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CURSO: TÉCNICO EM ENFERMAGEM

MÓDULO I
NOÇÕES DE ANATOMIA E FISIOLOGIA

- História da Anatomia
O conhecimento anatômico do corpo humano data de 500 a. C. no sul da Itália
com Alcméonde Crotona, que realizou dissecações em animais. Na escola Hipocrática
encontramos os relatos de dissecações (dis = separar; secare = cortar) públicas. O
estudo do corpo humano foi por varias vezes proibido pela igreja, grandesartistas como
Leonardo da Vince interessaram-se pelo estudo de anatomia humana e nos deixaram
legados importantes, como a obra de Galeno e Vesálio.

Hoje em dia há a possibilidade de estudar anatomia mesmo em pessoas vivas, através


de técnicas de imagem como a radiografia, a endoscopia, a angiografia, a tomografia axial
computadorizada, a tomografia por emissão de positrons, a imagem de ressonância magnética
nuclear, a ecografia, e outras.

- Conceitos
 Anatomia:È a ciência que estuda macroscopicamente e microscopicamente, a
constituição e o desenvolvimento dos seres organizados (ana = através de; tome =
corte).
 Fisiologia: È um ramo da anatomia que estuda as funções dos órgãos e sistemas do
corpo humano.
 Variação Anatômica: Desvio do padrão anatômico que não gera prejuízo na função.
Fatores gerais de variação: idade, sexo, raça, biótipo e evolução.
 Anomalia: Desvio do padrão morfogenético que gera prejuízo funcional para o
indivíduo. Ex.: polidactilia, fissura palatina.
 Monstruosidade: variação morfológica que deforma profundamente a construção do
corpo do indivíduo, sendo incompatível com a vida.

Posição anatômica
A posição anatômicaé uma posição de referência, que dá significado aos termos
direcionais utilizados na descrição nas partes e regiões do corpo. Descrita como:

“Indivíduo em posição ereta com a face voltada para frente, olhar dirigido para o
horizonte, membros superiores estendidos, aplicados ao tronco e com as palmas da mão
voltadas para frente, membros inferiores unidos, com a ponta dos pés dirigidas para
frente.”

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Posição anatômica.

Existem descrições utilizadas para quando o corpo não está em posição anatômica:

 Posição Supina ou decúbito dorsal: deitado com a face para cima;

 Posição Prona ou decúbito ventral: deitado com a face voltada para baixo;

 Decúbito lateral: deitado de lado;

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 Posição de Litotomia: deitado com a face para cima e flexão de 90° do quadril e do
joelho, expondo o períneo;

 Posição de Tredelemburg: deitado com a face para cima com a inclinação da cabeça
45° baixo do nível do corpo;

- Planos Anatômicos
a) Planos de Secção:
 Plano Mediano: plano vertical que divide o corpo em metades direita e
esquerda;
 Planos Sagitais: paralelos ao mediano, dividem o corpo em partes direita e
esquerda;
 Planos Frontais (coronais): Paralelos ao mediano dividem o corpo em partes
anterior e posterior;
 Planos Transversos: Perpendiculares ao mediano dividem o corpo em partes
superior e inferior;

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Fig. 02. Planos de secção.

- Termos Anatômicos
a) Termos de relação:
 Anterior / Ventral / Frontal:na direção da frente do corpo;
 Posterior / Dorsal:na direção das costas do corpo;
 Inferior / Caudal:na direção da parte inferior do corpo;
 Superior / Cranial:na direção da parte superior do corpo;
 Medial: mais próximo do plano sagital mediano;
 Lateral: mais afastado do plano sagital mediano;
 Mediano: exatamente sobre o eixo sagital mediano.
 Intermédio: entre medial e lateral.
 Médio: interposta entre um superior e um inferior ou entre anterior e posterior.
b) Termos de Comparação:
 Proximal: próximo da raiz do membro. Na direção do tronco.
 Distal: afastado da raiz do membro. Longe do tronco, ou do ponto de inserção.
 Superficial: significa mais perto da superfície do corpo.
 Profundo: significa mais afastado da superfície do corpo.
 Homo lateral/ Ipsilateral: do mesmo lado do corpo ou de outra estrutura.
 Contra lateral: do lado oposto do corpo ou de outra estrutura.
c) Termos de Movimento:
 Flexão e Extensão.
 Adução e Abdução.
 Rotação interna e rotação externa.
 Circundução.

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Fig. 03. Termos de movimento.

SISTEMA ESQUELÉTICO

- Conceitos Básicos
 Sistema esquelético: é o conjunto de ossos e cartilagens que se interligam
para formar o arcabouço do corpo e desempenhar várias funções.
 Osso: é um tecido vivo, complexo e dinâmico. Uma forma sólida de tecido
conjuntivo, altamente especializado que forma a maior parte do esqueleto e é
o principal tecido de apoio do corpo. O tecido ósseo participa de um contínuo
processo de remodelamento dinâmico, produzindo osso novo e degradando
osso velho.
 Cartilagem: É uma forma elástica de tecido conectivo semi-rígido - forma partes
do esqueleto nas quais ocorre movimento. A cartilagem não possui suprimento
sangüíneo próprio; conseqüentemente, suas células obtêm oxigênio e
nutrientes por difusão de longo alcance.
- Funções do Esqueleto
 Proteção de órgãos vitais;
 Sustentação e conformação do corpo;
 Suporte aos tecidos moles, provendo pontos de fixação e alavancas para a maioria
dos músculos do corpo permitindo a locomoção.
 Local de formação das células do sangue através da medula óssea (hemopoiese);
 Reserva de minerais (cálcio, fósforo, sódio, potássio e outros minerais).
Divisão do esqueleto
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a) Esqueleto axial: estrutura de sustentação no eixo vertical do corpo, inclui o crânio, as
vértebras, o esterno, as costelas e o osso hióide;
b) Esqueleto apendicular: inclui as cinturas escapular e pélvica, os ossos dos braços,
antebraços, punhos, mãos, coxas, pernas e pés.

- Número de Ossos do Corpo Humano: É clássico admitir o número de 206 ossos.

- Classificação dos Ossos


Os ossos são classificados de acordo com a forma em (Fig. 04):

a) Longos: O comprimento predomina sobre a largura. Ex: úmero, rádio, ulna, fêmur,
tíbia, fíbula, falanges.
b) Curtos: Ossos que possuem as três dimensões mais ou menos iguais, adquirindo um
formato cúbico. Ex.: ossos do carpo e tarso.
c) Planos ou Chatos: São ossos finos e compostos por duas lâminas paralelas de tecido
ósseo compacto, com camada de osso esponjoso entre elas.Ex: frontal, parietal, esterno.
d) Pneumáticos: Possui na sua parte interna cavidade contendo ar (seios). Ex: Osso
maxilar, esfenóide, etmóide.
e) Irregulares: Ossos de forma variada que não se encaixam em nenhuma das demais
categorias. Ex: vértebras, temporal, occipital
f) Sesamóides: Estão presentes no interior de alguns tendões em que há considerável
fricção, tensão e estresse físico, como as palmas e plantas. Ex.: patelas.

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A.Ossos longos;

B. Osso Plano;

C.Osso Curto;

D. Osso Sesamóide;

E.Osso Irregular;

F. Osso Pneumático;

E Vértebra
vért
ebr
aVp
é

DPatela
FEsfenóide

Classificação dos Ossos.

Configuração dos ossos longos


A disposição dos tecidos ósseos compacto e esponjoso em um osso longo é
responsável por sua resistência. Os ossos longos contêm locais de crescimento e
remodelação, e estruturas associadas às articulações. As partes de um osso longo são as
seguintes:

a) Diáfise: é a haste longa do osso. Éconstituída principalmente de tecido ósseo


compacto, proporcionando, considerável resistência ao osso longo.
b) Epífise: são as extremidades alargadas de um osso longo. A epífise de um osso o
articula, ou une, a um segundo osso, em uma articulação. Cada epífise consiste de
uma fina camada de osso compacto que reveste o osso esponjoso e é recoberta
por cartilagem.
c) Periósteo: Bainha que reveste o osso externamente, altamente sensitiva e
vascularizada.
d) Medula óssea vermelha: substância gelatinosa vermelha formada composta de
células sanguíneas vermelhas e brancas em vários estágios de desenvolvimento
(tecido hematopoiético); encontrada geralmente no esterno, vértebras, costelas,
ossos do quadril, clavículas e ossos do crânio.
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e) Medula óssea amarela: tecido conjuntivo adiposo

Configuração dos ossos longos.

- Principais ossos

01. Ossos do Crânio e da Face


Os ossos do crânio e da face têm a função de proteger as estruturas cerebrais e
dos órgãos dos sentidos.

Os ossos do crânio envolvem e protegem o encéfalo, sendo composto por oito


ossos, quatro ímpares – o frontal, o etmóide, o esfenóide, e o occipital -, e quatro pares -
os dois parietais e os dois temporais.

Os ossos da face determinam o perfil do rosto e juntamente com os ossos do


crânio formam as cavidades orbitais, bucal e nasal. A face e formada por seis ossos pares
–2 maxilares, 2 zigomáticos, 2 palatinos, 2 nasais, 2 lacrimais, 2 conchas nasais inferiores
– e dois ímpares – mandíbula e vômer.

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Vista lateral do Crânio

Vista Frontal do Crânio ( Ossos da Face)

- Ossos do Ouvido ( Martelo, Estribo e Bigorna)

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02. Coluna Vertebral
A coluna vertebral é o principal eixo de suporte do corpo, provendo fixação para a
cabeça, tórax e para a cintura pélvica. Embora seja a principal estrutura de suporte, sua
construção é tal que permite que o tronco tenha apreciável flexibilidade. Além disso, a
coluna vertebral protege a medula espinhal.

A primeira vértebra cervical é chamada de Atlas e a segunda de axis, e ambas


atuam juntamente com o occipital no movimento do pescoço e cabeça.

A coluna vertebral é dividida em quatro regiões:

 Cervical (7 vértebras),
 Torácica(12 vértebras),
 Lombar(5 vértebras)
 Sacrococcígea(5 sacrais e 4 coccígeas).
Curvaturas da Coluna Vertebral

Numa vista lateral, a coluna apresenta várias curvaturas consideradas fisiológicas.

São elas:

 Lordose cervical (convexa ventralmente),


 Cifose torácica (côncava ventralmente),
 Lordose lombar (convexa ventralmente)
 Cifose pélvica (côncava ventralmente).
Quando uma destas curvaturas está aumentada, chamamos de hipercifose ou
hiperlordose. Quando ocorre alguma curvatura em vista anterior ou posterior chamamos de
escoliose.

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Coluna vertebral.

03. Caixa Torácica


O tóraxé composto pelas vértebras torácicas, costelas, cartilagens costais e esterno que
formam uma caixa protetora dos órgãos torácicos.

 Costelas: São ossos alongados, em forma de semi-arcos, que se articulam com as


vértebras e com o esterno. Temos ao todo 12 pares de costelas e podemos classificá-
las em:
a) Verdadeiras: são os 7 primeiros pares de costelas que se articulam
anteriormente com o esterno através das cartilagens costais e posteriormente com a
vértebras torácicas.
b) Falsas: 3 pares, se articulam indiretamente com o esterno
c) Flutuantes: 2 pares, são os dois últimos pares de costelas. Não se articulam
com o esterno, estão fixadas somente às vértebras.
 Esterno:é um osso achatado e alongado, que é composto por três partes: manúbrio,
corpo e processo xifóide.

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Caixa torácica.

04. Membro Superior


O esqueleto do membro superior compõe-se pelos ossos da cintura escapular
(clavícula e escápula), braço, antebraço e mão.

 Clavícula:localiza-se na parte anterior do tórax; liga-se com o esterno e, lateralmente,


com a escápula.
 Escápula:possui um formato triangular, e localiza-se na parte dorsal do tórax.
 Úmero: osso longo que forma o braço.
 Rádio e Ulna: formam o antebraço.
 Carpos:oito pequenos ossos distribuídos em duas fileirasque formam o punho:
a) Fileira Proximal:Escafóide, Semilunar, Piramidal e Pisiforme;
b) Fileira Distal:Trapézio, Trapezóide, Capitato e Hamato;
 Metacarpos: cinco ossos numerados no sentido látero-medial em I, II, III,
IV e V.

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 Falanges: formam os dedos das mãos; do segundo ao quinto dedo
possuímos três falanges – proximal, média e distal –, no polegar possuímos
duas – proximal e distal.

05. Membro Inferior


É formado pelo cíngulo do membro inferior ou cintura pélvica, coxa, perna e pé.
Compondo ao todo 31 ossos em cada membro. A cintura pélvica é formada pelos osso do
quadril, ou ilíaco (direito e esquerdo), é a cintura pélvica que une o membro inferior ao
esqueleto axial.

Quando o sacro une as duas cinturas, ou seja, os dois ilíacos temos um anel
ósseo volumoso e resistente denominado pelve óssea.

 Ílio: situa-se na parte superior e lateral da pelve fornecendo um suporte adequado aos
órgãos abdominais. A sua parte superior denomina-se crista ilíaca, onde se encontra
a espinha ilíaca.
 Ísquio: encontra-se na parte inferior e posterior da pelve; na posição sentada, é o
principal ponto de apoio do tronco;
 Púbis: situa-se na parte anterior e apresenta-se ligado ao ílio e ao ísquio; a união do
púbis direito e esquerdo origina uma cartilagem denominada de sínfise púbica.
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No local de união desses três ossos existe uma cavidade revestida de cartilagem
denominada acetábulo, cuja função articular com o fêmur.

 Fêmur: localiza-se na coxa sendo considerado o maior osso do corpo humano.


 Patela: osso sesamóide anterior ao fêmur.
 Tíbia e fíbula: formam a perna;

Ossos do PE

 Tarso: sete ossos distribuídos em duas fileiras:


a) Fileira Proximal:Calcâneo e tálus;
b) Fileira Distal:Navicular, Cubóide, Cuneiforme Medial,Cuneiforme
Intermédio (Médio) e Cuneiforme Lateral
 Metatarso: constituído por cinco ossos numerados no sentido medial- Lateralem I II,
III, IV e V.
 Falanges:formam os dedos dos pés; do segundo ao quinto dedo possuímos três
falanges – proximal, média e distal –, no hálux possuímos duas – proximal e distal.

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06. Articulações

Articulações ou junturas são as uniões funcionais entre os diferentes ossos do


esqueleto. São divididas nos seguintes grupos, de acordo com sua estrutura e mobilidade:

a) Articulações Fibrosas (Sinartroses) ou imóveis: são aquelas onde o osso está quase
em contato direto com o outro. Ex.: suturas do crânio.

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b) Articulações Cartilagíneas (Anfiartroses) ou com movimentos limitados: são aquelas
onde os ossos estão unidos por cartilagens. Ex.: intercostais, sínfise púbica.

c) Articulações Sinoviais (Diartroses) ou articulações de movimentos amplos:


representam a maioria das articulações do corpo e possuem componentes típicos – cavidade
articular, cartilagem articular, cápsula articular e líquido sinovial.

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SISTEMA MUSCULAR

- Introdução

Músculos são estruturas individualizadas que cruzam uma ou mais articulações e


pela sua contração são capazes de transmitir-lhes movimento. Este é efetuado por
células especializadas denominadas fibras musculares,As células musculares são
especializadas na contração e relaxamento, dessa forma os músculos são formados por
grupos de células musculares que movem segmentos do corpo por meio da contração,
promovendo o encurtamento da distância que existe entre suas extremidades fixadas.

- Funções dos Músculos:

 Participar no equilíbrio da temperatura corporal;


 Assegurar a dinâmica e estática do corpo humano, isto é, os músculos locomotores
movimentam os ossos em suas articulações, enquanto que os músculos de
sustentação mantêm os ossos em determinada posição.
 Movimentos corporais;
 Modelagem;
 Bomba muscular.

- Tipos de músculos:

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1. Músculo liso: células musculares não estriadas, geralmente de controle involuntário.
Ex: tubo digestivo, bexiga e vasos sanguíneos.
2. Músculo estriado cardíaco: células musculares estriadas, mas de controle
involuntário. Ex: músculo miocárdio do coração.
3. Músculo estriado esquelético: células musculares estriadas, mas geralmente de
controle voluntário. Ex: músculo dos membros inferiores e superiores.

- Composição da estrutura muscular:

A massa principal do músculo denomina-se ventre (A- porção carnosa contrátil),


cujas extremidades estão fixas aos ossos ou órgãos por meio de tendões (B-cilindróides
ou em forma de fita) ou aponeurose (laminares).

O tendão e a aponeurose são estruturas resistentes, praticamente inextensíveis, de


cor branca, brilhante e constituído por tecido conjuntivo.

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- Composição química dos músculos

Os músculos possuem os seguintes componentes químicos:

 Água: abrange 75% da musculatura;


 Proteínas: Actina e a miosina são os componentes protéicos principais das fibras
musculares que respondem pela capacidade de contração dos músculos;
 Lipídeos: Armazenados no músculo como elemento de reserva e utilizados nas
reações energéticas;
 Sais de fósforos nitrogenados: Importante fonte de energia;
 Substâncias minerais (sódio, cloro, magnésio, cálcio): Influenciam nas
transformações químicas musculares e na sua contração;
 Glicogênio: armazenado em grande quantidade nas células musculares e do fígado,
transformando-se em glicose quando houver necessidade de energia para as células.

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Estrutura do músculo estriado esquelético.

- Atividade mecânica do músculo

Os músculos agem pelo encurtamento das fibras do seu ventre, que são
transmitidas passivamente pelo tendão. Sob o ponto de vista de mecânica muscular, os
músculos possuem três propriedades:

 Contractilidade: na realização de um trabalho, o músculo se contrai tornando-se mais


alto e volumoso;
 Elasticidade: é a capacidade de se distender, de volta ao estado anterior ao da
contração;
 Excitabilidade: é a propriedade de se contrais mais violentamente, quando mais forte
for o agente causador.

- Classificação Funcional:

 Agonista: Agente principal na execução de um movimento;


 Antagonista: Opositor do agoniza (regula a sua rapidez ou potência);
 Sinergista: Elimina algum movimento indesejado que pode ser produzido pelo
gonista.

- Tônus Muscular

É um estado de contração do músculo em relaxamento. O tônus muscular poderá


aumentar (hipertonia) ou diminuir (hipotonia) de acordo com o estado psíquico, os
exercícios físicos e os movimentos.

FISIOLOGIA HUMANA

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- Introdução

“A fisiologia humana é o ramo da ciência que se preocupa com o estudo do


funcionamento e equilíbrio do corpo humano.”

-Sistemas estudados na Fisiologia:

 Respiratório
 Circulatório
 Nervoso
 Digestório
 Urinário
 Reprodutor
 Endócrino
 Tegumentar
 Órgão dos Sentidos

SISTEMA RESPIRATÓRIO

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- Introdução

É o sistema responsável pelo aquisição e eliminação dos gases do organismo. Ou


seja, é responsável pela obtenção e transferência de oxigênio do meio ambiente para as
hemácias e de eliminação de gás carbônico das hemácias para o meio ambiente.

Este sistema é constituído pelos tratos (vias) respiratórios superior e inferior:

a) Trato respiratório superior: formado pelos órgãos localizados fora da caixa torácica
- nariz externo, cavidade nasal, faringe, laringe e 1/3 superior da traquéia.
b) Trato respiratório inferior:consiste em órgãos localizados na cavidade torácica – 2/3
inferiores da traquéia, brônquios, bronquíolos, alvéolos e pulmões. As camadas das
pleura e os músculos que formam a cavidade torácica também fazem parte do trato
respiratório inferior.

01. Cavidade Nasal


È a entrada das vias respiratórias, sendo dividida pelo septo nasal em
cavidade nasal direita e esquerda. Possui duas aberturas anteriores chamadas de narinas
e, duas posteriores conhecidas como coanas. Pequenos orifícios colocam a cavidade
nasal em contato com os seios nasais (maxilar, frontal, etmoidal e esfenoidal), e também
recebem o ducto lacrimal nasal, que conduz o líquido lacrimal. As propriedades da
mucosa nasal são:

 Retenção de substância de ar pelos cílios nasais (vibrissas);


 Formação de muco, que facilita a retenção de substância e mantêm a umidade natural
da mucosa;
 Pré-aquecimento do ar inspirado através da rede venosa, aumentando a irrigação
sangüínea sob a mucosa, quando o ar inspirado estiver mais frio, e vice-versa;
 Olfação através das células olfativas.
02. Faringe

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O ar inspirado passa das cavidades nasais para a faringe através das coanas.
A faringe é um conduto que pertence à via respiratória e ao tubo digestivo, além de possuir
orifícios que comunicam a faringe com a tuba auditiva. A faringe é dividida em três regiões
anatômicas: nasofaringe, orofaringe e laringofaringe.

03. Laringe
É uma estrutura cartilaginosa que, no homem, forma uma saliência conhecida
como pomo de Adão. Possui quatro tipos de cartilagens: aritenóide, cricóide, tireóide e a
epiglótica. Destacamos a importância da epiglote, cuja função é abaixar-se sobre a
laringe no momento da deglutição e levantar-se no momento da respiração ou fala. No
interior da laringe situam-se as cordas vocais, que são duas dobras longitudinais que
participam no mecanismo de fonação. As funções da laringe são:

 Umedecer, aquecer o ar e reter as partículas das substâncias estranhas através do


muco secretado por sua mucosa;
 Impedir a penetração dos corpos estranhos, pela ação da epiglote;
 Ser responsável pela fonação, através da vibração das cordas vocais e da atuação dos
músculos e da laringe.
04. Traquéia
È um tubo que possui anéis cartilaginosos, glândulas secretoras de muco e
células epiteliais ciliadas, mede no adulto mais ou menos 12cm de comprimento.Possui
mobilidade elástica, que é um fator importante na eliminação do muco por acessos de
tosse. Os anéis cartilaginosos impedem que o tubo respiratório sofra algum colapso ou
estrangulamento. A traquéia permite que o ar chegue até aos alvéolos pulmonares
uniformemente úmido, aquecido e isento de corpos estranhos.

05. Brônquios
Na porção final da traquéia ocorre uma bifurcação originando os brônquios
direito e esquerdo, que penetram nos respectivos pulmões através do hilo pulmonar. Os
brônquios, ao penetrarem nos pulmões, vão se ramificando de maneira sucessiva,
originando o sistema da árvore brônquica .

06. Bronquíolos
Os brônquios dividem-se respectivamente em tubos cada vez menores denominados
bronquíolos. As paredes dos bronquíolos contêm músculo liso e não possuem cartilagem.

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Os bronquíolos continuam a se ramificar, e dão origem a minúsculos túbulos
denominados ductos alveolares. Estes ductos terminam em estruturas microscópicas com
forma de uva chamados alvéolos.

07. Alvéolos
Os alvéolos são minúsculos sáculos de ar que constituem o final das vias
respiratórias. Um capilar pulmonar envolve cada alvéolo. A função dos alvéolos é trocar
oxigênio e dióxido de carbono através da membrana capilar alvéolo-pulmonar (hematose).

08. Pulmões

São duas vísceras situadas uma de cada lado, no interior do tórax e onde se dá
o encontro do ar atmosférico com o sangue circulante, ocorrendo então, as trocas gasosas
(HEMATOSE). Eles estendem-se do diafragma até um pouco acima das clavículas e estão
justapostos às costelas.

O pulmão direito é o mais espesso e mais largo que o esquerdo. Ele também é um
pouco mais curto, pois o diafragma é mais alto no lado direito para acomodar o fígado.

08. Pleuras
 Pleura parietal; forra as paredes do tórax do lado correspondente;
 Pleura visceral ou pulmonar: recobre o pulmão.
Entre as duas pleuras existe a cavidade pleural, que contém pouquíssima
quantidade de líquido claro, suficiente para permitir o deslizamento sem atrito dos
pulmões sobre a parede torácica. Nessa cavidade pleural não deve existir ar ou outro
liquido, para não interferir na pressão negativa, que é um fator importante na mecânica
respiratória. Em cada pulmão existe o hilo pulmonar, local de entrada ou saída dos
brônquios, vasos e nervos pulmonares.

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Aparelho respiratório.

-Fisiologia da respiração

Mecânica Respiratória:

O ciclo da respiração constitui de duas etapas:

a) Inspiração: nesta fase os músculos intercostais se contraem e o diafragma contrai e


abaixa, permitindo a dilatação da cavidade torácica; as costelas movimentam-se no sentido
superior (alça de balde) e o esterno para frente, deste modo a pressão dentro da caixa torácica
diminui permitindo que o volume de ar na caixa torácica aumente.
b) Expiração: ocorre o relaxamento muscular, o diafragma retorna á posição de cúpula e
há o recuo elástico dos pulmões. A pressão interna fica maior, fazendo com que o ar seja
expelido.

Trocas Gasosas

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Os alvéolos são envolvidos por uma delicada rede de vasos sanguíneos muito
finos, denominados capilares. Os capilares transportam o sangue venoso proveniente do
lado direito do coração, que aí chegou vindo de todo o corpo. No interior dos alvéolos,
chega o ar inspirado, com alto teor de oxigênio e baixo teor de gás carbônico. As paredes
dos alvéolos são finíssimas e úmidas, permitindo então, que ocorra a troca de gases.

O sangue venoso, transportado pelos capilares, recebe o oxigênio que se liga á


hemoglobina, uma substância presente no sangue. Dessa ligação, forma-se a
oxiemoglobina que é levada pelo sangue para todo o organismo. Nos tecidos, ocorre a
dissociação, liberando o oxigênio às células que o utiliza para produzir energia. Ao
mesmo tempo, o gás carbônico liberado pelo sangue nos alvéolos, sai do corpo pela
expiração.

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SISTEMA CIRCULATÓRIO

É um sistema formado pelo:

 Sistema sanguíneo:sangue e sistema cardiovascular (vasos condutores de sangue -


artérias, veias e capilares- e o coração);
 Órgãos hematopoiéticos: medula óssea vermelha, baço e timo.
 Sistema linfático: vasos condutores de linfa (capilares linfáticos, vasos linfáticos e
troncos linfáticos) e órgãos linfóides (linfonodos e tonsilas);

01. Sistema Sanguíneo

As células de nosso organismo precisam constantemente de nutrientes para


manutenção do seu processo vital, os quais são levados até elas pelo sangue.
Estes elementos nutritivos são constituídos por proteínas, hidratos de carbono e gordura,
desdobrados em suas moléculas elementares (protídeos, lipídeos e glicídios) e ainda sais
minerais, água e vitaminas.

Um adulto de 70 quilos apresenta um volume sangüíneo há em média 5 litros.Ao


sangue cabem as funções de:

 Transporte de substâncias: nutrientes, hormônios etc;


 Função respiratória: transporta o oxigênio captado nos pulmões para as células, e gás
carbônico dos tecidos para os pulmões;
 Função de excreção: transporta todas as excretas do metabolismo celular para vários
locais de excreção;

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 Manutenção do equilíbrio ácido-básico: mantém constante um pH fracamente alcalino
a fim de neutralizar os ácidos derivados do metabolismo celular.
 Pela distribuição e eliminação uniforme do líquido corpóreo;
 Pelo transporte e equilíbrio do calor;
 Pela defesa do organismo contra organismo patogênico ou substâncias estranhas.
O sangue é composto por uma parte sólida (hemácias, leucócitos e plaquetas)
e uma parte líquida (plasma).

a) Parte Sólida:È conhecida como elementos figurados (hemácias, leucócitos e


plaquetas).

a.1. Hemácias, eritrócitos ou glóbulos vermelhos (Fig. 12)

Fig. 12. Hemácias.

As hemácias (aprox. 4,5-6,2milhões/mL de sangue nos homens; 4-


5,6milhões/mL nas mulheres) são células sem núcleo. Em seu interior encontra-se um
pigmento denominado hemoglobina (12-16g/dL de sangue nas mulheres; 14-18g/dL nos
homens) que dá a cor vermelha ao sangue e é responsável pelo transporte do oxigênio e
do gás carbônico. A hemoglobina é formada pela proteína globina e pelo pigmento
sangüíneoheme, que é derivado do ferro.

As hemácias são formadas no interior da medula óssea e circulam por


aproximadamente 120 dias até que se tornem defeituosas, sendo então retiradas da
circulação e destruídas por células do baço. O ferro e as proteínas são reaproveitados
pelo organismo, e o restante da molécula de hemoglobina formará a bilirrubina, que dá a
coloração escura das fezes.

a.2. Leucócitos ou glóbulos brancos (Fig.13)

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Fig. 13. Leucócitos

São responsáveis pelos mecanismos de defesa do organismo. Diante de uma


agressão microbiana ou na presença de substâncias estranhas, os leucócitos (5.000 a
10.000/l de sangue) abandonam as vias circulatórias e migram para os tecidos
invadidos, englobando as células invasoras. Dessa forma, aparecerá no local em material
denominado pus que é uma coleção de leucócitos mortos, tecidos necrosado e células
invasoras destruídas.Os leucócitos (Fig. 14) dividem-se em dois grupos:

Granulócitos:

 - Neutrófilos:(60 a 75%): englobam rapidamente os corpos estranhos, resíduos


celulares que são destruídos pelas enzimas contidas nos grânulos (fagocitose)
 - Eosinófilos:(2 a 4%): estão ligados as processos alérgicos e crises asmáticas
liberando histaminas.
 - Basófilos:(1%): induzem á contração da musculatura lisa e reduzem a
movimentação de leucócitos nas inflamações.
Agranulócitos:

 - Linfócitos: residem no sangue e nos tecidos linfóides; 20% são do tipo B e participam
da secreção de anticorpos e imunoglobulinas; 70% são do tipo T, nascem no timo e
são citotóxicas; 5% são B e T e são chamadas de “assassinas naturais”.
 - Monócitos/ Macrófagos:fagocitam restos celulares e degradam os resíduos.
a.3. Plaquetas ou trombócitos:

São pequenos pedaços de citoplasma de células gigantes da medula óssea.


Circulam por aproximadamente 10 dias, aderem ao endotélio lesado desempenhando
papel fundamental no estancamento das hemorragias (agregação de plaquetas,
coagulação do sangue e remoção do coágulo).

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Produção dos glóbulos brancos.

b) Parte Líquida Do Sangue: Plasma


O plasma sangüíneo corresponde a 56% do volume do sangue. E formado
basicamente por água (90%), proteínas, sais minerais, pigmentos e enzimas.

b.1.Proteínas do plasma:

 Albumina: transporta medicamentos, bilirrubina, ácido biliar etc. Além disso, mantêm
uma pressão osmótica uniforme no plasma, propiciando a troca de água entre o
sangue e os tecidos;
 Globulina: corresponde a uma parcela menor que a albumina, sendo alfa e a beta
globulina transportadora de ferro e outros metais, hormônios, vitaminas e lipídios. A
gamaglobulina participa nos processos de defesa do organismo;
 Fibrinogênio e protrombina: participam no processo na coagulação.
b.2. Sais minerais

Em conjunto com a água, regulam a pressão osmótica, que é a força que


através de uma membrana, de um local concentrado para o mais concentrado. Os
principais sais são o cloreto, o sódio, o potássio, o cálcio e o magnésio.

Coagulação Sanguínea

31
Coagulação Sanguínea

- Grupos Sanguíneos

Os três principais grupos sangüíneos foram descobertos por Landsteiner, que


observou que alguns indivíduos possuem nas hemácias um fator chamado de
aglutinogênio, enquanto que outros indivíduos apresentam no soro uma substância contra
esse aglutinogênio denominada aglutinina.

a) Grupo ABO
Grupo Aglutinogênio (Ag) Aglutinina (Ac)

A A Anti – B

B B Anti – A

AB AeB Não possui

O Não possui Anti – A e Anti - B

b) Grupo RH

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Mas ou menos 85% da população são Rh + ou seja, possuem o aglutinogênio
Rh, enquanto que os 15% restantes são Rh -, ou seja, possuem aglutininas contra o
aglutinogênio Rh.

- Transfusão Sanguínea

A transfusão de sangue é uma prática médica que consiste na transferência de


sangue ou de um componente sanguíneo de uma pessoa (o doador) para outra (o
receptor). È um tipo de terapia que tem se mostrado muito eficaz em situações de
choque, hemorragias ou doenças sanguíneas. Freqüentemente usa-se transfusão em
intervenções cirúrgicas, traumatismos, hemorragias digestivas ou em outros casos em
que tenha havido grande perda de sangue.

Todavia, para se realizar uma transfusão é necessário observar a compatibilidade


(Quadro 01) de tipos sanguíneos no sistema ABO e Rh. Uma transfusão incompatível
pode gerar complicações graves podendo levar o indivíduo á morte.

ABO Pode receber de

Tipos A+ B+ AB+ O+ A- B- AB- O-

AB+ SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM

A+ SIM NÃO NÃO SIM SIM NÃO NÃO SIM

B+ NÃO SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO SIM

O+ NÃO NÃIO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM

AB- NÃO NÃO NÃO NÃO SIM SIM SIM SIM

A- NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO NÃO SIM

B- NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO SIM

O- NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM

Quadro 01. Compatibilidade sanguínea

02. Sistema Cardiovascular

O sistema cardiovascular é composto pelo coração e por cerca de 100 mil


quilômetros de vasos sanguíneos. As principais funções do aparelho cardiovascular são:

 Suprir as células de nutrientes para o seu metabolismo;

33
 Manter o sangue circulando em movimento unidirecional.

a) Coração:
O coração é um órgão muscular oco que se contrai ritmicamente, impulsionando
sangue para todo o corpo. Está situado dentro do tórax, num espaço chamado de mediastino
que fica entre os dois pulmões (limites laterais), por cima do diafragma (limite inferior), anterior
a coluna vertebral, em sua porção torácica, e posterior ao osso esterno.É formado por três
túnicas que são de fora para dentro, pericárdio , miocárdio e endocárdio

O músculo cardíaco é composto pelo miocárdio, que é a túnica mais espessa, o


endocárdio é uma fina membrana que a forra intimamente a parte interna do coração e o
epicárdio (folheto visceral do pericárdio) adere a parte externa do coração. O pericárdio fibroso
ou saco pericárdio (parte parietal do pericárdio) é onde o coração está alojado dentro.

Possui forma de um cone achatado, com base superior e ponta (vértice do cone
imaginário, ápice do coração) inferior e ligeiramente anterior. Colocado no mediastino, o
coração ocupa uma posição oblíqua estando com o ápice voltado para baixo, para a esquerda
e para frente e a base para cima, para trás e para direita. Fica imediatamente atrás do esterno,
1/3 do coração fica à direita da linha mediana e 2/3 à esquerda dessa linha.

Podemos dividir o coração em quatro cavidades Fig. 16:

 Atrito direito (AD): a ele chegam à veia cava superior, a veia cava inferior e a veia
coronária, trazendo sangue venoso de todo o organismo, inclusive do músculo
cardíaco.
 Ventrículo direito (VD): é de musculatura mais espessa que a dos átrios; dela parte a
artéria pulmonar (que se divide em direita e esquerda, indo cada uma respectivamente,
para o pulmão direito e esquerdo), com sangue venoso proveniente do átrio direito;
 Átrio esquerdo (AE): é de parede ligeiramente mais resistente que a do átrio direito;
na sua cavidade desembocam duas veias pulmonares esquerdas e direitas, com
sangue arterial. O septo inter - atrial separa o átrio esquerdo do direito.
 Ventrículo esquerdo (VE): recebe sangue arterial do átrio esquerdo; desta cavidade
parte a artéria aorta. E a cavidade de musculatura mais espessa. O septo
interventricular separa o ventrículo esquerdo do direito.
Existe no coração uma estrutura denominada valva (alguns autores ainda a
consideram válvula), composta por cúspides (conhecidas como folhetos), presas através
de delgadas cordas tendíneas (ou tendinosas) aos músculos papilares que se projetam da
cavidade cardíaca. O conjunto dessas cordas forma a cordoalha tendínea.

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Entre o átrio direito e o ventrículo direito há a valvatricúspide que, quando
aberta, permite a passagem do sangue do átrio para o ventrículo e, quando fechada,
impede o refluxo sangüíneo do ventrículo para o átrio.

Entre o átrio e o ventrículo esquerdo existe a valvamitral ou bicúspide,


formada pôr duas cúspides, com função semelhante á da tricúspide.

Entre o ventrículo direito e a artéria pulmonar existe a valva pulmonar. Entre


ventrículo esquerdo e a artéria aorta encontra-se a valva aórtica. A função dessas valvas
é permitir a saída de sangue dos ventrículos para as artérias quando abertas e, quando
fechadas, impedir o seu refluxo.

Corte transversal do coração.

- Sistema de circulação sangüínea

Circulação Pulmonar e Sistêmica

 Circulação Pulmonar - leva sangue do ventrículo direito do coração para os pulmões


e de volta ao átrio esquerdo do coração. Ela transporta o sangue pobre em oxigênio
para os pulmões, onde ele libera o dióxido de carbono (CO2) e recebe oxigênio (O2).
O sangue oxigenado, então, retorna ao lado esquerdo do coração para ser bombeado
para circulação sistêmica.

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 Circulação Sistêmica - é a maior circulação; ela fornece o suprimento sangüíneo para
todo o organismo. A circulação sistêmica carrega oxigênio e outros nutrientes vitais
para as células, e capta dióxido de carbono e outros resíduos das células.

Circulação Pulmonar e Sistêmica

- Fisiologia cardíaca

Ciclo Cardíaco

Consiste em dois períodos, um de contração do miocárdio para a expulsão do


sangue da cavidade (sístole), e outro de relaxamento do miocárdio, que permite o
recebimento de nova porção de sangue (diástole).

Durante a diástole atrial, o sangue das veias cavas aflui para o átrio direito, e
o sangue das veias pulmonares, para o átrio esquerdo. Simultaneamente, as valvas
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atrioventriculares (mitral e tricúspide) se abrem, permitindo a entrada de sangue nos
ventrículos. A sístole atrial ocorre ao final da diástole atrial com finalidade de esvaziar
complemente os átrios, e as valvas se fecham a seguir. A sístole ventricular inicia-se após
o fechamento dessas valvas e a abertura das valvas aórtica e pulmonar, o que permite a
expulsão do sangue das cavidades ventriculares para as artérias. Após um curto período
de repouso, reinicia-se novamente o ciclo.

Controle do Coração

O coração é inervado, pelo simpático e parassimpático, que são antagônicos


em sua função. Esses dois nervos afetam a função cardíaca alterando a sua freqüência
ou alterando a força contrátil do miocárdio:

 Simpático: acelera a origem e transmissão de estímulos no sistema cardiovascular,


levando a uma aceleração do batimento cardíaco, a um aumento da força de contração
do miocárdio e, conseqüentemente, da quantidade de sangue expulsos pelo coração:
 Parassimpático: é de atuação inversa á do simpático, pois diminui o batimento
cardíaco através da diminuição excitabilidade e transmissão de estímulos.

Automatismo do Coração

O coração trabalha automaticamente, sob controle do sistema nervoso, mas o


impulso da atividade cardíaca origina-se no coração. Esse sistema cardiovetor é
composto pôr:

 Nódulo (nó) sinusal: É o ponto de origem de todos os estímulos. Situado á


desembocadura da veia cava superior. Esses estímulos gerados no nódulo sinusal são
transmitidos diretamente para as fibras musculares dos átrios e para o nó
atrioventricular. O nó sinusal também é conhecido como sinoatrial;
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 Nódulo atrioventricular (AV): situa-se próximo do septo atrial; recebe os estímulos
do nódulo sinusal e são transmitidos diretamente para as fibras musculares dos átrios
e os transmite com ligeira defasagem para a musculatura ventricular;
 Feixe de Hiss: é a continuação do nódulo AV, recebe os estímulos desse nódulo e os
transmite para as fibras de Purkinge.
 Fibras Purkinge: os estímulos dão distribuídos aos ventrículos por meio de seus feixes
direito e esquerdo.
 O controle automático do trabalho cardíaco pelo sistema cardiovetor
pode sofrer influências externas tais como:
 Temperatura: a elevação da temperatura corporal acelera os processos químicos e
portanto a febre irá aumentar a freqüência cardíaca;
 Teor de sais sangüíneos: as alterações de concentração de sódio. Potássio e cálcio
provocam diminuição da freqüência cardíaca, parada cardíaca, diminuição da força de
contração ;
 Excitação psicológica, como a alegria e a raiva, podem aumentar a freqüência
cardíaca ou diminuir o batimento cardíaco, nos casos de depressão;
 O trabalho corporal físico aumenta a atividade cardíaca.

03- Sistema Vascular

Considerações Gerais

Os vasos sangüíneos são tubos fechados que transportam o sangue para


todo o organismo e o trazem de volta ao coração. O sistema vascular compreende as
artérias, arteríolas, veias, vênulas e capilares. Sendo, a nível dos capilares arteriais que
ocorre a nutrição e oxigenação dos tecidos, e cabe aos capilares venosos receber os
catabólitos e o gás carbônico. Para que ocorra esse mecanismo, é necessário um
equilíbrio entre a pressão do capilar arterial e a reabsorção do capilar venoso, sendo que,
contribuem a pressão arterial oncótica e osmótica. As artérias e as veias são formadas
por três camadas (Fig. 18):

 Interna ou endotelial: formada por epitélio simples pavimentoso (endotélio) e fibras


elásticas compostas por elastina;

38
 Média: composta de músculo liso;
 Externa ou adventícia: constituída por tecido conjuntivo frouxo.
Os capilares possuem uma estrutura muito simples, composta essencialmente
por endotélio.

Os vasos sangüíneos são inervados pelo nervo simpático, que possui ação
vasoconstritora (diminui o calibre dos vasos) e pelo nervo parassimpático, que é
vasodilatador (aumenta o calibre dos vasos). As ações conjuntivas desses dois feixes
nervosos controlam o diâmetro e a tonicidade muscular, que são fatores primordiais na
distribuição sangüínea.

Em condições normais, existe uma comunicação (anastomose) entre ramos de


artérias ou de veias entre si, mas com pouca passagem de sangue. Quando ocorrem
deficiências ou obstruções do vaso principal, o sangue passa a circular ativamente por
essas anastomoses, a fim de favorecer a distribuição sangüínea e derivar o trânsito
sangüíneo por essa circulação colateral.

Camadas das veias e artérias.

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1- Artérias:

Como as artérias participam ativamente da circulação sangüínea, suas


paredes devem possuir certa flexibilidade elástica, pois transportam e propagam o sangue
para todo o organismo (Fig. 19). Do ventrículo esquerdo sai a artéria aorta, cujas
ramificações originarão, direta ou indiretamente, todas as artérias da circulação sistêmica.
Saindo do coração as artérias se tornam vasos com diâmetros progressivamente
menores. As principais artérias do corpo humano são:

As principais artérias do corpo humano são:

1.1- Coronárias:

Irrigam o músculo cardíaco. Origina-se na porção inicial da aorta ascendente,


próximo à valva aórtica. Divide-se em:

 Coronária Direita: dá origem à artéria marginal e descendente posterior. Irriga o nó


sinusal, o átrio direito, o ventrículo direito e o nódulo atrioventricular;
 Coronária Esquerda: dá origem à circunflexa e à descendente anterior. Irriga o
ventrículo esquerdo, átrio esquerdo e o septo interventricular.
1.2- Arco da Aorta: Origina as artérias:

 Braquiocefálica: que se bifurca em carótida comum direita (irriga o pescoço e a


cabeça) e subclávia direita (irriga o membro superior direito);
 Carótida comum esquerda: em conjunto com a carótida comum direita, irriga o
pescoço e a cabeça;
 Subclávia esquerda: irriga o membro superior esquerdo. De cada subclávia originam-
se alguns ramos arteriais, destacando-se a artéria mamária (ou torácica interna). A
continuação da artéria subclávia é a axilar, que no braço passa a chamar-se braquial.
Na altura do cotovelo, essa artéria se bifurca em radial e ulnar.
1.3- Aorta Torácica:

40
Irriga as paredes e o conteúdo da cavidade torácica.

1.4- Aorta Abdominal: Origina as artérias:

 Tronco celíaco: que se ramifica em gástrica esquerda (irriga o estômago e o esôfago);


hepática comum (irriga o fígado, a vesícula biliar, o pâncreas e parte do estômago) e
esplênica (irriga o baço e parte do estômago);
 Mesentérica superior: irriga o intestino delgado e parte do intestino grosso;
 Mesentérica inferior: responsável por irrigar o intestino grosso a partir do cólon
transverso;
 Renais direita e esquerda: irrigam o rim correspondente.
1.5- Ilíacas Comuns:

A aorta bifurca-se em ilíaca comum direita e esquerda, que irrigam o peritônio.

Cada ilíaca comum se bifurca em ilíaca interna e externa.

1.6- Ilíaca Interna:

É um dos ramos da ilíaca comum, irrigando as paredes e o conteúdo da cavidade


pélvica, além dos músculos glúteos.

1.7- Ilíaca Externa:

É a outra ramificação da ilíaca comum. Na altura da região inguinal, passa a chamar-


se femoral.

1.8- Femoral:

Irriga a região inguinal, parte da genital e a coxa. Na altura do joelho, passa a


denominar-se poplítea, que se bifurca em tibial anterior e posterior. A região dorsal do pé
é irrigada pela artéria dorsal do pé, e a região plantar pelas artérias plantares medial e
lateral.

2- Veias:

São vasos que aumentam gradativamente de calibre em direção ao coração (Fig.19).


Apresentam válvulas no seu interior, para evitar o refluxo sangüíneo. De acordo com a
sua localização, agrupam-se em veias superficiais e profundas, comunicando-se através
de veias perfurantes ou comunicantes. O sangue venoso é transportado ao átrio direito
devido a alguns fatores, tais como:

 Pressão residual do capilar venoso;


 Aspiração torácica no momento da inspiração, devido à diminuição da pressão
intratorácica, que promove a aspiração sangüínea;
 Ação conjunta da musculatura da perna e das válvulas que existem dentro da veia;

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 Acoplamento arteriovenoso, pois o retorno venoso é auxiliado pela pressão exercida
nas paredes das veias pelos batimentos arteriais, já que as artérias estão muito
próximas das veias.
Em contraposição a esses fatores que facilitam o retorno venoso, existem outros
que irão dificultá-lo:

 Efeito da gravidade: grande parte da circulação venosa corre contra o efeito da


gravidade;
 Pressão intra-abdominal: proporcionada pelas vísceras, tumores e gravidez;
 Viscosidade do sangue: quanto mais viscoso o sangue, maior a dificuldade para a
circulação venosa.
As Principais Veias do Corpo Humano são:

2.1- Veia Cava Superior:

Recebe o sangue venoso:

 Da cabeça e do pescoço: através das veias jugulares internas e externas;


 Dos membros superiores: as veias basílicas, mediana e cefálica unem-se às veias
braquiais, tornando-se a veia axilar que formará a veia subclávia;
 Da parede e dos órgãos do tórax: através da veia ázigo.
A junção da subclávia com a jugular interna forma a veia braquiocefálica do
lado correspondente (veias braquiocefálicas direita e esquerda). A veia braquiocefálica
direita se une à esquerda, formando a veia cava superior. Esta veia, antes de
desembocar no átrio direito, recebe como tributária a veia ázigo (que fica localizada no
lado direito da coluna vertebral, subindo pelo mediastino).

2.2- Veia Cava Inferior:

Recebe sangue venoso:

 Dos membros inferiores: as veias superficiais (destacando-se as veias safenas)


drenam o sangue venoso para a veia femoral através das veias comunicantes. Na
altura da região pélvica, a veia femoral continua como veia ilíaca externa, que se une
à veia ilíaca interna para formar a ilíaca comum. As veias profundas recebem as
mesmas denominações das artérias;
 Da região pélvica: através da veia ilíaca interna;
 Da região abdominal: através das veias lombares, renais, supra-renal direita, frênicas
inferiores e veias hepáticas direita e esquerda;
A reunião das veias ilíacas comuns direita e esquerda originará a veia cava
inferior que, antes de desembocar no átrio direito, recebe sangue venoso das veias da
região abdominal.

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2.3- Veia Porta:

Recebe sangue venoso:

 Do estômago e esôfago, através das veias gástricas direita e esquerda;


 Da vesícula biliar, através da veia cística;
 Do pâncreas e baço, através da veia esplênica;
 Do intestino delgado, através da veia mesentérica superior.
O sangue venoso, porém rico em nutrientes é levado para o fígado através da
veia porta, cujo interior se capilariza, formando uma rede capilar intra-hepática. Dessa
rede originam-se as veias hepáticas ou supra-hepáticas, que desembocam na veia cava
inferior.

2.4- Veias Cardíacas:

Levam o sangue venoso da musculatura cardíaca para o átrio direito. Existem


algumas muito pequenas que se originam nas paredes do coração e lançam o sangue
diretamente no interior das cavidades cardíacas, principalmente nos átrios.

04- Sistema Linfático

Considera-se o sistema vascular linfático como um anexo do sistema venoso,


porque drena a linfa dos espaços intercelulares para a corrente sanguínea através de
seus vasos linfáticos. O sistema linfático tem como função:

 Ser uma via acessória para o liquido intersticial fluir para o sangue;
 Transportar substâncias dos espaços intercelulares que não podem ser removidos
pelos capilares sangüíneos, como por exemplo, as proteínas e outras partículas
grandes;
 Ser uma barreira à disseminação das bactérias, vírus e células cancerígenas;
 Transportar gorduras e algumas vitaminas absorvidas no intestino delgado.
Esse sistema é composto por:

1- Linfa:

É um líquido semelhante ao plasma sangüíneo que não contêm plaquetas.


Contêm raras hemácias e é rico em leucócitos, principalmente linfócitos. O líquido
nutriente, ao atravessar as paredes dos capilares arteriais, estabelece trocas de
substâncias com as células. Parte desses líquidos intercelulares permanece embebendo
os tecidos, como linfa tecidual ou intersticial. A outra parte ou é drenada pelos capilares
venosos ou é transportadas como linfa propriamente dita pelos capilares linfáticos. A linfa
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proveniente dos vasos linfáticos intestinais possui alto teor de gordura, o que provoca o
seu aspecto leitoso. O líquido intersticial, as proteínas, os microorganismos, a gordura
absorvida tendo entrado nos capilares linfáticos, passa a se chamar LINFA.

2- Sistema Vascular Linfático

 Rede de capilares linfáticos: constituída por vasos semelhantes aos capilares


sangüíneos. Inicia-se em fundo cego, pois drena a linfa dos espaços intercelulares;
 Vasos linfáticos, que originam da reunião de vários capilares linfáticos e, conforme
vão recebendo outros vasos linfáticos vão aumentando de calibre e diminuindo de
número até formarem dois coletores principais :
o Ducto torácico: é o principal coletor da linfa, recebendo a linfa da região abaixo
do diafragma, da metade esquerda da cabeça, pescoço e tórax, e do membro superior
esquerdo. Desemboca na confluência das veias subclávia esquerda e jugular esquerda;
o Ducto linfático direito: recebe a linfa do lado direito da cabeça, pescoço e
tórax e membro superior direito. Desemboca na confluência das veias subclávias direitas e da
jugular direita.

Localização dos ductos linfático direito e torácico.

3- Linfonodos, Nodos, ou Gânglios Linfáticos.

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São pequenos corpos, formados por tecidos linfóides, onde os vasos linfáticos
penetram e saem em menor número.

São importantes barreiras contra os processos infecciosos, podendo ser


encontrados espaçadamente ou em grupos, destacando-se os cervicais, axilares,
inguinais e mesentéricos .

Outros Órgãos Linfáticos:

Baço:

Considerado como um anexo do sistema circulatório localiza-se na parte


superior esquerdo do abdome e tem como função :

 Destruir os glóbulos vermelhos velhos;


 Armazenar o ferro liberado pela destruição da hemoglobina, que é reutilizada na
formação de novos eritrócitos;
 Armazenar eritrócitos para liberá-los em condições especiais, tais como no exercício
físico;
 Formar linfócitos;
 Incorporar e destruir, através de suas células reticulares as bactérias, resíduos de
células, etc.

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Localização de gânglios linfáticos e do baço.

Tonsilas:

As tonsilas formam um anel protetor de tecido linfático em torno das aberturas oral (tonsila
palatina/amígdalas) e da faringe (tonsila faríngea/adenóide).

46
Tonsilas

47
SISTEMA NERVOSO

O sistema nervoso juntamente com o sistema endócrino coordena as funções


dos outros sistemas do corpo. Além disso, tem a capacidade de armazenar experiências
em forma de memória e tornar o ser humano apto a responder determinados estímulos
baseados em experiências passadas, através do que chamamos de aprendizado. O
tecido nervoso é formado por neurônios (células nervosas) , que tem como função
receber, processar e enviar informações, e as neuróglias, que compreendem células que
ocupam espaços entre os neurônios, e dessa forma auxiliando-os, desempenhando o
papel de sustentação.

Composição de um neurônio

Divisão do Sistema Nervoso

Há várias formas de dividir o Sistema Nervoso, porém a mais conhecida é a que


se baseia em critérios anatômicos. Sendo assim, ele é dividido em Sistema Nervoso
Central (SNC) composto pelo encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) e pela
medula espinhal, e Sistema Nervoso Periférico (SNP), que compreende os nervos
espinhais e cranianos, além dos gânglios (grupamento de corpos de células nervosas).

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O Sistema Nervoso Autônomo (SNA) é uma subdivisão do sistema nervoso. Os
centros controladores do SNA estão localizados no encéfalo, sendo, portanto
considerados parte do SNC. As partes periféricas são divididas em Simpática e
Parassimpática, que tem como função inervar órgãos viscerais cujas funções não estão
sob o controle voluntário da pessoa, buscando sempre um equilíbrio do corpo,
aumentando ou diminuindo as atividades de acordo com as mudanças sofridas.

Funcionamento do Sistema Nervoso

A condução das informações efetua-se através de sinapses que são o ligamento


do axônio de um neurônio aos dendritos de outro neurônio, permitindo dessa forma que o
sistema nervoso forme um agregado de neurônios interligados, necessários à transmissão
de impulsos de um neurônio para outro.

O mecanismo do funcionamento do sistema nervoso é complexo, mas


basicamente depende da ação:

 Das vias aferentes, centrípetas ou sensitivas: essas vias nervosas constituídas


por neurônios sensitivos conduzem os impulsos originados nos receptores externos
(visuais, auditivos, olfatórios, gustativos e táteis) ou internos (vísceras, músculos e
tendões) aos centros nervosos.
 Dos centros nervosos: locais de formação da resposta ao estímulo enviado pelas
vias sensitivas. Esses centros são representados pelo encéfalo e medula espinhal.
 Das vias eferentes, centrifugas ou motoras: São vias nervosas formadas por
neurônios motores que conduzem a resposta dos centros nervosos aos músculos
estriados esqueléticos, músculos lisos, músculo cardíaco e glândulas.
Esse complexo chamado de excitação - resposta realizado pelas vias sensitivas
e motoras e pelos centros nervosos constitui o arco reflexo que é o substrato anátomo-
funcional do sistema nervoso.

1- SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC)

Dirige todos os processos físicos e intelectuais, que podem ser provocados


voluntariamente e que são capazes de se transformar em sensação consciente. O SNC é
protegido por uma caixa óssea fixa, sendo o encéfalo protegido pelo crânio, e a medula
espinhal pela coluna vertebral. Tanto o encéfalo como a medula espinhal são envolvidos e
protegidos por três membranas de tecido conjuntivo, chamadas meninges:

 Externa: Dura-máter, a mais espessa, resistente e ricamente inervada;


 Média: Aracnóide;
 Interna: Pia-máter, a mais fina.

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O espaço entre a dura-máter e a aracnóide denomina-se espaço subdural, entre
a aracnóide e a pia-máter está o espaço subaracnóide. Nesse espaço subaracnóide e nas
cavidades dos ventrículos encefálicos circula um fluido aquoso e incolor denominado de
líquido cérebro-espinhal ou líquor, que tem pôr função principal proteger o SNC, servindo
como amortecedor de choque, auxiliando na prevenção de lesões mecânicas.

Os componentes do SNC são:

1.1- Medula Espinhal

É um longo eixo, situado no canal vertebral, que liga o encéfalo ao resto do


corpo, e vice-versa, tendo como papel conduzir impulsos e servir como centro de reflexos.

Medula Espinhal

1.2- Encéfalo (Fig. 25)


50
A configuração do encéfalo é oposta a da medula, sendo dessa forma
constituído na sua parte central por substância branca e externamente por substância
cinzenta. O encéfalo é formado pelo tronco encefálico, cerebelo e cérebro. A seguir, serão
destacadas as principais características de seus componentes.

 Tronco Encefálico :O tronco encefálico interpõe-se entre a medula espinhal e o


diencéfalo, situando-se anteriormente ao cerebelo. Ele é dividido em: mesencéfalo (situado
superiormente); bulbo (situado inferiormente) e ponte (situa-se entre ambos). O tronco
encefálico tem uma grande importância, pois dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem
conexão nele.
 Cerebelo :O cerebelo ocupa a face inferior e posterior da cavidade do crânio,
consistindo em dois hemisférios cerebelares. Sua principal função é a coordenação dos
movimentos, além de participar na manutenção da postura e tônus muscular.
 Cérebro : O cérebro é a porção mais desenvolvida do encéfalo, ocupando cerca de
80% da cavidade craniana. É formado pelo diencéfalo e telencéfalo.
 Diencéfalo
O diencéfalo é quase que totalmente encoberto pelos hemisférios do telencéfalo. Suas
estruturas mais importantes são:

 Tálamo: são duas massas de substância cinzenta situada abaixo do hemisfério


cerebral respectivo. É o local por onde passam todas as vias sensitivas que informam
as percepções de sensibilidade dos órgãos dos sentidos (com exceção do olfato).
Esses impulsos são integrados pelo tálamo, que os retransmite ao córtex cerebral.
Algumas sensações mais rudes (pressão e dor intensa, calor extremo) são analisadas
ao nível do tálamo.
 Hipotálamo: situa-se abaixo do tálamo. É o local onde se aloja a hipófise. Suas
principais funções são: regulação da temperatura corporal, balanço hídrico, apetite,
atividade gastrintestinal, sexual e emoções como o medo e a raiva.
 Telencéfalo
Está dividido em hemisfério cerebral direito e esquerdo, cuja comunicação
realiza-se pelo corpo caloso, que assegura a troca de impulsos entre esses dois
hemisférios. Cada hemisfério possui na sua camada central (medular) substância branca
e, na periférica (córtex cerebral) substância cinzenta.

Cada hemisfério cerebral é subdividido em cinco lobos com funções específicas.


São eles:

 Lobo Frontal: forma a parte anterior de cada hemisfério e suas principais funções são:
iniciação dos impulsos motores voluntários para os movimentos dos músculos

51
esqueléticos, análise de experiências sensoriais e respostas relacionadas com a
personalidade;
 Lobo Parietal: localiza-se posteriormente ao lobo frontal, sendo responsável pela
compreensão da fala, pela articulação de pensamentos e emoções, além de interpretar
as texturas e formas dos objetos quando estes são manipulados;
 Lobo Temporal: encontra-se logo abaixo do lobo parietal e da porção posterior do lobo
frontal. Contém centros de audição, tendo a capacidade de armazenar experiências
auditivas e visuais;
 Lobo Occipital: forma a parte posterior do cérebro e seu principal papel está
relacionado com a visão;
 Lobo Insular: é um lobo profundo, não sendo visível na superfície, sendo coberto pelos
lobos frontal, parietal e temporal. Sua função é pouco conhecida, mas supõe-se que
tenha alguma função na memória.

Fig. 25. Corte sagital do encéfalo

2- Sistema Nervoso Periférico (Snp)

É responsável pela transmissão dos estímulos do corpo ao encéfalo e medula


espinhal, e vice-versa. Compreende as fibras motoras e sensitivas dos nervos espinhais e
cranianos, e também os gânglios sensitivos.

2.1- Nervos Cranianos

52
Formados por 12 pares de nervos, sendo que o nervo olfatório liga-se ao
telencéfalo e o óptico ao diencéfalo, e 10 restantes estão ligados ao tronco encefálico. E
as funções que cada um desempenha estão descritas no quadro abaixo.

PAR CRANIANO FUNÇÕES

I – Nervo Olfatório (sensitivo) Olfato

II – Nervo Óptico (sensitivo) Visão

III – Nervo Oculomotor (motor) Movimentos dos olhos e constrição


pupilar

IV – Nervo Troclear (motor) Movimentos dos olhos

V – Nervo Trigêmeo (misto) Sensibilidade da cabeça, face e


movimento da mandíbula

VI – Nervo Abducente (motor) Movimentos dos olhos

VII – Nervo Facial (misto) Gosto, movimentos faciais e secreção


de lágrima e saliva

VIII – Nervo Vestibulococlear Audição (parte coclear) e equilíbrio


(sensitivo) (parte vestibular)

IX – Nervo Glossofaríngeo (misto) Gosto, sensibilidade e movimento da


faringe, secreção de saliva

X – Nervo Vago (sensitivo) Inerva faringe, laringe e vísceras


torácicas e abdominais.

XI – Nervo Acessório (motor) Movimento da faringe, laringe e dos


músculos esternocleidomastóideo e
trapézio

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XII – Nervo Hipoglosso (motor) Movimento da língua

Nervos cranianos

2.2- NERVOS ESPINHAIS

São trinta e um pares que mantém conexão com a medula. São formados pela
fusão das raízes motoras (anterior ou ventral) e sensitivas (posterior ou dorsal) da medula
que saem da coluna vertebral de canais ósseos. Por isso os nervos espinhais são sempre
mistos, ou seja, são formados por fibras sensitivas (cujo, corpos celulares estão situados
no gânglio sensitivo) e motoras.

Os nervos espinhais são divididos e denominados de acordo com a sua


localização na coluna vertebral, sendo 8 cervicais; 12 torácicos; 5 lombares, 5 sacrais e 1
coccígeo.

54
Nervos espinhais

2.3 - Gânglios

Estão presentes em alguns nervos, consistindo em dilatações formadas


principalmente por corpos de neurônios. Existem gânglios sensitivos e gânglios motores
viscerais (do sistema nervoso autônomo).

3- Sistema Nervoso Autônomo Ou Vegetativo

Responsável pelas funções viscerais do organismo, controlando as atividades da


musculatura lisa, cardíaca e glandular. As funções, na sua maioria, são realizadas em
coordenação com o sistema nervoso central, em especial o hipotálamo.

Está dividido em sistema simpático e sistema parassimpático, que de forma geral


trabalham de forma antagônica, mas mantendo um equilíbrio interno.

Neurônios pré e pós-ganglionares são os elementos fundamentais da


organização da parte periférica do sistema nervoso autônomo. Os corpos dos neurônios
pré-ganglionares localizam-se na medula e no tronco encefálico. Os axônios desses
neurônios (fibras pré-ganglionares) fazem sinapses com os neurônios pós-ganglionares,
que estão situados nos gânglios. Destes, saem as fibras pós-ganglionares que terminam
nas vísceras em contato com glândulas, músculos liso e cardíaco.
55
À nível das sinapses ganglionares, as fibras pré - ganglionares liberam
substâncias químicas (neurotransmissores), dando origem ao impulso pós- ganglionar,
neste caso tanto no simpático quanto no parassimpático, o neurotransmissor liberado será
sempre a acetilcolina. Já a substância liberada pelas fibras pós-ganglionares difere um
pouco. A liberada pelo sistema simpático na maioria das vezes é a noradrenalina e pelo
parassimpático a acetilcolina em todos os casos.

Quando o sistema simpático estimula um determinado órgão, o parassimpático o


inibe, e vice-versa. As funções do Simpático e do Parassimpático em alguns órgãos estão
disponibilizadas na tabela abaixo.

