Você está na página 1de 3

TEOLOGIA DE UMBANDA

Desenvolvido por Rubens Saraceni


Ministrado por Alexandre Cumino

Aula Digitada 03 Parte 02


Obs.: este documento é a transcrição fiel do discurso das vídeo-aulas, portanto poderá conter erros gramaticais
mantendo a originalidade da origem.

Olá meus irmãos, segundo bloco da terceira aula: Umbanda e Espiritismo. Falando um pouco
sobre Allan Kardec e falamos sobre seus primeiros questionamentos, questionamentos existenciais: da
onde vim? Por que estou aqui? Pra onde vou?
O que todo mundo quer saber e quem melhor do que os espíritos para responder essa pergunta.
Allan Kardec teve um contato direto com eles por meio de médiuns, Allan Kardec conseguiu identificar
que algumas pessoas tinham o dom de fazer contato com os espíritos e ele chamou essas pessoas de
“médiuns” – médium quer dizer que ele está no meio entre a realidade material e a realidade
espiritual, aquele que tem a capacidade de “inter-mediar”, de ser o medianeiro, o médium – Então, há
médiuns com vários dons, de vários níveis de mediunidade, de capacidades maiores ou menores, não
importa, são médiuns, mais do que isso, todos somos médiuns em algum grau. Allan Kardec identificou
a mediunidade, a comunicação com os espíritos ela é possível e é viável, mas para isso eu preciso de
um médium, eu preciso desse médium. Então, Allan Kardec começou a se questionar: Quem é médium?
O Que é a mediunidade? Quais são os tipos de mediunidade? Como a mediunidade aflora? A
mediunidade nasce comigo ou ela é desenvolvida? O que é que os espíritos falam sobre a mediunidade?
Será que homens considerados santos também não foram médiuns? Será que o próprio Cristo também
não manifestava dons mediúnicos? Será que os profetas também não eram médiuns? Será que os santos
também não foram médiuns? O que é essa mediunidade? Agora, Allan Kardec começou a questionar, os
espíritos existem, eles falam conosco, os espíritos se comunicam, eles podem nos dizer como é a vida
no mundo espiritual. Mas, e a mediunidade? Como é esse contato? O que é esse dom? Agora, Allan
Kardec começou a perguntar aos espíritos sobre a mediunidade, centenas, centenas e centenas de
perguntas de Allan Kardec sobre a mediunidade. E, então, surgiu o segundo livro da codificação
Espírita, “O Livro dos Médiuns”, ali Allan Kardec colocou todas as suas dúvidas – Lembrando: quando
você pega a obra de Kardec tem uma pergunta, uma resposta e um comentário. Observe: Allan Kardec
fazia uma pergunta, ele anotava a resposta e às vezes ele resumia a resposta ou ele colocava a resposta
nas suas palavras pra elas ficarem de uma maneira que o leitor pudesse entender melhor e abaixo Allan
Kardec coloca o seu comentário. E é importante, bem importante observar isso porque a obra de
Kardec, ela é todinha dentro de um contexto e época e do perfil de Kardec que tem, sim, uma crítica
enorme contra a religião naquele momento e ele não poupa ninguém das suas críticas. Allan Kardec,
ele é direto, ele é inclusive feroz, mas o seu trabalho com relação aos médiuns, a mediunidade e os
espíritos é base fundamental pra muita coisa que veio depois - Então, agora ele está questionando:
sobre quem é médium? Quem pode fazer comunicação? Uma vez entendido isso, temos espíritos, temos
a mediunidade, a pergunta é; a próxima pergunta que não quer calar, o próximo questionamento de
Kardec é: “Está bem, a comunicação com os espíritos é viável. Como é que eu faço pra saber que estou
tendo uma boa comunicação? Qual a base? Qual a ferramenta? Qual pode ser minha referência para de
alguma maneira ter uma comunicação com os espíritos que seja edificante, uma comunicação positiva?
Ou seja, quando eu chamar um espírito ou quando um espírito se manifestar, como é que eu sei que
aquela comunicação é boa? Como é que eu sei que aquela manifestação é segura? Eu quero me
comunicar com bons espíritos. Então, como eu posso saber que aquele espírito que se comunica comigo
é um espírito de luz?” Pra isso, Allan Kardec, dentro de uma cultura Francesa Cristã, Allan Kardec foi
orientado a adentrar no estudo do Evangelho. Então, junto com os espíritos Allan Kardec passa a
