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UCSAL Nilton Góis

AULA 3 – Corrente Alternada


Eletromagnetismo - Lei de Oersted - Lei de Faraday/Lenz - Gerador CA –
Transformador- Representação Vetorial- Valor Eficaz

As propriedades de um imã têm semelhanças com as de uma carga elétrica. O


que atraia nossa atenção, quando crianças, para um imã, era a capacidade de
atrair objetos, o que hoje se sabe que este “atrair objetos” é explicado pela
capacidade do imã de exercer uma força, assim como uma carga elétrica. O
importante é que se existe força existe a possibilidade de realizar trabalho. Esta
força entre imãs (polos contrários se repelem e polos contrários se atraem) pode
ser entendida pela seguinte equação:

F = k ( P x p ) / d2 , onde ;

k, é uma constante que depende do ambiente em que a força está agindo;

P e p, é o “magnetismo”em cada imã, chamada de unidade polar;

d, a distância entre os imãs.

Esta força pode agir no espaço em torno do mesmo. Este espaço recebe uma
denominação, Campo Magnético. Nas proximidades do imã esta força pode se
manifestar e a ação dela é organizada, como ilustra a Figura 1.

FIGURA 1

Fonte : Mundo da educação

Estas linhas são conhecidas como linhas de força, pois a ação da força é
tangenciando estas linhas. Quando existem 2 imãs próximos os campos se
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combinam formando um único campo magnético, criando uma nova configuração,


que apresenta algumas peculiaridades que interessa ao estudo de eletricidade. A
Figura 2 apresenta o aspecto de como fica a configuração deste campo
combinado.

Figura 2

Fonte:Silo.tips

Aproximando 2 polos iguais o campo se anula e não vai existir ação de força
magnética. Com polos contrários as curvas, vão se achatando nas proximidades
do encontro, chegando a se tornarem retas paralelas no espação entre os polos
contrários. É exatamente esta região onde a força é constante (retas são
paralelas, não mudam a curvatura), chamada de Campo Magnético Uniforme, que
vai dar origem ao grande desenvolvimento do uso de energia elétrica.

A grandeza Campo Magnético, matematicamente é calculado pela equação:

= F / p, força magnética por unidade polar.

Colocando uma superfície qualquer, tipo um condutor dobrado, dentro de um


campo magnético uniforme, e observando a quantidade de linhas de força que
estão dentro da superfície, define-se uma grandeza chamada Fluxo Magnético - 
.

Fluxo Magnético que atravessa uma superfície: “colocando-se uma superfície


perpendicularmente á direção das linhas de força, a quantidade de linhas contidas
dentro da superfície constitui o fluxo magnético que a atravessa”.
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Qualquer corpo colocado dentro de um campo magnético sofre influência do


mesmo, em maior ou menor escala, dependendo de sua natureza, esta influência
é chamada de Indução Magnética - , que pode ser definida de 2 formas. A
primeira é em função da intensidade do campo magnético:

B = , onde o  é a permeabilidade magnética e depende da formação atômica


do corpo exposto ao campo .

A segunda é em função do fluxo magnético:

B =  / Sp, onde Sp é o valor da área perpendicular exposta ao campo


magnético.

Observem a Figura 3, que representa uma região no espaço entre 2 polos


diferentes de imãs onde existe um campo magnético uniforme, e o paralelepípedo
seria preenchido pelas várias Linhas de Força do campo. Dentro deste campo foi
colocado um condutor dobrado, com uma superfície, de área S, perpendicular à
direção destas linhas. Nesta posição toda a área S estaria exposta e o máximo de
linhas de força a atravessaria – o Fluxo Magnético seria o maior possível.

