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ATENDENTE DE FARMÁCIA

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O POTE RACHADO

Um jovem, carregador de água, sempre levava


dois potes pendurados em cada ponta de uma vara.
Um dos potes tinha uma rachadura pequena,
enquanto o outro estava inteiro e sempre chegava
completo de água no fim da longa jornada, entre o
poço e a casa do patrão do carregador. O pote
rachado sempre chegava apenas com a metade da
carga de água. Assim foi por dois anos, diariamente, o
carregador entregando um pote e meio de água na
casa de seu chefe. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações. Porém, o
pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição e sentindo-se miserável por
apenas ser capaz de realizar metade do que lhe era designado fazer.
Depois de algum tempo, o pote rachado disse ao o homem, à beira do poço:
- Estou envergonhado, quero pedir-lhe desculpas.
- Por quê? – perguntou o homem – De que você está envergonhado?
- Nesses dois anos só fui capaz de entregar metade da minha carga, porque essa
rachadura no meu lado faz com que boa parte da água vaze pelo caminho da casa de seu
senhor. Por causa do meu defeito, mesmo tendo todo esse trabalho, você não ganha o
salário completo pelos seus esforços.
O homem apenas acenou com a cabeça. No caminho para a casa de seu senhor, o
homem disse ao pote: Você notou como existem flores no seu lado do caminho? Notou
que, dia a dia, enquanto voltávamos do poço, era você quem as regava? Por dois anos
pude colher essas flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Se você não fosse do
jeito que é, ele não poderia ter tanta beleza para dar graça a sua casa.

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DEFINIÇÕES IMPORTANTES
FARMACOLOGIA: Ciência que estuda a história, as propriedades físicas e químicas, os
efeitos bioquímicos e fisiológicos dos fármacos.

FÁRMACO: Substância ou produto químico que modifica as funções do organismo com


ou sem finalidade terapêutica.

FARMÁCIA: Estabelecimentos de manipulação de fórmulas magistrais e oficinais, de


comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, compreendendo
a dispensação e o atendimento privativo de unidade hospitalar ou de qualquer outra
equivalente de assistência médica.

DROGARIA: Estabelecimento de dispensação e comércio de drogas, medicamentos,


insumos farmacêuticos e correlatos nas suas embalagens originais.

POSOLOGIA: Quantidade que o paciente irá utilizar, dia e hora.

CORRELATOS: Substância, produto, aparelho ou acessório não enquadrado nos


medicamentos. Ex.: produtos dietéticos, óticos, de acústica médica, produtos de higiene e
cosméticos.

DROGA: Derivada do holandês entrou na linguagem médica através do francês drougue,


que tem como significado erva seca. Droga é uma substância ou matéria- prima que tem
a finalidade medicamentosa ou sanitária.

MEDICAMENTO: É um produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado com


finalidade profilática ou preventiva, paliativa, curativa ou para fins de diagnóstico.

RÉMÉDIO: É um termo amplo que designa recursos terapêuticos com a finalidade de


prevenir ou curar doenças. Ex: fisioterapia, psicologia, massagem, acupuntura, reza.

PLACEBO: É uma palavra derivada do latim, do verbo placere, que significa agradar, eu
vou gostar, ou seja, é o efeito psicológico e é muito usado em psicoterapia.

SULCATÓ: Fenda que divide o comprimido em partes iguais. Não recomenda-se partir o
comprimido ao meio, por risco de perder parcialmente seu efeito terapêutico.

RECEITA: Prescrição escrita de medicamento, contendo orientação de uso para o


paciente, efetuada por profissional legalmente habilitado, quer seja formulação magistral
ou alopática.

SUBSTANCIA PROSCRITA: Substancia cujo uso é proibido no Brasil.

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TIPOS DE MEDICAMENTOS
MEDICAMENTOS SIMPLES: São preparados com um só fármaco (Ex: Paracetamol).

MEDICAMENTO COMPOSTO: São preparados a partir de dois ou mais fármacos (Ex:


Atenolol+ Clortalidona, polivitamínicos).

MEDICAMENTO MAGISTRAL: São os medicamentos preparados em farmácia de


manipulação, mediante fórmula contida em prescrição médica (Ex: Psorex mais ácido
salicílico).

