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ESTUDO DIRIGIDO, UM MÉTODO ATIVO

Article · November 2020

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4 authors, including:

Rogério Joaquim Santana


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
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ESTUDO DIRIGIDO, UM MÉTODO ATIVO

Rogério Joaquim Santana1


Regina Matias da Silva2
Mario Alberto Zambrana Vernizzi3
Resumo: Este trabalho tem como objetivo trazer subsídios para estudos, debates para
aprimoramento sobre o método ativo de ensino do estudo dirigido. Por meio de pesquisa
bibliográfica de publicações direcionadas a formação de professores majoritariamente
publicados pela campanha de aperfeiçoamento e difusão do ensino secundário (Cades),
apresentamos objetivos e aplicações da aplicação do estudo dirigido. Neste trabalho
montamos quadros e esquemas que orientam em linhas gerais a atuação dos professores,
alunos e passos para aplicação eficiente de estudo dirigido como uma metodologia ativas.

Palavras-chave: Método Ativo; Estudo Dirigido, Ensino.

Introdução
Para tratar do método de ensino de Estudo Dirigido (ED) optamos em não utilizar
a terminologia Metodologia Ativa, nos pareceu mais coerentes tratarmos como Método
Ativo (MA). Esta opção se deve por entendermos que Método indica o processo ou a
descrição do caminho que se percorre para atingir um determinado objetivo, enquanto a
termologia Metodologia, indica o estudo do método.
Esse trabalho o objetivo principal discutir aspectos da aplicação do Estudo
Dirigido (ED) como Método Ativo (MA) de ensino.
O Método Ativo de Ensino
Os métodos de ensino são de forma geral um conjunto de estratégias, técnicas e
momentos, planejados com o objetivo de conduzir o educando a aprendizagem de
comportamentos, conceitos, saberes científicos, aspectos culturais e aplicações práticas
do seu cotidiano.
A aplicação de Método Ativo (MA), não é uma novidade do Século XXI, como
percebemos nos trabalho de Nérci (1971), Legrand (1976) , Pentagna (1964) e Libanêo
(2006), indicam que o Método Ativo deve ser uma atividade que leve os alunos a realizar

1
Mestrando da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo -PUC-SP. E-mail:
prof.rogeriojoaquim@gmail.com
2
Mestranda da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo -PUC-SP. E-mail:
reginamatias1@gmail.com.
3
Mestrando da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo -PUC-SP - E-mail:
mario.etec.ct@gmail.com
.

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ações, reflexões , construções de conhecimento e preferencialmente a verificação de


aprendizagem feita em conjunto entre seus pares.
Todas as abordagens levam a definição de que métodos ativos são métodos que
conduzem a aprendizagem por meio de atividades realizadas pelos aprendizes, por
definição não existe apenas um método ativo visto que diversos processos de ensino
podem exigir a participação ativa dos alunos.
Os métodos ativos mistos consistem na amarração de métodos ativos individuais
e socializados, trabalhando características individuais e socialização do indivíduo e do
conhecimento adquirido pelo estudante.
Este último, o Método do Estudo Dirigido é citado com muita frequência em livros
que tratam de métodos de ensino, por esse motivo o escolhemos para abordar aspectos de
sua estrutura e aplicação como MA.
O Método do Estudo Dirigido
O ED não é uma novidade entre os métodos de ensino, por volta de 1905, nos
Estados Unidos da América (EUA) surgiram seus primeiros defensores, em 1909 Charles
McMurry publicou um tratado sobre o assunto, desde então surgiram muitas variações e
aplicações desse método em todo mundo.
No Brasil entre os anos de 1953 e 1971, houve a vigência de um programa de
formações de professores denominado Campanha de Aperfeiçoamento Difusão do Ensino
de Secundário (Cades) que indicava o ED como um método ativo e eficiente, como indica
Barbosa (1960):