Órgão Simpático Parassimpático

Íris Dilatação da pupila Constrição da pupila

Coração Aceleração do ritmo Diminuição do ritmo


cardíaco cardíaco

Brônquios Dilatação Constrição

Tubo Digestivo Diminuição do peristaltismo Aumento do peristaltismo e


e fechamento dos abertura dos esfíncteres
esfíncteres

Genitais Masculinos Vasoconstrição; Vasodilatação; Ereção


Ejaculação

56
SISTEMA DIGESTÓRIO

Os nutrientes não podem, na maioria das vezes, serem absorvidos pelo


organismo na sua forma natural, portanto, necessitam de um tratamento químico e
mecânico dos órgãos da digestão. Assim, os alimentos sofrerão modificações
químicas até que possam ser solúveis e absorvidos pela corrente circulatória do
organismo.
Funções gerais: Preensão, mastigação, deglutição, digestão, absorção e
eliminação dos resíduos sobre a forma de fezes. O tubo digestivo pode ser dividido,
de acordo com as suas funções, em três partes (Fig.28):
 Superior: abrange a cavidade bucal, a faringe e o esôfago. Tem como
finalidade à ingestão, trituração, salivação e transformação dos alimentos em
bolo alimentar pastoso;
 Média: abrange o estômago e o intestino delgado, que modificam a estrutura
química dos nutrientes, tornando-os absorvíveis pela corrente circulatória;

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 Inferior: abrange o intestino grosso, o reto e o ânus, que reabsorvem a água e
eliminam o bolo alimentar não aproveitado.
A cavidade abdominal é o local onde situam o tubo médio e inferior, o fígado,
o pâncreas, os órgãos sexuais internos e o aparelho urinário. Essa cavidade está
revestida por uma dupla membrana, chamada peritônio, que secreta um líquido
aquoso que facilita os movimentos dos órgãos sem atrito.

Sistema digestório
1- Órgãos do Trato Gastrointestinal:
1.1- Cavidade Oral:
É a porção inicial do tubo digestivo, comunicando-se com o meio exterior pelos
lábios e com a faringe pelo istmo da garganta. Está limitada lateralmente pelas
bochechas, superiormente pelo assoalho da boca. O palato, na parte anterior, por ser
de estrutura óssea, denomina-se palato duro. Na parte posterior, palato mole, por ser
muscular. No palato mole situa-se a úvula. Essas duas estruturas são levantadas,
fechando a parte nasal da faringe durante a deglutição. Os lábios superior e inferior
unem-se à direita e à esquerda nas comissuras labiais. As funções da boca e
estruturas associadas são: servir como receptáculo para o alimento, iniciar a digestão
por meio da mastigação, engolir o alimento e articular palavras durante a fala. As
estruturas associadas à cavidade oral são:
1.1.1- Dentes:
O homem adulto possui 32 dentes. Em cada arcada dentária existem 04
incisivos, 02 caninos, 04 pré-molares e 06 molares. Os dentes participam do processo
da mastigação, portanto, são órgãos duros, nos quais se observam:
 Coroa: é a parte visível do dente;

58
 Raiz: implantada na mandíbula e no maxilar, fixa o dente nessas estruturas
ósseas;
 Colo do dente: região estreita à coroa e à raiz, circundada pela gengiva;
 Dentina: formada por substância orgânica calcificada e sais minerais, constitui
o corpo do dente, cujo prolongamento na raiz constitui o canal da raiz;
 Esmalte: reveste a dentina com a finalidade de protegê-la;
 Cemento dentário: é um tecido ósseo modificado que reveste a raiz do dente.
Os dentes se desenvolvem em duas etapas: primárias (de leite), com vinte
dentes, iniciando-se a partir dos 06 meses de idade; permanente, com 32 dentes,
iniciando-se a substituição a partir dos seis ou sete anos.
1.1.2- Glândulas Salivares:
As glândulas salivares são consideradas anexas do aparelho digestivo.
Encontra-se em grande número, destacando-se a parótida (situa-se abaixo e na frente
da orelha), submandibular e sublingual. Essas glândulas secretam 1 a1,5 litro de saliva
por dia e possuem controle nervoso automático, mas os fatores psíquico e químico-
físico também interferem na secreção salivar. A saliva compõe-se basicamente por
água (para diluir o bolo alimentar) e por enzimas, sendo que a ptialina atua sobre os
carboidratos.
1.1.3- Língua:
A língua é um órgão muscular que possui as seguintes funções:
 Empurrar o bolo alimentar entre os dentes, misturando-o com a saliva;
 Participar na articulação dos sons;
 Ser um órgão gustativo através das suas papilas gustativas;
 Participar na defesa contra as infecções por meio das células linfáticas
localizadas na sua superfície ventral.

Localização das glândulas salivares


1.2- Faringe:
É uma estrutura que pertence ao aparelho digestivo e respiratório, pois
se comunica com as cavidades nasal e oral, esôfago e laringe. Tem como função
participar na :

59
 Deglutição: processo em que o palato mole se ergue contra a parede da
faringe (porção que se comunica com a cavidade nasal), a epiglote se abaixa e
o alimento é transportado para o esôfago. Esses movimentos são em parte
voluntários e em parte involuntários;
 Defesa do organismo: na cavidade bucal e faringiana existem grupos de
células linfáticas (exemplo: as amígdalas e adenóides) que defendem o
organismo contra agentes patogênicos e suas toxinas;
 Audição: a tuba auditiva comunica a faringe com o ouvido médio, possibilitando
o equilíbrio das pressões entre essas duas cavidades.

1.3- Esôfago:
É um tubo que mede cerca de 25 cm de comprimento e atravessa o
diafragma através de um orifício denominado hiato esofágico. Tem como função
conduzir através de seus movimentos peristálticos (contração de musculatura do
esôfago), o alimento do esôfago para o estômago. Essa atividade é controlada pelo
simpático e parassimpático.
1.4- Estômago:
Está localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, imediatamente
abaixo do diafragma.Anatomicamente, é dividido em quatro partes:
 Cárdia: porção inicial onde desemboca o esôfago;
 Fundo: localiza-se na parte superior, projetando-se em direção ao diafragma;
 Corpo: correspondente a maior porção do estômago;
 Piloro: parte final do estômago, que o comunica com o duodeno.
O estômago possui a esquerda, a curvatura maior, e a direita, a curvatura
gástrica menor. A mucosa gástrica tem numerosas pregas que desaparecem com a
distensão do órgão. A mucosa gástrica secreta 1,5 a2,5 litros de suco gástrico por dia,
de forma automática, através de:
 Estímulos psíquicos: provocados, por apetite, odores, apresentação do
alimento etc.;
 Reflexos nervosos: após a estimulação das papilas gustativas;
 Entrada do alimento no estômago: quando ocorre a formação do hormônio
gastrina (sintetizado pelas glândulas pilóricas que, ao ser lançado na circulação
sangüínea, estimula a formação de secreção gástrica).
Os elementos que compõem o suco gástrico são:
Água e o ácido clorídrico.
O ácido clorídrico, que possui as seguintes funções: interferir na formação
das enzimas pepsina e catepsina, e fornecer um meio ácido para que as mesmas
possam agir sobre as proteínas. Além disso, impede o desenvolvimento e a ativação
da fermentação e da decomposição bacteriana e dos agentes patogênicos.
Além do ácido clorídrico, a mucosa gástrica tem o papel de secretar outras
substâncias, como:

60
 Muco gástrico: formado principalmente na região pilórica, envolvendo a
mucosa gástrica como uma camada protetora contra a agressão do ácido
clorídrico;
 Pepsinogênio: forma inativa da enzima pepsina, que participa da digestão de
proteínas, transformando-as em polipeptídeos e precipitam (coagulam) a
caseína do leite;
 Fator intrínseco: é uma proteína que atua sobre a vitamina B-12, possibilitando
uma melhor absorção da parede intestinal.
A permanência do bolo alimentar (agora denominado de QUIMO) varia de
acordo com a sua composição. Os hidratos de carbono permanecem poucas horas, e
os lipídios, um tempo maior.

Anatomia do estômago

1.5- Intestino Delgado:


Está posicionado nas porções central e inferior da cavidade abdominal. É um
tubo muscular de cerca de 5 metros, revestido de mucosa e subdividido em:
 Duodeno: é a porção mais curta, ligando-se ao estômago pelo piloro. É o local
onde recebe o suco biliar através do ducto colédoco e o suco pancreático
através do ducto pancreático;
 Jejuno: se estende do duodeno ao íleo. Tem aproximadamente 1 m de
comprimento e possui um lume ligeiramente maior que o íleo;
 Íleo: compõe os 2 m restantes do intestino delgado.
O quimo parcialmente digerido passa do estômago para o intestino delgado,
onde ocorrerá o desdobramento e a absorção dos elementos básicos dos nutrientes,
61
sendo impelidos para o intestino grosso os alimentos não absorvidos.
A mucosa intestinal secreta o suco entérico, cuja composição química é:
água, sais minerais, muco e as seguintes enzimas:
 Amilase: atua sobre os amidos;
 Maltase, sacarase e lactase: agem sobre o açúcar;
 Lípase: atua as gorduras, transformando-as em glicerol e ácido graxo;
 Peptidases: são várias enzimas que atuam sobre as proteínas, transformando-
as em aminoácidos.
Além do suco entérico, o quimo sofrerá ação de outros dois sucos que irão
chegar ao intestino delgado, sendo eles o suco pancreático e o suco biliar.
A musculatura intestinal tem como função misturar e propulsionar o conteúdo
intestinal através dos movimentos peristálticos controlados pelo plexo de Meissner e
Auerbach. Internamente, a parede do intestino é formada por estruturas minúsculas
denominadas microvilosidades, nas quais chegam os capilares sangüíneos e linfáticos
que se encarregam da absorção dos nutrientes. Os lipídios são absorvidos pela rede
linfática, e demais nutrientes, pela sangüínea.
1.6- Intestino Grosso:
Considerando a parte final do aparelho digestivo, compreende o ceco (onde
há o apêndice), o cólon ascendente, o cólon transverso, o cólon descendente, o
sigmóide, o reto e o ânus. No intestino grosso não ocorre o processo da digestão,
porque recebe os restos alimentares não digeridos e não absorvidos pelo intestino
delgado. Portanto, suas funções são:
 Reabsorver a água dos sucos digestivos;
 Eliminar as fezes, que são o resto indigerível do quimo, que sofreu ação das
bactérias do intestino grosso.
O movimento peristáltico é controlado pelo sistema nervoso, sendo o
simpático inibidor e o parassimpático o estimulador. Esses movimentos são
classificados em:
 Movimentos lentos: tem por função amassar o conteúdo fecal e misturá-lo com
o muco no intestino grosso;
 Grandes movimentos: tem por finalidade levar o conteúdo fecal em direção ao
reto.
Existe uma musculatura que envolve o reto, denominada esfíncter anal
interno, de ação involuntária. Envolvendo-o encontra-se e esfíncter anal externo, de
ação voluntária, encontrado em contração constante, mas relaxando-se na evacuação
para permitir a abertura do orifício anal durante a saída das fezes para o exterior.
2- Órgãos Digestórios Anexos:
2.1- Pâncreas:
É um órgão anexo ao aparelho digestivo. Está situado horizontalmente ao
longo da parede abdominal posterior. É dividido em cabeça, corpo e calda.
Considerado como glândula mista, sendo que sua parte endócrina secreta os
hormônios insulina e glucagon, que são lançados na corrente circulatória, onde irão
agir sobre a glicose. E a porção exócrina, responsável por sintetizar o suco
pancreático, que é composto pelas seguintes enzimas:

62
 Quimiotripsina e tripsina: atua sobre as proteínas, transformando-as em
aminoácidos;
 Amilase, sacarase, maltase e lactase: agem sobre os carboidratos,
transformando-as em glicose, frutose e galactose;
 Lípase: age sobre os lipídios, transformando-os em glicerina e ácidos graxos,
mas a sua atuação ocorrerá somente se o suco pancreático estiver misturado
com a bile.
A secreção do suco pancreático é controlada pelo sistema nervoso, sendo o
simpático o inibidor e o parassimpático o estimulador. Após a chegada do quimo ao
duodeno, as células entéricas enviam para a circulação sangüínea os hormônios
secretina e pancreozimina, que irão estimular a secreção do suco pancreático em
direção ao duodeno.
2.2- Fígado:
É o maior órgão interno do corpo, estando situado no hipocôndrio direito do
abdome. Possui quatro lobos: lobo direito, lobo esquerdo, lobo caudado (está próximo
à veia cava inferior) e lobo quadrado (ao lado da vesícula biliar). Por meio do hilo
hepático, penetram a artéria hepática, a veia porta, os vasos linfáticos e os nervos. Do
hilo saem o ducto hepático direito e esquerdo, que se unem para formar o ducto
hepático comum, que por sua vez se transforma em ducto cístico antes de penetrar na
vesícula biliar. O fígado desempenha as seguintes funções:
 Secreção da bile: É composta por bilirrubina (resultado da degradação da
hemoglobina), ácidos biliares (importante no desdobramento dos lipídios),
excretas do metabolismo, corpos estranhos, etc. A bile secretada pelo fígado é
drenada para a vesícula biliar por meio dos ductos hepáticos direito e esquerdo,
do ducto hepático comum e do ducto cístico. Após a chegada no duodeno dos
alimentos contendo partículas de gorduras, as células entéricas lançam na
circulação sangüínea o hormônio colicistoquinina, que faz a vesícula se contrair
e expulsar a bile armazenada no seu interior para o duodeno, através do
colédoco. A bile não flui diretamente do fígado para o duodeno devido ao
esfíncter de Oddi existente na desembocadura do colédoco no duodeno, que,
quando fechado, faz a bile refluir para a vesícula biliar.
 Metabolismo dos lipídios, proteínas e carboidratos: transforma essas
substâncias em elementos que possam ser transportados pelo sangue e
utilizados pelos tecidos;
 Armazenamento das vitaminas, sais minerais e carboidratos;
 Participação no processo de formação, destruição e regulagem do volume de
sangue;
 Produção de alguns elementos da coagulação: heparina, protrombina;
 Destruição do hormônio estrógeno;
63
 Desintoxicação através da neutralização de substâncias tóxicas pelas células
de Kupfer.
2.3- Vesícula Biliar:
É um órgão sacular fixo à face inferior do fígado. Exerce a função de
armazenar o suco biliar. Quando a vesícula está cheia de bile, expande-se ficando com
o tamanho e forma de uma pequena pêra. Quando o intestino delgado está vazio de
alimento, a bile que é formada no fígado é transportada e armazenada na vesícula
biliar.

SISTEMA URINÁRIO

Abrange os órgãos que secretam a urina (rins) e as vias de armazenamento


(bexiga) e eliminação (ureteres e uretra). A urina depois de formada nos rins é
conduzida pelos ureteres para armazenamento na bexiga e sua eliminação é feita pela
uretra. No homem, o sistema urinário é interligado ao sistema genital, enquanto na
mulher esse sistema é completamente independente. O sistema urinário é responsável
pela produção e excreção da urina, participando na eliminação dos produtos finais do
metabolismo e no controle do equilíbrio hídrico e eletrolítico. Tem também o papel de
excretar uréia e creatinina, que são produtos do metabolismo. Além disso, através da
urina é possível eliminar substâncias tóxicas derivadas da ação bacteriana e remover
drogas que foram introduzidas no corpo.

Fig. 31. Sistema urinário.


1- Rins:
64
Os rins são órgãos de cor marrom avermelhada e possuem forma de feijão.
Estão posicionados contra a parede posterior da cavidade abdominal entre os níveis
das 12ª vértebra torácica e 3ª vértebra lombar, sendo o rim direito mais baixo que o
esquerdo.
Na parte medial de cada rim, encontra-se o hilo renal e é através dele que a
artéria renal entra e a veia renal e o ureter saem. Na parte superior de cada rim,
localiza-se a glândula supra-renal.
O rim microscopicamente é formado pelos néfrons, sendo eles a parte
funcional. Já em uma visão macroscópica, este órgão consiste em um córtex renal
(parte externa) e uma medula renal (parte interna). A medula renal está composta por
pirâmides renais, sendo que os ápices delas recebem o nome de papilas renais que
se projetam em depressões chamadas de cálices, que se unem formando a pelve renal
que recolhe a urina e transporta para o ureter.
2- Ureteres:
São dois tubos de mais ou menos 30 cm. Cada um deles sai de um rim
levando a urina secretada para a bexiga pelo efeito da gravidade e pelas ondas
peristálticas regulares.
3- Bexiga:
É uma bolsa muscular que serve de reservatório para a urina, a qual chega
de forma contínua pelos ureteres. Está localizada atrás da sínfise púbica. No sexo
masculino, o reto situa-se posteriormente a ela, enquanto que na mulher o útero
interpõe-se entre o reto e a bexiga.
Sua capacidade de reserva varia de indivíduo para indivíduo, podendo
chegar até 1 litro, mas, após um enchimento de 250 a 300 ml, ocorre a necessidade
de urinar, o que provoca a saída da urina pela uretra.
O sistema nervoso autônomo controla a atividade involuntária da
musculatura lisa da bexiga e das vias urinárias, com o simpático estabilizando a
bexiga e estimulando o peristaltismo dos ureteres. Dessa forma, pode-se dizer que
o simpático estimula o enchimento da bexiga e o parassimpático, o seu
esvaziamento.
4- Uretra:
É um canal que conduz a urina da bexiga para o meio exterior. Na sua porção
inicial existe o esfíncter interno da uretra de contração involuntária impedindo a saída
de urina da bexiga. Abaixo do esfíncter interno há o esfíncter externo, que é de
contração voluntária por ser um músculo estriado esquelético. A uretra termina em um
orifício denominado meato urinário, por meio do qual a urina é eliminada para o meio
exterior.
Portanto, para ocorrer à micção, é necessária a ação estimulante do
parassimpático, que promove a contração dos músculos da bexiga e o relaxamento do
esfíncter interno.
A uretra feminina é um canal curto, de mais ou menos 3 cm, com finalidade
de conduzir a urina para o exterior; a uretra masculina é um canal longo e sinuoso,
sendo uma via comum para a micção e ejaculação.

Fisiologia Renal e Formação da Urina:


A unidade funcional dos rins são os néfrons, são eles os responsáveis pela
formação da urina. Cada rim é constituído por milhões de néfrons cercados por
pequenos vasos sanguíneos.
65
O néfron consiste em Cápsula de Bowman, Túbulo Contorcido Proximal,
Ramo Descendente da Alça do Néfron (Alça de Henle), Ramo Ascendente da Alça do
Néfron e Túbulo Contorcido Distal (Fig.32).
A urina começa a ser formada pela filtração nos glomérulos, que é um novelo
de arteríolas. Essa substância semelhante ao plasma sanguíneo, porém sem proteínas
e outras substâncias de peso molecular grande, passa do glomérulo para a cápsula
que o envolve, denominada de Cápsula de Bowman. O líquido filtrado passa ao túbulo
contorcido proximal, seguindo-se a Alça de Henle, e depois ao ramo ascendente da
alça do néfron, passando por último para o tubo coletor. Durante esse percurso, o
líquido sofre modificações em conseqüência da reabsorção e secreções seletivas.
Nesse momento, substâncias necessárias ao corpo são reabsorvidas, saindo das
estruturas renais e voltando ao sangue. Outras substâncias serão secretadas,
passando do sangue para os túbulos renais para serem excretadas.
Os túbulos coletores que recebem a urina reúnem-se formando estruturas
denominadas, individualmente, de pirâmide renal. Das pirâmides renais sai a urina,
continuamente, em pequenas gotas, passando pelas papilas renais, sendo recebidas
nos cálices. Os cálices são pequenas câmaras que desembocam na pelve renal, cuja
forma assemelha-se a um funil. Toda urina produzida nos rins, é coletada na pelve
renal e segue seu caminho por um tubo denominado ureter.
Existem fatores que aumentam ou diminuem a reabsorção tubular (por
exemplo, a concentração elevada de glicose diminui a reabsorção), mas, basicamente,
ela deve à ação de dois hormônios:
 Hormônio Antidiurético (ADH): formado na hipófise, aumenta a reabsorção
da água dos túbulos renais para a circulação sangüínea;
 Aldosterona: secretado pela supra-renal, estimula a reabsorção de água e
sódio e a eliminação do potássio.
Portanto, a urina possui as seguintes características:
 Volume 1 a 1,5 l/dia, sendo que a água compõe 95 a 98% da urina
 Densidade: 1,010 a 1,020;
 Excretas nitrogenadas resultantes do metabolismo das proteínas: ácido úrico,
creatinina, uréia, amônia, etc.
 Sais inorgânicos e orgânicos: cloreto de sódio, fósforo, potássio, e magnésio.
 Pigmentos: o urobilinogênio fornece a cor amarela;
 Hormônios, vitaminas, medicamentos, substâncias estranhas.

66
Fig. 32. Estrutura de um néfron e fisiologia renal

SISTEMA REPRODUTOR

É responsável pela perpetuação da espécie. Compreende os órgãos


produtores das células sexuais e as vias condutoras. Devido às diferenças
anatômicas e fisiológicas cada um dos sistemas será estudado separadamente.
1- Sistema Genital Masculino
O sistema genital masculino tem como funções: secretar hormônios sexuais e
produzir as células sexuais masculinas (espermatozóides), transferindo-as ao sistema
genital feminino através da cópula. Os órgãos genitais masculinos são divididos de
acordo com suas estruturas anatômicas e funcionais em:
 Órgão secretor dos espermatozóides (células sexuais): testículos;
 Vias condutoras dos espermatozóides: ducto dos testículos, epidídimo, ducto
deferente, ducto ejaculatório e uretra;
 Glândulas: vesículas seminais, próstata e glândulas bulbouretrais;

67
 Órgão copulador: pênis, em cujo interior existem os corpos cavernosos e
esponjosos.
Órgãos Genitais Masculinos:
a- Testículos:
São em números de dois. Apresentam-se envolvidos pela bolsa escrotal ou
escroto e, após a puberdade, produzem os espermatozóides e o hormônio
testosterona. A testosterona é o hormônio sexual masculino que, em conjunto com
outros hormônios da hipófise e da supra-renal, é responsável pelo desenvolvimento e
manutenção dos caracteres sexuais secundários masculinos e também, pela
maturação final dos espermatozóides.
A musculatura lisa da bolsa escrotal contrai-se na presença da temperatura
fria e relaxa-se em temperaturas maiores. Dessa forma, ela mantém uma temperatura
constante no seu interior, que é um fator fundamental para os testículos secretarem
os espermatozóides.
b- Epidídimo:
É um canal sinuoso, situado acima dos testículos. É o local de maturação final
dos espermatozóides trazidos pelos ductos dos testículos. Os espermatozóides
permanecem armazenados na sua parte terminal até o momento da ejaculação
(fenômeno da eliminação do sêmen).
c- Ducto Deferente:
É a continuação do epidídimo, sendo um tubo fibromuscular com
aproximadamente 45 cm de comprimento. Tem como papel transportar os
espermatozóides do epidídimo ao ducto ejaculatório. Denomina-se canal inguinal o
túnel que permite a passagem para a cavidade abdominal do funículo ou cordão
espermático (ducto deferente, artéria e veia testicular, vias linfáticas e nervos).
d- Ducto Ejaculatório:
Formado pela junção do ducto deferente com o ducto da vesícula seminal. Ele
recebe os espermatozóides juntamente com a secreção da vesícula seminal,
transportando-os para a uretra prostática.
e- Vesículas Seminais:
Encontram-se na base da bexiga, a direita e a esquerda. Secretam um líquido
alcalino e amarelado, constituindo 60% do volume do sêmen. Esse líquido é drenado
da vesícula para o ducto ejaculatório correspondente, estimulando a movimentação
dos espermatozóides e fornecendo uma fonte de energia aos mesmos.
f- Uretra:
É uma via comum tanto para a micção (conduz a urina da bexiga) como para
a ejaculação (conduz o líquido seminal dos ductos ejaculatórios). É dividida em 3
regiões: a prostática que atravessa a próstata, recebendo as secreções dos ductos
prostáticos e ejaculatórios; parte membranácea, correspondendo a 0,5 cm de
comprimento; parte esponjosa, sendo a porção mais longa e por onde chegam as
secreções vindas das glândulas bulbouretrais.
g- Próstata:
É do tamanho de uma castanha e envolve a parte inicial da uretra como um
anel. Secreta um líquido esbranquiçado e alcalino para estimular a mobilidade dos
espermatozóides, protegendo-os contra a acidez da vagina.
h- Glândulas Bulbouretrais:
São duas formações arredondadas, do tamanho de uma ervilha e estão
localizadas abaixo da próstata. Elas lançam sua secreção mucosa na uretra. Essa
secreção auxilia na lubrificação da extremidade do pênis na preparação para a cópula.
i- Pênis
68
Constitui a genitália externa masculina. Está dividido em 3 partes: a raiz, que
fica fixa ao púbis; um corpo tubular alongado; uma parte distal denominada de glande,
que está recoberta pelo prepúcio, que é uma dobra dupla de pele. Internamente, é
constituído pelos corpos cavernosos e pelo corpo esponjoso que envolve a uretra.
Normalmente, a ereção do pênis precede a ejaculação. No pênis rígido,
devido à resposta aos estímulos nervosos os espaços dos corpos cavernosos enchem-
se de sangue arterial e o escoamento do sangue venoso é bloqueado através de
válvulas. Os espermatozóides armazenados no epidídimo são lançados no ducto
deferente e, através de contrações peristálticas, são levados em direção à uretra,
recebendo nesse trajeto as secreções produzidas pelas vesículas seminais, próstata
e glândulas bulbouretrais. Esse produto denominado sêmen é expulso durante a
ejaculação pelo meato urinário. Em cada ejaculação são eliminados 3 a 4 ml de sêmen,
que possui as seguintes características:
 Contém 200 a 300 milhões de espermatozóides;
 Possui pH alcalino para neutralizar a acidez vaginal e estimular a mobilidade
dos espermatozóides;
 Possui enzimas para dissolver o muco vaginal (hialuronidase).
Após a ejaculação, em resposta a estímulos nervosos antagônicos, as
válvulas se abrem promovendo o relaxamento do pênis, ou seja, a sua volta à posição
normal.
a) Períneo:
É um conjunto de estruturas (músculos, aponeuroses, vasos etc.) entre o ânus
e o escroto.

Aparelho reprodutor masculino.

2-Sistema Genital Feminino


As funções do sistema genital feminino são: produção de óvulos (células
sexuais femininas); secreção de hormônios sexuais; recebimento dos
espermatozóides no momento da cópula; fornecimento dos locais para fertilização e
desenvolvimento embrionário e fetal; oferecimento de condições para o parto; nutrição
do bebê através da secreção de leite pelas glândulas mamárias.
Composto por dois ovários, duas tubas uterinas, um útero, a vagina e a vulva
69
(órgão genital externo).
a) Ovários:
O par de ovários está posicionado na parte superior da cavidade pélvica,
lateralmente ao útero. São do tamanho de uma ameixa e apresentam-se presos aos
ligamentos do útero. Secretam os óvulos e os hormônios que controlam o
desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários femininos que atuam no útero,
após a fecundação.
b) Tubas Uterinas:
Cada tuba tem aproximadamente 10 cm de comprimento. Na extremidade
próxima ao ovário existe uma série de franjas, denominadas fímbrias, que recolhem o
óvulo. Após receber o óvulo, levam-no ao útero através dos movimentos ciliares e de
contração peristáltica. Além disso, é o local de fecundação, podendo também servir
como lugar de implantação do embrião (gravidez ectópica).
c) Útero:
É um órgão que possui a forma de uma pêra invertida. Está localizado
anteriormente ao reto e póstero- superiormente à bexiga. Comunica-se lateralmente
com a tuba uterina direita e esquerda e inferiormente (região denominada colo uterino
ou cérvix) com a vagina. O peritônio recobre uma saliência reto-uterina, denominada
fundo de saco de Douglas. É formada por três camadas: perimétrio, representado pelo
peritônio (externa), miométrio (média, musculatura lisa) e endométrio (interno). Essa
musculatura possui uma elevada capacidade para se distender e se contrair.
d) Vagina:
É o órgão de cópula feminino, sendo um tubo de paredes normalmente
(colabadas) que termina inferiormente no óstio da vagina. Essa porção terminal da
vagina é fechada parcialmente por uma membrana delgada denominada hímen (nas
virgens). Tem como função, receber o esperma da uretra do pênis ereto durante o
coito, e também servir como canal do parto e passagem para o material durante a
menstruação.
e) Vulva:
É o órgão genital externo, composto por:
 Monte púbico: é uma elevação constituída principalmente de tecido adiposo e
recoberta de pêlos espessos após a puberdade recobrindo a sínfise púbica;
 Grandes lábios: circunscrevem a vulva através de suas duas pregas cutâneas.
Os lábios encontram-se cobertos de pêlos após a puberdade;
 Pequenos lábios: encontram-se escondidos pelos grandes lábios;
 Vestíbulo da vagina: é o espaço entre os pequenos lábios, local onde se
situam as glândulas vestibulares, que produzem uma secreção lubrificante;
 Clitóris: é uma estrutura extremamente sensível, ligada à excitação sexual
feminina.
f) Períneo:
É um conjunto de estruturas (músculos, aponeuroses, vasos etc.) entre o ânus
e a vagina.

70
Fig. 34.
Aparelho
reprodutor feminino
Fisiologia da ovulação e menstruação
A mulher, ao nascer, possui nos dois ovários mais ou menos 400.000 folículos,
mas somente 300 a 400 deles irão amadurecer desde a menarca (1ª menstruação) até
a menopausa (última menstruação).
A partir da puberdade (11 a 13 anos), a cada mês, um folículo (estrutura que
envolve um óvulo imaturo) de um dos ovários se transforma em uma bolha de líquido
(folículo de Graaf) que migra para a superfície do ovário. Esse folículo produz grande
quantidade de hormônio estrógeno, que estimula a hipófise a secretar o hormônio
luteinizante que acelera a maturação final do folículo. O folículo maduro se rompe,
expulsando o óvulo para a cavidade abdominal (ovulação). Esse período duro cerca
de 14 dias no ciclo menstrual de 28 dias, sendo denominado fase proliferativa ou
estrogênica.
Na fase proliferativa, o estrógeno promove um espessamento do endométrio,
devido ao crescimento dos vasos sangüíneos e as células do folículo rompido passam
a apresentar uma coloração amarelada e, por isso são chamadas de corpo amarelo
ou lúteo.
O corpo lúteo secreta os hormônios estrógeno e progesterona, sob o controle
do hormônio luteotrófico secretado pela hipófise. Devido principalmente à estimulação
da progesterona, a mucosa uterina torna-se mais solta, aumenta a irrigação sangüínea
e o armazenamento de nutrientes. Esta fase é denominada secretora ou
progestacional, e sua duração não varia de acordo com o ciclo menstrual (geralmente
14 dias).
O óvulo, lançado na cavidade abdominal, é captado pelas fímbrias e levado,
através dos movimentos peristálticos e ciliares, da tuba para o útero. Se não ocorrer a
fecundação, o corpo amarelado regride deixando uma cicatriz no ovário, e inicia-se a
fase de descamação do endométrio com a eliminação sangüínea através da vagina.
Esse fenômeno é conhecido como menstruação e dura de três a seis dias.
Reinicia-se o ciclo com o início da maturação do óvulo de outro ovário, sendo
normalmente de 28 a 30 dias o intervalo entre uma menstruação a outra.
 - Menstruação: é o fenômeno de descamação do endométrio, quando não há
óvulo fecundado para implantar.
71
Fecundação
Através de uma relação sexual ocorre a união do óvulo com o espermatozóide,
geralmente no terço distal da tuba.
Antes do ato sexual, as glândulas da região do vestíbulo e da vagina devem
produzir uma secreção que mantenha as estruturas úmidas e propícias à relação
sexual.
Após a ejaculação, o sêmen alcalino deverá neutralizar a acidez vaginal
provocada pelo ácido formado pelas bactérias de Duoderlein. Além disso, a enzima
hialuronidase deverá dissolver o muco do colo uterino. Os espermatozóides deverão
migrar da vagina em direção à tuba, a fim de fecundar o óvulo. A vida máxima do
espermatozóide é de 72 horas e a do óvulo, 24 horas.
O espermatozóide fecundará o óvulo somente no período de ovulação da
mulher (período fértil), ou seja, mais ou menos 14 dias antes do 1º dia menstrual.
Se ocorrer a fecundação, o corpo lúteo persiste até mais ou menos o 4º mês
de gestação, secretando, juntamente com a placenta, os hormônios estrógeno e
progesterona, que provocam alterações orgânicas fundamentais para a gestação e o
trabalho de parto. Esses hormônios impedem a menstruação durante a gravidez.

Fig. 35. Processo da fecundação

72
SISTEMA ENDÓCRINO

Formando o sistema endócrino, temos as glândulas endócrinas, que tem


como função secretar os hormônios que são lançados diretamente na circulação
sangüínea, atingindo locais específicos no organismo, denominados células-alvo onde
desempenham as seguintes funções:
 Metabólicas: controlam a velocidade das reações químicas celulares;
 Morfogenéticas: regulam o crescimento e desenvolvimento do indivíduo ou de
determinados órgãos;
 De equilíbrio endócrino: existe uma inter-relação de todas as glândulas, por
exemplo: quando o nível do hormônio da tireóide está baixo, a hipófise secreta
um hormônio que estimula a tireóide;
 Sexuais e reprodutivas: estimulam ou inibem o desenvolvimento dos
caracteres sexuais;
 Nervosas e mentais: influem na parte psíquica, na formação do caráter e da
personalidade do indivíduo.
Os hormônios são substâncias derivadas de aminoácidos ou de colesterol,
formando 3 tipos de hormônios: proteínas, aminas e esteróides. Eles trabalham de
forma coordenada com o sistema nervoso. As principais glândulas são: hipófise, supra-
renais, tireóide, paratireóide, pâncreas, testículos, ovários, corpo pineal e timo que
serão descritas logo abaixo.
1- Hipófise ou Pituitária:
É uma glândula arredondada em forma de ervilha, medindo cerca de 1,3 cm
diâmetro. Situa-se na parte inferior do encéfalo, na região do diencéfalo, sendo
sustentada pela sela túrcica do osso esfenóide. É considerada a glândula mestra do
organismo, pois secreta hormônios que controlam o funcionamento de outras
glândulas. Divide-se em lobo anterior e lobo posterior.
1.1) Lobo anterior ou adeno-hipófise:
Produz os hormônios importantes, que regulam a secreção dos hormônios da
tireóide das supra-renais e das glândulas sexuais. As secreções hipofisárias são
controladas pelo hipotálamo. Os hormônios secretados pela adeno-hipófise são:
73
 Somatotrofina ou hormônio do crescimento: importante no
metabolismo das proteínas e no crescimento dos indivíduos jovens;
 Tireotrófico (TSH): estimula a glândula tireóide;
 Adrenocorticotrófico ou corticotrofina (ACTH): estimula as glândulas
supra-renais;
 Gonadotróficos: atuam no desenvolvimento das glândulas e órgãos
sexuais, interferem na menstruação, na ovulação, na gravidez e na
lactação. São três tipos de hormônios:
a) Folículo estimulante (FSH):age sobre a maturação dos
espermatozóides e dos folículos ovarianos;
b) Luteinizante - LH:estimula o testículo e o ovário, inclusive a produção
dos hormônios progesterona e testosterona; provoca a ovulação e a
formação do corpo amarelo.
c) Prolactina: mantém o corpo amarelo e sua produção de hormônios, atua
no desenvolvimento das mamas e auxilia na produção do leite.
1.2 ) Lobo posterior ou neuro-hipófise – Os hormônios armazenados nesse lobo na
verdade são produzidos pelo hipotálamo, sendo liberados pela neuro-hipófise quando
há necessidade. Esses hormônios são:
 Antidiurético: Um antidiurético é uma substância que reduz a
quantidade de urina formada. Esse hormônio promove a reabsorção de
água nas estruturas renais formadoras da urina, auxiliando na retenção
de fluído no corpo. A diminuição desse hormônio provoca o diabetes
insípidos, que se caracteriza por eliminação excessiva de urina. Altas
doses desses hormônios provocam contração da musculatura dos vasos
sangüíneos, diminuindo o seu calibre e, conseqüentemente, aumentando
a pressão arterial (por isso é também chamado de hormônio
vasopressina);
 Ocitocina: responsável pelas contrações uterinas durante o trabalho de
parto e também estimula a contração dos alvéolos e ductos das
glândulas mamárias, produzindo o reflexo da eliminação do leite durante
a lactação. A ação desse hormônio nos homens ainda é desconhecida.
Em algumas literaturas, o lobo intermediário é citado, porém é importante
ressaltar que essa parte, definida como uma tira de tecido entre os lobos anterior e
posterior existe apenas no feto, sendo que durante o desenvolvimento fetal suas
células se misturam com as do lobo anterior, e em adultos elas já não constituem uma
estrutura separada.
2- Supra – Renal ou Adrenal
74
Localiza-se na parte superior de cada rim e possui forma piramidal. São
compostas por duas partes que diferem quanto à função e estrutura:
2.1 ) Córtex da supra – renal: A região cortical localiza-se externamente à glândula,
estando sob controle do ACTH secretado pela hipófise. Seus principais hormônios são:
 Aldosterona: regula o equilíbrio de sódio e potássio, principalmente através
dos rins, estimulando a reabsorção de sódio nos túbulos renais e aumentando
a eliminação de potássio. Além disso, provoca menor eliminação de urina;
 Cortisol ou hidrocortisona: atua no metabolismo das proteínas e gorduras,
aumenta a taxa de glicose na corrente circulatória, devido ao menor consumo
de glicose pelos tecidos e ao aumento da resistência à insulina, atenua as
reações celulares para rejeição em casos de transplantes;
 Andrógenos (hormônios masculino), e o estrógeno e progesterona
(hormônios femininos): atuam de maneira discreta, em conjunto com os
hormônios sexuais produzidos pelas gônadas, auxiliando no desenvolvimento
dos caracteres sexuais secundários.
2.2 ) Medula da supra-renal: Situa-se na parte interna da glândula, e está sob controle
do sistema nervoso simpático. Secreta os hormônios:
 Adrenalina: Eleva a taxa de glicose no sangue, aumenta a freqüência cardíaca,
força e amplitude dos batimentos cardíacos, acelera a freqüência respiratória e
melhora a atividade mental;
 Noradrenalina: aumenta a taxa e a força de contração da musculatura
cardíaca, e aumenta a pressão sanguínea, devido à constrição geral dos vasos
sanguíneos.
Esses dois hormônios são importantes no metabolismo dos hidratos de
carbono e da taxa de glicose no sangue. Nas emergências, ocorre o aumento imediato
desses hormônios devido à estimulação do simpático. Eles preparam o corpo para
grandes performances físicas – é a resposta lutar ou fugir.
3- Tireóide:
É a maior glândula endócrina do corpo humano. Situa-se no lado anterior do
pescoço, encontrando-se apoiada nos primeiros anéis da traquéia. Tem a forma de
um H, apresentando os lobos direito e esquerdo, unidos pelo istmo. Produz os
hormônios:
 Triiodotironina (T3) e Tiroxina (T4): Controlam o metabolismo do corpo, aumentando
a síntese de proteínas e taxa de liberação de energia pelos carboidratos. Eles também
regulam o crescimento nos jovens e estão associados com a maturidade sexual e início
da maturação do sistema nervoso;
 Calcitonina: diminui a quantidade de cálcio no sangue, inibindo a liberação desse
mineral pelos ossos.
4- Paratireóide:
São órgãos do tamanho de um grão de trigo, possuindo uma cor amarelada
75
tendendo para o marrom e ficam situados atrás da tireóide, dois do lado direito e dois
do esquerdo. Sintetizam o hormônio:
 Paratormônio ou paratireóideo: que tem como função promover o aumento
de cálcio no sangue, atuando nos ossos, rins e intestino delgado.
5- Pâncreas:
É uma glândula de secreção exócrina, porque produz enzimas digestivas, e
de secreção endócrina, porque produz hormônios. As ilhotas de Langerhans secretam
dois hormônios:
 Insulina: agem na queima da glicose no sangue e controla a produção de
glicogênio no fígado. Para manter a taxa de glicose em níveis normais, o
pâncreas diminui a secreção de insulina quando o nível de glicose no sangue
estiver baixo, e vice-versa;
 Glucagon: aumenta a taxa de glicose no sangue, por estimular o fígado a
liberar glicose para a corrente sangüínea.

6-Testículo:
Seu principal hormônio é a Testosterona, que atua no desenvolvimento dos
caracteres sexuais secundários masculinos e na maturação dos espermatozóides.
Esta glândula está sob controle dos hormônios da hipófise FHS e LH e secreta
também, pequena quantidade, o hormônio estrógeno.
7- Ovário:
Seus principais hormônios são a progesterona e o estrógeno, mas secretam
em pequena quantidade o hormônio masculino.
Os estrógenos: estimulam o desenvolvimento das mamas, dos órgãos
sexuais internos e externos, aumentam a libido e o fluxo sangüíneo no útero e retêm
sódio e água.
A progesterona: é secretada pelo corpo amarelo, pelo córtex da supra-renal
e pela placenta. Sua principal função é preparar o organismo para a gestação através
de:
 Aumento de endométrio uterino, preparando-o para a nidação do óvulo
fecundado;
 Diminuição das contrações uterinas, impedindo a expulsão do ovo;
 Desenvolvimento das glândulas mamárias;
 Inibição da secreção do FSH pela hipófise, para não ocorrer duração a gestação
uma nova ovulação.
8- Glândula Pineal:
É uma glândula pequena, situada no teto do terceiro ventrículo. Seu principal
hormônio secretado é a melatonina, que segue um ritmo circadiano, dependente de
mudanças diárias em função da luz. O papel desse hormônio ainda é controverso.
Acredita-se que ele tenha relação com a produção de gonadotróficos na hipófise.
Portanto, o retardo do início da puberdade pode está associado ao excesso de
melatonina.
9- Timo:
Situa-se no mediastino, atrás do manúbrio do esterno. Ele regride com o início
76
da maturidade sexual. Suas funções são: interferir no controle do crescimento e na
maturação sexual, na defesa contra as infecções, na formação dos anticorpos e no
sistema linfático. Ele secreta o hormônio Timosina, que acredita-se, estimular as
células T (linfócitos especializados).

Localização das principais glândulas do corpo humano

77
ÓRGÃOS DOS SENTIDOS

O ser humano possui cinco órgãos dos sentidos, sendo eles o tato, olfato,
gustação, visão e audição.

Os órgãos dos sentidos levam informações do meio ambiente para o sistema


nervoso e, dessa forma, contribuem para a manutenção do perfeito funcionamento do
organismo. Se os estímulos alcançarem o córtex cerebral, serão eles interpretados
conscientemente. Caso cheguem à medula espinhal ou tronco encefálico, eles podem
iniciar uma resposta motora reflexa.

Funções:

Os órgãos dos sentidos não servem apenas para satisfazer nossas vontades,
mas também para garantir nossa sobrevivência. Através deles que nós temos consciência
do meio ambiente, sendo assim considerados “as janelas do nosso cérebro”, sendo
possível nos proteger de determinadas situações, como por exemplo, nos permitindo sons
de advertência, ver os perigos, evitar substâncias tóxicas, sentir fome, sede e dor. Para
desempenhar suas funções, os órgãos dos sentidos devem possuir:

 Receptor Externo: que tem como papel receber a impressão sensitiva na periferia do
organismo;
 Transmissor: que transportará essa impressão colhida, sendo interpretada e
transformada em percepção.
1- Tato

Permite reconhecer, por exemplo, a forma, a superfície, as dimensões e a


temperatura dos objetos. Existem na pele pontos sensitivos (receptores nervosos táteis e
de pressão) bem determinados para os diversos tipos de sensação.

O ser humano desenvolve o sentido do tato através:

78
 Das terminações nervosas livres: encontradas em todas as partes do corpo, sendo
os receptores mais superficiais. Têm como função detectar a dor, o tato, a pressão, o
calor e o frio. Algumas são particularmente sensíveis a cócegas e coceiras;
 Dos corpúsculos: receptores que definem as sensações de tato fino e pressão.
Encontram-se, principalmente na pele, os corpúsculos de Meissner, Krause, Paccini e
Ruffini.
Após ser captado pelos receptores táteis ou de pressão, o estímulo é então
conduzido pelas fibras nervosas até áreas específicas do cérebro para ser interpretado.

2- Olfato

A membrana olfatória localiza-se no interior do teto da cavidade nasal e possui


milhões de células receptoras para receber os odores das substâncias. As substâncias
devem ser voláteis para atravessar o muco nasal e impressionar as células olfativas.
Essas impressões colhidas são transportadas pelo nervo olfatório até o cérebro, onde
serão interpretadas.

3- Gustação

Existem quatro sensações gustativas primárias, que são sentidas mais


intensamente em determinadas regiões da língua: amargo (parte posterior da língua),
azedo (lados da língua), doce (ápice da língua) e salgado (maior parte da língua, sendo
concentrado mais nas laterais) (Fig.37), mas um indivíduo pode perceber vários sabores
diferentes em decorrência da combinação das quatro sensações primárias e da
interligação com o sentido do olfato. Os receptores gustativos distribuem-se pela língua na
forma de papilas. Podem ser identificadas 3 tipos de papilas (Fig.38), sendo elas: Papilas
circunvaladas (são as maiores, porém em menor quantidade, e estão dispostas na forma
de V invertido e estão dispostas na parte posterior da língua); Papilas fungiformes
(parecem botões e estão no ápice e nos lados da língua); Papilas filiformes (são
pequenas, em forma de fios e estão localizadas sobre os dois terços anteriores da língua).
Essas papilas, com exceção das filiformes, colhem as impressões gustativas das
substâncias dissolvidas na saliva, sendo depois transportadas pelos ramos dos nervos
glossofaríngeo e facial até a área do gosto no cérebro, onde serão interpretadas.

79
Localização dos sabores na língua

Papilas gustativas

4- Visão

Nessa parte, estudaremos os olhos, que são os órgãos responsáveis por refratar
e focalizar os raios luminosos para os fotorreceptores que se localizam na parte de trás de
cada olho e também os órgãos acessórios.

4.1- Anatomia dos Olhos (Fig.39):

O olho é também denominado bulbo ocular, localiza-se em uma cavidade óssea


denominada órbita. Apresenta uma camada protetora (externa), uma vascular (média) e
outra (interna).

A camada externa (fibrosa) compreende:

 A córnea: encontra-se na parte anterior do olho, é transparente e convexa. Ela permite


a refração dos raios luminosos;
80
 A esclera ou esclerótica: é uma continuação da córnea na parte posterior do olho. É
opaca, de coloração esbranquiçada, e sua parte anterior é vista como o “branco do
olho”. Serve como meio de proteção e inserção dos tendões dos músculos motores do
olho.
 A camada média (vascular), ricamente vascularizada é composta:
 Pela Corióide: é uma camada fina, altamente vascularizada que reveste a superfície
interna da esclera. Tem a função de evitar que os raios luminosos sejam refletidos para
fora dos olhos;
 Pelo corpo ciliar: é a porção anterior e mais espessa da corióide, unindo a íris com a
corióide. Ele projeta expansões (processos ciliares) que se prendem aos ligamentos
suspensores da lente ou cristalino;
 Pela íris: parte anterior da camada média. É responsável pela coloração do olho,
situada anteriormente ao cristalino, apresenta uma abertura central chamada pupila.
Devido á presença dos músculos esfíncter e dilatador da pupila, ela se dilata na
presença de pouca luminosidade e se contrai com a luz forte.
A camada interna denomina-se retina, em cuja parte posterior situam-se os
receptores da visão. Essa região é conhecida como fundo do olho, onde se pode
distinguir:

 A mácula: a mácula contém grande quantidade de células fotorreceptoras. Portanto,


é a área de visão mais nítida e cromática (das cores).
 O disco do nervo óptico (ponto cego): é o local onde o nervo óptico emerge da
retina, e não possui células fotorreceptoras.

 O cristalino, ou lente, situa-se atrás da íris e atrás da pupila, prende-se ao


corpo ciliar através do ligamento suspensor da lente. Por ser uma estrutura
elástica, participa do mecanismo da acomodação visual, através de modificação
da sua curvatura:

81
a) Visão de perto: aumenta a capacidade de refração dos raios devido à
forma esférica do cristalino provocada pela contração do músculo ciliar
(existente no corpo ciliar) e relaxamento dos ligamentos suspensores da
lente;
b) Visão à distância: a superfície do cristalino se torna mais plana devido
ao relaxamento do músculo ciliar e à contração dos ligamentos.
 O humor aquoso encontra-se no espaço entre a córnea, a íris e o cristalino. É
secretado pelas células do corpo ciliar, renovando-se constantemente;
 O humor ou corpo vítreo é uma substância gelatinosa existente no espaço
interno do globo ocular.
4.3- Órgãos Acessórios do Olho:

Composto pelos músculos extrínsecos do olho e pelos elementos de proteção do


olho que são supercílios, as pálpebras e as glândulas lacrimais.

 Músculos Extrínsecos do Olho: são músculos motores fixados na esclera que


permitem a movimentação do olho em todas as direções. Permitem também que a
pálpebra superior se levante;
 Supercílios: conhecidos como sobrancelha, impedem que o suor proveniente da fronte
atinja o olho, protegendo-o também contra o sol;
 Pálpebras Superior e Inferior: são pregas móveis que possuem na sua borda livre,
um tipo de pêlo denominando cílio. As pálpebras e os cílios têm como função proteger
os olhos do ressecamento através das piscadas e evitar a entrada de corpos estranhos;
 Conjuntiva: é uma membrana rósea que reveste a parte interna da pálpebra e a porção
do bulbo ocular, com exceção da córnea. Dessa maneira liga o globo ocular com as
pálpebras;
 Aparelho lacrimal: compreende a glândula lacrimal e as vias lacrimais. A glândula
lacrimal situa-se na parte súpero-lateral da órbita, secreta constantemente a lágrima
que umedece o olho. Dessa forma, protege os olhos contra os microorganismos e
corpos estranhos e facilita o deslizamento das pálpebras sobre o bulbo ocular. Em cada
olho existe um ducto nasolacrimal para drenar as lágrimas para a cavidade nasal.
4.4- Fisiologia da Visão:

Os raios luminosos atravessam a córnea, o humor aquoso, o cristalino e o corpo


vítreo. Na retina, aparece uma imagem invertida e reduzida do objeto. Essa informação é
transmitida através do nervo óptico direito e esquerdo até o lobo occipital do cérebro, que
é responsável pela visão. Nesse momento, a imagem é interpretada, penetrando na nossa
consciência em tamanho original e na posição correta. Para regular a distância do objeto,
o olho humano modifica a convexidade do cristalino. A regulagem da incidência da

82
luminosidade é realizada pela alteração do tamanho da pupila, como já vimos
anteriormente.

4.5- Principais Alterações Visuais:

 Miopia: os raios luminosos são focalizados na frente da retina. É corrigida com lente
divergente (convexa).
 Hipermetropia: os raios luminosos são focalizados atrás da retina. Realiza-se uma
correção por meio de lente convergente (Côncava).
 Astigmatismo: é um erro de refração devido à curvatura irregular da córnea ou do
cristalino, portanto, os raios luminosos não irão todos para o ponto focal comum, pois
alguns raios se focalizam na frente de outros. Dessa forma. A imagem torna-se borrada.
 Catarata: é a opacidade do cristalino.

5- Audição

O ouvido é uma unidade anatômica relacionada com:

 A audição, pois capta os estímulos sonoros;


 O equilíbrio, pois responde pela orientação no espaço e pela sensação de equilíbrio.
5.1- Anatomia do Ouvido :

Anatomicamente, o ouvido é dividido em externo, médio e interno.

O ouvido externo compreende:

 O pavilhão auditivo: é uma dobra cutânea, em forma de concha, suportada por uma
placa de cartilagem;
 O meato acústico externo: é um tubo ligeiramente em forma de S, com cerca de 3
cm de extensão, estendendo-se do pavilhão até o tímpano. Sua parede possui pêlos,
glândulas sebáceas e ceruminosas (responsáveis pela produção de cera) que forma
um mecanismo de proteção contra a penetração de corpos estranhos.
 A membrana timpânica: forma um septo entre o meato acústico e o ouvido médio e
reveste a cavidade timpânica.
O ouvido médio abrange a cavidade timpânica cheia de ar situada numa fenda
do osso temporal. A cavidade contém três ossículos auditivos, sendo eles do mais
externo para o mais interno: martelo, bigorna e estribo, interligado através de articulação.
A cavidade do tímpano comunica-se com:
83
 O ouvido externo por meio da membrana timpânica;
 A faringe por meio da tuba auditiva, que mantém a cavidade cheia de ar e com uma
pressão atmosférica igual à do meio externo. Esses dois fatores são importantes para
o bom funcionamento da audição;
 O ouvido interno por meio da janela vestibular ou oval e da janela coclear ou redonda.
O ouvido interno ou labirinto localiza-se no osso temporal, é considerado o
verdadeiro órgão da audição e do equilíbrio, formado pelo labirinto ósseo que envolve e
protege o labirinto membranoso. Entre esses dois labirintos encontra-se um líquido
chamado perilinfa. Já dentro das câmaras tubulares do labirinto membranoso, um outro
líquido é encontrado, sendo ele denominado endolinfa.

O labirinto ósseo compõe-se:

 Pelo vestíbulo: é a porção central do labirinto ósseo. Consiste em uma cavidade oval
onde se localizam as duas vesículas membranosas que são o sáculo e o utrículo;
 Pelo caracol ou cóclea: possui a forma de caracol;
 Pelos canais semicirculares: são em números de três localizados posteriormente ao
vestíbulo;
O labirinto membranoso possui as seguintes estruturas:

 Sáculo e utrículo: que se localizam no vestíbulo;


 Três ductos semicirculares: que se situam nos canais semicirculares e se
comunicam com o utrículo, participam no equilíbrio do corpo informando-nos da
posição do mesmo no espaço;
 Ducto coclear: que se situa na cóclea, comunicando com o sáculo e abriga o órgão
de corti que é a sede dos receptores auditivos, portanto é uma estrutura relacionada
com a audição.
O ouvido interno é inervado pelo nervo vestíbulococlear que contém dois grupos
de fibras: Parte vestibular – relaciona com o equilíbrio, inerva-se o sáculo e o utrículo e os
ductos semicirculares; Parte coclear relaciona-se com a audição está distribuída no Órgão
de Corti (localizado no interior do ducto coclear) e provavelmente no sáculo.

84
Anatomia do ouvido.

5.2- Fisiologia da Audição:

As ondas sonoras interceptadas pelo pavilhão auditivo externo são conduzidas


para o meato acústico externo e, ao chegarem no tímpano, provocam a sua vibração. As
vibrações sonoras, ampliadas e transmitidas pelos ossículos através da janela vestibular
atingem o labirinto membranoso e a endolinfa, que estimula o ducto coclear e o órgão de
Corti. Desses receptores auditivos partem as fibras nervosas cocleares em direção ao
cérebro, levando os impulsos nervosos gerados pelas ondas sonoras, sendo interpretados
no lobo temporal do cérebro.

5.3- Fisiologia do Equilíbrio:

O sáculo, o utrículo e os ductos semicirculares possuem no seu interior a


endolinfa e os receptores sensoriais, e esses conjunto forma o aparelho vestibular.
Durante a movimentação e alterações de postura da cabeça, a endolinfa se agita e
estimula os receptores sensoriais, gerando impulsos nervosos que são levados ao
cérebro através do nervo vestibular.

A manutenção do equilíbrio e da postura do indivíduo é obtida através de


informações recebidas do aparelho vestibular, dos órgãos da visão e dos receptores
localizados nos tendões e cápsulas articulares.

Do cerebelo partem impulsos que integram os arcos reflexos relacionados com o


equilíbrio do corpo e com algumas funções viscerais. Exemplo: o enjôo durante a viagem
de navio é devido a um aumento da excitabilidade do aparelho vestibular.
85
SISTEMA TEGUMENTAR

86
Pele e seus anexos.

Introdução

O Sistema tegumentar compreende a pele e suas estruturas acessórias –


glândulas, pêlos e unhas. Embora não seja freqüentemente considerada como um órgão,
ela é, na verdade, um dos maiores órgãos do corpo humano em termos de superfície e
peso. A pele forma o revestimento externo do corpo, sendo composta por duas camadas:

 Epiderme – camada superficial de células epiteliais unidas.


 Derme - camada mais profunda de tecido conjuntivo. A derme está conectada com a
fáscia dos músculos subjacentes, por uma camada de tecido conjuntivo frouxo
chamada de hipoderme. Em muitas áreas deposita-se gordura no tecido conjuntivo
frouxo, formando assim o tecido adiposo. A hipoderme conecta frouxamente a pele a
fáscia dos músculos subjacentes, o que permite o músculo contrair-se sem repuxar a
pele. Fig. 3.
Funções Do Sistema Tegumentar:

 Recobrir a superfície do corpo como um envoltório protetor contra as agressões


térmicas e a penetração dos microorganismos;
 Participar do equilíbrio térmico através de sua rede de capilares e da excreção de suor;
 Ser responsável pela sensibilidade superficial do corpo através das terminações
nervosas para o tato, a temperatura e a pressão;
 Armazenar gorduras e outros componentes do metabolismo;

87
 Eliminar substâncias tóxicas e residuais através do suor e do sebo (excreção);
 Produção da vitamina “D” pela utilização dos raios ultravioleta do sol que transformam
um dos esteróides (7- deidrocolesterol) encontrado na pele em vitamina D
(colecalciferol).
Pele

Recobre a superfície do corpo e, á nível das cavidades passa a denominar-se


mucosa.

Generalidades Sobre As Camadas Da Pele:

Epiderme (0,12mm):

Constituída por tecido epitelial, cuja camada superior, ao se renovar


constantemente, é substituída pelas células novas provindas da camada inferior. È
avascular e sua nutrição ocorre por difusão á partir dos leitos capilares da derme.
Observam-se áreas de queratinização (deposição da proteína chamada de queratina) na
sola dos pés e nas áreas dos calos. Na camada epitelial inferior, localiza-se:

 Melanina: responsável pela coloração da pele, sendo maior a sua quantidade na raça
negra;
 A camada germinativa: responsável pela renovação das células epiteliais.
Derme

Formada por tecido conjuntivo denso irregular, e contém fibras colágenas e


elásticas. È bem suprida por vasos sangüíneos, linfáticos e nervos. Apresenta as
seguintes características:

 Mantém a pele sob constante elasticidade;


 Forma a impressão digital (existente nos dedos, palma das mãos e dos pés), onde as
papilas se projetam para a epiderme com o formato de cristas separados por sulcos;
 Nutre a epiderme através de sua rede de capilares;
 Possui terminações nervosas táteis, glândulas e músculos eretores do pêlo.
Tela subcutânea (hipoderme): Não é parte da pele, mas é importante porque ela fixa a
pele às estruturas adjacentes (ex: músculos). È formada por tecido conjuntivo frouxo e
células adiposas. È suprida por vasos sanguíneos e terminações nervosas. O tecido
adiposo distribui-se por toda a superfície do corpo, variando de acordo com a idade, sexo,
estado nutricional e taxa de hormônio. Funciona como uma reserva alimentar e de
proteção contra as ações mecânicas (exemplo: a sola dos pés) e o frio. A rede de
capilares sangüíneos nutre as células da pele, participa na regulação sangüínea e no
equilíbrio.

Anexos da pele
88
Compreende os pêlos, unhas e as glândulas.

Unhas

São placas córneas queratinizadas dispostas na superfície dorsal das falanges


distais com função de proteção das extremidades. Possuem como partes a matriz
ungueal, leito ungueal, eponíqueo (cutícula) e hiponíqueo.

Estrutura da unha.

Pêlos

Apresentam uma função protetora e recobrem grande parte da pele e sua


coloração varia de acordo com a quantidade de pigmento (melanina) existente.

Partes: Haste e raiz, estando à primeira acima da pele e a segunda alojada a um


tubo dérmico denominado folículo piloso. Possui uma camada germinativa responsável
pelo seu crescimento. Entre a superfície da pele e o folículo piloso encontra-se o músculo
eretor do pêlo, cuja contração provoca a ereção do pêlo (pele arrepiada). Fig. 5.

Glândulas Sebáceas

Localizam-se na derme e secreta o sebo, cuja função é manter a oleosidade e a


elasticidade dos pelos e da pele. Geralmente o sebo (substância oleosa rica em lipídeos)
é drenado para o folículo piloso. Fig. 5.

89
Fig. 5. Pelo e glândula sebácea.

Glândulas Sudoríparas

Localiza-se na derme com função de regulação da temperatura corpórea, e


secretam o suor, que é liquido composto por água, sais minerais, substâncias tóxicas
(uréia, sulfatos e fosfatos), etc. O suor é drenado das glândulas sudoríparas através de
ducto excretor que atravessa a epiderme e se abre na superfície da pele através de um
poro. Encontram-se em toda a superfície do corpo (principalmente na palma das mãos e
na planta dos pés).

A quantidade de suor secretado depende de fatores como a temperatura e


umidade do meio, a quantidade de atividade muscular e de várias condições que causam
fadiga.

Glândulas Mamárias

São anexos da pele, pois seu parênquima é formado por glândulas cutâneas
modificadas que se especializaram na produção do leite após a gestação. Situam-se
ventralmente aos músculos da região peitoral, entre as camadas superficial e profunda da
tela subcutânea. Fig. 6.

Inicia-se na menina o desenvolvimento das mamas durante a puberdade, pois


os hormônios sexuais femininos provocam deposição de gorduras no tecido subcutâneo,
além do crescimento do sistema de ductos e da espessura do tegumento. Cada mama
possui de quinze a vinte glândulas alveolares ou lobo, e de cada uma delas parte um
ducto lactífero para a região do mamilo. Os ductos podem possuir dilatação (seios
lactíferos) para o armazenamento de leite durante a amamentação. O primeiro leite
secretado após o parto denomina-se colostro que contém todos os nutrientes facilmente
digestíveis pelo recém-nascido sendo rico em substâncias de defesa da mãe. A porção

90
mais saliente e pigmentada da mama denomina-se auréola, cuja estrutura facilita a
sucção durante o aleitamento.

Corte transversal da mama.

SEGURANÇA EM SAÚDE

91
CONCEITO DE BIOSSEGURANÇA
O conceito de biossegurança vem sem tornando cada dia mais amplo no Brasil e no
mundo. O termo pode ser analisado em aspectos diversos, partindo de organismos
geneticamente modificados ( transgênicos) ate a segurança ocupacional vivida no dia
a dia de suas instituições. A introdução desta disciplina cientifica como as discussões
geradas pela implementação da nova lei de biossegurança no Brasil – Lei Nº 11.105,
de 24 de março de 2005, tem dado respaldo para a expansão dos conhecimentos
nessa área.

O QUE É BIOSSEGURANÇA?

Surgiu no século 20, voltada para a diminuição dos riscos na pratica de diferentes
tecnologias, seja no âmbito laboratorial ou ambiental.

O objetivo de quem aplica as normas de biossegurança e de sempre reconhecer fontes


de perigo, avaliar situações risco que a fonte oferece e controlá-los, tomando decisões
técnicas ou administrativas para promover mudanças que resultem em soluções dos
problemas e garantia da segurança.

Em todo o mundo a biossegurança e regida por leis extremamente especificas. Suas


determinações exigem cada vez mais empenho para a adequação dos padrões de
segurança das organizações e dos procedimentos que envolvam novos processos
tecnológicos. No Brasil, a lei de Biossegurança vem sendo amplamente debatida,
tornando-se tema para discussões internacionais.

Podemos ainda entender que Biossegurança é um termo que se aplica ao conjunto de


ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes as
atividades de pesquisa produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de
serviços. Riscos também podem comprometer a saúde do homem, animais, do meio
ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos.

Reconhecer fontes de perigo, avaliar as situações de risco que essa fonte oferece e
controlá-las, tomando decisões técnicas e/ou administrativas para promover
mudanças.

92
Risco e Perigo
RISCO é o perigo mediado pelo conhecimento que se tem da situação. É o que temos
como prevenir.

PERIGO existe enquanto não se conhece a situação. É o desconhecido ou mal


conhecido.

Tipos de riscos
• Físicos;

• Ergonômicos;

• Químicos;

• Biológicos;

• Mecânicos ou de Acidentes.

