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Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Literatura Portuguesa III


Professora: Regina Zilberman

“Mensagem”

Nome: Luís Alberto de O. Diogo t: U data :03/10/2011


Os poemas do livro estão organizados de forma que compõe uma epopéia, em que o
conjunto dos textos líricos acaba formando um elogio de caráter épico a Portugal
através do qual o autor traça a trajetória de sua Pátria pelo viés do nacionalismo
fortemente influenciado por ideais sebastianistas. Além disso é preciso chamar a
atenção para a relação intertextual com Luís de Camões na composição dessa obra
especialmente pela abordagem épica, que de certa forma pode remeter à obra “Os
Lusíadas “ que também cantou os feitos heróicos da nação Portuguesa. Porém, O o
objetivo da Mensagem é o de superar o caráter obsessivo e nacional d’Os Lusíadas no
imaginário mítico-poético nacional

A obra está dividida em três partes: Brasão, Mar português e O Encoberto. Na primeira,
conta-se a história das glórias portuguesas. Na segunda, são apresentadas as navegações
e conquistas marítimas de Portugal. Na terceira, é apresentado o mito sebastianista

A primeira parte de Mensagem, Brasão, se estrutura como o brasão português, que é


formado por dois campos: um apresenta sete castelos, o outro, cinco quinas. No topo do
brasão, estão a coroa e o timbre, que apresenta o grifo, animal mitológico que tem
cabeça de leão e asas de águia. Assim se dividem os poemas desta parte, remetendo ao
brasão de Portugal. Versam sobre as grandes figuras da história de Portugal, desde Dom
Henrique, fundador do Condado Portucalenses, passando por sua esposa, Dona Tareja, e
seu filho, primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques, até o infante Dom Henrique
(1394-1460), fundador da Escola de Sagres e grande fomentador da expansão
ultramarina portuguesa, e Afonso de Albuquerque (1462-1515), dominador português
do Oriente. Até o mito de Ulisses, que teria fundado a cidade de Ulissepona, depois
Lisboa, apresentando a divisão da obra nos seguintes aspectos:

1ª Parte – BRASÃO: o princípio da nacionalidade (em que fundadores e antepassados


criaram a pátria)

I- Identificação dos heróis


  “Ulisses” – símbolo da renovação dos mitos: Ulisses de fato não existiu mas bastou a
sua lenda para nos inspirar. A lenda, ao penetrar na realidade, faz o milagre de tornar a
vida “cá em baixo” insignificante. É irrelevante que as figuras de quem o poeta se vai
ocupar tenham tido ou não existência histórica! (“Sem existir nos bastou/Por não ter
vindo foi vindo/E nos criou.”). O que importa é o que elas representam. Daí serem
figuras incorpóreas, que servem para ilustrar o ideal de ser português.

 “D. Dinis” – símbolo da importância da poesia na construção do Mundo: Pessoa vê D.


Dinis como o rei capaz de antever o futuro e interpreta isso através das suas acções – ele
plantou o pinhal de Leiria, de onde foi retirada a madeira para as caravelas, e falou da
“voz da terra ansiando pelo mar”, ou seja, do desejo de que a aventura ultrapasse a
mediocridade.
 
“D. Sebastião, rei de Portugal” – símbolo da loucura audaciosa e aventureira: o
  
Homem sem a loucura não é nada; é simplesmente uma besta que nasce, procria e
morre, sem viver! Ora, D. Sebastião, apesar de ter falhado o empreendimento épico, foiI
em frente, e morreu por uma ideia de grandeza, e essa é a ideia que deve persistir,
mesmo após sua morte (“Ficou meu ser que houve, não o que há./Minha loucura, outros
que a tomem/Com o que nela ia.”)

2ª Parte – MAR PORTUGUÊS: a realização através do mar (em que heróis


empossados da grande missão de descobrir foram construtores do grande destino da
Nação)

II – Os principais Símbolos do poema

“O Infante” – símbolo do Homem universal, que realiza o sonho por vontade divina:
 
ele reúne todas as qualidades, virtudes e valores para ser o intermediário entre os
homens e Deus (“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”)

 “Mar Português” – símbolo do sofrimento por que passaram todos os portugueses: a


construção de uma supra-nação, de uma Nação mítica implica o sacrifício do povo (“Ó
mar salgado, quanto do teu sal/São lágrimas de Portugal!”)

  “O Mostrengo” – símbolo dos obstáculos, dos perigos e dos medos que os
portugueses tiveram que enfrentar para realizar o seu sonho: revoltado por alguém
usurpar os seus domínios, “O Mostrengo” é uma alegoria do medo, que tenta impedir os
portugueses de completarem o seu destino (“Quem é que ousou entrar/Nas minhas
cavernas que não desvendo,/Meus tetos negros do fim do mundo?”)

“Nevoeiro” – símbolo da confusão, do estado caótico em que nos encontramos, tanto


como um Estado, como emocionalmente, mentalmente, etc.: algo

3ª Parte – O ENCOBERTO: a morte ou fim das energias latentes (é o novo ciclo que se
anuncia que trará a regeneração e instaurará um novo tempo)

“O Quinto Império” – símbolo da inquietação necessária ao progresso, assim como o


  
sonho: não se pode ficar sentado à espera que as coisas aconteçam; há que ser ousado,
curioso, corajoso e aventureiro; há que estar inquieto e descontente com o que se tem e
o que se é! (“Triste de quem vive em casa/Contente com o seu lar/Sem um sonho, no
erguer da asa.../Triste de quem é feliz!”) O Quinto Império de Pessoa é a mística certeza
do vir a ser pela lição do ter sido, o Portugal-espírito, ente de cultura e esperança, tanto
mais forte quanto a hora da decadência a estimula.
III-Temas das trovas de Bandarra

A segunda parte de "O Encoberto", chamada "Os Avisos" é a de interpretação mais imediata,
tratando daqueles que anunciam a vinda do messias português: Bandarra (o único com o dom da
profecia), oPadre Antonio Vieira , e o próprio Fernando Pessoa que se refere a si próprio num
poema sem nome que começa Escrevo meu livro à beira-mágoa.

O BANDARRA
Sonhava, anonymo e disperso,
o Império por Deus mesmo visto,
confuso como o Universo
e plebeu como Jesus Christo.

Não foi nem santo nem heroe,


mas Deus sagrou com Seu signal
este, cujo coração foi
não portuguez mas Portugal.

Fernando Pessoa refere neste poema Gonçalo Anes, sapateiro de Trancoso, que
escreveu uns versos de cariz profético na época de D.João III. Neles vê em alguns a
previsão do periodo de domínio filipino, a Restauração e uma posterior expansão
imperial que está na origem próxima da convicção do Padre António Vieira quanto ao
advento de um Quinto Império português que teria sido destinado por Deus ("por Deus
mesmo visto").

Este que "Deus sagrou com seu sinal"- este, a quem Deus deu o dom da profecia.
Referências Bibliográficas

PESSOA, Fernando. Mensagem / L&PM

MOISÉS, Massaud. A Literatura Portuguesa. 30ª Ed. São Paulo: Cultrix, 1999.

SARAIVA, A.J. e LOPES, Oscar. História da Literatura Portuguesa. 17ª Ed. Porto: orto
Editora,1996.
CEREJA, William Roberto, e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Panorama da Literatura
Portuguesa. 2ª edição, Revista e Ampliada. São Paulo, Atual Editora, 1997.

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