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COMANDO:

Um dos desafios do SUS à formação em Saúde é a articulação do ensino com


serviço e a comunidade. Na formação, as práticas educativas com a
comunidade devem ser (re)pensadas na perspectiva de fortalecer a
participação social no sistema de saúde, destacando-se, para isso, a Educação
Popular em Saúde como forma de estreitar a distância entre os serviços e a
população (AMARAL, PONTES, SILVA; 2014). De acordo com a leitura do
material disponibilizado, conceitue Educação Popular em Saúde, dando um
exemplo no contexto da Estratégia Saúde da Família.
A Educação Popular em Saúde é um modo de reconhecer e enfrentar os problemas
de saúde a partir do diálogo com as classes populares, o respeito às suas culturas, o
reconhecimento dos seus saberes como válidos e tendo como substrato o corpo
teórico da Educação Popular. A EPS busca a construção de uma consciência
sanitária para reverter o quadro de saúde da população e a intensificação da
participação popular, contribuindo para a promoção da saúde (AMARAL; PONTES;
SILVA, 2014).
Uma das aplicações da EPS no contexto da Estratégia da Saúde da Família é o
papel do Agente Comunitário de Saúde que pode atuar como facilitador ou como
empecilho na mediação e no diálogo entre os saberes e práticas da comunidade e
dos serviços de saúde; o risco de exercer uma prática educativa dominadora; o fato
de a educação buscar o convencimento da população com relação ao que deve ser
feito; a assimilação por parte do agente das regras instituídas e sua reprodução de
forma mecânica (AMARAL; PONTES; SILVA, 2014).

PERGUNTAS NORTEADORAS

a) A educação em saúde pode ser pensada como “um campo de práticas e de


conhecimento do setor saúde que tem se ocupado mais diretamente com a
criação de vínculos entre a ação assistencial e o pensar e fazer cotidiano da
população” (PINHEIRO; BITTAR, 2016, p. 2). Nesse sentido, quais práticas e
ações de Educação Popular em Saúde vêm sendo desenvolvidas no âmbito da
Atenção Primária à Saúde no Brasil? De que forma estas práticas se integram
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com os princípios e eixos estratégicos propostos pela Política Nacional de


Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS)?
No âmbito da Atenção Primaria são realizadas palestras sobre aleitamento materno
para gestantes e puérperas na USF por exemplo, além de palestras educativas nas
escolas e creches, essas ações são planejadas de acordo com as necessidades
predominantes da população. Incluem-se, programas sobre saúde do idoso,
setembro amarelo, outubro rosa, novembro azul e HIPERDIA que, assim como os
demais, podem ser realizados em igrejas, centros comunitários ou qualquer outro
lugar que for acessível a população. Estas práticas são orientadas pelos princípios e
eixos da PNEPS-SUS, os princípios são: diálogo; amorosidade; problematização;
construção compartilhada do conhecimento; emancipação e compromisso com a
construção do projeto democrático e popular; dentre estes, o diálogo e a
amorosidade são elementos chave para de aproximação entre serviço de saúde e
população e a construção de vínculos com os usuários (PINHEIRO; BITTAR, 2017).
Há também os eixos estratégicos, que são: participação, controle social e gestão
participativa; formação, comunicação e produção de conhecimento; cuidado em
saúde; intersetorialidade e diálogos multiculturais, que são essenciais para a troca e
incremento de conhecimentos entre os usuários. Tais princípios e eixos interagem
de maneira a promover harmonia na prática da Educação Popular no âmbito da
Atenção Primária à Saúde no Brasil.

b) Observe a imagem abaixo.


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A imagem aborda educação em saúde. Muitas vezes, na prática, ela vem sendo
empregada apenas como divulgação, transmissão de conhecimentos e
informações, de forma fragmentada e distante da realidade de vida da
população ou indivíduo. Como futuro profissional de saúde, de que forma você
pode promover ações educativas que sejam mais efetivas?
Até o final da década de 1970 e início dos anos 1980, a educação em saúde era
utilizada para eliminar ou diminuir a ignorância da população sobre as causas
biológicas das doenças, desconsiderando-se as culturas das populações ou dos
grupos populacionais trabalhados e as ações educativas restringiam-se às questões
de higiene e conscientização sanitária, assumindo, predominantemente, um caráter
individualista, autoritário e assistencialista (ALVES; AERTS, 2011).
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Ao longo dos anos foram surgindo diversas estratégias para tornar as ações
educativas mais efetivas como, o caráter de não obrigatoriedade da participação e a
utilização do lúdico e da arte como ferramentas de aproximação do universo popular
e de construção de vínculos, realização de oficinas de mobilização comunitária,
criação de Núcleos de Cultura, Educação Popular em Saúde (NUCEPS), além da
realização de encontros, seminários e conferências. Também pode ser realizado
dinâmicas de grupos, leitura de textos, exercícios práticos, oficinas e rodas de
conversa, onde as temáticas variaram de acordo com o foco específico de cada
programa ou ação, e os interesses da população, incluindo: planejamento familiar,
prevenção do câncer ginecológico, conceito de saúde e bem-estar, direito à saúde,
estilos de vida, atividades físicas e lazer, alimentação saudável, processo de
envelhecimento, problemas de saúde e práticas de autocuidado e vigilância da
saúde da criança (PINHEIRO; BITTAR, 2017).
A execução destas ações pode ser realizada em espaços alternativos na
comunidade como salão de igreja, parques e praças da cidade, quadras ou ginásio
de escolas e espaços saúde existente em algumas unidades de saúde. Com essas
ações mais próximas da comunidade espera-se conseguir atrair crianças, jovens,
adultos e idosos a participarem destas ações.