Mapa de risco
Riscos Físicos

Agentes Possíveis Danos a Saúde


Ruído Cansaço, irritação, dores de cabeça, diminuição
da audição, aumento da pressão arterial,
taquicardia etc.
Calor Isolação, prostração térmica, cãibras, catarata.
Alterações celulares, câncer, problemas nos
olhos etc.
Radiação Ionizante Dores nas articulações, ruptura do tímpano,
embolia gasosa etc.

Condições Queimaduras lesões nos olhos etc.


Hiperbáricas
Radiações não Cansaço dores nas articulações, lesões ósseas,
problemas circulatóriose etc.
Ionizantes
Frio Necrose da pele, vaso constrição, amputação
do membro lesado etc.

93
Umidade Doenças do aparelho circulatório e do
respiratório, doenças da pele e etc.
Riscos
Químicos
Agentes Possíveis Danos a Saúde
Poeiras Minerais, Doenças respiratórias, dor de cabeça, náuseas,
vegetais, Névoas, sonolência, convulsões, ação depressiva sobre
Neblinas, Gases, o sistema nervoso, danos a diversos órgãos
Vapores, Produtos etc.
químicos em Geral
Riscos Biológicos

Agentes Possíveis Danos a Saúde


Vírus, fungos, Diversas doenças contagiosas, intoxicações
bactérias, alimentares, doenças generalizadas etc.
protozoários,
parasitas,
bacilos
Riscos Ergonômicos
Agentes Possíveis Danos a Saúde
Postura Inadequada Diversas doenças osteomusculares

Repetitividade relacionadas com o trabalho

Levantamento e
transporte manual de
peso
Riscos de Acidentes
Agentes Possíveis Danos a Saúde
Incêndios/Explosão Queimaduras, cortes, quedas,

Ferramentas traumatismos diversos, morte

Improvisadas

94
Maquinas sem
proteção Layout
inadequado
choque elétrico

Símbolos Aplicados a Biossegurança

Como nos proteger durante nosso


trabalho
• Controle médico do pessoal;
• Higiene pessoal;
• Vacinação – (Tétano, hepatite
• Lavagem das Mãos;
B e Febre Amarela);
• Descontaminação ambiental, • Equipamentos de Proteção
mediante procedimento de Individual;
contenção e desinfecção;
• Equipamentos de Proteção
• Eliminação de dejetos contaminados
Coletiva.
em condições de segurança;

EPI’S – EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

95
96
97
Acidentes

De acordo com a definição do art. 19 da Lei 8.213, de 24.07.1991, acidente do trabalho


e o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do
trabalho dos segurados especiais, “provocando lesão corporal ou perturbando
funcional que cause amorte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da
capacidade para o trabalho”.
Como se nota, acidente do trabalho e o infortúnio ocorrido em razão do trabalho,
gerando incapacidade ou morte.

Devido aos seus impactos sociais, econômicos e financeiroso acidente do trabalho


tem sido alvo de discussão ente os diversos segmentos da sociedade, por esse
motivo, a legislação brasileira tem evoluído no sentido de disciplinar a matéria
assegurando os direitos previdenciários dos trabalhadores e o compromisso tanto dos
empresários quanto do próprio estado.

Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho

O serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT tem as


seguintes competências:

• Aplicar conhecimentos de engenharia de segurança e de medicina do trabalho


ao ambiente de trabalho e a todos os seus componentes, inclusive máquinas e
equipamentos, visando a eliminar ou reduzir riscos a saúde do trabalhador. Realizar
inquéritos sanitários nos locais de trabalho.
• Realizar exames pré admissionais, periódicos e especializados, inclusive
provas biológicas e outras necessárias aos fins previstos.

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• Planejar e coordenar programas de educação sanitária e alimentar para os
trabalhadores, divulgando conhecimentos que visem a prevenção de doenças do
trabalho.

Resumo das Norma Regulamentadora - NR32

NR 32 - Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho em

Estabelecimentos de Assistência à Saúde: tem por finalidade estabelecer as


diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à
saúde dos trabalhadores em estabelecimentos de assistência à saúde, bem como
daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral.

Resíduos De Serviços De Saúde-RSS

Resolução N. º 283, de 12 de julho de 2001.

Dispõe sobre o tratamento e a destinação final dos resíduos dos serviços de saúde;
Conselho Nacional do Meio Ambiente- (CONAMA)

Grupo A (Potencialmente infectantes):

Resíduos com a possível presença de agentes biológicos que por suas


características de maior virulência ou concentração, podem apresentar
riscos de infecção.

Grupo B (Químicos):

Resíduos contendo substâncias químicas que apresentam riscos à


saúde pública ou ao meio ambiente, independente de suas
características de inflamabilidade,

corrosividade, reatividade e toxicidade.

Grupo C (Rejeitos radioativos):

99
Quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenha
radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de isenção
especificados nas normas da CNEM. Para os quais a reutilização é imprópria ou não
prevista.

Grupo D (Resíduos comuns):

Resíduos que não apresentam riscos biológicos, químicos ou


radiológicos à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparadas aos resíduos
domiciliares.

Grupo E (Perfuro cortantes):

São objetos e instrumentos contendo cantos, bordas, pontos ou


protuberâncias rígidas e agudas, capazes de cortar ou perfurar. Todo o
grupo dos RSS tem suas formas específicas de:

• Separação;

• Identificação;

• Acondicionamento;

• Armazenamento;

• Transporte;
• Descarte.

100
Descarte de lixo

HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

É a medida individual mais simples e menos dispendiosa para prevenir a propagação das infecções
relacionadas à assistência à saúde. Recentemente, o termo “lavagem das mãos” foi substituído por
“higienização das mãos” devido à maior abrangência deste procedimento. Otermo engloba a
higienização simples, a higienização antisséptica, a fricção antisséptica e a antissepsia cirúrgica das
mãos, que serão abordadas mais adiante.

Por quê fazer?

101
As mãos constituem a principal via de transmissão de microrganismos durante aassistência prestada
aos pacientes, pois a pele é um possível reservatório de diversos microrganismos, que podem se
transferir de uma superfície para outra, por meio de contato direto (pele com pele), ou indireto, através
do contato com objetos e superfícies contaminados.

A pele das mãos alberga, principalmente, duas populações de microrganismos: ospertencentes à


microbiota residente e à microbiota transitória. A microbiota residente é constituída por microrganismos
de baixa virulência, como estafilococos, corinebactérias e micrococos, pouco associados às infecções
veiculadas pelas mãos. É mais difícil de ser removida pela higienização das mãos com água e sabão,
uma vez que coloniza as camadas mais internas da pele.

A microbiota transitória coloniza a camada mais superficial da pele, o que permite sua remoção
mecânica pela higienização das mãos com água e sabão, sendo eliminada com mais facilidade quando
se utiliza uma solução antisséptica. É representada,tipicamente, pelas bactérias Gram-negativas, como
enterobactérias (Ex: Escherichia coli), bactérias não fermentadoras (Ex: Pseudomonasaeruginosa),
além de fungos e vírus.

Para que higienizar as mãos?

A higienização das mãos apresenta as seguintes finalidades:

Remoção de sujidade, suor, oleosidade, pelos, células descamativas e da microbiota da pele,


interrompendo a transmissão de infecções veiculadas ao contato. Prevenção e redução das infecções
causadas pelas transmissões cruzadas.

Quem deve higienizar as mãos?

Devem higienizar as mãos todos os profissionais que trabalham em serviços de saúde, que mantém
contato direto ou indireto com os pacientes, que atuam na manipulação de medicamentos, alimentos e
material estéril ou contaminado.

IMPORTANTE

De acordo com os códigos de ética dos profissionais de saúde, quando estes colocam em risco a saúde
dos pacientes, podem ser responsabilizados por imperícia, negligência ou imprudência. Indicação da
lavagem das mãos:
• Após tocar fluídos, secreções e itens contaminados;

• Após a retirada das luvas;

• Antes de procedimentos no paciente;

• Entre contatos com pacientes;

102
• Entre procedimentos num mesmo paciente;

• Antes e depois de atos fisiológicos;

• Antes do preparo de soros e medicações.

• Para a realização da lavagem das mãos necessitamos das seguintes instalações físicas:

• Pia;

• Saboneteira suspensa e vazada para sabonete em barra ou dispensador de sabonete líquido. No


caso de dispensador, se não for descartável, estabeleça uma rotina de limpeza semanal;
• Toalheiro com toalhas de papel;

• Torneira com fechamento automático, preferivelmente;

• Partes da mão com maior concentração bacteriana: (Pontas dos dedos, meio dos dedos e
polegares).

Técnica da lavagem das mãos:

• Posicionar-se sem encostar na pia;

• Abrir a torneira;
• passar o sabão (líquido ou barra) na mão;

• Friccionar as mãos dando atenção às unhas, meio dos dedos, polegar, palmas e dorso das mãos
(tempo aproximado de 15 segundos);
• Enxaguar as mãos deixando a torneira aberta;
• Enxugar as mãos com papel toalha;

• Fechar a torneira com a mão protegida com papel toalha, caso não tenha fechamento automático.

As técnicas de higienização das mãos podem variar,dependendo do objetivo ao qual se destinam. Podem
ser divididas em:
• Higienização simples das mãos.

• Higienização antisséptica das mãos.

• Fricção de antisséptico nas mãos.

• Antissepsia cirúrgica ou preparo pré-operatório das mãos.

A eficácia da higienização das mãos depende da duração e da técnica empregada.

IMPORTANTE

103
Antes de iniciar qualquer uma dessas técnicas, é necessário retirar jóias (anéis, pulseiras, relógio), pois
sob tais objetos podem acumular-se microrganismos.

Quadro 1: Espectro antimicrobiano e características de agentes antissépticos utilizados para


higienização das mãos.

104
105
CONTAMINAÇÃO

É a presença de agente infeccioso na superfície do corpo, no vestuário e nas roupas de cama,


brinquedos, instrumentos e outros objetos inanimados e em substâncias como água e leite.

Limpeza, desinfecção ou esterilização de áreas e artigos hospitalares.

Limpeza

Operação para a remoção de sujidades com finalidade de manter o asseio e a higiene com água,
sabão ou detergente.

Desinfecção

Processo em que são destruídos os microrganismos em sua forma vegetativa. É realizado


através de agentes químicos (Fenólicos, Quaternários de amônia, Compostos orgânicos e
inorgânicos de cloro, Iodo, álcool, Glicóis e Biguanidas).

Esterilização

É a eliminação total de todos os microrganismos na forma vegetativa ou esporulada.

Físico:Calor úmido (autoclave);

Calor seco (estufa);

Irradiação

Químico: soluções e gás

DEFINIÇÕES/TERMINOLOGIAS Imunologia

É o ramo da biologia que estuda o sistema imunitário (ou imunológico). Ele lida, entre outras
coisas, com o funcionamento fisiológico do sistema imune de um indivíduo no estado sadio ou
não, mau funcionamento do sistema imune em casos de doenças imunológicas (doenças
autoimunes, hipersensibilidade, deficiência imune rejeição pós-enxerto); características físicas,
químicas e fisiológicas dos componentes do sistema imune in vitro, in situ e in vivo.

Parasitologia

É a ciência que estuda os parasitas, os seus hospedeiros e relações entre eles.


106
Microbiologia

É o ramo da biologia que estuda os microrganismos, incluindo eucariontesunicelulares e


procariontes, como as bactérias, fungos e vírus.

Saúde

A definição de saúde varia de acordo com algumas implicações legais, sociais e econômicas
dos estados de saúde e doença; sem dúvida, a definição mais difundida é a encontrada no
preâmbulo da Constituição da Organização Mundial da Saúde: Saúde é um estado de completo
bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença.

Doenças

Denominação genérica de qualquer desvio da normalidade da saúde; moléstia; agravo à saúde.

Tipos de Doenças

Doenças congênitas são aquelas adquiridas antes do nascimento ou até mesmo depois do
mesmo, no primeiro mês de vida, seja qual for a sua causa. Dentre essas doenças, aquelas
caracterizadas por deformações estruturais são denominadas anormalidades. Essas doenças,
caso não sejam visíveis, podem ser descobertas através do "teste do pezinho" no qual é
recolhida uma gota de sangue do calcanhar do bebê (normalmente entre o quarto e o sétimo
dia de vida). São exemplos de doenças congênitas: fenilcetonúria, tirosinemia e homocistinúria.
Por ex: Uma grávida que apanhe rubéola transmite malformações ao feto, mas não de forma
hereditária e sim congênita. Nota: Quase toda a doença hereditária é congênita (mas pode não
se manifestar à nascença), no entanto, nem todas as doenças congênitas são hereditárias.

Doenças hereditárias são um conjunto de doenças genéticas caracterizadas por transmitir-se


de geração em geração, isto é de pais a filhos, na descendência e que se pode ou não manifestar
em algum momento de suas vidas.

Doenças adquiridas - aquele que se adquire no meio em que se vive. Ex: Gripe, AIDS,
Tuberculose, uma facada, um soco, uma lesão por acidente entre outros.

Endemia: É a prevalência usual de determinada doença, com relação a uma área, cidade,
estado ou país. Representa o número esperado de casos em uma população, em determinando
período de tempo.
107
Epidemia: É a ocorrência muito elevada de determinada doença, com relação a uma área,
cidade ou país. Representa o número muito acima do esperado de casos em uma população,
em determinado período de tempo.

Epidemiologia: É o estudo da distribuição e dos fatores determinantes da frequência de uma


doença; a epidemiologia trata de dois aspectos fundamentais: a distribuição (idade, raça, sexo,
geografia) e os fatores determinantes da frequência (tipo de patógeno, meio de transmissão,
etc.); em resumo: estuda os fatores responsáveis pela existência ou aparecimento de uma
doença ou outro evento (acidentes, vendavais, etc.).

Fase aguda: É a fase da doença que surge após a infecção onde os sintomas clínicos são mais
nítidos (febre alta, parasitemia elevada, etc.). É um período de definição: o paciente se cura,
passa para a fase crônica ou morre.

Fase crônica: É a fase que se segue à fase aguda, na qual o paciente apresenta sintomas
clínicos mais discretos, havendo um certo equilíbrio entre os hospedeiros e o agente etiológico
e, usualmente, a resposta imunológica é bem elevada.

VÍRUS

Os vírus são seres simples, constituídos por uma cápsula proteica, o capsídeo, envolvendo o
material genético, que pode ser o DNA ou o RNA, variando de acordo com cada tipo de vírus.
Característica esta, exclusiva dos vírus, já que em todos os outros seres vivos existem os dois
ácidos nucléicos.

São considerados seres vivos por apresentarem três características essenciais:

• Formam-se de ácidos nucléicos e proteínas;

• Possuem capacidade de auto reprodução;


• São suscetíveis a mutações.
Os vírus são visíveis apenas ao microscópio eletrônico, e medem entre 10 a 300 nanômetros.
Ele só apresenta atividade vital quando estão no interior de células vivas, nas quais podem se
reproduzir, utilizando-se do material genético das mesmas, uma vez que não possui
equipamento necessário para metabolizar.

Alguns vírus possuem um envelope lipoprotéico oriundo da membrana plasmática da célula


hospedeira, são designados envelopados.
108
Os ciclos reprodutivos são basicamente dois: o ciclo lítico e o ciclo lisogênico. O ciclo lítico é o
ciclo em que a célula é destruída, os vírus que o provocam, líticos ou virulentos. Quando a célula
é preservada, o ciclo é lisogênico e os vírus são chamados temperados ou nãovirulentos. A
alteração do ciclo lisogênico em lítico recebe o nome de indução.

FUNGOS

Na natureza há diferentes tipos de fungos. Podemos dizer que eles são uma forma de vida
bastante simples. Com relação às diferenças, existem aqueles que são extremamente
prejudicais para a saúde do homem, causando inúmeras enfermidades e até intoxicação.
Encontramos também os que parasitam vegetais mortos e cadáveres de animais em
decomposição. Temos também os que são utilizados para alimento e até aqueles dos quais se
pode extrair substâncias para a elaboração de medicamentos, como, por exemplo, a penicilina.

Durante muitos anos, os fungos foram considerados como vegetais, porém, a partir de 1969,
passaram a ser classificados em um reino à parte. Por apresentarem características próprias, tais
como: não sintetizar clorofila, não possuir celulose na sua parede celular (exceto alguns fungos
aquáticos), e não armazenar amido como substância de reserva,eles foram diferenciados das
plantas.

Os fungos são seres vivos eucarióticos, com um só núcleo. Estão incluídos neste grupo
organismos de dimensões consideráveis, como os cogumelos, mas também muitas formas
microscópicas, como bolores e leveduras. Diversos tipos agem em seres humanos causando
várias doenças como, por exemplo, micoses.

Outro tipo importante de fungo é o mofo, que surge através dos espórios, células quase
microscópicas que encontramos flutuando no ar. Os espórios preferem locais escuros e úmidos
para realizar a reprodução. Em função desta característica, nota-se uma maior quantidade de
mofo em ambientes úmidos, como paredes, gavetas, armários, etc. Estas mesmas células
minúsculas também se agrupam em pães, frutas e vegetais, pois buscam alimentos em ambientes
propícios para o seu desenvolvimento.

Os diversos tipos de micoses que conhecemos são originadas por micro fungos, atingindo os
seres humanos com maior frequência nos países tropicais (clima úmido e quente), como no Brasil,
por exemplo. Na maior parte das vezes, o tratamento para este mal é complicado por tratar-se de
uma forma de vida daninha e oportunista. Mas há pesquisas avançadas e trabalhos importantes

109
a respeito deste assunto. Muitos medicamentos estão sendo desenvolvidos com o objetivo de
livrar o ser humano desta companhia desagradável e prejudicial.

Curiosidade:

Os fungos são encontrados no solo, na água, nos vegetais, em animais, no homem e em detritos
em geral. O vento age como importante condutor espalhando seus propágulos e fragmentos de
hifa.

Principais aspectos positivos e negativos dos fungos:

Aspectos positivos Aspectos negativos

Micorrizas
Biomassa
Controle biológico
Maiores decompositores do Doenças ( micoses) no

planeta homem, animais e plantas

Biotransformadores ( queijos, Micotoxicose s

cerveja, vinho, pão, missô, Alergias


molho de soja, etc.) Biodeterioração
Produtores de antibióticos,
enzimas, vitaminas, hormônios
de crescimento vegetal.

Reprodução assexuada

Propagação vegetativa

Todos os fungos filamentosos podem liberar fragmentos de micélio por ação do vento, de água
corrente, animais, pessoas e objetos que entrem em contato com o micélio provocando sua
quebra. Os fragmentos encontrando substrato e condições ambientais favoráveis desenvolverão
outros micélios que serão ser idênticos ao micélio original a menos que contenham núcleos
mutantes.

Brotamento
110
Brotamento ou gemulação é um processo que ocorre em leveduras. Na superfície celular
formam-se pequenas projeções - brotos ou gêmulas - que crescem, englobam material
citoplasmático e um núcleo e posteriormente liberam-se da célula-mãe. A célula-filha é
geneticamente idêntica a genitora.

Esporulação

Muitas espécies de fungos reproduzem-se assexuadamente pela produção de esporos


vegetativos. Os esporos são células dotadas de paredes resistentes que germinam produzindo
hifas.

Em certas espécies de fungos aquáticos, os esporos são dotados de flagelos que constituem
uma adaptação para dispersão no meio aquático. Esses esporos, por serem móveis e nadarem
ativamente, são denominados de zoósporos.

Reprodução sexuada

Fusão das extremidades de duas hifas provenientes de esporos diferentes.

MICOSES

Micoses superficiais da pele O que são?


As micoses superficiais da pele, em alguns casos chamadas de "tineas", são infecções
causadas por fungos que atingem a pele, as unhas e os cabelos. Os fungos estão em toda
parte podendo ser encontrados no solo e em animais. Até mesmo na nossa pele existem fungos
convivendo "pacificamente" conosco, sem causar doença.

A queratina, substância encontrada na superfície cutânea, unhas e cabelos, é o "alimento" para


estes fungos. Quando encontram condições favoráveis ao seu crescimento, como: calor,
umidade, baixa de imunidade ou uso de antibióticos sistêmicos por longo prazo (alteram o
equilíbrio da pele), estes fungos se reproduzem e passam então a causar a doença.

Manifestações clínicas

Existem várias formas de manifestação das micoses cutâneas superficiais, dependendo do local
afetado e também do tipo de fungo causador da micose. Veja, abaixo, alguns dos tipos mais
frequentes:

111
Tinea do corpo ("impingem"): forma lesões arredondadas, que coçam e se iniciam por ponto
avermelhado que se abre em anel de bordas avermelhadas e descamativas com o centro da
lesão tendendo à cura.

Tinea da cabeça: mais frequente em crianças, forma áreas arredondadas com falhas nos
cabelos, que se apresentam cortados rente ao couro cabeludo nestes locais (tonsurados). É
muito contagiosa.

Tinea dos pés: causa descamação e coceira na planta dos pés que sobe pelas laterais para a
pele mais fina.

Tinea interdigital ("frieira"): causa descamação, maceração (pele esbranquiçada e mole),


fissuras e coceira entre os dedos dos pés. Bastante frequente nos pés, devido ao uso constante
de calçados fechados que retém a umidade, também pode ocorrer nas mãos, principalmente
naquelas pessoas que trabalham muito com água e sabão.

Tinea inguinal ("micose da virilha, jererê"): forma áreas avermelhadas e descamativas com
bordas bem limitadas, que se expandem para as coxas e nádegas, acompanhadas de muita
coceira.

Micose das unhas (onicomicose): apresenta-se de várias formas: descolamento da borda livre
da unha, espessamento, manchas brancas na superfície ou deformação da unha. Quando a
micose atinge a pele ao redor da unha, causa a paroníquia ("unheiro"). O contorno ungueal
fica inflamado, dolorido, inchado e avermelhado e, por consequência, altera a formação da unha,
que cresce ondulada.

Intertrigocandidiásico: provocado pela levedura Cândida albicans, forma área avermelhada,


úmida que se expande por pontos satélites ao redor da região mais afetada e, geralmente,
provoca muita coceira.

Pitiríase versicolor ("micose de praia, pano branco"): forma manchas claras recobertas por
fina descamação, facilmente demonstráveis pelo esticamento da pele. Atinge principalmente
áreas de maior produção de oleosidade como o tronco, a face, pescoço e couro cabeludo.

Tinea negra: manifesta-se pela formação de manchas escuras na palma das mãos ou plantas
dos pés. É assintomática.

112
Piedra preta: esta micose forma nódulos ou placas de cor escura grudados aos cabelos. É
assintomática.

Piedra branca: manifesta-se por concreções de cor branca ou clara aderidas aos pelos. Atinge
principalmente os pelos pubianos, genitais e axilares e as lesões podem ser removidas com
facilidade puxando-as em direção à ponta dos fios.

Como evitar as micoses ?

Hábitos higiênicos são importantes para se evitar as micoses.

Previna-se seguindo as dicas abaixo:

• Seque-se sempre muito bem após o banho, principalmente as dobras de pele como as
axilas, as virilhas e os dedos dos pés.
• Evite ficar com roupas molhadas por muito tempo.

• Evite o contato prolongado com água e sabão.


• Não use objetos pessoais (roupas, calçados, pentes, toalhas, bonés) de outras pessoas.

• Não ande descalço em pisos constantemente úmidos (lava pés, vestiários, saunas).
Observe a pele e o pelo de seus animais de estimação (cães e gatos). Qualquer alteração
como descamação ou falhas no pelo procure o veterinário.
• Evite mexer com a terra sem usar luvas.

• Use somente o seu material de manicure.

• Evite usar calçados fechados o máximo possível. Opte pelos mais largos e ventilados.
• Evite roupas quentes e justas.
• Evite os tecidos sintéticos, principalmente nas roupas de baixo. Prefira sempre tecidos
leves como o algodão.

Tratamento

O tratamento vai depender do tipo de micose e deve ser determinado por um médico
dermatologista. Evite usar medicamentos indicados por outras pessoas, pois podem mascarar
características importantes para o diagnóstico correto da sua micose, dificultando o tratamento.

Podem ser usadas medicações locais sob a forma de cremes, loções e talcos ou medicações
via oral, dependendo da intensidade do quadro. O tratamento das micoses é sempre
prolongado, variando de cerca de 30 a 60 dias. Não ointerrompa assim que terminarem os
113
sintomas, pois o fungo nas camadas mais profundas pode resistir. Continue o uso da medicação
pelo tempo indicado pelo seu médico.

As micoses das unhas são as de mais difícil tratamento e também de maior duração, podendo
ser necessário manter a medicação por mais de doze meses. A persistência é fundamental
para se obter sucesso nestes casos.

MICOSES SUBCUTÂNEAS

Características gerais:

• Presente no solo, água e vegetais em decomposição;

• Lesões a partir de um ponto de inoculação (arranhões e perfurações); Acometem também


o sistema linfático.
• América Central, México, América do Sul, Japão, África do Sul e Romênia.

• orotricose linfática

• Esporotricose disseminada: AIDS

MICOSES PROFUNDAS

Incluem-se neste grupo infecções fúngicas que afetam a profundidade da peleousubcutâneas


(por exemplo, Esporotricose e Cromomicose) e aquelas que se instalam e órgãosinternos (por
exemplo, Blastomicose,Criptococose). Na micose subcutânea normalmente a infecção fica
restrita à pele. Enquanto na micose profunda propriamente dita, os fungosse espalham através
da circulaçãosanguíneae linfática. Podem infectar a pele e órgãosinternos como
pulmões,intestinos,ossose até mesmo o sistema nervoso:

• São adquiridas através da inalação

• É disseminada através da corrente sanguínea e linfática

• Está presente nas fezes de aves (vivem em cavernas) – Doença das Cavernas

CONCLUSÃO

Se os riscos são assumidos como peculiaridades “Naturalizadas” de objetos e meios de trabalho


descontextualizados do processo de trabalho em saúde, as medidas de intervenções acabam
por restringir a intervenções pontuais sobre os riscos mais evidentes;
114
• Enfatizam a utilização de EPI’s, normatizam-se formas de trabalhar consideradas
seguras, o que em determinadas circunstâncias, conforma apenas um quadro de prevenção
simbólica;
• A visão da Medicina do Trabalho ainda é predominante nas análises de acidentes em
instituições de saúde, individualizando-os e prevalecendo a concepção de “ato inseguro”.
Privilegiam as normas de condutas individuais reforçando a responsabilidade individual do
trabalhador pelo acidente;
• A parceria entre os técnicos e os trabalhadores facilitaria a compreensão, participação e
desenvolvimento do processo de Biossegurança nas Instituições de Saúde;
• Um dos grandes problemas é que a Dimensão Psicossocial não é incorporada na
compreensão dos acidentes;
• Isso justifica a necessidade de maior difusão de conhecimento e formação de
trabalhadores na área de Biossegurança em que a Dimensão Psicossocial seja um aspecto
operante neste campo.

LEGISLAÇÃO EM SAÚDE E BIOÉTICA

ÉTICA: se refere à reflexão crítica sobre o comportamento humano e no ensino de enfermagem


a disciplina faz “parar para pensar” a responsabilidade profissional, busca da autonomia, do agir
com competência, em mobilizar conhecimentos para julgar e eleger decisões para a prática
profissional democrática. Ao conceituar ética, enquanto disciplina, FORTES (1998) se refere à
reflexão crítica sobre o comportamento humano, reflexão que interpreta, discute e problematiza,
investiga os valores, princípios e o comportamento moral, à procura do “bom”, da “boa vida”, do
“bem-estar da vida em sociedade”. A tarefa da ética é à procura de estabelecimento das razões
que justificam o que “deve ser feito”, e não o “que pode ser feito”. É a procura das razões de fazer
115
ou deixar de fazer algo, de aprovar ou desaprovar algo, do que é bom e do que é mau, do justo e
do injusto. A ética pode ser considerada como uma questão de indagações e não de normatização
do que é certo e do que é errado. A Ética teria surgido com Sócrates, pois se exigi maior grau de
cultura. Ela investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição,
educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Vásquez (1998) aponta que
a Ética é teórica e reflexiva, enquanto a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra,
havendo um inter-relacionamento entre ambas, pois na ação humana, o conhecer e o agir são
indissociáveis.

MORAL: é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e


estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. Durkheim explicava
Moral como à “ciência dos costumes”, sendo algo anterior à própria sociedade. A Moral tem
caráter obrigatório. A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência Moral que
o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando o homem
passou a fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras
tribos.

DEONTOLOGIA: O termo Deontologia surge das palavras gregas “déon, déontos” que significa
dever e “lógos” que se traduz por discurso ou tratado. Sendo assim, a deontologia seria o tratado
do dever ou o conjunto de deveres, princípios e normas adotadas por um determinado grupo
profissional. A deontologia é uma disciplina da ética especial adaptada ao exercício da uma
profissão. Existem inúmeros códigos de deontologia, sendo esta codificação da responsabilidade
de associações ou ordens profissionais. Regra geral, os códigos deontológicos têm por base as
grandes declarações universais e esforçam-se por traduzir o sentimento ético expresso nestas,
adaptando-o, no entanto, às particularidades de cada país e de cada grupo profissional. Para,
além disso, estes códigos propõem sanções, segundo princípios e procedimentos explícitos, para
os infratores do mesmo. Alguns códigos não apresentam funções normativas e vinculativas,
oferecendo apenas uma função reguladora. A declaração dos princípios éticos dos psicólogos da
Associação dos Psicólogos Portugueses, por exemplo, é exclusivamente um instrumento
consultivo. Embora os códigos pretendam oferecer uma reserva moral ou uma garantia de
conformidade com os Direitos Humanos, esses podem, por vezes, constituir um perigo de
monopolização de uma determinada área ou grupo de questões, relativas a toda a sociedade, por
um conjunto de profissionais.

116
BIOÉTICA: No termo bioética, bio representa o conhecimento biológico, a ciência dos sistemas
viventes, enquanto ética, representa o conhecimento dos sistemas dos valores humanos. O
nascimento da bioética como disciplina coincide, com um retorno do interesse da parte da ética
filosófica pela ética prática; um interesse motivado pela urgência de fornecer um adequado
fundamento ao debate público e as legislações e de conduzir o diálogo no contexto das
sociedades pluralistas e democráticas. A bioética atribui-se a função fascinante de dar plenitude
de sentido, conhecimentos no campo das ciências da vida e da saúde e orientar a expansão dos
conhecimentos técnicos e científicos para o bem autêntico e integral da pessoa humana. A
definição mais aceita do termo bioética é, sem dúvida aquela dada pela - Enciclopédia da Bioética:
“É o estudo sistemático do comportamento perspectivo a luz dos valores e princípios morais”.

Qual a diferença entre negligência, imprudência e imperícia?

A negligência é uma falta de cuidado ou desleixo relacionado a uma situação. A imprudência


consiste em uma ação que não foi pensada, feita sem precauções. Já a imperícia é a falta de
habilidade específica para o desenvolvimento de uma atividade técnica ou científica.

Negligência Imprudência Imperícia

Falta de reflexão ou Falta de conhecimento ou


Falta de cuidado e precipitação em tomar habilidade específica para o
desleixo proposital atitudes diferentes desenvolvimento de uma
em determinada daquelas aprendidas ou atividade científica ou
Definição situação. esperadas. técnica.

 Pais falharem em  Médico neurologista efetuar


deveres importantes uma cirurgia plástica sem
 Passar o sinal vermelho; aptidão;
para o bem-estar de
filhos;  Não  Engenheiro elétrico assumir
utilizar
 Médico usar equipamentos de a construção de um edifício
utensílios não proteção individual sem conhecimentos de
Exemplos esterelizados. quando solicitado. engenharia civil.

117
Apesar de terem significados bem diferentes, há quem confunda negligência, imprudência e
imperícia. As palavras induzem a uma ideia de falta de cuidado, mas há detalhes significativos
distintos sobre cada uma delas.

O que é negligência?

A palavra negligência é utilizada para designar uma falta de cuidado em uma situação específica.

No uso cotidiano e no direito, implica falta de diligência ou preguiça, podendo também significar
ausência de reflexão proposital sobre determinado assunto.

Por ser caracterizada pela falta de ação de um indivíduo, a negligência também carrega o
significado de passividade e inércia. É uma omissão aos deveres que variadas situações
demandam.

Exemplos de negligência

 Se um juiz tirar a guarda de uma criança dos pais por negligência, significa que, de alguma forma,
os responsáveis falharam em deveres importantes para o bem-estar dela. Alguns desses deveres
são não alimentar, não levar à escola e não prover a segurança necessária para um
desenvolvimento saudável.

 Na área da medicina, a negligência pode ser grave e até fatal. As ações negligentes nesse âmbito
são as mais diversas, como abandonar um doente ou omitir tratamento, assim como um médico
cirurgião esquecer algo estranho no corpo do paciente após a operação.

 Há ainda a negligência de informação, quando dados importantes sobre determinados assuntos


(como prontuários médicos ou artigos científicos) são omitidos do documento em que deveriam
constar.

O que é imprudência?

A imprudência também caracteriza uma falta de cuidado, mas antes disso, uma forma de
precipitação. É desrespeitar uma conduta já aprendida anteriormente e atuar sem precauções.
Isto pode trazer riscos para a situação em que o indivíduo imprudente se encontra, bem como
para terceiros envolvidos.

118
O comportamento de uma pessoa imprudente geralmente é positivo. A culpa surge com a tomada
de uma atitude. Isto é, a imprudência só fica evidente para o indivíduo ao mesmo tempo em que
ele pratica a conduta de omissão e falta de precaução.

Exemplos de imprudência

 No trânsito, ultrapassar um veículo pelo acostamento é imprudente. Isto porque o motorista age
sem refletir sobre as consequências dos atos. Na ação, ele não toma as precauções necessárias
para evitar um acidente, já que fazer esse tipo de manobra pode causar desastres fatais.

 Não utilizar os equipamentos de proteção individual (EPIs) fornecidos para determinada atividade.
Caso haja algum acidente que poderia ter sido evitado com o uso de dispositivos de segurança,
o sujeito é considerado imprudente, uma vez que não agiu com o zelo necessário para a ação.

Vale destacar: se uma empresa em que há riscos para o funcionário não fornecer EPIs, a
organização está sendo negligente.

O que é imperícia?

A imperícia é uma falta de habilidade específica para o desenvolvimento de uma atividade técnica
ou científica. No caso, o indivíduo não leva em consideração o que conhece ou deveria conhecer,
assumindo a ação sem aptidão para desenvolvê-la.

Exemplos de imperícia

 Um exemplo que elucida bem a imperícia é um médico que não tem conhecimentos de cirurgias
plásticas fazer este tipo de operação. Por não ter a habilidade necessária para a atividade, os
riscos dessa ação são muitos, podendo resultar até mesmo na deformação do paciente.

 Outra situação de imperícia seria um engenheiro elétrico assumir a construção de um edifício sem
ter o conhecimento necessário de engenharia civil.

 Mais cotidiano, é uma forma de imperícia alguém consertar um veículo automotor sem ter
conhecimento de mecânica, que pode acarretar em riscos para o condutor.

Ao criar esses riscos, e possíveis maus resultados, os profissionais são considerados “imperitos”.
Ou seja, incapazes de exercer a tarefa em questão.

119
Todas as situações acima podem ser passíveis de punição no âmbito civil e criminal, dependendo
da gravidade do que foi praticado.

O que é Eutanásia:

Eutanásia consiste na conduta de abreviar a vida de um paciente em estado terminal ou que


esteja sujeito a dores e intoleráveis sofrimentos físicos ou psíquicos.
A ideia base da prática da eutanásia é que todo o indivíduo tem o direito a pôr fim à sua vida, caso
esteja enfrentando alguma das situações descritas anteriormente.

Etimologicamente, este termo se originou a partir do grego eu + thanatos, que pode ser traduzido
como “boa morte” ou “morte sem dor”.
A eutanásia é um tema polêmico. Existem países com uma legislação definida especificamente
sobre a sua prática, enquanto que outros a refutam categoricamente por diversos motivos,
principalmente religiosos e culturais.

De modo geral, a eutanásia implica numa morte suave e indolor, evitando o prolongamento do
sofrimento do paciente. Mas, por outro lado, a eutanásia também pode ser interpretada como o
ato de matar uma pessoa ou ajuda-la a cometer o seu suicídio. O motivo de polêmica consiste
justamente no confronto entre essas duas constatações.

A eutanásia pode ocorrer por vários motivos: vontade do doente; porque os doentes representam
uma ameaça para a sociedade (eutanásia eugênica); ou porque o tratamento da doença implica
numa grande despesa financeira para a família, que por sua vez não tem condições de arca-la
(eutanásia econômica).

Apesar de algumas culturas aceitarem a eutanásia, a maior parte não admite essa atividade.
Alguns códigos penais consideram a eutanásia como uma forma de homicídio, mas em alguns
países como a Bélgica, Holanda e Suíça, esta é tida como uma prática legal.

Existem vários argumentos a favor e contra a eutanásia, sendo que os defensores alegam
principalmente que cada indivíduo deve ter direito a escolha entre viver ou morrer com dignidade,
quando se tem consciência de que o estado da sua enfermidade é de tal forma grave que não
compensa permanecer em sofrimento até que a inevitável morte chegue.

120
Por outro lado, quem condena a eutanásia utiliza frequentemente o argumento religioso de que
somente Deus (o “Criador do Universo”) teria o direito de dar ou tirar a vida de alguém e, portanto,
o médico não deve interferir neste “processo sagrado”.

Tipos de Eutanásia

Eutanásia ativa e eutanásia passiva


Existem duas formas de prática da eutanásia: ativa e passiva. A eutanásia ativa acontece quando
se apela a recursos que podem findar com a vida do doente (injeção letal, medicamentos em dose
excessiva e etc.).
Na eutanásia passiva, a morte do doente ocorre por falta de recursos necessários para
manutenção das suas funções vitais (falta de água, alimentos, fármacos ou cuidados médicos).
Ortotanásia e Distanásia
Ortotanásia consiste no ato de parar com atividades ou tratamentos que prolongam a vida de
forma artificial. Isto acontece em casos que uma pessoa se encontra em coma ou estado
vegetativo, não havendo tendência para que recupere. É uma forma de eutanásia passiva. A
ortotanásia é contemplada por muitos como uma morte que ocorre de forma mais natural.
A distanásia é vista como o contrário da eutanásia, e remete para o ato de prolongar ao máximo
a vida de uma pessoa que tem uma doença incurável. Frequentemente a distanásia implica numa
morte lenta e sofrida.

Eutanásia no Brasil
Atualmente, no código penal brasileiro, a prática da eutanásia não é estipulada. Assim sendo, o
médico que termina a vida de um paciente por compaixão comete o chamado “homicídio simples”,
indicado no artigo 121, e está sujeito a pena de 6 a 20 anos de reclusão.

Isto porque o direito à vida é considerado inviolável de acordo com a Constituição Federal. Apesar
disso, este é um tema bastante complexo, e tem sido abordado pela comissão de juristas que
trabalha em um novo Código Penal.

Mesmo sendo proibida no Brasil, existem algumas situações em que resquícios dessa prática são
aplicados. Por exemplo, no estado de São Paulo, a lei 10.241 de 1999, confere o direito ao usuário
de um serviço de saúde de rejeitar um tratamento que seja considerado doloroso e que sirva
unicamente para o prolongamento da vida do paciente terminal.

121
Bioética seus princípios fundamentais

Em virtudes dos numerosíssimos avanços tecnológicos, principalmente no campo da biomedicina,


discutem-se muito acerca da bioética; porém o termo bioética é recente, ele foi empregado pela
primeira vez em 1971, pelo médico oncologista Van Rensselder Potter.

Segundo OGUISSO (2006) Ele “cunhou o termo “bioética” depois de procurar por muitos meses
as palavras certas para expressar a necessidade de equilibrar a orientações cientifica da biologia
com os valores humanos. Ao juntar num só campo os conhecimentos da biologia e os da ética,
objetivava ajudar a humanidade em direção a uma participação racional, mas cautelosa, no
processo da evolução biológica e cultural.”

Potter entendeu a bioética como o estudo do homem, isto é, o estudo do respeito à pessoa
humana em uma perspectiva ecológica e enfatizava as responsabilidades pessoais, defendendo
a busca de uma sabedoria capaz de examinar as possibilidades para promover a saúde e a
sobrevivência humana, a justiça social e o conhecimento que instruiria a espécie humana quanto
a seu papel e a sua responsabilidade moral para com todo ser vivente, sendo assim uma ponte
para o futuro.

SEGRE (1999) definiu bioética como a parte da ética, ramo da filosofia que enfoca as questões
referentes à vida humana (portanto a saúde) e tendo a vida como objetivo de estudo, trata também
da morte (inerente à vida). Como um ramo da ética porque avalia os prós e contras de uma
determinada conduta, levando em conta os princípios e os valores morais existentes na
sociedade. A bioética depende da contribuição de matéria como a filosofia, a medicina, a
sociologia, a biologia, o direito, entre outras, que darão subsídios, através de conceitos,
definições, analise de comportamento sociais, etc. , para que o caso concreto possa ser estudado
pela bioética.

Literalmente, o termo bioética significa “ ética da vida”, ao juntar esses vocabulários em um


mesmo termo, não só criou uma nova palavra, mas também se provocou uma transformação na
maneira de fazer ciência e ética, aproximando os dois campos do conhecimento. A Bioética busca
entender o significado e o alcance das novas descobertas criando regras que possibilitem o
melhor uso dessas novas tecnologias, entretanto, esta regra não possuem coerção; ela surgiu
como a possibilidade de resposta à necessidade atual de encontrar um caminho para lidar com a
122
hostilidade à ética em geral, que decorria das posições extremas correntes, de abençoar ou de
amaldiçoar toda inovação que aparecia. Apresentou-se como um caminho do meio, ou “de
prudência “, buscando evitar a simples proibição das coisas, mas sem cair no polo oposto.

Para atuar neste novo campo de ação era necessária a interação de profissionais e estudiosos
oriundos das mais diversificadas áreas do conhecimento humano, médicos, biólogos, psicólogos,
psicanalistas, cientistas sociais, filósofos, religiosos, juristas, enfermeiros, são exemplos de
pessoas, de diferentes formações, que tem um papel a desempenhar na discussão bioética;
porque a bioética discute a vida e a saúde humana, e esses temas devem ser abordados e
discutidos dentro da própria sociedade, com um leque de participação de pessoas tão aberto
quanto possível. Sendo que as matérias como engenharia genética, a reprodução assistida, o
aborto, o planejamento familiar, a disponibilidade (ou não) de órgão para transplantes, o suicídio
assistido (denominado eutanásia), deve ser regulamentadas e procedida democraticamente, é
coroando os “direito da cidadania”.

Não sendo mais colegiados de médicos ou juízes (ou de qualquer outro grupo corporativo) que
haverão de decidir sobre matéria que dizem respeito aos aspectos humanos, atuando como
sujeito (e não como objetos) de nosso destino, vamos manifestar sobre o que consideramos
adequados ou inadequado, construtivo ou destrutivo, como uma equipe multiprofissional em favor
de toda a sociedade.

Segundo BARCHIFONTAINE, Aput, PESSINI (1996), “ O conceito de Bioética será entendido


como um grito pelo resgate da dignidade da pessoa humana em face aos processos técnico-
científicos na área da saúde, bem como em face ás condições de vida socieconômico-políticas,
através de um dialogo multiprofissional, multidisciplinar e pluralista. As características básicas da
disciplina bioética são pluralismo social, base democrática e orientação da práxis. “

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

DECRETO-LEI Nº 5.452, DE 1º DE MAIO DE 1943

123
Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da


Constituição,

DECRETA:

Art. 1º Fica aprovada a Consolidação das Leis do Trabalho, que a este decreto-lei
acompanha, com as alterações por ela introduzidas na legislação vigente.

Parágrafo único. Continuam em vigor as disposições legais transitórias ou de emergência,


bem como as que não tenham aplicação em todo o território nacional.

Art. 2º O presente decreto-lei entrará em vigor em 10 de novembro de 1943.

Rio de Janeiro, 1 de maio de 1943, 122º da Independência e 55º da República.

GETÚLIO VARGAS
Alexandre Marcondes Filho

O QUE É A CLT?
Foto: Agência Brasil.

124
Quando se fala em reformar, precisamos pensar primeiro no que se quer mudar. No caso
da reforma trabalhista, as mudanças que o governo quer fazer são relacionadas à Consolidação
das Leis do Trabalho, a legislação em vigor desde 1943.
O QUE É A CLT?
A Consolidação das Leis do Trabalho, popularmente chamada de CLT, regulamenta as relações
trabalhistas, tanto do trabalho urbano quanto do rural, de relações individuais ou coletivas. Ela foi
decretada no Estado Novo, governo ditatorial de Getúlio Vargas, em 1º de maio de 1943. Essa
legislação visa a proteger o trabalhador, a regular as relações de trabalho e criar o direito
processual do trabalho.
Sua importância está na maneira com que se propôs a coibir relações abusivas de trabalho,
que antes eram comuns: não havia leis que regulassem horários, condições de trabalho nem de
benefícios. Ou seja, ela foi uma conquista dos trabalhadores, pois garantiu condições mínimas de
trabalho. Se hoje ainda existem situações de trabalhos análogos à escravidão, antes da CLT a
maioria dos serviços era prestada em condições tão horríveis quanto.

Houve a necessidade de consolidar as leis relativas a atividades trabalhistas porque, antes da


CLT, a legislação regulava apenas algumas categorias profissionais específicas ou diziam
respeito a determinadas questões do direito processual do trabalho. Além disso, por não ser
completamente regulado, um processo trabalhista demorava muito para ser julgado. A CLT, por
outro lado, criou o que se chama de “celeridade processual”, que é a aceleração desse rito.

O QUE A LEGISLAÇÃO TRABALHISTA PREVÊ?


A Consolidação das Leis de Trabalho impõe regras, determina os direitos e deveres do
empregado e do empregador e define conceitos importantes para a interpretação das relações de
trabalho. Por exemplo, considera empregado toda pessoa que preste serviços regularmente a
uma pessoa ou empresa e receba salário. Além disso, deve haver uma dependência na relação
do empregador e do empregado. A legislação também prevê a igualdade de salários para
pessoas que prestam os mesmos serviços, independente de gênero (ou sexo).

Carteira de trabalho
Já a Carteira de Trabalho e a Previdência Social se tornaram obrigatórias a qualquer pessoa
empregada – considerando “emprego” qualquer prestação de serviço regular a uma empresa ou
indivíduo. Nela, devem ser registradas todas as informações da vida profissional daquela pessoa,

125
pois são essas informações que permitirão ela ter acesso aos direitos previstos pela CLT, como
seguro-desemprego, FGTS e benefícios previdenciários, entre outros.

O empregador pode reter a Carteira de Trabalho do funcionário para registrá-lo por no máximo 48
horas, contando a partir do primeiro dia de trabalho. Ela deve ser devolvida com os dados do
empregador, valor do salário definido na contratação, data de admissão e cargo ocupado.

Salário mínimo
Como o próprio nome já diz, o salário mínimo é a remuneração mais básica que uma pessoa
pode receber, de acordo com a CLT. Ele deve:
 Ser pago diretamente pelo empregador a todos os funcionários – sem distinção de gênero;
 Ser pago por dia normal de serviço prestado;
 Ser flexível – e sujeito a mudanças pelo Ministério da Fazenda;
 Ser capaz de satisfazer, em determinada época e região do país, as suas necessidades
normais de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte.

Logo, o salário mínimo deve ser calculado por uma fórmula que leva em conta o valor das
despesas diárias de uma pessoa adulta mensalmente. Por isso, deve considerar: alimentação,
habitação, vestuário, higiene e transporte. É expressamente proibido pela CLT que qualquer
contrato ou convenção preveja um salário inferior ao salário mínimo estabelecido no país ou na
região.

Hoje, o salário mínimo é de R$ 1.045,00, muito longe do necessário para sustentar uma pessoa
ou uma família brasileira. Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos
Socioeconômicos (DIEESE), o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro
pessoas seria de R$ 4.013,08. Portanto, um salário mínimo no Brasil hoje não proporciona uma
vida confortável aos trabalhadores.
Por conta da Lei nº 7.783, os trabalhadores conquistaram o direito a fazer greve. Eles mesmos
podem decidir sobre a oportunidade de exercer esse direito e sobre o que estarão defendendo a
partir da ação de greve – se é contra a perda de direitos, ajustes salariais ou condições de
trabalho, por exemplo.
Para que seu direito à greve seja exercido corretamente, os empregados devem avisar seus
empregadores sobre a iminência de greve com, no mínimo, 48 horas de antecedência. A lei ainda
prevê que o sindicato da categoria será o responsável por coletar os motivos da greve,
documentar e levar aos empregadores do setor todas as reivindicações.

126
O direito à greve também é uma conquista da CLT.

O QUE MUDOU QUANTO À JORNADA DE TRABALHO?

O regime de trabalho é o tempo em que o trabalhador deve prestar o serviço pelo qual foi
contratado ou estar à disposição de seu empregador. A jornada prevista pela CLT é de, no
máximo, 8 horas diárias, o equivalente a 40 horas semanais. São permitidas até 44 horas
semanais.
Essa é a regra mais conhecida quando se comenta sobre esse conjunto de leis, porque antes de
a CLT existir não era estabelecido um limite de horas de trabalho e, por isso,
empregados chegavam a trabalhar 12 horas por dia no Brasil. Os trabalhadores têm direito a
uma hora de descanso ou para refeição em todos os dias de trabalho; e, se não for concedido
esse tempo, o valor da hora de trabalho deverá ser no mínimo 50% mais caro do que o valor da
hora normal.

Outros detalhes foram regulados também, como, por exemplo, a possibilidade de o trabalhador
não ter desconto no salário caso bata ponto com até 5 minutos de atraso, sendo tolerados 10
minutos de atraso em um dia.

Trabalho no período noturno


É considerado um trabalho noturno aquele que for realizado entre as 22 horas de um dia e as 5
horas da manhã de outro. A remuneração de quem trabalha durante a noite deve ser 20% mais
alta do que a pessoa que faz o mesmo serviço, durante o dia. Porém, essa regra não vale caso
os empregados revezem esse turno semanalmente ou quinzenalmente.

Horas extras
Também de acordo com a CLT, o trabalhador pode firmar um contrato individual ou coletivo pelo
cumprimento de horas extras, mas não pode ultrapassar duas horas diárias. Fora isso, o valor
da hora extra precisa ser ao menos 20% mais caro que o valor das horas normais que ele
cumpre.
Descanso semanal
É direito de todo trabalhador o descanso semanal de, no mínimo, 24 horas consecutivas –
inclusive com a preferência de que seja num domingo. E, quando se tratar de serviços também
prestados no domingo, deve haver revezamento mensal entre os funcionários.

127
Férias
Para cada período de um ano trabalhado, o trabalhador tem direito a 30 dias de férias
remuneradas. Ou seja, é proibido qualquer desconto de salário relativo a esse período de
descanso. Se a pessoa tiver menos de um ano de contrato, o tempo será calculado
proporcionalmente aos dias trabalhados e uma nova contagem será iniciada no retorno das férias.
Quando a pessoa tiver faltas não justificadas, ela terá direito a menos dias de férias, calculados
proporcionalmente aos dias em que faltou.

As férias podem ser divididas em dois períodos, nunca inferior a dez dias corridos. A empresa
também pode conceder férias coletivas a todos os trabalhadores ou a determinados setores dela,
cuja decisão deve ser comunicada ao Ministério do Trabalho e ao sindicato da categoria em
questão.

Faltas justificadas
A CLT regulou um assunto muito importante para qualquer trabalhador: as faltas. Ela prevê o
número de dias que um funcionário pode faltar de acordo com o motivo pelo qual precisa fazê-lo.
Esses são os casos especificados por lei:
 Por falecimento de cônjuge, parentes ascendentes (pais e avós), parentes
descendentes (filhos e netos, por exemplo), irmãos ou dependentes: falta por 2 dias;
 Depois do casamento: falta por 3 dias;
 Após nascimento de filho, no caso dos pais (licença-paternidade): originalmente, a CLT
determinava a possibilidade de falta por 5 dias, porém a ex-presidente decretou uma lei que
permite ao pai uma licença de 20 dias;
 Por doação voluntária de sangue (uma vez a cada doze meses de trabalho): falta por 1
dia;
 Para cumprir exigências do serviço militar;
 Para realizar provas de exame vestibular para cursos de ensino superior;
 Quando precisar comparecer a juízo – pode ser participação num júri, numa audiência
ou qualquer compromisso em que o funcionário seja obrigado a comparecer.

Licença maternidade
A licença-maternidade é uma licença remunerada de 120 dias (4 meses) às mulheres após o
parto – por opção, em algumas empresas e órgãos são concedidos 180 dias (6 meses) de licença-

128
maternidade. Também é assegurado à mulher a estabilidade no emprego desde o momento da
confirmação da gravidez até 5 meses depois do parto. O benefício pode ser estendido para pais
viúvos ou no caso de adoção.

QUAIS SÃO AS OBRIGAÇÕES DO EMPREGADOR?

A Consolidação das Leis de Trabalho permitiu que fossem conferidos direitos ao trabalhador que
dizem respeito, na verdade, aos deveres dos seus empregadores. São medidas que farão
diferença na vida financeira dos trabalhadores, principalmente.
FGTS e aposentadoria
O empregador deve recolher 8% do salário bruto do funcionário para o Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço (FGTS). Esse dinheiro é depositado em uma conta com o nome do funcionário
na Caixa Econômica Federal. O objetivo do FGTS é garantir uma reserva financeira em
momentos de necessidade. Por isso, o trabalhador pode sacar o valor depositado por todo o
tempo em que trabalhou nos casos de:
 Demissão (sem justa causa);
 Aquisição de casa própria;
 Diagnóstico de câncer;
 Diagnóstico de AIDS;
 Aposentadoria.
Além disso, um percentual do salário do empregado é destinado à Previdência Social – ou seja,
para que ele tenha acesso a aposentadoria e outros benefícios previdenciários.

13º Salário
O pagamento do 13º salário é feito com base na remuneração mensal e pode ser parcelado em
até duas vezes. A primeira, até 30 de novembro e a segunda, até 20 de dezembro do mesmo
ano.

QUEM NÃO ESTÁ INCLUSO NAS REGRAS DA CLT?

Como já foi dito, a Consolidação das Leis de Trabalho trata do trabalho na esfera privada, em
áreas urbanas e rurais. Porém, alguns setores não têm suas normas trabalhistas reguladas pela
CLT. Essa legislação não se aplica a:

129
1. Trabalhadores rurais – as pessoas que trabalham diretamente com a agricultura e a pecuária
e cujas atividades não sejam consideradas “industriais ou comerciais”, por conta da forma como
é executado o trabalho e também da sua finalidade.
2. Funcionários públicos – da União, dos Estados e dos Municípios.
3. Servidores de autarquias públicas – são entidades criadas por lei, com patrimônio público
ou misto, que realiza obras, serviços e atividades de interesse público e coletivo, de acordo com
o jurista Hely Lopes Meirelles. Apesar de obedecerem às regras do Estado, respondem pelas
suas finanças, exercem direitos e obrigações. Por isso, são consideradas autônomas. Os
servidores dessas autarquias podem ser considerados funcionários públicos, também.

PRIMEIROS SOCORROS

Podemos definir primeiros socorros como sendo os cuidados


imediatos que devem ser prestados rapidamente a uma pessoa, vítima de
acidentes ou de mal súbito, cujo estado físico põe em perigo a sua vida,
com o fim de manter as funções vitais e evitar o agravamento de suas
condições, aplicando medidas e procedimentos até a chegada de assistência
qualificada.
Qualquer pessoa treinada poderá prestar os Primeiros Socorros,
conduzindo-se com serenidade, compreensão e confiança. Manter a calma
e o próprio controle, porém, o controle de outras pessoas é igualmente
importante. Ações valem mais que as palavras, portanto, muitas vezes o
ato de informar ao acidentado sobre seu estado, sua evolução ou mesmo
sobre a situação em que se encontra deve ser avaliado com ponderação
para não causar ansiedade ou medo desnecessários. O tom de voz tranqüilo
e confortante dará à vítima sensação de confiança na pessoa que o está
socorrendo.

130
AVALIAÇÃO DA CENA

Esta é a primeira etapa básica na prestação de primeiros socorros.


Ao chegar no local de um acidente, ou onde se encontra um
acidentado, deve-se assumir o controle da situação e proceder a uma
rápida e segura avaliação da ocorrência. Deve-se tentar obter o máximo
de informações possíveis sobre o ocorrido. Dependendo das circunstâncias
de cada acidente, é importante também:
a) evitar o pânico e procurar a colaboração de outras pessoas, dando
ordens breves, claras, objetivas e concisas;
b) manter afastados os curiosos, para evitar confusão e para ter
espaço em que se possa trabalhar da melhor maneira possível.
Ser ágil e decidido observando rapidamente se existem
perigos para o acidentado e para quem estiver prestando
o socorro
A proteção do acidentado deve ser feita com o mesmo rigor da
avaliação da ocorrência e do afastamento de pessoas curiosas ou que
visivelmente tenham perdido o autocontrole e possam prejudicar a
prestação dos primeiros socorros
É importante observar rapidamente se existem perigos para o
acidentado e para quem estiver prestando o socorro nas proximidades da
ocorrência. Por exemplo: fios elétricos soltos e desencapados; tráfego de
veículos; andaimes; vazamento de gás; máquinas funcionando. Devem-se
identificar pessoas que possam ajudar. Deve-se desligar a corrente elétrica;
evitar chamas, faíscas e fagulhas; afastar pessoas desprotegidas da
presença de gás; retirar vítima de afogamento da água, desde que o faça
com segurança para quem está socorrendo; evacuar área em risco iminente
de explosão ou desmoronamento.

Avaliar o acidentado na posição em que ele se encontra, só mobilizá-


lo com segurança (sem aumentar o trauma e os riscos), sempre que possível
deve-se manter o acidentado deitado de costas até que seja examinada, e
até que se saiba quais os danos sofridos. Não se deve alterar a posição em
que se acha o acidentado, sem antes refletir cuidadosamente sobre o que

131
aconteceu e qual a conduta mais adequada a ser tomada.
Se o acidentado estiver inconsciente, por sua cabeça em posição
lateral antes de proceder à avaliação do seu estado geral.
É preciso tranqüilizar o acidentado e transmitir-lhe segurança e
conforto. A calma do acidentado desempenha um papel muito importante
na prestação dos primeiros socorros. O estado geral do acidentado pode
se agravar se ela estiver com medo, ansiosa e sem confiança em quem
está cuidando.

QUEIMADURAS

As queimaduras são lesões causadas no organismo por algum tipo de agente físico e podem ser
classificadas em três tipos, sendo eles: térmica, elétrica e química.

Queimaduras térmicas são as que ocorrem em decorrência do contato do corpo com alguma fonte
de calor e são as mais comuns. Queimaduras elétricas são aquelas geradas por algum tipo de
descarga elétrica recebida pelo corpo, e as queimaduras químicas são aquelas que ocorrem
quando o corpo é submetido ao contato com substâncias cáusticas como, por exemplo, ácidos e
produtos químicos corrosivos.

As queimaduras recebem uma classificação também quanto ao grau de profundidade do dano


causado à pele lesada, que podem ser:

- Queimadura de primeiro grau: é aquela que atinge a camada superficial da pele, causando
uma vermelhidão e uma ardência no local. Normalmente, são causadas por exposição prolongada
ao sol, ou contato rápido com alguma chama, ou objeto aquecido.

- Queimadura de segundo grau: caracteriza-se por afetar uma região secundária da pele, entre
a derme (superfície exterior da pele) e a epiderme (camada interior da pele), e nota-se o
aparecimento de uma ou mais bolhas na área afetada. As bolhas são o resultado de uma espécie
de deslocamento da camada entre a derme e a epiderme causada pela mudança drástica de
temperatura na região.

- Queimadura de terceiro grau: As queimaduras de terceiro grau caracterizam-se por atingir uma
área profunda da pele, podendo incluir até o tecido ósseo, e costuma apresentar uma necrose no
local afetado. É o tipo de queimadura mais profundo e mais grave.
132
O que fazer nos casos de queimadura?

Em queimaduras de 1º grau

* Deve-se procurar resfriar bem a localidade da queimadura com soro fisiológico ou água fria em
abundância, até que a dor amenize;

* Administrar o uso de pomadas contra queimadura, se for o caso.

Em queimaduras de 2º grau

1. Resfrie a área afetada com soro fisiológico ou água fria corrente em abundância;
2. Deve-se lavar a área cuidadosamente, sem esfregar, com sabão neutro, ou um antiséptico,
que não seja álcool;
3. Não se deve “estourar” as bolhas que se formam, e nem retirar a pele das que já estiverem
rebentadas, deve-se colocar uma gaze úmida após ter resfriado o local e a dor haver
diminuído;
4. O curativo sobre a lesão deve permanecer durante 48 horas e, somente depois desse
tempo, recomenda-se expor a pele ao ar livre, para evitar infecções

Em queimaduras de 3º grau

I. Resfriar a região com soro fisiológico ou água fria corrente até que a dor amenize;
II. Lavar cuidadosamente sem esfregar, com sabão neutro ou antiséptico que não seja álcool;
III. Se a área afetada for extensa, deve-se envolver a vítima num lençol limpo e molhado com
soro fisiológico, ou com água fria;
IV. Nesses casos, por se tratar de queimaduras mais graves, a vítima deve ter um atendimento
médico o quanto antes leva-a a um hospital próximo.

ATENÇÃO!

Em hipótese alguma nos casos de queimaduras deve-se:

a. Retirar qualquer pedaço de roupa ou tecido que porventura ficarem agarrados à pele da
vítima;
b. Estourar as bolhas que se formaram, nem retirar a pele das que já estouraram;
c. Aplicar gelo sobre as queimaduras, pois ele também causa queimaduras;
133
d. Aplicar receitas caseiras como: manteiga, creme dental, entre outros.

FRATURAS

O esqueleto humano, vulgarmente falando, é a base mecânica e de sustentação de todo o corpo.


Quando um osso do esqueleto é rompido, deslocado ou trincado, causando a descontinuidade
total, ou parcial deste mesmo, identificamos o que chamamos de fratura.

A fratura pode ser de natureza simples, ou seja, fechada, sem exposição do osso fraturado nem
rompimento de pele; ou também de natureza exposta, ou seja, aberta, quando há um rompimento
de pele e uma possível exposição do osso fraturado.

Os sintomas observados em um indivíduo que sofreu uma fratura, entre outros, são: dor aguda e
inchaço no local da lesão; falta de força e impossibilidade total ou parcial de movimentar o membro
ou região afetada; deformação ou encurtamento do membro fraturado; edema e/ou hematoma;
exposição óssea ou rompimento da pele, no caso de fratura exposta. É importante verificar o
problema retirando um raio-x da área fraturada

O que fazer no caso de fraturas?

* Deixar a área da fratura exposta, ou seja, tirar roupas que estejam apertando ou mesmo rasgá-
las ou cortá-las;

* Imobilizar as articulações acima e abaixo do membro (antes e depois da fratura) ou região


lesionados, procurando movimentar o mínimo possível a área afetada, com talas apropriadas ou
não havendo-as, pode-se improvisar com pedaços de papelão dobrados, pedaços de madeira,
etc. De uma maneira ou de outra, as talas devem ser devidamente acolchoadas, com panos de
maneira que não provoquem mais dor e desconforto à vítima, e amarradas de maneira firme;

* Em casos de fratura exposta deve-se realizar um curativo cobrindo-o com gaze, ou pano limpo
a fim de evitar uma possível hemorragia, e diminuir o rico de infecções da área exposta, e em
seguida realizar o procedimento de imobilização com talas como descrito acima;

* No caso de entorses (rompimento de tendões ou ligamentos) e luxações que é quando o osso


sofre um movimento brusco e desloca-se do seu lugar original, o procedimento é idêntico aos

134
demais tipos de fratura devendo-se imobilizar a região afetada no caso de luxação, e aplicar
compressas com gelo na área da articulação no caso de entorses.

* Deve-se tomar algumas precauções para não ter uma piora no quadro da vítima tais como: não
movimentar a articulação ou membro lesionado; não tentar colocar possíveis fragmentos de osso
expostos para dentro; não provocar compressões sobre o local; não tentar recolocar o osso no
lugar; não alimentar a pessoa para o caso de uma possível cirurgia, onde se faz preciso o estado
de jejum.