FIGURA 3

Se um agente externo, por exemplo uma pessoa, usando algum mecanismo,


conseguisse girar a superfície, alterando a posição da mesma, como indicado na
Figura 4, percebe-se que o Fluxo Magnético vai diminuir, pois a exposição é
menor e, algumas linhas de força não mais atravessariam a seção S e sim a sua
projeção vertical. Quando, continuando o giro, a superfície fizesse um ângulo de
90 o com a vertical, ficando em paralelo com a direção das linhas de força, o Fluxo
Magnético seria zero, pois nenhuma linha de força a atravessaria (a projeção
vertical da superfície seria nula).
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FIGURA 4

Visto isso, busquemos uma expressão que defina a área perpendicular, que varia
à medida que a superfície S é movimentada. Ao colocar a superfície
perpendicularmente, a sua projeção vertical tem o valor máximo e vale S, porém à
medida que vai sendo girada, esta projeção vai diminuindo, enquanto o ângulo - 
- vai aumentando e, quando o ângulo com a vertical chegar ao valor de 90 o , a
projeção é nula. Usando conceitos básicos de trigonometria, o valor do cos  ,
na Figura 4, será cos  = Sp / S , o que resulta em :

Sp = S cos 

O valor da projeção perpendicular varia com o ângulo, então será preciso


relembrar conceitos de movimento circular, pois este é um ângulo em movimento,
e achar uma expressão que explique perfeitamente o valor de um ângulo variável
com o tempo. No estudo de movimento circular uniforme existe uma expressão
que atende o desejado. Um ângulo que varia com o tempo depende: do tempo e
da velocidade do movimento. O tempo é representado simplesmente por – t – e a
velocidade em um movimento circular é a velocidade angular, w. O valor do
ângulo será então:

 = w . t (velocidade x tempo), como em cinemática, só que aqui o espaço


percorrido é o ângulo. A área perpendicular será:

Sp = S cos wt
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Sobre velocidade angular pode-se, ainda como recordação de movimento circular,


dizer que w = 2  f , onde f é a frequência.

Por uma questão didática, representa-se aqui a expressão que determina a


Indução Magnética em uma superfície : B =  / Sp, e substituindo a equação da
área perpendicular deduzida, tem-se :

B =  / S cos wt, o que daria para o Fluxo Magnético a equação :

 = B S cos wt

O que se estudou até aqui dos fenômenos associados ao magnetismo, será


usado, após uma pequena recordação histórica de algumas descobertas de
cientistas e estudiosos do século 19, importantíssimas para compreensão do uso
de eletricidade como se faz atualmente.

Em 1820, um cientista dinamarquês Hans Christian Oersted, fazendo


experimentos com corrente elétrica, percebeu que uma bússola, colocada na
mesa onde fazia os experimentos com corrente elétrica, movimentava sua agulha
sempre que existia corrente passando. Assim que cessava a corrente a agulha da
bússola voltava à sua posição original. Como a agulha é um imã e indica a direção
dos polos magnéticos da terra, se aconteceu movimento é porque algum outro imã
a perturbou. Oersted então montou o experimento mostrado na Figura 5.

FIGURA 5

Fonte: Mundo da educação


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E enunciou o que ficou conhecida como Lei de Oersted : “Uma corrente ao circular
cria ao seu redor um campo magnético, transformando o condutor em um imã”.
Era este imã que fazia a agulha da bússola se movimentar. Este é o princípio
fundamental do ramo da eletricidade chamada de Eletromagnetismo e foi esta
descoberta que iniciou a grande revolução pois, até esta descoberta, a eletricidade
e o magnetismo eram tratados de formas bem separadas, e Oersted descobriu
uma conexão, pois um fenômeno elétrico era capaz de provocar um fenômeno

No ano de 1831, Michael Faraday fez experimentos procurando descobrir se o


fenômeno de Oersted tinha um vice-versa, isto é se um fenômeno magnético
poderia criar um elétrico e montou, exatamente aquele arranjo que foi usado para
achar a expressão de Fluxo Magnético, Figura 4.

Movendo a superfície S, descobriu que surgia nas extremidades do condutor


dobrado, uma Diferença de Potencial e se juntasse a este condutor dobrado mais
outro a DDP aumentava; quanto mais superfícies colocasse e as movimentasse,
uma DDP era criada. Parando o movimento parava o fenômeno. Então enunciou a
suas descoberta que mudaria o mundo, e foi enunciada da seguinte forma: “Se em
uma superfície dentro de um campo magnético acontecer variação do fluxo
magnético que a atravessa, surgirá entre as extremidades dela uma diferença de
potencial, capaz de criar corrente elétrica “, e é conhecida como a Lei de Faraday.