c) Analise a imagem abaixo.

É sempre bom lembrar que a atividade educativa não é um processo de


condicionamento para que as pessoas aceitem, sem perguntar, as orientações
que lhes são passadas. A simples informação ou divulgação ou transmissão
de conhecimento, de como ter saúde ou evitar uma doença, por si só, não vai
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contribuir para que uma população seja mais sadia e nem é fator que possa
contribuir para mudanças desejáveis para melhoria da qualidade de vida da
população. Diante disto, como médico de uma USF, como seria a sua
abordagem com os seus pacientes na orientação em ambiente ambulatorial e
em ações educativas?
O modo de abordagem médico-paciente ideal para a educação em saúde, tanto no
ambulatório quanto em ações educativas, deve ser coerente com a vivência do
paciente em questão. Isto é, o educador deve ter uma visão macroscópica do
atendimento médico, levando em conta os determinantes sociais e a necessidade de
adaptação a realidade brasileira do Sistema Único de Saúde.
Nesse sentido, a Intersetorialidade e diálogos multiculturais refere-se a busca de um
serviço humanizado integrado e integrador que conta com a multidisciplinaridade de
profissionais que tracem estratégias e debates para um território especifico,
atendendo as necessidades e realidade da população (BRASIL, 2012).
Por conseguinte, para a adesão e compreensão desse cidadão é importante frisar
que o profissional da saúde deve se atentar para o contexto sociocultural do
educando, valorizando o diálogo com a comunidade, atributo que pode ser
alcançado mediante mesas redondas e oficinas interativas, nas quais o usuário do
SUS tem autonomia para compartilhar seus saberes, visões e sugestões para
alavanque da saúde, fomentando a gestão participativa proposta pelo SUS (BRASIL,
2012). A construção de horizontes éticos para o cuidado em saúde não apenas
como ação sanitária, mas social, política, cultural, individual e coletiva, inserida na
perspectiva da produção social da saúde, na qual se integram a diversidade de
saberes e práticas de cuidado permeadas pela amorosidade, pelo diálogo, pela
escuta, pela solidariedade e pela autonomia (BRASIL, 2012).
Além disso, deve-se pontuar, tanto a adequação linguística, fazendo uso de
vocábulos pertencentes a esfera social em questão, bem como fazer perguntas
sobre as orientações de saúde para ter certeza que foram bem compreendidas pelo
paciente como métodos de assegurar o ensino em saúde. É importante que suas
recomendações sejam postas em pratica por ele e que ele se torne um multiplicador
de saúde, por isso, testar o canal de comunicação é imprescindível.
Há também, a importância de que tais recomendações caibam na vida desse
indivíduo. Exemplo disso é, caso o paciente for de condições socioeconômicas
vulneráveis, encorajar o aleitamento materno, alimento nutritivo e sem custos, ao
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invés de receitar formulas, vitaminas e suplementos alimentares caros. Ao criar um


vínculo de confiança entre o educando e educador mediante a amorosidade no
cuidado medico, é permitido ao profissional da saúde questionar o paciente sobre
seus recursos, como o acesso ou não ao saneamento básico, água potável,
redirecionando as recomendações a partir desses determinantes sociais.
Conclui-se, portanto, que a abordagem medica para a educação em saúde deve ser
feita de modo a respeitar os eixos estratégicos de diálogo, comunicação, cuidado em
saúde, gestão participativa, bem como respeitar as esferas socioculturais a qual está
inserida o paciente, para que, tanto em ambiente ambulatorial, quando em ações de
saúde, amenizem-se os determinantes sociais, problemas de comunicação e falta de
confiança entre o profissional da saúde e usuário do SUS. Assim, ponderar-se-á
realizar a educação popular em saúde no Brasil.