* Após realizados esses procedimentos, aguardar a ajuda médica previamente acionada, para
que sejam adotados outros procedimentos cabíveis

CORPOS ESTRANHOS

Corpos estranhos são corpos que penetram no organismo através de qualquer orifício ou após
uma lesão de causa variável. Os corpos estranhos podem encontrar-se mais frequentemente nos
olhos, ouvidos ou vias respiratórias.
No olho, os mais frequentes são: grãos de areia, insectos e limalhas.

Sinais e Sintomas:

 Dor ou picada local.


 Lágrimas.
 Dificuldade em manter as pálpebras abertas.

O que deve fazer:

 Abrir as pálpebras do olho lesionado com muito cuidado.


 Fazer correr água sobre o olho, do lado de dentro, junto ao nariz, para fora.
 Repetir a operação duas ou três vezes.
 Se não obtiver resultado fazer um penso oclusivo, isto é, colocar uma gase e
adesivo e dirigir-se ao Hospital.

O que não deve fazer:

135
 Esfregar o olho.
 Tentar remover o corpo estranho com lenço, papel, algodão ou qualquer
outro objecto.

NO OUVIDO
No ouvido: os corpos estranhos mais frequentes são os insectos.

Sinais e Sintomas:

 Pode existir surdez, zumbidos e dor, sobretudo se o insecto estiver vivo.

Não tente retirar objetos profundamente introduzidos, nem coloque nenhum instrumento no canal
auditivo.
Não bata na cabeça para que o objeto saia, a não ser que se trate de um inseto vivo.
Pingue algumas gotas de óleo mineral morno (vire a cabeça para que o óleo e o objeto possam
escorrer para fora), e procure ajuda médica especializada imediatamente.

NAS VIAS RESPIRATÓRIAS

Nas vias respiratórias: os corpos estranhos nas vias respiratórias podem causar perturbações de
variável natureza, de acordo com a sua localização.

Sinais e Sintomas:

São também variáveis. Pode existir dificuldade respiratória, dor, vómitos e nos casos mais graves
asfixia que pode conduzir à morte.

No nariz: os mais frequentes, na criança, são os feijões ou objectos de pequenas dimensões.

O que deve fazer

136
 Pedir a vítima para se assoar com força, comprimindo com o dedo a narina
contrária, tentando assim que o corpo seja expelido. Se não obtiver resultado
deve deslocar-se ao Hospital.

CONVULSÕES

Associada a uma série de complicações de saúde, a convulsão acontece quando a


atividade elétrica do cérebro em áreas específicas aumenta de maneira exagerada.
Esta ação leva a espasmos intensos pelo corpo e outros sintomas. Alguns cuidados
devem ser tomados durante a crise e, depois dela, a pessoa deve ser levada
imediatamente ao hospital.

Considerado um distúrbio, a convulsão acomete inúmeras pessoas, e as suas crises


podem durar até cinco minutos. A mudança no funcionamento do cérebro é a origem
do problema, entretanto diversos fatores estão ligados a essa alteração.

O distúrbio pode ser considerado generalizado, quando uma descarga de impulsos


elétricos elevados atinge os dois lados do cérebro. Neste caso é possível que a
pessoa afetada pelo problema não traga consigo sintomas aparentes da convulsão,
porém pode-se perceber o olhar perdido e a desatenção por parte dela.

Já em situações mais graves pode haver perda da consciência, rigidez muscular e


movimentação repetitiva do corpo.

Diversos tipos de convulsão generalizada podem ocorrer, entretanto os mais


comuns são: episódios de ausência e a convulsão tônico-clônica. O primeiro tipo se
caracteriza pelo olhar perdido e a falta de resposta do paciente, que pode durar
alguns segundos e vir acompanhado de tremores nos lábios.

Quando se trata do tipo tônico-clônica é possível que haja uma perda rápida de
consciência, acompanhada de rigidez muscular em várias partes do corpo e também
aparência azulada do rosto. Contrações rítmicas e excesso de salivação, além de
sangramento – ocasionado pelas mordidas na língua – podem ocorrer.

137
Também existe o tipo focal (ou parcial), situação em que afeta especificamente uma
área do hemisfério cerebral. Nas crises parciais pode haver perda ou diminuição
da consciência, em conjunto com sintomas, como espasmos e alterações nos cinco
sentidos. É possível que haja também momentos de delírios e alucinações.

As causas

Uma série de fatores pode estar por trás dos episódios de convulsão. Nem todos
são identificados, porém os demais podem ser:

 Abstinência de drogas ou álcool;


 Reação após o uso de determinados medicamentos;
 Febre alta em crianças de até cinco anos;
 Epilepsia;
 Câncer cerebral
 Meningites, encefalites e outras doenças
 Distúrbios metabólicos
 Deficiência na oxigenação cerebral.

Os gatilhos

Embora não sejam os motivos que levam as crises de convulsões, cheiros fortes,
luminosidade excessiva, fortes emoções e a prática intensa de atividades podem
desencadear o problema.

O que fazer durante a crise?

- A pessoa deve ser deitada lateralmente para não engasgar com saliva ou vômito;

- Suas roupas devem ser afrouxadas;

- O queixo deve ser mantido erguido para melhorar a respiração;

- Remova todos os objetos ao redor que ofereçam risco de machucá-la;

138
- Não introduza nenhum objeto na boca nem tente puxar a língua para fora;

- Dar espaço para a vítima;

- Retirar próteses dentárias e outros objetos que possam dificultar a respiração;

- Colocar uma proteção entre os dentes, como um pedaço de pano enrolado, para
evitar o ranger dos dentes e a mordedura da língua;

- Ficar junto da vítima até que ela recupere a consciência;

- Em nenhum caso se deve colocar os dedos dentro da boca da vítima para impedir
a queda da língua, pois com a contração muscular o indivíduo pode
involuntariamente morder a mão do indivíduo.

HEMORRAGIAS

É tido como hemorragia todo derramamento de sangue do organismo humano para


fora dos vasos sanguíneos. O sangue tem uma função vital e fundamental no
organismo, além de transportar os nutrientes e o oxigênio para as células. Também
leva o gás carbônico e outros resíduos e substâncias para os órgãos excretores do
corpo.

O sangue tem funções nutritivas, excretoras e imunológicas essenciais ao


nosso organismo, o que leva a concluir que a perda de tal elemento em nosso corpo
é extremamente prejudicial e, dependendo da quantidade e do caso, mortal.

Uma hemorragia com muita perda de sangue não devidamente tratada pode levar
a vítima a um estado de choque e, posteriormente, a óbito. Já em casos de
hemorragias de menor proporção, pode trazer um quadro de anemia, falta de
nutrientes, e baixa quantidade de glóbulos vermelhos no sangue).

Hemorragia externa: É o tipo de sangramento exterior ao corpo, ou seja, que é


facilmente visível. Pode ocorrer em camadas superficiais da pele por corte ou
perfurações, ou mesmo atingindo áreas mais profundas através de aberturas ou
orifícios gerados por traumas. Pode ser contida, utilizando técnicas de primeiros
socorros

139
Hemorragia interna: A hemorragia interna se dá nas camadas mais profundas do
organismo com músculos ou mesmo órgão internos. Ela pode ser oculta ou
exteriorizar-se através de algum hematoma (mancha arroxeada) na região da
hemorragia. A hemorragia interna costuma ser mais grave pelo fato de na maioria
dos casos ser “invisível”, o que dificulta sabermos a dimensão e a extensão das
lesões.

As hemorragias ainda têm um outro tipo de classificação que se dá quanto ao tipo


de vaso sanguíneo rompido. Podem ser:

Hemorragia Arterial: quando uma artéria é rompida ou cortada e o sangramento


ocorre em jatos intermitentes, na mesma pulsação das palpitações cardíacas. O
sangue nesse tipo de hemorragia, apresenta uma coloração vermelha clara e
brilhante. Costuma ser mais grave por ter uma perda mais rápida de sangue

Hemorragia Venosa: É o sangramento que se dá em decorrência do rompimento


ou corte de uma veia, e tem uma coloração vermelha escura, típica de um sangue
rico em gás carbônico, tem um fluxo contínuo e mais lento que o da hemorragia
arterial.

Quando se perde de 15 a 30% do sangue no organismo:

 Um estado de ansiedade;
 Observa-se o pulso fraco;
 Sede excessiva;
 Suor excessivo;
 Taquicardia (batimentos muito acelerados do coração);
 Respiração rápida.

Quando se perde de 30 a 50% do sangue no organismo:

 Taquicardia;
 Semiconsciência;
 Estado de choque.

140
Quando se perde mais de 50% do sangue do organismo:

 Dificilmente a pessoa que perde essa quantidade de sangue sobrevive sem


uma imediata intervenção laboratorial (transfusão de sangue) realizada por
um médico profissional.

O que fazer em casos de hemorragia?

 É necessário manter e transmitir a calma diante da situação, passando à


vítima confiança;
 Deite a pessoa em posição horizontal, pois facilita a circulação sanguínea
entre o coração e o cérebro;
 Aplique sobre o corte, perfuração ou ferimento, uma compressa com gaze,
ou um pano limpo (se possível antes, use luvas descartáveis, a fim de evitar
possíveis contaminações), fazendo uma pressão firme sobre o local com
uma ou com as duas mãos, ou mesmo com um dedo, ou ainda uma ligadura,
dependendo do tamanho e do local do ferimento;
 Se o pano ou gaze ficar encharcado com sangue, este não deve ser trocado,
mas mantido no lugar e colocado outro por cima, para não interromper o
processo de coagulação do sangue que está sendo contido;
 Continuar a compressão até que a hemorragia estanque (no mínimo 10
min.);
 Em seguida, faça uma ligadura compressiva (que é um curativo bem preso
e com certa pressão sobre a região afetada) no local da hemorragia.
 Durante todo esse processo, deve-se manter a vítima calma e acordada, não
dar nada para comer ou para beber e mantê-la aquecida.
 No caso de hemorragias nos membros com muita abundância de sangue,
as quais não se pôde conter após ter aplicado as técnicas acima
mencionadas, pode ser que seja necessário o uso de um torniquete, que
consiste em colocar um pano ou um esfigmomanômetro (pop. “liga de soro”)
logo acima do ferimento, de maneira a interromper quase que integralmente
a circulação sanguínea naquele local para estancar a hemorragia. Visto que
é uma técnica muito arriscada, o torniquete é recomendável somente em

141
última hipótese. Nos casos de hemorragias muito constantes deve-se
transportar a vítima imediatamente a uma unidade de saúde mais próxima.
 Em hemorragias nasais (sangramentos no nariz), deve-se elevar a cabeça
da vítima com o tronco inclinado para frente, para que ela não acabe
engolindo sangue;
 Comprimir a(s) narina(s) que sangra(m) com os dedos;
 Aplicar gelo ou compressas frias;
 Não assoar;
 Caso o sangramento não cesse, deve-se colocar um tampão, de algodão ou
gase, de maneira a preencher bem a cavidade nasal.

INTOXICAÇÃO

São reações causadas no organismo por ingestão ou contato com substâncias


prejudiciais que, dependendo da quantidade e da forma como foram introduzidas
no organismo, podem trazer consequências temporárias ou permanentes.

Em geral, as intoxicações e envenenamentos são causados por acidentes


domésticos ou de trabalho, ingestão excessiva de álcool ou alimentos fora de
condições de consumo ou mesmo tentativas de suicídios.

Classificar os sintomas de alguém que sofre intoxicação e envenenamento é um


tanto complexo, uma vez que varia de acordo com o tipo de substância com a qual
a vítima teve contato; entretanto, há alguns tipos de sintomas notáveis na maioria
dos casos, que são:

 Náuseas e/ou vômitos;


 Palidez;
 Semiconsciência, ou inconsciência;
 Suor excessivo e frio;
 Estado de choque

142
O QUE FAZER:

Intoxicação por Alimentos

Normalmente, a pessoa intoxicada apresenta suor excessivo, dores abdominais


agudas, vômito e náuseas, desmaios e possíveis delírios. Deve-se proceder da
seguinte forma:

- Chamar previamente o socorro especializado;

- Verificar os sinais vitais;

- Manter a vítima aquecida e de maneira confortável;

- Procurar saber o máximo de informações possíveis sobre a origem da intoxicação


alimentar como por exemplo, que tipo de alimento a pessoa ingeriu;

- Deve ser um tratamento realizado por profissionais, sendo indispensável


alocomoção a uma unidade de saúde.

Intoxicação / Envenenamento por produtos Tóxicos ou Remédios

Em geral, são causados por ingestão compulsória de remédios, ingestão acidental


ou proposital de substâncias nocivas ao organismo. A automedicação pode ser
provocada tanto por medicamentos originais, quanto por medicamentos genéricos.

Alguns dos sintomas podem apresentar queimaduras em volta da boca, vômitos,


respiração dificultosa e limitada, unhas e lábios arroxeados, etc.

- Por ser uma situação em que o tempo é totalmente determinante, deve-se realizar
o transporte imediato da vítima ao hospital mais próximo. Jamais induza o vômito,
pois, em alguns casos, pode espalhar a substância tóxica pelas paredes do sistema
digestório, agravando o quadro;

- Se possível, levar a embalagem do remédio ou produto com o qual a vítima teve


a intoxicação.

143
Intoxicação por Substâncias e/ou Venenos Inalados

- Remova a vítima do local para um ponto ao ar livre;

- Em caso de perda da consciência, inicie o procedimento de reanimação;

- Acione o mais rápido possível o socorro especializado.

144
PSICOLOGIA APLICADA À SAÚDE

HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

Toda e qualquer produção humana — uma cadeira, uma religião, um computador, uma obra
de arte, uma teoria científica — tem por trás de si a contribuição de inúmeros homens, que, num
tempo anterior ao presente, fizeram indagações, realizaram descobertas, inventaram técnicas e
desenvolveram idéias, isto é, por trás de qualquer produção material ou espiritual, existe a
História. A história da PSICOLOGIA está ligada, em cada momento histórico, às exigências de
conhecimento da humanidade, às demais áreas do conhecimento humano e aos novos desafios
colocados pela realidade econômica e social e pela insaciável necessidade do homem de
compreender a si mesmo.

Os Gregos eram os povos mais evoluídos na época da antiguidade. Construíram cidades,


acumularem riquezas, conquistaram territórios e com isso, crescimento populacional. Desse
modo, surgiu à necessidade de soluções práticas para a arquitetura, agricultura e organização
social. Dando origem aos estudos da geografia, física e políticas. Tais avanços permitiram que o
cidadão se ocupasse das coisas do espírito, como a Filosofia e a arte. A primeira ciência que se
conhece desde as épocas mais remotas é a filosofia. Esta ciência tem por objetivo a reflexão, o
questionamento, a crítica, a fim de obter da inteligência a sabedoria. A psicologia é uma ciência
comprovada que tem suas origens na filosofia.

No século XIX, com o desenvolvimento do capitalismo, destaca-se o papel da ciência, e seu


avanço torna-se necessário para dar respostas e soluções práticas no campo da técnica industrial.
O sol passou a ser visto como sendo o centro do universo. O homem deixou de ser o centro do
universo, passando a ser livre e construir do seu futuro. O conhecimento torna-se independente
da fé, a racionalidade do homem aparece. A noção da verdade passa a contar com o aval da
ciência. Os problemas e temas da psicologia passam a serem investigados pela fisiologia e
neurofisiologia, pois era necessário compreender o funcionamento da maquina de pensar
humana: o cérebro. A partir daí, a psicologia passa a definir seus objetos de estudo, delimitar seu
campo, formular métodos e teorias. Seu status de ciência é obtido à medida que se “liberta” da
Filosofia, que marcou sua história até aqui, e atrai novos estudiosos e pesquisadores.

William James

Sigmund Freud

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Embora a Psicologia científica tenha nascido na Alemanha, é nos Estados Unidos que ela
encontra campo para um rápido crescimento, resultado do grande avanço econômico que colocou
os Estados Unidos na vanguarda do sistema capitalista. É ali que surgem as primeiras abordagens
ou escolas em Psicologia, as quais deram origem às inúmeras teorias que existem atualmente.

O próprio termo PSICOLOGIA vem do grego psyché, que significa alma, e de logos, que significa
razão. Portanto, etimologicamente, psicologia significa “estudo da mente e da alma”. Hoje, a
psicologia é geralmente definida como a ciência que se concentra no comportamento e nos
processos mentais – de todos os animais.

PSICOLOGIA, RELACIONAMENTO HUMANO E EXERCICIO PROFISSIONAL.

A incrível arte de se relacionar...

Como é difícil aprendê-la e ao mesmo tempo como é instigante a nossa busca pela relação
ideal. Não falo somente dos relacionamentos amorosos, mas também, das relações familiares,
profissionais, sociais e de amizade. As relações familiares são os primórdios da vida de qualquer
ser humano, é o início de tudo, é nessa relação que vamos aprender o significado de palavras
simples como confiança, amor, carinho, atenção, e outras mais. Sua duração é para toda a vida
e isso faz com que seja uma das relações mais naturais da vida, no entanto, essa natureza não
garante que o relacionamento seja agradável ou saudável e na maioria das vezes acumulam-se
conflitos, pois, as transformações da infância até a idade adulta, passando pela adolescência faz
com que todos os envolvidos tenham que se adaptar a essas mudanças, os filhos se adaptando
as diferentes situações da vida e os pais que da criação superprotetora da infância, devem com
o passar do tempo permitir que os filhos experimentes as alegrias e tristezas da vida, deixando
de protegê-los excessivamente, deixando a criança preparada para uma vida independente,
preparados para enfrentar as dificuldades do mundo, tornando-se então pessoas saudáveis.
Depois da relação familiar, as pessoas se abrem para uma vida social, e desde crianças
aprendemos a conviver com outras pessoas além de nossa família. Vamos fazendo amiguinhos
e no início da vida, dificilmente formamos vínculos fortes o suficiente para uma vida toda. As
amizades vão passando naturalmente, algumas vão nos acompanhar a vida toda, outras vão ficar
nas lembranças ou e contatos esporádicos, o “quase nunca” que todos nós conhecemos
bem…mas, o sentimento bom continua lá. Estes são relacionamentos de “escolha”, estão repletos
de afinidades, companheirismo, parceria, cumplicidade, confiança, no entanto, podemos dividir os

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amigos em diversos tipos. Existem aqueles que são os amigos divertidos, prontos para qualquer
aventura, qualquer diversão, porém, as vezes não são pessoas para se confiar segredos.

Outros podem ser amigos confidentes, amigos para se conversar sobre intimidades, porém, as
vezes estes não são amigos para levar em uma “balada”. Existem também os amigos temporários,
aquelas pessoas que marcam nossas vidas por um período curto de tempo, pessoas que
conhecemos em uma viagem, amigos de faculdade, de colégio e que após aquele momento,
passam a não mais fazer parte do seu dia a dia e aos poucos a frequência do contato vai
diminuindo, enquanto a qualidade pode manter-se a mesma. Os relacionamentos de amizade são
muito semelhantes aos familiares, no entanto, por vezes há amizades muito mais fortes que os
sentimentos familiares.

Já nos relacionamentos profissionais, há uma mistura de amizade com a competição natural do


ambiente profissional. A competição natural é aquele comportamento de se dar ao máximo ao
trabalho, mostrando suas qualificações,potencialidades e individualidades profissionais com ética
e respeito. Da amizade, podemos colocar as afinidades, o trabalho em equipe, a contribuição para
o bom desempenho de outros membros de sua equipe.

Na enfermagem ...

Há muito tempo a enfermagem trás a marca da psicologia, pelo fato de ser uma área que visa
essencialmente o cuidado, do ser humano, em condições mais frágeis de sua vida. A simples
execução de técnicas como: banho, curativos, alimentação, trocar, entre outras ações não teriam
o mesmo resultado se não houvesse o tocar, ouvir, sorrir, aconselhar, orientar e esclarecer quanto
necessário, entre outros.

Os profissionais da saúde, principalmente o técnico em enfermagem, deveram ter uma relação


de respeito e confiança, o que facilitará o seu trabalho e, conseqüentemente, produzirá uma
recuperação mais satisfatória para o doente. Poderemos então afirmar que o bom técnico em
enfermagem é aquele que sabe cultiva o relacionamento com o paciente por meio de troca de
experiência, humor, amizade e confiança. Uma pessoa não pode ou não deve perder sua
dignidade e direito como pessoa porque está doente. É preciso considerar a pessoa e seu
ambiente como uma unidade composta de fatores interdependentes; é preciso compreender a
maneira de pensar, sentir e fazer que o próprio homem desenvolveu como parte de seu ambiente
e ainda ter consciência de que p bem-estar sé é alcançado quando as necessidades estão sendo
supridas satisfatoriamente.
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A base da profissão de um profissional da saúde deve ser a crença no valor da pessoa através
do respeito ao atendimento das necessidades básicas do paciente e, para tanto, é imprescindível
identificar seus problemas tendo amplas e atualizados conhecimentos fisiopatológicos e
psicossociais, sem os quais sua atuação será desnecessária e muitas vezes, prejudicada.

Há duas correntes na área da saúde que se deve conhecer: a primeira que trata o doente como
um paciente passivo e vê a doença como um fator único que pode ser retirada com medicamentos
e procedimentos e a segunda corrente que percebe que além de apresentar sintomas da doença,
o paciente possui problemas sociais, econômicos, pessoais, psicológicos que se influenciam e
que contribui para o surgimento de novas doenças. Para melhor compreender a forma de agir,
pensar e sentir humano o aparelho psíquico foi dividido por Freud em sistemas e o conteúdo
mental em níveis de consciência, assim como procurou entender o papel dos sonhos em nossas
vidas.

CARACTERISTICAS PESSOAIS DA PERSONALIDADE

A Psicologia da Personalidade é a área que estuda e procura explicar as particularidades


humanas que influenciam o comportamento. A personalidade pode ser definida como o conjunto
de características que determinam os padrões pessoais e sociais de uma pessoa, sua formação
é um processo gradual, complexo e único a cada indivíduo.

No senso comum o termo personalidade é usado para descrever características marcantes de


uma pessoa, como “essa pessoa é extrovertida ou aquela menina é tímida” e etc, porém o
conceito de personalidade está relacionado as mudanças de habilidades, atitudes, crenças,
emoções, desejos, e ao modo constante e particular do indivíduo perceber, pensar, sentir e agir,
além da interferência de fatores culturais e sociais nessas características.

Existem muitas teorias que estudam a personalidade, porém uma das mais importantes na
história do estudo de personalidade está a de Freud. Para Freud, o comportamento é resultado
de três sistemas que são o Id, o Ego e o Superego.

O Id é inato (que nasce com o individuo, congênito) e regido pelo princípio do prazer, exige
satisfação imediata dos impulsos, sem levar em conta as conseqüências indesejáveis. EX: FOME,
SEDE, SEXO.

O Ego é uma evolução do Id, pois apesar de conter elementos inconscientes como o Id funciona
muito mais a nível consciente e pré-consciente, dessa forma, comandado pelo princípio da
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realidade, o Ego cuida dos impulsos do Id e muitos dos desejos acabam sendo não satisfeitos,
mas sim reprimidos. O ego opera pelo princípio da realidade, isto é pelo que a nossa realidade
considera correta. Para satisfazer o id, o ego pensa, percebe, planeja, decidi. É um regulador, na
medida em que altera o princípio do prazer para buscar a satisfação considerando as condições
objetivas da realidade. Neste sentido, a busca do prazer pode ser substituída por evitar o
desprazer. Desejos inadequados não são satisfeitos, mas reprimidos.

O Superego contém idéias derivadas dos valores familiares e sociais, por isso é um sistema
parcialmente consciente que serve como censor das funções do ego, de onde derivam
sentimentos de punição, medo e culpa. Desse modo, podemos considerar o Id como sendo o
componente biológico, o Ego como o psicológico e o Superego como o social da personalidade,
trabalhando juntos sob a liderança do Ego.

Portanto na Teoria da Sexualidade, Freud explica que a sexualidade é reconhecida como um


instinto com o qual as pessoas nascem e que se expressa de diferentes formas de acordo com
as fases do desenvolvimento que seriam a Fase Oral (0 a 2 anos), Fase Anal (2 a 4 anos), Fase
Fálica (4 a 7 anos), Período de Latência (7 a 12 anos) e Adolescência (a partir dos 12 anos).
Essas fases deixarão traços que definirão a estrutura da personalidade do indivíduo.

ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE

1º estágio oral: vai desde o nascimento aos 12/18 meses de idade e as fontes de prazer são os
lábios, a boca e a língua. Estas se manifestam ao mamar, comer e morder.

2º estágio anal: Quanto ao estádio anal, podemos dizer que este vai dos 12/18 meses aos 3
anos de idade. As fontes de prazer são o ânus, no que diz respeito a reter ou expulsar, a controlar
e constata-se no asseio. Neste estádio o conflito pode ser no treino e conseqüentemente provoca
na personalidade a avareza, a obstinação, a ordem compulsiva e a meticulosidade, isto no caso
do retentivo anal, visto que, se verificar expulsivo-anal, constata-se a crueldade, a destruição, a
desordem e a desarrumação.

3º estágio falido: No que diz respeito ao estádio fálico, que vai dos 3 aos 5/6 anos de idade,
podemos referir que é muito importante, sendo que é neste estádio que se forma o superego. As
suas fontes de prazer são os órgãos genitais, sendo que a criança explora o próprio corpo e o dos
outros, tocando-os.

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4º período de latência: vai dos 5/6 anos aos 12/13 anos de idade, caracteriza-se por uma
diminuição das atividades sexuais, isto é, há um “intervalo” na evolução da sexualidade.
Processam a ausência de interesses sexuais, presentes no estádio anterior, passando a
verificarem-se a curiosidade intelectual e o relacionamento social da criança. Neste estádio, as
características da personalidade consistem na aprendizagem social e no desenvolvimento da
consciência moral.

5º estágio genital: verifica-se depois da puberdade, podemos referir que começam a existir
contactos sexuais com outras pessoas, não existindo conflito, como também acontece no estádio
anterior. Objeto de erotização ou de desejo não está mais no próprio corpo, mas era um objeto
externo ao indivíduo — o outro.

É interessante também citar a teoria da personalidade estabelecida por Erich From. Ele vê a
personalidade como um produto das condições culturais, ou seja, a personalidade se desenvolve
a partir daquilo que a sociedade oferece. Acredita que a sociedade está doente e não satisfaz as
necessidades do homem, porém o homem deve se ajustar a essa sociedade para escapar da
solidão de outros homens e da natureza tentando se adaptar também a suas exigências interiores.
Ou seja, a Psicologia científica busca formar um embasamento teórico da personalidade.
Popularmente a personalidade é atribuída sendo boa ou ruim, porém na psicologia ela deve estar
alheia a esse juízo de valor, sendo então o estudo das características que diferenciam os
indivíduos.

Na tentativa de agrupar e diferenciar as características da personalidade pode-se dizer que os


determinantes inconscientes do comportamento e os determinantes conscientes são fatores
centrais entre algumas teorias da personalidade, porém considera-se também, a hereditariedade,
a base biológica e os aspectos sociais do individuo aspectos relevantes na determinação da
personalidade do indivíduo.

Então, podemos dizer que a personalidade é formada por dois fatores básicos:

- Hereditários: são os fatores que estão determinados desde a concepção do bebê. É a estatura,
cor dos olhos, da pele, temperamento, reflexos musculares e vários outros. É aquilo que o bebê
recebe de herança genética de seus pais. - Ambientais: São aqueles que também exercem uma
grande influência porque dizem respeito à cultura, hábitos familiares, grupos sociais, escola,
responsabilidade, moral e ética, etc.

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São experiências vividas pela criança que irão lhe dar suporte e contribuir para a formação de
sua personalidade. Mesmo que alguns traços possam ser parecidos com os de outra pessoa, a
personalidade é única. Ela se apóia em uma estrutura biopsicossocial, é dinâmica, adaptável e
mutável.

MOTIVAÇÃO E DESEMPENHO PROFISSIONAL

Você se considera uma pessoa motivada? Como anda o seu desempenho profissional? Em uma
escala de 0 a 10, como está a sua motivação no ambiente de trabalho? Você está realmente
satisfeito consigo mesmo, sua vida pessoal e sua carreira?

A motivação é fundamental para qualquer profissional, isso porque sem ela é impossível realizar
atividades de forma satisfatória, cumprir metas estabelecidas, conquistar bons resultados no
trabalho e, consequentemente, apresentar bons rendimentos para a organização como um todo.

MOTIVAÇAO X DESEMPENHO

Motivação e desempenho estão intimamente ligados, um depende do outro e um não funciona


sem o outro. Profissionais insatisfeitos com seus salários, por exemplo, tendem a ter uma queda
na produtividade e isso reflete diretamente na performance profissional.

Diante disso, é essencial que as organizações ofereçam programas de benefícios que


promovam a motivação de seus colaboradores. É importante ressaltar que são as pessoas, em
especial os funcionários, que estão por trás dos resultados que uma empresa conquista e, para
que estes sejam positivos e favoráveis, é fundamental que os profissionais estejam motivados e
engajados dentro do ambiente de trabalho.

Profissionais motivados são mais empenhados na execução de suas demandas, possuem mais
responsabilidades diante de suas tarefas diárias, mantêm maior compromisso com a empresa e
produzem mais resultados com foco, organização e maestria.

Essa relação entre motivação e desempenho é uma via de mão dupla que precisa ser
desenvolvida diariamente por ambas as partes envolvidas.

Neste processo, é fundamental compreender que não são só as empresas que têm
responsabilidade sobre a motivação, bem como sobre o desempenho das suas equipes e
profissionais como um todo. Os colaboradores também têm papel importante diante deste
contexto.
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É importante que eles desenvolvam a automotivação e melhoria contínua, não só na carreira
como também na vida pessoal. Isso porque as duas andam juntas e não é possível estar bem
com a vida profissional se algo vai mal na pessoal e vice-versa.

É dever da empresa motivar seus colaboradores da melhor maneira possível, porém, os


profissionais também devem fazer a sua parte exercitando a automotivação diariamente, pois de
nada adianta a organização promover benefícios para estimular a motivação se os próprios
funcionários não se empenharem para melhorar suas performances profissionais
constantemente.

COMO AS EMPRESAS PODEM INFLUENCIAR NA MOTIVAÇÃO DE SEUS


COLABORADORES ?

- Reconhecendo os melhores desempenhos

Acredito que um dos primeiros passos para motivar os colaboradores a sempre darem o melhor
de si nas atividades que executam tem a ver com reconhecimento. Quando realizamos bem uma
tarefa, queremos, de uma forma ou de outra, ser reconhecidos pelo nosso esforço e dedicação.
Sendo assim, é essencial encontrar maneiras de lembrar dos profissionais que se esforçam e se
dedicam diariamente para contribuir com o crescimento organização. Seja por meio de um bônus
no salário ou de um agradecimento em público, é importante que eles saibam que não estão
sendo esquecidos, pelo contrário, que são muito valorizados e que a empresa precisa deles para
continuar em sua trajetória de sucesso.

- Criando programas de benefícios e incentivos

Dentro deste ponto que acabei de citar, uma excelente forma de demonstrar este
reconhecimento e gratidão é criar programas de benefícios, que lembre sempre que os
profissionais com os melhores desempenho serão premiados e terão a sua recompensa. Assim,
junto a seus líderes, gestores e com sua equipe de Recursos Humanos – RH, elabore prêmios
para quando as metas e os objetivos propostos forem alcançados, como viagens, aparelhos
eletrônicos, ingressos para cinema, almoços, jantares, entre outros, que faça com que os
colaboradores sintam-se especiais, realizados por estarem em sua empresa e ainda mais
motivados a continuarem desempenhando suas atividades com toda a excelência que se espera
deles.

- Ouvindo o que eles têm a dizer


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Da mesma maneira que é extremamente importante dar feedbacks constantes aos
colaboradores, para que eles saibam em que estão acertando e onde podem melhorar
diariamente, eles também têm bastante coisas a dizer, no sentido de contribuir para o crescimento
organizacional como um todo. Sendo assim, uma maneira altamente eficiente, que faz com que
colaboradores dos mais diversos tipos de empresas sintam-se valorizados e motivados é abrindo
espaço para que eles possam se manifestar, apontando os pontos e processos em que a
organização pode e precisa melhorar.

Este espaço é também importante, pois os colaboradores são os especialistas que estão todos
os dias lidando com o trabalho de perto, sendo assim, nada mais sensato do que ouví-los e colocar
em prática suas sugestões e opiniões.

DE QUE FORMA O COLABORADOR PODE SE AUTOMOTIVAR E MELHORAR SEU


DESEMPENHO CONSTANTEMENTE ?

- Investindo em autoconhecimento

Antes de tudo é fundamental saber quais são a suas próprias motivações, pois sem isso, nem a
melhor empresa vai ser suficiente para satisfazer os seus anseios profissionais. Assim, neste
processo de automotivação, é importante você se observar e buscar compreender melhor como
você se sente com relação a você mesmo enquanto profissional, à sua carreira, à organização
para a qual trabalha, para que assim, você tenha mais clareza sobre os fatores que te
motivam.Tendo estes pontos em mente, você vai saber como você mesmo pode se motivar todos
os dias e o que o ambiente em que você se encontra também precisa ter para que você se sinta
motivado a desempenhar suas atividades dando sempre o seu melhor.

- Planejando-se

Pronto! Agora que você já tem clareza sobre o que te motiva, já está apto a elaborar o seu próprio
planejamento de carreira, sem esperar por terceiros ou que a empresa em que você trabalha
determine isso para você. Coloque no papel as suas metas e objetivos, bem como tudo aquilo
que você precisa fazer diariamente para se sentir ainda mais motivado em sua rotina, tanto dentro
quanto fora do ambiente de trabalho. O seu planejamento vai fazer com que você tenha ainda
mais disposição e empenho para transformar suas metas e objetivos em realidade, uma vez que
você sabe que são essas concretizações que vão te fazer verdadeiramente feliz.

- Cultivando sempre o otimismo e a gratidão


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Bons profissionais e profissionais motivados sabem que, vez ou outra, vão precisar superar
adversidades e desafios em suas trajetórias. Eles sabem que situações como estas são mais
normais do que se imagina. E é por isso que nada disso os abala, uma vez que, além de terem
um alto nível de motivação, eles também são bastantes otimistas e resilientes, já que sabem que
as experiências adversas servem para o seu próprio crescimento. Além disso, todo este otimismo
faz com que eles também sejam gratos por tudo o que lhe acontece, justamente por saberem que
tudo, absolutamente tudo, é aprendizado, que serve não só para a sua evolução na carreira, mas
também na vida pessoal e em todos os ambientes pelos quais eles transitam.

O TÉCNICO DE ENFERMAGEM E A PACIENTE

De toda a equipe de saúde envolvida, é o técnico de enfermagem quem executa a maior parte
das tarefas com o paciente. O corpo do paciente é o objeto de atenção, a quem cabe a tarefa de
cuidado diária. A enfermagem detém a permissão social e cultural para tocar o corpo do outro,
podendo desnudar, limpar, amarrar, banhar, secar, alimentar, injetar, raspar, vestir e nesse
momento, mesmo que não se aperceba disso, expressa seu sistema de valores, conseqüência
de sua cultura, da realidade do mundo ao qual faz parte.

O cuidado do corpo por parte do pessoal de enfermagem inclui uma manipulação do outro
mediante procedimentos e técnicas do ato de cuidar. Alem dos sentidos usa-se também a intuição,
a percepção, a sensibilidade criando uma linguagem corporal própria, na qual pela forma de tocar,
olhar, cuidar, são expressos valores, conceitos, receios, preconceitos, temores, etc.

Tomar consciência dos próprios temores, preconceitos, dúvidas e limites em relação ao seu
próprio corpo e ao do paciente e fundamental para que se estabeleça uma relação na qual esse
corpo se personifique, ganhe uma identidade, deixe de ser apenas um objeto que precisa de
cuidados para pertencer a uma pessoa que tem também seus próprios preconceitos, duvidas,
timidez e vergonha, principalmente no memento de um contato mais intimo. Devemos tentar
naturalizar a situação hospitalar. Desse modo, no ato de prover as necessidades físicas do
indivíduo, promovendo o cuidado com o corpo, algo além do próprio cuidado está em jogo. É
possível estabelecer uma relação de solidariedade, percebendo as dificuldades, dúvidas e
temores do paciente. Há muita insegurança por parte do paciente, no momento da hospitalização
e na própria experiência da doença. Muitas vezes a pessoa não sabe ao certo o que vai lhe
acontecer. A ansiedade faz-se presente, principalmente em procedimentos cirúrgicos que
representam ameaça á integridade corporal ou que comprometam a autonomia da pessoa, como

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nos casos de colostomia, mastectomia e amputações. É importante compreender que não e
simplesmente um simples membro que vai ser extirpado em troca de melhor prognostico, mas
sim uma parte da pessoa que tem uma função e significados específicos. Tal medida requeira um
aprendizado para se conviver com a nova situação. Assim, é mais aconselhável tentar entender
a sua tristeza e estar disposto a escutá-lo, ao invés de tentar reanimá-lo. É compreensível certo
desconforto, certa estranheza e, muitas vezes, para negar essas sensações, se mantém uma
distância emocional em relação aos pacientes, por meio de uma padronização dos mesmos, que
são vistos como iguais, no pior sentido que isso possa ter, no que se refere a perda da identidade.

Todos nós sentimos medo, vergonha, culpa, tristeza, alegria, amor, etc. Nem tudo pode ser
explicado pela razão. Sentimentos são para ser sentidos, experimentados, respeitados, para
aprendermos a lidar com eles e de forma que possamos nos conhecer e viver melhor. Um técnico
de enfermagem sensível, bom observador, conhecedor de suas próprias emoções, limites e
possibilidades tem maior chance de maior atuação junto aos clientes. É importante perceber que
cada paciente é único, apesar das tarefas executas serem as mesmas. Isso entendido pode ser
um facilitador para ambas as partes, propiciando ao paciente um tratamento mais humanizado e
ao profissional um melhor desempenho.

RELACIONAMENTO TÉCNICO EM ENFERMAGEM, PACIENTE E FAMÍLIA.

A essência do trabalho da enfermagem é o cuidar. Necessário que seja eficiente e prestado de


forma humanizada. Olhar o paciente holisticamente (como um todo) e não esta atenta apenas as
técnicas básicas do cuidar.

A necessidade de sensibilidade dos profissionais para executarem os cuidados, observando as


manifestações verbais e não-verbais do cliente, podendo indicar a enfermagem suas
necessidades individuais. Deste modo, a comunicação essencial para uma melhor assistência ao
cliente e à família que estão vivenciando o processo de hospitalização, podendo resultar em
estresse e sofrimento. Para tanto, o técnico em enfermagem é capacitado a reconhecer a
interação enfermagem – cliente – família, estabelecendo atitudes de sensibilidade e empatia entre
todos, contribuindo com a assistência humanizada. Assim, acredita-se que o cuidado de
enfermagem extrapola a técnica (procedimento), sendo expresso pelas atitudes, além de ser
relacional. Então, quando o cuidado se dá em um ambiente que exige alta tecnicidade, tal como
ocorre em uma unidade de terapia intensiva (UTI), o cuidar pode tornar-se mecânico devido à alta
complexidade de equipamentos e tecnologia. Estes fatores, portanto, podem favorecer um

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comportamento da equipe pouco comprometido com os sentimentos dos doentes e seus
familiares, resultando na desvalorização da assistência humanizada.

PACIENTE EM ESTADO DE COMA

O coma é um estado clinico de inconsciência, no qual o paciente não está ciente de si mesmo
ou do ambiente, por períodos prolongados. Constitui-se ainda um grande desafio para a equipe
de enfermagem realizar o cuidado ao paciente em coma. Este contexto possibilita alguns
questionamentos acerca das estratégias a serem utilizadas pelo enfermeiro na identificação das
necessidades e no planejamento da assistência ao paciente impedido de comunicar-se. A equipe
de enfermagem deverá estabelecer uma relação que ultrapasse o cuidado físico, por meio de
ações humanizadas, favorecendo a sua recuperação com qualidade.

É certo que o diálogo entre os profissionais de saúde, paciente e familiares favorece um


relacionamento de confiança e a obtenção de bons resultados para assistência com qualidade. O
ser cuidador precisa saber ouvir, estar presente e ter empatia com o outro ser. Desta forma,
ambos se fortalecerão e poderão encontrar a solução para o problema de saúde. Isto remete a
um significado de humanização da assistência de enfermagem, com interação entre os
cuidadores/familiares.

É importante abordar a necessidade de humanização do cuidado de enfermagem a pacientes


em coma e a atenção ao seu familiar.

PROCESSO MORTE/MORRER

As pessoas parecem temer a morte por uma serie de razões: elas se preocupam com o
sofrimento físico e a humilhação; receiam a interrupção de objetivos; ficam pensando naqueles
que vão sobreviver a elas; e ficam pensando também naquilo que as esperam. O medo da morte
parece atingir o auge durante a meia-idade. Os idosos relatam pensar mais na morte do que as
pessoas de outras faixas etárias, porém negam temê-la.

CINCO FASES DA MORTE

Quando as pessoas descobrem que estão morrendo ficam chocadas e tender a passar por cinco
fases até a chegada da aceitação da sentença.

1) NEGAÇÃO: a realidade da morte ainda não foi aceita irreal.

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2) RAIVA: a pessoa freqüentemente se volta contra todos ou o mundo em geral, vão aparecer
também sentimentos de culpa ou medo nesse estagio.

3) BARGANHA: nessa fase a pessoa pede por um trato ou uma recompensa e comentários do
tipo “e se eu fizer isso?”

4) DEPRESSÃO: a depressão pode ocorrer com uma reação à mudanças do modo de vida
ocasionada pela perda. A pessoa se sente extremamente triste, desesperançada, inútil e cansada.

5) ACEITAÇÃO: a aceitação acontece quando a mudança que a perda trouxe para a pessoa se
estabiliza em um novo estilo de vida.

NECESSIDADE ESPIRITUAL: Olhar continuamente para o paciente, não para sua necessidade,
mas para a sua coragem, não para a sua dependência, mas para sua dignidade.

NECESSIDADE FISICA: Perda do tônus muscular, cessação do peristaltismo, lentidão da


circulação sanguínea, respiração irregular e perca do sensório.

PACIENTE TERMINAL

Durante a sucessão de estágios, entre o adoecer até o morrer, a esperança é o único elemento
que persiste desde o início do diagnóstico. Mesmo entre aqueles pacientes que estão
conformados, ou entre aqueles que são mais realistas, sempre existe a expectativa de
possibilidade de uma cura. O que sustenta o viver em meio ao sofrimento é, muitas vezes, apenas
um fio de esperança.

A equipe se preocupa apenas com a técnica, esquecendo o lado emocional do paciente que já
se encontra completamente abalado, tornando cada vez mais doloroso seu estado de maneira
geral.

O paciente terminal não é um cadáver e sim alguém que está vivendo intensamente a sua vida
possível.

O enfermeiro deve reconhecer que sua presença é tão importante quanto o procedimento
técnico. Se não mais.

O comportamento do técnico em enfermagem pode influenciar o comportamento do paciente


positiva ou negativamente. Os incentivos positivos incluem passar algum tempo com o paciente,
dar-lhe atenção e sorrir para ele, mostrar interesse em conversar certos assuntos, servir-lhe a
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alimentação, garantir-lhe privilégios como o de ver televisão, ficar acordado até tarde, dar uma
saidinha, mantê-lo em contato com o médico, e dar-lhe medicação. O comportamento negativo
pode ser provocado por um olhar ou palavras ríspidas, não respondendo ao paciente ou
esquecendo-o.

AUTO CUIDADO, HIGIENE E PROFILAXIA

O autocuidado é um conjunto de ações desenvolvidas para regular as dimensões que afetam o


próprio desenvolvimento, esse conceito faz parte da Teoria Geral, escrito em 1991 pela

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enfermeira Dorothea Orem. O ser humano quando está aparentemente bem e saudável, não se
dá a devida importância, só sente a necessidade de rever o estilo de vida, quando algum elemento
de suas necessidades humanas básicas é afetado.

Teoria do Autocuidado de Dorothea Orem

Dorothea E. Orem nasceu em 1914, em Baltimore, Maryland, EUA, formando-se em 1930,


recebendo o título de Bacharel em Ciências e Educação de Enfermagem em 1939 e Mestre em
Ciências em Educação em Enfermagem em 1945. Obteve Doutorado em Ciências em 1945 e
novamente em 1980 e 1988; Nomeada Membro Honorário da Academia Americana de
Enfermagem em 1992. Continua a trabalhar como consultora de enfermagem e a desenvolver
sua teoria de enfermagem.

Desenvolveu sua teoria do autocuidado, que consiste, basicamente, na ideia de que os indivíduos,
quando capazes, devem cuidar de si mesmos. Quando existe a incapacidade, entra o trabalho do
enfermeiro no processo de cuidar. Para as crianças, esses cuidados são necessários mediante
incapacidade dos pais e/ou responsáveis interferirem neste processo.

A primeira publicação deste conceito deu-se em 1959. Em 1971, publicou Nursing: Concepts of
practice, com repetidas edições em 1980, 1985 e 1991. Cada uma dessas edições trouxe
aprimoramento e ampliação dos conceitos, com desfecho em 1991 na publicação de sua teoria
geral, que define a intervenção da enfermagem na ausência da capacidade de manter a
quantidade e qualidade do autocuidado, como terapêuticas na sustentação da vida e da saúde,
na recuperação da doença ou da lesão ou no enfrentamento de seus efeitos.

Nas crianças, a condição é a incapacidade dos pais/responsáveis em manter continuamente a


quantidade e qualidade do cuidado terapêutico. É a teoria do deficit do autocuidado, que é
composta por três teorias inter-relacionadas:

-Teoria do deficit do autocuidado;


- Teoria do autocuidado;
- Teoria dos sistemas de enfermagem.

O entendimento dos objetivos dessa teoria está diretamente relacionado com a compreensão dos
conceitos de autocuidado, ação de autocuidado, fatores condicionantes básicos e demanda
terapêutica de autocuidado. Orem define que autocuidado é o desempenho ou a prática de

159
atividades que os indivíduos realizam em seu benefício para manter a vida, a saúde e o bem-
estar.

Quando o autocuidado é efetivamente realizado, ajuda a manter a integridade estrutural e o


funcionamento humano, contribuindo para o seu desenvolvimento. Esta capacidade de cuidar de
si mesmo é afetada por fatores condicionantes básicos, como a idade, sexo, estado de
desenvolvimento, estado de saúde, orientação sociocultural, modalidade de diagnósticos e de
tratamentos, sistema familiar, padrões de vida, fatores ambientais, adequação e disponibilidade
de recursos.

Orem vincula o autocuidado a três categorias de requisitos, que são:

- Universal;
- Desenvolvimento;
- Desvio de saúde.

Os requisitos universais do autocuidado, preconizados por Orem, estão relacionados, de uma


maneira geral, com as atividades de vida diária do indivíduo a ser assistido.Esses são os
requisitos principais:

- Manutenção de uma ingesta suficiente de ar;

- Manutenção de uma ingesta suficiente de água;

- Manutenção de uma ingesta suficiente de alimentos;

- Provisão de cuidados associados com processos de eliminação e excrementos;

- Manutenção do equilíbrio entre a solidão e interação social;

- Prevenção dos perigos à vida humana, ao funcionamento e ao bem-estar do ser humano;

- Promoção do funcionamento e desenvolvimento do ser humano dentro dos grupos sociais, de


acordo com o potencial, limitações conhecidas e desejo de ser normal (de acordo com a genética,
características constitucionais e talentos dos indivíduos).

160
Orem explica o autocuidado e relaciona os vários fatores que afetam sua provisão, especificando
quando a Enfermagem é necessária para auxiliar o indivíduo a administrar o autocuidado.

Os métodos utilizados para o autocuidado são:

- Agir ou fazer para outra pessoa;

- Guiar e orientar;

- Proporcionar apoio físico e psicológico;

- Proporcionar e manter ambiente de apoio ao desenvolvimento pessoal;

- Ensinar.

As áreas de atividades para a prática da enfermagem, segundo Orem, são:

- Iniciar e manter relacionamento com o paciente/família até estado de “alta” da enfermagem;

- Determinar “se e como” devem receber apoio da enfermagem;

- Estar atento às necessidades do paciente/família em relação à enfermagem;

- Prescrever, proporcionar e regular a ajuda direta aos pacientes/família da assistência de


enfermagem necessária;

- Coordenar e integrar a enfermagem na vida diária do paciente.

A Teoria dos Sistemas de Enfermagem define as necessidades de autocuidado em relação à


capacidade do paciente para o autocuidado, em que, na ocorrência de déficit de autocuidado, a
enfermagem pode e deve agir, interferir. Classifica em três situações, sendo:

- Totalmente compensatório, em que a incapacidade de autocuidado é atestada e a


enfermagem se faz necessária, podendo ser socialmente dependentes de outros indivíduos que
façam parte do grupo/família, possibilitando a continuidade de sua existência e seu bem-estar. É
o caso das pessoas comatosas, dos conscientes, capazes de observar, julgar, decidir, mas não
pode ou não deve desempenhar ações que exijam deambulação ou manipulação, ou ainda, dos
161
que sejam incapazes de atender suas próprias necessidades e/ou tomar decisões, embora
possam deambular e desempenhar algumas ações de autocuidado, embora com orientação e
supervisão constantes (fraturas vertebrais C3-C4; retardo mental).

- Parcialmente compensatório, no qual o enfermeiro e o paciente assumem ações do cuidar e


outras atividades envolvendo deambulação e manipulação, com o principal papel tendo a
participação de um ou ambos. É o caso de cirurgias que limitem movimentos de deambulação,
troca de curativos, etc.

- Sistema de apoio-educação, em que o paciente pode, deve e assume as atividades de


autocuidado, orientado e monitorado sempre. O enfermeiro atua como espécie de consultor e
educador.

Podem ocorrer situações em que uma ou mais situações se façam presentes e necessárias,
simultaneamente. A Teoria de Orem proporciona uma base compreensiva para a prática da
enfermagem, com utilidade na educação, prática clínica, administração, pesquisa e sistemas de
informação na enfermagem.De fácil entendimento e compreensão, define quando a enfermagem
é necessária e a intensidade de sua intervenção, relacionada com as necessidades afetadas do
paciente/familiar, em que o enfermeiro atua parcial ou totalmente, mas nunca deixando de ser o
condutor, educador e orientador do processo de cuidar.

Hábitos de higiene; Medidas de higiene pessoal e coletiva; Higiene do lar; Saneamento


básico e do meio.

162
Existem diversas medidas que podemos adotar para prevenir doenças, tanto para não nos
contaminarmos quanto para não disseminá-las para outras pessoas. Entre essas medidas estão
os hábitos de higiene pessoais, e aqueles com objetos e ambientes. Essas práticas ajudam a
prevenir o contato das pessoas com agentes patógenos, como vírus e bactérias. Também evitam
a proliferação deles, bem como eliminam aqueles que já possam estar em contato conosco, seja
depositados na pele, nas roupas ou superfícies.

O que são hábitos de higiene?

Os hábitos de higiene são todas as medidas, ações e práticas que adotamos com o intuito de
evitar doenças e preservar a saúde. Eles são praticados rotineiramente, afinal, envolvem
atividades de cuidado com objetos e o ambiente, como:

• lavar utensílios de cozinha;

• lavar e passar as roupas;

• limpar a casa;

• higienizar o carro;

• cuidar dos calçados; entre outros.

163
Além dessas atividades, também adotamos hábitos de higiene pessoal no dia a dia, que são:

• lavar as mãos;

• tomar banho;

• lavar os cabelos;

• cortar as unhas;

• escovar os dentes.

Esses são cuidados básicos e indispensáveis que garantem a saúde, a qualidade de vida e o
bem-estar da população.

Qual a importância desses hábitos?

Algumas doenças como:

• gripes;

• resfriados;

• micoses;

• inflamações oculares;

• meningite;

• hepatite.

São transmitidas de pessoa para pessoa por meio de secreções espalhadas pelo ar e por
superfícies. É importante lembrar que, quando adotamos essas medidas preventivas, estamos
evitando contrair uma doença ou transmitir para os demais. Então, trata-se de uma questão de
saúde pública, onde o respeito ao coletivo deve imperar. Embora a pandemia do novo coronavírus
tenha reforçado a importância de cultivar os hábitos de higiene, eles já eram necessários antes
dela.

Quais são os principais hábitos de higiene?

Lavar as mãos

164
Estamos insistindo nessa prática, mas isso pelo fato de ela ser realmente muito importante para
a prevenção de doenças. Este é um hábito que precisa ser ensinado e adquirido desde muito
cedo, já que as crianças são mais suscetíveis a doenças em função do sistema imune do corpo
ainda estar em desenvolvimento e também serem vetores de vírus e bactérias para pessoas mais
velhas. O ideal é que as mãos sejam lavadas diversas vezes ao dia e em situações como:

• antes e depois de usar o banheiro;

• antes de se alimentar;

• após cumprimentar pessoas;

• ao tocar objetos e superfícies coletivos;

• antes e depois de ter contato com os olhos, boca ou nariz;

• depois de manusear dinheiro;

• caso cubra a face com elas para tossir ou espirrar (lembrando que o ideal é usar o
cotovelo).

É válido ressaltar que, para lavar as mãos de forma satisfatória, apenas água não é
suficiente. A higienização precisa ser complementada com um sabão e o processo deve
durar cerca de 50 segundos para que o produto tenha tempo de agir e eliminar os micro-
organismos.

Banho diário

O corpo humano produz diversas secreções. Além delas, a pele se auto lubrifica com sua
oleosidade. Sendo assim, naturalmente ficamos “sujos”, e isso é intensificado pelo contato que
temos com impurezas ao longo do dia, como a poeira, poluição e os micro-organismos. Por isso,
o banho diário é fundamental para garantir que todo o corpo esteja muito bem higienizado. Assim
como acontece ao lavar as mãos, é preciso utilizar sabão. Apesar de não ser preciso lavá-los
diariamente em alguns casos, não dá para se esquecer dos cabelos, afinal, o couro cabeludo
produz oleosidade e os fios em si acumulam impurezas ao longo dos dias.

Trocar as roupas pessoais e de cama regularmente

165
Da mesma forma como a sujeira se deposita sobre a pele, ela também está nos tecidos. Assim,
se utilizar a mesma peça mais de uma vez, especialmente quando sair de casa com ela, seu corpo
poderá entrar em contato com as impurezas novamente. O ideal é que a roupa seja trocada
diariamente, sendo também fundamental a troca das roupas de cama com frequência,
principalmente se ela for dividida com outra pessoa. Lençol, fronhas e cobertores precisam ser
higienizados porque ficamos muito tempo em contato com eles, o que leva a um acúmulo de
umidade que favorece a proliferação de agentes patógenos. A troca semanal é suficiente, desde
que a cama seja utilizada apenas para dormir. Além disso, o ideal é que durante o dia ela seja
recoberta por uma colcha, e que os travesseiros utilizados à noite estejam bem armazenados para
que não haja contato constante com o ambiente.

Corte das unhas

Unhas compridas levam ao acúmulo de impurezas e, consequentemente, agentes patógenos. Por


isso, um dos hábitos de higiene é mantê-las bem aparadas e sempre limpas. Aliás, as unhas
precisam de atenção também quando lavamos as mãos. No caso das mulheres que cultivam
unhas longas, o ideal é ter um cuidado redobrado com elas, escovando embaixo para eliminar as
impurezas. Lembrando que o hábito de roer as unhas é muito prejudicial, uma vez que você leva
à boca as bactérias acumuladas pelos contatos com superfícies e objetos ao longo do dia.
Portanto, prefira cortar utilizando um instrumento específico para isso.

Outros hábitos de higiene também fundamentais são:

• escovar os dentes pelos menos duas vezes por dia;

• cobrir a boca e o nariz com o cotovelo ao espirrar;

• usar lenços descartáveis;

• não compartilhar objetos de uso pessoal.

Quais são os hábitos mais ausentes?

É bastante comum que os hábitos de higiene sejam negligenciados, em especial quando as


pessoas estão fora de casa. Uma explicação seria o fato de os recursos necessários para manter
em esses cuidados serem mais escassos nos ambientes públicos. Além disso, existem muitas
distrações que fazem esses detalhes passarem despercebidos. Por isso, fora de casa nem
sempre as pessoas se preocupam em lavar as mãos antes de comer ou depois de cumprimentar
166
alguém. Também é bastante comum que não tenham consigo um kit de higiene bucal para utilizar
após as refeições. Outra prática muito recorrente, e que a coloca a saúde em um sério risco, é o
compartilhamento de objetos pessoais. Isso acontece, por exemplo, ao dividir uma bebida ou
comida, emprestar os óculos, um batom, compartilhar toalhas, entre outros.Todas essas práticas
devem ser evitadas porque esses objetos acumulam fluidos corporais, então, pode haver a
transferência entre pessoas e, por consequência, contaminação. Isso contribui para a
disseminação de diversas doenças, a Covid-19, hepatite, gripes e resfriados...

Também acontece de os hábitos de higiene serem praticados parcialmente, como lavar as mãos
apenas com água. Na ausência de sabão ou sabonete, seria melhor utilizar o álcool em gel, um
produto que está muito popularizado por causa da Covid-19.

Que problemas essa ausência traz?

A negligência com os hábitos de higiene, seja em casa ou fora dela, traz as mesmas
consequências, que são contrair e disseminar doenças diversas. Ou seja, uma pessoa saudável
pode ficar doente, e aquela que já é portadora de algum problema dissemina entre os demais.

Perceba que em uma família, quando um dos membros contrai um resfriado, por exemplo, é
bastante comum que outros fiquem doentes em sequência. Isso se dá pela disseminação do vírus
no ambiente da casa ou pela transmissão dele de pessoa para pessoa. O mesmo acontece em
espaços coletivos, como estamos vendo com a Covid-19, e é por isso que a Organização Mundial
da Saúde (OMS) recomenda o afastamento social, defendido pelo especialista, pois dessa forma
limitamos a circulação do vírus e minimizamos novos contágios.

Quando não praticamos corretamente os hábitos de higiene, aumentamos o nosso risco de


adoecermos, tanto porque podemos já estar em contato com os micro-organismos, quanto por
facilitarmos a proliferação deles. É o que acontece quando não escovamos os dentes, pois
favorece a colonização das bactérias que provocam inflamações e infecções bucais.

Quais regiões têm maiores índices de doenças ?

Você notou que para manter os hábitos de higiene é fundamental o acesso à água potável? Sendo
assim, as pessoas precisam ter o serviço de abastecimento em suas casas, e aqui percebemos
que o saneamento básico é indispensável para cuidar da saúde.

167
Sabia que as doenças diarreicas estão entre as 10 principais causas de morte em todo o mundo?
E elas são contraídas pelo contato com água contaminada e pela falta de esgotamento sanitários,
então, as regiões mais suscetíveis às doenças relacionadas à higiene são aquelas que ainda
carecem de saneamento básico. No Brasil, o Norte e o Nordeste do país são as regiões que mais
sofrem com a falta dos serviços.

A Doença Diarreica Aguda (DDA) é uma síndrome causada por vários agentes etiológicos
(bactérias, vírus e parasitas), cuja manifestação predominante é o aumento do número de
evacuações, com fezes aquosas ou de pouca consistência.

Ainda em âmbito nacional, 48% da população não contam com coleta de esgoto e 35 milhões de
brasileiros não têm acesso à água tratada. Números preocupantes como esses mostram a
dificuldade que as pessoas encontram para manter cuidados básicos de higiene e, com isso,
vivenciam continuamente a disseminação de doenças diversas.

Por que isso acontece?.

Nos locais onde falta saneamento básico, é comum as pessoas viverem em condições precárias.
Como o esgoto não é coletado adequadamente, muitas vezes ele corre a céu aberto ou é
despejado em fossas simples, o que facilita o contato com as pessoas, principalmente crianças,
e provoca a contaminação do solo onde se cultiva alimentos.

Em outros casos, o esgoto é despejado em rios e córregos sem antes receber o tratamento
adequado. Essas mesmas águas costumam abastecer as residências, sendo utilizadas para
consumo, preparo de alimentos, higiene pessoal, de objetos e ambientes. Assim, essa parcela da
população sem acesso ao saneamento básico está mais suscetível às doenças de veiculação
hídrica, aquelas disseminadas pela água contaminada. Ao mesmo tempo, não conseguem manter
uma boa higiene pela escassez de recursos para isso. Geralmente essas regiões apresentam
outros problemas sociais, como a carência de empregos e a baixa renda per capita, condições
que dificultam ainda mais os cuidados com a saúde.

O que a falta de saneamento pode gerar?

A falta de saneamento básico resulta na disseminação de diversas doenças provocando surtos e


endemias, principalmente em populações que apresentam uma vulnerabilidade social maior.

168
O acesso à água potável é fundamental para que seja possível controlar a disseminação do vírus,
bactérias e protozoários. Sendo assim, sem esses recursos, não apenas os hábitos de higiene
pessoal são comprometidos, mas também a saúde de toda a sociedade.

Sem a devida coleta e tratamento de esgoto e o abastecimento de água potável para a população,
a tendência é vermos cada vez mais casos de problemas de saúde provocados pela falta de
saneamento. Conforme citamos, as doenças diarreicas estão entre as principais causas de morte
em todo o mundo. Entre elas estão:

• infecção por Escherichia coli;

• disenteria bacteriana;

• febre tifoide;

• cólera.

Outras patologias que também têm origem na escassez de saneamento básico são:

• leptospirose;

• hepatite A;

• verminoses;

• arboviroses (dengue, febre amarela, zika, chikungunya).

Lembrando que sem o acesso à água potável as pessoas têm dificuldade para manter a higiene
das suas mãos, do seu corpo, alimentos, residência e dos objetos que utilizam no dia a dia. Com
isso, ainda outros micro-organismos se disseminam.

É importante considerar que esse é um assunto relevante para todos e que não diz respeito
somente àqueles que ainda não têm acesso ao saneamento básico. Afinal, quando falamos em
doenças que atingem uma grande parte da população, isso implica em impactos para o sistema
de saúde público e a economia. Por esse motivo, a expansão do saneamento no Brasil, bem como
em outros países que ainda carecem desse serviço básico, promove, além da saúde, uma
redução de custos. São investimentos que trazem benefícios para longo prazo. Inclusive,
promovem novos postos de trabalho para quem atuará nesses empreendimentos e viabilizam

169
o crescimento e desenvolvimento de novas regiões, fomentando a economia local e,
consequentemente, gerando retornos para o país.

Como reverter essa situação?

As pessoas precisam saber o que devem fazer e como fazer para adotar medidas realmente
eficazes. Ao mesmo tempo, é fundamental que isso seja praticado todos os dias até que se torne
de fato um hábito.

Entretanto, isso é mais fácil para aqueles que têm à sua disposição os recursos necessários para
se protegerem, o que não é o caso das populações em regiões que ainda não contam com
saneamento básico e sofrem com problemas como:

• ausência de coleta de esgoto;

• ausência de abastecimento com água tratada;

• racionamento de água potável;

• falta de drenagem das águas das chuvas, que causam alagamentos e enchentes;

• falta de coleta de lixo; entre outros.

Situações como essas apenas podem ser solucionadas por meio de projetos para ampliar a oferta
de serviços de saneamento básico. Essa é uma ação conjunta entre o poder público e empresas
especializadas do setor. Quanto à população, cabe o papel de cobrar essas melhorias dos seus
governantes. É verdade que existem muitas regiões onde há fatores que, por hora, dificultam a
chegada dos serviços de saneamento básico. Mas é possível adotar medidas para evitar a
contaminação do solo e da água, garantindo um ambiente mais saudável para as famílias viverem.