A tensão criada tem a seguinte forma : E = - N (d / dt)

Onde N é a quantidade de superfícies, pois quanto mais superfícies dentro do


campo magnético, maior a força eletromotriz gerada.

Faraday descobriu que a criação da FEM era devido à variação do fluxo


magnético, mas a forma como é conhecida a Lei de Faraday, tem uma
contribuição valiosa de um físico russo Heinrich Friedrich Emil Lenz, que em 1833
descobriu que esta FEM criada por variação de fluxo tende a criar
uma corrente contrária à esta variação, dai o sinal menos na equação.

Toda a produção de energia elétrica no mundo é feita usando este princípio


(exceto, nos dias atuais, a Geração Solar Fotovoltaica).

Nas hidroelétricas a energia usada para movimentar as superfícies é da água


acumulada na barragem construída com uma diferença de nível para o local onde
será instalado o gerador. A Figura 6 é uma visão geral de uma instalação com a
finalidade de gerar energia elétrica usando a energia da água acumulada, uma
usina Hidrelétrica, onde vista-se, a parte da água acumulada, os vertedouros e a
parte de geração propriamente dita.
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Figura 6

Fonte : Oficina da Net

A Figura 7 mostra um esquema do funcionamento de uma Usina Hidroelétrica.


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FIGURA 7

Fonte : Wikipédia

A água do reservatório é liberada, abrindo comporta instalada na entrada do duto,


como existe uma diferença de nível (varia conforme a usina, em Paulo Afonso tem
de 112 m e de 50 m) entre a entrada do duto e o ponto onde está instalada a
turbina, a energia potencial se transforma em cinética e a água batendo nas pás
da turbina provoca um giro. A turbina está presa a um eixo, que na parte superior
sustenta as superfícies, fazendo-as girar e assim gerando a FEM Induzida.

Para que se possa ter uma ideia do conjunto girante (turbina e superfícies) as
Figuras 8 e 9 mostram, respectivamente, a turbina e as superfícies (quando
montadas vão estar ligadas por um eixo).
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FIGURA 8

Fonte: Eletrical E-Library

As pás da turbina giram regulando a entrada da água, conforme as necessidades


de energia, quanto mais água mais potência é gerada.

FIGURA 9

Fonte : Autoracing.com
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Estas superfícies estarão imersas em um Campo Magnético Uniforme criado por


um eletroímã. Ficam acima da turbina presas a um eixo comum com esta.

A FEM criada desta forma se apresenta de uma forma bem diferente do que se
conhecia em corrente contínua, que sempre tinha o mesmo valor e a mesma
direção. Esta tensão depende de algo que varia com o tempo, se existe variação
ao longo do tempo o valor não pode ser o mesmo. E é esta “estranheza” que é
preciso entender.

A tensão gerada usando a Lei de Faraday é uma variável no tempo. Será preciso
desenvolver esta equação para um melhor entendimento. Como a FEM é criada
pela variação de fluxo, pega-se a equação de fluxo,  = B S cos wt, e substitui-
se na equação da FEM, E = - N (d / dt).

E = - N d(B S cos wt) / dt, desenvolvendo sabe-se que os seguintes parâmetros


são constantes para um determinado gerador :

N – a quantidade de superfícies (chamadas de espiras) é constante;

B – é indução magnética (B = ), mas a permeabilidade é fixa (depende do


material) e o campo magnético é uniforme, não muda;

S – é a área que, claro, não se altera;

w – é a velocidade angular da movimentação das superfícies, que é um valor


imutável para geradores, pois w = 2f e a frequência é única e vale 60 Hz para o
Brasil e a grande maioria do mundo ( alguns poucos usam 50 Hz);

Fazendo a derivação obtém-se:

E = N B S w sen wt, derivada composta (coswt), derivada de coswt é (– senwt).

A FEM gerada é um valor variável com o seno, é uma curva senóide, que, como o
seno, terá um valor máximo, quando o seno for 1, vai reduzindo até zero, quando
o seno for zero, e depois muda de direção ficando negativa, quando o seno for
negativo, crescendo de valor negativo até atingir o pico negativo (igual ao positivo
em módulo) e depois vai se aproximando de zero, assim como o seno.

