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São Paulo, 30 de julho de 2021

Ano 2 - Edição nº 00105

As Melhores Ações do Mundo

Enquanto você não dorme


por causa das Olimpíadas...

  Nesta publicação, não sugerimos alterações na carteira da série; 

Nessa edição, comentamos os resultados corporativos de cinco


companhias:  Alphabet (B3: GOGL34; Nasdaq: GOOGL), Microsoft (B3:
MSFT34; Nasdaq: MSFT), Apple (B3: AAPL34; Nasdaq: AAPL), PayPal (B3:
PYPL34; Nasdaq: PYPL) e Mastercard (B3: MSCD34; NYSE: MA).

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Boa leitura! 

...nós não dormimos pela temporada de resultados

Alphabet: quer potencializar seus anúncios? Coloca no Google

Microsoft: cada vez mais perto das nuvens

Apple: só trabalhamos com crescimento de 2 dígitos

PayPal: resultados mistos que não afetam o longo prazo

Mastercard: seguindo o seu próprio slogan

O melhor das Melhores


Carteiras Sugeridas

Reprodução/Giphy

...nós não dormimos pela temporada de


resultados
Caro assinante,

Esta semana foi a mais movimentada em relação à divulgação de resultados.

Analistas do mundo inteiro (assim como estes meros mortais que escrevem aqui) tiveram horas de
sono restritas para trazer o melhor (e o que não foi tão bom assim) das empresas da nossa carteira
que reportaram seus números nesta semana.

Sem mais delongas, vamos para os comentários.


 

Resultados corporativos da semana

Alphabet: quer potencializar seus anúncios? Coloca


no Google
Uma das Big Techs que divulgaram seus resultados na terça-feira (27) após o fechamento do
pregão, os números do segundo trimestre da  Alphabet (B3:  GOGL34 ; Nasdaq:
GOOGL) vieram muito superiores às projeções dos analistas.

Nos três meses encerrados em junho, a holding controladora do Google (e tantos outros produtos e
serviços) apresentou receita de US$ 61,9 bilhões, um crescimento de 61,6% na comparação com o
mesmo período do ano anterior.

 
A parte de publicidade da companhia totalizou mais de US$ 50,4 bilhões (+68,9% vs. 2T20) em
vendas no trimestre, com especial destaque para o aumento na linha de negócios do YouTube, que
ultrapassou a marca de US$ 7 bilhões (+83,7%). De acordo com a direção, o setor de varejo foi o
principal responsável pelo maior nível de publicidade na comparação anual — turismo, serviços
financeiros e mídia e entretenimento também tiveram participação relevante no período.

A parte de Cloud também fez bonito, encerrando o período com mais de US$ 4,6 bilhões, alta de
53,9% na comparação anual.

Gráfico 1. Receita líquida (trimestral) por linha de negócio da Alphabet | Fontes: Alphabet e Empiricus

Um ponto de atenção foi o custo de aquisição de tráfego, que aumentou 63% em relação ao 2T20 e
totalizou US$ 10,9 bilhões no período.

Isso, contudo, não impediu que a empresa reportasse um lucro operacional 203% maior na
comparação anual, que chegou perto dos US$ 19,4 bilhões nesse trimestre — o equivalente a uma
margem de 31%, 14 pontos percentuais acima do apresentado um ano antes. Ainda que não gere
resultado positivo, o destaque aqui fica com a parte de Cloud, que conseguiu reduzir seu prejuízo
em quase US$ 1 bilhão de um ano para o outro, reportando um prejuízo trimestral de menos de US$
600 milhões no período.
 

Gráfico 2. Lucro operacional (trimestral) por linha de negócio da Alphabet | Fontes: Alphabet e Empiricus

  

Na linha final de resultado, a Alphabet teve um lucro de US$ 18,5 bilhões, ou US$ 27,26 por ação,
crescimento de 169% quando comparado com o segundo trimestre de 2020. O retorno sobre
patrimônio líquido ficou acima dos 28%, bem superior ao reportado nos últimos dois anos.

