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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ª VARA CÍVEL

DA COMARCA DE MACEIÓ, ESTADO DE ALAGOAS.

ELTON DA FONSECA SILVA, brasileiro, solteiro, servidor público, sem endereço


eletrônico, residente e domiciliado na Rua Dom Santino Coutinho, 359, Cidade de
Junqueiro, Estado de Alagoas, CEP: 57270-000, portador(a) do RG nº 1759164 SSP/AL e
CPF sob o nº. 035.429.974-39, por seus advogados ADILSON FALCÃO DE FARIAS,
brasileiro, casado, inscrito na OAB/AL sob n.º 1.445-A e ALLYSON SOUSA DE FARIAS,
brasileiro, casado, inscrito na OAB/AL sob n.º 8.763, ambos com endereço profissional
descrito no rodapé da presente, local onde deverá receber as intimações, constituídos
através de instrumento procuratório, vem, à presença de V. Exa., propor:

AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS

em face de BANCO DO BRASIL S.A., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no


CNPJ sob o n° 00.000.000/0001-91, situada na Av. Álvaro Otacílio, 2963, Ponta Verde,
Maceió, Alagoas - CEP: 57035-180, sem endereço eletrônico, com fundamento nas razões
de fato e de direito a seguir:
DA SINTESE FÁTICA

O Autor tenta negociar o uso dos serviços da Ré, desde a finalização de


uma ação revisional de contrato até a presente data. Ocorre que, apesar da referida
demanda ter sido concluída, todos os produtos estão bloqueados, inclusive o do seu
cartão de crédito, final 7466, o qual só está sendo possível utilizar na modalidade débito.

Sem entender o posicionamento da Ré, o Autor se dirigiu à agência e


tentou argumentar sobre a absurda situação, aduzindo que não se encontra com o nome
negativado,
- o que poderia supostamente impedir as contratações -, o qual faz prova, trazendo a
consulta extraída do SPC/SERASA, bem como indagando que a propositura da ação
mencionada não é medida ilegal nem obsta o seu crédito para qualquer outra aquisição.
Apesar de não concordar e saber que, de toda sorte, não conseguiria mais
adquirir os serviços do Réu, pois vem tentando há muitos meses sem êxito, e não há
qualquer justificativa cabível nem muito menos aceitável que leve à recusa da Instituição
Financeira, resolveu ajuizar a presente demanda para ter o seu direito resguardado.
Isto porque, Excelência, presumindo que a negativa da contratação tenha
sido a existência de ação revisional de contrato já finalizada, este não seria motivo
suficiente nem contrário a qualquer legislação (o que não justifica a rejeição do negócio),
quando o Autor sequer possui o nome negativado e já quitara o objeto da ação
mencionada.
Tal fato, Nobre Julgador, gera para o Autor uma indignação imensurável,
pois tem os serviços do Demandado negados por um fato não explicado e que, se ainda
ter ação revisional o fosse, não causaria qualquer dano ao Demandado. Assim, o
consumidor vem sendo lesado, ficando sem uma justificativa cabível e sem fazer uso dos
serviços que necessita.
Portanto, são essas as razões fáticas que ensejam a propositura da
presente demanda, consubstanciadas com os fundamentos jurídicos adiante ilustrados,
os quais têm o condão de salvaguardar a esfera patrimonial e moral do Autor.
PRELIMINARMENTE

DA TUTELA PROVISÓRIA DE URGENCIA: DO RESTABELECIMENTO DOS


PRODUTOS FORNECIDOS PELO DEMANDADO

Conforme narrado em linhas pretéritas, o Autor teve todos os serviços


fornecidos pelo Demandado suspensos, pois, em determinada data, teve o seu nome
negativado.
No entanto, apesar de não ter mais qualquer inscrição em seu nome nos
órgãos de proteção ao crédito e solicitado, por diversas vezes, ao Demandado o retorno
dos serviços de cartão de crédito, cheque, cheque especial e ainda a margem para
financiamento, o mesmo vem se abstendo de contratar com o Autor, não esclarecendo
o motivo da recusa.

