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SINOPSE DO PROJECTO

O projecto está inserido entre duas teses de doutoramento: uma que foi defendida em
2009; e outra que foi “rejeitada” à defesa em 2018, tendo sido orientada pelo doutorado de
2009: Carlos Vidal. Portanto, de um lado está Carlos Vidal – o orientador – e do outro,
estando eu – o recusado, mas talvez não tão desorientado doutorando – a fazer uma
segunda tese que toma a primeira como sua precessão e método.

O objecto actual de investigação é um conceito: o de INVISUALIDADE; o qual, para ser


“observado”, torna necessário o estudo de outros conceitos que advém de alguns autores,
sendo os mais importantes: Arthur Schopenhauer e Alain Badiou directamente; e Jacques
Lacan indirectamente.

Carlos Vidal estrutura e fundamenta o conceito INVISUALIDADE através de um binómio –


arte-verdade – formado a partir da ideia de vontade, a qual tem origem em Schopenhaeur,
com “O mundo como vontade e representação”, e com a qual justifica a arte e seu fazer
como representação; e por outro lado, o acontecimento, o qual tem origem no
pensamento de Badiou, a partir de “O ser e o evento” e a partir de “Tratado de Inestética”,
com o qual Vidal define a forma da verdade estabelecida como vontade, e esta como
acontecimento.

Dada a forma da investigação de Carlos Vidal, e da malograda investigação de 2018,


decidiram os dois, doutorado-orientador e o seu ainda-doutorando, desenvolver um novo
projecto, o qual procura “observar” as “estruturas axiológicas” contidas na argumentação
do orientador, porém, através do método desenvolvido pelo orientado em 2018 e já
concluído.

Pois a ideia INVISUALIDADE trás a boleia a INTERPRETABILIDADE inerente, a qual é da


ordem do interpretável, mas não como o que é interpretação, visto que Carlos Vidal afirma
que a interpretação da obra não alcança a essência do visual, afastando-se mesmo desta.
Pelo que Vidal faz uma distinção entre o que é visível (óptico) e o que é visual (ou invisual
e na forma do “quadro” pintado), afirmando que a INTERPRETABILIDADE da obra não é
nem visível nem invisível, mas um acontecimento que enquanto e como verdade, realiza-
se como obra-de-arte.

Assim, do conceito INVISUALIDADE, materializado por Vidal por volta de 1995, a partir da
ideia de “escuro impenetrável”, retirado de um poema de José Lezama Lima; com o qual
Vidal trata a verdade material e visível da obra como impenetrável ao visível, mas possível
a penetração do corpo que, portanto, não sendo invisível, atravessa uma visualidade que
não é visual e a qual Vidal define como INTERPRETABILIDADE...

...chegamos na actual fase do projecto, na qual Carlos Vidal e eu, estamos tentando
perceber como a arte (que não é visual) atravessa a visualidade (que não é nem visível
nem invisível), para se tornar ser e verdade como INTERPRETABILIDADE que, ao que
tudo indica, é possível como comunicação visual. Ou seja, estamos a procura de uma
“pedagogia” para as artes visuais que aconteça através de uma comunicação visual que
não atravesse uma interpretação do visual.
Aparentemente, isso é o que eu defino como TOPOLOGIA LINGUÍSTICA tornando
possível o projecto proposto.

REVISÂO LITERÁRIA E BIBLIOGRÁFICA

“Invisualidade da Pintura” de Carlos Vidal é o livro mais importante do projecto, seguido


por Schopenhauer e Badiou directamente, e Lacan indirectamente, mas todos em
simultaneidade e inerência devido aos conceitos de vontade, verdade, acontecimento e
sujeito.

Portanto, revisar obras específicas como “ O Mundo como vontade e representação” de


Schopenhauer, a partir do qual é possível compreender o binómio [VONTADE |
REPRESENTAÇÃO]); e também “O ser e o evento” de Badiou, com o qual é possível
perceber o binómio [SUJEITO | ACONTECIMENTO], e também o binómio [ARTE |
VERDADE], a partir de “Tratado de Inestética”.

Todos conceitos e “estruturas axiológicas” utilizadas por Carlos Vidal para “amarrar” e
afirma-se sobre “simultaneidades”, para sobrepondo-lhas, umas às outras, definir tanto
INVISUALIDADE, quanto INTERPRETALIDADE como “simultaneidade” e inerência.