MEDICAMENTO DE REFERÊNCIA: Pertencem a uma lista de medicamentos de marca,


são registrados e protegidos internacionalmente; e identificados como medicamentos de
uma determinada indústria ou laboratório (Ex: Novalgina, Tylenol).

MEDICAMENTO SIMILAR: São medicamentos com a mesma fórmula (mesmo fármaco)


dos medicamentos de referência, mas sem a eficácia terapêutica comprovada, e
geralmente os atendentes são bonificados na sua venda (Ex: Cimelide, Captolab).

MEDICAMENTO GENÉRICO: São medicamentos com a mesma formulação de um de


referência e passam por testes de bioequivalência, portanto, são intercambiáveis com os
de referência (Ex: amoxicilina, cefalexina). IMPORTANTE: Possuem uma tarja amarela
com o nome Genérico em preto e negrito.

PSICOTRÓPICO: Substância que pode determinar dependência física ou psicológica


(tarja preta). São regulados pela portaria da ANVISA Nº344/98 (Ex: Diazepam,
Cloxazolam).

MEDICAMENTOS FITOTERÁPICOS: obtidos a partir de plantas medicinais. Eles são


obtidos empregando-se exclusivamente derivados de droga vegetal (extrato, tintura, óleo,
cera, exsudato e outros).

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RECEITUÁRIOS
Modelo de notificação receita “A” oficial – Cor amarela

Impressa pela Secretaria de Estado da Saúde e distribuída pela ANVISA mediante


preenchimento de ficha cadastral. Poderá ser utilizada em todo Território Nacional.

Modelo de notificação receita “B” Azul e especial (branca)

 Só poderá ser utilizada dentro do Estado que concedeu a numeração.


 Impressa pelo profissional, hospitais, clínicas ou instituição.
 A numeração é concedida pela ANVISA da localidade do consultório ou do
estabelecimento de saúde.
 A Notificação de Receita Especial (retinóides de uso sistêmico) deverá estar
acompanhada de Termo de Consentimento Pós-Informação.

Campus obrigatório para a impressão e preenchimento para notificações de receita:

 UF - Unidade Federada (SP)


 Nº - numeração concedida pela ANVISA
 Emitente - identificação com o nome do consultório, hospital ou do profissional, e
endereço completo.
 Data e Assinatura do prescritor, identificando a assinatura mediante carimbo com
inscrição no Conselho Regional, caso esta inscrição não esteja devidamente
impressa no campo emitente.
 Paciente - nome e endereço completos.
 Medicamentos ou substâncias – designar pelo nome genérico ou comercial.
 Quantidade e Forma farmacêutica – quantidade do medicamento a ser dispensada
e forma de apresentação (comprimido, solução, etc).
 Posologia – quantidade que o paciente irá utilizar por dia ou hora.
 Quantidade limite do medicamento permitido para o devido tratamento.
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Exemplos de receitas:

Dr. Hipócrates da Grécia


Av. Epitácio Pessoa, 453, Centro.
João Pessoa, Paraíba.
Telefone: (083) 3224 0978
CRM PB 00002 – CPF 077 436 543/15

Sra. Maria Fulana da Silva


Rua João Lagoa da Silva, 325.
João Pessoa, Paraíba.

Uso interno Ciprofloxacino 500mg - 14 comprimidos Tomar 1(um)


comprimido, por via oral, a cada 12 (doze) horas, por 7 (sete) dias.

João Pessoa, 04 de dezembro de 20XX.

Assinatura do profissional

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Modelo de receita (Medicamento de controle especial)

IMPORTANTE: A PRESCRIÇÃO DE MEDICAMENTOS ANTIBIÓTICOS DESDE O DIA


15/04/2013 DEVE, OBRIGATORIAMENTE, SER REALIZADA EM RECEITUÁRIO DE
CONTROLE ESPECIAL COM RETENÇÃO DE VIA PELA FARMÁCIA!