Alguns órgãos, instituições e profissionais trabalham com a conscientização dessas populações,


incentivando a implementação de técnicas e práticas que visam a melhor destinação do lixo e do
esgoto, bem como fontes alternativas da água potável e segura para o consumo. As fossas
sépticas são exemplos do que estamos falando. Elas são construídas seguindo alguns critérios
que minimizam o impacto no solo e evitam que o esgoto seja despejado diretamente em córregos,
rios e outras fontes de água. Vale ressaltar que essa medida deve ser empregada exclusivamente
em caso de ausência de sistema público de esgotamento sanitário em funcionamento na região.
A compostagem é mais uma alternativa, nesse caso, para destinação do lixo. A utilização de filtros

170
e a fervura da água são medidas também incentivadas para eliminar impurezas e garantir
segurança no consumo.

Além disso, as questões de higiene e saneamento básico também podem ser trabalhadas mais
intensamente em escolas e por meio de programas de saúde e educação ambiental, organizados
por prefeituras e divulgados pelo sistema público. Dessa forma, é possível fazer a informação
chegar até as pessoas que estão em lugares mais afastados, mostrando para elas como cuidarem
de si e seus ambientes. Assim, podem evitar a disseminação das doenças, afinal, a educação
proporciona qualidade de vida.

É verdade que o ideal seria levar o saneamento básico para todas as pessoas junto com projetos
de educação e conscientização, garantindo a democratização dos cuidados com a saúde. Dessa
forma, seria possível minimizar a transmissão de doenças provocadas por micro-organismos que
passam de pessoa para pessoa, do ambiente para elas ou pelo contato com água e alimentos
contaminados.

Bons hábitos de higiene em conjunto com acesso ao saneamento básico podem salvar vidas. Daí
a importância de trabalhar esses dois fatores com toda a população.

Tabagismo; Toxicomania

Tabagismo - O mal da destruição em massa!

O tabagismo é o ato de se consumir cigarros ou outros produtos que contenham tabaco, cuja
droga ou princípio ativo é a nicotina. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o
tabagismo deve ser considerado uma pandemia, ou seja, uma epidemia generalizada, e como tal
precisa ser combatido.

A fumaça do cigarro é uma mistura de aproximadamente 4.720 substâncias tóxicas diferentes;


que se constitui de duas fases fundamentais: a fase particulada e a fase gasosa. Na fase gasosa
171
é composta, entre outros por monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído,
acroleína. A fase particulada contém nicotina e alcatrão. Essas substâncias tóxicas atuam sobre
os mais diversos sistemas e órgãos, contém mais de 60 cancerígenos, sendo as principais citadas
abaixo:

- Nicotina - é a causadora do vício e cancerígena;

- Benzopireno - substância que facilita a combustão existente no papel que envolve o fumo;

- Substâncias Radioativas - polônio 210 e carbono 14;


- Agrotóxicos - DDT;
- Solvente - benzeno;
- Metais Pesados - chumbo e o cádmio (um cigarro contém de 1 a 2 mg, concentrando-se no
fígado, rins e pulmões, tendo meia-vida de 10 a 30 anos, o que leva a perda de capacidade
ventilatória dos pulmões, além de causar dispnéia, enfisema, fibrose pulmonar, hipertensão,
câncer nos pulmões, próstata, rins e estômago);
- Níquel e Arsênico - armazenam-se no fígado e rins, coração, pulmões, ossos e dentes resultando
em gangrena dos pés, causando danos ao miocárdio etc..;

O tabaco pode ser usado de diversas maneiras de acordo com sua forma de apresentação:
inalado (cigarro, charuto, cigarro de palha); aspirado (rapé); mascado (fumo-de-rolo), porém sob
todas as formas ele é maléfico à saúde.

O tabagismo causa cerca de 50 doenças diferentes, principalmente as doenças cardiovasculares


tais como: a hipertensão, o infarto, a angina, e o derrame. É responsável por muitas mortes por
câncer de pulmão, de boca, laringe, esôfago, estômago, pâncreas, rim e bexiga e pelas doenças
respiratórias obstrutivas como a bronquite crônica e o enfisema pulmonar. O tabaco diminui as
defesas do organismo e com isso o fumante tende a aumentar a incidência de adquirir doenças
como a gripe e a tuberculose. O tabaco também causa impotência sexual.

Existem vários fatores que levam as pessoas a experimentar o cigarro ou outros derivados do
tabaco. A maioria delas é influenciada principalmente pela publicidade do cigarro nos meios de
comunicação.
No caso dos jovens ainda é pior porque além das propagandas pelos meios de comunicação,
pais, professores, ídolos e amigos também exercem uma grande influência. Antes dos 19 anos
de idade o jovem está na fase de construção de sua personalidade. Pesquisas mostram que a

172
maioria dos adolescentes fumantes iniciou a fumar justamente nesta faixa de idade, isto quer dizer
que o principal fator que favorece o tabagismo entre os jovens é, principalmente, a necessidade
de auto-afirmação.

Moda nos dicionários nos leva a pensar em: música, roupas, gostos, jeito de se vestir, gírias,
danças, etc. O tabaco não está incluído em nenhum destes itens.
A algum tempo atrás a publicidade manipulava psicologicamente levando diferentes grupos
(adolescentes, mulheres, indivíduos de baixo poder aquisitivo, etc) que acreditavam que o
tabagismo era muito mais comum e socialmente aceito do que era na realidade e através das
demandas sociais e das fantasias dos comerciais que usavam mulheres bonitas, bem vestidas,
homens fortes, bonitos, jovens curtindo a natureza ou em festas muito bem acompanhados todos
estes personagens fazendo uso do cigarro. Hoje, este tipo de publicidade foi proibido no Brasil. A
lei 10.167 restringe a propaganda de cigarros e derivados.

Fumar durante a gravidez traz sérios riscos para a gestante como também aumenta o risco de
mortalidade fetal e infantil, estes riscos se devem, principalmente, aos efeitos do monóxido de
carbono e da nicotina exercidos sobre o feto, após a absorção pelo organismo materno. Estes
riscos são:

- Abortos espontâneos;
- Nascimentos prematuros;
- Bebês de baixo peso;
- Mortes fetais e de recém-nascidos;
- Gravidez tubária;
- Deslocamento prematuro da placenta;
- Placenta prévia e
- Episódios de sangramento.

Comparando-se a gestante que fuma com a que não fuma, a gestante fumante apresenta mais
complicações durante o parto e têm o dobro de chances de ter um bebê de menor peso e menor
comprimento.
A gestante que fuma, com um único cigarro fumado acelerar em poucos minutos, os batimentos
cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular. Imagine a
extensão dos danos causados ao feto, com o uso regular de cigarros pela gestante.

173
A gestante, o parto e a criança também estão expostos a estes riscos quando a gestante é
obrigada a viver em ambiente poluído pela fumaça do cigarro (fumante passiva), absorvendo
substâncias tóxicas da fumaça, que pelo sangue passa para o feto. Assim como a mãe que fuma
durante a amamentação, a nicotina passa pelo leite que é ingerido pela criança.

Fumante passivo é o indivíduo que convive com fumantes e inalam a fumaça de derivados do
tabaco em ambientes fechados. Poluição Tabagística Ambiental (PTA), é a poluição decorrente
da fumaça dos derivados do tabaco em ambientes fechados e, segundo a Organização Mundial
de Saúde (OMS), é a maior responsável pela poluição nestes ambientes. Pesquisas mostram que
o tabagismo passivo é estimado como a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, só perdendo
para o tabagismo ativo e o consumo excessivo de álcool.

Os não fumantes que respiram a fumaça do tabaco têm um risco maior de desenvolver doenças
relacionadas ao tabagismo. Quanto maior o tempo em que o não fumante fica exposto à poluição
tabagística ambiental, maior a chance de adoecer. As crianças, por terem uma freqüência
respiratória mais elevada, são mais atingidas, sofrendo conseqüências drásticas na sua saúde,
incluindo doenças como a bronquite, pneumonia, asma e infecções do ouvido médio.

Só os fumantes não acreditam que são:

- Nove mortes por hora.


- 80 mil por ano.
- 90% dos casos de câncer de pulmão.
- 80% dos enfisemas pulmonares.
- 25% dos infartos de miocárdio.
- 40% dos derrames cerebrais.
- 10 milhões de pessoas vão morrer nos próximos 30 anos, nas Américas.
- Quatro milhões morrem por ano.

Hoje, já existem no mercado diversos métodos para acabar com o vício do cigarro, basta querer
e ter força de vontade.
Citaremos alguns destes métodos:

- Goma de mascar com nicotina – são pastilhas que liberam pequenas doses de nicotina
diminuindo os sintomas da abstinência.

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- Skin Paches – são pequenos adesivos que colados à pele, liberam mais nicotina do que a goma
de mascar.

- Spray nasal – este spray libera menos nicotina que a goma e os patches, mas chega mais
rápido ao sistema circulatório.

- Inalante – o inalante tem a mesma forma do cigarro, o que leva o indivíduo a achar que está
fumando, pois imita o gesto mão-para-boca do fumante só que com 1/3 da nicotina do cigarro.

- Zyban – este é um método sem nicotina, trata-se de uma droga antidepressiva que auxilia nas
crises de abstinência.

Todos estes métodos devem ser receitado e terem acompanhamento médico.

Toxicomania

O termo toxicomania deriva de duas palavras gregas: toxikon (veneno) e mania (loucura).
Portanto pode-se definir toxicomania como sendo a mania de consumir uma ou mais substâncias
químicas e tóxicas.

Em um sentido mais abrangente podemos definir a toxicomania como um distúrbio do qual o


indivíduo sente uma vontade avassaladora de consumir drogas (cocaína, êxtase, afentamina,
etc.) e outras substâncias químicas como o álcool e o cigarro, tornando-se dependente químico,
uma vez que precisa de doses progressivamente maiores para suprir suas necessidades.

A toxicomania pode ser definida também como um problema social. As famílias possuem um
papel fundamental na formação da personalidade de indivíduos e em transmitir os valores
essenciais da convivência humana. Quando não cumprem este papel contribuem para o
aparecimento de pessoas desestruturadas e susceptíveis as influências negativas dos meios
sociais. O indivíduo sem uma base familiar é facilmente atraído por grupos de pessoas que
utilizam a droga como meio de obter prazer pleno e segurança para estar em um mundo cheio de
complicações.

Pessoas depressivas, indecisas e com doenças graves como o câncer e a AIDS tendem a buscar
nas substâncias químicas uma forma de amenizar suas dores e problemas do dia a dia.
Adolescentes também são facilmente influenciados a ingerirem e ficarem dependentes, por às
vezes sofrer pressão familiar sobre que tipo de carreira seguir, por lidar com as transformações
em seus corpos e ate mesmo com a sua sexualidade, afinal, vivem uma fase de transição para a
175
vida adulta e muitos não sabem lidar com isto. Buscam as respostas de suas indecisões e medos
através das substâncias químicas.

Este transtorno que causa dependência, abuso, intoxicação e abstinência por determinadas
substâncias químicas, transforma a vida dos toxicômanos radicalmente para pior. Existe uma falsa
sensação de conforto por parte dos toxicômanos que com a ingestão de certas substâncias tentam
apaziguar seus sofrimentos, medos e angústias e ficam cada vez mais toxicodependêntes. Outros
já utilizam as substâncias químicas por serem parte de um grupo que as consomem.

Os sintomas mais comuns dos toxicômanos são o irresistível desejo de consumir e continuar
consumindo a substância química e obtê-la por qualquer meio, aumentar progressivamente as
doses para conseguir sentir a sensação anterior com mais intensidade, ficando assim, cada vez
mais dependentes dos efeitos da substância. Muitos ainda possuem problemas comportamentais
tornando-se agressivos e depressivos. Se para as pessoas normais é difícil abdicar de alguns
vícios do dia a dia, como hábitos alimentares não saudáveis (frituras, doces, refrigerantes, etc.),
tirar a substância química do toxicômano não é tarefa fácil. Por isto precisam de apoio familiar,
terapias e abandono da substância dependente. É um processo demorado que requer esforço e
dedicação, pois o indivíduo terá crises de abstinência até poder chegar a um nível em que viver
sem sua droga seja suportável.

Métodos Contraceptivos

Os métodos contraceptivos são técnicas que previnem a gravidez indesejada. Eles podem ser de
barreira, hormonais, comportamentais e definitivos.

176
Muitas mulheres apresentam o sonho de ter filhos; outras, no entanto, não possuem esse desejo
ou ainda não estão preparadas, seja física e psicologicamente, seja financeiramente, para uma
gestação. Nesse último caso, a mulher deve procurar meios de prevenir uma gravidez
indesejada: os métodos contraceptivos.

Existem diferentes tipos de métodos contraceptivos e nem todos se adaptam ao estilo de vida de
determinada mulher. Para que um método seja eficaz, é importante não avaliar somente os
índices de falha, mas também se há conforto, acessibilidade, riscos à saúde e até mesmo se
corresponde ao objetivo pretendido, que pode ser prevenir uma gravidez momentaneamente ou
então para sempre.

Os métodos contraceptivos podem ser classificados em cinco tipos básicos: comportamentais,


hormonais, de barreira, intrauterinos e definitivos. Veja a seguir a descrição de cada tipo e
exemplos:

- Os métodos comportamentais ou naturais baseiam-se em mudanças no comportamento sexual,


como abstenção sexual no período fértil e relações em que o esperma não é colocado no interior
da vagina. A tabelinha e o coito interrompido são exemplos de métodos comportamentais.

- Os métodos hormonais são medicamentos que contêm hormônios que atuam evitando a
ovulação ou dificultando a passagem do espermatozoide através do espessamento do muco.
Dentre os métodos hormonais, destacam-se os contraceptivos orais combinados e os
contraceptivos orais constituídos apenas de progesterona.

- Os métodos de barreira impedem fisicamente que o espermatozoide encontre o óvulo,


funcionando, portanto, como barreiras mecânicas. Como exemplos desse método, podemos citar
a camisinha e o diafragma.

- Os dispositivos intrauterinos são estruturas colocadas no interior da cavidade do útero


que atuam impedindo a chegada dos espermatozoides às tubas uterinas. Como exemplo,
podemos citar o Sistema de Liberação Intrauterino de Levonorgestrel (SIU-LNG) e o Dispositivo
Intrauterino de Cobre (DIU-Cu).

- Os métodos definitivos são aqueles em que são feitos processos cirúrgicos que promovem a
esterilização, que pode ser do homem ou da mulher. São exemplos de métodos definitivos a
laqueadura tubária e vasectomia.

177
Eficácia, modo de usar, vantagens e desvantagens de cada método.

DISPOSITIVO INTRAUTERINO (DIU)

Como funciona?

São pequenas peças de plástico no formato da letra “T” ou do número “7”, com cerca de 2,5 a
3cm introduzidas no interior do útero. Podem ser utilizas com hormônio ou ter partes metálicas
(cobre).Esse metal atua matando os espermatozoides e impedindo a fertilização. Já o DIU com
hormônio libera pequenas quantidades de progesterona no interior do útero provocando
alterações do endométrio (camada que reveste o útero) e do muco do colo uterino, dificultando a
entrada dos espermatozoides e a sua sobrevivência.

Qual a sua eficácia?

Se usado corretamente o risco de gravidez é de 0,3% para o DIU de cobre e de 0,1% para o
DIU hormonal.

Como se utiliza?

Ambos necessitam ser colocados pelo ginecologista e podem permanecer por alguns anos.

Qual é a sua vantagem?

Ambos os DIU´s permanecem dentro do útero e garantem excelente eficácia contraceptiva. O


DIU de hormônio tem como efeito colateral reduzir a menstruação, e pode ser útil para mulheres
que possuem cólicas ou fluxo menstrual intenso.

Desvantagem?

O DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual, além de provocar cólicas. Estes efeitos não
são observados para o DIU de hormônio.Porém, este pode provocar dor mamária, oleosidade da
pele e cistos ovarianos. Ambos não previnem DST´s.

DIAFRAGMA

Como funciona?

Normalmente é de silicone, no formato de disco maleável, introduzido no interior da vagina de


maneira a formar uma barreira na frente do colo uterino para não haver a entrada dos

178
espermatozoides no útero. Deve ser introduzido no interior da vagina, previamente ao ato sexual,
em conjunto com gel e creme espermicida, para melhorar sua eficácia e aplicação.

Qual a sua eficácia?

Se usado corretamente, o risco de gravidez é de 15%.

Como se utiliza?

A maleabilidade do disco permite que ele seja dobrado com os dedos e introduzido facilmente na
vagina, á maneira de um absorvente interno, pela própria mulher.Entretanto, é necessária a
orientação do ginecologista para o uso adequado e correto.

Qual a sua vantagem?

Liberdade para a mulher controlar a contracepção, não aparece após a sua acomodação e não é
percebido pelo parceiro, independe de contraindicação quando comparado com outros métodos.

Desvantagem?

Deve ser retirado após 6 horas da última relação, apresenta eficácia inferior a outros métodos
contraceptivos, pode causar infecção urinária, irritação local, alergia, necessidade de
complementação do gel espermicida após cada relação, além de menor proteção para DST´s.

CAMISINHA FEMININA

Como funciona?

É uma bolsa de plástico leve e frouxa, que se adapta á vagina e protege o colo do útero (parte
inferior do útero), as paredes vaginais e se exterioriza na vulva, ficando a camisinha aparente. A
penetração do pênis se faz no interior deste dispositivo, contribuindo para a prevenção de doenças
sexualmente transmissíveis.

Qual a sua eficácia?

Se usada corretamente, o risco de gravidez é de apenas 5%.

Como se utiliza?

A própria mulher introduz a camisinha no interior da vagina com auxílio dos dedos, á semelhança
de introduzir um absorvente interno. Não deve ser usada ao mesmo tempo com preservativo

179
masculino. Pode ser introduzida algumas horas antes do contato sexual, mas deve ser substituída
após cada relação.

Qual é a sua vantagem?

A própria mulher pode utilizá-la quando necessário, protege também contra doenças sexualmente
transmissíveis (DST´s) e independe de contraindicação quando comparado com outros métodos.

Desvantagem?

A presença do dispositivo vaginal pode inibir o contato sexual, além de ter eficácia inferior a outros
métodos contraceptivos, pode causar irritação local e alergia.

CONTRACEPTIVO HORMONAL – ORAL

Como funciona?

Os contraceptivos orais (ou pílulas anticoncepcionais), podem ser combinadas com os hormônios
estrogênio e progesterona, ou apenas progesterona. A principal ação é por interferência na
ovulação, mas também modificam o endométrio e o muco do colo do uterino no sentido de
dificultar a entrada e a sobrevivência dos espermatozóides.

Qual a sua eficácia?

Se usados corretamente, o risco de gravidez é de 0,3%.

Como se utiliza?

Ingestão diária de comprimidos. Dependendo dos tipos e da combinação hormonal, cada marca
de pílula apresentará diferentes intervalos entre as cartelas, desde sete dias até o uso contínuo.

Qual é a sua vantagem?

Elevada eficácia contraceptiva, além de efeitos colaterais que podem ser desejáveis, como
redução de fluxo menstrual e cólica, redução de acne e oleosidade da pele.

Desvantagem?

Em algumas mulheres podem provocar dor mamária, tontura, dor de estômago, alterações de
humor e libido, ganho de peso, trombose, derrame (efeitos raros).

Não protegem contra DST´s.


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CONTRACEPTIVO HORMONAL – INJETAVÉL

Como funciona?

Semelhante a pílula, isto é, com associação dos hormônios estrogênio e progesterona ou apenas
progesterona. A diferença é que há um maior efeito sobre o endométrio e o muco do colo uterino.

Qual a sua eficácia?

Se usado corretamente, o risco de gravidez é de 0,3% por ano de uso.

Como se utiliza?

Mensal – Associação dos hormônios estrogênio e progesterona - é aplicada uma dose do


contraceptivo por meio de injeção muscular mensal. Mantém fluxo menstrual nos intervalos das
injeções.

Trimestral – apenas progesterona - com aplicação de dose a cada três meses. Suspende a
menstruação.

Qual a sua vantagem?

Apresenta elevada eficácia e não necessita da ingestão diária de comprimidos. No caso do


injetável trimestral, a suspenção da menstruação pode ser útil ás mulheres com cólicas e fluxos
elevados.

Desvantagem?

Ganho de peso, dor mamária, dor de cabeça, sangramento irregular. Não protege contra DST´s,
não pode ser aplicados em mulheres que fazem uso de anticoagulantes pelo risco de
formarem hematomas no local da injeção.

CONTRACEPTIVO HORMONAL - IMPLANTES

Como funciona?

Pequenos tubos (como palitos de fósforo) de 3 cm, que contém o hormônio progesterona e são
inseridos na pele, especialmente na região do braço. Podem atuar por até três anos liberando o
hormônio. A ação é por interferência na ovulação. A diferença é que há maior atuação no
endométrio e no muco, dificultando a sobrevivência dos espermatozoides, bem como, a sua
entrada.
181
Qual a sua eficácia?

Se usado corretamente, o risco de gravidez é de 0,05%.

Como se utiliza?

O médico faz uma pequena anestesia na pele por onde introduz uma agulha especial para
inserção do implante.

Qual é a sua vantagem?

Elevada eficácia sem a necessidade de lembrar-se de tomar comprimidos diariamente.Como


suspende a menstruação também auxilia no controle da dor em mulheres que tenham problemas
menstruais.

Desvantagem?

Ganho de peso, dor mamária, dor de cabeça, sangramento irregular, queda de cabelo, diminuição
de libido, depressão. Não protege contra DST´s.

CONTRACEPTIVO HORMONAL – ANEL VAGINAL

Como funciona?

Anel de silicone maleável com cerca de 4 cm, que contém hormônio estrogênio e progesterona
no seu interior. É introduzido na vagina onde se acomoda e permanece por três semanas
liberando localmente seus hormônios que serão absorvidos pela mucosa vaginal para a
circulação sanguínea. Os efeitos contraceptivos são os mesmos da pílula.

Qual a sua eficácia?

Se usado corretamente, o risco de gravidez é de 0,5% por ano de uso.

Como se utiliza?

A própria mulher introduz o anel no interior da vagina á semelhança do uso de um absorvente


interno.

Qual é a sua vantagem?

Tem os mesmos efeitos da pílula sem ter que se lembrar de tomar comprimidos diariamente.

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Desvantagem?

Pode provocar os mesmos efeitos colaterais da pílula, além de irritação vaginal e corrimento. Não
protege contra DST´s.

CONTRACEPTIVO HORMONAL – ADESIVO CUTÂNEO

COMO FUNCIONA?

Pequenos selos adesivos, com cerca de 2 cm, que se colocam firmemente á pele, e liberam
hormônios (estrogênio e progesterona) que são absorvidos e liberados na circulação sanguínea.
Atuam como os contraceptivos hormonais orais.

Qual a sua eficácia?

Se usado corretamente, o risco de gravidez é de 0,3%.

Como se utiliza?

A própria paciente o selo, que é trocado a cada semana, sobre a pele de regiões de pouco atrito
como nádegas, lombar, ombro.

Qual é a sua vantagem?

Elevada eficácia com facilidade de uso, sem a necessidade de se lembrar de utilizar.

Desvantagem?

Apresenta os mesmos riscos dos outros métodos hormonais, além de poder provocar irritação da
pele. Não protege contra DST´s.

Alimentaçao saudável e hábitos alimentares.

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Ter uma alimentação saudável é fundamental para que as funções do organismo funcionem
de foma equilibrada. De forma prática, uma alimentação saudável é aquela composta por todos
os macro e micronutrientes. Mas então, o que é alimentação saudável?

Alimentação saudável contém:

Os macronutrientes, que são os carboidratos (pães, massas e batatas, entre outros), gorduras
(como os óleos, as oleaginosas, abacate e outros) e proteínas (peixes, ovos, carnes
vermelhas, carne de frango, entre outros). E também os micronutrientes, que são as vitaminas
e minerais, presentes nos mais diversos alimentos, como frutas, verduras, legumes, entre
outros.

Além disso, contém fibras, parte não digerível do alimento vegetal, a qual resiste à digestão e
à absorção intestinal, com fermentação completa ou parcial no intestino grosso. Elas também
são essenciais para a alimentação saudável e estão presentes nos alimentos integrais, nas
frutas e verduras.

Uma alimentação composta por estes nutrientes de forma equilibrada costuma ser bem
variada, não tem exageros e não segue nenhum tipo de modismo.

184
Ter uma alimentação saudável proporciona uma série de benefícios para as pessoas. Ela
contribui para a melhora no sistema imunológico, na qualidade de sono, no trânsito intestinal,
no humor, na capacidade de concentração e pode contribuir até mesmo para a perda de peso.
Em gestantes, ela é essencial para o bom desenvolvimento do feto e em mulheres que
amamentam irá contribuir para o desenvolvimento saudável do bebê. Entre outros inúmeros
benefícios.

A pirâmide alimentar foi adaptada para a população brasileira em 1999 pela nutricionista
sanitarista Sonia Tucunduva Philippi, professora da Universidade de São Paulo. Esta pirâmide
foi criada com o objetivo de facilitar o entendimento do público sobre quais os alimentos que
devem ser mais ingeridos e quais devem ter um consumo menor.

A adaptação envolveu basicamente trocar alguns alimentos que não eram tão comuns no
Brasil por outros nutricionalmente equivalentes, mas que eram ingeridos com maior frequência
pelos brasileiros.

Os alimentos presentes na base da pirâmide são aqueles que devem ser mais consumidos.
Quanto mais para cima o alimento estiver localizado, em menores quantidades ele deve ser
ingerido.

A orientação de acordo com a pirâmide é ingerir 6 porções ao dia de carboidratos, como pães,
arroz, batata, mandioca e outros, 3 poções de legumes e verduras, 3 de frutas, 3 de laticínios,
como queijos, leite e iogurte, uma de carnes e ovos, uma de feijão e outras leguminosas, uma
de óleos e outras gorduras e uma de açúcares e doces.

185
Os macronutrientes consistem nas gorduras, carboidratos e proteínas. Os carboidratos são a
principal fonte de energia do corpo, eles possuem 4 calorias por grama e se dividem entre
simples e complexos.

A digestão e absorção dos carboidratos simples acontece rapidamente levando a um aumento


dos níveis de glicose no sangue (glicemia). Exemplos de alimentos que são fontes de
carboidratos simples: frutas, mel, xarope de milho, açúcar. O excesso dos carboidratos simples
pode favorecer problemas de saúde como diabetes.

Já os carboidratos complexos possuem estrutura química maior (polissacarídeos). Por ser


uma molécula maior são digeridos e absorvidos mais lentamente, ocasionando aumento
gradual da glicemia. Exemplos de alimentos fontes de carboidratos deste grupo: arroz integral,
pão integral, batata doce, massa integral. Estes carboidratos complexos são ricos em fibras e
por isso contribuem para a melhora no trânsito intestinal, previnem o diabetes, ajudam na
perda de peso, controle do nível de colesterol, entre outros.

Outro macronutriente é a proteína. Ela possui quatro calorias por grama e tem como uma de
suas principais funções reparar as microlesões que ocorrem como um processo fisiológico

186
normal quando se pratica atividade física e proporcionar a sua regeneração e formação de
novas células musculares.

As proteínas podem ser encontradas em alimentos de origem animal, como carnes vermelhas,
peixes, aves, laticínios e ovos. Elas também estão presentes nos alimentos de origem vegetal,
especialmente leguminosas como feijão e soja.

O outro macronutriente é a gordura e possui 9 calorias por gramas. Elas se dividem entre
gorduras monoinsaturadas, poli-insaturadas e saturadas. As gorduras proporcionam
saciedade e algumas delas proporcionam benefícios para o cérebro. As gorduras poli-
insaturadas são encontradas em alimentos como a chia, a linhaça e peixes de água fria,
salmão e sardinha por exemplo. Já as monoinsaturadas estão presentes em óleos, como o
azeite e no abacate.

A recomendação é que uma alimentação saudável seja composta de 40 a 55% de


carboidratos, 15 a no máximo 30% de proteínas, sendo metade de origem animal e outra
vegetal, e entre 25 e 30% de gorduras, sendo um terço de saturadas, um terço de poli-
insaturadas e um terço de monoinsaturadas.

O QUE COMER ?

- Carboidratos complexos, como as frutas

- Proteínas vegetais, como soja, feijão, lentilha, grão de bico, quinoa

- Proteínas animais, como peixes, as aves, os ovos e o leite semi-desnatado

- Gorduras monoinsaturadas, como abacate

- Fontes de ômega 3, como salmão, sardinha e outros peixes de águas frias, a chia e a
linhaça.

- Vitamina A, nos ovos, cereais, cenoura

- Vitaminas do complexo B, em carnes, leite e ovos

- Vitamina C, em frutas como kiwi, laranja e acerola, dentre outros.

Os carboidratos complexos, aqueles em que o açúcar demora mais para ser absorvido no
sangue, e menor carga glicêmica, quantidade de açúcar presente no alimento, são os que
187
devem estar presentes com maior frequência em uma alimentação saudável. As frutas,
especialmente quando ingeridas com casca, e os alimentos integrais costumam ter estas
características.

Quanto às proteínas, a recomendação é ingerir tanto aquelas de origem vegetal, como a


soja e o feijão, quanto às de origem animal. Porém, uma pessoa consegue manter uma
dieta vegetariana e ainda assim ser saudável. Fontes de proteínas de origem animal que
vale a pena investir são aquelas com menor concentração de gorduras saturadas como os
peixes, as aves, os ovos e o leite semi-desnatado. Quanto aquelas de origem vegetal,
todas parecem ser boas alternativas, como o feijão, a soja, a lentilha, o grão de bico e a
quinoa.

Quanto às gorduras, aquelas insaturadas são boas alternativas para a saúde. Vale investir
em fontes de ômega 3 como o salmão, a sardinha e outros peixes de águas frias, a chia e
a linhaça. Alimentos ricos em gorduras monoinsaturadas como o abacate e o azeite
também são ótimas opções.

É importante reduzir o consumo de fontes de carboidratos com alto índice e taxa glicêmica,
como o pão branco, a batata, a massa e o arroz branco. Isto porque eles podem levar a
picos de insulina que em excesso favorecem desde o ganho de peso até o diabetes.

Quanto à proteína, é importante não abusar do consumo da carne vermelha. Ingerir cerca
de 300 gramas deste alimento por semana já é o suficiente. O excesso de carne vermelha
leva ao maior consumo de gorduras saturadas que aumenta o risco de problemas
cardiovasculares, entre outros.

Em relação às gorduras o mesmo cuidado com a saturada é válido. Evite exagerar no


consumo de fontes de gorduras saturadas, principalmente as carnes vermelhas gordurosas
e o leite integral, entre outros.

Entre os micronutrientes temos os minerais e as vitaminas, o que resulta em dezenas de


substâncias essenciais para a manutenção da vida.

Alguns bons exemplos de vitaminas são: vitamina A, importante para a visão e crescimento
e que é encontrada em ovos, cereais fortificados, leite, cenoura, entre outros, vitaminas do
complexo B, grandes aliadas do cérebro e que são encontradas principalmente em carnes,

188
leite e ovos, e vitamina C, que melhora a imunidade e pode ser encontrada nas frutas como
kiwi, laranja e acerola.

Quanto aos minerais, eles se dividem entre macromineais, que precisamos ingerir em
grandes quantidades, como o cálcio, e os elementos traços, que precisamos de pequenas
porções, como o boro. Exemplos de macrominerais são o ferro, que previne anemia, é bom
para o coração e pode ser encontrado em carnes, e o cálcio, aliado dos ossos e dentes
que está presente principalmente nos laticínios.

Como existem diversos micronutrientes, a melhor maneira de saber que está ingerindo
quantidades suficientes deles é manter sempre uma grande variedade na dieta. Procure
consumir todos os grupos alimentares e seguir o conceito de variabilidade alimentar que
sugere que a sua dieta abranja ao menos 30 alimentos. Produtos alimentares, como
embutidos, bolachas recheadas, entre outros, não entram na conta.

Para ter uma alimentação saudável é importante que ela seja muito variada e conte com
todos os grupos alimentares. Seguir o conceito de variabilidade alimentar, que sugere que
a sua dieta abranja ao menos 30 alimentos, é uma boa ideia. Lembrando que produtos
alimentares, como embutidos, bolachas recheadas, entre outros, não entram na conta.

Outro cuidado importante está na escolha dos alimentos. Em relação aos carboidratos é
importante priorizar os complexos, como pães integrais, arroz e massas integrais. Já
quando falamos de gorduras, as fontes de gorduras insaturadas devem ser ingeridas em
maior quantidade, como as oleaginosas, o azeite, o abacate, o salmão e a chia. Quanto às
proteínas, vale priorizar as versões magras, como peixes, aves, carnes vermelhas com
pouca gordura e aquelas de origem vegetal, como feijão, lentilhas e soja.

O PAPEL DA ÁGUA

A água é essencial para o transporte de nutrientes no organismo e a hidratação. A


orientação é ingerir 30 ml de água por quilo de peso no dia, o que equivale a cerca de dois
ou três litros de água por dia. A água não deve ser substituída por refrigerantes, sucos,
especialmente os industrializados, e muito menos bebidas alcoólicas.

189
ALIMENTOS MENOS SAUDÁVEIS

Doces, bolos, brigadeiro, alimentos industrializados e ricos em sódio, temperos prontos


ente outros precisam ser evitados.

Alimentos que possuem grandes quantidade de gorduras saturadas e trans também devem
ser evitados, especialmente as trans que não devem passar de dois gramas por dia. Os
alimentos ricos em gorduras saturadas são as carnes vermelhas, especialmente as mais
gordurosas, o leite integral e seus derivados e os queijos amarelos.

Alguns exemplos de alimentos que possuem a gordura trans são: margarinas sólidas ou
cremosas, recheios de biscoitos, salgadinhos de pacote e congelados, como salgadinhos
de festa, ou pizza congelada, pastéis, macarrão instantâneo, sopas e cremes em pó,
coberturas, sorvetes, pães, alimentos pré-assados ou fritos, bolos, tortas, pipoca de micro-
ondas, glacê pronto para consumo, dentre outros alimentos industrializados.

Apesar de serem prejudiciais para a saúde, é difícil restringir completamente o consumo


deles. Saiba que isto não é necessário para manter uma alimentação saudável, basta não
fazer com que o consumo deles não seja algo constante na sua dieta. Por exemplo:
considerando que uma pessoa faça 5 refeições por dia, o que equivale a 35 refeições por
semana. Se entre essas 35 refeições, 30 forem saudáveis e 5 não forem, isto
provavelmente não irá comprometer a saúde de uma pessoa saudável.

DICAS PARA UMA ALIMENTAÇAO SAUDÁVEL

- Não fique sem comer

- Procure sentir prazer em comer (coma o que gosta!)

- Priorize alimentos naturais

- Substitua alimentos não tão saudáveis

- Coma sem pressa

- Não coma realizando outras atividades

- Estabeleça metas semanais

- Seja persistente

190
- Beba bastante água

- Introduza frutas no cardápio

- Combine alimentos

- Faça de 5 a 6 refeições por dia

- Mastigue bem.

INTRODUÇÃO AO TRABALHO DE ENFERMAGEM

191
Enfermagem é:
“É a arte de CUIDAR e a ciência cuja essência e especificidade é o cuidado ao ser humano,
individualmente, na família ou em comunidade de modo integral e holístico, desenvolvendo de
forma autônoma ou em equipe atividades de promoção, proteção, prevenção, reabilitação e
recuperação da saúde” (COFEN,2017).
Saúde é:
“É um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não, simplesmente, a
ausência de doenças ou enfermidades. (OMS, 1996).
Doença:
É um processo anormal no qual o funcionamento do organismo de uma pessoa está
diminuído ou prejudicado em uma ou mais dimensões.
O cuidar:
“Consiste em empreender esforços transpessoais de um ser humano para outro, visando
proteger, promover e preservar a humanidade, ajudando pessoas a encontrar significados na
doença, sofrimento e dor, bem como, na existência. É ainda, ajudar outra pessoa a obter
autoconhecimento, controle e auto cura, quando então, um sentido de harmonia interna é
restaurada, independentemente de circunstâncias externas”(SOUZA et al, 2005).

A história e estruturação da enfermagem na idade antiga


- Período Pré-Cristão:

Período marcado por grande influência da religiosidade dos povos, foi um período em que
as doenças eram compreendidas como um castigo de Deus ou resultavam do poder do demônio.
Desse modo, os sacerdotes ou feiticeiras acumulavam funções de médicos e enfermeiros. O
tratamento baseava-se em invocar as divindades, afastando os maus espíritos por meio de
sacrifícios. Utilizavam: massagens, banho de água fria ou quente. Mais tarde os sacerdotes
adquiriam conhecimentos sobre plantas medicinais e passaram a ensinar pessoas, incumbindo-
lhes das funções de enfermeiros e farmacêuticos. Alguns papiros, inscrições, monumentos, livros
de orientações política e religiosas, ruínas de aquedutos e outras descobertas nos permitem
formar uma opinião do tratamento dos enfermos.

- Egito:

192
Os egípcios foram um povo que deixaram diversosescritosa respeitoda medicina
conhecida à época. No entanto, as receitas médicas deviam ser tomadas acompanhadas da
recitação de fórmulas religiosas. Eram adeptos do hipnotismo, da interpretação de sonhos;
acreditavam na influência de algumas pessoas sobre a saúde de outras. Havia ambulatórios
gratuitos, onde era recomendada a hospitalidade e o auxílio aos desamparados.

- Índia

Por volta do séc. VI a.C. os hindus jápossuíam conhecimentos prévios sobre: ligamentos,
músculos, nervos, plexos, vasos linfáticos, antídotos para alguns tipos de envenenamento e o
processo digestivo. Realizavam alguns tipos de procedimentos, tais como: suturas, amputações
e corrigiam fraturas. Assim como em outras sociedades, a religião teve papel importante nesse
contexto e, assim, nesse aspecto o budismo contribuiu para o desenvolvimento da enfermagem
e da medicina. Os hindus tornaram-se conhecidos pela construção de hospitais. Foram os
primeiros povos na sua época, que citaram enfermeiros e exigiam deles qualidades morais e
conhecimentos científicos. Nos hospitais eram usados músicos e narradores de histórias para
distrair os pacientes. O bramanismo fez decair a medicina e a enfermagem, pelo exagerado
respeito ao corpo humano - proibia a dissecção de cadáveres e o derramamento de sangue. As
doenças eram consideradas castigo.

- Assíria e Babilônia:

No que diz respeito aos assírios e babilônios existiam penalidades para médicos
incompetentes, tais como: amputação das mãos, indenização, etc. A medicina era baseada na
magia - acreditava-se que sete demônios eram os causadores das doenças. Os sacerdotes -
médicos vendiam talismãs com orações usadas contra ataques dos demônios. Nos documentos
assírios e babilônicos não há menção de hospitais, nem de enfermeiros. Conheciam a lepra e sua
cura dependia de milagres de Deus, como no episódio bíblico do banho no rio Jordão. "Vai, lava-
te sete vezes no Rio Jordão e tua carne ficará limpa".

- China:

193
Os enfermos chineses eram cuidados por sacerdotes. As doenças eram classificadas da
seguinte maneira: benignas, médias e graves. Os sacerdotes eram divididos em três categorias
que correspondiam ao grau da doença da qual se ocupava. Os templos eram rodeados de plantas
medicinais. Os chineses conheciam algumas doenças, como: varíola e sífilis., e tratamentos
como: anemias, indicavam ferro e fígado; doenças da pele, aplicavam o arsênico. Anestesia: ópio.
Construíram alguns hospitais de isolamento e casas de repouso. A cirurgia não evoluiu devido a
proibição da dissecção de cadáveres.

- Japão

Os japoneses aprovaram e estimularam a eutanásia. A medicina era fetichista e a única


terapêutica era o uso de águas termais.

- Grécia

Por s tratar de uma sociedade ligada à mitologia. Apolo, era o deus sol, bem como era o
deus da saúde e da medicina. Utilizavam sedativos, fortificantes e hemostáticos, realizavam
ataduras e retiravam corpos estranhos, também tinham casas para tratamento dos doentes. A
medicina era exercida pelos sacerdotes que exerciam a função de médicos, mas que também
interpretavam os sonhos das pessoas. Tratamento constituía de: banhos, massagens, sangrias,
dietas, sol, ar puro, água pura e mineral. Por ser uma sociedade que se dava valor à beleza física,
cultural e a hospitalidade e que tinha excesso de respeito pelo corpo atrasou os estudos
anatômicos. O nascimento e a morte eram considerados impuros, causando desprezo pela
obstetrícia e abandono dos doentes graves. A medicina tornou-se científica, graças a Hipócrates,
que deixou de lado a crença de que as doenças eram causadas por maus espíritos. Hipócrates é
considerado o Pai da Medicina. Observava o doente, fazia diagnóstico, prognóstico e a
terapêutica. Reconheceu doenças como: tuberculose, malária, histeria, neurose, luxações e
fraturas. Seu princípio fundamental na terapêutica consistia em "não contrariar a natureza, porém
auxiliá-la a reagir". Os diversos tratamentos usados eram: massagens, banhos, ginásticas, dietas,
sangrias, calmantes, ervas medicinais e medicamentos minerais.

- Roma

194
Durante longo tempo a medicina era exercida por escravos ou estrangeiros. Os romanos
eram um povo, essencialmente guerreiro. O indivíduo recebia cuidados do Estado como cidadão
destinado a tornar-se bom guerreiro, audaz e vigoroso. Roma distinguiu-se pela limpeza das ruas,
ventilação das casas, água pura e abundante e redes de esgoto. Os mortos eram sepultados fora
da cidade, na via Ápia. O desenvolvimento da medicina dos romanos sofreu influência do povo
grego. O cristianismo foi a maior revolução social de todos os tempos. Influiu positivamente
através da reforma dos indivíduos e da família. Os cristãos praticavam uma tal caridade, que
movia os pagãos: "Vede como eles se amam".Desde o início do cristianismo os pobres e enfermos
foram objeto de cuidados especiais por parte da Igreja.

- Inglaterra (séc XVIII)

Em plena revolução industrial na Europa (1760), a população era composta por uma massa
operaria majoritariamente camponesa, vivendo em condições precárias de trabalho e péssimas condições
de vida, com grande susceptibilidade às doenças. Havia grande mortalidade materna e infantil no cotidiano
das indústrias. Já existiam escolas de cuidados aos enfermos, no entanto o cuidar dos doentes não tinha
cunho científico e na maioria das vezes realizado de forma inadequada.

A Enfermagem moderna – Florence Nightingale


“A Dama da lâmpada”

Florence Nightingale nasceu em Florença, na Itália, no dia 12


de maio de 1820, na época em que seus pais residiam na Itália. Filha
do milionário William Shore Nightingale foi aluna do King’sCollege de
Londres. Em uma viagem ao Egito, visitando hospitais, despertou sua
vocação para a enfermagem, apesar de na época não ser uma
atividade digna.
De tanto insistir, convenceu seu pai a deixá-la estudar
matemática e foi educada por ninguém menos que Arthur Cayley,
eternizado por seus estudos sobre matrizes algébricas utilizadas na
mecânica quântica; e por James Joseph Sylvester, celebrizado pelas
suas teorias dos invariantes, matricial e análise combinatória.
Sylvester chegou a declarar que Florence foi sua melhor aluna.

195
Também estudou os métodos estatísticos do cientista belga Jacques Quetelet, conhecido
por seus estudos sobre o Índice da Massa Corporal (IMC).
Em 1846 foi altamente sensibilizada com o péssimo tratamento dado a um indigente numa
enfermaria em Londres e tomou para si a bandeira da reforma da lei de assistência do Estado aos
pobres e desamparados.
Enfrentou a família, que não via com bons olhos sua ânsia em acudir os necessitados, a
quem ia visitar nos hospitais, chegando a romper relações com sua mãe e, aos 30 anos, Florence
passou a fazer estágios em importantes hospitais da Alemanha e da França, iniciando seu
treinamento como enfermeira.
Na Inglaterra, iniciou seu aprendizado, repartindo o tempo entre aulas de anatomia e visitas
ao hospital do distrito. Em 1851, aventurou-se na Alemanha, para frequentar a Escola de
Enfermagem Fliedner, onde viveu sua primeira experiência como profissional entre as religiosas
protestantes de Kaiserswerth.
Em 1856, Florence Nightingale retornou à preconceituosa Londres. Foi então indicada para
a superintendência de um hospital de caridade. Em 1854, surgiu a oportunidade para Florence
seguir para o hospital militar inglês em Scutari, que atendia os feridos anglo-franceses na Guerra
da Criméia, onde os soldados morriam vítima da cólera e do frio.

196
Assustada com o altíssimo índice de mortalidade causado pelo tifo e pela cólera, concluiu
que as doenças hospitalares estavam matando sete vezes mais do que os campos de batalha.
Com uma coleta constante de dados e aplicando os métodos de Quetelet, organizou registros e
estatísticas montando diagramas de área onde visualizou, mês a mês, que o rigor na assepsia
fazia decrescer as mortes por infecção.
Seu trabalho baseado em evidência foi responsável pela diminuição de mais de 70% das
mortes de soldados feridos em batalhas, por decorrências de atendimento médico inadequado.
Sua generosidade, doçura com os pacientes, seus cuidados percorrendo as enfermarias
dos batalhões e acampamentos durante a noite, com uma lâmpada na mão visitando os doentes
lhe renderam o apelido de “a dama da lâmpada”.

Com o fim da guerra e de volta à Londres, depois de contrair febre tifoide, ficou com sérias
restrições físicas, o que a obrigou a retornar em 1856 da Crimeia.Florence Nightingale voltou para
a Inglaterra como heroína em agosto de 1857 e, de acordo com a BBC, era provavelmente a
pessoa mais famosa da era vitoriana além da própria rainha Vitória.

197
Florence continuou sua busca por humanização e higiene no atendimento hospitalar e
acabou sendo condecorada, pela Rainha Vitória, como membro da Sociedade Estatística Real.
Impossibilitada de fazer seus trabalhos físicos, dedica-se a formação da escola de enfermagem
em 1859 na Inglaterra, onde já era reconhecida no seu valor profissional e técnico, recebendo
prêmio concedido através do governo inglês. Fundou a Escola de Enfermagem no Hospital Saint
Thomas, com curso de um ano, era ministrado por médicos com aulas teóricas e práticas, se
tornando um modelo padrão de ensino de enfermagem que seria usado para as demais escolas
que surgiram no mundo, assim estabelecendo as bases da enfermagem moderna.
Em 1883, a rainha Vitória concedeu-lhe a Cruz Vermelha Real e em 1907 ela se tornou a
primeira mulher a receber a Ordem do Mérito.
Florence Nightingale faleceu em 13 de agosto de 1910, deixando legado de persistência,
capacidade, compaixão e dedicação ao próximo,
estabeleceu as diretrizes e caminho para a enfermagem
moderna. Encontra-se sepultada em St Margaret
ofAntiochChurchyard, East
Wellow, Hampshire na Inglaterra.[4] É comemorada
como "testemunha profética" pela Comunhão Anglicana,
sendo sua festa litúrgica celebrada em 13 de agosto.

Teoria Ambientalista de Florence Nightingale

Conceito:Segundo Florence - tem como


significado o cuidado do ser humano e sua interligação
com o meio ambiente.
Com isso estabelece a observação:Ventilação; Iluminação; Calor; Limpeza; Ruídos;
Odores e Alimentação
Ventilação: Primeiro e último princípio segundo Florence, o paciente deve estar exposto ao
ar fresco, porém, sem correntes de ar; “conservar o ar que o paciente respira tão puro quanto o
ar exterior, sem deixá-lo sentir frio.
Iluminação: Os pacientes têm, depois do ar puro, a necessidade de iluminação. Segundo
Florence “não é apenas a claridade que desejam, mas a luz solar direta”.
Calor: A enfermagem deve observar atentamente o paciente a fim de evitar que ele se
resfrie, prevenindo a perda de calor vital, essencial à recuperação.

198
Limpeza: Refere-se ao ambiente, pois, um quarto sujo é fonte certa de infecções, ao
paciente, de quem a higiene cuidadosa “remove matérias nocivas do sistema”. Além de
proporcionar alívio e conforto. A importância da higienização das mãos e técnicas realizadas com
higiene.
Ruídos: O elemento ambiental para o qual a enfermagem deve estar atenta. Qualquer
sacrifício é válido para assegurar o silêncio, pois nem um bom arejamento, nem uma boa
assistência serão benéficos para o doente, sem o necessário silêncio.
Odores: O odor resultante da doença deve ser removido do corpo. Ao ventilar-se o quarto
do doente, deve-se evitar o ar proveniente de esgoto. Os utensílios de quarto devem ser mantidos
limpos, livres de odores e guardados em local apropriado.
Alimentação: Essencial ao processo de cura, deve ser minuciosamente observada pela
enfermagem.
Segundo a teoria e os escritos de Florence, ela instituiu os diversos ambientes que
envolvem o cuidado, são eles:
Ambiente Físico - A higiene constitui uma noção inclusa, relacionada com todos os
aspectos do ambiente físico em que se encontra o paciente;
Ambiente Psicológico - Um ambiente negativo poderia causar estresse físico, afetando o
emocional do paciente.
Ambiente social - É visto como essencial na prevenção de doenças e refere-se
especialmente à coleta de dados, na qual a enfermagem deve empregar todo seu poder de
observação.
Com isso o cuidado passa a ter duas vertentes, sendo elas:
Cuidado Empírico – saber popular - requer algum ensino prático, tem por objetivo a
prevenção de doenças e pode ser praticada por todos;
Cuidado Científico - ciência que requer uma educação formal, organizada e científica para
cuidar dos que sofrem com a doença.

Simbologia da profissão de Enfermagem

Todas as noites durante a Guerra da Crimeia, Florence fazia sua ronda solitária, com uma
pequena lâmpada para iluminar o caminho, e observar as condições dos enfermos. Desde então,
a lâmpada tornou-se o símbolo da Enfermagem no mundo.

199
Atualmente representada pela lâmpada à óleo (forma de uma lamparina grega) acesa, uma
cobra e a cruz vermelha. Onde a Cobra significa: magia, alquimia, uma vez que representa o
renascimento ou a cicatrização. Cobra + cruz: ciência. Lâmpada: caminho, ambiente
Juntos, esses elementos representam essa profissão que se traduz em zelo, cuidado e
respeito (COFEN, 1999).

Os cursos Técnico e auxiliar em Enfermagem são representados por uma lâmpada,


contudo, a cobra e a cruz são substituídas por uma seringa, que significa: a técnica.

A pedra símbolo da enfermagem é a esmeralda, bem como a cor que a representa é


justamente o verde esmeralda, simbolizando a natureza, a vida e o poder de cura

200
Assim formando a equipe de enfermagem temos:
O enfermeiro: profissional de nível superior, tendo capacidade técnica, humana e científica
e sendo responsável pela supervisão da equipe de enfermagem, recuperação e prevenção da
saúde dos indivíduos no contexto do cuidar como ciência.
O técnico de enfermagem: profissional de nível técnico, tem como funções básicas a
prevenção e manutenção de saúde básica, ele auxilia os enfermeiros no que abrange cuidar dos
pacientes incluído reabilitação e recuperação de saúde pública e coletiva.
O auxiliar de enfermagem: profissional de nível fundamental que cuida da saúde do
paciente, ministrando medicamentos via oral, cuidando da alimentação do paciente e cuidando
da manutenção de sua higiene. Ou seja, esse profissional realiza funções que complementam as
funções do enfermeiro e técnico em enfermagem.

A Enfermagem no Brasil
- Contextualização Histórica –

A gênese da Enfermagem no país tem início ainda noBrasil colônia e estende-se até o final
do século XIX. A profissão tem origem como uma simples prestação de cuidados aos doentes,
oficio que à época era realizado por escravos, especificamente os trabalhavam nas casas dos
nobres. A abertura das Casas de Misericórdia, que tiveram origem em Portugal, também se iniciou
no Brasil ainda no período colonial. A primeira Casa de Misericórdia foi fundada na Vila de Santos,
em 1543. Em seguida, ainda no século XVI, surgiram as do Rio de Janeiro, Vitória, Olinda e Ilhéus.
Somente em 1822, o Brasil tomou as primeiras medidas de proteção à maternidade que se
conhecem na legislação mundial, graças à atuação de José Bonifácio Andrade e Silva. A primeira
sala de partos funcionava na Casa dos Expostos em 1822. Em 1832 organizou-se o ensino
médico e foi criada a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. A escola de parteiras da
Faculdade de Medicina diplomou no ano seguinte a célebre Madame Durocher, a primeira parteira
formada no Brasil
Bem mais tarde, Porto Alegre e Curitiba, por volta do ano1880 instituíram suas Santas
Casas de Misericórdia, com a presença de D. Pedro II, o então Imperador do Brasil e a Imperatriz
e sua esposa Dona Tereza Cristina. No que tange à saúde do povo brasileiro, merece destaque
o trabalho do Padre José de Anchieta. Ele não se limitou ao ensino de ciências e catequeses.Em
seus escritos encontramos estudos de valor sobre o Brasil, seus primitivos habitantes, clima e as
doenças mais comuns

201
O atendimento aos doentes de modo geral desempenhado pelos Jesuítas atendia aos
necessitados, cumprindo papeis tanto de médico como de enfermeiro. As terapias empregadas
eram à base de ervas medicinais minuciosamente descritas. Infere-se que os Jesuítas faziam a
supervisão do serviço que era prestado por pessoas treinadas por eles. Não há registro a respeito.
Outra figura de destaque é Frei Fabiano Cristo, que durante 40 anos exerceu atividades de
enfermeiro no Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro (Séc. XVIII). Os escravos tiveram
papel relevante, pois auxiliavam os religiosos no cuidado aos doentes. Em 1738, Romão de Matos
Duarte consegue fundar no Rio de Janeiro a Casa dos Expostos. Na enfermagem brasileira do
tempo do Império, raros nomes de destacaram e, entre eles, merece especial menção o de
Francisca de Sande (pouco conhecida) e Anna Nery (nome de maior prospecção nacional).

Francisca de Sande

Nascida na Bahia, em data indeterminada, filha de portugueses


abastados, teve infância e juventude privilegiadas.
Quando a epidemia de febre amarela devastoua população nordestina
(1680 e 1694), matando milhares de pessoas, Francisca esforçou-se no
atendimento aos doentes. Sem receio de contaminar-se, sala pelas ruas,
seguida por escravos, recolhendo doentes. Levava-os para sua casa, cujos
vastos cômodos transformara em enfermaria. Documentos da época atestam
que Francisca gastou todo seu patrimônio no cuidado aos doentes, a ponto do Rei de Portugal
lhe escrever em agradecimento aos serviços prestados ao povo brasileiro. Francisca foi
considerada a Primeira enfermeira brasileira, mesmo que pouco lembrada na história da
enfermagem nacional. Francisca faleceu em 21 de abril de 1702.

Ana Justina Ferreira Neri – Ana Neri

202
Nasceu na Vila Nossa Senhora do Rosario do Porto de
Cachoeira do Paraguaçu (Cachoeira), em 13 de dezembro de
1814. Viúva do capitão-de-fragata Isidoro Antônio Néri viu seus
familiares mais próximos serem convocados para a Guerra do
Paraguai e solicitou ao presidente da Província da Bahia poder
acompanhar os filhos e o irmão, ou pelo menos prestar serviços
voluntários nos hospitais do Rio Grande do Sul, no que foi
atendida. Embarcou, em Salvador, com a tropa do 10o Batalhão
de Voluntários da Pátria em agosto de 1865, na qualidade de
enfermeira.
Assim como pode-se ver no texto abaixo o motivo que a
levou à Guerra

“Eu me chamo Ana Justina Ferreira Neri, sou mãe de três rapazes que
acabaram de partir para guerra. Eles eram tudo o que tinha, pois o pai
morreu quando eu estava com 29 anos. Não podendo resistir a saudade
deles, suplico-lhe que me deixe acompanhá-los como enfermeira em
qualquer hospital e em defesa de todos aqueles que sacrificarem suas vidas
pela honra nacional e a integridade do Império”.(Extraído da biografia
romanceada feita pelo jornalista e escritor José Louzeiro).

Ana, serviu, portanto, como voluntária na Guerra do Paraguai (1864-1870), como auxiliar
do corpo de saúde do Exército brasileiro. A partir deste contexto ofereceu seus serviços como
enfermeira ao presidente da província enquanto durasse o conflito. Durante toda a Guerra do
Paraguai, prestou serviços nos hospitais militares de Salto, Corrientes (Argentina), Humaitá e
Assunção (Paraguai), bem como nos hospitais da frente de operações.
Durante a guerra Ana Neri enfrentou o caos da saúde no país quando as doenças
proeminentes da época eram a Cólera, febre tifóide, disenteria, malária e varíola. Durante toda a
Guerra do Paraguai prestou serviços nos hospitais militares de Salto, Corrientes (Argentina),
Humaitá e Assunção (Paraguai), bem como nos hospitais de campo, na frente de operações
militares. Em sua convivência diária com os médicos, no trato conjunto das obrigações, adquiriu
conhecimentos terapêuticos, mas o bom senso aliado ao seu olhar de mãe que cuida de filhos
doentes muitas vezes fez prevalecer sua opinião aos médicos.

203
A prática de cuidar dos doentes, Ana Néri adquiriu em Salvador, com as irmãs da Ordem
de São Vicente de Paulo, com as freiras aprendeu: noções de higiene pessoal, primeiros-socorros,
aplicar injeções, controlar hemorragias, dissecar feridas e fazer remédios caseiros.
Contam-se que, mesmo correndo o risco de enfrentar a corte marcial e o pelotão de
fuzilamento, ela chegou a libertar oficiais paraguaios submetidos a torturas para passarem
informações ao inimigo, mesmo assim, viu morrer na luta um de seus filhos e um sobrinho.
Faleceu no Rio de Janeiro, em 1880, aos 66 anos de idade. Ana Neri foi contemporânea de
Florence Nightingale, mas não existem indícios de que elas sabiam da existência uma da outra.
No entanto, foram semelhantes na maneira de agir: ambas ricas, estudadas, cultas e poliglotas,
severas e disciplinadoras e dedicadas às tarefas de cuidar dos sofredores nas guerras em que
participaram ativamente (Ana, na Guerra do Paraguai e Florence, na Guerra da Criméia - atual
Ucrânia).
Por seu esmerado espírito de dedicação e incansável assistência aos soldados, foi
condecorada, tendo recebido o título de: “Mãe dos Brasileiros”duas medalhas, sendo
elas:Humanitária de Segunda Classe e a de Campanha. Recebeu também, uma pensão vitalícia
do Imperador, com a qual criou 04 órfãos trazidos por ela da Argentina.
O seu maior legado pode ser considerado a
abnegação e a perseverança na prática do cuidar do
próximo, a organização sistemática e a humanização no
cuidar dos doentes.
Precursora da Cruz Vermelha, é considerada a
primeira enfermeira do Brasil. Em sua homenagem a
primeira escola oficial brasileira de enfermagem de alto
padrão no país foi denominada Ana Neri (1923). Em 10 de
agosto de 1938, o presidente Getúlio Vargas, assinou o
decreto nº 2.956 instituindo o dia do enfermeiro, que deve
ser celebrado em 12 de maio. Nessa data devem ser
prestadas homenagens especiais à memória de Ana Neri, em todos os hospitais e escolas de
enfermagem do país.

A Origem do ensino de enfermagem no Brasil

- A primeira Escola:

204
Em 27 de setembro de 1890, através do Decreto n° 791 o Marechal Deodoro da Fonseca,
Chefe do Governo Provisório da República, que criou a:“Escola Profissional de Enfermeiros e
Enfermeiras”
A fundamentação para a criação da Escola:falta de mão de obra qualificada, agravada pela
saída das Irmãs de Caridade e dificuldade de profissionalização da mulher na época.A escola
preparava profissionais de ambos os sexos para atuar no serviço de Enfermagem, para os
hospitais civis e militares e para os hospícios.O curso tinha a duração de 02 anos, e era dado
sob a responsabilidade de médicos.
Em 1920 foi criado o Departamento Nacional de Saúde Pública – DNSP – Direção de
Carlos Chagas – reforma sanitária. No ano de 192, houve a vinda das enfermeiras americanas
com patrocínio da Fundação Rockfeller e estas redimensionaram o modelo de Enfermagem
Profissional a Enfª Ethel Parsons - encarregada de estudar a situação da enfermagem no
Brasil, organizar e chefiar um serviço de enfermagem.
No ano de 1926, foi criada a Escola de Enfermagem Escola Anna Nery, nos “padrões
Florence” o curso durava três anos com exigência do secundário, seguido de trabalho nas
enfermarias – 48h/semana e aulas teóricas com pequena remuneração e algumas restrições
para ingresso, tais como: recrutamento de moças de classe média alta, proibido ingresso de
mulheres negras, brancas pobres, poderiam ser até bem recebidas, porém negras não e todas
deviam ter obediência a hierarquia e disciplina.
No ano de 1931 houve o Decreto Federal nº. 20.109/31: Escola Oficial Padrão – cursos
de 4 anos. Em 1932, o Decreto 22.257 – equiparação das irmãs de caridade com prática em
enfermagem às enfermeiras de saúde pública. 1932 a Associação Nacional de Enfermeiras
Diplomadas Brasileiras cria a Revista Brasileira de Enfermagem, publicada inicialmente com
o nome de Annaes de Enfermagem.
Posteriormente, com a consolidação da industrialização, tecnologia hospitalar e indústria
farmacêutica e inicio das ações de saúde pública a Educação em Enfermagem passou a
integrar consideravelmente os programas universitários e governamentais. Então, em 1966,
surge a categoria de técnico de enfermagem, espelhando a tendência tecnicista dominante
fortalecimento do ensino profissionalizante de nível técnico, com grande prospecção até os
dias atuais.

MÓDULO II – ENTIDADES DE CLASSES DA ENFERMAGEM

205
- Federação Nacional dos Enfermeiros e Sindicato dos Enfermeiros

A Federação Nacional dos Enfermeiros originou-se para unificar e centralizar as


reivindicações dos enfermeiros articulada com o conjunto da classe trabalhadora. Uma federação
democrática, com eleições diretas e com participação efetiva de vários sindicatos de enfermeiros.
O Sindicato Nacional dos Enfermeiros da Marinha Mercante e o Sindicato dos Enfermeiros
Terrestre. No entanto, os enfermeiros e enfermeiras sentiram necessidade de criarem seus
próprios sindicatos, pois acreditavam que poderiam encaminhar suas reivindicações de forma
mais efetiva.
Criam-se vários sindicatos de enfermeiros no Brasil, e, mesmo com sindicatos próprios a
categoria enfrentava dificuldades em fortalecer suas entidades e encaminhar reivindicações de
forma efetiva, especialmente pela pouca participação da própria categoria. Diante desta realidade
buscou-se uma articulação entre os sindicatos de enfermeiros de todo o país, em 1982, em São
Paulo realizou-se o I ENESPE – Encontro de Entidades Sindicais e Pré-Sindicais da Enfermagem.
Tais encontros sempre objetivaram relacionar a organização profissional e política com o motivo
da classe trabalhadora, como forma de fortalecimento nas reivindicações da enfermagem. Com o
aumento destas articulações em setembro de 1987, em Porto Alegre (RS), no VII ENESPE, foi
decidida a criação da FNE, o que ocorreu em novembro do mesmo ano, em Salvador na Bahia.

- Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn)

A Associação Brasileira de Enfermagem - ABEn, foi fundada


em 12 de agosto de 1926, sob a denominação de Associação
Nacional de Enfermeiras Diplomadas
A ABEn exerceu a liderança dos enfermeiros no país e
preparou o arcabouço jurídico do ensino e da prática da enfermagem,
tendo assumido o papel de defensora dos interesses
Atualmente trata-se de uma entidade de âmbito nacional, de
caráter não governamental e de direito privado, reconhecida como de
utilidade pública, conforme Decreto Federal nº 31.417/52

206
- Conselhos de Enfermagem (Federal- COFEn / Regional – COREn)

Criaram-se os Conselhos Federal (COFEN) e Regionais de Enfermagem (COREN) 13 de


julho de 1973, por meio da lei 5.905/73

Instituídos em meados de julho de 1973 através da Lei 5.905; O COFEn é responsável por
normatizar e fiscalizar o exercício da profissão de enfermeiros, técnicos e auxiliares de
enfermagem, zelando pela qualidade dos serviços prestados e pelo cumprimento da Lei do
Exercício Profissional da Enfermagem.
Suas atribuições são:
 Normatizar e expedir de instruções para uniformidade de procedimentos e bom
entrosamento dos conselhos regionais;
 Apreciar de decisões dos Corens;
 Aprovar de contas e propostas orçamentárias, remetendo-as aos órgãos competentes;
 Promover estudos e campanhas para aperfeiçoamento profissional.