  

Gráficos 3 e 4. Lucro por ação (esquerda) e ROE (direita) trimestral da Alphabet | Fontes: Alphabet e Empiricus

  
Importante notar que esses ótimos números não foram beneficiados por uma base fraca, uma vez
que a companhia foi uma das poucas no ano passado que conseguiu manter suas vendas
praticamente estáveis mesmo no auge da crise da pandemia do coronavírus (US$ 38,3 bilhões no
2T20 ante US$ 38,9 bilhões no 2T19). Ainda mais impressionante é o fato de que o crescimento no
2T21 foi bem superior mesmo quando comparado o 2T19 com o 2T18 (+19,2%).

Gráfico 5. Crescimento da receita líquida trimestral (comparado com o mesmo período do ano anterior) da Alphabet |
Fontes: Alphabet e Empiricus

Além disso, a companhia seguiu mostrando forte geração de caixa, com o fluxo de caixa livre
praticamente dobrando (+90,6%) em relação ao reportado no mesmo trimestre de 2020, totalizando
US$ 16,4 bilhões no 2T21. Interessante notar que, apesar de o investimento ter permanecido
praticamente estável na comparação anual, a empresa segue firme na expansão de seus negócios,
tendo adicionado quase 17 mil novos funcionários em um ano.

 
Gráficos 6 e 7. Geração de fluxo de caixa livre (esquerda) e quantidade de funcionários (direita) da Alphabet | Fontes:
Alphabet e Empiricus

É natural que, tendo apresentado ótimos números no trimestre — ainda mais considerando o porte
da companhia —, os investidores se perguntem se a Alphabet teria atingido um nível em que seria
difícil continuar crescendo.

Mas quando analisamos determinadas frentes de crescimento em que a empresa está inserida, é
difícil não ficar entusiasmado com a tese.

A primeira está relacionada ao YouTube. Com cerca de 2 bilhões de usuários mensais ativos e mais
de 1 bilhão de horas assistidas em sua plataforma, os anunciantes têm se dado conta de que não
podem ficar de fora desse universo gigantesco de consumidores.

Segundo dados da consultoria Nielsen, entre o 4T18 e o 4T20, 70% das publicidades feitas no
YouTube atingiram um público não alcançado pelos anúncios feitos na TV tradicional. Ainda
segundo a empresa, nos Estados Unidos, aqueles anunciantes que migraram apenas 20% do seu
orçamento com propagandas da TV para o YouTube aumentaram em 25% o alcance de suas
campanhas de marketing, enquanto reduziram seus custos por alcance em quase 20%.

 
Mesmo na terra do Tio Sam, o principal mercado da companhia, cerca de 120 milhões de
americanos assistem vídeos em suas TVs todos os meses (comparado com pouco mais de 100
milhões um ano antes). Apesar de ser um número considerável, não podemos esquecer que a
população americana é de mais de 320 milhões de habitantes — que, em sua grande maioria,
gastam a maior parte do seu tempo assistindo TV nos meios tradicionais (sinal aberto e cabo).

Figura 1. Tempo gasto assistindo televisão por um casal americano em junho/21 | Fonte: Nielsen

  

Além disso, buscando atingir novos públicos, o YouTube Shorts (uma concorrente em relação às
mídias sociais como Instagram e TikTok) vem ganhando momentum. Disponível em mais de cem
países ao redor do mundo, a plataforma ultrapassou a marca de 15 bilhões de visualizações diárias.

 
Isso sem contar as assinaturas do serviço (voltado para aqueles usuários que não querem ser
impactados por propagandas enquanto assistem a seus vídeos), reportado na linha de Outras
Receitas, que totalizou US$ 6,6 bilhões (+29% vs. 2T20) e em grande parte está ligada à receita do
YouTube Premium.

Já sobre a parte de Cloud, a direção da Alphabet reforçou que enxerga esse como um dos principais
vetores de crescimento da companhia no futuro, com diversas organizações nos mais variados
segmentos escolhendo o Google Cloud para digitalização de seus negócios. Multinacionais como
PayPal, Johnson Controls e Whirlpool têm desenvolvido ambientes SAP na plataforma oferecida
pelo Google.