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QUALIDADE NO ATENDIMENTO
A qualidade no atendimento passa pela satisfação
do cliente, portanto, você deve atender ou superar as
expectativas do público consumidor. O atendimento deve
ser diferenciado, de modo que o cliente sinta-se valorizado.
Assim que ele entrar na farmácia, receba-o com
cordialidade. Mesmo que você esteja atendendo outro
cliente, faça um sinal de que notou a sua presença. Quando
iniciar o atendimento, cumprimente o cliente, chamando-o
pelo nome, caso seja de seu conhecimento. Desculpe-se
por qualquer demora que possa ter ocorrido e demonstre um interesse verdadeiro pelo
seu problema. Descubra a real necessidade e mantenha-se calmo, mesmo diante da
irritação, que por ventura, alguns clientes possam demonstrar. Em caso de dúvida, peça
licença ao cliente e converse com o farmacêutico responsável pela farmácia. Ninguém é
obrigado a saber de tudo. Uma postura pró-ativa e responsável é percebida pelo cliente
de forma positiva.

No momento da dispensação, o balconista deve repassar informações sobre:

 Nome do medicamento;
 Indicação terapêutica do medicamento;
 Posologia;
 Modo de usar;
 Precauções;
 Efeitos adversos que podem ocorrer;
 Interações (fármaco x fármaco; fármaco x
alimento; fármaco x exames laboratoriais);
 Outras informações que sejam indispensáveis,
dependendo de cada caso.

Todos os medicamentos tarjados (tarja preta ou vermelha) somente poderão ser


dispensados mediante a apresentação (e retenção, em alguns casos) da receita expedida
por médico ou cirurgião-dentista. Os medicamentos não-tarjados podem ser dispensados
sem apresentação de receita médica ou odontológica. Nesses casos, a dispensação
ocorre por indicação do farmacêutico. Entre os produtos de dispensação sem exigência
de prescrição médica ou odontológica, destacam-se: profiláticos da cárie; antissépticos
bucais; soluções isosmóticas, de cloreto de sódio, antiácidos e outros.

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SERVIÇOS FARMACÊUTICOS
Além da dispensação, as farmácias poderão oferecer os seguintes serviços
farmacêuticos:

Aferição da pressão

Aferição da temperatura corporal

Determinação da glicemia

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 Medidas de pressão arterial e glicemia não constituem um diagnóstico, em caso de
valores considerados anormais o usuário deverá sempre procurar um médico.
 Nenhum medicamento poderá ser indicado ou ter o seu modo de usar alterado
pelos balconistas de farmácia.
 Os aparelhos e acessórios utilizados para a medição de qualquer parâmetro
fisiológico ou bioquímico devem possuir registro, notificação, cadastro junto à
ANVISA.
 O ambiente destinado aos serviços farmacêuticos deve ser diferente daquele
destinado à dispensação e deve permitir privacidade e conforto aos clientes.
 Um dos cuidados que todo balconista de farmácia terá que tomar antes de se
envolver em qualquer serviço farmacêutico é a higienização das mãos, mesmo que
esteja utilizando luvas é necessário lavar bem as mãos.
 Os produtos utilizados na higienização das mãos são o sabonete comum,
preferencialmente na forma líquida ou em espuma, e um agente antisséptico.

DESENVOLVIMENTO PRÁTICO

1. Qual a diferença entre medicamento de referência, medicamento genérico e


medicamento similar?
2. O que é um medicamento psicotrópico?
3. Cite os principais dados necessários em uma receita de antibióticos.
4. Cite dois exemplos de remédio.
5. Qual a diferença entre Drogaria e Farmácia?
6. O que são medicamentos fitoterápicos?

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FARMACOTÉCNICA
A farmacotécnica é um ramo da farmácia, praticada por profissionais farmacêuticos e
técnicos qualificados, e tem como objeto a manipulação dos princípios ativos para a
fabricação de medicamentos. Nesta área estuda-se o desenvolvimento de novos produtos
e sua relação com o meio biológico, técnicas de manipulação, doses, as formas
farmacêuticas, as interações físicas e químicas entre os princípios ativos e os excipientes.

Quanto ao uso dos medicamentos:


Uso interno – é o medicamento destinado a administração para o interior do organismo
por via oral e pelas cavidades naturais. As vias oral, retal, vaginal, nasal, auricular,
parenteral e pulmonar, constituem, portanto, meios de acesso para os medicamentos de
uso interno.
Ex: Comprimidos e Supositórios
Uso externo – Medicamento destinado à superfície do corpo ou em mucosas facilmente
acessíveis do exterior.
Ex: Cremes e pomadas, etc.