- Conselho Regional de Enfermagem – COREn

207
O Conselho Regional de Enfermagem Seção Goiás
(COREn-GO), tem como principais atribuições:
• Deliberar sobre o valor das inscrições no Conselho, bem
como o seu cancelamento;
• Disciplinar e fiscalizar o exercício profissional,
observando as diretrizes gerais do COFEN;
• Executar as resoluções do COFEN;
• Expedir a cédula de identidade profissional,
indispensável ao exercício da profissão e válida em todo o
território nacional.

TÉCNICAS BÁSICAS EM ENFERMAGEM

208
O HOSPITAL

 Criação dos Cristãos da Idade Média;


 Em Latim significa: hospitalis, hospites ou hospes;
 Pessoas que necessitam de cuidado;
 Perto de igrejas ou mosteiros;
 Aproximadamente em 330 d.C. surgiram estabelecimentos com funções
assistenciais:
 Xenodochia= Acolhiam estrangeiros e viajantes;
 Gerontochia = Acolhiam idosos;
 Nosocomia = Assistência aos pacientes.

DEFINIÇÃO DE HOSPITAL OMS

“Hospital é a parte integrante de um sistema coordenado de saúde, cuja função e


dispensar à comunidade completa assistência médica, preventiva e curativa,
inclusive serviços extensivos à família, em seu domicílio e, ainda, um centro de
formação dos que trabalham no campo da saúde e para pesquisas
biopsicossociais”.

FUNÇÕES DO HOSPITAL
 Tratamento;
 Promoção de saúde;
 Prevenção de doença;
 Reabilitação;
 Pesquisa;
 Ensino.

ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE NO BRASIL

 SUS = exercido pelo poder público, com controle e fiscalização dos Conselhos de
Saúde;
 Serviço privado é complementar ao público;
 O serviço de assistência médica particular é aprovado pelos Conselhos de
Saúde, e os serviços conveniados e contratados submetem-se à legislação do
SUS;
 Entidades filantrópicas e sem fins lucrativos são tratadas como públicas não
estatais;

Preferenciais
209
SUS

 Atender direitos sobre acesso, serviços e forma de organização de sistema de


saúde;
 Anos 70 e 80, profissionais iniciaram “movimento sanitário” para encontrar
problemas na saúde. O Foco era a saúde de todos com o governo e sociedade
como responsáveis por este processo;
 Antigamente Inamps – Instituto Nacional de Assistência Médica de Previdência
Social – Só para quem pagava; o restante era atendido em entidades
filantrópicas;
 Constituição Federal de 1988 = O estado deve garantir saúde a toda a população;
 Resultado da mobilização, esforço e participação de um grande número de
pessoas.
ATENÇÃO À SAÚDE

Tudo que envolve o cuidado com a saúde do ser humano;

ALTA COMPLEXIDADE

MÉDIA COMPLEXIDADE

ATENÇÃO BÁSICA OU PRIMÁRIA

ATENÇÃO BÁSICA OU PRIMÁRIA

 UBS (Unidades Básicas de Saúde) /ambulatorial:


 Promoção;
 Proteção;
 Recuperação;
 Evitar adoecimento.
ATENÇÃO MÉDIA COMPLEXIDADE

 Ambulatórios;
210
 Clínicas médicas;
 Ginecologia e obstetrícia;
 Pediatria;

211
 Especialidades estratégicas.
 Conhecimento epidemiológico;
 Reduzir tempo de evolução de doença.
ATENÇÃO DE ALTA COMPLEXIDADE

 Ambulatórios e hospitais;
 Casos mais complexos que envolve alta tecnologia e altos custos, envolvendo
atenção básica e de média complexidade;
 Referência e contra referência.

CLASSIFICAÇÃO DOS HOSPITAIS

QUANTO A NATUREZA DA ASSISTÊNCIA

 GERAL: várias especialidades;


 ESPECIALIZADA: especialidades específicas.

QUANTO A ROPRIEDADE, MANUTENÇÃO E CONTROLE

 PÚBLICOS: Governamentais;
 PARTICULARES: Patrimônio de pessoa natural ou jurídica, não instituída por
poder público;
 BENEFICIENTES: Contribuição de associados e usuários/Não
tem obrigatoriedade de atendimento aos usuários do
SUS;
 FILANTÓPICOS: Parte do leito destinado ao SUS ou gratuitos. Diretores e sócios
não recebem, salvo com vínculo empregatício.

QUANTO A CAPACIDADE

212
213
QUANTO A RESOLUTIBILIDADE

 HOSPITAIS SECUNDÁRIOS: Gerais ou especializados. Assistências


especializadas básicas, alto grau de resolução dos problemas;
 HOSPITAIS TERCIÁRIOS: Maior resolutividade de casos mais complexos.

QUANTO AO PROCEDIMENTO DO CORPO CLÍNICO

 CORPO CLÍNICO ABERTO: Não dispõe de corpo clínico efetivo, qualquer médico
pode exercer;
 CORPO CLÍNICO FECHADO: Dispõe de corpo clínico efetivo, médicos não
cadastrados não podem atender, apenas em casos especiais com autorização da
direção;
 MISTO: Associada às duas formas supracitada.

SISTEMA DE EDIFICAÇÃO

 PAVILHONAR: Várias edificações tipo pavilhão;


 MONOBLOCO: Único bloco;
 MISTO: Combinação de pavilhões e blocos;
 HORIZONTAL: Predominantemente em superfície;
 VERTICAL: Vários pavimentos.

QUANTO AO TEMPO DE PERMANÊNCIA

 CURTA PERMANÊNCIA: Inferior à 15 dias;


 LONGA PERMANÊNCIA: Superior à 15 dias.

PRONTUÁRIO DO PACIENTE

 Registro médico mais antigo = PAPIRO;


 No Brasil, 1943, o Hospital das Clínicas implantou Serviço de Arquivamento
Médico e Estatística (Same);
 O prontuário é do paciente e não médico;
 Documento único, individual que contém informação sobre assistência dada e
de saúde do paciente;

214
 A equipe multiprofissional comunica-se por meio dele, dando continuidade ao
tratamento;
 Elaborado corretamente, com letra legível;

215
 Documento legal, sigiloso e científico, podendo ser utilizado como prova em
processos.

A RESOLUÇÃO CFM 1.638/ 2002 DEFINE O PRONTUÁRIO COMO

“Documento único constituído de um conjunto de informações, sinais e imagens


registradas, geradas a partir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde
do paciente e a assistência a ele prestada, de caráter legal, sigiloso e científico,
que possibilita a comunicação entre membros da equipe multiprofissional e a
continuidade da assistência prestada ao indivíduo.”

O PRONTUÁRIO

 PRONTUÁRIO ABERTO: Documentos referentes à internação atual do paciente,


manuseado pela equipe multiprofissional;
 PRONTUÁRIO FECHADO: Documentos do paciente que veio à óbito ou recebeu
alta. Será arquivado, respeitando-se os prazos legais.

UTILIDADE DO PRONTUÁRIO

 O PACIENTE: Rapidez no atendimento, diagnóstico e tratamentos. Eficiência,


econômica em casos de transferências e reinternações e reinvindicações de
direitos. Instrumento de defesa;
 O HOSPITAL: Comprova todo o atendimento, resultados e padrão do mesmo.
Documento mais importante para defesa;
 A EQUIPE DE SAÚDE: Facilita troca de informações com toda equipe
multidisciplinar;
 O ENSINO E A PESQUISA: Dados sobre enfermidades, suas variáveis e
consequências, dados estatísticos como fonte de pesquisa.

PRONTUÁRIO ELETRÔNICO DO PACIENTE (PEP)

 Segundo informações do Institute of Medicine (IOM) 1997:


“O prontuário eletrônico consiste em um registro eletrônico elaborado com
especificidade para apoiar o usuário, oferecendo acesso prático à inúmeras
informações de banco de dados, recursos de apoio à decisão, alertas e diversos
outros recursos.”

 Evolução para integração de todas as informações relacionadas ao paciente;

216
 Agregar informação clínica e administrativa;
 Melhoria na segurança e da qualidade na prática da saúde;
 É um sistema: rápido, familiar, flexível, eficiente e efetivo, claro e legível.

217
PRONTUÁRIO EM PAPEL

PRONTUÁRIO ELETRÔNICO

CONTEÚDO DO PRONTUÁRIO

É de acordo com a instituição, porém os obrigatórios são:

 Identificação completa do paciente;


 Anamnese com hipóteses diagnósticas, diagnóstico definitivo e tratamento
efetuado;
 Evolução clínica diária;
 Procedimentos;
 Prescrições;
 Informações sobre a alta;

218
 Identificação profissional contendo data, hora, nome legível (ou carimbo) com
o número de inscrição no respectivo conselho de classe.

219
RESPONSABILIDADE PELO PRONTUÁRIO

 Todos os profissionais;
 O Conselho Federal de Medicina (CFM), determina que em todas as instituições
tenha um Comissão de Revisão de Prontuários;
 A guarda segura dos prontuários é de responsabilidade da instituição;
 Os registros são sigilosos e devem ser protegidos por segredo profissional. A
revelação dele deve conter autorização prévia por escrito de seu responsável;
 Se as informações forem reveladas, constitui infração ético-disciplinar e crime
de responsabilidade civil;
 Não é aconselhável facilitar o manuseio e conhecimento por outras pessoas
que não possuem o compromisso de segredo profissional.

CONSULTAS AO PRONTUÁRIO

 Não é permitida a retirada do prontuário da instituição, podendo ser


consultados apenas no ambiente físico o qual está arquivado;
 Proibido ao médico disponibilizar cópia, apenas com a autorização do paciente
por escrito;
 Quando requisitado judicialmente, será disponibilizado ao perito médico
nomeado pelo juiz.

CÓPIA DO PRONTUÁRIO

 O paciente, CFM, Conselho regional de medicina ou qualquer representante


legal, poderá requerer a cópia do prontuário;
 Requerimento por escrito e registrado legalmente;
 O CRM deverá ser consultado por escrito sobre a postura a ser adotada nos
casos não previstos por lei.

SERVIÇO DE PRONTUÁRIO DE PACIENTE (SPP)

 Receber os prontuários dos pacientes que saíram do hospital;


 Conferir o conteúdo;
 Ordenar o conteúdo;
 Consertar folhas estragadas (se necessário);
 Arquivar os prontuários no local exato;
 Desarquivar o prontuário para pacientes de ambulatório, internações ou estudos;
 Manter controle dos prontuários retirados;
 Entregar os prontuários nos setores solicitados;

220
 Recolher os prontuários desocupados;
 Conferir os prontuários devolvidos;
 Transferir para o arquivo inativo os prontuários fora de uso.

221
ARQUIVAMENTO DE PRONTUÁRIO EM PAPEL

A Resolução CFM nº 1.821, de 11 de julho de 2007:

Art. 8º Estabelecer o prazo mínimo de 20 (vinte) anos, a partir do último registro,


para a preservação dos prontuários dos pacientes em suporte de papel, que não
foram arquivados eletronicamente em meio óptico, microfilmado ou digitalizado.

 Se apresentar importância histórica, epidemiológica, científico, social ou legal,


deverão ser arquivados indefinidamente.

ARQUIVAMENTO DE PRONTUÁRIO ELETRÔNICO

A Resolução CFM nº 1.821, de 11 de julho de 2007:

 Art. 7º Estabelecer a guarda permanente, considerando a evolução tecnológica,


para os prontuários dos pacientes arquivados eletronicamente em meio óptico,
microfilmado ou digitalizado;
 Art. 3º Autorizar o uso de sistemas informatizados para a guarda e manuseio de
prontuários de pacientes e para a troca de informação identificada em saúde,
eliminando a obrigatoriedade do registro em papel, desde que esses sistemas
atendam integralmente aos requisitos do "Nível de garantia de segurança 2
(NGS2)", estabelecidos no Manual de Certificação para Sistemas de Registro
Eletrônico em Saúde;
 Art. 4º Não autorizar a eliminação do papel quando da utilização somente do
"Nível de garantia de segurança 1 (NGS1)", por falta de amparo legal.

ARMAZENAMENTO DO PRONTUÁRIO

 Organização do local: sala, fileira, prateleira e caixa, localização dos prontuários


deverá ser por endereço;
 Local livre de riscos de inundações, deslizamentos, incêndio e etc;
 Avaliar temperatura e umidade do ar, estando esses índices estáveis –
Aproximadamente 20ºC com variação diária de +/- 1ºC e umidade relativa em
torno de 45% a 55%;
 O armazenamento poderá ser realizado dentro ou fora da instituição.

VISÃO JURÍDICA SOBRE O PRONTUÁRIO

 Comprova além dos relatos pessoais;


222
 O Código de Defesa do Consumidor (CDC) e o maior nível de informações, tem
levados os pacientes e familiares a entrarem na justiça para serem ressarcidos
por danos morais e físicos;
 Mesmo assim, profissionais se mantém resistentes na elaboração de
um prontuário legível e correto.

223
TERMINOLOGIA
TÉCNICA

224
TERMOS TÉCNICOS

 Como se sabe, as raízes das palavras combinadas com um prefixo ou sufixo são
comumente utilizadas na terminologia médica. Tanto os prefixos como os sufixos
têm origem grega ou latina.
 Prefixo significa: fixado ou determinado antes, prefixado. São sílabas que
antecedem a raiz das palavras, modificando o seu significado e formando uma
nova palavra.
 Sufixos são sílabas ou letras que, pospostas à raiz das palavras primitivas, as torna
derivadas.
 Tanto os sufixos como os prefixos, formam novas palavras que conservam, via de
regra, uma relação de sentido com o radical do qual derivam.
 Cabe dizer, ainda, que a padronização dessa terminologia tem como finalidades
a simplificação da linguagem, a precisão do significado das palavras e o
intercâmbio científico entre as nações com diferentes idiomas de cultura.

A seguir você encontrará uma relação de prefixos e sufixos com o respectivo


significado, além de exemplos dos mesmos com espaço para que você coloque
a definição de cada palavra. Utilize um dicionário de terminologia médica ou
de enfermagem.

PREFIXOS

1- A ou AN = Prefixo que significa sim ou não, principalmente nas palavras de origem


grega.
Prefixo derivado do latim, que implica em separação, privação,
negação. Afagia:
Afebril:
Analgesi
a:
Adipsia:
Afasia:
Afonia:
Alopecia:
Apatia:
Anúria
225
Apneia:
Astenia:

226
2- ANTE = Prefixo latino que significa adiante, na frente, no tempo ou no espaço;
Antebraço:

3- ANTERO = Prefixo latino que significa adiante (direção/posição)


Anterodorsal:
Antero-superior:

4- ANTI = Prefixo grego que significa oposição, ação contrária.


Antiácido:
Anti-helmíntico:

5- AUTO = Prefixo grego que significa próprio, por si mesmo.


Auto-agressão:

6- BI ou BIS = Prefixo latino que significa dois ou duas vezes.


Bicéfalo:
Binocular:

7- BIO = Prefixo grego que significa vida.


Biópsia:

8- BRADI = Prefixo grego que significa lentidão.


Bradipnéa:

9- CARDIO = Prefixo grego que indica relação com o coração ou com as cárdias.
Cardiocentese:

10- CEFAL = Prefixo grego, que indica relação com a cabeça.


Cefaléia:

11- CISTO = Prefixo grego, que indica relação com uma bexiga, quisto ou saco.
227
Cistalgia:

228
12- CITO = Prefixo grego que significa célula.
Citotoxina:

13- COLP (o) = Prefixo grego que significa vagina.


Colpite:

14- DERM, DERMA ou DERMATO = Prefixo grego que significa pele ou relação com a
pele.
Dermatite:

15- ECTO = Prefixo grego, que indica situação exterior ou superficial.


Ectoplasma:

16- ENCÉFALO = Prefixo que indica relação com o cérebro.


Encefalopatia:

17- ENDO = Prefixo grego que indica situação interior, dentro.


Endocardio:
Endovenoso:

18- ENTER ou ENTERO = Prefixo grego, que significa intestino.


Enteralgia:
Enteroclisma:

19- EPI = Prefixo grego que significa em cima, sobre, depois.


Epiderme:

20- EX = Prefixo grego e latino com significados distintos: fora, exterior.


Exsudação:

229
21- FLEB ou FLEBO = Prefixo grego que indica relação com veia ou vasos.

230
Flebite:
Flebotomia:

22- GASTRO = Prefixo grego que indica relação com o estômago.


Gastrostomia:

23- HEM, HEMA (O) ou HEMATO = Prefixo grego que significa sangue.
Hematoma:
Hematúria:
Hematêmese:

24- HEMI = Prefixo grego que significa metade.


Hemiplegia:

25- HEPATO = Prefixo que indica relação com o fígado.


Hepatorragia:

26- HIDRO = Prefixo grego que indica relação com água ou com o hidrogênio.
Hidrocefalia:

27- HIPER = Prefixo grego que significa sobre, excesso, super.


Hiperemese:
Hipertemia:

28- HIPO = Prefixo grego que indica deficiência ou situação inferior, é o oposto de hiper.
Hipoglicemia:
Hipocorado:
Hipóxia:

29- HISTERO ou HISTER = Prefixo grego que significa útero ou relação com ele.
Histerectomia:
231
30- MEGA, MÉGALO = Prefixo grego com o significado de grande, ou milhão.
Megacólon:

31- MIELO = Prefixo grego com o significado de medula.


Mielite:

32- NECRO ou NECROS = Prefixo grego que significa morte, corpo morto.
Necrose:

33- NEFRO ou NEFROS = Prefixo grego que significa rim.


Nefrite:

34- NEO = Prefixo grego que significa novo.


Neoformação:

35- NEURO = Prefixo grego que significa nervo ou relação com nervos.
Neouropatia:

36- OFTALMO = Prefixo grego que indica relação com o olho.


Oftalmia:

37- OLIGO = Prefixo grego com o significado de pouco, escasso, deficiente.


Oligúria:

38- OÓFORO = Prefixo grego com o significado de ovário.


Ooforectomia:

39- OSTEO = Prefixo grego que significa osso ou relação com osso.
Osteomielite:

232
40- OTO = Prefixo grego que significa ouvido ou relação com ele.
Otite:

233
41- PARA = Prefixo grego que tem um significado múltiplo; ao lado, acessório, oposição,
alteração.
Paracentese:

42- PERI = Prefixo grego que significa ao redor.


Pericárdio:

43- PIO = Prefixo grego que indica pus, ou relação com pus.
Piorréia:

44- POLI = Prefixo grego que indica muito ou muitos.


Polidipsia:
Poliúria:

45- PROCTO = Termo grego que serve de prefixo com a significação de anus ou reto.
Proctoptose:

46- TAQUI = Prefixo grego com o significado de rápido.


Taquicardia:
Taquipnéa:

SUFIXOS

1- ALGIA = Sufixo que indica dor em uma parte ou órgão assinalado por um prefixo.
Gastralgia:
Artralgia:
Otalgia:

2- CARDIA = Sufixo grego que indica relação com o coração.


Bradicardia:

234
3- CELE = Sufixo grego que indica hérnia, tumor ou tumefação.

235
Cistocele:

4- CENTESE = Sufixo grego que indica punção ou perfuração cirúrgica da parte


assinalada pelo primeiro elemento da palavra.
Toracocentese:

5- ECTASIA = Sufixo grego que indica dilatação, extensão ou expansão de uma parte ou
órgão.
Bronquiectasia:

6- ECTOMIA = Sufixo grego que denota retirada parcial ou total do órgão indicado pela
primeira parte do termo.
Gastrectomia:

7- ITIS ou ITE = Sufixo grego que denota inflamação parcial ou total do órgão assinalado
pela primeira parte do termo.
Cistite:
Gengivite:

8- PATIA = Sufixo grego que indica enfermidade parcial ou total do órgão assinalado
pela primeira parte do termo.
Cardiopatia:

9- PEXIA = Sufixo grego que indica fixação, por sutura, de um órgão.


Nefropexia:

10- RAGIA ou RRAGIA = Sufixo grego com o significado de saída, fluxo e mais
geralmente de hemorragia da parte ou órgão indicado pela primeira parte do termo.
Hepatorragia:

11- RAFIA = Sufixo grego que significa sutura de parte ou órgão indicado pelo primeiro
elemento do termo.
Epigastrorrafia:

236
12- TOMIA = Sufixo grego que indica incisão ou secção da primeira parte do termo.

237
Gastrotomia:
Tricotomia:

13- URIA = Sufixo grego que indica relação com urina, especialmente a presença nesta
de substância assinalada pela primeira parte do termo.
Glicosúria:

14- STOMA (estoma) = Termo grego que significa boca, poro, orifício, ou abertura
diminuta em uma superfície livre.
O termo “stoma” é muito usado nas ciências médicas em combinação com o
sufixo IA e com um prefixo indicativo de um órgão.
Ileostomia:

15 – Mais alguns termos bastante utilizados para serem respondidos:


Abscesso Ene
Epistaxe Equimose Erisipela
Anasarca ma
Eritema Eupnéia Evacuação
Anamnese
Fissura Flato Glicosúria
Anisocromia
Halitose Icterícia
Caquexia
Incontinência Isquemia Jejum
Cianose
Lactante Lactente Lanugem
Cloasma
Leucorreia Mecônio
Comatoso
Coriza
Deambular
Deglutição
Desbridamen
to Dislalia
Dispnéia
Disúria
Diurese
Edema
Êmes
e
238
M o iúria
e s Prurido
n e Saburra
o O Sialorreia
r b Sudorese
r s Sutura
é t Tamponamen
i i to Urticária
a p Vertigem
M a
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239
HOSPITAL GENOMA
PRESCRIÇÃO MÉDICA
NOME PACIENTE: D.N.: DATA: ENFERMARIA: LEITO:

ITEM PRESCRIÇÃO HORÁRIOS EVOLUÇÃO MÉDICA EVOLUÇÃO ENFERMAGEM

SINAIS VITAIS
HORÁRIO PA FC FR TEMP AS
S

HORÁRIO HGT INSULINA DIURESE ML AS


S

240
ANOTAÇÕES DE
ENFERMAGEM

241
ANOTAÇÕES DE ENFERMAGEM

PRONTUÁRIO DO PACIENTE

 É todo acervo documental padronizado, organizado e conciso, referente


ao registro dos cuidados prestados ao paciente por todos os
profissionais envolvidos na assistência;
 Para uma assistência de qualidade, o profissional de saúde precisa de acesso
a informações:
❖ Corretas;
❖ Organizadas;
❖ Seguras;
❖ Completas;
❖ Disponíveis.

OBJETIVOS

 Atender às Legislações vigentes;


 Garantir a continuidade da assistência;
 Segurança do paciente;
 Segurança dos profissionais;
 Ensino e Pesquisa;
 Auditoria.
FINALIDADES DAS ANOTAÇÕES DE ENFERMAGEM

 Fornecer informações sobre a assistência prestada;


 Garante legalmente que o cuidado foi prestado pela enfermagem;
 Assegurar comunicação entre os membros da equipe de saúde;
 Garantir continuidade das informações nas 24 horas;
 Condição indispensável para compreensão do paciente de modo global.

Resolução COFEN 311/07 – Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem

 Responsabilidades e deveres:
(...)

Art. 25 - Registrar no Prontuário do Paciente as informações inerentes e


indispensáveis ao processo de cuidar.
242
(...)

Art. 41 - Prestar informações, escritas e verbais, completas e fidedignas


necessárias para assegurar a continuidade da assistência.

(...)

Art. 54 - Apor o número e categoria de inscrição no Conselho Regional de


Enfermagem em assinatura, quando no exercício profissional.

 Responsabilidades e deveres:
(...)

Art. 72 - Registrar as informações inerentes e indispensáveis ao processo de


cuidar de forma clara, objetiva e completa.

 Proibições:
( ...)

Art. 42 - Assinar as ações de enfermagem que não executou, bem como permitir
que suas ações sejam assinadas por outro.

PRINCIPAIS PROBLEMAS ENCONTRADOS

 As anotações são realizadas por turno e não por horário;


 Rasuras nas escritas;
 Espaços em branco ao longo do impresso;
 Falta de carimbo e de assinatura;
 Checagem de prescrições não ocorre ou é realizada de forma incorreta;
 Anotação incompleta de sinais vitais.

PRINCIPAIS REGRAS PARA AS ANOTAÇÕES

 Certifique se o nome do paciente está correto;


 Usar caneta azul (diurno) e vermelha (noturno);
 Devem ser legíveis, completas, claras, concisas, objetivas, pontuais e
cronológicas;
 Quando relatar exatamente a fala do paciente colocar entre aspas ou usar o
termo SIC;
 JAMAIS relatar o que você não fez;
243
 Documentar notificações ao médico com o motivo e as orientações fornecidas
por ele;
 Devem ser precedidas de data e hora, conter assinatura e identificação do
profissional ao final de cada registro;
 Não conter rasuras, entrelinhas, linhas em branco ou espaços;

244
 Conter observações efetuadas, cuidados prestados, sejam eles os já
padronizados, de rotina e/ou específicos;
 Devem, ainda, constar das respostas do paciente frente aos cuidados prescritos
pelo enfermeiro, intercorrências, sinais e sintomas observados;
 O profissional de Enfermagem não deve confiar na memória ao registrar a
informação e os acontecimentos ocorridos com o paciente, devendo anotar-se
os mesmos imediatamente;
 Devem priorizar a descrição de características, como tamanho mensurado (cm,
mm, etc.), quantidade (ml, l, etc.), coloração e forma;
 Relatar em ordem cronológica, na ordem dos acontecimentos;
 Conter apenas abreviaturas previstas em literatura;

 Evitar palavras do tipo: mal, bem, bom, aparenta estar, parece estar, pouco,
muito, “sem queixas”;
 Devem ser referentes aos dados simples, que não requeiram maior
aprofundamento científico;
 Não é correto, por exemplo, o técnico ou auxiliar de enfermagem anotar dados
referentes ao exame físico do paciente, como abdome distendido, timpânico;
pupilas isocóricas, etc., visto que, para a obtenção destes dados, é necessário ter
realizado o exame físico prévio, que constitui ação privativa do enfermeiro;
 Preencha todo espaço de cada linha ou passe um traço ao longo do espaço que
sobrou;
 Nunca anote as atividades antes de serem executadas ou chequem coisas que
não fizeram;
 O uso de corretores, borrachas ou linhas cruzadas para obliterar o registro não é
aceito;
 Em caso de erro utilizar a palavra “DIGO” entre vírgulas e continuar a informação
correta, ou, riscar o registro com uma única linha e escrever a palavra “ERRO”; a
seguir fazer o registro correto.

EXEMPLO 1
“Refere dor intensa na região lombar, administrado uma ampola de voltaren IM

245
no glúteo direito, digo, esquerdo.”

246
IMPORTANTE
 Troca de papeleta – Riscar um traço diagonal e escrever “Erro de papeleta.”;
 Quando o paciente que informa – verbo na terceira pessoa do singular –
“Informa que...”; “Refere que...”; “Queixa-se de...”;
 Quando a informação é dada por outra pessoa utiliza-se – “Segundo
acompanhante...”; “Segundo nutricionista...”;
 Não é aconselhável deixar espaço entre um registro e outro;
 Utilizar sequência céfalo caudal;
 Organizar a anotação de maneira a reproduzir a ordem com que os fatos se
sucedem. Utilizar a expressão “entrada tardia” ou “em tempo” para anotações
anteriormente omitidas;
 Utilizar terminologia técnica;
 Escritos de maneira completa, clara e precisa, abordando aspectos
“biopsicosocioespirituais”.
Aspectos Biológicos: Alimentação, sono e repouso, eliminações, integridade
cutâneo- mucosa e sinais e sintomas;
Aspectos Psicológicos: Alterações do estado de humor (alegria, tristeza,
disposição, irritabilidade, apatia, agressividade).
Aspectos Sociais:
a. Relacionamento com outros pacientes e equipe de saúde;
b. Participação das atividades recreativas oferecidas pelo hospital;
c. Comportamento do paciente antes, durante e após a execução de procedimentos;
d. Visitas de parentes e amigos;
e. Preocupações excessivas com a família.
Aspectos Espirituais:
a. Preocupações excessivas com o tratamento;
b. Medo da morte;
c. Atividades religiosas das quais tenha participado;
d. Leituras e orações realizadas;
e. Visitas religiosas;
f. Solicitação de presença de líder religioso;
g. Dar liberdade para o paciente falar e saber ouvir.

OUTRAS ANOTAÇÕES IMPORTANTES

 Alergia após a administração de medicamentos;


247
 Melhora da dispnéia após a instalação do cateter de oxigênio;
 Não aceitação pelo paciente de algum procedimento ou medicamento prescrito;

248
 Instalação de solução venosa;
 Curativos realizados;
 Coleta de material para exames;
 Encaminhamentos e realização de exames externos;
 Intercorrências observadas e conduta tomada;
 Cuidados higiênicos;
 Administração de dietas;
 Mudanças de decúbito;
 Restrição ao leito;
 Aspiração endotraqueal;
 Orientações prestadas ao paciente e familiares.
EXEMPLOS
Histórico de Enfermagem

M.N.P.B., sexo feminino, 46 anos, procedente de Formoso-TO, casada,


evangélica, 3 filhos. Mora com esposo e a filha mais nova. Cursou até a 3ª série
do ensino fundamental, trabalha em casa e a renda familiar é de um salário
mínimo por mês. Refere ser hipertensa há 5 anos, faz uso diário de propranolol
para controle da PA. Há casos de hipertensão na família e sua mãe faleceu
devido à CA em abdômen. Relata já ter sido submetida a 2 cirurgias de
“aneurisma” há 2 anos e 8 meses, ligadura de trompas há 25 anos, perineoplastia
há 14 anos e colecistectomia há 1 ano e meio. Há um ano evoluiu com dor
epigástrica, pirose ocasional com piora à alimentação que foi intensificada e
aumentada de frequência, tornando-se diária à aproximadamente 2 meses.
Apresentou melena há 1 mês e 3 episódios de hematêmese em 15 dias, sendo
o último em 26/07/07 acompanhado de dor epigástrica intensa. Foi atendida em
sua cidade e então transferida para Goiânia, onde passou pelo HUGO e pelo
Hospital Cidade Jardim, onde ficou internada 4 dias, foi realizada endoscopia
juntamente com biópsia e a partir do resultado encaminhada ao HC. Admitida na
Clínica Cirúrgica no dia 08/08/17 com diagnóstico de Adenocarcinoma Gástrico
Antropilórico e proposta cirúrgica de Gastrectomia Subtotal.
Exame físico / Evolução
Paciente orientado, nega etilismo e tabagismo, refere algia epigástrica
(4/10). Sono preservado, deambulando, realizando autocuidado independente.
Pele hidratada, corada, mucosa oral íntegra corada e hidratada, ausência de 3
molares superiores e inferiores. Eupneia, perfusão tissular periférica de 3s. Dieta
branda, refere inapetência, pirose, plenitude pós-prandial, aumento de flatos,
vômito uma vez ao dia, Ingesta hídrica diária de até 1,2 L. Diurese presente, urina
amarelo cítrico, nictúria raramente, evacuações a cada 5 dias, fezes escurecidas
e fétidas, sugestivo de constipação. Peso 60 kg, altura 1,54 m.
RESUMO

Todos os cuidados prestados:

 Incluem as prescrições de enfermagem e médicas cumpridas, além dos cuidados


249
de rotina, medidas de segurança adotadas, encaminhamentos ou transferências
de setor, entre outros;
Sinais e sintomas:

250
 Incluem os identificados através da simples observação e os referidos pelo
paciente. Importante destacar que os sinais vitais mensurados devem ser
registrados pontualmente, ou seja, os valores exatos aferidos, e não
normotenso, normocárdico, etc;
Intercorrências:
 Incluem os fatos ocorridos com o paciente e medidas adotadas;
 Respostas dos pacientes às ações realizadas.

ROTEIRO – O QUE ANOTAR?

ADMISSÃO O QUE É?

 Entrada do paciente na instituição;


 interrupção do curso normal de vida e convivência temporária com pessoas
estranhas e em ambiente não familiar;
 Rotina de cada instituição.

Os funcionários devem estar atentos para:


 Recepcionar o paciente, apresentando as dependências do hospital, acompanhá-
lo a enfermaria;
 Orientar o paciente quanto as rotinas do hospital, ao local e ao horário do banho,
às refeições, à visita médica e de familiares, ao repouso e a recreação, aos serviços
religiosos, ao uso da campainha e às instalações sanitárias;
 Listar pertences do paciente;
 Apresentar o paciente a equipe de enfermagem e aos companheiros de quarto
ou enfermaria;
 Encaminhá-lo ao banho e fornecer o material necessário;
 Preparar o prontuário e identificá-lo;
 Pesar o paciente, medi-lo e anotar os resultados no relatório;
 Colocar o paciente no leito e verificar a temperatura;
 Registrar no relatório a hora de entrada do paciente, seus sintomas e queixas;
 Comunicar a nutrição sobre a dieta e iniciar tratamento prescrito.

PRÉ-OPERATÓRIO

 Procedimentos realizados no pré-operatório, conforme prescrição ou rotina


institucional (banho, higiene oral, mensuração de sinais vitais, retirada e guarda
de próteses, roupas íntimas, presença e local de dispositivos – acesso venoso,
sondas, local de tricotomia, condições de pele, etc.);
 Tempo de jejum;
 Orientações prestadas;

251
 Esvaziamento de bexiga;
 Administração de pré-anestésico;
 Encaminhamento/transferência para o Centro Cirúrgico.

252
EXEMPLO: Encontra-se em jejum desde as 22:00h, ansiosa, preocupada
e tensa. Encaminhada ao banho de aspersão, seguido de higiene oral.
Oferecido roupas próprias do centro cirúrgico. Orientada quanto a retirada
de prótese, jóias, esmalte e roupa íntimas. Realizado tricotomia na região
pubiana perineal, perianal, clister e administrado pré-anestésico. Relata
ser alérgica a esparadrapo e iodo. Encaminhada ao banheiro para
esvaziamento de bexiga. Deixa o setor as 10:00hs em maca, em
soroterapia no dorso da mão direita. SSVV: P.A.=130x80mmhg, P=76
bpm, T=36,2ºC, R=20 rpm. Fulano Estagiário tec. de enf. Instituto Genoma-

ROTEIRO – O QUE ANOTAR?

PÓS-OPERATÓRIO

 Posicionamento no leito e instalação de equipamentos (monitores, grades


no leito, etc.);
 Sinais e sintomas observados (cianose, palidez cutânea, dor, náuseas,
vômitos, tremores, hipotensão, etc.);
 Características e local do curativo cirúrgico, conforme prescrição ou
rotina institucional;
 Instalação e/ou retirada de dispositivos, conforme prescrição ou
rotina institucional (sondas, acesso venoso, etc.);
 Orientações prestadas;
 Encaminhamento/transferência de unidade ou alta hospitalar.
EXEMPLO: 10:55h retornou ao setor em maca, sonolenta, respondendo
verbalmente as perguntas feitas, incisão cirúrgica supra púbica com micropore,
apresentando pequena quantidade de secreção sanguinolenta em 2 pontos na
lateral direita, SSVV: P.A.=110x70mmhg, T=36,8º,P=96 bpm, R=23 rpm,
soroterapia no dorso da mão direita, sem queixa de sensibilidade dolorosa.
Posicionada em DD sem travesseiro e aquecida com cobertores devido aos
tremores. Orientada e mantida em jejum, apresentou vômitos em grande
quantidade, odor característico, sendo lateralizada a cabeça. Fulano – Estagiário
tec. de enf. Instituto Genoma

ROTEIRO – O QUE ANOTAR?

TRANSFERÊNCIA DE UNIDADE/SETOR

 Transferência da responsabilidade da continuidade do tratamento do paciente


para a família, para um médico particular ou para outra instituição;
 Mesmos passos da alta;
 Caso o paciente seja transferido para outra unidade do hospital as medicações
devem ser encaminhadas também; caso o paciente vá para casa ou outra
instituição os medicamentos devem ser devolvidos a farmácia;

253
 Deve deixar a unidade em cadeira de rodas ou maca;
 Avisar a unidade para onde o paciente será transferido com antecedência;
 Motivo da transferência;
 Data e horário;

254
 Setor de destino e forma de transporte;
 Procedimentos/cuidados realizados ( punção de acesso venoso, instalação de
oxigênio, sinais vitais, etc.);
 Condições (maca, cadeira de rodas);
 Queixas.

ROTEIRO – O QUE ANOTAR?

ALTA

 Saída do paciente da instituição;


 Deve ser por escrito na papeleta do paciente e assinada pelo médico responsável;
 Se o paciente desejar ir embora sem o consentimento do médico – orientação
quanto aos riscos, direitos e deveres - Termo de Responsabilidade;
 Avisar o paciente com antecedência;
 Verificar a assinatura do médico na folha de alta;
 Avisar a família, a tesouraria e o serviço de nutrição;
 Reunir os objetos pertencentes ao paciente e providenciar sua roupa.
 Orientar o paciente e/ou acompanhante sobre: alimentação, tratamento
medicamentoso, atividades físicas, retorno ao trabalho, curativos, exames de
laboratório e retorno ao hospital;
 Providenciar os medicamentos necessários;
 Anotar no relatório e na folha de evolução as condições do paciente no momento
da alta;
 Acompanhar o paciente a portaria;
 Devolver a documentação do SAME (Serviço de Arquivo Médico e de
Estatística);
 Após a saída do paciente procede-se a limpeza da cama e mobiliário, e se o
mesmo se encontrava-se em isolamento há necessidade da limpeza terminal;
 Data e horário;
 Condições de saída (deambulando, maca ou cadeira de rodas);
 Procedimentos/cuidados realizados, conforme prescrição ou rotina
institucional (mensuração de sinais vitais, retirada de cateter venoso, etc.);
 Orientações prestadas.
Obs.: Importante o registro real do horário de saída do paciente e se saiu
acompanhado
EXEMPLO: Recebeu alta hospitalar as 10:30 hs. deixou o setor as 11:00h
consciente, deambulando, acompanhado da mãe, SSVV: T=36º; R=15 rpm;
P.A.=110x70 mmhg e P=80 bpm. Sendo fornecidas orientações quanto a troca
diária do curativo oclusivo, localizado na região dorsal do pé MIE, mantendo
sempre limpo e seco, evitar atividades físicas e exercícios excessivos, fazer uso
correto das medicações prescritas, sendo prescrito inclusive os horários das
doses e retornar ao médico em sete dias para nova avaliação. Fulano –
Estagiário tec. de enf. Instituto Genoma---------------------------------

255
ROTEIRO – O QUE ANOTAR?

256
ÓBITO

 Assistência prestada durante a constatação;


 Data e horário;
 Identificação do médico que constatou;
 Comunicação do óbito ao setor responsável, conforme rotina institucional;
 Procedimentos pós-morte (higiene, tamponamento, etc.);
 Encaminhamento do corpo (forma, local, etc.);
 Preenchimento da declaração de óbito pelo médico.
EXEMPLO: 16h - apresentou P.A. inaudível, pulso periférico não palpável,
momentos de apnéia. Comunicado médico plantonista, sendo feito manobras de
ressuscitação cardio-respiratória e administrado adrenalina EV, sem efeito
satisfatório. Foi a óbito as 16:20h sendo constatado pelo médico plantonista
Dr….. Realizado preparo do corpo e encaminhado ao necrotério. Fulano –
Estagiário tec. de enf. Instituto Genoma-------------

ROTEIRO – O QUE ANOTAR?


DIURESE

 Ausência/presença de diurese (se sonda ou balanço hídrico, medir em ml);


 Características (coloração, odor);
 Presença de anormalidades (hematúria, piúria, disúria, etc.);
 Forma da eliminação (espontânea, via uripen, sonda vesical de
demora/ostomias urinárias).
EXEMPLO: Apresentou um episódio de micção espontânea, 400ml de diurese
amarelo escuro, com depósito, odor fétido, queixando dor ao urinar.

ROTEIRO – O QUE ANOTAR?

EVACUAÇÃO

 Episódios (nos respectivos horários);


 Quantidade (pequena, média, grande);
 Consistência (pastosa, líquida, semipastosa);
 Via de eliminação (reto, ostomias);
 Características (coloração, odor, consistência, quantidade);
 Queixas.

EXEMPLO: Apresentou dois episódios de evacuação em média quantidade,


odor característico, semi-pastosa, castanho claro.

ROTEIRO – O QUE ANOTAR?


257
DIETA

258
 Indicar dieta oferecida (geral, leve, branda, pastosa, hipossódica, para
diabéticos, dieta por sonda);
 Aceitação da dieta (total ou parcial);
 Dieta por sonda (quantidade da dieta e da hidratação, presença de
refluxo gástrico);
 Dieta zero (cirurgia ou exames);
 Necessidade de auxílio ou não;
 Recusa – indicar o motivo (disfagia, mastigação dolorosa, falta de
apetite, náusea, etc.);
 Sinais e sintomas apresentados.
Obs.: No caso de dietas administradas via sonda, importante citar os cuidados
prestados antes e após a administração, conforme prescrição (decúbito elevado,
lavagem após administração da dieta, etc.)
EXEMPLO: Auxiliado no desjejum com pouca aceitação, apenas tomou parte do
café com leite, não comeu as bolachas. No almoço, aceitou algumas colheradas
de sopa. Refere boca amarga, "língua grossa".

ROTEIRO – O QUE ANOTAR?

MUDANÇA DE DECÚBITO

 Posição (dorsal, ventral, lateral direita ou esquerda);


 Medidas de proteção (uso de coxins, etc.);
 Horário;
 Sinais e sintomas observados (alterações cutâneas, etc.).
INTERCORRÊNCIAS
 Descrição do fato;
 Sinais e sintomas observados;
 Condutas tomadas (comunicado à enfermeira, etc.).

EXEMPLO: Feito mudança de decúbito para lateral direita às 8:00h, sendo


protegidas regiões dorsal dos joelhos e calcâneos com travesseiros. As 12:00h
foi lateralizado para a esquerda.

ROTEIRO – O QUE ANOTAR?

HIGIENIZAÇÃO

 Tipo de banho (imersão, aspersão, e leito);


 Data e horário;

259
 Tempo de permanência no anho de imersão, tolerância e resistência do paciente;
 Aspersão (deambulando, cadeira de banho, auxílio);

260
 No leito, verificar a ocorrência de irritação da pele, alergia ao sabão, hiperemia
nas proeminências ósseas, realização de massagem de conforto, movimentação
das articulações, aplicação de solução para prevenção de úlceras. Anotar os locais.
CUIDADOS COM O COURO CABELUDO
 Horário do xampu ou tratamento realizado;
 Condições do couro cabeludo e dos cabelos;
 Material utilizado.
HIGIENE ÍNTIMA
 Motivo da higiene íntima;
 Aspecto do aparelho genital;
 Presença de secreção, edema, hiperemia.
HIGIENE ORAL
 Presença de prótese total/parcial (caso seja necessário sua retirada, identificar
e entregar ao responsável da família ou do hospital);
 Condições da higiene (fez só, auxiliado ou realizado pelo profissional);
 Sinais e sintomas observados (hiperemia, lesões, condição da arcada dentária,
etc.).

EXEMPLO: Realizado banho de leito, com água e sabonete; aplicado solução


para prevenção de escaras na região dorsal e de atrito ósseo; realizado
exercícios passivos de flexão e extensão dos joelhos, falanges das mãos,
cotovelos; rotação, pronação e supinação das articulações das mãos e dos pés;
massagem de retorno venoso nas panturrilhas dos MMII. Apresentou alergia,
com irritação da pele, na região interna das coxas, passado pasta d'água. Feita
higiene íntima, lavagem do couro cabeludo o qual encontra-se seborréico e
cabelos ressecados, usado xampu e água, sendo secos e penteados; higiene
oral com solução de bicarbonato de sódio, encontra-se com mucosa oral
ressecada, sangramento gengival, língua saburrosa e halitose; retirada prótese
dentária superior sendo feita limpeza com bicarbonato de sódio, empacotada e
entregue a sua esposa; lubrificação dos lábios com soro fisiológico. Fulano – est.
Tec. Em. enf. Instituto Genoma
ROTEIRO – O QUE ANOTAR?

CURATIVO

 Local da lesão;
 Data e horário;
 Sinais e sintomas observados (presença de secreção, coloração, odor,
quantidade, etc.);
 Tipo de curativo (oclusivo, aberto, simples, compressivo, presença de dreno, etc.);
 Material prescrito e utilizado.
DRENO
261
 Local e tipo;
 Aspecto e quantidade de líquido drenado;

262
 Sinais e sintomas observados.

ROTEIRO – O QUE ANOTAR?

ACESSO VENOSO PERIFÉRICO

 Local da inserção;
 Data e horário;
 Dispositivo utilizado;
 Motivos de troca ou retirada;
 Sinais e sintomas observados e possíveis intercorrências (transfixação,
hematomas, extravasamento, hiperemia etc.).
EXEMPLO: Realizada punção venosa no dorso da mão esquerda, com jelco nº
22, conforme prescrição de enfermagem e instalados itens 1 e 2 da prescrição
médica. Fulano
– Estagiário tec. de enf. Col. Genoma

DOR
 Localização e características;
 Intensidade (contínua ou intermitente);
 Providências adotadas (comunicado à enfermeira, etc.)
EXEMPLO: Refere dor intensa na região supra púbica que se irradia para a
região do hipocôndrio direito. Realizada medidas de conforto, mudança de
decúbito, não havendo melhora, foi comunicado o médico plantonista e
administrado medicação analgésica prescrita do item 5 às 14:00h. Fulano –
Estagiário tec. de enf. Instituto Genoma-----------

ROTEIRO – O que anotar?

ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS

 Item(ns) da prescrição medicamentosa administrada(s);


 Se injetável, também registrar o local onde foi administrado. Não esquecer de
fazer referência se do lado esquerdo ou direto;
 Anotar por onde foi administrado o medicamento endovenoso;
 No caso de não administrar o medicamento, apontar o motivo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os Registros de Enfermagem são itens fundamentais para a comprovação da aplicação
de uma assistência baseada em princípios técnicos científicos, sem os quais a

263
enfermagem deixaria de ser uma ciência, passando ao simples cuidar prestado sem
qualquer direcionamento, gerando resultados imprevistos e, possivelmente, nocivos
ao paciente.

264
HIGIENIZAÇÃO DAS
MÃOS

265
HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

As infecções relacionadas à assistência à saúde constituem um problema


grave e um grande desafio, exigindo ações efetivas de prevenção e controle
pelos serviços de saúde. As infecções nesses serviços ameaçam tanto os
pacientes quanto os profissionais e podem acarretar sofrimentos e gastos
excessivos para o sistema de saúde. Ainda, podem resultar em processos e
indenizações judiciais, nos casos comprovados de negligência durante a
assistência prestada. Atualmente, a atenção à segurança do paciente,
envolvendo o tema “Higienização das Mãos” tem sido tratada como prioridade, a
exemplo da “Aliança Mundial para Segurança do Paciente”, iniciativa da
Organização Mundial de Saúde (OMS) já firmada com vários países.
A criação dessa aliança realça o fato de que a segurança do paciente,
agora é reconhecida como uma questão global. Esta iniciativa se apoia em
intervenções e ações que tem reduzido os problemas relacionados com a
segurança dos pacientes nos países que aderiram a esta aliança.
As mãos são consideradas ferramentas principais dos profissionais que
atuam nos serviços de saúde, pois são as executoras das atividades realizadas.
Assim, a segurança do paciente nesses serviços depende da higienização
cuidadosa e frequente das mãos destes profissionais. Instrumentos normativos
reforçam o papel da higienização das mãos como ação mais importante na
prevenção e controle das infecções relacionadas à assistência à saúde. O
controle de infecções nos serviços de saúde, incluindo as práticas da
higienização das mãos, além de atender às exigências legais e éticas, concorre
também para melhoria da qualidade no atendimento e assistência ao paciente.
As vantagens destas práticas são inquestionáveis, desde a redução da
morbidade e mortalidade dos pacientes até a redução de custos associados ao
tratamento dos quadros infecciosos.
A prevenção e o controle das infecções relacionadas à assistência à
saúde constituem grandes desafios da medicina atual. Desde 1846, uma medida
simples, a higienização apropriada das mãos, é considerada a mais importante
para reduzir a transmissão de infecções nos serviços de saúde.
A história das infecções hospitalares acompanha a criação dos primeiros
hospitais, em 325 d.C. Por determinação do Concílio de Nicéia, os nosocômios
foram inicialmente construídos ao lado das catedrais. Porém, não havia
normalmente separação por gravidade de doença nem técnicas de assepsia que
evitassem a disseminação de infecções. Há muito já era aventada a relação entre
os hospitais e as infecções, mas foi apenas no século XIX, quando a medicina
ainda era permeada pela Teoria da Geração Espontânea e pela Concepção
Atmosférico-Miasmática, que James Young Simpson (1811-1870) indicou a
realização de procedimentos cirúrgicos domiciliares, ao constatar que a
mortalidade relacionada à amputação era de 41,6% quando realizada no
ambiente hospitalar e apenas 10,9%, no domicílio.

266
O ESTUDO DE SEMMELWEIS

Foi o médico húngaro Ignaz Philip Semmelweis (1818-1865), que em


1846, comprovou a íntima relação da febre puerperal com os cuidados
médicos. Ele notou que

267
os médicos que iam diretamente da sala de autópsia para a de obstetrícia tinham
odor desagradável nas mãos. Ele postulou que a febre puerperal que afetava
tantas mulheres parturientes fosse causada por “partículas cadavéricas”
transmitidas na sala de Ignaz Philip Semmelweis (1818-1865) autópsia para a
ala obstétrica por meio das mãos de estudantes e médicos. Por volta de maio de
1847, ele insistiu que estudantes e médicos lavassem suas mãos com solução
clorada após as autópsias e antes de examinar as pacientes da clínica obstétrica.
No mês seguinte após esta intervenção, a taxa de mortalidade caiu de 12,2 para
1,2%. Desta forma, Semmelweis, por meio do primeiro estudo experimental
sobre este tema, demonstrou claramente que a higienização apropriada das
mãos podia prevenir infecções puerperais e evitar mortes maternas.

A ENFERMAGEM E A PREVENÇÃO DAS INFECÇÕES

Destaca-se como precursora da Enfermagem Moderna, Florence


Nightingale (1820-1910), jovem culta e de família rica que desde cedo pretendia
dedicar sua vida aos outros. Em 1854, foi convidada para ir a Guerra da Criméia,
com objetivo de reformular a assistência aos doentes. A enfermaria da guerra
encontrava-se em situação precária: sem conforto, medicamentos e assistência
insuficientes, sem acesso e transporte aos doentes, com vários casos de
infecção pós operatória, como tifo e cólera, sem vestimenta limpa, sem água
potável e alimentação, esgoto a céu aberto, com o porão infestado por ratos e
insetos.
Florence Nightingale e sua equipe de enfermeiras iniciaram uma série de
medidas para organizar a enfermaria, como: higiene pessoal de cada paciente;
utensílios de uso individual; instalação de cozinha; preparo de dieta indicada;
lavanderia e desentupimento de esgoto. Com a implantação dessas medidas
básicas conseguiu reduzir sensivelmente a taxa de mortalidade da instituição.

O INÍCIO DA ERA MICROBIANA

No fim do século XVII, Anton van Leeuwenhoek (1632-1723) descobriu as


bactérias, fungos e protozoários, denominando-os “animálculos”. Estes foram
logo associados à fermentação e à putrefação, cujo mecanismo não estava claro,
sendo então explicado pela geração espontânea, nos quais os microrganismos
seriam gerados pela força vital. Porém, o químico francês Louis Pasteur (1822-
1895), realizou vários experimentos contra a Teoria da Geração Espontânea,
derrotando-a irrefutavelmente com sua Teoria Microbiana da Fermentação
(1850), quando ligou a ação fermentadora de microrganismos ao produto final
fermentado. O próximo passo para uma maior compreensão da importância dos
microrganismos foi dado pelo médico alemão Robert Koch (1843-1910), que ao
estudar o carbúnculo, foi o primeiro a provar que um tipo específico de micróbio
causa uma determinada doença, criando a Teoria Microbiana da Doença (1846).

268
LISTER E A ANTI-SEPSIA
O cirurgião Joseph Lister (1827-1912) pesquisava um modo de manter as
incisões cirúrgicas livres da contaminação por microrganismos. Associando a
conhecida propriedade do fenol em destruir as bactérias, ele utilizou compressas
cirúrgicas banhadas nessa solução, borrifando também a sala de operações com
o ácido carbólico e obteve bons resultados. Isso originou as técnicas de assepsia.
A mortalidade após amputação caiu de 46% antes da anti-sepsia para 15% após
os experimentos de Lister.

ASPECTOS MICROBIOLÓGICOS DA PELE

Para entender os objetivos das diversas abordagens à higienização das


mãos, o conhecimento da microbiota normal da pele é essencial. A pele consiste
no revestimento do organismo, indispensável à vida, pois isola componentes
orgânicos do meio exterior, impede a ação de agentes externos de qualquer
natureza, evita perda de água, eletrólitos e outras substâncias do meio interno,
oferece proteção imunológica, faz termo-regulação, propicia a percepção e tem
função secretória. A estrutura básica da pele inclui, da camada externa para a
mais interna: estrato córneo, epiderme, derme e hipoderme. A barreira à
absorção percutânea está no interior do estrato córneo que é o mais fino e menor
compartimento da pele. A pele é um órgão dinâmico, pois a sua formação e
integridade estão sob controle homeostático, e qualquer alteração resulta em
aumento da proliferação de suas células. Devido à sua localização e extensa
superfície, a pele é constantemente exposta a vários tipos de microrganismos do
ambiente.

MICROBIOTAS TRANSITÓRIA E RESIDENTE

A MICROBIOTA TRANSITÓRIA, que coloniza a camada superficial da


pele, sobrevive por curto período de tempo e é passível de remoção pela
higienização simples das mãos, com água e sabonete, por meio de fricção
269
mecânica. É freqüentemente adquirida por profissionais de saúde durante
contato direto com o paciente (colonizados ou infectados), ambiente, superfícies
próximas ao paciente, produtos e equipamentos contaminados A microbiota
transitória consiste de microrganismos não-patogênicos ou

270
potencialmente patogênicos, tais como bactérias, fungos e vírus, que raramente
se multiplicam na pele. No entanto, alguns podem provocar infecções
relacionadas à assistência à saúde.
A MICROBIOTA RESIDENTE, que está aderida às camadas mais
profundas da pele é mais resistente à remoção apenas por água e sabonete. As
bactérias que compõem esta microbiota (e.g., estafilococos coagulase negativos
e bacilos difteróides) são agentes menos prováveis de infecções veiculadas por
contato. As mãos dos profissionais de saúde podem ser persistentemente
colonizadas por microrganismos patogênicos (e.g., Staphylococcus aureus,
bacilos Gram-negativos ou leveduras) que, em áreas críticas como unidades com
pacientes imunocomprometidos, pacientes cirúrgicos e Unidade de Terapia
Intensiva (UTI), podem ter um importante papel adicional como causa de
infecção relacionada à assistência à saúde.
Alguns autores documentaram que, apesar do número de microrganismos
da microbiota transitória e residente variar consideravelmente de um indivíduo
para outro, geralmente é constante para uma determinada pessoa. Sendo assim,
a pele pode servir como reservatório de microrganismos que podem ser
transmitidos por contato direto, pele com pele, ou indireto, por meio de objetos e
superfícies do ambiente. Além das microbiotas residente e transitória, Rotter9
descreve um terceiro tipo de microbiota das mãos, denominada microbiota
infecciosa. Neste grupo, poderiam ser incluídos microrganismos de
patogenicidade comprovada, que causam infecções específicas como
abscessos, panarício, paroníquia, ou eczema infectado das mãos. S. aureus e
estreptococos β-hemolíticos são as espécies mais frequentemente encontradas.
Deve ser lembrado ainda que fungos (e.g., Cândida spp.) e vírus (e.g., vírus da
hepatite A, B, C; vírus da imunodeficiência humana - HIV; vírus respiratórios; vírus
de transmissão fecal-oral como rotavírus; grupo herpes como varicela, vírus
Epstein-Barr e citomegalovírus) podem colonizar transitoriamente a pele,
principalmente polpas digitais, após contato com pacientes ou superfícies
inanimadas, podendo ser transmitidos ao hospedeiro susceptível.

EVIDÊNCIA DE TRANSMISSÃO DE PATÓGENOS POR MEIO DAS MÃOS

A higienização das mãos sempre foi considerada uma medida básica para
o cuidado ao paciente. Desde o estudo de Semmelweis, no século XIX, as mãos
dos profissionais de saúde vêm sendo implicadas como fonte de transmissão de
microrganismos no ambiente hospitalar. A contaminação das mãos dos
profissionais de saúde pode ocorrer durante o contato direto com o paciente ou
por meio do contato indireto, com produtos e equipamentos ao seu redor, como
bombas de infusão, barras protetoras das camas e estetoscópio, dentre outros.
Bactérias multirresistentes e mesmo fungos como Candida parapsilosis e
Rodotorula spp. Podem fazer parte da microbiota transitória das mãos e assim
se disseminarem entre pacientes.
Evidência Indireta Vírus, bactérias e fungos, particularmente leveduras,
podem ser transmitidos pelas mãos dos profissionais de saúde.

271
HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS EM UNIDADES COM PACIENTES
COLONIZADOS/INFECTADOS COM MICRORGANISMOS
MULTIRRESISTENTES

272
Vários antissépticos e sabonetes associados a antissépticos podem ser
utilizados na higienização das mãos durante o cuidado de pacientes colonizados
e ou infectados com microrganismos multirresistentes, como clorexidina,
Polivinilpirrolidona iodo – PVPI, triclosan e álcool, conforme será descrito
posteriormente nesta publicação. Não existe uma correlação direta entre
resistência bacteriana a antimicrobianos e resistência a antissépticos. Vários
estudos in vitro, utilizando diferentes cepas de bactérias Gram- positivas (MRSA,
VRE) e Gram-negativas (Acinetobacter spp., P. aeruginosa) multirresistentes,
mostraram que apesar de resistentes aos antibióticos essas bactérias
permanecem sensíveis aos antissépticos utilizados na higienização das mãos. A
ação dos diferentes produtos utilizados na higienização das mãos contra
bactérias multirresistentes e bastante variável.
Preparações alcoólicas para aplicação nas mãos possuem excelente
atividade in vitro contra MRSA e VRE. Evidencias da eficácia de tal propriedade
na prática clínica já foram descritas.
Os produtos de higienização das mãos quando usados de forma
inapropriada também podem ser fontes de bactérias multirresistentes. Vários
surtos de infecção hospitalar causados por bactérias multirresistentes foram
associados a contaminação de antissépticos durante a fabricação ou uso.
Bactérias Gram-negativas associadas a surtos de infecção relacionada a
assistência à saúde já foram isoladas de dispensadores contendo
Polivinilpirrolidona iodo (PVPI) degermante e clorexidina. S. maltophilia isolada
em sabonete foi responsável por surto em uma unidade de transplante de
medula óssea.

HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

A higienização das mãos é a medida individual mais simples e menos


dispendiosa para prevenir a propagação das infecções relacionadas à
assistência à saúde. Recentemente, o termo “lavagem das mãos” foi substituído
por “higienização das mãos”, englobando a higienização simples, a higienização
anti-séptica, a fricção anti-séptica e a anti-sepsia cirúrgica das mãos. A
higienização das mãos apresenta as seguintes finalidades:
 Remoção de sujidade;
 Suor;
 Oleosidade;
 Pêlos;
 Células descamativas;
 Microbiota da pele.

Interrompendo a transmissão de infecções veiculadas ao contato;


prevenção e redução das infecções causadas pelas transmissões
cruzadas. Apesar de as evidências mostrarem a importância das mãos na
cadeia de transmissão das infecções relacionadas à assistência à saúde
e os efeitos dos procedimentos de higienização das mãos na diminuição
das taxas de infecções, os profissionais de saúde ainda adotam uma
atitude passiva diante deste problema de saúde pública mundial. Um fator
273
que precisa ser avaliado é o tempo necessário para que o profissional de
saúde higienize as suas mãos. Sendo assim, o fácil acesso aos
suprimentos utilizados para a prática da higienização das mãos é
essencial para a adesão dos profissionais de saúde a estas
recomendações. Um estudo conduzido em uma UTI demonstrou que
profissionais de saúde levaram, em média, sessenta

274
e dois segundos para deixar a beira do leito, caminhar até a pia, proceder
à higienização simples das mãos e retornar ao cuidado do paciente. Em
contraste, com cerca de ¼ deste tempo pode-se realizar a fricção das
mãos com preparações alcoólicas para as mãos disponibilizadas à beira
do leito de cada e entre os pacientes. O procedimento da técnica de
higienização das mãos se torna inadequado na prática diária, pelo
esquecimento de algumas etapas (passo a passo) deste procedimento
havendo preocupação, por parte dos profissionais de saúde, com a
quantidade e não com a qualidade deste ato.
As principais falhas na técnica ocorrem, principalmente, pela não
utilização de sabonete e não observação das superfícies das mãos a
serem friccionadas, dentre outros.
Devem higienizar as mãos todos os profissionais que trabalham em
serviços de saúde, que mantém contato direto ou indireto com os
pacientes, que atuam na manipulação de medicamentos, alimentos e
material estéril ou contaminado. Ainda, recomenda-se que familiares,
acompanhantes e visitantes higienizem as mãos antes e após contato
com o paciente, nos serviços de saúde.

INDICAÇÕES

As mãos dos profissionais que atuam em serviços de saúde podem ser


higienizadas utilizando-se: água e sabonete, preparação alcoólica e
antisséptico degermante.

INDICAÇÃO DO USO DE ÁGUA E SABONETE HIGIENIZAR AS MÃOS COM


ÁGUA E SABONETE NAS SEGUINTES SITUAÇÕES

 Quando as mãos estiverem visivelmente sujas ou contaminadas com sangue e


outros fluidos corporais;
 Ao iniciar e terminar o turno de trabalho;
 Antes e após ir ao banheiro;
 Antes e depois das refeições;
 Antes de preparo de alimentos;
 Antes de preparo e manipulação de medicamentos;
 Antes e após contato com paciente colonizado ou infectado por C. difficile;
 Após várias aplicações consecutivas de produto alcoólico;
 Nas situações indicadas para o uso de preparações alcoólicas.

INDICAÇÃO DO USO DE PREPARAÇÕES ALCOÓLICAS

 Higienizar as mãos com preparação alcoólica (sob a forma gel ou líquida com 1-
3% glicerina) quando estas não estiverem visivelmente sujas;
 Antes de contato com o paciente;
 Após contato com o paciente;
275
 Antes de realizar procedimentos assistenciais e manipular dispositivos invasivos;
 Antes de calçar luvas para inserção de dispositivos invasivos que não requeiram
preparo cirúrgico;
 Após risco de exposição a fluidos corporais;

276
 Ao mudar de um sítio corporal contaminado para outro, limpo, durante o
cuidado ao paciente;
 Após contato com objetos inanimados e superfícies imediatamente próximas
ao paciente;
 Antes e após remoção de luvas.

INDICAÇÃO DO USO DE AGENTES ANTI-SÉPTICOS

Estes produtos associam detergentes com antisépticos e se destinam à


higienização anti- séptica das mãos e degermação da pele das mãos, descritas
a seguir:

 Nos casos de precaução de contato recomendados para pacientes portadores


de microrganismos multirresistentes;
 Nos casos de surtos;
 Degermação da pele das mãos;
 No pré-operatório, antes de qualquer procedimento cirúrgico (indicado para
toda equipe cirúrgica);
 Antes da realização de procedimentos invasivos (e.g., inserção de cateter
intravascular central, punções, drenagens de cavidades, instalação de diálise,
pequenas suturas, endoscopias e outros).