Grande parte do investimento da companhia tem sido nessa linha de negócio, principalmente no
que tange à infraestrutura necessária (leia-se servidores) para oferecer maior capacidade de
processamento e de produtos e serviços para os clientes, e a expectativa é que esses valores
continuem significativos nos próximos trimestres — atualmente a Alphabet conta com 26 data
centers espalhados ao redor do mundo.

Também não podemos nos esquecer das frentes que ainda se encontram em níveis pré-operacionais
ou que estão começando a dar os primeiros passos no segmento Outras Apostas (“Other Bets”),
como a startup de veículos autônomos Waymo e a voltada a inteligência artificial DeepMind, com
implicações importantes no setor de saúde. Isso tudo facilitado pelos mais de US$ 122 bilhões que a
empresa tem de caixa líquido (ou seja, já descontando do saldo de caixa e equivalentes o seu
endividamento total).

Os números do trimestre, somados às perspectivas positivas para o negócio, reforçam nossa visão
positiva para a tese de  Alphabet (B3:  GOGL34 ; Nasdaq: GOOGL), mesmo com a ação
negociando por cerca de 27 vezes seus lucros projetados para 2021. Empresa premium merece ser
negociada com prêmio em relação ao mercado e ponto final.

 
 

Microsoft: cada vez mais perto das nuvens

Antes que você nos pergunte: não temos explicação para o motivo de, após esse resultado absurdo
no quarto trimestre fiscal de 2021, as ações da  Microsoft (B3:  MSFT34 ; Nasdaq:
MSFT) terem ficado paradas. 

Mas claro, vamos elucubrar a respeito.

A companhia somou receitas de US$ 46,15 bilhões, uma alta de 21% na comparação anual e cerca
de 4% acima das estimativas dos analistas. 

Talvez mais importante que o resultado desse trimestre foi a convicção do management, que
afirmou ver crescimento de “duplo dígito saudável” para o restante do ano. 

Uma vez mais, o grande destaque foi a divisão Azure, o braço de computação em nuvem, que
compete com a Amazon Web Services. 

A divisão, que vinha desacelerando seu crescimento nos últimos trimestres, avançou 51% contra
uma expectativa de 42% dos analistas.

Vale lembrar, essa aceleração no ritmo de crescimento veio sob uma base muito forte, o que,
imaginamos, deve ser muito bem recebido pelos acionistas.

Os números fortes se estenderam por outras linhas de negócios: a divisão Productivity and Business
Process, que serve de guarda-chuva para LinkedIn e Dynamics, contribuiu com US$ 14,69 bilhões
em receitas, um aumento de 21% em moeda constante.
 

As assinaturas do pacote Office 365 cresceram também 17% na comparação anual e somam mais
de 250 milhões de clientes ativos, todos os meses, em nível global. 

Gráfico 8. Receita líquida trimestral por linha de negócio da Microsoft | Fontes: Microsoft e Empiricus

Com números fortes em todas as suas linhas de negócios — com exceção do Xbox, cujas vendas
continuam impactadas pela escassez de semicondutores —, a Microsoft somou um lucro
operacional de US$ 19,1 bilhões, um aumento de 42% na comparação anual. 

Com expansão de margens, a companhia entregou um lucro líquido de US$ 16,5 bilhões,
equivalente a US$ 2,17 por ação, um crescimento de 49% na base anual.

A expectativa do mercado era que a companhia somasse um lucro por ação de US$ 1,92.

Gráficos 9 e 10. Margem operacional (esquerda) e lucro por ação (direita) trimestral da Microsoft | Fontes: Microsoft e
Empiricus

Ao final, a performance das ações nos remete ao exercício mais fundamental da análise de
investimentos: será que as ações da Microsoft já não estão caras o bastante?

Entendemos que não. 

Negociada a 23,7 vezes EV/Ebitda e 35,4 vezes preço sobre lucro, os múltiplos embutem um
crescimento em torno de 12% para os próximos dois anos, seguido de uma desaceleração, uma
reversão à média com crescimento em torno de 7%.

O resultado do 4T21, mesmo com uma base muito forte de comparação, mostra que essas
expectativas podem ser superadas, talvez até com relativa folga.