estudar o Evangelho que é a parte da Bíblia do Novo Testamento que diz respeito a vida de Jesus.
Então, o terceiro livro da codificação Espírita é: “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e Allan Kardec
agora tem uma base, uma comunicação boa com os espíritos e segura, é uma comunicação sempre em
que os espíritos sigam uma visão de mundo Cristã.
Kardec, portanto, também é cristão, está numa cultura Ocidental de base Cristã. E agora ele está
se comunicando com os espíritos e qual é o caminho? O caminho é trazer isso para o Cristianismo. Ele
continua dizendo: - “Isso aqui é uma ciência” - “Isso aqui é um método” - “Mas, agora esse método é
válido a partir da interpretação do Evangelho de Cristo”. Eu costumo dizer, costumo dizer que se
Kardec, se Kardec fosse Mulçumano, nesse momento, ele estaria fazendo o Corão à luz dos espíritos. Se
Kardec fosse Judeu, nesse momento, ele estaria fazendo a Torá à luz dos espíritos. Mas, Kardec é
Cristão e é por isso que o Espiritismo vai colocar o Cristianismo a frente de tudo. Mas, é importante que
a gente tenha uma visão aberta e entenda que o Cristianismo é uma ótima religião, mas não é a única
religião boa nesse Planeta. Eu digo isso porque a Umbanda foi profundamente influenciada pelo
Espiritismo e a gente tem que colocar um divisor de águas. Se Kardec fosse Hindu, se ele fosse Hindu
será que ele escreveria o Bhagavad Gita à luz dos espíritos? Será que ele escreveria o Mahabharata à luz
dos espíritos? Será que Kardec escreveria os Vedas à luz dos espíritos? Não. Se Kardec fosse Hindu, nada
disso seria novidade porque o Hinduísmo crê em espíritos, o Hinduísmo crê em reencarnação. O
Hinduísmo sabe que é possível se comunicar com os espíritos. Então, isso que Allan Kardec está
trazendo na França é a codificação de uma doutrina, mas Kardec não inventou a mediunidade, a
mediunidade sempre existiu desde que o mundo é mundo, desde que o homem é homem, abaixo do sol
a partir do momento que surge o Homo sapiens, esse Homo sapiens, ele é também um Homo religioso,
um Homo médium que tem esse dom de comunicar-se com os espíritos. Isso não importa em qual
cultura, em qual época, em qual lugar, em todos os lugares do mundo, no tempo e no espaço a gente
encontra médiuns. Profetas eram médiuns, santos eram médiuns, sacerdotes, iluminados de todas as
culturas são médiuns. Mas, agora, Allan Kardec na França vem de uma cultura em que a religião era
castradora, as grandes religiões são castradoras da mediunidade, porque a mediunidade representa o
contato direto com a espiritualidade e quando você tem um contato direto com a espiritualidade você
não precisa da religião, você tem a religião porque a religião lhe faz bem, mas não por medo, não como
muleta e nem por estar precisando de algo. Porque o contato mediúnico com as divindades e com os
espíritos e etc, já suprem a maioria das carências que se busca numa religião. Então, você tem uma
religião não mais por carência. Então, por vir de uma cultura em que as religiões castravam, ou seja, as
grandes religiões: Catolicismo, Judaísmo, Islã, enquanto Instituição, enquanto Instituições elas castram
os dons. Por Allan Kardec estar nessa cultura de sociedade, ele diz: - “Isso aqui não é religião, religião
castra o dom, nós estamos justamente trabalhando esses dons, nós não queremos ritual, nós não
queremos dogmas, nós não queremos verdades inquestionáveis. Nós queremos uma ciência, a ciência
dos espíritos” – E continuou seus questionamentos que deram a origem em mais dois livros, ou seja, o
livro “O Céu e o Inferno” para perguntar sobre essas questões, em que os espíritos relevam sobre as
faixas espirituais de luz, as faixas espirituais trevosas, fala sobre anjos, sobre demônios e etc. E mais
outro livro chamado “A Gênese” pra falar sobre a origem das coisas sobre a ótica dos espíritos. Aí a
gente tem a codificação da obra de Kardec, ou seja, “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns”, “O
Evangelho...”, “O Céu e o Inferno” e “A Gênese”, esse é o código Kardecista, o código de Kardec.
Existem, existe ainda mais outro livro de Kardec que não é considerado parte do código que é “Obra
