por
que ocorreu a corrosão da parte metálica da faca? Portanto, busca-se uma explicação para a
questão formulada.

Formulação de hipóteses e testes


O cientista, baseado em suas observações, e levando em consideração leis e modelos
reconhecidos pela comunidade científica, propõe soluções prováveis para o problema. Planeja
a estratégia para submetê-las à prova visando sua validação. Nessa fase, várias explicações
possíveis são levantadas.

Atividade 6
Antes de continuar nosso estudo, gostaríamos de saber qual ou quais
as hipóteses que você levantaria para explicar por que a faquinha do
jagunço Riobaldo Tatarana foi sumindo até ficar só o cabo (não passe
adiante sem cumprir essa etapa.).

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Você pode ter elaborado diversas hipóteses, como: “o metal ferro que compõe a lâmina
da faca é solúvel em água”. Essa é uma hipótese falsa, pois se fosse assim, ao lavar a faca
todo dia, ela acabaria por se dissolver, não é ?

Uma outra hipótese possível seria, “o caldo formado pela água e as leguminosas é ácido”.
Assim, o ácido é capaz de atacar (enferrujar) o ferro. Hipótese verdadeira.

Conclusão
Embora a explicação rigorosa do ponto de vista da Química, isto é, de como ocorre a
oxidação, seja um assunto a ser estudado no curso de estrutura atômica, podemos agora,
como conhecimento geral, apresentá-la. Então, a faca é corroída pelo fato de:

 em meio ácido, o Feo (ferro metálico) sofre oxidação, produzindo o íon Fe2+ (ferro dois mais);

 o íon H+ (íon hidrogênio) sofre redução, produzindo o gás H2 (gás hidrogênio).

Fenômenos que explicam a corrosão:


 a desaparição da lâmina de ferro; e

 o borbulhar do caldo formado pela água e as leguminosas.

Atividade 7
Com base nos conceitos de Ciência e Filosofia, complete a frase abaixo.

A Ciência é o ____________ (conhecimento/saber) parcialmente unificado;

a Filosofia é o ____________ (conhecimento/saber) totalmente unificado.

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Alguns ramos da Ciência
Classificar as ciências é uma tarefa extremamente complexa, até mesmo porque toda
tentativa de sua classificação sistemática deve partir de um princípio gerador, cuja essência
é a própria Ciência (esse é um problema semelhante ao enfrentado pela Filosofia, lembra?).

Na natureza, os fenômenos ocorrem desprovidos dos rótulos físicos, químicos, biológicos


ou de suas combinações. Nós, na tentativa de sistematizar nosso conhecimento, é que
classificamos os fenômenos buscando a melhor forma de explicar a natureza.

Assim, depreendemos algumas palavras e/ou conceitos embutidos na fala do jagunço


Riobaldo Tatarana que nos permitem identificar alguns dos diferentes ramos da Ciência e
perceber como eles estão de alguma forma imbricados.

Podemos identificar os conteúdos e relacioná-los com os ramos de estudo das ciências, a


fim de idealizar uma sistemática de classificação. Partindo do significado de algumas palavras
que aparecem no texto, é possível montar a seguinte seqüência:

 o jagunço utilizou o termo “agüinha” (linguagem popular), diminutivo de água, para


caracterizar o meio líquido. A linguagem de que ele fez uso, característica do seu meio
cultural, pode ser associada à Antropologia Cultural;

 ao modelo mental estabelecido pelo jagunço e utilizado para relatar a queda da faca no
tanque contendo o caldo, pode-se associar à Psicologia, isto é, como ele imagina que
se deu o fenômeno, as formas de pensar que ele elabora;

 o caldo contido no tanque é preparado com água (solvente) e algumas espécies de


plantas leguminosas, ricas em tanino (soluto). A esse caldo dá-se o nome de solução.
O comportamento da água líquida é estudado pela Física, o estudo da extração
de substâncias (soluto) por um solvente é desenvolvido pela Química e os vegetais
leguminosos são caracterizados e estudados pela Biologia;

 o tanque contendo taninos e a queda da faca pode ser sucintamente descrito pelas
ciências: Física (queda dos corpos), Química (composição) e Matemática (geometria).

Atividade 8
A cozinha de nossa casa é um bom laboratório de ciências. Descreva
o processo de preparação de um prato, relacionando em cada etapa o
ramo da ciência que está envolvido.

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Ciência e realidade

C
omo você viu no caso da faquinha, o trabalho científico envolve obrigatoriamente a
explicação de fatos ou conjunto de fatos e, para tanto, são elaborados modelos capazes de
explicá-los, como também os fenômenos observados e ainda, de prever novos resultados.
Nessa tarefa, precisamos sempre medir e quantificar as grandezas envolvidas e, quando possível,
descrever os resultados matematicamente através de fórmulas e equações. O teste matemático
é crucial na construção dos modelos que visam à representação da realidade.

Um exemplo bem conhecido é o da queda dos corpos. Comenta-se que Galileu estava
interessado em explicar o movimento de objetos que se deslocam em linha reta. Para isso, ele
elaborou um plano inclinado, como o mostrado a seguir.

B C

Figura 5

Soltou esferas de diversos pontos ao longo da parte AB do plano e verificou a altura que
as esferas atingiam no lado CD. Em seguida, alterou levemente a inclinação da parte CD e fez
novamente a experiência. Logo depois, alterou o grau de polimento das superfícies (das esferas
o do plano inclinado) até atingir uma situação de menor atrito possível. Dessa forma, observou
que quanto maior o polimento, mais distante as esferas iam antes de parar.