A nova forma de estudo dirigido visa a homogeneização da turma no que


concerne a formação do educando, e esta é a grande razão para formarmos
grupos não homogêneos, incentivando o intercâmbio de ideias e a socialização
do aluno. Aos mais privilegiados é dado a oportunidade de se tornarem úteis e
de reafirmar em sua personalidade e, aos que se encontram mais dificuldade, a
oportunidade de se integrarem nos grupos e na turma. (BARBOSA, 1960, p.
77).
Essa afirmação é correlata a encontrada nas competências gerais da BNCC (2020),
indicando a contemporaneidade desse método:

Interagir com seus pares de forma cooperativa, trabalhando coletivamente no


planejamento e desenvolvimento de pesquisas para responder a
questionamentos e na busca de soluções para problemas, de modo a identificar
aspectos consensuais ou não na discussão de uma determinada questão,
respeitando o modo de pensar dos colegas e aprendendo com eles. (BRASIL,
2020, p. 267)
Outros autores da Cades como Silva (1960, p.82) e Chaves (1960, p.45) afirmam
que a finalidade do estudo dirigido é desenvolver no aluno o hábito do estudo, ensinando-

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lhe a estudar convenientemente. Bezerra (1959, p.141) assegura que sua “aplicação seria
um ótimo remédio para corrigir a deficiência da aprendizagem em nossa escola
secundária”

Modelo de aplicação de Estudo Dirigido (ED)


O modelo que apresentamos neste trabalho tem objetivos semelhantes aos que
foram aplicados originalmente nos documentos da Cades com adaptações pertinentes as
orientações da BNCC.
O nosso modelo de aplicação aborda três linhas de atuação, que envolvem o
Objetivo desejado em relação ao educando, a participação do Professor e o Processo de
aplicação da atividade, para a correta aplicação do ED como um MA.
Não existe prioridade ou hierarquia nos graus de atuação, todos os momentos são
importantes e interligados, porém todos autores estudados são unanimes em reforçar a
importância dos Professores na elaboração, aplicação e análise do ED.
Todo processo deve ser cuidadosamente “dirigido” pelo professor, o método,
exige que o Professor realize planejamento detalhado, antevendo o processo da aplicação
do estudo dirigido.
Após a escolha de um texto pelo professor cada aluno deve realizar leitura
individual e silenciosa, (esse texto ou tema pode ser disponibilizado com antecedência
para que os alunos possam realizar a leitura ou pesquisa em sua casa), o aluno deve ler
algumas vezes o referido texto, anotando suas dúvidas da forma mais clara possível. Após
esse momento que deve ter em média 5 minutos em sala de aula.
Logo após a leitura o aluno deve responder 2 ou 3 questões no contexto
apresentado nas pesquisas e leituras, essas atividades devem levar de 5 a 10 minutos., ao
término desse tempo organizar os alunos em duplas, compostas necessariamente com um
aluno com maior facilidade e outro com mais dificuldade, os alunos devem tentar resolver
as atividades propostas em um tempo médio de 10 minutos, caso terminem devem realizar
revisão do conteúdo e elaborarem questões para outros alunos.
Depois de 10 minutos essa dupla ser associada a outra dupla também com as
mesmas características.
No estudo em grupo, o objetivo é realizar a verificação de aprendizagem, para
isso os alunos devem utilizar quinze minutos, para sanar as dúvidas entre os membros do
grupo, e depois responderem mais uma ou duas questões do mesmo tema, entretanto em
um contexto diferente do apresentado no estudo individualizado. Só em último caso