TÉCNICAS

As técnicas de higienização das mãos podem variar, dependendo do objetivo


ao qual se destinam. Podem ser divididas em:
 Higienização simples das mãos;
 Higienização anti-séptica das mãos;
 Fricção de anti-séptico nas mãos;
 Anti-sepsia cirúrgica ou preparo pré-operatório das mãos.

A eficácia da higienização das mãos depende da duração e da


técnica empregada. Antes de iniciar qualquer uma dessas técnicas,
é necessário retirar joias (anéis, pulseiras, relógio), pois sob tais
objetos podem acumular microrganismos.

HIGIENIZAÇÃO SIMPLES DAS MÃOS

 Finalidade: Remover os microrganismos que colonizam as camadas superficiais


da pele, assim como o suor, a oleosidade e as células mortas, retirando a sujidade
propícia à permanência e à proliferação de microrganismos;
 Duração do procedimento: 40 a 60 segundos.

277
TÉCNICA

278
279
280
HIGIENIZAÇÃO ANTI-SÉPTICA DAS MÃOS
 Finalidade: Promover a remoção de sujidades e de microrganismos, reduzindo
a carga microbiana das mãos, com auxílio de um anti-séptico;
 Duração do procedimento: 40 a 60 segundos.

TÉCNICA

 A técnica de higienização anti-séptica é igual àquela utilizada para higienização


simples das mãos, substituindo-se o sabonete comum por um associado a anti-
séptico (e.g., anti-séptico degermante).

FRICÇÃO ANTI-SÉPTICA DAS MÃOS (COM PREPARAÇÕES


ALCOÓLICAS)

 Finalidade: Reduzir a carga microbiana das mãos (não há remoção de sujidades).


A utilização de gel alcoólico preferencialmente a 70% ou de solução alcoólica a
70% com 1-3% de glicerina pode substituir a higienização com água e sabonete
quando as mãos não estiverem visivelmente sujas;
 Duração do Procedimento: 20 a 30 segundos.

TÉCNICA

281
ANTI-SEPSIA CIRÚRGICA OU PREPARO PRÉOPERATÓRIO DAS MÃOS

 Constitui uma medida importante dentre outras, para a prevenção da infecção


de sítio cirúrgico;
 Finalidade: Eliminar a microbiota transitória da pele e reduzir a microbiota
residente, além de proporcionar efeito residual na pele do profissional. As
escovas utilizadas no preparo cirúrgico das mãos devem ser de cerdas macias
e descartáveis, impregnadas ou não com anti-séptico e de uso exclusivo em
leito ungueal e subungueal;
282
 Duração do Procedimento: de 3 a 5 minutos para a primeira cirurgia e de 2 a 3
minutos para as cirurgias subsequentes.

283
TÉCNICA

284
PREPARO DA UNIDADE DO CLIENTE

UNIDADE DE INTERNAÇÃO

 Unidade de internação é o conjunto de elementos destinados à acomodação do


paciente internado, que engloba local adequado para prestação dos cuidados
necessários a um bom atendimento;
 Espaço para profissionais e pacientes.

UNIDADE DO CLIENTE

 A unidade individual do paciente consiste no espaço físico e no mobiliário


necessário para sua acomodação durante a internação. Esse conjunto é
composto por: cama hospitalar com colchão, mesa de refeição, mesa de
cabeceira, suporte de soro escadinha, cadeira, ponto de oxigênio, ar
comprimido, campainha, ponto de vácuo e luz de cabeceira.
 OBJETIVOS:
 Proporcionar ao cliente um ambiente adequado à sua rápida
recuperação;

 Oferecer à equipe multiprofissional, incluindo a enfermagem,


condições para um bom desemprenho de suas funções.

UNIDADE INDIVIDUAL DO PACIENTE

 Pode estar locada em apartamento ou enfermaria;


 Cada unidade deve ser limpa e equipada convenientemente, antes do paciente
ser admitido;

LIMPEZA DA UNIDADE

 É a técnica de limpeza e desinfecção do mobiliário e do material que compõe a


unidade do paciente, visando proporcionar conforto, segurança e bem-estar ao
paciente, diminuindo o risco de infecções pela diminuição dos microorganismos
e das sujidades existentes no ambiente hospitalar.

TIPOS DE LIMPEZA
285
 DIÁRIA OU CONCORRENTE: É a limpeza e desinfecção realizadas
diariamente, quando o paciente se encontra internado, incluindo pisos,
instalações

286
sanitárias, superfícies horizontais de equipamentos e mobiliários,
esvaziamento e troca de recipientes de Resíduos de Serviços de Saúde,
de roupas e organização geral do ambiente. Trata-se da limpeza realizada
diariamente de forma a manter/conservar os ambientes isentos de
sujidade e risco de contaminação. Nas salas cirúrgicas, a limpeza
concorrente será realizada imediatamente após cada cirurgia e sempre
que necessário.
 LIMPEZA DE UNIDADE OU TERMINAL: É a limpeza e/ou desinfecção ambiental
que abrange pisos, paredes, equipamentos, mobiliários, inclusive mesas de
exames e colchões, janelas, vidros, portas, grades de ar condicionado,
luminárias, teto, em todas as suas superfícies externas e internas. Em unidades
de internação de pacientes, a limpeza terminal é realizada após alta,
transferência ou óbito ou em períodos programados. Nas salas cirúrgicas, a
desinfecção terminal será realizada ao término da programação cirúrgica diária.

TÉCNICA PARA HIGIENIZAÇÃO DA UNIDADE DO PACIENTE


MATERIAL:
 Balde;
 Detergente neutro;
 Panos para limpeza;
 Luvas de procedimento;
 Álcool a 70%.

TÉCNICA PARA HIGIENIZAÇÃO DA UNIDADE DO PACIENTE

 Lavar as mãos;
 Reunir o material e levá-lo à unidade;
 Abrir portas e janelas para arejar o ambiente;
 Realizar a limpeza utilizando movimentos simples, amplos, em um só sentido,
do mais limpo para o mais sujo, evitando sujar áreas já limpas;
 Ensaboar e retirar o sabão com pano úmido, trocando a água sempre que
estiver suja;
 Iniciar a limpeza pela mesa de cabeceira (tampo, parte interna e externa), mesa
de refeição, suporte de soro, escadinha, colchão e cama;
 Afastar a cama da parede, deixando um espaço suficiente para execução da tarefa;
 Travar as rodas da cama;
 Limpar a face superior e lateral do colchão, no sentido da cabeceira para os pés;
 Colocar o colchão sobre a guarda aos pés da cama, expondo a metade superior
do estrado e limpar a parte posterior do colchão;
 Lavar a cabeceira, grades e a parte exposta do estrado, acionar a manivela para
limpar a parte posterior do estrado;
 Abaixar o estrado, dobrar o colchão dos pés para a cabeceira limpando a parte
inferior do estrado, os pés da cama e a metade posterior do colchão;
 Acionar novamente a manivela para limpar a parte posterior do estrado nos pés

287
da cama;
 Abaixar o estrado e colocar o colchão no lugar na posição horizontal;
 Limpar os quatro pés da cama;

288
 Após higienização prévia da unidade do paciente (mesa de cabeceira, suporte de
soro, mesa de refeição, colchão e cama), friccionar álcool a 70% em sentido
unidirecional, em faixas paralelas, iniciando da face superior, laterais e face
inferior, deixando secar e repetir a operação por três vezes. Posicionar o
equipamento da unidade e recolher o material utilizado;
 Retirar as luvas e lavar as mãos;
 Comunicar ao enfermeiro de plantão e/ou supervisor de área a tarefa executada.

IMPORTANTE

 Realizar movimentos únicos e amplos, em um só sentido, do distal para o


proximal, do mais limpo para o mais sujo;
 Troque a água sempre que necessário;
 Na maioria dos hospitais cujo serviço de higiene é terceirizado, é função do
auxiliar de limpeza fazer a limpeza terminal nos casos de alta, transferência e óbito
do paciente;
 SEMPRE utilizar EPI.

ARRUMAÇÃO DE LEITOS

É forma padronizada de distribuir e ordenar a roupa hospitalar, visando


proporcionar conforto e segurança ao paciente, sendo essencial na manutenção
e na recuperação da saúde;
Existem os tipos de arrumação de cama, de acordo com as finalidades:
cama aberta, cama fechada, cama com o paciente e cama de operado.

NORMAS

 Sempre higienizar as mãos antes e após o procedimento de arrumação;


 Usar EPI;
 O leito dever ser trocado quantas vezes forem necessárias durante o plantão;
 O leito dever ser preparado de acordo com a sua finalidade;
 Abrir portas e janelas antes de iniciar o trabalho;
 Utilizar lençóis limpos, secos e sem pregas;
 Caso os lençóis sejam reutilizados, não deixar migalhas, fios de cabelos;
 Observar o estado de conservação dos colchões e travesseiros;
 Não sacudir as roupas de cama;
 O hamper deve ficar de fora do quarto;
 Não arrastar as roupas de cama no chão;
 Antes da arrumação sempre limpar a cama.

289
MATERIAIS

290
 01 colcha;
 01 cobertor;
 03 lençóis;
 01 fronha;
 01 pano para limpeza;
 01 hamper;
 01 forro;
 01 impermeável.

CAMA FECHADA

Considerada cama fechada quando o leito está vago, sem paciente, aguardando sua
chegada;

PROCEDIMENTO:

 Colocar uma cadeira aos pés da cama e sobre ela o travesseiro;


 Soltar a roupa de cama, iniciando pelo local mais distante;
 Dispor a roupa no encosto da cadeira, dobrando em ordem de uso (colcha,
cobertor, lençol de cima, lençol móvel, lençol de baixo);
 Estender o lençol de baixo sobre o colchão: abrir uma parte e prendê-la,
fazendo os cantos em diagonal, começando pela cabeceira, pés e centro;
 Estender o lençol móvel e prendê-lo no centro, introduzindo-o sob o colchão;
 Estender o lençol de cima do mesmo modo e prendê-lo nos pés da cama,
fazendo o canto, deixando-o caído nos lados;
 Estender igualmente o cobertor e prendê-lo nos pés, fazendo o canto;
 Estender a colcha, prendê-la nos pés, deixando caída nos lados da cama;
 Colocar o travesseiro com abertura da fronha no lado oposto à porta de entrada
da enfermaria;
 Passar o lençol de baixo, fazendo os cantos e deixando-o bem esticado;
 Prender o lençol de cima, fazendo uma prega de conforto à altura dos pés para
facilitar os movimentos do cobertor, colcha nos pés da cama, fazendo os cantos
e deixando-os caídos nos lados da cama;

291
CAMA ABERTA

 É a arrumação feita quando a cama está sendo ocupada por um paciente, mas
ele não permanece no leito o tempo todo. No momento da arrumação do leito,
o paciente não está ocupando;
PROCEDIMENTO:
 Colocar uma cadeira aos pés da cama e sobre ela o travesseiro;
 Soltar a roupa de cama, iniciando pelo local mais distante;
 Dispor a roupa no encosto da cadeira, dobrando em ordem de uso (colcha,
cobertor, lençol de cima, lençol móvel, lençol de baixo);
 Estender o lençol de baixo sobre o colchão: abrir uma parte e prendê-la,
fazendo os cantos em diagonal, começando pela cabeceira, pés e centro;
 Estender o lençol móvel e prendê-lo no centro, introduzindo-o sob o colchão;
 Estender o lençol de cima do mesmo modo e prendê-lo nos pés da cama,
fazendo o canto, deixando-o caído nos lados;
 Estender igualmente o cobertor e prendê-lo nos pés, fazendo o canto;
 Estender a colcha, prendê-la nos pés, deixando caída nos lados da cama;
 Colocar o travesseiro com abertura da fronha no lado oposto à porta de entrada
da enfermaria;
 Fazer uma dobra no lençol superior, como envelope, para facilitar o acesso do
paciente ao leito.

292
CAMA DE OPERADO

 É a arrumação de leito destinado a receber o paciente no pós-operatório


imediato. Apresenta como característica as roupas ficarem posicionadas
lateralmente na cama, do lado oposto à entrada do paciente no leito, facilitando
assim, a transferência da maca para a cama.
PROCEDIMENTO:
 Esticar o lençol inferior, conforme as outras arrumações;
 Colocar o impermeável na altura do quadril do paciente, se necessário;
 Colocar o lençol de travessa sobre o impermeável;
 Esticar o lençol superior, juntamente com o cobertor e enrolá-lo para a lateral
da cama, lado oposto à entrada do paciente;
 Posicionar o forro na altura da cabeça;
 Deixar o travesseiro com fronha caso seja autorizado seu uso.

293
294
CAMA OCUPADA

 É a arrumação feita no momento do banho de leito ou higienização íntima,


quando os lençóis são trocados com o paciente sobre a cama.
PROCEDIMENTO:
 Realizar a higiene do paciente;
 Colocar o paciente lateralizado no leito, apoiado na grade ou por outro
profissional;
 Empurrar o lençol sujo para ficar embaixo do paciente;
 Higienizar a parte do leito onde não está o paciente;
 Esticar o lençol inferior;
 Colocar o impermeável na altura do quadril do paciente, se necessário;
 Colocar o lençol de travessa sobre o impermeável;
 Movimentar o paciente no leito, trazendo-o para o outro lado da cama, de
modo que ele fique sobre os lençóis limpos;
 Retirar os lençóis sujos;
 Limpar esse lado da cama;
 Esticar o lençol inferior, impermeável e travessa sobre todo o colchão;
 Posicionar o paciente em decúbito dorsal;
 Esticar o lençol superior sobre o paciente após vesti-lo com pijama ou camisola;
 Colocar o cobertor ou o edredom e a colcha;
 Posicionar o forro na altura da cabeça, se necessário;
 Colocar o travesseiro;

295
296
TIPOS DE POSIÇÕES

297
TIPOS DE POSIÇÕES DO PACIENTE

 Durante a realização de alguns exames e/ou de tratamentos o paciente poderá


ser colocado em uma determinada posição para melhor realização do
procedimento. Cada uma dessas posições dispõe de uma nomenclatura e são
utilizadas no meio acadêmico e profissional;
 O paciente precisa fazer mudanças de posicionamento a cada duas horas para
evitar formação de úlceras por pressão (UPP), mas há casos em que não há
possibilidade. Para estas exceções, caberá ao enfermeiro decidir caso a caso o
que melhor pode ser feito, a fim de maximizar o conforto e alívio.

DECÚBITO DORSAL

 A posição decúbito dorsal ou posição supina é uma das posições mais utilizadas
na área da saúde. São diversas situações que podemos utilizar este tipo de
posição para a realização de exames ou mesmo a administração de
medicamentos;
 Ela se constitui pelo posicionamento do paciente deitados de costas com as
pernas posicionadas de forma estendida ao lado do corpo;
 Os exames de tórax, por exemplo, utilizam esta posição para a realização do
exame. Também é nesta posição que realizamos a palpação abdominal em
pacientes.

DECÚBITO VENTRAL – PRONAÇÃO

 Consiste na posição deitada de abdômen para baixo. Apesar de pouco utilizada


esta posição pode ser importante para a realização de exames na parte posterior
do tórax, região cervical, lombar e glútea;
 Usada para conforto alívio de cólicas e dor abdominal.
298
LITOTOMIA

 A posição litotômica ou litotomia é uma variação da ginecológica que consiste no


posicionamento do paciente em decúbito dorsal, com flexão de quadril, flexão
de joelhos e pés posicionados sobre perneiras;
 Geralmente é utilizada para exames dos órgãos genitais internos e externos.
Também é utilizada em cirurgia do trato urinário e genital;

GINECOLÓGICA

 Indicada para exames, tratamento do reto e vagina;


 Decúbito dorsal, quadril flexionado e abduzido, joelhos flexionados, pernas
em suporte ou sobre a cama.

299
300
FOWLER

 Esta posição assim como a dorsal é uma das mais conhecidas no meio de
enfermagem;
 Cliente em posição dorsal, com a cabeceira do leito em aproximadamente 45º e
semiflexão de joelhos, através de coxins ou com a própria manivela da parte
inferior da cama;
 Esta posição consiste na posição semi-sentada no leito. É utilizada em várias
situações, tais como: conforto, higiene oral, melhora de quadros de dispneia;
 Utilizada em pacientes que tenham dificuldades respiratórias, no momento da
alimentação, em pós-operatório nasal e descanso.

DECÚBITO LATERAL DIREITO/ESQUERDO

 Usado para exames da coluna, dorso. Posição indicada para casos de convulsão
com risco de broncoaspiração;
 Conforto, procedimentos e exame físico.

301
SIMS

 Difere da lateral em relação à distribuição do peso do cliente que é colocado no


ílio anterior, úmero e clavícula, pois é indicada para exames retais, colocação de
supositórios e lavagem intestinal;
 Devem ser colocado coxins e travesseiros nessas áreas, a fim de proporcionar
conforto ao cliente;
 Decúbito lateral esquerdo, com membro inferior direito flexionado, quase
encostando-se ao abdome e membro inferior esquerdo semiflexionado.

TRENDELEMBURG

 Indicada em prevenção e tratamentos de choque, em clientes em pós-operatório


de varizes, casos de secreção pulmonar ou gástrica (para facilitar saída das
secreções);
 Decúbito dorsal, o leito será posicionado com um declive de 30° a 45° na
cabeceira da cama.

302
303
PROCLIVE

 Posição contrária à de trendelemburg;


 Decúbito dorsal, o leito será posicionado com um proclive de 30° a 45° na
cabeceira da cama;
 Indicada para melhorar a circulação dos membros inferiores.

GENUPEITORAL

 Indicada para exames retais e vaginais;


 Decúbito ventral, cabeça lateralizada, tronco flexionado, abdução de quadril e
flexão de joelhos.

304
ERETA
 Indicada para exames neurológicos e ortopédicos;
 O paciente fica em pé.

SENTADA

 Indicada para conforto e exame físico do paciente, podendo ser considerada


como tipo de cadeira que proporcione total conforto à coluna e ao quadril.

305
SINAIS VITAIS

306
SINAIS VITAIS

A verificação dos sinais vitais (SSVV) é considerada como um importante


indicador das funções vitais do organismo e se constitui uma prioridade para os
cuidados de Enfermagem no atendimento ao enfermo. Em virtude de sua
relevância, são referidos como sinais de vida a frequência respiratória, a
frequência cardíaca, a pressão arterial, a temperatura e a dor, que indicam a
eficácia de funções primordiais ao equilíbrio orgânico. Regulados por
mecanismos complexos como os neurológicos, recebem influências também do
sistema endócrino, das emoções e do ambiente.
A verificação de sinais vitais constitui uma medida rápida e eficiente de
monitorização das condições do enfermo, como também permite a identificação
de problemas e avalia resultados de intervenções realizadas diante de alterações
ocorridas.
Devem ser registrados de maneira precisa e clara em intervalos de tempo
determinados, de acordo com a condição clínica apresentada. O técnico em
Enfermagem deve estar habilitado para aferir adequadamente os sinais vitais,
comunicar os achados e instituir ações conforme a necessidade encontrada.
São vários os momentos nos quais a verificação dos sinais vitais se faz
necessária, entre esses se destacam: admissão, alta e transferência; antes de
procedimentos que possam ou não alterá-los; antes, durante e após
procedimentos invasivos; de acordo com a rotina de cada instituição de saúde.
O material e o método utilizado deverão ser selecionados de acordo com
as condições e características clínicas da pessoa assistida. Geralmente, são
utilizados os seguintes materiais: bandeja, termômetro, esfigmomanômetro ou
tensiômetro e estetoscópio; relógio de pulso com ponteiro de segundos, bolas de
algodão e álcool 70%.

TEMPERATURA

A temperatura corporal representa o equilíbrio entre o calor produzido e as


perdas de calor. Entende-se que os responsáveis pela produção de calor são o
metabolismo e a atividade muscular, assim como as perdas estão relacionadas
com as eliminações corporais que acontecem por meio dos pulmões e pele,
principalmente o suor. Um padrão estável de temperatura promove o
funcionamento adequado das células, tecidos e órgãos. Alterações no padrão
geralmente sinalizam o início de enfermidades.
As temperaturas em adultos oscilam normalmente entre:
 Temperatura oral/bucal, 36,3ºC a 37,4ºC (temperatura superficial);
 Temperatura retal, 37°C a 38°C;
 Temperatura axilar, 35,8ºC a 37ºC (temperatura superficial);
 Temperatura timpânica, a leitura é em média de 37,5 ºC.

307
A temperatura retal é normalmente 0,5ºC mais alta do que a oral, já a T
axilar é normalmente 0,5ºC mais baixa do que a T oral. A temperatura axilar é
considerada a menos precisa, porém a mais verificada na nossa realidade. Já a
temperatura timpânica, verificada por meio da inserção de uma sonda na
membrana timpânica, é a mais próxima da temperatura central.

308
Os parâmetros para a temperatura axilar são:
 Normotermia (35,8ºC a 37ºC);
 Febrícula (>37ºC a 37,5ºC);
 Febre ou hipertermia (37,5°C);
Hipotermia: é considerada a temperatura abaixo dos valores considerados
normais, podendo ser classificada como:
 Hipotermia leve, 34ºC a 36ºC;
 Hipotermia moderada, 30ºC a 34ºC;
 Hipotermia grave, abaixo de 30ºC.
É importante estar atento para algumas medidas a serem adotadas e
orientações a serem realizadas, com o propósito de facilitar o retorno da
temperatura aos seus parâmetros considerados fisiológicos, quais sejam:
 Orientar o repouso, orientar ou fazer a retirada de cobertores, sugerindo o uso
de roupas leves e confortáveis;
 Oferecer líquidos orais em abundância, se não existir contraindicações, como
nos casos de insuficiência renal e/ou cardíaca;
 Aplicar compressas ou banhos mornos;
 Promover ambiente arejado, confortável e silencioso;
 Administrar antipiréticos conforme prescrição médica.

Para as situações de hipotermia as recomendações incluem:

 Remover roupas molhadas ou úmidas;


 Envolver o cliente em cobertores;
 Oferecer líquidos aquecidos, orais e parenterais, se não houver contraindicação;
 Aplicar bolsa de água morna nos pés e manter o ambiente aquecido.

PROCEDIMENTO

 Lavar as mãos;
 Explicar o procedimento;
 Segurar o termômetro pela extremidade oposta ao bulbo e limpar com
algodão umedecido em álcool 70%, ou água e sabão;
 Enxugar a axila do cliente; colocar o bulbo em contato com a pele da axila;
 Posicionar o braço sobre o peito com a mão direcionada para o braço oposto;
 Acionar a tecla que inicia o funcionamento do termômetro, e deixá-lo
posicionado até que o sinal sonoro dispare, indicando o término da leitura;
 Proceder a leitura, segurando pela ponta oposta ao bulbo, em posição horizontal;
 Limpar o termômetro com algodão embebido em álcool a 70%, segurando pela
extremidade oposta ao bulbo;
 Registrar a temperatura verificada em impresso apropriado.

PULSO
309
O pulso se reflete por meio do batimento de uma artéria, sentido acima de
uma saliência óssea. A expansão do vaso percebida pelo toque se deve à
distensão da parede da artéria originada pela saída do sangue do ventrículo
esquerdo (VE) para a aorta e sua consequente transmissão às artérias
periféricas. Essa onda de ocorrência repetida – chamada pulso – pode ser
sentida pelo tato em locais do corpo onde artérias passam sobre ossos ou tecidos
de consistência firme.
Em adultos e crianças acima de três anos, a artéria radial na região interna
do punho representa o local mais comum de palpação por ser facilmente
acessível, uma vez que a artéria pode ser rapidamente comprimida contra o
rádio, seguindo o alinhamento do dedo polegar. Nos bebês e nas crianças com
menos de três anos, deve ser utilizado um estetoscópio para auscultar o coração,
e não a palpação de um pulso. Devido à ausculta ser feita no ápice do coração,
é denominado pulso apical.
Em algumas situações, a frequência cardíaca altera-se para mais ou para
menos. Assim, existem variações de pulso relativas à idade nas diversas
condições fisiológicas como sexo, sono e repouso, atividade física, dor, emoções
(raiva, medo, surpresa, alegria), refeições, gravidez e ciclo circadiano. Em
pessoas magras a frequência do pulso tende a ser mais lenta. O aumento da
temperatura corporal, a queda da pressão arterial, aplicações prolongadas de
calor também provocam alterações no pulso. O uso de medicamentos, como
também condições patológicas, podem interferir decisivamente nas
características do pulso.

FREQUÊNCIA FISIOLÓGICA DO PULSO EM DIFERENTES CICLOS DE


VIDA:

O ritmo ou regularidade do pulso diz respeito à ritmicidade do trabalho de


bombeamento das câmaras cardíacas, podendo ser:
 Forte e regular (rítmico), indicando batimentos regulares com boa força em cada
batimento;
 Fraco e regular (rítmico), indicando batimentos regulares com uma força
precária em cada batimento;
 Irregular (arrítmico), batimentos sem regularidade (intervalos de tempo
diferentes entre uma e outra batida).

310
A amplitude do pulso traduz o grau de enchimento da artéria (relativo ao
volume de sangue ejetado do ventrículo esquerdo na sístole e o remanescente
na diástole), que pode ser cheio/forte ou fraco/filiforme, percebido em forma de
onda durante a palpação da artéria, encontrando-se os seguintes tipos de onda:

311
 Taquicárdico, pulso rápido acima de 100bpm (adultos);
 Bradicárdico, pulso lento abaixo de 60bpm (adultos);
 Dicrótico, impressão de dois batimentos;
 Filiforme, de pequena amplitude e mole.

LOCAIS PARA VERIFICAÇÃO DO PULSO

PROCEDIMENTO

 Localizar a artéria (radial, femoral ou carótida) e realizar compressão moderada


com as pontas dos dedos indicador e médio;
 Contar as pulsações durante um minuto;
 Analisar as características: elasticidade, frequência, ritmo, amplitude, tensão,
comparando com o lado homólogo;
 Registrar a frequência da pulsação verificada.

312
RESPIRAÇÃO

A respiração constitui o mecanismo pelo qual o organismo realiza a troca


de gases (oxigênio e dióxido de carbono) entre o meio ambiente e o sangue; e
entre o sangue e as células do corpo. É controlada pelo centro respiratório,
localizado na região lateral do bulbo (tronco cerebral), envolvendo três ciclos:
ventilação, movimento de gases para dentro (inspiração ou inalação) e fora
(expiração ou exalação) dos pulmões; difusão, troca de oxigênio e dióxido de
carbono entre os alvéolos e as hemácias; perfusão, distribuição de oxigênio das
hemácias para os tecidos e captação do gás carbônico dos tecidos para
eliminação por intermédio dos pulmões.
Alguns fatores fisiológicos, como exercício físico, ansiedade e posição
corporal, interferem nesse processo. Os patológicos como lesão neurológica, dor
aguda, entre outros alteram o padrão respiratório. É importante a observação
quanto ao uso de determinados medicamentos como os analgésicos,
broncodilatadores e narcóticos, que diminuem a frequência respiratória, e as
anfetaminas, que aumentam a frequência e profundidade.

FREQUÊNCIA FISIOLÓGICA DA RESPIRAÇÃO EM DIFERENTES CICLOS


DE VIDA

Terminologia para as alterações do padrão respiratório é a seguinte:


 Eupneia, respiração normal;
 Taquipneia, frequência respiratória acima do normal;
 Bradpneia, frequência respiratória abaixo do normal;
 Ortopneia, respiração facilitada em posição sentada;
 Apneia, parada respiratória ou ausência de incursões respiratórias;
 Dispneia, caracterizada pela sucessão de ciclos respiratórios amplos e quase
sempre desconfortáveis.
É importante não confundir o ritmo respiratório com a frequência
respiratória. O ritmo refere-se ao intervalo de tempo que ocorre entre um ciclo
completo (inspiração e expiração) e outro;

313
PROCEDIMENTO

314
 Colocar o cliente em repouso, sentado ou deitado, por pelo menos 5 minutos;
 Orientar para permanecer em silêncio;
 Observar de maneira discreta os movimentos respiratórios, contando o ciclo de
inspiração e expiração;
 Contar a respiração em um minuto. E analisar as seguintes características:
amplitude, frequência e ritmo;
 Registrar a frequência da respiração verificada.

PRESSÃO ARTERIAL

Definida como sendo a força exercida pelo sangue sobre as paredes dos
vasos arteriais, a pressão arterial depende da força empregada nas contrações
ventriculares, da elasticidade da parede arterial, viscosidade do sangue, da
resistência vascular periférica, do volume de sangue ejetado pelo ventrículo
esquerdo. O débito cardíaco (DC) é o volume de sangue ejetado pelo ventrículo
esquerdo a cada sístole (VS), conforme a frequência cardíaca (FC), sendo
calculado a partir da seguinte fórmula.
A pressão sistólica, ou máxima, sucede durante as contrações do
ventrículo esquerdo e exprime o quanto está sadio o músculo cardíaco, as
artérias e também as arteríolas. A pressão diastólica, ou mínima, ocorre durante
o relaxamento do ventrículo esquerdo, indicando diretamente a resistência dos
vasos sanguíneos. A pressão arterial é medida em milímetros de mercúrio
(mmHg) com um tensiômetro ou esfigmomanômetro e um estetoscópio,
posicionado habitualmente na artéria braquial – e com menor frequência nas
artérias poplíteas ou radiais.
Sendo mais baixa nos recém-nascidos e gestantes, a pressão arterial
aumenta com a idade, ganho de peso, tensão prolongada e ansiedade, além de
outros fatores.

VALORES DE PRESSÃO ARTERIAL PARA INDIVÍDUOS MAIORES DE 18


ANOS E MAIS VELHOS

315
316
A pressão arterial individual varia de acordo com a hora e de dia para dia.
Cai durante o sono e pode elevar-se por emoções fortes. Numa pessoa deitada,
a pressão arterial é mais baixa do que quando sentada ou de pé. Também pode
diferir nos dois braços do mesmo paciente (a variação entre um braço e outro é
em média 10 mmHg). É necessário, portanto, que se observe: a hora do dia, o
braço no qual a aferição está sendo realizada e a posição em que se encontrava
o paciente em verificações anteriores (o ideal é que o braço esteja na altura do
ventrículo esquerdo).
Na verificação da pressão arterial, para que seja a mais fidedigna
possível, é importante que o indivíduo evite, até trinta minutos antes, a ingestão
de bebidas alcoólicas ou cafeinadas, o fumo e a ingestão de alimentos. Além
disso, deve esvaziar a bexiga, manter-se calmo e com as pernas descruzadas.
No caso de ter praticado atividade física, a PA deve ser verificada após 60 a 90
minutos e durante o procedimento o usuário deverá permanecer em silêncio.

TERMINOLOGIA EMPREGADA PARA DESIGNAR AS VARIAÇÕES DA


PRESSÃO ARTERIAL

 Pressão arterial: corresponde à pressão do sangue no interior das artérias;


 Pressão sistólica: é a pressão máxima à qual a artéria está sujeita durante a
contração do ventrículo esquerdo;
 Pressão diastólica: é a pressão remanescente no interior do sistema arterial,
quando os ventrículos estão em relaxamento, que corresponde à fase de
enchimento do ventrículo esquerdo com o sangue proveniente do átrio
esquerdo (diástole);
 Pressão de pulso: é a diferença numérica entre a medida da pressão sistólica e
a medida da pressão diastólica. A pressão de pulso é um medidor de volume
sistólico cardíaco adequado (a diferença aceita como normal varia de 10 a 30
mmHg);
 Pressão convergente: quando as pressões sistólicas e diastólicas estão muito
próximas.
 Pressão divergente: quando as pressões sistólicas e diastólicas estão muito
afastadas. Hipotensão: significa pressão arterial anormalmente baixa.
 Hipertensão: significa pressão arterial anormalmente elevada.

317
318
PROCEDIMENTO
 Certificar-se de que o cliente não está com a bexiga cheia, não praticou atividade
física nos últimos 60 – 90 minutos, não ingeriu bebidas alcoólicas, café, alimentos
ou fumou até 30 minutos antes da tomada da pressão arterial;
 Medir a circunferência do braço: com o braço desnudo, fletido e com a mão na
altura da cintura, medir a distância entre o acrômio e o olecrano, determinando
o ponto médio; depois estender o braço ao longo do corpo e, no ponto
determinado, medir a circunferência do braço;
 Sentar o cliente e deixá-lo descansar por pelo menos 5 minutos, certificando-se
de que os pés estão apoiados, as pernas estão descruzadas e o dorso está
recostado na cadeira;
 Selecionar o manguito considerando: braços entre 22 e 26cm – manguito adulto
pequeno; braços entre 27 e 34cm – manguito adulto padrão; braços entre 35 e
44cm – manguito adulto grande;
 Localizar a artéria braquial por palpação;
 Ajustar o manguito selecionado firmemente no braço, cerca de 2 a 3cm acima da
fossa antecubital; centralizar a bolsa de borracha sobre a artéria braquial;
 Manter o braço bem apoiado na altura do coração (altura do 4° espaço intercostal);
 Posicionar os olhos no mesmo nível da coluna de mercúrio; o profissional deve
estar sentado; estimar o nível da pressão sistólica: palpar o pulso radial, inflar o
manguito até o desaparecimento do pulso; desinflar rapidamente e aguardar
entre 15 – 30 segundos antes de iniciar a medição;
 Fazer a desinfecção da campânula e das olivas do estetoscópio com algodão
embebido em álcool a 70%;
 Posicionar o estetoscópio no ouvido, com a curvatura das olivas voltadas para
frente;
 Posicionar a campânula do estetoscópio sobre a artéria braquial, na fossa
antecubital; evitar compressão excessiva;
 Inflar rapidamente o manguito, de 10 em 10mmHg, até ultrapassar 20 a 30mmHg
do nível estimado da pressão sistólica;
 Proceder à deflação lentamente, com velocidade de 2 a 4mmHg por segundo, e,
após a determinação da pressão sistólica, aumentar a velocidade para 5 a
6mmHg por segundo; evitar congestão venosa e desconforto;
 Determinar a pressão sistólica no momento do aparecimento do primeiro som,
seguido de batidas regulares; Determinar a pressão diastólica no
desaparecimento do som, auscultar cerca de 20 a 30 mmHg abaixo do último
som, para confirmar seu desaparecimento e proceder à deflação rápida e
completa;  Registrar a pressão arterial verificada em milímetro (mm) de
mercúrio (Hg), sem arredondar os valores.

O QUINTO SINAL VITAL: DOR

A dor consiste em um sintoma responsável pela busca frequente de auxílio.


Desde o ano de 2000 existem publicações normativas que descrevem a dor como
o 5º sinal vital, por se tratar de um aspecto importante nas práticas que envolvem
319
os cuidados à saúde. Portanto, constitui-se em importante sintoma que,
primariamente, alerta o indivíduo para a necessidade de assistência médica.
Dessa forma, podemos citar alguns exemplos de dor comuns no cotidiano das
pessoas e na prática do profissional de Enfermagem: a cefaleia

320
tensional ou crônica diária, a dor pós cirurgias e outros traumatismos, a dor do
trabalho de parto, a dor de dente, as cólicas menstruais, entre outras.

CLASSIFICAÇÃO DA DOR

Os determinantes da dor são compostos principalmente pelos aspectos


psicossociais e neurosensitivos. É classificada quanto ao tempo, à origem e
localização.

QUANTO AO TEMPO

Pode ser: dor aguda: manifesta-se de maneira transitória por um período


relativamente curto (minutos a semanas), de início súbito, via de regra associada
a lesões em tecidos ou órgãos, ocasionadas por inflamação, infecção,
traumatismo ou outras causas. É um importante sinal de alerta para a
sobrevivência. O sintoma desaparece quando a causa é corretamente
diagnosticada e tratada. É importante que o enfermo observe as recomendações
feitas pelo profissional médico que conduz o tratamento; dor crônica: ocorre de
forma constante ou intermitente, persistindo por períodos prolongados (de meses
a vários anos). Em grande medida pode ser associada a um processo de doença
crônica, como também pode ocorrer em consequência de um agravo previamente
tratado, como, por exemplo, a artrite reumatóide (inflamação das articulações),
dor relacionada a esforços repetitivos durante o trabalho, entre outras. Na dor
crônica um dos objetivos terapêuticos é a implementação de técnicas que
permitam a convivência e interação com a dor e o sofrimento. Dor crônica
episódica: apresenta-se esporadicamente, podendo durar horas, dias ou
semanas. Exemplo clássico é a dor da enxaqueca.

QUANTO À ORIGEM

Pode ser dor nociceptiva: geralmente aguda, resulta do processamento


fisiológico dos estímulos nocivos que podem ocorrer na pele, ossos, articulações,
vasos sanguíneos, ligamentos, nervos e vísceras. Dor neuropática: envolve
mecanismos complexos gerados a partir de estruturas do sistema nervoso
central ou periférico, resultando de processamento anômalo de estímulos
sensoriais pelo sistema nervoso central, incluindo aquelas oriundas da
desregulação do sistema nervoso autônomo ou de uma lesão. Como exemplo
são citadas a dor fantasma (desaferentação) e a Síndrome da Dor Regional
Complexa.

QUANTO À LOCALIZAÇÃO

321
Tem-se a dor cutânea: envolve apenas a pele, pode ser referida como
queimação ou cortante. Quando há lesão de terminações, é referida a sensação
de formigamento, ardor ou ferroada; se há comprometimento vascular, a dor é
pulsátil; dor somática:

322
geralmente envolve comprometimento de articulações; pode ser referida como
dor em agulhada, queimação e pulsátil. Caso exista comprometimento ósseo, a
sensação é de “pontada profunda” e, quando envolve músculos, ocorre a
câimbra; dor visceral: na grande maioria das vezes é referida como extrema e
intolerável. Aparece como resultado de comprometimento de vísceras como
intestino, pleura, pericárdio, ureteres, bexiga, canais biliares, entre outras. Pode
ocorrer de várias formas, como cólicas intensas, dor cortante, em agulhada ou
em aperto, sempre de grande intensidade; dor referida: ocorre em um local
diferente daquele que originariamente está a causa da dor, podendo assumir
características diversas. O fenômeno pode ocorrer nas dores viscerais, visto que
alguns órgãos são desprovidos de receptores próprios para a dor, assim a
ocorrência da dor é sentida em uma área não afetada. Dor irradiada: a sensação
dolorosa se estende do local acometido para outra(s) parte(s) do corpo que não
se encontra(m) lesionada(s). Muito comum em casos de herniação de disco
vertebral, no qual as raízes nervosas estão comprimidas, irritando o nervo
ciático. Dor relacionada ao câncer: pode ser aguda ou crônica, de grande
importância para o enfermo. Não se trata de uma condição sine qua non para
todos os portadores da doença. Resulta quase sempre dos danos provocados
pela progressão do tumor, processos inflamatórios/infecciosos decorrentes da
própria patologia, procedimentos invasivos, e também pelas limitações físicas.

INSTRUMENTOS PARA AVALIAR A PERCEPÇÃO DA DOR

ESCALA DE FACES PARA AVALIAÇÃO DE DOR INFANTIL

323
ESCALA ASSOCIADA

324
ESCALAS PARA AVALIAÇÃO DA INTENSIDADE DA DOR

As possíveis intervenções a serem realizadas pela equipe de Enfermagem para


contribuir com o alívio da dor incluem

 Oferecer informações sobre a dor;


 Controlar estímulos do ambiente que possam prejudicar o paciente, tais como:
barulho, calor, luminosidade em excesso, evitar bater portas ao entrar ou sair do
quarto ou enfermaria, lembrar de controlar o volume da própria voz, evitar a
325
utilização de odores fortes (perfumes ou soluções para higienização);
 Correlacionar a dor e sua intensidade ao analgésico prescrito;

326
 Transmitir a sensação de que a dor do paciente é compreendida e que pode ser
controlada;
 Promover o conforto físico por meio de posicionamento adequado, massagens
de conforto, aplicação de calor e frio, conforme indicação e aceitação do
paciente, além de incentivar horários de repouso/atividades físicas;
 Esclarecer ao paciente a respeito das medidas adotadas a fim de
reduzir/controlar/eliminar a dor;
 Estar atento a alterações de respostas ao esquema de controle da dor: nível de
consciência, depressão respiratória (menor que oito incursões por minuto),
constipação, vômitos, diarreia, retenção urinária, comunicando imediatamente
ao profissional enfermeiro responsável pelo horário;
 Suporte ao cuidador: informações, orientações, ouvir dúvidas, respeitar
limitações e poder decisório.

327
SONDAS

328
SONDA NASOGÁSTRICA

ALIMENTAÇÃO POR SONDA NASOGÁSTRICA

A dieta é fornecida por meio de uma sonda introduzida pelo nariz ou boca,
passando pelo esôfago e sendo posicionada no estômago. A administração de
alimentação enteral por sonda em posição gástrica proporciona uma via mais
fisiológica, embora haja baixa tolerância em pacientes gravemente enfermos
devido à frequente ocorrência de gastroparesia nessa população. A Resolução
do COFEN Nº 0453/2014 determina que é responsabilidade do enfermeiro
participar da escolha da via de administração da NE em consonância com o
médico responsável pelo atendimento ao paciente e a equipe multidisciplinar de
terapia nutricional, pois o paciente poderá apresentar complicações graves, tais
como: introdução inapropriada na árvore traqueobrônquica e pneumotórax.
Segundo a referida Resolução, o enfermeiro deve estabelecer o acesso enteral
por via oro/gástrica ou transpilórica para a administração da NE, conforme
procedimentos pré- estabelecido, assegurando o posicionamento adequado, por
avaliação radiológica.

TIPOS DE SONDAS

Sonda de Levine:

Possui uma luz única, manufaturada com plástico ou borracha, com


aberturas localizadas próxima à ponta. Essas sondas são rígidas,
desconfortáveis, podem provocar irritação e inflamação da mucosa da
nasofaringe e esôfago, e, ainda, lesões nasais. Por terem diâmetro externo
maior, elas prejudicam também a capacidade do esfíncter esofagiano,
aumentando o risco de refluxo e aspiração. Devem ser substituídas por sondas de
poliuretano ou silicone na primeira troca (prazo máximo de 48 horas).

Sondas de poliuretano ou silicone:


São flexíveis e causam menos danos à mucosa do paciente. Deve-se
utilizar o número 8 ou 12. Reservar a sonda de maior diâmetro (12) para pacientes
recebendo várias medicações pela sonda ou necessitando de controles
frequentes do volume residual gástrico. Com uma manutenção adequada, as
sondas para nutrição enteral têm uma durabilidade de aproximadamente 30 a 60
dias (poliuretano) e seis meses (silicone).

PROCEDIMENTO

329
PASSAGEM DE SONDA NASOGÁSTRICA MATERIAL

 Sonda gástrica Levine (12 a 18 F para adultos) ou sonda para nutrição enteral
de poliuretano ou silicone, tamanhos 8 a 12 F;
 Luvas de procedimento não estéril;

330
 Mandril (caso a sonda seja de poliuretano ou silicone);
 Gases;
 Lubrificante hidrossolúvel (lidocaína, geleia a 2%) ou água;
 Seringa 20ml;
 Copo descartável com água;
 Estetoscópio;
 Fita indicadora de pH;
 Fita adesiva não alergênica

TÉCNICA

 Verificar a prescrição médica para a inserção da sonda nasogástrica;


 Comunicar, explicar o procedimento ao cliente, de modo claro, para obter a sua
colaboração;
 Preparar o material necessário;
 Isolar a cama com o biombo;
 Colocar o paciente em posição de Fowler a 45º;
 Higienizar as mãos;
 Calçar luvas;
 Determinar o comprimento de sonda a ser introduzido;
 A medição pode ser realizada partindo da extremidade distal da sonda, na altura
do tragus da orelha, medir a distância entre este e a porção inferior do apêndice
xifoide; ou, partindo da extremidade distal da sonda, na altura da ponta do nariz,
medir a distância até o lóbulo da orelha e deste até a porção inferior do apêndice
xifoide;
 Marcar a sonda ou memorizar a marca atingida;
 Examinar as fossas nasais em busca de possível obstrução, atentar para possíveis
alterações estruturais da face e selecionar a narina mais permeável;
 Posicionar a cabeça do paciente, mantendo o alinhamento em relação ao tronco;
 Seguir as instruções do fabricante no que se refere à lubrificação interna e
externa da sonda;
 Lubrificar a narina com a lidocaína geleia;
 Introduzir a sonda pela narina, sem forçar, se necessário com movimentos
giratórios;
 Ao chegar à orofaringe, solicitar ao paciente que inspire profundamente e
degluta várias vezes, progredindo a introdução da sonda durante as deglutições.
A posição do pescoço em flexão pode ajudar a direcionar a sonda para o esôfago.
Atentar para presença de náusea ou vômito, interrompendo o procedimento se
necessário;
 Continuar a progressão da sonda até a marca definida no início do procedimento;
 Realizar uma primeira verificação da posição da sonda;
 Solicitar, se possível, que o paciente fale; se houver alguma anormalidade da voz,
a sonda pode estar localizada na traqueia;
 Injetar 10ml de ar pelo mandril, auscultando o ruído do ar na região epigástrica;
 Aspirar com a seringa conectada no mandril, verificando o retorno de líquido
gástrico;
 Retirar o mandril com cuidado, após lubrificação, se necessário, caso a sonda
331
seja de silicone ou poliuretano;
 Verificar a posição da sonda;
 Auscultar a área epigástrica enquanto injeta rapidamente 10ml de ar pela sonda.
Deverá ser ouvido o ruído surdo borbulhante da entrada do ar;

332
 Aspirar com a seringa; o retorno de líquido gástrico característico indica que a
sonda está em posição gástrica;
 Na ausência de ausculta ou retorno de líquido gástrico, repassar a sonda;
 O “teste do copo” pode ajudar a identificar uma sonda em posição traqueal. Para
tal, colocar a extremidade proximal da sonda dentro de um copo com água
durante a expiração; se houver borbulhamento apenas durante a expiração, a
sonda deve ser retirada e repassada em seguida;
 Tampar a conexão da sonda;
 Retirar as luvas;
 Fixar a sonda;
 Deixar o paciente confortável e a unidade em ordem;
 Higienizar as mãos;
 Anotar o procedimento, os testes realizados, o comprimento externo da sonda
ou a marca que está à altura da narina e as eventuais intercorrências;
 Encaminhar o paciente ao serviço de radiologia para realização de uma radiografia
simples do abdome, para confirmação da posição da sonda ou solicitar o exame
no leito;
 Confirmar a posição da sonda no RX com o médico responsável (caso a sonda
seja de poliuretano ou silicone);
 Iniciar a NE logo após a confirmação da posição da sonda.

PASSAGEM DE SONDA NASODUODENAL OU NASOJEJUNAL MATERIAL

 Sonda para nutrição enteral de poliuretano ou silicone, tamanhos 8 a 12 F;


 Luvas de procedimento não estéril;
 Mandril (caso a sonda seja de poliuretano ou silicone);
 Gazes;
 Lubrificante hidrossolúvel (lidocaína, geleia a 2%) ou água;
 Seringa 20ml;
 Copo descartável com água;
 Estetoscópio;
 Fita indicadora de pH;
 Fita adesiva não alergênica.

TÉCNICA

 Introduzir da mesma forma que a SNG, só que posicionada no duodeno (1ª


porção do intestino delgado) ou no jejuno (2ª porção do intestino delgado);
 Ao medir a sonda até o processo xifoide, acrescentar de 10 a 15 cm e marcar
essa medida com fita adesiva;
 Injetar água na sonda sem retirar o fio-guia;
 Manter o paciente em decúbito elevado, facilitando a progressão da sonda
para o duodeno;
 Colocar o paciente em decúbito lateral direito e introduzir a sonda até a
segunda marca estabelecida, até que sons sejam auscultados no quadrante
333
superior direito;
 Verificar o posicionamento pós-pilórico da sonda;
 Manter o guia dentro da sonda até confirmação do seu posicionamento pós-
pilórico com radiografia de abdome, retirando-o a seguir;

334
 Após a introdução para a posição jejunal, o paciente deve ser posicionado,
sempre que possível, do lado direito do corpo, e devem ser aguardadas 12 a 24
horas para que a sonda progrida espontaneamente até o jejuno;
 A colocação de sondas por via endoscópica é a alternativa mais segura.

ALIMENTAÇÃO POR OSTOMIAS

GASTROSTOMIA

Pode ser por meio de uma abertura cirúrgica na parede abdominal, ao


nível do estomago, ou por via endoscópica percutânea, que é uma técnica não
cirúrgica realizada, utilizando um aparelho endoscópio, e com o paciente sob
anestesia local. Tem o propósito de administrar alimentos e líquidos por período
prolongado em pacientes debilitados, que não conseguem deglutir os alimentos.
A regurgitação é menos provável de ocorrer na gastrostomia do que nas
alimentações por SNG, porque o esfíncter gastroesofagiano permanece intacto.
JEJUNOSTOMIA
Pode ser por meio de uma abertura cirúrgica na parede abdominal ao nível
do jejuno (parte superior do intestino delgado) ou por via endoscópica
percutânea. A ministração dos alimentos pela jejunostomia deve ser feita de
forma mais lenta, para não estimular o trânsito intestinal, e assim permitir maior
absorção dos nutrientes.

CATETERISMO VESICAL

Consiste na inserção de um cateter na bexiga, por meio da uretra. Tem


como funções promover um fluxo contínuo de urina, em casos de obstrução ou
quando o indivíduo não consegue controlar a micção, e também ajuda na
obtenção de amostras de urina livre de contaminação. Além disso, possibilita
uma maneira de avaliar a produção de urina em enfermos hemodinamicamente
instáveis.
A sondagem vesical pode ser de alívio (intermitente) ou de demora.
As sondas de alívio são, geralmente, plásticas (Nelaton) e as de demora
são elásticas, flexíveis e autoestáticas, devido à presença de um balão em sua
extremidade que, quando insuflado no interior da bexiga, impede sua saída.
Podem ser do tipo sonda de Foley, com duas vias (um lúmen para drenagem de
urina e o outro para insuflar e desinsuflar o balão), ou sonda de Owens, de três
vias, sendo a terceira utilizada para irrigação vesical.

335
336
O cateterismo uretral requer prescrição médica e a depender da instituição
pode ser realizado pela equipe de Enfermagem ou profissional médico. A
garantia de técnica asséptica é fundamental para evitar a proliferação de
microrganismos. As medidas de Enfermagem devem ser direcionadas para
manutenção do fluxo de urina e prevenção de infecções.

PROCEDIMENTO

CATETERISMO VESICAL DE ACORDO COM A AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA


SANITÁRIA

MATERIAL

 Material para higiene íntima;


 Luvas de procedimento e luvas estéreis;
 Campo estéril;
 Sonda vesical de calibre adequado;
 Gel lubrificante;
 Gaze estéril;
 Antisséptico;
 Bolsa coletora de urina/coletor urinário;
 Seringa, agulha;
 Água destilada.
TÉCNICA

 Reunir o material;
 Higienizar as mãos com água e sabonete líquido ou preparação alcoólica para
as mãos;
 Realizar a higiene íntima do paciente com água e sabonete líquido;
 Retirar luvas de procedimento, realizar higiene das mãos com água e
sabonete líquido ou preparação alcoólica para as mãos;
 Montar campo estéril;
 Organizar material estéril no campo;
 Calçar luva estéril; conectar sonda ao coletor de urina, testando o balonete;
 Realizar a antissepsia da região perineal com solução padronizada, partindo
da uretra para a periferia (região distal);
 Introduzir gel lubrificante na uretra (em homens);
 Lubrificar a ponta da sonda com gel lubrificante (em mulheres);
 Seguir técnica asséptica de inserção;
 Observar drenagem de urina pelo cateter e/ou sistema coletor antes de insuflar
o balão para evitar lesão uretral. O sistema coletor deverá ficar abaixo do nível
da bexiga, sem contato com o chão; observar para manter o fluxo desobstruído;
337
 Fixar corretamente o cateter no hipogástrio no sexo masculino e na raiz da coxa
em mulheres, evitando traumas;

338
 Assegurar o registro em prontuário e no dispositivo para monitoramento
de tempo de permanência e complicações.

TÉCNICA DE FIXAÇÃO DA SONDA NO HOMEM

TÉCNICA DE FIXAÇÃO DA SONDA NA MULHER

339
FERIDAS E CURATIVOS

340
FERIDAS – CURATIVOS

ATUAÇÃO DO TÉCNICO EM ENFERMAGEM NA FERIDA

 Realizar curativo nas feridas simples e auxiliar o enfermeiro nos curativos de


feridas complexas;
 Orientar o paciente quanto aos procedimentos realizados e aos cuidados com a
ferida;
 Registrar, no prontuário do paciente, a característica da ferida, os procedimentos
executados, bem como as queixas apresentadas e/ou qualquer anormalidade e
comunicar ao enfermeiro as intercorrências;
 Executar as ações prescritas pelo enfermeiro.

ANATOMIA DA PELE

 Representa de 8 a 16% do peso corpóreo total e pode atingir até 2m² de


extensão em um indivíduo adulto;
 É constituída de três camadas: a epiderme, mais externa; a derme, segunda
camada; e a hipoderme ou tecido celular subcutâneo;

FUNÇÕES DA PELE

 Proteção contra agressões mecânicas (traumas), físicas (radiações, frio, calor),


químicas e biológicas (bactérias, vírus, fungos);
 Regulação da temperatura;

341
 Equilíbrio hidroeletrolítico por meio das glândulas sudoríparas;
 Percepção das sensações táteis, através dos receptores neurais (frio, calor, dor,
tato, pressão);
 Produção de vitamina D.

342
FERIDA

Perda da solução de continuidade do tegumento, evidenciada pela ruptura


das camadas da pele ou de estruturas mais profundas, como fáscias, músculos,
aponeuroses, cartilagens, tendões, ossos, órgãos cavitários ou qualquer outra
estrutura corpórea;

AVALIAÇÃO DA FERIDA

TEMPO

 Feridas Agudas: Decorrentes de cirurgias ou traumas, que respondem


rapidamente ao tratamento e em geral cicatrizam sem complicações;
 Feridas Crônicas: Cicatrização lenta, de longa duração, que apresentaram
complicações no processo e sequência ordenada da reparação tecidual, podendo
ser recorrentes;

AGENTE CAUSAL

 Lesões Cirúrgicas: produzidas por um instrumento cortante, limpas, com bordas


ajustáveis e passíveis de reconstrução;
 Lesões Traumáticas provocadas acidentalmente por diversos agentes, podendo
ser:

Mecânicos
 Lacerantes: produzidas por tração - rasgo tecidual que resultaem
pequena
abertura da pele possuem margens irregulares e com mais de um ângulo;

343
 Perfurantes: produzidas por objetos que levam a pequenas aberturas na pele.
Há um predomínio da profundidade sobre o comprimento;
 Contusas: produzidas por objeto rombo e caracterizadas por traumatismo das
partes moles, hemorragia e edema.

344
 Químico (por iodo, cosméticos, ácido sulfúrico, etc.);
 Físico (frio, calor, radiação);
 Lesões Ulcerativas: Escavadas, circunscritas na pele, formadas pela morte e
expulsão do tecido.

GRAU DE CONTAMINAÇÃO

 Limpas: não apresentam sinais de infecção e feitas em condições assépticas.


Exemplo: feridas produzidas em ambiente cirúrgico;
 Limpas-contaminadas: apresentam contaminação grosseira, como em casos de
acidente doméstico ou em situações cirúrgicas em que houve contato com o
trato genital, por exemplo, porém a situação ainda é controlada;
 Contaminadas: Feridas acidentais com mais de 6 horas de trauma, onde a ferida
entrou em contato com fezes ou urina, por exemplo;
 Infectadas: são aquelas que apresentam sinais nítidos de infecção como edema,
calor, rubor e dor.

COMPROMETIMENTO TECIDUAL

 Perda parcial de tecido (superficiais) são aquelas que acometem a epiderme e


uma parte da derme permanece;

 Perda total de tecido (profundas) ocorre destruição completa da epiderme e


derme.

345
TIPO DE TECIDO

 Tecido viável: Tecido formado no processo de cicatrização, com objetivo de


reconstituição da área lesada, apresentando tecido vermelho vivo (tecido de
granulação) característico de tecido conjuntivo altamente vascularizado;

 Tecido inviável: Tecido desvitalizado, geralmente composto por necrose ou


esfacelo, relacionado aos diferentes níveis de morte tecidual.

TECIDOS PRESENTES NO LEITO DA LESÃO

 Granulação: Tecido avermelhado umedecido e firme, indicativo de boa evolução


do processo cicatricial;

 Epitelização: tecido de cor rosada, indicativo de encerramento da ferida,


geralmente surge a partir das margens;

 Necrose: Geralmente de coloração enegrecida e que pode ter consistência dura

346
(necrose seca/escara) ou mole (necrose úmida);

347
 Esfacelo: Tecido necrosado de consistência delgada, de coloração amarela ou
acastanhada, podendo estar aderida ao leito e margens da ferida ou
frouxamente ligada ao leito;

LOCALIZAÇÃO

 Localizam-se através dos parâmetros anatômicos, do sistema muscular, ósseo,


vascular, entre outros.

348
EXSUDATO

 Refere-se à saída de líquidos orgânicos através das paredes e das membranas


celulares;
 O exsudato cria um ambiente úmido ideal para a cicatrização, mas seu excesso
pode comprometer a integridade da área em torno da lesão;
 A avaliação do exsudato serve como suporte norteador para a escolha do
curativo ideal, assim, deverá ser observado e classificado quanto à coloração, à
consistência, ao odor e ao volume.

EXSUDATO QUANTO À COLORAÇÃO E CONSISTÊNCIA

349
EXSUDATO QUANTO AO ODOR

 Ausente: Sem odor;


 Característico: Odor suportável, exalado no descobrimento da lesão;
 Fétido: Odor desagradável; que leva à reação de afastamento;
 Pútrido: Odor fétido de grande intensidade associado a carne em decomposição.

BORDAS/MARGENS E PELE PERILESIONAL


 Indistinta/difusa: Não há possibilidade de distinguir claramente o contorno da
ferida:

350
351
 Aderida: Plana e nivelada com o leito da ferida:

 Não aderida: A falta de aderência ao leito pode propiciar a formação de


túneis/trajetos fistulosos e de abscessos:

 Desnivelada: O leito da ferida é mais profundo do que a borda e a margem:

 Fibrótica: Apresenta um tecido de coloração amarela ou branca, que adere ao


leito da ferida, e consistência endurecida, rígida, decorrente de áreas
cicatrizadas:

352
353
 Hiperqueratosa: Ocorre sobreposição da camada córnea da epiderme, formando
um tecido bem espesso, endurecido, de cor amarelada:

 Macerada: Complicação comum na borda, na margem e na pele adjacente. A pele


macerada torna-se intumescida e de coloração esbranquiçada, devido ao
contato com excesso de exsudatos e/ou curativos inadequados:

 Epibolia: As células epiteliais entram em contato umas com as outras e ocorre a


parada da reepitelização, que é corrigida através de incisão cirúrgica para
remover a margem enrolada, restabelecer uma margem livre e aplicar o nitrato
de prata ao longo da margem:

354
MENSURAÇÃO

 Importante para avaliação da evolução da ferida;


 Registro da largura e o comprimento da área da ferida em cm2 e altura;
 Na medição, utilizam-se os parâmetros da régua de papel descartável, graduada
em mm, para que a medida seja exata e cotonetes ou pinças. Utiliza-se também
papel milimetrado a partir do papel grau cirúrgico.

CICATRIZAÇÃO

 A cicatrização da ferida pode ser definida como o processo fisiológico através do


qual o organismo restaura e restabelece os tecidos lesionados;
 Possui a finalidade de mobilizar as diferentes células do organismo do portador
da lesão encarregadas no combate à infecção, na limpeza da ferida e da sua
reparação.

CICATRIZAÇÃO: FASES

 Fase inflamatória: Primeira etapa do processo cicatricial, em que, inicialmente,


o organismo responde ao trauma e há uma reação vascular e inflamatória,
seguida de hemostasia, de remoção de restos celulares e de micro-organismos. É
a fase em que aparecem os sinais clínicos da inflamação (edema, eritema, calor
e dor). Estimulação de um novo tecido;
355
 Fase proliferativa ou de granulação: Segunda etapa do processo cicatricial, a
fase de granulação compreende a formação de um tecido novo (angiogênese),
com coloração vermelha, brilhante e de aspecto granuloso, seguida da
epitelização, que consiste no fechamento da superfície da úlcera pela
multiplicação das células epiteliais da borda, diminuição da capilarização,
redução do tamanho da ferida;

Fase de maturação ou remodelagem: Terceira e última etapa do processo


cicatricial, onde há diminuição da vascularização e reorganização das fibras de
colágeno, que leva a uma cicatriz com aspecto plano, com alteração da coloração
de vermelha para róseo/branco pálido.

356
CICATRIZAÇÃO: TIPOS

 Primeira intenção: Quando é possível fazer a junção dos bordos da lesão por
meio de suturas ou qualquer outro tipo de aproximação;
 Segunda intenção: Quando não é possível fazer a junção dos bordos;
 Terceira intenção: Quando há fatores que retardam a cicatrização de uma lesão
inicialmente submetida a um fechamento por primeira intenção. Ocorre quando
a lesão é deixada aberta para drenagem de exsudato e posteriormente fechada.

TÉCNICA DE CURATIVO
TIPOS

 Semi-oclusivo: Este tipo de curativo é absorvente e comumente utilizado em


feridas cirúrgicas, drenos, feridas exsudativas, absorvendo o exsudato e isolando-
o da pele adjacente saudável;
 Curativo oclusivo: não permite a entrada de ar ou fluídos, atua como barreira
mecânica, impede a perda de fluídos, promove isolamento térmico, veda a
ferida, a fim de impedir formação de crosta;
 Curativo compressivo: Utilizado para reduzir o fluxo sanguíneo, promover a
estase e ajudar na aproximação das extremidades da lesão;
 Curativos abertos: São realizados em ferimentos que não há necessidade de
serem ocluídos. Feridas cirúrgicas limpas após 24 horas, cortes pequenos,
suturas, escoriações, etc são exemplos deste tipo de curativo.

LIMPEZA

 Irrigação com jatos de soro fisiológico a 0,9% ou água destilada aquecidos, para
remover os corpos estranhos e os tecidos frouxamente aderidos, além de
preservar tecido de granulação;
 Evitar o agressivo esfregaço da pele íntegra ao redor da área para não traumatizá-
la;

 Na técnica limpa: utilizar água corrente e gaze não estéril. As luvas são para
proteção do indivíduo executor da técnica. Uso em domicílio, onde a microbiota
representa menor patogenicidade;

 A técnica estéril: Utilizar materiais estéreis, recomendada para o uso no ambiente


hospitalar, uma vez que a existência de microrganismos patogênicos e a
possibilidade de infecção cruzada são maiores.

357
DESBRIDAMENTO

Só o enfermeiro e médico podem realizar

TIPOS

a) Autolítico: Uso de cobertura que permita a auto-degradação da ferida;


b) Mecânico: Remoção do tecido desvitalizado pela fricção;
c) Enzimático (químico): Uso tópico de enzimas;
d) Instrumental cirúrgico: Realizado pelo médico-cirurgião, abrange grandes áreas que
tenham grau de erosão, tunelização, fistulização, que necessitem de remoção óssea,
estejam próximos a órgãos vitais;
e) Instrumental conservador: Remoção do tecido inviável com uso de lâmina de bisturi,
pinças e tesoura. É um método rápido, seletivo e que pode ser associado a outros tipos
de desbridamento

COBERTURAS

É um recurso empregado para proteger uma ferida, com o objetivo de


favorecer o processo de cicatrização e de resguardá-la contra agressões
externas, para mantê-la úmida e preserva a integridade de sua região periférica.

PRINCIPAIS COBERTURAS

CREME BARREIRA

 Apresentação: creme hidrófago estabilizante do pH da pele;


 Indicação: proteção da pele íntegra contra fluidos corpóreos (efluentes
urinários e intestinais) e da área perilesional contra os fluidos das feridas;
 Contraindicação: mucosas ou áreas com rupturas da pele;
 Aplicação: aplicar pequena quantidade do creme na pele limpa e seca dos
fluidos e depois de feitos os curativos.

