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Colégio: Turma: _________

Nome do aluno: Número: ________

QUESTÕES DE
LÍNGUA PORTUGUESA

8.a SÉRIE – 4.o BIMESTRE


Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 7:

UMA REVOLUCAO LINGUISTICA

O computador está conseguindo o que os burocratas não querem. Revolucionar a língua.


Leia o título de novo. Eu sei que ele está errado – falta acento, falta trema, falta cedilha,
mas... você entendeu. Não entendeu? Vamos encarar os fatos: A língua portuguesa não morreu.
Mas começa a cheirar mal. Esqueça se ela é bonita, ou se é rica, ou se é autêntica. Esqueça as
emoções, esqueça o nacionalismo irracional que nos implantaram desde que nascemos. (...)
Todos sabemos o que está acontecendo: ao lado da língua oficial convive uma língua
paralela, o inglês. O que deveria ser motivo de comemoração (ter uma população parcialmente
bilíngüe) é considerado uma vergonha nacional. Os intelectuais sempre aparecem para
denunciar que a cultura brasileira está sendo devorada pelo imperialismo e precisa ser salva, se
possível, por alguma repartição pública. O que esses intelectuais não entendem, e jamais
entenderão, é que a história da linguagem humana obedece a leis naturais e dinâmicas. O inglês
tornou-se a língua planetária, entre outras coisas, porque é objetiva, simples, econômica.
E o português? Nossos filhos passam alguns de seus mais produtivos anos escolares
decorando uma língua que jamais falarão. Uma língua prolixa ao extremo, que conjuga seus
verbos em um zilhão de modos diferentes. É um mastodonte atolado em regras, fragilizado num
ecossistema cada vez mais hostil. (...)
A saída para não mandar uma mensagem incompreensível é simplesmente não arriscar. E
simplesmente escrever sem qualquer acento. Como no inglês, o significado da palavra será
reconhecido no contexto da frase. Achar que o leitor não vai entender que “revolucao” quer
dizer “revolução” é chamar o leitor de estúpido. Ou estupido. Qual a diferença? Ou diferenca?
(...)

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O e-mail veio para ficar, e já está ajudando a tentar tirar a língua portuguesa da UTI da
história. Caminhamos para um português mais objetivo, mais simples, mais adaptado aos novos
tempos. Para os guardiões da tradição, é uma péssima notícia. Para o resto de nos, nao.
MARQUEZI, Dagomir. Uma revolucao linguistica. InfoExame, São Paulo, maio 1997.

1. Para sustentar o ponto de vista de que a linguagem do e-mail é um ponto a favor da


língua portuguesa, o autor afirma que:
a) ( ) A maioria dos falantes de português já domina o idioma inglês.
b) ( X ) Por meio do uso da linguagem do e-mail o português se tornará um idioma
mais objetivo, mais simples.
c) ( ) A cultura brasileira está sendo devorada pelo imperialismo e precisa ser salva.
d) ( ) O nacionalismo que nos implantaram desde que nascemos é irracional.

2. Um leitor competente estabeleceria argumentos para questionar a opinião do autor.


Dos argumentos abaixo, assinale o que não se opõe às idéias do texto.
a) ( ) Os programas de correio eletrônico, em sua publicidade, oferecem
acentuação e correção ortográfica como uma vantagem, o que mostra que
adaptar-se à norma padrão é algo que interessa aos usuários desse sistema.
b) ( ) O inglês tornou-se uma língua planetária devido muito mais ao poderio
econômico exercido pelos países falantes desse idioma do que por suas
características sintático-gramaticais.
c) ( ) O número de brasileiros capazes de falar e escrever com desenvoltura o
inglês não permite afirmar que o país tenha “uma população parcialmente
bilíngüe”.
d) ( X ) Todo idioma evolui e deve, portanto, estar sendo constantemente adaptado
às suas várias possibilidades de uso.

3. Qual a função do texto “Uma revolucao linguistica”? Assinale.


a) ( ) Narrar uma história.
b) ( ) Noticiar um fato.
c) ( X ) Defender uma idéia.
d) ( ) Descrever um ambiente.

4. Em textos argumentativos o autor costuma elaborar perguntas que, embora dirigidas


ao leitor, não devem ser respondidas por ele, mas pelo próprio autor do texto.
Transcreva do texto “Uma revolucao linguistica” duas dessas perguntas.
Não entendeu? / E o português?

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5. Assinale a alternativa que contém a razão para o autor recorrer ao uso das perguntas
como as identificadas na questão anterior:
a) ( ) Colocar-se no lugar do leitor, antecipando suas possíveis dúvidas.
b) ( X ) Direcionar o raciocínio do leitor para levá-lo a compreender o argumento
usado.
c) ( ) Fazer com que o leitor interrompa a leitura para responder à pergunta antes
de continuar a leitura.
d) ( ) Expor um contra-argumento como resposta a esse tipo de pergunta.