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solicitar a explicação do Professor. No caso de não terem dúvidas, aproveitarem o tempo


restante para formular questões por escrito sobre o assunto discutido, para os
companheiros de sala.
A verificação de aprendizagem, deve ser realizada no caderno ou folha almaço,
copiando os enunciados e respondendo de forma clara.
O estudo dirigido além de exigir atitudes ativas dos alunos também o faz em
relação ao professor, ao mesmo tempo que cobra atenção redobrada facilita a detecção de
dificuldades individuais que as vezes não são expostas em outras atividades
Espera-se que como o estudo dirigido os alunos cultivem hábitos de estudos
autônomos, elaboramos alguns objetivos gerais, relacionados aos alunos, em atividades
de estudo dirigido para a disciplina de Matemática, mostrado em imagem em anexo.
Considerações sobre o Estudo Dirigido como Método Ativo
Trouxemos abordagem do ED levando em consideração textos clássicos com a
intenção de ressaltar que algumas abordagens atuais têm raízes na História da educação
e devemos revisitar esse material para podermos avançar em busca de métodos eficientes
de ensino e aprendizagem.
Com a estrutura do estudo dirigido é possível oferecer aos alunos a possibilidade
de cultivar o hábito da leitura, exercitar sua habilidade de interpretação de texto,
condicionar o aluno a elaborar e expor por meio da oralidade ou escrita suas dúvidas de
forma clara e objetiva, proporcionar ao aluno a possibilidade de socialização do
conhecimento e a sua interação com os alunos da turma proporcionando a ele a
oportunidade de aprimorar suas relações interpessoais.
Outra finalidade importante é apontar ao aluno os caminhos para os alunos se
tornarem pesquisadores autônomos, com a possibilidade de elaborar ou construir seu
próprio conhecimento. Em anexo (após as referências) apresentamos o esquema que
sugerimos para a aplicação do estudo dirigido.
O estudo dirigido atende todas os pressupostos dos métodos ativos, mesmo sem
necessariamente (em condições normais, fora da época de pandemia), sugerir a
necessidade do uso de tecnologias digitais. Defendemos, porém, que os recursos digitais
podem e devem ser utilizados em apoio a diversas métodos, inclusive no estudo dirigido.
O Método de estudo dirigido não se condiciona a uma única disciplina, e nem a
um único ciclo da educação básica, mas as características do próprio método , como
leitura, autonomia sugerem que seja utilizado a partir do Ensino Fundamental II.

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Entendemos, que esse trabalho traz apenas subsídios para novas discussões em
torno do estudo dirigido.
Referências

BEZERRA, M. J. A Didática Especial de Matemática. Rio de Janeiro, RJ: Ministério


da Educação e Cultura /Cades, 1957. 76 p.
BEZERRA, M. J. Técnicas de fixação de aprendizagem da Matemática. In: CERES
MARQUES DE MORAES, J. C. D. M. E. S. M. J. B. Apostilas de didática especial de
Matemática. Rio de Janeiro, RJ: Ministério da Educação e Cultura/Cades, 1959. Cap.
IX, p. 135-151.
BRASIL. Resolução nº2. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial
de Professores para a Educação Básica, Brasília, 20 dez. 2019. 87-90.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Ministério de educação e cultura.
Brasilia, DF. 2020.
CHAVES, J. G. Didática da Matemática. Rio de Janeiro, RJ: Ministério da Educação e
Cultura / Cades, 1960.
LEGRAND, L. A Didática da Reforma: Um metódo ativo para as escolas de hoje. 2ª.
ed. Rio de Janeiro, RJ: Zahar Editores, 1976.
LIBANÊO, J. C. Didática. São Paulo,SP: Cortez Editora, 2006.
NÉRICI, I. G. Introdução à Didática Geral: Dinâmica da Escola. 10ª. ed.
Bonsucesso,RJ: Editora Fundo de Cultura, v. 1, 1971.
PENTAGNA, R. G. Didática Geral. São Paulo: Livraria Freitas Bastos, 1964.
SILVA, M. E. D. A. J. D. Didática da Matemática no Ensino Secundário. Rio de
Janeiro, RJ: Ministério da Educação e Cultura / Cades, 1960.

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Figura 1: Anexo Esquema de Estudo Dirigido

Figura 1: Anexo Esquema de Estudo Dirigido – Fonte : Os Autores

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