A Figura 10 representa uma tensão gerada por variação de fluxo magnético, que
uma curva, matematicamente conhecida como uma senóide.
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FIGURA 10

Quando o seno é zero (quando o tempo t=0), a FEM gerada é nula e vai
crescendo e quando o seno chegar a 1, ela vai ter o seu valor máximo que,
analisando a equação da FEM Induzida será de: EM = N B S w , e a equação pode
ser escrita da seguinte forma :

E = EM sen wt

A primeira estranheza ao analisar este resultado é o seguinte: quando a tensão for


zero a corrente será também zero, então a luz, por exemplo, não apaga? A
resposta é não e o segredo está na velocidade de mudança, na frequência, que é
de 60 Hz, o que significa que a tensão varia com uma grande rapidez, pois um
ciclo (tensão sai do zero, vai ao máximo, vai ao mínimo e volta a zero), acontece
60 vezes em apenas um segundo. Frequência de 60 Hz significa que acontecem
60 ciclos por segundo. Esta frequência é conhecida como frequência comercial, ou
industrial.

A corrente que resultará da utilização deste tipo de tensão, também vai ter a
mesma forma, pois a lei de Ohm, rege a relação entre tensão e corrente. A
diferença entre a curva da tensão e da corrente é apenas os valores máximos.

i = IM sen wt, a corrente também vai variar com o seno.


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O fato dos valores variarem ao longo do tempo, mas sempre se repetindo, como
os valores de seno se repetem, levou a nomear esta forma de energia como
Tensão Alternada ou Corrente Alternada.

Os geradores de tensão alternada em funcionamento no mundo todo, geram


tensões no nível de 13,8 a 18 kV, que, para a quantidade de potência que
produzem, é uma tensão bem pequena, só para ilustrar, este é o nível de tensão
que a COELBA usa aqui dentro de Salvador para levar energia aos diferentes
bairros da cidade, é uma tensão de distribuição dentro das cidades. Se o
transporte fosse feito neste nível de tensão a corrente teria um valor tão alto que
inviabilizaria trazer energia entre Paulo Afonso e Salvador (lá existem geradores
de 13,8 kV, os mais antigos, e 18 kV, os mais novos, como na Usina de Xingó).

P=VxI

O que permite o transporte, tornando esta operação economicamente viável, é o


uso de um equipamento capaz de alterar a tensão gerada sem causar mudanças
na potência. Este equipamento será apresentado agora, ele é o Transformador.

Transformador

O equipamento é construído usando os princípios básicos do Eletromagnetismo,


estudados até agora. A Figura 11 representa um equipamento transformador.

FIGURA 11

Fonte : Educação Globo

O equipamento é construído da seguinte maneira: usando um núcleo de ferro


formado por várias chapas coladas (o ferro é um excelente condutor magnético)
enrola-se no lado 1, denominado de primário do transformador, N1 espiras (voltas
de um condutor) tendo o cuidado de isolar os condutores do ferro, usando
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condutor esmaltado ou um material isolante abraçando o ferro. No lado 2,


denominado de secundário do transformador, enrola-se N2 espiras. A tensão
alternada, criada no gerador, é ligada ao transformador, fazendo circular uma
corrente alternada do tipo i = IM sen wt, nas espiras do primário. A corrente cria,
pela Lei de Oersted, um campo magnético, que vai abraçar todo o equipamento e,
como o ferro é um excelente condutor magnético, este campo abraça igualmente
os 2 lados. Este campo, por ser criado por uma corrente que varia com o tempo, é
variável com o tempo. As espiras ficam imersas neste campo magnético variável,
logo existe um fluxo magnético atravessando estas superfícies, e como o campo
magnético é variável, este fluxo também varia. Pela Lei de Faraday se existe
variação de fluxo magnético vai surgir nas extremidade das superfícies uma
tensão calculada por:

E = - N (d / dt),

No caso aqui será criada uma tensão no primário, que vale: V1 = - N1 (d / dt).