Por certo que ninguém é obrigado a contratar contra sua vontade,


contudo, em se tratando de empresa que disponibiliza no mercado determinada
prestação de serviço, ao recusar a contratação com algum consumidor interessado, deve
lhe informar os reais motivos da rejeita.
Nesse compasso, cumpre transcrever a redação do artigo 300, da Lei
13.105/2015 (Novo CPC), que dispõe acerca da tutela de urgência, a saber:

Art. 300. A tutela de urgência será


concedida quando houver elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o
perigo de dano ou o risco ao resultado
útil do processo.

Percebe-se que o legislador, ao criar a tutela de urgência, estabeleceu a


necessidade do preenchimento dos seguintes requisitos para a sua concessão: a)
probabilidade do direito e b) perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo.
No tocante aos elementos que evidenciam a probabilidade do direito
pleiteado, tem-se que o Autor não possui qualquer impasse que legitime tal negativa.
Saliente-se que não se pode exigir do Autor a produção de provas em seu favor, apesar de
que, ainda assim, o mesmo acosta aos autos o único cartão que possui atualmente com a
Ré, o qual só pode ser utilizado na modalidade de débito, pelos motivos expostos.
Quanto ao requisito do “perigo de dano ou o risco ao resultado útil do
processo”, este também se encontra devidamente preenchido nos autos, uma vez que o
Autor é impedido de transacionar, sem qualquer motivo, com a Demandada. Isto porque
o cartão de crédito e todos os outros produtos faziam parte do orçamento mensal do
Demandante e, hoje, por razões desconhecidas, continuam bloqueados.
Ademais, prejuízo nenhum terá a Instituição Financeira, muito menos o
processo, com a retomada dos produtos, muito pelo contrário, a mesma só tem a faturar.
Por todo o exposto, restam comprovados os requisitos que ensejam a
concessão da tutela provisória de urgência, razão pela qual requer o restabelecimento
dos serviços de cartão de crédito final 7466, cheque, cheque especial e ainda a
margem para financiamento, sendo esta medida a mais apropriada para que o
Demandante possa continuar com acesso ao que lhe é direito, sem qualquer ressalva.

DA COMPETENCIA – FORO DE DOMICILIO DO RÉU

O Autor elege como foro para processar e julgar a presente contenda


jurídica aquele do domicílio do Réu, sendo este o local do cumprimento da obrigação e,
ainda, por observar o art. 46 do Código de Processo Civil:

Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre


bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu.

A jurisprudência é a favor deste entendimento:

PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO MONITÓRIA.


RELAÇÃO DE CONSUMO. COMPETÊNCIA RELATIVA. DECLINAÇÃO
DE OFÍCIO. DOMICÍLIO DO RÉU ADERENTE. RENÚNCIA DA
PRERROGATIVA LEGAL. COMPETÊNCIA TERRITORIAL RELATIVA.

REGRA GERAL. O art. 100, I, autoriza o consumidor a propor ação no


foro do seu domicílio, a fim de facilitar a sua defesa. A jurisprudência
admite, ainda, que ele abra mão dessa faculdade e opte por um
dos demais foros previstos legalmente, como, por exemplo, o do
domicílio do réu. Se o próprio aderente optou por renunciar à
prerrogativa legal que lhe permitia demandar no foro do seu
próprio domicílio, a presunção que se extrai é a de que a escolha
teve por escopo facilitar o exercício da defesa do direito. Prevalece
a regra geral de que a incompetência em razão do território não pode ser
reconhecida de ofício, dependendo da provocação da parte interessada
em época oportuna, sob pena de prorrogação, conforme dicção do art. 114
do CPC. Recurso conhecido e provido.

(TJ-DF, 20150020323438, 6ª Turma Cível, Relatora: Ana Maria Duarte


Amarante Brito, 17/03/2016)

Assim, resta imperioso o requerimento do Autor para que seja declarada a


competência deste Juízo para processar e julgar o referido litígio.

DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA

O art. 4º da Lei nº 1.060 de 05 de fevereiro de 1950 (o qual foi alterado


pela Lei nº 7.510/86) e o art. 1º da Lei nº 7.115, de 29 de agosto de 1983, prescrevem,
respectivamente, que basta tão somente declarar nos autos a pretensão de se obter
assistência judiciária gratuita para se presumir veracidade, in verbis:

Art. 4º. A parte gozará dos benefícios da assistência judiciária, mediante


simples afirmação, na própria petição inicial, de que não está em
condições de pagar as custas do processo e os honorários de advogado,
sem prejuízo próprio ou de sua família. (Redação dada pela Lei nº 7.510,
de 1986)

Art. 1º. A declaração destinada a fazer prova de vida, residência, pobreza,


dependência econômica, homonímia ou bons antecedentes, quando
firmada pelo próprio interesse ou por procurador bastante, e sob as
penas da Lei, presume-se verdadeira.

Neste sentido, caminha pacificamente a jurisprudência do e. STJ


e do c. TJAL:
DIREITO ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUSTIÇA GRATUITA.
DECLARAÇÃO DE POBREZA. PRESUNÇÃO LEGAL QUE FAVORECE
AO REQUERENTE. LEI 1.060/50. AGRAVO NÃO PROVIDO.

1. "O pedido de assistência judiciária gratuita


previsto no art. 4º da Lei 1.060/50, quanto à declaração de pobreza, pode
ser feito mediante simples afirmação, na própria petição inicial ou no
curso do processo, não dependendo a sua concessão de declaração
firmada de próprio punho pelo hipossuficiente" (REsp 901.685/DF, Rel.
Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJe 6/8/08).
2. Hipótese em que a sentença afirma que
"existe requerimento da Autora na peça vestibular, às fls. 5 dos autos
principais, pleiteando o benefício da Justiça Gratuita, por ser
hipossuficiente" (fl. 19e).
3. É firme a jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça no sentido de que, para fins de concessão do
benefício da justiça gratuita em favor das pessoas naturais, basta "a
simples afirmação de se tratar de pessoa necessitada , porque
presumida, juris tantum, a condição de pobreza, nos termos do artigo 4º
da Lei nº 1.060/50" (EREsp 1.055.037/MG, Rel. Min. HAMILTON
CARVALHIDO, Corte Especial, DJe 14/9/09).
4. Agravo regimental não provido.
(STJ, AgRg no REsp 1208487/AM, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, 1ª
Turma, DJe 14.11.2011)

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA


GRATUITA. PESSOA NATURAL. DECLARAÇÃO DE MISERABILIDADE.
PRESUNÇÃO JURIS TANTUM OPERANDO EM FAVOR DO
REQUERENTE DO BENEFÍCIO. RECURSO PROVIDO.

1. O art. 4º, § 1º, da Lei 1.060/50 traz a


presunção juris tantum de que a pessoa natural que pleiteia o benefício
de assistência judiciária gratuita não possui condições de arcar com as
despesas do processo sem comprometer seu próprio sustento ou de sua
família. Por isso, a princípio, basta o simples requerimento, sem qualquer
comprovação prévia, para que lhe seja concedida a assistência judiciária
gratuita. Embora seja tal presunção relativa, somente pode ser afastada
quando a parte contrária demonstrar a inexistência do estado de
miserabilidade ou o magistrado encontrar elementos que infirmem a
hipossuficiência do requerente.
2. Na hipótese, as instâncias ordinárias,
ignorando a boa lógica jurídica e contrariando a norma do art. 4º, § 1º, da
Lei 1.060/50, inverteram a presunção legal e, sem fundadas razões ou
elementos concretos de convicção, exigiram a cabal comprovação de fato
negativo, ou seja, de não ter o requerente condições de arcar com as
despesas do processo.
3. Recurso especial provido, para se conceder à
recorrente o benefício da assistência judiciária gratuita.
(STJ, REsp 1178595/RS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA

TURMA, julgado em 19/10/2010, DJe 04/11/2010)

Ora, como já afirmado, decorre da letra expressa do parágrafo 1º, do artigo


4º, da Lei 1.060/50, que se presumem pobres, até prova em contrário, quem afirmar essa
condição nos termos desta lei. Portanto, é que se requer.
DO MERITO

1. DA OBRIGAÇÃO DE FAZER

Conforme narrado em linhas pretéritas, o Autor vem tendo crédito negado


perante o Demandado sem qualquer justificativa plausível.
No entanto, apesar de já ter, por diversas vezes, realizado a tentativa de aprovação de
crédito, nada lhe é fornecido sob nenhum argumento cabível.
No entanto, é de se ressaltar que tal prática pela Instituição Financeira não
evidencia qualquer direito, posto que o Autor sequer encontra-se com o seu nome
negativado e sempre foi cliente do Banco, até ajuizar uma ação revisional de contrato,
atualmente já concluída.
Saliente-se que o reestabelecimento dos cartões de crédito do Autor é um direito
seu, mesmo porque, se a negativa se deu por conta do ajuizamento de ação revisional,
sabe-se que se trata de direito constitucionalmente assegurado, qual seja aquele de
demandar em juízo, na forma do artigo 5º, XXXV da Lei Maior:

XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou


ameaça a direito;

Neste ínterim, ressalta o Relator Sylvio José Costa da Silva Tavares do Tribunal de
Justiça do Rio Grande do Sul:

“Da mesma forma, nenhuma lista negativa pode ser criada, fomentada,
administrada, alimentada ou consultada se o seu conteúdo for a
restrição de crédito a quem ingressou com ação judicial contra empresa
integrante do sistema financeiro.”

Em contrapartida, há muitos meses, o Autor tenta negociar com o Réu e não tem
êxito, o que pode ser facilmente comprovado pela relação de consumo que há entre eles,
momento em que traz aos autos cópia de seu cartão final 7466, mas, em virtude dos fatos
aqui expostos, só consegue utilizá-lo na modalidade de débito.
Ademais, a obrigação existe, uma vez que não se tem causa para que a prestação
do serviço continue bloqueada, posto que a) o nome do Autor não se encontra
negativado e b) nenhuma razão justifica a rejeição de contratação.
Corroborando com o tema, a brilhante jurisprudência do Egrégio Tribunal de Justiça do
Rio Grande do Sul assim dispõe:

APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE


INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. NEGATIVA DE CONCESSÃO DE
FINANCIAMENTO BANCÁRIO EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE
AÇÃO JUDICIAL CONTRA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.
DESCABIMENTO. DEVER DE INDENIZAR

CONFIGURADO. QUANTUM MANTIDO. Trata-se de recurso de


apelação interposto contra sentença de procedência exarada na ação de
indenização por dano moral decorrente da não concessão de crédito em
razão do ajuizamento de ação judicial contra instituição bancária. A
prática de elaboração e consulta de "lista" com nomes de consumidores
que buscaram tutela judicial em face de abusividades que entendiam
presentes em contratos bancários são atos flagrantemente ilegais e
abusivos. As instituições financeiras negam sua existência, pois cientes
da impossibilidade de registro de tais fatos, que atenta, inclusive, contra
o direito constitucionalmente assegurado de acesso ao Judiciário, na
forma do artigo 5º, XXXV, da CF. Nenhuma lista negativa pode ser
criada, fomentada ou consultada se o seu conteúdo for a restrição
de crédito a quem ingressou com ação judicial contra empresa
integrante do sistema financeiro, por seu caráter limitador de
direitos e discriminatório. In casu, logrou a parte autora produzir
prova dos fatos constitutivos do seu direito, demonstrando
suficientemente os fatos narrados na exordial. As testemunhas ouvidas
no feito apontaram que a lista existe e a demandante teve o crédito
negado por conta de sua inclusão. Em razão... disso, responde o segundo
requerido por ter alimentado o sistema com a informação, que no caso
concreto ainda encontrava-se equivocada, já que não ajuizou a parte
autora ação revisional, mas demanda declaratória de inexistência de
débito. Por sua vez, a responsabilidade do segundo requerido decorre do
fato de ter acessado o cadastro e negado crédito à parte demandante.
Outrossim, não há que se falar em descabimento de aplicação de pena de
multa para fins de dar efetividade ao provimento cominatório dirigido à
exclusão do cadastro, que encontra previsão legal no art. 461 do CPC.
Sentença de procedência mantida. APELAÇÕES DESPROVIDAS.
(Apelação Cível Nº 70050395730, Sexta Câmara Cível, Tribunal de Justiça
do RS, Relator: Sylvio José Costa da Silva Tavares, Julgado em 01/10/2015).