FORMAS FARMACÊUTICAS
Formas líquidas

 Soluções — Dissolvidas em água


 Xaropes — Diluentes em água
 Elixires — Xarope diluído (com álcool )
 Tinturas — Solução concentrada em álcool
 Enemas — Solução de uso retal

Formas sólidas

 Pós (simples e compostas) — Homogêneos e finos


 Grânulos efervescentes — Heterogêneos e maiores
 Comprimidos — Pó + compressão mecânica
 Drágea — Comprimido pequeno e revestimento açucarado
 Cápsulas — Pó dentro de um recipiente sintético(gelatinosa)
 Pastilhas — Bala comum, mas com P.A (principio ativo).

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Formas semi sólidas
 Pomadas — Pastoso + oleoso. Só absorve o principio
ativo; (peles secas e regiões secas).
 Géis — Formas gelatinosa, sem óleo, base alcoólica
 Pastas — Mistura concentrada de água + sólido + pó

Produtos emulsionados

 Cremes — Pastosos ou sem óleo


 Loções — Emulsão de uso tópico/fina
 Leites — Menos consistentes

Suspensões
 Agente de suspensão sólido + água, insolúvel, pó (agitar o medicamento antes de
usar).

Injetáveis
 Pequenos volumes — 5 ml, músculo.
 Grandes volumes — Veia

Preparações oftálmicas
 Colírios — Líquido homogêneo
 Pomadas — Estéreis.
 Produtos para lente de contato — Solução de limpeza, umidificante,
suspensão oftálmica.

Preparações auriculares (usados no ouvido)


 Solução
 Suspensão
 Cremes
 Pomadas

Preparações Nasais: Descongestionante ou jato


Boca e orofaringe: Soluções antissépticas, sprays
Supositórios e óvulos: Pomada de uso retal / Cremes / Géis
Produtos dermatológicos e cosméticos: Xampus, condicionadores e
reparadores de pontas, esmaltes, filtros solares, sabonetes

Correlatos: Algodão, creme dental, etc.

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ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTO
É o processo de preparo e introdução de medicamentos no organismo humano,
visando obter efeitos terapêuticos.

MEDICAMENTOS NATURAIS:

Podem ser de origem:

 Animal: as substâncias medicamentosas são extraídas de glândulas ou peçonhas


de animais (Ex: peçonha de cobra)
 Vegetal: as substâncias são obtidas das diversas partes das plantas
 Minerais: as substâncias são extraídas das fontes de minérios e empregadas sob
a forma de elementos simples como: cloro, ferro, cálcio ou elementos compostos
como sulfato de magnésio, bicarbonato de sódio, permanganato de potássio.

MEDICAMENTOS SINTÉTICOS: São os obtidos em laboratórios, podem também ser


preparados com auxílio de matéria prima natural.

MEDICAMENTOS SEMISSINTÉTICOS: Alteram-se as substâncias naturais objetivando


modificar as características exercidas por elas.

VIA DE ADMINISTRAÇÃO DAS


DROGAS
ADMINSTRAÇÃO ENTERAL: Via oral, tubo digestivo, é a mais utilizada devido à
comodidade da aplicação e o menor custo das aplicações.

VIA SUBLINGUAL: (Colocação embaixo da língua) - Têm um efeito mais duradouro e


uma maior absorção, devido ao suprimento sanguíneo e a pouca espessura da mucosa
responsável pela absorção.

VIA RETAL: É utilizada em pacientes que têm vômitos, estão inconscientes ou não
sabem deglutir (crianças pequenas).

ADMINISTRAÇÃO PARENTERAL: injetável.

VIA CUTÂNEA: Pele, mucosa, absorve medicamentos para efeitos tópicos e sistêmicos e
também toxinas, a absorção por esta via depende da área de exposição da solubilidade
do fármaco na derme.

VIA RESPIRATÓRIA: Estende-se da mucosa nasal até os alvéolos, pode ser usada para
obtenção de efeitos locais ou sistêmicos, uma desvantagem dessa via é a irritação da
mucosa, ocasionada por várias substâncias.

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VIA GENITURINÁRIA: São usualmente empregadas para a obtenção de efeitos locais, as
formas farmacêuticas são soluções, géis, pomadas, óvulos vaginais, geléias. Os métodos
utilizados são as instilações e aplicações.