Gostamos muito dos números, que nos mostram um caminho claro para que a Microsoft busque a
marca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado, o que ainda nos dá mais de 15% de upside na ação.

 
 

Apple: só trabalhamos com crescimento de 2 dígitos

Também na terça-feira após o pregão regular, a  Apple (B3:  AAPL34 ; Nasdaq:


AAPL)  divulgou seus resultados do terceiro trimestre fiscal de 2021 (encerrado em junho). A
companhia apresentou receita e lucro por ação acima das expectativas dos analistas.

Nesse período, a empresa reportou receita de US$ 81,4 bilhões, com um aumento de 36% em
comparação com o mesmo período de 2020. Assim como nos resultados do ano, a companhia
apresentou crescimento de dois dígitos para todas as linhas de negócio e regiões de atuação, com
destaque para China (+58% vs. 3T20) e Europa (+34%).

O iPhone continua sendo seu principal produto (respondendo por 49% das vendas do período),
totalizando US$ 39,6 bilhões em receita nos últimos três meses. O crescimento dessa categoria —
de quase 50% na comparação anual — foi impulsionado pelo ciclo de trocas de aparelhos para
aqueles com tecnologia 5G.
Gráfico 11. Receita líquida trimestral por linha de negócio da Apple | Fontes: Bloomberg e Empiricus

Outro destaque de faturamento foi a linha de negócios que integra as vendas do Apple Watch,
HomePod, AirPods, Beats e AirTags entre outros (Wearables, Casa e Acessórios), que avançou
36% na comparação anual (de US$ 6,4 bilhão para US$ 8,8 bilhão), puxado pela maior
preocupação em monitorar a saúde, via os sensores do Apple Watch, e mais tempo em isolamento
social causado pela pandemia de Covid-19.

A empresa também obteve crescimento nas vendas de iPad (US$ 7,4 bilhões, +12% vs. 3T20) e
Mac (US$ 8,2 bilhões, +16%), ambos equipados com os novos chips M1 — processadores de alto
desempenho que consomem menos bateria.

A linha de Serviços, responsável direta pela melhora da margem bruta da companhia, manteve o
forte ritmo de crescimento (+33% vs. 3T20), encerrando o período acima dos US$ 17,5 bilhões.
Para se ter uma noção da importância desse segmento, já são mais de 700 milhões de usuários
pagos (+27%) na sua plataforma.

 
A maior eficiência nos custos dos produtos vendidos (que passaram de mais de 70% das vendas no
ano passado para cerca de 63% no trimestre atual), somada à maior estabilidade da linha de
Serviços na receita total (próximo dos 22%), permitiu uma expansão de 5,3 pontos percentuais na
margem bruta da companhia em comparação com o 3T20 (de 38% para 43,3%).

Isso impactou positivamente o lucro líquido da Apple, que totalizou US$ 21,7 bilhões no período, o
equivalente a US$ 1,30 por ação (+100% vs. 3T20).

Gráficos 12 e 13. Margem bruta (esquerda) e lucro por ação (direita) trimestral da Apple | Fontes: Bloomberg, Apple e
Empiricus

A empresa continua com um balanço robusto, com mais de US$ 193 bilhões de saldo de caixa e
equivalentes ao final de junho. Mesmo quando descontado o endividamento total da companhia, a
Apple ainda possui cerca de US$ 72 bilhões de caixa líquido que pode ser alocado em novos
projetos ou até mesmo devolvido aos acionistas — mesmo com a direção tendo retornado
aproximadamente US$ 29 bilhões no trimestre.

Devido aos problemas relacionados à produção global de semicondutores, reforçados pela


pandemia, o CEO Tim Cook comentou que não somente as vendas de Macs e iPads podem sofrer
atrasos nos próximos meses, mas também as do iPhone, o que assustou parte dos investidores.
 

Não enxergamos isso como um motivo de preocupação. Mesmo que não tenha acesso a esses
produtos em um primeiro momento, o consumidor ávido por Apple — são mais de 1 bilhão de
dispositivos ativos no mundo — pode esperar um pouco mais para ter uma nova versão de seus
aparelhos favoritos.