(TJ-RS - AC: 70050395730 RS, Relator: Sylvio José Costa da Silva Tavares,
Data de Julgamento: 01/10/2015, Sexta Câmara Cível, Data de Publicação:
Diário da Justiça do dia 05/10/2015).
Por todo o exposto, restam comprovados os requisitos que ensejam o
direito do Autor de ter restabelecido todo o crédito com a Ré, inclusive quanto ao cartão
final 7466, o qual era utilizado também como cartão de crédito e cheque especial, além
da margem para financiamento e cheque. Neste sentido, é o que se requer.

2. DA CONFIGURAÇÃO DOS REQUISITOS ENSEJADORES DA


RESPONSABILIDADE CIVIL – DO DANO MORAL

Resta claro que as instituições financeiras e estabelecimentos comerciais


não são obrigados a conceder crédito ou venda, desde que a negativa se dê de forma
justificada, bem como com o preenchimento de requisitos mínimos de aprovação de
limite a qual a empresa se submeta, não sendo suficiente uma mera explicação sem
fundamento, posto que, entre os direitos do consumidor, está o direito à informação:

"Art. 6º São direitos básicos do consumidor: (...)

III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e


serviços, com especificação correta de quantidade, características,
composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os
riscos que apresente;"

Neste mesmo sentido e tendo em vista o princípio da boa-fé objetiva, não


se pode tolerar o “venire contra factum proprium”, ou seja, a conduta contraditória da
empresa que induz o cliente a acreditar que pode fazer uso dos serviços, vindo -
posteriormente - a negar o crédito desejado, sob NENHUM argumento cabível.
De mais a mais, imperioso vislumbrar situação semelhante com o caso em
análise, em que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul se posicionou no mesmo
sentido, condenando a parte ré ao pagamento de indenização por danos morais, senão,
veja-se:
RECURSOS INOMINADOS. AÇÃO INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS. NEGATIVA DE CONTRATAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO.
AUSÊNCIA DE EXPOSIÇÃO DO MOTIVO. DESCASO E DESRESPEITO
COM O CONSUMIDOR. DANO MORAL CONFIGURADO. SENTENÇA
MANTIDA. 1. A ré negou a

contratação de cartão de crédito à autora, no entanto, não


esclareceu o motivo da recusa, nem mesmo em Juízo. Por certo
que ninguém é obrigado a contratar contra sua vontade, no
entanto, em se tratando de empresa que disponibiliza no mercado
determinada prestação de serviço, ao recusar a contratação com
algum consumidor interessado, deve lhe informar os reais
motivos da recusa. 2. A ausência de justificativa para a negativa de
contratação configura evidente falta de respeito e consideração com o
consumidor, e causa dano moral que deve ser indenizado. 3. O valor
arbitrado na sentença a título de indenização por dano moral (R$
3.000,00) deve ser mantido, posto que fixado segundo o prudente arbítrio
do Juiz, que observou as circunstâncias do caso em concreto, em
especial, os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. RECURSOS
CONHECIDOS E DESPROVIDOS. , esta Turma Recursal resolve, por
unanimidade de votos, CONHECER E NEGAR PROVIMENTO aos
recursos, nos exatos termos do vot (TJPR - 2ª Turma Recursal -
0005105-26.2013.8.16.0019/0 - Ponta Grossa - Rel.: GIANI MARIA
MORESCHI - - J. 13.11.2014)