VIA INTRAVENOSA: Propicia a obtenção de efeito imediato, é a via indicada nas


emergências médicas e nas doenças graves em que as doses devem ser bem
relacionadas e o inicio do efeito deve ser rápido.

VIA INTRAMUSCULAR: É considerada mais segura do que a intravenosa. A absorção


depende do fluxo sanguíneo no local e do grupo muscular utilizado, observa-se que há
uma absorção maior no músculo Deltóide do que no glúteo (nádegas).

VIAS SUBCUTANEA E SUBMUCOSA: Abrangem respectivamente as áreas abaixo da


pele e das mucosas, a via subcutânea não é adequada para administração de grandes
volumes (apenas 0,5 a 2,0 ml são injetáveis confortavelmente).

VIA INTRADÉRMICA: Constata o fármaco com a derme mediante injeção ou por raspado
na derme, devido às pequenas quantidades administradas é mais utilizada para testes
diagnósticos e vacinação.

VIA INTRA-ARTERIAL: Também é raramente empregada, pelas dificuldades técnicas e


pelo risco que oferece. A justificativa do uso tem sido a alta concentração de fármacos,
antes de ocorrer sua diluição por toda circulação.

USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS


X AUTOMEDICAÇÃO

No dia 5 de maio, é comemorado o Dia Nacional do Uso Racional de


Medicamentos. A data foi criada para alertar sobre as preocupações do Ministério da
Saúde frente ao uso indiscriminado de medicamentos e automedicação, que geram o
risco de intoxicação, além de destacar sobre a maneira correta de tomar remédios.
Dentre as causas de intoxicação registradas em todo o país, as causadas por
medicamentos ocupa o primeiro lugar, à frente dos produtos de limpeza, dos agrotóxicos

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e dos alimentos estragados. Uma pesquisa do Sistema Nacional de Informações Tóxico-
Farmacológicas (Sinitox), ligado à Fundação Oswaldo Cruz, mostrou que dos quase 108
mil casos registrados de intoxicação humana, os medicamentos lideraram a lista de
principais agentes tóxicos com 30,5% das ocorrências. O uso irracional além de gerar
custos ao paciente, que pode não estar sendo tratado da maneira mais adequada e assim
levará mais tempo para a cura, também onera o Sistema de Saúde. A farmacêutica e
consultora técnica do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos
do MS, Geisa Maria Grijó, explica como isso acontece: “Conheço o caso de uma pessoa
que ficou tomando chá durante um bom tempo para curar gripe. Além de não curar, ela
acabou tendo um quadro de pneumonia severa e ficou internada durante um mês. Um
prejuízo para o organismo dela e um gasto para a saúde. Às vezes, ao invés de se ajudar,
a pessoa está se prejudicando por querer se curar sem saber exatamente o que tem. Ela
poderia ter evitado isso indo ao médico e tomando os remédios certos”. Automedicação –
A automedicação é a utilização de medicamentos por conta própria ou por indicação de
pessoas não habilitadas para tratamento de doenças cujos sintomas são percebidos pelo
usuário, sem a avaliação prévia de um profissional de saúde. A farmacêutica Geisa Maria
Grijó, explica que remédios são mais perigosos do que parecem ser. “Têm pessoas que
tomam dois comprimidos de remédio para dor de cabeça porque acham que um só não
vai fazer efeito. As pessoas têm que entender que o medicamento também é uma droga.
É um principio ativo de uma droga. Em excesso ou com mau uso pode trazer malefícios”,
explica. O médico que prescreve também precisa estar atualizado com informações
isentas de interesses da indústria farmacêutica. A prescrição também deve sempre vir
acompanhada de uma orientação adequada, pois de nada adianta um paciente tomar
determinado medicamento para pressão alta ou diabetes, por exemplo, e não seguir
outras orientações de cuidados com a saúde. Uso racional – Para a Organização Mundial
de Saúde (OMS), o uso racional acontece quando pacientes recebem medicamentos
apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades
individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade. O
uso racional também implica na oferta de tratamentos, insumos e tecnologias com base
nas melhores práticas terapêuticas e assistenciais, amparadas em evidências científicas
seguras, estudos clínicos com resultados confiáveis, e que, principalmente, tenham sido
avaliados pelas instâncias regulatórias e de fiscalização no País, no caso a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
Ações do Ministério da Saúde – Com o intuito de incentivar o Uso Racional de
Medicamentos, o Ministério da Saúde mantém uma lista de medicamentos essenciais
(RENAME), além de coordenar o Comitê Nacional para Uso Racional de Medicamentos,
incentivar o ensino deste conteúdo nos cursos de graduação e pós-graduação, contribuir
para a divulgação de informações isentas de interesse privados e coordenar programas
que promovem o acesso aos medicamentos em todo o país, como o Aqui Tem Farmácia
Popular.

