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Os morangos O

Edições Paulinas
Estórias para pequenos e grandes
Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Alves, Riibem, 1933-


A482m Os morangos / Rubem Alves; (capa, diagramação, ilustrações Bian­
ca). — São Paulo: Paulinas, 1987.
(Coleção estórias para pequenos e grandes)
ISBN 85-05-00711-5
1. Literatura infanto-juvenil I. Bianca. II. Título. III. Série: Estórias
para pequenos e grandes.
87-0352 CDD-028.5

índices para catálogo sistemático:


1. Literatura infantil 028.5
2. Literatura infanto-juvenil 028.5

Coleção ESTÓRIAS PARA PEQUENOS E GRANDES


®A operação de Lili
9 O patinho que não aprendeu a voar
9 O medo da sementinha
9 A montanha encantada dos gansos selvagens
9 Os morangos
9 Como nasceu a alegria
RUBEM ALVES

OS MORANGOS

EDIÇÕES PAULINAS
Capa, diagramação, ilustrações
Bianca
Revisão
José Joaquim Sobral

e o E D IÇ Õ E S P A U L IN A S
Rua D r. Pinto Ferraz, 183
04117 - S ão Paulo - S P (Brasil)
End. telegr.: PA U LIN O S

© EDIÇÕES PAULINAS - SÃO PAULO, 1987


IS B N 85-05-00711-5
os contadores das estórias

O mundo das crianças não é tão


risonho quanto se pensa. Há medos
confusos, difusos, as experiências
das perdas, bichos, coisas, pessoas
que vão e não voltam ... O escuro da
noite: o mundo inteiro se ausentou.
Voltará?
Os grandes não gostam disto e inven­
tam estórias de meninos e meninas
que eram só risos. Talvez para se con­
vencerem a si mesmos de que sua
^ própria infância fo i gostosa...

Y Escrevi as estórias da Coleção ESTO-


R IA S PARA PEQUENOS E GRAN-
4 DES em torno de temas dolorosos, que
3 , me foram dados por crianças. Não é
©0o°0*possível fazer de conta que eles não exis-
°°00 tem. Os maus espíritos, a gente os espan-
$ ta chamando-os pelo seu nome real... O
objetivo da estória é dizer o nome, dar
í às crianças símbolos que lhes permitam
.'e falar sobre seus medos. E é sempre
mais fácil falar sobre si mesmo fazen-
\ do de conta que se está falando sobre
<•
flores, sapos, elefantes, p a to s...
Há estórias que podem ser escutadas
em disquinhos ou simplesmente lidas sozinhas... São as estórias en­
graçadas. Outras devem ser contadas por alguém.

Quando se anda pelo escuro do me­


do, é sempre importante saber que há alguém amigo por perto. A l­
guém está contando a estória. Não estou sozinho... Nem o livro
que se lê e nem o disquinho que se ouve têm o poder de espantar
o medo.

É preciso que se ouça a voz de um outro e que diz:


— Estou aqui, meu filho.
f\'o á morangos ao alcance da mão,
' mesmo pendurados sobre o abismo.
Tudo é uma questão de ver
Âu.e de colher.
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á, muito longe, do outro lado do mundo, num país onde


o sol aparece quando aqui as estrelinhas começam a piscar.

Lá, quando as crianças vão para a cama, os seus pais lhes


contam a seguinte estória:
Um homem ia feliz pela floresta quando, de repente,
ouviu um urro terrível.
Era um leão.

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10
Ele teve muito medo e começou a correr.
O medo era muito, a floresta era fechada.
Ele não viu por onde ia e caiu num precipício.

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No desespero agarrou-se a uma raiz de
árvore, que saía da terra.
Ali ficou, dependurado sobre o abismo.

De repente olhou para a sua frente


na parede do precipício crescia
um pezinho de morangos.

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Havia nele um moranguinho, gordo e vermelho, bem ao


alcance da sua mão.
Fascinado por aquele convite, para aquele momento, ele
colheu carinhosamente o moranguinho, esquecido de tudo o
mais.

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E o comeu.
Estava delicioso!. . .
Sorriu, então, de que na vida houvesse coisas tão belas.

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Para o Lucas Shirahata,


que me contou esta estória.
H á m orangos ao alcance da mão,
mesmo pendurados sobre o abismo.
Tudo é um a questão de ver e de colher.
“De repente olhou para a sua frente:
na parede do precipício
crescia um pezinho de morangos.
Havia nele um moranguinho,
gordo e vermelho, bem ao alcance da mão.
Fascinado por aquele convite,
para aquele momento,
ele colheu carinhosam ente o moranguinho,
esquecido de tudo o mais.
E o comeu. Estava delicioso!..
Sorriu, então,
de que na vida houvesse coisas tão belas”.

CD
edições paulinas

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