No lado secundário, a mesma variação de fluxo magnético acontece e será criada


outra tensão causada por esta variação: V2 = - N2 (d / dt).

A interpretação é: entra uma tensão no transformador e sai outra!!!!

A relação entre elas será:

V1 / V 2 = - N1 (d / dt) / - N2 (d / dt)

V1 / V 2 = N1 / N2

Esta relação é a “relação de transformação” do Transformador. Uma relação de


1:10, por exemplo significa que para cada espira ( volta) no primário tem-se 10 no
secundário, o que causaria o efeito de multiplicar por 10 a tensão que chegar no
primário. Este é exemplo de um transformador elevador, mas também existem os
transformadores abaixadores, por exemplo, se a relação de transformação for de
10:1 (para cada 10 voltas no primário teria apenas 1 volta no secundário, tem-se
mais espiras no primário e menos no secundário), significa que vou a tensão vai
ser reduzida de 10 vezes (para cada 10 unidades de volt no primário tem-se 1
volt no secundário). Este equipamento está presente em todo sistema criado para
usar energia elétrica.

Estes equipamentos estão na vida de todos muito presentes e despercebidos.


Uma sequência da sua existência é a seguinte:

- Usina geradora cria tensão 18 kV e um transformador a eleva para 500 kV;

- Em Camaçari, em subestação da Chesf 500 kV é transformada pra 230 kV;


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-Em Salvador, na subestação da Chesf de Pituaçú transformadores altera 230 kV


para 69 kV;

- Na subestação da COELBA de Pituaçú 69 kV é transformado para 11,9 kV;

- Na subestação da Ucsal transformadores alteram 11,9 kV em 220 V / 127 V;

- O seu carregador de celular transforma 127 V em 5 V;

- A TV de sua casa altera 127 V para 12 V.

A compreensão do uso da tensão alternada é idêntica ao uso da corrente


contínua, pois as leis de eletricidade não se alteram.

Exemplos de Utilização de Corrente Alternada

1) Considere que uma resistência de 10  está ligada `a uma tensão


alternada que vale : vAB = 320 sen wt. A Figura 21 mostra o esquema:

FIGURA 12

Para calcular a corrente usa-se: V= R i e, como a tensão vale vAB = 320 sen wt, a
equação ficaria:

320 sen wt = 10 x i , cujo resultado é simplesmente;

i = 32 sen wt.

2) Sabendo que, nos esquemas da Figura 13, a corrente entre os pontos A e


B vale i = 10 sen wt, calculem as tensões em cada um.
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Figura 13

Ferramentas para Analisar o Uso de Tensão Alternada

A análise do que acontece quando está se usando eletricidade, consiste


basicamente em somar ou subtrair tensões ou correntes (lembrem dos sistemas
de distribuição em CC, das associações série e paralelo, etc.). Quando estas
grandezas são expressas por equações que variam com o tempo, pode ser bem
trabalhoso somar ou subtrair, pois não são números.

Para operar com as grandezas alternadas serão apresentadas ferramentas que


auxiliarão a somar e subtrair estas grandezas variáveis com o tempo.

Representação Vetorial

A primeira ferramenta é a transformação destas expressões em vetores, fazer


uma representação vetorial de correntes e tensões alternadas, pois conseguindo
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isto, somar ou subtrair vetores é mais compreensível que operar com as


expressões.

Uma corrente alternada tem a seguinte equação que expressa o seu


comportamento: i = IM sen wt, sendo assim, uma onda senoidal. O vetor que vai
representá-la é um “vetor girante” com módulo igual ao valor máximo. Para um
melhor entendimento é necessário examinar a Figura 14.