TERRA, Camilla. PROMOÇÃO DA SAÚDE: Dia do Uso Racional de Medicamentos lembra dos perigos da
automedicação. 2013. Disponível em: <http://www.blog.saude.gov.br/>. Acesso em: 11 out. 2016 .

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ORGANIZAÇÃO DA FARMÁCIA
A organização de uma farmácia é de fundamental importância para que ela seja
tanto atrativa para os clientes quanto atenda às exigências da legislação sanitária. O
Atendente de farmácia será o profissional responsável por várias etapas da organização
dos estabelecimentos farmacêuticos.

INFRAESTRUTURA FÍSICA

Cada farmácia tem que possuir:

 Área destinada para a dispensação de


medicamentos;
 Ambientes adicionais para o recebimento e
armazenamento dos produtos;
 Depósito de material de limpeza;
 Espaço destinado às atividades administrativas,
além de sanitário;
 As superfícies internas do piso, paredes e teto
devem ser lisas, impermeáveis e laváveis,
resistindo aos agentes sanitizantes comumente empregados;
 Os espaços devem estar livres da presença de insetos e roedores.

RECEBIMENTO DOS PRODUTOS

Vários itens deverão ser conferidos no momento do


recebimento:

 O bom estado de conservação do produto;


 A legibilidade do número de lote e do prazo de
validade;
 A presença de mecanismo de conferência da
autenticidade e origem do produto.

Esses cuidados visam proteger o consumidor de medicamentos contra produtos


falsificados, corrompidos, adulterados, alterados ou impróprios para o uso.

CONDIÇÕES DE ARMAZENAMENTO

 O armazenamento deve considerar as especificações do fabricante;


 O ambiente destinado ao armazenamento deve ser mantido limpo;
 Os produtos podem ser armazenados em armários ou prateleiras, desde que
afastados do piso, parede e teto;
 Para os medicamentos controlados a farmácia precisa manter um sistema
segregado para armazenamento. Deve ficar separado dos outros medicamentos.

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ORGANIZAÇÃO E EXPOSIÇÃO DOS PRODUTOS

 Os produtos devem ser organizados em área de circulação comum ou em área de


circulação restrita aos funcionários, conforme o tipo e categoria do produto.
 Os artigos de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria podem e devem ficar
expostos na área de circulação comum, ao alcance dos clientes.

LIMPEZA DOS AMBIENTES

 O procedimento de limpeza do espaço para a prestação de serviços farmacêuticos


deve ser realizado diariamente no início e ao término do horário de funcionamento.

RECURSOS HUMANOS

 Todos os funcionários devem estar identificados (crachá, por exemplo);


 Se possível, utilizando fardamento;
 Todos os equipamentos de proteção individual (EPI), usados para proteção do
funcionário, do usuário e do produto contra contaminação ou outros danos, devem
ser disponibilizados pela farmácia.

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FARMACOCINÉTICA
A Farmacocinética estuda os processos de absorção,
distribuição, metabolização e excreção, sofridos pelo
fármaco quando administrado em um organismo.

Absorção: Compreende a passagem do fármaco do


ponto onde foi administrado até o aparecimento do
mesmo na corrente sanguínea.

Distribuição: Compreende a passagem do fármaco


da corrente circulatória para os líquidos intersticiais
(líquido presente nos espaços entre as células) e intracelulares (líquido presente no
interior das células).

Metabolização: Objetiva preparar o fármaco para a excreção. O principal local onde


ocorre este processo é o fígado, mas os pulmões, intestinos e sangue podem metabolizar
vários fármacos também.