6. Há uma ironia visível em:


a) ( ) Leia o título de novo. Eu sei que ele está errado – falta acento, falta trema,
falta cedilha, mas... você entendeu.
b) ( ) Todos sabemos o que está acontecendo: ao lado da língua oficial convive
uma língua paralela, o inglês.
c) ( X ) Os intelectuais sempre aparecem para denunciar que a cultura brasileira está
sendo devorada pelo imperialismo e precisa ser salva, se possível, por alguma
repartição pública.
d) ( ) A saída para não mandar uma mensagem incompreensível é simplesmente não
arriscar.
7. A que se refere o trecho “É um mastodonte atolado em regras, fragilizado num
ecossistema cada vez mais hostil.” Assinale:
a) ( ) Verbos
b) ( ) Filhos
c) ( ) Inglês
d) ( X ) Português

Leia o texto a seguir para responder às questões de 8 a 11:

ENTREVISTA
O problema não é comprar

A jornalista americana Alissa Quart, autora de um livro sobre


hábitos de compra dos adolescentes, fala do consumismo juvenil

Veja – O jovem é um consumista?


Alissa Quart – Todo mundo é consumista, em maior ou menor grau, adultos ou
adolescentes. Em 2001, os jovens gastaram 155 bilhões de dólares nos Estados Unidos. Em
média, o adolescente americano gasta 60 dólares por semana do próprio dinheiro. Apenas 56%
desse valor vem da mesada dos pais. O restante ele ganha sozinho, normalmente trabalhando em
empregos de meio período.

Veja – Por que os jovens estão comprando produtos de luxo?


Alissa – Porque nos últimos anos as empresas adotaram a estratégia de direcionar esses
produtos para os jovens. Esse avanço foi influenciado pelo estilo de vida dos astros de rap e hip
hop, que valorizam esses produtos em sua música e em sua vida pessoal. Marcas caras, como
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Louis Vuitton, tornaram-se símbolos de cultura popular. O interesse por esses símbolos de status
também cresceu bastante entre os adultos e, por conseqüência, entre seus filhos.

Veja – Por que os pais não tentam barrar essa avalanche de consumismo juvenil?
Alissa – Porque o consumismo não é considerado um problema. O que preocupa é se as
filhas vão engravidar ou se os filhos vão se viciar em crack. Nesse contexto, consumir é
inofensivo. O consumo é visto como uma conquista do adolescente, sua primeira inserção no
mundo adulto. Os pais dão mesadas aos filhos como uma preparação para a responsabilidade de
ter o próprio dinheiro. Na verdade, o consumismo só se torna realmente perigoso quando
assume proporções exageradas.

Veja – Como mostrar a um adolescente que um produto de luxo que ele deseja comprar
está fora da realidade?
Alissa – Pais e filhos deveriam tentar um olhar crítico em relação à mídia e à publicidade.
Não é fácil, pois o marketing moderno utiliza-se de técnicas sutis para atingir os jovens. É
comum nos Estados Unidos “infiltrar” num shopping center adolescentes usando marcas de
grife. A idéia é estimular seus amigos a comprar aqueles produtos. Os pais não devem apenas
dizer não. Precisam também estar atentos às técnicas para induzir as compras.
O problema não é comprar. Veja On-line. Disponível em:
<http://veja.abril.uol.com.br/especiais/jovens_2003/p_080.html#entrevista> Acesso em: 30 out. 2006.

8. As entrevistas têm objetivos diversos, de acordo com a informação que veiculam e do


público que desejam atingir. Na entrevista “O problema não é comprar”:
a) ( ) foi entrevistada uma pessoa pública, de destaque na mídia, com objetivo de
promovê-la;
b) ( ) foi entrevistada uma autoridade conhecida do público da revista, com o
objetivo de fornecer detalhes sobre sua vida pessoal;
c) ( X ) foi entrevistada uma especialista no assunto abordado, com o objetivo de
informar e explicar ao público sua opinião a respeito do tema;
d) ( ) foi entrevistada uma autoridade no assunto, com a finalidade de descrever
dados científicos que justificam sua tese.

9. Assinale a alternativa que expressa, de acordo com o tema e objetivo da entrevista, a


opinião mais relevante da entrevistada:
a) ( X ) O consumismo não é o pior hábito que um adolescente pode ter, além disso,
o consumismo só se torna perigoso, quando assume proporções exageradas.
b) ( ) Os pais devem tentar impedir o consumismo desenfreado dos adolescentes,
principalmente os que freqüentam shopping-centers.
c) ( ) O consumismo é um hábito estimulado pelas empresas que, ao direcionar
produtos para jovens têm como objetivo também atingir aos pais.
d) ( ) Os pais não devem apenas dizer não, devem proibir seus filhos de
freqüentar os shopping-centers em que haja adolescentes infiltrados, usando
marcas de grife.

10. As aspas em “infiltrar”, na última resposta da entrevistada foram usadas para:


a) ( ) Indicar o uso de uma expressão em outro idioma.
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b) ( ) Dar destaque a uma citação.


c) ( X ) Indicar o uso de uma expressão em sentido figurado.
d) ( ) Dar destaque a uma expressão de sentido desconhecido para o leitor.

11. Qual a sua opinião a respeito do consumismo juvenil? Releia os argumentos de Alissa
Quart e redija um texto argumentativo expondo os motivos pelos quais o jovem pode –
ou não – ser considerado consumista.

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