FIGURA 14

Pela expressão da corrente, quando o tempo, t, é zero, na origem das


coordenadas, o valor é nulo, pois seno de 0o é zero. Para o vetor, a posição que
corresponderia a este valor é horizontal, com sentido para a direita (a expressão
da corrente é, em trigonometria, a projeção vertical – seno é cateto oposto /
hipotenusa), pois a projeção vertical é zero. À medida que o tempo vai passando,
a corrente vai crescendo na curva senoidal, e o vetor se movimenta no sentido
anti-horário. Em qualquer instante percebe-se que o valor da curva IM senwt,
coincide com a projeção vertical do vetor de módulo IM enquanto o valor da curva
vai aumentando, a projeção também cresce. Analisando a Figura 3, quando o
vetor estiver na posição do ângulo , o valor da corrente coincide com a projeção
vertical do vetor (IM sen wt). Quando a corrente chega ao máximo a projeção do
vetor tem o valor máximo, pois  é 90 0, e o seno vale 1, a corrente será IM.
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O vetor que vai representar uma corrente com a expressão i = IM sen wt, será um
vetor horizontal, sentido para a direita e módulo IM, como na Figura 15.

FIGURA 15

Para melhor entender como esta representação vetorial pode auxiliar em soma ou
subtração de grandezas alternadas, imaginemos um nó onde chegam duas
correntes, Figura 16, uma com a expressão i1 = IM sen wt e a outra fosse uma
cossenóide i2 = IM cos wt.

FIGURA 16

A corrente resultante, pela lei de Kirchoff, é a soma: i = i1 + i 2. Atentar que as


correntes não são valores fixos, são variáveis no tempo, são 2 curvas cuja soma
seria a soma dos pontos de uma com os pontos da outra curva, o que daria um
bocado de trabalho!!!!! A solução mais confortável é usar o expediente de
representar as correntes por vetores e assim facilitar a soma. A Figura 17 vai
ajudar a compreender melhor, como isto pode ser feito.
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FIGURA 17

O desenho superior representa a corrente i1 e o outro a corrente i2.

Nota-se que na origem, quando t = 0 e o ângulo é 0o , a i1 tem valor zero ( seno de


0o é zero), por isso horizontal orientada para a direita, enquanto no mesmo
instante a corrente i2 tem seu valor máximo pois cos 0o é 1, e o seu vetor é
vertical orientado para cima. As correntes, vetorialmente serão representadas
como na Figura 18.

Figura 18
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A soma das correntes passa a ser tratada como uma soma vetorial: a soma de 2
vetores, segunda a análise vetorial é: colocar a origem do segundo na
extremidade do primeiro e a resultante tem origem na origem do primeiro e
extremidade na extremidade do segundo, logo é fácil calcular a soma, como
mostra a Figura 19.

FIGURA 19

O módulo da resultante será o valor máximo da corrente total:

IMR = (IM 2 + IM2)

A direção da corrente resultante será (wt + ), e a expressão dela ficará:

I = IMR sen (wt + )

Então esta ferramenta permite, partindo de uma expressão, achar o vetor que a
representa e vice-versa, conhecendo o vetor é possível deduzir a expressão da
grandeza alternada, tensão ou corrente.

Valores Eficazes de Tensão e Corrente Alternadas

Quando precisa-se medir tensão e corrente alternada, usa-se um equipamento de


medição com múltiplas funções, multímetro. Colocando as pontas de prova, por
exemplo, em uma tomada para medir a tensão, a leitura será de um único valor,
em Salvador seria 127 V, ou valor próximo. Apesar da tensão ser variável, o
aparelho de medição indica um único valor. Este valor é uma medida do efeito que
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a tensão causou no equipamento (a variação não é percebida pelo multímetro,


pois aparelhos de medição são calibrados para mensurar os efeitos do que estão
medindo).

Para esclarecer melhor considere o seguinte experimento em corrente contínua:


em uma resistência, ligada a uma determinada tensão contínua V, está circulando
uma corrente de valor I1; depois de 1 minuto altera-se a tensão aumentando a
corrente para um valor I2; 1 minuto depois reduz-se a corrente voltando para I1;
depois de 1 minuto retorna para I2 e assim por diante, vai alternando os mesmos
valores, em intervalos de tempo iguais. Claro que a resistência vai estar sendo
aquecida, e uma potência está sendo usada, pois se existe corrente, existe efeito
dela sobre a resistência, mensurada pela potência, cuja equação, para resistência,
pode ser expressa por P = R. I2 (P=V. I, e V = R . I)