A TOPOLOGIA LINGUÍSTICA está desenvolvida em “Levantando o véu: a ergohgenia e a


realidade”, que é de minha autoria (a tese não defendida), e avança sobre a ideia de
representação sem definir o que é, mas propondo-lha como uma forma escrita: (uma)-
representação.

A qual define um acontecimento cujo SUJEITO-está-oculto pela forma SIGNIFICANTE


que o adjaz. O que, por consequência, obriga a tratar de toda ordem de problemas
relativos à linguagem, entretanto, eu avancei por um caminho muito amplo, tornando-o
ainda mais vasto, mas ao mesmo tempo, procurando “afunilar” através da ideia de
ONTOGENIA e Acoplamento Estrutural (Maturana e Varela em “A árvore do
conhecimento”), mas para aboradar, e procurar “observar”, a noção e ideia de
ONTOFENOMENOLOGIA, vista e definida através do pensamento de Hegel (“Ciência da
Lógica”), Husserl (“Investigações Lógicas”), Meinong (“Sobre a teoria do objecto”), Sartre
(“O Ser e o Nada”), entre outros; e passando por questões de lógica matemática (Russel),
filosofia da linguagem (Frege), questões de neurofisiologia e, também por psicanálise,
mais especificamente Lacan e a Topologia lacaniana.

MINHA PERSPECTIVA PESSOAL SOBRE O SISTEMA DAS ARTES

Particularmente, percebo o “sistema das artes na contemporaneidade” com alguma


(des)confiança, classificando-o mesmo como (uma)-perversidade-falaciosa, mas este
qualificador não é negativo, ou representa a visão de um problema, mas antes, procura
definir a forma (im)plícita como a psicanálise edifica-se através dos sistemas vivos
humanos para fazer arte que atravessa a interpretação.

E digo isto porquê [na arte-contemporânea o-“fazer”-é-conhecimento], e o


[conhecimento-na-arte tudo-permite], ora, então: como se instalam “estruturas de valor”
através dos discursos-críticos que valorizam {(uma)-“coisa” [em-detrimento-de]
OUTRA-“coisa”} somente-e-através de [UM-(um)-valor e para-ELE]?

Assim, já se torna possível verificar, e desta forma, que eu já não tenho


preferências relativamente aos autores (apesar de as já ter tido).

O que procuro?

Como artista e investigador polimata, pelo específico que “há” em cada (uma) das
“cisas”-aparentes como verdade (mas cuja “verdade”-“em-si” não-“há”). Pois a obra-de-
arte é-o-que-dela-se-faz-como-“obra” para o SER de (uma)-obra, e por isso, já não
considero (um)-artista como mais-significativo-do-que-OUTRO (mas já os considerei desta
forma).

Sempre “observei” [caso-a-caso e individualmente], priorizando o “olhar” para poder


(Lacan) ver o que “há” como ”coisa” (Heidegger) e aparência (Husserl & Meinong), e
também o que [afasta ou aproxima] de-OUTRA-coisa, enquanto (uma)-“coisa”-aparente
(conceito importante da TOPOLOGIA LINGUÍSTICA). Ou seja, se já o fiz assim (como o
que se tem como preferências) já não o faço mais, pois a forma do “olhar” muda, e não o
digo com o tempo, mas antes, como-um-instante.

Por isso tenho medo das posturas didácticas e pedagógicas existentes, visto que é
a metodologia o que atravessa a(s) linguagen(s), fazendo com que as artes utilizem-se
como autoridade-e-coerção-[sobre as quais se pousam e alicerçam estruturas-de-valor].

(uma)-“coisa”-aparência sobre a qual a arte não precisa estar. Mesmo que procure
(des)crever [e | ou] conceituar para não-ver. Pois isto, é o que me parece “mais” com
querer-esconder, acontecendo como (um)-porquê para o porquê da arte ser o que é. E
digo isto porquê a arte talvez tenha começado assim: escondendo o seu primeiro
significante atrás de um outro significante na duração do fazer de pinturas parietais.

Por isso, impressiona-me o conceito desenvolvido por Carlos Vidal.

Pois, [...] INVISUALIDADE-como-“fazer”-[é], e como (uma)-“coisa”-aparência


instala-se, porquê sobre (uma)-VERDADE enquanto real(ização), “há” (um)-SER-
simultaneidade. Ora, então para ver, precisamos somente do “olhar” para o SER-que-já-
está-e-é-visível [...], mas não-lho-quer(e)mos-ver porquê o simultâneo é perversão e
engano, e asim a real(ização)-domínio [é] – SOMENTE – valor e discussão.

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