(TJ-PR - RI: 000510526201381600190 PR 0005105- 26.2013.8.16.0019/0


(Acórdão), Relator: GIANI MARIA MORESCHI,

Data de Julgamento: 13/11/2014, 2ª Turma Recursal, Data de Publicação:


17/11/2014)

O dano moral é aquele que vai além da lesão patrimonial e caracteriza-se


quando o ato lesivo afeta a personalidade do indivíduo, o seu bem estar espiritual, a sua
integridade física e psíquica, causando-lhe dor, espanto, angústia, enfim, sentimentos e
sensações negativas. Nas palavras do Desembargador Ruy Trindade, o dano moral "é a
sensação de abalo a parte mais sensível do indivíduo, o seu espírito" (RT 613/184). Trata-
se, portanto, de matéria de extrema importância que está consagrada na nossa Carta
Magna, no artigo 5º, inciso X, do título II, que trata dos Direitos e Garantias
Fundamentais, vejamos:
“Art. 5º. Omissis
[...]
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das
pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou
moral decorrente de sua violação;”
(grifos nossos)
Além da previsão constitucional que garante ao Requerente o direito à
indenização pelo dano moral sofrido, este direito também se encontra abraçado pelo
Código Civil em seu art. 186, combinado com o art. 927, in verbis:

“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito.”

“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a

outrem, fica obrigado a repará-lo”.

Neste sentido, o Código de Defesa do Consumidor dispõe, mais uma vez,


os supracitados textos normativos e, norteado pelos princípios da vulnerabilidade e da
boa-fé objetiva, acrescenta que o fornecedor de serviços responde independente de culpa
em caso de danos causados aos consumidores, leia-se:

“Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

[...]

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos


patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;”

“Art. 14. O fornecedor de serviços responde,


independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por
defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como
por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua
fruição e riscos.”

(grifos nossos)

No caso dos autos, o dano moral é perfeitamente identificado, uma vez


que a) o Autor teve todo o serviço com a Ré suspendido, pois estava discutindo em juízo
os juros de um contrato e viera a ser negativado; b) todavia, tal situação mudou pois o
mesmo finalizou a ação e teve o seu nome “limpo na praça”, sendo surpreendido com a
informação passada pela instituição financeira de que os serviços não poderiam voltar a
ser fornecidos sem que lhe fosse dada qualquer satisfação plausível de tal negativa.
Não há dúvida, Excelência, de que o Autor experimentou e experimenta
até hoje situação constrangedora, tendo sua moral abalada, face à indevida contestação
de seu crédito, pelo fato de ter – presumidamente – o Requerente ajuizado, em outro
momento e sobre outro produto, uma ação que, inclusive, já transitou em julgado, sendo,
portanto, uma justificativa infundada para que a recusa em contratar seja dada.
Neste sentido, há decisão de Tribunal Pátrio, reconhecendo a existência
de dano moral quando a parte sofre exposição e constrangimento desnecessários,
consoante este exemplo, a saber:

DIREITO DO CONSUMIDOR. DEVER DE INFORMAÇÃO.