Ou seja, a queda recente não afeta a tese de investimento na empresa.

A consistência em entregar resultados sólidos associada ao superciclo de trocas para smartphones


5G, além da opcionalidade de novos projetos nos próximos anos (possibilitados pela quantidade de
recursos em caixa), nos faz manter a visão positiva nas ações da Apple (B3: AAPL34 ; Nasdaq:
AAPL), ainda mais negociando por 26 vezes seus lucros para 2021.

PayPal: resultados mistos que não afetam o longo prazo

Na quarta-feira (28), após o pregão regular, a PayPal (B3:  PYPL34 ; Nasdaq: PYPL) reportou
os números do 2T21. A companhia apresentou resultados melhores que as expectativas de mercado.

O volume de pagamentos transacionados atingiu os US$ 311 bilhões, 40% acima do valor no ano
passado. Já o número de transações processadas foi de 4,7 bilhões, um crescimento de 27% na
comparação com o 2T20. Além disso, a companhia adicionou 11,4 milhões de novas contas ativas
nos três meses encerrados em junho e terminou o trimestre com 403 milhões de contas ativas
(+16%).

  
Gráficos 14, 15 e 16. Volume pagamentos transacionados (esquerda), transações processadas (centro) e contas ativas
(direita) trimestral da PayPal | Fontes: PayPal e Empiricus

Dessa forma, a companhia reportou receita líquida de US$ 6,2 bilhões, crescimento de 19% em
relação ao mesmo trimestre de 2020.

Assim como nos últimos trimestres, o “take rate” (percentual que a companhia obtém de cada
transação) continuou sofrendo retração, passando de 2,37% no ano passado para 2,01% no trimestre
atual — algo que já consideramos natural com o aumento do volume de pagamentos nos sistemas
da companhia.

Além disso, o aumento de 21,4% nas despesas totais (que somaram US$ 4,5 bilhões no 2T21) fez
com que a margem operacional da PayPal caísse quase 2 pontos percentuais (4 pontos se ajustada
pela reversão de PDD) na comparação anual, fechando o período nos 26,5%. Importante salientar,
contudo, que boa parte do aumento das despesas está ligada a gastos com vendas e marketing
(+67,5% vs. 2T20) e tecnologia e desenvolvimento (+22,6%), ou seja, dispêndios necessários para
que a companhia continue crescendo.

Mesmo assim, o lucro líquido foi de US$ 1,3 bilhão no trimestre, ou US$ 1,15 por ação, valor 7,5%
superior em relação ao 2T20.

  
Gráficos 17 e 18. Margem operacional (esquerda) e lucro por ação (direita) trimestral da PayPal | Fontes: PayPal e
Empiricus

Mesmo com parte do mercado não gostando muito do que viu — as ações se desvalorizaram mais
de 6% desde a divulgação dos resultados —, enxergamos na queda uma oportunidade de compra
para aqueles que não possuem o ativo ou até mesmo um reforço de posição na tese.

Isso porque, conforme mostramos recentemente, a  PayPal (B3:  PYPL34 ; Nasdaq:


PYPL)  segue no seu ritmo de crescimento dos últimos anos e, mantendo esse ritmo, teria a
capacidade de atingir os US$ 50 bilhões em receita até 2025. Aos preços atuais e considerando que
as premissas não mudaram desde a revisão da tese, estamos falando de mais de 20% de valorização
dos níveis atuais.

Mastercard: seguindo o seu próprio slogan

Ontem (29), antes do início dos negócios, a Mastercard (B3:  MSCD34 ; NYSE: MA)divulgou
os seus balanços do segundo trimestre. Os números vieram acima das projeções dos analistas,
fazendo jus ao slogan de uma campanha recente da companhia: “Existem coisas que o dinheiro não
compra. Para todas as outras existe Mastercard”.

 
A receita nos três meses encerrados em junho foi de US$ 4,5 bilhões, alta de 36,4% em relação ao
2T20. Esse forte resultado foi obtido graças ao crescimento de 32,8% no volume bruto negociado
(“gross dollar volume”, em inglês) em seus sistemas, que ultrapassou a marca de US$ 1,9 trilhão no
trimestre, aliado ao aumento de 40,2% no número de transações realizadas, que chegou a mais de
27 bilhões no período.