Excreção: Os fármacos podem ser excretados por vias incluindo os rins (urina), o trato
gastrintestinal (bile e fezes), os pulmões (ar exalado), glândula mamária e suor, sendo as
mais comuns a via renal e fecal.

ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES


EFEITOS COLATERAIS: São os efeitos não intencionais e secundários, porém,
esperados de um fármaco. Podem ser inofensivos ou prejudiciais.

EFEITO ADVERSO: São considerados como resposta grave a um medicamento. Efeito


inesperado (Ex: Um paciente torna-se comatoso ao ingerir um fármaco).

EFEITO TÓXICO: Pode se desenvolver após o uso prolongado de um medicamento.

REAÇÕES ALÉRGICAS: É uma reação imprevisível de uma medicação. As reações


podem ir de leve a grave, como por exemplo, o choque anafilático ( constrição do músculo
brônquico, edema de faringe e laringe, chiado, encurtamento respiratório).

DOSE MÍNIMA: É a menor quantidade da droga capaz de produzir efeito terapêutico.

DOSE MÁXIMA: É a maior quantidade de uma droga, capaz de produzir efeito


terapêutico, sem apresentar efeitos indesejáveis.

DOSE DE MANUTENÇÃO: É a dose necessária para manter os níveis desejáveis de


medicamento na corrente sanguínea e tecidos, durante o tratamento.

SINERGISMO: Quando o efeito de dois fármacos combinados é maior que quando dados
separadamente.
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ANTAGONISMO: Há antagonismo entre 2 drogas quando a intensidade do efeito de uma
é reduzida ou anulada pelo efeito da outra.

DOSIMETRIA

Dado importante para medição de doses em volume: 1 ml = 20 gotas.

Medições caseiras: 1 colher de chá = 5 ml

1 colher de sobremesa = 10 ml

1 colher de sopa = 15 ml

Importante: Preferível medir doses em copos ou seringas graduados.

CLASSES FARMACOLÓGICAS
Outra classificação dos medicamentos leva em conta o efeito principal pelo qual
eles são utilizados terapeuticamente. Vamos passar algumas informações básicas sobre
as principais classes de medicamentos disponíveis nas farmácias do Brasil. Valem
lembrar que o balconista não indica medicamentos para os clientes, apenas os entrega
juntamente com informações sobre o modo correto de uso. Somente o médico e o
cirurgião dentista estão habilitados e autorizados por lei para prescrever medicamentos. E
os farmacêuticos também podem indicar medicamentos, desde que seja não tarjado.

FÁRMACOS QUE ATUAM NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL


Antidepressivos: São fármacos indicados para a depressão e outros transtornos
depressivos de humor. Exemplos: amitriptilina e fluoxetina.
Estabilizadores de humor: Fármacos indicados para o tratamento do transtorno bipolar
de humor. Exemplo: lítio.
Ansiolíticos: Indicados para os transtornos de ansiedade, como transtorno de estresse
pós-traumático e transtorno de ansiedade generalizada. Exemplos: bromazepam e
diazepam.
Hipnótico-sedativos: Indicados para induzir o sono. Exemplos: midazolam e zolpidem.
Anticonvulsivantes: Indicados para transtornos epileptiformes. Exemplos:
carbamazepina e topiramato.

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Antiparkinsonianos: Indicados para o tratamento de Mal de Parkinson. Exemplos:
biperideno e levodopa + carbidopa.

FÁRMACOS QUE ATUAM NO SISTEMA CARDIOVASCULAR

Antiarrítmicos: Indicados para o tratamento de arritimias cardíacas. Exemplos:


adenosina, sotalol.
Anti-hipertensivos: Indicados para o tratamento da hipertensão arterial.
Simpatolíticos: Doxazosina, propranolol.
Vasodilatadores: Hidralazina, nitroprusseto de sódio.
Diuréticos: Furosemida, hidroclorotiazida.
Outros fármacos: Captopril, losartana.

FÁRMACOS DO APARELHO RESPIRATÓRIO

Antitussígenos: Inibem o reflexo da tosse. Exemplos: cloperastina, dropropizina.


Expectorantes e mucolíticos: Promovem a expectoração. Exemplos: ambroxol,
carbocisteína.
Fármacos para o resfriado: Aliviam os sintomas do resfriado comum. Exemplos:
nafazolina, paracetamol.
Antiasmáticos: Indicados para a profilaxia de crises agudas de asma ou para o alívio do
broncoespasmo, quando já instalado. Exemplos: salbutamol, zafirlucaste.