NEGATIVA DE CRÉDITO SEM ESCLARECER A JUSTIFICATIVA. DANO
MORAL CONFIGURADO. I. EMBORA SEJA DIREITO DO
FORNECEDOR CONCEDER CRÉDITO APENAS A QUEM ATENDA
AOS CRITÉRIOS ESTABELECIDOS POR ELE, É DIREITO DO
CONSUMIDOR SER INFORMADO SOBRE TODAS AS
CARACTERÍSTICAS DO SERVIÇO, INCLUSIVE QUAL REQUISITO
NÃO FOI POR ELE PREENCHIDO, SOB PENA DE FERIR-SE O
DISPOSTO NOS ARTIGOS 30 E 42, CAPUT, DO CÓDIGO DE
DEFESA DO CONSUMIDOR. II. CORRETA A R. SENTENÇA QUE
RECONHECE A ILEGALIDADE DA CONDUTA DAS FORNECEDORAS
E AS CONDENA NA OBRIGAÇÃO DE INFORMAR À CONSUMIDORA
A RAZÃO DA NEGATIVA DE FORNECIMENTO DE CRÉDITO. III. NA
ESPÉCIE, O DANO MORAL DECORRE DA FRUSTRAÇÃO
INJUSTIFICADA SOFRIDA PELA CONSUMIDORA, IMPEDIDA DE
ADQUIRIR BENS DA VIDA DA MANEIRA QUE MELHOR LHE
APROUVER SEM SEQUER TER ACESSO À RAZÃO DA CONDUTA DAS
RECORRENTES. O DESCASO PARA COM A CONDIÇÃO VULNERÁVEL
DA CONSUMIDORA JUSTIFICA A ALUDIDA CONDENAÇÃO, POIS AS
RECORRENTES VALERAM-SE DE SEU PODER ECONÔMICO PARA
SUBMETER A RECORRIDA ÀS CONSEQÜÊNCIAS DA NEGATIVA DE
FORNECIMENTO DE SERVIÇO SEM SEQUER TEREM O CUIDADO
DE INFORMAR O MOTIVO. IV. SENTENÇA MANTIDA.

(TJ-DF - ACJ: 20060610043597 DF, Relator: HECTOR VALVERDE

SANTANA, Data de Julgamento: 07/08/2007, Primeira Turma Recursal


dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do D.F., Data de Publicação:
DJU 04/09/2007 Pág.: 152)

Desta forma, estando cabalmente comprovada a existência de dano moral


sofrido pelo Autor, necessária se faz a condenação da Ré ao pagamento de indenização,
no valor pretendido equivalente a R$10.000,00 (dez mil reais), a ser ponderado por este
Douto Juiz, nos termos do tópico seguinte.

3. DO QUANTUM INDENIZATÓRIO

Faz-se necessária a análise do valor da condenação para fins de indenização


pelos danos morais sofridos pela parte autora, visto que a lei não estabelece ou fixa um
parâmetro previamente definido para essas condenações. Justo por isso, as balizas têm
sido traçadas e desenhadas, caso a caso, por nossas Cortes de Justiça, em especial, pelo
Superior Tribunal de Justiça, órgão responsável pela missão de uniformizar a aplicação do
direito infraconstitucional.
Nesse aspecto, o STJ recomenda que as indenizações sejam arbitradas
segundo padrões de proporcionalidade, conceito no qual se insere a ideia de adequação
entre meio e fim da medida e razoabilidade (justeza). Objetiva-se, assim, preconizando o
caráter educativo e reparatório, evitar que a apuração do quantum indenizatório se
converta em medida abusiva e exagerada.
Conforme atual doutrina sobre o tema, Carlos Alberto Bittar (Reparação
Civil por Danos Morais, Editora Revista dos Tribunais, 1993, p. 220), acentua:

A indenização por danos morais deve traduzir-se em montante que


represente advertência ao lesante e à sociedade de que não se aceita o
comportamento assumido, ou o evento lesivo advindo. Consubstancia-se,
portanto, em importância compatível com o vulto dos interesses em
conflito, refletindo-se, de modo expresso, no patrimônio do lesante, a fim
de que sinta, efetivamente, a resposta da ordem jurídica aos efeitos do
resultado lesivo produzido. Deve, pois, ser quantia economicamente
significativa, em razão das potencialidades do patrimônio do lesante.