d) A atualização constante da equipe de saúde é essencial para a qualificação


da prestação da assistência à saúde da população e para tornar efetiva a
educação popular promovida pela equipe à comunidade assistida. É de
responsabilidade da gestão promover momentos de educação aos
profissionais de saúde. As ações de educação e promoção de conhecimentos
teóricos e práticos podem ser desenvolvidas de maneiras diferentes.
Diferencie educação em serviço, educação continuada e educação
permanente, exemplificando cada uma.
A educação em serviço refere-se a prática no trabalho diário, momentâneo, e ao que
é assimilado nesse cenário. À vista disso, essa concepção não envolve o viés
científico da profissão, o preparo ou a pesquisa, mas a experiência e observação em
ambiente laboral, no decorrer da execução das tarefas e funções. Nesse contexto,
as relações humanas são imprescindíveis a esse conceito, sejam elas
interprofissionais ou com pacientes. Portanto, a educação em serviço relaciona-se
com a aquisição, o desenvolvimento e a ampliação das competências do profissional
de maneira progressiva e empírica (SARDINHA, 2013). Tem-se, por exemplo, um
profissional de saúde capacitado, mas sem experiência prática para administrar uma
atividade; em contato com outros profissionais, a partir da observação e participação
na equipe, foi possível instruí-lo a realizar a atividade em questão. Assim, apesar de
não ser uma instrução científica, o conhecimento adquirido pela educação em
serviço é estimulado, próspero e aprofundado no dia a dia.
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Por outro viés, tem-se a educação continuada, estimulada de forma técnico-científica


em atividades realizadas após a profissionalização, de metodologia tradicional,
autônoma e duração delimitada. Tem como objetivo atualizar conceitos e
especializar os profissionais, seja em área ou unidade específicas, de maneira
passiva, sem viés cogitativo ou crítico (SARDINHA, 2013). Portanto, o exercício da
educação continuada pode ser a participação do profissional de saúde em
congressos, pós-graduação, doutorado ou mestrado.
No que diz respeito a educação permanente, pode-se observar a integração da
educação em serviço e da educação continuada para constituir uma definição.
Destarte, a educação permanente é realizada em ambiente de trabalho, com uma
didática relacionada tanto a aprender, quanto a ensinar, e apresenta qualidade
científica e prática. Caracteriza-se por uma atuação multiprofissional e
interdisciplinar, com valor crítico e construtivo, que estimula a compreensão das
singularidades e subjetividades presentes na prática de cuidar. Portanto, observa-se
o diálogo profícuo entre profissionais em que as análises geram um consenso
construtivo. Um exemplo desse conceito é a discussão de casos clínicos, em que os
profissionais de saúde utilizam-se tanto do conhecimento científico quanto da
percepção do paciente em sua singularidade, considerando sua condição histórico-
psicossocial. Assim, através de análises críticas, não só se ocasiona conclusões
sobre o caso, mas também ocorre o compartilhamento e extensão de conceitos e
experiências práticas.

REFERÊNCIAS
ALVES, Gehysa Guimarães; AERTS, Denise. As práticas educativas em saúde e a
Estratégia Saúde da Família. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, n. 1, p.
319-325, Jan. 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S1413-81232011000100034&lng=en&nrm=iso. Acesso em:
03 junho 2020.

AMARAL, Maria Carmélia Sales do; PONTES, Andrezza Graziella Veríssimo; SILVA,
Jennifer do Vale e. O ensino de Educação Popular em Saúde para o SUS:
experiência de articulação entre graduandos de enfermagem e Agentes
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Comunitários de Saúde. Interface (Botucatu),  Botucatu,  v. 18, supl. 2, p. 1547-


1558, 2014.   Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S1414-32832014000601547&lng=en&nrm=iso. Acesso em:
03 junho 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa.


Política Nacional de Educação Popular em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde;
2012.

BRASIL. Portaria nº 2.761, de 19 de novembro de 2013. Institui a Política Nacional


de Educação Popular em Saúde no âmbito do SUS. Diário Oficial da União,
Brasília, 20 nov. 2013. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt2761_19_11_2013.html.
Acesso em: 03 junho 2020.

PINHEIRO, Bruna Cardoso; BITTAR, Cléria Maria Lobo. Práticas de educação


popular em saúde na atenção primária: uma revisão integrativa. Cinergis, Santa
Cruz do Sul, v. 18, n. 1, p. 77-82, jan./mar. 2017. ISSN 2177-4005. Disponível em:
https://online.unisc.br/seer/index.php/cinergis/article/view/8049/5378. Acesso em: 04
junho 2020.

SARDINHA PEIXOTO, Leticia et al. Educação permanente, continuada e em


serviço: desvendando seus conceitos. Enferm. glob., Murcia, v. 12, n. 29, p. 307-
322, jan. 2013. Disponível em: http://scielo.isciii.es/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S1695-61412013000100017&lng=es&nrm=iso. Acesso em:
04 junho 2020.

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