FÁRMACOS QUE ATUAM NO TRATO GASTRINTESTINAL

Anti-secretores: Fármacos utilizados no tratamento da gastrite e úlcera péptica


Antiácidos: Aliviam os sintomas de azia e queimação. Exemplos: bicarbonato de sódio e
hidróxido de alumínio.
Antidiarreicos: Indicados para casos de diarréia. Exemplos: loperamida e racecadotrila.
Laxantes e purgantes: Indicados para casos de constipação intestinal. Exemplos:
metilcelulose e óleo mineral.
Digestivos: Auxiliam o processo da digestão no trato gastrintestinal. Exemplos:
alcachofra, boldo.
Espasmolíticos ou antiespasmódicos: Reduzem a motilidade do trato gastrintestinal,
aliviando os espasmos viscerais. Exemplos: atropina, escopolamina.

FÁRMACOS QUE INTERFEREM NO METABOLISMO E NUTRIÇÃO

Anorexígenos: Auxiliam no tratamento de perda de peso por promover a redução ou


perda de apetite ou, ainda, a absorção de gorduras. Exemplos: orlistate, sibutramina.

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Antidiabéticos: Indicados para casos de diabetes mellitus. Exemplos: insulina glargina,
metformina, glibenclamida.
Fármacos para hipotireoidismo: Indicados para casos de hipotireoidismo. Exemplos:
levotiroxina.
Fármacos para hipertireoidismo: Indicados para casos de hipertireoidismo. Exemplos:
propiltiouracila.

Agentes que afetam a calcificação: Usados para distúrbios no metabolismo do cálcio.


Exemplos: ácido zoledrônico, calcitonina.

VITAMINAS

Substâncias essenciais ao metabolismo dos seres vivos, necessárias em quantidades


muito pequenas.

Vitaminas hidrossolúveis: Vitaminas solúveis em água. Exemplos: ácido ascórbico (Vit.


C), piridoxina (B6).
Vitaminas lipossolúveis: Solúveis em lipídios. Exemplos: betacaroteno (vit A), tocoferol
(vit E).

ANTICONCEPCIONAIS

Indicados para evitar gravidez. Exemplo: etinilestradiol, levonorgestrel.

ANTIALÉRGICOS:

Indicados para casos de alergias. Exemplos: dexclorfeniramina, pimetixeno.

FÁRMACOS USADOS NA DOR E NA INFLAMAÇÃO

Indicados para condições que apresentam dor ou inflamação. Exemplos: ácido


acetilsalicílico, diclofenaco de sódio.

FÁRMACOS USADOS EM INFECÇÕES

Antivirais: indicados para infecção causada por vírus. Exemplo: osseltamivir.


Antibacterianos: indicados para infecção causada por bactérias. Exemplos: amoxicilina,
ciprofloxacino.
Antifúngicos: indicados para infecção causada por fungos. Exemplos: cetoconazol,
nistatina.
Antiparasitários: indicados para parasitoses. Exemplos: mebendazol.

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O QUE FAZ O BALÃO SUBIR?

Era uma vez um velho homem que vendia balões numa festa.
Para atrair compradores, o homem deixou um balão vermelho soltar-se e elevar-se nos
ares.
Estava ali perto um menino.
Estava observando o vendedor e, é claro apreciando os balões.
Depois de ter soltado o balão vermelho, o homem soltou um azul, depois um amarelo e
finalmente um branco.
Todos foram subindo até sumirem de vista.
O menino, de olhar atento, seguia a cada um.
Ficava imaginando mil coisas…
Uma coisa o aborrecia, o homem não soltava o balão preto.
Então aproximou-se do vendedor e lhe perguntou:
- Moço, se o senhor soltasse o balão preto, ele subiria tanto quanto os outros?
O vendedor de balões sorriu compreensivamente para o menino, arrebentou a linha que
prendia o balão preto e enquanto ele se elevava nos ares disse:
- Não é a cor, filho é o que está dentro dele que o faz subir.

A DIFERENÇA DA NOSSA VIDA NÃO ESTÁ NA APARÊNCIA, E SIM NO


NOSSO CONTEÚDO.

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