358
HIDROGEL
 Apresentação: gel amorfo;
 Indicação: debridamento autolítico de feridas necróticas, que mantém o meio
úmido e estimula a produção do tecido de granulação;
 Contraindicação: lesões excessivamente exsudativas; Aplicação: depois de
limpar a ferida, aplicar o gel diretamente sobre o leito com a própria bisnaga, ou
com auxílio de seringa desagulhada; deve-se evitar contato do produto com a
pele íntegra; colocar cobertura secundária. No uso da gaze convencional, trocar
diariamente, e das coberturas semipermeáveis, obedecer à saturação.

COLAGENASE
 Apresentação: pomada lipofílica;
 Indicação: desbridamento enzimático de feridas com tecidos necróticos secos ou
viscosos bem aderidos ao leito;
 Contraindicações: feridas cirúrgicas por 1ª intenção, feridas recobertas
exclusivamente por tecido de granulação e sensibilidade à fórmula do produto;
 Aplicação: depois de proceder à limpeza, secar a pele adjacente; aplicar
diretamente sobre o leito da ferida em área a ser desbridada, evitando contato
com a pele íntegra, e ocluir com curativo secundário estéril. Troca diária.

ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS


 Apresentação: loção oleosa e creme hidratante compostos de ácido linoleico,
ácido caprílico, ácido cáprico, ácido caproico e ácido láurico (triglicerídeos de
cadeia média - TCM), vitamina A, E e lecitina de soja;

359
 Indicação: loção oleosa indicada para leito de feridas sem tecido desvitalizado,
que precisam aumentar a granulação e estimular a epitelização. Hidratar a pele
e prevenir as lesões por pressão;
 Contraindicação: no leito de feridas infectadas ou excessivamente exsudativas,
e o creme hidratante em áreas da pele com maceração; Aplicação: A formulação
oleosa pode ser aplicada embebendo gazes e aplicando no leito da ferida. A
apresentação em creme hidratante só deve ser utilizada em pele íntegra. A troca
da solução deve ser durante o curativo diário, e a formulação em creme depois
do banho.
 Obs: Só deve ser utilizada no leito da ferida loção oleosa de AGE com marcas
classificadas como correlatos, pois há uma variedade no mercado classificada
como cosmético.

HIDROCOLOIDE
 Apresentação: curativo bioativo, oclusivo estéril, composto de
carboximetilcelulose, alginato de cálcio, película de poliuretano autoaderente
impermeável à água e a agentes externos contaminantes;
 Indicações: feridas superficiais com exsudação de moderada a baixa. Ex. lesões
por pressão categoria 2, queimaduras, abrasões de pele etc;
 Contraindicações: feridas infectadas, com exsudação excessiva e áreas de
exposição óssea ou de tendão e feridas com necrose;
 Aplicação: depois de fazer a limpeza, secar a pele adjacente à lesão; escolher o
curativo com tamanho que ultrapasse a borda da ferida em, pelo menos, 2cm.
Período de troca de três a sete dias, a depender da saturação.
 Obs.1: Se o hidrocoloide saturar em 24 horas, retirá-lo e substituir por uma
cobertura que tenha mais capacidade de absorver exsudato.
 Obs2: Não se recomenda cortar hidrocoloide com bordas biseladas.

360
361
ALGINATO DE CÁLCIO EM FIBRA

 Apresentação: Curativo absorvente flexível e bioativo, composto de fibras e não


tecido com moléculas de alginato de cálcio e carboximeticelulose sódica com ou
sem íons de prata;
 Indicações: feridas com exsudação de moderada a alta, sangrantes, infectadas
(alginato de cálcio com prata) e que precisam de preenchimento de cavidades
(alginato de cálcio em fita);
 Contraindicações: feridas com necrose seca, baixa exsudação, exposição óssea e
de tendões;
 Aplicação: proceder à limpeza conforme a técnica de irrigação; secar a pele
adjacente; aplicar diretamente sobre o leito da ferida evitando contato com a
pele íntegra e ocluir com curativo secundário estéril; se a ferida for cavitária,
preencher a cavidade com alginato de cálcio em fita. O período de troca,
geralmente, é a cada 24 h, com gaze comum, e 48 a 72h, com películas semi-
impermeáveis;
 Obs: Se a ferida precisar de ação hemostática e estiver com baixa exsudação,
umedecer o alginato de cálcio com soro fisiológico, pois adere à ferida se não
houver exsudação suficiente.

SULFADIAZINA DE PRATA

 Apresentação: sulfadiazina de prata a 1% hidrofílica;


 Indicação: feridas com infecção por gram-negativos e positivos, fungos, vírus e
protozoários. Priorizado para tratamento de queimaduras;
 Contraindicações: hipersensibilidade aos componentes; disfunção renal ou
hepática, leucopenia transitória, mulheres grávidas, crianças menores de dois
meses de idade e recém-nascidos prematuros, devido ao risco de kernicterus;
 Aplicação: depois da limpeza, secar a pele adjacente à lesão; aplicar uma fina
camada do creme sobre o leito da ferida; ocluir com curativo secundário estéril.
Periodicidade de troca: no máximo a cada 12 horas ou quando a cobertura

362
secundária estiver saturada.
 Obs: O uso indiscriminado causa citotoxicidade e pode levar à resistência
microbiana.

363
CARVÃO ATIVADO

 Apresentação: curativo composto de tecido envolto em nylon não aderente,


semipermeável e absorvente impregnado de carvão ativado. Em algumas
apresentações, o carvão ativado pode vir associado com íons de prata;
 Indicações: feridas com odor fétido;
 Contraindicações: feridas secas, áreas de exposição óssea ou de tendões e feridas
com alta exsudação;
 Aplicação: proceder à limpeza conforme a técnica de irrigação; secar a pele
adjacente; aplicar diretamente sobre o leito da ferida, evitando contato com a
pele íntegra, e ocluir com curativo secundário estéril; se a ferida for cavitária,
preencher a cavidade. Trocas em até sete dias ou a critério da avaliação do
profissional;
 Obs.1: Existem duas versões desse produto: a primeira é um envoltório de tecido
não recortável e na outra versão, o carvão é prensado entre duas camadas de
nylon e pode ser recortado;
 Obs. 2: Produtos oleosos podem comprometer a dispensação da prata.

364
CUIDADOS COM LESÕES ESPECÍFICAS

LESÕES POR PRESSÃO

 Caracterizada por uma ferida localizada na pele e/ou tecido subjacente,


normalmente sobre uma proeminência óssea, em resultado da pressão ou de
uma combinação entre forças de compressão e tração tecidual.

LESÕES POR PRESSÃO: CARACTERIZAÇÃO

 Estágio 1: Eritema não branqueável – “Pele íntegra com área localizada de


eritema que não embranquece e que pode parecer diferente em pele de cor
escura. Presença de eritema que embranquece ou mudanças na sensibilidade,
temperatura ou consistência (endurecimento) podem preceder as mudanças
visuais.”

365
366
 Estágio 2: Perda da pele em sua espessura parcial com exposição da derme – “O
leito da ferida é viável, de coloração rosa ou vermelha, úmido e pode também
apresentar-se como uma bolha intacta (preenchida com exsudato seroso) ou
rompida.”

 Estágio 3: Perda da pele em sua espessura total – “A gordura é visível e,


frequentemente, tecido de granulação e epíbole (lesão com margens enroladas)
estão presentes. Esfacelo e/ou escara podem estar visíveis. A profundidade do
dano tissular varia conforme a localização anatômica; áreas com adiposidade
significativa podem desenvolver lesões profundas. Podem ocorrer descolamento
e túneis.”

 Estágio 4: Perda da pele em sua espessura total e perda tissular – “Exposição ou


palpação direta da fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem ou osso.
Esfacelo e /ou escara podem estar visíveis. Epíbole (lesão com bordas enroladas),
descolamento e/ou túneis ocorrem frequentemente. A profundidade varia
conforme a localização anatômica.”

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 Lesão por pressão não classificável - Perda da pele em sua espessura total e
perda tissular não visível – “A extensão do dano não pode ser confirmada porque
está encoberta pelo esfacelo ou escara. Ao ser removido, lesão por pressão em
Estágio 3 ou Estágio 4 ficará aparente.”

 Lesão por Pressão Tissular Profunda: descoloração vermelho escura, marrom ou


púrpura, persistente e que não embranquece – “Lesão resultante de pressão
intensa e/ou prolongada e de cisalhamento na interface osso-músculo. A ferida
pode evoluir rapidamente e revelar a extensão atual da lesão tissular ou resolver
sem perda tissular.”

PÉ DIABÉTICO

 O termo supracitado é utilizado para definir a lesão que ocorre nos pés dos
portadores de DM, em consequência da combinação da neuropatia (sensitiva,
motora e autonômica);
 Perda de sensibilidade dolorosa;
 Atrofia e enfraquecimento dos músculos;
 Redução ou total ausência da secreção sudorípara (ressecamento dos pés).

369
ÚLCERAS VENOSAS

 Insuficiência venosa crônica é a principal causa;


 Podem surgir por traumas ou espontaneamente;
 Os idosos, principalmente do sexo feminino, são os mais acometidos;

FERIDAS TUMORAIS

O processo de formação das feridas neoplásicas compreende três eventos:

1. Crescimento do tumor levando ao rompimento da pele;


2. Neovascularização doando substratos para o crescimento tumoral;
3. Invasão da membrana basal das células saudáveis, onde há crescimento expansivo
da ferida sobre a superfície acometida.

FERIDAS TUMORAIS: CLASSIFICAÇÃO

 Estadiamento 1: A Pele ainda se encontra íntegra. O tecido apresenta coloração


avermelhada ou violácea. Presença de nódulo visível e delimitado. Fase
370
assintomática;

371
 Estadiamento 1N: Presença de ferida fechada ou com abertura parcial por orifício
de drenagem de exsudato seroso, amarelado ou de aspecto purulento. Tecido
avermelhado ou violáceo. Queixas de dor ou prurido eventuais;

 Estadiamento 2: Lesão aberta envolvendo derme e epiderme com ulcerações


superficiais. Algumas vezes podem ser friáveis e sensíveis à manipulação.
Exsudato ausente ou em pouca quantidade (lesões secas ou úmidas). Processo
inflamatório intenso peri-lesão. Dor e odor ocasionais;

 Estadiamento 3: Ferida espessa envolvendo também o tecido subcutâneo.


Geralmente de profundidade regular e formação irregular, friável, ulcerada ou
vegetativa, podendo apresentar também tecido necrótico liquefeito ou sólido e
aderido, odor fétido e exsudato. Lesões satélites com risco de ruptura. Tecido de
coloração avermelhada ou violácea, porém o leito da ferida encontra-se
predominantemente de coloração amarelada;

 Estadiamento 4: Lesão presente em profundas estruturas anatômicas, não sendo


possível visualizar seu limite. Geralmente com exsudato abundante, odor fétido
e dor. Tecido de coloração avermelhada ou violácea, porém, o leito da ferida
encontra-se predominantemente de coloração amarelada.

372
ADMINISTRAÇÃO DE
MEDICAMENTOS

373
ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS

O papel da equipe de Enfermagem no processo de administração de


medicamentos é de grande relevância para a segurança e o restabelecimento
da saúde do cliente. É uma habilidade que se relaciona com aspectos práticos,
éticos e legais do exercício profissional. Em termos legais é um dos cuidados
mais arriscados que a equipe realiza, é de alta complexidade, portanto mais
apropriado para o profissional técnico de Enfermagem e de responsabilidade
técnica do enfermeiro, em concordância com a Lei no 7.498/86.
O Código de Ética dos profissionais de Enfermagem (Resolução Cofen no
0564/2017) traz aspectos que direcionam a atuação frente à execução do
preparo e da administração dos medicamentos. Em seu Artigo 78o, proíbe aos
profissionais “Administrar medicamentos sem conhecer indicação, ação da droga,
via de administração e potenciais riscos, respeitados os graus de formação do
profissional.”, bem como no Artigo 80o “Executar prescrições e procedimentos
de qualquer natureza que comprometam a segurança da pessoa”.

CONCEITOS
A padronização de termos relacionados ao processo de administração de
medicamentos favorece o trabalho da equipe de saúde. Brasil (2015) apresenta
as seguintes definições: Droga: substância ou matéria-prima que tenha a
finalidade medicamentosa ou sanitária; Medicamento: produto farmacêutico,
tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa
ou para fins de diagnóstico; Medicamento genérico: contém o mesmo princípio
ativo, na mesma dose e forma farmacêutica e indicação terapêutica do
medicamento de referência. Apresenta eficácia e segurança equivalentes à do
medicamento de referência; Medicamento similar: contém o mesmo princípio
ativo, apresenta a mesma concentração, forma farmacêutica, posologia e
indicação terapêutica, podendo diferir em características relativas ao tamanho,
forma do produto, prazo de validade, embalagem, devendo sempre ser
identificado por nome comercial ou marca. A equipe de Enfermagem tem a
obrigação de questionar qualquer prescrição que seja ambígua ou que julgue
insegura para um cliente. As implicações legais são sérias quando existe um erro
no processo de administração de medicação, espera-se que o profissional de
Enfermagem, com sua experiência e seu conhecimento identifique e evite o erro.
CLASSIFICAÇÃO DOS MEDICAMENTOS
Os medicamentos podem ser classificados quanto à origem, finalidade,
ação, forma de apresentação e farmacologia, conforme descrição a seguir:

 Quanto à origem
Sintética (laboratorial): são substâncias químicas elaboradas
sinteticamente em laboratórios; Natural: substâncias advindas de produtos
naturais como: vegetal – partes ou produtos de plantas; animal – produtos

374
animais; mineral – fonte de minério; vitaminas
– provêm de diversos alimentos.

375
 Quanto à finalidade
Ação preventiva: quando o agente é utilizado como meio de prevenção de
patologias. Ex: vacinas; Ação diagnóstica: utilizada para se obter diagnósticos
de patologia. Ex: contrastes; Ação terapêutica: um medicamento que é capaz de
causar um efeito terapêutico auxiliando no equilíbrio orgânico. A ação terapêutica
pode ser: curativa
– ex.: antibiótico; sintomática – ex.: analgésico; substitutiva – ex.: insulina; preventiva –
ex.: vacina.
 Quanto à ação Local
Quando o agente é colocado diretamente em contato com o tecido, sendo
indicado para agir somente sobre um tecido específico. Em resumo, podemos
dizer que é o efeito da droga no ponto de aplicação; Geral: administrado para se
obter um efeito sistêmico, é necessário que o medicamento seja inicialmente
absorvido pela corrente sanguínea e levado aos tecidos e órgãos sobre o qual
exercerá sua ação. Sendo assim atingido o órgão ou tecido pelo qual tem ação
seletiva e produzido o efeito desejado.
 Quanto à forma de apresentação
Sólidos: encontrados em forma de pós, comprimidos, drágeas, cápsulas,
supositórios; Semissólidos: encontram-se sob a forma de pomadas, cremes e
geleias; Líquidos: soluções, poção, xarope, elixir, emulsão, suspensão, tintura;
Medicamentos gasosos: são representados sob a forma de aerossóis e vapores.
 Quanto à farmacologia
Analgésicos e antitérmicos, anestésicos, antiácidos; antibióticos;
anticoagulantes; anticonvulsivantes; antidiarreicos; antieméticos;
antiespasmódicos; antihelmínticos; antihistamínicos; anti-
inflamatórios; antihipertensivos; antitusségenos, broncodilatadores;
cardiotônicos; coagulantes; corticosteróides, diuréticos, hipoglicemiantes,
laxantes, quimioterápicos, entre outros.

CUIDADOS IMPORTANTES NA ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS

 Toda medicação deve ser prescrita pelo médico exceto alguns prescritos por
enfermeiros ou dentistas no uso de seus direitos legais;
 O profissional deve ter conhecimento das apresentações, indicações, vias de
administração, efeito terapêutico esperado, efeitos colaterais, efeitos que
evidenciam sintomas tóxicos, equipamentos disponíveis e cuidados específicos
de determinados medicamentos;
 Higienizar as mãos antes e após o procedimento;
 Verificar data de validade do medicamento;
 Orientar o cliente antes da administração da medicação;
 Certificar se o cliente é alérgico ao medicamento prescrito e descartar
interações medicamentosas;

376
 O preparo das medicações deve ocorrer em local apropriado, mantido
protegido dos raios solares e serem administrados imediatamente após o
preparo;
 Não ministrar medicamentos preparados por outra pessoa;
 Não conversar ao preparar o medicamento;

377
 Conferir os nove certos: paciente certo, medicamento certo, via certa, dose
certa, hora certa, documentação certa (prescrição e registro), ação certa
(garantir que o medicamento seja prescrito pela razão certa), forma certa
(apresentação do medicamento) e resposta certa (atentar para melhora do
paciente);
 Acerca do horário, não podemos ultrapassar 30 minutos para antes ou após o
horário prescrito. A regra não se aplica a situações como: primeira dose/dose de
ataque, administração pré-cirúrgica de antibiótico, sedação pré-procedimento,
medicamentos de uso concomitante ou sequencial;
 Não ministrar medicamentos cuja prescrição deixa dúvidas;
 Ministrar somente medicamentos com rótulo e ou identificação visível e ao
colocar o medicamento no copo, manter o rótulo do frasco voltado para a mão;
 Ler o rótulo do medicamento três vezes, comparando-o com a prescrição: antes
de retirar o frasco ou ampola do armário; antes de colocar o medicamento no
recipiente ou aspirar o medicamento do frasco ou ampola para ministrar; antes
de recolocar no armário ou desprezar o frasco ou ampola no recipiente;
 Não tocar com a mão em comprimidos, cápsulas, drágeas, pastilhas ou outros;
 Evitar que a medicação permaneça na mesa de cabeceira para ser tomada
posteriormente;
 Certificar-se sobre ordens de controle hídrico, dietas, jejum e suspensão de
medicamentos, antes de prepará-los;
 Ter certeza que o medicamento foi deglutido, injetado ou aplicado;
 Desprezar o material perfurocortante em recipiente de paredes rígidas. Todo
material perfurocortante deve estar dotado de dispositivo de segurança,
conforme Norma NR 32 do Ministério do Trabalho e Emprego;
 Saber como calcular a quantidade necessária de medicação a partir da
apresentação da droga disponível;
 Registrar a data, o horário, o medicamento, a dose administrada, a via utilizada,
a reação do cliente além da assinatura do profissional e registro do Conselho
Profissional.

VIAS E MÉTODOS DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS

A via de administração de medicamentos depende entre outros fatores: da


rapidez com que se deseja a ação do medicamento; da natureza e quantidade
do medicamento a ser administrado e das condições do paciente. A Enfermagem
administra medicamentos nas vias relacionadas abaixo. Outras vias como intra-
arterial, intra-tecal e intraperitoneal são administradas pelo profissional médico.
 Via gastrointestinal: via oral, via sublingual, via sonda nasogástrica e via retal;
 Via vaginal;
 Via ocular;
 Via nasal;
 Via auricular ou otológica;
 Via tópica ou cutânea;
 Via parenteral: via intradérmica ou intracutânea (ID), via subcutânea ou
378
hipodérmica (SC), via intramuscular (IM), via endovenosa (EV) ou intravenosa
(IV).

379
VIA GASTROINTESTINAL

O sistema gastrointestinal permite a absorção de medicamentos através


da via oral, sublingual, por sonda nasogástrica, nasoenteral ou gastrostomia e
retal, descritos a seguir:

VIA ORAL

A via oral é a administração de medicamentos pela boca, absorvidos


principalmente no estômago e intestino. É uma das vias mais comuns para
administração de medicamentos, sendo prática, segura, simples e menos
dispendiosa. Porém tem alguns inconvenientes como: relativa incapacidade de
medir a absorção da droga e exatidão; pode provocar náuseas e vômitos devido
ao sabor desagradável; alguns medicamentos podem lesar o esmalte dos dentes
e outros irritam a mucosa gástrica; e o uso é limitado a clientes que não possam
deglutir.
Os tipos de medicamentos que poderão ser ministrados por via oral,
possuem grande variação, podendo ser encontrados sob forma de pílulas,
comprimidos, drágeas, cápsulas, pastilhas, pós, líquidos e geleias. Quando
administrar mais de um medicamento, utilizar comprimidos e cápsulas; em
seguida os líquidos diluídos em tanta água quanto necessário. Porém os
medicamentos para tosse são administrados sem serem diluídos e não devem
ser seguidos de líquidos. Os comprimidos sublinguais são administrados por
último. Os líquidos frios estimulam as papilas gustativas com menor intensidade.
Para serem absorvidos mais rápido, os medicamentos devem estar em forma
líquida. Quanto maior a diluição, mais rápida será a absorção. A diluição também
diminui a irritação gástrica. Os medicamentos sólidos são diluídos pelo suco
gástrico ou pelo líquido ingerido com eles.

Cuidados importantes que devem ser observados


 Ao administrar o medicamento o cliente deve estar sentado ou em decúbito
lateral, quando a posição sentada for contraindicada, para evitar a aspiração;
 Investigar possível contraindicação para via oral;
 Observar se o cliente realmente deglutiu o medicamento e oriente-o a não
manipular medicação com os dedos apesar de ter lavado as mãos;
 Comprimidos – Oferecer água para facilitar a deglutição;
 Medicamento em pó – Misturar com água e oferecer ao cliente.

VIA SUBLINGUAL

A via sublingual é a administração de medicamentos sob a língua. A via


de administração sublingual permite que alguns medicamentos entrem na
380
corrente sanguínea, por ser uma região rica em vasos, a absorção se dá nos
vasos sanguíneos existentes no dorso da língua, ocorrendo de forma rápida.

381
Cuidados importantes que devem ser observados
 Enxaguar a boca com água;
 Colocar o medicamento sob a língua;
 Recomendar ao cliente que se abstenha de engolir a saliva por alguns minutos,
permitindo assim a absorção da droga.

VIA SONDA NASOGÁSTRICA, NASOENTERAL OU GASTROSTOMIA

Via gastrointestinal por sonda nasogástrica, nasoenteral ou gastrostomia


consiste na introdução de medicamentos através de uma sonda nasogástrica ou
nasoenteral. É utilizada em clientes inconscientes e/ou impossibilitados de
deglutir. Algumas recomendações para esta via são apresentadas.
Cuidados importantes que devem ser observados
 Colocar o paciente em posição elevada para evitar aspiração, exceto quando
contraindicado;
 Os medicamentos sólidos devem ser dissolvidos antes de serem colocados
através da sonda;
 Certificar-se de que o medicamento é compatível com o local de inserção da sonda
(gástrica ou enteral);
 Certificar-se de que a sonda está no estômago através da ausculta com
estetoscópio e aspiração do suco gástrico;
 Administrar os medicamentos sempre com água e, após a administração, lavar a
sonda com 10 a 20 ml de água, mantendo a mesma sem resíduos, fechada por
30 minutos para garantir a absorção do medicamento.

VIA RETAL VIA RETAL

É a introdução de medicamentos através do ânus, sob a forma de


supositório, pomada e clister medicamentoso.
Cuidados importantes que devem ser observados
 Garantir a privacidade do cliente;
 Certificar-se de que há iluminação adequada para visualização da região anal;
 Colocar o cliente em posição de Sims (lateral E, com a perna de cima fletida);
 Utilizar luvas de procedimentos;
 Aplicar o supositório usando uma gaze;
 Orientar o cliente a respirar profundo para relaxar o esfíncter anal, ao introduzir
o supositório;
 Quando aplicar um supositório, direcionar a ponta arredondada para o reto para
que ele entre em contato com a mucosa. A introdução deve ser além do esfíncter
anal interno, evitando que seja expelido e estimulando a absorção da medicação;
 Quando aplicar uma pomada, lubrificar o aplicador para diminuir a dor na
382
inserção;
 Solicitar ao cliente para introduzir, caso tenha condições;

383
 Quando se tratar de criança, comprimir levemente as nádegas para evitar
retorno do supositório, no adulto solicitar que o mesmo contraia as nádegas;
 Orientar que o cliente retenha o supositório por 15 a 20 minutos quando possível;
 Algumas vezes é necessário colocar imediatamente a comadre ou encaminhar
o cliente ao banheiro.

VIA VAGINAL

É a introdução e absorção de medicamentos (óvulos, pomadas, geléias,


lavagem vaginal) na mucosa vaginal.
Cuidados importantes que devem ser observados
 Garantir a privacidade da cliente;
 Certificar-se de que há iluminação adequada para visualização da abertura
vaginal;
 Colocar a cliente em posição ginecológica;
 Orientar a cliente para a autoaplicação quando for possível;
 Calçar luvas de procedimentos e visualizar a abertura vaginal;
 Introduzir a medicação, com um aplicador individual, na vagina mais ou menos
4 cm. O aplicador deve estar lubrificado;
 Segurar o aplicador pelo cilindro e empurrar o êmbolo para introduzir a
medicação na vagina;
 Direcionar o aplicador inicialmente para baixo (na direção do colo uterino) e
para trás até alcançar a porção distal da vagina;
 Remover o aplicador enquanto o êmbolo estiver ainda abaixo;
 Escolher o horário da noite para aplicação de óvulos ou pomadas em clientes
ambulantes para evitar a queda ou saída dos mesmos;
 Colocar absorvente higiênico, caso a medicação escorra.

VIA OCULAR

É a administração de medicamentos na conjuntiva ocular sob forma de


colírio ou pomadas, tem como objetivos: dilatar ou contrair as pupilas, acelerar a
cicatrização, combater a infecção, anestesiar e lubrificar os olhos.
Cuidados importantes que devem ser observados
 Preparar o material (medicamento, gaze ou lenço de papel);
 Antes de aplicar o medicamento, se necessário, limpar os olhos com uma gaze
umedecida com soro fisiológico, do ângulo interno do olho para o ângulo
externo;
 Sentar ou deitar o cliente e orientá-lo a olhar para cima;
 Afastar a pálpebra inferior puxando para baixo a pele periorbitária, pedir ao
cliente para olhar para cima e instilar as gotas no saco conjuntival inferior; não

384
deve-se aplicar medicamentos na córnea;
 Seguir o mesmo cuidado na aplicação de pomada colocando uma camada fina da
medicação ao longo da conjuntiva da pálpebra inferior, do ângulo interno do olho
para o externo. Evitar tocar a ponta do tubo no olho do cliente;

385
 Solicitar ao cliente para fechar os olhos (1-2 min) para melhor absorção, limpar,
se necessário, o excesso da medicação com gaze e orientar para permanecer na
posição por algum tempo;
 Ocluir o olho quando indicado;
 Aguardar cinco minutos entre a administração de colírios diferentes, caso o cliente
necessite de mais de um medicamento;
 Observar a administração de atropina; não pode atingir o canal lacrimal, podendo
ser colocado um dos dedos sobre o canto interno (ducto lagrimal). Esta medida
comprime o ducto lagrimal evitando reações sistêmicas.

VIA NASAL

É a administração de medicamentos na narina, tendo como objetivos:


proteger a mucosa nasal, aliviar a congestão nasal, diminuir a irritação e edema
da mucosa, tratar infecções, e facilitar a respiração. O medicamento é absorvido
pelos vasos da mucosa nasal. Segue os cuidados indicados a esta via.
Cuidados importantes que devem ser observados
 Preparar o material (medicamento, conta-gotas, gazes ou lenço de papel);
 Limpar ou solicitar ao cliente que limpe as narinas;
 Colocar o cliente sentado, com a cabeça inclinada para trás; ou em decúbito
dorsal com a cabeça inclinada levemente para o lado afetado;
 Usar um travesseiro nos ombros, se possível, pois permite que a cabeça incline
para trás, deixando a medicação fluir profundamente;
 Permanecer na frente do cliente ao ministrar o medicamento;
 Evitar contato do conta-gotas com a mucosa do nariz ou com os dedos do
profissional;
 Direcionar o conta-gotas para cima das narinas, para introduzir as gotas,
dirigindo sua extremidade para a parte média da concha superior do etmoide;
 Pingar as gotas, solicitando que o cliente permaneça na posição durante 2 a 5
minutos.

VIA AURICULAR OU VIA OTOLÓGICA

É a introdução de medicamentos no canal auditivo externo com a


finalidade de prevenir ou tratar processos inflamatórios e ou infecciosos, facilitar
a saída de cerume e corpos estranhos. O medicamento é absorvido pelos vasos
da mucosa auditiva, seguindo as recomendações.
Cuidados importantes que devem ser observados
 Preparar o material (medicamento, conta-gotas, gazes ou algodão);
 O medicamento deve estar em temperatura ambiente, considerando que
soluções frias causam desconforto e até tonturas;
 Posicionar o cliente, solicitando que o mesmo permaneça deitado ou sentado
com a cabeça inclinada lateralmente, expondo o ouvido afetado;

386
 Puxar suavemente o pavilhão auricular para baixo e para trás em crianças. Em
clientes adultos o pavilhão auricular deve ser puxado suavemente para cima e
para trás;

387
 Instilar a medicação sem tocar o conta gotas no conduto auditivo;
 Solicitar ao cliente que permaneça uns 2 minutos na posição.

VIA TÓPICA OU CUTÂNEA MUCOSA

É a aplicação de medicamento na pele, podendo ter ação local ou geral,


é absorvida pela camada epidérmica para dentro da derme. As formas de
medicamentos utilizadas nesta via de administração são: pomada, loção, creme,
gel, pó, spray e adesivo transdérmico, esse tem absorção contínua com baixa
concentração de medicamento. A absorção pode ser intensificada por meio de
alguns procedimentos como higiene da pele, fricção ou oclusão local, após
aplicação.

Cuidados importantes que devem ser observados


 Preparar o material (medicamento, gazes, espátula);
 Expor somente o local da aplicação, a pele deve estar limpa e seca;
 Verificar sinais de alteração da pele: cor, tumefação (aumento da área),
exantema (erupção cutânea) ou outros sinais visíveis;
 Aplicar o medicamento sobre a gaze ou diretamente na pele, com a espátula
colocando uma camada fina para facilitar a absorção, massagear ou fazer
fricção se necessário.

VIA PARENTERAL

Significa administração de medicamentos ou nutrientes nos tecidos


corporais. Indicada para administração de medicamentos a pacientes
inconscientes, com distúrbios gastrointestinais; nos pacientes impossibilitados
de deglutir; quando se espera uma ação mais rápida da droga ou quando o
medicamento pode ser modificado pelo suco gástrico. A absorção do
medicamento se dá mais rapidamente e mais completa do que pela via oral ou
intestinal, garantindo níveis elevados do medicamento no sangue e, dessa
forma, podem-se determinar doses mais precisas e prever com maior segurança
seus resultados. Quanto ao procedimento da administração, além de habilidade
técnica exige conhecimentos sobre anatomia, microbiologia e outros.
Os locais de administração de medicamentos por via parenteral mais
utilizados pela Enfermagem são: derme, tela subcutânea, tecido muscular e
veias. Intradérmica ou intracutânea (ID): aplicação de medicamentos sob a
derme; Subcutânea ou hipodérmica (SC): introdução de medicamentos no tecido
subcutâneo; Intramuscular (IM): introdução de medicamentos em um músculo;
Intravenosa ou endovenosa (IV ou EV): aplicação de medicamentos em um
acesso venoso periférico ou central.
Apresenta-se como desvantagens: dor em função da punção ou por
irritação da droga; rompimento da integridade da pele que é uma das barreiras
do corpo contra as infecções; custo do medicamento, material e profissional
técnico especializado. Por ser um método que muitas vezes causa dor, acaba
gerando medo, ansiedade e aversão no cliente. A escolha do local de aplicação
dependerá da via de administração, das condições da pele do cliente, que deve
estar: livre de qualquer sinal de inflamação – hiperemia, calor, edema e dor,
sinais de irritação, paresias, tecido cicatricial e ainda locais com diminuição ou
388
ausência de sensibilidade.
Quanto ao material utilizado, as seringas são graduadas de 1mL, 3mL,
5mL, 10mL e 20mL, a escolha depende do volume da medicação a ser aspirada.
As agulhas também são selecionadas de acordo com a via de aplicação, a
quantidade do tecido subcutâneo ou muscular, as características da rede
vascular e a medicação a ser aspirada/injetada. Para

389
que se proceda uma punção venosa é necessário equipamento apropriado como
dispositivo intravenoso periférico, cateter agulhado comum (scalp) e cateter
sobre agulha (jelco).

390
O conhecimento de anatomia, fisiologia e farmacologia possibilitam a
definição dos locais de aplicação, o volume máximo permitido, o tamanho e
calibre da agulha, o ângulo que a agulha faz com a pele no momento da punção
e posição do bisel em cada via. As medicações parenterais são encontradas em
frascos e ampolas.

COMO PREPARAR OS MEDICAMENTOS EM AMPOLAS E FRASCOS

Ampola

 Empregar técnica asséptica e utilizar medicamentos e materiais estéreis;


 Certificar-se da validade, integridade e funcionamento de seringa e agulha;
 Durante o preparo, evitar conversa e manter o conjunto de seringa e agulha na
altura dos olhos, com atenção, ao aspirar o medicamento;
 Retirar todo o conteúdo acima do gargalo da ampola antes de abrir;
 Fazer desinfecção do gargalo com algodão embebido em álcool 70%;
 Proteger os dedos com algodão ao quebrar o gargalo;
 Abrir a embalagem da seringa e adaptar agulha mantendo-a com a capa protetora;
 Introduzir a agulha na ampola e aspirar o conteúdo com a mão dominante. Usar
agulha de maior calibre, sem encostar-se à borda, mantendo o bisel dentro do
líquido;
 Expelir o ar que penetrou na seringa;
 Quando o medicamento é irritante, trocar por nova agulha antes de aplicar a
injeção;
 Proteger a agulha.

Frascos
 Retirar a tampa metálica e desinfetar a tampa de borracha;
 Preparar a seringa, escolher a agulha de maior calibre;
 Aspirar o diluente adequado, introduzir no frasco, para reconstituição da
medicação, evitando a formação de espuma;
 Colocar ar na seringa, em volume igual ao medicamento a ser aspirado, aspirar
o líquido, retirar o ar contido na seringa;
 Identificar a seringa;

391
 A agulha pode ser reencapada com todo cuidado após o preparo do
medicamento; Porém após o uso no cliente é risco potencial de contaminação.
Não se deve reencapar a agulha após o uso.

392
VIA INTRADÉRMICA (ID) OU INTRACUTÂNEA

É a aplicação de medicamentos na camada dérmica da pele, que se


localiza logo abaixo da epiderme.
Tem como finalidade realizar testes alérgicos e diagnósticos,
dessensibilização e vacina BCG, internacionalmente padronizada – inserção
inferior do músculo deltóide do braço direito. As soluções devem ser cristalinas
e isotônicas. A derme é quase inextensível, na prática observamos que o volume
máximo a ser introduzido é 0,1mL ou frações inferiores, porém pode ser
administrado até 0,5 mL.
O ângulo de inserção da agulha com a pele é 15º. O local de
administração é geralmente na face interna mediana do antebraço (fase ventral
do antebraço) devido ter pouca vascularização superficial, menor pigmentação,
poucos pelos e ser de fácil acesso para a leitura dos resultados das reações
alérgicas.

Material
 Seringa de 1 mL;
 Agulhas (10x5, 15x3 ou 13x4,5);
 Bandeja;
 Algodão.

Técnica
 Higienizar as mãos;
 Posicionar o braço apoiado e a face ventral voltada para cima;
 Distender a pele, introduzindo a agulha num ângulo de 10º a 15º (paralela à
pele) com o bisel voltado para cima;
 A agulha não deve penetrar mais que 2mm, não sendo necessário aspirar após
sua introdução;
 Injetar a solução, observar a formação da pápula, retirar a agulha, não
friccionar a pele para evitar o retorno do líquido;
 Marcar com caneta o ponto onde foi injetada a solução nos testes alérgicos, e
aguardar 15min para a leitura;
 Observar a reação do cliente.

VIA SUBCUTÂNEA (SC) OU HIPODÉRMICA

É a administração de medicação no tecido subcutâneo (tela subcutânea,


gordura). Essa via tolera substâncias aquosas, cristalinas e suspensões. Porém,
deve ser de fácil absorção e não permite substâncias irritantes.
Essa via tem como objetivo a absorção lenta e contínua da medicação
como antiglicemiante (Insulina) e anticoagulantes (heparina, clexane) e vacinas
(antissarampo, rubéola e tríplice viral e tetra viral). A grande expansibilidade da
tela subcutânea permite quantidades variadas de soluções, geralmente é
introduzida de 0,1 até 2,0 mL. As agulhas devem ser curtas e finas, na
indisponibilidade outra pode ser utilizada, porém a camada muscular não pode
393
ser atingida. O ângulo depende da quantidade de tecido subcutâneo e tamanho
da agulha. Se usar agulha curta, o ângulo será de 90º, com agulha maior, ângulo
de 30º para clientes magros, 45º para clientes normais e 60º para clientes
obesos.

394
O local de administração deve ser livre de nervos e procedências ósseas.
Pode-se utilizar toda tela subcutânea, porém de acordo com a inserção local, a
acessibilidade e a capacidade e distensão local do tecido, alguns locais são mais
indicados como:
 Face externa anterior e posterior do braço;
 Face anterior lateral da coxa;
 Parede abdominal (parte superior e inferior);
 Região escapular e infraescapular;
 Região glútea.

Material

 Bandeja;
 Seringa de 1mL= 100UI;
 Agulha para aspiração;
 Agulha para administração 13x4,5 ou 13x4,0;
 Algodão;
 Álcool 70%.

Técnica

 Higienizar as mãos;
 Conferir a prescrição médica e preparar o material;
 Fazer a desinfecção da ampola ou frasco;
 Aspirar o líquido e retirar o ar com a agulha protegida;
 Escolher e expor o local da aplicação;
 Pressionar a pele, segurando e mantendo uma prega tendo certeza que está
pinçando o tecido subcutâneo;
 Realizar antissepsia, aguardar secar o local;
 Introduzir a agulha com bisel para cima e ângulo de 90° (agulha curta);
 Levantar a pele, segurando-a e mantendo-a suspensa entre o dedo indicador e
polegar, para clientes muito magros ou caquéticos, introduzindo a agulha em
posição paralela à pele, sob sua dobra, com rapidez e firmeza;
 Soltar a prega e aspirar em seguida, injetar a solução lentamente, se atingir um
vaso, retirar a agulha e introduzir em outro local;
 Observar a formação de uma elevação da pele, correspondente ao volume da
solução injetada;
 Lembrar de não fazer fricção (massagem) no local porque para certos tipos de
drogas como a insulina, a absorção deve ser lenta. E na heparina não massagear,
pois provoca ruptura de pequenos vasos sanguíneos e lesões;
 Desprezar o material descartável em recipiente apropriado e não reencapar a
agulha após o uso;
 Atentar para fazer rodízio dos locais de aplicação para evitar abscessos,
lipodistrofias e endurecimento dos tecidos na área da injeção.
As principais complicações na administração de medicamentos por
via subcutâneas são: hematoma, dor, lesão ou compressão de
filetes nervosos, reações inflamatórias locais, infecções ou
395
abscessos, embolias, ulcera ou necrose de tecidos, fenômeno de
Arthus (formação de nódulos), fibrose, lipodistrofia (distúrbio do
tecido adiposo, a gordura do tecido subcutâneo desaparece em
algumas regiões), lipohipertrofia (grande desenvolvimento de
gordura). O rodízio é o principal método profilático das
complicações.

396
HIPODERMÓCLISE

É a introdução de líquidos no tecido subcutâneo, indicada para


desequilíbrio hidrelétrico principalmente com clientes em cuidados paliativos e
idosos com rede vascular de difícil acesso. É recomendado no ambiente
hospitalar ou em domicílio. Tem indicação na hidratação e infusão de líquidos,
possibilitando a infusão de alguns medicamentos e soluções isotônicas.
É contra indicado em clientes com edema, anasarca, distúrbio de
coagulação e risco de congestão pulmonar.
As regiões de punção utilizadas são anterior do tórax, escapular,
abdominal e face anterolateral da coxa, em ângulo de 30º a 45º e são utilizados
dispositivos específicos: cateter agulhado comum (scalp) ou cateter sobre agulha
(jelco).
O volume recomendado é de 2000 mL em 24 horas ou 1000 mL por
região. A diluição de medicamentos deve ocorrer em partes iguais (1:1). Alguns
medicamentos são proibidos na hipodermóclise como, por exemplo, diazepam,
diclofenaco, eletrólitos não diluídos e fenitoína.

VIA INTRAMUSCULAR (IM)

É a administração de solução aquosa, oleosa ou suspensão


medicamentosa no músculo, é de rápida absorção, devido grande número de
vasos sanguíneos, porém mais lenta que a via endovenosa. Alguns fatores
influenciam a escolha do local como músculo de preferência bem desenvolvido,
de fácil acessibilidade, condições da musculatura, idade do cliente, não
proximidade de nervos e vasos sanguíneos, espessura do tecido adiposo (gordo
ou magro), volume do medicamento, tipo do medicamento e irritabilidade da
droga, condições da pele do cliente livre de sinal de inflamação, parestesias e
cicatrizes.
Evitam-se locais com diminuição ou ausência da sensibilidade, como por
exemplo: membros com paralisia. É necessário estar atento ao volume a ser
administrado em cada músculo, o profissional deve avaliar a massa muscular da
área de aplicação. Normalmente, o volume varia de 2 a 5 mL.
As soluções devem ser sempre isotônicas (composição de eletrólitos
semelhante a do sangue), sob pena de necrose grave do tecido muscular. É
importante observar o rodízio dos locais de aplicação da injeção IM. O acúmulo
de medicamentos no mesmo músculo dificulta e retarda a absorção. As soluções
irritantes deverão sempre ser aplicadas profundamente no músculo e em locais
com grande massa muscular. A escolha do tamanho e calibre da agulha
dependerá da solução, da espessura da tela subcutânea e do grupo etário.
Por ordem de preferência os locais de aplicação devem ser:
 Região ventro-glútea (VG) ou Hochsteter – músculo glúteo médio;
 Região da face ântero-lateral da coxa (FALC) – músculo vasto lateral (terço
médio);
 Região dorso glútea (DG) – músculo grande glúteo (quadrante superior externo);
 Região deltóidea (D) – músculo deltóide.

VENTRO-GLÚTEA (VG) OU LOCAL DE HOCHSTETER

397
O músculo glúteo médio na região ventro-glútea é o mais indicado em
qualquer idade, pois é considerado um local seguro para administração. Tem a
grande vantagem

398
de o músculo ser bem desenvolvido em adultos e também em crianças,
apresentar na região uma pequena quantidade de gordura significando uma
melhor absorção da medicação e não possuir nervos ou vasos importantes,
provocando menos dor na aplicação.
O anatomista suíço Hochsteter estudou a região ventro-glútea no ano de
1954 e concluiu ser o local mais indicado por estar livre de estruturas
importantes. A angulação da agulha deve ser de 90º, ligeiramente inclinada para
a crista ilíaca. O volume máximo a ser injetado é de 5 mL. O cliente pode estar
sentado, em decúbito dorsal ou ventral, entretanto, preferencialmente em
decúbito lateral direito ou esquerdo com a perna superior flexionada, porém,
deve-se garantir a exposição dos limites anatômicos.
O método de delimitação da área de administração da via intramuscular, da região
Ventro- Glútea (VG) ou local de Hochsteter:
 Localizar com a ponta do dedo indicador ou médio (depende do lado direito ou
esquerdo do cliente) a espinha ilíaca ântero-superior;
 Espalmar a mão sobre a base do trocanter maior do fêmur (encaixe do fêmur
na coxa);
 Estender o dedo médio ou indicador (depende do lado direito ou esquerdo do
cliente) ao longo da crista ilíaca, afastando o máximo um dedo do outro;
 Injetar a medicação no centro da área do triângulo formado pelos dois dedos
abertos em “V”;
 Colocar o espaço interdigital dos dedos médio e indicador na saliência rolante
do grande trocanter em crianças.

REGIÃO DA FACE ÂNTERO-LATERAL DA COXA (FALC)

O Músculo Vasto Lateral localizado na região da face ântero-lateral da


coxa (FALC), apresenta grande massa muscular, tem como vantagem o fácil
acesso, além de uma área extensa de aplicação. Indicado especialmente para
lactentes e crianças até 10 anos e também para adultos e adolescentes.
Entretanto, segundo Reibnitz et al, (2002) é contra indicado para crianças
menores de 28 dias, devido a casos de contratura do quadríceps femoral. A área
apresenta pequenos nervos superficiais causando dor, mais acentuada em
adultos. A dor pode causar até lesão do nervo femoral cutâneo. Alguns autores
recomendam o volume máximo de 2 mL, enquanto Kawamoto; Fortes (2011)
consideram 4 mL. A angulação da agulha deve ser (45º) em direção podálica. A
posição do cliente deve permitir a exposição dos limites anatômicos de
preferência em decúbito dorsal com os joelhos levemente flexionados ou
sentado, com flexão da perna, expondo a área do joelho à raiz da coxa. Nesta
região pode ocorrer lesão acidental do nervo femural cutâneo.
Como delimitar a área de administração da via intramuscular, da região face
ântero-lateral da coxa:
 A área obedece ao limite superior de 12 a15 cm abaixo do trocanter maior,
(encaixe do fêmur na bacia) e o inferior é de 9 a 12 cm acima do joelho, numa
faixa de 7 a 10 cm de largura. A aplicação se dá no terço médio da delimitação;
 Introduzir a agulha em ângulo oblíquo (45º) em direção podálica, para evitar
bloqueio da arterial femoral;
 As agulhas utilizadas devem ser curtas para adultos e adolescentes (25) e crianças
(15 a 20).
399
REGIÃO DORSO GLÚTEA (DG)

Músculo Glúteo Máximo localizado na região do dorso glúteo. Os


músculos da região glútea são utilizados nos movimentos dos membros
inferiores, como andar, ficar de pé, pular, sentar etc. Essas atividades estimulam
a circulação e consequentemente, a absorção do material injetado. Essa área
possui grande espessura do tecido subcutâneo (camada de gordura) podendo
variar de 1 cm em pessoas caquéticas a 9 cm em indivíduos obesos, dificultando
o acesso à massa muscular. Essa região é de grande vascularização e inserção
do nervo ciático, o mais importante, mas também do nervo glúteo superior e
inferior, glúteo caudal e glúteo cranial, femoral e outros, podendo ocorrer
acidentes na aplicação.
Essa região é indicada para crianças a partir de 2 anos, adolescentes e
adultos e contraindicada para menores de 1 ano, maiores de 60 anos e pessoas
excessivamente magras. O ângulo da agulha em relação à pele é de 90º a agulha
deve ser longa, para ultrapassar a tela subcutânea e o volume máximo é de 5
mL. Na delimitação toda a área deve estar exposta, a posição do cliente deve ser
decúbito ventral, com os braços ao longo do corpo e para melhor relaxamento
muscular os pés devem estar virados para dentro, para tornar a aplicação menos
dolorida.
Quanto à delimitação:
 Traçar uma linha que parta da espinha ilíaca póstero-superior e finalize no grande
trocanter do fêmur, a aplicação deve ser na região central da área superior. Ou:
 Dividir a região glútea em quatro quadrantes. A crista do íleo e a dobra glútea
inferior funcionam como marco para divisão da nádega. Traçamos uma linha
vertical a partir da crista ilíaca à parte mais volumosa do glúteo, paralelo ao sulco
interglúteo e uma linha horizontal a partir da saliência mais proeminente da
região sacra, ou seja, das últimas vértebras sacras. Delimitação considerada mais
segura. A injeção é administrada no quadrante superior externo.

REGIÃO DELTÓIDEA (D)

O Músculo Deltóide localizado na região deltóidea é de fácil acesso,


porém é um músculo pequeno e possui maior quantidade de ossos, nervos e
artérias. Dessa forma não deve ser injetado mais que 2 mL e devem ser evitadas
substâncias irritantes e injeções consecutivas, por ser uma área muito
vascularizada, o que pode fazer com que a agulha atinja um vaso, ou ainda lesão
do nervo radial, escapular, axilar e ulnar e artéria braquial, podendo levar a
paralisia dos músculos. O ângulo da agulha é de 90o em relação à pele. É o local
menos indicado para a via intramuscular, porém, deve-se restringir o uso para
jovens e adultos com massa muscular bem desenvolvida. Contra indicada para
menores de 10 anos e adultos com pequeno desenvolvimento muscular.
O cliente deve estar sentado ou deitado com o antebraço flexionado e o
cotovelo apoiado, para relaxamento do músculo, expondo o braço e ombro.
A delimitação da área é a descrita a seguir:
 Expor a região deltóidea;

400
 Medir de 3 a 5 cm abaixo do acrômio (ombro) e de 3 a 3,5 cm acima da margem
inferior do deltóide, a agulha deve ser introduzida no centro do músculo, próximo
a linha mediana.

401
PROCEDIMENTO

Via intramuscular
Material

 Bandeja;
 Seringa de 3 mL ou 5mL;
 Agulha;
 Algodão;
 Álcool 70%;
 Luva para procedimentos.

Técnica
 Higienizar as mãos;
 Preparar o medicamento;
 Delimitar o músculo e fazer a antissepsia de cima para baixo sempre na mesma
direção, de uma área aproximada de 7cm de diâmetro;
 Firmar o músculo com os dedos e introduzir a agulha no local escolhido com
firmeza, o bisel deve estar lateral;
 Utilizar o ângulo reto (90º), ou seja, perpendicular à pele, para o músculo deltóide
e região dorso-glúteo. Para a região ventro-glútea (local de Hochstetter) utilize a
angulação da agulha dirigida ligeiramente à crista ilíaca; e para a face ântero-
lateral da coxa, utilize a angulação da agulha de 45º com eixo longitudinal
horizontal, em direção podálica;
 Introduzir a agulha, soltar o músculo e aspirar para verificar se atingiu algum vaso
sanguíneo. Caso isso ocorra, deve-se retirar a agulha, preparar outra seringa e
injetar em outro lugar;
 Injetar o medicamento de forma lenta e contínua, retirar a agulha com um
movimento único, rápido e firme;
 Comprimir o local com algodão por alguns segundos para fazer a hemostasia;
 Desprezar o material descartável em recipiente apropriado, não reencapar a
agulha após o uso.
 O método de aplicação em “Z” é utilizado para administração de medicamentos
que irritem muito a via intramuscular. Para esse procedimento deslocamos o
tecido lateralmente, antes, durante e após a introdução da droga, mantendo a
retração por 10 segundos. Esse procedimento evita que a medicação escoe para
o tecido subcutâneo, o que permite a dispersão da medicação no interior do
músculo. Deve-se retirar a agulha e remover sua outra mão do local.

As principais complicações na administração de medicamentos por


via intramuscular: Lesões de nervos e vasos (hematomas e
atrofias); Processo inflamatório (injeções repetidas, trauma
mecânico); Nódulos; Ulceração de pele; Processo infeccioso
(abscesso); Dores tardias; Periostite.

ENDOVENOSA OU INTRAVENOSA (EV/IV)


402
É a aplicação de medicação no interior de uma veia, proporcionando a
absorção da quantidade ministrada e ação imediata. Possibilita a administração
de grande volume

403
de líquidos, de forma contínua, sendo uma via para medicamentos que
necessitam de diluição. É utilizada ainda para retirar sangue para exames
laboratoriais. Para selecionar o local deve ser considerado: acesso e condições
do vaso, tipo de líquido a ser injetado, duração da infusão.
As veias mais utilizadas são:
 Veias do dorso da mão – rede venosa dorsal e veias metacarpianas;
 Veias do antebraço – cefálica, antibraquial mediana, radial, cubital ou ulnar;
 Veias do braço;
 Veias da face interna do cotovelo – cefálica, basílica, cefálica mediana, basílica
mediana;
 Veias da cabeça. Deve-se evitar veias localizadas em membros sequelados ou com
cicatrizes extensas. As veias da perna não são recomendadas a menos que outros
locais não sejam acessíveis por causa do perigo da estagnação na circulação
periférica e possíveis complicações. As veias do couro cabeludo são muito
utilizadas para crianças, por causa do seu acesso e facilidade de evitar
deslocamentos da agulha.

Os medicamentos podem ser infundidos de diferentes formas:


 Associado à hidratação venosa;
 Em bolus, com pequeno volume de diluente, por um acesso venoso
intermitente;
 Infusão em paralelo: associado a uma hidratação em paralelo por um
dispositivo em Y, em acesso venoso único;
 Bomba infusora: controle do volume e velocidade de infusão;
 Bomba de seringa: infusão controlada por seringas padronizadas.

PROCEDIMENTO
Material

 Bandeja;
 Seringa de 10 mL ou 20mL;
 Agulha para preparo;
 Algodão;
 Álcool 70%;
 Luva para procedimentos;
 Dispositivo intravenoso periférico ou cateter agulhado comum (scalp) ou
cateter sobre agulha (jelco);
 Fita adesiva para fixação;
 Garrote ou fita elástica.

Técnica
 Higienizar as mãos;
 Utilizar luvas de procedimentos;
 Iluminar adequadamente o ambiente, favorecendo a visualização da veia;
 Selecionar o tipo de cateter e número com base na avaliação do local de aplicação,
o calibre da veia disponível, o tempo de uso previsto e volume de infusão;
 Expor a área selecionada, colocar o garrote um pouco acima da veia escolhida,
404
recomendar ao cliente fechar a mão. Realizar a antissepsia com algodão
embebido por álcool 70%, em sentido único, pelo menos duas vezes ou mais se
houver sujidades e não tocar o local de punção após a realização da antissepsia;

405
 Distender a pele, mantendo a veia fixa com o polegar, introduzir a agulha com
bisel para cima (ângulo de 15º) e mais ou menos 1cm antes do local, aspirar para
confirmar a punção da veia através da presença de sangue na seringa;
 Realizar a fixação do cateter;
 Abrir o garrote, orientar para o cliente abrir a mão e injetar lentamente o
medicamento, observar reação local (infiltração, dor local) e geral (palidez,
sudorese, tremor, náuseas, vômito e outras). Em caso de coleta de sangue, o
membro ficará garroteado enquanto estiver colhendo o sangue;
 Retirar a agulha com movimento único e comprimir o local com algodão seco.
Não flexionar para evitar hematoma;
 Utilizar duas seringas para ministrar dois medicamentos, cada uma com uma
droga, só associar quando não existir interação medicamentosa;
 Puncionar sempre da extremidade distal para proximal em função do retorno
venoso;
 Retirar o garrote antes de retirar a agulha;
 Caso não obtenha sucesso na punção, tente mais uma vez ou solicite ajuda de
outro profissional. Para cada tentativa, utilize novo cateter.

VENÓCLISE, INFUSÃO VENOSA OU FLUIDOTERAPIA

É a introdução de grandes volumes de líquidos ou nutrientes (água, eletrólitos,


vitaminas, proteínas, calorias), por meio de acesso venoso periférico ou central.
Têm como objetivos administrar grandes volumes de líquido para manter ou
repor reservas orgânicas e restaurar o equilíbrio ácido-básico; administrar
hemoderivados, nutrição parenteral e viabilizar a administração de
medicamentos. Deve-se evitar puncionar em articulações, membros lesados.

Material

 Bandeja;
 Algodão;
 Álcool 70%;
 Luva para procedimentos;
 Dispositivo intravenoso periférico ou cateter agulhado comum (scalp) ou
cateter sobre agulha (jelco);
 Equipo de infusão;
 Fita adesiva para fixação;
 Garrote ou fita elástica.
 A numeração dos cateteres agulhados comuns (scalp) são 27, 25, 23, 21, 19 e 17.
Em relação ao cateter sobre agulha (jelco), utiliza-se os números 14, 16 e 18 para
veias mais calibrosas e 20 e 22 para veias menos calibrosas. Quanto maior o
número, menor será o calibre. Os equipos de infusão disponíveis são os
macrogotas, microgotas, hemoderivados, microfix.

Técnica
406
 Higienizar as mãos;

407
 Realizar antissepsia da área a ser puncionada com movimentos firmes, únicos e
no sentido do retorno venoso. Espere secar. Isso favorece a ação do antisséptico
e evita a introdução de produtos na veia;
 Rotular sempre o frasco de soro com dados, como: nome do cliente, no do leito,
nome do soro; medicação acrescida, data e hora da instalação e o nome da
pessoa que o instalou.
 Para clientes com vários frascos prescritos, coloca-se o número da série do frasco.
Exemplo: SG 5% – 2º frasco;
 Identificar na fixação: data, horário e nome do profissional que efetuou a
punção, favorecendo a troca periódica, de acordo com protocolo institucional;
 Observar continuamente o gotejamento, a presença de complicações,
obstrução do sistema de infusão ou acotovelamento do equipo;
 Fechar imediatamente o equipo, caso o cliente apresente complicações;
 Trocar todo o equipamento da infusão (equipo, conexões) a cada 48 ou 72 horas,
ou antes, caso verifique-se alguma anormalidade local ou sistêmica, conforme
protocolo da instituição;
 Ao puncionar com scalp, observar diariamente condições da pele (hiperemia,
edema, secreção e dor). Trocar no intervalo de 48 a 72 horas;
 Não desconectar o sistema da infusão para aplicação de medicamentos ou
outros procedimentos;
 No caso de obstrução do cateter ou scalp, aspirar o coágulo para a seringa, não
injetar;
 Para verificar a permeabilidade do acesso venoso, colocar o frasco abaixo do local
da punção, a fim de verificar se há refluxo de sangue;
 Para calcular o gotejamento do soro use a seguinte fórmula: Volume no de gotas
= Tempo x 3.

As principais complicações, relacionadas à administração de


medicamento por via endovenosa. Entre elas se destacam:
choque, embolia, flebite, esclerose da veia por injeções frequentes
e uso de soluções hipertônicas, infiltração medicamentosa e
hematomas. O cliente pode ainda ficar ansioso, com sensação de
mal-estar; devemos tranquilizá-lo. Choque: pode ser pirogênico
devido à introdução de solução contaminada; anafilático devido à
hipersensibilidade do cliente ao medicamento; periférico: devido a
causas diversas como aplicação rápida, dosagem elevada,
problemas emocionais, entre outros. Embolia: pode ser gasosa
devido à introdução de ar na circulação sanguínea; oleosa devido à
introdução de solução oleosa na circulação sanguínea; sanguínea
devido à mobilização de trombos. Flebite e tromboflebites: é um
processo inflamatório das veias, tornando a área dolorosa e
hiperemiada. Esclerose da veia: devido a injeções frequentes no
mesmo local e introdução de soluções hipertônicas. Hematoma:
extravasamento de sangue fora do interior da veia. Infiltração
medicamentosa: devido ao extravasamento do medicamento fora
do interior da veia. Abscesso: processos infecciosos devido à falta
de assepsia e introdução de soluções irritantes fora da veia.

408
CÁLCULO DE MEDICAMENTOS

OBJETIVOS

 Realizar com segurança o cálculo necessário para o preparo da medicação;


 Identificar a apresentações/concentrações das drogas mais utilizadas no
ambiente hospitalar;
 Estimular a reflexão sobre os gastos obtidos com medicamentos na rede
hospitalar.
 Identificar na Bula/Def/Ame/Manual...:
❖ O diluente e o volume indicados para a
reconstituição;
❖ A solução e o volume indicados para a diluição;
❖ Nome genérico.
❖ Obs: solução é uma mistura homogênea
constituída por duas partes diferentes: o soluto
(medicamento) e o solvente (água destilada ou SF).

MEDIDAS BÁSICAS

1 ml = 1 cc = 1 cm3 1 g = 1000 mg
1 ml = 20 gotas 1 mg = 1000 mcg
1 L = 1000 ml 100 ui = 1 ml
1 gota = 1mg 1kg = 1000 g
1 gota = 3 1g = 1000
microgotas
mg

CÁLCULO DE GOTEJAMENTO FÓRMULAS

GOTAS (VOLUME EM ML)


𝑉
 𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = = Quando o tempo for em HORAS;
𝑇𝑥3

𝑉𝑥20
 𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = = Quando o tempo for em MINUTOS;
𝑇

409
EXEMPLO 1
 Quantas gotas deverão correr em 1 minuto para administrar 1000ml de
soro glicosado (SG) a 5% de 6 em 6 horas?

410
𝑉
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. =
𝑇𝑥3
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 1000
6𝑥3
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 1000
18
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 55,5
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 56 gotas/min

EXEMPLO 2

 Quantas gotas deverão correr em 1 minuto, para administrar o seguinte


soro prescrito?
SF 0,9% ------------ 200ml
SG 10% ----------- 800ml
KCl 19,1%-----------8ml EV 6/6h
Plasil --------------- 1 amp (2ml)
Dramin------------- 1 amp (1ml)
V= 200+800+8+2+1= 1.011ml
𝑉
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/min. =
𝑇𝑥3
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 1011
6𝑥3
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 1011
18
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 56,1
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 56 gts/min

EXEMPLO 3

 Devemos administrar 100 ml de bicarbonato de sódio a 10% em 30 min.


Quantas gotas deverão correr por minuto?
𝑉𝑥20
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. =
411
𝑇

412
100𝑥20
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 30
2000
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. =
30
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 66,6
𝑛º 𝑑𝑒 𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 67 gotas/min

CÁLCULO DE GOTEJAMENTO FÓRMULAS

MICROGOTAS (VOLUME EM ML)

 𝑛º 𝑚𝑖𝑐𝑟𝑜𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = = Quando o tempo for em HORAS;


𝑉
𝑇

𝑉𝑥60
 𝑛º 𝑚𝑖𝑐𝑟𝑜𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = = Quando o tempo for em MINUTOS.
𝑇

EXEMPLO 4

 Quantas microgotas deverão correr em um minuto para administrar


300ml de SF 09% em 4 horas?
𝑉
𝑛º 𝑚𝑖𝑐𝑟𝑜𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. =
𝑇
𝑛º 𝑚𝑖𝑐𝑟𝑜𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 300
4
300
𝑛º 𝑚𝑖𝑐𝑟𝑜𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = = 75 microgotas/min.
4

EXEMPLO 5
 Quantas microgotas deverão correr em um minuto para administrar
100ml de SF 09% em 50 min?
𝑛º
𝑛º 𝑚𝑖𝑐𝑟𝑜𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = 𝑚𝑖𝑐𝑟𝑜𝑔𝑜𝑡
𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛.
=
413
𝑉𝑥60 50
𝑇 100x60
6000
𝑛º 𝑚𝑖𝑐𝑟𝑜𝑔𝑜𝑡𝑎𝑠/𝑚𝑖𝑛. = = 120 microgotas/min.
50

414
REGRA DE 3 SIMPLES

A regra de três simples serve para resolver problemas que relacionam


quatro valores com duas grandezas diferentes que se relacionam entre si, ou
seja, são proporcionais. Dos quatros valores, conhecemos três e queremos
descobrir o quarto que recebe o nome de X.
REGRAS BÁSICAS

 As unidades de medidas devem ser iguais;


 Relacionar as medidas;
 Montar a regra de três;
 Multiplicar em cruz;
 A unidade de medida da resposta será sempre a mesma unidade do X.
 A disposição para os elementos na regra de três deve ser da seguinte
forma: 1ª linha: colocar as informações
2ª linha: colocar a pergunta

EXEMPLO 6

 Em uma ampola de dipirona tenho 2 ml de solução. Quantos ml de solução


tenho em 3 ampolas?
1º informações: 1 ampola ------ 2ml

2º pergunta: 3 ampola ---------X

1x =
2x3 1X
=6
X= 6
1

x= 6ml

EXEMPLO 7

 Se em 1 ml contém 20 gotas, quantas gotas há em 1 frasco de SF 0,9%

415
de 250 ml?

416
1º informação: 1ml -------- 20 gotas

2º pergunta: 250ml -------- X

1x = 20 x 250
1X = 5000
5000
X=
1

x= 5000

OBSERVAÇÕES

 Durante a diluição de Penicilina Cristalina, ao injetarmos o


solvente no frasco, vamos observar que o volume total
sempre ficará com 2ml a mais (ex: se utilizarmos 8ml de água
destilada, o volume total será de 10ml);
 A unidade de medida da Penicilina Cristalina, Heparina e
Insulina são: UI: Unidades Internacionais.

417

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