Póstuma”, que é o conjunto de textos que ele tinha guardado, publicado depois (que o) do seu
desencarne. Então, por meio desses cinco livros, ou seja, seguindo esses cinco livros, aquele que segue
esses cinco livros, que segue a doutrina de Allan Kardec está praticando o Espiritismo. Então, para eu
ser espírita basta seguir a obra de Kardec. É uma obra que por si própria se auto define como ciência, a
ciência dos espíritos. Mas, é uma ciência Cristã, é uma ciência fundamentada na verdade de Cristo, é
uma ciência voltada no culto da fé, é uma ciência todinha fundamentada no fato de que Deus existe, é
uma ciência que busca as mesmas respostas para as mesmas perguntas que as religiões fazem. Então, o
que é que diferencia essa ciência de uma religião? Segundo Kardec, o que diferencia é o fato de que
aqui não temos ritual, aqui não aceitamos símbolos aqui não acreditamos em magia, por isso nós somos
uma ciência. A revista Espírita perguntou para Kardec: - “Kardec, afinal, Espiritismo é mesmo uma
ciência ou é uma religião?”, então, Kardec responde: - “Ideologicamente é uma religião, formalmente é
uma ciência, por que não temos as formalidades ritualísticas de uma religião, não temos os dogmas,
nós somos livres, mas ideologicamente, nós somos aquilo que as religiões deveriam ser”. Então, hoje
em dia o Espiritismo continua afirmando que não é uma religião, que é uma ciência, mas quando você
pergunta para um Espírita: “Qual a tua religião?” Ele responde: “Eu sou Espírita” e é ali que ele coloca
a sua fé. E mais uma vez eu repito, aonde o homem coloca a sua fé está sua religião. E isso fica mais
claro no momento em que ele coloca as sua fé dentro de um método, quando um homem coloca a sua
fé em comunidade, em grupo e isso ainda possui uma doutrina, um conjunto de conhecimentos, ali está
a sua religião. Então, o espiritismo se autoproclama ciência dos espíritos por conta da postura de
Kardec, por Kardec ser um positivista, que não quer e não aceita religião. Mas, hoje em dia, se nós
perguntarmos, sociologicamente falando, o que é o espiritismo? Podermos responder, sociologicamente
falando, ou seja, dentro da estrutura de sociedade, o Espiritismo é uma forma de religião, porque as
pessoas se reúnem pra rezar e porque, inclusive no Brasil que, diga-se de passagem, Brasil é o país mais
Espírita do mundo, a maior quantidade de Espíritas no mundo está Brasil, que é também o país mais
Católico do mundo. No mundo inteiro o lugar aonde você encontra mais Católicos, mais Espíritas e mais
macumbeiros, Umbandistas, Candomblecistas é no Brasil, o Brasil é o país de um povo de fé, de um
povo de muita fé. O Brasil é um povo de uma base Cristã, Portuguesa, Jesuíta, de muita religiosidade,
esse povo é assim. Então, tudo o que surge nesse país, automaticamente, vai tomando esse rumo. O
que eu quero dizer é que do mundo inteiro o Brasil é o lugar onde o espiritismo tem o maior perfil
religioso e de religiosidade. Então, espiritismo brasileiro é extremamente religioso, o espiritismo
brasileiro tem um método próprio de fazer sessão, tem um método próprio de aplicar um trabalho que
tem uma estrutura quase que ritual de receber as pessoas, de fazer uma preleção, de colocar água para
fluidificar, de dar orientação, de dar um passe magnético de limpeza, descarga e uma orientação. É
praticamente uma ritualística em que algum momento vai ser feita uma leitura da obra de Kardec. É
uma ritualística, na maioria das vezes, isso é feito em uma mesa com uma toalha branca, a água em
cima da mesa, o livro de Kardec posto, ritualisticamente, repetido semanalmente no mesmo lugar, no
mesmo horário, com o mesmo método, da mesma forma, recebendo as pessoas e trabalhando a sua fé,
trabalhando a sua religiosidade. Então, se isso não religião, seria difícil dizer o que é. Podemos aceitar,
é a ciência dos espíritos, ótimo; extremamente religiosa e que supre as necessidades de fé daqueles
que professam sua doutrina: o espiritismo codificado por Allan Kardec, que não é Umbanda.
Não percam, no próximo bloco Umbanda e Espiritismo: semelhanças e diferenças. Voltamos já,
já... Vamos lá.

DIGITAÇÃO – Equipe Umbanda EAD

Você também pode gostar