Não divergindo, Regina Beatriz Tavares da Silva (Novo Código Civil


Comentado, São Paulo, Saraiva, 2002, p. 841 e 842) afirma:

Os dois critérios que devem ser utilizados para a fixação do dano moral
são a compensação ao lesado e o desestímulo ao lesante. Inserem-se
nesse contexto fatores subjetivos e objetivos, relacionados às pessoas
envolvidas, como análise do grau da culpa do lesante, de eventual
participação do lesado no evento danoso, da situação econômica das
partes e da proporcionalidade ao proveito obtido como ilícito.
Em suma, a reparação do dano moral deve ter em vista possibilitar ao
lesado uma satisfação compensatória e, de outro lado, exercer função de desestímulo a
novas práticas lesivas, de modo a "inibir comportamentos antissociais do lesante, ou de
qualquer outro membro da sociedade", traduzindo-se em um montante que represente
advertência ao lesante e à sociedade de que não se aceita o comportamento assumido, ou
o evento lesivo.

Ora, o egrégio Superior Tribunal de Justiça tem entendido em


conformidade com os termos explanados Douta Min. Eliana Calmon, abaixo transcrito:

O valor do dano moral tem sido enfrentado no STJ com o escopo de


atender a sua dupla função: reparar o dano buscando minimizar a dor
da vítima e punir o ofensor, para que não volte a reincidir. Fixação de
valor que não observa regra fixa, oscilando de acordo com os contornos
fáticos e circunstanciais. (REsp 604801/RS, Min. Eliana Calmo, 2ª Turma
23.03.2004, DJ 07.03.2005 p. 214).

(grifos nossos)

Para evitar que as ações de reparação de dano moral se transformem em


expedientes de extorsão ou de espertezas maliciosas e injustificáveis, impõe-se a
observância de padrões de prudência e equidade, sendo que, obrigatoriamente, o
magistrado ao analisar o caso concreto deverá levar em consideração: a) a posição social
e política do ofensor e do ofendido, b) a intensidade do ânimo de ofender e, c) a
gravidade e a repercussão da ofensa. Por outro lado, NÃO deve o magistrado se limitar
em fundamentar a condenação isoladamente na fortuna eventual de um ou pobreza do
outro.
Diante de todo exposto, o Autor requer a condenação do Demandado em
justo valor a título dos danos morais sofridos, de modo a compensar tal sofrimento, bem
como punir o Demandado que, por inúmeras vezes, realiza este procedimento com seus
consumidores.

DOS PEDIDOS

Diante de todos os fatos e fundamentos anteriormente dispostos, requer:


EM SEDE DE TUTELA DE URGÊNCIA, com os requisitos do art. 300 do CPC
devidamente preenchidos, o restabelecimento dos serviços de cartão de crédito final
7466, cheque, cheque especial e ainda a margem para financiamento, sendo esta medida
a mais apropriada para que o Demandante possa voltar a ter acesso ao que lhe é direito,
sem qualquer ressalva;
a) PRELIMINARMENTE, que seja declarada a competência deste Juízo para processar e
julgar o referido litígio;
b) LIMINARMENTE, os benefícios da Gratuidade da Justiça, nos termos do art. 99 e ss do
CPC e da Lei 1.050/60;
c) A citação da Ré para comparecer à audiência conciliatória e, querendo, oferecer sua
defesa, na fase processual oportuna, sob pena de revelia e confissão ficta da matéria de
fato, com o consequente julgamento antecipado da lide;
d) A TOTAL PROCEDÊNCIA da ação condenando a Ré à reparação por DANOS MORAIS
causados ao Autor, em valor pecuniário pretendido no montante não inferior a
R$10.000,00 (dez mil reais);
e) A condenação do Demandado a custear, judicialmente, em honorários advocatícios, o
importe de 20% (vinte por cento) sobre o valor total da causa, nos termos do art. 82, §2º,
do CPC, caso haja recurso.

Pretende provar o alegado mediante a produção de prova documental,


testemunhal, depoimento pessoal, pericial, e demais meios de prova em Direito
admitidos, nos termos do artigo 369, do Código de Processo Civil.

Dá-se à causa o valor de R$10.000,00 (dez mil reais).

Termos em que,

Pede deferimento.
Maceió/AL, 29 de novembro de 2017.

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Elisa Oliveira de Moraes


OAB/AL 15.822

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