Com isso, ele estava preparado para responder à questão “o que faz os corpos pararem?”
e cuja resposta por ele obtida foi: a presença de forças de atrito. Concluiu também que se não
existisse atrito entre as esferas e o plano, se o percurso CD fosse na horizontal, uma vez atingido
o ponto B, as esferas continuariam se deslocando continuamente com velocidade constante e
só parariam quando terminasse a pista. Se esta fosse suficientemente grande, as esferas nunca
parariam de se mover com velocidade constante.

Após os resultados obtidos por Galileu, ficamos sabendo que “um corpo que se move em
linha reta, com velocidade constante e não sofre nenhuma interação com o meio, permanecerá
assim para sempre”, e que “tal corpo só mudará seu estado de movimento se aparecer uma
força externa atuando sobre ele”.

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Não precisamos repetir mais o experimento de Galileu, pois os resultados obtidos valem
para sempre, mantidas as mesmas condições. O que temos aqui é um modelo que descreve
o movimento de corpos que se movem em linha reta com velocidade constante. Para outros
movimentos, teríamos que melhorar o modelo, de modo a incluir novas situações. Esse é um
exemplo das construções que se faz em ciência. Uma expressão matemática para o resultado
obtido por Galileu é:

Essa fórmula representa um corpo se movendo com velocidade constante e em linha reta.
Na natureza, é muito difícil obtermos por muito tempo o movimento descrito. Mesmo assim,
seremos capazes de prever o que ocorre com o objeto que se move segundo essas condições.

Concluindo nossa aula, a Ciência procura elaborar modelos mais ou menos sofisticados que
permitam uma interpretação do que está ocorrendo na natureza e, além disso, que nos permita
prever o comportamento futuro dos sistemas estudados. Como produto humano, a Ciência está
sujeita a erros e enganos, mas é nela, mais do que em qualquer outra atividade humana, que
a busca pela descoberta dos próprios erros e enganos mais tem impulsionado a humanidade.

Resumo
Nesta primeira aula, aprendemos que a Ciência é uma produção humana e, como
tal, sujeita a erros e acertos. Mesmo assim, ela é uma ferramenta intelectual
de suma importância, ajudando na compreensão do mundo que nos rodeia.
Discutimos a existência de outros conhecimentos bastante relevantes para a vida
em sociedade, entendendo que o que os diferencia do conhecimento científico
é o fato deste basear-se em um método e não pretender ser um conhecimento
imutável nem conter verdades absolutas. Abordamos, por fim, que a Ciência
possui vários ramos, estando cada um preocupado em desenvolver um olhar
mais aprofundado em relação a uma dada faceta da natureza, mas cientes de que
necessitam uns dos outros para melhor descrever seu objeto específico de estudo.

2ª Edição Aula 01 Ciências da Natureza e Realidade 15

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Auto-avaliação
Justifique a seguinte afirmativa: o conhecimento científico é aproximadamente exato
1 enquanto o conhecimento filosófico é exato.

Existem crenças populares que acabam por conter um fundo de verdade. Isto é, a
2 Ciência tem como justificar a crença. Outras não encontram apoio na Ciência.

Algumas crenças, frutos de observações, estão relacionadas às estações chuvosas


no Nordeste. Por exemplo, antigamente os boiadeiros que levavam o gado da região
do Seridó norteriograndense para o Piauí diziam que “quando o gado chega gordo no
Piauí é porque o inverno será bom e quando chega magro é porque o inverno será
ruim”. Essa é uma observação interessante, bem como interessante é a conclusão
dos boiadeiros.

Será que essa conclusão tem apoio científico? Vejamos, as chuvas na região do
Seridó têm origem na convergência inter-tropical, de modo que é comum começar
a chover primeiro no Piauí, em relação ao Rio Grande do Norte. Como a chuva
“vem” das regiões mais próximas à linha do Equador, quando, o gado saía para o
Piauí, e encontrava pasto pelo caminho e chegava lá gordo. Na falta de chuvas, o
pasto ficava mais escasso e o gado chegava magro. Então, a explicação científica da
convergência inter-tropical, no que diz respeito às nossas chuvas, pode ser verificado
pela experiência do boiadeiro.

Responda e justifique: você conhece alguma crença popular de sua região que seja
justificada pelo ponto de vista científico?

Faça uma pesquisa com os mais antigos e verifique o que eles sabem sobre as
estações chuvosas e secas no Nordeste. Anote os resultados e compare-os.

Referências
COLIN, Ronan. História ilustrada da ciência. São Paulo: Ed. Círculo do Livro, 1983. v.1.

GALDINO, Luiz. Peabiru: os Incas no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Estrada Real Ltda, 2002.

ROSA, Guimarães. Grande sertão: veredas. 19.ed. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 2001.

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CIÊNCIAS DA NATUREZA E REALIDADE – INTERDISCIPLINAR

EMENTA

A Ciência e seus métodos, levantamento da realidade local, o Universo, o Sistema Solar e a Terra, a atmosfera
e o clima, a biosfera, a hidrografia, a flora e a fauna, a interferência humana no meio ambiente, uma primeira
identificação de problemas ambientais.

AUTORES

> Franklin Nelson da Cruz

> Gilvan Luiz Borba

> Luiz Roberto Diz de Abreu

AULAS

01 Situando a Ciência no Espaço e no Tempo

02 A Terra – litosfera e hidrosfera

03 A Terra – atmosfera

04 Bioma Caatinga – recursos minerais

05 Bioma Caatinga – recursos hídricos

06 Bioma Caatinga – recursos florestais e fauna

07 Interação Sol – Terra: fluxos de Energia

08 Clima e tempo

09 O Homem – origens

10 A Hipótese Gaia

11 Poluição

12 Ciência e ética

13 Ciência, Tecnologia e Sociedade

14 Universo: uma breve apresentação

15 O Nordeste, o Homem e a Seca: natureza de uma realidade

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