GráficoS 19, 20 e 21. Volume bruto negociado (esquerda), transações realizadas (centro) e receita líquida (direita)
trimestral da Mastercard | Fontes: Mastercard e Empiricus

  

Ainda que o nível de rebates e incentivos também tenha apresentado um aumento significativo
(+53% vs. 2T20) e as despesas operacionais tenham crescido de maneira considerável no trimestre
(+32%), a forte alavancagem do negócio permitiu à companhia reportar um lucro operacional de
US$ 2,4 bilhões, valor 39,3% maior do que no ano anterior — o que representa uma margem de
53,2%, 1,3 ponto percentual acima do observado no 2T20.

Na linha final do resultado, a Mastercard obteve um lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no trimestre,
ou US$ 1,95 por ação, crescimento de 43,4% na comparação anual.

  
Gráfico 22 e 23. Margem operacional (esquerda) e lucro por ação (direita) trimestral da Mastercard | Fontes:
Mastercard e Empiricus

Apesar de ser uma das gigantes do setor, a empresa segue buscando aumentar o número de cartões
sob suas bandeiras e tem conseguido êxito: a Mastercard encerrou o trimestre com mais de 2,8
bilhões de cartões emitidos — dos quais 2,4 bilhões da Maestro e 404 milhões da bandeira que leva
o nome da empresa —, o que representa um aumento de 7,9% em relação ao segundo trimestre de
2020.

Além disso, por ser uma empresa com atuação nos quatro cantos do mundo, os dados obtidos nas
transações com seus cartões conseguem mostrar quase que em tempo real as condições da
economia global.

Atualmente, tanto o volume transacionado como o número de transações ocorridas nos sistemas da
Mastercard se encontram em níveis superiores àqueles observados em 2019. O mais impressionante
é que esse ímpeto continuou durante os primeiros 21 dias de julho, tendo inclusive acelerado na
comparação com o primeiro semestre do ano. Apenas as transações internacionais permanecem
rodando abaixo do patamar pré-pandemia — entretanto, já é possível ver sinais positivos, como a
retomada do volume no continente europeu para níveis de dois anos atrás.

 
Surfando um oligopólio com sua concorrente Visa, entendemos que a  Mastercard
(B3: MSCD34 ; NYSE: MA) continua bem posicionada para entregar um crescimento acima da
média de mercado, mesmo com um eventual arrefecimento do crescimento econômico global por
conta do surgimento da variante Delta do coronavírus.

Ainda que não seja uma barganha clássica, negociando por quase 49 vezes seus lucros projetados
para 2021, achamos interessante ter o ativo na carteira como forma de exposição do portfólio a uma
empresa já altamente lucrativa no setor financeiro, mas com potencial de crescimento nas suas
diversas frentes de atuação.

O Melhor das Melhores

Disney (B3:  DISB34 ; NYSE:DIS): a companhia pode receber uma dedução fiscal de até US$
570 milhões por conta da construção de um novo complexo de entretenimento na Flórida que
promete empregar cerca de 2.000 novos colaboradores.

 
Segundo documentos do Departamento de Oportunidade Econômica da Flórida, o valor total do
projeto pode chegar a US$ 864 milhões e se tornar o maior investimento já realizado por uma
corporação particular no estado. 

Segundo Cristina Pushaw, secretária de imprensa do governador do estado, a elegibilidade da


empresa para o dinheiro do programa de crédito fiscal para os investimentos de capital no estado da
Flórida foi aprovada em fevereiro de 2020.

Além disso, a companhia instituiu a volta da obrigatoriedade do uso de máscaras em suas


propriedades por conta da nova variante Delta do coronavírus

Um abraço,
João Piccioni, Enzo Pacheco e Richard Camargo

Carteiras sugeridas
João Piccioni
Analista, CNPI

Enzo Pacheco
Analista, CNPI

Richard Camargo
Analista, CNPI

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