A Figura 20 mostra o esquema do circuito e o gráfico corrente x tempo

FIGURA 20

Qual seria o valor de corrente que poderia circular, sem variar, e fazer o mesmo
efeito destes 2 valores se alternando em períodos de tempo iguais? Com este
valor é possível calcular a potência, que é uma medida do que a corrente
provocou na resistência: P = RI2

Uma análise simples leva à conclusão que este valor que faria o mesmo efeito, e
pode ser usado na equação de potência para obter o efeito desejado, é a média
aritmética simples, isto é: IE = (I1 + I2) / 2. Se isso ocorresse com 10 valores
diferentes de corrente e o intervalo de tempo de aplicação dos valores fosse o
mesmo, o valor que representa o efeito destes valores se alternando seria a média
(soma de todos os valores dividido por 10).
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Pensando em fazer o mesmo raciocínio para corrente alternada, isto é, ligando a


mesma resistência R da análise anterior em uma tensão alternada a corrente que
circularia seria: i = IM senwt, uma senóide, como na Figura 21.

FIGURA 21

Qual seria a corrente que poderia ser colocada na equação P=RI2, para medir o
efeito destes vários valores alternados de corrente? O valor médio não pode ser
usado, pois, matematicamente seria zero, pois os mesmos valores positivos se
repetem na onda negativa. Fisicamente sabe-se que o efeito, tanto no positivo
quanto negativo é o mesmo, vai acontecer aquecimento da água.
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A solução pensada foi a seguinte: como o resultado do efeito P=RI2 é função do


quadrado da corrente, pode-se achar o valor médio do quadrado da corrente e
multiplicar este resultado pela resistência. Para conseguir isso transforma-se a
senóide em uma onda quadrada elevando cada ponto da curva ao quadrado.

O resultado está mostrado na Figura 22, onde o pico da onda, o maior valor, é IM2
e o valor médio de uma onda quadrada vale simplesmente metade do maior valor,
que significa que a média será : IM2/2.

FIGURA 22

O valor médio é uma corrente elevada ao quadrado, e para ter o valor do efeito da
corente é só calcular a potência, no caso é só multiplicar este valor médio pela
resistência:

P = R (IM2/2)

Para achar o valor da corrente que mediria o efeito pode-se fazer o seguinte:
comparar 2 equações, esta acima e outra que seria expressa em função da
corrente do efeito: P = R Ie 2

Igualando as equações: R Ie 2
= R IM2/2 , tem-se que a corrente do efeito na
resistência seria:

Ie = IM / 2
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Esta corrente é chamada de Valor Eficaz da corrente e seu significado é que, se


essa corrente circulasse com este valor todo o tempo, faria o mesmo efeito dos
valores alternados. O valor eficaz é exatamente o que se consegue ler nos
aparelhos de medição, pois estes medem efeito e o mensuram.

O mesmo se aplica para valores de tensão alternada, isto é, uma tensão expressa
por v= VM senwt, tem um valor Eficaz que vale : VM / 2

No dia a dia de análise de sistemas de uso de corrente alternada se trabalha com


valores eficazes de tensão e corrente.

Para fixar mais estes conceitos novos é interessante fazer alguns exercícios.

Exemplos

a)

Cujos resultados foram, com i= 10 senwt , resultou em : vAB = 190 senwt , para o
primeiro arranjo e VAB = 80 senwt, para o segundo. Agora vocês vão:
a) Representar a corrente e as 2 tensões como vetores;
b) Calcular os valores eficazes da corrente e das 2 tensões.

2)
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Neste exemplo a tensão era VAB = 380 senwt, que resultou nas correntes
seguintes: i = 27,1 senwt, para o primeiro e i= 26,2 senwt para o segundo arranjo.
10 senwt , resultou em : vAB = 190 senwt , para o primeiro arranjo e VAB = 80
senwt, para o segundo. Agora vocês vão:
a) Representar a tensão e as 2 correntes como vetores;
b) Calcular os valores eficazes das correntes e da tensão.

2) No desenho seguinte, conhecendo as correntes que entram no nó, calcular a


corrente que sai do nó. A corrente I1 = 8 senwt e I2 = 6 coswt.

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